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Renata Scavazza - Zootecnia UFRGS - 2020/1 
AGR01127 Produção e Manejo de Bovinos de Leite 
TRABALHO AVALIATIVO 
Crescimento da glândula mamária, composição do leite. 
1. Quais os períodos de desenvolvimento em que o crescimento da glândula 
mamária apresenta crescimento isométrico e alométrico? 
Do nascimento aos 3 meses de idade o crescimento é isométrico, ou seja, a glândula 
mamária se desenvolve na mesma velocidade do que os outros órgãos e tecidos do 
organismo. Dos 3 meses à puberdade, o crescimento é alométrico, caracterizado por 
um crescimento do tecido mamário de 3 a 4 vezes mais rápido em relação aos 
demais tecidos corporais. Da puberdade até a concepção, esse crescimento passa a 
ser novamente isométrico em ondas por conta do: 1) aumento do DNA em 
aproximadamente 118% durante a fase luteal tardia e estro e 2) regressão da 
glândula mamária entre o estro e a metade da fase luteal. Na gestação, o 
crescimento torna a ser alométrico e o processo de multiplicação das células 
mamárias vai até o início da lactação, mantendo-se em ritmo alométrico na fase. 
2. Qual o período em que o fornecimento de energia é mais prejudicial para o 
desenvolvimento do úbere? 
Após o desaleitamento e início da puberdade (de 3 a 11 meses, mais ou menos de 
90 – 280 Kg P.V.) ocorre crescimento da glândula mamária em um ritmo maior, 
então torna-se muito importante os cuidados na nutrição e alimentação, 
principalmente sobre as quantidades e tipos de nutrientes/ ingredientes. Um 
desequilíbrio de alto aporte energético sem incremento no aporte proteico pode 
resultar em uma engorda da fêmea e deposição de tecido adiposo na glândula 
mamária que tende a ser permanente, afetando o desenvolvimento, funcionamento e 
negativamente na produção de leite da primeira lactação. 
3. Como as condições ruminais podem influenciar o processo de bio 
hidrogenação das gorduras e consequentemente o teor de gordura do leite? 
Em condições equilibradas de alimentação, o funcionamento do rúmen ocorre de 
modo adequado: como as gorduras possuem pouco oxigênio estrutural, normalmente 
não sofrem degradação ruminal e não oferecem nutrientes à microbiota. O próprio 
Renata Scavazza - Zootecnia UFRGS - 2020/1 
AGR01127 Produção e Manejo de Bovinos de Leite 
mecanismo de defesa natural dos microrganismos tende a romper ligações duplas e 
tornar gorduras que originalmente eram insaturadas em saturadas, para diminuir sua 
ação tóxica sobre eles mesmos. Este processo é chamado de bio-hidrogenação: o 
rompimento de ligações duplas dos ácidos graxos de 18C até tornarem-se ácido 
vacênico, que acaba sofrendo mais uma ruptura de ligação dupla e se torna ácido 
esteárico, que não têm uma ação específica na glândula mamária. Porém, quando a 
dieta é inadequada tende a prejudicar o ambiente ruminal e este processo de bio 
hidrogenação fica incompleto. Os microrganismos começam a quebrar as ligações 
duplas, mas hidrolisam só parcialmente, então sobram ácidos graxos com 18C e uma 
liga dupla (os trans-10 ou cis-9-trans-1). Quando há sobra do ácido graxo trans-10, é 
carregado pelo sangue até a glândula mamária e tem ação sobre enzimas que 
participam da síntese da gordura do leite: a acetil-CoA carboxilase, ácido graxo 
sintase (FASN) e estearoil-CoA dessaturase, sendo que reduz a atividade destas três 
e, consequentemente, a formação de ácidos graxos de cadeia curta, diminuindo a 
fração de gordura no leite. 
4. Quais as vias de transporte dos diversos componentes do leite? Discrimine. 
1) Via exocitose: proteínas são sintetizadas no RER e movem-se para o complexo de 
Golgi, onde a lactose, outras proteínas e sais são incorporados nas vesículas 
secretórias de Golgi que são movidas até a superfície apical e se fundem com a 
membrana plasmática, onde o conteúdo é liberado no lúmen alveolar; 
2) Via brotamento/ destacamento: partículas lipídicas são produzidas e aumentadas 
em tamanho, formando grandes glóbulos à medida que migram no citoplasma, desde 
o retículo endoplasmático até a membrana apical. Esses glóbulos de gordura 
atravessam a membrana e são secretados no lúmen com um invólucro de membrana 
plasmática; 
3) Via membrana: íons e água atravessam a membrana basal junto dos capilares, 
atravessam o citoplasma e chegam à membrana apical, onde são secretados no 
lúmen alveolar; 
4) Via transcitose: os componentes como imunoglobulinas, proteínas séricas, 
enzimas e hormônios atravessam a célula secretora, na parte basal ocorre 
endocitose (componentes podem sofrer maturação nos endossomos) e na parte 
apical ocorre a liberação via exocitose. 
Renata Scavazza - Zootecnia UFRGS - 2020/1 
AGR01127 Produção e Manejo de Bovinos de Leite 
5) Via paracelular: a passagem não ocorre pelo interior, mas sim entre as células 
epiteliais. Não há nenhuma transformação bioquímica durante o transporte e é 
fechado durante a lactação e aberto durante a gestação (mas pode ocorrer nos casos 
de mastite). São transportados desta forma os leucócitos e plasma. 
5. Como o número de ordenhas e o intervalo entre ordenhas pode influenciar a 
produção leiteira? 
A secreção do leite depende do feedback negativo da alta pressão intra-alveolar, ou 
seja, a capacidade de armazenagem de leite determina a velocidade de secreção e a 
produtividade. 
➔ ​Baixa pressão intra-alveolar pós ordenha cessa o feedback negativo e facilita 
a síntese e transporte de leite para o lúmen. 
➔ ​A secreção contínua aumenta a concentração dos componentes e a pressão. 
➔ ​O leite acumulado inibe a captura de precursores. 
➔ ​A retirada frequente aumenta as taxas de secreção pois diminui a pressão 
intramamária. 
REFERÊNCIAS: 
CUNNINGHAM, J. G. ​Tratado de Fisiologia Veterinária​. Edit. Guanabara Koogan, 
2 ed. 1999. 527p. 
EDUCAPOINT, AgriPoint Serviços de Informação para o Agronegócio. ​Como o leite 
é formado nna glândula mamária? ​[S. l.], 11 jun. 2019. Disponível em: < 
https://www.educapoint.com.br/blog/industria-leite/como-o-leite-e-formado-glandula 
mamaria/​> Acesso em: 7 set. 2020. 
SWENSON, M. J., REECE, W. O. Dukes, ​Fisiologia dos Animais Domésticos​. 
Edit. Guanabara Koogan. 11ed. 1996. 856p.