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BOM CURSO 
 
 
Apresentação 
 
A Umbanda é a única religião que integrou os Senhores Exus para atuarem 
dentro dos seus terreiros criando uma linha de trabalho especÍfica. São 
espíritos reintegrados a senda evolutiva da vida. 
Protetores de suas tendas, guardiões e guerreiros do astral, refreadores 
cármicos de seus médiuns, orientadores, mentores, magos, amigos, 
companheiros, fiéis, forte, servidores da Lei Maior. 
São extremamente atuantes e considerados como ―guias da esquerda‖, 
mensageiros e comunicadores dos Pais e Mães Orixás. 
Atuam sempre em falanges com uma diversidade em suas atribuições, são 
solicitados pela Lei e cumprem ordens. 
Considerados intrigantes apesar de todo o misticismo ainda depositados a eles 
por preconceitos erigidos pelos seus irmãos na carne. Uma linha de trabalho 
igual as demais onde a única diferença é que servem a esquerda dos 
Sagrados Orixás, mas para isso são reintegradas as hierarquias, iniciados ao 
mistério regente e servem a Deus da mesma forma que qualquer espírito 
trabalhador. 
Utilizando uma linguagem simplista e popular revelando verdades diretas que 
necessitamos ouvir, aceitar, compreender para evoluirmos. 
Desvitalizadores de vícios emocionais e desequilíbrios de uma forma 
irreverente onde só Exu é capaz de desempenhar esta tarefa. Incansável em 
suas ―tarefas‖ cumprem ordens sem discutir. 
Simples e popular, utilizam de seu magnetismo para conquistarem seus 
médiuns e sem que o médium se de conta conseguem mudar sua atitude. 
Sua coerência, objetividade e diretriz nos fazem ―descomplicar‖ as nossas 
dificuldades de ordem mental, espiritual ou material. 
Por atuarem com energia tripolares seu campo magnético é facilmente 
adaptável ao meio, então por isso que sua incorporação é bem mais simples 
para os médiuns. O Exu consegue adaptar-se ao campo magnético do médium 
em alguns segundos, esse processo faz com que o médium sinta a 
C
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incorporação mais fácil.Com grande força e Axé, as ondas vitalizadoras emitidas são rapidamente 
fracionadas pelos chacras, atingindo o mental inferior onde as ligações emocionais tripolarizadas, 
ora vitalizando, ora neutralizando ou desvitalizando. 
Os chacras mais utilizados na incorporação são: 
- Laríngeo: Ordem, Lei, Potência, Voz. 
- Plexo Solar: Força, Equilíbrio, Justiça. 
- Básico: Estabilidade, Impacto, Poder, Virilidade. 
- Umbilical: Transmutação, Flexibilidade. 
 
Entre tantas atribuições os Exus combatem os ataques do ―embaixo‖ e das demandas e 
investidas para desestruturar e desequilibrar os terreiros, são aguerridos e imparcial, lutando para 
manter a senda da Luz, onde só um terreiro que prática a caridade como máxima, nunca temerá 
os ditames da Lei representadas por seres divinos que chamamos de Exu. 
 
 
 
Texto: Mãe Monica Berezutchi 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Orixá Exu 
 
 Exu é um Orixá Africano conhecido como: Exu / Eshu / Bara / Elegbá / Elegbara. 
 É o Orixá da comunicação, fiscalizador do Azé, é quem deve receber as oferendas em 1º 
lugar, a fim de assegurar que tudo ocorra bem. 
 Como Mensageiro entre Orum e o Aiye, é quem garante que a comunicação entre os 
mundos, material e espiritual, seja plenamente realizada. 
 Termos usado para Exu: Odara, Akesan, Lalu, Ijelu, Ibarabo, Yangi, Baraketu (guardião 
das porteiras), Lonan (guardião dos caminhos), Ian (reverenciando na cerimônia do padê.) 
 
