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Livro: Comunicação para o Planejamento Profissional

Livro sobre comunicação para o planejamento profissional, organizado pela ULBRA. Contém discussões de sociolinguística, variações culturais e étnico-raciais, comunicação e carreira, mídias contemporâneas, leitura e interpretação, texto verbal e não verbal, oralidade, narrativa pessoal e discurso acadêmico.

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Comunicação para 
o Planejamento 
Profissional
Comunicação para 
o Planejamento 
Profissional
Organizado por Universidade Luterana do Brasil
Universidade Luterana do Brasil – ULBRA
Canoas, RS
2018
Almir Mentz
Cléa Silvia Biasi Krás
Débora Teresinha Mutter da Silva Mota
Edgar Roberto Kirchof
Ítalo Nunes Ogliari
Jane Sirlei Kuck Konrad
Lisane Félix Veloso
Obra organizada pela Universidade Luterana do Brasil. 
Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores 
a emissão de conceitos.
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida 
por qualquer meio ou forma sem prévia autorização da 
ULBRA.
A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei 
nº 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal.
ISBN: 978-85-5639-275-6
Dados técnicos do livro
Diagramação: Marcelo Ferreira
Revisão: Igor Campos Dutra
Conselho Editorial EAD
Ana Patricia Barbosa
Andréa de Azevedo Eick
Astomiro Romais
Claudiane Furtado
Italo Ogliari
Juliane Maria Puhl Gomes
Lourdes da Silva Gil
Luiz Carlos Specht Filho
Maria Cleidia Klein Oliveira
Rafael da Silva Valada
 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 
 
 
Setor Biblioteca EAD ULBRA Canoas 
 
 
 
C728 Comunicação para o Planejamento Profissional [online] / Almir 
Mentz [et al.]; organizado por] Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). – 
Canoas: Ed. ULBRA, 2018. 
 255 p. : il. 
 
 
 Versão online disponibilizada em 2018. 
 
1. Linguística. I. Universidade Luterana do Brasil. II. 
Título. 
 
 
 
 
 CDU 81’4 
 
O dinamismo de nosso tempo exige, com vistas às nossas aspirações e metas, não apenas que nos aprimoremos constantemente, mas que, 
cada vez mais, saibamos nos adaptar. Em uma sociedade liquefeita, que 
desconstrói e reconstrói suas verdades, seus valores e suas estruturas de 
modo cada vez mais rápido, destaca-se aquele que, com maleabilidade, 
sabe se ajustar, enquadrar-se às inúmeras situações que o mercado de-
manda e, na adversidade, criar. Dentro desse rol de competências, em uma 
era de informação veloz e extremamente multimidiática, está a capacidade 
comunicativa de um indivíduo.
Pensar as inúmeras questões que envolvem o universo da comunicação 
e todo o jogo que o atual contexto sociocomunicacional nos coloca é in-
dispensável para seu planejamento profissional. Justamente por isso, apre-
sentamos, como parte integrante do grupo de disciplinas que compõem o 
Eixo de Projeto de Vida/Formação, esta unidade de ensino. Iniciaremos, 
nos Capítulos 1 e 2, com algumas questões debatidas, hoje, pela socio-
linguística, que nos fazem pensar, ou repensar, determinados fenômenos 
da linguagem e que nos possibilitam ressignificar, assim, alguns conceitos 
importantes para a compreensão da diversidade em que estamos inseridos.
No terceiro capítulo, entraremos, mais propriamente, na essência desta 
nossa disciplina: as relações entre a comunicação e a carreira profissio-
nal, abordando tópicos que serão, posteriormente, desenvolvidos de forma 
mais precisa nos capítulos seguintes, como os novos espaços e os novos 
desafios da comunicação por meio das mídias contemporâneas e do uni-
verso das redes sociais, a leitura e interpretação de textos verbais e não 
verbais, a argumentação e a produção escrita, a oralidade e tudo aquilo 
que a envolve, a capacidade de se relacionar por meio do diálogo, a cons-
Apresentação
Apresentação v
trução da narrativa pessoal para a composição do currículo e, por fim, o 
discurso acadêmico em suas mais variadas modalidades.
Desejamos a todos uma ótima trajetória e que este material possa co-
laborar para que os objetivos de cada um que por ele passe, a partir de 
um conhecimento construído pela verdadeira relação entre teoria e prática, 
sejam atingidos.
Prof. Dr. Ítalo Ogliari
Coordenador do Curso de Letras
 1 Língua, linguagem e as Diferentes Situações 
Sociocomunicativas ...............................................................1
 2 Diferenças culturais, questões étnico-raciais e variações 
linguísticas..........................................................................25
 3 Comunicação e carreira profissional: perspectivas para um 
novo contexto .....................................................................47
 4 Comunicação e mídias contemporâneas: novos espaços; 
novos desafios ....................................................................66
 5 Leitura, compreensão e interpretação: aprimorando a 
capacidade receptiva ..........................................................96
 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia e a 
capacidade de leitura .......................................................118
 7 Argumentação e produção escrita .....................................146
 8 O poder da fala: oralidade, protagonismo e relações 
interpessoais ....................................................................175
 9 Narrativa pessoal e construção do currículo ......................194
 10 Discurso e Redação Acadêmica .........................................216
Sumário
Jane Sirlei Kuck Konrad1
Capítulo 1
Língua, Linguagem e 
as Diferentes Situações 
Sociocomunicativas1
“A primeira necessidade? Comunicar-se”
(Madre Teresa)
1 Especialista em Docência Universitária. Professora na Universidade Luterana do 
Brasil.
2 Comunicação para o Planejamento Profissional
Introdução
Não há interação humana, não há trabalho e ou mesmo vida 
em sociedade sem que haja comunicação. E não há comuni-
cação sem que haja linguagem. É por meio dessa articulação 
que nos relacionamos não apenas com as pessoas, mas com o 
mundo, e a ele nos integramos. Utilizamo-nos da linguagem, 
em suas mais diversas formas e nos mais diferentes contextos 
e situações, o tempo todo. Por isso, antes de qualquer debate 
que venha permear a ideia central desta disciplina, precisamos 
explorar dois importantes conceitos: o de língua e o de lingua-
gem, objetivo deste nosso primeiro capítulo. Veremos que a 
linguagem é um fenômeno social, desenvolvida pela neces-
sidade humana de conviver em grupos, assim como aborda-
remos seu dinamismo, percebendo como ela se modifica e se 
adapta às necessidades do próprio homem. E discutiremos, 
por fim, o conceito de língua, juntamente ao de fala, explo-
rando seu caráter social e coletivo e compreendendo a língua 
como uma das formas de linguagem. Vamos começar?
1 Linguagem
O ser humano é um ser social e político por natureza. Certa-
mente, você já ouviu essa afirmação. Quem a defendeu foi o 
filósofo grego Aristóteles, que viveu entre os anos 384 a.C. a 
322 a.C. Em sua famosa obra A Política, ele mostrou que o 
homem vive em grupo não por desejar, mas por necessidade. 
Para Aristóteles, nenhum homem pode bastar-se a si mesmo. 
Capítulo 1 Língua, linguagem e as Diferentes Situações... 3
“Aquele que não precisa dos outros homens, ou não consegue 
conviver com eles, ou é um deus, ou uma besta” (2002, p. 38).
Como podemos notar, essa necessidade é tão antiga quan-
to o próprio ser humano. Desde os primórdios, a humanidade 
se organizou socialmente, e uma das necessidades primordiais 
da vida em sociedade é a comunicação. O homem desenvol-
veu a linguagem porque precisava se comunicar, e assim ele 
faz até hoje, e a cada dia de forma mais complexa e com no-
vas ferramentas.
Claro, como bem sabemos, nos 
primórdios da humanidade, ele 
não usava uma linguagem aprimo-
rada, como temos hoje, mas algo 
extremamente rudimentar, a exem-plo das pinturas rupestres.
Por mais rudimentar que fosse 
essa comunicação, ela servia para as necessidades básicas: 
estabelecer um elo entre eles e o mundo a seu redor. Inú-
meras descobertas de pinturas primitivas, em cavernas, como 
mencionamos anteriormente, mostram cenas comuns do dia 
a dia da vida naquele tempo e desse modo de comunicação 
humana.
Ao longo desse desenvolvimento, o ser humano foi criando 
diversos recursos e alternativas que o auxiliassem nesse pro-
cesso. Certamente, logo aprendeu, também, que poderia usar 
gestos e produzir, a partir da articulação do aparelho fonador, 
sons diversos e de diferentes intensidades; assim, desenvolveu 
a fala e, mais tarde, a escrita. Passou a usar todos esses ins-
4 Comunicação para o Planejamento Profissional
trumentos para definir coisas, para dar significados e ser com-
preendido pelos seus semelhantes. Somos, todos nós, seres 
da linguagem. Organizamos nosso mundo e nos organizamos 
nele por meio dela. Nossos conceitos, nossa ciência, nossa 
história e nossas verdades nada mais são do que elaboração 
discursiva, narrativas, como bem nos ensinou Michel Foucault.
Somos seres narrativos. É a partir da linguagem que pro-
duzimos e transmitimos nosso conhecimento, seja por meio do 
texto falado ou escrito, ou mesmo por mapas, dos números ou 
das mais variadas formas de gráficos, fórmulas e diagramas 
(que discutiremos nos capítulos que seguem). Tudo é lingua-
gem, e linguagem é interação. Sem a linguagem, essa intera-
ção, que está no fundamento da vida em sociedade, seja no 
espaço privado da família ou no espaço público do trabalho, 
não aconteceria.
Desde que um homem foi reconhecido por outro como 
um ser sensível, pensante e semelhante a si próprio, o 
desejo e a necessidade de comunicar-lhe seus sentimen-
tos e pensamentos fizeram-nos buscar meios para isso. 
(ROUSSEAU, 2003 p. 52)
Isso tudo não significa que os outros seres não possuam 
linguagem. Os animais também possuem sua linguagem. Mas 
a linguagem humana se difere da linguagem dos animais. 
Os animais agem de forma muito mais instintiva do que nós, 
que agimos muito mais pela influência de uma determinada 
cultura. O homem, diferente dos outros seres, é um animal 
cultural. A linguagem dos animais é herdada geneticamente. 
É limitada.
Capítulo 1 Língua, linguagem e as Diferentes Situações... 5
Animais falantes só existem na ficção. Até mesmo a de-
nominada “linguagem das abelhas” não deve ser enten-
dida propriamente como linguagem, já que é restrita a 
apenas dois aspectos: abrigo e comida. Ao contrário da 
linguagem humana, “a linguagem das abelhas” não é 
um produto cultural, não é aprendida, e sim transmitida 
hereditariamente, fazendo parte de sua natureza biológi-
ca. Não se descobriu nada até hoje que comprove que 
as abelhas possam expandir o conjunto de sinais utili-
zados em sua “linguagem”, ao contrário do que pode 
ocorrer na linguagem humana. (TERRA, 2008, p. 12)
Se observarmos um cachorro, por exemplo, ele repetirá a 
mesma linguagem em qualquer lugar e contexto. Por outro 
lado, se a linguagem animal é limitada, a linguagem humana, 
por sua vez, é elaborada e complexa. Em outras palavras, o 
ser humano tem a capacidade de expressar ideias, pensamen-
tos e sentimentos.
A bem ver, o homo sapiens não surgiu, no mais remoto 
tempo, por ter assumido uma posição ereta, combinan-
do o poder criador da mente com a liberdade de servir-se 
dos braços e da mão, mas também por ter-se tornado se-
nhor da arte de comunicar-se com os demais indivíduos, 
substituindo o grito animalesco pela palavra aliciadora. 
(REALE, 2002, p. 1)
Os meios usados para expressar a linguagem humana, as-
sim, são diversificados, mudando de contexto para contexto e 
se transformando constantemente, o que ocorre por meio de 
sinais, símbolos, sons, gestos, regras convencionais, escrita, 
6 Comunicação para o Planejamento Profissional
mímica, arte etc. Nos exemplos a seguir, você identificará al-
guns modos de linguagem que fazem parte do nosso cotidiano.
Resumindo, a linguagem, assim, nasce a partir de uma ne-
cessidade primordial do homem: a de viver em sociedade e 
de interagir não apenas com o próprio homem, mas com o 
mundo que o cerca. É, como disseram Heidegger e Gada-
mer, o solo de uma cultura, aquilo que possibilita o homem 
a participar e a estar integrado, antropologicamente, a esse 
“acervo de tudo aquilo que a espécie humana veio acumu-
lando ao longo de sua experiência histórica” (REALE, 2002, 
p. 1). A sociabilidade e o saber humano estão, na linguagem, 
fundamentados.
Capítulo 1 Língua, linguagem e as Diferentes Situações... 7
1.2 Tipos de linguagem
Quando debatemos sobre linguagem, não podemos nos es-
quecer de que ela existe e se manifesta de diferentes maneiras, 
dependendo dos sinais que utiliza e do modo ou contexto. 
Assim, podemos dividir a linguagem da seguinte forma:
1.2.1 Linguagem verbal
A linguagem verbal é aquela que usa a palavra, escrita ou 
falada, para comunicação. É amplamente utilizada em dife-
rentes situações: jornais, revistas, diálogos, sites, filmes, repor-
tagens, livros, cartas etc. Observe os exemplos a seguir: todos 
eles são exemplos de linguagem verbal.
Congresso Internacional do Medo
Provisoriamente 
não cantaremos o 
amor, que se refu-
giou mais abaixo 
dos subterrâneos. 
Cantaremos o 
medo, que este-
riliza os abraços, 
não cantaremos o 
ódio, porque este 
não existe, existe 
apenas o medo, 
nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, 
dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das 
8 Comunicação para o Planejamento Profissional
mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, 
o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o 
medo de depois da morte. Depois morreremos de medo e 
sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drumond de Andrade
Esses são alguns exemplos do uso de linguagem verbal, 
nos quais podemos identificar níveis diferentes de complexi-
dade. Elaborar um poema ou um texto de jornal exige uma 
articulação e compreensão diferentes do que simplesmente 
escrever palavras em uma placa.
1.2.2 Linguagem não verbal
A linguagem não verbal, que você estudará de modo mais 
preciso no Capítulo 6, utiliza outros métodos de comunicação. 
Podem ser imagens, gestos, sons, símbolos, expressão facial, 
mímica, sinais de trânsito, linguagem corporal, gestos etc. Re-
pare nos exemplos a seguir; todos transitem uma mensagem 
usando linguagem não verbal:
Capítulo 1 Língua, linguagem e as Diferentes Situações... 9
A linguagem não verbal é bastante comum em nossos dias. 
É a comunicação além das palavras. Nos exemplos anteriores, 
facilmente identificamos a mensagem que cada sinal, imagem, 
gesto ou símbolo transmite. Alguns sinais são convenções cria-
das para facilitar o entendimento, como é o caso da placa do 
cigarro e da placa com seta virando à direita em um círculo 
vermelho com uma linha atravessada, indicando o sinal de 
proibido. Entendemos facilmente que é proibido fumar ou que 
é proibido virar à direita. Tal como entendemos que o dedo 
polegar levantado é sinal de positivo, que está tudo bem etc. 
Assim como o emoji, figura criada recentemente para mensa-
gens eletrônicas, indica tristeza.
1.2.3 Linguagem mista
Na linguagem mista, usa-se simultaneamente a linguagem 
verbal e a linguagem não verbal. É o uso de palavras escritas e 
figuras simultaneamente. A linguagem mista também é bastan-
te comum em nossos dias; pode aparecer em placas, histórias 
em quadrinhos, charges, outdoors, charges, filmes, peças de 
publicidade etc. A seguir, temos a linguagem mista em cada 
um dos exemplos:
10 Comunicação para o Planejamento Profissional
A linguagem mista, em alguns casos, reforça o que a lin-
guagem não verbal já apresentapor si só, que é o caso da 
placa: proibido fumar, cão bravo e risco de morte. Vai depen-
der do objetivo e do público que essa mensagem quer atingir.
2 Língua
Agora que você já compreendeu, por meio de um aparato 
teórico sólido, o que significa linguagem, trataremos do con-
ceito de língua, que nada mais é do que uma das formas de 
manifestação da linguagem e um dos meios que o ser humano 
possivelmente mais utiliza para se comunicar.
Tal como a linguagem, a língua também é um fenômeno 
social e se desenvolve, sempre, a partir de um determinado 
grupo e de um determinado contexto. Jamais nasce no âm-
bito individual. Ela pode, por exemplo, ser falada por peque-
nos grupos, como tribos indígenas, ou por um ou mais paí-
ses, como é o caso da Língua Portuguesa. De qualquer forma, 
sempre pertencerá a um determinado povo e a uma determi-
nada cultura. Como afirmou Rousseau, “não se sabe de onde 
é um homem antes que ele tenha falado” (2003, p. 52). Isso 
tudo faz ser possível afirmar que as línguas não existem além 
Capítulo 1 Língua, linguagem e as Diferentes Situações... 11
dos indivíduos. Quando você nasceu, por exemplo, sua língua 
já existia. Quando você morrer, provavelmente, ela continuará 
existindo. Por estar viva e por pertencer a um grupo, seguirá, 
da mesma forma, se modificando e se renovando.
Quando discutimos a transformação de uma língua, é im-
portante lembrar que nenhum falante pode ou consegue mo-
dificá-la conforme achar melhor, a partir de uma percepção 
ou verdade unicamente sua. Assim como uma cultura, que 
possui sua dinâmica na coletividade, a língua depende de to-
dos, pois ela é um fato cultural como qualquer outro. Se uma 
pessoa que fala a Língua Portuguesa no Brasil resolvesse usar 
um nome diferente para os meses do ano, por exemplo, não 
teríamos uma transformação, mas um fato que acarretaria em 
uma grande dificuldade para a comunicação dela com os de-
mais falantes. Por surgir de um grupo e pertencer a esse grupo, 
ela adota um regramento, uma convenção. Só assim é possí-
vel que todos se entendam, ou seja: ao mesmo tempo em que 
se trata de um aparato cultural, “trata-se de um sistema de na-
tureza gramatical, pertencente a um grupo de indivíduos, for-
mado por um conjunto de sinais (palavras) e por um conjunto 
de regras para combinação destes” (TERRA, 2008, p. 13).
O linguista Saussure, de base estruturalista, assim como 
muitos pensadores de sua época, define esse fenômeno como 
uma espécie de contrato social, como um acordo subentendi-
do, implícito entre os muitos indivíduos de um contexto no qual 
se fala a mesma língua que é passível de fixação e sistematiza-
ção em dicionários e gramáticas. Para ele, ela é a norma para 
todas as demais manifestações da linguagem.
12 Comunicação para o Planejamento Profissional
Como a língua é um instrumento vivo e em constante de-
senvolvimento, ela absorve as transformações que acontecem 
nos contextos culturais e, então, só assim se modifica. A Lín-
gua portuguesa, por exemplo, trata-se de uma construção que 
levou algum tempo até se chegar ao que temos hoje: surge 
do Latim Vulgar, levada pelos soldados romanos, passa por 
transformações, adaptações durante séculos, até se consolidar 
naquilo que conhecemos hoje como o Português Moderno. 
Na formação do Português Brasileiro, percebe-se claramen-
te a influência das diferentes culturas, que também trouxeram 
palavras que foram incorporadas, como: cafundó – lugar lon-
gínquo – (africana), Gambá – guambá (indígena).
Na atualidade, em função da globalização, da expansão 
da tecnologia, dentre outras questões, somos influenciados 
culturalmente por inúmeros países, o que também se percebe 
pela entrada de palavras novas em nossa língua, algumas até 
aportuguesadas, como deletar (delete), escanear (scanner) e 
filmar (film).
Por outro lado, a língua também é entendida como um 
elemento de reconhecimento e de identidade cultural. Segun-
do Ilari (2013), quando alguém nela se insere, acontece uma 
identificação muito eficaz, pois as pessoas se identificam com 
ela ou com os falantes dela. Cada língua carrega consigo as 
singularidades e a identidade de um povo. Por isso, ao nos 
inserirmos na nossa própria língua, participamos da manuten-
ção e valorização da nossa identidade como brasileiros, por 
exemplo. Saber compreender e respeitar as mais diversas ma-
nifestações linguísticas é um exercício fundamental em nosso 
tempo.
Capítulo 1 Língua, linguagem e as Diferentes Situações... 13
3 Fala
Se a língua emana do coletivo, o mesmo não se pode dizer 
da fala. Ela é entendida como um ato individual, pois cada 
indivíduo pode optar em usar variedades da língua quando 
fizer uso da fala.
A fala é sempre individual e seu uso depende da vonta-
de do falante. Nem a língua, nem a fala são imutáveis. 
A língua evolui, transformando-se historicamente. Por 
exemplo, algumas palavras perdem ou ganham sílabas; 
outras deixam de ser utilizadas; novas palavras surgem 
de acordo com as necessidades, sem contar com os em-
préstimos de outras línguas com as quais a comunidade 
mantém contato. A fala também se modifica, de acor-
do com a história pessoal de cada indivíduo, com suas 
intenções, com sua formação escolar, com sua cultura, 
com as influências que ele recebe do grupo social a que 
pertence. (CEREJA, 2013, p. 8)
Língua e fala estão interligadas. Uma não sobrevive sem 
a outra. Para compreendermos a fala, é necessário a língua, 
mas também há a necessidade da fala para que uma língua se 
estabeleça. É a fala que faz a língua evoluir, pois é por meio 
dela que as mudanças se estabelecem, onde se promove a 
atualização do sistema linguístico. É considerada um ato in-
dividual porque a pessoa que a utiliza a usa conforme suas 
necessidades, de acordo com cada situação, ambiente e con-
texto. Isso faz com que possa haver uma grande diversificação 
no ato de se falar.
14 Comunicação para o Planejamento Profissional
A fala é um ato individual: cada falante tem o domínio 
da língua que fala e, em decorrência disso, pode usá-la 
como bem lhe aprouver dentro das regras preestabeleci-
das pelo contrato coletivo ajustado com os demais falan-
tes. (TERRA, 1997, p. 17)
Muitos aspectos, inclusive, devem ser considerados ao pen-
sarmos sobre a maneira como as pessoas falam, o que en-
volve idade, sexo, grau de escolaridade, trabalho, questões 
geográficas, profissão etc. É só a partir do estudo da fala que 
podemos entender as variações da língua em diferentes con-
textos, sejam históricos, regionais ou sociais. Esse assunto, no 
entanto, será aprofundado no próximo capítulo deste livro.
3.1 Fala e escrita
Outra questão importante a ser observada é que há diferenças 
entre a língua falada e a língua escrita. A escrita é sempre o 
estágio posterior de uma língua – que sempre surge de forma 
oral para depois ser codificada, sistematizada e organizada. 
Com esse surgimento, foi possível representar graficamente e 
de modo mais duradouro, apesar de imperfeito, a língua fa-
lada. A seguir, e para melhor entendimento, traremos alguns 
aspectos que diferenciam, de forma prática, a língua escrita da 
língua falada:
 Â A língua falada é natural ao ser humano – adquirida 
junto com outros falantes em um contexto social. A es-
crita é uma manifestação formal do letramento, ou seja, 
adquire-se na escola.
Capítulo 1 Língua, linguagem e as Diferentes Situações... 15
 Â A fala é interacional, vai acontecendo. A escrita é mais 
elaborada, exige um maior tempo de planejamento.
 Â Enquanto falar é um processo dinâmico, escrever é es-
tático.
 Â A fala possui um fluxo discursivo descontínuo, e a escrita 
um fluxo discursivo fixo.
 Â Falar não exige um planejamento tão rigoroso. Escrever, 
sim, exige uma precisão maior, uma melhor organiza-
ção.
4 Situações sociocomunicativas
Estamos envolvidos,continuamente, em situações comunicati-
vas, escritas ou orais, seja no âmbito familiar, profissional ou 
acadêmico. Esses relacionamentos refletem, de algum modo, 
nosso papel social, pois, como seres sociais, podemos desem-
penhar diferentes papéis. O processo comunicativo, nessa di-
versidade contextual, leva a diferentes situações sociocomuni-
cativas.
Flowler e Krees, sobre as diferentes situações comunicati-
vas, afirmam que “É certo que esta competência de comuni-
cação enriquecida variará segundo os indivíduos, ao invés de 
ser a mesma para toda a população linguística” (2010, p. 13). 
Em outras palavras, existem diferentes intenções e finalidades 
que são usadas para se comunicar, que vai depender de quem 
escreve ou fala e também do papel social que essa pessoa 
16 Comunicação para o Planejamento Profissional
ocupa. Essas diferentes intenções, para os teóricos, são defini-
das como gêneros.
O gênero é um constituinte específico e importante da es-
trutura comunicativa da sociedade, de modo a constituir 
relações de poder bastante marcadas em especial dentro 
das instituições. O gênero reflete estruturas de autorida-
de e relações de poder por muito claras. Obrserve-se o 
caso da vida acadêmica e veja-se quem pode emitir um 
parecer, dar aula, confeccionar uma prova, defender tese 
de doutorado, e assim por diante. Os gêneros são as 
formas de organização social e expressões típicas da vida 
cultural. (MARCHUSI apud MILLER, 2004, p. 12)
Ainda para Marcuschi (2004), os gêneros caracterizam-se 
muito mais por suas funções comunicativas, cognitivas e insti-
tucionais, por isso estão vinculados à vida cultural e social. São 
os textos que encontramos em nossa vida diária e que apresen-
tam padrões sociocomunicativos. São formas textuais escritas 
ou orais bastante estáveis, histórica e socialmente situadas.
Como há diferentes situações sociocomunicativas, have-
rá, também, diversas formas de comunicação. Isso acontece 
porque tanto aquele que transmite uma mensagem, quanto 
aquele que a recebe tem capacidade de definir o que é ade-
quado para cada momento. Por exemplo, não seria apropria-
do elaborar uma ata em uma conversa entre um pai e um filho 
sobre os valores de uma mesada. Isso não cabe nesse contexto 
comunicativo, mas caberá em uma assembleia ou em uma re-
união de negócios, em que é fundamental que alguns registros 
sejam formalizados.
Capítulo 1 Língua, linguagem e as Diferentes Situações... 17
Alguns desses gêneros são bastante convencionais quanto 
a sua estrutura e forma, como, por exemplo, atas, requerimen-
tos, que não podem ser feitos de outra forma, enquanto outros 
são flexíveis, como chat, por exemplo. Como dito anteriormen-
te, o contexto da situação sociocomunicativa é que vai definir 
o modelo a ser usado.
Recapitulando
Neste capítulo, fundamental para o que ainda trabalharemos 
nesta disciplina, abordamos os conceitos de linguagem e de 
língua. Vimos que a linguagem é tão antiga quanto a exis-
tência do ser humano e de sua vida em sociedade. Surgiu 
de forma rudimentar e foi se aprimorando e adaptando pela 
necessidade de comunicação: um sistema convencionado que 
permite ao ser humano se comunicar com os outros, e que se 
subdivide, conforme estudamos, em verbal, não verbal e mista.
Na segunda parte, abordamos o conceito de língua e de 
fala. Vimos que a língua é considerada apenas uma forma de 
linguagem e que pode ser definida como um sistema organi-
zado, formado por um conjunto de sinais, que possui regras e 
que pertence a um grupo de pessoas, assumindo, assim, um 
caráter sempre coletivo, diferente da fala. A fala, por sua vez, 
como debatemos, tem caráter individual. Ao falar a mesma 
língua, cada pessoa o faz individualmente, usando seu próprio 
jeito de fazê-lo e adaptando-a conforme o contexto e necessi-
dades. É pela fala que temos as principais formas de variação 
de uma determinada língua.
18 Comunicação para o Planejamento Profissional
Por fim, falamos sobre diferentes situações sociocomuni-
cativas que nada mais são do que a capacidade que cada 
comunicador precisa ter para identificar o que é apropriado 
ou não para cada situação sociocomunicativa.
Referências
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Mundo. São Paulo: Folha de São Paulo, 2010.
CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza A. C. Gra-
mática Reflexiva: texto, semântica e interação. São Paulo: 
Atual, 2013.
ILARI, Rodolfo. Reflexões sobre língua e identidade. In: Diá-
logos entre língua, cultura e sociedade. Org. Lilian do 
Rocio Borba e Cândida Mara Brito Leite. Campinas: Mer-
cado de Letras, 2013.
LUFT, Celso Pedro. Língua e liberdade. 4. ed. São Paulo: 
Ática, 2005.
MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais emergentes no contexto 
da tecnologia digital. In: MARCUSCHI, L. A. & XAVIER, A. 
C. (Orgs.). Hipertexto e gêneros digitais. Rio de Janeiro: 
Editora Lucerna, 2004.
ORLANDI, Eni Pulcinelli. O que é linguística. São Paulo: Bra-
siliense, 2006.
REALE, Miguel. Cultura e Linguagem. Disponível em: 
<http://www.miguelreale.com.br/artigos/cultling.htm>. 
Acesso em: 12 set. 2017.
Capítulo 1 Língua, linguagem e as Diferentes Situações... 19
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Ensaio sobre a origem das lín-
guas. São Paulo: Escala, 2003.
SALDANHA, Luís Cláudio Dallier. Fala, Oralidade e Práticas 
Sociais. Curitiba: Intersaberes, 2016.
SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. 4. ed. 
São Paulo: Cultrix,1972.
TERRA, Ernani. Linguagem, língua e fala. São Paulo: Scipio-
ne, 1997.
Atividades
O tirinha a seguir servirá de base para as Questões 1 e 2.
 1) O autor usou, nas situações acima, as linguagens verbal 
e não verbal. Observe e identifique o efeito humorístico 
produzido pela associação entre os desenhos e as falas 
20 Comunicação para o Planejamento Profissional
das personagens e redija um texto dissertativo, com média 
de 15 linhas, acerca dessa articulação entre os dois tipos 
de linguagem.
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 2) Ainda sobre a história em quadrinhos, assinale a proposi-
ção correta.
 I. A linguagem verbal é desnecessária para o entendimen-
to do texto.
Capítulo 1 Língua, linguagem e as Diferentes Situações... 21
 II. Linguagem verbal e não verbal são necessárias para a 
construção dos sentidos pretendidos pelo autor.
 III. Sem a imagem mostrada no último quadrinho, o humor 
ficaria comprometido.
Apenas a I está correta.
Apenas a II está correta.
Apenas a III está correta.
I e II estão corretas.
II e III estão corretas.
 3) Leia o fragmento a seguir.
“Aplicada ao mundo animal, a noção de linguagem só 
tem crédito por um abuso de termos. Sabemos que foi 
impossível até aqui estabelecer que os animais dispo-
nham, mesmo sob uma forma rudimentar, de um modo 
de expressão que tenha os caracteres e as funções da 
linguagem humana.”
Émile Benveniste. In: Problemas de Linguística Geral
 Considerando o fragmento de texto apresentado, ob-
serve o seguinte enunciado.
 A “linguagem animal” não se compara com a linguagem 
humana
porque
22 Comunicação para o Planejamento Profissional“a linguagem animal” é instintiva, e não um produto cultu-
ral; não evolui, não se transforma e é marcada pela inva-
riabilidade.
 Agora, analisando a relação proposta entre as duas asser-
ções acima, assinale a opção correta.
a) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a se-
gunda é uma proposição verdadeira.
b) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a 
segunda é uma justificativa correta da primeira.
c) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a 
segunda não é uma justificativa correta da primeira.
d) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a 
segunda é uma proposição falsa.
e) As duas asserções são proposições falsas.
 4) O fragmento a seguir servirá de base para responder à 
questão.
 A língua é um conjunto de sons ou ruídos, combinados, 
com os quais um ser humano, o falante, transmite a outro 
ou outros seres humanos, o ouvinte ou ouvintes, o que está 
em sua mente: emoções, sentimentos, vontades, ordens, 
apelos, ideias, raciocínios, argumentos e combinações de 
tudo isso.”(Antônio Houaiss).
I – Uma língua viva pressupõe uma sociedade que a utilize.
 II – A língua não é imutável.
Capítulo 1 Língua, linguagem e as Diferentes Situações... 23
 III – Língua é a linguagem verbal utilizada por um grupo de 
indivíduos que constituem uma comunidade.
a) Apenas a assertiva I é verdadeira.
b) Apena a assertiva II é verdadeira.
c) Apenas a assertiva III é verdadeira.
d) Apenas as assertivas I e III são verdadeiras.
e) Todas as assertivas são verdadeiras.
 5) Leia o e-mail a seguir.
Olá, Joana, tudo bem?
 Se você quer, cara amiga de longa data, vou até tua casa 
para conversarmos sobre teu novo projeto para o ano de 
2018. Sua amiga também estará?
Abraços,
Paula
 Uma das características da língua falada coloquial que 
deve ser evitada na língua escrita é a mistura do tu/você. 
Aponte passagens do e-mail em que isso ocorre e propo-
nha formas apropriadas à língua escrita culta.
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24 Comunicação para o Planejamento Profissional
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Jane Sirlei Kuck Konrad1
Capítulo 2
Diferenças culturais, 
questões étnico-raciais e 
variações linguísticas
1 Especialista em Docência Universitária. Professora na Universidade Luterana do 
Brasil. 
26 Comunicação para o Planejamento Profissional
Língua
Esta língua é como um elástico que espicharam pelo mun-
do.
No início era tensa, de tão clássica.
Com o tempo, se foi amaciando, foi-se tornando românti-
ca, incorporando os termos nativos e amolecendo nas folhas 
de bananeira as expressões mais sisudas.
Um elástico que já não se pode mais trocar, de tão gasto; 
nem se arrebenta mais, de tão forte.
Um elástico assim como é a vida que nunca volta ao pon-
to de partida. 
Gilberto Mendonça Teles.
Introdução
Como vimos no capítulo anterior, o ser humano, como um ser 
social, desenvolveu a linguagem pela necessidade de se co-
municar, sendo a língua um de seus meios mais utilizados. Do 
mesmo modo, percebemos que a língua possui uma importan-
te função dentro de um povo e de uma cultura, pois, além da 
comunicação, além de um fenômeno vivo, é, também, uma 
forma de identificação de seus membros.
Todas as línguas vivas mudam com o tempo. É um pro-
cesso dinâmico, contínuo e gradativo. Toda a língua possui 
variação, o que discutiremos neste nosso segundo capítulo. 
Capítulo 2 Diferenças culturais, questões étnico-raciais ... 27
Percebemos não só que existem variações no modo de se falar 
a língua portuguesa em termos regionais, a partir de diferentes 
sotaques, amplamente explorados nas novelas, filmes e tam-
bém em quadros humorísticos, assim como perceberemos as 
diferenças na forma de usar a língua olhando as questões so-
ciais. Pessoas que têm maior grau de formação, por exemplo, 
usam a língua de forma diferente do que aquelas que têm 
pouca instrução ou mesmo analfabetas. Basicamente, são três 
os fatores que impulsionam as variações linguísticas: fator his-
tórico, geográfico e sociocultural. Vamos a eles.
1 Variação histórica
Como já vimos, a língua sofre transformações ao longo do 
tempo. Palavras e expressões desaparecem, outras mudam seu 
significado e outras nascem. Isso acontece porque ela perten-
ce à sociedade, que, por sua vez, está, do mesmo modo, em 
constante transformação. Ela se adapta e se modifica confor-
me a sociedade se transforma. Ela é um órgão vivo. Dentre os 
tipos de transformação está a histórica.
A variação histórica, como o nome já indica, acontece 
dentro de um determinado período de tempo. Só pode ser 
identificada quando comparamos a língua em dois momentos 
diferentes, como nos explica Marcos Bagno:
[b]asta a gente comparar um texto escrito em Português, 
na Idade Média, ou em 1600 ou mesmo há cem anos 
com qualquer coisa publicada nos dias de hoje. As dife-
28 Comunicação para o Planejamento Profissional
renças saltam aos olhos, e as dificuldades de compreen-
são vão crescendo quanto mais a gente recua no tempo. 
(2010, p. 164)
Para termos uma ideia clara, vejamos, por exemplo, o tex-
to a seguir, no qual a princesa Isabel, em 1888, assina a Lei 
Áurea:
De lá para cá, algumas palavras sofreram modificação na 
grafia, como Brazil (Brasil), extincção (extinção), súbditos (sú-
ditos), d’esta (desta), princeza (princesa), n’ella (nela), dentre 
outras que facilmente podem ser identificadas, o que prova 
justamente o caráter dinâmico.
Outro exemplo é o Novo Acordo Ortográfico da Língua 
Portuguesa que entrou em vigor no Brasil, oficialmente, em 
2016. Trata-se de um acordo entre os países de Língua Por-
tuguesa (dentre eles Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, 
Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Les-
te) que tem por objetivo unificar ao máximo a grafia de nossa 
Capítulo 2 Diferenças culturais, questões étnico-raciais ... 29
língua em todos esses países. Trouxe algumas alterações 
quanto à acentuação, extinção total do trema e acrésci-
mo de algumas letras que vieram compor o nosso alfabe-
to, que antes era composto por 23 letras e agora possui 26. 
As letras K, W e Y passaram a incorporá-lo.
A mudança da língua é um fenômeno natural e cultural. 
Mudar faz parte da natureza humana, e, quando se muda, se 
muda em função de um movimento que ocorre dentro de uma 
determinada cultura, um movimento complexo e, na maioria 
das vezes, lento.
Assim como a grafia das palavras muda, também há pa-
lavras, como mencionamos, que vão caindo em desuso com 
o tempo, enquanto novas palavras surgem. Vejamos alguns 
exemplos a seguir.
Vosmecê Senhor/Senhora
Ataúde Caixão
Osmar Calcular
Assunar Jantar
Aposentos Quartos
Esses são alguns exemplos de palavras que já não se usam 
ou são usadas muito pouco. Esse fenômeno, segundo Faraco, 
acontece porque:
[q]ualquer parte da língua pode mudar, desde aspectos 
de pronúncia até aspectos de sua organização de se-
mântica e pragmática. A classificação geral das mudan-
ças é feita utilizando-se os diferentes níveis comuns no 
30 Comunicação para o Planejamento Profissional
trabalho de análise linguística. Assim, na história de uma 
língua, pode haver mudanças fonético-fonológicas, mor-
fológicas, sintáticas, semânticas,lexicais, pragmáticas. 
(2005, p. 34)
Da mesma forma que palavras desaparecem, novas sur-
gem e, assim, são acrescentadas à nossa língua. Esse fenôme-
no pode ocorrer por inúmeros fatores, como pela assimilação 
de palavras estrangeiras, inovações científicas, novas concep-
ções e novos modos de se perceber o mundo. O texto abaixo, 
do escritor Luís Fernando Veríssimo, traduz muito bem as varia-
ções a que a língua está sujeita.
E tudo mu-
dou…
O rouge virou 
blush O pó-de-ar-
roz virou pó-com-
pacto O brilho vi-
rou gloss 
O rímel virou 
máscara incolor A 
Lycra virou stretch 
Anabela virou pla-
taforma O corpe-
te virou porta-seios 
Que virou sutiã 
Que virou lib Que 
virou silicone 
A peruca virou 
aplique, interlace, 
megahair, alonga-
mento A escova vi-
rou chapinha “Pro-
blemas de moça” 
viraram TPM Con-
fete virou M&M’s 
A crise de ner-
vos virou estresse A 
chita virou viscose. 
