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Autoras: Profa. Daniela Emilena Santiago Profa. Renata Leandro Colaboradoras: Profa. Amarilis Tudella Profa. Maria Francisca S. Vignoli Profa. Tânia Sandroni Trabalho de Pesquisa em Serviço Social Professoras conteudistas: Daniela Emilena Santiago / Renata Leandro A professora Daniela Emilena Santiago é assistente social graduada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), campus de Assis/SP. Atualmente é funcionária pública do município de Quatá/SP, atuando como assistente social junto à Secretaria Municipal de Promoção Social. Exerce também a função de docente, coordenador auxiliar e líder no curso de Serviço Social da Universidade Paulista (Unip). Partindo de sua vinculação à Unip, como docente que atua do curso de Serviço Social no campus de Assis/SP, emergiu a oportunidade de seu atrelamento também ao curso de graduação de Serviço Social na modalidade SEI, prestada pela Unip Interativa, o que lhe proporcionou a oportunidade de ministrar aulas de diversas disciplinas nessa modalidade de ensino. Além dessa inserção, também ministrou, na modalidade SEPI, aulas da disciplina Política Social de Saúde no curso de pós‑graduação de Gestão em Políticas Sociais, oferecido pela Unip. A professora Renata Leandro é residente no município de Campinas/SP e graduada em Serviço Social, pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP), em 2002, com especialização em Violência Doméstica contra Criança e Adolescente, pelo Laboratório da Criança (LACRI), do Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de São Paulo (USP), em 2005. Também se especializou em Sexualidade Humana pela Faculdade de Educação (FE) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em 2009, e é pós‑graduanda em Formação em EaD, pela Unip. Atualmente, é docente na Unip de Sorocaba e consultora em Gestão Pública e Responsabilidade Social no 1º e 2º setores. Tem experiência em Gestão Social, como gestora municipal, no município de São Thomé das Letras/MG e na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, no estado do Rio de Janeiro. Atuou também em Centros de Referências de Assistência Social (CRAS) em atendimento matricial com famílias e na área de criança e adolescente e suas respectivas famílias, no município de Campinas, no Projeto Rotas Recriadas, atualmente denominado Programa Municipal de Enfrentamento à Exploração Sexual Infantojuvenil, no período de 2003 a 2007. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) S235t Santiago, Daniela Emilena. Trabalho de pesquisa em Serviço Social / Daniela Emilena Santiago, Renata Leandro. ‑ São Paulo: Editora Sol, 2020. 152 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517‑9230. 1. Projeto de Pesquisa. 2. Serviço Social. 3. Pesquisa de Campo. I. Leandro, Renata. II.Título. CDU 362 U508.51 – 20 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Profa. Dra. Marília Ancona‑Lopez Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona‑Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcello Vannini Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Deise Alcantara Carreiro – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Lucas Kater Virginia Bilatto Sumário Trabalho de Pesquisa em Serviço Social APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................8 Unidade I 1 A PESQUISA SOCIAL E A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA..............................................9 1.1 A pesquisa social: algumas aproximações ....................................................................................9 1.2 A Elaboração do projeto de pesquisa ........................................................................................... 15 1.2.1 Objetivos ..................................................................................................................................................... 22 1.2.2 Justificativa ............................................................................................................................................... 23 1.2.3 Base teórica e pressupostos conceituais e hipóteses ............................................................... 24 1.2.4 Metodologia .............................................................................................................................................. 27 1.2.5 Cronograma .............................................................................................................................................. 31 1.2.6 Estimativa de custos .............................................................................................................................. 31 1.2.7 Bibliografia ................................................................................................................................................ 32 1.2.8 Anexos ......................................................................................................................................................... 34 1.3 O processo de orientação .................................................................................................................. 34 2 A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA ...................................................................................................................... 36 2.1 O resumo e a resenha ......................................................................................................................... 37 2.2 A elaboração de fichas ....................................................................................................................... 37 3 A PESQUISA DE CAMPO................................................................................................................................ 39 3.1 Entrevista ................................................................................................................................................. 44 3.2 Discussão de grupo.............................................................................................................................. 47 3.3 História de vida ..................................................................................................................................... 48 3.4 Observação .............................................................................................................................................. 48 3.5 Questionário ........................................................................................................................................... 50 3.6 Formulário ............................................................................................................................................... 51 4 O MODELO INSTITUCIONAL DE ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE PESQUISA ............................52 Unidade II 5 O QUE É PESQUISA SOCIAL? ....................................................................................................................... 64 5.1 As ciências sociais como fundamentação teórica para construção do TCC ................ 66 5.2 Conhecimento e realidade: conceituando ................................................................................. 68 5.3 Os tipos de conhecimento ................................................................................................................ 71 5.4 O processo de observação da realidade e as ciências sociais ............................................. 73 5.5 Investigação, trabalho e produção de conhecimento ........................................................... 75 5.5.1 A investigação na prática profissional em Serviço Social ...................................................... 75 6 ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS: ENTENDENDO PASSO A PASSO ESSA ESTRUTURA DO TCC................................................................................................................................ 77 6.1 Estrutura Geral do TCC ....................................................................................................................... 78 6.2 As páginas pré‑textuais: identificação do trabalho ............................................................... 78 6.2.1 Orientações para a construção das páginas pré‑textuais: capa e folha de rosto ........ 79 6.2.2 Orientações para a construção da dedicatória e agradecimento ....................................... 80 6.2.3 Orientações para a construção do resumo, abstract, palavras‑chaves e key‑words ..80 6.2.4 Orientações para a construção das listas (ilustrações, quadros, tabelas, siglas etc.) .. 81 6.2.5 Orientações para a construção do sumário ................................................................................. 81 6.3 Organizando os conteúdos: as páginas textuais identificam o trabalho ...................... 81 6.3.1 Seu problema de pesquisa será seu guia ...................................................................................... 82 6.3.2 Orientações para a construção da introdução ........................................................................... 83 6.3.3 Orientações para a construção do desenvolvimento ............................................................... 85 6.3.4 Orientações para a construção da conclusão ............................................................................. 90 6.3.5 Orientações para a construção da bibliografia ........................................................................... 90 Unidade III 7 O QUE É METODOLOGIA E COMO UTILIZÁ‑LA NA ABORDAGEM PESQUISA? ......................... 96 7.1 O método em ciências humanas e a pesquisa social ............................................................. 98 8 OS MÉTODOS E AS TÉCNICAS DE PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL: COLETANDO DADOS E ANALISANDO‑OS .................................................................................................102 8.1 As metodologias quantitativas e qualitativas no Serviço Social ....................................102 8.2 O que é pesquisa quantitativa: características gerais e referências ..............................103 8.2.1 Instrumentos de coleta de dados em pesquisa quantitativa ..............................................109 8.2.2 Como se analisam dados quantitativos?.....................................................................................119 8.3 O que é pesquisa qualitativa: características gerais e referências .................................121 8.3.1 O Interacionismo simbólico e a Escola de Chicago ................................................................ 123 8.3.2 Sobre os instrumentos e técnicas na pesquisa qualitativa ................................................. 124 8.3.3 A história de vida e a análise documental ................................................................................ 126 8.3.4 Etapas da análise de dados em pesquisa qualitativa ............................................................ 126 8.3.5 Análise de questionários ................................................................................................................... 128 8.4 Análise e discussão dos dados ......................................................................................................129 8.5 Discussão dos dados .........................................................................................................................134 7 APRESENTAÇÃO Figura 1 – Cientista no laboratório A imagem mostrada é representativa de uma forma de compreender a pesquisa científica que foi hegemônica durante muitos anos e que só entrou em declínio no início do século XX. A partir de então, a produção de conhecimento por meio de pesquisas científicas deixou de ser compreendida como restrita ao que era percebido em laboratórios, tal como o representado. Essas possibilidades de mudança na produção do conhecimento condicionaram, alguns anos mais tarde, a produção em conhecimento no Serviço Social, estimulando, sobretudo a partir da década de 1970, a ampliação dos cursos de pós‑graduação no Brasil e dos grupos de pesquisa a eles vinculados. Nos termos postos, tivemos uma ampliação da produção científica dentro da categoria profissional. Outro fator que estimulou, a nosso ver, a ampliação das pesquisas em Serviço Social foi a produção dos Trabalhos de Conclusão de Curso, vinculados aos cursos de graduação, que cada vez mais têm alcançado significativa qualidade no sentido da produção de conhecimento. Consoante com esse novo movimento da formação dos alunos de curso de Serviço Social, em que cada vez mais são postas exigências ao padrão de qualidade da produção acadêmica dos alunos do curso, foi constituída a disciplina Trabalho de Pesquisa em Serviço Social. Essa disciplina tem como objetivos gerais: • acompanhar a execução dos objetivos e metodologia definidos; • assessorar o processo de orientação; • qualificar os pré‑projetos e acompanhar a execução das propostas definidas pelo aluno para a elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso. Assim, ofereceremos inicialmente o subsídio relacionado à elaboração do projeto de pesquisa e em seguida passaremos à discussão do Trabalho de Conclusão de Curso. Sabemos que essa disciplina será de fundamental importância para oferecer a você o respaldo que se mostra essencial para a elaboração de seu Trabalho de Conclusão de Curso. 8 Cabe destacar ainda que o Trabalho de Conclusão de Curso é uma exigência para o término de sua graduação e deve ser um trabalho que represente sua formação. Deve ainda ser escrito observando os padrões de qualidade esperados para um trabalho vinculado a um curso de graduação e, no caso do Serviço Social, precisa ainda observar o que está disposto na Lei que regulamenta a profissão de assistente social e o Código de Ética. Para que você consiga elaborar esse trabalho e esteja atento a todas as requisições que são postas pela ABNT e pelas legislações que orientam a nossa profissão, ofereceremos nessa disciplina todas as informações necessárias. Tais informações são importantes também para embasar seu projeto de pesquisa. Esperamos que, dessa forma, seja possível oferecer a você as orientações necessárias para embasar seu processo de produção do conhecimento e colaborar com a elaboração de seu projeto de pesquisa e posteriormente com seu Trabalho de Conclusão de Curso. Porém, é preciso atentar ainda para o fato de que as orientações aqui postas também podem servir de referência para estudos futuros em cursos de pós‑graduação ou mesmo para atividades acadêmicas afins, como a elaboração de artigos e resenhas para apresentação em eventos ou demais atividades correlatas. INTRODUÇÃO Enfatizaremos a questão da elaboração de projetos de pesquisa e, com tal intento, serão oferecidas orientações sobre como proceder para elaborar o projeto de pesquisa, além de inserirmostambém alguns modelos de referência, dentre os quais o modelo recomendado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Paulista (UNIP). Tendo em vista a necessidade de subsidiar a elaboração tanto do projeto de pesquisa quanto do Trabalho de Conclusão de Curso, também ofereceremos a você as orientações necessárias para se discutir a pesquisa bibliográfica e a pesquisa de campo. Cabe destacar que, no aspecto bibliográfico, forneceremos a você a formação necessária à organização do processo de produção de conhecimento por meio da utilização de dispositivos como resumo, resenha, fichamento e outros meios para sistematizar o conhecimento e fundamentar tanto o projeto de pesquisa quanto o Trabalho de Conclusão de Curso. Nesse sentido, discutiremos a organização dos conteúdos, os capítulos e também os formatos de metodologia e coleta de dados. Assim, com base nessas informações será possível que você comece a estruturar o seu Trabalho de Conclusão de Curso. 9 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Unidade I Conforme dissemos, nesta unidade vamos discutir a elaboração do projeto de pesquisa. Algumas dessas informações já foram oferecidas a você no semestre passado e serão agora retomadas. Por isso, vamos rever as informações relacionadas à elaboração do projeto de pesquisa. Também vamos discutir sobre a pesquisa bibliográfica e a pesquisa de campo e sobre o processo de orientação para a elaboração do projeto de pesquisa. Vamos então iniciar com a discussão sobre o projeto de pesquisa. 1 A PESQUISA SOCIAL E A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA 1.1 A pesquisa social: algumas aproximações Agora convidamos você a pensar sobre a pesquisa social. Esse tipo de pesquisa, comum junto às Ciências Humanas, é extremamente válido para a elaboração de pesquisas no curso de Serviço Social. Saiba mais Para aprimorar seus conhecimentos sobre as questões relacionadas à pesquisa recomendamos a leitura aos textos: MARSIGLIA, R. M. G. Orientações básicas para a pesquisa. 2006. FNEPAS. Disponível em: http://www.fnepas.org.br/pdf/servico_social_saude/texto3‑1. pdf. Acesso em: 28 jul. 2013. RAUPP, F. M.; BEUREN, I. M. Metodologia da pesquisa aplicável às ciências sociais. [s. d.]