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<p>Beneficiamento têxtil</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)</p><p>SENAI. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial</p><p>Beneficiamento têxtil / SENAI. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.</p><p>– São Paulo: SENAI-SP Editora, 2015.</p><p>186 p. : il.</p><p>Inclui referências</p><p>ISBN 978-85-8393-087-7</p><p>1. Beneficiamento têxtil 2. Lavanderia 3. Tecnologia têxtil 4. Vestuário I. Serviço</p><p>Nacional de Aprendizagem Industrial II. Título.</p><p>CDD 677</p><p>Índice para o catálogo sistemático:</p><p>1. Beneficiamento têxtil 677</p><p>1. Tecnologia têxtil 677</p><p>SENAI-SP Editora</p><p>Avenida Paulista, 1313, 4o andar, 01311 923, São Paulo – SP</p><p>F. 11 3146.7308 | editora@sesisenaisp.org.br | www.senaispeditora.com.br</p><p>mailto:editora@sesisenaisp.org.br</p><p>http://www.senaispeditora.com.br/</p><p>TÊXTIL</p><p>Beneficiamento têxtil</p><p>Departamento Regional de São Paulo</p><p>Presidente</p><p>Paulo Skaf</p><p>Diretor Regional</p><p>Walter Vicioni Gonçalves</p><p>Diretor Técnico</p><p>Ricardo Figueiredo Terra</p><p>Gerente de Educação</p><p>João Ricardo Santa Rosa</p><p>Coordenação geral</p><p>Marcelo Costa</p><p>Coordenação técnica</p><p>Paulo Sérgio Salvi</p><p>Elaboração</p><p>Equipe técnica da Escola SENAI</p><p>Francisco Matarazzo</p><p>Organização</p><p>Alba Guedes de Barros</p><p>Antonio Carlos Morales Rodrigues</p><p>Carlos José Salvador</p><p>Helenice Castilho Prado</p><p>Jorge Marcos Rosa</p><p>Kátia Christina Hipólito Bezerra</p><p>Marcos Aurélio Marques Rodrigues</p><p>Nildes de Souza Lima</p><p>Vladimir Constantino Valério Canete</p><p>Revisão técnica</p><p>Kátia Crystina Hipólito Bezerra</p><p>Vladimir Constantino Valério</p><p>Material didático utilizado nos cursos do SENAI-SP.</p><p>Apresentação</p><p>Com a permanente transformação dos processos produtivos e das formas de</p><p>organização do trabalho, as demandas por educação pro�ssional se</p><p>multiplicam e, sobretudo, se diversi�cam.</p><p>Sintonizado com essa realidade, o SENAI-SP oferece várias opções em</p><p>cursos técnicos, que proporcionam habilitação pro�ssional em áreas</p><p>tecnológicas especí�cas do setor industrial.</p><p>Esse tipo de curso corresponde à educação pro�ssional de nível técnico,</p><p>prevista na regulamentação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação</p><p>Nacional.</p><p>Com satisfação, apresentamos ao leitor esta publicação, que integra uma</p><p>série da SENAI-SP Editora, especialmente criada para apoiar os alunos de</p><p>cursos técnicos.</p><p>Walter Vicioni Gonçalves</p><p>Diretor Regional do SENAI-SP</p><p>Sumário</p><p>PARTE 1</p><p>1. Beneficiamento primário</p><p>Navalhagem</p><p>Chamuscagem</p><p>Pré-fixação</p><p>Desengomagem</p><p>Processo enzimático</p><p>Desengomagem oxidativa</p><p>Limpeza</p><p>Alvejamento</p><p>Caustificação e mercerização</p><p>2. Beneficiamento secundário</p><p>Receitas</p><p>Sistemas cromógenos</p><p>Mecanismos de tingimento</p><p>Branqueadores fluorescente ou ópticos</p><p>3. Matéria de coloração</p><p>Algodão</p><p>Corantes diretos</p><p>Corantes reativos</p><p>Corantes à tina</p><p>Corantes sulfurosos</p><p>Corantes azoicos</p><p>Fibras nitrogenadas</p><p>Corantes ácidos e de complexo metálico</p><p>Poliéster</p><p>Corantes dispersos</p><p>Poliacrinonitrilo</p><p>Corantes básicos ou catiônicos</p><p>Pigmentos</p><p>Anexo – Tabelas</p><p>PARTE 2</p><p>4. Lavanderia</p><p>Classificação das lavanderias</p><p>5. Lavanderia industrial</p><p>Classificação das roupas</p><p>Classificação do tipo de sujeiras e manchas</p><p>Duração da roupa</p><p>Capacidade produtiva</p><p>Solvente</p><p>6. Lavanderia hospitalar</p><p>Guia de Regulamentação de Processamento de Roupas Hospitalares</p><p>7. Beneficiamento de peças de jeans</p><p>Denim</p><p>Índigo</p><p>Blue</p><p>Sequência de trabalho envolvendo processos químicos, físicos, físico-químicos e biológicos</p><p>Planejamento e controle de produção – PCP</p><p>Efeitos especiais</p><p>8. Beneficiamento de peças confeccionadas</p><p>Beneficiamento secundário</p><p>Matérias de coloração</p><p>Efeitos especiais sobre jeans tinto</p><p>Beneficiamento terciário</p><p>Receitas</p><p>Cuidados a serem tomados</p><p>9. Colorimetria</p><p>Histórico</p><p>Introdução</p><p>10. Luz e cor</p><p>Formação das cores nos substratos coloridos</p><p>Luz</p><p>Espectro visível</p><p>11. Os três elementos fundamentais</p><p>Princípio do processo da percepção visual</p><p>Fontes de luz</p><p>Cabines de luz</p><p>Objeto observado</p><p>Observação das cores dos objetos</p><p>Observador</p><p>Deficiência na visualização das cores – Daltonismo</p><p>12. Espaços colorimétricos</p><p>O espaço das cores</p><p>13. Equipamentos</p><p>Colorímetro</p><p>Espectrofotômetro</p><p>O objeto</p><p>14. Sistemas CIELab e CIELCh</p><p>CIEL*a*b*</p><p>CIEL*C*h*</p><p>15. Ferramentas de controle</p><p>Banco de dados</p><p>Formulação de cores</p><p>Correção de cores</p><p>Controle de qualidade</p><p>Espaço de cor CMC</p><p>Medição de branco</p><p>Separação de lotes</p><p>PARTE 3</p><p>16. Acabamento têxtil</p><p>17. Acabamentos físicos</p><p>Felpagem</p><p>Esmerilhagem</p><p>Navalhagem</p><p>Calandragem</p><p>Pré-encolhimento</p><p>Rama</p><p>18. Acabamentos químicos</p><p>Amaciamento</p><p>Encorpamento</p><p>Antirruga</p><p>Repelência à água e ao óleo</p><p>Antichama</p><p>Antimicrobiano</p><p>Antiestáticos</p><p>Antiesgarçamento</p><p>19. Acabamentos biológicos</p><p>Biopolimento</p><p>20. Testes</p><p>21. Matrizes de impressão</p><p>Telas e matrizes</p><p>Estrutura das matrizes</p><p>Esticadores de tela</p><p>Gravação de matrizes</p><p>22. Estamparia</p><p>Processos de estampagem</p><p>Etapas</p><p>Pigmentos</p><p>Ligantes</p><p>Emulsões</p><p>Aditivos</p><p>Corantes</p><p>Espessantes</p><p>Métodos de estampagem</p><p>Estamparia com efeitos especiais</p><p>Receitas</p><p>Referências</p><p>Parte 1</p><p>1. Beneficiamento primário</p><p>Navalhagem</p><p>Chamuscagem</p><p>Pré-fixação</p><p>Desengomagem</p><p>Processo enzimático</p><p>Desengomagem oxidativa</p><p>Limpeza</p><p>Alvejamento</p><p>Caustificação e mercerização</p><p>O bene�ciamento primário é um conjunto de operações físicas, químicas e</p><p>bioquímicas que tem por objetivo eliminar impurezas dos substratos têxteis</p><p>e prepará-los para posteriormente receber a cor.</p><p>Navalhagem</p><p>A navalhagem tem por função a eliminação das pontas de �bras salientes</p><p>(�brilas) que estão eriçadas na superfície do substrato têxtil. A máquina é</p><p>composta de cilindros com lâminas helicoidais cortantes, provido de uma</p><p>faca que regula a altura do corte.</p><p>Chamuscagem</p><p>A chamuscagem tem por �nalidade eliminar por queima as �brilas que</p><p>permaneçam eriçadas na superfície do �o ou tecido, o que lhe confere</p><p>aspecto desuniforme e pode afetar a regularidade dos estampados e</p><p>promove a formação de pilling.</p><p>Por meio dessa eliminação, propiciamos ao substrato um melhor aspecto</p><p>visual, graças à uniformidade. Ganhamos também certo grau de brilho, já</p><p>que a luz incidente apresenta uma re�exão mais regular. O equipamento</p><p>utilizado é a chamuscadeira, que pode ser para �os, tecidos de cala ou</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>tecidos de malha. Podem receber também o nome de gaseaderias, já que o</p><p>combustível mais utilizado é um gás.</p><p>Principais componentes da chamuscadeira de tecidos</p><p>Castelo de entrada: controla a entrada do tecido na máquina, de</p><p>maneira a obter-se a tensão necessária para o bom andamento da</p><p>operação, e mantém o substrato aberto. É constituído de cilindros, rolos,</p><p>roletes e balancim. Em alguns modelos, encontram-se cilindros pré-</p><p>secadores.</p><p>Caixa com escovas: normalmente em número de 2 a 4, giram em</p><p>sentido contrário ao do tecido que está passando, com a �nalidade de</p><p>retirar a poeira e eriçar as �brilas, para serem queimadas. Filtros para</p><p>retenção de poeira e �brilas podem ser encontrados.</p><p>Queimadores: em número de 2 a 4, metade queima as �brilas do lado</p><p>direito, e a outra metade, do lado avesso. Os cilindros, sob a ação do</p><p>fogo e dos queimadores, são refrigerados internamente com água</p><p>corrente, para evitar que adquiram uma temperatura muito alta,</p><p>exercendo ação malé�ca sobre o material que está passando sobre eles;</p><p>no caso dos queimadores, uma contínua elevação de temperatura</p><p>poderia dani�cá-los.</p><p>Exaustor: situado na parte mais alta da zona de queima, tem por</p><p>�nalidade retirar a fumaça gerada.</p><p>Cilindro resfriador: diminui a temperatura do substrato de maneira a</p><p>evitar acúmulo de calor no caso de enrolamento. Esse cilindro também</p><p>é resfriado por circulação interna de água corrente.</p><p>Parâmetros de controle</p><p>Chama: para que tenhamos uma boa chamuscagem, deve-se ter uma</p><p>chama oxidante de alto poder calorí�co, reconhecida pela sua cor azul</p><p>avioletada. Para cada queimador, existem válvulas que regulam as</p><p>entradas de ar e gás. A chama deve ser de elevada energia mecânica e</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>térmica, para atravessar o colchão ar/vapor e assegurar uma queima</p><p>total, homogênea e uniforme das �brilas. A máquina deve oferecer uma</p><p>construção mecânica que reduza o contato chama/substrato ao mínimo</p><p>e que seja capaz de</p><p>e o</p><p>outro, à parte química e física do processo. Por meio dessa relação,</p><p>poderemos ter uma e�ciência maior na lavagem, retirando as sujeiras e</p><p>também vários tipos de manchas com melhores resultados. O primeiro</p><p>passo é conseguir uma harmonia no processo de lavagem, cuja fórmula</p><p>pode ser representa por meio do ciclo de Sinner.</p><p>Fonte: Com base em BARTOLOMEU, 1998.</p><p>Figura 1 – Ciclo de Sinner.</p><p>Não havendo harmonia, teremos resultados insatisfatórios e roupas</p><p>estragadas. De acordo com o ciclo de Sinner, as manchas podem ser</p><p>eliminadas física e/ou quimicamente.</p><p>Eliminação química</p><p>Na eliminação química, não podemos deixar de lançar mão dos insumos, os</p><p>quais atuam no procedimento de lavagem. Os insumos utilizados para esse</p><p>�m são:</p><p>Sabões</p><p>A molécula de um sabão é constituída por uma longa cadeia carbônica,</p><p>tendo em uma das extremidades o grupo carboxilato de sódio ou potássio.</p><p>•</p><p>O grande problema no uso do sabão são os íons de Ca2+ e Mg2+ dispersos</p><p>em água, que se ligam ao sabão formando grumos gordurosos, os quais</p><p>chamamos de precipitados. Para evitar esse problema, temos de trabalhar</p><p>com água de níveis de dureza controlados por meio da adição de</p><p>sequestrantes.</p><p>Detergente</p><p>A molécula de um detergente sintético consiste em uma longa cadeia</p><p>carbônica, tendo em uma de suas extremidades o grupo sulfoxilato de</p><p>sódio.</p><p>O detergente não reage com a água dura e nem com soluções ácidas ou</p><p>mesmo neutras, oferecendo uma ação de limpeza mais e�ciente que o</p><p>sabão. Tanto os sabões quanto os detergentes limpam por formação de</p><p>emulsão.</p><p>Ação de um tensoativo</p><p>Formação de uma emulsão (mistura homogênea) de um sistema imiscível,</p><p>por exemplo:</p><p>óleo + água + tensoativo = emulsão (num sistema aquoso)</p><p>Inicialmente, a molécula do detergente dissocia-se no banho, conferindo</p><p>uma carga negativa na extremidade (cabeça) da molécula. A cauda, por ser</p><p>apolar, se liga à molécula da gordura, enquanto a cabeça, por ser polar,</p><p>desloca-se em direção à parte polar contrária da água, �cando dispersa no</p><p>banho.</p><p>Saponificação</p><p>O processo de saponi�cação é aquele em que há remoção da gordura</p><p>animal e vegetal por meio da reação dessas gorduras com álcali, na presença</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>de calor. As gorduras então se hidrolisam em glicerol e sal do ácido graxo</p><p>correspondente.</p><p>Existem manchas que não podem ser removidas nem por emulsi�cação</p><p>nem por saponi�cação. Nesses casos, utilizamos processos de oxirredução,</p><p>descritos a seguir:</p><p>Oxidação</p><p>Quimicamente, produtos oxidantes são aqueles que retiram “elétrons” de</p><p>outras substâncias.</p><p>As manchas que normalmente saem com a oxidação são:</p><p>alguns medicamentos como mertiolato, mercúrio etc.;</p><p>molho de tomate;</p><p>vinho;</p><p>algumas manchas de frutas como laranja, mamão, abacaxi etc.;</p><p>matérias orgânicas em geral;</p><p>Os agentes oxidantes mais utilizados na lavanderia são o peróxido de</p><p>hidrogênio (água oxigenada), o hipoclorito de sódio (cloro) e o</p><p>permanganato de potássio.</p><p>Redução</p><p>Produtos redutores são aqueles que cedem elétrons para outras substâncias.</p><p>As manchas que normalmente saem com a redução são:</p><p>alguns medicamentos como reveladores de raios X, permanganato de</p><p>potássio etc.;</p><p>algumas manchas de frutas como caju, banana, maçã, caqui etc.;</p><p>algumas manchas de �ores como copo-de-leite etc.;</p><p>manchas de alguns corantes.</p><p>•</p><p>Os redutores mais utilizados na lavanderia são o ditionito de sódio</p><p>(hidrossul�to de sódio); o pirossul�to de sódio (metabissul�to de sódio); o</p><p>dióxido de tioureia; e o açúcar.</p><p>A escolha certa do tipo de lavagem está vinculada ao reconhecimento da</p><p>sujeira e à melhor forma de retirá-la, contribuindo para uma produção mais</p><p>limpa, rápida e gerando uma quantidade menor de e�uente e,</p><p>principalmente, consumindo menor quantidade de insumos e de água.</p><p>Com todo esse quadro, podemos dizer que a capacidade produtiva é muito</p><p>mais complexa do que meramente um cálculo em que se faz uma relação</p><p>entre a capacidade de carga e o volume de banho.</p><p>Solvente</p><p>Classificação da lavagem</p><p>A lavagem industrial está subdividida em lavagem com água e lavagem com</p><p>solvente orgânico.</p><p>Lavagem com água</p><p>A água é uma das substâncias mais abundantes da terra e possui</p><p>propriedades físico-químicas diversas. Uma delas é a capacidade de</p><p>dissolver e/ou solvatar substâncias gasosas, líquidas e sólidas.</p><p>É composta por um átomo de oxigênio e dois de hidrogênio, unidos por</p><p>ligações covalentes e formando um ângulo de 104,5º. Esse arranjo, que</p><p>pode ser observado no esquema a seguir, confere polaridade à molécula,</p><p>apesar do seu aspecto covalente.</p><p>– –</p><p>– –</p><p>– –</p><p>– –</p><p>Fonte: Com base em SILVA e SILVA, 1982.</p><p>Figura 2 – Representação da água e sua polaridade.</p><p>A importância da água se dá em razão do seu grande consumo nas</p><p>lavanderias, ou seja, para se lavar 1 quilo de roupa são necessários de 20 a</p><p>40 litros de água.</p><p>Essa água pode ser captada por meio de três fontes distintas: precipitação,</p><p>superfície e subsolo.</p><p>A água, em seu caminho na atmosfera ou na crosta terrestre, absorve</p><p>diversas substâncias. Algumas dessas substâncias, como o cálcio, o ferro e o</p><p>magnésio, causam o que chamamos de dureza. A dureza da água inibe a</p><p>ação dos sabões e, consequentemente, o seu poder de limpeza.</p><p>A dureza da água é assim classi�cada:</p><p>macia 0-40 ppm: boa para a lavagem;</p><p>meio dura 40-90 ppm: necessita de produtos;</p><p>dura 90-150 ppm: necessita de tratamento para ser usada;</p><p>muito dura > 150 ppm: necessita de tratamento para ser usada.</p><p>Classificação da dureza da água</p><p>Existem dois tipos de dureza da água: dureza temporária e dureza</p><p>permanente.</p><p>Outros compostos contidos na água</p><p>As matérias orgânicas são resultantes da decomposição de matérias vivas</p><p>contidas na água. Essas matérias orgânicas podem provocar manchas</p><p>pardas, que exalam mau cheiro durante a estocagem da roupa.</p><p>Os cloretos raramente causam problemas numa lavanderia, exceto em casos</p><p>particulares (água do mar ou regiões próximas a minas de sal). A água que</p><p>contém grandes quantidades de cloreto pode formar tártaro na roupa e</p><p>depósitos na calandra.</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>Uma água ácida é boa para os enxágues, porém pode provocar corrosão dos</p><p>metais. Já uma água alcalina di�culta os enxágues e causa problemas na</p><p>calandragem. A água é fundamental para a vida em nosso planeta. Como a</p><p>parcela de água doce disponível é ín�ma (2% do total), é fundamental que</p><p>busquemos novos métodos de trabalho e processos cada vez mais</p><p>otimizados, no intuito de causar uma menor agressão a nossos recursos</p><p>hídricos.</p><p>Lavagem com solvente orgânico</p><p>A diferença da lavagem a seco em relação à lavagem comum é que esta não</p><p>utiliza água como solvente, mais sim um solvente orgânico. Os solventes</p><p>mais utilizados na lavagem a seco são:</p><p>percloroetileno;</p><p>tricloroetano.</p><p>Classificação das roupas</p><p>A lavanderia industrial destina-se à lavagem dos seguintes substratos:</p><p>luvas;</p><p>aventais;</p><p>capas;</p><p>blusões;</p><p>jaquetas;</p><p>macacões.</p><p>Processo</p><p>O processo de lavagem a seco compreende três operações básicas:</p><p>remoção da sujeira do tecido;</p><p>extração do solvente do tecido;</p><p>–</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>remoção da sujeira do solvente.</p><p>Todas essas operações são realizadas em uma única máquina, poupando</p><p>tempo e espaço na lavanderia.</p><p>Remoção da sujeira do tecido</p><p>Essa operação se processa da seguinte maneira:</p><p>Dissolvendo: essa é uma ação durante a qual os contaminantes solúveis</p><p>são removidos das roupas e se misturam com o solvente. A rapidez</p><p>dessa operação depende da ação mecânica da máquina (agitação), do</p><p>tempo e da temperatura.</p><p>Dispersando: essa ação é feita quando as pequenas partículas de</p><p>contaminantes insolúveis se espalham no solvente. A e�ciência da</p><p>dispersão está diretamente ligada à máquina de lavar (agitação e</p><p>circulação).</p><p>Extração do solvente do tecido</p><p>Essa operação é realizada em duas etapas:</p><p>Extração propriamente dita: é a remoção do solvente pela rotação do</p><p>cilindro de lavagem em alta velocidade. O tempo de extração adequado</p><p>não é necessariamente aquele que retira a maior quantidade de</p><p>solvente das roupas, mas sim aquele em que há uma estabilização da</p><p>retirada do solvente.</p><p>Secagem: esta não se resume a uma simples</p><p>passagem de ar quente</p><p>pelos tecidos. O equipamento de secagem tem a função de condensar os</p><p>vapores de solvente que saem das roupas, transformando-os em</p><p>líquidos novamente, para serem reutilizados no processo.</p><p>Em algumas máquinas, o trabalho de secagem é feito no mesmo cesto em</p><p>que se faz a lavagem e a extração. Essa máquina é conhecida como</p><p>“máquina quente” e apresenta a vantagem de evitar a exposição do</p><p>•</p><p>•</p><p>funcionário ao solvente; outra vantagem é a perda de vapores de solvente</p><p>durante o manuseio das roupas entre os processos de extração e secagem.</p><p>Algumas máquinas efetuam a lavagem e a extração em um cesto; a secagem</p><p>e a recuperação do solvente são feitas em outro cesto independente</p><p>(máquina fria).</p><p>Remoção da sujeira do solvente</p><p>O solvente pode ser recuperado e reutilizado na limpeza de outras roupas;</p><p>para isso, são empregados vários métodos, e se a operação for feita</p><p>adequadamente, o produto que retorna à máquina será su�ciente para</p><p>satisfazer os requisitos de alta qualidade exigidos na lavagem a seco.</p><p>Os métodos empregados são:</p><p>Filtração: o solvente circula continuamente durante a lavagem por meio</p><p>do acionamento da bomba. Todas as substâncias insolúveis vão sendo</p><p>retidas pelo �ltro durante a lavagem e, com isso, há uma diminuição da</p><p>vazão e um aumento da pressão, sendo essa ação a responsável pela</p><p>necessidade de trocar ou limpar o �ltro.</p><p>Destilação: após a lavagem, o solvente é aquecido até a temperatura de</p><p>ebulição, quando é evaporado, passando por um condensador e</p><p>voltando ao estado líquido com as mesmas características do produto</p><p>inicial, podendo ser reutilizado várias vezes. Os óleos e as graxas</p><p>permanecem no tanque e são descartados posteriormente por uma</p><p>janela de inspeção.</p><p>6. Lavanderia hospitalar</p><p>Guia de Regulamentação de Processamento de Roupas Hospitalares</p><p>Guia de Regulamentação de Processamento de Roupas</p><p>Hospitalares</p><p>Este guia foi elaborado pelo Comitê da Junta de Cuidados em Lavanderia</p><p>com informações e orientações dos membros de cada associação</p><p>concernente. Re�ete o consenso dos interessados, de acordo com o seu</p><p>campo de ação e conhecimento.</p><p>No entanto, este guia não é arbitrário, pois está baseado em padrões</p><p>estabelecidos, reconhecidos, promulgados e avaliados pela Comissão de</p><p>Aprovação das Organizações de Saúde (Joint Commission for Accreditation</p><p>of Healthcare Organizations) e dos Centros de Controle e Prevenção de</p><p>Doenças (Centers for Disease Control and Prevention).</p><p>As leis federais e estaduais não exigem que os proprietários de serviços de</p><p>lavanderia e locação sejam �liados; dessa forma, a decisão do proprietário</p><p>em aderir voluntariamente às recomendações do guia re�ete a preocupação</p><p>com a qualidade do serviço, tendo em vista a relação de parceria. A</p><p>existência do guia não impede ninguém de utilizar processos ou</p><p>procedimentos que não estejam em conformidade com ele.</p><p>Os proprietários de locação e serviços de lavanderia que escolhem utilizar o</p><p>Guia da Comissão demonstram aos seus parceiros, à comunidade de saúde</p><p>e ao público em geral um esforço para cumprir e aceitar os padrões</p><p>pro�ssionais. Os usuários devem �car atentos para obter as últimas edições.</p><p>Responsabilidade</p><p>O proprietário da lavanderia ou prestador de serviços de lavagem deve ser</p><p>o responsável pela administração das instalações da lavanderia, ou pela</p><p>pessoa por ele designada. Linhas de comunicações devem ser claramente</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>de�nidas entre as partes. Aquele que faz uso do serviço deve concordar</p><p>com os métodos especí�cos a serem utilizados e estar em substancial</p><p>conformidade com o guia.</p><p>Pessoal</p><p>A(s) pessoa(s) responsável(eis) pela operação da lavanderia deve(m) estar</p><p>quali�cada(s) para sua(s) posição(s) por meio de educação, treinamento e</p><p>experiência.</p><p>Os empregados do fornecedor de roupa e da lavanderia devem participar</p><p>de um programa pertinente à educação continuada. O programa deve ser</p><p>elaborado para aumentar o conhecimento dos participantes, tendo em vista</p><p>seu trabalho, e desenvolver sua sensibilidade para o fato de que ele é parte</p><p>vital da comunidade de serviços de saúde, e a participação do empregado</p><p>deve ser documentada.</p><p>Práticas recomendadas</p><p>Um programa de precauções universais para prevenir o contato com sangue</p><p>ou outros materiais potencialmente infectados deve ser implantado.</p><p>Os programas educacionais e de treinamento devem ser preparados de</p><p>acordo com:</p><p>treinamento e informação em patógenos sanguíneos, hepatite B,</p><p>exposição ao sangue e a outros materiais potencialmente infectados;</p><p>treinamento do pessoal em técnicas de higiene e lavagem das mãos;</p><p>treinamento para o uso de EPI (equipamentos de proteção individual),</p><p>tais como luvas, gorros, aventais de laboratório e máscaras;</p><p>treinamento em controles de manejo e prática de trabalho, para</p><p>minimizar o risco de exposição ao sangue e a outros materiais</p><p>potencialmente infectados;</p><p>treinamentos em casos de exposição, seguindo de perto o tratamento e</p><p>efetuando registros.</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>Inventário</p><p>é responsabilidade da lavanderia manter o fornecimento adequado de</p><p>roupa limpa de acordo com as necessidades do usuário;</p><p>é responsabilidade comum do usuário e do fornecedor determinar o</p><p>que constitui fornecimento adequado.</p><p>Roupa limpa</p><p>O fornecedor deve garantir que o usuário receba a roupa higienicamente</p><p>limpa. Os padrões aceitáveis da roupa devem ser estabelecidos em</p><p>conjunto. Esses padrões devem ser documentados e medidos pelos padrões</p><p>que se seguem:</p><p>técnica e processamento da produção;</p><p>fórmula de lavagem (tempo, temperatura, uso de produtos químicos,</p><p>pH �nal etc.);</p><p>aparência física da roupa;</p><p>condição da roupa (número aceitável de reparos); e – diminuição ou</p><p>substituição dos padrões.</p><p>Entrega</p><p>A roupa limpa deve ser transportada e entregue de modo a minimizar a</p><p>contaminação microbiológica de superfície, de contato ou conduzida pelo</p><p>ar.</p><p>Métodos de entrega</p><p>a roupa limpa deve ser transportada em contêineres (caixas) de uso</p><p>exclusivo para esse �m;</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>deve-se colocar a roupa limpa em um contêiner coberto com um</p><p>revestimento/tecido (liner) limpo. O contêiner deve ser coberto por uma</p><p>capa limpa, ou o revestimento deve ser fechado para proteger a roupa;</p><p>deve-se colocar a roupa limpa em um carro, cobrindo-a com um</p><p>material limpo e assegurando a sua correta cobertura;</p><p>deve-se colocar a roupa limpa em um rack, cobrindo-a com uma</p><p>cobertura apropriada;</p><p>a roupa limpa deve ser empacotada para entrega.</p><p>Limpeza de contêineres e coberturas</p><p>devem ser limpos com vapor;</p><p>devem ser limpos com água, sabão ou detergente e desinfetante</p><p>apropriados; e</p><p>coberturas de tecidos reutilizáveis devem ser lavadas e secas.</p><p>Independentemente do método de entrega utilizado, o desenvolvimento de</p><p>políticas e procedimentos para limpeza e manutenção dos contêineres,</p><p>revestimentos (liners) e coberturas devem ser documentados e aprovados</p><p>pelo fornecedor e pelo Comitê de Controle de Infecção da Unidade de</p><p>Saúde.</p><p>(liners) e coberturas devem ser documentados e aprovados pelo fornecedor</p><p>e pelo Comitê de Controle de Infecção da Unidade de Saúde.</p><p>Coleta da roupa suja</p><p>Embora a roupa suja tenha sido identi�cada como uma fonte de grande</p><p>número de micro-organismos patogênicos, o risco atual de transmissão de</p><p>doenças é desprezível. A Administração de Seguridade e Saúde</p><p>Ocupacional (OSHA – Occupational Safety and Health Administration)</p><p>de�niu como “roupa contaminada” aquela com sangue ou outros materiais</p><p>potencialmente contaminados ou, ainda, que possa conter instrumento</p><p>perfurocortante.</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>A coleta da roupa suja (roupa contaminada) começa no ponto designado</p><p>pelo usuário. A coleta em sacos ou em contêineres deve ser feita de acordo</p><p>com as recomendações da OSHA, para manter o funcionamento da</p><p>unidade.</p><p>A roupa suja deve ser manipulada com o mínimo de movimentação para</p><p>reduzir a contaminação microbiológica do ar e das pessoas que têm contato</p><p>com essa roupa. A roupa suja deve ser separada ou enxaguada no local de</p><p>uso. Os equipamentos de proteção individual, tais como luvas, gorros,</p><p>aventais, capas de laboratório e máscaras, não devem possibilitar</p><p>a</p><p>exposição da pele, para evitar a contaminação microbiológica.</p><p>Instalação da lavanderia</p><p>A instalação da lavanderia deve ser planejada, equipada e ventilada para</p><p>minimizar a disseminação da contaminação microbiológica. O sistema de</p><p>ventilação deve incluir a entrada adequada de ventilação. A área suja</p><p>deverá ser separada da área de processamento da roupa limpa.</p><p>A separação funcional da área limpa e da área suja deve ser obtida por um</p><p>ou mais métodos a seguir:</p><p>barreira física;</p><p>sistema de pressão de ar negativo na área de roupa suja; e</p><p>�uxo de ar positivo da área limpa em direção à área suja.</p><p>Quando a lavanderia (área de processamento) está na instalação da</p><p>unidade de saúde, ela deve ser separada dos quartos dos pacientes, das</p><p>áreas de preparação e estocagem de alimentos e daquelas nas quais os</p><p>suprimentos e os equipamentos são armazenados. Instalações adequadas</p><p>para lavagem das mãos e equipamentos de proteção individual devem estar</p><p>disponíveis para o pessoal da lavanderia.</p><p>Deve ser fornecido contêiner apropriado para coleta e descarte adequado</p><p>de instrumentos perfurocortantes.</p><p>Avisos de advertência devem ser colocados nas áreas de trabalho onde a</p><p>roupa potencialmente contaminada é acumulada.</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>Instalações</p><p>A água de alimentação:</p><p>deve ser quimicamente “mole”, isto é, não conter sais de cálcio e</p><p>magnésio;</p><p>não deve conter sais de ferro e manganês acima de limite de 0,05 ppm;</p><p>não deve conter matéria orgânica; e – deve ser potável de acordo com a</p><p>de�nição do Código de Vigilância Sanitária.</p><p>A vazão da linha mestra deve permitir atingir simultaneamente os níveis</p><p>altos de água nas lavadoras no máximo em 60 segundos, por meio de</p><p>pressão ou diâmetro de tubulação adequado.</p><p>Efluentes líquidos</p><p>As canaletas sob as lavadoras deverão ter volume su�ciente para conter</p><p>todos os e�uentes mais a espuma das lavadoras simultaneamente.</p><p>As caixas de retenção e equalização que recebem os e�uentes das canaletas</p><p>devem ter capacidade de residência de 2 horas, para posteriormente</p><p>receber o tratamento físico-químico exigido pelo órgão ambiental</p><p>competente.</p><p>Deverão ser encaminhadas para um ramal diferente dos e�uentes da área</p><p>suja as águas de lavagem de pisos da área limpa e da extração de água de</p><p>roupas já lavadas.</p><p>Energia calorífica</p><p>Deverá propiciar temperaturas na água de lavagem de 90ºC; caso utilizem</p><p>desinfecção térmica e chapas de calandragem de 140ºC, as trocas térmicas</p><p>dos secadores devem permitir tempos de secagem de até 50 minutos.</p><p>Ventilação</p><p>A exaustão do calor dos secadores, calandras e prensas deverá ser</p><p>canalizada para fora do ambiente da lavanderia ou para um sistema de</p><p>aproveitamento térmico, que poderá ser interno.</p><p>Condições físicas</p><p>É condição essencial em lavanderias hospitalares a completa separação</p><p>entre as áreas de roupa suja (área suja) e de roupa limpa (área limpa).</p><p>A barreira sanitária deve ser estanque, não permitindo nenhuma espécie de</p><p>ligação (nem por orifícios) de uma área com a outra, nem por meio das</p><p>portas das lavadoras.</p><p>Permite-se apenas uma passagem emergencial (área cinza), sujeita a</p><p>cuidados especiais, para eventuais e raras comunicações entre uma área e</p><p>outra, sendo permitida a sua utilização só para dois tipos de funcionários: o</p><p>supervisor de produção e o pessoal de manutenção.</p><p>A área suja deve ter uma porta de entrada para a roupa suja, e a área limpa</p><p>deve contar com uma saída de roupa, eliminando-se os cruzamentos desses</p><p>�uxos.</p><p>As portas, os pisos e as paredes dessas áreas, além de cantos arredondados,</p><p>deverão ter revestimentos e pinturas lisas, claras, impermeáveis, de pelo</p><p>menos 2,60 m de altura. Acima dessa altura, devem ser pelo menos</p><p>pintadas e laváveis. As canaletas sob as lavadoras também devem ter pisos</p><p>laváveis e impermeáveis.</p><p>A pressão ambiental da área suja deve ser inferior (pressão negativa) à da</p><p>área limpa, para evitar a passagem de ar de uma área para a outra. Na saída</p><p>do ar contaminado, deverá ser acoplado um sistema de �ltragem que deve</p><p>deixar o ar inócuo (de preferência para cima); esse procedimento deverá</p><p>acontecer sempre que haja possibilidade de contaminação de áreas</p><p>vizinhas.</p><p>Na área suja, deverá haver lavatórios para as mãos e os olhos, ponto de</p><p>água abundante, ar comprimido, além de equipamentos de proteção</p><p>individual.</p><p>Neste capítulo, foram reproduzidos alguns itens contidos no Guia de</p><p>Regulamentação de Processamento de Roupas Hospitalares. Para</p><p>informações mais detalhadas, consultá-lo na íntegra. Conforme já</p><p>mencionado anteriormente, o guia passa por revisões periodicamente, logo,</p><p>é conveniente procurar se informar sobre eventuais mudanças.</p><p>O Guia de Regulamentação de Processamento de Roupas Hospitalares foi</p><p>fornecido pela ANEL – Associação Nacional das Empresas de Lavanderia.