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1 TÍTULO DA DISCIPLINA: CUSTOS DA QUALIDADE EDIÇÃO Nº 1 – 2017 ENGO. MBA ADRIANO A.L.C.GAMA FILHO 2 APRESENTAÇÃO Prezado Aluno (a), Você está prestes a iniciar a disciplina de Custos da Qualidade do curso de Pós- graduação “Lato Sensu” em Gestão da Qualidade. Seja bem-vindo e espero que possa apreciar e agregar mais conhecimentos para sua vida profissional. O conceito de Custo da qualidade deve ser atrelado ao conceito de gestão de custos e o conceito da qualidade. Entender como estes processos se interligam e as especificidades de cada um é o objetivo deste curso. As demandas atuais da qualidade demandam em âmbito mundial uma força competitiva muito presente e forte nas estartégias empresariais. Dedico esta obra aos professores Luiz Januário, colega meu na ex. instituição de ensino Magister, e ao trabalho dos profs. Luiz Gustavo Sanssarão Moraes e Erondi de Paula Lopes Junior, que através de seus artigos serviram de base para a elaboração deste conteúdo. A disciplina estará dividida em quatro unidades, sendo elas referenciadas da seguinte maneira: Unidade I: Contabilidade de custeios Unidade II: Sistemas de apuração de custos Unidade III: Gestão da qualidade total Unidade IV: Custos da qualidade e não qualidade 3 4 Sumário Unidade I ................................................................................................................................................ 8 CONTABILIDE DE CUSTOS ............................................................................................................... 9 CONCEITO DA CONTABILIDADE DE CUSTOS ........................................................................... 10 APARECIMENTO DA CONTABILIDADE DE CUSTO ................................................................... 10 Estoque Inicial (Ei) (10 un.x $1,00) $ 10,00 ................................................................................... 12 LOCALIZAÇÃO DA CONTABILIDADE DE CUSTOS .................................................................... 14 1.1 CONCEITOS BÁSICOS EM CUSTOS ................................................................................. 15 Classificação dos custos .................................................................................................................... 16 Custos diretos .................................................................................................................................. 16 Custos indiretos ............................................................................................................................... 17 Custos fixos ...................................................................................................................................... 18 Custos variáveis............................................................................................................................... 18 PRINCÍPIOS CONTÁBEIS APLICADOS A CONTABILIDADE DE CUSTOS ............................. 19 DETALHANDO MAIS OS CONCEITOS DE CUSTOS .................................................................. 20 DEFINIÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS ............................................................................................ 20 MATERIAL DIRETO ........................................................................................................................... 21 Impostos recuperáveis ........................................................................................................................ 22 Exemplo: ............................................................................................................................................... 22 Qual é o custo efetivo do produto adquirido? .................................................................................. 22 INVENTÁRIOS PERIÓDICOS E PERMANENTES ........................................................................ 23 Inventários periódicos ..................................................................................................................... 23 Inventário permanente .................................................................................................................... 23 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES ................................................................................ 23 UEPS/LIFO (last in last out) ............................................................................................................... 24 MÃO-DE-OBRA DIRETA .................................................................................................................... 24 CUSTOS INDIRETOS ............................................................................................................................ 26 5 DEFINIÇÃO DE CUSTOS INDIRETOS ........................................................................................... 26 Exemplo de Rateio pela simples divisão ......................................................................................... 27 Exemplo de rateio pela quantidade produzida ................................................................................ 28 Exemplo de rateio pela Mão de Obra Direta (MOD) ....................................................................... 29 Comparação dos três métodos ......................................................................................................... 29 DEPARTAMENTALIZAÇÃO .............................................................................................................. 32 Exemplo ................................................................................................................................................ 32 CENTRO DE CUSTOS ...................................................................................................................... 33 Exemplo ................................................................................................................................................ 34 CUSTO DO PRODUTO VENDIDO ...................................................................................................... 34 APURAÇÃO DO CPV ......................................................................................................................... 34 Demonstração do custo dos produtos vendidos ............................................................................ 34 Exercícios da Unidade I .......................................................................................................................... 36 Unidade II ................................................................................................................................................. 37 1. RELEMBRANDO OS CONCEITOS .............................................................................................. 38 1.1 TERMINOLOGIA DE CUSTOS .............................................................................................. 38 2.2 SISTEMAS DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS .................................................................... 42 a- sistema de acumulação por ordem ou encomenda; ............................................................... 42 b- sistema de acumulação por processo. ..................................................................................... 42 2.3 SISTEMA DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS POR ORDEM DE PRODUÇÃO ................ 43 2.4 SISTEMA DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS POR PROCESSO ...................................... 44 3 SISTEMA DE CUSTEIO ................................................................................................................. 44 3.1 DEFINIÇÃO ................................................................................................................................... 44 3.2 SISTEMA DE CUSTEIO HISTÓRICO ..................................................................................45 3.3 SISTEMA DE CUSTEIO PREDETERMINADO — PADRÃO ............................................. 46 4 MODALIDADES DE CUSTEIO ...................................................................................................... 47 4.1 CUSTOS FIXOS ...................................................................................................................... 48 6 4.2 CUSTOS VARIÁVEIS .............................................................................................................. 48 4.3 CUSTOS SEMIFIXOS ............................................................................................................. 48 4.4 CUSTOS SEMIVARIÁVEIS .................................................................................................... 48 4.5 MODALIDADE DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO ................................................................ 49 4.6 MODALIDADE DE CUSTEIO VARIÁVEL ............................................................................ 49 4.7 CUSTO BASEADO EM ATIVIDADE (ABC) ......................................................................... 50 Exemplos de Cost Drivers: ................................................................................................................. 51 4 RELAÇÃO DE CUSTO, VOLUME E LUCRO .............................................................................. 52 5.1 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO ............................................................................................ 52 5.2 PONTO DE EQUILÍBRIO ........................................................................................................ 53 Exercícios Unidade II ............................................................................................................................. 56 Unidade III ................................................................................................................................................. 57 CONCEITO DA QUALIDADE TOTAL .............................................................................................. 58 SURGIMENTO E IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DA QUALIDADE TOTAL (GQT) .................... 58 DEFINIÇÃO DE GESTÃO DA QUALIDADE TOTAL ....................................................................... 59 Gerência da qualidade tradicional e moderna ................................................................................. 72 Gurus da qualidade ............................................................................................................................. 73 Programas de gestão da qualidade total .......................................................................................... 74 Ferramentas da gestão da qualidade total ....................................................................................... 75 Exercícios da unidade III .................................................................................................................... 77 Unidade IV ............................................................................................................................................. 78 OS CUSTOS DA QUALIDADE E DA NÃO QUALIDADE NA PRODUÇÃO ................................... 79 Conceitos de custos e qualidade. ..................................................................................................... 80 Custos de Prevenção: ..................................................................................................................... 84 Custos de Avaliação: ...................................................................................................................... 85 Custos de Falhas Internas ............................................................................................................. 87 Custos das Falhas Externas: ......................................................................................................... 87 7 Estratégia Competitiva .................................................................................................................... 91 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 93 8 Unidade I Contabilidade de custos Caro(a) Aluno(a) Seja bem-vindo(a)! Nesta primeira unidade, iremos estudar os conceitos básicos de custos e como contabilizá-los. Bons estudos!!! Conteúdo da Unidade Nesta unidade abordaremos os seguintes conteúdos: Conceitos de custos Contabilidade de custos Custos diretos e indiretos 9 CONTABILIDE DE CUSTOS NATUREZA, IMPORTÂNCIA E FINALIDADE O custo tem papel fundamental nas empresas através de sua adequada apuração. Por meio de controles efetivos e confiáveis, o empresário pode tomar decisões importantes de cunho estratégico, com objetivo de buscar melhor posicionamento no mercado, melhorar a rentabilidade e ter controle do impacto dos processos em seu negócio, afim de torná-lo mais competitivo. O mercado exige que as empresas se tornem cada vez mais competitivas e a competitividade é o que manterá uma empresa viva no mercado. Neste contexto, uma das formas de se propiciar a competitividade é ter controle dos custos dos produtos industrializados, dos serviços, do comércio e dos dustos inerentes à obtenção da qualidade dos produtos. O estudo dos custos é realizado para se atender as mais diversas finalidades de uma empresa. Dentre elas, iremos destacar as principais utilizações: a- apuração dos custos unitários; b- avaliação dos estoques; c- primeiro passo para formação de preço; d- rentabilidade de produto, setor, mercado, etc. 10 CONCEITO DA CONTABILIDADE DE CUSTOS Contabilidade de custo é um processo lógico que utiliza os princípios da contabilidade geral para registrar os custos de operação de um negócio. Os dados de produção e vendas são utilizados para administrar os custos e a as contas e estabelecer os custos de produção, distribuição e vendas, quer sejam pelo total, unitário ou, com técnicas mais avançadas, os custos dos processos. APARECIMENTO DA CONTABILIDADE DE CUSTO A Contabilidade de custos surgiu com a atividade mercantilista com o intuito de servir as empresas comerciais. Com o advento da revolução industrial, tornou-se necessária a melhoria do sistema para que a apuração dos custos de produção pudessem ser medidos. Para apurar o resultado em cada período, bem como a elaboração