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exemplar exclusivo para alunos Olá, OABeiros! Como estão? A preparação para o Exame da OAB não tem fórmula exata, porém o estudo através de questões vem se mostrando fundamental para assimilar a grande quantidade de conteúdos cobrados na prova. A grande maioria das questões da OAB são interdisciplinares, por isso, resolvê-las é um ótimo caminho para aprender e fixar conteúdos relevantes. Ademais, conhecer o perfil da FGV pode ser o diferencial para a sua aprovação, pois você estará mais familiarizado com o estilo de questões, sabendo exatamente o que a banca gosta de perguntar. Da mesma forma, o estudo através de questões comentadas mostra-se ainda mais eficaz, por levar ao candidato explicações assertivas, tornando o aprendizado mais prático e objetivo. Pensando nisso, disponibilizamos todas as questões das últimas provas da OAB, comentadas, para que você possa adquirir o conhecimento necessário para encarar a Primeira Fase da OAB. Vamos juntos! Questão 1 Havendo indícios de que Sara obteve inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil mediante prova falsa, foi instaurado contra ela processo disciplinar. Sobre o tema, assinale a afirmativa correta. A) O processo disciplinar contra Sara pode ser instaurado de ofício ou mediante representação, que pode ser anônima. B) Em caso de revelia de Sara, o processo disciplinar seguirá, independentemente de designação de defensor dativo. C) O processo disciplinar instaurado contra Sara será, em regra, público. D) O recurso contra eventual decisão que determine o cancelamento da inscrição de Sara não terá efeito suspensivo. A) Errado Para além do disposto no art. 72, caput, da Lei n° 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB), segundo o qual “o processo disciplinar instaura-se de ofício ou mediante representação de qualquer autoridade ou pessoa interessada”, dispõe o art. 51, caput, do Código de Ética e Disciplina da OAB que “o processo disciplinar instaura-se de ofício ou mediante representação dos interessados, que não pode ser anônima”. B) Errado Nos moldes do art. 52, § 1°, do Código de Ética e Disciplina da OAB c/c art. 73, § 4°, do Estatuto da Advocacia e da OAB, “se o representado não for encontrado ou for revel, o Presidente do Conselho ou da Subseção deve designar-lhe defensor dativo”. C) Errado Nos termos do art. 72, § 2°, do Estatuto da Advocacia e da OAB, “o processo disciplinar tramita em sigilo, até o seu término, só tendo acesso às suas informações as partes, seus defensores e a autoridade judiciária competente”. D) Correto De conformidade com o disposto no art. 77 do Estatuto da Advocacia e da OAB, “todos os recursos têm efeito suspensivo, exceto quando tratarem (...) de cancelamento da inscrição obtida com falsa prova”. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca. __________________________________________________________________________________________________________ Questão 2 Em certo município, os advogados André e Helena são os únicos especialistas em determinado assunto jurídico. Por isso, André foi convidado a participar de entrevista na imprensa escrita sobre as repercussões de medidas tomadas pelo Poder Executivo local, relacionadas à sua área de especialidade. Durante a entrevista, André convidou os leitores a litigarem em face da Administração Pública, conclamando-os a procurarem advogados especializados para ajuizarem, desde logo, as demandas que considerava tecnicamente cabíveis. Porém, quando indagado sobre os meios de contato de seu escritório, para os leitores interessados, André disse que, por obrigação ética, não poderia divulgá-los por meio daquele veículo. Por sua vez, a advogada Helena, irresignada com as mesmas medidas tomadas pelo Executivo, procurou um programa de rádio, oferecendo-se para uma reportagem sobre o assunto. No programa, Helena manifestou-se de forma técnica, educativa e geral, evitando sensacionalismo. Considerando as situações acima narradas e o disposto no Código de Ética e Disciplina da OAB, assinale a afirmativa correta. A) André e Helena agiram de forma ética, observando as normas previstas no Código de Ética e Disciplina da OAB. B) Nenhum dos dois advogados agiu de forma ética, tendo ambos inobservado as normas previstas no Código de Ética e Disciplina da OAB. C) Apenas André agiu de forma ética, observando as normas previstas no Código de Ética e Disciplina da OAB. D) Apenas Helena agiu de forma ética, observando as normas previstas no Código de Ética e Disciplina da OAB. A) Errado Ambos os advogados não agiram de forma ética, pois descumpriram o disposto tanto no art. 32 quanto no inciso V do art. 33, ambos do CED. B) Correto Os advogados André e Helena agiram de forma antiética, uma vez que ambos não observaram as normas previstas no Código de Ética e Disciplina (CED) da OAB. Segundo o art. 32 do CED, “o advogado que eventualmente participar de programa de televisão ou de rádio, de entrevista na imprensa, de reportagem televisionada ou de qualquer outro meio, para manifestação profissional, deve visar a objetivos exclusivamente ilustrativos, educacionais e instrutivos, sem propósito de promoção pessoal ou profissional, vedados pronunciamentos sobre métodos de trabalho usados por seus colegas de profissão”. Por fim, dispõe o art. 33, V, do CED que “o advogado deve abster-se de insinuar-se para reportagens e declarações públicas”. C) Errado Tanto Helena quanto André agiram de forma antiética, a teor do disposto no art. 32 c/c art. 33, inciso V, ambos do Código de Ética e Disciplina. D) Errado Os advogados André e Helena não agiram de forma ética, uma vez que suas condutas configuraram violação ao previsto nos arts. 32 e 33, inciso V, do Código de Ética e Disciplina. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca. __________________________________________________________________________________________________________ Questão 3 O advogado Fernando foi contratado por Flávio para defendê-lo, extrajudicialmente, tendo em vista a pendência de inquérito civil em face do cliente. O contrato celebrado por ambos foi assinado em 10/03/15, não prevista data de vencimento. Em 10/03/17, foi concluída a atuação de Fernando, tendo sido homologado o arquivamento do inquérito civil junto ao Conselho Superior do Ministério Público. Em 10/03/18, Fernando notificou extrajudicialmente Flávio, pois este ainda não havia adimplido os valores relativos aos honorários contratuais acordados. A ação de cobrança de honorários a ser proposta por Fernando prescreveem A) três anos, contados de 10/03/15. B) cinco anos, contados de 10/03/17. C) três anos, contados de 10/03/18. D) cinco anos, contados de 10/03/15. A) Errado O prazo é de cinco anos, e não de três anos, contando-se, no caso em tela, da ultimação do serviço extrajudicial, consoante o disposto no art. 25 do Estatuto da Advocacia e da OAB. B) Correto Em consonância com o art. 25 do Estatuto da Advocacia e da OAB, “prescreve em cinco anos a ação de cobrança de honorários de advogado, contado o prazo: I – do vencimento do contrato, se houver; II – do trânsito em julgado da decisão que os fixar; III – da ultimação do serviço extrajudicial; IV – da desistência ou transação; V – da renúncia ou revogação do mandato. In casu, não foi prevista data de vencimento no contrato, razão pela qual a prescrição terá como termo inicial a data de ultimação (conclusão, término, finalização) do serviço extrajudicial em apreço, qual seja, a da conclusão da autuação de Fernando, tendo sido homologado o arquivamento do inquérito civil em tela junto ao Conselho Superior do Ministério Público. C) Errado Nos moldes do art. 25 do Estatuto em apreço, o prazo é de cinco anos, e não de três anos, a ser contado, in casu, da finalização do serviço extrajudicial. D) Errado De conformidade com o disposto no art. 25 do Estatuto da Advocacia e da OAB, o prazo, de fato, é de cinco anos, mas a sua contagem, no caso em apreço, se inicia a partir da ultimação do serviço extrajudicial. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 4 Os sócios Antônio, Daniel e Marcos constituíram a sociedade Antônio, Daniel & Advogados Associados, com sede em São Paulo e filial em Brasília. Após desentendimentos entre eles, Antônio constitui sociedade unipessoal de advocacia, com sede no Rio de Janeiro. Marcos, por sua vez, retira-se da sociedade Antônio, Daniel & Advogados Associados. Sobre a situação apresentada, assinale a afirmativa correta. A) Daniel não está obrigado a manter inscrição suplementar em Brasília, já que a sociedade Antônio, Daniel & Marcos Advogados Associados tem sede em São Paulo. B) Antônio deverá retirar-se da Antônio, Daniel & Marcos Advogados Associados, já que não pode integrar, simultaneamente, uma sociedade de advogados e uma sociedade unipessoal de advocacia. C) Mesmo após Marcos se retirar da sociedade Antônio, Daniel & Marcos Advogados Associados permanece o impedimento para que ele e Antônio representem em juízo clientes com interesses opostos. D) Caso Antônio também se retire da Antônio, Daniel & Marcos Advogados Associados, a sociedade deverá passar a ser denominada Daniel Sociedade Individual de Advocacia. A) Errado Dispõe o art. 15, § 5°, do Estatuto da Advocacia e da OAB que “o ato de constituição de filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado no Conselho Seccional onde se instalar, ficando os sócios, inclusive o titular da sociedade unipessoal de advocacia, obrigados à inscrição suplementar”. B) Errado De conformidade com o art. 15, § 4°, do Estatuto da Advocacia e da OAB, “nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados, constituir mais de uma sociedade unipessoal de advocacia, ou integrar, simultaneamente, uma sociedade de advogados e uma sociedade unipessoal de advocacia, com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional”. C) Errado Consoante o art. 15, § 6°, do Estatuto da Advocacia e da OAB, “os advogados sócios de uma mesma sociedade profissional não podem representar em juízo clientes de interesses opostos”. D) Correto Inicialmente, destaca-se que o art. 15, § 7°, do Estatuto da Advocacia e da OAB estabelece que “a sociedade unipessoal de advocacia pode resultar da concentração por um advogado das quotas de uma sociedade de advogados, independentemente das razões que motivaram tal concentração”. Por derradeiro, importa ressaltar que o art. 16, § 4°, do mesmo diploma legislativo estipula que “a denominação da sociedade unipessoal de advocacia deve ser obrigatoriamente formada pelo nome do seu titular, completo ou parcial, com a expressão ‘Sociedade Individual de Advocacia’”. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 5 Um escritório de renome internacional considera expandir suas operações, iniciando atividades no Brasil. Preocupados em adaptar seus procedimentos internos para que reflitam os códigos brasileiros de ética profissional, seus dirigentes estrangeiros desejam entender melhor as normas a respeito da relação entre clientes e advogados no país. Sobre esse tema, é correto afirmar que os advogados brasileiros A) podem, para a adoção de medidas judiciais urgentes e inadiáveis, aceitar procuração de quem já tenha patrono constituído, sem prévio conhecimento deste. B) deverão considerar sua própria opinião a respeito da culpa do acusado ao assumir defesa criminal. C) podem funcionar, no mesmo processo, simultaneamente, como patrono e preposto de seu cliente, desde que tenham conhecimento direto dos fatos. D) podem representar, em juízo, clientes com interesses opostos se não integrarem a mesma sociedade profissional, mas estiverem reunidos em caráter permanente para cooperação recíproca. A) Correto De acordo com o art. 11 do Código de Ética e Disciplina da OAB – CED, “o advogado não deve aceitar procuração de quem já tenha patrono constituído, sem prévio conhecimento deste, salvo por motivo justo ou para adoção de medidas judiciais urgentes e inadiáveis”. B) Errado Dispõe o art. 21 do CED que “é direito e dever do advogado assumir a defesa criminal, sem considerar sua própria opinião sobre a culpa do acusado”. C) Errado O art. 23 do CED veda ao advogado “funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como patrono e preposto do empregador ou cliente”. D) Errado De conformidade com o art. 17 do CED, “os advogados integrantes da mesma sociedade profissional, ou reunidos em caráter permanente para cooperação recíproca, não podem representar em juízo clientes com interesses opostos”. Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca __________________________________________________________________________________________________________ Questão 6 O advogado João era conselheiro de certo Conselho Seccional da OAB. Todavia, por problemas pessoais, João decidiu renunciar ao mandato. Considerando o caso narrado, assinalea afirmativa correta. A) Compete ao plenário do Conselho Seccional respectivo declarar extinto o mandato, sendo exigido que previamente ouça João no prazo de dez dias, após notificação deste mediante ofício com aviso de recebimento. B) Compete à Diretoria do Conselho Seccional respectivo declarar extinto o mandato, independentemente de exigência de prévia notificação para oitiva de João. C) Compete ao plenário do Conselho Seccional respectivo declarar extinto o mandato, sendo exigido que previamente ouça João no prazo de quinze dias, após notificação pessoal deste. D) Compete à Segunda Câmara do Conselho Federal da OAB declarar extinto o mandato, independentemente de exigência de prévia notificação para oitiva de João. A) Errado Consoante o caput e o § 1° do art. 54 do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, não cabe ao Plenário do Conselho Seccional, e sim à sua Diretoria, declarar extinto o mandato no presente caso. B) Correto Nos exatos ditames do art. 54, caput e § 1°, do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, “compete à Diretoria dos Conselhos Federal e Seccionais (...) declarar extinto o mandato”, ocasião em que “a Diretoria, antes de declarar extinto o mandato, salvo no caso de morte ou renúncia, ouve o interessado no prazo de quinze dias, notificando-o mediante ofício com aviso de recebimento”. C) Errado Cabe à Diretoria, e não ao Plenário do Conselho Seccional, declarar a extinção do mandato em tela, não sendo exigida a prévia notificação, por se tratar de renúncia, nos moldes do art. 54, caput e § 1°, do Regulamento Geral da Advocacia e da OAB. D) Errado Dispõe o art. 54, caput e § 1°, do Regulamento Geral da Advocacia e da OAB que é de competência da Diretoria do Conselho Seccional, e não da Segunda Câmara do Conselho Federal, a declaração de extinção do mandato, inclusive em caso de renúncia. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 7 A sociedade Antônio, Breno, Caio & Diego Advogados Associados é integrada, exclusivamente, pelos sócios Antônio, Breno, Caio e Diego, todos advogados regularmente inscritos na OAB. Em um determinado momento, Antônio vem a falecer. Breno passa a exercer mandato de vereador, sem figurar entre os integrantes da Mesa Diretora da Câmara Municipal ou seus substitutos legais. Caio passa a exercer, em caráter temporário, função de direção em empresa concessionária de serviço público. Considerando esses acontecimentos, assinale a afirmativa correta. A) O nome de Antônio poderá permanecer na razão social da sociedade após o seu falecimento, ainda que tal possibilidade não esteja prevista em seu ato constitutivo. B) Breno deverá licenciar-se durante o período em que exercer o mandato de vereador, devendo essa informação ser averbada no registro da sociedade. C) Caio deverá deixar a sociedade, por ter passado a exercer atividade incompatível com a advocacia. D) Com o falecimento de Antônio, se Breno e Caio deixarem a sociedade e nenhum outro sócio ingressar nela, Diego poderá continuar suas atividades, caso em que passará a ser titular de sociedade unipessoal de advocacia. A) Errado Conforme prevê o art. 16, § 1°, do Estatuto da Advocacia e da OAB, “a razão social deve ter, obrigatoriamente, o nome de, pelo menos, um advogado responsável pela sociedade, podendo permanecer o de sócio falecido, desde que prevista tal possibilidade no ato constitutivo”. B) Errado Trata-se de uma situação de impedimento, que, em contraposição à incompatibilidade, não obriga o licenciamento, nos termos dos arts. 12, 27, 28 e 30, todos do Estatuto da Advocacia e da OAB. C) Errado Embora seja uma atividade incompatível com a advocacia, Caio não precisa deixar a sociedade, bastando licenciar-se nos moldes do art. 12 c/c art. 28, ambos do Estatuto da Advocacia e da OAB. D) Correto Nesse sentido, dispõe o art. 15, § 7°, do Estatuto da Advocacia e da OAB que “a sociedade unipessoal de advocacia pode resultar da concentração por um advogado das quotas de uma sociedade de advogados, independentemente das razões que motivaram tal concentração”. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 8 Os advogados Diego, Willian e Pablo, todos em situação regular perante a OAB, desejam candidatar-se ao cargo de conselheiro de um Conselho Seccional da OAB. Diego é advogado há dois anos e um dia, sendo sócio de uma sociedade simples de prestação de serviços de advocacia e nunca foi condenado por infração disciplinar. Willian, por sua vez, exerce a advocacia há exatos quatro anos e constituiu sociedade unipessoal de advocacia, por meio da qual advoga atualmente. Willian já foi condenado pela prática de infração disciplinar, tendo obtido reabilitação um ano e três meses após o cumprimento da sanção imposta. Já Pablo é advogado há cinco anos e um dia e nunca respondeu por prática de qualquer infração disciplinar. Atualmente, Pablo exerce certo cargo em comissão, exonerável ad nutum, cumprindo atividades exclusivas da advocacia. Considerando as informações acima e o disposto na Lei n° 8.906/94, assinale a afirmativa correta. A) Apenas Diego e Willian cumprem os requisitos para serem eleitos para o cargo pretendido. B) Apenas Willian cumpre os requisitos para ser eleito para o cargo pretendido. C) Apenas Diego e Pablo cumprem os requisitos para serem eleitos para o cargo pretendido. D) Apenas Pablo cumpre os requisitos para ser eleito para o cargo pretendido. A) Errado Consoante o art. 63, § 2°, do Estatuto da Advocacia e da OAB, tão somente William atende aos pressupostos à eleição para o cargo em análise. B) Correto Nos moldes do art. 63, § 2°, do Estatuto da Advocacia e da OAB, apenas Willian cumpre os requisitos para ser eleito para o cargo de conselheiro de Conselho Seccional da OAB, pois logrou êxito em comprovar “situação regular perante a OAB, não ocupar cargo exonerável ad nutum, não ter sido condenado por infração disciplinar, salvo reabilitação, e exercer efetivamente a profissão há mais de 3 (três) anos, nas eleições para os cargos de Conselheiro Seccional e das Subseções, quando houver (...)”. C) Errado Somente Willian atendeu aos pressupostos de eleição para o cargo em apreço, não o cumprindo Diego, tampouco Pablo, nos ditames do art. 63, § 2°, do Estatuto da Advocacia e da OAB. D) Errado Pablo não cumpriu os requisitos para ser eleito ao cargo de conselheiro de Conselho Seccional,nos termos do § 2° do art. 63 do Estatuto da Advocacia e da OAB, mas apenas Willian. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 9 “É preciso sair do estado natural, no qual cada um age em função dos seus próprios caprichos, e convencionar com todos os demais em submeter-se a uma limitação exterior, publicamente acordada, e, por conseguinte, entrar num estado em que tudo que deve ser reconhecido como seu é determinado pela lei…” Immanuel Kant A perspectiva contratualista de Kant, apresentada na obra Doutrina do Direito, sustenta ser necessário passar de um estado de natureza, no qual as pessoas agem egoisticamente, para um estado civil, em que a vida em comum seja regulada pela lei, como forma de justiça pública. Isso implica interferir na liberdade das pessoas. Em relação à liberdade no estado civil, assinale a opção que apresenta a posição que Kant sustenta na obra em referência. A) O homem deixou sua liberdade selvagem e sem freio para encontrar toda a sua liberdade na dependência legal, isto é, num estado jurídico, porque essa dependência procede de sua própria vontade legisladora. B) A liberdade num estado jurídico ou civil consiste na capacidade da vontade soberana de cada indivíduo de fazer aquilo que deseja, pois somente nesse estado o homem se vê livre das forças da natureza que limitam sua vontade. C) A liberdade civil resulta da estrutura política do estado, de forma que somente pode ser considerado liberdade aquilo que decorre de uma afirmação de vontade do soberano. No estado civil, a liberdade não pode ser considerada uma vontade pessoal. D) Na república, a liberdade é do governante para governar em prol de todos os cidadãos, de modo que o governante possui liberdade, e os governados possuem direitos que são instituídos pelo governo. Parte fundamental das obras de Immanuel Kant são seus estudos acerca do entendimento do estado de natureza e do estado civil, em especial tratando da liberdade do indivíduo nesses dois meios. A) Correto Em relação à liberdade no estado civil, entende-se que o homem deixou sua liberdade selvagem e sem freio para encontrar toda a sua liberdade na dependência legal, ou seja, em um estado jurídico, uma vez que essa dependência decorre de sua própria vontade legisladora. Sob o viés kantiano, o caráter de ser humano não deve entrar no estado civil coagido por outro, mas pela sua própria vontade, ou seja, o ser humano não aplica ou realiza qualquer contrato como meio para alcançar a finalidade de outrem, mas sim motivado pela sua própria finalidade. Nesta senda, Kant afirma: E não se pode dizer que o homem no estado sacrificado a um fim na parte de sua liberdade externa inata, mas sim que teria abandonado por completo a liberdade selvagem e sem lei para, numa situação de dependência legal, isto é, num estado jurídico, reencontrar intacta sua liberdade em geral, pois essa dependência surge de sua própria vontade legisladora (KANT, 2013, p.122). B) Errado No estado civil, não deve o homem fazer tudo aquilo que deseja, pois isso caracteriza a liberdade selvagem do estado de natureza – cabendo a ele, então, agir em liberdade, respeitando as dependências legais e legislativas a ela associadas. C) Errado Não é possível afirmar que a liberdade humana somente existe quando afirmada por um soberano, uma vez que ela decorre da sua própria vontade legisladora. D) Errado Na república, os governados também possuem liberdade – em meio à dependência legal -, de modo que é incorreto afirmar que apenas os governantes têm tal liberdade. Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: Doutrina Questão 10 “Temos pois definido o justo e o injusto. Após distingui-los assim um do outro, é evidente que a ação justa é intermediária entre o agir injustamente e o ser vítima da injustiça; pois um deles é ter demais e o outro é ter demasiado pouco.” ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973. Em seu livro Ética a Nicômaco, Aristóteles apresenta a justiça como uma virtude e a diferencia daquilo que é injusto. Assinale a opção que define aquilo que, nos termos do livro citado, deve ser entendido como justiça enquanto virtude. A) Uma espécie de meio-termo, porém não no mesmo sentido que as outras virtudes, e sim porque se relaciona com uma quantia intermediária, enquanto a injustiça se relaciona com os extremos. B) Uma maneira de proteger aquilo que é o mais conveniente para o mais forte, uma vez que a justiça como produto do governo dos homens expressa sempre as forças que conseguem fazer valer seus próprios interesses. C) O cumprimento dos pactos que decorrem da vida em sociedade, seja da lei como pacto que vincula todos os cidadãos da cidade, seja dos contratos que funcionam como pactos celebrados entre particulares e vinculam as partes contratantes. D) Um imperativo categórico que define um modelo de ação moralmente desejável para toda e qualquer pessoa e se expressa da seguinte maneira: “Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por meio da tua vontade, uma lei universal”. A) Correto Na sua obra “Ética a Nicômaco”, Aristóteles apresenta conceitos absolutamente basilares ao Direito brasileiro. Dentre estes, cabe destacar o entendimento da igualdade material perante a Constituição Federal, o qual foi profundamente influenciada por tal obra. De acordo com as percepções aristotélicas, é possível inferir que a justiça distributiva é somente uma dentre diversas existentes, e caracteriza-se pela distribuição, entre os integrantes de uma determinada comunidade política, de bens, honras, vantagens e quaisquer outros benefícios do gênero. Como dito por Aristóteles, “se, pois, o injusto é desigual, o justo é igual (...) E, como o igual é um ponto intermediário, o justo será um meio-termo." Além disso, Aristóteles afirma: “e a mesma igualdade se observará entre as pessoas e entre as coisas envolvidas; pois a mesma relação que existe entre as segundas (as coisas envolvidas) também existe entre as primeiras. Se não são iguais, não receberão coisas iguais". 1 B) Errado A justiça, no conceito de Aristóteles, não envolve apenas o que é benéfico para o mais forte, uma vez que, enquanto virtude completa, abarca também o que é bom para o próximo. C) Errado A justiça não é entendida como pacto social ou um mecanismo de cumpri-lo, mas sim como um intermédio entre os extremos das injustiças. D) Errado O conceito de justiça de Aristóteles não está relacionadocom tal imperativo categórico. Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: Doutrina 1 ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco: Livro 1. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991. (Os Pensadores; v. 2). Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim da versão inglesa de W. D. Ross. Questão 11 Preocupado com o grande número de ações judiciais referentes a possíveis omissões inconstitucionais sobre direitos sociais e, em especial, sobre o direito à saúde, o Procurador-Geral do Estado Beta (PGE) procurou traçar sua estratégia hermenêutica de defesa a partir de dois grandes argumentos jurídicos: em primeiro lugar, destacou que a efetividade dos direitos prestacionais de segunda dimensão, promovida pelo Poder Judiciário, deve levar em consideração a disponibilidade financeira estatal; um segundo argumento é o relativo à falta de legitimidade democrática de juízes e tribunais para fixar políticas públicas no lugar do legislador eleito pelo povo. Diante de tal situação, assinale a opção que apresenta os conceitos jurídicos que correspondem aos argumentos usados pelo PGE do Estado Beta. A) Dificuldade contraparlamentar e reserva do impossível. B) Reserva do possível fática e separação dos Poderes. C) Reserva do possível jurídica e reserva de jurisdição do Poder Judiciário. D) Reserva do possível fática e reserva de plenário. A) Errado A Reserva do Impossível é a impossibilidade de se anular situação fática decorrente de decisão política de caráter institucional sem que ocorra uma agressão ao princípio federativo, ou seja, tal instituto não se confunde com o Princípio da Reserva do Possível, instituto da Ciência das Finanças, que traduz a ideia de que a atuação estatal está condicionada à existência de recursos públicos disponíveis. B) Correto A questão exige conhecimento doutrinário a respeito da Teoria Geral do Direito Fundamental. Encontramos sua resposta através da análise dos dois argumentos jurídicos utilizados na estratégia de defesa do Procurador-Geral do Estado (PGE). Analisando o primeiro argumento, lembramos que Ingo Sarlet dividiu a Reserva do Possível em três dimensões: 1. Possibilidade Fática: disponibilidade de recursos necessários à satisfação do direito prestacional (ônus da prova do Estado). 2. Possibilidade Jurídica: os gastos a serem feitos devem estar previstos em lei (no orçamento) e definidas as competências (por vezes o município não tem como atender todas as pretensões, mas no âmbito da União haveria orçamento suficiente para atender àquelas despesas). 