</p><p>7. Beneficiamento de peças de jeans</p><p>Denim</p><p>Índigo</p><p>Blue</p><p>Sequência de trabalho envolvendo processos químicos, físicos, físico-químicos e biológicos</p><p>Planejamento e controle de produção – PCP</p><p>Efeitos especiais</p><p>Denim</p><p>Palavra criada nos Estados Unidos para um tipo de sarja trazida de Nîmes</p><p>(França), que Levi Strauss usava para fazer calças para os vaqueiros e os</p><p>mineiros no Velho Oeste.</p><p>Índigo</p><p>Tipo de anilina extraída de uma planta, cultivada principalmente na Índia e</p><p>no Paquistão, usada pelo homem desde os tempos mais remotos; hoje o</p><p>corante comercializado é produzido quimicamente.</p><p>Blue</p><p>A palavra blue signi�ca azul em inglês. O denim índigo blue é um tecido</p><p>usado para a confecção das roupas chamadas jeans, que dominam as</p><p>vestimentas dos jovens há mais de três décadas, tendo crescido a cada ano</p><p>entre a população mundial. As diferenças dos padrões são obtidas</p><p>principalmente por meio de lavagens. Inicialmente, o objetivo dessas</p><p>lavagens era imitar as calças dos vaqueiros americanos do Velho Oeste, que</p><p>tinham a aparência de muito tempo de uso. Esse fato não é novo, pois nos</p><p>anos 1960, os cowboys já usavam calça estonada (desbotada). Como isso era</p><p>possível? E como acontecia?</p><p>Os cowboys, ao se sujarem com terra, barro, carrapato, batiam suas roupas</p><p>nas pedras no intuito de limpá-las. Isso fazia com que as calças �cassem</p><p>mais claras e deu origem ao termo estonagem, que vem de stone (pedra em</p><p>inglês). Por volta de 1976, começou uma grande revolução na lavanderia</p><p>no Brasil, quando o jeans passou a ser submetido a um processo de lavagem</p><p>antes de chegar às prateleiras das lojas.</p><p>Nessa época, o consumidor já adquiria uma calça pré-encolhida, sem</p><p>excesso de corante, sem goma, que proporcionava suavidade e conforto.</p><p>Daí, para se obter um jeans desgastado foi somente um passo. Os</p><p>confeccionistas passaram a buscar as lavanderias como parceiras, e estas,</p><p>por sua vez, se especializaram na busca de processos diferenciados para</p><p>atender o consumidor. Isso explica o fato de inicialmente tentarmos</p><p>envelhecer as calças com pedaços de tijolo e lixas, passando-os sobre as</p><p>peças. Esse fato provocou o surgimento das lavanderias industriais</p><p>especí�cas para lavagem e estonagem de jeans.</p><p>Nessas lavanderias, descobriu-se que era possível obter uma variação do</p><p>aspecto da peça, o que valorizava ainda mais a roupa e a tornava mais</p><p>confortável.</p><p>Com isso, o nível técnico das lavanderias elevou-se de tal maneira que o</p><p>setor passou a representar um segmento industrial especí�co, com uma</p><p>estrutura de�nida, ocasionando a necessidade de pro�ssionais</p><p>especializados para a condução da produção e para o desenvolvimento de</p><p>novos padrões.</p><p>O tecido de jeans é obtido por meio de uma combinação de �os no sentido</p><p>horizontal (trama) e no sentido vertical (urdume), formando um ligamento</p><p>denominado sarja. Caracteriza-se por apresentar a trama branca (crua) e o</p><p>urdume tinto (azul ou preto), mostrando assim um contraste entre as cores.</p><p>O �o utilizado na trama não sofre nenhum tipo de bene�ciamento. Já o</p><p>urdume passa por um tingimento e posteriormente uma engomagem à base</p><p>de amido, que deverá ser retirado posteriormente para não prejudicar os</p><p>processos posteriores.</p><p>Figuras 1 – Máquina de tingimento do fio de urdume.</p><p>Sequência de trabalho envolvendo processos químicos,</p><p>físicos, físico-químicos</p><p>e biológicos</p><p>Entrada de mercadorias</p><p>Esse é o setor onde são feitos o recebimento das peças, a abertura dos lotes</p><p>e a conferência das peças.</p><p>Preparação</p><p>•</p><p>•</p><p>Esse setor tem como função dividir as peças por numeração, fazer a</p><p>pesagem dos lotes, separá-los por máquinas, fazer o fechamento do zíper, e</p><p>costurar as partes soltas.</p><p>Pré-umectação</p><p>Na pré-umectação, temos a absorção de água pela peça, além da abertura</p><p>das costuras, o que evita riscos na peça.</p><p>Desengomagem</p><p>A desengomagem tem por �nalidade a retirada de amido dos �os de</p><p>urdume. Para a eliminação da goma existem dois métodos:</p><p>desengomagem enzimática; e</p><p>desengomagem oxidativa.</p><p>Estonagem</p><p>O processo de estonagem tem por objetivo proporcionar uma abrasão nas</p><p>peças, isto é, um envelhecimento pelo desgaste.</p><p>Por meio do grau de abrasão obtido é que se determina o padrão</p><p>comumente empregado no mercado, tais como stonewashed, superstone,</p><p>destroyer etc.</p><p>A estonagem pode ser obtida pelo tratamento das peças sob ação mecânica</p><p>da máquina, ação esta que pode ser incrementada �sicamente com a adição</p><p>de “pedras” (cinasita ou piroclastos), tampinhas de garrafa PET ou ainda</p><p>com pneu cortado e tratado quimicamente. Este último foi obtido por meio</p><p>de um estudo realizado na Escola SENAI Francisco Matarazzo, sob a</p><p>supervisão da professora Katia Hipólito. O incremento na ação de atrito</p><p>também pode ser efetuado biologicamente pela adição de enzimas</p><p>•</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>especí�cas ou ainda quimicamente pela adição de oxidantes. Os três tipos</p><p>de processo serão vistos a seguir:</p><p>Pedras (stonewashed)</p><p>As pedras apresentam característica de perda de diâmetro durante a</p><p>estonagem; em decorrência disso, uma reposição deve ser efetuada a cada</p><p>partida e são necessários diversos enxágues após a estonagem.</p><p>A estonagem com pedras se caracteriza por um tempo excessivo para obter</p><p>os padrões desejados; consequentemente, um ataque no cesto da máquina</p><p>proporciona uma menor migração; assim, obtém-se um maior efeito entre</p><p>trama e urdume.</p><p>O processo de estonagem com pedras normalmente ocorre em temperatura</p><p>ambiente, e o tempo varia conforme o padrão desejado. Para acelerar o</p><p>processo, pode-se empregar um álcali, normalmente metassilicato de sódio,</p><p>na proporção de 1 a 3%.</p><p>Tecnologias modernas já empregam pedras que causam menos desgaste e</p><p>menor grau de sujidade, reduzindo o consumo de água.</p><p>Enzimas (stonewashed enzimático)</p><p>A enzima é uma inovação no processo de estonagem; elas agem por meio</p><p>de um ataque na parte celulósica da peça, proporcionando um aspecto de</p><p>envelhecimento.</p><p>As enzimas estão divididas nos seguintes grupos:</p><p>enzimas ácidas;</p><p>enzimas neutras;</p><p>enzimas híbridas.</p><p>Em relação ao processo com pedras, as enzimas apresentam uma migração</p><p>maior, sendo em ordem de migração das enzimas híbridas para as enzimas</p><p>ácidas.</p><p>Conforme já mencionado, um controle rigoroso de pH e temperatura é de</p><p>fundamental importância no uso de enzimas. Por causa da sua</p><p>sensibilidade ao vapor direto, recomenda-se aquecer o banho na</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>•</p><p>temperatura desejada e depois colocar a enzima. Deve-se evitar injetar</p><p>vapor durante o processo.</p><p>O tempo empregado no uso de enzima varia conforme o padrão, mas, em</p><p>geral, pode-se padronizá-lo como:</p><p>tempo mínimo – 30 minutos;</p><p>tempo máximo – 90 minutos.</p><p>Uma exposição em tempo prolongado pode provocar um ataque excessivo</p><p>da celulose e consequentemente perda demasiada de resistência.</p><p>Pedras + enzimas</p><p>A estonagem combinada entre pedras e enzimas é empregada normalmente</p><p>em processos nos quais se necessita um grau de estonagem grande em um</p><p>curto período de tempo.</p><p>O processo trabalha na temperatura da enzima, e a quantidade de pedra é</p><p>limitada.</p><p>Álcali (stonewashed químico)</p><p>O processo é realizado quando se utiliza silicato ou metassilicato de sódio,</p><p>que, por conter partículas muito pequenas, faz uma estonagem branda,</p><p>recomendada para artigos bem delicados.</p><p>Délavé</p><p>Processo de clareamento que pode ser em maior ou em menor escala.</p><p>No processo de clareamento, é utilizado o hipoclorito de sódio em</p><p>temperatura ambiente. Em casos nos quais se deseja acelerar o processo,</p><p>pode-se aumentar a temperatura até 40ºC, no máximo, pois em</p><p>temperaturas superiores pode ocorrer a degradação da celulose. Para</p><p>proporcionar segurança no processo em relação à resistência, é necessário o</p><p>ajuste do pH em torno de 8,5–9,5. Normalmente trabalha-se em relação de</p><p>banho em torno de 1:5 até 1:8.</p><p>Depois de decorrido o tempo de tratamento com hipoclorito de sódio,</p><p>deve-se fazer uma neutralização do residual de cloro. Essa neutralização</p><p>–</p><p>–</p><p>necessariamente ocorre em banho novo com metabissul�to de sódio. Em</p><p>tecidos com elastano, deve-se substituir o hipoclorito de sódio por</p><p>permanganato de potássio.</p><p>Alvejamento oxidativo</p><p>O processo de alvejamento oxidativo torna-se necessário para realçar o</p><p>aspecto �nal do jeans (realce do branco).</p><p>O alvejamento oxidativo ocorre por meio da liberação do elemento ativo</p><p>proveniente de produtos especí�cos. O produto mais empregado é peróxido</p><p>de hidrogênio.</p><p>Trabalha-se em uma relação de banho superior à estonagem e à limpeza</p><p>prévia, em geral em torno de 1:8. Normalmente não se usam pedras</p><p>durante o processo de alvejamento, evitando assim pontos brancos</p><p>proporcionados pelas pedras.</p><p>Eventualmente, podemos acrescentar um branco óptico para incrementar o</p><p>grau de brancura, acentuando ainda mais o contraste azul</p><p>(urdume)/branco (trama).</p><p>Acabamento</p><p>Após os processos de lavagens, é necessário que façamos o acabamento das</p><p>peças. Esse acabamento visa ao incremento no toque e no aspecto geral,</p><p>qualidades necessárias para que tenhamos um produto de ótima</p><p>apresentação. A seguir, os principais tipos de acabamento:</p><p>Acidulação</p><p>Após a lavagem, devemos acertar o pH da roupa, pois o pH certo trará</p><p>muitos benefícios, a saber:</p><p>neutraliza a alcalinidade;</p><p>protege contra o amarelamento;</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>evita o ataque de traças; e</p><p>reduz o custo de água.</p><p>Amaciamento</p><p>Após a neutralização, é efetuado o amaciamento, cujos benefícios são:</p><p>deixar a peça macia;</p><p>perfumar;</p><p>deixar a roupa mais confortável para o uso;</p><p>promover poder bacteriostático, evitando a proliferação de micro-</p><p>organismos;</p><p>evitar cargas eletrostáticas.</p><p>Trabalha-se com relação de banho em torno de 1:8 e empregam-se</p><p>amaciantes com alta a�nidade com �bra de algodão. Não se deve proceder</p><p>a enxágues posteriores ao amaciamento.</p><p>Centrifugação</p><p>A centrifugação tem por �nalidade retirar o excesso de água, facilitando</p><p>assim o processo de secagem posterior.</p><p>Figuras 2 – Máquina centrífuga.</p><p>Secagem</p><p>A secagem visa à eliminação total do residual de água. É efetuada em</p><p>secadores rotativos a vapor, com queimadores a gás ou elétricos.</p><p>Figura 3 – Secador.</p><p>Passadoria ou revisão</p><p>Etapas em que são removidas as rugosidades da peça, deixando-a com boa</p><p>aparência. Durante esse processo, o passador também tem a função de</p><p>observar possíveis defeitos ocorridos durante o bene�ciamento. Caso seja</p><p>detectado algum defeito, a peça deverá retornar à produção e passar por</p><p>um novo processo.</p><p>Figuras 4 – Mesa de passadoria.</p><p>Laboratório</p><p>Poderíamos dizer que este é o coração da lavanderia, pois nele são</p><p>realizados o desenvolvimento de novas cores e os testes de controle de</p><p>qualidade, além de testes com novos produtos ou processos.</p><p>Planejamento e controle de produção – PCP</p><p>Na lavanderia, o funcionário que faz o PCP muitas vezes é aquele que está</p><p>trabalhando na preparação. Ao separar os lotes, ele já encaminha as peças</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>para uma determinada máquina e também pode rastrear o lote durante o</p><p>processo produtivo, a �m de esclarecer qualquer dúvida que o cliente possa</p><p>ter.</p><p>Hoje é possível etiquetar os lotes com etiquetas que permanecem presas à</p><p>peça durante todo o bene�ciamento. Essa etiqueta contém um código de</p><p>barras que é lido por uma leitora óptica no momento em que o lote entra</p><p>na empresa. Essa indicação permanece presa à peça até a entrega para o</p><p>cliente, que, por sua vez, recebe uma senha que lhe dá acesso ao site da</p><p>empresa, podendo acompanhar o lote on-line.</p><p>Efeitos especiais</p><p>Quando trabalhamos com a ajuda</p><p>de máquinas, todas as peças tendem a</p><p>sair da mesma forma, porém, sabemos que a maioria das pessoas gosta e</p><p>quer ser diferente das outras. A exclusividade é um argumento muito forte</p><p>dentro do conceito moda, sendo assim, a contribuição da lavanderia</p><p>consiste em tratar as peças de forma individual, criando detalhes e efeitos.</p><p>É evidente que o custo recai sobre o produto, porém, no mercado, há um</p><p>grande número de pessoas que paga por essa exclusividade.</p><p>Para que possamos realizar esses efeitos, utilizamos várias técnicas, das</p><p>quais podemos citar o conceito used, ou usado, em português, do qual é</p><p>possível fazer a seguinte analogia: assim como a tinturaria está para a</p><p>coloração total e a estamparia para a coloração parcial, a lavanderia de</p><p>peças está para toda a peça, e o conceito used, para algumas partes da peça.</p><p>Existem várias formas de aplicação de used:</p><p>Detonado e/ou puído: o detonado é feito com o uso do esmeril, que dá</p><p>picotes nas peças antes da lavagem, ou faz buracos, tomando o cuidado</p><p>de cortar apenas o urdume e revelando a trama. Já no efeito puído,</p><p>esses rasgos são mais super�ciais, não rasgando a peça, apenas</p><p>desgastando-a.</p><p>Bigode: esse efeito, que imita as marcações de um tanque, normalmente</p><p>pode ser feito com o uso de gabarito ou lixas.</p><p>Jateamento: quem já teve a oportunidade de ver uma pessoa pintando</p><p>um carro ou uma geladeira poderá entender facilmente o princípio do</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>jateamento. Há dois tipos de jateamento:</p><p>Com líquidos: consiste em pulverizar uma solução, que pode ser de</p><p>um oxidante ou uma mistura de pigmento/ligante, em partes</p><p>distintas da peça, escolhidas a esmo ou seguindo um padrão</p><p>preexistente. Alcançam-se melhores resultados quando se utiliza</p><p>uma pistola ligada a uma rede de ar comprimido, na qual se coloca</p><p>o líquido que, por meio da passagem do ar comprimido, é arrastado</p><p>na direção da peça.</p><p>Os oxidantes mais utilizados são o permanganato de potássio e o</p><p>hipoclorito de sódio.</p><p>A aplicação é feita utilizando um equipamento que tem por função</p><p>manter as peças in�adas por meio de injeção de ar, com sistema de</p><p>exaustão ou coluna de água, para evitar a contaminação do</p><p>ambiente. O operador deverá estar equipado com máscara de</p><p>proteção contra gases, luvas e óculos.</p><p>Com microesferas de vidro ou areia: seguindo o mesmo princípio do</p><p>jateamento com líquidos, porém é realizada dentro de uma câmera</p><p>fechada onde as partículas são arremessadas por meio de ar</p><p>comprimido, podendo inclusive rasgar a peça, caso seja essa a</p><p>intenção.</p><p>Lixado: esse processo consiste em passar diversas vezes uma lixa leve</p><p>sobre uma determinada área da peça, cujo resultado é a destruição</p><p>parcial dos �os. A lixa poderá estar presa à mão do funcionário ou</p><p>envolta por um pedaço de madeira. Esse processo é meramente</p><p>artesanal.</p><p>Outra maneira de conseguir a reprodução de um determinado efeito é</p><p>colocar dentro da calça um pedaço de madeira entalhada, garantindo assim</p><p>o mesmo efeito repetidas vezes.</p><p>Podemos também contar com esmerilhadeiras, que atuam mais</p><p>rapidamente do que o processo manual, sendo estas operadas por pessoas</p><p>que possuem muita habilidade manual. O maior avanço tecnológico</p><p>existente hoje nessa área é um braço robótico que possui uma escova,</p><p>garantindo não só �delidade nos padrões, bem como na agilidade do</p><p>processo.</p><p>• Laser: o processo consiste em tratar uma imagem ou texto em um</p><p>computador vinculado a um equipamento de raios laser. Ao incidir</p><p>sobre a peça, o raio laser faz com que o corante seja sublimado, �cando</p><p>a imagem impressa sobre a peça. A velocidade da impressão é similar a</p><p>de um scanner, e há vários níveis de intensidade do laser, alguns com</p><p>poder su�ciente para fazer furos e rasgos na peça. A maior vantagem</p><p>desse processo é a �delidade dos detalhes do desenho impresso, além</p><p>de tratar-se de um processo ecológico.</p><p>Figuras 5 – Exemplos de estampas feitas com máquina a laser.</p><p>Figuras 6 – Máquina de estampar a laser.</p><p>8. Beneficiamento de peças confeccionadas</p><p>Beneficiamento secundário</p><p>Matérias de coloração</p><p>Efeitos especiais sobre jeans tinto</p><p>Beneficiamento terciário</p><p>Cuidados a serem tomados</p><p>As lavanderias têm buscado permanentemente a qualidade e a inovação</p><p>para fazer artigos com características únicas, que a maioria dos</p><p>consumidores pode identi�car como processos feitos em peças</p><p>confeccionadas.</p><p>Os tratamentos úmidos em peças confeccionadas são classi�cados de</p><p>acordo com três áreas: tingimento, lavagem e acabamento. Todos esses</p><p>segmentos têm avançado em tecnologia e novos desenvolvimentos,</p><p>encontrando nichos do mercado que lhes dão exclusividade e permanência</p><p>inde�nida.</p><p>Apesar de a indústria ter se modernizado com equipamentos, técnicas</p><p>evoluídas e investigação, ela deve contar com muitas variantes além do</p><p>tecido em si, como �os, fechos, botões, adornos, etiquetas, bordados,</p><p>apliques etc., para obter um determinado efeito. O conhecimento e o</p><p>manejo dos detalhes podem fazer uma grande diferença no resultado �nal.</p><p>Os anos 1980 podem ser chamados de a década da moda “desperdício”, pois</p><p>nesse período se desenvolvia um produto a qualquer custo e com qualquer</p><p>qualidade. Os anos 1990 podem ser chamados de o período da moda</p><p>“global”, com variações mínimas de região para região, preços competitivos</p><p>sem comprometer a qualidade, garantia de processos ecológicos e entregas</p><p>em tempos mínimos. Todos esses requisitos levaram ao redesenho dos</p><p>processos, à sua melhoria, à busca de alternativas e ao desenvolvimento de</p><p>novas técnicas, com o objetivo de atingir a melhor opção de qualidade,</p><p>custos e e�ciência.</p><p>Beneficiamento secundário</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>As peças que chegam à lavanderia estão alvejadas e recebem o nome de PT,</p><p>que signi�ca pronto para tingir.</p><p>Estas peças deverão passar pelo processo de tingimento, lembrando que</p><p>usualmente a lavanderia trabalha basicamente com �bras celulósicas; por</p><p>esse motivo, os corantes deverão ser selecionados para que tenham</p><p>a�nidade com essas �bras.</p><p>Embora existam mais corantes que têm a�nidade com as �bras celulósicas,</p><p>normalmente a lavanderia trabalha com as seguintes classes de corantes:</p><p>direto, reativo, sulfuroso e pigmentos.</p><p>Matérias de coloração</p><p>A lavanderia utiliza os mesmos corantes usados na tinturaria, porém em</p><p>número reduzido. A primeira emprega as matérias de coloração listadas a</p><p>seguir.</p><p>Corante direto</p><p>Os corantes diretos são corantes aniônicos, solúveis em água, montando</p><p>diretamente no substrato têxtil em banho contendo eletrólito.</p><p>Natureza da afinidade</p><p>Duas são as forças que mantêm o corante preso, isto é, �xado à �bra:</p><p>forças de Van der Vaals;</p><p>ligações de hidrogênio.</p><p>Insumo auxiliar indispensável:</p><p>sulfato ou cloreto de sódio.</p><p>Fatores que influenciam o tingimento:</p><p>tempo de tingimento;</p><p>temperatura de tingimento;</p><p>dissolução do corante;</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>preparação do tecido;</p><p>tempo de armazenamento do corante;</p><p>temperatura de armazenamento;</p><p>pH;</p><p>lavagem.</p><p>Características de aplicação e níveis de solidez:</p><p>custo baixo;</p><p>boa igualização;</p><p>boa solidez à luz – baixa solidez a processos úmidos;</p><p>menor tempo de tingimento;</p><p>temperatura do tingimento.</p><p>Corante reativo</p><p>É um corante solúvel em água, aniônico, contendo um ou mais grupos</p><p>reativos que reagem com a celulose.</p><p>Natureza de afinidade:</p><p>forças de Van de Vaals;</p><p>ligações de hidrogênio;</p><p>ligações covalentes.</p><p>Insumos auxiliares indispensáveis:</p><p>sulfato ou cloreto de sódio; e</p><p>carbonato de sódio, hidróxido de sódio.</p><p>Fatores que influenciam o tingimento:</p><p>tempo de tingimento;</p><p>temperatura do tingimento;</p><p>dissolução do corante;</p><p>preparação do tecido;</p><p>tempo de armazenamento do corante;</p><p>temperatura de armazenamento;</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>pH;</p><p>reatividade do corante;</p><p>reação antes da difusão do corante;</p><p>lavagem.</p><p>Característica de aplicação e níveis de solidez:</p><p>custo maior que o direto;</p><p>boa solidez aos tratamentos úmidos;</p><p>brilho;</p><p>variedade de classes.</p><p>Corantes sulfurosos</p><p>São corantes que possuem ligações de enxofre em sua estrutura. São</p><p>insolúveis em água, portanto, devem ser reduzidos para que se tornem</p><p>solúveis,</p><p>e, uma vez aplicados ao substrato, são oxidados, voltando à sua</p><p>forma original, isto é, insolúveis na água. Quando reduzidos, possuem</p><p>comportamento semelhante aos corantes diretos.</p><p>Natureza de afinidade:</p><p>forças de Van de Vaals;</p><p>ligações de hidrogênio.</p><p>Insumos auxiliares indispensáveis:</p><p>sulfeto de sódio ou glicose;</p><p>hidróxido de sódio;</p><p>sulfato ou cloreto de sódio.</p><p>Fatores que influenciam o tingimento:</p><p>tempo de tingimento;</p><p>temperatura do tingimento;</p><p>oxidação prematura;</p><p>oxidantes;</p><p>efeito tendering.</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>Característica de aplicação:</p><p>custo menor em comparação ao dos reativos;</p><p>tipo de corante;</p><p>excelente solidez a processos úmidos;</p><p>baixa solidez ao cloro e à fricção;</p><p>cores opacas e de pouco brilho, com exceção do preto;</p><p>gama de cores reduzidas.</p><p>Pigmento</p><p>O pigmento é uma matéria de coloração que não apresenta nenhuma</p><p>a�nidade com qualquer substrato, porém, pode ser �xado a este por meio</p><p>de um ligante, isto é, por polimerização. Para isso, é necessário que o</p><p>substrato seja cationizado.</p><p>Natureza da afinidade</p><p>Depende única e exclusivamente da polimerização do ligante.</p><p>Insumos auxiliares indispensáveis:</p><p>cationizador;</p><p>ligante.</p><p>Fatores que influenciam o tingimento:</p><p>cationização;</p><p>tempo de polimerização;</p><p>temperatura de polimerização;</p><p>tipo de ligante.</p><p>Característica de aplicação:</p><p>custo;</p><p>contaminação dos equipamentos;</p><p>brilho;</p><p>cores �uorescentes;</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>•</p><p>facilidade de aplicação;</p><p>tingimento super�cial;</p><p>variedade de cores;</p><p>baixa solidez à fricção;</p><p>formação de pilling.</p><p>Efeitos especiais sobre jeans tinto</p><p>Sujinho – Dirty</p><p>É um tingimento feito sobre o jeans, cuja �nalidade é mascarar o azul da</p><p>peça, conferindo-lhe uma segunda cor. O segredo desse tingimento está no</p><p>fato de se utilizar um corante com baixa solidez à lavagem; sendo assim,</p><p>após o uso da peça, quando se realiza uma lavagem, o corante vai se</p><p>soltando e, a cada lavagem, a peça �ca mais azul, lembrando a sua cor</p><p>inicial.</p><p>Jateamento com pigmento</p><p>É uma aplicação feita sobre a peça tinta, cuja �nalidade é realçar uma</p><p>segunda cor super�cial.</p><p>Beneficiamento terciário</p><p>Consiste nas operações de acabamento, que podem ser de acidulação e de</p><p>amaciamento.</p><p>A acidulação serve para neutralizar a alcalinidade das peças; evita o tom</p><p>amarelado e prepara as roupas para o amaciamento.</p><p>O amaciamento serve para tornar a roupa mais confortável ao uso.</p><p>Receitas</p><p>Como em todos os outros segmentos do bene�ciamento, as receitas para os</p><p>processos de lavanderia podem variar de acordo com o processo, a �bra, o</p><p>maquinário e os próprios insumos básicos e auxiliares.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>O fornecedor de produtos químicos básicos e auxiliares deve disponibilizar</p><p>um catálogo técnico informando as quantidades que deverão ser utilizadas</p><p>de um dado produto. É importante comentar que esses valores são pontos</p><p>de partida, ou seja, são valores orientadores. No trabalho, deve-se adaptar</p><p>esses valores à realidade de cada empresa.</p><p>Cuidados a serem tomados</p><p>É muito importante que não se utilizem lotes diferentes de tecidos para</p><p>a confecção de peças que serão tingidas com a mesma cor;</p><p>Devem ser feitos testes prévios na lavanderia para se conhecer o grau de</p><p>encolhimento das peças;</p><p>Virar as peças do avesso;</p><p>Tomar cuidado com a etiqueta, pois ela pode sofre deformação ou</p><p>encolhimento;</p><p>Tomar cuidado com etiquetas de couro, pois, em pH alcalino, elas</p><p>podem ser destruídas.</p><p>Quadro 1 – Aviamentos</p><p>Peças e acessórios Fatores a considerar</p><p>Botões Tipo de material</p><p>Efeitos da temperatura</p><p>Resistência</p><p>Zíper In�uência do material utilizado no zíper</p><p>Coloração do zíper</p><p>Abrasão a ser causada na roupa pela ação do zíper</p><p>Encolhimento</p><p>In�uência da oxidação (escurecimento)</p><p>Entretelas Encolhimento</p><p>Deformação</p><p>Linha de costura Tipos de �bra</p><p>Resistência aos processos subsequentes</p><p>Solidez à cor</p><p>Encolhimento, franzimento nas costuras</p><p>Aviamento / Bolso Tipos de �bra nos �os</p><p>Estabilidade dimensional</p><p>Tonalidade desejada, durabilidade e resistência</p><p>Quadro 2 – Motivos que levam à perda de clientes</p><p>Motivos Porcentagem</p><p>Morte (física e jurídica) 1%</p><p>Mudança de endereço 3%</p><p>Mudança de hábitos 5%</p><p>Qualidade do produto/serviço 9%</p><p>Preço 14%</p><p>Qualidade do atendimento 68%</p><p>9. Colorimetria</p><p>Histórico</p><p>Introdução</p><p>Histórico</p><p>A retrospectiva histórica demonstra que a colorimetria, em princípio, é uma</p><p>ciência contemporânea. Em 1931, determinou-se a sensibilidade espectral</p><p>média do olho humano (observador normal), e os físicos Kubelka e Munk</p><p>formularam a correlação entre o grau de remissão espectral de um</p><p>tingimento (valor de medição físico) e a quantidade usada de corante. Já</p><p>naquela época mediu-se a distribuição espectral de energia em diversas</p><p>fontes luminosas. Com isso, conheceram-se as bases necessárias para a</p><p>colorimetria atualizada. Dentro de um conceito limitado, os físicos</p><p>especializados executam cálculos colorimétricos desde 1931.</p><p>O motivo da introdução hesitante da colorimetria na indústria estava na</p><p>necessidade de uma grande quantidade de cálculos, os quais eram feitos</p><p>apenas, e com muita di�culdade, com o uso da régua de cálculo e da</p><p>calculadora mecânica. Com o surgimento dos primeiros computadores no</p><p>mercado, nos anos 1950, nada mais impediu o desenvolvimento rápido dos</p><p>métodos colorimétricos práticos. Os primeiros programas de cálculos</p><p>colorimétricos foram desenvolvidos por físicos especializados que</p><p>trabalhavam nas empresas produtoras de corantes, tendo como precursora</p><p>a Sandoz, que, em 1954, fundou um grupo de pesquisa e, em 1961,</p><p>executou os primeiros cálculos, possibilitando dessa maneira um controle</p><p>de qualidade objetivo e um cálculo automático para uma receita de</p><p>tingimento.</p><p>A colorimetria começou a fazer parte de todas as indústrias que lidam com</p><p>cores graças à evolução da tecnologia de computação.</p><p>Introdução</p><p>A colorimetria é a ciência da medição da cor. Por meio da colorimetria, a</p><p>impressão sensorial “cor” deixa de ser subjetiva para ser objetiva, podendo</p><p>ser expressa, quantitativamente, em número. Uma forma objetiva na</p><p>colorimetria é possível, desde que se trabalhe com valores normalizados</p><p>quanto às fontes luminosas, geometrias de observação e sensibilidade</p><p>média do olho humano.</p><p>Podemos dizer, também, que a colorimetria é uma ciência que estuda como</p><p>identi�car, reproduzir e padronizar o universo das cores. Ou ainda</p><p>podemos dizer que é uma ciência que dá endereço à cor, ou seja, mensura a</p><p>cor por meio de números.</p><p>Se procurarmos o termo “cor” numa enciclopédia brasileira, obteremos a</p><p>seguinte informação: “aparência dos corpos segundo o modo por que</p><p>re�etem ou absorvem a luz. Impressão particular que causam no sentido da</p><p>vista de diferentes raios luminosos, simples ou combinados, quando</p><p>re�etidos pelo corpo” (Caldas Aulete, 1980).</p><p>Poderíamos ainda complementar que se trata de uma impressão sensorial</p><p>captada pelo olho e conduzida ao cérebro pelos impulsos nervosos, sendo,</p><p>portanto, subjetiva, e apresenta variações relativamente grandes entre os</p><p>seres humanos, dependendo inclusive de diversos fatores, como, por</p><p>exemplo, o estado de espírito, o cansaço, bem como a idade da pessoa e o</p><p>estado de saúde dos órgãos sensoriais de cada uma.</p><p>Parece difícil entender o que é cor? Vamos tornar mais fácil o</p><p>entendimento criando associações entre a cor e a luz, duas de�nições que</p><p>coexistem em equilíbrio.</p><p>10. Luz e cor</p><p>Formação das cores nos substratos coloridos</p><p>Luz</p><p>Espectro visível</p><p>Por luz entende-se, na física, a parte da radiação eletromagnética que pode</p><p>ser detectada pelo olho humano.</p><p>A energia eletromagnética é somente uma das formas de energia que</p><p>atualmente conhecemos. As outras formas são térmica, química, cinética,</p><p>atômica, elétrica etc.</p><p>A energia eletromagnética é também conhecida como energia radiante,</p><p>porque só existe na forma de ondas que vão e vêm por estreitos caminhos,</p><p>como raios, em todas as direções a partir de sua fonte.</p><p>Assim, sendo a luz uma forma especial de energia, também é chamada de</p><p>energia radiante visível.</p><p>Considerando que a energia não pode ser destruída, somente mudada de</p><p>uma forma para outra, e levando</p><p>em conta a composição �siológica e a</p><p>função do olho, podemos agora entender que a luz é transformada de</p><p>energia elétrica em energia radiante eletromagnética como uma fonte de</p><p>luz, movimentando-se em alta velocidade, na forma de ondas de alta</p><p>frequência, e que passa a ser usável para o homem quando uma quantidade</p><p>su�ciente de ondas é transformada em energia química nos receptores dos</p><p>olhos.</p><p>Agora que já sabemos o que signi�ca luz, podemos perguntar: o que a cor</p><p>tem a ver com tudo isso?</p><p>A cor é o efeito das ondas da luz, re�etidas ou passadas através de vários</p><p>objetos, que chegam aos nossos olhos.</p><p>Este é um fato a se pensar: nós enxergamos a re�exão da luz.</p><p>A cor se apresenta de duas formas distintas:</p><p>•</p><p>•</p><p>radiação;</p><p>partícula.</p><p>Quando a cor se apresenta na forma de luz, ela é uma radiação formada a</p><p>partir de três padrões primários:</p><p>Figura 1 – Representação das cores sob a forma de luz.</p><p>A cor branca é formada quando há o somatório de todas as luzes. O preto é</p><p>formado quando há a ausência de todas as luzes.</p><p>Ao conjunto dessas cores, chamamos de mistura aditiva.</p><p>Red – Green – Blue – Sistema RGB</p><p>Quando a cor se apresenta na forma material, isto é, em partícula, ela</p><p>também é formada a partir de três padrões primários:</p><p>Figura 2 – Representação das cores sob a forma de matéria.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>A cor preta é formada quando há o somatório de todos os pigmentos. E a</p><p>cor branca é formada quando há a ausência de todos os pigmentos.</p><p>Ao conjunto dessas cores, chamamos de mistura subtrativa.