Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

METODOLOGIA DO 
FUTEBOL E DO 
FUTSAL
Patrick da Silveira Gonçalves
Abordagem histórico-
evolutiva do futebol 
e do futsal
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer o processo evolutivo das práticas de futebol e futsal no 
Brasil e no mundo e sua relação com a Educação Física.
 � Identificar as diferentes formas de prática do futebol e do futsal.
 � Contrastar as diferenças existentes entre a prática do futebol e do 
futsal em culturas distintas.
Introdução
O futebol e o futsal são modalidades esportivas praticadas por indivíduos 
de todas as classes sociais e que habitam diferentes continentes. Apesar de 
compreender um dos esportes mais praticados do mundo, o futebol, uma 
evolução de jogos primitivos desenvolvidos por tribos da Antiguidade, 
nem sempre foi acessível, estando restrito apenas a elites econômicas 
em determinados períodos da história. O futsal, ao contrário, surgido da 
prática do futebol e quando este já estava bastante difundido, foi sempre 
praticado por indivíduos de diferentes classes sociais. 
Atualmente, ambas as práticas são bastante acessíveis e utilizadas com 
fins pedagógicos, recreativos ou de competição. Suas amplas possibilida-
des e a sua adesão por milhões de praticantes acabam modificando as 
duas modalidades, com significados e valores conforme cada sociedade. 
Neste capítulo, debateremos como o futebol e o futsal se constituíram ao 
longo dos anos, formando as práticas tal como conhecidas no cotidiano 
de muitos brasileiros.
Processo evolutivo das práticas de futebol e 
futsal e suas relações com a Educação Física
Tanto o futebol quanto o futsal são práticas corporais difundidas mundial-
mente. Embora muito parecidas, a origem de cada uma delas data de períodos 
distintos, visto o futsal ter sido desenvolvido a partir das práticas do futebol. 
A seguir, apresentaremos os principais aspectos relacionados à origem e ao 
desenvolvimento do futebol e do futsal.
História e evolução do futebol
Como esporte institucionalizado, o futebol compreender uma prática corpo-
ral bastante recente em comparação à história da humanidade. No entanto, 
diferentemente de outros esportes, não foi inventado de maneira intencional 
para atender a necessidades específicas de grupos sociais, como o caso do 
basquetebol e do voleibol, que surgiram para suprir as carências de práticas 
esportivas de algumas comunidades norte-americanas. O futebol surgiu como 
uma evolução de jogos praticados com bola, incorporados e aperfeiçoados pela 
sociedade até chegarmos à expressão tal qual conhecemos hoje e que mobiliza 
milhões de praticantes ao redor do mundo (MURAD, 1996).
Uma dessas práticas rudimentares era praticada na antiga China por volta 
do ano 2600 a.C. Denominado denominado Tsü Tsü, tratava-se de um ritual 
de praticado pelas tribos. Após os combates e guerras, um dos grupos tribais 
acabava por ser totalmente dizimado e, posteriormente, tendo suas cabeças 
decapitadas. A tribo vencedora, então, realizava um ritual que se assemelhava 
à prática do futebol utilizando-se da cabeça do chefe inimigo e/ou com a 
cabeça dos guerreiros inimigos considerados mais valentes da tribo. Ainda 
na Antiguidade, há indícios de prática de jogos parecidos com o futebol em 
sociedades como a Grécia e o Japão (LEONCINI, 2001). 
Mais recentemente, podemos vislumbrar o surgimento do calcio, que, na 
tradução literal do italiano, significa “coice” ou “chute”. Surgido na Itália, 
no século XIV, consistia em uma prática de lazer reservada à nobreza com 
base em uma disputa realizada por duas equipes compostas, cada uma, por 
dezenas de pessoas. Para melhor adequar a atividade aos espaços de realização 
e possibilitar uma prática mais organizada, o número de atletas era limitado a 
25 ou 30 indivíduos na nobreza por equipe. Importante destacar que o calcio 
foi uma das primeiras formas de depurar as práticas com bola de maneira 
quantitativa e pela classe social. 
Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal2
No século XVII, quando já era bem popular em diversas regiões da Itália, o 
calcio foi levado para a Inglaterra por Carlos II, membro da realeza britânica, 
que cumpriu parte do seu exílio na Itália, quando perdeu o trono, ao ter sido 
convidado a restaurar o seu posto político. Nesse período, nos burgos (espécies 
de vilas onde produtos eram comerciados) da Bretanha, o mob football (futebol 
popular) era praticado nos jogos sem muitas regras e com bastante violência, 
compondo a terça-feira gorda de carnaval. Nessa perspectiva, Leoncini (2001, 
p. 130) aponta que:
Essa primeira “reinvenção” do futebol pela elite inglesa está bastante asso-
ciada à noção dos burgueses sobre cultura: a atividade cultural é uma coisa 
desinteressada, lúdica, porém ela deve proporcionar o que eles chamam de 
“lucro da distinção” — o “novo” jogo, agora esporte, se diferencia dos jogos 
populares por não ser comum (isto é, não estar ligado a circunstâncias es-
peciais, como só ser praticado na terça-feira feira de carnaval) e por não ter 
motivo ou função social, a não ser a de caráter lúdico.
