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BOM CURSO Apresentação A Umbanda é a única religião que integrou os Senhores Exus para atuarem dentro dos seus terreiros criando uma linha de trabalho especÍfica. São espíritos reintegrados a senda evolutiva da vida. Protetores de suas tendas, guardiões e guerreiros do astral, refreadores cármicos de seus médiuns, orientadores, mentores, magos, amigos, companheiros, fiéis, forte, servidores da Lei Maior. São extremamente atuantes e considerados como ―guias da esquerda‖, mensageiros e comunicadores dos Pais e Mães Orixás. Atuam sempre em falanges com uma diversidade em suas atribuições, são solicitados pela Lei e cumprem ordens. Considerados intrigantes apesar de todo o misticismo ainda depositados a eles por preconceitos erigidos pelos seus irmãos na carne. Uma linha de trabalho igual as demais onde a única diferença é que servem a esquerda dos Sagrados Orixás, mas para isso são reintegradas as hierarquias, iniciados ao mistério regente e servem a Deus da mesma forma que qualquer espírito trabalhador. Utilizando uma linguagem simplista e popular revelando verdades diretas que necessitamos ouvir, aceitar, compreender para evoluirmos. Desvitalizadores de vícios emocionais e desequilíbrios de uma forma irreverente onde só Exu é capaz de desempenhar esta tarefa. Incansável em suas ―tarefas‖ cumprem ordens sem discutir. Simples e popular, utilizam de seu magnetismo para conquistarem seus médiuns e sem que o médium se de conta conseguem mudar sua atitude. Sua coerência, objetividade e diretriz nos fazem ―descomplicar‖ as nossas dificuldades de ordem mental, espiritual ou material. Por atuarem com energia tripolares seu campo magnético é facilmente adaptável ao meio, então por isso que sua incorporação é bem mais simples para os médiuns. O Exu consegue adaptar-se ao campo magnético do médium em alguns segundos, esse processo faz com que o médium sinta a C U R S O D E E X U D E T R A B A L H O N A U M B A N D A incorporação mais fácil.Com grande força e Axé, as ondas vitalizadoras emitidas são rapidamente fracionadas pelos chacras, atingindo o mental inferior onde as ligações emocionais tripolarizadas, ora vitalizando, ora neutralizando ou desvitalizando. Os chacras mais utilizados na incorporação são: - Laríngeo: Ordem, Lei, Potência, Voz. - Plexo Solar: Força, Equilíbrio, Justiça. - Básico: Estabilidade, Impacto, Poder, Virilidade. - Umbilical: Transmutação, Flexibilidade. Entre tantas atribuições os Exus combatem os ataques do ―embaixo‖ e das demandas e investidas para desestruturar e desequilibrar os terreiros, são aguerridos e imparcial, lutando para manter a senda da Luz, onde só um terreiro que prática a caridade como máxima, nunca temerá os ditames da Lei representadas por seres divinos que chamamos de Exu. Texto: Mãe Monica Berezutchi Orixá Exu Exu é um Orixá Africano conhecido como: Exu / Eshu / Bara / Elegbá / Elegbara. É o Orixá da comunicação, fiscalizador do Azé, é quem deve receber as oferendas em 1º lugar, a fim de assegurar que tudo ocorra bem. Como Mensageiro entre Orum e o Aiye, é quem garante que a comunicação entre os mundos, material e espiritual, seja plenamente realizada. Termos usado para Exu: Odara, Akesan, Lalu, Ijelu, Ibarabo, Yangi, Baraketu (guardião das porteiras), Lonan (guardião dos caminhos), Ian (reverenciando na cerimônia do padê.) Extraído do Livro: Deus, “Deuses” e Divindades, Alexandre Cumino, Ed. Madras Orixá Exu – O Trono Masculino da Vitalidade Exu, Shiva, Hermes, Pã, Príapo, Dionísio, Min, Bes, Seth, Savitri, Lóki, Baal, Shulpae, Shullat, Kanamara Matsuri, Baco, Anzu, Comentários. Exu – Divindade africana, da cultura Nagô que predomina na região da atual Nigéria e parte da Republica Popular do Benim. É o Trono da Vitalidade e também um Trono Tripolar (vitaliza, desvitaliza ou neutraliza toda e