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Curso de 
Farmacotécnica em 
Manipulação 
 
 
 
 
MÓDULO III 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para 
este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização do 
mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores 
descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
62 
Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
 
 
 
MÓDULO III 
 
 
3.1.2 Suspensões 
 
São preparações líquidas obtidas pela dispersão de uma substância sólida 
insolúvel (mas finamente dividida) em um veículo. Essa substância é a fase dispersa 
(interna) e o veículo a fase dispergente (externa). 
Destinam-se à via oral tópica ou parenteral, sendo que, no que diz respeito 
ao tamanho da partícula, as vias oral e tópica permitem dimensões maiores que a 
oftálmica e a injetável. 
As suspensões destinadas ao uso injetável ou oftálmico devem ter partículas 
de dimensões menores que 100 nm. Partículas grandes apresentam liberação mais 
lenta e podem provocar irritação tissular ou da mucosa. 
Dependendo da Farmacopeia as suspensões líquidas recebem diferentes 
denominações, incluindo: 
Misturas: soluções ou suspensões para uso oral sem agentes de dispersão 
(leite de magnésia). 
Suspensões: dispersões de partículas sólidas insolúveis, finamente 
divididas em meio líquido (orais, oftálmicas e injetáveis IM). 
Loções: suspensões ou emulsões para uso externo, geralmente contendo 
antisséptico, adstringente, antiparasitário (ex. gel de calamina e loção de benzoato 
de benzila). 
Géis: suspensões em meio aquoso, em que as partículas da fase dispersa 
têm dimensões próximas às dos coloides (0,1 a 5 μm). 
Magmas: semelhantes aos géis, com partículas maiores e menor 
estabilidade física. 
Emulsões: orais, tópicas, microemulsões (uso injetável). 
 
 
 
 
 
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Entretanto, com relação à fase dispersa e à fase dispergente, as suspensões 
podem assumir formas diversas. Assim, temos, além das suspensões propriamente 
ditas (sólido/líquido), névoas (líquido/gasoso), fumos (sólido/gasoso), espumas 
(gasoso/líquido), emulsões (líquido/líquido), pós (sólido/sólido), inclusões 
(líquido/sólido) e pedra-pomes (gasoso/sólido). 
A classificação mais apropriada para dispersões refere-se à dimensão da 
fase dispersa (Quadro 5). 
 
Quadro 5 – Classificação das dispersões segundo o tamanho da partícula (∅) 
Tamanho 
Tipo de 
Dispersão 
Exemplos 
10 a 50 μm Grosseira Suspensões e emulsões 
0,5 a 10 μm Fina Suspensões finas 
de 1 nm a 0,5 μm Coloidal 
Magmas, géis e 
microemulsões 
Menor que 1 nm Molecular Soluções 
 
 
3.1.2.1 Vantagens e Desvantagens das Suspensões 
 
As principais razões para se optar por suspensões são: aumento ou controle 
da biodisponibilidade, correção ou atenuação de sabor desagradável, preferência 
por forma líquida (deglutição e/ou flexibilidade de dose). 
Como vantagens, as suspensões permitem: 
• O aumento da estabilidade química em solução; 
• A possibilidade de administrar fármacos insolúveis na forma líquida 
(preparações pediátricas e geriátricas); 
• Maior facilidade na correção de sabor desagradável de certos fármacos; 
• Retardar o tempo de absorção de fármacos por via injetável. 
 
 
 
 
 
 
 
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Entre as desvantagens, destacam-se: 
• Baixa estabilidade física; 
• Menor uniformidade; 
• Menor velocidade de absorção. 
 
3.1.2.2 Pré-requisitos para uma Suspensão Ideal 
 
Além de estabilidade química, física e microbiológica, as características 
desejadas para suspensões em geral são: 
• Sedimentação lenta; 
• Fácil redispersão; 
• Fluidez adequada. 
 
O tamanho da partícula pode variar dependendo do tempo de absorção 
desejado, sendo que quanto menor a partícula mais absorvível ela será. Entretanto, 
produtos de uso oftálmico ou tópico devem ser micronizados para evitar irritação. 
 
3.1.2.3 Aspectos Teóricos Envolvidos na Estabilidade Física de Dispersões 
 
Os fatores que afetam a estabilidade de dispersões farmacêuticas 
(suspensões e emulsões) referem-se às características da fase dispersa, da fase 
dispergente e dos adjuvantes utilizados, podendo envolver aspectos físicos ou físico-
químicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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I) Aspectos Físicos 
 
a) Tamanho da partícula 
 
O tamanho da fase dispersa afeta diretamente a estabilidade de uma 
suspensão. A Lei de Stokes explica o fenômeno por meio da equação: 
 
dx / dt = 2 g.r2 (d1-d2) / 9η 
 
Onde: dx / dt = velocidade de sedimentação; r = raio da partícula; g = 
aceleração da gravidade; (d1-d) = diferença de densidade entre partícula (d1) e 
meio(d2); η = viscosidade do meio (veículo). 
Portanto, com base na equação acima, pode-se inferir que as dispersões 
grosseiras e finas apresentam em geral maior tendência à sedimentação que 
suspensões coloidais. 
 
b) Consistência do veículo 
 
Os aspectos reológicos da fase dispergente são igualmente críticos na 
velocidade de separação de fases de uma suspensão ou emulsão. 
Segundo a Equação de Stokes, o aumento da viscosidade (η) pode reduzir a 
velocidade de sedimentação, sendo um dos recursos mais empregados para 
estabilizar suspensões. 
Entretanto, existem limitações referentes à redispersibilidade e ao tempo de 
escoamento, tais como: aumento da dificuldade no escoamento para enchimento 
(envase) e administração (oral ou IM); inviabilização da passagem pelas agulhas 
(injetáveis IM); dificuldade no espalhamento adequado (tópicos). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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II) Aspectos Físico-químicos 
 
Incluem propriedades físico-químicas como densidade da partícula e veículo, 
polaridades ou cargas superficiais dos sistemas envolvidos e aspectos 
cristalográficos. 
 
a) Densidade da fase dispersa 
 
No que diz respeito à densidade da fase interna, as suspensões (> 
densidade que o veículo) tendem à sedimentação, enquanto as emulsões (< 
densidade que o veículo) tendem à flutuação. Igualmente, segundo a Lei de Stokes, 
quanto maior a diferença entre densidade da partícula dispersa e veículo 
dispergente, maior será a velocidade de sedimentação. 
 
b) Tensão interfacial entre fase interna e externa 
 
No que diz respeito à baixa afinidade entre fases dispersa (interna) e 
dispergente (externa) em suspensões e emulsões, a tensão interfacial é um dos 
aspectos mais críticos. 
Esta tensão será tanto mais crítica quanto maior for a área superficial de 
contato entre as fases interna e externa. A influência da tensão no sistema pode ser 
expresso pela equação da Energia Livre de Gibs (ΔG). 
 
ΔG = γS-L . ΔA 
 
Onde: γS-L é a tensão interfacial sólido-líquido e ΔA é a superfície total de 
contato do sólido. 
Embora a redução do tamanho da partícula diminua a velocidade de 
sedimentação, a subdivisão das partículas aumenta a área superficial total de 
contato. Esse aumento da área superficial aumenta a energia do sistema que 
idealmente deveria ser zero, resultando na instabilidade do sistema disperso. Esta 
 
 
 
 
 
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instabilidade manifesta-se pela promoção da reagregação das partículas (aderência 
entreas partículas), que culmina novamente, com aumento da velocidade de 
sedimentação. Uma maneira de reduzir o tamanho da partícula sem aumentar a 
energia do sistema e causar instabilidade, é reduzir a tensão interfacial (γS-L) com 
adição de tensoativos. 
 
c) Molhabilidade das partículas suspensas 
 
Em sistemas dispersos, em que as fases dispersas e dispergentes 
apresentam afinidade muito baixa, ou mesmo repulsão, a molhabilidade da partícula 
será baixa, podendo inclusive ocorrer adsorção de gases, os quais tendem a deixar 
as partículas menos densas, provocando, inclusive, a flutuação. 
Assim sendo, quanto maior a molhabilidade em um solvente polar como a 
água, maior será o deslocamento de gás adsorvido nesta partícula, já que o ar é 
composto basicamente por moléculas apolares (ex. O2, N2, CO2, Ar). Entretanto, se 
a afinidade pelos gases adsorvidos na superfície da partícula for grande (repelir 
água) esta irá flutuar. 
Este fenômeno, também relacionado a tensões interfaciais, pode ser definido 
de acordo com ângulo de contato da partícula com o veículo, que pode ser: 
• De zero grau: totalmente molhável; 
• De 180º: totalmente não molhável; 
• Entre 0 e 180o: molhabilidade intermediária. 
 
Nestes casos, a molhabilidade também pode ser aumentada com a adição 
de tensoativos, macromoléculas muito hidrofílicas (CMC e gomas) ou ainda 
substâncias hidrófilas inorgânicas insolúveis (bentonita, Veegum®, hidróxido de 
alumínio e Aerosil®). A adição desses componentes, de modo geral, tende a 
aumentar a área de contato sólido líquido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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c) Crescimento de cristais 
 
O tamanho das partículas pode aumentar quando a atividade termodinâmica 
na fase sólida é menor do que na líquida, ou seja, a concentração do sólido em 
solução é maior que sua solubilidade. Essa ocorrência pode ser em razão de: 
• Variação de temperatura (armazenamento); 
• Polimorfismo do sólido em suspensão; 
• Diferentes tamanhos de cristais; 
• Presença de material cristalino ou amorfo além do fármaco. 
 
d) Cargas superficiais e redispersibilidade 
 
As partículas dispersas (fase interna) tendem a se sedimentar com ação da 
gravidade, processo que pode ocorrer de forma isolada ou aglomerada. 
A sedimentação de forma aglomerada, embora em geral seja mais rápida, 
leva à formação de sedimento floculado, o qual é facilmente redispersível. Já a 
sedimentação de forma isolada leva à formação de sedimentos compactos muitas 
vezes irredispersíveis, devendo, portanto, ser evitada. 
Para entender os processos de sedimentação é necessário compreender 
quais os tipos de interações interpartículas envolvidos. As forças que atuam sobre 
partículas podem ser atrativas (Van der Waals) ou repulsivas (eletrostáticas). 
Quando as forças atrativas predominam, há em geral a formação de 
sedimento frouxo e de fácil redispersão; no caso oposto, há a tendência de formação 
de sedimento compacto. 
Para evitar a sedimentação de forma isolada, deve-se atuar sobre as forças 
repulsivas, as quais são resultantes de eventuais cargas superficiais das partículas. 
As cargas eletrostáticas (positivas ou negativas) na superfície são 
decorrentes da ionização das moléculas na superfície da partícula ou da adsorção 
de íons no meio líquido. 
Essas cargas são responsáveis pela formação de um potencial “Zeta”, que 
pode ser medido em célula eletrostática. 
 
 
 
 
 
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Quanto maior o potencial Zeta, maiores as forças de repulsão entre as 
partículas e maior é a tendência de um sedimento compacto (cake). 
A redução do potencial Zeta pode ser lograda com a adição de íons de 
cargas opostas até o ponto de neutralização das cargas, ou pela adição de 
polímeros hidrofílicos para formação de uma camada protetora sobre as partículas. 
 
