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Noções de primeiros socorros m ód ul o3 Educação e tecnologia preservando vidas Neste módulo você conhecerá a sequência do pronto atendimento ao acidentado, o que fazer e o que não fazer ao prestar os primeiros socorros. Serão apresentadas informações para a segurança das pessoas no local do acidente, sejam vítimas ou não. As técnicas de socorro de emergência devem ser aplicadas apenas se você tiver um treinamento prático. 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É proibida a duplicação ou reprodução desta apostila, no todo ou em parte. www.procondutor.com.br PROCONDUTOR TECNOLOGIA DE TRÂNSITO S/A Sumário DEFINIÇÕES ..........................................................7 CRIME DE OMISSÃO DE SOCORRO ....................8 SEQUÊNCIA DAS AÇÕES .....................................8 SINALIZAÇÃO DO LOCAL DO ACIDENTE ...........9 SITUAÇÕES DE RISCO ........................................11 Produtos químicos perigosos .............................12 Utilização do extintor de incêndio .....................13 ACIONAMENTO DE RECURSOS ........................14 SAMU ...............................................................14 Bombeiros ........................................................14 Polícia ou Brigada Militar, Polícia Rodoviária Federal e Estadual .............................................15 Rodovias ...........................................................15 CONDIÇÕES GERAIS DA VÍTIMA ......................15 ANÁLISE PRIMÁRIA ...........................................16 Pulsação ...........................................................16 Respiração (VOS) ...............................................17 Vias aéreas ........................................................17 Temperatura .....................................................18 Dilatação das pupilas ........................................18 Cor da pele .......................................................18 Parada cardiorrespiratória .................................19 Estado de choque .............................................19 Sintomas ......................................................19 Procedimentos ..............................................19 Desmaios ..........................................................20 Sintomas ......................................................20 Procedimentos ..............................................20 Convulsões .......................................................21 Sintomas ......................................................21 Procedimentos ..............................................21 ANÁLISE SECUNDÁRIA ......................................22 Ferimentos ........................................................22 Hemorragias .....................................................23 Hemorragias internas ....................................23 Hemorragias externas ...................................24 Procedimentos para pequenos sangramentos .24 Procedimentos para grandes sangramentos ..24 Queimaduras ....................................................25 Procedimentos ..............................................25 Fraturas ............................................................26 Procedimentos ..............................................26 Luxação ........................................................27 Fraturas na coluna ............................................27 Fraturas no crânio .............................................27 Fraturas das costelas .........................................28 Amputações .....................................................28 CUIDADOS COM A VÍTIMA .................................29 CUIDADOS ESPECIAIS COM A VÍTIMA MOTOCICLISTA .................................30 ACIDENTES SEM VÍTIMA ...................................31 TESTE OS SEUS CONHECIMENTOS ...................32 REFERÊNCIAS .....................................................34 6 3 MÓDULO Noções de primeiros socorros LEMBRE-SE SEMPRE: Caso presencie um acidente de trânsito, mantenha a calma e chame a equipe de socorro. Este módulo foi elaborado em acordo com o anexo II da Resolução 168 de 14/12/2004, alterada pela Resolução 285 de 29/07/2008 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O módulo traz informações básicas para que você atue com calma e segurança caso presen- cie um acidente de trânsito. Atenção! Não é nosso objetivo ensinar primeiros socorros. Medidas de socorro ne- cessitam de treinamento prático e técnico es- pecífico, oferecido apenas por entidades cre- denciadas. E, ainda assim, eles não substituem um sistema profissional de socorro. Nosso objetivo é ensinar a sequência do pronto atendimento, o que fazer e o que não fazer ao prestar ajuda. Por isso, este módulo 7 apresenta informações que garantem a segurança das pessoas no lo- cal do acidente, sejam vítimas ou não. Lembre-se de aplicar técnicas de socorro de emergência apenas se você tiver um treinamento práti- co de primeiros socorros. || DEFINIÇÕES Segundo o Ministério da Saúde e da Ação Social, primeiros socorros: São medidas específicas de socorro imediato a uma vítima, executadas por pessoal adestrado, enquanto se aguarda a chegada do médico ou equipe especializada que o conduza ao hospital”. Diante de acidentes de trânsito com vítimas, muitas pessoas ficam paralisadas, sem ação ou em pânico por não saber como ajudar ou que medidas tomar. Contudo, a vítima muitas vezes necessita de aju- da imediata para sobrevivência ou para não agravar o quadro. N o çõ es d e p ri m ei ro s so co rr o s 8 3 Nesses momentos, é importante manter a calma. Faça aquilo que for capaz, tentando controlar a situação, mas antes de tudo verifique se você não está ferido. || CRIME DE OMISSÃO DE SOCORRO Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o condutor: Comete uma infração gravíssima (7 pontos na CNH), passível de multa, ao deixar de prestar socorro à vítima de acidente de trânsito, evadir-se do local, deixar de sinalizar e afastar o perigo, não identificar-se, não prestar infor- mações