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10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/15 INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO AULA 2 Profª Grazielle Ueno Maccoppi 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/15 CONVERSA INICIAL Olá! Na aula de hoje, nós iremos nos aprofundar ainda mais na relação da tecnologia com o turismo, entendendo o que são os Sistemas de Informação (SI), visto que foram eles que marcaram o início desta importante relação. Portanto, o objetivo deste encontro é compreendermos como os Sistemas de Informação influenciam a atividade turística de uma forma geral, mas principalmente as empresas – as agências, meios de hospedagem e companhias aéreas. Iniciaremos apresentando os conceitos básicos dos sistemas. Depois, veremos como eles funcionam e quais são os seus componentes. Posteriormente, iremos analisar como eles são utilizados para a gestão de empresas. E, por fim, também estudaremos a sua inserção na atividade turística. Preparados? Então vamos lá! CONTEXTUALIZANDO Como vimos anteriormente, o turismo evoluiu ao longo do tempo, desde à pré-história até ao período que chamamos de turismo contemporâneo. É neste cenário que a globalização, acelerada pelos avanços tecnológicos, começou a moldar a atividade turística para o formato que ela apresenta atualmente. Mas qual foi o momento que marcou o início da utilização das tecnologias de informação e comunicação (TICs) no turismo? Foi exatamente com o surgimento do primeiro Sistema de Informação exclusivo para a atividade turística, o Sistema Computadorizado de Reserva (CRS), idealizado em 1953 pela American Airlines em parceria com a IBM. Iremos falar com mais detalhes sobre o CRS posteriormente. Contudo, como os Sistemas de Informação marcaram o início da utilização de tecnologia computadorizada no turismo, precisamos compreender com detalhes o que são esses sistemas e como eles estão presentes no dia a dia das empresas. 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/15 Para dar início ao entendimento do que são os SI, precisamos, primeiramente, diferenciar os conceitos de dados e informações, que são, muitas vezes, utilizados como sinônimos. Em seguida, vamos ver o que é um sistema de acordo com a Teoria Geral dos Sistemas. Assim, compreenderemos plenamente o conceito que mais queremos: o Sistema de Informação. Vamos lá? TEMA 1 – DADOS, INFORMAÇÕES E SISTEMAS Dado pode ser entendido como o registro de um evento. Os dados são muito pontuais, objetivos e indivisíveis, por isso, eles são mais fáceis de serem manipulados dentro de um sistema. Contudo, os dados puros, apesar de essenciais, não ajudam corretamente as organizações na hora da tomada de decisão, porque os dados devem ser interpretados. Por isso, podemos afirmar que o dado é a matéria-prima para a criação da informação (Carvalho, 2012). Para visualizarmos o que é um dado, vamos utilizar como exemplo uma agência de viagens. No final de julho, o relatório de vendas da agência mostrou que foram feitas 50 vendas durante o mês. Este dado sozinho nos diz apenas a quantidade de produtos que foram comercializados em um mês específico. Contudo, para o dono da agência, é importante saber quais serviços foram mais vendidos, se as vendas de julho foram maiores ou menores do que os meses anteriores, se a empresa bateu a sua meta de vendas, entre outros questionamentos, que só serão respondidos quando esse dado de 50 vendas for interpretado e se tornar uma informação. Levando em consideração a definição de dados, a informação é um conjunto de dados dentro de um contexto ou, ainda, a interpretação de dois ou mais eventos. Mesmo que as tecnologias sejam importantes para captar, armazenar e processar informações, é o ser humano que deve avaliar se a informação é de qualidade para ser utilizada ou compartilhada (Carvalho, 2012). No exemplo da agência de viagens, vamos imaginar que o coordenador de vendas recebe o relatório mensal, analisa as 50 vendas, faz a comparação com os meses anteriores, categoriza os tipos de produtos vendidos e, por fim, chega à conclusão de que a agência teve, nos últimos cinco meses, um aumento no número de pacotes nacionais, em comparação com os pacotes internacionais. Essa informação é muito importante, pois pode ser utilizada para que a agência continue investindo nas vendas locais, já que os dados, quando interpretados, mostraram uma tendência de os clientes preferirem viajar pelo Brasil. 