3.1.2.4 Formulação de Suspensões 
 
Submete-se o fármaco insolúvel ou pouco solúvel à subdivisão (moagem, 
micronização). Este processo pode ser feito isoladamente, com o auxílio de 
coadjuvantes ou parte do veículo. Após a subdivisão das partículas se faz a 
incorporação ao veículo. 
Os componentes usualmente empregados na preparação de suspensões 
incluem, além dos fármacos, agentes molhantes (tensoativos não iônicos: Tweens® 
e Spans®; moléculas hidrofílicas: CMC, Veegum®, bentonita, glicerina); agentes 
suspensores (alginatos, gomas, gelatina, bentonita, atapulgita, Veegum®, 
Carbopol®, Natrosol®, CMC, álcool polivinílico-kolidon®, dióxido de silicone coloidal, 
ceras, lanolina, óleo de rícino), agentes floculantes (fosfato monopotássico, íons em 
geral, bentonita), edulcorantes, flavorizantes, antioxidantes e conservantes. 
 
3.1.3 Emulsões 
 
São formas farmacêuticas constituídas por duas fases líquidas imiscíveis, 
em geral água e óleo, e que podem apresentar consistência líquida ou semissólida. 
As formas líquidas são empregadas para uso interno ou externo, e as 
semissólidas para uso externo. As formas de uso externo são denominadas loções, 
quando líquidas, ou cremes, quando semissólidas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quanto à classificação das emulsões, temos os seguintes critérios: 
• Tamanho das gotículas: microemulsões e emulsões; 
• Número de fases: bifásica, trifásica e emulsões múltiplas; 
• Disposição das fases: emulsões água em óleo (A/O) ou óleo em água 
(O/A). 
 
A maioria das emulsões utilizadas na terapêutica constitui emulsões do tipo 
O/A, ou seja, a fase interna (descontínua ou dispersa) é a oleosa, e a externa 
(contínua ou dispergente) é a aquosa. As emulsões O/A além de serem laváveis, 
podendo ser facilmente removidas da pele ou das roupas, apresentam, em geral, 
melhor biodisponibilidade. 
Os métodos mais simples para descobrir qual é a fase interna e qual a 
externa são: 
• Condutometria: apenas emulsões em que a fase contínua é a aquosa 
conduzem corrente elétrica. 
• Uso de corantes: corantes hidrofílicos colorem de maneira uniforme 
emulsões O/A, enquanto corantes lipofílicos colorem emulsões A/O. 
• Adição de veículo: a incorporação de veículo, seja água ou óleo, só será 
fácil se este corresponder à fase externa da emulsão. 
• Microscopia: pode-se avaliar, inclusive, a uniformidade dos tamanhos das 
gotículas (Fig 4). 
 
 
Fig. 4 – Imagem microscópica de uma emulsão, FA(1) e FO (2). 
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3.1.3.1 Vantagens e Desvantagens das Emulsões 
 
Nas emulsões, o fármaco pode estar dissolvido ou suspenso nas fases 
aquosa ou oleosa, e esta versatilidade é uma das principais vantagens das 
emulsões. 
Como vantagens as emulsões apresentam, ainda: 
 Aumento da estabilidade química em solução; 
 Possibilidade de se solubilizar o fármaco na fase interna ou externa; 
 Possibilidade de mascarar o sabor e o odor desagradável de certos 
fármacos por meio de sua solubilização na fase interna; 
 Possibilidade de se otimizar a biodisponibilidade; 
 Boa biocompatibilidade com a pele humana. 
 
Entre as desvantagens, destacam-se: 
 Baixa estabilidade física ou físico-química; 
 Menor uniformidade. 
 
3.1.3.2 Pré-requisitos das Emulsões 
 
Como pré-requisitos, as emulsões devem apresentar estabilidade química e 
física compatíveis com seu uso, e serem formuladas de forma biocompátivel com a 
via de administração desejada. Assim, as emulsões devem apresentar viscosidade 
adequada ao uso tópico ou oral. Os tensoativos utilizados na estabilização das 
emulsões devem apresentarvalores de EHL (Equilíbrio Hidrófilo Lipófilo) adequados 
(Fig. 5) e ser compatíveis com uso interno ou externo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A 
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Fig. 5 – Tensoativos e EHL ideal. A= Muito lipofílico; B= EHL idela e C= Muito hidrofílico. 
 
 
Os valores de EHL podem ser encontrados na literatura em tabelas diversas. 
Segundo a Tabela de Griffin, estes valores variam de 0 a 40. Quanto aos valores de 
EHL, os compostos são classificados em: 
 Agentes antiespuma 1-3 (EHL baixo) 
 Emulsificantes A/O 3-6 
 Agentes molhantes 7-9 
 Emulsificantes O/A 8-18 
 Detergentes 13-16 
 Agentes solubilizantes 16-40 (EHL alto) 
 
 
 
 
 
 ÓÓLLEEOO 
ÁÁGGUUAA 
PPoorrççããoo PPoollaarr 
PPoorrççããoo AAppoollaarr 
A
B 
C 
 
 
 
 
 
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Os tensoativos, propriamente ditos, formam sobre a superfície da gotícula 
filmes do tipo monomolecular (micelas). Já os auxiliares de tensoativos podem 
formar filme multimolecular, caracterizado pela sobreposição aleatória de polímeros 
ou adsorção de partículas sólidas. 
 
3.1.3.3 Cálculo de EHL 
 
Praticamente todos os aspectos físico-químicos discutidos para suspensões 
são igualmente válidos para emulsões. Entretanto, no que diz respeito ao uso de 
tensoativos, a adequação ou aproximação dos valores de EHL em emulsões é 
fundamental para garantia da estabilidade física. Esta adequação é ainda mais 
gritante no caso de emulsões líquidas, pois do mesmo modo que o aumento da 
viscosidade retarda a velocidade de sedimentação das partículas, dificulta a 
coalescência das gotículas e, consequentemente, a separação de fases. 
No caso de derivados graxos, o equilíbrio hidrófilo-lipófilo (EHL) é 
determinado em função de parâmetros que incluem peso molecular, índice de 
saponificação (S) e índice de acidez (A). 
 
EHL 20 . (1 – S / A) 
 
Para compostos não iônicos, tais como os polímeros hidroxilados, o índice 
de polaridade da molécula é dado por uma relação entre peso molecular e número 
de hidroxilas. O índice hidrófilo-lipófilo (IHL) de derivados de polioxietileno é 
determinado em função do número de grupos oxietileno (O) e átomos de carbono da 
cadeia (C). 
 
IHL = O . 100 / C 
 
Com o valor de EHL de cada componente envolvido na formulação da 
emulsão O/A ou A/O, pode-se então escolher, de forma criteriosa, o sistema 
tensoativo ideal. 
 
 
 
 
 
74 
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a) Etapas envolvidas na escolha de sistema tensoativo ideal: 
 
• Determinar o tipo de emulsão A/O ou O/A. 
• Determinar a proporção de cada componente constante na fase oleosa. 
• Multiplicar cada valor obtido na fase 2 pelo valor dado de EHL (em geral 
tabelado). 
• Somar os valores obtidos na fase 3 e determinar o valor de EHL 
requerido. 
• Escolher dentre o(s) tensoativo(s) disponíveis aquele(s) que mais se 
adequa(m) ao valor de EHL requerido. 
 
Obs.: quando os valores de EHL requeridos são distintos dos valores dos 
tensoativos disponíveis, em geral trabalha-se com dois tensoativos, sendo que, 
obviamente, um deverá apresentar valor superior e o outro inferior ao valor de EHL 
requerido. As proporções são calculadas conforme Esquema B, a seguir. 
 
B) Cálculo dos percentuais de tensoativos 
 
• Escolher o par de tensoativos que irá compor o sistema tensoativo. 
• Atribuir a um tensoativo (A) valor algébrico (x) e ao outro tensoativo (B) 
valor de (1-x) e aplicar a fórmula abaixo: 
 
EHLreq = x . EHLA + (1-x) . EHLB 
 
O valor obtido para x corresponderá à proporção de tensoativo A, que 
multiplicado por 100 nos dá o valor em percentual. O valor (1 – x) nos dá, 
por sua vez, a proporção necessária de tensoativo B, assim como 100 – 
(%A) igual (%B). 
• Os valores em gramas podem ser obtidos multiplicando-se a proporção 
determinada de cada tensoativo pela quantidade em gramas previamente 
estipulada na formulação. 
 
 
 
 
 
75 
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Obs: em geral as formulações empregam de 3 a 7% de emulsificante. 
Valores superiores resultariam em desperdício, e inferiores seriam insuficientes para 
recobrir adequadamente a superfície de todas as gotículas. 
 
C) Exemplo de cálculos envolvendo EHL 
 
Calcule as quantidades em gramas de tensoativos para o sistema 
emulsificante mais adequado às formulações abaixo: 
 
a) Loção hidratante 
Cera branca ..............................5,0 g 
Óleo mineral ............................26,0 g 
Óleo de amêndoas ..................18,0 g 
Lactato de amônia .................... 4,0 g 
Emulsificante(s) ........................ 5,0 g 
Água destilada .......... qsp ...... 100 mL 
b) Creme emoliente 
Cera branca .................... 40 g 
Lanolina ........................... 10 g 
Óleo de amendoim .......... 57 g 
Óleo de ricíno..................... 5 g 
Emulsificante(s) ................ 3 % 
Água ................................. 20 g 
 
 
Dados (EHL A/O e EHL O/A): cera branca (4 e 11); óleo mineral (5 e 12); 
óleo de amêndoas (6 e 14); lanolina (8 e 11), óleo de rícino (6 e 14). 
Com base nas formulações acima, pode-se inferir, sem a necessidade de 
qualquer método de análise, que a fórmula a é uma emulsão O/A, e a b, A/O. Esta 
conclusão se baseia no fato de que sempre que a fase aquosa for superior em 
proporção será a fase externa. Igualmente, formulações com cerca de 31% ou mais 
de água já tornam possível sistemas O/A. Em contrapartida, sempre que a FO for 
superior a 75% será a fase externa. 
Assim sendo, os valores a serem utilizados na emulsão a serão os 
correspondentes à EHL O/A, enquanto para emulsão b, EHL A/O. 
Estes valores, por sua vez, são multiplicados pelas respectivas proporções 
de cada componente da fase oleosa. A somatória nos dará o EHL requerido para 
cada emulsão. 
 
 
 
 
 
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Cera branca ............ 5,0 / 49 . 11 = 1,12 
Óleo mineral .......... 26,0 /49 . 12 = 6,36 
Óleo de amêndoas.18,0 / 49 . 14 = 5,18 
FO = 5 + 26 + 18 = 49 
EHLreq = 1,12 + 6,36 + 5,18 = 12,66 
 Cera branca ............ 40 / 112 . 4 = 1,43 
 Lanolina .................. 10 / 112 . 8 = 0,71 
 Óleo de amêndoas ... 57 / 112 . 6 = 3,05 
 Óleo de ricíno............ 5 / 112 . 6 = 0,27 
FO = 40 + 10 + 57 + 5 = 112 
EHLreq = 1,43 + 0,71 + 3,05 + 0,27 = 5,45 
 
 
Com base no EHL requerido, consulta-se na literatura qual o tensoativo ou 
sistema tensoativo mais adequado (Quadro 7). 
 
