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Modernidade e escravidão?
O Rio de Janeiro do século XIX representava um “mundo” de diversidades e contradições. Se, por um lado, a cidade mais importante do Brasil era progressista, moderna, desfilava as últimas modas de Paris, possuía charmosos cafés e restaurantes com chefs internacionais, também era o local do trabalho escravo, da violência e da pobreza.
Como poderia o Rio de Janeiro, que tanto buscava se modernizar, conviver com uma prática um tanto retrógrada como a escravidão que perdurou até 1888?
Com a vinda da família real (1808) e o Rio de Janeiro passando a ser a capital do Reino, aumentaram as responsabilidades e inúmeras transformações nos espaços urbanos ocorreram para que se tornasse um local salubre e que fosse um cenário real.
Porém em contradição, ainda se convivia com o trabalho escravo, conforme diz Lilia Moritz Schwarcz, que a “escravidão representava o limite e a contradição fundamental dessa corte de cenários”.
Com vistas a modernização política, e com o apoio ao reconhecimento da independência do Brasil, a Inglaterra impõe a condição a assinatura do tratado que proibia o tráfico negreiro. A Inglaterra foi um grande combatente do tráfico negreiro, mas não pelo interesse de acabar com a escravidão, mas na produção para abastecimento das indústrias inglesas.
Em 1850, é promulgada uma lei que proíbe o tráfico de africanos. Em 1871, a Lei do Ventre Livre define como liberto aquele nascido de mãe escrava. A escravidão só foi abolida no Brasil em 1888, onde o trabalho escravo tornou-se ilegal, sendo o acontecimento que mais trouxe impacto no Brasil (DOLHNIKOFF, 2017). 
Apesar da modernização do Rio de Janeiro, existia a preocupação com a questão econômica, pois o fim da escravidão seria um suicídio econômico, pela dependência da economia brasileira (PINSKY (2010, p.111), e apesar do tratado ter entrado em vigor em 1930, ano em que o tratado entra em vigor e promulgação de uma lei em 1931, que proibia o tráfico de escravos, esse expira em 1944, o governo brasileiro se recusa a renová-lo.
E mesmo com o fim do tráfico de escravos oriundos da África, começa-se a compra de escravos dentro do território brasileiro, dando início ao tráfico interno (2010, p.115), que perdurou por muitos anos e que retrata a indiferença a essa realidade e que tem impacto na sociedade atual com o cerceamento de liberdades. 
REFERÊNCIAS
PINSKY, Jaime. A escravidão no Brasil. 21 ed. São Paulo: Contexto, 2010. Disponível na Biblioteca virtual.
DOLHNIKOFF, Miriam. O fim da escravidão. In. DOLHNIKOFF, Miriam. História do Brasil Império. São Paulo: Contexto, 2017. Disponível na Biblioteca Virtual. (Pág 109-130)
SCHWARCZ, LM. Uma corte de cenários: a escravidão. Disponível em: http://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/estude/historia-do-brasil/bibliografia