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USINABILIDADE DOS MATERIAIS Definição: -Usinabilidade é a propriedade que os Materiais têm de se deixarem trabalhar por ferramentas de corte. -Mas a usinabilidade não depende apenas do material da peça, depende também das condições de usinagem: características da ferramenta, condições de refrigeração, rigidez do sistema máquina/ferramenta/peça/dispositivos de fixação e das operações executadas(tipo da operação, corte contínuo ou intermitente, condições de entrada e saída da ferramenta,...) -Há vários métodos para medir o índice de usinabilidade. O ensaio chamado de longa duração, é o método mais aceito. O material ensaiado e o material “padrão” são usinados até o fim da vida da ferramenta (ou valor de desgaste pré-determinado para a ferramenta), em diversas velocidades de corte. Obtém-se a velocidade de corte para uma determinada vida da Ferramenta. Por exemplo, VC20 (veloc. corte para uma vida de 20 minutos). - O índice de usinabilidade I.U. será a relação entre a VC20 do material ensaiado e a VC20 do material padrão. I.U. = VC20 ( do material ensaiado ) VC20 ( material padrão) O material padrão mais utilizado (ensaio de aços) é o aço AISI B1112. O I.U. do material padrão é considerado 100%. É comum se pensar que a usinabilidade é apenas uma propriedade ligada à dureza do material da peça e à sua resistência mecânica. Segundo este raciocínio, um material mole é de boa usinabilidade, e um material duro é de baixa usinabilidade. Este raciocínio é falso. Pois, além das propriedades citadas, outras podem ser determinantes para a usinabilidade. Como: microestrutura, quantidade de inclusões e aditivos presentes, tendência ao empastamento do cavaco,etc. Por exemplo, pode-se ter um aço inoxidável tipo 303 ( que possui sulfetos de manganês para melhorar a usinabilidade) com dureza idêntica ao aço inoxidável tipo 316. Porém, a usinabilidade do primeiro é muito maior que a do segundo. A seguir será descrito como algumas propriedades dos materiais podem influenciar a usinabilidade. •Dureza e resistência mecânica = Valores baixos de dureza e resistência mecânica geralmente favorecem a usinabilidade. Porém, materiais muito dúcteis (que se deformam muito, plasticamente, antes de sua ruptura) facilitam a formação da indesejável aresta postiça de corte. •Ductilidade = Baixos valores de cuctilidade são geralmente benéficos à usinabilidade, pois facilitam a formação de cavacos curtos. Porém, isto significa alta dureza. Assim, é necessário o equilíbrio entre dureza e ductilidade. •Condutividade térmica = Uma alta condutividade significa que o calor gerado é retirado rapidamente da região de corte (absorvido pela peça). Isto favorece a usinabilidade. Porém, é necessária uma refrigeração eficiente. Esta propriedade não pode ser facilmente alterada dentro de um determinado grupo de materiais •Taxa de encruamento = Uma alta taxa de encruamento significa que a resistência do material é aumentada. Requer mais energia para a formação do cavaco, então, tem-se baixa usinabilidade. Favorece ainda, a formação da APC. Problemas relativos à usinabilidade • Desgaste rápido ou superaquecimento da ferramenta; • Empastamento da ferramenta pelo material da peça; • Lascamento do gume; • Mau acabamento superficial da peça usinada; • Necessidade de grandes forças ou potências de corte. Variáveis que influenciam a usinabilidade VARIÁVEIS DEPENDENTES DA MÁQUINA: • Rigidez estática da máquina, do porta-ferramenta e do dispositivo De sujeição da peça; • Rigidez dinâmica: amortecimento e freqüências próprias de vibração na faixa de trabalho; •Potência e força de corte disponíveis na ponta da ferramenta; • Gama de velocidades de corte e de avanço. VARIÁVEIS DEPENDENTES DA FERRAMENTA –Geometria da ferramenta: ângulos, raio de quina, dimensões, forma do gume, etc. –Material da ferramenta: composição química, dureza a quente, tenacidade, tratamento térmico, etc. –Qualidade do gume: grau de afiação, desgaste, trincas, rugosidade da face e dos flancos, etc. VARIÁVEIS DEPENDENTES DA PEÇA • Forma, dimensões, rigidez da peça; • Propriedades, físicas, químicas e mecânicas da peça: dureza, resistência à tração, composição química, inclusões, afinidade química com o fluido de corte ou com a ferramenta, microestrutura, etc. • Temperatura da peça VARIÁVEIS DEPENDENTES DO FLUIDO DE CORTE • Propriedades refrigerantes; • Propriedades lubrificantes; • Temperatura do fluido; • Forma e intensidade de aplicação. VARIÁVEIS DEPENDENTES DO PROCESSO • Velocidade de corte; • Dimensões de usinagem: avanço e profundidade; • Modo de atuação da ferramenta sobre a peça: condições de entrada e saída, corte contínuo ou interrompido, comprimento de contato entre o gume e a peça, etc. Critérios para avaliação do grau de usinabilidade de um material –Vida da ferramenta entre duas reafiações sucessivas (expressa de diversas formas); –Grandeza das forças que atuam sobre a ferramenta e da potência consumida; –Qualidade do acabamento superficial obtido pela usinagem; –Facilidade de deformação do cavaco.