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Poema - O Acendedor de Lampiões

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Modernismo brasileiro 2ª fase –
1930 a 1945
POESIA
Jorge de Lima
(União dos Palmares, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953)
CARACTERÍSTICAS
- Utilização das conquistas da 1ª fase do modernismo com versos livres e brancos, com coloquialismo e pontuação subjetiva;
- Maior liberdade estética com soneto e versos metrificados; 
- Profundidade de temas como ditadura, totalitarismo, 2ª guerra, nazifascismo, problemas políticos e sociais; 
- Corrente espiritualista.
BIOGRAFIA
 Jorge Mateus de Lima foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, pintor brasileiro e tradutor. Inicialmente foi autor
de Versos Alexandrinos, e mais tarde transformou-se em um modernista. 
	
Seus textos abrigam possibilidades
de leituras variadas pois convivem entre a tradição e o novo, entre o vulgar e o sublime, entre o regional e o universal e refletem um artista em constante mutação, que experimentou estilos diversos como o parnasiano, o regional, o barroco e o religioso.
Na sua multiplicidade, Jorge de Lima pertence a todas as épocas, mesmo se reportando a um tema ou uma situação específica.
Aborda frequentemente as injustiças sociais e as grandes dúvidas de todos nós.
A infância nos engenhos e no contato com os trabalhadores negros causou-lhe impressões, que se traduziram na sua “Poesia Negra”, em que se destaca o poema “Essa negra Fulô”.
 
Convertido ao catolicismo nos anos 30, sua poesia assume um caráter também religioso, com o “Poema do Cristão”, época em que publica, com Murilo Mendes, Tempo e Eternidade.
XIV Alexandrinos (1914);
O Mundo do Menino Impossível(1925);
Poemas (1927);
Novos Poemas (1929);
O Acendedor de Lampiões (1932);
Tempo e Eternidade (1935);
A Túnica Inconsútil (1938);
Anunciação e Encontro de Mira-Celi (1943);
Poemas Negros (1947);
Livro de Sonetos (1949);
Obra Poética (1950);
Invenção de Orfeu (1952).
JORGE DE LIMA – OBRAS
O Acendedor de Lampiões é uma das obras mais conhecidas de Jorge de Lima.
Em uma gravura de Jean B. Debret, representativa da época, são apresentados dois negros escravos, um descendo o lampião suspenso no fachada de uma casa, na antiga rua da Ajuda, e outro trazendo à cabeça, enorme canjirão de óleo de baleia com o respectivo funil, preparam um candeeiro de quatro mechas para servir à noite.
Na gravura tem-se uma noção de como era o serviço de iluminação pública, antes do advento do gás.
O ACENDEDOR DE LAMPIÕES
Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!
 Um, dois, três lampiões, acende e continua
 Outros mais a acender imperturbavelmente,
 À medida que a noite aos poucos se acentua
 E a palidez da lua apenas se pressente.
Triste ironia atroz que o senso humano irrita: 
Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.
 Tanta gente também nos outros insinua
 Crenças, religiões, amor, felicidade,
 Como este acendedor de lampiões da rua.
O QUE OBSERVAR
O caráter filosófico do poema é estruturado na reflexão que o Eu realiza da situação paradoxal em que se situa o acendedor de lampiões.
O distanciamento do Eu lírico em relação ao tema abordado torna o poema objetivamente reflexivo.
O poema revela uma inquietante preocupação social e existencial em que se percebe o homem em situação de desconforto diante da realidade.
A temática não se limita apenas em refletir a situação existencial, mas já denuncia a violência que a sociedade moderna impõe ao homem.
Estruturalmente o poema possui uma herança clássica, estruturado num soneto, com versos decassílabos e rimas dispostas de maneira clássica e tradicional.
Por não ser essencialmente descritivo e não se limitar em expressar a interioridade do eu poético, o poema afasta-se, respectivamente, do parnasianismo, do romantismo e do simbolismo.
O reconhecimento das características de um texto passa obrigatoriamente pelo conhecimento dos preceitos da estética a que ele pertence.
O caráter modernista do soneto se revela na denúncia que se faz da realidade social brutal que coisifica e reifica o homem.
É fundamental não somente conhecer o plano da enunciação, ou seja, da estrutura da linguagem do texto, mas também a posição do eu lírico, porque dela emana o enunciado do poema.
As características formais de um poema não são rígidas, podendo aparecer e se repetir frequentemente em estéticas diferentes, conforme acontece com as rimas e a metrificação.
Em cada época e em cada estética, determinados assuntos são abordados em perspectivas diferentes e este aspecto é fundamental para se reconhecer a que escola literária o poema pertence.
O soneto é uma forma clássica e secular, pode ser preferido de qualquer autor e de qualquer estética, mas será no parnasianismo que essa forma vai ser mais usada.

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