 
Quadro 7 – Valores de EHL para alguns agentes emulsificantes 
 
Nome químico 
Nome 
Comercial 
EHL 
Sequioleato de sorbitano Arlacel® 3,7 
Monoestearato de sorbitano Span 60® 4,7 
Monopalmitato de sorbitano Span 40® 6,7 
Monolaurato de sorbitano Span 20® 8,6 
Éter láurico de polioxietileno Bryj30® 9,7 
Monooleato de polioxietilenosorbitano Tween 81® 10,0 
Monoestearato de polioxietileno Myrj 45 ® 11,1 
Monolaurato de polioxietilenossorbitano Tween 21® 13,3 
Monoleato de polioxietilenossorbitano Tween 80® 15,0 
Lauril Sulfato de sódio (LSS) Crodalan AWS 40,0 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Como nenhum dos tensoativos apresenta EHL exatamente igual aos EHLs 
requeridos que são encontrados nos cálculos, utilizam-se dois cujos valores estejam 
imediatamentesuperior e inferior ao determinado. 
Por exemplo, para emulsão a (EHL req = 12,2), os tensoativos Myrj 45 e 
Tween 21 podem, nas devidas proporções, resultar num sistema tensoativo de EHL 
exatamente igual a 12,2. 
Para tanto se aplica a fórmula: 
 
EHLreq = x . EHLA + (1-x) . EHLB 
 
Assim, assumindo-se que tensoativo A seja o Myrj 45 e B o Tween 21, 
substitui-se e determina-se valor de x. 
 
12,2 = 11,1x + 13,3 (1-x) 
x = 0,5 = 50% 
 
Ou seja, o sistema tensoativo será composto por 50% do tensoativo Myrj 45 
e 50% de Tween 21, o que em gramas corresponderia a 2,5 g de cada. 
Já para a emulsão b, os tensoativos com EHL mais próximos do requerido 
(5,45) são o Span 60 (EHL = 4,7) e o Span 40 (EHL = 6,7). 
 
5,45 = 4,7x + 6,7 (1-x) 
x = 0,625, ou seja 62,5% de Span 60 e 37,5% de Span 40. 
 
Considerando que 3% de 132 g (FO + FA) é igual a 3,96 g (~ 4,0 g), o 
sistema tensoativo ideal para fórmula b será composto por 1,5 g de Span 60 e 2,5 g 
de Span 40. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3.1.3.4 Formulação de Emulsões 
 
As emulsões líquidas ou semissólidas possuem, necessariamente, uma fase 
aquosa e outra oleosa, as quais são imiscíveis de tal forma que se faz primordial o 
uso de tensoativos. De modo geral, cada fase da emulsão é preparada 
isoladamente, incorporando-se depois uma fase em outra. A fase aquosa é 
preparada aquecendo-se a água e nela dissolvendo-se os compostos hidrossolúveis 
sem exceder a faixa de temperatura de 75-80 ºC. De modo similar, a fase oleosa é 
também aquecida (ou fundida). 
A dispersão da fase interna na externa deve ser feita com ambas as fases 
praticamente à mesma temperatura (em torno de 70 ºC). 
Esta dispersão (mistura) é feita sob agitação constante, sendo 
invariavelmente necessária a presença de um sistema tensoativo adequado. 
Ressalta-se que emulsões de uso interno, por apresentarem limitações quanto à 
gama de tensoativos biocompatíveis, são menos estáveis, devendo-se recomendar a 
agitação antes do uso. 
O fármaco, em geral, é incorporado depois do resfriamento e da formação 
da emulsão. 
 
Componentes Usuais 
 
I) Fase aquosa: a água é a matéria-prima utilizada em quase todos os 
produtos farmacêuticos. Frequentemente constitui o componente mais abundante da 
formulação em emulsões O/A. Deve ser adequadamente tratada, apresentar carga 
microbiana baixa ou nula, e preferencialmente ausência de eletrólitos. 
II) Fase oleosa: no caso de emulsões A/O, a fase oleosa é, invariavelmente, 
superior em proporção. Pode ser composta por ampla variedade de substâncias 
lipofílicas, as quais em geral são responsáveis pela inerente ação emoliente das 
emulsões. Estas substâncias podem ser de origem: 
 
 
 
 
 
 
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Natural: os óleos de origem vegetal, como óleo de amêndoas, óleo de soja 
e cera de carnaúba; têm como vantagem ser renováveis. Entre os compostos de 
origem animal, cada vez menos utilizados para elaboração de cosméticos e 
medicamentos, destacam-se: lanolina e derivados, espermacete e derivados. 
Semissintética: destacam-se os ácidos graxos, como o ácido esteárico; 
álcoois graxos superiores, como o álcool cetílico, álcool estearílico e álcool 
cetoestearílico (misturas comerciais 50:50 e 50:70); ésteres de ácidos graxos e 
álcoois de cadeia média, como éster decílico do ácido oleico (Cetiol V ®); ésteres de 
glicerol, como monoestearato de glicerila; ésteres de glicol, como monoestearato de 
etilenoglicol, o diestearato de etilenoglicol e o monoestearato de dietilenoglicol; e 
ésteres isopropílicos, como o miristato de isopropila, palmitato de isopropila e 
estearato de isopropila - que são os mais empregados, seja como espessantes ou 
como emulsionantes secundários. 
Sintéticas: de maior destaque temos os silicones, que são compostos 
orgânicos constituídos por cadeias, nas quais se alternam átomos de silício e 
oxigênio e que apresentam radicais, tais como metil, etil e fenil, ligados ao átomo de 
silício. Podem apresentar, de acordo com características estruturais, além de inércia 
química, baixa comedogenicidade, bom espalhamento, baixa pegajosidade e 
ausência de efeito brilhante quando aplicado na pele. Estas vantagens deram 
origem aos produtos oil free, que em função de seu aspecto não gorduroso ganham 
a cada dia mais destaque. 
Entre os principais tipos de silicones utilizados em formulações temos: 
• Óleos de silicone: formam uma película isolante sobre a pele, repelindo a 
água, agindo como lubrificante e emoliente (ex.: dimeticona e a 
fenilmeticona). 
• Silicones voláteis: evaporam-se rapidamente quando aplicados, porém 
são capazes de deixar sobre o local uma fina película (ex.: ciclometiona). 
• Silicones emulsionantes: apresentam-se sob a forma emulsionada e 
podem ser empregados na obtenção de preparações do tipo A/O. 
 
 
 
 
 
 
 
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Minerais: são hidrocarbonetos extraídos do petróleo cuja inocuidade 
depende do grau de pureza, pois os mesmos podem conter substâncias 
carcinogênicas. Não são saponificáveis e são quimicamente inertes, resistindo à 
oxidação e à hidrólise. Não apresentam capacidade de penetração percutânea, 
sendo que o tamanho da cadeia determina ainda propriedades emolientes, oclusivas 
e espessantes. Destacam-se o óleo mineral, a vaselina e a parafina. 
 
III) Tensoativos: podem ser naturais (saponinas, colesterol, lecitina, 
lanolina, gomas) ou sintéticos, os quais se subdividem em: aniônico (estearato de 
sódio, oleato de sódio, laurilsulfato de sódio); catiônicos (cloreto de benzalcônio, 
cloreto de cetilpiridineo); não iônicos (ésteres de sorbitano, alquil ésteres de 
sorbitano); tensoativos anfóteros (aminoácidos). Para o uso interno são permitidos 
os tensoativos naturais como gomas, gelatina, lecitina, ou sintéticos, como 
monoestearato de glicerilo, Spans® e Tweens®. 
A combinação de ceras e tensoativos deu origem a produtos comerciais 
denominados “ceras autoemulsionantes”, cuja composição, embora varie de 
fabricante para fabricante, integra um ou mais tensoativos e substâncias graxas 
sólidas, dentre as quais destacam-se os álcoois graxos superiores. 
O tipo de sistema tensoativo presente na cera autoemulsionante determina 
sua natureza aniônica, catiônica ou não iônica. 
Do mesmo modo, uma vez que a adição de ativos de carga contrária pode 
ocasionar a desestabilização da emulsão, as ceras ditas não iônicas apresentam 
vantagens sobre as demais, já que o risco de incompatibilidades é menor. Em 
contrapartida, as ceras autoemulsionantes à base de tensoativos catiônicos 
apresentam ainda a desvantagem de serem mais irritantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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IV) Outros coadjuvantes: incluem conservantes (parabenos, bronopol, 
imidazolidinil ureia, 2-fenoxietanol, metilcloroisotiazolinona e metilisotiazolinona), 
espessantes (álcool cetílico, álcool estearílico e ácido esteárico), gelificantes 
(Carbopol®, gomas e hidroxietilcelulose), umectantes (glicerina, sorbitol e 
propilenoglicol), e eventualmente edulcorantes, flavorizantes, aromatizantes e 
corantes. 
 
3.2 Formas Plásticas ou Semissólidas 
 
São formas farmacêuticas consistentes e pegajosas de aparência 
translúcida ou opaca, destinadas à aplicação na pele ou mucosas. As indicações 
dependem do grau de absorção percutâneo. 
Para ação tópica epidérmica destacam-se as ações emoliente, 
antimicrobiana, desodorizante, protetora, entre outras.Para ação tópica endodérmica destacam-se as ações anti-inflamatória, 
anestésica local e antimicótica. 
Para ação hipodérmica destacam-se anti-inflamatórios, anestésicos locais, 
hormônios. 
Outras formas plásticas incluem supositórios, óvulos e velas (descritos no 
item 3.2.3.3), que apresentam consistência mais firme e são destinados 
respectivamente à mucosa retal, vaginal e uretral. 
 
3.2.1 Penetrabilidade Percutânea 
 
A penetrabilidade percutânea das formas semissólidas depende de fatores 
intrínsecos e extrínsecos. 
Entre os fatores intrínsecos destacam-se o coeficiente de partição, 
coeficiente de difusão, solubilidade e peso molecular do fármaco, todos decisivos 
para a penetrabilidade. 
 
 
 
 
 
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No que diz respeito aos fatores extrínsecos destacam-se a temperatura, 
aspectos anatomofisiológicos (área aplicada, tipo de pele), forma de aplicação 
(massagem, iontoforese) e forma farmacêutica. 
O tipo de pele determina o grau de hidratação, espessura e constituição da 
emulsão epitelial, pode depender de fatores como idade, hereditariedade, dieta, 
medicação e patologias. 
No que diz respeito à forma farmacêutica, destacam-se como fatores 
positivos para a penetração percutânea: 
• O poder oclusivo das substâncias graxas ou oleosas aumenta a 
hidratação da pele e absorção; 
• Bases nas quais o fármaco é pouco solúvel aumentam a cedência do 
mesmo para a pele; 
• Uso de promotores de absorção (Dimetilsulfóxido-DMSO, 
dimetilformamida-DMF, dimetilacetamida-DMA, ureia, propilenoglicol, 
tensoativos); 
• Uso de substâncias altamente higroscópicas tendem a aumentar o 
conteúdo de água na pele, facilitando a absorção de fármacos hidrofílicos 
(aniônicos, catiônicos e não iônicos); 
• Uso de bases contendo óleos de origem animal (lanolina, espermacete) 
apresentam maior afinidade com a emulsão epidérmica e viabilizam a 
absorção. 
 