do balanço final, era suficiente o levantamento físico dos estoques. Desta forma, o Contador verificava o montante pago por cada ítem em estoque e valorava as mercadorias. O cálculo é efetuado pela diferença entre o que existia no estoque inicial, adiciona-se as compras do período em análise, subtrai-se o estoque final e obtém-se, então, o custo da mercadoria vendida. O exemplo a seguir demonstra como se calcula o CMV. E Estoque Inicial (Ei) (200 unid. X $ 1,00) $ 200,00 (+) Compras (C) (400 unid. X $ 1,00) $ 400,00 (+) (-) Estoque Final (Ef) (100 unid. X $ 1,00) $ 100,00 (-) 11 (=) Custo da Mercadoria Vendida (CMV) (200 unid. X $ 1,00) $ 500,00 (=) Conceito de resultado líquido Confrontando esse montante com as receitas obtidas na venda desses bens, chegava-se ao lucro bruto, do qual bastava deduzir as despesas necessárias à manutenção da entidade durante o período, à venda dos bens e ao financiamento de suas atividades. Daí o aparecimento da também clássica Demonstração de Resultado da empresas comercial: Vendas $ 1.000,00 (-) Custo das Mercadorias Vendidas Estoques Iniciais $ 200,00 (+) Compras $ 400,00 (-) Estoques Finais$ 100,00 (=) Lucro Bruto $ 500,00 (-) Despesas Comercial $ 100,00 (-)Administrativa $ 40,00 Financeiras $ 10,00 (=) Resultado Líquido $ 350,00 Os bens eram quase todos produzidos por pessoas ou grupos de pessoas, que poucas vezes constituíram entidades jurídicas. As empresas eram basicamente comerciais e não empresas produtoras, o que tronava fácil a contabilização dos bens, bastando ter um Sistema organizado baseado nas premissas acima. Com a chegada da revolução Industrial no sec. XVII, esse processo de apuração torna-se mais complexo, pois o Contador já não tinha mais Fórmula matemática → Ei + C – Ef = CMV 12 acesso fácil aos dados para poder atribuir valor a seus estoques, pois uma nova condição havia sido incrementada à contabilização, seria então feito dos recursos produtivos. Assim, foi desenvolvida uma nova fórmula para a apuração dos custos industriais, ao qual consiste: Estoque Inicial (Ei) (10 un.x $1,00) $ 10,00 (+) Compras/Consumo de Matérias-Primas (C) $ 60,00 (+) Mão-de-Obra (MOD) $ 30,00 (+) Custos Indiretos de Fabricação (CIF) $ 30,00 (+) Impostos (somente os não recuperáveis (Inr) $ 20,00 (=) Produtos Acabado ou Elaboração (PA/Pel) (140un.x $1,00) $ 140,00 (-) Estoque Final do Produto Acabado (Ef) ( 10un.x $1,00) $ 10,00 (=) Custo do Produto Vendido (CPV) (140 un.x $1,00) $ 140,00 Importante: Quando não há processo de fabricação, o custo é chamado de Custo da Mercadoria Vendida (CMV); Quando há processo de fabricação, o custo de venda é denominado de Custo do Produto Vendido (CPV). A Contabilidade de Custos abrange todas as atividades de uma empresa, englobando os produtos, serviços, todos os componentes operacionais e administrativos que compõem sua estrutura de funcionamento, incluindo também as operações de distribuição e comercial. Fórmula matemática → Ei + (C + MOD + CIF + Inr) – Ef = CPV Produção 13 A Contabilidade de custos pode ajudar o administrador a escolher a melhor alternativa sobre: a. ter um centro de processamento de dados ou fazer o serviço fora da empresa; b. ter sua própria frota de caminhões para a entrega dos produtos ou arrendar esses serviços; c. ter sua própria rede de distribuidores ou cuidar de que a distribuição seja feita por distribuidores independentes), d. definir sobre o nível de qualidade que um produto deve ter; e. programas (programas de redução de custos, programas de alimentação, de treinamento) e f. promoções (comerciais, institucionais e até promoções para melhorar ou manter a imagem da empresa). O objetivo de uma boa contabilidade de custos é poder fornecer informações gerenciais de custos mais úteis para os diversos gerentes ou encarregados que se responsabilizam pelo desenvolvimento de cada um desses segmentos. A figura 1 ilustra como a Contabilidade de custos se relaciona com as diversas áreas da empresa. Figura.1. relação dos custos e as operações empresariais fonte: http://www.brasaosistemas.com.br/solucoes/custos/ 14 LOCALIZAÇÃO DA CONTABILIDADE DE CUSTOS Para entendermos melhor a estrutura da Contabilidade de custos afim de entender nossa relação com esta área, temos este setor também conhecido como custo ou custo industrial localizado dentro da área de Contabilidade ou também dentro da controladoria. O organograma da figura 2 exemplifica uma situação de alocação desta área. Figura 2 - Contabilidade de custos: organograma Diretor Financeiro Controller Contador Fiscal Contábil Custos 15 1.1 CONCEITOS BÁSICOS EM CUSTOS Gasto Sacrifício financeiro com que a entidade arca para a obtenção de um produto ou serviço qualquer, sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega de ativos. Exemplo: Investimento, Despesas e Custos. Investimento Gasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuro período. Exemplo: compra de ativo imobilizado: máquinas, equipamentos, softwares, desenhos, móveis e utensílios. Despesa Bem ou serviço consumidos direta ou indiretamente para a obtenção de receitas. Exemplo: salário da administração; compra de material de escritório, água na administração, energia elétrica na administração, comissões de venda, propaganda e marketing, CPMF, IOF, IPTU, depreciação com o escritório administrativo. Custo Gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços, separados em Custos Diretos (CD) e Custos Indiretos de Fabricação (CIF). 16 Exemplo: Custos com consumo de matéria-prima/materiais, custo com mão-de- obra direta e indireta, custos indiretos de fabricação como água utilizada na produção, energia utilizada na produção, salário do gerente de produção. Custo de Aquisição O valor de entrada pela aquisição ou produção de bens e serviços. Exemplo: Valor da nota fiscal da compra de uma matéria-prima sem os impostos recuperáveis. Custo de Produção Inclui o custo de aquisição dos materiais, acrescidos dos demais gastos incorridos na produção (mão de obra, energia, manutenção, etc.). Exemplo: matéria-prima + mão-de-obra direta + mão-de-obra Indireta + outras custos indiretos de produção + impostos não recuperáveis. Fórmula C+MOD+CIF+Inr = Custo de Produção Custo dos Produtos Vendidos Valores gastos e incorridos no processo de produção dos bens que foram sacrificados para que a empresa gerasse receita de venda de produtos. Exemplo: Ei + (C + MOD + CIF + Inr) – Ef = CPV Custo da Mercado- ria Vendida Valor dos gastos incorridos no processo de aquisição dos bens que foram sacrificados para que a empresa gerasse receita de venda de mercadorias. Exemplo: Ei + C – Ef = CMV Custo do Serviço Prestado Valor dos gastos incorridos no processo de prestação dos serviços para que a empresa gerasse receita de prestação de serviços. Exemplo: matéria-prima + mão-de-obra direta + mão-de-obra Indireta + outras custos indiretos de prestação de serviço + impostos. Fórmula C+MOD+CI +I = Custo de Serviço Perda Bem ou Serviço consumidos de forma anormal e involuntária. Exemplo: Compra de Matérias 100 unid., utilizados 10 unid. para ajustar a máquina (perda). Preço Valor de saída pela venda de bens produzidos ou serviços prestados. Exemplo: Custo de Produção $ 10,00 Impostos $ 5,00 Margem de Lucro $ 2,00 Preço de Venda $ 17,00 Receita Produto da multiplicação da quantidade de bens vendidos ou serviços prestados pelo respectivo preço unitário. Exemplo: Preço de Venda $ 17,00 x 10 unid. vendidas = Receita de Venda $ $ 170,00 Classificação dos custos Custos diretos São custos que podem ser aplicados, ou seja, quantificados e identificados no produto ou serviço e, consequentemente, valorizados com facilidade. Não necessitam de rateios para serem apropriados aos produtos. 17 Exemplo: Custos Materiais (Matéria Prima) e Mão de Obra Direta. Custos indiretos São os custos que não podem ser apropriados diretamente nos produtos ou serviços, ou seja, não conseguimos identificar claramente nas ordens de produção de produtos, serviços executados etc. Para que estes custos sejam alocados, é necessário alguma forma de rateio para sua alocação. Exemplo: Custos com água, energia elétrica, salários do gerente de produção. A figura 3 mostra a composição destes custos e criérios de rateio. Figura 3 Custos de produção e critérios de rateio fonte: industria hoje.com.br 18 Custos fixos São todos os custos que não variam com o volume de produção ou vendas, ou seja, permanecem constantes para uma determinadacapacidade instalada. Estes custos poderão variar em patamares constantes em função de uma nova capacidade instalada. Exemplos de custos fixos: aluguel da fábrica, salário do gerente de produção. A figura 5 mostra a representação gráfica: Figura 5 representação do custo fixo em função de unidades produzidas. Custos variáveis São custos que variam diretamente com o volume de produção ou serviço, ou seja, quanto maior o volume de produção, os custos aumentam, isto porque estamos falando de custos aplicados diretamente sobre o produto ou serviço. Estes custos têm a tendência de crescer proporcionalmente ao volume de produção. Exemplos de custos variáveis: materiais/matéria prima e mão-de-obra direta (dentro dos patamares da capacidade instalada). A figura 6 demonstra como a variação de produção impacta a variação dos custos variáveis e como estes se comportam em relação aos cstos fixos. 19 Figura 6. Gráfico de custos variáveis e fixos Questão para reflexão: Onde estariam encaixados os custos da qualidade: nos fixos, variáveis, diretos ou indiretos? PRINCÍPIOS CONTÁBEIS APLICADOS A CONTABILIDADE DE CUSTOS Princípio do custo como base de valor: os ativos são registrados contabilmente por seu valor original de entrada. Enunciado: “O custo de aquisição de um ativo ou dos insumos necessários para fabricá-lo e colocá-lo em condições de gerar benefícios para a entidade representa a base de valor para a contabilidade, expresso em termos de moeda de poder aquisitivo constante”. Princípio da Realização da Receita: reconhecimento da Receita quando da transferência do bem ou serviço para terceiros. Enunciado: “A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora”. 20 Princípio da Competência: após o reconhecimento da receita, deduz-se dela todos os valores representativos dos esforços para sua consecução. Enunciado: “Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período, com as mesmas deverá ser confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativos (atuais ou futuros), realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem...” DETALHANDO MAIS OS CONCEITOS DE CUSTOS DEFINIÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS “São custos que podem ser quantificados e identificados no produto ou serviço e valorizados com relativa facilidade.” Na conceituação tradicional de custos, os custos diretos normalmente são aplicados na indústria ou nas empresas prestadoras de serviços, pois as empresas comerciais praticam apenas as operações de compra e venda do produto pronto. Quando um produto é produzido, imaginamos algumas etapas que determinam seus custos, como, por exemplo: a. Fabricação; b. Inspeção; c. Chefias; 21 d. Manutenção dentre outras áreas. Desta forma, teremos os custos de fabricação divididos em: a. Custos Diretos (CD) + b. Custos Indiretos de Fabricação ou Prestação de Serviços (CIF) + c. Impostos não Recuperáveis (Inr). Os custos diretos mais comuns nas empresas estão distribuídos em: a- Materiais utilizados diretamente na produção (chamados de matéria prima); b- Mão-de-obra direta. MATERIAL DIRETO Considera-se material direto todo material utilizado não fabricação de um produto, identificado de forma clara, o qual será transformado e/ou utilizado num novo produto. Os materiais diretos podem estar distribuidos da seguinte forma: a. diversos tipos de materiais diretos dentro de um único produto, b. um material direto utilizado em vários produtos e c. um material direto utilizado num único produto. Exemplo: material direto e único produto - caneta esferográfica: a. Polietileno b. Poliestireno c. Tinta 22 Impostos recuperáveis Quando compramos alguma matéria prima, esta contém os tributos que temos que pagar ao governo. Como tributos não são custos, estes não podem ser agregados aos custos dos materiais. Nesta classificação de tributos, podemos classificá-los em impostos recuperáveis ou não recuperáveis; em outras palavaras, se recuperamos os impostos na venda de nossos produtos, esses devem ser abatidos na entrada do estoque, evitando a bitributação destes tributos. Desta forma, os impostos recuperáveis são aqueles que não geram custos para a empresa, uma vez que são compensáveis com os impostos incidentes sobre a venda e, mesmo que não haja venda suficiente para compensar, o montante gerado na compra permanece no ativo da empresa. Para efeito desse estudo, os impostos recuperáveis abordados serão o ICMS e IPI, sendo os demais aplicados de forma semelhante a este processo. NOTA: É importante verificar a legislação de incidência dos impostos por estado, município e categoria de produto. A seguir, um exemplo de retirada dos impostos na compra de material direto. Exemplo: Compra de Material 500 pç Total da Nota Fiscal $ 1.120,00 ICMS 18% IPI 12% Qual é o custo efetivo do produto adquirido? Compra de material $ 1.120,00 ICMS 18% $ 180,00 23 IPI 12% $ 120,00 Custo Líquido $ 1.000,00 INVENTÁRIOS PERIÓDICOS E PERMANENTES Inventários periódicos As avaliações periódicas do materiais e bens servem para valorar os custos de produção. Chama-se de periódico porque a contagem dos Materiais, dos Produtos Acabados e dos Produtos em processo, necessários para se apurar o Custo de Produção ou Custo dos Produtos Vendidos, é levantado de maneira periódica, ou seja, aoo final de um período que pode ser mês, semestre ou ano. Ao utilizer o inventário periódico, a empresa poderá conhecer o custo de produção. Uma vantagem deste processo é que não se torna necessária a atuação de um contabilista de custos específico. Outra vantagem é permitir que a gestão da produção tenha acesso aos custos de produção do período. Inventário permanente O Sistema de Custo Integrado atua com controles apurados por meio das fichas de controle e outros instrumentos característicos do sistema produtivo, tais como: a. por ordem (fabricação sob encomenda); b. por processo (fabricação complexa). Nota: pesquisar como o controle das ordens de produção interferem na apuração dos cistos de produção. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES 24 PEPS/FIFO (first in first out) Método utilizado para avaliação de estoque através do processo onde o Primeiro produto que Entra no estoque é o Primeiro que Saí do estoque. UEPS/LIFO (last in last out) Proporcionalmente inverso ao PEPS, Este método avalia o estoque através do processo onde o Último produto que Entra no estoque é o Primeiro que Saí do estoque. Nota: para efeitos fiscais, este método não é aceito pelo fisco no Brasil. Média ponderada Para este método o estoque é avaliado através da divisão entre o custo final pela quantidade final do estoque. MÃO-DE-OBRA DIRETA A Mão de Obra Direta é todo o custo aplicado no produto de forma clara e facilmente identificada, ou seja, pode ser calculado por meio da apropriação de horas trabalhadas convertidas em valores proveientes dos salários dos funcionários que trabalham diretamente sobre produto. Calcula-se o custo utilizando-se as horas trabalhadas. Deve-se estabelecer uma taxa/hora com base nos salários e benefícios e aplicá-la sobre o tempo padrão de fabricação e ou tempo real de fabricação. Define-se tempo padrão como aquele tempo estimado para se fazer uma determinada operação. Define-se tempo real comoo tempo que realmente foi gasto para se realizar 25 uma operação. Este tempo é obtido através dos apontamentos de produção. Exemplo: Salário Mensal do operador do torno é de $ 2.500,00 220 horas trabalhadas no mês Taxa hora = $ 2500/220 = $ 11,36 por hora Nota: Taxa Pré-Determinada (tempo padrão) = Quantidade de horas determinada por cálculos efetuados na produção, onde independe das horas reais gastas, a taxa será a mesma. Dando continuidade ao exemplo, imaginemos as seguintes produções: 1ª produção 10 unidades 2ª Produção 50 unidades Taxa horária unitária em valor = $ 11,36 Tempo padrão 1 hora por unidade Tempo real de produção 1,10 hora por unidade na 1a. produção e 0,95 hora por unidade na 2a. produção. Cáculo do custo padrão 1ª produção 10 unidades x 1 hora = 10 horas x $ 11,36 Taxa horária = $ 113,60 2ª Produção 50 unidades x 1 hora = 50 horas x $ 11,36 Taxa horária = $ 568,00 Custo total das produções = $ 681,60 Cálculo do custo real 1ª produção 10 unidades x 1,10 hora = 10,1 horas x $ 11,36 Taxa horária = $ 114,74 26 2ª Produção 50 unidades x 0,95 hora = 47,5 horas x $ 11,36 Taxa horária = $ 539,60 Custo total das produções = $ 654,34 Pode-se observar que existem diferenças entre os custos reais e padão. Tal fato ocorre porque os tempos padrão são estimados ao passo que os tempos reais representam a realidade de cada produção. As variações decorentes nos tempos estão ligadas às eficiencias produtivas, ligadas às otimizações ocorridas no processo produtivo ou ineficiência não previstas no padrão estabelecido. Horas efetivamente gastas, obtidas através de outros apontamentos - 60 horas -, ociosidade ou ganho na produção não considerado, assim o custo real seria: 60 horas x $ 2,27 = $ 136,20 (custo real da produção). CUSTOS INDIRETOS DEFINIÇÃO DE CUSTOS INDIRETOS Os custos indiretos são valores que não são identificados de forma clara e objetiva nos produtos a serem fabricados. Exemplos: a. Conta de Energia Elétrica b. Chefia de Fabricação c. Engenharia da Qualidade d. Manutenção 27 Na produção de 300 geladeiras, sendo 100 de 360 lts, 50 de 410 lts, 50 freezers de 380 lts e 100 freezers de 250 lts, não é possível apontar os gastos acima, devido à impossibilidade de apontamentos de consumo de energia elétrica unitária por geladeira produzida e, da mesma forma, dos outros gastos da produção. Estes custos serão comuns a toda a produção e são dnominados de Custos indiretos de Fabricação (C.I.F) Outras denominações para estes custos: G.G.F. Gastos gerais de fabricação S.I.F. Serviços gerais de fabricação G.I.F. Gastos Para apropriar estes custos, torna-se necessária a técnica de rateio, que é a divisão de forma proporcional dos Custos Indiretos de Fabricação (CIF) em relação aos produtos produzidos. Existem formas diversas de fazer a distribuição destes custos, porém qualquer forma e critério será subjetivo e impreciso, ou seja, o critério de rateio sempre apropriará estes custos, utilizando alguma forma baseada em volume, o que não necessariamente indicará como estes custos serão consumidos pelos produtos produzidos. Desta maneira, um produto poderá ser beneficiado e outro prejudicado pela carga de custos indiretos. Exemplo de Rateio pela simples divisão C.I.F de $ 10.000,00 Produção 300 refrigeradores: 100 de 360 lts, 50 de 410 lts, 28 50 freezers de 380 lts, 100 freezers de 250 lts. Como são 4 produtos diferentes, então vamos dividir o CIF por 4 produtos. Logo, teremos $ 2500,00 para cada produto, ou seja, 25% do custo para cada produto. Então o CIF unitário será de: CIF 360 lt = ($ 10000,00* 0,25)/100 = $ 250,00 CIF 410 lt = ($ 10000,00* 0,25)/100 = $ 500,00 CIF 380 lt = ($ 10000,00* 0,25)/100 = $ 500,00 CIF 250 lt = ($ 10000,00* 0,25)/100 = $ 250,00 Exemplo de rateio pela quantidade produzida C.I.F de $ 10.000,00 Produção 300 refrigeradores: 100 de 360 lts, 50 de 410 lts, 50 freezers de 380 lts, 100 freezers de 250 lts. O cálculo do CIF será proporcionalizado pelo volume. Logo, teremos $ 10000,00 proporcionalizado para cada produto. Então, o CIF unitário será de: 29 CIF 360 lt = 100/300 = 33% logo CIF 360 lt = ($ 10000,00 * 33%)/100 = $ 333,00 CIF 410 lt = 50/300 = 17% logo CIF 360 lt = ($ 10000,00 * 17%)/100= $ 174,00 CIF 380 lt = 50/300 = 17% logo CIF 360 lt = ($ 10000,00 * 17%)/100= $ 174,00 CIF 250 lt = 100/300 = 33% logo CIF 360 lt = ($ 10000,00 * 33%)/100= $ 333,00 Exemplo de rateio pela Mão de Obra Direta (MOD): C.I.F de $ 10.000,00 Produção 300 refrigeradores: 100 de 360 lts, utiliza 5 MOD 50 de 410 lts, utiliza 5 MOD 50 freezers de 380 lts, utiliza 8 MOD 100 freezers de 250 lts. utiliza 8 MOD Total de 26 MOD O cálculo do CIF será proporcionalizado pela MOD. 360 lts, 19,2% da MOD CIF = (10000,00*19,2%)/100 = $ 192,00 410 lts, 19,2% da MOD CIF = (10000,00*19,2%)/100 = $192,00 freezers de 380 lts, 30,8% da MOD CIF = (10000,00*30,8%)/100 = $308,00 freezers de 250 lts. 30,8% da MOD CIF = (10000,00*30,8%)/100= $308,00 Comparação dos três métodos Refigerador Simples Quantidade MOD 30 360 $ 250,00 $ 333,00 $ 192,00 410 $ 250,00 $ 174,00 $ 192,00 380 $ 250,00 $ 174,00 $ 308,00 250 $ 250,00 $ 333,00 $ 308,00 Reflexão Podemos observar que cada método de rateio introduz um CIF unitário diferente. A questão é definir qual o melhor CIF a ser apropriado ao produto. Quais seria a melhor regra, estaria ela ligada a incidência de MOD, Volume ou indifere a aplicação por tipo de produto? De acordo como o Ms. Luiz Januário ex professor da faculdade Magister: “Para que se rateiem os Custos Indiretos de Fabricação gerados nos departamentos de serviços, vários métodos podem ser adotados. Veja alguns deles: Método Direto — por este método, os custos gerados nos departamentos de serviços são rateados diretamente para os departamentos produtivos beneficiados pêlos respectivos serviços. Assim, os departamentos de serviços não recebem custos de outros departamentos de serviços, ainda que tenham sido beneficiados pêlos serviços de alguns deles. Método Algébrico ou da Reciprocidade — por este método, reconhece-se a reciprocidade dos serviços prestados entre os departamentos. Recomenda-se evitar o seu uso, uma vez que ele incentiva a distribuição reflexiva. Assim, adotando este método, um departamento de serviços poderá receber, por transferência, parte do custo do próprio departamento que foi transferido para outro. 31 Método da Hierarquização ou dos Degraus — consiste em fixar uma ordem de prioridade entre os departamentos de serviços; a partir dessa hierarquização rateiam-se os custos gerados nos departamentos de serviços entre eles. Por este método, o departamento que tiver seus custos transferidos não receberá custos de outros departamentos, ainda que tenha sido beneficiado pelos serviços de alguns deles. Assim, o departamento que mais recebe custos por transferência é o que menos transfere.” Adotaremos, no exemplo prático deste capítulo, o método da Hierarquização, o qual apresenta maior coerência na atribuição dos Custos Indiretos de Fabricação aos produtos. Exemplo: rateio hierarquização Acabamento Montagem Produção Almoxarifad o Manutençã o Aluguel 12.800,00 9.600,00 19.200,00 9.600,00 6.400,00 Energia Elétrica 3.000,00 5.000,00 3.500,00 4.500,00 2.000,00 Subtotal 15.800,00 14.600,00 22.700,00 14.100,00 8.400,00 Adm. Fábrica 1.260,00 2.520,00 2.100,00 2.100,00 420,00 Subtotal 17.060,00 17.120,00 24.800,00 16.200,00 8.820,00 Manutenção 3.528,00 2.646,00 1.764,00 882,00 (8.820,00) Subtotal 20.588,00 19.766,00 26.564,00 17.082,00- Almoxarifado 5.978,70 6.832,80 4.270,50 (17.082,00) - Total dos CIF´s 26.566,70 26.598,80 30.834,50 - - 32 DEPARTAMENTALIZAÇÃO O que é um Departamento? Considera-se departamento a menor unidade administrativa dentro de uma empresa. A departamentalização consiste na apropriação dos custos indiretos de fabricação (CIF) desde os departamentos não produtivos até encerrar nos departamentos de produção ao qual serão distribuídos no produto. Exemplo Água $ 1.000,00 Energia $ 500,00 a. Distribuir os custos de água em: 10% administração, 50% montagem e 40% produção; b. Distribuir os custos de energia em: 30% administração, 20% montagem e 50% produção; c. Do resultado, distribuir os custos da administração em 60% montagem e 40% produção; d. Do resultado, distribuir 30% para bolo de chocolate e 70% para bolo de nozes. Produção Montagem Administ. Total (a) Aluguel $400,00 $500,00 $100,00 $1.000,00 (b) Energia Elétrica $250,00 $100,00 $150,00 $500,00 Subtotal $650,00 $600,00 $250,00 $1.500,00 (c) Rateio da Adm. Fábrica $100,00 $ 150,00 (-) $250,00 - Total dos CIF Deptos. $750,00 $750,00 - $1.500,00 (d) Chocolate 30% $225,00 $225,00 - $450,00 (d) Nozes 70% $525,00 $525,00 - $1.050,00 Total dos CIF Produto $750,00 $750,00 - $1.500,00 33 Nota importante: sempre o valor dos custos indiretos totais será o mesmo do começo ao fim do rateio e da distribuição e também a linha de subtotais ou totais devem ser iguais quando somadas na vertical ou na horizontal. CENTRO DE CUSTOS Conceito O centro de custo é a menor unidade receptora de custos dentro de uma empresa. Podemos dizer que um departamento é um centro de custos e também que dentro do departamento há diversos centros de custos. 34 Exemplo Departamento Financeiro Contabilidade Contas a Pagar Contas a Receber Tesouraria CUSTO DO PRODUTO VENDIDO DEFINIÇÃO Os custos dos produtos vendidos o CPV é o resultado entre o Estoque Inicial, mais os custos utilizados de materiais primas, mais os custos de mão-obra, mais os custos indiretos de fabricação, mais Impostos não recuperáveis, menos estoque final. APURAÇÃO DO CPV É importante conhecermos o CPV para apurarmos o custo do produto vendido e compará-lo com o padrão estipulado. Para apurar o custo do produto vendido, é necessário conhecer as etapas discutidas anteriormoente: Demonstração do custo dos produtos vendidos 1. Estoque Inicial de Matérias-primas 100 2. (+) Compras de Matérias-primas 1.000 3. (=) CUSTO DAS MATÉRIAS-PRIMAS DISPONÍVEIS 1.100 4, (-) Estoque Final de Matérias-primas 300 5. (=) CUSTO DAS MATÉRIAS-PRIMAS APLICADAS 800 Centros de Custos 35 6. (+) Mão-de-obra Direta 400 7. (=) CUSTO PRIMÁRIO 1.200 8. (+) Outros Custos Diretos 8.1 Materiais Secundários 80 8.2 Materiais de Embalagem 30 8.3 Outros Materiais - 8.4 Gastos Gerais de Fabricação Diretos 110 9. (=) CUSTOS DIRETOS DE FABRICAÇÃO 1.310 10. (+) Custos Indiretos de Fabricação 10.1 Materiais Indiretos - 10.2 Mão-de-obra Indireta 100 10.3 Gastos Gerais de Fabricação Indiretos 350 450 11. (=) CUSTO DE PRODUÇÃO DO PERÍODO 1.760 12. (+) Estoque Inicial de Produtos em Elaboração 80 13. (=) CUSTO DE PRODUÇÃO 1.840 14. (-) Estoque Final de Produtos em Elaboração 140 15. (=) CUSTO DA PRODUÇÃO ACABADA NO PERÍODO 1.700 16. (+) Estoque Inicial de Produtos Acabados 500 17. (=) CUSTO DOS PRODUTOS DISPONÍVEIS PARA VENDA 2.200 18. (-) Estoque Final de Produtos Acabados 300 19. (=) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS 1.900 36 Exercícios da Unidade I 37 Unidade II Contabilidade de custos Caro(a) Aluno(a) Seja bem-vindo(a)! Nesta segunda unidade, iremos estudar os conceitos básicos de apuração e cumulação de custos. Bons estudos!!! Conteúdo da Unidade Nesta unidade abordaremos os seguintes conteúdos: Apuração e acumulação de custos Sistemas de custeio 38 1. RELEMBRANDO OS CONCEITOS No módulo anterior, vimos uma grande parte de teoria de custos, começando pela história, onde e como começaram os custos; resultado desse estudo foram as fórmulas para encontrar o CPV (Custo do Produto Vendido) e o CMV (Custo da Mercadoria Vendida). Em seguida, estudamos a terminologia dos custos. Com base nessa terminologia, foi possível entender melhor as fórmulas de custos e ainda diferenciar os custos diretos e indiretos, além de iniciarmos o processo de entendimento dos sistemas de avaliação de estoque. No sistema de avaliação de estoque, encontramos três métodos básicos, denominados como PEPES, UEPS e Média Ponderada. Após entender cada um dos métodos, realizamos uma comparação entre e os métodos e concluímos que uma gera mais ou menos lucro que comparado aos outros métodos. Finalmente, conhecendo os métodos de avaliação e também conhecendo a terminologia, voltamos à fórmula do custo para apurar o CPV e apuramos o Custo do Produto Vendido com maior propriedade, inclusive rateando os Custos Indiretos de Fabricação e aplicando à cada produto ou departamento o seu respectivo custo. Assim, após essa rápida exposição, espero que você aproveite bem as matérias que vamos estudar neste módulo e desejo-lhe bons estudos. 