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AVALIAÇÃO DE ALVEJANTES QUÍMICOS NA DESINFECÇÃO 
EM ROUPAS HOSPITALARES 
 
Anna Carolina Candiotto Pereira, Fernanda Gamarano Mendes, Girlane Santos 
de Oliveira, Iandra Vilaça Ferreira, Kassiana de Jesus Paixao, Ketrin Rayane de 
Leles, Pedro Henrique Lemos dos Santos, Ricardo Augusto Aguiar, Tamires 
Cristina Costa Theodoro 
 Faculdade de Engenharia e Arquitetura, Universidade Fumec, 30.310-190 
Belo Horizonte / MG 
Resumo: Os alvejantes químicos utilizados em ambientes hospitalares são essenciais para 
desinfecção de equipamentos e roupas. Em geral, liberam cloro ou oxigênio e são 
excelentes desinfetantes. Seu uso deve ser feito com cuidado, para não danificar o tecido, 
pois dependendo do alvejante, pode afetar sua vida útil e degradá-lo rapidamente 
oxidando substâncias que eliminam materiais orgânicos que podem alterar a cor, gerar 
odores ou formar limo. Os alvejantes químicos mais utilizados nesta area são os clorados, 
como Hipoclorito de Sódio e os oxigenados, como Peróxido de Hidrogênio. Com um 
excelente desempenho na sua desinfecção, estes alvejantes também atuam em retiradas 
de manchas de roupas hospitalares e podem ou não melhorar e diminuir a degradação dos 
enxovais utilizados. 
Palavras Chaves: Peróxido, Hipoclorito, Desinfecção, Substituição. 
Abstract: Chemical bleaches used in hospital settings, are essential for the disinfection 
of equipment and clothing. In general, they release chlorine or oxygen and are excellent 
disinfectants. Its use must be done carefully to avoid damaging the fabric, because 
depending on the bleach, can affect their useful life and degrades it rapidly oxidizing 
substances that remove organic materials that can change the color, generate odors or 
form slime. The most used bleaching chemicals in this area are the chlorinated, such as 
sodium hypochlorite and oxygen, such as hydrogen peroxide. With an outstanding 
performance in their disinfection, these bleaches also act on withdrawals of hospital 
clothing stains and may or may not improve and reduce the degradation of layettes used. 
Keywords: Peroxide, Hypochlorite, Disinfection, Replacement. 
1. INTRODUÇÃO 
De acordo com o manual de 
Processamento de Roupas de Serviço de 
Saúde, ANVISA (2009), os princípios 
associados no processo de lavagem são de 
ordem física (mecânica, temperatura e 
tempo) e química (detergência, 
alvejamento, desinfecção, acidulação e 
amaciamento). Na fase da lavagem, a 
combinação das ações mecânica, da 
temperatura, do tempo e da detergência 
tem a finalidade de remover o restante da 
sujidade. Este artigo tem por finalidade 
comparar dois tipos distintos de 
alvejantes, a fim de, determinar suas 
qualidades positivas e negativas no 
processo de alvejamento em lavagens de 
roupas hospitalares. 
O Hipoclorito de Sódio, mais conhecido 
e vendido como água sanitária, e o 
Peróxido de Hidrogênio, conhecido e 
vendido como água oxigenada. Estes dois 
alvejantes possuem aplicações do uso 
doméstico ao industrial, abrangindo as 
áreas de papel e celulose, têxtil, entre 
várias outras, Soares (2008). 
2. DESCRIÇÃO QUÍMICA 
Segundo a ANVISA (2009), o agente 
alvejante é qualquer substância com ação 
química, oxidante ou redutora, que exerce 
ação branqueadora e de desinfecção. O 
alvejante tem a função de descolorir e/ou 
remover a mancha causada pela sujidade 
e promover o branqueamento da fibra. 
2.1.Hipoclorito de sódio 
De acordo com Mattos (2002), o 
Hipoclorito de Sódio é formado através 
da reação do cloro (Cl2) juntamente com 
a Soda Cáustica (NaOH). O mesmo 
apresenta um teor de 12% de cloro ativo , 
em uma solução aquosa , com pH 
alcalino. Sua coloração é amarela e odor 
característico de cloro. Manfred (2014), 
salienta ainda, que este tipo de alvejante é 
muito utilizado para desinfecção e 
tratamento de materiais em vários tipos 
de indústrias. 
O Hipoclorito de Sódio tem reação de 
oxidação, através da liberação de Cl2, 
quando O cátion sódio não hidrolisa por 
se tratar de um cátion forte, ao passo que 
o ânion hipoclorito, que é um ânion fraco, 
hidrolisa, ou seja, reage com a água 
formando ácido hipocloroso e íon 
hidroxila. O ácido hipocloroso sofre 
fotólise e libera cloro, ao passo que o íon 
hidroxila, que é um ânion forte, ao ser 
liberado na reação de hidrólise quando 
permanece na solução, torna o pH mais 
básico, Mattos (2002). A reação está 
demonstrada na Figura 1: 
 