ou não acatar determinações das autoridade. Se em um acidente, o condutor não prestar imediato socorro à ví- tima, ou, na impossibilidade de fazê-lo diretamente, por justa causa, não solicitar auxílio da autoridade pública, seu ato pode consistir em crime de trânsito, ou multa, se não for elemento de crime mais grave. Segundo o Código Penal Brasileiro, configura-se como crime de omissão de socorro, com pena de detenção de 6 meses a 1 ano, que pode aumentar pela metade se, da omissão, resultar lesão corporal de natureza grave, e triplicar, se resultar em morte. || SEQUÊNCIA DAS AÇÕES Cada acidente de trânsito é diferente do outro, por isso é importan- te saber quais suas características para melhor socorrer a(s) vítima(s). A sequência de ações sempre seguirá a mesma ordem, por isso ao se deparar com um acidente de trânsito ou atropelamento siga as se- guintes instruções: � mantenha a calma e evite o pânico; � garanta a segurança de todos: estacione o veículo em localse- guro, não bloqueie a passagem da polícia ou do resgate, ligue o pisca-alerta, sinalize o local com triângulo, identifique as ameaças 9 à segurança e verifique os riscos as- sociados (como vazamento de com- bustível); � controle a situação, mantendo os curiosos longe; � peça socorro profissional imedia- tamente, informando o número de vítimas e a localização; � verifique a situação das vítimas, tranquilize-as e caso não haja riscos como incêndio ou quedas, evite que elas se movam e não retire os equi- pamentos de segurança; � realize algumas ações de cuida- do com as vítimas (detalhadas em próximos tópicos), com o objetivo de socorrê-la, sempre considerado o seu conhecimento e treinamento em primeiros socorros. O socorrista tem obrigação de fazer apenas o que estiver ao seu alcance, sem jamais colocar a sua própria vida ou de outras pessoas em risco. || SINALIZAÇÃO DO LOCAL DO ACIDENTE Para garantir a segurança e evitar novos acidentes, a sinalização deve estar distante do acidente, informando o ocorrido aos outros condutores e pedestres. A distância pode ser medida contando passos de acordo com a velocidade máxima da via indicada na placa. Caso não haja sinalização sobre a velocidade máxima, pode-se considerar os valores definidos de acordo com o CTB, veja a tabela: N o çõ es d e p ri m ei ro s so co rr o s 10 3 Tipo da via Velocidade máxima permitida Distância para início da sinalização Pista seca Pista molhada, neblina, fumaça ou à noite Vias coletoras 40 km/h 40 passos largos 80 passos largos Vias arteriais 60 km/h 60 passos largos 120 passos largos Vias de trânsito rápido 80 km/h 80 passos largos 160 passos largos Rodovias (pista dupla) 110 km/h* 110 passos largos 220 passos largos Rodovias (pista simples) 100 km/h* 100 passos largos 200 passos largos Estradas 60 km/h 60 passos largos 120 passos largos * Para automóveis e caminhonetas Quando estiver contando os passos e encontrar uma curva, pare a contagem. Caminhe até o final da curva e então recomece a contar a partir do zero. Faça a mesma coisa quando o acidente ocorrer no topo de uma elevação, sem visibilidade para os veículos que estão subindo. Utilize sempre triângulos. Na ausência de um, use outros objetos do local como galhos de árvore. Pessoas também podem sinalizar o acidente com uma camisa, por exemplo, desde que: � estejam posicionadas longe de curvas, lombadas e pontes; � utilizem roupas coloridas, contrastando com o local e agitando um pano colorido para alertar os motoristas; 11 � fiquem na lateral da pista, antes do local do acidente e sempre de frente ao fluxo do veículo; � estejam atentas e preparadas em caso de aparecer algum carro desgovernado. Quando for via de mão dupla, si- nalize o local nos dois sentidos. À noite ou com neblina sinalize com objetos luminosos como lanterna, pisca alerta e faróis de veículo. || SITUAÇÕES DE RISCO Evite maiores riscos, adotando as seguintes atitudes em um acidente de trânsito: � proteja-se: evite contato com as secreções ou sangue da vítima; � mantenha o acidentado seguro: na maioria dos casos, você não poderá removê-lo da pista, por isso, sinalize para os condutores dos demais veículos desviarem; � desvie o veículo: ao parar o veículo próximo ao local do acidente, coloque o volante e rodas viradas para o lado de fora da via. Assim, se houver colisão com o seu carro, ele não será arremessado para o local do acidente; � desligue o motor do veículo e reúna todos os extintores que puder; � não fume no local do acidente; � nunca encoste em cabos ou fios elétricos partidos. Caso seja necessário, afaste o cabo utilizando objetos não condutores de ele- tricidade como cano longo de plástico ou madeira seca; � não entre em um automóvel se desconfiar que existe algum risco de combustão ou explosão; N o çõ es d e p ri m ei ro s so co rr o s 12 3 � se houver óleo na pista, jogue terra e retire os obstáculos que pos- sam existir; � evacue a área e isole-a totalmente em caso de fogo ou de va- zamento de produtos que possam causar incêndios e explosões. Fique atento aos painéis de segurança e aos rótulos de risco. PRODUTOS QUÍMICOS PERIGOSOS São alguns exemplos: agrotóxicos, combustíveis (gasolina, álcool, diesel, gás liquefeito de petróleo – GLP), ácidos, explosivos, infectan- tes e alcalinos, como soda cáustica. Pode-se identificar o tipo de produto químico perigoso por meio do: � painel de segurança: placa laranja contendo o nº ONU do produ- to, que serve para identificar o tipo produto; � rótulo de risco: placa de formato losango e serve para identificar o tipo de risco envolvido. Geralmente são transportados em grandes quantidades, por isso, es- ses produtos representam grande risco à saúde, ao meio ambiente e à segurança. Mantenha a distância de produtos químicos perigosos, o indicado pelo Ministério do Meio Ambiente é que você fique a pelo me- nos 100 metros de distância, em sentido contrário à direção do vento. Número de risco Número ONU Painel de segurança Símbolo Número de classe Rótulo de risco Texto 13 UTILIZAÇÃO DO EXTINTOR DE INCÊNDIO Caso ocorra princípio de incêndio no aciden- te