1.1 TERMINOLOGIA DE CUSTOS A terminologia adotada para os custos são revistas para que você possa saber onde é utilizado cada termo, seja no sistema de custeio, seja no método de custeio ou simplesmente quando apuramos o resultado líquido de um produto ou da empresa 39 como um todo. Gasto Sacrifício financeiro com que a entidade arca para a obtenção de um produto ou serviço qualquer, sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega de ativos. Investimento Gasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuro período. Despesa Bem ou serviço consumidos direta ou indiretamente para obtenção de receitas. Custo Gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Custo de Aquisição O valor de entrada pela aquisição ou produção de bens e serviços. Custo de Produção Inclui o custo de aquisição dos materiais, acrescidos dos demais gastos incorridos na produção (mão de obra, energia, manutenção, etc.). Custo dos Produtos Vendidos Valores gastos e incorridos no processo de produção dos bens que foram sacrificados para que a empresa gerasse receita de venda de produtos. Custo da Mercadoria Vendida Valor dos gastos incorridos no processo de aquisição dos bens que foram sacrificados para que a empresa gerasse receita de venda de mercadorias. Custo do Serviço Prestado Valor dos gastos incorridos no processo de prestação dos serviços para que a empresa gerasse receita de prestação de serviços. Perda Bem ou Serviço consumidos de forma anormal e involuntária. Preço Valor de saída pela venda de bens produzidos ou serviços prestados. Receita Produto da multiplicação da quantidade de bens vendidos ou serviços prestados pelo respectivo preço unitário. Mercadorias Bens adquiridos para serem revendidos. Produtos Bens produzidos para serem vendidos. 40 Insumos Bens adquiridos para consumo no processo de produção de novos bens ou de prestação de serviços. Departamento Menor unidade administrativa Centro de Custo Menor unidade de acumulação de custos Rateio Distribuição dos custos indiretos, através de critérios determinados pela empresa. 1. SISTEMA DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS - SAC 41 ESTRUTURA BÁSICA DE UM SISTEMA DE CUSTEAMENTO Na estrutura básica de um sistema de custeamento, são reconhecidos os seguintes elementos: a- Sistema de acumulação de custos; b- Sistema de custeio; c- Modalidadede custeio. Despesas Custos Sistema de Acumulação de Custos Ordem de Produção Processo de Produção Contínuo Sistema de Custeio – CUSTOS HISTÓRICO X CUSTO PADRÃO VBC ABC Absorção Variável C. Diretos C. Diretos C. Diretos Rateio C. indiretos Ratreamentos C. indiretos C. Indiretos Estoque Custo do Produto Vendido DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO 42 1.2 SISTEMAS DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS O sistema de acumulação de custos corresponde ao ambiente básico no qual operam os sistemas e as modalidades de custeio. Assim, antes de decidir quanto ao sistema ou a modalidade de custeio a ser adotada, a empresa deverá escolher o seu sistema de acumulação de custos, orientando-se, estritamente, pelo sistema produtivo da empresa. Existem dois sistemas básicos de produção - o sistema de produção por encomenda e o sistema de produção contínua: a- Sistema de produção por encomenda: caracteriza-se pela fabricação descontínua de produtos não padronizados; b- Sistema de produção contínua: caracteriza-se pela fabricação em série de produtos padronizados. Consistentemente, com os dois sistemas produtivos, existem também dois sistemas básicos de acumulação de custos: a- sistema de acumulação por ordem ou encomenda; b- sistema de acumulação por processo. Adotará o sistema de acumulação de custos por ordem ou encomenda à empresa cujo sistema produtivo for predominantemente descontínuo, produzindo bens ou serviços não padronizados e, geralmente, sob encomenda específica dos seus clientes. Por outro lado, a empresa que produz, em série, bens ou serviços padronizados, deverá adotar o sistema de acumulação de custos por processo. 43 1.3 SISTEMA DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS POR ORDEM DE PRODUÇÃO Este é o sistema no qual cada elemento do custo é acumulado segundo ordens específicas de produção referentes a um determinado produto ou lote de produtos. As ordens de produção são emitidas para o início da execução da atividade produtiva e nenhum trabalho poderá ser iniciado sem que seja devidamente precedido pela emissão da correspondente ordem de produção. Os termos "ordem de fabricação", "ordem de serviço" ou "ordem de trabalho" são sinônimos de "ordem de produção". A condição indispensável para o adequado custeamento de uma ordem de produção é a sua contínua identificação com uma determinada produção em particular. O sistema de ordem de produção é o mais apropriado para o custeio de produtos por encomenda, sendo pouco usado nas indústrias de produção em série. Nessas indústrias, a sua utilização restringe-se, normalmente, ao controle de construções e às atividades de manutenção. Esse sistema apresenta como não poderia deixar de ser, algumas desvantagens. Dentre elas, destacamos: a- custo administrativo elevado — o sistema exige considerável trabalho burocrático para o registro das informações minuciosas requeridas no adequado preenchimento das ordens de produção; b- controles permanentes são necessários para assegurar a correção dos dados de material e de mão-de-obra direta apropriados a cada ordem de produção; c- quando um embarque parcial é efetuado antes do encerramento da respectiva ordem de produção, faz-se necessária a utilização de estimativas para determinação do custo de vendas dos produtos enviados ao cliente. 44 1.4 SISTEMA DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS POR PROCESSO O sistema de acumulação por processo é usado, invariavelmente, na contabilização dos custos de uma produção em massa. Normalmente, nesse sistema produtivo, todos os produtos são fabricados para estoque; uma unidade de produção é idêntica à outra, os produtos são movimentados no processo de produção continuamente, e todos os procedimentos de fábrica são predominantemente padronizados. As seguintes características desse sistema podem ser destacadas: a- os custos, diretos ou indiretos, são acumulados nas contas de custos durante um determinado período, sendo reclassificados por departamento ou processo no fim desse período; b- nos casos em que os produtos são processados em mais de um departamento, os custos correspondentes são transferidos para o departamento seguinte, de forma que o custo total vai sendo acumulado até que o produto esteja terminado; c- a produção, em termos de quantidade (quilos, toneladas, unidades etc.), é registrada diária ou semanalmente, sendo preparado, no fim do mês, um demonstrativo dos resultados finais; d- o custo total de cada processo é dividido pelo total da produção, obtendo-se um custo médio por unidade para o período. 3 SISTEMA DE CUSTEIO 3.1 DEFINIÇÃO Uma vez definido o sistema de acumulação de custos a ser utilizado pela empresa, passa-se à escolha do sistema de custeio a ser adotado. 45 Essa escolha já não depende do sistema produtivo da empresa, mas principalmente do tipo de informação e de controle que a gerência pretende obter a partir do sistema de custeio a ser implantado. Os sistemas de custeio diferenciam-se entre si pela natureza dos dados contábeis utilizados - históricos ou predeterminados. Assim, são dois os sistemas de custeio: I - sistema de custeio baseado em dados reais, atuais ou históricos; e II - sistema de custeio baseado em dados estimados ou predeterminados (padrão). 3.2 SISTEMA DE CUSTEIO HISTÓRICO O sistema de custeio baseado em custos históricos ou atuais pode ser definido como um sistema onde os custos são registrados tais como ocorrem. Em conseqüência disso, nesse sistema, os custos só são determinados após o término da fabricação do produto ou da prestação do serviço da empresa. Sob esse sistema, o produto é debitado pelo custo atual do material usado, da mão-de-obra aplicada e por uma estimativa dos gastos gerais de fabricação. Dessa forma, o sistema de custo atual ou histórico contém, no que diz respeito aos gastos gerais de fabricação, um elemento do custo predeterminado. Obviamente, o sistema baseado em custos históricos pode ser usado tanto em um ambiente de acumulação de custos, por ordem de produção, como em um ambiente de acumulação de custos por processo de fabricação em série. De um modo geral, as seguintes limitações afetam a utilização do custo histórico: 46 a- o custo histórico pode não ser um custo típico, podendo, mesmo, em alguns casos, ser qualificado como um custo acidental; b- devido ao prazo requerido para apuração dos custos históricos e para elaboração dos demonstrativos neles baseados, a sua eficácia gerencial é muito limitada; c- sob um sistema exclusivo de custo histórico, não existe medida de comparação para julgamento imediato do desempenho da empresa. A gerência fica sabendo, apenas, se o custo mais recentemente apurado foi maior ou menor do que aquele verificado em período anterior, mas não disporá de elementos de comparação para poder determinar as operações, os fatores de produção ou as causas das variações constatadas. 3.3 SISTEMA DE CUSTEIO PREDETERMINADO — PADRÃO Como o próprio nome indica, custos predeterminados são custos estabelecidos com antecedência sobre as operações de produção. Assim, em um sistema de custeio baseado em custos predeterminados, tanto o material como a mão-de-obra e os gastos gerais de fabricação são contabilizados com base em preços, usos e volumes previstos. Os custos predeterminados são usados quando a gerência está interessada, primeiramente, em conhecer quais deveriam ser os seus custos, para depois compará-los aos custos reais. Dentro do sistema de custos predeterminados, contas de variações são usadas para contabilização das diferenças (a mais ou a menos), resultantes da comparação entre o custo realmente incorrido e o respectivo custo predeterminado. Os custos predeterminados podem ser estimados com base na "melhor informação disponível no momento" da sua fixação, ou podem ser "padrões" resultantesde um meticuloso estudo de engenharia. 47 Os custos predeterminados, sejam estimados ou padrões, apresentam as seguintes principais vantagens e desvantagens: a- tornam possível a aplicação do chamado princípio de exceção, que significa que a gerência passa a centralizar a sua atenção nos casos de variações significativas (para mais ou para menos) entre custos predeterminados e custos reais; b- são importantes como incentivos aos trabalhadores, supervisores e executivos que passam a contar com um padrão de medida do seu desempenho; (inclusive, por exemplo, para avaliação objetiva de resultados em Plano de Participação nos Resultados da Empresa - Lei 10.101/2000); c- permitem uma melhor formulação das políticas de preço e de produção da empresa; d- são medidas unitárias estáveis, das quais a administração pode servir-se para medir a eficiência das operações durante diferentes períodos de tempo; e- a principal desvantagem dos custos predeterminados refere-se ao trabalho e ao tempo requeridos para sua definição, notadamente quando se tratar da fixação de padrões. 4 MODALIDADES DE CUSTEIO A terceira etapa na estruturação de um sistema de custos refere-se à modalidade de custeio a ser utilizada. Como veremos, a diferença entre as modalidades de custeio relaciona-se ao grau de variabilidade dos gastos apropriados aos produtos ou serviços produzidos pela empresa. Há duas modalidades de custeio baseada no volume (quantitativo): 48 a- · a modalidade de custeio por absorção; b- · a modalidade de custeio variável ou direto. E uma modalidade de custeio baseada na Atividade (qualitativa). Todas as modalidades podem ser utilizadas tanto em um sistema de custeio histórico, quanto em um sistema de custeio predeterminado. 4.1 CUSTOS FIXOS São custos que permanecem constantes dentro de determinada capacidade instalada; independem do volume de produção, ou seja, uma alteração no volume de produção para mais ou para menos não altera o valor total do custo. Exemplo: aluguel da fábrica, salário do gerente de produção. 4.2 CUSTOS VARIÁVEIS São custos que mantêm relação direta com o volume de produção ou serviço. Dessa maneira, o total dos custos variáveis cresce à medida que o volume de atividade da empresa aumenta. Na maioria das vezes, esse crescimento no total evolui na mesma proporção do acréscimo no volume produzido. Exemplo: materiais/matéria prima e mão de obra direta. 4.3 CUSTOS SEMIFIXOS São aqueles que dispõem de uma grande parcela de fixo e uma pequena parcela de variável. Exemplo: Salário dos Gerentes de Produção com ganhos sobre a produção. 4.4 . CUSTOS SEMIVARIÁVEIS 49 São aqueles que dispõem de uma grande parcela variável e uma pequena parcela de custos fixos. São tipos muito encontrados na prática. Exemplo custo de manutenção é constituído de uma parcela fixa e uma parcela variável de acordo com a atividade da empresa. 4.5 . MODALIDADE DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO Quando, ao custearem-se os produtos fabricados pela empresa, são atribuídos a esses produtos, além dos seus gastos variáveis, também os gastos fixos, diz-se que se está usando a modalidade de custeio por absorção. Esta atribuição de gastos fixos, entretanto, implica, naturalmente, a utilização de rateios. E nisso reside a principal falha do custeio por absorção, como instrumento de controle. Por mais objetivos que pretendam ser os critérios de rateio, eles sempre apresentarão um forte componente arbitrário, que distorce os resultados apurados por produto e dificulta (quando não impede) as decisões da gerência com relação a assuntos de vital importância para a empresa, como, por exemplo, a determinação de preços de venda ou a descontinuação da fabricação de produtos deficitários. Para fins fiscais (Imposto de Renda), é obrigatória a utilização do custeio por absorção. 4.6 MODALIDADE DE CUSTEIO VARIÁVEL Em oposição à modalidade de custeio por absorção, o custeio variável ou direto toma em consideração, para custeamento dos produtos 50 da empresa, apenas os gastos variáveis. Com isso, elimina-se a necessidade de rateios e, conseqüentemente, as distorções deles decorrentes. Assim, essa modalidade de custeio apresenta, sobre a modalidade anterior, significativas vantagens no que respeita à apuração dos resultados financeiros gerados pelos diferentes produtos da empresa e às decisões gerencias. Entretanto, a grande falha deste sistema é que não é aceito perante a legislação do Imposto de Renda. Portanto, a empresa que desejar adotá-lo, deverá fazê-lo mediante controles e relatórios distintos, em complemento à informação contábil. 