qualquer ação). Orixá Exu tem origem Nagô, onde é Divindade fálica, age também no sentido do vigor físico e espiritual. Seu nome, na língua Yorubá, quer dizer Esfera, mostrando ser uma Divindade que atua em Tudo e em todos os campos. Considerado o mensageiro dos outros Orixás, Exu vitaliza ou desvitaliza qualquer um dos sete sentidos, sendo muito evocado e muito atuante pela abrangência de seu mistério. O tridente, ferramenta de Exu na Umbanda, nunca teve conotação negativa, pelo contrário. O Tridente sempre foi algo divino nas culturas pagãs anteriores ao Cristianismo, por isso a cultura católica fez questão de pregar o inverso, para facilitar a conversão de seus fiéis e fazer com que esquecessem os mistérios a que tinham acesso direto. Agora o único acesso a qualquer mistério estaria na mão de um Sacerdote Católico. Podemos citar o uso de Tridente por Zeus, Netuno, Tritão, Posseidon e Shiva, entre outros. Esses tridentes mostram o valor divino concedido a eles; a trindade; o alto, o meio e o embaixo; Céu, Mar e Terra; Luz, sombra e trevas; Pai, Mãe e Filho; etc. Na cultura católica, essa trindade perde toda sua relação com o tridente e aparece apenas como Pai, Filho e Espírito Santo, deixando de lado o elemento feminino, tão importante, que se concentrará na figura de Maria, Mãe de Jesus. Assim, Exu evoca seu mistério do vigor e o mistério tridente já tão deturpado em nossa cultura, mas de grande valor como mistério divino, pois trás em si poder de realização, desde que manifesto da forma correta. Elegbara – Também conhecido como Elegba, Legba, Elebá, Lebá, Elegua, Légua e outros é divindade da cultura Gêge, Vodun, na língua Fon. Seu nome significa Poderoso , tem em si todas as qualidades do Orixá Exu, e de cultura tão próxima na África houve também sincretismos. Elebara é sinônimo de Exu e tornou-se na cultura Yorubá, também, uma das qualidades do Orixá Exu. Aluvaiá – Este é o nome da Divindade da Vitalidade na cultura bantu, na língua quimbundo, portanto é um ―inquice‖, é o Exu dos Cultos Angola/Congo. Shiva – Divindade hindu, é a terceira pessoa da trindade formada por Brama, Vishnu e Shiva, na qual um constrói, ou outro mantém e o terceiro destrói a criação para que torne a construir outra vez. Tem como consorte (esposa) Parvati, que também se manifesta como Durga ou Kali. Pai de Ganesha a quem deu o titulo de Senhor dos Exércitos de Shiva. Shiva reina sobre todos os seres ―infernais‖ e ―trevosos‖ ele tem o poder destruidor e transformador. Shiva é o grande Yogue o Maha Deva (Grande Deus), todos vão a sua cidade natal Varanasi para passar os últimos dias de vida ao lado do Rio Ganges assim depurando o carma, para ao desencarnar na Cidade de Shiva ficar livre da roda dos renascimentos, Sansara. Shiva é Fálico, nos seus rituais chamados Puja o sacerdote Pujari, faz oferendas em torno de um lingan que representa o falo de Shiva. O lingan é todo besuntado com (iogurt) e mel que também consiste da oferenda. Shiva usa um Tridente que representa seu poder trino, enquanto terceira pessoa, e também para lembrar que onde está uma pessoa está as três pessoas. O Tridente também representa o poder no Alto, no meio e no Embaixo. Shiva enquanto terceira pessoa da trindade também manifesta qualidade de outras divindades ou Orixás, pois uma de suas manifestações é chamada de Nataraja quando Shiva aparece dançando dentro de um circulo de fogo. Sua dança é quem mantém o universo em constante movimento, é a Dança Cósmica do Universo. No fogo, na dança e na destruição podemos associar Shiva a outros Orixás, o que é normal pois mesmo Ogum se manifesta de formas diversas, quando manifesta a lei no campo dos outros Orixás. Hermes — Divindade grega, filho de Zeus com a ninfa Maia, é o mensageiro dos Deuses. Responsável por tudo que se relacionassem com movimento, viagem, estradas, moeda e transações