3.2.2 Classificação das formas Semissólidas 
 
As formas semissólidas são classificadas sob vários critérios, incluindo 
penetrabilidade, características físico-químicas e físicas. 
Quanto à penetrabilidade, podem ser: epidérmicas, endodérmicas ou 
diadérmicas. Quanto às características físico-químicas as formas plásticas podem 
ser do tipo solução (pomadas, géis, óvulos e supositórios), suspensão (pastas) ou 
emulsão (cremes), características determinantes na técnica de preparo das 
pomadas. 
 
 
 
 
 
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Quanto às características físicas, ou aspecto, as formas semissólidas são 
classificadas em: 
• Pomadas propriamente ditas hidrófobas: são formas semissólidas 
translúcidas, pegajosas e consistentes que absorvem pouquíssima água, 
compostas de mistura de hidrocarbonetos líquidos e sólidos; ceras, 
silicones ou outras substâncias graxas, as quais são submetidas à fusão. 
• Pomadas propriamente ditas hidrófilas: são formas miscíveis com a 
água, compostas por uma mistura de polímeros hidrófilos (PEG) de pesos 
moleculares distintos (PEG 400 + PEG 4000). São consistentes, 
removíveis com água e de aparência translúcida. 
• Pastas: são formas farmacêuticas de consistência semissólida, que 
encerram boa proporção de partículas sólidas insolúveis (~20-50%). 
Eficazes para absorver secreções de lesões. São formuladas com 
excipientes de características graxas ou aquosas e destinadas à 
aplicação na pele ou mucosas. 
• Cremes e loções: são formas emulsionadas de aparência opaca, cuja 
viscosidade depende da composição e do tipo de fase externa; cremes 
O/A (hidrófilos) são em geral menos viscosos que os A/O (hidrófobos). O 
= óleo e A=água. 
 Géis: sistemas semissólidos constituídos por uma matriz polimérica 
(natural ou sintética) dispersa em fase líquida (água ou óleo de parafina). 
Gel hidrófilo (água e polímeros); gel hidrófobo (óleo mineral e PEG). O gel 
hidrófobo pode ser classificado como pomada hidrófoba. 
 
3.2.3 Preparação de Formas Plásticas 
 
As formas plásticas (semissólidas) podem ser obtidas por dissolução ou 
dispersão mecânica, com ou sem fusão dos componentes sólidos em veículos 
apropriados. Os princípios seguidos no preparo das diferentes formas líquidas 
(soluções, suspensões e emulsões) são também válidos para formas plásticas dos 
tipos solução, suspensão e emulsão. 
 
 
 
 
 
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Assim sendo, as técnicas a serem empregadas dependerão não só das 
características físico-químicas dos fármacos e coadjuvantes, como também do 
veículo. 
O veículo deve ter consistência adequada (boa espalhabilidade), ser bem 
tolerado, não apresentar incompatibilidades, apresentar cedência adequada a cada 
tipo de fármaco para melhor permeação, ser estável, ser preferencialmente lavável e 
esterilizável. 
Os veículos podem ser constituídos por componentes: 
 
a) Hidrófobos 
 
Ceras: são usadas para aumentar a consistência das pomadas, e embora 
não laváveis, podem absorver água. Em geral, apresentam poucas 
incompatibilidades. Como exemplos podemos citar a lanolina, cera de abelhas, cera 
de cacau, espermacete e palmitato de cetila. 
Hidrocarbonetos: são bases oclusivas, inibindo a evaporação normal da 
pele. Não absorvem e não são laváveis com água, apresentam muito pouca 
incompatibilidade e elevada estabilidade química. Parafina (derivado de 
hidrocarboneto de alto PM) e vaselina pastosa (derivado de PM intermediário) são 
emolientes e espessantes, sendo que a parafina tem emprego como endurecedora 
de supositórios. Já o óleo mineral, vaselina líquida ou parafina líquida possuem 
cadeia menor e são usados para diminuir a consistência de formas plásticas em 
geral (inclusive como amolecedores de supositórios e óvulos). 
Silicones: são bastante estáveis e fisiologicamente inertes, usados quando 
se pretende obter fórmulas altamente hidrófobas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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b) Hidrófilos 
 
Polietilenoglicóis (PEGs): a consistência adequada é determinada pela 
mistura de polímeros sólidos e líquidos (PEG 4000 e PEG 400, Carbowax®). 
Possuem boa aderência, boa espalhabilidade, não são oclusivos, podem ser 
misturados a vaselinas, lanolinas e óleos vegetais. São estáveis, laváveis com água, 
incompatíveis com vários conservantes. 
Produtos minerais: são partículas inorgânicas finamente divididas que 
formam sistemas coloidais liofóbos (géis). Exemplos: bentonita e dióxido de silício 
(Aerosil®). 
Derivados de celulose: são polímeros orgânicos hidrofílicos utilizados como 
agentes doadores de consistência em géis típicos (liófilos). Ésteres de celulose 
como metilcelulose (MC), hidroxietilcelulose (HEC), carboximetilcelulose (CMC) e 
seu sal sódico (CMC-Na), bem como outros polímeros orgânicos, tais como alginato 
de sódio, PVA, ácido poliacrílico (Carbopol®), são exemplos de componentes 
utilizados em veículos para géis, que geralmente integram 80 a 98% de água. São 
todos laváveis com água; podem deixar resíduo sólido na pele e apresentam várias 
incompatibilidades. 
 
c) Emulsionados 
 
Emulsões A/O: agentes espessantes e emulsificantes, como monoestearato 
de glicerila, colesterol e álcool cetílico podem ser adicionados para aumentar a 
estabilidade. Destaque para o Cold Cream, que forma um filme protetor sobre a pele 
diminuindo a evaporação de água. 
Emulsões O/A: são mais empregadas em razão das vantagens como fácil 
remoção da água. Formam um filme na superfície da pele quando a água evapora. 
Destaque para diadermina, com elevado poderdesengordurante. Entre os agentes 
espessantes temos o ácido esteárico saponificado, e ceras autoemulsionáveis à 
base de álcool cetílico e estearílico associadas aos tensoativos. 
 
 
 
 
 
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Outros componentes usualmente empregados em formas plásticas incluem 
umectantes, conservantes, antioxidantes e, eventualmente, corantes e 
aromatizantes. 
 
3.2.3.1 Géis 
 
Os géis são formas farmacêuticas ou cosméticas obtidas a partir da 
hidratação de alguns compostos orgânicos macromoleculares ou de compostos 
inorgânicos gelificantes. São preparações livres de gorduras (oil-free)*, cujo teor de 
água é bastante elevado, sendo em geral facilmente laváveis. Estas características 
fazem dos géis produtos de consumo em expansão. Entre as desvantagens 
destacam-se a baixa penetrabilidade percutânea (exceto géis transdérmicos**) e 
maior susceptibilidade à contaminação microbiana, fato também relacionado ao 
elevado teor de água (80 a 98%). 
Dependendo do tipo de agente gelificante os géis podem ser liófilos 
(polímeros hidrofílicos) ou liófobos (argilas, bentonita). Do ponto de vista físico-
químico, os géis são considerados dispersões coloidais, em geral liófílas, 
transparentes e tixotrópicas***. 
*OLEOGÉIS: são produtos contendo 90 a 95% de óleo, espessados por 
agentes gelificantes não hidrossolúveis, como por exemplo, sílicas e argilas. 
Assemelham-se às pastas, mas são mais fluidos. 
**GÉIS TRANSDÉRMICOS: são, na verdade, microemulsões de uma fase 
hidrossolúvel, que é o gel aquoso de polaxamer 407 (20 a 40%), e de uma fase 
lipossolúvel composta de uma solução de lecitina granulada e palmitato de 
isopropila. O Pluronic® Lecithin Organogel (PLO) é uma microemulsão lipossomal 
fosfolipídica empregada para administração de fármacos via transdérmica. 
**TIXOTROPIA: fenômeno associado à diminuição da viscosidade do 
sistema provocado por forças mecânicas, sendo, porém, reversível quando em 
repouso. 
 
 
 
 
 
 
 
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I) Os Componentes Usuais 
 
Os principais coadjuvantes técnicos na formulação de géis são: gelificantes, 
umectantes, conservantes, antioxidantes, agentes quelantes, entre outros. 
O termo gelificante refere-se aos espessantes utilizados na elaboração de 
géis, ou seja, os veículos hidrófilos. Em geral são polímeros que possuem a 
propriedade de, quando em solução aquosa, aumentar a viscosidade do sistema, 
quer diretamente ou após sua neutralização. Quanto à estrutura coerente de gel, os 
gelificantes podem formar géis de esqueleto coloidal linear (polímeros derivados de 
celulose), esqueleto coloidal laminar (argilas) ou esqueleto esferocoloidal (dióxido de 
silício de alta dispersão). 
 
a) Gelificantes 
 
Entre os principais gelificantes destacam-se: 
Carbômeros: polímeros sintéticos do ácido poliacrílico solúveis em água 
(ex.: Carbopol®, Synthalen®). Adquirem maior consistência com a neutralização das 
cargas superficiais (viscosidade ideal pH 6-8). Concentração usual: 0,5-1,5%. 
Hidroxietilcelulose (HEC): é um polímero derivado da celulose, não iônico 
(Natrosol®, Cellosize®), disponível em diversos graus de peso molecular. É 
compatível com eletrólitos e possui menor sensibilidade ao pH do meio. Como 
vantagem, destaca-se a facilidade de dispersão, a qual pode ser obtida sob agitação 
em água fria. Porém, a formação da estrutura coerente do gel (rede) ocorre mais 
rapidamente com aquecimento. Como desvantagem apresenta maior risco de 
contaminação microbiana. Concentração usual 1,0-3,0%. 
 
b) Umectantes 
 
São utilizados para evitar a perda de água da formulação, conferindo ao gel 
maior elasticidade (melhor espalhamento). Entre os mais utilizados temos a 
glicerina, o propilenoglicol e o sorbitol. A concentração usual gira em torno de 5%. 
 
 
 
 
 
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c) Outros Coadjuvantes 
 
Especialmente para géis, o uso de conservantes é indispensável à 
formulação, principalmente de géis obtidos com gelificantes naturais, já que 
apresentam grande susceptibilidade ao desenvolvimento microbiano. Parabenos, 
imidazolidinilureia (germal 115®) e 5-bromo-5-nitro-1,3-dioxano (Bronidox L®) são 
alguns dos mais utilizados. 
Os agentes quelantes são particularmente importantes para os géis, pois 
inativam por complexação metais pesados e alcalinos terrosos, bem como 
potencializam a ação de alguns antimicrobianos. Entre os problemas causados por 
estes metais nas formulações destacam-se: 
• Reação com ânions, levando à precipitação; 
• Oxidação de corantes e essências; 
• Inativação de antimicrobianos. 
 