4.7 CUSTO BASEADO EM ATIVIDADE (ABC) A metodologia ABC nasceu nos Estados Unidos (USA) em meados da década de 80 e foi desenvolvida e criada basicamente pelos Profs. Cooper e Kaplan. No método ABC, as atividades são o foco do processo de custeio. Os custos são investigados, relacionando-se as atividades aos produtos, com base na demanda por tais atividades pelo produto durante o processo de produção ou o serviço em questão. Portanto, as bases de alocação usadas no custeio baseado na atividade são medições das atividades executadas, que podem incluir horas do tempo de ajuste de máquina ou número de vezes em que isso foi feito, ou demais maneira de distribuição em função da atividade que está sendo analisada seja industrial, serviço ou overhead. O método ABC demonstra a relação entre Recursos consumidos (o que foi gasto: água, luz, salários, etc.), Atividades executadas (onde foi gasto: produção, informática, vendas, etc.) e Objetos de Custo (para que foi gasto: produto A, Produto B, Atividade X, etc.). Portanto, os custos são alocados de: 51 Enquanto no método tradicional a alocação é feita através de critérios de rateios limitados (geralmente quantidade produzida/vendida), no ABC existe uma multiplicidade de critérios (denominados de geradores de custo ou cost drivers) cada qual específico à atividade (custo) a que se relaciona (por exemplo: número de notas fiscais emitidas, número de requisições de compras etc.). Gerador de Custos (cost driver) é o fator que causa mudança no desenvolvimento de uma atividade, mensurando os respectivos recursos exigidos por essa atividade, ou seja, é a causa do volume de recursos consumidos pela atividade. Os recursos estão relacionados às atividades/sub- atividades, e estas aos objetos de custos. Para cada recurso ou atividade, os drivers podem ser diferenciados (e geralmente são). Exemplos de Cost Drivers: 52 Vantagens do ABC: 1. Visão de Processos e Atividades 2. Conhecimento dos Custos Recebidos 3. “Brainstorm” entre Áreas 4. Maior Qualidade na Informação 5. Instrumentos Acessórios 6. Subsídios à Gestão 7. Visão Múltipla 8. Classificação de Atividades 9. Medição de Produtividade 10. Melhoria da Lucratividade 4 RELAÇÃO DE CUSTO, VOLUME E LUCRO 5.1 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO A Margem de Contribuição representada por MC é o resultado entre a receita total subtraindo os custos variáveis, obtendo-se assim um resultado, se positivo, necessário para cobrir os custos fixos e ainda gerar lucro. Caso a Margem de Contribuição seja negative, há grande possibilidade da empresa operar em prejuízo. Exemplo: Margem Positiva Receita 53 RT Lucro MC Prejuízo PE CV CF 200 400 600 800 Q Total $1.000,00 Custos Variáveis (-) $ 500,00 Margem de Contribuição $500,00 (50% de margem – Positiva) Custos Fixos (-) $300,00 Lucro Bruto $ 200,00 Exemplo: Margem Negativa Receita Total $500,00 Custos Variáveis (-) $1.000,00 Margem de Contribuição (-) $500,00 ( -50% de margem – negativa) Custos Fixos (-) $300,00 Prejuízo Bruto(-) $ 800,00 5.2 PONTO DE EQUILÍBRIO A expressão ponto de equilíbrio, tradução de Break-evenpoint (Ponto de Ruptura), refere- se ao nível de vendas em que não há lucro ou prejuízo, ou seja, onde os custos totais são iguais às receitas totais. REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO PONTO DE EQUILÍBRIO $ 5.000 4.000 54 3.000 2.000 1.000 A reta do custo total é paralela à do custo variável, só que acrescida dos custos fixos. O ponto onde a reta da receita total corta a de custo total é o ponto de equilíbrio, ou seja, receita total igual a custo total. A análise do ponto de equilíbrio é o processo de se calcular as vendas necessárias para cobrir os custos de forma que os lucros e os prejuízos sejam iguais a zero. A análise do ponto de equilíbrio também pode ser usada como unidade selecionadora, como primeira tentativa para determinar a viabilidade econômica de uma proposta de investimento. A formação de preços também pode ser facilitada com o conhecimento do ponto de equilíbrio de um produto. O equilíbrio das vendas pode ser determinado usando-se gráficos e equações. Nos gráficos, a receita, o custo total e o custo fixo são indicados no eixo vertical e o volume no eixo horizontal. O ponto de equilíbrio ocorre na interseção da linha da receita com o do custo total. Os lucros aumentam com o aumento do volume. A equação é a seguinte: V = CV + CF Onde: V = vendas, CV = custo variável e CF = custo fixo Essa equação ajuda a determinar o equilíbrio das vendas ou de qualquer outro elemento desconhecido. Por exemplo, o preço de venda. Se você deseja saber qual o lucro não tributado, ache o valor de P na equação 55 V = CV + CF + P 56 Exercícios Unidade II 57 Unidade III Contabilidade de custos Caro(a) Aluno(a) Seja bem-vindo(a)! Nesta terceira unidade, iremos estudar os conceitos ligados a qualidade total e os custos Bons estudos!!! Conteúdo da Unidade Nesta unidade, abordaremos os seguintes conteúdos: Programas de gestão da qualidade total Aplicação das ferramentas da qualidade total no âmbito de custos 58 CONCEITO DA QUALIDADE TOTAL Entendido todo o processo de formação de custos e os impactos sobre a rentabilidade da empresa, torna-se possível administrar os custos da qualidade não somente no aspecto técnico, mas também no aspecto Contábil dos custos. Sabe-se que uma operação obtém resultado quando esta é produtiva, ou seja, possui a melhor eficência técnica com o menor custo possível. SURGIMENTO E IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DA QUALIDADE TOTAL (GQT) Baseado em Araújo (2007), na década de 50, no pós Guerra, o efeito da concorrência era pequeno, logo, as empresas não se preocupavam com seus clients, uma vez que não existia uma grande ariedade de produtos e os consumidores eram pouco exigentes. Com a expansão industrial e a mudança do estilo das famílias, começam a ser ofertados no Mercado produtos similares, proveniente de outras indústrias novas que foram surgindo. Desta forma, o aumento da concorrência e, posteriormente, a globalização dos produtos, faz com que as empresas tenham a necessidade de investir em seus clients, oferecendo produtos e serviços com qualidade, inovação e preços atrativos. “A qualidade ocupou o centro da atenção gerencial ao prover soluções para as organizações, quando a oferta se tornou maior que a demanda e quando os clientes se tornaram mais bem informados e exigentes”. (BARROS, 1992 apud ARAUJO, 2007, p. 228). A GQT, de acordo com Araújo (2007), é um modelo de gestão que surge no Japão após a II Guerra Mundial, elaborado pelos norteamericanos, que contém alguns princípios da administração de Taylor, Shewart, Maslow e o conhecimento ocidental da qualidade principalmente de Deming e Juran. 59 Ainda segundo Barbosa (1995), no pós guerra, os produtos japoneses não tinham qualidade satisfatória para competir no exterior. Torna-se necessário que o Japão se recosntrua e, para isso, necessita abranger o Mercado mundial. Implanta-se como filosofia a gestão da qualidade total (GQT), o Japão é uma das maiores potências econômicas do mundo e referência em produtos altamente valorizados pela qualidade e tecnologia avançada. Essa técnica vai além dos ganhos quantitativos de clientes e posibilita uma redução drástica dos custos diretos de fabricação, bem como uma significativa redução dos Custos indiretos de fabricação. Os japoneses entendem que as organizações não podem depender somente da atração de clientes e do aumento das vendas. Algo mais traria resultado às suas organizações. O conceito de pós vendas surge como agregação de valor ao produto e marca. “a satisfação do cliente parte do credo do movimento de qualidade que fará com 16 que a organização permaneça no mercado”. (DEMING 1990 apud ARAÚJO 2007). Segundo Juran (1992 apud Araújo 2007), “a falta de qualidade representa perda de vendas, geram custos devido às reclamações dos clientes ocasionando o retrabalho, representa ameaça à sociedade porque os produtos devem trazer benefícios aos seus consumidores e não o contrário.” DEFINIÇÃO DE GESTÃO DA QUALIDADE TOTAL Paladini (2000) afirma que o conceito sobre qualidade se desdobra em dois planos: espacial temporal 60 É fundamental entender que os conceitos sobre qualidade devem refletir a realidade em que vivemos, ou seja, os referenciais considerados naquele momento no processo gerencial das organizações, pois tudo que é moderno pode virar velho e obsoleto, daí a questão de se considerar a qualidade sob o aspecto temporal. Por ser uma palavra de domínio público, é comum que ocorram definições equivocadas a cerca do conceito da palavra qualidade, e segundo Paladini (2000), definir qualidade de forma errônea leva a Gestão da Qualidade a adotar ações que podem comprometer seriamente a organização. Há alguns aspectos que são relacionados à qualidade, mas que se vistos individualmente, proporcionam um conceito equivocado. Porém, se analisados em conjunto, nos ajudam a ter uma idéia sobre o conceito mais adequado à palavra qualidade. Estes aspectos, de acordo com o autor citado, são: a. considerar a qualidade como algo abstrato, pois, nem sempre os clientes conseguem definir quais são as suas preferências e necessidades; considerar a qualidade como sinônimo de perfeição; b. considerar que qualidade nunca se altera; considerar que a qualidade é subjetiva, variando de pessoa para pessoa; considerar qualidade como capacidade de fabricação, onde um produto ou serviço deve se concretizar de acordo com seu projeto; considerar a qualidade como um requisito mínimo de funcionamento; c. considerar a qualidade como a diversidade de opções que um produto 18 ou serviço oferece e considerar a qualidade como a área onde todo o processo de produção da qualidade se desenvolve. Esses elementos compõem o conceito básico da qualidade. Entretanto, centrar atenção exagerada em algum deles ou deixar de considerar outros pode fragilizar estrategicamente a empresa. Portanto, de acordo com Paladini (2000), o conceito 61 correto da qualidade deve envolver dois elementos: O componente espacial onde a qualidade envolve muitos aspectos simultaneamente, ou seja, uma multiplicidade de itens; E o componente temporal onde a qualidade sofre alterações conceituais ao longo do tempo. À Gestão da Qualidade caberá operacionalizar ambos os aspectos. Qualidade Total De acordo com Barbosa (1995), a Gestão da Qualidade Total estabelece condições para que todas as pessoas se capacitem para planejar e gerenciar o seu próprio trabalho, recebendo treinamento específico. A GQT é voltada para o atendimento das necessidades daspessoas de dentro e de fora da organização, mas o cliente é o alvo principal. De acordo com Barbosa (1995), para uma implantação eficiente, é necessária uma mudança de atitude, hábitos e modos de pensar das pessoas, principalmente das que ocupam cargos altos da hierarquia, que devem ser convencidas dessas necessidades de implantação e jamais serem obrigadas a aceitar (por imposição). Sendo assim, será disseminado na organização que “cada um é responsável pelo resultado do seu próprio trabalho” (BARBOSA et al. 1995), pois o resultado final da organização só será satisfatório se houver qualidade no trabalho individual e em equipe. Diante de um problema, deve-se buscar as causas e soluções, ao invés de culpados. Por isso, a GQT pode ser entendida como: a gerência exercida por todas as pessoas, de todos os níveis hierárquicos e de todos os setores da mesma, visando o atendimento das necessidades de todas as pessoas envolvidas, de dentro e de fora dela, especialmente daquelas a quem se destinam os resultados do seu trabalho, ou seja, os seus clientes finais. (BARBOSA et al. 1995, p. 6). De acordo com Araújo (2007), a Qualidade também pode ser definida como a busca pela perfeição visando agradar os clientes que são cada vez mais exigentes e conscientes da quantidade de organizações e o que elas têm para oferecer. Essa filosofia busca a eliminação do retrabalho (fazer novamente devido à falha) 62 e visa o defeito zero. Assim, as organizações permanecem no mercado e obtêm mais lucros. Segundo Araújo (2007), existem dois pontos de vista da Qualidade: o de quem produz e o de quem consome. Quem produz possui visão objetiva e segue normas e procedimentos de fabricação, onde a qualidade deve “estar em conformidade” com especificações para a produção (garantia técnica). Quem consome tem visão subjetiva, ou seja, aquilo que ele espera do produto, onde a qualidade precisa se adequar às expectativas dos clientes. (BARROS, 1996, apud. ARAUJO, 2007). Qualidade Total, de acordo com Paladini (2000) é uma decorrência natural da qualidade definida enquanto “adequação ao uso”. Quando se analisam as dimensões da Gestão da Qualidade e suas ações diante desse conceito, entende-se que a qualidade passa a ser uma característica que atende totalmente o consumidor. Conforme autor acima citado, para que haja Gestão da Qualidade Total, todas as atividades precisam envolver todos os requisitos que os produtos e serviços devem ter para atender totalmente o que o cliente deseja em termos de necessidades, preferências ou conveniências. O primeiro indicativo, da GQT é o grau de fidelidade do consumidor, ou seja, cativar o cliente satisfazendo, ou até mesmo superando suas necessidades, atendendo suas expectativas, conquistando, assim, um mercado garantido, o que proporciona maiores chances de sobrevivência da organização. Segundo Chiavenato (2003), qualidade total é uma decorrência da aplicação da melhoria continua. Ela significa o atendimento das exigências do cliente, ou seja, é ter como objetivo as necessidades do usuário. Qualidade total também pode ser entendida como o total das características de um produto ou serviço que atenderá as expectativas do cliente. Chiavenato (2003) aponta que, por trás dos conceitos de qualidade, existe a figura do cliente que pode ser interno ou externo, pois na organização existe uma infinidade de cadeias de fornecedores e clientes, onde cada empregado é um cliente do anterior (do qual recebe 63 as entradas) e um fornecedor do posterior (para onde entrega as saídas), constituindo assim o núcleo da qualidade total. Para Chiavenato (2003), a melhoria contínua da qualidade é aplicável ao nível operacional e a qualidade total abrange todos os níveis da organização e ambas são abordagens importantes para se obter a excelência em qualidade dos produtos e processos. Seguem as etapas: a. Escolha de uma área de melhoria: para redução da percentagem de defeitos, do tempo de ciclo de produção, no tempo de parada de máquinas e do absenteísmo do pessoal. b. Definição da equipe de trabalho que tratará da melhoria: ênfase no