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METODOLOGIA DO FUTEBOL E DO FUTSAL Patrick da Silveira Gonçalves Abordagem histórico- evolutiva do futebol e do futsal Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer o processo evolutivo das práticas de futebol e futsal no Brasil e no mundo e sua relação com a Educação Física. � Identificar as diferentes formas de prática do futebol e do futsal. � Contrastar as diferenças existentes entre a prática do futebol e do futsal em culturas distintas. Introdução O futebol e o futsal são modalidades esportivas praticadas por indivíduos de todas as classes sociais e que habitam diferentes continentes. Apesar de compreender um dos esportes mais praticados do mundo, o futebol, uma evolução de jogos primitivos desenvolvidos por tribos da Antiguidade, nem sempre foi acessível, estando restrito apenas a elites econômicas em determinados períodos da história. O futsal, ao contrário, surgido da prática do futebol e quando este já estava bastante difundido, foi sempre praticado por indivíduos de diferentes classes sociais. Atualmente, ambas as práticas são bastante acessíveis e utilizadas com fins pedagógicos, recreativos ou de competição. Suas amplas possibilida- des e a sua adesão por milhões de praticantes acabam modificando as duas modalidades, com significados e valores conforme cada sociedade. Neste capítulo, debateremos como o futebol e o futsal se constituíram ao longo dos anos, formando as práticas tal como conhecidas no cotidiano de muitos brasileiros. Processo evolutivo das práticas de futebol e futsal e suas relações com a Educação Física Tanto o futebol quanto o futsal são práticas corporais difundidas mundial- mente. Embora muito parecidas, a origem de cada uma delas data de períodos distintos, visto o futsal ter sido desenvolvido a partir das práticas do futebol. A seguir, apresentaremos os principais aspectos relacionados à origem e ao desenvolvimento do futebol e do futsal. História e evolução do futebol Como esporte institucionalizado, o futebol compreender uma prática corpo- ral bastante recente em comparação à história da humanidade. No entanto, diferentemente de outros esportes, não foi inventado de maneira intencional para atender a necessidades específicas de grupos sociais, como o caso do basquetebol e do voleibol, que surgiram para suprir as carências de práticas esportivas de algumas comunidades norte-americanas. O futebol surgiu como uma evolução de jogos praticados com bola, incorporados e aperfeiçoados pela sociedade até chegarmos à expressão tal qual conhecemos hoje e que mobiliza milhões de praticantes ao redor do mundo (MURAD, 1996). Uma dessas práticas rudimentares era praticada na antiga China por volta do ano 2600 a.C. Denominado denominado Tsü Tsü, tratava-se de um ritual de praticado pelas tribos. Após os combates e guerras, um dos grupos tribais acabava por ser totalmente dizimado e, posteriormente, tendo suas cabeças decapitadas. A tribo vencedora, então, realizava um ritual que se assemelhava à prática do futebol utilizando-se da cabeça do chefe inimigo e/ou com a cabeça dos guerreiros inimigos considerados mais valentes da tribo. Ainda na Antiguidade, há indícios de prática de jogos parecidos com o futebol em sociedades como a Grécia e o Japão (LEONCINI, 2001). Mais recentemente, podemos vislumbrar o surgimento do calcio, que, na tradução literal do italiano, significa “coice” ou “chute”. Surgido na Itália, no século XIV, consistia em uma prática de lazer reservada à nobreza com base em uma disputa realizada por duas equipes compostas, cada uma, por dezenas de pessoas. Para melhor adequar a atividade aos espaços de realização e possibilitar uma prática mais organizada, o número de atletas era limitado a 25 ou 30 indivíduos na nobreza por equipe. Importante destacar que o calcio foi uma das primeiras formas de depurar as práticas com bola de maneira quantitativa e pela classe social. Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal2 No século XVII, quando já era bem popular em diversas regiões da Itália, o calcio foi levado para a Inglaterra por Carlos II, membro da realeza britânica, que cumpriu parte do seu exílio na Itália, quando perdeu o trono, ao ter sido convidado a restaurar o seu posto político. Nesse período, nos burgos (espécies de vilas onde produtos eram comerciados) da Bretanha, o mob football (futebol popular) era praticado nos jogos sem muitas regras e com bastante violência, compondo a terça-feira gorda de carnaval. Nessa perspectiva, Leoncini (2001, p. 130) aponta que: Essa primeira “reinvenção” do futebol pela elite inglesa está bastante asso- ciada à noção dos burgueses sobre cultura: a atividade cultural é uma coisa desinteressada, lúdica, porém ela deve proporcionar o que eles chamam de “lucro da distinção” — o “novo” jogo, agora esporte, se diferencia dos jogos populares por não ser comum (isto é, não estar ligado a circunstâncias es- peciais, como só ser praticado na terça-feira feira de carnaval) e por não ter motivo