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 4/15 Por fim, outro conceito relacionado aos dados e informações é o conhecimento. Podemos afirmar que o conhecimento é a etapa final da interpretação dos dados. De acordo com Dziekaniak e Rover (2011), o conhecimento é o valor agregado à informação, ou seja, é o que se faz com a informação para tomar decisões acertadas. O conhecimento é um processo mais complexo, porque o indivíduo não irá apenas interpretar os dados, mas, sim, utilizar todo o seu aparato psíquico (experiências de vida, valores, crenças, insights, criatividade, entre outros) para mudar uma realidade. Na agência fictícia, assim que o coordenador comercial informar o dono sobre o aumento de vendas nos pacotes nacionais, o gestor precisará decidir se continua promovendo os destinos brasileiros, já que estão dando retorno, ou se deve focar na divulgação de pacotes internacionais, para forçar a venda de destinos no exterior, visto que esses pacotes podem ser mais rentáveis, considerando o câmbio. Independentemente da decisão que o dono tome, o conhecimento gerado está, justamente, na ação e na mudança (Carvalho, 2012). A seguir, vamos conhecer um pouco mais de sistemas. 1.1 DEFINIÇÃO DE SISTEMA De acordo com Beni e Moesch (2016), o criador da Teoria Geral dos Sistemas foi Ludwig von Bertalanffy, um biólogo austríaco. Essa teoria “busca entender a parte a partir do todo, e aceita que o universo só é conhecido pelas relações entre suas partes, sempre em mudança, inter-relacionadas, organizadas em sistemas” (Beni; Moesch, 2016, p. 13). Portanto, podemos afirmar que o sistema é um conjunto de elementos, também podendo ser denominadas partes ou subsistemas, que estão interligados e interagindo entre si para atingir uma finalidade em comum. 1.2 DEFINIÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO Agora que vimos os conceitos de dados, informações e sistemas, podemos nos dedicar aos Sistemas de Informação, que foram definidos por Laudon e Laudon (2007, p. 9) como “um conjunto de componentes inter-relacionados que coletam (ou recuperam), processam, armazenam e distribuem informações destinadas a apoiar a tomada de decisões, a coordenação e o controle de uma organização”. 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 5/15 Além disso, esses sistemas funcionam com base nas tecnologias da informação e comunicação, já que são digitais e instalados em máquinas computadorizadas. Retomando os conceitos individuais apresentados anteriormente, ainda é importante notar que tanto o sistema, como a informação requerem um conjunto de dados, ou seja, dados isolados não foram um SI. E por que os órgãos públicos e as empresas privadas devem investir nos Sistemas de Informação? Os autores Laudon e Laudon (2007) também elencam seis motivos pelos quais os sistemas são essenciais para o funcionamento de uma organização: 1. Melhoram a eficiência das organizações, ajudando na diminuição de erros; 2. Auxiliam na criação de novos produtos, serviços e modelos de negócios 3. Mantém informações acerca dos clientes, fornecedores e parceiros, personalizando o relacionamento com os stakeholders; 4. Fornecem informações em tempo real, apoiando a tomada de decisões; 5. Aumentam a competitividade das empresas em relação às concorrentes;6. Garantem a sobrevivência da organização mesmo com o avanço contínuo das tecnologias. Resumindo, além de dar apoio à tomada de decisões, à coordenação e ao controle, esses sistemas também auxiliam os gerentes e trabalhadores a analisar problemas, visualizar assuntos complexos e desenvolver produtos (Laudon; Laudon, 2007). Mas como os SI funcionam? É o que veremos a seguir! TEMA 2 – FUNÇÕES DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO Para que os Sistemas de Informação funcionem de maneira correta, eles precisam seguir um fluxo de quatro etapas: a entrada, o processamento, a saída e o feedback (ver Figura 1). De acordo com Laudon e Laudon (2007), a entrada captura os dados brutos internos ou externos à organização. Por sua vez, o processamento converte os dados em formas mais significativas, ou seja, informações. A saída transfere as informações para as pessoas que irão utilizá-la. Por fim, o feedback é dado pelos membros da organização para corrigir problemas que possam surgir nas outras etapas. 