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1 2 3 PORTA DA MENTE? COMO SURGIU? Para que esta pergunta seja respondida alguns esclarecimentos se fazem necessários. A grande maioria das pessoas passa boa parte da vida à procura do que “realmente gosta de fazer”, mas por vários fatores que incluem sobrevivência,estabilidade financeira e/ou medo adiam a decisão de mudar. A história do Porta da Mente começa comigo, Renan Moura, um dos redatores desta apostila. Formado em Propaganda e Marketing, funcionário de uma multinacional e infeliz por não saber o que estava faltando. Esta sensação de vazio me acompanhou por muito tempo. Fui proprietário de 3 empresas (uma agência de publicidade, uma marca de aplicativo para técnicos de futebol e uma linha de moda fitness/casual). Todas, sem sucesso. No meio desse turbilhão de decepções, não vendo luz no fim do túnel, de empresário para funcionário, tendo que cumprir ordens, horários e tudo o mais que o próprio nome diz, continuei infeliz. Conheci a hipnose através de vídeos e programas de televisão, fiquei fascinado. Como sou cético fui checar a veracidade do que havia visto nos vídeos. Comecei a fazer vários cursos, e em um deles, conheci Thiago Ruiz. Empatia imediata. Passamos a ministrar cursos juntos. Sempre quis ter um canal no YouTube, mas precisava ter certeza do conteúdo a ser postado. Existia também outra barreira a ser derrubada, minha timidez. Falar em público ou ser filmado parecia impossível. A hipnose foi fundamental. Projeto iniciado, convidei Thiago Ruiz para ser meu parceiro. Ele aceitou na hora. Na época, era difícil encontrar pessoas dispostas a fazer hipnose de rua, foi ai que conheci Jonathan Gomes, parceiro de “street” e do canal também. A história do Porta da Mente tem tudo a ver com uma transição de carreira, então, esperamos poder ser parte nesse processo de mudança que você pode optar por seguir a partir de hoje! Thiago e Jonathan seguiram novos rumos, atualmente o Porta da Mente é gerenciado por Renan Moura. 4 ÍNDICE PARTE 1: HIPNOSE PRÁTICA CAPÍTULO 1. HISTÓRIA DA HIPNOSE CAPÍTULO 2. O QUE É HIPNOSE? CAPÍTULO 3. RAPPORT CAPÍTULO 4. PRE TALK CAPÍTULO 5. PSEUDO HIPNOSE CAPÍTULO 6. INDUÇÕES CAPÍTULO 7. APROFUNDAMENTOS CAPÍTULO 8. HIPNOSE DE RUA CAPÍTULO 9. EMERSÃO CAPÍTULO 10. AB REAÇÃO CAPÍTULO 11. AUTO HIPNOSE AUMENTANDO A RESPOSTA A SUGESTÕES RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA A PRÁTICA DE AUTO HIPNOSE ENSAIO MENTAL AUTO HIPNOSE FALSA PRATICANDO A AUTO HIPNOSE R.I.A.S.A INDUÇÕES NA AUTO HIPNOSE APROFUNDAMENTO SUGESTÕES EM AUTO HIPNOSE EMERSÃO CAPÍTULO 12. CONSIDERAÇÕES FINAIS BIBLIOGRAFIA 7 16 21 22 25 28 34 36 41 42 42 42 43 43 44 44 44 45 45 45 46 46 47 5 GLOSSÁRIO Fator Crítico: Parte analítica ou racional, que busca entender, comparar, medir ideias e decidir conscientemente. Fenômeno: Qualquer experiência ou fato que ocorra com o sujeito por causa da hipnose, seja intencionalmente criado, ou não (amnésia, alucinações etc.) Hipnose: Ato de atravessar o fator crítico e estabelecer um pensamento exclusivo. Ou estado ou situação em que o fator crítico está sendo ignorado, ao mesmo tempo em que há um pensamento dominante. Hipnotista: Você, aquele que vai hipnotizar. Hipnólogo: Pessoa que estuda hipnose. Hipnoterapeuta: Profissional que utiliza da ferramenta hipnose para fazer terapia. Hipnoterapia: Terapia usando hipnose. Sujeito: A pessoa que está sendo hipnotizada. Transe: Estado alterado onde a atividade cerebral é menor e a concentração é maior. Transe hipnótico: Estado de transe e hipnose ao mesmo tempo. Dehipnotizar ou emergir: Termo usado que significa tirar a pessoa do transe hipnótico. Ab-Reação: Afloramento repentino de emoções reprimidas, que acontece no momento em que a pessoa está hipnotizada. Muito comum em processos de regressão. Alucinação positiva: Capacidade de ver, sentir ou ouvir algo que não existe, através de sugestão. Alucinação negativa: Capacidade de deixar de ver, ouvir ou sentir algo naquele momento, como, por exemplo, não ver uma pessoa que está lá. Amnésia: Capacidade de esquecer coisas, como por exemplo o próprio nome, ou um número. Anamnese: Questionário usado por hipnoterapeutas para obter informações importantes para a terapia. Catalepsia: Flacidez ou rigidez de grupos musculares. Estado Sonambúlico: Nível de transe onde o sujeito consegue aceitar a maioria das sugestões. É o melhor estado para terapia com hipnose. Sonambulismo/sonambulo: Acontece durante o sono, geralmente o corpo acorda antes da mente e a pessoa pode sair andando ou falar sem ter consciência do que está fazendo. Importante notar que não tem relação com a hipnose. Estado Esdaille: Estado de sonambulismo profundo, a qual produz estado de anestesia automática, e, por ser um transe muito profundo, uma negociação deve ser feita para a pessoa retornar. Pre Talk: conversa prévia com a pessoa que será hipnotizada, na qual você explica o que é hipnose e tira os medos do sujeito. Rapport: É a relação de simpatia estabelecida entre o hipnotista e a pessoa que será hipnotizada. Ideomotor: Movimento involuntário de um grupo muscular, que acontece através de sugestão hipnótica. Indução: Processo utilizado para colocar a pessoa no estado hipnótico. Psicossomático: Doença física causada por problemas emocionais ou mentais. Selo: Bloqueio hipnótico para que ninguém consiga hipnotizar a pessoa. 6 7 HISTÓRIA DA HIPNOSE CAPÍTULO 1 PRÉ-HISTÓRIA A prática do hipnotismo é, sabidamente, velha. Velha como a própria humanidade, conforme o provamos achados arqueológicos e indícios psicológicos pré-históricos. Em sua origem, o hipnotismo aparece envolto num manto de mistérios e superstições. Os fenômenos hipnóticos não eram admitidos como tais. Seus praticantes frequentemente se diziam simples instrumentos da vontade misteriosa dos céus. Enviados diretos de Deus ou de Satanás. Eram feiticeiros e bruxos, shamans emedicinemen. Suas curas eram levadas invariavelmente à conta dos milagres. Embora o hipnotismo tivesse abandonado esse terreno, ingressado cada vez mais no campo das atividades científicas, tornando- se matéria de competência psicológica, ainda aparecem, em intervalos irregulares, em todos os quadrantes da terra, hipnotistas do tipo pré-histórico, a realizar “curas inexplicáveis” e a dar trabalho as autoridades. Deixando de lado a parte sibilina e supersticiosa, os fenômenos produzidos pela técnica hipnótica já eram observados como tais, na velha civilização babilônica, na Grécia e na Roma antigas. No Egito existiam os “Templos dos Sonhos”, onde se aplicavam aos “pacientes” sugestões terapêuticas enquanto dormiam. Um papiro de nada menos que três mil anos contêm instruções técnicas de hipnotização, muito semelhantes às que encontramos nos métodos contemporâneos. Inúmeras gravuras daquela época mostram sacerdotes-médicos colocando em transe hipnótico presumíveis pacientes. Os gregos realizavam peregrinações a Epidaurus, onde se encontrava o templo do Deus da Medicina, Esculápio. Ali, os peregrinos eram submetidos à hipnose pelos sacerdotes, os quais invocavam alucinatóriamente a presença de sua divindade a indicar os possíveis expedientes de cura. As sacerdotisas de Ísis, pósas em estado de transe, manifestavam o dom da clarividência; hipnotizadas, revelavam ao Faraó fatos distantes ou fatos ainda a ocorrer. Semelhantemente, os oráculos e as sibilas articulavam suas profecias sob o efeito do transe auto-hipnótico. Pela auto-hipnose se explica também a anestesia dos mártires, que se submetiam às maiores torturas, sem dar o menor sinal de sofrimento. Os sacerdotes de Caem recorriam à hipnose em massa para aliviar os descontentamentos coletivos. Dentre os grandes homens, sábios, filósofos e líderes religiosos, que se dedicaram ao hipnotismo, figura Avicena, no século X; Paracelso, no século XVI, e muitosoutros. Em plena Idade Média, Richard Middletown (Ricardo Média-Vila), discípulo de São Boa Ventura, elaborou um tratado forte sobre os fenômenos que mais tarde reconheceríamos como hipnóticos. O oriente, ainda mais do que o Ocidente, vem mantendo uma tradição ininterrupta na prática hipnótica. Os métodos Yogas são considerados dignos de atenção científica até os nossos dias. Dentre os hindus, mongóis, persas, chineses e tibetanos, a hipnose vem sendo exercida há milênios, ainda que preponderantemente para fins religiosos, não se sabendo ao certo até que ponto sua verdadeira natureza ali está sendo conhecida. O PADRE GASSNER Na segunda metade do século XVIII, na Alemanha do Sul, apareceu um padre jesuíta, de nome Gassner. Era um padre um tanto teatral. Realizava curas espetaculares numa dezena de milhares de pessoas. A fim de assegurar-se a aprovação da Igreja, explicava seus métodos como um processo de exorcismo. Consoante a crença comum da época, os doentes eram simplesmente possuídos pelo demônio. E os que se sentiam com o diabo no corpo vinham ao padre para que ele o expulsasse. E o padre aparecia à sua clientela, todo de preto, de braços estendidos, segurando um crucifixo cravejado de diamantes à frente dos pacientes. Usava ambiente escuro, decorações lúgubres. Falava em latim e com voz cava. Um médico que assistiu a uma sessão dessas com uma jovem camponesa, ele nos descreve êsse método fantástico: “Entrando de maneira dramática no aposento, o Pr. Gassner tocou a jovem com o crucifixo, e essa, como que fulminada, caiu ao chão em estado de desmaio. Falando-lhe em latim, a paciente reagiu instantaneamente. À ordem “Agitatur bracium sinistrum”, o braço esquerdo da jovem começou a mover-se num crescendo de velocidade. E ao No livro O Hipnotismo – Psicologia – Técnica – Aplicação, do psicanalista Karl Weissman, mostra com riqueza a história da hipnose. Veja abaixo 8 comando tonitroante “Cesset!”, o braço se imobilizara, voltando à posição anterior. Ato contínuo, o padre sugere que está louca, e a jovem, com o rosto horrivelmente desfigurado, corre furiosamente pela sala, manifestando todos os sintomas característicos da loucura. Bastou a ordem enérgica “Pacet!” para que ela se aquietasse como se nada houvesse ocorrido de anormal. O padre Gassner nesta altura lhe ordena falar em latim, e a jovem pronuncia o idioma que normalmente lhe é desconhecido. Finalmente, Gassner ordena à moça uma redução nas batidas do coração. E omédico presente constata uma diminuição na pulsação. Ao comando contrário, o pulso se acelera, chegando a 120 pulsações por minuto. Em seguida, a jovem, estendida no chão, recebe a sugestão de que suas pulsações iriam reduzir cada vez mais, até cessarem completamente. Seus músculos se iriam relaxando totalmente e ela morreria, ainda que apenas temporariamente. E o médico, espantado, não percebendo sequer vestígios de pulso ou de respiração, declara a jovem morta! O padre Gassner sorri confiantemente. Bastou uma ordem sua para que a jovem tornasse gradativamente à vida. E com o demônio devidamente expulso de seu corpo, a moça, sentindo-se como nascida de novo, desperta e agradece sorridente ao padre o milagre de sua cura.” Não resta dúvida que o padre Gassner era um perito hipnotista e um grande psicólogo. Hoje tamanha teatralidade constituiria uma afronta à dignidade cultural de muitos pacientes. Já não temos que recorrer ao latim, podendo hipnotizar na língua do país. Contudo, o método do padre Gassner, ligeiramente modificado, ainda surtiria efeito em muita gente. MESMER É uso ainda fazer remontar historicamente o começo do hipnotismo científico ao aparecimento de Franz Anton Mesmer. Estudioso da Astronomia, Mesmer deu uma versão não menos fantástica e romântica aos fenômenos hipnóticos do que o padre Gassner. Em lugar de responsabilizar o demônio pelas enfermidades, responsabilizava os astros. Não podia haver nada mais lisonjeiro às nossas pretensões do que isso de ligar o humilde destino humano ao glorioso destino astral. Educado para seguir a carreira eclesiástica, Mesmer teve suas primeiras instruções num convento, tendo aos 15 anos ingressado num colégio de jesuítas em Dillingen. Todavia, interessando-se muito pela física, pela matemática e, sobretudo, pela astronomia, resolveu trocar a carreira religiosa pela medicina. Entrou na universidade de Viena, onde se doutorou com uma tese intitulada: “De Planetarium Influx”, trabalho em que se propunha demonstrar a influência dos astros e dos planetas, ao mesmo tempo como causas de doenças e como forças curativas. Sabemos que no passado muitos dos mais eminentes filósofos e cientistas incorreram nesta vaidade. Entre esses, o grande Kepler, o indicado autor do horóscopo de Wallenstein. Santo Tomás de Aquino mesmo acreditava na influência astral. Dizia que certos objetos, como habitações, obras de arte e vestimentas deviam suas qualidades a influência misteriosa dos astros. Existia ainda uma estreita relação de sentidos entre a crença primitiva nos demônios e a astrologia. Entre os fantasmas da terra e os astros, os fantasmas do céu. Ambos povoando a noite. Ambos refletindo os anseios e as esperanças, os temores e as vaidades humanas. Ambos pertencendo ao mundo das projeções psíquicas, contribuindo para o mundo das lendas e das superstições. Tanto para mostrar que a explicação demonológica de Gassner e a doutrina do influxo astral de Mesmer apresentavam, ao menos naquela época, as suas afinidades ideológicas. A tese, segundo a qual fluídos invisíveis, emanados dos astros, afetavam o organismo, consubstanciada na doutrina do Magnetismo Animal, foi logo bem recebida e despertou o interesse do padre Hell, um jesuíta que foi professor da Universidade de Viena e um dos astrólogos da Côrte de Maria Teresa. O padre Hell começou a intentar curas por meio de imãs. E Mesmer, reconhecendo nesse processo terapêutico identidade de princípios, por sua vez, passou a usar imã com seus doentes. O sensacionalismo da imprensa fez o resto, espalhando a notícia de curas magnéticas espetaculares em pacientes desenganados. A doutrina de Mesmer se resume no seguinte: A doença resulta da frequência irregular dos fluidos astrais, e a cura depende da regulagem adequada dos mesmos. Certas pessoas teriam o poder de controlar esses fluidos. Eram, por assim dizer, os donos dos fluidos e da saúde, podendo comunicá-los a outrem, direta ou indiretamente, por intermédio de objetos parcialmente magnetizados pelo seu contato. Era esse fluido vital, uma espécie de corrente elétrica que se aplicava à parte enferma do paciente. Ao contato dessa corrente, o indivíduo tinha de entrar em “crise”, caracterizada por convulsões, sem o que não seria curado. Mesmer, a princípio, tocava os pacientes com uma vara de metal para provocar as convulsões terapêuticas. Mais tarde produzia essas mesmas crises com a imposição das mãos e passes, expediente esse que vem de data imemorial e que até hoje está sendo usado pelos ocultistas. 9 No fim, já não podendo atender individualmente à numerosa clientela, recorreu à magnetização indireta, dispensando o toque pessoal ao paciente. Os pacientes, em número de trinta a quarenta, assentavam-se em volta de uma tina circular, contendo garrafas com água magnetizada, saindo de cada gargalo uma vara metálica. Estabelecendo contato com essas varas, num recinto escurecido e ouvindo uma música suave, os pacientes eram acometidos das convulsões terapêuticas. Um método realmente engenhoso de hipnotização por sugestão indireta. Não obstante as demonstrações bem sucedidas, as ideias de Mesmer não eram bem recebidas pelos círculos médicos de Viena. Intimado pelas autoridades a descartar-se de seu método terapêutico tão extravagante, Mesmer, desgostoso, mudou-se para Paris. Em Paris, a fama de Mesmer espalhou-se rapidamente. O “mesmerismo” tornou-se moda na aristocracia francesa. Era o assunto de todos os salões. Quem quer que se preze, tinha de ser mesmerisado. As “curascoletivas” assumiram em Paris proporções muito mais espetaculares do que em Viena. Deleuze, em sua “História Crítica do Magnetismo Animal”, descreveu uma dessas cenas : “Num dos compartimentos, sob a influência das varetas, que saíam de garrafas contendo água magnetizada, e aplicada às diversas partes do corpo, ocorriam diariamente as cenas mais extraordinárias. Gargalhadas irônicas, gemidos alucinantes e crises de pranto se alternavam. Indivíduos atirando-se para trás a contorcer-se em convulsões espasmódicas. Respirações semelhantes aos roncos de moribundos e outros sintomas horríveis se viam por toda parte. Sùbitamente esses estranhos atores atiravam-se uns nos braços dos outros ou então se repeliam com expressões de horror. Enquanto isso, num outro compartimento, com as paredes devidamente forradas, apresentava-se outro espetáculo. Ali mulheres batiam com as mãos contra as paredes ou rolavam sobre o assoalho coberto de almofadas, com acessos de sufocação. No meio dessa multidão arfante e agitada, Mesmer, envergando um casaco lilás, movia-se soberanamente, parando, de vez em quando, diante de uma das pacientes mais excitadas. Fitando-lhe firmemente os olhos, enquanto lhe segurava ambas as mãos, estabelecia contato imediato por meio de seu dedo indicador. Doutra feita operava fortes correntes, abrindo as mãos e esticando os dedos, enquanto com movimentos ultrarrápidos cruzava e descruzava os braços, para executar os passes finais.” (* ) Semelhante sucesso não se exerce facilmente. Mais uma vez a medicina rigorosa moveu a Mesmer um processo de perseguição. Em 1784, Luís XVI, instigado pela classe médica, de certo modo despeitada nomeou uma comissão de sábios para investigar a natureza do fenômeno mesmeriano. A comissão era composta das três figuras mais eminentes da ciência daquele tempo, Lavoisier, Bailly e Benjamin Franklin, na ocasião embaixador americano em Paris. Uma petição dirigida por Mesmer, em data anterior, à Academia Francesa, no sentido de investigar-lhe o fenômeno, fora indeferida. Mesmer, indignado com o indeferimento, recusou-se a submeter-se à prova dos citados cientistas. Estes limitaram-se a presenciar as demonstrações realizadas por alunos. Enfiaram as mãos nas tinas, e Interessante será dizer que o banho magnético não lhes provocou os efeitos descritos acima. Nada de crises ou de convulsões. Nada de fluidos ou coisas semelhantes foram registrados. Enfim, os sábios nada sentiram de anormal e saíram ilesos da experiência. Hoje seriam simplesmente classificados como insuscetíveis. Como seria de esperar, o parecer da comissão era condenatório ao mesmerismo. Não obstante os êxitos obtidos em centenas de pessoas tudo era classificado taxativamente de fraude, farsa e calúnia. Oficialmente desacreditado, Mesmer abandonou Paris. Viveu algum tempo sob nome supóso na Inglaterra, tendo depois voltado para a Áustria, onde morreu em completo ostracismo em 1815. Julgado pela posteridade, a figura de Mesmer não merecia essa degradação. Mesmer era sincero nas suas convicções. Não reconheceu a verdadeira natureza do fenômeno hipnótico que soube desencadear tão espetacularmente. Note-se que, ainda hoje, alguns dos aspectos do hipnotismo estão por ser explicados, ou pelo menos melhor explicados. O mesmerismo, ou magnetismo animal, continuou ativo ainda por algum tempo depois da morte de seu fundador. E até hoje muita gente confunde hipnotismo com magnetismo, usando esta palavra como sinônimo daquela. Para Mesmer, a hipnose ainda era uma força, emanada, ainda que por via astral, da pessoa do hipnotizador. É o estranho poder hipnótico no qual ainda se acredita a maioria dos nossos contemporâneos. O MARQUÊS DE PUYSÉGUR Dentre os discípulos de Mesmer que fizeram reviver a ciência que estava por cair em esquecimento com a morte de seu fundador, figurava uma personalidade influente: o marquês de Puységur. 