ou função social, a não ser a de caráter lúdico. A aplicação de regras universais necessárias à prática futebol surgiu a partir da prática por diferentes instituições, localizadas nas mesmas cidades, regiões e países. Para regular o esporte a fim de que pudesse ser compreendido por todos os praticantes e realizado por sujeitos de diferentes instituições, as regras começaram a se formar no interior de instituições de ensino da Inglaterra entre os anos de 1845 e 1862 (ELIAS; DUNNING, 1992). Uma das grandes contribuições para a difusão do esporte foi a Revolução Industrial ocorrida entre os séculos XVIII e XIX, quando muitas vias entre cidades, destinadas ao transporte das manufaturas, foram abertas. Apesar de as escolas pertencerem quase exclusivamente às elites, não demorou para que a prática do futebol também se difundisse entre os trabalhadores e por aqueles que que tinham tempo ocioso. A rápida ascensão do futebol possibilitou a criação de diversos clubes e sua inclusão em associações de esportes de bola, das quais outros esportes, como o rugby, bastante popular à epoca, faziam parte. Em 1863, os adeptos do rugby não aceitavam um jogo em que era proibido segurar a bola com as mãos, fato que fez com que se separassem da associação que também contemplava o futebol. Com isso, deu-se origem à The English Football Association (EFA), primeira associação inglesa de futebol. Em pouco tempo, cerca de oito anos após a sua criação, a associação já contava com aproximadamente 50 clubes afiliados. 3Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal Com as regras de futebol bastante definidas, os primeiros campeonatos e torneios foram organizados com a participação de clubes locais. Sua expansão foi muito rápida. Em 30 de novembro de 1972, deu-se a primeira partida oficial entre seleções nacionais. Na ocasião, as seleções da Inglaterra e da Escócia se enfrentaram em um jogo que terminou em um empate sem gols. Com muitos trabalhadores e indivíduos com tempo ocioso praticando o esporte em seu momento de lazer, diferentemente dos membros das elites, que se detinham à prática nas escolas e nos clubes, logo começaram a sur- gir campeonatos com jogadores cada vez mais habilidosos. E, apesar de os membros das elites não desejarem a profissionalização do esporte, justamente pelo fato de os membros das classes trabalhadoras demonstrarem ser mais habilidosos, comprometendo o seu desempenho e a consequente derrota para indivíduos pertencentes a classes sociais menos privilegiadas, esse fato veio a acontecer em 1885. Praticamente com a profissionalização, deu-se também a difusão do futebol em diversos países pertencentes à Europa. Nesse processo de rompimento de fronteiras, o futebol levou consigo suas regras, vestimentas e linguagem, além dos hábitos de indivíduos que se propunham apenas a assistir aos jogos. Nesse sentido, podemos elaborar que o futebol, como umaprática esportiva voltada ao espetáculo, surgiu no final do século XIX. Na última década daquele século, foram encontrados os primeiros registros de espectadores em partidas de futebol condicionados ao pagamento de ingressos (ELIAS; DUNNING, 1992). Com os frequentes processos migratórios ao longo do século XX e a presença do Império Britânico em diversas colônias, o futebol se espalhou pelo mundo. No Brasil, o futebol institucionalizado chegou ainda no século XIX. Em 1894, Charles Miller, estudante filho de ingleses radicados em São Paulo, local de seu nascimento, após retornar de seus estudos na Inglaterra, trouxe consigo duas bolas de futebol e o conhecimento das regras que aprendera na escola que frequentou. E, da mesma forma como os primórdios do futebol moderno, a prática se destinava aos clubes frequentados pelas elites paulistas. No entanto, conforme aponta Leoncini (2001, p. 18), cabe destacar que, “[...] na mesma época, paralelamente a esta história oficial, vinha sendo gestado, Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal4 no seio das camadas populares, um processo subterrâneo, clandestino, de paixão, de divulgação e prática futebolísticas [...]”. Os primeiros campeonatos restringiam-se às elites. Os times compostos por trabalhadores, negros e brancos pobres que ocupavam as periferias obtinham pouco espaço para a participação em torneios oficiais. Isso se estendeu pelas primeiras décadas do século XX e foi rompido em 1924, quando o Vasco da Gama conquistou pela segunda vez, e de maneira invicta, o campeonato carioca com uma equipe composta predominantemente por negros e pobres (LEONCINI, 2001). Entre as décadas de 1930 e 1960, passaram a surgir os “mitos” do futebol. Esse é o caso de Leônidas da Silva, que ficou conhecido como Diamante Negro após brilhantes atuações em jogos na Europa. Nesse modo, surgiu o conceito de semiprofissionalismo e aumentaram os times de várzea, que participavam de jogos para receber recompensas financeiras baixas e dos quais muitos dos jogadores tinham uma profissão principal como forma de sustento. Entre as décadas de 1950 e 1970, o futebol era