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Livro do Professor Biologia Volume 8 ©Editora Positivo Ltda., 2015 Dados Internacionais para Catalogação na Publicação (CIP) (Maria Teresa A. Gonzati / CRB 9-1584 / Curitiba, PR, Brasil) B663 Bobato, Vilmarise. Biologia : ensino médio / Vilmarise Bobato ; reformulação dos originais de Augusto Borba ; ilustrações Divo ... [ et al. ]. – Curitiba : Positivo, 2016. v. 8 : il. Sistema Positivo de Ensino ISBN 978-85-467-0404-0 (Livro do aluno) ISBN 978-85-467-0405-7 (Livro do professor) 1. Biologia. 2. Ensino médio – Currículos. I. Borba, Augusto. II. Divo. III. Título. CDD 373.33 Presidente: Ruben Formighieri Diretor-Geral: Emerson Walter dos Santos Diretor Editorial: Joseph Razouk Junior Gerente Editorial: Júlio Röcker Neto Gerente de Arte e Iconografia: Cláudio Espósito Godoy Autoria: Vilmarise Bobato; reformulação dos originais de Augusto Borba Supervisão Editorial: Jeferson Freitas Edição de Conteúdo: Milena dos Passos Lima (Coord.), Ana Paula de Amorim, Cláudia Wagner de Castro e Luciane Lazarini Edição de Texto: Paula Garcia da Rocha Revisão: Mariana Bordignon e Willian Marques Supervisão de Arte: Elvira Fogaça Cilka Edição de Arte: Angela Giseli de Souza Projeto Gráfico: YAN Comunicação Ícones: ©Shutterstock/ericlefrancais, ©Shutterstock/Goritza, ©Shutterstock/Lightspring, ©Shutterstock/Chalermpol, ©Shutterstock/Macrovector e ©Shutterstock/Blinka Imagens de abertura: ©iStockphoto.com/pixdeluxe e ©iStockphotor/Asiseeit Editoração: Rafaelle Moraes Ilustrações: Divo, Eduardo Borges, Jack Art, Luis Moura, Marcos Gomes e Thiago Brayner Pesquisa Iconográfica: Janine Perucci (Supervisão) e Marina Gonçalves Grosso Engenharia de Produto: Solange Szabelski Druszcz Produção Editora Positivo Ltda. Rua Major Heitor Guimarães, 174 – Seminário 80440-120 – Curitiba – PR Tel.: (0xx41) 3312-3500 Site : www.editorapositivo.com.br Impressão e acabamento Gráfica e Editora Posigraf Ltda. Rua Senador Accioly Filho, 431/500 – CIC 81310-000 – Curitiba – PR Tel.: (0xx41) 3212-5451 E-mail : posigraf@positivo.com.br 2018 Contato editora.spe@positivo.com.br Todos os direitos reservados à Editora Positivo Ltda. 15 16 Sumário O projeto gráfico atende aos objetivos da coleção de diversas formas. As ilustrações, os diagramas e as figuras contribuem para a construção correta dos conceitos e estimulam o envolvimento com os temas de estudo. Assim, fique atento aos seguintes ícones: Fora de escala numéricaFormas em proporçãoColoração artificial Imagem ampliadaImagem microscópicaColoração semelhante ao natural Representação artísticaEscala numéricaFora de proporção Fisiologia humana: excreção e reprodução .....4 Sistema urinário ....................................................................................................5 Sistema genital ...................................................................................................10 Fisiologia humana: controle e percepção ...... 32 Sistema endócrino ...............................................................................................33 Sistema nervoso ..................................................................................................40 Sistema sensorial ................................................................................................48 Noções de primeiros socorros ..............................................................................56 Acesse o livro digital e conheça os objetos digitais e slides deste volume. 4 Os rins são órgãos altamente vascularizados e ligados a importantes artérias e veias. São responsáveis por filtrar o sangue, retirando resíduos metabólicos e controlando a quantidade de água e sais do corpo. Também auxiliam no controle da pressão arterial e produzem hormônios relacionados ao metabolismo do cálcio. 1. A excreção realizada pelos rins é uma das funções vitais dos seres humanos, e alterações em seu funcionamento podem desencadear graves consequências ao organismo. O que devemos fazer para manter o bom funciona- mento dos rins? 2. De que maneira a complexa rede sanguínea dos rins está ligada às funções que esses órgãos desempenham no organismo? Os rins são órgãos altamente vascularizados e ligados a importantes artérias e veias São responsáveis por filtrar Ponto de partida Fisiologia humana : excreção e reprodu ção 15 1 Getty Images/MedicalRF.com 55 Objetivos da unidade: reconhecer as estruturas e as fun- ções do sistema urinário humano; identificar as diferenças anatômi- cas e fisiológicas entre os sistemas genitais do homem e da mulher e discutir aspectos da sexualidade humana; compreender o processo de game- togênese humana. Objetivos da unidade: reconhecer as estruturas e as fun- Sistema urinário Constituído por dois rins e pelas vias urinárias, atua de forma harmoniosa com diversos outros sistemas do orga- nismo, o que favorece a existência de um ambiente interno equilibrado, ou seja, a homeostase. Isso se deve ao fato de o sistema urinário retirar do sangue os compostos nitrogena- dos, como amônia, ureia e ácido úrico, produzidos pela degra- dação de proteínas durante o metabolismo celular, os quais, em alta concentração no corpo, tornam-se extremamente tóxicos. Nas mulheres, a uretra é mais curta e elimina apenas urina. Nos homens, a uretra é mais longa e, além da urina, também elimina o sêmen. Sistema urinário do homem Sistema urinário da mulher Ureteres Bexiga urinária Uretra Rins Rins Pênis Bexiga urinária Ureteres Testículos OváriosUretra no interior do pênis Útero Bexiga urinária Bexiga urinária D iv o. 2 01 3. D ig ita l. Representação esquemática dos sistemas urinários do homem e da mulher A eliminação de resíduos celulares do corpo humano denomina-se excreção, e os mecanismos utilizados nesse processo envolvem diferentes estruturas. Por exemplo, o gás carbônico é transportado pelo sangue e eliminado pelo sistema respiratório na expiração; os compostos nitrogenados dissolvidos no sangue são eliminados no suor e, princi- palmente, na urina. As fezes, no entanto, não são consideradas uma excreção, pois são formadas pelos restos do processo de digestão, e não do metabolismo celular, não sendo resíduos das reações químicas que ocorrem nas células. Rins São dois órgãos castanho-avermelhados que se encontram na região abdominal, um de cada lado da coluna vertebral. Apre- sentam, aproximadamente, 12 cm de comprimento e sua função está relacionada à filtragem do sangue, retirando os resíduos me- tabólicos nitrogenados, principalmente a ureia, que, com a água, compõe a maior parte da urina. Durante a formação da urina, os rins regulam a maioria dos constituintes do plasma sanguíneo, como água, sais minerais (potássio, cloreto, sódio), glicose, aminoácidos, vitaminas e mui- tas outras substâncias em menor quantidade. Com isso, o sangue conserva as concentrações de seus componentes. Ressalte que a composição do suor é semelhante à da urina. Contudo, o que os diferencia é o fato de a concentração de sais minerais, ureia e ácido úrico ser bem maior na urina que no suor. Córtex renal Veia renal Artéria renal Ureter Pelve renal Medula renal } Representação esquemática da estrutura interna dos rins D iv o. 2 01 2. D ig ita l. Veia renal Artéria renal Medula Córtex Cápsulas glomerulares Artéria Veia Ducto coletor Capilares Ducto coletor Alça néfrica Cápsula glomerular Glomérulo Túbulo contorcido proximal Túbulo contorcido distal Formação da urina A urina é formada seguindo estas três etapas: filtração glomerular, reabsorção tubular e secreção tubular. Filtração glomerular O sangue a ser filtrado entra no rim pela artéria renal e chega ao glomérulo sob pressão, fazendo com que apro- ximadamente 12% de seu plasma passe para a cápsula glomerular. Ascélulas do sangue e as moléculas grandes (maioria das proteínas) ficam retidas, pois não conseguem atravessar as paredes do glomérulo, e voltam para o san- gue circulante. O líquido recolhido pela cápsula glomerular contendo moléculas pequenas, como água, glicose, aminoácidos, sais minerais, ureia, ácido úrico e amônia, denomina-se urina primária, que segue pelo túbulo contorcido proximal. Néfrons A formação da urina ocorre no interior das unidades funcionais dos rins, denominadas néfrons (do grego nephros, rim). Cada rim apresenta cerca de 1 milhão dessas unidades, as quais são constituídas pela cápsula glomerular (cápsula de Bowman) e pelo túbulo renal. • Cápsula glomerular: trata-se de uma porção dilatada e em forma de taça que se localiza na extremidade de cada néfron. Dentro dessa cápsula, há um pequeno novelo de capilares sanguíneos, denominado glomérulo renal. Esses capilares formam-se a partir das ramificações da artéria renal e são responsáveis pela filtração do sangue. • Túbulo renal: tubo que, ao sair do glomérulo, percorre um caminho sinuoso e apresenta três regiões, onde ocorrem as etapas da formação da urina – túbulo contorcido proximal, alça néfrica (alça de Henle) e túbulo contorcido distal, que termina no ducto coletor. D iv o. 2 01 2. D ig ita l. Representação esquemática da estrutura de um néfron Capilares do glomérulo Cápsula glomerular Filtrado glomerular Solutos Proteínas Arteríola eferente Arteríola aferente Ja ck A rt . 2 01 2. D ig ita l. A passagem de substâncias menores caracteriza a filtração glomerular. Ingerir pouca água dificulta a atividade dos rins e pode ocasionar a crista- lização de ácido úrico e sais minerais nos inúmeros túbulos no interior desses órgãos, formando os cálculos renais, popularmente chamados de “pedras nos rins”. Esses cálculos dificultam o funcionamento renal, e sua eliminação pode ocorrer com a urina, processo muito doloroso, ou por meio de cirurgia. Cálculos renais de diferentes formas e tamanhos © Sh u tt er st oc k/ Ev an L or n e 6 Volume 8 Reabsorção tubular Ocorre durante o percurso da urina primária no interior do túbulo renal. Cerca de 99% da água da urina primária volta à circulação sanguínea por meio desse processo; apenas 1% dessa água compõe a urina final. Além da água, sais minerais, moléculas de glicose e aminoácidos são reabsorvidos e devolvidos ao sangue. Após o mecanismo de reabsorção, o líquido que chega ao ducto coletor (final do túbulo renal) apresenta concen- tração e composição bem diferentes das do plasma sanguíneo. Secreção tubular Os capilares sanguíneos localizados ao redor dos túbulos renais condu- zem, especialmente, ureia do sangue para o interior desses túbulos. Desse modo, o excesso de água e sais minerais e os produtos nitrogenados, como ureia (excreta principal) e uma pequena quantidade de ácido úrico, che- gam aos ductos coletores, ocorrendo a formação da urina. Do ducto coletor, a urina é conduzida para uma cavidade denominada pelve renal e daí para o ureter. Este conduz a urina até a bexiga urinária, que tem capacidade de armazená-la. Vias urinárias Após a filtração do sangue pelos rins, forma-se a urina, líquido que deve ser conduzido pelas vias urinárias para posterior eliminação do organismo. Essas vias são formadas pela pelve renal, pelos ureteres, pela bexiga urinária e pela uretra. • Pelve renal: região dilatada em forma de funil que recebe a urina produzida e a encaminha aos ureteres. • Ureteres: dois tubos finos e compridos (25 a 30 cm) que realizam contrações musculares para que a urina possa chegar à bexiga urinária. • Bexiga urinária: bolsa muscular que armazena a urina até o momento da micção. À medida que a urina se acu- mula na bexiga, suas paredes elásticas se distendem. A vontade de urinar acontece porque, ao se dilatarem, as terminações nervosas dos músculos da parede da bexiga urinária levam o impulso nervoso ao SNC, informando que a urina precisa ser eliminada. • Uretra: canal que leva a urina da bexiga ao exterior do corpo no momento da micção. Nos homens, a ure- tra também propicia a passagem do sêmen durante a ejaculação. Neles, esse canal mede, aproximadamente, 20 cm de comprimento. Já nas mulheres, a uretra é bem menor (medindo entre 4 e 5 cm) e, em seu interior, ocorre somente a passagem da urina. Controle hormonal da excreção urinária A reabsorção tubular é controlada por mecanismos hormonais, ou seja, algumas glândulas liberam hormônios que atuam na permeabilidade das membranas celulares dos túbulos renais. Com isso, ocorre a passagem de substâncias das células tubulares ao sangue. A aldosterona é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais (adrenais), localizadas acima dos rins. Sua função é aumentar a reabsorção ativa de íons, como sódio (Na+). Desse modo, o sangue fica mais concentrado e, por osmose, a água passa do túbulo para a corrente sanguínea, ocasionando um aumento na pressão arterial. Todos os dias, o volume de sangue do co rpo é filtrado várias vezes, mantendo a home os- tase e eliminando as excretas. Quanto maior a quantidade de líquidos ingerida, maior é o volume de urina produzida. Sugestão de texto complementar.2 Biologia 7 A excreção é uma das funções vitais dos seres vivos, ou seja, se ela não for realizada, em pouco tempo o organismo morre. Em relação a esse assunto, elabore um quadro elencando o modo de excreção realizada por peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Indique, sobretudo, as diferenças nas principais substâncias excretadas nos ambientes aquático e terrestre. O ADH (hormônio antidiurético ou vasopressina) é produzido no hipotálamo e liberado pela região posterior da glândula hipófise ou neuro-hipófise. Ao ser lançado na corrente sanguínea, o ADH passa a atuar sobre os túbulos renais, tornando as células tubula- res mais permeáveis à passagem de água, ou seja, esse hormônio amplia a capacidade de reabsorção tubular, aumentando o retorno da água à corrente sanguínea. Com isso, a urina torna-se menos diluída, pois seu volume diminui e sua concentração aumenta. As bebidas alcoólicas inibem a produção do ADH, diminuindo a reabsorção tubular. Isso faz aumentar a quantidade de água na urina, deixando-a mais diluída e com volume maior. Consequen- temente, a pessoa tem mais vontade de urinar. Problemas renais Qualquer problema que afete o funcionamento dos rins ou do sistema urinário ocasiona graves consequências em todo o organismo, pois a eliminação dos compostos nitrogenados é interrompida, levando à intoxicação. A água e os sais minerais também passam a se acumular nos tecidos e no sangue, fazendo com que a pessoa fique inchada e a pressão arterial se eleve. A perda da função renal, se não tratada, leva a pessoa à morte em duas semanas. Atualmente, esse problema pode ser tratado de três maneiras, e todas elas têm como objetivo substituir as funções dos rins: diálise peritoneal, hemodiá- lise e transplante renal. A diálise peritoneal é um processo artificial que retira, por meio da filtração, as substâncias indesejáveis acumula- das pela insuficiência renal crônica. Isso pode ser feito usando a membrana filtrante do rim artificial e/ou da membrana peritoneal do próprio paciente. Na hemodiálise, é feita a filtragem mecânica do san- gue por meio de uma máquina, o que deve ser realizado em hospitais e com intervalos de dois ou três dias, com uso concomitante de medicamentos. Esse procedimento debili- ta os pacientes, que precisam realizá-lo até encontrarem um doador compatível para fazer um transplante renal. Em todos os casos que envolvem transplantes de ór- gãos, como no transplante renal, a situação é muito de- licada, pois a pessoa doadora deve ser compatível com o paciente receptor. Encontrar um doador compatível não é uma tarefa fácil. Por esse motivo, existem muitas pessoas aguardando para fazer um transplante. O diabetes insipidus,doença não relacionada à falta de insulina ou ao aumento de glicose no san gue, ocorre especialmente por dois motivos: por um defeito no SNC, que inibe a produção e a secreção de ADH, mes- mo em casos de desidratação, e por uma deficiência nas células dos túbulos renais, que não re spondem à presença do hormônio. Nos dois casos, o resultado é uma intensa diurese (poliúria) e, por isso , as pessoas que sofrem desse problema se desidratam facilmente e têm muita sede. © Sh u tt er st oc k/ Pi cs fiv e Na hemodiálise, uma máquina desempenha a função dos rins de filtrar o sangue. Sugestão de encaminhamento sobre transplante de órgãos.3 Organize as ideias 4 Sugestão de resposta. 8 Volume 8 1. Como os rins auxiliam na manutenção da homeos- tase no corpo humano? Qual é a relação desse pro- cesso com o equilíbrio das substâncias dissolvidas no sangue? Os rins realizam a eliminação dos compostos nitrogenados, que são tóxicos ao organismo. Além disso, ao filtrarem o sangue, possibilitam que este conserve as concentrações de seus componentes, mantendo seu equilíbrio também nos outros tecidos do corpo. 2. (UEPG – PR) A figura abaixo representa o funciona- mento de um nefro humano para os mecanismos de filtração, reabsorção e secreção. Com relação a todo o processo que ocorre no nefro, assinale o que for correto. Fonte: Linhares, S.; Gewandsznajder, F. Biologia hoje, os seres vivos. Volume 2. Editora Ática. São Paulo. 2010 X (01) Em 1 e 2, glomérulo e cápsula, respectivamente, ocorre a filtração. Nessa etapa, a pressão do san- gue expulsa, do glomérulo para a cápsula, a água e as pequenas partículas dissolvidas no plasma, como sais, moléculas orgânicas simples e ureia. X (02) Em 3 está representado o túbulo contorcido pro- ximal. As células da parte inicial desse túbulo reabsorvem, por transporte ativo, quase toda a glicose, os aminoácidos e parte dos sais. Atividades X (04) Após a reabsorção da glicose, dos aminoácidos e dos sais, o sangue fica mais concentrado que o líquido do túbulo. Nessa etapa, boa parte da água é reabsorvida por osmose. (08) Em 5 e 6, alça de Henle e túbulo distal, respec- tivamente, ocorre a ação dos hormônios aldos- terona e antidiurético (ADH). Ambos agem para eliminar o máximo de água na urina. (16) Na fisiologia humana, o sistema de controle da pressão arterial não está envolvido com os hor- mônios e o sistema de excreção e reabsorção de um nefro. 3. (UFG – GO) Em relação à excreção humana, responda. a) Quais são os órgãos do aparelho renal humano? Rins, ureteres, bexiga urinária e uretra. b) Quais são as estruturas microscópicas dos rins res- ponsáveis pela filtração e regulação da composição química do sangue? Néfrons. c) Qual é a composição normal da urina humana? A urina deve conter apenas água, sais minerais e excretas nitrogenadas, como ureia e traços de ácido úrico. d) Quais os principais processos que ocorrem, respec- tivamente, no glomérulo localizado na cápsula de Bowman e no túbulo do néfron? Nos glomérulos, ocorre a filtração do sangue arterial e, nos túbulos do néfron, ocorre a reabsorção das substâncias úteis ao organismo. e) Cite uma substância orgânica filtrada que será reabsorvida pelo sangue e dê o nome da principal substância tóxica que será filtrada e posteriormente eliminada pela urina. Glicose e ureia. Biologia 9 4. O diabetes mellitus é uma doença relacionada ao aumento da concentração de glicose no sangue em virtude de uma deficiência na produção de insulina ou na resposta a esse hormônio, o que afeta de diversas maneiras o metabolismo corporal. Um dos sintomas que ajuda a identificar esse problema são os altos níveis de produção de urina. Como isso pode ser explicado? Como o nível de glicose no sangue é alto, esse excesso, que não é reabsorvido nos rins, é eliminado na urina, sendo necessária uma quantidade maior de água para dissolver a glicose. Assim, o volume de urina aumenta, e a pessoa passa a tomar mais água para repor o líquido eliminado. O diabetes mellitus difere do diabetes insipidus, pois, no segundo caso, a maior eliminação de água na urina é causada por uma deficiência na produção de ADH ou na resposta a esse hormônio. Sugestão de atividades: questões 1 a 4 da seção Hora de estudo. Sistema genital Na espécie humana, a maturidade sexual possibilita que o organismo tenha condições biológicas de produzir hormônios sexuais e células reprodutivas (gametas), tornando-se apto a gerar descendentes por meio do processo reprodutivo. Os sistemas genitais do homem e da mulher estão envolvidos nesse processo, produzindo e sofrendo a ação de hormônios, o que desencadeia mudanças fisiológicas e anatômicas que propiciam a produção de gametas e o desenvolvimento do embrião no interior do corpo da mulher. Sistema genital do homem É formado pelo pênis, bolsa escrotal (que abriga os testículos), glândulas acessórias e vias espermáticas (incluindo a uretra, canal compartilhado com o sistema urinário). Além das funções relacionadas ao ato sexual, esse sistema é responsável pela produção do hormônio sexual (testosterona) e das células reprodutivas (espermatozoides). Rins Ureteres Vesícula seminal Ducto ejaculatório Bolsa escrotal Epidídimo Glândula bulbouretral Ureter liga os rins à bexiga urinária Ducto deferente Bexiga urinária Próstata Uretra Testículo Pênis Porção do intestino grosso Ânus Bexiga urinária D iv o. 2 01 2. D ig ita l.Ja ck A rt . 2 01 5. D ig ita l. Representação esquemática do sistema genital do homem Formação e maturação dos espermatozoides Os testículos são duas glândulas sexuais (gônadas) que apresentam a forma oval, com cerca de 5 cm de compri- mento, e se localizam fora da cavidade abdominal, no interior da bolsa escrotal. As paredes da bolsa escrotal são finas e auxiliam na manutenção da temperatura interna ideal para a produção de espermatozoides, que é, aproximadamente, 3 °C mais baixa que a temperatura corporal. Neste material, foram utilizados os termos homem e mulher, me- nino e menina como denominações relacionadas à determinação de sexo biológico, o qual corresponde às características fenotípicas e genotípicas do corpo, não envolvendo questões de gênero. 