</p><p>Ciano – Magenta – Yellow – Black – Sistema CMYK</p><p>Formação das cores nos substratos coloridos</p><p>A formação da cor sobre o substrato se dá quando adicionamos corantes ou</p><p>pigmentos a este, sendo que a grande maioria das cores que temos nas</p><p>vestimentas quase nunca é formada por um único corante, mas pela</p><p>combinação de dois ou mais corantes.</p><p>As cores podem ser classi�cadas como:</p><p>primárias;</p><p>secundárias;</p><p>terciárias.</p><p>O espectro visível é constituído por todas as cores que podemos enxergar.</p><p>Figura 3 – Espectro visível.</p><p>Luz</p><p>Em 1666, Sir Isaac Newton, físico e matemático inglês, fez uma famosa</p><p>experiência que revelou a relação entre luz e cor. Um raio de luz branca, no</p><p>caso, a luz do sol, passou através de um prisma retangular. O raio foi</p><p>desviado e ao mesmo tempo dispersado em um espectro. Newton observou</p><p>que o espectro tinha faixas de cores que ele chamou de violeta, índigo, azul,</p><p>verde, amarelo, laranja e vermelho. Observou ainda que todas essas</p><p>cromaticidades eram componentes da luz branca. Passou então o espectro</p><p>colorido luminoso através de outro prisma, o qual desviou a luz na direção</p><p>original. Quando ele fez isso, os componentes do espectro combinaram-se,</p><p>voltando à luz branca. Assim, ele mostrou que a luz branca pode ser</p><p>separada em componentes coloridos e, quando estes se juntam novamente,</p><p>podem voltar a re�etir a luz branca.</p><p>Newton concluiu também que as cores dos objetos re�etem ou transmitem</p><p>mais ou menos luz de diferentes partes do espectro.</p><p>Tal espectro, mencionado anteriormente, refere-se ao espectro visível, ou</p><p>seja, energia radiante que afeta o sentido da vista, e sua faixa de</p><p>comprimento de onda está compreendida entre 400 e 700 nm. Abaixo de</p><p>400 nm, temos a radiação ultravioleta, e, acima de 700 nm, a radiação</p><p>infravermelha.</p><p>Espectro visível</p><p>Fonte: Com base em HASSEMER, 2006.</p><p>Figura 4 – Esquema do espectro eletromagnético.</p><p>Tabela 1 – Comprimento de ondas/ondas eletromagnéticas</p><p>Comprimento de onda Ondas eletromagnéticas</p><p>Até 0,000 1 nm Constituintes dos raios cósmicos</p><p>0,0001 nm a 0,001 nm Raios gama</p><p>0,001 nm a 10 nm Raios x</p><p>10 nm a 400 nm Raios ultravioleta – UV</p><p>400 nm a 700 nm Luz visível</p><p>700 nm a 100 μm Infravermelho – IV</p><p>100 μm a 100 cm Ondas de radar e micro-ondas</p><p>100 cm a 1 km Ondas hertzianas: TV, FM e rádio</p><p>nm = nanômetro (1 × 10-9 m) = 1 metro dividido em 1 bilhão de vezes.</p><p>μm = micrômetro (1 × 10-6 m) = 1 metro dividido em 1 milhão de vezes.</p><p>Å = angströn (1 × 10-10m) = 1 bilionésimo do metro.</p><p>A frequência é medida em hertz, que signi�ca quantos picos ou cristas de</p><p>ondas passam por um determinado ponto em um segundo.</p><p>A rádio Record opera em uma frequência de 1.000.000 hz, ou 1.000 khz.</p><p>As cores possuem uma frequência muito maior, e nossos olhos estão aptos a</p><p>captar sua frequência, mas não a frequência das ondas das rádios AM ou</p><p>FM.</p><p>11. Os três elementos fundamentais</p><p>Princípio do processo da percepção visual</p><p>Fontes de luz</p><p>Cabines de luz</p><p>Objeto observado</p><p>Observação das cores dos objetos</p><p>Observador</p><p>Deficiência na visualização das cores – Daltonismo</p><p>Princípio do processo da percepção visual</p><p>Os três componentes que participam do processo de percepção visual são: a</p><p>fonte de luz, o objeto observado e o olho humano. Este último conduz as</p><p>informações adaptadas ao cérebro, que estimula a sensação de cores que</p><p>denominamos amarelo, vermelho, verde, branco e outras. A cor não</p><p>depende apenas do objeto observado, mas também do tipo de iluminação e</p><p>das propriedades de nossos olhos. Se mexermos em qualquer um desses</p><p>três componentes, haverá uma alteração na impressão cromática.</p><p>Figura 1 – Componentes do processo de percepção visual.</p><p>Fontes de luz</p><p>O sol e a lâmpada elétrica são fontes de luz, porque eles emitem energia</p><p>radiante com comprimentos de ondas de�nidos, que chamamos de luz.</p><p>Essa energia radiante se propaga em todas as direções do espaço, na forma</p><p>de comprimentos de ondas.</p><p>A �m de possibilitar a caracterização numérica de uma fonte luminosa,</p><p>deve-se quanti�car a luz irradiada em cada comprimento de onda. Para os</p><p>cálculos colorimétricos, foi determinada, em nível internacional, uma</p><p>média das diversas distribuições energéticas das fontes comumente</p><p>encontradas.</p><p>Uma fonte de luz emite energia radiante relativamente balanceada, em</p><p>todos os comprimentos de ondas, de forma a parecer branca ao olho.</p><p>Entretanto, se passarmos uma estreita faixa de luz branca através de um</p><p>prisma transparente, ela será propagada em conjunto de ondas individuais,</p><p>de comprimentos de ondas visíveis, e, assim, os olhos poderão distingui-las.</p><p>Um pesquisador de lâmpadas está preocupado em saber se os componentes</p><p>de onda acima de 630 nm produzem o efeito que chamamos de vermelho e</p><p>se aqueles que estão entre 450 e 490 nm são chamados de azul; e assim por</p><p>diante.</p><p>Fonte: Com base em SALEM, 2010.</p><p>Figura 2 – Espectro visível.</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>Iluminantes</p><p>As mais e�cientes fontes de luz conhecidas são ainda de�cientes em sua</p><p>capacidade de re�exão da cor. Para melhorar a re�exão dessas cores, �ltros</p><p>e revestimentos têm sido utilizados, mas esses artifícios reduzem a sua</p><p>e�ciência.</p><p>Dessa forma, cada fonte de luz tem vantagens especiais e deve ser utilizada</p><p>de acordo com o tipo de aplicação.</p><p>A CIE – Commission International de l’Eclairage (Comissão Internacional</p><p>de Iluminação), com sede em Paris, França, de�niu três grupos de fontes</p><p>de iluminação como padrão:</p><p>alta intensidade de descarga;</p><p>incandescente;</p><p>�uorescente.</p><p>Alta intensidade de descarga</p><p>Corresponde à luz natural ou luz do dia. Por exemplo, iluminante D65 e</p><p>também D55, D75. Usa-se D para daylight, ou luz do dia, em português; 65</p><p>= 6.500°Kelvin, a temperatura da cor.</p><p>Essas fontes de luz podem ser do tipo vapor de mercúrio, vapores múltiplos</p><p>e sódio.</p><p>Elas produzem luz pelo estabelecimento de arco entre dois eletrodos que</p><p>estão a poucos centímetros de distância um do outro, em pontos opostos de</p><p>um tubo selado, translúcido ou transparente. Um arco voltaico se expande</p><p>pela fenda existente entre os dois eletrodos, gerando temperatura e pressão</p><p>muito mais altas do que as das lâmpadas �uorescentes, o su�ciente para</p><p>vaporizar os átomos dos vários elementos metálicos contidos dentro da</p><p>fenda por onde se produz o arco.</p><p>Essa vaporização permite que os átomos emitam grande quantidade de</p><p>energia eletromagnética na faixa visível. O elemento metálico nas lâmpadas</p><p>de mercúrio é tão somente o próprio mercúrio, enquanto nas lâmpadas de</p><p>vapores múltiplos, pequenas quantidades de iodetos de sódio, tálio e índio</p><p>são adicionadas ao mercúrio, que continua sendo o</p><p>elemento metálico</p><p>básico. Nas lâmpadas de sódio, pequenas quantidades de mercúrio podem</p><p>ser encontradas.</p><p>Luz incandescente (Iluminação doméstica)</p><p>Iluminante A. A CIE adota a temperatura de cor de 2.856 K.</p><p>A princípio associada à vela, por exemplo, 60 velas, hoje substituída por</p><p>watts, sendo essa sua potência.</p><p>É uma luz de�ciente para que se possa observar uma cor.</p><p>Produzem luz pelo aquecimento elétrico de um �lamento de tungstênio de</p><p>alta resistência, para produzir brilho intenso.</p><p>Fluorescente</p><p>Iluminantes TL 84, CWF, F11, F2, F7, F12, F. Trata-se de um tubo</p><p>�uorescente com uma temperatura de cor de 4.000 K, Philips TL 84, na</p><p>realidade conhecida como “luz branca”, levemente amarelada.</p><p>Produz a luz pelo estabelecimento de um arco entre dois eletrodos em uma</p><p>atmosfera de baixa pressão, com vapor de mercúrio na câmara (tubo de</p><p>vidro).</p><p>Essa descarga feita pelo arco produz uma radiação ultravioleta a um</p><p>determinado comprimento de onda que excita os cristais de fósforo, que na</p><p>forma de pó seco reveste internamente o tubo de vidro. A �uorescência do</p><p>fósforo converte a energia UV em energia radiante visível, ou seja, em luz.</p><p>•</p><p>Fonte: Com base em SALEM, 2010.</p><p>Figura 3 – Ondas dos iluminantes da cabina de luz.</p><p>Cabines de luz</p><p>As avaliações de cores visuais devem então ser padronizadas entre o</p><p>bene�ciamento e o cliente.</p><p>Essa padronização pode ser feita sob luminárias padronizadas por ambas as</p><p>partes ou cabines de luz.</p><p>Evidentemente que as cabines de luz se mostram muito mais adequadas,</p><p>pois dessa maneira elimina-se a in�uência da iluminação externa, bem</p><p>como o problema das estações do ano e do horário.</p><p>A cabine de luz é uma caixa que contém vários tipos de lâmpada: luz do</p><p>dia, incandescente, �uorescente, ultravioleta e outras, de acordo com o</p><p>modelo.</p><p>Tudo isso é muito importante quando se pensa em fotocromismo ou</p><p>metamerismo.</p><p>Fotocromismo</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Acontece quando um objeto colorido, exposto a diferentes fontes de luz,</p><p>sofre alteração de cor.</p><p>Metamerismo</p><p>Ocorre quando se comparam dois objetos sobre uma luz e ambos possuem</p><p>cor x e x; quando os dois objetos �cam sob outra iluminação, apenas um</p><p>muda de cor, �cando x e y.</p><p>Objeto observado</p><p>De que valeria a fonte de luz se não tivéssemos um substrato colorido para</p><p>ser observado? Para tanto, temos substratos foscos, semibrilhantes e</p><p>brilhantes; a sua re�exão de luz está associada ao polimento de sua</p><p>superfície, pois quanto mais polido, maior será a sua re�exão. Observe que</p><p>a luz re�etida não tem nada a ver com a luz re�etida pelo substrato, com</p><p>relação à re�exão do corante.</p><p>Quando a luz incide sobre um objeto, por exemplo, material têxtil ou papel</p><p>tingido, pode-se observar os seguintes fenômenos:</p><p>Re�exão: ocorre quando a superfície de separação é bastante lisa, polida</p><p>e opaca à luz; os raios que incidem mudam de direção, retornando para</p><p>o mesmo meio.</p><p>Figura 4 – Reflexão da luz.</p><p>Refração: ocorre com a luz quando atravessa um meio transparente; o</p><p>raio incide mudando de direção ao atravessar o meio.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Figura 5 – Refração da luz.</p><p>Transmissão: a luz atravessa o material praticamente sem alteração. A</p><p>luz é transmitida através do material, o qual descrevemos como</p><p>transparente. Conforme se aumenta à concentração, parte da luz é</p><p>transmitida e parte é absorvida.</p><p>Figura 6 – Transmissão da luz.</p><p>Difusão: ocorre quando a superfície de separação não é su�cientemente</p><p>lisa, polida; os raios incidentes retornam em diversas direções. A</p><p>difusão é responsável pela visão dos objetos que nos cercam. A cor que</p><p>um corpo apresenta é determinada pelo tipo de luz que ele re�ete</p><p>difusamente.</p><p>Figura 7 – Difusão da luz.</p><p>Absorção: ocorre quando a luz incide sobre a superfície de separação e</p><p>não retorna ao meio e nem se propaga no meio; ela é absorvida na</p><p>superfície. Como a luz é uma forma de energia, isso acarreta um</p><p>aquecimento da superfície.</p><p>Figura 8 – Absorção da luz.</p><p>Com o espectrofotômetro, pode-se medir a quantidade de luz re�etida pelo</p><p>objeto em relação à quantidade de luz incidente, para todos os</p><p>comprimentos de onda que sejam de interesse (faixa espectral visível: 400</p><p>nm a 700 nm). Os valores de medição obtidos são chamados de re�exão</p><p>espectral.</p><p>Se estabelecermos um grá�co traçando o grau de re�exão medido contra os</p><p>diversos comprimentos de onda, obteremos a curva de re�exão e, por meio</p><p>dela, poderemos de�nir a cor da amostra. Supondo-se que uma amostra</p><p>re�ita a totalidade da luz incidente, a respectiva curva de re�exão seria</p><p>uma reta horizontal a 100%, e a amostra representaria o branco ideal. Por</p><p>outro lado, um preto ideal resultaria numa reta horizontal a 0% de re�exão,</p><p>absorvendo a totalidade da luz em todos os comprimentos de onda.</p><p>Observação das cores dos objetos</p><p>Um objeto sem luz não terá cor. Cores são simplesmente nomes que</p><p>descrevem as várias misturas de energia eletromagnética que existe somente</p><p>no estado transitório de radiação. E uma vez que é a descrição de um</p><p>fenômeno dinâmico ou em movimento, as cores também não podem ser</p><p>propriedades físicas dos objetos �xos.</p><p>O que são, então, as cores dos objetos?</p><p>As cores que vemos nos objetos são o resultado da energia de ondas</p><p>radiantes que impressionam os olhos, mas somente depois de elas terem</p><p>sido modi�cadas de várias maneiras por todos os objetos.</p><p>Todos os objetos físicos têm um efeito modi�cante, próprio das ondas de</p><p>luz, reduzindo tanto a quantidade de energia quanto o tipo de onda da</p><p>iluminação que impressionam os olhos, originárias da fonte de luz.</p><p>No período da tarde, as partículas na atmosfera �ltram a radiação solar</p><p>antes de impressionar nossos olhos, ocasionando a parcial mudança de cor</p><p>do céu e das nuvens no pôr do sol.</p><p>Associamos o tomate ao vermelho; a manteiga ao amarelo; e a alface ao</p><p>verde. Normalmente ligamos os nomes das cores à maioria de todas as</p><p>coisas que nos cercam em nosso dia a dia.</p><p>Esses objetos que parecem ser da mesma cor sob todas as condições de</p><p>iluminação são chamados de “cor constante”, o que quer dizer que eles</p><p>constantemente re�etem ou transmitem ondas de luz somente em uma</p><p>faixa de cores particular e estreita, enquanto absorvem todas as outras.</p><p>A água não tem constância de cor porque re�ete e transmite todas as ondas</p><p>de luz; consequentemente, parece ter a cor que predominar no seu</p><p>ambiente.</p><p>Podemos concluir que, ao enxergarmos uma cor, esta nada mais é do que a</p><p>luz transmitida ou re�etida por um substrato.</p><p>Observador</p><p>As ondas de luz penetram nos olhos pela córnea, que as transmite à retina.</p><p>Essas ondas são �namente difusas quando passam através das lentes que se</p><p>encontram atrás da córnea. A íris atua como um diafragma que expande ou</p><p>contrai a pupila, controlando a quantidade de luz que é permitido entrar</p><p>no olho. Os bastonetes e os cones são os últimos a receber cada parte da</p><p>imagem. Eles transformam a imagem óptica recebida de energia radiante</p><p>em energia química, que estimula milhões de terminais nervosos que</p><p>transmitem os impulsos selecionados para o cérebro, e este os interpreta,</p><p>criando-se então a percepção visual.</p><p>Fonte: Com base em GRAZIANO et al., 2005.</p><p>Figura 9 – Olho humano.</p><p>Fonte: Com base em SALEM, 2010.</p><p>Figura 10 – Partes do olho humano.</p><p>Fonte: Com base em BRUNO et al., 2001.</p><p>Figura 11 – Seção vertical dos olhos.</p><p>Estima-se que o número de bastonetes seja de aproximamente 120 milhões,</p><p>sendo mais sensíveis que os cones, cujo número está estimado em cerca de</p><p>7 milhões. Como os bastonetes apresentam praticamente a mesma</p><p>sensibilidade para todo o espectro, a visão cromática dessas células é</p><p>impossível, sendo que estas são responsáveis apenas pela visão escotópica</p><p>(visão no escuro).</p><p>Os cones são menos sensíveis do que os bastonetes, porém existem três</p><p>tipos que respondem de modo diferente ao espectro visível, no qual é</p><p>possível obter-se a visão colorida. O primeiro tipo é responsável pela visão</p><p>da cor vermelha. O segundo tipo, pela cor verde. O terceiro e último tipo de</p><p>cone é responsável pela visão da cor azul. Eles também são conhecidos por</p><p>valores tristímulos.</p><p>X, Y e Z (X = vermelho; Y = verde; Z = azul). A �m</p><p>de possibilitar o</p><p>cálculo colorimétrico, a sensibilidade espectral dos três tipos de cones deve</p><p>ser expressa numericamente.</p><p>1o grupo – Responsável pela visão vermelha – Red – R</p><p>2o grupo – Responsável pela visão verde – Green – G</p><p>3o grupo – Responsável pela visão azul �� Blue – B</p><p>Os bastonetes estão também presentes no olho, mas eles não são</p><p>responsáveis pela visão das cores. Os bastonetes estão ligados a um só</p><p>terminal nervoso e não têm capacidade para perceber detalhes. Eles são</p><p>sensíveis aos baixos índices de iluminação e permitem ver à noite, ou sob</p><p>extremas condições de baixa iluminação. A isso chamamos de visão</p><p>escotópica.</p><p>Deficiência na visualização das cores – Daltonismo</p><p>O olho daltônico só percebe as variações de cinza e, às vezes, certas cores,</p><p>dependendo certamente da extensão da de�ciência. O daltonismo é um</p><p>defeito da visão que é transmitido por meio de características genéticas.</p><p>Uma pessoa totalmente daltônica não pode distinguir uma cor da outra</p><p>porque os seus cones estão totalmente, ou mesmo parcialmente, impedidos.</p><p>Somente os bastonetes estão funcionando. Os olhos dessa pessoa são</p><p>sensíveis apenas à luminosidade ou à quantidade de luz. Como resultado</p><p>dessa situação, as fontes de luz se apresentam simplesmente como</p><p>brilhantes ou tênues, e os objetos são apenas claros ou escuros.</p><p>Uma pessoa totalmente daltônica tem total visão das coisas que a cercam,</p><p>mas sempre variando dentro da escala dos tons “cinza”, da mesma forma</p><p>que uma pessoa que está apreciando um programa de TV colorido, mas</p><p>vendo somente em branco e preto.</p><p>O tipo mais comum de de�ciência é conhecido como deutoranomalia, ou</p><p>seja, a falta de visão das cores vermelhas e verdes. Essas pessoas veem o</p><p>amarelo e o azul normalmente, mas têm problemas para diferenciar os tons</p><p>vermelhos e os verdes.</p><p>Cerca de 5% da população masculina tem esse tipo de de�ciência, e</p><p>somente 0,38% das mulheres o têm.</p><p>Para detectar se uma pessoa apresenta alguma de�ciência na visão das</p><p>cores, há vários testes, entre eles o teste de Ishihara.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Conclusão: o que enxergamos como cor é, então, luz colorida que pode ser</p><p>emitida, ou re�etida, ou, ainda, transmitida por um meio ou material.</p><p>Se soubermos a quantidade de luz que é absorvida e a quantidade que é</p><p>re�etida, conseguimos saber qual é a cor.</p><p>Para se imitar cores, são necessários três elementos: o substrato, a luz e o</p><p>observador, ou seja, um colorista; no entanto, a in�uência do observador é</p><p>subjetiva, pois depende:</p><p>da interpretação de cada um;</p><p>da exigência das pessoas; há pessoas mais exigentes e outras mais</p><p>tolerantes com relação à aprovação de uma cor;</p><p>do estado emocional do avaliador;</p><p>da condição da visão, pois há pessoas com de�ciência na visão de cor.</p><p>12. Espaços colorimétricos</p><p>O espaço das cores</p><p>Os espaços de cores ilustram a possibilidade de se de�nir as cores por</p><p>números, apontando desse modo um critério de classi�cação e aprovação</p><p>das cores. Em 1905, Munsell propôs uma organização espacial de</p><p>classi�cação de cores baseada na claridade, na tonalidade e na saturação.</p><p>Fonte: Com base em LEAO et al., 2005.</p><p>Figura 1 – Organização espacial de classificação de cores segundo Munsell.</p><p>Em 1915, foi editado o atlas de Munsell, que propunha uma organização</p><p>visual equilibrada e um método de identi�cação das cores no qual cada cor</p><p>só podia ocupar um único lugar no espaço.</p><p>Fonte: Com base em FOSSE, 2004.</p><p>Figura 2 – Atlas de Munsell.</p><p>O sistema Munsell de notação de cores é baseado em um sólido de forma</p><p>imaginária, muito parecido com um globo irregular. O eixo vertical é</p><p>graduado em nove tons de cinza, tendo o preto no ponto inferior, igual a</p><p>zero, e o branco no topo do eixo no ponto dez.</p><p>As cores do espectro são representadas em seções verticais e</p><p>perpendiculares ao eixo; sua cor mais pura está localizada na linha</p><p>perimetral média (equador) do globo sólido.</p><p>Pela localização das cores nesse “espaço das cores”, já conseguimos as</p><p>informações sobre elas, porém tais informações devem ser precisas. Sendo</p><p>assim, o sistema Munsell usa uma nomenclatura alfanumérica de</p><p>identi�cação dos padrões de cada seção.</p><p>O espaço das cores</p><p>Existem aproximadamente 10 milhões de cores que o olho humano pode</p><p>perceber. Essas cores estão dispostas pela sua cor (tonalidade), pela sua</p><p>luminosidade (claridade) e pela sua saturação (pureza). Essas três</p><p>dimensões de�nem uma �gura tridimensional chamada de espaço da cor.</p><p>No centro do espaço das cores, existe um eixo neutro. Esse eixo é branco na</p><p>sua extremidade superior, que é a cor mais clara que o olho humano pode</p><p>ver, e preto, na extremidade inferior, que é a cor mais escura que o olho</p><p>humano pode observar.</p><p>Entre esses dois limites, existem diversos graus nos quais se observa apenas</p><p>uma dimensão, ou seja, de claro ou escuro.</p><p>A dimensão da cromaticidade é uma função angular em torno do eixo</p><p>neutro. Se uma pessoa girar ao redor desse eixo, ela passará pelas diferentes</p><p>cromaticidades possíveis, iniciando-se no violeta, que tem o comprimento</p><p>de onda de 400 nm, passando pelos azuis, verdes, amarelos, laranjas e</p><p>vermelhos, cujo comprimento de onda é de 700 nm.</p><p>A cromaticidade em terceira dimensão é uma função de distância do eixo</p><p>neutro e do ângulo dentro do espaço das cores, ou seja, quanto mais</p><p>afastado se está do eixo neutro, mais saturada estará a cor e com maior</p><p>luminosidade.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Fonte: Com base em FOSSE, 2004.</p><p>Figura 3 – Cromaticidade em 3D.</p><p>Pela localização nesse “espaço das cores”, já conseguimos as informações</p><p>sobre elas, porém essas informações devem ser precisas; sendo assim, o</p><p>sistema Munsell usa uma nomenclatura alfanumérica de identi�cação dos</p><p>padrões de cada seção:</p><p>hue – tonalidade;</p><p>value – luminosidade;</p><p>chroma – saturação.</p><p>Hue ou tonalidade é o atributo pelo qual se identi�cam as cores, ou seja,</p><p>vermelho, azul, verde, amarelo e as suas respectivas misturas, como, por</p><p>exemplo, amarelo-avermelhado, azul-esverdeado.</p><p>A cor está associada a certo comprimento de onda do espectro visível. É</p><p>representada pelo símbolo DH (hue = tonalidade da cor).</p><p>A tonalidade de Munsell é designada pela letra inicial da cor (em inglês),</p><p>assim como suas mesclas. Veja a seguir:</p><p>R (red) – vermelho</p><p>G (green) – verde</p><p>B (blue) – azul</p><p>Y (yellow) – amarelo</p><p>P (purple) – violeta</p><p>Value ou luminosidade é o atributo que descreve a luminosidade da cor, ou</p><p>seja, mais clara ou mais escura. Assim, uma cor na escala do eixo central vai</p><p>de zero (preto absoluto) até 10 (branco absoluto).</p><p>Podemos dizer que é a qualidade que caracteriza o grau de claridade da cor,</p><p>conforme se segue:</p><p>Cor escura → sensação intensa</p><p>Cor clara → sensação fraca</p><p>A claridade depende da re�etância, que é a porcentagem da luz re�etida da</p><p>cor. É representada pelo símbolo DL (value = luminosidade da cor).</p><p>Chroma ou saturação é o atributo que de�ne a pureza da cor. Quanto mais</p><p>distante do centro, mais saturada será a cor.</p><p>É uma qualidade que caracteriza a proporção em que a cor está misturada</p><p>com o branco, o preto ou o cinza. Quando uma cor não está misturada com</p><p>outra acromática, ela é denominada pura ou saturada e, caso contrário, ela</p><p>é chamada de pálida ou acinzentada.</p><p>É representada pelo símbolo DC (chroma = saturação da cor) e na prática é</p><p>mais conhecida como limpo ou sujo.</p><p>Tendo como base esse espaço de cores, outros sistemas de ordenação e</p><p>classi�cação de cores foram surgindo.</p><p>Por intermédio do atlas de Munsell, hoje podemos adquirir catálogos</p><p>padronizados de cores chamados de pantone.</p><p>Figura 4 – Catálogo de cores</p><p>13. Equipamentos</p><p>Colorímetro</p><p>Espectrofotômetro</p><p>O objeto</p><p>Colorímetro</p><p>O colorímetro fornece os dados numéricos que representam o valor</p><p>absoluto e a diferença de cor entre uma amostra e um padrão.</p><p>Historicamente, as principais vantagens dos colorímetros eram seus</p><p>reduzidos tempos de medições, sua facilidade de utilização e seu custo</p><p>relativamente baixo.</p><p>Os colorímetros somente davam o valor médio da energia radiante de cada</p><p>cor primária, não sendo tão precisos quanto os espectrofotômetros, em</p><p>grande parte do seu uso, mas possuíam uma e�ciência relativamente</p><p>boa</p><p>para acerto de cores em geral, sendo utilizados para operações de controle</p><p>contínuo ou intermitente de produção.</p><p>Figura 1 – Instrumento portátil.</p><p>Espectrofotômetro</p><p>O espectrofotômetro analisa toda a faixa espectral de 400 a 700 nm em</p><p>intervalos, e mede a energia luminosa re�etida ou transmitida por uma</p><p>amostra. Mede as características fotométricas da matéria no espectro visível</p><p>e determina as curvas espectrais das amostras a partir da distribuição</p><p>espectral energética de um ou vários iluminantes.</p><p>Na instrumentação colorimétrica, voltamos a encontrar os três elementos da</p><p>visão.</p><p>A fonte luminosa que é feita por meio de �ash com uma lâmpada e alguns</p><p>�ltros. O objeto é o mesmo. Um canal de �bra óptica conduz a luz re�etida</p><p>ou transmitida para os monocromadores, que, associados a um detector,</p><p>simularão o olho do observador. Uma porta para posicionar as amostras</p><p>permite ao objeto ser medido, e uma geometria de medição apropriada</p><p>determina como a amostra será iluminada e observada pelo equipamento</p><p>de medição. Uma unidade de processo eletrônico (calculadora) representa</p><p>o cérebro do observador e efetua os cálculos colorimétricos, mostrando os</p><p>valores da medição de 400 a 700 nm.</p><p>Os espectrofotômetros utilizam habitualmente um dos seguintes tipos de</p><p>fontes luminosas: lâmpadas de halogênio, tungstênio, ou lâmpadas de</p><p>xenônio.</p><p>Monocromador</p><p>O monocromador é um dos equipamentos mais importantes do</p><p>espectrofotômetro, pois nele é feita a decomposição da luz nos</p><p>comprimentos de ondas. Trata-se de uma série de sensores no qual cada</p><p>um está calibrado para �ltrar a luz num determinado comprimento de</p><p>onda.</p><p>Existem outros espectrofotômetros que têm uma rede de difração no lugar</p><p>do monocromador.</p><p>Figura 2 – Instrumento de bancada.</p><p>O objeto</p><p>A geometria de medição de�ne os ângulos de iluminação da amostra e da</p><p>observação do equipamento de medição. Duas são as geometrias utilizadas:</p><p>a geometria 45º/0° (ou 0º/45°) e a geometria DIFUSA/0° (ou 0º/DIFUSA).</p><p>Os equipamentos de geometria 45º/0º iluminam a amostra com um ângulo</p><p>de 45º, medindo-a perpendicularmente à superfície (ocorre o inverso com</p><p>equipamento 0º/45º).</p><p>O sistema de medição com geometria 45º/0º analisa a energia luminosa</p><p>difusa unicamente em re�exão e, de maneira geral, observa o objeto em</p><p>condições similares à observação natural das cores e dos objetos vistos pelo</p><p>homem. Isso signi�ca que o equipamento de medição analisa unicamente a</p><p>cor da amostra produzida pela matéria colorida presente no objeto (sem</p><p>brilho).</p><p>O espectrofotômetro de medição com geometria DIFUSA/0º ilumina a</p><p>amostra de uma maneira difusa e a observa com um ângulo de 8º.</p><p>O componente de energia especular (brilho) está incluído na medição dos</p><p>objetos. Porém, a geometria está equipada com um dispositivo que permite</p><p>•</p><p>•</p><p>eliminar ou integrar o componente de energia especular. Veja a seguir:</p><p>energia especular excluída = brilho excluído;</p><p>energia especular incluída = cor + brilho.</p><p>A maioria dos equipamentos de geometria DIFUSA/0º oferece a</p><p>possibilidade de realizar medições por transmissão para as amostras</p><p>transparentes ou translúcidas.</p><p>Nas medições realizadas na indústria têxtil, nas indústrias de tintas,</p><p>vernizes, plásticos e outras que utilizam pigmentos, os espectrofotômetros</p><p>com geometria DIFUSA/8º são mais recomendados, pois o brilho deve ser</p><p>lido junto com a cor, visto que ele interfere na avaliação dessas medições</p><p>14. Sistemas CIELab e CIELCh</p><p>CIEL*a*b*</p><p>CIEL*C*h*</p><p>CIEL*a*b*</p><p>Por meio da somatória dos valores achados para os diversos comprimentos</p><p>de onda sobre toda a faixa espectral visível, podem ser calculados três</p><p>valores colorimétricos que correspondem às incitações provocadas pelos três</p><p>tipos de cones do olho humano, que são chamados valores cromáticos</p><p>normais X, Y e Z, ou valores triestímulo.</p><p>Vários sistemas colorimétricos foram usados, porém, em 1976, a CIE</p><p>concordou com a adoção de um sistema que fornecesse praticamente os</p><p>mesmos resultados do sistema NA 40 (Adams – Nickerson – Sutltz), porém</p><p>pudessem ser calculados com fórmulas mais simples. As três coordenadas</p><p>foram denominadas com as letras L*, a*, b*. O asterisco foi colocado para</p><p>diferenciar esse sistema de outro já existente, que também é denominado</p><p>CIELab.</p><p>L* é o eixo da claridade sobre o qual se encontram todas as tonalidades</p><p>neutras de cinza, entre branco e preto. O eixo L* é denominado eixo</p><p>acromático. Para um preto ideal, a claridade deve ser L* = 0, e para um</p><p>branco ideal, a claridade deve ser L* = 100.</p><p>O eixo a* vai do vermelho (+) ao verde (-), e o eixo b* vai do amarelo (+)</p><p>ao azul (-). Conhecendo-se os valores de L*, a*, b* de uma ou mais</p><p>amostras, podemos carac-terizá-las e compará-las por meio de cálculos</p><p>matemáticos.</p><p>ΔL* – diferença da cor no eixo da luminosidade;</p><p>Δa* – diferença da cor no eixo a (vermelho a verde);</p><p>Δb* – diferença da cor no eixo b (amarelo a azul); e</p><p>ΔE – diferença total da cor.</p><p>ΔE = (ΔL* 2 + Δa* 2 + Δb* 2) ½</p><p>Espaço de cor CIELAB modo L*a*b*</p><p>Fonte: Com base em SALEM, 2010.</p><p>Figura 1 – Sistemas de coordenadas CIELAB.</p><p>Fonte: Com base em MINOLTA, 1994.</p><p>Figura 2 – Representação do sólido colorido para o espaço colorimétrico L*a*b*.</p><p>CIEL*C*h*</p><p>A utilização das coordenadas L* C* h* no espaço CIELab permite expressar</p><p>a cor e as diferenças de cores como as percebemos visualmente.</p><p>O sistema é dividido em ângulos, sendo L* = claridade (claro e escuro); C*</p><p>= saturação (limpo e sujo); e h* = tonalidade da cor (dividida em ângulo).</p><p>A cor total (DE) dessa grandeza é sempre positiva.</p><p>Δ E = (Δ L*2 + Δ C*2 + Δ h*2) ½</p><p>Fonte: Com base em FOSSE, 2004.</p><p>Figura 3 – Cromaticidade em 3D.</p><p>15. Ferramentas de controle</p><p>Banco de dados</p><p>Formulação de cores</p><p>Correção de cores</p><p>Controle de qualidade</p><p>Espaço de cor CMC</p><p>Medição de branco</p><p>Separação de lotes</p><p>Banco de dados</p><p>O banco de dados é a ferramenta na qual são inseridos todos os dados</p><p>relativos aos corantes. Esses dados são utilizados pelo soware em</p><p>formulação e correção de receitas.</p><p>Normalmente, é tinto um dégradé com até 12 concentrações de cada</p><p>corante. Essas concentrações são determinadas pelas curvas de saturação do</p><p>corante, pois cada corante possui uma faixa de concentração peculiar.</p><p>Cadastram-se primeiramente os corantes que fazem parte das receitas mais</p><p>utilizadas.</p><p>Para criar um banco de dados, deve-se ter, em primeiro lugar, as</p><p>informações do processo de tingimento, do substrato e dos corantes,</p><p>de�nindo o número de tingimentos que serão necessários para obtenção de</p><p>todas as concentrações exigidas para o dégradé.</p><p>Após os tingimentos, é preciso fazer a leitura das amostras, que, após</p><p>cadastradas, devem apresentar o comportamento de uma reta em um</p><p>grá�co espectral.</p><p>Depois dessa etapa, é feita uma análise desse grá�co para excluir os pontos</p><p>que não estão alinhados na reta.</p><p>Terminada a análise, é necessário salvar os dados do corante para que estes</p><p>possam ser utilizados na formulação de receitas.</p><p>Formulação de cores</p><p>A formulação de cores é feita quando se deseja reproduzir um determinado</p><p>padrão em laboratório ou em escala industrial.