amplamente praticado no país, o que fez se manifestar diversos jogadores habilidosos. A profissionali- zação do esporte possibilitou o surgimento de departamentos compostos por massagistas, preparadores físicos, dentistas e médicos, ampliando ainda mais o desempenho do atleta. Como consequência, a seleção brasileira de futebol conquistou pela terceira vez o campeonato mundial, surgido ainda em 1930 em uma edição disputada no Uruguai (LEONCINI, 2001). Após a década de 1970, podemos observar a urbanização constante do território brasileiro e a falta de políticas públicas de fomento às práticas es- portivas, extinguindo os campos de várzea e, consequentemente, limitando a prática do esporte a clubes. Por isso, é possível verificar uma escassez de craques esportivos principalmente após a década de 1990. Há, também, certa padronização do modo de jogar, com métodos de treinamentos físico e tático importados da Europa, “fabricando” jogadores para serem vendidos e realizar a manutenção dos clubes de futebol. História e evolução do futsal A prática do futsal é bastante recente se comparada ao futebol. Embora não haja um consenso sobre a sua origem específica, as duas versões mais difundidas apontam para o mesmo período: entre as décadas de 1930 e 1940. Para ambas, dois locais diferentes são apontados. A primeira faz referência às quadras de basquete da Associação Cristã de Moços (ACM), de Montevidéu, no Uruguai, 5Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal e a segunda aponta as quadras da ACM de São Paulo, no Brasil (VIEIRA; FREITAS, 2007; VOSER, 2003). Na versão de origem uruguaia, cabe destacar que, no ano de 1930, o mundial de futebol foi disputado no Uruguai e conquistado pela seleção do país, a qual já havia conquistado o ouro olímpico nas edições de 1924 e 1928. Pode-se imaginar, portanto, que o futebol estava em alta no Uruguai na década de 1930. A ampla procura por lugares para praticar o futebol impossibilitou a prática pelos uruguaios em virtude dos poucos espaços disponíveis. Assim, a falta de campos de futebol levou os praticantes a adaptarem a modalidade do futebol em ginásios, a qual foi batizada de indoor-football. Ao ver seus alunos prati- cando futebol nos ginásios, o professor da ACM, Juan Carlos Ceriani Gravier, decidiu elaborar um conjunto de regras para organizar a prática. Para tanto, espelhou-se em regras e modos de jogar do basquete, do futebol, do handebol e do polo aquático. A partir dessa demarcação, teria surgido o futebol de salão (VIEIRA; FREITAS, 2007). Na versão brasileira, Voser (2003) explica que adeptos de futebol em São Paulo, ainda na década de 1940, pela impossibilidade de encontrar campos livres para jogar, passaram a praticar o esporte em quadras de basquete e de hóquei. Embora a versão uruguaia apresente maiores fontes históricas sobre a criação do futebol de salão, o que mantém a ideia de o esporte ser genui- namente brasileiro é o fato de a primeira instituição reguladora, a Federação Metropolitana de Futebol de Salão, ter surgido no Rio de Janeiro em 1954, o que tornou a prática regimentada. De todo modo, o futebol de salão, em seu início, necessitou de algumas modificações em relação ao futebol. Em especial, o número de jogadores deveria ser reduzido, convencionando-se a quantidade de cinco atletas em virtude da redução do espaço para a prática. Outra importante modificação referiu-se à bola, que passou a ter dimensões menores e ser mais pesada, para facilitar os chutes e passes em uma quadra mais rígida. Esta última mudança fez o futebol de salão também ficar conhecido como o “esporte da bola pesada”. A primeira principal instituição do futebol de salão é a Federação Interna- cional de Futebol de Salão (FIFUSA), criada em 1971, que realizou o primeiro campeonato mundial em 1982 envolvendo 10 países. Com o sucesso desse mundial, o esporte chamou a atenção da Federação Internacional de Futebol (FIFA), que criou o termo “futsal” e promoveu dificuldades para que a FIFUSA organizasse seus campeonatos. Além disso, a FIFA proibiu que outras entidades utilizassem o termo “futebol”, obrigando a FIFUSA a mudar o nome de sua modalidade. Em resposta, a FIFUSA alterou o nome para Fut-Sal FIFUSA às vésperas do mundial de 1985. As duas modalidades seguiram praticamente as Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal6 mesmas, com mudanças de regras pontuais para não permitir que confederações pertencentes a uma entidade migrassem para a outra. Apesar das tentativas de aproximação e integração entre as duas entidades, cada uma seguiu com sua modalidade por diversos anos. Com os atrativos financeiros e de visibilidade que a FIFA propunha, muitas confederações nacionais abandonaram a FIFUSA e passaram a integrar a FIFA. Com esse enfraquecimento, a FIFUSA foi desativada em 2004. E, embora algumas ten- tativas de reativação tenham sido empenhadas, não obtiveram êxito, tornando o futsal da FIFA a principal prática da atualidade. A grande aderência do futebol e do futsal no contexto brasileiro