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Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos Metodologia e Prática de ensino de História: Ensino Fundamental II e EJA Unidade 1 - Educação: História e caminhos Guilherme Vieira Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos Introdução Nesta Unidade 1, exploraremos em quatro tópicos debates próprios do âmbito escolar. O primeiro eixo de discussão - denominado Introdução aos estudos de metodologia da História na Educação Básica - tratará do processo histórico experimentado pelas instituições escolares, caracterizando os conceitos de “forma” e “cultura escolar”. O segundo eixo - intitulado “Refletir os caminhos da escola” - abordará o caráter empírico das experiências docentes, considerando as condições específicas da prática de lecionar na contemporaneidade. No terceiro eixo - denominado “Educação como questão política” - será abordada a proposta freiriana de ensino e aspectos característicos dessa corrente do pensamento pedagógico. O último eixo - “Política educacional” - apresenta quatro documentos normativos aplicados no contexto educacional brasileiro, preparando condições preliminares para a próxima Unidade. O que é ser um professor no Brasil? É a reflexão a que nos prestaremos nas discussões porvir. Bons estudos! 1. Introdução aos estudos de metodologia da História na Educação Básica Ao longo dos processos históricos, a instituição escolar tradicional sofreu raras transformações. Sua dinâmica hegemônica, ou seja, a forma como a Escola se organiza por meio do tempo de aula determinado e a separação de alunos por idades ou saberes escolares, por exemplo, permanece constante e consolidada, apesar de diversas reformas pedagógicas e curriculares. Tradicionalmente, as escolas funcionaram de acordo com essa lógica mesmo que contextos sociais diversificados adequem suas condições práticas de acordo com a sua territorialidade ou proposta educacional. Tal característica é denominada pelos estudos teóricos sobre Educação como forma escolar (VINCENT, 2001) e cultura escolar (VIÑAO, 2007). Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos Imagem 1 - Fotografias da Escola Normal de São Paulo, de 1908. Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo. 1.1. Pensando a escola que se forma com cultura: Forma e Cultura escolar De acordo com Guy Vincent, “[...] a codificação dos saberes e práticas escolares torna possível uma sistematização do ensino e, deste modo, permite a produção de efeitos de socialização duráveis”, no entanto, [...] a forma escolar de aprendizagem se opõe à aprendizagem no âmago de formas sociais orais, pela e na prática” (VINCENT, 2001, p.30). A escola é um marco institucional baseado nos Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos paradigmas pedagógicos. Tal modelo referencial é apresentado por Rejane Cervi a partir da seguinte sistematização ampliada: Quadro 1 - Referentes institucionais no âmbito escolar. Fonte CERVI, p. 101, 2003. Em linhas gerais, a escola está inserida na forma escolar, uma vez que é organizada a partir de códigos, leis e regras impessoais consolidados ao longo do tempo. No contexto escolar brasileiro, para Cervi, como consequência de reformas educacionais, normatizadas pelo poder público, as práticas de ensino assumiram uma pretendida autonomia escolar. Você quer ler? Para conhecer melhor os argumentos de Rejane Cervi, consulte o capítulo A margem da liberdade da escola brasileira na atualidade, disponível em “Planejamento e Avaliação Educacional. Curitiba, InterSaberes, 2013”. Para acessar, pesquise a publicação em sua Biblioteca Virtual. Alguns fatores também propiciaram maior dinamismo nas escolhas cotidianas, como elaboração de propostas educacionais, avaliações personalizadas Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos e administração de funcionários. Nesse sentido, percebe-se que além da forma há uma cultura escolar. O teórico espanhol Antonio Viñao Frago define esse conceito da seguinte forma: [...] conjunto de teorias, ideias princípios, normas, modelos, rituais, inércias, hábitos e práticas (formas de fazer e pensar, mentalidades e comportamentos) sedimentadas ao longo do tempo em forma de tradições, regularidades e regras de jogo que se transmitem de geração em geração e que proporcionam estratégias [...] A cultura escolar seria, em síntese, algo que permanece e dura; algo que as sucessivas reformas só arranham ao de leve, que a elas sobrevive, e que constitui um sedimento formado ao longo do tempo. Um sedimento configurado, isso sim, por capas mais mescladas do que sobrepostas que, em jeito arqueológico, é possível desenterrar e separar (VIÑAO, 2007, p.87) Portanto, apesar da forma escolar apresentar sintomas de mudanças, como a implantação do ensino a distância e a assimilação das tecnologias digitais nas práticas pedagógicas, a cultura escolar permanece imutável mesmo quando experimenta as transformações que impactam a sociedade. Para entender a cultura escolar, é imprescindível reconhecer seus paradigmas sem excluir as condições materiais e estruturantes da sociedade. Ou seja, há uma realidade prática para além das normas e conceitos. As forças sociais tensionam a teoria, possibilitando escolhas que se justificam e se possibilitam diferentes, na medida em que as práticas educativas reagem de acordo com o contexto social experimentado (CERVI, 2013, p. 144). Imagem 2 - Em 1908, alunos da Escola Normal, localizada na Praça da República, no edifício Caetano de Campos, onde atualmente funciona a Secretaria Estadual da Educação. Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo. O termo cultura escolar foi introduzido na década de 1990, por historiadores da Educação alinhados ao campo da história cultural e do currículo (VIÑAO, 2007, p.83). Para alguns estudiosos, a própria edificação em que a escola se encontra é Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos uma manifestação que deve ser analisada. Dessa forma, constata-se que a arquitetura escolar, por meio de sua composição material, também é um programa educativo. As condições do prédio-escola são capazes de mediar sistemas de valores, como ordem, disciplina e vigilância, marcos para a aprendizagem sensorial e motora. Nesse sentido, além de espaço físico reflete símbolos estéticos, culturais e ideológicos (VIÑAO. ESCOLANO. 1998, p. 26). Em síntese, sua localização na trama urbana, seu traçado arquitetônico e a disposição das salas e áreas de recreação influenciam no processo de aprendizagem na medida em que são ocupados e experienciados pelos sujeitos escolares (professores e alunos). Você quer ler? Para conhecer em detalhes esse argumento teórico, consulte a obra Cultura, Espaço e Subjetividade: a arquitetura como programa, escrita por Antônio Viñao Frago e Agustín Escolano: Currículo, espaço e subjetividade: a arquitetura escolar como programa. RJ: DP&A, 1998. 2. Refletir os caminhos da escola Para compreendermos as forças sociais que atuam na cultura escolar, em um caráter empírico das experiências docente, apresentaremos a seguir as condições específicas da prática de lecionar na contemporaneidade. Com o avanço tecnológico novos paradigmas são experimentados pelo professor que deve acompanhar as transformações aceleradas impostas ao ritmo de vida na era da informática. Vale ressaltar que o docente de História trata de um período de tempo que apesar de estar localizado no passado, também sofre as mudanças do tempo presente, como veremos adiante. 2.1. O professor que faz e participa da História O docente é um profissional treinado para aplicarmetodologias de ensino e, por meio de técnicas pedagógicas, estimular o pensamento crítico de seus alunos. Como veremos adiante, novas ferramentas foram incorporadas ao ambiente escolar Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos em diálogo com as inovações tecnológicas que impactam a forma como a sociedade contemporânea experimenta sua realidade social. Você quer ler? Para conhecer mais profundamente as transformações experimentadas pela sociedade contemporânea, consulte a obra de A corrida para o século XXI, do historiador Nicolau Sevcenko. Em contrapartida, o ambiente escolar ainda emprega diversas práticas tradicionais de convivência resultantes das limitações materiais indisponíveis em contextos dessemelhantes ao ambiente utópico almejado. Para exemplificar, utilizaremos o livro de reflexões Conversas com um jovem professor. Na obra, o historiador Leandro Karnal elenca do ponto de vista prático quatro elementos que se relacionam para propiciar uma “boa aula”. São eles: a) as condições pessoais do professor; b) o conteúdo programático; c) as condições externas; d) os alunos (KARNAL, 2012). Abaixo, seguem os eixos em particular: a) as condições pessoais do professor Para além dos pontos elencados por Cervi, em Racionalidade Docente, do quadro apresentado no tópico anterior, Karnal indica que as condições individuais, pessoais e íntimas do docente são significativas para o exercício da profissão. Estar em condições saudáveis é imprescindível para elaborar e aplicar uma aula consistente. b) o conteúdo programático Neste tópico, o historiador apresenta as dificuldades de aplicação das estratégias de planejamento e preparo dos conteúdos, ressaltando que o tempo de aula é dinâmico e pode ser interrompido por comportamentos triviais de toda ordem. Em consonância com aspectos do Contexto institucional e Paradigma pedagógico, do quadro apresentado por Cervi, Karnal indica que a efetivação das estratégias previamente elaboradas devem contar com fatores extra-curriculares, como: indisciplina discente, horário da chamada e avisos de ordem administrativa. Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos c) as condições externas Para Karnal, “[...] A terceira linha de força de uma aula diz respeito ao ambiente. Pode parecer estranho para quem começa, mas o ambiente da aula funciona como um cenário de uma peça: não é central, mas reforça o texto e cria ‘clima’ “(KARNAL, 2012, p.20). Tais condições dizem respeito aos elementos exteriores à aula em si. Tratam-se de manifestações como desordem das mesas e cadeiras, limpeza da sala de aula e ferramentas de trabalho disponíveis. d) os alunos Assim como o tópico “as condições pessoais do professor”, esse elemento se refere às condições individuais, pessoais e íntimas do discente. Trata-se de reconhecer que na relação professor x aluno, o discente possui expectativas acerca das condições do docente. Vale como paralelo o quadro Representações, de Cervi. Em síntese, pode-se pensar os quatro elementos a partir da seguinte passagem do texto: No mundo perfeito, a sala é confortável, com temperatura agradável, os aparelhos estão à disposição e funcionam, ninguém precisa ir ao banheiro a cada cinco minutos e os alunos te esperam com sorriso no rosto e sede de saber. Esse é o seu paraíso? É o meu também. Se você o deseja e luta por ele, você tem boa chance de ser um bom professor. Se você só pode trabalhar nesse paraíso e considera impossível ou indigno enfrentar outros purgatórios ou infernos, então… Tente outra coisa no mundo (KARNAL, 2012, p. 18-23). Reconhecer esses quatro eixos que se relacionam é admitir que o processo de ensino no Brasil se modificou, mesmo que isso não implique na alteração das condições da cultura escolar. Emprestando a afirmação de Telma Weisz e Ana Sanchez: “Não é possível formular receitas prontas para serem aplicadas a qualquer grupo de alunos” (WEISZ. SANCHEZ. 2009, p. 53). Você quer ver? Série: Merlí Ano: 2015 Criação: Héctor Lozano Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos Imagem 3 - Elenco da série Merlí. Foto de divulgação Série catalã de 2015, composta por três temporadas, que apresenta um professor controverso com método criativo capaz de estimular seus alunos de Filosofia. Por meio de diálogos descontraídos o professor Merlí Bergerom, interpretado por Francesc Orella, desmistifica os debates filosóficos para além do circuito erudito, demonstrando que o senso crítico inerente desse ramo do saber faz parte, também, de nosso cotidiano aparentemente banal. Filme: Sociedade dos Poetas Mortos Ano: 1989 Duração: 2h08min. Direção: Peter Weir Imagem 4 - Professor John Keating em sala de aula. Foto de divulgação. O filme apresenta uma escola norte-americana, exclusivamente masculina, no final da década de 1950, norteada por princípios conservadores. O professor de literatura John Keating, interpretado por Robin Williams, estimula o pensamento crítico e a Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos liberdade artística de seus alunos expandindo novas perspectivas e despertando o pensamento autônomo. Filme: Ao mestre, com carinho Ano: 1967 Duração: 1h45m. Direção: James Clavell Imagem 5 - Professor Mark Thackeray, no filme Ao mestre, com carinho. Foto de divulgação. O filme apresenta o Professor Mark Thackeray, interpretado por Sidney Poitier, diante de um ambiente escolar hostil e racista, na cidade de Londres, na Inglaterra. Com uma postura marcante e idealista, o professor impacta positivamente nas questões sociais problemáticas que permeiam seu grupo de alunos. 2.2. Professor e Historiador: vivência e teoria Considerar a experiência de lecionar para além de códigos rígidos, lineares, sem nuances, programados ou como ficou conhecido nos anos 1970, como tecnicista (WEISZ. SANCHEZ. 2009, p. 53), representa um diálogo contemporâneo com as metodologias pedagógicas. A dinâmica de ensino negocia suas ações com o currículo e a legislação oficial, atestada pelos órgãos reguladores públicos e as práticas dos sujeitos atuantes na ação do ensino. A função social da escola, segundo as autoras Déborah e Rubian de Paula, está intimamente ligada ao currículo escolar, já que assuntos da sociedade são tratados diretamente por meio de suas diretrizes. Em linhas gerais, a organização didático- pedagógica do conjunto curricular trata do “patrimônio cultural, artístico, ambiental, Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos científico e tecnológico articulados às experiências dos estudantes” (PAULA e PAULA, 2016. p. 183-184). Para as autoras, o currículo escolar orientará a prática pedagógica. Dessa forma, fica implícito que, para o exercício da docência a capacitação formativa, a organização e o preparo do material didático se relacionam intimamente com as finalidades escolares. O professor articula sua racionalidade docente, baseada no seu saber, em sua experiência e competência didática, de acordo com as expectativas do contexto institucional, do paradigma pedagógico e das representações, apontadas por Cervi. No que diz respeito aos saberes históricos, o docente de História encontra uma série de dificuldades inerentes desse saber específico. A seleção de conteúdos relevantes e o domínio sobre a produção historiográfica pressupõem uma reelaboração didatizada diante de um contexto abundante de revisões e atualizações de conteúdos. A produção historiográfica tem acrescentado novas práticas de análises nos últimos tempos que resultaram na publicização de novos sujeitos, antes ocultados nas temáticas históricas (BITTENCOURT, 2004. p. 137-139). A revelaçãode novos prismas sobre os fatos históricos consolidados apresenta um novo desafio aos docentes. Na medida em que questões basilares para a investigação histórica também devem fazer parte das preocupações