comerciais. Por isso aparecia sempreusando um chapéu de viajante e sandálias aladas. Na mão, levava uma varinha mágica feita de duas cobras enroscadas em uma haste. Pã — Divindade grega, filho de Hermes, torso humano, pernas e chifres de bode, deus dos campos, dos pastores e dos bosques. Adorava a companhia de Sátiros, excelente músico e dançarino, adorava perseguir as ninfas. De voz aterradora é a partir de seu nome que surgiu a palavra ―pânico‖ que diz respeito a assustar-se com a presença de Pã. Príapo — Divindade grega, filho de Afrodite e Hermes, Divindade fálica da fertilidade. Dionísio — Divindade grega, filho de Zeus e de Sêmele, Deus dos vinhos e folguedos, vagava por todo o país bebendo vinho e dançando sem parar. Teve seu culto inicial mais ligado aos aspectos de divindade da floresta, possuindo qualidades fálicas foi deixando para trás sua natureza vegetal, lembrada apenas pelo vinho e videiras. Como divindade fálica, aparece com sobrenomes como Ortos, ―O Ereto‖, e Enorques, ―O Bitesticulado‖. Min — Divindade egípcia, Divindade fálica, também da abundância, da fertilidade, da força, do poder e do vigor. Bes — Divindade egípcia, ―Deus da Concupiscência e do Prazer‖, de origem estrangeira, aparece de pé sobre um lótus; também é fálico. Seth — Divindade egípcia, Senhor do Caos ou da desordem, também transmite força, poder e vigor. Atua de forma tripolar e muitas vezes atuará no campo do Trono Oposto ao Trono da Lei, pois sua presença gera a desordem, bem como sua ausência beneficia a Ordem Divina. Savitri — Divindade hindu, ―su‖ raiz do nome (―estimular‖) é o ―estimulador de tudo‖. Lóki — Divindade nórdica, irmão de Odim, é Divindade de força e poder que muitas vezes direciona todo esse potencial de forma não compreensível. Incansável em suas ações, é em si o próprio mistério do Vigor agindo de forma dual, ora positivo e ora negativo. Baal — Divindade caldéia, cananéia e fenícia, ―Senhor‖ ou ―Esposo‖. Também é um deus fálico. Shulpae — Divindade sumeriana com uma série de atribuições, incluindo fertilidade e poderes demoníacos. Shullat — Divindade sumeriana, consorte de Hanish. Servo do deus sol. Equivalente a Hermes, o mensageiro divino. Kanamara Matsuri — Divindade japonesa, ―falo de ferro‖, senhor da fertilidade, reprodução e sexualidade, trazia fartura e a cura para a impotência e a esterilidade. Baco — Divindade grega do vinho e da vindina, da devassidão e do alvoroço. Anzu — Divindade babilônica, Águia de cabeça de leão, porteiro de Enlil, nascido na montanha Hehe. Apresentado como o ladrão mal-intencionado no mito de Anzu, mas benevolente no épico sumério de Lugalbanda. Comentários: O Trono Masculino da Vitalidade, Exu, tem sido muito mal compreendido desde que fomos dominados por uma cultura que vê a união carnal como pecado original. A região sacra do corpo humano tornou-se algo a ser escondido como vergonhoso. A fertilidade divina perde sua relação com o vigor físico, logo as Divindades fálicas são mal compreendidas e facilmente associadas a algo negativo. Espiritualmente o órgão sexual, responsável pela concepção, geração, multiplicação e perpetuação da espécie é divino, sem dúvida, sendo algo negativo a ―bestialização‖ do que nos foi reservado para o Amor. Logo, a vitalidade, o vigor e o estímulo são algo essencial para a vida, pois é aplicado não apenas com conotação sexual e sim em todos os campos da vida, pois uma pessoa desvitalizada ou desestimulada, rapidamente, vai perdendo a vontade de viver. Entendemos assim que, como esse, muitos outros mistérios e tronos de Deus são incompreendidos; nossos tabus e conceitos muitas vezes encobrem a visão do que é sagrado e divino em nossas vidas. Extraído do Livro: Deus, “Deuses” e Divindades, Alexandre Cumino, Ed. Madras As linhas de Trabalhos Espirituais de Exu Como é de conhecimento geral, os Exus de trabalhos