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Plantas daninhas 01

Livro sobre biologia e controle de plantas daninhas: aborda botânica, competição com culturas, adaptações e evolução, métodos de controle e manejo (modos de ação, seletividade, aplicação de herbicidas) e resistência; inclui recursos digitais e trilha de aprendizagem.

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Indaial – 2020
Biologia e Controle 
de Plantas daninhas
Prof. João Henrique Delfrate Padilha
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2020
Elaboração:
Prof. João Henrique Delfrate Padilha
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
P123b
 Padilha, João Henrique Delfrate
 Biologia e controle de plantas daninhas. / João Henrique Delfrate 
Padilha. – Indaial: UNIASSELVI, 2020.
 203 p.; il. 
 ISBN 978-65-5663-087-8
1. Plantas daninhas. – Brasil. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
CDD 632.58
aPresentação
Plantas daninhas são, provavelmente, a classe de pragas mais presente 
na história da agricultura. Elas são responsáveis por enormes perdas na 
produtividade dos cultivos humanos. As espécies daninhas causam perda 
na qualidade dos produtos e reduzem o valor de mercado.
 
O manejo adequado das plantas daninhas em todos os sistemas 
agrícolas é importante para sustentação da produtividade e para segurança 
alimentar da população. Neste livro, você encontrará todos os aspectos da 
Biologia das Plantas Daninhas, bem como os métodos de Controle e Manejo 
das Plantas Daninhas de uma forma clara e objetiva. 
O livro conta com informações úteis sobre a botânica das espécies 
daninhas, a competição entre plantas daninhas e plantas cultivadas, as 
adaptações das plantas daninhas para sobrevivência em diferentes condições, 
suas adaptações aos métodos de controles, quais os principais métodos de 
controle empregados no manejo de plantas daninhas, modos de ação dos 
herbicidas, seletividade dos herbicidas, técnicas de aplicação de herbicidas e 
resistência das espécies daninhas aos herbicidas. 
 
Com todos esses aspectos contidos neste livro, você conseguirá 
identificar as principais características das plantas daninhas encontradas nas 
lavouras e aprenderá os métodos de controle dessas espécies, bem como a 
integração desses métodos, a fim de potencializar o manejo adequado das 
plantas daninhas, diminuindo os custos ao agricultor e ao meio ambiente. 
Prof. João Henrique Delfrate Padilha
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novi-
dades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagra-
mação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui 
para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilida-
de de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assun-
to em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela 
um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro 
que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você 
terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complemen-
tares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
LEMBRETE
sumário
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS ................................................................. 1
TÓPICO 1 - CONCEITOS, IMPORTÂNCIA, ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS PLANTAS 
DANINHAS ............................................................................................................................................. 3
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3
2 CONCEITO E IMPORTÂNCIA DAS PLANTAS DANINHAS ................................................. 3
3 ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS PLANTAS DANINHAS ........................................................... 11
3.1 COLONIZAÇÃO DAS LAVOURAS E PASTAGENS POR ESPÉCIES SILVESTRES 
PRESENTES NO LOCAL ................................................................................................................... 13
3.2 HIBRIDAÇÃO DE ESPÉCIES SILVESTRES E CULTURAS .................................................... 14
3.3 REVERSÃO DAS PLANTAS CULTIVADAS EM AMBIENTES SILVESTRES ..................... 14
3.4 MIMETISMO ................................................................................................................................. 14
3.5 IMPACTO DO CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS ...................................................... 15
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 17
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 19
TÓPICO 2 - CLASSIFICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS ...................................................... 21
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 21
2 SISTEMÁTICA E TAXONOMIA VEGETAL .............................................................................. 21
2.1 NOMENCLATURA BOTÂNICA .............................................................................................. 24
2.2 SISTEMÁTICA DE PLANTAS DANINHAS ........................................................................... 25
2.2.1 Monocotyledoneae (Liliopsida) ......................................................................................... 26
2.2.2 Eudicotiledoneae (Magnoliopsida) ................................................................................... 26
2.3 CARACTERÍSTICAS DAS PRINCIPAIS FAMÍLIAS COM ESPÉCIES DANINHAS NO 
BRASIL............................................................................................................................................ 27
2.3.1 Amaranthaceae ..................................................................................................................... 27
2.3.2 Asteraceae ............................................................................................................................ 28
2.3.3 Brassicaceae .......................................................................................................................... 28
2.3.4 Chenopodiaceae ................................................................................................................... 28
2.3.5 Convolvulaceae .................................................................................................................... 28
2.3.6 Cyperaceae ........................................................................................................................... 29
2.3.7 Fabaceae ................................................................................................................................ 29
2.3.8 Malvaceae..............................................................................................................................29
2.3.9 Poaceae .................................................................................................................................. 29
2.3.10 Solanaceae ........................................................................................................................... 30
2.4 CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA, ECOLÓGICA E ESTRATÉGIA EVOLUTIVA DE 
PLANTAS DANINHAS ............................................................................................................... 31
2.4.1 Classificação quanto ao habitat.......................................................................................... 31
2.4.2 Classificação de acordo com o ciclo de vida .................................................................... 32
2.4.3 Classificação quanto ao hábito de crescimento ............................................................... 33
2.4.4 Classificação ecológica ........................................................................................................ 34
2.4.5 Classificação de acordo com a estratégia evolutiva ........................................................ 37
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 38
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 39
TÓPICO 3 - REPRODUÇÃO, DISPERSÃO DE PLANTAS DANINHAS E MECANISMOS 
DE SOBREVIVÊNCIA ......................................................................................................................... 41
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 41
2 REPRODUÇÃO DE PLANTAS DANINHAS .............................................................................. 41
3 MECANISMOS DE DISPERSÃO .................................................................................................. 43
3.1 AUTOCORIA ................................................................................................................................. 43
3.2 ALOCORIA .................................................................................................................................... 43
3.2.1 Anemocoria ........................................................................................................................... 43
3.2.2 Hidrocoria ............................................................................................................................ 44
3.2.3 Zoocoria ................................................................................................................................ 45
3.2.4 Antropocoria ......................................................................................................................... 45
3.3 MECANISMOS DE SOBREVIVÊNCIA .................................................................................... 45
3.3.1 Banco de sementes de plantas daninhas .......................................................................... 45
3.4 MECANISMOS DE DORMÊNCIA ............................................................................................ 46
3.4.1 Dormência fisiológica .......................................................................................................... 47
3.4.2 Dormência morfológica............................................................................................................. 47
3.4.3 Dormência morfofisiológica ............................................................................................... 47
3.4.4 Dormência Física .................................................................................................................. 47
3.4.5 Dormência química ............................................................................................................ 47
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 50
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 51
TÓPICO 4 - INTERFERÊNCIA NEGATIVA DE PLANTAS DANINHAS AO 
CRESCIMENTO, DESENVOLVIMENTO E PRODUTIVIDADE DOS CULTIVOS .............. 53
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 53
2 COMPETIÇÃO ................................................................................................................................... 53
2.1 COMPETIÇÃO POR NUTRIENTES .......................................................................................... 54
2.2 COMPETIÇÃO POR UMIDADE ................................................................................................ 55
2.3 COMPETIÇÃO POR LUZ ........................................................................................................... 55
2.4 COMPETIÇÃO POR ESPAÇO/GÁS CARBÔNICO ................................................................ 56
2.5 DURAÇÃO DA COMPETIÇÃO ................................................................................................. 57
2.6 EFEITO DA DENSIDADE DE PLANTAS DANINHAS ......................................................... 58
3 ALELOPATIA ...................................................................................................................................... 58
3.1 PRODUÇÃO DE COMPOSTOS ALELOPÁTICOS ................................................................ 59
3.1.1 Volatilização ......................................................................................................................... 59
3.1.2 Lixiviação ............................................................................................................................. 60
3.1.3 Decomposição ..................................................................................................................... 60
3.1.4 Exsudação ............................................................................................................................ 60
3.2 MODO DE AÇÃO DOS COMPOSTOS ALELOPÁTICOS .................................................... 60
4 PARASITISMO ................................................................................................................................. 61
4.1 PARASITAS HEMIPARASITAS .................................................................................................. 61
4.2 PARASITAS HOLOPARASITAS ................................................................................................. 61
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 63
RESUMO DO TÓPICO 4..................................................................................................................... 66
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 67
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS ........................................ 69
TÓPICO 1 - MÉTODOS E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS ............................................. 71
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 71
2 CONCEITOS DE CONTROLE E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS .............................. 71
3 PREVENÇÃO ...................................................................................................................................... 72
4 ERRADICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS............................................................................. 73
5 MÉTODOS DE CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS ....................................................... 74
5.1 MÉTODOS DE CONTROLE FÍSICOS .......................................................................................74
5.1.1 Arranque manual ................................................................................................................. 74
5.1.2 Capina .................................................................................................................................. 74
5.1.3 Roçada ................................................................................................................................... 75
5.1.4 Arar o solo ............................................................................................................................ 75
5.1.5 Inundação ............................................................................................................................. 76
5.1.6 Fogo ....................................................................................................................................... 76
5.2 MÉTODO DE CONTROLE MECÂNICO .................................................................................. 79
5.2.1 Cultivadores entrelinhas ..................................................................................................... 79
5.2.2 Cultivadores próximos a linha da cultura ....................................................................... 79
5.2.3 Cultivadores intrafileiras .................................................................................................... 80
5.3 MÉTODO DE CONTROLE CULTURAL .................................................................................. 80
5.3.1 Rotação de culturas ............................................................................................................. 80
5.3.2 Manejo na entressafra ......................................................................................................... 81
5.3.3 Espaçamento ......................................................................................................................... 81
5.3.4 Adubação verde ................................................................................................................... 81
5.3.5 Cobertura morta .................................................................................................................. 82
5.3.6 Método de Controle Biológico ........................................................................................... 84
5.3.7 Método de Controle Químico ............................................................................................ 86
5.4 MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS ............................................................. 88
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 90
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 91
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS ....... 93
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 93
2 CONCEITO E HISTÓRICO DO CONTROLE QUÍMICO ........................................................ 93
3 NOMENCLATURA DOS HERBICIDAS ...................................................................................... 95
4 CLASSIFICAÇÃO DOS HERBICIDAS ........................................................................................ 96
4.1 CLASSIFICAÇÃO QUÍMICA ..................................................................................................... 96
4.1.1 Classificação quanto ao uso ............................................................................................... 98
4.1.2 Classificação quanto ao efeito ........................................................................................... 99
4.1.3 Classificação quanto ao local de absorção do herbicida .............................................. 100
4.1.4 Classificação quanto ao local de ação do herbicida ...................................................... 101
4.1.5 Classificação quanto à seletividade do herbicida ......................................................... 102
4.1.6 Classificação quanto ao tempo de aplicação ................................................................. 103
4.1.6.1 Pré-cultivo ou pré-semeadura ............................................................................ 103
4.1.6.2 Pré-emergentes ...................................................................................................... 103
4.1.6.3 Pós-emergentes ...................................................................................................... 103
4.1.7 Classificação quanto à toxicidade do herbicida ............................................................ 105
4.2 PROCESSOS FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS ............................................................ 106
4.2.1 Solubilidade em água ....................................................................................................... 106
4.2.2 Pressão de vapor ................................................................................................................ 107
4.2.3 Constante de ionização .................................................................................................... 107
4.2.4 Coeficiente de partição n-octanol/água ......................................................................... 108
4.2.5 Coeficiente de partição carbono-orgânico ...................................................................... 108
4.2.6 Meia-vida ............................................................................................................................ 108
4.2.7 Formulação do herbicida .................................................................................................. 109
4.2.7.1 Comportamento dos Herbicidas no Ambiente ................................................. 109
4.2.7.2 Herbicidas e o solo ................................................................................................ 110
4.2.8 Retenção ............................................................................................................................. 111
4.2.9 Lixiviação ........................................................................................................................... 112
4.2.10 Degradação ...................................................................................................................... 112
4.2.10.1 Fotodecomposição ............................................................................................. 113
4.2.10.2 Decomposição química .................................................................................... 113
4.2.10.3 Decomposição microbiológica ........................................................................ 113
4.2.11 Volatilização .................................................................................................................... 114
4.2.12 Escoamento superficial .................................................................................................. 114
4.2.13 Herbicidas e a planta ....................................................................................................... 115
4.3 COMPORTAMENTO DOS HERBICIDAS NAS PLANTAS ................................................. 115
4.3.1 Absorção .............................................................................................................................. 115
4.3.2 Absorção foliar ......................................................................................................................... 116
4.3.3 Absorção pelas raízes ........................................................................................................ 119
4.3.5 Transporte via xilema ....................................................................................................... 120
4.3.4 Translocação .......................................................................................................................120
4.3.6 Transporte via floema ...................................................................................................... 121
4.3.7 Metabolismo ....................................................................................................................... 122
4.3.8 Seletividade ........................................................................................................................ 123
4.3.8.1 Fatores da planta que determinam a seletividade ............................................ 123
4.3.8.2 Fatores físico-químicos do herbicida que determinam a seletividade ........... 124
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 125
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 133
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 134
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS 
DANINHAS AOS HERBICIDAS .................................................................................................... 135
TÓPICO 1 - MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS ................................. 137
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 137
2 INIBIDORES DA FOTOSSÍNTESE ............................................................................................. 138
2.1 INIBIDORES DO FOTOSSISTEMA I (FTI) ............................................................................. 139
2.2 PARAQUAT ................................................................................................................................. 140
2.3 DIQUAT ...................................................................................................................................... 141
2.4 INIBIDORES DO FOTOSSISTEMA II (FTII) ........................................................................... 141
2.5 TRIAZINAS E TRIAZINONAS ................................................................................................ 142
2.6 UREIAS SUBSTITUÍDAS ........................................................................................................... 143
2.7 URACILAS ................................................................................................................................... 143
2.8 ANILIDAS .................................................................................................................................... 144
2.9 FENILCARBAMATOS ............................................................................................................... 144
2.10 NITRILAS ................................................................................................................................... 144
2.11 BENZOTIADIAZINONAS ...................................................................................................... 144
3 INIBIDORES DA PRODUÇÃO DE PIGMENTOS .................................................................. 144
3.1 DANIFICADORES DE MEMBRANAS CELULARES ........................................................... 145
3.1.1 Inibidores Protox ............................................................................................................... 146
3.1.2 Difeniléters .......................................................................................................................... 146
3.1.3 Feniltalamidas .................................................................................................................... 147
4 INIBIDORES DA BIOSSÍNTESE DE ÁCIDOS GRAXOS ...................................................... 147
4.1 INIBIDORES ACCASE ............................................................................................................... 147
4.1.1 Ariloxifenoxi-propionatos (app) ...................................................................................... 148
4.1.2 Ciclohexanodionas (CHD)................................................................................................ 149
4.1.3 Fenilpirazolinas .................................................................................................................. 149
4.2 INIBIDORES DA SÍNTESE LIPÍDICA ..................................................................................... 149
4.2.1 Carbamotioatos ................................................................................................................. 150
4.2.2 Cloroacetamidas ............................................................................................................... 150
4.3INIBIDORES DA BIOSSÍNTESE DE CELULOSE ................................................................... 153
4.3.1 Mimetizadores de auxinas................................................................................................ 154
4.3.2 Fenoxiácidos ....................................................................................................................... 155
4.4 INIBIDORES DA BIOSSÍNTESE DE AMINOÁCIDOS ........................................................ 157
4.4.1 Inibidores da glutamina sintase....................................................................................... 158
4.4.2 Inibidores da ALS .............................................................................................................. 158
RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 162
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 163
TÓPICO 2 - RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS ...................... 165
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 165
2 CONCEITOS .................................................................................................................................... 165
2.1 TIPOS DE RESISTÊNCIA .......................................................................................................... 171
2.1.1 Inibidores da fotossíntese ................................................................................................. 171
2.1.2 Inibidores da biossíntese de aminoácidos ..................................................................... 172
2.1.3 Mimetizadores de auxinas................................................................................................ 174
2.1.4 Inibidores da biossíntese de celulose .............................................................................. 174
2.1.5 Inibidores mitóticos .......................................................................................................... 174
2.1.6 Inibidores Protox ............................................................................................................... 174
2.1.7 Inibidores da síntese de carotenoides ............................................................................ 175
2.1.8 Inibidores da biossíntese de lipídeos .............................................................................. 175
3 MANEJO DE PLANTAS DANINHAS RESISTENTES............................................................ 175
3.1 PREVENÇÃO .............................................................................................................................. 176
3.2 CONTROLE QUÍMICO ............................................................................................................ 176
3.3 CONTROLE NÃO QUÍMICO ................................................................................................... 177
LEITURA COMPLEMENTAR ..........................................................................................................180
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 187
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 188
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 191
1
UNIDADE 1 - 
BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender os conceitos de planta daninha e as características que fa-
zem uma planta ser considerada daninha;
• entender a origem e evolução das plantas daninhas; 
• avaliar quais são os impactos negativos das plantas daninhas sobre o am-
biente agropecuário;
• observar que as plantas daninhas podem ser utilizadas em benefício do 
ser humano;
•	 aprender	como	classificar	e	identificar	uma	espécie	daninha,	a	importân-
cia	do	nome	científico	e	como	isso	é	essencial	no	manejo	de	plantas	dani-
nhas;
• analisar as características que tornam uma planta invasora de lavouras e 
como elas interferem no cultivo. 
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará	autoatividades	com	o	objetivo	de	reforçar	o	conteúdo	apresentado.	
TÓPICO	1	–	CONCEITOS,	IMPORTÂNCIA,	ORIGEM	E	EVOLUÇÃO	DAS	
PLANTAS	DANINHAS
TÓPICO	2	–	CLASSIFICAÇÃO	DAS	PLANTAS	DANINHAS
TÓPICO	3	–	REPRODUÇÃO,	DISPERSÃO	E	MECANISMOS	DE	
SOBREVIVÊNCIA	DE	PLANTAS	DANINHAS
TÓPICO	4	–	INTERFERÊNCIA	NEGATIVA	DE	PLANTAS	DANINHAS	
AO	CRESCIMENTO,	DESENVOLVIMENTO	E	
PRODUTIVIDADE	DOS	CULTIVOS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
2
3
TÓPICO 1 - 
UNIDADE 1
CONCEITOS, IMPORTÂNCIA, ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS 
PLANTAS DANINHAS
1 INTRODUÇÃO
Olá,	 acadêmico,	 começaremos	 os	 estudos	 sobre	 as	 plantas	daninhas.	A	
primeira	 unidade	 contém	 os	 conceitos	 fundamentais	 sobre	 espécies	 daninhas,	
suas	relações	com	o	ambiente	e	com	as	plantas	cultivadas.	O	conteúdo	será	a	base	
para que você possa compreender os mecanismos que envolvem a relação entre 
uma	espécie	daninha	e	uma	planta	cultivada,	para	que	você	possa	relacioná-los	
com	os	métodos	de	controle,	assunto	da	próxima	unidade.
Neste	 primeiro	 tópico,	 aprenderemos	 por	 qual	 motivo	 uma	 planta	 é	
considerada	daninha,	qual	a	importância	dessas	plantas	no	contexto	agropecuário,	
social	 e	 ambiental	 e	 como	 essas	 espécies	 se	 originaram	 e	 os	mecanismos	 que	
envolvem	sua	evolução	no	contexto	da	agricultura.
Ao	 final	 deste	 tópico,	 você	 encontrará	 um	 resumo	 contendo	 as	
informações	chave	do	conteúdo	e	autoatividades	para	você	avaliar	seu	processo	
de aprendizado.
Bons estudos!
2 CONCEITO E IMPORTÂNCIA DAS PLANTAS DANINHAS
Acadêmico,	 definir	 uma	planta	 como	daninha	 não	 é	 fácil.	 É	 um	 conceito	
amplo,	que	vai	variar	de	acordo	com	o	ponto	de	vista	da	pessoa	que	está	utilizando	o	
termo.	O	que	você	pode	ter	certeza	é	de	que	uma	planta	daninha	é	uma	espécie	vegetal	
que	aparece	onde	você	não	quer	que	ela	apareça,	geralmente,	causando	problemas	
relacionados	a	alguma	atividade	humana,	como	a	agricultura	ou	o	paisagismo.	
O	 conjunto	 de	 espécies	 vegetais	 designadas	 por	 plantas	 daninhas,	
plantas	invasoras	ou	plantas	ruderais,	são	aquelas	consideradas	indesejáveis	em	
uma	cultura	agrícola,	sejam	elas	espécies	cultivadas	ou	silvestres.	Sendo	assim,	
qualquer	 espécie	 silvestre	 pode	 ser	 considerada	 daninha	 e	 qualquer	 espécie	
cultivada	 que	 não	 foi	 semeada	 no	 local	 pelo	 ser	 humano	 e	 que	 prejudique	 a	
lavoura	também	é	considerada	daninha,	como,	por	exemplo,	quando	gramíneas	
forrageiras	 utilizadas	 em	 pastagens	 invadem	 outras	 culturas,	 prejudicando	 o	
manejo	e	a	produtividade	delas.	
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
4
Segundo	Bacchi,	Leitão	Filho	e	Aranha	 (1982,	p.	4)	as	plantas	daninhas	
são:
Espécies	pioneiras,	agressivas,	com	grande	capacidade	germinativa	e	
dispersiva;	de	crescimento	e	de	adaptabilidade	em	diversas	condições,	
naturais	ou	não.	Caracteristicamente	são	rústicas,	resistentes	a	pragas	e	
doenças	e	geralmente	possuem	mecanismos	reprodutivos	assexuados	
e	sexuados	de	alta	viabilidade	e	longevidade.	
No	Manual	de	Herbicidas	da	Biologia	de	Plantas	Daninhas	da	América,	
encontra-se	 uma	 definição	 de	 plantas	 daninhas	 como	 “qualquer	 planta	 que	 é	
censurável	 ou	 interfere	nas	 atividades	ou	no	bem-estar	humano”	 (ZIMDAHL,	
2018,	 p.	 16).	 O	 conceito	 mais	 aplicável	 a	 elas	 está	 relacionado	 as	 atividades	
agropecuárias,	 em	 que	 essas	 espécies	 crescem	 espontaneamente	 e	 afetam	 de	
modo	negativo	essas	atividades,	 interferindo	no	desenvolvimento	das	culturas	
agrícolas	de	diversas	maneiras,	seja	por	competição	por	nutrientes,	água	e	luz	ou	
exercendo	efeitos	alelopáticos	(BLANCO,	1972;	PITELLI,	1987).	
Se	 você	 avaliar	 do	 ponto	 de	 vista	 evolutivo,	 as	 plantas	 daninhas	
representam	 um	 dos	 mais	 bem-sucedidos	 grupos	 de	 plantas,	 que	 evoluíram	
devido	à	perturbação	humana	nas	áreas	silvestres,	seja	na	construção	de	cidades	
ou	 no	 desenvolvimento	 de	 áreas	 de	 cultivo.	 Navas	 (1991,	 p.	 171)	 inclui	 uma	
definição	 mais	 ampla	 do	 conceito	 plantas	 daninhas:	 “uma	 planta	 que	 forma	
populações	capazes	de	entrar	em	habitats	cultivados,	marcadamente	perturbados	
ou ocupados e potencialmente diminuir ou deslocar as populações de plantas 
residentes que são deliberadamente cultivadas ou têm interesse ecológico e/ou 
estético”.
Acadêmico,	 veremos	 algumas	 características	 que	 fazem	 com	 que	 as	
plantas	daninhas	sejam	consideradas	indesejáveis,	além	do	crescimento	em	locais	
indesejados	(ZIMDAHL,	2018):
•	 Rápido	desenvolvimento	das	mudas.	
•	 Rápida	maturação	reprodutiva	e	desenvolvimento	de	propágulos:	as	espécies	
florescem	rapidamente	e	produzem	uma	grande	quantidade	de	sementes.	
•	 Capacidade	 de	 reprodução	 sexuada	 e	 vegetativa:	 a	 maioria	 das	 plantas	
daninhas	produz	sementes	e	também	se	reproduz	assexuadamente.
• Plasticidade ambiental: capacidade de crescer e tolerar diferentes condições 
edafoclimáticas.
• Plantas daninhas geralmente são autocompatíveis.
•	 São	 resistentes	 a	 fatores	 ambientais	 prejudiciais.	 Maior	 parte	 das	 sementes	
de	plantas	daninhas	possuem	mecanismos	de	dormência,	possibilitando	sua	
resistência	a	condições	adversas.	Também	pode	não	haver	requisitos	especiais	
para que a germinação ocorra. 
•	 Geralmente,	as	sementes	de	plantas	daninhas	possuem	o	mesmo	tamanho	e	
formato	da	semente	cultivada,	dificultando	sua	separação.
TÓPICO 1 - CONCEITOS, IMPORTÂNCIA, ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS PLANTAS DANINHAS
5
•	 Algumas	 plantas	 daninhas	 anuais	 produzem	 sementes	 mais	 de	 uma	 vez	 e	
essa	produção	pode	não	ser	afetada	pelas	condições	ambientais.	Além	disso,	
possuem diferentes mecanismos de dispersão.
•	 Suas	raízes	e	órgãos	vegetativos	apresentam	reservas	energéticas,	permitindo	
sua sobrevivência em condições de estresse ambiental ou cultivo intensivo. 
•	 Muitas	 plantas	 daninhas	 possuem	 adaptações	 morfológicas	 que	 inibem	 a	
herbivoria	e	dificultam	o	manejo,	 como	os	espinhos,	ou	apresentam	sabor	e	
odor repulsivos aos animais. 
•	 Possuem	grande	habilidade	competitiva	por	nutrientes,	luz	e	água.	
•	 Plantas	daninhas	são	resistentes,	incluindo	resistência	aos	herbicidas.
Sinonímias: 
Mato: termo mais popular utilizado no Paraná e São Paulo.
Erva daninha: termo que não engloba todas as plantas, já que metade delas não são 
herbáceas.
Planta infestante.
Planta invasora: pode ser proveniente de outra região ou país. 
Erva má.
Inço.
NOTA
Acadêmico,	 as	 espécies	 daninhas,	 de	 um	 ponto	 de	 vista	 agronômico,	
causam	 diminuição	 da	 produção	 e	 problemas	 diversos	 durante	 a	 colheita,	
aumentando	os	custos	da	produção.	Além	disso,	podem	ser	tóxicas	paraanimais	
e,	para	o	ser	humano,	como	Senecio brasiliensis	(maria	mole), Pteridium aquinilum 
(samambaia)	 e	Baccharis coridifolia	 (mio-mio),	 comuns	 nas	 áreas	 cultivadas	 do	
sul	 do	 país,	 causando	morte	 de	 bezerros	 ou	 intoxicação	 dos	 animais	 adultos	
(VASCONCELOS	 et al.,	 2012).	O	 consumo	de	 algumas	plantas	daninhas	pelos	
animais	 pode	 afetar	 sua	 qualidade,	 a	 produção	 de	 leite	 ou	 de	 lã	 e	 até	 causar	
abortos.	No	Quadro	1	se	encontra	uma	lista	de	plantas	daninhas	tóxicas,	a	sua	
distribuição no país e o que causa no animal após ser consumida. 
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
6
Espécie Nome vulgar D¹ Patologia
Arrabidaea bilabiata Chibata N Morte	súbita
Ateleia glazioviana Timbó,	maria	preta Sul Abortos;	fibrose	
cardíaca
Baccharis coridifolia Mio-mio Sul Distúrbios	
gastrointestinais
Brachiaria radicans Tannergrass Brasil Anemia	hemolítica
Cestrum laevigatum Coerama SE e CO Hepatotóxica
Copernicia prunifera Carnaúba NE Hepatotóxica
Dimorphander molis Faveira CO Nefrotóxica
Echium plantagineum Flor	roxa Sul Hepatotóxica
Enterolobium contortisiqum Tamboril,	 orelha	de	
macaco
Brasil Afeta	o	SNC
Enterolobium gimmiferum Tamboril do campo MG Fotossensibilizante
Equisetum spp. Cavalinha SE e Sul Afeta	o	SNC
Fagopirum esculentum Trigo sarraceno Sul Cianogênica
Ipomea asarifolia Salsa N,	NE Afeta	o	SNC
Ipomea carnea sub. Fistulosa Algodão-bravo N,	NE	e	CO Afeta	o	SNC
Lantana Brasil Cianogênica
Manihot spp. Mandioca	brava Brasil Distúrbios	
gastrointestinais; 
convulsões
Mascagnia elegans Rabo	de	tatu PB Morte	súbita
Mascagnia pubiflora Corona CO e SE Morte	súbita
Mascagnia rígida Timbó NE Morte	súbita
Nierembergia veitchii Não tem Sul Calcificação	sistêmica
Palicoureia aeneofusca Erva de rato PB Morte	súbita
Palicoureia marcgravii Erva de rato N,	NE,	CO	
e SE
Morte	súbita
Paulicoreia juruana Roxa,	roxinha Pará Morte	súbita
Piptadenia macrocarpa Angico NE Distúrbios	
gastrointestinais
Plumbago scandens Louco NE Distúrbios	
gastrointestinais
Polygala klotzchii Laranjinha MT	e	SP Afeta	o	SNC
Prunus sphaerocarpa Pessegueiro Sul Cianogênica
Pteridum aquilinum Samambaia Brasil Carcinogênica
Ricinus comunis Mamona Brasil Afeta	o	SNC;	
gastroenterites
Senecio brasiliensis Flor	das	almas Sul Hepatotóxica
QUADRO 1 – PRINCIPAIS PLANTAS TÓXICAS DO BRASIL DE INTERESSE AGROPECUÁRIO
TÓPICO 1 - CONCEITOS, IMPORTÂNCIA, ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS PLANTAS DANINHAS
7
Sessea brasiliensis Pau de osso SP;	MG Hepatotóxica
Solanum fastigiatum Jurubeba RS	 Afeta	o	SNC
Solanum malacoxylon Espichadeira CO e Sul Morte	súbita
Sorgum vulgare Sorgo Brasil Distúrbios	
gastrointestinais
Stryphnodendron spp. Barbatimão SP Fotossensibilizante
Stryphnodendrum coriaceum B a r b a t i m ã o d o 
Nordeste
NE Distúrbios	
gastrointestinais e 
cianogênica
Thiloa glaucocarpa Sipaúba NE Nefrotóxica
1: distribuição da espécie; SNC: Sistema Nervoso Central; NE: Nordeste; SE: Sudeste; N: Norte
FONTE: Adaptado de Tokarnia, Dobereiner e Peixoto (2000), Riet-Correa e Medeiros (2001)
Quando	se	pensa	na	 colheita	da	espécie	 cultivada,	 as	plantas	daninhas	
podem	 ser	 colhidas	 ainda	 verdes	 junto	 ao	 cultivo,	 facilitando	 o	 aparecimento	
de	podridão,	 além	de	 ser	 comum	a	 contaminação	das	 sementes	agrícolas	 com	
sementes	 de	 espécies	 daninhas,	 depreciando	 a	 qualidade	 final	 do	 produto	 e	
dificultando	o	processamento	final	desses	produtos.
Insetos,	 nematoides	 e	 ácaros	 podem	 estar	 hospedados	 em	 plantas	
daninhas,	além	de	causarem	danos	nas	culturas,	podem	ser	vetores	de	fungos,	
bactérias	e	vírus	potencialmente	fitopatológicos.	O	tripe	Frankliniella schultzei,	que	
é	uma	praga	comum	em	algodão,	amendoim,	girassol	e	soja,	além	de	ser	vetor	do	
vírus	do	vira-cabeça	do	tomateiro,	pode	se	hospedar	em	plantas	daninhas,	como	
Emilia sonchifolia	(falsa-serralha),	Raphanus raphanistrum	(nabiça),	Sinapis arvensis 
(mostarda	do	campo)	e	Raphanus sativus	(rabanete).	Algumas	espécies	daninhas	
são tolerantes a alguns vírus e podem ser reservatórios de viroses para as plantas 
cultivadas.	O	begamovírus	do	 tomateiro,	 transmitido	pela	mosca-branca,	pode	
ficar	 hospedado	 em	 plantas	 de	Ageratum conyzoides	 (mentrasto)	 e	Amaranthus 
spinosus	(bredo-de-espinho),	sendo	importantes	fontes	do	vírus	para	a	cultura	do	
tomate	(LIMA;	MARTINELLI;	MONTEIRO,	2000;	ARNAUD	et al.	2007;	SILVA;	
SANTOS;	NASCIMENTO,	2010).
Nematoides	 também	 são	um	grande	problema	 em	 algumas	 lavouras	 e	
podem	 se	hospedar	nas	 raízes	das	plantas	daninhas	durante	 a	 entre	 safra.	As	
espécies	de	plantas	daninhas	permitem	que	os	nematoides	parasitas	de	plantas	
sobrevivam	mesmo	na	ausência	de	 culturas	agrícolas.	Sendo	assim,	as	plantas	
daninhas contribuem para a manutenção e aumento das populações de nematoides 
no	solo,	dificultando	seu	controle.	Por	exemplo,	as	plantas	daninhas	Amaranthus 
spp.,	Portulaca oleracea,	Euphorbia heterophylla,	 Ipomoea spp. e Bidens spp. têm a 
capacidade	 de	 aumentar	 a	 população	 de	 diversas	 espécies	 do	 nematoide-das-
galhas	(ASMUS;	ANDRADE,	1997,	BELLÉ	et al.,	2017;	BELLÉ	et al.,	2019).
 
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
8
As	 plantas	 daninhas	 podem	 levar	 a	 redução	 da	 produtividade	 das	
lavouras,	 resultando	 em	prejuízos	 e	 até	 a	 perda	 total	 da	 lavoura,	 chegando	 a	
causar maiores danos que as pragas e doenças agrícolas. Estima-se que a perda 
potencial da produção agrícola mundial relacionado as plantas daninhas na 
cultura	do	trigo	seja	de	7,7	%;	nos	feijões,	37%;	no	milho	chega	a	10,5%	e	no	arroz	
pode	atingir	37%	(OERKE,	2006).	
Acadêmico,	 esses	 danos	 dependerão	 das	 características	 botânicas	 das	
espécies	 daninhas	 e	 das	 cultivadas,	 como	 porte,	 arquitetura,	 velocidade	 de	
crescimento,	densidade	e	a	duração	do	desenvolvimento	de	ambas	(FONTES	et 
al.,	2003).	Algumas	plantas	extraem	grandes	quantidades	de	nutrientes	do	solo,	
como a Portulaca oleraceae	 (beldroega)	 para	 o	 potássio	 e	Euphorbia heterophylla 
(amendoim-bravo)	para	o	nitrogênio.	
Segundo	 Vasconcelos	 et al.	 (2012,	 p.	 2),	 “além	 dos	 prejuízos	 diretos,	
essas	 plantas	 reduzem	a	 eficiência	 agrícola,	 aumentam	os	 custos	de	produção	
e	diminuem	a	qualidade	do	produto,	 reduzindo	o	seu	valor	comercial	e	ainda	
dificulta	ou	até	impede	a	operação	de	colheita”.	
As	 plantas	 daninhas	 também	 podem	 dificultar	 a	 colheita	 mecanizada,	
causam	entupimento	dos	equipamentos,	retardando	o	processo	e	também	podem	
causar	 danos	 nas	 máquinas,	 tornando	 o	 processo	 mais	 custoso	 ao	 produtor	
agrícola	(PITELLI,	1987).	A	contaminação	de	sementes	de	plantas	daninhas	pode	
causar	perda	da	qualidade	de	produções	farináceos	ou	da	fermentação	de	cerveja,	
por	exemplo.	
O	valor	da	terra	também	pode	ser	reduzido,	devido	à	infestação	de	plantas	
daninhas,	especialmente	as	perenes,	que	inviabilizam	o	uso	agrícola	de	algumas	
áreas.	Além	disso,	 plantas	 aquáticas	 em	 reservatórios	 e	 riachos	 podem	 causar	
a	 perda	 excessiva	 de	 água	 através	 da	 transpiração	 ou	 atrapalhar	 a	 navegação	
e	 recreação,	diminuindo	o	 espelho	d´água,	 como	no	 caso	da	Typha angustifolia 
(taboa),	muito	comum	no	sul	do	país.	Algumas	espécies	aquáticas	também	podem	
ser reservatórios de parasitas ou de insetos vetores de doenças. Em culturas 
irrigadas,	a	presença	de	plantas	daninhas	causa	perda	de	água	através	de	maior	
absorção	ou	volume	radicular	e	maiores	taxas	de	transpiração	(ZIMDAHL,	2018).
Espécies	infestantes	também	causam	problemas	em	rodovias	e	ferrovias,	
reduzindo a visibilidade ou sendo estopim de queimadas causadas pelo homem. 
Nas	cidades,	as	plantas	daninhas	causam	danos	estéticos	em	jardins	e	parques,	
impossibilitam	áreas	de	recreação,	como	campos	de	futebol,	e	podem	ser	abrigo	
de	animais	peçonhentos.	Além	disso,	essas	espécies,	quando	são	provenientes	de	
outros países causam graves danos ecológicos quando invadem e suprimem a 
vegetação	nativa	(ZIMDAHL,	2018).	
TÓPICO 1 - CONCEITOS, IMPORTÂNCIA, ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS PLANTAS DANINHAS
9
O estudodas plantas daninhas é importante no sentido de facilitar a produção 
de alimentos e tornar a prática agronômica mais eficiente, com aumento da produtividade 
e da qualidade dos produtos para consumo.
IMPORTANT
E
Acadêmico,	 o	 estudo	 de	 plantas	 daninhas	 envolve	 o	 conhecimento	
botânico	das	espécies	daninhas,	sua	 identificação	e	classificação,	características	
morfológicas	 e	 anatômicas	 e	 sua	 fisiologia.	 Também	 envolve	 as	 interações	
ecológicas	 das	 espécies,	 seu	 habitat	 e	 adaptabilidade	 às	 diferentes	 condições	
ambientais,	 a	 relação	 entre	 as	 plantas	 daninhas	 e	 cultivadas;	 as	 características	
fitotécnicas	da	cultura,	seu	manejo,	mecanização	e	aplicação	de	herbicidas.	
Nem sempre as plantas daninhas representam danos à agricultura. 
Algumas	espécies	podem	ser	utilizadas	como	cobertura	verde	do	solo,	para	evitar	
a	erosão	ou	como	cobertura	morta,	para	evitar	o	superaquecimento	da	superfície	
do	solo	e	a	perda	excessiva	de	água,	além	de	atuar	como	incremento	de	matéria	
orgânica.	 Além	 disso,	 a	 cobertura	 morta	 pode	 inibir	 a	 germinação	 de	 outras	
espécies	daninhas,	seja	por	sombreamento	ou	efeito	alelopático.	
Os conceitos de adubação verde e cobertura morta e suas aplicações serão 
aprofundados na Unidade 2 e a alelopatia e seus efeitos sobre os cultivos serão abordados 
no Tópico 4 desta Unidade.
ESTUDOS FU
TUROS
Várias	espécies	daninhas	têm	um	valor	nutricional	importante,	podendo	
fazer parte da dieta e comumente negligenciadas pela população. São as 
chamadas	 PANCs	 (Plantas	 Alimentícias	 Não	 Convencionais),	 que	 crescem	
espontaneamente	no	meio	do	cultivo	ou	ao	seu	redor.	Temos	como	exemplo	a	
Portulaca oleracea	(beldroega),	Sonchus oleraceus	(Serralha)	e	Amaranthus retroflexus 
(caruru),	 que	 podem	 ser	 consumidos	 em	 saladas	 e	 comercializados	 em	 feiras,	
apresentando	uma	renda	extra	para	pequenos	produtores.	A	relação	de	algumas	
espécies	consideradas	daninhas	que	podem	ser	consumidas	pelo	ser	humano	se	
encontra no Quadro 2.
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
10
Algumas espécies consideradas daninhas também podem ser utilizadas 
como medicamentos fitoterápicos, como o Leonorus sibiricus (rubim), Baccharis trimera 
(carqueja) e Malva parviflora (malva), já comumente utilizadas pelas populações rurais na 
forma de infusões, xaropes e tinturas.
INTERESSA
NTE
No livro Plantas medicinais no brasil: nativas e exóticas de Lorenzi e Matos, 
2007, encontra-se uma lista completa de plantas medicinais, suas descrições e usos. Várias 
delas são consideradas espécies daninhas.
DICAS
ESPÉCIE NOME VULGAR PARTE UTILIZADA
Amaranthus retroflexus Caruru Folhas	e	sementes
Boehmeria caudata Urtiga	mansa Folhas
Commelina spp. Trapoeraba Parte	aérea
Cyperus rotundus Tiririca Bulbos 
Emilia fosbergii Bela-emilia Folhas	
Galinsoga parviflora Picão branco Parte	aérea
Hedychium coronarium Lírio	do	brejo Flores	
Hypoxis decumbens Tiririca	de	flor Folhas
Oxalis latifolia Trevinho Folhas	e	rizomas
Portulaca oleracea Beldroega Folhas
Rumex obtusifolius Língua	de	vaca Folhas
Solanum americanum Erva moura Frutos
Sonchus oleraceus Serralha Parte	aérea	
Taraxacum officinale Dente-de-leão Folhas	e	flores
Typha domingensis Taboa Pólen,	palmito
FONTE: Adaptado de Kinupp e Lorenzi (2013)
QUADRO 2 – PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS CONSIDERADAS DANINHAS EM 
LAVOURAS E PASTAGENS
Acadêmico,	 ainda	 existem	 as	 espécies	 com	 características	 apícolas,	
fornecendo	néctar	ou	pólen	para	produtores	de	mel,	conforme	Quadro	3.		
TÓPICO 1 - CONCEITOS, IMPORTÂNCIA, ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS PLANTAS DANINHAS
11
Espécie N.V Flor N P
Alternanthera brasiliana Cabeça branca Ano	todo X
Asclepia curassavica Oficial-de-sala Ano	todo x X
Pyrostegia venusta Cipó-de-São-João Maio/ago. x X
Cordia verbenacea Fumo	bravo Ano	todo x
Cordia curassavica Fumo	bravo Set./maio x
Tradescantia spp. Trapoerabas Ano	todo X
Spergula arvensis Espérgula Set./maio X
Acanthospermum australe Carrapicho Mar./maio x X
Ageratum conyzoides Mentrasto Maio/ago. X
Ambrosia polystachia Losna-brava Jan./mar. X
Bidens pilosa Picão preto Ano	todo X
Emilia sonchifolia Falsa-serralha Fev./jun. X
Eupatorium laeviegata Assa-peixe Jan./abr. X
Senecio brasiliensis Maria	mole Maio/nov. x X
Sonchus oleraceus Serralha Set./mar. X
Taraxacum officinale Dente-de-leão Set./jan. x X
Vernonia spp. Assa-peixe Ago./nov. x X
Raphanus raphanistrum Nabiça Jul./ago. x X
Brassica campestris Mostarda-brava Maio/jul. x
Leonotus nepetifolia Cordão-de-frade Ano	todo x X
Cassia alata Fedegoso Ano	todo X
Cassia ocidentalis Mata-pasto Set./nov. X
Crotalaria spp. Crotalárias Out./fev. X
Typha angustifolia Taboa Set./maio X
Stylosanthes scabra Alfafa-do-campo Ano	todo x
QUADRO 3 – RELAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS QUE PODEM SER UTILIZADAS COMO FONTE 
DE NÉCTAR E/OU PÓLEN
N.V.= NOME VULGAR; N= NÉCTAR; P= PÓLEN
FONTE: Adaptado de Brandão et al. (1984)
3 ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS PLANTAS DANINHAS
Neste	subtópico,	compreenderemos	como	as	plantas	daninhas	e	cultivadas	
evoluíram	juntas,	desde	o	surgimento	da	agricultura,	e	as	consequências	disso,	
assim como os conceitos básicos de evolução que levaram ao surgimento das 
características	adaptativas	dessas	espécies	ao	ambiente	agrícola.	
Com	 a	 domesticação	das	 plantas	 para	 produção	de	 alimentos,	 ocorreu	
uma	adaptação	dessas	espécies	vegetais	aos	novos	ambientes	e	novas	práticas	de	
cultivo.	Esse	manejo	e	mudança	da	estrutura	do	ambiente	nativo	fez	com	que	as	
espécies	silvestres	evoluíssem	e	se	adaptassem	aos	sistemas	de	cultivo,	tornando	
sua	sobrevivência	mais	eficiente	e	aumentando	a	produtividade.	
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
12
A	 agricultura	 surgiu	 a	 aproximadamente	 12	 mil	 anos	 atrás,	 e,	 nesse	
pequeno	 espaço	 de	 tempo,	 ocorreu	 a	 evolução	 das	 plantas	 cultivadas	 e	
concomitantemente,	das	espécies	daninhas.	Os	agricultores	começaram	a	separar	
as sementes de plantas de interesse daquelas consideradas daninhas; separar as 
plantas	mais	saudáveis	e	produtivas,	causando	a	seleção	das	plantas	cultivadas	
que	 conhecemos	hoje.	Em	 resposta	 a	 isso,	 as	plantas	daninhas	desenvolveram	
sementes	parecidas	com	a	da	planta	de	interesse,	garantindo	sua	sobrevivência	
(GOULD,	1991).	
As	 espécies	 daninhas	 podem	 ou	 não	 estar	 relacionadas	 à	 espécie	
domesticada	pelo	ser	humano.	Algumas	plantas	consideradas	daninhas	podem	
ser	pioneiras,	adaptadas	a	colonizar	e	habitar	ambientes	inóspitos	ou	alterados,	
e	o	desenvolvimento	da	agricultura	causou	uma	seleção	nessas	plantas,	que	se	
adaptaram	a	ocupar	o	ambiente	mediado	pelo	ser	humano	(VIGUEIRA;	OLSEN;	
CAICEDO,	2013).	
Acadêmico,	 as	 forças	micro	 evolucionárias	que	guiaram	as	das	plantas	
cultivadas	também	guiaram	as	espécies	daninhas,	direta	e	indiretamente:	
1. Deriva genética:	que	fixa	alelos	aleatoriamente,	se	manifesta	quando	indivíduos	
são selecionadas e propagados a partir de poucos representantes da população 
selvagem. 
2. Fluxo gênico: ocorre por hibridação entre variedades de uma cultura e entre 
espécies	selvagens,	causando	aumento	da	diversidade	genética.	
3.	Seleção	 artificial:	 fixação	 de	 alelos	 de	 plantas	 cada	 vez	mais	 adaptadas	 às	
condições de domesticação impostas pelo ser humano. 
Alelos são formas alternativas do mesmo gene, encontrados nos cromossomos 
homólogos, que conferem variações da mesma característica dentro desse gene. 
Hibridação é o cruzamento entre indivíduos de espécies diferentes.
NOTA
Acadêmico,	veremos,	a	seguir,	algumas	causas das adaptações evolutivas 
que as plantas daninhas e as plantas cultivadas compartilharam entre si 
(ZIMDAHL,	2018):
•	 Aumento	da	seleção	de	sementes,	que	se	 tornam	inaptas	em	crescer	 fora	do	
solo arado e preparado e dependem de semeadura.
•	 Abandono	da	área	cultivada,	causando	regressão	do	cultivar	a	características	
selvagens.
•	 Nivelamento	 das	 condições	 ambientais	 do	 cultivo,	 favorecendo	 genótipos	
adaptados ao controle dos fatores ambientais.
TÓPICO 1 - CONCEITOS, IMPORTÂNCIA, ORIGEM E EVOLUÇÃODAS PLANTAS DANINHAS
13
•	 Aumento	das	monoculturas,	que	selecionaram	conjuntamente	plantas	daninhas	
especializadas.
•	 Colheita	combinada	da	cultura	e	das	espécies	daninhas,	levando	a	modificações	
que	permitiram	a	espécie	daninha	ser	colhida	em	conjunto	à	lavoura.
•	 Redução	da	habilidade	competitiva	de	culturas	tratadas	com	reguladores	de	
crescimento químicos.
•	 Uso	extensivo	de	herbicidas,	que	levou	ao	desenvolvimento	de	mecanismos	de	
resistência. 
A	seleção	de	plantas	daninhas	está	relacionada	à	adaptação	das	plantas	
silvestres às alterações do ambiente causadas pelo ser humano e a hibridação 
de	espécies	selvagens,	além	da	reversão	de	uma	cultura	a	condições	selvagens	
(ELLSTRAND;	SCHIERENBECK,	2000).
 
