Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE REGIONAL INTEGRADA DO ALTO URUGUAI E DAS MISSÕES CAMPUS SANTO ÂNGELO COLUNA DE BRITA VIBROCOMPACTADA Ana Luiza Giongo Katcher Jeanine Kist Curso: Engenharia Civil Professor: Boris Casanova Sokolovicz Disciplina: Obras de Terra Santo Ângelo, 05 de Novembro de 2019 SUMÁRIO 1. Introdução ….........................................................................................................2 2. Conceito ..............................................................................................................4 3. Aplicação ..............................................................................................................4 4. Dimensionamento ..................................................................................................5 5. Estudo de Caso .....................................................................................................7 6. Referências Bibliográficas ...................................................................................7 2 1. CONCEITO A vibro substituição é uma técnica de melhoramento de solo utilizando material granular. A construção da coluna de brita se dá a partir do preenchimento de solos de baixa resistência com brita. Esta técnica permite o tratamento de solos em profundidades de até 50 m. A introdução de um elemento de reforço (brita compactada) de características drenantes no solo permite alcançar o aumento da capacidade de carga, a redução de recalques, o aumento da velocidade de adensamento e o aumento da resistência ao cisalhamento. O resultado é um novo composto de solo (solo/tratamento) com características mecânicas melhoradas (E, φ, Su) que são considerados no cálculo dos recalques e estabilidade. As características do solo in situ, o diâmetro e malha das colunas de brita vibro compactada, bem como as propriedades geomecânicas das colunas irão determinar o fator de melhoramento do solo original. Em solos coesivos, suas as partículas não podem ser reorganizadas por impulsos de vibração por vibrocompactação. Porém um aumento considerável na capacidade de carga pode ser alcançado nestes solos pelo processo de colunas de brita. Através dessa técnica, colunas de brita são construídas por um vibrador de profundidade especialmente adaptado e equipado para esse processo. As colunas de brita têm maior resistência ao cisalhamento e rigidez em comparação ao solo circundante. Ao mesmo tempo, o solo circundante fornece apoio lateral para as colunas de brita e, assim, cria-se a interação coluna-solo. A Figura 1 abaixo mostra um esquema simplificado de uma coluna de brita. 3 Figura 1: Esquema simplificado de uma coluna de brita. Pode ser aplicada em diferentes situações como aterros rodo / ferroviários, galerias, silos/tanques, fundações superficiais, encontros de pontes, base de torres eólicas, centro de distribuição, galpões e armazéns e também na infraestrutura de obras aeroportuárias. Uma coluna de brita representa um procedimento de melhoramento de solos, não sendo um elemento de fundação nem uma fundação profunda. As fundações de uma obra a construir sobre um solo tratado com colunas de brita são sempre fundações diretas executadas por sapatas corridas, isoladas ou laje de ensoleiramento geral. O solo tratado com colunas de brita pode ainda servir de fundação de aterros sobre solos moles. O tratamento de uma grande área com colunas de brita requer sempre a adoção de uma distribuição uniforme em planta das mesmas, que é função dos objetivos a alcançar. Para esse padrão ser definido há que impor um espaçamento entre colunas bem como o tipo de distribuição. Normalmente são usadas distribuições em triângulo ou em quadrado e, mais raramente, em hexágono (mais difícil de implementar em obra), as três exemplificadas na Figura 2. Para cada uma das três diferentes distribuições, cada coluna pode assimilar-se a uma célula cilíndrica com um determinado raio (ou diâmetro) de influência, o qual é importante para quantificação da respectiva área de influência. A relação entre o diâmetro de influência de cada coluna de brita e o espaçamento entre elas assume valores iguais a 1.05, 1.13 e 1.29, para distribuições triangulares, quadradas e hexagonais, 4 respectivamente (Balaam e Poulos, 1983). Figura 2: Distribuição de colunas de brita em triângulo, quadrado e hexágono. 