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Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
 
Metodologia e 
Prática de ensino de 
História: 
Ensino Fundamental 
II e EJA 
 
Unidade 1 - Educação: História e 
caminhos 
 
Guilherme Vieira 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
 
Introdução 
Nesta Unidade 1, exploraremos em quatro tópicos debates próprios do âmbito 
escolar. O primeiro eixo de discussão - denominado Introdução aos estudos de 
metodologia da História na Educação Básica - tratará do processo histórico 
experimentado pelas instituições escolares, caracterizando os conceitos de “forma” 
e “cultura escolar”. 
O segundo eixo - intitulado “Refletir os caminhos da escola” - abordará o caráter 
empírico das experiências docentes, considerando as condições específicas da 
prática de lecionar na contemporaneidade. No terceiro eixo - denominado “Educação 
como questão política” - será abordada a proposta freiriana de ensino e aspectos 
característicos dessa corrente do pensamento pedagógico. O último eixo - “Política 
educacional” - apresenta quatro documentos normativos aplicados no contexto 
educacional brasileiro, preparando condições preliminares para a próxima Unidade. 
O que é ser um professor no Brasil? É a reflexão a que nos prestaremos nas 
discussões porvir. 
Bons estudos! 
1. Introdução aos estudos de metodologia da 
História na Educação Básica 
Ao longo dos processos históricos, a instituição escolar tradicional sofreu 
raras transformações. Sua dinâmica hegemônica, ou seja, a forma como a Escola se 
organiza por meio do tempo de aula determinado e a separação de alunos por 
idades ou saberes escolares, por exemplo, permanece constante e consolidada, 
apesar de diversas reformas pedagógicas e curriculares. 
Tradicionalmente, as escolas funcionaram de acordo com essa lógica mesmo 
que contextos sociais diversificados adequem suas condições práticas de acordo 
com a sua territorialidade ou proposta educacional. Tal característica é denominada 
pelos estudos teóricos sobre Educação como forma escolar (VINCENT, 2001) e 
cultura escolar (VIÑAO, 2007). 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
Imagem 1 - Fotografias da Escola Normal de São Paulo, de 1908. Fonte: Arquivo Público do Estado 
de São Paulo. 
1.1. Pensando a escola que se forma com cultura: Forma e Cultura 
escolar 
De acordo com Guy Vincent, “[...] a codificação dos saberes e práticas 
escolares torna possível uma sistematização do ensino e, deste modo, permite a 
produção de efeitos de socialização duráveis”, no entanto, [...] a forma escolar de 
aprendizagem se opõe à aprendizagem no âmago de formas sociais orais, pela e na 
prática” (VINCENT, 2001, p.30). A escola é um marco institucional baseado nos 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
paradigmas pedagógicos. Tal modelo referencial é apresentado por Rejane Cervi 
a partir da seguinte sistematização ampliada: 
Quadro 1 - Referentes institucionais no âmbito escolar. Fonte CERVI, p. 101, 2003. 
Em linhas gerais, a escola está inserida na forma escolar, uma vez que é 
organizada a partir de códigos, leis e regras impessoais consolidados ao longo do 
tempo. No contexto escolar brasileiro, para Cervi, como consequência de reformas 
educacionais, normatizadas pelo poder público, as práticas de ensino assumiram 
uma pretendida autonomia escolar. 
 
Você quer ler? Para conhecer melhor os argumentos de Rejane Cervi, consulte o 
capítulo A margem da liberdade da escola brasileira na atualidade, disponível em 
“Planejamento e Avaliação Educacional. Curitiba, InterSaberes, 2013”. Para acessar, 
pesquise a publicação em sua Biblioteca Virtual. 
 
Alguns fatores também propiciaram maior dinamismo nas escolhas 
cotidianas, como elaboração de propostas educacionais, avaliações personalizadas 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
e administração de funcionários. Nesse sentido, percebe-se que além da forma há 
uma cultura escolar. O teórico espanhol Antonio Viñao Frago define esse conceito da 
seguinte forma: 
[...] conjunto de teorias, ideias princípios, normas, modelos, rituais, inércias, 
hábitos e práticas (formas de fazer e pensar, mentalidades e 
comportamentos) sedimentadas ao longo do tempo em forma de tradições, 
regularidades e regras de jogo que se transmitem de geração em geração e 
que proporcionam estratégias [...] A cultura escolar seria, em síntese, algo que 
permanece e dura; algo que as sucessivas reformas só arranham ao de leve, 
que a elas sobrevive, e que constitui um sedimento formado ao longo do 
tempo. Um sedimento configurado, isso sim, por capas mais mescladas do 
que sobrepostas que, em jeito arqueológico, é possível desenterrar e separar 
(VIÑAO, 2007, p.87) 
Portanto, apesar da forma escolar apresentar sintomas de mudanças, como a 
implantação do ensino a distância e a assimilação das tecnologias digitais nas 
práticas pedagógicas, a cultura escolar permanece imutável mesmo quando 
experimenta as transformações que impactam a sociedade. 
Para entender a cultura escolar, é imprescindível reconhecer seus paradigmas 
sem excluir as condições materiais e estruturantes da sociedade. Ou seja, há uma 
realidade prática para além das normas e conceitos. As forças sociais tensionam a 
teoria, possibilitando escolhas que se justificam e se possibilitam diferentes, na 
medida em que as práticas educativas reagem de acordo com o contexto social 
experimentado (CERVI, 2013, p. 144). 
 
