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NECROSE 
 
 Necrose é uma morte celular onde a célula se rompe e ocorre 
a chegada de células inflamatórias, sendo uma morte celular 
seguida de autólise, os conteúdos que estão dentro da célula vão 
para o tecido e sinalizam para o sistema imune que tem algo errado, 
atuando como moléculas de perigo. Sempre em uma área de morte 
celular, vai ter células inflamatórias sendo uma forma de detectar 
uma área de inflamação onde também haverá células que 
perderam o núcleo, estão disformes ou não existe célula, 
existindo apenas um líquido residual. Esses aspectos 
morfológicos que são associados a necrose são chamados 
de necrofanerose. 
 A necrose pode ser identificada a nível 
microscópico, onde as alterações acometem as células e 
nos tecidos e a nível macroscópico, onde se observa os 
aspectos no tecido ou no órgão. Dependendo das 
alterações macroscópicas pode-se classificar os diferentes 
tipos de necrose. 
 
No tecido morto não se ver núcleo definido, as 
células ficam disformes, e o citoplasma fica acidófilo. 
Na macroscopia a necrose pode se mostrar como 
uma região esbranquiçada, mas também tem outros aspectos que são particulares dos tipos de 
necrose, e as vezes também na microscopia. 
 A nível microscópico a célula que ta sofrendo lesão vai ficar liquefeita devido a ação da hidrólise, 
começa a ter picnose nuclear, vai ter o citoplasma acidófilo, e se essa agressão progredir ela vai 
sofrer morte celular, a célula necrótica não tem núcleo, ocorrendo cariólise (rompimento total do 
núcleo) cariólise inicial (caracterizada pelo núcleo clarinho que posteriormente será degradado) ou 
cariorrexe ( fragmentação do núcleo), pode ocorrer o rompimento da membrana ou não e nesse caso 
o núcleo não se rompe totalmente mas ela fica com o aspecto meio disforme, a membrana fica mais 
permeável e vai liberar conteúdos dentro do citoplasma da célula. 
 Em um mesmo tecido lesionado pode-se encontrar células em diferentes estágios de lesão. 
 
PICNOSE o núcleo reduz-se, tornando-se mais arredondado do que 
o normal, fica acidófilo e geralmente desaparece com o 
tempo 
CARIÓLISE Rompimento total do núcleo, perd-se o núcleo e a 
cromatina 
CARIORREXE fragmentação do núcleo 
 
TIPOS DE NECROSE 
 
NECROSE COAGULATIVA/ISQUÊMICA: é o tipo mais comum de necrose, é provocada pela 
interrupção do suprimento sanguíneo, muito comum em casos de infarto. Apresenta um aspecto 
principalmente esbranquiçado. Ela é chamada de necrose coagulativa por que as células do tecido 
morto apresentam um aspecto de substância coagulada. Geralmente ao redor da área de necrose tem 
uma área de hiperemia reativa. Nesse tipo de necrose a redução do pH provoca a inibição da ação das 
enzimas degradativas da célula, então não causa o rompimento da membrana da célula, mas ela fica 
mais permeável e ocorre uma desregulação da estrutura. 
 
VARIAÇÕES DA NECROSE COAGULATIVA 
 
Necrose coagulativa hemorrágica: ela ocorre quando acontece um extravasamento de sangue para 
área de necrose, enquanto que na necrose coagulativa ou isquêmica se tem uma área esbranquiçada 
chamada de infarto branco, na necrose hemorrágica a área de morte é chamada de infarto vermelho 
devido a presença do sangue, sendo um pouco mais difícil de determinar na peça a área de necrose 
hemorrágica, mas na lâmina é possível ver o tecido repleto de hemácias, e por baixo dessa 
hemorragia estarão as células mortas. Característica de infartos vermelhos. 
 
 
Necrose Gomosa: ela acontece devido a ação da bactéria 
treponema pallidum, causadora da sífilis e ela é chamada 
assim porque o aspecto da área de necrose se assemelha a uma 
borracha, uma goma arada. 
 