10 Puységur continuava a empregar os métodos do mestre até o dia em que, por mera casualidade, magnetizou um jovem camponês de nome Victor, que sofria de uma afecção pulmonar, verificou que o expediente magnético podia produzir um estado de sono e repouso, em lugar das clássicas crises de convulsões. E o paciente do marquês não se detinha no sono: dormindo, movia os lábios e falava, mais inteligentemente do que no estado normal. Chegou mesmo a indicar um tratamento para a sua própria enfermidade, tratamento esse que obteve pleno êxito, valendo-lhe o completo restabelecimento. Nesse estado de sono, Victor parecia reproduzir pensamentos alheios, muito superiores à sua cultura rudimentar. No mais o paciente se conduzia como um sonâmbulo. Puységur estava diante de um fenômeno que não hesitou em rotular de “Sonambulismo artificial”. Puységur percebeu de um relance a transcendência desse fenômeno hipnótico que ainda se considerava magnético, e passou a explorá-lo sistematicamente. Enquanto o mestre provocava crises nervosas, convulsões histéricas, prantos e desmaios, o discípulo agia em sentido contrário, sugerindo aos pacientes: paz, repouso, ausência de dor e um estado pós-hipnótico agradável. Uma norma que se iria perpetuar na prática hipnótica daí em diante. Embora continuasse a usar passes, conjuntamente com a sugestão, na indução do transe, Puységur deu um impulso decisivo ao hipnotismo científico. A ele se deve os primeiros critérios psicologicamente corretos de hipnose e suscetibilidade hipnótica, o que não impediu que depois dele outros fenômenos hipnóticos fossem registrados. O marquês de Puységur observou em muitos dos seus “sujeitos” fenômenos telepáticos e clarividentes. Uma repulsa, de certo modo convencional, para com tais aspectos do hipnotismo, fez com que muitos dos autores contemporâneos mais ortodoxos se saíssem sistematicamente contra semelhantes possibilidades. A maioria desses últimos não hesita em desmerecer a importantíssima contribuição de Puységur somente por esse motivo (*). O ABADE FARIA No mesmo ano em que faleceu Mesmer, apareceu em Paris um monge português, o Pr. José Custódio de Faria, mais conhecido sob o nome de Abade Faria graças ao famoso romance de Alexandre Dumas “O Conde de Monte Cristo”. Interessante será dizer que a vida agitada do padre português era na realidade bem diversa da que nos apresentou o ficcionista dos “Três Mosqueteiros”. Nascido e criado nos arredores de Goa, nas Índias Portuguesas, o abade Faria, segundo nos informam seus biógrafos, descende de uma família de brâmanes hindus, convertida ao cristianismo no século XVI. Em Paris, em plena Revolução, o jovem padre português travou relações com o marquês de Puységur. Estimulado pelo marquês, o jovem abade Faria (que na realidade nunca foi abade) entregou-se de corpo e alma à carreira do hipnotismo, já tendo anteriormente adquirido conhecimentos básicos da matéria no Oriente e na sua terra natal. O Abade adiantou-se cientificamente em muitos pontos a Puységur. Seu método já era praticamente o nosso. Foi o primeiro a lançar a doutrina da sugestão. Também o primeiro a mostrar que hipnose não era sinônimo de sono, logo no nascedouro dessa confusão. Recomendava o relaxamento muscular ao “sujeito”, fitava-lhe firmemente os olhos e em seguida ordenava em voz alta: “DURMA!” A ordem era várias vezes repetida. E consoante as experiências modernas, os elementos mais suscetíveis entravam imediatamente em transe hipnótico. Não obstante ordenar o sono, o abade Faria contribuiu poderosamente no desenvolvimento daquilo que, século e meio mais tarde, se chamaria de “hipnose acordada”. Foi o primeiro hipnotista na acepção científica da palavra. O primeiro a reconhecer o lado subjetivo do fenômeno em toda sua extensão. O primeiro a propagar que a hipnose se produzia e se explicava em função do “sujeito”. O transe estava no próprio “sujeito” e não era devido a nenhuma influência magnética do hipnotizador. Suas teorias já eram as atuais, despidas de toda influência mística ou sobre naturalista. Nada de poderes misteriosos. Nada de forças invisíveis.Tudo uma questão de sugestão, psicologia ou pouco mais. Não obstante sua sinceridade e objetividade científicas, o padre Faria era um tipo de personalidade um tanto quanto teatral. Chamava a atenção pelo seu aparato, suas vestimentas e suas maneiras um tanto extravagantes. É esta, no entanto, de certo modo, até aos nossos dias, parte integrante do expediente psicológico da hipnotização. Já no princípio do século XIX o nome do abade Faria era muito popular em Paris. Sua figura era vista com frequência nos salões da nobreza e da alta sociedade parisiense. A exemplo de todos os expoentes do hipnotismo antes e depois dele, viveu ao mesmo tempo horas de glória e de maldição. Ofereceram-lhe uma cadeira de Filosofia na Academia de Marselha, e sem nunca ter estudado medicina foi proclamado membro da Ordem dos Médicos. Em Paris, onde desfrutava de enorme prestígio, o padre Faria abriu uma escola de magnetismo, depois que a polícia 11 lhe proibira as experiências de hipnotismo em Nimes. Explicando a verdade sobre o hipnotismo, o padre Faria não escapou à perseguição maliciosa de seus contemporâneos. Seus inimigos recorreram a um dos expedientes mais estúpidos (ainda muito usado) para desacreditá-lo diante da opinião pública: contrataram um ator para simular hipnose e na hora oportuna abrir os olhos e gritar: “Embuste!” O golpe, não obstante irracional, não deixou de surtir o efeito almejado. Por incrível que possa parecer, o abade Faria ficou desmoralizado devido a um engano, o qual poderia ocorrer ao mais experiente e confiante dos hipnotizadores modernos. E até hoje, muitos hipnotistas de palco caem vítima dessa cilada maliciosa e desonesta. Na minha própria prática uso aparar esse golpe com um simples aviso: “As pessoas que se apresentarem com propósitos de simulação darão prova de ser, entre outras coisas, portadoras de doença mental ou tara caracterológica.” Contudo, o abade Faria, envolvido nas agitações da Revolução Francesa, sofreu mais perseguição política do que científica. Segundo um livro publicado há mais de um século, da autoria de um antigo funcionário da polícia parisiense, descrevendo o caso verdadeiro que serviria de fonte inspiradora a Alexandre Dumas, o abade Faria teria morrido em uma prisão de Esterel, onde fora lançado por motivos políticos, tendo deixado toda sua fortuna a um dos seus companheiros de prisão, condenado devido a uma denúncia falsa, fortuna essa calculada naquele tempo em quatro bilhões. Fadado assim a tornar-se personagem de uma das mais famosas obras de ficção, o padre Faria, herói de Monte Cristo, não deixou de vingar como pesquisador e cientista, reconhecido pela posteridade. “O padre Faria declarou recentemente o doutor Egas Moniz, Prêmio Nobel de Medicina e um dos maiores expoentes da psiquiatria contemporânea — viu o problema da hipnose em suas próprias bases com uma grande precisão e com clareza. Foi ele o primeiro a marcar à hipnose os seus limites naturais… Foi êle que defendeu, pela primeira vez, a doutrina sobre a interpretação dos fenômenos do sonambulismo, ponto de partida de toda sua doutrina filosófica.” O mais importante, porém, é a sua contribuição à doutrina da sugestão. ELLIOSTON Aquilo que já começara a denunciar-se como fenômeno essencialmente psicológico e subjetivo, ainda funcionaria por algum tempo e para efeitos terapêuticos importantes, sob o nome de magnetismo ou mesmerismo. Um dos derradeiros expoentes do magnetismo era o Dr. John Ellioston, eminente médico inglês e uma das figuras mais eminentes da história médica britânica. Professor de Medicina na Universidade de Londres e Presidente da Royal Medical Society, era o homem que introduziu o estetoscópio na Inglaterra, além dos métodos de examinar o coração e o pulmão, ainda em uso. O Dr. Ellioston foi o primeiro a usar a hipnose (ainda não conhecida por êsse nome) no tratamento da histeria. E começou a introduzir o “sono magnético” na pr|tica hospitalar, tanto para fins cirúrgicos como para os expedientes psiquiátricos. Os métodos tão pouco fiéis aos princípios do Dr. Ellioston não tardaram em criar uma onda de oposição. E o conselho da Universidade acabou por proibir o uso do mesmerismo no hospital. Ellioston, em virtude disso, pediu sua demissão, deixando a famosa declaração: “A Universidade foi estabelecida para o descobrimento e a difusão da verdade. Todas as outras considerações são secundárias. Nós devemos orientar o público e não deixar-nos orientar pelo público. A única questão é saber se a coisa é ou não verdadeira.” Ellioston fundou posteriormente o Mesmeric Hospital em Londres e hospitais congêneres se iam fundando em outras cidades inglesas e no mundo afora. Os adeptos da escola magnética anunciavam seus feitos terapêuticos em toda parte. Na Alemanha, na Áustria, na França e mesmo nos Estados Unidos se realizavam intervenções cirúrgicas sob “sono magnético”. Na América, o Dr. Albert Wheeler remove uma carne esponjosa nasal de um paciente, enquanto o “magnetizador” Phineas Quimby atua como anestesista em 1829 e o Dr. Jules Cloquet usou o mesmo recurso anestésico numa mastectomia. Jeane Oudet comunica à Academia Francesa de Medicina seus sucessos magnéticos obtidos em extrações de dentes. A ciência ortodoxa poderia ter aceito o fenômeno e rejeitar apenas as teorias. Acontece que, em relação ao mesmerismo, nem os fatos eram aceitos, sobretudo na cética Inglaterra. ESDAILE Os PACIENTES de Esdaile (outro adepto da escola mesmeriana) que sofriam as mais severas intervenções cirúrgicas, inclusive amputações sob “sono magnético”, eram apontados pela ciência ortodoxa como “um grupo de endurecidos e teimosos impostores”. O lugar de Esdaile na história do hipnotismo não se justifica como criador de métodos ou de escola, mas, sim, como 12 exemplo de pioneiro na luta pelo reconhecimento da hipnose como coadjuvante valiosa da cirurgia. James Esdaile, jovem cirurgião escocês, inspirou-se na leitura dos trabalhos de Ellioston sobre o mesmerismo. Esdaile começou a sua prática na Índia, como médico da “British East India Company”. Em Calcut realizou milhares de intervenções cirúrgicas leves e centenas de operações profundas, inclusive dezenove amputações, apenas sob o efeito da anestesia hipnótica. O éter e o clorofórmio ainda não eram conhecidos como agentes anestésicos. Uma das testemunhas descreve de como Esdaile desenraizara um olho de um paciente, enquanto este acompanhava com o outro o andamento da operação, sem pestanejar. Os fatos eram de esmagadora evidência. Contudo, o Calcutta Medical College moveu-lhe insidiosa campanha de desmoralização. A anestesia não valia como prova de coisa alguma. Os médicos faziam circular a notícia de pacientes que haviam sido comprados para simular a ausência de dor. As publicações médicas recusavam-se a aceitar as comunicações do cirurgião escocês. Conta Esdaile usava-se ainda o argumento bíblico. Deus instituíra a dor como uma condição humana. Portanto, era sacrílega a ação anestésica do magnetizador. (*) Em 1851, Esdaile teve que fechar seu hospital. Voltou à Escócia completamente desacreditado. Mudou-se posteriormente para a Inglaterra, onde não teve melhor sorte. A Lancet publicou a propósito a seguinte repreensão: “O mesmerismo é uma farsa demasiado estúpida para que se lhe possa conceder atenção. Consideramos seus adeptos como charlatães e impostores. Deviam ser expulsos da classe profissional. Qualquer médico que envia um doente a um charlatão mesmerista devia perder sua clientela para o resto de seus dias.” A Sociedade Britânica de Medicina acabou por interditar a Esdaile o exercício profissional. A exemplo de seu mestre Mesmer, esse mártir do hipnotismo morreu no mais completo ostracismo. BRAID Por volta de 1841 apareceu o homem que marcou o fim do magnetismo animal. A partir dêle a ciência passaria a chamar-se hipnotismo. Era o Dr. James Braid um cirurgião de Manchester. Braid assistiu a uma demonstração do famoso magnetizador suíço Lafontaine, que na ocasiãose exibia em sensacionais espetáculos públicos na Inglaterra. Era Braid um desses céticos que não perdem uma oportunidade para uma conversão, desde que se lhes dê uma base cientificamente aceitável. A primeira demonstração não convenceu a Braid. Sua curiosidade, no entanto, fez com que assistisse a uma segunda. Na segunda aceitou o fenômeno, mas não a teoria. Estava Braid diante de um fato em busca de uma explicação que não constituísse como a do magnetismo animal, uma afronta à dignidade científica da época. Para não incorrer no defeito de charlatanismo mesmeriano, ele tinha de encontrar uma causa física para o fenômeno. Era ainda e sempre a velha prevenção contra tudo o invisível, tudo que não é concreto e palpável. Prevenção essa que, de certo modo, ainda persiste na era do rádio, do raio-X e dos projetis teleguiados. Numa época de abusos fluídicos e místicos, um fenômeno tinha de ser de origem provadamente física para merecer a atenção de um cientista. E Braid era, na opinião dos seus biógrafos mais autorizados, antes de qualquer coisa, um cientista e nada dele faria suspeitar o espírito do charlatão. Tendo observado que Lafontaine usava a fascinação ocular para a indução, concluiu Braid que a causa física do transe era o cansaço sensorial, ou seja, o cansaço visual. Experimentou em casa com a sua esposa, um amigo e um criado, mandando-os fixar firmemente o gargalo de um vaso ornamental. Nos três “sujeitos” a finalidade foi coroado de êxito. Todos entraram em transe. O processo de indução hipnótica pelo cansaço visual passou a fazer escola. Até aos nossos dias, os livros populares sobre hipnotismo insistem em ensinar o desenvolvimento da resistência ocular à fadiga e ao deslumbramento. E até hoje as vítimas, cujo número é incalculável, ainda fixam horas seguidas um ponto preto sem pestanejar. E esse ponto se lhes fixa para o resto da vida na sua visão em forma de escotoma. Livros há que, não contente com esse abuso, manda fitar lâmpadas e o próprio sol, para desenvolver a força do olhar. Não responsabilizemos, porém, Braid por essas práticas ignorantes. O que Braid procurou demonstrar é o fato de o transe assemelhar-se a um estado de sono que podia ser induzido por agente físico. Baseando o processo hipnótico num princípio onírico, nos deu a palavra h i p n o t i s m o , derivada do vocábulo gregohypnos, significando sono. Todavia, o sono hipnótico não se confundia com o sono fisiológico, ou seja, o sono normal. Consoante seus conceitos neurofisiológicos, o transe hipnótico era descrito como “sono nervoso ” (Nervous Sleep). Já quase no fim de sua carreira, Braid descartou-se em parte do método do cansaço visual e do da fascinação, pois descobriu que podia hipnotizar cegos ou pessoas em recintos obscurecidos. Dessa observação em diante passou a dar maior importância à sugestão verbal. Vencida esta fase, não tardou em descobrir que também o sono não era 13 necessário. Para produzir os fenômenos hipnóticos, tais como a anestesia, a amnésia, a catalepsia e as alucinações sensoriais, não era preciso submergir o “sujeito” na inconsciência onírica. Quando, porém, Braid se capacitou de que a hipnose não era sono, a palavra h i p n o t i s m o já estava cunhada. E, certo ou errado, é o nome que vigora até os nossos dias. Em 1843, Braid publicou seu livro intitulado Neurypnology or the Rationale of Nervous Sleep, no qual expõe seus métodos para o tratamento de enfermidades nervosas. Não obstante, a sua índole anti-charlatanesca, Braid não escapou às campanhas maliciosas da classe médica, embora essas fossem muito mais brandas do que as movidas contra seus antecessores mesmerianos. Consoante o provérbio segundo o qual ninguém é profeta em sua terra, as publicações científicas de Braid encontraram melhor aceitação na França e em outros países do que no seu torrão natal. BERTRAND Para efeitos históricos, Braid é considerado o pai do hipnotismo. Sabemos que muito antes de Braid, o abade Faria tinha suas ideias modernas e psicologicamente corretas sobre o fenômeno hipnótico, explicado por ele como fenômeno subjetivo. E antes do Abade, o mesmerista Alexander Betrand, em 1820, já apontava no estado hipnagógico uma causa psicológica. Tudo, dizia, era sugestão aplicada. Escreveu a propósito Pierre Janet: “Betrand antecipou-se ao abade Faria e a Braid”. Foi o primeiro a afirmar francamente que o sonambulismo artificial podia explicar-se simplesmente à base das leis da imaginação. O “sujeito” dorme simplesmente porque pensa em dormir e acorda porque pensa em acordar. As obras do abade Faria, do general, Noizet, na França, e as de Braid, na Inglaterra, só contribuíram com uma formulação mais clara destes conceitos, desenvolvendo esta interpretação psicológica em forma mais precisa.” (*) Os historiadores da psicologia médica consideram Bertrand como um ponto de transição entre o magnetismo e o hipnotismo. LIÉBEAUL Em 1864, um exemplar da obra de Braid caiu nas mãos de Liébeault, um jovem médico rural francês. Liébeault já adquirira noções de magnetismo em época anterior, quando ainda estudante de medicina. Ao estudar a obra de Braid já se encontrava em Nancy, cidade na qual se dedicou durante mais de vinte anos à hipnoterapia e que devido à sua atividade clínica tornou-se a Capital do Hipnotismo. Liébeault é descrito pelos seus biógrafos como tendo sido um homem sereno, agradável, bondoso e estimado pelos pobres, que o chamavam Lebonpère Liébeault . Dizia Liébeault aos seus clientes, em sua quase totalidade humildes camponeses: “Se desejais que vos trate com drogas, o farei, mas tereis de pagar-me como antes. Se, entretanto, me permitis que vos hipnotize, farei o tratamento de graça.” Ao método de fixação ocular de Braid, Liébeault acrescentou o da sugestão verbal. J. M. Bramwell, um médico que praticava o hipnotismo naquela mesma ocasião na Inglaterra, visitou Liébeault e deixou a seguinte descrição de sua atividade hipnoterápica: “No verão de 1889 passei uma quinzena em Nancy a fim de ver o trabalho hipnótico de Liébeaut. Sua clinivs, sempre movimentada, compreendia dois compartimentos que davam pelos fundos em um jardim. Seu interior não apresentava nada de especial que pudesse atrair a atenção. É certo que todos que lá iam com ideias preconcebidas sobre as maravilhas do hipnotismo tinham de sair decepcionados. Com efeito, fazendo caso omisso do método de tratamento e algumas ligeiras diferenças, a impressão que se tinha era a de estar em um departamento público, numa pensão ou num hospital de clínica geral. Com a diferença de que os pacientes falavam um pouco mais livremente entre si e se dirigiam ao médico de uma maneira mais espontânea do que se costumava ver na Inglaterra. Eram chamados por turno, e no livro dos casos clínicos registrava-se sua anaminese. Em seguida induzia-se o paciente rapidamente à hipnose… Seguiam-se as sugestões e as anotações… Quase todos os pacientes dos que eu vi foram hipnotizados de uma maneira fácil e rápida, mas Liébeault me informou que os nervosos e os histéricos eram mais imunes.” Liébeault soube conquistar a simpatia e a cooperação dos seus pacientes. Contràriamente ao exemplo de Mesmer, que tressudava de grandezas, Liébeault era modesto e sem aparato teatral, quer na sua apresentação indumentária, quer no ambiente domiciliar. Com isso estabeleceu a nova linha de conduta para os hipnotizadores modernos. 