3. Razoabilidade da exigência e proporcionalidade da prestação: é razoável ou não exigir do Estado a prestação e em que medida deve ser exigida (é ônus do Estado demonstrar de forma clara que se a prestação for universalizada não teria como ser atendida). Ademais, em se tratando do segundo argumento, o STF possui diversos entendimentos alegando que o Judiciário poderá fixar políticas públicas quando houver omissão legislativa ou inércia executiva, sem que isso ofenda a separação dos Poderes. "[...] não ofende o princípio da separação de poderes a determinação, pelo Poder Judiciário, em situações excepcionais, de realização de políticas públicas indispensáveis para a garantia de relevantes direitos constitucionais" (RE 634.643) Portanto, podemos compreender que o Procurador-Geral do Estado (PGE) traçou sua estratégia de defesa a partir dos argumentos da Reserva do possível fática e Separação dos Poderes. C) Errado Conforme o caso hipotético, o PGE “em primeiro lugar, destacou que a efetividade dos direitos prestacionais de segunda dimensão, promovida pelo Poder Judiciário, deve levar em consideração a disponibilidade financeira estatal”. Tal afirmativa, conforme já exposto, trata da Possibilidade Fática, uma das dimensões da Reserva do Possível. Trata-se de Possibilidade Jurídica aquela onde os gastos a serem feitos devem estar previstos em lei (no orçamento) e definidas as competências (por vezes o município não tem como atender todas as pretensões, mas no âmbito da União haveria orçamento suficiente para atender àquelas despesas). Portanto, podemos descartar o uso da Possibilidade Jurídica no argumento do PGE. D) Errado Encontramos o erro da questão quando ela traz a “Reserva de Plenário” como argumento utilizado pelo PGE ao tratar da falta de legitimidade democrática de juízes e tribunais para fixar políticas públicas no lugar do legislador eleito pelo povo. A reserva de plenário é conhecida no estudo do Controle de Constitucionalidade, como uma cláusula que determina que o julgamento da inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, quando efetuada por tribunal, só será possível pelo voto da maioria absoluta dos seus membros ou dos membros de seu órgão especial (art. 93, XI CRFB/88), ou seja, pelo tribunal pleno. Portanto, foge absolutamente do conteúdo da questão. http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626510/artigo-93-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988 http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10691339/inciso-xi-do-artigo-93-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 Gabarito: B Fonte de Conhecimento Jurídico: Doutrina Questão 12 Josué, deputado federal no regular exercício do mandato, em entrevista dada, em sua residência, à revista Pensamento, acusa sua adversária política Aline de envolvimento com escândalos de desvio de verbas públicas, o que é objeto de investigação em Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada poucos dias antes. Não obstante, após ser indagado sobre os motivos que nutriam as acaloradas disputas entre ambos, Josué emite opinião com ofensas de cunho pessoal, sem qualquer relação com o exercício do mandato parlamentar. Diante do caso hipotético narrado, conforme reiterada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, assinale a afirmativa correta. A) Josué poderá ser responsabilizado penal e civilmente, inclusive por danos morais, pelas ofensas proferidas em desfavor de Aline que não guardem qualquer relação com o exercício do mandato parlamentar. B) Josué encontra-se protegido pela imunidade material ou inviolabilidade por suas opiniões, palavras e votos, o que, considerado o caráter absoluto dessa prerrogativa, impede a sua responsabilização por quaisquer das declarações prestadas à revista. C) Josué poderá ter sua imunidade material afastada em virtude de as declarações terem sido prestadas fora da respectiva casa legislativa, independentemente de estarem, ou não,relacionadas ao exercício do mandato. D) A imunidade material, consagrada constitucionalmente, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, de modo que Josué não poderá valer-se de tal prerrogativa para se isentar de eventual responsabilidade pelas ofensas dirigidas a Aline. A) Correta A questão trata a respeito da Imunidade Parlamentar. A CF/88 afirma que: Art. 53 - Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. Porém, de acordo com a reiterada Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a imunidade material garante que os parlamentares federais são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos, desde que proferidos em razão de suas funções parlamentares, no exercício e relacionados ao mandato (trata-se de manifestações que possuem nexo de causalidade com a atividade parlamentar), não se restringindo ao âmbito do Congresso Nacional. A garantia constitucional da imunidade parlamentar em sentido material (CF, art. 53, caput) – que representa um instrumento vital destinado a viabilizar o exercício independente do mandato representativo – somente protege o membro do Congresso Nacional, qualquer que seja o âmbito espacial (locus) em que este exerça a liberdade de opinião (ainda que fora do recinto da própria Casa legislativa), nas hipóteses específicas em que as suas manifestações guardem conexão com o desempenho da função legislativa (prática in officio) ou tenham sido proferidas em razão dela (prática propter officium), eis que a superveniente promulgação da EC 35/2001 não ampliou, em sede penal, a abrangência tutelar da cláusula da inviolabilidade. A prerrogativa indisponível da imunidade material – que constitui garantia inerente ao desempenho da função parlamentar (não traduzindo, por isso mesmo, qualquer privilégio de ordem pessoal) – não se estende a palavras, nem a manifestações do congressista, que se revelem estranhas ao exercício, por ele, do mandato legislativo. A cláusula constitucional da inviolabilidade (CF, art. 53, caput), para legitimamente proteger o parlamentar, supõe a existência do necessário nexo de implicação recíproca entre as declarações moralmente ofensivas, de um lado, e a prática inerente ao ofício congressional, de outro. Doutrina. Precedentes. [Inq 1.024 QO, rel. min. Celso de Mello, j. 21-11-2002, P, DJ de 4-3-2005.] Portanto, resta claro que Josué poderá ser responsabilizado penal e civilmente, inclusive por danos morais, pelas ofensas proferidas em desfavor de Aline que não guardem qualquer relação com o exercício do mandato parlamentar. B) Errado O erro da alternativa encontra-se na afirmativa de que esta prerrogativa possui caráter absoluto. O que não está correto, pois de acordo com a reiterada Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a imunidade material garante que os parlamentares federais são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos, desde que proferidos em razão de suas funções parlamentares, no exercício e relacionados ao mandato (trata-se de manifestações que possuem nexo de causalidade com a atividade parlamentar), não se restringindo ao âmbito do Congresso Nacional. C) Errado A alternativa vai contra a regra geral da imunidade ao afirmar que Josué poderá ter sua imunidade material afastada em virtude de as declarações terem sido prestadas fora da respectiva casa legislativa, independentemente de estarem, ou não relacionadas ao exercício do mandato, o que, conforme já explicado, contraria a regra geral. D) Errado Reiterando tudo aquilo já exposto anteriormente, resta claro que a imunidade material já é consagrada pelo STF, não havendo que se falar em Inconstitucionalidade. http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=1024&CLASSE=Inq%2DQO&cod_classe=361&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M Gabarito: A Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca e Jurisprudência Questão 13 Diante das intensas chuvas que atingiram o Estado Alfa, que se encontra em situação de calamidade pública, o Presidente da República, ante a relevância e urgência latentes, edita a Medida Provisória nº XX/19, determinando a abertura de crédito extraordinário para atender às despesas imprevisíveis a serem realizadas pela União, em decorrência do referido desastre natural. A partir da situação hipotética narrada, com base no texto constitucional vigente, assinale a afirmativa correta. A) A Constituição de 1988 veda, em absoluto, a edição de ato normativo dessa natureza sobre matéria orçamentária, de modo que a abertura de crédito extraordinário deve ser feita por meio de lei ordinária de iniciativa do Chefe do Executivo. B) A Constituição de 1988 veda a edição de ato normativo dessa natureza em matéria de orçamento e créditos adicionais e suplementares, mas ressalva a possibilidade de abertura de crédito extraordinário para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de calamidade pública. C) O ato normativo editado afronta o princípio constitucional da anterioridade orçamentária, o qual impede quaisquer modificações nas leis orçamentárias após sua aprovação pelo Congresso Nacional e consequente promulgação presidencial. D) O ato normativo editado é harmônico com a ordem constitucional, que autoriza a edição de medidas provisórias que versem sobre planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais, suplementares e extraordinários, desde que haja motivação razoável. A) Errado A Constituição Federal em seu art. 62, § 1º, inciso I, alínea "d" determina que é vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria relativa a planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º, da CF/88, que dispõe que a abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública. Ou seja, não podemos falar em vedação absoluta a edição de ato normativa desta natureza. B) Correto A questão exige conhecimento da lei seca, mais especificamente das disposições sobre Processo Legislativo e Orçamentos. A Constituição de 1988 veda a edição de ato normativo (Medida Provisória) dessa natureza em matéria de orçamento e créditos adicionais e suplementares, mas ressalva a possibilidade de abertura de crédito extraordinário para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de calamidade pública. Assim dispõe a CF/88: Art.62, § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: [...] d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º. Art. 167, § 3º A abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública, observado o disposto no art. 62. C) Errado O ato normativo editado não afronta o princípio constitucional da anterioridade orçamentária, pois é constitucional a abertura de crédito extraordinário para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública, conforme Art. 167, § 3º, da CF/88. D) Errado O disposto nesta alternativa contraria o expresso no Art. 62, § 1º, que deixa claro que é vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: [...] d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º. Gabarito: B Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca Questão 14 Alfa, entidade de classe de abrangência regional, legalmente constituída e em funcionamento há mais de 1 ano, ingressa, perante o Supremo Tribunal Federal, com mandado de segurança coletivo para tutelar os interesses jurídicos de seus representados. Considerando a urgência do caso, Alfa não colheu autorização dos seus associados para a impetração da medida. Com base na narrativa acima, assinale a afirmativa correta. A) Alfa não tem legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo, de modo que a defesa dos seus associados em juízo deve ser feita pelo Ministério Público ou, caso evidenciada situação de vulnerabilidade, pela Defensoria Pública. B) Alfa goza de ampla legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo, inclusive para tutelar direitos e interesses titularizados por pessoas estranhas à classe por ela representada. C) Alfa possui legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo em defesa dos interesses jurídicos dos seus associados, sendo, todavia, imprescindível a prévia autorização nominal e individualizada dos representados, em assembleia especialmente convocada para esse fim. D) Alfa possui legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo em defesa dos interesses jurídicos da totalidade ou mesmo de parte dos seus associados, independentemente de autorização. A) Errado Alfa tem sim legitimidade para impetrar o Mandado de Segurança Coletivo. B) Errado O erro da alternativa está na afirmação de que Alfa goza de legitimidade para impetrar Mandado de Segurança Coletivo para tutelar direitos e interesses de pessoas estranhas à classe por ela representada, o que contraria o expresso no art. 21, da Lei nº 12.016/09: Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. C) Errado A questão afirma que a prévia autorização é imprescindível para impetrar o Mandado de Segurança Coletivo, o que, encontra-se em discordância com o art. 21 da Lei nº 12.016/09 que afirma ser dispensada a autorização especial. D) Correto A questão exige conhecimento do Remédio Constitucional: Mandado de Segurança Coletivo. Pra responder a questão, é necessário estar atento ás disposições da Lei 12.016/09 e Súmulas do STF. Quanto à legitimidade e autorização para propositura do Mandado de Segurança Coletivo, a Lei 12.016/09 disciplinou que: Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. Da mesma forma, de acordo com a Súmula 629, STF, in verbis: "A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes". A questão tenta, ainda, confundir o aluno ao informar que Alfa possui legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo em defesa dos interesses jurídicos de parte dos seus associados. O que está correto, pois de acordo com a Súmula 630, também do STF: “A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria". Portanto, Alfa possui legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo em defesa dos interesses jurídicos da totalidade ou mesmo de parte dos seus associados, independentemente de autorização. Gabarito: D Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca e Jurisprudência Questão 15 O governo federal, visando ao desenvolvimento e à redução das desigualdades no sertão nordestino do Brasil, editou a Lei Complementar Y, que dispôs sobre a concessão de isenções e reduções temporárias de tributos federais devidos por pessoas físicas e jurídicas situadas na referida região. Sobre a Lei Complementar Y, assinale a afirmativa correta. A) É formalmente inconstitucional, eis que a Constituição da República de 1988 proíbe expressamente a criação de regiões, para efeitos administrativos, pela União. B) É materialmente inconstitucional, sendo vedada a concessão de incentivos regionais de tributos federais, sob pena de violação ao princípio da isonomia federativa. C) É formal e materialmente constitucional, sendo possível que a União conceda incentivos visando ao desenvolvimento econômico e à redução das desigualdades no sertão nordestino. D) Apresenta inconstitucionalidade formal subjetiva, eis que cabe aos Estados e ao Distrito Federal, privativamente, criar regiões administrativas visando ao seu desenvolvimento e à reduçãodas desigualdades. A) Errado Encontramos o erro logo no início da alternativa, quando afirma-se que a Lei Complementar Y é Inconstitucional. B) Errado Da mesma forma, poderíamos excluir esta alternativa, pois não há que se falar na inconstitucionalidade da Lei Complementar Y. C) Correto Questão exige conhecimento da Administração Pública, mais especificamente sobre as Regiões, previstas no Art. 43, da CF/88. Através das informações que nos foram apresentadas, podemos afirmar que a Lei Complementar Y é formal e materialmente constitucional, pois é claramente possível que a União conceda incentivos visando ao desenvolvimento econômico e à redução das desigualdades no sertão nordestino. A Constituição Federal, em seu art. 43, § 1º e 2º prevê que: CF, art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. § 1o - LC disporá sobre: I - as condições para integração de regiões em desenvolvimento; § 2o - Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei: III - (1) isenções, (2) reduções ou (3) diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas; Importante lembrar também do conceito de Inconstitucionalidade Material e Formal, sendo: • Inconstitucionalidade Formal – Resumidamente, trata da obediência ao processo legislativo para produção da lei. • Inconstitucionalidade Material – Resumidamente, trata da obediência do conteúdo da lei ao conteúdo da Constituição. D) Errada Por fim, mais uma questão que reafirma a inconstitucionalidade da Lei Complementar Y, podendo ser excluída. Gabarito: C Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca e Doutrina. Questão 16 José Maria, no ano de 2016, foi eleito para exercer o seu primeiro mandato como Prefeito da Cidade Delta, situada no Estado Alfa. Nesse mesmo ano, a filha mais jovem de José Maria, Janaína (22 anos), elegeu-se vereadora e já se organiza para um segundo mandato como vereadora. Rosária (26 anos), a outra filha de José Maria, animada com o sucesso da irmã mais nova e com a popularidade do pai, que pretende concorrer à reeleição, faz planos para ingressar na política, disputando uma das cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado Alfa. Diante desse quadro, a família contrata um advogado para orientá-la. Após analisar a situação, seguindo o sistema jurídico-constitucional brasileiro, o advogado afirma que A) as filhas não poderão concorrer aos cargos almejados, a menos que José Maria desista de concorrer à reeleição para o cargo de chefe do Poder Executivo do Município Delta. B) Rosária pode se candidatar ao cargo de deputada estadual, mas Janaína não poderá se candidatar ao cargo de vereadora em Delta, pois seu pai ocupa o cargo de chefe do Poder Executivo do referido município. C) as candidaturas de Janaína, para reeleição ao cargo de vereadora, e de Rosária, para o cargo de deputada estadual, não encontram obstáculo no fato de José Maria ser prefeito de Delta. D) Janaína pode se candidatar ao cargo de vereadora, mas sua irmã Rosária não poderá se candidatar ao cargo de deputada estadual, tendo em vista o fato de seu pai exercer a chefia do Poder Executivo do município. A) Errado Podemos encontrar o erro da alternativa logo no início, pois afirma que tanto Janaína quanto Rosária não são elegíveis, o que contraria a Constituição Federal. B) Errado A alternativa inicia correta, mas torna-se falsa ao afirmar que Janaína não poderá reeleger-se ao cargo de Vereadora do Estado Delta, o que contraria a Constituição Federal. C) Correto A questão aborda o tema bastante recorrente: Direitos Políticos. A Constituição Federal trata em seu art. 14 sobre a inelegibilidade, ou seja, o estado jurídico o estado jurídico de ausência ou perda de elegibilidade. Assim, o texto legal indica a inelegibilidade reflexa, que tem como intuito evitar que o chefe do Poder Executivo utilize o prestígio e a influência do seu cargo para beneficiar a candidatura do cônjuge, companheira ou parente, em detrimento da isonomia que deve nortear todo o processo eleitoral: Art. 14, § 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. Portanto, podemos depreender do texto legal que Janaína pode ser candidata à reeleição, pois não há que se falar em inelegibilidade se o parente já é titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. Da mesma forma, Rosária também é elegível, pois sua candidatura é direcionada para a Assembleia Legislativa do Estado Alfa, sendo a circunscrição distinta de seu pai (Estado Delta). Sendo assim, nenhuma das duas é atingida pela inelegibilidade reflexa, ou seja, ambas as candidaturas não possuem obstáculos legais. D) Errado A alternativa inicia correta, mas torna-se falsa ao afirmar que Rosária não poderá candidatar-se ao cargo de Deputada do Estado Alfa. Gabarito: C Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca Questão 17 João dos Santos foi selecionado para atuar como praça prestadora de serviço militar inicial, fato que lhe permitirá ser o principal responsável pelos meios de subsistência de sua família. No entanto, ficou indignado ao saber que sua remuneração será inferior ao salário mínimo, contrariando o texto constitucional, insculpido no Art. 7º, inciso IV, da CRFB/88. Desesperado com tal situação, João entrou no gabinete do seu comandante e o questionou, de forma ríspida e descortês, acerca dessa remuneração supostamente inconstitucional, sofrendo, em consequência dessa conduta, punição administrativo-disciplinar de prisão por 5 dias, nos termos da legislação pertinente. Desolada, a família de João procurou um advogado para saber sobre a constitucionalidade da remuneração inferior ao salário mínimo, bem como da possibilidade de a prisão ser relaxada por ordem judicial. Nessas circunstâncias, nos termos do direito constitucional brasileiro e da jurisprudência do STF, assinale a opção que apresenta a resposta do advogado. A) A remuneração inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial não viola a Constituição de 1988, bem como não cabe habeas corpus em relação às punições disciplinares militares, exceto paraanálise de pressupostos de legalidade, excluída a apreciação de questões referentes ao mérito. B) A remuneração inferior ao salário mínimo contraria o Art. 7º, inciso IV, da Constituição de 1988, bem como se reconhece o cabimento de habeas corpus para as punições disciplinares militares, qualquer que seja a circunstância. C) O estabelecimento de remuneração inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial não viola a Constituição da República, mas é cabível o habeas corpus para as punições disciplinares militares, até mesmo em relação a questões de mérito da sanção administrativa. D) A remuneração inferior ao salário mínimo contraria a ordem constitucional, mais especificamente o texto constitucional inserido no Art. 7º, inciso IV, da Constituição de 1988, bem como não se reconhece o cabimento de habeas corpus em relação às punições disciplinares militares, exceto para análise dos pressupostos de legalidade, excluídas as questões de mérito da sanção administrativa. A) Correto Para responder a questão, o candidato precisava ter conhecimento da jurisprudência do STF acerca da remuneração dos militares e equiparação de direitos constitucionais. Conforme a Súmula Vinculante 6: “Não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial.” Ademais, de acordo com o Precedente Representativo, podemos afirmar que: 1. A CF/1988 não estendeu aos militares a garantia de remuneração não inferior ao salário mínimo, como o fez para outras categorias de trabalhadores. 2. O regime a que se submetem os militares não se confunde com aquele aplicável aos servidores civis, visto que têm direitos, garantias, prerrogativas e impedimentos próprios. 3. Os cidadãos que prestam serviço militar obrigatório exercem um múnus público relacionado com a defesa da soberania da pátria. 4. A obrigação do Estado quanto aos conscritos limita-se a fornecer-lhes as condições materiais para a adequada prestação do serviço militar obrigatório nas Forças Armadas. [RE 570.177, rel. min. Ricardo Lewandowski, P, j. 30-4-2008, DJE 117 de 27-6-2008, Tema 15.] Não há possibilidade de cabimento do habeas corpus para combater as sanções disciplinares, conforme art. 142, § 2º, CF/88: Não caberá habeas corpus em relação a punições disciplinares militares. Ademais, RE. MATÉRIA CRIMINAL. PUNIÇÃO DISCIPLINAR MILITAR. Não há que se falar em violação ao art. 142, § 2º, da CF, se a concessão de HC, impetrado contra punição disciplinar militar, volta-se tão-somente para os pressupostos de sua legalidade, excluindo a apreciação de questões referentes ao mérito. Concessão de ordem que se pautou pela apreciação dos aspectos fáticos da medida punitiva militar, invadindo seu mérito. A punição disciplinar militar atendeu aos pressupostos de legalidade, quais sejam, a hierarquia, o poder disciplinar, o ato ligado à função e a pena susceptível de ser aplicada disciplinarmente, tornando, portanto, incabível a apreciação do HC. Recurso conhecido e provido. (STF - RE 338840). Portanto, a remuneração inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial não viola a Constituição de 1988, bem como não cabe habeas corpus em relação às punições disciplinares militares, exceto para análise de pressupostos de legalidade, excluída a apreciação de questões referentes ao mérito. B) Errado A alternativa é totalmente diversa do entendimento já expresso acima ao afirmar que a remuneração inferior ao salário mínimo contraria a Constituição Federal, assim como, que há cabimento do Habeas Corpus. C) Errado A alternativa inicia correta, mas torna-se falsa ao afirmar que é cabível o Habeas Corpus para as punições disciplinares militares. D) Errado Encontramos o erro da alternativa logo no início da questão, ao afirmar que a remuneração inferior ao salário mínimo contraria a Constituição Federal. Gabarito: A Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca e Jurisprudência Questão 18 Recentemente assumiu a presidência da Câmara dos Deputados um parlamentar que afirma que o Brasil é um país soberano e não deve ter nenhum compromisso com os Direitos Humanos na ordem internacional. Afirma que, apesar de ter sido internamente ratificado, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos não se caracteriza como norma vigente, e os direitos ali previstos podem ser suspensos ou não precisam ser aplicados. Por ser atuante na área dos Direitos Humanos, você foi convidado(a) pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados para prestar mais esclarecimentos sobre o assunto. Com base no que dispõe o próprio Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos - PIDCP, assinale a opção que apresenta o esclarecimento dado à Comissão: A) Caso situações excepcionais ameacem a existência da nação e sejam proclamadas oficialmente, os Estados-partes podem adotar, na estrita medida exigida pela situação, medidas que suspendam as obrigações decorrentes do PIDCP, desde que tais medidas não acarretem discriminação por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião ou origem social. B) É admissível a suspensão das obrigações decorrentes do PIDCP quando houver, no âmbito do Estado- parte, um ato formal do Poder Legislativo e do Poder Executivo declarando o efeito suspensivo, desde que tal ato declare um prazo para essa suspensão, que, em nenhuma hipótese, pode exceder o período de 2 anos. C) Em nenhuma hipótese ou situação os Estados-partes do PIDCP podem adotar medidas que suspendam as obrigações decorrentes do Pacto, uma vez que, ratificado o Pacto, todos os seus direitos vigoram de forma efetiva, não sendo admitida nenhuma possibilidade de suspensão ou exceção. D) Mesmo ratificado, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e os direitos nele contidos não podem ser caracterizados como normas vigentes, uma vez que se trata de direitos em sentido fraco, de forma que apenas os direitos fundamentais, previstos na Constituição, são direitos em sentido forte. A) Correto O caso hipotético disposto no enunciado apresenta uma situação na qual um parlamentar afirmar que o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos não se caracteriza como norma vigente, e os direitos ali previstos podem ser suspensos ou não precisam ser aplicados. Na verdade, o Pacto de São José da Costa Rica foi ratificado sem reserva, pelo Brasil, no ano de 1992. É importante também destacar que o PIDCP tem lugar específico no ordenamento jurídico, estandoabaixo da CF/1988, porém acima da legislação interna (como pode ser visto na [HC 95.967, rel. min. Ellen Gracie, 2ª T, j. 11-11-2008, DJE 227 de 28-11-2008]). Desse modo, torna-se incontestável sua validade e obrigatoriedade de cumprimento. Contudo, vale salientar que o PIDCP dá a possibilidade, em determinadas hipóteses excepcionais e específicas, de fazer uso de algumas medidas suspensivas das obrigações decorrentes do pacto. Nesse sentido: ARTIGO 4: 1. Quando situações excepcionais ameacem a existência da nação e sejam proclamadas oficialmente, os Estados Partes do presente Pacto podem adotar, na estrita medida exigida pela situação, medidas que suspendam as obrigações decorrentes do presente Pacto, desde que tais medidas não sejam incompatíveis com as demais obrigações que lhes sejam impostas pelo Direito Internacional e não acarretem discriminação alguma apenas por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião ou origem social. B) Errado As medidas suspensivas devem ser declamadas pelos Estados-parte, sob a condição de que ais medidas não sejam incompatíveis com as obrigações do Direito Internacional nem acarretem discriminação, não sendo citado prazo de 2 anos para tal. C) Errado Há, sim, hipóteses nas quais as obrigações do Pacto podem ser legalmente suspensas, inclusive dispostas pelo próprio PIDCP. D) Errado Como visto na ser visto na [HC 95.967, rel. min. Ellen Gracie, 2ª T, j. 11-11-2008, DJE 227 de 28-11-2008], as disposições do Pacto estão acima da legislação interna (porém abaixo da CF), de modo que são entendidas como válidas e obrigatórias. Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca e jurisprudência. Questão 19 Recentemente houve grande polêmica na cidade de Piraporanga, porque o Prefeito proibiu o museu local de realizar uma exposição, sob a alegação de que as obras de arte misturavam temas religiosos com conteúdos sexuais, além de haver quadros e esculturas obscenas. Você é contratada(o) para atuar no caso pelos autores das obras de arte e por intelectuais. Com base na Convenção Americana de Direitos Humanos e na Constituição Federal de 1988, assinale a opção que apresenta o argumento que você, como advogada(o), deveria adotar. A) A censura prévia por autoridades administrativas competentes, como mecanismo eficaz para assegurar o respeito à reputação de pessoas e como forma de garantir a moralidade pública, deve ser admitida. B) O exercício da liberdade de expressão e o da criação artística estão sujeitos à censura prévia, mas apenas por força de lei devidamente justificada, como forma de proteção da honra individual e da moral pública. C) A liberdade de expressão e de criação artística estão sujeitas à censura prévia pelas autoridades competentes quando elas ocorrem por meio de exposições em museus, tendo em vista a proteção da memória nacional e da ordem pública. D) A lei pode regular o acesso a diversões e espetáculos públicos, tendo em vista a proteção moral da infância e da adolescência, sendo vedada, porém, toda e qualquer censura prévia de natureza política, ideológica e artística. A) Errado A alternativa apresenta a censura prévia como prática legal e admitida, e isso é terminantemente vetado pela CF/88. B) Errado A liberdade de expressão e da criação artística não estão sujeitas à censura prévia, nem mesmo na hipótese de proteção da moral pública. C) Errado A ordem pública e a memória nacional não são fatores que submetem a liberdade de expressão e a criação artística à censura prévia, sendo esta proibida pela Constituição e pela CADH. D) Correto O caso hipotético trazido no enunciado demonstra uma situação na qual o prefeito de um município específico proibiu o museu local de realizar uma exposição, alegando que as obras de arte misturavam temas religiosos com conteúdo sexuais, além de haver quadros e esculturas obscenas. Para isso, deve-se compreender os direitos humanos fundamentais, em especial o conceito de liberdade de expressão fixado pela Constituição Federal de 1988 e a Convenção Americana de Direitos Humanos. A Constituição Federal, em seu artigo 220, dispõe: Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. § 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística. Na CADH, por outro lado, tem-se que: Artigo 13. Liberdade de pensamento e de expressão: 1. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito compreende a liberdade de buscar, receber e difundir informações e ideias de toda natureza, sem consideração de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer outro processo de sua escolha. [...] 4. A lei pode submeter os espetáculos públicos a censura prévia, com o objetivo exclusivo de regular o acesso a eles, para proteção moral da infância e da adolescência, sem prejuízo do disposto no inciso 2. Isso posto, avaliando-se o entendimento constitucional de que não há direito fundamental absoluto, é correto afirmar que a lei pode regular o acesso a diversões e espetáculos públicos, tendo em vista a proteção moral da infância e da adolescência. Entretanto, é essencial destacar que é vedada toda e qualquer censura prévia de natureza política, ideológica e artística. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca e jurisprudência. ___________________________________________________________________________________________________________ Questão 20 Em razão da profunda crise econômica e da grave instabilidade institucional que assola seu país, Pablo resolve migrar para o Brasil, uma vez que, neste último, há melhores oportunidades para exercer seu trabalho e sustentar sua família. Em que pese Pablo possuir a finalidade de trabalhar, acabou por omitir tal informação, obtendo visto de visita, na modalidade turismo, para o Brasil. Considerando-se o enunciado acima, à luz da Lei de Migração em vigor (Lei n° 13.445/17), assinale a afirmativa correta. A) Se Pablo, com o visto de visita, vier a exercer atividade remunerada no Brasil, poderá ser expulso do país. B) Se Pablo, com o visto de visita, vier a exercer atividade remunerada no Brasil, poderá ser extraditado do país. C) Pablo poderia solicitar, bem como obter, visto temporário para acolhida humanitária, diante da grave instabilidade institucional que assola seu país. D) Pablo poderá obter asilo, em razão da profunda crise econômica que assola seupaís. A) Errado Segundo a Lei de Migração, em disposição fixada no seu artigo 54, a expulsão somente será efetivada nos casos em que se constatem os crimes de genocídio ou, então, crimes comuns. B) Errado Constatada a hipótese apresentada na alternativa B, como disposto no artigo 50 da Lei de Migração, Pablo seria deportado, e não extraditado. C) Correto De acordo com a Lei 13.445/17, o visto temporário pode ser conferido ao apátrida ou ao cidadão de qualquer nacionalidade mediante instabilidade institucional no país de origem, situação vivenciada por Pablo no caso apresentado no enunciado. Observa-se o artigo 14, § 3º da supracitada lei: Art. 14, § 3o O visto temporário para acolhida humanitária poderá ser concedido ao apátrida ou ao nacional de qualquer país em situação de grave ou iminente instabilidade institucional, de conflito armado, de calamidade de grande proporção, de desastre ambiental ou de grave violação de direitos humanos ou de direito internacional humanitário, ou em outras hipóteses, na forma de regulamento. Para que responda satisfatoriamente a questão, o candidato deve entender a sistemática dos direitos. D) Errado Como disposto em texto constitucional, o asilo somente pode ser conferido em caráter político. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca Questão 21 Em função do incremento nas atividades de transporte aéreo no Brasil, a sociedade empresária Fast Plane, sediada no país, resolveu adquirir helicópteros de última geração da pessoa jurídica holandesa Nederland Air Transport, que ficou responsável pela fabricação, montagem e envio da mercadoria. O contrato de compra e venda restou celebrado, presencialmente, nos Estados Unidos da América, restando ajustado que o cumprimento da obrigação se dará no Brasil. No momento de receber as aeronaves, contudo, a adquirente verificou que o produto enviado era diverso do apontado no instrumento contratual. Decidiu a sociedade empresária Fast Plane, então, buscar auxílio jurídico para resolver a questão, inclusive para a propositura de eventual ação, caso não haja solução consensual. Considerando-se o enunciado acima, aplicando-se a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-lei n° 4.657/42) e o Código de Processo Civil, assinale a afirmativa correta. A) A lei aplicável na solução da questão é a holandesa, em razão do local de fabricação e montagem das aeronaves adquiridas. B) A autoridade judiciária brasileira será competente para processar e julgar eventual ação proposta pela Fast Plane, mesmo se estabelecida cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro, em razão do princípio da inafastabilidade da jurisdição. C) A autoridade judiciária brasileira tem competência exclusiva para processar e julgar eventual ação a ser proposta pela Fast Plane para resolver a questão. D) A autoridade judiciária brasileira tem competência concorrente para processar e julgar eventual ação a ser proposta pela Fast Plane para resolver a questão. A) Errado Se trata de uma questão de competência, segundo a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, LINDB e o Código de Processo Civil. Vide artigo 12 da LINDB e artigo 21, II do CPC. B) Errado Se trata de uma questão de competência, segundo a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, LINDB e o Código de Processo Civil. Vide artigo 12 da LINDB e artigo 21, II do CPC. C) Errado Se trata de uma questão de competência, segundo a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, LINDB e o Código de Processo Civil. Vide artigo 12 da LINDB e artigo 21, II do CPC. D) Correto Se trata de uma questão de competência, segundo a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, LINDB e o Código de Processo Civil. LINDB: Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação. CPC 2015: Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que: II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato internacional, arguida pelo réu na contestação. A autoridade judiciária brasileira tem competência concorrente para processar e julgar eventual ação a ser proposta pela Fast Plane para resolver a questão. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 22 A sociedade empresária ABC, concessionária de serviço de transporte público coletivo de passageiros, opera a linha de ônibus 123, que inicia seu trajeto no Município X e completa seu percurso no Município Y, ambos localizados no Estado Z. Sobre a prestação onerosa desse serviço de transporte, deve incidir A) o ISS, a ser recolhido para o Município X. B) o ISS, a ser recolhido para o Município Y. C) o ICMS, a ser cobrado de forma conjunta pelo Município X e o Município Y. D) o ICMS, a ser recolhido para o Estado em que se localizam o Município X e o Município Y. A) Errado O imposto a ser recolhido é o ICMS, de competência estadual. B) Errado Seguindo o mesmo raciocínio da alternativa anterior. C) Errado O ICMS é um imposto estadual, não podendo ser recolhido pelos municípios Xe Y. D) Correto Para responder essa questão o candidato precisa conhecer o fato gerador do ICMS sobre transportes. “CF88 Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;” O ICMS é um imposto estadual previsto no art. 155, II, CF, e tem como fato gerador a circulação de mercadoria, serviço de comunicação e serviço de transporte interestadual e intermunicipal. Assim, o transporte entre municípios no mesmo Estado implica em serviço intermunicipal, o que assegura ao Estado onde estão localizados os Municípios X e Y a recolherem o ICMS. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 23 João da Silva, servidor da Administração Tributária do Município Y, recebeu propina de José Pereira, adquirente de um imóvel, para, em conluio com este, emitir uma certidão que atestava falsamente a quitação de débito do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) incidente sobre a transferência de propriedade. A certidão seria apresentada ao tabelião para lavrar-se a escritura pública de compra e venda imobiliária e para posterior registro. Considerando-se que, nesse Município, o contribuinte de ITBI é o adquirente de imóvel,assinale a afirmativa correta. A) O servidor João da Silva poderá ser responsabilizado funcional e criminalmente por esse ato, mas a dívida tributária somente poderá ser cobrada de José Pereira, o único que é parte na relação jurídico-tributária com o Município credor. B) O servidor João da Silva poderá ser responsabilizado pessoalmente pelo crédito tributário e juros de mora acrescidos. C) O tabelião poderá ser o único responsabilizado pela dívida tributária e juros de mora acrescidos, por ter lavrado a escritura pública sem averiguar, junto ao Fisco Municipal, a veracidade das informações da certidão apresentada. D) Caso seja aplicada multa tributária punitiva contra José Pereira, este poderá exigir do Fisco que 50% do valor da multa seja cobrado do servidor João da Silva. A) Errado Existe sim a previsão no CTN para a responsabilidade tributária do servidor nessa situação. B) Correto Para responder essa questão o candidato precisa conhecer a responsabilidade de servidores públicos na emissão de certidão fiscal. “CTN: Art. 208 A certidão negativa expedida com dolo ou fraude, que contenha erro contra a Fazenda Pública, responsabiliza pessoalmente o funcionário que a expedir, pelo crédito tributário e juros de mora acrescidos. Parágrafo único. O disposto neste artigo não exclui a responsabilidade criminal e funcional que no caso couber.” Nos termos do art. 208, CTN, quando uma certidão negativa é expedida com dolo ou fraude, o servidor se torna pessoalmente responsável pelo crédito tributário. C) Errado Não existe responsabilidade do tabelião, pois este não é obrigado a verificar a veracidade da certidão, podendo apenas exigi-la no ato de registro da escritura. D) Errado Não existe nenhuma previsão nesse sentido. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 24 Maria dos Santos, querendo constituir hipoteca sobre imóvel de sua propriedade em garantia de empréstimo bancário a ser por ela contraído, vai a um tabelionato para lavrar a escritura pública da referida garantia real. Ali, é informada que o Município Z, onde se situa o bem, cobra o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) sobre a constituição de direitos reais de garantia. Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta. A) É possível tal cobrança, pois a constituição de direito real de garantia sobre bens imóveis, por ato inter vivos, é uma das hipóteses de incidência do ITBI. B) O contribuinte do ITBI, nesse caso, não seria Maria dos Santos, mas sim a instituição bancária em favor de quem a garantia real será constituída. C) O tabelião atua como responsável por substituição tributária, recolhendo, no lugar do contribuinte, o ITBI devido em favor do Município Z nessa constituição de direitos reais de garantia. D) Não é possível exigir ITBI sobre direitos reais de garantia sobre imóveis. A) Errado Não está incluso na hipótese de incidência do ITBI, os Direitos Reais de Garantia. B) Errado Não existe incidência de ITBI neste caso. C) Errado Não existe incidência de ITBI neste caso. D) Correto Nos termos do art. 156, II, CF, o ITBI incide na transmissão onerosas de direitos reais sobre imóveis, exceto nos de garantia. CF88 Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: (...) II - transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição; Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 25 Uma sociedade empresária em recuperação judicial requereu, perante a Secretaria Estadual de Fazenda do Estado X, o parcelamento de suas dívidas tributárias estaduais. O Estado X dispunha de uma lei geral de parcelamento tributário, mas não de uma lei específica para parcelamento de débitos tributários de devedor em recuperação judicial. Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta. A) O parcelamento não pode ser concedido caso inexista lei específica estadual que disponha sobre as condições de parcelamento dos créditos tributários do devedor em recuperação judicial. B) O prazo de parcelamento a ser concedido ao devedor em recuperação judicial quanto a tais débitos para com o Estado X não pode ser inferior ao concedido por lei federal específica de parcelamento dos créditos tributários do devedor em recuperação judicial. C) O parcelamento do crédito tributário exclui a incidência de juros, em regra, no caso de devedor em recuperação judicial. D) O parcelamento do crédito tributário exclui a incidência de multas, em regra, no caso de devedor em recuperação judicial. A) Errado No CTN existe a previsão de uma regra de subsidiariedade nos casos em que inexistir lei específica estadual que regule o parcelamento da recuperação judicial. B) Correto Nos termos do art. 155-A, §3º, CTN, deve ser editada lei específica sobre condições de parcelamento dos créditos tributários de devedor em recuperação judicial. Contudo, o §3º do dispositivo afirma que a inexistência da lei específica importa na aplicação das leis gerais de parcelamento do ente federativo, não podendo ter prazo inferior à lei federal específica. CTN Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica. (...) § 3o Lei específica disporá sobre as condições de parcelamento dos créditos tributários do devedor em recuperação judicial. C) Errado O parcelamento é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributária, e não de exclusão. D) Errado Em regra o parcelamento não exclui a incidência de juros e multas. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 26 Uma lei ordinária federal tratava de direitos do beneficiário de pensão previdenciária e também previa norma que ampliava, para 10 anos, o prazo decadencial para o lançamento dos créditos tributários referentes a uma contribuição previdenciária federal. A respeito da ampliação de prazo, assinale a afirmativa correta. A) É inválida, pois, em razão do caráter nacional das contribuições previdenciárias federais, somente poderia ser veiculada por Resolução do Senado Federal. B) É inválida, pois somente poderia ser veiculada por Lei Complementar. C) É válida, pois o CTN prevê a possibilidade de que o prazo geral de 5 anos, nele previsto para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, seja ampliado por meio de Lei Ordinária Específica. D) É válida, por existir expressa previsão constitucional, específica para contribuições de seguridade social, autorizando a alteração de prazo de constituição do crédito tributário por Lei Ordinária. A) Errado Pois a decadência é uma matéria de norma geral do Direito Tributário, que deve ser produzidapor lei complementar. B) Correto Para responder essa questão o candidato precisa conhecer a matéria tributária que deve ser introduzida por lei complementar. CF88 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) Súmula Vinculante 8 - STF São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nos termos do art. 146, III, b, CF, cabe à lei complementar estabelecer normas gerais de direito tributário, especialmente em relação à prescrição. Esse entendimento foi confirmado pelo STF, com o julgamento da Súmula Vinculante nº 8, que declarou inconstitucional ampliação do prazo decadencial por via de lei ordinária. C) Errado Não há essa previsão no CTN. D) Errado Não há previsão nesse sentido na CF. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 27 Maria foi contratada, temporariamente, sem a realização de concurso público, para exercer o cargo de professora substituta em entidade autárquica federal, em decorrência do grande número de professores do quadro permanente em gozo de licença. A contratação foi objeto de prorrogação, de modo que Maria permaneceu em exercício por mais três anos, período durante o qual recebeu muitos elogios. Em razão disso, alunos, pais e colegas de trabalho levaram à direção da autarquia o pedido de criação de um cargo em comissão de professora, para que Maria fosse nomeada para ocupá-lo e continuasse a ali lecionar. Avalie a situação hipotética apresentada e, na qualidade de advogado(a), assinale a afirmativa correta. A) Não é possível a criação de um cargo em comissão de professora, visto que tais cargos destinam-se apenas às funções de direção, chefia e assessoramento. B) É adequada a criação de um cargo em comissão para que Maria prolongue suas atividades como professora na entidade administrativa, diante do justificado interesse público. C) Maria tem estabilidade porque exerceu a função de professora por mais de três anos consecutivos, tornando desnecessária a criação de um cargo em comissão para que ela continue como professora na entidade autárquica. D) Não é necessária a criação de um cargo em comissão para que Maria permaneça exercendo a função de professora, porque a contratação temporária pode ser prorrogada por tempo indeterminado. A) Correto A questão exigia conhecimento da letra de lei, pois, conforme art. 37, V, da CF/88 em se tratando de cargo em comissão, sua criação somente se destina a funções de direção, chefia e assessoramento: "Art. 37 (...) V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento;" Da mesma forma, através do RE 1.041.210 RG, o STF fixou a seguinte tese: a) A criação de cargos em comissão somente se justifica para o exercício de funções de direção, chefia e assessoramento, não se prestando ao desempenho de atividades burocráticas, técnicas ou http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=749900672 operacionais; b) tal criação deve pressupor a necessária relação de confiança entre a autoridade nomeante e o servidor nomeado; (...) Portanto, não é possível a criação de um cargo em comissão de professora. B) Errado A alternativa está claramente errada, pois, conforme explicação acima, a criação de cargos em comissão depende de outros requisitos, dentre os quais, o interesse público não se encaixa. C) Errado A alternativa tentou confundir a cabeça do candidato, pois apenas adquirem estabilidade os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo, assim como, derivados de concurso público, após 3 anos de efetivo exercício, conforme art. 41 da CF/88: "Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público." Porém, no caso hipotético, Maria foi contratada temporariamente, ou seja, não ocupava cargo efetivo. D) Errado De acordo com a Lei 8.745/93, que dispõe sobre a contratação por tempo determinado para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público, a contratação temporária não pode se dar por prazo indeterminado. Em sendo caso de contratação de professor substituto, o prazo é de 1 ano, admitindo-se prorrogação, desde que não exceda 2 anos, conforme art. 4º, II e parágrafo único, I, da Lei 8.745/93: Art. 4º As contratações serão feitas por tempo determinado, observados os seguintes prazos máximos: II - 1 (um) ano, nos casos dos incisos III e IV, das alíneas d e f do inciso VI e do inciso X do caput do art. 2º; (Contratação de Professor Substituto) Parágrafo único. É admitida a prorrogação dos contratos: I - no caso do inciso IV, das alíneas b, d e f do inciso VI e do inciso X do caput do art. 2o, desde que o prazo total não exceda a 2 (dois) anos; Portanto, a alternativa está errada. Gabarito: A Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca Questão 28 Otacílio, novo prefeito do Município Kappa, acredita que o controle interno é uma das principais ferramentas da função administrativa, razão pela qual determinou o levantamento de dados nos mais diversos setores da Administração local, a fim de apurar se os atos administrativos até então praticados continham vícios, bem como se ainda atendiam ao interesse público. Diante dos resultados de tal apuração, Otacílio deverá A) revogar os atos administrativos que contenham vícios insanáveis, ainda que com base em valores jurídicos abstratos. B) convalidar os atos administrativos que apresentem vícios sanáveis, mesmo que acarretem lesão ao interesse público. C) desconsiderar as circunstâncias jurídicas e administrativas que houvessem imposto, limitado ou condicionado a conduta do agente nas decisões sobre a regularidade de ato administrativo. D) indicar, de modo expresso, as consequências jurídicas e administrativas da invalidação de ato administrativo. A) Errado A revogação recai sobre atos legais, sendo utilizada apenas para os atos válidos. Já a anulação tem como pressuposto a ilegalidade, ou seja, a existência de vícios. B) Correto A questão exigia conhecimento do Art. 21 da LINDB, o qual afirma: "Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa,controladora ou judicial, decretar a invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências jurídicas e administrativas." Portanto, Otacílio deverá indicar, de modo expresso, as consequências jurídicas e administrativas da invalidação de ato administrativo. C) Errado Alternativa visivelmente errada para quem conhece o instituto da convalidação. Conforme art. 55 da Lei 9.784/99, em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." Portanto, não é possível aplicar a convalidação diante da existência de lesão ao interesse público. D) Errado Esta alternativa contraria o disposto no art. 22, § 1º, da LINDB: § 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado a ação do agente." Gabarito: B Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca Questão 29 A autoridade competente, em âmbito federal, no regular exercício do poder de polícia, aplicou à sociedade empresária Soneca S/A multa em razão do descumprimento das normas administrativas pertinentes. Inconformada, a sociedade Soneca S/A apresentou recurso administrativo, ao qual foi conferido efeito suspensivo, sendo certo que não sobreveio qualquer manifestação do superior hierárquico responsável pelo julgamento, após o transcurso do prazo de oitenta dias. Considerando o contexto descrito, assinale a afirmativa correta. A) Não se concederá Mandado de Segurança para invalidar a penalidade de multa aplicada a Soneca S/A, submetida a recurso administrativo provido de efeito suspensivo. B) O ajuizamento de qualquer medida judicial por Soneca S/A depende do esgotamento da via administrativa. C) Não há mora da autoridade superior hierárquica, que, por determinação legal, dispõe do prazo de noventa dias para decidir. D) A omissão da autoridade competente em relação ao seu dever de decidir, ainda que se prolongue por período mais extenso, não enseja a concessão de Mandado de Segurança. A) Correto Para responder a questão foi necessário conhecimento da Lei 12.016/2009 (Mandado de Segurança Individual e Coletivo). Conforme art. 5º, I, da Lei 12.016/2009: Art. 5º Não se concederá mandado de segurança quando se tratar: I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução; Portanto, encontra-se correta a “alternativa A”, pois não se concederá Mandado de Segurança para invalidar a penalidade de multa aplicada a Soneca S/A, submetida a recurso administrativo provido de efeito suspensivo. Para consolidar o conhecimento, vamos analisar o erro das demais alternativas: B) Errado A alternativa configura violação ao princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional, previsto no art. 5º, XXXV, da CRFB/88. XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito C) Errado De acordo com o art. 59, §1º, da Lei 9.784/99, a decisão do recurso administrativo deve ocorrer no prazo de 30 dias, salvo se houver disposição legal diversa. "Art. 59. Salvo disposição legal específica, é de dez dias o prazo para interposição de recurso administrativo, contado a partir da ciência ou divulgação oficial da decisão recorrida. § 1o Quando a lei não fixar prazo diferente, o recurso administrativo deverá ser decidido no prazo máximo de trinta dias, a partir do recebimento dos autos pelo órgão competente." D) Errado A alternativa contraria o entendimento firmado pela Súmula 429 do STF: "Súmula 429. A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso do mandado de segurança contra omissão da autoridade." Gabarito: A Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca Questão 30 O Município Beta concedeu a execução do serviço público de veículos leves sobre trilhos e, ao verificar que a concessionária não estava cumprindo adequadamente as obrigações determinadas no respectivo contrato, considerou tomar as providências cabíveis para a regularização das atividades em favor dos usuários. Nesse caso, A) impõe-se a encampação, mediante a retomada do serviço pelo Município Beta, sem o pagamento de indenização. B) a hipótese é de caducidade a ser declarada pelo Município Beta, mediante decreto, que independe da verificação prévia da inadimplência da concessionária. C) cabe a revogação do contrato administrativo pelo Município Beta, diante da discricionariedade e precariedade da concessão, formalizada por mero ato administrativo. D) é possível a intervenção do Município Beta na concessão, com o fim de assegurar a adequada prestação dos serviços, por decreto do poder concedente, que conterá designação do interventor, o prazo, os objetivos e os limites da medida. A) Errado De acordo com o art. 37 da Lei 8.987/95, “Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo da concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após prévio pagamento da indenização, na forma do artigo anterior.” B) Errado De acordo com o art. 38, §2º, da Lei 8.987/95, “A declaração da caducidade da concessão deverá ser precedida da verificação da inadimplência da concessionária em processo administrativo, assegurado o direito de ampla defesa." C) Errado A concessão de serviço público tem natureza contratual, não se podendo falar, assim, em precariedade, possibilidade de revogação, muito menos sustentar que seria caso de ato administrativo. De acordo com o art. 4º da Lei 8.987/95, “A concessão de serviço público, precedida ou não da execução de obra pública, será formalizada mediante contrato, que deverá observar os termos desta Lei, das normas pertinentes e do edital de licitação." D) Correto A questão exigia conhecimento acerca da Concessão de Serviços Públicos (Lei 8.987/95). Consoante o art. 32, caput e parágrafo único, da Lei 8.987/95: "Art. 32. O poder concedente poderá intervir na concessão, com o fim de assegurar a adequação na prestação do serviço, bem como o fiel cumprimento das normas contratuais, regulamentares e legais pertinentes. Parágrafo único. A intervenção far-se-á por decreto do poder concedente, que conterá a designação do interventor, o prazo da intervenção e os objetivos e limites da medida." Portanto, é possível a intervenção do Município Beta na concessão, com o fim de assegurar a adequada prestação dos serviços, por decreto do poder concedente, que conterá designação do interventor,o