dos professores. Perguntas importantes como: Quem produziu tal conceito? Quais as intenções programáticas estão relacionadas a certas escolhas temáticas do currículo? Quais elementos podem auxiliar na investigação dos sujeitos escolares (professor e aluno)?, devem ser consideradas. A produção historiográfica, com o advento da Escola dos Annales, incluiu novas formas de análise para os fenômenos da História. Ou seja, a atuação de sujeitos e coletividades, em seu tempo e espaço circunscritos, passou a ser relevante para a construção argumentativa do evento histórico. Você sabia? A escola dos Annales foi um movimento historiográfico, liderado inicialmente por Lucien Febvre e Marc Bloch, em 1929. O grupo que experimentou outros desdobramentos metodológicos de análise da História, se contrapunha a escola positivista. A terceira geração do Annales, conduzida por Jacques Le Goff e Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos Pierre Nora, que ficou conhecida como Nova História foi responsável pela ampliação do entendimento histórico-teórico para além de narrativas baseadas em fontes documentais tradicionais-oficiais, passando a considerar a “História-problema”. A História, enquanto disciplina escolar, criada no início do século XIX pautava- se na consolidação do Estado-Nação, valorizando temas cívicos e homenagens a heróis. Estes, personificados em "homens ilustres", reconhecidos pelos seus feitos políticos alinhados a interesses de uma elite econômica. Limitavam os conteúdos históricos em reconhecer, por meio de fatos e datas, uma estrutura política com ordenação hierárquica definida (BITTENCOURT, 1998. p. 130- 149). Atualmente, com alterações propostas pela Lei 11.645/08 que reorienta a obrigatoriedade de ensino da história e culturas afro-brasileira, africana e indígenas em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio. A legislação abriu caminho para que temáticas, anteriormente invisibilizadas, passassem a fazer parte do currículo escolar. Com essa mudança, o eixo de ensino, tradicionalmente marcado por um caráter eurocêntrico e cristão, se desloca para novas possibilidade de se pensar o mundo e suas diferentes manifestações sociais e culturais. Dessa forma, percebe-se que há uma tensão entre a Teoria da História e o ensino de História praticado em contexto escolar. Ao reconhecer que há uma tensão proveniente da natureza da matéria prima do historiador, ou seja, os fenômenos e fatos desencadeados pelas relações humanas no tempo, passa-se a diferenciar a história-vivência da história- conhecimento. Tal revisão, torna o produto do historiador um documento histórico que também deve ser analisado considerando seu período e contexto de produção. A história-vivência são as ações vividas pelos sujeitos, enquanto que a história- conhecimento é a operacionalização intelectual que um profissional faz sobre a história-vivência. Portanto, sujeita a críticas, problematizações e interlocução. 2.3. História que deixa digitais: tecnologia a serviço da Educação Na sociedade contemporânea, marcada pela aceleração do tempo, as práticas pedagógicas têm se valido da informatização de serviços. O Ensino a Distância (EaD), http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos por exemplo, enquanto ferramenta de aprendizagem, tem transformado o ambiente escolar tradicional, baseado anteriormente na relação restrita entre professores e alunos. O ambiente digital passou a fornecer múltiplas possibilidades de interação entre plataformas. O estudante digital tem acesso ao conteúdo de vídeos, banco de dados de arquivos, artigos de periódicos e a todo universo web. Enquanto docente, o profissional da História pode usufruir das possibilidades do ambiente digital, na medida em que diversos acervos de arquivos estão disponibilizados em plataforma web. Nessas condições, numerosos materiais digitalizados podem ser apropriados como recurso didático. Você quer ler? Na era da informatização, diversas instituições públicas e privadas tem disponibilizado seus acervos de forma gratuita em ambiente online. Explorando esses acervos, o docente de história pode encontrar diversos materiais de apoio para suas atividades pedagógicas. Em geral, são disponibilizados arquivos pessoais e institucionais, com fotografias, vídeos, áudios, publicações, manuscritos e uma infinidade de recursos audiovisuais. Abaixo, segue o endereço eletrônico de algumas instituições: Museus Museu Afro Brasil http://www.museuafrobrasil.org.br/acervo-digital Museu de Arte Sacra de São Paulo http://museuartesacra.org.br/acervos/ Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) https://masp.org.br/acervo Museu da Casa Brasileira http://mcb.org.br/pt/acervo_mcb/sobre/ Museu da Imigração do Estado de São Paulo http://www.inci.org.br/acervodigital/ http://www.museuafrobrasil.org.br/acervo-digital http://museuartesacra.org.br/acervos/ https://masp.org.br/acervo http://mcb.org.br/pt/acervo_mcb/sobre/ http://www.inci.org.br/acervodigital/ Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos PInacoteca do Estado de São de Paulo https://pinacoteca.org.br/acervo/obras/ Periódicos Folha