10 Volume 8 Cada testículo é formado por uma rede de numerosos canais fortemen- te enovelados, denominados túbulos seminíferos. Nas paredes desses finíssi- mos túbulos, inicia-se a produção de espermatozoides, processo denominado espermatogênese. Dos túbulos seminíferos, os espermatozoides seguem para o epidídimo (canal enovelado com cerca de 6 m), onde amadurecem. Os esper- matozoides levam dois dias para passar pelo epidídimo, período em que adquirem motilidade. A espermatogênese dura cerca de 70 dias. Os dois testículos pro- duzem, em média, 120 milhões de espermatozoides por dia. Os testículos contêm células (epi- teliócitos sustentadores) que nutrem os espermatozoides e células intersticiais (de Leydig), as quais secretam testosterona, hormônio que atua na formação dos es- permatozoides e no desenvolvimento e manutenção das características sexuais secundárias do homem, como engros- samento das pregas vocais, presença de pelos pubianos e desenvolvimento muscular. Epidídimo Ducto deferente Túbulos seminíferos Testículo Ja ck A rt . 2 01 2. D ig ita l. D iv o. 2 01 4. D ig ita l. Representação esquemática de corte longitudinal do testículo mostrando a disposição dos túbulos seminíferos Armazenamento e liberação dos espermatozoides Depois de formados, os espermatozoides ainda percorrem canais com diâmetro variável até serem eliminados pela uretra. Para que possam ser liberados pela ejaculação, ondas de contração muscular comprimem os espermatozoides em seus fluidos, possibilitando que saiam do epidídimo e se encaminhem ao longo do ducto deferente. Além de propiciar a liberação dos espermatozoides, o ducto deferenteos armazena, mantendo a fertilidade dos gametas por até um mês. Se não forem eliminados, os espermatozoides se degenerarão e serão reabsorvidos. O ducto deferente direito liga-se ao esquerdo, chegando à porção posterior da bexiga urinária, onde recebe o con- duto secretor das vesículas seminais e passa a se chamar ducto ejaculatório. Ao atravessar a próstata, o ducto ejacula- tório abre-se na uretra. No homem, a uretra apresenta dupla função, conduzindo a urina durante a micção (eliminação da urina) e os espermatozoides na ejaculação. Glândulas acessórias São glândulas anexas do sistema genital do homem responsáveis pela produção de secreções que se misturam aos espermatozoides, constituindo o sêmen. Essas secreções têm a função de facilitar o deslocamento e a nutrição dos espermatozoides. • Vesículas seminais: são duas glândulas responsáveis pela formação do líquido (ou fluido) seminal que é lan- çado no ducto ejaculatório. Localizadas logo abaixo da bexiga urinária, sua secreção é clara, fluida e alcalina, auxiliando na neutralização da acidez vaginal. As secreções dessas vesículas correspondem a cerca de 60% do volume do sêmen e são compostas de carboidratos, como a frutose, utilizada pelos espermatozoides na produ- ção de energia em suas mitocôndrias para a mobilidade. • Próstata: glândula de consistência esponjosa com, aproximadamente, 4 cm de diâmetro. Sua função é produzir secreções prostáticas, que auxiliam na condução dos espermatozoides. Essas secreções correspondem a cerca de 30% do sêmen. Além de produzir o líquido prostático, a próstata enche-se de sangue durante o estímulo sexual. Isso faz aumentar seu tamanho, auxiliando na obstrução do canal urinário que sai da bexiga urinária. Desse modo, o homem não consegue urinar e ejacular ao mesmo tempo. Durante a ejaculação, a urina não é liberada, pois o esfíncter (anel muscular) da base da bexiga urinária se fecha. Biologia 11 Envoltório fibroso Corpos cavernosos Glande Prepúcio Veias dorsais Artérias e nervos dorsais Corpo esponjoso Uretra Corpos cavernosos • Glândulas bulbouretrais: produzem uma secreção viscosa (correspondente a 5% do sêmen) que, por ação nervosa, lubrifica a glande do pênis, facilitando o ato sexual. Essa secreção também neutraliza a acidez dos restos de urina que existem na uretra. Pênis É o órgão sexual do homem. Em seu interior, encontram-se a uretra (canal comum aos sistemas urinário e genital) e os tecidos esponjosos (corpo esponjoso e corpos cavernosos), ricos em vasos sanguíneos. Em grande parte, a uretra localiza-se no interior de uma estrutura esponjosa longitudinal ao pênis, denominada corpo esponjoso. Os corpos cavernosos dispõem-se paralela e dorsalmente ao corpo esponjoso. Em função de estímulos do sistema nervoso au- tônomo, os vasos sanguíneos que irrigam os corpos cavernosos e o corpo esponjoso intensificam o fluxo de sangue nessas estruturas, o que possibilita o aumento e a maior rigidez do pênis, provocando a ereção. A região terminal do pênis forma a glande, estrutura constituída de uma pele fina e muitas terminações nervosas, apresentando grande sensibilidade à estimulação sexual. A glande é recoberta por uma prega protetora denominada prepúcio, que pode ser removida por meio de um procedimento cirúrgico conhecido como circuncisão. A completa retração do prepúcio, para higienização da glande, é muito importante, principalmente para prevenir problemas como a fimose e o câncer de pênis. O câncer de pênis está relacionado à má higien ização do pênis e a relações sexuais sem camisinha (há dado s científicos que sugerem que o vírus HPV, transmitido sexualmente e que pode ocasionar câncer de útero nas mulheres, também pode desen cadear essa doença). Lu is M ou ra . 2 01 2. D ig ita l. Ja ck A rt e D iv o. 2 01 5. D ig ita l. Representação esquemática do corte transversal da estrutura interna do pênis Organize as ideias Desde a produção até a liberação para o meio externo na ejaculação, os espermatozoides passam por diversos órgãos do sistema genital do homem e se misturam a diferentes secreções. Monte um esquema elencando essa sequência de eventos ou produza um texto resumindo as principais etapas. Sugestão de resposta.5 12 Volume 8 Sistema genital da mulher É formado pelos órgãos externos (pudendo ou vulva e abertura vaginal) e internos (ovários, útero, tubas uterinas e vagina). A sustentação dos órgãos genitais internos é realizada por um conjunto de ligamentos constituídos por cor- dões fibrosos de tecido conjuntivo denso modelado. Tuba uterina Útero Ovário Vagina Clitóris Conjunto de lábios Abertura da vagina Bexiga urinária Uretra Abertura da uretra Porção do intestino grosso Ânus D iv o. 2 00 8. D ig ita l. Ja ck A rt . 2 01 5. D ig ita l. Representação esquemática do sistema genital da mulher Ovários São duas pequenas glândulas sexuais (gônadas), com aproximadamente 3 cm de comprimento, localizadas no abdômen, à direita e à esquerda do útero. Sua função é produzir o ovócito secundário (gameta) durante o ciclo repro- dutivo. Os ovários também produzem os hormônios estrogênio e progesterona. O estrogênio é o hormônio sexual responsável pelas características sexuais secundárias da mulher, como aumen- to da vagina e desenvolvimento dos lábios que a circundam, presença de pelos pubianos, alargamento dos quadris e desenvolvimento das mamas. Esse hormônio também estimula o crescimento de todos os ossos logo após a puber- dade, porém provoca rápida calcificação óssea. Por isso, a mulher cresce mais rápido que o homem nessa fase. Além disso, o estrogênio é fundamental para o desenvolvimento do endométrio (revestimento da parede uterina) durante o ciclo reprodutivo. A progesterona tem pouca relação com o desenvolvimento dos caracteres sexuais femininos. Sua principal função é a preparação do útero para a implantação do embrião e das mamas para a lactação. Tubas uterinas São dois ductos (canais), com cerca de 12 cm de comprimento cada, que ligam os ovários ao útero. Quando o folículo maduro, situado na parede do ová- rio, se abre, o ovócito secundário é guiado pelas fím- brias (franjas que envolvem o ovário) para o interior da tuba uterina. Em seguida, as contrações musculares da tuba uterina, com o movimento ciliar ondulatório de seu revestimento interno, possibilitam que o ovócito secundário siga em direção ao útero. De modo geral, o processo de fecundação ocorre no terço final da tuba uterina, próximo à região das fímbrias. Representação esquemática do caminho percorrido pelo ovócito secundário, após sua liberação do ovário, e da fixação do embrião no útero, depois da fecundação Útero Tuba uterina Ovócito secundário Fímbrias Ovário D iv o. 2 00 5. D ig ita l. Biologia 13 Útero O útero é um órgão musculoso que aloja o embrião durante a gestação. É formado por uma parede muscular espessa, denominada miométrio, com grande capacidade de distensão. Seu revestimento interno é constituído por um tecido bastante vascularizado chamado endométrio, local onde o embrião geralmente se fixa (nidação) após a fecundação. O colo uterino é a região inferior do útero que se estende em direção à vagina. Ao final da ges- tação, essa região se torna mais fina e macia, favore- cendo o parto. A menstruação consiste na descamação da parte su- perficial do endométrio e acontece quando não ocorre a fecundação. A constrição e a ruptura de vasos sanguíneos da camada superficial do útero liberam grande quanti- dade de água e sangue, que se exterioriza pela vagina, caracterizando o fluxo menstrual. Vagina É formada por um canal muscular com cerca de 8 cm de comprimento que se estende desde o orifício vaginal até o colo do útero, constituindo o órgão copulatório da mulher. As paredes vaginais apresentam grande elastici- dade e contratilidade, possibilitando a eliminação do san- gue menstrualdo endométrio e a saída do bebê durante o parto. Na vagina, aproximadamente a 2 cm da abertura vagi- nal, existe uma membrana mucosa perfurada e altamente vascularizada, denominada hímen, cuja função é proteger a entrada da vagina. O hímen apresenta um orifício central que possibilita a saída do fluxo menstrual. Essa membrana geralmente é rompida durante a primeira relação sexual, provocando ou não um sangramento, que pode variar em quantidade. Ao redor da vagina, situam-se os ductos das glândulas vestibulares maiores, que a lubrificam durante o estímulo sexual, facilitando o ato sexual. Pudendo (vulva) Constitui a genitália externa da mulher, por onde o canal vaginal se abre para o meio exterior. O pudendo é formado pelos grandes e pequenos lábios e pelo clitó- ris, pequena saliência arredondada e erétil encontrada na junção superior dos pequenos lábios. O clitóris tem a função de estímulo sexual semelhante à sensibilidade da glande do pênis, pois apresenta muitas terminações nervosas. Gametogênese humana Os sistemas genitais da mulher e do homem apre- sentam órgãos que produzem células reprodutivas ou gametas. O conjunto de mecanismos que possibilita essa produção denomina-se gametogênese e forma óvulos (no caso das mulheres) e espermatozoides (no caso dos homens). Os gametas, originados de células das gônadas (glân- dulas sexuais), são haploides (n), mas as células que formam os gametas são originalmente diploides (2n). Por isso, é necessário que sofram uma redução cromos- sômica durante a meiose. Essas transformações são im- portantes para que ocorra a fecundação, ou seja, a fusão dos gametas, restabelecendo o número cromossômico diploide no zigoto. Durante a gametogênese, as células sexuais do homem e da mulher passam por três fases: de multipli- cação (sucessivas mitoses), de crescimento (as células cessam as mitoses e aumentam de volume) e de matu- ração (meiose). Espermatogênese Os espermatozoides constituem as células reproduti- vas dos homens e sua formação, ou seja, a espermato- gênese, inicia-se na puberdade, em torno dos 12 anos. Esse mecanismo se processa no interior dos testículos, na parede dos túbulos seminíferos. Até a puberdade, os túbulos seminíferos são maciços, existindo apenas algumas células sexuais primárias ou germinativas em suas paredes internas. Por meio da ação do hormônio sexual testosterona, os túbulos seminíferos amadurecem, e essas células se multiplicam, iniciando as etapas da espermatogênese. • Fase de multiplicação: etapa em que as mito- ses das células germinativas (2n) se intensificam, formando as espermatogônias (2n). Essa fase se inicia na puberdade e prossegue até o fim da vida do homem, havendo, assim, uma grande quanti- dade de gametas sendo produzida. No entanto, essa produção diminui com a idade em virtu- de da redução da testosterona no processo de envelhecimento. 14 Volume 8 Células germinativas (2n) 2n Crescimento sem divisão celular Túbulo seminífero (em corte transversal) Espermatogônia Espermatócitos I (2n) Espermatócitos II (n cromossomos duplicados) Espermátides (n) Espermatozoides Epiteliócito sustentador Testículo Ducto deferente Fase de multiplicação Fase de crescimento Fase de maturação Espermiogênese 2n 2n Mitose 2n n n Meiose I n n n n nnnn Epidídimo Meiose II Ja ck A rt . 2 01 1. M is ta . Representação esquemática da espermatogênese e do túbulo seminífero, com destaque para a produção e maturação dos espermatozoides • Fase de crescimento: um grupo de espermatogônias cessa a mitose e, em virtude da intensa síntese proteica, aumenta de volume. Formam-se, assim, os espermatócitos primários (espermatócitos de primeira ordem), que continuam sendo diploides (2n). O aumento do volume celular sem que ocorram divisões caracteriza essa fase. • Fase de maturação: cada espermatócito primário (2n) inicia a primeira divisão da meiose (I), originando dois espermatócitos secundários (n). Depois disso, os espermatócitos secundários realizam a segunda divisão da meiose (II) e formam quatro espermátides, que continuam haploides (n). Cada espermatogônia forma, portan- to, quatro espermátides. Na finalização da espermatogênese, cada espermátide se diferencia em um espermatozoide, etapa denominada espermiogênese. Nesse processo, o complexo golgiense origina o acrossomo, bolsa que contém a enzima hialuronidase; o núcleo torna-se compacto e o citoplasma que o circunda é eliminado; os centríolos formam o flagelo do espermatozoide; e as mitocôndrias migram do citoplasma concentrando-se próximo ao flagelo, formando a peça intermediária. Essas organelas fornecem energia para a mobilidade do flagelo. O processo de espermatogênese, desde a espermatogônia até a formação do espermatozoide, demora entre 64 e 74 dias. A ação da enzima hialuronidase possibilita o rompimento da mem- brana do ovócito II. Complexo golgiense Mitocôndria Espermátide Acrossomo Fragmento citoplasmático Núcleo Peça intermediária Cauda (flagelo) Mitocôndrias Formação do flagelo Migração das mitocôndrias Cabeça Representação esquemática da formação do acrossomo no espermatozoide Ja ck A rt . 2 01 1. D ig ita l. primeira divisão da meiose: etapa reducional da meiose. Nela, ocorre o crossing-over durante a prófase I. Biologia 15 6 Sugestão de encaminhamento e atividade complementar. A espermatogênese é um mecanismo fisiológico sensível a temperaturas elevadas. A localização dos testículos no interior da bolsa escrotal, fora da cavidade abdominal, possibilita essa diminuição de temperatura. De modo geral, acontece algo semelhante com os outros mamíferos, com exceção dos coelhos, que têm os testículos localizados dentro da cavidade abdominal, os quais descem para a bolsa escrotal somente no período reprodutivo. O hábito de utilizar roupas muito justas, realizar exercícios por períodos prolongados com roupas apertadas ou permanecer muito tempo em banhos de imersão pode aumentar a temperatura dos testículos e prejudicar a produção de espermatozoides. Ovulogênese Apesar de apresentar as mesmas fases e os mesmos processos de divisão celular, a ovulogênese é bem diferente da espermatogênese. Essas diferenças referem-se ao tamanho do gameta feminino, às células que apresentam atividades funcionais, à duração e ao local de ocorrência do processo. A ovulogênese ocorre no interior dos ovários, em pe- quenas bolsas denominadas folículos ovarianos. De modo geral, em cada ciclo reprodutivo de 28 dias (esse número pode variar), apenas um folículo amadurece liberando a célula reprodutiva para fecundação. • Fase de multiplicação: a gametogênese na mulher inicia-se antes de ela nascer. As células germinativas (primordiais) começam a realizar atividade mitótica a partir do quinto mês de desenvolvimento embrio- nário. Nessa etapa da vida, ocorre a multiplicação das células, em que as ovogônias (2n) realizam sucessivas mitoses. Ao final dessa fase, as mitoses param, e as ovogônias não se dividem mais. • Fase de crescimento: as ovogônias aumentam con- sideravelmente o volume celular, transformando-se em ovócitos primários (2n). Comparando com a gametogênese masculina, a fase de crescimento da ovulogênese tem duração maior pelo fato de essas células realizarem intensa síntese proteica. Isso pos- sibilita o acúmulo de reservas nutritivas necessá- rias ao processo de fecundação e às fases iniciais do desenvolvimento embrionário. • Fase de maturação: depois do sétimo mês de vida intrauterina, os ovócitos primários realizam a primeira etapa da meiose (I). Ao chegar quase ao final da prófase I, verifica-se um fenômeno muito curioso: os ovócitos primários (2n) interrompem a meiose ao mesmo tempo. Essa interrupção, deno- minada dictióteno (do grego diktyon, rede), perma- nece até a puberdade. Nessa etapa, verifica-se um grande crescimento celular. Normalmente,as mulheres desenvolv em somente uma célula ativa na ovulogênese, ciclo que se repete a cada mês. Se a gam e- togênese na mulher formasse quatro célu las haploides funcionais, existiria a possibilid a- de de formação de muitos gêmeos fratern os, os quais se formam apenas quando oco rre mais de um processo de ovulogênese no mesmo ciclo. Assim, os espermatozoid es podem fecundar ovócitos secundár ios diferentes. Ovócito Tecido do ovário Células foliculares © Sh u tt er st oc k/ Jo se L u is C al vo Secção do ovário, com destaque para três folículos ovarianos em diferentes estágios de desenvolvimento. Micrografia óptica, sem informação de aumento. 16 Volume 8 Na puberdade, quando se iniciam as atividades dos hormônios sexuais que atuam no desenvolvimento das carac- terísticas sexuais secundárias da mulher, a meiose prossegue, porém apenas um ovócito primário completa o processo em cada ciclo reprodutivo, formando duas células haploides (n) de tamanhos diferentes: o ovócito secundário (ovóci- to II) e uma célula pequena que não apresenta função. Essa célula não funcional denomina-se primeiro corpúsculo ou glóbulo polar. O ovócito secundário é o gameta feminino, ou seja, a célula que o ovário libera na tuba uterina quando o folículo ovariano está totalmente maduro. Esse processo é conhecido como ovulação, e a presença do ovócito secundário disponível para fertilização caracteriza o período fértil da mulher. A meiose II ocorre apenas se o ovócito secundário for fecundado. Nesse caso, ele dá origem a duas células desi- guais: o óvulo, que já apresenta o núcleo do espermatozoide em seu interior, e outro corpúsculo polar. O primeiro corpúsculo polar também completa a meiose II, formando dois corpúsculos polares inativos. Portanto, caso ocorra a fecundação, ao final do processo, formam-se um óvulo e três corpúsculos polares, células menores que se degeneram. No entanto, se não ocorrer a fecundação, o processo de ovulogênese é encerrado com a produção do ovócito secundário, que é eliminado antes da menstruação. Assim, quando ovulam, as mulheres liberam o ovócito secundário, que, na maior parte das vezes, não completa a divisão meiótica. Células germinativas (2n) 2n Crescimento sem divisão celular Fase de multiplicação Fase de crescimento Fase de maturação 2n 2n Mitose 2n n n Meiose I n n n n Ovogônia Ovogônias Ovócito I Ovócito II (n cromossomos duplicados) Óvulo (n) 3 corpúsculos polares Folículo maduro Ovário Corpo lúteo Ovócito II OvulaçãoFolículo ovariano primário Meiose II (se houver fecundação) 1º. corpúsculo polar Núcleo Ovócito Células que revestem o folículo e o conectam com o tecido do ovário Fluido folicular La tin St oc k/ Sc ie n ce P h ot o Li b ra ry /S te ve G sc h em ei ss n er Ja ck A rt . 2 01 1. D ig ita l. Representação esquemática da ovulogênese e do ovário; em destaque, o folículo ovariano. Micrografia óptica, sem informação de aumento, colorido artificialmente. Organize as ideias A espermatogênese e a ovulogênese apresentam as mesmas fases: multiplicação, crescimento e maturação. Ela- bore um quadro comparando o que ocorre em cada uma dessas três fases dos processos de espermatogênese e ovulogênese. Ciclo reprodutivo da mulher A ovulogênese está relacionada ao ciclo reprodutivo, conjunto de alterações que ocorrem no sistema genital da mulher periodicamente (em média, a cada 28 dias). Durante esse período, há uma intensa oscilação entre os hormô- nios hipofisários e ovarianos. Sugestão de resposta.7 Biologia 17 O primeiro dia do ciclo reprodutivo caracteriza-se pelo sangramento, denominado menstruação ou fluxo menstrual, que é liberado pela vagina e ocorre até o quinto dia, aproximadamente. Em geral, a cada ciclo, de forma intercalada, um dos ovários produz e libera um ovócito secundário. O primeiro ciclo, que geralmente ocorre entre 11 e 13 anos, caracteriza a menarca. A interrupção do ciclo, por volta dos 50 anos, denomina-se menopausa. As etapas do ciclo reprodutivo, envolvendo as variações hormonais e as transformações que ocorrem no folículo e no útero (endométrio), são as seguintes: • o hormônio folículo-estimulante (FSH) propicia o desenvolvimento do folículo, que passa a produzir o hormônio estrogênio, o qual atua na proliferação do endométrio uterino. O aumento de estrogênio inibe a produção de FSH pela adeno-hipófise (feedback negativo) e estimula a produção do hormônio luteinizante (LH); • por volta do 14.º dia (metade do ciclo), o aumento da concentração de LH estimula o rompimento do folículo maduro e, consequentemente, a saída do ovócito secundário para a tuba uterina. Esse pro- cesso denomina-se ovulação e constitui o perío- do fértil da mulher (pode ser de 48 horas), pois o ovócito está sujeito a encontrar um espermatozoi- de e ser fecundado; • após a ovulação, a maior concentração de LH pos- sibilita a formação do corpo lúteo, que, originado do folículo rompido que acabou de liberar o ovó- cito secundário, inicia a secreção de progesterona. O corpo lúteo também secreta estrogênio, porém em menor quantidade; • a maior quantidade de progesterona inibe a se- creção de LH (feedback negativo) e possibilita a manutenção do endométrio, estimulando o cres- cimento de vasos sanguíneos e de glândulas que produzem secreções nutritivas; • se não ocorrer fecundação, o corpo lúteo atrofia-se, transformando-se em corpo albicans ou branco. Esse fato provoca diminuição do estímulo hormo- nal sobre o endométrio. Com isso, esse tecido ute- rino sofre rompimento e descamação, produzindo um sangramento que caracteriza a menstruação. É o início de um novo ciclo reprodutivo; • caso o ovócito secundário seja fecundado, o em- brião (blastocisto) adere ao endométrio uterino, o que possibilita a formação da placenta, estrutura que produz o hormônio gonadotrofina coriônica (HCG). Esse hormônio mantém o corpo lúteo fun- cionando, propiciando a manutenção da proges- terona e do estrogênio e, consequentemente, do endométrio. Por isso, a suspensão da menstrua- ção é um dos indicadores da gravidez (ainda que possa ocorrer em algumas mulheres nesse perío- do), pois o endométrio não é liberado, atuando na sustentação do embrião no útero. O ciclo reprodutivo pode variar entre as mulheres, e a ovulação, para mulheres de ciclos irregulares, pode não corresponder exatamente ao 14.