com vítima, na ausência de especialista, use o seu extintor e tente conter o fogo. O extin- tor de incêndio mais comum em veículos é o ABC. Ele elimina pequenos incêndios ocorridos com líquidos inflamáveis em materiais sólidos e equipamentos elétricos, além de ser de fácil manuseio, como manipular um spray de tinta comum. Deve ser usado na posição vertical, ja- mais deitado ou de cabeça para baixo. É acio- nado por uma válvula que deve ser mantida a uma distância média do incêndio, sempre dire- cionando o jato para a base das chamas. Fique atento aos sinais: � fumaça branca e sem cheiro: é vapor de água do radiador; � fumaça de cor escura e com cheiro forte: é princípio de incêndio; � vazamento de combustível: se perceber a ocorrência, isole a área e saia do veículo. Não tente apagar o incêndio. Em um princípio de incêndio, você deverá estacionar em um lugar seguro e aberto, tirar a chave da ignição e ligar para a equipe de so- corro. Retire do local os produtos inflamáveis que houver e isole a área se ocorrer vazamento de combustível. O Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), a partir de 2015, tornou facultativo (não obrigatório) o uso de extintor de incêndio para automóveis, utilitários, camionetas, caminhonetes e triciclos de cabine fechada. Os proprietários do veículo poderão optar pela utilização do extintor de incêndio, que deverá ser do tipo ABC. N o çõ es d e p ri m ei ro s so co rr o s 14 3 || ACIONAMENTO DE RECURSOS Ao acionar o socorro, procure falar e escutar com calma, relatando o que viu acontecer. É sempre necessário informar: � localização, pontos de referência e se há vias interditadas; � tipo de acidente e riscos (fique atento às placas de incêndios, des- moronamento ou cargas perigosas); � número de vítimas, gravidade do estado delas, dados que você sai- ba (idade, sexo etc.) e quais providências foram tomadas; � quantos e quais são os veículos envolvidos. Lembre-se que as ligações são gratuitas, os contatos são: SAMU Ligue para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) – 192, em qual- quer tipo de emergência relacionada à saú- de. Pode ser acionado para atender: � vítimas de acidentes de trânsito; � pessoas que passam mal; � pessoas que se acidentam (queda ou torções) em via urbana ou rural. BOMBEIROS Entre em contato com Bombeiros – 193: � em acidente com vítimas presas em fer- ragens ou capotamentos; � quando houver perigo identificado como fogo, fumaça, faíscas, vazamento de substâncias, gases, líquidos ou com- bustíveis; � em locais instáveis como ribanceiras, muros caídos, valas etc. 15 POLÍCIA OU BRIGADA MILITAR, POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERALE ESTADUAL Contate a Polícia ou a Brigada Militar, discan- do 190, quando o acidente for em vias urbanas. Para Polícia Rodoviária Federal, disque 191, nas vias rurais. Para Polícia Rodoviária Estadual disque 198. Acione sempre que ocorrer uma emergência em locais sem serviços próprios de socorro. Estes profissionais poderão auxiliar (ainda que sem os equipamentos e ma- teriais necessários para o atendimento e transporte de uma vítima) e garantir a segurança do local e das vítimas. RODOVIAS Todas as rodovias devem divulgar o número de telefone a ser acionado em uma emergência. Esses serviços não possuem um número único de telefone, mudam de uma rodovia a outra. O Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) é obri- gatório nas rodovias administradas por concessio- nárias, geralmente o telefone inicia com 0800. Mantenha atualizado o número de telefone das rodovias que utiliza com frequência. Muitas rodovias possuem telefone de emergência nos acostamen- tos, geralmente dispostos a cada quilômetro. Neles, é só retirar o tele- fone do gancho e aguardar o atendimento. || CONDIÇÕES GERAIS DA VÍTIMA Enquanto espera pelo socorro profissional, você pode ajudar as ví- timas de trânsito de várias formas, como realizando alguns procedi- mentos de primeiros socorros ou simplesmente sendo solidário. � permaneça junto à vítima, em local que ela possa te ver, verificando se ela está consciente; � proteja-a contra frio, sol e chuva; N o çõ es d e p ri m ei ro s so co rr o s 16 3 � verifique os sinais vitais como respiração e batimentos cardíacos, e se não há lesões na coluna, sangramento pela boca, nariz ou ouvidos; � converse com ela acalmando-a: ouça e aceite suas queixas; � mantenha-a informada do que está fazendo e o que está ocorrendo; � faça perguntas para identificar dores físicas ou confusão mental; � responda as perguntas com calma, não minta, mas não dê informa- ções que possam causar impacto; � se possível, sem movimentá-la, retire casacos e blusas para avaliar se existem fraturas, ferimentos, queimaduras e sangramentos. Lembre-se de se proteger, evitando possíveis doenças infectoconta- giosas. Tenha cuidado pois algumas vítimas de acidente podem tor- nar-se agressivas, não permitindo acesso ou auxílio. Tente a ajuda de familiares ou conhecidos dela, se houver algum, mas se a situação colocar você em risco, afaste-se. Se houver mais de uma vítima, atenda primeiramente a que estiver quieta e não consiga se movimentar, pois pode indicar que ela esteja com parada respiratória. Aconselhe as vítimas a aguardarem sentadas, em local seguro, mesmo as que conseguem se movimentar. || ANÁLISE PRIMÁRIA Para saber como proceder no auxílio à vítima, você precisa fazer a análise primária. Esta análise tem o objetivo de avaliar o estado geral da vítima e seus sinais vitais para que os devidos procedimentos sejam adotados. É avaliado o nível de consciência e seus sinais vitais como pulsação, respiração e temperatura corporal. PULSAÇÃO Verifique a pulsação do acidentado, colocando dois ou três dedos em um ponto arterial. O melhor local do corpo para verificar a pulsa- ção de um adulto inconsciente é na base do pescoço, onde fica locali- zada a artéria carótida, que leva o sangue do coração ao cérebro. 