A purpurina virou 
glitter A brilhantina 
virou mousse 
Os halteres vi-
raram bomba A 
ergométrica virou 
spinning A tanga 
virou fio dental E o 
fio dental virou an-
tisséptico bucal 
Ninguém mais 
vê… 
Ping-Pong virou 
Babaloo O a-la-
Capítulo 2 Diferenças culturais, questões étnico-raciais ... 31
-carte virou self-
-service 
A tristeza, de-
pressão O espa-
guete virou Miojo 
pronto A paquera 
virou pegação A 
gafieira virou dança 
de salão 
O que era pra-
ça virou shopping 
A areia virou ringue 
A caneta virou te-
clado O long play 
virou CD 
A fita de vídeo 
é DVD O CD já 
é MP3 É um filho 
onde éramos seis 
O álbum de fotos 
agora é mostrado 
por e-mail 
O namoro ago-
ra é virtual A can-
tada virou torpedo 
E do “não” não se 
tem medo O break 
virou street 
O samba, pa-
gode O carnaval 
de rua virou Sapu-
caí O folclore bra-
sileiro, halloween 
O piano agora é 
teclado, também 
O forró de san-
fona ficou eletrôni-
co Fortificante não 
é mais Biotônico 
Bicicleta virou Bis 
Polícia e ladrão vi-
rou counter strike 
Folhetins são 
novelas de TV Fau-
na e flora a desa-
parecer Lobato 
virou Paulo Coelho 
Caetano virou um 
chato 
Chico sumiu 
da FM e TV Baby 
se converteu RPM 
desapareceu Elis 
ressuscitou em Ma-
ria Rita? Gal virou 
fênix Raul e Rena-
to, Cássia e Cazu-
za, Lennon e Elvis, 
Todos anjos Agora 
só tocam lira… 
A AIDS virou 
gripe A bala antes 
encontrada agora é 
perdida A violência 
está coisa maldita! 
A maconha é 
calmante O profes-
sor é agora o faci-
litador As lições já 
não importam mais 
A guerra superou a 
paz 
E a sociedade 
ficou incapaz… 
… De tudo. 
Inclusive de no-
tar essas diferenças
Luís Fernando 
Veríssimo
32 Comunicação para o Planejamento Profissional
2 Variação geográfica
A variação geográfica, como também sua denominação já 
indica, diz respeito às diferentes formas de pronúncia, à dife-
rença de vocabulário e também à estrutura sintática das fra-
ses dos falantes de uma mesma língua, ou seja, diz respeito, 
de acordo com Ilari e Basso “às diferenças que uma mesma 
língua apresenta na dimensão do espaço, quando falada em 
diferentes regiões de um mesmo país ou em países diferentes” 
(2006, p. 157).
O Português falado em Portugal apresenta algumas dife-
renças do Português falado no Brasil. Vejamos a seguir alguns 
exemplos.
Portugal Brasil
Telemóvel Celular
Paragem Ponto de ônibus
Fato Terno
Talho Açougue
Pequeno almoço Café da manhã
Fiambre Presunto
Frigorífico Geladeira
Chávena Xícara
Lixívia Água sanitária
Capítulo 2 Diferenças culturais, questões étnico-raciais ... 33
São, portanto, as diferentes formas de falar a mesma lín-
gua em dois países diferentes. Além das palavras diversas para 
designar a mesma coisa, há também a questão da pronúncia 
da Língua, que é perceptível ao ouvirmos um nativo de Portu-
gal falar o Português de Portugal.
No entanto, esse fenômeno não ocorre apenas em relação 
entre um país e outro. O mesmo acontece dentro de nosso 
Brasil. Em regiões diferentes, palavras ou termos diferentes são 
utilizados para expressar a mesma coisa. É o que se denomina 
de dialetos.
Dentre as variedades existentes na língua, uma delas é 
chamada de dialeto, que consiste em uma maneira de 
falar própria de determinado grupo de falantes da lín-
gua. Essa forma pode ser identificada por peculiaridades 
de pronúncia, de vocabulário e de gramática. (SÁ, 2007, 
p. 23)
No Brasil, temos uma grande riqueza de dialetos regio-
nais. Somos um país de uma grande diversidade cultural e 
compreender essa pluralidade é, hoje, em um universo global 
e amplo de relações, fundamental para todo o indivíduo que 
deseja relacionar-se bem com as mais diversas pessoas e cul-
turas, aprendendo que, em questões como essas, o certo e o 
errado são termos extremamente equivocados. Não há certo 
ou errado quando há dialeto, mas apenas diferença.
Nos últimos tempos, têm surgido, inclusive, dicionários que 
compilam e traduzem esses termos, tornando-os, assim, aces-
síveis a todos. Os textos a seguir, de regiões diferentes, mos-
34 Comunicação para o Planejamento Profissional
tram a riqueza e a dimensão que há no Brasil em termos da 
variações linguísticas:
Texto 1: O Analista de Bagé2
Contam que outra vez um casal pediu para consultar, 
juntos, o analista de Bagé. Ele, a princípio, não achou mui-
to ortodoxo. — Quem gosta de aglomeramento é mosca em 
bicheira... Mas acabou concordando. — Se abanquem, se 
abanquem no más. Mas que parelha buenacha, tchê! Qual 
é o causo? — Bem – disse o homem – é que nós tivemos um 
desentendimento... — Mas tu também é um bagual. Tu não 
sabe que em mulher e cavalo novo não se mete a espora? — 
Eu não meti a espora. Não é, meu bem? — Não fala comigo! 
— Mas essa aí tá mais nervosa que gato em dia de faxina. — 
Ela tem um problema de carência afetiva... — Eu não sou de 
muita frescura. Lá de onde eu venho, carência afetiva é falta 
de homem. — Nós estamos justamente atravessando uma cri-
se de relacionamento porque ela tem procurado experiências 
extraconjugais e... — Epa. Opa. Quer dizer que a negra ve-
lha é que nem luva de maquinista? Tão folgada que qualquer 
um bota a mão? — Nós somos pessoas modernas. Ela está 
tentando encontrar o verdadeiro eu, entende? — Ela tá procu-
rando o verdadeiro tu nos outros? — O verdadeiro eu, não. 
O verdadeiro eu dela. — Mas isto tá ficando mais enrolado 
que linguiça de venda. Te deita no pelego. — Eu? — Ela. Tu 
espera na salinha.
2 O Analista de Bagé é um personagem criado pelo escritor Luís Fernando Verís-
simo. É um analista, gaúcho caricato, que usa palavras marcadamente regionais, 
explorando, assim, parte da linguagem popular gaúcha.
Capítulo 2 Diferenças culturais, questões étnico-raciais ... 35
Texto extraído do livro “O gigolô das palavras”, L&PM Edi-
tores – Porto Alegre, 1982, pág. 78.
Textos 2 e 3: Causos mineiros
Diproma
O velho fazendeiro do interior de 
Minas Gerais está em sua sala, pro-
seando com um amigo, quando um 
menino passa correndo por ali.
Ele chama: — Diproma, vai falar 
para sua avó trazer um cafezinho aqui 
pra visita!
E o amigo estranha: — Mas que 
nome engraçado tem esse menino! É 
seu parente?
— É meu neto! Eu chamo ele assim 
porque mandei minha filha estudar em 
Belzone e ela voltou com ele!
Indo para pescaria
Os dois mineiros se encontram no 
ponto de ônibus em Cocalinho para 
uma pescaria.
— Então cumpade, tá animado? 
Pergunta o primeiro.
— Eu to, home!
36 Comunicação para o Planejamento Profissional
— Ô cumpade, pro mode quê tá le-
vano esses dois embornal?
— É que to levano uma pingazinha, 
cumpadre.
— Pinga, cumpade? Nóis não tinha 
acertado que num ia bebê mais?
— Cumpadre, é que pode apare-
cê uma cobra e picáa gente. Aí nóis 
desinfeta com a pinga e toma uns gole 
que prá mode num sinti a dô.
— É... e na outra sacola, o que tá 
levano?
— É a cobra, cumpade. Pode num 
tê lá...
Disponível em: http://momentoska-
tia.blogs.sapo.pt/61386.html
Como podemos ver, em todos esses exemplos, destacam-
se os linguajares regionais. Em outras regiões, também temos 
alguns falares bem característicos, como é o caso do norte, 
interior de São Paulo, Goiás, Cuiabá etc. A literatura, os meios 
de comunicação e as redes sociais têm contribuído para que 
tenhamos mais acesso e, assim, conheçamos melhor todas es-
sas variações, que são aspectos muito ricos de nossa cultura.
Capítulo 2 Diferenças culturais, questões étnico-raciais ... 37
3 Variação social
Como outra forma de variação linguística, temos aquela que 
se manifesta por elementos ligados à condição social de um 
indivíduo. Você certamente já se deu conta de que a forma 
como pessoas de idade usam a linguagem difere da forma 
como pessoas jovens o fazem. Também se percebe isso em 
diferentes profissões, usando jargões ou termos técnicos, ou 
mesmo fazendo uso de uma linguagem mais formal.
Da mesma forma, pessoas que pertencem a determinados 
grupos sociais, como tribos urbanas, ou mesmo a determina-
dos grupos étnicos (que nada mais são do que pessoas que 
se identificam ou são identificadas com base em semelhan-
ças culturais e/ou biológicas) que também se comunicam com 
uma linguagem própria daquele grupo. Portanto, essa varia-
ção, também conhecida como variação diastrática, se refere à 
organização socioeconômica e cultural de uma comunidade, 
e se relaciona ainda à idade, como já mencionamos, ao mer-
cado de trabalho, à classe social e ao grau de escolaridade.
Idade – A idade é um fator que interfere na forma de como 
as pessoas usam a linguagem. Muitas das palavras que os 
jovens usam, talvez, causem estranheza aos seus avós e aos 
seus pais. O contrário também é verdadeiro. Algumas pala-
vras soam estranhas aos jovens de hoje. Veja os exemplos:
Ele é um pão Ele é lindo
Vou paquerar na praça Tentar conquistar alguém
38 Comunicação para o Planejamento Profissional
Ela está na beca Ela está elegante
É isso aí, bicho É isso aí, amigo
Deu o maior bode Deu a maior confusão
Por outro lado, as palavras utilizadas pelos jovens hoje são 
estranhas para pessoas mais velhas.
Tá ligado Tá entendendo
Viajou Marcou bobeira
Mina Mulher
Deu ruim Não saiu como planejado
Lacrei Fiz bem feito
Gênero – Homens e mulheres falam de forma distinta. Isso 
está relacionado ao condicionamento cultural dos papéis so-
ciais definidos tanto para os homens quanto para as mulheres. 
Essa diferença, portanto, não se deve a fatores biológicos, mas 
aos diferentes papéis sociais desempenhados ou atribuídos, 
culturalmente, por algum período de tempo a eles. Para Paiva:
[a]s diferenças mais evidentes entre a fala de homens e 
mulheres se situam no plano lexical. Parece natural que 
determinadas palavras se situam melhor na boca de um 
homem do que na boca de uma mulher. Nas sociedades 
ocidentais, a existência de um vocabulário masculino e 
de um vocabulário feminino parece menos acentuada e 
tende, progressivamente, ao desaparecimento. (2010, p. 
33)
Capítulo 2 Diferenças culturais, questões étnico-raciais ... 39
Mulheres costumam usar mais o diminutivo e as partículas 
“né?”, “Tá?”, “Tá bom?”, chamados de marcadores conversa-
cionais. Estes têm a função de obter a concordância de quem 
os ouve. Já a linguagem dos homens costuma ser mais mar-
cada por palavrões, gírias e linguagem chula. Como essas va-
riações são condicionadas pelos papéis sociais, elas podem, 
perfeitamente, ser diferentes de um contexto para o outro ou 
de uma geração para outra.
Gíria – As gírias pertencem ao vocabulário específico de 
certos grupos sociais, muito utilizadas pelas denominadas tri-
bos urbanas, mas, assim como os jargões e termos técnicos, 
podem existir em qualquer ambiente ou profissão.
Etnoleto – É uma variedade de uma língua falada por uma 
etnia ou subgrupo social, servindo como marca diferenciado-
ra de identidade social. Geralmente, também coincide com 
o conceito de dialeto, pois acontece em área geográfica de-
terminada. Equivocadamente, na cultura popular, ela é tida 
como uma sublíngua; no entanto, para a linguística, ela é ape-
nas uma variação.
No Brasil, há diversos dialetos indígenas, de comunidades 
afro-brasileiras e línguas crioulas. Há, ainda, o exemplo do 
dialeto pomerano, falado por imigrantes alemães que vieram 
da região da pomerânia, hoje, Polônia. Há, também, exem-
plos do Talian, que se originou, aqui no Brasil, do encontro 
de dialetos falados na região do Vêneto na Itália, entre tantos 
outros: todos com o mesmo valor social e linguístico.
Classe social e escolaridade – Também se identificam 
variações linguísticas em diferentes classes sociais. Em geral, 
40 Comunicação para o Planejamento Profissional
pessoas de classes sociais mais elevadas têm mais acesso à 
educação. É nas escolas que se aprende a língua padrão ou 
norma culta. Isso faz com que usem variações linguísticas di-
versas daqueles que têm menos acesso à educação, pois po-
dem ter um melhor domínio da língua culta. Isso não significa, 
porém, que pessoas com menos instrução não se comuniquem 
ou não possuam conhecimento. É comum ouvirmos de pes-
soas de baixa escolaridade, palavras como “brusa”, “adevo-
gado”, entre outras.
Mercado de trabalho – Diferentes grupos profissionais 
também utilizam, da mesma forma, linguagem própria em seu 
meio de trabalho. Um advogado usa uma linguagem diferente 
de um pintor. Um médico, por sua vez, difere em sua lingua-
gem de um advogado. Um professor também pode ter seu 
modo de se comunicar. Alguns profissionais usam uma lingua-
gem extremamente técnica, muitas vezes entendida somente 
por quem é da área. A essa linguagem dá-se o nome de jar-
gão. Veja os exemplos a seguir:
Área Jargão Explicação
Jurídico Ação constitutiva Tem por finalidade criar, modi-
ficar ou extinguir um estado ou 
relação jurídica.
Informática Upload É a transferência de um arquivo 
de seu computador para algum 
lugar remoto.
Economia Bens de Capital Bens que servem para a produ-
ção de outros bens.
Jornalismo Furo É a informação publicada em 
um veículo antes dos demais.
Capítulo 2 Diferenças culturais, questões étnico-raciais ... 41
4 Variação situacional
Outro tipo de variação é a chamada de situacional, que en-
volve diretamente os diferentes espaços e situações comunica-
cionais. Em diferentes contextos, usa-se diferentes formas de 
linguagem. A mesma pessoa pode, por exemplo, no seu tra-
balho, usar linguagem formal e, entre amigos ou família, usar 
linguagem informal.
A linguagem formal, como o próprio nome sugere, é a lin-
guagem usada para atender os padrões da norma culta ou 
norma padrão. Pauta-se pelo uso correto das normas gramati-
cais e boa pronúncia das palavras. É usada em ambientes em 
que não há muita familiaridade entre os interlocutores, como 
reuniões, entrevistas de empregos, discursos oficiais, enfim, em 
ambientes e momentos que requerem formalidade e seriedade.
A linguagem informal, por sua vez, é a linguagem que 
usamos no cotidiano. É uma linguagem despreocupada em 
relação à norma padrão. É usada com os amigos, família, 
com pessoas com as quais temos grande familiaridade e em 
ambientes despreocupados, em que não se exige formalidade. 
Saber jogar com todas as formas de linguagem e perceber 
sua influência nas relações sociais, dentre elas as que ocorrem 
dentro do universo do trabalho, é o que começaremos a de-
bater daqui para frente.
42 Comunicação para o Planejamento Profissional
Recapitulando
Neste capítulo, vimos as variações a que uma língua está su-
jeita e percebemos que elasacontecem porque a língua sofre 
um processo dinâmico de adaptação ao tempo e ao meio em 
que está inserida, sendo assim determinadas por questões his-
tóricas, geográficas e sociais.
A variação histórica acontece dentro de um determinado 
período de tempo. Só pode ser identificada quando compara-
mos a língua em momentos diferentes. A Língua Portuguesa fa-
lada no tempo do descobrimento ou mesmo em períodos pos-
teriores difere, por exemplo, da que está em uso atualmente.
A variação geográfica, que também abordamos, diz res-
peito às diferentes formas de pronúncia, à diferença de voca-
bulário e também à estrutura sintática de uma língua quando 
falada em diferentes regiões de um mesmo país ou em países 
diferentes. No Brasil, temos uma grande riqueza de dialetos 
regionais. Somos um país de uma grande diversidade cultural.
Estudamos também sobre a variação social ou diastrática, 
que nos mostrou como a organização socioeconômica e cul-
tural de uma comunidade interfere na língua, e que pode estar 
relacionada ao grau de escolaridade de um indivíduo ou a um 
determinado grupo que pertença.
Por fim, tratamos da variação situacional, que diz respeito 
ao modo como a língua é usada frente ao contexto em que se 
está inserido. Diferentes situações comunicativas nos pedem 
diferentes roupagens, tudo o que debateremos de modo mais 
detalhado nos capítulos que seguem.
Capítulo 2 Diferenças culturais, questões étnico-raciais ... 43
Referências
ARISTÓTELES. A política. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso: por uma 
pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola 
Editorial, 2007.
LUFT, Celso Pedro. Língua e liberdade. 4. ed. São Paulo: 
Ática, 2005.
MOLLICA, Maria Cecília; BRAGA, Maria Luiza (Orgs.). Intro-
dução à sociolinguística: o tratamento da variação. São 
Paulo: Contexto, 2010.
PAIVA, Maria da Conceição. A variável gênero/sexo. In: MOL-
LICA, Maria Cecília; BRAGA, Maria Luiza (Orgs.). Intro-
dução à sociolinguística: o tratamento da variação. São 
Paulo: Contexto, 2010.
SÁ, Edmilson José de. Estudos de Variação Linguística: o 
que é preciso saber e por onde começar. São Paulo: Texto-
novo, 2007.
SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. 4. ed. 
São Paulo: Cultrix, 1972.
Atividades
 1) Escreva, de forma clara, coesa e coerente sobre o tipo 
de efeito que a bagagem escolar exerceu e exerce no seu 
44 Comunicação para o Planejamento Profissional
modo de falar e de escrever e sobre o seu estágio atual de 
seu domínio da norma escrita culta.
 (Questão adaptada de VOTRE, Sebastião José – In: MOL-
LICA, Maria Cecília; BRAGA, Maria Luiza (Orgs.). Intro-
dução à sociolinguística: o tratamento da variação. São 
Paulo: Contexto, 2010.)
 2) Explique, tendo como base a teoria estudada neste capítu-
lo, a seguinte afirmativa extraída do livro “Nada na língua 
é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística” 
– de Marcos Bagno.
Não é a língua que muda com o tempo: são os falan-
tes que, em sociedade, mudam a língua.
 3) Leia este trecho extraído do Jornal Correio do Povo.
 “Meus camaradinhas:
 Não entendi bulufas dessa jogada de fazerem o papai aqui 
apresentar o seu Antenor Nascentes, um cara tão crânio, 
cheio de mumunhas, que é manjado até na Europa. Estou 
meio cabrero até achando que foi crocodilagem do dire-
tor do curso, o professor Odorico Mendes, para eu entrar 
pelo cano. O seu Antenor Nascentes é um chapa legal, é 
bárbaro e, em Filologia, bota banca. Escreveu um dicioná-
rio etimológico que é uma lenha. Dois volumes que vou te 
contar. Um deles é desta idade... mais grosso que trocador 
de ônibus. O homem é o Pelé da Gramática, está mais 
por dentro que bicho de goiaba. Manda brasa, professor 
Nascentes!” (Correio do Povo, 20/04/1966)
Capítulo 2 Diferenças culturais, questões étnico-raciais ... 45
a) Pela forma como o texto foi escrito, qual é a provável 
idade de quem está falando? Por quê?
b) O texto apresenta um tipo de variedade linguística. 
Qual é o modo dessa variedade: oral ou escrito? Jus-
tifique sua resposta com elementos extraídos do texto.
 4) Leia, com bastante atenção, as seguintes assertivas.
 I – As variações sociais se relacionam à idade, merca-
do de trabalho, classe social e grau de escolaridade.
 II – A língua é dinâmica e passa por alterações e mu-
danças.
 III – A língua muda de forma natural.
Agora, assinale a alternativa correta.
a) Apenas a assertiva I está correta.
b) Apenas a assertiva II está correta.
c) Apenas a assertiva III está correta.
d) Apenas as assertivas I e II estão corretas.
e) Todas assertivas estão corretas.
 5) Diga se as seguintes assertivas são verdadeiras ou falsas.
I – É possível, em um mesmo dia, a mesma pessoa usar 
uma linguagem mais formal com seu líder no seu am-
biente de trabalho e, menos formal, com esse mesmo 
líder, depois do expediente, em um happy hour.
46 Comunicação para o Planejamento Profissional
II – A linguagem informal é utilizada no dia a dia – com 
amigos, irmãos, colegas mais íntimos etc.
III – Variação diastrática se refere à organização socioeco-
nômica e cultural de uma comunidade.
a) Apenas a assertiva I é verdadeira.
b) Apenas a assertiva II é verdadeira.
c) Apenas a assertiva III é verdadeira.
d) Apenas as assertivas I e II são verdadeiras.
e) Todas assertivas são verdadeiras.
Ítalo Nunes Ogliari1
Capítulo 3
Comunicação e carreira 
profissional: perspectivas 
para um novo contexto
1 Ítalo Ogliari é Doutor em Letras, escritor e atual coordenador e professor do 
curso de Letras da ULBRA.
48 Comunicação para o Planejamento Profissional
Introdução
Agora que você compreende de modo mais sólido o conceito 
de língua e de linguagem, bem como sua articulação fren-
te às diferentes situações sociocomunicativas e algumas das 
principais questões ligadas àquilo que denominamos como 
variações linguísticas, é o momento de adentrarmos em um 
dos debates centrais desta disciplina: a relação entre a co-
municação e o êxito profissional. Discutiremos, neste capítu-
lo, as principais ideias acerca desse tema e algumas teorias 
que o fundamentam, para, assim, possibilitar a você, futuro 
profissional, um olhar cada vez mais atento a determinadas 
competências e habilidades exigidas pelo atual mercado de 
trabalho, independentemente de sua área de atuação, e que 
serão ainda discutidas ao longo desta disciplina.
1 O atual mercado de trabalho e suas 
exigências comunicacionais
“Quem não se comunica, se trum-
bica!”
Lembram-se dessas palavras?
Repetida semanalmente na TV, quase 
como um mantra, a frase acima foi eter-
nizada pela voz estridente e inconfundível 
de Abelardo Barbosa, mais conhecido 
como Chacrinha, ícone da comunicação 
Capítulo 3 Comunicação e carreira profissional: perspectivas ... 49
brasileira nos anos 70 e 80 do século passado. Pois bem, se 
em sua época essa era uma dica interessante, em nossos dias 
ela possui outro status: o de fundamental. Comunicar-se bem, 
hoje, não é apenas mais uma habilidade capaz de colocar 
o sujeito em destaque dos demais em um ambiente de tra-
balho, mas essencial para que ele simplesmente o acesse. É 
exatamente o que nos mostra Rosa e Landim, no artigo intitu-
lado Comunicação: a ferramenta profissional, afirmando que 
“o papel da comunicação começa bem antes de sua atuação 
em uma determinada função, começa na hora de conseguir 
um emprego ou um contrato para prestar um serviço [...]. Sem 
essa habilidade ele [o sujeito] já sai em desvantagem em rela-
ção aos seus concorrentes” (2009, p. 142).
Decorrente dos acontecimentos sociais e econômicos mais 
recentes, o contexto atual nos mostra que estamos vivendo di-
versas mudanças em torno das concepções de carreira profis-
sional e de marcado de trabalho, oriundasnão só do avanço 
da tecnologia, mas da multiplicidade de funções, da maior 
expectativa de vida, do alto nível de desemprego, entre ou-
tros fenômenos. Nesse cenário, em que a carreira é cada vez 
menos linear ou pensada dentro de uma ideia segura de pro-
gressão, a arte da boa comunicação é, sem dúvida, um dos 
instrumentos vitais para o desenvolvimento de um indivíduo 
dentro de uma organização ou de forma autônoma, impres-
cindível àqueles que buscam um nível de profissionalismo à 
altura de seus planos.
Se você observar com atenção, vai notar que todo o profis-
sional de sucesso possui uma característica em comum: a de 
comunicar-se bem, seja ele um gestor de empresa, que vende 
50 Comunicação para o Planejamento Profissional
de forma única suas ideias; ou um professor, que cativa seus 
alunos e os encanta; ou mesmo alguém da área de saúde 
ou tantas outras que, por meio da palavra, escrita ou falada, 
se aproxima daqueles a quem se dirige e os conforta, passa 
segurança, confiança ou mesmo os acolhe. Do contrário, sem 
uma comunicação eficiente, as portas se fecham, mesmo que 
o conhecimento específico do indivíduo seja de excelência. De 
acordo com Cunha:
[n]ão adianta ser uma pessoa formada em determina-
da área, ter uma pós-graduação, mas ter dificuldade em 
comunicação. É preciso saber como proceder em uma 
reunião, falar com os clientes, com os superiores, saber 
redigir documentos, e-mails etc. Resumindo, tudo o que 
fará em sua vida profissional terá a comunicação como 
prioridade [...]. (2009, p. 9-10)
Entretanto, antes de seguirmos nosso debate, precisamos 
aprimorar a ideia que temos de boa comunicação ou compe-
tência comunicacional, ponto central desta nossa discussão. 
Para isso, leremos a conhecidíssima crônica de Luís Fernando 
Veríssimo, intitulada O gigolô das palavras, que mostra de for-
ma muito bem trabalhada e exemplificada, para nós, por meio 
de uma divertida narrativa, esse conceito:
Capítulo 3 Comunicação e carreira profissional: perspectivas ... 51
52 Comunicação para o Planejamento Profissional
O que Veríssimo nos mostra, com belíssimo grau de comi-
cidade e com muita sabedoria, é que a capacidade comunica-
tiva, ou melhor, o grau de competência comunicacional de um 
indivíduo não está ligado perfeitamente ou necessariamente 
ao nível de conhecimento gramatical, como se bastasse ser um 
gramático para saber se comunicar bem, mas no modo que se 
usa a linguagem. Existem excelentes comunicadores semianal-
fabetos, assim como eruditos extremamente incapazes de se 
comunicarem por escrito ou oralmente com todas as pessoas 
a que desejam atingir pela simples dificuldade de adequar sua 
linguagem à determinada situação sociocomunicativa. Não 
conseguem proporcionar uma simetria discursiva e uma apro-
ximação linguística com seus ouvintes ou grupo de leitores. É 
como se uma criança perguntasse ao doutor em química por 
que o sabão limpa com facilidade a gordura e ele lhe desse 
uma explicação extremamente científica a partir de uma exem-
Capítulo 3 Comunicação e carreira profissional: perspectivas ... 53
plificação relacionada à quebra de determinadas moléculas 
causadas pelo contato de uma substância com outra. Por isso, 
como nos mostra David Lima Jr.:
não basta ser um “um gênio” em sua área de atuação se 
ninguém entende o que você fala. Suas ideias brilhantes 
pouco lhe valerão alguma coisa se, na hora de apresen-
tá-las ao público, não souber ordená-las de forma con-
vincente, e argumentar de maneira clara e objetiva. Seu 
sucesso é do tamanho de suas habilidades de comunica-
ção. Se você não ocupa o lugar que acredita merecer, é 
porque ainda não aprendeu a comunicar ao mundo suas 
habilidades. (LIMA, 2015, p. 1)
Isso tudo não significa, de forma alguma, que o conheci-
mento gramatical seja dispensável ou visto como algo menos 
importante. Não mesmo. Significa, isso sim, que o grau de 
competência comunicacional de um indivíduo vai além desse 
importante conhecimento. O conhecimento gramatical apenas 
está ligado a um rol muito maior de destrezas no que se refere 
à boa capacidade comunicacional, que podem ser desenvol-
vidas a partir da prática da leitura, de exercícios de prática de 
escrita, do exercício de leitura em voz alta, de exercícios de co-
municação oral, que veremos mais para frente, quando tratar-
mos mais especificamente dessa questão, entre outros, assim 
como uma visão atual e voltada para as inúmeras demandas 
sociais da linguagem, como as estudadas nos dois capítulos 
anteriores e que devem ser levadas sempre em conta.Lembre-
se, a linguagem é uma roupa que se veste.
54 Comunicação para o Planejamento Profissional
Cada lugar exige a sua!
O filólogo e gramático 
Evanildo Bechara resume bem 
toda essa questão, ao dizer 
que “Precisamos ser poliglotas 
em nossa própria língua”, ade-
quando nosso nível de lingua-
gem de acordo com nosso in-
terlocutor, o que só poderá ser 
feito por quem conhece todos 
os níveis. Transitar do nível co-
loquial ao nível culto só é pos-
sível a quem domina todos.
2 Comunicação e pluralismo na sociedade 
contemporânea
Se elencarmos algumas das principais características que o 
mercado busca encontrar no profissional contemporâneo 
(como a sempre tão almejada proatividade, a facilidade para 
os bons relacionamentos e a criatividade na resolução de 
problemas de modo dinâmico e eficaz), temos nitidamente a 
questão da comunicação como seu pilar mestre: a essência 
de tudo. E é nesse pilar que está a relação com a metáfora 
da “roupa que se veste” que demos acima. Estamos vivendo 
em uma sociedade plural, tanto em aspectos culturais, étni-
cos, de gênero quanto midiática, e saber jogar, respeitar e 
compreender essa pluralidade é essencial. Mais do que nunca, 
Capítulo 3 Comunicação e carreira profissional: perspectivas ... 55
aprendeu-se que a boa relação interpessoal, a aptidão para 
lidar com a diferença, a facilidade de trabalhar em grupo e de 
liderar, a empatia e a capacidade de promover não apenas 
algo ou uma determinada empresa, mas também a si mesmo 
são alguns dos grandes segredos de nosso tempo.
Vivemos o tempo da comunicação e da informação por 
excelência, e saber se comunicar com todos, percebendo esse 
contexto de diversidade e pelas mais distintas ferramentas é o 
caminho para o êxito. Podemos pensar essa questão, inclusive, 
no que se refere ao estudo de línguas estrangeiras ou mesmo 
por um viés de caráter inclusivo. Por que não colocar LIBRAS 
em seu currículo, não é mesmo? Dominar a Língua Brasileira 
de Sinais, hoje, pode lhe abrir muitas portas. Isso porque tudo 
o que nos cerca (e nisso a vida organizacional e a carreira) 
não caminha sem sua relação com os fenômenos não apenas 
econômicos, mas igualmente políticos, ecológicos, tecnológi-
cos e culturais do momento histórico em que vivemos. E sem 
esquecer a importante atenção que temos de dar à velocidade 
desse nosso período, pois uma das fortes marcas culturais do 
século XXI é a alta tecnológica de comunicação e sua veloz 
funcionalidade.
Isso ocorre porque, 
no final do século XX, as-
sistiu-se, nas sociedades 
avançadas e também 
nas emergentes, a um 
processo desenfreado no 
avanço das tecnologias 
de comunicação e de 
56 Comunicação para o Planejamento Profissional
transporte, acelerando o tempo e comprimindo o espaço, o 
que ocasionou a globalização econômica e determinou mu-
danças decisivas no modo de se pensar a sociedade e suas 
instituições. Hoje, tudo é propaganda, marketing e, principal-
mente, automarketing, autopromoção, afinal, estamos na 
época de redes sociais e dos youtubers, em que as pessoa em 
destaque são aquelas, segundo Nelsio Abreu e Renata Baldan-
za, com a aptidão de gerenciar com êxito sua imagem “por 
meio de atitudes relevadas do dia a dia, ampliando a capaci-
dade de atuaçãopessoal e profissional, garantindo uma ima-
gem saudável e condizente com as expectativas do mercado e 
da sociedade” (ABREU; BALDANZA, 2003, p. 103).
Em uma realidade com 
essas características e tão 
competitiva e líquida como 
a nossa, em que tudo 
é temporário e mutável 
(como nos ensinou o soció-
logo Zygmunt Bauman, fa-
zendo com que a novidade 
de hoje seja o obsoleto de 
amanhã) conquistar, inovar 
e fidelizar são os principais 
desafios que buscam as mais variadas estratégias empreen-
dedoras, e nenhuma existe sem o poder da comunicação e 
sem utilizá-la da melhor forma possível nesse contexto plural 
e instantâneo de nossa denominada pós-modernidade, cons-
truindo, dentro desses inúmeros espaços comunicacionais, 
que também exigem suas vestimentas próprias, sua própria 
narrativa, seu protagonismo.
Capítulo 3 Comunicação e carreira profissional: perspectivas ... 57
A brusca evolução das Tecnologias de Informação e Co-
municação, as conhecidas TICs, afetou, nos últimos anos, 
não apenas os costumes e modos de lazer e de consumo dos 
indivíduos, mas foi responsável, a partir de novos hábitos e 
novos mecanismos de formas de interação, por mudanças sig-
nificativas no relacionamento humano e na maneira como se 
comunicam. E engana-se aquele que acredita que toda essa 
pluralidade de espaços de comunicação torna tudo mais fácil. 
Essa facilidade é relativa se pensarmos que cada um deles per-
mite e ao mesmo tempo limita tipos e modalidades diferentes 
de uso da linguagem. A forma como escrevo em um lugar nem 
sempre é a mesma que posso escrever em outro. O jeito que 
falo ou como mantenho minha postura, inclusive corporal, em 
uma determinada situação, nem sempre é a mesma permitida 
em outra. E quanto mais espaços assim eu tenho, mas com-
plexidade vai haver em relação ao uso da linguagem e suas 
mais variadas possibilidades de manifestação. É preciso que 
sejamos muito atentos a isso.
3 O que mais não podemos esquecer?
Para finalizarmos este nosso debate, não podemos nos esque-
cer, então, de que a comunicação é essencial para o cres-
cimento pessoal e profissional de qualquer indivíduo, assim 
como uma importante alavanca para qualquer carreira. A for-
ma como nos comunicamos é responsável pela primeira im-
pressão causada sobre nós em qualquer espaço, seja ele um 
ambiente de lazer ou organizacional.
58 Comunicação para o Planejamento Profissional
Independentemente de suas habilidades, a primeira a ser 
testada é sua capacidade de comunicação, pois dificilmen-
te, em um processo seletivo, por exemplo, que exija uma ex-
posição escrita ou verbal, você será capaz, pelo curto tempo 
ou demais limitações, de mostrar todo seu potencial técnico e 
todo seu conhecimento, que só serão revelados no decorrer 
de suas práticas e de sua caminhada a partir de seu trabalho. 
Nesse primeiro momento, a grande responsabilidade está na 
sua aptidão comunicativa e comportamental.
A história da humanidade nos mostra que o ser humano se 
relaciona com o mundo e organiza o mundo, para si, por meio 
da linguagem, e que, dentre as várias formas de linguagem, 
a palavra, verbalizada ou escrita, é a matéria prima da for-
mação de nosso saber cultural, político, científico, filosófico, 
religioso e tecnológico. Ter a ciência de que a natureza comu-
nicacional do ser humano é uma complexa rede de relações e 
de variáveis, e que ela sempre foi decisiva no desenvolvimento 
dos indivíduos e em sua posição social é um dado indispensá-
vel para quem pretende traçar um caminho sólido (pessoais e 
profissionais) em uma sociedade como a nossa.
Recapitulando
Neste capítulo, que se propôs a apresentar aquilo que pode ser 
pensado como basilar desta disciplina, discutimos a relação 
cada vez mais evidente e indissociável entre a boa capacidade 
comunicativa e o êxito pessoal e profissional, e afirmamos que 
o sucesso de um indivíduo, em uma sociedade de informação 
Capítulo 3 Comunicação e carreira profissional: perspectivas ... 59
como a nossa, passa, sem dúvida alguma, pelo tamanho de 
suas habilidades de comunicação. A essa capacidade demos 
o nome de competência comunicacional e compreendemos 
que ela não passa, única e essencialmente pelo conhecimento 
gramatical, mas pela aptidão em lidar com as diferentes situa-
ções sociocomunicativas e os mais diversos espaços e meios 
de comunicação. A linguagem é uma roupa que se veste, lem-
bra?
Referências
ABREU, Nelsio Rodrigues de; BALDANZA, Renata Francisco. 
Marketing Pessoal: ser e querer, percepção e visibilidade. 
In: Revista Científica Symposium, Minas Gerais, v. 1, n. 
2, p. 102-106, Jul. / Dez. 2003.
BECHARA, Evanildo. Disponível em: <https://kdfrases.com/
autor/evanildo-bechara>. Acesso em: 12 set. 2017.
CUNHA, Karina Miranda Machado Borges. A comunicação 
no meio profissional. In: Gestão & Tecnologia. Edição I – 
setembro/outubro 2009. pp. 8-10.
LIMA JR., David P. Habilidades Fundamentais na Comu-
nicação Profissional. Disponível em: <https://carreiras.
empregos.com.br/mercado/habilidades-fundamentais-na-
comunicacao-profissional/>. Acesso em: 12 set. 2017.
60 Comunicação para o Planejamento Profissional
ROSA, Aparecida Silvério; LANDIM, Daniela de Castro B. Co-
municação: a ferramenta do profissional. In: Perquirere: 
Patos de Minas: UNIPAM, (6): 141-155, n. 6, out. 2009.
Atividades
 1) Para responder a esta questão, leia atentamente o trecho 
da matéria publicada no portal Crreira & sucesso, dis-
ponível em: https://www.catho.com.br/carreira-sucesso/
dicas-emprego/habilidade-de-comunicacao-desenvolvi-
mento-profissional.
A comunicação é uma das principais competências neces-
sárias a todo ser humano, principalmente no mundo em que 
vivemos, em uma época de constantes mudanças em que as 
empresas estão dando cada vez mais valor a isso. “É uma 
competência fundamental para o profissional moderno que 
quer se dar bem no mercado de trabalho”, afirma Reinaldo.
Cada vez mais, as pessoas estão tomando consciência dis-
so e buscando aperfeiçoar suas habilidades de comunicação. 
Os objetivos podem ser vários: obter uma interlocução mais 
positiva, melhorar as relações interpessoais, melhorar o pro-
cesso de liderança ou aprimorar o contato com o público. E 
não é só privilégio dos tímidos, não. É crescente o número de 
executivos que buscam cursos e programas de comunicação 
com o intuito de melhorar a comunicação no dia a dia, pro-
curando aprimorar as interações com os diversos públicos e 
Capítulo 3 Comunicação e carreira profissional: perspectivas ... 61
em diferentes situações. Isso sem contar aqueles que buscam 
perder o medo de falar em público.
“Muita gente já se deu conta de que a habilidade de comu-
nicação funciona como uma alavanca para a carreira e vem se 
firmando como uma competência muito valorizada pelas orga-
nizações”, afirma Letterino Santoro, especialista em Expressão 
Verbal e Escrita. “Mas apesar disso, muita gente ainda se fixa 
na fluência em outras línguas e negligenciam o domínio do 
português. Vale lembrar que erros cometidos em e-mails, entre-
vistas de emprego e outros contatos podem ferir a imagem e a 
credibilidade da pessoa, prejudicando a conquista do respeito 
por parte do ouvinte”, conclui Marisa De Mitri, consultora es-
pecializada em Língua Portuguesa.
