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PATOLOGIA GERAL – PROFESSORA LINDAIANE DANTAS 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DR. LEÃO SAMPAIO 
INFLAMAÇÃO 
 
Inflamação ou flogose (do latim inflamare e do grego phlogos, que significam “pegar fogo”) é uma 
reação dos tecidos a um agente agressor caracterizada morfologicamente pela saída de líquidos e de células 
do sangue para o interstício. Como tal, a reação inflamatória é um dos componentes mais importantes da 
execução da resposta imunitária e, embora faça parte dos mecanismos defensivos contra grande número 
de agressões, em muitos casos ela própria pode também causar danos ao organismo. Inflamação pode ser 
causada por grande número de estímulos, infecciosos ou não. Agressões variadas, exógenas (físicas, 
químicas ou biológicas) ou endógenas (estresse metabólico), constituem os chamados agentes 
inflamatórios. 
A inflamação é um processo regulado: algumas moléculas induzem mediadores pró-inflamatórios, 
enquanto outras estimulam mediadores responsáveis por limitar e terminar o processo (mediadores anti-
inflamatórios e pró-resolução). Como os efeitos lesivos de uma inflamação dependem do balanço entre 
mecanismos pró-inflamatórios e anti-inflamatórios, o conhecimento deles é essencial para a introdução de 
medicamentos mais eficazes para tratar as doenças de natureza inflamatória. 
A reação inflamatória é conhecida há muito tempo. Na Antiguidade, os gregos a definiam pelos seus 
sinais e sintomas típicos, considerados sinais cardinais: calor, rubor, tumor e dor, aos quais os médicos 
romanos acrescentaram as alterações funcionais. A caracterização do processo por seus sinais cardinais 
baseou-se apenas em inflamações agudas em órgãos passíveis de visualização a olho nu (pele, cavidade 
bucal, garganta etc.). A preocupação de conhecer melhor a reação inflamatória só se iniciou depois da 
descoberta da circulação sanguínea e da tentativa de produzir o fenômeno experimentalmente. 
Uma das primeiras observações científicas sobre inflamação foi feita em 1794 por John Hunter, que 
descreveu o processo e sugeriu sua relação com fenômenos circulatórios. Contudo, foi Cohnheim, no século 
19, quem fez estudos clássicos de inflamação experimental na membrana interdigital da rã, tendo mostrado 
alterações vasculares e exsudação celular após irritação direta da pele. No início do século 20, os estudos 
experimentais progrediram bastante e aceleraram-se ainda mais após a descoberta do primeiro mediador 
da inflamação – a histamina (Barger e Dale, 1910, e Lewis, 1927). Daí em diante, os procedimentos 
experimentais se multiplicaram, possibilitando não só melhor compreensão do processo, como também 
investigação de substâncias anti-inflamatórias muito úteis no tratamento de inflamações. Nos primeiros 60 
anos do século 20, os conhecimentos sobre inflamação ainda eram dissociados da Imunologia, que até 
então era eminentemente humoral, baseada quase exclusivamente na ação de anticorpos. Apesar de Elie 
Metchnikoff ter demonstrado nas últimas décadas do século 19 que as células – os fagócitos – eram os 
grandes responsáveis pela defesa do organismo, os imunologistas demoraram quase 50 anos para 
reconhecer a importância de células, especialmente fagócitos, na resposta imunitária. Na verdade, a 
inflamação é a manifestação das respostas imunitárias inata e adaptativa. 
A reação inflamatória envolve uma série de eventos que se iniciam com o reconhecimento da 
agressão (o agente inflamatório), seguido da liberação de mediadores inflamatórios, que induzem 
modificações na microcirculação para a saída de plasma e de leucócitos dos vasos e estímulos para reparar 
os danos produzidos. A reação inflamatória representa um fenômeno ao mesmo tempo defensivo e 
reparador, sendo indissociáveis esses dois efeitos. 
Inflamações agudas 
Nas inflamações agudas, os sinais inflamatórios são em geral bem evidentes: eritema, edema e dor. 
No exsudato, em geral predominam neutrófilos e macrófagos. Quando predomina a exsudação plasmática, 
são denominadas inflamações exsudativas; ocorrem sobretudo em serosas, podendo ter exsudato fluido 
(inflamação serosa) ou rico em fibrina (inflamação fibrinosa) ou mistura deles (inflamação serofibrinosa). Se 
há hemorragia, trata-se de inflamação sero-hemorrágica ou serofibrino-hemorrágica. Inflamações serosas 
também ocorrem em mucosas, sendo um bom exemplo a rinite serosa (geralmente alérgica), com abundante 
exsudato fluido e incolor, eliminado pelas narinas. 
