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AN02FREV001/REV 4.0 20 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE HIDROPILATES Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 21 CURSO DE HIDROPILATES MÓDULO II Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 22 MÓDULO II 6 AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA E HIDROTERAPÊUTICA Com o passar dos anos, a Fisioterapia Aquática em piscina aquecida – uma intervenção na água de origem milenar – difundiu-se acerca dos níveis de prevenção e recuperação cineticofuncional terapêutica, tornando-se uma área de atuação de extrema importância para os profissionais fisioterapeutas. É notável que a eficácia de uma terapia aquática inicie-se, em grande parte, em uma avaliação bem planejada e conduzida, abrangendo todas as informações necessárias. Um programa de Fisioterapia efetivo começa com uma coleta de informações sobre o paciente, de modo a poder avaliar com precisão a gravidade da disfunção apresentada e determinar se ele será beneficiado com o exercício aquático terapêutico. Uma avaliação ampla e minuciosa é essencial para a construção de um plano aquático de tratamento adequado para as necessidades e limitação de cada paciente Assim, uma eficiente avaliação hidroterapêutica deve ser composta por duas partes: uma parte em solo e outra aquática (BARBOSA, CAMARGO, ARRUDA e ISRAEL, 2006. p. 136-142) [1]. Uma avaliação completa do paciente evita o perigo de deixar passar alguns fatores de contribuição importante e permite a definição das limitações funcionais do paciente (KISNER e COLBY, 1992, p. 3) [2]. Dentro da avaliação em solo são necessários alguns itens como: dados pessoais, história da moléstia atual, atividades aquáticas prévias, contraindicações relativas e absolutas em relação à terapia aquática, dados vitais, avaliação postural, avaliação funcional, exame físico geral e escala de graduação da dor. AN02FREV001/REV 4.0 23 A avaliação deve fornecer detalhes que possam destacar os resultados alcançados com o programa de intervenção, devendo conter: informações do paciente, histórico da patologia, sintomas, condição pós-cirúrgica, anormalidades posturais, habilidades nas atividades de vida diária ou capacidade funcional, amplitude articular do movimento ativa e passiva, testes de resistência muscular, aparência e nível da dor. A avaliação em solo é considerada uma fonte de informações adequadas para se basear o programa aquático. O fisioterapeuta deve examinar o paciente de modo completo e certificar-se de que todas as contraindicações peculiares ao hidropilates ou fisioterapia aquática sejam excluídas. Essa verificação é necessária em uma avaliação inicial e antes da entrada na piscina, a procura do aparecimento de contraindicações após início do tratamento. Na avaliação aquática, é necessária a avaliação dos efeitos da flutuação e do calor sobre, por exemplo, a força muscular do paciente, amplitude de movimentação das articulações, equilíbrio e atividades funcionais. A avaliação dentro da água deve ser feita na primeira sessão na piscina e incluir no mínimo os seguintes critérios: habilidade do paciente em entrar na piscina, a flutuabilidade do paciente na água, habilidade do paciente em caminhar na água, a posição ou posições de conforto do paciente, a resposta do paciente a diferentes padrões de movimento, a habilidade do paciente de sair da piscina, habilidade de submergir o rosto (controle da respiração), habilidade de entrar em água profunda, habilidade de flutuar em supino ou prono e de ficarem em posição vertical a partir de ambas as posições, habilidades combinadas, necessárias para executar braçadas de natação recreacional e conhecimentos básicos de segurança na água (BARBOSA, CAMARGO, ARRUDA e ISRAEL, 2006. p. 136-142) [1]. Se o paciente não tem habilidade no ambiente aquático, será importante que o fisioterapeuta entre na piscina com o paciente para que ele se adapte ao meio líquido, até quando for necessário. O desequilíbrio pode ser voluntariamente provocado, principalmente visando mudança de postura, tanto a partir a bipedestação quanto nos decúbitos. Provocar AN02FREV001/REV 4.0 24 desequilíbrios e ensinar o autocontrole auxilia o paciente a obter maior controle sobre seu corpo no meio aquático (CAROMANO e IDE, 2003, p. 127) [3]. Após