14 Em Nancy, Liébeault trabalhou durante dois anos em sua obra Du Somneil et états analogues, considerés surtout du point de vue de l’action de la morale sur le physique. Afirma o já citado Bramwell que Liébeault vendeu exatamente um exemplar daquela sua obra. E, não obstante, muitos historiadores conferem a Liébeault a paternidade do hipnotismo científico. Conforme se infere do próprio título de sua obra principal, Liébeault ressaltava a influência do psíquico sobre o físico. Acontece que o psíquico ainda era uma coisa misteriosa: a alma humana praticamente inexplorada e as conjeturas quese faziam em torno de sua estrutura e dinâmica, baseadas ainda em provas empíricas. Entrementes, Liébeault estava no caminho certo, podia progredir modesta e tranquilamente, sem ser muito molestado pelos colegas, mesmo por ser discreto, pobre e não aceitar dinheiro dos pacientes que tratava hipnoticamente. BERNHEIM Hyppolite Bernheim, um dos expoentes da medicina da França, homem de reputação inatacável, a princípio contrário ao hipnotismo, resolveu, em 1821, visitar Liébeault em Nancy, presumivelmente para desmascará-lo como charlatão. Bernheim tratara durante seis meses um caso de ciática e fracassara. O caso foi posteriormente curado por Liébeault. O eminente clínico, que vinha com propósitos hostis, e como céticos, logo se convenceu da autenticidade do fenômeno e tornou-se amigo e discípulo do modesto médico rural. O prestígio de Bernheim muito contribuiu para que o mundo científico acolhesse o hipnotismo ao menos como “uma tentativa em marcha”. Bernheim, o criador da “escola mental”, insistiu no caráter subjetivo, ou seja, essencialmente psicológico, da hipnose. Em sua obra De la Suggestion, publicada em 1884, Bernheim insiste na necessidade de estudar a técnica sugestiva e as características da sugestibilidade. Seu método de indução, que é rigorosamente científico, ainda serve de base a todos os métodos modernos e é o que oferece as maiores possibilidades de êxito. Bernheim foi o primeiro a vislumbrar na hipnose um estado psicológico normal. O primeiro a lançar a compreensão desse fenômeno em bases mais amplas, mostrando que a sugestibilidade não era propriedade específica dos doentes, pois não se limitava aos indivíduos histéricos, conforme se proclamava na “Salpetrière”. Todos nós somos sugestionáveis, uns mais outros menos. “Todos somos alucináveis ou alucinados, hallucinables ouhallucinés… Com efeito, todos somos indivíduos potencial e efetivamente alucinados durante a maior parte de nossas vidas”… Todos temos a nossa propensão inata à crença, nossa crédibilité naturelle. São conceitos moderníssimos. Mostram a visão ampla e profunda de um autêntico cientista a transcender os limites convencionais da ciência de sua época. CHARCOT Simultaneamente com a escola de Nancy, representada por Liébeault e Bernheim, funcionava em caráter independente outra em Paris, no hospital da “Salpetrière”, que se intitulava a escola do “grandhipnotisme ”, chefiada por um neurologista de grande prestígio, o prof. Jean Martin Charcot. Charcot, que só lidava com histéricos e histero-epilépticos, e cujas experiências hipnóticas se limitavam a três pacientes femininos, estabeleceu a premissa, segundo a qual somente os histéricos podiam ser hipnotizados, não passando o estado de hipnose de um estado de histeria. Respectivamente com essa premissa, formulou sua teoria dos três estágios hipnóticos: a letargia, a catalepsia e o sonambulismo. O primeiro estágio, que se podia produzir fechando simplesmente os olhos do “sujeito”, caracterizava- se pela mudez e pela surdez; o segundo estágio, os olhos já abertos, era marcado por um misto de rigidez e flexibilidade dos membros, estes permanecendo na posição em que o hipnotista os largasse. O terceiro estágio, o sonambulismo, se produziria fricionando energicamente a parte superior da cabeça do “sujeito”. Por sua vez a escola da “Salpetrière” procurou reabilitar a ação magnética. Charcot tentou convencer os discípulos que, aplicando um imã em determinado membro, este se paralisava. Seria de estranhar que, um homem daquela reputação e responsabilidade científicas, tivesse ideias tão retrógradas e mesmo ridículas. Bernheim apontou a Charcot os erros, mostrando-lhe que as características por ele consideradas como critério de hipnose podiam ser provocadas artificialmente por mera sugestão. Nasceu daí a histórica controvérsia entre as duas escolas, a da “Salpetrière” e a de Nancy. Recorrendo a um delicado eufemismo, os dirigentes desta última, classificaram o hipnotismo daquela de “hipnotismo cultivado”, cujo valor em relação ao hipnotismo de verdade se comparava ao da pérola cultivada em confronto com a pérola natural. 15 Charcot tinha ainda uma teoria metálica relacionada ao hipnotismo. Segundo essa teoria, a cura de certas doenças dependia tão somente do uso correto dos metais. Conta-se a propósito dessa metaloterapia — lembrada unicamente a título de curiosidade histórica — um episódio pitoresco: Um grupo de alunos de procedência estrangeira estava discutindo sobre a diversidade dos sintomas nervosos dentre os diversos povos, enquanto percorriam em companhia do mestre as diversas dependências da “Salpetrière”. Charcot aproveitou o ensejo para provar aos forasteiros a universalidade do fenômeno anestésico. Iria mostrar que a perda da sensibilidade de uma determinada parte do corpo era rigorosamente a mesma em todos os quadrantes da terra. Todavia, ao espetar a agulha no braço de um paciente, este gritou. A reação inesperada causou um misto de desilusão e de hilaridade entre os discípulos. O mestre, no entanto, não tardou em desvendar-lhes o mistério. No local mesmo teria sido informado de que, durante a sua ausência, um dos seus assistentes, o Dr. Burcq, colocara uma placa de ouro no braço do doente. E foi em virtude disso que o enfermo recuperou a sensibilidade… Essa experiência teria convencido Charcot, de uma vez por todas, da veracidade de sua metaloterapia. As ciências também sofrem os seus golpes de retorno, e esses são tanto mais danosos quando se revertem de uma roupagem pseudocientífica e quando alcançam os gumes da consagração acadêmica. Charcot representa um retrocesso às teorias fluídicas de Mesmer. E a expressão “retroceder a Charcot” está sendo injusta e maliciosamente usada pelos que procuram desmerecer o hipnotismo contemporâneo. Entretanto, o hipnotismo ia ganhando terreno, espalhando-se pela Europa e pelos Estados Unidos. Conquanto na imaginação popular o hipnotismo ainda continuasse sendo uma força que não era em deste mundo e o hipnotista uma espécie de diabo disfarçado em curandeiro ou homem de ciência, eminentes cientistas se incumbiam de sua difusão. Homens como Krafft-Ebing e Breuer na Áustria, Forell na Suíça, Watterstrand na Suécia, Lloyd Tuckey e Bramwell na Inglaterra, Heidenhain na Alemanha, Felkin na Escócia, Pavlov na Rússia, McDougall e Phineas Puimby nos Estados Unidos, a prestigiar a ciência e dar-lhe impulso científico-terapêutico. E não apenas o hipnotismo médico, senão também o hipnotismo recreativo, proporcionava às plateias daqueles tempos soberbos espetáculos. Grandes hipnotizadores de palco como Donato e Hansen arrebatavam as multidões com suas demonstrações públicas. FREUD E, no entanto, ocorreu um cochilo, um período de esquecimento de trinta e mais anos no mundo das atividades hipnóticas. Como responsável por esse eclipse os historiadores apontam a popularidade da psicanálise e a pessoa de seu fundador, Sigmund Freud, que rejeitou o hipnotismo em seu método terapêutico. Acontece que o homem destinado a assestar ao hipnotismo semelhante golpe se tornou posteriormente responsável pela sua ressurreição. Já se disse que a volta triunfal do hipnotismo em bases psicológicas modernas é largamente devida à psicanálise. Quanto às suas técnicas modernas, são uma consequência direta da orientação e penetração psicanalíticas. Fazendo nossas as palavras de Zilboorg, ninguém duvida atualmente de que a influência e os efeitos do magnetizador ou hipnotizador se fundam essencialmente, senão exclusivamente, nas profundas reações inconscientes do “sujeito”. E o conceito do inconsciente ainda era desconhecido na época de Braid e coube a este formular de uma maneira puramente descritiva o que sentia intuitivamente. Em outro capítulo tornaremos a falar na contribuição da psicanálise à moderna hipnoterapia, e na figura de Freud como personagem na história do hipnotismo. DAVE ELMAN Apesar de Dave Elman (1900–1967) ser conhecido primeiramente como um notório locutor de rádio,comediante e compositor musical, ele também ficou famoso no campo da Hipnose. Ele lecionou vários cursos para médicos e escreveu, em 1964, o livro: “Findings in Hypnosis” (Descobertas na Hipnose)[6], que depois foi denominado “Hypnotherapy” (Hipnoterapia)[7]. Provavelmente, um dos aspectos mais importantes do legado de Dave Elman foi o seu método de indução, que originalmente foi construído para realizar a hipnose de um modo rápido e depois adaptada para o uso de profissionais médicos; os seus discípulos rotineiramente obtinham estados hipnóticos adequados para procedimentos médicos ou cirúrgicos em menos de três minutos. Seu livro e suas gravações deixaram muito mais que somente sua técnica de indução rápida. A primeira cirurgia cardíaca de tórax aberto utilizando somente hipnose no lugar de uma anestesia (por causa de vários problemas severos do paciente) foi conduzida por seus estudantes, tendo Dave Elman como orientador na sala de cirurgia. 16 MILTON ERICKSON Milton Erickson (1901-1980), psiquiatra norte-americano, especializado em terapia familiar e hipnose. Fundou a American Society of Clinical Hypnosis e foi um dos hipnoterapeutas mais influentes no pós-guerra. Ele publicou vários livros e artigos científicos na área. Durante a década de 1960, Erickson popularizou um novo tipo de hipnoterapia, conhecida como hipnose ericksoniana, caracterizada principalmente por sugestão indireta, “metáforas” (na realidade, analogias), técnicas de confusão, e duplo vínculos no lugar de uma indução hipnótica clássica. Enquanto a hipnose clássica é direta e autoritária, e muitas vezes encontra resistência do paciente, a forma que Erickson apresentou é permissiva e indireta.[10] Por exemplo, se na hipnose clássica é utilizado na indução “Você está entrando agora em um transe hipnótico”, na hipnose ericksoniana a indução seria utilizada na forma “você pode aprender confortavelmente como entrar em um transe hipnótico”. Desta forma, dá a oportunidade ao paciente a aceitar as sugestões com as quais se sentirão mais confortáveis, no seu próprio ritmo, e com consciência dos benefícios. A pessoa a ser hipnotizada sabe que não está sendo coagida, tomando para si a responsabilidade e a participação na sua própria transformação. Como a indução se dá durante uma conversa normal, a hipnose ericksoniana também é chamada de hipnose conversacional. Erickson insistia que não era possível instruir conscientemente a mente inconsciente, e que sugestões autoritárias seriam muito mais prováveis de obter resistência. A mente inconsciente responderia a aberturas, oportunidades, metáforas, símbolos e contradições. A sugestão hipnótica eficaz, então, seria “artisticamente vaga”, deixando a oportunidade para que o hipnotizado possa preencher as lacunas com seu próprio entendimento inconsciente - mesmo que eles não percebam conscientemente o que está acontecendo. Um hipnoterapeuta habilidoso constrói essas lacunas nos significados de modo que melhor se adequa para cada indivíduo - de uma forma que tem a maior probabilidade de produzir o estado de mudança desejado. Por exemplo, a frase autoritária “você vai deixar de fumar” teria uma menor probabilidade de atingir o inconsciente que “você pode se tornar um não-fumante”. A primeira é um comando direto, para ser obedecido ou ignorado (e observe que ela chama a atenção para o ato de fumar), a segunda é um convite aberto para uma mudança permanente e possível, sem pressão, e que é menos provável de encontrar resistência. Richard Bandler e John Grinder identificaram esse tipo de linguagem “artisticamente vaga” como uma característica do seu ‘Milton Model’, como uma tentativa sistemática de codificar os padrões de linguagem de Erickson. “Eu digo isso não porque este livro é sobre minhas técnicas hipnóticas, mas porque já passa da hora de entender que a necessidade de reconhecer que uma comunicação com sentido pleno necessita substituir verborréias repetitivas, sugestões diretas e comandos autoritários” - Milton Erickson. GERALD KAIN Fundador da Omni Hypnosis Training Center em Deland, Florida, treinou diversos hipnoterapeutas e hipnotistas em mais de 80 países. Quando tinha 13 anos de idade, pediu a Dave Elman que o ensinasse hipnose, o qual se negou mas autorizou que Jerry gravasse suas demonstrações e apresentações da técnica. O QUE É HIPNOSE? CAPÍTULO 2 O termo “hipnose” (gregohipnos = sono + latimosis = ação ou processo) foi criado pelo médico e pesquisador James Braid (1795-1860), o qual acreditava tratar-se de uma espécie de sono induzido (Hipnos é o nome do Deus do sono). O nome acaba sendo equivocado, pois a pessoa não dorme quando está hipnotizada, mas como esse termo se consagrou, acabou permanecendo até hoje. Hipnose basicamente é foco, concentração e imaginação. Muitos profissionais definem a hipnose como um estado alterado de consciência, no qual podemos inserir uma sugestão de uma forma que fique muito mais potencializada do que em um estado normal. A verdade é que, à medida que os estudos vão evoluindo, percebemos que essa definição 17 acaba ficando bastante limitada. Se tomarmos como base o “transe hipnótico”, no qual seria esse “estado alterado de consciência”, estar em transe é uma percepção muito pessoal e subjetiva, então por mais que tenham caracteristicas "comuns", não podemos basear a qualidade da recepção de sugestões nesse molde. Com base nisso, existe a teoria do estado e a teoria do não estado. É muito importante de se entender que não existe a necessidade de um estado de transe “formal” para que a pessoa seja receptiva a sugestões. O mais importante para que a hipnose aconteca é o engajamento do sujeito. Vamos pensar em uma pessoa que está com as mãos coladas. Quando colamos as mãos de alguém, podemos até argumentar que existe a fisiologia envolvida, aumentando a capacidade do processo. Quando passamos essa cola para os pés, não existe fisiologia envolvida, e já passa a ser uma sugestão hipnótica. A pessoa não estava de olhos fechados ou não passou por uma indução, mas já está respondendo aos comandos. Nossa mente funciona por automatizações de processos cognitivos. Quando estamos aprendendo a dirigir, temos que lembrar de pisar na embreagem, dar seta, ligar o farol, pisar no freio, pisar no acelerador. Isso seria o que chamamos de processamento analógico/racional lento (temos que racionalizar bastante o que estamos fazendo). Chega um ponto, que repetimos tanto isso que nossa mente entende que esse processo precisa ser automatizado, para poder dirigir a atenção da mente consciente para outras coisas. Com isso, passamos a dirigir e muitas vezes nem lembramos o caminho que fizemos, trocamos a marcha, fazemos todo o processo de forma automática. Não atropelamos ninguém, não passamos no sinal vermelho e respeitamos radares, e, ainda sim, o comportamento muitas vezes está automatizado. Isso é o que chamamos de processamento automatizado/rápido, e acontece de maneira inconsciente. Isso explica muito bem como nossa mente funciona aos fenômenos hipnóticos. Quando estamos passando por uma sugestão, e nos concentramos em utilizar nossa imaginação no processo, nossa mente tem muita dificuldade em conseguir ter muitas ações complexas ao mesmo tempo de forma consciente. O que acontece quando colamos as mãos, é que nossa mente automatiza o processo mais fácil, que seria o de apertar as mãos as prendendo, pois é algo físico que envolve muito menos energia do que controlar a imaginação no processo. Essa automatização faz a gente ter aquela sensação de que a gente não tem o controle daquele comportamento. Mas na verdade, a gente tem, mas é como se ligássemos o piloto automático. Como quando estamos dirigindo, não percebemos o tempo passar, mas se aparecer uma blitz a nossa atenção volta aquele momento. Importante entender que nossa mente não sabe diferenciar o que é realidade do que é imaginação. Exemplo disso é quando nos sentimos ansiosos por conta de nossa mente imaginar coisas que podemvir a acontecer (e dar errado). Nosso corpo começa a sentir o reflexo dessa ansiedade, suor, tremores. Muitas vezes, tudo aquilo que imaginamos que possa acontecer nem acontece, então o sofrimento acaba acontecendo somente por conta de ter imaginado aquilo acontecendo. Nossa mente e corpo são totalmente conectados. Considerando a teoria do estado, pode sim existir uma alteração do estado de consciência. Nesse caso, a hipnose trabalha rebaixando a faculdade critica (é “o guarda” da sua mente subconsciente, aquele que diz o que é real do que não é), por conta disso é uma maneira de se reprogramar a mente, de modo a funcionar através do sistema nervoso autônomo ao invés de funcionar pelo sistema nervoso simpático, como geralmente acontece. O que na verdade acontece com o rebaixamento da faculdade crítica seria ocupar nosso pensamento lento com algo que não está sendo trabalhado na hipnose, e, com essa sobrecarga do pensamento lento, acaba ocorrendo mais automatizações de processos cognitivos. Quando recebemos, de olhos fechados, uma sugestão de esquecer o nome por exemplo, a imaginação consegue automatizar esse processo, fazendo o fenômeno acontecer. Quando o pensamento lento volta e questiona aquela realidade, aquela sugestão passa a não funcionar, pois a pessoa na realidade sabe o próprio nome. De acordo com a National Guide of Hypnotists, a mais antiga organização de hipnose do mundo, “É a ultrapassagem do fator crítico da mente consciente e o estabelecimento de um pensamento aceitável seletivo.”