 
Figura 1: Reação do Hipoclorito de Sódio. 
Fonte: adaptado do relatório interno da 
empresa Royal Quality, 2016. 
 
2.2. Peróxido de Hidrogênio 
Mattos (2002), enuncia que o Peróxido de 
Hidrogênio é um liquido transparente 
miscível em água em todas as proporções 
e são normalmente vendidos nas 
concentrações entre 20 a 60%. A reação 
de oxidação do peroxido de hidrogênio 
resulta em água (H2O) e oxigênio (O2) em 
processo exotérmico, como enunciado na 
Figura 2: 
 
2 H2O2 ————-> 2 H2O + O2 
Figura 2: Reação química Peróxido de 
Hidrogênio. 
Fonte: Química Nova, Mattos, 2002. 
 
De acordo com Soares (2008), este 
alvejante químico possui um teor de 
limpeza superior ao Hipoclorito de Sódio. 
Além disso, em uma diluição a 10%, ao 
produzir o radical hidroxila, o mesmo 
ataca a membrana lipídica, o DNA e 
outros componentes essenciais à célula, 
causando as morte dos micro-
organismos. 
4. MATERIAIS E METODOS 
O metodo utilizado para testar os dois 
alvejantes em questão, foi o comumente 
utilizando nos hospitais para lavagem de 
roupa, o procedimento foi retirado da 
empresa de produtos de limpeza Royal 
Quality e pela engenheira responsável 
Keila Borges e do manual Processamento 
de Roupas de Serviço e Saúde, ANVISA 
(2009), que consistiu em passar por todas 
etapas de lavagem: tantos as de ordem 
física, quanto de ordem química. Sendo a 
etapa mais importante para nosso estudo, 
a do alvejamento. Os materais utilizados 
para o experimento foram: Peróxido de 
Hidrogênio 35%; Hipoclorito de Sódio 
12% de concentração; balde plástico 
capacidade 20 L; dois panos 300 g/m2 de 
algodao sujos de sangue humano; sabão 
em pó; água limpida; além de materiais de 
proteção individual, como luvas de 
borracha e óculos de proteção. 
4.1. Experimentos 
Experimento nº1 - Hipoclorito de Sódio 
O experimento de desinfecção foi feito 
colocando um pano com sujidade dentro 
do balde, em um litro de água, com 
temperatura em torno de 50ºC. Foram 
feitas três pré-lavagens, acrescentando 
um litro de água em cada pré-lavagem 
para retirada da sujeira mais grossa, como 
o excesso de sangue. Após a pré-lavagem, 
acrescentou-se um litro de água no balde 
com o pano e também cinco gramas de 
sabão em pó, para a retirada total da 
sujeira. O mesmo foi deixado em 
descanso por 4 horas, para ação intensa 
do sabão em pó. Após o procedimento de 
lavagem, aplicou-se nas manchas 
deixadas três ml de Hipoclorito de Sódio 
12%, deixando em repouso com a 
aplicação de Hipoclorito por 30 minutos. 
 
Figura 3: Toalha manchada. 
Fonte: Autoria própria, 2016. 
 
 
Figura 4: Toalha manchada após enxagues. 
Fonte: Autoria própria, 2016. 
 
 
Figura 5: Toalha manchada após lavagem. 
Fonte: Autoria própria, 2016. 
 