Agora, com base no que você estudou neste capítulo, mar-
que a alternativa que melhor interpreta o fragmento acima.
a) O texto tem como tema central a importância dos cur-
sos e programas de aprimoramento comunicacional, 
fundamentais na formação do profissional contempo-
râneo.
b) O texto tem como tema central a ideia de que relação 
entre a boa comunicação e a conquista profissional se 
articula de forma inversamente proporcional e que a 
segunda não depende da primeira.
c) O texto tem como tema central o cuidado que devemos 
ter em relação aoscursos e programas de aprimora-
mento comunicacional, pois muitos não possibilitam a 
62 Comunicação para o Planejamento Profissional
formação necessária para o profissional contemporâ-
neo.
d) O texto tem como tema central a ideia de que a re-
lação entre a boa comunicação e a conquista profis-
sional se articula de forma diretamente proporcional e 
que a segunda depende da primeira.
e) O texto tem como tema central a ideia de que relação 
entre a boa comunicação e a conquista profissional 
se articula de forma diretamente proporcional e que a 
primeira depende da segunda.
 2) Como vimos em nosso capítulo, a competência comuni-
cacional de um indivíduo não está necessariamente ligada 
ao nível de conhecimento gramatical desse sujeito, como 
se bastasse a pessoa ser uma estudiosa da gramática para 
saber se comunicar bem. A boa capacidade comunicativa 
está, na verdade, no modo que se usa a linguagem. Como 
apontamos, existem ótimos comunicadores semianalfabe-
tos, assim como eruditos extremamente incapazes de se 
comunicarem com pessoas menos escolarizadas, não se 
fazendo compreender.
Em relação a essa questão, leia as afirmativas a seguir.
I – Quando falamos em competência comunicacional, es-
tamos abordando diretamente a capacidade de comu-
nicação e de expressão oral do sujeito.
II – O parágrafo anterior defende a tese de que o conhe-
cimento da norma culta da língua portuguesa não é 
importante dentro do universo comunicacional.
Capítulo 3 Comunicação e carreira profissional: perspectivas ... 63
III – Uma das maiores habilidades de um bom comunica-
dor é saber adaptar sua linguagem, seja ela oral ou 
escrita, às mais diversas situações comunicativas.
Agora, podemos indicar o que é correto.
a) Apenas na I.
b) Apenas na II.
c) Apenas na III.
d) Apenas na I e na II.
e) Apenas na I e na III.
 3) Fundamentado no que você estudou neste nosso terceiro 
capítulo, redija um breve texto, com média de 15 linhas, 
acerca do tema abordado na charge a seguir.
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64 Comunicação para o Planejamento Profissional
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 4) Leia atentamente o parágrafo a seguir e escolha a alterna-
tiva que o completa corretamente.
 Nos últimos anos, o avanço das Tecnologias de Informa-
ção e Comunicação transformou nossa vida de forma sig-
nificativa. Estamos, hoje, em todos os lugares ao mesmo 
tempo e somos multifuncionais. Aparentemente, tudo está 
mais fácil, mas engana-se aquele que julga que toda essa 
multiplicidade de espaços de comunicação torna tudo 
mais simples. Essa facilidade, como dissemos em nosso 
capítulo, pode ser muito relativa. Para isso, basta pen-
sarmos que cada um desses espaços permite e ao mes-
mo tempo limita ___________________ do uso de nosso 
________________. A forma como escrevo em um lugar 
nem sempre é a mesma que posso escrever em outro.
Capítulo 3 Comunicação e carreira profissional: perspectivas ... 65
a) diferentes formas/aparato comunicacional.
b) as palavras/vocabulário.
c) o tempo/aparato tecnológico.
d) as palavras/aparato cognitivo.
e) diferentes formas/aparato cognitivo.
 5) Marque V ou F nas afirmações a seguir e depois escolha a 
alternativa correta.
( ) Quando falamos de comunicação em nossa disciplina 
até aqui, tratamos de comunicação de modo integral. 
Isso envolve a fala, a escrita, a postura corporal, as 
atitudes e até mesmo nossas verdades e valores.
( ) O sucesso da comunicação é obtido pelo uso de vo-
cábulos complexos e bem elaborados, evitando o uso 
de palavras cotidianas.
( ) Comunicar-se bem, seja por meio da linguagem oral 
ou escrita, é saber adequar o discurso à situação em 
que se está inserido.
a) V, V, V.
b) F, F, F.
c) F, V, V.
d) V, F, V.
e) F, F, V.
Edgar Roberto Kirchof1
Capítulo 4
Comunicação e mídias 
contemporâneas: novos 
espaços; novos desafios
1 Mestre em Comunicação, Doutor em Linguística e Letras, atualmente professor 
no curso de Letras e no Programa de Pós-Graduação em Educação da ULBRA.
Capítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 67
Introdução
Neste capítulo, você está convidado a refletir sobre o modo 
como as mídias digitais vêm transformando o contexto da co-
municação e da linguagem nos dias atuais. Inicialmente, são 
apresentadas algumas informações básicas sobre o conceito 
de “mídia”, com ênfase na distinção entre as assim chama-
das mídias analógicas e as mídias digitais. Uma vez com-
preendida essa diferença, a proposta é que você reflita sobre 
a fluidez dos conteúdos digitais, os quais circulam por meio 
de múltiplas plataformas porque estão organizados na forma 
de bits (bytes).
Na sequência, há uma discussão sobre os novos usos da 
linguagem no espaço digital. Inicialmente, aborda-se a ten-
dência a modificar a linguagem verbal, com ênfase no inter-
netês, mas também o uso frequente de ícones visuais, como 
os assim chamados emoticons. Outros temas abordados ainda 
nesse contexto de novas linguagens são a prática da remixa-
gem e o fenômeno dos memes. O capítulo finaliza tratando 
do surgimento de uma série de novas ferramentas e espaços 
de comunicação devido ao desenvolvimento das tecnologias 
digitais, com ênfase nas redes sociais da Internet.
1 O que são mídias?
Etimologicamente, mídia é uma adaptação do termo latino 
media, que é o plural de medium (singular), significando meio. 
Na língua portuguesa, nós utilizamos tanto o termo meios de 
68 Comunicação para o Planejamento Profissional
comunicação como mídias para designar “suportes materiais, 
canais físicos, nos quais as linguagens se corporificam e atra-
vés dos quais transitam”. (SANTAELLA, 2003, p. 25). Ao longo 
da história da humanidade, o ser humano produziu inúmeras 
mídias para armazenar e distribuir informações e, dessa forma, 
ampliar a sua capacidade de comunicação, pois a nossa voz, 
por mais eficiente que possa ser em situações de fala, tem uma 
duração efêmera. Na Pré-história e na Antiguidade, alguns dos 
meios de comunicação mais comuns eram a pintura rupestre 
em cavernas, as tabuletas feitas de argila, os rolos de papiro 
e pergaminho, que foram sendo substituídos pelos livros de 
papel, e hoje, em parte, pelos aparelhos de computação.
Atualmente, no campo de estudos das mídias, os pesqui-
sadores costumam caracterizar as mídias mais antigas como 
“mídias analógicas”. Já as “mídias digitais”, também chama-
das de novas mídias, estão relacionadas com o desenvolvi-
mento do computador e das ciências da computação, que ti-
veram seu início nas décadas de 1950 e 1960. Basicamente, 
de acordo com Lister et al. (2009, p. 16), o que diferencia 
uma mídia analógica de uma mídia digital é que, nas mídias 
analógicas, as propriedades físicas dos dados de entrada (as 
informações capturadas) são convertidas em um outro objeto, 
o qual possui uma forma física parecida (análoga) com os 
próprios dados de entrada.
Para exemplificar, podemos pensar no funcionamento de 
uma câmera fotográfica analógica, que está equipada com 
um filme revestido com produtos químicos sensíveis à luz. As-
sim sendo, em termos simplificados, a informação que entra 
na câmera analógica (a flor, na imagem abaixo) é a própriaCapítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 69
luz que emana do objeto que está sendo fotografado, ficando 
marcada sobre o filme, como um rastro semelhante ao objeto 
fotografado. Posteriormente, o filme será revelado, e esse “ras-
tro” deixado pela luz será transposto para o papel da foto. Em 
última análise, a forma física da fotografia que veremos, no 
final do processo, é semelhante (por isso, analógica) ao rastro 
deixado pela luz sobre o filme.
Já nas mídias digitais, a informação é organizada eletroni-
camente em sequências de bits (bytes), ou feixes discretos de 
informação. Isso permite um número maior de informação a 
ser armazenado e processado em uma velocidade maior do 
que qualquer outro meio na história humana. A informação 
pode ser comprimida durante a transmissão e descomprimida 
na chegada, permitindo que dados viajem em uma velocidade 
maior, em distâncias maiores. No caso das imagens, esses bits 
são chamados de pixels. Embora a câmera fotográfica digital, 
assim como a analógica, também utilize uma superfície fotos-
70 Comunicação para o Planejamento Profissional
sensível (sensível à luz) para captar a luz dos objetos fotogra-
fados, ela transforma esse rastro deixado pela luz em bits ou 
pixels, os quais podem ser gravados como arquivos digitais 
no próprio aparelho e, posteriormente, podem ser colocados 
para circular na rede mundial de computadores. Nesse caso, 
a forma da fotografia que veremos, no final do processo – na 
tela de algum aparelho ou impressa em papel –, é diferente 
(e não análoga) aos pixels que compõem a imagem e, por 
isso, esse tipo de mídia não é chamado de analógico, mas de 
digital.
2 Recepção e fluidez informacional
Agora que você compreendeu o que são as mídias digitais, é 
importante refletir sobre as mudanças que elas desencadea-
ram em nossas formas de comunicação. Nesse sentido, uma 
diferença muito importante está relacionada com as formas de 
produção, transmissão e recepção dos conteúdos. Ao passo 
que, nas mídias analógicas, geralmente o conteúdo é trans-
mitido de forma linear e centralizada para públicos massivos, 
nas mídias digitais, a produção e a recepção não possuem 
um centro unificado, pois muitas pessoas transmitem conteú-
dos para muitas outras. Em poucos termos, antes de convergir 
com as mídias digitais, as mídias analógicas não permitiam 
que produzíssemos nossos próprios conteúdos a partir da in-
teração com aquilo que recebíamos; já as mídias digitais vêm 
nos transformando em uma espécie de produtor-consumidor, 
o que levou o pesquisador Axel Bruns a sugerir o conceito 
Capítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 71
“produser” (em português, produsuário) para caracterizar esse 
produtor-usuário híbrido. (Barker, 2011).
Para compreender esse fenômeno, podemos comparar o 
funcionamento da televisão (uma mídia originalmente analó-
gica) com o funcionamento de sites de rede social como o 
Facebook ou o YouTube. Na televisão, um mesmo conteúdo – 
uma telenovela, um documentário, um telejornal, por exemplo 
– é transmitido, ao mesmo tempo, por uma emissora, para um 
número muito grande de pessoas, o que a caracteriza como 
uma mídia endereçada a grandes massas. Já em sites como 
o Facebook, há uma série de pessoas intercalando os papéis 
de produtores e receptores de conteúdos variados ao mesmo 
tempo. Assim, quando lemos o que é postado (o que nos torna 
receptores), também somos capazes de fazer nossas próprias 
postagens (o que nos torna produtores), e os conteúdos que 
circulam não são os mesmos a atingir as mesmas pessoas, 
como ocorria com as mídias analógicas.
O pesquisador Jorge Yudice (p. 91) chamou atenção para 
o modo como empresas de mídia estão usando essa estratégia 
para atingir os consumidores de mídia de forma personalizada, 
a partir de fenômenos como o streaming, que permite disponi-
bilizar conteúdo on-line, o qual é acessado pelo usuário quan-
do e como este decidir, desde que pague uma taxa mensal ou 
anual. Plataformas de filmes e séries como Netflix, de música 
como Deezer e mesmo de livros como Amazon ou Scribd são 
exemplos do uso desse recurso. Nas palavras de Yudice,
[e]nquanto as redes de televisão oferecem programas que 
nem todo espectador quer ver e precisam desenvolver es-
72 Comunicação para o Planejamento Profissional
tratégias para manter a atenção desses espectadores ao 
longo de uma noite, para assim alcançar bons ratings e, 
portanto, anunciantes, os novos serviços de streaming e 
OTT (over-the-top content ou conteúdo transmitido sem a 
intervenção de um operador) oferecem o que e quando 
os espectadores querem ver, sem se preocuparem com a 
publicidade.
Essa dispersão na produção e na recepção, típica das mí-
dias digitais, ocorre porque a digitalização permite que um 
mesmo conteúdo migre entre muitas plataformas, tornando 
flexíveis as condições de tempo e espaço para os processos 
comunicativos. Lister et al. (2009, p. 19) sintetizam essa carac-
terística afirmando o seguinte:
[a]s mídias analógicas tendem a ser fixas, ao passo que 
as mídias digitais tendem a um estado permanente de 
fluxo. [...] As mídias digitais também existem como uma 
cópia física analógica, mas quando o conteúdo de uma 
imagem ou texto está digitalizado, fica disponível como 
uma sequência de números binários armazenados na 
memória de um computador.
Por exemplo, se eu leio uma notícia interessante em algum 
jornal on-line, posso transmiti-la, a qualquer momento, por 
meio de sites de redes sociais, mas também posso enviá-la 
diretamente para apenas alguns de meus contatos, por e-mail 
ou por outros canais. Além disso, também é possível enviar li-
vros inteiros, filmes, músicas – desde que estejam digitalizados 
–, por e-mail, por meio de sites das redes sociais ou de outras 
plataformas compatíveis. Em poucos termos, a notícia flui por 
Capítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 73
muitas plataformas porque consiste de conteúdo digitalizado 
(bits, pixels). Portanto, pode-se dizer que, de certo modo, o 
conteúdo digital é volátil, no sentido de que não está preso 
ou fixo a um único suporte ou plataforma, o que não signi-
fica que seja instável, pois sempre que for acessado, estará 
disponível de modo idêntico, independentemente do suporte 
utilizado para o acesso (por exemplo, um celular, um tablet, 
um desktop).
3 Desvios linguísticos e mídias 
contemporâneas
É importante ressaltar que cada nova mídia introduz também 
novas possibilidades de utilizar a linguagem. No contexto das 
mídias digitais, existe uma tendência, por parte dos usuários, 
a modificar a linguagem verbal em relação ao código da nor-
ma culta, criando adaptações ou “desvios linguísticos”. Essa 
tendência é tão forte que levou alguns linguistas a afirmarem 
que a Internet gerou uma nova linguagem, o internetês. Em um 
estudo sobre a escrita em webblogs, por exemplo, a pesquisa-
dora Roberta Varginha Ramos Caiado (2007, p. 41) constatou 
uma série de adaptações linguísticas motivadas pelo espaço 
comunicacional dos blogs. Na Internet, em vez de escreve-
rem as palavras com todas as letras, é muito comum que as 
pessoas utilizem abreviações, de modo a facilitar e acelerar o 
ritmo da comunicação. Alguns exemplos são os seguintes:
74 Comunicação para o Planejamento Profissional
Ortografia da gramáti-
ca normativa
Adaptações/abreviações 
comuns na Internet
Lá lah
Casa ksa
Beijo bj
Horas hrs
Você vc
Outra característica forte da linguagem no espaço das mí-
dias digitais é o uso de signos visuais mesclados à linguagem 
verbal, principalmente os assim chamados emoticons. Ao invés 
de escrevermos um enunciado afirmando que concordamos 
com ou que gostamos de algo, colocamos imagens de cora-
ções ou carinhas sorridentes nas mensagens. 
De fato, é possível expressar muitos sentimentos eestados de 
espírito por meio dessas imagens, desde tristeza até 
a raiva e grande contentamento , entre muitas 
outras possibilidades. Dessa forma, ocorre um hibridismo entre 
a linguagem verbal e a linguagem visual quando nos comuni-
camos pelas plataformas digitais.
Conforme esclarece Anderson Cristiano da Silva, (p. 98), 
para alguns professores, o internetês compromete o aprendi-
zado da língua portuguesa padrão, mas outros acreditam que 
“toda forma de comunicação é válida, com a ressalva de que 
é preciso que os alunos estejam atentos para que a linguagem 
virtual não extrapole situações que exigem o uso do português 
padrão culto.” Em poucos termos, embora algumas pessoas 
considerem esse tipo de linguagem como “errada”, em nossa 
Capítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 75
perspectiva, trata-se de uma “variação linguística” válida em 
contextos comunicativos informais do ambiente digital, como 
os chats, os e-mails, as mensagens rápidas em redes sociais e 
outros canais.
Entretanto, é muito importante que você saiba que essa 
linguagem não é adequada em contextos formais de comu-
nicação, como, por exemplo, em uma redação acadêmica, 
em um documento oficial vinculado ao ambiente de trabalho, 
entre outros tantos espaços que exigem o domínio da norma 
padrão da língua escrita. A pesquisadora Ana Elisa Ribeiro 
sintetiza essa discussão, afirmando que o problema não é uti-
lizar linguagem de Internet para se comunicar, e sim, dominar 
apenas um modo de operar com textos:
[u]m jovem que frequenta salas de bate-papo provavel-
mente domina a escrita peculiar a esse ambiente. Se ele 
percebe o momento de alterar o modo de escrita quando 
se transfere para outro ambiente, ainda está tudo bem. 
O que parece indesejável é que ele empregue um único 
modo para todos os ambientes, como se não fosse capaz 
de reinventar sua maneira de interagir de acordo com 
indicadores do novo ambiente. (RIBEIRO, 2007, p. 238)
E você, prezado aluno, é capaz de alterar sua escrita de 
acordo com diferentes ambientes, sabendo o momento correto 
para utilizar registros informais e formais da linguagem?
76 Comunicação para o Planejamento Profissional
4 Novas mídias, novas linguagens
Quando surgiram as primeiras mídias digitais, como os bloIgs, 
os sites e as plataformas para envio e troca de e-mails (SMS, 
ICQ), ainda na década de 1980, as mídias digitais pareciam 
destinadas a substituir todas as mídias analógicas. No entan-
to, com o tempo, o que ocorreu de fato foi uma convergência 
entre elas. Se pensarmos na televisão, por exemplo, depois 
que um programa é exibido em canais de rede aberta, poderá 
ser disponibilizado também nas plataformas da Internet, pois 
já está digitalizado. Como exemplo, podemos citar o vídeo da 
escocesa Susan Boyle, que foi exibido em 2009 no programa 
britânico Britain’s got talent. Estima-se que, na rede televisiva, 
o programa foi visto por 32 milhões de espectadores nos EUA, 
ao passo que, no YouTube, foi visualizado mais de 77 milhões 
de vezes (Jenkins, 2014, p. 33). Como se percebe, nesse caso, 
TV e YouTube não são concorrentes, mas convergem para po-
tencializar a capacidade de propagação dos mesmos conteú-
dos.
Como esclarece o pesquisador Henry Jenkins (2014), cada 
vez mais, a tecnologia digital tem sido desenvolvida de modo 
a facilitar a convergência das mídias e o compartilhamento 
dos conteúdos. Segundo Jenkins, essa lógica tem estimulado 
um modelo mais participativo de cultura, que vê o público não 
simplesmente como consumidores de mensagens pré-construí-
das, mas como pessoas que estão formando, compartilhando, 
reconfigurando e remixando os conteúdos de mídia de modos 
que anteriormente não poderiam ser imaginados. E as pessoas 
não estão fazendo isso como indivíduos isolados, mas dentro 
Capítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 77
de comunidades maiores e de redes, o que lhes permite es-
palhar conteúdos muito além de sua proximidade geográfica 
imediata.
O remix (ou remixagem, em português) é uma dessas práti-
cas às quais se refere Jenkins, tendo se tornado tão popular no 
ambiente digital que a revista Wired (julho de 2005) chegou 
a afirmar que estamos vivendo “na era do remix”. O pesqui-
sador Chris Barker (2011) esclarece que, em geral, o remix 
envolve as funções de “cortar e colar”, mas também processos 
mais complexos para desconstruir e reconstruir conteúdos dos 
mais diversos campos da cultura, desde obras de arte, literatu-
ra, filmes, animação e música. A intenção do remix é sempre 
produzir algo novo e distinto a partir das formas pré-existentes, 
sejam elas animações, filmes, charges, fotos ou canções. Nas 
palavras de Dudeney, Hockly e Pegrum (2016, p. 54),
o remix pode implicar mudar o slogan de um anúncio 
para subverter a mensagem original. Pode envolver o uso 
de Photoshop em determinada imagem de uma figura 
política em uma foto anterior para lançar nova luz sobre 
a política que ela pratica. Pode acarretar mashing up, isto 
é, combinar duas canções preexistentes para criar um 
diálogo inesperado entre duas letras. Pode incluir dublar 
ou legendar criativamente um filme para surpreender os 
espectadores. O remix é um jogo de saber no qual as rei-
vindicações de verdade frequentemente não têm lugar. E, 
como em todos os outros jogos, tem a ver com diversão 
ao longo do trajeto.
78 Comunicação para o Planejamento Profissional
Um exemplo recente muito popular de canção que foi sub-
metida a inúmeros processos de remixagem é “Despacito”, 
composta originalmente pelo cantor porto-riquenho Luis Fonsi 
e o rapper Daddy Yankee. Recentemente, circularam inúme-
ras versões remixadas da letra e da coreografia dessa canção, 
por meio das redes sociais, geralmente remetendo a vídeos no 
YouTube. Algumas remixagens que ficaram muito populares 
incluem versões com os personagens da animação Minions 
(https://www.youtube.com/watch?v=k_4ag6z5G8o), versões 
em japonês, alemão e inclusive adaptações com a música na-
tivista gaúcha.
Outro fenômeno típico do ambiente virtual são os assim 
chamados memes, conteúdos capazes de despertar o interesse 
de um número gigantesco de pessoas conectadas à rede – 
principalmente nas redes sociais – e que, por isso, são com-
partilhados e difundidos de forma vertiginosa. O vídeo da es-
cocesa Susan Boyle, já citado anteriormente, é um exemplo 
de meme, mas também algumas remixagens de “Despacito”. 
Alguns memes são construídos com técnicas de remixagem, 
embora outros sejam gravações de situações do cotidiano ou 
fragmentos de canções ou programas televisivos. Alguns me-
mes são tão interessantes que foi criado um Museu virtual do 
meme, pela Universidade Federal Fluminense (http://www.mu-
seudememes.com.br), no qual é possível acessar alguns dos 
mais populares memes brasileiros.
Popularmente, afirma-se que um conteúdo se transformou 
em meme quando foi viralizado, o que remete a uma metáfora 
do campo da biologia. A própria palavra meme foi inventa-
Capítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 79
da pelo biólogo Richard Dawkins como um fenômeno cultural 
análogo ao fenômeno biológico do gene.
5 Espaços e ferramentas comunicacionais 
na contemporaneidade
A partir dos exemplos citados nas seções anteriores, você já 
deve ter percebido que, com a tecnologia digital, qualquer 
conteúdo pode ser armazenado e processado em uma ve-
locidade jamais antes imaginada, com recursos igualmente 
surpreendentes de manipulação, e consumido quase instan-
taneamente em qualquer parte do mundo em que haja algum 
aparelho de computação conectado à rede mundial de com-
putadores (Internet). Em termos muito simplificados, a Internet 
pode ser compreendida como uma rede de abrangência mun-
dial, a qual permite que qualquer computador, de qualquer lu-
gar do mundo, uma vez conectado, envie e receba conteúdoscom base nos protocolos comuns a essa rede.
O ambiente de convergência das mídias, no qual o compar-
tilhamento dos conteúdos é cada vez mais facilitado, propiciou 
o surgimento de uma série de novas ferramentas e espaços 
de comunicação, muitos deles caracterizados como projetos 
colaborativos, os quais não seriam possíveis sem a mediação 
da Internet. Um dos exemplos mais conhecidos e bem-suce-
didos é a Wikipedia, uma enciclopédia virtual produzida por 
voluntários ao redor do mundo, em vários idiomas, que forne-
ce conteúdo gratuito a qualquer usuário. Nessa mesma linha, 
o projeto internacional REA (Recursos Educacionais Abertos) 
80 Comunicação para o Planejamento Profissional
(http://www.rea.net.br/site/) disponibiliza, gratuitamente, ma-
terial educacional com licença aberta, o que permite que qual-
quer usuário possa não apenas acessar e utilizar uma grande 
quantidade de material, mas também modificá-lo sem infringir 
leis de direitos autorais.
Uma das primeiras reações do mercado editorial ao cená-
rio das tecnologias digitais foi oferecer versões digitalizadas 
dos livros impressos para compra e venda, os assim chamados 
e-books, que podem ser lidos em um desktop, em um celular, 
em um tablet, mas também nos e-readers (livros eletrônicos) 
produzidos por empresas como a Kindle, entre outros. Com 
a possibilidade de digitalização dos livros impressos, surgiram 
também muitos projetos de bibliotecas virtuais gratuitas ao re-
dor do mundo, permitindo que qualquer pessoa conectada à 
rede escolha e acesse livros gratuitamente. Alguns exemplos 
são a iniciativa internacional Projeto Gutenberg (http://www.
gutenberg.org/) e projetos brasileiros, como o Domínio Pú-
blico (http://www.dominiopublico.gov.br) e a Biblioteca Virtual 
da UFSC (http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/). A grande 
vantagem dos e-books, comparados com os livros impressos, 
é a facilidade de acesso e disponibilização dos livros.
Versões mais recentes de livros digitais incluem também os 
assim chamados book apps (também chamados de livros-apli-
cativos ou livros interativos). Ao passo que o e-book é um ar-
quivo que pode ser replicado e enviado por e-mail e por redes 
sociais, o livro interativo é um tipo de software de aplicação 
que precisa ser baixado de lojas como iTunes, Google Play 
ou do site de alguma editora independente. Juntamente com 
os traços tradicionais dos e-books, tais como texto e imagens 
Capítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 81
mostrados de forma digital, ícones de navegação e telas ini-
ciais, por exemplo, os livros interativos também permitem mo-
ver imagens e letras com o toque dos dedos, iniciar pequenas 
animações, ouvir músicas e efeitos sonoros que acompanham 
as narrativas. Eles também permitem ouvir a história ao invés 
de lê-la, pois estão equipados com dispositivos de leitura auto-
mática. Em poucos termos, os livros interativos estão dotados 
de recursos de hipermídia, multimídia e interatividade. Alguns 
exemplos que podemos citar aqui são os livros interativos O 
rei do rio de ouro, uma adaptação realizada do conto de John 
Ruskin pela Story Max, Flicts, uma adaptação realizada da 
obra do cartunista brasileiro Ziraldo, entre muitos outros.
No que diz respeito ao letramento digital, o grande desafio 
que essas novas formas do livro nos impõem é a necessida-
de de ler textos multimodais, os quais apresentam as informa-
ções usando não apenas a linguagem verbal, composta por 
palavras, frases, mas também a imagem estática, animações, 
vídeos, canções, efeitos sonoros, cores, interatividade. Como 
alerta Ana Elisa Ribeiro (2014, p. 182), “saber ler e produzir 
textos explorando essas linguagens faz parte das competências 
82 Comunicação para o Planejamento Profissional
dos digitalmente letrados, com exigências sociais e motivações 
pessoais cada vez mais precoces.”
6 Redes sociais, exposição e carreira 
profissional
Algumas das mídias digitais mais populares atualmente são 
os sites de redes sociais, como o Facebook, o Instagram, o 
Twitter, entre outros. É importante ter claro, de início, que as 
redes sociais sempre existiram, mesmo antes do surgimento 
das tecnologias digitais, sendo que, antes, as pessoas se inse-
riam nessas redes a partir de espaços como clubes, igrejas, co-
munidades de trabalho, criando laços por meio de conversas, 
cartas, encontros, entre outras tantas possibilidades. Na era 
das tecnologias digitais, contudo, ficou muito mais fácil criar e 
participar de redes sociais, pois, como esclarece a pesquisa-
dora Raquel Recuero,
enquanto no mundo off-line manter uma conexão social 
seja forte ou fraca, necessita investimento de atenção, 
sentimento etc. tanto para a sua criação quanto para a 
sua manutenção; nos sites de rede social, as conexões 
são inicialmente mantidas pela própria ferramenta [...]. 
Mesmo que nenhuma interação ocorra, a menos que um 
dos atores delete a conexão, esta, uma vez estabelecida, 
permanece.
Os sites de rede social, portanto, influenciam as nossas 
redes sociais na medida em que possuem modos particulares 
Capítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 83
de funcionamento. Devido ao fato de agregarem uma quanti-
dade imensa de pessoas conectadas em redes e por contarem 
com tecnologia digital, esses sites proporcionam uma facili-
dade antes impensada de compartilhamento de informações, 
transformando-se, dessa forma, em um dos espaços mais im-
portantes da atualidade para a difusão de todos os tipos de 
conteúdo, desde notícias muito relevantes até informações de-
liberadamente falsas e discursos violentos.
Alguns pesquisadores, como Paula Sibilia (2016), demons-
traram que as redes sociais da Internet incentivam o narci-
sismo e o culto ao eu, valores que têm se tornado cada vez 
mais fortes na atual sociedade em que vivemos, voltada para 
o consumo. Nesse sentido, as pessoas parecem cada vez mais 
interessadas em exibir suas próprias vidas na rede, geralmen-
te transmitindo a ideia de um protagonismo antes destinado 
apenas aos famosos e exibindo uma felicidade construída e 
frequentemente artificial. Algumas das práticas mais comuns, 
nesse sentido, são a exposição espetacularizada de tudo o que 
se faz durante a maior parte do dia, fotos em situações sempre 
muito felizes – como viagens, festas, encontros etc. –, além dos 
famosos selfies. Nas palavras de Sibilia (2016, p. 42),
afinal, o que se busca ao se exibir nas redes? Seduzir, 
agradar, provocar, ostentar, demonstrar aos outros – ou a 
alguém em particular – o quanto se é belo e feliz, mesmo 
que todos estejam a par de uma obviedade: o que se 
mostra nessas vitrines costuma ser uma versão “otimiza-
da” das próprias vidas. Nessa performance de si, cada 
usuário faz uma cuidadosa curadoria do próprio perfil 
84 Comunicação para o Planejamento Profissional
visando a obter os melhores efeitos na maior audiência 
possível.
Independentemente das razões que nos levam a participar 
das redes sociais da Internet, é muito importante levarmos em 
conta que, pelo simples fato de estarmos conectados a elas, 
produzimos uma identidade on-line naquele espaço, que al-
guns pesquisadores denominam de identidades digitais. Estas 
são formadas pelas informações que disponibilizamos nos 
perfis das plataformas das redes sociais, sites e blogs, mas 
também pelo tipo de conteúdo que produzimos, postamos e 
compartilhamos nesses espaços. É cada vez mais comum, no 
mundo em que vivemos, que empregadores utilizem essas in-
formações, juntamente com outros critérios, para selecionar 
candidatos a vagas de trabalho. Por essa e outras razões, an-
tes de compartilhar conteúdo, você deve refletir sobre como 
quer ser conhecido e reconhecido on-line.
Alguns pesquisadores (RECUERO, 2012) têm demonstrado 
que as redes sociais da Internet também são um espaço em 
que se produz ese adquire capital social, um tipo de valor 
ou benefício obtido a partir do pertencimento a um ou vários 
grupos sociais. Esse aspecto aponta para o imenso potencial 
dos sites de redes sociais como espaço para a educação, para 
o crescimento pessoal e para o desenvolvimento da carreira 
profissional.
Recuero esclarece que o capital social tem um duplo as-
pecto, pois, de um lado, é preciso investimento nas relações 
sociais para, apenas em um segundo momento, obter os be-
nefícios advindos dessas relações. Em outros termos, o capital 
social está relacionado com o investimento que cada pessoa 
Capítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 85
está disposta a realizar nas redes, o qual, por sua vez, está 
relacionado com as expectativas de retorno. Nesse sentido, a 
maior parte das pessoas conectada nas redes parece estar in-
teressada em obter recursos como reputação, visibilidade, po-
pularidade, conhecimento, suporte social e laços sociais. Os 
principais investimentos para atingir esse capital, por sua vez, 
geralmente demandam a criação e a manutenção das cone-
xões (que pode acontecer por conversações ou outras ativida-
des de interação com os contatos), a construção de um perfil e 
o compartilhamento constante de recursos na rede (conteúdos 
e informações).
Quando compartilhamos conteúdos nas mídias sociais, é 
comum termos a sensação de estarmos sozinhos, pois não es-
tamos vendo as inúmeras pessoas que fazem parte da nossa 
rede. Nesse sentido, Recuero (2015) nos lembra de que, na 
comunicação presencial, face a face, nós emitimos vários si-
nais de feedback que informam as pessoas quando elas estão 
entrando em uma zona “perigosa” ou “tensa” durante a fala, 
permitindo que mudem de assunto ou que simplesmente repa-
rem o que foi dito. Esse contexto da comunicação presencial 
não existe on-line, pois os usuários têm a sensação de estarem 
“falando” para uma tela, não para uma pessoa e, muito me-
nos, para um grupo imenso de pessoas. Alguns pesquisado-
res denomimam esse fenômeno de “colapso do contexto” ou, 
então, de “audiências invisíveis” na rede (RECUERO, 2015). 
Por essa razão, é muito mais fácil disseminar discursos de vio-
lência, conteúdos agressivos e, em alguns casos, informações 
equivocadas ou deliberadamente adulteradas por meio dos 
sites de redes sociais do que presencialmente. Os prejuízos 
causados com esse tipo de prática são imensos e incluem o 
86 Comunicação para o Planejamento Profissional
ciberbullyng, a difamação, a agressão verbal, a violência sim-
bólica contra minorias, além da propagação de ignorância, 
obscurantismo e ódio.
Isso nos leva a concluir que, acima de tudo, é necessário 
aprender a se relacionar nas redes mediadas pela Internet, 
investindo em práticas que nos tragam benefícios como infor-
mação atualizada e de qualidade, fortalecimento de nossas 
relações sociais, entretenimento. Como produtores e replica-
dores de conteúdos, temos a obrigação de barrar informações 
falsas, notícias duvidosas, além de evitar sempre linguagem 
agressiva e discursos que façam apologia ao ódio, pois tais 
práticas se caracterizam como um péssimo investimento para 
quem está interessado em obter capital social de qualidade 
nas redes. Antes de compartilhar algo, portanto, é preciso pes-
quisar sempre a fonte, garantir a veracidade e a legitimidade 
do que está sendo compartilhado: uma vez que algo entra na 
rede, sua capacidade de impacto sobre as pessoas será sem-
pre maior do que se imagina.
Recapitulando
Neste capítulo, você foi instigado a refletir sobre o modo como 
as mídias digitais vêm transformando o contexto da comunica-
ção e da linguagem nos dias atuais. Os principais temas abor-
dados foram o conceito de mídia, com ênfase na distinção 
entre as mídias analógicas e as mídias digitais; a fluidez dos 
conteúdos digitais, que são capazes de circular por múltiplas 
plataformas de mídia porque são compostos por bits (bytes), 
Capítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 87
feixes discretos de informação; as transformações que ocor-
rem com o uso da linguagem nos espaços digitais, prin-
cipalmente o surgimento do internetês e o uso frequente de 
emoticons; a remixagem e os memes; o surgimento de no-
vas ferramentas e espaços de comunicação, tais como os 
livros digitalizados e digitais, as bibliotecas virtuais e as redes 
sociais da Internet.
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88 Comunicação para o Planejamento Profissional
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Atividades
 1) Leia com atenção a charge a seguir e, em seguida, assina-
le a única alternativa que contém uma afirmação correta 
sobre as mídias digitais.
a) A charge permite concluir que as mídias digitais con-
vertem as propriedades físicas dos dados de entrada 
(as informações capturadas) em outro objeto, o qual 
90 Comunicação para o Planejamento Profissional
possui uma forma física parecida (análoga) com os 
próprios dados de entrada.
b) A charge faz uma crítica irônica à existência, na socie-
dade contemporânea, da pobreza lado a lado com o 
acesso facilitado às novas tecnologias.
c) A charge sugere que as mídias digitais serão capazes 
de erradicar a fome e a pobreza no mundo, o que 
depende unicamente do investimento dos governos em 
mais tecnologia.
d) A charge faz uma apologia à inclusão digital, denun-
ciando que há ainda muitas pessoas do planeta alija-
das das novas tecnologias.
e) A charge faz uma severa crítica ao narcisismo produzi-
do pelo uso das redes sociais da Internet.2) Após analisar a imagem abaixo, assinale a alternativa que 
contém apenas informações verdadeiras sobre o processo 
de recepção das mídias digitais.
 
Fonte: https://pollyanaferrari.wordpress.com/
Capítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 91
 I – Como sugere a imagem anterior, nas mídias analó-
gicas, a produção e a recepção não possuem um centro 
unificado, ao passo que, nas mídias digitais, geralmente o 
conteúdo é transmitido de forma linear e centralizada para 
públicos massivos.
 II – Como sugere a imagem anterior, os conteúdos infor-
macionais hoje transitam entre as mídias digitais e as mí-
dias analógicas, as quais estão em convergência.
 III – Como sugere a imagem anterior, as mídias digitais 
permitem que os conteúdos fluam por múltiplas platafor-
mas.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas I e III estão corretas.
c) Apenas II e III estão corretas.
d) Apenas II está correta.
e) Apenas III está correta.
 3) Após ler o texto a seguir, de Ana Elisa Ribeiro sobre o inter-
netês, assinale as afirmações corretas.
 O “internetês” talvez tenha sido o “detonador” da discus-
são sobre a antiescrita. Esse tipo de linguagem parece ter 
causado reações nervosas naqueles que acreditaram que 
redigir abreviadamente (ao ponto de virar “jargão”), sem 
acentos e sem pontuação, deixando as pausas a cargo das 
quebras de linha e a acentuação por conta de algumas 
letras do alfabeto, seria uma espécie de correnteza que 
92 Comunicação para o Planejamento Profissional
levaria a língua escrita para um buraco negro. (RIBEIRO, 
2009, p. 590)
 I – O internetês é uma modificação da linguagem verbal 
em relação ao código da norma culta, motivada pelo uso 
das novas mídias digitais, tendo sido condenado por al-
guns pesquisadores.
 II – O internetês se caracteriza como um uso inadequado 
da linguagem verbal, motivado pelo uso das novas mídias 
digitais, e deve sempre ser evitado.
 III – O internetês é um novo idioma, criado intencional-
mente para o uso da linguagem no ambiente das novas 
mídias digitais, caracterizado por abreviações linguísticas 
e hibridações com signos visuais.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas I e III estão corretas.
c) Apenas II e III estão corretas.
d) Apenas I está correta.
e) Apenas III está correta.
 4) Leia o seguinte texto sobre os memes, do teórico das mí-
dias Henry Jenkins, e assinale a alternativa correta.
 A metáfora viral não descreve bem aquelas situações em 
que a pessoa avalia ativamente um texto na mídia, deci-
dindo com quem irá compartilhá-lo e como irá difundi-
-lo. As pessoas tomam decisões ativas quando propagam 
mídia, quer simplesmente passando um conteúdo adiante 
Capítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 93
para suas redes sociais, com recomendações no boca a 
boca, quer postando um vídeo digital no YouTube.