Imagem 2 - Em 1908, alunos da Escola Normal, localizada na Praça da República, no edifício Caetano de 
Campos, onde atualmente funciona a Secretaria Estadual da Educação. Fonte: Arquivo Público do Estado 
de São Paulo. 
O termo cultura escolar foi introduzido na década de 1990, por historiadores 
da Educação alinhados ao campo da história cultural e do currículo (VIÑAO, 2007, 
p.83). Para alguns estudiosos, a própria edificação em que a escola se encontra é 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
uma manifestação que deve ser analisada. Dessa forma, constata-se que a 
arquitetura escolar, por meio de sua composição material, também é um programa 
educativo. 
As condições do prédio-escola são capazes de mediar sistemas de valores, 
como ordem, disciplina e vigilância, marcos para a aprendizagem sensorial e motora. 
Nesse sentido, além de espaço físico reflete símbolos estéticos, culturais e 
ideológicos (VIÑAO. ESCOLANO. 1998, p. 26). Em síntese, sua localização na trama 
urbana, seu traçado arquitetônico e a disposição das salas e áreas de recreação 
influenciam no processo de aprendizagem na medida em que são ocupados e 
experienciados pelos sujeitos escolares (professores e alunos). 
 
Você quer ler? Para conhecer em detalhes esse argumento teórico, consulte a obra 
Cultura, Espaço e Subjetividade: a arquitetura como programa, escrita por Antônio 
Viñao Frago e Agustín Escolano: Currículo, espaço e subjetividade: a arquitetura 
escolar como programa. RJ: DP&A, 1998. 
 
2. Refletir os caminhos da escola 
Para compreendermos as forças sociais que atuam na cultura escolar, em um 
caráter empírico das experiências docente, apresentaremos a seguir as condições 
específicas da prática de lecionar na contemporaneidade. Com o avanço tecnológico 
novos paradigmas são experimentados pelo professor que deve acompanhar as 
transformações aceleradas impostas ao ritmo de vida na era da informática. Vale 
ressaltar que o docente de História trata de um período de tempo que apesar de 
estar localizado no passado, também sofre as mudanças do tempo presente, como 
veremos adiante. 
2.1. O professor que faz e participa da História 
O docente é um profissional treinado para aplicarmetodologias de ensino e, 
por meio de técnicas pedagógicas, estimular o pensamento crítico de seus alunos. 
Como veremos adiante, novas ferramentas foram incorporadas ao ambiente escolar 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
em diálogo com as inovações tecnológicas que impactam a forma como a sociedade 
contemporânea experimenta sua realidade social. 
 
Você quer ler? Para conhecer mais profundamente as transformações 
experimentadas pela sociedade contemporânea, consulte a obra de A corrida para o 
século XXI, do historiador Nicolau Sevcenko. 
 
Em contrapartida, o ambiente escolar ainda emprega diversas práticas 
tradicionais de convivência resultantes das limitações materiais indisponíveis em 
contextos dessemelhantes ao ambiente utópico almejado. Para exemplificar, 
utilizaremos o livro de reflexões Conversas com um jovem professor. 
Na obra, o historiador Leandro Karnal elenca do ponto de vista prático quatro 
elementos que se relacionam para propiciar uma “boa aula”. São eles: a) as condições 
pessoais do professor; b) o conteúdo programático; c) as condições externas; d) os alunos 
(KARNAL, 2012). Abaixo, seguem os eixos em particular: 
a) as condições pessoais do professor 
Para além dos pontos elencados por Cervi, em Racionalidade Docente, do 
quadro apresentado no tópico anterior, Karnal indica que as condições individuais, 
pessoais e íntimas do docente são significativas para o exercício da profissão. Estar 
em condições saudáveis é imprescindível para elaborar e aplicar uma aula 
consistente. 
b) o conteúdo programático 
Neste tópico, o historiador apresenta as dificuldades de aplicação das 
estratégias de planejamento e preparo dos conteúdos, ressaltando que o tempo de 
aula é dinâmico e pode ser interrompido por comportamentos triviais de toda 
ordem. Em consonância com aspectos do Contexto institucional e Paradigma 
pedagógico, do quadro apresentado por Cervi, Karnal indica que a efetivação das 
estratégias previamente elaboradas devem contar com fatores extra-curriculares, 
como: indisciplina discente, horário da chamada e avisos de ordem administrativa. 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
c) as condições externas 
Para Karnal, “[...] A terceira linha de força de uma aula diz respeito ao 
ambiente. Pode parecer estranho para quem começa, mas o ambiente da aula 
funciona como um cenário de uma peça: não é central, mas reforça o texto e cria 
‘clima’ “(KARNAL, 2012, p.20). Tais condições dizem respeito aos elementos exteriores 
à aula em si. Tratam-se de manifestações como desordem das mesas e cadeiras, 
limpeza da sala de aula e ferramentas de trabalho disponíveis. 
d) os alunos 
Assim como o tópico “as condições pessoais do professor”, esse elemento se 
refere às condições individuais, pessoais e íntimas do discente. Trata-se de 
reconhecer que na relação professor x aluno, o discente possui expectativas acerca 
das condições do docente. Vale como paralelo o quadro Representações, de Cervi. 
 Em síntese, pode-se pensar os quatro elementos a partir da seguinte 
passagem do texto: 
No mundo perfeito, a sala é confortável, com temperatura agradável, os 
aparelhos estão à disposição e funcionam, ninguém precisa ir ao banheiro a 
cada cinco minutos e os alunos te esperam com sorriso no rosto e sede de 
saber. Esse é o seu paraíso? É o meu também. Se você o deseja e luta por ele, 
você tem boa chance de ser um bom professor. Se você só pode trabalhar 
nesse paraíso e considera impossível ou indigno enfrentar outros purgatórios 
ou infernos, então… Tente outra coisa no mundo (KARNAL, 2012, p. 18-23). 
Reconhecer esses quatro eixos que se relacionam é admitir que o processo 
de ensino no Brasil se modificou, mesmo que isso não implique na alteração das 
condições da cultura escolar. Emprestando a afirmação de Telma Weisz e Ana 
Sanchez: “Não é possível formular receitas prontas para serem aplicadas a qualquer 
grupo de alunos” (WEISZ. SANCHEZ. 2009, p. 53). 
 