Necrose Caseosa: ela é resultante da ação do Mycobacterium tuberculosis (MTB), ela é assim 
chamada porque seu aspecto lembra o leite coalhado. Muitas vezes essa necrose é eliminada e fica 
uma caverna tuberculosa revestida por tecido fibroso. Esse tipo de necrose esta mais comumente 
presente no centro de uma estrutura inflamatória chamada granuloma, pois o Mycobaterium ativa 
uma resposta inflamatória que gera o granuloma, e a necrose caseosa é resultado da morte celular 
devido a ativação do sistema imunológico. Outra complicação desse tipo de necrose é a calcificação, 
há um deposito de cálcio na área de morte. 
 
 
NECROSE LIQUEFATIVA: as células morrem e se rompem totalmente, desaparecendo e 
deixando no local daquela região de morte vai ter um líquido resultante da liquefação das células. 
Geralmente ocorre em tecidos com alta quantidade de lipídeos, região cerebral, e em casos de 
infecção por bactérias devido a reação imune que ocorre para combate-las que acabam liberando 
enzimas que degradam o tecido. Nesse tipo de necrose não há grandes modificações do pH, então as 
enzimas digerem rapidamente a célula e a célula se rompe totalmente resultando em um liquido e/ou 
uma cavidade. O Liquido resultante da necrose liquefativa não é só originário da necrose das células, 
mas pode também ser por conta da ativação da inflamação. 
 
 
 
 
 
 
O surgimento da necrose coagulativa ou da necrose liquefativa está ligada com a capacidade de adaptação 
da célula, existem alguns tecidos que se tem entrada de Ca, ocorre também a ativação de enzimas, porem se 
o ↓pH essas enzimas param de funcionar também, então acaba provocando a permeabilidade da membrana 
mas não seu rompimento, pois até as enzimas estarão inativas. Por ex. Em tecidos com alta taxa de glicólise 
anaeróbia (que produz o ácido lático que reduz o pH) as enzimas são inativadas pois precisam de um pH 
ótimo pra funcionar, aumentando a permeabilidade da membrana mas sem causar o seu rompimento. 
Por autolise 
NECROSE LIQUEFATIVA POR HETEROLISE Esse tipo de necrose ocorre devido à ação 
das enzimas lisossomais liberadas das células mortas. As coleções de pus localizadas, os abscessos, 
resultantes de reações inflamatórias agudas, usualmente secundárias a infecções bacterianas ou 
fúngicas, representam um exemplo de necrose liquefativa pela grande quantidade de neutrófilos, 
outros leucócitos e células próprias do tecido, mortas, e lisadas pela ação das enzimas lisossomais 
leucocitárias liberadas, ocorrendo, assim, autólise e heterólise. 
 
 Nesse tipo de necrose ocorre a chegada de células inflamatórias e 
as proteases produzidas por essas células é que rompem as células do 
tecido, então não é uma necrose por conta de alterações fisiológicas 
dentro da célula, é uma morte induzida por uma substância exógena. 
Esse tipo de necrose liquefativa é comum em infecções bacterianas 
que tivam o sistema imune, e no local vai ter células de tecido morte 
e bactérias mortas. Sendo esse tipo de necrose o exsudato de uma 
inflamação purulenta. Ex. espinha, a parte amarelada é uma área de 
necrose liquefativa por eterolise, e avermelhidam indica a área de 
inflamação, onde ainda não tem a morte célular muito grande, sendo 
a área de inflamação purulenta a área de inflamação mas a área de 
necrose. Em alguns casos aplicar forma mecânica pode piorar o 
quadra, já em outros remover a parte do esxudato pode favorecer a 
resolução, como por exemplo em casos de “cabeça de prego”, uma 
vez que o acumulo desse liquido dificulta a cicatrização. 
NECROSE GORDUROSA 
Ocorre nos tecidos adiposos, o aspecto macroscópico dessa necrose, a área de morte se assemelham a 
pingos de vela nos tecidos, isso por que o tecido adipose se rompe, e os triglicerídeos e lipídeos 
dentro da célula vão para o meio extracelular e sofrem ação de enzimas, passando pelo processo de 
saponificação e acabam endurecendo. 
Obs. Necrose está sempre acompanhada de inflamação. A inflamação é importante pois vai recolher 
as células mortas para iniciar o processo de reparação inicial. 
 
