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Farmacologia do SNA 
Transmissão colinérgica 
As fibras colinérgicas incluem todas as 
fibras autonômicas eferentes pré-
ganglionares, a maioria das fibras pós-
ganglionares parassimpáticas, umas poucas 
fibras pós-ganglionares simpáticas e as 
fibras motoras somáticas (não autonômicas) 
dos músculos esqueléticos. 
Receptores 
Podem ser divididos em 3 classes: 
musculares (na junção neuromuscular 
esquelética), ganglionares (nos gânglios 
simpático e parassimpático) e do SNC (pré-
sinapse e serve para facilitar ou inibir a 
liberação de outros mediadores, como o 
glutamato e a dopamina). 
São estruturas pentaméricas (α, β, γ, δ e ɛ) 
do tipo canal iônico controlado por ligantes. 
Os subtipos dos receptores nicotínicos 
geralmente contêm tanto subunidades α 
quanto β, sendo a única exceção o subtipo 
homomérico (α7)5 encontrado, 
principalmente, no cérebro. A ACh se liga 
nas subunidades α e os dois pontos de 
ligação para a ACh precisam ser ocupados 
simultaneamente para desencadear a 
abertura do canal. 
 
São típicos receptores acoplados à proteína 
G, e são conhecidos cinco subtipos 
moleculares (M1 -M5). Os subtipos com 
numeração ímpar (M1, M3 e M5) acoplam-
se à proteína Gq para ativar a via de fosfatos 
de inositol, enquanto os receptores pares 
(M2, M4) atuam através de Gi para abrir os 
Farmacologia 
Por: ANA CLARA MELO 
canais de potássio (Kir), provocando 
hiperpolarização da membrana, podendo 
ainda inibir a adenilato ciclase, embora a 
quantidade de cAMP intracelular seja em 
geral baixa. Os agonistas muscarínicos, 
além dos mecanismos de transdução, 
também ativam a via das proteinoquinases 
ativadas por mitógenos. 
 
 M1 (“neuronais”): encontrados 
principalmente em neurônios do SNC, 
em neurônios periféricos e nas células 
parietais do estômago. Atuam como 
mediadores dos efeitos excitatórios 
como, por exemplo, a excitação 
muscarínica lenta mediada pela ACh 
nos gânglios simpáticos e em neurônios 
centrais. Essa excitação é produzida por 
diminuição da condutância ao K +, que 
provoca despolarização da membrana. 
Estão também envolvidos no aumento 
da secreção ácida do estômago que 
ocorre após estimulação vagal. 
 M2 (“cardíacos”): presentes no coração 
e também nas terminações pré-
sinápticas de neurônios centrais e 
periféricos. Exercem efeitos inibitórios, 
principalmente por meio do aumento da 
condutância ao K + e da inibição dos 
canais de cálcio. A ativação desses 
receptores é responsável pela inibição 
colinérgica do coração, bem como pela 
inibição pré-sináptica no SNC e na 
periferia. Os receptores M2 também são 
expressos juntamente com os receptores 
M3 no músculo liso das vísceras e 
contribuem para o efeito estimulante da 
musculatura lisa, próprio dos agonistas 
muscarínicos em vários órgãos. 
 M3 (glandulares/do músculo liso): 
produzem estimulação das secreções 
glandulares (salivares, brônquicas, 
sudoríparas etc.) e contração do 
músculo liso das vísceras. A ativação 
dos receptores M3 também provoca 
relaxamento de alguns músculos lisos 
(principalmente vascular) por meio da 
liberação de óxido nítrico de células 
endoteliais vizinhas. Os receptores M3 
também estão presentes em locais 
específicos do SNC. 
 M4 e M5: grande parte restritos ao SNC, 
e seu papel funcional não está bem 
esclarecido. 
Os agonistas são raramente seletivos, pois a 
região de ligação do agonista é altamente 
conservada entre os diferentes subtipos. 
Entretanto, existe maior seletividade de 
subtipo entre antagonistas. 