º dia. 2. Um dos folículos amadurece pela ação do FSH 3. As células foliculares nutrem o ovócito I e secretam estrogênio 4. A meiose I determina a formação do ovócito II no interior do folículo maduro 5. Ruptura do folículo e ovulação Tuba uterina Vasos sanguíneos do sistema porta-hipofisário Hipófise posterior Hipófise anterior Hormônio LH Hormônio FSH Progesterona Estrogênio 6. Se não ocorrer gravidez, o corpo lúteo se transforma em corpo albicans e se degenera 1. Ovócitos primários dentro de folículos imaturos Ja ck A rt . 2 01 1/ 20 15 . D ig ita l. Representação esquemática do ciclo reprodutivo da mulher 18 Volume 8 Organize as ideias As pílulas anticoncepcionais contêm hormônios ovarianos (estrogênio e progesterona), que inibem a produção normal de hormônios hipofisários (FSH e LH) por meio do mecanismo de feedback negativo. Com isso, o folículo não se desenvolve e, consequentemente, não ocorre a ovulação. MENSTRUAÇÃO PRÉ-OVULAÇÃO (FASE PROLIFERATIVA) OVULAÇÃO PÓS-OVULAÇÃO H O R M Ô N IO S D ES EN VO LV IM EN TO D O O VÓ C IT O II EN D O M ÉT R IO FSH Inicia o desenvolvimento dos folículos ovarianos Estrogênio Produzido pelo folículo em desenvolvimento, seu ponto máximo ocorre imediatamente antes da ovulação LH Dá início à ovulação aproximadamente no 14º. dia do ciclo reprodutivo Progesterona Produzida pelo corpo lúteo, leva ao espessamento do endométrio O ovócito começa a crescer O FSH estimula o folículo ovarianoOvócito em desenvolvimento Ovócito secundário Rompimento do folículo O ovócito secundário é liberado durante a ovulação Corpo lúteo Secreta progesterona Corpo albicans do ciclo reprodutivo Ovócito secundário liberado deslocando-se em direção ao útero Corpo lúteo em redução Sangue e células tissulares O útero desprende sua mucosa no início do ciclo Ovócito secundário não fertilizado Deixa o útero durante a menstruação Vasos sanguíneos O aumento dos níveis de estrogênio leva à proliferação dos vasos sanguíneos Mucosa espessada Ovócito não fertilizado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 1 Dias do ciclo reprodutivo O ciclo reprodutivo da mulher é coordenado por uma complexa rede de controle hormonal por feedbacks positivo e negativo. Monte um esquema representando esse controle, indicando com “−” o feedback negativo e com “+” o feedback positivo. Sugestão de resposta.8 Ja ck A rt . 2 01 1. D ig ita l. Representação esquemática das etapas do ciclo reprodutivo mostrando as variações hormonais, os acontecimentos no ovário e o revestimento uterino Biologia 19 A sexualidade, portanto, não se baseia apenas no sexo biológico, pois a identidade de gênero é influenciada por fatores pessoais, culturais e realidade social. Ao garantir direitos iguais para todos se expressarem, diminui-se o espaço para preconceitos e discriminação. Além disso, a completa saúde do corpo passa pela sexualidade, ela nos acompanha desde o nascimento até a velhice, e todas as pessoas têm o direito de receber orientações para lidar com a sexualidade com responsabilidade. Ter informações sobre o próprio corpo, sobre maneiras de prevenir doenças sexualmente transmissíveis (DST), cuidado pessoal, gravidez e métodos contraceptivos está entre os temas que auxiliam na expressão da sexualidade de maneira positiva e saudável. Métodos contraceptivos A reprodução na espécie humana envolve, além do ato sexual, demonstração de emoções, carinho, afeto e prazer. Os métodos contraceptivos possibilitam que homens e mulheres estabeleçam esses vínculos e, ao mesmo tempo, façam seu planejamento familiar, ou seja, decidam se terão filhos, em qual momento e quan- tos serão. Existem diferentes tipos de métodos contraceptivos, e a escolha de qual usar deve ser orientada por um médico. Isso porque alguns métodos evitam a gravidez, mas não previnem infecções sexualmente transmissíveis, visto que não evitam o contato entre a mucosa e as secreções da vagina e do pênis. ConexõesConexões A maioria das espécies de mamíferos placentários apresenta mudanças fisiológicas, conhecidas como cio ou ciclo estral, em razão dos hormônios sexuais. Os ciclos estrais começam depois da puberdade em fêmeas sexualmente maduras e são intercalados por fases anaestrais ou descanso sexual. Durante tais ciclos, as fêmeas apresentam sinais de receptividade sexual, seguidos de ovulação. Essa fase é controlada pela integração entre os hormônios FSH, LH, estro- gênio e progesterona, comuns nas diversas espécies de mamíferos. No entanto, seus padrões de secreção e seus efeitos variam entre as diferentes espécies. Essas diferenças provocam variações na extensão das fases luteínica e folicular do ciclo, assim como na duração do cio. Sexualidade humana A sexualidade sofre influências dos valores e das nor- mas da cultura, da família, da comunidade e do período em que se vive. As pessoas nascem com o sexo biológico, ou seja, conjunto de características que identificam externamen- te a carga genética do homem (XY) ou da mulher (XX). Essas características influenciam, desde o nascimento, como a pessoa será educada e envolvem costumes, tipos de roupas, divisão de trabalho e comportamentos que são instituídos nas relações sociais, variando nos diferen- tes grupos humanos ou épocas históricas. 9 Sugestão de abordagem sobre a sexualidade. 10 Sugestão de encaminhamento sobre intersexo. 11 Sugestão de encaminhamento sobre a sexualidade. Existem situações em que não se observa uma exata definição das características sexuais, ou seja, não há sintonia entre o sexo aparente e o biológico. Esse fenômeno se denomina intersexo. O intersexo pode expressar-se de diferentes ma- neiras, como ter órgãos genitais exteriores de mulher, mas órgãos genitais internos de homem, ou vice- -versa; uma menina nascer sem abertura vaginal e clitóris grande (aparentando sexo masculino); e um menino nascer com saco escrotal não totalmente fundido, assemelhando-se com lábios do puden- do (aparentando sexo feminino). Pessoas intersexo podem identificar-se com o gênero masculino ou o feminino, independentemente de seus órgãos geni- tais, e, até mesmo, passar boa parte da vida sem o conhecimento dessa variação. 20 Volume 8 a) Métodos de barreira: impedem que os espermatozoides entrem no útero da mulher. © iS to ck p h ot o. co m /j en je n 42 Diafragma Anel de látex que deve ser colocado, com espermicida, na entrada do útero até 6 horas antes da relação sexual e retirado de 6 a 24 horas depois. O diafragma é produzido sob prescrição médica para cada mulher especificamente. Ele não protege os parceiros sexuais de infecções sexualmente transmissíveis, pois não evita o contato entre a vagina e o pênis. D iv o. 2 01 3. D ig ita l. 3 D ig ita l Preservativo para homens e mulheres Nos homens, o envoltório de látex deve ser colocado no pênis ereto, impedindo que o sêmen seja liberado dentro do corpo da mulher. Nas mulheres, a bolsa de látex deve ser inserida na vagina antes da relação sexual. Canal vaginal Úteroo lJa ck A rt . 2 01 1. D ig ita l. © iS to ck ph ot o. co m /E du ar do Lu zz at ti Bu yé O uso dos dois tipos de preservativos (separadamente), além de evitar uma gravidez não planejada, é o único método que previne doenças sexualmente transmissíveis, como a aids (síndrome da imunodeficiência adquiri- da) e o HPV (papilomavírus humano), principal causador de câncer no colo uterino. b) Métodos hormonais: medicamentos que atuam na produção de hormônios, impedindo que ocorra a ovu- lação. Como qualquer outro medicamento, devem ser prescritos e avaliados por um médico, principalmente porque podem apresentar efeitos colaterais em mulheres sensíveis às formulações hormonais. Esses métodos não protegem contra infecções sexualmente transmissíveis. 12 Sugestão de encaminhamento sobre planejamento familiar. espermicida: substância química em forma de creme, gel ou espuma que destrói os espermatozoides, impedindo que entrem no útero e cheguem até o ovócito. D iv o. 2 00 5. D ig ita l. Canal vaginal Útero Tubas uterinas Ovários DIU Dispositivo intrauterino (DIU de cobre) Estrutura de cobre que libera íons Cu2+ que atuam como espermicida. Além disso, o DIU causa uma pequena inflamação, atraindo macrófagos que destroem os eventuais embriões que tentam se implantar na mucosa uterina. O método exige acompanhamento médico periódico. Biologia 21 Implante hormonal subcutâneo Por meio de uma cirurgia com anestesia local, é introduzido no tecido subcutâneo um bastonete, com cerca de 4 cm de comprimento, com o hormônio sintético (semelhante à progesterona), que é liberado lentamente na corrente sanguínea. Seu efeito pode durar três anos ou mais, havendo a necessidade de novo procedimento para substituição ao fim de seu prazo de validade. Dispositivo intrauterino hormonal (DIU hormonal ou SIU) Estrutura plástica que é inserida no interior do útero e libera hormônios progestágenos, os quais atrofiam e prejudicam o funcionamento das glândulas endometriais, tornando o endométrio mais fino. Anticoncepção de emergência Chamada popularmente de “pílula do dia seguinte”, pois precisa ser ingerida até no máximo 72 horas após a relação sexual desprotegida. Comumente, apresenta progesterona sintética, que atua alterando a motilidade nas tubas uterinas,dificultando o deslocamento dos gametas. Além disso, causa a regressão do endométrio, inibindo a implantação do blastocisto. Seu uso é indicado em casos eventuais em que tenha ocorrido uma relação sexual desprotegida. A anticoncepção de emergência não deve substituir os métodos contraceptivos de uso regular, que apresentam mais eficácia e menos efeitos colaterais. Divo. 2013. Digital. La tin St oc k/ Sc ie n ce P h ot o Li b ra ry /H at tie Y ou n g D iv o. 2 01 3. D ig ita l. Anticoncepcionais em pílulas Constituídos, principalmente, por hormônios ovarianos sintéticos (estrogênio e progesterona, ou somente progesterona), os anticoncepcionais em pílulas devem ser tomados diariamente. A progesterona inibe a produção dos hormônios hipofisários FSH e LH, que impedem, respectivamente, a maturação e a liberação do ovócito secundário durante o ciclo reprodutivo. Além de inibirem a ovulação, as pílulas alteram o muco cervical, a motilidade tubária e o endométrio, fatores que interferem na mobilidade dos espermatozoides. © Sh ut te rs to ck /S ka la p en d ra 22 Volume 8 c) Métodos comportamentais: métodos baseados no acompanhamento do ciclo reprodutivo, identificando o período de ovulação. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 Menstruação Posss íi ve etr iséf dsai Método da tabela Também conhecido como “tabelinha”, é um método rítmico que considera o período fértil do ciclo reprodutivo, em que as relações sexuais devem ser evitadas de três a quatro dias antes da ovulação, no dia da ovulação e de três a quatro dias depois. Isso considerando que a mulher produz apenas um ovócito secundário em cada ciclo, que sobrevive entre 24 e 48 horas, e que os espermatozoides podem sobreviver até 72 horas dentro do sistema genital da mulher. Entretanto, existe um problema em sua aplicação, pois é difícil saber ao certo qual é o dia fértil. Diversos fatores, inclusive emocionais, podem interferir na atividade hormonal e, consequentemente, o suposto dia fértil pode sofrer alteração. Para as mulheres jovens, esse método é mais arriscado, pois muitas delas apresentam um ciclo bastante inconstante e em fase de regularização. Além disso, não previne contra infecções sexualmente transmissíveis. ç Representação esquemática do método de tabela para um ciclo regular de 28 dias Ja ck A rt . 2 01 1. D ig ita l. d) Métodos cirúrgicos: podem ser realizados tanto em homens quanto em mulheres, porém, por envolverem intervenção cirúrgica e na maioria das vezes serem irreversíveis, precisam ser bem avaliados. Além disso, não evitam infecções sexualmente transmissíveis. Ja ck A rt . 2 01 3. D ig ita l. D iv o. 2 00 5. D ig ita l. Vagina Útero Tubas uterinas Ovários As tubas uterinas são cortadas e amarradas Deferentectomia (vasectomia) Procedimento relativamente simples que consiste na secção dos ductos deferentes por meio de um pequeno corte na pele da bolsa escrotal. Com isso, impede-se apenas que os espermatozoides cheguem à uretra, não modificando o comportamento sexual do indivíduo, pois o hormônio testosterona continua a ser secretado na corrente sanguínea. Além disso, a produção do sêmen se mantém pelas glândulas acessórias, embora não contenha espermatozoides. Ligadura tubária (laqueadura) Procedimento cirúrgico que consiste em seccionar as tubas uterinas para que não ocorra o encontro dos gametas. A mulher continua ovulando, mas não acontece a fecundação, pois a ligação do ovário com o útero foi interrompida. Infecções sexualmente transmissíveis (IST) Constituem um grupo de doenças infecciosas que apresentam, entre diversas causas, a transmissão por contato sexual. Sua importância se deve ao grande risco de disseminação e aos graves efeitos à saúde humana. As principais consequências para o organismo são distúrbios emocionais, doenças inflamatórias e infecciosas, problemas de inferti- lidade, lesões fetais, câncer e, até mesmo, morte. 13 Informações sobre a terminologia IST. Biologia 23 • Sífilis: doença transmitida por contato sexual (ou sanguíneo) causada pela bactéria Treponema pallidum. Apre- senta evolução lenta e se desenvolve em três estágios, produzindo diferentes sintomas. • Estágio primário: surge, aproximadamente, um mês após o contato sexual, com inflamação dos linfonodos (gânglios linfáticos). • Estágio secundário: disseminação da doença pela corrente sanguínea, caracterizada pelo aparecimento de erupções cutâneo-maculosas (roséolas sifilíticas). • Estágio terciário: ocorre a localização visceral, afetando o coração e o sistema nervoso. Esses sintomas podem provocar graves alterações nervosas e a morte do indivíduo. O diagnóstico se dá por meio de exames de sangue, e o tratamento, em qualquer dos estágios, é feito com o uso de antibióticos. Pode ser causa de infertilidade, abortos espontâneos e má-formação fetal, pois a bactéria (presente na gestante portadora) pode atravessar a barreira placentária e alcançar o feto. • Blenorragia (gonorreia): causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, caracteriza-se pela eliminação de uma secreção amarelada e fétida pela uretra (uretrite gonocócica) e pela sensação de ardência ao urinar. A blenor- ragia é transmitida durante as relações sexuais desprotegidas e aparece entre dois e seis dias após o contato sexual. Pode causar a infertilidade masculina. Nas mulheres, essa infecção bacteriana pode não ser aparente, o que é grave, porque faz com que a mulher não se trate e continue transmitindo a doença caso não utilize preservativos em suas relações sexuais. Se passar despercebida, pode se tornar crônica e atingir os órgãos inter- nos do sistema genital feminino (tubas uterinas, útero e ovários), além de causar doença inflamatória pélvica e infertilidade. O tratamento é feito sob orientação médica, com uso de antibióticos. • Herpes simples: doença causada pelo vírus da Família Herpesviridae. Geralmente, aparece após certas doenças, como pneumonia e gripe, ou quando o indivíduo está com o sistema imunitário debilitado. O quadro clínico constitui-se de pequenas vesículas agrupadas, antecedidas de minúsculas elevações avermelhadas. Essas vesí- culas desenvolvem-se e arrebentam, causando ferimentos na pele, que regridem e desaparecem espontanea- mente. A herpes também pode ocorrer na região genital. Nesse caso, denomina-se herpes genital. • Tricomoníase: provocada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, é transmitida pelo contato entre a mucosa in- fectada de um indivíduo e a mucosa de outro durante a relação sexual sem a utilização de preservativos, sendo mais comum nas mulheres. Muitas delas não apresentam sintomas e, quando estes ocorrem, os principais são corrimento amarelo-esverdeado e fétido, desconforto durante as relações sexuais, ardência ao urinar e prurido vaginal. Quando os sintomas aparecem no homem, ocorre irritação na glande, ardência uretral e secreção pu- rulenta amarelada. O período de incubação é, em média, de 10 a 30 dias. • Clamídia: causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, manifesta-se em um período de 10 a 12 dias após o contato sexual sem proteção. Na fase inicial, as lesões vaginais são muito pequenas e quase imperceptíveis. • Aids: causada pelo vírus HIV (human immunodeficiency virus ou vírus da imunodeficiência humana), afeta o sis- tema imunitário, tornando-o deficiente. Isso faz com que o indivíduo passe a desenvolver doenças oportunistas, ou seja, causadas por diversos agentes que se instalam no corpo em virtude de sua imunidade debilitada. O contágio ocorre, principalmente, por meio de sêmen, sangue, leite materno, placenta e secreções vaginais que entram em contato com o sangue de outra pessoa por meio de lesões na pele ou nas mucosas. • HPV: corresponde ao papilomavírus humano, que pode infectar a pele e as mucosas. Existem inúmeros tipos desse vírus,e cerca de 40 deles podem infectar o sistema genital e ser transmitidos em relações sexuais. Nos casos sintomáticos da doença, ocorre o aparecimento de verrugas (condilomas acuminados) nos órgãos geni- tais. Entretanto, a maioria das infecções é assintomática. Normalmente, essas infecções regridem espontanea- mente, porém alguns tipos do vírus podem ocasionar lesões microscópicas, que, se não forem diagnosticadas, podem levar ao desenvolvimento de câncer, principalmente no colo do útero e no pênis. A maneira mais efi- ciente de evitar o contágio com o HPV é pelo uso de preservativos e pela vacinação. 14 Sugestão de site com diversas informações sobre a aids. 24 Volume 8 Ao perceber um ou mais desses sintomas, procure assistência médica. Evite a automedicação. Direitos humanos, saúde sexual, saúde reprodutiva: o que os adolescentes têm a ver com isso? [...] Os Direitos Humanos são direitos considerados fundamentais das pessoas. O direito à vida, à alimentação, à saúde, à moradia, à educação, ao afeto e à livre expressão da sexualidade são alguns dos Direitos Humanos fundamentais porque, sem eles, a pessoa não é capaz de se desenvolver e de participar plenamente da vida. Nas últimas décadas, leis internacionais e nacionais vêm reconhecendo os direitos sexuais e os direitos reprodutivos como Direitos Humanos, considerando-os como direitos fundamentais das pessoas – obviamente, que os adolescentes e os jovens estão incluídos nesses direitos, visto que eles dizem respeito a todas as pessoas. [...] Entre os direitos reprodutivos estão: • o direito de as pessoas decidirem, de forma livre e responsável, se querem ou não ter filhos, quan- tos filhos desejam ter e em que momento de suas vidas; • [...] • o direito de exercer a sexualidade e a reprodução livre de discriminação, imposição e violência. E entre os direitos sexuais temos: • o direito de viver e expressar livremente a sexualidade sem violência, discriminações e imposições, e com total respeito pelo corpo do(a) parceiro(a); • o direito de escolher o(a) parceiro(a) sexual; • o direito de viver plenamente a sexualidade sem medo, vergonha, culpa e falsas crenças; • [...] • o direito de ter relação sexual independentemente da reprodução; [...] ABREU, Isa Paula Hamouche. Direitos humanos, saúde sexual, saúde reprodutiva: o que os adolescentes têm a ver com isso? In: CIÊNCIA Hoje na Escola. Conversando sobre saúde com adolescentes. Rio de Janeiro: Instituto Ciência Hoje, 2007. p. 17-23. ConexõesConexões Atividades 1. Sobre o sistema genital da mulher, assinale V para as alternativas verdadeiras e F para as falsas. a) ( V ) Os ovários, além de liberarem o ovócito secundário a cada ciclo reprodutivo, secretam os hormônios estrogênio e progesterona. b) ( F ) As fímbrias revestem todo o interior das tubas uterinas, facilitando o deslocamento do ovócito secundário até o útero. c) ( V ) O útero é formado por uma parede muscular, denominada miométrio, e um revestimento interno de tecido vascularizado, chamado endométrio. d) ( F ) De modo geral, a fecundação ocorre no interior do útero. No homem, podem aparecer pequenas lesões ou ocorrer a formação de pequenas quantidades de secreções purulentas que saem pela uretra. No estágio secundário, pode causar inflamação dos linfonodos (ínguas). Além disso, as clamídias podem atingir as pálpebras e provocar cegueira e afetar os pulmões. Biologia 25 2. Na ovulogênese, a fase de crescimento apresenta um tempo de duração maior se comparada à mesma fase na es- permatogênese. Explique a que se deve essa maior duração e sua importância para a fecundação. Nessa fase, as ovogônias aumentam consideravelmente o volume celular, transformando-se em ovócitos primários (2n). A maior duração se deve à intensa síntese proteica realizada, possibilitando o acúmulo de reservas nutritivas, que serão utilizadas no processo de fecundação e nas fases iniciais do desenvolvimento embrionário. 