. Disponível em: http://www.unisc.br/portal/upload/ com_arquivo/metodologia_de_pesquisa_aplicavel_as_ciencias_sociais. pdf. Acesso em: 28 jul. 2013. E a visita ao site: http://www.das.ufsc.br/~andrer/ref/bibliogr/pesq/pesq1.htm. Acesso em: 28 jul. 2013. É necessária uma retomada geral sobre a pesquisa em si, sobre seus significados, suas finalidades e seus níveis, além de outras informações afins. Vejamos, então, as principais definições apontadas por Gil (1999), Minayo (1999) e demais teóricos. Gil (1999) nos diz que a pesquisa é um processo formal e sistemático para alcançar o conhecimento e assim torna‑se um método científico para a produção de novos conceitos ou conteúdos. Dessa forma, o objetivo 10 Unidade I fundamental da pesquisa seria “descobrir as respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos” (op. cit., p. 42), ou seja, é um processo de conhecimento, mas que só se torna possível por meio do emprego de métodos científicos ou procedimentos científicos. Portanto, a realização da pesquisa demanda essencialmente um planejamento e uma organização prévia de como irá acontecer o processo. Ruiz (1996), complementando as explicações, nos diz que devemos compreender a pesquisa como a: realização concreta de uma investigação planejada, desenvolvida e redigida de acordo com as normas de metodologia consagradas pela ciência. É o método de abordagem de um problema de estudo que caracteriza o aspecto científico de uma pesquisa (op. cit., p. 48). Mesmo que em Ciências Humanas atualmente não seja necessário comprovar cientificamente as informações obtidas por meio da pesquisa, esta deve acontecer de forma planejada, programada previamente e pautada em normas científicas, ou seja, em aspectos previamente delimitados que permitam a realização da pesquisa. Gil ainda nos diz que atualmente tem sido usada a denominação pesquisa social para delimitar uma área da pesquisa que se ocupa especificamente de identificar aspectos relacionados à realidade social, ou, nos termos do autor, “pode‑se, portanto, definir pesquisa social como o processo que, utilizando a metodologia científica, permite a obtenção de novos conhecimentos no campo da realidade social” (GIL, 1999, p. 42). Setubal (2011) aponta que esse “tipo” de pesquisa é o que tem sido mais usado no âmbito do Serviço Social. Ainda sobre esse tipo de pesquisa, Gil coloca que podemos ter finalidades diferenciadas, a depender do tipo de pesquisa desenvolvido, e que a pesquisa pode ter uma finalidade intelectual, pura ou aplicada. A pesquisa com finalidade intelectual é tida pelo autor como aquela que tem como motivação o desejo de se conhecer a realidade e motivar ações. Já a pesquisa pura busca estimular o desenvolvimento da ciência, do conhecimento. Nessa modalidade, a pesquisa não teria, segundo o autor, intenção de promover consequências práticas. A pesquisa aplicada, porém, é aquela realizada com o objetivo de motivar uma ação, uma intervenção, uma aplicação ou, como nos diz Gil (1999, p. 43), “tem como característica fundamental o interesse na aplicação, utilização e consequências práticas dos conhecimentos” e seu interesse está voltado à “aplicação imediata numa realidade circunstancial”. Antes de tratarmos dos níveis de pesquisa, de acordo com as orientações de Gil (1999), veja a imagem a seguir em que as informações sobre as finalidades da pesquisa estão sistematizadas para facilitar sua compreensão. Quadro 1 - Sistematização das finalidades da pesquisa Intelectual • Desejo de conhecer • Motivação para a ação Pura • Progresso da Ciência • Sem preocupação com a aplicação Aplicada • Interesse na aplicação • Aplicação junto a uma realidade circunstancial 11 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Gil (1999) nos indica os seguintes níveis de pesquisa social: pesquisas exploratórias, pesquisas descritivas e pesquisas explicativas. As pesquisas exploratórias se caracterizam por desenvolver e esclarecer conceitos. Também permitem o aprofundamento e a reflexão de ideias sobre determinados fenômenos. Essas pesquisas demandam planejamento, porém, esse planejamento não precisa acontecer de forma rígida demais. Geralmente são respaldadas pelo levantamento bibliográfico e documental, pela realização de entrevistas não padronizadas e por estudos de casos, ou seja, por meio de aproximações à realidade que se busca pesquisar. Essas aproximações são viabilizadas por meio de uma série de procedimentos dentre os quais se destacam as pesquisas por amostragem e outras técnicas qualitativas que viabilizem a coleta de dados. Para o autor, esse tipo de pesquisa é utilizado quando o assunto ainda não é muito conhecido. Em outras circunstâncias, essa modalidade de pesquisa é também utilizada como uma etapa inicial de um conhecimento mais amplo. Dessa forma, torna‑se uma investigação inicial, mas que poderá resultar no esclarecimento de determinados conceitos. As pesquisas descritivas, por sua vez, destinam‑se a descrever características específicas de determinados aspectos, dentre os quais se destacam especificidades de uma determinada população, de um fenômeno específico ou então de estabelecimento de situações específicas. Essas pesquisas podem ainda buscar estudar as especificidades de um grupo. Nessas pesquisas, são usadas técnicas padronizadas para a coleta de dados, e a motivação para sua realização está na possibilidade de ação. Segundo Gil (1999), são as pesquisas mais requeridas por instituições educacionais, empresas comerciais e por partidos políticos. Já as pesquisas explicativas estão orientadas a identificar e explicar os fatores que determinam certos fenômenos próximos da realidade. De acordo com Gil, esse seria o tipo de pesquisa em que temos uma maior aproximação à realidade e que,em decorrência disso, é o tipo de pesquisa mais complexo e delicado e no qual se demanda, portanto, maior atenção aos procedimentos a serem realizados. Gil nos diz ainda que essas pesquisas estão assentadas no método experimental, ou seja, na observação dos fenômenos sobre os quais se deseja imprimir a pesquisa. Veja a seguir a sistematização dos níveis que encontramos nas pesquisas de natureza social, segundo Gil (1999): Quadro 2 - Sistematização dos níveis da pesquisa Exploratórias • Esclarecer conceitos • Menor rigidez de planejamento, mas pautada em instrumentais específicos Descritivas • Descrição de fenômenos e do seu estabelecimento • Utilização de técnicas padronizadas Explicativas • Identifica fatores que explicam os fenômenos • Mais próximas da realidade Ou seja, são tipologias construídas com a finalidade de delimitar as diferentes possibilidades de organização da pesquisa social. Você pode até se perguntar, considerando seu projeto de pesquisa e o seu tema escolhido, a qual formato de pesquisa irá recorrer. 12 Unidade I Derivando em partes da concepção de Gil, Ruiz (1996) indica espécies de pesquisa a exploratória, e ainda indica as pesquisas teórica e aplicada. Para o autor, essas seriam as espécies de pesquisa possíveis. Também para Gil (1999) a pesquisa exploratória é aquela modalidade em que é elaborada uma classificação inicial do problema, sendo que nessa pesquisa não temos a resolução de problemas, mas sim uma aproximação ao objeto de estudo. Vamos estudar a pesquisa teórica no item 2 dessa unidade, quando discutiremos a pesquisa bibliográfica. Já a pesquisa aplicada, também para Ruiz, demanda uma maior rigidez na delimitação de procedimentos a serem adotados para a produção do conhecimento, mas o autor não indica a necessidade de esse conhecimento ser colocado em prática, diferindo assim das considerações propostas por Gil. Lembrete Para Gil (1999) a pesquisa aplicada se destina a promover uma ação. Ruiz ainda nos diz que há como espécies de pesquisa a de campo e a de laboratório. Estudaremos a pesquisa de campo no item 3. A de laboratório se desenvolve como um processo coordenado de produção do conhecimento. Essa espécie acontece em ambientes onde as variáveis podem ser controladas. Porém, para o autor, a de laboratório não deve acontecer sem a pesquisa prévia bibliográfica sobre o assunto em questão. A nosso ver esse é o tipo de pesquisa menos usado em Serviço Social. Cervo e Bervian (1996) também derivam em grande parte das colocações dos autores mencionados. Também indicam a pesquisa bibliográfica, a pesquisa descritiva e a pesquisa experimental, assim como o que é proposto por Gil (1999). Conforme já salientamos, estudaremos a pesquisa bibliográfica no item 2 deste livro‑texto. Vamos então indicar como Cervo e Bervian compreendem a pesquisa descritiva e experimental. De acordo com os autores, a pesquisa descritiva é aquela que observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá‑los. Procura descobrir, com a precisão possível a frequência com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros, sua natureza e características (CERVO; BERVIAN, 1996, p. 49). Nas Ciências Humanas e Sociais, a pesquisa descritiva é mais comum e é relacionada aos fenômenos sociais que influenciam a vida em sociedade em determinados momentos históricos. Em decorrência disso, a pesquisa pode acontecer por meio de estudos exploratórios, estudos descritivos, pesquisas de opinião, pesquisas de motivação e também pesquisa documental. Os estudos exploratórios podem ser entendidos como o passo inicial no processo de pesquisa. Nesse momento, busca‑se apenas ampliar as informações sobre determinados assuntos que serão tratados durante o desenvolvimento da pesquisa. “Tais estudos têm por objetivo familiarizar‑se com o fenômeno ou obter nova percepção do mesmo e descobrir novas ideias” (CERVO; BERVIAN, 1996, p. 49). Para essa aproximação ao fenômeno, o estudo exploratório deve realizar descrições detalhadas sobre o fenômeno observado. Portanto, esse tipo de estudo é recomendado quando o objeto estudado é um assunto com poucas informações. Apesar disso, essa pesquisa demanda um planejamento bastante flexível. 13 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Os estudos descritivos seriam aqueles em que temos a “descrição das características, propriedades ou relações existentes na comunidade, grupo ou realidade pesquisada” (CERVO; BERVIAN, 1996, p. 50). Esses estudos também permitem uma maior compreensão. A pesquisa de opinião, como o próprio nome sugere, procurar identificar atitudes e opiniões das pessoas sobre determinados assuntos e pode abranger um grande número de pessoas. Derivando desse formato, temos as pesquisas de motivação, que também englobam grande parcela da população, mas, nesse caso, as pesquisas serão orientadas para identificar razões inconscientes que motivam as pessoas a consumir determinados produtos. Cervo e Bervian (1996) ainda nos falam a respeito do estudo de caso e da pesquisa documental. No sentido posto, o estudo de caso é descrito como “a pesquisa sobre um determinado indivíduo, família, grupo ou comunidade para examinar aspectos variados de sua vida”. Já a pesquisa documental faz menção à necessidade de serem “investigados documentos a fim de se poder descrever e comparar usos, costumes, tendências, diferenças e outras características” (op. cit., p. 50). A pesquisa experimental é aquela que caracteriza‑se por manipular diretamente variáveis relacionadas com o objeto de estudo. Nesse tipo de pesquisa, a manipulação das variáveis proporciona o estudo da relação entre causas e efeitos de um determinado fenômeno. Através da criação de situações de controle, procura‑se evitar a interferência de variáveis intervenientes. Interfere‑se diretamente na realidade, manipulando‑se a variável independente a fim de observar o que acontece com a dependente (CERVO; BERVIAN, 1996, p. 51). Essas seriam as principais diferenciações dos tipos de pesquisa, recorrendo aos teóricos aqui sumariados, que são, atualmente, referência no estudo em pesquisa. Para colaborar com a apreensão dos conteúdos tratados até o presente momento pelos diversos autores que estudamos, veja a imagem a seguir: Quadro 3 – Sistematização dos autores e formatos de pesquisa Gil • Pesquisas exploratórias, descritivas e explicativas Ruiz • Pesquisas exploratórias, teóricas, aplicadas, de campo e de laboratório Cervo, Bervian • Pesquisas bibliográficas, descritivas, experimentais Esperamos que esse breve levantamento sobre os tipos de pesquisa permita a você a retomada sobre os aspectos aqui tratados. Por meio desses estudos, será possível então tratarmos da elaboração de projetos de pesquisa. Antes de iniciarmos nossa retomada sobre o projeto de pesquisa, veja o exemplo a seguir, que reproduz informações sobre um colóquio em que vários grupos de pesquisa trazem para o debate parte dos resultados de pesquisas desenvolvidas junto a Universidades. 14 Unidade I Faculdade de Serviço Social promove 2º Colóquio Nacional Continuam abertas as inscrições para o 2º Colóquio Nacional Sobre o Trabalho do Assistente Social, a ser realizado entre os dias 31 de julho e 2 de agosto, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). No evento, serão expostos cerca de 30 trabalhos com foco no trabalho do assistente social. O evento faz parte de um projeto integrado entre os programas de pós‑graduação em Serviço Social da Ufal e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC‑SP), que abriga a comissão coordenadora das pesquisas. “Na Ufal, atuam três grupos de pesquisa com o foco no trabalho do assistente social. Ao todo existem 11 docentes e vários alunos de pesquisa e pós‑graduação desenvolvendo pesquisas nas três instituições”, relata Rosa Predes, coordenadora do projeto. Conforme a professora, o projeto tem uma duração de quatro anos e vai até 2015. Ele é compostopor intercâmbios de estudantes entre as instituições e missões de estudos dos docentes, que circulam entre as universidades parceiras, mas todos os eventos serão concentrados na universidade alagoana. “O evento desse porte é importante para a consolidação da nossa pós‑graduação, pois ele tem abrangência nacional. Para esse colóquio houve 50 inscritos de várias instituições, dos quais foram selecionados cerca de 30”, acrescenta Rosa. Programação O evento inicia as 8h30 do dia 31, com abertura, seguido da mesa‑redonda “Espaços sócio‑ocupacionais e tendências do mercado de trabalho do Serviço Social no contexto de reconfiguração das políticas sociais no Brasil: produção científica dos grupos de pesquisa. As atividades acontecerão no Auditório do antigo Csau, no Campus A. C. Simões. Outros temas, como Reestruturação produtiva, reforma do Estado e das políticas sociais e o trabalho do assistente social; Espaços sócio‑ocupacionais do Serviço Social e mercado de trabalho, além das atribuições e competências profissionais do assistente social farão parte das discussões. O colóquio é voltado para assistentes sociais, docentes, pós‑graduandos, supervisores de campo, conselheiros do Conselho Regional de Serviço Social (Cress), participantes dos grupos de pesquisa, preceptores do PET Saúde, estudantes de graduação e estagiários. Fonte: ASCOM, 2013. 15 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Considerando esse exemplo, reflita sobre a importância desses eventos para a divulgação das Considerando esse exemplo, reflita sobre a importância desses eventos para a divulgação das pesquisas e da produção de conhecimentos a essas pesquisas vinculadas.pesquisas e da produção de conhecimentos a essas pesquisas vinculadas. Na sequência vamos voltar o nosso olhar para a elaboração projeto de pesquisa. 1.2 A Elaboração do projeto de pesquisa Convidamos você agora a pensar conosco sobre a elaboração do projeto de pesquisa, que é o documento que irá nos orientar no processo de produção de conhecimento. Neste item buscamos apresentar a você importantes informações sobre esse documento tão relevante ao planejamento da pesquisa. Saiba mais Recomendamos a consulta aos arquivos a seguir, nos quais temos exemplos de manuais elaborados por faculdades para orientar os alunos na elaboração de projetos de pesquisa: OLIVEIRA, R. M. Roteiro para elaboração de projeto de pesquisa. Barcelona: UNIPAC, 2002. Disponível em: http://unipaclafaiete.edu.br/portal/attachments/ article/152/roteiro_elaboracao_pesquisa2012‑2.pdf. Acesso em: 28 jul. 2013. GRAF, A. V. (org.). Manual para elaboração do projeto de pesquisa das Faculdades Integradas Itapetininga. Itapetininga: Fundação Karnig Bazarian, 2012. Disponível em: http://www.fkb.br/userfiles/file/Manual%20para%20 Elabora%C3%A7%C3%A3o%20do%20Projeto%20de%20Pesquisa%20 das%20Faculdades%20Integradas%20de%20Itapetininga22222.pdf. Acesso em: 28 jul. 2013. E, no arquivo a seguir, temos um exemplo de relatório de uma pesquisa já realizada: LOVATTO, J. (org.). Relatório final de pesquisa. Porto Alegre: Fundação Irmão José Otão. Disponível em: http://www.fijo.org.br/docs/Relatorio_ Final_Avaliacao_Recursos.pdf. Acesso em: 28 jul. 2013. Pensar ou repensar a elaboração do projeto de pesquisa é fundamental para o desenvolvimento das pesquisas científicas. Nesse item, vamos nos reaproximar dos aspectos que devem compor um projeto de pesquisa bem elaborado. Esse projeto será importante para orientar a realização do Trabalho de Conclusão de Curso. 16 Unidade I Observação O projeto de pesquisa é um instrumento que orienta a realização da pesquisa científica. Minayo (1999) nos diz que é por meio do projeto de pesquisa que se torna possível definir o objeto de conhecimento científico, bem como as formas que serão utilizadas para investigá‑lo. Estamos definindo uma cartografia de escolhas para abordar a realidade (o que pesquisar, como, por quê). Esta etapa de reconstrução da realidade, entendida aí como a definição de um objeto de conhecimento científico e as maneiras para investigá‑lo (op. cit., p. 34). Ou seja, é uma espécie de mapa que deverá guiar o pesquisador na realização de seu trabalho científico, no nosso caso, no Trabalho de Conclusão de Curso. Esse mapeamento, nos termos de Minayo, colabora ainda para evitar os possíveis imprevistos na realização da pesquisa científica. Para a autora, a importância do projeto de pesquisa não se esgota na definição, para o pesquisador, do caminho a ser seguido na pesquisa. É um instrumento que comunica à comunidade científica os objetivos da pesquisa. Ou seja, quando o aluno de graduação elabora seu projeto de pesquisa, está dizendo aos docentes, discentes e demais interessados como pretende realizar sua pesquisa. Nesse sentido, o projeto de pesquisa pode ser um meio para se obter financiamento de determinados órgãos que custeiam pesquisas científicas. Minayo (1999) nos diz que o projeto de pesquisa é influenciado por três dimensões: a técnica, a ideológica e a científica. Assim, todos os projetos trazem essas dimensões implícitas em seus conteúdos, mesmo que nem sempre isso apareça nos projetos de forma dividida, setorizada. A dimensão técnica, segundo a autora, faz acepção a regras conhecidas como científicas e que devem ser observadas na construção dos projetos. Essas regras devem permitir que se delimite o objeto da pesquisa e tornar claro como abordar tal objeto. Indicam os instrumentais que serão utilizados com tal finalidade. Sendo que a técnica sempre diz respeito à montagem de instrumentos, “o projeto de pesquisa é visto neste sentido como um instrumento da investigação” (MINAYO, 1999, p. 34). A dimensão ideológica, por sua vez está subjugada às escolhas teóricas que o pesquisador faz. De tal maneira, é influenciada tanto pelas escolhas teóricas do pesquisador como por seus valores ideológicos. Essa dimensão comporta assim valores ideológicos e a fundamentação teórica. Nesse sentido, para a autora, não há neutralidade científica, ou seja, as pesquisas são influenciadas pelas escolhas dos pesquisadores, por suas opções e não são imunes a essa influência. O projeto de pesquisa é histórico e socialmente condicionado. É influenciado pelo meio cultural, social e econômico e, portanto, está relacionado a grupos, instituições, comunidades ou ideologias aos quais o pesquisador estiver vinculado (MINAYO, 1999). 