3.1 COLONIZAÇÃO DAS LAVOURAS E PASTAGENS POR 
ESPÉCIES SILVESTRES PRESENTES NO LOCAL
Acadêmico,	 quando	 uma	 área	 é	 modificada	 para	 introdução	 de	 uma	
lavoura	ou	pastagem,	as	espécies	nativas	daquela	região	geralmente	se	tornam	
invasivas,	 devido	 às	 condições	 adequadas	 de	 aeração,	 nutrição	 mineral	 e/ou	
irrigação presentes na lavoura. 
As	 plantas	 silvestres	 que	 se	 tornam	 daninhas	 possuem	 algumas	 das	
características	gerais	de	uma	espécie	invasiva,	mecanismos	eficientes	de	dispersão	
e	genótipos	fenotipicamente	plásticos,	o	que	pode	levar	a	uma	maior	dificuldade	
de	manejo	 e	 controle,	 já	 que	 estas	 já	 estão	 adaptadas	 às	 condições	 ambientais	
da	 região.	Além	disso,	 algumas	 plantas	 daninhas	 já	 eram	pré-adaptadas	 para	
crescimento	 e	 competição	 por	 recursos	 em	 ambientes	 parecidos	 ao	 agrícola,	
facilitando seu desenvolvimento. 
Genótipo é a composição genética de um indivíduo, o conjunto de todos os 
genes.
Fenótipo é a expressão dos genes no indivíduo, dando as suas características únicas.
NOTA
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
14
3.2 HIBRIDAÇÃO DE ESPÉCIES SILVESTRES E CULTURAS
Nesse	 processo	 ocorre	 um	 fluxo	 gênico	 (cruzamento)	 entre	 a	 espécie	
domesticada	 e	 suas	 formas	 silvestres	 (nativas),	 causando	 a	 evolução	 da	
invasividade	e	gerando	uma	espécie	potencialmente	daninha	(ELLSTRAND	et al. 
1999;	ELLSTRAND;	SCHIERENBECK,	2000).	O	processo	de	hibridação	pode	ser	
entre	raças	ou	subtipos	de	uma	mesma	espécie	(intraespecífica),	ou	envolvendo	
diferentes	 espécies	 e	 até	 diferentes	 gêneros	 (interespecífica).	 Quanto	 mais	
aparentada	for	as	duas	plantas,	mais	facilmente	o	cruzamento	poderá	ocorrer.		
Quando ocorre o processo de introgressão,	que	é	o	retrocruzamento	de	
um	híbrido	natural	com	um	de	seus	parentais,	pode	haver	o	surgimento	de	uma	
variedade	com	ganhos	adaptativos	e	capacidade	invasiva	(planta	daninha)	e	não	
necessariamente	com	características	de	interesse	agronômico.
Nem	sempre	a	hibridação	gera	espécies	 invasivas,	mas,	quando	ocorre,	
as	plantas	vão	possuir	as	mesmas	características	adaptativas	do	cultivo,	além	de	
ocorrer	a	mimetização	das	sementes,	já	que	elas	são	híbridas,	dificultado	a	colheita	
e separação das sementes da cultura de interesse. Isso torna árduo o trabalho de 
pós-colheita e leva a perda de qualidade do produto.
3.3 REVERSÃO DAS PLANTAS CULTIVADAS EM AMBIENTES 
SILVESTRES
Se	você	abandonar	uma	área	de	cultivo,	algumas	plantas	domesticadas	
cultivadas ali podem reverter-se a condições selvagens. Isso ocorre quando as 
sementes da cultura permanecem no solo e as plantas se desenvolvem na área 
sem	cultivo,	podendo	levar	a	reversão	de	suas	características	e,	depois	de	algumas	
gerações,	criar	um	subtipo	daninho.
Esses subtipos se adaptam a região e se tornam invasoras das culturas 
instaladas	posteriormente	na	área.	Elas	também	podem	hibridizar	com	a	espécie	
domesticada	e	com	espécies	silvestres,	aumentando	sua	diversidade	genética.	
Exemplo	de	reversão	ocorreu	com	o	Secale secale	(centeio	selvagem),	que	se	
tornou	uma	espécie	invasora	de	cultivos	de	trigo	e	Oryza sativa	(arroz	selvagem),	
que	causa	problemas	no	cultivo	do	arroz	em	todo	o	planeta	 (VIGUEIRA	et al.,	
2013).
3.4 MIMETISMO
As	forças	de	seleção	criadas	pelas	práticas	agrícolas	podem	gerar	subtipos	
de plantas daninhas com semelhanças morfológicas ao cultivar domesticado. 
Esse	 mimetismo	 dificulta	 o	 controle	 da	 planta	 daninha	 sem	 causar	 danos	 ao	
TÓPICO 1 - CONCEITOS, IMPORTÂNCIA, ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS PLANTAS DANINHAS
15
próprio	 cultivar.	 Caracteristicamente,	 as	 formas	 miméticas	 apresentam-se	
morfologicamente	semelhantes	ao	cultivar:	mesmo	hábito	de	crescimento,	tempo	
de	florescimento	e	produção	de	sementes,	morfologia	das	sementes	semelhantes,	
mesmas	adaptações	às	condições	climáticas	(BARRET,	1983).	Na	hora	de	aplicar	
um	método	de	controle,	muitas	vezes	o	agricultor	acaba	matando	a	planta	daninha	
e	a	planta	cultivada,	por	elas	serem	similares.
O	 mimetismo	 também	 surge	 da	 hibridação	 entre	 a	 planta	 cultivada	 e	
espécies	parentais	selvagens,	gerando	indivíduos	com	características	fenotípicas	
similares	as	da	planta	cultivada	e	dificultando	o	manejo	no	campo	e	a	diferenciação	
das sementes na hora da colheita. 
Exemplo	de	mimetismo	ocorre	entre	a	espécie	Echinocloa oryzicola e o arroz 
cultivado. Essa planta daninha desenvolveu características morfológicas e de 
desenvolvimento	parecidas	com	a	do	arroz	cultivado,	dificultando	a	diferenciação	
das	plantas	no	início	do	desenvolvimento.	Além	disso,	ela	floresce	e	frutifica	ao	
mesmo	tempo	que	o	arroz	cultivado	(YAMASUE,	2001).	
3.5 IMPACTO DO CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS
A	adaptação	das	plantas	daninhas	aumentou	com	o	avanço	dos	métodos	
de	controle	e	o	uso	de	herbicidas,	causando	uma	pressão	que	selecionou	espécimes	
cada vez mais adaptadas e resistentes às medidas de controle empregadas na 
agricultura	 no	 decorrer	 dos	 séculos.	Acadêmico,	 no	 Quadro	 4,	 você	 encontra	
exemplo	 de	 algumas	 classes	 de	 herbicidas	 e	 os	 mecanismos	 que	 as	 plantas	
daninhas desenvolveram para criar resistência.
A ação dos herbicidas e os mecanismos de resistência das plantas daninhas 
serão abordados com detalhes na Unidade 3.
ESTUDOS FU
TUROS
Você	perceberá	que	a	composição	das	espécies	daninhas	em	uma	região	é	
dinâmica	e	responsiva	às	alterações	das	práticas	culturais	no	decorrer	do	tempo.	
Um	exemplo	é	a	mudança	no	hábito	de	uma	espécie	daninha,	que	pode	se	alterar	
de	acordo	com	o	método	de	colheita,	 selecionando	 formas	mais	altas,	que	 são	
colhidas	juntamente	com	a	lavoura	e	se	perpetuam	na	região.	
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
16
CLASSE DE HERBICIDA MECANISMO DE RESISTÊNCIA
Ariloxiphenoxipropionicos	 Aumento	da	detoxificação
Bipiridiliums Aumento	da	detoxificação	e/ou	sequestração
Dinitroanilinas Hiperestabilização	dos	microtúbulos
Substitutos	de	uréia Aumento	da	detoxificação
Sulfonilureias Modificação	do	sítio	ativo	da	enzima	alvo
Triazinas Modificação	do	sítio	ativo	da	proteína	alvo
FONTE: Adaptado de Radosevich, Holt e Ghersa (2007)
QUADRO 4 – EXEMPLOS DE MECANISMOS DE RESISTÊNCIA COMUNS A ALGUMAS CLASSES 
DE HERBICIDAS
O uso de herbicidas elimina as espécies susceptíveis a ele, mas abre caminho 
para a entrada de espécies resistentes e se faz necessário refletir sobre a importância de 
prevenir o aparecimento da planta daninha ou criar um sistema de manejo integrado, que 
diminua o uso de herbicidas. Lembre-se: os herbicidas possuem custos econômicos e 
ambientais que forçam o agricultor a pensar em métodos de controle alternativos.
IMPORTANT
E
17
Neste tópico, você aprendeu que: 
•	 O	conceito	de	planta	daninha	é	muito	amplo	e	varia	de	acordo	com	o	autor	
estudado.
•	 Existem	diversas	 características	 de	 uma	 planta	 que	 podem	 ser	 usadas	 para	
classificá-la	 como	daninha	ou	 invasora,	 sendo	muito	 importante	na	hora	de	
caracterizar	essas	espécies.
•	 Uma	 planta	 daninha	 pode	 causar	 variados	 tipos	 de	 problemas	 para	 o	 ser	
humano,	mas	 é	muito	 importante	 compreender	 os	 danos	 que	 essas	 plantas	
podem	 causar	 na	 agropecuária:	 diminuição	 da	 produtividade	 das	 culturas,	
perdas	na	colheita,	contaminação	de	sementes	e	perda	de	qualidade	no	produtofinal,	uso	excessivo	de	fertilizantes	e	herbicidas	e	intoxicação	de	animais	e	do	
próprio agricultor. 
•	 Apesar	de	serem	consideradas	vilãs	pelo	ser	humano,	várias	espécies	de	plantas	
daninhas	podem	ser	utilizadas	na	 confecção	de	medicamentos	fitoterápicos,	
como	plantas	apícolas,	no	consumo	humano	e	também	na	própria	melhoria	da	
qualidade do solo e da lavoura.
•	 As	plantas	daninhas	evoluíram	junto	às	espécies	domesticadas	pelo	homem,	se	
adaptando	às	alterações	que	a	agricultura	causa	no	meio	ambiente,	desde	seu	
surgimento.
•	 A	evolução	das	espécies	daninhas	segue	as	regras	já	definidas	para	todos	os	
seres	vivos	do	planeta	Terra,	mas	essa	adaptação	tem	sido	cada	vez	mais	rápida	
e	específica,	conforme	a	tecnologia	na	agricultura	avança.
•	 Algumas	 plantas	 hoje	 consideradas	 daninhas	 já	 possuíam	 as	 características	
invasivas	 antes	 do	 surgimento	 da	 agricultura,	 eram	 espécies	 adaptadas	 a	
sobreviver em ambientes inóspitos. 
•	 Várias	espécies	de	plantas	daninhas	surgiram	do	cruzamento	com	as	plantas	
cultivadas,	 gerando	 híbridos	 com	 características	morfológicas	misturadas	 o	
que chamamos de mimetismo. 
RESUMO DO TÓPICO 1
18
•	 Plantas	 cultivadas	 também	 podem	 se	 tornar	 espécies	 daninhas,	 quando	
crescem	fora	do	controle	do	ser	humano,	em	terrenos	abandonados	ou	na	área	
ao redor da lavoura. Elas perdem a dependência do ser humano e retomam 
características	 silvestres,	 podendo	 inclusive	 hibridizar	 com	 uma	 espécie	
cultivada novamente.
•	 Os	métodos	de	controle	de	plantas	daninhas	estão	relacionados	diretamente	
com a evolução cada vez mais rápida das características adaptativas dessas 
espécies	ao	ambiente	agrícola.	
19
1	 Segundo	 o	 que	 estudamos,	 existem	 várias	 características	 para	 definir	
uma	planta	como	daninha.	Com	relação	a	essas	características,	analise	as	
sentenças a seguir:
I-		Uma	planta	daninha	é	qualquer	vegetal	que	cresce	onde	não	é	desejado.
II-	Uma	planta	 daninha	 é	 qualquer	 vegetal	 que	 absorve	 nutrientes	 de	 que	
precisa.
III-	Uma	planta	daninha	pode	ser	tóxica	aos	animais	e	seres	humanos.
IV-	Plantas	daninhas	possuem	mecanismos	de	resistência	e	sobrevivência	às	
condições adversas ambientais. 
Agora,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	(			)	Apenas	a	I	está	correta.
b)	(			)	Apenas	a	I,	II	e	IV	estão	corretas.
c)	(			)	Apenas	a	I,	III	e	IV	estão	corretas.
d)	(			)	Todas	estão	corretas.
2		As	plantas	daninhas	podem	prejudicar	uma	lavoura	de	diversas	maneiras.	
Com	 relação	 a	 isso,	 cite	 três	 formas	 de	 danos	 que	 uma	 espécie	 daninha	
pode causar no ambiente agrícola: 
3		As	 plantas	 daninhas	 possuem	 várias	 características	 que	 as	 tornam	 um	
problema	para	o	agricultor,	tanto	durante	o	plantio,	como	durante	a	colheita	
e	processamento.	Com	relação	a	essas	características,	analise	as	afirmativas	
a seguir: 
I-	 Espécies	 daninhas	 podem	 germinar	 e	 se	 desenvolver	 em	 condições	
ambientais	pouco	favoráveis,	como	em	estresse	hídrico,	baixa	fertilidade	e	
acidez do solo.
II-	Se	as	 condições	edafoclimáticas	 são	 favoráveis	à	 lavoura,	 também	serão	
para	as	plantas	daninhas,	mas,	se	as	condições	são	ruins	para	a	 lavoura,	
algumas	 espécies	daninhas	 conseguem	 se	desenvolver	 nessas	 condições,	
devido a sua capacidade adaptativa.
III-	 Espécies	 daninhas	 causam	 redução	da	 produtividade	das	 lavouras	 e	 o	
aumento	dos	 seus	 custosmas	não	podem	causar	danos	 à	 saúde	humana	
nem	danos	estéticos,	invadindo	áreas	de	recreação,	jardins	e	parques.	
IV-	As	 plantas	 daninhas	 podem	 ser	 hospedeiras	 de	 pragas	 e	 doenças	 que	
atacam as plantas cultivadas. 
AUTOATIVIDADE
20
Agora,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	(			)	I	e	III.
b)	(			)	I,	II	e	III.
c)	(			)	III.
d)	(			)	I,	II	e	IV.
4		As	plantas	daninhas	surgiram	com	o	 início	da	agricultura,	a	seleção	das	
plantas cultivadas e as alterações ambientais causados pelo ser humano 
durante o cultivo causaram uma pressão que selecionou plantas daninhas 
adaptadas a essas condições. Com relação às causas que levaram ao 
surgimento	dessas	espécies,	analise	as	sentenças	a	seguir:	
I-	 Algumas	 espécies	 daninhas	 eram	 plantas	 silvestres	 com	 adaptações	 de	
crescimento em condições adversas e facilmente conseguiram invadir áreas 
cultivadas.
II-	 Pode	 ocorrer	 a	 hibridação	 entre	 uma	 espécie	 cultivada	 e	 espécies	
aparentadas	 selvagens,	 gerando	 plantas	 que	 apresentam	 características	
morfológicas	e	de	desenvolvimento	parecidas	com	a	espécie	cultivada,	o	
chamado mimetismo.
III-	 Os	 métodos	 de	 controle	 de	 plantas	 daninhas	 feitas	 pelo	 ser	 humano,	
como	a	aplicação	de	herbicidas	não	influenciam	na	evolução	das	plantas	
daninhas. 
Agora,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	(			)	Somente	a	I.
b)	(			)	Somente	a	I	e	II.
c)	(			)	Somente	a	II	e	III.
d)	(			)	Somente	a	III.
21
TÓPICO 2 - 
UNIDADE 1
CLASSIFICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico,	acabamos	de	analisar	o	que	é	uma	planta	daninha,	qual	sua	
importância	em	diferentes	pontos	de	vista,	como	essas	plantas	se	originaram	junto	
ao desenvolvimento da agricultura e quais os processos evolutivos envolvidos. 
Neste	tópico,	entenderemos	como	se	classifica	e	 identifica	as	plantas	daninhas,	
suas	características	morfológicas	e	a	 importância	de	entender	a	botânica	como	
ferramenta para o controle adequado das plantas daninhas em uma lavoura. Não 
se	esqueça,	ao	final	do	tópico	você	encontrará	o	resumo	e	as	autoatividades.	Bons	
estudos!
2 SISTEMÁTICA E TAXONOMIA VEGETAL 
Sistemática	vegetal	é	a	ciência	que	engloba	a	taxonomia,	a	qual	descreve,	
identifica,	dá	nome	e	classifica	as	espécies	vegetais	em	conjunto	as	suas	relações	
genéticas,	criando	sua	filogenia,	ou	sua	história	evolucionária.	A	taxonomia	encaixa	
as	espécies	vegetais	em	táxons,	que	são	grupos	delimitados	de	organismos,	com	
características	parecidas,	de	preferência	monofiléticos,	 isto	é,	com	um	ancestral	
comum	(JUDD,	2010).	
Táxon é uma categoria utilizada para reunir organismos vivos que possuem 
algumas características semelhantes entre si. As principais categorias utilizadas são: REINO, 
DIVISÃO, CLASSE, ORDEM, FAMÍLIA, GENÊRO e ESPÉCIE.
NOTA
Acadêmico,	 as	 plantas	 são	 classificadas	 baseadas	 em	 critérios	 de	
ancestralidade	e	similaridade	e	os	cientistas	criaram	chaves	para	identificação	das	
espécies	baseado	nas	características	morfoanatômicas	das	plantas.	 Isso	permite	
encaixar	 uma	 espécie	 dentro	 de	 um	 táxon	 específico,	 que,	 para	 as	 espécies	
vegetais,	 além	dos	citados	anteriormente,	 é	 comum	o	uso	de	 sub-táxons	como	
subespécie,	variedade	e	forma	(SIMPSON,	2010).	
22
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
Para	 identificação	 de	 uma	 espécie,	 analisamos	 todos	 os	 caracteres	
morfológicos	disponíveis	quando	a	espécie	é	coletada,	mas	a	morfologia	da	flor	
é	a	parte	mais	importante	na	classificação.	O	número	de	peças	florais,	disposição	
do	ovário,	número	e	placentação	dos	óvulos,	abertura	das	anteras	e	até	o	formato	
do	pólen	podem	ser	utilizados	para	identificação.	Além	disso,	a	morfologia	das	
folhas,	 disposição	 das	 mesmas	 nos	 caules,	 presença	 de	 pilosidade,	 espinhos,	
cerosidade,	 a	 cor	 e	 a	 textura	 são	 características	 importantes	 que	 precisam	 ser	
avaliadas.	 Com	 relação	 às	 plantas	 daninhas,	 é	muito	 importante	 também	 que	
você	saiba	identificar	a	espécie	pela	plântula,	o	que	vai	facilitar	a	elaboração	de	
um	plano	de	manejo	antes	que	essa	espécie	se	torne	prejudicial	para	o	cultivo.	
Para ter uma maior clareza sobre morfologia e taxonomia, consulte a 
apostila Noções morfológicas e taxonômicas para identificação botânica, disponível 
para download em: https://www.embrapa.br/amazonia-oriental/busca-de-publicacoes/-/
publicacao/992543/nocoes-morfologicas-e-taxonomicas-para-identificacao-botanica.
DICAS
Exemplos	de	descrição	de	uma	espécie	vegetal	encontrados	em	livros	e	
artigos	científicos	da	área,	segundo	Deuber	(1992).
CLASSE MONOCOTILEDÔNEA
FAMÍLIA: POACEAE
GÊNERO: Brachiaria
ESPÉCIE: Brachiaria purpurascensHenr. Blumea
Pro. Syn: Panicum purpuracens; Panicum barbinode; Panicum guadaloupense; 
Panicum equinum; Brachiaria mutica
Sin,	 vulgar	 (nome	 vulgar):	 capim-angola,	 capim-de-planta,	 capim-fino,	
capim-do-pará
Planta	 perene,	 herbácea,	 estolonífera,	 ereta	 ou	 subprostada.	 Colmo	 com	
nós	densamente	pilosos,	 atingindo	 até	 dois	metros	de	 comprimento.	 Folhas	
com	 bainha	 verde-clara,	 estriada,	 em	 geral	 pilosa	 (ocasionalmente	 glabra);	
região do colar mais acentuadamente pilosa; lígula de pequenas dimensões 
e	 densamente	 translúcido-ciliada;	 lâmina	 lanceolada,	 bem	 desenvolvida,	
glabrescente	e	curtamente	serreada	nos	bordos.	Inflorescência	e	panícula,	com	
diversos	racemos	de	15-20	cm	de	comprimento	e	com	nítida	pilosidade	branca	
na	inserção	dos	pedicelos	na	ráquis.	Espiguetas	subsésseis,	bifloras,	com	uma	
flor	masculina	e	uma	hermafrodita	com	ovário	normalmente	estéril;	glumas	
brancas,	esverdeadas.
TÓPICO 2 - CLASSIFICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS
23
Reprodução	em	geral	vegetativa,	raramente	ocorrendo	a	formação	de	sementes.	
Planta	originária	da	África	e	 introduzida	como	forrageira	no	Brasil,	onde	se	
aclimatou	e	se	disseminou	largamente,	sendo	hoje	uma	invasora	problemática.
Plântula	com	plúmula	brancacenta,	hialina,	glabra,	de	ápice	obtuso,	fortemente	
adpressa	 ao	 colmo.	 Folha	 definitiva	 com	 bainha	 verde-brancacenta,	 com	
esparsos	pelos	simples	e	hialinos;	lâmina	verde-clara,	estriada,	com	numerosos	
pelos	 simples,	 longos	 e	 translúcidos	 em	 ambas	 as	 faces	 e	 de	 aspecto	muito	
característico.
Cariopse	envolta	pelas	glumas	e,	quando	nua,	ovalada,	com	aproximadamente	
1,6	mm	de	 comprimento	 por	 1	mm	de	 largura.	 Pericarpo	 liso,	 amarelado	 e	
levemente reluzente. Embrião dorso-basal e da mesma cor do pericarpo.
FONTE: Adaptado de Bacchi, Leitão Filho e Aranha (1982)
CLASSE EUDICOTILEDÔNEA
FAMÍLIA LAMIACEAE
GÊNERO Leonotis 
ESPÉCIE: Leonotis nepetifolia (L.) R. Br 
Pro syn.: Phlomis nepetaefolia; Leonorus globosus, Leonorus nepetaefolia, 
Stachys mediterranea, Leonorus marrubiastrum
Sin. Vulgar (nome vulgar): cordão de frade
Planta	anual,	herbácea,	ereta	e	com	70	a	210	cm	de	altura.	Caule	quadrangular,	
anguloso,	 estriado,	pouco	 ramificado	 e	verde-claro.	 Folhas	 ovadas,	de	 ápice	
agudo	 ou	 ligeiramente	 obtuso	 e	 base	 truncada	 ou	 semi-cordada,	 bordos	
fortemente	 crenados	 e	 ciliados,	 membranáceas	 opostas,	 com	 minúsculos	
pelos	simples	e	alvo-translúcidos	em	ambas	as	 faces,	sendo	a	adaxial	verde-
escura	 e	 a	 abaxial	 mais	 clara,	 fosca,	 com	 nervuras	 bastante	 proeminentes;	
pecíolo	longo	e	revestido	por	pelos	simples	e	translúcidos.	Inflorescência	em	
glomérulos	multifloros	protegidos	por	numerosas	brácteas	 linear-subuladas,	
de	 ápice	 acuminado,	 com	 pilosidade	 brancacenta.	 Cálice	 tubuloso,	 verde-
claro,	 recurvado,	 piloso,	 em	geral	 com	oito	 dentes	 estreitos,	 sendo	um	bem	
mais	 desenvolvido;	 corola	 bilabiada,	 alaranjada,	 de	 tubo	 longo,	 duas	 vezes	
mais	longa	que	o	cálice,	recurvada	e	exteriormente	pilosa;	androceu	formado	
de	 quatro	 estames	 didínamos,	 de	 filetes	 longos	 e	 filiformes,	 inseridos	 na	
porção	mediana	do	tubo	da	corola,	com	anteras	de	rima	longitudinal,	brancas	
e	divergentes;	estilete	delgado	e	de	ápice	bífido.	Fruto	núcula	oval,	trígona,	lisa,	
obtusa no ápice e acastanhada. 
Reproduz-se	exclusivamente	por	sementes	e	seu	ciclo	é	de	aproximadamente	
130 dias. 
24
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
Plântula	com	hipocótilo	e	epicótilo	cilíndricos,	verde-claros	e	glabros.	Folhas	
cotiledonares	 deltoides,	 de	 ápice	 levemente	 emarginado,	 base	 atenuada,	
bordos	curtamente	ciliados,	verde-claras	e	glabras	em	ambas	as	faces,	pecíolo	
longo.	Folhas	definitivas	lanceoladas,	de	ápice	obtuso-arredondado,	base	reta	
ou	arredondada,	bordos	ciliados,	membranáceos,	opostas;	pecíolo	curto.
Semente	trígono-lanceolada,	com	2,6-3,1	mm	de	comprimento	por	1,2-1,3	mm	
de	largura.	Testa	dura,	lisa,	glabra,	castanha	com	arestas	obsoletamente	aladas.	
Hilo	basal,	côncavo,	retangular.
FONTE: Adaptado de Bacchi, Leitão Filho e Aranha (1982)
2.1 NOMENCLATURA BOTÂNICA 
Como	se	dá	nome	às	plantas?	Qual	a	importância	de	nomear	de	maneira	
correta	uma	espécie	daninha?	
Acadêmico,	 a	 nomenclatura	 botânica	 é	 essencial	 para	 a	 correta	
identificação	de	uma	espécie	vegetal.	Existem	regras	bem	definidas	pelo	Código	
Internacional	de	Nomenclatura	Botânica,	sendo	que	o	nome	da	espécie	sempre	
será	binomial,	com	o	gênero	começando	em	letra	maiúscula,	seguido	do	epíteto	
específico.	O	nome	científico	da	espécie	sempre	será	ou	sublinhado	ou	em	itálico,	
nunca	capitalizado	(SIMPSON,	2010).	
Exemplo:	Jatropha urens,	Jatropha	é	o	gênero ao qual a planta pertence e 
urens	é	o	epíteto	específico,	que	dá	identidade	aquela	espécie.	
A	nomenclatura	botânica	é	de	suma	importância	para	evitar	problemas	
com os nomes vulgares das plantas daninhas. Nomes vulgares ou comuns variam 
entre	regiões	e	diferentes	línguas,	o	que	dificulta	a	correta	identificação	de	uma	
espécie	 vegetal.	Muitas	 vezes,	 a	mesma	 espécie	 tem	diversos	 nomes	 vulgares,	
levando	o	técnico	e	o	agricultor	a	ter	problemas	na	identificação,	se	por	acaso	o	
exemplar	do	espécime	não	está	disponível.	No	Quadro	5	você	encontra	exemplos	
da	diversidade	de	nomes	comuns	que	uma	mesma	espécie	botânica	pode	ter.
O nome científico é de uso universal, sendo mais fácil e prático identificar 
a espécie em qualquer língua ou localização do planeta. Isso também vai te ajudar a 
encontrar a descrição da espécie correta nos livros sobre plantas daninhas e em artigos 
relacionados a plantas daninhas
IMPORTANT
E
TÓPICO 2 - CLASSIFICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS
25
NOME CIENTÍFICO NOME VULGAR
Asclepia curassavica Algodãozinho-do-campo,	 leiteirinha,	mané-mole,	 erva-leiteira,	cega-olho
Cassia occidentalis Fedegoso,	café-chimarrão,	café-negro,	mudianhoca,	ibixuma
Brachiaria plantaginea Capim-doce,	capim-guatemala,	capim-marmelada,	capim-paulista,	grama-maior,	papuã
Brachiaria purpurascens Capim-angola,	 capim-de-planta,	 capim-fino,	 capim-do-pará
Sida cordifolia Guanxuma,	guaxuma,	guanxima
Sida rhombifolia Guanxuma,	guaxima,	vassourinha
FONTE: Adaptado de Bacchi, Leitão Filho e Aranha (1982)
QUADRO 5 – RELAÇÃO ENTRE O NOME CIENTÍFICO E VULGAR DE ALGUMAS ESPÉCIES DE 
PLANTAS DANINHAS ENCONTRADAS NO BRASIL
2.2 SISTEMÁTICA DE PLANTAS DANINHAS 
Com	 relação	 às	 plantas	 daninhas,	 existem	 cerca	 de	 300	 espécies	
importantes mundialmente que estão concentradas principalmente nas famílias 
botânicas	 Poaceae,	 Cyperaceae,	 Asteraceae	 e	 Polygonaceae,	 representando	
aproximadamente	 43%,	 e	 o	 restante	 fica	 distribuído	 em	 mais	 16	 famílias.	
Acadêmico,	analisaremos,	a	seguir,	as	principais	características	que	separam	os	
grupos	de	plantas	daninhas	dentro	da	Botânica,	o	que	irá	auxiliar	na	identificação	
das	espécies	no	campo.
A família Poaceae, que reúne as plantas chamadas de gramíneas, é a que 
engloba as espécies daninhas mais importantes e mais disseminadas pelo planeta e, não 
por acaso, também as plantas mais cultivadas pelo ser humano: trigo, arroz, cevada, centeio, 
milheto, aveia, milho, sorgo e cana-de-açúcar.
IMPORTANT
E
Se	 avaliarmos	 pela	 classe	 botânica,	 as	 espécies	 se	 dividem	 em	
Eudicotiledôneas,	 também	 chamadas	 de	 latifoliadas	 ou	 de	 folha	 larga	 e	 as	
Monocotiledôneas,	 conhecidas	 como	 espécies	 de	 folha	 estreita,	 que	 possuem	
poucas	 famílias	 importantes	 no	 país,	 mas	 um	 grande	 número	 de	 espécies	
invasoras	de	culturas	(SIMPSON,	2010).
Para	 uma	 melhor	 compreensão	 e	 facilidade	 de	 identificação,	 vamos	
caracterizar as principais diferenças entre as Classe Eudicotiledoneae 
(Magnoliopsida)	e	Monocotyledoneae	(Liliopsida).
26
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
2.2.1 Monocotyledoneae (Liliopsida)
Nesta	classe,	a	principal	característica	é	a	presença	de	um	cotilédone	na	
semente.	A	maioria	das	espécies	são	de	hábito	herbáceo	e	apresentam	regiões	bem	
definidasno	caule,	os	nós	(onde	se	inserem	as	folhas)	e	os	internos,	que	podem	
ser	curtos	no	início	de	desenvolvimento,	porém	alongando-se	com	o	crescimento	
da planta em altura. 
As	folhas	se	dispõem	alternadamente	e	são	compostas	geralmente	pelo	
limbo,	bainha	e	lígula,	não	ocorrendo	um	pecíolo.	A	disposição	dos	feixes	vasculares	
no	limbo	é	paralela	(nervuras)	e	geralmente	o	limbo	possui	comprimento	maior	
que a largura. Os vasos de condução são dispersos no caule e nas raízes. 
As	flores	se	reúnem	em	inflorescências,	geralmente	espigas,	racemos	ou	
panículas;	sempre	as	estruturas	florais	em	número	de	três	ou	múltiplos	de	três.	
Outra	 característica	 é	 a	presença	de	 raízes	adventícias	 em	 formato	 fasciculado	
ou	em	cabeleira,	já	que	a	raiz	principal,	que	se	forma	a	partir	do	embrião,	não	se	
desenvolve ou cresce por um período curto. 
2.2.2 Eudicotiledoneae (Magnoliopsida)
Nesta	 classe,	 ocorre	 o	 desenvolvimento	 de	 dois	 cotilédones,	 os	 quais	
armazenam nutrientes para nutrir o embrião durante a germinação inicial. Nesse 
grupo	 ocorre	 desde	 herbáceas,	 arbustos,	 árvores,	 trepadeiras	 e	 epífitas.	 Uma	
característica	importante	nesse	grupo	é	o	crescimento	secundário,	em	espessura,	
com	formação	de	lenho	(madeira).	
As	 folhas	possuem	 limbo	e	pecíolo,	o	 limbo	com	enorme	variedade	de	
formatos,	facilitando	a	identificação	dos	gêneros.	As	flores	ocorrem	isoladas	ou	
em	inflorescências	e	são	pentâmeras	ou	tetrâmeras	(estruturas	florais	em	número	
de	 5	 ou	 múltiplos	 e	 4	 ou	 múltiplos,	 respectivamente).	 O	 sistema	 radicular	 é	
chamado	de	pivotante,	com	domínio	da	raiz	primária,	chamada	de	principal.	Os	
vasos	de	condução	são	organizados	no	caule	circularmente,	em	feixes.	
Acadêmico,	no	quadro	a	seguir	você	encontra	um	resumo	com	as	principais	
diferenças	entre	as	duas	classes,	o	que	vai	auxiliar	na	identificação:
Cotilédone: são folhas primordiais dos embriões das plantas com sementes. 
Elas são diferentes das outras folhas, contêm reservas de nutrientes que auxiliam a plântula 
durante o desenvolvimento inicial.
NOTA
TÓPICO 2 - CLASSIFICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS
27
Característica Monocotiledôneas Eudicotiledôneas
Nº	cotilédones Um Dois
Local	de	reserva	na	
semente Endosperma Cotilédones
Hábito	de	crescimento Herbáceas
Herbáceas,	arbustivas,	
arbóreas,	trepadeiras	e	
epífitas
Caules Sem crescimento lateral Principal	com	ramificações
Raízes Fasciculadas Pivotante
Vasos	de	condução Dispersos	no	caule	e	raízes
Agrupados	em	feixes	em	
círculos
Folhas
Nervuras paralelas; 
limbo mais comprido do 
que largo
Nervuras	ramificadas	ou	
reticuladas; limbo com 
padrão variado
Flores Trímeras	ou	múltiplos Tetrâmeras	ou	pentâmeras	e	seus	múltiplos
Lenho Não possui Possui
Frutos	e	sementes Aquênios,	cariopses	e	cápsulas Variados
QUADRO 6 – PRINCIPAIS DIFERENÇAS MORFO-ANATÔMICAS DE ESPÉCIES DE MONOCOTILE-
DÔNEAS E EUDICOTILEDÔNEAS
FONTE: Adaptado de Evert e Eichhorn (2018)
2.3 CARACTERÍSTICAS DAS PRINCIPAIS FAMÍLIAS COM 
ESPÉCIES DANINHAS NO BRASIL
Acadêmico,	 estudaremos	 algumas	 características	 morfológicas	 que	
definem	as	principais	famílias	com	plantas	daninhas	encontradas	no	Brasil,	para	
auxiliar	na	 identificação	e	 futuramente	no	manejo	dessas	plantas	nas	 lavouras	
(SOUZA;	LORENZI,	2019).
2.3.1 Amaranthaceae
Plantas	em	geral,	herbáceas.	Folhas	simples,	alternas	ou	opostas.	Flores	
muito	 pequenas,	 aclamídeas	 ou	 monoclamídeas;	 geralmente	 unissexuadas;	
brácteas	 espinhosas;	 inflorescências	 condensadas,	 espiciformes,	 eventualmente	
em	 capítulos	 ou	 glomérulos.	 Ovário	 súpero,	 unilocular	 e	 uni	 ovulado.	 Fruto	
pixídio	deiscente	ou	utrículo	indeiscente.	Exemplos:	Amaranthus hybridus (caruru); 
Amaranthus viridis (caruru);	Alternanthera brasiliana (carrapichinho).
28
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
2.3.2 Asteraceae 
Plantas	 herbáceas,	 arbustivas	 ou	 arbóreas.	 Folhas	 simples	 ou	 alternas. 
Inflorescência	 em	 capítulo,	 geralmente	 multifloras	 e	 protegidos	 por	 brácteas	
involucrais	 dispostas	 em	 várias	 séries.	 Flores	 unissexuadas	 ou	 hermafroditas,	
com	ocorrência	de	plantas	monóicas	ou	dioicas;	corola	tubulosa,	com	5	pétalas;	
5	 estames,	 livres;	 ovário	 súpero,	 unilocular	 e	 uniovulado;	 estilete	 única	 e	
estigma	 bífido.	 Fruto	 aquênio,	 em	 geral	 provido	 de	 papo,	 uma	 estrutura	
constituída	por	pelos,	 cerdas,	aristas	ou	páleas.	Exemplos:	Bidens pilosa (picão-
preto), Acanthospermum australe (carrapichinho), Ageratum conyzoides (mentruz), 
Emilia sonchifolia (bela-emília), Vernonia polyanthes (assa-peixe), Sonchus oleraceus 
(serralha) e Xanthium cavanillesii	(carrapichão),	Senecio brasiliensis	(erva-lanceta),	
Gochnatia polymorpha	(cambará).	
2.3.3 Brassicaceae
Plantas	 anuais	 e	 perenes,	 herbáceas	 ou	 arbustivas.	 Folhas	 simples,	
alternas,	 rosuladas	 ou	 opostas.	 Inflorescência	 variável,	 geralmente	 racemosa,	
com	flores	hermafroditas,	actinomorfas,	diclamídeas;	cálice	com	4	sépalas	livres;	
corola	com	4	pétalas,	obovadas	e	nervação	proeminente;	estames	6,	tetradínamos;	
ovário	séssil	ou	estipitado,	com	2	carpelos	unidos	e	multiovulados.	Fruto	síliqua	
ou	 legume,	 dividido	 em	 dois	 lóculos,	 deiscentes	 ou	 não.	 Exemplos:	 Brassica 
campestres (mostarda-selvagem), Raphanus raphanistrum (nabo	 selvagem) e 
Lepidium virginicum	(mastruço).	
2.3.4 Chenopodiaceae
Plantas	geralmente	herbáceas,	anuais,	bianuais	ou	perenes.	Folhas	simples,	
alternas,	 sem	 estípulas.	 Inflorescência	 glomerular	 axilar.	 Flores	 actinomorfas,	
monoclamídeas,	com	2-5	tépalas,	ovário	súpero	unilocular,	estilete	único,	com	2	
ou	3	estigmas.	Fruto	utrículo,	com	uma	única	semente	esférica,	escura.	Exemplo:	
Chenopodium album (ançarinha-branca),	Chenopodium ambrosioides	(erva-de-santa-
maria).
2.3.5 Convolvulaceae
Plantas	 trepadeiras,	 com	 folhas	 alternadas,	 íntegras,	 lobadas,	 digitadas	
ou	 pinatífidas;	 inflorescência	 solitária	 ou	 em	 cimeiras.	 Flores	 hermafroditas,	
diclamídeas,	 corola	em	 forma	de	 tubo;	ovário	 súpero,	2-4	 locular,	uniovulado;	
estames	em	filetes	longos.	Fruto	cápsula,	com	quatro	valvas.		Exemplos:	Ipomoea 
sp.	 (campainha,	 corda-de-viola), Convolvulus arvensis e Cuscuta racemosa (cipó-
chumbo).
TÓPICO 2 - CLASSIFICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS
29
2.3.6 Cyperaceae 
Plantas	perenes,	raramente	anuais.	Flores	hermafroditas	ou	unissexuais	
monóicas,	 situadas	na	 axila	de	glumas	dispostas	 em	espiral,	 geralmente	nuas;	
androceu	 com	 1	 a	 3	 estames;	 gineceu	 de	 ovário	 súpero,	 com	 2-3	 carpelos	
concrescidos	num	ovário	unilocular	e	uni	ovulado,	estilete	 simples.	Fruto	 tipo	
aquênio	 e	 de	 forma	 muito	 variáveis.	 Exemplos:	 Cyperus esculentus (tiririca-
amarela) e Cyperus rotundus	 (tiririca),	Eleocharis sellowiana	 (junco),	Rhyncospora 
corymbosa	(Capim-navalha).
2.3.7 Fabaceae
 
Plantas	 herbáceas,	 arbustivas,	 lianas	 ou	 arbóreas,	 anuais	 ou	 perenes.	
Folhas	 simples	 ou	 compostas,	 alternas	 e	 raramente	 opostas.	 Inflorescência	 em	
cacho,	cimeira,	capítulo,	corimbo,	espiga	e	flor	isolada.	Cálice	5	sépalas	e	corola	
com	5	pétalas;	 estames	 em	número	de	 10,	 com	exceções;	 ovário	 súpero.	 Fruto	
usualmente	legume,	raramente	drupa	ou	sâmara.	
•	 Subfamília	 I	 –	 Mimosaceae:	 corola	 actinomorfa;	 estames	 quatro	 a	 infinito;	
folhas	compostas	bipenadas	ou	penadas.	Exemplo:	Mimosa pudica (sensitiva) e 
Acacia plumosa (arranha-gato).
• Subfamíla II – Caesalpinaceae: corola irregular com estandarte interno; estames 
3-12	 inseridos	 no	 cálice;	 em	 geral	 as	 folhas	 são	 penadas.	 Exemplos:	 Senna 
obtusifolia, Indigofera sffruticosa (anileira), Cassia occidentalis (fedegoso).
• Subfamília III – Papilionaceae: corola	 com	 estandarte	 interno;	 estames	 10,	
geralmente	 (9)	 +	 1,	 inseridos	 na	 corola;	 folhas	 nunca	 bipenadas.	 Exemplos:	
Desmodium barbatum (barbadinho),	Crotalaria lanceolata	(crotalária)	
2.3.8 Malvaceae
Plantas	 herbáceas,	 arbustivas	 e	 raramente	 arbóreas.	 Folhas	 simples,	
alternas,	estipuladas.	Flores	vistosas	com	cálicee	corola	pentâmeros,	actinomorfas.	
Androceu	 polistêmone,	 tubular.	 Ovário	 súpero,	 penta	 a	 multilocular,	
multiovulado.	O	 estilete	 percorre	 internamente	 o	 tubo	 seminífero,	 externando	
os	estigmas.	Fruto	é	uma	cápsula,	raramente	baga.	Exemplos:	Sida cordifolia, S. 
linifolia, S. micranta, S. rhombifolia, S. spinosa (guanxumas), Malva parviflora (malva). 
2.3.9 Poaceae
Caule	tipo	colmo,	cilíndrico,	com	nós	e	entrenós;	oco	ou	fistuloso.	Folhas	
em	geral	 com	 lâmina,	 lígula	 e	 bainha;	 inflorescência	 em	panículas	 simples	 ou	
ramificadas,	 formando	 espiguetas	 de	 uma	 a	 numerosas	 flores,	 normalmente	
protegidas	por	duas	brácteas	estéreis	(glumas)	e	duas	férteis	(lema	e	pálea);	três	
30
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
estames,	ovário	súpero	unilocular	e	uniovalado,	com	três	estigmas	plumosos.	Fruto	
cariopse,	seco,	indeiscente,	monocarpelar,	com	tegumento	da	semente	fundido	ao	
fruto.	Exemplos:	 Eleusine indica (capim-pé-de-galinha), Setaria verticillata (capim-
rabo-de-raposa), Cenchrus echinatus (capim-carrapicho), Pennisetum setosum 
(capim-mandante), Panicum maximum (capim	 colonião), Brachiaria plantaginea 
(marmelada), Sorghum halepense (capim-massarambá).
2.3.10 Solanaceae
Plantas	herbáceas,	lianas,	arbustivas	e	arbóreas.	Folhas	simples,	alternas,	
inteiras,	 lobadas	 ou	 pinatipartidas,	 glabras	 ou	 pilosas,	 aculeadas	 ou	 inermes.	
Flores	diclamídeas,	hermafroditas,	metaclamídeas	e	isostêmones;	cálice	tubuloso,	
dentado	 ou	profundamente	 lobado;	 corola	 em	geral	 rotada	 e	 5-lobada;	 ovário	
súpero,	com	2	ou	mais	lóculos,	multiovulados,	estames	5.	Fruto	baga,	geralmente	
globoso.	 Exemplos:	 Solanum americanum (erva-moura), Solanum paniculatum 
(jurubeba) Physalis pubescens (camapú), Datura stramonium (estramônio)
Como complemento dos estudos sobre classificação de plantas daninhas, 
você pode ir ao seu quintal, a um terreno baldio ou mesmo a um parque de sua cidade 
para reconhecimento prático das espécies e sua identificação baseados nas principais 
características dos grupos vistos anteriormente. Colete a planta, observe a morfologia da raiz, 
das folhas, o padrão de crescimento, como são as estruturas reprodutivas e tente encaixar 
nos grupos de eudicotiledônea ou monocotiledônea. Depois tente identificar a família que 
a espécie faz parte, a partir das informações dadas anteriormente. O importante é anotar os 
dados da sua análise e até desenhar o padrão da planta para facilitar a identificação.
NOTA
A morfologia vegetal classifica cada parte do vegetal e existem muitas 
características difíceis de compreender sem visualizar a planta em si. Uma dica é usar 
manuais de morfologia vegetal, onde existem lista das características morfológicas, com 
explicações e até desenhos e fotos de exemplos. O livro Morfologia Vegetal, Organografia 
e Dicionário de Morfologia de Plantas Vasculares (GONÇALVES; LORENZI, 2010) é um bom 
exemplo para auxiliar na compreensão de algumas palavras utilizadas na classificação dos 
vegetais.
DICAS
TÓPICO 2 - CLASSIFICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS
31
2.4 CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA, ECOLÓGICA E 
ESTRATÉGIA EVOLUTIVA DE PLANTAS DANINHAS
Acadêmico,	 a	 seguir,	 aprenderemos	 as	 diferentes	 classificações	 das	
espécies	 daninhas.	 As	 plantas	 podem	 ser	 encaixadas	 em	 diferentes	 grupos,	
de	acordo	com	seu	habitat,	 seu	ciclo	de	vida,	padrão	de	crescimento,	 ecologia	
e	estratégia	evolutiva.	Essas	classificações	são	 importantes	para	a	 identificação	
correta	da	espécie	e	para	que	depois	você	saiba	avaliar	qual	método	de	controle	
deverá	ser	aplicado,	de	acordo	com	as	características	apresentadas	a	seguir.
 