 
 
Etapas da transmissão colinérgica 
A acetilcolina (ACh) é sintetizada no 
citoplasma a partir da acetil-CoA e colina 
por meio da ação catalítica da enzima colina 
acetiltransferase (CAT). A acetil-CoA é 
sintetizada nas mitocôndrias das 
terminações nervosas. A colina é 
transportada para dentro por meio do 
transportador de colina (CHT) dependente 
de Na+ (esse simportador pode ser 
bloqueado por um grupo de fármacos de 
pesquisa denominados hemicolínios). Uma 
vez sintetizada, a ACh é transportada do 
citoplasma para as vesículas por um 
transportador associado à vesícula (VAT) 
que é dirigido por efluxo de prótons. O 
acúmulo de ACh está relacionado com o 
grande gradiente eletroquímico associado 
aos prótons que existem entre as organelas 
intracelulares ácidas e o citosol; esse 
acúmulo é bloqueado de modo seletivo pelo 
fármaco experimental vesamicol. 
O armazenamento de ACh é completado 
pelo empacotamento de moléculas de 
acetilcolina, geralmente 1.000 a 50.000 
moléculas em cada vesícula. 
Os terminais e varicosidades dos neurônios 
colinérgicos contêm grande número de 
pequenas vesículas ligadas à membrana, 
concentradas perto da porção sináptica da 
membrana celular, bem como um número 
menor de vesículas grandes com núcleo 
denso, localizadas mais longe da membrana 
sináptica. As vesículas grandes contêm uma 
alta concentração de peptídeos 
cotransmissores, ao passo que as vesículas 
claras menores contêm a maior parte da 
acetilcolina. As vesículas são providas com 
proteínas de membrana associadas a 
vesículas (VAMP), que servem para alinhá-
las a sítios de liberação na membrana 
interna da célula neuronal e participam no 
desencadeamento da liberação do 
transmissor. O sítio de liberação na 
superfície interna da membrana do terminal 
nervoso contém proteínas sinaptossômicas 
associadas a nervos (SNAP), que interagem 
com as VAMP. 
A liberação fisiológica de transmissor das 
vesículas depende do cálcio extracelular e 
ocorre quando um potencial de ação atinge 
o terminal e desencadeia um influxo 
suficiente de íons de cálcio por meio de 
canais de cálcio do tipo N. O cálcio interage 
com a VAMP sinaptotagmina na membrana 
da vesícula e desencadeia a sua fusão com a 
membrana terminal e a abertura de um poro 
para dentro da sinapse. A abertura do poro 
e a entrada rápida de cátions resultam em 
liberação da acetilcolina do proteoglicano e 
na expulsão exocítica para dentro da fenda 
sináptica. 
Após sua liberação, a ACh difunde-se 
através da fenda sináptica e combina-se 
com os receptores situados na célula pós-
sináptica. Parte da ACh perde-se no 
caminho ao ser hidrolisada pela 
acetilcolinesterase (AChE), uma enzima 
que permanece ligada à membrana basal e 
encontrada entre as membranas pré e pós-
sinápticas. Nas sinapses colinérgicas 
rápidas (p. ex., sinapses neuromusculares e 
ganglionares), a ACh liberada é hidrolisada 
muito rapidamente (dentro de 1 ms), de 
modo que seu tempo de ação é muito curto. 
A inibição da colinesterase da terminação 
nervosa provoca um acúmulo de ACh 
excedente no citosol, que não fica 
disponível para liberação pelos impulsos 
nervosos (embora possa sair da terminação 
através do transportador de colina). 
 
A liberação da ACh é regulada por 
mediadores, inclusive pela própria ACh, 
que agem sobre os receptores pré-
sinápticos. Nas terminações nervosas 
parassimpáticas pós-ganglionares, os 
receptores M2 inibitórios participam da 
autoinibição da liberação da ACh; outros 
mediadores, como a norepinefrina, também 
inibem a liberação da ACh. Entretanto, na 
junção neuromuscular, os receptores 
nicotínicos pré-sinápticos facilitam a 
liberação da ACh. No cérebro, os nAChR 
pré-sinápticos facilitam ou inibem a 
liberação de outros mediadores. 
A despolarização causada pela ação da ACh 
sobre os receptores nicotínicos é devido ao 
grande aumento na permeabilidade dessa 
membrana a cátions, particularmente ao 
Na+ e ao K+ e, em menor grau, ao Ca2+. 
Essa despolarização mediada por 
transmissor é denominada potencial de 
placa terminal em uma fibra muscular 
esquelética, ou potencial excitatório pós-
sináptico rápido na sinapse ganglionar. Se 
ele for grande o suficiente pode provocar 
uma contração da fibra muscular ou um 
potencial de ação na célula nervosa. 
