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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E GESTÃO SOCIAL DISCIPLINA DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DOCENTE EDUARDO VÍVIAN DA CUNHA MARIA DAIANYY DE SOUZA MACHADO RESENHA: Parte I do livro Desenvolvimento sustentável: desafio do século XXI JUAZEIRO DO NORTE 2018 Veiga. José Eli da. Desenvolvimento Sustentável: o desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Garamond, 2010. Na obra intitulada “Desenvolvimento Sustentável: o desafio do século XXI”, por José Eli da Veiga, se percebe de imediato a ideia que o autor pretende abordar quando se trata de desenvolvimento sustentável, visto que este se tornou um ideal buscado principalmente pela sociedade hodierna, já que está intimamente relacionado aos anseios da coletividade. No início de sua obra, o autor se dedica a tratar somente dos métodos que medem o desenvolvimento, fazendo um paralelo a outros elementos que também podem ser inseridos nesse contexto. Assim, Veiga expõe num primeiro momento o desenvolvimento sob perspectivas básicas e distintas, que são: o desenvolvimento como crescimento econômico e o desenvolvimento como mito ou mera utopia. Nessa primeira, o autor nos transmite a ideia de que o desenvolvimento é visto como sendo sinônimo de crescimento econômico, como é o caso do indicador do PIB per capita, do IDH, dentre outros indicadores. Na segunda, o desenvolvimento é visto de forma desencantada, não passando de mera ilusão, pois é a partir de tal pensamento que vislumbramos uma visão distorcida que é enxergada até como forma de dominação dos países periféricos, por exemplo. Contudo, podemos afirmar que esse entendimento acerca do desenvolvimento alicerçado nas perspectivas expostas anteriormente é bastante vago, pois ele abrange diversos fatores para sua compreensão. Portanto, para engrandecer essa ideia de desenvolvimento, temos a cultura e a política como exemplos de elementos a serem somados, já que se torna impossível tratar de desenvolvimento se utilizando apenas de fatores econômicos e sociais. É possível entender a complexidade que o desenvolvimento passou a ter diante da sociedade, pois com ele foi possível atrelar outras questões determinantes para seu melhor significado. Dessa maneira, encontramos na sociedade várias maneiras de se detectar o desenvolvimento, porém a problemática que envolve essa questão são os meios utilizados para medi-lo. Esse pensamento nos induz a refletir as inúmeras possibilidades que poderiam servir de parâmetro para o desenvolvimento, mas que infelizmente não são postas em prática devido a um preconceito entranhado nos indivíduos que pensam em algumas formas de desenvolvimento como uma espécie de retrocesso, fato este que impossibilita práticas que fomentam o desenvolvimento. Enquanto os indivíduos não possuírem uma nova consciência a respeito da pluralidade de fatores que promovem o desenvolvimento, nós estaremos fadados a encarar o desenvolvimento sustentável como utopia, e foi justamente por essa questão que Veiga encara o tema em comento como um desafio do século, pois muito se fala e pouco se faz. Para tanto, o que mais se evidencia nesse primeiro momento é uma crítica com relação aos métodos utilizados para medir o desenvolvimento, e é justamente nesse eixo que o autor pretende despertar no leitor uma necessidade de se imaginar outros parâmetros capazes de medir o desenvolvimento, considerando diversos elementos que por muitas vezes não são vistos com bons olhos pela sociedade. No intuito de tecermos reflexões acerca do desenvolvimento sustentável enquanto necessidade eminente para o bem global, Boff (2017) nos trás relevantes considerações no que diz respeito à temática. Para o autor, somente mediante a sustentabilidade real, verdadeira e efetiva seria possível organizar uma aliança de cuidado que reconheça a tríade Terra, Vida Humana e Comunidade. A conjugação com os princípios do cuidado e da prevenção corresponderiam, dessa forma, à melhor possibilidade de superação dos riscos que afligem o desenvolvimento humano e da natureza. Para o autor supracitado, o termo sustentabilidade significa: Um conjunto dos processos e ações que se destinam a manter a integridade e a vitalidade da Mãe Terra, a preservação dos ecossistemas... e a continuidade, expansão e realização das potencialidades humanas em suas várias expressões. (BOFF, 2017, p. 11). Nessa perspectiva, um propósito estruturante deste processo é criar um modo sustentável de vida. Neste, o sentido atribuído aos termos crescimento e desenvolvimento não podem ser estritos e reducionistas, mas de amplitude considerável com vistas ao alinhamento das práticas humanas às potencialidades da natureza e as reais necessidades das gerações. Emerge, nesse contexto, o entendimento de que a sociedade vem sendo instigada a (re)pensar e (re)organizar o seu lugar dentro da biosfera a partir de uma nova perspectiva, na qual a atividade humana não ameace as futuras gerações e se adeque às necessidades vigentes. Diante de todos os elementos apresentados, verificamos o quanto a sociedade coloca como prioridade questões pouco relacionadas à qualidade de vida e ao bem estar, pois só o que vemos hoje em dia é a busca incessante pelo “crescimento” e a captação de renda para movimentar a economia a qualquer preço, o que vem a ser preocupante se analisarmos como nós já sofremos os impactos dessa inversão de valores. É justamente por conta disso que muitas grandes empresas preferem arcar com multas a preservar o meio ambiente, pois utilizam este como matéria prima ou como mero depósito de lixo dos materiais de suas grandes produções. Em detrimento de vender mais e obter mais lucro, os grandes produtores acabam ignorando os problemas que causam e que podem causar ao meio ambiente e aos indivíduos. Práticas como a utilização de agrotóxicos e fertilizantes nas plantações, trabalho análogo à escravidão, devastação do meio ambiente, assim como a provocação do consumismo exacerbado de produtos gerando um excesso de resíduos, são ações comuns entre os detentores do mercado. Podemos correlacionar em contrapartida a essas ações, o surgimento da Economia Solidária que visa um comércio justo e solidário. Nessa ótica, a dignidade humana está acima de qualquer relação comercial. Os pequenos produtores conseguem gerar renda, socialmente compartilhada, promovendo o bem-viver de todos os envolvidos e a sustentabilidade do planeta. Com o entendimento dessas informações, surge à necessidade de um aprofundamento nas questões que envolvem o desenvolvimento, e, com isso, nos indagamos de que maneira surgiu a denominação “desenvolvimento sustentável” e que elementos compõem seu significado, o que vem a ser um estímulo para a leitura do próximo capítulo. REFERÊNCIAS: Boff, Leonardo. Sustentabilidade: o que é – o que não é. Petrópolis, RJ. Vozes: 2017. Veiga. José Eli da. Desenvolvimento Sustentável: o desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Garamond, 2010.