prazo, os objetivos e os limites da medida. Gabarito: D Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca Questão 31 Diante da necessidade de construção de uma barragem no Município Alfa, a ser efetuada em terreno rural de propriedade de certa sociedade de economia mista federal, o Poder Legislativo local fez editar uma lei para declarar a desapropriação por utilidade pública, após a autorização por decreto do Presidente da República, sendo certo que, diante do sucesso das tratativas entre os chefes do Executivo dos entes federativos em questão, foi realizado acordo na via administrativa para ultimar tal intervenção do Estado na propriedade. Diante dessa situação hipotética, assinale a afirmativa correta. A) A autorização por decreto não pode viabilizar a desapropriação do bem em questão pelo Município Alfa, porque os bens federais não são expropriáveis. B) A iniciativa do Poder Legislativo do Município Alfa para declarar a desapropriação é válida, cumprindo ao respectivo Executivo praticar os atos necessários para sua efetivação. C) A intervenção na propriedade em tela não pode ser ultimada na via administrativa, mediante acordo entre os entes federativos envolvidos. D) O Município Alfa não tem competência para declarar a desapropriação por utilidade pública de propriedades rurais. A) Errado A alternativa contraria o teor do art. 2º, §3º, do Decreto Lei das desapropriações por utilidade pública (Decreto-lei 3.365/41), de seguinte redação: Art. 2º Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios. § 3º É vedada a desapropriação, pelos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios de ações, cotas e direitos representativos do capital de instituições e empresas cujo funcionamento dependa de autorização do Governo Federal e se subordine à sua fiscalização, salvo mediante prévia autorização, por decreto do Presidente da República." B) Correto A questão exigia o conhecimento da letra de lei, mais especificamente do art. 8º da Lei 8.987/95, que assim dispõe: Art. 8º O Poder Legislativo poderá tomar a iniciativa da desapropriação, cumprindo, neste caso, ao Executivo, praticar os atos necessários à sua efetivação. Portanto, a assertiva está totalmente de acordo com o artigo supracitado. C) Errado O acordo é uma das possibilidades previstas em lei para a efetivação da desapropriação. Assim dispõe o art. 10 do Decreto-lei 3.65/41: "Art. 10. A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se judicialmente, dentro de cinco anos, contados da data da expedição do respectivo decreto e findos os quais este caducará." D) Errado Não existe nenhum óbice de competência aos entes federativos para proceder a desapropriações de imóveis rurais. Apenas uma exceção é prevista, que ocorre quando a expropriação for por interesse social para fins de reforma agrária. Daí tal competência exclusiva se faz presente, conforme dispõe o art. 184, caput, da CRFB/88: "Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei." Na hipótese em exame, a desapropriação seria por utilidade pública, donde seria competente o município para efetivá-la. Gabarito: B Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca Questão 32 Rafael, funcionário da concessionária prestadora do serviço público de fornecimento de gás canalizado, realizava reparo na rede subterrânea, quando deixou a tampa do bueiro aberta, sem qualquer sinalização, causando a queda de Sônia, transeunte que caminhava pela calçada. Sônia, que trabalha como faxineira diarista, quebrou o fêmur da perna direita em razão do ocorrido e ficou internada no hospital por 60 dias, sem poder trabalhar. Após receber alta, Sônia procurou você, como advogado(a), para ajuizar ação indenizatória em face A) da concessionária, com base em sua responsabilidade civil objetiva, para cuja configuração é desnecessária a comprovação de dolo ou culpa de Rafael. B) do Estado, como poder concedente, com base em sua responsabilidade civil direta e subjetiva, para cuja configuração é prescindível a comprovação de dolo ou culpa de Rafael. C) de Rafael, com base em sua responsabilidade civil direta e objetiva, para cuja configuração é desnecessária a comprovação de ter agido com dolo ou culpa, assegurado o direito de regresso contra a concessionária. D) do Município, como poder concedente, com base em sua responsabilidade civil objetiva, para cuja configuração é imprescindível a comprovação de dolo ou culpa de Rafael. A) Correto A responsabilidade civil da concessionária de Serviços Públicos por danos causados a terceiros é direta. Conforme art. 25, caput, da Lei 8.987/95: Art. 25. Incumbe à concessionária a execução do serviço concedido, cabendo-lhe responder por todos os prejuízos causados ao poder concedente, aos usuários ou a terceiros, sem que a fiscalização exercida pelo órgão competente exclua ou atenue essa responsabilidade. Além da responsabilidade ser direta, ela é objetiva, ou seja, o dever de indenizar independe de conduta culposa ou dolosa por parte do agente público causador dos danos. Conforme art. 37, §6º, da CRFB/88: Art. 37 § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. A responsabilidade do Estado é meramente subsidiária, a depender, portanto, de a concessionária não apresentar patrimônio suficiente para reparar a integralidade dos danos. Este é o entendimento manso e pacífico em sedes doutrinária e jurisprudencial. Portanto, a questão está totalmente de acordo com a letra de lei. B) Errado A responsabilidade do Estado é meramente subsidiária, a depender, portanto, de a concessionária não apresentar patrimônio suficiente para reparar a integralidade dos danos. Este é o entendimento manso e pacífico em sedes doutrinária e jurisprudencial. C) Errado Conforme já exposto, Rafael não é responsável direta e objetivamente, mas sim, a concessionária de Serviço Público. D) Errado A responsabilidade é da Concessionária, conformejá exposto. Porém, cabe ressaltar que o Munícipio não seria o Poder Concedente no caso hipotético, mas sim o Estado, pois o serviço de fornecimento de gás canalizado é de competência dos Estados. Desta forma, dispõe o § 2º do art. 25 da CF/88 Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição. § 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação. Gabarito: A Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca Questão 33 Seguindo plano de expansão de seu parque industrial para a produção de bebidas, o conselho de administração da sociedade empresária Frescor S/A autoriza a destruição de parte de floresta inserida em Área de Preservação Permanente, medida que se consuma na implantação de nova fábrica. Sobre responsabilidade ambiental, tendo como referência a hipótese narrada, assinale a afirmativa correta. A) Frescor S/A responde civil e administrativamente, sendo excluída a responsabilidade penal por ter a decisão sido tomada por órgão colegiado da sociedade. B) Frescor S/A responde civil e administrativamente, uma vez que não há tipificação criminal para casos de destruição de Área de Preservação Permanente, mas apenas de Unidades de Conservação. C) Frescor S/A responde civil, administrativa e penalmente, sendo a ação penal pública, condicionada à prévia apuração pela autoridade ambiental competente. D) Frescor S/A responde civil, administrativa e penalmente, sendo agravante da pena a intenção de obtenção de vantagem pecuniária. A) Errado A responsabilidade penal não pode ser excluída na referida hipótese, independentemente da decisão ter sido tomada pelo conselho administrativo, devendo a Frescor S/A responder também responder penalmente pela infração. B) Errado A Lei dos Crimes Ambientais dispõe, sim, acerca da destruição das áreas de Preservação Permanente, devendo a empresa responsável por tal responder civil, administrativa e penalmente. C) Errado A ação penal pública não está condicionada à prévia apuração pela autoridade ambiental competente para que a Frescor S/A responda pela infração. D) Correto A Lei dos Crimes Ambientais, de nº 9.605/98, dispõe acerca da destruição de florestas em áreas de Preservação Permanente e da responsabilização por esse ilícito em seus artigos 38 e 15. Observa-se o texto dos referidos artigos: Dos Crimes contra a Flora: Art. 38. Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mesmo que em formação, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção: Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: II - ter o agente cometido a infração: a) para obter vantagem pecuniária; Entende-se, então, que a Frescor S/A responderá no âmbito civil, administrativo e também penal, devido ao objetivo pecuniário pretendido pela empresa. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca __________________________________________________________________________________________________________ Questão 34 Efeito Estufa Ltda., sociedade empresária que atua no processamento de alimentos, pretende instalar nova unidade produtiva na área urbana do Município de Ar Puro, inserida no Estado Y. Para esse fim, verificou que a autoridade competente para realizar o licenciamento ambiental será a do próprio Município de Ar Puro. Sobre o caso, assinale a opção que indica quem deve realizar o estudo de impacto ambiental. A) O Município de Ar Puro. B) O Estado Y. C) O IBAMA. D) Profissionais legalmente habilitados, às expensas do empreendedor. A) Errado De acordo com a resolução do CONAMA 01/1986, não é de responsabilidade do município o financiamento do estudo de impacto ambiental. B) Errado Como disposto na resolução do CONAMA 01/1986, não é de responsabilidade do Estado o financiamento do estudo de impacto ambiental. C) Errado Como disposto na resolução do CONAMA 01/1986, não é de responsabilidade do IBAMA o financiamento do estudo de impacto ambiental. D) Correto A questão trata dos estudos e avaliações de impactos ambientais. Observando a resolução do CONAMA 01/1986, entende-se que o estudo de impacto ambiental deve ser financiado pelo proponente do projeto. Lê-se tal dispositivo: Art. 8º Correrão por conta do proponente do projeto todas as despesas e custos referentes à realização do estudo de impacto ambiental, tais como: coleta e aquisição dos dados e informações, trabalhos e inspeções de campo, análises de laboratório, estudos técnicos e científicos e acompanhamento e monitoramento dos impactos, elaboração do RIMA e fornecimento de pelo menos 5 (cinco) cópias. Desse modo, entende-se que a Efeito Estufa Ltda. Deve financiar a realização do estudo de impacto ambiental, o qual será guiado por profissionais aptos e legalmente habilitados a fazê-lo. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca Questão 35 João, único herdeiro de seu avô Leonardo, recebeu, por ocasião da abertura da sucessão deste último, todos os seus bens, inclusive uma casa repleta de antiguidades. Necessitando de dinheiro para quitar suas dívidas, uma das primeiras providências de João foi alienar uma pintura antiga que sempre estivera exposta na sala da casa, por um valor módico, ao primeiro comprador que encontrou. João, semanas depois, leu nos jornais a notícia de que reaparecerá no mercado de arte uma pintura valiosíssima de um célebre artista plástico. Sua surpresa foi enorme ao descobrir que se tratava da pintura que ele alienara, com valor milhares de vezes maior do que o por ela cobrado. Por isso, pretende pleitear a invalidação da alienação. A respeito do caso narrado, assinale a afirmativa correta. A) O negócio jurídico de alienação da pintura celebrado por João está viciado por lesão e chegou a produzir seus efeitos regulares, no momento de sua celebração. B) O direito de João a obter a invalidação do negócio jurídico, por erro, de alienação da pintura, não se sujeita a nenhum prazo prescricional C) A validade do negócio jurídico de alienação da pintura subordina-se necessariamente à prova de que o comprador desejava se aproveitar de sua necessidade de obter dinheiro rapidamente. D) Se o comprador da pintura oferecer suplemento do preço pago de acordo com o valor de mercado da obra, João poderá optar entre aceitar a oferta ou invalidar o negócio. A) Correto A questão trata de negócio jurídico. Vejamos: Código Civil: Art. 157. Ocorre a lesão quandouma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado: II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; O negócio jurídico está viciado em função de lesão a uma das partes. B) Errado O direito de João a obter a invalidação do negócio jurídico, por erro, de alienação da pintura, se sujeita ao prazo decadencial de quatro anos. C) Errado A validade do negócio jurídico de alienação da pintura não se subordina necessariamente à prova de que o comprador desejava se aproveitar de sua necessidade de obter dinheiro rapidamente, podendo ocorrer, também, por inexperiência. D) Errado Se o comprador da pintura oferecer suplemento do preço pago de acordo com o valor de mercado da obra, o negócio jurídico não será anulado. Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 36 Salomão, solteiro, sem filhos, 65 anos, é filho de Lígia e Célio, que faleceram recentemente e eram divorciados. Ele é irmão de Bernardo, 35 anos, médico bem-sucedido, filho único do segundo casamento de Lígia. Salomão, por circunstâncias sociais, não mantinha contato com Bernardo. Em razão de uma deficiência física, Salomão nunca exerceu atividade laborativa e sempre morou com o pai, Célio, até o falecimento deste. Com frequência, seu primo Marcos, comerciante e grande amigo, o visita. Com base no caso apresentado, assinale a opção que indica quem tem obrigação de pagar alimento a Salomão. A) Marcos é obrigado a pagar alimentos a Salomão, no caso de necessidade deste. B) Por ser irmão unilateral, Bernardo não deve, em hipótese alguma, alimentos a Salomão. C) Bernardo, no caso de necessidade de Salomão, deve arcar com alimentos. D) Bernardo e Marcos deverão dividir alimentos, entre ambos, de forma igualitária. A) Errado Marcos não é obrigado a pagar alimentos a Salomão, no caso de necessidade deste, pois Marcos é colateral (primo) e a obrigação cabe aos descendentes e aos irmãos. B) Errado Ainda que seja irmão unilateral, Bernardo deve alimentos a Salomão, tendo em vista que a obrigação alimentar cabe tanto aos irmãos germanos, quanto aos unilaterais. C) Correta Bernardo, no caso de necessidade de Salomão, deve arcar com alimentos. Nesse sentido, vide Código Civil: Art. 1.697. Na falta dos ascendentes cabe a obrigação aos descendentes, guardada a ordem de sucessão e, faltando estes, aos irmãos, assim germanos como unilaterais. D) Errado Bernardo, no caso de necessidade de Salomão, deve arcar com os alimentos, sozinho. Marcos não é obrigado a pagar alimentos a Salomão, pois é colateral. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 37 Antônio, divorciado, proprietário de três imóveis devidamente registrados no RGI, de valores de mercado semelhantes, decidiu transferir onerosamente um de seus bens ao seu filho mais velho, Bruno, que mostrou interesse na aquisição por valor próximo ao de mercado. No entanto, ao consultar seus dois outros filhos (irmãos do pretendente comprador), um deles, Carlos, opôs-se à venda. Diante disso, bastante chateado com a atitude de Carlos, seu filho que não concordou com a compra e venda do imóvel, decidiu realizar uma doação a favor de Bruno. Em face do exposto, assinale a afirmativa correta. A) A compra e venda de ascendente para descendente só pode ser impedida pelos demais descendentes e pelo cônjuge, se a oposição for unânime. B) Não há, na ordem civil, qualquer impedimento à realização de contrato de compra e venda de pai para filho, motivo pelo qual a oposição feita por Carlos não poderia gerar a anulação do negócio. C) Antônio não poderia, como reação à legítima oposição de Carlos, promover a doação do bem para um de seus filhos (Bruno), sendo tal contrato nulo de pleno direito. D) É legítima a doação de ascendentes para descendente, independentemente da anuência dos demais, eis que o ato importa antecipação do que lhe cabe na herança. A questão trata de contratos. Código Civil: Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória. Art. 544. A doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a outro, importa adiantamento do que lhes cabe por herança. A) Errado A compra e venda de ascendente para descendente pode ser impedida pelos demais descendentes ou pelo cônjuge, bastando que um deles se oponha. B) Errado Não há, na ordem civil, impedimento à realização de contrato de compra e venda de pai para filho, desde que os demais descendentes e cônjuge – salvo regime de separação total de bens, consintam expressamente, caso contrário, poderá gerar a anulação do negócio. C) Errado Antônio poderia, como reação à legítima oposição de Carlos, promover a doação do bem para um de seus filhos (Bruno), sendo tal contrato válido, importando, essa doação, como adiantamento de herança. D) Correto É legítima a doação de ascendentes para descendente, independentemente da anuência dos demais, eis que o ato importa antecipação do que lhe cabe na herança. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 38 Márcia, adolescente com 17 anos de idade, sempre demonstrou uma maturidade muito superior à sua faixa etária. Seu maior objetivo profissional é o de tornar-se professora de História e, por isso, decidiu criar um canal em uma plataforma on-line, na qual publica vídeos com aulas por ela própria elaboradas sobre conteúdos históricos. O canal tornou-se um sucesso, atraindo multidões de jovens seguidores e despertando o interesse de vários patrocinadores, que começaram a procurar a jovem, propondo contratos de publicidade. Embora ainda não tenha obtido nenhum lucro com o canal, Márcia está animada com a perspectiva de conseguir custear seus estudos na Faculdade de História se conseguir firmar alguns desses contratos. Para facilitar as atividades da jovem, seus pais decidiram emancipá-la, o que permitirá que celebre negócios com futuros patrocinadores com mais agilidade. Sobre o ato de emancipação de Márcia por seus pais, assinale a afirmativa correta. A) Depende de homologação judicial, tendo em vista o alto grau de exposição que a adolescente tem na internet. B) Não tem requisitos formais específicos, podendo serconcedida por instrumento particular. C) Deve, necessariamente, ser levado a registro no cartório competente do Registro Civil de Pessoas Naturais. D) É nulo, pois ela apenas poderia ser emancipada caso já contasse com economia própria, o que ainda não aconteceu. A questão trata de capacidade. Código Civil: Art. 5º. Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; Art. 9º Serão registrados em registro público: II - a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz; A) Errado Independe de homologação judicial, bastando que seja feita mediante instrumento público. B) Errado Tem requisitos formais específicos, devendo ser concedida por instrumento público, e levada a registro no cartório competente do Registro Civil de Pessoas Naturais. C) Correta Deve, necessariamente, ser levado a registro no cartório competente do Registro Civil de Pessoas Naturais. D) Errado É válido, pois os pais podem conceder a emancipação, independentemente dela contar com economia própria ou não. Gabarito: C Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca __________________________________________________________________________________________________________ Questão 39 Aldo e Mariane são casados sob o regime da comunhão parcial de bens, desde setembro de 2013. Em momento anterior ao casamento, Rubens, pai de Mariane, realizou a doação de um imóvel à filha. Desde então, a nova proprietária acumula os valores que lhe foram pagos pelos locatários do imóvel. No ano corrente, alguns desentendimentos fizeram com que Mariane pretendesse se divorciar de Aldo. Para tal finalidade, procurou um advogado, informando que a soma dos aluguéis que lhe foram pagos desde a doação do imóvel totalizava R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), sendo que R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) foram auferidos antes do casamento e o restante, após. Mariane relatou, ainda, que atualmente o imóvel se encontra vazio, sem locatários. Sobre essa situação e diante de eventual divórcio, assinale a afirmativa correta. A) Quanto aos aluguéis, Aldo tem direito à meação sob o total dos valores. B) Tendo em vista que o imóvel locado por Mariane é seu bem particular, os aluguéis por ela auferidos não se comunicam com Aldo. C) Aldo tem direito à meação dos valores recebidos por Mariane, durante o casamento, a título de aluguel. D) Aldo faz jus à meação tanto sobre a propriedade do imóvel doado a Mariane por Rubens, quanto sobre os valores recebidos a título de aluguel desse imóvel na constância do casamento. A questão trata de regime de bens. Código Civil: Art. 1.660. Entram na comunhão: V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. A) Errado Quanto aos aluguéis, Aldo tem direito à meação dos valores recebidos por Mariane, apenas durante o casamento. B) Errado Ainda que o imóvel locado por Mariane seja seu bem particular, os frutos (alugueis) percebidos na constância do casamento, se comunicam com Aldo. C) Correto Aldo tem direito à meação dos valores recebidos por Mariane, durante o casamento, a título de aluguel. D) Errado Aldo faz jus à meação apenas dos valores recebidos por Mariane, durante o casamento, a título de aluguel. Gabarito: C Fonte de Conhecimento Jurídico: Lei Seca ____________________________________________________________________________________________________ Questão 40 Arnaldo faleceu e deixou os filhos Roberto e Álvaro. No inventário judicial de Arnaldo, Roberto, devedor contumaz na praça, renunciou à herança, em 05/11/2019, conforme declaração nos autos. Considerando que o falecido não deixou testamento e nem dívidas a serem pagas, o valor líquido do monte a ser partilhado era de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Bruno é primo de Roberto e também seu credor no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais). No dia 09/11/2019, Bruno tomou conhecimento da manifestação de renúncia supracitada e, no dia 29/11/2019, procurou um advogado para tomar as medidas cabíveis. Sobre esta situação, assinale a afirmativa correta. A) Em nenhuma hipótese Bruno poderá contestar a renúncia da herança feita por Roberto. B) Bruno poderá aceitar a herança em nome de Roberto, desde que o faça no prazo de quarenta dias seguintes ao conhecimento do fato. C) Bruno poderá, mediante autorização judicial, aceitar a herança em nome de Roberto, recebendo integralmente o quinhão do renunciante. D) Bruno poderá, mediante autorização judicial, aceitar a herança em nome de Roberto, no limite de seu crédito. A) Errado Lê-se o artigo 1.813 do Código Civil, o qual dispõe sobre a renúncia da herança: Art. 1.813. Quando o herdeiro prejudicar os seus credores, renunciando à herança, poderão eles, com autorização do juiz, aceitá-la em nome do renunciante. Desse modo, entende-se que Bruno, enquanto credor de Roberto, tem o direito de contestar a renúncia da herança feita por aquele, o qual é seu devedor. Além disso, após a autorização expressa do juiz, Bruno detém o direito de aceitar a herança, respeitado o limite do crédito existente, em nome de Roberto. B) Errado De acordo com o disposto no §1º do artigo 1.813 do CC/02, Bruno detém autorização para aceitar a herança em nome de Roberto, seu devedor, no prazo de 30 dias após a ciência do fato, e não 40 dias, como apresentado na alternativa. Observa-se o dispositivo: Art. 1.813. §1º A habilitação dos credores se fará no prazo de trinta dias seguintes ao conhecimento do fato. C) Errado Como disposto no §2º do artigo 1.813, CC/02, Bruno, após autorização judicial, pode receber a herança em nome de Roberto, seu credor, mas somente até o limite do seu crédito. Lê-se o dispositivo: Art. 1.813. §2º Pagas as dívidas do renunciante, prevalece a renúncia quanto ao remanescente, que será devolvido aos demais herdeiros. D) Correto Como visto no art. 1.813 do Código Civil, Bruno – enquanto credor de Roberto – detém o direito de aceitar a herança em nome deste após obter autorização judicial, desde que respeitando os limites do seu crédito. Art. 1.813. Quando o herdeiro prejudicar os seus credores, renunciando à herança, poderão eles, com autorização do juiz, aceitá-la em nome do renunciante. §2º Pagas as dívidas do renunciante, prevalece a renúncia quanto ao remanescente, que será devolvido aos demais herdeiros. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca Questão 41 Aldo e Mariane são casados sob o regime da comunhão parcial de bens, desde setembro de 2013. Em momento anterior ao casamento, Rubens,pai de Mariane, realizou a doação de um imóvel à filha. Desde então, a nova proprietária acumula os valores que lhe foram pagos pelos locatários do imóvel. No ano corrente, alguns desentendimentos fizeram com que Mariane pretendesse se divorciar de Aldo. Para tal finalidade, procurou um advogado, informando que a soma dos aluguéis que lhe foram pagos desde a doação do imóvel totalizava R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), sendo que R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) foram auferidos antes do casamento e o restante, após. Mariane relatou, ainda, que atualmente o imóvel se encontra vazio, sem locatários. Sobre essa situação e diante de eventual divórcio, assinale a afirmativa correta: A) Quanto aos aluguéis, Aldo tem direito à meação sob o total dos valores. B) Tendo em vista que o imóvel locado por Mariane é seu bem particular, os aluguéis por ela auferidos não se comunicam com Aldo. C) Aldo tem direito à meação dos valores recebidos por Mariane, durante o casamento, a título de aluguel. D) Aldo faz jus à meação tanto sobre a propriedade do imóvel doado a Mariane por Rubens, quanto sobre os valores recebidos a título de aluguel desse imóvel na constância do casamento. A) Errado Observa-se o artigo 1.660 do Código Civil, o qual dispõe acerca do regime de bens: Art. 1.660. Entram na comunhão: V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. Em se tratando dos aluguéis, entende-se que Aldo detém somente durante o casamento o direito à meação dos valores recebidos por Mariane. B) Errado Como disposto no inciso V do artigo 1.660, CC/02, os frutos dos bens particulares de um dos cônjuges é contabilizado na comunhão gerada pelo casamento. Dessa forma, portanto, os lucros auferidos por Mariane decorrentes do aluguel de seu imóvel são comunicáveis também com Aldo. C) Correto Aldo de fato detém o direito à meação os bens e valores obtidos por Mariane durante o casamento de ambos, como disposto no artigo 1.660 do Código Civil: Art. 1.660. Entram na comunhão: V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. D) Errado Aldo tem direito à meação dos bens e valores recebidos somente durante o casamento, de modo Aldo não tem direito à meação do imóvel em questão, sendo este particular de Mariane, recebido em doação anterior ao casamento. Observa-se também o artigo 1.659 do CC/02: Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: I - (1) os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e (2) os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por (a) doação ou (b) sucessão, e (c) os sub-rogados em seu lugar; Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca Questão 42 O adolescente João, com 16 anos completos, foi apreendido em flagrante quando praticava ato infracional análogo ao crime de furto. Devidamente conduzido o processo, de forma hígida, ele foi sentenciado ao cumprimento de medida socioeducativa de 1 ano, em regime de semiliberdade. Sobre as medidas socioeducativas aplicadas a João, assinale a afirmativa correta. A) A medida de liberdade assistida será fixada pelo prazo máximo de 6 meses, sendo que, ao final de tal período, caso João não se revele suficientemente ressocializado, a medida será convolada em internação. B) A medida aplicada foi equivocada, pois deveria ter sido, necessariamente, determinada a internação de João. C) No regime de semiliberdade, João poderia sair da instituição para ocupações rotineiras de trabalho e estudo, sem necessidade de autorização judicial. D) A medida aplicada foi equivocada, pois não poderia, pelo fato análogo ao furto, ter a si aplicada medida diversa da liberdade assistida. A) Errado O enunciado trata da aplicação de medidas socioeducativas. Inicialmente, pode-se eliminar a alternativa “A”, pois afirma que a liberdade assistida será fixada pelo prazo máximo de seis meses. Em sentido diverso, dispõe o artigo 118, §2º, do Estatuto da Criança e do Adolescente, vejamos: Art. 118, ECA. A liberdade assistida será adotada sempre que se afigurar a medida mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente. §1º A autoridade designará pessoa capacitada para acompanhar o caso, a qual poderá ser recomendada por entidade ou programa de atendimento. §2º A liberdade assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses, podendo a qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por outra medida, ouvido o orientador, o Ministério Público e o defensor. B) Errado Igualmente, a alternativa “B” deve ser descartada por estabelecer como única medida cabível à hipótese a internação. Inobstante, o artigo 122, §2º, do ECA, abaixo transcrito, fixa as possibilidades de aplicação desta medida. Art. 122, ECA. A medida de internação só poderá ser aplicada quando: I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa; II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves; III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta. §1º O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior a 3 (três) meses, devendo ser decretada judicialmente após o devido processo legal. (Redação dada pela Lei nº 12.594, de 2012) §2º Em nenhuma hipótese será aplicada a internação, havendo outra medida adequada. Depreende-se da leitura do parágrafo grifado que a internação deve ser medida aplicada subsidiariamente, diante da inexistência de outra medida mais adequada. C) Correto Por fim, conforme dispõe o artigo 120, do Estatuto, a realização de atividades externas, no regime de semiliberdade, independe de autorização judicial. Art. 120, ECA. O regime de semiliberdade pode ser determinado desde o início, ou como forma de transição para o meio aberto, possibilitada a realização de atividades externas, independentemente de autorização judicial. §1º São obrigatórias a escolarização e a profissionalização, devendo, sempre que possível, ser utilizados os recursos existentes na comunidade. §2º A medida não comporta prazo determinado aplicando-se, no que couber, as disposições relativas à internação. D) Errado Com base na explicação das alternativas anteriores. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca Questão 43 Maria chega à maternidade já em trabalho de parto, sendo atendida emergencialmente. Felizmente, o parto ocorre sem problemas e Maria dá à luz, Fernanda. No mesmo dia do parto, a enfermeira Cláudia escuta a conversa entre Maria e umaamiga que a visitava, na qual Maria oferecia Fernanda a essa amiga em adoção, por não se sentir preparada para a maternidade. Preocupada com a conversa, Cláudia a relata ao médico obstetra de plantão, Paulo, o qual, por sua vez, noticia o ocorrido a Carlos, diretor-geral do hospital. Naquela noite, já recuperada, Maria e a mesma amiga vão embora da maternidade, sem que nada tenha ocorrido e nenhuma providência tenha sido tomada por qualquer dos personagens envolvidos – Cláudia, Paulo ou Carlos. Diante dos fatos acima, assinale a afirmativa correta. A) Não foi cometida qualquer infração, porque a adoção irregular não se consumou no âmbito da maternidade. B) Carlos cometeu infração administrativa, consubstanciada no não encaminhamento do caso à autoridade judiciária, porque somente o diretor do hospital pode fazê-lo. C) Carlos e Paulo não cometeram infração administrativa ao não encaminharem o caso à autoridade judiciária, porque não cabe ao corpo médico tal atribuição. D) Carlos, Paulo e Cláudia cometeram infração administrativa por não encaminharem o caso de que tinham conhecimento para a autoridade judiciária. A questão aborda a temática das infrações administrativas, disciplinadas no Capítulo II, do Título VII, do Estatuto da Criança e do Adolescente. O enunciado indaga acerca da possibilidade de responsabilização dos profissionais de saúde, decorrente da omissão no dever de informar. Esta imposição consubstancia-se no artigo 258-B, do ECA, vejamos: Art. 258-B, ECA. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de efetuar imediato encaminhamento à autoridade judiciária de caso de que tenha conhecimento de mãe ou gestante interessada em entregar seu filho para adoção: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Pena - multa de R$ 1.000,00 (mil reais) a R$ 3.000,00 (três mil reais). (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Parágrafo único. Incorre na mesma pena o funcionário de programa oficial ou comunitário destinado à garantia do direito à convivência familiar que deixa de efetuar a comunicação referida no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) A) Errado Incorreta a alternativa “A”, visto que o artigo em estudo não faz quaisquer ressalvas à consumação da adoção para sua subsunção. Portanto, a configuração da infração administrativa em epígrafe prescinde da concretização da adoção irregular, bastando a mera manifestação de interesse da genitora. B) Errado O dispositivo transcrito linhas acima amplia a possibilidade de responsabilização ao médico, enfermeiro e ao dirigente de hospital, eliminando-se, portanto, a alternativa “B”, a qual restringe tal possibilidade ao diretor de hospital. C) Errado Também é possível afastar a alternativa “C”, já que exime os referidos profissionais de saúde de tal dever de informar, afrontando o dispositivo mencionado. D) Correto Basta recorrer à previsão do artigo 258-B, do ECA, vejamos: Art. 258-B, ECA. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de efetuar imediato encaminhamento à autoridade judiciária de caso de que tenha conhecimento de mãe ou gestante interessada em entregar seu filho para adoção: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Pena - multa de R$ 1.000,00 (mil reais) a R$ 3.000,00 (três mil reais). (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Parágrafo único. Incorre na mesma pena o funcionário de programa oficial ou comunitário destinado à garantia do direito à convivência familiar que deixa de efetuar a comunicação referida no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca Questão 44 O médico de João indicou a necessidade de realizar a cirurgia de gastroplastia (bariátrica) como tratamento de obesidade mórbida, com a finalidade de reduzir peso. Posteriormente, o profissional de saúde explicou a necessidade de realizar a cirurgia plástica pós-gastroplastia, visando à remoção de excesso epitelial que comumente acomete os pacientes nessas condições, impactando a qualidade de vida daquele que deixou de ser obeso mórbido. Nesse caso, nos termos do Código de Defesa do Consumidor e do entendimento do STJ, o plano de saúde de João: A) terá que custear ambas as cirurgias, porque configuram tratamentos, sendo a cirurgia plástica medida reparadora; portanto, terapêutica. B) terá que custear apenas a cirurgia de gastroplastia, e não a plástica, considerada estética e excluída da cobertura dos planos de saúde. C) não terá que custear as cirurgias, exceto mediante previsão contratual expressa para esses tipos de procedimentos. D) não terá que custear qualquer das cirurgias até que passem a integrar o rol de procedimentos da ANS, competente para a regulação das coberturas contratuais. A) Correta O enunciado exige que o aluno conheça o entendimento jurisprudencial recente do Superior Tribunal de Justiça. Mais precisamente, no que tange aos contratos de consumo. Neste diapasão, primeiramente, é salutar esclarecer os procedimentos mencionados no enunciado. Sem dúvidas, a cirurgia bariátrica deve ser acobertada pelo plano de saúde, posto que, claramente, configura tratamento médico. B) Errado A dúvida suscitada na alternativa “B” diz respeito à cirurgia plástica pós-gastroplastia. Todavia, este procedimento também é considerado terapêutico, devendo, portanto, ser acobertado pelo plano de saúde. Neste sentido, a jurisprudência pátria: RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PLANO DE SAÚDE. PACIENTE PÓS-CIRURGIA BARIÁTRICA. DOBRAS DE PELE. CIRURGIAS PLÁSTICAS. NECESSIDADE. CARÁTER FUNCIONAL E REPARADOR. EVENTOS COBERTOS. FINALIDADE EXCLUSIVAMENTE ESTÉTICA. AFASTAMENTO. RESTABELECIMENTO INTEGRAL DA SAÚDE. DANOS MORAIS. CONFIGURAÇÃO. VALOR INDENIZATÓRIO. MANUTENÇÃO. RAZOABILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. As questões controvertidas na presente via recursal são: a) se a operadora de plano de saúde está obrigada a custear cirurgias plásticas pós-bariátrica (gastroplastia), consistentes na retirada de excesso de pele em algumas regiões do corpo humano (mamas, braços, coxas e abdômen), b) se ocorreu dano moral indenizável e c) se o valor arbitrado a título de compensação por danos morais foi exagerado. 3. A obesidade mórbida é doença crônica de cobertura obrigatória nos planos de saúde (art. 10, caput, da Lei nº 9.656/1998). Em regra, as operadoras autorizam tratamentosmultidisciplinares ambulatoriais ou indicações cirúrgicas, a exemplo da cirurgia bariátrica (Resolução CFM nº 1.766/2005 e Resolução CFM nº 1.942/2010). Por outro lado, a gastroplastia implica consequências anatômicas e morfológicas, como o acúmulo de grande quantidade de pele flácida residual, formando avental no abdômen e em outras regiões do corpo humano. 4. Estão excluídos da cobertura dos planos de saúde os tratamentos com finalidade puramente estética (art. 10, II, da Lei nº 9.656/1998), quer dizer, de preocupação exclusiva do paciente com o seu embelezamento físico, a exemplo daqueles que não visam à restauração parcial ou total da função de órgão ou parte do corpo humano lesionada, seja por enfermidade, traumatismo ou anomalia congênita (art. 20, § 1º, II, da RN/ANS nº 428/2017). 5. Há situações em que a cirurgia plástica não se limita a rejuvenescer ou a aperfeiçoar a beleza corporal, mas se destina primordialmente a reparar ou a reconstruir parte do organismo humano ou, ainda, prevenir males de saúde. 6. Não basta a operadora do plano de assistência médica se limitar ao custeio da cirurgia bariátrica para suplantar a obesidade mórbida, mas as resultantes dobras de pele ocasionadas pelo rápido emagrecimento também devem receber atenção terapêutica, já que podem provocar diversas complicações de saúde, a exemplo da candidíase de repetição, infecções bacterianas devido às escoriações pelo atrito, odores e hérnias, não qualificando, na hipótese, a retirada do excesso de tecido epitelial procedimento unicamente estético, ressaindo sobremaneira o seu caráter funcional e reparador. Precedentes. 7. Apesar de a ANS ter apenas incluído a dermolipectomia no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde para o tratamento dos males pós-cirurgia bariátrica, devem ser custeados todos os procedimentos cirúrgicos de natureza reparadora, para assim ocorrer a integralidade de ações na recuperação do paciente, em obediência ao art. 35-F da Lei nº 9.656/1998. 8. Havendo indicação médica para cirurgia plástica de caráter reparador ou funcional em paciente pós-cirurgia bariátrica, não cabe à operadora negar a cobertura sob o argumento de que o tratamento não seria adequado, ou que não teria previsão contratual, visto que tal terapêutica é fundamental à recuperação integral da saúde do usuário outrora acometido de obesidade mórbida, inclusive com a diminuição de outras complicações e comorbidades, não se configurando simples procedimento estético ou rejuvenescedor. (...) 12. Recurso especial não provido. (grifos nossos) (STJ - REsp: 1757938 DF 2018/0057485-6, Relator: Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Data de Julgamento: 05/02/2019, T3 - TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 12/02/2019) C e D) Errado Do exposto, firmado o entendimento que ambos os procedimentos constituem medidas terapêuticas, resta claro que a operadora de plano de saúde tem o dever de custeá-los. Diferentemente do que preceitua as alternativas “C” e “D”, sendo descartadas, portanto. Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: Jurisprudência Questão 45 Adriano, por meio de um site especializado, efetuou reserva de hotel para estadia com sua família em praia caribenha. A reserva foi imediatamente confirmada pelo site, um mês antes das suas férias, quando fariam a viagem. Ocorre que, dez dias antes do embarque, o site especializado comunicou a Adriano que o hotel havia informado o cancelamento da contratação por erro no parcelamento com o cartão de crédito. Adriano, então, buscou nova compra do serviço, mas os valores estavam cerca de 30% mais caros do que na contratação inicial, com o qual anuiu por não ser mais possível alterar a data de suas férias. Ao retornar de viagem, Adriano procurou você, como advogado(a), a fim de saber se seria possível a restituição dessa diferença de valores. Neste caso, é correto afirmar que o ressarcimento da diferença arcada pelo consumidor: A) poderá ser buscado em face exclusivamente do hotel, fornecedor que cancelou a contratação. B) poderá ser buscado em face do site de viagens e do hotel, que respondem solidariamente, por comporem a cadeia de fornecimento do serviço. C) não poderá ser revisto, porque o consumidor tinha o dever de confirmar a compra em sua fatura de cartão de crédito. D) poderá ser revisto, sendo a responsabilidade exclusiva do site de viagens, com base na teoria da aparência, respondendo o hotel apenas subsidiariamente. Trata-se de questão acerca da responsabilidade pelo dever de reparar e da proteção contratual do consumidor. Esta matéria possui disciplina no artigo 7º do Código de Defesa do Consumidor, abaixo transcrito. Art. 7°, CDC. Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e equidade. Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo. A) Errado Da leitura do parágrafo único do Artigo 7º do CDC, é possível eliminar as alternativas “A” e “D”, pois o mencionado artigo esclarece que, diante de autoria plúrima, haverá responsabilidade solidária. B) Correto Todos os integrantes da cadeia de fornecimento do serviço podem ser responsabilizados solidariamente. Art. 7°, CDC. Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e equidade. Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo. C) Errado Vide dispositivo legal - Artigo 7º do CDC D) Errado Da leitura do parágrafo único do Artigo 7º do CDC, é possível eliminar as alternativas “A” e “D”, pois o mencionado artigo esclarece que, diante de autoria plúrima, haverá responsabilidade solidária. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca Questão 46 No contrato da sociedade empresária Arealva Calçados Finos Ltda., não consta cláusula de regênciasupletiva pelas disposições de outro tipo societário. Ademais, tanto no contrato social quanto nas disposições legais relativas ao tipo adotado pela sociedade não há norma regulando a sucessão por morte de sócio. Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta. A) Haverá resolução da sociedade em relação ao sócio em caso de morte. B) Haverá transmissão causa mortis da quota social. C) Caberá aos sócios remanescentes regular a substituição do sócio falecido. D) Os sócios serão obrigados a incluir, no contrato, cláusula dispondo sobre a sucessão por morte de sócio. A) Correto Como o enunciado da questão determina que, uma vez que não há previsão de regência supletiva da sociedade limitada no contrato social, aplica-se o artigo 1053º do Código Civil, que prevê: “A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, pelas normas da sociedade simples. “Nesse sentido, tem-se que, no caso de falecimento do sócio, a regra é a liquidação da sua quota, como determinado no artigo 1028º desse Código: No caso de morte de sócio, liquidar-se-á sua quota, salvo: I - se o contrato dispuser diferentemente; II - se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade; III - se, por acordo com os herdeiros, regular-se a substituição do sócio falecido. Como não há previsão contratual regulando a sucessão por morte de sócio, deve ser aplicada a regra geral do artigo 1028º, ou seja, o pagamento aos herdeiros da quota e a resolução societária. B) Errado Como visto no art. 1028º do Código Civil, a morte de sócio não gera a transmissão causa mortis da causa social, mas o pagamento aos herdeiros da quota e a resolução societária. C) Errado Como não há previsão contratual regulando a sucessão por morte de sócio, aplica-se a regra geral do art. 1028º do CC: resolução da sociedade em relação ao sócio em caso de morte. D) Errado Os sócios não são obrigados a incluir cláusula dispondo sobre a sucessão por morte de sócio, não é uma obrigação legal visto que a legislação dispõe a respeito da morte do sócio no art. 1028º do CC. Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 47 Anadia e Deodoro são condôminos de uma quota de sociedade limitada no valor de R$ 13.000,00 (treze mil reais). Nem a quota nem o capital da sociedade – fixado em R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) – se encontram integralizados. Você é consultado(a), como advogado(a), sobre a possibilidade de a sociedade demandar os condôminos para que integralizem a referida quota. Assinale a opção que apresenta a resposta correta. A) Eles são obrigados à integralização apenas a partir da decretação de falência da sociedade. B) Eles não são obrigados à integralização, pelo fato de serem condôminos de quota indivisa. C) Eles são obrigados à integralização, porque todos os sócios, mesmo os condôminos, devem integralizar o capital. D) Eles não são obrigados à integralização, porque o capital da sociedade é inferior a 100 salários mínimos. A) Errado A legislação afasta a alternativa “A” no artigo 1004 do Código Civil: “Os sócios são obrigados, na forma e prazo previstos, às contribuições estabelecidas no contrato social (...)”. Assim, é incongruente a afirmação de que a integralização ocorre apenas a partir da decretação de falência, visto que ela deve ocorrer no momento previsto no contrato social. B) Errado Quanto à questão dos condôminos, o artigo 1056º desse Código afasta a alternativa “B” ao determinar: A quota é indivisível em relação à sociedade, salvo para efeito de transferência, caso em que se observará o disposto no artigo seguinte. § 1º No caso de condomínio de quota, os direitos a ela inerentes somente podem ser exercidos pelo condômino representante, ou pelo inventariante do espólio de sócio falecido. § 2º Sem prejuízo do disposto no art. 1.052, os condôminos de quota indivisa respondem solidariamente pelas prestações necessárias à sua integralização. Sendo assim, os sócios devem integralizar solidariamente o capital, mesmo os condôminos. C) Correto O artigo 1052º do Código Civil determina: “Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. “ Dessa forma, todos os sócios são responsáveis pela integralização do capital da sociedade limitada, como explicitamente previsto na alternativa “C”. D) Errado A alternativa “D” não possui nenhuma previsão legal que a fundamente. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 48 As sociedades empresárias Y e J celebraram contrato tendo por objeto a alienação do estabelecimento da primeira, situado em Antônio Dias/MG. Na data da assinatura do contrato, dentre outros débitos regularmente contabilizados, constava uma nota promissória vencida havia três meses no valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). O contrato não tem nenhuma cláusula quanto à existência de solidariedade entre as partes, tanto pelos débitos vencidos quanto pelos vincendos. Sabendo-se que, em 15/10/2018, após averbação na Junta Comercial competente, houve publicação do contrato na imprensa oficial e, tomando por base comparativa o dia 15/01/2020, o alienante A) responderá pelo débito vencido com o adquirente por não terem decorrido cinco anos da publicação do contrato na imprensa oficial. B) não responderá pelo débito vencido com o adquirente em razão de não ter sido estipulada tal solidariedade no contrato. C) responderá pelo débito vencido com o adquirente até a ocorrência da prescrição relativa à cobrança da nota promissória. D) não responderá pelo débito vencido com o adquirente diante do decurso de mais de 1 (um) ano da publicação do contrato na imprensa oficial. A) Errado O enunciado da questão enuncia a realização de um trespasse empresarial, no qual Y é o alienante e J é o adquirente. De acordo com o Código Civil, o adquirente torna-se responsável pelos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados: Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. Como a questão afirma que o débito contraído por Y fora regularmente contabilizado e transcorreu mais de um ano desde a publicação do contrato, J fica responsável solidariamentepelo débito, em razão dessa previsão legal, independentemente de estipulação contratual. Sendo assim, a alternativa “A” está incorreta, pois a responsabilidade de J é adquirida após um ano da publicação do contrato, e não cinco. B) Errado Como visto, a responsabilidade solidária do adquirente é prevista na legislação (art. 1.146 do CC), constituindo uma estipulação legal, não contratual. C) Errado Como visto, a questão afirma que o débito contraído por Y fora regularmente contabilizado e transcorreu mais de um ano desde a publicação do contrato, J fica responsável solidariamente pelo débito, em razão dessa previsão legal, independentemente de estipulação contratual. Assim, o fator que incita a responsabilidade de Y é o período de um ano, não a até a ocorrência da prescrição relativa à cobrança da nota promissória. D) Correto Corresponde à determinação do art. 1.146 do CC. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 49 Duas sociedades empresárias celebraram contrato de agência com uma terceira sociedade empresária, que assumiu a obrigação de, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência com as proponentes, promover, à conta das primeiras, mediante retribuição, a realização de certos negócios com exclusividade, nos municípios integrantes da região metropolitana de Curitiba/PR. Ficou pactuado que as proponentes conferirão poderes à agente para que esta as represente, como mandatária, na conclusão dos contratos. Antônio Prado, sócio de uma das sociedades empresárias contratantes, consulta seu advogado quanto à legalidade do contrato, notadamente da delimitação de zona geográfica e da concessão de mandato ao agente. Sobre a hipótese apresentada, considerando as disposições legais relativas ao contrato de agência, assinale a afirmativa correta. A) Não há ilegalidade quanto à delimitação de zona geográfica para atuação exclusiva do agente, bem como em relação à possibilidade de ser o agente mandatário das proponentes, por serem características do contrato de agência. B) Há ilegalidade na fixação de zona determinada para atuação exclusiva do agente, por ferir a livre concorrência entre agentes, mas não há ilegalidade na outorga de mandato ao agente para representação das proponentes. C) Há ilegalidade tanto na outorga de mandato ao agente para representação dos proponentes, por ser vedada qualquer relação de dependência entre agente e proponente, e também quanto à fixação de zona determinada para atuação exclusiva do agente. D) Não há ilegalidade quanto à fixação de zona determinada para atuação exclusiva do agente, mas há ilegalidade quanto à concessão de mandato do agente, porque é obrigatório por lei que o agente apenas faça a mediação dos negócios no interesse do proponente. A) Correto Como a questão trata de contratos, tem-se a disposição do Código Civil: Art. 710. Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, à conta de outra, mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada, caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. Parágrafo único. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos. A partir disso, tem-se que não há ilegalidade quanto à delimitação de zona geográfica para atuação exclusiva do agente, bem como em relação à possibilidade de ser o agente mandatário das proponentes, por serem características do contrato de agência. B) Errado Tem-se que não há ilegalidade em função de serem características do contrato de agência. C) Errado Tem-se que não há ilegalidade em função de serem características do contrato de agência. D) Errado Tem-se que não há ilegalidade em função de serem características do contrato de agência. Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 50 José da Silva, credor de sociedade empresária, consulta você, como advogado(a), para obter orientação quanto aos efeitos de uma provável convolação de recuperação judicial em falência. Em relação à hipótese apresentada, analise as afirmativas a seguir e assinale a única correta. A) Os créditos remanescentes da recuperação judicial serão considerados habilitados quando definitivamente incluídos no quadro-geral de credores, tendo prosseguimento as habilitações que estiverem em curso. B) As ações que devam ser propostas no juízo da falência estão sujeitas à distribuição por dependência, exceto a ação revocatória e a ação revisional de crédito admitido ao quadro geral de credores. C) A decretação da falência determina o vencimento antecipado das dívidas do devedor quanto aos créditos excluídos dos efeitos da recuperação judicial; quanto aos créditos submetidos ao plano de recuperação, são mantidos os prazos nele estabelecidos e homologados pelo juiz. D) As ações intentadas pelo devedor durante a recuperação judicial serão encerradas, devendo ser intimado o administrador judicial da extinção dos feitos, sob pena de nulidade do processo. A) Correto Primeiramente, tem-se que na convolação da recuperação em falência há um processo de recuperação judicial em curso, o qual termina com a decretação imediata da falência, ou seja, sem passar pela fase pré-falimentar (art. 73 e 74 da Lei. 11.101/05). A partir disso, analisam-se as alternativas sob a luz dos artigos 75 a 82 da Lei. 11.101/05, que regem a falência. A letra “A” é a correta, pois sua disposição corresponde ao estabelecido no artigo 80 da Lei 11.101/05: “Considerar-se-ão habilitados os créditos remanescentes da recuperação judicial, quando definitivamente incluídos no quadro-geral de credores, tendo prosseguimento as habilitações que estejam em curso. ” B) Errado Está correta em seu enunciado, porém, como prevê o parágrafo único do artigo 78 da Lei 11.101/05, não há exceções à distribuição por dependência das ações propostas no juízo de falência: “As ações que devam ser propostas no juízo da falência estão sujeitas a distribuição por dependência. ” C) Errado O artigo 77 dessa lei explicita não há tratamento diferenciado entre os créditos submetidos ao plano de recuperação: Art. 77. A decretação da falência determina o vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis, com o abatimento proporcional dos juros, e converte todos os créditos em moeda estrangeira para a moeda do País, pelo câmbiodo dia da decisão judicial, para todos os efeitos desta Lei. D) Errado Por causa do parágrafo único do artigo 76 dessa lei, que afirma que ações intentadas pelo devedor devem ter prosseguimento, e não serem encerradas: “Todas as ações, inclusive as excetuadas no caput deste artigo, terão prosseguimento com o administrador judicial, que deverá ser intimado para representar a massa falida, sob pena de nulidade do processo. “ Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 51 Julieta ajuizou demanda em face de Rafaela e, a fim de provar os fatos constitutivos de seu direito, arrolou como testemunhas Fernanda e Vicente. A demandada, por sua vez, arrolou as testemunhas Pedro e Mônica. Durante a instrução, Fernanda e Vicente em nada contribuíram para o esclarecimento dos fatos, enquanto Pedro e Mônica confirmaram o alegado na petição inicial. Em razões finais, o advogado da autora requereu a procedência dos pedidos, ao que se contrapôs o patrono da ré, sob o argumento de que as provas produzidas pela autora não confirmaram suas alegações e, ademais, as provas produzidas pela ré não podem prejudicá-la. Consideradas as normas processuais em vigor, assinale a afirmativa correta. A) O advogado da demandada está correto, pois competia à demandante a prova dos fatos constitutivos do seu direito. B) O advogado da demandante está correto, porque a prova, uma vez produzida, pode beneficiar parte distinta da que a requereu. C) O advogado da demandante está incorreto, pois o princípio da aquisição da prova não é aplicável à hipótese. D) O advogado da demandada está incorreto, porque as provas só podem beneficiar a parte que as produziu, segundo o princípio da aquisição da prova. A) Errado Trata-se de questão acerca da Teoria Geral da Prova. Mais precisamente, envolve o princípio da comunhão das provas, também conhecido como princípio da aquisição da prova. Segundo ele, quando produzido, o elemento probatório passa a integrar o processo, não pertencendo a quaisquer das partes. B) Correto Portanto, uma vez produzidas, as provas destinam-se à formação do convencimento do magistrado, sem qualquer vinculação às partes que a requereram. C e D) Errado É possível eliminar as alternativas “C” e “D”, já que contrárias ao conceito do princípio da comunhão das provas, também conhecido como princípio da aquisição da prova acima elucidado. No mesmo sentido, dispõe o artigo 371 do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: Art. 371, CPC. O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca e Doutrina Questão 52 Um advogado elabora uma petição inicial em observância aos requisitos legais. Da análise da peça postulatória, mesmo se deparando com controvérsia fática, o magistrado julga o pedido improcedente liminarmente. Diante dessa situação, o patrono do autor opta por recorrer contra o provimento do juiz, arguindo a nulidade da decisão por necessidade de dilação probatória. Com base nessa situação hipotética, assinale a afirmativa correta. A) O advogado pode aduzir que, antes de proferir sentença extintiva, o juiz deve, necessariamente, determinar a emenda à inicial, em atenção ao princípio da primazia de mérito. B) Não existem hipóteses de improcedência liminar no atual sistema processual, por traduzirem restrição do princípio da inafastabilidade da prestação jurisdicional e ofensa ao princípio do devido processo legal. C) Somente a inépcia da petição inicial autoriza a improcedência liminar dos pedidos. D) Nas hipóteses em que há necessidade de dilação probatória, não cabe improcedência liminar do pedido. O enunciado refere-se à improcedência liminar do pedido, disciplinada no artigo 332 do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: Art. 332, CPC. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da citação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar: I - enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça; II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local. §1º O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição. §2º Não interposta a apelação, o réu será intimado do trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 241. §3º Interposta a apelação, o juiz poderá retratar-se em 5 (cinco) dias. §4º Se houver retratação, o juiz determinará o prosseguimento do processo, com a citação do réu, e, se não houver retratação, determinará a citação do réu para apresentar contrarrazões, no prazo de 15 (quinze) dias. B e C) Errado De pronto, já é possível eliminar as alternativas “B” e “C”, por afirmarem a impossibilidade da improcedência liminar ou a restringirem à inépcia da petição inicial, contrariando o artigo mencionado linhas acima. Cumpre destacar, ainda, que o dispositivo transcrito estabelece, já em seu caput, que o magistrado julgará liminarmente improcedente o pedido “nas causas que dispensem a fase instrutória”. Considerando que o enunciado afirma que o magistrado se deparou com controvérsia fática, seria imprescindível a produção de provas, visando saná-la. D) Correto Conforme previsão da Lei: Art. 332, CPC. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da citação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar: I - enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça; II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local. §1º O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição. §2º Não interposta a apelação, o réu será intimado do trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 241. §3º Interposta a apelação, o juiz poderá retratar-se em 5 (cinco) dias. §4º Se houver retratação, o juiz determinará o prosseguimento do processo, com a citação do réu, e, se não houver retratação, determinará a citação do réu para apresentar contrarrazões, no prazo de 15 (quinze) dias. Gabarito: D Fonte de conhecimentojurídico: Lei seca Questão 53 Marcos foi contratado por Júlio para realizar obras de instalação elétrica no apartamento deste. Por negligência de Marcos, houve um incêndio que destruiu boa parte do imóvel e dos móveis que o guarneciam. Como não conseguiu obter a reparação dos prejuízos amigavelmente, Júlio ajuizou ação em face de Marcos e obteve sua condenação ao pagamento da quantia de R$ 148.000,00 (cento e quarenta e oito mil reais). Após a prolação da sentença, foi interposta apelação por Marcos, que ainda aguarda julgamento pelo Tribunal. Júlio, ato contínuo, apresentou cópia da sentença perante o cartório de registro imobiliário, para registro da hipoteca judiciária sob um imóvel de propriedade de Marcos, visando a garantir futuro pagamento do crédito. Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta. A) Júlio não pode solicitar o registro da hipoteca judiciária, uma vez que ainda está pendente de julgamento o recurso de apelação de Marcos. B) Júlio, mesmo que seja registrada a hipoteca judiciária, não terá direito de preferência sobre o bem em relação a outros credores. C) A hipoteca judiciária apenas poderá ser constituída e registrada mediante decisão proferida no Tribunal, em caráter de tutela provisória, na pendência do recurso de apelação interposto por Marcos. D) Júlio poderá levar a registro a sentença, e, uma vez constituída a hipoteca judiciária, esta conferirá a Júlio o direito de preferência em relação a outros credores, observada a prioridade do registro. A questão refere-se aos efeitos da sentença. Neste sentido, o artigo 495 do Código de Processo Civil: Art. 495, CPC. A decisão que condenar o réu ao pagamento de prestação consistente em dinheiro e a que determinar a conversão de prestação de fazer, de não fazer ou de dar coisa em prestação pecuniária valerão como título constitutivo de hipoteca judiciária. §1º A decisão produz a hipoteca judiciária: I - embora a condenação seja genérica; II - ainda que o credor possa promover o cumprimento provisório da sentença ou esteja pendente arresto sobre bem do devedor; III - mesmo que impugnada por recurso dotado de efeito suspensivo. §2º A hipoteca judiciária poderá ser realizada mediante apresentação de cópia da sentença perante o cartório de registro imobiliário, independentemente de ordem judicial, de declaração expressa do juiz ou de demonstração de urgência. §3º No prazo de até 15 (quinze) dias da data de realização da hipoteca, a parte informá-la-á ao juízo da causa, que determinará a intimação da outra parte para que tome ciência do ato. §4º A hipoteca judiciária, uma vez constituída, implicará, para o credor hipotecário, o direito de preferência, quanto ao pagamento, em relação a outros credores, observada a prioridade no registro. §5º Sobrevindo a reforma ou a invalidação da decisão que impôs o pagamento de quantia, a parte responderá, independentemente de culpa, pelos danos que a outra parte tiver sofrido em razão da constituição da garantia, devendo o valor da indenização ser liquidado e executado nos próprios autos. A) Errado Destaque-se, inicialmente, o caput do dispositivo, o qual preceitua que a condenação ao pagamento de quantia certa é válida como título constitutivo de hipoteca judiciária, sem fazer quaisquer ressalvas à exigência de trânsito em julgado da decisão. Diante disto, pode-se eliminar as alternativas “A” e “C”. B) Errado Já a partir da leitura do §4º, é possível eliminar, ainda, a alternativa “B”, pois afronta o teor do parágrafo acima mencionado, que esclarece que a constituição da hipoteca judiciária implica em direito de preferência ao credor hipotecário. C) Errado O caput do dispositivo, o qual preceitua que a condenação ao pagamento de quantia certa é válida como título constitutivo de hipoteca judiciária, sem fazer quaisquer ressalvas à exigência de trânsito em julgado da decisão. Diante disto, pode-se eliminar as alternativas “A” e “C”. D) Correto Neste sentido, o artigo 495 do Código de Processo Civil: Art. 495, CPC. A decisão que condenar o réu ao pagamento de prestação consistente em dinheiro e a que determinar a conversão de prestação de fazer, de não fazer ou de dar coisa em prestação pecuniária valerão como título constitutivo de hipoteca judiciária. §1º A decisão produz a hipoteca judiciária: I - embora a condenação seja genérica; II - ainda que o credor possa promover o cumprimento provisório da sentença ou esteja pendente arresto sobre bem do devedor; III - mesmo que impugnada por recurso dotado de efeito suspensivo. §2º A hipoteca judiciária poderá ser realizada mediante apresentação de cópia da sentença perante o cartório de registro imobiliário, independentemente de ordem judicial, de declaração expressa do juiz ou de demonstração de urgência. §3º No prazo de até 15 (quinze) dias da data de realização da hipoteca, a parte informá-la-á ao juízo da causa, que determinará a intimação da outra parte para que tome ciência do ato. §4º A hipoteca judiciária, uma vez constituída, implicará, para o credor hipotecário, o direito de preferência, quanto ao pagamento, em relação a outros credores, observada a prioridade no registro. §5º Sobrevindo a reforma ou a invalidação da decisão que impôs o pagamento de quantia, a parte responderá, independentemente de culpa, pelos danos que a outra parte tiver sofrido em razão da constituição da garantia, devendo o valor da indenização ser liquidado e executado nos próprios autos. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca. _____________________________________________________________________________________________________________ Questão 54 Bruno ajuizou contra Flávio ação de execução de título executivo extrajudicial, com base em instrumento particular, firmado por duas testemunhas, para obter o pagamento forçado de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Devidamente citado, Flávio prestou, em juízo, garantia integral do valor executado e opôs embargos à execução dentro do prazo legal, alegando, preliminarmente, a incompetência relativa do juízo da execução e, no mérito, que o exequente pleiteia quantia superior à do título (excesso de execução). No entanto, em seus embargos à execução, embora tenha alegado excesso de execução, Flávio não apontou o valor que entendia ser correto, tampouco apresentou cálculo com o demonstrativo discriminado e atualizado do valor em questão. Considerando essa situação hipotética, assinale a afirmativacorreta. A) Os embargos à execução devem ser liminarmente rejeitados, sem resolução do mérito, porquanto Flávio não demonstrou adequadamente o excesso de execução, ao deixar de apontar o valor que entendia correto e de apresentar cálculo com o demonstrativo discriminado e atualizado do valor em questão. B) O juiz deverá rejeitar as alegações de incompetência relativa do juízo e de excesso de execução deduzidas por Flávio, por não constituírem matérias passíveis de alegação em sede de embargos à execução. C) Os embargos à execução serão processados para a apreciação da alegação de incompetência relativa do juízo, mas o juiz não examinará a alegação de excesso de execução, tendo em vista que Flávio não indicou o valor que entendia correto para a execução, não apresentando o cálculo discriminado e atualizado do valor em questão. D) O juiz deverá processar e julgar os embargos à execução em sua integralidade, não surtindo qualquer efeito a falta de indicação do valor alegado como excesso e a ausência de apresentação de cálculo discriminado e atualizado do valor em questão, uma vez que os embargos foram apresentados dentro do prazo legal. O enunciado está relacionado à disciplina dos embargos à execução. Mais precisamente, às matérias que podem ser suscitadas em sede de embargos, elencadas no artigo 917 do Diploma Adjetivo Civil. Art. 917, CPC. Nos embargos à execução, o executado poderá alegar: I - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; II - penhora incorreta ou avaliação errônea; III - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; IV - retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos de execução para entrega de coisa certa; V - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; VI - qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa em processo de conhecimento. §1º A incorreção da penhora ou da avaliação poderá ser impugnada por simples petição, no prazo de 15 (quinze) dias, contado da ciência do ato. §2º Há excesso de execução quando: I - o exequente pleiteia quantia superior à do título; II - ela recai sobre coisa diversa daquela declarada no título; III - ela se processa de modo diferente do que foi determinado no título; IV - o exequente, sem cumprir a prestação que lhe corresponde, exige o adimplemento da prestação do executado; V - o exequente não prova que a condição se realizou. §3º Quando alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à do título, o embargante declarará na petição inicial o valor que entende correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo. §4º Não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, os embargos à execução: I - serão liminarmente rejeitados, sem resolução de mérito, se o excesso de execução for o seu único fundamento; II - serão processados, se houver outro fundamento, mas o juiz não examinará a alegação de excesso de execução. §5º Nos embargos de retenção por benfeitorias, o exequente poderá requerer a compensação de seu valor com o dos frutos ou dos danos considerados devidos pelo executado, cumprindo ao juiz, para a apuração dos respectivos valores, nomear perito, observando-se, então, o art. 464. §6º O exequente poderá a qualquer tempo ser imitido na posse da coisa, prestando caução ou depositando o valor devido pelas benfeitorias ou resultante da compensação. §7º A arguição de impedimento e suspeição observará o disposto nos arts. 146 e 148. A) Errado Tendo em vista o que dispõe o inciso II do §4º, também incorreta a alternativa “A”, já que o excesso de execução não foi a única matéria alegada em sede de embargos, deve-se processá-lo. B) Errado A partir da leitura dos incisos III e V, depreende-se que é viável a alegação de excesso de execução e incompetência relativa do juízo, eliminando-se, de pronto, a alternativa “B”. C) Correto Vide previsão do artigo 917 do CPC. D) Errado Inobstante, quanto ao excesso de execução, conforme disciplina dos §§3º e 4º, é indispensável a apresentação do valor que o embargante entender correto, através de demonstrativo discriminado, sob pena de não conhecimento desta matéria. Elimina-se, portanto, a alternativa “D”, que aponta para o conhecimento integral dos embargos, contrariando o teor dos parágrafos. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca Questão 55 Em um processo em que Carla disputava a titularidade de um apartamento com Marcos, este obteve sentença favorável, por apresentar, em juízo, cópia de um contrato de compra e venda e termo de quitação, anteriores ao contrato firmado por Carla. A sentença transitou em julgado sem que Carla apresentasse recurso. Alguns meses depois, Carla descobriu que Marcos era réu em um processo criminal no qual tinha sido comprovada a falsidade de vários documentos, dentre eles o contrato de compra e venda do apartamento disputado e o referido termo de quitação. Carla pretende, com base em seu contrato, retornar a juízo para buscar o direito ao imóvel. Para isso, ela pode A) interpor recurso de apelação contra a sentença, ainda que já tenha ocorrido o trânsito em julgado, fundado em prova nova. B) propor reclamação, para garantir a autoridade da decisão prolatada no juízo criminal, e formular pedido que lhe reconheça o direito ao imóvel. C) ajuizar rescisória, demonstrando que a sentença foi fundada em prova cuja falsidade foi apurada em processo criminal. D) requerer cumprimento de sentença diretamente no juízo criminal, para que a decisão que reconheceu a falsidade do documento valha como título judicial para transferência da propriedade do imóvel para seu nome. A) Errado Questiona-se acerca da via adequada para anulação de sentença viciada, transitada em julgado. Inicialmente, pode-se eliminar a alternativa “A”, posto que incabível apelação após o trânsito em julgado da sentença, conforme disciplina dos artigos 1.003, §5º, e 1.009 a 1.014, do Código de Processo Civil. B) Errado No mesmo sentido, inviável a propositura de reclamação após o trânsito da decisão, conforme preleciona o artigo 988, §5º, I, do Diploma Adjetivo. Elimina-se, portanto, a alternativa “B”. C) Correto Logo, diante do trânsito em julgado da decisão, resta cabível a ação rescisória. O regramento da matéria encontra-se no artigo 966 do Código de Processo Civil: Art. 966, CPC. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: I - se verificar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente; III - resultar de dolo ou coação daparte vencedora em detrimento da parte vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; IV - ofender a coisa julgada; V - violar manifestamente norma jurídica; VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação rescisória; VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável; VIII - for fundada em erro de fato verificável do exame dos autos. §1º Há erro de fato quando a decisão rescindenda admitir fato inexistente ou quando considerar inexistente fato efetivamente ocorrido, sendo indispensável, em ambos os casos, que o fato não represente ponto controvertido sobre o qual o juiz deveria ter se pronunciado. §2º Nas hipóteses previstas nos incisos do caput, será rescindível a decisão transitada em julgado que, embora não seja de mérito, impeça: I - nova propositura da demanda; ou II - admissibilidade do recurso correspondente. §3º A ação rescisória pode ter por objeto apenas 1 (um) capítulo da decisão. §4º Os atos de disposição de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo e homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados no curso da execução, estão sujeitos à anulação, nos termos da lei. §5º Cabe ação rescisória, com fundamento no inciso V do caput deste artigo, contra decisão baseada em enunciado de súmula ou acórdão proferido em julgamento de casos repetitivos que não tenha considerado a existência de distinção entre a questão discutida no processo e o padrão decisório que lhe deu fundamento. (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) (Vigência) §6º Quando a ação rescisória fundar-se na hipótese do §5º deste artigo, caberá ao autor, sob pena de inépcia, demonstrar, fundamentadamente, tratar-se de situação particularizada por hipótese fática distinta ou de questão jurídica não examinada, a impor outra solução jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) (Vigência) Conforme depreende-se da leitura do inciso VI do dispositivo, é possível rescindir a sentença de mérito quando fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal. D) Errado Vide comentários das alternativas anteriores. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca Questão 56 Gustavo procura você, como advogado(a), visando ao ajuizamento de uma ação em face de João, para a defesa da posse de um imóvel localizado em Minas Gerais. Na defesa dos interesses do seu cliente, quanto à ação possessória a ser proposta, assinale a afirmativa correta. A) Não é lícito cumular o pedido possessório com condenação em perdas e danos a Gustavo, dada a especialidade do procedimento. B) Na pendência da ação possessória proposta por Gustavo, não é possível, nem a ele, nem a João, propor ação de reconhecimento de domínio, salvo em face de terceira pessoa. C) Se a proposta de ação de manutenção de posse por Gustavo for um esbulho, o juiz não pode receber a ação de manutenção de posse como reintegração de posse, por falta de interesse de adequação. D) Caso se entenda possuidor do imóvel e pretenda defender sua posse, o meio adequado a ser utilizado por João é a reconvenção em face de Gustavo. A) Errado Trata-se de questão relacionada às ações possessórias. Inicialmente, pode-se eliminar a alternativa “A”, já que afirma ser inviável a cumulação de pedido de perdas e danos, afrontando o disposto no artigo 555, I, do CPC, abaixo transcrito. Art. 555, CPC. É lícito ao autor cumular ao pedido possessório o de: I - condenação em perdas e danos; II - indenização dos frutos. Parágrafo único. Pode o autor requerer, ainda, imposição de medida necessária e adequada para: I - evitar nova turbação ou esbulho; II - cumprir-se a tutela provisória ou final. B) Correto Segundo disposição do artigo 557, caput, do CPC, na pendência de ação possessória, só é viável a propositura de ação de reconhecimento do domínio deduzida em face de terceira pessoa, vejamos: Art. 557, CPC. Na pendência de ação possessória é vedado, tanto ao autor quanto ao réu, propor ação de reconhecimento do domínio, exceto se a pretensão for deduzida em face de terceira pessoa. Parágrafo único. Não obsta à manutenção ou à reintegração de posse a alegação de propriedade ou de outro direito sobre a coisa. C) Errado Quanto à alternativa “C”, também deve ser eliminada, pois afronta o princípio da fungibilidade, consagrado no artigo 554, caput, do Código de Processo Civil: Art. 554, CPC. A propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela cujos pressupostos estejam provados. §1º No caso de ação possessória em que figure no polo passivo grande número de pessoas, serão feitas a citação pessoal dos ocupantes que forem encontrados no local e a citação por edital dos demais, determinando-se, ainda, a intimação do Ministério Público e, se envolver pessoas em situação de hipossuficiência econômica, da Defensoria Pública. §2º Para fim da citação pessoal prevista no §1º, o oficial de justiça procurará os ocupantes no local por uma vez, citando-se por edital os que não forem encontrados. §3º O juiz deverá determinar que se dê ampla publicidade da existência da ação prevista no §1º e dos respectivos prazos processuais, podendo, para tanto, valer-se de anúncios em jornal ou rádio locais, da publicação de cartazes na região do conflito e de outros meios. D) Errado Conforme observa-se através das explicações das alternativas anteriores. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca Questão 57 O arquiteto Fernando ajuizou ação exclusivamente em face de Daniela, sua cliente, buscando a cobrança de valores que não teriam sido pagos no âmbito de um contrato de reforma de apartamento. Daniela, devidamente citada, deixou de oferecer contestação, mas, em litisconsórcio com seu marido José, apresentou reconvenção em peça autônoma, buscando indenização por danos morais em face de Fernando e sua empresa, sob o argumento de que estes, após a conclusão das obras de reforma, expuseram, em site próprio, fotos do interior do imóvel dos reconvintes sem que tivessem autorização para tanto. Diante dessa situação hipotética, assinale a afirmativa correta. A) Como Daniela deixou de contestar a ação, ela e seu marido não poderiam ter apresentado reconvenção,devendo ter ajuizado ação autônoma para buscar a indenização pretendida. B) A reconvenção deverá ser processada, a despeito de Daniela não ter contestado a ação originária, na medida em que o réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer contestação. C) A reconvenção não poderá ser processada, na medida em que não é lícito a Daniela propor reconvenção em litisconsórcio com seu marido, que é um terceiro que não faz parte da ação originária. D) A reconvenção não poderá ser processada, na medida em que não é lícito a Daniela incluir no polo passivo da reconvenção a empresa de Fernando, que é um terceiro que não faz parte da ação originária. A questão indaga acerca do cabimento e dos requisitos da reconvenção. A matéria encontra-se disciplinada no artigo 343 do Diploma Adjetivo Civil, abaixo transcrito. Art. 343, CPC. Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa. §1º Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias. §2º A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção. §3º A reconvenção pode ser proposta contra o autor e terceiro. §4º A reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com terceiro. §5º Se o autor for substituto processual, o reconvinte deverá afirmar ser titular de direito em face do substituído, e a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, também na qualidade de substituto processual. §6º O réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer contestação. A) Errado O §6º do artigo 343 do CPC admite a propositura de reconvenção independentemente do oferecimento de contestação, eliminando-se, portanto, a alternativa “A”. B) Correto Conforme inteligência do artigo 343 do CPC depreende-se que essa é a alternativa correta. C) Errado É possível eliminar a alternativa “C”, a partir do disposto no §4º. O parágrafo esclarece ser viável o litisconsórcio ativo com terceiro em sede de reconvenção, afrontando o enunciado citado. D) Errado Da leitura do §3º, exclui-se a alternativa “D”, pois afirma não ser possível reconvir contra o autor e terceiro, diferentemente do que dispõe o parágrafo suscitado. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: Lei seca Questão 58 Caio, funcionário público, Antônio, empresário, Ricardo, comerciante, e Vitor, adolescente, de forma recorrente se reúnem, de maneira estruturalmente ordenada e com clara divisão de tarefas, inclusive Antônio figurando como líder, com o objetivo de organizarem a prática de diversos delitos de falsidade ideológica de documento particular (Art. 299 do CP: pena: 01 a 03 anos de reclusão e multa). Apesar de o objetivo ser a falsificação de documentos particulares, Caio utilizava-se da sua função pública para obter as informações a serem inseridas de forma falsa na documentação. Descobertos os fatos, Caio, Ricardo e Antônio foram denunciados, devidamente processados e condenados como incursos nas sanções do Art. 2º da Lei nº 12.850/13 (constituir organização criminosa), sendo reconhecidas as causas de aumento em razão do envolvimento de funcionário público e em razão do envolvimento de adolescente. A Antônio foi, ainda, agravada a pena diante da posição de liderança. Constituído nos autos apenas para defesa dos interesses de Antônio, o advogado, em sede de recurso, sob o ponto de vista técnico, de acordo com as previsões legais, deverá requerer A) desclassificação para o crime de associação criminosa, previsto no Código Penal (antigo bando ou quadrilha). B) afastamento da causa de aumento em razão do envolvimento de adolescente, diante da ausência de previsão legal. C) afastamento da causa de aumento em razão da presença de funcionário público, tendo em vista que Antônio não é funcionário público e nem equiparado, devendo a majorante ser restrita a Caio. D) afastamento da agravante, pelo fato de Antônio ser o comandante da organização criminosa, uma vez que tal incremento da pena não está previsto na Lei nº 12.850/13. A) Correto O tema da questão é o delito de associação criminosa, trazendo seu enunciado a pena em abstrato do delito: reclusão de 1 a 3 anos. No entanto, o art. 1º, §1º, da Lei nº 12.850/13 prevê que a organização criminosa prescinde da prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos: Art. 1º (...) § 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional. Além disso, para o delito de organização criminosa, é necessário a associação de no mínimo 4 pessoas, enquanto para a associação criminosa, 3 pessoas ou mais. Sendo assim, o delito realizado é o de associação criminosa, como previsto na alternativa (A). B) Errado O propósito é o afastamento da tipicidade da conduta (organização criminosa), uma vez que houve o delito de associação criminosa. C) Errado O propósito é o afastamento da tipicidade da conduta (organização criminosa), uma vez que houve o delito de associação criminosa. D) Errado O propósito é o afastamento da tipicidade da conduta (organização criminosa), uma vez que houve o delito de associação criminosa. Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 59 Maria, em uma loja de departamento, apresentou roupas no valor de R$ 1.200 (mil e duzentos reais) ao caixa, buscando efetuar o pagamento por meio de um cheque de terceira pessoa, inclusive assinando como se fosse a titular da conta. Na ocasião, não foi exigido qualquer documento de identidade. Todavia, o caixa da loja desconfiou do seu nervosismo no preenchimento do cheque, apesar da assinatura perfeita, e consultou o banco sacado, constatando que aquele documento constava como furtado. Assim, Maria foi presa em flagrante naquele momento e, posteriormente, denunciada pelos crimes de estelionato e falsificação de documento público, em concurso material. Confirmados os fatos, o advogado de Maria, no momento das alegações finais, sob o ponto de vista técnico, deverá buscar o reconhecimento A) do concurso formal entre os crimes de estelionato consumado e falsificação de documentopúblico. B) do concurso formal entre os crimes de estelionato tentado e falsificação de documento particular. C) de crime único de estelionato, na forma consumada, afastando-se o concurso de crimes. D) de crime único de estelionato, na forma tentada, afastando-se o concurso de crimes. A) Errado Primeiramente, a acusação aponta o concurso material (prática de mais de uma ação > mais de um crime) entre os delitos de estelionato (art. 171 do CPB) e falsificação de documento público (art. 297 do CPB), uma vez que o cheque é documento público por equiparação (§2º do art. 297). Como advogado de Maria, o aluno deverá buscar a tese juridicamente aceita que seja mais favorável a ré. Assim, quanto à questão do concurso material, a Súmula nº 17 do Superior Tribunal de Justiça afirma: “Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido. “ Sendo assim, uma vez que o roubo do talão de cheques teve como único fim a prática do estelionato, é absorvido por ele, constituindo crime único. Já em relação à questão da consumação do delito, o art. 297 do CPB é claro ao estabelecer que a consumação do estelionato se dá apenas com a obtenção, para si ou para outrem, de vantagem ilícita. Visto que Maria foi presa em flagrante, não obtendo essa vantagem, não houve consumação do delito, que ocorreu na forma tentada. Assim, a melhor hipótese não seria o concurso formal entre os crimes de estelionato consumado e falsificação de documento público, mas do crime único de estelionato, na forma tentada. B) Errado A melhor hipótese não seria o concurso formal entre os crimes de estelionato tentado e falsificação de documento particular, mas do crime único de estelionato, na forma tentada. C) Errado A melhor hipótese não seria de crime único de estelionato, na forma consumada, afastando-se o concurso de crimes, mas do crime único de estelionato, na forma tentada. D) Correto Como visto, a doutrina e a jurisprudência admitem a hipótese do crime único de estelionato, na forma tentada. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca, Doutrina e Jurisprudência Questão 60 Durante uma reunião de condomínio, Paulo, com o animus de ofender a honra objetiva do condômino Arthur, funcionário público, mesmo sabendo que o ofendido foi absolvido daquela imputação por decisão transitada em julgado, afirmou que Artur não tem condições morais para conviver naquele prédio, porquanto se apropriara de dinheiro do condomínio quando exercia a função de síndico. Inconformado com a ofensa à sua honra, Arthur ofereceu queixa-crime em face de Paulo, imputando-lhe a prática do crime de calúnia. Preocupado com as consequências de seu ato, após ser regularmente citado, Paulo procura você, como advogado(a), para assistência técnica. Considerando apenas as informações expostas, você deverá esclarecer que a conduta de Paulo configura crime de A) difamação, não de calúnia, cabendo exceção da verdade por parte de Paulo. B) injúria, não de calúnia, de modo que não cabe exceção da verdade por parte de Paulo. C) calúnia efetivamente imputado, não cabendo exceção da verdade por parte de Paulo. D) calúnia efetivamente imputado, sendo possível o oferecimento da exceção da verdade por parte de Paulo. A) Errado O enunciado da questão indica a acusação falsa de Paulo a Artur do cometimento de fato tipificado como crime (apropriação indébita, prevista no art. 168 do CPB), o que configura o delito de calúnia: Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. § 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga. § 2º - É punível a calúnia contra os mortos. Exceção da verdade § 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo: I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível; II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141; III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. Esse artigo ainda prevê a possibilidade de defesa através da exceção da verdade, indicando as suas exceções. Visto que Paulo sabia que Artur havia sido absolvido do delito ao qual foi acusado por aquele por meio de sentença transitada em julgado, não caberá exceção da verdade, em vista do inciso III. Assim, não houve crime de difamação. B) Errado O delito praticado foi o de calúnia, não de injúria. C) Correto O delito realizado foi o de calúnia, não cabendo exceção de defesa. D) Errado O delito realizado foi o de calúnia, porém não cabe, no caso apresentado, exceção de defesa. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 61 Inconformado por estar desempregado, Lúcio resolve se embriagar. Quando se encontrava no interior do coletivo retornando para casa, ele verifica que o passageiro sentado à sua frente estava dormindo, e o telefone celular deste estava solto em seu bolso. Aproveitando-se da situação, Lúcio subtrai o aparelho sem ser notado pelo lesado, que continuava dormindo profundamente. Ao tentar sair do coletivo, Lúcio foi interpelado por outro passageiro, que assistiu ao ocorrido, iniciando-se uma grande confusão, que fez com que o lesado acordasse e verificasse que seu aparelho fora subtraído. Após denúncia pelo crime de furto qualificado pela destreza e regular processamento do feito, Lúcio foi condenado nos termos da denúncia, sendo, ainda, aplicada a agravante da embriaguez preordenada, já que Lúcio teria se embriagado dolosamente. Considerando apenas as informações expostas e que os fatos foram confirmados, o(a) advogado(a) de Lúcio, no momento da apresentação de recurso de apelação, poderá requerer A) o reconhecimento de causa de diminuição de pena diante da redução da capacidade em razão da sua embriaguez, mas não o afastamento da qualificadora da destreza. B) a desclassificação para o crime de furto simples, mas não o afastamento da agravante da embriaguez preordenada. C) a desclassificação para o crime de furto simples e o afastamento da agravante, não devendo a embriaguez do autor do fato interferir na tipificação da conduta ou na dosimetria da pena. D) a absolvição, diante da ausência de culpabilidade, em razão da embriaguez completa. A) Errado Como a questão requer o posicionamento de advogado, devemos buscar a alternativa mais favorável ao réu com base no conhecimento técnico. Dessa forma, tem-se a acusação do delito de furto qualificado pela destreza (art. 155, §4º, incisoII do CPB) e com a agravante da embriaguez preordenada (art. 61, inciso II, letra l do CPB). Quanto ao furto qualificado, há entendimento doutrinário e jurisprudencial acerca do afastamento da qualificadora destreza quando o sujeito passivo se encontra embriagado ou adormecido: A destreza é a habilidade física ou manual que permite ao agente executar a subtração sem que a vítima perceba. Aplica-se somente a qualificadora quando a vítima traz os objetos junto a si. Se a vítima percebe a conduta do agente, não tem lugar a qualificadora, há tentativa de furto simples, mas, se a conduta é vista por terceiro que impede a subtração, há tentativa de furto qualificado. Se a subtração é feita em pessoa que está dormindo ou embriagada, há furto simples. (REBOUÇAS, Endgel. Ação penal condicionada no delito de furto simples. JusBrasil. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/68604/acao-penal-condicionada-no-delito-de-furto-simples/2.) Assim, alega-se o afastamento da qualificadora pela destreza, configurando-se o furto simples. Já em relação à embriaguez preordenada, a jurisprudência afirma que ela dá-se apenas quando o sujeito ativo provoca a sua embriaguez com o animus de cometer o delito: "PENAL. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS. PERSONALIDADE DO AGENTE. REAVALIAÇÃO. AGRAVANTE DA EMBRIAGUEZ PREORDENADA E INDENIZAÇÃO DOS PREJUÍZOS CAUSADOS À VÍTIMA. EXCLUSÃO. (...) 2. Para que se caracterize a agravante da embriaguez preordenada não basta a prova de que o agente praticou o delito sob influência do álcool, sendo imprescindível a demonstração de que se embriagou para o fim de praticar o crime." (APR 20060110296380) Dessa maneira, como o enunciado explicita que Lúcio se embriagou pois recebeu a notícia que estava desempregado, sem qualquer vinculação com o objetivo de cometer o delito de furto, afasta-se a agravante da embriaguez preordenada. B) Errado Alternativa incorreta uma vez que a melhor hipótese admitiria o afastamento da agravante da embriaguez preordenada. C) Correto Afasta-se, de acordo com o entendimento doutrinário e jurisprudencial, a qualificadora da destreza e a agravante da embriaguez preordenada. D) Errado Não há absolvição, uma vez que a embriaguez foi voluntária. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca, Doutrina e Jurisprudência Questão 62 Yuri foi denunciado pela suposta prática de crime de estupro qualificado em razão da idade da vítima, porque teria praticado conjunção carnal contra a vontade de Luana, de 15 anos, mediante emprego de grave ameaça. No curso da instrução, Luana mudou sua versão e afirmou que, na realidade, havia consentido na prática do ato sexual, sendo a informação confirmada por Yuri em seu interrogatório. Considerando apenas as informações expostas, no momento de apresentar alegações finais, a defesa técnica de Yuri deverá pugnar por sua absolvição, sob o fundamento de que o consentimento da suposta ofendida, na hipótese, funciona como A) causa supralegal de exclusão da ilicitude. B) causa legal de exclusão da ilicitude. C) fundamento para reconhecimento da atipicidade da conduta. D) causa supralegal de exclusão da culpabilidade. A) Errado Yuri foi denunciado pelo delito previsto no art. 213, §1º do Código Penal: Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. § 1 o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. Como a vítima contava com 15 anos no momento do ato sexual, não há o que se falar em estupro de vulnerável (art. 217 do CP), no qual, uma vez que o sujeito passivo não possui capacidade de autodeterminação (menor de 14 anos de idade), pouco importa o consentimento da vítima, ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso já caracteriza o delito. No entanto, no caso do estupro qualificado pela idade da vítima, o tipo penal pressupõe o constrangimento do sujeito passivo, mediante violência ou grave ameaça. Como Luana possuía mais de 14 anos, para o Código Penal, ela já tem capacidade de autodeterminação. Assim, ao afirmar que o ato sexual foi consentido, não há o que se falar em estupro, sendo a conduta de Yuri atípica. B) Errado A alegação de Luana incita a atipicidade da conduta. C) Correto Como visto, no caso do estupro qualificado pela idade da vítima, o tipo penal pressupõe o constrangimento do sujeito passivo, mediante violência ou grave ameaça. Como Luana possuía mais de 14 anos, para o Código Penal, ela já tem capacidade de autodeterminação. Assim, ao afirmar que o ato sexual foi consentido, não há o que se falar em estupro, sendo a conduta de Yuri atípica. D) Errado A alegação de Luana incita a atipicidade da conduta. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca e Doutrina Questão 63 André, nascido em 21/11/2001, adquiriu de Francisco, em 18/11/2019, grande quantidade de droga, com o fim de vendê-la aos convidados de seu aniversário, que seria celebrado em 24/11/2019. Imediatamente após a compra, guardou a droga no armário de seu quarto. Em 23/11/2019, a partir de uma denúncia anônima e munidos do respectivo mandado de busca e apreensão deferido judicialmente, policiais compareceram à residência de André, onde encontraram e apreenderam a droga que era por ele armazenada. De imediato, a mãe de André entrou em contato com o advogado da família. Considerando apenas as informações expostas, na Delegacia, o advogado de André deverá esclarecer à família que André, penalmente, será considerado A) inimputável, devendo responder apenas por ato infracional análogo ao delito de tráfico, em razão de sua menoridade quando da aquisição da droga, com base na Teoria da Atividade adotada pelo Código Penal para definir o momento do crime. B) inimputável, devendo responder apenas por ato infracional análogo ao delito de tráfico, tendo em vista que o Código Penal adota a Teoria da Ubiquidade para definir o momento do crime. C) imputável, podendo responder pelo delito de tráfico de drogas, mesmo adotando o Código Penal a Teoria da Atividade para definir o momento do crime. D) imputável, podendo responder pelo delito de associação para o tráfico, que tem natureza permanente, tendo em vista que o Código Penal adota a Teoria do Resultado para definir o momento do crime. A) Errado De acordo com o enunciado da questão,André, no momento da compra da grande quantidade de droga, tinha menos de 18 anos, ou seja, era considerado inimputável (art. 27 do CP). No entanto, ele manteve a droga em depósito em sua casa, que foi apreendida quando ele já era maior de idade (23/11/2019). Nesse sentido, tem-se que o delito de tráfico previsto na Lei nº 11.343 (Lei de Drogas) caracteriza-se por: Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa. Dessa maneira, a mera manutenção em depósito de grande quantidade de droga por André já caracteriza o crime de tráfico. Assim, como ele tinha mais de 18 anos no momento da apreensão, é imputável. Quanto à justificativa para essa imputabilidade, tem-se que o Código Penal brasileiro adota a Teoria da Atividade para determinar o momento do crime: “Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado. ” Como o momento da ação (ter em depósito) deu-se quando o agente contava com mais de 18 anos, ele é imputável. B) Errado Como visto, o momento da ação (ter em depósito) deu-se quando o agente contava com mais de 18 anos, então ele é imputável. Além disso, a alternativa aponta a Teoria da Ubiquidade (refere-se ao local do crime ao determinar ele é tanto o da ação quanto o do resultado), que não tem relação com o momento do crime. C) Correto Como visto, o agente era imputável, podendo responder pelo delito de tráfico de drogas, mesmo adotando o Código Penal a Teoria da Atividade para definir o momento do crime. D) Errado Apesar de prever a imputabilidade do agente, a alternativa aponta a Teoria do Resultado (o momento do crime é o do resultado da conduta), que não é adotada pelo Código Penal brasileiro. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 64 Ricardo foi pronunciado pela suposta prática do crime de homicídio qualificado. No dia anterior à sessão plenária do Tribunal do Júri, o defensor público que assistia Ricardo até aquele momento acostou ao processo a folha de antecedentes criminais da vítima, matérias jornalísticas e fotografias que poderiam ser favoráveis à defesa do acusado. O Ministério Público, em sessão plenária, foi surpreendido por aquele material do qual não tinha tido ciência, mas o juiz presidente manteve o julgamento para a data agendada e, após o defensor público mencionar a documentação acostada, Ricardo foi absolvido pelos jurados, em 23/10/2018 (terça-feira). No dia 29/10/2018, o Ministério Público apresentou recurso de apelação, acompanhado das razões recursais, requerendo a realização de novo júri, pois a decisão dos jurados havia sido manifestamente contrária à prova dos autos. O Tribunal de Justiça conheceu do recurso interposto e anulou o julgamento realizado, determinando nova sessão plenária, sob o fundamento de que a defesa se utilizou em plenário de documentos acostados fora do prazo permitido pela lei. A família de Ricardo procura você, como advogado(a), para patrocinar os interesses do réu. Considerando as informações narradas, você, como advogado(a) de Ricardo, deverá questionar a decisão do Tribunal, sob o fundamento de que: A) respeitando-se o princípio da amplitude de defesa, não existe vedação legal na juntada e utilização em plenário de documentação pela defesa no prazo mencionado. B) diante da nulidade reconhecida, caberia ao Tribunal de Justiça realizar, diretamente, novo julgamento, e não submeter o réu a novo julgamento pelo Tribunal do Júri. C) não poderia o Tribunal anular o julgamento com base em nulidade não arguida, mas tão só reconhecer, se fosse o caso, que a decisão dos jurados era manifestamente contrária à prova dos autos. D) o recurso foi apresentado de maneira intempestiva, de modo que sequer deveria ter sido conhecido. A) Errado Nos moldes do art. 479 do CPP, é vedada a leitura de documento ou a apresentação de objeto que não tenha sido devidamente “juntado aos autos com a antecedência mínima de 3 (três) dias úteis, dando-se ciência à outra parte”. B) Errado Se o Tribunal de Justiça reconhecesse que o decisum proferido pelo Conselho de Sentença é manifestamente contrário à prova dos autos, não poderia realizar, incontinenti, novo julgamento, mas deveria submeter o réu a novo julgamento pelo Tribunal do Júri, em razão da soberania dos vereditos constitucionalmente assegurada (art. 5°, inciso XXXVIII, “d”, da Carta Magna) e, ainda, em consonância com o disposto no art. 593, inciso III,” d”, e § 3°, do CPP. C) Correto Embora o descumprimento ao disposto no art. 479 do CPP torne nulo o julgamento, tal nulidade não foi arguida na apelação interposta pelo Ministério Público, razão pela qual o Tribunal de Justiça não poderia acolhê-la em face do réu, a teor do enunciado 160 da Súmula do STF, o qual dispõe que “é nula a decisão do Tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não arguida no recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício”. Nesse sentido, o órgão colegiado só poderia reconhecer, se fosse o caso, que a decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos autos, constante do recurso da acusação. D) Errado Como a decisão de absolvição do réu em Plenário foi proferida no dia 23/10/2018 (terça-feira), o Parquet poderia interpor a apelação, em tese, até o dia 28/10/2018 (domingo), considerando que o prazo recursal em apreço é de 5 (cinco) dias, nos exatos ditames do art. 593, caput, do CPP. Entretanto, como o último dia foi um domingo, prorroga-se o seu término até o primeiro dia útil subsequente, qual seja, a segunda-feira dia 29/10/2018, de conformidade com o disposto no art. 798 do referido diploma legislativo. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca e Jurisprudência Questão 65 Mariana foi vítima de um crime de apropriação indébita consumado, que teria sido praticado por Paloma. Ao tomar conhecimento de que Paloma teria sido denunciada pelo crime mencionado, inclusive sendo apresentado pelo Ministério Público o valor do prejuízo sofrido pela vítima e o requerimento de reparação do dano, Mariana passoua acompanhar o andamento processual, sem, porém, habilitar-se como assistente de acusação. No momento em que constatou que os autos estariam conclusos para sentença, Mariana procurou seu advogado para adoção das medidas cabíveis, esclarecendo o temor de ver a ré absolvida e não ter seu prejuízo reparado. O advogado de Mariana deverá informar à sua cliente que A) não poderá ser fixado pelo juiz valor mínimo a título de indenização, mas, em caso de sentença condenatória, poderá esta ser executada, por meio de ação civil ex delicto, por Mariana ou seu representante legal. B) poderá ser apresentado recurso de apelação, diante de eventual sentença absolutória e omissão do Ministério Público, por parte de Mariana, por meio de seu patrono, ainda que não esteja, no momento da sentença, habilitada como assistente de acusação. C) poderá ser fixado pelo juiz valor a título de indenização em caso de sentença condenatória, não podendo a ofendida, porém, nesta hipótese, buscar a apuração do dano efetivamente sofrido perante o juízo cível. D) não poderá ser buscada reparação cível diante de eventual sentença absolutória, com trânsito em julgado, que reconheça não existir prova suficiente para condenação. A) Errado Nos moldes do art. 387, IV, do CPP, dentre várias particularidades presentes no decisum de condenação do réu, “o juiz, ao proferir sentença condenatória, fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido”. B) Correto Dispõe o art. 598, caput, do CPP que “nos crimes de competência do Tribunal do Júri, ou do juiz singular, se da sentença não for interposta apelação pelo Ministério Público no prazo legal, o ofendido ou qualquer das pessoas enumeradas no art. 31, ainda que não se tenha habilitado como assistente, poderá interpor apelação, que não terá, porém, efeito suspensivo”. C) Errado Nos exatos termos do art. 63, caput e parágrafo único, do CPP, “transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover-lhe a execução, no juízo cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros”, podendo a execução ser procedida consoante o disposto no art. 387, IV, do referido diploma legislativo, “sem prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido”. D) Errado De conformidade com o art. 66 do CPP, na íntegra, “não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato”, a teor do que ocorre no decisum que reconhece não existir prova suficiente para condenação. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 66 Durante escuta telefônica devidamente deferida para investigar organização criminosa destinada ao contrabando de armas, policiais obtiveram a informação de que Marcelo receberia, naquele dia, grande quantidade de armamento, que seria depois repassada a Daniel, chefe de sua facção. Diante dessa informação, os policiais se dirigiram até o local combinado. Após informarem o fato à autoridade policial, que o comunicou ao juízo competente, eles acompanharam o recebimento do armamento por Marcelo, optando por não o prender naquele momento, pois aguardariam que ele se encontrasse com o chefe da sua organização para, então, prendê-los. De posse do armamento, Marcelo se dirigiu ao encontro de Daniel e lhe repassou as armas contrabandeadas, quando, então, ambos foram surpreendidos e presos em flagrante pelos policiais que monitoravam a operação. Encaminhados para a Delegacia, os presos entraram em contato com um advogado para esclarecimentos sobre a validade das prisões ocorridas. Com base nos fatos acima narrados, o advogado deverá esclarecer aos seus clientes que a prisão em flagrante efetuada pelos policiais foi: A) ilegal, por se tratar de flagrante esperado. B) ilegal, restando configurado o flagrante preparado. C) legal, tratando-se de flagrante retardado. D) ilegal, pois a conduta dos policiais dependeria de prévia autorização judicial. A) Errado Diferentemente da hipótese em apreço (flagrante retardado), o flagrante esperado ou aguardado é a espécie de prisão em flagrante por meio da qual o agente de segurança pública – ciente absolutamente acerca da iminente prática de uma infração penal – se direciona para o local em que o crime deve acontecer e se coloca em posição de espera do início dos atos de execução ou da própria consumação delitiva para que, em sequência, efetue a prisão em flagrante de todos os envolvidos. Trata-se de uma modalidade de prisão em flagrante válida e legal, aceita pelo STJ, mas que não se amolda à proposição em análise. B) Errado A assertiva apresenta dois erros crassos: primeiramente, porque a situação fática narrada diz respeito ao flagrante retardado, perfeitamente legal, e não ao flagrante preparado, provocado ou crime de ensaio, que exige, fundamentalmente, a presença de dois requisitos cumulativos, quais sejam, a indução à prática do delito e a adoção de precauções para que esse delito não venha a se consumar; por derradeiro, afirma erroneamente que o flagrante preparado é legal, quando, na realidade, trata-se de uma modalidade de prisão em flagrante ilegal, a teor do enunciado da Súmula 145 do STF, que a reputa como clara hipótese de crime impossível. C) Correto O caso em tela diz respeito à Ação Controlada prevista na Lei n° 12.850/2013 (Lei das Organizações Criminosas), especificamente em seus arts. 8° e 9°. Trata-se de uma espécie de flagrante prorrogado, retardado, postergado ou diferido, no qual se autoriza o retardamento da intervenção policial (em regra obrigatória), de modo a viabilizar a efetivação da abordagem em momento mais oportuno para fins de obtenção de elementos de informação e identificação de fontes probatórias. Na hipótese específica da Lei das Organizações Criminosas, autoriza-se que o policial deixe de efetuar a prisão em flagrante de imediato, para somente concretizá-la em momento posterior, “mais eficaz à formação de provas e obtenção de informações” (art. 8°). Em suma, a prisão em flagrante da situação em apreço é plenamente legal. D) Errado Como já visto, a prisão em flagrante é apreço é perfeitamente possível sob o ponto de vista legal, eis que prevista expressamente na Lei de Organizações Criminosas, dispensando a prévia autorização judicial. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca e Jurisprudência Questão 67 O Ministério Público ofereceu denúncia em face de Tiago e Talles, imputando-lhes a prática do crime de sequestro qualificado, arrolando comotestemunhas de acusação a vítima, pessoas que presenciaram o fato, os policiais responsáveis pela prisão em flagrante, além da esposa do acusado Tiago, que teria conhecimento sobre o ocorrido. Na audiência de instrução e julgamento, por ter sido arrolada como testemunha de acusação, Rosa, esposa de Tiago, compareceu, mas demonstrou que não tinha interesse em prestar declarações. O Ministério Público insistiu na sua oitiva, mesmo com outras testemunhas tendo conhecimento sobre os fatos. Temendo pelas consequências, já que foi prestado o compromisso de dizer a verdade perante o magistrado, Rosa disse o que tinha conhecimento, mesmo contra sua vontade, o que veio a prejudicar seu marido. Por ocasião dos interrogatórios, Tiago, que seria interrogado por último, foi retirado da sala de audiência enquanto o corréu prestava suas declarações, apesar de seu advogado ter participado do ato. Com base nas previsões do Código de Processo Penal, considerando apenas as informações narradas, Tiago: A) não teria direito de anular a instrução probatória com fundamento na sua ausência durante o interrogatório de Talles e nem na oitiva de Rosa na condição de testemunha, já que devidamente arrolada pelo Ministério Público. B) teria direito de anular a instrução probatória com fundamento na ausência de Tiago no interrogatório de Talles e na oitiva de Rosa na condição de testemunha. C) não teria direito de anular a instrução probatória com base na sua ausência no interrogatório de Talles, mas deveria questionar a oitiva de Rosa como testemunha, já que ela poderia se recusar a prestar declarações. D) não teria direito de anular a instrução probatória com base na sua ausência no interrogatório de Talles, mas deveria questionar a oitiva de Rosa como testemunha, pois, em que pese seja obrigada a prestar declarações, deveria ser ouvida na condição de informante, sem compromisso legal de dizer a verdade. A) Errado Pode-se impugnar a oitiva da testemunha Rosa, por se tratar de pessoa que poderia ter se eximido da obrigação de depor, segundo a íntegra do art. 206 do referido diploma legislativo. B) Errado A instrução criminal apresentada não poderia ser anulada em razão da realização do interrogatório de Talles sem a presença de Tiago, de acordo com o previsto no art. 191 do CPP. C) Correto De fato, a instrução probatória não deve ser anulada com base na ausência de Tiago no interrogatório de Talles, tendo em vista que, nos exatos termos do art. 191 do CPP, “havendo mais de um acusado, serão interrogados separadamente”. Por outro lado, é cabível o questionamento da oitiva de Rosa, eis que ela poderia se eximir da obrigação de depor, por ser cônjuge do acusado e, ainda, ser possível a obtenção ou integração da prova do fato e de suas circunstâncias com as demais testemunhas presenciais de acusação. A esse respeito, dispõe o art. 206 do CPP que poderão eximir-se da obrigação de depor “o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, o cônjuge, ainda que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do acusado, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias”. D) Errado Em consonância com o disposto no art. 206 do CPP, Rosa não é obrigada a prestar declarações, pois pode se eximir da obrigação de depor. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 68 Durante longa investigação, o Ministério Público identificou que determinado senador seria autor de um crime de concussão no exercício do mandato, que teria sido praticado após sua diplomação. Com o indiciamento, o senador foi intimado a, se fosse de sua vontade, prestar esclarecimentos sobre os fatos no procedimento investigatório. Preocupado com as consequências, o senador procurou seu advogado para esclarecimentos. Considerando apenas as informações narradas e com base nas previsões constitucionais, o advogado deverá esclarecer que: A) o Ministério Público não poderá oferecer denúncia em face do senador sem autorização da Casa Legislativa, pois a Constituição prevê imunidade de natureza formal aos parlamentares. B) a denúncia poderá ser oferecida e recebida, assim como a ação penal ter regular prosseguimento, independentemente de autorização da Casa Legislativa, que não poderá determinar a suspensão do processo, considerando que o crime imputado é comum, e não de responsabilidade. C) a denúncia não poderá ser recebida pelo Poder Judiciário sem autorização da Casa Legislativa, em razão da imunidade material prevista na Constituição, apesar de poder ser oferecida pelo Ministério Público independentemente de tal autorização. D) a denúncia poderá ser oferecida e recebida independentemente de autorização parlamentar, mas deverá ser dada ciência à Casa Legislativa respectiva, que poderá, seguidas as exigências, até a decisão final, sustar o andamento da ação. A) Errado O oferecimento de peça acusatória independe de autorização da respectiva Casa Legislativa, que apenas deve ser cientificada dessa oferta, nos moldes do art. 53 da CF/88. B) Errado Até a decisão final, a respectiva Casa Legislativa poderá determinar a suspensão do processo, isto é, sustar o andamento da ação, de conformidade com o previsto no art. 53 da Carta Magna. C) Errado O recebimento da peça acusatória pelo Judiciário dispensa qualquer autorização da respectiva Casa Legislativa, bastando que ela seja cientificada da decisão, a teor do disposto no art. 53 da Lei Maior. D) Correto A questão em tela exige do candidato o conhecimento acerca do estatuto dos congressistas, assegurado aos parlamentares no art. 53 da Constituição Federal. Tal dispositivo estabelece que “os deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”. Diante disso, o § 3° do referido artigo dispõe o rito procedimental a ser seguido para os congressistas, nos seguintes ditames: “recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação”. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 69 Caio foi denunciado pela suposta prática do crime de estupro de vulnerável. Ocorre que, apesar da capitulaçãodelitiva, a denúncia apresentava-se confusa na narrativa dos fatos, inclusive não sendo indicada qual seria a idade da vítima. Logo após a citação, Caio procurou seu advogado para esclarecimentos, destacando a dificuldade na compreensão dos fatos imputados. O advogado de Caio, constatando que a denúncia estava inepta, deve esclarecer ao cliente que, sob o ponto de vista técnico, com esse fundamento poderia buscar: A) a rejeição da denúncia, podendo o Ministério Público apresentar recurso em sentido estrito em caso de acolhimento do pedido pelo magistrado, ou oferecer, posteriormente, nova denúncia. B) sua absolvição sumária, podendo o Ministério Público apresentar recurso de apelação em caso de acolhimento do pedido pelo magistrado, ou oferecer, posteriormente, nova denúncia. C) sua absolvição sumária, podendo o Ministério Público apresentar recurso em sentido estrito em caso de acolhimento do pedido pelo magistrado, mas, transitada em julgado a decisão, não poderá ser oferecida nova denúncia com base nos mesmos fatos. D) a rejeição da denúncia, podendo o Ministério Público apresentar recurso de apelação em caso de acolhimento do pedido pelo magistrado, mas, uma vez transitada em julgado a decisão, não caberá oferecimento de nova denúncia. A) Correto Nos moldes do art. 395, I, do CPP, “a denúncia ou queixa será rejeitada quando: I - for manifestamente inepta”. In casu, essa inépcia deve ser analisada sob o prisma formal, diante da inobservância de requisitos obrigatórios da peça acusatória, disposto no art. 41 do CPP, o qual estabelece que “a denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas”. Dessa forma, inexistindo qualquer dos pressupostos presentes neste último dispositivo, inepta será a peça acusatória. Diante disso, impõe-se que a rejeição da denúncia, decisão que desafia a interposição de Recurso em Sentido Estrito (RESE), nos moldes do art. 581, I, do CPP, o qual dispõe que “caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: I – que não receber a denúncia ou a queixa”. B) Errado Diante da inépcia da exordial acusatória, é cabível não a absolvição sumária do réu, e sim a rejeição dessa denúncia, nos termos do art. 395, I, do CPP. C) Errado Ao se deparar com uma peça denunciativa inepta, cabe à defesa requerer a rejeição dessa denúncia, e não a absolvição sumária do réu, nos moldes do art. 395, I, do CPP. D) Errado A espécie recursal cabível em face da decisão que rejeita a denúncia não é a apelação, e sim o Recurso Em Sentido Estrito (RESE), em consonância com o previsto no art. 581, I, do CPP. Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: Lei Seca Questão 70 Gervásia é empregada na Lanchonete Pará desde fevereiro de 2018, exercendo a função de atendente e recebendo o valor correspondente a um salário mínimo por mês. Acerca da cláusula compromissória de arbitragem que o empregador pretende inserir no contrato da empregada, de acordo com a CLT, assinale a afirmativa correta. A) A inserção não é possível, porque, no Direito do Trabalho, não cabe arbitragem em lides individuais. B) A cláusula compromissória de arbitragem não poderá ser inserida no contrato citado, em razão do salário recebido pela empregada. C) Não há mais óbice à inserção de cláusula compromissória de arbitragem nos contratos de trabalho, inclusive no de Gervásia. D) A cláusula de arbitragem pode ser inserida em todos os contratos de trabalho, sendo admitida de forma expressa ou tácita. A) Errado A alternativa A se mostra incorreta, pois, com a reforma trabalhista o Brasil passou a admitir o uso da arbitragem em conflitos individuais. B) Correto A alternativa B está correta, a cláusula compromissória de arbitragem não poderá ser inserida no contrato citado, em razão do salário recebido pela empregada, conforme expressa o Art. 507-A, CLT; Nos contratos individuais de trabalho cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuada cláusula compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou mediante a sua concordância expressa, nos termos previstos na Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) Portanto, conforme o dispositivo acima entende-se que para ser pactuada cláusula compromissória de arbitragem, é necessário que o salário seja igual ou superior a duas vezes o http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9307.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social e vontade própria do empregado ou mediante a sua concordância expressa. Estando correta a letra B. C e D) Errado As alternativas C e D se mostram incorretas, pois, o dispositivo acima determina que a concordância deve ser expressa. Desse modo, a cláusula compromissória só terá validade e eficácia se o empregado tomar a iniciativa de buscar a arbitragem ou, então, se concordar expressamente com a sua instituição, devendo constar, inclusive, sua anuência por escrito, com assinatura especificamente sobre essa cláusula. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: lei seca Questão 71 Paulo trabalhou para a Editora Livro Legal Ltda. de 10/12/2017 a 30/08/2018 sem receber as verbas rescisórias ao final do contrato, sob a alegação de dificuldades financeiras da empregadora. Em razão disso, ele pretende ajuizar ação trabalhista e procurou você, como advogado(a). Sabe-se que a empregadora de Paulo estava sob o controle e a direção da sócia majoritária, a Editora Mundial Ltda. Assinale a afirmativa que melhor atende à necessidade e à segurança de satisfazer o crédito do seu cliente. A) Poderá incluir a sociedade empresária controladora no polo passivo da demanda, e esta responderá solidariamente com a empregadora, pois se trata de grupo econômico. B) Poderá incluir a sociedade empresária controladora no polo passivo da demanda, e esta responderá subsidiariamente com a empregadora, pois se trata de grupo econômico. C) Não há relação de responsabilização entre as sociedades empresárias, uma vez que possuem personalidadesjurídicas distintas, o que afasta a caracterização de grupo econômico. D) Não se trata de grupo econômico, porque a mera identidade de sócios não o caracteriza; portanto, descabe a responsabilização da segunda sociedade empresária. A) Correto A alternativa A está correta, pois, a CLT estabelece a responsabilidade solidária entre as empresas, conforme expressa o Art. 2°, §2; Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico, serão responsáveis solidariamente pelas obrigações decorrentes da relação de emprego. B) Errado A CLT estabelece que a responsabilidade entre as empresas é solidária, logo, cada empresa responde pela integralidade da dívida. Portanto, a alternativa B está incorreta por afirmar uma responsabilidade subsidiária. C e D) Errado A CLT estabelece que a responsabilidade entre as empresas é solidária, logo, cada empresa responde pela integralidade da dívida. Portanto, as alternativas C e D estão incorretas por não reconhecerem responsabilidade das empresas. Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: lei seca Questão 72 Enzo é professor de Matemática em uma escola particular, em que é empregado há 8 anos. Após 2 anos de namoro e 1 ano de noivado, irá se casar com Carla, advogada, empregada em um escritório de advocacia há 5 anos. Sobre o direito à licença pelo casamento, de acordo com a CLT, assinale a afirmativa correta. A) O casal poderá faltar aos seus empregos respectivos por até 3 dias úteis para as núpcias. B) Carla, por ser advogada, terá afastamento de 5 dias e Enzo, por ser professor, poderá faltar por 2 dias corridos. C) Enzo poderá faltar ao serviço por 9 dias, enquanto Carla poderá se ausentar por 3 dias consecutivos. D) Não há previsão específica, devendo ser acertado o período de afastamento com o empregador, observado o limite de 10 dias. A) Errado Vide inteligência dos artigos 320 e 473 da CLT. Portanto, a letra A está incorreta, pois Enzo tem direito de faltar por 9 (nove) dias e Carla por 3 (três) dias. B) Errado Vide inteligência dos artigos 320 e 473 da CLT. Portanto, a letra A está incorreta, pois Enzo tem direito de faltar por 9 (nove) dias e Carla por 3 (três) dias. C) Correto A única alternativa que se faz correta é a letra C, pois Enzo por ser professor está incluído em uma regra diferente, fazendo gozo de 9 (nove) dias para casamento e/ou falecimento de pai, mãe, filho ou cônjuge, conforme expressa o Art. 320 da CLT: A remuneração dos professores será fixada pelo número de aulas semanais, na conformidade dos horários. § 3o - Não serão descontadas, no decurso de 9 (nove) dias, as faltas verificadas por motivo de gala ou de luto em consequência de falecimento do cônjuge, do pai ou mãe, ou de filho. Já Carla está inserida na regra comum, assim, para o casamento são 3 (três) dias consecutivos, conforme Art. 473 da CLT: O empregado poderá deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário: II - até 3 (três) dias consecutivos, em virtude de casamento; D) Errado Vide inteligência dos artigos 320 e 473 da CLT. Portanto, a letra A está incorreta, pois Enzo tem direito de faltar por 9 (nove) dias e Carla por 3 (três) dias. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: lei seca Questão 73 Rafaela trabalha em uma empresa de calçados. Apesar de sua formação como estoquista, foi preterida em uma vaga para tal por ser mulher, o que seria uma promoção e geraria aumento salarial. Um mês depois, a empresa exigiu que todas as funcionárias do sexo feminino apresentassem atestado médico de gravidez. Rafaela, 4 meses após esse fato, engravidou e, após apresentação de atestado médico, teve a jornada reduzida em duas horas, por se tratar de uma gestação delicada, o que acarretou a redução salarial proporcional. Sete meses após o parto, Rafaela foi dispensada. Como advogado(a) de Rafaela, de acordo com a legislação trabalhista em vigor, assinale a opção que contém todas as violações aos direitos trabalhistas de Rafaela. A) Recusa, fundamentada no sexo, da promoção para a função de estoquista. B) Recusa, fundamentada no sexo, da promoção para a função de estoquista, exigência de atestado de gravidez e redução salarial. C) Recusa, fundamentada no sexo, da promoção para a função de estoquista, exigência de atestado de gravidez, redução salarial e dispensa dentro do período de estabilidade gestante. D) Dispensa dentro do período de estabilidade gestante. A) Errado Conforme inteligência do artigo 373-A da CLT e 377 da CLT. B) Correto A única alternativa que contempla todas as violações aos direitos trabalhistas de Rafaela está na letra B, sendo esta a correta e estando as outras alternativas incorretas por excluírem algumas violações. Assim, a recusa, fundamentada no sexo, da promoção para a função de estoquista, exigência de atestado de gravidez e redução salarial são as violações conforme o art. 373-A da CLT: Ressalvadas as disposições legais destinadas a corrigir as distorções que afetam o acesso da mulher ao mercado de trabalho e certas especificidades estabelecidas nos acordos trabalhistas, é vedado: I - publicar ou fazer publicar anúncio de emprego no qual haja referência ao sexo, à idade, à cor ou situação familiar, salvo quando a natureza da atividade a ser exercida, pública e notoriamente, assim o exigir; II - recusar emprego, promoção ou motivar a dispensa do trabalho em razão de sexo, idade, cor, situação familiar ou estado de gravidez, salvo quando a natureza da atividade seja notória e publicamente incompatível; III - considerar o sexo, a idade, a cor ou situação familiar como variável determinante para fins de remuneração, formação profissional e oportunidades de ascensão profissional; IV - exigir atestado ou exame, de qualquer natureza, para comprovação de esterilidade ou gravidez, na admissão ou permanência no emprego; V - impedir o acesso ou adotar critérios subjetivos para deferimento de inscrição ou aprovação em concursos, em empresas privadas, em razão de sexo, idade, cor, situação familiar ou estado de gravidez; VI - proceder o empregador ou preposto a revistas íntimas nas empregadas ou funcionárias. E também conforme o Art. 377 da CLT: A adoção de medidas de proteção ao trabalho das mulheresé considerada de ordem pública, não justificando, em hipótese alguma, a redução de salário. C) Errado Conforme inteligência do artigo 373-A da CLT e 377 da CLT. D) Errado Conforme inteligência do artigo 373-A da CLT e 377 da CLT. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: lei seca Questão 74 Eduardo e Carla são empregados do Supermercado Praiano Ltda., exercendo a função de caixa. Após 10 meses de vigência do contrato, ambos receberam aviso prévio em setembro de 2019, para ser cumprido com trabalho. Contudo, 17 dias após, o Supermercado resolveu reconsiderar a sua decisão e manter Eduardo e Carla no seu quadro de empregados. Ocorre que ambos não desejam prosseguir, porque, nesse período, distribuíram seus currículos e conseguiram a promessa de outras colocações num concorrente do Supermercado Praiano, com salário um pouco superior. Diante da situação posta e dos termos da CLT, assinale a afirmativa correta. A) Os empregados não são obrigados a aceitar a retratação, que só gera efeito se houver consenso entre empregado e empregador. B) Os empregados são obrigados a aceitá-la, uma vez que a retratação foi feita pelo empregador ainda no período do aviso prévio. C) A retratação deve ser obrigatoriamente aceita pela parte contrária se o aviso prévio for trabalhado, e, se for indenizado, há necessidade de concordância das partes. D) O empregador jamais poderia ter feito isso, porque a CLT não prevê a possibilidade de reconsideração de aviso prévio, que se torna irreversível a partir da concessão. A) Correto A alternativa correta está na letra A, pois nos termos da CLT os empregados não são obrigados a aceitar a retratação, só gerando efeito se houver consenso entre empregado e empregador, conforme expressa o Art. 489: Dado o aviso prévio, a rescisão torna-se efetiva depois de expirado o respectivo prazo, mas, se a parte notificante reconsiderar o ato, antes de seu termo, à outra parte é facultado aceitar ou não a reconsideração. Parágrafo único - Caso seja aceita a reconsideração ou continuando a prestação depois de expirado o prazo, o contrato continuará a vigorar, como se o aviso prévio não tivesse sido dado. B) Errado A letra B está incorreta por estabelecer uma obrigação de aceitação do empregado. C) Errado A letra C está incorreta por estabelecer uma obrigação de aceitação do empregado. D) Errado E a letra D está incorreta por não prever a reconsideração de aviso prévio prevista em lei. Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: lei seca Questão 75 Renato é um empregado doméstico que atua como caseiro no sítio de lazer do seu empregador. Contudo, a CTPS de Renato foi assinada como sendo operador de máquinas da empresa de titularidade do seu empregador. Renato tem receio de que, no futuro, não possa comprovar experiência na função de empregado doméstico e, por isso, intenciona ajuizar reclamação trabalhista para regularizar a situação. Considerando a situação narrada e o entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta. A) Caso comprove que, de fato, é doméstico, Renato conseguirá a retificação na CTPS, pois as anotações nela lançadas têm presunção relativa. B) Somente o salário poderia ser objeto de demanda judicial para se comprovar que o empregado recebia valor superior ao anotado, sendo que a alteração na função não é prevista, e a demanda não terá sucesso. C) Caso Renato comprove que é doméstico, o pedido será julgado procedente, mas a alteração será feita com modulação de efeitos, com retificação da data da sentença em diante. D) Renato não terá sucesso na sua reclamação trabalhista, porque a anotação feita na carteira profissional tem presunção absoluta. A) Correto A letra A é a única alternativa que se faz correta segundo entendimento sumular do TST, pois, as anotações lançadas na carteira profissional possuem presunção relativa, juris tantum, conforme Súmula 12/TST: Carteira profissional. Anotação. Carteira de trabalho. CLT, art. 29. «As anotações apostas pelo empregador na Carteira Profissional do empregado não geram presunção «juris et de jure» mas apenas «juris tantum».» B) Errado A alternativa B está incorreta por restringir a alteração apenas de salário na CTPS, estando prevista em lei a alteração de cargo, função, em razão de férias e afastamentos; contribuições sindicais; por solicitação do trabalhador a qualquer tempo. C) Errado Segundo entendimento sumular do TST retro mencionado, as anotações lançadas na carteira profissional possuem presunção relativa, juris tantum. D) Errado As anotações lançadas na carteira profissional possuem presunção relativa, juris tantum e não absoluta como expressa a alternativa D. Vide Súmula 12/TST. Gabarito: A Fonte de conhecimento jurídico: jurisprudência Questão 76 Após tentar executar judicialmente seu ex-empregador (a empresa Tecidos Suaves Ltda.) sem sucesso, o credor trabalhista Rodrigo instaurou o incidente de desconsideração de personalidade jurídica, objetivando direcionar a execução contra os sócios da empresa, o que foi aceito pelo magistrado. De acordo com a CLT, assinale a opção que indica o ato seguinte. A) O sócio será citado por oficial de justiça para pagar a dívida em 48 horas. B) O sócio será citado para manifestar-se e requerer as provas cabíveis no prazo de 15 dias. C) O juiz determinará de plano o bloqueio de bens e valores do sócio, posto que desnecessária a sua citação ou intimação. D) Será conferida vista prévia ao Ministério Público do Trabalho, para que o parquet diga se concorda com a desconsideração pretendida. A) Errado A alternativa “a” está incorreta. O art. 135 do CPC, prevê que o prazo é de 15 (quinze) dias e não 48 horas. B) Correto A alternativa “b” está correta. O sócio será citado para manifestar-se e requerer as provas cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias conforme art. 855-A da CLT e 135, do CPC: Art. 135. Instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica será citado para manifestar-se e requerer as provas cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias. C) Errado A alternativa “c” está incorreta, pois o art.135 da CLT prevê a citação do sócio, sendo, portanto, necessária. D) Errado A alternativa “d” está incorreta, pois o incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo, conforme art.133, do CPC. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: lei seca Questão 77 José da Silva, que trabalhou em determinada sociedadeempresária de 20/11/2018 a 30/04/2019, recebeu, apenas parcialmente, as verbas rescisórias, não tendo recebido algumas horas extras e reflexos. A sociedade empresária pretende pagar ao ex-empregado o que entende devido, mas também quer evitar uma possível ação trabalhista. Sobre a hipótese, na qualidade de advogado(a) da sociedade empresária, assinale a afirmativa correta. A) Deverá ser indicado e custeado um advogado para o empregado, a fim de que seja ajuizada uma ação para, então, comparecerem para um acordo, que já estará previamente entabulado no valor pretendido pela empresa. B) Deverá ser instaurado um processo de homologação de acordo extrajudicial, proposto em petição conjunta, mas com cada parte representada obrigatoriamente por advogado diferente. C) Deverá ser instaurado um processo de homologação de acordo extrajudicial, proposto em petição conjunta, mas cada parte poderá ser representada por advogado, ou não, já que, na Justiça do Trabalho, vigora o jus postulandi. D) Deverá ser instaurado um processo de homologação de acordo extrajudicial, proposto em petição conjunta, mas com advogado único representando ambas as partes, por se tratar de acordo extrajudicial. A) Errado A letra “a” está incorreta, pois, a CLT prevê que as partes não poderão ser representadas por advogado comum. B) Correto A letra “b” está correta. O art. 855-B, § 1, da CLT prevê que cada parte deve ser representada obrigatoriamente por advogado diferente em um processo de homologação de acordo extrajudicial, proposto em petição conjunta: O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início por petição conjunta, sendo obrigatória a representação das partes por advogado. § 1° As partes não poderão ser representadas por advogado comum. C) Errado A letra “c” está incorreta, pois conforme as alternativas acima, é obrigatório e não facultativo a representação por advogado diferente no processo de homologação de acordo extrajudicial. D) Errado A letra “d” está incorreta, pois conforme as alternativas acima, é obrigatório e não facultativo a representação por advogado diferente no processo de homologação de acordo extrajudicial. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: lei seca Questão 78 Você foi contratado(a) para atuar nas seguintes ações trabalhistas: (i) uma ação de cumprimento, como advogado da parte autora; (ii) uma reclamação plúrima, também como advogado da parte autora; (iii) uma reclamação trabalhista movida por João, ex-empregado de uma empresa, autor da ação; (iv) uma reclamação trabalhista, por uma sociedade empresária, ré na ação. Sobre essas ações, de acordo com a legislação trabalhista em vigor, assinale a afirmativa correta. A) Tanto na ação de cumprimento como na ação plúrima, todos os empregados autores deverão obrigatoriamente estar presentes. O mesmo deve ocorrer com João. Já a sociedade empresária poderá se fazer representar por preposto não empregado da ré. B) O sindicato de classe da categoria poderá representar os empregados nas ações plúrima e de cumprimento. João deverá estar presente, em qualquer hipótese, de forma obrigatória. A sociedade empresária tem que se fazer representar por preposto, que não precisa ser empregado da ré. C) Nas ações plúrima e de cumprimento, a parte autora poderá se fazer representar pelo Sindicato da categoria. João deverá estar presente, mas, por doença ou motivo ponderoso comprovado, poderá se fazer representar por empregado da mesma profissão ou pelo seu sindicato. Na ação em face da sociedade empresária, o preposto não precisará ser empregado da ré. D) O sindicato da categoria poderá representar os empregados nas ações plúrima e de cumprimento. João deverá estar presente, mas, por doença ou motivo ponderoso comprovado, poderá se fazer representar por empregado da mesma profissão ou pelo seu sindicato. Na ação em face da sociedade empresária, o preposto deverá, obrigatoriamente, ser empregado da ré. A) Errado A letra “a” está incorreta, pois nos casos de Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento, os empregados poderão fazer-se representar pelo Sindicato de sua categoria, conforme art. 843, caput, da CLT: Art. 843 - Na audiência de julgamento deverão estar presentes o reclamante e o reclamado, independentemente do comparecimento de seus representantes salvo, nos casos de Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento, quando os empregados poderão fazer-se representar pelo Sindicato de sua categoria. (Redação dada pela Lei nº 6.667, de 3.7.1979) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6667.htm#art1 B) Errado A letra “b” está incorreta, pois ainda que o reclamante sempre deve estar presente, há exceções no art. 843, § 2º da CLT: § 2º Se por doença ou qualquer outro motivo poderoso, devidamente comprovado, não for possível ao empregado comparecer pessoalmente, poderá fazer-se representar por outro empregado que pertença à mesma profissão, ou pelo seu sindicato. C) Correta A letra “c” está correta. Pois, na audiência de julgamento deverão estar presentes o reclamante e o reclamado, independentemente do comparecimento de seus representantes salvo, nos casos de Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento, quando os empregados poderão fazer-se representar pelo Sindicato de sua categoria. E, se por doença ou qualquer outro motivo poderoso, devidamente comprovado, não for possível ao empregado comparecer pessoalmente, poderá fazer-se representar por outro empregado que pertença à mesma profissão, ou pelo seu sindicato, conforme já mencionado nas alternativas. D) Errado A alternativa “d” está incorreta, pois na ação em face da sociedade empresária, o preposto não necessariamente deverá ser empregado da ré, basta que tenha conhecimento dos fatos, conforme dispõe o art. 843, § 1º da CLT. Gabarito: C Fonte de conhecimento jurídico: lei seca Questão 79 Em setembro de 2019, durante a audiência de um caso que envolvia apenas pedido de adicional de insalubridade, o Juiz do Trabalho determinou a realização de perícia e que a reclamada antecipasse os honorários periciais. Inconformada com essa decisão, a sociedade empresária impetrou mandado de segurança contra esse ato judicial, mas o TRT, em decisão colegiada, não concedeu a segurança. Caso a sociedade empresária pretenda recorrer dessa decisão, assinale a opção que indica a medida recursal da qual deverá se valer. A) Agravo de Instrumento. B) Recurso Ordinário. C) Agravo de Petição.D) Recurso de Revista. A) Errado Em mandado de segurança cabe recurso ordinário, estando incorretas as alternativas “a”. B) Correto A única alternativa que se faz correta é a letra “b”, pois, da decisão de TRT em mandado de segurança cabe recurso ordinário, conforme entendimento da súmula 201 do TST: SÚMULA Nº 201 - RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA Da decisão de Tribunal Regional do Trabalho em mandado de segurança cabe recurso ordinário, no prazo de 8 (oito) dias, para o Tribunal Superior do Trabalho, e igual dilação para o recorrido e interessados apresentarem razões de contrariedade. Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 C) Errado Em mandado de segurança cabe recurso ordinário, estando incorretas as alternativas “C”. D) Errado Em mandado de segurança cabe recurso ordinário, estando incorretas as alternativas “D”. Gabarito: B Fonte de conhecimento jurídico: jurisprudência Questão 80 Heloísa era empregada doméstica e ajuizou, em julho de 2019, ação contra sua ex-empregadora, Selma Reis. Após regularmente instruída, foi prolatada sentença julgando o pedido procedente em parte. A sentença foi proferida de forma líquida, apurando o valor devido de R$ 9.000,00 (nove mil reais) e custas de R$ 180,00 (cento e oitenta reais). A ex-empregadora, não se conformando com a decisão, pretende dela recorrer. Indique a opção que corresponde ao preparo que a ex-empregadora deverá realizar para viabilizar o seu recurso, sabendo-se que ela não requereu gratuidade de justiça porque tem boas condições financeiras. A) Tratando-se de empregador doméstico, só haverá necessidade de recolher as custas. B) Deverá recolher integralmente as custas e o depósito recursal. C) Por ser empregador doméstico, basta efetuar o recolhimento do depósito recursal. D) Deverá recolher as custas integralmente e metade do depósito recursal. A) Errado A alternativa “a” está incorreta. Pois, além das custas é cabível o depósito recursal. B) Errado A alternativa “b” está incorreta. Pois, as custas podem ser cobradas integralmente, mas o depósito recursal deve ser reduzido pela metade, conforme art. 899, § 9°: O valor do depósito recursal será reduzido pela metade para entidades sem fins lucrativos, empregadores domésticos, microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte. C) Errado A alternativa “c” está incorreta. Pois, não basta apenas o recolhimento depósito recursal, mas também das custas. D) Correto A alternativa “d” está correta, conforme art. 899, § 9°, sendo cabível as custas integralmente pela ex-empregadora não requerer gratuidade da justiça e o depósito recursal reduzido pela metade. Gabarito: D Fonte de conhecimento jurídico: lei seca