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Sónia Valente Rodrigues smcvro@gmail.com Técnicas de expressão e comunicação Estrutura da apresentação Comunicação. O ato de comunicar. 1.1. Comunicar como um ato interativo. 1.2. Comunicação interlocutiva e monolocutiva. 1.3. Comunicação e contexto situacional. 1.4. O dito e o implícito. 1.1. Comunicar como um ato interativo comunicação 1. A comunicação é a troca verbal entre um falante, que produz um enunciado destinado a outro falante, o interlocutor, de quem ele solicita a escuta e/ou uma resposta explícita ou implícita (segundo o tipo de enunciado). A comunicação é intersubjetiva. No plano psicolinguístico, é o processo em cujo decurso a significação que um locutor associa aos sons é a mesma a que o ouvinte associa esses mesmos sons. Os participantes da comunicação, ou atores da comunicação, são as “pessoas”: o ego (=eu), ou falante, que produz o enunciado, o interlocutor ou alocutário, enfim aquilo de que se fala, os seres ou objetos do mundo. Dubois et al. (1987, p. 129) “Pero volvamos a la idea más común: el lenguaje sirve para comunicar-se. Pero qué és comunicación? Y qué se comunica?” (Bernárdez, 2009, p. 229) “el lenguaje sí es comunicación, incluso transmisión de información. Pero esto hay que entenderlo en un sentido social, no como la información que suele aparecer en los «medios de comunicación». El lenguaje sirve básicamente para para establecer la cohesión social e interpersonal. Un individuo o un grupo de ellos establece una relación com otro u otros y el lenguaje es un medio para hacerlo; uno de los más importantes, desde luego, aunque no el único. ” (Bernárdez, 2009, p. 230) Pedro, 1996, p. 450 Comunicação como interação verbal 1.2. Comunicação interlocutiva e monolocutiva Monólogo 1. Discurso que não é dirigido a ninguém a não ser a si próprio (monólogo, monologue, self talk). Um caso particular de monólogo é o aparte, no teatro. 2. Discurso dirigido a alguém para além de si próprio, mas que foge ao princípio da alternância dos turnos de fala; um longo discurso de alguém que não deixa falar os seus interlocutores ou em que não é suposto haver intervenções dos interlocutores. Discurso monologal 1. Discurso “monogerado”, isto é, construído por um único locutor, sem intervenção direta de ninguém. Diálogo 1. Troca verbal entre dois ou mais interlocutores. 2. Discurso dirigido a alguém para além de si próprio, mas que foge ao princípio da alternância dos turnos de fala; um longo discurso de alguém que não deixa falar os seus interlocutores ou em que não é suposto haver intervenções dos interlocutores. 3. Um “verdadeiro” diálogo envolve sempre um movimento dialético que implica ao mesmo tempo identidade e diferença. Discurso dialogal 1. Formas de discurso, como certos textos escritos, em que não há propriamente uma troca, mas em que o destinatário está, em certa medida, inscrito no texto. 1.3. Comunicação e contexto comunicacional A situação de comunicação é definida: (1) pelos participantes da comunicação, cujo papel é determinado pelo ego (ou eu), centro da enunciação; (2) pelas dimensões espaço-temporais do enunciado ou pelo contexto situacional: a) relações temporais entre o momento da enunciação e o momento do enunciado (o aspeto e os tempos); b) relações espaciais entre o sujeito e os objetos do enunciado, presentes ou ausentes, próximos ou remotos; c) relações sociais entre os participantes da comunicação, assim como entre eles próprios e o objeto do enunciado (…). Esses embreantes da comunicação são simbolizados pela fórmula “eu, aquí, agora”. Dubois et al. (1987, pp. 129-130) Interação verbal ❑ “(…) conjunto das atividades que dois ou mais seres humanos realizam em conjunto, por ocasião da ocorrência de um acontecimento provocado pela sua presença, no mesmo local e ao mesmo tempo, quando se identificam mútua e reciprocamente como parceiros da troca de palavras e estão voltados ou orientados para um mesmo foco de atenção.” (Rodrigues, A. D., 2013, p. 15) 1.4. O dito e o implícito O implícito tem diferentes naturezas, de acordo com as informações que são subjacentes. 