17 A frequência da pulsação é afetada por diversos fatores: idade, sexo, peso, emoções, estresse, medicamentos, condições físicas etc. Segundo o cardiologista Maurício Scanavacca, crianças têm os bati- mentos cardíacos mais altos e idosos mais baixos. Já em um adulto em repouso, os batimentos cardíacos são considerados: � altos (taquicardia): se estão acima de 100 por minuto; � baixos (braquicardia): se estão abaixo de 40 por minutos. RESPIRAÇÃO (VOS) Você pode avaliar a frequência e a qualidade da respira- ção com passos simples: � Veja os movimentos respiratórios por meio da eleva- ção do tórax/abdome; � O uça, colocando o ouvido próximo à boca e ao nariz; � Sinta, colocando a mão próximo da boca e do nariz. Para a avaliação da respiração, saiba que a frequência respiratória média varia de acordo com o sexo e idade. Em seu estado normal de saúde, um homem adulto respira de 14 a 20 vezes por minuto, já uma mulher adulta de 16 a 22 vezes, um bebê respira de 40 a 50 vezes nos primeiros meses de vida e uma criança de 20 a 26 vezes. Se a vítima apresentar inconsciência, ausência de movimento respi- ratório, além de lábios, línguas e unhas azulados, significa que ela teve parada respiratória. VIAS AÉREAS Se a vítima estiver consciente e responder sem dificuldade, significa que as vias aéreas estão abertas, ela respira e apresenta circulação. Mas, se a vítima não responder aos estímulos verbais, isso pode indicar que as vias aéreas estão fechadas, tente desobstruí-las. Lembre-se de não movimentar sua cabeça, evitando assim lesões na coluna. N o çõ es d e p ri m ei ro s so co rr o s 18 3 Caso a vítima esteja com a respiração ofegante, ela pode estar com um quadro de sintoma de asma, estado de choque, embolia pulmonar (existência de coágulo nas veias ou artérias do pulmão), asfixia devido a inalação de fumaça, intoxicação por monóxido de carbono, hemor- ragias ou lesão do pulmão, pescoço ou tórax. TEMPERATURA Meça a temperatura das vítimas nas axilas, e se for: � menor que 36 graus: pode indicar estado de choque, he- morragia interna ou morte; � maior que 37 graus: pode indicar febre ou exposição pro- longada ao sol. DILATAÇÃO DAS PUPILAS A pupila é o ponto mais escuro no centro do olho. Ela tem a carac- terística de se ajustar conforme exposição à luz. Contrai quando nos aproximamos da luz e dilata quando nos afastamos. Observe as pupi- las e verifique se elas estão contraídas ou dilatadas: � quando ambas as pupilas estão dilatadas, pode in- dicar estado de choque, parada cardíaca ou morte; � quando ambas as pupilas estão contraídas, pode indicar traumatismo craniano ou intoxicação; � quando uma pupila está dilatada e a outra contra- ída, pode indicar derrame cerebral. COR DA PELE A cor da pele também é um indicador da condição da vítima. Veja: Arroxeada Palidez Avermelhada 19 � arroxeada: exposição ao frio, estado de choque, parada cardior- respiratória ou morte; � palidez: hemorragia, exposição ao frio ou parada cardiorrespiratória; � avermelhada: febre, calor ambiente, ingestão de bebida alcoólica ou início de envenenamento por monóxido de carbono. PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA Quando uma pessoa não apresenta movimento de respiração e nem pulsação, pode indicar uma parada cardiorrespiratória. Outros sinto- mas: inconsciência, o peito não mexe, cianose, ausência de pulsação e palidez acentuada. A equipe de socorro fará a compressão torácica, também conhecida como massagem cardíaca. ESTADO DE CHOQUE O sangue é responsável por levar o oxigênio para as células. Quando há uma deficiência na circulação sanguínea, ocorre a falta de oxigênio nas células, condição conhecida por estado de choque. Essa defi- ciência pode ser provocada por grandes hemorragias, queimaduras graves, choques elétricos, ataque cardíaco, fratura ou graves trauma- tismos. Também pode ser provocado por uma crise de pânico. Sintomas Os principais sintomas são: palidez, suor na testa e nas palmas das mãos, calafrios, pulso fraco, respiração acelerada, pele fria e pegajosa, agitação e ansiedade, enjoos e vômitos, sensação de frios e tremores, inconsciência parcial ou total. Procedimentos � Se a vítima não apresentar lesão na coluna, eleve as pernas; � afrouxe as roupas; � retire qualquer objeto ou restos de comida da boca; � mantenha a vítima aquecida; � verifique a pulsação e a respiração. Glossário Cianose. É a descoloração azulada da pele. Massagem cardíaca. Técnica que objetiva garantir a oxigenação dos órgãos. Só pode ser realizada por profissionais. N o çõ es d e p ri m ei ro s so co rr os 20 3 DESMAIOS1 É a perda instantânea e temporária da consciência e da capacidade de manter-se em pé. Na maioria das vezes, os desmaios são causados pela diminuição da circulação sanguínea no cérebro, resultando em uma baixa oxigenação. O grande problema é que na queda, com fre- quência há traumatismos ou fraturas ósseas. O desmaio não é uma doença, mas pode ser um sintoma de doen- ças vasculares, distúrbios metabólicos, uso de medicação, hipotensão ou hipoglicemia. Fatores físicos ou emocionais como estresse, nervo- sismo, emoções fortes, dores, cansaço, consumo de drogas ou álcool também podem causar desmaios. Sintomas Alguns sintomas anunciam que a pessoa vai desmaiar, são eles: fraqueza, palidez, náuseas, ânsia, suor frio, pul- so fraca, respiração lenta e visão turva. Assim, se você perceber esses sintomas, apoie a vítima antes que ela caia, sente-a numa cadeira e coloque as pernas entre os joelhos. Peça que a vítima respire profundamente e não permita que ela se levante sozinha. Procedimentos Deite a pessoa desmaiada o mais confortável possível, mas lembre-se de não movimentá-la se houver risco de agravar o seu estado. Não tente acordar a vítima do desmaio. Se ela ficar in- consciente por mais de 5 minutos, chame a equipe de socorro imediatamente. Depois que ela recobrar a cons- ciência, mantenha-a deitada até ter certeza de que seu estado de saúde está bom. 1 http://drauziovarella.com.br/letras/d/desmaiosincope/ http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/06/entenda-causas-dos-desmaios.html Glossário Hipotensão. Estado de baixa pressão arterial. Hipoglicemia. Condição em que a taxa de glicose no sangue está