A aplicação de regras universais necessárias à prática futebol surgiu a 
partir da prática por diferentes instituições, localizadas nas mesmas cidades, 
regiões e países. Para regular o esporte a fim de que pudesse ser compreendido 
por todos os praticantes e realizado por sujeitos de diferentes instituições, 
as regras começaram a se formar no interior de instituições de ensino da 
Inglaterra entre os anos de 1845 e 1862 (ELIAS; DUNNING, 1992). Uma das 
grandes contribuições para a difusão do esporte foi a Revolução Industrial 
ocorrida entre os séculos XVIII e XIX, quando muitas vias entre cidades, 
destinadas ao transporte das manufaturas, foram abertas. Apesar de as escolas 
pertencerem quase exclusivamente às elites, não demorou para que a prática 
do futebol também se difundisse entre os trabalhadores e por aqueles que que 
tinham tempo ocioso.
A rápida ascensão do futebol possibilitou a criação de diversos clubes e 
sua inclusão em associações de esportes de bola, das quais outros esportes, 
como o rugby, bastante popular à epoca, faziam parte.  Em 1863, os adeptos do 
rugby não aceitavam um jogo em que era proibido segurar a bola com as mãos, 
fato que fez com que se separassem da associação que também contemplava o 
futebol. Com isso, deu-se origem à The English Football Association (EFA), 
primeira associação inglesa de futebol. Em pouco tempo, cerca de oito anos 
após a sua criação, a associação já contava com aproximadamente 50 clubes 
afiliados. 
3Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal
Com as regras de futebol bastante definidas, os primeiros campeonatos e torneios 
foram organizados com a participação de clubes locais. Sua expansão foi muito rápida. 
Em 30 de novembro de 1972, deu-se a primeira partida oficial entre seleções nacionais. 
Na ocasião, as seleções da Inglaterra e da Escócia se enfrentaram em um jogo que 
terminou em um empate sem gols. 
Com muitos trabalhadores e indivíduos com tempo ocioso praticando o 
esporte em seu momento de lazer, diferentemente dos membros das elites, 
que se detinham à prática nas escolas e nos clubes, logo começaram a sur-
gir campeonatos com jogadores cada vez mais habilidosos. E, apesar de os 
membros das elites não desejarem a profissionalização do esporte, justamente 
pelo fato de os membros das classes trabalhadoras demonstrarem ser mais 
habilidosos, comprometendo o seu desempenho e a consequente derrota para 
indivíduos pertencentes a classes sociais menos privilegiadas, esse fato veio 
a acontecer em 1885. 
Praticamente com a profissionalização, deu-se também a difusão do futebol 
em diversos países pertencentes à Europa. Nesse processo de rompimento 
de fronteiras, o futebol levou consigo suas regras, vestimentas e linguagem, 
além dos hábitos de indivíduos que se propunham apenas a assistir aos jogos. 
Nesse sentido, podemos elaborar que o futebol, como umaprática esportiva 
voltada ao espetáculo, surgiu no final do século XIX. Na última década daquele 
século, foram encontrados os primeiros registros de espectadores em partidas 
de futebol condicionados ao pagamento de ingressos (ELIAS; DUNNING, 
1992). Com os frequentes processos migratórios ao longo do século XX e a 
presença do Império Britânico em diversas colônias, o futebol se espalhou 
pelo mundo.
No Brasil, o futebol institucionalizado chegou ainda no século XIX. Em 
1894, Charles Miller, estudante filho de ingleses radicados em São Paulo, 
local de seu nascimento, após retornar de seus estudos na Inglaterra, trouxe 
consigo duas bolas de futebol e o conhecimento das regras que aprendera na 
escola que frequentou. E, da mesma forma como os primórdios do futebol 
moderno, a prática se destinava aos clubes frequentados pelas elites paulistas. 
No entanto, conforme aponta Leoncini (2001, p. 18), cabe destacar que, “[...] 
na mesma época, paralelamente a esta história oficial, vinha sendo gestado, 
Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal4
no seio das camadas populares, um processo subterrâneo, clandestino, de 
paixão, de divulgação e prática futebolísticas [...]”.
Os primeiros campeonatos restringiam-se às elites. Os times compostos por 
trabalhadores, negros e brancos pobres que ocupavam as periferias obtinham 
pouco espaço para a participação em torneios oficiais. Isso se estendeu pelas 
primeiras décadas do século XX e foi rompido em 1924, quando o Vasco 
da Gama conquistou pela segunda vez, e de maneira invicta, o campeonato 
carioca com uma equipe composta predominantemente por negros e pobres 
(LEONCINI, 2001). 
Entre as décadas de 1930 e 1960, passaram a surgir os “mitos” do futebol. 
Esse é o caso de Leônidas da Silva, que ficou conhecido como Diamante Negro 
após brilhantes atuações em jogos na Europa. Nesse modo, surgiu o conceito 
de semiprofissionalismo e aumentaram os times de várzea, que participavam 
de jogos para receber recompensas financeiras baixas e dos quais muitos dos 
jogadores tinham uma profissão principal como forma de sustento. 
Entre as décadas de 1950 e 1970, o futebol era amplamente praticado no 
país, o que fez se manifestar diversos jogadores habilidosos. A profissionali-
zação do esporte possibilitou o surgimento de departamentos compostos por 
massagistas, preparadores físicos, dentistas e médicos, ampliando ainda mais 
o desempenho do atleta. Como consequência, a seleção brasileira de futebol 
conquistou pela terceira vez o campeonato mundial, surgido ainda em 1930 
em uma edição disputada no Uruguai (LEONCINI, 2001). 