Você quer ver? 
Série: Merlí 
Ano: 2015 
Criação: Héctor Lozano 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
 
Imagem 3 - Elenco da série Merlí. Foto de divulgação 
Série catalã de 2015, composta por três temporadas, que apresenta um professor 
controverso com método criativo capaz de estimular seus alunos de Filosofia. Por 
meio de diálogos descontraídos o professor Merlí Bergerom, interpretado por 
Francesc Orella, desmistifica os debates filosóficos para além do circuito erudito, 
demonstrando que o senso crítico inerente desse ramo do saber faz parte, também, 
de nosso cotidiano aparentemente banal. 
Filme: Sociedade dos Poetas Mortos 
Ano: 1989 Duração: 2h08min. 
Direção: Peter Weir 
 
Imagem 4 - Professor John Keating em sala de aula. Foto de divulgação. 
O filme apresenta uma escola norte-americana, exclusivamente masculina, no final 
da década de 1950, norteada por princípios conservadores. O professor de literatura 
John Keating, interpretado por Robin Williams, estimula o pensamento crítico e a 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
liberdade artística de seus alunos expandindo novas perspectivas e despertando o 
pensamento autônomo. 
Filme: Ao mestre, com carinho 
Ano: 1967 Duração: 1h45m. 
Direção: James Clavell 
 
Imagem 5 - Professor Mark Thackeray, no filme Ao mestre, com carinho. Foto de divulgação. 
O filme apresenta o Professor Mark Thackeray, interpretado por Sidney Poitier, 
diante de um ambiente escolar hostil e racista, na cidade de Londres, na Inglaterra. 
Com uma postura marcante e idealista, o professor impacta positivamente nas 
questões sociais problemáticas que permeiam seu grupo de alunos. 
 
2.2. Professor e Historiador: vivência e teoria 
Considerar a experiência de lecionar para além de códigos rígidos, lineares, 
sem nuances, programados ou como ficou conhecido nos anos 1970, como 
tecnicista (WEISZ. SANCHEZ. 2009, p. 53), representa um diálogo contemporâneo 
com as metodologias pedagógicas. A dinâmica de ensino negocia suas ações com o 
currículo e a legislação oficial, atestada pelos órgãos reguladores públicos e as 
práticas dos sujeitos atuantes na ação do ensino. 
A função social da escola, segundo as autoras Déborah e Rubian de Paula, está 
intimamente ligada ao currículo escolar, já que assuntos da sociedade são tratados 
diretamente por meio de suas diretrizes. Em linhas gerais, a organização didático-
pedagógica do conjunto curricular trata do “patrimônio cultural, artístico, ambiental, 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
científico e tecnológico articulados às experiências dos estudantes” (PAULA e PAULA, 
2016. p. 183-184). 
Para as autoras, o currículo escolar orientará a prática pedagógica. Dessa 
forma, fica implícito que, para o exercício da docência a capacitação formativa, a 
organização e o preparo do material didático se relacionam intimamente com as 
finalidades escolares. O professor articula sua racionalidade docente, baseada no seu 
saber, em sua experiência e competência didática, de acordo com as expectativas do 
contexto institucional, do paradigma pedagógico e das representações, apontadas por 
Cervi. 
No que diz respeito aos saberes históricos, o docente de História encontra 
uma série de dificuldades inerentes desse saber específico. A seleção de conteúdos 
relevantes e o domínio sobre a produção historiográfica pressupõem uma 
reelaboração didatizada diante de um contexto abundante de revisões e 
atualizações de conteúdos. A produção historiográfica tem acrescentado novas 
práticas de análises nos últimos tempos que resultaram na publicização de novos 
sujeitos, antes ocultados nas temáticas históricas (BITTENCOURT, 2004. p. 137-139). 
A revelaçãode novos prismas sobre os fatos históricos consolidados 
apresenta um novo desafio aos docentes. Na medida em que questões basilares 
para a investigação histórica também devem fazer parte das preocupações dos 
professores. Perguntas importantes como: Quem produziu tal conceito? Quais as 
intenções programáticas estão relacionadas a certas escolhas temáticas do currículo? 
Quais elementos podem auxiliar na investigação dos sujeitos escolares (professor e 
aluno)?, devem ser consideradas. 
A produção historiográfica, com o advento da Escola dos Annales, incluiu 
novas formas de análise para os fenômenos da História. Ou seja, a atuação de 
sujeitos e coletividades, em seu tempo e espaço circunscritos, passou a ser relevante 
para a construção argumentativa do evento histórico. 
 
