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Em tese, o resumo informativo dispensa a necessidade de consulta do texto completo. Já o resumo crítico será visto mais adiante – trata-se da resenha. Confira, a seguir, dois exemplos de resumos: EXEMPLO 1 Estudo realizado sobre redações de vestibulandos da FUVEST. Examina os textos com base nas novas tendências dos estudos da linguagem, que buscam erigir uma gramática do texto, uma teoria do texto. São objeto de seu estudo a coesão, o clichê, a frase feita, o “não texto” e o discurso indefinido. Parte de conjecturas e indagações, apresenta os critérios para a análise, as informações sobre o candidato, o texto e farta exemplificação. Resumo indicativo. Fonte: MEDEIROS,2006, p. 153-154. Crise na linguagem: a redação no vestibular. São Paulo: Mestre Jou, 1981. EXEMPLO 2 Examina 1.500 redações de candidatos a vestibulares (1978), obtidas da FUVEST. O livro resultou de uma tese de doutoramento apresentada à USP em maio de 1981. Objetiva caracterizar a linguagem escrita dos vestibulandos e a existência de uma crise na linguagem escrita, particularmente desses indivíduos. Escolheu redações de vestibulandos pela oportunidade de obtenção de um corpus homogêneo. Sua hipótese inicial é da existência de uma possível crise na linguagem e, por meio do estudo, estabelecer relações entre os textos e o nível de estruturação mental de seus produtores. Entre os problemas, ressaltam-se a carência de nexos, de continuidade e quantidade de informações e a ausência de originalidade. Também foram objeto de análise condições externas, como família, escola, cultura, fatores sociais e econômicos. Um dos critérios de análise é a utilização do conceito de coesão. A autora preocupa-se, ainda, com a progressão discursiva, com o discurso tautológico, as contradições lógicas evidentes, o nonsense, os clichês, as frases feitas. Chegou à conclusão de que 34,8% dos vestibulandos demonstram incapacidade de domínio dos termos relacionais; 16,9% apresentam problemas de contradições lógicas evidentes. A redundância ocorreu em 15,2% dos textos. O uso excessivo de clichês e frases feitas aparece em 69% dos textos. Somente em 40 textos, verificou-se a presença de linguagem criativa. Às vezes, o discurso estrutura-se com frases bombásticas, pretensamente de efeito. Recomenda a autora que uma das formas de combater a crise estaria em se ensinar a refazer o discurso falho e a buscar a originalidade, valorizando o devaneio. Fonte: Resumo informativo. Medeiros (2006, p. 138-139). ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a redação no vestibular. São Paulo: Mestre Jou, 1981. Autor: Lamai Prasitsuwan / Fonte: Shutterstock Um último ponto, mas não menos importante, diz respeito ao emprego das palavras-chave. De acordo com Curty e Boccato (2005), elas representam o conteúdo do texto e devem ser registradas logo abaixo do resumo. Quando nos referimos a resumos inseridos em artigos, as palavras-chave tornam-se elemento obrigatório e contribuem para a indexação do trabalho nas bases de dados. Sua quantidade varia, mas, geralmente, restringe-se a três. Outra característica que pode oscilar é a liberdade para sua escolha. Em determinadas áreas, como as Ciências da Saúde, as palavras-chave – chamadas de descritores – são de uso controlado, ou seja, há uma lista já pronta, e o autor escolhe aquelas que mais interagem com seu trabalho. Na área de Humanidades, a seleção das palavras-chave fica a critério do próprio autor. Apenas a quantidade é predeterminada (PEREIRA, 2013). Autor: ZoFot / Fonte: Shutterstock RESENHAS ACADÊMICAS Embora de natureza completamente distinta, a resenha acadêmica cumpre uma função que é semelhante ao papel do fichamento, ou seja, busca-se poupar o tempo do pesquisador. Essa necessidade é uma das consequências do fenômeno chamado explosão bibliográfica. O objetivo principal da