2.4.1 Classificação quanto ao habitat
Primeiramente,	 temos	 a	 classificação	 quanto	 ao	 habitat	 das	 plantas	
daninhas	que	podem	ser	as	 lavouras,	pastagens,	florestas	e	ambiente	aquático.	
Algumas	 espécies	 se	 encaixam	 em	 diferentes	 habitats,	 também	 ocorrendo	 no	
meio urbano. 
Plantas daninhas aquáticas:	 são	 plantas	 modificadas	 para	 viver	 no	
ambiente	aquático,	sendo	classificadas	de	acordo	com	a	localização	no	ambiente	
aquático.	As	algas,	mesmo	não	sendo	parte	do	grupo	das	plantas,	também	são	
consideradas	plantas	daninhas	aquáticas.	No	Quadro	7	você	encontra	exemplos	
das	principais	espécies	daninhas	que	invadem	lagos,	rios	e	reservatórios	no	Brasil.	
• Flutuantes:	crescem	sob	a	superfície	da	água	e	possuem	raízes	livres,	geralmente	
não	se	fixando	em	nenhuma	estrutura.
• Emergentes:	geralmente	possuem	crescimento	ereto	e	suas	raízes	são	fixas	no	
solo	úmido.	
• Submersas:	 crescem	 completamente	dentro	da	 água,	 com	algumas	 espécies	
emitindo folhas na superfície. 
• Marginais: crescem ao redor do ambiente aquático e podem invadir e crescer 
na	parte	mais	rasa,	adquirindo	hábito	anfíbio.	
Habitat Espécie Nome vulgar Ciclo de vida
Marginal Cyperus rotundus Tiririca perene
Brachiaria purpurascens Capim	fino perene
Brachiaria mutica Capim angola perene
Cyperus sculentus Junça perene
Panicum aquaticum Grama	de	ponta perene
Flutuantes Eichornia crassipes Aguapé perene
Pistia stratiotes Alface-d´água perene
Salvinia molesta Salvinia perene
Submersas Egeria densa Elódea perene
Hydrilla spp. Não tem perene
QUADRO 7 – PLANTAS DANINHAS AQUÁTICAS COMUMENTE ENCONTRADAS NO BRASIL
32
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
Emergentes Typha angustifolia Taboa
Typha domingensis Bunho perene
Alternanthera philoxeroides Não tem perene
Enhydra anagallis Não tem perene
FONTE: Zimdahl (2007, p. 50)
• Plantas daninhas terrestres: são	as	espécies	mais	comuns,	que	crescem	no	solo	
da lavoura ou em ao redor dele. 
2.4.2 Classificação de acordo com o ciclo de vida
Quanto	 ao	desenvolvimento	da	planta,	 podemos	 classificar	 as	 espécies	
daninhas	em	anuais,	bianuais	ou	perenes	(DEUBER,	1992):
• Plantas anuais: são as plantas que completam seu ciclo de vida em menos 
de	um	ano	ou	em	uma	estação	e	crescimento.	Geralmente,	são	caracterizadas	
por	uma	grande	produção	de	sementes,	crescimento	rápido	e	de	fácil	manejo,	
comparado com as perenes. 
• Anuais de verão:	 germinam	 na	 primavera,	 crescem	 e	 florescem	 no	 verão	 e	
completam	o	ciclo	de	vida	no	outono,	com	duração	que	varia	de	40	a	160	dias.	
• Anuais de inverno:	germinam	no	outono	ou	no	início	do	inverno	e	florescem	e	
frutificam	na	primavera	ou	início	do	verão,	com	ciclos	em	média	mais	curtos	(80	
dias).	A	maioria	das	anuais	de	inverno	pertencem	a	Classe	Eudicotyledonae.	
Algumas	 espécies	 daninhas	 completam	mais	 de	 um	 ciclo	 por	 ano,	 como	 a	
Galinsoga parviflora	(picão-branco)	e	Emilia sonchifolia	(falsa-serralha).	
• Plantas bianuais: são	 espécies	 que	 demoram	mais	 de	 um	 ano	 e	menos	 de	
dois para completarem o ciclo de vida. São plantas que podem ser facilmente 
manejadas,	desde	que	 se	 interrompa	a	produção	de	 sementes.	Exemplos	de	
bianuais são a Arctium minus	 (bardana-menor)	 e	 Melilotus alba	 (meliloto-
branco).
• Plantas perenes: são	plantas	divididas	em	dois	grandes	grupos.	As	perenes 
simples	 se	 propagam	 por	 sementes	 e	 por	 reprodução	 assexuada,	 sendo	 a	
reprodução	sexuada	preferencial	e	a	vegetativa	rara.	Já	as	perenes complexas 
são	espécies	que	também	se	reproduzem	de	ambas	as	formas,	mas	possuem	
mecanismos	 de	 reprodução	 assexuada	 bem	 definidos,	 incluindo	 estolões,	
rizomas,	 tubérculos	 e	 bulbos.	As	 complexas	 são	 as	de	maior	dificuldade	de	
controle,	 se	 reproduzem	 amplamente	 e	 são	 facilmente	 dispersas	 pelo	 ser	
humano. 
TÓPICO 2 - CLASSIFICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS
33
Saber o ciclo de vida de uma planta daninha é fundamental para elaboração do 
plano de manejo dessa espécie na área cultivada.
IMPORTANT
E
2.4.3 Classificação quanto ao hábito de crescimento
Quanto	ao	hábito	de	crescimento,	as	plantas	daninhas	são	classificadas	em	
herbáceas,	sub-arbustivas,	arbustivas,	arbóreas,	trepadeiras	e	epífitas.	No	Quadro	
8	você	encontra	exemplos	de	espécies	de	cada	hábito	de	crescimento.	
• Herbáceas:	são	espécies	de	pequeno	porte,	com	altura	inferior	a	um	metro,	eretasou	prostadas.	Geralmente	possuem	caules	 tenros,	podendo	ser	 sublenhosas.	
As	gramíneas	em	geral	pertencem	a	esse	grupo.
• Subarbustivas:	apresentam	um	porte	que	vai	de	0,8	metros	até	1,5	metros	de	
altura,	com	caules	lenhosos	e	hábito	reto.	
• Arbustivas:	são	espécies	lenhosas,	com	altura	entre	1,5	metros	até	2,5	metros.	
• Arbóreas: são	espécies	lenhosas	com	mais	de	2,5	metros.	
• Lianas ou trepadeiras:	são	espécies	que	necessitam	de	um	apoio	para	crescerem,	
geralmente	outras	plantas.	Elas	crescem	através	de	enrolamento	(volúveis)	ou	
prendendo-se	com	uso	de	gavinhas,	garras	ou	espinhos.	Atingem	vários	metros	
de	comprimento	e	podem	ser	ramificadas.	
•	 Epífitas:	crescem	sob	outras	plantas,	podendo	ser	parasitas	ou	não.	A	Cuscuta 
racemosa (cipó-chumbo)	é	um	exemplo	de	epífita	parasita.	
Para se aprofundar nos estudos de identificação de plantas daninhas, você pode 
consultar o livro Guia das Plantas Daninhas do Brasil (LORENZI, 2008), com a descrição e 
ilustrações das principais espécies e também o Manual de Identificação e Controle de 
Plantas Daninhas (LORENZI, 2014), que possui ilustrações da plântula, planta adulta e das 
sementes, além do uso dos herbicidas disponíveis no Brasil. 
LORENZI, H. Plantas Daninhas do Brasil. 4. ed. São Paulo: Editora Plantarum, 2008. 
LORENZI, H. Manual de Identificação e Controle de Plantas Daninhas. São Paulo: Editora 
Plantarum, 2014.
DICAS
34
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
Hábito Família Espécie Nome vulgar
Herbáceas
Ereta Asteraceae Ageratum conyzoides Mentrasto
Ereta Amaranthaceae Amaranthus viridis Caruru
Prostada Papilionaceae Desmodium barbatum Barbadinho
Subprostada Caryophylaceae Spergula arvensis Esparguta
Sub-arbustivas
Ereta Asteraceae Blainvillea biaristata Picão-grande
Ereta Fabaceae	–	Caesalpinoideae Cassia tora Fedegoso
Ereta Lamiaceae Hyptis lophanta Hortelã	de	caboclo
Arbustivas
Ereta Asteraceae Baccharis dracunculifolia Vassourinha
Ereta Fabaceae	–Caesalpinoideae Cassia occidentalis Fedegoso
Ereta Solanaceae Solanum lycocarpum Fruta-de-lobo
Arbóreas
Ereta Asteraceae Gochnatia polymorpha Cambará
Ereta Moraceae Cecropia peltata Embaúba
Ereta Ulmaceae Trema micranta Lixeira
Lianas
Volúvel Convolvulaceae Ipomaea acuminata Corda-de-viola
Volúvel Polygonaceae Polygonum convolvulus Cipó-de-veado
Volúvel Cucurbitaceae Momordica charantia Melão-de-São-Caetano
Volúvel Liliaceae Smilax brasiliensis Japecanga
Epífitas
Parasita Convolvulaceae Cuscuta racemosa Cipó-chumbo
Parasita Loranthaceae Psittacanthus cordatus Erva-de-passarinho
QUADRO 8 – LISTA DE ALGUMAS ESPÉCIES DANINHAS CLASSIFICADAS SEGUNDO SEU HÁBITO 
DE CRESCIMENTO
FONTE: Adaptado de Deuber (1992)
2.4.4 Classificação ecológica
Nesse	 caso,	 você	 pode	 avaliar	 se	 a	 espécie	 daninha	 é	 proveniente	 da	
região	onde	a	lavoura	está	implantada	ou	se	ela	é	proveniente	de	outra	região	ou	
até	mesmo	de	outro	país.	
• Autóctones: são	 as	 espécies	 vegetais	 nativas	 ou	 selvagens.	 Em	 relação	 às	
plantas	daninhas,	são	espécies	infestantes	que	são	originadas	da	própria	região	
ou	país.	Quando	o	ambiente	é	alterado	para	uma	lavoura	ou	pastagem,	essas	
espécies	invadem	e	se	propagam,	sendo	geralmente	mais	problemáticas	que	as	
espécies	introduzidas	(DEUBER,	1992).
TÓPICO 2 - CLASSIFICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS
35
• Alóctones: são	espécies	vegetais	provenientes	de	outras	regiões	ou	países	são	
alóctones,	 ou	 também	 chamadas	 introduzidas	 ou	 naturalizadas.	 A	 maioria	
das	 espécies	daninhas	 alóctones	 foram	 introduzidas	pelo	homem,	de	 forma	
voluntária	 ou	 involuntária.	 Algumas	 espécies	 trazidas	 voluntariamente	
para	o	país	para	serem	utilizadas	em	pastagens,	como	a	Brachiaria decumbens 
(capim-braquiária)	 e	 Panicum maximum (capim-colonião)	 acabaram	 se	
tornando	 invasoras	 de	 lavouras	 e	 beira	 de	 estradas,	 além	 de	 áreas	 nativas,	
causando	prejuízos	agronômicos	e	ambientais.	Além	disso,	as	espécies	podem	
ser	 introduzidas	 para	 fins	 ornamentais	 e	 acabam	 invadindo	 áreas	 nativas	
(DEUBER,	1992).
Cerca	de	8000	espécies	de	plantas	são	consideradas	introduzidas.	Dessas,	
cerca	de	200-250	espécies	são	consideradas	as	maiores	plantas	daninhas	mundiais.	
De	 distribuição	 mundial,	 as	 plantas	 daninhas	 mais	 invasivas	 pertencem	 as	
famílias	Asteraceae,	Poaceae,	Cyperaceae	e	Fabaceae.	Algumas	plantas	cultivadas	
e	daninhas	são	espécies	relacionadas,	como	a	aveia	doméstica	e	selvagem.	Elas	
podem	 e	 ocupam	 os	 mesmos	 hábitats	 e	 podem	 hibridizar.	Além	 disso,	 essas	
espécies	daninhas	podem	ser	hospedeiras	de	patógenos	das	plantas	cultivadas	
(ZINDAHL,	2018).
As	 plantas	 invasoras	 evoluem	 e	 respondem	 rapidamente	 ao	 uso	 de	
herbicidas,	desenvolvendo	 resistência.	 Isso	 causa	 impacto	negativo	não	 só	nas	
áreas	 cultivadas,	 mas	 causa	 danos	 ao	 ambiente	 ao	 redor	 delas.	 No	 quadro	 a	
seguir,	você	encontra	uma	lista	de	espécies	invasoras	comumente	encontradas	no	
Brasil,	qual	sua	origem	e	distribuição	atual	no	país.
Espécie Nome Vulgar Origem Distribuição
CYPERACEAE
Cyperus rotundus Tiririca Índia e Ásia Todo
Cyperus esculentus Tiriricão América	do	Norte Todo
POACEAE
Brachiaria riziziensis Braquiária-peluda África Todo
Cenchrus echinatus Capim-carrapicho América	Tropical S,	SE,	CO,	NE
Cynodon dactylon Grama-seda África e Ásia Todo
Digitaria sanguinalis Capim-de-colchão Europa S,	CO,	NE
Echinochloa colonum Capim-arroz Índia Todo
Eleusine indica Capim-pé-de-galinha Índia e Ásia Todo
Eragrostis pilosa Capim-barba-de-alemão Europa S,	SE,	CO,	NE
Melinis minutiflora Capim-gordura África Todo
Panicum maximum Capim-colonião África Todo
Paspalum dilatatum Grama-comprida Argentina	e	Uruguai Todo
Setaria geniculata Capim-rabo-de-raposa América Todo
QUADRO 9 – PRINCIPAIS ESPÉCIES DANINHAS ENCONTRADAS NO BRASIL E SUA ORIGEM E 
DISTRIBUIÇÃO NO PAÍS
36
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
Sorghum halepense Capim-massambará Egito Todo
PONTEDERIACEAE
Eichornia crassipes Aguapé Amazônia Todo
TYPHACEAE
Typha angustifólia Taboa América	do	Sul Todo
AMARANTHACEAE
Amaranthus retroflexus Caruru Europa S e CO
ASTERACEAE
Gallinsoga parviflora Picão-branco Peru e Bolívia Todo
Sonchus oleraceus Serralha Mediterrâneo S,	SE,	CO
Taraxacum officinale Dente-de-leão Europa S,	SE,	CO,	NE
BRASSICACEAE
Raphanus raphanistrum Nabiça Europa S,	SE
CARIOPHYLLACEAE
Spergula arvensis Esparguta Europa S,	SE
CHENOPODIACEAE
Chenopodium álbum Mentruz América	do	Norte S,	SE,	CO
EUPHORBIACEAE
Chamaesyce próstata Quebra-pedra América	Central Todo
Ricinus comunis Mamona África Todo
LAMIACEAE
Leonorus sibiricus Erva-macaé China Todo
Stachys arvensis Hortelã-da-roça Europa S,	SE
LORANTHACEAE
Psittacanthus cordatus Erva-de-passarinho Amazônia Todo
MALVACEAE
Urena lobata Carrapicho Ásia Todo
OXALIDACEAE
Oxalis corniculata Trevo Mediterrâneo S,	SE,	NE
POLYGONACEAE
Polygonum convolvulus Cipó-de-veado Eurásia S,	SE
SOLANACEAE
Brugmansia suaveolus Trombeta México Todo
Datura stramonium Quinquilho Ásia Todo
Solanum americanum Maria-pretinha América S,	SE,	CO,	NE
URTICACEAE
Urtica dioica Urtiga Europa S,	SE
FONTE: Adaptado de Deuber (1992)
TÓPICO 2 - CLASSIFICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS
37
2.4.5 Classificação de acordo com a estratégia 
evolutiva
Espécies	daninhas	podem	ser	organizadas	de	acordo	com	sua	estratégia	
de sobrevivência relacionada com fatores limitantes de crescimento: estresse e 
perturbação do ambiente.
• Plantas tolerantes ao estresse:	 essas	 espécies	 reduzem	 suas	 biomassas	
vegetativas	 e	 reprodutivas	 e	 aumentam	 a	 alocação	 de	 substâncias	 para	
manutenção e defesa. Elas possuem características que garantem a resistência 
dos	 indivíduos	 em	 ambientes	 severos	 e	 limitados.	 A	 limitação	 pode	 ser	
física,	como	seca	ou	inundações	recorrentes	ou	biótica,	como	a	herbivoria	ou	
competição	por	nutrientes	com	outras	espécies	(ZINDAHL,	2018).	
• Plantas competidoras: nessa	 classe	 encontramos	 espécies	 adaptadas	 em	
maximizar	 a	 captura	 de	 nutrientes,	 água	 e/ou	 luz	 solar.	 Possuem	 grande	
crescimento vegetativo e sãoabundantes nos primeiros estágios de sucessão 
de uma comunidade vegetal.
• Plantas ruderais: espécies	 encontradas	 em	 ambientes	 altamente	 alterados.	
Geralmente	são	plantas	herbáceas,	com	ciclo	de	vida	muito	curto,	crescimento	
rápido	 e	 alta	 produção	 de	 sementes.	 São	 consideradas	 plantas	 pioneiras,	
primeiras a se instalar em um ambiente alterado. 
Existe um aplicativo para identificação de plantas daninhas chamado 
Weedscout, disponível para iOS e Android. Nesse aplicativo, você encontra um banco de 
dados com mais de 30 mil fotos de espécies daninhas, que vai auxiliar na identificação 
e no manejo dessas espécies. Link para acessar: https://www.bayer.com.br/midia/sala-
de-imprensa/crop-science/releases/weedscout-primeiro-app-para-identificar-plantas-
daninhas.php.
DICAS
38
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
•	 As	plantas	daninhas	são	classificadas	seguindo	características	morfológicas	e	
genéticas	e	divididas	em	grupos,	como	classes,	famílias	e	gêneros.
•	 O	nome	científico	de	uma	planta	é	de	uso	universal	e	super	importante	para	a	
correta	identificação	de	uma	planta	daninha.
•	 As	características	morfológicas	são	de	extrema	importância	para	a	identificação	
de	uma	planta	daninha,	mesmo	que	ainda	esteja	em	estágio	de	plântula,	o	que	
facilitará	elaborar	o	método	de	manejo	e	controle	mais	adequado.
•	 As	plantas	daninhas	podem	ser	classificadas	também	de	acordo	com	o	seu	ciclo	
de	vida,	habitat,	forma	de	crescimento	e	origem	e	isso	é	avaliado	na	hora	de	
estabelecer	um	planejamento	para	seu	controle	e	manejo	ou	erradicação.	
39
1		Por	que	os	nomes	das	espécies	são	importantes?
2	 Com	 relação	 às	 formas	 de	 classificação	 das	 plantas	 daninhas,	 existem	
conceitos	básicos	que	você	deve	saber	para	identificar	as	espécies	no	campo.	
Sobre	esses	conceitos,	relacione	a	seguir:	
I- Plantas de folhas largas.
II- Plantas de folhas estreitas.
III- Plantas anuais.
IV-	Plantas	perenes.
(		)	Grupo	das	monocotiledôneas
(		)	Grupo	de	plantas	que	completam	seu	ciclo	de	vida	em	menos	de	um	ano.
(		)	Grupo	das	eudicotiledôneas
(		)	Grupo	de	plantas	que	possuem	um	ciclo	de	vida	longo,	maior	que	dois	
anos. 
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	(		)	I	–	II	–	III	–	IV.
b)	(		)	II	–	III	–	I	–	IV.
c)	(		)	II	–	III	–	IV	–	I.
d)	(		)	IV	–	I	–	III	–	II.
3	 O	 nome	 científico	 de	 uma	 espécie	 é	 regido	 por	 uma	 série	 de	 regras	
internacionais,	 para	 que	 seja	 padronizado	 e	 usado	 mundialmente	 da	
mesma forma. Isso permite evitar confusões com nomes vulgares e obter 
dados	da	planta	do	mundo	todo	de	uma	maneira	segura.	A	respeito	das	
regras	de	nomenclatura	binomial,	marque	a	alternativa	CORRETA:
a)	(		)	O	nome	científico	de	uma	espécie	deve	ser	composto	obrigatoriamente	
por	três	nomes:	o	gênero,	o	epíteto	subespecífico	e	o	epíteto	específico.
b)	(		)	Todos	os	nomes	científicos	devem	vir	destacados	no	texto	em	itálico	ou	
sublinhados.
c)	(		)	O	gênero	deve	ser	escrito	com	inicial	minúscula.
d)	(		)	O	epíteto	específico	deve	ser	escrito	com	letra	maiúscula
e)	(		)	Nem	todo	ser	vivo	deve	possuir	um	nome	científico.
AUTOATIVIDADE
40
41
TÓPICO 3 - 
UNIDADE 1
REPRODUÇÃO, DISPERSÃO DE PLANTAS DANINHAS E 
MECANISMOS DE SOBREVIVÊNCIA
1 INTRODUÇÃO 
No	 tópico	 anterior,	 você	 aprendeu	 a	 identificar	 e	 classificar	 as	 plantas	
daninhas	de	acordo	com	suas	características	morfológicas,	de	desenvolvimento	
e	adaptativas.	Acadêmico,	 compreenderemos	os	mecanismos	 reprodutivos	das	
plantas e qual sua relação com as características invasivas das plantas daninhas. 
Além	disso,	abordaremos,	neste	tópico,	os	mecanismos	que	as	tornam	difíceis	de	
manejar	e	eliminar	das	áreas	agrícolas,	quais	os	obstáculos	que	você	irá	encontrar	
ao elaborar um plano de controle dessas plantas daninhas 
2 REPRODUÇÃO DE PLANTAS DANINHAS
As	 plantas	 daninhas	 desenvolveram	 características	 reprodutivas	 que	
as	 permitiram	 sobreviver	 em	 ambientes	 inóspitos,	 tornando-as	 agressivas	 e	
competitivas	quando	invadem	áreas	cultivadas.	Todavia,	como	elas	se	propagam?	
A	multiplicação	de	uma	planta	ocorre	por	via	 sexuada	 (sementes)	ou	pela	via	
assexuada	(vegetativa).	
Com relação à reprodução sexuada,	geralmente	apresentam	uma	grande	
quantidade	de	sementes,	 com	diferentes	mecanismos	de	dispersão	e	 com	uma	
grande	longevidade	no	solo.	Condições	de	estresse	podem	acelerar	o	florescimento	
das	espécies	daninhas.	O	banco	de	sementes	de	plantas	daninhas	é	um	grande	
problema	nos	solos	cultivados.	No	Quadro	10	você	pode	observar	o	número	de	
sementes	que	um	espécime	pode	produzir	durante	seu	ciclo	de	vida.	
As	sementes	possuem	diferentes	níveis	de	dormência	e	de	longevidade,	
impossibilitando	o	extermínio	completo	de	todas	elas	sem	o	controle	contínuo.	
Essas	 sementes	 podem	 ficar	 armazenadas	 no	 solo	 por	 anos	 sem	 perder	 a	
viabilidade,	como	o	Chenopodium album	e	espécies	de	Convolvulus spp. 
42
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
ESPÉCIE NOME VULGAR Nº SEMENTES
Amaranthus spp. Caruru 120.000
Chenopodium álbum Ançarinha-branca 20.000
Galinsoga parviflora Picão-branco 30.000
Portulaca oleracea Beldroega 53.000
Solanum americanum Maria-pretinha 178.000
Sonchus oleraceus Serralha 400.000
QUADRO 10 – PRODUÇÃO DE SEMENTES DE ALGUMAS ESPÉCIES DANINHAS COMUMENTE 
ENCONTRADAS NO BRASIL
FONTE: Adaptado de Deuber (1992)
Dormência	 é	 uma	 condição	 na	 qual	 a	 semente	 não	 germina	 mesmo	
em condições ambientais ideais. Esse processo pode envolver imaturidade do 
embrião;	presença	de	metabólitos	secundários	que	inibem	a	germinação,	tanto	no	
embrião quanto no endosperma ou no próprio tegumento; necessidade ou não 
de	luz	ou	de	resfriamento	e	a	dormência	física,	na	qual	o	tegumento	da	semente	
impede a entrada de ar ou de água ou o mesmo não permite o desenvolvimento 
do	embrião	(TAIZ;	ZEIGER,	2006).	
Os mecanismos de dormência serão trabalhados com detalhes no Tópico 4.
ESTUDOS FU
TUROS
Já na reprodução assexuada,	 as	 plantas	 possuem	 diversos	 tipos	 de	
propágulos	que	geralmente	são	produzidos	em	grande	quantidade,	dependendo	
da	espécie.	Esses	propágulos	se	espalham	no	solo,	quando	o	mesmo	é	preparado	
para o plantio e podem ter a capacidade de brotarem mesmo em grandes 
profundidades	no	solo.	Isso	dificulta	o	manejo	das	espécies	daninhas,	pois	podem	
ficar	armazenados	no	solo	e	as	plantas	podem	produzi-los	em	grande	quantidade.	
• Estolão: os estolões são caules rasteiros que desenvolvem raízes adventícias e 
a	parte	aérea	na	região	dos	nós,	espalhando-se	pelo	solo.	
• Rizomas:	os	rizomas	são	caules	subterrâneos	que	também	produzem	raízes	e	
brotos e se espalham horizontalmente pelo solo. 
• Tubérculos:	 são	 caules	 subterrâneos	que	 armazenam	grande	quantidade	de	
reservas	 energéticas	 (geralmente	 amido)	 e	possuem	 inúmeras	gemas.	Como	
exemplo	 temos	 o	Cyperus rotundus	 (tiririca),	 que	 se	 propaga	 facilmente	 por	
tubérculos.	
• Bulbos:	são	caules	com	folhas	modificadas,	também	com	substâncias	de	reserva	
armazenadas nas folhas. 
TÓPICO 3 - REPRODUÇÃO, DISPERSÃO DE PLANTAS DANINHAS E MECANISMOS DE SOBREVIVÊNCIA
43
3 MECANISMOS DE DISPERSÃO
As	plantas	desenvolveram	diferentes	formas	de	disseminar	seus	diásporos	
no	ambiente	e	possuem	características	morfológicas	específicas	de	acordo	com	
esse	mecanismo.	Acadêmico,	entender	esses	mecanismos	auxiliará	nos	métodos	
de controle das plantas daninhas. 
A	dispersão	das	 estruturas	 reprodutivas	das	plantas	daninhas	 também	
justifica	sua	capacidade	de	invasão	dos	solos	cultivados.	Existem	dois	mecanismos	
de	 dispersão:	 autocoria,	 em	 que	 a	 planta	 desenvolveu	mecanismo	 próprio	 ou	
alocoria,	com	o	auxílio	de	agentes	externos,	como	na	hidrocoria,	anemocoria	e	
zoocoria	(ZINDAHL,	2018).
Diásporo: é a unidade de dispersão de uma planta. Chamamos de diásporo 
porque nem sempre essa unidade é uma semente nua, pode ocorrer outros tecidos ligados 
a semente ou o próprio fruto é o diásporo, contendo uma ou várias sementes.
NOTA
3.1 AUTOCORIA
Dispersãode	curto	alcance,	em	que	a	planta	dispersa	as	sementes	ao	seu	
redor.	Também	existem	espécies	com	adaptações	nos	frutos	para	lançar	sementes	
a	 longas	 distâncias,	 como	 Ricinus comunis	 (mamona)	 e	 Euphorbia heterophylla 
(leiteiro).	
3.2 ALOCORIA
Dispersão	 de	 sementes	 com	 auxílio	 de	 agentes	 externos.	 Para	 isso,	 os	
frutos	são	adaptados	estruturalmente	para	facilitar	a	dispersão	através	do	agente	
dispersor. 
3.2.1 Anemocoria
Os	 diásporos	 são	 adaptados	 para	 dispersão	 através	 do	 vento,	 como	
o	 desenvolvimento	 de	 frutos	 alados	 e	 presença	 de	 tricomas.	 Geralmente,	 as	
plantas daninhas com esse mecanismo de dispersão são as primeiras a se 
estabelecer	em	solos	agrícolas	não	cultivados.	Plantas	da	família	Asteraceae,	por	
exemplo,	 possuem	 frutos	 com	 adaptações	 aerodinâmicas,	 como	 em	Taraxacum 
44
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
officinale	 (dente-de-leão).	 Sementes	 da	 família	 Poaceae	 são	pequenas	 e	 leves,	 e	
as	 inflorescências	 das	 espécies	 geralmente	 são	 altas,	 facilitando	 a	 dispersão	
(ZINDAHL,	2018).	
A	distância	que	esses	frutos	atingem	dependerá	de	alguns	fatores,	como	a	
velocidade	do	vento,	morfologia	do	diásporo,	a	posição	das	flores,	a	morfologia	
do	aparato	aerodinâmico	e	a	flora	presente	ao	redor.	As	adaptações	dos	diásporos	
para	dispersão	anemocórica,	que	facilitam	a	disseminação	são	(RAO,	2000):
•	 Pelos:	estrutura	dispersora	é	cheia	de	tricomas	longos,	plumosos.	Comum	em	
espécies	herbáceas.	A	dispersão	vai	depender	da	velocidade	do	vento	e	também	
da	umidade	do	ar.	Existem	espécies	que	possuem	áreas	recobertas	por	pelos	
e	também	são	equipadas	com	asas.	As	estruturas	dessa	classe	são	comuns	em	
Asteraceae	e	são	chamadas	de	pappus,	possuindo	detalhes	geométricos	que	
afetam	as	propriedades	aerodinâmicas.	Exemplo:	Taraxacum officinale	 (dente-
de-leão)	e	Vernonia polyanthes	(assa-peixe).
•	 Asas:	o	fruto	seco	possui	uma	estrutura	alada	que	confere	capacidade	flutuante	
e	dispersão	por	longas	distâncias,	mesmo	com	pouco	vento.	É	típico	de	espécies	
arbóreas	 e	 arbustivas,	 mas	 também	 encontrado	 em	 espécies	 herbáceas.	 A	
estrutura	possui	uma	grande	 superfície,	 baixa	massa	 e	deve	 ser	firme.	 Suas	
células	são	mortas	e	preenchidas	com	ar.	Exemplo:	Pyrostegia venusta. 
•	 Balão:	cálice	modificado	que	envolve	os	frutos.	Exemplo:	Physalis minima.
3.2.2 Hidrocoria 
Os	 diásporos	 são	 dispersos	 através	 do	movimento	 da	 água	 da	 chuva,	
inundação,	irrigação	ou	através	de	rios	e	lagos.	As	adaptações	das	espécies	para	
anemocoria	podem	ser	utilizadas	para	dispersão	através	da	água.	
• Transporte por correntes de água: os diásporos possuem impregnação de 
substâncias	hidrofóbicas	(suberina,	lignina	e	cutina)	para	retardar	à	absorção	
de água e aumentar a capacidade dispersiva. O transporte pode ser submerso 
ou	 emerso,	 com	 diásporos	 leves	 que	 flutuam	 ou	 que	 possuem	 estruturas	
adaptadas	a	flutuação.	
• Transporte pela chuva: quando	chove	intensamente,	os	diásporos	das	plantas	
daninhas podem cair no solo e serem levados pela corrente de água que se forma. 
Plantas daninhas dessa categoria possuem diásporos leves com capacidade 
de	flutuação,	podendo,	 assim,	percorrer	 grandes	distância	de	 acordo	 com	a	
quantidade de chuva. 
TÓPICO 3 - REPRODUÇÃO, DISPERSÃO DE PLANTAS DANINHAS E MECANISMOS DE SOBREVIVÊNCIA
45
3.2.3 Zoocoria
Os	 animais	 podem	 contribuir	 para	 a	 dispersão	 de	 diversas	 espécies	
daninhas,	 que	 desenvolveram	mecanismos	 para	 se	 fixar	 no	 corpo	 do	 animal,	
como o Cenchrus echinatus	 (capim-carrapicho)	e	Bidens pilosa	 (picão-preto),	que	
possuem	cerdas	que	se	fixam	facilmente	em	pelos	e	também	nas	roupas	dos	seres	
humanos. 
Alguns	frutos	são	dispersos	através	do	trato	digestivo	de	animais,	o	que,	
para	essas	espécies,	facilita	a	germinação	e	a	dispersão,	como	ocorre	em	Paspalum 
notatum	 (grama-batatais)	 (BENVENUTI,	 2007;	 ZIMDAHL,	 2018).	 Além	 dos	
mamíferos,	as	aves	são	grandes	disseminadoras	de	espécies	daninhas	através	da	
eliminação	de	fezes	contendo	diásporos,	especialmente	plantas	parasitas.	
3.2.4 Antropocoria
O	 ser	 humano	 é	 o	 principal	 disseminador	 de	 espécies	 daninhas,	
principalmente	 quando	 se	 fala	 de	 espécies	 provenientes	 de	 outros	 países.	 A	
introdução	de	espécies	de	outros	locais	para	fins	ornamentais	ou	econômicos	é	
bastante	comum	e	pode	gerar	problemas	ambientais.	Por	exemplo,	a	Brachiaria 
decumbens	 (capim-braquiária)	é	uma	espécie	que	foi	 introduzida	no	Brasil	para	
confecção	 de	 pastagens	 e	 acabou	 se	 tornando	 invasiva	 de	 lavouras,	 beira	 de	
estradas	e	parques.	Outra	espécie,	Echinochloa	spp.	(capim-arroz),	entrou	no	país	
misturado com as sementes do arroz cultivado importado. 
3.3 MECANISMOS DE SOBREVIVÊNCIA 
Como as plantas daninhas sobrevivem e se mantem em uma lavoura? 
Quais mecanismos elas possuem que as tornam tão difíceis de erradicar? Neste 
subópico,	aprenderemos	como	as	plantas	daninhas	são	adaptadas	para	sobreviver	
em diversas condições adversas em que outras plantas não sobreviveriam. 
3.3.1 Banco de sementes de plantas daninhas
Refere-se	às	sementes	viáveis	e	outras	estruturas	reprodutivas	presentes	
nos	solos,	que	possuem	diversas	características	que	dificultam	o	controle	dessas	
espécies.	 O	 banco	 de	 sementes	 possui	 um	 papel	 ecológico	 importante	 para	
manutenção	de	novos	indivíduos	nas	comunidades	vegetais,	sendo	encontrado	
nas	 terras	 cultivadas,	 pastagens,	 florestas,	 terras	 abandonadas,	 desertos	 etc.	
(DEUBER,	1992).
46
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
	 Já	nos	solos	cultivados,	apresentam	um	problema	à	atividade	agrícola,	
dificultando	 o	 controle	 a	 longo	 prazo	 das	 espécies	 daninhas.	 	A	maioria	 das	
sementes em um banco de sementes de áreas cultivadas são provenientes de 
plantas anuais e de plantas da própria cultura. O tamanho do banco de sementes 
é	maior	em	áreas	cultivadas,	devido	à	capacidade	das	plantas	daninhas	anuais	
de	produzir	grande	número	de	sementes,	aliado	a	mecanismos	de	disseminação,	
longevidade	e	dormência	(ZINDAHL,	2018).	
Polimorfismo, heteromorfia ou heteroblastia: capacidade de produzir diferentes 
tipos de sementes através de diferentes plantas ou partes diferentes da mesma planta, 
incluindo dentro da mesma vagem. Rumex vesicarius possui sementes não dormentes 
que germinam no escuro completo e também sementes que não germinam no escuro 
(dormentes), necessitando de um fotoperíodo específico.
NOTA
3.4 MECANISMOS DE DORMÊNCIA
A	dormência	representa	uma	das	principais	formas	das	espécies	vegetais	
garantirem	 sua	 perpetuação.	 É	 uma	 característica	 adaptativa	 que	 assegura	 a	
sobrevivência	 das	 plantas	 nos	 diferentes	 ecossistemas,	 incluindo	 o	 agrícola.	
A	 germinação	 de	 sementes	 e	 o	 sucesso	 estabelecimento	 da	 muda	 requerem	
mecanismos	que	previnam	que	esta	ocorra	antes	da	melhor	época	ou	seja,	durante	
períodos	em	que	condições	de	crescimento	e	sobrevivência	sejam	favoráveis.	Isso	
é	comum	em	regiões	próximas	aos	trópicos,	onde	o	maior	fluxo	de	emergência	de	
plântulas	ocorre	logo	após	o	início	da	estação	úmida.	Para	isso,	muitas	sementes	
precisam	evitar	a	germinação	com	chuvas	eventuais	durante	as	estações	secas,	
em	que	sua	sobrevivência	seria	impossível	em	períodos	subsequentes	de	déficit	
hídrico	(TAIZ;	ZEIGER,	2006).	
Durante	o	período	de	dormência,	as	atividades	metabólicas	da	semente	
são	 reduzidas,	 mas	 não	 completamente.	 Existem	 dois	 principais	 mecanismos	
envolvendo a entrada de uma semente em dormência: endógena,	 através	 de	
mecanismos	 internos	 (embrião)	 e	 exógena,	 através	 de	 mecanismos	 externos	
(tegumento,	endosperma	ou	fruto).	
A	 dormência	 ocorre	 quando	 um	 desses	 mecanismos	 impede	 que	 a	
semente	 germine,	 mesmo	 sob	 condições	 ambientais	 ótimas.	 Lembrando	 que,	
para	uma	semente	germinar,	ela	precisa	de	água,	temperatura	e	trocas	gasosas	
adequadas.	 A	 germinação	 ocorre	 com	 a	 embebição	 da	 semente,	 aumento	 da	
TÓPICO 3 - REPRODUÇÃO, DISPERSÃODE PLANTAS DANINHAS E MECANISMOS DE SOBREVIVÊNCIA
47
atividade	 metabólica	 do	 embrião	 e	 emissão	 da	 radícula.	 Além	 disso,	 temos	
a	dormência	 imposta	pela	planta,	ou	primária e induzida após a dispersão da 
semente,	chamada	de	secundária	(TAIZ;	ZEIGER,	2006;	VIVIAN	et al.,	2008).
3.4.1 Dormência fisiológica
É	 o	 tipo	 mais	 comum,	 principalmente	 em	 bancos	 de	 sementes	 de	
regiões temperadas. Ocorre quando o embrião possui algum mecanismo que 
inibe	a	emissão	da	radícula.	Ela	está	intimamente	ligada	ao	embrião,	em	níveis	
metabólicos e gênicos. 
3.4.2 Dormência morfológica
Nesse	 caso,	 o	 embrião	 encontra-se	 imaturo,	 ainda	 não	 atingiu	 o	
desenvolvimento	 completo.	 Para	 que	 a	 semente	 germine,	 o	 embrião	 precisa	
completar seu desenvolvimento. 
3.4.3 Dormência morfofisiológica
É	quando	o	embrião	da	semente	ainda	não	completou	seu	desenvolvimento,	
aliado	a	uma	dormência	fisiológica.	Geralmente	nesse	caso	é	necessário	muito	
tempo para que ocorra a germinação. 
3.4.4 Dormência Física
Na	dormência	física,	ocorre	inibição	de	alguns	dos	fatores	que	induzem	
a germinação ou da protusão da radícula. O tegumento pode ser espessado ou o 
próprio	fruto	é	impregnado	de	substâncias	hidrofóbicas,	como	cutina,	suberina	
e	lignina,	que	inibem	a	entrada	de	água,	impedindo	o	processo	de	embebição	e	
início	da	germinação.	Ainda	há	a	possibilidade	de	o	tegumento	impedir	as	trocas	
gasosas ou a entrada de luz. 
3.4.5 Dormência química 
Ocorre inibição causada pela presença de compostos químicos que podem 
estar	presentes	nos	frutos,	no	endosperma	e	no	tegumento	da	semente.	Para	que	a	
germinação	ocorra,	esses	compostos	precisam	ser	removidos,	geralmente	através	
da	lixiviação.	
48
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
A	 presença	 de	 mecanismos	 de	 dormência	 possibilita	 às	 sementes	 de	
plantas	daninhas	a	permanência	no	solo	durante	meses	e	até	anos.	Isso	faz	com	
que	ocorre	reinfestação	dessas	espécies	mesmo	que	não	ocorra	reintrodução	de	
sementes	após	algum	mecanismo	de	controle	no	local.	Alguns	fatores	afetam	a	
dormência em plantas daninhas:
• Temperatura:	 as	 sementes	 possuem	 temperaturas	mínimas	 e	máximas	 para	
a	 germinação.	 Essa	 variação	 depende	 da	 espécie	 analisada,	 assim	 como	 a	
temperatura	ótima	para	germinação.	As	sementes	podem	entrar	em	dormência	
enquanto	a	temperatura	não	atinge	a	faixa	adequada	durante	certo	período	de	
tempo. 
• Água:	sem	o	processo	de	embebição,	uma	semente	não	entrará	em	germinação,	
por	 isso	 a	 presença	 ou	 entrada	 de	 água	 é	 imprescindível	 para	 iniciar	 o	
processo	metabólico	embrionário	se	iniciar,	culminando	no	início	do	processo	
germinativo. 
• Luz:	 cerca	 de	 metade	 das	 espécies	 daninhas	 anuais	 possuem	 requisitos	
luminosos	para	germinação.	O	período	luminoso	(fotoperíodo)	e	a	qualidade	
da	luz	são	características	importantes.	A	luz	consegue	penetrar	1-2	mm	no	solo,	
sendo que a dormência pode ocorrer com um pouco de sombreamento nas 
espécies	daninhas	que	necessitam	de	fotoperíodo	adequado.	Outras	espécies	
entram	em	dormência	na	presença	de	luz,	necessitando	de	sombreamento	para	
iniciarem a germinação. 
Fotoperíodo: duração do dia (período iluminado). Algumas plantas respondem 
fisiologicamente a duração do dia, iniciando a germinação ou o florescimento de acordo 
com o fotoperíodo.
NOTA
ESPÉCIE FAMÍLIA CICLO T (ºC) FOTOPERÍODO
Dormência morfológica
Conicum maculatum Apiaceae B 30/15 L>E
Dormência	morfofisiológica
Apium leptophyllum Apiaceae AI 15/6 L>E
Dormência física
Abutilon theophrasti Malvaceae AV 15/4 -
Ipomea purpurea Convolvulaceae AV 35/20 L=E
Sida spinosa Malvaceae AV 35/20 L=E
Trifolium repens Fabaceae P 20/15 L=E
Dormência	fisiológica
Amaranthus hybridus Amaranthaceae AV 35/20 L>E
QUADRO 11 – LISTA DE ESPÉCIES DANINHAS COM SEUS MECANISMOS DE DORMÊNCIA
TÓPICO 3 - REPRODUÇÃO, DISPERSÃO DE PLANTAS DANINHAS E MECANISMOS DE SOBREVIVÊNCIA
49
Amaranthus retroflexus Amaranthaceae AV 20 -
Brassica arvense Brassicaceae AI 30/20 L>E
Cyperus rotundus Cyperaceae I 30/20 L>E
Digitaria sanguinalis Poaceae AV 35/20 L>E
Echinochloa crus-galli Poaceae AV 30/10 L=E
AV = Anual de verão, AI = anual de inverno, B = bianual, P = perene, I= inverno, L= luz, E= escuro
FONTE: Adaptado de Baskin e Baskin (2001)
50
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
•	 As	plantas	daninhas	possuem	mecanismos	de	reprodução	sexuada	e	assexuada.
•	 A	reprodução	sexuada	geralmente	envolve	a	produção	de	grande	quantidade	
de	 sementes,	 que	 podem	 possuir	 diferentes	 mecanismos	 de	 dormência	 e	
diferentes mecanismos de dispersão.
•	 Muitos	métodos	de	dispersão	foram	desenvolvidos	pelas	espécies	daninhas:	
através	do	ar,	água,	animais	e	o	próprio	ser	humano.
•	 A	 reprodução	 assexuada	 é	 comum	 nas	 espécies	 daninhas,	 que	 possuem	
diferentes	 estruturas	 para	 se	 propagar	 na	 área	 cultivada,	 dificultando	 seu	
manejo.
•	 A	compreensão	dos	processos	de	germinação	e	dispersão	 são	 fundamentais	
para	o	desenvolvimento	de	bons	sistemas	de	manejo	de	plantas	daninhas.	
•	 Os	métodos	de	dispersão	dos	diásporos	facilitam	a	disseminação	de	plantas	
daninhas	 no	 ambiente,	 através	 do	 vento,	 água,	 animais	 e	 pelo	 próprio	 ser	
humano. 
•	 As	sementes	das	plantas	daninhas	podem	ficar	armazenadas	no	solo	por	longos	
períodos aguardando o momento propício para germinarem. 
•	 A	dormência	em	sementes	é	um	mecanismo	importante	para	a	sobrevivência	
das	espécies	daninhas	no	ambiente
•	 Existem	diferentes	mecanismos	de	dormência,	e	as	plantas	daninhas	podem	
possuir um ou mais desses mecanismos.
51
1		As	plantas	podem	ser	propagadas	por	diferentes	métodos,	pela	via	sexuada	
(sementes)	 ou	 pela	 via	 assexuada	 (vegetativa).	A	 propagação	 vegetativa	
caracteriza-se	 por	 multiplicar	 partes	 de	 plantas	 com	 a	 finalidade	 de	
obtenção de novas plantas geneticamente idênticas à planta matriz. Quais 
os tipos de órgãos reprodutivos vegetativos as plantas daninhas possuem e 
porque torna elas tão difíceis de controlar?
2		A	dormência	é	uma	característica	adaptativa	que	as	plantas	desenvolveram	
para	garantir	que	seus	diásporos	sejam	capazes	de	germinar	em	diferentes	
condições ambientais. Quais as causas da dormência de sementes?
AUTOATIVIDADE
52
53
TÓPICO 4 - 
UNIDADE 1
INTERFERÊNCIA NEGATIVA DE PLANTAS DANINHAS AO 
CRESCIMENTO, DESENVOLVIMENTO E PRODUTIVIDADE 
DOS CULTIVOS
1 INTRODUÇÃO
Até	 aqui	 você	 já	 aprendeu	 os	 conceitos	 básicos	 de	 plantas	 daninhas,	
suas	 formas	 de	 classificação	 e	 os	 mecanismos	 de	 reprodução,	 dispersão	 e	
sobrevivência.	 Acadêmico,	 agora	 você	 vai	 analisar	 e	 compreender	 as	 formas	
que as plantas daninhas interferem no desenvolvimento e crescimento de uma 
lavoura,	levando	à	diminuição	e	até	à	perda	total	da	produtividade.	Ao	final	deste	
tópico,	você	encontrará	um	resumo	contendo	as	informações	chave	do	conteúdo	
e autoatividades para você avaliar seu processo de aprendizado.
2 COMPETIÇÃO
Está relacionado a uma luta entre plantas pela busca de recursos naturais: 
água,	 luz,	 dióxido	 de	 carbono	 e	 nutrientes	 minerais.	 A	 competição	 é	 uma	
interação	negativa	na	qual	 indivíduos	com	demandas	simultâneas	excedem	os	
recursos	naturais	disponíveis	e	ambos	sofrem,	um	sempre	mais	do	que	o	outro.	
A	competição	entre	plantas	daninhas	e	plantas	cultivadas	dependerá	de	vários	
fatores,	mas	quanto	mais	similares	são	as	duas	espécies	em	relação	ao	hábito	e	
requerimentos	nutricionais,	mais	severo	é	o	efeito	competitivo.	
Como a relação de competição entre plantas daninhas e plantas cultivadas 
pode	 ter	 aspectos	 diretos	 e	 indiretos,	 podemos	 chamar	 a	 competição	 de	
interferência	(ZIMDAHL,	2018).	
•	 Competição	direta:	nutrientes,	umidade,	luz	e	espaço.
•	 Competição	 indireta:	 através	 da	 exsudação	 ou	 produção	 de	 compostos	
alelopáticos. 
Em	um	processo	competitivo,	primeiramente	ocorre	a	ocupação	de	uma	
área	do	solo	por	um	pequeno	ou	grande	grupo	de	plantas,	que	tendem	a	excluir	
outras	espécies.Se	a	planta	daninha	se	instala	após	a	cultura	estar	estabelecida,	
geralmente o efeito competitivo será menor do que aquelas que germinam antes 
ou	junto	às	plantas	cultivadas.	
54
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
Acadêmico,	os	componentes	gerais	de	feito	competitivo	podem	ser:
•	 Competição	intraespecífica	entre	indivíduos	de	espécies	cultivadas.
•	 Competição	interespecífica	entre	 indivíduos	de	espécies	cultivadas	e	plantas	
daninhas.
•	 Competição	interespecífica	entre	indivíduos	de	diferentes	espécies	daninhas.
•	 Competição	intraespecífica	entre	indivíduos	das	mesmas	espécies	daninhas.
Primeiramente,	 em	 qualquer	 lavoura	 deve-se	 verificar	 se	 não	 está	
ocorrendo	competição	entre	os	 indivíduos	da	espécie	cultivada.	Características	
como	densidade,	espaçamento,	duração	do	cultivo,	condições	climáticas	e	do	solo	
devem ser avaliadas antes de se iniciar o cultivo.
Em	 uma	 relação	 de	 competição,	 a	 que	 se	 dá	 entre	 plantas	 daninhas	 e	
plantas	cultivadas	é	o	confronto	mais	direto,	em	que	entram	em	 jogo:	o	porte,	
a	velocidade	de	crescimento,	tanto	da	parte	aérea,	quanto	a	radicular;	o	vigor	e	
a	rusticidade;	a	eficiência	na	absorção	de	nutrientes,	a	água,	o	gás	carbônico;	o	
aproveitamento do espaço e a luz. 
2.1 COMPETIÇÃO POR NUTRIENTES
Os	principais	nutrientes	que	afetam	o	crescimento	vegetal	são	nitrogênio,	
fósforo	 e	 potássio.	 A	 necessidade	 desses	 elementos	 varia	 entre	 as	 espécies	
cultivadas	e	 entre	as	 espécies	daninhas,	mas	as	plantas	daninhas	absorvem	os	
nutrientes do solo mais rápido e acumulam em seus tecidos em quantidades 
relativamente grandes. 
Em	um	cultivo	infestado	de	plantas	daninhas,	acreditava-se	que	colocar	
mais	 fertilizante	 no	 solo	 diminuiria	 a	 competição	 pelos	 nutrientes,	 mas	 isso	
está	 incorreto.	 As	 plantas	 daninhas	 em	 solos	 fertilizados,	 em	 geral,	 acabam	
crescendo	mais	rápido	que	a	planta	cultivada,	causando	aumento	de	a	área	foliar	
e	competição	por	luz	(ZIMDAHL,	2018).			
A	movimentação	e	absorção	do	nitrogênio	nos	solos	segue	o	mesmo	da	
água.	Plantas	daninhas	em	geral	absorvem	mais	água	do	que	a	planta	cultivada,	
consequentemente	acabam	absorvendo	o	nitrogênio	do	solo,	levando	a	uma	rápida	
depleção	do	nutriente	no	local.	Muitas	vezes,	a	suplementação	de	nitrogênio	no	
solo	pode	superar	a	competição,	principalmente	no	início	do	cultivo.	
Com	 relação	 ao	 potássio	 e	 fósforo,	 geralmente	 o	 efeito	 competitivo	 é	
observado após o cultivo estar bem estabelecido no solo ou em cultivos perenes. 
Manutenção	de	fertilização	a	fim	de	manter	o	cultivo	vigoroso	pode	prevenir	ou	
diminuir	a	invasão	de	plantas	daninhas	em	cultivos	perenes	(ZIMDAHL,	2018).
TÓPICO 4 - INTERFERÊNCIA NEGATIVA DE PLANTAS DANINHAS AO CRESCIMENTO, DES. E PRODUTIVIDADE DOS CULTIVOS
55
2.2 COMPETIÇÃO POR UMIDADE
A	 distribuição	 e	 o	 suprimento	 de	 água	 determinam	 a	 sobrevivência	
de	qualquer	espécie	vegetal.	A	capacidade	de	absorver	água	do	solo	 levará	ao	
desenvolvimento	e	reprodução	de	uma	espécie.	A	competição	por	água	ocorre	
entre as raízes das plantas. Essa habilidade está relacionada com o volume 
radicular	e	profundidade	das	raízes,	quanto	ao	grau	de	extração	de	água.	
Geralmente,	 as	 plantas	 daninhas	 possuem	 taxas	 de	 transpiração	 mais	
altas	que	a	maioria	das	plantas	cultivadas,	exaurindo	a	água	do	solo	rapidamente.	
Além	disso,	elas	podem	ser	mais	eficientes	no	uso	da	água	do	que	a	cultivar	que	
ela	compete	(ZIMDAHL,	2018).	
Exemplo:	a	água	absorvida	por	Chenopodium album	é	550	mm	contra	479	
mm	de	uma	planta	de	 trigo,	devido	principalmente	 a	 capacidade	de	 absorver	
água mais profundamente no solo do que o trigo. 
2.3 COMPETIÇÃO POR LUZ
Com	relação	à	luz,	ocorre	a	competição	direta,	chamada	de	sombreamento,	
realizada	pelas	folhas	das	plantas.	Esse	tipo	de	competição	é	mais	intenso	quando	
o	solo	é	fértil	e	com	umidade	adequada,	levando	a	grandes	taxas	de	crescimento	
com plantas possuindo maior área foliar. Tanto a quantidade quanto a qualidade 
da luz são aspectos importantes na competição. 
Plantas com grande área foliar possuem vantagem competitiva contra 
aquelas com pequenas áreas foliares. Plantas daninhas necessariamente não 
têm	mais	folhas	ou	folhas	maiores,	mas	têm	a	habilidade	de	posicioná-las	para	
melhor	interceptação	de	luz.	Essa	habilidade	está	relacionada	com	o	arranjo	foliar	
e a inclinação da folha. Plantas com folhas dispostas horizontalmente são mais 
competitivas que aquelas dispostas mais ou menos verticalmente em relação ao 
solo. Plantas altas ou eretas tem vantagens competitivas para luz que plantas 
pequenas	e	prostradas	(ZIMDAHL,	2018).	
O	 sombreamento	 leva	 a	 redução	 da	 fotossíntese,	 levando	 ao	 baixo	
crescimento	radicular,	reduzindo	a	capacidade	de	absorção	de	água	e	nutrientes.	
A	 tolerância	 ao	 sombreamento	 é	 diferente	 entre	 plantas	 daninhas	 e	 plantas	
cultivadas.	 As	 espécies	 daninhas	 além	 de	 serem	 adaptadas	 a	 alta	 radiação	
possuem	mecanismos	adaptativos	para	variações	extremas	de	luz,	principalmente	
sombreamento	 extremo.	O	 controle	 dessas	 espécies	 através	 do	manejo	 da	 luz	
pode	ser	ineficiente.	
56
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
2.4 COMPETIÇÃO POR ESPAÇO/GÁS CARBÔNICO
Competição por espaço está relacionado a habilidade de captação e 
fixação	de	gás	carbônico.	Plantas	do	tipo	C4	são	mais	eficientes	na	utilização	de	
gás	carbônico	que	plantas	do	tipo	C3.	
•	 Metabolismo	C3: é	o	ciclo	fotossintético	básico	para	produção	de	carboidratos	
nos	 vegetais,	 que	 não	 possuem	 adaptações	 fotossintéticas	 para	 reduzir	 a	
perda	de	carbono	através	da	fotorrespiração.	A	maioria	das	espécies	vegetais	
possuem o ciclo C3. 
Fotorrespiração: via metabólica na qual a enzima responsável pela fixação do 
carbono (RUBISCO) atua fixando o oxigênio no lugar do gás carbônico, causando menor 
eficiência na assimilação do gás carbônico, principalmente em alta incidência luminosa e 
alta temperatura.
NOTA
•	 Metabolismo	C4: é	a	via	fotossintética	adaptativa	de	algumas	espécies	de	plantas	
onde	ocorre	uma	fixação	prévia	do	gás	carbônico,	aumentando	a	eficiência	na	
fixação	e	assimilação	pela	Rubisco.	Aqui	também	ocorre	o	Ciclo	C3,	mas	ele	
é	 espacialmente	 separado	 no	 tecido	 vegetal.	 São	 espécies	 adaptadas	 a	 altas	
intensidades	luminosas	e	altas	temperaturas.	Esse	ciclo	é	típico	de	gramíneas	
tropicais	(família	Poaceae)	e	também	ocorre	em	Cyperaceae	e	Chenopodiaceae.	
Com relação às espécies daninhas, oito entre as dez plantas invasoras mais 
importantes na agricultura possuem metabolismo C4. Além de serem mais eficientes na 
fixação de gás carbônico, elas são mais eficientes no uso da água.
NOTA
Acadêmico,	veremos	as	características	gerais	de	plantas	competitivas.
• Crescimento rápido.
•	 Folhas	grandes.
•	 Folhas	horizontais	em	ambientes	sombreados	e	folhas	inclinadas	em	ambientes	
ensolarados.
TÓPICO 4 - INTERFERÊNCIA NEGATIVA DE PLANTAS DANINHAS AO CRESCIMENTO, DES. E PRODUTIVIDADE DOS CULTIVOS
57
•	 Metabolismo	C4.
•	 Folhas	dispostas	para	melhor	interceptação	de	luz.
•	 Alta	capacidade	de	alocar	massa	seca	para	crescimento	em	altura.
•	 Extensão	rápida	do	caule	em	resposta	ao	sombreamento.
•	 Fácil	penetração	no	solo	e	crescimento	radicular	rápido.
• Boa densidade radicular.
ᵒ	 Comprimento	radicular	maior	em	relação	ao	seu	peso.
ᵒ	 Boa	proporção	de	raízes	com	crescimento	ativo.
ᵒ	 Alta	quantidade	de	pelos	radiculares.
ᵒ	 Alto	potencial	de	absorção	de	água	e	nutrientes.
2.5 DURAÇÃO DA COMPETIÇÃO
Com	 relação	 à	duração	da	 competição,	 podemos	 avaliar	dois	 aspectos:	
o	efeito	da	emergência	das	plantas	daninhas	 junto	à	planta	cultivada	e	quanto	
tempo	é	permitido	que	elas	cresçam	juntas	antes	de	um	controle;	e	o	efeito	das	
plantas	daninhas	que	emergem	após	as	plantas	cultivadas	já	estarem	estabelecidas	
no	solo.	Podemos	permitir	o	crescimento	de	plantas	daninhas	até	certo	período	
antes	que	seus	efeitos	competitivos	causem	perda	de	produtividade.	Assim	como	
se	as	plantas	daninhas	emergirem	apóscerto	período	do	cultivo	já	estabelecido,	
não	haverá	necessidade	de	controle	até	o	momento	da	colheita.	
A	 partir	 dessas	 avaliações,	 podemos	 definir	 o	período crítico,	 a	 partir	
do	 qual	 se	 não	 houver	 o	 controle	 da	 espécie	 daninha,	 inicia-se	 a	 perda	 da	
produtividade da planta cultivada ou se a planta daninha se estabelecer após 
ele,	 não	 precisará	 ser	 controlada.	 Esse	 período	 crítico,	 em	 que	 as	 espécies	
daninhas podem ter vantagens competitivas está relacionado primariamente 
com a competição por luz. O quadro a seguir mostra alguns períodos críticos de 
algumas plantas cultivadas e a percentagem de redução na produtividade das 
mesmas	se	não	houver	o	controle	das	plantas	daninhas	(ZIMDAHL,	2018).	
Planta cultivada Período crítico (dias) % de redução da produção
Trigo 30-45 20-40
Milho 40-60 40-60
Ervilha 30-45 20-30
Lentilha 30-60 20-30
Soja 20-45 40-60
Girassol 30-45 30-60
Linhaça 20-45 30-40
Canola 30-50 30-35
Amendoim 40-60 40-50
QUADRO 12 – PERÍODO CRÍTICO DE ESPÉCIES CULTIVADAS EM DIAS E PERCENTAGEM DE 
REDUÇÃO DA PRODUÇÃO SE NÃO HOUVER CONTROLE DAS ESPÉCIES DANINHAS
58
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
Cana-de-açúcar 30-120 20-30
Algodão 15-60 40-50
Batata 20-40 30-60
FONTE: Adaptado de Zimdhal (2018)
2.6 EFEITO DA DENSIDADE DE PLANTAS DANINHAS
O efeito da densidade de plantas daninhas nas plantas cultivadas pode 
afetar	ou	não	a	produtividade.	Baixas	densidades	de	espécies	daninhas	podem	
não	 influenciar	 na	produtividade	de	uma	 espécie	 cultivada,	 ou	 se	 houver	 um	
efeito,	 ele	 é	 irrelevante	do	ponto	de	vista	econômico.	Às	vezes,	o	gasto	 com	o	
manejo	de	plantas	daninhas	não	irá	compensar,	pois,	no	final,	não	vai	influenciar	
na melhoria da produtividade da planta cultivada. 
É	claro	que	isso	precisa	ser	avaliado,	de	acordo	com	as	características	da	
planta	cultivada	e	das	espécies	daninhas	e	quanto	tempo	ambas	vão	conviver	no	
mesmo	ambiente.	Com	relação	à	densidade,	existe	diversos	modelos	preditivos	
que	podem	ser	usados	para	avaliar	a	necessidade	ou	não	do	manejo	de	daninhas	
em uma lavoura.
3 ALELOPATIA
Acadêmico,	aqui	compreenderemos	o	conceito	de	alelopatia	e	como	ela	
interfere nas relações competitivas entre plantas daninhas e plantas cultivadas. 
Também	esse	conceito	pode	ser	aplicado	no	controle	de	plantas	daninhas.	
Alelopatia	 são	 as	 interações	 químicas	 que	 ocorrem	 entre	 plantas,	
entre plantas e microrganismos e outros seres vivos. Essa interação pode ter 
efeitos	 inibitórios	ou	estimulantes,	 atuando	 sobre	a	germinação,	 crescimento	e	
desenvolvimento.	 Com	 relação	 às	 plantas	 daninhas,	 a	 alelopatia	 geralmente	
apresenta efeito inibitório sobre as plantas cultivadas. 
Os compostos químicos com efeitos alelopáticos em geral são provenientes 
do	metabolismo	secundário	vegetal.	Um	metabólito	secundário	é	um	composto	
que	 não	 possui	 distribuição	 universal	 e	 não	 tem	 função	 fisiológica	 essencial	
para que a planta complete seu desenvolvimento. Eles atuam em atividades de 
defesa	vegetal	 contra	patógenos,	 herbivoria	 e	no	 aumento	da	 competitividade	
da	 espécie.	 Muitos	 desses	 compostos	 apresentam	 fitotoxicidade,	 podendo	 ser	
utilizados como herbicidas naturais ou no desenvolvimento de novos herbicidas 
sintéticos	(TAIZ;	ZEIGER,	2014).	
TÓPICO 4 - INTERFERÊNCIA NEGATIVA DE PLANTAS DANINHAS AO CRESCIMENTO, DES. E PRODUTIVIDADE DOS CULTIVOS
59
Os	compostos	alelopáticos	variam	enormemente,	desde	simples	moléculas	
até	substâncias	complexas,	podendo	ser	aminoácidos	e	peptídeos,	 terpenóides,	
esteroides,	taninos,	alcaloides,	glicosídeos,	fenólicos,	cumarinas,	ácidos	orgânicos,	
aldeídos	alifáticos	e	cetonas,	lactonas,	naftoquinonas,	antraquinonas	e	quinonas	
(TAIZ;	ZEIGER,	2014).	
Nome comum Classe química Fontes naturais
Ácido	acético Ácido alifático Palha decomposta
Alil-isotiocianato Tiocianato Mostarda
Arbutina Fenólico Uva-ursina
Cafeína Alcalóide Cafezeiro
Cânfora Monoterpeno Salvia spp.
Ácido	cinâmico Ácido aromático Cinamommum spp.
Ácido gálico Tanino Carvalho,	arvore-do-chá
Juglona Quinona Nogueira
Patulina Lactona	simples Penicillium (fungo)
Florizina Flavonoide Raiz	de	macieira
Psoraleno Furanocumarina Psoralea spp.
QUADRO 13 – LISTA COM ALGUNS COMPOSTOS ALELOPÁTICOS E SUAS FONTES, QUE PO-
DEM TER EFEITOS SOBRE O DESENVOLVIMENTO DAS PLANTAS
FONTE: Adaptado de Putnam (1983)
3.1 PRODUÇÃO DE COMPOSTOS ALELOPÁTICOS 
A	produção	de	compostos	alelopáticos	varia	de	acordo	com	o	ambiente	
e	 com	 estresses	 ambientais	 aos	 quais	 as	 plantas	 estão	 sujeitas.	 Podem	ocorrer	
em	qualquer	 órgão	vegetal,	mas	 geralmente	 são	 encontrados	nas	 raízes,	 casca	
de	 caules,	 folhas	 e	 nas	 sementes.	O	 estresse	 ambiental	 é	 o	 principal	 fator	 que	
aumenta a produção de um composto alelopático em uma planta. Essa produção 
é	 influenciada	 pela	 intensidade,	 qualidade	 e	 duração	 da	 luz,	 já	 que	 depende	
da rota respiratória vegetal para ser produzido. Os compostos alelopáticos são 
liberados	no	ambiente	por	diferentes	mecanismos	(TAIZ;	ZEIGER,	2006).
3.1.1 Volatilização
	Para	que	esse	mecanismo	ocorra,	os	compostos	alelopáticos	precisam	ser	
voláteis.	A	classe	de	compostos	voláteis	vegetais	é	chamada	de	óleos	essenciais	e	
se	encontram	armazenados	na	epiderme	das	folhas,	em	estruturas	especializadas	
chamadas	 tricomas	 glandulares.	 Também	 as	 plantas	 produzem	 substâncias	
voláteis	nas	flores,	 compostos	aromáticos	para	atração	de	polinizadores.	Esses	
compostos	são	liberados	dos	tricomas	facilmente,	através	do	calor	do	sol,	vento	e	
através	do	contato	físico.	Plantas	da	família	Asteraceae	e	Lamiaceae	são	ricas	em	
espécies	com	compostos	voláteis.	
60
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
3.1.2 Lixiviação 
Os	compostos	alelopáticos	são	lixiviados	das	folhas	através	da	chuva	ou	
orvalho	e	levados	até	o	solo.	Geralmente,	eles	ficam	armazenados	no	vacúolo	das	
células	ou	na	própria	epiderme,	como	ácidos	orgânicos,	açúcares,	aminoácidos,	
substâncias	pécticas,	terpenóides,	alcaloides	e	fenólicos.
3.1.3 Decomposição 
A	liberação	dos	aleloquímicos	pode	ocorrer	pela	decomposição	das	células	
das	folhas,	pela	lixiviação	de	folhas	caídas	ou	produzidos	pelos	microrganismos	
decompositores.	Resíduos	de	cafezeiro,	milho	e	trigo	depositados	no	solo	podem	
liberar	composto	tóxicos	e	inibir	a	germinação	de	espécies	daninhas	no	local.	
3.1.4 Exsudação 
São	 os	 compostos	 liberados	 pelas	 plantas	 através	 das	 raízes.	 Podem	
ser	 exsudatos	diretamente	pelas	 células	vivas,	ou	através	da	decomposição	de	
células	mortas,	além	da	possibilidade	de	serem	produzidas	por	microrganismos	
associados as raízes. 
 
3.2 MODO DE AÇÃO DOS COMPOSTOS ALELOPÁTICOS 
 
Os	 compostos	 alelopáticos	 interferem	 nas	 atividades	 fisiológicas	 das	
plantas:	fotossíntese,	respiração,	assimilação	de	nutrientes,	síntese	de	proteínas,	
atividades enzimáticas e permeabilidade celular; levando a alterações no 
crescimento e desenvolvimento vegetal. 
• Divisão celular:	 algumas	 substâncias	 reduzem	 a	divisão	 ou	 o	 alongamento	
celular.
• Síntese orgânica: pode ocorrer inibição da síntese de proteínas e outros 
compostos	 primários	 da	 planta.	 Alguns	 compostos	 fenólicos	 atuam	 dessa	
maneira,	mas	nem	todos	acabam	inibindo	a	síntese	de	compostos.
• Interação com hormônios: causam alterações nas concentrações hormonais 
de	 auxinas	 e	 giberelinas,	 hormônios	 diretamente	 relacionados	 à	 divisão	 e	
alongamento celular.
• Atividade enzimática:	 alguns	compostos	 inibem	a	atividade	de	proteinases,	
catalases,	peroxidases,	fosforilases	etc.,	alterando	o	metabolismo	vegetal.
• Respiração:	 os	 compostos	 aleloquímicos	 podem	 atuar	 diminuindo	 a	 taxa	
respiratória.	Podem	interferir	na	síntese	de	ATP	e	a	absorção	de	oxigênio	na	
mitocôndria.
TÓPICO 4 - INTERFERÊNCIA NEGATIVA DE PLANTAS DANINHAS AO CRESCIMENTO, DES. E PRODUTIVIDADE DOS CULTIVOS
61
• Fotossíntese:	 atuam	 inibindo	 alguma	 etapa	 da	 fotossíntese,	 causando	
diminuição	 ou	 inibição	 da	 taxa	 fotossintética.A	 escopoletina,	 cumarina	
presente nas raízes de plantas do gênero Scopolia,	reduz	a	taxa	fotossintética,	
assim	como	o	sorgoleone,	exsudato	radicular	de	plantas	de	sorgo.	
•	 Conteúdo	 de	 clorofila:	 nesse	 caso,	 os	 compostos	 atuam	 aumentando	 a	
degradação	da	clorofila	ou	inibindo	a	sua	síntese,	causando	sintoma	clássico	
da clorose foliar. 
• Absorção mineral: os compostos alelopáticos interferem na absorção de 
nutrientes,	através	da	alteração	da	seletividade	nas	membranas	celulares.	
4 PARASITISMO 
Plantas	 daninhas	 parasitas	 são	 espécies	 que	 precisam	 obter	 nutrientes	
de	outras	espécies	vegetais,	chamadas	de	hospedeiras.	Elas	possuem	estruturas	
especializadas,	 os	 haustórios,	 que	 penetram	 nos	 feixes	 vasculares	 da	 planta	
hospedeira,	 absorvendo	 água	 e	 nutrientes.	 Existem	 duas	 classes	 de	 plantas	
parasitas:
4.1 PARASITAS HEMIPARASITAS
Possuem	clorofila	e	são	 fotossintetizantes	pelo	menos	em	alguma	parte	
de seu ciclo de vida. São divididas em outros dois grupos: as facultativas e as 
obrigatórias. Facultativas	 são	espécies	que	completam	seu	ciclo	de	vida	sem	a	
necessidade de um hospedeiro. Já as obrigatórias necessitam de um hospedeiro 
para	completar	o	seu	ciclo	de	vida.	Essas	espécies	geralmente	retiram	água	e	sais	
minerais	dos	feixes	xilemáticos	e	se	aproveitam	do	posicionamento	para	melhor	
captação de sol. 
4.2 PARASITAS HOLOPARASITAS
São	 plantas	 que	 não	 possuem	 clorofila	 e	 necessitam	 captar	 todos	 os	
recursos	da	espécie	hospedeira.	Possuem	modificações	morfofisiológicas,	como	
redução	do	corpo	vegetativo	e	perda	completa	dos	cloroplastos.	As	folhas,	por	
exemplo,	desaparecem	ou	estão	reduzidas	na	forma	de	brácteas.	Outras	espécies	
perdem	o	tecido	caulinar,	vivendo	no	subterrâneo,	dentro	dos	tecidos	da	planta	
hospedeira. 
62
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
Você pode ver mais detalhes sobre plantas parasitas através desse portal: 
https://parasiticplants.siu.edu/.
DICAS
Com	relação	às	plantas	cultivadas,	cerca	de	30	gêneros	de	angiospermas	
parasitas	 causam	 impactos	 econômicos,	 principalmente	 porque	 os	 herbicidas	
geralmente	 são	 ineficazes.	 No	 quadro	 a	 seguir,	 você	 encontra	 uma	 lista	 de	
espécies	parasitas	encontradas	nas	culturas	agrícolas.
Espécie Planta cultivada
Alectra fluminensis Cana-de-açúcar
Alectra orobanchoides Tabaco,	girassol
Alectra picta Amendoim,	feijão
Alectra sessiflora Niger 
Alectra vogelii Feijão	fradinho,	amendoim
Cuscuta australis Soja
Cuscuta campestres Alfafa,	beterraba,	fava,	cenoura
Cuscuta chinensis Alfafa,	soja
Cuscuta epilinum Linho
Cuscuta gronovii Videira,	Citrus,	cranberry
Cuscuta indecora Alfafa
Cuscuta monogyna Videira,	citrus
Cuscuta palaestina Leguminosas	forrageiras
Cuscuta pedicellata Leguminosas	forrageiras
Cuscuta racemosa Tomate,	pimentão,	batata,	cenoura,	café,	citrus
Cuscuta reflexa Citrus,	café,	pêssego	
Orobanche crenata Ervilha,	lentilha,	fava,	grão-de-bico
Orobanche cumana Girassol,	tabaco,	tomate,	batata
Orobanche foetida Alfafa,	fava
Orobanche minor Alfafa,	
Orobanche racemosa Tomate,	tabaco,	beringela,	lentilha,	abóbora
Striga Milho,	sorgo,	milheto,	arroz,	cana-de-açúcar
Striga Milho,	sorgo,	arroz,	cana-de-açúcar
Striga forbesii Milho,	sorgo,	cana-de-açúcar
Striga gesneroides Tabaco,	feijão	fradinho
Struthanthus concinnus Frutíferas	
QUADRO 14 – ESPÉCIES PARASITAS DANINHAS E AS PRINCIPAIS CULTURAS AGRÍCOLAS AFETADAS
FONTE: Adaptado de Kroschel (2001)
TÓPICO 4 - INTERFERÊNCIA NEGATIVA DE PLANTAS DANINHAS AO CRESCIMENTO, DES. E PRODUTIVIDADE DOS CULTIVOS
63
ERVAS DANINHAS DESAFIAM AGROTÓXICOS E CUSTAM BILHÕES 
POR ANO AO PAÍS
João	Rodrigo	Maroni
Em	meio	aos	debates	em	 torno	do	uso	de	agrotóxicos	pelo	Brasil,	uma	
coisa	 é	 certa	 no	 agronegócio:	 um	 dos	 maiores,	 senão	 o	 maior	 custo	 para	 os	
agricultores,	é	o	combate	às	plantas	daninhas.	Elas	competem	com	todos	os	tipos	
de	 lavoura,	 tornando	 inviável	a	produção	de	alimentos	em	larga	escala	se	não	
forem controladas.
A	opinião	é	compartilhada	por	produtores	e	pesquisadores.	O	tamanho	
do rombo na produtividade – e no bolso do agricultor – depende de fatores como 
clima,	tamanho	da	infestação	e	tipo	de	controle	feito	na	cultura.	Mas	em	alguns	
casos	a	perda	pode	chegar	a	80%	da	produção,	se	nada	for	feito.
Segundo	o	engenheiro	agrônomo	Fernando	Adegas,	da	Embrapa	Soja,	um	
produtor	de	soja	costuma	desembolsar	de	US$	10	a	até	US$	150	por	hectare	com	
herbicidas	para	o	controle	de	ervas	daninhas,	mas,	na	média	brasileira,	gasta-se	
na	faixa	de	US$	35	a	US$	70.	Numa	conta	rápida,	considerando-se	essa	média,	o	
país	gastaria	anualmente	entre	US$	1,25	bilhão	e	US$	2,51	bilhões	(até	R$	10,39	
bilhões,	com	o	dólar	a	R$	4,14)	com	herbicidas	para	a	lavoura	de	soja	-	numa	área	
estimada	de	quase	36	milhões	de	hectares.	Já	no	milho,	para	uma	área	estimada	
de	17	milhões	de	hectares,	seriam	gastos	mais	R$	2,15	bilhões,	ou	US$	520	mil.
Segundo	Adegas,	 quanto	 maior	 o	 tamanho	 da	 área	 plantada,	 maior	 é	
a	 probabilidade	 de	 problemas	 aparecerem.	 A	 menor	 diversidade	 de	 culturas	
também	 favorece	 as	 ervas,	 pois	 elas	 passam	 com	mais	 facilidade	 para	 a	 safra	
seguinte.	 “A	 rotação	de	 culturas	ajuda	a	quebrar	o	 ciclo	das	plantas	daninhas.	
Também	é	importante	diversificar	o	controle	alternando	os	produtos	químicos	e	
os	métodos	de	aplicação.	Não	é	utilizar	mais	agroquímicos”,	esclarece	Adegas.
No	caso	das	lavouras	de	milho,	o	cereal	que	é	plantado	no	verão	sofre	um	
ataque	mais	agressivo	das	plantas	daninhas,	por	isso	necessita	de	mais	herbicida.	
“Gasta-se	em	torno	de	US$	30	por	hectare,	só	com	o	produto	químico,	fora	o	custo	
do	 trator	e	mão	de	obra”,	diz	Décio	Karam,	pesquisador	da	Embrapa	Milho	e	
Sorgo	e	integrante	do	Conselho	Científico	Agro-Sustentável	(CCAS).	Ele	afirma	
que	em	uma	 lavoura	de	milho	podem	haver	até	15	 tipos	diferentes	de	plantas	
daninhas.
Essa	variedade	impede	que	se	faça,	por	exemplo,	um	controle	biológico	
das	 ervas	 daninhas.	A	 outra	 alternativa	 ao	 uso	 de	 herbicidas	 seria	 o	 controle	
mecânico,	 ou	 seja,	 com	 roçadeira	 ou	 enxada.	De	 qualquer	 forma	 são	 soluções	
inviáveis	economicamente	para	grandes	áreas.	Uma	saída	é	ter	uma	boa	cobertura	
LEITURA COMPLEMENTAR
64
UNIDADE 1 - BIOLOGIA DE PLANTAS DANINHAS
de	palhada	 (restos	da	 cultura	 anterior),	 que	 ajuda	 a	 evitar	 o	uso	 excessivo	de	
agroquímicos.	Estes,	porém,	não	podem	ser	deixados	100%	de	lado,	segundo	os	
pesquisadores da Embrapa.
De tirar o sono dos agricultores
Umas	das	plantas	daninhas	que	mais	dão	dor	de	cabeça	aos	produtores	
de	soja	são	as	resistentes	ao	glifosato.	Entre	elas	a	buva	e	o	capim	amargoso.	“A	
buva	não	é	uma	planta	perene,	é	anual.	O	controle	dela	deve	ser	feito	antes	da	
semeadura	da	soja.	Com	duas	aplicações	você	consegue	fazer	bom	controle.	Já	o	
amargoso	é	perene,	então	necessita	de	três	ou	quatro	aplicações”,	ensina	Adegas.
Na	cultura	de	milho,	as	maiores	vilãs	são	as	gramíneas,	conforme	explica	
Karam,	como	o	amargoso	e	pé-de-galinha	(esse	também	resistente	ao	glifosato).	
Tem	 ainda	 o	 capim	 timbete,	 que	 mesmo	 não	 sendo	 resistente	 ao	 glifosato	 é	
bastante	agressivo,	e	as	chamadas	folhas	largas,	como	a	corda	de	viola,	que	tem	
germinação escalonada e mesmo usando-se um herbicida ainda há possibilidade 
de continuar surgindo.
	 “Não	dá	para	dizer,	por	 exemplo,	que	o	milho	é	mais	 competitivo	do	
que	a	soja	[em	ser	resistente	a	ataques	de	plantas	daninhas].	Todas	as	culturas	
perdem	 com	 uma	 infestação.	 À	 competição	 com	 essas	 ervas,	 dependendo	 da	
espécie,	 densidade,	 população	 e	 distribuição	 delas,	 cada	 cultivar	 responde	 de	
forma	diferente”,	salienta	Karam.
Resistência aos herbicidas
Entretanto,	o	uso	frequente	e	muitas	vezes	incorreto	dos	herbicidas	acaba	
criando	resistência	nas	plantas	daninhas,	dificultando	o	controle.	Para	Luís	Carlos	
Cavalcante,	gerente	geral	da	Oro	Agri	na	América	do	Sul,	empresa	especializada	
em	soluções	para	o	controle	de	ervas	daninhas,	os	herbicidas	não	têm	controleeficiente	 de	 plantas	 como	 a	 buva,	 trapoeraba	 e	 erva	 quente,	 entre	 outras.	 E	
a	cada	ano	o	prejuízo	é	maior	por	causa	da	 infestação	e	de	sua	capacidade	de	
multiplicação.
“Mais	importante	do	que	o	custo	do	herbicida	é	saber	se	esse	custo	está	
se	revertendo	em	produção.	Com	as	tecnologias	atuais,	gasta-se	muito	e	não	se	
tem controle sobre plantas daninhas de difícil controle. Tem produtor fazendo 
quatro	aplicações	para	capim	amargoso	ou	buva,	e	ainda	no	meio	do	ciclo	tem	
que	usar	mais	um	pós-emergente”,	afirma	Cavalcante.	Atualmente,	estima-se	que	
os	produtores	gastem	de	R$	250	a	R$	400	por	hectare	na	tentativa	de	controle	de	
plantas	daninhas.	É	o	equivalente	a	15	sacas	de	soja	por	hectare.
 