3. Milhares de espermatozoides são produzidos diariamente no sistema genital do homem. Na ejaculação, é liberado o sêmen, formado pelos espermatozoides e pelas secreções produzidas por glândulas anexas. a) Qual é a importância dessas secreções para a manutenção dos espermatozoides até serem eliminados na ejaculação? Essas secreções nutrem, protegem da acidez da uretra e da vagina e facilitam a movimentação dos espermatozoides pelos canais do sistema genital do homem. b) Indique, no esquema, o nome das estruturas do sistema genital do homem e circule as glândulas que contribuem com secreções para a formação do sêmen. Vesícula seminalBexiga urinária Ducto deferente Uretra Pênis Epidídimo Testículo Bolsa escrotal Porção do intestino grosso Ânus Glândulas bulbouretrais Ducto ejaculatório Próstata 4. (UFRJ) A pílula anticoncepcional feminina compõe-se de estrógenos e progestacionais sintéticos. Em geral, a mulher toma a pílula por 21 dias consecutivos, interrompe o uso por alguns dias e, em seguida, inicia uma nova série. Alguns médicos, entretanto, prescrevem o uso continuado da pílula, sem interrupções. a) Como atua a pílula anticoncepcional? A pílula anticoncepcional inibe (feedback negativo) a secreção de LH e FSH (hormônios gonadotróficos secretados pela hipófise). Sem o FSH, não ocorre a formação do ovócito secundário e, sem o LH, não acontece a ovulação. Ao finalizar a cartela de pílulas, em razão dos baixos níveis de estrogênio e progesterona, ocorre a menstruação. b) Que diferença no ciclo feminino, particularmente no útero, terá o segundo procedimento, quando comparado ao uso interrompido do medicamento? Se a mulher usar a pílula anticoncepcional continuamente, os níveis de estrogênio e progesterona nas concentrações sanguíneas continuarão altos. Assim, não ocorrerá a menstruação. 26 Volume 8 Biologia em foco Adolescente e grávida. E agora? A adolescência é uma das etapas de desenvolvimento mais significativas pela qual passa todo ser humano. [...] Entre as experiências importantes dessa fase, temos o início da vida sexual e reprodutiva e as expectativas levantadas em torno da vida produtiva. Nesse contexto, temos a gravidez na adolescência, um grave problema de saúde pública. [...] No Brasil o número de grávidas adolescentes é alarmante. Pesquisas mostram que 1/3 dos bebês nascidos no Brasil são filhos de “meninas” com menos de 18 anos de idade, a grande maioria solteiras. E quando falamos em “meninas” temos que considerar inúmeros aspectos: encontram-se em plena fase de desenvolvimento, a maioria não possui condições financeiras nem emocionais para compreender e assumir em toda a sua plenitude o real sentido da maternidade. [...] Sendo assim, algumas adolescentes grávidas saem de seus lares e parte delas evade-se da escola, abandonando seus projetos de vida, inter- rompendo seu processo de socialização e abdicando de sua cidadania. Contudo a gravidez na adolescência não é unicamente uma responsabilidade das meninas, pois esse filho não é gerado por uma única pessoa. O jovem pai também deve saber sobre os riscos da gravidez não planejada em todos os seus aspectos, do moral ao social, assim como também da grande responsa- bilidade e da privação que pode ocasionar ao gerar um filho. [...] Por esse e outros motivos, os pais precisam estar conscientes de que na hora de esclarecer dúvidas sobre sexo ou sexualidade, inclusive gravidez, é bem melhor que os filhos os procurem, que se sintam seguros para essa abordagem e saibam que esse tipo de dúvida é muito natural nessa idade. Dessa forma, os pais devem estar atentos e acompanhar as mudanças pelas quais os adolescentes passam, e assim tornarem-se disponíveis para um diálogo franco e aberto. Guiando-os e informando-os não so- mente sobre gravidez e sexualidade, mas também sobre métodos anticoncepcionais, DST e, acima de tudo, sobre virtudes e sentimentos como afeto, amor e respeito a si mesmo e ao próximo, irão possibi- litar independência e segurançapara assumirem as atitudes e consequências próprias a uma vida sexual ativa e responsável. LIMA, Christiane. Adolescente e grávida. E agora? Disponível em: <http://elo.com.br/portal/colunistas/ver/218236/adolescente-e-grÁvida-e- agora-.html>. Acesso em: 20 maio 2015. Discuta com os colegas e o professor sobre os impactos de uma gravidez não planejada na adolescência para meni- nos e meninas e a respeito do que define uma vida sexual ativa e responsável. Sugestão de resposta. Sugestão de atividade complementar. 15 16 5. Em cada ciclo reprodutivo da mulher, ocorre a liberação do ovócito secundário do ovário para a tuba uterina. a) Que hormônios desencadeiam o processo de ovulação e como eles agem nesse processo? O hormônio folículo-estimulante (FSH) desencadeia o início da maturação dos ovócitos primários e o hormônio luteinizante (LH) promove a saída dos ovócitos secundários para a tuba uterina. b) Após a ovulação, células do ovário produzem estrogênio e progesterona por, aproximadamente, duas semanas. Qual é a atuação desses hormônios? Esses hormônios atuam estimulando o crescimento e a manutenção do endométrio, que fica mais espesso em virtude do aumento da quantidade de sangue e de secreções nutritivas. Sugestão de atividades: questões 5 a 14 da seção Hora de estudo. Biologia 27 Hora de estudo A resolução das questões discursivas desta seção deve ser feita no caderno. 17 Gabaritos numerações na figura abaixo e assinale a alternativa correta. a) O sangue chega aos rins (3) proveniente das veias (7) e artérias renais (8). b) O sangue atravessa o córtex renal (1) e penetra os néfrons, localizados na medula renal (2). c) Nos néfrons estão os glomérulos renais, que filtram o sangue liberando na urina, através dos ureteres (4), proteínas de baixo peso molecular. X d) A bexiga (5) contém a urina que é amarelada devido à presença de resquícios de hemoglobina. e) A urina acumula-se na bexiga devido ao relaxamen- to do esfíncter uretral e depois é liberada através da uretra (6). 3. (UFCG – PB) Cálculos renais ou pedras nos rins são nomes populares para a calculose urinária ou litíase urinária, uma doença comum, que atinge três vezes mais homens do que mulheres a partir dos 20 anos de idade, com maior incidência entre os 50 e os 60 anos de vida. O principal resíduo eliminado pela urina é a(o) (I) (proveniente da digestão de carne, fer- mentos e algumas verduras). Mas existem também outras substâncias que, quando em excesso no orga- nismo, acabam sendo eliminadas pela filtragem dos rins, é o caso de (II) e (III) . Quando essas substâncias estão no corpo em excesso, ou quando se consome pouca água, surge a possibili- dade de formação de cálculos renais. Para completar corretamente as lacunas, assinale a alternativa: 1. (UNIFACS – BA) Ao completar dois anos e meio, uma criança terá usado até 5 000 fraldas descartáveis. É pre- ciso testar vários modelos e marcas até chegar à fralda que melhor se adapte à anatomia dos bebês. Há diferenças significativas entre as fral- das descartáveis. É o que revela um estudo téc- nico comparativo feito a pedido da Pro-Teste, entidade de defesa do consumidor. Uma fralda eficaz deve absorver um mínimo de 250,0 mL sem vazar. SANDOVAL, Gabriella. O teste das fraldas. Veja. São Paulo: Abril, ed. 2154, ano 43, n. 9, 3 mar. 2010. p. 118-120. De acordo com o conhecimento relacionado à consti- tuição da urina humana e a sua forma de eliminação, analise as afirmativas, marcando com V as verdadeiras e com F as falsas. ( V ) A urina é um fluido aquoso, que contém ureia e pe- quenas quantidades de ácido úrico, amônia e sais. ( F ) Indivíduos, em condições normais, apresentam ín- dices elevados de glicose e aminoácidos secreta- dos na urina. ( V ) Durante o processo de formação da urina, ocorre reabsorção de substâncias úteis ao organismo. ( F ) A cor amarelada da urina é decorrente de altas concentrações de ácido úrico presentes nessa ex- creta. A alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo, é a (01) F V V F (02) F F F V x (03) V F V F (04) V F V V (05) V V F V 2. (UESPI) A excreção da urina compreende um proces- so fisiológico que visa à retirada do sangue de com- postos como a ureia e, assim, garantir a homeostase hídrica do organismo. Sobre este assunto, observe as 28 Volume 8 a) ácido úrico, ureia e cloreto de sódio. b) ácido úrico, ureia e sais (cálcio e oxalato). c) cloreto de sódio, ácido úrico e ureia. X d) ureia, ácido úrico e sais (cálcio e oxalato). e) ureia, sais (cálcio e oxalato) e ácido úrico. 4. (PUCSP) Uma pessoa apresenta o seguinte quadro de sintomas: eliminação de grande volume de urina, sede e desidratação. Exames clínicos revelaram alteração hormonal, tratando-se de a) aumento do hormônio aldosterona, produzido pela adrenal, que levou a um aumento na reabsorção de água pelos rins. b) diminuição do hormônio aldosterona, produzido pela hipófise, que levou a um aumento na reabsorção de água pelos rins. c) aumento do hormônio antidiurético, produzido pela adrenal, que levou a uma diminuição na reabsorção de água pelos rins. X d) diminuição do hormônio antidiurético, produzido pela hipófise, que levou a uma diminuição na reab- sorção de água pelos rins. e) aumento do hormônio antidiurético, produzido pela hipófise, que levou a uma diminuição na reabsorção de água pelos rins. 5. (UEG – GO) Disponível em: <http://saude.discoveryportugues.com/verticalz/ z129/dsez12901.asp>. Sobre o sistema reprodutor masculino, é correto afirmar. a) Os espermatozoides maduros são produzidos nos testículos e armazenados no epidídimo desde os pri- mórdios da formação do indivíduo do sexo masculino, quando este ainda se encontrava no interior do útero. b) A próstata é um órgão muito importante, pois du- rante o estado de excitação envia líquidos para os corpos esponjosos do pênis, permitindo a ereção. c) Por estar conectada diretamente com o pênis, a be- xiga urinária também faz parte do sistema reprodu- tor masculino, pois a passagem da urina lubrifica a uretra, facilitando a passagem dos espermatozoides. d) O prepúcio é uma membrana que envolve a glande do pênis e que geralmente se solta durante a pu- berdade. Caso haja a persistência dessa membrana, recomenda-se cirurgia de laqueadura. X e) Os testículos são normalmente originados na cavida- de abdominal e descem para a bolsa escrotal duran- te o período fetal, onde encontram uma temperatura mais amena para a produção dos espermatozoides. 6. (UEM – PR) Sobre o processo de gametogênese huma- na, assinale o que for correto. (01) A ovulogênese inicia-se durante o desenvolvi- mento embrionário das mulheres. Quando elas nascem, todos os seus óvulos já estão formados nos ovários. X (02) Espermiogênese é o processo de transformação das espermátides em espermatozoides, também conhecida como fase de especialização. (04) Durante o processo de gametogênese, a divisão reducional ocorre para a formação das ovogônias e das espermatogônias. X (08) O número de cromossomos do ovócito primário é diferente do número de cromossomos do ovócito secundário. (16) Durante o processo de espermatogênese serão produzidos, a partir de 100 espermatócitos pri- mários, 400 espermatócitos secundários e 1 600 espermatozoides. 7. Sobre a figura a seguir, referente ao sistema genital da mulher, marque a alternativa correta. Biologia 29 a) Os espermatozoides são liberados na estrutura 5 e migram até o útero, onde ocorre a fecundação. b) Os ovócitos secundários são liberados pela estru- tura 1 e migram pela estrutura 2 até o útero, onde ocorre a fecundação. X c) A estrutura 1 é denominada ovário e, além de liberar o ovócito secundário, sintetiza hormônios. d) As fímbrias são encontradas nas estruturas 2 e 3 e auxiliam na movimentação do ovócito secundário. 8. Em relação aos processos de gametogênese humana,responda às questões. a) Quantos ovócitos secundários se formam a partir de dez ovogônias? b) Quantos espermatozoides se formam a partir de 30 espermatogônias? 9. Sobre o processo de espermatogênese e a ação hor- monal para sua ocorrência, responda às questões. Espermatogônia Testículo 1 2 3 Célula A Célula B Célula C Espermatozoides a) Denomine as células indicadas (A, B e C, respecti- vamente) e anote, ao lado de cada uma, se elas são haploides (n) ou diploides (2n). b) Qual é o nome e a principal característica da fase indicada pelo número 1? c) Que tipo de divisão celular ocorre nas fases indica- das pelos números 2 e 3? Justifique a importância desse processo de divisão. d) Como a célula C se transforma em espermatozoides? 10. (ACAFE – SC) O processo de formação dos gametas femininos é chamado ovulogênese e tem início antes do nascimento da mulher, apesar de alguns cientistas acreditarem que gametas femininos podem se originar na vida adulta, diretamente de células-tronco presen- tes no organismo. Neste processo as ovogônias dão origem aos ovócitos I, que estacionam na prófase I da meiose até a puberdade, quando por sua vez darão ori- gem aos ovócitos II, e finalmente ao óvulo, se houver fecundação. Considerando o número diploide de 46 cromossomos para a espécie humana e uma quantidade de DNA na interfase que pode ser representada por x de DNA, quantos cromossomos e que quantidade de DNA es- pera-se encontrar nas ovogônias e nos ovócitos II, respectivamente? a) 46 (2x de DNA) e 23 (2x de DNA) X b) 46 (x de DNA) e 23 (2x de DNA) c) 23 (2x de DNA) e 23 (x de DNA) d) 46 (2x de DNA) e 46 (x de DNA) 11. (UNICAMP – SP) O gráfico abaixo mostra a variação na concentração de dois hormônios ovarianos, durante o ciclo menstrual em mulheres, que ocorre aproximada- mente a cada 28 dias. 800 700 600 500 400 300 200 100 0 2 14 15 16 18 20 22 24 26 284 6 8 10 11 12 13 N ív ei s de h or m ôn io s (p g/ m L) Dias do ciclo A B a) Identifique os hormônios correspondentes às curvas A e B e explique o que acontece com os níveis des- ses hormônios se ocorrer fecundação e implantação do ovo no endométrio. b) Qual a função do endométrio? E da musculatura lisa do miométrio? 12. (UFMS) Uma mulher possui ciclo menstrual regular de 28 dias. Sua próxima menstruação iniciará no dia 1.º de fevereiro. 30 Volume 8 a) Com base nessas informações, indique em quais dias de fevereiro ela não deve ter relações sexuais, a fim de evitar naturalmente a gravidez. Justifique sua resposta. b) Além de evitar relações sexuais, essa mulher poderá fazer uso de pílulas anticoncepcionais. Comente o modo de ação desse produto. c) Cite outros dois métodos anticoncepcionais que po- derão ser utilizados. 13. (ENEM) A pílula anticoncepcional é um dos métodos contraceptivos de maior segurança, sendo constituída basicamente de dois hormônios sintéticos semelhantes aos hormônios produzidos pelo organismo feminino, o estrogênio (E) e a progesterona (P). Em um experimen- to médico, foi analisado o sangue de uma mulher que ingeriu ininterruptamente um comprimido desse medi- camento por dia durante seis meses. Qual gráfico representa a concentração sanguínea desses hormônios durante o período do experimento? X a) b) c) C on ce nt ra çã o sa ng uí ne a Tempo E P C on ce nt ra çã o sa ng uí ne a Tempo E P C on ce nt ra çã o sa ng uí ne a Tempo E P d) e) 14. Os métodos contraceptivos possibilitam que homens e mulheres façam seu planejamento familiar, ou seja, decidam em qual momento ter filhos e quantos terão. Essa é uma escolha de cada núcleo familiar e envol- ve condições econômicas, emocionais e de saúde. Os métodos contraceptivos agem de diversas formas, e a escolha de qual usar é uma decisão que deve ser orientada pelo médico e discutida entre o casal. Considerando os seguintes métodos: DIU, preservati- vos, diafragma, deferentectomia, pílulas anticoncepcio- nais e ligadura tubária, analise as afirmações. I. O diafragma, os preservativos e a deferentectomia são métodos que impedem a chegada dos esper- matozoides ao útero. II. A pílula anticoncepcional, a ligadura tubária e o DIU são métodos que impedem a ovulação. III. A deferentectomia e a ligadura tubária são métodos geralmente de caráter definitivo. IV. Dos métodos citados, apenas os preservativos atuam na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. São consideradas verdadeiras: a) II, III e IV. X b) I, III e IV. c) I, II e III. d) I, II e IV. C on ce nt ra çã o sa ng uí ne a Tempo E P Biologia 31 32 [...] O fato de que permanecemos vivos está quase fora de nosso próprio controle, pois a fome nos faz procurar alimento e o medo faz com que busquemos refúgio. As sensações de frio nos fazem produzir calor. Outras for- ças fazem com que busquemos amizades e que queiramos nos reproduzir. [...] esses atributos especiais nos permi- tem existir sob condições muito variáveis. GUYTON, Arthur C.; HALL, John E. Tratado de fisiologia médica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. p. 2. [ ] O fato de que permanecemos vivos está quase fora Ponto de partida Fisiologia humana : controle e percepçã o 16 1 ©iStockphoto.com/Photolyric 1. Quais estruturas e processos fisiológicos do corpo humano estão envolvidos nas per- cepções do ambiente que nos cerca? 2. Ao observar a imagem, que sentimentos são despertados em você? Essas sensa- ções também são intermediadas por pro- cessos fisiológicos? Quais? 3333 Objetivos da unidade: identificar as relações entre os sistemas endócrino, nervoso e sensorial na realização de funções diretamente ligadas à manutenção da vida; descrever as funções das estruturas que compõem os sistemas endócrino, nervoso e sensorial; reconhecer como os seres humanos percebem o ambiente a sua volta e elaboram respostas às diversas situações observadas; compreender noções de primeiros socorros. Hipófise Tireóidea Paratireóideas Suprarrenais Pâncreas Ovários Testículos Hipotálamo Sistema endócrino A integração e a coordenação de todas as funções do corpo humano são realizadas por ações dos sistemas nervoso e endócrino. Enquanto os impulsos nervosos têm natureza eletroquímica, as mensagens transmitidas pelo sistema endócrino apresentam natureza química. Isso porque elas são desencadeadas por meio da ação dos hormônios (do grego hormaein, excitar), substâncias lançadas no sangue que controlam diversas atividades do corpo, desde a aquisi- ção energética de uma célula até a velocidade de crescimento e desenvolvimento de todo o organismo. Cada hormônio é formado por uma molécula diferente. Mesmo que ele seja transportado pelo sangue para todo o corpo, vai desencadear resposta apenas nas células que apresentam receptores e reconhecem sua composição quí- mica. Essas células são denominadas células-alvo. Além disso, um mesmo hormônio pode desencadear diferentes respostas em tipos celulares distintos. Organize as ideias A produção de hormônios ocorre no interior das células endócrinas. Para isso, inúmeras reações químicas acontecem por meio da ação de várias organelas celulares. Descreva as principais organelas envolvidas nessa produção e como elas atuam nesse processo. Gabarito.3 Alguns hormônios são produzidos em células endócrinas isoladas em tecidos e órgãos. Exemplos: gastrina (produzida no estômago, estimula a secreção do suco gástrico) e secreti- na (produzida em células endócrinas no duodeno, estimula a liberação do suco pancreático e da bile no duodeno). Diferentemente do que acontece com as respostas nervosas, que são rápidas, porém mo- mentâneas, as respostas hormonais são mais lentas, pois os hormônios são transportados pela corrente sanguínea até os órgãos-alvo, onde acontece sua ação, apresentando um efei- to mais duradouro. D iv o. 2 01 0. D ig ita l. Representaçãoesquemática das principais glândulas endócrinas do homem e da mulher Sugestão de encaminhamento.2 Um exemplo de feedback negativo ocorre quando a con- centração do hormônio tiroxina (T4), secretado pela glândula tireóidea, diminui abaixo do nível normal e a hipófise responde secretando o hormônio estimulador da glândula tireóidea (TSH), aumentando a produção de tiroxina. De forma semelhante, se a quantidade de tiroxina estiver acima do nível normal, a hipófise secreta menos TSH, diminuindo a produção de tiroxina. Nesse caso, a glândula estimuladora (hipófise) secreta um hormônio que ativa outra glândula (tireóidea). Se essa glându- la responder adequadamente, liberando a quantidade ideal de hormônio, a hipófise é inibida; se ela liberar menos hormônios, a hipófise é ativada. Secreção hormonal Algumas glândulas endócrinas são reguladas por outras, de acordo com a quantidade de hormônios que produ- zem. Assim, uma glândula influencia o funcionamento de outra, estimulando ou inibindo, em um processo denomi- nado feedback (retorno a uma mensagem) ou retroalimentação. Esse feedback pode ser positivo ou negativo, e tais processos possibilitam a manutenção da homeostase, ou seja, que o funcionamento das glândulas seja harmonioso e, consequentemente, o do organismo também. No feedback positivo, ocorre o aumento da formação do produto que estimula a produção do hormônio. São poucos os casos desse tipo de feedback no organismo. Um exemplo é a regulação da lactação, em que a sucção do bebê provoca a secreção de mais prolactina, que estimula a produção de mais leite. Esse feedback é positivo porque a produção de leite (produto) e o aumento em seu consumo fazem com que mais hormônio (prolactina) seja secretado. Principais glândulas endócrinas humanas Hipófise Essa glândula situa-se na parte central do crânio (abaixo do cérebro) e tem o tamanho aproximado de uma semen- te de ervilha. Apesar de pequena, produz muitos hormônios diferentes, e cada um deles exerce uma função específica no organismo. A hipófise é constituída de duas partes: a porção voltada para a região frontal do corpo é a adeno-hipófise (lobo anterior), que produz todos os hormônios que secreta; e a porção voltada para a nuca denomina-se neuro-hipófise (lobo posterior), que secreta hormônios produzidos pelo hipotálamo. Alguns hormônios produzidos pela hipófise são denominados tróficos, porque atuam sobre outras glândulas, con- trolando seu funcionamento por meio do mecanismo de feedback. Em virtude de seu comando, a hipófise é conside- rada a “glândula-mestra” do organismo. Hipófise Glândula tireóidea TSH Estimula a produção de T3 e T4 (hormônios tiroidianos) Retroalimentação inibe a produção de TSH, controlando a secreção T4T3 de T3 e T4 M ar co s G om es . 