</p><p>Primeiramente é preciso realizar ensaios em laboratório até conseguir a</p><p>tonalidade exata do padrão. Para a execução dos ensaios, é necessária a</p><p>utilização da ferramenta Imitação de Cor do soware de colorimetria.</p><p>Antes de realizar a imitação, deve-se preparar o banco de dados com todas</p><p>as informações sobre os corantes, conforme explicado anteriormente.</p><p>Depois de feita a leitura óptica do padrão, são escolhidos o substrato, o</p><p>processo de trabalho e, posteriormente, selecionam-se os corantes desejados</p><p>para desenvolver a formulação.</p><p>Em seguida, o equipamento realiza a imitação do padrão com as condições</p><p>de trabalho selecionadas.</p><p>Correção de cores</p><p>É realizada depois da tentativa de imitação da cor, baseada na receita</p><p>formulada anteriormente pelo espectrofotômetro, e após essa amostra ter</p><p>sido lida e reprovada.</p><p>O equipamento também permite a correção da cor, que nada mais é do que</p><p>fazer a leitura dessa amostra e requerer uma nova receita baseada no banco</p><p>de dados do aparelho.</p><p>manter a energia térmica longe do fundo do tecido,</p><p>para evitar a dani�cação dos tecidos termossensíveis.</p><p>Velocidade: A velocidade máxima de uma chamuscadeira de tecidos é</p><p>da ordem de 200 m/min. A velocidade de trabalho �ca entre 50 a 160</p><p>m/min, para tecidos.</p><p>Distância entre substrato/queimador: Varia de 6 a 8 mm, de acordo</p><p>com a gramatura e a composição do substrato.</p><p>Posição dos queimadores – chamuscagem forte: chama direta sobre o</p><p>material para obtenção de rendimento máximo e efeito intenso. Usada</p><p>para tecidos de celulose natural, geralmente grossos e pesados. A</p><p>posição dos queimadores faz com que o ângulo de incidência da chama</p><p>atinja diretamente uma área maior do tecido.</p><p>chamuscagem média: chama direta sobre o cilindro refrigerado. É</p><p>usada para tecidos de estrutura aberta e mista. A posição dos</p><p>queimadores faz com que o ângulo de incidência da chama seja</p><p>menor que na chamuscagem forte.</p><p>chamuscagem fraca: chama tangencial cujo substrato tem pouco ou</p><p>nenhum contato com a chama; a queima é somente de �brilas</p><p>salientes.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Figura 1 – Posição dos queimadores.</p><p>A posição dos queimadores faz com que o ângulo de incidência da chama</p><p>seja tangente ao tecido.</p><p>Pré-fixação</p><p>A termo�xação tem por objetivo trazer um rearranjo dos polímeros por</p><p>ação do calor, dando a eles uma estabilidade dimensional melhor, isto é,</p><p>uma alteração menor de suas dimensões ao longo dos tratamentos aos</p><p>quais o substrato será exposto.</p><p>Com essa melhora na estabilidade dimensional, teremos uma alteração</p><p>menor em suas dimensões, ou seja, um alongamento ou encolhimento</p><p>menor, diminuindo o amassamento ou amarrotamento, gerando, como</p><p>consequência, uma diminuição das quebraduras.</p><p>Esse processo é exclusivo para as �bras de poliéster (PES), poliamida,</p><p>elastano (EL) e poliacrilonitrilo HB. Essas �bras podem ser combinadas</p><p>entre si ou com outras �bras.</p><p>Formas de pré-fixação</p><p>Hidro�xação</p><p>É realizada com o auxílio de água e calor; o substrato é submetido à</p><p>imersão em água, cuja temperatura pode variar de 90ºC a 135ºC, com</p><p>tempo de permanência em torno de 30 minutos. É efetuada em autoclaves</p><p>e utilizada para �o �ado ou �lamento.</p><p>Por contato</p><p>Essa forma de �xação se dá quando o substrato entra em contato com uma</p><p>superfície metálica de aço inoxidável aquecida que atinge temperaturas da</p><p>ordem de 250ºC a 300ºC. O tempo para essa operação é da ordem de</p><p>segundos. O equipamento é o secador de cilindros ou de tambores,</p><p>utilizado para tecidos de cala e calandra para tecidos de malha.</p><p>Vaporização</p><p>•</p><p>Nesse caso, o substrato é submetido a um ambiente cheio de vapor</p><p>saturado onde a temperatura varia entre 105 e 180ºC. O tempo é da ordem</p><p>de alguns minutos. As máquinas são o vaporizador contínuo e o</p><p>vaporizador, utilizados para �o �ado, �lamento, tecido de malha, tecido de</p><p>cala e meia.</p><p>Ar seco</p><p>Nesse caso, o substrato é submetido a um ambiente cheio de ar quente, isto</p><p>é, seco. A temperatura varia de 150ºC a 220ºC, e o tempo de interação</p><p>pode variar de 30 a 90 segundos. A máquina utilizada para essa operação é</p><p>a rama, que se usa para tecidos em geral.</p><p>Desengomagem</p><p>Esse processo visa à retirada da “goma” que é aplicada nos �os de urdume,</p><p>para aumentar a e�ciência no processo de tecimento. Essa goma interfere</p><p>na hidro�lidade do tecido e, quando retirada de maneira inadequada, pode</p><p>interferir também nos índices de solidez de uma cor. A goma pode ser</p><p>retirada por meio de vários processos, que dependem do tipo de goma</p><p>utilizada e também do tipo de �o. Se o agente engomante for à base de</p><p>álcool polivinílico, basta uma lavagem com água e detergente não iônico</p><p>para sua retirada. No entanto, se for à base de amido, a retirada torna-se</p><p>mais complexa, e temos de optar pelo processo enzimático ou pelo processo</p><p>oxidativo, que serão descritos a seguir com mais detallhes.</p><p>Processo enzimático</p><p>Enzimas são catalisadores biológicos, de natureza normalmente proteica,</p><p>que participam de varias reações bioquímicas (COELHO et al., 2008). Os</p><p>catalisadores aceleram as reações, na medida em que diminuem sua energia</p><p>de ativação. As enzimas usadas são do tipo α-amilase e atuam por meio do</p><p>rompimento das ligações α-glucosídeas das cadeias do amido, hidrolisando-</p><p>o completamente e transformando-o em maltose e glicose. Uma vez que as</p><p>enzimas possuem ação especí�ca sobre o amido, não exercem nenhum</p><p>•</p><p>•</p><p>efeito sobre a celulose. Como a enzima pode fazer o ciclo catalítico várias</p><p>vezes, as quantidades necessárias de cada enzima são muito pequenas.</p><p>As enzimas, assim como qualquer proteína, estão sujeitas à desnaturação.</p><p>Possuem temperaturas e pH ideais para sua utilização. Existem dois gêneros</p><p>de enzimas utilizadas para a desengomagem de têxteis no mercado.</p><p>As enzimas convencionais são chamadas amilases bacterianas</p><p>convencionais, derivadas do Bacillus subtilis, e são comercializadas na</p><p>forma líquida ou em pó, em várias concentrações. Devem ser aplicadas em</p><p>temperatura que pode variar entre 50ºC e 55ºC e pH entre 5,5 e 6,5. Essas</p><p>enzimas são compatíveis apenas com umectantes não iônicos, e a adição de</p><p>cloreto de sódio e agentes de dureza pode melhorar a estabilidade de</p><p>algumas delas.</p><p>As enzimas chamadas termoestáveis apresentam sensíveis vantagens em</p><p>relação às enzimas do tipo convencional. Possuem uma faixa mais</p><p>abrangente de temperatura, entre 50ºC e 115oC, trabalham na mesma faixa</p><p>de pH das enzimas convencionais, não requerem a utilização de sais e</p><p>possuem maior compatibilidade com agentes de umectação aniônicos, que</p><p>são mais baratos, mais e�cazes e mais simples de serem removidos dos</p><p>substratos.</p><p>O processo de lavagem é essencial para se obter um bom resultado na</p><p>desengomagem, com a eliminação do açúcar formado e de outras</p><p>impurezas. Os melhores resultados são obtidos ao utilizarmos água com</p><p>temperatura acima de 90ºC.</p><p>Parâmetros de controle</p><p>pH: uma vez que o pH pode mudar a forma de uma proteína, as</p><p>enzimas também têm seu pH ótimo de atuação. Se não estiver na</p><p>temperatura e no pH ideais, a enzima pode sofrer desnaturação. Se a</p><p>forma tridimensional especí�ca mudar, mesmo que ligeiramente, a</p><p>enzima não atuará sobre o amido.</p><p>Temperatura: abaixo da temperatura ideal, a energia cinética das</p><p>moléculas é tão pequena que di�culta a catálise enzimática. À medida</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>que a temperatura aumenta, a velocidade da reação também aumenta.</p><p>Desengomagem oxidativa</p><p>É um processo de desengomagem em que ocorre, simultaneamente, três</p><p>operações de bene�ciamento: desengomagem, limpeza e alvejamento.</p><p>Insumos utilizados</p><p>Peróxido de hidrogênio: agente oxidante cuja função é oxidar a cadeia</p><p>de amido, transformando-a em gás carbônico e água, assim como oxidar</p><p>os pigmentos naturais da �bra e cascas, proporcionando o alvejamento.</p><p>Hidróxido de sódio: atua como alcalinizante do banho, ativando a</p><p>reação de decomposição do peróxido de hidrogênio, bem como</p><p>hidrolisando o amido e saponi�cando os materiais graxos presentes na</p><p>�bra.</p><p>Tensoativo (detergente, emulsionante, dispersante, umectante): atua</p><p>aumentando a hidro�lidade do material, emulsionando óleos não</p><p>saponi�cáveis e dispersando impurezas no banho, para evitar</p><p>redeposição sobre o substrato.</p><p>Complexante: atua complexando principalmente o ferro, para evitar a</p><p>decomposição rápida do peróxido de hidrogênio, bem como o cálcio e o</p><p>magnésio presentes, para evitar precipitação, na forma de hidróxidos,</p><p>sobre o substrato.</p><p>Estabilizador: controla o desprendimento do elemento ativo.</p><p>Parâmetros de controle</p><p>pH: acima de 8–10;</p><p>temperatura: 80ºC à fervura;</p><p>tempo: entre 20’ e 60’.</p><p>Limpeza</p><p>•</p><p>Também conhecida como purga, cozimento e lavagem prévia. Essa operação</p><p>tem como objetivo retirar impurezas como gorduras, ceras e óleos naturais</p><p>ou sintéticos presentes na �bra, as quais dão características hidrófobas ao</p><p>substrato.</p><p>Princípios da remoção de impurezas</p><p>Reação de saponificação</p><p>Quando essas ceras, gorduras e óleos são aquecidos com solução alcalina,</p><p>elas se hidrolisam em glicerol e sal do ácido graxo correspondente. Esses</p><p>sais são solúveis em água e denominados sabões. Essa reação é chamada de</p><p>saponi�cação.</p><p>Processo de emulsificação</p><p>Para a execução desse ensaio, utiliza-se a ferramenta</p><p>Correção de Cor.</p><p>Controle de qualidade</p><p>O controle de qualidade instrumental tradicionalmente é feito com base na</p><p>experiência e na subjetividade, ambos com critérios não mensuráveis.</p><p>Na colorimetria computadorizada, o programa de controle de qualidade é</p><p>uma das ferramentas de trabalho mais importantes nas indústrias que</p><p>trabalham com controle de cores, pois permite objetividade, precisão,</p><p>rapidez e tomada de decisão.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>O soware controla a cor no �nal do processo produtivo por meio de</p><p>fórmulas matemáticas (CIELab e CMC), fornecendo valores de desvios de</p><p>cores para uma determinada amostra em relação ao seu padrão. Isso auxilia</p><p>na aprovação de lotes no processo produtivo ou na reprovação e correção</p><p>de lotes fora do padrão, além de ajuste na receita para a produção de lotes</p><p>futuros.</p><p>Esse processo de controle é muito importante, pois visa a diminuir as</p><p>reclamações dos clientes e consequentemente a devolução da mercadoria.</p><p>Também permite reavaliar o processo produtivo, fazendo as correções</p><p>necessárias para eliminar os novos processos e minimizando os custos do</p><p>processo produtivo.</p><p>O programa de controle de qualidade permite realizar uma série de</p><p>avaliações, porém os procedimentos mais importantes nos controles dos</p><p>processos produtivos são:</p><p>desvio de intensidade de cor (força tintorial);</p><p>desvio de cores (claro ou escuro, limpo ou sujo), tonalidade e total, que</p><p>engloba todos os desvios;</p><p>controle do grau de brancura;</p><p>controle de solidez da cor por meio da alteração; e</p><p>controle da solidez da cor por meio da transferência.</p><p>Estes dois últimos processos são avaliados por meio da escala cinza contida</p><p>no próprio soware.</p><p>Desvio de intensidade de cor (força tintorial)</p><p>O soware determina, em valores percentuais, o quanto uma amostra está</p><p>mais forte ou mais fraca em relação ao seu padrão. Isso é aplicado nas</p><p>seguintes situações:</p><p>controle diário dos lotes de produção;</p><p>controle das matérias-primas no recebimento; e</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>determinação da contratipagem dos corantes/pigmentos da</p><p>concorrência.</p><p>O desvio de intensidade de cor é utilizado em conjunto com os desvios de</p><p>cores DE, DL, DC e DH.</p><p>Espaço de cor CMC</p><p>O CMC é um conjunto de equações matemáticas desenvolvidas pelo</p><p>Comitê de Medição de Cor da Sociedade de Tintureiros e Coloristas da</p><p>Inglaterra. Sua fórmula CMC é baseada em um longo estudo, no qual se</p><p>tem como base a aceitabilidade da cor, de acordo com a aceitação visual do</p><p>ser humano.</p><p>O CMC tem sua base no espaço L*C*hº, sendo a sua forma, portanto,</p><p>elipsoide. Permite ao usuário selecionar a luminosidade, segundo a sua</p><p>importância, e a aplicação do substrato. Tem sido amplamente reconhecido</p><p>no mundo inteiro como a melhor equação matemática de diferença de cor</p><p>disponível atualmente e permite ao usuário trocar a relação entre</p><p>luminosidade DL* por saturação DC*, como pode ser visto a seguir.</p><p>CMC 1:1 signi�ca uma relação de:</p><p>1 para luminosidade DL* e</p><p>1 para saturação DC*.</p><p>CMC 2:1 signi�ca uma relação de:</p><p>2 para luminosidade DL* e</p><p>1 para saturação DC*.</p><p>A fórmula CMC 2:1 tem o dobro de tolerância para a luminosidade em</p><p>relação à saturação.</p><p>Quando analisamos uma cor, tendemos a aceitar uma diferença maior em</p><p>luminosidade do que em saturação.</p><p>O fator comercial (CF ou commercial factor, em inglês) permite a adaptação</p><p>da tolerância às condições individuais da empresa ou do cliente.</p><p>Quando se reporta ao CMC, é necessário indicar a relação 1:X que está</p><p>sendo utilizada.</p><p>Medição do branco</p><p>O alvejamento óptico é aplicado nos substratos têxteis para que estes</p><p>tenham maior grau de brancura.</p><p>O efeito da brancura sobre o substrato têxtil é controlado pelo soware,</p><p>juntamente com a tonalidade, que pode ser esverdeada ou avermelhada (G</p><p>ou R).</p><p>Existem várias fórmulas matemáticas que calculam o grau de brancura, tais</p><p>como Ganz-Griesser, Berger ou Stemby, porém a fórmula matemática o�cial</p><p>indicada pela CIE é a brancura CIE.</p><p>A calibração do aparelho deverá ser feita por meio de padrões especí�cos,</p><p>como padrões cerâmicos, por causa da sua resistência, facilidade de limpeza</p><p>e durabilidade. Esses conjuntos podem ser formados por 12 azulejos, sendo</p><p>4 em cores neutras e 8 em cores características.</p><p>Separação de lotes</p><p>Nem sempre é possível reproduzir a mesma cor. As diferenças entre os lotes</p><p>podem trazer problemas sérios para a confecção.</p><p>Em razão disso, há necessidade de se obter uma técnica inteligente para</p><p>separar as partidas semelhantes, a �m de não trazer problemas para o</p><p>cliente.</p><p>Agrupamento</p><p>A diferença de cor entre as amostras pode estar além do limite aceitável:</p><p>A X Padrão – A é mais claro do que o padrão, porém aprovado.</p><p>B X Padrão – B é mais escuro do que o padrão, porém aprovado.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>A X B – As diferenças entre A e B não são aceitáveis, isto é, estão</p><p>reprovadas.</p><p>Agrupamento – Shade sorting</p><p>Como agrupar nuanças, separando grupos dentro da própria tolerância?</p><p>Sepa-ram-se esses grupos utilizando códigos de 3 dígitos. O sistema é</p><p>conhecido como 555, como pode ser visto a seguir.</p><p>Tabela 1 – Utilização de códigos de três dígitos para separar grupos dentro da própria</p><p>tolerância</p><p>Além de as amostras serem aprovadas e reprovadas, estas recebem uma</p><p>codi�cação numérica por meio da qual amostras parecidas podem ser</p><p>identi�cadas. Código igual signi�ca que as amostras são iguais.</p><p>Vantagens do shade sorting 555</p><p>Melhor aproveitamento dos lotes produzidos.</p><p>A tolerância pode ser um pouco maior, já que ela será subdividida.</p><p>Até lotes mais distantes do padrão podem ser aproveitados.</p><p>Melhor atendimento ao cliente.</p><p>Entrega do pedido de maneira mais uniforme, composta de lotes da</p><p>mesma caixa ou de caixas mais próximas.</p><p>Softwares específicos</p><p>O espectrofotômetro utiliza sowares especí�cos e indicados para o trabalho</p><p>com leitura de cor.</p><p>Parte 3</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>16. Acabamento têxtil</p><p>O acabamento têxtil, também conhecido como bene�ciamento �nal, é o</p><p>processo que aperfeiçoa as características físico-químicas do substrato têxtil,</p><p>a �m de que atinja as condições exigidas em seu uso �nal. Os tipos de</p><p>acabamentos subdividem-se em:</p><p>físicos;</p><p>químicos;</p><p>biológicos.</p><p>Acabamentos físicos são aqueles que visam melhorar as características do</p><p>substrato têxtil por meio físico. Os tipos de acabamentos físicos são aqueles</p><p>que englobam corte, calor, atrito e pressão.</p><p>Os acabamentos químicos se dão por meio de reações e/ou de produtos</p><p>químicos. Os acabamentos biológicos aprimoram as características do</p><p>substrato têxtil por meio bioquímico. O tipo de acabamento biológico</p><p>existente é o biopolimento.</p><p>Tratando-se de bene�ciamento terciário químico, as máquinas que são</p><p>utilizadas são as mesmas do bene�ciamento primário e secundário.</p><p>A respeito do bene�ciamento terciário físico, as principais máquinas usadas</p><p>são rama, calandra, navalhadeira, compactadeira e felpadeira.</p><p>As máquinas de bene�ciamento terciário permitem a sua utilização tanto</p><p>em tecidos planos quanto em malhas. Com exceção da calandra</p><p>vaporizadeira e da compactadeira, as malhas tubulares deverão estar</p><p>abertas.</p><p>As máquinas possuem mecanismos especiais que determinam a aparência</p><p>�nal do substrato têxtil. Esses elementos são:</p><p>corte;</p><p>chama;</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>pressão;</p><p>calor;</p><p>atrito.</p><p>Hoje em dia os equipamentos mais modernos possuem sowares especí�cos</p><p>que fazem os ajustes e as regulagens, controlando toda a operação.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>17. Acabamentos físicos</p><p>Felpagem</p><p>Esmerilhagem</p><p>Navalhagem</p><p>Calandragem</p><p>Pré-encolhimento</p><p>Rama</p><p>Felpagem</p><p>Tem como �nalidade “levantar pelo”, ou seja, fazer sobressair certo número</p><p>de �bras individuais na superfície dos tecidos, de modo a obter um toque</p><p>melhor e uma retenção do calor, proporcionados pela camada de ar que é</p><p>retida pelas �bras. Por exemplo, a malha de moletom.</p><p>Os parâmetros de controle são:</p><p>perda de resistência mecânica do tecido;</p><p>quantidade de rolos de pelo e de contrapelo;</p><p>altura dos rolos;</p><p>velocidade do tambor;</p><p>velocidade da máquina.</p><p>Esmerilhagem</p><p>Oferece efeito �anelado por meio da utilização de uma espécie de lixa. Por</p><p>exemplo:</p><p>tecido plano �anelado, jeans etc.</p><p>Os parâmetros de controle são:</p><p>aspecto;</p><p>velocidade dos cilindros de esmerilhagem.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Figura 1 – Esmerilhadeira ou lixadeira.</p><p>Navalhagem</p><p>Tem a �nalidade de cortar o pelo dos tecidos. É utilizada tanto para igualar</p><p>a altura do pelo após a operação de �anelagem quanto para cortar as</p><p>argolas dos tecidos do tipo felpa.</p><p>Os parâmetros de controle são:</p><p>uniformidade na tensão do tecido na máquina para evitar encolhimento</p><p>e corte irregular;</p><p>distância entre o tecido e o cilindro navalhador;</p><p>detector de costura;</p><p>corte do cilindro navalhador;</p><p>velocidade de entrada e saída do tecido.</p><p>A vantagem desse processo é a obtenção de um tecido com um toque</p><p>melhor, mais plano e uniforme. A desvantagem é que qualquer descuido</p><p>pode causar acidentes e corte do tecido.</p><p>•</p><p>Figura 2 – Navalhadeira</p><p>Figura 3 – Representação da navalha (cilindro cortante) com espirais helicoidais.</p><p>Observações</p><p>Limpar sempre a máquina, pois, ao se navalhar um tecido</p><p>escuro e em seguida um claro, os pelos escuros podem sujar o</p><p>tecido mais claro.</p><p>Calandragem</p><p>É fundamentalmente uma “passagem a ferro” em contínuo, em que o tecido</p><p>é passado por pressão, e, na maioria das vezes, sob condições de calor, por</p><p>um conjunto de dois ou três rolos; no último caso, são utilizados dois rolos</p><p>�exíveis e um aço inox (aquecido).</p><p>Os parâmetros de controle são:</p><p>número de rolos;</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>diâmetro e revestimento dos rolos;</p><p>temperatura;</p><p>pressão;</p><p>velocidade do tecido.</p><p>Pré-encolhimento</p><p>Quando encolhemos um tecido, estamos simplesmente dando a esse artigo</p><p>uma nova memória dimensional. O tecido é pré-encolhido na mesma</p><p>proporção do encolhimento causado pela lavagem.</p><p>Tanto os tecidos de algodão e de outras �bras de celulose quanto os tecidos</p><p>mistos de algodão com outras �bras encolhem quando lavados, porque as</p><p>tensões introduzidas nos �os e no tecido durante os vários processos que os</p><p>tornam comercialmente aceitáveis produzem neles uma alteração</p><p>dimensional. Quando tais tecidos são imersos em água, ocorre um</p><p>relaxamento daquelas tensões e dos �os. O tecido procura seu ponto de</p><p>equilíbrio, o que provoca sua mudança dimensional.</p><p>No caso do encolhimento mecânico ou compressivo, os �os são</p><p>aproximados mecanicamente, o que faz com que o tecido seja encolhido na</p><p>direção do urdume na mesma proporção em que o tecido deverá encolher</p><p>quando lavado.</p><p>O encolhimento compressivo é, portanto, um processo executado no</p><p>sentido do urdume. Para controlar o encolhimento dos �os transversais,</p><p>deve-se estirar sua largura numa rama, caso o tecido seja mais estreito do</p><p>que a largura da amostra lavada; ou é preciso estirar o artigo na direção do</p><p>comprimento para reduzir sua largura, se ele for mais largo do que a</p><p>amostra lavada.</p><p>Existem quatro fatores importantes que possibilitam o pré-encolhimento</p><p>mecânico de tecidos: umidade, temperatura, pressão e duração da pressão.</p><p>Umidade</p><p>Irá depender do tipo de tecido e de seu acabamento. Alguns tecidos, como</p><p>o denim de 14 onças, 100% algodão, tinto, podem normalmente ser pré-</p><p>encolhidos com aproximadamente 14% de umidade no tecido. Já os tecidos</p><p>leves, que contêm �bras de viscose, são muito sensíveis e frequentemente</p><p>devem ser pré-encolhidos sem qualquer aplicação de umidade. Determinar</p><p>o ponto ideal é uma questão de bom senso e de experiência.</p><p>A umidade no tecido é talvez a condição mais crítica dentre as demais, pois,</p><p>para se alcançar bons resultados, ela deve ser uniforme, incluindo o</p><p>comprimento, a largura e a profundidade do tecido.</p><p>Temperatura</p><p>A variação de temperatura mais signi�cativa se dá no cilindro a vapor da</p><p>manta de borracha. A temperatura de superfície desse cilindro deve ser</p><p>regulada normalmente entre 105ºC e 140ºC, mas a média típica de</p><p>temperatura de trabalho é de 120ºC. Altas velocidades de produção</p><p>frequentemente irão requerer temperaturas mais elevadas de trabalho, para</p><p>se conseguir um encolhimento adequado de um determinado tecido.</p><p>A temperatura é uma condição um tanto menos crítica para a maioria dos</p><p>tecidos, entretanto, representa um dos fatores mais importantes para se</p><p>determinar a vida útil da manta de borracha.</p><p>Pressão</p><p>Refere-se à compressão da manta de borracha. A maioria dos tecidos pode</p><p>ser encolhida com uma compressão máxima de 25% da espessura da</p><p>manta. Certos tecidos, com alto potencial de encolhimento, podem</p><p>requerer compressão de até 40%. Quanto maior for a compressão, mais a</p><p>manta de borracha estará sujeita a sofrer redução de sua vida útil.</p><p>A compressão dada à manta de borracha é também crítica para se obter o</p><p>pré-enco-lhimento, e igualmente crítica para se alcançar maior ou menor</p><p>vida útil da manta.</p><p>Duração da pressão</p><p>Refere-se à velocidade de trabalho da máquina. Quanto maior for a</p><p>velocidade, menor será o tempo durante o qual o tecido estará sujeito às</p><p>importantes forças exercidas pela manta de borracha no momento de</p><p>compactá-lo. A preparação do tecido e o ajuste correto das outras três</p><p>condições (umidade, temperatura e pressão) afetarão de�nitivamente a</p><p>velocidade máxima de encolhimento de qualquer tecido, mantendo-se</p><p>dimensionalmente estável.</p><p>A velocidade de trabalho é muito crítica com relação ao encolhimento de</p><p>tecidos, muito embora pouco possa afetar a vida da manta de borracha.</p><p>Deve-se levar em consideração que cada tecido apresenta uma velocidade</p><p>máxima teórica relacionada a um nível de encolhimento residual especí�co.</p><p>Uma das melhores maneiras de se conseguir velocidade máxima de</p><p>encolhimento da máquina e estabilidade do tecido encolhido é por meio da</p><p>boa preparação desse tecido.</p><p>Geralmente, muitos tecidos absorvem umidade. Os tecidos com umidade</p><p>de 3 a 4% irão facilmente absorvê-la adicionalmente. Certos acabamentos</p><p>no tecido, tais como PVA, resinas, repelentes, podem causar di�culdade de</p><p>pré-encolhi-mento.</p><p>Outro ponto muito importante é a umidade do tecido após o encolhimento.</p><p>Tecidos ressecados podem alongar-se após ganhar umidade ambiente</p><p>normal. Tecidos muito úmidos quase sempre irão se alongar ou se alargar</p><p>durante a inspeção subsequente.</p><p>O alongamento do tecido após o pré-encolhimento também poderá ocorrer</p><p>se a umidade aplicada nele, antes do encolhimento, não penetrar por</p><p>completo nos �os. O encolhimento compressivo propriamente dito signi�ca</p><p>dar ao tecido uma nova memória dimensional igual àquela que ele teria</p><p>após o encolhimento natural. Se o interior dos �os estiver com um nível de</p><p>umidade inferior ao da superfície do tecido, com o tempo os �os tenderão a</p><p>regredir à condição dimensional anterior, causando o seu alongamento.</p><p>Deve-se ressaltar que o coração da máquina de pré-encolhimento</p><p>compressivo é a manta de borracha. A manta não irá apenas determinar a</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>aparência dos tecidos encolhidos e a facilidade com a qual se pode realizar</p><p>o pré-encolhimento, mas também afetará diretamente os custos do</p><p>processamento da própria vida útil da manta e o rendimento da máquina.</p><p>Figura 4 – Compactadeira.</p><p>Rama</p><p>A rama é um equipamento cuja função é secar, termo�xar e polimerizar. A</p><p>máquina rama é formada pelos seguintes componentes:</p><p>castelo de entrada;</p><p>foulard;</p><p>endireitador de trama;</p><p>entrada de rama;</p><p>campos de secagem;</p><p>saída da rama.</p><p>Figura 5 – Rama.</p><p>18. Acabamentos químicos</p><p>Amaciamento</p><p>Encorpamento</p><p>Antirruga</p><p>Repelência à água e ao óleo</p><p>Antichama</p><p>Antimicrobiano</p><p>Antiestáticos</p><p>Antiesgarçamento</p><p>O acabamento químico pode ser aplicado pelos processos descontínuo</p><p>(banho de esgotamento) ou contínuo (foulardagem). Após a aplicação do</p><p>produto, a interação dar-se-á por meio de calor, que pode ser oriundo de</p><p>secagem ou polimerização.</p><p>Na secagem, a interação acontece por evaporação da água, permitindo que</p><p>os sólidos �quem na superfície do substrato. Os níveis de temperatura para</p><p>secagem são de até 150ºC, e os tempos de interação variam, pois é o</p><p>substrato que determina o tempo, que é, de modo geral, em torno de</p><p>alguns minutos.</p><p>Na polimerização, a interação acontece com formação de polímeros e,</p><p>algumas vezes, também por união desses polímeros e pela sua ligação com o</p><p>substrato. Os níveis de temperatura para</p><p>a polimerização são de até 220ºC.</p><p>Os tempos de interação são menores, pois as temperaturas são mais</p><p>elevadas, começando com alguns minutos para temperaturas de 150ºC e</p><p>chegando a 30 segundos para temperaturas de 220ºC.</p><p>Entende-se por polimerização a formação de compostos de elevado peso</p><p>molecular e de tamanho muito maior, porém de composição idêntica à do</p><p>ponto de partida. Na polimerização, o composto �nal recebe o nome de</p><p>polímero, e o produto de partida, monômero. Quando existem dois ou mais</p><p>monômeros, o composto resultante chama-se copolímero.</p><p>Quando os monômeros se unem, sem formação de subprodutos, temos a</p><p>polimerização por adição.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Quando a união entre monômeros se efetua com formação de subprodutos,</p><p>geralmente a água, temos a polimerização por condensação.</p><p>Os tipos de acabamentos podem ser permanentes ou comuns. Os</p><p>acabamentos permanentes são aqueles em que é realizada a polimerização,</p><p>enquanto os comuns são aqueles em que houve apenas a adsorção. Os</p><p>principais tipos de acabamentos químicos são:</p><p>amaciamento;</p><p>encorpamento;</p><p>antirruga;</p><p>repelência à água e ao óleo;</p><p>antichama;</p><p>antimicrobiano;</p><p>antiestático; e</p><p>antiesgarçante.</p><p>Amaciamento</p><p>É o acabamento mais tradicional, feito para dar um “toque” mais agradável,</p><p>a �m de projetar uma sensação de conforto.</p><p>A de�nição de amaciamento não é nada fácil, pois esse termo abrange</p><p>características que di�cilmente poderão ser avaliadas objetivamente. Foram</p><p>criadas várias palavras para de�nir, da melhor maneira possível, as</p><p>sensações captadas ao manusearmos um determinado substrato. Maciez,</p><p>suavidade, corpo etc. são termos que nos ajudam a identi�car melhor os</p><p>efeitos obtidos com os amaciantes que são aplicados sobre os substratos</p><p>têxteis e também nos ajudam a informar melhor sobre esses efeitos. Mas,</p><p>na realidade, e como todos nós sabemos, o tato é um sentido subjetivo e</p><p>muito individual. A criação de produtos para amaciamento, efetuada pelas</p><p>empresas fornecedoras de produtos químicos, procura, na maioria das</p><p>vezes, se basear em características técnicas mensuráveis, além das sensações</p><p>que um determinado tipo de amaciamento poderá gerar ao ser aplicado</p><p>sobre um material têxtil.</p><p>Histórico dos amaciantes</p><p>A ideia de amaciar os tecidos remonta provavelmente há tempos pré-</p><p>históricos, quando o homem das cavernas untava suas vestimentas com</p><p>gordura animal, a �m de proporcionar-lhes certa maciez. Por outro lado,</p><p>todas as �bras naturais da natureza apresentam-se associadas a óleos,</p><p>graxas ou ceras, cuja função parece ser principalmente a de proteger a �bra;</p><p>além disso, as �bras lubri�cadas se tornam geralmente hidrófobas.</p><p>Quando prontas para o bene�ciamento, essas �bras são submetidas a</p><p>processos nos quais são utilizados tensoativos e álcalis, cuja função é a</p><p>retirada total dos óleos, o que torna, assim, a �bra hidró�la e pronta para</p><p>esse bene�ciamento. Por outro lado, alguns insumos e corantes contribuem</p><p>para que as �bras se tornem ainda mais ásperas. No entanto, a suavidade é</p><p>necessária em alguns artigos, especialmente naqueles usados para</p><p>vestimentas, por isso, o amaciante vem ao encontro dessa situação,</p><p>propiciando um “toque” mais agradável.</p><p>A introdução dos amaciantes na indústria têxtil se deu por volta de 1930;</p><p>eles eram usados para melhorar a solidez de alguns corantes sobre as �bras</p><p>de algodão. Em meados da década de 1950, foram introduzidos os</p><p>amaciantes nas grandes lavanderias e hospitais, em razão de sua</p><p>propriedade de tornar os tecidos mais agradáveis ao tato.</p><p>Com isso, descobriu-se que, além de melhorar a solidez dos corantes, os</p><p>amaciantes tornavam o tecido mais macio, principalmente. Porém, o uso</p><p>doméstico dos amaciantes na Europa e nos Estados Unidos só teve início na</p><p>década de 1960.</p><p>Assim, os amaciantes aos poucos foram entrando no mercado de tinturarias</p><p>e até hoje são um ingrediente fundamental para o tratamento de tecidos</p><p>em geral.</p><p>Na prática, o amaciante lubri�ca as �bras, conferindo-lhes mais suavidade.</p><p>Essas �bras, recobertas por uma película graxa, deslizam umas sobre as</p><p>outras, diminuindo as forças de atrito, o que torna o tecido menos áspero e</p><p>lhe dá mais �exibilidade.