Você sabia? A escola dos Annales foi um movimento historiográfico, liderado 
inicialmente por Lucien Febvre e Marc Bloch, em 1929. O grupo que experimentou 
outros desdobramentos metodológicos de análise da História, se contrapunha a 
escola positivista. A terceira geração do Annales, conduzida por Jacques Le Goff e 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
Pierre Nora, que ficou conhecida como Nova História foi responsável pela ampliação 
do entendimento histórico-teórico para além de narrativas baseadas em fontes 
documentais tradicionais-oficiais, passando a considerar a “História-problema”. 
 
A História, enquanto disciplina escolar, criada no início do século XIX pautava-
se na consolidação do Estado-Nação, valorizando temas cívicos e homenagens a 
heróis. Estes, personificados em "homens ilustres", reconhecidos pelos seus feitos 
políticos alinhados a interesses de uma elite econômica. Limitavam os conteúdos 
históricos em reconhecer, por meio de fatos e datas, uma estrutura política com 
ordenação hierárquica definida (BITTENCOURT, 1998. p. 130- 149). 
Atualmente, com alterações propostas pela Lei 11.645/08 que reorienta a 
obrigatoriedade de ensino da história e culturas afro-brasileira, africana e indígenas 
em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino 
médio. A legislação abriu caminho para que temáticas, anteriormente invisibilizadas, 
passassem a fazer parte do currículo escolar. 
Com essa mudança, o eixo de ensino, tradicionalmente marcado por um 
caráter eurocêntrico e cristão, se desloca para novas possibilidade de se pensar o 
mundo e suas diferentes manifestações sociais e culturais. Dessa forma, percebe-se 
que há uma tensão entre a Teoria da História e o ensino de História praticado em 
contexto escolar. 
Ao reconhecer que há uma tensão proveniente da natureza da matéria prima 
do historiador, ou seja, os fenômenos e fatos desencadeados pelas relações 
humanas no tempo, passa-se a diferenciar a história-vivência da história-
conhecimento. 
Tal revisão, torna o produto do historiador um documento histórico que 
também deve ser analisado considerando seu período e contexto de produção. A 
história-vivência são as ações vividas pelos sujeitos, enquanto que a história-
conhecimento é a operacionalização intelectual que um profissional faz sobre a 
história-vivência. Portanto, sujeita a críticas, problematizações e interlocução. 
2.3. História que deixa digitais: tecnologia a serviço da Educação 
Na sociedade contemporânea, marcada pela aceleração do tempo, as práticas 
pedagógicas têm se valido da informatização de serviços. O Ensino a Distância (EaD), 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
por exemplo, enquanto ferramenta de aprendizagem, tem transformado o ambiente 
escolar tradicional, baseado anteriormente na relação restrita entre professores e 
alunos. O ambiente digital passou a fornecer múltiplas possibilidades de interação 
entre plataformas. O estudante digital tem acesso ao conteúdo de vídeos, banco de 
dados de arquivos, artigos de periódicos e a todo universo web. 
Enquanto docente, o profissional da História pode usufruir das possibilidades 
do ambiente digital, na medida em que diversos acervos de arquivos estão 
disponibilizados em plataforma web. Nessas condições, numerosos materiais 
digitalizados podem ser apropriados como recurso didático. 
 
Você quer ler? Na era da informatização, diversas instituições públicas e privadas 
tem disponibilizado seus acervos de forma gratuita em ambiente online. Explorando 
esses acervos, o docente de história pode encontrar diversos materiais de apoio para 
suas atividades pedagógicas. Em geral, são disponibilizados arquivos pessoais e 
institucionais, com fotografias, vídeos, áudios, publicações, manuscritos e uma 
infinidade de recursos audiovisuais. Abaixo, segue o endereço eletrônico de algumas 
instituições: 
Museus 
Museu Afro Brasil 
http://www.museuafrobrasil.org.br/acervo-digital 
Museu de Arte Sacra de São Paulo 
http://museuartesacra.org.br/acervos/ 
Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) 
https://masp.org.br/acervo 
Museu da Casa Brasileira 
http://mcb.org.br/pt/acervo_mcb/sobre/ 
Museu da Imigração do Estado de São Paulo 
http://www.inci.org.br/acervodigital/ 
http://www.museuafrobrasil.org.br/acervo-digital
http://museuartesacra.org.br/acervos/
https://masp.org.br/acervo
http://mcb.org.br/pt/acervo_mcb/sobre/
http://www.inci.org.br/acervodigital/
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
PInacoteca do Estado de São de Paulo 
https://pinacoteca.org.br/acervo/obras/ 
Periódicos 
Folha de São Paulo 
https://acervo.folha.com.br/index.do 
O Estado de São Paulo 
https://acervo.estadao.com.br/ 
Institucionais 
Arquivo do Senado Federal 
https://www12.senado.leg.br/institucional/arquivo 
Arquivo Nacional - Ministério da Justiça e Segurança Pública 
http://www.arquivonacional.gov.br/br/consulta-ao-acervo.html 
Arquivo Público do Estado de São Paulo 
http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital 
Biblioteca Nacional 
https://bndigital.bn.gov.br/ 
CPDOC - FGV: Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do 
Brasil 
http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/arquivo 
Domínio Público 
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp 
 