(definição por Dave Elman). Diferente do que muitos acham, a hipnose não é nada místico, é uma ciência que se baseia em entender em como nossa mente funciona. UTILIDADES DA HIPNOSE A hipnose pode ser usada para fins de entretenimento, na conhecida hipnose de rua (street hypnosis), no qual hipnotistas 18 demonstram o poder da ferramenta de maneira gratuita em ruas, fazendo diversas brincadeiras (colar as mãos, falar outra língua, fazer a pessoa rir, ter amnésia, trocar o nome, ter alucinações). Esse mesmo estilo de hipnose é utilizado em palco, com apresentações de hipnose de palco para shows cômicos. Outra modalidade importante da hipnose é a hipnoterapia, no qual o objetivo é resolver um problema do paciente. Como trabalha diretamente no subconsciente, os resultados são muito rápidos e a mudança na vida do sujeito é realmente significativa e definitiva. COUMPOUDING, HOMOAÇÃO E HETEROAÇÃO Quando estudamos o Loop Hipnótico de James Tripp, entendemos que o fenômeno hipnótico se acentua na repetição e na sequência de sugestões. Existem duas estratégias complementares que podem e devem ser seguidas para que esse fortalecimento de sugestões funcione: a homoação e a heteroação. Essas teorias foram estabelecidas pelo hipnólogo francês André Muller Weitzenhoffer e são importantes para se entender melhor como nossa mente funciona e como as sugestões são aceitas. Homoação parte de um pressuposto de que se uma sugestão já foi aceita, outra sugestão muito similar àquela (ou até mesmo idêntica) funcionará mais facilmente, pois o sujeito já entendeu como sua mente deve se portar para que aquela sugestão seja aceita. A repetição de sugestões de um mesmo tipo permite que essas sugestões sejam cada vez melhor aceitas pelo sujeito hipnotizado, e nós como hipnotistas devemos fazer uso disso para aumentar o engajamento da pessoa com a hipnose. Heteroação parte da ideia de que para cada sugestão simples aceita, é possível que uma sugestão mais complexa seja aceita com mais facilidade, porque a pessoa consegue entender melhor sobre o que deve ser feito para que o fenômeno sugerido aconteça. Isso acontece pois o sujeito se acostuma a seguir as instruções, quanto mais sugestões forem aceitas, mais facilmente ele aceitará a próxima. Com isso, as próprias metáforas de indução servem como fortalecedoras de um fenômeno mais complexo a ser sugerido. O fenômeno do coumpounding, já descrito por hipnotistas do começo do século passado, mostra que o esforço repetitivo de uma mesma sugestão aumenta a sua intensidade. Quando damos sugestões durante o processo da hipnose, a repetição dessas sugestões permite que o sujeito tenha ainda mais confiança no processo, e isso faz com que elas tenham mais efeito. HIPNOSE CLÁSSICA X HIPNOSE ERICKSONIANA Dave Elman é conhecido como o pai da hipnose médica. Na Hipnose Clássica, existe a ideia central de que a mente atende as sugestões diretas, em tom de comando. O que mais pode atrapalhar a hipnose clássica é a pessoa hipnotizada ter a sensação de estar fora do controle, e buscar assim resistir as sugestões. A Hipnose Ericksoniana de Milton Erickson busca através da imaginação do sujeito, de uma forma mais permissiva, trazer as sugestões de forma indireta para o hipnotizado, principalmente através de metáforas. Para compreender melhor, veja uma sugestão de amnésia de nome construída em cada uma das formas. Hipnose Clássica: "Agora, você vai perceber que seu nome some ao estalar de dedos." Hipnose Ericksoniana: "Imagine uma lousa... isso... agora, imagine que você está escrevendo seu nome nessa lousa, letra por letra. Assim que terminar, pegue o apagador e apague esse nome, perceba que a medida que você vai apagando, as letras vão sumindo, e esse nome vai sumindo completamente." A grande verdade é que o ideal é mesclar ambas as técnicas, fazendo seus resultados serem cada vez melhores. FUNCIONAMENTO DA MENTE (POR GERALD KEIN) Esse modelo de mente, criado por Gerald Kein, é metáfórico, mas ajuda muito para conseguir explicar para a pessoa que você vai hipnotizar ou seu paciente como a hipnose pode ajuda-la. Para compreender melhor esse modelo, 19 trabalhamos com a mente consciente, subconsciente e inconsciente. Mente consciente: é responsável por armazenar a memória de curto prazo, raciocínio, pensamento analítico, trabalha enquanto o individuo está ciente. Ela é responsável por tomar diversas decisões no nosso dia a dia (abro a janela? Desligo o chuveiro?). Outro ponto importante da mente consciente é que ela busca dar desculpas para algumas ações que tomamos e a que se arrepende de outras. É nela que se encontra nossa força de vontade, que é algo que não tem duração muito longa. Quantas pessoas na virada de ano prometeram que iriam iniciar uma dieta e iriam na academia e a “força de vontade” durou apenas poucos dias? Mente subconsciente: nela se encontram nossos hábitos, emoções, fobias, memória permanente e autopreservação. Ela opera como se fosse um computador, é programada desde o dia em que nascemos (ou antes), refletindo nossa história de vida, como reagimos frente a determinadas situações, como a influência de outros tem efeito em nós, como sentimos as coisas, sendo constantemente influenciados pelo meio em que estamos. A mente subconsciente nos protege de perigos reais ou imaginários, mas ela não consegue notar a diferença. Ela nos protege de problemas conhecidos, enquanto nossa mente consciente nos protege apenas dos problemas percebidos. Com a hipnose, conseguimos acessar esse estado e fazer toda uma reprogramação. Mente inconsciente: basicamente é o nosso sistema autônomo e o sistema imunológico. SINTOMATOLOGIA DO TRANSE A percepção do que é "transe hipnótico" é muito particular e diferente para cada sujeito. A verdade é que não existe necessidade de um "transe hipnótico" para mudança, mas sim de engajamento do sujeito. Existem algumas coisas possíveis de se observar no corpo de muitas pessoas hipnotizadas que podem ser um termômetro para verificar a percepção da pessoa quanto ao transe hipnótico. Dentre os sintomas, estão: movimento trêmulo das pálpebras, aumento da lacrimação, vermelhidão nos olhos, aumento da temperatura corporal, geralmente nas extremidades do corpo, tendência dos olhos girarem para cima, aumento do batimento cardíaco, ausência de motricidade, engrossamento da veia jugular, aumento da temperatura na face e tórax, sudorese nas mãos, hiperestesia, analgesia e anestesia.Não se prenda a isso para definir se uma pessoa está ou não hipnotizada, como citado, a percepção do "transe" é muito individual e metafórico. NÍVEIS DE TRANSE Algo importante a ser explicado é que o "transe hipnótico" não deixa de ser uma metáfora. A percepção de "transe" para cada sujeito pode ser muito diferente. Uma pessoa pode sentir os olhos tremendo, outra o relaxamento muscular. É muito subjetivo o que é "transe", e a parte mais importante no processo hipnótico é a expectativa gerada pelo cliente que será hipnotizado, e não se ele possui sintoma x ou y. Existem diversas escalas de hipnose, segue abaixo uma das mais utilizadas. Vale reforçar que não é necessário 20 “transe hipnótico” para se conseguir mudanças ou respostas a sugestões. Leve a médio: conhecido também como hipnoidal, nesse estado é possível se obter relaxamento físico e analgesia através de sugestões. Permite que o sujeito aceite mais sugestões do que no estado de vigília, mas se comparado ao estado de transe profundo ainda é menos suscetível a sugestões. Profundo (sonambúlico): é o estado mais buscado na hipnose, pois existe uma comunicação direta com o subconsciente. Nesse estado o sujeito consegue alcançar relaxamento mental, amnésia, anestesia, regressão e qualquer tipo de alucinação. Coma Hipnótico (Estado Esdaile): esse estado foi descoberto por James Isdaile e ensinado depois por Dave Elman. O que acontece é uma anestesia geral no corpo, sem nenhuma sugestão. É um nível de transe no qual é possível até se fazer cirurgias. Por ser um estado de transe muito bom, o sujeito não se importa tanto com as sugestões do hipnotista, muitas vezes tendo que ser feita uma negociação para que a pessoa desperte do transe. LOOP HIPNÓTICO O Loop hipnótico é um dos pontos mais importantes da hipnose, criado pelo hipnotista James Trip, consiste em uma série de acontecimentos que leva a pessoa a acreditar que está em um "transe hipnótico". Confira a figura: Nossa fisiologia trabalha para percebermos algo externo. Esses estímulos gerados pela fisiologia são processados, e geram uma experiência. Com base nisso, nosso cérebro trabalha com base em lembranças, experiências passadas, prevendo possibilidades no futuro, avaliando e julgando tudo como um processo imaginativo. A imaginação potencializa essa experiência, pois tudo que você busca o cérebro traz alguma coisa, e com isso, a crença de que tudo está acontecendo aumenta. A pessoa pode entrar nesse loop por qualquer caminho, tudo alimentado na expectativa de que algo incrível está para acontecer. Quanto mais alimentado esse loop, melhor resposta o sujeito terá para as sugestões. O importante é a pessoa sempre ter aquele frio na barriga de imaginar o que está para acontecer, por isso usamos tantas contagens e frases criadas de maneira a deixar a expectativa cada vez maior. A homoação e heteroação acontecem o tempo todo. Entender o loop hipnótico vai facilitar muito para entender como o processo hipnótico funciona. Essa é à base da hipnose. ÉTICA No Brasil, a legislação não restringe o uso da hipnose apenas a médicos ou psicólogos. Qualquer profissional que aprenda as técnicas de hipnose pode usar em sua área de atuação. No caso da hipnose de rua, devemos sempre ter em mente a ideia de passar para a pessoa a melhor experiência possível, primeiro porque provavelmente a pessoa que está sendo hipnotizada está tendo seu primeiro contato com hipnose, então se você fazer com que ela passe por uma pessoa inesquecível, a hipnose será divulgada de maneira positiva e assim ela vai divulgar para outras pessoas e pode até mesmo abrir a mente para ser tratada com hipnoterapia. Veja algumas recomendações: • Não faça regressões na rua e sem contexto para isso; • Não use agulhas, ou faça ponte humana (fazer a pessoa ter uma catalepsia, ou seja, ficar com o corpo rígido, posicionando duas cadeiras, uma no pescoço outra nos pés, e fazendo outras subirem em cima) na rua, isso não é “Com grandes poderes vem grandes responsabilidades.” (Tio Ben) 21 Rapport é uma palavra de origem francesa que significa empatia, é o vinculo que você cria com as pessoas. Antes de começar a hipnose, existem algumas coisas bem básicas a serem seguidas. Fique atento para a roupa que você está usando, ela pode te ajudar a passar mais credibilidade. Não é necessário terno e gravata, mas pense num médico, você confiaria em um usando sandália e shorts? A vestimenta irá te ajudar a passar autoridade. Outro ponto importante é a higiene. Com a hipnose, os sentidos ficarão mais aguçados, por conta disso, mantenha um bom hálito e um cheiro agradável, para assim passar uma experiência boa para pessoa. Quando estiver conversando com o sujeito, fique atento para sua dicção, fale pausadamente e da maneira mais clara e compreensível. Você deve passar autoridade para pessoa que está sendo hipnotizada, deve mostrar uma postura de que você sabe do que está falando e ela pode sim confiar em você. Toda sua postura corporal e a maneira de falar irá indicar isso. Uma ótima técnica de rapport é o chamado espelhamento. Com essa técnica, o hipnotista imita alguns elementos da linguagem corporal da outra (postura, gestos, expressões faciais, respiração), mas de maneira muito cuidadosa para não parecer forçado. Sempre chame a pessoa pelo nome, isso demonstra que você se importa com ela e a faz sentir-se importante. Fique atento se a pessoa está com sede ou com alguma outra necessidade, mostre que você se importa com ela. Enquanto estiver conversando com a pessoa, procure manter um contato olhando diretamente nos olhos dela, mas sem exageros para ela não se sentir acuada. No diálogo, procure reforçar pontos chaves da frase, isso é conhecido como Pacing Descritivo, você reforça os pontos e faz a pessoa ter a sensação de que você realmente está prestando atenção no que ela está falando. Outra dica é levantar as sobrancelhas quando for cumprimenta-la, isso faz a pessoa sentir que te conhece faz tempo. Sempre diga “muito bem”, “isso”, ratificando sempre que ela está no caminho certo. Outro ponto importante é o conhecido Yes Set. De pequenos comandos, como “mova-se para o lado”, pergunte coisas óbvias como “Seu nome é Claudia?”. Com isso, você acostuma a pessoa a dizer “sim” e consegue saber o quão engajada no processo ela estará. Em resumo: “Como seria sentir-se confortável e seguro com alguém, mesmo esse alguém discordando de você? Por que gostamos instantaneamente de algumas pessoas quando as conhecemos – enquanto que de outras, levamos RAPPORT CAPÍTULO 3 agradável para quem está sedo hipnotizado, além e existirem formas muito mais bacanas de se mostrar a ferramenta; • Lembre-se que você é o responsável pela pessoa que está hipnotizando. Sempre preze por sua segurança dando comandos de estabilidade, e acompanhe mesmo depois do término do processo se ela está com dores de cabeça ou se está sentindo alguma coisa desagradável; • Evite toques não necessários no hipnotizado, muitas pessoas não gostam e não se sentem bem ao serem tocados. Sempre que for fazer algum tipo de toque, avise com antecedência e pergunte para a pessoa se não terá problema; • Faça sempre o hipnotizado se lembrar de tudo após a hipnose; • Escolha bem a sua indução, veja se a pessoa não possui problemas nos ombros ou braços, caso vá usar uma indução de choque. Embora quando falamos de hipnose no pre talk, falamos que a pessoa não vai fazer o que ela não queira isso em parte não é verdade. Com a hipnose, podemos alterar a realidade da pessoa. Por exemplo, imagine que você esta no topo de um prédio com o hipnotizado e pede para ele pular. A mente dele sabe que aquilo vai prejudica-lo e isso impede de que ele faça isso. Agora pense da seguinte forma: você faz a pessoa sentir que o dia está quente, e a faz alucinar que na frente dela existe uma piscina e ela pode pular. Com base nisso, com a realidade alterada, a pessoa poderia sim pular. A hipnose é uma ferramenta sensacional e deve serusado com máximo de ética. Se o seu objetivo não for fazer o bem, pare de ler por aqui. 22 PRE TALK CAPÍTULO 4 Vamos imaginar a seguinte situação, você vai fazer uma cirurgia médica, o médico não teme explica o procedimento que será feito, ignora te mostrar os benefícios que você terá após a cirurgia, mas diz que terá que te operar. O que você faz? Você vai sentir-se seguro em deixar esse médico te operar? Provavelmente a resposta é não, correto? Quando lidamos com assuntos que envolvem nossa saúde geralmente queremos saber em detalhes o que está acontecendo, pois não temos os conhecimentos técnicos necessários para entender o que o médico vai fazer (envolvendo nosso corpo), então nada mais justo do que entender esse procedimento antes dele ser feito. Bom, mas ai você me pergunta, o que isso tem a ver com a hipnose? Basicamente tudo. São poucas as pessoas que tem realmente o conhecimento do que se trata a hipnose, e o medo por trás dessa ferramenta ainda predomina em grande parte pela falta de informação ou pelo que as pessoas já viram na televisão (pessoas comendo cebola, imitar galinhas, etc) ou em outros lugares, muitas vezes mostrado como algo “místico”, sobrenatural. E O QUE É PRE TALK? Para a pessoa realmente conseguir ser hipnotizada, ela precisa sentir segurança em você e precisa ver que você domina e entende sobre o assunto. O Pre Talk é uma conversa prévia que você terá com ela para explicar o que realmente é a hipnose, os seus benefícios, tirar seus medos e mostrar como é uma ferramenta que realmente pode mudar vidas. Como mencionado acima, é importante que você tenha pleno domínio sobre o assunto para que se sinta confiante e apto para responder quaisquer dúvidas que a pessoa tenha. O Pre talk ajuda a criar a expectativa do que estará para acontecer, potencializando o loop hipnótico. COMO FAZER UM BOM PRE TALK? Quando for se apresentar para a pessoa, jamais mencione que você aprendeu hipnose a pouco tempo ou que possui pouca experiência. Lembre-se que para a hipnose acontecer a pessoa precisa sentir confiança em você, e, para isso, ela deve sentir que você domina e possui sim experiência no assunto. Você deixaria um médico que acabou a aprender a operar fazer uma cirurgia de coração em você? Está ai sua resposta. Mantenha a sua capa do mago. muito mais tempo? Por que quando falamos com algumas pessoas durante horas, parece que se passaram minutos?” O que você me responderia? Qual é o segredo?”. O segredo é ter um bom rapport. O MAPA NÃO É TERRITÓRIO Nossa atenção é limitada. Já imaginou se não filtrássemos as informações que chegam até nós e analisássemos tudo que nossos sentidos captam? O que aconteceria é que nossa mente teria que processar muito mais informações do que realmente precisamos. Nossa mente subconsciente capta coisas que o consciente deixa passar. Quando nós buscamos essas informações, essa análise fica restrita ao que chamamos de crenças limitantes ou limitadoras. Nosso julgamento se limita aquilo que desde pequenos construímos e moldamos conforme o que faz sentido para nós mesmos, isso não quer dizer que estamos certos ou errados, apenas limitados. Interesses, crenças e percepções limitam a visão do mundo e do que são as pessoas, tornando-as previsíveis. A diferença está na verdade nos filtros que nós aplicamos sobre o mundo. Eles são necessários por serem mapas dos nossos pensamentos e experiências que estão um nível abaixo da realidade. Dentro da hipnose, quanto menos filtro tiver, melhor vamos perceber os sujeitos que estão ao nosso redor e o que eles nos mostram. Os mapas sempre serão diferentes dos nossos, mas devemos adaptar nossos mapas aos dele, para percebermos o mundo da mesma forma, fazendo assim a comunicação e o entendimento ficarem muito mais fáceis de serem estabelecidos. 23 Primeiramente, busque entender o que a pessoa já sabe sobre hipnose. Em alguns casos, ela pode já conhecer a ferramenta e você pode cortar boa parte da conversa. No caso de hipnose de rua, geralmente as pessoas desconhecem do assunto. É importante falar que você não precisa dar uma palestra sobre hipnose. Vamos supor que você encontre uma pessoa que realmente não sabe nada sobre hipnose. Explique para ela que hipnose é foco e concentração, um estado natural da mente no qual todos vivemos isso diariamente, várias vezes ao dia, seja quando estamos focados vendo um programa interessante de televisão, ou quando perdemos nossos óculos e eles sempre estiveram em nossa cabeça, isso é um estado natural de transe. É importante explicar um pouco sobre o poder do subconsciente, no qual a pessoa consegue entrar em contato com seus recursos internos, podendo lembrar de coisas que usando somente a mente consciente ela não conseguiria. Nossa mente funciona como um grande HD, e nada vai embora, tudo está guardado nela. Quando entramos no estado hipnótico conseguimos ter acesso a essa vasta gama de informação, conseguindo acessar memórias reprimidas através das emoções. Dica chave: muitos hipnotistas mais novos tem muito receio das rotinas não funcionarem e passarem vergonha diante da pessoa que estão hipnotizando. Durante o Pre Talk, explique para pessoa que toda hipnose é uma auto-hipnose. O que isso significa? Que, para a hipnose acontecer, depende muito mais da própria pessoa do que do hipnotista. Nós funcionamos como se fossemos um gps para a pessoa, vamos dar o caminho para ela conseguir acessar esse estado de maneira mais fácil, mas tudo depende dela e da vontade dela de ser hipnotizada e realmente seguir os comandos que damos. Caso a pessoa não siga, a hipnose provavelmente não acontecerá e isso não é culpa do hipnotista. A pessoa pode também não estar num dia bom ou ter muita coisa na cabeça, o que dificulta sua concentração, ou seja, dificultando a hipnose. Uma vez que você, hipnotista, coloca isso na sua cabeça, você irá tirar um peso enorme das suas costas e conseguirá fazer sua hipnose com muito mais tranquilidade e segurança. Reforce o fato de que o hipnotista não possui controle sobre a pessoa hipnotizada, que ela não vai fazer nada que não queira, pois sua mente a protege (isso pode ser “driblado” de algumas maneiras, como já foi citado no tópico da "ética"). Explique para a pessoa que ela não dorme durante o transe, mas sim que a hipnose é um estado elevado de consciência e a pessoa se sentira ainda mais concentrada e capaz de ouvir tudo que será dito, pois ela estará consciente o tempo todo. Outra coisa importante é a pessoa entender que ela jamais ficará “presa no transe”. Explique pra ela novamente que esse é um estado natural e mesmo que você for embora e deixá-la sozinha, ela irá despertar em provavelmente uns 5 minutos e nada de anormal terá acontecido. Importante você, mesmo durante a hipnose de rua, explicar os benefícios da hipnose. Com a hipnose podemos tratar fobias, depressão, ansiedade, vícios... de uma maneira muito rápida, geralmente em até 5 sessões conseguimos resolver esses problemas. Com a auto-hipnose você também consegue melhorar diversos aspectos da sua vida, trabalhando seus objetivos diretamente na sua mente subconsciente e tendo resultados realmente efetivos. Finalize dizendo para a pessoa que irá buscar proporcionar para ela uma experiência inesquecível. Uma pessoa que teve uma experiência ruim durante a hipnose pode se bloquear e dificilmente será hipnotizada de novo. Queremos aqui que a pessoa viva uma experiência única e saia falando realmente bem de você e de ferramenta. Se durante um street você, hipnoterapeuta, fez as brincadeiras e a experiência da pessoa foi realmente diferenciada, existem boas chances de você conseguir pacientes ali (você ficaria surpreso em quantas pessoas são realmente convertidas em pacientes durante a hipnose de rua). Encerre seu Pre Talk fazendo o acordo hipnótico. Para a hipnose acontecer duas coisas são fundamentais. A primeira delas, a pessoa deve querer ser hipnotizada. Se ela estiver vindo te desafiar, nada vai acontecer.A vontade dela deve ser realmente de ser hipnotizada, e ela deve se permitir a viver a experiência. A segunda coisa é que ela deve seguir os seus comandos. Se ela não fizer o que você pedir, de nada adianta o processo. MITOS E VERDADES COM RELAÇÃO À HIPNOSE O hipnotista controla o hipnotizado? Não, você não fará nada que não quer fazer, sua mente te protege. Se nós estivermos na beira de um prédio e eu pedir para você pular, você não irá, pois sabe que morreria fazendo isso e provavelmente despertaria do transe (como mencionado, é possível se alterar o contexto, mas não iremos abordar isso aqui). Você também não contará segredos nem a senha do banco. Nunca diga que a pessoa fará o que ela não quer fazer, pois isso irá criar um bloqueio que impedirá ela de ser hipnotizada. 