A tubocurarina bloqueia os receptores pós-sinápticos da nACh, reduzindo a amplitude 
do peps rápido até que ele não seja mais 
capaz de dar início a um potencial de ação, 
embora a célula ainda seja capaz de 
responder quando estimulada eletricamente. 
O bloqueio por despolarização ocorre nas 
sinapses colinérgicas quando os receptores 
nicotínicos excitatórios são ativados de 
modo persistente, e resulta da diminuição 
da excitabilidade elétrica da célula pós-
sináptica. A principal razão para a perda da 
excitabilidade elétrica consiste no fato de 
que os canais de sódio sensíveis à voltagem 
se tornam inativados (i. e., refratários) e não 
são mais capazes de se abrir em resposta a 
um estímulo despolarizante breve. 
Outre efeito pode ser observado depois do 
estímulo persistente, onde a célula se 
repolariza parcialmente, e sua 
excitabilidade elétrica retorna; no entanto, 
apesar disso, a transmissão permanece 
bloqueada. O principal fator responsável 
pelo bloqueio secundário parece ser a 
dessensibilização dos receptores, fazendo 
com que a ação despolarizante do fármaco 
bloqueador decline, mas a transmissão 
permanece bloqueada porque os receptores 
estão dessensibilizados a ACh. 
Efeitos de fármacos sobre a 
transmissão colinérgica 
Seus efeitos se assemelham aos resultantes 
da estimulação parassimpática. Os ésteres 
de colina são agonistas, tanto de receptores 
muscarínicos quanto nicotínicos, mas 
atuam de modo mais potente sobre os 
muscarínicos. Atualmente, o betanecol 
(hipotonia da bexiga e TGI), a pilocarpina 
(glaucoma) e a cevimelina (na Síndrome de 
Sjögren para aumento da secreção salivar e 
lacrimal) são os principais utilizados na 
prática clínica. 
As variantes da estrutura éster da têm o 
efeito de reduzir a suscetibilidade do 
composto à hidrólise pela colinesterase e de 
alterar a atividade relativa sobre os 
receptores muscarínicos e nicotínicos. 
 Efeitos cardiovasculares: diminuição de 
frequência e débito cardíacos devido 
tanto ao reduzido ritmo cardíaco como a 
uma baixa contração das aurículas (os 
ventrículos têm escassa inervação 
parassimpática e baixa sensibilidade a 
agonistas muscarínicos). Também 
ocorre vasodilatação generalizada 
(mediada pelo óxido nítrico, NO) e, em 
combinação com um baixo débito 
cardíaco, produz uma queda acentuada 
da pressão arterial. 
 Efeitos sobre a musculatura lisa: 
contração por oposição ao seu efeito 
indireto por intermédio do NO no 
músculo liso vascular. A atividade 
peristáltica do trato gastrintestinal 
aumenta, o que pode causar dor em 
cólica, e a bexiga e o músculo liso dos 
brônquios também se contraem. 
 Efeitos sobre as secreções sudorípara, 
lacrimal, salivar e brônquica: estimulam 
as glândulas exócrinas. 
 Efeitos oculares: contração do músculo 
ciliar tracionando o corpo ciliar para a 
frente e para dentro e, como 
consequência, relaxa a tensão sobre o 
ligamento suspensor do cristalino, 
possibilitando que o cristalino fique 
mais abaulado e que sua distância focal 
fique reduzida (reflexo de 
acomodação); contração do músculo 
constritor da pupila levando a miose e 
reduz a pressão intraocular. 
 Efeitos centrais (principalmente M1): 
tremores, hipotermia e aumento da 
atividade locomotora. 
São antagonistas competitivos, cujas 
estruturas químicas geralmente contêm 
grupos éster e grupos básicos na mesma 
proporção encontrada na ACh, mas 
apresentam um grupo aromático volumoso 
em vez do grupo acetil. 
Os dois compostos de ocorrência natural, a 
atropina é encontrada na beladona e a 
hioscina encontra-se no estramônio. São 
compostos de amônio quaternário 
suficientemente lipossolúveis para serem 
facilmente absorvidos no intestino ou no 
saco conjuntival e, vale destacar, para 
atravessar a barreira hematoencefálica. 