Em mucosas, as inflamações agudas têm algumas características. Inflamações catarrais apresentam 
exsudação de leucócitos na superfície com descamação do epitélio e secreção de muco, que formam o 
catarro (daí o nome catarral). Faringites e laringites, tão comuns em gripes e resfriados, assumem esse 
aspecto. Inflamação pseudomembranosa é aquela em que o agente produz toxinas que causam necrose do 
epitélio e formação de fibrina. Células necróticas e fibrina formam uma camada espessa e esbranquiçada 
sobre a mucosa (pseudomembrana) que, se arrancada, deixa uma superfície cruenta. Esta inflamação 
ocorre na difteria e na colite pseudomembranosa. Inflamações necrosantes apresentam necrose extensa, 
como na enterocolite necrosante de recém-nascidos. 
As inflamações purulentas (supurativas), agudas ou crônicas, caracterizam-se pela formação de pus. 
Tais inflamações são causadas por bactérias (geralmente estafilococos e estreptococos, bactérias 
piogênicas) que induzem exsudação abundante de fagócitos e fibrina. Os fagócitos são mortos por toxinas 
bacterianas e liberam proteases que causam necrose dos tecidos. Exsudato inflamatório misturado com 
restos necróticos forma o pus, que tem aspecto viscoso e coloração variável. Ao microscópio, o pus contém 
fibrina, restos de células e numerosos fagócitos cheios de vacúolos que representam fagolisossomos com 
material fagocitado não completamente digerido (piócitos). 
Pústula é uma inflamação purulenta circunscrita da pele ou mucosas em que o pus forma pequena 
elevação amarelada. Piodermites por estafilococos ou estreptococos formam pústulas. Na varicela 
(catapora), a inflamação serosa viral se complica com a colonização de bactérias, originando pústulas. 
Abscesso é uma inflamação purulenta circunscrita, com coleção de pus em uma cavidade formada 
pela própria inflamação e circundada por uma membrana de tecido inflamado (membrana piogênica), de 
onde o pus é gerado. O abscesso é formado de: (1) cavidade contendo o pus; (2) camada interna, constituída 
por tecido infiltrado por leucócitos e em destruição. É a membrana piogênica, que deve ser eliminada para 
que possa ocorrer a cura do abscesso; (3) camada externa, de onde partem os tecidos de granulação e 
conjuntivo para a cicatrização. 
O pus e a membrana piogênica são eliminados por drenagem cirúrgica ou naturalmente, esta por 
meio de fístulas ou de canais naturais (abscesso do pulmão pode abrir-se em brônquios e o pus ser 
eliminado). O médico, o dentista e o veterinário, ao fazerem a drenagem, promovem essa forma de cura. Se 
a absorção ou a eliminação do pus for incompleta, o abscesso é encapsulado por tecido conjuntivo; o pus 
pode sofrer liquefação, originando cistos (cura por encistamento). Certas osteomielites drenam o pus para 
o exterior, mas não se curam devido à permanência do microrganismo causador. 
Furúnculo é um abscesso na derme ou no subcutâneo, causado geralmente por estafilococos que 
penetram nos folículos pilosos e nas glândulas sebáceas. Em pequenos furúnculos, a cura se faz com 
restituição da integridade; nas formas extensas e graves, com cicatrização. 
Fleimão é a inflamação purulenta difusa na qual o pus se infiltra no tecido conjuntivo, sem formar a 
membrana piogênica. O fleimão pútrido é produzido por associações bacterianas (com germes da 
putrefação); fleimão enfisematoso, por germes gasógenos. Fleimão duro é inflamação purulenta difusa em 
que o exsudato se infiltra nos tecidos e os torna duros. O fleimão é conhecido também comoantraz, que 
não deve ser confundido com anthrax, que é a infecção pelo Bacillus anthracis, o qual, na pele, produz uma 
pústula especial denominada carbúnculo, contendo uma crosta negra (daí o nome, derivado do 
latim: carbunculum = carvão pequeno). 
Coleção de pus em cavidades naturais recebe nomes diversos: empiema, quando se refere à 
cavidade pleural; pioperitônio, para o acúmulo de pus na cavidade peritoneal; piartro, a coleção purulenta 
nas cavidades articulares; piocele, a inflamação purulenta na túnica vaginal do testículo com coleção de pus 
na cavidade vaginal; piossalpinge, a coleção de pus na tuba uterina, e assim por diante. 
