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Fichamento Bibliográfico (comentado) N°1 
DAGNINO, Renato. ​A tecnologia social e seus desafios​. Campina Grande: 
EDUEPB, 2014. Disponível em: 
http://books.scielo.org/id/7hbdt/pdf/dagnino-9788578793272-04.pdf. Acesso em: 9 
mar. 2019. 
O livro escrito por Dagnino procura trazer como funciona a Tecnologia Convencional 
(TC) e sua incompatibilidade com a agregação com a Inclusão Social (IS), sendo 
preciso uma nova aplicação de tecnologia, trazida pelo autor como a Tecnologia 
Social (TS), uma alternativa eficaz para estes problemas. 
Ou seja, existem aspectos na TC, crescentemente eficiente para os propósitos de 
maximização do lucro privado para os quais é desenvolvida nas empresas, que 
limitam sua eficácia para a IS. [...] porque se percebe que as instituições públicas 
envolvidas com a geração de conhecimento científico e tecnológico (universidades, 
centros de pesquisa etc.) não parecem estar ainda plenamente capacitadas para 
desenvolver uma tecnologia capaz de viabilizar a IS e tornar autossustentáveis os 
empreendimentos autogestionários que ela deverá alavancar. (DAGNINO, 2014, 
P.19) 
A TECNOLOGIA CONVENCIONAL (TC) 
[...] ela é mais poupadora de mão de obra do que seria conveniente porque o lucro 
das empresas depende de uma constante redução da mão de obra incorporada ao 
produto, ou do tempo de trabalho socialmente necessário para produzir mercadorias. 
(DAGNINO, 2014, P. 20) 
[...] se uma empresa consegue diminuir a mão de obra numa proporção maior do que 
diminuiu sua produção, ela se torna mais “produtiva” [...] cada vez que uma empresa 
consegue diminuir o valor de sua folha de pagamento (por exemplo, despedindo 
trabalhadores com mais “tempo de casa” e contratando para a mesma função outros 
mais jovens), torna-se mais “produtiva”. (DAGNINO, 2014, P. 21) 
[...] um pequeno capitalista, um pequeno empresário, estará sempre em 
desvantagem em relação àquele com recursos suficientes para adquirir a última 
tecnologia. Ele terá de se contentar em utilizar uma tecnologia que não é a mais 
eficiente segundo os parâmetros capitalistas. (DAGNINO, 2014, P. 21) 
A utilização da TC implica uma condição de desvantagem inerente para o pequeno 
produtor e é quase um impedimento para a sustentabilidade (ou, usando o jargão da 
moda, competitividade) do empreendimento – quase por definição, pequeno – 
autogestionário. [...] ela é ambientalmente insustentável, porque o capitalismo não 
considera a deterioração do meio ambiente como custo, como vocês sabem, em sua 
contabilidade. [...] Não é só o meio ambiente que é reputado uma “externalidade”. 
Obrigar o trabalhador a fazer, durante trinta anos, uma tarefa repetitiva e insalubre, 
condenar milhões de pessoas (2 milhões só em São Paulo) ao desemprego, como 
não “custa” nada, não pode ser internaliza do no cálculo técnico-econômico que as 
empresas usam para desenvolver tecnologia. (DAGNINO, 2014, P. 22) 
Um operário que está sendo explorado numa empresa, num processo de trabalho 
que o penaliza, vai tentar boicotar a produção. Por isso, a tecnologia capitalista tem 
de incorporar controles coercitivos para evitar que esse boicote possa ser efetivado, 
e isso implica um custo de produção maior do que o que ocorreria se ela fosse 
adequada para a produção autogestionária. (DAGNINO, 2014, P. 22) 
A TC é ​também segmentada [...] ao não permitir o controle do produtor direto sobre o 
processo de trabalho, torna sempre necessário um patrão, um capitalista, um chefe, 
um capataz, ou, mais modernamente, um engenheiro. [...] alienante, pois não utiliza a 
potencialidade do produtor direto. Mas a criatividade, a potencialidade do produtor 
direto que a TC inibe pode ser liberada no interior de um empreendimento 
autogestionário. (DAGNINO, 2014, P. 22) 
As características da TC são determinadas pelos mercados de alta renda dos países 
avançados. O novo conhecimento produzido nesses países, responsáveis por mais 
de 95% do que se gasta em pesquisa no mundo, está sempre plasmado, 
materializado, nas tecnologias que satisfazem o consumo de alta renda. [...] As 
tecnologias que satisfazem o consumo popular, a satisfação de necessidades 
básicas, as que servem para produzir a infraestrutura, ou para a agregação de valor 
às matérias-primas dos países de Terceiro Mundo, essas tecnologias estão paradas 
no tempo. Há muito, elas não se renovam por novo conhecimento. (DAGNINO, 2014, 
P. 23) 
 