Extraído do Livro: Deus, “Deuses” e Divindades, Alexandre Cumino, Ed. Madras 
 
 
Orixá Exu – O Trono Masculino da Vitalidade 
 
Exu, Shiva, Hermes, Pã, Príapo, Dionísio, Min, Bes, Seth, Savitri, Lóki, Baal, Shulpae, Shullat, 
Kanamara Matsuri, Baco, Anzu, Comentários. 
 
Exu – Divindade africana, da cultura Nagô que predomina na região da atual Nigéria e parte da 
Republica Popular do Benim. É o Trono da Vitalidade e também um Trono Tripolar (vitaliza, 
desvitaliza ou neutraliza toda e qualquer ação). 
Orixá Exu tem origem Nagô, onde é Divindade fálica, age também no sentido do vigor físico e 
espiritual. Seu nome, na língua Yorubá, quer dizer Esfera, mostrando ser uma Divindade que atua 
em Tudo e em todos os campos. 
Considerado o mensageiro dos outros Orixás, Exu vitaliza ou desvitaliza qualquer um dos sete 
sentidos, sendo muito evocado e muito atuante pela abrangência de seu mistério. 
O tridente, ferramenta de Exu na Umbanda, nunca teve conotação negativa, pelo contrário. O 
Tridente sempre foi algo divino nas culturas pagãs anteriores ao Cristianismo, por isso a cultura 
católica fez questão de pregar o inverso, para facilitar a conversão de seus fiéis e fazer com que 
esquecessem os mistérios a que tinham acesso direto. Agora o único acesso a qualquer mistério 
estaria na mão de um Sacerdote Católico. 
Podemos citar o uso de Tridente por Zeus, Netuno, Tritão, Posseidon e Shiva, entre outros. Esses 
tridentes mostram o valor divino concedido a eles; a trindade; o alto, o meio e o embaixo; Céu, 
Mar e Terra; Luz, sombra e trevas; Pai, Mãe e Filho; etc. Na cultura católica, essa trindade perde 
toda sua relação com o tridente e aparece apenas como Pai, Filho e Espírito Santo, deixando de 
lado o elemento feminino, tão importante, que se concentrará na figura de Maria, Mãe de Jesus. 
Assim, Exu evoca seu mistério do vigor e o mistério tridente já tão deturpado em nossa cultura, 
mas de grande valor como mistério divino, pois trás em si poder de realização, desde que 
manifesto da forma correta. 
Elegbara – Também conhecido como Elegba, Legba, Elebá, Lebá, Elegua, Légua e outros é 
divindade da cultura Gêge, Vodun, na língua Fon. Seu nome significa Poderoso , tem em si todas 
as qualidades do Orixá Exu, e de cultura tão próxima na África houve também sincretismos. 
Elebara é sinônimo de Exu e tornou-se na cultura Yorubá, também, uma das qualidades do Orixá 
Exu. 
Aluvaiá – Este é o nome da Divindade da Vitalidade na cultura bantu, na língua quimbundo, 
portanto é um ―inquice‖, é o Exu dos Cultos Angola/Congo. 
Shiva – Divindade hindu, é a terceira pessoa da trindade formada por Brama, Vishnu e Shiva, na 
qual um constrói, ou outro mantém e o terceiro destrói a criação para que torne a construir outra 
vez. Tem como consorte (esposa) Parvati, que também se manifesta como Durga ou Kali. Pai de 
Ganesha a quem deu o titulo de Senhor dos Exércitos de Shiva. Shiva reina sobre todos os seres 
―infernais‖ e ―trevosos‖ ele tem o poder destruidor e transformador. Shiva é o grande Yogue o 
Maha Deva (Grande Deus), todos vão a sua cidade natal Varanasi para passar os últimos dias de 
vida ao lado do Rio Ganges assim depurando o carma, para ao desencarnar na Cidade de Shiva 
ficar livre da roda dos renascimentos, Sansara. Shiva é Fálico, nos seus rituais chamados Puja o 
sacerdote Pujari, faz oferendas em torno de um lingan que representa o falo de Shiva. O lingan é 
todo besuntado com (iogurt) e mel que também consiste da oferenda. Shiva usa um Tridente que 