1. Pressuposição: implícitos imediatamente reconhecidos sejam quais forem os contextos de emprego. Exemplo: (“O joão deixou de fumar.” -> pressupõe “O João antes fumava.” 2. Subentendido: implícito que é calculado a partir de inferências com base nos dados do contexto ou da situação (“Adoro ostras.” -> “Está a fazer-se convidado para vir jantar ostras.”) Ducrot (1971) 1.4. O dito e o implícito O trabalho interpretativo consiste em construir do enunciado uma representação semântico- pragmática coerente e verosímil, combinando as informações extraídas do enunciado (ditas explícitamente e/ou pressupostas) com certos dados contextuais, graças à intervenção das regras da lógica natural e das máximas conversacionais. O cálculo de subentendidos é um processo complexo, que envolve diversas competências (Kerbrat-Orecchioni 1996: cap. 4 e 5), e que pode falhar ou ter resultados errados: - versão fraca – o subentendido não foi compreendido, o que, em termos comunicativo, pode ser uma pequena catástrofe, porque existem conteúdos implícitos essenciais, por exemplo, em “jogos de linguagem”; - Versão forte – o subentendido gera um malentendido, o que, em termos comunicativos, é ainda mais indesejável. O malentendido é uma espécie de erro de cálculo cometido pelo destinatario. Charaudeau & Maingueneau (2002, pp. 305-306) (tradução minha) Conclusão Competência comunicativa: o que é? Competência comunicativa ❑ Expressão estabelecida por Dell Hymes (1971) ❑ “(…) conhecimento que um falante de uma dada língua natural necessita possuir de como usar as formas linguísticas apropriadamente.” (Pedro, 1996, p. 451) ❑ “(…) uma criança adquire conhecimento de frases, não apenas enquanto são gramaticais, mas também quando são adequadas. Adquire competência relativamente a quando falar ou não, e sobre que falar, com quem, onde e de que modo.” (idem) ❑ “Alguém que conhecesse perfeitamente as regras de uma língua, mas não soubesse em que circunstâncias e na presença de quem a utilizar não seria um falante dessa língua, mas uma espécie de papagaio que repetiria frases sintaticamente corretas, mas sem sentido, sem nexo e, por conseguinte, incompreensíveis. É por isso muito importante recordar que aquilo que os falantes produzem não são frase ou orações, não são construções gramaticais abstratas, mas enunciados, comportamentos verbais concretos, apropriados a cada ocorrência das diferentes situações interacionais em que se acham envolvidos ao longo da vida.” (Rodrigues, A. D., 2013, p. 16) Exercício prático Ler “Pedro Malasartes” Referências bibliográficas Bernárdez, E. (2009). Qué son las lenguas? Madrid: Alianza Editorial. Pp. 229-230 Charaudeau, P., & Maingueneau, D. (2002). Dictionnaire d’analyse du discours. Paris: Seuil. Dubois, J., et al. (1987). Dicionário de linguística. São Paulo: Cultrix. Pedro, E. R. (1996). Interacção verbal. In Isabel Hub Faria et al (orgs), Introdução à linguística geral e portuguesa. Lisboa: Editorial Caminho. Rodrigues, A. D. (2013). A interação verbal. Questões Transversais – Revista de Epistemologias da Comunicação Vol. 1, n° 1, pp. 14-26. Acedido a 5 de setembro a partir de file:///D:/externo/trabalho/faculdade/unidades%20curriculares/uc_TCOE%20II/text os%20de%20apoio/duarte%20rodrigues_interacao%20verbal.pdf file:///D:/externo/trabalho/faculdade/unidades curriculares/uc_TCOE II/textos de apoio/duarte rodrigues_interacao verbal.pdf