17 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Já a dimensão científica é a responsável por articular as duas dimensões anteriores. Isso significa que houve uma junção da técnica que será utilizada no projeto de pesquisa e as teorias e ideologias do pesquisador. Por isso, para se alcançar a dimensão científica é necessária a superação do senso comum, já que o domínio das técnicas e da teoria demanda estudo, dedicação e ir além do conhecimento aparente. É na dimensão científica que se torna possível a reconstrução da realidade, observada a partir de um processo científico de categorização, e que temos a união da realidade empírica e do conhecimento teórico. Essa dimensão, segundo Minayo (1999), viabiliza o acesso ao conhecimento. Todas essas dimensões são importantes e são inter‑relacionadas e interdependentes. Assim, são complementares e de forma associada colaboram para a elaboração de um projeto de pesquisa de qualidade. Veja, na representação a seguir, uma demonstração dessa relação dialética estabelecida entre as dimensões postas. Dimensão técnica Dimensão científica Dimensão ideológica Projeto de pesquisa Figura 2 – As dimensões do projeto de pesquisa Além das dimensões, a autora nos diz que um bom projeto de pesquisa deve responder às seguintes perguntas: • o que pesquisar? (Definição do problema, hipóteses, base teórica e conceitual); • por que pesquisar? (Justificativa da escolha do problema); • para que pesquisar? (Propósitos do estudo, seus objetivos); • como pesquisar? (Metodologia); • quando pesquisar?(Cronograma de execução); • com que recursos? (Orçamento); • pesquisado por quem? (Equipe de trabalho, pesquisadores, coordenadores, orientadores) (MINAYO, 1999, p. 36). Vamos explicar com riqueza de detalhes o que deve ser posto em cada um desses itens, a começar pela definição do problema, que deve nos dizer sobre o que pesquisar. A autora nos diz que esse momento inicial é o mais difícil da pesquisa, sobretudo para alunos de graduação, e que nele é possível 18 Unidade I definir o tema da pesquisa ou escolher o problema que a pesquisa pretende responder ou resolver. É o momento de delimitação do objeto da pesquisa. Gil (1999) diz que toda pesquisa só tem início quando o pesquisador se depara com algum problema a ser resolvido. O problema é descrito pelo autor como “qualquer questão não resolvida e que é objeto de discussão, em qualquer domínio do conhecimento (op. cit., p. 49). Como tal, deve ser apreendido por meio de métodos científicos de compreensão da realidade e demanda observação do fenômeno além da manipulação de variáveis que nos permitam o conhecimento de nosso problema. Para identificarmos o problema a que queremos responder, é necessária uma delimitação inicial um pouco mais ampla e posteriormente fazer um recorte mais específico e concreto sobre o assunto. Temos assim que definir a área geral de interesse e em seguida delimitar especificamente sob quais aspectos iremos nos ater no projeto de pesquisa em questão. Nessa delimitação, precisamos orientar nosso enfoque sobre o tema em um formato individualizado e específico (MINAYO, 1999). A autora nos apresenta como exemplo um interesse em estudar a violência conjugal, o que é uma delimitação ampla, geral. Partindo dessa delimitação, define‑se que, dentro das inúmeras possibilidades de investigação que o tema nos sugere, o nosso interesse será conhecer qual é a representação que as mulheres agredidas possuem sobre esse fenômeno. Esta é uma delimitação específica que pode resultar no seguinte objeto de pesquisa: “a representação sobre espancamentos elaborada a partir de mulheres maltratadas por seus esposos ou companheiros” (op. cit., p. 38). Exemplo de aplicação Exemplo de aplicação Pensando no seu projeto de pesquisa, delimite o tema geral e o tema específico. Se você já fez essa Pensando no seu projeto de pesquisa, delimite o tema geral e o tema específico. Se você já fez essa delimitação, refaça‑a para verificar se o objeto está ou não bem delimitado.delimitação, refaça‑a para verificar se o objeto está ou não bem delimitado. Essa aproximação ao tema é provisória, posto que poderá ser alterada no decurso da elaboração do projeto de pesquisa e à medida que o pesquisador vai amadurecendo intelectualmente. Portanto, é importante na delimitação do problema o conhecimento teórico e um aprofundamento sobre o tema. É importante também uma descrição com base nas informações obtidas sobre o problema estudado. Minayo nos diz ainda que, para saber se um problema merece ou não uma pesquisa, precisamos tentar responder as seguintes perguntas: a) Trata‑se de um problema original? b) O problema é relevante? c) Ainda que seja “interessante”, é adequado para mim? d) Tenho hoje possibilidades reais para executar tal estudo? e) Existem recursos financeiros para a investigação deste tema? f) Terei tempo suficiente para investigar tal questão? (MINAYO, 1999, p. 39). 19 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Respondendo a essas perguntas podemos delimitar nosso tema de pesquisa e assim construir o projeto de pesquisa. Um problema precisa ser original, ou seja, não há sentido em fazer uma pesquisa de temas que já foram esgotados e aos quais não há nada mais a acrescentar. Isso nos dirá assim se temos um problema relevante ou não. Sendo relevante, é interessante para uma pesquisa e para o pesquisador, mas deve‑se avaliar se este tem aptidão para realizar esse tipo de pesquisa. Muitas vezes, as pesquisas são originais e relevantes, mas o pesquisador está em um dado momento de sua vida que o impede de realizá‑la. Portanto, a escolha do problema também passa pela avaliação das possibilidades que de o pesquisador realizar a pesquisa. Nesse aspecto, é também importante pontuar se o pesquisador terá tempo disponível para a realização da pesquisa a que se propõe. Também é importante avaliar se a pesquisa vai demandar recursos financeiros. Gil (1999) ainda nos indica que a escolha do problema pode também ser pautada em outras perguntas, sendo elas: “por que pesquisar? Qual a importância do fenômeno a ser pesquisado? Que pessoas ou grupos se beneficiarão com seus resultados?” (op. cit., p. 50). De forma que, além das colocações postas anteriormente por Minayo (1999), também podemos usar essas perguntas propostas por Gil (1999) para definir se o nosso problema é relevante para motivar a realização da pesquisa ou não. Mas Gil nos diz que, para delimitar o nosso problema de pesquisa e assim definir nosso objeto de estudo, precisamos nos pautar em alguns aspectos, além das perguntas elencadas, dentre os quais: relevância, oportunidade, comprometimento e modismo. Gil nos diz que a relevância deve ser pautada em uma ponderação: o tema trará benefícios em termos científicos e em termos práticos? Os termos científicos são descritos pelo autor como a possibilidade de a pesquisa possibilitar a obtenção de novos conhecimentos sobre o tema que se pretende estudar. Assim, é necessária a realização de um estudo bibliográfico sobre o que se deseja pesquisar e então deliberar se a pesquisa proposta vai colaborar com a produção do conhecimento. Por meio do levantamento da bibliografia relacionada ao tema o pesquisador está entrando em contato com as pesquisas já realizadas, verificando quais os problemas que não foram pesquisados, quais os que não o foram adequadamente e quais os que vêm recebendo respostas contraditórias (GIL, 1999, p. 51). De acordo com Gil, a relevância prática está relacionada aos benefícios sociais que poderão ser alcançados a partir da realização da pesquisa, sendo que tais benefícios podem ser direcionados a quem propôs a pesquisa. Assim sendo, órgãos estatais ou privados que têm interesse em desnudar uma determinada realidade podem ser beneficiados com os resultados obtidos pela pesquisa. A relevância prática também está direcionada aos valores de uma determinada sociedade; de acordo com os valores sociais assumidos por esta, a pesquisa pode ser considerada relevante ou não. Além disso, a relevância também está orientada aos valores de quem julga o projeto, que por sua vez está também ancorado nos princípios que regem a sociedade em determinados momentos históricos. Isso posto, “o que pode ser relevante para um pode não ser para outro” (1999, p. 51). Para delimitar se uma pesquisa possui relevância prática, Gil indica algumas questões de referência sendo tais: “qual a relevância do estudo para determinada sociedade? Quem se beneficiará com a resolução do problema? Quais são as consequências sociais do estudo?” (1999, p. 51). Respondendo a essas perguntas será possível mensurar se uma pesquisa é importante ou não. 20 Unidade I Além da relevância, Gil ainda indica que a delimitação do problema deve se pautar na questão da oportunidade. Isso significa que muitas vezes escolhemos um tema porque temos condições que facilitam a realização a pesquisa. Precisamos, então, avaliar se teremos condições de realizar a pesquisa, ou seja, se teremos oportunidade de realizá‑la ou não. Nesse processo, deve‑se considerar ainda se haverá financiamento para a pesquisa ou se alguma instituição irá conceder condições materiais e assim sucessivamente. Gil também diz que é fundamental que exista o comprometimento do pesquisador com seu estudo, caso contrário será extremamente difícil delimitar o tema e realizar a pesquisa. E, em relação ao modismo, o autor nos indica que muitos temas são escolhidos por impulso, por estarem sendo discutidos na sociedade naquele momento. Para ele,é necessário tomar cuidado com essa postura, evitando assim a escolha de um problema que não seja tão relevante e com o qual o pesquisador não esteja tão comprometido como deveria. A fim de clarificar a elaboração do problema, Gil nos indica algumas regras de orientação: a) O problema deve ser formulado como uma pergunta. Este procedimento facilita a identificação do que efetivamente se deseja pesquisar [...] b) O problema deve ser delimitado a uma dimensão viável. Frequentemente o problema é formulado de maneira tão ampla que se torna impraticável chegar a uma solução satisfatória. Nem todos os aspectos do problema podem ser pesquisados simultaneamente. Torna‑se necessário, portanto, reduzir a tarefa a um aspecto que possa ser tratado em um único estudo, ou dividido em subquestões que possam ser tratadas em estudos separados [...] c) O problema deve ter clareza. Os termos utilizados devem ser claros, deixando explicito o significado com que estão sendo utilizados [...] d) O problema deve ser preciso. Embora com significado esclarecido, nem sempre os termos apresentados na formulação do problema deixam claros os limites de sua aplicabilidade [...] e) O problema deve apresentar referências empíricas [...] (GIL, 1999, p. 54). Tendo sido realizada a delimitação do tema, do problema, podemos então passar à elaboração do projeto. Temos uma série de modelos que podem ser usados como referência à elaboração de projetos, mas aqui vamos nos respaldar no modelo proposto por Minayo (1999) e por Lakatos e Marconi (1991). 21 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Minayo (1999) nos diz que o projeto de pesquisa deve conter os seguintes itens: a) Delimitação do problema. b) Objetivos. c) Justificativa. d) Base teórica e pressupostos conceituais e hipóteses. e) Metodologia. f) Cronograma. g) Estimativa de custos. h) Bibliografia. i) Anexos. Já para Lakatos e Marconi (1991), o projeto precisa ser composto tomando como base os itens: a) Apresentação. b) Objetivo, composto por tema, delimitação do tema, objetivo geral e objetivos específicos. c) Justificativa. d) Objeto, composto por problema, hipótese básica, hipóteses secundárias e variáveis; e) Metodologia. f) Embasamento teórico. g) Cronograma. h) Orçamento. i) Bibliografia. Como é possível notar, os modelos apresentados são extremamente parecidos, sendo a maior diferença a disposição dos itens. O quadro a seguir deixa mais clara essa diferença: 22 Unidade I Quadro 4 – Modelos propostos para elaboração de projetos de pesquisa Modelo de Minayo Modelo de Lakatos e Marconi a) Delimitação do problema; b) Objetivos; c) Justificativa; d) Base teórica e pressupostos conceituais e hipóteses; e) Metodologia; f) Cronograma; g) Estimativa de custos; h) Bibliografia; i) Anexos. a) Apresentação; b) Objetivo, composto por tema, delimitação do tema, objetivo geral e objetivos específicos; c) Justificativa; d) Objeto, composto por problema, hipótese básica, hipóteses secundárias e variáveis; e) Metodologia; f) Embasamento teórico; g) Cronograma; h) Orçamento; i) Bibliografia. Como os modelos são muito parecidos, vamos optar pelo modelo de Minayo, por ser o mais atual e ainda por ser o que mais tem sido usado na academia. Vamos assim identificar os tópicos em questão, excluindo apenas a delimitação do problema, posto que já estudamos esse assunto. Vamos assim detalhar o que cada item do projeto deve conter, recorrendo tanto a Minayo como a outros teóricos afins. 1.2.1 Objetivos Para Minayo (1999), o objetivo é o item em que se deve fazer menção ao que pretendemos alcançar a partir da realização da pesquisa. Dessa maneira, precisamos indicar o “que é pretendido com a pesquisa, que metas almejamos alcançar ao término da investigação” (op. cit., p. 42). Para a autora, devemos elaborar objetivos que poderão ser posteriormente alcançados com a nossa pesquisa. Portanto, nosso objetivo precisa estar essencialmente relacionado ao tema de nosso estudo. Normalmente, é elaborado um objetivo geral e outros objetivos específicos. No objetivo geral, são tratadas as dimensões mais amplas que a pesquisa pretende alcançar durante seu desenvolvimento, ao passo que nos objetivos específicos devem ser postas as particularidades que pretendemos alcançar a partir da realização da pesquisa. Esses objetivos também precisam estar relacionados. Minayo ainda recomenda que os objetivos sejam iniciados com verbos no infinitivo sendo esse um padrão comum nos projetos de pesquisa. Para demonstrar a aplicabilidade da elaboração de objetivos, Minayo indica os seguintes exemplos: “analisar os fatores que desencadeiam ou predispõem a agressão de maridos contra suas companheiras” ou “conhecer as opiniões das mulheres maltratadas por maridos sobre a violência por elas sofrida” (1999, p. 42), derivando do problema elencado pela autora. Já Lakatos e Marconi (1991) nos dizem que o objetivo deve ser o item em que responderemos às questões: para quê? e para quem? (op. cit., p. 218), e também indicam a necessidade de elaboração de um objetivo geral e de objetivos específicos. As autoras colocam que o objetivo geral deve ser aquele em que oferecemos uma visão ampla do que pretendemos alcançar com o tema de nossa pesquisa. Para a elaboração desse objetivo, é preciso que sejam observados com especial atenção o tema de estudo e 23 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL os fenômenos e os eventos relacionados a ele. O objetivo geral precisa estar relacionado ao significado da pesquisa proposta no projeto. Os objetivos específicos, por sua vez, devem estar vinculados ao geral e indicar quais serão os esforços necessários para se alcançar o que foi posto no objetivo geral. Esses apresentam um caráter concreto, porque são os responsáveis pela implementação da pesquisa. “Têm função intermediária e instrumental, permitindo, de um lado, atingir o objetivo geral e, de outro, aplicá‑lo a situações particulares” (op. cit., p. 219). 1.2.2 Justificativa Minayo (1999) nos diz que a justificativa é o campo em que devemos indicar a relevância da pesquisa que pretendemos realizar. Em outras palavras, é o campo do projeto em que precisamos explicar por que tal pesquisa deverá ser empreendida. Segundo a autora, a elaboração da justificativa pode ter como base as respostas a três perguntas: “quais motivos a justificam? Que contribuições para a compreensão, intervenção ou solução para o problema trará a realização de tal pesquisa? (op. cit., p. 42). Na justificativa, é necessário destacar a relevância intelectual e prática que será alcançada pela pesquisa. Essas informações podem ser extraídas dos dados obtidos na delimitação do problema. Também é importante indicar a experiência do investigador no processo de elaboração da pesquisa. Já Lakatos e Marconi (1991) colocam que devemos oferecer respostas ao porquê de se realizar a pesquisa, o que motivaria sua realização. As autoras ainda nos dizem que a justificativa deve estar respaldada nos seguintes itens: o estágio em que se encontra a teoria respeitante ao tema; as contribuições teóricas que a pesquisa pode trazer: ‑ confirmação geral; ‑ confirmação na sociedade particular em que se insere a pesquisa; ‑ especificação para casos particulares; ‑ clarificação da teoria; ‑ resolução de pontos obscuros etc.; ‑ importância do tema do ponto de vista geral; ‑ importância do tema para os casos particulares em questão; ‑ possibilidade de sugerir modificações no âmbito da realidade abarcada pelo tema proposto; ‑ descoberta de soluções para casos gerais e/ou particulares etc. (LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 219). 