representa seu poder trino, enquanto terceira pessoa, e também para lembrar que onde está uma 
pessoa está as três pessoas. O Tridente também representa o poder no Alto, no meio e no 
Embaixo. 
Shiva enquanto terceira pessoa da trindade também manifesta qualidade de outras divindades ou 
Orixás, pois uma de suas manifestações é chamada de Nataraja quando Shiva aparece 
dançando dentro de um circulo de fogo. Sua dança é quem mantém o universo em constante 
movimento, é a Dança Cósmica do Universo. No fogo, na dança e na destruição podemos 
associar Shiva a outros Orixás, o que é normal pois mesmo Ogum se manifesta de formas 
diversas, quando manifesta a lei no campo dos outros Orixás. 
Hermes — Divindade grega, filho de Zeus com a ninfa Maia, é o mensageiro dos Deuses. 
Responsável por tudo que se relacionassem com movimento, viagem, estradas, moeda e 
transações comerciais. Por isso aparecia sempreusando um chapéu de viajante e sandálias 
aladas. Na mão, levava uma varinha mágica feita de duas cobras enroscadas em uma haste. 
Pã — Divindade grega, filho de Hermes, torso humano, pernas e chifres de bode, deus dos 
campos, dos pastores e dos bosques. Adorava a companhia de Sátiros, excelente músico e 
dançarino, adorava perseguir as ninfas. De voz aterradora é a partir de seu nome que surgiu a 
palavra ―pânico‖ que diz respeito a assustar-se com a presença de Pã. 
Príapo — Divindade grega, filho de Afrodite e Hermes, Divindade fálica da fertilidade. 
Dionísio — Divindade grega, filho de Zeus e de Sêmele, Deus dos vinhos e folguedos, vagava 
por todo o país bebendo vinho e dançando sem parar. Teve seu culto inicial mais ligado aos 
aspectos de divindade da floresta, possuindo qualidades fálicas foi deixando para trás sua 
natureza vegetal, lembrada apenas pelo vinho e videiras. Como divindade fálica, aparece com 
sobrenomes como Ortos, ―O Ereto‖, e Enorques, ―O Bitesticulado‖. 
Min — Divindade egípcia, Divindade fálica, também da abundância, da fertilidade, da força, do 
poder e do vigor. 
Bes — Divindade egípcia, ―Deus da Concupiscência e do Prazer‖, de origem estrangeira, aparece 
de pé sobre um lótus; também é fálico. 
Seth — Divindade egípcia, Senhor do Caos ou da desordem, também transmite força, poder e 
vigor. Atua de forma tripolar e muitas vezes atuará no campo do Trono Oposto ao Trono da Lei, 
pois sua presença gera a desordem, bem como sua ausência beneficia a Ordem Divina. 
Savitri — Divindade hindu, ―su‖ raiz do nome (―estimular‖) é o ―estimulador de tudo‖. 
Lóki — Divindade nórdica, irmão de Odim, é Divindade de força e poder que muitas vezes 
direciona todo esse potencial de forma não compreensível. Incansável em suas ações, é em si o 
próprio mistério do Vigor agindo de forma dual, ora positivo e ora negativo. 
Baal — Divindade caldéia, cananéia e fenícia, ―Senhor‖ ou ―Esposo‖. Também é um deus fálico. 
Shulpae — Divindade sumeriana com uma série de atribuições, incluindo fertilidade e poderes 
demoníacos. 
Shullat — Divindade sumeriana, consorte de Hanish. Servo do deus sol. Equivalente a Hermes, o 
mensageiro divino. 
Kanamara Matsuri — Divindade japonesa, ―falo de ferro‖, senhor da fertilidade, reprodução e 
sexualidade, trazia fartura e a cura para a impotência e a esterilidade. 
Baco — Divindade grega do vinho e da vindina, da devassidão e do alvoroço. 
Anzu — Divindade babilônica, Águia de cabeça de leão, porteiro de Enlil, nascido na montanha 
Hehe. Apresentado como o ladrão mal-intencionado no mito de Anzu, mas benevolente no épico 
sumério de Lugalbanda. 
 