Enquanto possibilidade de difusão da informação no âmbito escolar, o 
método de ensino a distância (EaD) tem se popularizado nos últimos anos com a 
difusão da internet, que potencializou o acesso à informação e ao conhecimento. 
Segundo estudos divulgados pela ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras do 
Ensino Superior), essa modalidade de ensino “[...] tem crescido em um ritmo muito 
mais acelerado do que o ensino presencial” (EXAME, 2019). Estima-se que 51% dos 
estudantes do Ensino Superior deverão recorrer a conteúdos exclusivamente digital 
https://pinacoteca.org.br/acervo/obras/
https://acervo.folha.com.br/index.do
https://acervo.estadao.com.br/
https://www12.senado.leg.br/institucional/arquivo
http://www.arquivonacional.gov.br/br/consulta-ao-acervo.html
http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital
https://bndigital.bn.gov.br/
http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/arquivo
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
até 2023, sendo que a procura por aulas tradicionais permanecerá com 49% de 
adeptos. 
Como uma nova possibilidade metodológica, o EaD oferece flexibilidade para 
rotinas de aprendizado, na medida em que permite ao aluno determinar horários 
próprios de estudo. O que não significa a substituição de práticas de aprendizagem 
tradicionais como: leitura, interpretação de textos e raciocínio lógico. O ambiente 
digital, por meio da sua dinamização, deve estimular tais condições a partir de suas 
ferramentas próprias. 
3. Educaçãocomo questão política 
Como diria Paulo Freire: “Se a educação sozinha, não transforma a sociedade, 
sem ela tampouco a sociedade muda.” (FREIRE, 2000). Aderir a proposta freiriana de 
educação é assumir uma postura política e problematizadora da prática de se 
ensinar. O estímulo pelo debate, pela pergunta, pela curiosidade e a criticidade 
fazem parte de uma proposta enraizada na teoria deste educador. 
3.1. Educação sem freios: A pedagogia freiriana 
O educador Paulo Freire visava a instituição de uma educação libertadora, 
que enfrentasse esquemas sociais adversos, contra a opressão e a exploração dos 
sujeitos. Para os teóricos da educação, esse propósito ficou conhecido como 
pedagogia do oprimido (GERONE JUNIOR, 2016. p. 53). Segundo Salomão Hage, a 
educação cooperativa de Paulo Freire: 
[...] estimula a reflexão (problematização) e a ação dos homens sobre sua 
realidade concreta e não é entendida como transferência ou transmissão do 
saber ou da cultura, como o ato de depositar informes nos educando, nem 
como o esforço de adaptação do educando a seu meio (educação bancária) 
(HAGE, Salomão. Prefácio. In: GERONE JUNIOR, 2016, p. 13). 
Segundo esses preceitos, por intermédio do diálogo, podemos transformar 
criticamente a realidade. Nessa perspectiva, o educador não é o mero transmissor 
de um saber, ele é agente da reflexão em sintonia com os educando, estabelecendo 
dessa forma uma relação dialética do saber (GERONE JUNIOR, 2016, p. 58). 
Ou seja, ambos estão aptos a trocar informações pertinentes para o processo 
de constituição de um conhecimento. Desse modo, como Salomão Hage sugere, o 
diálogo pareado de ambos, na lógica freiriana, constitui uma pedagogia da esperança, 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
comprometida com a "transformação da sociedade, com o sonho político de uma 
sociedade democrática, plural, ética, justa e igualitária" (HAGE in GERONE JUNIOR, p. 
15, 2016). Na obra Pedagogia da autonomia, Freire destaca: 
[...] ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a 
sua própria produção ou a sua construção. Quando entro em uma sala de 
aula devo estar sempre aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas dos 
alunos, às suas inibições, um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da 
tarefa que tenho - a de ensinar e não a de transferir conhecimento (FREIRE, 
1996). 
 Para estabelecer essa conexão pareada com os estudantes, em um primeiro 
momento, requer-se uma inevitável adequação didática, reconhecendo o perfil e as 
necessidades do grupo discente. Propor a interação e formação intelectual por meio 
de um excessivo academicismo tornará os objetivos sugeridos ao estudante pela 
educação, distantes e desinteressantes. O exercício da docência é uma prática que 
deve facilitar o acesso à informação sem perder o rigor metodológico do conteúdo, 
portanto, deve-se recriar o conhecimento no ato educativo conjuntamente ao 
estudante. 
 
Você sabia? Em 2013, o professor Paulo Alexandre Teixeira, da rede estadual de 
educação de Pernambuco, resolveu publicar em sua página pessoal de uma rede 
social alguns memes que descreviam o enredo do conflito bélico travado entre 1939 
e 1945. 
Com adaptações linguísticas nas postagens, o educador tratou os principais 
eventos e personagens envolvidos criando uma trama didática e com rigor teórico 
pertinente. A ferramenta digital possibilitou amplo acesso ao conteúdo, alcançando 
a marca de cerca de 12 mil compartilhamentos. Em entrevista, o professor 
comentou: 
Humor sempre fez parte de meu trabalho. Minhas aulas costumam envolver 
algum tipo de interpretação, de brincadeira orquestrada para chamar a 
atenção e facilitar a interação com os alunos (O GLOBO, 2013). 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
Imagem 6 - Memes inspirados nos eventos da Segunda 
Guerra mundial. Foto Reprodução 
 