Além	de	utilizar	produtos	de	origem	idônea	e	que	são	comprovadamente	
eficientes,	é	preciso,	lembra	Cavalcante,	ter	qualidade	na	aplicação,	observando-
se	o	estágio	da	planta	e	os	fatores	climáticos,	que	podem	afetar	a	ação	do	produto,	
como	 vento	 e	 chuva.	Não	 adiantaria	 aplicar	 sempre	 o	mesmo	 herbicida,	 pois	
TÓPICO 4 - INTERFERÊNCIA NEGATIVA DE PLANTAS DANINHAS AO CRESCIMENTO, DES. E PRODUTIVIDADE DOS CULTIVOS
65
com	 o	 tempo	 ele	 vai	 selecionando	 no	 campo	 as	 plantas	mais	 resistentes,	 que	
permanecem.	“Essa	resistência	natural	já	existe	no	campo.	Por	isso	é	importante	
mudar	o	modo	de	ação	e	o	ativo	químico”,	argumenta.
Já	Adegas	observa	que	a	 transgenia	hoje	existente	em	grande	parte	das	
culturas oferece oportunidades para se utilizar herbicidas que antes não eram 
possíveis,	como	o	próprio	glifosato.	Mas	isso	também	cria	oportunidades	de	criar	
resistência.	“Em	qualquer	controle	químico,	se	você	usar	uma	única	transgenia	
relacionada a um tipo de agroquímicos você vai criar populações mais resistentes 
a esse produto”.
Outro	 complicador	 é	 o	 clima	 tropical	 brasileiro.	 O	 calor	 e	 a	 umidade	
aumentam	a	competição	entre	as	plantas.	E	se	houver	estresse	hídrico,	as	ervas	
daninhas	têm	capacidade	adaptativa	melhor,	dizem	os	pesquisadores,	pois	são	
mais	rústicas	e	propensas	a	condições	de	estresse	a	cultura.	“As	plantas	geram	
mais	 ciclos	do	que	no	 clima	 temperado,	onde	elas	produzem	apenas	um	ciclo	
de	sementes.	Aqui	temos	plantas	daninhas	com	até	cinco	ou	seis	ciclos”,	explica	
Adegas.
 
Por	 isso,	 quem	 fizer	 o	 manejo	 correto	 larga	 na	 frente	 nessa	 disputa.	
Segundo	Karam,	a	aveia,	a	braquiária,	que	são	 tipos	para	a	cobertura	do	solo,	
ajudam	a	diminuir	muito	 a	 incidência	de	plantas	daninhas.	 “Mas	 tem	que	 ter	
densidade	adequada	na	lavoura,	com	plantio	na	época	correta.	E	os	agroquímicos	
precisam	ser	 aplicados	na	dose	e	no	estágio	 correto	 indicado	para	a	 lavoura”,	
ensina.	Neste	caso,	o	controle	químico	–	sem	exageros	–	funcionará	melhor,	como	
um grande aliado.
FONTE: <https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/ervas-daninhas-desafiam-agrotoxi-
cos-e-custam-bilhoes-por-ano-ao-pais/>. Acesso em: 4 jun. 2020.
66
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
•	 Plantas	daninhas	e	plantas	cultivadas	competem	entre	si	por	nutrientes,	água,	
luz	e	gás	carbônico.
• O nível de competição entre duas plantas vai depender das características 
morfológicas	das	duas	espécies	e	seus	requerimentos	nutricionais.
•	 Geralmente	as	plantas	daninhas	 têm	maior	capacidade	de	absorção	de	água	
e	nutrientes	do	solo,	crescem	mais	rápido,	são	mais	vigorosas	e	resistentes	as	
alterações ambientais do que as plantas cultivadas.
•	 Existe	um	período	crítico,	que	varia	entre	as	espécies	cultivadas,	a	partir	do	
qual	as	plantas	daninhas	causarão	perda	da	produtividade	dessa	espécie.
•	 Alelopatia	é	a	interação	química	entre	duas	espécies	vegetais,	que	pode	ou	não	
ser	maléfica.
•	 As	plantas	podem	liberar	compostos	alelopáticos	de	diversas	maneiras	e	esses	
compostos	 podem	 afetar	 a	 germinação,	 desenvolvimento	 e	 crescimento	 das	
plantas cultivadas. 
• Plantas parasitas necessitam absorver nutrientes de outras plantas para se 
desenvolver	e	reproduzir.	Algumas	espécies	são	completamente	dependentes	
do	parasitismo,	não	possuindo	clorofila,	nem	folhas.	
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
67
1		A	 competição	 entre	plantas	 envolve	diversos	 fatores	 que	dependem	das	
espécies	que	estão	sendo	analisadas.	Com	relação	às	plantas	daninhas,	quais	
características estudadas as tornam competitivas com as plantas cultivadas.
2		A	interferência	das	plantas	daninhas	sobre	o	desenvolvimento	e	produção	
das	 plantas	 cultivadas,	 através	 do	 fenômeno	 chamado	 alelopatia,	
caracteriza-se por um efeito:
a)	(				)	Físico,	de	impedimento	da	germinação	das	plantas	cultivadas	através	
da luz.
b)	(		 	)	Biológico,	de	microorganismos	predadores	das	plântulas	das	plantas	
cultivadas.
c)	(				)	Químico,	pela	liberação	de	compostos	orgânicos	no	ambiente	a	partir	
de uma planta doadora para uma planta receptora.
d)	(				)	De	associação	de	efeitos	biológicos	e	físicos.	
3		O	grau	de	competição	que	a	infestação	de	plantas	daninhas	exerce	sobre	
a	 produção	 das	 culturas,	 quando	 em	 convivência,	 é	 afetado	 por	 fatores	
ligados	 à	 cultura	 e	 à	 planta	 daninha,	 destacando-se	 dentre	 os	 fatores:	
espécie,	densidade,	distribuição	e	duração	da	convivência.	Com	relação	à	
duração	de	competição	é	correto	afirmar	que:
a)	(	 	 	 	 )	Apenas	 as	 plantas	 daninhas	 que	 emergem	 ao	mesmo	 tempo	 das	
plantas cultivadas competem com a cultura.
b)	(	 	 	 	 )	As	plantas	daninhas	que	emergem	durante	as	fases	finais	do	ciclo	da	
cultura	exercem	maior	competição	com	a	cultura.
c)	(	 	 )	 As	 plantas	 daninhas	 que	 emergem	 durante	 as	 fases	 iniciais	 do	
desenvolvimento	 da	 planta	 cultivada	 exercem	maior	 competição	 com	 a	
cultura.
d)	(					)	O	grau	de	competição	entre	as	plantas	daninhas	e	a	cultura	independe	
da fase de desenvolvimento da cultura.
AUTOATIVIDADE
68
69
UNIDADE 2 - 
MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS 
DANINHAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender os conceitos de Prevenção e Erradicação de Plantas Dani-
nhas;
• entender os diferentes processos de Controle de Plantas Daninhas: Físico, 
Mecânico, Cultural, Biológico e Químico;
• analisar o Manejo Integrado de Plantas Daninhas e sua importância na 
eficácia do controle de espécies daninhas;
• aprender o que é um herbicida, como se classifica essas moléculas e seu 
histórico de uso;
• compreender os mecanismos de interação do herbicida com a planta da-
ninha, com outros seres vivos e com o ambiente.
Esta unidade está dividida em dois tópicos. No decorrer da unidade 
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo 
apresentado. 
TÓPICO 1 – MÉTODOS DE MANEJO DE PLANTAS DANINHAS
TÓPICO 2 – INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
70
71
TÓPICO 1 - 
UNIDADE 2
MÉTODOS E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS
1 INTRODUÇÃO 
Olá, acadêmico, na unidade anterior aprendemos a base da Biologia 
de Plantas Daninhas e, agora, entenderemos quais os processos envolvidos no 
Controle e Manejo de Plantas Daninhas. 
Neste momento, você já sabe o que é uma planta daninha, a importância 
de as estudar, qual sua origem e como elas evoluem. Também aprendeu como 
identificar e classificar as espécies daninhas, como elas se reproduzem e se 
dispersam, quais seus mecanismos de sobrevivência e como essas espécies 
interferem negativamente na produtividade das culturas.
Neste tópico, encontraremos qual o conceito de controle e de manejo de 
plantas daninhas, como fazer a prevenção e erradicação de plantas daninhas e 
todos os métodos de controle de plantas daninhas: Físico, Mecânico, Biológico, 
Cultural, Químico e Integrado. 
Não se esqueça, no final do tópico, encontraremosum resumo com as 
principais ideias abordadas no texto e as autoatividades para fixar o conhecimento 
adquirido.
 
Bons estudos!
2 CONCEITOS DE CONTROLE E MANEJO DE PLANTAS 
DANINHAS
 
O controle de plantas daninhas é o processo de limitar as infestações de 
espécies daninhas em uma área de cultivo, de maneira que as plantas cultivadas 
cresçam sem interferências e as atividades humanas possam se desenvolver 
adequadamente na área. Esse processo deve ser aplicado controladamente, 
envolvendo o estudo, avaliações dos melhores métodos e dos riscos, cálculo de 
gastos e possíveis prejuízos, entre outros. 
 
Acadêmico, você precisa compreender que o conceito de manejo de 
plantas daninhas é diferente de controle. O controle envolve eliminar ou diminuir 
as espécies daninhas já encontradas na área cultivada. Já no manejo, existe um 
sistema de planejamento completo do uso da terra, de modo que a invasão de 
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
72
plantas daninhas seja minimizada, principalmente as espécies mais agressivas, 
e que as plantas cultivadas possuam capacidade competitiva superior às plantas 
daninhas que ainda consigam crescer nesse ambiente (ZIMDAHL, 2018).
A abordagem sistêmica no controle de plantas daninhas chama-se Manejo 
Integrado de Plantas Daninhas. Essa abordagem vai envolver planejamento e combinação 
de diferentes métodos de controle, a fim de que as populações de espécies daninhas 
se mantenham em níveis adequados, não interferindo na produtividade da lavoura, e, 
consequentemente, em perdas econômicas. Nesta unidade, você aprenderá como integrar 
os métodos de controle para atingir esses objetivos.
IMPORTANT
E
Antes de entrar nas características do manejo integrado, você precisa 
conhecer os métodos de controle de plantas daninhas. A primeira coisa a se pensar 
é como controlar ou erradicar espécies daninhas já presentes na lavoura ou na 
área a ser cultivada e também como fazer a prevenção, para que não ocorra a 
entrada de novas plantas daninhas no local, seja antes, durante ou após a lavoura 
ser colhida (ZIMDAHL, 2018).
 
Existem diversos métodos de controle das espécies daninhas, divididos 
em controle físico, cultural, mecânico, biológico e químico. Recomenda-se que 
se utilize um manejo sustentável, que envolva todas as ferramentas e métodos 
disponíveis para o controle dessas espécies durante a produção de culturas, 
garantindo produtividade máxima e preservação do meio ambiente. Deve-se 
considerar que os custos para esse manejo não ultrapassem as perdas devido à 
interferência das espécies daninhas. 
3 PREVENÇÃO
Em qualquer área a ser preparada para o cultivo ocorrerá a presença de 
espécies daninhas. O que pode ser feito é evitar que essas espécies se desenvolvam 
antes do cultivo e também evitar que novas espécies sejam introduzidas no 
local. A prevenção no controle de plantas daninhas envolve inibir a entrada de 
propágulos e diásporos na área cultivada e também inibir o estabelecimento e a 
disseminação de espécies daninhas já encontradas no local, para outras áreas de 
cultivo (ZIMDAHL, 2018).
 
O primeiro passo é evitar que os equipamentos utilizados no preparo do 
solo estejam bem lavados, para evitar que tragam sementes ou partes vegetativas 
de plantas daninhas para o local onde será implementado a lavoura. Também 
TÓPICO 1 - MÉTODOS E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS
73
deve-se tomar cuidado com as roupas dos trabalhadores, quando entram numa 
área ou se locomovem de um cultivo para o outro. Existem várias espécies que 
são propagadas pelo ser humano, com frutos que se fixam nas roupas ou na terra 
das solas dos sapatos (DEUBER, 1992).
Com relação às plantas cultivadas, é necessário tomar cuidado com as 
mudas adquiridas com terra proveniente de outros locais e com a fonte de matéria 
orgânica (esterco ou composto), que deverá estar completamente fermentado 
e em repouso. Além disso, recomenda-se a utilização de sementes de elevada 
pureza e as áreas ao redor do cultivo devem ser mantidas sem plantas daninhas 
ou pelo menos deve ser evitado que elas produzam sementes (DEUBER, 1992).
 
Cyperus rotundus (tiririca) é uma espécie que se espalha facilmente através 
da matéria orgânica e de terra contaminada; Bidens pilosa (picão-preto) e Cenchrus 
echinatus (carrapicho) são espécies facilmente propagadas por pelos de animais 
e pelas roupas e sapatos dos trabalhadores rurais; sementes de Echinocloa sp. 
(capim-arroz) e Oryza sativa (arroz-vermelho) contaminam as sementes de arroz, 
se introduzindo facilmente na lavoura. 
Em todos os países, existem uma legislação específica sobre o comércio e 
importação de sementes, para evitar a entrada e disseminação de plantas daninhas 
dentro do país e entre os estados (DEUBER, 1992; ZIMDAHL, 2018). 
 
Outras medidas preventivas que podem ser tomadas são: isolamento de 
animais provenientes de outras áreas por alguns dias; cuidado com sementes 
e rações compradas para alimentação dos animais; prevenir nova produção 
de sementes ou de propágulos vegetativos de espécies daninhas já instaladas; 
fazer o monitoramento do terreno periodicamente; saber identificar as principais 
espécies daninhas que podem ocorrer na região e no cultivo de interesse. 
A prevenção sempre é a melhor escolha para evitar os problemas que as 
plantas daninhas podem causar e os gastos para efetuar seu controle.
IMPORTANT
E
4 ERRADICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS
 
Erradicação de uma planta daninha significa sua total eliminação: suas 
partes vegetativas e partes reprodutivas. Eliminar completamente uma espécie 
daninha de uma área de cultivo é algo muito difícil de se atingir. Geralmente 
conseguimos erradicar pequenas populações de plantas daninhas, mas em 
grandes áreas de cultivo isso se torna praticamente impossível. 
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
74
A eliminação completa de uma espécie daninha requer um manejo a 
longo prazo, envolvendo um planejamento de prevenção e erradicação. Espécies 
parasitas, como do gênero Cuscuta, são exemplos de plantas daninhas que 
podem ser completamente erradicadas de uma área se o manejo for adequado 
(ZIMDAHL, 2018). 
5 MÉTODOS DE CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS
Neste tópico, conheceremos os métodos de controle de plantas daninhas 
disponíveis e suas principais características, formas de aplicação e vantagens e 
desvantagens. É importante compreender que esses métodos não são utilizados 
sozinhos, devemos integrá-los de maneira a atingir o objetivo final, que é o manejo 
adequado das plantas daninhas.
5.1 MÉTODOS DE CONTROLE FÍSICOS
 
Trata-se do controle manual das espécies daninhas, como o arranque 
manual, a capina manual, roçada, inundação, queima e o uso de cobertura morta. 
Trata-se do mais antigo método de controle utilizado pelo ser humano para 
combater as espécies daninhas. Apesar disso, é pouco estudado, mas de grande 
importância, principalmente nas pequenas propriedades e no cultivo orgânico, 
onde o controle químico não é aplicado. 
5.1.1 Arranque manual
 
O arranque de plantas daninhas é uma técnica eficaz, que provavelmente 
você já fez ou faz em seu quintal ou jardim. Arrancar plantas de um local demanda 
tempo e trabalho braçal, mas é uma maneira prática de eliminar plantas indesejadas 
de pequenas áreas ou até mesmo de vasos de plantas. Age bem contra plantas 
daninhas anuais e menos com espécies perenes, se estas tiverem reprodução 
vegetativa. Você pode utilizar ferramentas específicas, como extratores de plantas 
daninhas, para auxiliar no trabalho (DEUBER, 1992; ZIMDAHL, 2018). 
5.1.2 Capina 
 
A capina envolve o uso ferramentas, como enxadas, escavadores, ganchos, 
entre outras, mais ou menos específicas de acordo com a morfologia da espécie 
daninha. Essa técnica é usada há anos e ainda é eficiente em jardins, cultivos 
de ornamentais e em muitos cultivos de hortaliças. No entanto, demanda muito 
tempo de trabalho braçal e dependendo do tamanho da área cultivada, torna-se 
TÓPICO 1 - MÉTODOS E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS75
uma técnica muito cara. Em algumas espécies cultivadas de alto valor comercial, 
a técnica do capina e arranque manual deve ser utilizada, sendo justificado seu 
valor e trabalho braçal (DEUBER, 1992; ZIMDAHL, 2018).
 
Você perceberá que a capina também é utilizada para eliminar espécies 
daninhas que escaparam de outros métodos de controle. Como a população 
das espécies diminuiu após o controle por herbicidas ou por fogo, o agricultor 
pode finalizar o manejo com o uso de arranque ou capina manual, evitando a 
reinfestação ou reprodução das plantas daninhas de escapes (DEUBER, 1992; 
ZIMDAHL, 2018).
 
Deve-se ter o cuidado ao realizar a capina, de forma a garantir que as 
plantas daninhas sejam completamente arrancadas e não rebrotem. Também 
deve ser feita antes das plantas frutificarem, evitando que a capina contribua para 
a disseminação de propágulos pelo local. 
5.1.3 Roçada
 
A roçada e a poda são outros métodos comumente utilizados em pomares 
ou para estabelecer uma cobertura morta, após certo período de crescimento 
da espécie considerada daninha. A roçada é utilizada para controlar a altura de 
plantas daninhas em vinhedos e pomares e também para prevenir a produção de 
sementes da espécie. Para algumas espécies de plantas daninhas, a roçada deve 
ser feita com frequência, até que as reservas energéticas de suas raízes e caules 
acabe e elas não sejam capazes de rebrotar (DEUBER, 1992; ZIMDAHL, 2018).
5.1.4 Arar o solo 
O preparo do solo para o plantio pode ser também um método para 
controle de espécies daninhas. Arar o solo remove as espécies daninhas e também 
ajuda a expor bulbos, bulbilhos e outras partes da planta que ficam enterradas, 
podendo ser removidas do solo ou controladas com uso de herbicidas. Ela 
deve ser feita quando o solo está seco, pois esse processo pode contribuir com a 
reprodução assexuada das plantas daninhas, fragmentado e espalhando bulbos e 
rizomas, que rebrotam facilmente em um solo arado e úmido (ZIMDAHL, 2018).
 
A aragem do solo possui três níveis, primária, secundária e terciária. A 
primária é a mais agressiva, usada para quebrar e revolver o solo. Ela elimina 
qualquer vegetação crescendo na área e pode eliminar espécies daninhas, 
enterrando profundamente suas sementes ou estruturas reprodutivas vegetativas, 
ou danificando-as. Na segunda etapa, a aragem nivela o solo, prepara o mesmo 
para incorporação de fertilizantes ou corretores de pH. Nessa etapa, pode-
se deixar o solo em repouso por algumas semanas, permitindo a emergência 
de espécies daninhas, que são controladas através de capina ou aplicação de 
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
76
herbicidas, antes da introdução da espécie cultivada. A terceira etapa envolve a 
capina durante o crescimento da espécie cultivada, que revolve o solo ao redor 
da planta, eliminando plantas daninhas que se desenvolveram (DEUBER, 1992; 
ZIMDAHL, 2018).
5.1.5 Inundação
Acadêmico, em algumas culturas podemos manejar as plantas daninhas 
manipulando a inundação do local de cultivo. Essa técnica é efetiva no controle 
de populações daninhas que são mais sensíveis à inundação, mas, ao mesmo 
tempo, pode não funcionar para espécies daninhas nativas ou com estratégias 
adaptativas para condições de inundação. Algumas espécies, em resposta a 
inundação, apresentam rápido alongamento caulinar, e seu controle vai depender 
da profundidade da inundação. 
 
Além da profundidade da inundação, outra estratégia que deve ser 
adotada no controle através da inundação é o período de tempo que a inundação 
ocorre. Inundar previamente a área de cultivo geralmente é mais eficaz do que 
inundar perto ou durante o cultivo da espécie de interesse (VIVIAN; MARSHALL; 
GODFREE, 2014). 
 
Na cultura do arroz, as plantas daninhas causam enorme redução 
na produtividade, gasto de recursos e energia humana no controle, além de 
problemas de saúde para os trabalhadores rurais. As espécies daninhas geralmente 
crescem mais rápido que o arroz e absorvem a água e nutrientes de uma forma 
mais eficiente. Por isso metodologias de controle das espécies daninhas através 
da inundação, principalmente nas culturas orgânicas, é essencial para garantir a 
produtividade e lucro para o agricultor (TOWA; XIANGPING, 2014). 
 
A inundação tem sido utilizada por muito tempo para o controle de 
espécies daninhas, como Cuscuta gronovii, em culturas de Vaccinium macrocarpon 
(cranberry). É uma técnica fácil e barata e tem sido eficiente no controle de diversas 
espécies daninhas (SANDLER; MASON, 2010). 
 
5.1.6 Fogo
 
O uso de controle de plantas através do fogo tem sido usado há séculos 
pelo ser humano. Para se obter sucesso, todas as formas reprodutivas das 
espécies daninhas precisam ser eliminadas. A queima precisa ser feita antes das 
espécies daninhas espalharem suas sementes no chão, o que pode comprometer 
e técnica. Algumas espécies herbáceas possuem meristemas protegidos, que não 
são afetados com a queimada. Na maioria dos casos, a queimada precisa ser feita 
algumas vezes, para eliminar completamente o banco de sementes da espécie 
daninha, ou ser complementada com outra técnica de controle, após a população 
da espécie diminuir devido a queimada (ZIMDAHL, 2018). 
 
TÓPICO 1 - MÉTODOS E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS
77
Acadêmico, atualmente existe o método de controle térmico, onde ocorre 
a geração e transferência de calor para as plantas daninhas sem a necessidade de 
incêndios intensos, que são perigosos por diversos motivos ambientais e sociais. 
Você deve saber que o uso de fogo implica em alguns riscos. Primeiro, a poluição 
do ar, principalmente próximo a centros urbanos. Outro problema é a possível 
perda de controle sobre o fogo, o que pode levar a queimadas descontroladas 
em áreas nativas e propriedades vizinhas, causando danos à fauna e flora local. 
Finalmente, o excesso de queimadas pode aumentar a erosão do solo, causar 
acidificação e perda de nutrientes (LAGUE; GILL; PÉLOQUIN, 2001).
 
Existem dois métodos de queima controlada: com emissão de chamas, 
em um equipamento apropriado; ou através de radiação infravermelha, em que 
as chamas são direcionadas em uma superfície metálica ou de cerâmica, que irá 
refletir a radiação infravermelha, com temperatura aproximada de 900 ºC. Esses 
equipamentos de emissão de chamas utilizam o gás liquefeito de petróleo ou 
misturas de propano e butano, não deixando resíduos químicos no solo e na água 
da área a ser tratada. O uso desses equipamentos torna a técnica onerosa para o 
agricultor, devido ao preço do equipamento e o gasto com o combustível, além de 
aumentar a compactação do solo devido a passagem dos equipamentos durante 
o processo (LAGUE; GILL; PÉLOQUIN, 2001). 
 
Como você observou, o uso de queimadas não pode ser empregado em 
todas as áreas de cultivo, mas é uma técnica eficaz, principalmente se conduzida 
de maneira integrada com outros métodos de manejo. Você pode integrar o 
controle térmico seguido do tratamento com herbicidas. Primeiro, a queimada 
eliminará a maior parte da população de plantas daninhas, em seguida, aplica-se 
o herbicida para eliminar as espécies rebrotando ou germinando no local. 
A aplicação de um herbicida previamente na área, a fim de produzir 
combustível para a queimada, também é útil. O herbicida vai controlar as espécies 
daninhas e, ao mesmo tempo, torna o ambiente propício para a queimada, que 
eliminará sementes, mudas e espécies daninhas não afetadas pelo herbicida. 
Lembre-se que a utilização da queimada possui inúmeros riscos e deve ser muito 
bem planejada (DEUBER, 1992). 
 
Uma vantagem no uso do controle térmico é a possibilidade de reduzir 
a aplicação de herbicidas na área, que, além de oneroso, pode gerar plantas 
resistentes, redução da diversidade e mudanças no balanço de nutrientes no 
solo. Deve-se avaliar quais das duas técnicas é mais eficaz e mais barata para o 
agricultor, de acordo com a região e com as espécies daninhas. 
 
Em muitos casos, você irá perceber que éimpossível utilizar herbicidas, 
especialmente em corpos hídricos, sendo necessário incorporar o método de 
controle térmico em conjunto a outras técnicas para eliminar espécies daninhas 
presentes em rios, reservatórios e tanques de cultivo de peixes, por exemplo. 
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
78
O controle térmico pode ser a técnica mais eficaz no manejo de plantas da 
daninhas em sistemas orgânicos, onde não será possível a aplicação de herbicidas.
NOTA
O controle térmico pode variar em intensidade, continuidade e tempo. 
O tempo em que ele é realizado é fundamental, devendo atingir a espécie-alvo 
na época certa de seu desenvolvimento. Deve ser suficiente em intensidade e 
continuidade para eliminar completamente as partes vegetativas e reprodutivas 
da espécie daninha-alvo (LAGUE; GILL; PÉLOQUIN, 2001).
Acadêmico, as espécies vegetais podem ser enquadradas em grupos de 
acordo com sua sensibilidade ao fogo (ASCARD, 1995): 
• Plantas muito sensíveis: sem proteção nas regiões meristemáticas. Exemplos: 
Chenopodium album (menstruz); Stellaria media (esparguta), Urtica urens (urtiga 
menor).
• Plantas de fácil controle: possuem proteção, mas não tem mecanismos de 
resistência ao fogo. Exemplo: Capsella bursa-pastoris (bolsa-de-pastor) e 
Chamomilla suaveolens (camomila-selvagem).
• Plantas tolerantes: tem capacidade de rebrotar após a queimada, só sendo 
controladas no início de seu desenvolvimento vegetativo. Exemplo: Poa annua 
(capim-galinha).
• Plantas resistentes: possuem hábito rasteiro, órgãos reprodutivos enterrados 
no solo ou proteção dos seus meristemas. Precisam de mais de uma aplicação 
de fogo para serem controladas efetivamente. 
No quadro a seguir, encontramos uma lista e espécies que são controladas 
pelo tratamento térmico com sucesso. 
Espécie Família Nome vulgar Ciclo
Taeniatherum caput-medusae Poaceae Cabeça-de-medusa Anual
Bromus tectorum Poaceae Falsa-grama Anual
Aegilops triuncialis Poaceae Capim-barba-de-bode Anual
Aegilops solstitialis Poaceae Cardo-amarelo Anual
Bidens pilosa Asteraceae Picão-preto Anual
Melilotus sp. Fabaceae Meliloto Bianual
Poa pratensis Poaceae Grama-azul Perene
Poa compressa Poaceae Grama-azul-do-Canadá Perene
Bromus inermis Poaceae - Perene
QUADRO 1 – EXEMPLOS DE ESPÉCIES DANINHAS CONTROLADAS COM USO DE 
TRATAMENTO TÉRMICO
TÓPICO 1 - MÉTODOS E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS
79
FONTE: Adaptado de DiTomaso et al. (2006)
Ligustrum vulgare Oleaceae Ligustro Perene
Ligustrum sinense Oleaceae Ligustro-chinês Perene
Artemisia tridentata Asteraceae Sagebrush Perene
Juniperus sp. Cupressaceae Junípero Perene
Prosopis sp. Fabaceae Algaroba Perene
5.2 MÉTODO DE CONTROLE MECÂNICO
Aprenderemos, agora, como controlar plantas daninhas com o uso 
de máquinas e equipamentos específicos ou não. A maquinaria pode causar 
mortalidade das plantas daninhas de diferentes formas: através do sufocamento, 
pelo enterro parcial ou completo ou desenterrando a planta e expondo suas raízes 
à superfície do solo. Esse controle é mais efetivo em solos secos, o que evita que a 
espécie daninha enraíze ou brote novamente no local. 
 
Existem diversos tipos de máquinas, as que operam entre as linhas do 
cultivo, próximas a linha do cultivo e através das linhas (CLOUTIER; LEBLANC, 
2001):
5.2.1 Cultivadores entrelinhas
Os cultivadores entrelinhas são os mais utilizados e eficientes. Eles operam 
com baixo risco para a cultura e com ótimo controle das espécies daninhas. O 
único problema é que deve ser operado no início do desenvolvimento da cultura, 
já que possui restrições quanto à altura da cultura e a época do desenvolvimento. 
Operar o equipamento no final do desenvolvimento da cultura pode danificar 
as raízes da planta cultivada. Já quando operado no início do desenvolvimento, 
além do controle das plantas daninhas, pode favorecer o enraizamento da planta 
cultivada. Esse tipo de equipamento não consegue chegar perto da linha de 
cultivo, portanto, sua eficiência não é total. 
 
5.2.2 Cultivadores próximos a linha da cultura
 
Cultivadores que atuam próximos a linha da cultura usam escovas, discos 
ou lâminas especiais, que chegam o mais perto possível das plantas cultivadas. 
Geralmente, nesse tipo de equipamento, deve-se ter duas pessoas trabalhando, 
uma delas irá dirigir as escovas ou lâminas para garantir que não danifiquem as 
plantas cultivadas. 
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
80
5.2.3 Cultivadores intrafileiras
 
Os cultivadores intrafileiras geralmente são usados antes ou logo após 
o início do desenvolvimento da planta cultivada. São chamados de cegos, 
porque passam tanto por cima da espécie daninha quanto da espécie cultivada. 
Geralmente, nesse equipamento, usa-se enxadas rotativas, grades com dentes 
rígidos ou flexíveis e grades de correntes. Durante o período de pré-emergência 
da planta cultivada, pode-se utilizar o equipamento sem problemas, já que as 
sementes da planta cultivada ou são muito maiores que as das espécies daninhas 
ou estão em uma maior profundidade, não sendo afetadas pelo equipamento. 
Essa técnica atua somente nas plântulas das espécies daninhas e é comumente 
empregada em culturas de milho, beterraba, feijão e ervilhas. Mesmo com a 
planta cultivada já no estágio de plântula, pode-se empregar a técnica, já que 
geralmente as plantas daninhas se encontraram num estágio de desenvolvimento 
inferior ao da espécie cultivada.
 
Arar o solo com cultivadores pode ser realizada na entressafra. Um 
exemplo é o controle da grama-seda (Cynodon dactylon) e da tiririca (Cyperus 
rotundus), que é eficaz principalmente se houver estiagens prolongadas. Nesse 
caso, pode-se fazer uma primeira aragem, mais profunda, expondo as raízes e 
tubérculos e outras estruturas vegetativas das plantas e após 30 dias uma segunda 
aragem, menos agressiva, que termina de expor as partes vegetativas que ainda 
sobreviveram (ZIMDAHL, 2018). 
5.3 MÉTODO DE CONTROLE CULTURAL
Acadêmico, aprenderemos que as práticas agrícolas tradicionais de 
bom uso do solo e água, a rotação de cultura, espaçamento correto e o uso de 
coberturas verdes são ótimos métodos de controle de plantas daninhas. Essas 
técnicas também favorecem a planta cultivada e contribuem para diminuir a 
infestação de plantas daninhas na área. 
 
A correção do pH do solo e sua adubação, por exemplo, controla e 
até mesmo elimina espécies daninhas que são adaptadas a solos ácidos e de 
baixa fertilidade, como a Vernonia ferruginea (assa-peixe), Pteridium aquilinum 
(samambaia) e Aristida pallens (capim-barba-de-bode). 
5.3.1 Rotação de culturas
 
Essa técnica consiste em alternar o cultivo de diferentes espécies vegetais 
em tempos diferentes, na mesma área de cultivo. É uma técnica muito antiga e que 
tem vantagens no controle de plantas daninhas e também de pragas e doenças, 
como os nematoides. Além disso, a rotação de espécies ao longo dos anos numa 
área proporciona melhora nas características químicas, físicas e biológicas do 
solo. 
 
TÓPICO 1 - MÉTODOS E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS
81
A rotação de culturas deve ser flexível, adaptando-se às condições 
regionais e às perspectivas de comercialização dos produtos. Também devemos 
analisar as espécies vegetais envolvidas na rotação de culturas, do ponto de 
vista de sua exploração comercial ou destinadas somente à cobertura do solo e 
adubação verde (ZIMDAHL, 2018). 
 
Na escolha das espécies deve-se considerar a diversidade botânica. Plantas 
com diferentes sistemas radiculares, hábitos de crescimento e exigências nutricionais 
podem ter efeito no controle de algumas espécies daninhas, além dos outros 
benefícios já mencionados sobre a rotação de culturas. A mudança das espécies 
pode modificar a competitividade da planta cultivada, além da possibilidade de 
efeitos alelopáticos sobre as plantas daninhas do local. E, para finalizar, pode-se 
fazer uso de diferentes métodos de controle e de herbicidas no local, facilitando o 
manejo das espécies daninhas (DEUBER, 1992;ZIMDAHL, 2018). 
5.3.2 Manejo na entressafra
 
Para um controle eficiente de plantas daninhas, você perceberá que estas 
devem ser manejadas não somente durante o período de cultivo, mas também 
durante os intervalos de plantio. A eliminação de propágulos de plantas daninhas 
na entressafra reduz a agressividade delas durante o cultivo e facilita seu controle. 
5.3.3 Espaçamento
 
Você pode modificar o padrão de espaçamento ou densidade no plantio 
das plantas cultivadas, de modo que favoreça o sombreamento das espécies 
daninhas, causando efeito negativo sobre o seu desenvolvimento. Para que isso 
funcione corretamente, é necessário que a planta cultivada tenha um padrão de 
crescimento e desenvolvimento rápido, em relação às espécies daninhas que 
estarão presentes no local e também possuam uma boa cobertura foliar, para 
que o sombreamento consiga influenciar negativamente no desenvolvimento das 
espécies daninhas (ROMAN et al. 2005; ZIMDAHL, 2018). 
Se feito adequadamente, o sombreamento diminuirá a germinação de 
espécies daninhas e o desenvolvimento das que conseguirem crescer. Isso já 
evitará gastos com métodos de controle e com o manejo da área cultivada. 
5.3.4 Adubação verde
 
A adubação verde possui grande importância na melhoria das condições 
físicas, químicas e microbiológicas do solo. Além disso, ela pode produzir 
cobertura morta, que irá controlar a umidade do solo, proteger as mudas que 
estão emergindo e atuar na supressão de plantas daninhas.
 
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
82
A cobertura viva ajuda a controlar espécies daninhas durante a entressafra 
e também durante o cultivo, dependendo da cultura que é estabelecida. As 
plantas são usadas em rotação, sucessão ou em consorciação com as culturas, 
e, geralmente, são usadas espécies de leguminosas, devido a sua capacidade 
de fixação de nitrogênio. É uma técnica utilizada para melhorar a qualidade do 
solo e disponibilizar nutrientes. Além disso, pode contribuir na supressão de 
plantas daninhas, através do sombreamento e competição por água e nutrientes. 
Geralmente as espécies introduzidas como adubo verde possuem um crescimento 
acelerado e vigoroso, superando as espécies daninhas. Após seu crescimento, 
são cortadas e utilizadas como cobertura morta, possuindo mais vantagens no 
controle de plantas daninhas (MATEUS; WUTCKE, 2006; ZIMDAHL, 2018). 
Acadêmico, no quadro a seguir, você encontra as principais espécies 
utilizadas como adubo verde.
ESPÉCIE FAMÍLIA NOME VULGAR
Avena sativa Poaceae Aveia preta 
Cajanus cajan Fabaceae Feijão guandu
Canavalia ensiformis Fabaceae Feijão-de-porco
Crotalaria juncea Fabaceae Crotalária
Crotalaria mucronata Fabaceae Crotalária
Crotalaria ochroleuca Fabaceae Crotalária
Crotalaria paulina Fabaceae Crotalária
Crotalaria spectabilis Fabaceae Crotalária
Dolichos lablab Fabaceae Lab-lab
Fagopyrum esculentum Polygonaceae Trigo sarraceno
Lathyrus sativus Fabaceae Chícharo
Lupinus albus Fabaceae Tremoço branco
Mucuna aterrima Fabaceae Mucuna preta
Mucuna cinereum Fabaceae Mucuna cinza
Mucuna deeringiana Fabaceae Mucuna anã
Raphanus sativus Brassicaceae Nabo forrageiro
Sorghum sudanense Poaceae Capim sudão
Vicia sativa Fabaceae Ervilhaca
QUADRO 2 – PRINCIPAIS ESPÉCIES UTILIZADAS NA ADUBAÇÃO VERDE
FONTE: Adaptado de Mateus e Wutcke (2006)
5.3.5 Cobertura morta 
 
Você perceberá que a cobertura morta é muito utilizada no controle de 
espécies daninhas. Os resíduos de vegetais podem ser aplicados antes ou depois 
da cultura ser estabelecida. Existem duas categorias quanto ao tipo de cobertura 
que pode ser utilizada. Materiais naturais, ou seja, palha, resíduos vegetais, 
pedras ou serragem; e materiais sintéticos, como papel, plástico e fibras sintéticas. 
TÓPICO 1 - MÉTODOS E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS
83
A cobertura morta atua como barreira física, impedindo a emergência das 
plântulas das espécies daninhas ou bloqueando a luz e inibindo a germinação das 
espécies que necessitam de fotoperíodo. 
Outro efeito da cobertura sintética é o aquecimento da superfície do solo, 
que, dependendo do período que ocorre, pode destruir todas as plantas daninhas por 
aquecimento, técnica chamada de solarização.
NOTA
Acadêmico, uma vantagem do uso da cobertura morta é que com 
sua decomposição, pode ocorrer a liberação de compostos aleloquímicos, 
que, geralmente, atuam de maneira negativa na germinação e emergência de 
plântulas ou na clorose das folhas de espécies daninhas. Essa atividade depende 
da qualidade e da quantidade do material vegetal na cobertura morta, o tipo de 
solo e das condições climáticas. Crotalaria juncea tem um bom efeito alelopático 
na supressão de plantas daninhas, quando utilizada como cobertura morta 
(CALEGARI et al., 1993).
Várias espécies podem ser utilizadas como cobertura morta, possuindo 
efeitos alelopáticos que auxiliam no controle de plantas daninhas. Canavalia 
ensiformes (feijão-de-porco) e Mucuna aterrimum (mucuna-preta) exercem efeitos 
sobre a germinação de Cyperus rotundus (tiririca), Bidens pilosa (picão-preto) 
e Galinsoga parviflora (picão-branco). Pennisteum purpureum (capim-elefante) 
diminuiu a quantidade e diversidade de espécies daninhas quando foi usado 
como cobertura morta na cultura o gergelim (ORTOLAN et al., 2019). 
 
Geralmente, a cobertura morta contribui para a morte das espécies 
daninhas de maior dificuldade de controle, e, durante o cultivo, acabam 
aparecendo espécies de controle mais prático e fácil. Na cultura da cebola, por 
exemplo, pode-se utilizar a Urochloa decumbens (braquiária) como cobertura 
morta para inibir o desenvolvimento de plantas daninhas (HIRATA et al., 2014). 
 
A cobertura morta com Arachis pintoi (amendoim forrageiro), Crotalaria 
juncea (crotalária) e Cajanus cajan (feijão guandu) reduziu as populações das 
espécies daninhas Brachiaria decumbens (capim braquiária), Panicum maximum 
(capim-tanzânia) e Bidens pilosa (picão-preto) (SEVERINO; CHRISTOFFOLETI, 
2001). 
As espécies Crotalaria spectabilis (crotalária), Sorghum bicolor (sorgo), 
Crotalaria ochroleuca (crotalária), Canavalia ensiformis (feijão-de-porco), Mucuna 
aterrima (mucuna preta) e Mucuna pruriens (mucuna) reduziram significativamente 
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
84
a infestação e o peso da matéria seca das plantas daninhas Digitaria horizontalis 
(capim colchão), Hyptis lophanta (catirina) e Amaranthus spinosus (caruru-de-
espinho), enquanto a espécie Pennisetum glaucum (milheto) mostrou-se menos 
eficiente nesse efeito (ERASMO et al., 2004). 
A cobertura morta contribui para o crescimento de microrganismos 
na superfície do solo que podem parasitar as sementes e propágulos e plantas 
daninhas. Além disso, pode ocorrer a presença de insetos ou roedores que 
consomem as sementes ou plântulas das espécies daninhas (ALVES; PITELLI, 
2001). 
5.3.6 Método de Controle Biológico
 
Acadêmico, no controle biológico utiliza-se outros seres vivos (fungos, 
bactérias, vírus, insetos, aves etc.) que são inimigos naturais das espécies daninhas, 
no controle de seu desenvolvimento e propagação. O controle de plantas 
daninhas através desse método pode complementar e integrar métodos químicos 
ou culturais, aumentando a eliminação das espécies indesejáveis (BRIESE, 
2004; MORIN et al., 2009). Diversos países têm adotado o controle biológico nas 
lavouras, devido, principalmente, à crescente resistência que as plantas daninhas 
desenvolveram em relação aos herbicidas.
 
Acadêmico, veremos que existem diversas vantagens do uso do controle 
biológico para diminuir as populações de espécies daninhas (ZIMDAHL, 2018).
• É um método permanente, já que os organismos podem reproduzir-se no local 
e continuar a atuar no controle das espécies daninhas.
• Após aplicação do controle biológico, esse pode tornar-se independente do 
manejo humano no futuro. 
• Não possui efeitos colaterais danosos ao ambiente, como ocorre com os 
herbicidas.
• O ataque biológico é limitado a um alvo específicoou próximos. 
• O custo em relação aos benefícios é baixo.
• Os riscos podem ser avaliados antes da aplicação do manejo.
Com relação às desvantagens, você encontrará que (ZIMDAHL, 2018):
• O controle das espécies daninhas é lento em comparação com outros métodos. 
• Os resultados não são garantidos em todos os casos, devido a interferências 
ecológicas do controle biológico com outros seres vivos (presença de predadores 
naturais, ausência de hospedeiro para completar o ciclo de vida do agente), 
interferências climáticas e outros fatores abióticos etc.
• Não funciona muito bem em cultivos de ciclo de vida curto.
• O investimento inicial é elevado. 
• Não é possível erradicar a população daninha, somente integrando outros 
métodos. 
TÓPICO 1 - MÉTODOS E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS
85
Para implementar o controle biológico, você deve considerar qual agente 
biológico será eficaz na espécie daninha-alvo e também se essa espécie é nativa ou 
não da região. O agente biológico precisa ser capaz de se reproduzir no ambiente 
introduzido e se espalhar somente nas espécies daninhas que se deseja o controle. 
Além disso, existem critérios de escolha, que excluem espécies que possam ser 
danosas ao meio ambiente no qual serão introduzidas, ou a saúde de animais e 
do ser humano (ZIMDAHL, 2018). 
 
Acadêmico, você verá que os métodos de aplicação do controle biológico 
foram classificados por Wapshere, Delfosse e Cullen (1989) em: clássico ou 
inoculativo, inundativo e amplo espectro:
• No método inoculativo ou clássico ocorre a introdução de um inimigo natural 
específico adaptado para a espécie daninha-alvo. Deve-se identificar a espécie 
daninha, sua origem e quais seus inimigos naturais, que serão potenciais 
agentes do controle biológico. Geralmente é utilizado espécies de fungos ou 
artrópodes como controle biológicos, devido a estes serem espécie-específicos. 
• No método inundativo os agentes biológicos já utilizados no controle são 
liberados em grande quantidade no ambiente ao mesmo tempo. Isso garante o 
controle da planta daninha por uma estação de cultivo e elimina a necessidade 
de estudar a origem da espécie daninha e seus inimigos naturais. 
• No controle de amplo espectro o agente biológico natural da espécie daninha 
é manipulado artificialmente para aumentar o ataque a essa espécie daninha 
específica. 
 
Você pode observar no Quadro 3 a seguir alguns exemplos de controles 
biológicos já aplicados com sucesso no controle de plantas daninhas. 
Controle biológico Tipo Espécie daninha Modo aplicação
Colletotrichium truncatum Fungo Sesbania exaltata Direto no solo
Ascochyta caulina Fungo Chenopodium album Direto no solo
Fusarium solani Fungo Curcubita texana Direto no solo
Glicocadium virens Fungo Amaranthus retroflexus Direto no solo
Phomopsis convolvus Fungo Convolvus arvensis Direto no solo
Dactylopius ceylonicus Inseto Opuntia vulgaris Liberação na planta
Phytomyza orobanchia Inseto Orobanche sp. Liberação em massa
Bactra verutana Inseto Cyperus rotundus e C. esculentus Liberação em massa
Paranguinea picridis Nematóide Acroptilon repens Liberação no solo
Puccinia obtengens Fungo Cirsium arvense Aplicação esporos
Puccinia canaliculata Fungo Cyperus esculentus Aplicação esporos
Puccinia lagenophorae Fungo Senecio vulgaris Aplicação esporos
QUADRO 3 – APLICAÇÃO DE ALGUNS TIPOS DE CONTROLE BIOLÓGICO EM ESPÉCIES DANINHAS
FONTE: Adaptado de Schroeder (1992)
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
86
A seguir, veremos que o controle biológico pode agir de diferentes 
maneiras no controle de plantas daninhas (ZIMDAHL, 2018):
• Herbivoria: uso de insetos herbívoros, que reduzirão a área foliar e a capacidade 
fotossintética da planta daninha, levando à redução da competitividade com a 
planta cultivada. 
• Predação de sementes: utiliza-se animais que consumirão as sementes antes ou 
após a dispersão dos diásporos pela planta daninha. Pode-se utilizar besouros, 
formigas e camundongos. 
• Fitopatogenia: utilização de patógenos de plantas daninhas, como nematoides, 
fungos, bactérias e vírus. É o mais utilizado no controle de plantas daninhas, 
devido à facilidade de reprodução dos organismos em laboratório; facilidade 
na aplicação nas plantas daninhas ou no solo; especificidade do patógeno com 
a planta daninha. 
• Pastejo: utilização de animais domesticados para diminuir o crescimento das 
plantas daninhas em um local. Pode-se utilizar patos, gansos, ovelhas, cabras e 
até peixes. 
5.3.7 Método de Controle Químico
Agora, aprenderemos como o controle de plantas daninhas é feito com 
o uso de produtos químicos, os famosos herbicidas. A introdução de herbicidas 
no controle de plantas daninhas alterou drasticamente a produtividade de várias 
espécies cultivadas. O método envolve a aplicação de produtos químicos para 
controlar a germinação ou o crescimento de plantas daninhas. O controle químico 
de plantas daninhas possui algumas vantagens sobre os outros métodos que você 
estudou (MONACO; WELLER; ASHTON, 2002):
• Eliminação precoce da competição entre plantas cultivadas e plantas daninhas.
• Controle efetivo de plantas daninhas com morfologia similar à planta cultivada, 
plantas daninhas presentes dentro das linhas do cultivo e espécies daninhas 
problemáticas.
• Método garantido, com boa aplicação em solos problemáticos.
• Erradicação de espécies daninhas in situ.
• Não causa injúrias nas raízes das plantas cultivadas.
• A aragem do solo pode ser minimizada.
• É considerado um método econômico.
TÓPICO 1 - MÉTODOS E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS
87
No tópico Introdução ao Controle Químico de Plantas Daninhas, você 
aprofundará o conceito de controle químico, a classificação dos herbicidas e seus modos 
de ação na planta e o impacto no meio ambiente do uso de herbicidas no controle de 
plantas daninhas.
ESTUDOS FU
TUROS
Contudo, existem alguns problemas em relação ao uso de herbicidas, 
principalmente quando é aplicado de maneira descontrolada e sem a integração 
de outros métodos de controle e de prevenção (ZIMDAHL, 2018):
1. Surgimento de espécies daninhas resistentes à aplicação de herbicidas.
2. Toxicidade comprovada em mamíferos e outros animais. 
3. Riscos de poluição do solo e da água com resíduos químicos provenientes da 
aplicação inadequada.
4. Aumento das monoculturas em detrimento da diversidade. 
5. Falta de conhecimento técnico durante a aplicação pode causar intoxicações 
em animais e no ser humano.
6. Aumento da preocupação da população quando aos riscos à saúde através do 
consumo de alimentos que foram produzidos com a aplicação de herbicidas. 
Você deve compreender a necessidade o uso seletivo de herbicidas nas 
infestações de plantas daninhas, para que os objetivos do controle sejam atingidos. É 
importante aliar métodos de controle culturais e mecânicos, para que ocorre melhora na 
efetividade do uso do herbicida e no controle das plantas daninhas.
IMPORTANT
E
Para a aplicação dos herbicidas no campo, na maior parte das vezes 
são utilizados equipamentos de pulverização hidráulicos ou de transmissão. O 
sistema de pulverização pode ser direcional, aplicado somente entre as linhas 
da cultura ou abranger toda a área, independentemente de haver ou não plantas 
daninhas. Também pode-se regular o tamanho das gotículas durante a aspersão da 
solução herbicida, de acordo com a superfície foliar das folhas ou para minimizar 
processos de evaporação da solução. 
 
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
88
Acadêmico, em relação à legislação sobre o uso de agrotóxicos no Brasil, 
existe a Lei dos Agrotóxicos, aprovada em 1989 e regulamentada posteriormente 
pelos Decretos 4074, de 2002, e 5981, de 2006. No documento, encontram-se as 
regras e exigências para a concessão do registro de agrotóxicos no país, bem como 
normas e instruções sobre a rotulagem dos produtos. O registro dos agrotóxicos 
é de responsabilidade do Ministério da Agricultura (avaliação do desempenho 
agronômico), da Saúde (avaliação toxicológica)e do Meio Ambiente (avaliação 
ambiental) (ALMEIDA et al., 2017).
5.4 MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
 
O manejo integrado envolve a aplicação do conhecimento e tecnologias 
disponíveis para o desenvolvimento e implementação de uma estratégia de 
controle efetivo das plantas daninhas. A efetividade no controle está relacionada 
ao sucesso na mortalidade ou redução da infestação das espécies daninhas e à 
redução dos custos para que esse sucesso aconteça. Você acabou de estudar todas 
as estratégias que podem ser integradas agora no manejo de plantas daninhas: 
método cultural, biológico, físico, mecânico e químico (ZIMDAHL, 2018). 
As medidas de controle integradas não envolvem somente a área cultivada, 
deve ser planejada para toda a propriedade rural. Após realizar o planejamento adequado, 
realiza-se a implementação do manejo integrado, que deve ser constantemente monitorado 
e avaliado para garantir o sucesso do processo e para avaliar possíveis modificações do 
planejamento original de acordo com problemas encontrados durante a implementação. 
IMPORTANT
E
Acadêmico, analisaremos o que deve ser incluído no planejamento 
adequado do manejo integrado de plantas daninhas em uma propriedade 
(MONACO; WELLER; ASHTON, 2002): 
• As prováveis espécies daninhas que são esperadas na área de cultivo.
• O conhecimento da biologia e ecologia dessas plantas daninhas.
• Qual o período crítico para controle de plantas daninhas da espécie cultivada.
• Estratégias de prevenção, para evitar a entrada de plantas daninhas ou a 
infestação a logo prazo.
• Os métodos de controle disponíveis para essas espécies daninhas.
• Os métodos de controle com o menor custo-benefício para o produtor.
• A possibilidade de integração desses métodos de controle, com garantia de 
qualidade nos resultados. 
• Os possíveis efeitos deletérios dos métodos de controle na planta cultivada. 
TÓPICO 1 - MÉTODOS E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS
89
• Quais métodos integrados gerarão menores custos para o produtor.
• A integração dos métodos deve causar o menor dano ao meio ambiente. 
• Diminuição do trabalho físico, facilidade de manejo e menores custos.
• Possibilidade de manutenção dos resultados a longo prazo.
Podemos utilizar as ferramentas da agricultura de precisão para fazer o 
levantamento das plantas daninhas de uma área, facilitando o planejamento e aplicação 
dos métodos de controle. 
Você pode se aprofundar nesse assunto através da tese Mapeamento da Variabilidade de 
Plantas Daninhas com a utilização de ferramentas da Agricultura de Precisão, de Luciano 
Shozo Shiratsuchi, disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/
doc/565838/1/shiratsuchi01.pdf.
DICAS
90
Neste tópico, você aprendeu que:
• O conceito de controle de plantas daninhas é diferente do conceito de manejo 
de plantas daninhas.
• O método preventivo é a primeira e mais importante atitude que deve ser 
tomada no manejo adequado de plantas daninhas.
• A erradicação é a remoção total das partes vegetativas e reprodutivas de 
uma espécie daninha em um local de cultivo, o que é, na maioria das vezes, 
impossível de se alcançar.
• Métodos de controle físico são tradicionalmente utilizados e apesar de 
serem manuais, podem ser eficazes e a única solução para algumas culturas 
específicas.
• O controle mecânico envolve o uso de maquinaria para controlar as espécies 
daninhas e é comumente utilizado em grandes lavouras.
• O controle cultural envolve a utilização das boas práticas na agricultura como 
método de controle de plantas daninhas, como a correta adubação e correção 
do pH do solo, a rotação de culturas, o manejo entressafra e a adubação verde.
• O controle químico de plantas daninhas revolucionou a produtividade das 
culturas, possui inúmeras vantagens e desvantagens e seu uso deve ser bem 
planejado.
• O manejo integrado de plantas daninhas envolve o uso do método preventivo 
aliado aos diferentes métodos de controle, abrangendo toda a propriedade e 
necessitando de um planejamento cuidadoso e da constante observação de 
toda a área manejada.
RESUMO DO TÓPICO 1
91
1 O método de manejo e controle de plantas daninhas muito utilizados pelos 
agricultores consiste no uso de características da cultura e do ambiente 
que aumentem a capacidade competitiva das plantas, favorecendo seu 
crescimento e desenvolvimento. Entre as medidas adotadas nesse método 
encontram-se: uso de variedades adaptadas à região, espaçamento da 
cultura, densidade de semeadura, uso de cobertura morta, rotação de 
culturas e adubação adequadas. Esse método é conhecido como:
a) ( ) Preventivo.
b) ( ) Mecânico.
c) ( ) Cultural.
d) ( ) Químico.
2 O controle de plantas daninhas consiste na adoção de práticas que resultem 
na redução da infestação, mas não necessariamente na sua completa 
erradicação. Os métodos de controle de plantas daninhas usados pelo 
homem, até hoje, são os mais variados. Sobre os métodos de controle de 
plantas daninhas, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as 
falsas. 
( ) O manejo integrado de plantas daninhas não envolve planejamento 
e abrange somente a área de cultivo, excluindo todo o entorno da 
propriedade. 
( ) O controle térmico é muito eficiente e pode ser utilizado em propriedades 
orgânicas, onde não é possível a aplicação de herbicidas. 
( ) O uso de herbicidas não possui desvantagens, por isso é amplamente 
utilizado pelo ser humano.
( ) As técnicas de controle físico são ultrapassadas e não devem ser 
consideradas ao avaliar o manejo de plantas daninhas.
( ) O controle biológico utiliza pragas e doenças que afetam as plantas 
daninhas, diminuindo sua competitividade em relação a planta cultivada. 
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA de cima 
para baixo:
a) ( ) V – V – F – V – V.
b) ( ) F – V – F – F – V. 
c) ( ) F – F – F – V – V. 
d) ( ) V – F – F – V – V.
AUTOATIVIDADE
92
93
TÓPICO 2 - 
UNIDADE 2
INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS 
DANINHAS
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico, no tópico anterior foi abordado os conceitos de controle e 
manejo de plantas daninhas, o método preventivo, a erradicação e os tipos de 
controle que são utilizados na lavoura: Físico, Mecânico, Biológico, Cultural, 
Químico e Integrado. 
Neste tópico, aprofundar-nos-emos no controle químico de plantas 
daninhas, compreendendo o conceito e histórico do uso de herbicidas, como 
se nomeia os compostos químicos, quais as formas de classificação de um 
herbicida, como um herbicida se comporta no meio ambiente, nas plantas e nos 
animais e entender como o composto químico é absorvido pela planta daninha e 
transportado até o local de atuação do mesmo. 
Não se esqueça, no final do tópico você encontrará um resumo com as 
principais ideias abordadas no texto e as autoatividades para fixar o conhecimento 
adquirido.
 
