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1. Edema Acúmulo de fluido no espaço intersticial (espaço entre as células). Para que ocorra deve haver uma quebra dos mecanismos da microcirculação que controlam a distribuição do volume de líquido no espaço intersticial. Esses mecanismos são: equilíbrio entre pressão hidrostática, oncótica, permeabilidade capilar e vasos linfáticos. Pressão hidrostática = força do sangue na parede do vaso. Força que “expulsa” água de dentro do capilar. Pressão oncótica = pressão gerada pelas proteínas no sangue; força que “atrai” água para dentro do capilar. Permeabilidade capilar = Propriedade dos capilares de permitirem a passagem de determinados componentes do sangue para os tecidos vizinhos. Equilíbrio de Starling É o equilíbrio entre a filtração e a reabsorção. Entre as forças de Starling existe a pressão hidrostática e a pressão oncótica. A filtração é um processo que ocorre pela pressão exercida no capilar, que é a pressão hidrostática capilar. O normal é que sejam filtrados 10ml a cada minuto. Já a reabsorção ocorre por influência da pressão oncótica; a principal proteína que exerce essa função é a albumina. Sendo um soluto, ela “puxa” o líquido que foi filtrado para o vaso novamente. O que é filtrado a cada minuto e não é reabsorvido, é captado pelos vasos linfáticos. Na extremidade arterial do capilar ocorre filtração – pressão hidrostática maior que a oncótica, enquanto na extremidade venosa deve-se ter inversão do gradiente de pressão (a pressão oncótica deve ser maior que a hidrostática), para ocorrer absorção. O desequilíbrio entre as forças de Starling é o mecanismo que desencadeia a formação de todo o tipo de edema. FISIOPATOLOGIA DO EDEMA 1- Aumento da pressão hidrostática: provoca um aumento do tempo de filtração e reduz o tempo de reabsorção. Com isso, uma maior quantidade de líquido vai para o interstício, dificultando a reabsorção. Casos de insuficiência venosa – pacientes que tem dificuldade de retorno venoso dos membros inferiores (doença varicosa); varizes (dilatação de veias) em que vão perdendo suas funções e o paciente tem aumento da pressão hidrostática em membro inferiores, superiores. Edema relacionado com posição, desincha quando o retorno venoso volta a ser melhor pois diminui a p. hidrostática que está anormal. 2- Diminuição da pressão oncótica: vai dificultar o retorno do líquido que saiu do capilar; redução da atração do líquido para o vaso. Com isso, há uma menor reabsorção. Ex: desnutrição, síndrome nefrótica. Nessa síndrome o paciente perde proteína pela urina, diminui a proteína plasmática e, portanto, diminui a pressão oncótica. 3- Aumento da permeabilidade capilar: extravasa mais líquido para o interstício. Acontece de forma clássica na inflamação; aumenta a permeabilidade para que tenha maior fluxo de líquidos, células etc. Processos inflamatórios, infecciosos ou não. Ex: celulites e erisipelas. 4- Obstrução dos linfáticos: são responsáveis por drenar o líquido que não volta para o capilar. Edema lento, progressivo e que não melhora; crônico. Secundário a algum acontecimento. EX: filariose. 5- Aumento da reabsorção de sódio pelos rins: junto com a reabsorção de sódio vai água também, aumentando a quantidade de água nos capilares. Aumenta pressão hidrostática e diminui pressão oncótica, formando edema. CARACTERIZAÇÃO DO EDEMA 1. LOCALIZAÇÃO • Localizado: acomete um segmento corporal (um membro) – geralmente tem causas locais. • Generalizado: acomete mais de um segmento corporal – geralmente causas sistêmicas • Anasarca: generalizado com derrames cavitários – extravasamento de líquidos para as cavidades 2. INTENSIDADE • Pesar paciente • Medida da circunferência abdominal • Sinal de Cacifo ou Godet: compressão da pele sobre superfícies ósseas. 3. CONSISTÊNCIA • MOLE = facilmente depressivo. Recente, hidrostático, • DURO = mais resistente a depressão. Reflete proliferação fibroblástica e, portanto, alterações crônicas do subcutâneo e portanto tempo de evolução mais longo. 