3.2. O saldo de uma educação bancária 
A crítica freiriana à postura rígida e autoritária na construção do 
conhecimento, foi denominada como educação bancária. O termo se refere a uma 
pedagogia marcada pela eruditização que dificulta a compreensão de certos 
conceitos. Que, aplicados de forma pouco explicativa, desconectadas e até 
desconexas, atrasam ou, até mesmo, impedem a compreensão do educando. 
Segundo Freire, a educação bancária se caracteriza como: 
A narração, de que o educador é o sujeito, conduz os educandos à 
memorização mecânica do conteúdo narrado. Mais ainda, a narração os 
transforma em ‘vasilhas’, em recipientes a serem ‘enchidos’ pelo educador. 
Quanto mais vá ‘enchendo’ os recipientes com seus ‘depósitos’, tanto melhor 
educador será. Quanto mais se deixem docilmente ‘encher’, tanto melhores 
educandos serão. Desta maneira, a educação se torna um ato de depositar, 
em que os educandos são os depositários e o educador o depositante 
(FREIRE, 2011, p. 80). 
Esse mecanismo didático, pautado na memorização abundante, aprisiona as 
possibilidades de reflexão do educando, o incapacitando e impondo sua exclusão 
das práticas sociais concretas, por meio da inabilidade em refletir com autonomia. 
Para Freire (FREIRE, 2011, p. 81), a educação bancária estabelece alguns paradigmas: 
1 - o educador é o que educa; os educandos, os que são educados 
2 - o educador é o que sabe; os educandos, os que não sabem 
3 - o educador é o que pensa; os educando, os pensados 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
4 - o educador é o que diz a palavra; os educandos, os que escutam docilmente 
5 - o educador é o que disciplina; os educandos, os disciplinados 
6 - o educador é o que opta e prescreve sua opção; os educandos, os que seguem a 
prescrição 
7 - o educador é o que atua; os educandos, os que têm a ilusão de que atuam, na 
atuação do educador 
8 - o educador escolhe o conteúdo programático, os educandos jamais ouvidos nesta 
escolha, se acomodam a ele 
9 - o educador identifica a autoridade do saber com sua autoridade funcional, que 
opõe antagonicamente à liberdade dos educandos, estes devem adaptar-se às 
determinações daquele; 
10 - o educador finalmente, é o sujeito do processo; os educandos, meros objetos. 
 Acyr de Gerone Junior, ao analisar a obra Pedagogia da autonomia, argumenta 
que segundo o pensamento freiriano, o professor que assume uma postura 
questionadora, que visa a cooperação de conhecimentos, alcança a denominação de 
"professor crítico, revolucionário, problematizador." (GERONE JUNIOR, 2016, p. 60). 
 O autor, ao analisar a passagem, coloca que: “[…] ler não é só caminhar sobre 
as palavras, e também não é voar sobre as palavras. Ler é reescrever o que estamos 
lendo. É descobrir a conexão do texto, e também como vincular o texto/ contexto 
com meu contexto, o contexto do leitor” (FREIRE. SHOR. 1986, p. 22). Sobre esta 
discussão, e presente na obra Medo e Ousadia: o cotidiano do professor, de Freire e 
Ira Shor, aponta-se que "[...] enquanto o método clássico instiga o aluno a ler 
palavras, Freire, ao contrário, enfatiza que o aluno, antes de ler palavras, faz um 
leitura do mundo" (GERONE JUNIOR, 2016, p. 60). 
 
Você quer ler? Para conhecer uma trama análitica sobre a obra de Paulo Freire, 
consulte o artigo Da pedagogia do oprimido às pedagogias da exclusão: um breve 
balanço crítico, publicado em 2009, na Revista Educação & Sociedade. Acessando o 
endereço eletrônico: http://www.scielo.br/pdf/es/v30n107/12.pdf. 
http://www.scielo.br/pdf/es/v30n107/12.pdf
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
 
Você quer ver? 
Documentário: Paulo Freire contemporâneo 
Ano: 2007 Duração: 55m 
Direção: Toni Venturi 
 
 
 
 
 
 
Imagem 7 - Cena do documentário de Toni Venturi 
O documentário dirigido cineasta Toni Venturi reconstitui as primeiras experiênciasde alfabetização do educador Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira. O filme 
lançado em homenagem a obra do autor, foi lançado dez anos após a data do seu 
falecimento, e conta com entrevista de Freire e de outros estudiosos impactados 
com a sua pedagogia. 
Para assistir ao documentário acesse o endereço eletrônico do filme hospedado no 
acervo do Domínio Público aqui. 
 
Você quer ler? O instituto Paulo Freire disponibiliza, por meio do endereço 
eletrônico: http://www.acervo.paulofreire.org:8080/jspui/, o legado intelectual do 
escritor. O Centro de Referência Paulo Freire possui em seu Repositório Digital 
diferentes fontes documentais provenientes do acervo documental e bibliográfico 
do escritor. O acervo é constituído por cartazes, fotografias, ilustrações, artigos, 
entrevistas, artigos e manuscritos que circunscrevem o universo freiriano. 
 