[...]
 Nosso uso de mídia propagável evita as metáforas da in-
fecção e da contaminação que exageram em sua estima-
tiva o poder das empresas de mídia e minimizam o poder 
de ação do público. (JENKINS, 2014, p. 45-46)
a) Jenkins sugere substituir o termo meme por “mídia 
propagável”, de modo que a ênfase recaia sobre a 
capacidade de ação dos usuários que decidem com-
partilhar e consumir conteúdos particulares e não em 
sua passividade.
b) Jenkins acredita que um meme se caracteriza como 
qualquer texto construído a partir de material preexis-
tente na Internet.
c) Jenkins explica que o meme envolve as funções de 
“cortar e colar”, mas também processos mais com-
plexos para desconstruir e reconstruir conteúdos dos 
mais diversos campos da cultura, desde obras de arte, 
literatura, filmes, animação e música.
d) Henry Jenkins inventou a palavra meme e sugeriu a 
utilização do verbo viralizar para caracterizar a circu-
lação dos conteúdos que se difundem na rede.
e) Para Jenkins, os memes existem apenas devido ao sur-
gimento das mídias analógicas, como o Facebook, 
por exemplo.
94 Comunicação para o Planejamento Profissional
 5) Sobre as redes sociais da Internet, leia o texto a seguir, 
retirado da GaúchaZH de 27/08/2014, e responda.
 A 18ª edição brasileira da pesquisa Melhores Empresas 
para Trabalhar acaba de descobrir que 83% dos empre-
gadores mais bacanas (segundo a pesquisa, claro) usam 
as redes sociais para contratar funcionários. Sabe aquele 
vídeo em que você, apertando a pança pelada, usa o um-
bigo para falar com a câmera? Então: rendeu fama de 
engraçadão no Facebook, mas só tem 17% de chances de 
passar despercebido pela empresa de família para quem 
você mandou um CV.
 Disponível em: <https://gauchazh.clicrbs.com.br/edu-
cacao-e-emprego/noticia/2014/08/Empresas-ficam-de-
-olho-nas-redes-sociais-na-hora-de-recrutar-candida-
tos-4584752.html>.
 I – Nas redes sociais, produzimos uma identidade on-line, 
a qual não corresponde necessariamente à nossa identida-
de off-line.
 II – As redes sociais da Internet não podem ser utilizadas 
como espaço para a educação, para o crescimento pes-
soal e para o desenvolvimento da carreira profissional, 
pois incentivam a espetacularização do eu.
 III – Segundo pesquisadores como Paula Sibilia, as redes 
sociais da Internet incentivam o narcisismo e o culto ao eu, 
o que leva os empregadores da atualidade a não contra-
tarem pessoas com perfis no Facebook.
a) Apenas I e II estão corretas.
Capítulo 4 Comunicação e mídias contemporâneas:... 95
b) Apenas I e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II está correta.
e) Apenas III está correta.
Lisane Félix Veloso1
Capítulo 5
Leitura, compreensão 
e interpretação: 
aprimorando a 
capacidade receptiva
1 Professora da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA, campus Cachoeira do 
Sul. Mestre em Linguística pela PUCRS. 
Capítulo 5 Leitura, compreensão e interpretação: aprimorando... 97
Introdução
Este capítulo dedica-se ao aprimoramento da capacidade lei-
tora, aqui entendida como atividade interativa altamente com-
plexa de produção de sentidos. Atividade esta que se realiza 
com base nos elementos linguísticos presentes na superfície 
textual e na sua forma de organização, mas também requer 
a mobilização de um vasto conjunto de saberes no interior do 
evento comunicativo (KOCH E ELIAS, 2010).
Primeiramente, são apresentados os conceitos necessários 
ao entendimento da leitura como tarefa de produção de senti-
do, o que envolve as habilidades de compreender e interpretar. 
Após, aborda-se o processamento textual em relação aos sis-
temas de conhecimento necessários ao entendimento do que 
se lê, apresentando exemplos no intuito de auxiliá-lo nas prá-
ticas de compreensão leitora.
Os estudos deste capítulo encerram com reflexões acerca 
da compreensão como processo, enfatizando a atividade in-
ferencial. Tais propósitos exigem a apresentação de exemplo 
para análise e, posteriormente, de atividades, no intuito de que 
você possa aplicar os conhecimentos adquiridos.
1 Leitura: compreensão e interpretação
A leitura é prática necessária à vida e tarefa da universidade 
como espaço privilegiado para desenvolver habilidades inte-
lectuais do pensamento. O pensar decorre da existência de um 
98 Comunicação para o Planejamento Profissional
problema ou situação que exige uma solução. A solução pro-
vém de uma atividade sistemática na qual levantamos hipó-
teses, analisamos dados, sintetizamos informações, emitimos 
julgamentos e chegamos a conclusões e soluções.
Ler e compreender um texto envolve apreensão dos sig-
nificados nele contidos e capacidade de relacionar o lido às 
experiências/conhecimentos pré-existentes no “mundo” já co-
nhecido. Freire (1988) explica essa habilidade intrínseca ao 
ato de ler quando afirma que “a leitura do mundo precede a 
leitura da palavra” e, assim, “linguageme realidade se pren-
dem dinamicamente”.
Sem dúvida, o leitor, ao construir o sentido do texto, ba-
seia-se em seus valores sociais, seus conhecimentos prévios e 
suas experiências de vida. Tal tarefa exige muitas habilidades 
ligadas aos processos mentais que viabilizam a compreensão.
Para entender um pouco melhor esses processos, você ini-
ciará seus estudos com a leitura do seguinte texto:
Capítulo 5 Leitura, compreensão e interpretação: aprimorando... 99
Qual a origem daqueles três macacos que um não 
vê, o outro não escuta e o terceiro não fala?
Rafael Garcia e Marília Juste
Guilherme Ferreira, São Paulo, SP 
Primatas sábios 
Os macaquinhos, conhecidos como “Três Macacos Sá-
bios”, ilustram a porta do Estábulo Sagrado, um templo do 
século 17 localizado na cidade de Nikko, no Japão. Sua 
origem é baseada em um trocadilho japonês. Seus nomes 
são “mizaru” (o que cobre os olhos), “kikazaru” (o que tapa 
os ouvidos) e “iwazaru” (o que tampa a boca), que na lín-
gua é traduzido como “não ouça o mal”, “não fale o mal” 
e “não veja o mal”. A palavra “saru”, em japonês, significa 
“macaco” e tem o mesmo som da terminação verbal “zaru”. 
O folclore japonês diz que a imagem dos macacos foi trazi-
da por um monge budista chinês, no século 8. Apesar disso, 
não há comprovação dessa suposição.
Fonte: Ricardo Mário Gonçalves, professor de História 
Oriental da USP
Texto disponível em: <http://revistagalileu.globo.com/
Galileu/0,6993,ECT688136-1716-6,00.html>.
A leitura requer o reconhecimento do vocabulário e a per-
cepção da lógica frasal para que se possa, assim, encontrar 
resposta à pergunta feita no título. Esses são os elementos lin-
guísticos da superfície textual e permitem, por exemplo, enten-
deremos que as expressões “três macacos”, “primatas sábios”, 
100 Comunicação para o Planejamento Profissional
“os macaquinhos” e “seus nomes” referem-se à mesma ideia 
nesse texto.
A referência aos macacos, identificando-os como “um não 
vê, o outro não escuta e o terceiro não fala”, exige do leitor um 
conhecimento extratextual, pois induz à busca de uma imagem 
que não está no texto. A explicação feita só tem sentido para 
o leitor se ele percebe como relevante a resposta dada acerca 
da origem dos macacos cuja imagem foi resgatada pela me-
mória.
A compreensão do texto é um processo cognitivo no qual 
nossas faculdades mentais são postas em ação. Compreender 
é “partir dos conhecimentos (informações) trazidos pelo texto e 
dos conhecimentos pessoais (chamados de conhecimentos en-
ciclopédicos) para produzir (inferir) um sentido como produto 
de nossa leitura” (MARCUSCHI, 2008, p. 239).
No intuito de explorar os conceitos de compreensão e de 
interpretação, responda às questões a seguir sobre o texto pro-
posto.
Capítulo 5 Leitura, compreensão e interpretação: aprimorando... 101
1) Esse texto não verbal tem relação com os “três maca-
cos sábios”? Por quê?
2) Que elemento, nesta leitura, se revela como novo?
3) Como se pode relacionar as informações do primeiro 
texto à crítica sugerida nesse segundo texto?
Não é tarefa fácil diferenciar as atividades de compreensão 
e interpretação. Alguns teóricos percebem-nas como equiva-
lentes. Outros sugerem que compreender é muito mais com-
plexo que interpretar. Para tornar esses conceitos um pouco 
mais claros, pense que, ao responder às questões anteriores, 
você leu ambos os textos e foi desafiado a estabelecer a rela-
ção existente entre eles.
Esse trabalho consciente na busca das conexões textuais, 
que é a atividade de interpretação. Por meio dela, você foi 
conduzido a comparar os dois textos por meio das três ques-
tões que orientaram o seu raciocínio de forma intertextual. Já 
a compreensão, como destaca Leffa (2012, p. 267), “é vista 
102 Comunicação para o Planejamento Profissional
como uma camada subterrânea, invisível e impregnada de co-
nexões possíveis”, ou seja, compreender abre um leque de ou-
tras percepções e entendimentos que as questões dadas não 
alcançam.
Compreender é uma prática social que envolve a participa-
ção do leitor ou ouvinte na construção dos sentidos necessá-
rios à interação. Sendo assim, a compreensão está envolvida 
em todas as situações nas quais buscamos entender o mundo 
e participar dele; é condição para conviver, partilhando conhe-
cimentos.
A interpretação, por sua vez, é parte disso, porém envolve 
ações mais específicas a fim de alcançar determinado objeti-
vo. Para exemplificar tais questões, leia o próximo texto:
Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2013/02/protecao-
-aos-direitos-da-crianca-e-do-adolescente>.
Compreender o texto requer a utilização de competências 
essenciais que são parcialmente exercitadas nas práticas de 
interpretar. Nesse novo texto, é possível perceber que se trata 
Capítulo 5 Leitura, compreensão e interpretação: aprimorando... 103
de uma campanha – “Fique atento, denuncie, proteja” – des-
tinada à proteção de crianças e adolescentes, ligada ao Con-
selho Tutelar, ao Ministério Público e à Secretaria de Direitos 
Humanos, isto é, trata-se de uma campanha institucional e 
pública. Tais considerações provêm do entendimento daquilo 
que o texto explicitamente revela. Mas e as informações que 
estão implícitas?
Conforme as informações do primeiro texto, os macaqui-
nhos sábios conduzem ao entendimento de “não ouça o mal”, 
“não fale o mal” e “não veja o mal”. Entretanto, no texto da 
campanha, isso não se confirma. Por quê? É preciso construir 
o raciocínio de que, em relação à violência contra crianças e 
adolescentes, faz-se necessário ouvir, falar e ver para evitar o 
sofrimento deles, o que só se efetivará com denúncia e justiça 
social. Perceba que, chegar a essa conclusão, requer exercício 
de interpretação que, consequentemente, conduzirá à com-
preensão do texto.
Em síntese, a interpretação é construída por meio de dife-
rentes estratégias e sistemas de conhecimento. Sobre esses as-
pectos, trata a próxima seção. Agora, sem os macacos sábios.
2 Ler e compreender como processo 
mental
A leitura é aqui entendida como prática social e, do ponto de 
vista da interação, dá-se no encontro entre autor e leitor por 
meio do texto. Nesse sentido, Hartmann e Santarosa (2012, p. 
104 Comunicação para o Planejamento Profissional
60) entendem que a leitura “se configura em uma prática que 
conduz à autonomia do pensamento, porque não é apenas 
recepção, é diálogo, é construção de sentidos [...]”, ou seja, o 
leitor processa a compreensão, por meio de fatores envolvidos 
nesse trabalho.
Nessa perspectiva, texto é lugar de interação, são os enun-
ciados concretos que se realizam nas práticas sociais vivencia-
das diariamente. É no contato com o texto que construímos o 
processo pessoal da leitura, por meio de fatores especialmente 
ligados às habilidades de ler e interpretar.
Koch e Elias (2010) destacam os seguintes fatores como es-
senciais ao processamento textual: o conhecimento linguístico, 
o conhecimento enciclopédico e o conhecimento interacional.
2.1 Conhecimento linguístico
O conhecimento linguístico refere-se ao conhecimento grama-
tical e lexical necessários para a compreensão dos recursos 
utilizados na organização do que se lê. Abrange o conheci-
mento do vocabulário, das regras da língua e dos seus usos. 
Ou, como destaca Leffa (2012), é a tradução do código; o que 
significa afirmar que o leitor aplica seus conhecimentos, acerca 
do código linguístico, na tarefa de decifrar o texto a ser lido.
Tome, por exemplo, a tirinha a seguir:
Capítulo 5 Leitura, compreensão e interpretação: aprimorando... 105
Nessa tirinha, o contraste entre os adjetivos “inteiro”, que 
se refere ao dia, e “rápido”, para o trabalho de pesquisa só 
ganha sentido no último quadrinho, no qual Armandinho res-
pondeao pai que já “vai começar”, ou seja, a ação remete 
para o futuro. O personagem acha que se distraiu “um pou-
quinho”, mas na verdade a distração foi de um dia inteiro, e 
a pesquisa ainda não aconteceu, porque a Internet distrai, e 
muito. Assim, fica evidente que o entendimento do vocabulário 
e das expressões que compõem as frases é fundamental ao 
processo de leitura.
2.2 Conhecimento enciclopédico
O conhecimento enciclopédico ou conhecimento de mundo, 
por sua vez, está ligado aos conhecimentos gerais sobre o 
mundo, relativos a vivências pessoais e eventos já arquivados 
na memória que são evocados na tarefa de produzir sentidos. 
106 Comunicação para o Planejamento Profissional
Para exemplificar, leia o excerto a seguir retirado do texto “Para 
que servem as ficções?”, de Contardo Calligaris:
Cresci em uma família em que ler romances e assistir a 
filmes, ou seja, mergulhar em ficções, não era considerado 
uma perda de tempo. Podia atrasar os deveres ou sacrifi-
car o sono para acabar um capítulo, e não era preciso me 
trancar no banheiro nem ler à luz de uma lanterna. Meus 
pais, eventualmente, pediam que organizasse melhor meu 
horário, mas deixavam claro que meu interesse pelas ficções 
era uma parte crucial (e aprovada) de minha “formação”. 
Eles sequer exigiam que as ditas ficções fossem edificantes 
ou tivessem um valor cultural estabelecido. Um policial e um 
Dostoievski eram tratados com a mesma deferência. Quan-
do foi minha vez de ser pai, agi da mesma forma. Por quê? 
(Contardo Calligaris, Folha de São Paulo, 18/01/2007)
Perceba que, neste trecho, Calligaris faz referência a Dos-
toievski, autor russo do clássico “Crime e Castigo”. E não o faz 
por acaso. No texto, elabora uma comparação entre qualquer 
romance do gênero policial (sem citar obra ou autor) e um 
Dostoievski, no intuito de frisar que as leituras eram tratadas 
com a mesma importância pelos pais, independentemente do 
seu valor cultural ou possíveis ensinamentos. Nesse sentido, 
se o leitor tem essas informações na sua memória, consegue 
processar melhor as intenções do texto, bem como a argumen-
tação construída pelo autor. Além disso, fica mais fácil chegar 
ao significado de “deferência”, caso o leitor desconheça o ter-
mo.
Capítulo 5 Leitura, compreensão e interpretação: aprimorando... 107
2.3 Conhecimento interacional
Por último, o interacional é o conhecimento das formas de 
interação por meio da linguagem. Esse tipo de conhecimento 
refere-se à capacidade de compreender os objetivos do autor, 
a situação comunicativa em que o texto se insere e a variante 
linguística empregada; o que também inclui a percepção do 
gênero textual quanto, por exemplo, aos seus aspectos estrutu-
rais e à sua função social.
O reconhecimento das condições interacionais do texto au-
xilia na leitura a seguir:
É a sua vez de se dedicar um pouquinho mais ao ser 
amado, dando uma pausa no labor. Até porque é desses 
momentos de prazer que provém a sua força, não é? Anote 
as inspirações.
Disponível em: <http://f5.folha.uol.com.br/horoscopo/>. 
Acesso em: 23/09/2017.
Trata-se evidentemente de horóscopo. Mas o que per-
mite ter certeza disso? A forma de estruturação do texto, o 
diálogo com o leitor no intuito de orientá-lo em suas ações 
ou ainda a estruturação curta, pois equivale aos conselhos 
para o dia. Essas marcas são as interacionais, mas só se 
tornam eficientes se o leitor souber a que signo se refere 
(Touro) e o período de nascimento que o identifica (21 de 
abril a 20 de maio).
108 Comunicação para o Planejamento Profissional
3 A compreensão e a atividade inferencial
Na leitura, estão envolvidos elementos linguísticos, como le-
tras, sílabas, palavras, estruturas e proposições, bem como as 
expectativas do leitor, sua interpretação e compreensão. Para 
a construção de significados, também colaboram elementos 
que constituem o conhecimento de mundo do leitor, os quais 
são armazenados na sua memória sob a forma de modelos 
cognitivos que permitem formular inferências.
Compreender um texto, portanto, exige, como vêm reve-
lando os estudos deste capítulo, que o leitor aplique vários 
tipos de conhecimento necessários à leitura. Nessa tarefa 
de produção de sentidos, o conhecimento prévio é essen-
cial, posto que “no processo de compreensão, desenvolve-
mos atividades inferenciais” (MARCUSCHI, 2008, p. 239). 
Mas o que são as atividades inferenciais?
Inferência consiste no resultado de um processo cognitivo 
por meio do qual uma informação nova é gerada com base 
em uma informação velha, ou seja, chega-se à conclusão de 
algo a partir de um dado conhecimento. São, pois, conexões 
que as pessoas fazem na tarefa de interpretar o que leem.
No processamento das informações do texto e com base 
no contexto que envolve a situação comunicativa, o leitor ati-
vo estabelece relações entre os conhecimentos anteriormen-
te constituídos e as informações novas contidas no texto. Ou 
seja, a inferência não está no texto, mas na leitura, e vai sendo 
construída conforme os leitores vão interagindo com a escrita.
Capítulo 5 Leitura, compreensão e interpretação: aprimorando... 109
O reconhecimento dos fatores envolvidos no processamen-
to da leitura e, consequentemente, da prática inferencial pode 
ser facilmente percebido na leitura da crônica a seguir, de Luís 
Fernando Veríssimo:
Pai não entende nada
— Um biquíni novo?
— É, pai.
— Você comprou um no ano passado!
— Não serve mais, pai. Eu cresci.
— Como não serve? No ano passado você tinha 14 
anos, este ano tem 15. Não cresceu tanto assim.
— Não serve, pai.
— Está bem, está bem. Toma o dinheiro. Compra um 
biquíni maior.
— Maior não, pai. Menor.
Aquele pai, também, não entendia nada.
(Luís Fernando Veríssimo)
Ao entrar no texto, o leitor percebe que o vocabulário uti-
lizado é bastante simples e que está fortemente marcado pela 
sinalização de discurso direto. Além disso, há expressões que 
são responsáveis pelo humor do texto, pois “não serve mais” 
pode significar não está mais na moda (para a filha) e não 
cabe no corpo (para o pai). Esses diferentes entendimentos 
110 Comunicação para o Planejamento Profissional
conduzem ao jogo semântico biquíni maior/biquíni menor, 
pois, para o pai, não servir requer a compra de um maior, 
o que poderá evitar gastos no próximo ano. Já para a filha 
adolescente, existe a necessidade de um biquíni novo e menor. 
Concluindo: pai não entende nada de biquíni, nem da lingua-
gem da filha.
A esses fatores linguísticos são relacionados os conheci-
mentos de mundo do leitor, afinal a crônica trata de um diá-
logo entre pai e filha, o que justifica os travessões e a variante 
coloquial da língua. Afinal, uma linguagem formal não com-
binaria com esse tipo de situação comunicativa. Também é 
bastante acessível ao leitor a situação familiar em que estão in-
seridos os personagens, o que facilita a construção do sentido.
Cabe também ressaltar a percepção de elementos ade-
quados ao gênero textual crônica como, por exemplo, uso de 
estrutura narrativa, linguagem simples e tema do cotidiano. 
Também ficam perceptíveis, quanto aos fatores interacionais, 
os objetivos de Veríssimo que se vale de um bate-papo comum 
para, de forma irônica e divertida, destacar por que “pai não 
entende nada”.
Recapitulando
O aprimoramento das capacidades de leitura exige exercício, 
mas também o (re)conhecimento de aspectos importantes en-
volvidos nessa tarefa. Quando você se dedica a ela, o seu 
conhecimento prévio auxilia nessa tarefa cognitiva e os fatores 
Capítulo 5 Leitura, compreensão e interpretação: aprimorando... 111
linguísticos, enciclopédicos e interacionais são acionados para 
que a interpretação aconteça.
A compreensão está ligada à colheita de informações que 
se faz no texto, mas também aos conhecimentosque o leitor 
já tem armazenados na sua memória. Essa é uma atividade 
“cooperativa e inferencial” na busca do sentido que “não 
está nem no texto nem no leitor nem no autor, e sim em 
uma complexa relação interativa entre os três e surge como 
efeito de uma negociação” (MARCUSCHI, 2008, p. 248). 
Sendo assim, boas “negociações” para você.
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MARCUSCHI, L. Produção textual, análise de gêneros e 
compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
STERNBERG, R. Capacidades intelectuais humanas. Porto 
Alegre: Artes Médicas, 1992.
Atividades
A linguagem corporal foi uma das primeiras formas de co-
municação humana e continua sendo uma das mais fortes 
e expressivas. Além da comunicação, por meio de gestos, 
você pode fazer alguém entender o que você quer. Mas, 
muitas vezes, o corpo mostra sinais que indicam o que você 
está pensando ou sentindo sem que você perceba. É que o 
sistema límbico, responsável pelos sentimentos, envia impul-
sos elétricos ao corpo, gerando expressões e movimentos 
sem nos darmos conta.
Disponível em: <http://revistavivasaude.uol.com.br/
saude-nutricao/113/artigo265382-1.asp>.
 1) Leia as seguintes afirmações sobre o emprego de recursos 
linguísticos no texto.
Capítulo 5 Leitura, compreensão e interpretação: aprimorando... 113
 I – O período “por meio de gestos, você pode fazer alguém 
entender o que você quer” poderia ser assim reescrito, sem 
prejuízo ao texto: por meio de gestos, você pode fazer com 
que entendam os seus desejos.
 II – A expressão “mas” (linha 04) contrapõe os gestos in-
tencionais que o corpo comunica aos sinais impulsivos, 
provocados pelo sistema límbico.
 III – No trecho “Mas, muitas vezes, o corpo mostra sinais 
que indicam o que você está pensando ou sentindo sem 
que você perceba”, a palavra “que” foi aplicada três vezes. 
Uma forma de reduzir o emprego desse conector seria: 
Mas, muitas vezes, o corpo mostra sinais indicativos do 
que você está pensando ou sentindo sem você perceber.
Sobre as proposições acima, escolha a alternativa correta.
a) Apenas I está correta.
b) Apenas II está correta.
c) Apenas III está correta.
d) Apenas I e III estão corretas.
e) I, II e III estão corretas.
 2) Relacione a tirinha a seguir à necessidade de aplicar vários 
tipos de conhecimento para a compreensão de um texto. 
Para isso, construa um comentário no qual você explique 
como são aplicados, para a leitura da tirinha, os conheci-
mentos linguísticos, enciclopédicos e interacionais.
114 Comunicação para o Planejamento Profissional
Qual é o papel do artista para mudar o estado 
das coisas?
O que sempre tiveram. O teatro é o lugar de discussão 
do homem, tanto que é uma das coisas que mais incomo-
dam quem quer manipular as massas. No momento em que 
você atua sobre a inteligência e a sensibilidade de um povo, 
que é o que o artista faz, você está indo além dos panfletos.
(Fábio Prikladnicki. Entrevista com a atriz Nathalia Tim-
berg. Zero Hora, 15 set. 2017)
 3) Sobre esse trecho da entrevista com a atriz Nathalia Tin-
berg, pode-se inferir o que segue.
 I – O papel do artista se alterou nas últimas décadas, pos-
to que passou a provocar discussão.
Capítulo 5 Leitura, compreensão e interpretação: aprimorando... 115
 II – Para mudar o estado das coisas, o artista atua na inte-
ligência e na sensibilidade das pessoas.
 III – O papel do artista é panfletário, pois ele provoca dis-
cussão sem mudar o estado das coisas.
Sobre as proposições dadas, escolha a alternativa correta.
a) Apenas I está correta.
b) Apenas II está correta.
c) Apenas III está correta.
d) Apenas I e II estão corretas.
e) Apenas II e III estão corretas.
 Leia o texto a seguir do poeta gaúcho Mario Quintana. As 
questões 4 e 5 referem-se a ele.
Os Poemas
Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde 
e pousam no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo 
como de um alçapão. 
Eles não têm pouso 
nem porto alimentam-se um instante em cada par de mãos 
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, 
no maravilhado espanto de saberes 
que o alimento deles já estava em ti…
116 Comunicação para o Planejamento Profissional
 4) No poema de Mario Quintana, evidencia-se a ideia de 
que a compreensão leitora... Escolha a alternativa que 
completa este trecho.
a) ... depende apenas do entendimento das palavras e 
expressões aplicadas no texto, ou seja, equivale à tra-
dução do código.
b) ... requer elaboração de inferências que se limitam 
ao conhecimento interacional sobre o gênero textual 
“poema”.
c) ... envolve um conjunto de saberes, incluindo o co-
nhecimento prévio do leitor, pois “O alimento deles já 
estava em ti...”
d) ... requer conhecimento interacional, porque é neces-
sário relacionar o texto aos conhecimentos já existen-
tes na memória sobre a vida dos pássaros.
e) ... exige, além do reconhecimento do gênero textual, 
habilidade com a linguagem figurada, como ilustram 
os versos “Os poemas são pássaros que chegam / não 
se sabe de onde e pousam / no livro que lês”. Ou seja, 
é imprescindível apenas o conhecimento enciclopédi-
co.
 5) Assinale V para as assertivas verdadeiras e F para as fal-
sas.
( ) Nesse texto, “pássaros” está aplicado com sentido co-
notativo.
Capítulo 5 Leitura, compreensão e interpretação: aprimorando... 117
( ) Em “eles alçam voo/ como de um alçapão”, há refe-
rência aos poemas que se libertam da armadilha de 
ficarem presos no livro.
( ) Se o verso fosse escrito assim “O pássaro não têm 
pouso”, não haveria nenhuma inadequação à variante 
culta da língua.
( ) O alimento do pássaro/poema são os sentimentos 
despertados no leitor, o que só se compreende me-
diante atividade inferencial.
 Escolha a sequência correta.
a) V – V – F – V.
b) F – V – F – F.
c) V – V – F – F.
d) F – F – V – V.
e) V – V – V – V.
Edgar Roberto Kirchof1
Capítulo 6
Texto verbal e não 
verbal: ampliando a 
ideia e a capacidade de 
leitura
1 Mestre em Comunicação, Doutor em Linguística e Letras, atualmente professor 
no curso de Letras e no Programa de Pós-Graduação em Educação da ULBRA.
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 119
Introdução
Neste capítulo, você está convidado a refletir sobre o papel 
da imagem em nossos processos comunicativos. Inicial-
mente, o capítulo traz uma seção sobre a relação entre a 
linguagem verbal e a linguagem visual, chamando aten-
ção para o fato de que a própria escrita também possui uma 
dimensão visual, a qual é frequentemente utilizada para fins 
emotivos e estéticos. Na sequência, o capítulo apresenta uma 
discussão sobre o processo de significação das imagens e, 
nesse contexto, você aprenderá que, além dos sentidos mais 
óbvios e literais, as imagens também produzem sentidos cultu-
rais e conotativos.
Por fim, o capítulo traz algumas seções mais voltadas para 
a compreensão doscontextos de uso das imagens em nos-
sa sociedade contemporânea. Inicialmente, você aprenderá 
como interpretar diagramas ou gráficos. Em seguida, você 
será desafiado a pensar sobre a relação entre imagem e pu-
blicidade e, por fim, sobre o uso das imagens nos espa-
ços digitais, principalmente nas redes sociais da Internet. No 
primeiro caso, será ressaltada a maneira como imagens são 
utilizadas para vender produtos associados a valores e estilos 
de vida. No segundo caso, serão discutidos os fenômenos do 
remix e dos memes.
120 Comunicação para o Planejamento Profissional
1 Do verbal ao visual
A linguagem verbal – falada e escrita – é o mais complexo 
sistema de que dispõe o ser humano para se comunicar. No 
entanto, não devemos subestimar a capacidade dos demais 
sistemas comunicativos, principalmente as imagens. Na comu-
nicação oral, é muito comum utilizarmos a linguagem verbal 
juntamente com outros sistemas de signos. Por exemplo, quan-
do falamos, não emitimos apenas palavras. Também comuni-
camos pelas nossas expressões faciais, dos gestos de nossas 
mãos e, mesmo, por certas posturas corporais. Muitas vezes, 
só é possível identificar se o que está sendo dito é sério ou 
não por meio dos gestos, da entonação da voz e da expressão 
facial que acompanha as palavras enunciadas. Outras vezes, 
nós sequer utilizamos palavras para a comunicação, quan-
do, por exemplo, fazemos um sinal afirmativo com a mão ou 
quando balançamos a cabeça para sinalizar uma resposta ne-
gativa. Em todos esses casos, estamos utilizando a visualidade 
produzida pelo nosso corpo como forma de expressão para 
nos comunicarmos, juntamente com a linguagem oral.
Por outro lado, é importante saber que a linguagem escrita 
também possui uma dimensão visual, a qual se manifesta, por 
exemplo, quando dizemos que a letra de uma pessoa é boni-
ta, feia, legível, ilegível. Além disso, com recursos de compu-
tação, podemos mudar e manipular facilmente as fontes das 
letras que usamos para digitar um texto, às vezes, apenas por 
questões estéticas, mas, outras vezes, também para expressar 
algum significado adicional. Na comunicação mais informal 
que predomina em redes sociais da Internet ou em aplicativos 
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 121
como o MSN e o Whatsapp, as pessoas costumam utilizar a 
visualidade das letras para expressar emoções ou para criar 
efeitos estéticos nas mensagens. Por exemplo, se alguém faz 
um convite para ir a um restaurante ou a uma festa, é pos-
sível reagir de várias maneiras, algumas muito empolgadas 
e outras, muito negativas: repetindo a mesma letra, usando 
maiúsculas ou minúsculas, acrescentando sinais de pontua-
ção, mudando o tipo de fonte, mudando a cor das fontes.
SIM!
Siiiiiiim!!!!
Sim!
Sim.
Sim
NÃO.
Nãããããão!!!!
Não!
Não.
Não
Como você percebeu a partir desses exemplos, a visuali-
dade da linguagem escrita pode agregar sentidos emotivos e 
estéticos às mensagens. Embora na linguagem formal isso seja 
pouco adequado, o uso da visualidade das letras é utilizado 
intencionalmente como forma de expressão em alguns tipos de 
discurso, não apenas na linguagem informal das redes sociais, 
mas também na publicidade e na literatura, especialmente na 
poesia.
Para vender uma versão do refrigerante Coca-Cola que vi-
nha em uma garrafa de gelo (e não de vidro), os publicitários 
que criaram a peça a seguir fizeram uso da estética visual das 
letras que compõem o enunciado em espanhol Fría hasta la 
última gota (Fria até a última gota). Nesse caso, chama aten-
ção principalmente o contraste entre o uso da cor branca para 
as palavras “fria, até, gota”, e o uso do preto para “a última”. 
122 Comunicação para o Planejamento Profissional
O objetivo, provavelmente, é ressaltar a ideia de frescor dessa 
embalagem com o uso do branco associado ao frio, de um 
lado, e, de outro, associar a palavra “última” ao próprio líqui-
do, que é preto.
Fonte: <http://www.expertosenmarca.com/la-experiencia-maxima-de-marketing/>.
Outro espaço no qual a visualidade das letras é explora-
da é a poesia, principalmente a poesia visual. Nesse sentido, 
é possível modificar as formas, cores, tamanhos, disposições 
das letras no espaço da página, entre outras possibilidades, de 
modo a criar efeitos estéticos e sentidos literários surpreenden-
tes. Trata-se de uma maneira criativa e prazerosa de exercer 
a criatividade artística e literária. Observe como o poeta por-
tuguês E. M. Melo e Castro conferiu dinamismo e iconicidade 
à palavra “pêndulo” unicamente pela disposição das letras, 
criando um belo e sugestivo poema visual.
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 123
Fonte: <http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/e_m_de_melo_castro.html>.
E você, prezado aluno, já pensou em exercer sua criativida-
de produzindo seus próprios poemas visuais?
2 Como compreendemos os significados 
das imagens?
Para compreender o processo de significação de uma imagem, 
é importante pensar, primeiro, sobre como nós compreende-
mos as palavras. A compreensão do significado de uma pa-
lavra depende do domínio de um código ou convenção. Por 
exemplo, para entender o que é uma casa em países em que 
não se fala português, é preciso aprender o código linguístico 
(o idioma) que cada uma dessas sociedades utiliza para ex-
pressar o significado daquilo que denominamos “casa”, pois 
não há nenhuma semelhança entre as palavras casa, Haus 
(Alemão), house (Inglês), Maison (Francês), indlu (Zulu) e o ob-
jeto que reconhecemos como uma casa. As palavras, portan-
124 Comunicação para o Planejamento Profissional
to, só fazem sentido para as pessoas que dominam os códigos, 
convenções ou acordos de cada comunidade linguística, o 
que faz as palavras serem consideradas “signos convencionais 
ou arbitrários”.
Já as imagens não dependem necessariamente do domínio 
de um código para fazerem sentido. Retomando o exemplo an-
terior, poderíamos simplesmente desenhar, pintar ou fotografar 
uma casa e mostrar essa imagem para o receptor que não fala 
português, o qual provavelmente entenderia imediatamente o 
que queremos expressar. Em poucos termos, enquanto pala-
vras não fazem sentido se não dominarmos o código linguís-
tico em que elas se inserem, para compreender o significado 
de uma imagem, basta conhecer previamente o seu objeto 
de referência, pois existe uma semelhança entre ambos. Por 
essa razão, as imagens são consideradas “signos icônicos”. A 
seguir, você poderá ver algumas imagens de diferentes tipos 
de casas e, provavelmente, não terá problema algum para 
reconhecê-las como casas.
Fonte: <https://diariodesescolar.wordpress.com/tag/geografia/>.
Devido à semelhança que mantêm com os objetos que re-
presentam, a compreensão das imagens seria, aparentemente, 
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 125
mais fácil do que a compreensão das palavras faladas ou es-
critas. No entanto, isso é verdadeiro apenas em parte, pois o 
que compreendemos, de imediato, em uma imagem, é apenas 
o seu significado mais óbvio, que pode ser chamado de signi-
ficado literal ou denotativo, mas não os seus significados co-
notativos, simbólicos, culturais e ideológicos. Por exemplo, as 
casas das imagens anteriores são diferentes umas das outras, 
apontando para diferentes culturas, sociedades, tecnologias 
de construção, classes sociais etc. Para compreender esses 
significados mais amplos, você também precisaria aprender 
sobre as culturas e as sociedades nas quais cada uma dessas 
casas foi construída.
Nas imagens a seguir, embora seja possível reconhecer 
imediatamente o significado denotativo de “casa”, para com-
preender os seus significados conotativos, você precisaria pes-
quisar e aprender um pouco sobre os códigos estéticos e artísti-
cosde cada pintor que as produziu. No primeiro caso, trata-se 
da casa em que habitaram, em 1888, os pintores van Gogh e 
Gauguin, sendo que a pintura aqui reproduzida é do próprio 
van Gogh. Utilizando um estilo artístico próprio – marcado, 
entre outros, pelo uso de cores fortes e vibrantes – van Gogh 
imprimiu certo tom de tristeza e abandono à pintura, principal-
mente pelo uso da cor amarela em contraste com o azul. Já 
a segunda imagem é Casa em jardim, do pintor cubista Pablo 
Picasso e, portanto, a compreensão de seu significado artístico 
depende de um conhecimento mínimo do estilo cubista.
126 Comunicação para o Planejamento Profissional
Casa amarela em Arles, pintura de Van Gogh.
Fonte: <https://mysendoff.com/2011/08/the-smoking-guns-of-van-gogh/>.
Casa em jardim, pintura de Pablo Picasso 1908.
A partir desses exemplos, é possível concluir que a com-
preensão do sentido denotativo de uma imagem depende 
do conhecimento prévio de seu objeto de referência, pois há 
uma semelhança entre a própria imagem e esse objeto. Já a 
compreensão dos sentidos conotativos, simbólicos, culturais e 
ideológicos veiculados pelas imagens demanda o domínio de 
códigos culturais de interpretação.
3 Lendo Diagramas/Gráficos
Na maior parte dos casos, a semelhança entre uma imagem e 
seu objeto de referência é bastante evidente, como nos exem-
plos das casas que você viu na seção anterior. Entretanto, al-
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 127
gumas imagens não pretendem representar objetos diretamen-
te reconhecíveis no mundo físico, e sim informações abstratas, 
cálculos, progressões, raciocínios lógicos. Esse tipo específico 
de imagem pode ser chamado de diagrama ou gráfico, e, 
nesse caso, a semelhança não está entre a própria imagem 
e seu objeto, mas, sim, entre a estrutura da imagem e a 
estrutura do objeto de referência. Em termos mais simples, 
podemos afirmar que o diagrama é uma imagem criada como 
a representação gráfica de alguma informação que se quer 
veicular, e não de um objeto físico. A compreensão desse tipo 
de signo demanda, portanto, que você faça um exercício para 
entender a relação entre a forma visual da imagem e a infor-
mação que essa forma visual representa.
Um exemplo bastante simples de diagrama são os ma-
pas, que, em última análise, não passam de representações 
visuais de determinados espaços geograficamente definidos. 
Ao pensar no território brasileiro, por exemplo, provavelmente 
a primeira imagem que vem à sua mente é o mapa do Brasil. 
Mas existem muitos outros tipos de diagramas, alguns muito 
simples e outros mais complexos. Representações diagramá-
ticas muito simples são, por exemplo, flechas alinhadas uma 
do lado da outra para representar a ideia de sequência, pro-
gressão ou evolução, círculos fatiados para indicar a ideia 
de comparação ou proporção entre partes, colunas para criar 
grupos, classificar ou hierarquizar informações, entre tantas 
outras possibilidades.