</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>•</p><p>–</p><p>Amaciante não é só amaciante!</p><p>Foi dito anteriormente que a ação do lubri�cante (amaciante) confere</p><p>maciez ao tecido, porém as suas propriedades não proporcionam apenas</p><p>maciez a ele. Com isso, foi de�nido que um amaciante, para ter uma boa</p><p>qualidade, deve proporcionar ao tecido as seguintes propriedades:</p><p>Toque e efeitos especiais</p><p>Aumento de lisura ou maciez.</p><p>Resistência à ruptura</p><p>Cria uma “película”, aumentando a resistência.</p><p>Resistência à abrasão</p><p>A superfície �ca mais lisa, diminuindo o atrito.</p><p>Melhoria da costurabilidade</p><p>Facilita a penetração das agulhas.</p><p>Valorização do material</p><p>Adquire maior valor estético e comercial.</p><p>Repelência</p><p>É feita por meio da lubri�cação.</p><p>Elasticidade</p><p>Diminui o coe�ciente de atrito.</p><p>Evita o acúmulo de poeira.</p><p>Neutraliza as cargas eletrostáticas.</p><p>Facilitação do processo de calandragem</p><p>Proteção da fibra do tecido</p><p>Essa última propriedade pode ser vista claramente ao microscópio,</p><p>principalmente no caso das �bras de algodão, quando se compara um</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>tecido que foi lavado muitas vezes com amaciante e outro que foi</p><p>lavado sem ele.</p><p>Porém essa propriedade pode ser um inconveniente quando se deseja</p><p>fazer um processo posterior de felpagem, na qual alguns amaciantes não</p><p>são compatíveis com esse processo de acabamento, em razão da sua</p><p>propriedade de reter excessivamente as �bras.</p><p>O amaciante pode ser também bactericida e/ou fungicida</p><p>Os amaciantes em geral, por causa da sua formulação química, têm</p><p>pequena ação bactericida, ou seja, evitam o crescimento de bactérias,</p><p>muitas das quais provocam mau cheiro; porém, atualmente, com a</p><p>incorporação de certos ingredientes, eles podem se tornar excelentes</p><p>bactericidas.</p><p>Esse efeito bactericida tem sido bastante útil em tecidos destinados à</p><p>exportação. Em razão de as tarifas marítimas serem inferiores às aéreas, a</p><p>grande maioria das exportações é feita por navios, nos quais os porões</p><p>apresentam certa umidade, o que aumenta a probabilidade de formação de</p><p>fungos e/ou bactérias nos tecidos.</p><p>Os amaciantes oferecem várias qualidades extras aos tecidos, porém eles</p><p>possuem alguns efeitos colaterais por causa de suas características ou pela</p><p>aplicação inadequada.</p><p>Em geral, as críticas que são feitas aos amaciantes quanto às suas</p><p>características são:</p><p>hidro�lidade reduzida;</p><p>amarelamento;</p><p>tato gorduroso.</p><p>Com isso, deve-se ponderar que, apesar de os amaciantes serem ótimos</p><p>produtos, eles possuem algumas características indesejáveis. Portanto, antes</p><p>de comprar um amaciante, é preciso veri�car qual será o uso do produto</p><p>�nal.</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>Características ideais de um amaciante</p><p>aspecto �uido;</p><p>estabilidade em altas temperaturas;</p><p>compatibilidade com o sistema</p><p>não afetar a solidez;</p><p>não deve provocar irritação na pele.</p><p>Ação e propriedades</p><p>Conforme já visto anteriormente, a ação do amaciante baseia-se na</p><p>“lubri�cação das �bras” mediante a adsorção da matéria ativa contida. São</p><p>dois os processos que ocorrem ao se impregnar de amaciante um tecido:</p><p>adsorção por meio de ligações químicas com o substrato;</p><p>sedimentação por meio da evaporação da água.</p><p>Tipos de amaciante</p><p>Diante das várias exigências da indústria têxtil, novas substâncias foram</p><p>desenvolvidas para o amaciamento de têxteis. Em princípio, o amaciante</p><p>mais barato é fornecido pela natureza: a água, que desempenha um papel</p><p>de extrema importância para o tato que os substratos apresentam. Por isso,</p><p>amaciantes elaborados com agentes higroscópicos são bastante utilizados</p><p>(por exemplo: amaciantes à base de glicerina).</p><p>Entretanto, não podemos esperar que apenas a água propicie efeitos tão</p><p>signi�cativos para a indústria têxtil moderna, pois estes são bastante</p><p>inferiores, se comparados com os efeitos obtidos por meio da aplicação de</p><p>uma tecnologia mais moderna para o acabamento têxtil.</p><p>Como resultado da intensa e contínua pesquisa em vários países, um</p><p>grande</p><p>número de amaciantes foi desenvolvido, com resultados práticos</p><p>satisfatórios para cada exigência.</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>Hoje em dia, existem no mercado diversos tipos de amaciantes, cada um</p><p>com sua particularidade e sua aplicação especí�ca. Com isso, os amaciantes</p><p>precisam de uma distinção entre si. Essa distinção é feita principalmente</p><p>por:</p><p>Amaciantes não iônicos</p><p>Os amaciantes não iônicos conferem suavidade aos materiais de �bras</p><p>naturais e sintéticas, proporcionando-lhes baixo coe�ciente de atrito �bra-</p><p>metal. Alguns dos tipos de amaciantes não iônicos também têm excelente</p><p>e�ciência como antiestáticos.</p><p>São amaciantes indicados para processo contínuo (foulardagem), pelo fato</p><p>de terem alta compatibilidade com os corantes e serem resistentes ao</p><p>amarelecimento.</p><p>Os amaciantes não iônicos compreendem grupos de produtos químicos</p><p>baseados em etoxilados, ésteres, polietilenos, silicones e ceras.</p><p>Etoxilados: conferem maciez e propriedades antiestáticas. Em acrílicos,</p><p>podem resultar em toque seco e desagradável.</p><p>Ésteres: possuem boas propriedades de lubri�cação e não apresentam as</p><p>desvantagens dos etoxilados. Porém, não oferecem propriedades</p><p>antiestáticas.</p><p>Polietilenos: são bastante empregados nos acabamentos conjuntos com</p><p>resinas sintéticas, com o objetivo de conferir lubri�cação e diminuir a</p><p>resistência à fricção �bra/�bra, facilitando assim o seu movimento</p><p>individual no interior do tecido e, consequentemente, aumentando a</p><p>elasticidade e a resistência ao rompimento do substrato. Nos</p><p>acabamentos em que são aplicados isoladamente, os polietilenos têm a</p><p>função de revestir as �bras e aumentar sua lubri�cação, facilitando</p><p>operações mecânicas posteriores, como a calandragem, a costura etc.;</p><p>nos acabamentos com resinas sintéticas, os polietilenos são também</p><p>recomendáveis por não in�uenciar de forma negativa a interação</p><p>resina/ �bra, durante a fase de polimerização.</p><p>Amaciantes à base de silicone</p><p>Composição:</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>Silicones: são polímeros derivados dos silanos, que podem ser</p><p>substituídos por grupos alquil, aril, halogênios e outros.</p><p>Uma propriedade química importante dos silanos é a sua facilidade em</p><p>oxidar, formando polissiloxanos. Dois importantes exemplos são:</p><p>Dimetil-polissiloxano: funciona como lubri�cante, proporcionando</p><p>toque macio e sedoso.</p><p>Metil-hidrogênio-polissiloxano: aumenta a maciez e repele a água.</p><p>São disponibilizados no mercado na forma de emulsões. Os amaciantes de</p><p>silicone, além de suas características de repelência à água, são</p><p>recomendáveis para aplicações que requerem altos efeitos de lubri�cação</p><p>super�cial, tais como �os para costura, tecidos e malhas para confecções</p><p>etc., pois facilitam sobremaneira todas as operações mecânicas subsequentes</p><p>às quais os substratos serão submetidos. Como fator negativo existe o fato</p><p>de as emulsões de silicone serem em grande parte frágeis, provocando</p><p>riscos quando submetidas aos esforços gerados nas operações de</p><p>acabamentos (bombas de alimentação, misturadores de alta rotação,</p><p>temperaturas elevadas, resíduos de álcalis etc.) e possibilitando eventuais</p><p>ocorrências de manchas oleosas sobre os substratos. Essas manchas são, na</p><p>maioria das vezes, de remoção muito difícil, pois são causadas pela quebra</p><p>de emulsões e consistem em resíduos e glóbulos de silicone reagregados.</p><p>Três tipos químicos de amaciantes de silicone comprovadamente melhoram</p><p>o tato, a lubri�cação, a resistência à abrasão, a repelência à água: os silicones</p><p>reativos; os silicones não reativos; e os organorreativos.</p><p>Os silicones não reativos são baseados em dimetil-polissiloxanos de alta</p><p>viscosidade e �cam depositados sobre o substrato, resultando em modestas</p><p>propriedades de solidez.</p><p>Os silicones reativos polimerizam-se, formando polímeros reativos sobre a</p><p>superfície das �bras, insolúveis em água e em solventes, com elevadas</p><p>propriedades de solidez.</p><p>Os silicones organorreativos são capazes de reagir com as �bras, formando</p><p>uma ligação covalente de efeitos permanentes.</p><p>–</p><p>•</p><p>A natureza iônica dos emulsionantes empregados de�ne o caráter das</p><p>emulsões resultantes. A �amabilidade dos têxteis é aumentada quando</p><p>estes são tratados com emulsões de silicone.</p><p>Os elastômeros de silicone são polissiloxanos de alto peso molecular,</p><p>possuindo grupos funcionais terminais. São vendidos na forma de pré-</p><p>polímeros, que normalmente formam ligação cruzada (cross-linking) com a</p><p>celulose, por meio da presença de um aditivo, um silanol chamado</p><p>trimetoximetil, e um catalisador organometálico, ocorrendo uma</p><p>polimerização após a aplicação da resina.</p><p>As suas vantagens são:</p><p>Ceras: as ceras usadas nas formulações de amaciantes são</p><p>essencialmente sólidas e conferem um bom grau de lubri�cação às</p><p>�bras. As ceras de para�na são muito comumente utilizadas para</p><p>diminuir os coe�cientes de fricção entre �bras e metais; nas operações</p><p>de costura, na �anelagem, por exemplo, são empregadas principalmente</p><p>sobre �bras celulósicas e conferem sempre certo grau de repelência à</p><p>água. Os acabamentos não apresentam boas propriedades de solidez,</p><p>pois não são duráveis após lavagens com água ou a seco. Também são</p><p>utilizados para conferir tato cheio e liso, proporcionando certo brilho</p><p>após operações de calandragem.</p><p>Os amaciantes não iônicos conferem boa lubri�cação aos substratos, mas</p><p>nenhum deles proporciona, de uma forma geral, um tato realmente macio,</p><p>pois tais amaciantes atuam na superfície dos artigos. Os amaciantes não</p><p>iônicos conferem boas propriedades técnicas, mas, se é desejado certo grau</p><p>de maciez, torna-se necessário combiná-los com os amaciantes catiônicos</p><p>ou anfóteros.</p><p>Amaciantes aniônicos</p><p>Os amaciantes aniônicos, em sua maioria, têm boa estabilidade à</p><p>temperatura e são compatíveis com todas as classes de corantes, com</p><p>exceção do básico. São especialmente adequados e não causam troca de cor</p><p>nem in�uência na solidez à luz nos materiais tingidos com corantes diretos.</p><p>•</p><p>É importante salientar que, por causa da sua característica aniônica, sua</p><p>montagem por banhos de esgotamento é mínima, motivo pelo qual essa</p><p>classe de amaciantes é indicada para processos contínuos (foulardagem).</p><p>Outro fato que comprova a sua indicação para processos contínuos é a sua</p><p>resistência a altas temperaturas, as quais são alcançadas no momento da</p><p>secagem em rama.</p><p>Comparado com o amaciante não iônico, esse grupo de produtos</p><p>caracteriza-se por conferir um toque mais macio, porém menos liso</p><p>super�cialmente. Além dessa característica, as propriedades de</p><p>hidro�lidade dos substratos não são afetadas pelos amaciantes aniônicos, os</p><p>quais podem até mesmo melhorar a absorvência dos materiais têxteis, o que</p><p>torna esse grupo de produtos o mais apropriado para o emprego em têxteis</p><p>cuja hidro�lidade é de primordial importância.</p><p>O grau de maciez de um amaciante aniônico é inferior ao obtido com um</p><p>amaciante catiônico, mas pode chegar a superar a maciez obtida com um</p><p>amaciante anfótero.</p><p>Amaciantes catiônicos</p><p>Sua maior vantagem é a a�nidade com �bras celulósicas naturais e</p><p>regeneradas.</p><p>São os mais usados, pelo fato de serem os mais e�cientes na obtenção de</p><p>um baixo coe�ciente de fricção �bra/�bra e também por conferir uma</p><p>ótima lisura. Em razão da sua alta substantividade, são obtidos excelentes</p><p>efeitos de amaciamento, bem como resistência à lavagem caseira, com</p><p>baixas concentrações de uso.</p><p>Outro fato interessante de se notar nos amaciantes catiônicos é que o seu</p><p>poder de montagem é consideravelmente maior do que o de outros tipos de</p><p>amaciantes, sendo por isso os mais indicados para processos de</p><p>esgotamento.</p><p>Os amaciantes catiônicos apresentam um comportamento de�ciente sob</p><p>exposição ao calor, provocando amarelecimento em artigos brancos e</p><p>alterações de nuanças em artigos tintos. As combinações com amaciantes</p><p>não iônicos à base de silicone aumentam sensivelmente a lisura e suavidade</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>super�cial, conferindo um tato extremamente agradável para têxteis</p><p>destinados ao vestuário.</p><p>Amaciantes anfóteros</p><p>São aqueles que variam seu caráter iônico de acordo</p><p>com o pH do</p><p>banho.</p><p>Quadro 1 – Vantagens e desvantagens de vários tipos de amaciante.</p><p>Tipo</p><p>químico</p><p>Vantagens Desvantagens</p><p>Catiônicos</p><p>Toque muito macio, sedoso e liso.</p><p>Melhoram a costurabilidade.</p><p>Melhoram as propriedades</p><p>antiestáticas de �bras sintéticas.</p><p>Aumentam a resistência à abrasão.</p><p>Esgotam-se no banho (a�nidade).</p><p>Compatíveis com a maioria dos</p><p>acabamentos com resinas.</p><p>Excelentes para tecidos de malha.</p><p>Resistentes a várias lavagens.</p><p>Incompatíveis com materiais aniônicos</p><p>(precipitam).</p><p>Podem mudar o tom de vários corantes.</p><p>Reduzem o efeito de produtos hidró�los à</p><p>base de cera e sais metálicos.</p><p>Retêm cloro.</p><p>Podem reduzir a solidez de alguns corantes</p><p>diretos à luz.</p><p>Pouca resistência ao amarelecimento.</p><p>Bloqueiam a hidro�lidade (absorvência).</p><p>Aniônicos</p><p>Toque macio com óleos sulfonados</p><p>Toque cheio e ceroso com sebo</p><p>sulfonado.</p><p>Toque macio e ceroso com ésteres</p><p>graxos sulfonados.</p><p>Boa resistência ao amarelamento.</p><p>Boa absorvência. – Boa lubri�cação.</p><p>Não se esgotam.</p><p>Incompatíveis com acabamentos de resina.</p><p>Sensíveis em pH ácido.</p><p>Não são substantivos.</p><p>Não</p><p>iônicos</p><p>Excelente compatibilidade.</p><p>Não têm efeito no tom dos corante</p><p>Resistência a se tornarem rançosos</p><p>Resistência ao amarelecimento.</p><p>Resistência à sujeira na lavagem.</p><p>Não retêm cloro.</p><p>Auxiliam na costurabilidade.</p><p>Diminuem a resistência à abrasão.</p><p>Podem afetar o sangramento de corantes</p><p>dispersos.</p><p>Não apresentam a�nidade quando</p><p>aplicados por esgotamento.</p><p>Tipo</p><p>químico</p><p>Vantagens Desvantagens</p><p>Polietileno</p><p>Aumentam a resistência à abrasão.</p><p>Melhoram a costurabilidade.</p><p>Compatíveis com resinas reactante e</p><p>catalisadores.</p><p>Melhoram a absorção de umidade.</p><p>Retêm sujeira durante a lavagem.</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Silicone Toque liso e macio.</p><p>Efeitos antipilling.</p><p>Não causam amarelecimento.</p><p>Excelente resistência à sublimação.</p><p>Antiabrasivos (lubri�cantes).</p><p>Baixa formação de espuma.</p><p>Melhoram a resistência à abrasão e</p><p>à ruptura.</p><p>Excelente compatibilidade.</p><p>Podem acentuar a tendência ao</p><p>esgarçamento.</p><p>Processos de aplicação</p><p>Como vimos, cada amaciante tem a aplicação correta de acordo com sua</p><p>característica iônica ou química. Podemos citar três formas de aplicação dos</p><p>amaciantes, sendo que a última não é comumente usada no mercado atual:</p><p>esgotamento;</p><p>foulardagem;</p><p>pulverização.</p><p>Comportamento dos amaciantes</p><p>Cada amaciante tem a sua classi�cação, segundo a sua composição iônica</p><p>ou química; sendo assim, cada amaciante terá um comportamento</p><p>particular, em que seus benefícios podem ser totalmente diferentes quando</p><p>comparados com amaciantes de outra base química ou iônica.</p><p>Um bom exemplo desse fato são os amaciantes de bases iônicas diferentes,</p><p>em que o poder de montagem dos amaciantes depende de os grupos ativos</p><p>contidos em sua molécula se ligarem com os grupos reativos da �bra.</p><p>Sabemos com isso que os amaciantes catiônicos têm um ótimo poder de</p><p>montagem pelo fato de as cargas iônicas do amaciante e do tecido serem</p><p>contrárias. O mesmo não acontece com os amaciantes aniônicos, em que as</p><p>cargas iônicas são iguais.</p><p>Logo, o amaciante deve ser escolhido de acordo com os efeitos desejados e,</p><p>principalmente, com a forma de aplicação que será dada a ele.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>Existem �bras nas quais os efeitos amaciantes são mais notáveis, a saber:</p><p>�bras celulósicas;</p><p>poliamidas;</p><p>�bras de poliéster e acrílicas.</p><p>Porém, não é somente o tipo de �bra que proporciona efeitos diferentes,</p><p>podendo ocorrer também por outros fatores, como:</p><p>processo de aplicação;</p><p>tipo de equipamento;</p><p>absorção de banho;</p><p>relação de banho;</p><p>tempo e temperatura.</p><p>Com isso, deverá haver um rígido controle na aplicação dos amaciantes,</p><p>pois, como sabemos, em todo bene�ciamento do tecido existem processos</p><p>aos quais devemos reservar alguns cuidados, tendo sempre em mente um</p><p>perfeito resultado �nal. O acabamento do tecido é a parte mais crítica, na</p><p>qual os defeitos muitas vezes são irrecuperáveis; sendo assim, na fase de</p><p>amaciamento do tecido, devemos tomar alguns cuidados, a saber:</p><p>Escolha do amaciante</p><p>Deve ser feita de acordo com o processo a ser utilizado.</p><p>Temperatura de secagem</p><p>Deve-se tomar cuidado com os amaciantes que podem amarelar.</p><p>Amaciantes à base de silicone</p><p>Deve-se tomar cuidado com a quebra de dispersão.</p><p>Encorpamento</p><p>Os encorpantes normalmente são substâncias poliméricas (resinas</p><p>termoendurecíveis), de alto peso molecular, que formam �lmes rígidos na</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>superfície do substrato. Podem ou não estabelecer ligações cruzadas com</p><p>outros compostos aplicados. Os mais comuns estão relacionados a seguir.</p><p>Amido</p><p>É composto por monômeros de glicose (C6H12O5)n, chegando a 150.000</p><p>unidades, ligadas entre si, que constituem o polímero (amido).</p><p>Características:</p><p>toque mais rígido;</p><p>toque empapelado;</p><p>baixa solidez à lavagem;</p><p>�lme opaco, responsável pela falta de vivacidade das cores.</p><p>Acetato de polivinila ou poliacetato de vinila (PVA)</p><p>É um produto obtido pela polimerização do acetato de vinila, constituindo</p><p>um polímero termoplástico de alto grau de polimerização.</p><p>Polímero</p><p>Grupo vinila</p><p>CH2 = CH -</p><p>Características:</p><p>toque rígido;</p><p>toque empapelado;</p><p>média solidez à lavagem;</p><p>�lme opaco;</p><p>sensibilidade à temperatura.</p><p>Álcool polivinílico</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Radical vinila</p><p>HCOH = CH-</p><p>Características:</p><p>toque rígido;</p><p>toque empapelado;</p><p>�lme translúcido;</p><p>resistência à temperatura.</p><p>OBSERVAÇÃO</p><p>Em combinações com resinas antirrugas, é insolubilizado,</p><p>tornando-se sólido à lavagem.</p><p>Acrilatos, poliacrilatos, derivados do ácido acrílico</p><p>CH2 = CH – COOCH3</p><p>Características:</p><p>toque cheio;</p><p>�lme transparente;</p><p>amolecimento quando molhado, porém reversível.</p><p>Ácido propenoico, ácido acroleico</p><p>CH2 = CH - COOH</p><p>Características:</p><p>toque rígido;</p><p>toque empapelado;</p><p>boa solidez à lavagem;</p><p>�lme transparente; e</p><p>melhoria da recuperação à dobra.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>Antirruga</p><p>Pode-se observar que as camadas da �bra se deformam mais que as</p><p>interiores. As rugas assim formadas não se recuperam, a não ser que sejam</p><p>submetidas a outro esforço, isto é, a um esforço contrário à sua dobra.</p><p>Daí o surgimento de uma resina que veio amenizar esse problema, sendo</p><p>que seu objetivo é conservar a roupa “passada” após o uso e a lavagem.</p><p>As resinas antirruga podem ser classi�cadas da seguinte forma:</p><p>resinas reativas;</p><p>resinas reactantes;</p><p>resinas mistas.</p><p>Resinas reativas</p><p>Nessa classe, estão a dimetilol-ureia (DMU) e a dimetoxi-metil-ureia</p><p>(DMMU), que são mais conhecidas como ureia-formol. Essas resinas são</p><p>altamente reativas, formando condensados de alto peso molecular;</p><p>promovem bons efeitos de recuperação à dobra, estabilidade dimensional e</p><p>toques rígidos e ásperos.</p><p>Resistem às lavagens caseiras até 60ºC e têm boa resistência à limpeza a</p><p>seco.</p><p>Como desvantagens, as que mais se destacam são: fraca estabilidade em</p><p>presença de catalisadores; alta retenção de cloro; a solidez de alguns</p><p>corantes diretos e reativos à luz é afetada. E a dimetoxi-metil-ureia –</p><p>DMMU – apresenta-se mais estável e com �lmes mais macios.</p><p>(OH CH2 NH CO NH CH2 OH) monômero de DMU</p><p>( CH3 O CH2 NH CO NH CH2O CH3) monomêro da DMMU</p><p>Resinas reactantes</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>Nessa classe estão as dimetiloletileno-ureia (DMMU), dimetilol–propileno-</p><p>ureia (DMPU), dimetoxi-metil-uron (DMM), dimetilol-carbamatos</p><p>(DMC), dimetilol-diidroxi-etileno-ureia (DMDHEU).</p><p>Dimetilol-etileno-ureia (DMEU) é um produto altamente reativo à base</p><p>de celulose, inclusive em temperaturas baixas. É indicado para cura</p><p>rápida, boa recuperação à dobra, estabilidade dimensional e resistência</p><p>à lavagem com água e fervura.</p><p>(CH2)2 (OH CHN)2 CO monômero</p><p>Como desvantagem, afetam a solidez à luz de reativos e diretos.</p><p>Dimetilol-propileno-ureia (DMPU) não retém o cloro; sendo assim, é</p><p>um produto indicado para tecidos brancos (entretelas e tecidos para</p><p>hospitais); tem boa recuperação à dobra, além de estabilidade e solidez</p><p>à lavagem a quente. Porém altera a solidez dos corantes direto e reativo</p><p>à luz, e seu preço é elevado.</p><p>(CH2)3 (OH CH2 N)2 CO monômero</p><p>Dimetoxi-metil-uron (DMM). É resistente à hidrólise, porém, por causa</p><p>da pureza, pode</p><p>reter cloro.</p><p>O (CH2)2 (N CH2 O CH3)2 CO monômero</p><p>Dimetilol-carbamatos (DMC). São resistentes à hidrólise ácida e ao</p><p>cloro; para sua condensação, é necessário temperatura elevada, porém,</p><p>podem apresentar perda de resistência à tração e à abrasão e alto índice</p><p>de formol livre.</p><p>R – O CON (CH2OH)2 monômero</p><p>Dimetilol-diidroxi-etileno-ureia (DMDHEU). Esse produto é</p><p>popularmente conhecido como glioxálico. Considerada como a melhor</p><p>entre todas as reactantes, não interfere na solidez à luz, é resistente à</p><p>hidrólise, pode ser aplicada e fazer a cura posterior (armazenagem).</p><p>(CH2O)2 (OH CH2N)2 CO monômero</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Resina mista</p><p>Possui boa resistência à lavagem com fervura, retém pouco cloro, apresenta</p><p>boa recuperação à dobra e boa estabilidade dimensional. É largamente</p><p>utilizada e é conhecida no mercado como resina triexametilada ou</p><p>hexametilada.</p><p>Trimetoxi–metil-melanina (TMMM)</p><p>(CH3O CH2 NH)3 N3C3 monômero</p><p>Hexametoxi-metilmelanina (HMMM)</p><p>(N(CH2OCH3)2)3 N3C3 monômero</p><p>Essas resinas são empregadas na forma de pré-condensados e, nesse caso,</p><p>são aplicadas em banho por foulardagem em conjunto com catalisadores.</p><p>O catalisador tem a função de acelerar a reação de cura, permitindo assim a</p><p>polimerização da resina. Geralmente os catalisadores são doadores de ácido</p><p>que se desdobram por reação térmica. A condensação é feita por in�uência</p><p>do calor e do pH ácido.</p><p>Os catalisadores mais utilizados são:</p><p>sais de amônio;</p><p>nitratos.</p><p>O acabamento antirruga pode ser aplicado em:</p><p>pré-curados;</p><p>pós-curados.</p><p>O acabamento pré-curado é realizado no tecido durante o bene�ciamento e</p><p>é o mais simples e mais econômico.</p><p>O acabamento pós-curado é realizado sobre a peça confeccionada e</p><p>apresenta alto custo e toque pouco suave. A peça é imersa no banho,</p><p>centrifugada e seca no vapor, ou em máquina especial também com o</p><p>auxílio de vapor.</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>•</p><p>–</p><p>Repelência à água e ao óleo</p><p>A princípio, devemos estabelecer a diferença entre impermeabilização e</p><p>repelência.</p><p>A impermeabilização é a propriedade de impedir a passagem de</p><p>líquidos, independentemente de haver a molhagem.</p><p>A repelência é a capacidade de não umectar.</p><p>Especialmente para os estofados, é de suma importância a passagem de ar,</p><p>que, aliada à repelência, mantém os tecidos sempre secos, proporcionando</p><p>conforto e evitando problemas de formação de bolor e mofo interno.</p><p>Antigamente os produtos repelentes constituíam-se em uma emulsão de</p><p>para�na e cera que muitas vezes continham sais de alumínio e zircônio</p><p>(Zr).</p><p>Hoje esses acabamentos contam com a mais moderna tecnologia, na qual os</p><p>produtos utilizados são à base de �uorcarbono.</p><p>Os �uorcarbonos são compostos de hidrocarbonetos nos quais os átomos de</p><p>hidrogênio deram lugar aos átomos de �úor, tornando-se assim hidrófobos.</p><p>Por outro lado, esses �uorcarbonos, além de repelir as moléculas de água,</p><p>também repelem os óleos, uma vez que estes estão nas tecno�bras sintéticas</p><p>e possuem a capacidade de atrair as sujeiras.</p><p>Com a aplicação do �uorcarbono, há a formação de uma barreira em torno</p><p>da �bra, que se dá no avesso e no direito do substrato. Esse acabamento é</p><p>permanente.</p><p>Como se dá a obtenção dos produtos �uorquímicos?</p><p>A obtenção pode se dar das seguintes formas:</p><p>Eletrofluorinação</p><p>Ocorre por meio da corrente elétrica.</p><p>Telomerização</p><p>Ocorre por meio do agrupamento.</p><p>As vantagens desse processo no acabamento são:</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>temperatura mais baixa;</p><p>rendimento elevado;</p><p>ausência de rami�cação;</p><p>excelente resultado de repelência.</p><p>O número de carbono que compõe a molécula é de suma importância; no</p><p>processo de eletro�uorinação, chegamos a cadeias de até oito carbonos,</p><p>podendo estas serem retas ou rami�cadas, enquanto no processo de</p><p>telomerização as cadeias podem ser de oito, dez ou doze carbonos e sempre</p><p>retas. Cabe ressaltar que quanto mais longa for a cadeia, maior será a</p><p>di�culdade na obtenção da síntese industrial do produto e maior será a</p><p>chance de sua rami�cação.</p><p>Parâmetros para aplicação:</p><p>pH até 6,0;</p><p>pick-up de 70 a 80%;</p><p>temperatura de 30ºC;</p><p>secagem entre 110ºC e 120ºC.</p><p>Quadro 2 – Variação da polimerização</p><p>Antichama</p><p>No mercado europeu, há uma severa legislação sobre tecidos utilizados em</p><p>lugares públicos, os quais não podem propagar chama. Observa-se também</p><p>que isso tende a se estender para todo o mercado privado.</p><p>Sabemos que a combustão é o nome dado a uma reação química em cadeia</p><p>de uma substância denominada combustível (nesse caso, as �bras e os</p><p>produtos químicos agregados a elas) em conjunto com outra substância</p><p>denominada comburente (o oxigênio contido no ar). Em conjunto,</p><p>liberarão energia nas formas de luz e calor.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Os produtos antichama, também denominados ignífugos, atuam ao evitar</p><p>que a chama não se propague em:</p><p>áreas públicas;</p><p>área automobilística;</p><p>área decorativa, entre outras.</p><p>Existem duas possibilidades de produção de um tecido antichama: usando</p><p>�bras antichama ou usando �bras comuns, porém aplicando o acabamento</p><p>antichama.</p><p>Produtos utilizados como ignífugos</p><p>Boratos</p><p>Essencialmente hidrato de boro e suas misturas, utilizados para �bras</p><p>celulósicas, formam uma película vitri�cada que envolve a �bra e impede</p><p>seu contato com o oxigênio.</p><p>Sulfatos</p><p>O sulfato de amônio decompõe-se, liberando o gás amoníaco, que é</p><p>incombustível e dilui os produtos voláteis combustíveis.</p><p>Derivados do fósforo</p><p>Atuam como catalisadores, pois ligam-se ao oxigênio da �bra.</p><p>Antimicrobiano</p><p>Os antimicrobianos podem ser encontrados nas seguintes formas:</p><p>fungicidas;</p><p>bactericidas;</p><p>microbicidas;</p><p>fungistáticos;</p><p>bacteriostáticos;</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>acariostáticos.</p><p>Evidentemente o mercado apresenta inúmeros produtos, sendo muitos</p><p>deles uma mistura de dois ou mais produtos, porém seu objetivo sempre é a</p><p>busca da eliminação dos micro-organismos.</p><p>Sua ação �ca por conta do ataque ao metabolismo dos micro-organismos,</p><p>impedindo a sua reprodução.</p><p>As condições necessárias para a atuação de um antimicrobiano são:</p><p>ser inodoro;</p><p>ser atóxico;</p><p>não alterar as propriedades do substrato;</p><p>não alterar a solidez do corante.</p><p>Antiestáticos</p><p>As �bras sintéticas, em razão da sua baixa taxa de reabsorção de umidade,</p><p>tendem a se carregar fortemente de eletricidade estática e, em especial, nas</p><p>atmosferas de baixa umidade relativa, condições ideais encontradas nos</p><p>secadores e polimerizadores.</p><p>Para minimizar o problema, o mercado oferece amaciantes de caráter:</p><p>catiônico;</p><p>não iônico.</p><p>Antiesgarçamento</p><p>Como solução, o mercado oferece produtos chamados de antiesgarçantes,</p><p>cuja função é a de tornar os �os mais ásperos, impedindo assim o seu</p><p>esgarçamento.</p><p>19. Acabamentos biológicos</p><p>Biopolimento</p><p>Os acabamentos biológicos são aqueles que melhoram as características do</p><p>substrato têxtil por meio bioquímico. O tipo de acabamento biológico</p><p>existente é o biopolimento.</p><p>Biopolimento</p><p>É aquele que utiliza a enzima β-celulase com o objetivo de fazer o</p><p>biopolimento no substrato têxtil celulósico.</p><p>É aplicado por meio de processo descontínuo, em banho de esgotamento.</p><p>20. Testes</p><p>As empresas têxteis possuem um laboratório onde são controlados os</p><p>insumos, os produtos e as matérias-primas.</p><p>No decorrer do processo, deve ser feita uma rotina de testes para analisar o</p><p>funcionamento dos instrumentos e equipamentos.</p><p>Ao �nal do processo, todo tecido que foi acabado deve passar por uma</p><p>inspeção com a �nalidade de garantir a sua qualidade, para que o produto</p><p>têxtil possa ter competitividade no mercado, que se torna a cada dia mais</p><p>acirrado.</p><p>•</p><p>•</p><p>21. Matrizes de impressão</p><p>Telas e matrizes</p><p>Estrutura das matrizes</p><p>Esticadores de tela</p><p>Gravação de matrizes</p><p>Telas e matrizes</p><p>As principais características requeridas em uma tela são: oferecer boa</p><p>resistência aos produtos químicos em geral; possibilitar boa aderência das</p><p>emulsões fotossensíveis; ter boa resistência à tração, o su�ciente para ser</p><p>esticada no quadro sem se romper; e possuir boa estabilidade dimensional.</p><p>Tela de poliamida: disponível apenas em mono�lamento, é pobre em</p><p>resistência química e mecânica. Também é muito sensível às condições</p><p>climáticas,</p><p>o que leva a uma instabilidade dimensional. Não é indicada</p><p>para a área de estamparia têxtil em razão da sua alta higroscopicidade.</p><p>Tela de poliéster: apresenta boa resistência às condições climáticas</p><p>adversas, possui ótima estabilidade dimensional, além de melhor</p><p>precisão de registro e ótima resistência aos produtos químicos. Por causa</p><p>dessas características, o poliéster é a �bra sintética mais utilizada no</p><p>segmento têxtil, e as malhas podem ser obtidas em mono�lamento ou</p><p>multi�lamento. As telas de mono�lamentos possuem uma superfície</p><p>macia e produzem uma malha regular, que melhora acentuadamente a</p><p>passagem uniforme das tintas, bem como sua remoção fácil na hora da</p><p>limpeza. As malhas de mono�lamentos podem ter maior quantidade de</p><p>�os por centímetro, com uma passagem adequada de tinta de</p><p>impressão. Já as telas de multi�lamento possuem a desvantagem da</p><p>recuperação da matriz, muito di�cultada pela própria construção do �o</p><p>multi�lamento.