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/ResultadoPesquisaObraForm.do?first=50&skip=0&ds_titulo=Paulo&co_autor=&no_autor=&co_categoria=102&pagina=1&select_action=Submit&co_midia=6&co_obra=&co_idioma=&colunaOrdenar=null&ordem=null
http://www.acervo.paulofreire.org:8080/jspui/
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
4. Política educacional 
 Até aqui, foram discutidas práticas e estratégias docentes, baseadas na 
experimentação e teorização pedagógica. Indicando as possibilidades e limites que 
os professores podem exercitar dentro de suas ações individuais, assumindo, desse 
modo, seu papel político-pedagógico como educadores. Neste tópico, serão 
apresentados alguns documentos oficiais norteadores de um plano programático 
baseado na política-governamental brasileira, elaborado durante o período 
democrático. Para as autoras Déborah e Rubian de Paula, 
[...] uma teoria curricular nasce em um contexto histórico, político e social, 
pautado em determinadas concepções, e que, paulatinamente, vai ganhando 
corpo e significado. Desse modo, os currículos não se constituem num vazio 
conceitual, mas são influenciados por diferentes variantes, dentre elas as 
políticas educacionais (PAULA e PAULA, 2016, p. 45). 
A legislação educacional e os documentos normativos compõem o espectro 
das políticas educacionais aplicadas nas três esferas do Poder Público: União, 
estados e municípios. Os documentos oficiais exercem influência na composição 
legal que norteia a implementação do currículo escolar, por meio da aplicação de um 
ordenamento jurídico público. 
A seguir serão expostos quatro diretrizes educacionais que permanecem em 
vigor no âmbito jurídico brasileiro, iniciando assuntos pertinentes que serão 
abordados na Unidade 2, deste curso. São elas : a) Constituição Federal de 1988; b) Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; c) Plano Nacional de Educação; d) Diretrizes 
Curriculares Nacionais, do Conselho Nacional de Educação. 
4.1. Artigo 206: Constituição de uma educação para todos: 
Constituição Federal de 1988 
 A Constituição Cidadã, como ficou conhecida a carta-magna constitucionalista 
promulgada em 1988, tinha como eixo central a educação como direito de todos e 
dever do Estado e da família. Elaborada durante o período de redemocratização 
iniciado após o final do regime civil-militar imposto após a tomada de poder pelo 
exército em 1964, previa em seu artigo 206, os seguintes princípios norteadores: 
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o 
saber; 
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições 
públicas e privadas de ensino; 
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; 
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, 
planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e 
títulos, aos das redes públicas; 
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; 
VII - garantia de padrão de qualidade; 
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar 
pública, nos termos de lei federal. 
Para consultar o verbete constitucional referido acima, acesse-o aqui. 
4.2. Baseada na educação para todos: Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, promulgada em 1996, 
seguindo os preceitos estabelecidos pela Constituição Federal, como consequência 
de debates acadêmicos, ampliou escopo programático em três novos aspectos 
curriculares: respeito à liberdade e apreço à tolerância, valorização da experiência 
extraescolar e consideração com a diversidade étnico-racial (ibdem, p. 50-51). 
Segundo Déborah e Rubian de Paula, 
[...] a LDBEN n. 9.394/1996 tem a finalidade de fixar diretrizes e bases para a 
educação escolar brasileira, concebe a educação como todos os processos 
formativos que se desenvolvem nos diferentes espaços sociais, sendo que 
esta é dever da família e do Estado e objetiva o desenvolvimento do 
educando, o preparo para o exercício da cidadania e a qualificação para o 
trabalho (op. cit). 
 
https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_18.02.2016/art_206_.asp
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
Para conferir o documento das Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional na 
íntegra, acesse-o aqui. 
 
Para as autoras, os artigos 12 e 13 das Diretrizes, garantiram maior autonomia 
na elaboração de currículos escolares que respeitassem características particulares 
e específicas, de acordo com as necessidades impostas, permitindo aos docentes e 
às instituições formas de gestão escolar que se adequassem melhor as 
especificidades de cada ambiente escolar (ibdem, p. 51-53). 
A LDBEN, estabeleceu a obrigatoriedade do ensino, aos jovens entre 4 e 17 
anos de idade, sistematizando o ensino da educação básica, por meio de “[...] grupos 
não seriados, séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de 
estudos, com base na idade, na competência ou em outras formas de organização” 
(ibdem, p. 53-54). Para as autoras, entre as possibilidades elencadas, “a que ganhou 
corpo nas escolas brasileiras foi a organização escolar em ciclos. Em geral, essa 
concepção contrapõe-se à proposta de seriação e, sobremaneira, à ideia de 
reprovação" (op. cit). 
4.3. O Plano Nacional de Educação (PNE): dez anos Para Não 
Esquecer 
 O Plano nacional, implantado pela Lei n. 13.005, de 25 de junho de 2014, 
estabelece metas e estratégias políticas para o planejamento educacional por um 
período de dez anos. Iniciado em 2014, as prerrogativas desse documento devem 
ser aplicadas até 2024, em todas as etapas e modalidades de ensino (ibdem, p. 57). 
Para conferir o documento na íntegra, acesse-o aqui. 
 As diretrizes do Plano Nacional de Educação são: 
I - erradicação do analfabetismo; 
II - universalização do atendimento escolar; 
III - superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da 
cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação; 
IV - melhoria da qualidade da educação; 
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/70320/65.pdf
http://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
V - formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos valores morais e 
éticos em que se fundamenta a sociedade; 
VI - promoção do princípio da gestão democrática da educação pública; 
VII - promoção humanística, científica, cultural e tecnológica do País; 
VIII - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação 
como proporção do Produto Interno Bruto - PIB, que assegure atendimentoà 
necessidades de expansão, com padrão de qualidade e equidade; 
IX - valorização dos (as) profissionais da educação; 
X - promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à 
sustentabilidade socioambiental. 
4.4. Conselhos para a Educação: Diretrizes Curriculares 
Nacionais, do Conselho Nacional de Educação 
O Conselho Nacional de Educação (CNE) é um órgão com funções normativas 
e deliberativas, que presta assessoramento ao Ministério de Estado da Educação 
(MEC). Segundo Déborah e Rubian de Paula, “[...] Tem como objetivo contribuir para 
a formação de uma política nacional de educação e a promoção da educação 
nacional de qualidade [...] Os documentos instituídos pelo CNE são normativos, ou 
seja, têm valor de lei” (ibdem, p. 59-60). 
Em relação aos currículo escolares, o órgão estabelece diretrizes para todo o 
sistema educacional, desenvolvendo instruções no que diz respeito à elaboração, à 
organização, ao desenvolvimento e à avaliação dos currículos escolares. 
De acordo com as autoras (op. cit), o CNE estabelece normativas para todas 
as modalidades de ensino, entre elas: 
1. Educação básica; 
2. Educação infantil; 
3. Ensino fundamental; 
4. Ensino médio; 
5. Educação profissional técnica de nível médio; 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
6. Educação básica nas escolas do campo; 
7. Educação especial; 
8. Educação de jovens e adultos em situação de privação de liberdade nos 
estabelecimentos penais; 
9. Educação escolar indígena; 
10. Educação escolar de crianças, adolescentes e jovens em situação de 
itinerância; 
11. Educação escolar quilombola; 
12. Educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura 
afro-brasileira e africana; 
13. Educação em direitos humanos e educação ambiental. 
Para conferir o documento na íntegra, acesse-o aqui. 
Síntese 
Até aqui, a partir dos quatro eixos dessa Unidade, foram discutidas práticas e 
estratégias docentes, fundamentadas pela experimentação e teorização pedagógica. 
No que diz respeito às ações docentes, foi indicado que condicionamentos práticos 
exercem influência para além de normas e conceitos. Assim como foi apontado por 
Weisz e Ana Sanchez: “Não é possível formular receitas prontas para serem aplicadas 
a qualquer grupo de alunos”. 
Nesse sentido, a proposta freiriana de ensino e seus aspectos característicos 
informam ao leitor dessa Unidade, que o estímulo pelo debate, pela pergunta, pela 
curiosidade e a criticidade posicionam o educador numa condição política diante de 
um propósito educativo. 
O último eixo dos debates aqui propostos, refere-se às normativas e diretrizes 
educativas de viés político, jurídico e programático. Os eixos tratados até aqui, 
embasam preliminarmente as temáticas que serão exploradas na Unidade 2. A 
seguir, serão discutidas as políticas neoliberais na educação, assim como 
metodologias e reflexões sobre a ação educativa e o currículo escolar. 
 Nesta unidade você teve a oportunidade de estudar os seguintes tópicos: 
http://portal.mec.gov.br/docman/julho-2013-pdf/13677-diretrizes-educacao-basica-2013-pdf/file
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
● Introdução aos estudos de metodologia da História na Educação Básica; 
● Refletindo acerca dos caminhos da escola; 
● Educação como questão política; 
● Políticas educacionais no Brasil. 
 