permite que sejam dois dos esportes populares mais praticados no país. Com isso, é evidente que essa prática corporal seja tematizada nas aulas de Educação Física escolar e constitua um campo de trabalho de muitos profissionais da área. Na Educação Física escolar, é importante destacar que o futebol não repre- senta uma aprendizagem obrigatória por parte dos estudantes, mas, estando alocado dentro das práticas esportivas e sendo um elemento que faz parte da cultura local de muitas instituições de ensino, é comum a tematização da sua prática. Para além da mera prática esportiva, nesse contexto, o futebol pode auxiliar na construção de repertório motor e fomentar a reflexão dos valores intrínsecos ao futebol. Além daqueles referentes à cooperação e ao “espírito de equipe”,é importante que o professor consiga articular os valores atribuídos pela sociedade à prática esportiva, como o consumismo, a espetacularização, o acesso à prática e a construção histórica da modalidade, ressaltando os aspectos que busquem a cidadania e a criticidade (BRASIL, 2017). Em outros contextos, como nas escolinhas esportivas que visam à formação de atletas e nas práticas recreativas, o futebol apresenta a possibilidade de: Prática de atividade física para promoção da saúde; parte da aprendizagem e refinamento motor; como ferramenta de socialização do indivíduo e, talvez, o mais vislumbrado pela sociedade de modo geral: a chance de ascender na vida por meio da profissionalização do esporte, focando a diretriz da disci- plina na promoção de atletas e/ou descoberta de novos talentos (FERREIRA; MOREIRA, 2017, p. 78). Tanto o futebol quanto o futsal são praticados de diferentes formas e em contextos distintos. A prática em diferentes culturas e abordagens faz com que esses esportes sejam constantemente reinventados e ressignificados, dando origem a novas formas de praticar. A seguir, apresentaremos algumas dessas diferentes formas de prática de futebol e futsal. 7Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal Diferentes formas de prática de futebol e futsal Os esportes estão bastante presentes na atualidade, constituindo-se como uma das principais práticas corporais realizadas em escolas, clubes, associações e parques. Boa parte da cultura esportiva que atravessa a sociedade está relacionada à espetacularização que os esportes vêm sofrendo ao longo dos anos, ocupando boa parte das programações de televisão, rádio e outras mídias informativas. Além disso, o marketing esportivo tem induzido as pessoas a praticar esportes e, com isso, consumir os produtos divulgados pelos atletas campeões (MASCARENHAS, 2012). Para além desse fenômeno de transfor- mação do esporte em um produto a ser consumido, devemos ressaltar seus benefícios para indivíduos e grupos sociais. A prática esportiva é uma grande aliada para o bem-estar social da po- pulação, isto é, os benefícios que os esportes trazem para os sujeitos que os praticam estão bastante relacionados aos índices de qualidade de vida. Pelo esporte, sobretudo aqueles que envolvem a prática de atividade física, como o futebol e o futsal, torna-se possível combater o sedentarismo, assim como outras doenças crônicas de ordem biológica ou psicossocial comuns em não praticantes. A importância da prática de atividades físicas de uma população é muito evidente, tanto que muitos países tornam o incentivo a programas de atividades desportivas um direito individual garantido por lei. No Brasil, por exemplo, a prática dos esportes é expressa na Constituição Federal, carta magna que rege a sociedade brasileira, definindo no artigo 217 que: É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um, observados: I — a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento; II — a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento; III — o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não pro- fissional; IV — a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional. § 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às com- petições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei. § 2º A justiça desportiva terá o prazo máximo de sessenta dias, contados da instauração do processo, para proferir decisão final. § 3º O Poder Público incentivará o lazer, como forma de promoção social (BRASIL, 1988, documento on-line, grifo nosso). Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal8 Nesse momento, cabe ressaltar que o esporte não é a única forma de ex- pressão de atividades físicas. E, para explicitar as possibilidades de práticas corporais, desde já definimos o conceito de esporte. Entre as diversas possi- bilidades de práticas corporais, como jogos, brincadeiras, ginásticas, danças e lutas, o esporte diferencia-se por compreender atividades caracterizadas e orientadas pela comparação de determinado desempenho entre indivíduos ou grupos (adversários), regido por um conjunto de regras formais e institucio- nalizadas por organizações (BRASIL, 2017). Ainda que o conceito de esporte possa nos induzir a pensá-lo como uma prática corporal que apresenta certa espetacularização, como é comum vislum- brar nos ginásios, nos estádios e nas competições de atletas de elite, ele não se restringe apenas a esse espaço. Nesse sentido, surgem as diversas formas de manifestação esportiva. Retornando aos aspectos legais do esporte, podemos evidenciar que a Lei Federal n.