24 A hipnose é prejudicial a saúde? Jamais. Se você é um bom profissional a hipnose só trará benefícios para quem está participando do processo. Claro que a ética é fundamental. A pessoa pode se tornar dependente da hipnose? Não. Você pode gostar do processo e o utilizar de maneira constante, mas não existe essa “dependência”. A pessoa pode ficar presa no transe? Não. Como explicado mais atrás, o transe é um estado natural e subjetivo, mesmo que você deixe a pessoa hipnotizada lá, eventualmente ela irá despertar, pois o estimulo acabou e o transe não estará sendo alimentado. Estar hipnotizado é estar dormindo? Não, o sono fisiológico é diferente da hipnose. Uma pessoa que está dormindo não está hipnotizada, pois o estado hipnótico é o oposto, ela estará muito mais atenta e alerta no transe. EXEMPLO DE PRE TALK “Bom dia/ boa tarde / boa noite fulano x (sempre chame a pessoa pelo nome, isso aumenta o rapport). Meu nome é ______ , sou hipnólogo (hipnotista, hipnoterapeuta) e estou aqui para demonstrar o poder dessa ferramenta sensacional. O que você sabe sobre hipnose? Bom, hipnose é foco, concentração e imaginação. É um estado natural da mente o qual nós vivemos várias vezes ao dia. Sabe quando você está vendo um filme, muito concentrado, uma pessoa te chama e você fica distraída e nem escuta? Ou quando você está dirigindo da sua casa para o trabalho ou vice e versa, e está distraída em seus pensamentos e, quando percebe, já até chegou ao local e parece que foi num curto espaço de tempo? Ou quando você perde a chave de casa, começa a procurar, mas ela esteve o tempo todo em suas mãos? Pois bem, esses são estados de transes comuns os quais vivemos em nosso dia a dia. A hipnose é muito usada em terapias, podendo tratar fobias, depressão, ansiedade, timidez, vícios, em poucas sessões com resultados realmente efetivos, pois ela trabalha diretamente no subconsciente da pessoa. Para você entender melhor, nesse momento estamos usando nossa mente consciente. Se eu pedir pra você olhar ao seu redor e lembrar- se de 10 objetos que você viu, você provavelmente terá dificuldade; Quando acessamos o seu subconsciente, temos acesso a todas as suas memorias, emoções, e você fica num estado onde sua concentração fica aguçada. Você estará ainda mais atento e desperto. Por isso que com a hipnoterapia conseguimos tratar diversas coisas, pois o subconsciente representa a maior parte da nossa mente. Com base nisso, você consegue buscar a causa dos problemas e dar um novo significado para eles, fazendo a sua percepção quanto a determinados eventos mudar, tendo assim resultados realmente efetivos. Você tem alguma duvida ou medo com relação à hipnose (tire as dúvidas se a pessoa perguntar, a partir desse momento você já tem todas as informações necessárias para tirar as dúvidas dela). Você não vai dormir, muito pelo contrário, você estará ainda mais atenta que o normal. Você não me contara segredos e não vai passar por nenhuma experiência vexatória. O que vou te proporcionar é exatamente o oposto, você vai conhecer o real poder da sua mente. Uma coisa importante que tenho que te explicar é que toda hipnose é uma auto-hipnose. Para a hipnose acontecer depende exclusivamente de você e da sua vontade de ser hipnotizada. Se você seguir o que eu falo e quiser ser hipnotizada, tudo dará certo. Bom está pronto para viver essa experiência fantástica? Para encerrar, quero fechar um acordo com você. Primeiramente, você quer ser hipnotizado? (pessoa confirma). ÓTIMO! Agora, a segunda coisa muito importante, você deve seguir sempre meus comandos, se eu pedir para você sentir, você busca sentir, se eu pedir para você imaginar, você busca imaginar. É como se fosse um gps, se ele fala para você virar a direita e você vira a esquerda, você não chegará no lugar certo. O mesmo vale para a hipnose. Vamos começar? Se depois de todo o Pre Talk a pessoa ainda falar que não quer ser hipnotizada, NÃO INSISTA. Ser hipnotizado é um privilégio, quem perde a oportunidade é ela. 25 PSEUDO HIPNOSE CAPÍTULO 5 Tendo como base que todas as pessoas são hipnotizáveis, algumas de maneira mais rápida e outras de maneira mais devagar, as pseudo hipnoses servem para que você consiga escolher os sujeitos mais suscetíveis de maneira mais rápida, mas assim não perder muito tempo em seu show. Elas servem também para inserir a pessoa dentro do loop hipnótico apresentado anteriormente. As técnicas de pseudo hipnose são fisiológicas, ou seja elas “enganam” a mente do sujeito e acabam se transformando em hipnose de verdade por inseri-los no loop hipnótico. Muitas vezes você vai perceber já na pseudo que o sujeito já está em transe, sem ao menos precisar de uma indução “formal”. Mesmo considerando que essas rotinas são “testes”, nunca use a palavra “teste”, pois teste implica em falha. Procure utilizar “ensaio”. Um exemplo de como abordar as pessoas para a pseudo: “Todos nós somos hipnotizáveis, algumas pessoas em poucos segundos, outras com mais tempo. As pessoas que conseguem ser hipnotizadas de maneira mais rápida são aquelas que possuem uma imaginação mais aguçada que as outras, em média 15% da população mundial. O que vamos fazer aqui é um ensaio para descobrir o nível de concentração e imaginação de vocês.” Quando você utiliza um contexto assim, a pessoa acaba querendo se comprometer mais pois ela quer fazer parte dessa parcela da população com imaginação mais ativa. Esse comprometimento e engajamento irão facilitar a ter resultados melhores. LIVROS E BALÕES Essa técnica consiste em você fazer com que uma mão da pessoa segure livros pesados, ficando assim mais pesada, enquanto que na outra são amarrados balões de gás hélio, deixando a mão leve e fazendo-a subir. Peça para as pessoas posicionarem a mão mais forte, com a palma virada para cima, e a mão mais fraca, fechada, com o polegar virado para cima. Isso pode ser feito tanto sentado quanto em pé. Depois, peça para as pessoas fecharem os olhos, e veja o roteiro a seguir. “Nós vamos trabalhar a sua imaginação agora! Você é destro ou canhoto (vamos supor que a pessoa seja destra)? Destra, ótimo. Estique seus dois braços, por favor. Perfeito. Agora quero que você coloque a palma da sua mão direita virada para cima. Ótimo! Agora feche, por favor, sua mão esquerda, e mantenha o polegar para cima. Isso! Pode fechar os olhos. Quero agora que você imagine que eu estou com uma pilha de livros MUITO PESADA nas mãos. Eu vou começar a pegar alguns, e vou coloca-los em cima da sua mão direita, e você vai perceber que começa a sentir o peso, a textura do livro, de olhos fechados consegue visualizar bem esses livros em cima da sua mão e eles começam a ficar cada vez mais pesados (toque a palma da mão fazendo pouca força para baixo, para aumentar a sensação de peso). Agora estou com vários balões de gás hélio, aqueles que sobem bastante, de festas infantis. Vou começar a amarrar vários em seu dedão da mão esquerda. Quanto mais balões eu amarro, mais você sente que sua mão começa a ser puxada para cima (finja que está amarrando nos dedos dele, isso aumenta a experiência). Muito bem! E você vai perceber que quanto mais eu falo com você, mais esses livros vão pesando,e mais leve fica a sua mão esquerda. Agora eu vou pegar mais alguns livros e vou colocar em sua mão, e vai ficar ainda mais pesado! Estou colocando mais balões também, e sua mão esquerda vai ficando cada vez mais leve! São livros bem grandes e pesados, tem mais de 400 páginas cada um, e vão pesando CADA VEZ MAIS. Vou pegar mais 30 balões e vou amarrar agora na sua mão e ela vai ficando CADA VEZ MAIS LEVE, você começa a sentir ela sendo puxada cada vez mais para cima! Isso!” Quanto mais descritivo você for, melhor a experiência, depois peça para a pessoa abrir os olhos e com certeza ela terá tido alguma resposta, ficando muito surpresa e sendo inserida nesse loop. 26 OLHOS COLADOS Com essa rotina, você irá colar os olhos do sujeito através de uma cola imaginária. Veja o roteiro a seguir para entender como fazer a rotina. “Feche seus olhos, por favor. Muito bem. Agora, imagine que estou passando em seus olhos uma cola muito poderosa, a cola mais poderosa que você conhece! (Passe de leve seus dedos polegares sobre cada uma das pálpebras do sujeito). Isso! Você está indo muito bem! Você consegue ver essa cola escorrendo, sentir ela escorrendo, até ouvir o barulho dela! Em algum momento farei uma contagem de 1 até 5, quando chegarmos no 5, seus olhos estão completamente colados e você vai tentar abrir eles, mas não vai conseguir. 1! Vou passando mais cola e esses olhos vão colando cada vez mais... (mantendo os olhos do sujeito fechados, empurre a sobrancelha para cima) 2! Vão colando cada vez mais, cada vez mais grudados (empurre novamente a sobrancelha) 3! Ainda mais grudados! (empurre novamente a sobrancelha) 4!! Completamente colados!! Quanto mais força faz, mais colado fica! (empurre novamente a sobrancelha, trabalhe o aumento do tom de voz número a número). 5!!!! Seus olhos estão completamente colados! Tente abrir esses olhos em conseguir! Isso!” Veja um discurso para caso a pessoa abra os olhos. “Percebi que, alguns de vocês, ao conseguir abrir os olhos, sentiram um ar de vitória. Lembrem-se que não existe uma batalha mental entre eu e vocês, muito pelo contrário, eu só quero demonstrar como a mente de vocês é poderosa. Tenho conhecimento que existe uma voz dentro da cabeça de vocês que possa estar falando “isso é bobeira” ou “não vai funcionar comigo”. Essa voz é uma crença limitadora, que te impede de fazer as mesmas coisas todos os dias, dificultando assim que algo novo aconteça. Tente desligar essa voz e você vai realmente perceber como pode se abrir a novas experiências e descobrir todo o poder da sua mente.” DEDOS MAGNÉTICOS Essa rotina consiste na pessoa sentir que existem imãs nos dedos que os fazem se atrair. Peça para o sujeito juntar as mãos e entrelaçar os dedos, como se estivesse orando, e com os polegares cruzados. Observe o roteiro: “Junte os pés. Isso! Agora, por favor, junte suas mãos e entrelace seus dedos, como se estivesse orando, com os polegares cruzados para cima. Ótimo! Veja que seus dedos estão separados, quero que você se concentre no espaço entre eles e não tire o olho desse espaço! Imagine agora que estou colocando dois imãs muito poderosos que se atraem em cada um desses dedos! Imagine e sinta a força magnética desses imãs Você percebe que a força gerada por eles é irresistível, e que seus dedos começam a se atrair. A medida que esses dedos se aproximam, você sente que essa força fica CADA VEZ MAIS FORTE! Isso! Seus dedos vão se aproximando, cada vez mais, e mais... Eles se aproximam até eventualmente se tocarem. Você vai perceber que agora que esses dedos se juntaram, eles estão completamente colados. Tente soltar, mas não consegue! (Foto - https://www.youtube.com/watch?v=_bFeXpblWAQ) (foto - http://memorizacao.blogspot.com.br/2014/06/hipnose-olhos-colados.html) 27 Tenta soltar! Muito bem! “Quando eu estalar meus dedos, essa cola some, mas algo muito mais incrível acontece...”. Caso você perceba que os dedos do sujeito descolaram, você repete que eles estão sendo atraídos pelos imãs, o importante é manter o sujeito no loop hipnótico com a sensação de que está tudo dando certo. MÃOS COLADAS Essa rotina consiste em você colar as mãos da pessoa. Ela pode ser feita tanto de olhos abertos quanto olhos fechados, o exemplo a seguir vamos descrever ela sendo feita com os olhos fechados. Peça para a pessoa juntar as mãos, entrelaçando os dedos e esticada para frente. Depois disso, peça para ela inverter as mãos para fora, e manter uma altura boa dos braços, como a imagem ao lado: “ Quero que você junte suas mãos, assim (mostre para a pessoa). Muito bem! Agora, vire ela assim (mostre novamente). Ótimo. Quero que agora por favor você feche seus olhos. Vou pegar aqui uma cola super poderosa, a cola mais poderosa que você conhece, e vou passa-la em suas mãos (simule que esta passando). Agora, você vai conseguir ver essa cola escorrendo pelos seus dedos, você vai sentir o calor dessa cola, você consegue até mesmo sentir o cheiro dessa cola, que vai colando essas mãos cada vez mais. Você consegue até mesmo ouvir o barulho dessa cola saindo e escorrendo por essas mãos, colando CADA VEZ MAIS. Em algum momento farei uma contagem de 1 até 5, e somente no 5 você vai tentar soltar essas mãos, mas não vai conseguir porque elas estarão completamente coladas! Um! Vou passando mais cola e você vai sentindo essas mãos colarem cada vez mais (simule passando a sua mão na da pessoa, como se estivesse pincelando cola) Dois! E essa cola vai secando, e essas mãos vão grudando cada vez mais! (abane um pouco a mão da pessoa, aumenta a experiência) Três! Essas mãos já estão completamente coladas, como se fossem duas barras de ferro soldadas uma na outra! Quatro! Quanto mais estica o braço, mais colado fica (estique o braço da pessoa, esse movimento dificulta ainda mais para ela conseguir soltar as mãos) Cinco! Tenta soltar, mas não consegue! Tenta, mas não consegue! Quanto mais força faz, mais colado fica! Muito bem! Quando eu estalar meus dedos, essa cola some, mas algo mais incrível irá acontecer...!” BOLINHA HIPNÓTICA Com essa pseudo hipnose, você irá fazer a pessoa sentir que tem duas bolinhas de papel na mão ao invés de uma, mesmo que ela veja uma, ela sentirá duas. Técnica adequada para fazer com pessoas resistentes. Pegue um pedaço de papel pequeno e faça uma bolinha. Peça para a pessoa verificar que tem somente uma bolinha, e peça para o sujeito colocar a palma da mão direita ou esquerda virada para cima. Posicione a bolinha na mão dele, com ele vendo, e peça para ele fechar os olhos. “Imagine agora que na palma da sua mão, existem a partir de agora duas bolinhas. Visualize essas bolinhas, imagine como seria sentir o contato da palma da sua mão com duas bolinhas. A partir de agora, toda vez que você tocar a bolinha com os dois dedos da mão posicionados lado a lado, você sentirá uma bolinha, mas quando você cruzar esses dedos e tocar essa bolinha, você irá sentir duas bolinhas Muito bem, pode abrir os olhos!” Você pode permitir que ela olhe para seus olhos ou não. Posicione os dois dedos em paralelo em cima da bolinha e pergunte quantas bolinhas ele sente. A resposta será uma. Peça para ele cruzar os dedos, e faça a pessoa tocar a bolinha com o espaço que fica entre a ponta dos dois dedos. Ajude-a a movimentar os dedos cruzados nessa região e pergunte o que ela sente. Ela ficará impressionada e irá dizer que sente duas bolinhas. Permita que ela olhe as mãos e (foto - http://www.manualdomentalista.com/2016/04/tag-rotina- 2-maos-colada-com-fisiologia.html) 28 INDUÇÕES CAPÍTULO 6 “Os três requisitos para a hipnose são: (1) o consentimento do sujeito; (2) A comunicação entre o operador e o sujeito, e (3) a libertação do medo ou relutância por parte do sujeito de confiar no operador. Uma vez que estes são os únicos requisitos, é óbvio que esses autores estão errados quando dizem que qualquer técnica de fixação ocular específica, por exemplo, é a única maneira confiável para induziro transe. Na realidade, não existe um limite para o número de técnicas que podem ser utilizadas para desencadear a resposta desejada; pode-se dizer que não há nenhuma maneira em que você não pode hipnotizar uma pessoa, uma vez que você sabe como utilizar sugestão.” Dave Elman Induções nada mais são que sugestões, mas que só funcionam se existir o engajamento do sujeito a ser hipnotizado. Quando pensamos na indução de Dave Elman, por exemplo, é um processo que contêm diversas sugestões de relaxamento. Se lembrarmos sobre a homoação, a sugestão vai ficando mais forte a medida que ela for sendo repetida. Todas essas sugestões de relaxamento vão potencializando o engajamento do sujeito, possibilitando a ele a aceitação de sugestões mais complexas (heteroação). A importância também é a expectativa gerada pela indução. Existem incontáveis formas de se induzir a hipnose, alguns métodos mais lentos, outros mais rápidos. todos buscando levar o sujeito a um estado de concentração. As induções se baseiam em principios como quebra de padrão (algo que vocês esperava que acontecesse de uma maneira, por um padrão, mas acontece de outro), choque (algo inesperado), cansaço ócular (famosos pêndulos) e confusão mental (mente sobrecarregada por informações gerando uma confusão). Algo importante de se entender é que não é necessária uma indução formal para se obter respostas as sugestões hipnóticas. Como citado anteriormente, nem mesmo o estado de transe é necessário. A indução muitas vezes acaba aumentando a expectativa do sujeito, se tornando um processo ritualístico. O FALSO APERTO DE MÃO DE DAVE ELMAN Durante todo o processo, peça para o sujeito olhar diretamente nos seus olhos. Essa indução consiste em três apertos de mão antes de induzir ao transe, confira o roteiro a seguir. "Olhe diretamente para meus olhos, enquanto você olha para eles, vou apertar sua mão três vezes. Na primeira, seus olhos ficarão cansados, mas não os feche ainda. Na segunda, eles ficarão ainda mais cansados, mas resista e não os feche. Sinta o relaxamento e o cansaço. Na terceira vez, eu vou falar a palavra “DURMA”, você irá fechar os seus olhos e irá relaxar cada vez mais, sentindo-se muito bem. (Mantenha os olhos de maneira fixa no sujeito, aperte sua mão e diga) Um... seus olhos vão ficando cansados... (Solte a mão do sujeito, desvie o olhar por alguns instantes para depois retomá-lo, assim forçando-o a prestar mais atenção no momento em que o olhar voltar a ser fixado. Aguarde uns dois segundos, fixe novamente o olhar, aperte se impressione com o fato de ter somente uma. Com isso, você irá colocar a pessoa no loop hipnótico de maneira mais fácil, podendo dar segmento a hipnose. O QUE FAZER DEPOIS DAS PSEUDOS? Se você percebeu que a resposta a pseudo hipnose foi boa, e a pessoa colou as mãos, por exemplo, você pode falar que você irá estalar os dedos, aquelas mãos vão descolar, mais algo mais incrível irá acontecer. A cola agora está nos pés! Ai você pede para a pessoa tentar andar, mas sem conseguir. Se a pessoa colou os pés, ela já está totalmente preparada para ser hipnotizada pois os pés não envolvem fisiologia. Você pode ainda colar a mão dela na cabeça, tirar a voz dela ou até deixá-la gaga nesse estado, além de proporcionar algum tipo de amnésia, como esquecer o nome. 29 novamente a mão do sujeito e diga) Dois... seus olhos estão ficando ainda mais cansados... e começam a piscar (No momento em que o sujeito piscar, acompanhe e conduza) Isso... vão piscando mais e mais... (Solte a mão do sujeito e desvie novamente o olhar. Aguarde uns três segundos, aperte novamente a mão