a avaliação minuciosa do paciente, tanto em solo quanto aquático, será possível determinar a necessidade do paciente. O próximo passo é planejar o tratamento, o que envolve o estabelecimento de metas do mesmo (KISNER e COLBY, 1992, p. 4) [2]. As metas ou objetivos do tratamento são baseados em problemas identificados durante a avaliação. Condição psicológica do paciente. Reações e expectativas. Assistência em casa ou alternativa, como por exemplo, tratamento em grupo ou individual. Reação, cooperação e responsabilidades da família, bem como os planos e metas vocacionais do paciente (KISNER e COLBY, 1992, p. 8) [2]. Em anexo 1, pode-se ter acesso a Avaliação Fisioterapêutica Aquática. 7 MÉTODO HIDROPILATES O Hidropilates é a integração do conceito Pilates em um programa de série de exercícios em imersão, ou seja, no ambiente aquático. O método se baseia em princípios e norteia o profissional a aplicação do método. A respeito dos princípios do Pilates na água já citados anteriormente, merecem cada qual uma atenção especial. É o que veremos a seguir. Concentração – Quando o indivíduo está concentrado, ocorre uma melhora na qualidade do movimento. Dessa forma, sua postura também será incrementada e assim ocorrem menores riscos de lesão. A concentração na realização dos movimentos, o fazem ter maior graça e fluidez. Centragem – Todos os movimentos começam a partir do centro do corpo e se movem para fora. AN02FREV001/REV 4.0 25 Respiração – A respiração é muito importante na realização dos movimentos. Ela foca e acalma a mente. Reduz a pressão sanguínea e melhora a qualidade do movimento. Controle – A concentração combinada a respiração gera um aumento do controle. Dessa forma, é possível produzir resultados positivos e menores riscos de lesão. Fluidez – Os movimentos do método são graciosos e fluídos. Esses movimentos não devem ser nem estáticos e isolados, recrutando assim, uma gama maior de grupos musculares. Tratando o indivíduo como um todo. Precisão – Cada exercício tem um alinhamento preciso para todo o corpo e um padrão de respiração. Isolamento integrado – A intenção é usar todo o corpo, focando na estabilidade e no movimento, da musculatura ativa (ARGO, 2007, p.2,3) [6]. Usar a imaginação para conectar a mente e o corpo. É o que sugere o método Pilates adaptado ao meio aquático. É importante sempre enfatizar a sensação do movimento de acordo com a realização do movimento. No “Curso Internacional de Pilates na água”, realizado pela Carol Argo, a precursora do método, do no qual tive a feliz oportunidade de estar presente, pude observar uma série de palavras e frases sempre usadas pela mesma no decorrer do programa. Vamos a elas. Sintam a relação da caixa torácica com a pelve. Escorreguem as costelas para baixo na direção da pelve durante a flexão e o oposto na extensão. Deslizem as escápulas para baixo. Alonguem pelo topo da cabeça e pelo dorso do pescoço. Abdominais para dentro e para fora.Assoalho pélvico para cima. Levem a perna para longe. Mantenham as clavículas abertas e para fora. Mantenha a cabeça alinhada com a coluna. Enrolem o tronco a partir das costelas (ARGO, 2007, p.4) [6]. AN02FREV001/REV 4.0 26 “O método se baseia em postura, alinhamento e movimento. Preconizando que, a qualidade do movimento é mais importante do que a quantidade.” Carol Argo 7.1 OBJETIVOS DO MÉTODO Os objetivos do método Hidropilates já foram mencionados no módulo 1. Agora, vamos detalhar esses objetivos, com base nas propriedades físicas da água, tornando-os coerentes ao paciente e patologia, conseguindo então os efeitos desejáveis. Alongar os músculos – A água proporciona um aumento da amplitude de movimento (ADM), devido as propriedades físicas, que já foram estudadas anteriormente no módulo 1. Estabilização e força do centro – O indivíduo que se apresenta ao meio líquido precisa fazer uma força para manter-se em pé e em equilíbrio. As propriedades físicas estão presentes desde a entrada do paciente na piscina, durante, e, até mesmo de iniciar a atividade ou exercício em si. Após os exercícios o paciente ainda estará sendo submetido aos efeitos dessas propriedades. Prevenção de lesões – Devido à flutuabilidade e força de gravidade, o paciente, sente alívio das tensões e aumento do espaço articular quando está em imersão, prevenindo-o de possíveis