 
NECROSE FIBRINOIDE 
 Neste tipo, o tecido adquire um aspecto 
hialino, acidófilo, semelhante a fibrina, um anel 
hialino. É o substrato das denominadas 
colagenases,onde estão incluídas as doenças de 
hipersensibilidade e as da auto-agressão. Alguns 
autores não consideram esse tipo de necrose um 
tipo de morte celular, pois ocorre o deposito de 
hialina ao redor dos vasos, e alguns autores não 
consideram esse deposito de hialina na parece 
vascular seja resultado da morte de células da 
parede vascular, e sim resultado de deposito de 
proteína plasmáticas que vasam de dentro do vaso para fora, ou seja uma deposito de material no 
meio extracelular. 
Quando as células sofrem necrose os produtos que estavam dentro da célula vão para o meio 
extracelular, esses produtos são sinais de perigo que avisam para o sistema imune que ali tem alguma 
coisa errada, e o sistema imune começa a agir, realiza a limpeza removendo as células mortas e inicia 
o processo de regeneração e reparo tecidual, se o tecido tiver uma capacidade regenerativa boa, se 
ainda houver células tronco, essas células vão ser reconstruídas e vão ter função igual ao tecido 
anterior, se naquela região de necrose, o tecido tiver baixa taxa de proliferação, ↓ quantidade de 
células tronco para realizar a diferenciação, regeneração e recuperação total do tecido, o que vai 
acontecer é a formação de uma cicatriz tecidual. 
CICATRIZ: ela possui um tecido genérico com fibroblastos e colágeno 
principalmente, não regenerando ao tecido como era antes, e isso pode 
levar a uma perda de função naquele local. O desequilíbrio no processo de 
cicatrização, pode levar a formação de um tecido fibroso que se dissemina 
como tecido, ocasionando as fibroses que acabam prejudicando o 
funcionamento do órgão; 
 
GANGRENA: é uma complicação da necrose causada pela ação de 
agentes exógenos no tecido morto, mas em alguns livros é trazida como um 
tipo de necrose a necrose gangrenosa. A gangrena vai surgir após o tecido 
morto, ela é ocasionada pela ação de agentes exógenos, seja uma infecção 
ao a ação do ambiente naquele tecido morto, existindo três tipos principais 
de gangrenas, a gangrena seca, a úmida e a gasosa. 
 
GANGRENA SECA: ela é assim chamada porque pela área de necrose ela 
vai ficar com aspecto semelhante a um pergaminho, bem seco e pode 
descascar. Comum em pessoas que passam muito tempo em locais muito 
frios sem adequados equipamentos, devido a vasoconstricção e isquemia, ficando com aspecto seco e 
mais opaco. 
GANGRENA ÚMIDA: ela é assim chamada pois a área de necrose sofre ação de microrganismos 
decompositores, destruindo também o tecido já morto. Ela é mais comum de ocorrer nas 
extremidades, superfícies e mucosas pois se tem maior contato com o meio externo nesses locais, 
mas também podem ocorrer em tecidos mais internos, principalmente em casos de imunidade muito 
baixa. 
GANGRENA GASOSA: nesses casos a infecção se da por microrganismo que produzem gás, então 
naquela área de morte além de ter um aspecto com bolhas também vai ter um odor fétido de pobre, 
devido a decomposição. 
Outros tipos de morte celular 
• Morte celular por autofagia (autophagic cell death): associada a presença de autofagossomos e 
proteínas da autofagia. 
• Necroptose: necrose regulada por receptores de morte

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