º 9.615/98, conhecida no âmbito esportivo como “Lei Pelé”, discorre em seu artigo 3 que: O desporto pode ser reconhecido em qualquer das seguintes manifestações: I — desporto educacional, praticado nos sistemas de ensino e em formas assistemáticas de educação, evitando-se a seletividade, a hipercompetitividade de seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua formação para o exercício da cidadania e a prática do lazer; II — desporto de participação, de modo voluntário, compreendendo as modalidades desportivas praticadas com a finalidade de contribuir para a integração dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção da saúde e educação e na preservação do meio ambiente; III — desporto de rendimento, praticado segundo normas gerais desta Lei e regras de prática desportiva, nacionais e internacionais, com a finalidade de obter resultados e integrar pessoas e comunidades do País e estas com as de outras nações. IV — desporto de formação, caracterizado pelo fomento e aquisição inicial dos conhecimentos desportivos que garantam competência técnica na inter- venção desportiva, com o objetivo de promover o aperfeiçoamento qualitativo e quantitativo da prática desportiva em termos recreativos, competitivos ou de alta competição (BRASIL, 1998, documento on-line, grifo nosso). Podemos reconhecer que as alternativas de prática esportiva nessas diversas dimensões não acontecem apenas com a promulgação da lei. Evidentemente, a prática esportiva, tanto como forma de competição quanto de lazer, esteve presente durante boa parte da história da humanidade. No entanto, os diferentes modos de manifestação do esporte (educacional, participação e rendimento) surgiram no Manifesto Mundial do Esporte, em 1964 (TUBINO, 1996). Nessa perspectiva de classificações desportivas, passaremos a explicar como as 9Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal dimensões educacional, de participação e de rendimento esportivo estão apresentadas atualmente na sociedade. Os esportes podem ser realizados em diversos espaços de convívio social, como escolas, clubes, associações e estádios. Embora as diferenças entre essas práticas possam ser evidentes, o que diferencia as dimensões esportivas são os objetivos e significados que seus praticantes atribuem a elas. Dimensão educacional do esporte Como viemos destacando desde o início deste capítulo, o esporte é uma im- portante prática para a sociedade. Reconhecendo as possibilidades que pode oferecer ao desenvolvimento humano, ele passou a ser abordado no contexto educacional, com crianças e adolescentes estudantes dentro do componente curricular de Educação Física. Nesse sentido, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), legislação máxima dos sistemas de ensino brasileiros, discorre em seu artigo 26, parágrafo terceiro, que “[...] a educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação básica [...]” (BRASIL, 1996, documento on-line), cuja prática é ofertada para todos os estudantes. Para além da prática como momento deprazer ou de atividade física que visa ao combate ao sedentarismo, a prática do futebol e do futsal nas institui- ções escolares busca a reflexão crítica dos conteúdos abordados na Educação Física, entre eles os esportes. Ainda, cabe destacar que o esporte no contexto educacional tem o objetivo de promover a construção de valores sociais, como o respeito à diversidade de saberes, identidades e culturas, a resolução de conflitos e a cooperação. Evidentemente, em muitas das instituições escolares, a reflexão crítica sobre o esporte é preterida, dando forma à prática do esporte como uma maneira de melhorar o desempenho a ser apresentada nos campeonatos estudantis, geralmente regidos por características competitivas. De forma descontraída, podemos exemplificar esse fenômeno por meio de uma tira humorística apre- sentada por Pereira (1984 apud BRACHT, 2003): Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal10 Inusitado diálogo... — Os jogos escolares servem para a fraternidade! Para a socialização dos participantes! Para a prática salutar das atividades gimnodesportivas! Para a educação, enfim... — Seu Diretor, a sua escola participa dos Jogos Escolares? — Claro! Somos uma instituição educacional. — E quais foram os resultados educacionais da participação do seu colégio? — Duas medalhas de ouro, cinco de prata, três terceiros lugares, e nosso time de basquete “tava” massacrando o inimigo quando foi desclassificado por um juiz ladrão. — Ah!!! A partir desse exemplo, podemos atentar que a competição a qualquer custo não deve ser o fim das abordagens educacionais do esporte, tampouco a reprodução das características