Bons estudos!
2 CONCEITO E HISTÓRICO DO CONTROLE QUÍMICO
 
Os primeiros produtos químicos utilizados para controle de plantas 
daninhas foram sais de cobre, sulfato de prata e o ácido sulfúrico, no início do 
Século XX. Com o desenvolvimento do 2,4-D (ácido 2,4 diclorofenoxiacético), um 
ácido fenoxiacético que atua como regulador vegetal ocorreu uma revolução no 
controle de plantas daninhas nas culturas de cereais. Após a produção comercial 
do 2,4-D e seus derivados, surgiram outros compostos herbicidas, como as 
triazinas, os carbamatos e as amidas, que começaram a ser comercializados em 
alta escala (TAIZ; ZEIGER, 2006; ZIMDAHL, 2018).
94
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
O 2,4-D foi sintetizado nos Estados Unidos, em 1941, durante a Segunda 
Guerra Mundial. Somente após o final da guerra ele começou a ser utilizado no controle 
químico seletivo de plantas daninhas. Apesar de ser um regulador do crescimento e 
desenvolvimento vegetal, dependendo da dose utilizada ele causa a morte da planta. 
NOTA
Segundo a Sociedade de Plantas Daninhas da América, um herbicida 
é definido como “uma substância química ou organismocultivado usado 
para matar ou suprimir o crescimento de plantas” (ZIMDAHL, 2018, p. 357). 
O desenvolvimento dos herbicidas ocorreu em conjunto à mecanização da 
agricultura e outras inovações tecnológicas que levaram a profundas mudanças 
na produtividade e na qualidade dos cultivos. É claro que todos os outros 
métodos ainda são utilizados, alguns em pequenas propriedades e outros foram 
integrados com o uso de herbicidas para maximizar os resultados com baixos 
custos e baixa mão de obra (MONACO; WELLER; ASHTON, 2002). 
 
Os herbicidas são ferramentas importantes para o controle de plantas 
daninhas. Você precisará compreender seus efeitos e limitações no uso para o 
controle de espécies daninhas. Eles são categorizados como herbicidas seletivos 
e não seletivos, entre outras categorias que você encontrará no decorrer deste 
tópico.
Herbicida seletivo: são químicos que matam somente tipos específicos de 
plantas, como o 2,4-D, que só tem efeito em plantas de folha larga.
Herbicida não seletivo: são os que matam qualquer tipo de planta, como o glifosato.
NOTA
Quando se utiliza herbicidas no manejo das espécies daninhas, você deve 
seguir três princípios básicos para que as aplicações sejam eficazes (ZIMDAHL, 
2018):
• Escolha do herbicida apropriado para a espécie daninha-alvo.
• Tempo de aplicação apropriado. 
• Técnica de aplicação que seja eficaz. 
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
95
Outras características devem ser avaliadas para assegurar a aplicação 
efetiva de um herbicida, como o tipo de solo, a vegetação existente na área, a 
presença de rios ou lagos ao redor. 
 
3 NOMENCLATURA DOS HERBICIDAS
 
Veremos que existem diferentes formas de se nomear os herbicidas. Assim 
como nas plantas, o herbicida terá um nome científico (o nome do composto 
químico), um nome comum e também nomes comerciais. 
Quando você compra um herbicida, ele vem acompanhado de um laudo 
contendo as diferentes nomenclaturas e a classificação dos compostos presentes na 
fórmula, além das instruções de aplicação e toxicidade do produto, entre outras informações 
relevantes.
NOTA
Os herbicidas são moléculas químicas, portanto, seu nome deriva de 
sua estrutura. Quando falamos de nome comum, seria aquele mais conhecido 
popularmente e que encontramos inclusive em reportagens e artigos científicos 
sobre o assunto. Nomes comerciais são nomes fantasia para diferenciar produtos 
de diferentes fabricantes contendo o mesmo composto herbicida. No quadro a 
seguir você encontra a relação de alguns compostos herbicidas, seu nome químico, 
nome comum e os produtos comerciais contendo o composto como ingrediente 
ativo principal (DEUBER, 1992). 
Nome químico Classe química Nome comum Nome comercial
1,1’-dimetil-4,4’-
bipiridina-dicloreto Bipiridílio paraquat Gramoxone
®
6-cloro-N2-etill-N4-
isopropil-1,3,5-triazina-
2,4-diamina
Triazina atrazina Atrazina Nortox
®, 
Atrazina Siptran®
α,α,α-trifluoro-2,6-
dinitro-N,N-dipropil-p-
toluidina
Dinitroanilina Trifluralina
Herbifan®, Trifuralina 
Atanor®, Trifluralina 
Nortox®
QUADRO 4 – ALGUNS HERBICIDAS E SUAS DIFERENTES FORMAS DE NOMENCLATURA
96
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
Ácido 4-amino-3,5,6-
tricloropiridina-2- 
carboxílico
Ácido 
piridinocarboxílico Picloram
Planador®, Picloram 
Nortox®
Benzil 4-amino-3-
cloro-6-(4-cloro-2-
fluoro-3-metoxifenil)-
5-fluoropiridina-2-
carboxilato
Arilpicolinato Florpirauxifen-
benzil
Loyant®
FONTE: Adaptado de Oliveira Jr. (2011)
Como você já viu, os herbicidas são moléculas que foram sintetizadas e se 
encontram divididas em diferentes classes químicas, de acordo com a sua estrutura 
molecular. Cada classe química possui compostos com estrutura similar, mas, 
nem por isso, seus modos de ação sobre as plantas são sempre iguais. Além da 
semelhança estrutural, as moléculas possuem outras propriedades importantes 
relacionadas ao seu comportamento dentro da planta e no ambiente.
 
4 CLASSIFICAÇÃO DOS HERBICIDAS
 
Acadêmico, a classificação dos compostos químicos de ação herbicida 
é fundamental para compreender o controle químico de plantas daninhas, 
seus mecanismos de ação e utilizações. Você aprenderá nesse item quais as 
possibilidades de classificar os herbicidas e suas funcionalidades. 
4.1 CLASSIFICAÇÃO QUÍMICA
 
Os herbicidas podem ser classificados de acordo com sua composição 
química. Eles podem ser compostos inorgânicos, como ácidos e sais. Já os 
compostos orgânicos possuem moléculas de carbono em sua estrutura e podem 
ser ainda subdivididos em orgânicos nitrogenados e orgânicos não nitrogenados. 
 
Os não nitrogenados são aqueles que não possuem o átomo de nitrogênio 
em sua composição. Eles são divididos em ácidos alifáticos halogenados, 
ácidos aromáticos carboxílicos (fenoxiacéticos e benzóicos), os fenólicos, os 
hidrocarbonetos e os compostos ftálicos (DEUBER, 1992).
 
Os compostos nitrogenados possuem nitrogênio em suas moléculas. De 
acordo com a presença de anéis aromáticos, são divididos em heterocíclicos e não 
heterocíclicos. Esse é o maior grupo químico de herbicidas, sendo divididos em 
diversas classes (DEUBER, 1992). Para melhor compreensão, o quadro a seguir 
mostra os principais grupos de herbicidas utilizados, com exemplos para cada 
grupo:
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
97
Grupo Químico Composto químico Nome Comercial
Arilofenoxipropionatos
Cialofop Clincher
Fluazifop-p Fusilade
Haloxifop-r Verdict R
Propaquizafop Shogun, Acert
Quizalofop Targa, Truco, Panther
Fenoxaprop Furore, Podium, Starice
Diclofop Iloxican
Ciclohexanodionas
Butroxidim Falcon
Cletodim Select
Profoxidim Aura
Setoxidim Poast
Tepraloxidim Aramo
Sulfoniluréias
Azinsulforon Gulliver
Clorimuron Classic, Smart
Ciclosulfamuron Invest
Etoxisulfuron Gladium
Flazasulforon Katana
Halossulfuron Sempra
Iodosulforon Hussar
Metsulfuron Ally
Nicosulfuron Sanson, Nicosulfuron
Oxasulfuron Chart
Pirazosulfuron Sirius
Trifloxissulfuron Envoke
Triazolpirimidinas
Cloransulam Pacto
Flumetsulan Scorpion
Diclosulan Spider
Imidazolinonas
Imazamox Sweeper, Raptor
Imazapic Plateau
Imazapir Arsenal, Chopper, Contain
Imazaquin Scepter, Topgan
Imazetapir Pivot, Vezir, Dinamaz
Pirimidil-benzoatos Bispiribac NomineePiritiobac Staple
Dinitroanilinas
Orizalin Surflan
Trifluralin Herbiflan, Premerlin, Treflan, Trifluralina Nortox
Pendimetalin Herbadox
Ácido Benzóico Dicamba Banvel
Ácido fenoxicarboxílicos 2,4-D Aminol, Capri, Deferon, Esteron
Ácidos piridin-
carboxílicos
Picloram Padron
Triclopir Garlon
Fluroxipir Starane
Ácidos quinolin-
carboxílicos Quinclorac Facet
QUADRO 5 – CLASSES QUÍMICAS DOS PRINCIPAIS HERBICIDAS UTILIZADOS NO CONTROLE DE PLAN-
TAS DANINHAS E EXEMPLOS DE COMPOSTOS DE CADA GRUPO, INCLUINDO OS NOMES COMUNS
98
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
Triazinas
Ametrina Ametrina Agripec, Amitrex, Gesapax, Herbipak
Atrazina Atranex, Atrazina Nortox, Herbitrin, Primóleo, Proof, Posmil
Cianazina Bladex
Prometrina Gesagard
Simazina Gesatop, Herbazin, Simanex, Sipazina
Triazinona Metribuzin Lexone, Sencor
Benzotiadizol Bentazon Banir, Basagran
Ureias
Diuron Cention, Diuron, Diurex, Herburon, Karmex, Neturn
Isouron Isouron
Linuron Afalon, Linuron
Tebutiuron Perflan, Combine, Graslan
Tiocarbamatos
Butilato Sutan
EPTC Eptam, Erradicane
Trialato Avadex, Fortress
Glicina substituída Glifosato Agrisato, Direct, Roundup, Radar, Rodeo, Gliphogan, Scout, Trop
Ácido fosfínico Amônio-glufosinato Finale
Piridazinona Norflurazon Zorial
Isoxazolidinona Clomazona Gamit
Difeniléteres
Acifluorfen Blazer
Fomesafen Flex
Lactofen Cobra, Naja
Oxifluorfen Goal
N-fenil-ftalimidas Flumiclorac RadiantFlumioxazin Sumisoya
Triazolinona Carfentrazone AuroraSulfentrazone Boral, Solara
Oxadiazol Oxadiazon Ronstar
Cloroacetamidas
Alaclor Laço, Alaclor
Acetoclor Surpass, Kadet, Fist
Metolaclor Dual
Bipiridílios Diquat RegloneParaquat Gramoxone
Isoxazol Isoxaflutole Provence
Tricetonas Mesotrione CallistoFONTE: Adaptado de Roman et al. (2005)
4.1.1 Classificação quanto ao uso 
 
Alguns herbicidas são indicados para uma planta cultivada específica 
ou para um local específico. Essa classificação não é totalmente apropriada, pois 
alguns herbicidas têm uso amplo dentro das plantas cultivadas e também podem 
ser aplicados em qualquer região. 
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
99
4.1.2 Classificação quanto ao efeito 
 
Os herbicidas podem ser classificados quanto ao efeito que eles causam 
quando aplicado nas plantas. Alguns causam efeito de queima, outros causam 
clorose ou agem como um hormônio, causando crescimento anormal da planta. 
Clorose: é a perda da clorofila nos tecidos vegetais fotossintetizantes, 
caracterizada pelo amarelecimento desses tecidos e perda de sua função fotossintética. 
Pode ser causada por doenças, aplicação de produtos químicos ou pelo envelhecimento 
natural do tecido.
NOTA
Os mecanismos que causam essas alterações na planta podem ser 
fisiológicos ou metabólicos e os herbicidas podem ser classificados de acordo com 
esses mecanismos. Nem sempre o herbicida se encaixa em apenas um mecanismo 
de ação, mas, em geral, ele possui um mecanismo de ação mais importante, que 
vai caracterizar seu modo de aplicação, quantidade de aplicação e tempo que 
demorará para agir (DEUBER, 1992).
Na Unidade 3, você compreenderá quais os mecanismos fisiológicos e 
metabólicos estão relacionados aos efeitos que a aplicação dos herbicidas causa nas 
plantas-alvo.
ESTUDOS FU
TUROS
Acadêmico, no quadro a seguir, se encontram os modos de ação dos 
herbicidas dentro da planta e exemplos de alguns compostos de cada grupo. 
100
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
Mecanismo de ação Herbicida Grupo Químico
Inibidores de mitose
CIPC
Pendimetalina
Trifluralina
Carbamatos 
Dinitroanilinas 
Dinitroanilinas
Inibidores de crescimento
Alaclor
Difenamida
EPTC
Acetamida
Acetamida
Tiolcarbamatos
Reguladores de crescimento
2,4-D
Dicamba
Picloram
Fenoxiácido
Benzóicos
Derivado de piridina 
Destruidores de membranas Diclobenil Benzonitrilo 
Inibidores de pigmentos
Amitrol
Fenoxan
Norflurazon
Heterocíclico 
Heterocíclico 
Diazina 
Inibidores fotossintéticos
Atrazina
Diuron
Bromacil 
Triazina 
Uréia 
Uracila
Inibidores respiratórios
DNP
DNOC
MSMA
Dinitrifenóis
Dinitrifenóis
Arsenical
Inibidores de síntese de 
aminoácidos
Glifosato
Amônio-glufosinato
Imazaquina 
Amino-fosforado 
Amino-fosforado
Imidazolinas 
Inibidores de síntese de 
proteínas
TCA
Dalapon Ácido alifático
Inibidores de síntese de enzimas 2,4-DGlifosato
Fenoxiácido
Amino-fosforado 
Inibidores de síntese de RNA e 
DNA
CIPC
2,4-D
dicamba
Carbamato
Fenoxiácido
Benzóico
Inibidores de síntese de lipídios
Butilato
Fenoxapropetil
Vernolato
Tiolcarbamato
Hidroquinona
Tiolcarbamato
FONTE: Adaptado de Deuber (1992)
QUADRO 6 – PRINCIPAIS MECANISMOS DE AÇÃO DE HERBICIDAS NAS PLANTAS
4.1.3 Classificação quanto ao local de absorção do 
herbicida
 
A classificação pode ser baseada no órgão da planta onde ocorrerá a 
absorção do herbicida e, consequentemente, onde ele deverá ser aplicado. Essa 
classificação é muito importante para que ocorra a aplicação correta do herbicida 
e o efeito desejado na planta-alvo. Os herbicidas podem ser aplicados através 
da via foliar, onde ainda podem ser divididos: absorção foliar lenta ou rápida; e 
através da via radicular, o herbicida deve ser aplicado diretamente no solo para 
que ocorra a absorção (DEUBER, 1992).
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
101
4.1.4 Classificação quanto ao local de ação do 
herbicida
 
Após a absorção, um composto químico herbicida pode atuar de duas 
maneiras: causar o efeito no local da absorção (se a aplicação é foliar, causa a 
clorose e morte dessas folhas, por exemplo) ou ele é translocado da área de 
absorção até a região onde irá causar o efeito desejado. 
Temos, então, os herbicidas de contato, que só agem na parte atingida 
pelo produto, normalmente com efeito rápido; e os herbicidas sistêmicos, que 
são translocados pelos tecidos vasculares da planta e causam um efeito mais 
demorado do que os herbicidas de contato. 
 
A translocação do herbicida pode ser via simplasto ou via apoplasto, ou 
por ambas as vias, sendo que esse composto pode ser muito móvel dentro do 
corpo da planta, ou pouco móvel. 
Os mecanismos de absorção e translocação dos herbicidas será abordado 
com mais detalhes no final dessa unidade.
ESTUDOS FU
TUROS
No quadro a seguir você encontra os diferentes mecanismos fisiológicos 
dos herbicidas sobre as plantas: 
Local de 
aplicação
Mecanismo 
fisiológico Herbicida Ação na planta
Foliar
Tópico ou de contato ÁcidosSais
Apresentam ação local de 
destruição dos tecidos
Sistêmico 
(simplástico)
Pirazon
Glifosato
2,4-D
dalapon
Ocorre translocação para várias 
partes da planta
Sistêmico 
(apoplástico)
Barban
Fomesafeno
Tebutiuron
Sistêmico (apo-
simplástico)
Amitrole
Imazaquina
Sistêmico (pouco 
móvel)
Bromoxinil
Dinoseb
Propanil
Atuam próximos ao local de 
absorção
QUADRO 7 – CLASSIFICAÇÃO DOS HERBICIDAS SEGUNDO SEU MECANISMO FISIOLÓGICO 
DE AÇÃO NAS PLANTAS DANINHAS E EXEMPLOS DE CADA GRUPO
102
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
Radicular
De contato Sais
Ácidos Destruição celular
Sistêmico simplástico 2,4-D
EPTC
Transporte via xilema até as 
folhas
Atingem os meristemas da 
planta
Sistêmico apoplástico Atrazina
Diuron
Bromacil
Sistêmico apo-
simplástico
Asulam
Picloram
Sistêmico de pouca 
mobilidade
Alaclor
Trifluralina
FONTE: Adaptado de Deuber (1992)
4.1.5 Classificação quanto à seletividade do herbicida
 
Como você já estudo no início da unidade, os herbicidas podem ser 
seletivos ou não seletivos. Esse critério é essencial para escolha correta do 
produto químico, de acordo com as plantas daninhas que se deseja eliminar e da 
planta cultivada presente na área a ser tratada com o herbicida. Alguns herbicidas 
agem somente em plantas de folha larga (eudicotiledôneas) e não causam efeito 
deletério em monocotiledôneas. O imazaquin é um herbicida seletivo que controla 
apenas espécies de folhas largas, e ao mesmo tempo não afeta a soja. No caso do 
paraquat, diquat e glifosato, eles não possuem seletividade, sendo capazes de matar 
qualquer tipo de planta, dependendo da dose e forma de aplicação (ZIMDAHL, 
2018).
 
A seletividade, além do tipo de planta, pode estar relacionada à 
concentração do herbicida e o seu tempo de aplicação, a morfologia das plantas-
alvo, o tempo de desenvolvimento da planta (plântula ou indivíduo adulto), 
as formas de absorção e translocação do herbicida no corpo do vegetal e até as 
condições ambientais do local. 
As relações da planta e do ambiente com os herbicidas são responsáveis por 
determinar sua seletividade e serão aprofundadas no último item desse tópico.
ESTUDOS FU
TUROS
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
103
4.1.6 Classificação quanto ao tempo de aplicação 
 
Aqui você encontrará o herbicida classificado de acordo com a época em 
que ele deve ser aplicado. Isso é muito importante para que o herbicida atinja a 
sua máxima eficiência. A época correta de aplicação vai influenciar na absorção 
do composto pela planta daninha e pelo efeito desejado. Os compostos químicos 
se encaixam em:
4.1.6.1 Pré-cultivo ou pré-semeadura 
Nesse caso, ele é incorporado ao solo antes do plantio da cultura, durante 
a aragem ou gradagem. O herbicida precisa estar em contato com as plantas 
daninhas antes ou durante a emergência. 
 
Alguns compostos químicos sofrem fotodegradação ou volatilizam 
facilmente, devendo ser incorporados ao solo para evitar que seu efeito diminua. 
Os compostos fotodegradáveis precisam ser protegidos da luz solar, como os 
compostos da classe das dinitroanilinas e os que são muito voláteis precisam 
ser rapidamente incorporados ao solo, como os do grupo dos tiolcarbamatos 
(OLIVEIRA JR., 2011).
4.1.6.2Pré-emergentes
 
Os herbicidas são aplicados após a semeadura da lavoura, mas antes 
que as plântulas da espécie cultivada e/ou espécie daninha emerjam do solo. Os 
compostos desse grupo são eficazes no controle de plantas daninhas durante a 
primeira etapa de desenvolvimento do seu ciclo de vida. 
 
Os herbicidas pré-emergentes precisam ser aplicados com a presença de 
umidade no solo, para que atinjam uma profundidade adequada no solo, evitando 
os processos de volatilização e fotodegradação e sejam absorvidos pelas sementes 
ou raízes das plantas daninhas durante a germinação. Deve-se evitar a aplicação 
desses compostos em época de seca, pois perde-se o potencial do herbicida em 
controlar as plantas daninhas (OLIVEIRA JR., 2011).
 
4.1.6.3 Pós-emergentes
 
São aplicados após o desenvolvimento da planta cultivada e/ou da planta 
daninha, o que pode variar de acordo com a espécie cultivada, a espécie daninha 
e o próprio herbicida. Nesse caso, pode-se aplicar o herbicida sobre as espécies 
daninhas antes do plantio ou após o desenvolvimento da cultura (ZIMDAHL, 
2018).
 
104
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
A absorção nesse caso ocorre principalmente pela via foliar, podendo ser 
complementar aos tratamentos pré-emergentes ou antes da semeadura. A época 
certa de aplicação depende do ciclo de vida da espécie daninha e também da 
espécie cultivada. Se o herbicida é seletivo pode ser aplicado sobre a lavoura e se 
for não seletivo, a aplicação deve ser direcionada, para evitar danos nas plantas 
cultivadas (OLIVEIRA JR., 2011).
Pré-emergente: utiliza-se a sigla PRE para designar os compostos químicos 
aplicados na pré-emergência. 
Pós-emergente: utiliza-se a sigla POS para designar os compostos químicos dessa classe.
NOTA
No quadro a seguir, você encontra exemplos de herbicidas divididos de 
acordo com o método de aplicação:
Modo de aplicação Herbicida
Pré-plantio com 
incorporação
Butilato
Molinato
Pebulato
Trifluralina
Vernolato
Pré-emergência
Atrazina
Bromacil
Diuron
Linuron
Alaclor
Pós-emergência
Asulam
Bentazon
Propanil
Dicamba
Glifosato
Paraquat
QUADRO 8 – MODOS DE APLICAÇÃO E EXEMPLOS DE HERBICIDAS UTILIZADOS DE ACORDO 
COM CADA MÉTODO
FONTE: Adaptado de Deuber (1992)
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
105
4.1.7 Classificação quanto à toxicidade do herbicida
 
Acadêmico, todos os compostos químicos têm algum efeito tóxico aos seres 
vivos, o que varia com a sua concentração ou tempo de contato com o organismo 
vivo. Em relação aos animais e ao ser humano, os herbicidas são divididos de 
acordo com o grau de toxicidade que causam nesses grupos específicos, pois são 
de grande importância para avaliar seus riscos durante a aplicação e também 
após o herbicida estar no ambiente (DEUBER, 1992). 
 
A maior parte dos compostos herbicidas agem especificamente em 
plantas e são considerados de baixa toxicidade para o ser humano e outros 
animais. Atualmente, busca-se desenvolver compostos que não sejam tóxicos 
para mamíferos e existe legislação específica e processos de controle para garantir 
que não haja resíduos do herbicida nos produtos colhidos para consumo ou 
processamento (ZIMDAHL, 2018). 
Apesar de serem considerados de baixa toxicidade, todos os produtos químicos 
devem ser manuseados com cuidado, seguindo os procedimentos de segurança descritos 
na embalagem do produto, incluindo o descarte correto dos frascos de herbicidas vazios. 
Os problemas causados pelos herbicidas em geral são devido ao contato direto com o 
produto, através da pele ou pulmões, dificilmente ocorrendo após a aplicação ou em 
pessoas que não tiveram contato direto com o produto.
IMPORTANT
E
Mesmo assim, temos diferentes classes de toxicidade, relacionados ao 
contato através da pele ou pela ingestão do produto. A avaliação é feita com base 
na quantidade do herbicida necessária para causar mortalidade em metade das 
cobaias avaliadas, determinada como dose letal para 50% da população (DL50). 
Acadêmico, a seguir, temos as classes de toxicidade que você encontra 
nas embalagens ou laudo do produto herbicida. Essa classificação é baseada 
nas Diretrizes para boas práticas de rotulagem de pesticidas, da FAO (Food and 
Agriculture Organization), pertencente a Organização das Nações Unidas (ONU). 
106
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
Classe Classificação Cor da faixa no 
rótulo da embalagem
I Extremamente tóxico: DL50 oral igual ou 
inferior a 5 mg/kg
Vermelho
II Altamente tóxico: DL50 oral igual ou 
superior a 5 mg/kg até 50 mg/kg
Amarelo
III Mediamente tóxico: DL50 oral igual ou 
superior a 50 mg/kg até 500 mg/kg
Azul
IV Pouco tóxico: DL50 oral igual ou 
superior a 500 mg/kg
Verde
QUADRO 9 – RELAÇÃO DAS CLASSES DE HERBICIDAS DE ACORDO COM SUA TOXICIDADE, 
EM TERMOS DE DL50¹
¹ A dose letal 50 é definida por via oral e dérmica em animais de laboratório
FONTE: FAO (2015, p. 53)
4.2 PROCESSOS FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS
 
A seguir, estudaremos algumas das propriedades físico-químicas dos 
compostos herbicidas que estão relacionadas com seu comportamento no 
ambiente. Essas propriedades são avaliadas na hora da escolha do herbicida que 
será aplicado e até na decisão de não utilizar o controle químico, de acordo com 
as características ambientais do local de aplicação. 
As principais propriedades dos agrotóxicos analisadas são: solubilidade 
em água, pressão de vapor, a constante de ionização, constante de partição 
n-octanol/água e coeficiente de partição no solo na matéria orgânica. 
4.2.1 Solubilidade em água 
 
A capacidade de um composto se dissolver na água depende da sua 
polaridade. Quanto mais polar, ou hidrofílica, for uma molécula, maior sua 
solubilidade. A presença de grupos apolares, ou hidrofóbicos, diminuiu a 
solubilidade dessa molécula em água, sendo necessário a incorporação de um 
solvente para contribuir com sua solubilidade. O pH da mistura também contribui 
para a variação da solubilidade do composto químico (MONACO; WELLER; 
ASHTON, 2002). 
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
107
Hidrofílico: compostos que têm afinidade com a água, também chamados 
polares. São facilmente solúveis em água.
Hidrofóbico: não possuem afinidade com a água, sendo insolúveis. São chamados de 
apolares, só sendo solúveis em óleos e gorduras.
NOTA
Acadêmico, quanto mais solúvel um herbicida, menos chances ele tem 
de volatilizar ou de ser adsorvido pelo solo e pela matéria orgânica. Entretanto, 
um produto muito solúvel poderá ser facilmente lixiviado ou ser levado pelo 
escoamento superficial do solo. 
4.2.2 Pressão de vapor
 
A volatilização de um composto herbicida é uma propriedade importante 
para avaliar sua forma correta de aplicação. Ela está relacionada com a transferência 
do composto na atmosfera. A volatilização é influenciada pela temperatura do 
ambiente durante a aplicação, a velocidade do vento e também as condições do 
solo (MONACO; WELLER; ASHTON, 2002; OLIVEIRA; BRIGHENTI, 2011).
 
Acadêmico, a propriedade física do herbicida relacionada ao processo de 
volatilização se chama pressão de vapor. É a pressão exercida por um vapor de um 
composto em equilíbrio com seu estado líquido, podendo ser expressa em mm de 
Hg, atmosferas (atm) ou Pascal (Pa). Esse valor divide os compostos químicos em 
algumas classes: não volátil; pouco, moderadamente e muito volátil. Esse valor 
é determinado em condições de laboratório, portanto, em condições de campo, a 
pressão de vapor de um herbicida pode se alterar de acordo com a temperatura 
(MONACO; WELLER; ASHTON, 2002; OLIVEIRA; BRIGHENTI, 2011).
4.2.3 Constante de ionização 
 
Os compostos químicos podem ser classificados de acordo com sua 
capacidade de ionização ou dissociação em soluções. Os herbicidas podem ser 
considerados ácidos, quando são capazes de transferir prótons e básicos quando 
retém esse próton. Um ácido dissolvido em água irá ionizar e uma base dissolvida 
em água irá dissociar. Quanto maiora capacidade de ionização ou de dissociação, 
mais forte é considerado um ácido ou uma base (GEBLER; SPADOTTO, 2004; 
OLIVEIRA; BRIGHENTI, 2011).
 
108
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
A constante de ionização dos herbicidas é utilizada para avaliar como esse 
composto irá reagir com o ambiente após sua aplicação, incluindo solubilidade, 
retenção no solo e lixiviação. A ionização dos herbicidas em solução aquosa 
está relacionada a sua capacidade de absorção pela planta, principalmente pela 
raiz. Alguns herbicidas não ionizam em solução, mantendo-se na sua estrutura 
molecular original (GEBLER; SPADOTTO, 2004).
 
4.2.4 Coeficiente de partição n-octanol/água 
 
Acadêmico, a medida da lipofilicidade de um composto herbicida é 
determinada pela razão da concentração desse composto após a dissolução em 
uma solução contendo água e n-octanol, que são compostos imiscíveis (não se 
misturam). O valor é determinado de acordo com o transporte do composto entre 
esses dois meios (água e n-octanol).
 
Esse coeficiente tem sido utilizado para determinar alguns fatores 
importantes, como o coeficiente de partição carbono-orgânico (que veremos 
a seguir), a toxicidade e solubilidade dos compostos herbicidas (GEBLER; 
SPADOTTO, 2004).
4.2.5 Coeficiente de partição carbono-orgânico
 
Nesse caso, avaliamos a concentração do composto herbicida em uma 
solução contendo água e um componente sólido do solo (argila ou matéria 
orgânica). Esse coeficiente fornecerá estimativas de adsorção do herbicida pelo 
componente do solo avaliado, bem como sua mobilidade dentro do solo (GEBLER; 
SPADOTTO, 2004; OLIVEIRA; BRIGHENTI, 2011).
 
4.2.6 Meia-vida
 
Os compostos químicos possuem meia-vida, que é a quantidade de 
tempo que ele leva para reduzir pela metade a dose original aplicada. Esse 
valor é determinado por fatores físicos e microbiológicos do solo, temperatura 
do ambiente e o tipo de vegetação no local. Alguns herbicidas são decompostos 
rapidamente após a aplicação, como o 2,4-D, que é decomposto por micro-
organismos do solo (ZIMDAHL, 2018).
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
109
4.2.7 Formulação do herbicida
 
Os herbicidas possuem diversas formulações que influenciarão sua 
maneira de aplicação, a duração do composto no ambiente e até sua seletividade. 
Os produtos podem ser líquidos, em pó, grânulos e microcápsulas. Além disso, 
possuem aditivos diversos para facilitar a aplicação e/ou absorção do composto 
pela planta, os adjuvantes e surfactantes (GUIMARÃES, 1987). 
Fórmulas líquidas apresentam o herbicida dissolvido em um solvente 
específico, em geral em água. Se for um composto hidrofóbico, ele pode ser 
apresentado dissolvido em solvente orgânico e com a presença de uma substância 
emulsificante, que irá auxiliar na sua mistura com a água antes da aplicação 
(ZIMDAHL, 2018). 
 
As formulações secas podem ser disponibilizadas de diferentes formas: 
pó, pó molhável, grânulos e grânulos dispersáveis. Os pós são aplicados 
diretamente na área, a maioria deles são aplicados no solo. Pós molháveis são 
produzidos para serem diluídos em água facilmente. Eles apresentam, além do 
composto herbicida, partículas de argila e agentes de dispersão e de umidificação. 
Grânulos são fórmulas sólidas, aplicadas diretamente no solo, que liberam o 
composto herbicida de acordo com as condições de umidade do solo ou após 
ocorrência de chuva. Os grânulos dispersáveis podem ser misturados em água 
e aplicados como solução. Também pode-se encontrar os herbicidas na forma de 
pastilhas efervescentes e pacotes solúveis em água (ZIMDAHL, 2018). 
Adjuvante: são substâncias adicionadas à formulação que podem auxiliar 
no processo de diluição do composto em água, atuar como protetores (irão diminuir a 
toxicidade do herbicida que entra em contato com a planta cultivada) ou aumentar a 
fitotoxicidade do herbicida, entre outras funções. 
Surfactante: são substâncias que aumentam a dispersão da solução sobre o tecido-alvo da 
planta, favorecendo a penetração do composto.
NOTA
4.2.7.1 Comportamento dos Herbicidas no Ambiente
 
Acadêmico, quando um herbicida é aplicado em uma cultura, ele terá um 
tempo de ação, no qual deve ser absorvido pela planta-alvo. Após isso, o composto 
tem que desaparecer rapidamente desse ambiente, para evitar que interaja com outros 
seres vivos presentes no local. Vários fatores afetam o comportamento dos herbicidas 
no ambiente, sendo divididos em externos, como a umidade do ar, temperatura, 
vento, composição do solo, entre outros; e os fatores relacionados ao composto 
químico utilizado, suas características físico-químicas (GEBLER; SPADOTTO, 2004).
110
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
As características físico-químicas dos herbicidas serão abordadas no próximo 
tópico dessa unidade.
ESTUDOS FU
TUROS
A primeira coisa que pode acontecer após aplicação de composto 
herbicida é a volatilização do composto antes de atingir a planta-alvo ou após 
ser depositado no solo. Acadêmico, volatilizar é quando o composto passa do 
estado líquido para um estado gasoso. Esse processo está relacionado com a 
composição química do herbicida, a temperatura do ambiente, a presença de 
vento e a quantidade de água do solo. 
 
Um herbicida pode ser mais ou menos volátil. Essa característica é 
importante para analisar sua forma de aplicação. Um herbicida mais volátil, em 
geral, precisa ser incorporado no solo rapidamente, para evitar sua perda. Uma 
vantagem é que esse composto deixará menos resíduos no solo após o controle. 
Porém, ao mesmo tempo, quanto mais volátil, mais fácil ele pode ser transportado 
pelo ar para outras áreas ao redor do plantio, onde não é desejado (ZIMDAHL, 
2018). 
O método de aplicação do herbicida, bem como a quantidade de herbicida 
aplicado deve ser avaliado com cautela, para que atinja as plantas daninhas corretamente 
e reduza o impacto que o herbicida pode causar no ambiente e até a intoxicação dos 
trabalhadores. 
IMPORTANT
E
4.2.7.2 Herbicidas e o solo
 
O alvo de um herbicida é a planta daninha ou o solo cultivado, de onde 
emergirão as plântulas das espécies daninhas. Em ambos os casos, o solo será 
o local final da deposição do herbicida, onde ele deverá ser degradado. Essa 
degradação é um processo natural, que dependerá do tipo de herbicida e das 
características do solo onde ele fica depositado. Estudaremos, a seguir, os 
processos que podem ocorrer com o herbicida após ele atingir o solo (CORREIA, 
2018; ZIMDAHL, 2018).
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
111
Acadêmico, lembre-se que o solo é composto de uma fração sólida, constituída 
de matéria inorgânica (argila, areia e silte) e matéria orgânica; uma fração líquida (água do 
solo) e a fração gasosa (ar do solo). Além disso, encontramos uma microbiota e macro 
biota habitando esse solo. Todos esses componentes podem interagir com os herbicidas 
de diversas maneiras.
IMPORTANT
E
4.2.8 Retenção 
 
Os compostos químicos podem ficar retidos na água do solo ou nos 
coloides, dependendo da composição desse solo. A capacidade de retenção do 
solo está relacionada com a adsorção e absorção das moléculas pelo solo, pelas 
plantas e também sua degradação pelos microrganismos do solo. 
Coloides: são partículas orgânicas e inorgânicas do solo que possuem 1 µm 
ou menos de diâmetro. Elas têm maior área de superfície em relação ao seu volume, o que 
explica sua capacidade adsortiva.
NOTA
A adsorção está relacionada à retenção do composto químico pelas 
partículas de argila ou de matéria orgânica. O pH da solução herbicida influencia 
muito na adsorção. Em geral, moléculas químicas catiônicas, com carga positiva, 
são fortemente adsorvidas pelos compostos do solo, que se comportam como 
ácidos fracos. A matéria orgânica do solo, chamada de humus, é altamente 
adsortiva e capaz de reter uma maior quantidade de herbicida, dependendo da 
característica química deste (MONACO; WELLER; ASHTON, 2002). 
 
Acadêmico,o processo de adsorção tem grande influência na distribuição 
e na persistência de um herbicida no ambiente. Ele se relacionará com a 
profundidade de penetração de um herbicida no solo, a taxa em que esse herbicida 
será degradado e quanto tempo ele estará disponível para ser absorvido pela 
planta daninha (OLIVEIRA ; BACARIN, 2011). 
O que devemos observar antes da aplicação de um herbicida no campo 
(MONACO; WELLER; ASHTON, 2002).
112
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
• Solos com alto teor de matéria orgânica necessitam de uma maior quantidade 
de herbicida aplicado.
• Em solos com alto teor de argila necessitam de uma aplicação maior de 
herbicidas do que solos arenosos.
• Os solos com alto teor de argila e matéria orgânica geralmente retém os 
herbicidas por mais tempo. A adsorção pode ser tão intensa, que o composto 
não funcionará como herbicida. 
Acadêmico, veremos a diferença entre a adsorção e a absorção de um 
herbicida. Absorção está relacionada à entrada do composto químico dentro de 
uma célula, podendo ser de um microrganismo ou da própria planta. Como você 
acabou de ver anteriormente, na adsorção a molécula fica aderida à superfície das 
partículas de argila ou de humus, não ocorrendo sua absorção, como quando o 
herbicida entra dentro da célula de um ser vivo. 
4.2.9 Lixiviação 
 
Lixiviação é o transporte das moléculas feita pela água no solo, que está 
relacionada com as características físico-químicas do herbicida e das condições 
edafoclimáticas. Neste caso, o herbicida não fica retido, ele é transportado junto à 
água num movimento descendente. 
 
Como você acabou de ver, o que vai influenciar o transporte do herbicida 
através desse processo é o composto não ser adsorvido pelos componentes do 
solo e o composto ser solúvel na água do solo. Herbicidas fortemente adsorvidos 
pelas partículas do solo não são lixiviados facilmente, mesmo que estes sejam 
solúveis (OLIVEIRA; BRIGHENTI, 2011).
Acadêmico, a lixiviação do composto herbicida pode ser prejudicial, se 
ele for transportado profundamente ocorre a perda de sua ação sobre as raízes 
das plantas e também pode ocorrer a contaminação das águas subterrâneas. 
Entretanto, se a profundidade do transporte for pouca, isso poderá ser benéfico, 
pois atingirá um maior número de sementes e propágulos das espécies daninhas, 
que podem estar depositadas em diferentes profundidades no solo. 
 
4.2.10 Degradação 
 
O tempo que um herbicida leva para se degradar no ambiente está 
relacionado com a sua capacidade ação no controle das plantas daninhas e 
também está relacionado com efeitos adversos desse composto a longo prazo. 
Segundo Oliveira e Brighenti (2011, p. 289), “a persistência de um herbicida 
no solo pode ser definida como a habilidade que um composto tem para reter 
a integridade de sua molécula e consequentemente suas características físicas, 
químicas e funcionais no ambiente”. 
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
113
Acadêmico, veremos que um herbicida pode se decompor através 
da fotodecomposição, processos químicos, como a oxirredução, através da 
degradação microbiológica e pelo metabolismo da própria planta.
4.2.10.1 Fotodecomposição
 
A degradação através da luz é chamada de fotodecomposição ou fotólise. 
Aqui, o composto absorve a energia luminosa, o que causa a quebra da molécula 
e a perda de sua atividade herbicida. Um herbicida aplicado no solo pode ser 
foto decomposto com facilidade, se ficar exposto aos raios solares durante muitos 
dias, principalmente quando não há chuva no período (MONACO; WELLER; 
ASHTON, 2002). O que influenciará esse processo de decomposição através da 
luz durante a aplicação é a presença de nuvens, o horário da aplicação nas plantas, 
a profundidade de incorporação do composto no solo. 
4.2.10.2 Decomposição química 
 
Acadêmico, os herbicidas também podem ser decompostos através de 
reações químicas durante sua interação com a água, as partículas do solo e o 
próprio ar. As moléculas podem ser quebradas através da hidrólise, como no 
caso da atrazina, que é degradada lentamente na presença de água. A hidrólise 
ocorre principalmente com os herbicidas depositados em corpos de água e, em 
relação ao solo, dependerá de sua umidade e capacidade de adsorção, que estão 
relacionados a presença de argilas e de matéria orgânica. 
 
Outras reações químicas também podem ocorrer com os herbicidas, 
com as reações de oxidação-redução. Esse processo envolve a ação da luz (foto 
decomposição) ou a ação de microrganismos do solo. 
4.2.10.3 Decomposição microbiológica 
 
Os microrganismos do solo, principalmente fungos e bactérias, são 
os maiores responsáveis pela decomposição dos herbicidas nesse ambiente. 
Como eles são moléculas orgânicas, podem ser facilmente utilizados por esses 
seres vivos como fonte de energia. Para que ocorra a degradação, deve haver 
condições adequadas para os fungos e bactérias se desenvolverem no solo, como 
temperatura, água, oxigênio, nutrientes e o pH do solo. Além disso, os herbicidas 
devem estar disponíveis para decomposição, não adsorvidos nas partículas do 
solo (MONACO; WELLER; ASHTON, 2002; ZIMDAHL, 2018). 
114
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
A decomposição dos herbicidas pelas plantas, que envolve sua metabolização, 
armazenamento ou exsudação será abordado com detalhes no próximo tópico dessa 
unidade.
ESTUDOS FU
TUROS
4.2.11 Volatilização 
 
Acadêmico, como você já estudou, os compostos herbicidas possuem 
uma pressão de vapor específica, que determina sua capacidade de volatilização. 
A evaporação dos herbicidas pode ser prejudicial, quando eles possuem fito 
toxicidade alta, o que pode afetar outras plantas e seres vivos que não eram o alvo 
desses compostos. Eles podem formar gases fitotóxicos que são transportados 
pelo vento por grandes distâncias, contaminando diferentes áreas. Mesmo 
quando não muito fitotóxicos, esses gases podem interferir de diversas maneiras 
no ambiente ao redor do sítio de aplicação e a volatilização deles deve ser evitada 
durante o processo (OLIVEIRA; BRIHGHENTI, 2011; ZIMDAHL, 2018).
 
A volatilização é afetada pela temperatura, pela quantidade de água no 
solo e por sua capacidade de adsorção do herbicida, além da profundidade em 
que o composto é incorporado. Essas características devem ser analisadas para 
determinar a melhor forma de aplicação de um determinado herbicida, de acordo 
com suas características físico-químicas e de acordo com o tipo de solo da área 
de cultivo. 
 
4.2.12 Escoamento superficial 
 
O transporte do herbicida através da ação da água da chuva ocorre através 
do escoamento superficial. O excesso de água durante a chuva irá escoar pelo 
solo, levando com ela o herbicida dissolvido e também as próprias partículas 
do solo e restos vegetais, que também podem conter o herbicida (MONACO; 
WELLER; ASHTON, 2002).
Acadêmico, o escoamento superficial só ocorre em chuvas intensas e 
quando há manejo inadequado do solo agrícola, levando à perda do herbicida 
e seu transporte para áreas onde não é desejado. Além disso, ele pode ser 
transportado para rios, córregos, lagoas ou represas, causando contaminação 
dessas águas (ZIMDAHL, 2018). 
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
115
4.2.13 Herbicidas e a planta
Diversos fatores da planta daninha contribuem para a escolha do 
herbicida e sua eficácia no controle. A morfologia da semente da planta daninha, 
por exemplo, indicará a quantidade de herbicida que deve ser aplicado. Quanto 
menor o diâmetro da semente, maior a quantidade de herbicida aplicado, de 
forma a abranger uma maior área do solo. 
Em relação ao ciclo de vida, as plântulas e plantas daninhas ainda jovens 
são mais susceptíveis a ação de um herbicida do que os indivíduos adultos. 
Também o hábito de crescimento e a forma e disposição das folhas contribuem 
para a escolha do herbicida e tempo de aplicação. 
 
Alguns fatores fisiológicos também afetam a ação dosherbicidas, como a 
capacidade de imobilização e detoxificação dos compostos químicos pela planta. 
O vigor e o estado nutricional da planta daninha durante a aplicação do herbicida 
afetam a sua absorção e eficácia. 
Algumas características anatômicas que influenciam a ação dos herbicidas 
serão abordadas no tópico de Absorção dos herbicidas pelas plantas.
ESTUDOS FU
TUROS
4.3 COMPORTAMENTO DOS HERBICIDAS NAS PLANTAS
A ação de um herbicida quando entra em contato com a planta daninha 
depende da anatomia e morfologia da espécie e também dos mecanismos 
fisiológicos e bioquímicos que ocorrem dentro do vegetal. 
4.3.1 Absorção
 
A absorção do herbicida pode ocorrer através da parte aérea da planta ou 
através de suas raízes. Durante uma aplicação pós-emergente, a absorção através 
das folhas é a mais significativa, mas todas as partes aéreas podem absorver o 
herbicida. Já na aplicação pré-emergente, as raízes da plântula são o local de 
absorção do herbicida, podendo ocorrer também absorção na parte aérea da 
planta durante o processo de germinação (MONACO; WELLER; ASHTON, 2002). 
116
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
4.3.2 Absorção foliar
A absorção de um herbicida pela via aérea depende de inúmeros fatores, 
ligados ao tipo de herbicida, sua forma de aplicação e também as características 
morfoanatômicas da espécie-alvo desse composto. Para que o herbicida cause 
o efeito desejado, ele precisa ser absorvido pelo tecido da planta, transportado 
adequadamente para o local de ação e evitar ser detoxificado durante esse 
processo. Entender esses mecanismos de absorção é importante para poder 
utilizar um herbicida da melhor forma possível, evitando perda de resultados, 
gastos desnecessários e efeitos colaterais nocivos no ambiente (ZIMDAHL, 2018). 
 
Para que a absorção foliar ocorra, o herbicida precisa ficar sobre a 
superfície do tecido vegetal tempo suficiente para que ocorra sua penetração em 
uma concentração que causará seu efeito na planta. Essa penetração dependerá 
de alguns fatores importantes:
• Características da superfície foliar da planta-alvo: a epiderme das folhas 
possui estruturas anatômicas para proteção contra a perda de água através 
da transpiração. Sua superfície é recoberta por uma camada de cutícula, 
podendo conter ceras depositadas externamente (ceras epicuticulares) e a 
presença de tricomas de morfologia variada. Essas características influenciam 
na permanência da solução do herbicida sobre a folha e na sua absorção. Além 
disso, o número e distribuição dos estômatos também vai influenciar na taxa 
de absorção (TAIZ; ZEIGER, 2006). 
Cutícula: é uma camada contínua composta basicamente por cutina, ceras 
embebidas e pectinas. As ceras caracteristicamente são substâncias hidrofóbicas e as 
pectinas são substâncias mais hidrofílicas, que formam poros hidrofílicos através da cutícula, 
onde é possível a entrada de água quando a planta não está sob estresse hídrico. 
Cera epicuticular: são substâncias amorfas ou cristalinas depositadas sobre a camada de 
cutícula das folhas, aumentando a característica hidrofóbica delas. 
Estômatos: são anexos epidérmicos que realizam trocas gasosas nas partes aéreas da 
planta. Eles possuem capacidade de abrir e fechar de acordo com a necessidade da planta 
e das condições ambientais. 
Tricomas: São anexos epidérmicos que possuem uma ou várias células, de morfologia 
variada. Podem ser tectores, também chamados de pelos, ou glandulares, possuindo 
células que secretam substâncias, como os óleos essenciais.
NOTA
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
117
A penetração do herbicida dependerá da espessura da cutícula, quanto 
mais espessa, menor é a taxa de penetração, que ocorre por difusão passiva. 
As ceras depositadas também são uma característica importante. Dependendo 
da morfologia e quantidade de ceras, a solução com o herbicida não consegue 
atravessá-las, sem o auxílio de alguma substância que dissolva essa barreira. A 
forma de aplicação aqui é importante, quanto menor o tamanho das gotículas, 
melhor o resultado em plantas com grandes depósitos de ceras (MONACO; 
WELLER; ASHTON, 2002). 
O caminho através da cutícula e da parede celular de uma célula vegetal 
é denominado apoplástico. Essa é a via principal de entrada dos herbicidas 
foliares, que precisam penetrar a barreira apoplástica e atingir o simplasto ou os 
vasos de xilema, onde ocorrerá sua ação ou sua translocação para outras partes 
da planta (CORREIA, 2018). 
 
A hidratação da planta e a umidade relativa do ar também influenciam 
na entrada do composto pela cutícula. A falta de água nas folhas ou a falta de 
umidade relativa no ar diminuem a hidratação da cutícula, dificultando a 
absorção da solução do herbicida. 
Apoplasto: são os espaços externos as membranas celulares, incluindo a 
parede celular. 
Simplasto: compreende a região da célula dentro das membranas celulares, o citoplasma 
com o núcleo.
NOTA
Os herbicidas também podem entrar através dos estômatos presentes na 
folha. Essas estruturas variam em quantidade, dependendo da espécie da planta 
e também das condições ambientais onde ela cresce. Além disso, em geral, as 
plantas possuem estômatos em maior número na face abaxial (ou voltada para 
baixo) do que na face adaxial (voltada para cima), muitas vezes só possuindo 
essa estrutura na face abaxial da folha. Como a aplicação do herbicida geralmente 
só atinge a superfície adaxial, ocorre menor absorção através dos estômatos, 
principalmente devido ao fato dos mesmos estarem fechados em determinado 
horário do dia, ou possuírem maior deposição de ceras e presença maior de 
tricomas ao seu redor (TAIZ; ZEIGER, 2006; ZIMDAHL, 2018).
• Características da solução do herbicida e da forma de aplicação: os herbicidas 
podem ser mais hidrofílicos ou lipofílicos, de acordo com sua fórmula química. 
Os herbicidas lipofílicos conseguem atravessar facilmente as camadas de cera 
118
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
e da cutícula da folha através de difusão. Os herbicidas hidrofílicos também 
atravessam as estruturas da folha, mas, em geral, esse movimento é mais lento, 
podendo diminuir a eficácia da aplicação. 
O tamanho das gotículas da solução herbicida influencia grandemente na 
capacidade de absorção. Além de depender da morfologia da folha, as gotículas 
podem evaporar rapidamente, formando cristais da molécula herbicida sobre a 
folha, o que diminuirá sua absorção. Além disso, a presença de íons em grande 
quantidade na água utilizada na solução, podem diminuir a absorção do herbicida, 
devido a possíveis interações entre a molécula do composto e os íons presentes 
(MONACO; WELLER; ASHTON, 2002). 
• Características morfológicas das folhas da planta-alvo: a morfologia da folha 
também influenciará na capacidade de absorção. Folhas largas e dispostas 
horizontalmente são mais fáceis de conter o composto aplicado em sua 
superfície. Já folhas que são dispostas verticalmente e em geral mais estreitas, 
precisam de uma maior cobertura de aplicação para conseguir encharcar e 
manter o composto por tempo suficiente para que ocorra a absorção. 
Acadêmico, quando o herbicida foi aplicado sobre a planta, esse composto 
pode seguir cinco caminhos (MONACO; WELLER; ASHTON, 2002; ZIMDAHL, 
2018). 
1. Volatilização devido à luz e a temperatura do ambiente ou ser lavado pela 
chuva.
2. Permanência na superfície das plantas após a evaporação da água da solução, 
na forma de cristais ou numa forma viscosa. 
3. Penetração na cutícula da folha, permanecendo nessa região ou sendo adsorvido 
por ela.
4. Penetração na cutícula e atravessamento da parede celular continuamente até 
atingir um vaso de xilema (via apoplástica).
5. Penetração na cutícula e parede celular, atingindo o simplasto daquela célula, 
podendo entrar em ação ou ser translocado para um feixe de floema (via 
simplástica). 
Os herbicidas geralmente são produzidos e possuem instruções de 
aplicação que evitarão os trêsprimeiros caminhos, já que o objetivo é que a absorção 
ocorra. Por exemplo, alguns compostos possuem fórmulas mais lipofílicas, que 
podem ser aplicadas em dias quentes, quando as cutículas das folhas estão mais 
fluidas, facilitando a penetração. Em geral, o calor e a umidade relativa do ar 
auxiliam na absorção e atividade da maioria dos herbicidas (ZIMDAHL, 2018). 
Com relação à chuva, somente herbicidas que são absorvidos lentamente 
serão afetados se houver chuva algum tempo após a aplicação. A chuva lavará 
as folhas e eliminará o produto aplicado, então, quanto mais rápido ele penetrar, 
menor influência da chuva haverá sobre o resultado esperado. 
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
119
4.3.3 Absorção pelas raízes
 
Os herbicidas aplicados diretamente no solo e o excesso da aplicação 
foliar que atinge o solo são absorvidos pela parte radicular das plantas. Além 
disso, pode ocorrer a absorção do herbicida diluído na água do solo, durante o 
processo de germinação da planta daninha. 
 
A absorção radicular é mais simples que através das folhas. As raízes 
não possuem uma cutícula espessa ou depósitos de ceras epicuticulares, 
principalmente na área de maior absorção de água do solo, a zona pilífera. Além 
disso, a água do solo entra continuamente pela raíz, e o herbicida dissolvido nessa 
água vai ser absorvido sem grandes problemas. A entrada da água pela raíz pode 
seguir a via simplástica ou apoplástica, até atingir a endoderme. A endoderme é 
uma camada de células localizada entre o tecido fundamental e o cilindro central 
da raiz, onde ficam os feixes vasculares. Essa camada possui uma impregnação 
de suberina, uma substância hidrofóbica, depositada na parte radial das paredes 
celulares. A endoderme barra a entrada de água através do apoplasto, forçando 
a entrada pelo simplasto das células, o que regula o balanço de absorção de íons 
pela raíz das plantas (MONACO; WELLER; ASHTON, 2002; TAIZ; ZEIGER, 
2006). 
Zona pilífera é região da raiz que apresenta pelos radiculares, que são extensões 
da epiderme das células para aumentar a área de absorção de água do solo. Encontra-se 
logo após a região meristemática e de alongamento da raiz. Essa região é responsável pela 
maior parte da absorção das raízes das plantas.
NOTA
A aplicação de herbicidas no solo durante o pré-plantio ou pré-emergência 
é considerado uma técnica prática e econômica. Apesar disso, alguns problemas 
podem ocorrer após a aplicação. O herbicida pode ser diluído rapidamente na 
água do solo, diminuindo sua disponibilidade na região de absorção da raíz. 
Também pode ocorrer a adsorção dos compostos químicos pelos coloides do solo 
(CORREIA, 2018). 
 
O pH do solo na hora da aplicação pode influenciar na taxa de absorção 
de um herbicida. Dependendo do pH do solo, alguns herbicidas serão menos ou 
mais absorvidos pela raíz da planta, assim como acontece com todos os nutrientes 
que as plantas absorvem do solo. Deve-se levar em conta o pH do solo da região 
na hora de escolher qual herbicida será aplicado, já que a taxa de absorção poderá 
variar. 
 
120
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
4.3.4 Translocação
A translocação envolve o transporte do herbicida do local de absorção 
para o local de ação. Uma vez dentro do simplasto da célula, o herbicida pode 
encontrar alguns caminhos (MONACO; WELLER; ASHTON, 2002; ZIMDAHL, 
2018). 
• Pode ser compartimentalizado dentro do vacúolo, perdendo seu efeito.
• Se ligar a componentes químicos e serem adsorvidos pela célula, não chegando 
ao sítio-alvo de sua ação.
• Serem transportados célula a célula até os vasos do floema.
• Serem transportados pelos vasos do xilema da planta.
Na Unidade 3 você irá aprender os mecanismos fisiológicos que as plantas 
possuem para inibir o efeito dos herbicidas após a absorção, no tópico de Resistência aos 
Herbicidas.
ESTUDOS FU
TUROS
4.3.5 Transporte via xilema 
Geralmente, o transporte através dos vasos do xilema ocorre quando 
o herbicida é absorvido pelas raízes da planta. Os vasos do xilema são células 
alongadas, mortas, com espessamento da parede celular, conectadas entre si. Eles 
se estendem por todo corpo da planta, da raiz até a parte aérea. Sua função é 
transportar a água e sais minerais contidos na solução do solo (TAIZ; ZEIGER, 
2006).
 
As moléculas dos herbicidas presentes na solução do solo movem-se 
pelo xilema junto ao fluxo de água durante a absorção, principalmente na zona 
pilífera das raízes. O movimento da água no xilema é ascendente e unidirecional. 
Esse movimento é regulado pela presença de água no solo e pela perda de água 
nas folhas através da transpiração. A transpiração foliar gera a força propulsora 
(potencial hídrico) que irá manter a entrada de água e sais minerais na raiz (TAIZ; 
ZEIGER, 2006; ZIMDAHL, 2018). 
 
Os herbicidas aplicados no solo devem ser capazes de entrar no xilema 
das plantas e atingir a parte aérea até o local de ação da molécula. Se ficarem 
retidos nas células das raízes, poderão ser adsorvidos ou degradados, perdendo 
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
121
seu efeito (MONACO; WELLER; ASHTON, 2002). Em alguns casos, como nas 
dinitranilinas, ocorre o contrário. Como são hidrofóbicas e não se movem dentro 
da planta, sua ação irá ocorrer localmente, nas raízes das plantas-alvo. 
4.3.6 Transporte via floema 
 
Quando o herbicida é absorvido pelas folhas ou pelos caules das plantas, 
o caminho mais comum é ele ser translocado até os vasos do floema, a menos que 
sua ação seja local. Se for um herbicida de ação local, os componentes químicos 
agiram no local de absorção (nas folhas, por exemplo), não sendo transportados 
a longas distâncias no corpo da planta.
 
O transporte via floema é diferente do transporte no xilema. Os vasos do 
floema são células vivas, que não possuem núcleo e outras organelas. Também 
são células mais alongadas, conectadas entre si e formando feixes de tubos 
que acompanham todos os tecidos da planta. Elas têm a função de transportar 
compostos orgânicos produzidos pela planta, principalmente açúcares 
provenientes da fotossíntese. Isso é muito importante, pois explica o movimento 
do floema, que não é unidirecional como no xilema (TAIZ; ZEIGER, 2006).
 
O movimento do floema das plantas é multidirecional e é regulado pela 
presença de fontes e drenos. As fontes são os órgãos fotossintetizantes, como 
as folhas maduras, que produzem os açúcares, os quais serão transportados 
via floema. Drenos são regiões consumidoras desse açúcar, geralmente regiões 
meristemáticas, flores e frutos ou órgãos de armazenamento. A direção do 
floema sempre será de uma região fonte para uma região dreno. Durante o 
desenvolvimento de uma planta essas regiões podem mudar, alterando a direção 
do floema, que é basicamente relacionado à diferença de concentração do açúcar 
entre a fonte e o dreno. Por exemplo, um órgão de armazenamento de amido 
pode ser um dreno forte durante o desenvolvimento vegetativo da planta, e 
depois uma tornar-se uma fonte, durante a época de florescimento e frutificação 
(TAIZ; ZEIGER, 2006). 
 