24 Unidade I Todos esses aspectos precisam ser suficientemente discutidos na elaboração de uma justificativa, já que, por meio dela, será possível deixar claro quais informações possuímos sobre o tema estudado, além de discutirmos sobre a importância do tema e a possibilidade que este tem em provocar mudanças na realidade posta. Apesar de demandar uma exposiçãogeral sobre o tema, segundo Lakatos e Marconi, na justificativa não é necessária e nem recomendada a utilização de citações de autores. A justificativa também deve destacar a importância que o conhecimento a ser produzido poderá ter junto à realidade. Demanda, segundo Lakatos e Marconi (1991), que o pesquisador possua capacidade de convencer o leitor em sua argumentação. Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Avaliando seu projeto de pesquisa, é possível considerar que sua justificativa atende às orientações Avaliando seu projeto de pesquisa, é possível considerar que sua justificativa atende às orientações postas? Argumente.postas? Argumente. 1.2.3 Base teórica e pressupostos conceituais e hipóteses Minayo nos diz que é nesse espaço que devemos delinear as bases que irão oferecer sustentação para o projeto de pesquisa e para a realização da pesquisa em si. Para a autora, trata‑se de um espaço no qual o pesquisador precisa fazer uma “definição clara dos pressupostos teóricos, das categorias e conceitos a serem utilizados” durante a pesquisa (1999, p. 40). É o momento de se estabelecer uma relação entre a realidade a ser observada e os estudos teóricos já organizados em relação ao tema. Assim, na justificativa, deve‑se estabelecer “um diálogo entre a teoria e o problema a ser investigado” (1999, p. 40). Para Minayo, na justificativa é necessária apenas uma exposição simples, que deve ser sintética, objetiva e especialmente orientada a discutir o tema. Não é apenas uma revisão literária, mas uma teoria que seja correlacionada ao objeto de pesquisa. Lakatos e Marconi (1991) definem esse espaço do projeto usando o termo embasamento teórico, sendo este composto pelo que chamam de teoria de base, revisão bibliográfica e definição de termos. A teoria de base é compreendida pelas autoras como informações que buscam relacionar a pesquisa a um determinado universo teórico. Essa teoria deverá oferecer o embasamento necessário à interpretação de dados coletados e fatos que são observados com a realização da pesquisa e está ancorada na exposição de premissas e pressupostos teóricos sobre o tema da pesquisa. A revisão bibliográfica, por sua vez, está relacionada a uma retomada das pesquisas anteriores sobre o tema, incluindo ainda as informações possíveis por meio de referências bibliográficas ou documentais. Já a definição de termos faz menção à descrição necessária do significado dos termos que serão utilizados durante a elaboração do projeto de pesquisa e também durante a realização da pesquisa (LAKATOS; MARCONI, 1991). Ou seja, trata‑se de um momento em que o pesquisador precisa deixar claros os ideais teóricos e ideológicos que irão sustentar a sua pesquisa e que permitirão realizar a análise do objeto estudado. Dessa maneira, será possível estabelecer uma interlocução entre a teoria e a realidade estudada. 25 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Retomando seu projeto de pesquisa, avalie até que ponto sua justificativa está próxima ao que Retomando seu projeto de pesquisa, avalie até que ponto sua justificativa está próxima ao que apresentamos. Se você ainda não conseguiu elaborar esse item, procure estar alinhando ao que é posto apresentamos. Se você ainda não conseguiu elaborar esse item, procure estar alinhando ao que é posto nessas orientações.nessas orientações. Já em relação às hipóteses, Minayo nos diz que são indagações, questionamentos que devem ser investigados durante o desenvolvimento da pesquisa. São afirmações provisórias e que retratam o “olhar do pesquisador e a realidade a ser pesquisada” (1999, p. 40). Podem ser pautadas na observação empírica, em resultados de outras pesquisas, de outras teorias ou mesmo pela intuição do pesquisador. Minayo diz ainda que podem ser elaboradas uma ou mais hipóteses. Para a autora, uma hipótese precisa apresentar as características: a) Deve ter conceitos claros [...] b) Deve ser específica. Muitas hipóteses, apesar de claras, são expressas em termos muito amplos [...] c) Não deve se basear em valores morais. Algumas hipóteses lançam adjetivos duvidosos, como “bom”, “mau”, “prejudicial” etc. d) O último item e o mais importante diz respeito a que toda hipótese deve ter como base uma teoria que a sustente (MINAYO, 1999, p. 41). Já Lakatos e Marconi (1991) definem as hipóteses como componentes do objeto de estudo que devem auxiliar na delimitação deste. As autoras dividem as hipóteses em básicas e secundárias. A básica é aquela que busca investigar a resposta conferida ao problema da pesquisa. A hipótese básica sinaliza uma provável resposta ao problema apresentado. Sendo assim, a hipótese básica é provável, suposta e provisória (op. cit.), podendo ser alterada a partir da realização da pesquisa. Dentre os diversos tipos de hipóteses, Lakatos e Marconi nos indicam as seguintes: • as que afirmam, em dada situação, a presença ou ausência de certos fenômenos; • as que se referem à natureza ou características de dados fenômenos, em uma situação específica; • as que apontam a existência ou não de determinadas relações entre fenômenos; • as que prevêem variação concomitante, direta ou inversa, entre certos fenômenos etc. (1991, p. 220). 26 Unidade I Ou seja, uma variação de hipóteses básicas. A hipótese básica é a principal e será complementada pelas secundárias. Estas podem abarcar detalhes daquela ou então discutir aspectos que não foram tratados. Já para Gil, a “hipótese é uma suposta resposta ao problema a ser investigado. É uma proposição que se forma e que será aceita ou rejeitada somente depois de devidamente testada” (1999, p. 56). Gil ainda nos diz que há três tipos de hipóteses: as casuísticas, as que se referem à frequência dos acontecimentos e as que estabelecem relações entre as variáveis. As hipóteses casuísticas são aquelas que são construídas tomando como base o que há de comum em determinados casos, objetos, pessoas ou fatos específicos. São condicionadas por determinadas características que podem ser comuns. Já as hipóteses que se referem à frequência dos acontecimentos são respaldadas na observação de pesquisas descritivas, antecipam que determinadas características ocorrem com maior intensidade em um grupo, sociedade ou cultura específica. E, por fim, as hipóteses que estabelecem relações entre variáveis são aquelas em que se observa uma determinada classificação de acordo com determinadas categorias, relacionando‑as ao objeto de estudo. Gil também indica que as hipóteses podem ser compostas com base na observação, em pesquisas já realizadas e também em teorias já construídas sobre o objeto de estudo. As hipóteses também podem ser elaboradas, de acordo com o autor, com base na intuição. Para o autor, as hipóteses devem apresentar as seguintes características: a) Deve ser conceitualmente clara. Os conceitos na hipótese, particularmente os referentes a variáveis, precisam estar claramente definidos. Deve‑se preferir as definições operacionais, isto e, aquelas que indicam as operações particulares que possibilitam o esclarecimento do conceito [...] b) Deve ser específica. Muitas hipóteses são conceitualmente claras, mas envolvem conceitos tão amplos que sua operacionalização torna‑se difícil [...] c) Deve ter referências empíricas. As hipóteses que envolvem julgamentos de valor não podem ser adequadamente testadas. Palavras como bom, mau, deve e deveria, não conduzem à verificação empírica, devendo ser evitadas na construção de hipóteses [...] d) Deve ser parcimoniosa. Uma hipótese simples é sempre preferível a uma mais complexa, desde que tenha o mesmo poder explicativo [...] e) Deve estar relacionada com as técnicas disponíveis. Nem sempre uma hipótese teoricamente bem elaborada pode ser testada empiricamente. É necessário que haja técnicas adequadas para a coleta de dados exigidos para o seu teste. Por essa razão, recomenda‑se aos pesquisadores o exame de relatórios de pesquisa 27 TRABALHODE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL sobre o assunto a ser investigado, com vistas no conhecimento das técnicas utilizadas. Quando não forem encontradas técnicas disponíveis para o teste das hipóteses, o mais conveniente passa a ser a realização de uma pesquisa sobre as técnicas de pesquisa necessárias. Ou, então, a reformulação da hipótese com vistas no seu ajustamento às técnicas disponíveis. f) Deve estar relacionada com uma teoria. Em muitas pesquisas sociais este critério não é considerado. Entretanto, as hipóteses elaboradas sem qualquer vinculação às teorias existentes não possibilitam a generalização de seus resultados (GIL, 1999, p. 62‑63). Nota‑se que as definições de Gil são semelhantes às postas por Minayo, mas mais detalhadas, específicas. 1.2.4 Metodologia A metodologia indica os métodos e técnicas utilizados para a realização da pesquisa, além das escolhas que o pesquisador faz para atender, para contemplar o seu problema, alcançando assim os objetivos a que se propôs. Na metodologia, devem ser descritas informações sobre o espaço em que a pesquisa será realizada, podendo ser a pesquisa de campo ou bibliográfica, mas também é nesse campo que o pesquisador deverá sumariar quais serão os instrumentos e as técnicas das quais se valerá para realizar a análise dos dados. Ou seja, na metodologia não devemos apenas descrever como faremos a pesquisa, mas também devemos deixar claro sob que bases faremos a análise dos dados que forem obtidos ou, nas palavras de Minayo: a metodologia não só contempla a fase de exploração de campo (escolha do espaço da pesquisa, escolha do grupo de pesquisa, estabelecimento dos critérios de amostragem e construção de estratégias para a entrada em campo) como a definição de instrumentos e procedimentos para a análise dos dados (1999, p. 43). Essas informações precisam ser detalhadas, mesmo se realizarmos uma pesquisa bibliográfica, ou seja, precisamos definir o universo de nossa pesquisa, quais serão os trabalhos analisados e o porquê, definindo assim o grupo escolhido e os critérios de amostragem. Portanto, a metodologia não é restrita a pesquisas realizadas em campo, ou seja, em pesquisas que envolvem a relação com a realidade. Minayo (1999), buscando colaborar com o esclarecimento desse conceito, diz que a metodologia é composta por três aspectos: definição da amostragem, coleta de dados e organização e análise de dados. A definição da amostragem é uma delimitação que fazemos sobre quais indivíduos ou quais documentos iremos respaldar a nossa pesquisa. Em pesquisa social não há necessidade de se atingir números elevados, portanto, definir a amostra não é definir quantidade. É necessário delimitar quais aspectos ou quais indivíduos têm maior relação com o tema e poderão colaborar com nossos estudos. 28 Unidade I A pesquisa qualitativa não se baseia no critério numérico para garantir sua representatividade. Uma pergunta importante neste item é “quais indivíduos têm uma vinculação mais significativa para o problema a ser investigado?” A amostragem boa é aquela que possibilita abranger a totalidade do problema investigado em suas múltiplas dimensões (MINAYO, 1999, p. 42). Ou seja, poderá haver pesquisas de campo em que um caso seja representativo ou outras em que será necessária uma análise maior de casos. Isso vai depender se essa amostra conseguirá contemplar ou não as indagações feitas em relação ao nosso problema de pesquisa. A coleta de dados faz menção à acepção das técnicas nas quais nos pautaremos, sendo que podemos usar entrevistas, observações e outras técnicas afins para a pesquisa de campo ou então a base de documentos sobre os quais nos respaldaremos para realizar a pesquisa bibliográfica. Ou seja, precisamos deixar extremamente claro como a pesquisa será operacionalizada. O mais correto é que mesmo detalhando os mecanismos que serão utilizados para a coleta de dados, estes sejam anexados aos projetos de pesquisa, sobretudo para aqueles em que a pesquisa acontecerá envolvendo seres humanos ou então quando essa for uma exigência posta por agências de financiamento de pesquisas. Trata‑se de casos de entrevistas, formulários ou outros instrumentais que deverão ser previamente elaborados pelo pesquisador. Sintetizando, na coleta de dados devemos definir técnicas a serem utilizadas tanto para a pesquisa de campo (entrevistas, observações, formulários, história de vida) como para a pesquisa suplementar de dados, caso seja utilizada pesquisa documental, consulta a anuários, censos. Geralmente se requisita que seja anexado ao projeto o roteiro dos instrumentos utilizados em campo (MINAYO, 1999, p. 43). Engana‑se, portanto, quem acredita que em pesquisa bibliográfica não há a necessidade de delimitação sistemática, de uma metodologia de pesquisa. Na organização e análise de dados, devemos detalhar as informações de como os dados obtidos serão dispostos no trabalho e como esses serão analisados. Isso porque a pesquisa não se esgota no levantamento de dados, mas sim a partir do momento em que se torna possível realizar a análise dos dados obtidos. Devemos descrever com clareza como os dados serão organizados e analisados. Por exemplo, as análises de conteúdo, de discurso, ou análise dialética são procedimentos possíveis para a análise e interpretação dos dados e cada uma destas modalidades preconiza um tratamento diferenciado para a organização e sistematização dos dados (MINAYO, 1999, p. 43‑44). O instrumental define, ou condiciona, a forma de exposição dos dados. Portanto, a forma de análise também é condicionada pelos instrumentais utilizados para a realização da pesquisa. Nesse aspecto, a nosso ver, é fundamental ter embasamento teórico sobre o tema, ou seja, somente com o recorte de uma teoria específica será possível analisar os dados obtidos, indicando assim que o projeto, para ser de fato bom, precisa estar totalmente interligado e coerente. 29 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Outras informações sobre a questão da metodologia nos são concedidas por Lakatos e Marconi. Para essas autoras, a metodologia é o campo no qual devemos dar resposta às seguintes questões: “como?, com quem?, onde? quanto?” (1991, p. 221), sendo que essas perguntas podem ser respondidas se descrevermos nesse item alguns aspectos como: o método de abordagem, o método de procedimento, as técnicas e a delimitação do universo ou a descrição da população. O método de abordagem é descrito pelas autoras como a forma que o pesquisador irá usar para se apropriar do conhecimento produzido, comportando assim as formas de análise das informações que foram obtidas por meio da realização da pesquisa. Não está restrito à utilização de técnicas, mas sim à forma de tratar as informações obtidas na pesquisa com base nos instrumentais que foram usados para sua realização. “Partindo do pressuposto dessa diferença, o método se caracteriza por uma abordagem mais ampla, em nível de abstração mais elevado, dos fenômenos da natureza e da sociedade” (LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 221). No Serviço Social, o método que mais tem sido usado é o dialético, pois compreende os fenômenos como em constante construção, em constante devir no movimento tese, antítese e síntese. Já os métodos de procedimento fazem menção a etapas que são firmadas para que a pesquisa aconteça. Esses métodos de procedimento têm o objetivo de explicar de forma genérica fenômenos que não sejam abstratos. Demandam assim uma atitude concreta para a apreensão dos fenômenos investigados, ou seja, são procedimentos de ação adotados para a realização da pesquisa. Observação Lakatos e Marconi (1991, p. 222) indicam que os principais métodos de procedimento utilizados nas pesquisas em Ciências Sociais são os seguintes: • histórico; • comparativo; • monográfico ou estudo de caso; • estatístico; • tipológico; • funcionalista; • estruturalista. Ou seja, o pesquisador precisa ter claro se irá se respaldar em um método histórico ou comparativoe assim sucessivamente. E, tendo essas informações esclarecidas, é necessário que o pesquisador as descreva em seu projeto de pesquisa. 30 Unidade I As técnicas, por seu lado, fazem menção a uma série de instrumentais que podem ser utilizados para a realização da pesquisa científica. Demandam ainda habilidade para o manuseio dos instrumentais por parte dos pesquisadores e estão relacionadas à instrumentalização da pesquisa. Consideradas como um conjunto de preceitos ou processos de que se serve uma ciência, são, também, a habilidade para usar esse preceitos ou normas, na obtenção de seus propósitos. Correspondem, portanto, à parte prática de coleta de dados (LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 222). Como técnicas indicadas pelas autoras temos a documentação indireta, relacionada à pesquisa documental e à bibliográfica, e a documentação direta, que pode ser alcançada por meio da observação, da entrevista, dos questionários, dos formulários, dentre outros instrumentais. A delimitação do universo, também descrita pelas autoras com o termo descrição da população, faz menção aos seres animados e inanimados que possuem características comuns e sobre os quais será realizada a pesquisa. Quando delimitamos o nosso universo da pesquisa estamos deixando claro em nosso projeto de pesquisa com quais sujeitos realizaremos a pesquisa. Conceituando, universo ou população é o conjunto de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em comum [...]