do sujeito e diga enquanto da o aperto de mão) Três... Olhe fixamente nos meus olhos (No momento em que o sujeito estabelecer contato com seus olhos, diga) DURMA!!" (Nesse momento do DURMA, puxe de maneira rápida o braço do sujeito em sua direção. O sujeito entrará em "transe", seu corpo tombará para frente na direção do seu peito, esteja preparado para ampará-lo.) O FALSO APERTO DE MÃO DE RICHARD BANDLER Essa técnica consiste numa quebra de padrão. Estamos acostumados a cumprimentar as pessoas através de um aperto de mão. O sujeito espera ser cumprimentado, mas o hipnotista o surpreende iniciando a indução que leva a mão da pessoa de encontro ao seu próprio rosto. Quando esse padrão é quebrado, a porta para o transe se abre. Veja o roteiro a seguir. Finja que vai cumprimentar o sujeito através de um aperto de mão, pegue a mão dele e levante-a em direção de seu rosto. "Olhe a sua mão, observe as linhas dela, escolha um ponto fixo e continue olhando para ele. Você vai perceber que enquanto essa mão se move em direção ao seu rosto, como se fossem imãs, e que seus olhos vão começar a mudar o foco. Você vai perceber que essa mão vai se aproximando cada vez mais do seu rosto, e sua vista vai ficando mais cansada. Quando essas mãos tocarem sua testa e eu falar a palavra DURMA, você irá fechar os olhos e relaxar, e esse braço vai poder abaixar devagar, completamente relaxado." A medida que a mão do sujeito for se aproximando, vá observando a resposta ocular, quando as mãos chegarem perto da testa, de o comando DURMA e já parta para o aprofundamento. ESPIRAL Essa técnica consiste em criar um cansaço ocular. Confira o roteiro. "Olhe fixamente para o meu dedo. Você vai perceber que ele vai começar a se mover. Acompanhe o movimento somente com seus olhos, sem mover o pescoço. Enquanto seus olhos vão acompanhando meu dedo, você vai começar a sentir vontade de fecha-los, vai se sentir com sono e relaxado... (Vá percebendo a resposta ocular, quando começar a piscar) Isso, seus olhos vão piscando, mais e mais... (Faça o movimento da espiral mais devagar em cima e mais rápido embaixo, pois a vista cansa mais quando se olha para cima) Quanto mais você pisca os olhos, fica cada vez mais difícil de mantê-los abertos... Seus olhos vão fechando cada vez mais. 30 (Observe o movimento das pálpebras, quando elas estiverem vibrando e a visão do sujeito ficar turva, de o comando DURMA e faça em seguida o aprofundamento.)" HAND DROP Essa é uma indução de choque. Quando uma pessoa está encurralada, ela tem três opções: atacar, fugir ou congelar. O congelamento é um recurso inato que dá às presas a possibilidade de fingir sua própria morte, evitando ataques. Nós seres humanos também temos esse mecanismo de fuga. A indução de choque cria esse rápido congelamento, abrindo a porta do transe. O hand drop é uma indução muito poderosa, mas, como toda indução de choque, atente-se se o sujeito não possui qualquer problema nas mãos ou braços. Confira o roteiro a seguir. Peça para a pessoa sentar-se em uma cadeira, enquanto você se senta em outra cadeira como se ficasse de frente para o lado esquerdo ou direito da pessoa. Posicione sua mão com o cotovelo em sua perna, e a palma da mão virada para cima. Peça para o sujeito pressionar sua mão para baixo enquanto olha fixamente para algum ponto. "Isso, agora pressione mais forte... MAIS FORTE... você tem mais força que isso, MAIS FORTE." Quando perceber que a pessoa está bastante concentrada e fazendo bastante força, solte sua mão e diga imediatamente DURMA. Aprofunde em seguida e ampare o sujeito se necessário. MÃOS MAGNÉTICAS Nós, da Porta da Mente, gostamos muito de usar essa indução para quando hipnotizamos grupos de pessoas ao mesmo tempo. Ela gera uma expectativa bacana de quem está ao lado da pessoa que já entrou em transe. Você pode fazer essa indução de pé ou sentado, mas lembre-se de dar instruções de segurança de que a pessoa deve ficar firme. Veja o roteiro a seguir. "Coloque suas duas mãos, uma paralela a outra, esticadas, com as palmas das mãos abertas e voltadas uma para a outra. Muito bem. Agora quero que você imagine como se suas mãos fossem imãs que se atraem. Muito bem! Agora fique observando fixamente o espaço entre suas mãos. Somente quando as suas mãos se juntarem e eu falar a palavra DURMA, você vai fechar os olhose relaxar completamente! Respire profundamente, e perceba como esses imãs se atraem cada vez mais. Essa atração vai ficando mais forte... mais forte.. vão ficando cada vez mais próximas" (Quando você perceber que as mãos estão quase juntas, com as suas mãos, junte você as palmas das mãos dele num movimento ágil, como se o ajudasse a bater uma palma, e diga DURMA. Faça o aprofundamento em seguida. ARM PULL Essa é uma indução muito usada e ela tem um efeito visual muito bacana. Lembre-se de só usar se tiver certeza de que o sujeito não possui problemas nos ombros, apesar de ser um tranco bem leve, é melhor sempre se precaver. A responsabilidade da pessoa hipnotizada é sempre sua. Observe o roteiro a seguir. "Olhe fixamente para esse ponto (pode ser seus olhos, ou testa). Em algum momento eu vou falar a palavra “DURMA”, e darei um leve puxão no seu braço. Quando isso acontecer, você vai fechar os olhos, abaixar o queixo e relaxar completamente. (Pegue a mão do sujeito, como se fosse cumprimenta-lo) Isso, continue olhando fixamente para meus olhos... Muito bem. Respire profundamente... (Observe a reação ocular do sujeito, se perceber que ele está bastante concentrado e que os olhos começam a cansar, 31 puxe o braço dele e de o comando DURMA. Aprofunde em seguida.)." ARM PULL + ESPIRAL Essa técnica consiste em juntar as duas induções, deixando o potencial delas ainda maior. Você irá fazer como se fosse um arm pull, mas ao invés de pedir para o sujeito olhar fixamente para seus olhos, você vai pedir para ele acompanhar o seu dedo sem mover o pescoço, assim como a espiral. Quando você perceber o cansaço ocular da pessoa, de o comando DURMA e já inicie o aprofundamento. QUALQUER COISA PODE SER UMA INDUÇÃO Algo importante de se entender aqui é que qualquer coisa pode virar uma indução, se utilizado os mesmos princípios ensinados, seja quebra de padrão, cansaço ocular, choque. Use sua criatividade e crie a sua! INDUÇÃO DE DAVE ELMAN Você está pronto para ser hipnotizado? Toda hipnose é auto hipnose. Se você seguir as minhas instruções, que são simples, você conhecerá o que é ser hipnotizado. Você pode resistir se quiser, mas não foi por isso que você veio aqui. Apenas siga minhas instruções simples e você estará prestes a desfrutar de uma agradável e relaxante experiência. Primeiro, deixe os seus braços bem relaxados sobre as suas pernas. Tão relaxados que ficarão imóveis. Agora, eu quero que você olhe para a minha mão, fixe o seu olhar no meu dedo mindinho. Em breve eu vou te pedir que respire longa e profundamente e que prenda esse ar por alguns segundos, então passarei a minha mão na frente dos seus olhos e nesse momento você soltará o ar suavemente relaxando todo o seu corpo nesse momento e seguindo o meu dedo com os olhos. Como eu vou passar a minha mão na frente dos seus olhos para baixo, você fechará as suas pálpebras alcançando um grande grau de relaxamento. Agora respire longa e profundamente e segure o ar por alguns segundos. Agora estou passando a mão na frente dos seus olhos, suas pálpebras vão fechando nesse momento e deixe sair toda a tensão do seu corpo. Deixe o seu corpo relaxar tanto quanto for possível agora. Agora coloque a atenção nos músculos dos seus olhos e relaxe todos os músculos e nervos em torno de seus olhos, a ponto de eles não funcionarem mais. Enquanto você estiver com esse relaxamento, suas pálpebras não funcionarão. Tudo bem, muito bem. Agora vamos ir mais fundo com cada respiração que você faz. Cada vez mais profundo e relaxado. Esse relaxamento que você tem em suas pálpebras é o mesmo relaxamento que eu quero que você tenha em todo o seu corpo então deixe que se espalhe do topo da sua cabeça para a ponta dos pés como uma onda quente de relaxamento. Agora nós podemos aprofundar esse relaxamento muito mais. Em um momento, eu vou te pedir que abra os seus olhos e quando você fechar os seus olhos, basta ir 10 vezes mais profundo nesse relaxamento. Tudo o que você tem a fazer é desejar que isso aconteça você pode deixar isso acontecer com muita facilidade. Agora, abra os olhos... Agora, feche os olhos e deixe que seu corpo vá 10 vezes mais profundo no seu relaxamento. Use sua imaginação maravilhosa e imagine seu corpo inteiro coberto e envolvido em um cobertor quente de relaxamento. Agora nós podemos aprofundar esse relaxamento muito mais. Em um momento, eu vou te pedir que abra e feche os seus olhos mais uma vez e quando fechar os seus olhos deixe seu corpo ter o dobro de relaxamento. Abra os olhos... Agora, feche os olhos e relaxe todo o seu corpo... Cada músculo do seu corpo vai ficando tão relaxado que nesse momento eles param de funcionar e só descansam. Em um momento, eu vou te pedir que abra e feche os seus olhos mais uma vez e quando fechar os seus olhos faça o seu relaxamento ir duas vezes mais profundo. 32 Agora mais uma vez, abra os olhos... Agora, feche os olhos e relaxe todo o seu corpo... Cada músculo do seu corpo vai ficando tão relaxado que nesse momento eles param de funcionar e só descansam. Em um momento, eu pegarei a sua mão direita pelo punho e a largarei. Se você seguiu minhas instruções até este ponto, sua mão estará tão relaxada que cairá facilmente como um pano de prato molhado. Quando sua mão cair, eu quero que você envie uma onda de relaxamento do topo da cabeça até a ponta dos seus pés. Agora vou levantar sua mão direita. Basta deixá-la cair bem relaxada e relaxe mais o seu corpo, muito bem. Agora vamos repetir isso com a sua mão esquerda. Eu pegarei a sua mão esquerda pelo punho e a largarei. E quando eu largar, sua mão estará tão relaxada que cairá facilmente como um pano de prato molhado. Quando sua mão cair, eu quero que você envie uma onda de relaxamento do topo da cabeça até a ponta dos seus pés e duplique o seu relaxamento. Agora vou levantar sua mão esquerda. Basta deixá-la cair bem relaxada e relaxe mais o seu corpo, muito bem. Agora, esse é o relaxamento físico completo. Eu quero que você saiba que há duas maneiras de uma pessoa relaxar. Você pode relaxar fisicamente e você pode relaxar mentalmente. Você já provou que pode relaxar fisicamente. Agora, deixe-me mostrar-lhe como relaxar mentalmente. Em um momento, eu vou pedir que comece uma contagem regressiva, lenta e em voz alta de 100, como esta: 100, mais relaxado... 99, mais relaxado... 98, mais relaxado... E aqui está o segredo para o relaxamento mental, a cada número que você diz, deixe a sua mente relaxar. A cada número que você diz, deixe sua mente tornar-se duas vezes mais relaxada. Agora, se você fizer isso, quando você chegar ao número 96, ou talvez ainda mais cedo, sua mente vai se tornar tão relaxada que você terá realmente esquecido todos os números que vierem depois dele. Tudo bem, comece a contagem: 100, mais relaxado... (esses números vão se afastando) 99, mais relaxado... (permita que todos esses números desapareçam) 98, mais relaxado... (agora eles terão ido embora, dissipe-os) 97, mais relaxado... (elimine-os, empurre-os para fora. Faça acontecer. Amnésia completa de todos os números) Eu sei como você está relaxado, mas mesmo no seu estado relaxado, aposto que você sente em sua própria mente que existe um estado de relaxamento abaixo do que você está no momento. Pode sentir isso? (resposta do cliente: “sim”) Você sabe que você pode apertar seu punho e torná-lo mais e mais e mais apertado, isso você pode chamar de altura de tensão. E você pode relaxar o punho de tal maneira que não poderá relaxar mais nada e ele ficará imóvel, isso você pode chamar de porão do relaxamento. Vou tentar levá-lo para o porão. Para começar o 3° piso, você tem que relaxar o dobro do que você já fez até agora. Para ir para o 2° piso, você tem que relaxar o dobro do que já fez no 3° piso e para ir para o 1° piso, você tem que relaxar o dobro do que você relaxou no 2° piso, mas quando você chegar ao 1° piso, você estará no porão do relaxamento e nesse momento você dará sinaisque eu serei capaz de perceber e dizer que você está no porão. Você não sabe que sinais são esses e eu não vou dizer quais são, mas cada pessoa que já tenha estado nesse porão emite esses sinais. Vamos começar. Você vai correr até um andar para um elevador imaginário e você vai usar esse elevador para descer ao porão do relaxamento. Agora você está no elevador. Quando eu estalar os dedos, o elevador vai começar a funcionar. Se você relaxar duas vezes o quanto já relaxou até agora, você irá para baixo, para o 1° piso. Diga-me quando estiver no 3° 33 piso falando o número 1 em voz alta. (Estalar os dedos) O elevador está indo para baixo...agora. (Espere uma resposta) (Estalar os dedos) Continuando para baixo, para o 2° piso...agora. (Espere uma resposta) (Estalar os dedos e atenção aos sinais de profundidade) Teste 1: Anestesia Se você estiver certo de que o paciente está no 1° piso, sem dar qualquer tipo de sugestão de anestesia, pegue um objeto e faça um teste para ver se ele está anestesiado. Não utilize sugestões para isso, se for necessário dar sugestões para a anestesia hipnótica, o paciente não está em estado de coma. Teste 2: Movendo um braço Peça para ele tentar mover um grande grupo de músculos, como um braço. Se ele for incapaz de mover esses músculos, ele está pronto para a terceira prova. Teste 3: Abrindo os olhos Este deve envolver um pequeno grupo de músculos, tais como aqueles em torno dos olhos. Peça a ele para tentar abrir os olhos. Se ele faz, ele não está no estado de coma e você deve levá-lo a um novo relaxamento até que os músculos oculares não funcionem. No sonambulismo, quando o cliente tentar abrir os olhos, você verá um movimento dos músculos, porém os olhos não se abrem. Mas no estado de coma, aqueles pequenos músculos não funcionam e você não vê qualquer movimento. Teste 4: Catatonia A catatonia pode ser obtida no mais leve estado da hipnose, portanto, ele não significa nada a não ser que seja o quarto teste feito no estado de coma. Quando um cliente passa por todos esses testes na ordem exata, você tem a certeza de que alcançou o verdadeiro coma hipnótico e pode avançar a partir daí. Em seu ensaio para catatonia, não devem ser dadas sugestões, ela deve chegar lá, por si só, sem qualquer sugestão. LIDANDO COM AS POSSIBILIDADES: • O sujeito abre os olhos no teste Diga: “Não, você está testando para garantir que eles irão funcionar. Quero que teste só quando tiver certeza que não irão funcionar.” Se reparar que o sujeito está com medo ou nervoso, o recomendado é falar: “Neste momento, nessa situação, você não está relaxando, ou concentrando por algum motivo, isso é algo normal, todo mundo passa por isso, às vezes. Talvez em outro momento ou situação fosse mais adequado para você”, então escolha outro sujeito. Ou você pode querer eliminar os medos e nervosismo do sujeito, conversando. Essa última opção só é recomendada se não houver mais pessoas esperando para serem hipnotizadas, ou esperando pelo sujeito, pois seria entediante para elas. • Braço do sujeito não está relaxado Aqui é necessário explicar e demonstrar como é deixar o braço completamente mole, com os músculos desligados. Em raros casos, o sujeito não relaxa o braço nesse ponto, pode-se usar até um relaxamento progressivo rápido, para tentar conseguir esse relaxamento (apenas em último caso). • O sujeito não para de contar ou os números não somem 34 APROFUNDAMENTO CAPÍTULO 7 O aprofundamento serve como sugestões de reforço para o relaxamento já proposto (homoação). O grande segredo para manter a pessoa aceitando mais sugestões, é mantendo-a engajada e potencializando as sugestões que estão funcionando (relaxamento). Existem diversas maneiras de se fazer esse aprofundamento, como por exemplo através de metáforas ou com sugestões diretas. Veja alguns exemplos ESCADAS: Imagine agora que você está no topo de uma escada com 10 degraus, e a cada número que eu conto você desce um degrau, aumentado cada vez mais seu nível de relaxamento... 10... cada vez mais relaxado... 9... você sente seu corpo cada vez mais relaxado... 8... quanto mais você respira, mais relaxado você fica... 7.. você vai perceber que cada degrau que desce esse relaxamento vai ficar duas vezes maior... 6... 5... você está indo muito bem, você vai perceber que no próximo degrau irá atingir um nível de relaxamento que nunca atingiu antes... 4... cada vez MAIS RELAXADO... 3... 2... quando chegarmos no 1 você irá estar com o corpo completamente desligado e relaxado... 1... completamente relaxado! ELEVADOR: (Certifique-se de ter certeza que a pessoa não tem fobia de elevador ou de lugares fechados): imagine agora que você está em um elevador de 5 andares, cada andar que ele desce faz você relaxar cada vez mais... agora você está no quinto andar, e ele agora vai até o quarto, cada vez mais relaxado! Está chegando agora no terceiro andar, duas vezes mais relaxado! Segundo andar... e finalmente, você chega no primeiro andar, que é o estado mais profundo de relaxamento da sua mente, onde você consegue atingir qualquer objetivo, onde tudo é possível! Muito bem! CONTAGENS: Você irá fazer contagens diretas, sem metáforas. Vou contar de 1 até 5, e a cada número você vai perceber que seu corpo irá relaxar cada vez mais. 1! Mais relaxado... 2! Cada vez mais relaxado... 3! Esse relaxamento está duas vezes maior! 4! Ainda mais relaxado! 5! Completamente relaxado! LOOP DE APROFUNDAMENTO: Você irá criar situações que causam efeitos. Quanto mais você respira, melhor você se sente, quanto melhor você se sente, mais você relaxa, e quanto mais você relaxa, mais você respira. Isso irá criar um loop de eventos, mantendo a pessoa cada vez mais relaxada. TOQUE DE QUEBRA DE TENSÃO: Com seu braço posicionado no ombro da pessoa, a medida que for fazendo contagens, de um pequeno tranco para baixo com seu braço no ombro da pessoa, estalando os dedos. Faça É importante que você não pare de dar as sugestões de forma direta, falando que eles (os números) somem. Uma frase interessante que Elman usava era: “Espere que eles sumam, permita que eles sumam e os façam sumir.” Essa frase deixa claro para o sujeito que o controle está com ele, e que os números precisam sumir. Se ainda não sumirem, levante o braço do sujeito e diga que quando soltar os números terão ido embora (explicado no vídeo complementar). Se mesmo assim, não sumirem nesse ponto, o que é bem raro, continue explicando que é algo que depende dele, e não de você, então tente criar amnésia de outra coisa como o número de telefone ou endereço dele. Um erro muito comum entre iniciantes, ao invés de falar que os números sumirão no 97 ou antes, por causa da insegurança, falam que sumirão quando chegar no 90. Em geral, isso não atrapalha, mas certamente aumentará o tempo da indução sem nenhum benefício. Porém, algumas vezes, por ser uma contagem mais longa, é mais difícil que os números sumam, pois já falaram dez números, ao invés de um ou dois. Outra dica é falar “Pode parar de contar, respire fundo, assopre para longe, eles sumiram? Não? Respire novamente, assopre para bem longe, eles foram embora?” Se os números ainda sim não tiverem sumido, responda “Não tem problema neles não importam mais, não precisa mais contar (quebra de padrão).” Lembre-se que um dos pontos mais importantes dessa indução é você analisar as respostas que o sujeito te dá. Você sempre irá utiliza-las a seu favor. Entenda como suas palavras são interpretadas pela pessoa. 