 
 
A TECNOLOGIA SOCIAL (TS) 
A tecnologia Social têm diversas características segundo Dagnino (2014), ela deve 
ser adaptada ao pequeno tamanho de um produtor direto ou autogestionários, 
permitindo a utilização de todo o potencial destes, tornando viável sua entrada e 
participação na economia e para o mercado de massa interno. Além disso, não 
carrega a ideia de uma hierarquia de segregação, diferentemente da TC. 
AS UNIVERSIDADES E SUAS RELAÇÕES COM A TECNOLOGIA 
Diferentemente daquilo aceito na maioria das universidades, Dagnino (2014) traz o 
desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico como algo reproduzido de 
acordo com os padrões da atual (e histórica) social, política, econômica e ecológica 
sociedade, levada a isso de acordo com o desenvolvimento histórico daquele local. 
Já nas universidades, o C&T é entendido “como livre de valores, como algo neutro e 
intrinsecamente positivo”, seguindo conceitos marxistas sobre o determinismo 
tecnológico, ideia oposta ao contexto social para a tecnologia gerada. Então isso é 
questionado de acordo com a forma que se desenvolve a ciência: 
A ciência não se pergunta nada que não “caiba” dentro dos limites de “sua” 
sociedade. ​A ciência, na verdade, não se coloca problemas em função da 
curiosidade do cientista por meio de ​um contato com a natureza (individual não 
determinado pelas relações sociais, pelos interesses dominantes, pelas culturas 
institucionais em que se verifica esse contato etc.). [...] Se a Ciência avança sempre, 
contínua, linear e inexoravelmente, seguindo um caminho próprio, e busca a verdade 
que está na Natureza, perfeita, qualquer dificuldade dos cientistas para entender e do 
minar a Natureza seria sanada com o passar do tempo. (DAGNINO, 2014, P. 26 e 
27) 
Além disso, essa visão acaba por trazer uma linha teórica que reforça os valores de 
uma desigualdade que tende a inibir a mudança criada pelo capitalismo de massas. 
Isso também torna quase impossível o desenvolvimento do pequeno produtor, pois o 
tempo como única variável do modelo da TC, busca sempre a maior e nova 
eficiência, mostrando antigas tecnologias como arcaicas e infuncionais, assim, a 
tecnologia atual, demasiadamente cara, “cabe no bolso” apenas do grande 
empresário e o pequeno capitalista deve utilizar das antiquadas. Na realidade, essa 
ideia ignora impactos nocivos gerados por novas tecnologias, em muitos casos, e 
também ignora os fins determinados e diferenciados para cada tecnologia, sejam 
mais novas ou não. 
A concentração do esforço no lado da oferta, para tornar a universidade capaz de 
oferecer conhecimentoà sociedade, é vista pela comunidade de pesquisa como sua 
única responsabilidade. (...) Não é um problema do modo como a agenda de 
pesquisa é formulada. Afinal, só existe uma maneira de fazer ciência de qualidade. E 
só um modelo, o ofertista-linear, para organizar a atividade de pesquisa. [...] A 
comunidade de pesquisa, de forma tautológica, pensa o contrário: para resolver esse 
problema da sociedade, é necessário que ela dê mais valor à ciência. Para que isso 
aconteça, a universidade precisa oferecer mais conhecimento à sociedade. 
(DAGNINO, 2014, P. 30) 
A universidade, como outras instituições, organiza-se baseando suas decisões na 
opinião, no faro, no prestígio e no poder de seus líderes e suas redes invisíveis. (...) 
Na universidade, o poder de quem decide é construído a partir de prestígio 
acadêmico, o que significa estrita observação desse modo de organização e 
daquelas regras subjacentes às quais se fez referência. [...] Esse mecanismo de 
acumulação de poder, baseado no prestígio, não tem nada a ver com algo racional, 
com uma capacidade técnica para decidir sobre qual tipo de atividade de pesquisa e 
docência é mais adequado para a sociedade. [...] A ideia de que a liberdade 
acadêmica e a qualidade são suficientes para pautar o desenvolvimento da 
universidade costuma traduzir-se na recomendação de que planejar é pior do que 
não planejar. A falta de confiança no planejamento leva a que a universidade não 
estabeleça uma política de pesquisa, não discuta o profissional que forma. 
(DAGNINO, 2014, P. 31)

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