baixa. https://drauziovarella.com.br/letras/d/desmaiosincope/ 21 CONVULSÕES São contrações musculares involuntárias de todo o corpo ou parte dele. Podem causar crises de convulsão2: febre alta, falta de sono, menstruação, estresse, emo- ções intensas, exercícios vigorosos, determinados ruí- dos, músicas, odores ou luzes fortes. Sintomas3 Alguns sintomas preveem a convulsão: sensação súbi- ta de medo ou ansiedade, enjoo, tontura ou até mesmo alteração na visão. Os sintomas de uma convulsão são: perda de consci- ência seguida de confusão, espasmos musculares, sali- vação saliente, movimentos rápidos dos olhos, alteração súbita de humor, lábios e dedos arroxeados, respiração irregular, perda do controle miccional e intestinal. Procedimentos4 Diante de um quadro de convulsão: � deite a vítima de lado para evitar que ela se engasgue com a pró- pria saliva; � apoie sua cabeça em algum material macio; � afaste os objetos ao redor que possam machucá-la; � afrouxe suas roupas e erga seu queixo para facilitar a respiração; � não tente puxar a língua da vítima para fora e nem coloque objetos em sua boca; � não jogue água no seu rosto; � mantenha-se próximo à vítima e não impeça os seus movimentos, apenas garanta que não há nada que possa machucá-la. 2 https://drauziovarella.com.br/letras/c/convulsao-2/ 3 http://pt.healthline.com/health/convulsoes#Sintomas3 4 https://drauziovarella.com.br/letras/c/convulsao-2/ e http://www.epilepsiabrasil.org.br noticias/voce-sabe-como-ajudar-durante-uma-crise-convulsiva Glossário Espasmos musculares. Contração involuntária ou anormal de um músculo, normalmente com dor na região. Micção. Ato de urinar. https://drauziovarella.com.br/letras/c/convulsao-2/ N o çõ es d e p ri m ei ro s so co rr o s 22 3 || ANÁLISE SECUNDÁRIA Após realizar a análise primária e ter normalizado as funções vitais da vítima, examine-a, verificando se há hemorragias, ferimentos, fra- turas, queimaduras etc. FERIMENTOS Os ferimentos podem ser considerados abertos ou fechados. Se hou- ver rompimento da pele, será caracterizado como aberto, caso contrá- rio, será fechado, como uma contusão. Há procedimentos específicos para cada tipo de ferimento. Veja: � contusões: são pancadas ou batidas. Apli- que compressas frias sobre a região e eleve a parte atingida, deixando-a em repouso; � ferimentos leves ou superficiais: são fe- rimentos como arranhões ou escoriações. Lave o ferimento em água corrente e pro- teja o local com uma compressa de gaze ou pano limpo até estancar o sangue5; � ferimentos profundos: nesses casos, o mais urgente é estancar o sangue. Se for preciso, limpe a área com um pano molhado para encontrar o ferimento. Depois, pressione o local do ferimento com gaze ou pano limpo e chame a equipe de socorro. A vítima deve ser encaminhada para o socorro médico caso o sangue não estanque em no máximo 10 minutos. � ferimentos abdominais abertos: são considerados perigosos de- vido a possibilidade de algum órgão interno da vítima ter sido atin- gido. Primeiramente, mantenha a vítima deitada, não mecha nos órgãos expostos e nem tente recolocá-los no lugar. Em seguida, proteja os órgãos com um pano úmido, fixando de forma firme e sem aplicar pressão excessiva. 5 https://drauziovarella.com.br/letras/c/cortes/ https://drauziovarella.com.br/letras/c/cortes/ 23 � ferimentos no tórax (peito): podem ser gravís- simos caso haja algum pulmão atingido. Se per- ceber ruídos de ar no sangramento, é possível que os pulmões estejam perfurados. Verifique a respiração da vítima até o socorro chegar, man- tendo-a vítima imóvel e agasalhada. Em uma situação de urgência, cubra o ferimento com plástico e pano limpo em compressa grande. O plástico deve ser fixado somente em 3 extremi- dades, deixando um a livre afim de facilitar a en- trada e saída de ar. � ferimentos nos olhos: necessitam de cuidados profissionais já que são muito sensíveis. Lave os olhos da vítima com água limpa. Certifique-se de que a água não contenha ne- nhum produto químico, uma vez que pode agravar a lesão. Cubra o olho com gaze ou pano limpo e peça à vítima para manter ambos os olhos fechados, mesmo se apenas um estiver com ferimento. Por fim, encaminhe a vítima ao um profissional. � ferimentos no rosto: podem ocorrer em forma de fraturas na face ou dentes, hematomas nas pálpebras e hemorragias nasais ou no ouvido. Esses ferimentos podem ser mais graves se, no caso de motociclistas, o capacete não tiver proteção facial plena. HEMORRAGIAS Hemorragias internas São aquelas em que não há o rompimento da pele. Alguns dos sintomas são: inchaço, lábios páli- dos, agitação, suor excessivo e pele escura e áspera. Veja os principais procedimentos: � não retire objetos empalados; � não recoloque os órgãos expostos na cavidade; � não aplique compressão sobre os órgãos; � procure socorro médico imediatamente. Fixar somente 3 extremidades N o çõ es d e p ri m ei ro s so co rr o s 24 3 Hemorragias externas São aquelas em que há o rompimento da pele e podem ser: Procedimentos para pequenos sangramentos � Proteja-se utilizando uma luva de borracha; � aplique compressa com gaze ou pano limpo; � se não houver suspeita de fraturas, eleve os membros superiores ou inferiores; � realize bandagem: ela possibilita a imobilização de parte do cor- po, se adapta à forma do membro, exercendo a pressão na medi- da adequada, além de sustentar curativos. Não retire a bandagem para colocar outra, e sim sobreponha; � aguarde o socorro especializado. Procedimentos para grandes sangramentos � Proteja-se utilizando uma luva de borracha ou uma sacola plástica; � aplique a compressa, se ela ficar encharcada de sangue, coloque outra por cima; � pressione os pontos arteriais. Compressão digital: o ponto de compressão no membro superior é a artéria braquial, próxima ao bíceps; e, no mem- bro inferior é a artéria femoral, próxima a virilha; ARTERIAL Rompimento de uma artéria � sangue sai em jatos; � cor vermelha rutilante (vivo); � difícil de ser controlada; � procedimentos para grandes sangramentos. VENOSA Rompimento de uma veia � sangue escorre; � cor vermelha mais escura; � mais fácilde controlar do que a arterial; � procedimentos para pequenos ou grandes sangramentos. CAPILAR Rompimento de um vaso capilar (pequeno calibre) � sangue escorre lentamente; � cor vermelha mais escura; � facilmente controlada com procedimentos para pequenos sangramentos. Glossário Gaze. Tecido fino, de trama aberta, feito de algodão, seda ou fibras sintéticas. Bandagem. Faixa aplicada sobre um ferimento. 