35 isso nos dois ombros. Esse toque ajuda a pessoa a sentir que está relaxando cada vez mais. Certifique-se de que a pessoa não possui problemas nos ombros. FRASES IMPORTANTES: “Quanto mais você escuta minha voz, mais relaxado você fica” “Mais profundo, mais relaxado” “Quanto mais você respira, mais relaxado fica” Lembre-se sempre de dar comandos de segurança. “Você irá permanecer com o corpo bem firme”. MATA LEÃO (POR JHEYSON MARCILIO): Um aprofundamento muito efetivo, criado pelohipnoterapeuta Jheyson Marcilio. Veja o roteiro. “Agora eu quero que você sinta um sentimento muito bom dentro de você. Pode ser uma paz, uma alegria, um bem- estar ou simplesmente esse relaxamento que você está sentindo. Agora, imagine esse sentimento se espalhando pelo seu corpo, como uma onda quente. Ele vai ficando mais intenso e se espalha, envolvendo o seu corpo, como se você tivesse num mar de sentimentos bons. Você vai se sentindo cada vez melhor, relaxando ainda mais a medida que as ondas sobem e descem (acompanhar respiração). Você percebe agora, que consegue mergulhar nesse mar e quando você faz isso, os sentimentos bons ficam ainda mais intensos. Quanto mais você mergulha, mais profundo você vai e quanto mais profundo você vai, mais intenso ficam os sentimentos bons e melhor você se sente. Você vai mergulhando, aprofundando, sentindo seu corpo afundar e ficar cada vez mais pesado. Lá no fundo agora, você vê uma luz muito intensa e bonita. É a luz da sua mente. Quando você chegar nessa luz, você vai ter acesso total a sua mente. Vai ter acesso ás suas lembranças, seus sentimentos, suas memórias e emoções. Vai poder estar no controle de tudo. 3 mais próximo da luz. 2 já pode quase tocar a luz e 1, você está todo envolto nessa luz. E você percebe agora, que pode mergulhar ainda mais profundo nessa luz. A medida que você mergulha, você tem acesso a lembranças ainda mais antigas, a memórias enterradas, a sentimentos ainda mais intensos. A medida que você aprofunda, você sente que sua mente pode reproduzir qualquer sensação, qualquer sentimento e você vai aprofundando ainda mais. Vai bem profundo nessa luz...” APROFUNDAMENTOS PERSONALIZADOS: Vai acontecer de você ter clientes que não estão aprofundando bem com os aprofundamentos tradicionais. Um exemplo real que vivi, o cliente não aprofundava bem com nada que eu fazia, então eu vi algo que o relaxava, que era andar em sua Harley (moto). Usei isso para criar um aprofundamento personalizado, e ele conseguiu responder bem a hipnose após isso, conseguindo ter um relaxamento bastante profundo. Esteja atento as informações colhidas na anamnese e utilize tudo a seu favor. SUPER SUGESTÃO: Assim que você perceber que o "transe" está estabilizado e já tiver instalado um signo sinal, você pode dar a sugestão “e a partir de agora, tudo que eu falo pra você torna-se verdade absoluta, não porque eu quero, mas porque sua mente é incrível”. Com essa sugestão, você consegue começar a fazer as rotinas de brincadeira com muito mais agilidade ANCORAGEM Âncoras são estímulos condicionados que fazem as pessoas terem respostas condicionadas das mais diversas, podendo ser comportamentais, emoções ou até pensamentos. Existem âncoras que são compartilhadas culturalmente, como o aperto de mão, por exemplo. Nossa vida é cheia de âncoras, uma música, cheiro, que te lembra uma pessoa. Um lugar que te traz sensações boas ou ruins. Âncoras podem ser instaladas através do toque, estalar de dedos, movimento das mãos, gestos, posturas corporais, voz, ou outros estímulos. É um processo que acontece o tempo todo, e pode ser induzido através da hipnose, resgatando, por exemplo, sensações de um dia em que a pessoa teve alguma conquista importante e sentiu-se realizada, e ancorando essa sensação num toque de ombro, por exemplo. Com isso, basta a pessoa fazer o gesto ancorado para resgatar aquela sensação. Quanto mais ela usar, mais forte a Âncora irá ficar. 36 HIPNOSE DE RUA CAPÍTULO 8 A hipnose de rua é extremamente importante para você adquirir prática na hipnose. Por mais que seu interesse possa ser a hipnose clinica, você não vai treinar hipnose fazendo tratamentos. Através da hipnose de rua, você pode praticar e aprimorar suas técnicas, adquirindo assim confiança para conseguir hipnotizar qualquer pessoa no âmbito clinico. Não existe uma regra com relação a como dar sugestões. Lembre-se sempre da homoação e heteroação. Reforce as sugestões que funcionarem bem para ir dando outras mais complexas. O importante é você começar com sugestões mais simples e ir observando as respostas, além de prestar atenção se a pessoa é mais auditiva, cinestésica ou visual. Se estiver fazendo hipnose de rua, lembre-se de consultar o guia de bolso e as rotinas no aplicativo Porta da Mente Ordem de sugestão: 1) Colar mãos 2) Colar pés 3) Tirar a voz 4) Fazer Rir/ Sentir tristeza 5) Amnésia de Nome 6) Troca de nome 7) Amnésia de número 8) Pinicada no bumbum 9) Sentir cheiro bom/ruim 10) Sentir frio/calor 11) Sabores/cheiros 12) Cor da camiseta muda 13) Ver ídolo 14) Troca de personalidade Durante todo o processo de terapia instalamos diversas âncoras, como a sensação da ponte para futuro, gatilho de auto-hipnose, controle de ansiedade, entre outros. SIGNO SINAL Nada mais é que uma sugestão de "reindução", através de um comando. Um exemplo: “Toda vez que eu estalar meus dedos e falar a palavra “DURMA”, você vai entrar nesse estado que você está agora de maneira instantânea, só que em um relaxamento ainda mais profundo do que o que você está agora. “ Teste o comando, caso necessário, reforce, ele assim torna a palavra “durma” uma âncora de induzir a pessoa ao estado hipnótico, acessando aquele relaxamento instantaneamente. 37 15) Fazer alguém ou algo sumir Veja abaixo algumas rotinas mais detalhadas que você pode usar na hipnose de rua ou palco. Vale ressaltar que todas elas estão no aplicativo Porta da Mente. 1. A Pessoa mais Inteligente do mundo – A partir de agora, você é a pessoa mais inteligente do mundo. Você pode responder qualquer pergunta que fizerem pra você. 2. Alien – Você é um alien de outro planeta, mas você aprendeu português (ou, também, você só fala a língua do seu planeta, e entende o português). 3. Amarrando os sapatos – Diga aos sujeitos que eles não podem amarrar os sapatos, não importa o quanto eles tentem. 4. Banda Marcial – Afirme que todos estão numa banda marcial. Você dirá para todos marcharem ao redor do palco/ teatro/rua. 5. Bocejar – Na contagem de 3 a 1 todos vocês vão começar a bocejar. Vocês não serão capazes de parar de bocejar até que você veja alguém na plateia bocejar. Quando você vir alguém bocejando na plateia, então você vai dormir. 6. Boneco de neve – Na contagem de 3 a 1 vamos todos levantar e começar a fazer um boneco de neve. 7. Braço flutuando – Seu braço direito agora está flutuando no ar. Enquanto você empurra seu braço direito para baixo, o braço esquerdo flutua para cima. 8. Braço rígido – Estenda seu braço direito à sua frente. O braço está ficando tão rígido que não poderá se dobrar. 9. Braços pesados – Seus braços estão tão pesados que você não pode sustentá-los. 10. Brincando – Na contagem de três vamos todos levantar-se e brincar de ciranda cirandinha. 11. Brincando de uni-duni-tê – Você vai começar a brincar de uni-duni-tê com a pessoa sentado ao seu lado, mais rápido, mais rápido, mais rápido. 12. Cantando – Você está se preparando para um show. Você é um artista de sucesso e vai cantar sua música preferida quando abrirem as cortinas. Prepare-se, as cortinas começaram a se abrir. Quando elas estiverem complemente abertas, você começa a cantar. Um, dois, três, elas se abriram! 13. Carinho em um cachorro/Pokémon – Diga aos sujeitos que eles estão segurando um lindo cachorrinho/Pokémon, e eles devem acaricia-lo. 14. Cheiro Ruim – Diga aos envolvidos que eles irão começar a sentir um cheiro ruim vindo das pessoas sentadas próximas a eles. 15. Chiclete no sapato – Diga aos envolvidos que eles têm chiclete em seus sapatos e que eles devem tentar tirá-lo. Enquanto eles tocam seus sapatos, você dirá que o chiclete grudou em seus dedos, mãos, em seus cabelos e assim por diante. 16. Chovendo – Diga que está começando a chover, e que todo mundo está ficando encharcado. 17. Chovendo Dinheiro – Diga os sujeitos que ele está começando a chover dinheiro, e que eles podem manter parte do dinheiro que eles pegarem. 18. Coceira no corpo – Na contagem3 alguma parte do seu corpo começará a coçar. Você precisará coçá-la. 19. Colorindo – Vocês são crianças colorindo em seus livros de colorir. Na contagem de 3, a pessoa ao lado pintou seu livro. Um, Dois, Três... 20. Comendo - Deixe que os envolvidos imaginem-se comendo vários tipos de comida, bem como melancia, sorvete, 38 espiga de milho. 21. Converse na linguagem da Lua – Diga os assuntos que eles pousaram na Lua e agora eles vão começar a falar em linguagem da lua. 22. Corda bamba – Agora você está caminhando na corda bamba. Do tipo que vemos em um circo. 23. Corrida – Com os participantes sentados em cadeiras, diga que eles são pilotos profissionais e que agora estarão dirigindo em uma corrida. 24. Corrida de cavalos – Dê a cada um dos participantes um número. Agora, deixe que eles vejam uma corrida de cavalos que possuam números que correspondam aos deles. Diga-lhes que será uma corrida. Se seus cavalos vencerem, eles ganharão R$50.000,00. Certifique-se de que eles saibam que é permitido torcer. 25. Cupido – Você é o cupido e estarão procurando por alguém para atirar suas flechas de amor. 26. Dançarino – Você é um grande dançarino e agora começará a dançar. 27. Desenhando – Em um momento eu darei a cada uma de vocês, crianças, um pedaço de papel e um marcador. Todos vocês desenharão para mim uma bela foto. 28. Desenho – Diga aos envolvidos que eles viraram personagens de desenhos animados. Agora você entrevistará alguns deles. 29. DJ – Você é um famoso DJ em um grande show. 30. Enfermeira – Você é uma enfermeira que precisa dar uma injeção nas pessoas da primeira fileira. Você não receberá um não como resposta. 31. Esconda um cheque – Você recebeu um cheque de R$10.000, esconda-o onde ninguém poderá achá-lo. 32. Escudo invisível – Diga aos participantes do sexo oposto que eles estão apaixonados por você. Diga-lhes que eles querem te abraçar, mas há um escudo invisível ao redor do seu corpo e eles não podem alcança-lo. 33. Esqueça: Adição – Você não sabe somar. Toda vez que você tentar somar você perceberá que a resposta é 17. 34. Esqueça: Alfabeto – Você não consegue se lembrar do alfabeto. Cada vez que você tentar falar as vogais, você dirá E – I – E – I – O – U. 35. Esqueça: Aniversário – Você pode não lembrar do seu aniversário. Você não lembrará da data. 36. Esqueça: Carro – Você não se lembrará mais de qualquer coisa sobre seu carro. Você não se recorda do tipo, cor, ano ou estilo. 37. Esqueça: Endereço – Você não consegue se lembrar do seu endereço. Você consegue se lembrar de como sua casa é, mas não lembrará da rua ou do número. 38. Esqueça: Esportes – Você não se lembrará nada sobre esportes. Você não terá ideia de como um jogo é jogado. 39. Esqueça: Idade – Você não se lembra da sua idade. Você não faz ideia. A única coisa que você tem certeza é que não tem 100 anos de idade. 40. Esqueça: Nome – Na contagem 3 você não irá se lembrar de qual é o seu nome. 41. Esqueça: Nome do cônjuge – Você não mais se lembrará do nome do seu cônjuge. Você sabe que é casado, mas não consegue se lembrar o nome. 42. Esqueça: Números – Você não será capaz de se lembrar do número entre o 5 e o 7. O número entre 5 e 7 se foi. Quero que conte, em voz alta, em seus dedos cada um. 1,2,3,4,5,7,8...?? 39 43. Esqueça: País – Você não se lembrará do país que você é. Você pode se lembrar de diferentes países, mas nenhum soará familiar. 44. Esqueça: Piada – Na contagem 3 você pensará em uma piada engraçada que gostaria de me contar. Quando eu pedir que você me conte você se esquecerá totalmente do final. 45. Esqueça: Presidente – Você não se lembrará de quem é o presidente. Toda vez que você pensar, você pensará em um personagem de desenho. 46. Esqueça: Soletração – Você não conseguirá soletrar nenhuma palavra com mais de três letras. 47. Esqueça: Telefone – Você não pode se lembrar do seu telefone. Você pode se lembrar do primeiro e do último número, mas será incapaz de se lembrar dos demais. 48. Esqueça: Trabalho – Você não mais se lembrará de onde trabalha. 49. Esqueça: O que está fazendo – Você não será capaz de se recordar do que está fazendo. Quando eu perguntar sobre isso, você não terá a mínima ideia do que está fazendo. 50. Esqueça: Último banho – É impossível para você se recordar da última vez em que tomou um banho ou uma ducha. 51. Estatua – Na contagem de três você vai se levantar e começar a dançar. Quando eu digo a palavra estatua você vai parar sem mover um músculo. 52. Fogos de artifício – Você está assistindo à queima de fogos e cada vez que eu estalar meus dedos você dirá ‘UAU’ ou ‘LINDO’. 53. Gosto de limão – Você agora está notando um gosto de limão na boca. 54. Gravidade Zero – Diga os sujeitos que estão no espaço e estão sem peso. 55. Prêmio de fantasia – Você ganhou o prêmio de melhor fantasia em uma festa a fantasia. Me fale sobre sua fantasia. 56. Hipnólogo – Você agora é um hipnólogo. Na contagem 3 você hipnotizará o grupo. 57. Hipnólogo falso – Quando eu disser a palavra “Bom”, você ficará em pé e dirá que o hipnólogo é falso e não acredita em hipnose. 58. Hippie – Vocês todos estão se tornando hippies dos anos 60. 59. Indução mental – Na contagem 3 você estará acordado e abrirá os olhos. Eu então hipnotizarei você com o meu pensamento. Eu irei ao canto do palco e pensarei na palavra ‘dormir’. Todos vocês ‘pegarão’ meu pensamento e entrarão em um transe ainda mais profundo. 60. Inspetor de cotovelos - Você é o inspetor de cotovelos mais famoso do mundo. Você andará pelo espaço e inspecionará o cotovelo das pessoas. Tenha certeza de que eles dobrem corretamente. 61. James Bond – Você é James Bond, um agente secreto. 62. Loteria – Diga a todos os envolvidos que a próxima vez que eles ouvirem o número 34, eles saberão que ganharam dez milhões na loteria. 63. Mãos estranhas – Na contagem de três todos os homens no palco vai notar que eles estão utilizando esmalte vermelho. As mulheres vão tentar não rir, mas quando elas riem eles vão perceber que suas mãos estão ficando muito peludas. 64. Miss Brasil – Você foi coroada miss brasil. Você andará pelo palco mandando beijos para a plateia. 40 65. Mister Brasil – Você é agora Mister Brasil e andará mostrando seus músculos perfeitos. 66. Multa de velocidade – Você acaba de ser parado pela polícia por dirigir a 110 km em uma via de 60 km. Prepare- se para dar uma boa desculpa. 67. Música em um sapato – Diga aos participantes que eles começarão a ouvir sua música preferida. Enquanto eles começam a responder à música, avise-os que a música está vindo de seus sapatos. 68. Natal – Na contagem 3 será manhã de natal. Vocês todos são crianças e estão surpresos com o que ganharam. 69. Neve – Agora você percebe que está esfriando e começa a nevar. Você pode ver a neve e tocá-la. 70. Óculos de Raio-X – Entregue um par de óculos de sol sem as lentes para um sujeito e diga para ele que estes são óculos de raios-X. Permitir que o sujeito olhe a audiência. 71. Olhos colados – Seus olhos agora estão colados e você não conseguirá abri-los. 72. Papai-noel – Você agora é o Papai Noel. 73. Parte favorita crescendo – Avise aos envolvidos que suas partes favoritas agora estão ficando maiores e maiores. Certifique-se de devolvê-las ao tamanho normal. 74. Parte favorita encolhendo – Informe os envolvidos que suas partes preferidas do corpo estão encolhendo. Menor e menor. 75. Pelos no corpo – Diga aos envolvidos que seus corpos estão ficando inteiramente cobertos por pelos. 76. Perder a voz – Na contagem 3 você desejará cantar, mas nada sairá de sua boca. 77. Pescando – Na contagem 3 vocês todos estarão pescando. 1, 2, 3, pode jogar a linha no lago bem a sua frente. 78. Todos nus – Diga aos envolvidos que eles olharão para o público e notarão que todos estão nus. 79. Colado: Cadeira – Diga a um dos sujeitos que você vai enviá-lo de volta para o seu lugar na plateia, mas não importa o quanto ele tente se levantar, ele estará colado na cadeira. 80. Colado: Dedo– Você vai colocar o seu dedo indicador em seu ouvido e achar que ele ficou preso lá. Você não pode puxar o dedo do seu ouvido. A única maneira de tirar o seu dedo indicador de sua orelha é colocar o seu outro dedo indicador no nariz. Agora você pode remover o dedo indicador de sua orelha, mas o dedo em seu nariz está agora colado. 81. Colado: Pé – Você vai tentar deixar o palco, mas vai descobrir que o seu pé está colado. 82. Rasgar o papel – Dê um pedaço de papel para os envolvidos e diga-lhes que eles serão incapazes de rasgar o papel. 83. Rindo – Na contagem 3 você começará a rir da pessoa sentada próxima a você. 84. Rindo em um filme engraçado – Diga aos participantes que eles verão um filme engraçado que causará um ataque de riso e eles rirão muito alto. 85. Sala fria – Diga aos envolvidos que eles estão com muito frio. 86. Sala quente – Diga aos envolvidos que eles estão se sentindo muito quentes. 87. Show de talentos – Agora vamos ter um show de talentos e ver quem vai ganhar uma grande surpresa. Na contagem de três que você estará pronto para cantar, dançar, recitar um poema, ou contar uma piada. 88. Super-homem – Você é o super-homem. Você vai continuar a tentar voar, mas terá problemas para sair do chão. 41 89. Surfe – Na contagem de três todos vocês vão ficar de pé. Você vai surfar em uma onda grande. 90. Tocando um instrumento – Aconselhe todos os sujeitos que eles são músicos e eles vão começar a tocar um instrumento. 91. Tornando-se uma celebridade – Diga ao grupo que eles são celebridades famosas. Você pode pedir para que eles se apresentem ou realizem uma entrevista com alguns selecionados. 92. Umbigo perdido – Na contagem 3 você notará que alguém roubou seu umbigo. 1, 2, 3, coloque suas mãos na abertura para não deixar o ar escapar. 93. Voando para a Lua – Diga aos envolvidos que eles estão em um foguete indo para a lua. Diga-lhes para olharem para fora da janela e descreverem o que eles veem. Ref: Elsever - Curso Sean M. Andrews PRESENTE HIPNÓTICO Você fez toda a hipnose com a pessoa, fez ela se divertir, mas, como estrela do show, ela merece uma recompensa. O presente hipnótico pode ser feito de diversas maneiras, uma das mais comuns é resgatar, por exemplo, a memória do melhor dia da vida da pessoa e ancorar isso, como ensinado anteriormente, para que a pessoa possa acessar esse estado quando quiser. Se a pessoa diz não sentir-se tão confiante, resgate no subconsciente dela a memoria de um dia em que ela teve alguma grande conquista e ancore isso de alguma maneira. E SE NADA FUNCIONAR? Lembre-se que toda hipnose é uma auto-hipnose. Isso significa que, se você seguiu todo o procedimento correto, a falha não foi sua. Diga para o sujeito: “Por alguma razão você não está conseguindo se concentrar no processo da hipnose nesse momento, pode ser o barulho ou alguma que alguma outra coisa esteja te atrapalhando. Isso é normal, acontece algumas vezes, o que não significa que em algum outro momento você não irá conseguir. Vou fazer agora com outra pessoa, mas se quiser podemos fazer depois novamente, muito obrigado por sua participação”. Lembre-se que na hipnose de rua você procura sujeitos que deem respostas rápidas. Pode ser que o sujeito escolhido precise de um aprofundamento maior ou estar num ambiente controlado, e por conta da ausência desses fatores não tenha se engajado pro processo. Não perca tempo e já procure o próximo. É muito importante que você termine a hipnose com segurança, e, para isso, é necessário se despertar a pessoa da maneira adequada. Primeiramente, retire todas as sugestões de entretenimento. Depois disso, reforce o presente hipnótico e conduza a pessoa ao estado normal de forma progressiva. Veja um exemplo: E agora, todas as sugestões são removidas e você se sentirá muito alegre e muito bem. Farei uma contagem de 1 até 5, e no 5 você estará totalmente desperto, se sentindo muito melhor do que antes de ser hipnotizado. 