128 Comunicação para o Planejamento Profissional
Por outro lado, utilizando diferentes imagens articuladas 
entre si em um mesmo diagrama, é possível não apenas repre-
sentar visualmente ideias mais complexas e sofisticadas, mas 
também tornar a sua compreensão mais simples e mais rápi-
da. No gráfico a seguir, por exemplo, existe uma articulação 
entre linhas ascendentes e descendentes, com diferentes cores, 
as quais estão dispostas sobre linhas estáticas numeradas, sen-
do que cada linha representa uma categoria. A ideia que esse 
gráfico representa é uma comparação evolutiva entre diferen-
tes categorias. Como exemplos de possibilidades para essas 
categorias, poderíamos pensar na margem de lucro de dife-
rentes empresas, na evolução das notas de alunos durante um 
semestre ou ano, no desempenho econômico de alguns países 
ao longo de um período, entre outras tantas possiblidades.
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 129
Devido à sua incrível capacidade de sistematizar e esque-
matizar um grande volume de informação de forma rápida e 
simples, os gráficos estão presentes em muitas dimensões de 
nossa vida letrada, sendo também muito utilizados em provas 
e testes. Por isso, é muito importante que você aprenda a inter-
pretá-los corretamente.
Na prova do ENADE de 2014, por exemplo, uma das 
questões gerais colocadas para os estudantes perguntava so-
bre a relação entre a pegada ecológica e a biocapacidade 
do planeta: se for maior que 1, a exigência humana sobre 
os recursos disponíveis em nosso planeta é mais alta do que 
a capacidade que o planeta possui para se recuperar. Como 
você pode observar no gráfico a seguir, antes de 1975, as 
colunas estão na cor verde e abaixo da linha divisória que 
marca o número 1. Depois de 1975, por sua vez, as colunas 
se invertem e passam a ser representadas em vermelho. O que 
isso significa? De forma muito simplificada, esse gráfico revela 
130 Comunicação para o Planejamento Profissional
que, desde 1975, estamos usando gradativamente mais recur-
sos naturais do que nosso planeta consegue prover!
Fonte: Prova ENADE Letras 2014
4 Imagem e publicidade
Agora que você aprendeu como funciona o processo de sig-
nificação das imagens, você está pronto para refletir sobre as 
imagens publicitárias, as quais são muito presentes em nossas 
vidas, uma vez que vivemos em uma sociedade capitalista, 
cuja economia está fundamentada na produção e no consu-
mo de produtos (mercadorias e serviços). O sociólogo polonês 
Zygmunt Bauman (2008, p. 18) resume em três regras a lógica 
dos mercados contemporâneos:
[p]rimeira, o destino final de toda mercadoria colocada 
à venda é ser consumida por compradores. Segunda: os 
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 131
compradores desejarão obter mercadorias para consu-
mo se, e apenas se, consumi-las for algo que prometa 
satisfazer seus desejos. Terceira: o preço que o potencial 
consumidor em busca de satisfação está preparado para 
pagar pelas mercadorias em oferta dependerá da credi-
bilidade dessa promessa e da intensidade desses desejos.
A função da publicidade, nesse processo, é fundamental, 
pois ela se destina a convencer o maior número possível de 
pessoas a comprar e consumir, o que só ocorrerá se for capaz 
de criar, mobilizar e intensificar os seus desejos. Para tanto, 
uma das principais estratégias da publicidade é a construção 
de imagens que levem as pessoas a realizarem “uma associa-
ção entre os produtos oferecidos e certas características social-
mente desejáveis e significativas, a fim de produzir a impressão 
de que é possível vir a ser certo tipo de pessoa [...] comprando 
aquele produto [...]” (KELLNER, 2001, p. 318). Por essa ra-
zão, geralmente, as peças publicitárias contêm imagens que 
associam os produtos anunciados a ideias de riqueza, alegria, 
felicidade, juventude, beleza, entre outros, pois são de valores 
muito desejados na sociedade em que vivemos.
O pesquisador Douglas Kellner exemplifica esse processo 
por meio de algumas imagens utilizadas em peças publicitá-
rias antigas para vender cigarros. Nesse sentido, a marca Mar-
lboro, na década de 1950, criou uma campanha publicitária 
para associar seu produto à ideia de masculinidade, pois, an-
tes disso, essa marca era consumida predominantemente por 
mulheres. Nas palavras de Kellner, o cigarro dessa marca “era 
visto como um cigarro fraco para mulheres, e a campanha do 
“Homem Marlboro” foi uma tentativa de conquistar o mercado 
132 Comunicação para o Planejamento Profissional
masculino com imagens e personagens masculinas arquetípi-
cas” (ibidem). Para tanto, a campanha associou o cigarro às 
imagens do caubói, de cavalos e da natureza, na esperança 
de que os homens que fossem interpelados por essa campa-
nha internalizassem a ideia de que, fumandoMarlboro, seriam 
mais másculos, intrépidos, destemidos, independentes.
Fonte: <https://muzeez.com.br/galerias/as-embalagens-e-propagandas-do-cigar-
ro-marlboro/t8yjRHTaeEovB365y>.
Já a marca Virginia Slims, naquela mesma época, procura-
va convencer as mulheres de que é charmoso fumar, e de que 
o produto anunciado é perfeito para a mulher “moderna” (ibi-
dem). Além disso, as imagens produzidas para as campanhas 
publicitárias também sugeriam que fumar ajudaria a emagre-
cer. A seguir, por exemplo, uma mulher esbelta e bem vestida 
aparece fumando na parte inferior da imagem, em oposição 
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 133
à imagem de uma família patriarcal, vestindo roupas antigas, 
na parte superior. Como você já deve ter percebido, essa ima-
gem procura levar as mulheres a acreditarem que, fumando 
cigarros da marca Virginia Slims, tornam-se belas, esbeltas, 
modernas e independentes, uma vez que a mulher do passado 
– representada na parte superior da imagem – está associa-
da à família patriarcal, na qual a mulher está completamente 
atrelada ao lar e aos afazeres domésticos.
Fonte: <http://flavorwire.com/183675/adman-vs-the-beatles-who-drove-60s-cul-
ture/6>.
Um dos motivos por que é tão importante estudar as estra-
tégias de representação das imagens publicitárias é justamente 
porque “a propaganda ‘interpela’ os indivíduos e convida-os a 
identificar-se com produtos, imagens e comportamentos” (KEL-
LNER, 2001, p. 322). Em outras palavras, as imagens construí-
das nesses anúncios estão carregadas de valores culturais e, 
por isso mesmo, vendem não apenas os produtos que anun-
134 Comunicação para o Planejamento Profissional
ciam, mas também identidades e estilos de vida. É por isso que 
algumas pessoas se sentem empoderadas quando conseguem 
comprar produtos de certas marcas. Para citar alguns exemplos 
mais atuais, podemos dizer que algumas marcas de tênis es-
tão associadas com classe social elevada, sucesso, juventude, 
saúde, aventura, liberdade; algumas marcas de cerveja estão 
associadas com a masculinidade; alguns acessórios femininos, 
como bolsas e joias, estão associados às ideias de elegância, 
distinção, sucesso e classe social elevada, entre tantos outros 
exemplos possíveis.
E você, prezado aluno, já parou para pensar sobre como 
as imagens da publicidade influenciam suas próprias decisões 
de compra e seu estilo de vida?
5 As imagens na era da Internet
Com o surgimento das tecnologias digitais, ficou mais fácil 
produzir e fazer circular imagens. Hoje, praticamente qualquer 
aparelho celular, além de estar equipado com uma câmera 
fotográfica, também disponibiliza acesso à Internet, o que faz 
com que, diariamente, seja produzido e compartilhado, nas 
redes sociais, um número imenso de imagens. Além disso, 
existem muitos softwares que permitem não apenas armazenar, 
senão também editar as imagens digitalizadas, o que possi-
bilita acrescentar textos escritos às imagens, corrigir possíveis 
imperfeições, alterar os padrões visuais originais, mudar cores, 
acrescentar frames, mesclar imagens, entre inúmeros outros 
recursos existentes.
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 135
Essa facilidade para produzir imagens (e outros tipos de 
texto) a partir de conteúdos já disponíveis nos espaços digitais 
levou alguns teóricos a afirmar que estamos vivendo na cultu-
ra da remixagem, pois, conforme afirma o teórico das mídias 
Henry Jenkins, basta um conteúdo digital ser propagado para 
que seja refeito.
Quando o material é propagado, ele é refeito: seja li-
teralmente, ao ser submetido aos vários procedimentos 
de remixagem e sampleamento, seja figurativamente, 
por meio de sua inserção em conversas em andamento e 
através de diversas plataformas. (JENKINS, 2014, p. 54)
Os processos de remixagem e sampleamento a que se refe-
re Jenkins significam que as pessoas utilizam amostras, partes 
ou fragmentos (samples, em inglês) de imagens retiradas da 
Internet para construir seus próprios textos visuais, mas tam-
bém sonoros ou multimídia. Quando uma remixagem se torna 
tão popular que é replicada de forma vertiginosa, passa a ser 
chamada de meme. Um exemplo de remixagem com imagem 
são os vários memes produzidos por internautas do mundo in-
teiro depois que a senhora espanhola Cecilia Giménez, viúva 
de 83 anos e pintora amadora, tentou restaurar uma imagem 
de Cristo na igreja de sua cidade, obtendo um resultado ca-
tastrófico.
136 Comunicação para o Planejamento Profissional
Fonte: <http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2012-08-31/restauradora-de-
-borja-quero-terminar-o-meu-trabalho.html>.
Na primeira imagem a seguir, o autor utilizou dois samples 
(partes) para construir sua própria remixagem: uma famosa 
pintura da Capela Sistina, no Vaticano, pintada por Michelan-
gelo, e a pintura de Cecilia Giménez. Já a segunda remixagem 
foi feita a partir do quadro do norueguês Eduard Munch, O 
grito, e a pintura de Giménez.
Fontes: <http://veja.abril.com.br/entretenimento/obra-de-velhinha-de-borja-ja-ar-
recadou-50-000-euros/>.
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 137
<http://knowyourmeme.com/photos/383429-potato-jesus>.
Ainda segundo Jenkins, mesmo quando não são submeti-
das a processos de remixagem, as imagens adquirem signifi-
cados diferentes ao serem propagadas nas redes sociais, pois, 
quando muda o contexto da comunicação, muda também o 
significado daquilo que está sendo comunicado. Um exemplo 
muito comum é a prática, por parte de alguns internautas, 
de retirar fotos de políticos ou de pessoas famosas que foram 
publicadas em jornais ou revistas on-line e reposicioná-las em 
uma discussão na qual esse político ou pessoa famosa está 
sendo criticado ou criticada. Nesse caso, o significado da ima-
gem muda imediatamente devido ao novo contexto em que foi 
posicionada.
Para finalizar essa seção, é importante afirmar que gran-
de parte das produções remixadas e dos memes que circu-
lam na Internet se destinam ao entretenimento. No entanto, a 
facilidade para remixar e propagar imagens no ciberespaço 
também tem levado à proliferação de imagens manipuladas 
com o objetivo de difamar e estigmatizar certas pessoas e gru-
pos sociais, frequentemente estimulando a cultura do ódio e 
do preconceito. Por isso, antes de replicar qualquer conteúdo 
imagético, lembre-se sempre de que é muito fácil manipular 
imagens no mundo digital e que, talvez, aquilo que você está 
vendo na imagem que lhe foi passada seja algum tipo de edi-
ção e pode estar servindo a algum propósito pouco ético. Em 
síntese, antes de compartilhar, verifique sempre a origem e a 
legitimidade do que está sendo propagado.
138 Comunicação para o Planejamento Profissional
Recapitulando
Neste capítulo, você foi desafiado a refletir sobre o modo como 
as imagens se inserem em nossos processos comunicativos. A 
primeira questão apresentada foi a relação existente entre a 
linguagem verbal e a linguagem visual. Assim, você aprendeu 
que é possível explorar a visualidade da própria escrita como 
uma forma de expressão emotiva ou estética, o que ocorre 
com frequência na linguagem da Internet, mas também da 
publicidade e da poesia.
Em seguida, foi proposta uma discussão sobre o modo 
como são produzidos os significados das imagens. Naquela 
seção, você aprendeu que as imagens produzem dois princi-
pais tipos de significados: denotativos (ou literais) e conotati-
vos (ou culturais). Já o significado da linguagem verbal é de-
terminado pelo domínio de códigos (convenções ou acordos) 
linguísticos por parte dos sujeitos.
Depois dessa questão mais teórica, o capítulo propôs uma 
discussão sobre o uso das imagens, primeiro, pela leitura de 
diagramas/gráficos. Dessa forma, você aprendeu que um 
diagrama é uma representação visualde uma ideia ou infor-
mação e não necessariamente de um objeto reconhecível no 
mundo físico. Em seguida, você foi convidado a refletir so-
bre o uso das imagens pela publicidade. Naquele contexto, 
você aprendeu que a publicidade usa as imagens para levar 
as pessoas a associarem os produtos anunciados com certas 
características e valores culturais desejáveis, instigando-as a 
acreditarem que é possível se tornar aquele tipo de pessoa 
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 139
representada nas peças publicitárias, desde que se compre o 
produto anunciado.
Na última seção do capítulo, por fim, houve uma breve dis-
cussão sobre o modo como as imagens são utilizadas no con-
texto digital. Nesse sentido, você foi convidado a compreender 
melhor como funcionam as remixagens e os memes.
Referências
BAUMAN, Zygmunt. Vida para o consumo: a transformação 
das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
JENKINS, Henry; GREEN, Joshua; FORD, Sam. Cultura da 
conexão: criando valor e significado por meio da mídia 
propagável. São Paulo: Aleph, 2014.
KELLNER, Douglas. Cultura da mídia. Bauru: EDUSC, 2001.
Atividades
1) Observe com atenção o poema visual de Augusto de Cam-
pos “Luxo/Lixo” (1965), reproduzido a seguir, e assinale a al-
ternativa que contém informações corretas sobre a dimensão 
visual da escrita.
140 Comunicação para o Planejamento Profissional
 I – Muitas pessoas utilizam a visualidade da escrita para 
expressar emoções nas redes sociais da Internet, o que 
é inadequado, pois essa prática é adequada apenas no 
caso da poesia.
 II – Assim como ocorre com a poesia, também na lingua-
gem da publicidade, a dimensão visual da escrita é fre-
quentemente explorada para produzir efeitos estéticos.
 III – Na linguagem literária, a visualidade pode ser explo-
rada como uma forma de exercer a escrita criativa.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas I está correta.
e) Apenas III está correta.
 2) O gráfico a seguir, que se encontra em um relatório do 
Imazon, traz informações sobre o desmatamento da Ama-
zônia nos períodos de agosto de 2014 a junho de 2016. 
Assinale a alternativa que contém apenas informações cor-
retas a partir da leitura do gráfico.
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 141
 I – Utilizando uma diferenciação entre cores, o gráfico es-
tabelece uma comparação quanto ao desmatamento da 
Amazônia entre dois períodos: agosto de 2014 a junho de 
2015; agosto de 2015 a junho de 2016.
 II – O gráfico permite perceber que há um equilíbrio quan-
to ao uso dos recursos naturais da Amazônia nos últimos 
anos, uma vez que as taxas de desmatamento permane-
cem estáveis.
 III – O gráfico permite perceber que, em junho de 2016, o 
desmatamento da Amazônia foi o mais alto em relação a 
todo o período analisado.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas I está correta.
e) Apenas III está correta.
142 Comunicação para o Planejamento Profissional
 3) Observe a imagem publicitária a seguir e assinale a 
resposta correta.
Fonte: <https://br.pinterest.com/pin/230176230930923805/?lp=true>.
 I – A peça publicitária utiliza imagens de pessoas bem-
sucedidas economicamente como parte de uma estratégia 
para criar desejos nos públicos interpelados.
 II – A imagem publicitária associa o produto que pretende 
vender a valores culturais considerados positivos e desejá-
veis, como a felicidade estampada no sorriso das persona-
gens.
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 143
 III – As pessoas interpeladas por campanhas publicitárias 
acabam incorporando todos os valores associados às ima-
gens utilizadas em seus anúncios.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas I e III estão corretas.
c) Apenas II e III estão corretas.
d) Todas estão corretas.
e) Apenas III está correta.
 4) Leia com atenção a afirmação de Dudeney, Hockley 
e Pegrum e assinale a alternativa que contém afirma-
ções corretas sobre o remix.
 O remix é um jogo de saber no qual as reivindicações 
de verdade frequentemente não têm lugar. E, como 
em todos os outros jogos, tem a ver com diversão ao 
longo do trajeto. (DUDENEY, HOCKLEY e PEGRUM, 
2016, p. 55)
 I – O remix é um processo de subversão das imagens por 
meio de softwares livres e sempre contém conteúdo de fun-
do político.
 II – Um conteúdo poderá ser caracterizado como remix 
apenas caso chegue a se transformar em um meme, vira-
lizando pelas redes sociais da Internet.
 III – Estamos vivendo na cultura da remixagem porque as 
tecnologias digitais popularizaram o acesso a softwares 
144 Comunicação para o Planejamento Profissional
que permitem produzir conteúdos a partir da manipulação 
de conteúdos preexistentes no ciberespaço.
a) Apenas I e III estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II está correta.
e) Apenas III está correta.
 5) Observe a imagem a seguir e assinale a alternativa que 
contém afirmações corretas sobre o fenômeno dos memes.
Fonte: <https://www.facebook.com/pg/nazareaorientadora/photos/>.
 I – Os memes se caracterizam como conteúdos que se 
tornam extremamente populares e, por isso, passam a cir-
cular por meio de um grande número de redes sociais da 
Internet.
Capítulo 6 Texto verbal e não verbal: ampliando a ideia... 145
 II – Assim como ocorre na imagem acima, todos os memes 
são irônicos e produzidos unicamente pelo processo da 
remixagem.
 III – A imagem anterior é um bom exemplo de meme, pois 
os melhores memes sempre fazem referência a algum pro-
grama televisivo, o que leva um grande número de pes-
soas a replicá-los.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas I e III estão corretas.
c) Apenas II e III estão corretas.
d) Apenas I está correta.
e) Apenas III está correta.
Cléa Silvia Biasi Krás1
Capítulo 7
Argumentação e 
produção escrita
1 Doutora em Letras. Mestre em Linguística e Letras. Especialista em Lin-
guística Aplicada ao Ensino do Português. Graduada em Licenciatura Plena 
em Letras e em Tradutor e Intérprete. Todos os títulos obtidos pela Pontifícia 
Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Docente na Univer-
sidade Luterana do Brasil (ULBRA Torres/RS), instituição em que ingressou 
em 1992. E-mail: cleasilvia@cpovo.net.
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 147
Introdução
No capítulo anterior, você entrou em contato com diferentes 
formas de comunicação. Quando utilizamos a linguagem oral 
ou escrita, dizemos que estamos fazendo uso da linguagem 
verbal, porque o código usado é a palavra. Quando não 
utilizamos a palavra, ao contrário da linguagem verbal, em-
pregamos linguagem visual, como em placas, figuras, gestos, 
objetos, cores, ou seja, signos visuais; estamos usando a lin-
guagem não verbal. Por outro lado, podemos mesclar pala-
vras e imagens nos textos, tornando-os híbridos. Podemos en-
contrá-los, por exemplo, em revistas em quadrinhos, charges 
e tiras cômicas.
Neste capítulo, você irá estudar não só a conceituação e 
a estrutura de um tipo específico de texto, a saber, o texto ar-
gumentativo, mas também a relevância da produção escrita 
textual com proficiência. É de extrema importância para todo 
profissional ter uma boa comunicação, um juízo crítico e uma 
escrita escorreita e assertiva, que certamente pode ampliar 
suas oportunidades no mercado de trabalho.
1 A proficiência na expressão escrita e o 
êxito acadêmico e profissional
Muitos acreditam que quem escreve bem são somente algu-
mas raras pessoas ou escritores, isto é, aqueles que escrevem 
livros. Mas isso não é verdade. Todosnós podemos escrever 
bem, com criatividade e domínio dos aspectos da língua culta. 
148 Comunicação para o Planejamento Profissional
E, para isso, devemos praticar a escrita, uma vez que só apren-
demos a escrever bem, escrevendo. A prática frequente é in-
dispensável, pois é por meio dela que adquirimos os automa-
tismos que nos levam a escrever natural e espontaneamente.
Além disso, não podemos escrever, muito menos argumen-
tar, sobre algo que não conhecemos. Para adquirirmos e am-
pliarmos nosso conhecimento, devemos ler jornais, revistas, 
livros e sites, além de participarmos de cursos, palestras e fó-
runs que nos deem informações. Também esses instrumentos 
nos ajudam na aquisição de um conjunto de vocábulos indis-
pensáveis para quem pretende escrever.
Escrever bem, em todas as circunstâncias, portanto, deveria 
ser considerado um hábito. Isso não está somente no fato de 
que você irá ser um profissional (professor, advogado, dentis-
ta, arquiteto, administrador, enfermeiro, ou outro entre tantas 
profissões), mas também pela obrigatoriedade cotidiana que 
você tem em escrever bilhetes, e-mails, mensagens, relatórios, 
documentos oficiais, artigos científicos, trabalhos acadêmicos, 
documentos jurídicos etc.
Você deve ter ciência, também, de que dominar a norma 
culta da Língua Portuguesa está se tornando cada vez mais 
importante para o êxito no mercado de trabalho em todas as 
áreas profissionais. A falta do domínio do idioma pode com-
prometer profundamente a imagem do profissional, colocando 
em dúvida o seu conhecimento técnico e a qualidade de seu 
trabalho. A imagem negativa projetada pela má comunicação 
oral ou escrita não é bem recebida pelos clientes e empresas. 
Em razão disso, os empregadores valorizam cada vez mais os 
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 149
funcionários que sabem se expressar com fluência e correta-
mente. Em suma: podemos afirmar que falar e escrever com 
linguagem sem incorreções é fundamental para qualquer pro-
fissional e para o sucesso de uma empresa.
A propósito, o avanço da comunicação eletrônica tem au-
mentado a necessidade de o profissional escrever. Hoje, as 
empresas comunicam mensagens que circulam dentro da em-
presa ou fora dela, exigindo dos profissionais a habilidade da 
expressão escrita. Desse modo, você deve saber que a com-
petência profissional depende tanto de saber escrever corre-
tamente o português quanto dos conhecimentos técnicos da 
área de sua atuação.
Por fim, a boa escrita é, ainda, uma excelente maneira de 
organizar ideias e articular argumentos. Assim, no próximo tó-
pico, examinaremos aspectos relacionados à argumentação.
2 O que é argumentação?
A argumentação é uma tipologia discursiva que é marcada 
pela intenção do argumentador2 de fazer o interlocutor3 admi-
tir seu ponto de vista ou simplesmente fazer o argumentador 
defender a pertinência de seu próprio ponto de vista. Com 
isso, o ato de argumentar é visto como o ato de persuadir ou 
2 “Argumentador” é aquele que argumenta, produz a mensagem; emissor; produ-
tor; redator.
3 “Interlocutor” é aquele a quem se dirige a mensagem; destinatário; ouvinte; 
leitor.
150 Comunicação para o Planejamento Profissional
convencer alguém. Sempre que argumentamos, temos o intui-
to de convencer alguém a pensar como nós.
Nessa perspectiva, Koch (2011, p. 17) propõe que a in-
teração social por intermédio da língua caracteriza-se, fun-
damentalmente, pela argumentatividade. Segundo a autora, 
constantemente o homem avalia, julga, critica, ou seja, forma 
juízos de valor, como ser dotado de razão e vontade. Por outro 
lado, por meio do discurso – ação verbal dotada de intencio-
nalidade – tenta influir sobre o comportamento do outro ou 
fazer com que compartilhe determinadas opiniões. É por essa 
razão que a autora afirma que “o ato de argumentar, isto é, 
de orientar o discurso no sentido de determinadas conclusões, 
constitui o ato linguístico fundamental, pois a todo e qualquer 
discurso subjaz uma ideologia, na acepção mais ampla do 
termo”.
Como você deve já ter notado, há autores que diferenciam 
a “dissertação” da “argumentação”; outros não costumam 
distinguir a “dissertação” da “argumentação”, considerando 
esta requisito daquela; e, ainda, há os que tratam as duas 
terminologias como uma única: “dissertação-argumentativa”.
Ainda a título de nomenclatura, muitas provas de vestibula-
res e concursos utilizam o nome “texto dissertativo”, ou “texto 
argumentativo”, ou, ainda, “texto dissertativo-argumentativo”, 
mas todos se referem a esse mesmo padrão de texto que aqui 
estamos estudando.
Podemos citar Garcia (1996, p. 370) que distingue a 
“dissertação” da “argumentação”. Para o autor, enquanto a 
dissertação tem como propósito principal expor ou explanar, 
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 151
explicar ou interpretar ideias; a argumentação visa, sobretu-
do, a convencer, persuadir ou influenciar o leitor ou ouvin-
te. Acrescenta, também, que na dissertação é dito o que se 
sabe ou acredita-se saber a respeito de determinado assunto; 
externa-se uma opinião sobre o que é ou parece ser. Na ar-
gumentação, além disso, procura-se principalmente formar a 
opinião do leitor ou ouvinte, tentando convencê-lo de que a 
razão está com o emissor, de que ele é quem está de posse da 
verdade. Argumentar é, desse modo, para o autor, convencer 
ou tentar convencer mediante a apresentação de razões, em 
face da evidência das provas e à luz de um raciocínio coerente 
e consistente.
Como você deve ter percebido, o fenômeno da argumen-
tação é um mecanismo claramente discursivo, destinado a 
persuadir ou convencer o interlocutor, ou seja, trata-se de um 
mecanismo ativado com o propósito de provocar a adesão do 
leitor para a posição do produtor do texto. Nesse sentido, a 
língua não é apenas um instrumento de comunicação; ela é, 
também, um instrumento de ação sobre o outro, isto é, uma 
estratégia que visa a persuadir, a convencer, a aceitar, a fazer 
crer, a mudar de opinião e a levar a uma determinada ação.
3 Estrutura do texto argumentativo
A partir das definições anteriores, destacamos, agora, um as-
pecto que diz respeito à estruturação da argumentação, con-
siderando-se que todo texto escrito deve ter início, meio e fim 
e é dirigido a alguém. A estrutura básica, canônica, do texto 
152 Comunicação para o Planejamento Profissional
dissertativo ou argumentativo apresenta as partes que veremos 
a seguir.
Introdução: apresentação da tese
É onde o produtor apresenta a ideia-base, objeto das con-
siderações do argumentador para situar o leitor dentro do as-
sunto a ser desenvolvido; é a posição que o argumentador 
defende. Ou seja: o texto deve deixar claro a que veio logo 
de início.
Há várias maneiras de apresentarmos uma tese; a seguir, 
algumas delas com exemplos.
a. Declaração afirmativa (ou negativa): serve para fazer 
uma declaração forte, capaz de surpreender o leitor; é a forma 
mais comum em um texto argumentativo.
“É um grave erro a liberação da maconha.”
“O aborto não deve ser legalizado.”
b. Interrogação: serve para despertar a atenção do leitor 
para o tema e será respondida ao longo da argumentação.
“Será que é com novos impostos que a saúde melhorará 
no Brasil?”
c. Definição: é uma forma didática, simples e muito usa-
da, porque esclarece o significado para o leitor do conceito 
introduzido pelo argumentador.
“Justiça é a particularidade do que é justo e correto, como 
o respeito à igualdade de todos os cidadãos”.
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 153
d. Alusão histórica: o conhecimento dos principais fatos 
históricos sinaliza que o argumentador tem conhecimento so-
bre o assunto, além de o leitor ser situado no tempo e ter uma 
melhor dimensão do problema.
“Após a queda do Muro de Berlim,acabaram-se os anta-
gonismos Leste-Oeste, e o mundo parece ter aberto as portas 
para a globalização.”
e. Citação: é usar as palavras de outra pessoa, sua função 
é apoiar, sustentar as ideias do argumentador. Existem dois 
tipos de citações que você pode fazer: a direta e a indireta. A 
citação direta aparece exatamente como foi dita, por isso deve 
ter aspas e indicar seu autor. Enquanto, na indireta, usamos 
nossas palavras para explicar o que foi dito, ou seja, uma es-
pécie de paráfrase. Quando usarmos a citação indireta, não 
é necessário o uso de aspas, mas é preciso indicar o nome do 
autor.
“Para Marx, a religião é o ópio do povo.”
f. Comparação: serve para comparar lugares, objetos, se-
res, mostrando semelhanças e/ou diferenças.
“Enquanto países, como a Inglaterra e Canadá, têm leis 
que protegem as crianças da exposição ao sexo e à violência 
na televisão, no Brasil não há nenhum controle efetivo sobre a 
programação na televisão.”
Esses exemplos podem ajudar os estudantes a começar um 
texto argumentativo. É importante ressaltar, no entanto, que a 
escolha do tipo de tese dependerá da temática abordada.
154 Comunicação para o Planejamento Profissional
Desenvolvimento: defesa da tese
Consiste na apresentação dos argumentos que fundamen-
tam a tese apresentada na introdução, por meio de razões 
ou provas, que podem ser por: fatos, exemplos, ilustrações, 
dados estatísticos, testemunhos, comparações, alusões histó-
ricas, entre outros. Os argumentos de um texto são facilmente 
localizados: identificada a tese, faz-se a pergunta por quê? 
(Ex.: A autora é contra as cotas de ingresso nas universidades 
(tese). Porque.... (Aí vem os argumentos). Vejamos os argu-
mentos dessa tese, no texto “Cotas: o justo e o injusto”, de Lya 
Luft (In: Ponto de Vista, Veja, 06 de fevereiro de 2008, p. 16). 
Você deve acessar esse texto, lê-lo e verificar:
TESE: A autora é contra as cotas de ingresso nas universidades.
ARGUMENTOS QUE SUSTENTAM A TESE:
1. Porque instiga o preconceito racial e social.
2. Porque alunos que se saíram bem no vestibular são rejeitados em 
troca de quem se saiu menos bem, mas é de origem africana ou vem 
de escola pública.
3. Porque reforça dois conceitos nefastos: o de que negros são menos 
capazes, e, por isso, precisam de um empurrão, e o de que a escola 
pública é péssima e não tem salvação.
4. Porque a “lei do boi” já não deu certo.
5. Porque os alunos beneficiados não entram na universidade por 
mérito pessoal e pelo apoio da família, mas pelo que o governo, 
melancolicamente, considera deficiência: a raça ou a escola da qual 
vieram.
Figura 1 Exemplo de tese e argumentos.
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 155
Como podemos notar, nesse texto, Lya Luft estabelece a re-
lação entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la. 
No entanto, você pode ser contra a ideia da autora, uma vez 
que o tema das Cotas é polêmico e possui argumentos que a 
contradizem.
Para elaborarmos um desenvolvimento com qualidade, po-
demos escolher entre os tipos de ordenação, os quais variam 
conforme o objetivo do argumentador. Assim, você vai conhe-
cer os cinco principais tipos de argumentos de que pode-
mos lançar mão, conforme Guimarães (2012, p. 204-207), 
não apenas nos gêneros acadêmicos, como em qualquer texto 
argumentativo para defesa e sustentação do ponto de vista, 
seguidos de exemplos, quais sejam:
a. Argumento pragmático ou evidência: é quando o 
argumentador inclui dados (como fatos, números, estatísticas) 
coletados pelo próprio redator ou por uma fonte respeitável. 
Esse recurso é explorado quando o objetivo é contestar um 
ponto de vista equivocado.
“A proibição do aborto coloca a vida da mulher em risco: 
todo ano, 250 mil brasileiras são internadas por complicações 
de aborto ilegal.”
b. Argumento de consenso: fundamenta-se em verda-
des supostamente universais, indiscutíveis. Embora esse tipo 
de argumento possa ter um forte efeito persuasivo, é preciso 
cuidado, pois o consenso nem sempre é tão unânime.
“Os investimentos em pesquisa são indispensáveis, para 
que um país supere sua condição de dependência.”
156 Comunicação para o Planejamento Profissional
c. Argumento por comparação (analogia): é quando o 
argumentador compara a questão que está sendo discutida 
com outra similar. Isto é, quando comparamos dois ou mais 
objetos, buscamos aproximá-los e postulamos que existe entre 
eles semelhança ou contraste.
“Nova York, Tóquio e São Paulo, grandes centros urbanos, 
têm aumentado a sua densidade demográfica, apresentando 
pontos positivos e negativos aos seus habitantes.”
d. Argumento por exemplificação: consiste em informa-
ções dadas a partir de exemplos, que podem se originar de ci-
tações de autoridades ou de dados concretos, isto é, quando o 
argumentador cita exemplo(s) do que ele afirma. É importante 
ressaltar que os exemplos não podem ser inventados.
“Os jogadores brasileiros de futebol, assim que começam 
a se destacar aqui no nosso país, logo são vendidos para times 
internacionais. É o que aconteceu com Ronaldo Fenômeno, 
que passou a maior parte de sua carreira no exterior.”
e. Argumento de autoridade citada: é a marca regis-
trada do discurso acadêmico. Seu objetivo é legitimar uma 
tese com base na citação de argumentos proferidos por pes-
soas consideradas autoridades no assunto em questão. Dito 
de outra forma, é a citação do ponto de vista de um autor 
reconhecido (pode ser também uma revista, um jornal etc.) em 
determinado campo da experiência como meio de prova em 
favor de uma tese.
“O tratamento da Aids, no Brasil, é referência para todos os 
outros países, conforme afirmou o Dr. Drauzio Varella.”
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 157
No momento da construção textual, os argumentos são es-
senciais. Eles são as provas que apresentamos ao nosso inter-
locutor, e a escolha certa do argumento consolida o texto.
Vale ressaltar que a clareza do ponto de vista e da expo-
sição dos argumentos é um ponto importante, uma vez que é 
um facilitador para a compreensão da tese e dos argumentos 
demonstrados; se a tese e os argumentos não forem claros e 
não tiverem uma forma de fácil interpretação, trarão dificulda-
de quanto ao poder de convencimento do argumentador.
Conclusão: fecho do texto
É a parte final da argumentação que procede naturalmente 
das provas arroladas, dos argumentos apresentados; consiste 
em pôr em termos insofismáveis a essência da proposição. Na 
formulação da conclusão, podemos: a) reafirmar o assunto; 
b) fazer referência ao título; c) retomar a introdução em ou-
tras palavras; d) sintetizar os argumentos; e) confirmar a tese 
com uma paráfrase; f) fazer uma advertência; g) fazer uma 
sugestão; ou h) fazer uma possível proposta de solução para 
o problema apresentado na introdução e discutido no desen-
volvimento.
A transição entre o desenvolvimento e a conclusão é feita, 
geralmente, por meio de conectores conclusivos que indicam 
a relação que desejamos estabelecer, tais como: Portanto,...; 
Dessa forma,...; Isso posto,...; Em face do exposto,...; Por 
conseguinte,...; Em vista disso,...; Por tais razões,...; Por tudo 
isso,...
158 Comunicação para o Planejamento Profissional
Você não deve esquecer que todo texto argumentativo deve 
girar em torno da posição manifestada, sem contradições, cor-
roborando para a afirmação da tese. O desdobramento do 
texto, até a conclusão, deve atender ao que foi anunciado na 
apresentação da tese inicial.
Como vimos, o texto argumentativo consiste em uma ti-
pologia a qual devemos expor informações, fatos sobre um 
determinado tema, e, especialmente, posicionarmo-nos em 
relação a ele. Em razão disso, nesse tipo de texto, defendemos 
uma ideia, opinião, uma tese, procurando convencer o ouvin-
te ou leitor a concordarcom o ponto de vista que está sendo 
exposto. Trata-se, pois, de uma exposição acompanhada de 
argumentos, provas e técnicas de convencimento.
4 Aspectos básicos da argumentação e 
produção escrita
4.1 Emprego dos mecanismos de coerência e 
coesão
É bom que você tenha conhecimento de que o texto argu-
mentativo envolve tanto a constituição articulada de sentidos 
como a realização eficiente dos objetivos de convencimento, 
conforme preconiza Citelli (1994). Tal processo ocorre porque 
é sustentado pelos mecanismos da coerência e da coesão.4
4 A coerência e a coesão são critérios de textualidade estudados na Linguística 
Textual, esta também chamada de Teoria do Texto, que é um ramo da Linguística.
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 159
A produção da coerência é o acerto das partes com rela-
ção ao todo textual; do ajuste sequencial das ideias; da pro-
gressão dos argumentos; das afirmativas que são explicadas; 
das justificativas a teses; das transformações acompanhadas 
de provas; das proposições que se concluem; da adequação 
desse (e outros) processo ao leitor. Assim, a coerência é a ade-
quação dos elementos textuais em busca de uma unidade, em 
que as ideias se compatibilizam.
A coesão trata de um conjunto de elementos responsáveis 
pela passagem de uma ou outra unidade de sentido. Chama-
se coesão ao conjunto dos recursos linguísticos responsáveis 
pelas ligações que se estabelecem entre as partes de uma fra-
se, entre as orações de um período ou entre os parágrafos de 
um texto. O uso dos conectores: mas, embora, já que, pois, 
porque, quando, de acordo com, a fim de, por outro lado 
etc.; dos denotadores de inclusão: até, mesmo, também, ain-
da, inclusive etc.; dos denotadores de exclusão: só, somente, 
apenas, senão, exceto etc.; das retificações ou esclarecimen-
tos: aliás, ou melhor, isto é, ou seja, a saber etc.; dos índices 
situacionais: afinal, então, aqui etc. está fortemente implicado 
com a construção dos esquemas argumentativos.
Você deve ter percebido que os textos resultam de uma 
organização de elementos intratextuais e extratextuais, e estes 
dão sentido e consistência àqueles, em especial nos textos ar-
gumentativos. Dito de outra forma, o texto argumentativo faz 
uso, em grande quantidade, dos mecanismos argumentativos, 
para indicar a orientação discursiva em direção à determinada 
conclusão almejada pelo produtor do texto.
160 Comunicação para o Planejamento Profissional
4.2 Domínio da língua culta
A língua culta obedece à gramática padronizada da língua 
padrão. E o texto argumentativo exige o domínio dos aspectos 
gramaticais da escrita, que tem normas próprias, tais como: 
regras de ortografia, de pontuação, de concordância, de uso 
de tempos verbais, de regência, de colocação pronominal. As-
sim, o emprego de elementos da norma culta, ligados à moda-
lidade oral ou escrita pelas circunstâncias de produção, passa 
a ter funcionalidade para a clareza do discurso.
Como você sabe, a língua culta deve ser a variedade ensi-
nada pela escola, pois está contida na maior parte dos livros, 
das revistas e dos textos científicos e didáticos. Além disso, é 
ela que promove a integração dos brasileiros de norte a sul, 
de leste a oeste.
O padrão culto do idioma, além de ser uma espécie de 
marca de identidade, constitui também um recurso imprescin-
dível para uma boa argumentação. Dito de outra forma: em 
situações em que a norma culta se impõe, eventuais transgres-
sões podem desautorizar a fidedignidade de quem redige e 
desqualifica o próprio conteúdo exposto.
Você já deve saber que, além do respeito às regras gra-
maticais, uma das características do texto argumentativo é a 
impessoalidade da linguagem. Texto impessoal significa que 
deve ser evitado o discurso na primeira pessoa do singular 
(eu) e adotar o uso da primeira pessoa do plural ou da tercei-
ra pessoa do singular ou do plural. Expressões como: nossas 
conclusões, procuramos demonstrar, o governo não entregou, 
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 161
aprende-se na escola, cientistas reconhecem, os parlamentares 
votaram.