 
Efeitos: 
 Inibição de secreções salivares, 
lacrimais, brônquicas e sudoríparas. A 
secreção gástrica é apenas 
discretamente reduzida. 
 Aumento da frequência cardíaca por 
inibição do tônus parassimpático tônico. 
 Oculares: pupila dilatada (midríase) e 
não responsiva à luz. O relaxamento do 
músculo ciliar causa paralisia de 
acomodação (cicloplegia); por esse 
motivo, a visão para perto fica 
comprometida. A pressão intraocular 
pode subir. 
 Gastrointestinais: inibe a motilidade 
gastrintestinal, mas essa inibição ocorre 
somente com doses maiores que as que 
desencadeiam os outros efeitos listados, 
e não é completa. 
 Músculos lisos: provoca o relaxamento 
da musculatura lisa da árvore brônquica 
e levemente dos tratos biliar e urinário. 
A oxibutinina, a tolterodina e a 
darifenacina (seletivos para M3) atuam 
na bexiga inibindo a micção, sendo 
utilizados no tratamento de bexiga 
hiperativa. Produzem efeitos adversos 
típicos dos antagonistas muscarínicos, 
como xerostomia, obstipação e visão 
turva. 
 SNC: em doses baixas, causa leve 
inquietação; já doses mais altas 
provocam agitação e desorientação. A 
hioscina em baixas doses provoca 
sedação significativa, mas apresenta 
efeitos semelhantes aos da atropina em 
baixa dose. Além disso, apresenta 
efeitos antieméticos centrais, sendo 
utilizada na profilaxia do enjoo do 
movimento. Os antagonistas 
muscarínicos também afetam o sistema 
extrapiramidal, reduzindo os 
movimentos involuntários e a rigidez de 
pacientes com doença de Parkinson e 
neutralizando os efeitos colaterais 
extrapiramidais de muitos fármacos 
antipsicóticos. 
Fármacos que afetam os 
gânglios autônomos 
A maioria dos agonistas do nAChR atua ou 
nos nAChR neuronais (ganglionares e do 
SNC) ou nos receptores musculares 
estriados (placa motora), mas não em 
ambos, exceto no caso de nicotina e de 
ACh. Eles desencadeiam respostas 
periféricas complexas associadas à 
estimulação generalizada dos gânglios 
autônomos. 
O bloqueio ganglionar pode ocorrer por 
meio de vários mecanismos: 
 Pela interferência na liberação da ACh, 
como ocorre na junção neuromuscular 
 Pela despolarização prolongada: após 
uma estimulação inicial, a nicotina é 
capaz de bloquear os gânglios dessa 
forma, assim como a própria ACh 
quando a colinesterase está inibida, 
prolongando assim a sua ação sobre a 
membrana pós-sináptica 
 Pela interferência na ação pós-sináptica 
da ACh bloqueando os receptores 
nicotínicos neuronais ou os canais 
iônicos a eles associados. 
Os efeitos dos fármacos bloqueadores 
ganglionares são variados, pois ambas as 
divisões do sistema nervoso autônomo são 
bloqueadas de modo indiscriminado. 
Na prática, o efeito principal é uma queda 
acentuada da pressão arterial, o que resulta 
principalmente no bloqueio dos gânglios 
simpáticos, que causa vasodilatação 
arteriolar e o bloqueio dos reflexos 
cardiovasculares. A venoconstrição, que 
ocorre geralmente quando uma pessoa fica 
em pé e impede a queda da pressão venosa 
central e do débito cardíaco, está reduzida. 
O ato de ficar em pé, portanto, causa queda 
súbita da pressão arterial (hipotensão 
postural), que pode causar desmaios. A 
vasodilatação dos vasos da musculatura 
esquelética que ocorre durante o exercício 
físico costuma ser acompanhada de 
vasoconstrição em outros locais (p. ex., na 
área esplâncnica) produzida pela atividade 
simpática. Os bloqueadores ganglionares 
previnem esse ajuste, de modo que a 
resistência periférica global cai, levando à 
hipotensão pós-exercício. 
Os fármacos capazes de bloquear a 
transmissão neuromuscular agem na região 
pré-sináptica, inibindo a síntese ou a 
liberação de ACh, ou na região pós-
sináptica. Todos os fármacos utilizados para 
este fim têm ação pós-sináptica, seja (a) 
bloqueando os receptores de ACh (em 
alguns casos, o canal iônico), ou (b) 
ativando receptores de ACh, e assim 
causando uma despolarização persistente na 
placa motora terminal. 