de São Paulo https://acervo.folha.com.br/index.do O Estado de São Paulo https://acervo.estadao.com.br/ Institucionais Arquivo do Senado Federal https://www12.senado.leg.br/institucional/arquivo Arquivo Nacional - Ministério da Justiça e Segurança Pública http://www.arquivonacional.gov.br/br/consulta-ao-acervo.html Arquivo Público do Estado de São Paulo http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital Biblioteca Nacional https://bndigital.bn.gov.br/ CPDOC - FGV: Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/arquivo Domínio Público http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp Enquanto possibilidade de difusão da informação no âmbito escolar, o método de ensino a distância (EaD) tem se popularizado nos últimos anos com a difusão da internet, que potencializou o acesso à informação e ao conhecimento. Segundo estudos divulgados pela ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior), essa modalidade de ensino “[...] tem crescido em um ritmo muito mais acelerado do que o ensino presencial” (EXAME, 2019). Estima-se que 51% dos estudantes do Ensino Superior deverão recorrer a conteúdos exclusivamente digital https://pinacoteca.org.br/acervo/obras/ https://acervo.folha.com.br/index.do https://acervo.estadao.com.br/ https://www12.senado.leg.br/institucional/arquivo http://www.arquivonacional.gov.br/br/consulta-ao-acervo.html http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital https://bndigital.bn.gov.br/ http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/arquivo http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos até 2023, sendo que a procura por aulas tradicionais permanecerá com 49% de adeptos. Como uma nova possibilidade metodológica, o EaD oferece flexibilidade para rotinas de aprendizado, na medida em que permite ao aluno determinar horários próprios de estudo. O que não significa a substituição de práticas de aprendizagem tradicionais como: leitura, interpretação de textos e raciocínio lógico. O ambiente digital, por meio da sua dinamização, deve estimular tais condições a partir de suas ferramentas próprias. 3. Educaçãocomo questão política Como diria Paulo Freire: “Se a educação sozinha, não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” (FREIRE, 2000). Aderir a proposta freiriana de educação é assumir uma postura política e problematizadora da prática de se ensinar. O estímulo pelo debate, pela pergunta, pela curiosidade e a criticidade fazem parte de uma proposta enraizada na teoria deste educador. 3.1. Educação sem freios: A pedagogia freiriana O educador Paulo Freire visava a instituição de uma educação libertadora, que enfrentasse esquemas sociais adversos, contra a opressão e a exploração dos sujeitos. Para os teóricos da educação, esse propósito ficou conhecido como pedagogia do oprimido (GERONE JUNIOR, 2016. p. 53). Segundo Salomão Hage, a educação cooperativa de Paulo Freire: [...] estimula a reflexão (problematização) e a ação dos homens sobre sua realidade concreta e não é entendida como transferência ou transmissão do saber ou da cultura, como o ato de depositar informes nos educando, nem como o esforço de adaptação do educando a seu meio (educação bancária) (HAGE, Salomão. Prefácio. In: GERONE JUNIOR, 2016, p. 13). Segundo esses preceitos, por intermédio do diálogo, podemos transformar criticamente a realidade. Nessa perspectiva, o educador não é o mero transmissor de um saber, ele é agente da reflexão em sintonia com os educando, estabelecendo dessa forma uma relação dialética do saber (GERONE JUNIOR, 2016, p. 58). Ou seja, ambos estão aptos a trocar informações pertinentes para o processo de constituição de um conhecimento. Desse modo, como Salomão Hage sugere, o diálogo pareado de ambos, na lógica freiriana, constitui uma pedagogia da esperança, Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos comprometida com a "transformação da sociedade, com o sonho político de uma sociedade democrática, plural, ética, justa e igualitária" (HAGE in GERONE JUNIOR, p. 15, 2016). Na obra Pedagogia da autonomia, Freire destaca: [...] ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Quando entro em uma sala de aula devo estar sempre aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas dos alunos, às suas inibições, um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho - a de ensinar e não a de transferir conhecimento (FREIRE, 1996). Para estabelecer essa conexão pareada com os estudantes, em um primeiro momento, requer-se uma inevitável adequação didática, reconhecendo o perfil e as necessidades do grupo discente. Propor a interação e formação intelectual por meio de um excessivo academicismo tornará os objetivos sugeridos ao estudante pela educação, distantes e desinteressantes. O exercício da docência é uma prática que deve facilitar o acesso à informação sem perder o rigor metodológico do conteúdo, portanto, deve-se recriar o conhecimento no ato educativo conjuntamente ao estudante. Você sabia? Em 2013, o professor Paulo Alexandre Teixeira, da rede estadual de educação de Pernambuco, resolveu publicar em sua página pessoal de uma rede social alguns memes que descreviam o enredo do conflito bélico travado entre 1939 e 1945. Com adaptações linguísticas nas postagens, o educador tratou os principais eventos e personagens envolvidos criando uma trama didática e com rigor teórico pertinente. A ferramenta digital possibilitou amplo acesso ao conteúdo, alcançando a marca de cerca de 12 mil compartilhamentos. Em entrevista, o professor comentou: Humor sempre fez parte de meu trabalho. Minhas aulas costumam envolver algum tipo de interpretação, de brincadeira orquestrada para chamar a atenção e facilitar a interação com os alunos (O GLOBO, 2013). Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos Imagem 6 - Memes inspirados nos eventos da Segunda Guerra mundial. Foto Reprodução 3.2. O saldo de uma educação bancária A crítica freiriana à postura rígida e autoritária na construção do conhecimento, foi denominada como educação bancária. O termo se refere a uma pedagogia marcada pela eruditização que dificulta a compreensão de certos conceitos. Que, aplicados de forma pouco explicativa, desconectadas e até desconexas, atrasam ou, até mesmo, impedem a compreensão do educando. Segundo Freire, a educação bancária se caracteriza como: A narração, de que o educador é o sujeito, conduz os educandos à memorização mecânica do conteúdo narrado. Mais ainda, a narração os transforma em ‘vasilhas’, em recipientes a serem ‘enchidos’ pelo educador. Quanto mais vá ‘enchendo’ os recipientes com seus ‘depósitos’, tanto melhor educador será. Quanto mais se deixem docilmente ‘encher’, tanto melhores educandos serão. Desta maneira, a educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador o depositante (FREIRE, 2011, p. 80). Esse mecanismo didático, pautado na memorização abundante, aprisiona as possibilidades de reflexão do educando, o incapacitando e impondo sua exclusão das práticas sociais concretas, por meio da inabilidade em refletir com autonomia. Para Freire (FREIRE, 2011, p. 81), a educação bancária estabelece alguns paradigmas: 1 - o educador é o que educa; os educandos, os que são educados 2 - o educador é o que sabe; os educandos, os que não sabem 3 - o educador é o que pensa; os educando, os pensados Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 4 - o educador é o que diz a palavra; os educandos, os que escutam docilmente 5 - o educador é o que disciplina; os educandos, os disciplinados 6 - o educador é o que opta e prescreve sua opção; os educandos, os que seguem a prescrição 7 - o educador é o que atua; os educandos, os que têm a ilusão de que atuam, na atuação do educador 8 - o educador escolhe o conteúdo programático, os educandos jamais ouvidos nesta escolha, se acomodam a ele 9 - o educador identifica a autoridade do saber com sua autoridade funcional, que opõe antagonicamente à liberdade dos educandos, estes devem adaptar-se às determinações daquele; 10 - o educador finalmente, é o sujeito do processo; os educandos, meros objetos. Acyr de Gerone Junior, ao analisar a obra Pedagogia da autonomia, argumenta que segundo o pensamento freiriano, o professor que assume uma postura questionadora, que visa a cooperação de conhecimentos, alcança a denominação de "professor crítico, revolucionário, problematizador." (GERONE JUNIOR, 2016, p. 60). O autor, ao analisar a passagem, coloca que: “[…] ler não é só caminhar sobre as palavras, e também não é voar sobre as palavras. Ler é reescrever o que estamos lendo. É descobrir a conexão do texto, e também como vincular o texto/ contexto com meu contexto, o contexto do leitor” (FREIRE. SHOR. 1986, p. 22). Sobre esta discussão, e presente na obra Medo e Ousadia: o cotidiano do professor, de Freire e Ira Shor, aponta-se que "[...] enquanto o método clássico instiga o aluno a ler palavras, Freire, ao contrário, enfatiza que o aluno, antes de ler palavras, faz um leitura do mundo" (GERONE JUNIOR, 2016, p. 60). Você quer ler? Para conhecer uma trama análitica sobre a obra de Paulo Freire, consulte o artigo Da pedagogia do oprimido às pedagogias da exclusão: um breve balanço crítico, publicado em 2009, na Revista Educação & Sociedade. Acessando o endereço eletrônico: http://www.scielo.br/pdf/es/v30n107/12.pdf. http://www.scielo.br/pdf/es/v30n107/12.pdf Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos Você quer ver? Documentário: Paulo Freire contemporâneo Ano: 2007 Duração: 55m Direção: Toni Venturi Imagem 7 - Cena do documentário de Toni Venturi O documentário dirigido cineasta Toni Venturi reconstitui as primeiras experiênciasde alfabetização do educador Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira. O filme lançado em homenagem a obra do autor, foi lançado dez anos após a data do seu falecimento, e conta com entrevista de Freire e de outros estudiosos impactados com a sua pedagogia. Para assistir ao documentário acesse o endereço eletrônico do filme hospedado no acervo do Domínio Público aqui. Você quer ler? O instituto Paulo Freire disponibiliza, por meio do endereço eletrônico: http://www.acervo.paulofreire.org:8080/jspui/, o legado intelectual do escritor. O Centro de Referência Paulo Freire possui em seu Repositório