1... você vai respirando... 2... você começa a sentir uma energia ativa por todo o seu corpo, fazendo você sentir-se muito bem... 3... faça uma respiração bem profunda e sinta o ar enchendo seus pulmões... 4... seu corpo se sente ótimo, a cabeça leve, mente em estado perfeito.. 5... abra os olhos, se sentindo MUITO BEM, muito melhor do que estava antes de ser hipnotizado. Como você se sente? Lembre-se que é importante você verificar como a pessoa está, pois ela está sob sua responsabilidade. Verifique se ela despertou de maneira adequada e se está com algum tipo de dor de cabeça (ressaca hipnótica). Se for o caso, retire e a dor (será ensinado mais a frente). EMERSÃO CAPÍTULO 9 42 AB-reações são manifestações inconscientes espontâneas de emoções reprimidas que podem vir a tona durante a hipnose ou estimulos que despertem isso. Geralmente elas podem surgir por causa de uma reação a um evento traumático. Quando isso acontece, a pessoa pode chorar, gritar, falar, ter convulsões mesméricas, placas vermelhas no peito. Vale ressaltar que ela não esta em perigo. Na hipnose clinica, por exemplo, a ab-reação é buscada pois significa que o problema foi encontrado. É extremamente raro isso acontecer na rua mas, caso isso aconteça, a primeira cosia é manter a calma. Lembre-se que o sujeito está aceitando as suas sugestões. Simplesmente fale para a pessoa “A cena some e você a partir de agora se concentra somente na sua respiração”. Caso você seja um hipnoterapeuta, já deixe seu cartão e se prontifique em ajudar a pessoa. Não continue a hipnose de entretenimento caso a pessoa tenha tido uma ab-reação. AB-REAÇÃO CAPÍTULO 10 AUTO HIPNOSE CAPÍTULO 11 A essa altura você já sabe que a hipnose é um processo permissivo, e, portanto, toda hipnose é uma auto hipnose. Mas o que estamos chamando de auto hipnose aqui é um conceito mais próximo do que as pessoas realmente esperam quando ouvem falar nisso, que é aplicar em si mesmo as técnicas de hipnose para alcançar seus próprios resultados. É importante saber como praticar a auto hipnose mesmo que você não tenha questões que queira mudar dessa forma, pois elas são recursos muito valiosos para ensinar aos seus clientes para que eles usem para potencializar os resultados obtidos no tratamento. Lembre-se do que foi apresentado no começo desta apostila sobre definições e conceitos de hipnose. É importante ter em mente que para a prática da auto hipnose, esse conceito de um estado alterado de consciência em que se ficará suscetível não é o ideal. Isto porque uma heterohipnose (quando uma pessoa hipnotiza outra) depende sempre de que se mantenha a expectativa elevada, e na auto hipnose isso não acontece, pois ao guiar o próprio processo, por saber tudo que vai acontecer, está é uma tarefa complicada. Para a auto hipnose, é preciso encararmos o processo sob uma perspectiva sociocognitiva, ou seja, a hipnose deve ser encarada como um comportamento. Sendo assim, para o sucesso dos resultados na auto hipnose é essencial o engajamento do sujeito com um objetivo e a intenção de desempenhar um comportamento compatível com alguém que deseja estar hipnotizado. Sob essa perspectiva, pode-se assumir que o bom desempenho do sujeito em hipnose depende do que o sujeito entende por hipnose e de qual é a sua atitude durante o processo. Imagine duas pessoas distintas, uma que quer utilizar autossugestões para emagrecer, e outra que quer se colocar em transe apenas para ver como é. Obviamente a primeira pessoa vai um processo mais efetivo e obter melhores respostas, pois sendo o conceito de transe tão subjetivo, associar o processo hipnótico à entrada neste estado é extremamente prejudicial, na auto hipnose em especial. Sob esse ponto de vista da hipnose como um comportamento, é possível afirmar que ele pode ser treinado, praticado e melhorado (afinal de contas, é um comportamento), e é exatamente por isso que esse engajamento e essa atitude são fundamentais. Sem esses elementos, a pessoa pode até experimentar algum tipo de sensação diferente, ouaté mesmo um relaxamento profundo, mas não fará sentido utilizar a hipnose como ferramenta para mudança. Tenha um objetivo e direcione sua atitude intencionalmente para ser positiva ao processo. AUMENTANDO A RESPOSTA A SUGESTÕES Quando falamos sobre atitudes mentais, ficou claro que apenas uma delas era satisfatória para o bom funcionamento 43 do processo. “Gosto da sugestão, sei que está funcionando” Também já ficou claro que a resposta a sugestões é um processo permissivo, mas não passivo. Ou seja, é conduzido pelo próprio indivíduo. Com tudo isso mente fica mais fácil compreender como aumentar sua resposta tanto às suas próprias sugestões quanto às sugestões recebidas em hetero-hipnose. É recomendado que o indivíduo haja voluntariamente como se as sugestões já estivessem acontecendo. Há uma frase em inglês muito frequentemente usada por hipnotistas: “FAKE IT UNTIL YOU MAKE IT”. Pode ser traduzido como “Finja até que você faça”, e a ideia é exatamente isso. Agir voluntariamente como se todas as sugestões já estivessem funcionando, até que elas passem a funcionar efetivamente. Num primeiro momento pode parecer frustrante a ideia de estar fingindo o processo, mas é preciso analisar com calma. Observe como esse comportamento se encaixa na primeira atitude mental, e também como se relaciona com o conceito de criação de âncoras. Costuma-se usar um argumento em tom de brincadeira, mas ele é muito verdadeiro e esclarecedor sob esse contexto: “Você já reparou que o que você faz todo dia antes de dormir é fingir que já está dormindo?” Isso facilita a entender a proposta. Você se coloca numa posição específica e tem comportamentos específicos esperando que o sono que você almeja se torne real, e isso vai funcionar também para os estados mentais e emocionais que você quer atingir para essa mudança. “Hipnose é o engajamento das crenças e da imaginação para a criação de uma realidade subjetiva”. Na década de 80 , Donald Goracine e Nicolas Espanos desenvolveram uma bateria de exercícios para um experimento científico com o objetivo de mudar a postura dos voluntários em relação à hipnose afim de melhorar sua performance: o CSTP, Pacote de Treinamento de Competências de Carleton. Nesse experimento, era recomendado exatamente que o os indivíduos se comportassem como se as sugestões já estivessem acontecendo, para automatizar as respostas. É possível praticar isso usando qualquer convincer consigo mesmo e mantendo esta atitude mental. RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA A PRÁTICA DE AUTO HIPNOSE • Tempo dedicado: comece sua prática com a certeza de que pode chegar até o final sem ser interrompido. • Ambiente e posição: Prepare o ambiente para que nada o incomode, e para que fique confortável o bastante para que você possa relaxar, mas não confortável demais a ponto de que possa te fazer dormir, tendo em vista que você poderá relaxar bastante. Lembre-se de que a hipnose é um processo ativo e você deve estar consciente durante todo ele. Salvo se a sua hipnose é justamente para combate a insônia ou simplesmente para dormir melhor. É interessante variar o ambiente para que você não fique condicionado a entrar em auto hipnose num único local. • Segurança: Algumas técnicas podem até ser usadas enquanto você realiza outras atividades, como enquanto pratica exercícios ou toma banho, mas fique atento para não utilizar modalidades que envolvam relaxamento ou que te deixem muito sugestionável quando isso puder lhe colocar em algum risco, sobretudo dirigindo ou operando qualquer tipo de aparelho. Qualquer tipo mesmo, desde um ralador até uma betoneira. • Alarme: Se corre o risco de que você durma durante a prática, é conveniente programar algum tipo de alarme. Parece apenas um detalhe prático, mas se isso começar a fazer com que outros aspectos da sua vida sejam afetados, como perder horários ou comparecer a compromissos sonolento, sua mente pode classificar a prática como algo nocivo e sabotá-lo. ENSAIO MENTAL Um tipo muitas vezes subestimado de auto hipnose é o ensaio mental. O nome é autoexplicativo, e consiste exatamente em ensaiar as ações mentalmente. A princípio pode parecer uma experiência muito leve para proporcionar mudanças, mas um ensaio mental é uma forma lúdica de aplicar uma dessensibilização sistemática a si mesmo. Grandes atletas como Pelé, Ayrton Senna e Michael Jordan já relataram em entrevistas que momentos antes de jogos ou corridas fechavam os olhos e se punham a imaginar os movimentos que fariam quando estivessem em ação. Se eles sabiam que isso é uma forma de auto hipnose, não há como ter certeza, mas os resultados que eles obtiveram e a capacidade de tomar decisões rápidas são notórios. 44 Assim como a ponte ao futuro fixa uma percepção tão vivida do objetivo almejado a ponto de a própria mente aceitar aquilo como verdade e passar a trabalhar para que aquilo se concretize, o ensaio mental pode obter o mesmo efeito. Se você tem registrado na mente que numa apresentação para uma plateia, você ficará extremamente ansioso, isso tenderá a acontecer. No entanto, se você se imaginar em todo o contexto, chegando no local da apresentação, cumprimentando as pessoas e tudo mais que deve ocorrer até o momento em que você ouvirá a pergunta, e se imaginar permanecendo calmo e respondendo com segurança, estará fazendo uma dessensibilização daquele antigo registro. Se você tiver um signo sinal para auto hipnose, ou seja, uma âncora para um mindset adequado de foco e concentração, pode fazer com que seu ensaio mental seja ainda mais efetivo. Para evitar se perder em pensamentos, você pode escrever todo o roteiro do seu ensaio e lê-lo algumas vezes antes de usar seu signo sinal. Isso vai tornar mais fácil ficar focado no contexto, sem pensamentos intrusivos. AUTO HIPNOSE FALSA Caso você ou seu cliente prefiram que a auto hipnose seja o mais parecido possível com uma hetero-hipnose, pode- se utilizar o que se chama de auto hipnose falsa ou de hipnose guiada. Basicamente consiste em ouvir um áudio com todos os elementos que uma sessão formal teria: Indução, aprofundamento, sugestões etc. A desvantagem dessa prática para uma sessão formal é que, uma vez que o áudio de toda a sessão está previamente gravado, não é possível utilizar técnicas que necessitem da interação entre terapeuta e paciente. No entanto se a intenção for uma mudança de mindset para adotar um novo padrão de comportamento e atingir o resultado esperado, esse exercício é eficiente pois cria um compounding, levando o indivíduo a se sentir plenamente nas condições em que deseja por várias vezes. Novamente, ajuda a engajar suas crenças e sua imaginação. Pode-se escolher os elementos (induções, aprofundamentos, etc.) de preferência de quem vai ouvir o áudio, e ser construído um texto de imaginação guiada cheio de sugestões diretas para que se passe sempre pela experiência (pode até ser o ensaio mental, da etapa anterior). É muito comum encontrar áudios como esse pela internet, e pode ser que eles funcionem muito bem para algumas pessoas. Mas, como é importante extrair do próprio sujeito os elementos para elaboração dos melhores roteiros, eles podem acabar sendo muito abrangentes, e não provocar emoções em você ou no seu cliente como um preparado especialmente para quem vai ouvir. Você pode gravar o áudio para si mesmo ou para seu cliente, mas caso você não se sinta à vontade para gravar esse áudio, pode pedir a um amigo ou mesmo contratar um profissional para fazer isso. O dublador brasileiro Márcio Seixas ( de atores como Sean Connery, Clint Eastwood, da série animada do Batman e da vinheta “versão brasileira, Herbert Richers”) gravou um áudio de hipnose para emagrecimento que ficou muito popular no início dos anos 2000 (vinha em um CD que acompanhava um livro). Não se sabe se ele tem conhecimentos de hipnose, mas ele claramente tem habilidade para locuções e modulação de voz, e com um bom roteiro em mãos, qualquer pessoa com essas habilidades pode gravar uma boa sessão dehipnose guiada. Mais uma prova de que o processo acontece pelo engajamento e atitude do hipnotizado. PRATICANDO A AUTO HIPNOSE Para os que preferirem praticar a auto hipnose de forma mais convencional, mais parecida com uma sessão de hipnose formal, isso também é possível. Embora já saibamos quais são os fatores que realmente determinam o sucesso do processo, não se deve desprezar o valor que pode ter para o seu cliente (ou para você mesmo) a sensação de que um estado alterado de consciência, ou mesmo o estado de transe hipnótico vão beneficiar a prática. Além disso, uma pessoa que já foi hipnotizada conhece as reações fisiológicas que ocorrem quando está neste estado (e que variam de pessoa para a pessoa), e essas sensações podem ter se tornado âncoras para um mindset adequado. Perceba que uma perspectiva não elimina a outra, pelo contrário, elas se complementam. R.I.A.S.A. O hipnotista português Miguel Cocco, referência mundial em auto hipnose, sugere um método para estruturar suas 45 sessões de auto hipnose de uma forma específica, que é muito eficiente e fácil de memorizar com a sigla “RIASA”. • Respiração • Indução • Aprofundamento • Sugestão • Acordar Todos os termos que estão aí já são familiares, com exceção de “acordar”, que é como Miguel Cocco definiu o que chamamos de “Emergir”. Seguindo estes passos, sugestionando cada etapa a si mesmo, você pode praticar a auto hipnose com um caráter mais ritualístico, que, como já vimos, é benéfico para a prática. A etapa da respiração é bastante simples. Basta que você respire de alguma forma que te leve a relaxar, sugestionando- se mentalmente para isso. Uma metáfora muito usada é a de que você vai puxar tudo que há de bom no ambiente quando inspirar, e jogar pra fora tudo que houver de ruim dentro de você quando expirar. Quando se sentir mais relaxado, parta para a indução. INDUÇÕES NA AUTO HIPNOSE Há algumas induções mais popularmente usadas para a auto hipnose: • Fixação ocular: O objetivo aqui é cansar os olhos forçando a vista para cima. Ainda com olhos abertos, faça com eles um movimento como se você quisesse olhar para sua própria testa pela parte de dentro. As escleras dos seus olhos ficaram à mostra. Não feche os olhos de propósito. Em algum momento eles vão cansar e se fechar automaticamente. A sensação causada tem o mesmo efeito de uma indução de choque. • Dave Elman: Você pode sugestionar mentalmente todo o roteiro da indução de Dave Elman, realizando todos os testes. Lembre-se do engajamento e atitude positiva na hora dos testes e não sabote o próprio processo. • Teste do pulso: O teste do pulso quando usado na auto hipnose é feito de forma diferente. Quando chegar a ele, sugestione que toda a energia das partes do seu corpo que ainda não relaxaram vão se concentrar em um dos seus punhos e feche a mão com força. Sugestione que quando você abrir a mão e deixar esse pulso relaxar completamente, esse relaxamento se espalhará. Essa também é a forma usada para usar o teste do pulso quando for aplicar a indução de Dave Elman coletivamente. • Âncora de reindução: Se você tiver um signo sinal instalado em você mesmo, pode simplesmente “acioná-lo”. Quando identificar o estado desejado, comece a próxima etapa. APROFUNDAMENTO Aqui não há mistério. Sugestione o aprofundamento e estabilização do estado de transe hipnótico como faria hipnotizando outra pessoa. SUGESTÕES EM AUTO HIPNOSE Construindo sugestões Não é recomendável improvisar as sugestões quando chegar a essa etapa. Pensamentos intrusivos podem comprometer o processo. O ideal é que você já tenha as sugestões construídas (a seguir veremos como se autossugestionar), e para que seja uma boa sugestão para auto hipnose, é interessante que obedeça a algumas regras: • Positivas: sem uso de pharsing 46 • Curtas: aproximadamente duas linhas • Diretas: sem o uso de metáforas • Simples: respeitando o vocabulário do sujeito Metas smart O conceito de “metas smart” é bastante conhecido, e embora tenha sua origem em outros contextos, é utilíssimo para criação de sugestões. Segundo esse conceito, uma meta (ou sugestão, no nosso caso) deve ser: • S — Specific (específica): Evitando ideias vagas, tenha um objetivo definido. • M — Measurable (mensurável): “Distância” entre estado atual e desejado. • A — Attainable (atingível): Precisa ser realista para não causar frustrações. • R — Relevant (relevante): Quanto mais congruente, maior a motivação. • T — Time based (temporal): Fixar quando o objetivo será alcançado. Este conceito está apresentado aqui de forma superficial. Uma pesquisa maior sobre o tema certamente lhe trará novas informações interessantes. Autossugestionamento Há duas formas mais comuns de trabalhar com as sugestões em auto hipnose: • Leitura prévia: Antes de iniciar sua sessão, escreva sua sugestão repetidas vezes (preferencialmente a mão), em torno de 15 ou 20. Quando terminar de escrever, leia em voz alta e pausadamente essas sugestões. Repita a leitura de todas as linhas que escreveu SE e quantas vezes achar necessário. Dê início a usa hipnose, e quando chegar à etapa da sugestão, apenas relaxe. A sugestão já está fixa na sua mente. Você até pode repetir a sugestão mentalmente, mas não é necessário. No caso de surgirem pensamentos invasivos, ignore-os em vez de se esforçar para expulsá-los. Quando julgar que deve, vá para a emersão. • Gravação da voz: Grave a sua própria voz repetindo pausadamente sua sugestão quantas vezes achar necessário para que você as ouça durante a etapa da sugestão. Leve em conta que a gravação deve ter um tempo de silêncio que anteceda o início das sugestões, e para isso é preciso que você saiba quanto tempo em média você leva nas outras etapas. Por isso, esse método é mais recomendado para quem usa um signo sinal como indução, pois o tempo em silêncio anterior às sugestões pode ser de apenas 10 ou 15 segundos. EMERSÃO Simplesmente sugira a saída deste estado, respeitando todos os elementos que constam numa emersão quando você hipnotiza outra pessoa. Você está aprendendo uma ferramenta sensacional capaz de ajudar muitas pessoas. Pratique bastante, estude. Caso queira se aprofundar na hipnose clínica, recomendo fortemente o nosso curso de hipnose clínica ead com especialização em fobias. https://www.hotmart.com/product/formacao-online-certificada-em-hipnose-clinica-com-foco-em-fobias/P23798946E Conte conosco em seu desenvolvimento! CONSIDERAÇÕES FINAIS CAPÍTULO 16 47 Renan Moura - www.campinashipnose.com.br / www.portadamente.com.br Apostila Daniel Gatti - Hipnose Descomplicada - 2019 Thiago Ruiz Aplicativo Porta da Mente Karl Weissmann - O Hipnotismo Michael-Arruda-Street-Hypnosis-Sem-Segredos-2.0 https://pt.wikipedia.org/wiki/Hipnose Apostila Lucas Naves – Versão 2016 https://motdigital.com/definir-posicionamento-marca/ Alberto Dell’Isola - Street Hipnose ELMAN, D. Apreciação em Hipnose. 1 ed. Clifton, 1964 http://www.daveelman.com http://www.hypnosis101.com/dave-elman-induction.htm http://www.deeptrancenow.com/exc2_delmanind.htm http://hipnose-sofia.blogspot.com/2009/05/citacao-do-dia-dave-elman.html Elsever - Curso Sean M. Andrews BIBLIOGRAFIA 48 ME SIGA NAS REDES! www.portadamente.com.br www.campinashipnose.com.br instagram.com/porta_da_mente instagram.com/hipnosecampinas APLICATIVO PORTA DA MENTE Conteúdo de hipnose dos maiores hipnólogos do Brasil! Baixe agora! É de graça!