e exigências do esporte de alto rendimento. Para compreender os objetivos do esporte educacional, você pode acessar a Base Nacional Comum Curricular, documento-referência que orienta os currículos escolares e define os direitos de aprendizagem de cada estudante. O esporte é uma das aprendizagens do Ensino Fundamental. Acessando o link ou o código a seguir, você poderá analisar o documento na íntegra. https://goo.gl/oyhywE Cabe destacar ainda que qualquer prática esportiva — e até mesmo a competição e os elementos que a constituem — podem fazer parte do contexto escolar. No entanto, os princípios socializadores, de instrução e de reflexão devem ser o foco da abordagem esportiva nesses ambientes. Dimensão do esporte de participação O esporte de participação diz respeito a práticas realizadas voluntariamente, para manter a plenitude da vida social, promover a saúde e educação e preservar o meio ambiente. Nessa perspectiva, é viável pensar que tais possibilidades estão bastante relacionadas com as práticas nos momentos de lazer e por 11Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal meio de programas de promoção da saúde. Os locais de manifestação dessas práticas são diversos, sendo mais comuns clubes, ginásios, parques, praças, associações comunitárias, entre outros ambientes de convívio social e/ou de integração com a natureza (BRACHT, 2003). Atualmente, existem diversos tipos de esportes que podem servir como prática de lazer, de busca pela manutenção da saúde ou como forma de convívio social. Entre as categorias de esportes mais frequentes que os indivíduos bus- cam praticar, podemos destacar que o futebol e o futsal constam na categoria dos esportes de invasão ou territorial, que engloba as modalidades com o objetivo de introduzir ou levar algum objeto a uma meta ou a um setor do campo (BRASIL, 2017). Como vimos anteriormente, essas práticas podem estar presentes tanto na escola, a partir de um viés educativo, quanto fora dela, como forma de participação, buscando a integração, o convívio e a busca da saúde. Assim, nessas duas perspectivas, o resultado em si e a busca da excelência nos gestos esportivos, ainda que possam constituir elementos constitutivos da prática esportiva, não vêm a ser os objetivos principais dos praticantes. Dimensão do esporte de formação e de rendimento Nessa categoria, unimos as formas de manifestação do esporte de formação e de rendimento por acreditarmos que ambas têm um fim comum: a obtenção dos resultados pela excelência do desempenho técnico e tático. A diferença entre as duas, contudo, está na etapa em que o indivíduo se encontra familiarizado com o esporte, isto é, durante o esporte de formação, o indivíduo é induzido a adquirir uma série de conhecimentos técnicos e táticos que o levem a um alto nível desportivo, enquanto, no esporte de rendimento, consideramos aqueles indivíduos que já se tornaram atletas e competem em eventos oficiais (regio- nais, nacionais e internacionais), com o objetivo de obter melhores resultados. Entre as formas de manifestação do esporte, a dimensão do esporte de rendimento é a que tem sofrido mais críticas em razão de alguns fatores negativos, como os casos de corrupção em federações, os fatos envolvendo doping de atletas, o desrespeito à saúde dos praticantes com a superação dos limites biológicos, a exploração mercantil das atividades esportivas, a violência durante os espetáculos esportivos, entre tantos outros fatores. No entanto, cabe destacar que o esporte de rendimento traz consigo diversos benefícios Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal12 para a sociedade, como: a criação de locais para treinamento e infraestruturas esportivas; bolsas para atletas, gerando renda e emprego; cursos para técnicos e outros profissionais ligados ao esporte, promovendo o avanço científico; investimentos em equipes olímpicas e paralímpicas, valorizando os esportes; campanhas de valorização da vida e combate ao uso de drogas esportivas; valorização do fair play, buscando o respeito mútuo entre os atletas; e a oferta de projetos esportivos para crianças e adolescentes por meio de programas sociais (CASTRO; SOUZA, 2015). Para compreender melhor os objetivos das diferentes formas de manifesta- ção do esporte, utilizaremos o futebol e o futsal com as formas de abordagem dentro de cada contexto, conforme apresentado no Quadro 1. Forma de manifestação Objetivo Exemplo Esporte educacional Aprendizagem do futebol e do futsal como um componente da cultura corporal de movimento, construída e modificada ao longo da história da humanidade, entrelaçada aos princípios educacionais que regem a educação escolarizada Uma aula de Educação Física abordando a origem e a evolução do futebol e do futsal, refletindo sobre as características que marcaram a manifestação desses esportes Esporte de participação Vivência e fruição de momentos de lazer e de prática corporal, buscando a integração social, o prazer e a saúde Uma partida de futebol ou futsal realizada entre amigos em um