Digital diferentes fontes documentais provenientes do acervo documental e bibliográfico do escritor. O acervo é constituído por cartazes, fotografias, ilustrações, artigos, entrevistas, artigos e manuscritos que circunscrevem o universo freiriano. http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/ResultadoPesquisaObraForm.do?first=50&skip=0&ds_titulo=Paulo&co_autor=&no_autor=&co_categoria=102&pagina=1&select_action=Submit&co_midia=6&co_obra=&co_idioma=&colunaOrdenar=null&ordem=null http://www.acervo.paulofreire.org:8080/jspui/ Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 4. Política educacional Até aqui, foram discutidas práticas e estratégias docentes, baseadas na experimentação e teorização pedagógica. Indicando as possibilidades e limites que os professores podem exercitar dentro de suas ações individuais, assumindo, desse modo, seu papel político-pedagógico como educadores. Neste tópico, serão apresentados alguns documentos oficiais norteadores de um plano programático baseado na política-governamental brasileira, elaborado durante o período democrático. Para as autoras Déborah e Rubian de Paula, [...] uma teoria curricular nasce em um contexto histórico, político e social, pautado em determinadas concepções, e que, paulatinamente, vai ganhando corpo e significado. Desse modo, os currículos não se constituem num vazio conceitual, mas são influenciados por diferentes variantes, dentre elas as políticas educacionais (PAULA e PAULA, 2016, p. 45). A legislação educacional e os documentos normativos compõem o espectro das políticas educacionais aplicadas nas três esferas do Poder Público: União, estados e municípios. Os documentos oficiais exercem influência na composição legal que norteia a implementação do currículo escolar, por meio da aplicação de um ordenamento jurídico público. A seguir serão expostos quatro diretrizes educacionais que permanecem em vigor no âmbito jurídico brasileiro, iniciando assuntos pertinentes que serão abordados na Unidade 2, deste curso. São elas : a) Constituição Federal de 1988; b) Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; c) Plano Nacional de Educação; d) Diretrizes Curriculares Nacionais, do Conselho Nacional de Educação. 4.1. Artigo 206: Constituição de uma educação para todos: Constituição Federal de 1988 A Constituição Cidadã, como ficou conhecida a carta-magna constitucionalista promulgada em 1988, tinha como eixo central a educação como direito de todos e dever do Estado e da família. Elaborada durante o período de redemocratização iniciado após o final do regime civil-militar imposto após a tomada de poder pelo exército em 1964, previa em seu artigo 206, os seguintes princípios norteadores: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade; VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. Para consultar o verbete constitucional referido acima, acesse-o aqui. 4.2. Baseada na educação para todos: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, promulgada em 1996, seguindo os preceitos estabelecidos pela Constituição Federal, como consequência de debates acadêmicos, ampliou escopo programático em três novos aspectos curriculares: respeito à liberdade e apreço à tolerância, valorização da experiência extraescolar e consideração com a diversidade étnico-racial (ibdem, p. 50-51). Segundo Déborah e Rubian de Paula, [...] a LDBEN n. 9.394/1996 tem a finalidade de fixar diretrizes e bases para a educação escolar brasileira, concebe a educação como todos os processos formativos que se desenvolvem nos diferentes espaços sociais, sendo que esta é dever da família e do Estado e objetiva o desenvolvimento do educando, o preparo para o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho (op. cit). https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_18.02.2016/art_206_.asp Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos Para conferir o documento das Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional na íntegra, acesse-o aqui. Para as autoras, os artigos 12 e 13 das Diretrizes, garantiram maior autonomia na elaboração de currículos escolares que respeitassem características particulares e específicas, de acordo com as necessidades impostas, permitindo aos docentes e às instituições formas de gestão escolar que se adequassem melhor as especificidades de cada ambiente escolar (ibdem, p. 51-53). A LDBEN, estabeleceu a obrigatoriedade do ensino, aos jovens entre 4 e 17 anos de idade, sistematizando o ensino da educação básica, por meio de “[...] grupos não seriados, séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de estudos, com base na idade, na competência ou em outras formas de organização” (ibdem, p. 53-54). Para as autoras, entre as possibilidades elencadas, “a que ganhou corpo nas escolas brasileiras foi a organização escolar em ciclos. Em geral, essa concepção contrapõe-se à proposta de seriação e, sobremaneira, à ideia de reprovação" (op. cit). 