. A delimitação do universo consiste em explicitar que pessoas ou coisas, fenômenos etc. serão pesquisados, enumerando suas características comuns, como, por exemplo, sexo, faixa etária, organização a que pertencem, comunidade onde vivem etc. (op. cit., p. 223). Sendo essa delimitação algo extremamente necessário para explicar sobre qual público‑alvo será a pesquisa ou sobre quais documentos e assim sucessivamente. Complementando a questão da delimitação do universo, temos a definição do tipo de amostragem. Essa delimitação torna‑se necessária apenas “quando a pesquisa não é censitária, isto é, não abrange a totalidade dos componentes do universo, surgindo a necessidade de investigar apenas uma parte dessa população” (LAKATOS; MARCONI, 1999, p. 223). Para as autoras, o dificultador da definição da amostra é, em tese, escolhê‑la. Isso porque a amostra deve ser entendida como uma representação da totalidade. “O conceito de amostra é ser uma porção ou parcela, convenientemente selecionada do universo (população); é um subconjunto do universo” (op. cit., p. 223). Sendo que é necessária a delimitação de todos esses aspectos para que seja possível compor a metodologia em um projeto de pesquisa. Por meio dessa delimitação, é possível orientar o desenvolvimento da pesquisa e assim levantar os dados disponíveis para a construção do Trabalho de Conclusão de Curso. Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Prezado aluno, se você já conseguiu elaborar sua metodologia, compare‑a com as orientações aqui Prezado aluno, se você já conseguiu elaborar sua metodologia, compare‑a com as orientações aqui postas. Se ainda não elaborou, faça‑o à vista desses elementos.postas. Se ainda não elaborou, faça‑o à vista desses elementos. 31 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL 1.2.5 Cronograma O cronograma é o item em que é definido o tempo necessário para a realização das atividades postas pelo projeto. Pode ser representado por tabelas ou gráficos e nele devem constar as atividades que serão desenvolvidas e em que período. Lakatos e Marconi nos dizem que a elaboração do cronograma deve responder à pergunta: quando? (1991, p. 226). As autoras colocam que a pesquisa deve ser primeiramente dividida em partes, que fazem menção às atividades que serão executadas. Após essa divisão em partes é necessário indicar quanto tempo em média será necessário para o desenvolvimento de cada uma das atividades propostas. Há a possibilidade de várias atividades serem desenvolvidas ao mesmo tempo, mas há atividades que só podem ser desenvolvidas se anteriormente forem realizadas outras intervenções. Por exemplo, é impossível realizar uma análise de dados sem ter realizado a coleta das informações. A elaboração do cronograma é fundamental para orientar o processo de pesquisa. Veja um exemplo de cronograma elaborado para facilitar a sua apreensão sobre o assunto: Quadro 5 – Modelo de cronograma Atividade 1º. mês 2º. mês 3º. mês 4º. mês 5º. mês 6º. mês Revisão bibliográfica X X X X X X Montagem dos instrumentos de coleta de dados X Pré‑testes dos instrumentos de coleta de dados X Aplicação dos instrumentos de coleta de dados X Tabulação dos dados X Análise dos dados obtidos X Início da sistematização dos dados analisados X Como podemos observar, é um item simples, porém fundamental para orientar o desenvolvimento das atividades vinculadas à pesquisa. 1.2.6 Estimativa de custos Minayo (1999) nos diz que esse item deve ser preenchido apenas em projetos que buscam financiamento para suas ações. No entanto, é bom que se ressalte que, em alguns cursos de graduação e pós‑graduação, é necessário que os projetos, mesmo que não busquem financiamento, tenham esse item preenchido, já que, segundo essa ótica, não há projetos sem custo. Minayo também indica que a elaboração dos custos pode ser facilitada se esses forem agrupados em duas categorias: gastos com pessoal e gastos com material permanente e de consumo. A autora ainda chama a nossa atenção para o fato de que, antes de elaborar um orçamento para um projeto, deve‑se considerar para qual instituição este será enviado. Assim, é importante observar que há agências de financiamento que poderão custear determinados gastos do projeto, mas não outros. Portanto, não adianta elaborar um orçamento e passá‑lo para a apreciação de uma instituição que não custeia determinadas pessoas ou então gastos específicos. 32 Unidade I Já Lakatos e Marconi (1991, p. 226) dizem que no orçamento devemos responder à pergunta “com quanto?”, se pretendemos realizar nossa pesquisa. Ao contrário de Minayo, estas autoras não destacam que esse item é necessário apenas quando se deseja financiamento, o que nos leva a crer que para eles o orçamento deve ser elaborado em todos os projetos de pesquisa. Lakatos e Marconi também colocam que, para uma melhor organização dos custos, há a necessidade de separação dos gastos segundo os itens afins. Para elas podemos separar os gastos em pessoal e material. Os gastos com pessoal incluiriam valores destinados da seguinte forma: “do coordenador aos pesquisadores de campo, todos os elementos devem ter computados os seus ganhos, quer globais, mensais, semanais ou por hora/atividade, incluindo os programadores de computador” (op. cit., p. 226). Já os gastos com material poderiam ser subdivididos em: ‑ elementos consumidos no processo de realização da pesquisa, como papel, canetas, lápis, cartões ou plaquetas de identificação dos pesquisadores de campo, hora/computador, datilografia, xerox, encadernação etc.; ‑ elementos permanentes, cuja posse pode retornar à entidade financiadora, ou seres alugados, como máquinas de escrever, calculadoras etc. (op. cit., p. 226). Mas hoje podemos substituir a datilografia pela digitação e a máquina de escrever pelo computador. Em tese, os elementos de consumo são aqueles utilizados durante o período da pesquisa e que não são duráveis. Os permanentes são aqueles que possuem uma durabilidade maior. 1.2.7 Bibliografia As referências bibliográficas, ou bibliografia, são a inserção ao final do texto de todas as obras que foram usadas na elaboração do projeto de pesquisa. Para a elaboração desse item, precisamos nos orientar pelas disposições da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ANBT), mais especificamente, a NBR 6023:2002. Nessas normas, estão todas as indicações sobre como inserir as referências de uma série de trabalhos. Vamos indicar aqui os mais comuns em projetos de pesquisa e também em trabalhos de conclusãode curso. Vamos iniciar com a citação de monografias. Segundo a NBR 6023:2002, deve ser feita da seguinte forma: Exemplo: GOMES, L. G. F. F. Novela e sociedade no Brasil. Niterói: EdUFF, 1998. Sendo esses os elementos básicos que as referências devem conter. Veja como citar monografias completas disponíveis em meio eletrônico: KOOGAN, André; HOUAISS, Antonio (Ed.). Enciclopédia e dicionário digital 98. Direção geral de André Koogan Breikmam. São Paulo: Delta: Estadão, 1998. 5 CD‑ROM. 33 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL E monografias digitalizadas disponíveis para acesso on‑line: ALVES, Castro. Navio negreiro. [S.l.]: Virtual Books, 2000. Disponível em: http://www.terra.com.br/ virtualbooks/freebook/port/Lport2/navionegreiro.htm. Acesso em: 10 jan. 2002. Agora, se você leu um trecho da monografia e não o trabalho todo, precisa fazer a referência da seguinte forma: ROMANO, Giovanni. Imagens da juventude na era moderna. In: LEVI, G.; SCHMIDT, J. (org.). História dos jovens 2: a época contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 7‑16. O mesmo se aplica quando se usa parte de monografia em meio eletrônico, observando‑se que é necessário também inserir o site de onde foram extraídas as informações. A seguir, citações em periódicos, as mais comuns utilizadas para a elaboração de projetos de pesquisa. Aqui, temos periódicos como um todo e também quando usamos apenas algumas partes e ainda partes de periódicos inseridos em meio eletrônico. REVISTA BRASILEIRA DE GEOGRAFIA. Rio de Janeiro: IBGE, 1939‑ VIEIRA, Cássio Leite; LOPES, Marcelo. A queda do cometa. Neo Interativa, Rio de Janeiro, n. 2, inverno 1994. 1 CD‑ROM. SILVA, M. M. L. Crimes da era digital. Net, Rio de Janeiro, nov. 1998. Seção Ponto de Vista. Disponível em: http://www.brazilnet.com.br/contexts/brasilrevistas.htm. Acesso em: 28 nov. 1998. Temos também as possibilidades de referência de documentos jurídicos, também comuns em Serviço Social, como decretos, leis, regimentos e afins. SÃO PAULO (Estado). Decreto n. 42.822, de 20 de janeiro de 1998. Lex: coletânea de legislação e jurisprudência, São Paulo, v. 62, n. 3, p. 217‑220, 1998. E documentos oficiais em meio eletrônico: BRASIL. Lei n. 9.887, de 7 de dezembro de 1999. Altera a legislação tributária federal. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 8 dez. 1999. Disponível em: http://www.in.gov.br/mp_leis/ leis_texto.asp?ld=LEI%209887. Acesso em: 22 dez. 1999. Livros completos: ALVES, Roque de Brito. Ciência criminal. Rio de Janeiro: Forense, 1995. Para livros com mais de três autores usamos a expressão et al. URANI, A. et al. Constituição de uma matriz de contabilidade social para o Brasil. Brasília, DF: IPEA, 1994. 34 Unidade I As normas da ABNT apresentam uma série de modelos de referências para serem usados, dependendo da situação. Como não há como reproduzir todos os formatos contidos no documento, maiores detalhes podem ser obtidos por meio do acesso ao documento no site elencado. 1.2.8 Anexos Os anexos são itens que não podem ser inseridos no corpo do texto, mas que são importantes para complementar as informações oferecidas no projeto de pesquisa. É recomendado que sejam anexados os instrumentais que serão utilizados na pesquisa. O pesquisador pode anexar também todos os instrumentais que considerar necessários para a melhor clarificação do que pretende com seu projeto de pesquisa. Observe como devem ser dispostos os itens do projeto: Anexos Bibliografia Custos Cronograma Metodologia Base teórica, pressupostos e hipóteses Justificativa Objetivos Figura 3 – Distribuição dos itens do projeto 1.3 O processo de orientação A orientação sobre o projeto de pesquisa inicia‑se, no curso de Serviço Social, a partir do 4º semestre, quando o tema da elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso é posto aos alunos. Inicialmente, é oferecida uma orientação geral sobre a elaboração ou delimitação do tema. No 5º semestre, a orientação é voltada para a elaboração do projeto de pesquisa, e no 6º começa uma orientação mais específica que visa revisar o projeto de pesquisa para que se dê início à elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso. Nesse momento, já são designados orientadores específicos para acompanhar o desenvolvimento do trabalho. No que diz respeito ao curso de Serviço Social, é importante pontuar que essa orientação vem também sustentada pela Lei que regulamenta a profissão de assistente social e pelo Código de Ética do assistente social. Segundo a lei, somente assistentes sociais podem realizar essa supervisão. Veja o que está disposto no artigo 5º da referida legislação: 35 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Art. 5º Constituem atribuições privativas do Assistente Social: I – coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social; II – planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço Social; III – assessoria e consultoria e órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social; IV – realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a matéria de Serviço Social; V – assumir, no magistério de Serviço Social tanto a nível de graduação como pós‑graduação, disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de formação regular; VI – treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de Serviço Social; VII – dirigir e coordenar unidades de ensino e cursos de Serviço Social, de graduação e pós‑graduação; VIII – dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em Serviço Social; IX – elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de concursos ou outras formas de seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos conhecimentos inerentes ao Serviço Social; X – coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos de Serviço Social; XI – fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e regionais; XII – dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas; XIII – ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e entidades representativas da categoria profissional. 36 Unidade I Vê‑se que tanto a orientação quanto a avaliação de bancas são atribuições privativas do assistente social, conforme posto nos parágrafos I e IX. No nosso caso ainda temos que cuidar para que as pesquisas observem os princípios dispostos no Código de Ética do Assistente Social. 2 A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA A pesquisa bibliográfica é fundamental para qualquer tipo de estudo proposto. Vamos pensar sobre esse tema por meio dos conteúdos deste item, que é extremamente necessário para ampliar nosso saber acerca da produção de conhecimento. Saiba mais Para conhecer um pouco mais sobre a pesquisa bibliográfica indicamos os sites: MORESI, E. V. (org.). Metodologia da pesquisa. Brasília: UCB, 2003. Disponível em: http://www.inf.ufes.br/~pdcosta/ensino/2010‑2‑metodologia‑ de‑pesquisa/MetodologiaPesquisa‑Moresi2003.pdf. Acesso em: 15 jul. 2020. TRAINA, A. J. M.; TRAINA, C. Como fazer pesquisa bibliográfica. SBC Horizontes, v. 2, n. 2, ago. 2009. Disponível em: http://www.univasf.edu.br/~ricardo.aramos/ comoFazerPesquisasBibliograficas.pdf. Acesso em: 15 jul. 2020. Pode ser que você tenha optado por esse tipo de pesquisa para elaborar o seu projeto e consequentemente o seu Trabalho de Conclusão de Curso. Vamos estudar as modalidades de pesquisa bibliográfica que mais têm sido usadas para a composição de trabalhos dessa natureza: o resumo, a resenha e a elaboração de fichas. A pesquisa bibliográfica é definida como aquela que é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituindo principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase todos os estudosseja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas (GIL, 1999, p. 65). Gil ainda chama a nossa atenção para o fato de que muitas pesquisas só são possíveis por meio da análise bibliográfica, como é o caso dos estudos históricos. Há também a pesquisa documental, que seria uma variação da pesquisa bibliográfica. Porém, nesse caso, as fontes para a composição da pesquisa não estão restritas a obras de determinados autores. A pesquisa documental se respalda em documentos sobre os quais ainda não foi feita uma 37 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL análise específica ou em documentos que documentos que podem ser revisados após essa análise. Nos termos postos, “a pesquisa documental vale‑se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa” (op. cit., p. 65). São descritos como fontes de pesquisas documentais documentos de primeira mão, que não receberam qualquer tratamento analítico, tais como: documentos oficiais, reportagens de jornal, cartas, contratos, diários, filmes, fotografias, gravações etc. De outro lado, existem os documentos de segunda mão, que de alguma forma já foram analisados, tais como: relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas etc. (op. cit., p. 65). Mas o ponto é: como sistematizar as informações obtidas por meio da pesquisa bibliográfica? Há muitas formas, e aqui vamos estudar três delas: o resumo, a resenha e a elaboração de fichas. 2.1 O resumo e a resenha Tanto a elaboração do resumo quanto a elaboração da resenha demandam essencialmente muita leitura e organização por parte do pesquisador. No entanto, são dois elementos diferentes. Enquanto, no resumo, temos uma sistematização da obra do autor, que deve seguir a mesma orientação da obra lida, inclusive usando a mesma terminologia e sequência do autor estudado, na resenha não há essa rigidez. A resenha também precisa recuperar os aspectos da obra lida, porém, nela é necessário emitir um parecer sobre a obra. A resenha demanda uma maior elaboração, sendo que a obra deve ser antes lida e resumida. Recomenda‑se que a resenha tenha introdução, desenvolvimento, conclusão e por fim uma análise crítica. A realização de resumos e resenhas tende a facilitar em muito a elaboração dos projetos de pesquisa e também dos trabalhos de conclusão de curso de natureza bibliográfica. 2.2 A elaboração de fichas As fichas de documentação são alternativas utilizadas para documentar algumas informações obtidas por meio da realização da pesquisa bibliográfica. Gil (1999) as define como fichas bibliográficas e fichas de documentação. As fichas bibliográficas são aquelas em que devem ser anotadas informações sobre as obras estudadas indicando‑se nelas a referência, o sumário e uma apreciação crítica da obra estudada. As fichas de apontamento, por seu lado, devem trazer as ideias principais da obra estudada. Em geral, segundo Gil, as fichas precisam ser compostas por três partes: o cabeçalho, que deve conter o título e o subtítulo da obra; as referências bibliográficas, indicando a fonte pesquisada; e o texto, composto pelo sumário e por uma perceptiva crítica da obra estudada. Nas fichas de apontamento podem ser inseridos trechos da obra e ambas as fichas precisam ser armazenadas preferencialmente no computador. Esse tipo de organização facilita a elaboração do trabalho bibliográfico. A seguir, temos exemplos de fichas, sendo o primeiro 38 Unidade I uma ficha bibliográfica e o segundo uma ficha documental. Cada ficha deve possuir 7,5 cm de comprimento e 12,5 cm de largura. Quadro 6 IANNI, Octavio. Teoria da globalização. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996. Sumário 1. Metáforas da globalização. 2. As economias‑mundo. 3. A internacionalização do capital. 4. A interdependência das nações. 5. A ocidentalização do mundo. 6. A Aldeia global. 7. A racionalização do mundo. 8. A dialética da globalização. 9. Modernidade‑mundo. 10. Sociologia da globalização. Apoiado em extensa bibliografia sociológica, econômica e política, o autor procede a uma análise crítica da globalização. Concluir que no limiar do século XXI as ciências sociais se defrontaram com um desafio epistemológico novo, pois, pela primeira vez, são desafiadas a pensar o mundo como uma sociedade global. Fonte: GIL (1999, p. 87). Quadro 7 CULTURA ORGANIZACIONAL MOTTA, Fernando C. Prestes. Cultura e organização no Brasil. In: MOTTA, Fernando C. Prestes, CALDAS, Miguel P. (Orgs.) Cultura organizacional e cultura brasileira. São Paulo: Atlas, 1997. “As organizações brasileiras geralmente apresentam uma distância de poder tão grande que aprecem lembrar a distribuição de renda nacional e passado escravocrata. A forma como trabalhadores e executivos são tratados parece, de um lado, basear‑se em controles do tipo masculino, o uso da autoridade e, de outro, em controles de tipo feminino, o uso da sedução!” “O jeitinho brasileiro é uma prática cordial que implica personalizar relações por meio da descoberta de um time de futebol comum ou de uma cidade natal comum, ou ainda de um interesse comum qualquer. É diferente da arrogância em apelar para um status mais alto de um parente ou de um conhecido importante. Porém, as duas coisas são frequentes em nosso país e, por vezes, aprecem habilmente combinadas” (p. 34). Fonte: GIL (1999, p. 87). 39 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL 3 A PESQUISA DE CAMPO Chegamos agora para a discussão sobre a pesquisa de campo. A pesquisa de campo é um dos elementos de extrema relevância para muitos estudos. Por isso, vamos nos aproximar dessa discussão desse item. Saiba mais Recomendamos a você a vista ao site a seguir onde teremos informações sobre a pesquisa de campo: http://www.anpocs.org/ Leia também: CHIZZOTTI, A. A pesquisa qualitativa em ciências humanas e sociais: evolução e desafios. Revista Portuguesa de Educação, v. 16. n. 2. Braga: Universidades do Minho, 2003. Disponível em: http://www.unisc.br/portal/ upload/com_arquivo/1350495029.pdf. Acesso em: 28 jul. 2013. Sendo que o site da Anpocs é um espaço destinado à discussão sobre pesquisas de campo e há nele uma série de relatos sobre tais pesquisas. Por isso, seria extremamente interessante que você o visitasse para ampliar os seus conhecimentos. Minayo (1999) nos diz que, após definidos o nosso objeto de estudo e o problema a ser investigado, também devemos delimitar como realizaremos nossa pesquisa, sendo que, para a autora, em Ciências Sociais, é mais comum a realização da pesquisa de campo. Dessa forma, a pesquisa de campo é descrita pela autora como sendo formas de investigar esse objeto (op. cit.), sendo esse o objeto que já foi delimitado pelo projeto de pesquisa. A pesquisa de campo seria o melhor mecanismo para se alcançar os objetivos propostos pelos projetos de pesquisa. Isso porque somente por meio dessa modalidade se torna possível o estabelecimento de uma relação entre o pesquisador e o campo, os sujeitos vinculados ao campo e aos fenômenos a ele correlatos. “Em nossa percepção, a relação do pesquisador com os sujeitos a serem estudados é de extrema importância. Isso não significa que as diferentes formas de investigação não sejam fundamentais e necessárias” (MINAYO, 1999, p. 52). A autora diz que a pesquisa de campo é uma possibilidade de nos aproximarmos da realidade que desejamos investigar, sendo constituído como um meio de produzir conhecimento sobre determinada realidade. Trata‑se de um rico diálogo com a realidade (op. cit.), facilitando assim a produção de conhecimento sobre a realidade pesquisada. Minayo destaca ainda que o campo é o espaço em que temos a manifestação da intersubjetividade das pessoas envolvidas com a pesquisa e ainda torna possível a interação entre o pesquisador e o objeto de estudo, ou seja, apesar de não descartar a importância da pesquisa bibliográfica, élatente a “preferência” da pesquisadora por essa modalidade de pesquisa. Mas, para essa aproximação à realidade do campo, é fundamental que já se tenha realizado um recorte específico sobre a área de realização da pesquisa, delimitado no item Metodologia do Projeto de Pesquisa. Cabe então enfatizar o recorte que o pesquisador faz em termos de espaço (op. cit.), é fundamental para delimitar e conduzir sua pesquisa de campo. 40 Unidade I Lembrete Para definir o recorte da pesquisa é necessário detalhá‑lo na Metodologia do Projeto de Pesquisa. Dada a relevância desse tipo de pesquisa, Minayo (1999) tece uma série de orientações sobre sua realização, fazendo inclusive algumas indicações que precisam ser observadas. A primeira delas é com relação à necessidade de uma aproximação cuidadosa por parte do pesquisador à área onde a pesquisa será realizada, ou com as pessoas com as quais esta acontecerá. Orienta ainda que essa aproximação deve acontecer de forma lenta, gradual e pautada no respeito com o campo de pesquisa. Para essa aproximação, seria também necessário apresentar a proposta da pesquisa ao campo onde ela irá acontecer. É preciso, sobretudo, deixar claro para os sujeitos da pesquisa quais seriam seus objetivos e que eles não são obrigados a participar. Os grupos devem ser esclarecidos sobre aquilo que pretendemos investigar e as possíveis repercussões favoráveis advindas do processo investigativo. É preciso termos em mente que a busca das informações que pretendemos obter está inserida num jogo cooperativo, onde cada momento é uma conquista baseada no diálogo e que foge à obrigatoriedade (MINAYO, 1999, p. 55). Isso estaria condicionado pela postura que o pesquisador assume durante a pesquisa de campo. Ou seja, cabe a ele deixar claro ao campo da pesquisa como ela irá se desenvolver e os objetivos que fundamentam sua realização. Ainda em relação à postura do pesquisador, Minayo (1999) indica que nunca devemos realizar uma pesquisa já pressupondo o resultado a ser alcançado. Iniciar uma pesquisa com conceitos preestabelecidos pode resultar em posições de superioridade, arriscando‑se inferiorizar os demais segmentos envolvidos na pesquisa. “Esse comportamento pode dificultar o diálogo como os elementos envolvidos no estudo na medida em que permite posicionamentos de superioridade e de inferioridade frente ao saber que se busca entender” (op. cit., p. 56). Portanto, a conclusão da autora é que, na realização da pesquisa de campo, é necessário um cuidado especial. A abordagem de campo exige uma programação bem definida, bem delimitada para que seja possível se extrair todas as informações possíveis por meio da realização da pesquisa. Lakatos e Marconi (1991) também fazem uma série de indicações a respeito da pesquisa de campo. Para as autoras, a pesquisa de campo acontece sempre que a produção de conhecimento precisa se respaldar em dados colhidos no local onde os fatos pesquisados se manifestam. Ou seja, descrevem a pesquisa de campo como aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar, ou, ainda descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles. (op. cit., p. 186). 41 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Assim, a pesquisa de campo demanda a observação de fatos que estejam relacionados ao problema de estudo, mas demanda também a coleta de dados no campo e o registro dos dados obtidos. No entanto, o fato de realizar a pesquisa de campo não desabona a realização de uma pesquisa bibliográfica, aliás, recomenda‑se que a pesquisa de campo seja precedida pela realização da pesquisa bibliográfica sobre o tema estudado. As autoras indicam ainda que nessa entrada no campo de pesquisa é necessário que o pesquisador já tenha clareza a respeito das técnicas que serão utilizadas para a coleta de dados, assim como a definição da amostra e as formas que serão utilizadas para registrar todas as informações colhidas. Mas Lakatos e Marconi (1991) entendem que há três tipos de pesquisa de campo, os quais são denominados: qualitativo‑descritivos, exploratórios e experimentais. A pesquisa de campo de estudos qualitativo‑descritivos é aquela em que a finalidade é “o delineamento ou análise das características de fatos ou fenômenos, a avaliação de programas, ou o isolamento de variáveis principais ou chave” (op. cit., p. 187). Essas pesquisas usam de entrevistas, questionários e formulários para serem realizadas. São subdivididas em quatro possibilidades: estudos de verificação de hipótese, estudos de avaliação do programa, estudos de descrição da população e estudos de relação de variáveis. Essas subdivisões objetivam, respectivamente, a realização da checagem de hipóteses previamente elaboradas, a avaliação de programas e serviços constituídos, a descrição de determinadas peculiaridades de uma população específica e a avaliação de aspectos ou situações de questões específicas. A pesquisa de campo de estudos exploratórios por seu lado busca realizar investigações de pesquisa empírica cujo objetivo é a formulação de questões ou de um problema, com tripa finalidade: desenvolver hipóteses, aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou fenômeno, para a realização de uma pesquisa futura mais precisa ou modificar e clarificar conceitos (LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 188). Os estudos exploratórios são subdivididos em três outros grupos: estudos exploratório‑descritivos combinados, estudos usando procedimentos específicos para a coleta de dados e estudos de manipulação experimental. Os estudos exploratório‑descritivos buscam descrever um dado fenômeno em sua totalidade, os estudos usando procedimentos específicos são os que usam apenas um procedimento para a coleta de dados e os estudos de manipulação experimental são os que estão vinculados a práticas de pesquisa em que se busca manipular uma variável independente estudando‑a em seu ambiente natural. Por fim, os estudos experimentais “consistem em investigações de pesquisa empírica cujo objetivo principal é o teste de hipóteses que dizem respeito à relação de tipo causa‑efeito”(op. cit., p. 189). 42 Unidade I Quadro 8 – Tipos de pesquisa de campo Tipos de pesquisa Subdivisões Estudos qualitativo‑descritivos Estudos de verificação de hipótese; estudos de avaliação do programa; estudos de descrição da população e estudos de relações de variáveis Estudos exploratórios Exploratório‑descritivos combinados, procedimentos específicos para a coleta de dados e manipulação experimental Estudos experimentais não possui subdivisão Antes de passar à discussão dos principais instrumentais de coleta de dados que são usados para a realização da pesquisa de campo, vamos observar o exemplo a seguir de uma pesquisa de campo sobre a violência doméstica. Mulheres acham que violência doméstica cresceu. E a proteção legal também Pesquisa nacional do DataSenado, concluída no final de fevereiro, revela que 66% das mulheres acham que aumentou a violência doméstica e familiar contra o gênero feminino, ao mesmo tempo em que a maioria (60%) entende que a proteção está melhor, após a criação da Lei Maria da Penha. O levantamento sobre violência doméstica contra a mulher já tem tradição no programa de trabalho do DataSenado, que fez a primeira pesquisa sobre o tema em 2005. A cada dois anos o estudo se repete. Em sua quarta versão, os resultados de 2011 indicam que o conhecimento sobre a Lei Maria da Penha cresceu nos dois últimos anos: 98% disseram já ter ouvido falar na lei, contra 83% em 2009. Foram feitas 1.352 entrevistas, apenas com mulheres, em 119 municípios, incluídas todas as Capitais e o DF. Medo e rigor da lei seguram denúncias Para as mulheres entrevistadas, conhecer a lei não faz com que as vítimas de agressão denunciem o fato às autoridades. O medo continua sendo a razão principal para evitar a exposição dos agressores, com 68%das respostas. Para 64% das mulheres ouvidas pelo DataSenado, o fato da vítima não poder mais retirar a queixa na delegacia faz com que a maioria das mulheres deixe de denunciar o agressor. Do total de entrevistadas, 57% declararam conhecer mulheres que já sofreram algum tipo de violência doméstica. A que mais se destaca é a violência física, citada por 78% das pessoas ouvidas pela pesquisa. Em segundo lugar aparece a violência moral, com 28%, praticamente empatada com a violência psicológica (27%). 43 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Álcool e ciúmes são as causas principais Entre as mulheres que afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência e que citaram, espontaneamente, o motivo da agressão, os mais citados foram o uso de álcool e ciúmes, ambos com 27% cada. Os principais responsáveis pelas agressões, segundo as vítimas, foram os maridos ou companheiros (66% dos casos). Quase a totalidade das entrevistadas, 96%, entende que a Lei Maria da Penha deve valer também para ex‑namorado, ex‑marido ou ex‑companheiro. A maioria das mulheres agredidas, 67%, afirma não conviver mais com o agressor. Mas uma parte significativa, 32%, ainda convive. E destas, segundo a pesquisa, 18% continuam a sofrer agressões. Dentre aquelas que disseram ainda viver com o agressor e ainda serem vítimas de violência doméstica, 40% afirmaram ser agredidas raramente, mas 20% revelaram sofrer ataques diários. O levantamento, finalmente, buscou saber o que pensam as mulheres sobre a nova interpretação da Lei Maria da Penha, estabelecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em dezembro último. A corte entendeu que a lei é compatível com a dos Juizados Especiais, permitindo a suspensão da pena nos casos em que a condenação for inferior a um ano. Quando isto ocorrer, o juiz pode trocar a pena de prisão por uma pena alternativa ou, ainda, suspender o processo. A pesquisa apurou que a maioria das entrevistadas ficou insatisfeita. Para 79%, a decisão enfraquece a lei. Aumenta informação da mulher e disposição para denunciar violência O nível de conhecimento das mulheres sobre a Lei Maria da Penha cresceu 15% nos dois últimos anos e alcançou 98%. O levantamento também constatou que a esmagadora maioria das entrevistadas (81%) não pensaria duas vezes para denunciar um ato de agressão cometido contra uma mulher. Desse montante, 63% ainda procurariam uma delegacia de polícia comum, enquanto 24% dariam preferência à delegacia da mulher. Quem usou os serviços da delegacia especializada gostou do atendimento (54% acharam ótimo/bom; 24% regular). Embora seja muito alto o nível de conhecimento da lei (98%), 63% das mulheres ouvidas consideram que apenas uma minoria denuncia as agressões às autoridades e 41% acha que a mulher não é tratada com respeito no país. O percentual de mulheres que declararam já ter sido vítimas de algum tipo de violência permaneceu igual ao número obtido em 2009: a cada 5 mulheres pesquisadas, uma declara já ter sofrido algum tipo de violência doméstica e familiar. Quase um terço ainda sofre calada A pesquisa também procurou avaliar o limite da mulher agredida. As entrevistadas que disseram já ter sofrido algum tipo de violência, foram questionadas: após quantas agressões elas procuraram ajuda? Os resultados: 36% disseram ter procurado ajuda na primeira agressão, mas 29% confessaram não ter procurado qualquer ajuda; 24% pediram ajuda após a terceira agressão, 5% na segunda e 5% preferiram não responder. 44 Unidade I Quando questionadas sobre o que fizeram após a última agressão, nada menos que 23% das mulheres ouvidas disseram não ter feito nada. As razões para essa atitude, segundo elas: 31% decidiram não fazer nada preocupadas com a criação dos filhos, 20% por medo de vingança do agressor, 12% por vergonha da violência sofrida, 12% por achar que seria a última vez, 5% por dependência financeira, 3% por acharem que não haveria punição e 17% citaram outros motivos. Fonte: Brasil, 2011. Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Observando a pesquisa avalie sua importância para provocar mudanças na realidade. Argumente.Observando a pesquisa avalie sua importância para provocar mudanças na realidade. Argumente. Em relação aos instrumentais de pesquisa de campo, temos que destacar que há uma variedade de indicações que depende em grande parte dos autores, então, indicaremos a grande maioria delas com base na bibliográfica usada. Dentre os instrumentais utilizados, vamos indicar a entrevista, a discussão de grupo, a história de vida, a observação, o questionário e o formulário. 3.1 Entrevista Minayo (1999) aponta que a entrevista é uma das técnicas mais utilizadas nas pesquisas em Ciências Humanas atualmente. Para a autora, “através dela, o pesquisador busca obter informes contidos na fala dos atores sociais” (op. cit., p. 59), visto que são informações não disponíveis em outras fontes. É interessante ainda observarmos a definição de Gil (1999) em relação à entrevista. Pode‑se definir entrevista como a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação. A entrevista é, portanto, uma forma de interação social. Mais especificamente, é uma forma de diálogo assimétrico, eu que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação. (op. cit., p. 11). Para Gil (1999), a técnica da entrevista seria um mecanismo importante ao passo que nos permite a identificação de informações sob a perspectiva das pessoas diretamente envolvidas com os fenômenos investigados. Portanto, trata‑se de uma “técnica por excelência na investigação social” (op. cit., p. 117). Minayo (1999), embasando as colocações de Gil, nos diz que a entrevista não é um conversa despretensiosa e sem objetivo, mas sim um diálogo a dois, com propósitos muito bem definidos, ao menos da parte do entrevistador. Cervo e Bervian (1996) também reforçam essa ideia, argumentando que a entrevista não pode ser compreendida como uma simples conversa e sim com uma técnica que tem como objetivo “recolher, através do interrogatório do informante, dados para a pesquisa” (op. cit., p. 136). Para Minayo, a entrevista pode ser individual ou coletiva. 