trabalho em equipe para mobilizar as pessoas na derrubada de barreiras à qualidade. Identificação dos Benchmarks: ele deve ser identificado, conhecido, copiado e ultrapassado. c. O benchmark pode ser interno (de outro departamento) ou externo (uma empresa concorrente ou excelente), servindo como guia de referência. Análise do método atual: a equipe de melhoria analisa o método atual de trabalho para comparar e verifica como ele pode ser melhorado para alcançar ou ultrapassar o benchmark focalizado. d. Estudo piloto da melhoria: a. desenvolvimento de um esquema piloto para solucionar um problema e melhorar a qualidade testando sua relação custo benefício. Implementação de melhorias: b. a equipe propõe a melhoria e a direção assegura a sua implementação. A melhoria fortalece a competitividade da organização e aumenta a motivação das pessoas envolvidas no processo incremental. “O gerenciamento da qualidade total (GQT) é um conceito de controle que atribui às pessoas, e não somente aos gerentes a 64 responsabilidade pelo alcance de padrões de qualidade”. (CHIAVENATO, 2003, p. 582). De acordo com Chiavenato, a qualidade total está baseada no empowerment das pessoas, ou seja, habilidade e autoridade para tomar decisões que tradicionalmente eram dadas aos gerentes, resolvendo problemas do cliente sem consumir tempo para aprovação do gerente. “A qualidade total se aplica a todas as áreas e níveis da organização e deve começar no topo da empresa”. (CHIAVENATO, 2003, p.582). Este comprometimento é indispensável para garantir uma profunda mudança na cultura organizacional. Segundo Chiavenato (2003), o gerenciamento da qualidade trouxe técnicas conhecidas, tais como: a. Enxugamento (downsizing): A qualidade total representa uma revolução na gestão da qualidade, por que os antigos departamentos de Controle da Qualidade (DCQ) é que detinham essa responsabilidade. Então, a Qualidade Total provocou o enxugamento dos DQCs e sua descentralização para o nível operacional. Essa técnica reduz os níveis hierárquicos e suas operações ao essencial (core business) do negócio, promovendo o comprometimento e autonomia das pessoas, além do investimento em treinamento para melhorar a produtividade. b. Terceirização (outsourcing): Ocorre quando uma operação interna da organização é transferida para outra organização que consiga fazê- la melhor e mais barato. Na prática, a terceirização representa uma simplificação da estrutura e do processo decisório das organizações e uma focalização maior no core business e nos aspectos essenciais do negócio. c. Redução do tempo do ciclo de produção: Refere-se às etapas seguidas para completar um processo. A queda das barreiras entre as 65 etapas do trabalho e entre departamentos envolvidos e a remoção de etapas improdutivas no processo permite que a Qualidade Total seja bem sucedida. Isso permite a competição pelo tempo, atendimento mais rápido ao cliente e etapas de produção mais encadeadas, os conceitos de fábrica enxuta e just in time são baseados no ciclo de tempo reduzido. Ainda de acordo com Paladini (2000), o segundo indicativo da GQT é a adequação ao uso, onde o objetivo é o processo produtivo. Se for necessário adequar o produto ou serviço inteiramente ao uso, todos os elementos, pessoas ou áreas que tiverem participação direta ou indireta em sua produção são igualmente responsáveis pela qualidade. Qualquer item de produção que não estiver comprometido com o empenho da qualidade, não contribui para o objetivo e, portanto se torna dispensável. Essa dimensão envolve a coordenação de todos os elementos da empresa no esforço de adequar o produto ao uso baseado em suas atividades no processo produtivo, assim,a Gestão da Qualidade começa sua atividade com contribuições individuais que precisam se engajar em um movimento organizado e bem direcionado. Assim como a adequação de um produto ao uso é um processo gradativo, o esforço de todos pela qualidade é um processo evolutivo por excelência. A Gestão da Qualidade Total utiliza-se, segundo Paladini (2000), do conceito de melhoria contínua. O autor acima citado, menciona dois exemplos de desenvolvimento do processo de melhoria que caracterizam a ação da Gestão da Qualidade: a. Otimização do Processo: esforços destinados a minimizar custos, reduzir defeitos, eliminar perdas e falhas e racionalizar as atividades produtivas. Generalização da Noção de Perda: b. Toda a ação, procedimento, operação ou atividade que não acrescente valor ao produto acabado é uma perda, ou seja, considera-se como perda toda ação, procedimento ou atividade que não contribui de forma efetiva para o aumento do grau de ajuste do produto à demanda em termos de atendimento às necessidades, expectativas, preferências de quem já é 66 consumidor. Para o autor, é difícil diferenciar a Gestão da Qualidade da Gestão da Qualidade Total, porque envolveria diferenciar qualidade de qualidade total, mas a própria evolução do conceito da qualidade mostra que se saiu de uma situação onde o esforço se concentrava na atividade de inspeção, para um ambiente onde a qualidade é definida de forma mais ampla. Joseph Juran é considerado um dos autores mais ilustres da qualidade de nosso tempo e foi ele quem definiu a qualidade criando a sigla TQM (Total Qualitiy Management), que pode ser traduzida como Gestão da Qualidade Total, cuja sigla é GQT. Juran definiu a GQT como: “a extensão do planejamento dos negócios da empresa que inclui o planejamento da qualidade”. (JURAN; GRYNA, 1991 p. 210; apud. PALADINI, 2000 p. 32). Segundo este autor, são atividades usuais da GQT: Estabelecer objetivos mais abrangentes. a. Determinar as ações para alcançá-los. b. Atribuir responsabilidades para o cumprimento dessas ações. Fornecer recursos para o cumprimento dessas responsabilidades. c. Viabilizar o treinamento para cada ação prevista. d. Estabelecer meios de avaliação de desempenho do processo de implantação de acordo com os objetivos. e. Estruturar um processo que analise periodicamente esses objetivos. Criar um sistema de reconhecimento que confronte os objetivos fixados e o desempenho das pessoas. 24 Sendo assim, o autor deixa claro que essas atividades típicas do planejamento estratégico podem ser aplicadas à administração para a qualidade. 67 “Uma das maiores aplicações do conceito de planejamento da qualidade é o planejamento estratégico da qualidade, algumas vezes chamado de Gestão da Qualidade Total”. (JURAN; GRYNA, 1991 p. 210; apud PALADINI, 2000 p. 33). Entretanto, a implantação desse conceito de GQT trouxe algumas restrições que, de acordo com o próprio Juran, são desvantagens naturais da GQT. São elas: a. Aumento de trabalho da administração superior b. Possibilidade de geração de conflitos nos vários níveis organizacionais. Falta de garantia de resultados imediatos c. Otimização do funcionamento da empresa em sua totalidade prejudicada pela otimização das ações dos setores da empresa. Porém, existem mecanismos desenvolvidos para minimizar essas restrições. São eles: a. Novas divisões das atividades relativas à Gestão da Qualidade que pulverizam a carga de trabalho sem sobrecarregar ninguém. b. Políticas gerais da qualidade que minimizam conflitos, de forma a adequar os objetivos dos setores aos objetivos da organização, garantindo a otimização de todo o sistema para depois obter otimização das partes. c. Divisão de resultados em curto, médio e longo prazo, que incluem redução de erros e desperdícios, minimização de custos, racionalização de atividades e alteração de rotinas de trabalho que determinam reflexos imediatos sobre itens como conforto, segurança ou bem-estar dos operários. Juran afirma que a organização para a GQT exige uma definição de um nível de envolvimento de cada setor no processo da qualidade e a estruturação de um fluxo de informações exclusivo para a qualidade, ou seja, um sistema de avaliação de desempenho para acompanhar permanentemente as ações que serão desenvolvidas. 68 (JURAN; GRYNA, 1991, p. 212; apud. PALADINI, 2000, p. 34). “A qualidade de um produto ou serviço é a percepção do cliente do grau que o produto ou serviço atende as suas expectativas”. (GAITHER; FRAZIEN, 2006, p 489). De acordo com Gaither (2006), os clientes levam em consideração vários aspectos diferentes dos produtos e serviços e as empresas têm de procurar os clientes para definir os padrões de medida da qualidade. As pesquisas e sugestões dos clientes podem ser usadas como dados a respeito da qualidade. Existem vários fatores que afetam as expectativas dos clientes em relação à qualidade. Dentre eles temos: a. Desempenho: se o produto ou serviço desempenha bem o que é esperado pelo cliente. Características: aquilo que atraem os clientes, como assentos ajustáveis por comandos elétricos de um carro. b. Confiabilidade: diz respeito à probabilidade de quebra, mau funcionamento ou a necessidade de conserto. Utilidade: velocidade, custo e conveniência de consertos e manutenção. c. Durabilidade: tempo ou uso necessário antes de ser preciso efetuar um conserto ou substituição. d. Aparência: os efeitos nos sentidos humanos – visão, audição, tato, paladar e olfato. e. Atendimento ao cliente: como são tratados antes, durante e depois da venda. f. Segurança: quanto o produto protege os usuários antes, durante e depois do uso. Essas expectativas dos clientes em relação à qualidade não são as 69 mesmas para produtos de níveis e classes diferentes. Por exemplo, os clientes não esperam as mesmas características de um acabamento de um veículo em um prego de construção. “Ser uma empresa de classe mundial em termos de qualidade significa que cada um de seus produtos e serviços é considerado o melhor em sua categoria pelos clientes”. (GAITHER; FRAZIEN, 2006, p. 490). De acordo com Gaither (2006), para obter a qualidade, são necessárias várias atividades ou realizações: a. Qualidade do projeto b. Capabilidade dos processos de produção c. Qualidade de conformidade d. Qualidade do atendimento ao cliente Cultura da qualidade da empresa Existem custos associados com a qualidade do produto ou service. Alguns surgem antes para evitar a má qualidade e outros surgem depois da má qualidade ocorrer. Dentre esses custos, estão: a. Sucata e retrabalho b. Produtos defeituosos nas mãos dos clientes c. Detectar defeitos. d. Evitar defeitos Gestão da qualidade no processo De todos os componentes operacionais que sofreram alterações devido à 70 adoção da Qualidade Total, o que mais sofreu impacto foi a Gestão da Qualidade no Processo. De acordo com Paladini (2000), esse modelo tem foco no processo produtivo, onde a qualidade deve ser gerada a partir exatamente das operações do processo produtivo. A maioria das estratégias desenvolvidas, conforme autor acima mencionado, prioriza o processo produtivo. Porém, recentemente, começou a criar técnicas que visam analisar outros elementos fundamentais para a qualidade como, por exemplo, a atenção dispensada à ação dos concorrentes devido ao clima de competitividade em que as empresas mergulharam. Há um roteiro prático, de acordo com Paladini (1995-2000), que viabiliza a Gestão da Qualidade no Processo, envolvendo a implantação de atividades agrupadas em três etapas: A. a eliminação de perdas; B. a eliminação das causas das perdas e C. a otimização do processo. De acordo com essas etapas que se desenvolvem de forma evolutiva, pode-se incrementar a adequação do produto ao uso, onde eliminandoos defeitos, garante-se um produto em condições de ser utilizado; eliminando as causas, garante-se maior confiabilidade ao produto e otimizando o processo, garante-se um produto com máxima eficiência e eficácia. Ainda de acordo com o autor acima citado, a gestão da qualidade no processo se caracteriza por alterações no processo produtivo para atingir objetivos bem definidos e se bem conduzida, gera mudanças positivas devido aos efeitos imediatos dos resultados rápidos produzindo benefícios para todos os envolvidos. A gestão da qualidade no processo gerou alguns princípios simples de operação e Paladini (2000): 71 a. não há melhoria no processo se não houver adequação ao uso do produto; b. quem avalia as melhorias no processo é o consumidor final; tudo o que se faz no processo pode ser melhorado; c. as ações que não agregam valor ao produto devem ser eliminadas; ações normais não podem gerar falha, erro, desperdício ou perda; d. não há área ou elemento do processo produtivo que não seja relevante. O autor citado, também aponta quais os indícios mais usuais na gestão inadequada da qualidade no processo: a. desorganização do processo produtivo e operações duplicadas; custos elevados de produção; altos níveis de estoque; b. frequente retrabalho; ordens contraditórias no processo; c. altos níveis de defeitos; uso freqüente de equipamentos para reprocessamento; d. projetos que consome mais tempo na prática do que o previsto; e. rejeições; f. perda de insumos; g. freqüentes alterações no planejamento devido à falhas de processo; h. atrasos na finalização de lotes; i. erros de manuseios gerando perdas de materiais; j. erros no ajuste de equipamentos gerando condições inadequadas de operação. O objetivo básico da gestão da qualidade no processo, de acordo com Paladini 72 (2000), é definir estratégias que busque a otimização do processo produtivo para atender às expectativas dos consumidores finais. Gerência da qualidade tradicional e moderna A visão tradicional, de acordo com Gaither (2006), assegura que para que os clientes recebam produtos e serviços de qualidade, é necessário ter uma inspeção rigorosa para identificar e descartar os produtos defeituosos enviando aos clientes apenas os produtos bons. A decisão principal é quantos produtos inspecionar e, em parte, essa decisão se trata de uma questão econômica, pois à medida que os produtos são inspecionados, aumenta-se os custos de sucatear, retrabalhar e detectar defeitos, enquanto diminui-se os custos dos produtos defeituosos, chegando-se a uma certa altura da inspeção, conseguir um ponto de equilíbrio minimizando os custos da qualidade total. “O que está basicamente errado com essa visão tradicional de gerência 29 da qualidade é que ela supõe que a qualidade pode ser inspecionada no produto”. (GAITHER; FRAZIEN, 2006, p. 490). Nesse caso, a qualidade não pode ser entendida apenas como uma inspeção de produtos onde se descarta os defeituosos enquanto que a produção continua