 
 
 
 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
Bibliografia 
BITTENCOURT, Circe. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: 
Cortez, 2004. 
BITTENCOURT, Circe. Propostas curriculares de História: continuidades e 
transformações. In: BARRETO, Elba de Sá (org.). Os currículos do Ensino Fundamental 
para as escolas brasileiras. São Paulo: Fundação Carlos Chagas e Campinas: Autores 
Associados, 1998. 
CERVI, Rejane. Planejamento e Avaliação Educacional. Curitiba, InterSaberes, 
2013. 
EXAME. Ensino a distância (EAD) será maior que Ensino Presencial até 2023. 
15 mar. 2019. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/negocios/dino/ensino-a-
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2019. 
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. 
FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. - 
São Paulo: Editora UNESP, 2000. 
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 50. ed.rev. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011 
FREIRE, Paulo. SHOR, Ira. Medo e Ousadia: o cotidiano do professor. Rio de Janeiro: 
Paz e Terra, 1986 
GERONE JUNIOR, Acyr de. Desafios ao educador contemporâneo: perspectivas 
de Paulo Freire sobre a ação pedagógica de professores. Curitiba: InterSaberes, 
2016. 
KARNAL, Leandro. Conversas com um jovem professor. -1.ed. - São Paulo: 
Contexto, 2012. 
O GLOBO. Professor de História recria a 2ª Guerra Mundial no Facebook. 05 
novembro de 2011. Disponível em: 
<https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/professor-de-historia-recria-2-
guerra-mundial-no-facebook-10681802>. Acesso em: 18 jun. 2019. 
Metodologia e Prática de ensino de História - Unidade Nº 1 - Educação: história e caminhos 
 
PAULA, Déborah Helenise Lemes de. PAULA, Rubian Mara de. Currículo na escola 
e currículo da escola: reflexões e proposições. Curitiba: InterSaberes, 2016 
SEVCENKO, Nicolau. A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa. - São 
Paulo: Companhia das Letras, 2001. 
VINCENT, Guy. Sobre a história e a teoria da forma escolar . In: Educação em Revista 
. Belo Horizonte, n. 33, jun. 2001. 
VIÑAO, Antonio. Sistemas educativos, culturas escolares e reformas. Portugal, 
Mangualde: Edições Pedago, 2007. 
VIÑAO, Antonio. ESCOLANO, Agustín. Currículo, espaço e subjetividade: a 
arquitetura escolar como programa. RJ: DP&A, 1998. 
WEISZ, Telma. SANCHEZ, Ana. O Diálogo Entre o Ensino e Aprendizagem. 2.Ed., 
São Paulo: Ática, 2009. 
Referências imagéticas: 
Imagem 1 - ARQUIVO ESTADO SP. Escola Normal. Disponível em: 
<http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital/escola_normal>
. Acesso em: 03 jul. 2019. 
Imagem 2 - ARQUIVO ESTADO SP. Escola Normal. Disponível em: 
<http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital/escola_normal>
. Acesso em: 03 jul. 2019.

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