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Nutrição de potros neonatos REFERÊNCIAS: https://www.ourofinosaudeanimal.com/ourofinoemcampo/categoria/artigos/utilizacao-do-plasma-hiperimune/ https://www.milkpoint.com.br/colunas/carla-bittar/uso-do-colostrometro-e-do-refratometro-para-avaliacao-da-qualidade-do-colostro-e-da-transferencia-de-imunidade-passiva-89692n.aspx https://www.passeidireto.com/arquivo/67934386/alimentacao-equina-andre-cintra https://cavalus.com.br/saude-animal/doencas-ortopedicas-do-desenvolvimento-dod-dos-equinos Ao manejar potros sempre procurar fazer de forma calma e cautelosa pois são animais sensíveis que se submetidos a um grande estresse podem ter uma liberação grande de epinefrina e isso aumentar os batimentos e diminuir o suprimento sanguíneo para os intestinos podendo gerar cólicas. A nutrição do potro se inicia no útero da égua e no terço final de gestação é quando mais se desenvolve chegando a ganhar até 500 gramas/dia. O potro ao nascimento deve consumir colostro 2 horas após o nascimento para que receba uma boa nutrição e imunidade, mas se por algum motivo isso não for possível ainda tem de de 6 a 8 horas após o nascimento, após esse período a absorção de imunoglobulinas é diminuída e o potro fica mais susceptível a doenças e quadros sépticos, colocando sua vida em risco. Em haras que esperam potros é interessante que se organize um banco de colostro que de preferência seja de éguas dessa mesma propriedade ou de uma próxima para que as imunoglobulinas produzidas no colostro sejam compatíveis com as que o sistema imunológico do potro terá que enfrentar. Em caso de não haver a possibilidade de fornecer colostro pode-se também optar por fórmulas industrializadas porém é importante frisar que elas não acompanham as imunoglobulinas e como a placenta das éguas é difusa e não passam imunidade inata para suas crias por ela, apenas pelo colostro portanto esse potro se torna de alto risco pois está susceptível a qualquer microorganismo patogênico que o ambiente possa conter. Em caso de potros órfãos ou rejeitados o melhor a se fazer é já entrar com uma terapia hormonal em outra égua para que ela passe a fornecer leite a esse potro, porém isso pode demorar um pouco e as horas fundamentais são perdidas se você não tiver um banco de colostro para fornecer a esse potro, nesse caso dê a fórmula a cada 40 minutos em mamadeira para o potro e se possível tente ordenhar a égua recém-parida se ela tiver o leite. É extremamente importante observar o potro nas primeiras 36 horas de vida, geralmente os potros mamam e deitam para dormir e esse ciclo se repete aproximadamente de 40 em 40 minutos, daí a importância de fornecer a mamadeira, os potros neonatos nascem com uma reserva de energia pequena e precisam se alimentar constantemente, caso isso não aconteça eles podem desenvolver uma hipoglicemia e podem até vir a óbito. Pode ser feito o acompanhamento da glicemia do potro com um glicosímetro que pode ser humano, basta fazer uma pequena excoriação com uma lâmina na parte interna da ponta da orelha do animal e colocar a gatinha de sangue na fitinha inserida no aparelho. Caso a glicemia esteja muito baixa pode ser fornecido a mamadeira com glicopan mas cuidado com a hiperglicemia que pode ser tão perigosa quanto a hipo. Se o potro estiver com a égua e ela estiver “pingando” leite é um alerta vermelho para a capacidade de sucção do potro estar ruim ou inexistente e é preciso interferir nesses casos. Há registros do uso de plasma hiperimune em potros que tiveram alguma falha na transferência de imunidade passiva ou afecções infecciosas, porém sempre há um risco de choque anafilático já que o potro está recebendo globulinas que não são do corpo dele, dessa forma deve ser aplicada em infusão lenta, na temperatura corporal, equipos com filtro e sempre observando o potro durante o procedimento. O plasma é conseguido através da coleta de sangue de algum cavalo doador (não necessariamente a mãe) e decantação de sua parte vermelha, sobrando apenas um líquido amarelado que contém as globulinas. O colostro fornecido ao potro deve passar por um