de Umbanda identificam-se e apresentam- se com nomes simbólicos que, na falta de um amplo conhecimento sobre o simbolismo de Umbanda, são associados a elementos formadores da natureza, a bichos, a meios, a eventos, a instrumentos mágicos,etc. - A elementos, temos: Exu da Pedra Preta Exu dos Rios Exu do Fogo Exu do Ferro, etc. - A bichos, temos: Exu Pantera Exu Morcego Exu Logo, etc. - A meios, temos: Exu das Encruzilhadas Exu dos Caminhos Exu das Porteiras, etc. - A eventos, temos: Exu Ventania Exu dos Raios Exu Poeira Exu Fagulha Exu Corisco,etc. - A instrumentos mágicos, temos: Exu Sete Espadas Exu Sete Correntes Exu Sete Garfos Exu Sete Coroas Exu Sete Punhais, etc. O simbolismo de Umbanda Sagrada é vastíssimo e engloba tudo o que, por analogia, pode ser associado a alguma coisa que exista no plano material, desde as coisas mais antigas até as mais modernas. - Os nomes ―elementais‖ os ligam aos campos da natureza e às partes da natureza associadas aos Orixás. - Os nomes ―bichos‖ os associam aos Orixás pelos meios regidos por ele. - Os nomes dos ―meios‖ os associam aos eventos comandados pelos Orixás. - Os nomes das ferramentas mágicas os associam aos instrumentos ou símbolos de poder dos Orixás. Eles também são identificados pelos símbolos sagrados dos Orixás, tais como: - Exu Sete Cruzes - Exu Sete Estrelas - Exu Sete Luas - Exu Sete Círculos, etc. Enfim, o simbolismo é vastíssimo e dentro de um campo da natureza regido por um Orixá há tantas coisas para nomeá-los que não temos como colocar aqui todos os nomes simbólicos dos Exus de trabalhos espirituais que se manifestam na Umbanda Sagrada. Os Exus encantados ligados a nós não se deslocam da dimensão deles para a nossa, que é a humana, para incorporar e trabalhar para as pessoas. Não, isso eles não fazem! A função deles na vida de um médium é dar-lhe amparo e proteção a partir da dimensão deles à esquerda da nossa, e não vir até nós para isso fazer. Inclusive, a atuação direta desses nossos guardiões à esquerda acontece por intermédio dos espíritos exunizados assentados à nossa esquerda como Exus de trabalhos espirituais. Este sim, por estarem dentro da dimensão humana da vida, pode atuar nos momentos mais cruciais auxiliando-nos. A Onipresença do Orixá Exu Exu mora do lado de fora da casa de Oxalá. Exu é o mensageiro dos Orixás. Exu é o Orixá mais velho, o primogênito. Exu é o primeiro Orixá a ser oferendado. Exu é o primeiro Orixá a ser saudado e reverenciado. Exu é o primeiro Orixá a ser assentado. Exu é o primeiro Orixá a ser despachado ( despachar: separar, atender, acatar,acolher,atentar, desembaraçar, expedir, resolver, executar, desprender, responder, vencer, derrotar..) Se Exu não for despachado, não é possível baixar qualquer outro Orixá no terreiro. Exu tem duas cabeças, uma no céu e outra na terra (uma no Orun e outra no Ayê, uma no alto e outro embaixo) Exu mora do lado de fora da casa de Oxalá. Esta afirmação conceituadora sobre Exu até tem uma lenda que a descreve na tradição oral, e está corretíssima. Afinal, como o espaço infinito foi ―aberto‖ dentro do vazio absoluto, e aquele é o estado ou a ―casa‖ de Oxalá, é verdade que no seu lado de fora está Exu e no seu lado de dentro está Oxalá e todos os outros Orixás. A lenda nagô que conceitua Exu como morador do lado de fora da casa de Oxalá, que por analogia é o ―tempo‖, fundamenta o em uma casinha ou em um quartinho separado. Afinal, se Exu (o vazio) for assentado dentro do templo, dentro dele será instalado o ―vazio‖. Exu é mensageiro dos Orixás Ensinam-nos os mentores espirituais que os Orixás ―falam‖ conosco de dentro para fora e que Exu nos fala de fora para dentro. Esse falar de ―dentro para fora‖ significa que os Orixás falam conosco a partir do nosso corpo divino e pela nossa consciência. E ao falar de ―fora para dentro‖ significa que Exu, que é ―a boca