Após a década de 1970, podemos observar a urbanização constante do 
território brasileiro e a falta de políticas públicas de fomento às práticas es-
portivas, extinguindo os campos de várzea e, consequentemente, limitando 
a prática do esporte a clubes. Por isso, é possível verificar uma escassez de 
craques esportivos principalmente após a década de 1990. Há, também, certa 
padronização do modo de jogar, com métodos de treinamentos físico e tático 
importados da Europa, “fabricando” jogadores para serem vendidos e realizar 
a manutenção dos clubes de futebol.
História e evolução do futsal
A prática do futsal é bastante recente se comparada ao futebol. Embora não haja 
um consenso sobre a sua origem específica, as duas versões mais difundidas 
apontam para o mesmo período: entre as décadas de 1930 e 1940. Para ambas, 
dois locais diferentes são apontados. A primeira faz referência às quadras de 
basquete da Associação Cristã de Moços (ACM), de Montevidéu, no Uruguai, 
5Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal
e a segunda aponta as quadras da ACM de São Paulo, no Brasil (VIEIRA; 
FREITAS, 2007; VOSER, 2003).
Na versão de origem uruguaia, cabe destacar que, no ano de 1930, o mundial 
de futebol foi disputado no Uruguai e conquistado pela seleção do país, a qual 
já havia conquistado o ouro olímpico nas edições de 1924 e 1928. Pode-se 
imaginar, portanto, que o futebol estava em alta no Uruguai na década de 1930. 
A ampla procura por lugares para praticar o futebol impossibilitou a prática 
pelos uruguaios em virtude dos poucos espaços disponíveis. Assim, a falta de 
campos de futebol levou os praticantes a adaptarem a modalidade do futebol 
em ginásios, a qual foi batizada de indoor-football. Ao ver seus alunos prati-
cando futebol nos ginásios, o professor da ACM, Juan Carlos Ceriani Gravier, 
decidiu elaborar um conjunto de regras para organizar a prática. Para tanto, 
espelhou-se em regras e modos de jogar do basquete, do futebol, do handebol 
e do polo aquático. A partir dessa demarcação, teria surgido o futebol de salão 
(VIEIRA; FREITAS, 2007). 
Na versão brasileira, Voser (2003) explica que adeptos de futebol em São 
Paulo, ainda na década de 1940, pela impossibilidade de encontrar campos 
livres para jogar, passaram a praticar o esporte em quadras de basquete e de 
hóquei. Embora a versão uruguaia apresente maiores fontes históricas sobre 
a criação do futebol de salão, o que mantém a ideia de o esporte ser genui-
namente brasileiro é o fato de a primeira instituição reguladora, a Federação 
Metropolitana de Futebol de Salão, ter surgido no Rio de Janeiro em 1954, o 
que tornou a prática regimentada. 
De todo modo, o futebol de salão, em seu início, necessitou de algumas 
modificações em relação ao futebol. Em especial, o número de jogadores 
deveria ser reduzido, convencionando-se a quantidade de cinco atletas em 
virtude da redução do espaço para a prática. Outra importante modificação 
referiu-se à bola, que passou a ter dimensões menores e ser mais pesada, para 
facilitar os chutes e passes em uma quadra mais rígida. Esta última mudança 
fez o futebol de salão também ficar conhecido como o “esporte da bola pesada”.
A primeira principal instituição do futebol de salão é a Federação Interna-
cional de Futebol de Salão (FIFUSA), criada em 1971, que realizou o primeiro 
campeonato mundial em 1982 envolvendo 10 países. Com o sucesso desse 
mundial, o esporte chamou a atenção da Federação Internacional de Futebol 
(FIFA), que criou o termo “futsal” e promoveu dificuldades para que a FIFUSA 
organizasse seus campeonatos. Além disso, a FIFA proibiu que outras entidades 
utilizassem o termo “futebol”, obrigando a FIFUSA a mudar o nome de sua 
modalidade. Em resposta, a FIFUSA alterou o nome para Fut-Sal FIFUSA às 
vésperas do mundial de 1985. As duas modalidades seguiram praticamente as 
Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal6
mesmas, com mudanças de regras pontuais para não permitir que confederações 
pertencentes a uma entidade migrassem para a outra.
Apesar das tentativas de aproximação e integração entre as duas entidades, 
cada uma seguiu com sua modalidade por diversos anos. Com os atrativos 
financeiros e de visibilidade que a FIFA propunha, muitas confederações 
nacionais abandonaram a FIFUSA e passaram a integrar a FIFA. Com esse 
enfraquecimento, a FIFUSA foi desativada em 2004. E, embora algumas ten-
tativas de reativação tenham sido empenhadas, não obtiveram êxito, tornando 
o futsal da FIFA a principal prática da atualidade. 
A grande aderência do futebol e do futsal no contexto brasileiro permite 
que sejam dois dos esportes populares mais praticados no país. Com isso, é 
evidente que essa prática corporal seja tematizada nas aulas de Educação Física 
escolar e constitua um campo de trabalho de muitos profissionais da área. 
Na Educação Física escolar, é importante destacar que o futebol não repre-
senta uma aprendizagem obrigatória por parte dos estudantes, mas, estando 
alocado dentro das práticas esportivas e sendo um elemento que faz parte da 
cultura local de muitas instituições de ensino, é comum a tematização da sua 
prática. Para além da mera prática esportiva, nesse contexto, o futebol pode 
auxiliar na construção de repertório motor e fomentar a reflexão dos valores 
intrínsecos ao futebol. Além daqueles referentes à cooperação e ao “espírito 
de equipe”,é importante que o professor consiga articular os valores atribuídos 
pela sociedade à prática esportiva, como o consumismo, a espetacularização, 
o acesso à prática e a construção histórica da modalidade, ressaltando os 
aspectos que busquem a cidadania e a criticidade (BRASIL, 2017). 