2 01 0. D ig ita l. Representação esquemática de um exemplo do mecanismo de feedback negativo O hipotálamo exerce controle sobre a hipófise por meio de cone xões neu- rais e substâncias semelhantes a hormônios, deno minadas fatores de- sencadeadores (ou de liberação). Como a hipófise secreta horm ônios que controlam outras glândulas (feedback) e, por sua vez, está na de pendência do sistema nervoso, pode-se dizer que o sistema en dócrino é subordinado ao nervoso e que o hipotálamo é o mediador entre esses dois s istemas. 34 Volume 8 HORMÔNIOS PRODUZIDOS E SECRETADOS PELA ADENO-HIPÓFISE Tireotrófico (TSH) Estimula a glândula tireóidea a secretar seus hormônios. Adrenocorticotrófico (ACTH) Estimula o funcionamento do córtex (região externa) das suprarrenais. Prolactina ou lactogênico (PRL) Estimula o desenvolvimento das glândulas mamárias e a produção de leite. Somatotrófico (GH) Atua em uma variedade de tecidos, determinando o crescimento do organismo. Provoca o alongamento dos ossos, estimula a síntese de proteínas e desenvolve os músculos. Gonadotróficos (FSH e LH) Atuam nas glândulas sexuais (gônadas). O FSH (folículo estimulante) estimula a produção de gametas; e o LH (luteinizante) estimula a produção de hormônios sexuais (progesterona e testosterona). HORMÔNIOS SECRETADOS PELA NEURO-HIPÓFISE Ocitocina (Oci) Estimula a contração da musculatura não estriada do útero durante o parto e dos músculos que possibilitam a liberação do leite pelas glândulas mamárias. Vasopressina ou antidiurético (ADH) Atua nos túbulos renais possibilitando a reabsorção de água para o sangue, evitando a desidratação. Por meio desse equilíbrio osmótico, esse hormônio é um dos responsáveis pelo controle da pressão arterial. Glândula tireóidea Encontrada na parte inferior do pescoço, na frente da traqueia e próximo à junção com a laringe, a glândula tireóidea secreta três hormônios: tri-iodotironina (T3), tiroxina (T4) e calcitonina. Os hormônios T3 e T4 contêm três e quatro átomos de iodo, respectivamente. Entre seus principais efeitos, estão os relacionados ao metabolismo energético do organismo por meio da ativação das mitocôndrias. Assim, esses hormônios atuam no aproveitamento de carboi- dratos, proteínas e lipídios pelas células. Essas atividades energéticas provocam um aumento do consumo de oxi- gênio e da produção de calor pelo corpo. Os principais alimentos ricos em iodo são peixes m arinhos, ostras, mariscos, lagostas e algas marinhas. O iod o também é obtido pelo tempero dos alimentos com sal iodado. A adição de iodo no sal de cozinha comercial é obrigatória no Brasil, pois evita disfunções da glândula tireóidea associadas à ausência de iodo na alimentação. Glândula mamária (expulsão do leite) Antidiurético Contrações do útero Néfron do rim Somatotrófico Osso Adrenocorticotrófico Suprarrenal Tireotrófico Glândula tireóidea Gônadas Gonadotrófico Prolactina Glândula mamária (produção de leite) Ocitocina Hipotálamo Adeno-hipófise (lobo anterior) Neuro-hipófise (lobo posterior) Glândula hipófise D iv o e M ar co s G om es . 2 01 0. D ig ita l. Representação esquemática da localização do hipotálamo e da hipófise e hormônios hipofisários Biologia 35 O hormônio calcitonina age na diminuição dos níveis sanguíneos de cálcio e fosfato, aumentando a absorção desses componentes pelos ossos. Além disso, aumenta a excreção de cálcio pelos rins quando há excesso na corrente sanguínea. Entretanto, podem ocorrer algumas disfunções na glândula tireóidea, como: • hiperfunção tireoidiana (hipertireoidismo), que provoca o bócio exoftálmico (olhos ejetados e arregalados, insônia, perda de peso, agitação e inchaço da glândula); • hipofunção tireoidiana (hipotireoidismo), que provoca o bócio endêmico (letargia, sonolência, tendência para engordar e inchaço da glândula). Uma deficiência dos hormônios da glândula tireóidea pode provocar alterações no desenvolvimento de recém- -nascidos, como o cretinismo, deficiência mental causada pelo hipotireoidismo congênito. A ausência do hormônio tiroxina (T4) atrapalha o amadurecimento cerebral e o crescimento da criança. É possível identificar o hipotireoidismo congênito pelo teste do pezinho, realizado por meio da análise de algumas gotas de sangue do pé dos recém-nascidos. Glândulas paratireóideas São quatro pequenas glândulas implantadas na parte posterior da glândula tireóidea, duas em cada lobo. As glândulas paratireóideas pro- duzem o paratormônio, hormônio que tem a função de regular a quanti- dade de cálcio no plasma sanguíneo por meio dos seguintes processos: • remoção de cálcio presente nos ossos, que fica disponível na cor- rente sanguínea; • absorção de cálcio dos alimentos por meio da mucosa intestinal; • reabsorção de cálcio nos túbulos renais, aumentando a concentra- ção iônica (Ca2+) no sangue. Assim, o paratormônio e a calcitonina apresentam ação antagônica, pois, enquanto o primeiro age aumentando a concentração de cálcio no sangue, o segundo age diminuindo-a. Suprarrenais São duas glândulas situadas sobre os rins e constituídas por duas regiões:córtex (porção superficial) e medula (porção interna). Essas regiões produzem hormônios diferentes, os quais apresentam funções específicas no organis- mo. O córtex das adrenais é controlado pelo hormônio ACTH (adrenocorticotrófico), produzido pela adeno-hipófise por meio do mecanismo de feedback. Glândulas paratireóideas Traqueia Glândula tireóidea D iv o. 2 01 5. D ig ita l. Representação esquemática da localização da glândula tireóidea e das glândulas paratireóideas D iv o. 2 01 2. D ig ita l. Representação esquemática da localização e da estrutura das glândulas suprarrenais 36 Volume 8 Pâncreas É uma glândula anfícrina (do grego amphi, dos dois modos; krinein, secretar) ou mista situada logo abaixo do estômago. A atividade exócrina do pâncreas consiste em secretar o suco pancreático por meio do canal pancreático, ligado ao duodeno (primeira porção do intestino delga- do). Já sua função endócrina deve-se à produção dos hormônios insulina e gluca- gon por meio de um grupo de células unidas denominadas ilhotas pancreáticas (ilhotas de Langerhans), que são inervadas pelo sistema nervoso autônomo. Tanto a insulina quanto o glucacon atuam no controle da glicose no sangue. A insulina aumenta a captação de glicose pelas células e, ao mesmo tempo, inibe a utilização de ácidos graxos, estimulando sua deposição no tecido adipo- so. No fígado, ela possibilita a captação da glicose plasmática e sua conversão em glicogênio. Por isso, a insulina é considerada um hormônio hipoglicemiante, pois ajuda a diminuir a concentração de glicose no sangue. As disfunções na produção de insulina provocam o diabetes mellitus, que pode ser do tipo 1, do tipo 2 ou gesta- cional. Seus sintomas incluem hiperglicemia, aumento de glicose na urina (glicosúria) e do volume urinário (poliúria), sede e dificuldade nos processos de coagulação e cicatrização. O glucagon ativa a enzima fosforilase, que atua na quebra do glicogênio armazenado no fígado em moléculas de glicose. Ao passar para o sangue, a glicose atua como energético celular. Por isso, o glucagon é um hormônio hiperglicemiante. O diabetes mellitus do tipo 1 surge quando o pâncreas deixa de produzir insulina (ou produz uma quantidade muito pequena). Quando isso ocorre, é necessário tomar injeções diárias de insulina para regularizar o metabo- lismo da glicose. No diabetes do tipo 2, o pâncreas produz insulina, mas, muitas vezes, as células musculares e adiposas são incapazes de absorver a glicose da corrente sanguínea. Essa é uma anomalia chamada de “resis- tência insulínica”. O diabetes gestacional consiste na alteração das taxas de glicemia em mulheres grávidas, que aparece ou é detectada durante a gestação. © Sh u tt er st oc k/ Se b as tia n K au lit zk i Pâncreas Representação esquemática da localização do pâncreas HORMÔNIOS DO CÓRTEX DAS SUPRARRENAIS Mineralocorticoides O principal hormônio é a aldosterona, que regula a quantidade de sais e água no sangue, atuando no controle da pressão arterial e do volume plasmático. Glicocorticoides O principal hormônio é o cortisol, relacionado a situações de estresse. Ele aumenta a quantidade de glicose no sangue por meio do metabolismo de aminoácidos. Andrógenos São hormônios esteroides masculinizantes encontrados nos dois sexos que estimulam o desenvolvimento e as atividades sexuais e o crescimento muscular. Os andrógenos são produzidos em pequenas quantidades pelas suprarrenais, pois a grande produção de esteroides sexuais ocorre principalmente nas gônadas. HORMÔNIOS DA MEDULA DAS SUPRARRENAIS Adrenalina e noradrenalina São hormônios secretados em resposta aos estímulos nervosos durante situações emergenciais e de estresse, provocando alteração nos batimentos cardíacos, sudorese, aumento da pressão arterial, contração e relaxamento de certos músculos. Essas ações preparam o organismo para respostas rápidas. Biologia 37 Sistema endócrino nos diferentes grupos animais A ação regulatória dos hormônios sobre o metabolismo também pode ser observada em outros grupos animais, como em helmintos (vermes), anelídeos, moluscos, artrópodes e equinodermos. Esses animais apresentam comuni- cações hormonais com variado grau de desenvolvimento em cada grupo. Entre os diversos exemplos, destacam-se as ecdises ou mudas dos artrópodes. Hormônio Ação nos artrópodes Hormônio ecdisona Atua nas células-alvo, principalmente nas epidérmicas, fazendo com que os genes dessas células realizem a codificação da enzima envolvida na digestão do exoesqueleto velho, determinando a secreção de quitina para a formação de uma cutícula nova. Hormônio juvenil Para que a metamorfose ocorra, é necessário que a taxa desse hormônio na hemolinfa seja muito pequena ou nula. Caso contrário, o animal não realiza a muda, apenas passa de uma fase de larva para outra fase de larva (ou ninfa). Quando os níveis de hormônio juvenil diminuem, o animal passa de ninfa para adulto, ou de larva para crisálida (pupa). ConexõesConexões Atividades 1. Os hormônios atuam diretamente na manutenção do equilíbrio do corpo, estando inter-relacionados em suas ações. Sem a produção de hormônios, o desenvolvi- mento e a sobrevivência do indivíduo ficam comprome- tidos. De que maneira os hormônios são transportados e reconhecidos nas células-alvo? Os hormônios são transportados pelo sangue e reconhecidos nas células-alvo por receptores de membrana, que identificam sua estrutura molecular específica. 2. Leia o texto e responda às questões. Para nos ajudar a reagir ao susto, o cérebro ordena às glândulas suprarrenais [...] que libe- rem adrenalina, hormônio que tem a função de preparar o organismo para o perigo, na cor- rente sanguínea. Quando tomamos um susto, nossas rea- ções são controladas por uma região do cére- bro chamada sistema límbico, que regula nos- sas emoções e está relacionado à memória e ao aprendizado. Os reflexos que temos logo após a surpresa servem para que a gente enfrente ou fuja da ameaça. VASCONCELOS, Yuri. O que um susto provoca no corpo? Disponível em: <http://mundoestranho.abril.com.br/ materia/o-que-um-susto-provoca-no-corpo>. Acesso em: 15 jul. 2015. a) Que relação se estabelece entre os sistemas nervoso e endócrino para a manutenção da sobrevivência? As terminações nervosas relacionadas aos sentidos, por exemplo, são interpretadas no cérebro, que pode desencadear respostas envolvendo a liberação de hormônios, os quais ocasionam diferentes ações do corpo. 38 Volume 8 b) Que alterações no metabolismo corporal são de- sencadeadas com a liberação da adrenalina? Como elas auxiliam no processo de susto e fuga relatado no texto? A adrenalina acelera os batimentos cardíacos e eleva a pressão arterial, o que aumenta o fluxo sanguíneo nos músculos. Dessa maneira, o processo de fuga ocorre de maneira mais eficiente. 3. Explique de que maneira o corpo humano regula a libe- ração de hormônios pelas glândulas endócrinas. A regulação ocorre por meio do processo de feedback ou retroalimentação, em que a concentração de um hormônio no sangue desencadeia uma resposta em outra glândula, aumentando ou reduzindo sua atividade para manter a homeostase do organismo. 4. A iodação do sal é empregada em todo território na- cional desde 1995. A Lei n.º 9.005, de 16 de março de 1995, estabelece que o sal para consumo humano deve conter teor igual ou superior a 40 miligramas, até o limite máximo de 100 miligramas, de iodo por quilo- grama do produto. a) Em qual glândula o iodo é atuante? Glândula tireóidea. b) Quais são os hormônios que essa glândula fabrica com o elemento iodo? Os hormônios tri-iodotironina (T3) e tiroxina (T4). c) Como se chama a disfunção que ocorre em virtude da deficiência na formação desses hormônios? Hipotireoidismo e, em recém-nascidos, pode provocar alterações no desenvolvimento da criança, como o cretinismo. 5. (FUVEST –SP) O gráfico mostra os níveis de glicose medidos no sangue de duas pessoas, sendo uma sau- dável e outra com diabetes melito, imediatamente após uma refeição e nas cinco horas seguintes. a) Identifique a curva correspondente às medidas da pessoa diabética, justificando sua resposta. A curva A corresponde à de um paciente com diabetes mellitus, pois apresentou elevada glicemia no período considerado. A pessoa com diabetes do tipo 1 apresenta menor produção de insulina e, no diabetes do tipo 2, o paciente apresenta diminuição dos receptores de insulina na membrana de suas células. Nos dois casos, as células do corpo do paciente têm mais dificuldade na captação de glicose, que passa a se concentrar na corrente sanguínea. b) Como se explicam os níveis estáveis de glicose na curva B após 3 horas da refeição? Após três horas da refeição, a glicemia da pessoa se mantém novamente estável pela ação do hormônio pancreático insulina, que favorece a absorção da glicose pelas células, diminuindo, assim, a glicemia do sangue. Sugestão de atividades: questões 1 e 2 da seção Hora de estudo. Biologia 39 Sistema nervoso Responsável por receber, transmitir, elaborar e armazenar informações no corpo humano, o sistema nervoso tam- bém realiza a coordenação, o controle e a manutenção dos demais sistemas, mantendo um equilíbrio dinâmico entre os meios externo e interno (homeostase). Para facilitar o estudo e o entendimento de como o sistema nervoso humano funciona, ele é dividido em sistema nervoso central (SNC) e sistema nervoso periférico (SNP). O SNP corresponde aos gânglios, formados por corpos ce- lulares de neurônios, e nervos, estruturas constituídas por axônios que se prolongam por todos os órgãos distribuindo terminações nervosas, sendo 12 pares de nervos cranianos e 31 pares de nervos espinais. Por meio dos nervos, os estímulos captados pelos receptores sensitivos de todo o corpo são en- caminhados ao SNC, formado pelo encéfalo e pela medula espinal. Os estímulos são interpretados pelo encéfalo e, na medula espinal, encontram-se a maioria dos corpos celulares dos quais partem os axônios que formam os nervos. Nas diversas atividades desempenhadas pelo organismo, até mesmo durante o sono, os impul- sos nervosos são transmitidos ao cérebro. Desde as ações inconscientes, como piscar os olhos ou liberar suco gástrico para a digestão, até o ato vo- luntário de levantar os braços são atividades que dependem do sistema nervoso. Esse sofisticado mecanismo espalha-se por todas as partes do corpo, trazendo inúmeras informações, transmitin- do ordens e estimulando ações musculares, glan- dulares e dos demais órgãos. Sistema nervoso central É o principal controlador das atividades do organismo, pois armazena informações e interpreta e gera respostas para os diferentes estímulos recebidos do sistema nervoso periférico. É formado pelo encéfalo, com suas divisões, e pela medula espinal, rede transmissora localizada no interior do canal medular (espinal), dentro da coluna vertebral. Esses órgãos são constituídos por dois tipos de substâncias: a cinzenta e a branca. A cinzenta é formada pela con- centração dos corpos celulares dos neurônios e é responsável pelo recebimento dos impulsos nervosos. A branca é constituída pela reunião dos axônios das cé- lulas nervosas e sua função é a transmissão dos impulsos até os órgãos, e vice-versa. Sua cor esbranquiçada deve-se à presença do estrato mielínico. A disposição dessas duas substâncias depende do órgão considerado: no cérebro e no cerebelo, a substância cin- zenta ocorre externamente e a branca, inter- namente; no bulbo e na medula espinal, a localização é invertida. D iv o. 2 01 1. D ig ita l. Representação esquemática do corte do cérebro destacando os dois hemisférios cerebrais e a localização das substâncias branca e cinzenta (no córtex cerebral) D iv o. 2 01 1. D ig ita l. Representação esquemática dos sistemas nervosos central e periférico 40 Volume 8 Encéfalo Localiza-se dentro da caixa craniana e constitui a maior região integradora do SNC, agindo como principal centro de coordenação do organismo. Regula os processos inconscientes e, com a medula espinal, controla os movimentos voluntários. A estrutura do encéfalo é formada pelo cérebro (telencéfalo), diencéfalo (tálamo, epitálamo e hipotálamo), cerebe- lo (metencéfalo), mesencéfalo, ponte e bulbo (mielencéfalo). Bulbo Mesencéfalo Ponte Bulbo Tronco encefálico Crânio Meninges Cérebro Glândula pineal Ponte Glândula hipófise Hipotálamo Tálamo Corpo caloso Cerebelo Representação esquemática das meninges que revestem o encéfalo D iv o. 2 01 1. D ig ita l. M ar co s G om es . 2 01 2. D ig ita l. Além de serem protegidos pelos ossos do crânio e da coluna vertebral, o encéfalo e a medula espinal são reves- tidos de três membranas formadas por tecido conjuntivo, denominadas meninges. A meninge externa denomina-se dura-máter; a intermediária (semelhante a uma teia de aranha), aracnoide; e a interna, que permanece em contato direto com a massa nervosa, pia- máter. Entre as meninges interna e intermediária, circula o líquido cefalorraqui- diano. Essas estruturas constituem uma proteção complementar ao SNC, amortecendo choques mecânicos, como quando ocorrem batidas. Representação esquemática das estruturas do centro encefálico Biologia 41 Quando o cérebro é dividido longitudinalmente, verifica-se uma cama- da externa, cuja espessura varia entre 1 mm e 4,5 mm, o córtex cerebral. O córtex é enrugado e coberto de saliências denominadas circunvoluções, que triplicam sua área e possibilitam que milhões de neurônios caibam no cérebro. Os impulsos nervosos são recebidos e analisados no córtex cerebral, onde estão situadas as regiões que controlam as seguintes atividades do organismo: • inteligência, memória, pensamento, consciência, imaginação e capacidade de raciocínio; • atividades sensoriais (olfatórias, gustativas, auditivas, táteis e visuais); • comando dos movimentos voluntários do corpo (motricidade). Hemisférios cerebrais Circunvoluções cerebrais Cérebro Também denominado telencéfalo, é o maior e mais im- portante órgão do sistema nervoso e constitui-se na central de comando de todo o organismo. É dividido em dois hemis- férios cerebrais (direito e esquerdo), conectados pelo corpo caloso, maior dos vários feixes de neurofibras. Cada hemisfério é separado em lobos, que recebem o nome dos ossos crania- nos que os recobrem: frontal, parietal, temporal e occipital. Os hemisférios cerebrais diferenciam-se nas tarefas que realizam. O hemisfério esquerdo é responsável por raciocínio, linguagem e habilidades matemáticas; e o direito controla as percepções artísticas, musicais e espaciais. De modo geral, cada pessoa desenvolve melhor as habilidades relacionadas a um dos hemisférios. Sugestão de texto complementar.4 Ilu st ra çõ es : D iv o. 2 00 5. D ig ita l. Representação esquemática dos lobos dos hemisférios cerebrais Diencéfalo É formado por três regiões distintas: tálamo, epitálamo e hipotálamo. O tálamo é a região por onde passam os impulsos sensoriais que chegam ao córtex cerebral e os impulsos motores com as respostas enviadas aos músculos e às glândulas do organismo (efetores). Representação esquemática do cérebro visto de cima mostrando os dois hemisférios e as circunvoluções Representação esquemática do cérebro em vista lateral. As partes coloridas representam algumas áreas do córtex cerebral e suas funções. 