Inflamações crônicas 
Inflamação crônica, que dura mais de 6 meses, é aquela na qual, devido a persistência do agente 
inflamatório (p. ex., um microrganismo), a exposição prolongada a agentes tóxicos (p. ex., tabagismo) ou a 
fenômenos auto imunitários, o processo mantém-se por tempo prolongado. Inflamação crônica pode surgir 
de uma inflamação aguda ou aparecer de forma insidiosa, sem as manifestações clínicas de uma forma 
aguda. Em uma inflamação crônica, predominam os fenômenos tardios da resposta inflamatória; os sinais 
iniciais típicos de inflamação (eritema e edema) podem não ser aparentes. Em algumas inflamações 
prolongadas, há edema e dor com pouca exsudação celular, como ocorre em tendinites, fasciites, 
osteartrose e fibromialgia. Ao microscópio, inflamação crônica caracteriza-se por exsudato celular 
predominantemente de mononucleares (macrófagos, linfócitos e plasmócitos) e sinais de regeneração e/ou 
de cicatrização. 
Em uma inflamação crônica, além do aumento da matriz extracelular (conjuntivização), pode haver 
grande produção de fatores de crescimento, que induzem hiperplasia do parênquima ou formação excessiva 
de tecido conjuntivo, originando inflamações hipertróficas e pseudotumorais. 
Não existem modelos experimentais simples que reproduzam adequadamente inflamações crônicas. 
A falta de modelos ideais de inflamações persistentes limita o conhecimento dos fatores envolvidos e dos 
medicamentos capazes de interferir no processo. 
Inflamações granulomatosas: A característica principal desse tipo de inflamação são os granulomas, que 
consistem em uma forma particular de organização das células do exsudato. Macrófagos estão presentes 
em todos os granulomas. Os granulomas podem ser: (1) granuloma epitelioide (imunogênico); (2) granuloma 
do tipo corpo estranho. Em muitos granulomas, os macrófagos agrupam-se e ficam próximos entre si, como 
as células epiteliais; por isso, são chamadas células epitelioides; estas não fagocitam, mas conservam a 
capacidade de pinocitar e transportar vesículas endocíticas no citoplasma. As células epitelioides 
organizam-se em camadas concêntricas em torno do agente inflamatório, com disposição em paliçada. 
Outra característica dos granulomas são as células gigantes multinucleadas, que resultam da fusão 
de macrófagos. As células gigantes podem ter núcleos organizados na periferia ou distribuídos 
irregularmente no citoplasma. Células gigantes com núcleos na periferia (células de Langhans) são vistas 
tipicamente na tuberculose; células gigantes com núcleos distribuídos irregularmente no citoplasma são 
chamadas células gigantes do tipo corpo estranho. 
Além de macrófagos, células epitelioides e células gigantes, os granulomas podem conter outras 
células. Uma coroa periférica de linfócitos, macrófagos e outras células é componente comum em 
granulomas epitelioides. Eosinófilos, macrófagos e linfócitos são vistos em granulomas esquistossomóticos; 
linfócitos e macrófagos em volta das células epitelioides são encontrados em granulomas da tuberculose e 
de outras parasitoses; linfócitos, macrófagos e grande número de PMN acompanham granulomas da 
paracoccidioidomicose e de outras micoses profundas. Na sífilis, os granulomas contêm macrófagos, poucas 
células epitelioides, células gigantes e grande número de plasmócitos. Na hanseníase tuberculoide, o 
granuloma epitelioide é circundado por um halo denso de linfócitos. 
Os granulomas podem sofrer necrose. A necrose é caseosa nos granulomas da tuberculose, gomosa 
nos granulomas da sífilis e tem aspecto granular e acidófilo nos granulomas esquistossomóticos na fase 
aguda. A origem da necrose não é bem conhecida. Necrose caseosa deve-se à apoptose de macrófagos 
epitelioides e à ação de linfotoxinas (TNF-α) e de produtos excretados por macrófagos (enzimas, radicais 
livres etc.). Assim, a necrose caseosa tem um componente de apoptose e um componente necrótico. Na 
esquistossomose, a necrose parece dever-se a substâncias eliminadas dos grânulos de eosinófilos e de 
macrófagos. Na paracoccidioidomicose, os granulomas podem sofrer necrose semelhante à caseosa, além 
de necrose lítica com grande exsudato de PMN (fusão purulenta).

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