Prévia do material em texto
Conferências módulo I – P3 - Eduarda Miranda e George Alves Filariose linfática - Wuchereria bancrofti • Agente etiológico • O parasita responsável pela doença humana é o nematóide Wuchereria bancrofti, tendo como vetor, fêmeas do mosquito Culex fatigans e/ou Culex quiquefasciatus (pernilongo ou muriçoca). • Formas evolutivas • Verme adulto macho* • Verme adulto fêmea* • *Vivem no hospedeiro definitivo em vasos e gânglios linfáticos, por aproximadamente 4 a 8 anos. • Larva: Estádios L1 (salsichóide), L2 e L3. • Modo de transmissão • Pela picada dos mosquitos transmissores com larvas infectantes L3. • Ciclo biológico • É do tipo heteroxênico. A fêmea do Culex quinquefasciatus, ao sugar o sangue de pessoas parasitadas, ingere microfilárias que, no estômago do mosquito, após poucas horas, perdem a bainha, atravessam a parede do estômago do inseto, caem na cavidade geral, alojam-se nos músculos torácicos e transforma -se em uma larva (larva salsichoide) denominada LI ou larva de primeiro estádio. Seis a 10 dias após o repasto infectante ocorre a primeira muda originando a L2 ou larva de segundo estádio. Esta cresce muito e, 10-15 dias depois, sofre a segunda muda transformando-se em larva infectante (L3) ou larva de terceiro estádio, medindo aproximadamente 1,5 mm a 2 mm, que migra pelo inseto até alcançar a probóscida (aparelho picador), concentrando-se no lábio do mosquito. O ciclo no hospedeiro invertebrado é de 15 a 20 dias em temperatura de 20-25°C, mas, em temperaturas mais elevadas, pode ocorrer em menor período. Quando o inseto vetor faz novo repasto sanguíneo, as larvas L3 escapam do lábio, penetram pela solução de continuidade da pele do hospedeiro (não são inoculadas pelos mosquitos) e migram para os Conferências módulo I – P3 - Eduarda Miranda e George Alves vasos linfáticos. Meses depois as larvas amadurecem e se transformam em vermes adultos com sexos distintos. As fêmeas grávidas após fecundadas produzem microfilárias que migram para o sangue do hospedeiro vertebrado (Figura 35.5). O período pré-patente, que vai desde a infecção humana (penetração de larva infectante) até o encontro de microfilárias no sangue do hospedeiro, é longo e varia em tomo de 7 a 9 meses. • Período de transmissibilidade • Não se transmite de pessoa a pessoa. • O ciclo se faz de homem infectado com microfilaremia picado por inseto transmissor, que transmitirá ao outro indivíduo, após 12 a 14 dias do repasto. • A microfilaremia pode persistir, aproximadamente, de 5 a 10 anos • Periodicidade noturna nos vasos periféricos • Uma característica deste parasito, verificada na maioria das regiões onde é encontrado, é a periodicidade noturna de suas microfilárias no sangue periférico do hospedeiro humano: durante o dia, essas formas se localizam nos capilares profundos, principalmente nos pulmões e, durante a noite, aparecem no sangue periférico, com pico da microfilaremia em tomo da meia-noite, decrescendo novamente até o final da madrugada. A partir do final da madrugada as microfilárias, são encontradas em número muito pequeno ou não são detectadas durante o dia no sangue periférico. • Essa variação na concentração das microfilárias sanguíneas ao longo de 24 horas obedece a distribuição normal (curva de Gauss) e independe do gênero ou da carga parasitária do hospedeira Os mecanismos e estímulos responsáveis por essa periodicidade não são Conferências módulo I – P3 - Eduarda Miranda e George Alves claros, embora existam investigações que procuram relacionar a periodicidade noturna com fatores físicos e químicos alterados durante 0 sono. O pico da microfilaremia periférica coincide, na maioria das regiões endêmicas, com o horário preferencial de hematofagismo do principal inseto transmissor, o Culex quinquefasciatus • Profilaxia • Conduta por 3 pontos básicos: o 1 - tratamento de todas as pessoas parasitadas o 2 - combate ao inseto vetor o 3 - melhoria sanitária. o OBS: Controle biológico com bactérias entomopatogênicas, como Bacillus sphaericus ou Bacillus thuringiensis – seletivas: atuam apenas em larvas de Culex e Anopheles ! • Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que nas áreas endêmicas, com prevalência superior a 1%, seja adotada a estratégia de tratamento coletivo respeitando as indicações relacionadas à idade e estado clínico do indivíduo. • OBS: A pessoa não precisa estar doente para realizar o tratamento coletivo (quimioprofilaxia). • Epidemiologia • A filariose linfática é, após a malária, a parasitose transmitida por vetores mais importante no mundo, devia: à incapacidade física e perdas econômicas que ocasiona. • A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 112 milhões de pessoas estão infectadas pela ff bancrofti em 73 países das regiões tropicais e subtropicais, sendo as principais áreas endêmicas localizadas na Ásia. ni África e nas ilhas a oeste do Pacífico. As mais altas taxas c= prevalência de infecção estão no sul e no sudeste asiático: onde são encontrados 65% dos casos e, somente na Ind i vivem 45% dos parasitados. A OMS estima que a perda ee:- nômica relacionada com a filariose linfática apenas na Inc.: é em tomo de 1 bilhão de dólares/ano. Na África, onde se concentram 30% dos infectados distribuídos em 39 países, i enfermidade se distribui pela região subsaariana até Angola c Moçambique, além da costa de Madagascar. Nessas regiões. além do C. quinquefasciatus, várias espécies de Anopheles especialmente do complexo gambiae, podem ser vetores. • No Brasil, não há registro de novos casos autóctones desde 2014, levando o Ministério da Saúde a iniciar um programa de verificação e eliminação da FL, visando à interrupção de sua transmissão. • A OMS através do Programa Global para Eliminação da Filariose Linfática (GPELF) monitora os casos no Brasil, que tem prazo até 2022 para erradicação. • A filariose linfática, vinha sendo detectada em 4 municípios do estado de Pernambuco. Entre 2008 e 2013, foram registrados 516 casos positivos: o Olinda - 48,6% (n=251); o Jaboatão dos Guararapes - 24,4% (n=126); o Recife - 23,1% (n=119); o Paulista - 3,9% (n=20).