 
Figura 6: Toalha após utilização de 
Hipoclorito de Sódio. 
Fonte: Autoria própria, 2016.
Experimento nº2 - Peróxido de 
Hidrogênio 
Os testes de desinecção do segundo 
experimentos foram feitos também em 
um balde de vinte litros, colocando um 
pano com sujidades em um litro de água 
com temperatura entre 60º a 80º C. Foram 
feitas três pré - lavagens, acrescentando 
um liro de água em cada pré-lavagem, 
para retirada da sujeira mais grossa, como 
o excesso de sangue. Após a pré-lavagem, 
acrescentou-se um litro de água no balde 
com o pano e cinco gramas de sabão em 
pó, para a retirada total da sujeira, 
deixando em descanso por 4 horas, para 
ação intensa do sabão em pó. Após o 
procedimento finalde lavagem, aplicou-
se nas manchas deixadas três ml de 
Peróxido de Hidrogênio, deixando em 
repouso com a aplicação de peróxido por 
30 minutos. 
 
Figura 7: Toalha manchada de sangue. 
Fonte: Autoria própria, 2016. 
 
 
Figura 8: Toalha manchada após enxagues. 
Fonte: Autoria própria, 2016. 
 
 
Figura 9: Toalha manchada após processo 
de lavagem. 
Fonte: Autoria própria, 2016. 
 
 
Figura 10: Toalha após utilização de 
Peróxido de Hidrogênio. 
Fonte: Autoria própria, 2016.
 
 
 
 
 
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES 
O alvejante não clorado Peróxido de 
Hidrogênio 35%, é menos agressivo às 
fibras dos tecidos, como comprovado nos 
testes, reduzindo o ataque aos pigmentos 
e preservando melhor o tecido, pela não 
presença de cloro ativo. Por isso este 
produto pode ser usado em roupas 
brancas ou coloridas, pelo fato de 
retirarem toda a sujidade atraves da 
liberação de oxigenio. 
Já o Hipoclorito de Sódio se mostrou 
bastante agressivo nos testes, dando um 
aspecto final mais degradado das fibras 
do pano utilizado no experimento, além 
disso, após todo o teste, observou-se que 
o tecido do pano, apresentou uma leve 
mancha amarela. O que nos leva a crer no 
poder de ataque mais agressivo do cloro 
ativo nas fibras do algodão, interferindo 
em sua coloração natural a longo prazo. 
6. CONCLUSÃO 
A conclusão que podemos chegar é que 
ambos alvejantes cumprem sua função 
quanto à limpeza e desinfecção dos 
tecidos, entretanto o Hipoclorito de Sódio 
12%, apresenta um poder de agressão 
superior ao necessário para o processo de 
limpeza e desinfecção. Isso nos leva a 
crer que, apesar de utilizados as mesmas 
quantidades de Hipoclorito e Peróxido, 
aquele se torna menos benefico a longo 
prazo. Pois o desgaste acentuado dos 
tecidos e a necessidade de troca, fará com 
que se gaste mais com tecidos no setor 
hospitalar. Assim se faz necessário um 
estudo sobre o real custo benefício que 
ambos os alvejantes podem ter a longo 
prazo. 
Além disso, de acordo com Braathen 
(2008), alvejantes clorados são menos 
ambientalmente corretos, pelo fato de 
poderem formar subprodutos clorados 
que são carcinogenicos, liberarem 
metabolicos que são tóxicos e trazer 
prejuízos ao meio ambiente, abaixando o 
pH das águas de rio, devido à presença do 
cloro. Sendo assim, é necessário repensar 
melhor em uma forma ambientalmente 
saudável no momento de se fazer a 
escolha destes produtos. 
7. AGRADECIMENTO 
Agradecemos a supervisora do DAC 
Livia Carvalho e ao cooordenador Kássio 
Lacerda por apoiar e direcionar nesse 
trabalho. 
E em especial agradecemos a empresa 
Royal Quality e a engenheira reponsável 
Keila Borges, que nos concedeu toda 
metodologia utilizada para conclusão 
desse trabalho. 
 
8. REFERÊNCIAS 
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