45 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Por isso, para se desenvolver essa técnica é fundamental o domínio da linguagem e da fala. Somente se bem executada, a entrevista “serve como um meio de coleta de informações, sobre um determinado tema científico” (MINAYO, 1999, p. 57), ou seja, não é uma simples conversa e sim um mecanismo que, sendo bem utilizado, colabora com a produção de conhecimento científico, no desenvolvimento do projeto de pesquisa. No sentido posto, para se elaborar uma boa entrevista, é necessário que sejam estabelecidos alguns critérios, dentre os quais: 1) O entrevistador deve planejar a entrevista, delineando cuidadosamente o objetivo a ser alcançado. 2) Obter, sempre que possível, algum conhecimento prévio acerca do entrevistado. 3) Marcar com antecedência o local e o horário para a entrevista. Qualquer transtorno poderá comprometer os resultados da pesquisa. 4) Criar condições, isto é, uma situação discreta para a entrevista, pois será mais fácil obter informações espontâneas e confidenciais de uma pessoa isolada do que de uma pessoa acompanhada ou em grupo. 5) Escolher o entrevistado de acordo com a sua familiaridade ou autoridade em relação ao assunto escolhido (CERVO; BERVIAN, 1999, p. 136). Deve ser uma intervenção com preparo e planejamento. Mas, além desses critérios, os autores ainda indicam a necessidade de o entrevistador manter a confiança durante a realização da abordagem, além de evitar ser inoportuno durante a aplicação dessa técnica. Outra recomendação dos autores é que o pesquisador faça um exercício de ouvir mais do que falar, o que demanda então tempo e atenção. Cervo e Bervian (1999) ainda indicam que o entrevistador precisa observar algunsoutros aspectos: inserir primeiro as perguntas em que não haverá dificuldade por parte do entrevistado em responder; realizar o controle, mesmo que sutil, da entrevista; e registrar todas as informações obtidas. Por meio da entrevista, se bem elaborada, torna‑se possível identificarmos dados objetivos e subjetivos sobre o fenômeno estudado. Os primeiros podem ser também obtidos a partir de fontes secundárias, tais como censos, estatísticas e outras formas de registros. Em contrapartida, o segundo tipo de dados se relaciona aos valores, às atitudes e às opiniões dos sujeitos entrevistados (op. cit., p. 57‑58). 46 Unidade I Complementando a definição de Minayo (1999), Cervo e Bervian nos dizem que a entrevista tem o potencial de captar informações que não estão postas em documentos e podem ser oferecidas pelas pessoas. Ou seja, os seres humanos, muitas vezes detêm informações que não foram ainda sistematizadas. Podemos dizer, então, que a entrevista, enquanto técnica de pesquisa social, possui muitas vantagens. a) a entrevista possibilita a obtenção de dados referentes aos mais diversos aspectos da vida social; b) a entrevista é uma técnica muito eficiente para a obtenção de dados em profundidade acerca do comportamento humano; c) os dados obtidos são suscetíveis de classificação e de quantificação. (GIL, 1999, p. 118). Gil (1999), apesar de defendê‑la como uma das principais técnicas para a produção de conhecimento, também identifica algumas deficiências, descrevendo‑as como limitações: a) a falta de motivação do entrevistado para responder as perguntas que lhe são feitas; b) a inadequada compreensão do significado das perguntas; c) o fornecimento de respostas falsas, determinadas por razões conscientes ou inconscientes; d) inabilidade ou mesmo incapacidade do entrevistado para responder adequadamente, em decorrência de insuficiência vocabular ou de problemas psicológicos; e) a influência exercida pelo aspecto pessoal do entrevistador sobre o entrevistado; f) a influência das opiniões pessoais do entrevistador sobre as respostas do entrevistado; g) os custos com o treinamento de pessoal e a aplicação das entrevistas. (op. cit., p. 118‑119). Portanto, é importante que você observe essas indicações sobre a entrevista, mensurando os prós e os contras na utilização dessa técnica. Minayo (1999) indica a existência de três tipos de entrevista: a estruturada, a não estruturada ou aberta e a semiestruturada. Segundo a autora, a entrevista estruturada seria aquela em que as perguntas são previamente elaboradas. Já a não estruturada ou aberta é aquelas em que o pesquisador aborda livremente os temas tratados sem elaboração prévia das questões. E, por fim, a semiestruturada é aquela em que há a junção dessas duas modalidades de entrevista, ou seja, é previamente elaborada, mas sem uma rigidez muito grande. 47 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Gil (1999) descreve diferentes níveis em que as entrevistas podem ser divididas: informal, focalizada, por pautas e estruturada. A entrevista informal é aquela menos estruturada possível e tem como objetivo básico a coleta de dados para compor assim uma “visão geral do problema pesquisado” (op. cit., p. 119). Já a entrevista focalizada é uma modalidade em que a técnica é usada de forma livre, mas com um enfoque em um aspecto específico. A entrevista por pautas é aquela organizada de acordo com pontos de interesse para a pesquisa, ou seja, o entrevistador solicita ao pesquisado que discorra sobre pautas específicas. A entrevista estruturada é aquela em que há uma “relação fixa de perguntas, cuja ordem e redação permanece invariável para todos os entrevistados e que geralmente são em grande número” (op. cit., p. 121), sendo, portanto, nos termos do autor, a modalidade de entrevista mais adequada para a realização de levantamentos sociais. A entrevista estruturada demanda a elaboração de perguntas previamente fixadas e possui baixos custos, podendo ser realizada por meio de questionário ou formulário. Gil chega a propor orientações para a elaboração de um roteiro de entrevista: a) As instruções para o entrevistador devem ser elaboradas com clareza [...] b) As questões devem ser elaboradas de forma a possibilitar que sua leitura pelo entrevistador e entendimento pelo entrevistado ocorrem sem maiores dificuldades [...] c) Questões potencialmente ameaçadoras devem ser elaboradas de forma a permitir que o entrevistado responda sem constrangimentos [...] d) Questões abertas devem ser evitadas [...] e) As questões devem ser ordenadas de maneira a favorecer o rápido engajamento do respondente na entrevista, bem como a manutenção do seu interesse. (1999, p. 123). É extremamente conveniente observar essas orientações antes de elaborar a entrevista. Mas, além de tais recomendações, Gil ainda nos indica a necessidade de estabelecer um contato inicial com o espaço da pesquisa ou com os sujeitos a serem pesquisados. E ainda assevera a necessidade de elaboração prévia das perguntas a serem realizadas além de se estimular durante a prática da entrevista os pesquisados a responderem a todas as pesquisas. É importante ainda registrar todas as informações obtidas. Para você que indicou em seu projeto de pesquisa a realização de entrevista, recomendamos que observe com especial atenção as indicações contidas nesse campo e que busque realizar a entrevista da forma mais próxima possível ao que foi aqui descrito. 3.2 Discussão de grupo A discussão de grupo, para Minayo (1999), é uma modalidade de entrevista, porém, nesse caso, acontece por meio de uma ou mais sessões. Nelas, é comum a abordagem em grupos de 6 a 12 pessoas, com um animador para controlar esse processo de discussão. “O papel desse animador não se restringe meramente ao aspecto técnico. A relevância de sua atuação está na capacidade de interação com o grupo e de coordenação da discussão” (MINAYO, 1999, 58). 48 Unidade I A discussão de grupo, segundo a autora, “visa complementar as entrevistas individuais e a observação participante” (op. cit., p. 58). Sendo complementar a técnicas já utilizadas no processo da pesquisa, deve ser organizada apenas junto a participantes que estejam com ela relacionadas. 3.3 História de vida A história de vida é também descrita por Minayo (1999) como uma alternativa de pesquisa complementar a entrevista e a observação. É descrita pela autora como uma técnica em que o pesquisador precisa “retratar as experiências vivenciadas, bem como definições fornecidas por pessoas, grupos, organizações” (op. cit., p. 58). Segundo Minayo, pode assumir duas modalidades: completa e tópica. Na história de vida completa, é realizada uma recuperação de todo o conjunto da experiência de vida relacionado ao tema da pesquisa. Já a história de vida tópica é aquela em que a pesquisa se focaliza em uma determinada etapa ou setor que tenha mais relação com a pesquisa realizada. 3.4 Observação Além da entrevista, podemos dizer que a observação é também uma das técnicas mais utilizadas em pesquisa de campo. Provavelmente devido a isso, teremos muitas informações, partindo de diversos teóricos que se debruçaram para estudar e teorizar sobre essa técnica. Assim, Minayo (1999) descreve a observação com o termo “observação participante”. Nessa modalidade de pesquisa de campo, temos o contato direto do pesquisador com o fenômeno estudado, muitas vezes enquanto o fenômeno está acontecendo. No contexto desse tipo de pesquisa, o pesquisador assume o papel de observador, sendo que ele, como “parte do contexto de observação, estabelece uma relação face a face com os observados. Nesse processo, ele, ao mesmo tempo, pode modificar e ser modificado pelo contexto” (op. cit., p. 59). Por meio da observação é possível que o pesquisador identifique outros fatos não percebidos por meio da entrevista. Note‑se que, para Minayo, a observação pode complementar a pesquisa realizada com base em outros instrumentais afins. Dessa forma,é possível que o pesquisador tenha participação plena nos eventos relacionados à pesquisa, ou seja, pode contemplar muitos outros aspectos que são importantes para a delimitação do tema estudado. Mas essa participação plena merece cuidado porque corremos o risco de achar que sabemos tudo sobre o assunto, o que pode prejudicar a pesquisa. Sobre a observação participante, Minayo ainda recomenda que o pesquisador precisa deixar extremamente claro para os sujeitos entrevistados o formato em que a pesquisa irá acontecer. Essa observação pode inclusive acontecer diariamente, desde que seja assim acordado entre o pesquisador e os envolvidos com a pesquisa. Gil (1999) diz que a observação é uma técnica importantíssima, imprescindível para a coleta de dados em projetos de pesquisa que assumam a pesquisa de campo como modalidade de produção do conhecimento científico. Por meio da observação, segundo o autor torna‑se possível identificar os fatos que estão relacionados ao objeto estudado. Esses fatos seriam percebidos diretamente e sem interferência 49 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL de outros fenômenos já que, nessa modalidade de pesquisa, o observador tem contato direto com os fatos relacionados à pesquisa. O autor entende que a presença do pesquisador no campo de pesquisa pode influenciar determinados fenômenos ou comportamentos que estão sendo pesquisados, mas, em tese, nesse tipo de pesquisa, não temos a influência de aspectos externos ao fenômeno estudado. Para a utilização da observação em uma pesquisa, precisamos considerar se: “a) serve a um objetivo formulado de pesquisa; b) é sistematicamente planejada; c) é submetida a verificação e controles de validade e precisão” (GIL, 1999, p. 110). Assim, não podemos realizar a observação simplesmente por realizar e temos que considerar se a mesma irá auxiliar na compreensão do tema estudado. Precisamos ainda avaliar a necessidade de planejamento prévio da observação, e também se mostra necessário checar se os objetivos postos pela observação foram ou não alcançados. Gil também nos diz que a observação pode assumir as seguintes formas: simples, participante e sistemática. A observação simples é também denominada pelo autor como observação reportagem. Nessa modalidade, o pesquisador permanece alheio ao grupo ou fenômeno observado. É uma observação espontânea e que exige um mínimo de controle por parte do pesquisador para a obtenção dos dados. Como tal, demanda a realização da análise dos dados. Gil indica as principais vantagens e desvantagens dessa forma de observação. Como vantagens, aponta que: a) Possibilita a obtenção de elementos para a definição de problemas de pesquisa. b) Favorece a construção de hipóteses acerca do problema pesquisado. c) Facilita a obtenção de dados sem produzir querelas ou suspeitas nos membros da comunidade, grupos ou instituições que estão sendo estudadas (1999, p. 111). Já as desvantagens apresentadas pelo autor são as seguintes: a) É canalizada pelos gostos e afeições do pesquisador. Muitas vezes sua atenção é desviada para o lado pitoresco, exótico ou raro do fenômeno. b) O registro das observações depende, frequentemente, da memória do investigador. c) Dá ampla margem à interpretação subjetiva ou parcial do fenômeno estudado (op. cit., p. 112). O autor diz que esse tipo de observação é indicado para fatos públicos, porém, como não exige uma estrutura rígida, não é adequado para checar hipóteses de pesquisa. Deve‑se ainda considerar quais sujeitos farão parte da pesquisa, qual será o cenário de realização da observação, como é o 50 Unidade I comportamento estabelecido entre as pessoas observadas, sendo que todos os aspectos em questão precisam ser registrados. A observação participante, de acordo com Gil, se constitui como aquela em que há “participação real do conhecimento na vida da comunidade, do grupo ou de uma situação determinada”, sendo que o observador assume o “papel de um membro do grupo” (op. cit., p. 113). A produção do conhecimento acontece por meio da integração do pesquisador ao meio onde a observação irá acontecer. Essa integração assume, para Gil, dois formatos, sendo esses o natural e o artificial. O natural acontece quando o observador pertence à comunidade onde a pesquisa vai acontecer, enquanto o artificial acontece quando o observador se integra para a realização da pesquisa. Gil também indica as principais vantagens da observação sistemática. A saber: a) Facilita o rápido acesso a dados sobre situações habituais em que os membros das comunidades se encontram envolvidos. b) Possibilita o acesso a dados que a comunidade ou grupo considera de domínio privado. c) Possibilita captar as palavras de esclarecimento que acompanham o comportamento dos observados (op. cit., p. 114). Sendo também destacado que a dificuldade de inserção do pesquisador junto ao ambiente de pesquisa pode dificultar a realização desse tipo de pesquisa. Por fim, a observação sistemática é descrita pelo autor como sendo frequentemente utilizada em pesquisa que tem como objetivo a descrição precisa dos fenômenos ou o teste de hipóteses. Nas pesquisas deste tipo, o pesquisador sabe quais os aspectos de comunidade ou grupo que são significativos para alcançar os objetivos pretendidos. Por essa razão, elabora previamente um plano de observação (GIL, 1999, p. 114). Também é necessário que o pesquisador defina as categorias de análise e registre todas as informações que foram alcançadas por meio da pesquisa. 3.5 Questionário Cervo e Bervian (1996) colocam que o questionário também é um instrumental muito utilizado para ampliar a pesquisa de campo, para a coleta de dados e outras informações sobre o tema estudado. Basicamente, o questionário é composto por meio da elaboração de uma série de questões que estão relacionadas ao tema da pesquisa, ao problema que foi elencado para ser resolvido pela pesquisa. Para esses autores, o questionário deve ser elaborado por meio de questões de natureza impessoal e deve proporcionar também a garantia do anonimato dos entrevistados. Isso facilita a realização de 51 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL uma exposição real de opiniões já que o anonimato protege o entrevistado ao declarar suas opiniões. O questionário pode ser elaborado com questões abertas e fechadas, sendo que as questões abertas são as que permitem uma resposta livre, enquanto as fechadas demandam uma resposta precisa. Essas questões precisam ser muito bem elaboradas, sobretudo porque nem sempre o pesquisador consegue aplicar o questionário e dirimir as dúvidas que possam surgir durante o seu preenchimento. Já Gil conceitua o questionário como a técnica de investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas (1999, p. 128). Sendo que o autor nos diz que o questionário é um bom instrumento, porque nos permite alcançar um número elevado de pessoas, além de implicar menos custos para ser realizado e garantir o anonimato dos que participam da pesquisa. O autor ainda nos diz que o questionário é um instrumental flexível porque pode ser preenchido quando o entrevistado preferir. Gil (1999) também indica a realização de questões fechadas e abertas. Mas o autor indica ainda a elaboração de questões dependentes. Nas questões fechadas, “apresenta‑se ao respondente um conjunto de alternativas de resposta para que seja escolhida a que melhor representa sua situação ou ponto de vista” (op. cit., p. 129‑130). Já nas questões abertas “apresenta‑se a pergunta e deixa‑se um espaço em branco para que a pessoa escreva sua resposta sem qualquer restrição” (op. cit., p. 131). As questões dependentes são aquelas em que “uma questão depende da resposta dada a uma outra denominada dependente” (op. cit., p. 131). Gil (1999) indica ainda a necessidade de, após sua elaboração,o questionário ser aplicado em pré‑teste e indica a necessidade de tabulação dos dados obtidos, assim como a exposição dos dados por meio de uma análise do conhecimento que foi produzido. 