25 � jamais fazer torniquete, procedimento médico no qual se bloqueia a passagem do sangue para um determinado membro; � não retirar objetos encravados. QUEIMADURAS As queimaduras podem ser classificadas em três níveis: Há também as queimaduras por produtos químicos como áci- dos, cal, produtos cáusticos e agentes químicos em forma de pó. Nes- ses casos, não lave a região, pois em muitas situações, a água pode reagir com os produtos e agravar as lesões. Por isso, procure socorro imediatamente. Procedimentos � Afaste a fonte de calor; � retire rapidamente objetos que possam apertar como anéis, pulseiras e relógio, antes que ocorra inchaço; � lave com água corrente; � aguarde a chegada do atendimento especializado; � não fure bolhas; � não passe produtos como borra de café, clara de ovo, pimenta etc; � não coloque gelo; � não remova roupas que estejam grudadas à pele. 1º GRAU Queimadura superficial, atinge somente a epiderme e possui sintomas de dor e vermelhidão. 2º GRAU Queimadura parcial, atinge a epiderme e a derme e possui sintomas de dor e vermelhidão mais intensa, além da formação de bolhas. 3º GRAU Queimadura total, atinge todas as camadas da pele (pele, gordura, músculos e ossos). Os sintomas são pouca e/ou ausência de dor e área escurecida ou esbranquiçada. N o çõ es d e p ri m ei ro s so co rr o s 26 3 Em caso de fogo nas roupas: � não deixe a vítima correr pois o oxigênio pode agravar a combustão; � deite-a no chão com as chamas para cima; � use um cobertor, toalha ou agasalho para abafar as chamas, come- çando da cabeça em direção aos pés. Também pode fazer a vítima rolar no chão. Em caso de queimadura por corrente elétrica: não toque na vítima e afaste-a da fonte de energia com um isolante como cabo de vassoura, borracha, pano grosso ou corda. Nunca utilize objetos metálicos ou úmidos6. Leve o acidentado imediatamente ao hospital para veri- ficar se não houve alguma lesão interna. FRATURAS As fraturas podem ser: � abertas (ou expostas): o osso quebra e rompe a pele. Sintomas: dor, inchaço, defor- mação e sangramento; � fechadas: o osso quebra, mas não há o rom- pimento da pele. Sintomas: dor, inchaço, de- formação e local arroxeado. Procedimentos � Impessa o deslocamento e movimento das partes quebradas; � se possível, proteja o membro com uma bandagem até a chegada do socorro especializado; � em caso de fratura exposta, NÃO tentar recolocar o osso fratu- rado no lugar; � nunca massagear o local; � não movimentar o membro. 6 http://www.edp.com.br/distribuicao/edp-bandeirante/utilidades/acidentes-com-energia-ele- trica/Paginas/default.aspx 27 Luxação7 É o descolamento repentino, podendo ser parcial ou completo, de algum osso composto em uma articulação. Diferentemente da fratu- ra, o osso apenas sai do lugar, sem se quebrar. Porém, não exclui a possibilidade daquele osso também conter uma fratura. Os sintomas são: dor intensa, inchaço, hematoma, pode haver fraqueza muscular e deformação da articulação. FRATURAS NA COLUNA Não movimente a vítima e infor- me a condição da vítima ao serviço de socorro. Se a vítima informar dor no pescoço e você perceber posi- cionamento estranho da cabeça ou adormecimento dos braços, pernas ou outras partes do corpo, ela pode- rá ter sofrido uma fratura na coluna. Nesses casos, é extremamente importante mobilizar a cabeça e o pescoço, pois uma lesão em algum nervo dessa região pode chegar a deixar a vítima paralítica. SE O SOCORRO NÃO PUDER CHEGAR AO LOCAL, veja como proceder: � segure a cabeça da vítima pressionando a região das orelhas afim de imobilizar a cabeça e o pescoço; � não mova a vítima caso ela esteja dentro do veículo; � se a vítima estiver de lado ou de bruços e respirando, mantenha a cabeça sustentada na posição em que se encontra até a chegada do socorro; � somente vire a vítima caso perceba que ela não está respirando. FRATURAS NO CRÂNIO As fraturas no crânio podem ser gravíssimas e não são fáceis de identificar, pois nem sempre são visíveis. Os sintomas são: dor local, 7 https://drauziovarella.com.br/letras/l/luxacao/ N o çõ es d e p ri m ei ro s so co rr o s 28 3 vômito, inconsciência, parada respiratória e sangramento pelo nariz, boca ou ouvido. SE O SOCORRO NÃO PUDER CHEGAR AO LOCAL, ao suspeitar de fratura no crânio: � deite a vítima de costas e afrouxe suas roupas; � proteja o ferimento com uma compressa ou panos limpos; � mantenha a vítima aquecida; � em caso de acidentes com motocicletas, não retire o capacete; � aguarde pelo socorro e em caso da vítima estar inconsciente, leve-a imediatamente ao hospital. FRATURAS DAS COSTELAS Os sintomas de uma suspeita de fratura na costela são dificuldade e dor para respirar. Caso haja eliminação de sangue pela boca, tente manter as vias aéreas desobstruídas e evite movimentar a vítima. O sangue pode ser sinal de que algum pulmão foi atingido. AMPUTAÇÕES A amputação traumática é a mutilação, quando um membro ou es- trutura se separa do restante do corpo. Veja os procedimentos: � faça compressão do local com força, usando gazes ou panos limpos; � recolha a parte amputada, enrole-a com panos limpo e coloque-a em um saco plástico com água limpa; � armazene o saco dentro de um recipiente ou outro saco com gelo; � não coloque o membro amputado diretamente no gelo. SE O SOCORRO NÃO PUDER CHEGAR AO LOCAL, imobilize o ferimentos com talas e somente depois movimente a vítima, caso seja necessário. 