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Técnicas em necropsia Técnicas em recém-nascidos INSTITUTO DE NIVELAMENTO DE ENFERMAGEM – INENF Autora: Jéssica Leite Geralmente, a técnica de necropsia utilizada em fetos, recém-nascidos e lactentes é similar à que se emprega em indivíduos adultos, com algumas variações. Dificuldades: -Tamanho; -Instrumental apropriado; -Conhecimento especializado em patologia pediátrica. É o exame necroscópico especial, que tem por finalidade estabelecer a causa de morte intra-uterina (aborto) ou após o nascimento vivo (homicídio, infanticídio). Menos de 12 semanas ou menor que 70mm: -Corte global do embrião em fatias de aproximadamente 1 cm; -Exame em microscópio de dissecção. A partir do segundo trimestre de gestação: pode- se proceder à necropsia convencional. -Remoção dos órgãos em bloco para inspeção, por preservar a relação habitual entre os órgãos; -Deixando os rins, os ureteres e a bexiga in situ para exame posterior; -Visualização mais fácil de anomalias ou más-formações. Exame da cabeça: incisão bimastóidea. -Crianças maiores: serra; -Fetos e recém-nascidos: tesoura forte e corte em formato de cruz, no sentido das fontanelas e linhas de sutura, separando-se os ossos como se fossem pétalas de uma flor. Deve-se ter muita cautela na retirada do encéfalo: consistência amolecida, podendo-se desfazer durante a extirpação. Alguns serviços recomendam a fixação prévia do encéfalo em solução de formol, após a coleta de material para exames microbiológico e toxicológico, quando necessários, antes de ser removido por técnica idêntica à usada em indivíduos adultos. 1- Aplica-se a tesoura na porção central da fontanela anterior ou bregmática; 2- Direcionando-se o corte inicialmente para frente, ao longo da sutura metópica; 3- Em seguida, para trás, em sentido longitudinal, até atingir a fontanela posterior ou lambdóide, no nível do osso occipital; 4- Depois, partindo do mesmo ponto inicial, realiza-se a incisão na sutura coronal, entre o osso frontal e os parietais, bilateralmente; 5- Afastamento manual dos retalhos ósseos assim obtidos e subseqüente exposição do encéfalo envolto nas leptomeninges, uma vez que a dura-máter costuma estar muito aderida aos ossos nessa fase da vida e sai presa a eles, quando abertos e afastados pela técnica descrita. Técnica de Beneck: consiste na abertura separada do hemicrânio direito do esquerdo, respeitando-se a foice cerebral e acompanhando as suturas frontal, metópica, bregmática, lambdóide, de tal sorte que permaneça na cavidade ambos os hemisférios cerebrais e as leptomeninges (aracnoide + pia-máter). Exame da coluna vertebral: para a extração da medula espinal segue o mesmo método indicado para adultos. -Emprego de tesouras que permitem liberar e seccionar as lâminas vertebrais com facilidade, uma vez que estas ainda não se encontram ossificadas. Incisão externa: -Pode ter início na região submentoniana ou biacromial, seguindo a linha média nas regiões esternal e epigástrica; -Deverá cercar o umbigo de ambos os lados, com desvio oblíquo para baixo e para fora, em forma de "V" invertido, até atingir as fossas ilíacas, no nível das eminências pectíneas,para garantir a integridade dos vasos sanguíneos umbilicais durante a sua apreciação. Determinação se o feto apresentou respiração espontânea ou não: DOCIMÁSIAS PULMONARES (natimorto ou nascido vivo) O pulmão que não respirou: apresenta coloração vinhosa, consistência carnosa similar ao fígado, não cobre a área cardíaca, achando-se encostado ao canal vertebral, não crepita ao corte e não flutua na água. O pulmão que respirou: aquele que respirou tem tonalidade rosada, consistência macia ou elástica, mostra-se expandido, com cobertura parcial anterior do saco pericárdico pelo esquerdo, crepita ao corte e quando espremido sob a água, além de flutuar nela. “No âmbito jurídico a docimasia é relevante porque contribui para a determinação do momento da morte, pois se a pessoa vem à luz viva ou morta, as conseqüências jurídicas serão diferentes em cada caso.” Docimásia pulmonar hidrostática de Galeno: quando colocados numa vasilhame com água. Docimásia pulmonar histológica: verificação dos alvéolos pulmonares, pois, se houve respiração, apresentarão dilatação uniforme e, caso contrário, as paredes alveolares estarão coladas Placenta: Inspeção das membranas fetais, de suas superfícies do lado fetal e materno e do cordão umbilical. Descrição de extrema importância no exame necroscópico em tela é o estudo da placenta, do cordão umbilical e do concepto, posto que diversas patologias nos anexos incorrem na morte fetal. Placenta proporciona nutrição, a troca gasosa, remoção de resíduos, uma fonte de células-tronco hematopoiéticas, endócrino e imunológico suporte para o feto em desenvolvimento; Saco amniótico é similar a uma bolsa, preenchida com um liquido (o líquido amniótico), e tem como função proteger o feto de choques térmicos e mecânicos que podem ocorrer durante a gestação; Líquido amniótico é produzido com água do corpo da mãe, a partir do quarto mês de gestação, os rins do bebé começam a funcionar e tomam a seu cargo a produção do líquido que passa a ser constituído, sobretudo, por urina fetal. Cordão umbilical: permite a comunicação entre o embrião e a placenta, constituído por duas artérias e uma veia, além de um material gelatinoso, a geleia de Wharton. O cordão umbilical é responsável por garantir a nutrição do feto e a troca gasosa que é feita da seguinte maneira: a veia umbilical transporta sangue rico em oxigênio proveniente da placenta e as artérias umbilicais transportam sangue pobre em oxigênio, assim a placenta é responsável em exercer o papel dos pulmões, já que os mesmos ainda não estão funcionando.