Essa relação entre fonte e dreno é importante para o transporte de 
herbicidas dentro da planta, pois eles serão transportados na mesma direção que 
os açúcares. Eles também podem passar do floema para o xilema, como acontece 
com os herbicidas sistêmicos. A translocação do herbicida dependerá da espécie 
vegetal e das condições ambientais durante a absorção. Um exemplo é o glifosato, 
uma substância hidrofílica que se move bem no floema e no xilema, podendo ser 
aplicado nas folhas das plantas daninhas (ZIMDAHL, 2018). 
 
122
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
4.3.7 Metabolismo
Acadêmico, após o herbicida ser absorvido pela planta, seja pela parte 
aérea ou através das raízes, ele precisa atingir seu local de ação para que realmente 
afete a planta daninha. As plantas daninhas possuem mecanismos fisiológicos 
que podem impedir que o herbicidachegue em seu sítio de ação. Os compostos 
podem ser metabolizados rapidamente pela planta, perdendo sua atividade 
(MONACO; WELLER; ASHTON, 2002). 
 
No quadro a seguir, você encontrará algumas das reações químicas que 
podem ocorrer com os herbicidas após a absorção.
Reação Química Grupos de herbicidas afetados
Hidroxilação Triazinas, Fenoxiácidos, imidazolinonas
Oxidação Fenóxiácidos
Descarboxilação Ácidos benzóicos, ácidos picolínicos
Desaminação Uréias, dinitroanilinas
Destiolação Carbamotioatos
Hidrólise Carbamatos, sulfoniluréias, imidazolinonas
Conjugação Ácidos benzóicos, imidazolinonas
Desalquilação Dinitroanilinas, triazinas
QUADRO 10 – ALGUMAS REAÇÕES QUÍMICAS VEGETAIS E OS GRUPOS DE HERBICIDAS AFETADOS
FONTE: Adaptado de Deuber (1992)
Como você viu no quadro anterior, um herbicida pode ser degradado 
através de processos enzimáticos ou conjugados (ligados) a outras moléculas 
dentro da planta, como açúcares e aminoácidos, tornando-se uma molécula 
inativa. Além disso, após a conjugação, as plantas sequestram a molécula do 
herbicida conjugada, armazenando-as no vacúolo da célula. 
 
Uma planta daninha pode sobreviver a aplicação de um herbicida 
também devido ao controle da absorção e da translocação. Quanto mais lento 
for o processo, mais chances ela possui de metabolizar os compostos. Herbicidas 
que são rapidamente absorvidos e translocados dificilmente conseguem ser 
totalmente inibidos pelo metabolismo vegetal (ZIMDAHL, 2018). 
Alguns herbicidas só são ativados com a ajuda do metabolismo da planta-
alvo. Eles são chamados de pró-herbicidas, são moléculas inativas do composto, 
que quando absorvidas e metabolizadas pela planta, geram uma molécula ativa. 
 
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
123
4.3.8 Seletividade
 
Acadêmico, o que faz um composto herbicida matar uma planta e outra 
não? Existem diversas características tanto do herbicida quanto das plantas que 
determinará qual morrerá e qual não morrerá quando você aplica um composto 
nela. Essas características determinam a seletividade de um herbicida, que 
também pode variar de acordo com variações do ambiente em que ele é aplicado.
 
Segundo Oliveira Jr. e Inoue (2011), a seletividade de herbicidas é a base 
para o sucesso do controle químico de plantas daninhas na produção agrícola, 
sendo considerada como uma medida da resposta diferencial de diversas espécies 
de plantas a um determinado herbicida.
 
Para ocorrer a seletividade, o herbicida precisa ter seu local de ação na 
planta daninha e não na cultura ou ser metabolizado e degradado pela cultura e 
não pela planta daninha. 
4.3.8.1 Fatores da planta que determinam a seletividade
 
Os herbicidas são desenvolvidos geralmente para determinadas culturas, 
as quais ele não causará fito toxicidade. Isso está relacionado com fatores internos, 
como a translocação e capacidade de metabolizar o herbicida e externos dessa 
planta (características morfológicas e anatômicas que irão influenciar a absorção 
do composto) que não será afetada pela aplicação do herbicida. 
 
As diferenças nas rotas de absorção e translocação também determinam 
a seletividade. Quanto mais rápido for a absorção e translocação, maiores as 
chances de o herbicida agir naquela planta. Espécies vegetais que conseguem 
barrar parcialmente a absorção e diminuir a taxa de translocação podem ser 
seletivas a aplicação de determinado herbicida (ZIMDAHL, 2018).
 
Plantas capazes de decompor ou metabolizar um herbicida não irão 
ser afetadas por ele. Esse é um dos fatores que determinam a seletividade de 
algumas culturas à aplicação de um herbicida. Em alguns casos, a planta cultivada 
consegue metabolizar rapidamente o herbicida e a planta daninha não, que acaba 
sendo afetada por ele (ROMAN et al., 2005). 
O que pode ocorrer também são variações no sítio-alvo em grupos de 
plantas diferentes. O herbicida tem um sítio de ação, um alvo dentro do corpo 
da planta (uma enzima essencial, por exemplo). As espécies vegetais de classes 
diferentes podem apresentar formas modificadas desse alvo. Uma será afetada 
pelo herbicida e a outra não será afetada, devido a essa modificação. 
 
124
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
O tamanho da planta também pode ser determinante da seletividade. 
Plantas no início do desenvolvimento são mais susceptíveis a ação da molécula 
herbicida. Elas possuem tamanho menor e estão menos desenvolvidas 
anatomicamente, facilitando a absorção do herbicida. Como em processo de 
crescimento acelerado, vão translocar com eficiência o composto herbicida, 
causando um efeito sistêmico rápido. A aplicação do herbicida em diferentes 
épocas, de acordo com o desenvolvimento da planta daninha e do cultivar, 
podem ser determinantes da seletividade (ROMAN et al., 2005; ZIMDAHL, 2018). 
 
Ainda em relação à seletividade, o desenvolvimento de plantas 
transgênicas resistentes aos herbicidas modificou a relação das plantas cultivadas 
com os compostos herbicidas, como a soja resistente ao glifosato e as cultivares de 
milho resistentes ao glufosinato de amônio 
4.3.8.2 Fatores físico-químicos do herbicida que 
determinam a seletividade
Acadêmico, em relação às características dos herbicidas que influenciam 
a seletividade, podemos avaliar desde as características físico-químicas do 
composto químico (pressão de vapor, solubilidade em água, capacidade de 
ionização, meia vida) até a maneira de aplicação (pré-emergência, pré-plantio e 
pós-emergência). 
 
Alguns herbicidas, dependendo da dose aplicada, afetarão somente 
as plantas daninhas e não as plantas cultivadas. Em outros casos, a maneira 
como o composto herbicida foi fabricado determinará sua seletividade. A 
adição de substâncias adjuvantes a formulação pode aumentar ou diminuir seu 
efeito seletivo. Também existem fórmulas que são sólidas, e serão depositadas 
diretamente no solo, não ficando retidas nas folhas da planta cultivada (OLIVEIRA 
JR.; INOUE, 2011). 
 
Como você aprendeu no tópico de Métodos de Controle de Plantas 
Daninhas, existem equipamentos que são utilizados na aplicação dos herbicidas. 
O tipo da maquinaria ou equipamento usado, bem como sua forma de distribuir 
o herbicida no ambiente pode ser regulada de modo que atinja somente as plantas 
daninhas e evite que a planta cultivada tenha contato direto com o produto. Dessa 
forma, mesmo herbicidas considerados não seletivos, como o paraquat, podem 
ser utilizados de maneira seletiva, desde que sua aplicação seja pontual sobre as 
plantas daninhas (ZIMDAHL, 2018).
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
125
LEITURA COMPLEMENTAR
TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO DE AGROQUÍMICOS
Antonio Zózimo de Matos Costa
João Louis Pereira
Jackson de Oliveira César
Luis Carlos Lima
A utilização de agroquímicos é um fator importante na manutenção de 
altas produtividades agrícolas, sendo assim, o desenvolvimento e a aplicação 
desses produtos vêm aumentando rapidamente a nível mundial, desde meados 
da década de 1940. Entretanto, devem ser considerados os efeitos da produção, 
formulação, transporte, manuseio, armazenamento e aplicação dos defensivos 
agrícolas sobre o meio ambiente, visto serem a maioria deles poluidores ou 
contaminantes ambientais.
O emprego de agroquímicos apresenta dois pontos cruciais para o ambiente: 
eles são biocidas e alguns muitos persistentes, podendo ser transportados para 
outros locais por água e vento, por exemplo, e também acumular em cadeias 
alimentares.
As ciências diretamente relacionadas, Entomologia, Fitopatologia, 
Matologia, Acarologia, Nematologia etc. fornecer as informações necessárias para 
se lançar mão das diferentes formas de controle do problema fitossanitário. Uma 
vez optado pelo controle químico, e a época correta de seu uso, cabe o processo 
de aplicação garantir que o controle seja efetuado com eficiência, economia e 
segurança.
A aplicação eficiente tem como finalidade à colocação do produto no alvo 
para que o mesmo atue com a esperadaeficácia. A determinação da dosagem e 
os procedimentos operacionais estão diretamente relacionados com a economia. 
Finalmente a proteção dos aplicadores, dos consumidores dos produtos 
produzidos na área tratada e do próprio ambiente, estão intrinsecamente ligados 
à segurança.
O objetivo da aplicação de produtos químicos para o controle de pragas 
e doenças, é cobrir o alvo com a máxima eficiência e o mínimo esforço. A 
primeira fase é a essencial de todo o processo, é a identificação do alvo biológico, 
sendo este um dos aspectos mais negligenciados das operações de aplicações 
de agroquímicos. Isto não significa dizer que seja preciso um filme contínuo 
de fungicida, porém, se torna necessário uma cobertura tão tensa que nenhum 
esporo de fungo se depositará, sem fazer contato com uma partícula próxima de 
fungicida.
126
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
Além da indefinição do “alvo biológico”, ou seja, do exato local onde 
deverá ser aplicado o produto químico, os agricultores em geral se defrontam, 
diuturnamente, com vários problemas que dizem respeito à tecnologia de aplicação 
de agroquímicos. Embora haja uma diferenciação para os diversos controles, os 
agricultores utilizam os mesmos equipamentos de aplicação, sejam eles: costais 
manuais (de pressão contínua ou de pressão retida), sistema mangueira e lanças, 
polvilhadeiras e outros.
O alvo biológico
A tecnologia da aplicação de defensivos agrícolas apresenta limites 
bastante definidos, de um lado, o equipamento responsável pela pulverização 
propriamente dita: formação e impulsão de gotas de uma calda (mistura, 
suspensão ou diluição) e do outro, a superfície ou local onde as mesmas serão 
depositadas chamado de “alvo biológico”.
Os parâmetros ambientais (temperatura, ventos, correntes de convecção, 
umidade relativa do ar etc.) a máquina ou equipamento utilizado (tipo, 
regulagens, velocidade, etc.) e a superfície a ser tratada (folhas, caule, frutos, solo, 
insetos em voo etc.), são os principais elementos que determinam, em cada caso 
um comportamento ideal do defensivo até o “alvo biológico”.
A partir dessa informação, chegaremos a um componente de pulverização 
(bico ou turbina do pulverizador) e finalmente a máquina, seja ela manual, 
tratorizada ou mesmo equipamento aéreo.
Parâmetros principais da mecânica de aplicação
1 Espectro de gota – é a classificação das gotas, em percentagem de 
volume ou de número de gotas, o qual é homogêneo quando todas as gotas são 
do mesmo tamanho, e heterogêneo, quando o tamanho das gotas é diferente. 
Uma pulverização heterogênea com espectro de gotas resultará por um lado, 
em gotas grandes que escorrerão pelos alvos, representando perda de produto 
químico e poluição ambiental e por outro lado, gotas pequenas que serão levadas 
pelos ventos (deriva) e finalmente uma quantidade pequena de gotas que será 
aproveitada.
A vantagem de operar com gotas pequenas é evidenciada pela densidade 
teórica, obtida com um litro de calda sobre uma superfície plana, conforme 
apresentada.
Os equipamentos pulverizadores normalmente utilizados na agricultura, 
que utilizem bicos, discos, cilindros rotativos, ou se baseiem no princípio da 
pulverização pneumática, geram gotas com diâmetros variados. A amplitude 
deste espectro depende da qualidade do equipamento e de diversas características 
operacionais.
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
127
O comportamento, à distribuição e a deposição das gotas é 
consideravelmente afetada pelo seu tamanho. Desse modo, ao selecionar um 
equipamento para dado tratamento, é essencial o conhecimento do tamanho das 
gotas produzidas e quando elas atingem o alvo.
2 Faixa de deposição – define a quantidade de princípio ativo ou de gotas 
aplicadas por unidade de área, ao longo de uma faixa tratada longitudinal e 
transversalmente. Essa distribuição de gotas na faixa é de grande importância na 
análise de um tratamento.
A melhor distribuição é aquela que acompanha o mais próximo possível 
a localização da praga ou doença a ser controlada e o faz de maneira contínua. 
Dizemos que uma faixa de deposição é descontínua quando numa mesma área 
tratada, encontramos pontos em que a dosagem do princípio ativo ou a quantidade 
de gotas depositadas é diferente.
3 Tamanho de gota – a nuvem de gotas pode ser formada ou composta 
de gotas grandes e/ou pequenas, homogêneas ou não. Para se expressar 
numericamente o tamanho e a uniformidade das gotas ou as características do 
fluxo pulverizado, utiliza-se de vários parâmetros, o VMD (ou DMV) e o NMD.
O VMD (ou DMV) se refere ao diâmetro da gota que divide o volume 
pulverizado em duas partes ou metades iguais, isto é: metade do volume das 
gotas pulverizadas é maior do que o VMD e a outra metade é constituída de gotas 
menores que esse valor.
4 Densidade de gota – refere-se à quantidade de gotas por unidade de 
área. Esse parâmetro tem grande importância no controle de pragas e doenças, 
quando se utilizam na aplicação baixo e ultrabaixos volumes. Com o uso de gotas 
cada vez menores e com produtos mais concentrados, as gotas tornam-se mais 
letais e o número de gotas por unidade de área, juntamente com o volume médio, 
dão a quantidade de produto ativo depositado sobre o alvo.
Como parâmetros utilizam-se as seguintes coberturas para produtos não 
sistêmicos ou de baixa translocação, atendendo ainda as condições climáticas 
existentes (Anônimo (1), Lacombe (11), Matthews (14)).
Herbicida - 20 a 30 gotas/cm2 com diâmetros de 200 a 300 micra.
Inseticida - 50 a 70 gotas/cm2 com diâmetros de 50 a 200 micra.
Fungicida - 70 a 100 gotas/cm2 com diâmetros de 100 a 200 micra.
À medida que se reduz o volume de aplicação, a tendência é utilizar gotas 
menores. O número e tamanho de gotas que se depositam por unidade de área 
do solo ou da superfície foliar desempenha um papel preponderante na eficácia 
das aplicações.
 
128
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
5 Deriva das gotas – a “velocidade de queda livre” de uma gota é o 
resultado da ação do peso da gota e da resistência do ar no movimento da mesma, 
quando cessa o seu impulso inicial de lançamento. A “redução do diâmetro” 
da gota aumenta a resistência do ar em relação ao peso; acarretando menor 
velocidade de queda livre. 
Por outro lado, o vento lateral e as correntes ascendentes de ar, tendem a 
“carregar” ou “arrastar” as gotas. Este arraste é tanto maior quanto menor for a 
gota.
Uma gota com determinado diâmetro arrastada pelo ar terá uma 
predeterminada velocidade de queda, ao passo que, em um ar completamente 
parado, (condição que jamais existe), a depender da altura de queda de onde 
foi liberada, do seu tamanho e do seu peso, ela se depositará numa superfície 
horizontal após certo tempo. Isto se deve a um aspecto natural que está sempre 
presente, que é à força da gravidade.
Um outro fenômeno que varia constantemente é movimento do ar, seja 
ele horizontal ou vertical.
O tamanho de gotas mais propenso à ação das forças retromencionadas 
é aquelas inferiores a 100 micra. Existem bicos desenhados de modo a eliminar a 
maior parte dessas gotas “deriváveis” (bicos Raindrop). Entretanto, na maioria dos 
bicos, quer seja cônico ou leque, o maior número de gotas formadas é geralmente 
o de menor tamanho, porém este número corresponde apenas a uma pequena 
parte do volume total pulverizado. Gotas de tamanho inferior a 100 micra ficam 
sujeitas às variações das correntes de ar, sejam estas ascendentes, descendentes 
ou laterais (deriva).
6 Evaporação – a superfície de uma gota é relativamente grande quando 
comparada ao seu volume. Isto faz com que a taxa de evaporação de uma gota 
cresça com a diminuição do diâmetro da mesma. Fato esse, de que para um 
dado volume de líquido, quanto menor o tamanho das gotas produzidas por 
um determinado pulverizador, maior a superfície coberta pelas mesmas, a qual 
é (quanto maior a superfície, maior a evaporação), diretamente influenciada pela 
temperatura e umidaderelativa do ar.
Os sistemas atuais de ultrabaixo volume utilizam como veículo do 
princípio ativo, formulação com óleos minerais o que diminui o índice de 
evaporação da mistura.
7 Cobertura de penetração – é a capacidade de o defensivo aplicado 
atravessar as camadas externas da folhagem, atingindo os pontos do interior da 
planta. De maneira geral, as gotas pequenas penetram melhor nas plantas com 
grande densidade de folhas. Tanto o vento natural como o vento produzido por 
ventiladores, influem auxiliando diretamente na penetração e distribuição do 
defensivo.
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
129
Para se efetuar uma boa cobertura dependemos de algumas variáveis 
como, características da praga visada e do produto usado. Quando as pragas 
são lagartas que se movimentam continuamente e estão sempre expostas na 
superfície das folhas, o contato dessas com os inseticidas é muito fácil, mesmo 
que a deposição seja irregular. Por outro lado, quando a praga ou doença é de 
pouca ou nenhuma mobilidade, o contato com o defensivo só é obtido quando se 
efetua uma boa cobertura.
Com relação ao produto utilizado, obtém-se diferenças quando da 
aplicação, podendo ter uma ação de contato ou sistêmica. Na ação de contato, 
é necessário que o produto atinja diretamente a praga, ou que está entre 
posteriormente em contato com ele, daí a necessidade de uma boa cobertura. No 
segundo caso, ação sistêmica, o produto é absorvido pelas folhas e translocado 
através da seiva, que leva até a localização da praga.
8 Volume da Aplicação – a tendência atual é reduzir o volume de líquido 
aplicado, o que leva à necessidade de gotas menores para melhor cobertura. Os 
trabalhos mais recentes mostram que partículas em torno de 80 a 100 micra dão 
o mais alto índice de uniformidade de deposição, para a maioria das velocidades 
do ar.
A pulverização a baixo volume utiliza um volume médio da ordem de 60 
micra. O importante é que pouca ou nenhuma deposição é feita com partículas 
menores que 30 micra. Por outro lado, gotas muito grandes acarretam desperdício 
de defensivo, os quais são depositados em excesso nas superfícies externas das 
plantas, não atingindo os pontos internos (alvos). A redução do volume de 
líquidos leva à necessidade de uma tecnologia mais apurada, tanto da parte do 
construtor do equipamento, quanto da parte do técnico em aplicação.
Na aplicação via líquida, é usual classificar o processo em função do volume 
de calda aplicado por hectare. Atualmente existe um consenso entre os principais 
pesquisadores que a denominação “volume alto” seja dada à aplicação feita até 
além da capacidade de retenção das folhas, de tal modo que haja escorrimento. 
Nesse tipo de aplicação, o depósito de produto químico é proporcional à 
concentração da calda utilizada e independente do volume. Portanto, a indicação 
de dosagem para a modalidade de alto volume ou mais corretamente volume 
alto, é mencionada via concentração (por exemplo, 200 gr./100 litros de água – ou 
0,2%).
Em contraposição ao volume alto, o volume ultrabaixo ou ultrabaixo 
volume é hoje definido como o volume mínimo por unidade de área para se 
alcançar um controle, independente de um limite.
É importante saber que o volume de aplicação (l/ha) não tem influência 
direta no resultado biológico, pois a quantidade de veículo de aplicação (água, 
óleo etc.). Por unidade de área tem a finalidade única de diluir, transportar e 
130
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
facilitar a distribuição do ingrediente ativo sobre a superfície-alvo (solo, plantas), 
com a cobertura requerida.
9 Bicos de pulverização – nos bicos o líquido sob pressão passa ao 
exterior através de um orifício, produzindo uma película que vai aumentando 
gradativamente a sua superfície e consequentemente diminuindo a espessura, até 
romper-se em pequenas gotas.
A pressão de pulverização tem efeito direto sobre a vazão, no diâmetro 
de gotas e nas características de deposição. Na maioria dos bicos, a vazão se 
aproxima de uma relação diretamente proporcional à raiz quadrada da pressão. 
Gotas pequenas podem ser obtidas pelo aumento da pressão ou pela redução do 
diâmetro do orifício de saída.
O formato do bico e a maneira como o líquido passa através do mesmo, 
tem influência sobre a faixa de deposição e sobre o espectro de gotas. Bico com 
orifício circular apresenta jato cônico e deposição circular, bico com orifício em 
forma de rasgo origina jato em forma de leque e deposição linear.
OBSERVAÇÃO: é necessário frisar que o aumento da pressão acima da 
pressão recomendada pelo fabricante, não leva necessariamente as gotas a uma 
distância maior. Podendo acontecer o inverso, ou seja, aumentando a pressão, 
haverá a diminuição do tamanho das gotas as quais terão pouco peso e a distância 
percorrida pelas mesmas diminuirá, não importando a força com que sejam 
lançadas.
PULVERIZADOR COSTAL MOTORIZADO
 
O pulverizador costal motorizado é um equipamento que aplica líquido 
dividido em gotas de diversos tamanhos, possui motor próprio e é transportado 
no dorso do operador. Para um completo entendimento do modo de operação 
deste tipo de equipamento, visando assegurar uma alta eficiência de controle, se 
torna necessário o exame de todos os aspectos que contribuem para otimizar a 
aplicação de agroquímicos.
O tamanho de gotas geradas por esses equipamentos, varia em função 
de fluxo de ar e fluxo de líquido. Como o fluxo de ar é basicamente constante 
(embora com relação ao volume e velocidade de ar gerado por eles, exista uma 
variação dependendo do fabricante e de suas especificações técnicas), pois os 
pulverizadores motorizados devem trabalhar com toda a aceleração, o tamanho 
de gotas varia em função do fluxo de líquido, este, não é constante, pois depende 
do dosador, ou da posição da torneira que o regula.
Geralmente os pulverizadores costais motorizados vêm acompanhados 
por uma série de dosadores de diferentes vazões ou são equipados com torneira 
graduada, com vazões crescentes, à medida que se abre o seu curso.
TÓPICO 2 - INTRODUÇÃO AO CONTROLE QUÍMICO DE PLANTAS DANINHAS
131
Nesses pulverizadores, as gotas são formadas nos bocais, os quais 
apresentam características e potencialidades diferentes de acordo com cada 
fabricante (bocais ultrabaixo volume, longo alcance, curto alcance etc.) O líquido 
(calda) que se deseja aplicar é lançado numa corrente de ar de alta velocidade que 
é fragmentado.
O líquido que se encontra no tanque, pode chegar até os bocais de duas 
maneiras:
a) Através de força, de gravidade ou pressão aplicada (pressão positiva – variável).
b) Efeito venturi (sucção – (pressão negativa – variável).
EQUIPAMENTOS MANUAIS EM USO
Pulverizador a pressão com jato lançado – costal manual (pulverizador 
costal manual). Pulverizador de pressão retida e jato lançado – costal. 
Equipamentos de tanque metálico totalmente vedado para não ocorrer perda 
de ar. Usam ar comprimido mais não tem bomba pneumática incorporada ao 
aparelho. O mais comum é serem de aço inoxidável resistentes a elevada pressão 
injetada juntamente com a calda ou após esta. Para maior eficiência deve conter 
uma válvula reguladora de pressão. São usados preferencialmente na aplicação 
de herbicidas em locais onde os tratorizados não podem entrar ou não fariam um 
trabalho satisfatório.
Pulverizador a pressão e jato lançado – costal de compressão prévia. 
Esses equipamentos possuem uma bomba pneumática para adicionar pressão 
ao tanque. O tanque é vedado para evitar perda de ar. Antes da pulverização o 
operador deve colocar pressão suficiente no tanque.
Polvilhadora manual – como as bombas de matar formigas.
Polvilhadora costal manual – máquinas acionadas manualmente.
Polvilhadora costal motorizada – acionadas por um motor de dois tempos 
e o deslocamento se dá nas costas do operador.
COMPONENTES EM DESTAQUE
Tanque do pulverizador a pressão e jato lançado costal com compressão 
prévia – recentemente, esse recipiente passou porgrande melhoria, pois era 
construído de chapa galvanizada e foi substituída por aço inoxidável. A boca 
do tanque redimensionada facilita a limpeza interna, a bomba pneumática foi 
melhorada e válvula de segurança incorporada.
BARRA VERTICAL POSTERIOR – Maior eficiência no tratamento.
BARRA HORIZONTAL POSTERIOR – Maior rendimento.
132
UNIDADE 2 - MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS
VÁLVULA REGULADORA DA PRESSÃO – essa válvula proporciona 
maior eficiência no tratamento, pois controla a pressão da calda no bico. Se a pressão 
é inferior a operacional estabelecida pela válvula, a calda não é pulverizada, ela 
também restringe e limita a pressão de saída do líquido no bico de pulverização. 
Para operar satisfatoriamente a válvula deve ser colocada junto ao bico.
BICOS DE PULVERIZAÇÃO MAIS USADOS NA AGRICULTURA
Inegavelmente, os bicos são órgãos essenciais aos pulverizadores de 
pressão. Todo o esforço na defesa fitossanitária não passa de um desperdício se 
os bicos não são apropriadamente selecionados, instalados e conservados.
Um ponto fundamental no trabalho dos bicos é a pressão de pulverização. 
Além de atuar sobre a vazão, a pressão ainda determina o tamanho das gotículas 
pulverizadas. O diâmetro das gotículas é reduzido com o aumento da pressão.
Bicos mais usados na agricultura
Bicos Cônicos – são denominados de cone sólido quando o cone é 
preenchido. Nos de cone vazio, o centro é desprovido de pulverização. São os 
mais recomendados na aplicação de inseticidas, fungicidas e herbicidas de 
contato. São conhecidos dois tipos de bicos de cone vazio:
a) Tipo Disco que opera a pressão elevada e é indicado para aplicação de 
suspensões, como é o caso da calda cúprica.
b) Tipo Ponta, que opera a menor pressão e apresenta pulverização mais fina. É 
recomendado para aplicação de emulsões e soluções.
Bicos de Leque – como se pode inferir da denominação, estes bicos lançam 
a pulverização sob a forma de leque.
Bicos de Impacto (“Floodjet”) – são de uso corrente na aplicação de 
herbicidas, devido à produção de gotículas grandes, que apresentam menor 
arraste pelo vento.
FONTE: <http://www.ceplac.gov.br/radar/Artigos/artigo1.htm>. Acesso em: 7 jun. 2020.
http://www.ceplac.gov.br/radar/Artigos/artigo1.htm
133
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que: 
• Os herbicidas já são utilizados há séculos pelo ser humano, mas, somente após 
a Segunda Guerra Mundial, houve o desenvolvimento e fabricação de diversos 
herbicidas sintéticos que foram amplamente utilizados no controle de plantas 
daninhas, revolucionando a produtividade agrícola.
• Os herbicidas possuem diversas vantagens e desvantagens que devem ser 
avaliadas antes do seu uso. 
• A classificação dos herbicidas leva em conta sua estrutura química, seu modo 
de ação, a forma de aplicação e seu comportamento dentro da planta. 
• Os herbicidas possuem mecanismos físico-químicos que influenciarão na sua 
formulação, modos de aplicação e em como eles serão absorvidos, translocados 
e metabolizados pela planta daninha. 
• Para que ocorra a ação de um herbicida, ele precisa ultrapassar várias barreiras 
morfoanatômicas da planta, ser translocado até o sítio-alvo da ação dele e 
evitar ser metabolizado pela planta.
• O metabolismo da planta pode inativar um composto herbicida, quebrando 
sua molécula ou conjugando ela com um açúcar ou proteína, imobilizando o 
composto dentro do vacúolo da célula. 
• A seletividade de um herbicida variará de acordo com vários fatores: ambientais, 
físico-químicos do herbicida, da planta-alvo e dos métodos de aplicação do 
produto. 
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
134
1 O método mais utilizado atualmente para o controle de plantas daninhas é 
o método químico utilizando herbicidas. Sobre as recomendações sobre o 
uso de herbicidas, analise as afirmativas:
I- Pode-se aplicar herbicidas pós-emergentes na presença de muito orvalho 
ou após a chuva.
II- Não aplicar quando as plantas daninhas estiverem sobre estresse hídrico.
III- Para evitar perdas de um herbicida aplicado ao solo por volatilização ou 
fotodecomposição, ele deve ser imediatamente incorporado ao solo após a 
aplicação. 
IV- A chuva interfere muito no sucesso da aplicação de herbicidas, causando 
perdas por lixiviação e escoamento superficial.
Estão corretas as afirmativas:
a) ( ) III e IV.
b) ( ) I, II e III.
c) ( ) II, III e IV.
d) ( ) Somente a I.
2 Diversas características da planta e do ambiente interferem na penetração, 
transporte e ação dos compostos herbicidas e precisam ser consideradas 
para que a aplicação do herbicida tenha o efeito desejado no controle das 
plantas daninhas. Sobre essas características, analise as afirmativas a seguir:
I- As plantas possuem mecanismos de degradação, conjugação e retenção 
dos compostos herbicidas, que pode diminuir ou inibir a ação dos mesmos 
sobre ela. 
II- A absorção de um herbicida pela raiz das plantas não é afetada pelas 
características do solo onde ela se encontra.
III- A translocação rápida de um herbicida pelo corpo da planta diminui as 
chances dessa planta metabolizar o composto e inibir sua atividade. 
IV- Um herbicida pode ser formulado com substâncias surfactantes, que 
aumentam sua capacidade de penetração nos tecidos vegetais. 
Estão corretas as afirmativas:
a) ( ) Somente a III.
b) ( ) II, III e IV.
c) ( ) I, III e IV.
d) ( ) II e IV.
AUTOATIVIDADE
135
UNIDADE 3 - 
MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E 
RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS 
AOS HERBICIDAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
•	 compreender	como	os	herbicidas	atuam	no	metabolismo	e	fisiologia	das	
plantas daninhas;
•	 agrupar	os	herbicidas	de	acordo	com	seu	modo	de	ação;
•	 identificar	quais	herbicidas	pertencem	a	 cada	grupo	e	a	 relação	desses	
grupos	com	o	modo	de	aplicação	e	seletividade	dos	herbicidas;
•	 compreender	o	que	é	a	resistência	aos	herbicidas;
•	 analisar	como	evitar	o	desenvolvimento	de	plantas	daninhas	resistentes	
aos herbicidas.
Esta	 unidade	 está	 dividida	 em	 dois	 tópicos.	 No	 decorrer	 da	 unidade	
você	 encontrará	 autoatividades	 com	 o	 objetivo	 de	 reforçar	 o	 conteúdo	
apresentado.
TÓPICO	1	–	MECANISMOS	E	MODO	DE	AÇÃO	DOS	HERBICIDAS
TÓPICO	2	–	RESISTÊNCIA	DE	PLANTAS	DANINHAS	AOS	HERBICIDAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
136
137
TÓPICO 1 - 
UNIDADE 3
MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico,	na	unidade	anterior	estudamos	qual	o	conceito	de	controle	e	
de	manejo	de	plantas	daninhas,	como	fazer	a	prevenção	e	erradicação	de	plantas	
daninhas	e	todos	os	métodos	de	controle	de	plantas	daninhas:	Físico,	Mecânico,	
Biológico,	Cultural,	Químico	e	Integrado.	
Além	 disso,	 estudamos	 o	 conceito	 e	 o	 histórico	 do	 uso	 de	 herbicidas,	
como	se	nomeia	os	compostos	químicos,	quais	as	formas	de	classificação	de	um	
herbicida,	como	um	herbicida	se	comporta	no	meio	ambiente,	nas	plantas	e	nos	
animais.
Finalmente,	 vimos	 como	 o	 composto	 químico	 é	 absorvido pela planta 
daninha e translocado	 até	o	 seu	 local	de	ação	e	que	 isso	varia	de	acordo	com	
as	 características	 da	 planta	 e	 do	 próprio	 herbicida,	 assim	 como	 as	 condições	
edafoclimáticas.			
Neste	 tópico,	 aprofundar-nos-emos	 nos	 mecanismos	 e	 modos	 de	 ação	
dos	herbicidas	dentro	da	planta.	Como	vimos	na	Unidade	2,	os	herbicidas	são	
classificados	de	diversas	maneiras,	mas	organizá-los	pelo	mecanismo	e	modo	de	
ação	facilita	a	compreensão	da	sua	dinâmica	na	planta	e	sua	aplicação	no	campo.	
O mecanismo de ação	de	um	herbicida	é	como	ele	atua	especificamente	
no	metabolismo	 ou	 na	 fisiologia	 da	 planta,	 levando	 a	 uma	 inibição	 severa	 do	
seu	 crescimentoou	 a	 sua	morte.	 Cada	 grupo	 químico	 possui	 um	mecanismo	
de	ação	principal,	mas	você	perceberá	que	a	ação	de	um	herbicida	nem	sempre	
envolve	apenas	a	inibição	de	uma	reação	química	ou	etapa	metabólica.	Alguns	
compostos	 atuarão	 em	mais	 de	 um	 processo	 fisiológico	 ou	 metabólico	 e	 isso	
também	dependerá	da	dinâmica	fisiológica	desse	herbicida,	ou	seja,	dos	processos	
de	absorção	e	translocação	dentro	do	corpo	da	planta	até	atingir	o	sítio	de	ação	
específico.	
Acadêmico,	esse	é	um	assunto	complexo,	que	está	em	constante	processo	
de	atualização.	Assim	como	o	desenvolvimento	de	novos	compostos	herbicidas	
geram	 novas	 possibilidades	 de	 mecanismos	 de	 ação,	 alguns	 mecanismos	 de	
herbicidas	já	utilizados	ainda	não	estão	completamente	elucidados.	
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
138
Não	se	esqueça,	no	final	deste	tópico	encontraremos	um	resumo	com	as	
principais	ideias	abordadas	no	texto	e	as	autoatividades	para	fixar	o	conhecimento	
adquirido.
Bons	estudos!
2 INIBIDORES DA FOTOSSÍNTESE
A	primeira	classe	que	estudaremos	são	os	herbicidas	que	atuam	inibindo	
alguma	etapa	da	fotossíntese.	Esse	processo	envolve	diversas	reações	que	a	planta	
utiliza	para	converter	a	energia	 luminosa	em	energia	química,	armazenada	na	
forma	de	carboidratos.	
Resumidamente,	 a	 luz	 irá	 excitar	 os	 elétrons	presentes	na	 estrutura	da	
clorofila,	os	quais	passaram	por	diversas	reações	químicas,	até	que	essa	energia	
seja	 utilizada	 para	 fixar	 o	 gás	 carbônico	 atmosférico	 e	 a	 água	 (substâncias	
inorgânicas)	em	uma	molécula	de	glicose	(substância	orgânica),	liberando	também	
gás	oxigênio	para	a	atmosfera.	A	glicose	será	convertida	em	outros	carboidratos	
mais	complexos,	que	serão	utilizados	pela	planta	para	gerar	energia	e	armazenar	
nutrientes	(TAIZ;	ZEIGER,	2006).
A	fotossíntese	é	dividida	em	duas	etapas:	uma	que	é	dependente	da	luz	
(fotoquímica),	onde	ocorre	a	fotofosforilação	(geração	de	ATP	através	da	luz),	e	
outra,	que	não	depende	da	luz	(bioquímica),	onde	ocorre	as	reações	de	carboxilação	
(fixação	do	gás	carbônico).	Nas	reações	fotoquímicas,	a	luz	é	coletada	através	de	
fotossistemas	complexos	estruturais	formados	por	clorofilas	e	outros	pigmentos	
(carotenoides),	que	tem	a	função	de	otimizar	a	captação	da	luz	pelos	cloroplastos	
da	planta	(TAIZ;	ZEIGER,	2006).
Cloroplasto: é uma organela celular que contém em sua rede de membranas 
internas as moléculas de clorofila, que são responsáveis pela fotossíntese nas plantas, além 
de carotenoides, pigmentos acessórios que atuam como fotoprotetores. 
NOTA
TÓPICO 1 - MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS
139
Existem	dois	fotossistemas	dentro	do	cloroplasto:	o	fotossistema	I	(FSI)	e	
o	fotossistema	II	(FSII).	Nesses	fotossistemas,	você	encontra	um	par	de	moléculas	
de	clorofila	especiais,	que	realizarão	as	reações	fotoquímicas.	As	outras	clorofilas	
(cerca	 de	 300	 a	 400	moléculas)	 do	 fotossistema	 tem	 a	 função	 de	 transmitir	 os	
elétrons	excitados	pela	luz	em	direção	a	esse	par,	chamado	de	centro	de	reação.	
Existem	dois	tipos	de	clorofila	nesse	centro:	a	p700	é	encontrada	no	FSI	e	a	p680	
no	FSII	(TAIZ;	ZEIGER,	2006).
Qual	a	diferença	entre	essas	duas	moléculas?	Bom,	a	p700	absorve	melhor	
a	energia	luminosa	na	faixa	dos	700	nm	e	a	p680	absorve	melhor	na	faixa	do	680	
nm.
A luz é uma energia eletromagnética que se propaga através de ondas. 
Essas ondas possuem um comprimento, que é medido em nanômetros (nm). O espectro 
eletromagnético da luz é dividido de acordo com seu comprimento de onda. Como 
exemplo, a faixa do 625 nm até o 740 nm corresponde à cor vermelha.
NOTA
A	fotossíntese	começa	no	FSII,	onde	a	energia	luminosa	captada	promove	
reações	 químicas	 que	 quebrarão	 a	molécula	 de	 água,	 gerando	 gás	 oxigênio	 e	
um	elétron.	Esse	elétron	é	transportado	através	de	várias	proteínas,	por	meio	de	
reações	de	oxidação-redução,	gerando	energia	química,	que	é	convertida	pelo	FSI	
em	moléculas	que	são	utilizadas	na	etapa	de	carboxilação	da	fotossíntese	(TAIZ;	
ZEIGER,	2006;	ZIMDAHL,	2018).	
Os	 herbicidas	 podem	 atuar	 na	 fotossíntese	 de	 duas	 formas:	 inibindo	
o	 fotossistema	 I	 ou	 inibindo	 o	 fotossistema	 II.	 A	 maioria	 dos	 inibidores	
fotossintéticos	atua	no	FTII.	
2.1 INIBIDORES DO FOTOSSISTEMA I (FTI)
 
Nesse	 caso,	os	herbicidas	atuam	desviando	os	 elétrons	do	 fotossistema	
I,	gerando	espécies	reativas,	que	danificarão	o	aparato	fotossintético	da	planta.	
As	espécies	 reativas	 são	 formadas	a	partir	da	molécula	de	oxigênio,	 causando	
paralização	da	fotossíntese	e	danos	às	membranas	celulares.	Os	tecidos	da	planta	
atingida	por	esse	mecanismo	se	tornam	necróticos	e	a	planta	morre	em	seguida	
(ZIMDAHL,	2018).	
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
140
Exemplos	de	herbicidas	desse	grupo	são	o	Paraquat	e	o	Diquat,	ambos	
atuam	somente	via	foliar,	não	são	seletivos	(a	menos	que	haja	controle	da	aplicação	
somente	em	locais	específicos)	e	são	pouco	translocados	dentro	da	planta	(não	
são	aplicados	no	solo).
 
Por	 atuarem	 como	 herbicidas	 de	 contato,	 podem	 ser	 utilizados	 como	
dessecantes	 na	 pré-colheita	 de	 diversas	 culturas.	 São	 rapidamente	 absorvidos	
pelas	folhas	e	as	plantas	morrem	entre	um	a	dois	dias	após	a	aplicação	(MONACO;	
WELLER;	ASHTON,	2002;	ZIMDAHL,	2018).
Necrose: morte celular generalizada, que possui uma causa específica, 
desintegrando o tecido onde ocorre.
NOTA
2.2 PARAQUAT
O	paraquat	 é	um	bipiridílio	 apresentado	na	 forma	de	 sal	 (dicloreto	de	
paraquat).	Apresenta	boa	solubilidade	em	água	e	é	aplicado	como	um	herbicida	
de	contato	na	vegetação	emergente.	Como	é	um	herbicida	não	seletivo,	deve	ser	
aplicado	evitando	seu	contato	com	as	folhas	e	caules	da	planta	cultivada.	
A	aplicação	do	paraquat	pode	ser	feita	no	pré-plantio,	na	pré-emergência	
ou	na	pós-	emergência,	desde	que	direcionando	o	spray	para	evitar	contato	direto	
com	a	planta	cultivada	(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002).	No	Brasil,	ele	é	
utilizado	em	várias	culturas,	como	algodão,	arroz,	banana,	batata,	café,	cana-de-
açúcar,	feijão,	citros,	maçã,	milho,	soja	e	trigo	(BRASIL,	2020ll).	
Com	 relação	 a	 sua	 persistência,	 o	 paraquat	 é	 facilmente	 retido	 pelas	
partículas	de	argila,	podendo	persistir	por	longo	tempo	no	solo.	Apesar	disso,	não	
apresentam	fitotoxicidade,	permanecendo	no	solo	e	não	são	lixiviados	facilmente	
(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002).	
TÓPICO 1 - MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS
141
O paraquat é proibido em mais de 50 países devido a problemas de toxicidade 
aguda e crônica. No Brasil, apesar do aumento do uso do produto nas lavouras, a ANVISA 
(Agência Brasileira de Vigilância Sanitária) decidiu banir o agroquímico a partir de 2020, 
devido aos diversos casos de intoxicação grave, incluindo a possibilidade de causar a 
doença de Parkinson (RDC nº 177, 2017).
IMPORTANT
E
2.3 DIQUAT 
Esse	 composto	 também	 pertence	 ao	 grupo	 químico	 dos	 bipiridílios.	 É	
comercializado	na	forma	de	sal	(dibrometo	de	diquat).	Apresenta	alta	solubilidade	
e	toxicidade	mediana,	devendo-se	tomar	cuidado	durante	a	aplicação.	Também	é	
utilizado	como	um	herbicida	de	contato	e	não	é	seletivo,	devendo	ser	aplicado	da	
mesma	forma	que	o	paraquat	(ZIMDAHL,	2020).	
 
No	quadro	a	seguir	você	encontra	as	principais	aplicações	do	paraquat	e	
do	diquat.
Herbicida Aplicações
Paraquat
Alfafa,	cacau,	lentilhas,	hortelã,	alho,	cevada,	trigo,	cana-
de-açúcar,	beterraba,	maracujá,	aspargos,	milho,	gramíneas,	
cebola,	abacaxi,	frutíferas	e	árvores	ornamentais,	girassol,	
pastagens,	algodão,	batata,	arroz,	morango,	soja.
Diquat
Na	pré-colheita	de	alfafa,	arroz,	sorgo,	feijão,	soja	e	batata.
Em	beterraba,	café,	cebola,	citros,	feijão,	pêssego.
Controle	de	plantas	nas	áreas	ao	redor	do	cultivo	e	de	plantas	
daninhas	aquáticas.
QUADRO 1 – PRINCIPAIS UTILIZAÇÕES DOS HERBICIDAS DE CONTATO PARAQUAT E DIQUAT
FONTE: Adaptado de Brasil (2020ll, 2020m)
2.4 INIBIDORES DO FOTOSSISTEMAII (FTII)
 
Os	herbicidas	desse	grupo	atuam	nas	proteínas	responsáveis	pela	cadeia	
de	 transporte	de	 elétrons,	 ligando-se	 a	 elas	 e	 inibindo	o	processo.	Como	você	
já	 viu	 anteriormente,	 nesse	 grupo	 encontram-se	 a	maioria	 dos	 herbicidas	 que	
inibem	a	fotossíntese	e	encontramos	exemplos	em	todas	as	classes	químicas	de	
algum	deles.	A	reação	típica	das	plantas	começa	com	a	clorose	generalizada	das	
folhas,	seguido	da	queda	das	mesma	e	morte	da	planta	(MONACO;	WELLER;	
ASHTON,	2002).	
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
142
Acadêmico,	existem	várias	reações	características	dos	herbicidas	desse	grupo,	
você	pode	analisar	algumas	a	seguir	(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002):	
1.	A	maioria	deles	é	aplicado	no	solo	e	absorvido	pelas	raízes	das	plantas,	alguns	
precisam	ser	aplicados	via	foliar	e	outros	seguem	as	duas	rotas	de	absorção.
2.	Não	apresentam	ação	direta	sobre	as	raízes	da	planta,	movendo-se	através	do	
xilema	até	atingirem	os	órgãos	fotossintéticos.	
3.	No	caso	de	aplicação	foliar	(pós-emergência),	a	adição	de	surfactantes	ou	óleos	
facilita	a	cobertura	das	folhas	pelo	composto	e	sua	absorção.
4.	No	solo,	esses	compostos	em	geral	se	movem	pouco	ou	moderadamente.
5.	A	durabilidade	do	herbicida	no	 solo	varia	de	um	mês	até	mais	que	2	 anos,	
dependendo	 do	 herbicida,	 da	 quantidade	 aplicada	 e	 das	 características	
edafoclimáticas	do	local.	
6.	Resistência	das	plantas	a	 esses	herbicidas	pode	ocorrer	 após	vários	anos	de	
aplicação	no	mesmo	local.	
7.	Os	herbicidas	desse	grupo	apresentam	baixa	toxicidade	em	mamíferos.	
Agora,	estudaremos	as	diferentes	classes	de	herbicidas	que	possuem	ação	
como	 inibidores	 de	 fotossíntese,	 especificamente	 atuando	 no	 fotossistema	 II:	
triazinas	e	triazinonas,	uréias	substituídas,	amidas	e	benzotiadiazoles.	
2.5 TRIAZINAS E TRIAZINONAS
 
Nesse	 grupo,	 os	 compostos	 que	 são	 solúveis	 podem	 ser	 aplicados	 via	
foliar,	mas	a	maioria	é	absorvido	pela	raiz	e	transportado	via	xilema	pela	planta.	
São	utilizados	no	controle	pré-emergente	e	também	no	controle	pós-emergente	
em	solos	não	arados	(TREBST,	2008).	
Triazina e 
triazinona
Usos (PRÉ e PÓS)
Ametrina Cana-de-açúcar,	milho,	abacaxi,	algodão,	banana,	café,	mandioca,	uva
Atrazina Milho,	sorgo,	cana-de-açúcar,	abacaxi,	milho,	milheto,	Pinus,	sorgo,	sisal
Hexazinona Cana-de-açúcar,	alfafa,	florestais
Metamitrona Beterraba
Metribuzina Cana-de-açúcar,	batata,	soja,	café,	mandioca,	tomate,	trigo,	aspargo
Prometrina Algodão,	alho,	cebola,	cenoura,	ervilha
Simazina Milho,	Citros,	uva,	maçã,	pêssego,	pera,	amêndoas,	abacaxi,	cacau,	banana,	café,	milho,	Pinus,	sorgo,	sisal
Terbutilazina Milho,	sorgo,	uva
Terbutrina Cana-de-açúcar,	cereais
QUADRO 2 – PRINCIPAIS HERBICIDAS DA CLASSE TRIAZINA E AS CULTURAS EM QUE SÃO UTILIZADOS
FONTE: Adaptado de LeBaron et al. (2008)
TÓPICO 1 - MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS
143
Simazina	é	um	herbicida	utilizado	como	pré-emergente	ou	pós-emergente	
muito	importante	utilizado	em	árvores	frutíferas	e	ornamentais,	bem	como	em	
áreas	não	cultivadas.	A	atrazina	é	a	mais	utilizada	dentro	da	classe	das	triazinas,	
principalmente	na	cultura	do	milho.	Também	pode	ser	usado	como	pós	emergente	
em	áreas	 não	 agrícolas	 (cercas,	margens	de	 rodovias,	 leitos	 de	 ferrovias)	 para	
capinas	químicas.	Após	a	aplicação,	 ele	pode	persistir	no	 solo,	principalmente	
em	solos	alcalinos.	Apresenta	boa	taxa	de	lixiviação,	podendo	atingir	os	lençóis	
freáticos	(COBB;	READE,	2010).	
 
O	herbicida	prometrina,	além	do	uso	como	pré-emergente	nas	culturas	
citadas	 no	Quadro	 1,	 ele	 também	 é	 aplicado	 como	 pós-emergente	 em	muitas	
culturas	de	hortaliças	e	no	girassol.	
2.6 UREIAS SUBSTITUÍDAS
Os	 compostos	 desse	 grupo	 são	 prontamente	 absorvidos	 pelas	 raízes	 e	
seus	efeitos	aparecem	com	rapidez	nas	folhas.	
•	 Diuron:	esse	herbicida	é	absorvido	prontamente	pelas	plantas	(raízes	e	folhas)	
e	 translocado	 rapidamente.	 Usado	 para	 controle	 de	 plantas	 daninhas	 em	
áreas	não	cultivadas.	Também	pode	ser	utilizado	como	herbicida	seletivo	pré-
emergente	em	alfafa,	milho,	algodão,	abacaxi,	cana-de-açúcar	e	sorgo.	
•	 Linuron:	herbicida	seletivo,	pré-emergente,	para	controle	de	plantas	daninhas	
anuais	em	algodão,	batata,	cenoura,	ervilha,	feijão,	mandioca,	soja	e	trigo.	
•	 Isoproturon	e	clorotoluron:	ambos	os	herbicidas	são	utilizados	no	controle	de	
gramíneas	anuais	em	cevada,	centeio	e	trigo.	Esse	herbicida	persiste	por	um	
bom	tempo	no	solo	e	pode	ser	lixiviado.	
•	 Tebutiuron:	 Esse	 composto	 é	 utilizado	 como	 pré	 emergente	 na	 cultura	 da	
cana-de-açúcar	e	também	como	pré	ou	pós-emergente	em	pastagens	(BRASIL,	
2020tt).	
2.7 URACILAS
•	 Bromacil:		é	um	composto	não	volátil,	que	pode	persistir	no	solo	por	até	um	
ano.	É	utilizado	como	pré-emergente	em	citros	e	abacaxi	(ZIMDAHL,	2018).
•	 Terbacil:	herbicida	aplicado	no	solo	para	controle	de	plantas	daninhas	em	cana-
de-açúcar,	morango,	pêssego,	citros	e	maçã	(ZIMDAHL,	2018).	
•	 Lenacil:	controle	pré-emergente	em	beterraba.	Possui	absorção	e	translocação	
rápidas	(BRASIL,	2020d).	
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
144
2.8 ANILIDAS
•	 Propanil:	 herbicida	 de	 contato	 pós-emergente	 de	 plantas	 daninhas	 de	 folha	
larga	 e	 espécies	 aquáticas	 emergentes	 nas	 culturas	 do	 arroz,	 milho	 e	 trigo	
(COBB;	READE,	2010).	
•	 Pentanoclor:	 usado	na	 cultura	 da	 cenoura,	morango,	 tomate,	 salsão	 (COBB;	
READE,	2010).	
2.9 FENILCARBAMATOS
•	 Fenmedifam:	 pós-emergente	 seletivo	 da	 maior	 parte	 das	 plantas	 daninhas	
de	 folha	 larga	 na	 beterraba.	 Facilmente	 absorvido	 pelas	 folhas,	 mas	 pouco	
translocado	(COBB;	READE,	2010).	
2.10 NITRILAS
•	 Ioxynil:	 é	um	herbicida	utilizado	 como	pós-emergente	na	 cultura	do	 alho	 e	
da	 cebola.	 Atua	 em	 plantas	 daninhas	 eudicotiledôneas,	 principalmente	 em	
plântulas	(NCBI,	2020a).	
2.11 BENZOTIADIAZINONAS
•	 Bentazona:	 esse	 herbicida	 é	 utilizado	 como	 pós-emergente	 na	 cultura	 do	
amendoim,	arroz,	feijão,	milho,	soja	e	trigo	(BRASIL,	2020c).
3 INIBIDORES DA PRODUÇÃO DE PIGMENTOS
Acadêmico,	 os	 pigmentos	 acessórios	 que	 as	 plantas	 produzem	 têm	
inúmeras	funções.	Os	carotenoides,	por	exemplo,	são	importantes	protetores	da	
clorofila,	quando	o	excesso	de	 luz	solar	sobrecarrega	a	clorofila.	Os	herbicidas	
que	inibem	a	rota	de	biossíntese	dos	carotenoides	causam	perda	da	proteção	da	
clorofila,	 que	 serão	 destruídas	 pela	 luz.	 Basicamente,	 as	 plantas	 atingidas	 por	
esses	herbicidas	passam	por	um	processo	de	branqueamento,	lenta	redução	do	
crescimento	e	morte	(COBB;	READE,	2010;	ZIMDAHL,	2018).	
A	rota	de	biossíntese	dos	pigmentos	carotenoides	envolve	várias	etapas	
enzimáticas,	que	convertem	gliceraldeído-3-fosfato	e	piruvato	em	moléculas	de	
carotenoides,	como	os	carotenos,	luteína	e	zeaxantina	(COBB;	READE,	2010).		
No	quadro	a	 seguir	você	encontra	algumas	enzimas	dessa	 rota	e	quais	
herbicidas	inibem	especificamente	cada	uma	delas:
TÓPICO 1 - MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS
145
Enzima Herbicida
Fitoeno	desaturase Norflurazona,	fluridona
Z-caroteno	desaturase Amitrol
Licopeno	ciclase Amitrol
4-hidroxil	fenilpiruvato	dioxigenase Isoxaflutol,	sulcotrione
QUADRO 3 – ENZIMAS DA BIOSSÍNTESE DE CAROTENOIDES E HERBICIDAS QUE INIBEM ES-
PECIFICAMENTE CADA UMA
FONTE: Adaptado de Zimdahl (2018)
•	 Amitrol:	 esse	 herbicida	 é	 utilizado	 em	 áreas	 não	 cultivadas,	 em	 culturas	
não	alimentícias	para	o	 controle	de	plantas	daninhas	aquáticas	 e	gramíneas	
anuais.	Possui	 baixíssima	 toxicidade	para	mamíferos,	mas	 é	potencialmente	
carcinogênico	(NCBI,	2020e).	
•	 Norflurazona:	 é	 um	 herbicida	 pré-emergente	 usado	 para	 controle	 tanto	 de	
monocotiledôneas	quanto	de	eudicotiledôneas	em	várias	culturas	e	em	áreas	
não	 cultivadas.	 Esse	 herbicida	 é	 considerado	 de	 muito	 tóxico	 para	 a	 vida	
aquática	e	vários	países	não	autorizam	seu	uso	(NCBI,	2020b).	
•Fluridona:	esse	herbicida	pertence	à	classe	das	fenilpiridinas.	É	muito	utilizado	
no	controle	de	plantas	daninhas	aquáticas	 (Utricularia spp., Potamogeton spp., 
Hydrilla verticillata e Panicum purparascens)	 em	 lagoas,	 lagos,	 reservatórios	
(NCBI,	2020a).		
•	 Clomazona:	é	um	herbicida	de	uso	sistêmico,	com	alta	toxicidade	em	mamíferos.		
Utilizado	como	pré-emergente	nas	culturas	do	algodão,	arroz,	batata,	cana-de-
açúcar,	 eucalipto,	 fumo,	mandioca,	melão,	milho,	pimentão	 e	 soja	 (BRASIL,	
2020i;	NCBI,	2020c).		
•	 Isoxaflutol:	 herbicida	 seletivo	 sistêmico,	 algodão,	 batata,	 cana-de-açúcar,	
eucalipto,	mandioca,	milho,	pinus,	soja	(BRASIL,	2020cc).
•	 Mesotriona:	 herbicida	 seletivo	 sistêmico,	 usado	 como	 pós-emergente	 em	
cana-de-açúcar,	milheto	e	milho.	Também	utilizado	para	controle	de	plantas	
daninhas	em	áreas	não	cultivadas	(BRASIL,	2020gg).	
3.1 DANIFICADORES DE MEMBRANAS CELULARES
 
Acadêmico,	as	membranas	celulares	podem	ser	danificadas	por	mecanismos	
diretos	e	indiretos.	Os	herbicidas	podem	atuar	diretamente,	desorganizando	ou	
destruindo	os	componentes	de	uma	membrana,	como	os	herbicidas	inibidores	da	
biossíntese	de	ácidos	graxos.	Ou	o	composto	herbicida	atua	de	forma	indireta,	
causando	acúmulo	ou	produção	de	substâncias	que	danificarão	as	membranas,	
como	no	caso	dos	inibidores	protox.	
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
146
3.1.1 Inibidores Protox
 
Acadêmico,	 nessa	 classe	 encontramos	 os	 herbicidas	 que	 bloqueiam	 a	
atividade	da	 enzima	protoporfirinogênio	oxigenase	 (Protox).	Essa	 enzima	está	
relacionada	com	a	biossíntese	de	parte	da	molécula	da	clorofila.	A	 inibição	da	
rota	gera	o	acúmulo	de	protoporfirina,	um	precursor	da	molécula	de	clorofila,	
que	é	capaz	de	interagir	com	a	luz	e	com	o	oxigênio,	gerando	espécies	reativas.	
Essas	substâncias	desencadeiam	reações	de	peroxidação	lipídica,	danificando	as	
membranas	celulares	(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002;	ZIMDAHL,	2018).
 