42 Volume 8 No epitálamo, encontra-se a glândula pineal, que apresenta intenso metabolismo e captação de substâncias, como aminoácidos, fósforo e iodo – no caso do iodo, só perde para a glândula tireóidea. A glândula pineal atua sobre a regulação do sono e da vigília e é mais ativa durante à noite, produzindo o hormônio melatonina. Pesquisas apontam que a melatoninatambém está ligada ao desencadeamento da puberdade. O hipotálamo localiza-se abaixo do tálamo e é o centro organi- zador das emoções (medo, tristeza, agressividade, etc.). Além disso, ele monitora e regula as condições internas vitais, como fome, sede, manutenção da temperatura, equilíbrio hidrossalino do sangue, ciclo do sono e níveis hormonais. Cerebelo O cerebelo (do latim cerebellum, cérebro pequeno) ou meten- céfalo é a segunda maior estrutura do encéfalo e situa-se atrás do tronco encefálico. Sua função é controlar a movimentação do corpo, pois está relacionado à coordenação e à precisão dos movimentos musculares, ao equilíbrio corporal e à postura. O cerebelo é um órgão fundamental para que os vertebrados possam realizar movimentos que re- querem mais equilíbrio, como voar, subir em árvo- res e nadar. Uma ave pode perder a capacidade de voar se sofrer uma lesão no cerebelo. No caso dos seres humanos, as bebidas alcoólicas atuam nas funções cerebelares, ocasionando a perda do con- trole dos movimentos do corpo. Mesencéfalo, ponte e bulbo O mesencéfalo atua no controle da postura corporal e na coordenação de informações do tônus muscular. A ponte regula os centros respiratórios presentes no bulbo e coordena os movimentos corporais. O bulbo ou mielencéfalo regula funções vitais como frequência cardíaca e movimentos respiratórios, pois, nessa re- gião do encéfalo, localizam-se os centros cardiorregulatório e respiratório. Também é capaz de regular alguns reflexos, como tosse, espirro, vômito e deglutição. Medula espinal Ocupando o canal medular, dentro da coluna verte- bral, a medula espinal conduz as informações colhidas nas várias regiões do corpo até o encéfalo, onde são analisadas. Também realiza o processo inverso, as ordens elaboradas no encéfalo passam pela medula antes de chegar a seu destino. No corte transversal da medula, observa-se a substância cinzenta no centro, em formato de borboleta (ou na forma da letra H). A substância branca localiza-se na parte externa. As neurofibras presentes na substância branca apre- sentam funções diferentes: as neurofibras sen- sitivas levam os impulsos obtidos dos meios externo (pele) e interno (órgãos) até o sistema nervoso central (via aferente). Ao chegarem ao encéfalo, os impulsos tornam-se conscientes e são interpretados. Em resposta, as neurofibras motoras carregam os impulsos dos centros nervosos para o local estimulado (via eferente). Como a medula espinal está protegida pela coluna vertebral e, dela, partem os nervos do SNP, em acidentes em que há suspeita de comprometimento de vérte bras, a vítima deve ser imobilizada por uma pessoa especializ ada, mantendo-se em posição deitada. Dessa maneira, evita-s e que ocorram ou que sejam agravadas possíveis lesões na med ula espinal. Com muito cuidado e imobilizada, a pessoa poderá ser removida do local e levada a um hospital. Dependendo da re gião da coluna em que ocorrer a lesão, a movimentação de difere ntes regiões do corpo e membros poderá ser afetada. Representação esquemática da localização da medula espinal e detalhe de sua organização interna D iv o. 2 01 1. D ig ita l. Biologia 43 Sistema nervoso periférico Controla as ações voluntárias (andar ou escrever) e involuntárias (produção de suco gástrico), sendo constituído pelo sistema nervoso periférico somático e pelo sistema nervoso periférico autônomo. Sistema nervoso periférico somático O SNP somático (soma, corpo) é consti- tuído por gânglios e nervos. Entre os nervos, encontram-se 12 pares de nervos cranianos, que partem do encéfalo, e 31 pares de nervos espinais, que partem da medula espinal. Esses nervos são mistos, pois as raízes das neurofi- bras sensitivas (aferentes) e motoras (eferen- tes) ligadas à medula se unem para formar um único nervo. Esses nervos comandam as ações tipica- mente voluntárias do organismo, como cami- nhar, escrever e levantar os braços, ou aquelas que, dentro de certos limites, são parcialmente reguladas pela vontade, como respirar e piscar. Essa divisão do sistema nervoso controla a re- lação do organismo com o ambiente externo, pois os nervos se ligam aos músculos esquelé- ticos, aos órgãos sensoriais e às glândulas. Nervos são feixes de neurofibras envoltos por uma capa de tecido conjuntivo. Essas fibras podem ser tanto den- dritos quanto axônios, que conduzem impulsos nervosos das diversas regiões do corpo ao sistema nervoso central. Os gânglios nervosos são pequenas dilatações em determinados nervos. Nervos cervicais (8 pares) Nervos torácicos (12 pares) Nervos lombares (5 pares) Nervos sacrais (5 pares) e nervo coccígeno (1 par) As neurofibras das porções simpática e parassimpática inervam os mesmos órgãos, porém trabalham de maneira oposta. Por isso, no órgão em que o simpático é estimulante, o parassimpático geralmente é bloqueador, e vice-versa. Esse fato propicia o funcionamento adequado e harmonioso do organismo. Sobre o sistema nervoso, sugere-se a leitura do livro Sobre neurônios, cérebros e pessoas, de Roberto Lent (ver Sugestão para o professor). Ilu st ra çõ es : D iv o. 2 01 1. D ig ita l. Encaminhamento sobre o uso de anestesia.5 Sistema nervoso periférico autônomo O SNP autônomo controla as atividades involuntárias do corpo, como produção de suor, frequência cardíaca, pres- são sanguínea e movimentos do tubo digestório (peristálticos). Está dividido em porções simpática e parassimpática, as quais exercem funções geralmente contrárias, ou seja, opõem-se ao excitar ou inibir determinadas atividades. Desse modo, tais porções regulam as atividades do corpo de acordo com a necessidade. Em um ambiente escuro, por exemplo, a porção simpática mantém a pupila aberta para propiciar a entrada de mais luz; passando para um local iluminado, a porção parassimpática determina o rápido fechamento da pupila para proteger as células da retina do excesso de luz. Além disso, a porção simpática, muitas vezes, é chamada de “sistema de luta ou fuga”, pois coloca o organismo em alerta para enfrentar uma situação de emergência, o que demanda grande consumo de energia. A porção parassimpá- tica, geralmente, coloca o organismo em situação inversa, com menor consumo energético. Representação esquemática dos nervos espinais do sistema nervoso periférico 44 Volume 8 Exemplo do mecanismo de ação de um ato reflexo 1. Quando uma pessoa encosta a mão em um objeto pontiagudo, como um espinho, um neurônio sensitivo ou sensorial (via afe- rente) ligado à epiderme transmite o impulso nervoso à medula espinal. 2. Esse neurônio realiza sinapses com outro neu- rônio, denominado neurônio intermediário ou associativo (interneurônio), que se localiza na substância cinzenta da medula e cuja fun- ção é reorientar o impulso ao neurônio motor, transformando-o em ordem motora. 3. O neurônio motor (via eferente) conduz o impulso ao músculo, determinando a retirada da mão antes que o cérebro analise a situação. O reflexo reduz o risco de uma possível lesão. Assim, a dor só é percebida pelo cérebro milésimos de segundos após a mão já ter sido retirada do espinho. Arco reflexo A medula espinal também está relacionada à passagem de impulsos nervosos não comandados pelo encéfalo. São as atividades reflexas, que envolvem poucos neurônios e são involuntárias e extremamente rápidas. Essas ações são conhecidas como ato reflexo ou simplesmente reflexo. Já a via percorrida pelo impulso nervoso, a qual possibilita a execução dessas ações, denomina-se arco reflexo. Na natureza, os diferentes grupos de animais apresentam sistemas nervosos diferenciados e com diversas adap- tações sensoriais para a execução de suas atividades. Com exceção dos poríferos (espongiários), todos os demais filos apresentam células nervosas. O surgimento dessas células ocorreu há, aproximadamente, 700 milhões de anos, duran- te a evolução dos cnidários. Construaum esquema ou quadro elencando as principais características do sistema nervoso dos diferentes grupos de invertebrados e vertebrados. Organize as ideias Gabarito e sugestão de atividade.6 Substância branca Medula espinal (corte transversal) Substância cinzenta Neurônio sensorial Neurônio motor Interneurônio Representação esquemática do arco reflexo Drogas e o sistema nervoso Denominam-se drogas vários tipos de substâncias que, ao serem ingeridas, alteram o funcionamento do corpo. Algumas drogas, como certos medicamentos, quando utilizadas com orientação médica, auxiliam no tratamento de doenças. Outras podem levar a quadros de dependência, provocando não somente a debilitação do corpo, mas ge- rando impactos no trabalho, nos estudos e na vida familiar. De maneira geral, as drogas que atuam no sistema nervoso agem nas sinapses e na liberação de neurotransmissores, refletindo na coordenação de todo o corpo. As drogas podem estimular, deprimir ou gerar alucinações, dependendo da forma como atuam nos neurotransmis- sores do sistema nervoso. D iv o. 2 00 9. D ig ita l. Biologia 45 droga lícita: droga que tem sua produção, comercialização e venda permitida e regulada por lei. As bebidas alcoólicas e o cigarro também são drogas lícitas, mas o fato de terem sua comercialização permitida por lei não impede que causem danos à saúde. • Medicamentos: são desenvolvidos, testados e fabricados em indústrias farmacêuticas seguindo rígidos padrões de produção. São drogas lícitas que podem evitar, curar, tratar ou auxiliar no diagnóstico de doenças. Isso, é claro, se consumidos nas doses corretas para a idade, o peso e o estado de saúde de cada pessoa, condições que precisam ser avaliadas por profissionais da saúde. Os medicamentos podem provocar efeitos não desejados que geram riscos à saúde, como alergias, intoxicações e dependência. Por isso, deve-se evitar a automedicação. • Drogas alucinógenas: apresentam substâncias que afetam a percepção dos sentidos e ocasionam distorções na maneira de interpretar estímulos, podendo provocar alucinações. Exemplos: maconha e ecstasy. • Drogas estimulantes: aumentam a atividade mental, atuam nos neurotransmissores mantendo a pessoa agita- da. Exemplos: nicotina e cocaína. • Drogas depressoras: diminuem a atividade mental, atuam nos neurotransmissores fazendo com que as reações e as percepções dos sentidos se tornem mais lentas. Esse é o caso, por exemplo, do etanol presente nas bebidas alcoólicas. Os primeiros efeitos dessa substância no sistema nervoso são estimulantes, porém, à medida que a ingestão aumenta, eles passam a atrapalhar as sinapses e a liberação de neurotransmissores. O efeito do etanol passa, então, a ser depressor das funções do sistema nervoso, deixando os reflexos mais lentos, reduzindo a coordenação motora, o equilíbrio e parte da percepção dos sentidos. Se a ingestão de bebidas alcoólicas continua, esses efeitos se agravam, pois o único órgão que atua no metabolismo do álcool no corpo é o fígado, que metaboliza essa substância de maneira mais lenta que a velo- cidade com que é ingerida. A pessoa pode apresentar perda de consciência e desmaio, precisando de atendi- mento médico para se restabelecer. O consumo de álcool não provoca efeitos apenas no corpo de quem bebe, muitas vezes está associado a acidentes de trânsito, violência, envolvimento em brigas ou atitudes que colocam o próprio indivíduo e outras pessoas em risco. Muitas pessoas tornam-se dependentes do consumo de bebidas alcoólicas, ingerindo grandes quantidades frequentemente, o q ue interfere em seu desempenho no trabal ho, nos estudos e na vida familiar. Esse qua dro caracteriza o alcoolismo, que precisa ser tratado com acompanhamento médico e de outros profissionais da saúde. ConexõesConexões Adolescentes começam a beber cada vez mais cedo [...] Segundo pesquisa divulgada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 80% dos ado- lescentes já beberam alguma vez na vida e 33% dos alunos do Ensino Médio consumiram álcool exces- sivamente no mês anterior à pesquisa. [...] A justificativa geral dos adolescentes para o consumo da bebida durante as saídas é a coragem. “O álcool bloqueia a inibição. Coisas que uma pessoa não faria sóbria, ela faz alcoolizada. E isso é um gran- de risco”, completa Roesler [neurologista da Academia Brasileira de Neurologia]. Os médicos são unânimes em afirmar que o corpo de um adolescente não está preparado para inges- tão de bebidas alcoólicas e que não existem doses seguras para o consumo. “Em primeiro lugar, beber em excesso não faz bem para ninguém. Pior para os adolescentes, que estão passando pelo período de 46 Volume 8 CUMINALE, Natalia. Adolescentes começam a beber cada vez mais cedo. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/saude/adolescentes- comecam-a-beber-cada-vez-mais-cedo/>. Acesso em: 10 jul. 2015. Sugestão de atividade sobre o consumo de bebidas alcoólicas entre adolescentes.7 crescimento, em que todas as células do corpo estão se desenvolvendo. O álcool envenena todas essas células e pode acarretar danos a todos os órgãos em formação”, diz Mauricio Castro de Souza Lima, hebiatra (médico especialista em adolescência) do Instituto da Criança. Atividades 1. O sistema nervoso é dividido em central e periférico, porém as estruturas que o compõem atuam de manei- ra integrada na coordenação das atividades voluntárias e involuntárias do corpo humano. a) De que maneira gânglios e nervos (SNP) interagem com a medula espinal e o cérebro (SNC) na coorde- nação do organismo? O SNP, com seus gânglios e nervos, capta as informações sensoriais e as transmite à medula espinal e ao cérebro (SNC), onde são interpretadas, resultando em respostas que são transmitidas pelo SNP às diferentes parte do corpo. b) Como o SNP somático e o SNP autônomo atuam no corpo humano? O SNP somático é responsável pelas funções voluntárias, como caminhar, e o SNP autônomo atua nas funções involuntárias, como frequência cardíaca e movimentos peristálticos. 2. O bulbo localiza-se na base do encéfalo. Em acidentes em que ocorre lesão nessa área, que envolve a nuca e o pescoço, a morte da pessoa é praticamente instantâ- nea. Por que isso ocorre? O bulbo controla as funções automáticas do organismo, como digestão, respiração e batimentos cardíacos. Assim, se lesionado, essas funções ficam comprometidas, e a pessoa morre por parada cardiorrespiratória. 3. (UFRN) O sistema nervoso é responsável pelo controle das funções fisiológicas necessárias a nossa sobrevi- vência. Nos vertebrados, esse sistema é dividido em sistema nervoso central e sistema nervoso periférico. São estruturas do sistema nervoso central e do sistema nervoso periférico, respectivamente, a) córtex cerebral e medula espinal. X b) medula espinal e gânglios nervosos. c) gânglios nervosos e nervos. d) hipotálamo e córtex cerebral. 4. (PUCSP) GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Folha de S.Paulo, 4 ago. 2009. O que é mostrado na tira, de forma espirituosa, é co- nhecido em humanos por reflexo patelar, sendo testado por um médico ao bater com um martelo no joelho de uma pessoa. Este reflexo envolve X a) um neurônio sensitivo que leva o impulso até a me- dula espinal, onde se conecta com um neurônio mo- tor, que conduz o impulso até o órgão efetuador. b) vários neurônios sensitivos, que levam o impulso até a medula espinal, onde fazem conexão com inú- meros neurônios, que levam o impulso até o órgão efetuador. c) um neurônio sensitivo, que leva o impulso até o lobo frontal do cérebro, onde faz conexão com um neurônio motor, que conduz o impulso até o órgão efetuador. Biologia 47 d) um neurônio sensitivo, vários neurônios medulares e um neurônio motor localizado no lobo frontal do cérebro. e) vários neurônios sensitivos localizados na medula espinal, onde se conectam com neurônios motores, que levam o impulsonervoso ao cérebro e, poste- riormente, até o órgão efetuador. 5. Campanhas publicitárias e legislações buscam coibir e conscientizar as pessoas sobre as consequências de ingerir bebidas alcoólicas e dirigir, ações estas que pro- vocam acidentes e colocam a própria vida do indivíduo e a de outros motoristas, passageiros ou pedestres em risco. Explique de que maneira o etanol atua no funciona- mento dos sistemas nervosos central e periférico. Como essas reações refletem na dificuldade de con- trolar o veículo e no aumento da possibilidade de aci- dentes de trânsito? Inicialmente, o etanol atua como um estimulante do sistema nervoso, gerando sensação de euforia. À medida que a ingestão aumenta, as sinapses e a liberação de neurotransmissores no SNC ficam comprometidas. Assim, o etanol torna-se depressor das funções do SNC e do SNP, de modo que os reflexos ficam lentos, a coordenação motora falha e há comprometimento do equilíbrio e de parte da percepção dos sentidos captados por terminações nervosas do SNP, impedindo que a pessoa alcoolizada controle um veículo ou mesmo seus próprios movimentos, como caminhar. 6. Uma lesão grave na medula espinal tem como conse- quência a perda de sensibilidade e do controle voluntá- rio dos movimentos musculares dos membros. Muitas vezes, movimentos involuntários também podem ser afetados. Essas lesões podem ocorrer de forma não traumática, como consequência de diferentes doenças, ou de forma traumática, em acidentes automobilísticos, quedas e mergulhos em águas rasas. Faça uma pesquisa sobre esse assunto em livros, em revistas e na internet, priorizando os seguintes pontos: • classificação da lesão de acordo com o comprome- timento sensório-motor que a pessoa apresenta; • comprometimento de diferentes movimentos de acordo com a região onde ocorre a lesão na medula espinal; • procedimentos que devem ser adotados no caso de acidentes para proteger a medula espinal da vítima; • importância de tratamentos de reabilitação; • relação de pesquisas com células-tronco e o trata- mento de lesões na medula espinal. Sistema sensorial A cada instante, o corpo humano recebe várias informações do ambiente, como sons, luzes e odores. No entanto, o significado dessas informações deve ser interpretado corretamente pelo cérebro. Por isso, existem os receptores sen- soriais localizados nos órgãos dos sentidos que captam os estímulos do meio externo, os quais são transmitidos pelos nervos sensitivos ao cérebro. O sistema sensorial humano reconhece cinco sentidos fundamentais: visão, olfação, gustação, tato e audição, e cada um deles é percebido em um órgão específico (olhos, cavidades nasais, língua, pele e orelhas). Por meio da inter- pretação desses sentidos no cérebro, são produzidas as respostas necessárias à sobrevivência. As condições internas do corpo humano também são percebidas pelo cérebro por meio de receptores sen- soriais espalhados pelos órgãos. A identificação da temperatura corporal, da pressão do sangue nas artérias, da hidratação e da fome e a percepção da dor são exemplos de mecanismos que nos auxiliam a manter o equilíbrio interno, ou homeostase. © So ci ed ad e Br as ile ira d e O rt op ed ia e T ra u m at ol og ia Sugestão de encaminhamento da pesquisa.8 Sugestão de atividades: questões 3 a 8 da seção Hora de estudo. 48 Volume 8 Representação esquemática da localização das áreas sensoriais no cérebro humano Visão É o sentido que possibilita a percepção dos estímulos luminosos, ou seja, a fotorrecepção. A visão faz com que a luz da grande área que constitui o campo visual seja concentrada em uma pequena imagem projetada sobre os receptores sensíveis à luminosidade na retina. O sentido da visão é constituído por três partes: globo ocular (olho), que atua como receptor externo, responsá- vel pela formação das imagens; nervo óptico, transmissor dos impulsos nervosos; e córtex cerebral, onde ocorre a interpretação das imagens. Anatomia do olho O globo ocular tem como função transformar os estímulos luminosos em informações sobre forma, cor, movimento e distância dos objetos. Os olhos realizam movimentos altamente coordenados e funcionam em condições variadas de luminosidade. O globo ocular apresenta um sistema óptico avançado, formado por: • esclera – membrana externa fibrosa, resistente e de cor branca conhecida como “branco do olho”. Os músculos responsáveis pelos movimentos do globo ocular ligam-se à esclera; • córnea – região da esclera localizada na parte frontal do globo ocular; é transparente e possibi- lita a passagem de luz, atuando como uma lente em conjunto com o cristalino; • humor aquoso – líquido transparente que preen- che a câmara anterior entre a esclera e a lente; Córtex do tato Córtex da audição Córtex da visão Equilíbrio Dor, temperatura e pressão Córtex da olfação Córtex da gustação • corpo vítreo – líquido gelatinoso e transparen- te que preenche uma câmara localizada atrás da lente; mantém a forma esférica do olho; • coroide – camada vascularizada responsável pela nutrição das células do olho; • íris – disco pigmentado que dá cor aos olhos. Atrás da íris, localiza-se o corpo ciliar, que apresenta o músculo ciliar, responsável pelas alterações no for- mato do cristalino; • pupila – localizada no centro da íris, controla a quantidade de luz que entra no globo ocular. Na claridade intensa, a pupila se contrai, ou seja, sua abertura torna-se menor; com pouca clarida- de, ela se dilata; • lente (cristalino) – estrutura biconvexa cuja fun- ção é a focalização da luz sobre a retina, conferin- do nitidez e foco à imagem observada; • retina – membrana interna e a mais delicada do globo ocular; contém um prolongamento do nervo óptico, o qual se origina no centro da visão. Representação esquemática das regiões do globo ocular humano Esclera Pupila Íris Pálpebra Coroide Fóvea Ponto cego Nervo óptico Artéria e veia oculares Corpo vítreo Retina Esclera Lente Íris Pupila Luz Humor aquoso Córnea Músculo ciliar Pálpebra Lu is M ou ra e D iv o. 2 01 2. D ig ita l. D iv o. 2 01 3. D ig ita l. Biologia 49 Problemas de visão Os problemas de visão podem variar da dificuldade para ver de longe ou de perto até a perda parcial ou total da visão. Alterações no globo ocular podem fazer com que as imagens se formem antes ou depois da retina, al- terando a nitidez do que está sendo observado. Esse é o caso da miopia e da hipermetropia. Na miopia, a convergência da luz ocorre antes da re- tina e, por isso, a visão fica embaçada e a pessoa acaba enxergando bem de perto e mal de longe. Já na hiper- metropia, a convergência final dos raios de luz que pe- netram pela córnea ocorre em um ponto atrás da retina. Assim, o resultado final da visão é o oposto da miopia, ou seja, enxerga-se bem de longe e mal de perto. Para corrigir esses problemas de visão, faz-se necessário o uso de lentes que regulem a convergência correta dos raios de luz para a retina. Outros defeitos da visão, como astigmatismo, presbio- pia e daltonismo, podem estar associados a problemas em diferentes estruturas do globo ocular ou genéticos. • Astigmatismo: alterações na curvatura do olho que levam à formação de múltiplos pontos focais. O uso de óculos pode corrigir o problema, porém, em casos mais graves, existe a necessidade do transplante de córnea. • Presbiopia: com o avanço da idade, a elasticidade da lente diminui e a pessoa não consegue enxer- gar os objetos próximos com nitidez. • Daltonismo: herança genética recessiva ligada ao cromossomo sexual X. Por afetar os cones, as pes- soas daltônicas apresentam dificuldade ou incapa- cidade de distinguir corretamente algumas cores. A retina apresenta células sensíveis à luz (fotossensí- veis), que são os bastonetes e os cones. Os bastonetes são utilizados na luz reduzida,visto que são mais sensí- veis à luminosidade, porém não distinguem cores. Em um ambiente de penumbra, a visão fica aos cuidados dos bastonetes, resultando em uma visão em tons de cinza. Os cones apresentam menos sensibilidade à luz e são responsáveis pela visão em cores, pois discriminam os diferentes comprimentos de onda existentes nos raios luminosos. Os bastonetes e os cones apresentam, em sua cons- tituição, substâncias derivadas da vitamina A. Portanto, é importante