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 6/15 Figura 1 – Funções dos Sistemas de Informação Fonte: Elaborado com base em Laudon e Laudon, 2007. Vamos analisar a figura acima utilizando como exemplo a agência de viagens fictícia do Tema 1, que possui um sistema de reservas de passagens aéreas. Na entrada, o responsável pelo sistema deve incluir os dados puros, ou seja, o número dos voos, disponibilidade de assentos, aeroportos de saída, destinos, entre outros. O sistema então processa a reserva quando o agente de viagens seleciona o voo desejado pelo cliente, data de saída, data de retorno e demais informações do passageiro. Neste caso, o sistema irá fazer uma conexão entre o voo e o cliente da agência. No processamento, o sistema pode até mostrar, por exemplo, que o voo reservado não tem mais lugares disponíveis. Neste nosso exemplo, a saída seria o bilhete aéreo físico ou digital, em que constam todas as informações que o passageiro precisa para conseguir voar no dia da sua viagem, como os seus dados pessoais, número do bilhete, número da reserva, horário do voo, horário do embarque, entre outras. Figura 2 – Bilhete aéreo 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 7/15 Crédito: Yevgenij_D/Shutterstock. Por fim, o feedback ocorre quando a agência emite o relatório de vendas do sistema, que apresenta todas as reservas efetuadas durante o mês. Com essa informação, o agente pode perceber que o número de um determinado voo está computado de forma errada no sistema, pedindo que o responsável pela entrada, por exemplo, arrume esse dado para que erros não ocorram. TEMA 3 – COMPONENTES DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO Para que os sistemas consigam realizar as funções descritas acima, eles devem abranger três componentes: as organizações, as pessoas e as TICs (Laudon; Laudon, 2007). Vejamos, a seguir, qual é o papel de cada um desses componentes dentro do sistema. 3.1 ORGANIZAÇÕES Para que os Sistemas de Informação realmente auxiliem na gestão de uma organização pública ou privada devemos levar em consideração que as próprias organizações também determinam como a tecnologia deve ser usada. Os autores Laudon e Laudon (2007) explicam que a estrutura, a história e a cultura de uma empresa influenciam na consistência dos sistemas utilizados. Não podemos nos esquecer que as empresa (por exemplo, agências de viagens) estão organizadas em diferentes departamentos e níveis hierárquicos. No topo, encontrarmos o nível estratégico, composto pela diretoria. Posteriormente, estão os departamentos de vendas, marketing, recursos humanos, finanças, entre outros. Nestes setores estão os níveis táticos de trabalhadores, por exemplo, os coordenadores e gerentes, assim como o nível operacional, ou seja, o agente de viagem, o consultor de vendas, entre outros. Mesmo que cada empresa possua uma estrutura diferente da outra, é possível encontrar Sistemas de Informação para atender todas essas especializações (Laudon; Laudon, 2007). Por exemplo, o departamento de vendas cuida do sistema de reservas, enquanto o setor de marketing utiliza mais o sistema de relacionamento com os clientes (CRM). 3.2 PESSOAS 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 8/15 Lembra-se do Tema 1, quando vimos que mesmo que as tecnologias sejam importantes para processar informações, é o ser humano quem deve avaliar se a informação é de qualidade? Pois então, os Sistemas de Informação não são apenas sobre tecnologia, visto que são inúteis sem pessoas para criá-los e mantê-los, além de pessoas que saibam utilizar as informações geradas por eles de forma eficiente (Laudon; Laudon, 2007; Carvalho, 2012). Em um primeiro momento, as pessoas são essenciais para desenvolver e cuidar dos sistemas. Muitas empresas, inclusive, possuem um departamento específico para gerir os seus sistemas. Neste setor de informação ou informática, existem funcionários responsáveis por elaborar as instruções dos sistemas, chamados de programadores. Ainda, encontramos os analistas de sistemas, colaboradores que traduzem os problemas e necessidades do restante da empresa em requisitos de informações e sistemas. Por fim, algumas organizações também empregam gerentes de sistemas e o executivo- chefe de informática (Laudon; Laudon, 2007). Além disso, é o ser humano quem é capaz de resolver problemas organizacionais e converter a tecnologia da informação em soluções úteis (Laudon; Laudon, 2007). Por isso, os sistemas funcionam como uma ferramenta de apoio para que as pessoas tomem decisões corretas e façam a gestão da sua organização baseada em conhecimento. 