Comentários: O Trono Masculino da Vitalidade, Exu, tem sido muito mal compreendido desde 
que fomos dominados por uma cultura que vê a união carnal como pecado original. A região 
sacra do corpo humano tornou-se algo a ser escondido como vergonhoso. A fertilidade divina 
perde sua relação com o vigor físico, logo as Divindades fálicas são mal compreendidas e 
facilmente associadas a algo negativo. Espiritualmente o órgão sexual, responsável pela 
concepção, geração, multiplicação e perpetuação da espécie é divino, sem dúvida, sendo algo 
negativo a ―bestialização‖ do que nos foi reservado para o Amor. Logo, a vitalidade, o vigor e o 
estímulo são algo essencial para a vida, pois é aplicado não apenas com conotação sexual e sim 
em todos os campos da vida, pois uma pessoa desvitalizada ou desestimulada, rapidamente, vai 
perdendo a vontade de viver. 
Entendemos assim que, como esse, muitos outros mistérios e tronos de Deus são 
incompreendidos; nossos tabus e conceitos muitas vezes encobrem a visão do que é sagrado e 
divino em nossas vidas. 
 
Extraído do Livro: Deus, “Deuses” e Divindades, Alexandre Cumino, Ed. Madras 
 
 
As linhas de Trabalhos Espirituais de Exu 
Como é de conhecimento geral, os Exus de trabalhos de Umbanda identificam-se e apresentam-
se com nomes simbólicos que, na falta de um amplo conhecimento sobre o simbolismo de 
Umbanda, são associados a elementos formadores da natureza, a bichos, a meios, a eventos, a 
instrumentos mágicos,etc. 
- A elementos, temos: 
Exu da Pedra Preta 
Exu dos Rios 
Exu do Fogo 
Exu do Ferro, etc. 
 
- A bichos, temos: 
Exu Pantera 
Exu Morcego 
Exu Logo, etc. 
 
- A meios, temos: 
Exu das Encruzilhadas 
Exu dos Caminhos 
Exu das Porteiras, etc. 
 
- A eventos, temos: 
Exu Ventania 
Exu dos Raios 
Exu Poeira 
Exu Fagulha 
Exu Corisco,etc. 
 
- A instrumentos mágicos, temos: 
Exu Sete Espadas 
Exu Sete Correntes 
Exu Sete Garfos 
Exu Sete Coroas 
Exu Sete Punhais, etc. 
 
O simbolismo de Umbanda Sagrada é vastíssimo e engloba tudo o que, por analogia, pode ser 
associado a alguma coisa que exista no plano material, desde as coisas mais antigas até as mais 
modernas. 
- Os nomes ―elementais‖ os ligam aos campos da natureza e às partes da natureza associadas 
aos Orixás. 
 
- Os nomes ―bichos‖ os associam aos Orixás pelos meios regidos por ele. 
 
- Os nomes dos ―meios‖ os associam aos eventos comandados pelos Orixás. 
 
- Os nomes das ferramentas mágicas os associam aos instrumentos ou símbolos de poder dos 
Orixás. 
 
Eles também são identificados pelos símbolos sagrados dos Orixás, tais como: 
- Exu Sete Cruzes 
- Exu Sete Estrelas 
- Exu Sete Luas 
- Exu Sete Círculos, etc. 
 