resenha é proporcionar ao leitor uma quantidade suficiente de informações para que este possa, de maneira embasada, decidir sobre a leitura – ou não – do texto completo. Nesse sentido, Severino (2002) observa que a resenha auxilia o estudioso no processo de seleção das leituras que deverão ser feitas, seja para o desenvolvimento da investigação, seja para a subsequente produção dos trabalhos acadêmicos. Em outras palavras, a resenha serve para poupar o investigador de leituras desnecessárias – para sua pesquisa – e, com isso, otimizar seu tempo. EXPLOSÃO BIBLIOGRÁFICA De acordo com Mueller (2000), entende-se por essa expressão o aumento da quantidade, em grande velocidade, do número de trabalhos acadêmicos produzidos ao redor do javascript:void(0) mundo. Este não é um fato recente – teve início em fins do século XVII –, mas o advento da internet e sua difusão no início do século XXI deu maior intensidade ao processo. Com a rapidez com que o conhecimento se renova, aparece a dificuldade de atualização ou o acompanhamento das novidades relacionadas ao saber científico por parte do pesquisador ou do interessado em geral. EXPLOSÃO BIBLIOGRÁFICA De acordo com Mueller (2000), entende-se por essa expressão o aumento da quantidade, em grande velocidade, do número de trabalhos acadêmicos produzidos ao redor do mundo. Este não é um fato recente – teve início em fins do século XVII –, mas o advento da internet e sua difusão no início do século XXI deu maior intensidade ao processo. Com a rapidez com que o conhecimento se renova, aparece a dificuldade de atualização ou o acompanhamento das novidades relacionadas ao saber científico por parte do pesquisador ou do interessado em geral O QUE É UMA RESENHA? DE ACORDO COM A NBR 6028 (ABNT, 2003B), TRATA-SE DA MODALIDADE DE RESUMO CHAMADA RESUMO CRÍTICO, CUJA DEFINIÇÃO CONSISTE NA ANÁLISE CRÍTICA DE DETERMINADO TEXTO REALIZADA POR UM ESPECIALISTA. PORÉM, TAL ACEPÇÃO NÃO É SUFICIENTEMENTE ESCLARECEDORA A PONTO DE RESPONDER A NOSSA PERGUNTA SATISFATORIAMENTE. DESSE MODO, CABE IDENTIFICAR COMO ALGUNS AUTORES A CARACTERIZAM. Marconi e Lakatos (2017) entendem a resenha como uma descrição pormenorizada do conteúdo de um texto, na qual o resenhista resume, critica e formula um juízo de valor sobre a obra. No entanto, a resenha também deve ser entendida como uma redação técnica dotada de sequências textuais que não se restringem à descrição, mas também englobam narração e dissertação. Como afirmamos antes, a finalidade das resenhas é possibilitar a seu leitor elementos para que consiga, de maneira fundamentada, decidir se a leitura do texto completo lhe é pertinente ou não (SEVERINO, 2002). Por isso mesmo, elas configuram uma modalidade específica de trabalho acadêmico, estando presentes no sistema de comunicação científica. Podemos encontrá-las, com relativa frequência, publicadas em seções especialmente destinadas a elas nos periódicos científicos. Porém, não são todas as revistas acadêmicas que publicam resenhas. NARRAÇÃO E DISSERTAÇÃO “Estruturalmente, [a resenha] descreve as propriedades da obra (descrição física da obra), relata as credenciais do autor, resume a obra, apresenta suas conclusões e metodologia empregada, bem como expõe um quadro de referências em que o autor se apoiou (narração) e, finalmente, apresenta uma avaliação da obra e diz a quem a obra se destina (dissertação).” Fonte:: MEDEIROS, 2006, p. 153-154. javascript:void(0) javascript:void(0); QUAIS SÃO AS SUAS VARIAÇÕES? DO MESMO MODO QUE PODEMOS ENCONTRAR DIFERENTES TIPOS DE RESUMOS E FICHAMENTOS, AS RESENHAS TAMBÉM PODEM SER CATEGORIZADAS. EMBORA NÃO HAJA UNANIMIDADE ENTRE OS AUTORES SOBRE ISSO, OPTAMOS PELA POSIÇÃO DE MEDEIROS (2006), QUE INDICA A EXISTÊNCIA DE DUAS MODALIDADES: A DESCRITIVA E A CRÍTICA. RESENHA DESCRITIVA Segundo Fiorin e Savioli (2003, p. 426), redigir uma resenha descritiva significa “fazer uma