seguindo padrões inadequados e produzindo produtos de qualidade inferior, mas sim deve-se mudar os padrões da produção para que se faça certo desde a primeira vez. Assim, a inspeção ao invés de descartar produtos ruins vai apenas evitar defeitos e fornecer um feedback de como o setor de produção poderá continuar melhorando a qualidade do produto. Já o enfoque moderno da qualidade, de acordo com Gaither (2006), segue o conceito de que a qualidade aciona a máquina da produtividade, em outros aspectos do quadro da qualidade e nos padrões emergentes da qualidade. Aos japoneses atribui-se o conceito de que a qualidade impulsiona a produtividade, ou seja, se o setor de produção fizer certo da primeira vez, sem que haja 73 defeito, elimina-se o desperdício e reduz-se os custos. Segundo Gaither (2006), quando se trabalha para eliminar defeitos, a qualidade dos produtos e serviços melhora e a produtividade também. Os custos diminuem porque se perde menos produtos para sucata, menos produtos são devolvidos para assistência dentro da garantia e há menos interrupções na produção. Gurus da qualidade Os pensadores que merecem destaque segundo Gaither (2006) são: Deming, Crosby, Feigenbaum, Ishikawa, Juran e Taguchi. Estes autores trabalharam com indústrias para ajudar as empresas na elaboração de programas de melhoria da qualidade. a. Gaither (2006) cita, resumidamente, as características destes pensadores: b. W. Edwards Deming era professor da Universidade de Nova Iorque e viajou para o Japão depois da Segunda Guerra Mundial a pedido do governo japonês para ajudar suas indústrias a melhorar sua produtividade e qualidade. De acordo com Gaither (2006), o Dr. Deming era estatístico e consultor e sua 30 missão foi tão bem sucedida que o governo japonês criou em 1951 o Prêmio Deming, que é concedido anualmente para a empresa que se destacar no setor de programas de gerência da qualidade. c. Philip B. Crosby estabeleceu conceitos tradicionais sobre o grau aceitável de defeitos que gostaria de ouvir, argumentando que qualquer nível de defeito é alto demais e as empresas deveriam trabalhar com programas com metas de zero defeito. Ele afirma que o custo da má qualidade, ou seja, o retrabalho, sucata, horas perdidas de mão-de-obra e máquinas, vendas perdidas entre outros é tão mal avaliado que quantias ilimitadas podem ser gastas lucrativamente na melhoria da qualidade. d. Armand V. Feigenbaum desenvolveu o conceito de controle da qualidade 74 total ou TQC, argumentando que a responsabilidade pela qualidade deveria ficar com as pessoas que executam o trabalho. Neste conceito, o produto de qualidade é mais importante do que os índices de produção e o trabalhador recebe a autoridade de parar a produção quando ocorrer problemas de qualidade. e. Kaoru Ishikawa pode ter influenciado os gurus da qualidade. Ele criou o conceito de círculos de qualidade e sugeriu o uso de diagramas espinha de peixe, utilizados para localizar reclamações dos clientes. Argumenta também que as empresas americanas delegam a poucos funcionários a responsabilidade pela qualidade de produtos e serviços, enquanto que os gerentes japoneses estão totalmente comprometidos com a qualidade. Joseph M. Juran teve um papel importante na tarefa de ensinar os fabricantes japoneses em como melhorar a qualidade de seu produto. Ele defende o compromisso da alta administração no planejamento da qualidade e na identificação de discrepâncias e melhorias contínuas em todos os aspectos da qualidade do produto. f. Genichi Taguchi prestou consultoria à FORD e IBM, ajudando-as a melhorar o controle estatístico de seus processos de produção. Ele defende a idéia de que um ajuste constante das máquinas de produção para obter qualidade não é eficaz e que o produto deve ser elaborado de forma a funcionar satisfatoriamente apesar das variações na linha de produção. Programas de gestão da qualidade total De acordo com Gaither (2006), o objetivo dos programas de qualidade total é criar uma organização que produza produtos e serviços que sejam considerados de primeira classe por seus clientes, ou seja, para obter excelência em qualidade, tudo deve ser feito da maneira correta da primeira vez e estar em constante melhoria. A GQT começa com o compromisso da alta administração, pois sem o apoio da alta administração, estes programas serão vistos apenas como modismo que logo 75 cairão no esquecimento. “Criar um produto de qualidade superior na estratégia de negócios é a base para uma organização atingir a TQM.” (GAITHER; FRAZIEN, 2006, p. 498). Para que a GQT seja bem sucedida é necessário que haja mudanças fundamentais na cultura da organização, como buscar o envolvimento dos clientes, produtos e processos de produção baseados nas necessidades dos clientes, formarparcerias com os fornecedores e criar equipes com mais poder e benchmarking. Essas mudanças, segundo Gaither (2006), só serão possíveis com o comprometimento da alta administração. É preciso envolver os clientes nas organizações criando grupos focalizados, que são grupos de clientes que se reúnem com executivos para discutirem e avaliarem a qualidade. “O desdobramento da função qualidade (QFD) é um sistema formal para identificar os desejos dos clientes e eliminar características de produtos e atividades que não contribuem em nada.” (GAITHER; FRAZIEN, 2006, p. 499). Ferramentas da gestão da qualidade total Existem várias ferramentas que auxiliam na implantação da GQT em uma organização. Entretanto, é importante ressaltar que cada uma deve ser bem analisada e somente utilizada se for a que melhor se adequar às necessidades da organização. De acordo com Araújo (2007, p. 234), as ferramentas utilizadas são: a. Gráfico de Barras: podem ser verticais ou horizontais. Usadas para comparar a quantidade dos dados em relação às categorias diferentes ressaltando a falta de semelhança neles. b. Diagrama de causa e efeito: ou espinha-de-peixe, ou ainda, diagrama de Ishikawa, é a representação de um efeito ou problema e sua causa. É usado na gestão de processos e favorece a organização dos pensamentos de maneira 76 racional gerando discussões produtivas c. Folha de Verificação d. Fluxograma: representação do passo a passo de um processo permitindo a identificação de problemas na organização. e. Histograma f. Diagrama de Pareto: usado para descobrir ou apresentar a importância relativa de dados ou variáveis. Ressalta os pontos vitais em relação aos pontos triviais dentro da organização g. Diagrama de dispersão (Fonte: http://www.geranegocio.com.br). Diagrama de linha de tempo: são oscilações relativas a certas variáveis ao longo do tempo, permite a idéia de movimento de algum fenômeno organizacional h. Diagrama de Linha de Tempo Fonte i. Balanced Scorecard: de acordo com Chiavenato e Neto (2003), o BSC (balanced scorecard) é um sistema de gestão estratégica desenvolvida por Kaplan e Norton, que busca atingir objetivos de curto, médio e longo prazo, integrando as perspectivas organizacionais mais relevantes. Seu foco principal está no alinhamento da organização, das pessoas e das iniciativas de cada departamento, de forma a identificar novos processos para o cumprimento dos objetivos globais da organização. 77 Exercícios da unidade III 78 Unidade IV Contabilidade de custos Caro(a) Aluno(a) Seja bem-vindo(a)! Nesta quarta unidade, iremos estudar os conceitos da qualidade e não qualidade. Bons estudos!!! Conteúdo da Unidade Nesta unidade abordaremos os seguintes conteúdos: Custos da qualidade Custos da não qualidade Estratégia competitiva 79 OS CUSTOS DA QUALIDADE E DA NÃO QUALIDADE NA PRODUÇÃO Com o efeito da globalização, os mercados internacionais tornaram-se mais competitivos, provocando mudanças significativas na forma de como as empresas devem se organizar e atuar. Desta forma, as empresas foram obrigadas a mudar suas estratégias para sobreviver e atender às necessidades dos seus clientes. Dentre as muitas estratégias adotadas, a qualidade torna-se um importante aliado. Desta forma, identificar os custos da qualidade irão contribuir para a gestão dos custos, bem como promover ações em conjunto com os programas de melhorias dos processos, priorizando as áreas que necessitam de maior atenção. Tem-se que esta ferramenta, aplicada aos processos produtivos, promove releveantes mudanças. Um novo panorama econômico e produtivo se estabeleceu com esse desenvolvimento e as constantes pressões por desempenho não dão folga às organizações e a área produtiva não poderia estar excluída. Neste contexto, a busca pela qualidade é o caminho para a sobrevivência e manutenção no mercado. Por sua vez, toda e qualquer movimentação na busca de algo próximo à perfeição envolve uma série de ferramentas e programas para garantir essa qualidade desejada. Deve-se observar que a implantação dos sistemas de custos da qualidade também impõem custos à organização. Logo, a mensuração destes custos torna-se imprescindível e a comparação entre os resultados obrigatória para que se possa assegurar o retorno sobre o investimento através da redução dos custos da não qualidade. A gestão dos custos da qualidade ganha espaço diariamente, contribuindo de forma significativa para apoiar a estratégia competitiva sustentável das organizações. Mensurar estes custos e rastreá-los não é uma tarefa fácil, pois necessita-se de especial atenção quanto a veracidade e factibilidade final do levantamento e operacionalização dos processos alterados e os impactos dos custos da qualidade e não qualidade. 80 Conceitos de custos e qualidade. Segundo CALDERELLI (2002): “Os custos abrangem as diversas atividades de uma empresa representa as múltiplas aplicações de bens ou serviços para obtenção de um bem de uso ou de troca O conceito de custos da qualidade tem sua origem em Joseph M. Juran, em sua obra Quality Control Handbook (1951). Desde então houveram variações sobre o entendimento deste tema, abordando os custos da qualidade e não qualidade. Observa-se, entanto, que de forma geral, as diversas interpretações falam sobre o mesmo conceito. Segundo Juran (1995, p.2), “os custos do baixo nível de qualidade são imensos, de 20% a 40% do trabalho de uma empresa é gasto para refazer o que não foi feito certo da primeira vez devido à má qualidade. Por isso, a qualidade precisa ser medida e expressa em termos monetários porque falhas, rejeitos e desperdícios representam grandes somas em dinheiro” Para TOLEDO (2002): “As definições de custos da qualidade variam entre os especialistas de acordo com a definição de qualidade e as estratégias adotadas pela empresa, que induzem a diferentes aplicações e interpretações, mas sua aplicação deve ser capaz de responder”, a. Qual o valor da qualidade que a empresa oferece? b. Quanto custa à qualidade que está sendo obtida na empresa? 81 c. Quanto está custando à falta de qualidade para a empresa? d. Quanto custa à perda de um cliente por problemas de qualidade? e. Em que é viável investir para reduzir os custos da não qualidade? f. Como está o desempenho da empresa em qualidade? Torna-se fundamental identificar a origem destes custos e, desta forma, identificar e constituir os parâmetros da qualidade, sendo estes: a. refugos, unidadesdefeituosas, desperdícios, sobras e reclamações, para sua analise e controle: b. Refugo: é o produto ou parte dele que não está dentro dos padrões de qualidade admissíveis e que não pode ser reparado, podendo este ser vendido a baixo preço. c. Unidade defeituosa: este produto, ao contrário do refugo, poderá ser retrabalhado e vendido como peça normal ou defeituosa. d. Desperdício: é o gasto desnecessário ou aplicado em excesso, assim como os resíduos da produção que não podem ser retrabalhados ou vendidos. e. Sobras: são materiais extraídos na fabricação de um produto que podem ser comercializados com outras fábricas como um subproduto ou sucata. f. Reclamações: são feitas nos prazos de garantia de um produto e, em alguns casos, fora, uma vez detectado o erro de projeto ou montagem (recall). Na concepção de Juran, os custos da qualidade devem ser divididos em quatro categorias: 82 a. custos de prevenção; b. custos de avaliação; c. custos das falhas internas; d. custos das falhas externas que, por sua vez, são agrupados em custos do controle e custos das falhas. Ao analisar a figura acima, é importanteobservar a relação entre os custos relativos ao controle e os custos para reduzir as falhas. Os custos de prevenção e avaliação devem ser menores que os custos das falhas internas e externas. Caso o contrario ocorra, a organização não estará sendo produtiva e competitiva. O gráfico apresentado na sequência mostra a comparação entre os custos de controle e a qualidade do produto, ou seja: quando os custos do controle forem zero, o produto será 100% defeituoso e o custo das falhas tende a ser muito alto. quando o produto é 100% dentro do nível de qualidade, não há falhas, porém os custos do controle tendem a ser muito altos. 