3.6 Formulário O formulário é descrito por Cervo e Bervian como “uma lista formal, catálogo ou inventário, destinado à coleta de dados resultantes quer de observações, quer de interrogações, cujo preenchimento é feito pelo próprio investigador” (1996, p. 139). Os questionários demandam a assistência direta do pesquisador para serem preenchidos. Esses instrumentais precisam ser aplicados a grupos heterogêneos e também demandam a codificação e tabulação das informações obtidas. Concluímos assim os instrumentais que podem ser usados na pesquisa de campo e então vamos agora estudar o modelo de projetos de pesquisa da Universidade Paulista, assim como os mecanismos que devem ser adotados para o desenvolvimento de pesquisas com seres humanos. 52 Unidade I 4 O MODELO INSTITUCIONAL DE ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE PESQUISA Vamos discutir o modelo institucional para a elaboração de projetos de pesquisa, sobretudo aqueles projetos que serão desenvolvidos com base em pesquisas com seres humanos ou documentos e que, portanto, devem ser submetidos ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Paulista. Todas as informações constam no site da Universidade Paulista. Disponível em: https://www3.unip.br/ead. Acesso em: 17 ago. 2020. Figura 4 Nessa tela, você deverá clicar em “Pesquisas” e então acessar o link “Comitê de Ética em Pesquisa”. Figura 5 53 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Clicando em “Comitê de Ética em Pesquisa”, será aberta a seguinte tela: Figura 6 Nessa tela, teremos explicações sobre o Comitê de Ética em Pesquisa e a opção “Pesquisas envolvendo seres humanos”. Figura 7 Nessa tela, veremos as informações sobre o Calendário de Reuniões do Comitê de Ética, que serão as datas em que o Comitê se reúne para avaliação dos projetos de pesquisa. Para a avaliação, é necessário encaminhar o projeto ao menos vinte dias antes da data da realização da reunião. Também nessa tela teremos informações sobre a composição do Comitê de Ética, sobre o regimento interno que disciplina o funcionamento do Comitê e ainda as resoluções que foram emitidas por esse órgão. 54 Unidade I É também nessa tela que, acessando o link “Documentos Necessários”, poderemos ter informações sobre todos os documentos que precisam ser providenciados por alunos e orientadores e sobre sua submissão ao Comitê de Ética. Clicando em “Documentos Necessários”, será aberta a tela: Documentos Necessários Pesquisa envolvendo seres humanos Procedimentos para a submissão de projetos ao Comitê de Ética em Pesquisa da UNIP. A forma de submissão de projetos iniciais para análise do sistema CEP/CONEP passa a ser a Plataforma Brasil (a base nacional e unificada de registros de pesquisas envolvendo seres humanos). Sendo assim, o pesquisador deverá acessar a plataforma supracitada, cadastrar o seu projeto para análise do CEP Universidade Paulista – UNIP. Informação importante: favor consultar o calendário de reuniões do CEP antes de submeter o seu projeto na Plataforma Brasil. Observe as seguintes regras: • A pesquisa não pode ser iniciada antes da aprovação do Comitê de Ética. • O projeto deverá ser cadastrado com, no máximo, 30 dias entre as reuniões. Por exemplo: se a reunião for dia 09 de fevereiro, o primeiro dia possível para cadastrar o projeto na Plataforma Brasil será dia 09 de janeiro. Portanto, o projeto não poderá ser cadastrado antes do dia 09 de janeiro, pois correrá o risco de ter o prazo expirado e ser cancelado. • Os membros do Comitê de Ética necessitam de 30 dias para avaliar os projetos cadastrados. Nos meses de janeiro e julho não há reuniões do Comitê de Ética. Clique no link e acesse a Plataforma Brasil: http://plataformabrasil.saude.gov.br/login.jsf Para mais informações sobre o preenchimento e o trâmite de seu projeto de pesquisa, favor consultar o Manual do Pesquisador. O pesquisador principal deverá cadastrar os projetos de pesquisa (o projeto deve ser anexado na íntegra). *O pesquisador principal, na graduação, é o professor orientador de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) e de IC (Iniciação Científica). Obs.: alunos de graduação não podem efetuar o cadastro, somente o orientador responsável. *O pesquisador principal, na especialização, no mestrado e no doutorado é o próprio aluno. 55 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Caso a instituição onde a pesquisa será realizada (coparticipante) possua Comitê de Ética em Pesquisa aprovado pela CONEP, o aluno deverá, obrigatoriamente, enviar o seu projeto para o CEP da instituição, impossibilitando a apreciação deste CEP (independentemente se o aluno tiver vínculo com esta instituição). Atenção: na folha de rosto, a Instituição Proponente é a UNIP/Vice‑Reitoria Pós‑graduação CNPJ 06.099.229/0030‑46. A Instituição COPARTICIPANTE é aquela onde será realizada a pesquisa. Se a pesquisa for realizada em outra Instituição, deverá constar o CNPJ desta. Esta será a COPARTICIPANTE e a pessoa responsável deverá datar e assinar. Ex: prefeitura, creche, hospital etc. Obs.: para os cursos em EAD o documento deve ser assinado pelo coordenador do curso no campus sede – Cidade Universitária/Marginal Pinheiros). Disponível em: https://www3.unip.br/presencial/pesquisa/comite/pesquisa_seres_humanos/documentos.aspx. Acesso em: 17 ago. 2020. Sendo que, como se pode observar, o cadastramento do projeto no site é responsabilidade do orientador. Mas, para isso, é necessário que o aluno elabore o projeto de pesquisa. Observação Os documentos devem ser anexados pelo orientador junto ao site da Plataforma Brasil. Na mesma página do site da Universidade Paulista, temos as informações sobre quais documentos precisam ser providenciados para que a pesquisa seja submetida ao Comitê de Ética: 1. Carta de apresentação do Projeto de Pesquisa (.doc) endereçada ao CEP (assinada pelo pesquisador principal e com nome por extenso, de todos os participantes – alunos envolvidos; com ciência e assinatura do(a) orientador(a) e do(a) Coordenador(a) do curso), escaneada e anexada; 2. Intenção de Pesquisa (.doc): carta da instituição onde será realizada a pesquisa, com a assinatura do responsável pela instituição, telefone para contato e carimbo da instituição, escaneada e anexada; 3. Capa do Projeto de Pesquisa em que deverá constar: nome da instituição onde estuda e/ ou de vínculo; título do projeto; nome por extenso completo do orientador e dos participantes com o RA; nome do curso; campus e ano. 56 Unidade I 4. Projeto de Pesquisa, ver conteúdo a seguir: 4.1 Nome do projeto (título); 4.2 Introdução (revisão da literatura, objetivo geral, objetivos específicos e justificativa); 4.3 Material e métodos (descrição detalhada dos métodos da pesquisa, dos materiais e equipamentos a serem utilizados, da coleta e análise de dados, da natureza e tamanho da amostra, das características dos sujeitos, dos critérios de inclusão e exclusão, da duração do estudo e do local da pesquisa e dos aspectos éticos, em termos dos riscos e dos benefícios aos participantes) (Verificar a resolução 466/12 item V); 4.4 Cronograma da pesquisa atualizado; 4.5 Resultados esperados; 4.6 Os resultados obtidos com a pesquisa deverão se tornar públicos, sejam favoráveis ou não; 4.7 Referências bibliográficas (de acordo com as normas da ABNT ou Vancouver). 5. Verifique a seguir quais dos termos você deverá utilizar em seu projeto. Leia atentamente, preencha os campos cinza de acordo com o que está sendo solicitado e apague as instruções dentro destes mesmos campos, pois estas instruções não são deletadas automaticamente. Todos os termos devem ser assinados pelo pesquisador responsável (conforme a Folha de Rosto). Para análise do CEP, NÃO citar o(s) nome(s) do(s) sujeito(s) da pesquisa. Favor deixar em branco. Seguem os modelos: 5.1 Termode autorização para pesquisa em prontuário e termo de autorização para não utilização do TCLE (.doc) 5.2 Termo de Consentimento Livre Esclarecido (.doc) (Postar o documento preenchido e sem nenhuma assinatura prévia ou rubrica) 5.3 Termo de consentimento livre e esclarecido para menores de idade (.doc) e Termo de Assentimento para menores (.doc) (Documento obrigatório em todas as pesquisas que envolvam menores de idade). 5.4 Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para Pessoas Juridicamente Incapazes, Analfabetos Funcionais ou com Deficiência Auditiva, Visual ou Motora (.doc) Disponível em: https://www3.unip.br/presencial/pesquisa/comite/pesquisa_seres_humanos/documentos.aspx. Acesso em: 17 ago. 2020. Sendo que a carta de apresentação deve ser assinada pelo pesquisador responsável que, no caso da graduação, é o orientador do projeto de pesquisa. Nela, devem constar os nomes de todos 57 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL os pesquisadores, incluindo assim os nomes dos alunos. Já a Carta de Intenção da Pesquisa deve ser assinada por um representante da instituição onde a pesquisa irá acontecer. Nesse caso, os documentos, após assinados, devem ser digitalizados e inseridos como anexo no site da Plataforma Brasil. Saiba mais A capa deve essencialmente conter as informações: “nome da instituição onde estuda e/ou de vínculo; título do projeto; nome por extenso completo do orientador e dos participantes com o RA; nome do curso; campus e ano”. Veja mais informações no site da Unip: Disponível em: https://www3.unip.br/presencial/pesquisa/comite/pesquisa_ seres_humanos/documentos.aspx. Acesso em: 17 ago. 2020. É necessário ainda anexar o projeto de pesquisa, contendo os itens a anteriormente descritos. No site da Plataforma Brasil haverá campos que o orientador precisará preencher, baseando‑se no projeto de pesquisa elaborado pelos alunos. Portanto, é impossível preencher tais documentos se o projeto não estiver elaborado corretamente. Além do projeto há também os documentos: Termo de autorização para pesquisa em prontuário e Termo de autorização para não utilização do TCLE; Termo de consentimento livre esclarecido; Termo de consentimento livre e esclarecido para menores de idade; Termo de autorização para utilizar o Banco de Dentes da UNIP; e Termo de compromisso do pesquisador. Desses, o único não usado pelo Serviço social é o Termo de autorização para utilizar o Banco de Dentes da Unip. Os demais são usados em pesquisas pelo Serviço Social. Note que o Termo de consentimento livre e esclarecido para menores de idade deve ser usado apenas se a pesquisa envolver crianças e adolescentes. Sistematizando o que foi apontado, é preciso indicar que os projetos de pesquisa que serão realizados por meio de Revisão de Literatura não precisam ser submetidos ao Comitê de Ética. Já os que irão recorrer a pesquisas com seres humanos precisarão ser avaliados pelo referido Comitê, demandando então a elaboração da documentação em questão. Pesquisa bibliográfica Pesquisa de campo • Elaboração do projeto de pesquisa • Submissão ao orientador • Elaboração do projeto de pesquisa • Submissão ao orientador • Encaminhamento ao Comitê de Ética Figura 8 – Elaboração do projeto de pesquisa e encaminhamento ao Comitê de Ética 58 Unidade I Resumo Nessa unidade, retomamos alguns conceitos relacionados à pesquisa científica. Dessa forma, começamos nossos estudos refletindo sobre as diversas modalidades de pesquisa científica em pesquisa social, de acordo com uma série de teóricos que hoje são referência na compreensão da produção de conhecimento. Na sequência, iniciamos um tratamento a respeito da elaboração dos projetos de pesquisa. Para estimular você na revisão de seu projeto de pesquisa, inserimos várias orientações sobre o que cada item que compõe o projeto de pesquisa deve conter. Isso é importante porque pode levá‑lo a reelaborar seu projeto à luz dos conhecimentos e informações que estão sendo oferecidos. Cabe retomar que usamos como referência o modelo de Minayo (1999), sendo este composto pelos campos: (a) delimitação do problema; (b) objetivos; (c) justificativa; (d) base teórica e pressupostos conceituais e hipóteses; (e) metodologia; (f) cronograma; (g) estimativa de custos; (h) bibliografia e (i) anexos. Ainda nesse item, estudamos algumas colocações sobre o processo de orientação durante a elaboração do projeto de pesquisa e do Trabalho de Conclusão de Curso, destacando informações gerais sobre esse processo e indicando quais são as orientações que disciplinam legalmente esse processo de elaboração dos projetos e do TCC, posto que, como vimos, trata‑se de uma atribuição privativa dos assistentes sociais. Também foi feita menção à qualificação, conforme disposto no Plano de Ensino da Disciplina e tendo em vista as orientações dispostas pelo curso de Serviço Social da Universidade Paulista. Depois passamos à discussão dos tipos possíveis de pesquisa: a pesquisa de campo e a pesquisa bibliográfica. Vimos que há a possibilidade de se realizar uma pesquisa bibliográfica recorrendo a uma série de documentos, e também uma pesquisa de campo, ou seja, em que há recorrência à teoria, mas em que a pesquisa é assentada na observação e na sistematização de informações sobre a realidade. Vimos que ambas as modalidades são extremamente importantes e relevantes para o Serviço Social e que cada qual possui instrumentos e técnicas diferenciados de produção de conhecimento. Isso foi realizado para que você pudesse rever seu projeto de pesquisa e definir sobre qual enfoque irá organizá‑lo e consequentemente o seu Trabalho de Conclusão de Curso. Caso você ainda não tenha iniciado a elaboração de seu projeto de pesquisa solicitamos que o faça considerando rigidamente todas as orientações que foram propostas 59 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL nesse material. Para estimulá‑lo a compor um projeto próximo às orientações, em cada um dos itens, inserimos provocações por meio do Exemplo de Aplicação, a fim de convidá‑lo a comparar a sua produção, o seu projeto de pesquisa, com nossas orientações. Esperamos com isso que seu projeto, depois de produzido, esteja o mais próximo possível das recomendações aqui elencadas. Concluindo nossos estudos, apresentamos o modelo protocolar da Unip, que é indicado pela instituição, sobretudo para projetos de pesquisa que serão submetidos ao Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição. Nesse item, indicamos como deve ser o acesso ao sistema para adotar as medidas necessárias para o registro das informações no Comitê de Ética, sendo essa uma responsabilidade do orientador e sobre a qual o aluno deve estar ciente, posto que o projeto de elaboração de pesquisa é uma ação partilhada entre ambos. Assim, não há como o orientador requerer a aprovação ao Comitê de Ética se o aluno não elaborar previamente o projeto de pesquisa. Exercícios Questão 1. Pedro Afonso, aluno do curso de Serviço Social, tem como ideia realizar um TCC sobre as desigualdades sociais no Brasil. Ele elaborou um projeto de pesquisa em que constam os seguintes itens. Tema: desigualdades sociais no Brasil. Problema: o Brasil é um país extremamente desigual. Objetivo geral: estudar as desigualdades da sociedade brasileira. Com base no enunciado e nos seus conhecimentos, analise as afirmativas a seguir. I – O objeto de pesquisa está devidamente delimitado. II – O problema da pesquisa está bem formulado, pois afirma uma realidade incontestável. III – Pedro Afonso definiu um assunto, mas é necessário delimitar melhor o objeto, como, por exemplo: a diferença salarial entre homens e mulheres na cidade de São Paulo; o acesso a saneamento básico nas periferias de São Paulo. IV – O objetivo geral começa adequadamente com um verbo no infinitivo, mas é necessário que seja mais preciso. Por exemplo: estudar os fatores históricos que originaram as desigualdades entre brancos e negros. 60 Unidade I É correto o que seafirma em: A) I e II. B) III e IV. C) I, II e IV. D) II, III e IV. E) II e III. Resposta correta: alternativa B. Análise das afirmativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: o objeto ainda não está devidamente delimitado, pois é muito amplo. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: o problema deve apresentar uma pergunta que a pesquisa pretende responder. III – Afirmativa correta. Justificativa: o objeto é muito amplo, então é necessário que ele seja delimitado. IV – Afirmativa correta. Justificativa: o objetivo é vago, portanto é necessário que tenha mais precisão. Questão 2. Leia os quadrinhos a seguir. Disponível em: http://1.bp.blogspot.com/_H8nf5IO7N14/S_gmofyVXzI/AAAAAAAABnE/ 8G9RIpN1Ts0/s1600/a_era_das_incertezas_quadrinhos.gif. Acesso em: 19 jul. 2015. 61 TRABALHO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Com base na leitura e nos seus conhecimentos, analise as asserções e a relação proposta entre elas. I – As facilidades de propagação de informações na sociedade em rede possibilitam a divulgação de textos sem a correta referência, o que invalida a internet como fonte de pesquisa para trabalhos acadêmicos. PORQUE II – A referência correta a fontes e a redação autoral são duas características essenciais dos textos acadêmicos. Assinale a alternativa correta. A) As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I. B) As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II não justifica a I. C) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. D) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. E) As asserções I e II são proposições falsas. Resposta correta: alternativa D. Análise das asserções I – Asserção falsa. Justificativa: a possibilidade de referência incorreta ou de informação falsa não invalida a internet como fonte de pesquisa para trabalhos acadêmicos. II – Asserção verdadeira. Justificativa: mesmo que a possibilidade de referência incorreta ou de informação falsa não invalide a internet como fonte de pesquisa para trabalhos acadêmicos, os trabalhos acadêmicos devem prezar pela referência precisa e não podem conter plágios.