Em razão do que vimos, ressaltamos que os fundamentos 
da escrita são: coerência, coesão e clareza, e a linguagem a 
ser utilizada em trabalhos acadêmicos e científicos deve res-
tringir-se à norma culta da Língua Portuguesa. Além disso, sa-
ber falar e escrever de acordo com a forma padrão de uma 
língua é uma competência bastante valorizada no mercado de 
trabalho, uma vez que o domínio da língua culta possibilita ao 
indivíduo comunicar com precisão, eficiência e desenvoltura.
5 Análise de um texto escrito 
argumentativo
Vejamos, agora, um texto argumentativo e comentários sobre 
ele, para que possamos exemplificar melhor os aspectos es-
tudados e necessários à elaboração de um bom texto escrito.
TEMA: A persistência da violência contra a mulher.
Texto de JULIA CURI AUGUSTO PEREIRA (MS) – ENEM 
2015
Permeada pela desigualdade de gênero, a história brasileira 
deixa clara a posição inferior imposta a todas as mulheres. Es-
sas, mesmo após a conquista do acesso ao voto, ensino e tra-
balho – negado por séculos – permanecem vítimas da violência, 
uma realidade que ceifa vidas e as priva do direito a terem sua 
integridade física e moral protegida.
162 Comunicação para o Planejamento Profissional
O machismo e a misoginia são promovidos pela própria socie-
dade. Meninas são ensinadas a aceitar a submissão ao posicio-
namento masculino, ainda que estejam inclusas agressões e vio-
lência, do abuso psicológico ao sexual. Os meninos, por sua vez, 
têm seu caráter construído conforme absorvem valores patriarcais 
e abusivos, os quais serão refletidos em suas condutas ulteriores.
Um dos conceitos filosóficos de Francis Bacon, que declara o 
comportamento humano como contagioso, se aplica perfeita-
mente à situação. A violência de gênero, conforme continua a 
ser reproduzida, torna-se enraizada e frequente. Concomitante-
mente, a voz das mulheres é silenciada e suas manifestações são 
reprimidas, o que favorece o mantimento das atitudes misóginas.
O ensino veta todo e qualquer tipo de instrução a respeito do 
feminismo e da igualdade de gênero e contribui com a perpetua-
ção da ignorância e do consequente preconceito. Ademais, os 
veículos de comunicação pouco abordam a temática, enquanto 
o Estado colabora com a Lei Maria da Penha, nem sempre eficaz, 
e com unidades da Delegacia da Mulher, em número insuficiente.
Entende-se, diante do exposto, a real necessidade de ações 
governamentais que garantam que a lei puna todos os tipos 
de violência, além da instalação de delegacias específicas em 
áreas necessitadas. Cabe à sociedade, em parceria com a mí-
dia e com as escolas, instruções sobre igualdade de gênero e 
campanhas de oposição à violência contra as mulheres. Essas, 
por fim, devem permanecer unidas, pelo feminismo, em busca 
da garantia de seus direitos básicos e seu bem-estar social.
Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_pu-
blisher/B4AQV9zFY7Bv/content/cartilha-do-participante-na-
-redacao-do-enem-2016-ja-esta-disponivel-para-conferen-
cia/21206>. Acesso em: 17 set. 2017.
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 163
Comentários
O texto está estruturado em cinco parágrafos, organizados em 
blocos temáticos independentes, mas bem articulados entre si. 
Apresenta as três estruturas básicas: introdução, desenvolvi-
mento e conclusão.
O primeiro parágrafo constitui a introdução do texto. Nes-
sa parte, o assunto se desenvolve em torno da ideia-núcleo, 
expressa pelo primeiro período, que é a tese – do tipo alusão 
histórica: “Permeada pela desigualdade de gênero, a história 
brasileira deixa clara a posição inferior imposta a todas as mu-
lheres.”, que apresenta a posição da autora do texto em torno 
da problemática do tema. Aindanesse parágrafo, há reforço 
da tese no segundo período.
Nos segundo, terceiro e quarto parágrafos, que fazem par-
te do desenvolvimento, a autora confirma e justifica sua tese 
por meio de argumentos. No segundo parágrafo, por meio 
de exemplificação, analisa e critica o ensinamento das meni-
nas e meninos. No terceiro parágrafo, por meio de argumen-
to de autoridade, legitima a sua tese citando Francis Bacon, 
demonstrando conhecimento sociocultural. No quarto pará-
grafo, a autora reforça o seu ponto de vista, apresentando ter 
informações relacionadas ao papel da educação, dos veículos 
de comunicação e de instituições que reforçam a desigualda-
de entre os gêneros e o preconceito contra a mulher.
Para a conclusão, no último parágrafo, a autora aponta 
uma perspectiva de solução para a situação-problema, esta 
apresentada na tese e defendida nos argumentos do desenvol-
164 Comunicação para o Planejamento Profissional
vimento. A transição entre o desenvolvimento e a conclusão é 
feita pelo recurso coesivo “diante do exposto”.
No texto, há encadeamento entre as ideias, e o tema é de-
senvolvido com coerência. Além de assegurar a continuidade 
e a progressividade temáticas, a autora articula o texto com 
elementos de coesão, como: “Essas” (1º parágrafo); “ainda 
que”, “por sua vez”, “os quais” (2º parágrafo); “se aplica per-
feitamente à situação”, “o que” (3º parágrafo); “Ademais” (4º 
parágrafo); “diante do exposto”, “além”, “Essas” (5º parágra-
fo).
Você deve ter observado que a autora demonstra domínio 
da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa, tanto pe-
las estruturas linguísticas construídas como pela seleção lexi-
cal. Além disso, o texto é objetivo, claro e impessoal, omitindo 
marcas de subjetividade no discurso.
Posto isso, o texto apresentado é argumentativo, pois se or-
ganiza na defesa de um ponto de vista, para formar a opinião 
do leitor, tentando convencê-lo à aceitação e persuasão da 
ideia defendida. Seu objetivo é, em última análise, o conven-
cimento do interlocutor mediante a apresentação da tese, dos 
argumentos consistentes e da conclusão que sugere soluções.
6 Assertividade na escrita
Para finalizarmos o que dissemos até aqui, para o acadêmico 
atual, é importante argumentar bem e escrever corretamente? 
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 165
É claro que sim. Então, vamos estudar sobre o que é ser asser-
tivo na expressão escrita.
Segundo doutrinas corporativas, a palavra assertividade 
deriva de “asserto” que significa “proposição afirmativa”, ou 
seja, “ter certeza e firmeza no que está falando”. Uma pessoa 
que demonstra ter assertividade é autoconfiante, manifesta se-
gurança, sabe o que quer, é proativo e tem habilidade social 
de se expor de forma firme, educada e respeitosa, defendendo 
seus direitos sem desrespeitar os direitos dos outros.
No universo do trabalho, a postura assertiva é considerada 
uma qualidade, uma vez que o profissional com essa habilida-
de é seguro e confiante no agir, isso podendo ser decisivo em 
muitos negócios e relacionamentos.
A comunicação assertiva expressa as opiniões e informa-
ções com firmeza, segurança e respeito. É uma habilidade 
valorizada no meio profissional, sendo, muitas vezes, testada 
em processos de seleção e treinamento. Algumas empresas 
cobram dos candidatos redações, com o objetivo de avaliar o 
domínio de algum tema específico e da comunicação escrita, 
além de clareza de raciocínio e objetividade.
Então, como você pode ser assertivo na comunicação es-
crita? Você pode ser assertivo na escrita seguindo algumas 
sugestões que poderão ajudá-lo:
 Â tenha conhecimento sobre a informação que irá passar;
 Â utilize linguagem objetiva, precisa, direta, clara, elegan-
te e transparente;
166 Comunicação para o Planejamento Profissional
 Â empregue os mecanismos de coerência e coesão;
 Â aprimore seu vocabulário;
 Â não use abreviaturas e gírias;
 Â empregue linguagem culta-padrão;
 Â não use excessivos argumentos;
 Â utilize linguagem respeitosa, evitando expressões agres-
sivas, mas mantendo firme a sua posição.
 Â tenha em mente a figura do seu interlocutor;
 Â pratique a escrita, já que se aprende a escrever escre-
vendo.
Não se esqueça de que bons profissionais são bons comu-
nicadores. Essa é uma característica para o êxito no mercado 
de trabalho, pois empregadores consideram competência em 
comunicação quesito fundamental para a contratação e per-
manência de um profissional na empresa.
Recapitulando
Este capítulo foi dedicado ao estudo do texto argumentativo 
e da produção escrita. Destacamos que produzir um texto de 
caráter argumentativo é, pois, desenvolver um tema sob as 
perspectivas que sejam do conhecimento e do interesse da-
quele que escreve, mas que obedece a um processo hierarqui-
camente sistematizado com vistas a assegurar coerência e coe-
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 167
são entre as partes que integram o texto. Na argumentação, 
as ideias são expressas, ampliadas e sustentadas com base em 
dados extraídos do contexto de referência e do conjunto de 
experiência que o produtor acumulou ao longo de sua vida. 
Na produção escrita, enfatizamos a importância do domínio e 
da assertividade na escrita e sua relação com o êxito pessoal 
e profissional do acadêmico e do graduado em qualquer área 
de atuação.
Referências
CITELLI, Adilson. O texto argumentativo. São Paulo: Scipio-
ne, 1994.
GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. 17. 
ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1996.
GUIMARÃES, Thelma de Carvalho. Comunicação e lingua-
gem. São Paulo: Pearson, 2012.
KOCH, Ingedore G. Villaça. Argumentação e linguagem. 
13. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
TRUBILHANO, Fabio; HENRIQUES, Antonio. Linguagem jurí-
dica e argumentação: teoria e prática. 5. ed. São Paulo: 
Atlas, 2017.
168 Comunicação para o Planejamento Profissional
Atividades
1) O texto argumentativo implica: defesa de uma tese, que é 
a posição do argumentador; evidências presentes nos argu-
mentos e provas, os quais fundamentam a tese; e conclusão, a 
qual encerra a produção textual. Sobre o texto argumentativo, 
assinale uma alternativa como verdadeira.
a) Trata-se de uma produção escrita discursiva em tor-
no de um ponto de vista definido sobre determinado 
tema, marcada por linguagem clara, objetiva e culta 
que tenta persuadir ou convencer o emissor.
b) Apresenta uma tese e os argumentos desenvolvidos na 
defesa da tese, tendo como elementos fundamentais o 
emprego da coesão, coerência, clareza e língua culta-
-padrão.
c) Aponta, logo na introdução, a organização de dados, 
fatos, ideias, exemplos, testemunhos, comparações 
em torno de um ponto de vista.
d) Trata-se de um tipo de texto que tem como finalida-
de persuadir ou convencer o interlocutor mediante a 
apresentação de razões e provas externadas na con-
clusão.
e) Tem como principal objetivo expor informações ou ex-
planar fatos, emitindo a posição do argumentador.
2) Leia o texto abaixo.
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 169
Os policiais exercem um papel de extrema importância para o 
país. Afinal, eles representam a instituição que promove, efetiva-
mente, o cumprimento da lei, o que torna possível a segurança 
pública e a estabilidade de uma nação em seus múltiplos aspec-
tos. A Síria, por exemplo, ainda não conseguiu reverter a guerra 
civil gerada pelos grupos rebeldes que a tem desestabilizado a 
ponto de criar tensões no cenário geopolítico. Portanto, as na-
ções precisam investir em suas forças policiais e também valori-
zá-las, pois elas são ferramentas essenciais para a manutenção 
da ordem pública e da segurança da população que deposita 
nessa instituição a sua confiança e as suas expectativas.
Disponível em: <https://blogdaprofsagave.blogspot.com.br/2014/06/redacao.html>. Acesso em: 18 set. 2017 (frag-
mento adaptado).
Considerando o texto apresentado, avalie as afirmações a 
seguir, tendo em vista os estudos do Capítulo 7.
I. A tese apresentada pelo argumentador é: “Os poli-
ciais exercem um papel de extrema importância para o 
país”. Esse tópico frasal do parágrafo traz o ponto de 
vista do autor sobre o tema segurança pública.
II. As estratégias argumentativas utilizadas para sustentar 
esse ponto de vista são: definição (“eles representam a 
instituição que promove, efetivamente, o cumprimento 
da lei”), consequência (“o que torna possível a segu-
170 Comunicação para o Planejamento Profissional
rança pública e a estabilidade de uma nação em seus 
múltiplos aspectos”) e exemplificação (dando o exem-
plo da Síria).
III. A conclusão no parágrafo, introduzida pelo conector 
conclusivo “Portanto”, dá a ideia de que para manter 
uma força policial bem equipada e bem preparada é 
necessário que se invista e que se valorize a atividade 
dos trabalhadores do cumprimento da lei.
IV. São elementos de coesão presentes no texto e impres-
cindíveis no argumentativo: “Afinal”, “o que”, “por 
exemplo”, “que a”, “Portanto”, “pois”.
É correto apenas o que se afirma em:
a) I e IV.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, III e IV.
e) I, II, III e IV.
 3) Leia o texto a seguir. Depois, assinale uma alternativa 
como verdadeira.
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 171
Reflexões sobre o consumismo
Nesta época do ano, em que comprar compulsivamente é a 
principal preocupação de boa parte da população, é imprescin-
dível refletirmos sobre a importância da mídia na propagação 
de determinados comportamentos que induzem ao consumismo 
exacerbado.
No clássico livro O Capital, Karl Marx apontava que no ca-
pitalismo os bens materiais, ao serem fetichizados, passam a 
assumir qualidades que vão além da mera materialidade. As 
coisas são personificadas, e as pessoas são coisificadas. Em ou-
tros termos, um automóvel de luxo, uma mansão em um bairro 
nobre ou ostentar objetos de determinadas marcas famosas são 
alguns dos fatores que conferem maior valorização e visibilida-
de social a um indivíduo.
LADEIRA, F. F. Reflexões sobre o consumismo. Disponível em: 
<http://observatoriodaimprensa.com.br>. Acesso em: 10 set. 
2017 (fragmento adaptado).
O título do texto e a tese defendida no primeiro parágrafo 
trazem o ponto de vista do autor: o consumismo exacerbado e 
a necessidade de reflexão sobre a mídia que induz a comprar 
compulsivamente. Escolha as estratégias argumentativas utili-
zadas para sustentar esse ponto de vista.
a) Definição e consenso.
b) Exemplificação e comparação.
c) Causa e consequência.
d) Autoridade e exemplificação.
172 Comunicação para o Planejamento Profissional
e) Finalidade e meios.
 4) A resistência que um aluno universitário tem quanto a as-
pectos normativos, e que o leva a observação do tipo: 
“Não sei Português”, “Português é a língua mais difícil que 
existe”, “Eu nunca vou aprender a escrever bem em língua 
portuguesa”, sinaliza que ele tem insegurança e dúvidas 
com relação ao seu conhecimento sobre a língua pátria. 
Com base nesse caso apresentado e nos estudos do Capí-
tulo 7, avalie as afirmativas seguintes.
I. O aluno mencionado não tem assertividade, particu-
larmente na expressão escrita, uma vez que é negativo 
e não está apto a mudar e buscar soluções ao seu 
problema.
II. A forma do comportamento do aluno é não assertiva, 
haja vista não pensar em mudança dentro das possibi-
lidades de sua vida.
III. A atitude do aluno deve-se, possivelmente, à falta de 
perspectiva e ao desconhecimento das vantagens de 
dominar-se um código específico para situações for-
mais, especialmente na escrita.
É correto o que se afirma em:
a) II, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) I e III apenas.
Capítulo 7 Argumentação e produção escrita 173
e) I, II e III.
 5) Observe a charge a seguir, depois responda à questão 
proposta.
Considerando as ideias sugeridas pela charge e os estudos 
do Capítulo 7, avalie as asserções a seguir e a relação pro-
posta entre elas.
I. Quando um candidato a um emprego não domina a 
língua portuguesa, pode até perder a vaga.
Porque
II. Erros de português podem comprometer a imagem 
profissional e as pretensões de qualquer um.
A respeito das asserções, assinale a opção correta.
a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é 
uma justificativa correta da I.
174 Comunicação para o Planejamento Profissional
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a 
II não é uma justificativa correta da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é 
uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma pro-
posição verdadeira.
e) As asserções I e II são proposições falsas.
Ítalo Nunes Ogliari1
Capítulo 8
O poder da fala: 
oralidade, protagonismo 
e relações interpessoais
1 Ítalo Ogliari é Doutor em Letras, escritor e atual coordenador e professor do 
curso de Letras da ULBRA.
176 Comunicação para o Planejamento Profissional
Introdução
Neste oitavo capítulo, como viemos fazendo nos quatro an-
teriores, aprofundando-nos, um a um, diretamente nos prin-
cipais aspectos ligados à prática comunicativa, fundamental 
para o desenvolvimento pessoal e profissional de todo o indi-
víduo, debateremos acerca das questões da oralidade. Trata-
remos, agora de modo mais detalhado, sobre sua essenciali-
dade nas relações interpessoais e sobre os elementos verbais 
e não verbais que envolvem o processo de comunicação oral. 
Trataremos, ainda, das capacidades de ouvir e de dialogar, 
muitas vezes esquecidas quando o assunto é comunicação, e 
tópicos como o autoconhecimento, a tomada de decisões e o 
posicionamento crítico a partir do uso da voz também farão 
parte deste momento.
1 Oralidade, trabalho e relações 
interpessoais
O trabalho tem a possibilidade de fazer do homem um 
elemento capaz de transformar sentimentos em realidade 
e reunir, à sua volta, pessoas com um mesmo objetivo e 
com visões concretas de que é possível fazer do trabalho 
um meio não somente de vida, mas também um fator 
existencial. (ROMÃO, 2004, p. 3)
A qualidade das relações humanas liga-se diretamente à 
capacidade comunicativa dos indivíduos. A comunicação oral, 
inerente ao ser humano e discutida desde os gregos, principal-
Capítulo 8 O poder da fala: oralidade, protagonismo ... 177
mente por Aristóteles, que dedicou uma de suas obras à retó-
rica, é responsável imediata, como debatemos brevemente em 
nosso terceiro capítulo, pela imagem de um sujeito dentro dos 
mais diversos grupos e espaços em que transita. Dentre esses 
espaços, está o do trabalho.
Os relacionamentos interpessoais, essenciais e muito exi-
gidos no espaço do trabalho, constituem-se a partir de um 
emaranhado complexo, que envolve questões de alteridade, 
de personalidade, de ética, de autoestima, de empatia e, fun-
damentalmente, de comunicação, responsável, esta última, 
pela mediação dos elementos anteriores. Cada ser humano é 
único e constituído por um conjunto de características que tor-
na um indivíduo. Ser um indivíduo é possuir algo apenas seu, 
de modo singular, individual, distinto dos demais. “A vida no 
trabalho é composta de um cenário no qual atitudes, emoções 
e sentimentos de enorme diversidade são manifestados, repro-
duzindo a forma particular de cada indivíduo de lidar com a 
realidade” (CARVALHO, 2009, p. 75).
Saber se relacionar é justamente perceber que todo ser 
humano possui uma personalidade própria e, mais do que 
isso, saber respeitar essa singularidade, fazendo com que 
uma das formas mais simples de compreendermos o que se 
denomina de relação interpessoal não seja nada alémdo 
que uma disposição para a aceitação e compreensão do ou-
tro, visível na maneira de olhar, de falar e de agir. Conforme 
Ghelman et. al.:
[d]iferenças individuais são as várias formas em que os 
indivíduos se distinguem uns dos outros, sejam nos as-
178 Comunicação para o Planejamento Profissional
pectos físicos, psíquicos, intelectuais, emocionais ou so-
ciais. O conceito de relacionamento pessoal se estende 
por uma variedade de comportamentos e atitudes que 
determinam o seu grau de convívio em sociedade. Quan-
to maior a sua capacidade de expor e respeitar as opi-
niões de terceiros maior serão as suas habilidades de 
relacionamento interpessoal, isso é muito importante na 
sociedade atual tanto na esfera profissional como na 
pessoal. Muitas pessoas assumem determinadas posturas 
nos relacionamentos em geral como instrumento de po-
sicionamento, ou seja, a pessoa pode assumir posturas 
comportamentais passivas ou agressivas, tudo isso rela-
cionado ao seu suposto papel naquele contexto social. 
Os principais conceitos de relacionamento pessoal são: 
relacionamento interpessoal profissional, pessoal, e mais 
recentemente o virtual, que consiste no comportamento 
que o indivíduo assume no mundo virtual. (2016, p. 05)
E por falar em olhar, falar e agir, 
não podemos nos esquecer de que 
a comunicação oral compreende 
todas essas questões, importantes 
não só para as boas relações, mas 
para a exposição de suas ideias, 
posicionamento dentro de um de-
bate, tomada de decisões, bem 
como a capacidade de trabalhar 
em grupo e, inclusive, liderar.
Capítulo 8 O poder da fala: oralidade, protagonismo ... 179
2 Fala e corpo
Saber se comunicar verbalmente, assim como na linguagem 
escrita, cada uma em suas particularidades, é saber, em pri-
meiro lugar, adaptar-se: apenas conhecendo o outro existe a 
probabilidade de uma aproximação coerente. Cada situação 
exige uma estratégia própria. Conforme Magda Soares (1999), 
é preciso adaptar o conteúdo da mensagem ao interesse do 
ouvinte, e, junto a isso, ter a criatividade para motivar. O en-
tusiasmo, de acordo com a autora, é uma espécie de combus-
tível da expressão verbal, nunca esquecendo a observação, a 
teatralização, a síntese, o ritmo, a voz, a respiração, a dicção, 
o vocabulário e a expressão corporal. Cada espaço e grupo 
de pessoas exige uma determinada postura, uma determinada 
cadência, um determinado nível técnico etc. Para isso, no en-
tanto, a necessidade de autoconhecimento torna-se, da mes-
ma forma, uma importante ferramenta. Conhecendo bem o 
outro e conhecendo bem a si mesmo você terá a possibilidade 
de se ajustar perfeitamente às mais diversas necessidades.
Conhecer não só suas potencialidades, mas também suas 
fragilidades, permite, a você, uma possibilidade maior de or-
180 Comunicação para o Planejamento Profissional
ganização na hora de comunicar. Faz com que você possa 
jogar melhor com essas questões, destacando aquilo que lhe 
traz benefícios no momento da fala e minimizando aquilo que 
você considera como ponto fraco seu, proporcionando-lhe 
mais confiança. Estar confiante faz com que sua mensagem 
saia de forma mais precisa e assertiva.2 Se você costuma tre-
mer as mãos, por exemplo, evite segurar qualquer objeto en-
quanto está falando. Fazendo isso, você saberá que as pessoas 
não irão perceber e, assim, ficará mais tranquilo. Apenas você 
sabe o que é melhor para sua comunicação, como, em outro 
exemplo, se é melhor para você (havendo ambas as possibili-
dades) estar em pé ou sentando, dentre outros tantos detalhes.
Todos nós sabemos que nossos movimentos e expressões 
revelam àqueles que estão nos ouvindo toda nossa ansiedade 
e insegurança, e trabalhar sobre isso é necessário. A confian-
ça, ou melhor, a autoconfiança, essencial à comunicação oral, 
nada mais é do que o resultado de um autoconhecimento e 
uma reflexão sobre si. Somente assim, conhecendo melhor a 
si próprio, você poderá criar mecanismos e estratégias que 
inibam aqueles detalhes que você considera problemáticos em 
sua forma de se comunicar oralmente.
Existem pessoas, por exemplo, que pecam pelo excesso de 
informalidade ou de formalidade, e precisam, a partir dessa 
constatação, ajustar o discurso, a postura e tudo o que se liga 
diretamente a questões de adaptação, conforme já menciona-
mos e discutimos mais de uma vez, e de empatia, que nada 
2 Conceito já abordado no capítulo sobre argumentação e produção escrita, que 
consiste na capacidade de um posicionamento firme e sustentado por ideias obje-
tivas e convincentes. 
Capítulo 8 O poder da fala: oralidade, protagonismo ... 181
mais é do que a sensibilidade de se colocar no lugar do outro. 
Fazer essa leitura de forma coerente é essencial. Há inúmeras 
técnicas para o desenvolvimento da oralidade, mas também 
existe a necessidade de uma forte sensibilidade em relação a 
esse processo, para que, a partir dessa percepção, os ajustes 
sejam feitos e o canal de comunicação seja devidamente es-
tabelecido.
3 Sobre o que se fala
Um detalhe de extrema relevância, quando tratamos de comu-
nicação oral e que parece óbvio, mas nem sempre é coeren-
temente respeitado, diz respeito ao conhecimento sobre aquilo 
que se está falando. Quando se domina verdadeira e profun-
damente o tema a ser exposto, seja uma aula a ser dada, uma 
palestra a ser proferida, uma proposta ou mesmo um trabalho 
acadêmico a ser apresentado, a sensação de conforto e de 
relaxamento, no ato da comunicação, é muito maior, e trans-
parece em todos os aspectos, que vão desde o volume da voz, 
que sai clara e direta, ao baixo nível de transpiração e cacoe-
tes de fala, como os conhecidos “né” e “ãh...”.
Por outro lado, se o domínio do tema é deficitário, as frases 
tendem a ser menos assertivas e eficazes, geralmente permea-
das por uma prolixidade desnecessária e evidente, próprio dos 
discursos que possuem mais tempo a ser preenchido do que 
assunto a ser tratado, e o olhar do comunicador parece nunca 
fixar-se em dada, mantendo-se em fuga e geralmente para 
baixo. Isso coloca você em uma posição de fragilidade, des-
182 Comunicação para o Planejamento Profissional
protegido em relação ao outro e suscetível ao ataque de argu-
mentos contrários.
Se você não está seguro sobre aquilo 
que vai falar, é melhor pensar duas vezes 
antes de seguir em frente, pois o interlo-
cutor percebe facilmente e difere aquele 
que tem domínio sobre o que fala daque-
le que não possui uma real autoridade 
sobre o que diz. Preparar-se bem é, sem 
dúvida alguma, a principal garantia de 
sucesso e de tranquilidade.
Você precisa saber sobre o que está falando. Nin-
guém explica com propriedade algo que não domi-
na. Ninguém apresenta bem uma ideia se ela não 
estiver clara na cabeça de quem a está expondo.
Isso tudo não significa que não existam momentos em que 
um sujeito, mesmo com plena propriedade sobre o que vai 
falar, possa se sentir apreensivo e tenha, por outros infindáveis 
fatores, sua comunicação prejudicada. Nesse caso, destaca-
mos novamente a questão da necessidade de uma busca por 
estratégias que objetivam minimizar essa angústia. Aconselha-
se, sempre, para segurança em relação ao tema, que o sujeito 
leve consigo (em cartões pequenos, que possa segurar, ou em 
uma simples folha de papel ou até mesmo em um dispositivo 
móvel, como um tablet) um roteiro de sua fala, que pode ser 
em forma de tópicos ou resumo. Muitas vezes, esse material 
nem chega a ser utilizado, mas funciona como uma bengala a 
dar apoio ao comunicador, deixando-o mais confiante.
Capítulo 8 O poder da fala: oralidade, protagonismo ... 183
4 Mais algumas dicas
É comum, quando estamos nos preparando para algum tipo 
de fala ou apresentação, treinarmos previamente não apenas 
nosso texto, mas também nossos trejeitos: como nos posicio-
naremos,que tipo de material de apoio fará parte de nossa 
explanação etc. Porém, por mais que exercitemos nossa apre-
sentação, nada simula verdadeiramente o local (o espaço) e 
o momento de contato direto com o público ou com a pessoa 
com quem vamos falar.
Por isso, e principalmente se não for um espaço comum a 
você, é fundamental chegar antes, para que haja uma familia-
rização com o ambiente. Observe-o, caminhe um pouco, faça 
uma espécie de reconhecimento do território em que atuará. E 
mesmo se o lugar for de seu convívio, como em seu ambien-
te de trabalho ou em uma sala de aula de sua universidade, 
na qual irá apresentar um trabalho aos colegas e professores, 
chegue mais cedo, teste seu material, seus recursos tecnológi-
cos etc. Chegar muito próximo do início ou atrasado para um 
compromisso desse tipo, seja uma reunião, uma seleção de 
emprego ou mesmo a exposição de um trabalho acadêmico, 
faz com que seu nível de estresse se eleve muito, e dificilmen-
te você conseguirá se recompor, pois não terá tempo para 
se acalmar. Chegar antes possibilita a você, também, conver-
sar de modo mais informal com a pessoa ou as pessoas para 
quem irá falar, fazendo, assim, com que seu primeiro contato 
não seja o exato momento de sua comunicação. Isso abre o 
canal, possibilita testá-lo, observar o humor das pessoas, entre 
outros detalhes.
184 Comunicação para o Planejamento Profissional
5 Saber falar, mas também saber ouvir: 
o diálogo como base da boa relação 
pessoal e profissional
Por fim, vela lembrar que a comunicação não é uma via de 
mão única. No entanto, muitas vezes, quando tratamos não só 
de comunicação oral, de oratória, mas também da importân-
cia dessa comunicação para as relações interpessoais, nós nos 
esquecemos de que não só precisamos aprender a falar, a nos 
comunicarmos bem, como a ouvir. E saber ouvir, obviamente, 
não é apenas uma ação de escutar, mas buscar compreen-
der o que está sendo dito, respeitar, bem como observar os 
mesmos sinais da linguagem não verbal utilizados por você 
quando está falando. Como já dissemos aqui, uma boa comu-
nicação depende de uma boa sensibilidade. Ser sensível é ter 
a habilidade de ler o contexto, de saber a hora certa das coi-
sas, como quando falar e quando, inclusive, ficar em silêncio.
O silêncio faz parte da competência comunicacional de 
um indivíduo, e ele deve, da mesma forma, ser exercitado. 
Nunca interrompa, por exemplo, o pensamento daquele que 
está falando. Dê a ele o tempo necessário para que conclua 
seu raciocínio e para que discorra, também, sobre suas ideias. 
É comum encontrarmos pessoas, tanto em momentos formais 
como em simples bate-papos, que não permitem que seus in-
terlocutores concluam seus pensamentos, intervindo sempre 
em momentos inoportunos (ora discordando ora até mesmo 
concordando com aquele que discursa, na tentativa, equivo-
cada, de colaborar) e interrompendo a fala dos outros cons-
Capítulo 8 O poder da fala: oralidade, protagonismo ... 185
tantemente. Tudo isso é responsável por algo primordial das 
relações sociais: o diálogo.
De acordo com David Bohm, o diálogo é um modo de 
comunicação em conjunto, em grupo, em que as pessoas ela-
boram e compartilham um curso de significado, que possibi-
lita a elas se entenderem dentro de uma visão do mundo. No 
diálogo, as pessoas, muitas vezes, iniciam em polos opostos, 
mas, ao conversarem abertamente, descobrem terrenos e me-
tas comuns. Isso é saber dialogar. É buscar pontos de encon-
tro, conexões. O diálogo, conforme Bohm, se difere de uma 
simples discussão, que geralmente tenta transmitir um ponto 
de vista e persuadir os outros a adotá-lo como verdade, ha-
vendo sempre um único ganhador.
Em um diálogo, no entanto, ninguém está tentando ga-
nhar. Todo mundo ganha se alguém ganhar. Há uma es-
pécie de jogo diferente quando se dialoga. Trata-se de 
um jogo onde não há tentativas de ganhar pontos ou 
de fazer prevalecer um lado. Ao invés disso, sempre que 
um erro é descoberto por parte de alguém, todo mundo 
sente ter ganho. É um jogo chamado ganha-ganha, en-
quanto que o outro jogo é chamado ganha–perde. No 
diálogo não estamos jogando uns contra os outros, mas 
todos com todos. (BOHM, 2017, p. 09)
Enquanto em uma discussão ou em um debate o oponente 
é derrotado, no diálogo, os participantes deixam um pouco 
de lado suas convicções e mostram um nível mais elevado 
de escuta e de compreensão. Um bom relacionamento em 
grupo depende exatamente disso, de saber dialogar, adotar 
186 Comunicação para o Planejamento Profissional
um modo de pensamento participativo, não competitivo. É co-
mum encontrarmos pessoas que não concordam com nossas 
ideias, e somente o diálogo será capaz de fazer com que haja 
compreensão de ambas as partes e, inclusive, aprendizagem. 
De acordo com Gustavo Matos (2006, p. 12), “a cultura do 
diálogo é construída pela disposição de abertura, ao mesmo 
tempo íntima e coletiva, para a comunicação”, o que gera 
produtividade.
Dialogar requer justamente o exercício de alteridade, de 
personalidade, de ética, de autoestima e principalmente de 
empatia, conforme destacamos no início deste capítulo quan-
do falamos na importância das relações interpessoais. Não é 
uma tarefa fácil. É dar liberdade ao outro, aceitar diferentes 
perspectivas, possibilitar a você mesmo a revisão de suas con-
vicções e, mais ainda, buscar e oferecer, mesmo no pensa-
mento diverso, conexão com o seu, o que possibilita o cresci-
mento mútuo. Dialogue. Dialogue sempre. Fale, mas também 
ouça. Não exija apenas que te ouçam. Ceda, também, espaço 
para a voz alheia.
Recapitulando
Neste nosso capítulo, então, debatemos acerca da comuni-
cação oral. Vimos que o cuidado com essa modalidade de 
comunicação também é primordial para o êxito pessoal e 
para sua carreira. Observamos alguns aspectos importantes 
que devemos nos lembrar no momento de nos comunicarmos 
oralmente e refletimos sobre a capacidade não apenas de fa-
Capítulo 8 O poder da fala: oralidade, protagonismo ... 187
lar, mas de escutar: uma competência que deve ser observada 
continuamente, visando sempre manter saudável a capacida-
de de dialogar e de fortalecer suas relações interpessoais, fun-
damentais para seu sucesso.
Referências
BATISTA, Marineide da Silva; Ghelman, Ana Maria; MELO, Ma-
ria Alexandra Machado Wanderley. Relações interpessoais 
no trabalho. Disponível em: <http://www.cefospe.pe.gov.
br/c/document_library/get_file?p_l_id=30580954&folde-
rId=33769599&name=DLFE-169051.pdf>. Acesso em: 
8 set. 2017.
BOHM, David. O diálogo. Disponível em: <https://ediscipli-
nas.usp.br/ pluginfile.php/2888231/mod_resource/con-
tent/1/Dialogo_Bohm.pdf>. Acesso em: 13 set. 2017.
CARVALHO, Maria do Carmo Nacif de. Relacionamento In-
terpessoal: como preservar o sujeito coletivo. Rio de Ja-
neiro: LTC, 2009.
MATOS, Gustavo Gomes de. A Cultura do Diálogo: uma 
estratégia de comunicação nas empresas. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2006.
REBOUL, O. Introdução à retórica. São Paulo: Martins Fon-
tes, 2004.
188 Comunicação para o Planejamento Profissional
ROMÃO, Cesar. A relação homem-trabalho. Disponível 
em: <http://www.cesarromao.com.br/redator/item24141.
html>. Acesso: 8 set. 2017.
Atividades
 1) Para esta questão, leia, primeiramente, o fragmento do 
artigo intitulado Comunicação: a ferramenta do pro-
fissional, de Aparecida Silvério Rosa e Daniela de Castro 
Brito Landim:
Autores de diversas áreas do conhecimento defendem que 
a humanidade deve conscientizar-se de que cada indivíduo 
é responsável pelo seu próprio desenvolvimento e que, para 
isso, cada cidadão necessita planejar e cuidar do seu destino, 
contribuindo, de forma responsável, para o progresso da co-
munidade em que vive. O novo século exige a harmonia e a 
solidariedade como valores permanentes, em resposta aos de-safios impostos pela velocidade das transformações da atua-
lidade.
Não é à toa que as organizações estão exigindo habili-
dades intelectuais e comportamentais dos seus profissionais, 
além de apurada determinação estratégica. Entre outros re-
quisitos, essas habilidades incluem: atualização constante; so-
luções inovadoras em resposta à velocidade das mudanças; 
decisões criativas, diferenciadas e rápidas; flexibilidade para 
mudar hábitos de trabalho; liderança e aptidão para manter 
Capítulo 8 O poder da fala: oralidade, protagonismo ... 189
relações pessoais e profissionais; habilidade para lidar com os 
usuários internos e externos.
Agora, marque V ou F nas afirmações a seguir, de acordo 
com a interpretação que cada uma faz do texto lido; depois, 
escolha a alternativa correta.
( ) O fragmento anterior mostra que o profissional de-
sejado pelo mercado, hoje, pode ser resumidamente 
definido como um sujeito proativo e como alguém que 
possui grande sensibilidade para as relações interpes-
soais.
( ) O texto nos mostra que o profissional contemporâneo, 
quando seguro de seu conhecimento, resiste às mu-
danças sem a necessidade de adaptar-se.
( ) A capacidade de dialogar e de conviver com a diferen-
ça traduz, como competência, o que está exposto no 
primeiro parágrafo do texto.
a) V, V, V.
b) F, F, F.
c) V, F, V.
d) V, F, F.
e) F, V, V.
 2) Vamos fazer um exercício de autoconhecimento? Elenque, 
nas linhas a seguir, 5 fragilidades suas e 5 potencialida-
des em relação à sua comunicação oral. Depois, explique 
190 Comunicação para o Planejamento Profissional
como você poderia, estrategicamente, minimizar essas fra-
gilidades.
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 3) No texto a seguir, existe uma palavra (um conceito) faltan-
do, que deve aparecer duas vezes. Leia-o atentamente e 
marque a alternativa que indica corretamente, de acordo 
com seus estudos, que palavra é essa.
 “_____________ qualifica a capacidade humana de se di-
rigir ao outro, nas diferenças e nos parâmetros racionais 
das oposições. Permite também estabelecer uma relação 
Capítulo 8 O poder da fala: oralidade, protagonismo ... 191
com a lucidez de discernimentos e escolhas. Trata-se de 
prática que não oferece espaço para o ódio, vinganças 
e o aproveitamento espúrio de oportunidades para obter 
ganhos na contramão do bem comum. A ausência do(a) 
_____________ permanente, em todas as esferas das re-
lações humanas, explica o nascimento de descompassos, 
as mazelas de escolhas, os absurdos dos procedimentos 
que comprometem legalidades e produzem os leitos da 
corrupção”.
a) Liderar/liderança.
b) Conduzir/condução.
c) Administrar/administração.
d) Empreender/empreendedorismo.
e) Dialogar/diálogo.
 4) Com base no que você leu neste nosso oitavo capítulo, 
redija um breve texto, com média de 15 linhas, acerca do 
tema abordado na charge a seguir, relacionando seu con-
teúdo ao que você leu:
192 Comunicação para o Planejamento Profissional
Fonte: <http://www.tribunaribeirao.com.br/site/wp-content/uploads/2017/09/
A2-Opiniao-8.jpg>.
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Capítulo 8 O poder da fala: oralidade, protagonismo ... 193
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 5) Assinale V ou F nas afirmações a seguir e depois marque a 
alternativa correta.
( ) Um diálogo é sempre uma articulação, um jogo dis-
cursivo complexo. Aquele que possui melhores argu-
mentos geralmente vence.
( ) A comunicação é uma via de mão única, nunca pode-
mos nos esquecer desse detalhe.