4.3. O Plano Nacional de Educação (PNE): dez anos Para Não Esquecer O Plano nacional, implantado pela Lei n. 13.005, de 25 de junho de 2014, estabelece metas e estratégias políticas para o planejamento educacional por um período de dez anos. Iniciado em 2014, as prerrogativas desse documento devem ser aplicadas até 2024, em todas as etapas e modalidades de ensino (ibdem, p. 57). Para conferir o documento na íntegra, acesse-o aqui. As diretrizes do Plano Nacional de Educação são: I - erradicação do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; III - superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação; IV - melhoria da qualidade da educação; https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/70320/65.pdf http://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014 Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos V - formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade; VI - promoção do princípio da gestão democrática da educação pública; VII - promoção humanística, científica, cultural e tecnológica do País; VIII - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do Produto Interno Bruto - PIB, que assegure atendimentoà necessidades de expansão, com padrão de qualidade e equidade; IX - valorização dos (as) profissionais da educação; X - promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental. 4.4. Conselhos para a Educação: Diretrizes Curriculares Nacionais, do Conselho Nacional de Educação O Conselho Nacional de Educação (CNE) é um órgão com funções normativas e deliberativas, que presta assessoramento ao Ministério de Estado da Educação (MEC). Segundo Déborah e Rubian de Paula, “[...] Tem como objetivo contribuir para a formação de uma política nacional de educação e a promoção da educação nacional de qualidade [...] Os documentos instituídos pelo CNE são normativos, ou seja, têm valor de lei” (ibdem, p. 59-60). Em relação aos currículo escolares, o órgão estabelece diretrizes para todo o sistema educacional, desenvolvendo instruções no que diz respeito à elaboração, à organização, ao desenvolvimento e à avaliação dos currículos escolares. De acordo com as autoras (op. cit), o CNE estabelece normativas para todas as modalidades de ensino, entre elas: 1. Educação básica; 2. Educação infantil; 3. Ensino fundamental; 4. Ensino médio; 5. Educação profissional técnica de nível médio; Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 6. Educação básica nas escolas do campo; 7. Educação especial; 8. Educação de jovens e adultos em situação de privação de liberdade nos estabelecimentos penais; 9. Educação escolar indígena; 10. Educação escolar de crianças, adolescentes e jovens em situação de itinerância; 11. Educação escolar quilombola; 12. Educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana; 13. Educação em direitos humanos e educação ambiental. Para conferir o documento na íntegra, acesse-o aqui. Síntese Até aqui, a partir dos quatro eixos dessa Unidade, foram discutidas práticas e estratégias docentes, fundamentadas pela experimentação e teorização pedagógica. No que diz respeito às ações docentes, foi indicado que condicionamentos práticos exercem influência para além de normas e conceitos. Assim como foi apontado por Weisz e Ana Sanchez: “Não é possível formular receitas prontas para serem aplicadas a qualquer grupo de alunos”. Nesse sentido, a proposta freiriana de ensino e seus aspectos característicos informam ao leitor dessa Unidade, que o estímulo pelo debate, pela pergunta, pela curiosidade e a criticidade posicionam o educador numa condição política diante de um propósito educativo. O último eixo dos debates aqui propostos, refere-se às normativas e diretrizes educativas de viés político, jurídico e programático. Os eixos tratados até aqui, embasam preliminarmente as temáticas que serão exploradas na Unidade 2. A seguir, serão discutidas as políticas neoliberais na educação, assim como metodologias e reflexões sobre a ação educativa e o currículo escolar. Nesta unidade você teve a oportunidade de estudar os seguintes tópicos: http://portal.mec.gov.br/docman/julho-2013-pdf/13677-diretrizes-educacao-basica-2013-pdf/file Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos ● Introdução aos estudos de metodologia da História na Educação Básica; ● Refletindo acerca dos caminhos da escola; ● Educação como questão política; ● Políticas educacionais no Brasil. Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos Bibliografia BITTENCOURT, Circe. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2004. BITTENCOURT, Circe. Propostas curriculares de História: continuidades e transformações. In: BARRETO, Elba de Sá (org.). Os currículos do Ensino Fundamental para as escolas brasileiras. São Paulo: Fundação Carlos Chagas e Campinas: Autores Associados, 1998. CERVI, Rejane. Planejamento e Avaliação Educacional. Curitiba, InterSaberes, 2013. EXAME. 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Referências imagéticas: Imagem 1 - ARQUIVO ESTADO SP. Escola Normal. Disponível em: <http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital/escola_normal> . Acesso em: 03 jul. 2019. Imagem 2 - ARQUIVO ESTADO SP. Escola Normal. Disponível em: <http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital/escola_normal> . Acesso em: 03 jul. 2019.