Em outros contextos, como nas escolinhas esportivas que visam à formação 
de atletas e nas práticas recreativas, o futebol apresenta a possibilidade de:
Prática de atividade física para promoção da saúde; parte da aprendizagem e 
refinamento motor; como ferramenta de socialização do indivíduo e, talvez, 
o mais vislumbrado pela sociedade de modo geral: a chance de ascender na 
vida por meio da profissionalização do esporte, focando a diretriz da disci-
plina na promoção de atletas e/ou descoberta de novos talentos (FERREIRA; 
MOREIRA, 2017, p. 78).
Tanto o futebol quanto o futsal são praticados de diferentes formas e em 
contextos distintos. A prática em diferentes culturas e abordagens faz com que 
esses esportes sejam constantemente reinventados e ressignificados, dando 
origem a novas formas de praticar. A seguir, apresentaremos algumas dessas 
diferentes formas de prática de futebol e futsal. 
7Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal
Diferentes formas de prática de futebol e futsal
Os esportes estão bastante presentes na atualidade, constituindo-se como uma 
das principais práticas corporais realizadas em escolas, clubes, associações 
e parques. Boa parte da cultura esportiva que atravessa a sociedade está 
relacionada à espetacularização que os esportes vêm sofrendo ao longo dos 
anos, ocupando boa parte das programações de televisão, rádio e outras mídias 
informativas. Além disso, o marketing esportivo tem induzido as pessoas a 
praticar esportes e, com isso, consumir os produtos divulgados pelos atletas 
campeões (MASCARENHAS, 2012). Para além desse fenômeno de transfor-
mação do esporte em um produto a ser consumido, devemos ressaltar seus 
benefícios para indivíduos e grupos sociais.
A prática esportiva é uma grande aliada para o bem-estar social da po-
pulação, isto é, os benefícios que os esportes trazem para os sujeitos que os 
praticam estão bastante relacionados aos índices de qualidade de vida. Pelo 
esporte, sobretudo aqueles que envolvem a prática de atividade física, como 
o futebol e o futsal, torna-se possível combater o sedentarismo, assim como 
outras doenças crônicas de ordem biológica ou psicossocial comuns em não 
praticantes. 
A importância da prática de atividades físicas de uma população é muito 
evidente, tanto que muitos países tornam o incentivo a programas de atividades 
desportivas um direito individual garantido por lei. No Brasil, por exemplo, 
a prática dos esportes é expressa na Constituição Federal, carta magna que 
rege a sociedade brasileira, definindo no artigo 217 que:
É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, 
como direito de cada um, observados:
I — a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto 
a sua organização e funcionamento;
II — a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto 
educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento;
III — o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não pro-
fissional;
IV — a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação 
nacional.
§ 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às com-
petições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, 
regulada em lei.
§ 2º A justiça desportiva terá o prazo máximo de sessenta dias, contados da 
instauração do processo, para proferir decisão final. 
§ 3º O Poder Público incentivará o lazer, como forma de promoção social 
(BRASIL, 1988, documento on-line, grifo nosso).
Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal8
Nesse momento, cabe ressaltar que o esporte não é a única forma de ex-
pressão de atividades físicas. E, para explicitar as possibilidades de práticas 
corporais, desde já definimos o conceito de esporte. Entre as diversas possi-
bilidades de práticas corporais, como jogos, brincadeiras, ginásticas, danças 
e lutas, o esporte diferencia-se por compreender atividades caracterizadas e 
orientadas pela comparação de determinado desempenho entre indivíduos ou 
grupos (adversários), regido por um conjunto de regras formais e institucio-
nalizadas por organizações (BRASIL, 2017). 
Ainda que o conceito de esporte possa nos induzir a pensá-lo como uma 
prática corporal que apresenta certa espetacularização, como é comum vislum-
brar nos ginásios, nos estádios e nas competições de atletas de elite, ele não se 
restringe apenas a esse espaço. Nesse sentido, surgem as diversas formas de 
manifestação esportiva. Retornando aos aspectos legais do esporte, podemos 
evidenciar que a Lei Federal n.º 9.615/98, conhecida no âmbito esportivo como 
“Lei Pelé”, discorre em seu artigo 3 que:
O desporto pode ser reconhecido em qualquer das seguintes manifestações:
I — desporto educacional, praticado nos sistemas de ensino e em formas 
assistemáticas de educação, evitando-se a seletividade, a hipercompetitividade 
de seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do 
indivíduo e a sua formação para o exercício da cidadania e a prática do lazer;
II — desporto de participação, de modo voluntário, compreendendo as 
modalidades desportivas praticadas com a finalidade de contribuir para a 
integração dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção da saúde 
e educação e na preservação do meio ambiente;
III — desporto de rendimento, praticado segundo normas gerais desta Lei 
e regras de prática desportiva, nacionais e internacionais, com a finalidade 
de obter resultados e integrar pessoas e comunidades do País e estas com as 
de outras nações.