</p><p>Estrutura das matrizes</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>As armações das matrizes podem ser de madeira, ferro ou alumínio. A</p><p>madeira não é muito recomendada por causa da sua instabilidade</p><p>dimensional. O ferro é uma das armações mais utilizadas, porém é muito</p><p>pesado; já o alumínio é leve e de fácil manuseio, porém apresenta custo</p><p>elevado.</p><p>Esticadores de tela</p><p>A esticagem de tela deve ser feita com a máxima atenção, pois uma tela</p><p>com tensão irregular pode provocar uma distorção no desenho a ser</p><p>estampado, além de ser mais suscetível a rasgos e deformações. As telas</p><p>podem ser esticadas por processo manual, mecânico ou pneumático.</p><p>Manual: é o processo menos indicado, pois não permite uma</p><p>regularização da tensão em toda a área da tela e exige sua �xação com</p><p>grampos ou cola.</p><p>Mecânico: é um processo com boa precisão, em que a tela é �xada em</p><p>um molde por meio de barras na qual se prende. Feito isso,</p><p>adicionamos as barras mecanicamente até conseguirmos a tensão</p><p>necessária e ideal.</p><p>Pneumático: é um sistema de esticagem de princípios similares ao</p><p>mecânico. A principal diferença é que as barras contêm pinças que, por</p><p>meio da força de ar comprimido, irão esticar as telas.</p><p>Gravação de matrizes</p><p>Preparação da emulsão</p><p>O processo de gravação das matrizes é relativamente simples. Consiste na</p><p>preparação de uma mistura balanceada de 90% de resina termoplástica</p><p>solúvel em água (geralmente PVA) e 10% de solução 1:10 de algum</p><p>composto sensível a ondas UV (bicromatos de amônio, sódio ou potássio).</p><p>Aplica-se uma camada �na dessa mistura na superfície do material e, logo</p><p>em seguida, seca-se em temperatura em torno de 40ºC a 50ºC para evitar a</p><p>polimerização prematura. Tudo isso deve ser efetuado em ambiente pouco</p><p>iluminado, no intuito de retardar ao máximo o contato indesejado da</p><p>emulsão com a luz branca.</p><p>Gravação</p><p>O primeiro passo para a gravação da matriz é a sua limpeza, para a</p><p>eliminação de graxas, gorduras e outras impurezas que possam existir.</p><p>Após a preparação da matriz e da emulsão, é a hora da gravação. O negativo</p><p>é colocado sobre o quadro e, em seguida, o conjunto é exposto a uma fonte</p><p>iluminante durante um tempo determinado, que pode variar de acordo</p><p>com a resina da emulsão e da fonte iluminante utilizada. No momento da</p><p>exposição à luz, onde houver partes pretas, a luz não penetrará e,</p><p>obviamente, onde existirem partes transparentes, haverá exposição. A luz</p><p>irá alterar as características da emulsão, que se tornará insolúvel em água</p><p>nos locais atingidos pela luz, entretanto, continuará solúvel nos locais onde</p><p>a luz não penetrou, podendo ser retirada facilmente com água fria. Será por</p><p>esses locais que a pasta irá �uir para o substrato.</p><p>22. Estamparia</p><p>Processos de estampagem</p><p>Etapas</p><p>Pigmentos</p><p>Ligantes</p><p>Emulsões</p><p>Aditivos</p><p>Corantes</p><p>Espessantes</p><p>Métodos de estampagem</p><p>Estamparia com efeitos especiais</p><p>Receitas</p><p>A estamparia é responsável pela coloração parcial do substrato.</p><p>Evidentemente, o substrato é uma das variáveis mais difíceis de controlar.</p><p>Por isso, é muito importante conhecer as suas especi�cações, das quais</p><p>podemos citar as mais importantes: construção, gramatura, estabilidade</p><p>dimensional, composição química, capilaridade, grau de brancura e</p><p>possibilidade de amarelecimento quando exposto ao calor, tendo sempre</p><p>como padrão as tolerâncias admissíveis em cada caso particular, sem contar</p><p>que o substrato a ser estampado deve estar isento de quaisquer tipos de</p><p>acabamento, sejam eles quais forem. Se necessário, devem ser realizados</p><p>ensaios para constatação da qualidade do substrato, sendo que esses ensaios</p><p>dependerão do substrato em questão e podem abranger a comprovação de</p><p>restos de engomagem, o pH do substrato, a hidro�lia ou a realização de</p><p>extrações em aparelhos de Soxhlet. É importante ter em conta que um</p><p>tecido mal estampado é praticamente irrecuperável. Isso faz com que se</p><p>justi�que dar a devida importância ao controle prévio.</p><p>Processos de estampagem</p><p>Existe um grande número de processos de estampagem. Isso vem sendo</p><p>feito desde os tempos mais remotos, em que eram efetuadas impressões</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>com blocos como se fossem carimbos. Atualmente, na indústria têxtil,</p><p>podemos citar os principais processos como: estamparia a quadro manual e</p><p>automático; estamparia por rotativas e estamparia por termotransferência.</p><p>Estamparia a quadro</p><p>Manual</p><p>Na estamparia a quadro manual, o substrato é colocado em mesa plana e</p><p>�xado a esta com colas especiais ou al�netes. Os quadros podem ser</p><p>movidos manual ou mecanicamente, obedecendo a um raport</p><p>preestabelecido. Sobre a mesa, pode haver fontes de calor para que o</p><p>substrato seja seco o mais rápido possível, para, então, ser termo�xado ou</p><p>vaporizado em equipamentos especí�cos.</p><p>Automático</p><p>Na estamparia a quadro automático, o substrato se locomove por meio de</p><p>uma esteira sem �m, igual às rotativas, que se movimenta em sincronia com</p><p>o ajuste dos quadros. Sob a esteira, existe um campo magnético que</p><p>também age em sincronia com ela, pois assim que os quadros se sobrepõem</p><p>ao movimento que é efetuado por válvulas pneumáticas, o campo</p><p>magnético é acionado, fazendo com que a barra de impressão (feita de</p><p>material imantável) se mova ao longo do quadro em movimentos de</p><p>vaivém. Já a alimentação dos quadros é efetuada manualmente, e a</p><p>secagem, em secadores que podem, ou não, estar acoplados à máquina.</p><p>Estamparia rotativa ou por cilindros</p><p>É efetuada em máquinas rotativas que podem possuir vários cilindros ocos</p><p>dispostos paralelamente entre si e perpendicularmente em relação a uma</p><p>esteira que se movimenta continuamente, carregando consigo o substrato</p><p>preso a ela por meio de colas especiais que são utilizadas para evitar</p><p>deslocamentos e dobramentos indesejados.</p><p>Os cilindros são alimentados por meio de bombas de sucção que injetam a</p><p>pasta de estampar para dentro deles com a ajuda de rasquetas</p><p>microperfuradas, as quais, além de alimentá-los, também fazem a pressão</p><p>necessária para a impressão do substrato. A secagem é feita por intermédio</p><p>de secadores apropriados que podem estar acoplados à máquina.</p><p>•</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>•</p><p>Termotransferência</p><p>É utilizada principalmente em estampas de substratos de poliamida e</p><p>poliéster. Consiste em estampar um papel especial com corantes dispersos</p><p>que possuam baixos e médios índices de solidez à sublimação (passagem do</p><p>estado sólido para o gasoso). Após a secagem, o papel é introduzido com o</p><p>tecido em uma calandra com um cilindro superaquecido que irá transferir</p><p>calor ao papel, fazendo com que o corante presente neste passe para o</p><p>substrato por meio de sublimação. Os índices de solidez são aceitáveis,</p><p>porém as estampas efetuadas por esse processo produzem cores não muito</p><p>vivas. Esse processo pode ser designado como termoestamparia, pois a</p><p>transferência da cor do papel para o tecido é feita por intermédio de calor.</p><p>Estamparia digital</p><p>A estamparia digital nada mais é do que uma estampa criada no</p><p>computador, sendo impressa diretamente num tecido. A aplicação pode ser</p><p>feita em algodão, náilon, viscose, seda, tecidos com ou sem lycra, malha e</p><p>tecidos planos. A estamparia digital surgiu nos anos 1980, desenvolveu-se</p><p>nos</p><p>anos 1990 e agora está presente nas passarelas brasileiras.</p><p>Vantagens:</p><p>Não há nenhuma limitação de criação, portanto, não existem restrições</p><p>na escolha da quantidade de cores e no tamanho do raport.</p><p>Pode ser desenvolvida em pequenas metragens de tecidos.</p><p>Proporciona grande variedade de criações e desenhos em menor tempo.</p><p>Não utiliza quadros e nem cilindros, fator de economia no processo.</p><p>Seu processo é rápido: o ciclo design-produção, que levava semanas, é</p><p>reduzido a horas.</p><p>Permite maior de�nição da imagem.</p><p>Proporciona menor perda.</p><p>Tem baixo consumo de energia e operação em local ambientalmente</p><p>propício, tornando viável uma urbanização dos negócios têxteis.</p><p>Utilização:</p><p>Provas e amostras</p><p>Moda fashion</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>íntima;</p><p>esportiva;</p><p>praia.</p><p>Decoração de interiores</p><p>Bandeiras e banners</p><p>Tecidos técnicos</p><p>Carpetes</p><p>Grá�cos reforçados com tecidos</p><p>Etiquetas</p><p>Mesas de jogos</p><p>Bolsas, cintos, calçados e acessórios</p><p>Etapas</p><p>Após a estampagem, o substrato pode seguir vários �uxos. Um dos</p><p>principais fatores que irá determinar o �uxo é o tipo de estampa realizada.</p><p>Depois de estampado, o substrato tem necessidade de ser �xado para que</p><p>se complete a reação corante/�bra, a polimerização do ligante (em caso de</p><p>estampas com pigmentos) ou as interações físico-químicas de outros</p><p>corantes ou processos especiais. Em suma, podemos citar três maneiras</p><p>clássicas como sendo as principais:</p><p>Fixação por calor seco</p><p>Também chamado de termo�xação, esse processo ocorre na ausência de</p><p>umidade, que é de suma importância, principalmente para os corantes.</p><p>Durante a fase do processo de estampagem por �xação por calor seco, essa</p><p>ausência é suprida pela presença de ureia que, além de ser uma substância</p><p>higroscópica e atuar positivamente na solubilidade de alguns corantes,</p><p>auxilia na transferência do corante, presente até então no espessante, para o</p><p>substrato. Substância de ponto de fusão em torno de 130ºC, a ureia forma</p><p>com os corantes e outros insumos auxiliares de ponto de fusão mais baixos</p><p>uma mistura eutética1 na qual os processos de difusão podem se</p><p>desenvolver como se estivessem em meio aquoso, além de promover</p><p>intumescência em �bras higroscópicas. Na �xação por calor seco em �bras</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>sintéticas, devemos observar que a temperatura esteja pelo menos 20ºC</p><p>abaixo da temperatura utilizada na pré-�xação do tecido.</p><p>Fixação por vaporização</p><p>É o processo mais corrente de �xação de corantes em estamparia, aplicável</p><p>a todas as classes de corantes. Podemos utilizar três tipos de vapor: saturado</p><p>à pressão atmosférica, o qual encontra-se em temperaturas que variam</p><p>entre 100ºC e 120ºC; saturado à alta pressão, cuja temperatura será tanto</p><p>maior quanto maior for a pressão; e superaquecido à pressão atmosférica,</p><p>que pode atingir 200ºC.</p><p>Em quaisquer dos casos, quando o substrato é colocado na câmara de</p><p>vaporização, haverá condensação de vapor, sobretudo nas áreas</p><p>estampadas; o espessante e outros compostos higroscópicos irão absorver</p><p>água, o corante e os insumos químicos se dissolverão, as �bras se</p><p>intumescerão e haverá a �xação dos corantes. O tempo de vaporização</p><p>dependerá da �bra, do corante e da temperatura. Assim, utilizando vapor</p><p>saturado a 100-102ºC, serão necessários cerca de 10 minutos para a �xação</p><p>de alguns corantes reativos no algodão e cerca de uma hora para a �xação</p><p>dos corantes dispersos no poliéster, tempos que podem ser decrescidos se</p><p>utilizarmos vapor sobre pressão ou superaquecido.</p><p>Fixação em estado molhado</p><p>Consiste em fazer passar o substrato estampado e seco por um banho no</p><p>qual irão ser promovidas as reações que permitem a �xação dos corantes</p><p>sobre as �bras. É um processo apenas aplicável em casos particulares, como,</p><p>por exemplo, a �xação dos corantes reativos por meio de choque alcalino ou</p><p>a �xação dos corantes à cuba por passagem em banho alcalino redutor.</p><p>Lavagem</p><p>Etapa do processo que visa à retirada do espessante, corantes não �xados e</p><p>outros produtos residuais provenientes das pastas de estampagem, não</p><p>sendo necessária em estampados com pigmentos. Após a �xação, há</p><p>necessidade de uma lavagem com água fria em abundância, a �m de que o</p><p>corante não �xado venha a ser removido rapidamente, antes que ele</p><p>“sangre” sobre o fundo ou outras partes estampadas. Somente após a etapa</p><p>•</p><p>•</p><p>de retirada do espessante é que obteremos a vivacidade, o toque e a solidez</p><p>desejados para o substrato, sendo que os agentes de lavagem e produtos</p><p>químicos variam de acordo com a classe de corantes e substrato utilizados,</p><p>como, por exemplo, lavagem redutiva em substrato de PES estampado com</p><p>corantes dispersos.</p><p>Tratamento posterior</p><p>Visa aumentar as características de solidez em geral e, assim como no</p><p>processo de lavagem, há um determinado tipo de �xador para cada corante</p><p>e substrato.</p><p>Acabamento</p><p>Visa principalmente a uma melhor qualidade do produto �nal quanto ao</p><p>aspecto, ao toque e às características especí�cas que se queira obter deles.</p><p>Tais qualidades podem ser alcançadas por meio de processos físicos,</p><p>químicos ou conjugados.</p><p>Pigmentos</p><p>Os pigmentos são insolúveis em água e, por esse motivo, são</p><p>comercializados na forma de dispersões pigmentárias, que podem ser</p><p>aplicadas, na sua maioria, sobre os mais diversos tipos de substrato têxtil e</p><p>em qualquer �bra.</p><p>A maior diferença entre corantes e pigmentos é o fato de os pigmentos não</p><p>terem nenhuma a�nidade com os substratos têxteis, ou seja, não formam</p><p>nenhum tipo de ligação química ou física com estes, necessitando de resinas</p><p>de �xação que, após a polimerização, formarão um �lme que irá “ligar” o</p><p>pigmento ao substrato. Em razão desse fato, essas resinas são conhecidas</p><p>popularmente como “ligantes”.</p><p>Ligantes</p><p>Resinas sintéticas produzidas pelo homem, os ligantes são formados por</p><p>macromoléculas. Em sua maioria, são emulsões, portanto, possuem</p><p>•</p><p>•</p><p>emulgadores em sua formulação. Estes são responsáveis, dentre outros</p><p>itens, pela estabilidade da pasta, sendo sua qualidade de suma importância.</p><p>Transição vítrea</p><p>Os ligantes são responsáveis pela formação de um �lme que irá “ligar” o</p><p>pigmento ao substrato. A medida de dureza dos �lmes formados é dada</p><p>pela temperatura de transição vítrea, geralmente conhecida como Tg.</p><p>Acima dessa temperatura, o �lme do ligante será elástico e �exível, ao passo</p><p>que, abaixo dela, ele será quebradiço. Por exemplo, se estivermos a uma</p><p>temperatura de 25ºC, um ligante com Tg = -18ºC formará um �lme</p><p>elástico, porém um �lme constituído por um ligante de Tg = 33ºC será</p><p>quebradiço.</p><p>Dessa forma, podemos a�rmar que quanto mais alta for a Tg, mais duro</p><p>será considerado o ligante. A solidez do ligante está associada à sua dureza,</p><p>ou seja, �lmes macios, além de formarem o �lme primeiro, geralmente são</p><p>menos sólidos do que �lmes duros. Por isso, no intuito de se obter um nível</p><p>de solidez satisfatório sem detrimento do toque, às vezes recorremos a uma</p><p>mistura de dois ligantes na proporção de 70% a 90% de ligante macio para</p><p>10% a 30% de ligante duro. Como o ligante macio sempre forma o �lme</p><p>primeiro, o ligante duro �cará na superfície, onde a solidez será testada.</p><p>Transparência e maleabilidade</p><p>Transparência: o �lme formado pelo ligante deve apresentar o máximo</p><p>de transparência possível, para que não inter�ra na cor desejada.</p><p>Maleabilidade: a capacidade de �exibilidade de um ligante é muito</p><p>importante, principalmente quando se trabalha com tecidos de malha</p><p>que sofrerão constante ação de tração. Quando o �lme se mostra sem a</p><p>devida maleabilidade, corremos o risco de ter uma estampa toda</p><p>seccionada (quebrada, rachada) após algum período de manuseio.</p><p>In�uencia também diretamente no toque e na solidez, pois �lmes mais</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>macios tendem a propiciar melhor toque, porém com leve detrimento</p><p>dos índices de solidez.</p><p>Emulsões</p><p>Emulsões podem ser classi�cadas como acrílicas, estireno-acrílicas, estireno-</p><p>bu-tadieno e vinílicas e suas combinações.</p><p>Acrílicas: são as melhores e as mais caras. O brilho, o rendimento e o</p><p>toque são incomparáveis; podem ser aniônicas ou não iônicas e seu pH</p><p>varia de 2,5 a 9,0. Existem algumas emulsões com baixa energia de</p><p>cura, oferecidas como ligantes de “cura ao ar”, porém suas quantidades</p><p>de aplicação são elevadas, comprometendo o custo-benefício.</p><p>Estireno-acrílicas: são bem mais baratas, mas perdem em brilho da cor,</p><p>rendimento e toque para as emulsões 100% acrílicas. Na grande</p><p>maioria, são aniônicas e possuem pH na faixa de 3 a 8. O estireno ajuda</p><p>na solidez das estampas, porém as torna mais amareladas, prejudicando</p><p>muito o rendimento da cor. Cores como violeta, azul royal, turquesa e</p><p>branco são muito afetadas com o uso desse tipo de ligante.</p><p>Estireno-butadieno: são emulsões ainda mais baratas do que as</p><p>anteriores e também piores no aspecto técnico. O grande problema</p><p>encontrado no uso desses tipos de ligantes é a secagem prematura do</p><p>�lme; para retardar esse fenômeno, geralmente recorre-se ao uso de</p><p>ureia. A ureia resolve parcialmente o problema da secagem, porém afeta</p><p>muito a solidez à lavagem a seco e úmido das estampas, mesmo em</p><p>quantidades pequenas, em torno de 10 g/kg. Seu uso em rotativas deve</p><p>ser evitado.</p><p>Vinil-acrílicas: são emulsões ainda mais baratas do que os anteriores e</p><p>péssimas em solidez à lavagem.</p><p>Aditivos</p><p>As formulações das emulsões podem incluir certos aditivos cujas</p><p>características auxiliam em vários fatores. Podem ser agentes umectantes e</p><p>antiformadores de película super�cial que se deposita nas vasilhas onde as</p><p>pastas são armazenadas, auxiliando também na redução da secagem dessas</p><p>pastas sobre quadros e cilindros, dos quais podemos citar o etilenoglicol e a</p><p>ureia como exemplos. São utilizados também lubri�cantes, para evitar</p><p>entupimento de quadros e cilindros, além de grumos nas pastas; amaciantes</p><p>e agentes plasti�cantes, para obtenção de melhor toque, principalmente em</p><p>�bras sintéticas; e amoníaco como álcali volátil, cuja função é manter o pH</p><p>adequado, melhorar a dispersão dos pigmentos e ajudar a minimizar a</p><p>corrosão do equipamento.</p><p>Corantes</p><p>Para o processo de estamparia com corantes, o funcionamento é idêntico ao</p><p>do processo de tinturaria, conforme já comentado anteriormente.</p><p>Um dos aspectos importantes a ressaltar é que, quando se utilizam corantes</p><p>na estamparia, normalmente eles se ligam à �bra por meio de uma ligação</p><p>química, ou seja, não dando toque a estampa, diferentemente dos</p><p>pigmentos que darão esse toque por causa do ligante.</p><p>Espessantes</p><p>Os espessantes, como o próprio nome sugere, são produtos utilizados para</p><p>conferir, principalmente, viscosidade às pastas de estampar. Devem também</p><p>possuir capacidade de intumescência e grande poder higroscópico,</p><p>merecendo ser estudados separadamente, pois suas características e seu</p><p>comportamento são variados. São diversos os fatores que devem ser</p><p>considerados na escolha do espessante, como, por exemplo, quando</p><p>fazemos estampas com motivos grandes, o ideal seria trabalharmos com</p><p>corantes, pois os espessantes utilizados para essa �nalidade geralmente são</p><p>espessantes naturais, que possuem toque extremamente agradável, ao</p><p>contrário dos espessantes sintéticos (utilizados em sua maioria para</p><p>pigmentos), que produzem toque rígido e áspero. Tudo isto tem de ser</p><p>levado em conta na hora da escolha, ou seja, as variações devem ocorrer de</p><p>acordo com o tipo e a �nalidade do substrato. Podemos citar os seguintes</p><p>itens como as principais funções que um espessante deve ter:</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Veículo de transporte do corante (ou pigmento) e insumos auxiliares.</p><p>Elevação da viscosidade das pastas, evitando-se o fenômeno da</p><p>migração, tanto durante o processo de estampagem quanto no processo</p><p>de secagem ou �xação.</p><p>Capacidade de reter o corante seco e não �xado ao tecido e de formar</p><p>uma película que proteja contra ações mecânicas.</p><p>Absorção da umidade durante o processo de vaporização.</p><p>Atuação como coloide protetor contra precipitações de corantes e</p><p>também contra reações prematuras entre os insumos auxiliares e</p><p>corantes.</p><p>As propriedades dos espessantes também são levadas em conta na hora da</p><p>escolha de um espessante, das quais podemos citar: adesividade,</p><p>maleabilidade do �lme seco, facilidade de remoção e resistência a bactérias.</p><p>Naturais/vegetais</p><p>Alginato de sódio</p><p>Um dos principais e mais utilizados na linha de estamparia têxtil, o alginato</p><p>é extraído industrialmente de algas marinhas, na qual está armazenado</p><p>como ácido algínico insolúvel. Por extração alcalina e diversas operações de</p><p>decantação com limpeza e, �nalmente, por evaporação da solução, são</p><p>obtidos os alginatos, principalmente como sais sódicos. Sua utilização no</p><p>campo de aplicação dos corantes reativos alcançou enorme importância,</p><p>pois esse espessante, ao contrário dos demais espessantes naturais, não</p><p>reage com os corantes; embora sua construção seja semelhante à da</p><p>celulose e do amido, falta ao derivado do ácido algínico o grupo OH,</p><p>responsável pela reação com os corantes.</p><p>Amido e amido torrado</p><p>São especialmente apropriados os amidos de milho e trigo (arroz, nas</p><p>regiões orientais). Na maioria das vezes, combina-se o amido com outros</p><p>espessantes. Quando torrado, oferece algumas vantagens,</p><p>independentemente da di�culdade de se trabalhar com ele, pois,</p><p>dependendo do grau de dextrinização, propicia espessantes resistentes aos</p><p>ácidos, álcalis e sais metálicos. Pode ser levemente ou fortemente torrado,</p><p>sendo que este último possui ótima resistência aos meios alcalinos.</p><p>Artificiais</p><p>As propriedades de reação dos polissacarídeos, dos quais os espessantes são</p><p>constituídos, permitem modi�cá-los quimicamente de modo que suas</p><p>propriedades originais sejam alteradas, dentre elas a solubilidade, a</p><p>capacidade higroscópica, a viscosidade, a compatibilidade com ácidos e</p><p>álcalis etc. Por meio de reações de alquilação, carboximetilação, oxietilação e</p><p>esteri�cação, são obtidos vários produtos com propriedades especí�cas. A</p><p>matéria-prima para fabricação desses espessantes são amido, carubim, guar</p><p>e celulose. Muitas vezes, há uma desintegração parcial (de polimerização)</p><p>dos polissacarídeos de alto peso molecular, resultando na obtenção de</p><p>subprodutos. Em razão dessas circunstâncias, é possível haver reações de</p><p>redução na pasta de estampar, o que pode causar a destruição parcial ou</p><p>completa do corante, se este for sensível aos agentes redutores.</p><p>Sintéticos</p><p>Produtos geralmente obtidos de poliácidos acrílicos ou acrilatos, de alto</p><p>peso molecular e forte poder de intumescência. Nos últimos tempos, esses</p><p>espessantes alcançaram muita importância e já estão amplamente</p><p>difundidos. Seu campo de aplicação atinge principalmente a estampagem</p><p>com corantes reativos, na qual tem proporcionado bom rendimento</p><p>colorístico, superior ao dos espessantes naturais, porém ainda perde em</p><p>toque para estes.</p><p>Fluidez elástica</p><p>Espessantes com maior �uidez elástica fornecem estampas mais igualizadas</p><p>e de melhor penetração do que os de menor �uidez. A seguir, veremos</p><p>algumas no-ções do que vem a ser �uidez elástica e suas in�uências na</p><p>viscosidade das pastas de estamparia.</p><p>Com o termo �uidez elástica procura-se descrever o comportamento</p><p>reológico2 de uma substância. De�nimos a �uidez elástica de um espessante</p><p>como sendo a propriedade de formar um �o mais longo ou mais curto</p><p>quando de sua ocorrência. Esta é representada em mm ou cm. Porém, não</p><p>existe uma de�nição exata e cientí�ca. Aqui, tem-se por base os valores</p><p>comparativos sob as mesmas condições.</p><p>A �uidez elástica também depende da velocidade de esticamento e é</p><p>comparável com a distensão de ruptura de substâncias sólidas. Existe uma</p><p>dependência com a presença ou a falta de um limite de �uidez. Portanto,</p><p>resultados exatos sobre o comportamento reológico são obtidos por meio de</p><p>medições de viscosidade, efetuadas em um aparelho chamado viscosímetro,</p><p>sob diversas velocidades de cisalhamento.</p><p>A viscosidade é uma medida da in�uência da força tangencial, por unidade</p><p>de área (tensão de empuxo), que é necessária para deslocar entre si duas</p><p>camadas paralelas de líquido sob as condições de uma correnteza laminar,</p><p>em que a fricção interna foi superada pela tensão de empuxo. É o quociente</p><p>da divisão da tensão tangencial (tensão de cisalhamento - t) pelo gradiente</p><p>de velocidade (velocidade</p><p>de cisalhamento - D), ou seja, o resultado pode</p><p>ser expresso nas unidades P (poise), cP (centipoise) ou Pa.s -1 (pascal ×</p><p>segundo -1), sendo que 1cP = 1 mPa.s -1</p><p>Comportamento de fluidez dos agentes espessantes</p><p>Quase todos os agentes espessantes apresentam um comportamento de</p><p>�uidez de viscosidade estrutural, ou seja, com o aumento da tensão de</p><p>empuxo, diminui-se a viscosidade. Com isso, parece existir uma</p><p>determinada relação entre o grau de sensibilidade de cisalhamento e o</p><p>comprimento de �uidez. Quanto mais linear corre a curva de �uidez, mais</p><p>o espessante adquire uma forma com �uidez elástica.</p><p>Métodos de estampagem</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>A estampagem pode ser efetuada de diversas maneiras e tem o intuito de</p><p>obter desde simples estampas até vários efeitos. As mais comuns são:</p><p>Direta</p><p>Trata-se da estampagem sobre um substrato têxtil com corantes ou</p><p>pigmentos, dentro de um padrão de�nido.</p><p>Cobertura</p><p>Dá-se esse nome quando se estampam grandes áreas de tal modo que se</p><p>veja pouco ou nada do fundo original.</p><p>Quadricromia</p><p>Técnica de impressão que se utiliza de quadros não para produzir quatro</p><p>cores, mas sim, múltiplas cores. O método atual que torna possível essa</p><p>técnica é a decomposição eletrônica de um desenho colorido em quatro</p><p>cores (quatro negativos) denominadas C (ciano), Y (yellow), M (magenta) e</p><p>K (dark).</p><p>Estamparia com efeitos especiais</p><p>Corrosão</p><p>Ocorre quando o substrato é tingido com corantes rongeáveis ou</p><p>corrosíveis. A corrosão consiste em destruir os grupos cromóforos do</p><p>corante de tal maneira que isso ocorra somente onde foi aplicada a pasta,</p><p>que pode ser branca ou colorida, utilizando-se corantes apropriados. É uma</p><p>técnica aconselhada para motivos pequenos sobre fundos grandes,</p><p>proporcionando um estampado de melhor qualidade que o obtido por</p><p>estampa direta.</p><p>Reserva</p><p>É mais aplicada em �bras celulósicas e consiste em se imprimir sobre o</p><p>substrato não tinto um elemento que tem por função impedir a montagem</p><p>do corante sobre essa área impressa durante o tingimento posterior,</p><p>podendo também ser branca ou colorida.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Devorê</p><p>Consiste na estampagem de produtos químicos sobre um substrato de</p><p>construção especí�ca e composto por, no mínimo, duas �bras, em que uma</p><p>�bra é conservada e a outra, destruída.</p><p>Transferência</p><p>É a transferência da estampa de um papel apropriado para o substrato</p><p>têxtil. O papel é estampado previamente com corantes de baixa solidez à</p><p>sublimação, sendo que na execução do processo de termotransferência o</p><p>papel entra com o substrato numa prensa, ou calandra, de alta temperatura</p><p>(180ºC a 210ºC) e, por sublimação, acaba sendo transferido do papel para o</p><p>substrato.</p><p>Efeito de creponagem</p><p>É conseguido estampando-se com soda cáustica espessada sobre tecidos de</p><p>algodão, deixando-os secar sem tensionamento algum, o que dará o efeito</p><p>de creponagem ou enrugamento.</p><p>Flocagem</p><p>Consiste em estampar um motivo com produtos especiais e, em seguida,</p><p>colocá-lo em contato com um equipamento que forma um campo</p><p>eletrostático em que os �ocos (�bra cortada, por exemplo) aderirão à</p><p>estampa úmida.</p><p>Foil</p><p>Estampagem de colas especí�cas para posterior colagem de papéis para</p><p>obtenção de efeitos especiais, geralmente laminados dourados ou</p><p>prateados.</p><p>Receitas</p><p>As receitas para os processos de estamparia podem variar de acordo com o</p><p>processo, a �bra, o maquinário e os próprios insumos básicos e auxiliares</p><p>utilizados na pasta de estampar.</p><p>1</p><p>2</p><p>O fornecedor de produtos deve disponibilizar um catálogo técnico</p><p>informando as quantidades que deverão ser utilizadas de um dado</p><p>produto. É importante comentar que esses valores são pontos de partida, ou</p><p>seja, são valores orientadores. No trabalho, deve-se adaptar esses valores à</p><p>realidade de cada empresa.</p><p>Eutética: diz-se da mistura de componentes sólidos que, ao se fundir, �ca em equilíbrio com o</p><p>líquido de mesma composição que a sua. (N. do A.)</p><p>Reológico: Relativo à reologia, parte da física que trata das propriedades e do comportamento</p><p>mecânico dos corpos deformáveis que não são nem sólidos nem líquidos. (N. do A.)</p><p>Referências</p><p>ALBRECHT. Catalogo técnico máquina centauro. São Paulo – SP, 2013.</p><p>Disponível em: http://www.albrecht.com.br/pt-br/default.php?go=centauro</p><p>- acesso em 29/05/2015.</p><p>ARAÚJO, M. de; MELO E CASTRO, E. M. de. Manual de Engenharia</p><p>Têxtil. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1984. 2 v.</p><p>ARAÚJO, M. E. M. Corantes naturais para têxteis – da antiguidade aos</p><p>tempos modernos. Moodle Arquivo – Faculdade de Ciência da</p><p>Universidade de Lisboa, Portugal, n. 3-4, p. 37-49, 2006-2007. Disponível</p><p>em: http://moodle-arquivo.cien-</p><p>cias.ulisboa.pt/1314/plugin�le.php/83484/mod_resource/content/1/4_cora</p><p>ntes.pdf - acesso em 28 abr. 2015.</p><p>BARTOLOMEU, T. A. Identificação e avaliação dos principais fatores que</p><p>determinam a qualidade de uma lavanderia hospitalar – um estudo de</p><p>caso no setor de processamento de roupas do hospital universitário da</p><p>UFSC. 1998. 145 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) -</p><p>Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1998. Disponível</p><p>em:</p><p>http://planetalavanderia.com.br/�les/upload/Arquivo/PROGRAMA%20DE</p><p>%20LAVANDERIA%20HOS-PITALAR.pdf - acesso em 18/05/2015.</p><p>BRUNO, M. M. G., Mota, M. G. B. Programa de Capacitação de Recursos</p><p>Humanos do Ensino Fundamental: de�ciência visual vol. 1.Ministério da</p><p>Educação, Secretaria de Educação Especial. Brasília, 2001. 196 p.</p><p>CALDAS AULETE, F. J. de. Dicionário contemporâneo da língua</p><p>portuguesa. 7. ed. Rio de Janeiro: Delta, 1980.</p><p>http://www.albrecht.com.br/pt-br/default.php?go=centauro</p><p>http://moodle-arquivo.cien-cias.ulisboa.pt/1314/pluginfile.php/83484/mod_resource/content/1/4_corantes.pdf</p><p>http://planetalavanderia.com.br/files/upload/Arquivo/PROGRAMA%20DE%20LAVANDERIA%20HOS-PITALAR.pdf</p><p>COELHO, M. Z. et al. Tecnologia enzimática. Petrópolis/Rio de Janeiro:</p><p>Epub/ Faperj, 2008.</p><p>ERHARDT, T. et al. Curso técnico têxtil: física e química aplicada, �bras</p><p>têxteis, tecnologia. São Paulo: E.P.U., 1975. 3v.</p><p>FELTRE, R. Química orgânica. 3. ed. São Paulo: Moderna, 1985. v. 3.</p><p>FOSSE, J. M. Representação cartográfica interativa tridimensional:</p><p>estudo da variável visual cor em ambiente VRML. 2004. 132 f. Dissertação</p><p>(Mestrado em Ciências Geodésicas) - Universidade Federal doParaná,</p><p>Curitiba, 2004. Disponível em:</p><p>http://www.ufrrj.br/institutos/it/deng/juliana/downloads/Mestrado/Dissert</p><p>a%E7%E3o_Juliana.pdf - acesso em 18/05/2015.