29 || CUIDADOS COM A VÍTIMA (O QUE NÃO FAZER) Evite movimentar a vítima: você pode causar a piora de uma lesão na coluna ou uma fratura de braço ou perna. Se houver perigos ou riscos imediatos como incêndio, queda do veículo ou explosões, faça a remoção utilizando técnicas ade- quadas e ajuda. Evite impedir os movimentos da vítima. Parada cardiorrespiratória: chame socorro imediatamente, uma vez que não é permitido que um leigo faça técnicas de reanimação cardiorrespiratória. Não tente colocar no lugar membros ou vísceras/órgãos expostos: a movimentação pode agravar as lesões e provocar o rompimento de vasos sanguíneos ou lesões nos nervos. Fraturas de costelas: não realize nenhum procedimento que possa dificultar a respiração da vítima, como enfaixar o tórax. Não arranque partes do vestuário grudados ao corpo por motivo de queimadura. Não aplique torniquetes: atualmente o torniquete só é apli- cado por profissionais treinados e, mesmo assim, quase nunca é aconselhado. Não troque curativos: Você pode contaminar e infeccionar o ferimento. Além disso, você correrá o risco de contrair alguma doença contagiosa ou infecção. Não aplique produtos nos ferimentos e queimaduras: Você pode contaminar e infeccionar o ferimento, causando um agravamento do estado da vítima. Não dê alimentos ou bebidas para a vítima: a ingestão de qualquer substância pode interferir negativamente nos pro- cedimentos hospitalares (com exceção de pessoas cardíacas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 30 N o çõ es d e p ri m ei ro s so co rr o s 3 que que podem fazer o uso de seus medicamentos). Pode ocorrer he- morragias internas e o líquido pode chegar aos pulmões, agravando a situação. Além disso, caso a vítima necessite de uma cirurgia, ela pre- cisará estar de estômago vazio e, o líquido ou alimento ingerido pode demorar várias horas para ser absorvido pelo organismo. ATENÇÃO! A técnica da elevação da mandíbula somentedeve ser exe- cutada por profissionais extremamente capacitados. O DETRAN/RS através da Divisão de Habilitação, em 15 de julho de 2008, expediu correspondência eletrônica alegando que as técnicas de reanimação cardiorrespiratória, mobilização e outros procedimentos específicos do socorro devem ser feitos apenas por profissionais. A realização desses procedimentos por leigos pode agravar o estado da vítima8. || CUIDADOS ESPECIAIS COM A VÍTIMA MOTOCICLISTA Além de todos os cuidados vistos anteriormente, quando o aciden- tado é um motociclista, alguns cuidados especiais devem ser tomados: � desconfie sempre de que haverá fratura na região inferior, por cau- sa da queda; � não movimente a vítima e nem a remova do local: você pode agra- var o estado geral dela e gerar outras complicações; � não retire o capacete: a simples retirada do capacete pode movi- mentar intensamente a cabeça e agravar lesões no pescoço ou crâ- nio. Somente retire o capacete se a vítima estiver com sinais claros que tem dificuldade de respirar e necessita de respiração artificial; � proteja bem o local para que o trânsito de veículos fique bem dis- tante da vítima; � nunca eleve a cabeça e pernas: não é recomendado que movimen- te nem se eleve a cabeça ou as pernas pois geralmente as fraturas de vitimas de moto são agravadas. 8 Os conteúdos de primeiros socorros seguem orientações do CONTRAN e DETRAN /RS 31 || ACIDENTES SEM VÍTIMA � Retire o veículo do local para desbloquear a via; � não há a necessidade de chamar resgate; � faça o Boletim de Ocorrência na delegacia mais próxima. Algumas cidades já oferecem a possibilidade de fazer o registro online. Caso seja observado, nos condutores envolvidos, a suspeita de cri- mes de trânsito como embriaguez, condutor não habilitado etc. A Polícia Militar (190) ou Rodoviária (191) deve ser acionada e os condutores devem permanecer no local até a chegada da viatura. 32 TESTE OS SEUS CONHECIMENTOS 1. Qual ação deve ser realizada para sinalizar o local do acidente? a. Bloquear o fluxo de trânsito da via com o seu veículo, ligando o pisca-alerta. b. Estacionar o veículo em local seguro, li- gando o pisca-alerta, evitando bloquear o fluxo de trânsito. c. Estacionar o veículo em local seguro, evi- tando bloquear o fluxo de trânsito. Não é necessário ligar o pisca-alerta. d. Bloquear o fluxo de trânsito da via com o seu veículo. Não é necessário ligar o pis- ca-alerta. 2. Para sinalizar o local do acidente, você deve considerar a velocidade da via e as condições da pista, sendo: a. Se a pista estiver seca, calcular 2 passos por km/h. Se a pista estiver molhada, cal- cular 5 passos por km/h. b. Se a pista estiver seca, calcular 2 passos por km/h. Se a pista estiver molhada, cal- cular 1 passo por km/h. c. Se a pista estiver seca, calcular 1 passo por km/h. Se a pista estiver molhada, calcular 2 passos por km/h. d. Se a pista estiver seca, calcular 2 passos por km/h. Se a pista estiver molhada, cal- cular 3 passos por km/h. 3. O que deve ser feito em um acidente de trân- sito que envolva caminhão de transporte de produtos perigosos, como o combustível? a. Isolar o local, mantendo uma distância mí- nima de 100 metros e em sentido contrá- rio ao vento. Informar à equipe de socorro o que está escrito na placa de segurança para que eles identifiquem o tipo de pro- duto e os riscos. b. Isolar o local, mantendo uma distância máxima de 50 metros e em sentido a favor do vento. Informar à equipe de socorro o que está escrito na placa de segurança para que eles identifiquem o tipo de pro- duto e os riscos. c. Isolar o local, mantendo uma distância mínima de 100 metros e em sentido con- trário ao vento. Não é necessário informar à equipe de socorro que se trata de um acidente envolvendo produtos perigosos. d. Isolar o local, mantendo uma distância máxima de 50 metros e em sentido a fa- vor do vento. Não é necessário informar à equipe de socorro que se trata de um acidente envolvendo produtos perigosos. 4. Qual dos serviços abaixo deve ser acionado para socorrer qualquer emergência ligada à saúde, em qualquer local, inclusive acidentes de trânsito? a. Polícia Militar, ligando para 190. b. Polícia Rodoviária Federal, ligando para 191. c. Serviço de Atendimento Móvel de Urgên- cia (SAMU), ligando para 192. d. Polícia Rodoviária Estadual, ligando para 198. 