II) Produção de Géis 
 
A fase mais crítica na preparação de géis refere-se à hidratação do 
polímero. Esta deve ser feita de modo criterioso e gradual. A adição de excesso de 
água pode levar à formação de grumos que dificultam a dispersão mecânica de 
forma a comprometer a homogeneidade ou a uniformidade da formulação. 
A adição de outros adjuvantes (ex.: solubilizantes), bem como o acerto de 
volume e pH, devem ser feitos só após a homogenização (uniformização) parcial do 
veículo. 
 
3.2.3.2 Pomadas 
 
São formas farmacêuticas plásticas deformáveis, que apresentam como 
características boa espalhabilidade, pegajosidade, emoliência e poder oclusivo. 
Destinam-se à pele sadia (função de proteção) ou lesionada (função curativa) e 
mucosas. Dependendo da composição apresentam ação local ou sistêmica. 
 
 
 
 
 
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As pomadas propriamente ditas, assim como os géis, são do tipo solução. 
Entretanto, empregam veículos hidrófobos (3.2.3a) ou, no caso específico das 
pomadas hidrófilas, polietilenoglicóis (3.2.3b). 
O uso de veículos minerais (vaselina, parafina) tende a diminuir a 
penetrabilidade, enquanto os veículos de origem animal (ex.: lanolina, espermacete) 
aumentam. Por não conterem água são relativamente estáveis à contaminação 
microbiana. Entre os agentes estabilizantes mais utilizados destacam-se os 
antioxidantes lipofílicos como BHT, BHA e tocoferol. 
 
I) Produção de Pomadas 
 
A preparação de pomadas pode ser feita a frio (ex.: pomada amarela) ou por 
fusão (ex.: pomada branca). 
Nas preparações a frio faz-se uma simples dispersão com auxílio de 
espátula, pão-duro ou equipamentos industriais apropriados. Ressalta-se que a 
dispersão a frio só é possível para veículos pastosos e líquidos. 
Na preparação por fusão, os componentes da base da pomada são 
submetidos a aquecimento. No caso de ceras sólidas, esta é a única alternativa 
viável. 
A incorporação dos demais componentes de uma pomada é, em geral, feita 
após a preparação da base, especialmente quando se utiliza o método da fusão. 
Entretanto, havendo termoestabilidade, o fármaco ou coadjuvante poderá ser 
solubilizado a quente durante a fusão. 
 
3.2.3.3 Supositórios, Óvulos e Velas 
 
De acordo com a Farmacopeia Brasileira II (1959), “supositórios são 
preparações farmacêuticas consistentes de forma cônica ou ogival, destinadas à 
aplicação retal e obtidas por solidificação ou compressão em moldes de massa 
adequada encerrando substâncias medicamentosas”. 
 
 
 
 
 
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Já os óvulos seriam “preparações farmacêuticas consistentes de forma 
ovoide, destinadas à aplicação vaginal, obtidas por solidificação ou compressão em 
moldes de massa adequadosencerrando substâncias medicamentosas. Em geral 
destinado à ação local, sendo os antibióticos, antiparasitários, antissépticos, entre 
outros, os fármacos mais utilizados em óvulos” (Farmacopeia Brasileira II, 1959). 
Finalmente, velas “são preparações farmacêuticas consistentes de forma 
cilíndrica destinadas à aplicação uretral” (Farmacopeia Brasileira II, 1959). 
Enfim, embora tais formas farmacêuticas se caracterizem propriamente 
como formas semissólidas, fazem parte também do grupo das formas chamadas 
plásticas e se assemelham muito em especial a géis e pomadas, no que diz respeito 
aos componentes usuais e técnicas de preparação. 
 
I) Componentes Usuais 
 
a) Excipientes inertes ou veículos: constituem a base do supositório; 
devem desintegrar-se obrigatoriamente a 37 ºC. 
Bases lipofílicas: manteiga de cacau, óleos hidrogenados e outros 
excipientes semissintéticos. 
Bases hidrófilas: polioxietilenoglicóis, entre outros. 
Base anfifílica: ácido esteárico saponificado + glicerina. 
 
b) Tensoativos: facilitam a dispersão de matérias hidrófobas, promovendo 
absorção. 
• Naturais: lecitina de soja. 
• Sintéticos: polissorbatos. 
 
c) Antioxidantes: em especial protegem os excipientes graxos de 
processos de rancificação. Ex.: alfatocoferol, butil-hidroxianisol, ácido nordi-
hidroguairético, entre outros. 
 
 
 
 
 
 
 
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d) Endurecedores: são utilizados para aumentar a consistência e elevar o 
ponto de fusão. Exemplos: parafina, ceras, PEG 4000. 
 
e) Amolecedores: são substâncias empregadas para abaixar o ponto de 
fusão; incluem glicerina, propilenoglicol, óleos vegetais e minerais. 
 
II) Características dos Excipientes Base 
 
a) Manteiga de cacau: apresenta três formas polimórficas (α, β e β'), sendo 
muito utilizada em supositórios. Funde-se aproximadamente a 30 ºC, devendo ter 
baixa acidez. Susceptível à rancificação. 
b) Óleos hidrogenados: são obtidos por hidrogenação catalítica de vários 
óleos vegetais (ex.: óleos de coco, amendoim e semente de algodão), processo este 
que diminui a vulnerabilidade à oxidação (rancidificação). 
c) Excipientes semissintéticos: são obtidos a partir de ácidos graxos 
saturados de origem vegetal, esterificados, de cadeia variando de 12 a 18 carbonos. 
Apresentam, entre outras vantagens, ponto de fusão mais bem definido, menor 
acidez, menor susceptibilidade para oxidação, maior uniformidade de lote para lote. 
Exemplos: Fattbase®, Witepsol®, Novata®, Estaram®. 
d) Polioxietilenoglicóis: são bases hidrosolúveis, também designadas 
polietilenoglicóis, PEG, Carbowaxes, entre outros. São polímeros do óxido de etileno 
designados por números (PEG 200, PEG 400, PEG 1500) que dão uma ideia 
aproximada do peso molecular da cadeia polimérica. Os mais utilizados são os de 
peso molecular 6000, 4000 e1500. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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III) Métodos de obtenção 
 
a) Fusão-solidificação 
 
As matérias-primas são misturadas ao(s) excipiente(s) previamente 
fundido(s) e em seguida a massa é vertida em moldes apropriados. Depois do 
resfriamento, os supositórios são retirados dos moldes, exceto no caso em que o 
molde é a embalagem do produto. 
 
b) Compressão 
 
O excipiente é triturado e misturado ao fármaco e depois comprimido em 
equipamento apropriado. Este método, em razão das desvantagens como a 
necessidade de equipamento especializado, dificuldade de homogeneização e 
aspectos irregulares dos supositórios obtidos, só é usado em casos específicos 
como, por exemplo, para fármacos termolábeis. 
 
3.2.3.4 Pastas 
 
Pastas são suspensões semissólidas, cujos problemas relacionados à 
sedimentação são irrelevantes, dada a consistência (viscosidade) do veículo. 
A preparação das pastas requer subdivisão das partículas sólidas seguida 
por incorporação na base semissólida. A incorporação deve ser feita sempre de 
forma gradativa e progressiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.2.3.5 Cremes 
 
Os cremes são emulsões semissólidas. Assim como para as formas líquidas, 
sua preparação deve ser embasada na Lei dos Semelhantes e seguir as seguintes 
fases: 
1) Agrupar os componentes de acordo com suas solubilidades em fase 
aquosa (FA) ou oleosa (FO). 
2) Calcular o EHL requerido e selecionar o sistema tensoativo apropriado. 
3) Dissolver componentes da FO, podendo-se aquecer a 5ºC acima do 
ponto de fusão. Por segurança deve-se evitar que ultrapasse 80ºC. 
4) Dissolver componentes da fase aquosa, recomenda-se aquecer 3 a 
5ºC acima da FO. 
5) Incorporar sob agitação a fase interna na externa (Fig.6). 
 
Emulsão A/O
Emulsão O/A
Agitação 
 
Fig. 6 – Preparação de emulsões: incorporação da fase interna na fase externa. 
 
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3.3 Formas Sólidas 
 
As formas sólidas representam mais de dois terços dos medicamentos 
atuais. Tal difusão deve-se a vantagens como: 
• Menor custo com acondicionamento, armazenamento e transporte; 
• Maior estabilidade química, física e microbiana; 
• Boa aceitação; 
• Facilidade de administração; 
• Possibilidade de se controlar a biodisponibilidade. 
Entre as principais formas sólidas temos pós, granulados, cápsulas, 
comprimidos e drágeas. 
 
3.3.1 Pós 
 
Pós são formas farmacêuticas sólidas constituídas por um ou mais 
princípios ativos, adicionados ou não de adjuvantes, pulverizados e misturados 
homogeneamente. Apresentam vantagens como: 
• Viabilidade de obtenção de outras formas farmacêuticas (comprimidos, 
drágeas, cápsulas, suspensões, pomadas, soluções); 
• Fácil dissolução; 
• Fácil absorção; 
• Efeito mais rápido e regular. 
 
Entre as desvantagens destacam-se: 
• Inconveniente na ingestão; 
• Estabilidade; 
• Dificuldade de proteção da decomposição dos pós contendo materiais 
higroscópicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3.3.1.1 Classificação dos Pós Medicamentosos 
 
I) Quanto à aplicação 
• Uso interno: podem constituir solução no momento da administração. 
• Uso externo: devem possuir boa espalhabilidade e tenuidade e não 
devem causar irritação local. 
 
II) Quanto à constituição 
• Pós simples. 
• Pós compostos. 
 
III) Quanto ao tamanho da partícula 
Os pós podem se classificar de acordo com a abertura do poro do tamis em: 
• Pó grosseiro: malha de 850 μm (20). 
• Tamis 20 (não mais que 60% tamis 40). 
• Pó medianamente grosseiro: malha de 425 μm (40). 
• Tamis 40 (não mais que 60 % tamis 60). 
• Pó fino: malha de 180 μm (80). 
 Tamis 80. 
• Pó muito fino: malha 125 μm (120). 
 Tamis 120. 
 
3.3.1.2 Parâmetros fundamentais 
 
a) Tamanho da partícula: pode interferir em processos de mistura, 
dissolução e biodisponibilidade. Pode variar de alguns milímetros a menos que 1 μm 
(coloidal). São micropós as partículas menores que 10 μm. A granulometria das 
partículas é dada em função da abertura de malha ou número do tamis (Quadro 8). 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Quadro 8: Abertura da malha x número Tamis 
Número do tamis μ malha 
2 9,5 mm 
4 4,75 mm 
8 2,36 mm 
10 2,00 mm 
20 850 μm 
40 425 μm 
60 250 μm 
80 180 μm 
100 150 μm120 125 μm 
200 75 μm 
400 38 μm 
 
 
Processos dependentes do tamanho da partícula: 
1. Velocidade de dissolução; 
2. Suspensibilidade; 
3. Uniformidade na distribuição; 
4. Tecnologia de obtenção de comprimidos e cápsulas; 
5. Penetrabilidade (partículas inaladas: 1 a 5 μm); 
6. Espalhabilidade (não aspereza < 100 μm) 
 
b) Características superficiais (porosidade e cargas): podem facilitar a 
adsorção de gases ou vapores, interferindo na estabilidade, solubilidade, 
compressibilidade e aspectos reológicos. Em suspensões líquidas, a presença de 
carga pode levar à sedimentação isolada (compacta) e o excesso de porosidade 
pode afetar a molhabilidade. 
 