</p><p>GOLBBITEXTIL - Catalogo eletrônico. Disponível em :</p><p>http://www.gobbitextil.com.br/novosite/index.php/sueding/ - acesso em</p><p>29/05/2015.</p><p>GRAZIANO, R. M.; LEONE, C. R.; Problemas ostalmológicos mais</p><p>frequentes e desenvolvimento visual do pré-termo extremo. Jornal de</p><p>Pediatria, Porto Alegre, v. 81, n. 1, p. S95-S100, 2005. Disponível em:</p><p>http://www.scielo.br/pdf/jped/v81n1s1/v81n1s1a12.pdf acesso em</p><p>22/05/2015.</p><p>HASSEMER, M. E. N. Oxidação fotoquímica – UV/ H2O2 para</p><p>degradação de poluentes em e�uentes da indústria têxtil. 2006. 175 f. Tese</p><p>(Doutorado em Engenharia Ambiental) - Universidade Federal de Santa</p><p>Catarina, Florianópolis, 2006.</p><p>JOHNSON, A. (Ed.). e theory of coloration of textiles. 2. ed. Perkin</p><p>House: Society of Dyers and Colourists, 1989. 552 p.</p><p>_____. e theory of coloration of textiles. 2. ed. Bradford: Perkin</p><p>House/Society of Dyers and Colourists,1989.</p><p>http://www.ufrrj.br/institutos/it/deng/juliana/downloads/Mestrado/Disserta%E7%E3o_Juliana.pdf</p><p>http://www.gobbitextil.com.br/novosite/index.php/sueding/</p><p>http://www.scielo.br/pdf/jped/v81n1s1/v81n1s1a12.pdf</p><p>LEAO, A. C., ARAÚJO, A. de A., SOUZA, L.A.C. Implementação de</p><p>sistema de gerenciamento de cores para imagens digitais. Editora PUC-</p><p>Minas, Poços de Caldas, MG, 2005.</p><p>LEITE, F. N. Calibração de dispositivos a cores utilizando uma câmera</p><p>digital. 2006. 60 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica) -</p><p>Universidade de Brasília, 2006. Disponível em:</p><p>http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/6897/1/2006_FredericoNogueira</p><p>Leite.pdf - acesso em 18/05/2015.</p><p>MALUF, E.; KOLBE, W. Manual: dados técnicos para a indústria têxtil. 2.</p><p>ed. São Paulo: IPT/ABIT, 2003. 336</p><p>É a extração das substâncias que são resistentes à saponi�cação por meio do</p><p>uso de sabões ou detergentes. A molécula de um sabão é constituída por</p><p>uma longa cadeia carbônica, tendo em uma das extremidades o grupo</p><p>carboxílico de sódio ou de potássio. O grande problema do uso dos sabões é</p><p>a água dura, pois ela pode fazer com que os íons de Ca2+ e Mg2+ se liguem</p><p>ao sabão, formando grumos gordurosos, o que chamamos de precipitação.</p><p>A molécula de um detergente sintético consiste em uma longa cadeia</p><p>carbônica tendo, por exemplo, em uma de suas extremidades, o grupo</p><p>sulfoxilato de sódio. O detergente não reage com a água dura e nem com</p><p>soluções ácidas ou mesmo neutras, oferecendo uma ação de limpeza mais</p><p>e�ciente que o sabão. Tanto os sabões quanto os detergentes limpam por</p><p>formação de emulsão.</p><p>Insumos</p><p>Álcali: sua função é saponi�car óleos, gorduras e ceras. Pode-se utilizar</p><p>soda cáustica, barrilha, trifosfato de sódio ou hidróxido de amônio,</p><p>dependendo da resistência química do substrato.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Tensoativo (detergente ou sabão): sua função é emulsi�car as matérias</p><p>oleosas para posterior saponi�cação.</p><p>Sequestrante de Ca e Mg: utiliza-se quando o meio de reação estiver</p><p>com níveis de dureza acima de 40 ppm, caso contrário, o sabão formado</p><p>poderá ser um sal de ácido graxo de cálcio e magnésio, precipitando-se</p><p>sobre o substrato e causando manchas.</p><p>Solventes orgânicos: são adicionados quando as sujeiras existentes no</p><p>material têxtil necessitam de sua utilização.</p><p>Alvejamento</p><p>Alvejar signi�ca tornar alvo ou branco. Trata-se do branqueamento do</p><p>substrato em diversos graus ou níveis de alvejamento, desde que isso não</p><p>implique a perda sensível de resistência do material.</p><p>Em primeiro lugar, devemos levar em consideração a cor do material que</p><p>será alvejado, pois essa operação a conduzirá ao “branco”. Nas �bras</p><p>celulósicas e proteicas, a coloração natural é bastante acentuada, distante</p><p>daquilo que podemos imaginar ser branco. Também é primordial para a</p><p>obtenção de um bom alvejamento encontrar o ponto de estabilidade do</p><p>sistema químico, pois, se o insumo básico se desprende muito rapidamente,</p><p>pode ocorrer degradação do material ou baixo rendimento do alvejamento</p><p>por perda de substância ativa.</p><p>Métodos e insumos utilizados</p><p>O alvejamento pode ser feito por oxidação (peróxido de hidrogênio,</p><p>hipoclorito de sódio ou clorito de sódio) ou por redução (hidrossul�to de</p><p>sódio).</p><p>Alvejamento com hipoclorito de sódio – NaClO</p><p>O hipoclorito de sódio é um agente oxidante forte, subproduto da obtenção</p><p>de sódio metálico e soda cáustica. É estável em pH acima de 10 e, em níveis</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>de pH abaixo de 5, decompõe-se liberando o gás cloro. Apesar de a solução</p><p>de hipoclorito de sódio (NaClO) possuir originalmente pH alcalino,</p><p>geralmente adiciona-se carbonato de sódio ao banho, para aumentar a</p><p>estabilidade do produto. É comercializado na forma líquida, possui</p><p>coloração esverdeada e pálida, odor desagradável e enjoativo, e apresenta</p><p>toxicidade por inalação e ingestão.</p><p>É utilizado principalmente na preparação para tingimentos de branco em</p><p>�bras celulósicas 100%, precedendo o alvejamento com peróxido de</p><p>hidrogênio, pois o alvejamento com NaClO não remove os “piolhos” nem</p><p>propicia um grau de alvura satisfatório.</p><p>Receita orientadora para processo descontínuo</p><p>15 a 20 g/L de NaClO 20ºBé: insumo principal;</p><p>0,5 g/L de barrilha: acerto de pH;</p><p>60’ a frio, soltar;</p><p>lavar 2 vezes a frio durante 5’.</p><p>Dado por encerrado o tempo de interação, é necessário eliminar os resíduos</p><p>de cloro do substrato. Isso pode ser feito pela neutralização com bissul�to</p><p>de sódio ou ainda procedendo-se a um novo alvejamento com peróxido de</p><p>hidrogênio.</p><p>Alvejamento com peróxido de hidrogênio – H2O2</p><p>O peróxido de hidrogênio é um agente oxidante forte, usualmente vendido</p><p>na forma líquida, solúvel em água. Soluções concentradas são altamente</p><p>tóxicas, irritantes e apresentam riscos de fogo e explosão. É comercializado</p><p>nas concentrações de 35% em massa (130 volumes) ou 50% em massa (200</p><p>volumes), em pH ácido. A decomposição com maior intensidade se inicia</p><p>acima de pH 8. É utilizado principalmente no alvejamento de �bras</p><p>celulósicas em geral. Quando possível, deve ser evitado em misturas de</p><p>�bras sintéticas brilhantes com CO (algodão) ou WO (lã), pois pode causar</p><p>leve opacidade. Pode-se utilizar produtos à base de silicatos ou fosfatos</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>como retardantes de decomposição do H2O2. Quando estes não são</p><p>utilizados, os “piolhos” do algodão, por exemplo, são removidos, entretanto,</p><p>o grau de alvura não é alcançado. Nos dias de hoje, por motivos de custo, o</p><p>alvejamento com H2O2 é feito de maneira simultânea purga/alvejamento</p><p>ou ainda, no caso de tecidos planos de CO,</p><p>desengomagem/purga/alvejamento.</p><p>Receita orientadora para processo descontínuo – CO 100%</p><p>2,0 a 10,0 g/L de H2O2 200 vol.: insumo principal</p><p>1,0 a 5,0 g/L de soda cáustica 50ºBé: agente saponi�cante e para pH > 8</p><p>0,5 a 3,0 g/L de estabilizador: retarda a decomposição do H2O2</p><p>1,0 g/L de detergente: agente emulsi�cador</p><p>1,0 g/L de sequestrante de ferro: evita a degradação catalítica da</p><p>celulose e também a pigmentação avermelhada, indesejável no caso de</p><p>tecidos brancos. – 20’ a 30’ acima de 80ºC, esfriar até 60ºC (para</p><p>substrato em corda), soltar;</p><p>lavar 1 vez a 60ºC durante 10’;</p><p>lavar 1 vez a frio;</p><p>neutralizar.</p><p>Receita orientadora para processo contínuo e semicontínuo – CO</p><p>100%</p><p>10,0 g/L de umectante: diminui a tensão super�cial</p><p>20,0 a 100,0 g/L de H2O2 200 vol.: insumo principal</p><p>10,0 a 50,0 de soda cáustica 50ºBé: agente saponi�cante e para pH > 8</p><p>5,0 a 30,0 g/L de estabilizador: retarda a decomposição do H2O2 – 10,0</p><p>g/L de detergente: agente emulsi�cador</p><p>10,0 g/L de sequestrante de ferro: evita a degradação catalítica da</p><p>celulose e também a pigmentação avermelhada, indesejável no caso de</p><p>tecidos brancos.</p><p>Pad-steam</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>–</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>foulardar a frio com pick-up mais alto possível (acima de 90%);</p><p>vaporizar durante 10’ a 105ºC;</p><p>lavar em 3 caixas a quente, sendo 80ºC na primeira caixa e 60ºC nas</p><p>demais;</p><p>lavar a frio em duas caixas;</p><p>neutralizar, se necessário, com 0,5 g/L de ácido acético na última</p><p>caixa.</p><p>Pad-batch</p><p>foulardar a frio com pick-up mais alto possível (acima de 90%);</p><p>repousar de 6 a 12 horas;</p><p>lavar em 3 caixas a quente, sendo 80ºC na primeira caixa e 60ºC nas</p><p>demais;</p><p>lavar a frio em duas caixas;</p><p>neutralizar, se necessário, com 0,5 g/L de acético na última caixa.</p><p>Observações</p><p>Eventualmente podem-se utilizar sais de magnésio. O peróxido é</p><p>mais estável em água dura.</p><p>Nos processos descontínuos, depois de encerrado o tempo de</p><p>patamar, pode-se adicionar hidrossul�to de sódio e manter por</p><p>mais 10 minutos. Esse procedimento aumenta o grau de alvura e</p><p>ainda ajuda na neutralização de peróxido e do pH.</p><p>Existem enzimas que, adicionadas ao banho após a correção de</p><p>pH para neutro, ajudam na decomposição e eliminação de</p><p>peróxido residual, diminuindo o número de banhos de lavagem.</p><p>Alvejamento com redutores</p><p>Hidrossul�to de sódio. Quando em solução, esses produtos provocam</p><p>hidrólise ácida de características oxidantes (solução 1,0 mol.l -1 com</p><p>potencial redox de aproximadamente 50 mV), tornando-se necessária a</p><p>adição de algum tipo de álcali, soda cáustica ou barrilha, dependendo do</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>–</p><p>–</p><p>substrato, para que a reação seja redutora (potencial redox em torno de</p><p>-240 mV).</p><p>Os redutores em solução aquosa aquecida decompõem-se com facilidade,</p><p>por isso, sua presença é controlada por meio de papel indicador.</p><p>Aconselha-se, quando de seu uso, não utilizar solução. Quando necessário,</p><p>diluir com água na temperatura mais baixa possível. Dentro do possível,</p><p>proceder à adição somente quando o sistema químico atingir a temperatura</p><p>máxima recomendada pelo método que está sendo aplicado e, caso</p><p>possível, colocar o produto puro.</p><p>Esse tipo de alvejamento é aconselhado para �bras sintéticas em geral e,</p><p>mesmo assim, sua aplicação é muito rara, pelo fato de essas �bras já</p><p>possuírem um grau de alvura satisfatório. Pode também ser aplicado em</p><p>�bras de lã.</p><p>Receita orientadora</p><p>p.</p><p>MINOLTA. Precise color communications. Color Control from Feeling to</p><p>Instrumentation. Osaka, Japan: 1994.</p><p>MORRISON, R. T.; BOYD, R. N. Química orgânica. 5. ed. Naucalpan de</p><p>Juarez: Addison Wesley, 1990.</p><p>MOTA, S. Introdução à engenharia ambiental. Rio de Janeiro: Associação</p><p>Brasileira de Engenharia Ambiental, 1997.</p><p>ROSA, J. M. A espectrofotometria como ferramenta de apoio no</p><p>tingimento de poliéster. Revista Química Têxtil, Barueri, ano XXVI, n. 71,</p><p>p. 35-39, jun. 2003.</p><p>_____. Corantes reativos: estudo comparativo entre as classes</p><p>vinilsulfônico (VS), bi-funcional [VS+ monoclorotriazina (MCT)],</p><p>di�uorcloropirimidina (DFCP) e mono�uortriazina (MCT). In: II</p><p>SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE ENGENHARIA TÊXTIL – SIENTEX e</p><p>XXI CONGRESSO NACIONAL DE TÉCNICOS TÊXTEIS – CNTT .</p><p>Anais... Natal, 2004.</p><p>_____. Sustentabilidade no beneficiamento têxtil: produção de</p><p>tingimentos com reuso de e�uente tratado por fotocatálise via UV/H2O2.</p><p>2010. 79 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) -</p><p>Universidade Nove de Julho, São Paulo, 2010.</p><p>http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/6897/1/2006_FredericoNogueiraLeite.pdf</p><p>SALEM, V. Apostila do curso de tingimento têxtil. São José dos Campos:</p><p>Golden Química do Brasil, 1999. v. 1 e 2.</p><p>_____. Curso de tingimento têxtil. São Paulo, Golden Química, 2000. 2 v.</p><p>_____; DE MARCHI, A.; MENEZES, F. G. de. Beneficiamento têxtil na</p><p>prática. São Paulo: Golden Química do Brasil, 2005. 189 p.</p><p>SHORE, J. (Ed.). Colorants and auxiliaries: organic chemistry and</p><p>application properties. 2. ed. Perkin House: Society of Dyes and Colourists,</p><p>2002. 2 v.</p><p>_____. Colorants and auxiliaries: colorants. 2. ed. Manchester: SDC,</p><p>2002. v. 1.</p><p>SILVA, C. M. P. Tratamento alcalino e enzimático de fibras sintéticas.</p><p>2002. 104 f. Dissertação (Mestrado em Tecnologias de Fabricação) -</p><p>Universidade do Minho, Portugal, 2002. Disponível em:</p><p>http://abqct.com.br/artigost/artigoesp36.pdf - acesso em 18/05/2015.</p><p>SILVA, R. H.; SILVA, E. B. Princípiosbásicos de química volume 1. Harbra</p><p>Harper & Row do Brasil. São Paulo, 1982. 217 p.</p><p>SUZUKI – Catalogo eletrônico. Disponível em</p><p>http://www.suzuki.ind.br/suzuki/images/stories/centrifuga-tripe.jpg</p><p>TEXIMA – Catalogo eletrônico.</p><p>Disponívelem:http://www.texima.com.br/site_2005/produtos/gaiola2.jpg -</p><p>acesso em 19/05/2015.</p><p>VICKERSTAFF, T. e physical chemistry of dyeing. 2. ed. New</p><p>York/London: Interscience, London/Edinburgh: Oliver and Boyd, 1954.</p><p>WARNER, S. B. Fiber science. Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1995</p><p>ZOLLINGER, Z.: Color chemistry: syntheses, properties and applications</p><p>on organic dyes and pigments. 2. ed. New York: VCH Publishers, Inc.,</p><p>http://abqct.com.br/artigost/artigoesp36.pdf</p><p>http://www.suzuki.ind.br/suzuki/images/stories/centrifuga-tripe.jpg</p><p>http://www.texima.com.br/site_2005/produtos/gaiola2.jpg</p><p>1991.</p><p>Conselho Editorial</p><p>Paulo Skaf</p><p>Walter Vicioni Gonçalves</p><p>Débora Cypriano Botelho</p><p>Ricardo Figueiredo Terra</p><p>Roberto Monteiro Spada</p><p>Neusa Mariani</p><p>Editor-chefe</p><p>Rodrigo de Faria e Silva</p><p>Produção editorial</p><p>Letícia Mendes de Souza</p><p>Edição</p><p>Ana Lucia Sant'Ana dos Santos</p><p>Monique Gonçalves</p><p>Tania Mano</p><p>Revisão</p><p>Rosamaria Gaspar Affonso</p><p>Kelly de Jesus Corrêa</p><p>Karina Sávio</p><p>Produção gráfica</p><p>Camila Catto</p><p>Sirlene Nascimento</p><p>Valquíria Palma</p><p>Diagramação</p><p>Alfredo Carracedo Castillo</p><p>Capa</p><p>Inventum Design</p><p>Administrativo e financeiro</p><p>Valéria Vanessa Eduardo</p><p>Flávia Regina Souza de Oliveira</p><p>Comercial</p><p>Ariovaldo Camarozano</p><p>Bruna Mataran Volpe</p><p>© SENAI-SP Editora, 2015</p><p>A SENAI-SP Editora empenhou-se em identificar e contatar todos os responsáveis pelos</p><p>direitos autorais deste livro. Se porventura for constatada omissão na identificação de</p><p>algum material, dispomo-nos a efetuar, futuramente, os possíveis acertos.</p><p>Este livro foi composto em Minion Pro e impresso</p><p>em papel Offset alta alvura 90 g/m2 pela grá�ca</p><p>Serrano, em janeiro de 2017.</p><p>Créditos</p><p>Folha de Rosto</p><p>Apresentação</p><p>Sumário</p><p>PARTE 1</p><p>1. Beneficiamento primário</p><p>Navalhagem</p><p>Chamuscagem</p><p>Pré-fixação</p><p>Desengomagem</p><p>Processo enzimático</p><p>Desengomagem oxidativa</p><p>Limpeza</p><p>Alvejamento</p><p>Caustificação e mercerização</p><p>2. Beneficiamento secundário</p><p>Receitas</p><p>Sistemas cromógenos</p><p>Mecanismos de tingimento</p><p>Branqueadores fluorescente ou ópticos</p><p>3. Matéria de coloração</p><p>Algodão</p><p>Corantes diretos</p><p>Corantes reativos</p><p>Corantes à tina</p><p>Corantes sulfurosos</p><p>Corantes azoicos</p><p>Fibras nitrogenadas</p><p>Corantes ácidos e de complexo metálico</p><p>Poliéster</p><p>Corantes dispersos</p><p>Poliacrinonitrilo</p><p>Corantes básicos ou catiônicos</p><p>Pigmentos</p><p>Anexo – Tabelas</p><p>PARTE 2</p><p>4. Lavanderia</p><p>Classificação das lavanderias</p><p>5. Lavanderia industrial</p><p>Classificação das roupas</p><p>Classificação do tipo de sujeiras e manchas</p><p>Duração da roupa</p><p>Capacidade produtiva</p><p>Solvente</p><p>6. Lavanderia hospitalar</p><p>Guia de Regulamentação de Processamento de Roupas Hospitalares</p><p>7. Beneficiamento de peças de jeans</p><p>Denim</p><p>Índigo</p><p>Blue</p><p>Sequência de trabalho envolvendo processos químicos, físicos, físico-químicos e biológicos</p><p>Planejamento e controle de produção – PCP</p><p>Efeitos especiais</p><p>8. Beneficiamento de peças confeccionadas</p><p>Beneficiamento secundário</p><p>Matérias de coloração</p><p>Efeitos especiais sobre jeans tinto</p><p>Beneficiamento terciário</p><p>Receitas</p><p>Cuidados a serem tomados</p><p>9. Colorimetria</p><p>Histórico</p><p>Introdução</p><p>10. Luz e cor</p><p>Formação das cores nos substratos coloridos</p><p>Luz</p><p>Espectro visível</p><p>11. Os três elementos fundamentais</p><p>Princípio do processo da percepção visual</p><p>Fontes de luz</p><p>Cabines de luz</p><p>Objeto observado</p><p>Observação das cores dos objetos</p><p>Observador</p><p>Deficiência na visualização das cores – Daltonismo</p><p>12. Espaços colorimétricos</p><p>O espaço das cores</p><p>13. Equipamentos</p><p>Colorímetro</p><p>Espectrofotômetro</p><p>O objeto</p><p>14. Sistemas CIELab e CIELCh</p><p>CIEL*a*b*</p><p>CIEL*C*h*</p><p>15. Ferramentas de controle</p><p>Banco de dados</p><p>Formulação de cores</p><p>Correção de cores</p><p>Controle de qualidade</p><p>Espaço de cor CMC</p><p>Medição de branco</p><p>Separação de lotes</p><p>PARTE 3</p><p>16. Acabamento têxtil</p><p>17. Acabamentos físicos</p><p>Felpagem</p><p>Esmerilhagem</p><p>Navalhagem</p><p>Calandragem</p><p>Pré-encolhimento</p><p>Rama</p><p>18. Acabamentos químicos</p><p>Amaciamento</p><p>Encorpamento</p><p>Antirruga</p><p>Repelência à água e ao óleo</p><p>Antichama</p><p>Antimicrobiano</p><p>Antiestáticos</p><p>Antiesgarçamento</p><p>19. Acabamentos biológicos</p><p>Biopolimento</p><p>20. Testes</p><p>21. Matrizes de impressão</p><p>Telas e matrizes</p><p>Estrutura das matrizes</p><p>Esticadores de tela</p><p>Gravação de matrizes</p><p>22. Estamparia</p><p>Processos de estampagem</p><p>Etapas</p><p>Pigmentos</p><p>Ligantes</p><p>Emulsões</p><p>Aditivos</p><p>Corantes</p><p>Espessantes</p><p>Métodos de estampagem</p><p>Estamparia com efeitos especiais</p><p>Receitas</p><p>Referências</p><p>para processo descontínuo</p><p>1,0 g/L de detergente: agente de emulsi�cação</p><p>3 a 6 g/L de redutor: insumo básico</p><p>1 a 2 g/L de álcali: acerto de pH</p><p>30’ a 70ºC, soltar;</p><p>lavar 2 vezes a frio durante 5’.</p><p>Caustificação e mercerização</p><p>Operação exclusiva para as �bras de CO (algodão), esses processos</p><p>consistem em tratar o substrato com lixívia de soda cáustica e têm como</p><p>�nalidade alterar a morfologia e propiciar efeitos como brilho, maior</p><p>estabilidade dimensional, maior absorção de corante, entre outros.</p><p>Alterações</p><p>Com a imersão das �bras celulósicas em solução de soda cáustica, inicia-se</p><p>um processo de inchamento do algodão, que altera sua forma transversal,</p><p>de formato de “feijão”, para ovalada, estrangulando o lúmen, e, caso haja</p><p>tensão, reduzindo seu tamanho.</p><p>Fonte: Com base em SALEM et al., 2005.</p><p>Figura 2 – Vista transversal da fibra de algodão.</p><p>Com o inchamento e posterior tensão, a superfície da �bra �ca mais lisa,</p><p>com menor quantidade de erupções, aumentando as condições de re�exão</p><p>da luz. O algodão sem tratamento possui aspecto helicoidal em relação ao</p><p>eixo longitudinal. Quando em exposição às lixívias cáusticas, haverá uma</p><p>retração e, se for aplicada uma tensão, é fácil imaginar que esse formato</p><p>helicoidal tenderá a se paralelizar em relação ao eixo.</p><p>Transformações químicas</p><p>Durante muito tempo acreditou-se que, colocando o algodão em contato</p><p>com a solução de hidróxido de sódio, obtinha-se a formação de celostato de</p><p>sódio. Entretanto, alguns estudiosos acreditam que tal reação só pode</p><p>ocorrer em concentrações de hidróxido de sódio em água na ordem de 500</p><p>g.dm -3, pois o celostato de sódio é hidrolisável em água. Um grande</p><p>número de estudiosos concluiu que o que se forma é provavelmente uma</p><p>combinação de adição, isto é, álcalicelulose nas condições usuais de</p><p>concentrações e temperatura de mercerização.</p><p>Quando essa alcalicelulose é colocada em contato com a água de lavagem,</p><p>ela é decomposta, formando a celulose hidratada, que difere da nativa em</p><p>mudanças morfológicas e em mudança na intensidade das interações entre</p><p>as unidades da macromolécula.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Fatores que influem na absorção de NaOH</p><p>É fácil entender que a penetração da soda na �bra é um fator importante e</p><p>que irá de�nir uma boa mercerização ou causti�cação. Vejamos, pois, os</p><p>fatores que in�uem na absorção e adsorção da solução cáustica pela �bra.</p><p>Concentração do banho: a concentração está entre 267 g/L a 328 g/L de</p><p>NaOH, isto é, de 28° a 32° Baúme (Bé). É bom lembrar que essa</p><p>aplicação é realizada sobre tensão.</p><p>Viscosidade: uma concentração maior implica aumento de viscosidade</p><p>que atuaria de maneira a inibir a penetração de soda na �bra.</p><p>Temperatura: preferencialmente a frio, em banho contendo umectante</p><p>com rápido poder de umectação, pois trabalhar em temperatura</p><p>elevada, dependendo da concentração do banho, pode implicar</p><p>formação de oxicelulose (degradação da �bra).</p><p>Tempo de exposição: é fator primordial, porém não devemos esquecer</p><p>que, quando a celulose está em contato prolongado com a solução de</p><p>soda sob a atmosfera contendo oxigênio, ela pode iniciar a formação de</p><p>oxicelulose.</p><p>Características do material têxtil: também o grau de maturidade</p><p>procedente do algodão pode in�uenciar positivamente ou</p><p>negativamente a absorção.</p><p>Acondicionamento</p><p>A mercerização pode ser feita sobre o material têxtil acondicionado em</p><p>diversos estados, e é claro que os efeitos obtidos poderão ser um pouco</p><p>diferentes. A mercerização pode ser feita sobre o material têxtil</p><p>acondicionado em �os, tecidos planos e de malha; no material cru, limpo,</p><p>alvejado e tinto.</p><p>Tensão aplicada e tensoativo</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Quanto maior a tensão, menor a facilidade de penetração da solução</p><p>cáustica. Por causa desse e de outros fatores, como o algodão cru, por</p><p>exemplo, �ca simples entender por que a utilização de um tensoativo é de</p><p>vital importância. Sua função é permitir um fácil acesso da solução cáustica</p><p>em alta concentração até áreas de difícil acesso em tempo curto, em</p><p>temperatura favorável, sob tensão ou não, de tal forma que o processo de</p><p>mercerização ou causti�cação possa ocorrer de maneira homogênea em</p><p>todo o material a ser tratado.</p><p>O tensoativo utilizado deve permitir a rápida penetração da soda até nas</p><p>zonas de difícil acesso da �bra e sua ação em todo o material de forma</p><p>homogênea; possuir ação dispersante das impurezas presentes no banho;</p><p>apresentar facilidade de dissolução na preparação do banho; conservar sua</p><p>e�ciência por longo período; ter baixa tendência de formação de espuma;</p><p>não ter alta a�nidade com a �bra; ser facilmente removido do material por</p><p>lavagem; não alterar a viscosidade do banho e resistir à alta alcalinidade do</p><p>banho.</p><p>Lavagem e neutralização</p><p>Após o tratamento alcalino, deve-se proceder à retirada da solução cáustica</p><p>sobre a �bra. Essa retirada é normalmente feita com o auxílio de ácido</p><p>acético ou gás carbônico. Lavagem e neutralização malfeitas podem causar</p><p>defeitos irreversíveis no material têxtil.</p><p>Parâmetros de controle</p><p>O substrato deve ser mantido sob tensão para evitar seu encolhimento,</p><p>até a remoção da soda cáustica absorvida pela �bra.</p><p>A lavagem inicial deve ser feita com água quente com posteriores</p><p>enxágues a frio seguidos de neutralização.</p><p>Deve-se evitar a presença de água dura (sais de cálcio e magnésio), que</p><p>altera o brilho e pode provocar manchas de tingimento.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Efeitos físico-químicos ocorridos com a mercerização</p><p>aumento notável do brilho;</p><p>aumento da capacidade de absorção;</p><p>maior adsorção de corante;</p><p>maior resistência à tração;</p><p>eliminação de �bras imaturas e;</p><p>maior estabilidade dimensional.</p><p>Mercerização sobre artigos sem tratamento prévio</p><p>vantagens: brilho mais notável (intenso), dispensa a secagem</p><p>intermediária e não necessita de uma refrigeração;</p><p>desvantagens: contamina em maior proporção a lixívia com impurezas e</p><p>não permite o reaproveitamento dos saldos de banho.</p><p>Mercerização sobre artigos alvejados</p><p>vantagens: aparência do tecido mais fechada e não contamina a lixívia</p><p>com impurezas;</p><p>desvantagens: antieconômico por causa da secagem intermediária,</p><p>apresenta um leve amarelamento e não favorece a intensidade do</p><p>brilho.</p><p>Mercerização sobre artigos tintos</p><p>vantagens: brilho mais super�cial e tonalidade mais brilhante;</p><p>desvantagens: alteração de tonalidade, acúmulo de resíduos de corantes</p><p>nos banhos e toque mais seco e duro.</p><p>Mercerização sobre artigos úmidos</p><p>vantagens: dispensa a secagem intermediária e requer menor</p><p>concentração de umectante;</p><p>desvantagens: demanda na preparação de banho de reforço, requer</p><p>controle rigoroso na concentração de lixívia, implica maior e�ciência no</p><p>sistema de refrigeração e exige atenção permanente com a temperatura</p><p>do banho de impregnação.</p><p>Diferenças entre mercerização e caustificação</p><p>Quem merceriza ou causti�ca o substrato está procurando praticamente as</p><p>mesmas alterações �nais, entretanto, existem algumas diferenças entre os</p><p>processos. Na Tabela 1 estão descritas as principais.</p><p>Tabela 1 – Principais diferenças entre caustificação e mercerização</p><p>Mercerização Caustificação</p><p>Concentração de soda cáustica 28 a 32 ºBé 10 a 18 ºBé</p><p>Equipamento mercerizadeira barca, �ow, jigger</p><p>Tempo de repouso 2᾽ média de 20'</p><p>Tensão sim não</p><p>Substrato malhas, tecidos e �os tecidos e malhas</p><p>2. Beneficiamento secundário</p><p>Receitas</p><p>Sistemas cromógenos</p><p>Mecanismos de tingimento</p><p>Branqueadores fluorescente ou ópticos</p><p>O bene�ciamento secundário é responsável pela coloração total ou parcial</p><p>do substrato, ou seja, pelo tingimento e pela estamparia. O tingimento tem</p><p>a função de tornar o substrato têxtil colorido.</p><p>Receitas</p><p>Para o processo de tingimento, as receitas podem variar de acordo com o</p><p>processo, a �bra, o maquinário e os próprios insumos básicos e auxiliares.</p><p>O fornecedor de produtos químicos básicos e auxiliares deve fornecer um</p><p>catálogo técnico informando as quantidades que deverão ser utilizadas de</p><p>um dado produto. É importante comentar que esses valores são pontos de</p><p>partida, ou seja, são valores orientadores, tais como as receitas que estão</p><p>contidas</p><p>nas folhas de exercícios. No trabalho, deve-se adaptar os valores à</p><p>realidade da empresa.</p><p>Sistemas cromógenos</p><p>Os corantes são substâncias classi�cadas quimicamente como sistemas</p><p>cromógenos, capazes de re�etir determinadas ondas eletromagnéticas de</p><p>comprimento compreendido entre 400 e 720 nm.</p><p>Existem várias classes de corantes e, dentro de cada classe, diversos tipos.</p><p>Podem ter a�nidade com uma ou várias �bras, porém, todos, com exceção</p><p>dos pigmentos, interagem com o substrato por meio de dois tipos de</p><p>ligação: ligações de hidrogênio e forças de Van der Waals. Além dessas duas</p><p>forças, também pode haver ligações covalentes ou iônicas, dependendo do</p><p>corante utilizado.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Ligações de Hidrogênio e Forças de Van der Waals</p><p>Fonte: Com base em ROSA, 2010.</p><p>Figura 1 – Ligações de hidrogênio e forças de Van der Waals.</p><p>Atualmente, a espectroscopia de�ne os sistemas cromógenos em:</p><p>grupos cromóforos – responsáveis pela cor;</p><p>grupos doadores de elétrons – grupos de maior densidade eletrônica; e</p><p>grupos receptores de elétrons – grupos de menor densidade eletrônica.</p><p>Os pigmentos são insolúveis em água. São aplicados na superfície da �bra e</p><p>�xados mediante a polimerização de resinas sintéticas chamadas ligantes.</p><p>Em síntese, o corante possui a�nidade com um determinado substrato,</p><p>enquanto o pigmento não possui a�nidade com nenhum substrato.</p><p>Fonte: Com base em ZOLLINGER, 1991.</p><p>Figura 2 – Corante (C.I. vermelho disperso 1) visto como sistema cromógeno.</p><p>Natureza química</p><p>Os aspectos importantes da constituição química dos corantes são o</p><p>tamanho da molécula, que é responsável pela difusão do corante, e suas</p><p>propriedades de solidez. A planaridade da molécula, outro fator</p><p>importante, in�uencia na maior ou na menor substantividade do corante.</p><p>Fonte: Com base em ROSA, 2010.</p><p>Figura 3 – Tipos de estrutura.</p><p>O Colour Index é uma coleção de livros publicada pela SDC (e Society of</p><p>Dyers and Colourists) e compila toda a matéria de coloração (corantes e</p><p>pigmentos), enfocando todas as possibilidades de aplicação (não somente</p><p>em têxteis), nomes comerciais dessas matérias, bem como seus contratipos</p><p>(mesmo produto com nomes comerciais diferentes), propriedades gerais,</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>constituições químicas e bases para formulação. Lista também</p><p>desenvolvedores, isto é, intermediários que, por diazotação e copulação,</p><p>podem ser agregados a certas moléculas de corantes. O Colour Index é o</p><p>principal trabalho no campo de classi�cação dos corantes e pigmentos a que</p><p>temos acesso.</p><p>Propriedades do corante</p><p>As principais propriedades observáveis de um corante são a intensidade, a</p><p>tonalidade e o brilho.</p><p>Intensidade</p><p>Entendemos por intensidade aquela impressão visual que nos faz dizer</p><p>quando vemos uma cor, ou seja, se ela é:</p><p>forte / intensa / cheia / escura; ou</p><p>fraca / pouco intensa / vazia / clara.</p><p>A intensidade da cor está diretamente relacionada com a quantidade de</p><p>corante ou pigmento empregada; quanto mais forte a cor, mais corante se</p><p>faz necessário.</p><p>O mesmo acontece, em sentido contrário, com as cores mais tênues e</p><p>suaves, que utilizam uma pequena quantidade de matéria de coloração.</p><p>A quantidade de corante ou pigmento necessária para produzir uma</p><p>determinada intensidade de cor varia em função da classe de matéria</p><p>geradora de cor e da espécie química do substrato têxtil. Por isso, é comum</p><p>dizermos que uma determinada classe de corante possui maior poder</p><p>colorístico, isto é, uma mesma quantidade de corante produz mais cor.</p><p>Quando comparamos duas cores, costumamos dizer que elas são:</p><p>iguais / equivalentes;</p><p>mais fraca / mais forte;</p><p>muito mais fraca / muito mais forte.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Também é usual entre os aplicadores a avaliação da intensidade de cor e,</p><p>na falta de um espectrofotômetro, é comum dizer que tal cor corresponde a</p><p>“tantos por cento” ou “gramas por litro” ou ainda “gramas por quilo” de</p><p>corantes ou pigmentos.</p><p>Tonalidade</p><p>Intensidade, matiz, tom ou nuance são sinônimos que signi�cam</p><p>graduações de uma cor. Quando comparamos duas cores costumamos</p><p>dizer:</p><p>iguais / equivalentes;</p><p>vestígios / traços;</p><p>pouco / muito.</p><p>Os próprios fornecedores de corantes agregam ao nome comercial de seus</p><p>produtos letras que identi�cam a tonalidade do corante. Além da</p><p>tonalidade, essas letras podem signi�car alguma característica peculiar do</p><p>corante em questão. Veja o quadro 1.