→ Agentes bloqueadores não 
despolarizantes 
Os mais importantes são o pancurônio, o 
vecurônio, o cisatracúrio e omivacúrio, que 
diferem essencialmente na duração da sua 
ação. Todas essas substâncias são 
compostas de amônio quaternário e, por 
isso, são mal absorvidas (são administradas 
por via intravenosa) e normalmente são bem 
excretadas pelos rins. Não atravessam a 
placenta, o que é importante para a 
utilização na anestesia obstétrica. 
Atuam como antagonistas competitivos dos 
receptores da ACh situados na placa 
terminal. A quantidade de ACh liberada por 
um impulso nervoso geralmente excede em 
várias vezes o número de moléculas 
necessário para desencadear um potencial 
de ação na fibra muscular. Portanto, é 
necessário bloquear de 70 a 80% dos 
receptores para que a transmissão seja, de 
fato, interrompida. 
Os agentes bloqueadores não 
despolarizantes também bloqueiam 
autorreceptores pré-sinápticos facilitadores, 
inibindo, assim, a liberação da ACh durante 
a estimulação repetitiva do nervo motor, 
resultando no fenômeno da “fadiga 
tetânica”, usada por anestesistas para 
monitorar a recuperação pós-operatória da 
transmissão neuromuscular. 
Os efeitos são resultantes da paralisia 
motora e efeitos autonômicos. Os primeiros 
músculos a serem afetados são os músculos 
extrínsecos do olho (provocando visão 
dupla), característico da miastenia gravis, 
que é causada por autoanticorpos contra os 
nAChR, e os pequenos músculos da face, 
dos membros e da faringe (causando 
dificuldade para deglutir). Os músculos da 
respiração são os últimos a serem afetados 
e os primeiros a se recuperarem. 
Um efeito indesejado importante da 
tubocurarina é a queda da pressão arterial, 
resultante, sobretudo, (a) do bloqueio 
simpático ganglionar e (b) da liberação de 
histamina dos mastócitos, que também pode 
provocar broncospasmo em indivíduos 
sensíveis. 
Os fármacos bloqueadores 
neuromusculares são administrados por via 
intravenosa. A maioria dos agentes 
bloqueadores não despolarizantes é 
metabolizada pelo fígado ou eliminada de 
forma inalterada pela urina, com exceção do 
atracúrio, que sofre hidrólise espontânea no 
plasma, e do mivacúrio, que, assim como o 
suxametônio, é hidrolisado pela 
colinesterase do plasma. A duração da ação 
varia de 15 min a 1 a 2 h e, após esse 
período, o paciente recupera força 
suficiente para tossir e respirar de modo 
adequado. 
Para reverter a paralisia, é administrado 
fármacos anticolinesterásicos que 
ultrapassam a ação inibitória dos agentes 
não despolarizantes porque a liberação de 
ACh, protegida da hidrólise, pode difundir-
se ainda mais dentro da fenda sináptica e 
acessar maior área da membrana pós-
sináptica. Assim, a chance de uma molécula 
de ACh encontrar um receptor não ocupado, 
antes de ser hidrolisada, é aumentada 
→ Agentes bloqueadores 
despolarizantes 
O suxametônio é o único agente 
despolarizante utilizado na clínica. As 
diferenças entre os bloqueadores não 
despolarizantes e despolarizantes são: 
 A fasciculação, não ocorre com os 
fármacos não despolarizantes. A 
gravidade está ligada à dor muscular 
pós-operatória experienciada após a 
administração de suxametônio 
 Desvanecimento tetânico ocorre com os 
fármacos bloqueadores não 
despolarizantes, mas não com o 
suxametônio, que não bloqueia os 
nAChR pré-sinápticos. 
 O bloqueio despolarizante não é afetado 
pelos fármacos anticolinesterásicos, 
nem mesmo aumentado por meio da 
potenciação da ação despolarizante da 
ACh endógena. 
Efeitos indesejados: 
 Bradicardia resultante de ação 
muscarínica direta. 
 Liberação de potássio devido ao 
aumento da permeabilidade das placas 
terminais motoras a cátions faz com que 
o músculo perca K + e, como 
consequência, ocorra pequena elevação 
na concentração plasmática de K +. 