83 O que se busca é encontrar o equilíbrio que produza a melhor competitividade e produtividade. O ponto ótimo demonstrado no gráfico define o momento de equilíbrio destes custos. O objetivo prático passa por determinar quanto antes o erro ou mesmo a possibilidade do erro e trata-lo de maneira pró ativa, para que ele não venha a acontecer. Entende-se que esta forma de análise diminui significativamente a incidência de custos referentes a não qualidade do produto. Segundo Luiz Gustavo Sanssarão Moraes e Erondi de Paula Lopes Junior, respectivamente economista da FACESM e especialista em gestão de projeto da FGV, relatam que Richard W. Anderson, gerente-geral da Divisão de Sistemas de Computadores da Hewlett-Packard, ilustra bem este fato: “Quanto mais cedo você detectar e prevenir um defeito, mais você poderá economizar. Se você jogar fora uma resistência defeituosa de 2 centavos antes de usá-la, perderá 2 centavos. Se não descobri-lo até que esteja soldada em um componente de computador, poderá custar-lhe US$ 10 84 para reparar o componente. Se você não descobrir o componente defeituoso até que esteja nas mãos do usuário do computador, o reparo custará centenas de dólares. Na verdade, se um computador de US$ 5.000 tiver que ser reparado no campo, a despesa pode exceder o custo de fabricação. ” Segundo TOLEDO (2002), estes custos seguem as seguintes definições: Custos de Prevenção São os custos associados ao desenvolvimento dos projetos implementação e operação emtodo o ciclo de produção para que todos os elementos a serem produzidos não sejam concebidos com defeitos ou, em outras palavras, referem-se aos gastos com o intuito de se evitar tais defeitos. Têm como objetivo desenvolver as empresas para um sistema de gestão da qualidade pró ativa através da melhoria da qualidade do projeto. Seus elementos são: a. Identificação das necessidades dos clientes: São os custos incorridos relacionados à avaliação contínua das necessidades e percepção do cliente e/ou usuário quanto à qualidade (incluindo dados de confiabilidade e desempenho), que afetam a sua satisfação com os produtos e/ou serviços fornecidos. b. Desenvolvimento do projeto do produto: São os custos necessários para gerenciar a qualidade na fase de desenvolvimento de um novo produto ou serviço, antes de liberar a documentação autorizada para a produção inicial. c. Suprimentos: São os custos voltados para assegurar a conformidade e minimizar o 85 impacto das não conformidades dos materiais adquiridos na qualidade dos produtos e/ou serviços, envolvendo as atividades antes e após a colocação do pedido de compra. d. Planejamento da Qualidade do Processo Produtivo: São aqueles custos incorridos para garantir a capacidade das operações produtivas em atingir os requisitos e padrões da qualidade. e. Administração da Qualidade: São os custos voltados para administrar e gerenciar a função qualidade. f. Educação para a Qualidade: São os custos necessários à educação para a qualidade de todas as funções da empresa que possam afetar, direta ou indiretamente, a qualidade dos produto e/ou serviços. Custos de Avaliação: São os custos associados aos controles avaliações e auditorias dos processos e condutas estipuladas. Verificam-se os defeitos e não conformidades com os padrões de peças. Matérias primas, componentes e processos. Seus elementos são: a. Inspeções e ensaios em produtos/serviços adquiridos: São os custos voltados para atividades de inspeção e/ou de teste de produtos ou serviços adquiridos, necessárias para determinar sua adequação ao uso. Tais atividades podem ser executadas como parte da inspeção de recebimento ou como inspeção realizada no próprio fornecedor. b. Avaliação de operações (fabricação ou serviço): São aqueles custos incorridos com as inspeções, testes ou auditorias exigidas para determinar e garantir a obediência aos requisitos durante todas as fases de 86 execução de um produto ou de um serviço. c. Avaliação externa: São os custos relacionados com as avaliações efetuadas nas instalações do cliente, antes da aceitação oficial do produto pelo mesmo. d. Custos das Falhas Internas: São os custos que correspondem aos produtos acabados que não satisfazem os padrões de qualidade com o especificado no projeto, causando perdas na produção. Essas falhas são identificadas antes de o produto deixar a empresa e seguir para o consumidor, podendo elas serem aproveitadas ou não. Seus elementos são: e. Falhas de projeto de produto/serviço: São aqueles custos não planejados que existem em função das inadequações inerentes ao projeto e sua relação com a execução das operações da produção. Destaca-se que não estão considerados os custos relativos às alterações solicitadas pelo cliente para melhoria do produto, ou os esforços maiores de reprojetos que fazem parte do plano de marketing da empresa. f. Falhas de suprimentos: São os custos devidos às falhas de materiais de fornecedores em relação aos requisitos da qualidade, inclusive com o pessoal envolvido nessas atividades. g. Falhas de operação (produto/serviço): Custos de falhas de operação quase sempre representam uma significativa porção dos custos gerais da qualidade e podem, geralmente, ser vistos como os custos relacionados com produtos ou serviços defeituosos, descobertos durante as operações de processo. 87 Custos de Falhas Internas São os custos associados a: a. Problemas logístos de embarque de materiais e produtos b. Retrabalho de propostas comerciais; c. Reuniões internas redundantes sobre problemas da qualidade; d. Redução de receita e penalidade por não cumprimrnto de prazos; e. Projetar novamente processos e produtos que propiciem problemas de qualidadedo produto e processos Custos das Falhas Externas: São os custos decorrentes de falhas no produto acabado após a distribuição dos mesmos ao mercado. Estes custos denigrem a imagem e confiabilidade de um produto ou de uma marca. Quanto mais tarde forem identificados, mais comprometimento trará a organização, tanto no ponto de vista da credibilidade, como também com relação aos custos de ressarcimento ao consumidor final. Normalmente estes custos estão associados a: a. Administração de reclamações: São os custos incorridos na investigação, julgamento e resposta às reclamações individuais dos clientes ou usuários por razões de qualidade. b. Responsabilidade civil pelo item: São os custos incorridos pela empresa devido às reclamações de responsabilidade pelo produto ou serviço, inclusive, custos com advogados, registros e indenizações. c. Produtos ou serviços devolvidos: 88 São os custos incorridos para manusear, transportar e contabilizar produto devolvido, bem como avaliar e reparar ou trocar bens que não atendem os requisitos de aceitação pelo cliente ou usuário devido a problemas de qualidade. Não inclui gastos com reparos realizados como parte de uma manutenção rotineira. d. Solicitação em garantia: É o custo total envolvido na correção de não conformidades nos produtos em garantia. Devem-se adicionar os custos de pessoal de serviço e administrativo quenão podem ser custeados na conta de garantia, mas que estão fazendo trabalho associado com garantia. e. Alteração das especificações de projeto: São os custos para atualizar ou alterar as especificações de produtos/serviços no local de operação, para uma nova condição de projeto, baseado em recálculos significativos para minimizar ou até mesmo eliminar as deficiências do projeto anterior. Incluem somente aquelas últimas modificações devido aos problemas da qualidade. f. Incluem-se os custos incorridos como resultado do recolhimento de produtos ou componentes já em uso, a fim de corrigir problemas que não puderam ser previstos (custos com recall). g. Penalidades pós-entrega: São os custos incorridos para o pagamento das penalidades por falhas no atendimento aos requisitos contratuais pós-entrega do produto/serviço. h. Concessões ao cliente/usuário: São os custos incorridos sobre e acima dos custos de vendas normais, com clientes ou usuários que não estão completamente satisfeitos com a qualidade dos produtos ou serviços recebidos. 89 i. Perdas de vendas: São os custos incorridos pela perda de margem de lucro devido à redução de vendas por problemas de qualidade (ex.: quantidade de negócios que perdidos no período medido). Este elemento está associado com a perda da imagem pela empresa do ponto de vista do cliente. j. Outros Custos de Falhas Externas: Inclui-se aqui qualquer outra conta associada ao produto/serviço no local de operação (ex: assistência técnica), diretamente atribuída à correção de imperfeições ou testes especiais, mas que não se inclui nos itens anteriores. Do texto de Luiz Gustavo Sanssarão Moraes e Erondi de Paula Lopes Junior, respectivamente economista da FACESM e especialista em gestão de projeto da FGV (https://pt.slideshare.net/sassarraomoraes/os-custos-da-qualidade-e-da-no-qualidade- na-produo). A partir destes conceitos, é necessário desenvolver um sistema demensuração que possa oferecer à organização informações que auxiliem a identificação das áreas que necessitem de refinamento; um sistema que vise a melhoria contínua e a utilização dos programas de controle dos custos em conjunto com programas de qualidade. Para o sucesso da implementação deste sistema, é importante conhecer os custos da qualidade sob sua dimensão plena, o seu domínio além dos processos de produção e as principais áreas que necessitem de aprimoramentos. GOMES (2003) sugere que para a implementação de um sistema de identificação dos custos da qualidade, devesse adotar as seguintes diretrizes: a. Disseminação do conceito de custos da qualidade através de treinamento para toda organização; b. Definição de todos os elementos que irão compor esses custos em conjunto com o departamento de contabilidade, sendo que a alta https://pt.slideshare.net/sassarraomoraes/os-custos-da-qualidade-e-da-no-qualidade-na-produo https://pt.slideshare.net/sassarraomoraes/os-custos-da-qualidade-e-da-no-qualidade-na-produo 90 administração deve aprovar tais definições; c. Constituição de uma equipe interdisciplinar responsável pela implantação, sendo esta nomeada pela alta direção também; d. Criação de planilhas e elaboração de um banco de dados desses custos, indicando os responsáveis pelas coletas assim como seu cronograma; e. Obtenção dos dados para um período e revisá-los com cada departamento; f. Obtenção de dados para mais um período; g. Emissão do primeiro relatório; h. Exibição dos dados, comparando-os com os demais indicadores de desempenho para o alto escalão da empresa (gerência, chefia e supervisão); i. Elaboração de um plano de ação para que possa reduzir os custos levantados; j. Implantação desse plano de ação; k. Verificação através de dados comparativos posteriores a eficácia das ações tomadas. Com esta implantação, uma vez organizada as informações, as organizações poderão visualizar soluções para tomada de decisões, aprimorando e melhorando os programas relacionados às perdas devidas danão qualidade, o que o torna um importante instrumento gerencial porpossibilitar a identificação sistêmica, priorizando as oportunidades que levarão a reduzir os custos entre todos os departamentos envolvidos. 91 Estratégia Competitiva Na atual conjuntura competitiva em que as empresas se encontram, a busca por novas estratégias é relevante para sua sobrevivência, assegurando que o negócio não deixe de ser rentável. Tais estratégias devem se basear na capacidade das empresas de suprir as necessidades e expectativas dos clientes que podem ser conhecidas, entre tantas variáveis, pela qualidade e opreço, o que torna o custo da qualidade uma ferramenta de grande valor para aelaboração destas estratégias. É evidente que em meio às grandes mudanças e transformações globais, a instabilidade no mercado pode desacelerar a economia, induzindo uma contração no seu consumo, reduzindo as vendas e, consequentemente, a lucratividade das empresas. Neste ambiente, para que as empresas não deixem de ser emcompetitivas, a busca por um diferencial que satisfaça as necessidades do mercado consumidor pode estar inicialmente no combate do desperdício, eliminando as atividades que não agregam valor ou, em outras palavras, aquelas que podem ser suprimidas através da redução ou eliminação da má qualidade sem prejudicar o desempenho da empresa. Com o melhoramento da qualidade sob esta ótica, verifica-se a redução dos custos provenientes da não qualidade, o que torna os produtos com preços mais atrativos, atraindo novos consumidores e fidelizando os existentes. Para estabelecer os custos da qualidade como peça chave no desenvolvimento de estratégias competitivas, todos os profissionais envolvidos devem conhecer os benefícios que o controle da qualidade traz para a empresa e que os custos da qualidade são uma ferramenta de grande eficiência naquilo que se propõe e com o monitoramento correto de suas informações é possível mensurar e alcançar o aprimoramento operacional desejado, assim como o aumento competitivo de que se espera, relacionando às suas causas e equacionando seus custos a qualidade. Definir uma estratégia competitiva baseada nos custos e na qualidade é algo que demanda bastante informação, essencialmente sobre as influências externas do mercado, como clientes, fornecedores, produtos similares e novos entrantes. Uma vez 92 que cada um destes fatores pode influenciar e muito o mercado, a empresa que não estiver bem articulada para enfrentar os ataques e se defender, dificilmente conseguirá manter uma posição favorável esustentável. Por sua relevância, os custos da qualidade possibilitam que as organizações reduzam seus gastos através da identificação de oportunidades que visam melhorar o sistema produtivo minimizando ou até mesmo eliminando as falhas no processo. Ao implementarem programas neste sentido, as empresas consolidam sua posição no mercado por tornar seus processos mais eficientes, produzindo produtos com qualidade a custos menores para atender e suprir as expectativas dos clientes. É importante conhecer e analisar os custos da qualidade através de sua mensuração e registro, por se tratar de uma excelente ferramenta na geração de informações que possam evidenciar o comportamento desses custos, fornecendo subsídios à tomada de decisões em onde e no que se deve investir, e na busca dos motivos que geram as falhas. A partir dos conceitos e concepções apresentados, constata-se que a implementação de um sistema de identificação baseado nos custos da qualidade pode ser tornar uma eficiente ferramenta na elaboração de estratégias e como diferencial competitivo e jamais deve ser deixado em segundo plano, por se tratar de algo necessário para o desenvolvimento dos negócios e essencial para o mercado atual. Por fim, os benefícios são muito significativos e todosos envolvidos tendem a se beneficiar com esse sistema, sejam os sócios, funcionários, acionistas e, principalmente, os clientes, uma vez que diminuindo os custos da não qualidade, a empresa se torna mais competitiva. 93 REFERÊNCIAS BEULKE, Rolando. Gestão de Custos. São Paulo: Saraiva, 2005. C. R. C. Ibracon. Custo como Ferramenta Gerencial. 1. ed. São Paulo: Atlas, 1995. FIPECAFI. Manual de contabilidade das sociedades por ações. São Paulo: Atlas, 1995. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade gerencial. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1995. LEONE, George Sebastião Guerra. Curso de Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas, 1997. LEONE, George Sebastião Guerra. Custos: planejamento, implantação e controle. São Paulo: Atlas, 2000. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003. NAKAGAWA, Masayuki. Custeio baseado em atividades. São Paulo: Atlas, l994. Osni, Moura Ribeiro. Contabilidade de Custos — fácil. 6. ed. 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