 
 
 
 
 
 
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c) Propriedades de fluxo: a escoabilidade de um pó depende do tamanho, 
da forma, da densidade e das características de superfície (especialmente as que 
estão relacionadas às forças de coesão e formação de películas em torno das 
partículas). 
 
3.3.1.3 Etapas de Obtenção 
 
As etapas de obtenção incluem pesagem e outras operações preliminares, 
como triagem e estabilização, seguido por secagem, pulverização, tamisação, 
mistura e se necessário nova secagem. 
I) Operações preliminares: triagem (ex.: matérias-primas vegetais), 
estabilização (inativação de enzimas, secagem para eliminar excesso de umidade). 
II) Pulverização: subdivisão das partículas. Em pequena escala pode ser 
feita por: 
• Contusão: almofariz de bronze ou ferro (drogas vegetais); 
• Trituração: almofariz de porcelana e vidro (drogas cristalinas); 
• Intermédio: a trituração é feita com líquidos ou com outros sólidos (no 
caso de substâncias com estrutura amorfa); 
• Fricção: a trituração é feita sobre um tamis invertido (aplicada a 
substâncias friáveis e moles). 
 
Já em grande escala emprega moinhos, que podem basear-se em três 
princípios: 
• Atrito: fricção entre duas superfícies (moinho micronizador); 
• Laminagem: uso de moinhos de placas; 
• Impacto: uso de moinho de martelos e barras que giram em alta 
velocidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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III) Tamisação: processo destinado à padronização do tamanho de 
partículas por meio de passagem do pó por uma peneira de malha definida 
designada tamis. 
Entre os problemas da falta de uniformidade de tamanho de partículas estão 
os mecanismos de segregação, nos quais partículas maiores e mais pesadas 
tendem a se separar das menores, mais leves. Este fato se opõe à uniformidade 
mínima requerida para uma mistura medicamentosa. 
Por outro lado, a seleção de partículas garante a obtenção de partículas com 
tenuidade adequada, diminuindo riscos de irritação, promovendo estabilidade física, 
dissolução e absorção. 
 
IV) Mistura 
 
Para eficiência desta etapa todos os componentes devem ter o mesmo 
tamanho de partícula. 
 
Regras básicas de mistura: 
• Quantidades desiguais: inicia-se pelo de menor quantidade misturando 
com diluente. 
• Substâncias potentes: diluição geométrica com auxilio de indicador 
(corante). 
• Misturas explosivas: pulverização separadamente. 
• Misturas de substâncias higroscópicas, eutéticas ou voláteis: por 
intermédio de diluentes absorventes (ex.: sílicas). 
• Pós elásticos ou plásticos: mistura e trituração por intermédio de 
partículas duras. 
• Pós que sofrem caking por pressão leve: mistura e trituração por 
intermédio de solvente volátil. 
• Pós tóxicos: uso de capela e Equipamentos de Proteção Individual 
(EPI´s). 
• Conservantes: são previamente solubilizados em solventes voláteis. 
 
 
 
 
 
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A mistura de pós ou granulados pode ser feita em pequena escala com 
auxílio de gral, almofariz ou tamis. 
Já em grande escala, utilizam-se misturadores por tombamento 
(misturadores em V) para pós secos, ou masseiras para pós umedecidos. 
 
V) Secagem 
 
Antecede a mistura dos pós, realizada em estufas com sistemas blindados e 
captura de vapores de solventes. O controle é feito pela avaliação do teor de 
umidade. 
Parâmetros importantes: temperatura (40 a 70 ºC) e tempo (até 12 horas). 
 
3.3.1.4 Pós para uso externo 
 
I) Requisitos 
• Não devem ser irritantes: tamis 40-100 (< 100 μm). 
• Ausência de ação sistêmica. 
• Boa aderência (fixação sobre a pele): quanto menor a partícula, maior a 
aderência. 
• Espalhabilidade adequada. 
• Boa capacidade de adsorção de líquidos. 
• A facilidade de fluidez depende de lubrificantes. 
• Boa conservação: passíveis de esterilização (calor seco a 150 ºC, óxido 
de etileno, radiações γ) ou combinados a sistemas conservantes eficazes. 
• Compatibilidade entre componentes. 
• Uniformidade de tamanho de partículas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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II) Bases para Pós de Uso Externo 
 
Devem apresentar características como boa aderência, capacidade de 
lubrificação, capacidade de adsorção de líquidos e boa fluidez. Podem ser 
classificadas em: orgânicas ou inorgânicas, e naturais ou sintéticas. 
 
a) Bases Inorgânicas 
 
Entre as bases inorgânicas destacam-se o talco, óxido de zinco, carbonato 
de magnésio, dióxido de titânio e dióxido de silício. 
Talco: é um hidroxipolissilicato de magnésio de origem natural, 
quimicamente inerte, untuoso, insolúvel em água, comum nos pós de uso externo, 
boa aderência e boa fluidez, baixa capacidade de adsorção de água. 
Óxido de zinco: pó cristalino, bom adsorvente de água e óleo, boa fluidez, 
baixa aderência, ação antisséptica e adstringente. 
Dióxido de titânio: bom poder de cobertura, boa fluidez e aderência, 
quimicamente inerte. 
Óxido de magnésio: excelente capacidade de adsorção de água e 
aderência. Baixa fluidez. 
Carbonato de magnésio: boas propriedades aderentes, boa capacidade de 
adsorção de água. Baixa fluidez. 
Dióxido de silício de alta dispersão (Aerosil®): boa aderência e fluidez, 
grande capacidade de adsorção de água e óleo. Uso em torno de 0,5 a 3,0%. 
Otimiza a formulação de pós tópicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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b) Bases Orgânicas 
 
Entre as bases orgânicas temos estearatos, lactose e amido. 
Estearatos: são utilizados os de alumínio, magnésio e de zinco. São 
untuosos, não adsorvem água nem óleo, possuem bom poder aderente e efeito 
refrescante sobre a pele. Também são utilizados como adjuvantes para outras bases 
na faixa de 1-5 %. 
Amido: alta aderência, boa fluidez, boa capacidade de adsorção de água e 
óleo. Embora de baixo custo, constitui, quando úmido, excelente substrato para 
crescimento microbiano. 
Lactose: baixa fluidez, baixo poder aderente. Utilizada para pós absorvíveis. 
 
III) Pós para Uso Externo Especiais 
 
Pós refrescantes: amido ~ 95% e estearatos ~ 5%. 
Pós hidrorrepelentes: contém 2 a 10% de substâncias graxas (lanolina, óleo 
mineral) incorporadas no pó. 
Pós adstringentes: contêm substâncias adstringentes, como taninos e sais 
de bismuto, incorporados em talcos ou amido. 
Pós antipruriginosos e analgésicos: mentol, cânfora e calamina misturados a 
uma base de boa aderência (amido e talco). 
Pós antissépticos: ácido salicílico, ácido bórico em bases aderentes e com 
boa capacidade de adsorção de água (óxido de zinco, amido e talco). 
 
 
 
 
 
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3.3.1.5 Pós para Uso Interno 
 
I) Requisitos 
 
• Permitir solubilização dos ativos. 
• Quando efervescentes (trituração de ácido e base separadamente) 
• Garantir sabor e odor agradáveis. 
• Boa conservação 
• Compatibilidade entre componentes. 
 
 
3.3.2 Granulados 
 
São formas farmacêuticas sólidas constituídas por um ou mais princípios 
ativos adicionados de adjuvantes, sob a forma de grânulos homogêneos, destinados 
à administração direta por via oral (granulados efervescentes), ou como 
intermediários na preparação de drágeas, cápsulas e comprimidos. 
 
Vantagens: 
• Possibilitam a obtenção de outras formas farmacêuticas (comprimidos, 
drágeas, cápsulas, suspensões e soluções); 
• Fácil deglutição; 
• Melhor fluidez. 
 
Desvantagens: custo e tempo de preparação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3.3.2.1 Características desejáveis 
 
• Regularidade na cor e forma. 
• Boa fluidez. 
• Resistência mecânica. 
• 3-5% de umidade. 
• Boa solubilidade em água. 
 
3.3.2.2 Processos de obtenção 
 
Os granulados podem ser obtidos por via úmida, fusão ou via seca. As 
etapas para obtenção de cada via são descritas a seguir. 
 
VIA ÚMIDA POR FUSÃO VIA SECA 
Pesagem 
Pulverização 
Tamização 
Mistura 
Umectação 
Granulação úmida 
(Tamis ou Granulador rotativo) 
Secagem (Estufa) 
Calibração 
(Tamis ou Granulador rotativo) 
Lubrificação 
(Gral ou misturador em V) 
Pesagem 
Pulverização 
Tamização 
Mistura 
Leve aquecimento 
Granulação úmida 
(Tamis ou Granulador rotativo)
Secagem (Estufa) 
Calibração 
(Tamis ou Granulador rotativo)
Lubrificação 
(Gral ou misturador em V) 
Pesagem 
Pulverização 
Mistura 
Pré-compressão 
(Rolos compressores, máquina 
de compressão) 
Granulação 
(Tamis ou Granulador rotativo) 
Calibração 
(Tamis ou Granulador rotativo) 
Lubrificação 
(Gral ou misturador em V) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
 
3.4.3 Cápsulas 
 
São formas farmacêuticas sólidas nas quais o(s) fármaco(s) e excipientes 
estão contidos no interior de um invólucro solúvel, geralmente constituído de gelatina 
de tamanho variável, normalmente destinado ao uso oral. Em geral, representam 
50% da produção de farmácias de manipulação. 
 
Vantagens: 
• Possibilita a proteção parcial do fármaco da ação da luz e do ar. 
• Fácil identificação. 
• Precisão de dosagem. 
• Boa conservação. 
• Produção a seco. 
• Preparação em escala industrial ou artesanal. 
• Rápida liberação do(s) fármaco(s). 
• Necessidade de menor número de excipientes. 
• Versatilidade. 
• Mascara odor e sabor desagradável. 
 
Desvantagens: 
• Não oferece proteção absoluta da ação da umidade ao fármaco. 
• Não é passível de fracionamento. 
• Limitado à administração de fármacos muito irritantes, instáveis ou 
higroscópicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
 
3.3.3.1 Classificação 
 
I) Quanto ao invólucro 
 
• Duras: podem constituir-se de gelatina ou amido. 
• Moles: compostas basicamente de gelatina e plastificantes (glicerina). 
 
II) Quanto à composição 
 
• Pós. 
• Granulados. 
• Substâncias oleosas (cápsulas moles). 
 