</p><p>Quadro 1 – Letras usadas para indicar tonalidades do corante</p><p>Letra Significado provável</p><p>Y – yellow Amarelado</p><p>G – green ou gleb Esverdeado (inglês) ou amarelado (alemão)</p><p>R – red ou rot Avermelhado</p><p>B – blue ou blau Azulado</p><p>D – dull Sujo, sem brilho</p><p>Br – brighter Mais brilhante</p><p>E – equalization Boa igualização</p><p>N – neutral Aplicável em banho neutro</p><p>F – fastness Boa solidez</p><p>S – sublimation Boa solidez à sublimação</p><p>RD – rapid dyeing Tingimento rápido</p><p>Brilho</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Existem corantes e pigmentos brilhantes e opacos. Por outro lado,</p><p>precisamos considerar que existem:</p><p>substratos brilhantes e sem brilho;</p><p>bene�ciamentos que deixam o substrato têxtil brilhante;</p><p>artifícios que deixam a matéria de coloração com um acréscimo de</p><p>brilho.</p><p>É importante frisar que, com relação à concentração de um corante, uma</p><p>vez fabricado, ele é padronizado para venda numa determinada</p><p>concentração. Normalmente esta corresponde a um padrão estipulado</p><p>como 100%, também chamado de tipo; concentrações acima e abaixo do</p><p>tipo são mencionadas nos rótulos. Não havendo menção, subentende-se</p><p>que se trata de tipo. Por exemplo: Azul XXXXX 2GLN e Azul XXXXX</p><p>2GLN 250%.</p><p>Quadro 2 – Classificação dos corantes</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Os corantes podem ser classi�cados por sua solubilidade ou ainda segundo</p><p>a sua aplicação, ou seja, pelo substrato com que ele possui a�nidade.</p><p>Mecanismos de tingimento</p><p>Adsorção</p><p>É a fase na qual o corante é atraído pelas �bras por meio de forças</p><p>intermoleculares, posicionando-se na superfície da �bra.</p><p>Difusão</p><p>Nessa fase, o corante penetra nas micelas da �bra. Quanto menos</p><p>agregadas estiverem as moléculas, mais rápida e uniforme será a difusão. O</p><p>uso de igualizantes propicia essa facilidade, entretanto, seu excesso pode</p><p>causar desadsorção. Em corantes muito substantivos, é comum também o</p><p>uso de retardantes, agentes que retardam a absorção de corante pela �bra.</p><p>Migração</p><p>No interior da �bra, o corante irá se deslocar por entre as zonas amorfas até</p><p>encontrar uma zona cristalina, onde irá parar. A capacidade de</p><p>deslocamento de um corante depende de seu peso molecular e da estrutura</p><p>de sua molécula. Quanto mais plana for a sua estrutura e menor o seu peso</p><p>molecular, melhor será o poder de migração do corante.</p><p>Fixação</p><p>Além de forças intermoleculares, alguns corantes também podem reagir por</p><p>meio de reações covalentes, iônicas e pontes de hidrogênio, reações estas</p><p>que serão estudadas caso a caso.</p><p>Branqueadores fluorescentes ou ópticos</p><p>Ou branco óptico, como também é conhecido, é utilizado para efetuar</p><p>tingimentos de branco para substrato �nal ou como preparação de tecidos a</p><p>serem estampados. O branco é um tipo de tingimento efetuado com a</p><p>aplicação de corantes, em sua maioria derivados de estilbeno, que possuem</p><p>a propriedade de re�etir ondas eletromagnéticas na faixa do ultravioleta,</p><p>aumentando a sensação de brancura. São várias as classes desses tipos de</p><p>corantes, sendo que cada �bra possui a�nidade com um determinado tipo</p><p>de branco. Alguns podem ser aplicados em conjunto com alvejamentos</p><p>redutivos e oxidativos, outros não.</p><p>Separadamente, podem ser aplicados pelos processos PAD-Steam (105ºC),</p><p>ermosol (acima de 170ºC e somente para PES) ou ainda por</p><p>esgotamento. A temperatura de aplicação para processos por esgotamento é</p><p>de 70ºC para PA, WO, S e �bras celulósicas; 105ºC para PAC; e</p><p>100ºC/135ºC para PES.</p><p>Podem ainda ser matizados com corantes azuis, violetas ou com mistura dos</p><p>dois, com o intuito de “mascarar” o amarelado natural dos têxteis em geral.</p><p>Os branqueadores podem ser classi�cados em seis grupos, porém os dois</p><p>principais serão vistos a seguir.</p><p>Compostos de um ou dois grupos estilbeno</p><p>Aproximadamente 80% de todos os brancos existentes atualmente</p><p>pertencem a esse</p><p>grupo de compostos. O mais importante branqueador</p><p>monoestilbeno é obtido pela acilação do 4,4’-diamino-estilbeno-2,2’-ácido</p><p>dissulfônico.</p><p>Fonte: Com base em ZOLLINGER, 1991.</p><p>Figura 4 – C.I. Fluorescent Brightener 32.</p><p>Pode também ser obtido pela substituição com compostos clorotriazínicos, o</p><p>mais importante nos dias de hoje. O primeiro produto com triazina foi o</p><p>C.I. Fluorescent Brightener 32, usado para algodão e �bras nitrogenadas.</p><p>Compostos à base de naftalimida</p><p>O mais importante composto à base de naalimida é o N-metil-4-metoxi-</p><p>naa-limida (C.I. Fluorescent Brightener 162), pelo seu largo campo de</p><p>aplicação, que inclui PAC e PES, entre outros substratos hidrofóbicos, tais</p><p>como poliole�nas e acetatos de celulose.</p><p>Fonte: Com base em ZOLLINGER, 1991.</p><p>Figura 5 – C.I. Fluorescent Brightener 162.</p><p>3. Matéria de coloração</p><p>Algodão</p><p>Corantes diretos</p><p>Corantes reativos</p><p>Corantes à tina</p><p>Corantes sulfurosos</p><p>Corantes azoicos</p><p>Fibras nitrogenadas</p><p>Corantes ácidos e de complexo metálico</p><p>Poliéster</p><p>Corantes dispersos</p><p>Poliacrinonitrilo</p><p>Corantes básicos ou catiônicos</p><p>Pigmentos</p><p>Algodão</p><p>Segundo Morrison e Boyd (1990), o algodão é constituído quase que</p><p>exclusivamente por celulose. Possui baixa resistência a ácidos fortes,</p><p>entretanto, resiste bem aos ácidos fracos e também aos álcalis em geral.</p><p>Quando mercerizado, o algodão adquire mais brilho e também �ca mais</p><p>sensível aos corantes em geral.</p><p>Fonte: Com base em ROSA, 2010.</p><p>Figura 1 – Estrutura química da celulose.</p><p>Corantes diretos</p><p>São corantes substantivos, solúveis em água, de relativa facilidade de</p><p>aplicação. Possuem boa solidez à luz e são utilizados basicamente para a</p><p>coloração do algodão, com o qual possui grande a�nidade. Unem-se à �bra</p><p>somente por meio de ligações de hidrogênio e forças de Van der Waals e,</p><p>por esse motivo, não possuem boa solidez aos tratamentos úmidos quando</p><p>em cores médias ou escuras.</p><p>Pelo fato de o corante possuir caráter aniônico, torna-se necessária a adição</p><p>de um eletrólito, cloreto ou sulfato de sódio, durante o tingimento, já que a</p><p>celulose, quando úmida, também possui esse mesmo caráter.</p><p>Fonte: Com base em ROSA, 2010.</p><p>Figura 2 – Exemplo de um corante direto (C.I. Direct Black 78).</p><p>Tratamento posterior</p><p>Geralmente lava-se o substrato têxtil somente com água fria, de uma a três</p><p>vezes, com duração média de 5 minutos cada. O uso de �xadores pode</p><p>aumentar o nível de solidez à lavagem, mas pode acarretar diminuição da</p><p>solidez à luz.</p><p>Corantes reativos</p><p>Tendo sua principal aplicação em �bras celulósicas, os corantes reativos,</p><p>como o próprio nome sugere, são corantes que reagem quimicamente com</p><p>a �bra em pH alcalino, através de ligações covalentes. Por possuírem grande</p><p>versatilidade, podem ser aplicados no substrato através de processos</p><p>contínuos, semicontínuos e também por esgotamento.</p><p>Existem vários tipos de corantes reativos, conforme descrito na tabela 1,</p><p>porém, os mais utilizados no mercado atual são a monoclorotriazina</p><p>(MCT), o vinilssulfônico (VS) e o heterofuncional MCT+VS. Estes últimos</p><p>são bastante conhecidos no mercado como bifuncionais, entretanto,</p><p>devemos levar em consideração que corantes bifuncionais podem ser</p><p>heterofuncionais, com dois grupos reativos distintos entre si, por exemplo,</p><p>VS+MCT, ou homofuncionais, com dois grupos reativos iguais, VS+VS ou</p><p>MCT+MCT.</p><p>Tabela 1 – Principais tipos reativos, por ordem decrescente de reatividade</p><p>Grupo reativo Temperatura de tingimento em ºC Reatividade</p><p>Diclorotriazina (DCT) 30-40</p><p>Di�uorcloropirimidina (DFCP)</p><p>40-60</p><p>Alta</p><p>Mono�uortriazina (MFT)</p><p>Vinilsulfônicos (VS)</p><p>40-80 Média</p><p>Bi-heterofuncionais (VS+MCT)</p><p>Monoclorotriazina (MCT)</p><p>80-100 Baixa</p><p>Tricloropirimidina (TCP)</p><p>A reação que ocorre entre corante e substrato é do tipo nucleó�la e pode se</p><p>dar por adição, no caso do VS, ou por substituição, no caso dos halógenos-</p><p>heterocíclicos.</p><p>Reação por adição nucleofílica</p><p>Shore (1990) relata que os corantes de sistemas reativos do tipo</p><p>vinilssulfônicos diferem dos halógenos-heterocíclicos pelo tipo de reação</p><p>que desenvolvem com a celulose. Na realidade, o grupo reativo VS é</p><p>formado no banho de tingimento. O corante possui o grupo β-</p><p>sulfatoetilssulfona que, em presença de álcali, elimina ácido sulfúrico,</p><p>dando origem ao grupo VS (Etapa 1).</p><p>Nesse grupo, a dupla ligação carbono-carbono é polarizada pela atração</p><p>eletrônica do grupo sulfônico. Essa polarização implica carga positiva ao</p><p>carbono terminal, permitindo que a adição nucleofílica ocorra com a</p><p>celulose ionizada (Etapa 2).</p><p>A adição de um próton completa a reação corante-�bra (Etapa 3).</p><p>Fonte: Com base em ROSA, 2010.</p><p>Figura 3 – Reação por adição nucleofílica.</p><p>Reação por substituição nucleofílica</p><p>É o tipo de reação que ocorre entre a celulose e os corantes de sistemas do</p><p>tipo halógenos-heterocíclicos. São assim chamados porque seus grupos de</p><p>fuga nucleó�la são halogênios, geralmente �úor (F) e/ou cloro (Cl), ligados</p><p>em heteroanéis, triazina ou pirimidina.</p><p>Esses anéis são, em parte, responsáveis pela substantividade desses tipos de</p><p>corante. Os três nitrogênios da triazina são ideais para promover a ativação</p><p>necessária do átomo de halogênio para que haja a fuga nucleó�la e,</p><p>consequentemente, a reação com a celulose.</p><p>Segundo Rosa (2004), e como já observado anteriormente, a celulose se</p><p>ioniza em meio alcalino, tornando-se um substrato que se pode de�nir</p><p>como sendo o reagente nucleó�lo, por causa de sua carga negativa, e, no</p><p>corante, o anel triazínico irá ativar o grupo de fuga nucleó�la (Cl),</p><p>tornando-se o reagente eletró�lo. Os átomos de Cl que se desprendem dos</p><p>anéis triazínicos irão se juntar aos prótons oriundos da ionização da</p><p>celulose e formarão ácido clorídrico, que será neutralizado pelo álcali</p><p>contido no banho.</p><p>A condensação de um corante diclorotriazina com um composto</p><p>intermediário contendo um grupo b-sulfatoetilssulfona permite a criação de</p><p>um corante heterofuncional, no qual podemos observar a presença de dois</p><p>grupos reativos, VS e MCT. O principal objetivo de colocar esses dois grupos</p><p>reativos na molécula do corante foi o incremento em sua �xação.</p><p>Entretanto, o que se observa é que a maior parte da �xação ocorre por meio</p><p>do grupo VS, por causa da sua maior reatividade com o grupo MCT. A</p><p>maior conveniência é que o grupo b-sulfato-etilssulfona pode ser</p><p>introduzido em uma gama muito grande de sistemas cromógenos, e o anel</p><p>triazínico propicia um aumento signi�cativo na substantividade dos</p><p>corantes.</p><p>A seguir, a molécula de um corante heterofuncional, o anel triazínico e um</p><p>esquema simpli�cado de sua reação com a celulose.</p><p>Fonte: Com base em ROSA, 2010.</p><p>Figura 4 – Anel triazínico e esquema de reação.</p><p>Em sua maioria, os corantes reativos são sensíveis à água dura. Por causa</p><p>desse fato, geralmente é recomendável a utilização de água desmineralizada</p><p>ou a adição de um sequestrante de cálcio e magnésio.</p><p>Tratamento posterior</p><p>Tem como �nalidade retirar o corante hidrolisado, bem como resíduos de</p><p>álcali e eletrólito que estão na superfície da �bra. Geralmente lava-se com</p><p>uma a três águas, com duração de 5 minutos cada lavagem, seguido de uma</p><p>lavagem com fervura durante 10 minutos, com adição de detergente e de</p><p>dispersante, e mais um enxague a frio.</p><p>Corantes à tina</p><p>São corantes derivados da antraquinona, insolúveis em sua forma</p><p>comercial, oxidada, necessitando de redução para posterior aplicação. Seu</p><p>principal campo de utilização é em �bras celulósicas, e para tornar sua</p><p>aplicação viável temos de reduzir o corante, fornecendo um átomo de sódio</p><p>à sua molécula, em presença de água mole. A principal característica desses</p><p>corantes é a existência de, pelo menos, um grupo cetônico (C=O), o qual,</p><p>para ser solúvel em água e possuir a�nidade com a �bra, precisa sofrer um</p><p>processo de redução, transformando-se em um leucoderivado sódico (C-</p><p>ONa). Após aplicado, o corante é novamente oxidado, tornando-se</p><p>insolúvel em água dentro da �bra, o que propicia altíssimos índices de</p><p>solidez aos tratamentos úmidos e aos agentes de intemperismo.</p><p>Fonte: Com base em ARAÚJO, 2007.</p><p>Figura 5 – Estrutura</p><p>química da antraquinona.</p><p>Segundo Zollinger (1991), de todos os corantes para �bras celulósicas, os</p><p>corantes à tina são aqueles que possuem os maiores índices de solidez à luz</p><p>e aos tratamentos úmidos. Apesar de suas excelentes qualidades,</p><p>praticamente nenhum corante à tina com nova estrutura tem sido</p><p>desenvolvido nas duas últimas décadas.</p><p>Após a aplicação, os corantes são oxidados dentro da �bra, sendo</p><p>convertidos em sua forma original insolúvel. Daí os excelentes níveis de</p><p>solidez aos tratamentos úmidos. A redução/oxidação ocorre nos grupos</p><p>cetônicos, conforme esquema a seguir, sendo que o potencial redox dos</p><p>corantes gira em torno de -750 a -1100 mV.</p><p>Fonte: Com base em SALEM, 1999.</p><p>Figura 6 – Esquema de redução dos corantes à tina.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>O redutor mais utilizado é o ditionito de sódio (Na2S2O4) em meio alcalino,</p><p>sendo o hidróxido de sódio (NaOH) o álcali mais utilizado. Outros</p><p>redutores também podem ser usados como, por exemplo, o</p><p>formaldeídossulfoxilato de sódio (CHOCH2SO2Na) ou o dióxido de</p><p>tioureia (H2CSO2HNH2). Este último merece atenção especial Em soluções</p><p>alcalinas, é convertido em sul�nato de formamidina (H2NCSO2NH) e seu</p><p>efeito redutor é mais forte do que o do ditionito, podendo acarretar</p><p>sobrerredução, fenômeno que altera o matiz de alguns corantes,</p><p>principalmente os azuis. Para evitar esse fenômeno, adiciona-se de 1 a 2</p><p>g.dm-3 de nitrito de sódio ao banho de tingimento.</p><p>Como regra geral, consideramos que 0,6 kg de Na2S2O4 necessita de 0,67 l</p><p>de NaOH</p><p>50ºBé para sua decomposição. A velocidade de decomposição varia de</p><p>acordo com o equipamento, a temperatura e a maior ou menor quantidade</p><p>de ar no processo de tingimento. Já a quantidade de NaOH depende da</p><p>estrutura química do corante.</p><p>Os corantes à tina dividem-se basicamente em quatro grandes grupos:</p><p>Alta alcalinidade: corantes que requerem alta quantidade de NaOH,</p><p>muito substantivos quando reduzidos, não necessitando da adição de</p><p>eletrólito no banho de tingimento; a temperatura de aplicação gira em</p><p>torno de 50ºC a 60ºC;</p><p>Média alcalinidade: corantes que requerem quantidade baixa/média de</p><p>NaOH, não muito substantivos quando reduzidos, necessitando da</p><p>adição de eletrólito no banho de tingimento; a temperatura de aplicação</p><p>gira em torno de 40ºC;</p><p>Baixa alcalinidade: corantes que requerem baixa quantidade de NaOH,</p><p>pouco substantivos quando reduzidos, também necessitando da adição</p><p>de eletrólito no banho de tingimento; a temperatura de aplicação gira</p><p>em torno de 25ºC a 30ºC;</p><p>Pretos: requerem quantidades elevadas de Na2S2O4 e NaOH; quanto</p><p>substantividade e temperatura, igualam-se aos corantes de alta</p><p>alcalinidade.</p><p>As quantidades de insumos auxiliares e os detalhes de processos de</p><p>tingimento podem ser obtidos facilmente nos catálogos dos fabricantes. O</p><p>tingimento com os corantes à tina é processado em cinco etapas: redução</p><p>do corante; tingimento; lavagem; oxidação; e ensaboamento.</p><p>Redução</p><p>Trata-se da “solubilização” do corante com soda e hidro, respeitando as</p><p>quantidades indicadas para cada corante.</p><p>Tingimento</p><p>Os corantes à tina, em sua forma leucoderivada de sódio, tingem as �bras</p><p>celulósicas por adsorção pelas zonas amorfas, difusão e, em seguida, unem-</p><p>se por ligações de hidrogênio, comportamento igual ao dos corantes diretos.</p><p>Lavagem</p><p>Durante o processo de lavagem, é recomendável que haja uma troca lenta</p><p>de água. Soltar o banho e encher a máquina com água fria logo em seguida</p><p>pode resultar na formação de pigmento insolúvel na superfície da �bra, o</p><p>que causaria diminuição nos índices de solidez à fricção. O melhor, caso</p><p>haja possibilidade, é lavar por transbordo. O tempo de lavagem varia de</p><p>acordo com a intensidade da cor.</p><p>Oxidação</p><p>Nessa etapa, o corante volta à sua forma original, tornando-se novamente</p><p>insolúvel em água. Isso ocorre com o corante já no interior da �bra e, por</p><p>essa razão, explica a sua grande solidez aos tratamentos úmidos. São várias</p><p>as formas de oxidação, podendo-se usar ar atmosférico ou outros oxidantes,</p><p>tais como hipoclorito de sódio (NaClO) ou peróxido de hidrogênio (H2O2),</p><p>sendo o peróxido o mais utilizado. Nota-se que a reação é inversa à reação</p><p>de redução, ou seja, o corante passa a ser um leucoderivado ácido e,</p><p>posteriormente, volta à sua forma cetônica original. O pH do banho de</p><p>oxidação deve estar entre 7 e 8, pois, acima dessa faixa, corre-se o risco de</p><p>não haver uma oxidação completa, e, abaixo dela, pode ocorrer a formação</p><p>de compostos leucoderivados ácidos, causando baixos índices de solidez à</p><p>fricção. Um dos fatores que incidem na escolha dos produtos utilizados na</p><p>oxidação é o tipo de corante com o qual se está trabalhando. Podemos ter</p><p>acesso a esse tipo de informação consultando o catálogo do fabricante.</p><p>Ensaboamento</p><p>Essa operação é processada em temperatura não inferior a 80ºC, em</p><p>presença de detergente e de carbonato de sódio (Na2CO3). Durante essa</p><p>etapa, o corante super�cial é removido e o corante no interior das �bras</p><p>sofre um rearranjo. Após o ensaboamento, o tingimento atinge a tonalidade</p><p>�nal.</p><p>Corantes sulfurosos</p><p>Recebem esse nome em razão da presença de átomos de enxofre contidos</p><p>em anéis heterocíclicos e, assim como os corantes à tina, são</p><p>comercializados em forma oxidada, insolúveis em água, sendo necessária</p><p>um redução em banho alcalino para posterior aplicação. O sul�to de sódio,</p><p>que em solução aquosa sofre hidrólise alcalina, é o redutor mais utilizado.</p><p>Entretanto, o odor desprendido durante o tingimento é extremamente</p><p>fétido e, por causa desse fato, ultimamente utiliza-se glicose em meio</p><p>alcalino para a redução do corante, o que minimiza o odor desagradável.</p><p>Fonte: Com base em SHORE, 2002.</p><p>Figura 7 – Exemplo de estrutura de corante sulfuroso – CI sulphurYellow4.</p><p>Redução, tingimento e lavagem</p><p>De acordo com Johnson (1996), a redução afeta a ponte dissul�to que une</p><p>o principal anel heterocíclico da molécula do corante, resultando em tióis</p><p>solúveis em soluções alcalinas, conforme reação:</p><p>Fonte: Com base em SALEM, 2010.</p><p>Figura 8 – Esquema de redução e oxidação dos corantes sulfurosos – formação de um tiol.</p><p>Após reduzidos, os corantes sulfurosos possuem as mesmas propriedades</p><p>dos corantes à tina, ou seja, tingem as �bras celulósicas por adsorção pelas</p><p>zonas amorfas, por difusão e, em seguida, estabelecem ligações de</p><p>hidrogênio. A lavagem também segue o mesmo critério, devendo ser</p><p>efetuada de maneira lenta e gradativa, para evitar a formação de pigmentos</p><p>insolúveis na superfície da �bra, o que acarretaria em decréscimo dos</p><p>índices de solidez à fricção.</p><p>Oxidação e ensaboamento</p><p>•</p><p>•</p><p>São efetuados de modo simultâneo. A temperatura é de 90ºC com clorito</p><p>de sódio para preto e 70ºC com perborato de sódio para as demais cores. O</p><p>peróxido de hidrogênio também pode ser utilizado, porém diminui a</p><p>solidez à fricção em até 1 ponto na escala cinza. Nos tingimentos a preto,</p><p>além de evitar o uso de amaciantes catiônicos, deve-se também adicionar</p><p>barrilha na última água do processo. Esses cuidados visam evitar o efeito</p><p>tendering, que é a formação de ácido sulfúrico pela reação entre os grupos</p><p>de enxofre contido nos corantes, mais umidade e grupos doadores de</p><p>próton. Esse efeito pode acarretar a degradação da �bra.</p><p>Corantes azoicos</p><p>Na realidade, esses corantes não existem na forma natural, como os demais</p><p>corantes. Eles são formados no interior da �bra pela copulação de um</p><p>composto naolato de sódio e uma amina aromática diazotada por meio de</p><p>ácido nitroso. Para efetuarmos um tingimento com corante azoico, devemos</p><p>seguir diversas etapas, detalhadas a seguir.</p><p>Dissolução</p><p>A maioria dos compostos fenólicos, como é o caso dos naóis, é insolúvel</p><p>em água. Para podermos obter um naol solúvel em água, temos de</p><p>transformá-lo em um naolato sódico, obtido pela adição estequiométrica</p><p>de soda cáustica, processo chamado de dissolução do naol.</p><p>Existem dois tipos de dissolução: a quente e a frio.</p><p>Dissolução a quente</p><p>A formação do naolato é conseguida por meio da adição do naol em um</p><p>banho contendo água quente e soda cáustica, no qual, para conseguir uma</p><p>dissolução completa,</p><p>eleva-se a temperatura até a fervura, mantendo-a</p><p>durante aproximadamente 5 minutos. Dessa forma, obteremos o naolato.</p><p>Dissolução a frio</p><p>Esse tipo de dissolução propicia um naolato menos sensível ao ar e aos</p><p>ácidos do que os dissolvidos pelo método de dissolução a quente. Nesse</p><p>tipo de dissolução, utilizamos água morna, álcool etílico, soda cáustica e</p><p>formaldeído. Deve-se adicionar o formaldeído em temperaturas inferiores a</p><p>50ºC. Se a temperatura ultrapassar os 60ºC, haverá formação de um</p><p>composto metilênico, não suscetível de copulação, em vez de um composto</p><p>metiloico.</p><p>Desenvolvimento</p><p>É a etapa na qual o naolato é aplicado no substrato. Pode se dar pelos</p><p>processos de foulardagem ou esgotamento, dependendo da substantividade</p><p>do corante. Tanto em um quanto em outro, adiciona-se ao banho soda</p><p>cáustica, para manter a forma de naolato, e um coloide protetor, para</p><p>evitar a cristalização do naolato.</p><p>Diazotação da base</p><p>As bases são aminas aromáticas que necessitam passar por um processo de</p><p>diazotação por meio da ação do ácido nitroso, com posterior neutralização</p><p>para, então, estarem prontas para a copulação com os naolatos já presentes</p><p>na �bra. É necessária a presença de gelo (a água deve estar em torno de</p><p>15ºC) e quantidades estequiométricas de ácido clorídrico e nitrito de sódio,</p><p>segundo a reação:</p><p>Copulação</p><p>Após a diazotação, a base é aplicada, e o corante irá se formar no interior da</p><p>�bra por meio da reação entre o sal diazônico (base diazotada) e o naolato</p><p>sódico, segundo a reação:</p><p>Fibras nitrogenadas</p><p>Seda, poliamida e lã são assim conhecidas por possuírem comportamento</p><p>tintório semelhante, em razão da presença de grupos que contêm</p><p>nitrogênio. A seda e a lã, por serem �bras proteicas, possuem ligações</p><p>peptídicas ou grupos amídicos. A poliamida também possui esses grupos e,</p><p>além desses, todas têm grupos terminais amínicos e carboxílicos nas</p><p>extremidades de suas cadeias poliméricas.</p><p>Marcos Rosa (2003) a�rma que podemos presumir que as �bras</p><p>nitrogenadas, quando secas, sejam um tipo de ácido aminocarboxílico.</p><p>Entretanto, em banho aquoso, tendem a adquirir o comportamento de um</p><p>zwitterion e, consequentemente, caráter anfótero. Tendem a absorver certa</p><p>quantidade de íons H+ de um banho ácido, sendo que uma parte desses</p><p>íons irá ligar-se aos terminais carboxílicos e outra parte irá protonizar os</p><p>grupamentos amínicos da �bra, atraindo um número de moléculas de</p><p>corante para manter sua neutralidade. Esse é um dos motivos pelos quais</p><p>essas �bras são tingidas preferencialmente em banho ácido ou levemente</p><p>ácido.</p><p>Fonte: Com base em ROSA, 2003.</p><p>Figura 9 – Zwitterion.</p><p>Corantes ácidos e de complexo metálico</p><p>Podem ser divididos basicamente em quatro grupos: monossulfonados,</p><p>dissulfonados, trissulfonados e complexo metálico. A presença de um</p><p>substituinte ionizável solubilizante, SO3H, em vários deles, é uma das</p><p>características dos corantes ácidos. O grupo sulfônico é um forte eletrólito e</p><p>dissocia-se completamente em várias faixas de pH ácido obtidos em</p><p>soluções aquosas e, quanto maior o número de grupos sulfônicos existentes</p><p>nos corantes, menor o poder de saturação. Um corante monossulfônico tem</p><p>maior poder de saturação que um dissulfônico ou trissulfônico.</p><p>Os grupos sulfônicos também são os responsáveis pela ligação eletrostática</p><p>com os grupamentos amínicos das �bras e, segundo Vickerstaff (1954), uma</p><p>diminuição da faixa de pH pode protonizar também os terminais amídicos,</p><p>causando uma ligação eletrostática de menor energia. Os corantes ácidos</p><p>possuem bom poder de adsorção, difusão e migração, entretanto, o inverso</p><p>também é verídico. Sofrem desadsorção com facilidade e por isso não são</p><p>indicados para cores em que o nível de solidez exigido é muito alto. Para</p><p>tingimentos mais sólidos, devemos recorrer aos corantes ácidos de</p><p>complexo metálico.</p><p>Fonte: Com base em ROSA, 2003.</p><p>Figura 10 – Esquema de reação iônica entre corante/fibra.</p><p>Tingimento</p><p>É efetuado em temperaturas entre 90ºC e 110ºC, em tempo não superior a</p><p>60 minutos, em banho ácido ou levemente ácido, podendo ou não utilizar</p><p>igualizantes e/ou retardantes. Quanto maior o número de grupos sulfônicos</p><p>do corante, menor o pH do banho de tingimento. Feito o tingimento, uma</p><p>a três águas frias durante 5 minutos cada são o su�ciente para retirar o</p><p>corante que, porventura, não tenha reagido. Em casos especiais, podemos</p><p>também efetuar uma lavagem a 60ºC por 10 minutos em um banho</p><p>contendo uma determinada quantidade de dispersante.</p><p>Tratamento posterior</p><p>A aplicação de alguns �xadores pode aumentar o tempo de sobrevida de</p><p>uma cor quanto à solidez a tratamentos úmidos. Existem �xadores para</p><p>aplicação posterior e �xadores para serem aplicados no próprio banho de</p><p>tingimento, após o esgotamento do banho.</p><p>Poliéster</p><p>Polímero obtido por meio da polimerização por condensação de um diácido</p><p>ou sal desse diácido (ácido tereálico ou dimetilterealato) com um</p><p>diálcool (etileno glicol). Possui estrutura química conforme �gura a seguir,</p><p>na qual n é o número de repetições da molécula ou “grau de polimerização”.</p><p>As �bras de poliéster possuem em média de 15.000 a 25.000 g.mol-1 e</p><p>consistem em muitas moléculas de polímero. As de peso molecular mais</p><p>baixo são utilizadas em aplicações têxteis, e as de peso molecular mais alto,</p><p>na fabricação de �os industriais (WARNER, 1995).</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Fonte: Com base em SILVA, 2002.</p><p>Figura 11 – Estrutura química do politereftalato de etilenoglicol.</p><p>Corantes dispersos</p><p>Os corantes dispersos são insolúveis em água. São, em sua maioria,</p><p>comercializados em forma de pó e, quando em solução, formam uma</p><p>dispersão semelhante à dos pigmentos. Tingem principalmente as �bras de</p><p>poliéster e são classi�cados em três tipos:</p><p>moléculas pequenas ou de baixa energia – corantes de excelente</p><p>igualização, porém pobres em solidez à sublimação, principal</p><p>característica dos corantes dispersos;</p><p>moléculas médias ou de média energia – corantes de boa igualização e</p><p>boa solidez à sublimação;</p><p>molécula grande ou de alta energia – corantes de igualização precária e,</p><p>apesar de necessitarem de altas temperaturas para poder se difundir</p><p>pela �bra, possuem excelente solidez à sublimação.</p><p>Também são conhecidos como plastossolúveis, aproximam-se do substrato</p><p>por meio de ligações de hidrogênio e forças de Van der Waals, difundindo-</p><p>se posteriormente entre as zonas amorfas do polímero mediante a</p><p>in�uência de temperatura que pode variar, dependendo do tipo de corante,</p><p>de 120ºC até 135ºC.</p><p>Tingimento</p><p>É efetuado em altas temperaturas (120ºC-135ºC), mas também pode ser</p><p>feito em fervura com adição de carriers, produtos que dilatam a �bra,</p><p>favorecendo a difusão do corante. Entretanto, esse processo se restringe a</p><p>cores claras, no máximo médias, pois, na fervura, não há energia su�ciente</p><p>para a total absorção e consequente difusão do corante. Além disso, esses</p><p>tipos de tingimento propiciam cores apagadas e com pouca solidez à luz.</p><p>Com exceção de alguns corantes, o tingimento é efetuado na faixa de pH</p><p>5,0-6,5. Valores de pH acima desse range (variação) podem favorecer a</p><p>redução de alguns corantes, alterando sua matiz e prejudicando a</p><p>reprodutibilidade das cores.</p><p>Tratamento posterior</p><p>Após resfriamento, recomenda-se uma lavagem redutiva com o intuito de</p><p>retirar o corante que sofreu desadsorção e encontra-se na superfície da</p><p>�bra. Esse procedimento visa a um incremento nos índices de solidez à</p><p>fricção e promove também a remoção de oligômeros do equipamento.</p><p>Oligômeros são dímeros e trímeros que se desprendem da �bra em altas</p><p>temperaturas e, com o decréscimo destas temperaturas, tendem a</p><p>redepositar-se na superfície da �bra ou nas paredes e bombas dos</p><p>equipamentos. O procedimento é efetuado a 70ºC-80ºC com adição de</p><p>hidróxido de sódio (NaOH) 50ºBé e hidrossul�to de sódio ou dióxido de</p><p>tioureia.</p><p>Poliacrilonitrilo</p><p>De estrutura química representada na �gura abaixo, como polímero puro</p><p>não é utilizado como �bra têxtil. Para essa �nalidade, alguns mols de outros</p><p>monômeros são introduzidos na cadeia polimérica do acrílico. Os</p><p>monômeros mais utilizados são o metilacrilato</p><p>e o acetato de vinila, e essa</p><p>introdução visa à facilidade de sintetizar, processar e tingir as �bras de</p><p>acrílico. Alguns grupos oriundos da reação de inibidores de polimerização</p><p>também podem fazer parte da �bra, como o sulfônico (SO3-), por exemplo.</p><p>Fonte: Com base em SALEM, 2010.</p><p>Figura 12 – Estrutura química do poliacrilonitrilo.</p><p>Corantes básicos ou catiônicos</p><p>Possuem esse nome por causa da ionização, na qual o componente colorido</p><p>passa a ser o cátion. O poder de montagem está situado em uma estreita</p><p>faixa de temperatura que vai de 70ºC a 90ºC, na qual ocorre 60% da</p><p>montagem. A migração é pobre na temperatura de ebulição e/ou a 105ºC.</p><p>Unem-se às �bras por meio de ligações iônicas.</p><p>Fonte: Com base em SHORE, 2002.</p><p>Figura 13 – Exemplo de estrutura de corante catiônico – CI Basic Red 12 e CI Basic Yellow 21.</p><p>Tingimento</p><p>É efetuado a 105ºC, justamente para evitar a montagem desigual dos</p><p>corantes, em banho tamponado com ácido acético/acetato, sulfato de sódio,</p><p>igualizante e retardante catiônico. Existem amaciantes que podem ser</p><p>adicionados ao banho de tingimento e são resistentes a altas temperaturas.</p><p>Os corantes possuem um índice de combinabilidade (K) e um fator de</p><p>saturação (F). Esses índices vêm descritos no catálogo do fabricante, que</p><p>recomenda que não se trabalhe com corantes em que a diferença do K</p><p>entre dois ou mais corantes seja maior que 1.</p><p>A �bra de acrílico pode ser saturada facilmente e também possui um fator</p><p>de saturação (Fs). O índice de saturação da �bra também deve ser</p><p>fornecido pelo fabricante. Para saber se a receita que possuímos irá ou não</p><p>saturar a �bra, devemos multiplicar a quantidade de corante, expressa em</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>%, pelo seu F. O resultado deverá ser menor que o Fs. Alguns retardantes</p><p>catiônicos possuem valor de F e também devem entrar no cálculo de</p><p>saturação. Veja exemplo a seguir:</p><p>0,20% de vermelho básico (F= 2,3) = 0,20 × 2,3 = 0,46;</p><p>0,15% de azul básico (F =2,0) = 0,15 × 2,0 = 0,3;</p><p>0,46 + 0,3 = 0,76;</p><p>0,76</p>