( ) Ninguém explica com propriedade algo que não do-
mina.
a) F, F, F.
b) V, V, V.
c) F, V, V.
d) V, F, V.
e) F, F, V.
Débora T. Mutter da S. Mota1
Capítulo 9
Narrativa pessoal e 
construção do currículo
1 Doutora em Letras na área de Literatura Brasileira e Sul-africana e Mestre em 
Literatura Comparada. Trabalha no Curso de Letras EAD da Ulbra e na Secretaria 
da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do RS, atuando como orientadora de projetos 
culturais. Tem pesquisa e participa de Grupos de Pesquisa na ULBRA.
Capítulo 9 Narrativa pessoal e construção do currículo 195
Introdução
A comunicação é fundamental em todos os aspectos da vida 
em sociedade. É ela que assegura inclusive a nossa sobrevi-
vência em situações-limite. É por meio de diversas linguagens, 
que podem ser verbais e não verbais, que nos comunicamos e 
expressamos nossos pensamentos e desejos. É com palavras, 
atos e imagens que nos damos a conhecer ao mundo.
Desse modo, em uma linha de tempo, traçamos um cami-
nho, construindo, mais que a nossa identidade, a nossa histó-
ria. Em um sentido amplo, a vida de cada ser humano corres-
ponde à sua história, que será a sua narrativa pessoal, aquela 
que vai erguer a sua imagem, aquela que ele mesmo poderá 
contar ou que os outros poderão contar sobre ele.
Porém, na era da tecnologia e da imagem, ao ajustarmos 
tudo isso sob a perspectiva da profissão, somos obrigados a 
redimensionar a importância dos modos de comunicar essa 
narrativa para a carreira. Como vimos no capítulo sobre co-
municação e mídias contemporâneas, a era digital criou novos 
espaços e desafios a todos nós, mas, em especial, ao profis-
sional que busca se estabelecer no mercado de trabalho. Isso 
porque, no plano profissional, a comunicação e a narrativa 
pessoal voltada à profissão deve coincidir com a identidade 
digital2 que construímos até mesmo sem perceber, pois essa 
relação pode alavancar ou destruir uma carreira.
2 Conforme visto no Capítulo Comunicação e mídias contemporâneas: novos es-
paços; novos desafios.
196 Comunicação para o Planejamento Profissional
A garantia do êxito só acontecerá a partir da evolução de 
um projeto, com um planejamento que vai estruturar o con-
junto de ações – cursos, capacitações, participação em pa-
lestras, oficinas. É nesse sentido, com consciência sobre as 
potencialidades da narrativa pessoal voltada à profissão que 
poderemos transformá-la em uma eficaz ferramenta, que dará 
base ao currículo, assegurando nossa sobrevivência profis-
sional. Refletir sobre essas questões é o que faremos neste ca-
pítulo.
1 Qual a importância da comunicação 
para a narrativa pessoal e o currículo?
Parece desnecessário perguntar o que é comunicação, pois 
todo mundo tem uma ideia ou um conceito sempre a mão 
para defini-la. Tente apresentar em poucas palavras um con-
ceito de comunicação que dê conta dessa palavra sem deixar 
de fora algum aspecto relevante. Com certeza,você perceberá 
que, apesar de parecer tão óbvio, acaba se tornando difícil 
defini-la em um conceito abrangente.
Por que isso acontece? Bordenave (1982) diz que é opor-
tuno esse questionamento, porque a complexidade da questão 
se deve, em parte, ao enorme desenvolvimento dos meios tec-
nológicos de comunicação ocorrido no século XX. O advento 
da Internet desequilibrou algumas práticas comunicacionais 
como sabemos.
Capítulo 9 Narrativa pessoal e construção do currículo 197
Porém, a razão é muito mais profunda, pois se vincula tam-
bém à descoberta do “homem social” na década de 70. De 
acordo com o comunicólogo o e intelectual paraguaio Juan 
Díaz Bordenave, o homem é, ao mesmo tempo, o produto e o 
criador de sua sociedade e de sua cultura.
A partir disso, devemos fazer algumas interrogações.
 Â Os meios de comunicação ajudam na tomada de deci-
sões importantes?
 Â Oferecem oportunidade de expressão a todos?
 Â Favorecem o diálogo?
 Â Estimulam o crescimento da consciência crítica?
Essas perguntas aí estão apenas para provocar reflexão, 
para nos deslocar de nossa zona de conforto. No melhor dos 
casos, elas devem nos mostrar que um melhor conhecimento 
da comunicação e de suas funções pode contribuir para a 
adoção de uma postura mais crítica e exigente em nossas re-
lações interpessoais no trabalho, mas também nos despertar 
para a importância de sermos protagonistas, administrando 
nossos processos comunicacionais.
Caberia perguntar não o que é a comunicação, mas para 
que ela serve?
A comunicação serve para as pessoas se relacionarem 
entre si, transformando-se mutuamente e a realidade que 
as rodeia. Sem a comunicação, cada pessoa seria um 
mundo fechado em si mesmo. [...] Ao se relacionarem 
como seres interdependentes, influenciam-se mutuamen-
198 Comunicação para o Planejamento Profissional
te e, juntas, modificam a realidade onde estão inseridas. 
(BORDENAVE, 1985, p. 36)
De acordo com o pensamento educocomunicativo de Bor-
denave, vivemos rodeados pelo meio ambiente físico e pelo 
meio social, sendo que este se compõe de outras pessoas com 
as quais estabelecemos relações de interdependência. A cons-
ciência sobre o “homem social” nos levou à aplicação de mo-
delos mecanicistas e pragmáticos. Apesar da boa vontade, tais 
modelos nos levaram a fórmulas manipulatórias e desumanas.
Por outro lado, o avanço tecnológico ainda não nos per-
mitiu dimensionar o quanto a expressividade, favorecida pela 
tecnologia, pode nos levar a colocar nossa imagem em situa-
ção de vulnerabilidade por meio da exposição não consciente 
de nossa identidade digital.
2 A imagem e a autoimagem na era 
tecnológica
Temos uma imagem física com a qual nos preocupamos ao 
fazer uma foto. No entanto, mesmo sem perceber, construímos 
e revelamos para o mundo também uma imagem psíquica que 
resulta da soma da imagem física mais informações e atitu-
des que nos representam nas relações de alteridade, ou seja, 
na interação entre o nosso “eu” interior e o “outro”, além de 
nós. Isso porque todo ser social é interdependente dos demais 
sujeitos de seu contexto social. Entra em causa aqui também 
o que denominamos identidade on-line produzida pelo con-
Capítulo 9 Narrativa pessoal e construção do currículo 199
teúdo que produzimos, postamos e compartilhamos em meios 
digitais – perfis, blogs e sites.
Veja bem, se o nosso mundo individual só existe em con-
traste com o mundo do Outro, no âmbito das relações de 
trabalho precisamos regular essa sintonia, a fim de construir 
uma imagem profissional.
Nesse sentido, os meios ou as mídias, entram em causa, 
pois, em menos de um século, saímos do jornal impresso e do 
rádio, para a televisão e para o computador com o advento 
da Internet. Atualmente, os smartphones permitem o acesso a 
informações inacessíveis a qualquer um há pouco mais de um 
quarto de século.
Em nossos dias, é fácil e rápido descobrir, por exemplo, 
o CPF, o endereço, o estado civil, os hábitos sociais e até os 
comportamentos mais íntimos das pessoas. Informações como 
hábitos de beber, vida sexual, opiniões sobre temas polêmicos 
são transmitidas sem qualquer filtro pelos usuários das redes 
sociais. Nelas, estão contidas informações que jamais o can-
didato a uma vaga de trabalho colocaria em seu próprio cur-
rículo.
Como sabemos, uma narrativa se dá pelo encadeamento 
de acontecimentos e ações postos em uma sequência tempo-
ral, no universo constituído por um personagem imaginário ou 
real. Nesse sentido, o perfil de uma pessoa em uma rede so-
cial, por exemplo, é uma forma de narrativa. Ao tomarmos co-
nhecimento de uma narrativa (notícia de jornal, filme, teleno-
vela, conto, romance etc.) costumamos sair com uma imagem 
das personagens. Essa imagem pode ser de dupla natureza, 
200 Comunicação para o Planejamento Profissional
ou seja, física e psíquica, que remete ao seu carácter. A partir 
das informações repassadas pela narrativa, podemos descre-
ver o perfil da personagem. De sua imagem física, podemos 
dizer se ela é alta ou baixa, se tem olhos azuis ou castanhos 
etc. De sua imagem psíquica ou emocional, podemos dizer se 
é inteligente ou pouco favorecida pelo intelecto, se é afoita ou 
serena, se é má ou generosa, se é confiável ou perigosa.
Há narrativas em tudo, desde a notícia sobre um terremoto 
no México, passando por uma notícia policial, por um conto, 
um romance, um filme baseado em uma obra literária até um 
currículo profissional. Com base nas linhas gerais da narrati-
va, podemos dizer que ela fornece muitas informações sobre 
a personagem central. Algumas informações são omitidas por 
aquele que narra, porque não interessam para a finalidade da 
narrativa ou porque não favorecem a imagem que o narrador 
quer que o leitor tenha da personagem.
Trazendo o tema para a área de nosso interesse neste ca-
pítulo, esse paralelo entre o mundo ficcional e o mundo real 
serve apenas para alertar que o protagonista aqui é você, que 
a narrativa é constituída pelos fatos, ações e episódios que 
irão compor a sua narrativa pessoal com vistas ao currículo 
profissional.
Neste caso, não existe o mundo ficcional, mas, sim, o mun-
do real versus o mundo virtual ou digital. O grande risco é que 
nem sempre essa imagem que desejamos para nosso currículo 
coincide com a imagem que revelamos no mundo virtual da 
Internet. Esse é o ponto fundamental para reflexão de qualquer 
profissional.
Capítulo 9 Narrativa pessoal e construção do currículo 201
Como evitar contradições entre a imagem ideal e a imagem 
virtual ou identidade digital?
A imagem que seria ideal para compor nosso currícu-
lo pode ser sombreada pela imagem que deixamos entrever 
pelas redes sociais. Na pior das hipóteses, se invertermos os 
papéis, tal imagem não é sequer a de alguém que contrata-
ríamos para trabalhar para nós. Tudo isso remete a algo que, 
em outros tempos, não fazia parte das preocupações de um 
candidato a emprego ou de um empregador.
3 Mas, afinal, de que narrativa estamos 
falando?
A estrutura de um currículo, que reúne episódios ou ações 
apresentados cronologicamente, a fim de compor uma se-
quência inteligível, não é muito diferente de uma narrativa 
convencional. No caso, porém, a intenção será sempre com-
por uma imagem favorável e, sobretudo, interessante e confiá-
vel do candidato no mercado de trabalho.
Já sabemos que, assim como as personagens da literatura, 
as pessoas reais cabem em narrativas. Uma pessoa, alguns 
episódios em sequência enquadrados dentro de um espaço e 
de um tempo são os elementos básicos de qualquer narrativa. 
A organização de tais elementos constitui o que se denomina 
fábula ou estória. O fabulador é, portanto, aquele que organi-
za os elementos para transformá-los em uma narrativa. Nesse 
sentido, fica evidente que toda narrativa pode sercontrolada 
202 Comunicação para o Planejamento Profissional
por quem a organiza, isto é, por quem seleciona e organiza os 
fatos e ações que devem ser incluídos na história.
Em todas as histórias, há episódios que podem ser dispen-
sados. Outros podem ser apresentados na ordem diferente da-
quela em que aconteceram de fato. A seleção e a organização 
dos episódios, bem como a sua sequência de apresentação 
são definidas pelo fabulador. Se você mesmo vai contar a sua 
história profissional, você, por certo, como fabulador de si 
mesmo, vai optar pela seleção dos melhores fatos, desprezan-
do aqueles menos glamorosos.
Com base nessas ideias, você já deve ter entendido que 
não pode deixar as informações dos episódios de sua vida ao 
acaso, pois qualquer um pode tomar para si a tarefa de cons-
truir a narrativa de sua vida. Se você descuida desse controle, 
ao enviar seu currículo físico para uma empresa, pode ter sur-
presas desagradáveis. Por isso é tão importante a consciência 
de ter sob controle os itens que irão compor a sua narrativa 
pessoal e profissional, base de seu currículo.
4 O Planejamento
Planejamento pressupõe controle, organização e método. 
Qualquer carreira necessita de um planejamento, que deve ser 
traçado muito antes e que vai muito além do simples desejo 
de vencer no ramo de atuação. Independentemente da área 
ou da organização em que queremos uma vaga, prosperar na 
profissão exige um plano orientado. É ele que vai mapear as 
Capítulo 9 Narrativa pessoal e construção do currículo 203
trilhas que percorreremos em nossa trajetória. É esse conjunto 
de ações que vai definir cada passo da nossa vida profissional 
e que subsidiará elementos para nossa narrativa pessoal, par-
ticular e profissional que culmina no currículo.
A escolha de uma profissão não é algo resolvido em nós 
desde sempre. É aos poucos, a partir do contato com pessoas 
que atuam em diferentes atividades profissionais, que vamos 
vislumbrando um futuro e uma possibilidade.
Entretanto, na primeira inclinação que tenhamos em dire-
ção a uma área de atuação profissional – educação, adminis-
tração, jurídica, saúde etc. – já devemos esboçar um plane-
jamento mínimo. Na verdade, isso ocorre naturalmente, pois, 
em algum momento da infância ou da juventude, sonhamos 
em ser, por exemplo, bombeiro(a), enfermeiro(a), professor(a), 
pastor, médico etc.
Em uma segunda etapa, o próprio sistema nos auxilia nes-
sa orientação com cursos vocacionais realizados nas escolas, 
com informações sobre as alternativas de trabalho com vistas 
a um curso superior ou por estímulo de notícias sobre os atra-
tivos de certas profissões.
A partir daí, já devemos adotar uma postura alerta no 
sentido de canalizar as energias e reunir conhecimentos mais 
específicos e afins àquela área desejada. Cursos, palestras, 
oficinas, capacitações são aportes fundamentais para qualifi-
car um candidato e legitimar um currículo digno de atenção, 
seja na área específica ou na área de aperfeiçoamento da 
linguagem (verbal ou corporal – capacidade argumentativa, 
postura para expor os próprios conhecimento e ideias). Essas 
204 Comunicação para o Planejamento Profissional
oportunidades, porém, não surgem todas em um dia. É, por-
tanto, ao longo de uma linha de tempo que iremos conquistar 
essa bagagem.
5 O domínio da linguagem verbal como 
ferramenta indispensável
No início do Século XX, o filósofo austríaco Ludwig Wittgens-
tein, em um tratado sobre a linguagem verbal, afirmou: “Os 
limites da minha linguagem são os limites do meu mundo.” 
A frase remete a um ponto crucial do que estamos encami-
nhando aqui. A máxima, que se vincula a reflexões da filosofia 
sobre a linguagem verbal, dá a medida exata do que podemos 
conquistar se tivermos aliados competência e desempenho lin-
guísticos adequados ao tamanho de nosso sonho na vida pro-
fissional.
Diferentemente da linguagem do poder, o poder da lin-
guagem é muito maior do que costumamos perceber. Nas re-
lações em sociedade, é por meio da nossa fala ou da nossa 
escrita que transmitimos a nossa imagem. A todo o momento, 
com ou sem preconceito linguístico, nossa língua nos apresen-
ta e nos representa, mesmo quando não temos consciência 
disso. Por meio dela, indicamos nosso nível social, nossa ori-
gem geográfica, nosso nível intelectual e nossa ideologia, mas 
também conseguimos argumentar e persuadir. De acordo com 
Antônio Suarez de Abreu,
Capítulo 9 Narrativa pessoal e construção do currículo 205
[a]rgumentar é a arte de convencer e persuadir. Con-
vencer é saber gerenciar informações, é falar à razão 
do outro, demonstrando, provando. Etimologicamente, 
significa vencer com o outro (com + vencer) e não contra 
o outro. Persuadir é saber gerenciar a relação, é falar à 
emoção do outro. A origem dessa palavra está ligada a 
preposição per, “por meio de” e a Suade, deusa romana 
da persuasão. Significava “fazer algo por meio de auxílio 
divino”. (ABREU, 1999, p. 25)
Sendo assim, o pleno domínio dessa importantíssima fer-
ramenta social, o pleno domínio da linguagem não pode ser 
minimizado por ruídos na comunicação. Sabemos que a fle-
xibilização da norma padrão da linguagem é uma realidade, 
em especial, com o internetês.3 Achamos, inclusive, que usar a 
norma padrão é desimportante. Acredite, na seara da carreira 
profissional, nunca é irrelevante mostrar domínio e conheci-
mento.
O filólogo e gramático Evanildo Bechara costuma dizer 
que “Precisamos ser poliglotas em nossa própria língua.” Po-
demos comprovar essa afirmação na medida em que pensa-
mos na adequação de níveis de linguagem, dependendo do 
nosso interlocutor. A adequação, porém, só poderá ser feita 
por quem conhece todos os níveis. Transitar do nível coloquial 
ou vulgar ao nível culto só é possível a quem domina todos. 
Conhecer nosso interlocutor, no caso um possível empregador, 
assim como organizar e expor verbalmente, de forma lógica 
3 Tema e conceito já abordados no Capítulo Comunicação e mídias contemporâ-
neas: novos espaços; novos desafios.
206 Comunicação para o Planejamento Profissional
e clara nossas intenções e saberes, faz parte desse domínio 
técnico da nossa narrativa pessoal que diz respeito também à 
argumentação e à persuasão.
Não adianta ter um conhecimento de excelência em uma 
área específica se não formos capazes de apresentar verbal-
mente nossas qualidades. Portanto, para a elaboração de um 
bom currículo, é indispensável o domínio da capacidade ex-
pressiva da linguagem e normas da língua.
6 A elaboração do currículo como 
consequência da narrativa pessoal
A etapa conclusiva ou mais concreta de toda uma estratégia e 
construção do perfil adequado à determinada carreira profis-
sional é ponto de partida para a elaboração do currículo ideal. 
Curriculum vitae é o conjunto de dados biográficos, de forma-
ção profissional e de atividades anteriormente desenvolvidas. 
De acordo com Lucas Nogueira,
[a] primeira função de um currículo é instigar o recruta-
dor a chamá-lo para uma entrevista de emprego. A se-
gunda função é servir como roteiro da conversa na etapa 
presencial do processo seletivo. Em qualquer um desses 
dois momentos, o currículo pode abrir ou fechar as por-
tas de uma oportunidade de trabalho, segundo Lucas 
Capítulo 9 Narrativa pessoal e construção do currículo 207
Nogueira, gerente sênior da Robert Half. (Revista Exame, 
Setembro, 2017)4
Do ponto de vista formal e burocrático, não existe uma úni-
ca fórmula ou modelo de currículo para todas as áreas e perfis 
profissionais. Isso porque, como instrumento de comunicação, 
um currículo depende de adequação ao nosso interlocutor. O 
currículo é um gênero textual que depende de fatores como 
a seleção dos dados que interessem à vaga específica que 
estamos pleiteando. Portanto, incluir todos os cursos,oficinas, 
palestras e capacitações que fizemos ao longo dos anos, nem 
sempre é uma boa opção, pois perdemos a objetividade que 
a ocasião exige.
Quem procura um profissional quer ver imediatamente ali-
nhadas as habilidades do candidato ao exercício da função. O 
preenchimento de um currículo deve seguir a máxima da nar-
rativa ideal, ou seja, a seleção dos fatos mais relevantes deve 
ser cuidadosamente organizada em um memorial, atendo-se 
ao interesse do empregador na área de atuação pleiteada.
Um currículo, além da qualificação civil – endereço resi-
dencial, identidade, CPF, telefone, endereço de e-mail – deve 
conter a qualificação profissional ou técnica, que informa as 
ações voltadas à carreira. Em algum momento, o currículo 
deve apresentar um relatório circunstanciado, que apresentará 
a descrição das atividades profissionais já realizadas e, em 
particular, daquelas que possam contribuir para o julgamento 
4 Leia a matéria na integra em <https://exame.abril.com.br/carreira/12-
-modelos-de-curriculo-para-baixar-e-preencher/>.
208 Comunicação para o Planejamento Profissional
global do candidato. Trata-se do memorial do candidato. Esse 
relato é uma forma de narrativa.
Mas em que se diferenciam o memorial e curriculum vitae? 
Além das qualificações civil e profissional, o memorial pode 
apresentar alguma apreciação das atividades do candidato, 
abrindo, nessa narrativa, espaço para inferência sobre sua 
atuação. O memorial é a forma mais específica para progres-
são na carreira acadêmica.
Na referida matéria da Revista Exame, são oferecidos 12 
modelos de currículos para baixar no seu computador. O es-
pecialista em Recursos Humanos e Marketing Pessoal, Lucas 
Nogueira, ainda alerta sobre a importância de o candidato 
ficar atento para “não cometer erros gramaticais, de digita-
ção ou de informação, que podem causar má impressão. Não 
minta, pois, se o recrutador descobrir, provavelmente, ficará 
em dúvida sobre a veracidade dos demais dados no currícu-
lo”. De toda forma, algo que deve orientar sempre a redação 
de um currículo é a clareza, a finidade entre a vaga pleitea-
da e os elementos afins em sua formação apresentado com 
objetividade, clareza e verdade dentro dos diversos modelos 
circulantes.
Recapitulando
Neste capítulo, abordamos a importância do planejamento 
como estrutura e consciência voltada à profissão. Evidencia-
mos que a sobrevivência profissional depende de fatores como 
Capítulo 9 Narrativa pessoal e construção do currículo 209
a comunicação no meio social e que é tento em vista essa 
questão que construímos a narrativa pessoal para o currículo. 
Mostramos que, nas situações mais previsíveis, mas também 
nas mais inesperadas da vida social, estamos fornecendo da-
dos para circulação de nossa imagem pessoal e também pro-
fissional. O que não podemos perder de vista é que elas são 
indissociáveis, uma reflete e age sobre a outra.
Tentamos mostrar, a partir de um paralelo entre narrativa 
ficcional e narrativa pessoal, a importância de que você seja 
fabulador de sua história a partir de um planejamento estra-
tégico. Para tanto, é preciso estabelecer algumas estratégias e 
dominar as adequadas técnicas para alcançar o objetivo de ter 
o controle sobre a construção consciente do próprio currículo.
Na sequência, tratamos da importância de ter domínio da 
linguagem verbal e do quanto a linguagem não verbal – nossa 
imagem nas redes sociais, o que fazemos e dizemos e até o 
modo como nos vestimos – pode dar subsídios para a narrati-
vo que outros podem fazer a nosso respeito.
Finalmente, tratamos da elaboração do currículo físico e 
memorial, ou seja, aquele documento que irá sintetizar e orga-
nizar da melhor maneira o que realmente temos de potencial 
para uma função ou cargo na carreira que escolhemos. Indi-
camos, também, uma página em que o candidato tem a sua 
disposição 12 modelos de currículos.
210 Comunicação para o Planejamento Profissional
Referências
ABREU, Antônio Suárez. A Arte de Argumentar – Gerencian-
do Razão e Emoção. Carapicuíba: Editora Ateliê Editorial, 
1999.
BECHARA, Evanildo. Disponível em: <https://kdfrases.com/
autor/evanildo-bechara>.
BLIKSTEIN, Izidoro. Técnicas de Comunicação Escrita.
CARVALHEIRO, J. R. O memorial nos concursos universitá-
rios. Ciência e Cultura, v. 35, n. 11, p. 1618-1621, nov. 
1983.
CITELLI, Adilson. Linguagem e persuasão. São Paulo: Edito-
ra Ática, 1995.
Atividades
Modelo ENADE, que visa a aplicação de conhecimento, a ca-
pacidade de relação e interpretação.
1) Considere todos os elementos verbais e visuais da tira 
a seguir, bem como as abordagens do capítulo, e assinale a 
única alternativa correta quanto à interpretação.
Capítulo 9 Narrativa pessoal e construção do currículo 211
a) A comunicação entre o candidato e o entrevistador flui 
com descontração e bom humor porque existe sintonia 
entre as intenções de ambos.
b) A intenção do candidato é tomar o cargo do entrevistador, 
por isso surge um ruído na comunicação entre ambos.
c) Naturalmente, a apresentação física do candidato é 
adequada ao seu objetivo de ser gerente.
d) O diálogo está truncado porque corresponde a um 
conflito no plano das adequações entre o objetivo do 
candidato e os recursos para obtê-lo.
212 Comunicação para o Planejamento Profissional
e) O ruído de comunicação da linguagem não corres-
ponde a nenhuma inadequação contextual entre a in-
tenção e os meios para alcançá-la.
 2) Leia o anúncio de emprego e as proposições a seguir e 
assinale a única reposta correta.
 I – O anúncio mobiliza primeiramente o interesse do can-
didato para o valor do salário, induzindo ao descuido 
quanto às suas reais aptidões para o cargo.
 II – Não é plausível a dispensa de experiência em vendas, 
pois é importante ter alguma formação e aptidão para ser 
um bom vendedor.
 III – Para a conquista da vaga, é fundamental que o candi-
dato tenha algum curso de formação ou experiência no 
ramo comercial.
Fonte: <https://www.sine.com.br/vagas-
-empregos-em-canoas-rs/corretor-de-imo-
veis/3067331>.
a) Apenas I está correta.
b) Apenas I e II estão corre-
tas.
c) I, II e III estão corretas.
d) Apenas II está correta.
e) Apenas II e III estão corre-
tas.
Capítulo 9 Narrativa pessoal e construção do currículo 213
 3) Com base nos conteúdos estudados, leia as proposições a 
seguir e assinale a alternativa correta.
 I – Existe um modelo ideal de currículo que atende a todas 
as demandas e auxilia o candidato a conquistar uma vaga.
 II – Como instrumento de comunicação, o currículo deve 
ter em conta o seu interlocutor, ou seja, o empregador e 
seus interesses.
 III – O currículo não exige criteriosa seleção de dados a 
cada vaga específica, pois o que conta é a formação total 
do candidato.
 IV – Nem sempre é uma boa opção incluir todos os cursos, 
palestras, capacitações e experiências no currículo.
a) Apenas II e IV estão corretas.
b) I, II, III e IV estão corretas.
c) Apenas I e II estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Apenas IV está correta.
 4) Em nosso cotidiano, fazemos uso de linguagem verbal e 
de linguagem não verbal para construirmos nossa narrati-
va pessoal. Com base nisso, leia as alternativas a seguir e 
assinale a única INCORRETA.
 a) Com base na ideia de narrativa ficcional e de fabula-
ção, devemos fazer de tudo para sermos o melhor fabula-
dor de nossa própria narrativa pessoal.
214 Comunicação para o Planejamento Profissional
b) Se tivermos um projeto bem elaborado para construir 
nossa narrativa pessoal, não precisamos nos preocupar com 
nossas ações no cotidiano dos meios digitais.
c) A elaboração de um memorial é sempre a melhor op-
ção para concorrer a uma vaga docente em nível superior.
d) O internetês é uma variaçãoda linguagem que deve 
ser evitada na elaboração do currículo.
e) A construção da identidade digital envolve a habilidade 
linguística, além da imagem e do comportamento.
 5) Com base na charge anterior, leia as proposições e assina-
le a reposta correta.
 I – Certamente, a candidata está pleiteando uma vaga 
para tradutora.
Capítulo 9 Narrativa pessoal e construção do currículo 215
 II – Ao falar, a candidata passa informações subliminares 
sobre sua informação que alertam o entrevistador sobre 
sua real qualificação.
 III – A candidata não tem consciência sobre o quanto infor-
ma de si mesma pela linguagem.
a) I, II e III estão corretas.
b) Apenas III está correta.
c) Apenas II e III estão corretas.
d) Apenas I e II estão corretas.
e) Apenas I e III estão corretas.
Almir Mentz1
Capítulo 10
Discurso e Redação 
Acadêmica
1 Mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e 
Professor da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA – Canoas/RS.
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 217
Introdução
Caro aluno, você sabe que pesquisar, atualmente, é uma ação 
inerente às atividades de quem se dedica a estudar quaisquer 
assuntos sobre os quais tem interesse em conhecer com maior 
profundidade? Pois é isso mesmo. Essa é uma realidade da 
qual ninguém pode fugir.
Hoje, não basta simplesmente assistir às aulas em cujas 
ocasiões o professor lhes transmite conhecimentos já cons-
truídos por outros estudiosos. É muito importante que todas 
as pessoas, sobretudo vocês, alunos de cursos que formam 
especialistas em áreas específicas ou não, busquem mais in-
formações sobre algum tema que lhes desperte curiosidade. 
Assim, é preciso que sejam abertos e receptivos a novos co-
nhecimentos.
Como podem, então, chegar a esse patamar ideal para o 
seu crescimento pessoal e profissional? Por meio de consultas 
e de leituras de outros textos, especialmente de cunho científi-
co, cujo autor trate desses assuntos. Portanto, vocês devem ter 
a clareza sobre alguns pontos que serão desenvolvidos nesse 
capítulo.
Como em tudo na vida, temos de saber o que se pretende 
com as ações que praticamos. Não importa se a pesquisa seja 
acadêmica ou não. Durante a realização de uma pesquisa 
não é diferente. Por isso, os objetivos devem ser bem delinea-
dos, traçados, para que o pesquisador saiba, claramente, o 
que pretende ao final da pesquisa.
218 Comunicação para o Planejamento Profissional
1 Aspectos e fundamentos da escrita 
científica
Pesquisar é muito valioso. No entanto, tão importante quan-
to a pesquisa é a linguagem nela empregada. A escrita é o 
aspecto principal do trabalho de pesquisa, já que é por meio 
dela que os passos serão registrados, desde o planejamento 
até a redação final, percorridos durante esse trabalho. Essa 
escrita não é resultado de cópia e de colagem. Elas possibili-
tam erros na interpretação da mensagem. As ideias expressas 
pelo discurso devem ser bem encadeadas, isto é, deve haver 
entrelaçamento lógico entre elas.
Então, caro leitor, fica uma questão a respeito da redação 
de um texto cujo âmago é o conhecimento científico, ou seja, 
norteado pela ciência. Embora a linguagem tenha caracterís-
ticas próprias do redator, é imprescindível que tais marcas não 
fiquem tão evidentes em textos científicos. A escrita científica 
tem características muito específicas: impessoalidade, clareza, 
precisão, concisão, coerência, coesão, simplicidade, vocabu-
lário adequado ao assunto pesquisado, correção gramatical.
Após todas as considerações a respeito do discurso acadê-
mico e científico, você, agora, passará a estudar alguns textos 
que todo pesquisador e acadêmico precisa saber redigir e co-
nhecer os aspectos que norteiam tais textos. Sobre a lingua-
gem científica genérica, você já obteve algumas e importan-
tes informações. Entretanto, somente elas não são suficientes, 
pois, quando no exato momento que você precisa registrar 
tais informações, muitas dúvidas ainda surgem. Por isso, em 
seguida, serão detalhados características linguísticas e estrutu-
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 219
rais específicas de cada tipologia textual, essenciais para um 
acadêmico, independentemente do curso: projetos, artigos, 
monografias, resumos, resenhas, entrevistas e banners.
1.1 Elaboração de Projetos
Como o próprio nome diz, projeto é o planejamento que ser-
virá de roteiro a ser seguido por quem executará a pesquisa. 
Por meio dele, o pesquisador terá clara e ordenadamente os 
passos que serão detalhados e analisados durante a pesquisa. 
Aqui, será desenvolvida a estrutura do projeto de pesquisa: 
título, introdução, revisão bibliográfica, procedimentos meto-
dológicos, bibliografia...
Título
O título do Projeto não deve ser extenso, tampouco de sentido 
amplo. É preciso que ele apresente conceitos ou expressões 
com objetividade e com clareza. O título ideal é conciso, sem 
que detalhe nada do conteúdo da pesquisa. As ideias nele 
contidas têm de ser sintetizadas, mas, ao mesmo tempo, de-
vem ser tão atrativas a ponto de provocar o interesse do futuro 
leitor.
Introdução
A introdução é uma seção que apresenta, sinteticamente, o 
tema, a justificativa, as hipóteses (delimitação do problema 
específico para o qual o pesquisador buscará respostas duran-
te a pesquisa). A justificativa e os objetivos também podem 
220 Comunicação para o Planejamento Profissional
fazer parte da introdução; porém, a redação deles deverá ser 
breve.
Revisão Bibliográfica
Nenhuma pesquisa inicia do zero. A pesquisa parte de um 
estudo que já foi feito por alguém e em outro momento ou é 
um estudo complementar. Nesse momento, cabe a você ler 
algumas obras sobre o assunto a ser investigado para, pos-
teriormente, resumi-las cujo objetivo é o de comprovar que já 
existem estudos.
Procedimento metodológico
Nessa etapa, cabe ao estudioso determinar o passo a pas-
so da pesquisa que será realizada. O pesquisador indica os 
procedimentos e as técnicas que serão empregadas durante a 
coleta de dados para a futura pesquisa, como: escolher o tipo 
de pesquisa (experimental, levantamento de dados, estudo de 
caso, pesquisa bibliográfica), estabelecer população e amos-
tra (o universo de estudo e a forma como será selecionada 
a amostra) e determinar as técnicas de coletas de dados (a 
busca de informações para a hipótese levantada). Enfim, as 
técnicas elaboradas pelo pesquisador deverão preencher os 
seguintes requisitos: validez, confiabilidade e precisão.
Bibliografia
A bibliografia é o lugar no qual constarão todas as obras 
pesquisadas durante a organização do Projeto e, mais tarde, 
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 221
da elaboração e da escrita final dos resultados obtidos pelo 
pesquisador. A bibliografia deverá ser registrada no final do 
Projeto ou de quaisquer outros textos acadêmicos, com obe-
diência às Normas Oficiais.
Enfim, a responsabilidade pela redação de um Projeto está 
nas mãos de quem o colocará em prática.
1.2 Artigo Científico
O Artigo Científico é um texto de curta extensão. Isso se refere 
ao fato de que ele não constitui um capítulo de um livro pelo 
tamanho reduzido. Ele deve demonstrar benevolência com o 
leitor. Nele são registrados somente os resultados encontrados 
durante a Pesquisa.
Estrutura do Artigo Científico
O Artigo Científico é um tipo de texto que apresenta a seguinte 
estrutura: elementos pré-textuais, elementos textuais e elemen-
tos pós-textuais.
Elementos Pré-textuais
Título e subtítulo;
Autor;
Resumo na língua do texto;
Palavras-chave na língua do texto.
222 Comunicação para o Planejamento Profissional
Resumo em língua estrangeira;
Palavras-chave em língua estrangeira.
Elementos Textuais2
Introdução: apresentação do assunto,objetivo, metodologia, 
limitações e proposição.
Desenvolvimento: exposição, explicação e demonstra-
ção do material; avaliação dos resultados e comparação com 
obras anteriores.
Conclusão: dedução lógica, baseada e fundamentada no 
texto, de forma resumida.
Elementos Pós-textuais
Notas explicativas (quando necessário);
Referências;
Glossário (quando necessário);
Apêndice (quando necessário);
Anexo (quando necessário).
2 MARCONI e LAKATOS, 2003.
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 223
1.3 Monografia (TCC3)
Monografia é uma espécie de texto científico que disserta 
sobre um assunto apenas, de forma sistemática e completa. 
Nela, desenvolve-se apenas um tema específico com mais 
profundidade do que se faz no Artigo Científico. Essa é, enfim, 
a característica fundamental de uma Monografia.
VOCÊ SABIA QUE...4
1 Devem-se evitar períodos muito longos?
2 Deve-se eliminar o uso excessivo de pronomes e de ora-
ções subordinadas?
3 A linguagem utilizada nesse gênero textual deve ser a de 
metalinguagem?
4 Frequentemente, deve-se iniciar novo parágrafo, a fim de 
suavizar a leitura e de facilitar o entendimento do texto?
5 A finalidade do autor de uma monografia não é a de 
demonstrar que sabe tudo sobre o tema, porém é a de de-
monstrar sobre uma hipótese inicial?
6 Não se deve usar pontos de exclamação, nem reticên-
cias, nem ironias?
7 Tem de empregar uma linguagem referencial?
3 Trabalho de Conclusão de Curso.
4 MENTZ, Almir.
224 Comunicação para o Planejamento Profissional
8 Sempre que utilizar um termo novo ou desconhecido pela 
primeira vez, deve-se defini-lo?
9 Escrever é um ato social e, por essa razão, deve-se em-
pregar a primeira do plural, nós?
10 Não se emprega artigo antes de nomes próprios, pois 
seu emprego soa um pouco antiquado e demonstra familiari-
dade?
11 Não se devem aportuguesar os nomes próprios estran-
geiros, somente em caso de sobrenomes tradicionalmente 
consagrados, como Lutero?
Escrever bem e corretamente é essencial. Todavia, é preciso 
mais que isso. Portanto, agora que você domina alguns pontos 
sobre Monografia, é hora de conhecer como ela se estrutura.
Estrutura da Monografia (TCC)
Assim como o Artigo Científico tem estrutura própria e é cons-
tituído de elementos para cada estrutura, outros tipos de textos 
acadêmicos também o têm. Dissertação, tese e monografia se 
estruturam com elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais, 
como já foi referido durante o estudo do Artigo. A seguir, você 
tem, sinteticamente, um quadro com a estrutura e os elemen-
tos da Monografia.5
5 ABNT NBR 14724.
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 225
 Estrutura Elementos 
Pré-textuais
Capa (obrigatório)
Lombada (opcional)
Folha de rosto (obrigatório)
Errata (opcional)
Folha de aprovação (obrigatório)
Dedicatória(s) (opcional)
Agradecimento(s) (opcional)
Epígrafe (opcional)
Resumo na língua vernácula (obrigatório)
Resumo em língua estrangeira (obrigatório)
Lista de ilustrações (opcional)
Lista de tabelas (opcional)
Lista de abreviaturas e siglas (opcional)
Lista de símbolos (opcional)
Sumário (obrigatório)
Textuais
Introdução
Desenvolvimento
Conclusão
Pós-textuais
Referências (obrigatório)
Glossário (opcional)
Apêndice(s) (opcional)
Anexo(s) (opcional)
Índice(s) (opcional)
1.4 Resumo
O resumo é uma forma de expressar, sinteticamente, as ideias 
essenciais contidas no texto de origem. O resumo, como qual-
quer outra tipologia textual, é constituído de dois níveis. O pri-
226 Comunicação para o Planejamento Profissional
meiro diz respeito à elaboração objetiva do resumo, pois o seu 
autor demonstrará a capacidade de interpretação em relação 
ao texto original. O segundo trata da estrutura do resumo. No 
lugar do título, você informará todos os elementos bibliográfi-
cos da obra: nome do autor, título da obra, nome da editora, 
lugar e data da publicação, número de volumes e páginas. 
Ele também contém a estrutura textual tradicional: introdu-
ção, desenvolvimento e conclusão. No final do resumo, tem 
de constar, pelo menos, três palavras-chave representantes do 
conteúdo do texto, separadas uma das outras pelo ponto-final.
Embora o resumo seja um texto de linguagem enxuta e 
objetiva, o seu autor tem de ter cuidado ao elaborá-lo. Copiar 
trechos do texto original não implica resumi-lo. O exemplo a 
seguir demonstra o que você estudou sobre resumo.6
Referência 
bibliográfica
LAKATOS, Eva Maria. O trabalho temporário: nova forma de 
relações sociais no trabalho. São Paulo: Escola de Sociologia 
e Política de São Paulo. 1979. 2. v. (Tese de Livre-Docência).