relação das propriedades de um objeto, enumerar cuidadosamente seus aspectos relevantes, descrever as circunstâncias que o envolvem”. Nesse tipo de resenha, prevalece, evidentemente, a sequência textual da descrição.Porém, é possível encontrar também partes narrativas. De acordo com esses autores, o objeto resenhado pode ser tanto um acontecimento quanto textos ou outras obras culturais. Os estudiosos do assunto salientam, ainda, que o principal a ser observado é que toda resenha descritiva é seleção. Isso decorre do fato de as características e conjunturas que circundam o objeto serem múltiplas, tornando inviável descrever cada uma delas. Em outros termos, impossível não é. MAS A RESENHA NÃO BUSCA POUPAR O TEMPO DO ESTUDIOSO? A DESCRIÇÃO PORMENORIZADA DE TODOS OS ELEMENTOS VAI CONTRA TAL PRERROGATIVA, POR ISSO A NECESSIDADE DE SELECIONAR ASPECTOS. ESSA SELEÇÃO DEVE SER FEITA LEVANDO EM CONTA OS OBJETIVOS DO RESENHISTA, COMO TAMBÉM QUE TIPOS DE LEITOR PRETENDE ALCANÇAR. RESENHA CRÍTICA Já a resenha crítica, conforme Medeiros (2006) aponta, caracteriza-se pelo acréscimo de elementos dissertativos àqueles que já constam na resenha descritiva. Em outras palavras, nessa modalidade, aparece, para além das descrições, considerações que defendem determinado ponto de vista sobre o objeto e que são sustentadas por argumentos ou dados. Por isso, esse autor enfatiza que o leitor demanda um posicionamento por parte do resenhista, que precisa ser claro, uma vez que incidirá diretamente sobre os pontos considerados positivos e negativos da obra resenhada. Nesse sentido, os elogios e as críticas tecidas precisam ser bem ponderados pelo resenhista, pautados em argumentos ou dados, como já salientamos, devendo sempre estar circunscritos à obra e jamais se estender aos autores. Marconi e Lakatos (2017) observam, ainda, que o resenhista também está proibido de, por quaisquer motivos, deturpar o pensamento do autor. Por essas razões, espera-se que uma resenha crítica seja elaborada por um especialista na área, pois é desejado que ele possua certas características, como (SALVADOR, 1980, p. 139 apud MARCONI; LAKATOS, 2017, p. 282): ETAPA 01 ETAPA 02 ETAPA 03 ETAPA 04 ETAPA 05 ETAPA 06 01 Conhecimento completo da obra. 02 Competência na matéria. 03 Capacidade de juízo de valor. 04 Independência de juízo. 05 Correção e urbanidade. 06 Fidelidade ao pensamento do autor. Um último ponto importante são os elementos que constituem a resenha, como vemos na tabela a seguir: Itens de uma resenha Componentes Referência bibliográfica • Autor(es). • Título e subtítulo. • Elementos de imprensa (local, editora e data). • Número de páginas. Credenciais do autor • Informações gerais. • Papel exercido no meio científico/acadêmico. Conhecimento (conteúdo) • Resumo das ideias principais. • Tema. • Abordagem. Conclusão do autor • Presença ou não de conclusões e quais foram. • Local em que aparecem (a cada capítulo ou reunidas no final da obra). Quadro de referências do autor • Teoria que embasou o texto. • Metodologia utilizada. Apreciação • Avaliação da obra – como se insere nas correntes científicas, filosóficas ou culturais, e perante as circunstâncias culturais, socioeconômicas e históricas. • Mérito da obra – contribuição dada ao campo, presença de ideias originais, novas abordagens etc. • Estilo – concisão, objetividade, clareza, precisão, coerência etc. • Forma – organização lógica, sistematizada, equilíbrio entre as partes. • Indicação da obra – público-alvo (estudantes, especialistas, público em geral etc.). Estrutura de resenha crítica Fonte: Marconi & Lakatos (2017, p. 282) Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Esta também pode ser a estrutura de uma resenha descritiva, desde que se exclua o último item da tabela (Apreciação). VÍDEO Neste vídeo, você conhecerá um pouco sobre os processos de fichamento. VERIFICANDO O APRENDIZADO