clube ou parque Esporte de rendimento Busca do êxito esportivo por meio de gestos técnicos e comportamentos táticos cada vez mais eficientes Uma partida de futebol ou futsal regida por critérios e regras de uma entidade oficial, visando à obtenção de um prêmio esportivo Quadro 1. Formas de manifestação do futebol e do futsal e seus objetivos 13Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal Evidentemente, as diferentes formas de manifestação do esporte apresen- tam alguns fatores em comum. Além da prática esportiva, podemos eviden- ciar que o esporte oportuniza aos seus praticantes diversas possibilidades de aprendizados, construindo valores sociais e mantendo e reconstruindo determinada cultura. Na próxima seção, apresentaremos algumas diferenças existentes na prática de futsal em distintas culturas que empregam essa prática corporal. Diferenças existentes na prática do futebol e do futsal em culturas distintas Como vimos, o esporte é uma construção social, ou seja, a ele são atribuídos diferentes significados e valores conforme a sua prática. No futebol e no futsal, isso não é diferente. O comportamento de jogadores em campo ou em quadra reflete a cultura na qual estão inseridos. Evidentemente, a globalizaçãodo futebol foi tamanha que podemos encontrar semelhanças em diferentes países, como o componente emocional. No entanto, algumas características são bastante peculiares. No Brasil, é comum vermos constantemente a geração de novos ídolos no futebol. A aspiração de muitos iniciantes faz com que se espelhem nos atletas que obtêm maior rendimento individual, fruto ainda das décadas anteriores a 1960, quando os primeiros “gênios” do futebol começaram a surgir. Assim, é evidente que muitos jogadores de futebol brasileiro se empenham mais em jogadas individuais e menos em jogadas e movimen- tações coletivas. No futsal, esse fenômeno é menos notado — mas ainda aparente — por conta da quantidade de jogadores reduzida e da ação conjunta de mais de um atleta. Neymar é um dos grandes jogadores reverenciados do futebol brasileiro atual (Figura 1). Suas características se assemelham a de muitos outros jogadores considerados ídolos no Brasil, isto é, ele é um jogador de características ofensivas e individuais, com a capacidade de executar excelentes fintas e de fazer gols. Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal14 Figura 1. Neymar, atleta da seleção brasileira de futebol. Fonte: Independent (c2019, documento on-line). A ideia da individualização parece afetar mais os jogadores ofensivos, uma das características brasileiras notada mesmo em times pequenos com jogadores pouco habilidosos, mas que, mesmo assim, buscam o ataque insistentemente em jogos contra adversários mais qualificados. Nessa direção, Soares e Lovisolo (2003, p. 1) apontam que: O estilo brasileiro é visto como “futebol arte” e sua expressão central seria o drible e a ginga que se teriam desenvolvido desde sua introdução no Brasil pelo ato de uma apropriação criativa. Para os defensores do futebol brasileiro como arte, a conquista de uma Copa, como a de 1994, pode ter o estranho sabor de vitória que não empolga. Contudo, como é habitual no país das dualidades, existe um outro polo que afirma que a disciplina, a técnica e os esquemas táticos são fundamentais. Os defensores do estilo brasileiro, não raro, atribuem as mazelas do futebol a decadência do futebol arte. A polêmica entre ambos polos sempre está viva e disposta a desdobrar-se em dilemas como criatividade contra disciplina técnica, intuição contra raciocínio, invenção contra segurança. 15Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal É importante destacar que o estilo futebolístico brasileiro, que prioriza as individualidades e a pouca disciplina tática, também se deve ao fato de, tão logo ter chegado ao país, o futebol ter se formado nas camadas populares, que atribuíam um modelo artesanal à prática do esporte — isto é, com base nos diversos campos de uma extensão territorial vasta e pouco urbanizada. Esse fenômeno de formação de jogadores habilidosos individualmente e pouco habilidosos no plano coletivo também se expressa em diversos países da América Latina. Por sua vez, podemos destacar o modelo europeu de prática do futebol e futsal, que consiste na disciplina tática, priorizando os aspectos coletivos. Na década de 1980, Da Matta et al. (1982) já sustentava que esses esportes, no contexto europeu, são formados principalmente nas elites sociais, com base em princípios científicos que preconizam a força, a velocidade e a resistência. Sem dúvidas, o futebol da Europa centraliza jogadores de diferentes culturas. Hoje, o fluxo de atletas de países do mundo inteiro geralmente tem como destino os países europeus, que detêm os times de maior potencial financeiro, promovendo certa heterogeneidade no modo como cada equipe desenvolve o seu futebol. No entanto, é possível identificar o estilo com base no equilíbrio da equipe, o que faz muitos dos atletas individualistas não obterem êxito e não se