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Encefalomalacia Nutricional: É um distúrbio metabólico caracterizado por sinais clínicos neurológicos, sua etiologia é atribuída à hipovitaminose E, ou seja, é considerada uma patologia metabólica. Comumente conhecida como doença do frango louco. Atinge aves jovens, principalmente frangos de corte (Gallus gallus domesticus), entre 15 e 30 dias de idade. Já foi relatada em ovinos, no qual, a causa foi atribuída a enterotoxemia por Clostridium perfringens tipo D (PIMENTEL et al., 2010), assim como relatos em perus (KLEIN et al., 1994), periquitos australianos (HASHOLT; PETRAK, 1982), suínos, caninos, ratos, equinos selvagens (JONES et al., 2000). Em estudos realizados por Bartov e Bornstein (1972) a adição na ração de óleo de soja, cártamo, girassol ou fígado de bacalhau, oxidados, promove a EN. Conforme os estudos de Vannucchi et al (1998), supõem-se que as vitaminas antioxidantes, especialmente a vitamina E, possam inibir a oxidação das lipoproteínas de baixa densidade para a sua forma mais aterogênica, assim, preservando o endotélio vascular e inibindo doenças vasculares. Devido à peroxidação lipídica da membrana do endotélio vascular encefálico, há degeneração e necrose de arteríolas no SNC, proporcionando a formação de trombos vasculares, isquemia do tecido adjacente e malácia, resultando nos sinais clínico-patológicos da EN. Nos exames físicos o animal apresenta escore corporal baixo (tipo 1) e sinais neurológicos como, ataxia, andar em círculos, lateralização da cabeça, prostração e hiperestesia, caracterizada por espasmos corporais iniciados após estímulos como sons altos e toque físico. Podem apresentar aborto, degeneração testicular, distrofia muscular, cardiomiopatias, hemólise eritrocítica e necrose hepática (FARIA; JUNQUEIRA, 2000). Sua patogenia ainda não foi determinada, sabendo-se apenas que ocorrem sucessivas alterações bioquímicas no SNC estabelecendo-se lesões, principalmente no cerebelo. No exame macroscópico constatou-se necrose coliquativa no encéfalo, que é a lise total da área tecidual, com características como edema, áreas de malácia apresentando coloração amarronzada (BAINS, 1979) ou amarelo-esverdeada (AUSTIC e SCOTT, 1997), palidez bem marcante na região do cerebelo e extremamente friável. Em períodos iniciais da patologia não é possível se identificar alterações encefálicas macroscópicas durante a necropsia, em caso de períodos crônicos da doença podem se identificar alterações mais além, como focos de necrose cavitária no encéfalo, sem comprometimento cerebelar. Em aves com 116 a 120 dias de idade se tem áreas focais de degeneração associadas a áreas focais de infiltração meníngea linfocitária (JORTNER et al., Na análise histopatológica foram observadas alterações como vacuolização citoplasmática, degeneração de células de Purkinje, malácia focal extensa na substância cinzenta cortical e da substância branca do cerebelo, hemorragias multifocais (RANDALL et al., 1996), degeneração fibrinóide no endotélio arteriolar (VIOTT et al., 2003), trombose hialina na luz de vasos sanguíneos adjacentes as áreas de malácia (KLEIN et al., 1994; RANDALL et al., 1996; AUSTIC e SCOTT, 1997). Nos casos crônicos observaram cicatrização cerebelar com proliferação de membranas basais entre astrócitos e células gliais adjacentes aos vasos sanguíneos. Estas alterações também são compatíveis com a encefalite aviária causada por agente viral, no entanto, o que ajuda no diagnóstico é a observação de encefalomielite supurativa com presença de manguitos linfocitários perivasculares no SNC (CALNEK et al., 1997). NASCIMENTO, J. S. T. et al. ENCEFALOMALACIA NUTRICIONAL POR HIPOVITAMINOSE E EM Gallus gallus domesticus. ARS VETERINARIA, Jaboticabal, SP, ano 2019, v. 35, n. 1, p. 016-020, 1 abr. 2019. Disponível em: file:///C:/Users/guicr/Downloads/1198-5769-1-PB.pdf. Acesso em: 6 nov. 2020. SELLERA GODOY, Guilherme. ENCEFALOMALÁCIA NUTRICIONAL EM Gallus gallus domesticus. ESTUDO SOBRE A PATOGENIA E A PARTICIPAÇÃO DE ASTRÓCITOS. Orientador: Prof. Dr. Antonio Carlos Aless. 2006. 87 f. Dissertação (título de Mestre em Medicina Veterinária (Patologia Animal).) - Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal - Universidade Estadual Paulista, JABOTICABAL – SÃO PAULO, 2006. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/95977/godoy_gs_me_jabo.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 6 nov. 2020.