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Conceitos em cirurgia tradicional, laparoscópica, robótica e endoscópica Conceito de técnica cirúrgica: codificação de regras que presidem a realização de um ato cirúrgico baseado num rigoroso método das manobras fundamentais com o objetivo de eliminar-se, na medida do possível, a improvisação. Os movimentos devem ser precisos e resolutivos; O tempo não deve ser desperdiçado, porém a pressa não é a adequada ao ato cirúrgico eletivo; Preservar o quanto possível a função de um órgão, e não somente extirpar; Prever e minimizar as alterações bioquímicas e fisiopatológicas consequentes à intervenção. CIRURGIA TRADICIONAL LAPAROTOMIAS Abertura cirúrgica da cavidade abdominal Longitudinais A. Mediana o Supra-umbilical o Infra-umbilical B. Paramediana o Pararretal interna supra-umbilical o Pararretal interna paraumbilical o Pararretal interna infra-umbilical o Pararretal interna xifopúbica o Transretal o Pararretal externa supra-umbilical o Pararretal externa infra-umbilical C. Transversais o Supra-umbilical parcial e total o Infra-umbilical parcial e total D. Oblíquas o Subcostal o Oblíqua baixa E. Lombo-abdominais (Lombotomia) F. Toraco-Freno-Laparotomias Finalidades: Como via de acesso a órgãos intra-abdominais em cirurgias eletivas; Como método diagnóstico (laparotomia exploradora); Como via de drenagem de coleções líquidas (drenagem de abscessos intra- abdominais). Incisão mediana (“incisão universal”) Permite a realização de qualquer cirurgia intra-abdominal; Acesso aos órgãos supramesocólicos, inframesocólicos e pélvicos; Incisão mais realizada nas urgências e emergências; Incisão mais utilizada em laparotomias exploradoras. Incisões paramedianas: são realizadas 1,5 a 2cm da linha mediana. Secciona-se a lâmina anterior da bainha do músculo reto abdominal afastando-o lateralmente (interna), medialmente (externa) ou divulsionando suas fibras (transretal). Incisões transversais Pfannenstiel: realizada na borda do púbis, muito utilizadas em cirurgias ginecológicas para acesso ao abdômen inferior e pelve. Incisões oblíquas Subcostal (Kocher) paralela e próxima ao rebordo costal desde o apêndice xifoide até o flanco. Permite acesso à vesícula e as vias biliares à direita e ao baço e adrenal à esquerda. Mcburney realizada na fossa ilíaca direita empregada em apendicectomias. Chevron realizada no andar superior, paralela ao rebordo costal ultrapassando-se a linha média, “forma de V invertido”, utilizada em cirurgias hepáticas e pancreáticas. Lombotomia ou lombo-abdominal: tem início no ângulo costo-muscular sobre a 12º costela, cruza a região costo-ilíaca passando para a face anterior do abdômen e terminando junto à borda lateral do músculo reto anterior. Acesso ao retroperitônio (rim, ureter, veia cava, aorta). Escolha da incisão: Experiência pessoal do cirurgião; Permite acesso fácil ao órgão-alvo; Oferece campo cirúrgico suficiente para que as manobras cirúrgicas sejam executadas com segurança; Possibilitar reconstituição da parede abdominal de forma anatômica, funcional e estética. CIRURGIA LAPAROSCÓPICA Princípio do tratamento minimamente invasivo, com menor grau de agressão cirúrgica se comparado com as técnicas cirúrgicas tradicionais. Se caracteriza por um acesso às cavidades corporais através de mínimas incisões. Exposição mínima das vísceras diminui significativamente a dor e o trauma metabólico no pós-operatório; Alta hospitalar precoce; Necessita de equipamento sofisticado que produza excelente qualidade de imagem e mantenha um campo operatório de forma constante e segura; Microcâmera; Laparoscópio (ótica): acoplado à microcâmera capta as imagens. Imagem magnificada em 20x. Possui especificações quanto ao diâmetro e angulação da lente; 0º, 30º, 70º; Monitor; Fonte