3.3 TICS O terceiro componente dos Sistemas de Informação é o recurso tecnológico envolvido, ou seja, a infraestrutura da tecnologia da informação (TI). As duas principais infraestruturas dos sistemas são os hardwares e softwares. Os hardwares são dispositivos físicos utilizados para armazenar e processar a informação, ou seja, são as máquinas. O maior exemplo é o computador e todos os seus componentes (por exemplo, teclado, mouse e impressora). Por sua vez, os softwares são os programas instalados nos hardwares e que passam as instruções detalhadas e pré-programadas que controlam e coordenam as funções do sistema (Laudon; Laudon, 2007). Outra infraestrutura dos sistemas são os softwares de armazenamento de dados, chamados de bancos de dados ou bases de conhecimento, que coletam e guardam registros de diversos assuntos para serem utilizados pelas organizações. Finalmente, as redes também desempenham um papel importante na tecnologia da informação. Uma rede liga dois ou mais sistemas para o 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 9/15 compartilhamento de dados (Laudon; Laudon, 2007). Alguns exemplos famosos de redes são a Internet e a World Wide Web (WWW). TEMA 4 – SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GERENCIAIS Agora que entendemos os conceitos, funções e componentes dos Sistemas de Informação, vamos analisar alguns exemplos práticos de como os sistemas são utilizados dentro das empresas, sejam elas turísticas ou não. Os sistemas apresentados a seguir estão divididos entre os departamentos mais comuns das organizações: vendas e marketing, manufatura e produção, finanças, recursos humanos, além dos sistemas que integram todos os setores. 4.1 SISTEMAS DE VENDAS E MARKETING De acordo com Laudon e Laudon (2007), os sistemas de vendas e marketing oferecem suporte nas seguintes atividades do dia a dia: Contato com possíveis clientes; Oferta de produtos e serviços; Montar orçamentos; Acompanhar e finalizar vendas; Identificar potenciais clientes e determinar o que eles desejam ou necessitam; Criar produtos e serviços; Promoção e propaganda do portifólio da empresa. Os sistemas ainda auxiliam no monitoramento de tendências de mercado que impulsionam novosprodutos e oportunidades de vendas. Além disso, eles podem ser utilizados para fazer pesquisas de mercado, analisar campanhas promocionais e de propaganda, nas decisões sobre preços e no desempenho de vendas (Laudon; Laudon, 2007). Um exemplo de sistema de vendas que está presente em nossas vidas é o caixa de supermercado. Esse sistema permite que o vendedor passe o código de barras (entrada). Posteriormente, ele processa o código e informa o tipo e preço do produto (processamento). Por fim, o caixa emite a nota fiscal da compra (saída). No turismo, os sistemas de vendas mais comuns são os sistemas de reservas, que veremos com mais detalhes no Tema 5. 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 10/15 4.2 SISTEMAS DE MANUFATURA E PRODUÇÃO Os sistemas de manufatura e produção não são muito encontrados no turismo de maneira direta, por exemplo, em agências e operadoras, porque eles remetem à produção de bens físicos e duráveis industriais, enquanto a atividade turística oferece serviços. Segundo Laudon e Laudon (2007), esses departamentos cuidam do desenvolvimento e manutenção das instalações de produção, estabelecimento de metas de produção, aquisição e armazenagem de matéria-prima e da programação de equipamentos para fabricar produtos. Mesmo assim, é possível encontrar sistemas de manufatura e produção nas empresas de transportes aéreos e terrestres, visto que os principais sistemas dessa categoria são os sistemas de logística, que cuidam do transporte de um produto de uma fábrica para a casa do cliente. Além disso, os sistemas de estoque podem ser empregados nos meios de hospedagem e restaurantes. Um hotel, por exemplo, precisa gerir a quantidade de amenities (como xampus, sabonetes e cremes) que tem disponível para fornecer ao hóspede durante a estadia. O restaurante, por sua vez, deve monitorar o estoque de ingredientes e bebidas, para que eles não acabem no meio do expediente. 