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Características Imagenológicas de doenças do Pericárdio O derrame pericárdico é a anormalidade mais comum do pericárdio. A faixa pericárdica normalmente tem de 2 a 3mm em radiografias de tórax e TC e menos de 4mm na RM. A radiografias simples mostram o espessamento da faixa pericárdica ou um sinal de densidade diferencial em até 63% dos pacientes com derrames pericárdicos. A configuração em moringa é vista nos derrames crônicos. A fluoroscopia mostra diminuição das pulsações cardíacas. O pericárdio normalmente contém aproximadamente 20mL de liquido, enquanto são necessários aproximadamente 200mL para serem detectáveis em radiografias simples. A ecocardiografia detecta quantidades muito pequenas (<50mL) de líquido pericárdico, geralmente como uma coleção anecóica (estrutura que não apresenta eco acústico) posterior. Derrames pequenos (<100mL) aparecem como regiões anecóicas anteriores e posteriores. Derrames de tamanho moderado (100 a 500mL) evidenciam uma zona anecóica em torno de todo o ventrículo. Derrames muito grandes (>500mL) estendem-se além do campo de visão, podendo associar-se ao “coração balançando” dentro do pericárdio. A TC é útil para a detecção de derrames pericárdicos loculados. A RM caracteriza o líquido. Um líquido seroso simples aparece escuro às imagens ponderadas em T1 (provavelmente devido ao movimento do líquido) e claro nas imagens gradiente-eco. Derrames complicados ou hemorrágicos aparecem claros nas imagens ponderadas em T1 e escuros nas imagens gradiente-eco (provavelmente devido a artefatos de suscetibilidade). Derrame Pericárdico. Ecocardiograma longitudinal através do septo interventricular (IVS), da raiz aórtica (Ao) e do VE (LV) demonstrando derrame pericárdico (PE EFF). Também há um derrame anterior menor (seta); O tamponamento cardíaco designa a compressão das câmaras cardíacas por um derrame pericárdico sob tensão, o que compromete o enchimento diastólico. O pulso paradoxal descreve um exagero na redução habitual da pressão sistólica durante inspiração. Isso decorre do desvio e movimento paradoxal do septo durante o enchimento ventricular direito. O exame clínico mostra distensão venosa jugular acentuada, bulhas cardíacas distantes e ruído de atrito pericárdico. A radiografia de tórax mostra o aumento rápido da silhueta cardíaca, com a vascularização parecendo relativamente normal. O ecocardiograma mostra tipicamente o desvio septal, o movimento paradoxal do septo, o colapso diastólico do VD e o colapso cíclico dos átrios. A doença pericárdica constritiva advém de espessamento fibroso ou calcificado do pericárdio, que compromete cronicamente o enchimento ventricular por restrição do movimento cardíaco. A idade de início é habitualmente de 30 a 50 anos, e a incidência em homens supera aquela em mulheres à razão de 3:1. A causa mais comum é pós-pericardiotomia. Outras etiologias incluem vírus (Coxsackie B), tuberculose, insuficiência renal crônica, artrite reumatoide, envolvimento neoplásico e pericardite por radiação. As radiografias detectam calcificações em até 50% dos pacientes. Derrames pleurais e ascite são comuns. Os achados clínicos incluem edema maleolar, distensão de veias do pescoço, pulso paradoxal, ruído diastólico pericárdico e ascite. As radiografias de tórax mostram uma silhueta cardíaca normal a ligeiramente aumentada, com átrios pequenos, veia cava superior e inferior e veia ázigo dilatadas e borda cardíaca direita plana ou retificada. A ecocardiografia mostra um pericárdio mais espesso, movimento septal anormal e fração de ejeção ventricular esquerda aumentada, com volume diastólico final pequeno. Pequenos derrames podem ser vistos em associação à “pericardite constritiva com derrame”, que evidencia espessamento e derrame. Pericardite Constritiva. TC sem contraste mostra calcificações pericárdicas (seta fechada) e veia cava inferior dilatada (seta aberta). Observe a distorção dos ventrículos A TC é particularmente boa na demonstração