que tudo revela‖, nos fala a partir dos meios ―oraculares‖,que é por meio de alguém. Quando nosso sentido estão ―embotados‖ e nossa mente e consciência estão confusas, impedindo-nos de encontrarmos saídas ou soluções por conta própria, Exu nos traz as respostas aos nossos pedidos de ajuda enviados aos Orixás. Exu é o primeiro Orixá a ser saudado, oferendado, reverenciado, assentado e despachado. Se Exu não for despachado, não é possível baixar qualquer outro Orixá no terreiro. Como Exu simboliza o vazio, só após despachá-los é possível abrir-se o espaço infinito ―dentro‖ do templo para, ai sim, estabelecerem-se dentro dele os outros estados da criação. Inclusive, ensinaram-nos os mentores que o campo que se abre durante o culto aos Orixás, ainda que no plano físico esteja contido entre quatro paredes, no plano espiritual não tem tamanho, porque é em si um estado. Essa informação nos foi transmitida por mentores espirituais e nos revelou isto: Um campo, seja ele divino natural ou espiritual, é um estado em sim e até pode ser mensurado ―por fora‖ quando é aberto dentro de um espaço delimitado por alguma coisa (quatro paredes, um circulo, um símbolo, uma mandala, um polígono, um elemento, etc.), mas, em si mesmo e ―por dentro‖, ele é imensurável e é capaz de abrigar tudo o que entrar ou for recolhido dentro dele pela Lei Maior. Por isso, como um campo é um ―estado em si mesmo‖, antes de ele ser aberto pelo Orixá da casa, Exu deve ser ―despachado‖, ou seja, firmado e ativado do lado de fora do templo ou do centro de Umbanda, reproduzindo no microcosmo (no terreiro) tudo o que existe no macrocosmo (a criação com seus estados). Aí sim, com Exu firmado do lado de fora e envolvendo todo o campo aberto pelo Orixá da casa, e porque o campo é um espaço em si, dentro dele poderão se manifestar com tranqüilidade um ou vários Orixás sem que aconteça qualquer tipo de perturbação durante a gira mediúnica. Não é porque Exu foi o primeiro Orixá manifestado que ele deve ser o primeiro a ser invocado, cultuado, oferendado, firmado, assentado e despachado. Não é por isso. Também tem a ver com o primeiro estado real da criação, que é o do vazio absoluto, dentro do qual tanto podem ser abertos todos os outros estados, como também o que não ―agradar‖ aos Orixás pode ser recebido e esvaziado. Sem Exu não se faz nada! Isto é certo por duas razões: Sem o estabelecimento do estado vazio, os estados dos outros Orixás não se abrem, porque nada existem ainda, e se eles abrirem seus estados para recolherem e reterem dentro deles as sobrecargas e os carregos das pessoas sem terem um ―estado neutro‖ para enviar tudo que traz em si as sementes da desarmonia (as vibrações negativas), seus estados começarão a sobrecarregar-se negativamente e inúmeras fontes geradoras de desequilibro e desarmonia se instalarão dentro deles. Isto o torna tão importante e fundamental para a manutenção da paz, da harmonia e do equilíbrio na criação que nenhum Orixá dispensa a presença de Exu no lado negativo dos seus estados. Isto também fundamenta a existência de um Exu especifico para cada Orixá. Oxalá tem seu Exu Ogum tem seu Exu Oxóssi tem seu Exu E assim é com todos os Orixás, com cada um tendo seu (ou os seus) Exu(s). Extraído do Livro: Orixá Exu, Fundamentação do Mistério Exu na Umbanda, Ed.Madras. Rubens Saraceni Oferenda Orixá Exu • Toalhas ou panos preto e vermelho; • velas preta e vermelha; • fitas preta e vermelha; • linhas preta e vermelha; • pembas preta e vermelha; • flores (cravo vermelho); • frutas (manga, mamão, limão); • bebidas (aguardente de cana de açúcar, whisky, conhaque) • comidas (farofa com carne bovina ou com miúdos de frango, bifes de carne ou de fígado bovino fritos em azeite de dendê e com cebolas, bifes de carne ou de fígado bovino temperado com azeite de dendê e pimenta ardida). Observem que mesmo os Exus