IV — desporto de formação, caracterizado pelo fomento e aquisição inicial 
dos conhecimentos desportivos que garantam competência técnica na inter-
venção desportiva, com o objetivo de promover o aperfeiçoamento qualitativo 
e quantitativo da prática desportiva em termos recreativos, competitivos ou 
de alta competição (BRASIL, 1998, documento on-line, grifo nosso).
Podemos reconhecer que as alternativas de prática esportiva nessas diversas 
dimensões não acontecem apenas com a promulgação da lei. Evidentemente, 
a prática esportiva, tanto como forma de competição quanto de lazer, esteve 
presente durante boa parte da história da humanidade. No entanto, os diferentes 
modos de manifestação do esporte (educacional, participação e rendimento) 
surgiram no Manifesto Mundial do Esporte, em 1964 (TUBINO, 1996). Nessa 
perspectiva de classificações desportivas, passaremos a explicar como as 
9Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal
dimensões educacional, de participação e de rendimento esportivo estão 
apresentadas atualmente na sociedade. 
Os esportes podem ser realizados em diversos espaços de convívio social, como escolas, 
clubes, associações e estádios. Embora as diferenças entre essas práticas possam ser 
evidentes, o que diferencia as dimensões esportivas são os objetivos e significados 
que seus praticantes atribuem a elas. 
Dimensão educacional do esporte
Como viemos destacando desde o início deste capítulo, o esporte é uma im-
portante prática para a sociedade. Reconhecendo as possibilidades que pode 
oferecer ao desenvolvimento humano, ele passou a ser abordado no contexto 
educacional, com crianças e adolescentes estudantes dentro do componente 
curricular de Educação Física. Nesse sentido, a Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional (LDBEN), legislação máxima dos sistemas de ensino 
brasileiros, discorre em seu artigo 26, parágrafo terceiro, que “[...] a educação 
física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular 
obrigatório da educação básica [...]” (BRASIL, 1996, documento on-line), cuja 
prática é ofertada para todos os estudantes. 
Para além da prática como momento deprazer ou de atividade física que 
visa ao combate ao sedentarismo, a prática do futebol e do futsal nas institui-
ções escolares busca a reflexão crítica dos conteúdos abordados na Educação 
Física, entre eles os esportes. Ainda, cabe destacar que o esporte no contexto 
educacional tem o objetivo de promover a construção de valores sociais, 
como o respeito à diversidade de saberes, identidades e culturas, a resolução 
de conflitos e a cooperação.
Evidentemente, em muitas das instituições escolares, a reflexão crítica sobre 
o esporte é preterida, dando forma à prática do esporte como uma maneira 
de melhorar o desempenho a ser apresentada nos campeonatos estudantis, 
geralmente regidos por características competitivas. De forma descontraída, 
podemos exemplificar esse fenômeno por meio de uma tira humorística apre-
sentada por Pereira (1984 apud BRACHT, 2003):
Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal10
Inusitado diálogo...
— Os jogos escolares servem para a fraternidade! Para a socialização dos 
participantes! Para a prática salutar das atividades gimnodesportivas! Para 
a educação, enfim... 
— Seu Diretor, a sua escola participa dos Jogos Escolares? 
— Claro! Somos uma instituição educacional. 
— E quais foram os resultados educacionais da participação do seu colégio? 
— Duas medalhas de ouro, cinco de prata, três terceiros lugares, e nosso 
time de basquete “tava” massacrando o inimigo quando foi desclassificado 
por um juiz ladrão. 
— Ah!!!
A partir desse exemplo, podemos atentar que a competição a qualquer 
custo não deve ser o fim das abordagens educacionais do esporte, tampouco 
a reprodução das características e exigências do esporte de alto rendimento. 
Para compreender os objetivos do esporte educacional, 
você pode acessar a Base Nacional Comum Curricular, 
documento-referência que orienta os currículos escolares 
e define os direitos de aprendizagem de cada estudante. O 
esporte é uma das aprendizagens do Ensino Fundamental. 
Acessando o link ou o código a seguir, você poderá analisar 
o documento na íntegra.
https://goo.gl/oyhywE
Cabe destacar ainda que qualquer prática esportiva — e até mesmo a 
competição e os elementos que a constituem — podem fazer parte do contexto 
escolar. No entanto, os princípios socializadores, de instrução e de reflexão 
devem ser o foco da abordagem esportiva nesses ambientes.
Dimensão do esporte de participação
O esporte de participação diz respeito a práticas realizadas voluntariamente, 
para manter a plenitude da vida social, promover a saúde e educação e preservar 
o meio ambiente. Nessa perspectiva, é viável pensar que tais possibilidades 
estão bastante relacionadas com as práticas nos momentos de lazer e por 
11Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal
meio de programas de promoção da saúde. Os locais de manifestação dessas 
práticas são diversos, sendo mais comuns clubes, ginásios, parques, praças, 
associações comunitárias, entre outros ambientes de convívio social e/ou de 
integração com a natureza (BRACHT, 2003). 
Atualmente, existem diversos tipos de esportes que podem servir como 
prática de lazer, de busca pela manutenção da saúde ou como forma de convívio 
social. Entre as categorias de esportes mais frequentes que os indivíduos bus-
cam praticar, podemos destacar que o futebol e o futsal constam na categoria 
dos esportes de invasão ou territorial, que engloba as modalidades com o 
objetivo de introduzir ou levar algum objeto a uma meta ou a um setor do 
campo (BRASIL, 2017).