3.3.3.2 Invólucros das cápsulas 
 
Tamanho: variam quanto à capacidade, sendo classificadas por diferentes 
números: 000, 00, 0, 1, 2, 3, 4 e 5, inversamente proporcionais ao volume interno 
(Quadro 9). 
 
Quadro 9 – Tamanho das cápsulas e numeração 
No da 
cápsula 
Diâmetro (cm) Comprimento (cm) Volume (mL) 
 Parke Davis Eli Lilly 
000 0,93 2,22 1,37 1,42 
00 0,80 2,03 0,95 0,92 
0 0,73 1,85 0,68 0,70 
1 0,66 1,67 0,50 0,50 
2 0,60 1,54 0,37 0,40 
3 0,56 1,36 0,30 0,37 
4 0,51 1,25 0,21 0,21 
5 0,47 0,93 0,13 0,12 
 
 
 
 
 
 
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Matéria-prima: as cápsulas são fornecidas por empresas especializadas na 
sua fabricação, sendo que atualmente a matéria-prima base é a gelatina, adicionada 
aos seguintes componentes: 
• Plastificantes: utilizados para dar consistência adequada à gelatina, bem 
como torná-la mais flexível e resistente (ex.: glicerina, sorbitol e 
propilenoglicol). 
• Conservantes: utilizados para prevenir problemas de contaminação 
microbiana, embora seja rara em cápsulas duras (ex.: parabenos). 
• Opacificantes: utilizados para obtenção de cápsulas opacas, conferem 
maior proteção à luz, estética (ex.: dióxido de titânio). 
• Corantes: têm função estética e de facilitar a identificação. 
 
3.3.3.3 O Conteúdo das Cápsulas 
 
É composto por um ou mais fármacos combinados ou não de excipientes, 
com diferentes funções coadjuvantes. 
Os diluentes são extremamente importantes em cápsulas, especialmente 
quando a quantidade é muito pequena, inviabilizando manuseio. 
O uso incorreto da quantidade e o tipo de diluente podem interferir na 
biodisponibilidade (dificultar ou retardar a liberação), custo (diversidade de preços) e 
estabilidade do produto (especialmente em virtude da incompatibilidade). Exemplos 
de diluentes empregados em cápsulas incluem a celulose microcristalina (Microcel®, 
Avicel® e Unitab®), lactose (lactose malha 200), amido, manitol, derivados de cálcio 
(Emcompress®, Calstar®). 
Não devem ser utilizados como diluentes de cápsulas: talco, caulim, 
derivados de celulose formadores de géis viscosos, bem como outros agentes 
viscosificantes como carbopol®, gomas e PVP. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
 
3.3.3.4 Preparo de Cápsulas 
 
I) Cápsulas Duras 
 
O conteúdo de fármaco depende de sua dose terapêutica eficaz. Quando 
se fizer necessária à adição de um ou mais excipientes (o que é frequente), a 
mistura deve seguir as regras de mistura descritas para o preparado de pós. 
A escolha da cápsula depende do volume final de fármaco mais 
excipiente(s), sendo que o volume da cápsula (Vcap) deve ser preenchido em pelo 
menos 90%. O cálculo se dá pela medida da densidade aparente da mistura. Esta 
densidade pode ser calculada pela relação massa-volume utilizando-se uma proveta 
e balança. O pó exatamente pesado é transferido para a proveta e submetido à 
compactação (3 batidas de ~ 2 cm altura). 
O enchimento pode ser manual ou por equipamentos manuais, 
semiautomáticos ou encapsuladores industriais. 
A quantidade de excipientes inertes (mexc) necessária para o preenchimento 
da cápsula (ideal > 90%) pode ser calculada pela fórmula abaixo: 
 
mexc = (Vcap – mp.a. / dp.a.) . dexc 
 
O acondicionamento e a embalagem devem oferecer proteção, 
funcionalidade e possuir adequada identificação. 
Recomenda-se o uso de embalagens não transparentes, recipientes 
herméticos e adição de silicagel. O uso de blister é uma inovação a ser aplicada 
também em manipulações magistrais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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II) Cápsulas Moles 
 
Possuem geralmente forma ovalada ou esférica, sendo constituídas de um 
filme de gelatina que recebeu uma quantidade considerável de agentes plastizantes. 
Seu tamanho é variável e destina-se principalmente ao acondicionamento de 
líquidos, desde que estes não dissolvam o invólucro. 
Preparação e enchimento: exige equipamentos especializados, 
restringindo-se às preparações industriais. 
 
3.3.4 ComprimidosSão preparações farmacêuticas de consistência sólida, formas variadas, 
obtidas por meio de compressão, contendo substância(s) ativa(s) com ou sem 
adjuvantes adequados e revestidos ou não. 
 
Classificação 
• Uso interno: comprimidos mastigáveis, convencionais, efervescentes e 
sublinguais. 
• Uso externo: comprimidos vaginais, injetáveis (pellets), para dissolução 
(permanganato de potássio). 
 
Tipos diversos: multicapas (compressão por 2 ou mais etapas), revestidos 
(entéricos e de liberação controlada). 
 
Vantagens: 
• Boa estabilidade físico-química. 
• Simplicidade e economia na preparação (larga escala). 
• Precisão de dosagem. 
• Fácil administração. 
• Fácil manuseio. 
 
 
 
 
 
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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
 
Por estes e outros motivos os comprimidos representam mais de 50% de 
toda produção industrial, sendo a mais popular forma farmacêutica de dosagem. 
 
3.3.4.1 Processos de produção 
 
A produção de comprimidos, do ponto de vista econômico, só se aplica à 
escala industrial. 
As máquinas de compressão podem ser rotativas, contendo um número 
variável de punções e matrizes, ou do tipo excêntrica ou alternativa, as quais se 
tornaram obsoletas por apresentarem baixo rendimento. 
Basicamente, três processos distintos são empregados na preparação do 
material a ser comprimido: 
• Granulação úmida. 
• Granulação seca. 
• Compressão direta. 
 
Independentemente do processo, este sistema particulado deve apresentar 
reologia adequada, baixa aderência e abrasividade ao ferramental e, após 
comprimido, fácil ejeção. 
 
I) Granulação por Via Úmida 
 
Processo ainda bastante utilizado na indústria farmacêutica. Baseia-se na 
obtenção de granulado a partir da adição de um agente aglutinante (3.3.2.2). 
Vantagens: 
• Produção de comprimidos com dureza e friabilidade, em geral, mais 
adequadas; 
• Permite a compressão de fármacos com elevadas concentrações na 
formulação. 
 
 
 
 
 
 
 
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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
 
Desvantagens: 
• Instabilidade de alguns fármacos (ex.: hidrolizáveis, termolábeis); 
• Tempo requerido para o processo de granulação. 
 
II) Granulação Via Seca 
 
Processo utilizado como alternativa à granulação por via úmida. Baseia-se 
na produção de granulado por intermédio da compactação dos pós (3.3.2.2). 
Vantagens: 
• Não emprega aglutinante úmido, podendo ser utilizado a fármacos 
hidrolizáveis. 
• Não é necessária a secagem, podendo ser empregada em fármacos 
termolábeis. 
• Demanda menor tempo de processo. 
 
Desvantagens: 
• O aspecto dos comprimidos é esteticamente inferior. 
• Comprimidos com friabilidade alta e dureza baixa (baixa resistência 
mecânica). 
• Necessidade de equipamento específico para compactação (compactador 
de rolo). 
 
III) Compressão Direta 
 
Processo mais moderno, tendência na indústria farmacêutica. 
Baseia-se na utilização de adjuvantes que permitem compressão direta de 
uma simples mistura de pós (eliminação da etapa de granulação). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
 
Vantagens: 
• Não emprega aglutinantes úmidos. 
• Não é necessária a secagem (ideal para compostos termolábeis). 
• Menor número de etapas do processo (menor tempo de processo). 
• Obtenção de comprimidos com bom aspecto (depende da composição). 
• Bons resultados de dissolução do fármaco. 
• Não requer equipamentos específicos. 
 
Desvantagens: 
• O custo dos excipientes ainda é mais elevado. 
• Adjuvantes para compressão direta: celulose microcristalina PH 102 e 200 
e fosfatos dibásicos de cálcio* (Emcompress® e Calstar®). 
* Obs.: incompatíveis com tetraciclina e indometacina. 
 
Etapas do processo: 
• Tamização; 
• Mistura; 
• Adição de lubrificantes; 
• Compressão. 
 
3.3.4.2 Parâmetros Físicos 
 
No controle de processo: aspectos reológicos, granulométricos* e físico-
químicos (cargas superficiais, densidade) da partícula (pó ou granulado). 
No controle de produto: dureza, friabilidade, peso médio, desintegração e 
dissolução do comprimido. 
Quanto à granulometria, obrigatoriamente comprimidos menores devem ser 
obtidos de partículas menores. Por exemplo, comprimidos menores que 5 mm 
devem utilizar partículas (tamis no 20); comprimidos de 5 a 7 mm (tamis no 16); 
comprimidos de 8 a 10 (tamis no 14) e finalmente comprimidos maiores de 11 mm 
(tamis no 12). Vide Quadro 7. 
 
 
 
 
 
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3.3.4.3 Principais Adjuvantes em Comprimidos 
 
Os ingredientes terapeuticamente inertes podem exercer influência marcante 
sobre a estabilidade do produto e a biodisponibilidade do fármaco em formas 
sólidas. 
Os principais coadjuvantes empregados na formulação de comprimidos e 
outras formas sólidas, inclusive cápsulas, são: 
 
I) Diluentes: substâncias farmacologicamente inertes, que são adicionadas 
ao princípio ativo para conferir peso e volume adequado, especialmente quando a 
quantidade é muito pequena, inviabilizando manuseio (ex.: lactose, amido, celulose 
microcristalina, manitol). 
 
II) Absorventes: são substâncias adicionadas com a finalidade de absorver 
a água de extratos, fixar certos princípios ativos voláteis e, principalmente, impedir a 
umidade na formulação (comprimidos e cápsulas) - o que comprometeria a 
estabilidade do princípio ativo ou poderia causar fragilização de comprimidos (ex.: 
aerosil®: silicato que absorve 200% de água continuando no estado seco; carbonato 
de cálcio). 
São também utilizados quando a formulação é composta por substâncias 
higroscópicas e misturas eutéticas. 
 
III) Aglutinantes: a maioria das substâncias não se pode aglomerar 
solidamente, qualquer que seja a pressão exercida sobre elas. Assim, os 
aglutinantes agem como um adesivo, conglomerando às pequenas partículas de pó 
em outras maiores, irregulares e providas de reentrâncias (compressão). 
Podem ser empregados sob a forma de pó, em solução, ou dispersos em 
solução aquosa ou alcoólica. Ex.: açúcares na forma de pós ou xaropes, pasta de 
amido (10 a 30%), gomas arábica e adraganta (10 a 20%), gelatina (4%), derivados 
de celulose, entre outros. 
 
 
 
 
 
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Hoje, existem misturas comerciais de celulose microcristalina, fosfato 
tricálcico e estearato de magnésio (Avicel® e Encompress®) que visam substituir 
aglutinantes e lubrificantes. 
Podem exercer influência marcante na desintegração do comprimido, 
opondo-se a esta. 
 