5. Em um acidente de trânsito, o que o condu- tor pode fazer enquanto espera a equipe de socorro? a. Conversar com ela, acalmando-a e infor- mando-a do que está acontecendo, sem passar informações impactantes. b. Nada, o condutor deve aguardar o mais distante possível das vítimas. c. Movimentar a vítima para longe do fluxo de veículos, facilitando a chegada do socorro. d. Ficar próximo da vítima, mesmo que a si- tuação ofereça riscos ao condutor. 6. Se houver mais de uma vítima no local do aci- dente, qual delas a equipe de socorro atende- rá primeiro? a. A vítima que estiver mais agitada, para acalmar a situação. 33 b. A vitima que estiver mais quieta e não conseguir se movimentar, pois pode indi- car parada respiratória. c. A vítima que estiver com ferimentos mais leves para atender o maior número de pessoas primeiro. d. Não há prioridade de atendimento, a equi- pe irá atender a que estiver mais próxima. 7. Se em um acidente de trânsito, a vítima apre- sentar convulsão. Qual é a recomendação para esse caso? a. Deitar a vítima de bruços, afastar objetos que possam machucá-la e apertar as rou- pas para impedir a movimentação. b. Deitar a vítima de lado, apertar as roupas para impedir movimentação e tentar pu- xar a língua da vítima para fora. c. Deitar a vítima de lado, apoiar sua cabeça em material macio, afrouxar suas roupas e colocar alguma objeto em sua boca para que ela morda. d. Deitar a vítima de lado, apoiar sua cabe- ça em material macio, afastar objetos que possam machucá-la e afrouxar suas roupas. 8. Quais procedimentos NÃO SÃO INDICADOS para tratar queimaduras de 2º grau? a. Afastar a fonte de calor e retirar objetos que possam apertar antes do inchaço. b. Afastar a fonte de calor e lavar a região com água corrente; c. Retirar objetos que possam apertar antes do inchaço e lavar a região com água cor- rente. d. Remover roupas que estejam grudadas na pele e furar bolhas. 9. Quais das ações indicam um procedimento que NÃO DEVE ser realizado em primeiros so- corros? a. Em caso de queimaduras NÃO aplicar ne- nhum tipo de produto, para não contami- nar ou infeccionar o ferimento. b. Em caso de parada cardiorrespiratória, de- ve-se chamar o socorro imediatamente, pois não é permitido que um leigo faça técnicas de reanimação cardiorrespiratória. c. Em caso de queimaduras, o indicado é NÃO arrancar a roupa que esteja grudada na pela da vítima. d. Se a vítima estiver com sede oferecer água, mantendo-a hidratada até que o socorro chegue ao local. 10. O que fazer em um acidente com vítima mo- tociclista que esteja inconsciente e com os jo- elhos dobrados em posição estranha? a. Retirar o capacete, desdobrar os joelhos e acionar a equipe de socorro. b. Desdobrar os joelhos da vítima para uma posição mais confortável e acionar a equi- pe de socorro. c. Verificar se está respirando sem retirar o capacete e acionar a equipe de socorro. d. Virar a cabeça do motociclista e tentar acordá-lo. 11. Se a vítima apresentar temperatura inferior a 36º C, ela pode estar apresentando sinal de: a. Hemorragia interna ou estado de choque. b. Febre ou hemorragia interna. c. Exposição prolongada ao sol ou febre. d. Febre ou estado de choque. 12. Em caso de acidente de trânsito com vítima, o condutor deverá: a. Sinalizar a área do acidente, com o carro impedindo o fluxo de trânsito e com o fa- rol alto ligado. b. Sinalizar a área do acidente com triângulo, estacionar o carro em local seguro, ligar o pisca-alerta e chamar a equipe de socorro. c. Remover, imediatamente,as vítimas do lo- cal, colocando-as na lateral da pista ou na calçada e avisar os familiares. d. Não perder tempo e levar a vítima para o hospital mais próximo em seu veículo. 1 - B, 2 - C , 3 - A , 4 - C , 5 - A , 6 - B, 7 - D , 8 - D , 9 - D , 1 0- C , 1 1- A , 1 2- B N o çõ es d e p ri m ei ro s so co rr o s 34 3 REFERÊNCIAS ABRAMET Noções de Primeiros Socorros no Trânsito. São Paulo: ABRAMET, 2005. Disponível em: <http:// www.abramet.com.br/files/cartillha_ primeiros_socorros.pdf>. Acesso em: 12/01/2016. ANFAVEA. Noções de Primeiros Socorros no trânsito. In: ANFAVEA. Manual Básico de Segurança no Trânsito. [S.I.]: [s.n.], [s.d.]. Disponível em: <http:// www.anfavea.com.br/documentos/ capitulo5seguranca.pdf>. Acesso em: 12/01/2016. BRASIL. Lei N° 2.848, de 07/12/1940. Código Penal. Brasília, D.F.: Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decreto-lei/Del2848.htm>. Acesso em: 12/01/2016. ______. Lei N° 9.503, de 23/09/1997. Institui o Código de Trânsito Brasileiro. Código de Trânsito Brasileiro. Brasília, DF. Disponível em: <http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503.htm>. Acesso em: 12/01/2016. EDP. Acidentes com energia elétrica. 2012. Disponível em: <http://www.edp. com.br/distribuicao/edp-bandeirante/ utilidades/acidentes-com-energia-eletrica/ Paginas/default.aspx>. Acesso em: 07/02/2017. FISIOTERAPIA PARA TODOS. Respiração ofegante ou falta de ar. Disponível em: <http://www.fisioterapiaparatodos.com/p/ doencas-respiracao/respiracao-ofegante- ou-falta-de-ar/>. Acesso em: 07/02/2017. G1. Aceleração cardíaca em repouso é sinal de alerta para ir ao médico. São Paulo, SP. 2015. Disponível em: <http:// g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/02/ coracao-acelerado-e-normal-ao-fazer- exercicio-fisico-e-sentir-muita-emocao. html>. Acesso em: 07/02/2017. ______. Entenda as causas do desmaio. São Paulo, SP. 2015. Disponível em: <http://g1.globo.com/bemestar/ noticia/2015/06/entenda-causas-dos- desmaios.html>. Acesso em: 07/02/2017. HEALTHLINE. Convulsões. Disponível em: <http://pt.healthline.com/health/ convulsoes#Tratamento8>. Acesso em: 07/02/2017. HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. Primeiros Socorros: Conhecimentos que valem uma vida. 2007. Atualizada em novembro de 2009. Disponível em: <http://www.einstein.br/einstein-saude/ vida-saudavel/primeiros-socorros/Paginas/ primeiros-socorros-conhecimentos- que-valem-uma-vida.aspx>. Acesso em: 12/01/2016. MINISTÉRIO DA AÇÃO SOCIAL (Brasil). Primeiros Socorros. In: BIREME. Descritores em Ciências da Saúde. [S.I.]: [s.n.], 2015. 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