manter uma alimentação rica nessa vitamina para garantir o bom funcionamento da visão. A parte posterior da retina, denominada fóvea (região delgada com grande concentração de cones onde as imagens são formadas com nitidez), é responsável pela percepção visual das imagens. É importante destacar que as imagens formadas na retina são invertidas. Por meio do nervo óptico, que sai da fóvea, os impulsos nervosos chegam ao centro visual do cérebro. Representação esquemática da formação (invertida) da imagem na retina As glândulas lacrimais produzem lágrimas diariamente, em pequenas quantidades, com a fun- ção de manter a umidade e realizar a limpeza da córnea, possibilitando a entrada da luz. Essas glân- dulas estão espalhadas pela pálpebra, dobra de pele que reveste e protege o globo ocular. A secreção de lágrimas aumenta em situações de grande emoção ou quando alguma partícula entra nos olhos. Outra estrutura que atua protegendo o globo ocular de corpos estranhos é a conjuntiva, mem- brana mucosa que reveste a superfície interna das pálpebras e a esclera. Essa membrana pode sofrer infecções, conhecidas como conjuntivites. Representação de teste simples para detecção de daltonismo. Pessoas daltônicas não distinguem o número no interior do círculo. Sugestão de encaminhamento e leitura.9 © iS to ck p h ot o. co m /A ty p ee k D iv o. 2 00 5. D ig ita l. 50 Volume 8 Olfação O sentido da olfação possibilita a percepção química das moléculas odoríferas espalhadas pelo ar, as quais são responsáveis pela formação dos di- ferentes odores. Os quimiorreceptores da olfação são células ciliadas que se situam na parte superior da mucosa nasal, membrana que reveste interna- mente as cavidades nasais. Pelas cavidades nasais, passa o ar inspirado e expirado. Desse modo, diversas moléculas odorífe- ras entram em contato com os receptores da região olfatória. Os impulsos nervosos referentes à percepção dos diferentes odores são transmitidos pelo nervo olfatório ao centro da olfação, no córtex cerebral, onde ocorre sua interpretação. Gustação Assim como a olfação, o sentido da gustação possibilita a percepção química, ou seja, a distinção de moléculas presentes no ambiente. Os receptores sensoriais para os gostos (quimiorreceptores), denominados botões gustatórios (gustativos), são formados por células receptoras e estão localizados, principalmente, em milhares de minúsculas sa- liências da superfície da língua, as papilas gustatórias (linguais). Também existem receptores sensoriais no teto da boca, na faringe e na laringe. Sabe-se que as células receptoras não são específicas para apenas uma categoria de gosto. As sensações da gustação que o cérebro é capaz de identificar são doce, amargo, azedo e salgado. Atualmente, considera-se haver uma quinta sensação de gosto, o umami, percebido por receptores que se ligam ao glutamato. Mundo do trabalho Medicina A prevenção, as causas e os tratamentos de doenças humanas são o objeto de trabalho do médico. Dependen- do da especialização escolhida, esse profissional pode atuar no sistema público de saúde, em programas de saúde familiar e coletiva, em cirurgias, hospitais ou clínicas privadas. Também pode atuar no campo da pesquisa, no desen- volvimento de novas técnicas de tratamento e no diagnóstico de doenças. Um exemplo de especialização em Medicina é a Oftalmologia (área bastante promissora e importante dentro da Medicina), que estuda, diagnostica e trata doenças relacionadas à visão. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 60% das cegueiras seriam evitáveis se os problemas de visão fossem precocemente diagnosticados e tratados. Nessa carreira, é muito importante a constante atualização referente a novas doenças e novos exames, medicamentos, terapias e abordagens clínicas. Assim, o estudo é contínuo, mesmo após o término da faculdade. O conjunto de sensações entre o gosto (gustação) e o aroma (olfação) denomina-se sabor. Quando as células sensoriais da gustação e da olfação se combinam, potencializam a percepção de determinado alimento, por exem- plo. O sabor pode ser facilmente compreendido quando estamos resfriados e comemos algo. Nesse caso, temos a sensação de que o alimento está sem sabor, embora o sentido da gustação continue presente. D iv o. 2 00 5. D ig ita l. Representação esquemática da olfação humana Biologia 51 Tato O sentido do tato possibilita a percepção física da forma, da textura, do tamanho e da temperatura dos objetos. Essas impressões são recolhidas pelos receptores sensitivos periféricos, responsáveis pelas sensações táteis (de contato e pressão), térmicas (calor e frio) e dolorosas, as quais o cérebro interpreta. Esses receptores localizam-se, principalmente, na região da derme. Entretanto, algumas áreas do corpo apresentam mais sensibilidade a certos estímulos que outras. A língua e os lábios, por exemplo, são mais sensíveis ao calor que os joelhos e os cotovelos. Já a ponta dos dedos é uma região bastante sensível ao tato. Os receptores sensitivos periféri- cos localizados na pele recolhem os estímulos, que são conduzidos pelos nervos sensitivos ao cérebro, onde são transformados em sensações. Audição O sentido da audição proporciona a percepção física das ondas sonoras. Seus órgãos denominam-se orelhas e constituem-se de três regiões: orelha externa, orelha média e orelha interna. Orelha externa É constituída pelo pavilhão auricular (ou simples- mente orelha), formado por uma cartilagem elástica em forma de concha cuja função é captar e direcionar as ondas sonoras. O meato acústico externo é um canal com, aproximadamente, 2,5 cm forrado por uma mu- cosa rica em glândulas que segregam uma substância gordurosa e amarelada, o cerume. O cerume e os pelos presentes no interior desse canal têm a função de reter as impurezas. Orelha média Liga-se à orelha externa por meio da membrana timpâ- nica e à orelha interna por meio de dois orifícios providos de membrana: a janela oval e a janela redonda. Também se comunica com a parte nasal da faringe por meio de um longo canal, a tuba auditiva. Essa comunicação possibilita a entrada de ar na cavidade da membrana timpânica (tímpa- no). Assim, a pressão do ar se mantém a mesma em ambos os lados da membrana timpânica. A pressão interna igual à pressão atmosférica proporciona o funcionamento ade- quado da audição. Lu is M ou ra . 2 01 2. D ig ita l. Representação esquemática dos receptores sensoriais da pele Meato acústico externo Pavilhão auditivo Orelha externa Orelha média Orelha interna Estribo Bigorna Martelo Canais semicirculares Nervo coclear Membrana timpânica Nervo vestibular Cóclea Janela ovalTuba auditiva D iv o. 2 01 0. D ig ita l. Representação esquemática das estruturas que possibilitam a audição humana 52 Volume 8 Ao se deslocar para um local onde a altitude é maior, percebe-se um desconforto em virtude da pressão do ar na cavidade da membrana timpânica. Isso ocorre porque a pressão externa diminui e a interna aumenta, forçando a membrana timpânica para fora. Quando se desloca para um local onde a altitude é menor, a situação se inverte, e a membrana timpânica é forçada para dentro. No interior da orelha média, existem três pequenos ossos (ossículos): o martelo (que se apoia sobre a mem- brana timpânica), a bigorna (o do meio) e o estribo (o mais interno,encostado à janela oval). Esses ossos atuam como um sistema de alavancas, estabelecendo uma ponte entre a membrana timpânica e a janela oval. Neles, as vibrações provenientes da membrana timpânica são amplificadas e transmitidas à orelha interna. Orelha interna A orelha interna, também conhecida como labirinto, divide-se em três partes: canais semicirculares, vestíbulo e cóclea. • Canais semicirculares: constituem-se de três tubos em forma de semicírculos dispostos per- pendicularmente uns aos outros. Cada tubo con- tém um líquido (endolinfa) que muda de posição com os movimentos da cabeça e estimula as células receptoras, fazendo com que as fibras ner- vosas sensitivas emitam sinais ao cerebelo. Este, por sua vez, envia mensagens aos músculos do corpo, proporcionando a manutenção do equilí- brio. Ao girar o corpo e parar de repente, tem-se a sensação de que tudo está rodando ao redor. Isso ocorre porque o líquido continua a circular por alguns momentos, e os impulsos relacionados a esse movimento ainda permanecem. Essa tontura persiste até que o movimento da endolinfa pare. • Vestíbulo: colabora com a manutenção do equi- líbrio do corpo. • Cóclea: tubo espiralado, semelhante à concha de um caracol, preenchido por um fluido denomi- nado líquido coclear. Em seu interior, existem os receptores para a audição, que formam o órgão espiral (órgão de Corti). É responsável pela trans- formação das ondas sonoras em mensagens compreensíveis ao cérebro. Quando as ondas transmitidas pelo estribo vibram de encontro à janela oval, o fluido da cóclea também vibra. Tais movimentos vibratórios são, então, transformados em impulsos nervosos, os quais viajam ao cérebro pelo nervo vestibulococlear (auditivo). Problemas de audição Os problemas de audição são muito variáveis e podem ocorrer desde o nascimento ou serem adquiridos ao longo da vida. A perda gradual da audição com o pas- sar da idade é algo comum, mas que pode ser acelerado com exposições a ruídos no trabalho, música com volu- me intenso, uso constante de fones de ouvido, doenças ou lesões por traumas. Cada tipo de perda auditiva precisa ser avaliado por um médico para verificação de qual estrutura está rela- cionada com essa perda, qual é sua extensão e qual é o tratamento mais adequado, que pode ser cirurgia ou uso de aparelhos de audição. Esses aparelhos têm um micro- fone que capta e amplifica os sons, enviando-os para o interior da orelha. Na ausência de audição desde o nascimento, é impor- tante o estímulo para a aprendizagem de outras formas de comunicação. A linguagem de sinais, baseada em di- ferentes gestos e sinais realizados com as mãos, os quais expressam letras, palavras ou expressões, é a forma de comunicação utilizada pelas pessoas com deficiência au- ditiva. Cada país tem sua linguagem de sinais e, no Brasil, ela é denominada Língua Brasileira de Sinais (Libras). Em geral, as pessoas com deficiência auditiva não apresentam problemas nos órgãos da fala e podem aprender a linguagem falada com acompanhamento de profissionais. Entretanto, por não ouvirem a voz dos ou- tros e sua própria voz, muitas delas não se adaptam a esse aprendizado, preferindo a linguagem de sinais. Além da percepção de ondas sonoras, a orelha in- terna está relacionada ao equilíbrio, fornecendo ao cerebelo as informações sobre a posição corporal. © Sh u tt er st oc k/ Pa u l M at th ew P h ot og ra p hy Criança utilizando aparelho auditivo Biologia 53 A orelha humana percebe sons entre 20 e 120 decibels (unidade de medida para o nível sonoro). Entretanto, segundo a Organização Mundial da Saúde, o ser humano suporta, sem danos à audição, até 80 decibels. Em razão disso, trabalhadores que operam máquinas que geram sons com volume intenso devem utilizar protetores auricula- res, eletrodomésticos devem ser fabricados de acordo com regras referentes ao volume de seu funcionamento e não devemos nos expor a sons com volume muito intenso por longos períodos, como na utilização de fones de ouvido. Atividades 1. Nos primórdios da humanidade, os sentidos foram im- portantes para caçar; coletar folhas, frutos, sementes e separá-los em venenosos ou comestíveis; procurar um abrigo seguro contra o ataque de outros animais; ou para produzir ferramentas. Com base nessas informações e em seus conhecimen- tos sobre o sistema sensorial, faça o que se pede. a) Cite algumas situações de seu dia a dia em que os sentidos atuem a favor de sua sobrevivência. Pessoal. Sugestão de resposta: Os sentidos podem evitar intoxicação alimentar ao sentirmos o cheiro de um alimento estragado, um atropelamento ao ouvirmos a aproximação de carros e olharmos para os dois lados antes de atravessar a rua, queimaduras com uma bebida quente, entre outros. b) Quais estruturas são responsáveis pela percepção das sensações do ambiente a nossa volta? Cite três exemplos dessas estruturas. Os receptores sensoriais. Alguns exemplos são as terminações nervosas na pele (propiciando a identificação da temperatura de objetos) e na boca (possibilitando a identificação do sabor dos alimentos) e os receptores sensoriais da audição. 2. Leia o texto e responda às questões. narinas. Se o assunto são os odores, o truque é associar o produto com cheiros que trans- mitem sensações positivas e fazem referência a qualidades necessárias a ele. Se lavanda ou limão nos fazem lembrar limpeza, produtos de limpeza trarão esse cheiro. [...] Por outro lado, algumas lojas escolhem mú- sicas mais cadenciadas e rápidas para os setores onde ficam os provadores. Pesquisas apontam que isso reduz o tempo de permanência dos clientes, evitando demoras e filas na hora de experimentar o produto. Da mesma forma, os restaurantes usam esse artifício para controlar o tempo de ocupação das mesas. Ou seja, você pode estar dançando conforme a música. [...] Para conquistar o cliente, todos os meios são válidos: cores berrantes que anunciam uma liquidação, disposição harmoniosa de uma vi- trine, aromas irresistíveis que atiçam nossas CORREIA FILHO, João. A construção do mundo através dos cinco sentidos. Disponível em: <http://revistaplaneta.terra. com.br/secao/grandes-reportagens-planeta/a-construcao-do- mundo-atraves-dos-cinco-sentidos>. Acesso em: 13 jul. 2015. a) De que maneira os exemplos apresentados no texto confirmam a relação entre o sistema sensorial e o sistema nervoso? Eles mostram que as sensações, como cores, cheiros e sons, captadas pelo sistema sensorial são transmitidas ao sistema nervoso, que se utiliza de referências e memórias para interpretá-las e reagir a elas. Com base nos exemplos, verifica-se as interpretações que o cérebro pode dar para determinados estímulos, gerando diferentes sensações, que podem ou não ser verdadeiras. 54 Volume 8 Sugestão de atividades: questões 9 a 13 da seção Hora de estudo. b) Explique o processo fisiológico que nos possibilita identificar o cheiro de lavanda ou limão citado no texto. A lavanda e o limão apresentam moléculas olfatórias que, ao serem inspiradas, estimulam os quimiorreceptores de odores presentes nas cavidades nasais. Esse estímulo é transmitido pelo nervo olfatório ao cérebro, que interpreta os odores e pode identificá-los como lavanda ou limão, de acordo com as memórias existentes sobre eles. 3. A pressão atmosférica varia de acordo com a altitude: quanto maior é a altitude, menor é a pressão atmosféri- ca. Em viagens entre cidades com altitudes diferentes, é comum ficarmos com a sensação de orelha “tran- cada”. Isso ocorre porque o corpo demora um pouco para ajustar a pressão interna à externa. Uma dica para aliviar esse desconforto é abrir a boca como se fosse bocejar. Considerando a presença e a função da tuba auditiva, justifique como o ato de abrir a boca pode resolver o problema. A tuba auditiva liga a orelha média à faringe.Ao abrir a boca, o ar se desloca em seu interior e a pressão interna da orelha se iguala à pressão atmosférica, reduzindo o desconforto. 4. (FCMSC – SP) Se colocarmos um dedo de uma mão em água a 40 °C e outra mão inteira em água a 37 °C, nesta a sensação de calor será mais pronunciada. En- tão, escrevemos: I. A percepção térmica é inversamente proporcional ao tamanho da área estimulada. II. A quantidade de receptores de calor varia muito de uma mão para outra. III. Para a mesma intensidade de estímulo térmico, a sensação será tanto mais intensa quanto for a su- perfície estimulada. Escreveu-se corretamente em: a) I apenas. b) II apenas. X c) III apenas. d) I e II apenas. e) I, II e III. 5. A lista de malefícios do cigarro ao organismo huma- no aumenta a cada novo estudo realizado. Verificou- -se que o fumo também ocasiona a perda da gustação e do olfato. Em decorrência disso, o fumante passa a consumir alimentos bastante condimentados, pois os condimentos realçam o sabor dos alimentos. Entretan- to, o consumo desse tipo de alimento pode ocasionar problemas nos sistemas cardiovascular e digestório. Que estruturas das narinas e da boca as substâncias do cigarro afetam para que a gustação e a olfação se- jam perdidas pelo fumante? Justifique sua resposta. As substâncias presentes no cigarro afetam as terminações nervosas presentes na mucosa das narinas e na boca. Além disso, como esses sentidos trabalham em conjunto na formação do sabor dos alimentos, com a perda das terminações nervosas responsáveis pelo olfato, a gustação também fica comprometida. 6. (UNICAMP – SP) Na Olimpíada de Pequim, ocorreram competições de tiro ao alvo e de arco e flecha. O de- sempenho dos atletas nessas modalidades esportivas requer extrema acuidade visual, além de outros meca- nismos fisiológicos. a) A constituição do olho humano permite ao atle- ta focar de maneira precisa o objeto-alvo. Como a imagem é formada? Quais componentes do olho participam dessa formação? b) Os defeitos mais comuns na acomodação visual são miopia e hipermetropia. Por que as imagens não são nítidas no olho de uma pessoa míope e de uma pes- soa hipermetrope? Como os óculos podem corrigir esses dois problemas? Na miopia, em razão do alongamento do globo ocular, a ima- gem é formada antes da retina. A correção é realizada com lentes divergentes. Na hipermetropia, pelo encurtamento do globo ocular, a imagem é formada depois da retina. A corre- ção é feita com lentes convergentes. Os raios luminosos refletidos pelo objeto penetram através da pupila, atravessam o cristalino e atingem a retina, onde uma imagem invertida é formada. Esse estímulo origina im- pulsos nervosos, que se propagam por meio do nervo óptico até o cérebro. Biologia 55 Noções de primeiros socorros Primeiros socorros podem ser definidos como os cuidados de emergência dispensados a qualquer pessoa que tenha sofrido uma intercorrência clínica ou um acidente até que ela possa receber o tratamento médico adequado e definitivo. Queda de pressão arterial, desmaio, sangramento nasal, ferimento ao praticar esportes, quedas ou queimaduras são alguns exemplos de situações às quais todos estão sujeitos. Nessas situações, é importante saber como agir, garan- tindo sua segurança e a da pessoa que está com problemas até que o atendimento médico por profissionais da saúde habilitados seja possível. 10 Sugestão de encaminhamento sobre primeiros socorros. Existem alguns princípios básicos que devem ser seguidos ao prestar primeiros socorros a alguém, são eles: • manter a calma, pois somente assim é possível avaliar a situação e tomar as decisões corretas; • avaliar a situação e tentar prevenir perigos que possam colocar sua vida e/ou a de outros em risco. É preciso certificar-se de que o local está seguro antes de se aproximar da vítima, garantindo sua própria segurança e a das pessoas ao redor; • avaliar o tipo de acidente ou mal súbito e a possibilidade de fazer ou não alguma coisa; • solicitar ajuda imediatamente, acionando os serviços de emergência ou resgate e relatando as condições do local do acidente e a situação da vítima. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu – telefone 192) deve ser acionado em casos clínicos, por exemplo: problemas cardiorrespiratórios, intoxicação, trabalho de parto, tentativas de suicídio e crises hipertensivas. O Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergências (Siate – telefone 193) deve ser acionado nos casos em que há traumas, por exemplo: acidentes domiciliares, de trânsito ou de trabalho, agressão, ferimento por armas, quedas, fraturas e queimaduras. Em cidades em que esses serviços não estão disponíveis, deve-se ligar para um hospital com pronto-socorro ou serviço de emergência a fim de que uma ambulância e profissionais da saúde sejam enviados para o local. Ao acionar esses serviços, é necessário relatar todas as informações possíveis sobre o estado de saúde da vítima e o local do acidente. 11 Sugestão de atividade. No caso de acidentes ou quedas, não se deve mover a vítima, pois isso pode agravar seus ferimentos. Verificando os sinais vitais Uma das principais informações que devem ser avaliadas ao ligar para um serviço de emergência são os sinais vitais da vítima. São considerados sinais vitais os batimentos car- díacos, a respiração, a temperatura e a pressão arterial, os quais indicam o bom funciona- mento do corpo, devendo-se manter vigilância constante sobre eles. Em uma situação de emergência, a temperatura corporal e a pressão arterial somente poderão ser avaliadas por profissionais da saúde, visto que necessitam de aparelhos espe- cíficos – termômetro e esfigmomanômetro, respectivamente –, que apenas pessoas trei- nadas sabem utilizar corretamente. © Sh u tt er st oc k/ Le ve n te G yo ri trauma: lesão que se caracteriza por alterações estruturais ou desequilíbrio fisiológico, que podem afetar superficialmente o corpo ou lesar estruturas internas. Esfigmomanômetro é o aparelho utilizado para aferir a pressão arterial. 