IV) Desagregantes: são substâncias que aceleram a dissolução ou a 
desagregação dos comprimidos na água ou nos líquidos do organismo. 
Normalmente são compostos que possuem grande poder de absorção de água, 
inchando-se em contato com esta, ocasionando a desintegração do comprimido. 
São exemplos de desagregantes: amido, alginatos, gelatina, derivados de celulose, 
silicatos (bentonita, Veegum®, Explotabe®), amido glicolato de sódio (Explosol®), 
croscarmelose sódica (Explocel®), entre outros. 
 
V) Lubrificantes: são substâncias que permitem um melhor escoamento do 
pó ou granulado que será comprimido. Normalmente são adicionados sobre o 
granulado, após a secagem. As suas principais ações são: 
• Diminuir a tendência do produto para aderir às punções e matrizes; 
• Reduzir a fricção entre as partículas; 
• Promover uma fácil ejeção dos comprimidos; 
• Promover, quando em excesso, a impermeabilização dos comprimidos.• Pela natureza apolar se opõe a desintegração. 
 
Quanto ao mecanismo de ação podem ser classificados em: 
• Deslizantes: talco e carbowaxes (PEG). 
• Antiaderentes: estearato de magnésio e parafinas. 
 
Outros lubrificantes incluem ácido esteárico, silicones e óleos vegetais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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VI) Molhantes: são substâncias tensoativas utilizadas para promover a 
dissolução dos fármacos no trato gastrintestinal (TGI) após a desintegração. 
Especialmente de formulações contendo excesso de lubrificantes ou 
fármacos hidrófobos, substâncias tensoativas, chamadas molhantes, as quais 
favorecem a penetração da água e dissolução. Ex: lauril sulfato de sódio, Spans® e 
Tweens®. Fármacos como: fluconazol, finasterida, azitromicina, cisaprida, 
paroxetina, atenolol, lanzoprazol, piroxicam, clorpropamida, nimesulida, mebendazol 
e extrato seco de ginseng exigem molhantes na formulação para melhor absorção. 
 
VII) Corretivos Organolépticos e Estabilizantes 
 
Corretivos 
 
Corantes: aspecto estético ou para auxiliar na visualização da eficiência da 
mistura. Ex.: eritrosina e amarelo de tartrazina. 
Edulcorantes: possuem sabor doce e são empregados para corrigir o gosto 
de uma preparação, sendo muito empregados em granulados. Ex. sacarina, 
ciclamatos e aspartame. 
Flavorizantes: complementam em geral a ação dos edulcorantes como 
corretivo organoléptico. Ex.; essências de cereja, limão, hortelã e canela. 
 
Estabilizantes 
 
Antioxidantes e conservantes são também comumente empregados para 
aumentar a estabilidade da formulação nos casos em que há risco de oxidação ou 
contaminação microbiana. 
 
3.3.5 Comprimidos Revestidos 
 
As formas sólidas revestidas podem ser de dois tipos: 
• Drágeas - revestimento com açúcar. 
 
 
 
 
 
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• Comprimidos revestidos - revestimento por película (polímeros). 
 
Vantagens: 
• Estabilidade - proteção física e química (luz, umidade, incompatibilidades, 
O2). 
• Marketing - estética (apelo visual). 
• Biodisponibilidade - controle da liberação do fármaco. 
• Organoléptica - mascarar odor / sabor desagradável. 
 
3.3.5.1 Fatores relevantes ao revestimento 
 
I) Propriedades dos Comprimidos 
 
Uma vez que na maioria dos métodos de revestimento os comprimidos são 
submetidos à rolagem, onde ocorre grande atrito entre comprimidos e/ou paredes do 
equipamento, as seguintes propriedades são essenciais: 
• Resistência mecânica (dureza e friabilidade adequada). 
• Formato esférico. 
 
II) Tipo de Revestimento 
 
As soluções de revestimento são em geral compostas por: polímeros 
formadores de película, solventes (em geral orgânicos), plastificantes e aditivos ou 
no caso de drágeas de açúcar. Quanto à espessura dos revestimentos tem-se que 
quando: 
 De açúcar várias camadas, solução aquosa. 
 Polimérico (menor número de camadas). 
 
III) Tipo de Processo 
 
Depende da metodologia e equipamentos utilizados no processo. Pode ser: 
 
 
 
 
 
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• Drageamento - aplicado às drágeas. 
• Revestimento pelicular - aplicação de película por aspersão (pode ser 
manual). 
• Revestimento por compressão - aplicação de capas a um núcleo por 
compressão. 
(O núcleo é automaticamente centrado na matriz de uma máquina rotativa, 
que já recebeu o excipiente de revestimento. Após o enchimento, há a etapa 
de compressão). 
• Revestimento por leito fluidizado - sistema moderno de aspersão. 
• Revestimento eletrostático - aplicado a substâncias condutoras (via 
aplicação de carga eletrostática forte, reveste-se substrato). 
• Revestimento por imersão - aplicação de película por imersão (pode ser 
manual). 
• Revestimento pelicular sob vácuo - substitui-se oxigênio por azoto. 
 
3.3.5.2 Drageamento 
 
Baseia-se na aplicação de sucessivas camadas de açúcar, na forma de 
xarope, à superfície dos comprimidos. Requer comprimidos lenticulares e de boa 
resistência mecânica. Caracteriza-se por ser um processo tecnologicamente 
ultrapassado, que apresenta as seguintes desvantagens: 
 
• É bastante demorado; 
• Dependente do operador (experiência); 
• Difícil validação; 
• Baixo grau de uniformidade (peso e tamanho); 
• Variação intralote e interlote; 
• Maior tempo de dissolução; 
• Não permite gravações; 
• A película formada é mais frágil. 
 
 
 
 
 
 
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Em contrapartida, o aspecto estético e a boa deglutição são fatores 
compensadores. 
O drageamento envolve várias etapas: 
 
I) Isolamento 
 
Tem a função de proteger o núcleo da umidade proveniente das etapas 
seguintes do processo: 
• Após a obtenção dos núcleos estes são levados à estufa para retirar a 
umidade residual. 
• A seguir, são colocados na bacia e deixados sob rolamento, para aparar 
possíveis arestas. 
• O isolamento é obtido aplicando-se camadas de material impermeável, 
como por exemplo, goma laca, PVP, acetato de polivinila, entre outros. O 
material geralmente é uma solução de solvente orgânico, aplicada aos 
poucos. Após um período de rolamento dos núcleos, são feitas novas 
aplicações, quantas forem necessárias. 
 
II) Sub-revestimento 
 
O objetivo, nesta fase, é dar corpo ao revestimento, tornando possível o 
“arredondamento” do comprimido. Utiliza-se nesta fase um xarope simples que é 
adicionado sempre aos poucos, alternadamente a um pó fino, misturado a um 
lubrificante, que normalmente é o talco. 
• O xarope simples pode conter cerca de 5% de goma arábica, a fim de se 
obter um revestimento mais resistente. 
• O pó mais comumente empregado é o carbonato de cálcio, com cerca de 
10 a 15% de talco, para facilitar a sua distribuição uniforme pelo lote. 
Todo o processo é realizado com a turbina em movimento e com a 
insuflação de ar quente. 
 
 
 
 
 
 
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III) Alisamento 
 
Tem a função de eliminar superfícies rugosas e irregulares. 
Utiliza-se nesta fase sucessivas aplicações de xarope simples, seguidas 
cada uma de um espaço de tempo em que a turbina se mantém em funcionamento e 
é feita a insuflação de ar quente. 
O xarope simples deve conter menor quantidade de goma arábica (~2,5%), 
a fim de permitir melhor desgaste e eficiência no alisamento. 
Nesta fase, são aplicadas em torno de oito camadas de xarope. 
 
IV) Coloração 
 
Tem finalidade apenas estética, sendo, portanto, opcional. Para tanto basta 
adicionar nas últimas camadas da fase de alisamento o corante desejado à solução 
de xarope simples. 
 
V) Polimento 
 
Tem como objetivo dar às drágeas um brilho peculiar e revesti-las com uma 
película fina impermeável, que protegerá as camadas de açúcar da umidade do ar. 
Parafina e ceras sintéticas ou naturais (ex.: cera de carnaúba) são os 
materiais utilizados neste processo, que pode ser: 
 
• A cera ou parafina é dissolvida em solvente orgânico e misturada às 
drágeas na bacia de drageamento. Posteriormente, são levadas à turbina 
de polimento e deixadas rolar, adquirindo assim o brilho final. 
• A cera ou parafina é jogada em uma turbina de drageamento, recobrindo 
o seu interior. As drágeas são colocadas nesta turbina e deixadas rolar, 
sendo então recobertas por uma película. Recebem, ao mesmo tempo, o 
polimento. 
 
 
 
 
 
 
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3.3.5.3 Revestimento Pelicular 
 
Baseia-se na aplicação de uma fina camada de solução especialmente 
formulada sobre a superfície dos comprimidos. 
• Processo tecnologicamente moderno; 
• Mais rápido; 
• Pode ser validado; 
• Não produz grandes alterações à superfície dos comprimidos; 
• Peso e tamanho dos comprimidos mais uniformes. 
 
Características 
 
Pode ser preparado em solvente aquoso (equipamento e polímeros 
especiais) ou solvente orgânico (custo, toxicidade e risco de explosão). A volatilidade 
do solvente orgânico permite melhor secagem e rápida aderência. 
 
I) Equipamentos Utilizados em Processos de Revestimento 
 
Os processos empregados podem utilizar: 
• Drageadeiras: convencionais ou perfuradas (Acelacota). 
• Leitos fluidizados. 
 
II) Materiais de Revestimento 
 
Pré-requisitos: 
• Barato; 
• Biodisponível; 
• Solúvel; 
• Produzir produtos com bom aspecto; 
• Estável e compatível; 
• Inócuo (atóxico); 
 
 
 
 
 
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• Inodoro, incolor e insípido; 
• Mecanicamente resistente (gastrorresistente quando necessário); 
• Capacidade de impressão em equipamentos de alta velocidade. 
 
Sistemas solventes: 
• Etanol / Água. 
• Acetona / Água. 
• Cloreto de Metileno / Etanol. 
• Cloreto de Metileno / Acetona. 
• Etanol / Isopropanol. 
 
Plastificantes: melhoram as características das películas, evitando trincas, 
quebras e reduzindo a temperatura de transição vítrea. Podem ser: 
• Hidrossolúveis: PEGs e glicerina. 
• Insolúveis em água: tributil citrato, óleo de rícino e acetiltrietilcitrato. 
 
Corantes: são os de uso alimentício. Exemplo: amarelo de tartrazina. 
Opacificantes: são utilizados para proporcionar revestimento branco, 
mascarar a cor do comprimido e reduzir a quantidade necessária de corante. São 
mais baratos que os corantes. Exemplo: dióxido de titânio. 
Outros componentes: aromatizantes, edulcorantes, antioxidantes, 
conservantes, tensoativos, entre outros. 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO III 
	POR FUSÃO
	VIA SECA
	(Gral ou misturador em V)

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