 Aumento da pressão intraocular 
 Paralisia prolongada por variação 
genética com colinesterase plasmática 
anômala; uso de fármacos 
anticolinesterásicos; e em recém-
nascidos com colinesterase plasmática 
de baixa atividade. 
 Hiperpirexia maligna levando a 
espasmo muscular intenso e elevação 
surpreendente da temperatura corporal. 
Fármacos que agem em nível 
pré-sináptico 
A etapa limitante da velocidade de síntese 
da ACh parece ser o transporte da colina 
para dentro da terminação nervosa. O 
hemicolínio bloqueia esse transporte e, 
consequentemente, inibe a síntese da ACh, 
mas não apresenta aplicação clínica. Seu 
efeito bloqueador sobre a transmissão 
ocorre lentamente, à medida que as reservas 
de ACh se esgotam. O vesamicol, que age 
bloqueando o transporte da ACh para dentro 
das vesículas sinápticas, tem efeito 
semelhante. 
A liberação da ACh depende da entrada de 
cálcio na terminação nervosa. Essa entrada 
pode ser inibida por Mg2+ e vários 
antibióticos aminoglicosídios (p. ex., 
estreptomicina e neomicina). 
Duas neurotoxinas potentes, a toxina 
botulínica e a β-bungarotoxina, atuam 
especificamente inibindo a liberação de 
ACh. A toxina botulínica é uma proteína 
produzida pelo bacilo anaeróbico 
Clostridium botulinum. Ela contém várias 
peptidases que clivam proteínas específicas 
envolvidas na exocitose, produzindo, desse 
modo, um bloqueio de longa duração da 
função sináptica. 
O envenenamento botulínico causa paralisia 
parassimpática e motora progressiva, com 
boca seca, visão turva e dificuldade para 
deglutir, seguidas de progressiva paralisia 
respiratória. O tratamento com a antitoxina 
somente é efetivo quando administrado 
antes do aparecimento dos sintomas, visto 
que, após a toxina ligar-se aos receptores, 
sua ação não pode mais ser revertida. 
Quando injetada localmente, possui vários 
usos clínicos e cosméticos como: 
blefarospasmo, espasticidade, incontinência 
urinária estrabismo, hiper-hidrose, 
sialorreia e rugas. 
A β-bungarotoxina é uma proteína presente 
no veneno de várias serpentes da família das 
najas e tem ação semelhante à da toxina 
botulínica. Contém fosfolipase e α-
bungarotoxina que bloqueia os receptores 
pós-sinápticos da ACh, de modo que, como 
se vê, esses animais cobrem todas as 
possibilidades no sentido de causar paralisia 
de suas vítimas. 
Anticolinesterásicos e outros 
fármacos que intensificam a 
transmissão colinérgica 
Os fármacos que intensificam a transmissão 
colinérgica atuam inibindo a colinesterase 
(o grupo principal) ou aumentando a 
liberação de ACh. 
Há dois tipos distintos de colinesterase, a 
acetilcolinesterase (AChE) e a 
butirilcolinesterase. Ambas são formadas 
por subunidades globulares catalíticas, que 
constituem as formas solúveis encontradas 
no plasma (BuChE) e no líquido 
cefalorraquidiano (AChE). Em outros 
locais, elas se ligam a proteínas acessórias à 
membrana basal ou das sinapses 
colinérgicas. 
Nas sinapses colinérgicas, a AChE ligada 
age hidrolisando o transmissor liberado e 
encerra sua ação rapidamente. A AChE 
solúvel também está presente nas 
terminações nervosas colinérgicas, em que 
parece ter um papel na regulação da 
concentração de ACh livre, e de onde pode 
ser secretada. 
A BuChE apresenta uma ampla 
distribuição, sendo encontrada em tecidos 
como fígado, pele, cérebro e musculatura 
lisa gastrintestinal, bem como no plasma, na 
sua forma solúvel. Não está particularmente 
associada às sinapses colinérgicas. No 
plasma, é importante na inativação de 
fármacos como procaína, o suxametônio e a 
propanidida. 
A maioria deles inibe a AChE e a BuChE de 
modo aproximadamente igual. Podem ser 
divididos em: 
→ Anticolinesterásicos de ação curta 
Ex.: edrofônio. A ligação iônica formada é 
facilmente reversível, e a ação do fármaco é 
muito breve. É utilizado principalmente 
com finalidades diagnósticas, visto que a 
melhora da força muscular observada com 
o uso de um anticolinesterásico é 
característica da miastenia gravis. 