Enfim, o simbolismo é vastíssimo e dentro de um campo da natureza regido por um Orixá há 
tantas coisas para nomeá-los que não temos como colocar aqui todos os nomes simbólicos dos 
Exus de trabalhos espirituais que se manifestam na Umbanda Sagrada. 
Os Exus encantados ligados a nós não se deslocam da dimensão deles para a nossa, que é a 
humana, para incorporar e trabalhar para as pessoas. Não, isso eles não fazem! 
A função deles na vida de um médium é dar-lhe amparo e proteção a partir da dimensão deles à 
esquerda da nossa, e não vir até nós para isso fazer. 
Inclusive, a atuação direta desses nossos guardiões à esquerda acontece por intermédio dos 
espíritos exunizados assentados à nossa esquerda como Exus de trabalhos espirituais. Este sim, 
por estarem dentro da dimensão humana da vida, pode atuar nos momentos mais cruciais 
auxiliando-nos. 
 
A Onipresença do Orixá Exu 
 
 Exu mora do lado de fora da casa de Oxalá. 
 Exu é o mensageiro dos Orixás. 
 Exu é o Orixá mais velho, o primogênito. 
 Exu é o primeiro Orixá a ser oferendado. 
 Exu é o primeiro Orixá a ser saudado e reverenciado. 
 Exu é o primeiro Orixá a ser assentado. 
 Exu é o primeiro Orixá a ser despachado ( despachar: separar, atender, 
acatar,acolher,atentar, desembaraçar, expedir, resolver, executar, desprender, responder, 
vencer, derrotar..) 
 Se Exu não for despachado, não é possível baixar qualquer outro Orixá no terreiro. 
 Exu tem duas cabeças, uma no céu e outra na terra (uma no Orun e outra no Ayê, uma no 
alto e outro embaixo) 
 
Exu mora do lado de fora da casa de Oxalá. 
Esta afirmação conceituadora sobre Exu até tem uma lenda que a descreve na tradição oral, e 
está corretíssima. 
Afinal, como o espaço infinito foi ―aberto‖ dentro do vazio absoluto, e aquele é o estado ou a 
―casa‖ de Oxalá, é verdade que no seu lado de fora está Exu e no seu lado de dentro está Oxalá 
e todos os outros Orixás. 
A lenda nagô que conceitua Exu como morador do lado de fora da casa de Oxalá, que por 
analogia é o ―tempo‖, fundamenta o em uma casinha ou em um quartinho separado. 
Afinal, se Exu (o vazio) for assentado dentro do templo, dentro dele será instalado o ―vazio‖. 
 
Exu é mensageiro dos Orixás 
Ensinam-nos os mentores espirituais que os Orixás ―falam‖ conosco de dentro para fora e que 
Exu nos fala de fora para dentro. Esse falar de ―dentro para fora‖ significa que os Orixás falam 
conosco a partir do nosso corpo divino e pela nossa consciência. 
E ao falar de ―fora para dentro‖ significa que Exu, que é ―a boca que tudo revela‖, nos fala a partir 
dos meios ―oraculares‖,que é por meio de alguém. 
Quando nosso sentido estão ―embotados‖ e nossa mente e consciência estão confusas, 
impedindo-nos de encontrarmos saídas ou soluções por conta própria, Exu nos traz as respostas 
aos nossos pedidos de ajuda enviados aos Orixás. 
 