Como vimos anteriormente, essas práticas podem estar presentes tanto 
na escola, a partir de um viés educativo, quanto fora dela, como forma de 
participação, buscando a integração, o convívio e a busca da saúde. Assim, 
nessas duas perspectivas, o resultado em si e a busca da excelência nos gestos 
esportivos, ainda que possam constituir elementos constitutivos da prática 
esportiva, não vêm a ser os objetivos principais dos praticantes. 
Dimensão do esporte de formação e de rendimento
Nessa categoria, unimos as formas de manifestação do esporte de formação e 
de rendimento por acreditarmos que ambas têm um fim comum: a obtenção dos 
resultados pela excelência do desempenho técnico e tático. A diferença entre 
as duas, contudo, está na etapa em que o indivíduo se encontra familiarizado 
com o esporte, isto é, durante o esporte de formação, o indivíduo é induzido a 
adquirir uma série de conhecimentos técnicos e táticos que o levem a um alto 
nível desportivo, enquanto, no esporte de rendimento, consideramos aqueles 
indivíduos que já se tornaram atletas e competem em eventos oficiais (regio-
nais, nacionais e internacionais), com o objetivo de obter melhores resultados. 
Entre as formas de manifestação do esporte, a dimensão do esporte de 
rendimento é a que tem sofrido mais críticas em razão de alguns fatores 
negativos, como os casos de corrupção em federações, os fatos envolvendo 
doping de atletas, o desrespeito à saúde dos praticantes com a superação dos 
limites biológicos, a exploração mercantil das atividades esportivas, a violência 
durante os espetáculos esportivos, entre tantos outros fatores. No entanto, 
cabe destacar que o esporte de rendimento traz consigo diversos benefícios 
Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal12
para a sociedade, como: a criação de locais para treinamento e infraestruturas 
esportivas; bolsas para atletas, gerando renda e emprego; cursos para técnicos 
e outros profissionais ligados ao esporte, promovendo o avanço científico; 
investimentos em equipes olímpicas e paralímpicas, valorizando os esportes; 
campanhas de valorização da vida e combate ao uso de drogas esportivas; 
valorização do fair play, buscando o respeito mútuo entre os atletas; e a oferta 
de projetos esportivos para crianças e adolescentes por meio de programas 
sociais (CASTRO; SOUZA, 2015). 
Para compreender melhor os objetivos das diferentes formas de manifesta-
ção do esporte, utilizaremos o futebol e o futsal com as formas de abordagem 
dentro de cada contexto, conforme apresentado no Quadro 1.
Forma de 
manifestação
Objetivo Exemplo
Esporte 
educacional
Aprendizagem do 
futebol e do futsal 
como um componente 
da cultura corporal de 
movimento, construída e 
modificada ao longo da 
história da humanidade, 
entrelaçada aos princípios 
educacionais que regem 
a educação escolarizada 
Uma aula de Educação 
Física abordando a 
origem e a evolução 
do futebol e do futsal, 
refletindo sobre 
as características 
que marcaram 
a manifestação 
desses esportes
Esporte de 
participação
Vivência e fruição de 
momentos de lazer e 
de prática corporal, 
buscando a integração 
social, o prazer e a saúde
Uma partida de futebol 
ou futsal realizada 
entre amigos em um 
clube ou parque
Esporte de 
rendimento
Busca do êxito esportivo 
por meio de gestos técnicos 
e comportamentos táticos 
cada vez mais eficientes
Uma partida de futebol 
ou futsal regida por 
critérios e regras de 
uma entidade oficial, 
visando à obtenção de 
um prêmio esportivo
Quadro 1. Formas de manifestação do futebol e do futsal e seus objetivos
13Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal
Evidentemente, as diferentes formas de manifestação do esporte apresen-
tam alguns fatores em comum. Além da prática esportiva, podemos eviden-
ciar que o esporte oportuniza aos seus praticantes diversas possibilidades 
de aprendizados, construindo valores sociais e mantendo e reconstruindo 
determinada cultura. Na próxima seção, apresentaremos algumas diferenças 
existentes na prática de futsal em distintas culturas que empregam essa 
prática corporal. 
Diferenças existentes na prática do futebol e 
do futsal em culturas distintas
Como vimos, o esporte é uma construção social, ou seja, a ele são atribuídos 
diferentes significados e valores conforme a sua prática. No futebol e no 
futsal, isso não é diferente. O comportamento de jogadores em campo ou em 
quadra reflete a cultura na qual estão inseridos. Evidentemente, a globalizaçãodo futebol foi tamanha que podemos encontrar semelhanças em diferentes 
países, como o componente emocional. No entanto, algumas características 
são bastante peculiares. 
No Brasil, é comum vermos constantemente a geração de novos ídolos 
no futebol. A aspiração de muitos iniciantes faz com que se espelhem nos 
atletas que obtêm maior rendimento individual, fruto ainda das décadas 
anteriores a 1960, quando os primeiros “gênios” do futebol começaram 
a surgir. Assim, é evidente que muitos jogadores de futebol brasileiro se 
empenham mais em jogadas individuais e menos em jogadas e movimen-
tações coletivas. No futsal, esse fenômeno é menos notado — mas ainda 
aparente — por conta da quantidade de jogadores reduzida e da ação 
conjunta de mais de um atleta. 
Neymar é um dos grandes jogadores reverenciados do futebol brasileiro atual (Figura 1). 