A	ação	dos	 inibidores	de	Protox	 inicia	com	manchas	verde	escuras	nas	
folhas,	de	aparência	umidificada,	seguido	da	necrose	dos	 tecidos	 foliares.	Essa	
aparência	umidificada	ou	encharcada	é	devido	à	quebra	das	membranas	celulares,	
levando	 ao	 extravasamento	 do	 conteúdo	 intracelular.	 A	 atividade	 desses	
herbicidas	só	funciona	na	presença	da	luz,	que	irá	interagir	com	as	moléculas	de	
protoporfirina	(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002).	
Peroxidação lipídica: é o processo de oxidação dos lipídeos, causado pelos 
radicais livres.
NOTA
Acadêmico,	os	herbicidas	desse	grupo	são	absorvidos	pelas	raízes	e	folhas,	
apresentando	pouca	translocação	pela	planta.	Em	relação	ao	solo,	são	altamente	
adsorvidos	e	pouco	lixiviados.	
3.1.2 Difeniléters
 
Nessa	 classe	 os	 herbicidas	 são	 utilizados	 como	 pós-emergentes	 no	
controle	de	plantas	daninhas	eudicotiledôneas.	São	seletivos	para	as	culturas	de	
eudicotiledôneas,	como	soja,	feijão	e	algodão	e	alguns	podem	ser	utilizados	em	
culturas	de	gramíneas,	como	milho	e	arroz.		No	 quadro	 a	 seguir	 você	 encontra	
os principais herbicidas dessa classe.
TÓPICO 1 - MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS
147
Herbicida Aplicação Cultura
Acifluorfen Pós-emergência Soja
Fomesafen Pós-emergência Feijão	e	soja
Lactofen Pós-emergência Algodão	e	soja
Oxifluorfen Pré	e	pós-emergência
Algodão,	milho,	soja,	
citros,	eucalipto,	
ornamentais
Oxiadiazon Pós-emergência Alho,	arroz,	cebola
QUADRO 4 – HERBICIDAS DA CLASSE DIFENIL ÉTER UTILIZADOS NO CONTROLE DE PLANTAS 
DANINHAS E SUAS FORMAS DE APLICAÇÃO
FONTE: Adaptado de Zimdahl (2018)
3.1.3 Feniltalamidas
 
Nessa	classe	temos	dois	herbicidas:	flumiclorac	e	flumioxazin.	Flumiclorac	
é	 um	 herbicida	 de	 contato,	 pós-emergente,	 utilizado	 no	 controle	 de	 plantas	
daninhas	em	soja	e	milho	(BRASIL,	2020p).	Flumioxazin	é	um	composto	utilizado	
como	pós	ou	pré-emergente	em	diversas	culturas,	como	algodão,	alho,	amendoim,	
batata,	café,	cebola,	citros,	feijão,	milho	e	soja	(BRASIL,	2020q).	
4 INIBIDORES DA BIOSSÍNTESE DE ÁCIDOS GRAXOS
Acadêmico,	os	ácidos	graxos,	além	de	outras	moléculas	lipídicas,	fazem	
parte	das	estruturas	das	membranas	celulares	dos	seres	vivos.	Nas	plantas,	além	
de	 compor	 as	membranas,	 essas	moléculas	 são	depositadas	 sobre	 a	 epiderme,	
formando	 a	 cutícula	 e	 as	 ceras	 epicuticulares,	 especialmente	 nas	 folhas.	 Os	
herbicidas	podem	agir	inibindo	a	biossíntese	dessas	moléculas,	o	que	irá	causar	
sérios	efeitos	nas	membranas	celulares	e	na	proteção	da	epiderme	das	plantas	
(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002;	ZIMDAHL,	2018).
 
Existem	basicamente	três	mecanismos	de	ação	que	resultam	na	inibição	
da	biossíntese	de	 lipídeos	pela	 aplicação	de	herbicidas:	 inibição	da	acetil-CoA	
carboxilase	 (ACCase),	 inibição	da	 síntese	 lipídica	não	 relacionada	 à	ACCase	 e	
inibição	da	biossíntese	de	ácidos	graxos	de	cadeia	longa	(ZIMDAHL,	2018).
4.1 INIBIDORES ACCASE
A	 enzima	 ACCase	 (Acetil-CoA	 carboxilase)	 realiza	 a	 primeira	 reação	
envolvida	 na	 biossíntese	 de	 ácidos	 graxos	 nas	 plantas.	 Nas	 plantas,	 existem	
duas	 formas	 de	 ACCase,	 uma	 chamada	 heteromérica	 (ou	 procariótica),	 que	
é	 encontrada	 somente	 nas	 eudicotiledôneas,	 dentro	 dos	 plastídeos;	 e	 a	 forma	
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
148
homomérica	 (ou	 eucariótica),	 encontrada	 nas	 monocotiledôneas	 gramíneas,	
tanto	nos	plastídeos	quanto	no	citosol,	e	também	no	citosol	das	eudicotiledôneas	
(COBB;	READE,	2010).		
Essa	diferença	é	fundamental,	pois	os	herbicidas	desse	grupo	só	atuam	
inibindo	a	forma	homomérica,	sendo	conhecidos	como	graminicidas,	pois	só	as	
monocotiledôneas	desse	grupo	sofrerão	seu	efeito.		
 
No	geral,	eles	são	rapidamente	absorvidos	e	translocados	pelo	floema	e	
xilema	da	planta	até	os	meristemas	da	planta.	Os	sintomas	incluem	parada	do	
crescimento	da	parte	aérea	e	radicular	algumas	horas	após	a	aplicação	do	produto,	
seguido	 de	 avermelhamento	 das	 folhas	 e	 necrose	 das	 regiões	meristemáticas.	
Com	a	cessação	do	crescimento	e	a	destruição	das	membranas	celulares,	a	planta	
morre	(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002).	
 
As	 classes	 químicas	 de	 compostos	 inibidores	 da	 ACCase	 são	 os	
ariloxifenoxi-propionatos,	ciclohexanedionas	e	fenilpirazolinas.	
4.1.1 Ariloxifenoxi-propionatos (app)
 
Esse	grupo	 é	 compostos	por	herbicidas	 foliares,	 que	 são	 seletivos	para	
gramíneas	em	culturas	de	eudicotiledôneas.	Acadêmico,	no	quadro	a	seguir	se	
encontra	alguns	herbicidas	desse	grupo	e	as	culturas	em	que	ele	é	utilizado	para	
controle	de	gramíneas.
Herbicida Aplicação Cultura
Diclofope Pós-emergência Cebola,	feijão,	soja,	trigo
Fluazifope Pós-emergência
Alface,	 algodão,	 batata,	 brócolis,	 café,	 cebola,	
cenoura,	 citros,	 pinus,	 couve-flor,	 eucalipto,	
feijão,	fumo,	girassol,	repolho,	soja	e	tomate
Quizalofope Pós-emergência
Algodão,	amendoim,	arroz,	aveia,	batata,	café,	
cebola,	centeio,	cevada,	citros,	ervilha,	eucalipto,	
feijão,	lentilha,	soja,	tomate,	trigo	e	triticale
Clodinafope Pós-emergência Trigo	e	soja
Cyalofope Pós-emergência Arroz	
Haloxifope-P Pós-emergência Algodão,	feijão	e	soja	
Halocifope-P-
metílico	
Pré	ou	Pós-
emergência
Acácia-negra,	 algodão,	 cana-de-açúcar,	 citros,	
eucalipto,	maçã,	milho,	feijão,	pinus,	soja,	trigo	
e	uva	
Propaquizafope Pós-emergência Algodão,	soja	e	arroz
QUADRO 5 – HERBICIDAS DA CLASSE ARILOFENOXI-PROPRIONATOS UTILIZADOS NO CONTRO-
LE DE GRAMÍNEAS, SUA FORMA DE APLICAÇÃO E AS CULTURAS EM QUE SÃO UTILIZADOS
FONTE: Adaptado de Brasil (2020h; 2020k; 2020u; 2020qq)
TÓPICO 1 - MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS
149
4.1.2 Ciclohexanodionas (CHD)
Nessa	 classe	 você	 encontra	 vários	herbicidas	 comumente	utilizados	no	
controle	de	gramíneas.	No	quadro	a	seguir,	você	encontra	a	relação	dos	herbicidas	
da	classe	CHD,	suas	formas	de	aplicação	e	as	culturas	mais	utilizadas.		
Herbicida Aplicação Cultura
Setoxidim PÓS Algodão,	alfafa,	soja,	feijão,	fumo	e	milhoCletodim PRÉ	E	PÓS	
Abacaxi,	algodão,	alho,	amendoim,	batata,	batata-
doce,	berinjela,	beterraba,	café,	caju,	canola,	caqui,	
cará,	carambola,	cebola,	cenoura,	citros,	ervilha,	feijão,	
figo,	fumo,	gengibre,	gergelim,	girassol,	grão-de-
bico,	inhame,	jiló,	lentilha,	linhaça,	maçã,	mamona,	
mandioca,	melancia,	melão,	nabo,	pimenta,	pimentão,	
quiabo,	rabanete,	soja,	tomate	e	uva,	eucalipto	e	pinus.
Profoxidim PÓS Arroz
Butroxidim PÓS Feijão	e	arroz	
Tepraloxidim	 PÓS Algodão,	feijão	e	soja
QUADRO 6 – HERBICIDAS DA CLASSE CICLOHEXANODIONA UTILIZADOS NO CONTROLE DE 
GRAMÍNEAS, SUA FORMA DE APLICAÇÃO E AS CULTURAS EM QUE SÃO UTILIZADOS
FONTE: Adaptado de Brasil (2020e; 2020g; 2020pp; 2020rr)
4.1.3 Fenilpirazolinas
 
Nessa	 classe,	 encontramos	 o	 herbicida	pinoxaden,	 utilizado	 como	pós-
emergente	 em	 cultura	 de	 cereais.	 Ele	 é	 considerado	 um	 pró-herbicida,	 pois	
precisa	ser	hidrolisado	na	planta	para	liberar	o	composto	ativo.	Esse	composto	
não	é	liberado	para	uso	no	Brasil	(NCBI,	2020d).	
4.2 INIBIDORES DA SÍNTESE LIPÍDICA
 
Além	da	ação	sobre	a	ACCase,	existem	outros	modos	de	ação	dos	herbicidas	
sobre	 a	 biossíntese	 lipídica.	Alguns	 herbicidas	 atuam	 inibindo	 o	 alongamento	
da	molécula	 de	 ácido	 graxo,	 podendo	 inibir	 a	 biossíntese	 de	 suberina	 e	 ceras	
epicuticulares.	Os	ácidos	graxos	de	cadeia	longa	são	importantes	componentes	
das	membranas	celulares	e	das	ceras	depositadas	sobre	as	folhas	das	plantas.	Os	
herbicidas	dessa	classe	atuam	na	atividade	de	enzimas	chamadas	elongases,	que	
aumentam	a	cadeia	de	carbonos	do	ácido	graxo	(COBB;	READE,	2010).
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
150
4.2.1 Carbamotioatos 
A	classe	dos	carbamotioatos	(antigamente	conhecidos	como	tiocarbamatos)	
possuem	compostos	que	agem	sobre	enzimas	que	convertem	moléculas	lipídicas	
em	suberina	e	ceras	epicuticulares.	Os	sintomas	da	aplicação	desses	herbicidas	
são	 alterações	 do	 crescimento	 da	 parte	 aérea	 (aberrações	 morfológicas),	 com	
distorção	da	primeira	folha	e	inibição	da	emergência	de	folhas	nas	plântulas	de	
gramíneas	daninhas	e	também	ocorre	redução	da	deposição	de	ceras	nas	folhas	
(COBB;	READE,	2010).		
 
São	 herbicidas	 altamente	 voláteis	 e	 precisam	 ser	 incorporados	 no	 solo	
rapidamente.	Com	as	mudanças	na	forma	de	preparo	no	solo	(redução	ou	não	
aragem	 do	 solo),	 houve	 uma	 redução	 do	 uso	 desses	 herbicidas	 (MONACO;	
WELLER;	ASHTON,	2002).	
No	quadro	a	seguir	você	encontra	os	principais	herbicidas	carbamotioatos	
e	suas	formas	de	aplicação	e	usos	comuns.	
Herbicida Aplicação Cultura
Butilato Pré-emergência Milho
Cicloato Pré-emergência Beterraba,	espinafre
EPTC Pré-emergência Alfafa,	feijão,	batata,	girassol,	citros e tomate
Pebulato Pré-emergência Beterraba,	fumo,	tomate
Trialato Pré	ou	pós-emergência Trigo,	cevada,	lentilha	e	ervilha
QUADRO 7 – HERBICIDAS DA CLASSE CARBAMOTIOATOS E AS CULTURAS UTILIZADAS
EPTC = S-etil-dipropiltiocarbamato
FONTE: Adaptado de Zimdahl (2018)
4.2.2 Cloroacetamidas 
 
São	compostos	não	ionizáveis,	com	baixa	a	mediana	solubilidade	em	alta	
e	apresenta	relativamente	uma	pressão	de	vapor	baixa.	Essa	classe	é	usada	para	
controle	de	germinação	de	sementes	e	desenvolvimento	de	pequenas	plântulas	
de	gramíneas	e	algumas	espécies	de	folha	larga.	
São	utilizados	como	pré-emergentes	ou	pré-plantio,	não	sendo	necessário	
a	incorporação	no	solo,	devido	à	baixa	volatilidade.	Eles	podem	causar	seu	efeito	
no	solo	por	até	oito	semanas	após	a	aplicação	(COBB;	READE,	2010;	MONACO;	
WELLER;	ASHTON,	2002).	
Acadêmico,	 a	 seguir,	 você	 encontra	 uma	 tabela	 com	 as	 principais	
informações	sobre	os	herbicidas	da	classe	das	cloroacetamidas.	
TÓPICO 1 - MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS
151
Herbicida Aplicação Cultura
Alacloro Pré-emergência
Algodão,	amendoim,	café,	girassol,	cana-
de-açúcar,	milho	e	soja
Acetocloro Pré-emergência Café,	milho,	soja	e	cana-de-açúcar
Butacloro Pré-emergência Arroz
Dimetenamida Pré-emergência Milho	e	soja
Flufenacet Pré-emergência Milho,	soja,	algodão,	trigo
Metolacloro Pré-emergência
Algodão,	cana-de-açúcar,	canola,	girassol,	
feijão,	mandioca,	milho,	soja,	milho
Propacloro Pré-emergência Milho	e	sorgo
QUADRO 8 – LISTA DE HERBICIDAS CLOROACETAMIDAS E AS CULTURAS EM QUE ELES SÃO 
UTILIZADOS
FONTE: Adaptado de Brasil (2020b; 2020l)
Inibição do crescimento celular
Acadêmico,	quando	um	herbicida	age	sobre	as	regiões	meristemáticas	da	
planta,	ele	causa	a	paralisação	do	crescimento	do	caule	ou	da	raiz.	O	meristema	
é	a	 região	de	divisão	 celular	de	uma	planta,	onde	ocorrerá	o	 seu	crescimento.	
Nesse	grupo	encontramos	os	compostos	utilizados	para	inibir	o	crescimento	de	
plântulas	(ZIMDAHL,	2018).	
 
Veremos	 que	 as	 características	 gerais	 de	 um	 composto	 inibidor	 do	
crescimento	celular	são	(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002):
•	 São	capazes	de	inibir	o	crescimento	da	parte	aérea,	das	raízes,	ou	de	ambos.
•	 São	pouco	translocados	após	a	absorção.
•	 Só	causam	morte	em	plantas	já	estabelecidas	em	casos	especiais.
•	 Ocorre	pouca	ou	nenhuma	ação	deles	sobre	as	folhas	de	plantas	estabelecidas.
•	 Possuem	boa	resistência	à	lixiviação	no	solo	e	são	rapidamente	degradados.	
•	 Em	relação	à	seletividade,	são	eficazes	no	controle	de	monocotiledôneas,	mas	
não	eudicotiledôneas.
Para	 inibir	 a	 divisão	 celular,	 ou	 a	 mitose	 das	 células,	 os	 herbicidas	
dessa	 classe	 atuam	nos	microtúbulos.	A	mitose	 envolve	uma	 série	 de	 eventos	
celulares,	iniciando	com	a	duplicação	do	material	genético	no	núcleo	da	célula,	
sua	organização	em	cromossomos	(condensação),	o	pareamento	cromossômico,	
a	separação	dos	cromossomos	e	a	divisão	celular	propriamente	dita	(ALBERTS	
et al.,	2008).		
 
A primeira etapa da mitose se chama prófase,	em	que	ocorre	a	desintegração	
do	 núcleo	 da	 célula	 e	 a	 condensação	 dos	 cromossomos	 já	 duplicados	 no	
citoplasma.	Cada	cromossomo	duplicado	permanece	unido	ao	seu	par	homólogo,	
o	que	chamamos	de	cromátides-irmãs.	Na	segunda	etapa,	a	metáfase,	os	pares	de	
cromossomos	são	alinhados	no	centro	da	célula,	com	o	auxílio	dos	microtúbulos.	
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
152
Após	o	alinhamento,	ocorre	a	anáfase,	onde	as	cromátides-irmãs	são	separadas,	
cada	uma	de	um	par	se	desloca	para	um	dos	dois	polos	da	célula.	Na	última	etapa,	
a telófase,	ocorre	a	formação	de	uma	parede	celular	na	região	central	da	célula,	
dividindo-a	em	duas,	e	finalmente	ocorre	a	formação	dos	núcleos	dessas	células	
e	 os	 cromossomos	 são	descondensados	 (ALBERTS	 et al.,	 2008;	 TAIZ;	ZEIGER,	
2006).	
Os	microtúbulos	se	organizam	durante	a	mitose,	formando	o	fuso	mitótico.	
Esse	fuso	atua	na	organização	dos	cromossomos	no	centro	da	célula	durante	a	
metáfase	e,	depois,	 são	 responsáveis	por	 separar	e	puxar	cada	cromátide-irmã	
para	os	dois	polos	celulares	durante	a	anáfase.	Isso	garante	que	as	duas	células	
geradas	 possuam	 o	 mesmo	 número	 de	 cromossomos	 que	 a	 célula	 original	
(ALBERTS	et al.,	2008;	TAIZ;	ZEIGER,	2006).	
Cromossomo: são estruturas formadas pela condensação do DNA das 
células, que é ligado a proteínas que auxiliam nesse empacotamento. O número total de 
cromossomos varia de espécie para espécie, assim como suas características morfológicas. 
Microtúbulos: são fibras proteicas organizadas na forma de tubos, que atuam no suporte e 
transporte de moléculas dentro da célula. Na mitose, eles formam um fuso mitótico e, em 
ambos os polos, formam uma região organizadora, chamada de centrossomo.
NOTA
Os	 inibidores	 mitóticos	 alteram	 a	 função	 dos	 microtúbulos,	 causando	
alterações	na	movimentação	e	separação	dos	cromossomos,	o	que	leva	à	morte	
das	células	e	inibição	do	crescimento	da	planta.		
Dinitroanilinas
 
Esse	grupo	conta	com	 importantes	herbicidas	aplicados	no	solo	de	uso	
mundial.	Eles	inibem	o	desenvolvimento	inicial	das	plântulas	após	a	germinação.	
As	 raízes	 das	 plantas	 atingidas	 aumentam	 em	 diâmetro	 e	 apresentama	
extremidade	 dilatada,	 com	 inibição	 do	 desenvolvimento	 de	 raízes	 laterais.	 A	
parte	aérea	fica	dilatada,	 frágil	 e	quebradiça	 (MONACO;	WELLER;	ASHTON,	
2002).	
 
Os	herbicidas	dessa	classe	são	utilizados	na	pré-emergência	em	plantas	
cultivadas	 eudicotiledôneas	 e	 apresentam	 seletividade	para	 o	 trigo.	A	maioria	
possui	forte	adsorção	ao	solo	e	em	geral	são	voláteis,	devendo	ser	incorporados	
(COBB;	READE,	2010).	
TÓPICO 1 - MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS
153
•	 Trifluralina:	 foi	 o	 primeiro	 herbicida	 do	 grupo	 das	 dinitroanilinas	 a	 ser	
registrado	para	uso	em	plantas	cultivadas.	Ele	é	utilizado	como	pré-emergente	
em	soja,	algodão,	alfafa,	canola,	trigo,	girassol,	cenoura,	tomate,	abóbora,	batata,	
beterraba,	 cana-de-açúcar,	 uva,	 frutíferas,	 florestais	 e	 áreas	 não	 cultivadas	
(BRASIL,	2020ww;	MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002).
•	 Pendimetalina:	 esse	 composto	 é	 utilizado	 como	 pré-emergente,	 pré-plantio	
incorporado	 ao	 solo	 ou	 pós-emergente	 incorporado	 ao	 solo.	 É	 aplicado	 em	
cereais,	 cebola,	 alho,	 ervilha,	 feijão,	 batata,	 plantas	 ornamentais,	 tomate,	
girassol	e	fumo	(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002).	
•	 Benefina:	o	herbicida	é	utilizado	na	pré-emergência,	 incorporado	ao	solo	ou	
aplicado	na	superfície	em	culturas	de	alfafa,	alface,	abóbora,	feijão,	lentilha	e	
fumo.	
•	 Etalfluralina:	usado	em	algodão,	soja,	feijão,	ervilha,	lentilha	e	girassol.
•	 Orizalina:	 esse	 composto	 tem	 baixa	 volatilidade	 e	 pode	 ser	 aplicado	 na	
superfície	 do	 solo.	 É	 utilizado	 em	 árvores	 frutíferas,	 uva,	 ornamentais	 em	
geral,	soja,	algodão,	girassol,	alfafa,	ervilha	e	também	em	áreas	não	cultivadas.	
•	 Prodiamina:	herbicida	usado	como	pré-emergente	e	pré-plantio	em	algodão,	
soja,	alfafa,	uva,	ornamentais	em	geral.	
Outras classes que inibem o crescimento celular
 
O	 dimetil-clorotal	 (DCPA)	 é	 um	 herbicida	 que	 atua	 na	 produção	 e	
organização	 dos	 microtúbulos	 durante	 a	 formação	 do	 fragmoplasto	 durante	
a	 telófase.	 É	 aplicado	 como	 pré-emergente	 e	 pré-plantio	 incorporado	 ao	 solo	
em	 culturas	 de	 frutíferas	 e	 hortaliças.	 O	 herbicida	 ditiopir	 é	 usado	 no	 arroz	
(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002).	
4.3 INIBIDORES DA BIOSSÍNTESE DE CELULOSE
 
Os	 herbicidas	 desse	 grupo	 inibirão	 alguma	 etapa	 da	 conversão	 dos	
carboidratos	precursores	de	celulose	em	celulose,	um	componente	fundamental	
das	paredes	celulares	vegetais.
A	celulose	é	o	polissacarídeo	mais	abundante	nas	plantas	e	a	inibição	de	sua	
biossíntese	causa	enfraquecimento	das	paredes	celulares,	levando	a	uma	expansão	
e	rompimento	celular.	Isso	alterará	o	crescimento	da	planta,	levando	a	sua	morte.			
	Os	herbicidas	diclobenil,	isoxaben	e	quinclorac	são	inibidores	da	síntese	
de	celulose	e	são	mais	efetivos	em	eudicotiledôneas.	
O	diclobenil	 é	um	herbicida	volátil,	 aplicado	no	 solo,	 com	alta	 taxa	de	
absorção	e	pouca	lixiviação.	O	isoxaben	é	um	herbicida	pré-emergente	usado	no	
controle	de	plantas	daninhas	eudicotiledôneas	em	culturas	de	uva	e	 frutíferas.	
Possui	 boa	 durabilidade	 no	 solo,	 persistindo	 por	 até	 seis	 meses	 (MONACO;	
WELLER;	ASHTON,	2002).	O	quinclorac	é	um	herbicida	pós-emergente	utilizado	
na	cultura	do	arroz	(NCBI,	2020g).	
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
154
4.3.1 Mimetizadores de auxinas
 
Os	hormônios	vegetais	são	substâncias	que	afetam	de	diferentes	formas	
o	 crescimento	 e	 desenvolvimento	 vegetal.	 Essas	 substâncias	 são	 produzidas	 e	
transportadas	 pela	 planta	 em	 baixíssimas	 concentrações,	mas	 seus	 efeitos	 são	
marcantes	 na	 regulação	 da	 fisiologia	 e	metabolismo	 vegetal.	 Existem	diversas	
classes	de	hormônios	produzidos	pela	planta:	auxinas,	 citocininas,	giberelinas,	
etileno,	ácido	abscísico,	jasmonatos	e	salicilatos	(TAIZ;	ZEIGER,	2006).	
 
As	 auxinas	 são	 substâncias	 que	 estão	 principalmente	 relacionadas	
com	a	divisão,	diferenciação	e	o	alongamento	celular;	os	movimentos	vegetais	
(tropismos	 e	 nastismos);	 a	 dominância	 apical;	 formação	 de	 raízes	 laterais	 e	
adventícias	e	a	abscisão	foliar.	Além	disso,	as	auxinas	regulam	a	biossíntese	do	
etileno.	A	principal	auxina	encontrada	nos	vegetais	é	o	ácido	indol	acético	(AIA).	
Ele	 é	 encontrado	 principalmente	 nos	meristemas	 apicais	 da	 parte	 aérea	 e	 nas	
folhas	e	frutos	em	desenvolvimento	(TAIZ;	ZEIGER,	2006).
 
Giberelinas	 são	 substâncias	 encontradas	 em	 todas	 as	 partes	 da	 planta	
e	 tem	 papel	 essencial	 na	 iniciação	 do	 florescimento,	 no	 crescimento	 caulinar	
(alongamento	 dos	 internos),	 estabelecimento	 do	 fruto	 após	 a	 polinização	 e	 na	
germinação	 de	 sementes.	 Não	 há	 herbicidas	 que	 interferem	 na	 biossíntese	
ou	 ação	 das	 giberelinas	 diretamente,	 mas	 alguns	 carbamotioatos	 interferem	
indiretamente	 na	 biossíntese	 de	 giberelinas	 (MONACO;	WELLER;	ASHTON,	
2002;	TAIZ;	ZEIGER,	2006).
 
O	etileno	é	um	hormônio	gasoso,	com	papel	fisiológico	no	amadurecimento	
de	 frutos,	 crescimento	 lateral	 e	 horizontal	 de	 caules,	 na	 abscisão	 foliar	 e	 na	
senescência	de	 folhas	e	flores	 (TAIZ;	ZEIGER,	2006).	Os	herbicidas	que	atuam	
como	auxinas	 irão	 causar	a	produção	e	 liberação	de	etileno,	que	é	 estimulado	
pelas	auxinas.
Com	relação	às	citocininas,	ácido	abscísico,	jasmonatos	e	salicilatos,	não	
encontramos	herbicidas	que	interfiram	em	sua	síntese	ou	atividade	nas	plantas	
(ZIMDAHL,	2018).
 
Os	herbicidas	que	atuam	como	mimetizadores	de	 auxinas	 são	 também	
chamados	de	auxinas	sintéticas,	pois	sua	ação	herbicida	depende	da	concentração	
aplicada	 na	 planta.	 Como	 mimetizam	 hormônios,	 sua	 atuação	 é	 sistêmica,	
causando	diversos	efeitos	nas	plantas:	malformação	foliar,	deformação	radicular,	
crescimento	 de	 calos,	 inibição	 do	 desenvolvimento	 radicular,	 entre	 outros	
(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002).		
 
Em	 geral,	 ocorre	 mudanças	 de	 permeabilidade	 das	 membranas,	
mobilização	 das	 reservas	 energéticas	 da	 planta	 e	 alongamento	 celular	 no	
primeiro	dia	após	a	aplicação	do	herbicida.	Após	alguns	dias,	ocorre	aumento	da	
síntese	de	etileno,	com	aparecimento	de	crescimento	apical	anormal	e	epinastia	
TÓPICO 1 - MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS
155
em	folhas	e	caules.	Como	ocorre	aceleração	da	divisão	e	alongamento	celular,	as	
células	começam	a	se	romper,	levando	a	desintegração	de	tecidos,	clorose	foliar,	
senescência	e	morte	da	planta	(COBB;	READE,	2010).
Epinastia é o crescimento desigual dos tecidos, como nos pecíolos das folhas, 
a parte adaxial (superior) cresce mais que a abaxial (inferior), levando a curvatura para baixo 
das folhas.
NOTA
Acadêmico,	 os	mimetizadores	 auxínicos	 são	 encontrados	nas	 seguintes	
classes:	fenoxiácidos,	ácidos	benzóicos	e	os	ácidos	picolínicos	(ZIMDAHL,	2018).		
4.3.2 Fenoxiácidos
Nessa	 classe	 encontramos	 os	 compostos	 químicos	 que	 iniciaram	 o	
desenvolvimento	da	indústria	dos	agroquímicos:	o	2,4-D	e	o	MCPA.	Como	você	
já	estudou	na	unidade	anterior,	esses	foram	os	primeiros	compostos	sintetizados	
em	grande	escala	pela	indústria,	revolucionando	o	controle	de	plantas	daninhas	
a	partir	da	década	de	1940.	São	compostos	que	agem	de	forma	eficaz,	possuem	
baixa	toxicidade	em	mamíferos	e	são	degradados	de	forma	relativamente	rápida	
no	ambiente	(COBB;	READE,	2010;	MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002)
 
2,4-D
O	ácido	 2,4-	 diclorofenoxiacético	 (2,4-D)	 é	 apresentado	 como	herbicida	
de	 várias	 formas,	 que	 alteram	 algumas	de	 suas	 características	 físico-químicas.	
Apesar	 de	 ser	 um	 dos	 herbicidas	 mais	 antigos	 utilizados,	 ainda	 apresenta	
inúmeras	marcas	e	continua	sendo	um	dos	herbicidas	mais	comercializados	no	
mundo	(PETERSON,	2016).	
No	 quadro	 a	 seguir	 você	 encontra	 as	 formas	 de	 apresentação	 e	 as	
características	físico-químicas	relevantes	para	seu	uso:	
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
156
Forma Hidro 
solubilidade
Lipo 
solubilidadeEm água ocorre 
precipitação
Volatilização
Ácido Baixa Baixa Sim Baixa
Sal amino
Hidrossolúvel Alta Baixa Sim Nenhuma
Lipossolúvel Baixa Alta Sim Nenhuma
Éster
Baixa	volatilidade Baixa Alta Não Média
Alta	volatilidade Baixa Alta Não Alta
QUADRO 9 – FORMAS DE APRESENTAÇÃO DO 2,4-D E SUAS CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
FONTE: Adaptado de Monaco, Weller e Ashton (2002)
As	 formulações	 contendo	 2,4-D	 controlam	 plantas	 daninhas	
eudicotiledôneas,	 sendo	 usadas	 como	 pré-emergentes	 ou	 pós-emergentes	 em	
culturas	 de	 arroz,	 aveia,	 café,	 cana-de-açúcar,	 centeio,	 cevada,	milheto,	milho,	
soja,	sorgo,	trigo	e	pastagens	(BRASIL,	2020yy).		
MCPA
 
O	 ácido	 4-cloro-2-metilfenóxiacético	 (MCPA)	 é	 um	 herbicida	 aplicado	
como	pós-emergente	em	culturas	de	aveia,	cana-de-açúcar,	cevada,	milho	e	trigo.	
Ele	é	mais	seletivo	que	o	2,4-D	em	cereais	e	legumes	em	geral	e	é	mais	efetivo	
sobre	algumas	espécies	daninhas	de	folha	larga	(COBB;	READE,	2010).	
MCPB
O	 ácido	 4-cloro-2-metilfenóxibutanóico	 (MCPB)	 é	 um	 herbicida	
sistêmico,	 absorvido	 pelas	 folhas	 e	 raízes	 das	 plantas	 daninhas.	 Utilizado	
como	 pós-emergente	 em	 plantas	 daninhas	 eudicotiledôneas	 em	 culturas	 de	
cereais	e	pastagens.	Possui	alta	solubilidade	em	água,	baixa	volatilidade	e	baixa	
durabilidade	após	a	aplicação	(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002).
2,4-DB
 
O	herbicida	ácido	2,4-diclorofenóxibutanóico	(2,4-DB)	é	derivado	do	2,4-
D,	sendo	utilizado	como	pós-emergente	em	culturas	de	alfafa	e	soja.
Ácidos benzóicos 
Dicamba
O	dicamba	controla	plantas	daninhas	eudicotiledôneas.	É	um	herbicida	
sistêmico,	 absorvido	pelas	 raízes	 e	 folhas.	Apesar	de	não	 ser	 seletivo,	 é	usado	
como	 pós-emergente	 em	 algodão,	 cana-de-açúcar,	 soja	 e	 trigo.	 Esse	 composto	
evapora	e	deriva	 facilmente,	podendo	contaminar	outras	áreas	 fora	do	 cultivo	
(BRASIL,	2020j;	MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002).	
TÓPICO 1 - MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS
157
Ácidos picolínicos
Picloram 
 
O	picloram	é	um	herbicida	que	controla	plantas	daninhas	eudicotiledôneas	
anuais	e	perenes,	altamente	solúvel	e	possui	persistência	no	solo	por	90	dias	ou	
mais.	Com	relação	à	absorção,	pode	ocorrer	via	foliar	ou	radicular.	É	utilizado	
em	pós-emergência	nas	culturas	de	arroz,	trigo	e	em	pastagens	(BRASIL,	2020nn;	
COBB;	READE,	2010).	
Triclopir 
 
É	um	herbicida	de	absorção	foliar	e	radicular,	de	ação	sistêmica,	aplicado	
em	pós-emergência	de	plantas	daninhas	eudicotiledôneas,	nas	culturas	de	arroz,	
eucalipto,	pastagens	e	soja	(BRASIL,	2020vv).	
Clopiralid
 
O	 clopiralid	 é	 um	 herbicida	 sistêmico,	 usada	 no	 controle	 de	 plantas	
daninhas	eudicotiledôneas	em	cereais,	beterraba,	pastagens	e	áreas	não	cultivadas	
(ARENA;	AUTERI;	BARMAZ,	2018).	
 
Aminopiralid
 
Esse	 composto	 é	 utilizado	na	pós-emergência	de	plantas	daninhas,	 em	
eucalipto	 e	 pastagens.	 Geralmente	 é	 associado	 ao	 2,4-D	 para	 potencializar	 o	
efeito.	Possui	boa	durabilidade	no	solo	(mais	de	30	dias)	(MONACO;	WELLER;	
ASHTON,	2020)
 
4.4 INIBIDORES DA BIOSSÍNTESE DE AMINOÁCIDOS 
 
Os	herbicidas	que	atuam	na	biossíntese	de	aminoácidos	são	um	dos	maiores	
focos	no	desenvolvimento	de	novos	produtos,	pois	possuem	menores	chances	de	
causar	toxicidade	em	mamíferos.	Como	alguns	aminoácidos	só	são	produzidos	
por	plantas	e	microrganismos,	os	que	chamamos	na	bioquímica	de	aminoácidos	
essenciais,	corre-se	um	menor	risco	desses	compostos	interferirem	na	fisiologia	
de	mamíferos.	Os	aminoácidos	essenciais,	que	precisam	ser	adquiridos	através	
da	dieta,	são:	histidina,	leucina,	isoleucina,	lisina,	metionina,	treonina,	triptofano,	
fenilalanina	e	valina	(COBB;	READE,	2010).	
A	biossíntese	de	aminoácidos	nas	plantas	se	inicia	a	partir	do	glutamato,	
que	é	a	molécula	responsável	pelo	ciclo	do	nitrogênio	nas	plantas.	As	enzimas	
que	 participam	desse	 processo	 são	 a	 glutamina	 sintase	 e	 a	 glutamato	 sintase.	
Ambas	as	enzimas	se	encontram	no	cloroplasto	das	células	vegetais.	A	partir	do	
glutamato	são	sintetizadas	a	asparagina,	arginina,	aspartato	e	prolina.	A	partir	
do	 aspartato,	 outros	 aminoácidos	 são	 sintetizados:	 metionina,	 lisina,	 leucina,	
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
158
isoleucina	e	valina.	Os	aminoácidos	aromáticos,	triptofano,	fenilalanina,	tirosina	
e	histidina	são	sintetizados	a	partir	de	compostos	derivados	do	ciclo	de	Calvin	da	
fotossíntese	(COBB;	READE,	2010;	TAIZ;	ZEIGER,	2006).
4.4.1 Inibidores da glutamina sintase
Acadêmico,	 começaremos	 estudando	 os	 compostos	 herbicidas	 que	
atuam	inibindo	a	ação	da	glutamina	sintase.	Essa	enzima	catalisa	a	conversão	do	
glutamato	em	glutamina	em	duas	etapas	simples,	que	utilizam	ATP	e	amônia.	
O glufosinato amônio	é	um	composto	natural	isolado	de	bactérias	com	
ação	 herbicida.	 Esse	 composto	 irá	 reagir	 com	 a	 glutamina	 sintase,	 formando	
um	 complexo	 irreversível	 com	 a	 enzima,	 promovendo	 sua	 inativação.	Após	 a	
aplicação	do	herbicida,	ocorre	rápida	clorose	nas	folhas,	dessecamento	e	necrose,	
causando	a	morte	da	planta	em	pelo	menos	três	dias.	Isso	é	devido,	primeiramente,	
ao	acúmulo	da	amônia	que	não	será	mais	incorporada	na	síntese	de	glutamina	
(COBB;	READE,	2010;	MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002).	
A	 amônia	 em	 altas	 concentrações	 é	 tóxica	 para	 as	 plantas,	 causando	
alterações	no	pH	celular,	que	levam	à	redução	da	fixação	de	carbono	na	fotossíntese	
e	aumento	das	espécies	reativas	de	oxigênio,	causando	a	peroxidação	lipídica	das	
membranas celulares. 
No	quadro	a	seguir	você	encontra	as	principais	aplicações	do	glufosinato	
amônio.
Aplicação Culturas
Pós-emergência
Açaí,	alface,	algodão,	aveia,	banana,	batata,	café,	castanha-do-
pará,	centeio,	cevada,	citros,	coco,	dendê,	ervilha,	eucalipto,	
feijão,	 feijão-guandu,	 feijão-caupi,	 feijão-fava,	 feijão-vagem,	
grão-de-bico,	 lentilha	 macadâmia,	 maçã,	 milho,	 nectarina,	
noz-pecã,	 pêssego,	 pinhão,	 pupunha,	 repolho,	 soja,	 trigo,	
triticale	e	uva.
Dessecante Algodão,	batata,	cana-de-açúcar,	cevada,	feijão,	soja	e	trigo
QUADRO 10 – APLICAÇÕES DO HERBICIDA GLUFOSINATO AMÔNIO E AS CULTURAS EM QUE 
É UTILIZADO
FONTE: Adaptado de Brasil (2020s)
4.4.2 Inibidores da ALS
Acadêmico,	a	enzima	acetolactato	sintase	(ALS)	é	responsável	pelo	início	
da	biossíntese	dos	aminoácidos	alifáticos:	valina,	leucina	e	isoleucina.	Essa	enzima	
está	presente	nos	cloroplastos	das	plantas	superiores	(ZIMDAHL,	2018).		
TÓPICO 1 - MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS
159
QUADRO 11 – HERBICIDAS DA CLASSE DAS SULFONILUREIAS, FORMAS DE APLICAÇÃO E AS 
CULTURAS EM QUE SÃO UTILIZADOS
Os	herbicidas	desse	 grupo	 impedem	a	 biossíntese	desses	 aminoácidos,	
sendo	muito	potentes,	seletivos	e	com	amplo	espectro	de	ação	sobre	as	plantas	
daninhas.	Após	a	aplicação,	ocorre	a	diminuição	da	concentração	dos	aminoácidos	
na	planta,	levando	à	diminuição	da	síntese	proteica,	inibição	da	divisão	celular	
e	do	alongamento	de	raízes	e	folhas	jovens.	Os	sintomas	visuais	aparecem	após	
alguns	 dias,	 começando	 com	 a	 clorose	 e	 necrose	 das	 regiões	 meristemáticas;	
avermelhamento	das	nervuras	foliares	e	queda	das	folhas.	As	plantas,	em	geral,	
morrem	 em	 até	 dez	 dias	 após	 a	 aplicação,	 algumas	 podem	 demorar	 até	 dois	
meses,	quando	seu	desenvolvimento	natural	é	lento	(COBB;	READE,	2010).	
Existem	 diversas	 classes	 químicas	 diferentes	 que	 apresentam	 como	
mecanismo	de	 ação	 a	 inibição	 da	 enzima	ALS:	 sulfonilureias,	 imidazolinonas,	
triazolopirimidinas,	sulfonilaminocarboniltriazolinas	e	pirimidinil-oxi-benzoatos.	
Esses	 compostos	 atuam	 tanto	 em	monocotiledôneas	 quanto	 eudicotiledôneas,	
podendo	 ser	 aplicado	no	 solo	 ou	 via	 foliar	 e	 apresentam	baixa	 toxicidade	 em	
mamíferos	(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	2002).		
Sulfonilureias
 
As	sulfonilureias	atuam	inibindo	a	síntese	da	ALS	e	em	segundo	plano,	
elas	 acabam	 inibindo	 a	 fotossíntese,	 respiração	 celular	 e	 síntese	 proteica.	 Os	
sintomas	são	os	mesmos	para	todas	as	classes,mas	as	sulfonilureias	apresentam	
altos	níveis	de	atividade,	mesmo	se	for	aplicada	em	doses	baixas.	
No	quadro	a	seguir	você	encontra	uma	lista	dos	herbicidas	dessa	classe,	
suas	formas	de	aplicação	e	as	culturas	utilizadas:
Sulfonilureia Aplicação Culturas
Clorosulforon Pós-emergência Trigo	e	cevada
Metsulforon-metil	 Pós-emergência
Arroz,	aveia,	aveia	preta,	café,	centeio,	
cevada,	citros,	pastagens,	trigo,	triticale.	
Cana-de-açúcar	(PRE)
Triasulfuron Pós-emergência Trigo	e	arroz	
Bensulfuron-metil Pós-emergência Arroz
Clorimuron-	etil	 Pós-emergência Café,	citros,	eucalipto,	pinus,	soja
Sulfometuron-metil	 Pré-emergência Cana-de-açúcar
Tifensulfuron Pós-emergência Trigo,	soja	e	cevada
Tribenuron Pós-emergência Trigo	e	cevada
Primisulfuron Pós-emergência Milho
Nicosulfuron Pós-emergência Milho 
Etametsulfuron Pós-emergência Canola 
Rimsulfuron Pós-emergência Milho e batata
Triflusulfuron Pós-emergência Beterraba	
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
160
Prosulfuron	 Pós-emergência Milho,	sorgo,	trigo	e	cevada
Halosulfuron Pós-emergência Milho	e	sorgo
Sulfosulfuron	 Pós-emergência Trigo	
FONTE: Adaptado de Brasil (2020t) e Monaco, Weller e Ashton (2002)
Imidazolinonas
Os	 herbicidas	 dessa	 classe	 são	 eficazes	 em	 baixas	 dosagens,	 mas	
apresentam	 uma	 menor	 atividade	 nas	 plantas	 em	 relação	 às	 sulfonilureias.	
São	utilizados	 como	pós-emergentes	para	 o	 controle	de	monodicotiledôneas	 e	
eudicotiledôneas	daninhas.
 
No	quadro	a	seguir	você	encontra	uma	lista	dos	herbicidas	imidazolinonas,	
suas	formas	de	aplicação	e	as	culturas	utilizadas:
Imidazolinona Aplicação Culturas
Imazapir Pré	e	pós-emergência	
Arroz,	cana-de-açúcar,	feijão,	
milho,	pastagem,	pinus,	
seringueira,	soja	e	áreas	não	
cultivados
Imazetapir Pré	e	pós-emergência Arroz,	feijão	e	soja	
Imazaquin Pré	e	pós-emergência Soja	
Imazametabenz Pós-emergência Girassol
Imazapic Pós-emergência Amendoim,	arroz,	cana-de-açúcar,	milho,	pastagem,	soja
Imazamox Pós-emergência	 Amendoim,	arroz,	canola,	feijão,	girassol,	soja	e	trigo
QUADRO 12 – HERBICIDAS DA CLASSE DAS IMIDAZOLINAS, FORMAS DE APLICAÇÃO E AS 
CULTURAS ONDE SÃO APLICADOS
FONTE: Adaptado de Brasil (2020y; 2020z; 2020aa) e Monaco, Weller e Ashton (2002)
Triazolopirimidinas
 
Dentro	 dessa	 classe,	 temos	 o	 herbicida	 flutmetsulam	 e	 o	 diclosulam.	
Ambos	são	utilizados	como	pré	ou	pós-emergentes	na	cultura	da	soja.	
 
Sulfonilaminocarboniltriazolinas
 
Nesse	 grupo	 você	 encontra	 o	 flucarbazona-sódico,	 um	 herbicida	 pós-
emergente	 utilizado	 para	 controlar	 plantas	 daninhas	 monocotiledôneas	 em	
culturas de cereais. 
 
TÓPICO 1 - MECANISMOS E MODO DE AÇÃO DOS HERBICIDAS
161
Pirimidinil-oxi-benzoatos 
 
Os	 herbicidas	 dessa	 classe	 são	 o	 bispiribac-sódico	 e	 o	 piritiobac-
sódico.	O	bispiribac-sódico	é	utilizado	em	pós-emergência	na	cultura	do	arroz,	
controlando	 inclusive	 espécies	 mimetizadoras	 do	 arroz	 (capim-arroz),	 entre	
outras	monocotiledôneas	e	algumas	eudicotiledôneas.	Apresenta	absorção	foliar	
e	é	sistêmico	(PETER;	ZUFFO;	PACHECO,	2011).	O	piritiobac-sódico	é	utilizado	
em	pós-emergência	na	cultura	do	algodão	(ALMEIDA;	LEITE,	1999).	
Inibidores da EPSPS
 
A	enzima	5-enolpiruvil-shiquimato-3-fosfato	sintase	(EPSPS)	faz	parte	da	
rota	de	biossíntese	dos	aminoácidos	aromáticos:	fenilalanina,	triptofano	e	tirosina;	
e	também	de	inúmeros	metabólitos	secundários	vegetais.	A	inibição	dessa	enzima	
causa	o	acúmulo	de	shiquimato	nas	células	e	inibição	da	biossíntese	de	proteínas,	
auxinas,	 lignina,	flavonoides,	fenólicos	e	alcaloides.	Todos	esses	eventos	levam	
lentamente	à	morte	das	plantas.	Primeiramente,	os	tecidos	jovens	da	planta	ficam	
embranquecidos	e	após	uma	a	duas	semanas	 toda	a	planta	se	 torna	marrom	e	
morre.	Nesse	grupo	encontra-se	os	herbicidas	glifosato	e	sulfosato	(MONACO;	
WELLER;	ASHTON,	2020).	
 
Glifosato
O	herbicida	glifosato	(n-fosfonometil	glicina)	é	um	sal	solúvel,	não	seletivo,	
utilizado	como	pós-emergente	(somente	foliar)	no	controle	de	várias	espécies	de	
plantas	daninhas	anuais	e	perenes.	Esse	composto	está	registrado	para	uso	em	
mais	de	130	países	e	indicado	para	o	controle	de	mais	de	300	espécies	de	plantas	
daninhas,	em	mais	de	100	culturas	(COBB;	READE,	2010).
 
Pode	ser	utilizado	em	tratamentos	pós-colheita,	para	o	controle	de	plantas	
daninhas	perenes.	Para	se	obter	seletividade,	deve-se	avaliar	a	forma	de	aplicação,	
tanto	o	 local	quanto	o	 tempo	em	que	é	aplicado.	Possui	rápida	degradação	no	
solo	por	microrganismos,	além	de	ser	adsorvido	fortemente,	tornando-se	inativo.	
Possui	baixa	toxicidade	em	mamíferos	(COBB;	READE,	2010).
162
Neste tópico, você aprendeu que:
•	 Os	herbicidas	são	classificados	de	acordo	com	seus	mecanismos	e	modos	de	
ação	no	corpo	da	planta.
•	 Inibidores	 da	 fotossíntese	 atuam	 no	 fotossistema	 I,	 causando	 a	 produção	
de	 espécie	 reativas	 de	 oxigênio,	 como	 os	 herbicidas	 paraquat	 e	 diquat.	 Os	
que	 atuam	 no	 fotossistema	 II	 causam	 inibição	 da	 fotossíntese,	 como	 os	
compostos	das	classes	das	triazinas,	ureias,	uracilas,	nitrilas,	fenilcarbamatos	e	
benzotiadiozinonas.
•	 Os	herbicidas	inibidores	da	biossíntese	de	pigmentos	bloqueiam	a	síntese	de	
carotenoides,	causando	fotodestruição	das	moléculas	de	clorofila.	
•	 Os	 danificadores	 de	 membranas	 agem	 produzindo	 espécies	 reativas	 de	
oxigênio	que	destruirão	a	membrana,	como	os	inibidores	da	Protox	(fomesafen)	
ou	 inibem	 a	 biossíntese	 de	 ácidos	 graxos,	 como	 os	 inibidores	 da	ACCase	 e	
os	 inibidores	da	 síntese	de	ácidos	graxos	de	 cadeia	 longa	 (carbamotioatos	e	
cloroacetamidas).
•	 Inibidores	da	divisão	celular	atuam	como	disruptores	mitóticos,	impedindo	o	
crescimento	da	planta,	como	na	classe	das	dinitroanilinas.
•	 Mimetizadores	 de	 auxinas	 atuam	 alterando	 o	 metabolismo	 de	 crescimento	
do	 vegetal.	 Nesse	 grupo	 encontramos	 as	 auxinas	 sintéticas	 da	 classe	 dos	
fenoxiácidos	 (2,4-D),	 ácidos	 benzoicos	 (dicamba)	 e	 os	 ácidos	 picolínicos	
(picloram).	
•	 Os	inibidores	da	biossíntese	de	aminoácidos	atuam	sobre	a	enzima	glutationa	
sintase	 (glufosinato),	 a	 enzima	 acetolactato	 sintase	 (sulfonilureias	 e	
imidazolinonas)	e	sobre	a	enzima	EPSP	(glifosato).
RESUMO DO TÓPICO 1
163
1	 No	 que	 se	 refere	 ao	 controle	 químico,	 os	 herbicidas	 matam	 as	 plantas	
daninhas	 através	 de	 diversas	 maneiras,	 atuando	 em	 moléculas-alvo	
específicas,	o	que	modificará	o	metabolismo	da	planta,	levando-a	a	morte.	
Sobre	os	mecanismos	de	ação	que	os	herbicidas	podem	atuar,	analise	as	
seguintes	sentenças:
I-		O	glifosato	pertence	ao	grupo	dos	inibidores	do	fotossistema	II.
II-	Os	carbomotioatos	inibem	a	biossíntese	de	lipídios,	atuando	sobre	a	enzima	
ACCase.
III-	Os	 inibidores	da	biossíntese	de	 carotenoides	 causam	o	branqueamento	
das	folhas,	devido	à	destruição	das	moléculas	de	clorofila.
IV-	 O	 picloram	 e	 o	 2,4-D	 são	 auxinas	 sintéticas	 que	 causam	 alterações	
sistêmicas	sobre	o	crescimento	das	plantas	daninhas	quando	aplicados	em	
concentrações	adequadas.	
Marque	a	alternativa	em	que	as	sentenças	estão	corretas:
a)	(			)	Somente	a	I	e	II	estão	corretas.
b)	(			)	Somente	a	II,	III	e	IV	estão	corretas.
c)	(			)	Somente	a	IV	está	correta.
d)	(			)	Somente	a	I,	II	e	III	estão	corretas.
2	 Os	inibidores	do	crescimento	celular	atuam	durante	a	mitose	das	células,	
alterando	a	função	dos	microtúbulos,	responsáveis	pelo	correto	pareamento	
e	separação	dos	cromossomos.	Sobre	as	características	gerais	dos	herbicidas	
desse	grupo,	é	CORRETO	afirmar	que:
a)	( 	 	 	 ) 	Todos	são	aplicados	nas	folhas	das	plantas	daninhas	já	desenvolvidas.
b)	(	 	 	 )	 Não	 são	 seletivos,	 podendo	 ser	 aplicados	 em	 monocotiledôneas	 e	
eudicotiledôneas.
c)	(	 	 	 )	 São	 aplicados	 geralmente	 na	 pré-emergência,	 pois	 são	 pouco	
translocados	 pelo	 corpo	 da	 planta,	 agindo	 melhor	 no	 início	 do	
desenvolvimento	da	planta	daninha.
d)	(	 	 	 )	Como	inibem	a	divisão	celular,podem	atuar	em	qualquer	órgão	da	
planta	atingida.
AUTOATIVIDADE
164
165
TÓPICO 2 - 
UNIDADE 3
RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico,	 no	 tópico	 anterior,	 estudamos	 os	 mecanismos	 de	 ação	
dos	 herbicidas	 no	 controle	 de	 plantas	 daninhas.	Neste	 tópico,	 abordaremos	 a	
resistência	que	as	plantas	daninhas	podem	desenvolver	aos	herbicidas,	de	acordo	
com	os	diferentes	mecanismos	de	ação,	além	de	como	fazer	o	manejo	de	plantas	
daninhas	resistentes.	Não	se	esqueça,	no	final	deste	tópico	você	encontrará	um	
resumo	com	as	principais	ideias	abordadas	no	texto	e	as	autoatividades	para	fixar	
o	conhecimento	adquirido.	Bons	estudos!
2 CONCEITOS 
Os	organismos	vivos	possuem	diversos	mecanismos	para	se	adaptarem	ao	
ambiente	onde	vivem	e	serem	capazes	de	se	reproduzir	e	perpetuar	sua	espécie.	
Esses	mecanismos	podem	se	modificar	ao	longo	do	tempo	nas	populações	dessa	
espécie,	 de	 acordo	 com	 cruzamentos	 e	 adaptações	 que	 surgem	 ao	 longo	 do	
processo	evolutivo.	
 
Acadêmico,	 lembre-se	 que	 a	 origem	das	 plantas	 daninhas	 junto	 com	 a	
agricultura	 está	 ligada	 a	 alguns	 mecanismos	 genéticos	 dessas	 plantas,	 que	
modificaram	seu	fenótipo	e	permitiram	que	elas	se	adaptassem	e	evoluíssem	com	
as	alterações	ambientais	que	o	ser	humano	causou.	
 
Um	indivíduo	de	uma	espécie	possui	um	genótipo,	o	conjunto	de	genes,	
mas	nem	todos	esses	genes	estão	sendo	expressos	nesse	indivíduo.	A	expressão	
específica	dos	genes,	gerando	um	perfil	morfofisiológico	para	esse	 indivíduo	é	
chamado	de	fenótipo.	Um	fenótipo	pode	variar	em	resposta	às	modificações	do	
ambiente	em	que	essa	planta	cresce,	o	que	chamamos	de	plasticidade fenotípica 
(VENCILL	et al.,	2002).	
 
A	plasticidade	fenotípica	está	relacionada	com	a	tolerância	que	algumas	
plantas	possuem	aos	herbicidas	dentro	de	uma	população.	É	uma	característica	
natural,	devido	à	variabilidade	genética	dentro	dos	indivíduos	dessa	população,	
alguns	são	mais	sensíveis	e	outros	menos	sensíveis	aos	herbicidas	aplicados.	
166
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
A	tolerância	 também	está	relacionada	à	espécie	da	planta,	algumas	são	
tolerantes	a	alguns	herbicidas	e	outras	não	são.	Por	exemplo,	a	aplicação	de	uma	
certa	dose	de	um	composto	que	irá	matar	as	plantas	daninhas	não	afeta	as	plantas	
cultivadas,	ou	afeta	 em	menor	 intensidade,	não	 interferindo	na	produtividade	
(COBB,	READE,	2010).		
 
A	 resistência	 de	 uma	 planta	 a	 um	 determinado	 herbicida	 pode	 ser	
considerada	diferente	do	conceito	de	tolerância.	Quando	os	indivíduos	de	uma	
população	 que	 são	 sensíveis	 ao	 herbicida	 são	 eliminados	 após	 a	 aplicação,	 os	
que	tolerarem	podem	se	reproduzir	e	gerar	uma	nova	população,	que	será	mais	
difícil	de	controlar	que	a	anterior	(VENCILL	et al.,	2002).	A	resistência	se	encontra	
na	 habilidade	 da	 planta	 em	 sobreviver	 ao	 herbicida	 e	 ser	 capaz	 de	 passar	 as	
características	 genéticas	 dessa	 resistência	 para	 a	 geração	 seguinte,	 gerando	
biótipos	da	espécie	que	são	adaptadas	a	sobreviver	a	aplicação	de	certo	herbicida	
(COBB;	READE,	2010).	
Segundo	 a	Weed	 Science	 Society	 of	America	 –	WSSA	 (1998,	 p.	 789),	 a	
definição	de	resistência	de	plantas	daninhas	é:
Resistência	aos	herbicidas	é	a	habilidade	adquirida	de	uma	planta	em	
sobreviver	e	se	reproduzir	após	a	exposição	a	uma	dose	de	herbicida	
que	 é	 normalmente	 letal	 para	 o	 tipo	 selvagem.	 Em	 uma	 planta,	 a	
resistência	pode	ocorrer	naturalmente	ou	 ser	 induzida	por	 técnicas,	
como	 a	 engenharia	 genética	 ou	 a	 seleção	 de	 variantes	 produzidos	
através	de	cultura	de	tecidos	ou	por	mutagênese.
Biótipo é um grupo de indivíduos que possuem material genético semelhante 
entre si, mas ligeiramente diferente da população dessa mesma espécie. Essas pequenas 
diferenças podem estar relacionadas à capacidade de resistir aos herbicidas.
NOTA
O	 primeiro	 caso	 de	 resistência	 de	 plantas	 daninhas	 aos	 herbicidas	 foi	
encontrado	na	espécie	Senecio vulgaris (Asteraceae).	Essa	planta	daninha	mostrou	
resistência	após	a	aplicação	de	atrazina	e	simazina	uma	ou	duas	vezes	ao	ano,	
durante	 dez	 anos,	 nos	 Estados	Unidos.	Nos	 anos	 seguintes,	 começaram	 a	 ser	
identificadas	centenas	de	espécies	resistentes	a	aplicação	de	herbicidas	da	classe	
das	triazinas	(ZIMDAHL,	2018).	
Atualmente,	existem	mais	de	512	biotipos	de	plantas	daninhas	resistentes	
entre	 cerca	 de	 262	 espécies	 de	 plantas,	 envolvendo	 167	 herbicidas	 diferentes	
(HEAP,	2020).	
 