da Umbanda só pedem em suas oferendas partes de ―aves e de animais‖ adquiridos do comércio regular, porque já foram resfriados e tiverem decantadas suas energias vitais (vivas), só lhes restando proteínas, lipídios, etc., que é matéria. Os elementos animais ―materiais‖ são poderosos atratores de imantações negativas originárias de magias terríveis feitas com sacrifício de espécies inferiores (répteis, batráquios, aves, animais, etc.). Isso que revelamos também fundamenta e justifica o uso de partes de ―animais‖ nas oferendas aos Exus, responsáveis pelo auxilio as pessoas ―demandadas‖. Se há quem faça o mal, tem de haver quem o desfaça, senão o sofrimento das pessoas vítimas deles não cessará. Uma das funções da Umbanda, e que se mostrou poderosa e eficiente desde seu início, foi a de desmanchar os ―mal-feitos‖ no campo da magia por meio de oferendas feitas na natureza. Se houve alguns excessos, eles não diminuíram os méritos dos que fazem o bem aos seus semelhantes utilizando o recurso legítimo das oferendas. Extraído do Livro: Rituais Umbandistas. Rubens Saraceni, Ed. Madras Apêndice um Questões teológicas sem a existência do mal Um professor ateu desafiou seus alunos com esta pergunta: - Deus fez tudo que existe? Um estudante respondeu corajosamente: "Sim, fez!" - Deus fez tudo, mesmo? - Sim, professor, respondeu o jovem. O professor replicou: - Se Deus fez todas as coisas, então Deus fez o mal, pois o mal existe, e considerando-se que nossas ações são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mal. O estudante calou-se diante de tal resposta e o professor, feliz, se vangloriava de haver provado uma vez mais que a Fé era um mito. Outro estudante levantou sua mão e disse: - Posso lhe fazer uma pergunta, professor? - Sem dúvida, respondeu-lhe o professor. O jovem ficou de pé e perguntou: - Professor, o frio existe? - Mas que pergunta é essa? Claro que existe você por acaso nunca sentiu frio? O rapaz respondeu: - Na verdade, professor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é ausência de calor. Todo corpo ou objeto pode ser estudado quando tem ou transmite energia, mas é o calor e não o frio que faz com que tal corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Criamos esse termo para descrever como nos sentimos quando nos falta o calor. - E a escuridão, existe? continuou o estudante. O professor respondeu: - Mas é claro que sim. O estudante respondeu: - Novamente o senhor se engana, a escuridão tampouco existe. A escuridão é na verdade a ausência de luz. Podemos estudar a luz, mas a escuridão não. O prisma de Newton decompõe a luz branca nas varias cores de que se compõe, com seus diferentes comprimentos de onda. A escuridão não. Um simples raio de luz rasga as trevas e ilumina a superfície que a luz toca. Como se faz para determinar quão escuro está um determinado local do espaço? Apenas com base na quantidade de luz presente nesse local, não é mesmo? Escuridão é um termo que o homem criou para descrever o que acontece quando não há luz presente. Finalmente, o jovem estudante perguntou ao professor: - Diga, professor, o mal existe? Ele respondeu: - Claro que existe. Como eu disse no início da aula, vemos roubos, crimes e violência diariamente em todas as partes do mundo, essas coisas são o mal. Então o estudante respondeu: - O mal não existe, professor, ou ao menos não existe por si só. O mal é simplesmente a ausência de Deus. É, como nos casos anteriores, um termo que o homem criou para descrever essa ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a Fé ou o Amor, que existem como existe a Luz e o Calor. O mal resulta de que a humanidade não tenha Deus presente em seus corações. É como o frio que surge quando não há calor, ou a escuridão que acontece quando não há luz." Extraído do Livro: Deus, “Deuses” e Divindades, Alexandre Cumino, Ed. Madras