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Jéssica Oliveira | Medicina Veterinária Clostridioses em Aves • Características gerais: o Bacilos gram positivos que esporulam, resistindo a condições extremas no ambiente. São anaeróbios na maioria. Algumas espécies produzem toxinas altamente potentes. o Doenças causadas nas aves: enterite ulcerativa; enterite necrótica; dermatite gangrenosa; botulismo. ENTERITE ULCERATIVA Conhecida como doença das codornas, pois elas têm uma sensibilidade muito grande, mas pode acometer outras espécies de aves. Afeta principalmente aves jovens. O agente etiológico é o Clostridium colinum. Patogenese e epizootiologia: o hospedeiro mais susceptível é a codorna, mas pode acometer outras aves (frangos comerciais são menos propensos porque eles recebem um tratamento que não favorece a disseminação e infecção por essa bactéria, mas se houver condições desfavoráveis eles também podem ser acometidos). Dizer que as codornas são mais sensíveis é sobre, quando infectadas, elas têm quadros mais graves de sintomatologia, mas a probabilidade de ocorrer a infecção é a mesma a de outros animais com as mesmas condições de manejo. A transmissão é horizontal, pela ingestão, com período de incubação rápido, de até 3 dias. A morbidade e a mortalidade podem chegar a 100% em aves jovens. Os sinais clínicos são morte aguda sem sinais clínicos (quando a bacteremia é muito aguda, a ave morre de choque), fezes esbranquiçadas e aquosas, apatia, emaciação, penas foscas e arrepiadas. É uma bactéria histotóxica, ou seja, agride os tecidos que está colonizando. Na necrópsia, se encontra uma mucosa intestinal afinada, presença de lesões ulcerativas nessa mucosa (lesões diftéricas), fígado pode se apresentar esverdeado ou amarelado (bem comum em clostridioses). Na microscopia, se observa necrose dos vilos, infiltrados inflamatórios, edema da parede intestinal, colônias bacterianas. ENTERITE NECRÓTICA Fatores nutricionais, além de danos pré-existentes na mucosa intestinal (doenças como a coccidiose que lesiona a mucosa favorece a multiplicação desse agente), predispõe a multiplicação do agente. O agente etiológico é o Clostridium perfringens do tipo A e C, que geram toxinas letais e necrosantes. Patogenese e epizootiologia: os hospedeiros são as aves no geral (galinhas, perus, codornas) e a transmissão é horizontal, por ingestão. Os sinais clínicos são inconclusivos, apresentando depressão e relutância em se mover, queda no apetite, diarreia (pode ou não ser hemorrágica), penas foscas e arrepiadas. Os sinais clínicos são breves, porque a morte é aguda. As lesões macroscópicas observadas em necropsia são: serosa do intestino com intensa hemorragia (enterite hemorrágica), odor fétido de putrefação, presença de coágulos com desprendimento da parede do intestino. Pode haver perfuração do intestino, com extravasamento do conteúdo intestinal para a cavidade abdominal. O que diferencia a histopatologia dessa para a anterior, é que na ulcerativa as lesões são mais superficiais, na necrótica consegue alcançar a submucosa intestinal, podendo perfurar o intestino. As lesões microscópicas incluem necrose difusa, destruição das células, necrose coagulativa, Como diferenciar de eimeria? A eimeria coloniza pontos do intestino, na coccidiose o intestino se apresenta todo lesionado. DERMATITE GANGRENOSA Agente etiológico: C. septicum, C. perfringens e Staphylococcus aureus. Patogenese e epizootiologia: os hospedeiros são as aves no geral, a transmissão é horizontal Sinais clínicos: apatia, depressão, lesões hemorrágicas comumente encontradas na ponta da asa, podendo se espalhar. Lesão microscópica: lesões hemorrágicas, presença de gás, necrose, ninhos de bactérias no tecido. Essa doença é favorecida por doenças imunodepressoras, lesões na pele, junto a um ambiente com mau manejo que favorece o crescimento dessas bactérias. A coccidiose geralmente acomete todo o galpão, porque ela é disseminada pelas fezes que se espalham pela cama conforme os animais vão defecando. A clostridiose no geral é característica de só ocorrer em um local do galpão, enquanto o restante das aves estão bem. Isso porque a bactéria precisa de um ambiente de anaerobiose para se multiplicar, como uma cama compactada e úmida que não foi retirada, por exemplo. BOTULISMO É uma intoxicação causada pela toxina do C. botulinum. Ele produz 8 grupos de toxinas, sendo a mais comum em aves a C alfa. Tem como hospedeiros aves, mamíferos, peixes. A transmissão é horizontal e o período de incubação é dose-dependente (mas uma dose muito pequena já é capaz de fazer estragos). Os sinais clínicos são bem característicos, com uma paralisia ascendente que começa nas pernas, e as aves vem a óbito por paralisia cardiorrespiratória. O que diferencia essa doença da marek, Newcastle... é que na necropsia se observa total ausência de lesões (não tem lesão no fígado, nervo ciático, vago, não tem hemorragia...). A dose toxigenica é menor que a imunogênica, a mortalidade acontece muito rapidamente, as vezes em poucas horas. Afeta o SN em geral. O diagnóstico é clínico, as lesões pos-mortem não ajudam. Para o BOTULISMO, o que é conclusivo é o bioensaio: se extrai o conteúdo do papo do animal, filtra o conteúdo e inocula o filtrado com a toxina botulínica em um camundongo de laboratório para observar o quadro de morte do animal. Paralelo a isso, se faz uma prova com anticorpos específicos para a toxina botulínica. Por isso que tem que fazer o bioensaio, porque o isolamento e identificação bioquímica do agente nem sempre dá positivo, pois o animal pode apenas ter ingerido a toxina e não o agente, o que já vai gerar o quadro clínico. 1. Diagnóstico das Clostridioses Se faz primeiro o diagnóstico sugestivo se observando os sinais clínicos e a necropsia. • Enterite ulcerativa: isolamento do agente em cultura, coloração de gram e provas bioquímicas; • Enterite necrótica: isolamento, coloração de gram e provas bioquímicas e bioensaio (apenas para a caracterização de toxinas); • Dermatite gangrenosa: isolamento do agente em cultura, coloração de gram e provas bioquímicas; • Botulismo: bioensaio. 2. Tratamento Se trata para evitar a eliminação de mais clostridios no ambiente, mas as aves em evolução não se recuperam com esse tratamento. Uso de probióticos para também diminuir a disseminação dessas bactérias no ambiente. Não há necessidade de acabar com todo o lote, apenas das aves doentes. Se tira as aves saudáveis daquele local, limpa bem o local para depois colocar os animais novamente. 3. Controle • Manejo correto de cama e resíduos Redução das causas predisponentes (lesões nas aves, imunodepressão, estresse, doenças que favorecem as clostridioses, má alimentação) Antibioticoterapia e exclusão competitiva (usando probiótico), para diminuir a instalação desse agente no ambiente.