lesões articulares, por esse relaxamento articular. Diminuição do estresse e das dores nas costas – Além dos aspectos físicos da imersão, pode-se também contar com a temperatura da água. Como foi proposto anteriormente, a água quente provoca hipotonia fisiológica, ou seja, o relaxamento da musculatura. Melhorar a postura – O fato de a força de flutuação ser uma força para cima tem consequências importantes no ambiente aquático terapêutico. Ajudando assim, o corpo humano flutuante na manutenção de uma postura de cabeça para fora ereta. AN02FREV001/REV 4.0 27 Aumentar o equilíbrio e a coordenação – É necessário concentração e foco na atividade dentro na piscina. Assim, os pontos equilíbrio e coordenação são submetidos ao suporte máximo de necessidade de condição espacial e de tempo. Melhorar o desempenho atlético – O exercício aeróbio proporciona ao indivíduo um incremento dos sistemas circulatório, respiratório, renal e ativação dos mecanismos de termorregulação. Esse incremento se deve ao exercício em si, pois os estudos identificaram que o treinamento realizado na água produz adaptações fisiológicas semelhantes ao treinamento executado em terra, ou seja, o treinamento aquático podendo ser usado para aumentar ou manter o condicionamento cardiovascular (HALL e BRODY, 2001, p. 294) [7]. Ser eficaz na pós-reabilitação – Com incremento no alongamento, fortalecimento e relaxamento muscular e articular. Aumentar a consciência corporal – Os diferentes níveis de profundidade, a força de gravidade, a densidade, a força de flutuação e a pressão hidrostática, fazem uma verdadeira dança aquática, e, o indivíduo precisa vencer essas forças, para a realização dos movimentos e exercícios, aumentando assim esses níveis de consciência corporal, indispensáveis para a sua reabilitação e incremento da saúde física, mental e emocional. Melhorar a autoestima – O indivíduo experimenta em imersão, sensações que não são conseguidas no ambiente em terra, devido às propriedades físicas da água. Ele vivencia uma viagem ao tempo, até a vida intrauterina, que podem ser de grande valia nessa linda e poderosa jornada, fazendo-o sentir bem e em plena saúde em todos os aspectos (ARGO, 2007, p. 2) [6]. 7.2 INDICAÇÕES DO MÉTODO Como os movimentos são executados por meio da resistência da água, proporcionam um trabalho desafiador, podendo assim, ser modificado para diferentes níveis de condicionamento físico e indivíduos. AN02FREV001/REV 4.0 28 A grande maioria das pessoas pode realizar o método Hidropilates, com certa atenção para os grupos especiais que são os obesos, idosos, fibromiálgicos, artríticos, gestantes e problemas musculoesqueléticos ainda descompensados. Ainda se aplica o método aos atletas e pacientes pós-gestacionais. As contraindicações relativas e absolutas são parâmetros para os indivíduos que não poderão se beneficiar do método. É o que estudaremos a seguir. 7.3 CONTRAINDICAÇÕES DO MÉTODO Devemos lembrar que o paciente vai entrar em um ambiente aquático e ainda, com outros pacientes, portanto devemos exigir que todos os pacientes, que vão utilizar o mesmo meio líquido, atestado médico dermatológico. Contraindicações relativas: Hipertensão arterial controlada; Anemia ou outros distúrbios sanguíneos; Disfunção tireoidial; Disritmia cardíaca; Diabetes; Obesidade excessiva; Histórico anterior de vida excessivamente sedentária; Falta de peso, excessiva; Infecções generalizadas (garganta, ouvido, gastrointestinal); Alergia ao cloro; Hidrofobia – deve ensinar primeiramente o controle respiratório para o paciente; Lentes de contato; AIDS – os pacientes não devem ser tratados no meio líquido, quando há cortes na pele. (THOMSON, SKINNER e PIERCY, 1994, p. 456,457) [5]. AN02FREV001/REV 4.0 29 Contraindicações absolutas: Doenças cardíacas graves e em evidência; Tromboflebite; Hipertensão séria e descompensada; Erupções na pele que não cicatrizam; Diabetes descompensada; Escaras abertas; Incontinência urinária e fecal; Feridas infectadas; Embolia pulmonar recente (SOVA, 1998. 6 p.) [4] AN02FREV001/REV 4.0 30 Anexo 1: Avaliação Fisioterapêutica Aquática. Fonte: Fisioterapia em Movimento. Curitiba. volume 19 – n° 2 – abr/jun – 2006. 136-42 p. AN02FREV001/REV 4.0 31 AN02FREV001/REV 4.0 32 AN02FREV001/REV 4.0 33 AN02FREV001/REV 4.0 34 AN02FREV001/REV 4.0 35 FIM DO MÓDULO II