4.3 SISTEMAS FINANCEIROS E CONTÁBEIS Os sistemas financeiros e contábeis são essenciais para o departamento de finanças, porque eles auxiliam na gestão dos ativos financeiros (por exemplo, dinheiro, ações e investimentos) e no gerenciamento de como a empresa pode capitalizar mais ativos. Ademais, eles são imprescindíveis no cotidiano das empresas, porque eles cuidam da gestão dos registros financeiros, como fluxo de caixa, prestação de contas, recibos, reembolsos, folha de pagamento, contratos, entre outros (Laudon; Laudon, 2007). Os sistemas financeiros fazem com que a gerência sênior consiga estabelecer metas de investimento a longo prazo. Por sua vez, a gerência média supervisiona e controla os recursos financeiros. Já os colaboradores mais operacionais utilizam esses sistemas para monitorar o fluxo de caixa (Laudon; Laudon, 2007). O sistema financeiro mais tradicional é o sistema de contas a pagar e a receber, em que o funcionário pode registrar quem precisa fazer pagamentos à agência, por exemplo, e o que a agência 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 11/15 precisa pagar de contas. Assim, a empresa consegue manter o fluxo de caixa organizado, podendo analisar com mais detalhes suas receitas, despesas, lucro mensal e dívidas a quitar. 4.4 SISTEMAS DE RECURSOS HUMANOS Os sistemas de recursos humanos são imprescindíveis para empresas que possuem muitos funcionários. Eles podem ser utilizados para medir se a qualidade da força de trabalho atende ao planejamento estratégico da empresa. Eles também são úteis para analisar o recrutamento, alocação e remuneração dos funcionários. No dia a dia, esses sistemas de RH registram os dados das pessoas contratadas, ou que foram demitidas (Laudon; Laudon, 2007). O sistema de RH mais básico que as empresas podem utilizar é o sistema que cuida do registro de funcionários. Esse sistema permite que o setor de RH adicione as informações de todos os colaboradores da empresa (por exemplo, nome, idade, endereço, formação educacional, habilidades e conhecimentos) em um banco de dados único. Ademais, o sistema pode gerar relatórios periodicamente para que os gestores de recursos humanos avaliem a rotatividade de funcionários, quem pode ser realocado de área, ou até mesmo qual colaborador pode receber uma promoção ou um aumento de salário. 4.5 SISTEMAS INTEGRADOS São aqueles que conectam os diversos departamentos dentro da empresa. Um exemplo é o Sistema de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP), que coleta dados de vários processos do negócio que são importantes para os setores da empresa, armazenando-os em um único banco de dados. Eles são muito importantes para facilitar a comunicação entre os setores da empresa, acelerar as atividades diárias e flexibilizar a resposta às solicitações do cliente (Laudon; Laudon, 2007). Exemplificando, um ERP pode funcionar da seguinte maneira: o agente de viagens registra a venda do pacote no sistema. Essa informação se torna, automaticamente, disponível para o departamento financeiro, que irá cobrar do cliente o valor do pacote fechado pelo consultor. Figura 3 – Sistema de Planejamento de Recursos Empresariais 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/15 Crédito: Ananaline/Shutterstock. Outro sistema integrado que é muito conhecido é o CRM, utilizado por empresas que querem melhorar a relação com o cliente, integrando os setores de vendas, marketing e serviços. O seu maior atributo é recolher as preferências do cliente, permitindo que o departamento de marketing planeje ações de promoção e propaganda personalizadas para o perfil de cada público da empresa (Laudon; Laudon, 2007). TEMA 5 – SISTEMAS DE INFORMAÇÃO TURÍSTICOS De acordo com Biz (2009), as TICs impactaram o turismo em três frentes: nos Sistemas de Informação, nos canais de distribuição e comércio eletrônico, e nos portais públicos de turismo. Os dois últimos casos serão explorados no decorrer desta disciplina. No momento, vamos focar nos Sistemas de Informação Turísticos, visto que foram eles que deram o pontapé inicial para a relação 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 13/15 do turismo com a tecnologia. Contudo, é importante lembrarmos que os sistemas gerenciais apresentados anteriormente também fazem parte do dia a dia das empresas turísticas. O maior exemplo de sistemas turísticos são os sistemas de reserva, que agruparam em uma única interface os diversos serviços que eram comercializados separadamente pelas empresas. Nestes sistemas, é possível conferir passagens aéreas, meios de hospedagem, cruzeiros, seguros, locação de veículos, atrações, entre outros. Os sistemas ainda mostram os valores, promoções, detalhes do produto, disponibilidade de datas, comentários e avaliações sobre os estabelecimentos, facilitando o processo de venda do consultor de viagens. Os sistemas de reserva evoluíram dos Sistemas de Distribuição Globais (GDS), que, por sua vez, originaram-se dos Sistemas Computadorizados de Reserva (CRS). Segundo Biz (2009), o primeiro CRS implantando