→ Anticolinesterásicos de duração 
intermediária 
Ex.: neostigmina (prostigmina), 
piridostigmina e a fisostigmina. a enzimacarbamilada sofre hidrólise muito mais 
lentamente, levando minutos em vez de 
microssegundos. 
→ Anticolinesterásicos irreversíveis 
Ex.: diflos, paration e ecotiopato. 
Fosforizam o grupo hidroxila da serina da 
enzima. Podem ser usados como arma 
química e pesticidas, devido a sua alta 
lipossolubilidade e absorção através das 
mucosas e pele. A enzima fosforilada 
inativa é geralmente muito estável. Com 
fármacos como o diflos, não ocorre uma 
hidrólise apreciável, e a recuperação da 
atividade enzimática depende de síntese de 
novas moléculas da enzima, um processo 
que pode levar semanas. Com outros 
fármacos, como o ecotiopato, ocorre 
hidrólise no decorrer de alguns dias, de 
modo que sua ação não é estritamente 
irreversível. 
→ Efeitos 
 Sinapses colinérgicas: aumento da 
atividade da ACh nas sinapses pós-
ganglionares parassimpáticas (i. e., 
aumento das secreções das glândulas 
salivares, lacrimais, brônquicas e 
gastrintestinais; aumento da atividade 
peristáltica; bronco constrição; 
bradicardia e hipotensão; constrição 
pupilar; fixação da acomodação da 
visão para perto; queda da pressão 
intraocular). Doses grandes são capazes 
de estimular e, posteriormente, 
bloquear, os gânglios autônomos, 
produzindo efeitos autônomos 
complexos. O bloqueio, quando ocorre, 
consiste em um bloqueio por 
despolarização e está associado ao 
acúmulo de ACh no plasma e nos 
líquidos orgânicos. A intoxicação aguda 
por anticolinesterásicos causa 
bradicardia grave, hipotensão e 
dificuldade para respirar. 
 Junção neuromuscular: aumentam a 
força da contração de um músculo 
estimulado por meio de seu nervo 
motor, graças à descarga repetitiva na 
fibra muscular associada a um 
prolongamento do ppt. Em grandes 
doses pode provocar espasmos 
musculares e posteriormente, paralisia. 
 SNC: os compostos terciários, como a 
fisostigmina, e os organofosforados 
apolares atravessam livremente a 
barreira hematencefálica e afetam o 
cérebro. O resultado é uma excitação 
inicial, que pode causar convulsões, 
seguida de depressão, que pode causar 
perda da consciência e insuficiência 
respiratória. 
 Toxicidade dos organofosforados: no 
envenenamento acidental por 
inseticidas ou gases neuro tóxicos, 
podem provocar um tipo grave de 
degeneração tardia de nervos 
periféricos, que causa fraqueza e 
comprometimento sensorial 
progressivos. A exposição crônica de 
trabalhadores agrícolas e outros 
profissionais a baixos níveis de 
pesticidas organofosforados foi 
associada a perturbações 
neurocomportamentais. 
→ Uso clínico 
 Reversão da ação de fármacos 
bloqueadores neuromusculares não 
despolarizantes depois de uma cirurgia 
(neostigmina). 
 Tratamento da miastenia gravis 
(neostigmina ou piridostigmina); 
 Como auxílio diagnóstico de miastenia 
gravis e para diferenciar a fraqueza 
causada por superdosagem de um 
anticolinesterásico (“crise colinérgica”) 
da fraqueza observada na miastenia 
propriamente dita (“crise miastênica”): 
edrofônio, um fármaco de ação curta 
administrado por via intravenosa; 
 Na doença de Alzheimer (p. ex., 
donepezila); 
 No glaucoma (colírio à base de 
ecotiopato). 
A hidrólise espontânea da colinesterase 
fosforilada é extremamente lenta. A 
pralidoxima reativa a enzima ao levar um 
grupo oxima à estreita proximidade do 
ponto esterásico fosforilado. No entanto, a 
enzima fosforilada sofre alteração química 
(“envelhecimento”) que a torna não mais 
suscetível à reativação, logo a 
administração da pralidoxima precisa ser 
mais rápida possível.

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