6 MARCONI e LAKATOS, 2003. 
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 227
Resumo
Etapas do desenvolvimento econômico que caracterizam a 
transição do feudalismo para o capitalismo. Distinção entre 
as relações sociais formais de produção e as relações sociais 
no trabalho, segundo as sucessivas fases de organização in-
dustrial: sistema familiar, de corporações, doméstico e fabril; 
também de acordo com a natureza das elites que introduzem 
ou determinam o processo de industrialização nas diferentes 
sociedades: elite dinástica, classe média, intelectuais revolu-
cionários, administrador colonial, líder nacionalista. As elites 
influem ainda no processo de recrutamento da mão de obra, 
na integração do trabalhador na empresa, na autoridade que 
elabora as normas referentes à relação entre o trabalhador e 
a direção da empresa e no caráter da atividade da gerência 
sobre os trabalhadores. Conceito de trabalhador temporário. 
Etapas de desenvolvimento econômico das sociedades que 
influem no processo de trabalho. Organização do trabalho 
e suas alterações, causa e consequência das transformações 
da sociedade. Surgimento e desenvolvimento do trabalho 
temporário segundo as etapas de desenvolvimento econômi-
co e da organização do trabalho. Metodologia da pesquisa, 
seleção da amostra, técnicas de coleta de dados, enunciado 
das hipóteses e variáveis. Análise e interpretação dos dados, 
comprovação ou refutação das hipóteses, perfil do trabalha-
dor temporário.
1.5 Resenha
Resenha é uma espécie de resumo. Todavia, há traços que os 
diferem. Mesmo que a resenha se divida em descritiva ou crí-
tica, nesse estudo serão desenvolvidos os aspectos pertinentes 
à segunda divisão. Entretanto, acrescenta-se aos elementos 
do resumo a visão crítica do autor, julgamentos, opiniões 
pessoais. Nela, ao contrário do resumo, a presença de deta-
228 Comunicação para o Planejamento Profissional
lhes se tornam, muitas vezes, essenciais para a sua construção. 
Em razão disso, pode-se dizer que essa tipologia textual tem 
em sua constituição a descrição, a narração e a dissertação. 
Além da linguagem específica, essa modalidade textual obe-
dece à estrutura própria.
Estrutura da Resenha7
Referência Bibliográfica Autor, título e subtítulo, edição, editora, 
localidade e ano da publicação, volume 
e número de páginas.
Credenciais sobre o Autor Informações gerais sobre o Autor (forma-
ção universitária, experiências na área, 
título, cargos exercidos...).
Conhecimento Ideias prin-
cipais resumidas com detalhes importan-
tes.
Conclusões do Autor Há ou não conclusões? Se houver, citá-
-las brevemente.
Quadro de referências do 
Autor
Que teoria serviu como base para o 
estudo? Que método foi utilizado na 
pesquisa?
Apreciação Julgamento da obra; mérito da obra; 
estilo; forma (lógica, originalidade e 
equilíbrio entre as partes); indicação da 
obra.
7 MARCONI e LAKATOS, 2003, adaptado pelo Autor. 
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 229
A seguir, um exemplo de organização estrutural para seescrever uma resenha:
Referências
bibliográficas
MENTZ, Almir. Redação Acadêmica. In: 
ILHESCA, Daniela Duarte [et al.]. Comunica-
ção e Expressão. Canoas: ULBRA 2013. p. 
107-125.
Credenciais sobre 
o Autor
Professor com formação na área de Letras e 
com experiência na Educação de Ensino Fun-
damental, Médio e Superior e com publica-
ções referentes à contribuição linguística para 
turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) 
assim como estudos relativos à produção 
textual criativa e científica. 
 Conhecimento 
(resumo e referên-
cias do Autor)
Você encontra informações relevantes sobre 
a redação acadêmica que caracterizam a 
linguagem científica. Além disso, apresenta 
o estudo específico de textos utilizados no 
cotidiano de alunos e de professores. Ele tem 
dicas de elaboração e com exemplos de cada 
tipologia textual: resumo, resenha, artigo cien-
tífico, ensaio, relatório e monografia (TCC). 
Apreciação
Texto breve, técnico e, ao mesmo tempo, 
com uma linguagem leve, acessível a todos, 
resultado de uma pesquisa bibliográfica. 
Entretanto, ele contém informações valiosas 
para todos que necessitam redigir um texto 
científico ou simplesmente têm interesse por 
essa temática. Portanto, sua leitura aprimorará 
os conhecimentos sobre redação acadêmica. 
230 Comunicação para o Planejamento Profissional
A partir desse momento, estudar-se-ão duas maneiras de 
transmitir informações fundamentais concernentes ao conteú-
do da pesquisa que utilizam ou não a linguagem escrita ou 
oral, escrita ou imagística: entrevista e banners.
1.6 Entrevista
O momento de coleta de dados para uma pesquisa bem-su-
cedida é, sem dúvida alguma, o que diz respeito à entrevista. 
Para isso, é fundamental que o pesquisador saiba como pro-
ceder para a realização desse instrumento. A definição tem de 
ser adequada à pesquisa que se pretende realizar na busca 
de respostas para as questões levantadas durante o Projeto 
de Pesquisa. Assim, a entrevista serve como coleta de dados, 
pode auxiliar no diagnóstico ou no tratamento do problema a 
ser solucionado pela pesquisa.
Como instrumento de coleta de dados tem-se três tipos 
(MARCONI e LAKATOS, 2003):
a) Padronizada ou estruturada;
b) Despadronizada ou não estruturada;
c) Painel.
Observe, caro aluno, os passos para os quais você deverá 
ter atenção8 quando da organização da entrevista.
8 MARCONI e LAKATOS, 2003.
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 231
a) Planejamento da entrevista: deve ter em vista o objetivo 
a ser alcançado.
b) Conhecimento prévio do entrevistado: objetiva conhecer 
o grau de familiaridade dele com o assunto.
c) Oportunidade da entrevista: marcar com antecedência a 
hora e o local, para assegurar-se de que será recebido.
d) Condições favoráveis: garantir ao entrevistado o segre-
do de suas confidências e de sua identidade.
e) Contato com líderes: espera-se obter maior entrosamen-
to com o entrevistado e maior variabilidade de informa-
ções.
f) Conhecimento prévio do campo: evita desencontros e 
perda de tempo.
g) Preparação específica: organizar roteiro ou formulário 
com as questões importantes.
Como você já viu anteriormente, caro acadêmico, a entre-
vista visa a obtenção de informações essenciais para a reali-
zação de uma determinada pesquisa. É essencialmente valioso 
que a elaboração da entrevista siga algumas normas, segundo 
MARCONI e LAKATOS, 2003.
Contato 
inicial 
A conversa deve ser mantida em um clima cordial e 
amistoso. 
Formu-
lação de 
perguntas
As perguntas obedecem a um roteiro (entrevista padro-
nizada) ou o entrevistado tem liberdade para responder 
(entrevista não estruturada).
232 Comunicação para o Planejamento Profissional
Registro 
de respos-
tas
Registro simultâneo das respostas, a fim de lhes garantir 
fidelidade e veracidade das informações. Caso o en-
trevistado autorize, o ideal é que suas respostas sejam 
gravadas.
Término 
da entre-
vista
A entrevista deve terminar cordialmente, para que, se 
necessário, o entrevistador tenha liberdade de retornar.
Requisitos 
importan-
tes
A entrevista deve ser confiável, clara e com aprofunda-
mento de informações.
Na sequência, você receberá informações sobre a organi-
zação de banners. Esse tipo de texto tem características muito 
peculiares, haja vista que sua elaboração consiste em uma 
linguagem sintética, escrita ou imagística; ou ainda faz uso de 
uma linguagem mista.
1.7 Elaboração de banners
A NBR 154379 normatiza como deve ser organizado pôster 
(banners). Segundo ela, banners é uma forma científica de co-
municação. Sucintamente, a referida norma apresenta desde o 
tamanho do papel com que o pôster tem de ser elaborado até 
as referências bibliográficas. A seguir, os aspectos apresenta-
dos pela NBR 15437 serão reproduzidos fidedignamente.
9 Norma Brasileira 15437.
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 233
 Formatação (NBR 15437)
Tamanho do pôster (banners): máximo: 120 cm altura X 90 cm 
largura; mínimo: 100 cm X 80 cm.
Título do trabalho: centralizado, caixa alta, fonte 50 ou 60.
Autores e Orientador: fonte 30, ordem alfabética + Professor Orien-
tador, Instituição.
INTRODUÇÃO: título 50, corpo de texto fonte 40 (Contexto, objeti-
vos, justificativa...).
METODOLOGIA
RESULTADOS E DISCUSSÃO: título e subtítulos fonte 50, corpo de 
texto 40.
CONCLUSÃO: título e subtítulos fonte 50, corpo de texto fonte 40.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (conforme NBR 6023): título fonte 
50, corpo de texto fonte 30, numerado, ordem de aparecimento no 
pôster.
Painel ou banners é uma breve explanação sobre o resul-
tado da pesquisa. O banner deve ser autoexplicativo, isto é, 
as informações nele contidas devem ser suficientes, para que 
o seu leitor entenda o conteúdo. Aconselha-se o uso de pouco 
texto e, preferencialmente, as informações devem ser dispostas 
em forma de tópicos. Além disso, sugere-se que o banner seja 
elaborado mais com imagens do que palavras. Tais ilustrações 
têm de ser atrativas e têm de despertar o interesse de quem o 
ler.
A partir desse momento, estudar-se-ão aspectos para a 
apresentação oral e arguição dos resultados obtidos duran-
te o trabalho de pesquisa.
234 Comunicação para o Planejamento Profissional
2 Apresentação oral e arguição
Caro aluno, antes da preparação da apresentação oral e ar-
guição do trabalho acadêmico propriamente dito, você tran-
sitará por etapas importantes que estão relacionadas à elabo-
ração do Projeto de Pesquisa e do Trabalho de Conclusão de 
Curso, tanto de graduação quanto de pós-graduação (licen-
ciatura, bacharelado, tecnólogo, especialização, mestrado e 
doutorado). Tais etapas vão desde a escolha do tema até a 
apresentação propriamente dita do trabalho que você reali-
zou. Além disso, passa pela escolha de orientador temático, 
conforme o assunto que você pesquisará.
Etapas da Apresentação e da Arguição10
Preparação Técnica Antes da arguição, releia o texto e assinale o 
que você considera interessante. Caso encontre 
algum erro, elabore uma ERRATA e distribua aos 
membros da banca.
Preparação Psicológica Você deve estar preparado psicologicamente. Du-
rante a apresentação, demonstre autoconfiança. 
Fale com entusiasmo, determinação e convicção 
diante da banca. Use uma linguagem clara e 
objetiva com a banca. 
Vestimenta O momento da defesa e da arguição tem cunho 
solene e formal. Vista-se e comporte-se adequa-
damente. Tenha discrição, portanto.
10 CHEMIN, Beatris Francisca, 2015. Adaptado pelo Autor.
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 235
Recursos audiovisuais Chegue com antecedência ao local. Procure fami-
liarizar-se com o recurso escolhido.Tenha cópia 
de seu material escrito em mais de um formato de 
mídia audiovisual.
Presença de parentes e 
amigos
Caso você convide algum parente e/ou amigo 
para assistir a sua defesa, oriente-os da postura 
adequada: total silêncio, permanência em sala, 
sem uso de aparelhos sonoros. Eles poderão ouvir 
críticas duras e rígidas ao seu trabalho, porém 
elas fazem parte do ritual de defesa. A presença 
deles deve lhe servir como apoio.
Material para a defesa
Tenha em mãos uma cópia do trabalho com todas 
as anotações feitas durante a leitura. Ter um re-
sumo em forma de tópicos em mãos é importante 
nesse momento, pois poderá servir como roteiro 
para a apresentação. Se for possível, você poderá 
apresentá-lo previamente ao seu professor-
-orientador. Você deverá anotar todas as conside-
rações dos membros da banca, principalmente as 
perguntas. Recursos midiáticos, banners... podem 
auxiliá-lo durante a apresentação. Não perca a 
noção de tempo estipulado. Tenha um relógio em 
mãos. Desligue o celular.
Distribuição do tempo 
para a apresentação oral
Cuide para elaborar o material conforme o tempo 
que lhe for delimitado. Obedeça ao tempo. Caso 
você ultrapasse ou termine muito antes, pode 
parecer aos elementos da banca incapacidade 
de síntese, que é fundamental a quem tem curso 
superior. 
236 Comunicação para o Planejamento Profissional
Postura corporal
Durante a apresentação oral, gesticule natural-
mente. Não esqueça! Seu corpo “fala”, “grita”. 
Portanto, evite: mexer constantemente nos cabe-
los, colocar as mãos nos bolsos, cruzar os braços, 
mexer em objetos a sua volta (caneta, papel, 
óculos...), falar para a plateia... 
Saudação à banca
Cumprimente BREVEMENTE os membros da ban-
ca e faça uma deferência especial ao orientador. 
Diga a eles a satisfação com a presença deles. 
Dirija-se a eles com tratamento respeitoso (Senhor, 
Senhora, Professor, Doutor...). Conheça previa-
mente os membros que formarão a banca que o 
arguirão sobre seu trabalho.
Dicção e timbre da voz
Articule bem palavras e freses. Faça pausa e 
entonação conforme você deseja enfatizar algu-
ma informação. Siga os tópicos preparados no 
resumo, a fim de lhe garantir precisão, clareza e 
segurança. Caso haja termos com dificuldade de 
pronúncia, treine-os muito. Evite vícios de lingua-
gem e repetições excessivas de palavras (“né”, 
“então”...). 
Respostas à arguição da 
banca
Momento crucial. Não enrole, pois você está 
tratando com especialistas na temática. Seja claro 
e direto quando responder ao questionamento 
da banca. Caso você não saiba responder, seja 
sincero. Se a pergunta exigir respostas que não 
fazem parte da sua pesquisa, que não seja o seu 
objetivo durante a investigação, informe à banca. 
Se você souber a resposta, expresse-a. Não entre 
em confronto com a banca. Apresente seus argu-
mentos equilibradamente.
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 237
Enfim, você sempre tem de lembrar-se de que o sucesso da 
apresentação do trabalho depende, sobretudo, da preparação 
desse momento final.
Recapitulando
Este capítulo tem como objetivo orientar alunos e demais inte-
ressados acerca dos conceitos fundamentais sobre pesquisa e 
discurso científico.
A primeira parte aborda os aspectos e fundamentos da es-
crita científica. Aponta curiosidade, disciplina, perseverança e 
paciência como características do pesquisador. Clareza, pre-
cisão, concisão, coerência, coesão, adequação vocabular e 
correção gramatical dizem respeito à linguagem científica que 
todo o acadêmico deve obedecer durante uma pesquisa.
Na sequência, o capítulo informa sobre a elaboração de 
textos cuja linguagem se destaca por ser científica. Aqui, você 
encontra orientações sobre a elaboração dos seguintes textos: 
projetos, artigos, monografias, resumos, resenhas, entrevistas 
e banners. Nesse capítulo, você encontra também dicas 
para a preparação da apresentação de Monografia (TCC) e 
da arguição da banca. Trata também da relação entre o pro-
fessor-orientador e o orientando, fator essencial para o suces-
so da elaboração de seu trabalho. Ainda lhe são mostradas 
as etapas para que você prepare bem o material que será 
utilizado durante a apresentação oral de seu trabalho.
238 Comunicação para o Planejamento Profissional
Enfim, esse texto também exemplifica alguns tipos de tex-
tos. Resumo e resenha são demonstrados na prática, o que 
lhe facilita a distinção entre eles. Por fim, é um texto que trata 
de um assunto complexo, mas com simplicidade linguística. A 
ênfase desse texto é a linguagem científica, fato que diferencia 
essa modalidade de texto dos textos criativos, por exemplo.
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 
14724: Normas de elaboração de TCC’s, Monografia. Rio 
de Janeiro, ago. 2017.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 
6023: Informação e documentação – Referências – Elabo-
ração. Rio de Janeiro, ago. 2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS E TÉCNICAS 
(ABNT). NBR 15437: informação e documentação: pôs-
teres técnicos e científicos: apresentação. Rio de Janeiro, 
2006.
CASTILHO, Auriluce Pereira; BORGES, Nara Rúbia Martins; 
PEREIRA, Vânia Tanús (Orgs.). Manual de metodologia 
científica do ILES. Itumbiara: ILES/ULBRA, 2014.
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 239
CHEMIN, Beatris Francisca. Manual da UNIVATES para tra-
balhos acadêmicos: planejamento, elaboração e apre-
sentação. 3. ed. Lajeado: UNIVATES, 2015.
COSTA VAL, Maria da Graça. Redação e textualidade. São 
Paulo: Martins Fontes, 2004.
CUNHA, Sérgio Fraga da; et. al. Tecendo textos. Canoas: 
ULBRA, 1997.
FREITAS, Ernani Cesar de; PRODANOV, Cleber Cristiano. Me-
todologia do trabalho científico [recurso eletrônico]: mé-
todos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar Projetos de Pesquisa. 
4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
__________. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. 
São Paulo: Atlas, 2008.
ILHESCA, Daniela Duarte [et al.]. Comunicação e Expressão. 
Canoas: ULBRA, 2013.
ILHESCA, Daniela Duarte e SILVA, Mozara Rosseto da. Coe-
são. In: ILHESCA, Daniela Duarte [et al.]. Comunicação e 
Expressão. Canoas: ULBRA 2013. p. 79-88.
KASRARY, Adalberto José. Redação Oficial: normas e mode-
los. 15. ed. Porto Alegre: EDITA, 2000.
LODI, João Bosco. A entrevista: teoria e prática. 2. ed. São 
Paulo: Pioneira, 1974.
240 Comunicação para o Planejamento Profissional
MARCONI, Marina de Andrade, LAKATOS, Eva Maria. Fun-
damentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: 
Atlas, 2003.
MARTINS, Dileta Silveira; ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Portu-
guês Instrumental: de acordo com as atuais normas da 
ABNT. 29. ed. Porto Alegre: Atlas, 2010.
MEDEIROS, João Bosco. Redação Científica: a prática de 
fichamentos, resumos, resenhas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 
1997.
MENTZ, Almir. Redação Acadêmica. In: ILHESCA, Daniela 
Duarte [et al.]. Comunicação e Expressão. Canoas: UL-
BRA 2013. p. 107-125.
ZANOTTO, Normélio. Correspondência e redação técnica. 
Caxias do Sul: EDUCS, 2002.
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 241
Atividades
Questão 1
MARTINS, Dileta Silveira; ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Português Ins-
trumental: de acordo com as atuais normas da ABNT. 29. ed. Porto 
Alegre: Atlas, 2010.
Este é um completo e atualizado manual prático de língua portugue-
sa, que ajuda você a compreender e a dominar o idioma, colocando 
ordem nas relações entre quem fala e quem ouve, entre quem escreve 
e quem lê, facilitando a compreensão e aumentando a efetividade na 
comunicação. A Parte I abrange aspectos referentes à Comunicação, 
ao Estilo, à Frase, ao Parágrafo e ao Discurso, fornecendo aoestu-
dante um completo embasamento teórico-prático para a comunicação 
oral e escrita. Destaque-se nesta parte o capítulo sobre a Redação, 
vista aqui sob seus diversos ângulos: descrição, narração e disserta-
ção. A Parte II compreende o Português Técnico e Profissionalizante: 
abaixo assinado, ata, atestado, atos administrativos, carta comercial 
e oficial, circular, contrato, currículo vitae, declaração, memorando, 
monografia, ofício, procuração, relatório e requerimento são alguns 
dos modelos apresentados e conceituados no livro. Capítulos especiais 
tratam da normalização bibliográfica e datilográfica. A Parte III aborda 
tópicos gramaticais que esclarecem dúvidas mais comuns da língua 
portuguesa. São expostos estudos sobre fonologia, acentuação, crase, 
ortografia, pontuação, hífen, concordância, regência, verbos, uso dos 
“porquês”, estrangeirismos, abreviações, entre outros. Destaca-se, nes-
ta parte sobre Gramática, um capítulo que discorre sobre as dificulda-
des mais frequentes da nossa língua. (GEN – Grupo Editorial Nacional)
PALAVRAS-CHAVE: Comunicação. Redação. Português Técnico e Pro-
fissionalizante. Gramática.
242 Comunicação para o Planejamento Profissional
O texto anterior diz respeito à obra de MARTINS e ZILBER-
KNOP. Por meio dele, o pretenso interessado pela obra toma 
conhecimento de seu conteúdo. Esse texto tem características 
próprias e tem objetivo específico. Sobre o texto, avalie as afir-
mações a seguir.
 I – É uma paráfrase da obra, pois faz uma análise do as-
sunto desenvolvido no livro referido com o emprego de 
adjetivos que o qualificam.
 II – Trata-se de um resumo, bem elaborado linguisticamen-
te, com fidelidade ao texto de origem.
 III – Inicia com a qualificação da obra e está organizado 
em apenas um parágrafo, além de a linguagem nele em-
pregada ser clara, objetiva e direta, o que aponta a capa-
cidade de síntese do autor.
Marque a afirma correta.
a) I e II
b) I e III
c) I, II e III
d) II e III
e) apenas a I
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 243
QUESTÃO 2
MARTINS, Dileta Silveira; ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Português Ins-
trumental: de acordo com as atuais normas da ABNT. 29. ed. Porto 
Alegre: Atlas, 2010.
Este é um completo e atualizado manual prático de língua portugue-
sa, que ajuda você a compreender e a dominar o idioma, colocando 
ordem nas relações entre quem fala e quem ouve, entre quem escreve 
e quem lê, facilitando a compreensão e aumentando a efetividade na 
comunicação. A Parte I abrange aspectos referentes à Comunicação, 
ao Estilo, à Frase, ao Parágrafo e ao Discurso, fornecendo ao estu-
dante um completo embasamento teórico-prático para a comunicação 
oral e escrita. Destaque-se nesta parte o capítulo sobre a Redação, 
vista aqui sob seus diversos ângulos: descrição, narração e disserta-
ção. A Parte II compreende o Português Técnico e Profissionalizante: 
abaixo assinado, ata, atestado, atos administrativos, carta comercial 
e oficial, circular, contrato, currículo vitae, declaração, memorando, 
monografia, ofício, procuração, relatório e requerimento são alguns 
dos modelos apresentados e conceituados no livro. Capítulos especiais 
tratam da normalização bibliográfica e datilográfica. A Parte III aborda 
tópicos gramaticais que esclarecem dúvidas mais comuns da língua 
portuguesa. São expostos estudos sobre fonologia, acentuação, crase, 
ortografia, pontuação, hífen, concordância, regência, verbos, uso dos 
“porquês”, estrangeirismos, abreviações, entre outros. Destaca-se, nes-
ta parte sobre Gramática, um capítulo que discorre sobre as dificulda-
des mais frequentes da nossa língua. (GEN – Grupo Editorial Nacional)
PALAVRAS-CHAVE: Comunicação. Redação. Português Técnico e 
Profissionalizante. Gramática.
O texto anterior representa uma síntese da obra de MAR-
TINS e ZILBERKNOP. As características dele são as mesmas 
de um resumo. Entretanto, acerca disso, é possível analisá-lo 
conforme alguns aspectos. Analise, pois, as afirmações a se-
244 Comunicação para o Planejamento Profissional
guir, para, em seguida, assinalar corretamente a alternativa 
adequada.
I – Embora o referido texto tenha problemas linguísticos, 
como o uso de expressões como “nesta parte”, pode-
se dizer que ele é um resumo que possibilita transfor-
má-lo em resenha.
II – Essa síntese é uma paráfrase e, por conseguinte, é de-
nominada resenha.
III – Esse texto é um resumo; entretanto, tem possibilidade 
de ser transformado em resenha. Para isso, acrescente-
se a ele alguns aspectos fundamentais: a qualificação 
do autor da obra, a visão crítica de quem a elabora, e 
a apreciação. Também, na resenha, não há indicação 
de palavras-chave.
IV – Resumo não é crítico e, por isso, possibilita comentá-
rios e opiniões e juízo de valor.
V – Resumo é um texto que faz parte da composição re-
senha.
Todas as afirmações estão corretas, EXCETO em:
a) II
b) I
c) III
d) V
e) IV
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 245
QUESTÃO 3
MARTINS, Dileta Silveira; ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Português Ins-
trumental: de acordo com as atuais normas da ABNT. 29. ed. Porto 
Alegre: Atlas, 2010.
Este é um completo e atualizado manual prático de língua portugue-
sa, que ajuda você a compreender e a dominar o idioma, colocando 
ordem nas relações entre quem fala e quem ouve, entre quem escreve 
e quem lê, facilitando a compreensão e aumentando a efetividade na 
comunicação. A Parte I abrange aspectos referentes à Comunicação, 
ao Estilo, à Frase, ao Parágrafo e ao Discurso, fornecendo ao estu-
dante um completo embasamento teórico-prático para a comunicação 
oral e escrita. Destaque-se nesta parte o capítulo sobre a Redação, 
vista aqui sob seus diversos ângulos: descrição, narração e disserta-
ção. A Parte II compreende o Português Técnico e Profissionalizante: 
abaixo assinado, ata, atestado, atos administrativos, carta comercial 
e oficial, circular, contrato, currículo vitae, declaração, memorando, 
monografia, ofício, procuração, relatório e requerimento são alguns 
dos modelos apresentados e conceituados no livro. Capítulos especiais 
tratam da normalização bibliográfica e datilográfica. A Parte III aborda 
tópicos gramaticais que esclarecem dúvidas mais comuns da língua 
portuguesa. São expostos estudos sobre fonologia, acentuação, crase, 
ortografia, pontuação, hífen, concordância, regência, verbos, uso dos 
“porquês”, estrangeirismos, abreviações, entre outros. Destaca-se, nes-
ta parte sobre Gramática, um capítulo que discorre sobre as dificulda-
des mais frequentes da nossa língua. (GEN – Grupo Editorial Nacional)
PALAVRAS-CHAVE: Comunicação. Redação. Português Técnico e 
Profissionalizante. Gramática.
O texto supracitado é um resumo. No entanto, pode ser 
transformado em resenha. A seguir, você tem trechos que po-
dem fazer parte da resenha, resultado da transformação de 
resumo em resenha. Leia com atenção as alternativas.
246 Comunicação para o Planejamento Profissional
A) MARTINS e ZILBERKNOP são doutoras em Letras e 
atuaram como professoras na PUCRS durante vários 
anos. Esses fatores associados lhes deram experiência 
para a elaboração e publicação do livro supracitado.
B) “Português Instrumental: de acordo com as atuais 
normas da ABNT” é escrito em uma linguagem acessí-
vel e aborda curiosidades e informações sobre os as-
pectos da língua portuguesa, a fim de esclarecer as 
dúvidas de quem precisa redigir diariamente e corrigir 
os pontos relativos da linguagem escrita.
C) Essa publicação da Editora Atlas é útil a todos os usuá-
rios da língua portuguesa: estudantes e curiosos dos 
aspectos da linguagem.
D) As palavras-chave têm de ser excluídas do texto.
E) A Referência bibliográficainicial também não faz parte 
da resenha. Por essa razão, ela também tem de ser 
excluída.
No que diz respeito à resenha, escolha o que é correto 
afirmar.
a) Apenas A está correta.
b) Apenas B e C estão corretas.
c) Apenas E está incorreta.
d) Todas estão corretas.
e) Todas estão incorretas.
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 247
QUESTÃO 4
Um aluno realiza, durante o último semestre do curso, a Monografia, que é 
exigida para a obtenção do Diploma. Inicialmente, o acadêmico escolheu 
o professor que o orientaria no período de desenvolvimento desse Traba-
lho de Conclusão de Curso. A escolha levou em consideração a área de 
pesquisa a que seu professor está engajado. Não foi uma escolha aleatória. 
Na sequência, o aluno deu início à pesquisa propriamente dita, conforme 
o seu Projeto de Pesquisa e as orientações do professor. Ele, o acadêmico, 
compareceu aos encontros com o professor, momento reservado para as 
análises e discussões do andamento do trabalho. Durante a redação da 
Monografia, deixou-se levar pelas emoções e utilizou uma linguagem cria-
tiva, com termos e expressões figurativas, conotativas e com uso exagerado 
de exclamações. Mesmo que o professor-orientador tenha chamado sua 
atenção para esse aspecto, o orientado preferiu manter a linguagem. Em 
relação ao tema desenvolvido, nada foi contestado pelo orientador. O alu-
no parte, então, para a preparação da apresentação propriamente dita. Um 
pouco sem tempo, simplesmente o aluno releu o trabalho, mas não prepa-
rou nenhum recurso multimídia, tampouco um resumo que pudesse servir 
como roteiro, como apoio. É chegado o dia, então. O acadêmico iniciou 
sua apresentação tranquilamente, cumprimentou os membros da banca, 
com destaque ao orientador. Sem material de apoio, o nervosismo tomou 
conta dele. Com isso, ele ultrapassou o tempo estipulado, gaguejou, e o 
texto oral não ficou desconexo, isto é, não havia relação semântica entre as 
ideias. O professor orientador, no uso de sua competência, passa a palavra 
aos professores convidados. Primeiramente, o professor de outra instituição 
analisa seu trabalho e destaca o aspecto da linguagem escrita, haja vista 
não ter características científicas. O segundo analista, professor da própria 
Universidade, chama a atenção para esse fato, mas também aborda o fato 
da inexistência de material de apoio e a consequente ilogicidade oral da 
apresentação. O acadêmico, então, obteve prejuízo na avaliação.
248 Comunicação para o Planejamento Profissional
Com análise à situação apresentada, assinale V ou F, con-
forme sejam verdadeiras ou falsas as afirmativas a seguir.
( ) O aluno teve problemas de ordem psicológica, porque 
não se preparou para a apresentação, o que acarre-
tou em problemas emocionais e físicos. Assim, o aluno 
universitário apresentou desordenadamente as ideias 
desenvolvidas em seu trabalho.
( ) O fato de o acadêmico não estar bem preparado fez 
com que os membros da banca o prejudicassem na 
avaliação, já que não demonstrou domínio de con-
teúdo, apontando que seu texto pode ter sido redigido 
sem conexão entre as ideias apresentadas no trabalho.
( ) Durante a elaboração do trabalho, do aluno-orientan-
do são exigidos disciplina, compromisso e responsabi-
lidade. Por isso, dentre tantas obrigações que pesam 
sobre o educando, deixar de redigir o texto cientifica-
mente foi o que o favoreceu no momento da avalia-
ção.
( ) Os em membros da banca observaram que a redação 
da Monografia não levava em consideração as carac-
terísticas da linguagem científica, já que o mesmo é o 
registro das respostas obtidas durante a pesquisa. Essa 
linguagem apresentava tópicos da linguagem científi-
ca, ora havia marcas da linguagem criativa.
( ) Nada o impedia de apresentar o Trabalho de Conclu-
são de Curso sem um resumo como apoio psicológico 
e de conhecimento do assunto. Entretanto, sem os tó-
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 249
picos preparados no resumo, que deveria lhe garantir 
precisão, clareza e segurança, o aluno foi prejudicado 
em sua avaliação.
Marque a sequência obtida.
a) F, V, V, V e V.
b) V, V, V, V e V.
c) V, V, F, V e V.
d) F, F, V, F e F.
e) V, F, V, F e V.
250 Comunicação para o Planejamento Profissional
QUESTÃO 5
Um aluno realiza, durante o último semestre do curso, a Monografia, que 
é exigida para a obtenção do Diploma. Inicialmente, o acadêmico esco-
lheu o professor que o orientaria no período de desenvolvimento desse 
Trabalho de Conclusão de Curso. A escolha levou em consideração a 
área de pesquisa a que seu professor está engajado. Não foi uma escolha 
aleatória. Na sequência, o aluno deu início à pesquisa propriamente dita, 
conforme o seu Projeto de Pesquisa e as orientações do professor. Ele, o 
acadêmico, compareceu aos encontros com o professor, momento reser-
vado para as análises e discussões do andamento do trabalho. Durante 
a redação da Monografia, deixou-se levar pelas emoções e utilizou uma 
linguagem criativa, com termos e expressões figurativas, conotativas e com 
uso exagerado de exclamações. Mesmo que o professor-orientador tenha 
chamado sua atenção para esse aspecto, o orientado preferiu manter a 
linguagem. Em relação ao tema desenvolvido, nada foi contestado pelo 
orientador. O aluno parte, então, para a preparação da apresentação 
propriamente dita. Um pouco sem tempo, simplesmente o aluno releu o 
trabalho, mas não preparou nenhum recurso multimídia, tampouco um 
resumo que pudesse servir como roteiro, como apoio. É chegado o dia, 
então. O acadêmico iniciou sua apresentação tranquilamente, cumprimen-
tou os membros da banca, com destaque ao orientador. Sem material de 
apoio, o nervosismo tomou conta dele. Com isso, ele ultrapassou o tempo 
estipulado, gaguejou, e o texto oral não ficou desconexo, isto é, não havia 
relação semântica entre as ideias. O professor orientador, no uso de sua 
competência, passa a palavra aos professores convidados. Primeiramente, 
o professor de outra instituição analisa seu trabalho e destaca o aspecto 
da linguagem escrita, haja vista não ter características científicas. O se-
gundo analista, professor da própria Universidade, chama a atenção para 
esse fato, mas também aborda o fato da inexistência de material de apoio 
e a consequente ilogicidade oral da apresentação. O acadêmico, então, 
obteve prejuízo na avaliação.
Capítulo 10 Discurso e Redação Acadêmica 251
Considerando esse contexto, avalie as seguintes asserções 
e a relação proposta entre elas.
I – Além da pesquisa e da redação dos resultados obtidos, 
um momento importante e definitivo para o acadêmico é o da 
apresentação oral com arguição de uma banca,
PORQUE
 II – o aluno-orientado demonstra total domínio do tema 
pesquisado e tem condições de aprendizagem e de corrigir 
as falhas detectadas pela banca durante a preparação da 
arguição, como as que ocorreram com o aluno do texto 
acima.
A respeito dessas asserções e razões, assinale a opção cor-
reta.
a) A asserção é verdadeira e a razão é falsa.
b) A asserção e razão são verdadeiras.
c) A asserção é falsa e a razão é verdadeira.
d) Asserção e razão são falsas.
e) A asserção é falsa apenas porque a razão é.
252 Sumário
Gabarito
Capítulo 1
 1) Pretende-se, aqui, mostrar que, associadas imagens e palavras, o 
desenho pode, por exemplo, ser independente, ou seja, o texto não 
acrescenta nada de novo. Ou o desenho pode não ser relevante, 
como no quadrinho 2. Ou, ainda, texto e desenho sendo igualmente 
relevantes para a interpretação da mensagem, como no quadrinho 4. 
Suas questões discursivas devem sempre primar pela qualidade textual 
e seguir o modelo ENADE, ou seja, deve ter em torno de 15 linhas e 
seremautônomas, fazendo com que o leitor possa compreendê-las 
sem a necessidade de ler a pergunta. E deve ter, como todo o bom 
texto, uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão.
 2) e 3) b 4) e
 5) Olá, Joana, tudo bem?
 Se você quer, cara amiga de longa data, vou a sua casa para con-
versarmos sobre seu novo projeto para o ano de 2018. Sua amiga 
também estará?
 Abraços,
 Paula
Capítulo 2
 1) Resposta pessoal. Espera-se que aqui o acadêmico consiga dizer se a 
bagagem recebida pela escola foi suficiente (ou não) para o domínio 
da norma escrita culta. Se isso foi adquirido por um professor específi-
co (de que forma) ou se outros fatores/pessoas também contribuíram.
 2) Aqui, é importante o acadêmico escrever, dentre outras coisas, que 
quem impulsiona as mudanças na língua é o povo – de acordo com 
sua necessidade, interesses, contextos etc.
Sumário 253
 3)
 a) Alguém jovem. Pelo contexto, um universitário. Pelas gírias utilizadas 
(que não são tão comuns em pessoas mais velhas, por exemplo).
 b) Apresenta uma variedade oral. Linguajar típico da fala. Os trechos 
seriam: “O papai aqui”; “Estou meio cabrero”; “Manda brasa, pro-
fessor”...
 4) e 5) e
Capítulo 3
 1) d 2) c
 3) Para esta atividade, esperamos que você, ao relacionar o que estudou 
com a charge em questão, trate da relação de nosso atual mundo 
tecnológico com a necessidade que hoje temos, cada vez mais, de nos 
promovermos, fazendo dessa prática uma das principais estratégias 
empreendedoras de nossa contemporaneidade. Suas questões discur-
sivas devem sempre primar pela qualidade textual e seguir o modelo 
ENADE, ou seja, deve ter em torno de 15 linhas e serem autônomas, 
fazendo com que o leitor possa compreendê-las sem a necessidade de 
ler a pergunta. E deve ter, como todo o bom texto, uma introdução, 
um desenvolvimento e uma conclusão.
 4) a 5) e
Capítulo 4
 1) b 2) c 3) d 4) a 5) c
Capítulo 5
Questões objetivas: 1) e 3) b 4) c 5) a
Questão discursiva: 2) Para a compreensão da tirinha, são necessárias 
informações advindas do conhecimento prévio do leitor, o que conduz 
254 Sumário
à atividade inferencial. O conhecimento linguístico permite que en-
tendamos o vocabulário utilizado bem como a possibilidade de duplo 
entendimento da expressão “meu estômago está doendo”. O conhe-
cimento enciclopédico, por sua vez, auxilia no entendimento da situa-
ção social vivenciada (e enriquecida pela linguagem não verbal), bem 
como na ideia de usar Sonrisal para aplacar a dor do personagem. 
Por fim, o conhecimento interacional auxilia na interpretação do hu-
mor e da ironia tão comuns nesse tipo de gênero textual. Sendo assim, 
só pela soma desses fatores o processo de compreensão se efetiva.
Capítulo 6
 1) b 2) c 3) a 4) e 5) d
Capítulo 7
 1) b 2) e 3) d 4) e 5) a
Capítulo 8
 1) c
 2) Resposta pessoal.
 3) A charge, que apresenta um homem de terno e gravata enrolando-se 
em sua própria língua, possibilita, a você, tratar de questões sobre os 
cuidados com o uso da linguagem oral dentro do espaço de trabalho 
e suas estratégias, bem como pontos que envolvem a necessidade de 
adaptação dessa linguagem, seja em termos técnicos, formais e in-
formais. Também é possível discutir, em seu texto, como seu modo de 
falar (de se comunicar) pode lhe passar uma “rasteira”, o que se rela-
ciona diretamente aos tópicos anteriores. O que é comunicar-se bem? 
Suas questões discursivas devem sempre primar pela qualidade textual 
e seguir o modelo ENADE, ou seja, deve ter em torno de 15 linhas e 
serem autônomas, fazendo com que o leitor possa compreendê-las 
Sumário 255
sem a necessidade de ler a pergunta. Deve ter, também, como todo o 
bom texto, uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão.
 4) e 5) e
Capítulo 9
 1) d 2) e 3) a 4) b 5) c
Capítulo 10
 1) d 2) a 3) c 4) c 5) b

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