de luz; Insuflador eletrônico: injeção de CO2, manter pressão constante entre 12mmHg e 15mmHg, insuflar inicialmente com fluxo máximo de 2L; INSTRUMENTAL LAPAROSCÓPICO REALIZAÇÃO DO PNEUMOPERITÔNIO Injeção de gás para dentro cavidade promovendo a distensão da parede abdominal e o afastamento das alças intestinais possibilitando a existência do campo cirúrgico. A introdução da agulha de Veress ou do primeiro trocarte denomina-se “fase cega”, não há visualização direta das estruturas intra-abdominais pelo cirurgião. Agulha de Veress possui um mecanismo de proteção retrátil de sua extremidade cortante. Posição em decúbito dorsal e trendelenburg (deslocar as vísceras no sentido cranial). Sondagem vesical (evitar punção inadvertida da bexiga). Região umbilical é o sítio preferencial para a introdução da agulha de Veress. o Menor espessura da parede abdominal (praticamente pele e peritônio); o Pouco vascularizada; o Permite resultado estético favorável. Técnica de Hasson (laparoscopia aberta). o Incisão de aproximadamente 1,5 cm; o Dissecção dos planos e abertura do peritônio; o Introdução do trocarte e fixação do mesmo. ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS NO PNEUMOPERITÔNIO O gás utilizado é o CO2, não combustível (permite o uso do eletrocautério) e alta difusibilidade sanguínea (diminui a possibilidade de embolia gasosa); Aumento da pressão intra-abdominal causa afluxo do sangue hepático e esplênico promovendo aumento da volemia; Compressão da veia cava acarretando diminuição do retorno venoso e, consequentemente, queda da volemia; Deslocamento do diafragma no sentido cranial causando restrição pulmonar; Aumento da absorção de CO2 associada ou não a queda de eliminação por restrição pulmonar pode causar acidose respiratória por hipercapnia; CO2 apresenta características simpaticomiméticas podendo provocar vasoconstrição da arterial renal e alterações cardíacas. As posições e a quantidade de portais variam de acordo com o procedimento cirúrgico a ser realizado. Riscos relacionados a punção: o Lesão de alça intestinal; o Lesão de bexiga; o Lesão de vasos mesentéricos; o Lesão de grandes vasos retroperitoniais. Inspeção da cavidade: o Detectar lesões inadvertidas ocorridas durante a insuflação e a inserção do primeiro trocarte; o Exclusão de outras patologias intra-abdominais não diagnosticadas previamente. CIRURGIA ROBÓTICA Aplicação da tecnologia robótica no planejamento e na execução de procedimentos cirúrgicos. Substituição dos instrumentos manuais utilizados em cirurgia aberta ou laparoscópica. Múltiplos braços operados remotamente de um console com visualização vídeoassistida. Vantagens: o Visualização 3D e auto visualização do campo operatório; o Maior mobilidade das garras robóticas; o Eliminação de tremores manuais; o Posição ergonômica do cirurgião. INSTRUMENTAL ROBÓTICO CIRURGIA ENDOSCÓPICA Acesso a órgãos ou cavidades realizado através de orifício natural com o uso de dispositivos ópticos. NOMENCLATURA – MANOBRAS Anastomose – formação de passagem entre dois órgãos Centese – punção Dese – fixação, fusão Ectomia – excisão, extirpação Lise – liberação, dissolução Pexia – fixação Plastia – formação, moldagem Rafia – sutura Stasia – detenção, parada Stomia – criação de uma abertura Tomia – corte, incisão Tripsia – fragmentação NOMENCLATURA – ÓRGÃOS Cardi – coração Condr – cartilagem Cefal – cabeça Colecist – vesícula biliar Braqui – braço Estomat – boca Cist – bexiga Piel – pelve renal (bacinete) Artr – articulação Proct – ânus Dactil – dedo Fren – diafragma Gastr – estômago Hepat – fígado Enter – intestino Aden – glândula Gloss – língua Rin – nariz Oftalm – olho Oste – osso Blefar – pálpebra Pod– pé Derm – pele Pneum – pulmão Nefr – rim Orquid – testículo Salping – trompa Hister – útero Colp – vagina