Suas características se assemelham a de muitos outros jogadores considerados ídolos 
no Brasil, isto é, ele é um jogador de características ofensivas e individuais, com a 
capacidade de executar excelentes fintas e de fazer gols.
Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal14
Figura 1. Neymar, atleta da seleção brasileira de futebol.
Fonte: Independent (c2019, documento on-line).
A ideia da individualização parece afetar mais os jogadores ofensivos, uma 
das características brasileiras notada mesmo em times pequenos com jogadores 
pouco habilidosos, mas que, mesmo assim, buscam o ataque insistentemente em 
jogos contra adversários mais qualificados. Nessa direção, Soares e Lovisolo 
(2003, p. 1) apontam que: 
O estilo brasileiro é visto como “futebol arte” e sua expressão central seria 
o drible e a ginga que se teriam desenvolvido desde sua introdução no Brasil 
pelo ato de uma apropriação criativa. Para os defensores do futebol brasileiro 
como arte, a conquista de uma Copa, como a de 1994, pode ter o estranho 
sabor de vitória que não empolga. Contudo, como é habitual no país das 
dualidades, existe um outro polo que afirma que a disciplina, a técnica e os 
esquemas táticos são fundamentais. Os defensores do estilo brasileiro, não 
raro, atribuem as mazelas do futebol a decadência do futebol arte. A polêmica 
entre ambos polos sempre está viva e disposta a desdobrar-se em dilemas como 
criatividade contra disciplina técnica, intuição contra raciocínio, invenção 
contra segurança.
15Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal
É importante destacar que o estilo futebolístico brasileiro, que prioriza as 
individualidades e a pouca disciplina tática, também se deve ao fato de, tão 
logo ter chegado ao país, o futebol ter se formado nas camadas populares, que 
atribuíam um modelo artesanal à prática do esporte — isto é, com base nos 
diversos campos de uma extensão territorial vasta e pouco urbanizada. Esse 
fenômeno de formação de jogadores habilidosos individualmente e pouco 
habilidosos no plano coletivo também se expressa em diversos países da 
América Latina. 
Por sua vez, podemos destacar o modelo europeu de prática do futebol e 
futsal, que consiste na disciplina tática, priorizando os aspectos coletivos. Na 
década de 1980, Da Matta et al. (1982) já sustentava que esses esportes, no 
contexto europeu, são formados principalmente nas elites sociais, com base 
em princípios científicos que preconizam a força, a velocidade e a resistência. 
Sem dúvidas, o futebol da Europa centraliza jogadores de diferentes culturas. 
Hoje, o fluxo de atletas de países do mundo inteiro geralmente tem como 
destino os países europeus, que detêm os times de maior potencial financeiro, 
promovendo certa heterogeneidade no modo como cada equipe desenvolve o 
seu futebol. No entanto, é possível identificar o estilo com base no equilíbrio 
da equipe, o que faz muitos dos atletas individualistas não obterem êxito e 
não se adaptarem ao futebol europeu, tendo que retornar para seus países de 
origem ou migrar para times europeus de menor expressão. 
Outros países também têm se destacado na migração de jogadores. Sem 
dúvidas, o futebol e o futsal são modalidades muito lucrativas do ponto de vista 
mercadológico. Dessa forma, clubes de países com menor tradição no futebol 
e que não têm a capacidade de formar jogadores talentosos individualmente 
dos brasileiros nem os pressupostos científicos que visam a formar jogadores 
fisiologicamente eficientes dentro de campo optam por importar jogadores 
promissores de países onde o salário dos atletas é baixo. Nessa tangente, 
China, Rússia, Japão e países do Oriente Médio, inflados pelo petróleo, têm 
se destacado pela quantidade de jogadores estrangeiros habilidosos que se 
destacam em seus campeonatos nacionais, geralmente fracos em termos 
técnicos e táticos. 
De todo modo, podemos identificar que, tanto na prática do futebol quanto 
do futsal, os países que mais se destacam estão na América Latina e na Eu-
ropa, refletindo a presença desses esportes na cultura dos países. O Quadro 2 
demonstra essa influência, elencando as principais seleções que conquistaram 
os campeonatos mundiais de futebol e de futsal ao longo dos anos organizados 
pela FIFA. 
Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal16
Seleção Títulos no futebol Títulos no futsal
Brasil 5 5
Itália 4 0
Alemanha 4 0
Argentina 2 1
França 2 0
Uruguai 2 0
Inglaterra 1 0
Espanha 0 2
Quadro 2. Principais equipes campeãs dos campeonatos mundiais de futebol e futsal 
organizados pela FIFA
Como podemos reconhecer no Quadro 2, os principais países que detêm a 
hegemonia do futebol e do futsal se encontram na América do Sul e na Europa, 
fato que reflete como o esporte está presente nessas culturas. 
Se, por um lado, verificamos as diferenças do futebol e do futsal em dife-
rentes países, por outro, é possível diferenciar entre o futebol que se pratica 
nas diferentes culturas de um mesmo país. Por exemplo, no Brasil, é visível 
a diferença entre os campeonatos estaduais, principalmente quando jogados 
por atletas provenientes de determinadas regiões. 
A título de exemplo, podemos verificar as distintas formas de jogar na 
região Sul do Brasil em relação à região Sudeste. Equipes do Rio Grande do 
Sul tendem a apresentar um estilo de jogo mais aguerrido, com marcações e 
roubadas de bola mais acintosas quando comparadas às do Rio de Janeiro. E 
isso reflete a identidade dos jogadores frente ao território que habitam. O Rio 
Grande do Sul, marcado por constantes conflitos bélicos e de revoluções que 
buscavam a independência do restante do Brasil, tende a formar jogadores 
mais aguerridos. Já o Rio de Janeiro, marcado pelos jogos entre amigos na 
beira de praias, tende a ser menos violento. 