no mercado turístico foi criado pela companhia aérea American Airlines, em parceria com a IBM, uma empresa de informática norte-americana. O seu nome era SABER (posteriormente renomeado para SABRE). Em 1946, ano em que foi o SABER foi criado, as companhias aéreas apresentavam uma grande dificuldade em organizar as suas reservas aéreas (Biz, 2009), porque elas eram feitas via telefone e controladas por meio de mapas de ocupação, ou seja, cada voo tinha um mapa de papel onde eram inseridos à mão o nome dos passageiros, tripulação, carga, combustível, entre outras informações. A efetiva implementação desse sistema em 1953 fez com que a American Airlines inspecionasse todas as suas reservas aéreas, disponibilidade de assentos, registro de passageiros, demanda por destino e controle dos voos comerciais.Deste modo, os CRS se tornaram essenciais para a gestão de toda a indústria aérea (Biz, 2009). Com o passar dos anos, as companhias aéreas perceberam que os seus sistemas poderiam se tornar uma oportunidade de negócio. Por isso, a partir da década de 1980, elas passaram a disponibilizar os CRS para as agências de viagens. Deste modo, as agências começaram a efetuar reservas e emissão de bilhetes de maneiram mais rápida, flexível e segura (Biz, 2009). Em seguida, os CRS também começaram a oferecer outros tipos de serviços dentro do software, como meios de hospedagem, seguros, cruzeiros, entre outros, o que desencadeou o surgimento dos GDS, que discutiremos nas próximas aulas. 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 14/15 TROCANDO IDEIAS Na aula de hoje, vimos o que são os Sistemas de Informação e como eles se relacionam com a atividade turística, principalmente porque foram os Sistemas Computadorizados de Reserva (CRS) que trouxeram as TICs para a área do turismo. Tendo como referência os conceitos aprendidos durante o encontro, compartilhe no fórum de seu ambiente virtual se você conhece ou já utilizou algum dos sistemas gerenciais ou turísticos que apresentamos. NA PRÁTICA Tendo como referência os estudos desenvolvidos em nossa aula, como você percebe a influência dos Sistemas de Informação no turismo? É possível a atividade turística existir sem esses sistemas? Busque nas empresas turísticas a maneira como aplicam os sistemas no seu dia a dia e enriqueça o seu olhar sobre essa temática do turismo. FINALIZANDO Chegando ao fim da nossa aula, conseguimos compreender melhor o que são os Sistemas de Informação. Primeiramente, nós identificamos os conceitos iniciais de dado, informação, conhecimento e sistema. Assim, conseguimos definir os SI. Em seguida, compreendemos que para os sistemas funcionarem eles possuem um fluxo de quatro etapas: a entrada, o processamento, a saída e o feedback. Contudo, ainda assim os sistemas dependem de três elementos para garantir a qualidade: as TICs, as organizações e as pessoas. Por fim, analisamos exemplos de Sistemas de Informação que são utilizados pelos diversos departamentos das empresas, como os sistemas de vendas, os sistemas financeiros, os sistemas de recursos humanos, entre outros. As empresas turísticas, como as agências e os hotéis, podem utilizar esses sistemas como qualquer outra organização. Mesmo assim, existem Sistemas de Informação Turísticos específicos para a nossa área: os sistemas de reserva. Nas próximas aulas, continuaremos aprendendo sobre o uso das tecnologias nas empresas turísticas. Até logo! REFERÊNCIAS 10/12/2020 UNINTER - INOVAÇÃO E TECNOLOGIA NO TURISMO https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 15/15 BENI, M. C.; MOESCH, M. Do discurso da Ciência do Turismo para a Ciência do Turismo. Revista Turismo & Desenvolvimento, v. 25, p. 9-30, 2016. Disponível em: <http://revistas.ua.pt/index.php/rtd/article/view/5963/4610>. Acesso em: 13 ago. 2020. BIZ, A. A. Avaliação dos portais turísticos governamentais quanto ao suporte à gestão do conhecimento. 242 f. Tese (Doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009. Disponível em: <http://btd.egc.ufsc.br/?p=29>. Acesso em: 13 ago. 2020. CARVALHO, F. C. A. de. Gestão do conhecimento. 1. ed. São Paulo: Pearson, 2012. DZIEKANIAK, G.; ROVER, A. Sociedade do conhecimento: características, demandas e requisitos. DataGramaZero – Revista de Informação, v. 12, n. 5, p. 1-12, 2011. Disponível em: <http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/7461>. Acesso em: 13 ago. 2020. LAUDON, K. C.; LAUDON, J. P. Sistemas de informações gerenciais. 7. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.