56 Volume 8 Já a respiração e os batimentos cardíacos podem ser avaliados por meio de alguns procedimentos, tais como: • respiração – observar se há movimento no peito e no abdômen e, então, colocar os dedos sob as narinas da vítima para verificar se o ar está sendo expirado; • batimentos cardíacos – pressionar ligeiramente com a ponta dos dedos indicador e médio na região lateral do pescoço. Os parâme- tros para o batimento cardíaco normal são: • adultos – de 60 a 80 batidas por minuto; • crianças – de 80 a 100 batidas por minuto; • bebês – de 100 a 140 batidas por minuto. É importante também verificar se a vítima está consciente, solicitando informações sobre o que está sentindo e o que aconteceu. Deve-se evitar o contato com o sangue ou secreções da vítima, prevenindo, assim, o contágio de possíveis doenças transmissíveis. Nesses casos, somente profissionais da saúde com equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras, devem atuar diretamente com a vítima. Para posicionar a cabeça para trás, estabilizando a coluna vertebral, deve-se segurar a cabeça pela testa e, com os dedos indicador e médio, elevar o queixo empurrando a cabeça para trás. Algumas práticas de primeiros socorros que podem ser realizadas em situações de emergência Parada respiratória (respiração boca a boca) Esse procedimento mantém a vítima respirando. Contudo, em razão do contato direto com a vítima, deve ser realizado apenas por profissionais das equipes de resgate em situações em que se comprove a parada respiratória. Recomenda-se afrouxar as roupas da vítima e verificar se existe algo obstruindo sua boca ou garganta, como chicletes, dentaduras ou alimentos. Então, deve-se inclinar a cabeça da vítima para trás a fim de abrir ou manter as vias aéreas livres, até a chegada do resgate. É necessário deitar a pessoa desmaiada de costase afrouxar suas roupas, mantendo sua cabeça em um nível mais baixo que o do corpo e elevando suas pernas para melhorar a circulação sanguínea no coração e no cérebro. Desmaios Ao desmaiar, a pessoa perde temporariamente a consciência. Se o desmaio durar mais de dois minutos, é preciso aga- salhar a vítima e procurar o pronto-socorro mais próximo. Nunca se deve oferecer líquidos ou alimentos para uma pessoa inconsciente ingerir. Avaliação dos batimentos cardíacos Ilu st ra çõ es : D iv o. 2 01 5. D ig ita l. Biologia 57 Quando a obstrução é grave e a vítima não consegue respirar, falar ou tossir e já apresenta sinais de sufocamento, deve-se incliná-la para a frente e dar tapas entre seus ombros para tentar eliminar o corpo estranho. Se a vítima for um bebê, é necessário apoiá-lo de bruços em um dos braços, mantendo sua cabeça firme entre os dedos das mãos, e incliná-lo levemente para baixo. Então, aplicar golpes em suas costas, alternados com compressões torácicas rápidas, até que o corpo estranho seja expelido. Devem-se aplicar cinco golpes vigorosos no dorso do bebê, entre as escápulas, usando a região hipotenar da outra mão e cinco compressões torácicas rápidas (como as compressões da massagem cardíaca: dois dedos colocados sobre o esterno, imediatamente abaixo da linha dos mamilos). Em caso de complicações, é preciso acionar o serviço de emergência. Deve-se colocar a vítima deitada de costas sobre uma superfície dura. Com as mãos sobrepostas na metade inferior do osso esterno, apoiar apenas a palma da mão, cuidando para que os dedos não toquem a parede do tórax. No adulto, comprima com força e rapidez. Em média, devem-se realizar 60 compressões por minuto, com profundidade de, aproximadamente 5 cm. Permitir o retorno do tórax durante as compressões. Repetir esses movimentos até que a pulsação da vítima volte ou o resgate chegue. Se a vítima for um bebê, a pressão deve ser feita apenas com os dedos e, em crianças pequenas, com apenas uma das mãos. Se o procedimento anterior não surtir efeito, deve-se curvar o corpo da vítima para a frente, colocando-se por trás dela e envolvendo-lhe a parte inferior da caixa torácica com os braços, entrelaçando as mãos a sua frente. Em seguida, deve-se pressionar fortemente a base superior do abdômen contra a base dos pulmões da vítima, para dentro e para cima, com as mãos e os antebraços, tentando provocar-lhe um acesso de tosse que expulse o corpo estranho e libere as vias aéreas (manobra de Heimlich). Parada cardíaca (massagem cardíaca) Corpos estranhos nas vias respiratórias Corpos estranhos, quando engolidos e alojados na traqueia, podem ocasionar engasgamento e sufocamento. Nos casos em que a vítima está consciente e ainda consegue respirar, deve-se solicitar a ela que faça movimentos de tosse de maneira vigorosa, pois esse é o melhor mecanismo para remover um corpo estranho das vias aéreas. Se a obstrução se mantiver, é preciso chamar o serviço de emergência ou encaminhar a pessoa ao pronto-socorro mais próximo. Convulsões Uma crise convulsiva pode ter diferentes causas e caracteriza-se por uma série de contrações musculares involun- tárias (rápidas e fortes), o que ocasiona queda e movimentos desordenados, acompanhados da perda de consciência. Deve-se proteger a cabeça da vítima, evitando pancadas no chão, mantendo-a deitada de barriga para cima com a cabeça voltada para a lateral do corpo para que não engasgue com a saliva. Não inserir nada na boca da vítima. Além disso, é necessário prestar atenção, porque a crise convulsiva pode durar de alguns segundos a até cinco minutos. É muito importante procurar atendimento médico e chamar o resgate rapidamente. Ilu st ra çõ es : D iv o. 2 01 5. D ig ita l. 58 Volume 8 Queimaduras Geralmente, são provocadas por acidentes com fogões, ferros de passar, água fervente, panelas ou produtos químicos. Por esse motivo, crianças precisam ser sempre supervisionadas por um adulto, não devendo permanecer sozinhas em ambientes que ofereçam riscos. A gravidade da queimadura depende da extensão da área atingida, do local no corpo onde ocorreu e de sua profundidade. Sangramento nasal Também conhecido como epistaxe ou hemorragia nasal, ocorre principalmente em crianças em virtude de traumas, resfriado, rinite alérgica ou exposição ao sol. Entretanto, se os episódios de sangramento forem frequentes, é importante procurar atendimento médico para identificar e tratar as causas. Deve-se colocar a pessoa com a cabeça levemente inclinada para a frente e para baixo, evitando que ela engula o sangue, e apertando as narinas contra o septo nasal por cerca de 10 minutos. Nunca se deve colocar a cabeça para trás ou inserir gaze ou algodão no nariz para estancar o sangramento. Se não cessar em 10 ou 15 minutos, é preciso encaminhar a pessoa para o pronto-socorro mais próximo. Primeiramente, deve-se esfriar o local da queimadura com água corrente. Após esse procedimento, é importante procurar atendimento médico, mantendo o local limpo e protegido, com compressa de gaze ou pano limpo, umedecidos. Não passar, na região da queimadura, creme dental, óleos ou pomadas, pois isso pode agravar a lesão e dificultar a ação médica. 1. Ao prestar os primeiros socorros a uma pessoa, reco- menda-se manter a calma, avaliar a segurança do local e fazer uma avaliação primária, da qual faz parte: ( X ) verificar se as vias aéreas estão obstruídas; ( X ) verificar os batimentos cardíacos no pulso ou no pescoço; ( ) remover imediatamente a vítima para um local cal- mo e arejado; ( X ) verificar se a pessoa está consciente, questionan- do-a sobre como se sente e o ocorrido. 2. Leia o texto e responda à questão. KUGLER, Henrique. Epilepsia em xeque. Disponível em: <http:// cienciahoje.uol.com.br/noticias/medicina-e-saude/epilepsia-em- xeque/?searchterm=convulsões>. Acesso em: 25 abr. 2015. Quais devem ser os procedimentos adotados para aju- dar uma pessoa em crise convulsiva? É importante retirar objetos próximos à vítima e proteger sua cabeça, evitando pancadas no chão, mantendo-a deitada de barriga para cima com a cabeça voltada para a lateral do corpo para que não engasgue com a saliva. Atividades A epilepsia decorre de descargas elétricas anormais em determinada região do cérebro. Pode ser causada por fatores capazes de alterar a atividade regular dos neurônios, como gol- pes na cabeça, infecções cerebrais, abuso de drogas ou álcool, entre outros. Na maioria dos casos, porém, as causas que levam ao desenvolvimento da doença são desconhecidas. Em geral, pessoas com epilep- sia podem apresentar convulsões, espasmos musculares e perda de consciência. Estima-se que a doença atinja cerca de 2% da população mundial. Biologia 59 [...] Os amantes da música sabem, por experiência própria, que o prazer de escutar as vibrações mecânicas [produzidas pela música] é um dos mais gratificantes que se podem experimentar. Agora, estudo publicado na Nature Neuroscience explica tanto o porquê dessa sensação quanto a razão de a música ser apreciada nas mais distintas sociedades humanas. O segredo, segundo o estudo, está no fato de o cérebro se inundar com dopamina, um dos vários neurotransmissores que os neurônios usam para enviar sinais químicos uns para os outros. A dopamina está ligada àquele prazer que se tem com um bom prato de comida ou com a surpresa de ganhar gran- des somas de dinheiro. O experimento mediu, com exames de imagens, os níveis de dopamina em cérebro de voluntários em resposta àquele “arrepio” prazeroso causado pela música que, para muitos, vem da alma e eletriza o corpo. Essa sensação muda a condução elétrica da pele, os batimentos cardíacos e a taxa de respiração, por exemplo. [...] Os pesquisadores mostraram que, quanto maior essa sensação, mais alta é a quantidade do neuro- transmissor no cérebro. [...] Para os autores, uma forma de ler esses resultadosé que eles explicam por que a música é tão apreciada pelas mais diversas culturas. Biologia em foco VIEIRA, Cássio Leite. Prazer da música no cérebro. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2011/02/prazer-da-musica- no-cerebro>. Acesso em: 15 jul. 2015. Após o estudo dos sistemas nervoso, sensorial e endócrino e a leitura do texto, retomando as questões da abertura da unidade, discuta com os colegas sobre: • como as estruturas e os processos fisiológicos do corpo humano estão envolvidos nas percepções do ambiente que nos cerca; • de que maneira sensações e sentimentos são inter- mediados por processos fisiológicos. 13 Sugestão de encaminhamento. Prazer da música no cérebro 3. A parada cardiorrespiratória faz com que o sangue da vítima não circule pelo corpo, necessitando de atendi- mento médico o mais rápido possível. a) Quais são os efeitos da ausência de circulação san- guínea e da respiração? Sem a respiração e a circulação sanguínea, a glicose e o oxigênio não são transportados até as células. Com isso, elas não realizam a respiração celular, o que ocasiona a morte celular. Sugestão de encaminhamento da pesquisa.12 Sugestão de atividade: questões 14 e 15 da seção Hora de estudo. b) Que procedimentos de primeiros socorros podem ser realizados nesse caso até a chegada de atendi- mento médico especializado? Podem ser realizadas respiração boca a boca e massagem cardíaca. 4. Saber como agir em situações de emergência é impor- tante, porém mais importante ainda é tomar medidas de prevenção em relação a acidentes. Pesquise na internet, em livros e revistas medidas preventivas que podem ser adotadas em casa e na escola e que evitam situações de risco, principalmente em relação às crianças. 60 Volume 8 Hora de estudo 14 Gabaritos.A resolução das questões discursivas desta seção deve ser feita no caderno. 1. (UFPE) O sistema nervoso e o sistema endócrino trans- mitem informações elétricas ou químicas para coor- denar e regular as funções orgânicas, integrando o funcionamento do organismo. No que se refere a essa ação integradora dos sistemas nervoso e endócrino, analise as proposições seguintes. (0-0) ( F ) As ações do sistema nervoso central e do sistema endócrino são coordenadas por uma glândula de primeiro nível, conhecida como hipófise. (1-1) ( V ) Os hormônios possuem ação difusa em re- lação aos neurotransmissores, que atuam de forma mais localizada. (2-2) ( V ) O hipotálamo tem ação integradora dos dois sistemas, influenciando tanto as funções neurais quanto as funções endócrinas. (3-3) ( F ) A hipófise secreta hormônios reguladores que controlam outras glândulas. O cortisol é um exemplo disso. (4-4) ( V ) O hormônio ACTH faz parte da cadeia hormo- nal que atua em situações de estresse. 2. (ESCS – GO) O sistema nervoso e o endócrino con- trolam o funcionamento orgânico, integrando a função de cada um dos diferentes órgãos, de modo que se adequem à necessidade do organismo em determina- do momento. Com relação a esses dois sistemas de controle, assinale a opção correta. a) O contato físico entre dois neurônios garante a pas- sagem do estímulo de uma célula para outra. b) O sistema endócrino, devido à ação das células não renováveis, induz respostas mais rápidas que o sis- tema nervoso. X c) A comunicação hormonal realiza-se por via química; somente as células-alvo estão equipadas para rece- ber o sinal que dado hormônio transmite. d) O sistema nervoso é originário do folheto embrioná- rio mesoderma. 3. (UFRN) Receber informações do corpo ou do ambien- te, interpretar essas informações, emitir sinais para órgãos efetuadores e memorizar são funções que se tornam possíveis a partir do desenvolvimento do siste- ma nervoso. Analise a figura [...]. Em um acidente automobilístico, duas pessoas sofre- ram lesões no sistema nervoso central. A pessoa X ficou tetraplégica, e a pessoa Y, apesar de continuar andando, parecia não ter equilíbrio. a) De acordo com a figura, quais os numerais que cor- respondem às estruturas que devem ter sido afe- tadas na pessoa X e na pessoa Y, respectivamente. Nomeie essas estruturas afetadas. b) Explicite quais funções devem ter sido comprometi- das, devido à área afetada, na pessoa Y. 4. (ENEM) Para que todos os órgãos do corpo huma- no funcionem em boas condições, é necessário que a temperatura do corpo fique sempre entre 36 °C e 37 °C. Para manter-se dentro dessa faixa, em dias de muito calor ou durante intensos exercícios físicos, uma série de mecanismos fisiológicos é acionada. Pode-se citar como o principal responsável pela manutenção da temperatura corporal humana o sistema a) digestório, pois produz enzimas que atuam na que- bra de alimentos calóricos. b) imunológico, pois suas células agem no sangue, di- minuindo a condução do calor. X c) nervoso, pois promove a sudorese, que permite per- da de calor por meio da evaporação da água. d) reprodutor, pois secreta hormônios que alteram a temperatura, principalmente durante a menopausa. e) endócrino, pois fabrica anticorpos que, por sua vez, atuam na variação do diâmetro dos vasos periféricos. Biologia 61 5. (UPE) Observe a charge a seguir. Disponível em: <http://cartuminas.blogspot.com.br/2011_01_01_ archive.html>. De acordo com as reações apresentadas pelo corpo do indivíduo, essas podem ser justificadas a) pela dilatação da pupila que está associada aos efeitos do sistema nervoso autônomo parassimpáti- co por causa da ação da noradrenalina e do cortisol. X b) pelo tremor que expressa uma reação de luta e fuga, tanto do sistema nervoso autônomo simpático quan- to do parassimpático, mediada pela ação do cortisol. c) pelo suor frio que está associado à reação de es- tresse, sendo sua produção e liberação controladas pelo sistema nervoso autônomo simpático via ace- tilcolina, adrenalina e noradrenalina. d) pelo aumento dos batimentos cardíacos que revela a ativação do sistema nervoso autônomo simpático, provocado pela ação da noradrenalina e da adrena- lina circulante. e) por todas as reações, como dilatação da pupila, tre- mores, sudorese e taquicardia, que são ativadas tan- to pelo sistema nervoso autônomo simpático quanto pelo parassimpático, mediadas pela acetilcolina. 6. (UDESC) Para montar uma animação sobre o sistema nervoso é necessário saber que as informações ner- vosas são enviadas do cérebro à medula espinal e são distribuídas para o corpo pelos nervos periféricos. Diante disso: a) Quais são os dois nervos constituintes do sistema nervoso central? b) Qual a função do sistema nervoso central? c) Cite dois constituintes do sistema nervoso periférico. 7. (ENEM) Os acidentes de trânsito, no Brasil, em sua maior parte são causados por erro do motorista. Em boa parte deles, o motivo é o fato de dirigir após o consumo de bebida alcoólica. A ingestão de uma lata de cerveja provoca uma concentração de aproximada- mente 0,3 g/L de álcool no sangue. A tabela abaixo mostra os efeitos sobre o corpo huma- no provocados por bebidas alcoólicas em função de níveis de concentração de álcool no sangue. Concentração de álcool no sangue (g/L) Efeitos 0,1 - 0,5 Sem influência aparente, ainda que com alterações clínicas 0,3 - 1,2 Euforia suave, sociabilidade acentuada e queda da atenção 0,9 - 2,5 Excitação, perda de julgamento crítico, queda da sensibilidade e das reações motoras 1,8 - 3,0 Confusão mental e perda da coordenação motora 2,7 - 4,0 Estupor, apatia, vômitos e desequilíbrio ao andar 3,5 - 5,0 Coma e morte possível Revista Pesquisa Fapesp, n.º 57, setembro 2000. Uma pessoa que tenha tomado três latas de cerveja provavelmente apresenta X a) queda de atenção, de sensibilidade e das reações motoras. b) aparente normalidade, mas com alterações clínicas. c) confusão mental e falta de coordenação motora. d) disfunção digestivae desequilíbrio ao andar. e) estupor e risco de parada respiratória. 8. (UESPI) No Brasil, o Ministério da Saúde classifica as drogas com relação aos seus efeitos no Sistema Ner- voso Central (SNC) em perturbadoras, depressoras e estimulantes. Sobre os efeitos do consumo de drogas no SNC, considere as definições abaixo e estabeleça a correlação correta. 1) Perturbadoras – alterações sensoriais e de percep- ção da realidade. 2) Depressoras – diminuição da atividade do SNC cau- sando depressão respiratória, sono. 3) Estimulantes – aumento de atividade do SNC, exci- tação e aumento dos reflexos. 62 Volume 8 a) Cocaína Depressora X b) Maconha Perturbadora c) Anfetamina Depressora d) LSD Estimulante e) Álcool Perturbadora 9. Observe a figura. © Sh u tt er st oc k/ A n d re y Ko rs h en ko v Ela está se movendo? O globo ocular é um órgão ex- tremamente especializado que nos possibilita perceber os estímulos luminosos. No entanto, nem sempre o que achamos que vemos é o que realmente vemos. Isso ocorre no caso das ilusões de óptica. Explique a relação entre a captação da imagem no globo ocular, as estruturas envolvidas no processo de formação da imagem e a transmissão para o cérebro na percepção da imagem. 10. (UFMG) A língua dos seres humanos apresenta papilas gustativas, cada uma delas constituídas por, aproxima- damente, 200 botões gustativos, que são responsáveis pelas sensações de doce, salgado, amargo e azedo. Analise estes gráficos, em que está representada a ati- vidade de dois neurônios em um mesmo botão gustati- vo, na presença de diferentes substâncias. a) Com base nos dados apresentados nesses gráfi- cos, indique se você é a favor ou contra a teoria da existência de uma região específica da língua responsável pela percepção de determinado sabor – doce, salgado, amargo e azedo. A favor X Contra Justifique sua resposta. b) A sensibilidade a sabores é considerada um fator de proteção contra a ingestão de substâncias tó- xicas, que são comumente azedas ou amargas. A partir das informações contidas nos dois gráficos [anteriores], justifique essa afirmação. 11. (UFRN) A orelha humana é o órgão responsável pela audição. A orelha capta o som e, por meio de vários processos, transforma vibrações sonoras em impulsos elétricos e os transmite ao cérebro, onde são decodifi- cados, para identifi- car o som captado. Na orelha repro- duzida ao lado, os números 1, 2 e 3 representam, respectivamente, a) canal auditivo, cóclea e ossículo. b) tubo auditivo, ossículo e nervo auditivo. X c) canal auditivo, membrana timpânica e cóclea. d) tubo auditivo, membrana timpânica e nervo auditivo. Biologia 63 Volume 8 12. (FATEC – SP) Além da fala e da escrita, podemos per- ceber o ambiente que nos cerca de várias maneiras diferentes: vendo, ouvindo, cheirando, apalpando e sentindo sabores. Ao processar essas informações, nossa mente as interpreta como sinais de perigo, sensações agradáveis ou desagradáveis, etc. Depois dessas interpretações, respondemos aos estímulos do ambiente, interagindo com ele. Considerando que a capacidade de perceber o am- biente depende de células altamente especializadas, é correto afirmar que a) os receptores sensoriais humanos responsáveis pe- los sentidos do olfato e da gustação são classifica- dos como termorreceptores. b) as células fotorreceptoras cones e bastonetes do olho humano concentram-se na córnea, onde ocorre a formação da imagem. c) a percepção do tato é realizada por receptores sen- soriais de pressão, que se localizam apenas nas pal- mas das mãos e nas plantas dos pés. d) a orelha interna humana inclui três ossículos (mar- telo, bigorna e estribo), que amplificam as ondas sonoras, transmitindo-as para o tímpano. X e) a íris é comparável ao diafragma ajustável das máquinas fotográficas, pois regula a quantidade de luz que entra no olho para garantir uma perfeita visão. 13. (UFSM – RS) Cada povo possui um tipo de culinária, um modo de preparar seus alimentos, como se fossem sinais culturais transmitidos por meio do paladar, da visão e do olfato. Por exemplo, no Brasil, os europeus foram os responsáveis pela introdução do sal, do açú- car e de diferentes especiarias, variando ainda mais o doce, o salgado, o azedo e o amargo do cardápio brasileiro. Sobre esses sabores, é correto afirmar que sua per- cepção é I. captada na língua e direcionada ao cérebro. II. transmitida ao cérebro através dos neurônios. III. reconhecida na região do sistema nervoso perifé- rico. IV. uma mistura de sensações do olfato e do paladar. Estão corretas a) apenas I e II. b) apenas I e IV. c) apenas II e III. d) apenas III e IV. X e) I, II, III e IV. 14. Sobre as noções básicas de primeiros socorros, mar- que V para as alternativas verdadeiras e F para as fal- sas. a) ( F ) A prioridade de atendimento para o Samu ou o Siate é a viatura que estiver mais próxima de onde se encontra a vítima, e não o tipo de pro- blema que ela apresenta. b) ( V ) A posição de decúbito lateral é ideal nos casos em que a vítima esteja respirando, com bati- mento cardíaco, porém inconsciente. c) ( F ) As manobras de massagem cardíaca em crian- ças e adultos é realizada da mesma maneira. d) ( V ) No caso de desmaios, o ideal é elevar as per- nas da vítima e deixar sua cabeça em um nível mais baixo que o do restante do corpo, visando à maior oxigenação cerebral. 15. (EMESCAM – ES) A asfixia por comida, quando uma massa de alimento penetra pela glote e causa obstru- ção das vias aéreas, não permitindo que o indivíduo respire ou consiga falar, pode causar a morte em 4 a 5 minutos. O procedimento que deve ser usado para tentar expelir o alimento, por elevação do diafragma e compressão dos pulmões, para liberar as vias aéreas, é conhecido como manobra de a) Chvostek. b) Moro. X c) Heimlich. d) Lasegue. e) Babinski. 64