Exu é o primeiro Orixá a ser saudado, oferendado, reverenciado, assentado e despachado. 
Se Exu não for despachado, não é possível baixar qualquer outro Orixá no terreiro. 
Como Exu simboliza o vazio, só após despachá-los é possível abrir-se o espaço infinito ―dentro‖ 
do templo para, ai sim, estabelecerem-se dentro dele os outros estados da criação. 
Inclusive, ensinaram-nos os mentores que o campo que se abre durante o culto aos Orixás, ainda 
que no plano físico esteja contido entre quatro paredes, no plano espiritual não tem tamanho, 
porque é em si um estado. 
Essa informação nos foi transmitida por mentores espirituais e nos revelou isto: 
Um campo, seja ele divino natural ou espiritual, é um estado em sim e até pode ser mensurado 
―por fora‖ quando é aberto dentro de um espaço delimitado por alguma coisa (quatro paredes, um 
circulo, um símbolo, uma mandala, um polígono, um elemento, etc.), mas, em si mesmo e ―por 
dentro‖, ele é imensurável e é capaz de abrigar tudo o que entrar ou for recolhido dentro dele pela 
Lei Maior. 
Por isso, como um campo é um ―estado em si mesmo‖, antes de ele ser aberto pelo Orixá da 
casa, Exu deve ser ―despachado‖, ou seja, firmado e ativado do lado de fora do templo ou do 
centro de Umbanda, reproduzindo no microcosmo (no terreiro) tudo o que existe no macrocosmo 
(a criação com seus estados). 
Aí sim, com Exu firmado do lado de fora e envolvendo todo o campo aberto pelo Orixá da casa, e 
porque o campo é um espaço em si, dentro dele poderão se manifestar com tranqüilidade um ou 
vários Orixás sem que aconteça qualquer tipo de perturbação durante a gira mediúnica. 
Não é porque Exu foi o primeiro Orixá manifestado que ele deve ser o primeiro a ser invocado, 
cultuado, oferendado, firmado, assentado e despachado. Não é por isso. Também tem a ver com 
o primeiro estado real da criação, que é o do vazio absoluto, dentro do qual tanto podem ser 
abertos todos os outros estados, como também o que não ―agradar‖ aos Orixás pode ser recebido 
e esvaziado. 
 
Sem Exu não se faz nada! 
Isto é certo por duas razões: 
 Sem o estabelecimento do estado vazio, os estados dos outros Orixás não se abrem, porque 
nada existem ainda, e se eles abrirem seus estados para recolherem e reterem dentro deles as 
sobrecargas e os carregos das pessoas sem terem um ―estado neutro‖ para enviar tudo que traz 
em si as sementes da desarmonia (as vibrações negativas), seus estados começarão a 
sobrecarregar-se negativamente e inúmeras fontes geradoras de desequilibro e desarmonia se 
instalarão dentro deles. 
 
Isto o torna tão importante e fundamental para a manutenção da paz, da harmonia e do equilíbrio 
na criação que nenhum Orixá dispensa a presença de Exu no lado negativo dos seus estados. 
Isto também fundamenta a existência de um Exu especifico para cada Orixá. 
 Oxalá tem seu Exu 
 Ogum tem seu Exu 
 Oxóssi tem seu Exu 
E assim é com todos os Orixás, com cada um tendo seu (ou os seus) Exu(s). 
 
 
 
 
 
Extraído do Livro: Orixá Exu, Fundamentação do Mistério Exu na Umbanda, Ed.Madras. 
Rubens Saraceni 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Oferenda Orixá Exu 
 
• Toalhas ou panos preto e vermelho; 
• velas preta e vermelha; 
• fitas preta e vermelha; 
• linhas preta e vermelha; 
• pembas preta e vermelha; 
• flores (cravo vermelho); 
 • frutas (manga, mamão, limão); 
• bebidas (aguardente de cana de açúcar, whisky, conhaque) 
• comidas (farofa com carne bovina ou com miúdos de frango, bifes de carne ou de fígado bovino 
fritos em azeite de dendê e com cebolas, bifes de carne ou de fígado bovino temperado com 
azeite de dendê e pimenta ardida). 
 