Além de regiões, podemos identificar que as formas de jogar futebol ou 
futsal se apresentam no contexto macrossocial. Cada grupo partilha de uma 
cultura, promovendo símbolos, hábitos, significados e modos de agir diante 
da prática esportiva. Dessa forma, as diferentes maneiras de jogar futebol ou 
17Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal
futsal estão condicionadas à cultura em que estes se desenvolvem. Sobre essas 
peculiaridades, Stigger (2009, p. 82) narra que: 
[...] em um grupo de praticantes de futebol das areias da Praia do Molhe, na 
cidade do Porto, em Portugal, foi identificado um processo de apropriação 
do futebol, que chamou a atenção: aqueles praticantes de futebol de praia 
nunca jogavam contra adversários de fora, ou seja, só admitiam jogar entre 
amigos; nunca repetiam equipes de um fim de semana para o outro, o que 
justificavam considerando ser essa uma forma de evitar rivalidades internas; 
mesmo assim, buscavam realizar jogos disputados, o que faziam a partir da 
formação das equipes por divisão equilibrada. Naquele universo, acima da 
capacidade de produzir algo num jogo de futebol (jogar bem, ter aptidão para 
vencer as partidas etc.), o que era valorizado era a assiduidade nas atividades 
e a disposição para realizar um jogo duro, mas dentro de padrões de disputa 
por eles aceitáveis. [..] Quemquisesse participar daquele universo cultural-
-esportivo deveria apreender aquela perspectiva de viver o esporte.
Dessa forma, podemos empreender que não existe apenas um único modo 
válido de jogar futebol ou futsal. Apesar das regras estabelecidas pelas enti-
dades regulamentadoras, essas práticas esportivas se desenvolvem nos mais 
diferentes contextos sociais, construindo um universo multifacetado, tal qual 
nos seus primórdios, quando diferentes grupos buscavam estabelecer modos de 
jogar baseados nos valores que partilham e nos hábitos presentes na sociedade 
em que estão inseridos. 
BRACHT, V. Sociologia crítica do esporte: uma introdução. 2. ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2003. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 12 mar. 2019.
BRASIL. Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da 
educação nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.
htm. Acesso em: 12 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998. Institui normas gerais sobre desporto e 
dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/LEIS/
L9615consol.htm. Acesso em: 12 mar. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Curricular Comum: educação é a base. 
Brasília: MEC, 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wp-content/
uploads/2018/02/bncc-20dez-site.pdf. Acesso em: 12 mar. 2019.
Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal18
CASTRO, S. B. E.; SOUZA, D. L. Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016: propostas 
para o esporte educacional, de participação e de rendimento. Revista Brasileira de 
Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 29, n. 3, p. 507-518, 2015.
DA MATTA, R. et. al. O universo do futebol: esporte e sociedade brasileira. Rio de Janeiro: 
Pinakotheke, 1982.
ELIAS, N.; DUNNING, E. A busca da excitação. Lisboa: DIFEL, 1992. 
FERREIRA, T.; MOREIRA, E. C. O que tanto interessa no futebol e no futsal? Uma análise 
dos trabalhos de conclusão de curso em Educação Física. Motrivivência, Florianópolis, 
v. 29, n. 50, p. 77-89, maio 2017.
INDEPENDENT. Neymar. [c2019]. Disponível em: https://www.independent.co.uk/topic/
Neymar. Acesso em: 12 mar. 2019.
LEONCINI, M. P. Entendendo o negócio futebol: um estudo sobre a transformação do 
modelo de gestão estratégica nos clubes de futebol. 2001. Tese (Doutorado em En-
genharia) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
MASCARENHAS, F. Megaeventos esportivos e educação física: alerta de tsunami. 
Movimento, Porto Alegre, v. 18, n. 1, p. 39-67, jan./mar. 2012.
MURAD, M. Dos pés à cabeça: elementos básicos da sociologia do futebol. Rio de 
Janeiro: Irradiação Cultural, 1996.
SOARES A. J.; LOVISOLO, H. Futebol: a construção histórica do estilo nacional. Revista 
Brasileira de Ciências do Esporte, Campinas, v. 25, n.1, p. 129-144, 2003. 
STIGGER, M. P. Lazer, cultura e educação: possíveis articulações. Revista Brasileira de 
Ciências do Esporte, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 73-88, 2009.
TUBINO, M. J. G. O esporte no Brasil: do período colonial aos nossos dias. São Paulo: 
IBRASA, 1996.
VIEIRA, S.; FREITAS, A. O que é futsal. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2007.
VOSER, R. Futsal: princípios técnicos e táticos. Canoas: Editora da ULBRA, 2003.
Leituras recomendadas
DE ROSE JR., D. (org.). Esporte e atividade física na infância e adolescência: uma abordagem 
multidisciplinar. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. 
SCHMIDT, R. A.; LEE, T D. Aprendizagem e performance motora: dos princípios à aplicação. 
5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
WEINBERG, R. S.; GOULD, D. Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. 6. ed. 
Porto Alegre: Artmed, 2001.
19Abordagem histórico-evolutiva do futebol e do futsal

Mais conteúdos dessa disciplina