teste de qualidade com o colostrômetro (hidrômetro), que mede a densidade do colostro que está intimamente ligada a concentração de globulinas, esse teste deve ser feito em uma temperatura de 20 a 25 graus para que não haja resultados errôneos. Também pode ser utilizado o refratrômetro de brix que mede a porcentagem de brix correlacionada com o teor de sólidos totais no líquido, a vantagem deste é que a temperatura local não altera o resultado. O desmame pode ser feito de forma comercial dos 4 aos 6 meses ou natural dos 5 aos 9 meses, essa decisão vai depender do desenvolvimento do potro, deve ser feito de forma gradativa para que não desenvolva traumas e para que tenha uma melhor adaptação fisiológica. Após a erupção dos dentes incisivos dos cantos o sistema digestivo do potro já está preparado para receber alimentos mais grosseiros e ricos em fibras, é relatado que o desmame tardio forma potros mais desenvolvidos psicologicamente, menos medrosos e confiantes. O potro pode começar a comer ração por volta dos 7 dias de vida mas o ideal é apartir dos 3 meses, o sistema creep-feeding é uma boa ideia para manter o potro junto da égua e ao mesmo tempo fornecer uma ração adequada para potros lactantes que possui de 18 a 20% de proteína bruta enquanto a da égua tem apenas 15%. Além disso para os potros deve ser dado cálcio e fósforo caso não venha na ração na proporção de 2:1, a ração para potros possui mais proteínas e minerais do que as de cavalo adulto. Também pode ser usado o sistema de lanchonete onde a égua incentiva melhor a alimentação do potro, mas cuidado porque há éguas que não gostam de dividir a comida com o potro. É importante ir introduzindo a ração aos poucos, começar com 30 gramas e ir aumentando até chegar aos 100 gramas de concentrado. Apenas 7 dias ingere de 10 a 15% do peso corporal de leite, a partir da primeira semana ele já “belisca” tudo aquilo que a mãe come: pasto, feno e ração. Com 1 ano o potro vai estar consumindo 1% do peso dele em concentrado então é preciso dividir em 2 porções. Aos 6 meses de vida o potro alcança 80% da sua altura final e aos 12 meses atinge 90% de sua altura. O potro não consegue absorver todos os nutrientes do concentrado pois seu ceco ainda não está completamente desenvolvido, por isso é importante suplementar com concentrado. O leite de vaca possui muita gordura e não deve ser fornecido ao potro pois pode causar diarréia, o leite mais parecido com o de égua é o de cabra que assim como o de égua possui baixo teor de lactose e com mais glicose comparado ao das vacas. Aminoácidos essenciais: -Lisina: potencializa o crescimento - Biosina: formação dos cascos Leite caseiro para potros: (200 a 400 ml de 2 em 2 horas até os 20 dias de vida) - 1 kg de leite desnatado - 1 litro de água - 1 colher de sopa de açúcar ou de mel - 1 gema de ovo Outra receita: (precisa de uma vaca e de mel verdadeiro) - precisa ser leite novo todos os dias. - 2,5 litros de leite fervido tirado da vaca do dia (pode tirar a nata) em temperatura ambiente. - 15 colheres de sopa de mel Primeiro mês de vida: copo americano (200ml) de 2 em 2 horas Segundo mês de vida: 200ml de 3 em 3 horas + ração potro lactante (começar com 500g até chegar 1 kg) Terceiro mês: 200 ml de 4 em 4 horas + ração potro lactante Quarto mês: 200ml de 8 em 8 horas + ração potro lactante Quando pensamos em desenvolvimento do potro queremos atingir sempre o tamanho ótimo e não o máximo como em animais de produção. Potros com acesso ilimitado a alfafa e grãos tem um grande acúmulo de energia, engorda e crescimento rápido podendo ocasionar doenças ortopédicas do crescimento. Os grãos como aveia, milho ou farelo de trigo atrapalham a mineralização do esqueleto do potro e a formação de massa magra (músculos). O sal próprio para equinos deve ser posto a vontade e é esperado um consumo de 15 a 40 gramas/dia. Nos primeiros dias de vida fornecer 14 litros de leite por dia dividido em várias porções e ir aumentando 1 litropor semana até chegar na quantidade indicada para a raça. Para raças leves 18 a 20 litros e para raças pesadas 23 a 28 litros, 20% do peso do potro de leite.