do espessamento pericárdico (>3mm) e calcificações pericárdicas nos casos difíceis. Também podem ser vistos refluxo de contraste para o seio coronário e veia cava inferior, um septo interventricular arqueado, achatamento do VD, AD aumentado, ascite e derrames pleurais. A RM mostra espessamento pericárdico (>4mm), dilatação do AD, da veia cava inferior e das veias hepáticas, desvio sigmoide do septo, e estreitamento do VD. A mecânica anormal do fluxo também pode ser vista na veia cava e nos átrios. O achado de um pericárdio anormalmente espesso é importante para diferenciar entre doença pericárdica constritiva e miocardiopatia restritiva. Os cistos pericárdicos são mais comuns nos ângulos cardiofrênicos, sendo os cistos no lado direito mais comuns que no lado esquerdo. Em geral são assintomáticos e mais frequentes em homens. Os cistos estão presos ao epitélio parietal, são revestidos por células epiteliais ou mesoteliais, contém um líquido claro e variam de tamanho de 3 a 8cm. Ás vezes, comunicam-se com o espaço pericárdico. Os números de atenuação da TC são tipicamente de 20 a 40 UH e não aumentam significativamente após a administração de contraste. A RM demonstra um característico sinal hipointenso nas imagens ponderadas em T1 e sinal hiperintenso nas imagens ponderadas em T2. O diagnóstico diferencial de uma massa do ângulo cardiofrênico inclui cisto pericárdico, coxim adiposo, lipoma, linfonodos aumentados, hérnia diafragmática e aneurisma ventricular. Cisto Pericárdico. A) Radiografia de tórax mostra uma massa de tecido mole no ângulo cardiofrênico direito (seta). B) A TC com contraste demonstra uma densidade quase igual à água na massa não captante de contraste no ângulo cardiofrênico, compatível com cisto pericárdico. RV (ventrículo direito); LV (ventrículo esquerdo). A ausência congênita do pericárdio é mais comum em homens que em mulheres à razão de 3:1; a idade ao diagnóstico é do período neonatal aos 81 anos. A ausência completa do lado esquerdo (55%) é mais comum que defeitos foraminais (35%) ou que ausência total (10%). Os distúrbios associados incluem cistos broncogênicos, comunicações interventriculares, hérnias diafragmáticas e sequestros. Na ausência total, o coração apresenta-se desviado para a esquerda, com uma saliência proeminente do trato de saída ventricular direita, da artéria pulmonar principal e do apêndice atrial esquerdo. A ausência parcial do pericárdio acarreta um risco de estrangulamento das estruturas cardíacas, com a possibilidade de morte súbita. Em geral, recomenda-se o fechamento cirúrgico dos defeitos parciais. Ausência Parcial do Pericárdio. A) Radiografia de tórax demonstra proeminência da artéria pulmonar principal (seta fechada) e uma saliência incomum ao longo da borda cardíaca esquerda (seta aberta). B) RM coronal spin-eco confirma a dilatação da artéria pulmonar principal (seta fechada) e mostra a herniação do apêndice atrial esquerdo (seta aberta). Ao (aorta ascendente), LA (átrio esquerdo), RA (átrio direito) Referência: - BRANT, William E.; HELMS, Clyde A. Fundamentos de radiologia: diagnóstico por imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2012. Acompanhe o Projeto Radiologia na Palma da Mão Acesse nosso Blog: http://radiologianapalmadamao.com.br/ Inscreva-se em nosso Canal: https://www.youtube.com/radiologianapalmadamao Curta nossa Fanpage: https://www.facebook.com/radiologiaraphaelruiz Siga-nos no Instagram: https://www.instagram.com/radiologianapalmadamao/ Baixe nosso e-Book Gratuito sobre Posicionamentos: http://radiologianapalmadamao.gpages.com.br/sobre-nos-push/ Participe da Semana de Radiologia: http://radiologianapalmadamao.gpages.com.br/cadastro-arproj-push/http://radiologianapalmadamao.com.br/ https://www.youtube.com/radiologianapalmadamao https://www.facebook.com/radiologiaraphaelruiz https://www.instagram.com/radiologianapalmadamao/ http://radiologianapalmadamao.gpages.com.br/sobre-nos-push/ http://radiologianapalmadamao.gpages.com.br/cadastro-arproj-push/