TÓPICO 2 - RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
167
No	quadro	a	seguir,	encontramos	a	lista	de	espécies	daninhas	resistentes	
encontradas	no	Brasil.
Espécie Mecanismo de ação Herbicidas Cultivar
Ageratum 
conyzoides
Inibidor	ALS pyrithiobac-sodium,	
trifloxysulfuron-sodium
Algodão,	soja	
Amaranthus 
hybridus
Inibidor	ALS,	
inibidor	EPSP
chlorimuron-ethyl,	glyphosate Soja	
Amaranthus 
palmeri
Inibidor	EPSP,	
Inibidor	ALS
Glifosato,	imazethapyr,	
chlorimuron-ethyl,	cloransulam-
methyl
Algodão,	soja	e	
milho
Amaranthus 
retroflexus
Inibidor	ALS,	
Inibidor	do	FTII,	
Inibidor	Protox
atrazine,	prometryn,	
trifloxysulfuron-sodium,	
pyrithiobac-sodium,	
trifloxysulfuron-sodium,	fomesafen
Algodão,	soja
Amaranthus 
viridis
Inibidor	ALS,	
Inibidor	do	FTII,
atrazine,	prometryn,	
trifloxysulfuron-sodium
Algodão	
Bidens pilosa
Inibidor	ALS,	
inibidor	FTII
imazethapyr,	imazaquin,	
pyrithiobac-sodium,	chlorimuron-
ethyl,	nicosulfuron,	imazethapyr,	
atrazine
Soja,	milho
Bidens 
subalternans
Inibidor	ALS,	
inibidor	FTII
imazethapyr,	chlorimuron-
ethyl,	nicosulfuron,	atrazine,	
iodosulfuron-methyl-sodium,	
foramsulfuron
Soja	e	milho
Chloris elata Inibidor	EPSP Glifosato	 Soja	
Coniza 
sumatrensis
Inibidor	EPSP,	
Inibidor	ALS,	
Inibidor	FTI,	
inibidor	Protox,	
Inibidor	FTII,	
mimetizador	de	
auxina
Clomirumon-etílico,	glifosato,	
paraquat,	saflufenacil,	chlorimuron-
ethyl,	diuron,	paraquat,	glyphosate,	
2,4-D,	saflufenacil
Milho,	soja
Conyza 
bonariensis
Inibidor	EPSP glifosato Milho,	soja,	
trigo,	frutíferas
Conyza 
canadensis
Inibidor	EPSP glifosato Soja,	frutíferas
Cyperus 
difformis
Inibidor	ALS pyrazosulfuron-ethyl,	
cyclosulfamuron
Arroz
Cyperus iria
Inibidor	ALS imazethapyr,	bispyribac-sodium,	
pyrazosulfuron-ethyl,	imazapic,	
penoxsulam
Arroz
Digitaria 
cilliaris
Inibidor ACCase haloxyfop-methyl,	cyhalofop-butyl,	
fluazifop-P-butyl,	propaquizafop,	
fenoxaprop-P-ethyl,	sethoxydim
Soja
Digitaria 
insularis
Inibidor	EPSP Glifosato	 Milho,	soja
QUADRO 12 – PLANTAS DANINHAS RESISTENTES A HERBICIDAS NO BRASIL, O MECANISMO 
DE AÇÃO E ENVOLVIDO COM A RESISTÊNCIA E OS HERBICIDAS DE CADA GRUPO
168
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
Digitaria 
insularis
Inibidor ACCase haloxyfop-P-methyl,	fenoxaprop-P-
ethyl
Soja	
Echinochloa 
crus-galli var. 
galli
Mimetizador	de	
auxinas,	Inibidor	
ALS,	Inibidor	de	
celulose
Quinclorac,	imazethapyr,	
bispyribac-sodium,	quinclorac,	
penoxsulam,	cyhalofop-butyl,	
quinclorac,	penoxsulam
Arroz
Echinochloa 
crus-pavonis
Mimetizador	de	
auxina
quinclorac Arroz
Echium 
plantagineum
Inibidor	ALS metsulfuron-methyl Algodão,	soja
Eleusine 
indica
Inibidor	ACCase,	
Inibidor	EPSP
cyhalofop-butyl,	fenoxaprop-P-
ethyl,	sethoxydim,	haloxyfop-
methyl,	glifosato
Soja,	algodão,	
milho	e	trigo
Euphorbia 
heterophylla
Inibidor	ALS imazethapyr,	metsulfuron-
methyl,	nicosulfuron,	diclosulam,	
flumetsulam,	cloransulam-
methyl,	fomesafen,	lactofen,	
acifluorfen-sodium,	flumiclorac-
pentyl,	saflufenacil,	imazaquin,	
chlorimuron-ethyl,	cloransulam-
methyl,	imazamox
Milho	e	soja
Fimbristylis 
milliacea
Inibidor	ALS pyrazosulfuron-ethyl Arroz
Lolium 
perenne sub. 
multiflorum
Inibidor	EPSP,	
Inibidor	ALS,	
inibidor ACCase
Glifosato,	iodosulfuron-methyl-
sodium,	cletodim	
Soja,	trigo,	
milho
Oryza sativa 
var. sylvatica
Inibidor	ALS imazethapyr,	imazapic Arroz
Partheniumhysterophorus
Inibidor	ALS imazethapyr,	chlorimuron-ethyl,	
cloransulam-methyl,	iodosulfuron-
methyl-sodium,	foramsulfuron
Soja
Raphanus 
raphanistrum
Inibidor	ALS imazapyr,	chlorimuron-ethyl,	
metsulfuron-methyl,	sulfometuron-
methyl,	cloransulam-methyl,	
iodosulfuron-methyl-sodium,	imazapic
Trigo	e	cevada
Raphanus 
sativus
Inibidor	ALS imazethapyr,	chlorimuron-ethyl,	
metsulfuron-methyl,	nicosulfuron,	
cloransulam-methyl
Trigo
Saggittaria 
montevidensis
Inibidor	ALS,	
Inibidor	PSII	
(nitrilas)
bispyribac-sodium,	pyrazosulfuron-
ethyl,	metsulfuron-methyl,	
ethoxysulfuron,	cyclosulfamuron,	
imazethapyr,	bispyribac-sodium,	
pyrazosulfuron-ethyl,	metsulfuron-
methyl,	ethoxysulfuron,	bentazon,	
penoxsulam
Arroz	
Urochloa 
plantaginea
Inibidor ACCase haloxyfop-methyl,	diclofop-methyl,	
fluazifop-P-butyl,	propaquizafop,	
quizalofop-P-ethyl,	fenoxaprop-P-
ethyl,	sethoxydim,	butroxydim
Soja
FONTE: Adaptado de Heap (2020a; 2020b; 2020c; 2020d; 2020e)
TÓPICO 2 - RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
169
Aqui,	encontramos	algumas	das	características	da	resistência	de	plantas	
daninhas	aos	herbicidas	(COBB;	READE,	2010;	MONACO;	WELLER;	ASHTON,	
2002):
•	 É	 hereditário,	 está	 presente	 no	 genoma	 da	 planta.	 Portanto,	 uma	 parte	 da	
próxima	 geração	 será	 resistente	 ou	 herdará	 à	 característica	 que	 confere	 à	
resistência.	
•	 Ela	não	é	causada	pelo	herbicida,	ele	apenas	age	selecionando	os	indivíduos	
resistentes	em	uma	população.	
•	 As	plantas	resistentes	ao	herbicida	podem	apresentar	sintomas	de	toxicidade,	
mas	são	capazes	de	sobreviver	e	completar	seu	ciclo	de	vida.
•	 Resistência	pode	se	desenvolver	após	aplicações	sucessivas	de	um	herbicida	ao	
longo	de	três	a	cinco	anos,	pelo	menos.
•	 Uso	de	somente	um	herbicida,	com	modo	de	ação	específico	ajuda	a	seleção	de	
plantas resistentes a ele na área aplicada.
•	 Herbicidas	com	longa	durabilidade	no	solo	aumentam	a	pressão	de	seleção	de	
indivíduos	resistentes.	
•	 O	tamanho	da	população	da	espécie	daninha	pode	contribuir	para	a	existência	
de	fenótipos	mais	resistentes	aos	herbicidas.	
•	 Não	seguir	as	instruções	de	aplicação	de	um	herbicida	para	determina	cultura	
é	responsável	por	aumentar	os	riscos	de	aparecer	plantas	resistentes.
•	 Plantas	 daninhas	 resistentes	 não	 são	 super	 plantas	 daninhas,	 em	 geral	 não	
possuem	uma	boa	dinâmica	ecológica.
 
A	aplicação	de	herbicidas	em	uma	área	visa	matar	uma	população	sensível	
ao	composto	químico.	Quando	algumas	plantas	sobrevivem	à	aplicação,	ela	pode	
se	 reproduzir	 e	 iniciar	 o	 surgimento	 de	 um	 biótipo	 resistente.	 Um	 herbicida,	
portanto,	causa	uma	pressão de seleção	na	área	em	que	é	aplicado.	A	intensidade	
da	 pressão	 de	 seleção	 dependerá	 do	 tipo	 de	 herbicida,	 sua	 formulação,	 a	
quantidade	 e	 frequência	 de	 aplicação	 e	 as	 características	 biológicas	 da	 planta	
daninha	(PALOU	et al.,	2008).	
Acadêmico,	um	herbicida	que	é	aplicado	esporadicamente	ou	é	alternado	
com	outros	métodos	de	controle	de	plantas	daninhas,	como	os	vistos	na	Unidade	
2,	 dificilmente	 causarão	 pressão	 de	 seleção	 sobre	 as	 espécies	 daninhas.	Além	
disso,	um	herbicida	pode	ter	um	nível	alto	ou	baixo	de	pressão	de	seleção,	que	
depende	do	tempo	de	aplicações	sucessivas	de	um	herbicida	que	causa	riscos	de	
causar	resistência	em	plantas	daninhas.	
A	tabela	a	seguir	ilustra	a	diferença	entre	os	herbicidas	de	acordo	com	o	
tempo	que	eles	levam	para	causar	resistência	em	plantas	daninhas:
170
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
Grupo Anos de aplicação Risco de resistência
Inibidores de ACCase 6-8 Alto
Inibidores	de	ALS 4 Alto
Inibidores	de	fotossistema	II 10-15 Médio
Inibidores	de	fotossistema	I 10-15 Médio
Inibidores de carotenoides 10 Médio
Inibidores de parede celular > 15 Baixo
Disruptores	de	membrana 15 Baixo
QUADRO 13 – TEMPO DE APLICAÇÃO DE HERBICIDAS QUE PODE LEVAR AO DESENVOLVI-
MENTO DE RESISTÊNCIA EM PLANTAS DANINHAS
FONTE: Adaptado de Storrie (2006)
Acadêmico,	 existem	 dois	 principais	 mecanismos	 que	 levam	 ao	
aparecimento	da	resistência	em	plantas	daninhas:	modificação	do	sítio-alvo	do	
herbicida	e	alteração	do	metabolismo	do	herbicida	pela	planta.		
A alteração do sítio-alvo	de	um	herbicida	é	o	mecanismo	mais	comum.	
Quando	 a	 planta	 modifica	 a	 estrutura	 do	 sítio-alvo,	 geralmente	 ela	 se	 torna	
resistente	a	todos	os	herbicidas	que	atuam	naquele	local	de	ação	(mesmas	classes	
químicas	ou	mesmo	mecanismo	de	 ação).	A	modificação	na	molécula	de	uma	
enzima,	por	exemplo,	impedirá	que	o	herbicida	se	ligue	a	ela,	inativando-a.	Essa	
modificação	envolve	a	alteração	do	gene	que	produz	essa	enzima,	que	pode	ser	
transmitido	para	as	gerações	seguintes	dessa	planta,	criando	um	biótipo	resistente.	
Quando	 uma	 planta	 desenvolve	 resistência	 para	 dois	 ou	 mais	 herbicidas	 do	
mesmo	grupo	de	ação,	chamamos	de	resistência cruzada	(MONACO;	WELLER;	
ASHTON,	2002).		
 
A	 planta	 daninha	 também	 pode	 aumentar	 a	 expressão	 do	 gene	 da	
molécula-alvo,	gerando	um	número	maior	de	moléculas,	o	que	diminuirá	o	efeito	
do	herbicida	que	atua	naquela	molécula	específica.	Como	a	planta	produz	mais	
moléculas,	o	herbicida	não	irá	inativar	todas	elas,	permitindo	que	a	planta	daninha	
sobreviva	após	a	sua	aplicação,	mesmo	que	sofra	injúrias	(COBB;	READE,	2010).		
 
A alteração do metabolismo da planta está relacionada com a capacidade 
da	planta	em	absorver,	degradar,	conjugar	e	sequestrar	as	moléculas	do	herbicida.	
Plantas	resistentes	conseguem	metabolizar	rapidamente	o	herbicida,	diminuindo	
ou	inibindo	seus	efeitos.	A	planta	daninha	pode	desenvolver	resistência	para	vários	
herbicidas	diferentes,	já	que	o	metabolismo	não	está	ligado	necessariamente	a	um	
mecanismo	de	ação	de	um	herbicida.	Uma	das	grandes	preocupações	atuais	é	o	
surgimento	de	plantas	daninhas	com	múltipla resistência,	que	não	respondem	a	
aplicação	da	maioria	dos	herbicidas	existentes	(MONACO;	WELLER;	ASHTON,	
2002).	Plantas	com	múltipla	resistência	possuem	alterações	no	metabolismo	dos	
herbicidas	de	diferentes	grupos	e	também	podem	possuir	alterações	da	molécula-
alvo	de	um	grupo	de	herbicida.	
TÓPICO 2 - RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
171
As	principais	enzimas	envolvidas	no	metabolismo	de	compostos	tóxicos	
nas	 plantas	 são	 a	 citocromo	 p450	 e	 glutationa	 S-transferase	 (GST).	Ambas	 as	
enzimas	estão	relacionadas	ao	processo	de	tolerância	de	plantas	cultivadas	e	de	
resistência	de	alguns	biotipos	de	plantas	daninhas	aos	herbicidas.	
2.1 TIPOS DE RESISTÊNCIA
A	resistência	aos	herbicidas	pelas	plantas	daninhas	envolve	modificação	
ou	superprodução	do	sítio-alvo	da	molécula	herbicida;	diminuição	da	absorção	
do	composto	pela	planta	ou	aumento	da	metabolização	e	compartimentalização	
do composto pela planta. 
 
Os	 tipos	de	 resistência	estão	 relacionados	aos	mecanismos	de	ação	dos	
herbicidas,	que	você	estudou	no	tópico	anterior.	Para	alguns	desses	mecanismos	já	
existem	resistência	comprovada	de	plantas	daninhas:	Inibidores	do	fotossistema	
II	e	do	fotossistema	I;	inibidores	Protox,	inibidores	da	biossíntese	de	carotenoides,	
inibidores	da	biossíntese	de	aminoácidos,	inibidores	mitóticos,	e	mimetizadores	
de	auxina.	
2.1.1 Inibidores da fotossíntese
 
Com	 relação	 aos	 herbicidas	 que	 atuam	 no	 fotossistema	 I,	 poucas	
informações	 são	 encontradas	 em	 relação	 aos	 mecanismos	 de	 resistência.	
Aparentemente,	 a	 resistência	das	plantas	daninhas	 está	 ligada	 ao	 aumento	do	
metabolismo	e	sequestramento	do	herbicida.	As	espécies	resistentes,	como	Lolium 
perenne (azevém)	 e	Conyza bonariensis (buva)	 aumentam	 os	 níveis	 e	 atividade	
das	enzimas	que	detoxificam	espécies	reativas	de	oxigênio,	como	a	superóxido	
dismutase,	 ascorbato	 redutase	 e	 glutationa	 redutase	 (COBB;	 READE,	 2010).	
Atualmente,	existem	32	espécies	resistentes	aos	herbicidas	dessa	classe	no	mundo,	
somente	uma	no	Brasil,	a	Conyza sumatrensis	(HEAP,	2020).
 
A	resistência	aos	herbicidas	queatuam	no	fotossistema	II	é	mais	comum	
que	no	fotossistema	I.	Várias	espécies	daninhas	possuem	resistência	aos	herbicidas	
da	classe	das	triazinas,	principalmente	a	atrazina	e	simazina	(HEAP,	2020).	Essa	
resistência	 foi	 atribuída	 ao	 uso	 persistente	 e	 prolongado	 desses	 herbicidas	 ao	
longo	dos	anos	em	sistemas	de	monocultura	(INOUE;	OLIVEIRA	JR.,	2011).	
Das	outras	 classes	químicas	do	grupo	de	 inibidores	do	 fotossistema	 II,	
existem	29	espécies	daninhas	resistentes	a	ureias	modificadas	e	amidas	e	quatro	
espécies	resistentes	às	nitrilas	(HEAP,	2020).		
No	 quadro	 a	 seguir,	 encontramos	 algumas	 espécies	 daninhas	 com	
mecanismos	de	resistência	 já	confirmados	em	relação	aos	herbicidas	inibidores	
do	fotossistema	II.	
172
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
Espécie Mecanismo de resistência
Abutilon theophrasti Detoxificação
Alopecurus myosuroides Detoxificação
Amaranthus tuberculatus Detoxificação
Amaranthus retroflexus Detoxificação
Amaranthus hybridus Alteração	da	molécula-alvo
Amaranthus powellii Detoxificação
Bromus tectorum Detoxificação
Brassica napus Alteração	da	molécula-alvo
Chenopodium álbum Detoxificação/Alteração	da	molécula-alvo
Echinochloa crus-galli Redução	da	absorção,	translocação/detoxificação
Kochia scoparia Alteração	da	molécula-alvo
Lolium rigidum Detoxificação
Poa annua Alteração	da	molécula-alvo
Portulaca oleracea Alteração	da	molécula-alvo
Solanum nigrum Alteração	da	molécula-alvo
Senecio vulgaris Alteração	da	molécula-alvo
QUADRO 14 – MECANISMOS DE RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS INIBI-
DORES DO FOTOSSISTEMA II
FONTE: Adaptado de Vrbnicanin, Pavlovic e Bozic (2017)
2.1.2 Inibidores da biossíntese de aminoácidos 
Com	 relação	 à	 enzima	 acetolactato	 sintase	 (ALS),	 alvo	 dos	 herbicidas	
inibidores	 de	 aminoácidos,	 ocorreram	 mutações	 na	 estrutura	 da	 molécula,	
conferindo	 a	 resistência.	 Também	 ocorreu,	 em	 alguns	 casos,	 aumento	 do	
metabolismo	do	herbicida	por	parte	das	plantas	resistentes.	O	exemplo	de	alguns	
desses	casos	você	encontra	no	quadro	a	seguir.	
 
Nesse	 grupo	 temos	 diversas	 plantas	 daninhas	 resistentes	 espalhadas	
por	 todos	 os	 continentes.	 Foram	 relatadas	 165	 espécies	 daninhas	 resistentes	 a	
herbicidas	inibidores	da	ALS,	sendo	os	primeiros	registros	para	a	Lolium rigidum, 
na	Austrália	(1982),	Lolium rigidum, na	Austrália	(1982),	em	plantações	de	trigo	e	
cevada e	a	espécie	Aloperucus myosuroides no	Reino	Unido	(1984),	em	plantações	
de	 trigo.	No	Brasil,	 o	 primeiro	 relato	 foi	 em	1993,	 para	 a	 espécie	Bidens pilosa 
(picão-preto)	 e	Euphorbia heterophylla	 (amendoim-bravo),	 ambas	 na	 cultura	 da	
soja.	 Além	 dessas	 duas	 espécies,	 encontramos	 mais	 18	 espécies	 resistentes	 a	
diversos	herbicidas	inibidores	de	ALS	no	Brasil	(HEAP,	2020).	
TÓPICO 2 - RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
173
Espécie Mecanismo de resistência
Ambrosia trifida Modificação	da	enzima;	detoxificação	e	redução	da	
translocação
Alopecurus aequalis Modificação	da	enzima
Alopecurus myosuroides Modificação	da	enzima
Anthemis cotula Modificação	da	enzima
Apera spica-venti Modificação	da	enzima
Avenua fatua Modificação	da	enzima
Bromus tectorum Modificação	da	enzima
Capsella Bursa-pastoris Modificação	da	enzima
Camelina microcarpa Modificação	da	enzima
Conyza canadensis Modificação	da	enzima
Echinochloa crus-galli Modificação	da	enzima;	detoxificação	
Lolium rigidum Modificação	da	enzima;	detoxificação
Setaria viridis Modificação	da	enzima;	Alteração	da	atividade	
enzimática
Sorghum bicolor Alteração	da	atividade	enzimática	
Stellaria media Modificação	da	enzima;	Alteração	da	atividade	
enzimática
Xanthium strumarium Modificação	da	enzima;	Alteração	da	atividade	
enzimática
QUADRO 14 – MECANISMOS DE RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS INIBI-
DORES DO FOTOSSISTEMA II
FONTE: Adaptado de Vrbnicanin, Pavlovic e Bozic (2017)
Com	relação	ao	glifosato,	um	dos	mais	utilizados	em	todo	o	mundo,	as	
plantas	resistentes	modificaram	o	seu	sítio	de	ação,	a	enzima	EPSP	sintase,	ou	
aumentaram	a	produção	da	enzima.	Também	algumas	espécies	desenvolveram	
capacidade	de	sequestramento	da	molécula	ou	limitação	absorção	do	composto	
pelas	células.	Temos	49	espécies	 resistentes	aos	herbicidas	 inibidores	da	EPSP,	
principalmente	ao	glifosato.	No	Brasil,	a	resistência	ao	glifosato	foi	identificada	
em	 2003	 na	 espécie	 Lolium perenne ssp. multiflorum	 (azevém	 anual),	Echinocloa 
sp.	 (capim-arroz)	 na	 cultura	 da	 soja.	Além	do	 capim-arroz,	mais	 oito	 espécies	
daninhas	desenvolveram	resistência	ao	glifosato	(HEAP,	2020).	
 
Como	 o	 glifosato	 é	 utilizado	 amplamente	 em	 culturas	 transgênicas	
resistentes	 a	 ele,	 pode-se	 presumir	 um	 aumento	 nos	 casos	 de	 resistências	 de	
plantas	daninhas	durante	os	próximos	anos	(INOUE;	OLIVEIRA	JR.,	2011).	
 
A	resistência	aos	herbicidas	inibidores	da	glutamina	sintase	foi	observado	
em	quatro	espécies	daninhas,	relacionados	ao	herbicida	glufosinato-amônio	e	ao	
paraquat	(HEAP,	2020).	
174
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
2.1.3 Mimetizadores de auxinas
Plantas	 resistentes	 aos	 herbicidas	 desse	 grupo	 possuem	 alterações	 nos	
receptores	 de	 auxina	 nas	 células,	 inibindo	 seus	 efeitos	 na	 planta	 nas	 doses	
recomendadas	 de	 aplicação	 dos	 herbicidas.	 Elas	 desenvolveram	 tolerância	 as	
doses	utilizadas,	comparado	com	as	plantas	da	mesma	espécie	que	são	susceptíveis	
(COOB;	READE,	2010).	
Atualmente,	existem	41	espécies	daninhas	resistentes	a	herbicidas	desse	
grupo,	sendo	somente	três	casos	no	Brasil:	Conyza sumatrensis,	Echinochloa crus-
galli var. galli e Echinochloa crus-pavonis	(HEAP,	2020).	
2.1.4 Inibidores da biossíntese de celulose
 
Nesse	caso,	algumas	plantas	possuem	modificações	nos	genes	da	celulose	
sintase,	 a	 enzima	 envolvida	 na	 biossíntese	 de	 celulose.	 Apenas	 três	 espécies	
daninhas	 desenvolveram	 resistência	 desse	 tipo:	 Echinochloa colona,	 Echinochloa 
crus-galli	var.	galli e Echinochloa erecta	(COBB;	READE,	2010;	HEAP,	2020).	
2.1.5 Inibidores mitóticos 
Dentro	do	grupo	de	inibidores	da	divisão	celular,	encontramos	12	espécies	
daninhas	resistentes	aos	herbicidas	inibidores	de	microtúbulos.	O	primeiro	caso	
foi	observado	foi	em	Eleusine indica,	uma	espécie	daninha	de	culturas	de	algodão	
nos	Estados	Unidos,	resistente	ao	herbicida	trifluralina.	Outras	espécies	daninhas,	
como a Avena sterilis,	A. fatua e A. sterelis	possuem	mecanismo	de	resistência	a	
alguns	herbicidas	que	causam	inibição	da	mitose	(HEAP,	2020).	
2.1.6 Inibidores Protox
 
O	primeiro	caso	de	plantas	daninhas	resistentes	foi	detectado	em	2001	na	
espécie	Amaranthus tuberculatus,	em	plantações	de	soja	nos	Estados	Unidos.	No	
mundo,	encontramos	13	espécies	daninhas	resistentes	e	no	Brasil	temos	a	Conyza 
sumatrensis	 (buva),	resistente	ao	saflufenacil,	Euphorbia heterophylla	 (amendoim-
bravo),	 identificado	 em	 culturas	 de	 milho	 e	 soja,	 para	 diversos	 herbicidas	 e	
Amaranthus retroflexus	(caruru	gigante),	resistente	ao	fomesafen,	em	culturas	de	
algodão	e	soja	(HEAP,	2020).	
TÓPICO 2 - RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
175
2.1.7 Inibidores da síntese de carotenoides 
 
Dentro	 desse	 grupo,	 Amaranthus palmeri e Amaranthus tuberculatus 
apresentam	 resistência	 associada	 a	 modificações	 no	 sítio-alvo	 dos	 herbicidas,	
a	 enzima	 hidrozifenil	 piruvato	 dioxigenase	 (HPPD).	Outras	 espécies	 possuem	
resistência	 associada	 aos	 herbicidas	 inibidores	 da	 biossíntese	 de	 carotenoides	
(amitrol),	 mas	 não	 se	 sabe	 exatamente	 seu	mecanismo	 de	 resistência	 (HEAP,	
2020).	No	Brasil,	temos	o	relato	da	resistência	da	Euphorbia heterophylla ao herbicida 
tembotrione,	um	inibidor	da	HPPD	(SILVA	et al.,	2006).	
2.1.8 Inibidores da biossíntese de lipídeos
 
As	plantas	resistentes	aos	herbicidas	inibidores	da	ACCase	desenvolveram	
mutações	na	enzima-alvo	do	herbicida,	aacetil-CoA	carboxilase.	As	modificações	
na	estrutura	da	enzima	inibem	a	ação	dos	herbicidas	sobre	a	molécula	(COBB;	
READE,	 2010).	 	Existem	49	 espécies	 identificadas	 resistentes	 aos	 inibidores	da	
ACCase,	sendo	as	primeiras	espécies	daninhas	relatadas,	Alopecurus myosuroides,	
no	Reino	Unido	e	Lolium rigidum	na	Austrália,	ambos	em	1982.	No	Brasil,	temos	
a Avena fatua, Digitaria ciliaris, Digitaria insularis,	Echinochloa crus-galli var. galli, 
Eleusine indica, Lolium perenne ssp. multiflorum e Uruchloa plantaginea (HEAP,	2020).
Com	 relação	 aos	 mecanismos	 de	 ação	 não	 relacionados	 à	 ACCase,	
encontramos	dez	espécies	de	plantas	daninhas	resistentes	aos	herbicidas	inibidores	
da	biossíntese	de	ácidos	graxos,	como	os	benzofuranos	e	os	tiocarbamatos	(HEAP,	
2020).	
3 MANEJO DE PLANTAS DANINHAS RESISTENTES
Acadêmico,	a	seguir,	aprenderemos	como	evitar	o	surgimento	de	plantas	
daninhas	 resistentes	 e	 quais	 as	 formas	de	manejo	 de	 áreas	 em	que	 já	 existem	
plantas	daninhas	resistentes.	Nos	últimos	anos,	o	número	de	espécies	daninhas	
resistentes	a	herbicidas	aumentou	consideravelmente,	devendo	ser	um	foco	de	
atenção	durante	a	aplicação	de	herbicidas	e	manejo	das	culturas	ao	decorrer	dos	
anos. 
 
O	 melhor	 método	 de	 manejo	 da	 resistência	 de	 plantas	 daninhas	 aos	
herbicidas	 é	 a	 prevenção, utilizando	 estratégias	 que	 reduzirão	 os	 problemas	
relacionados	a	pressão	de	seleção	de	plantas	resistentes.	Além	disso,	a	detecção	
da	possibilidade	de	ocorrer	resistência	a	herbicidas	é	feita	com	a	inspeção	regular	
das	áreas	cultivadas	tratadas	com	herbicidas.	
176
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
3.1 PREVENÇÃO
 
A	 prevenção	 envolve	 a	 utilização	 de	 medidas	 que	 reduzem	 o	 banco	
de	 sementes	 de	 daninhas	 no	 solo,	 a	 invasão	 de	 novas	 espécies	 daninhas,	 a	
disseminação	das	plantas	daninhas	já	existentes	no	local	e	a	detecção	prévia	das	
possíveis	infestações.	
Com	relação	às	plantas	daninhas	resistentes,	prevenir	significa	avaliar	os	
fatores	de	risco	que	contribuem	para	o	desenvolvimento	de	resistência	na	área	
de	cultivo,	 incluindo	a	identificação	das	espécies	daninhas	do	local.	Também	é	
necessário	 o	monitoramento	 constante	 da	 área	de	 cultivo	 e	 o	 cuidado	 com	os	
equipamentos	e	máquinas	e	a	água	de	irrigação,	para	evitar	a	disseminação	de	
sementes	 de	 biótipos	 resistentes.	 Outro	 fator	 importante	 é	 a	 transferência	 da	
resistência	através	do	pólen	do	biótipo	resistente,	que	pode	ser	transferido	para	
outras	 áreas	 cultivadas	 ou	não,	devendo-se	 evitar	 que	 essas	plantas	floresçam	
(POWLES	et al.,	1997).
 
Por	fim,	a	prevenção	de	plantas	daninhas	resistentes	envolve	a	integração	
dos	métodos	químicos	com	os	outros	métodos	de	controle	de	plantas	daninhas,	
como	uma	estratégia	duradoura.		
3.2 CONTROLE QUÍMICO 
 
O	uso	correto	dos	herbicidas	é	a	principal	maneira	de	prevenção	e	manejo	
da	 resistência	 de	 plantas	 daninhas.	Mesmo	 havendo	 centenas	 de	 formulações	
herbicidas	 disponíveis	 no	mercado,	 com	 diferentes	 ingredientes	 ativos	 dentro	
de	diversos	mecanismos	de	ação,	existem	poucas	opções	quando	pensamos	no	
controle	de	espécies	daninhas	específicas	em	cultivares	específicos	(PALOU	et al.,	
2008).
 
Por	 isso,	 quando	 ocorre	 o	 aparecimento	 de	 uma	 espécie	 resistente,	 a	
capacidade	de	alternar	ou	mudar	o	herbicida	utilizado	 se	 torna	bem	 limitada.	
Trocar	um	herbicida	por	outro	do	mesmo	grupo	ou	mudar	a	época	de	aplicar	
o	 herbicida	 na	 espécie	 daninha	 são	 mudanças	 que	 nem	 sempre	 terão	 efeitos	
positivos	no	manejo	da	resistência	(PALOU	et al.,	2008).
 
A	aplicação	de	misturas	de	herbicidas	ou	a	rotação	dos	herbicidas	durante	o	
desenvolvimento	da	cultura	são	opções	para	evitar	e	manejar	espécies	resistentes.	
Em	geral,	a	mistura	de	herbicidas	tem	sido	mais	promissora	do	que	a	rotação	de	
herbicidas,	mas	se	torna	uma	ferramenta	mais	custosa	para	o	agricultor,	já	que	a	
mistura	deve	ser	específica	para	a	planta	daninha	alvo.	
 
TÓPICO 2 - RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
177
Para	 que	 isso	 funcione,	 deve-se	 entender	 os	 herbicidas	 de	 acordo	 com	
seu	modo	de	ação,	para	que	a	mistura	ou	rotação	utilize	herbicidas	que	atuem	
nas	 mesmas	 espécies	 daninhas,	 tenham	 durabilidade	 similar,	 mas	 possuam	
diferentes	sítios	alvo	de	ação	e	sejam	metabolizados	de	maneira	diferente	pela	
planta	daninha	(POWLES	et al.,	1997).	
 
Culturas	transgênicas	resistentes	a	herbicidas	são	outra	ferramenta	para	o	
combate	de	plantas	daninhas	resistentes.	Uma	planta	transgênica	resistente	a	um	
herbicida	ou	grupo	químico	específico	permite	que	o	agricultor	use	herbicidas	
com	mais	modos	de	ação	nessa	cultura	específica	que	não	poderia	usar	na	espécie	
não	transgênica.	Isso	facilita	o	uso	de	misturas	de	vários	herbicidas	e	aumenta	as	
chances	de	eliminar	todas	as	espécies	daninhas	do	local	(HEAP,	2020).	
 
Apesar	 de	 parecer	 uma	 solução	 prática,	 o	 uso	 de	 plantas	 transgênicas	
resistentes	 ainda	 pode	 levar	 ao	 surgimento	 de	 novas	 espécies	 daninhas	
resistentes.	Da	mesma	 forma	que	nos	outros	 casos,	 aqui	pode	ocorrer	pressão	
de	seleção	nas	plantas	daninhas,	principalmente	se	o	uso	dos	herbicidas	for	feito	
sem	precauções	e	cuidados.	O	segundo	problema	é	a	transferência	dos	genes	de	
resistência	da	planta	cultivada	para	espécies	daninhas	similares	aquela	cultura	
(POWLES,	1997).	
 
3.3 CONTROLE NÃO QUÍMICO
 
A	rotação	de	culturas	é	uma	prática	que	pode	ser	eficaz	no	controle	de	
espécies	daninhas	resistentes,	principalmente	se	integrado	ao	controle	químico.	
Alternar	a	espécie	cultivada,	unindo	aragem	e	controle	químico,	podem	eliminar	
o	desenvolvimento	de	plantas	daninhas	resistentes.	Mesmo	que	surjam	espécies	
daninhas	após	a	implementação	da	técnica,	dificilmente	serão	espécies	resistentes.	
 
Podemos	 dividir	 a	 rotação	 de	 culturas	 em:	 rotação	 temporal	 (espécies	
diferentes	 em	 períodos	 diferentes),	 rotação	 de	 ciclo	 (alternar	 espécies	 anuais	
com	bianuais	ou	perenes),	rotação	espacial	(duas	ou	mais	espécies	diferentes	nas	
linhas	ou	entrelinhas)	(PALOU	et al.,	2008).
No	 quadro	 a	 seguir,	 podemos	 analisar	 como	 as	 práticas	 agronômicas	
podem	 atuar	 modificando	 o	 risco	 de	 surgimento	 de	 resistência	 em	 plantas	
daninhas.
178
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
Fatores Baixo Risco Alto Risco
Plantas	cultivadas Rotação	completa Monocultura
Nível	de	infestação Baixo	 Alto
Tipo de controle Somente	mecânico Somente	com	herbicidas
Classe do herbicida aplicado na 
rotação
Com	diferentes	modos	
de	ação
Com	um	único	modo	de	
ação
Efetividade	do	herbicida	a	longo	
prazo
Bom	 Com	declínio	durante	os	
anos	de	aplicação
Presença	de	plantas	resistentes	
na área
Não	 Sim	
QUADRO 16 – FATORES DE RISCO NO DESENVOLVIMENTO DE RESISTÊNCIA EM PLANTAS 
DANINHAS DE ACORDO COM AS PRÁTICAS AGRÍCOLAS
FONTE: Adaptado de Palou et al. (2008)
O	 consórcio	 de	 culturas	 é	 uma	 estratégia	 para	 reduzir	 ou	 não	 aplicar	
herbicidas	 em	 uma	 área	 com	 plantas	 daninhas	 resistentes,	 a	 fim	 de	 poder	
controlar	seu	crescimento	e	disseminação	com	outros	métodos	de	manejo	naquela	
área	específica.	Isso	favorece	a	competitividade	das	plantas	cultivadas,	levando	à	
redução	das	populações	daninhas	resistentes,	facilitando	seu	manejo.	
O manejo e prevenção de plantas daninhas resistentes podem seguir esse 
caminho:
1- Monitorar a área de cultivo regularmente e avaliar as espécies de risco ou resistentes.
2- Integração de métodos químicos e não químicos.
3- Rotação de cultura com diferentes ciclos.
4- Seleção de variedades mais competitivas.
5- Capina/Roçada para eliminar as plantas daninhas que ainda prevalecerem.
NOTA
O	uso	de	métodos	físicos	pode	ser	útil	para	eliminar	pequenas	populações	
de	plantas	resistentes,	tanto	no	início	do	problema	quanto	como	alternativa	final	
do	manejo	integrado.	O	controle	térmico	é	eficaz	também	no	controlede	espécies	
daninhas	 já	 identificadas	 como	 resistentes	 aos	 herbicidas,	 como	 Chenopodium 
album, Urtica urens, Poa annua, Stellaria media, Senecio vulgaris, Echinochloa crus-
galli, Amaranthus retroflexus e Abutilon theophrasti	(ASCARD,	1995).	
Métodos	mecânicos	 também	 contribuem	 como	 integração	 aos	métodos	
químicos	 para	 diminuir	 as	 populações	 daninhas	 e	 inibir	 sua	 reprodução	 e	
propagação	na	área.	O	uso	de	maquinaria	permite	maior	precisão	no	controle	das	
espécies	daninhas	e	diminui	a	pressão	de	seleção	causada	pelos	herbicidas.
 
TÓPICO 2 - RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
179
Acadêmico,	todos	os	métodos	de	controle	não	químico	que	você	estudou	
na	Unidade	2	podem	ser	integrados	ao	controle	químico	no	manejo	de	plantas	
daninhas	resistentes.	A	escolha	do	método	deve	levar	em	conta	a	área	de	cultivo,	
as	condições	do	solo	e	do	clima,	as	espécies	cultivadas	envolvidas,	as	espécies	
daninhas-alvo	 do	 controle	 e	 as	 vantagens	 e	 desvantagens	 econômicas	 desse	
manejo.	
 
Nesse	sentido,	o	manejo integrado de plantas daninhas	é	o	caminho	mais	
eficaz	para	controle	de	espécies	daninhas	e	deve	ser:
•	 Flexível,	de	acordo	com	a	cultura	e	época	de	aplicação.
•	 Baseada	na	biologia	das	espécies	daninhas-alvo.
•	 Adaptada	às	condições	climáticas,	do	solo	e	da	história	da	área	cultivada.
•	 Ligada	às	condições	econômicas	da	propriedade	a	longo	prazo.
•	 Relativamente	barata	em	curto	prazo.
No	quadro	a	seguir,	encontramos	três	exemplos	de	como	manejar	plantas	
daninhas	resistentes	de	forma	integrada.
Lolium rigidum Papaver rhoeas Amaranthus retroflexus
Tipo de 
Resistência
Inibidores	ACCase,	ALS	
e	disruptores	mitóticos
Mimetizador	de	
auxina	(2,4-D),	
inibidores	ALS
Inibidores	do	FTII,	
Inibidores	ALS
Cultivar	
afetado Cereais Cereais Milho
Controle	pré-
plantio
Controle	mecânico	+	
aplicação	de	herbicida
Controle	mecânico	+	
aplicação	de	herbicida
Controle	pós-
plantio
Corte	ou	roçada	antes	
do	florescimento Controle	mecânico Controle	mecânico
Herbicida	de	um	grupo	
que	seja	ativo	sobre	as	
plantas resistentes
Herbicida	de	um	
grupo	que	seja	ativo	
sobre as plantas 
resistentes
Herbicida	de	um	
grupo	que	seja	ativo	
sobre as plantas 
resistentes
Rotação	de	culturas Rotação	de	culturas Rotação	de	culturas
Controle	pós-
colheita
Pousio e controle 
mecânico
Pousio e controle 
mecânico
Eliminação	das	
plantas	florescendo
Aragem Aragem Vigilância	da	infestação
Limpeza	da	
colheitadeira
Uso	de	sementes	com	
alto	grau	de	pureza
Uso	de	sementes	com	
alto	grau	de	pureza
Vigilância	da	
infestação
Queima	do	restolho	das	
plantas
Vigilância	da	infestação
QUADRO 17 – POSSIBILIDADE DE MANEJO INTEGRADO EM TRÊS CASOS DE PLANTAS DANI-
NHAS RESISTENTES AOS HERBICIDAS
FONTE: Adaptado de Palou et al. (2008)
180
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
LEITURA COMPLEMENTAR
9 FATOS PRIMORDIAIS PARA O MANEJO DE PLANTAS DANINHAS 
RESISTENTES AO GLIFOSATO
Jessica	Scarpin
Nos	 últimos	 10	 anos,	 todos	 nós	 observamos	 o	 surgimento	 de	 ervas	
daninhas	resistentes	a	glifosato	e	a	diversos	herbicidas.
Estima-se	a	resistência	de	plantas	daninhas	no	Brasil	custa	impressionantes	
9	bilhões	de	reais.	Esse	número	mostra	a	importância	de	se	realizar	um	controle	
bem	feito	de	ervas	daninhas.
E	 com	 o	 surgimento	 da	 resistência,	 surgem	 também	 outras	 maneiras	
de	controle,	que	podem	ser	a	chave	para	uma	alta	produtividade.	Veja	a	seguir	
as	 principais	maneiras	 de	 como	manejar	 sua	 lavoura	 quando	 aparecem	 ervas	
daninhas	resistentes	a	glifosato.
Como surge uma planta resistente ao glifosato ou outros herbicidas
As	 ervas	 daninhas,	 evolutivamente,	 já	 apresentam	 uma	 variabilidade	
genética	natural.	Ou	seja,	dentro	de	uma	mesma	espécie	de	plantas	daninhas	há	
diferenças	genéticas	entre	cada	indivíduo.
Os	 herbicidas	 selecionam	 aqueles	 indivíduos	 que	 apresentam	 genes	
que	 resultam	em	 resistência.	 Portanto,	 aplicações	de	herbicidas	não	 criam	um	
indivíduo	 resistente,	 apenas	 selecionam.	 E	 essa	 seleção	 não	 é	 de	 um	dia	 para	
outro.
A	seleção	de	biótipos	resistentes	ocorre	através	da	aplicação	de	um	mesmo	
herbicida	 repetidas	 vezes	 na	 mesma	 área.	 Como,	 por	 exemplo,	 nas	 culturas	
transgênicas	 resistentes	 ao	 glifosato,	 onde	 muitos	 só	 aplicam	 esse	 herbicida	
durante	toda	a	cultura,	e	em	muitas	safras.
Sendo	 assim,	 este	 indivíduo	 selecionado	 morre	 após	 a	 aplicação	 do	
produto	 e	 produz	 sementes,	 ocupando	 mais	 facilmente	 a	 área	 que	 antes	 era	
ocupada,	em	sua	maioria,	por	plantas	suscetíveis.
Por	 isso,	 o	 uso	 massivo	 de	 somente	 um	 tipo	 de	 herbicida	 auxilia	 no	
desenvolvimento	da	resistência	na	sua	propriedade,	seja	em	lavouras	de	soja	ou	
qualquer	outra	cultura.		
TÓPICO 2 - RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
181
Podemos	dizer	que	uma	área	apresenta	 resistência,	quando	se	controla	
menos	de	80%	das	espécies,	apresentando	30%	de	plantas	sobreviventes.	Vamos	
ver	agora	as	principais	ervas	daninhas	resistentes	em	nosso	país,	para	você	ficar	
de	olho	nelas	na	sua	fazenda.	
Principais	ervas	daninhas	resistentes	ao	glifosato
No	Brasil,	foram	identificados	biótipos	resistentes	das	seguintes	espécies:
•	 Buva	(Conyza bonariensis, Conyza canadensis e Conyza sumatrensis)
•	 Azevém	(Lolium multiflorum)
•	 Capim-amargoso	(Digitaria insularis)
•	 Capim-branco	(Chloris elata)
•	 Capim-pé-de-galinha	(Eleusine indica)
•	 Caruru	palmeri	(Amaranthus palmeri)
Entender	 a	 biologia	 destas	 ervas	 daninhas	 é	 muito	 importante	 para	
manejá-las	e	saber	qual	ferramenta	é	a	mais	eficaz.	Por	exemplo,	a	buva	é	uma	
planta	fotoblástica	positiva,	o	que	significa	que	só	germina	na	presença	de	luz.	
Sendo	assim,	o	uso	de	palhada	no	solo,	pode	ser	uma	alternativa	efetiva	ao	uso	
de herbicidas.
O	caruru	palmeri	é	um	dos	maiores	problemas	da	cultura	do	algodoeiro	
nos	 EUA.	 Foi	 relatado	 sua	 presença	 no	 estado	 do	 Mato	 Grosso	 em	 2015.	 O	
problema	relacionado	à	esta	planta,	está	na	velocidade	do	crescimento,	atingindo	
2	a	3	centímetros	por	dia,	além	da	alta	produtividade	de	sementes.	A	suspeita	
é	de	que	as	sementes	tenham	vindo	 junto	com	máquinas	agrícolas	que	vieram	
importadas	dos	EUA,	portanto	já	contendo	os	genes	de	resistência.	Isso	mostra	a	
importância	do	bom	planejamento	agrícola	e	limpeza	de	máquinas.
Principais plantas daninhas resistentes importantes no Brasil resistentes a 
outros herbicidas
As	espécies	Bidens pilosa	(picão	preto)	e	Euphorbia heterophylla	(leiteiro	ou	
amendoim-bravo),	foram	as	primeiras	espécies	relatadas	com	casos	de	resistência	
no	Brasil,	em	1993.
Essas	espécies	apresentam	resistência	aos	herbicidas	inibidores	da	enzima	
ALS	(como	chlorimuron	ethyl,	halosulfuron,	nicosulfuron,	dentre	outros).	Existe	
uma	organização	internacional,	envolvendo	80	países,	responsável	por	discutir	
e	 gerar	 novas	 alternativas	 de	manejo.	 Esta	 organização	 se	 chama	 Internacional 
Survey of Herbicide Resistant Weeds.
Sempre	 que	um	novo	 caso	de	 resistência	 é	 comprovado,	 pesquisadores	 e	
especialistas	da	área	o	adicionam	no	site,	obtendo	um	banco	de	dados	a	nível	mundial.	
No	site	da	organização,	consta	que	no	Brasil	há	48	casos	de	resistência,	o	ano	em	que	
foi	descoberto	esses	biótipos	resistentes	e	a	quais	os	mecanismos	de	ação.
182
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
Você	pode	ver	que	muitos	apresentam	resistência	múltipla,	quando	são	
resistentes	a	mais	de	um	mecanismo	de	ação.	Por	exemplo,	buva	resistente	ao	
glifosato	e	a	inibidores	da	ALS.
O	 site	 está	 em	 inglês	mas	na	 listagem	aparecem	os	nomes	 científicos	 e	
os	 mecanismos	 de	 ações	 que	 você	 pode	 traduzir	 facilmente	 por	 aplicativos	
tradutores.	 Por	 existirem	 esses	 casos,	 você	 deve	 ficar	mais	 atento	 a	 variar	 na	
escolha	quais	herbicidas	você	deve	aplicar.
Além	do	site	ser	superinformativo,	a	observação	do	que	está	acontecendo	
no	Brasil	e	no	mundo	comcerteza	vai	te	ajudar	a	tomar	decisões	melhores	dentro	
da sua porteira.
Como controlar eficientemente as plantas daninhas resistentes ao glifosato
Para	realização	de	um	manejo	sustentável,	é	preciso	fazer	mais	que	apenas	
o	controle.	A	prevenção	é	importantíssima	para	evitar,	ao	máximo,	o	surgimento	
de	espécies	resistentes	na	sua	propriedade.	Dessa	forma,	é	necessário	reduzir	a	
pressão	de	seleção	na	população	por	meio	de	práticas	do	manejo	integrado	de	
plantas daninhas:
Você	pode	adotar	técnicas	culturais	e	mecânicas,	além	do	manejo	químico,	
para	atingir	alta	eficácia	no	controle	da	sua	área.	
Dentre	as	técnicas	culturais,	as	principais	para	o	manejo	de	invasoras	são:
•	 Diminuição	do	período	de	pousio	ou	fazer	cultura	de	cobertura	ao	invés	do	
pousio.
•	 Investimento	na	palhada	para	cobertura	do	solo.
•	 Uso	de	cultivares	adaptadas	a	menores	espaçamentos	na	entrelinha.
Manejo químico de plantas resistentes ao glifosato e outros herbicidas
A	seguir	citarei	alguns	produtos	e	práticas	que	podem	ser	utilizados	no	
seu	sistema	de	produção	para	o	manejo	de	ervas	daninhas	resistentes	ao	glifosato	
e	outros	herbicidas	no	Brasil.
A	primeira	 etapa	para	 um	bom	manejo	 de	 ervas	 daninhas	 é	 realizar	 a	
dessecação	 da	 sua	 área	 antes	 do	 plantio.	 Para	 esta	 etapa	 você	 pode	 utilizar	
o	glifosato	associado	com	outro	herbicida	para	controlar	as	plantas	tolerantes	e	
resistentes.
Pode-se	fazer	a	associação	de	herbicida	residual,	possibilitando	aplicações	
mais	espaçadas	no	tempo.	Para	controle	de	plantas	entouceiradas,	pode-se	utilizar	
produtos	como	paraquat,	diquat	ou	glufosinato	de	amônio,	que	são	herbicidas	de	
contato.
TÓPICO 2 - RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
183
Para	 o	 controle	 de	 gramíneas,	 são	 indicados	 os	 inibidores	 da	ACCase,	
como	haloxyfop-methyl,	clethodim,	fenoxaprop-p-ethyl	e	outros.	Caso	as	espécies	
de	gramíneas	sejam	resistentes	a	este	mecanismo,	o	uso	de	glifosato	e	glufosinato	
de	amônio	são	alternativas.
Já	 para	 ervas	 daninhas	 de	 folhas	 largas,	 o	 2,4D	 é	 um	 dos	 herbicidas	
mais	utilizados.	Se	atente	para	o	fato	de	que	cada	cultura	apresenta	um	nível	de	
tolerância	para	esses	herbicidas.	Por	isso,	a	consulta	de	engenheiro(a)	agrônomo(a)	
é	fundamental	para	a	correta	utilização	desses	produtos.
Falha no controle nem sempre significa ervas daninhas resistentes
Nem	sempre	o	escape	de	plantas	após	aplicação	de	herbicidas,	significa	
que	a	sua	área	está	infestada	com	ervas	daninhas	resistentes.	 	Assim,	é	preciso	
eliminar	diversas	outras	causas	antes	de	considerar	a	resistência,	como:
Tecnologia	de	aplicação	do	herbicida
1.	Dose	inadequada.
2.	Baixa	cobertura	do	alvo	ou	incorporação	insuficiente.
3.	Momento	de	aplicação	inadequado	(estádio	da	planta	daninha).
4.	Necessidade	de	adjuvante.
5.	Excesso	de	poeira	na	folha	ou	água	de	baixa	qualidade	na	calda.
6.	Efeito	“guarda-chuva”	nas	aplicações	em	pós-emergência.
7.	Antagonismo	entre	dois	ou	mais	herbicidas	no	tanque	de	pulverização.
Solo	ou	condições	climáticas
1.	Umidade	excessiva	ou	solo	seco.
2.	Condições	de	preparo	do	solo	no	momento	de	aplicação.
3.	Adsorção	dos	herbicidas	no	solo	e	na	matéria	orgânica.
4.	Condições	de	estresse.
5.	Período	sem	chuva	após	a	aplicação	para	ativação	do	herbicida.
Qual	o	impacto	econômico	causado	pelo	surgimento	da	resistência?
Eu	acho	muito	mais	fácil	entender	o	porquê	de	controlar	as	ervas	daninhas	
resistente,	quando	vejo	o	impacto	que	isso	causa,	economicamente.	Até	se	você	
for	procurar	matérias	sobre	o	assunto	na	internet,	é	muito	mais	fácil	encontrar	
boletins	técnicos	sobre	mecanismo	de	resistência,	manejo,	por	exemplo.
Percebendo	isso,	a	EMBRAPA	publicou	um	circular	técnico,	em	2017,	de	
extrema	importância,	que	faz	uma	análise	geral	econômica	a	nível	nacional.	E	isso	
é	importante	pois	você	percebe	que:	o	que	foi	feito	no	passado	(ou	o	que	não	foi	
feito),	está	tendo	um	grande	impacto	hoje.
184
UNIDADE 3 - MECANISMOS, MODO DE AÇÃO E RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
Por	 exemplo,	 o	 aumento	de	 custo	para	 controle	 de	 ervas	daninhas	 em	
uma	área	com	problema	de	resistência	para	uma	área	“suscetível”,	pode	variar	
entre	 40%	para	 200%.	A	 variação	 aumenta	 conforme	 há	mais	 de	 uma	 espécie	
resistente.
O	documento	 aborda	 principalmente	 áreas	 de	 produção	 de	 cultura	 da	
soja	em	todo	o	Brasil	e	aponta	como	as	principais	espécies	de	ervas	daninhas	o	
azevém,	a	buva	e	o	capim	amargoso.
Além	disso,	retorno	a	enfatizar	que	o	manejo	integrado	pode	nos	ajudar	a	
diminuir	os	custos	com	resistência.		
Ao	plantarem	braquiária	em	sucessão	ao	milho,	conseguiram	economizar	
R$138,00	por	hectare,	por	diminuir	no	uso	defensivos,	na	safra	de	soja.	Por	isso	a	
importância	de	conhecer	o	custo	do	manejo	de	plantas	daninhas	por	hectare	e	da	
sua	fazenda	como	um	todo.	Só	assim	você	saberá	o	que	está	compensando	fazer,	
e	qual	é	a	melhor	medida	de	controle	em	termos	produtivos	e	financeiros.
TERMOS IMPORTANTES PARA ENTENDER ERVAS DANINHAS 
RESISTENTES AO GLIFOSATO E OUTROS HERBICIDAS
Plantas suscetíveis aos herbicidas
A	 suscetibilidade	de	uma	 certa	de	planta	daninha	 é	uma	 característica	
natural	de	cada	espécie.	É	a	mortalidade	ou	danos	que	ocorrem	em	uma	planta	
após	a	aplicação	do	herbicida,	resultado	da	incapacidade	de	suportar	a	ação	do	
produto.
Plantas tolerantes aos herbicidas
Plantas	tolerantes	apresentam	naturalmente	a	característica	de	sobreviver	
e	se	reproduzir,	mesmo	após	a	aplicação	de	um	herbicida	na	dose	recomendada,	
desde	a	primeira	aplicação.
Por	 exemplo:	 2,4-D	 controla	 plantas	 de	 caruru	 (Amaranthus	 spp.)	 mas	
não	controla	capim-colchão	(Digitaria ciliaris),	pois	esta	espécie	é	tolerante	a	este	
herbicida.
E	o	que	são	plantas	resistentes	aos	herbicidas?
Ervas	daninhas	resistentes	são	aquelas	que	anteriormente	eram	suscetíveis	
ao	herbicida	em	questão,	mas	agora	conseguem	sobreviver	e	completarem	seu	
ciclo	de	vida	após	a	aplicação	deste	produto.
Para	que	essa	ervas	daninhas	sejam	realmente	 tidas	como	resistentes,	a	
aplicação	do	herbicida	deve	ser	na	dose	recomendada	e	em	condições	de	campo.	
Assim,	temos	a	seleção	de	biótipos	resistentes.	Aliás	esse	é	o	termo	academicamente	
correto	quando	falamos	nesse	assunto.
TÓPICO 2 - RESISTÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS AOS HERBICIDAS
185
Esse	 termo	 é	 definido	 como	 um	 grupo	 de	 indivíduos	 com	 genética	
semelhante,	porém	pouco	diferenciado	da	maioria	dos	indivíduos	da	população.	
Ou	seja,	dentro	de	uma	mesma	espécie	com	genética	semelhante,	alguns	grupos	
de	indivíduos	possuem	diferenças.
No	 caso	 das	 ervas	 daninhas,	 a	 caracterização	 genética	 é	 feita	 apenas	
pela	 diferenciação	 em	plantas	 resistentes	 e	 suscetíveis.	 Se	 na	 sua	 propriedade	
apareceram	plantas	 de	 capim	 amargoso	 resistentes	 ao	 glifosato,	 por	 exemplo,	
isso	quer	dizer	que	houve	seleção	de	biótipos	resistentes.
Associação Brasileira de Ação a Resistência de Plantas Daninhas aos 
Herbicidas: HRAC
	 Você	 não	 está	 sozinho	 no	 combate	 às	 ervas	 daninhas	 resistentes.	 O	
HRAC-Brasil	é	a	Associação	Brasileira	de	Ação	a	Resistência	de	ervas	daninhas	
aos	Herbicidas,	fundada	no	ano	2000.	Esta	Associação	é	um	grupo	formado	por	
especialistas	ligados	à	indústria	química,	atualmente	composta	por	15	empresas	
registradas.
A	missão	 do	 HRAC	 é	 promover	 o	 gerenciamento	 e	 acompanhamento	
de	 casos	 de	 resistência	 de	 ervas	 daninhas	 aos	 herbicidas.	 O	 HRAC	 atua	 no	
entendimento,	cooperação	técnica,	educação,	informação	e	comunicação	entre	as	
indústrias,	pesquisadores,	governo,	órgãos	de	pesquisa,	universidade	e	produtor	
brasileiro.
Tudo	 isto	 com	o	 objetivo	de	promover	 o	manejo	 sustentável	 das	 ervas	
daninhas	 e	 o	 ciclo	de	vida	dos	herbicidas.	O	HRAC-BR	promove	 eventos,	 faz	
folders	(como	já	citei	no	começo	do	texto)	explicativos	sobre	as	novas	espécies	de	
plantas	resistentes	que	surgem	e	livros	explicativos.
Indico	para	você	a	leitura	do	livro	Aspecto de resistência de ervas daninhas a 
herbicidas.	Diversas	informações

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