Observem que mesmo os Exus da Umbanda só pedem em suas oferendas partes de ―aves e de 
animais‖ adquiridos do comércio regular, porque já foram resfriados e tiverem decantadas suas 
energias vitais (vivas), só lhes restando proteínas, lipídios, etc., que é matéria. 
Os elementos animais ―materiais‖ são poderosos atratores de imantações negativas originárias de 
magias terríveis feitas com sacrifício de espécies inferiores (répteis, batráquios, aves, animais, 
etc.). 
Isso que revelamos também fundamenta e justifica o uso de partes de ―animais‖ nas oferendas 
aos Exus, responsáveis pelo auxilio as pessoas ―demandadas‖. 
Se há quem faça o mal, tem de haver quem o desfaça, senão o sofrimento das pessoas vítimas 
deles não cessará. 
Uma das funções da Umbanda, e que se mostrou poderosa e eficiente desde seu início, foi a de 
desmanchar os ―mal-feitos‖ no campo da magia por meio de oferendas feitas na natureza. 
Se houve alguns excessos, eles não diminuíram os méritos dos que fazem o bem aos seus 
semelhantes utilizando o recurso legítimo das oferendas. 
Extraído do Livro: Rituais Umbandistas. Rubens Saraceni, Ed. Madras 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Apêndice um 
Questões teológicas sem a existência do mal 
 
Um professor ateu desafiou seus alunos com esta pergunta: - Deus fez tudo que existe? 
Um estudante respondeu corajosamente: "Sim, fez!" 
- Deus fez tudo, mesmo? 
- Sim, professor, respondeu o jovem. 
O professor replicou: - Se Deus fez todas as coisas, então Deus fez o mal, pois o mal existe, e 
considerando-se que nossas ações são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mal. 
O estudante calou-se diante de tal resposta e o professor, feliz, se vangloriava de haver provado 
uma vez mais que a Fé era um mito. 
Outro estudante levantou sua mão e disse: - Posso lhe fazer uma pergunta, professor? 
- Sem dúvida, respondeu-lhe o professor. 
O jovem ficou de pé e perguntou: - Professor, o frio existe? 
- Mas que pergunta é essa? Claro que existe você por acaso nunca sentiu frio? 
O rapaz respondeu: - Na verdade, professor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que 
consideramos frio, na realidade é ausência de calor. Todo corpo ou objeto pode ser estudado 
quando tem ou transmite energia, mas é o calor e não o frio que faz com que tal corpo tenha ou 
transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam 
inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Criamos esse termo para descrever como nos 
sentimos quando nos falta o calor. 
- E a escuridão, existe? continuou o estudante. O professor respondeu: - Mas é claro que sim. O 
estudante respondeu: - Novamente o senhor se engana, a escuridão tampouco existe. 
A escuridão é na verdade a ausência de luz. Podemos estudar a luz, mas a escuridão não. O 
prisma de Newton decompõe a luz branca nas varias cores de que se compõe, com seus 
diferentes comprimentos de onda. A escuridão não. 
Um simples raio de luz rasga as trevas e ilumina a superfície que a luz toca. Como se faz para 
determinar quão escuro está um determinado local do espaço? Apenas com base na quantidade 
de luz presente nesse local, não é mesmo? Escuridão é um termo que o homem criou para 
descrever o que acontece quando não há luz presente. 
Finalmente, o jovem estudante perguntou ao professor: - Diga, professor, o mal existe? 
Ele respondeu: - Claro que existe. Como eu disse no início da aula, vemos roubos, crimes e 
violência diariamente em todas as partes do mundo, essas coisas são o mal. 
Então o estudante respondeu: - O mal não existe, professor, ou ao menos não existe por si só. O 
mal é simplesmente a ausência de Deus. É, como nos casos anteriores, um termo que o homem 
criou para descrever essa ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a Fé ou o Amor, 
que existem como existe a Luz e o Calor. O mal resulta de que a humanidade não tenha Deus 
presente em seus corações. É como o frio que surge quando não há calor, ou a escuridão que 
acontece quando não há luz." 
 
 
Extraído do Livro: Deus, “Deuses” e Divindades, Alexandre Cumino, Ed. Madras

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