adaptarem ao futebol europeu, tendo que retornar para seus países de origem ou migrar para times europeus de menor expressão. Outros países também têm se destacado na migração de jogadores. Sem dúvidas, o futebol e o futsal são modalidades muito lucrativas do ponto de vista mercadológico. Dessa forma, clubes de países com menor tradição no futebol e que não têm a capacidade de formar jogadores talentosos individualmente dos brasileiros nem os pressupostos científicos que visam a formar jogadores fisiologicamente eficientes dentro de campo optam por importar jogadores promissores de países onde o salário dos atletas é baixo. Nessa tangente, China, Rússia, Japão e países do Oriente Médio, inflados pelo petróleo, têm se destacado pela quantidade de jogadores estrangeiros habilidosos que se destacam em seus campeonatos nacionais, geralmente fracos em termos técnicos e táticos. De todo modo, podemos identificar que, tanto na prática do futebol quanto do futsal, os países que mais se destacam estão na América Latina e na Eu- ropa, refletindo a presença desses esportes na cultura dos países. O Quadro 2 demonstra essa influência, elencando as principais seleções que conquistaram os campeonatos mundiais de futebol e de futsal ao longo dos anos organizados pela FIFA. Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal16 Seleção Títulos no futebol Títulos no futsal Brasil 5 5 Itália 4 0 Alemanha 4 0 Argentina 2 1 França 2 0 Uruguai 2 0 Inglaterra 1 0 Espanha 0 2 Quadro 2. Principais equipes campeãs dos campeonatos mundiais de futebol e futsal organizados pela FIFA Como podemos reconhecer no Quadro 2, os principais países que detêm a hegemonia do futebol e do futsal se encontram na América do Sul e na Europa, fato que reflete como o esporte está presente nessas culturas. Se, por um lado, verificamos as diferenças do futebol e do futsal em dife- rentes países, por outro, é possível diferenciar entre o futebol que se pratica nas diferentes culturas de um mesmo país. Por exemplo, no Brasil, é visível a diferença entre os campeonatos estaduais, principalmente quando jogados por atletas provenientes de determinadas regiões. A título de exemplo, podemos verificar as distintas formas de jogar na região Sul do Brasil em relação à região Sudeste. Equipes do Rio Grande do Sul tendem a apresentar um estilo de jogo mais aguerrido, com marcações e roubadas de bola mais acintosas quando comparadas às do Rio de Janeiro. E isso reflete a identidade dos jogadores frente ao território que habitam. O Rio Grande do Sul, marcado por constantes conflitos bélicos e de revoluções que buscavam a independência do restante do Brasil, tende a formar jogadores mais aguerridos. Já o Rio de Janeiro, marcado pelos jogos entre amigos na beira de praias, tende a ser menos violento. Além de regiões, podemos identificar que as formas de jogar futebol ou futsal se apresentam no contexto macrossocial. Cada grupo partilha de uma cultura, promovendo símbolos, hábitos, significados e modos de agir diante da prática esportiva. Dessa forma, as diferentes maneiras de jogar futebol ou 17Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal futsal estão condicionadas à cultura em que estes se desenvolvem. Sobre essas peculiaridades, Stigger (2009, p. 82) narra que: [...] em um grupo de praticantes de futebol das areias da Praia do Molhe, na cidade do Porto, em Portugal, foi identificado um processo de apropriação do futebol, que chamou a atenção: aqueles praticantes de futebol de praia nunca jogavam contra adversários de fora, ou seja, só admitiam jogar entre amigos; nunca repetiam equipes de um fim de semana para o outro, o que justificavam considerando ser essa uma forma de evitar rivalidades internas; mesmo assim, buscavam realizar jogos disputados, o que faziam a partir da formação das equipes por divisão equilibrada. Naquele universo, acima da capacidade de produzir algo num jogo de futebol (jogar bem, ter aptidão para vencer as partidas etc.), o que era valorizado era a assiduidade nas atividades e a disposição para realizar um jogo duro, mas dentro de padrões de disputa por eles aceitáveis. [..] Quemquisesse participar daquele universo cultural- -esportivo deveria apreender aquela perspectiva de viver o esporte. Dessa forma, podemos empreender que não existe apenas um único modo válido de jogar futebol ou futsal. Apesar das regras estabelecidas pelas enti- dades regulamentadoras, essas práticas esportivas se desenvolvem nos mais diferentes contextos sociais, construindo um universo multifacetado, tal qual nos seus primórdios, quando diferentes grupos buscavam estabelecer modos de jogar baseados nos valores que partilham e nos hábitos presentes na sociedade em que estão inseridos. BRACHT, V. Sociologia crítica do esporte: uma introdução. 2. ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2003. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 12 mar. 2019. BRASIL. Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. 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