4. ELASTICIDADE • Inelástico = demora a retornar – sinal de cacifo positivo (típico do edema frio) • Elásticos = retorna imediatamente (inflamatório) 5. SENSIBILIDADE • Doloroso = presença de mediadores da inflamação • Indolores = sem dor ao comprimir o edema. Outras causas (síndromes etc.) 6. TEMPERATURA • Quentes = inflamatórios, inflamação no local • Frios = pele adjacente não muda de temperatura 7. COLORAÇÃO • Palidez: acúmulo maior de água, edemas mais recentes, de desenvolvimento rápido, volume de água grande. • Cianose: sangue estagnado, relacionado com retorno venoso afetado – hemoglobina reduzida ultrapassa 5g/dL • Vermelhidão: inflamatórios (celulite, erisipela) 8. TEXTURA E ESPESSURA DA PELE • Liso brilhante: edema agudo – muita água/líquido • Enrugado: edema em reabsorção • Espessa: crônicos, de longa data EDEMAS GENERALIZADOS 1. ICC Para se ter edema sistêmico deve ser uma insuficiência cardíaca direita, a principal causa é ICE – ventrículo esquerdo entra em falência, leva a aumento da pressão hidrostática nas veias e capilares pulmonares, paciente começa a ter extravasamento de líquido para dentro do alvéolo; provoca dispneia aos esforços, ortopneia etc. Esse aumento culmina em aumento dos esforços na artéria pulmonar, que vai aumentar a pressão no ventrículo direito. Há aumento da pressão hidrostática e na IC como há muitas vezes diminuição do volume arterial efetivo (ventrículo esquerdo fraco), o rim interpreta que está faltando volume e ativa o SRAA, ativando esse sistema ocorre reabsorção maior de sódio que leva a maior reabsorção de água – extravasa para o interstício, aumentando o edema e realizando um feedback positivo de edema progressivo. São dois mecanismos básicos que levam ao edema; é um edema simétrico, começa inicialmente nos pés e pode subir (ascendente). 2. SÍNDROME NEFRÓTICA Paciente que está perdendo proteína na urina, há uma queda da pressão oncótica intravascular, portanto diminui a força com que o líquido entra no vaso, tem-se mais líquido fora dos vasos – edema. Isso provoca queda no volume arterial, rim interpreta como se estivesse faltando líquido e ativa SRAA (reabsorção de sódio e água) perpetuando o edema. Nessa síndrome o edema é mais comum na face, período mais intenso é o matinal. 3. INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA Distorção na arquitetura dos lóbulos hepáticos, há um aumento da pressão hidrostática na veia porta (drena vísceras abdominais), isso faz com que haja um extravasamento de líquido para dentro da cavidade peritoneal. Lesão no fígado (produz albumina e várias proteínas) vai fazer com que haja diminuição das proteínas sanguíneas, levando a diminuição da pressão oncótica aumentando o edema. O volume arterial efetivo desse paciente também vai diminuir (como está extravasando líquido para abdome), a quantidade de líquido dentro dos vasos diminuir; e novamente, o rim interpreta como se tivesse uma baixa volemia e ativa SRAA – o que perpetua o edema. Nesse caso, a barriga começa a aumentar primeiro (ascite); pode ter edema de membros inferiores com uma característica = depois da barriga inchar. EDEMAS DIVERSOS • Edema por antagonistas dos canais de cálcio: efeito colateral. Os antagonistas dos canais de cálcio aumentam vasodilatação arteriolar, aumenta pressão hidrostática a nível arteriolar; extravasa mais líquido e esse não volta por completo. • Angioedema: vasodilatação capilar (aumenta permeabilidade capilar); por um mecanismo mediado por IGE alérgico. Mediadores que induzem a dilatação dos vasos sanguíneos da pele e consequentemente a saída de líquido plasmático para o tecido extravascular • Edema em gestantes: compressão pelo útero da cava inferior e outros + hipervolemia • Edema por enteropatias:paciente perde proteína pelo intestino e diminui pressão oncótica EDEMA INFLAMATÓRIO Quente, geralmente mole; elástico; doloroso e hiperemiado EDEMA ALÉRGICO EM MUCOSAS = Quente; mole; elástico; doloroso; hiperemiado SINAL DE GODET Celulite infecciosa Erisipela EDEMA PULMONAR EDEMA POR QUEIMADURA (diminuição da pressão oncótica) LINFEDEMA CONGÊNITO: Frio; Pálido; Indolor; Mole ou Duro; Regional; Crônico (alterações tróficas da pele frequentemente presentes) SEMIOLOGIA DO EDEMA 1. LOCALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO: se é localizado, regional (membros, face, pálpebras, reg.pré-sacral...) ou generalizado (anasarca), Simétrico ou Assimétrico. 2. INÍCIO: Onde o edema iniciou? Pés, pernas, pálpebras etc. Se iniciou localizado ou regional. 3. HORÁRIO: matinal ou vespertino 4. CONSISTÊNCIA: Mole ou Duro 5. ELASTICIDADE: Elástico (retorna imediatamente – inflamatório) ou Inelástico (demora a retornar) 6. TEMPERATURA: Normal, quente (inflamatório), frio (hipoperfusão) 7. SENSIBILIDADE: Doloroso ou Indolor 8. COLORAÇÃO: palidez, cianose, eritema 9. INTENSIDADE: Pressão com o dedo (Godet) + a ++++, pesando o paciente diariamente, medindo o perímetro da região edemaciada 10. ALTERAÇÕES TRÓFICAS: atrofia, ulceração, hiperpigmentação, esclerodermia secundária , paquidermia 11. EVOLUÇÃO: como as características mudaram com o tempo