3. APLICAÇÃO A técnica consiste na introdução de colunas de brita por vibrocompactação que penetram no solo, o método para tratamento de solos moles, que está sendo aplicado consiste na introdução de colunas de brita por vibrocompactação, através de equipamentos especiais desenvolvidos na Alemanha, que penetram no solo introduzindo uma coluna de brita vibrada, cuja compactação é controlada eletronicamente, com diâmetros que variam de 0,70 até 1,2 metros, conferindo a estabilidade necessária para a construção, com extraordinário ganho de eficiência, quando comparado com os processos convencionais. Como regra geral, as colunas de brita são executados com um vibrador a uma descarga mais baixa, uma câmara de descarga e um tubo de alimentação de extensão no topo. Graças ao tubo de alimentação e ao ar comprimido, a brita é empurrada para a extremidade. Para este equipamento especial existe uma estrutura de guia que permite o acionamento e eleva o vibrador. A brita cai depois para o orifício de saída. O vibrador cai então novamente sobre a brita, compacta-a e expande lateralmente contra o solo. A coluna gerada desta forma reúne as cargas essenciais a serem suportadas, conforme a Figura 3. 5 Figura 3: Equipamento executando colunas de brita. 4. DIMENSIONAMENTO O dimensionamento das colunas de brita depende da resistência do solo mole ao redor da coluna, do diâmetro da coluna e da malha a ser adotada. Dependendo do equipamento a ser utilizado e do solo circundante, as colunas de brita podem ser executadas com diâmetros entre 60 cm e 100 cm. As malhas podem ser quadradas ou triangulares, com espaçamentos entre as colunas de 1,40 m a 3 m, de acordo com o tipo de solo a ser tratado e a geometria da área a reforçar. Para avaliação dos solos melhorados com colunas de brita, o método de Priebe (1995) é o mais utilizado para estimativa de magnitude dos recalques. Esse método considera principalmente que a base da coluna de brita está assente em uma camada rígida e os recalques da coluna e do solo são iguais. Quando o conjunto solo-coluna é carregado, ocorre concentração de tensões nas colunas pelo efeito de maior rigidez das colunas, comparativamente ao solo mole circundante. Numa coluna, o material que constitui a brita não apresenta coesão interna, então, quando ela é carregada verticalmente, apresenta uma tendência de se expandir radialmente. Assim, o solo atua por um mecanismo de reação passiva contrária à brita pela tensão de confinamento. 6 A distribuição uniforme das colunas pela área de solo a tratar é essencial para alcançar um bom resultado quanto ao melhoramento do solo. Desse modo, Priebe apresenta um ábaco que permite expressar graficamente a relação entre o fator de redução dos recalques (fator de melhoramento do solo) e a razão de substituição de áreas (Ac/As; Ac= área das colunas e As= área do solo), conforme Figura 4. Figura 4: Ábaco, expressa graficamente a relação entre o fator de redução dos recalques. O dimensionamento adequado desta solução substitui com grandes vantagens os métodos convencionais de estabilização de solos moles. A primeira delas é expressiva redução no prazo da realização de obras desta natureza, uma vez que o processo permite a execução de até 200 metros de colunas, por equipamento, por turno. Isto significa o dobro de velocidade, quando comparado aos7 métodos convencionais. Além disso, a execução de colunas de brita por vibrosubstituição proporciona grande aceleração dos recalques do terreno, previstos no projeto. A altíssima permeabilidade das colunas, as transforma em grandes drenos verticais, acelerando a expulsão da água existente no solo. Mais ainda, trata-se de um processo que respeita o meio ambiente pois a brita é um material mineral, natural e inerte. As colunas de brita também podem ser utilizadas, em muitos casos, como apoio para fundações diretas de futuras construções. 5. ESTUDO DE CASO O controle de qualidade da execução é feito eletronicamente, em tempo real, do início ao fim, conferindo total transparência ao processo. Através dele, o cliente pode acompanhar a construção de cada coluna, sua profundidade final, o tempo de execução, a energia de compactação desenvolvida ao longo do corpo da coluna e o consumo e distribuição da brita, por meio de relatórios individuais. A tecnologia de vibrocompactação está sendo aplicada no Brasil, pela primeira vez, pela Craft - Keller na obra de um complexo siderúrgico no distrito industrial de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, onde cerca de 400 mil metros de colunas de brita estão sendo executadas, para o tratamento dos solos moles. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS The Design of Vibro Replacement. Ground Engineering. Priebe, H.J. 1995. KELLER, 2002: Catálogo Keller de Processos de Vibração Profunda dos Solos – Catálogo 10-02 PT. COSTA, P.M. (2005). Escavações escoradas em solos argilosos moles. Análise do comportamento considerando o efeito da consolidação. Dissertação de Mestrado em Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica na FEUP. Porto.