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1 Véu Usos e costumes ou mandamento? 2 Marcelo Victor Nascimento Véu Usos e costumes ou mandamento? Itapetininga – São Paulo 2020 3 VÉU USOS E COSTUMES OU MANDAMENTO? Copyright 2020 Marcelo Victor Nascimento O conteúdo deste livro (textos, ilustrações e imagens) é de inteira responsabilidade do autor e só poderá ser reproduzido com a expressa autorização do mesmo. O contacto com o autor poderá ser feito através do Clube de Autores, pelo site: https://clubedeautores.com.br/livros/autores/marcelo- victor-rodrigues-do-nascimento. Revisão ortográfica e gramatical: André Victor Del Franco Nascimento 1ª Edição – abril de 2020. ISBN: 978-65-00-00371-0 https://clubedeautores.com.br/livros/autores/marcelo-victor-rodrigues-do-nascimento https://clubedeautores.com.br/livros/autores/marcelo-victor-rodrigues-do-nascimento 4 5 Índice Capítulo Primeiro............................................. 07 O relacionamento entre o Criador e as criaturas no pós-queda. Capítulo Segundo............................................. 15 A fé sem obras é morta. Capítulo Terceiro............................................. 23 Deus e os costumes dos povos. Capítulo Quarto............................................... 33 O apóstolo Paulo e os mandamentos de Deus para a igreja. Post-Scriptum.................................................. 53 Referências Bibliográficas............................... 73 6 7 Capítulo Primeiro O relacionamento entre o Criador e as criaturas no pós-queda. “O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado” (Gênesis 3:23). https://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/3/23+ 8 9 O relacionamento entre o Criador e as criaturas no pós-queda. As páginas iniciais das Escrituras Sagradas foram reservadas por Deus para nos revelar, de forma bastante sucinta, como se deu a criação dos Céus e da Terra e de tudo que neles há, e como ocorreu a tentação e queda do homem no pecado (FTB, 2007). Já o restante do Livro Sagrado mostra-nos o contínuo esforço do Criador, ao longo dos séculos, para aproximar-se da humanidade caída, a fim de convencê-la a voltar-se para a Sua pessoa, com o propósito de formar uma “semente de piedosos” (Malaquias 2.15). 10 Antes da queda, a Bíblia nos revela que o relacionamento entre a criatura e o Criador era pessoal (face-a-face), franco e amoroso; já, no pós-queda, tornou-se enigmático e realizado como que por um espelho, sem a imagem exata das coisas, por causa do pecado: “Porque agora vemos por espelho em enigma” (1 Coríntios 13:12). A queda é retratada como um momento de profunda ruptura na relação diária que existia entre Deus e o homem, ao ponto do ser humano ser expulso da presença de Deus e perder, por completo, a visão espiritual, restringindo-se ao mundo material: “O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado” (Gênesis 3:23). Expulsos do Éden, restou, então, a Adão e Eva acreditarem em uma promessa divina de que, das suas entranhas, nasceria um homem que pagaria a dívida da https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/13/12+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/13/12+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/3/23+ 11 desobediência humana, pisaria a cabeça da serpente (o diabo) e restabeleceria o elo perdido entre Deus e seus filhos: “Esta te ferirá a cabeça (da serpente), e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15). Ainda que o Senhor continuasse a prover todos os meios e circunstâncias para a sobrevivência humana na face da Terra, a forma como Ele passou a relacionar-se com suas criaturas depois do pecado nunca mais foi a mesma, deixando de ser por vista (face-a-face), para basear-se em um atributo (transmitido ao homem por ocasião da criação) chamado “fé”: “Porque andamos por fé, e não por vista” (2 Coríntios 5:7). A “fé” passou a representar, então, a maneira de se alcançar a justificação dos pecados, de obter o favor do Senhor e de receber o passaporte de volta ao paraíso perdido por Adão e Eva. Tal atributo https://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/3/15+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/2co/5/7+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/2co/5/7+ 12 caracteriza-se por ser uma firme convicção que brota do coração humano ao som da promessa feita por Deus de restauração de todas as coisas na plenitude dos tempos, conforme nos mostram as Escrituras Sagradas: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17). Contudo, a resposta ao apelo feito pelo Senhor é manifestada de acordo com a escolha de cada ser humano, uma vez que, ao criar os seres humanos à Sua imagem e semelhança, o Senhor concedeu-lhes livre- arbítrio. Tal processo é bem explicado por Jesus na Parábola do Semeador: “Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho. O que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e, chegada a angústia e a https://www.bibliaonline.com.br/acf/rm/10/17+ 13 perseguição, por causa da palavra, logo se ofende; e o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera; mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta” (Mateus 13:19-23). https://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/13/19-23+ 14 15 Capítulo Segundo A fé sem obras é morta. “Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?” (Tiago 2:20) https://www.bibliaonline.com.br/acf/tg/2/20+ 16 17 A fé sem obras é morta. As Escrituras Sagradas mostram que diversos homens do passado foram justificados por Deus (declarados justos), ao longo dos séculos, por causa da fé que manifestaram na promessa de uma pátria vindoura, muitos dos quais ganharam destaque no Livro de Hebreus, no Capítulo 11. Todavia, a Bíblia deixa claro que todos esses homens que creram piamente em Deus, sem exceção, demonstraram, através das obras, que a fé de seus corações era verdadeira. Abraão, por exemplo, não só creu, mas obedeceu à voz de Deus que lhe disse para sair do meio da sua parentela e ir para uma terra 18 estranha, pois das suas entranhas sairia aquele que iria libertar a humanidade do julgo do pecado: “Assim partiu Abrão como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã” (Gênesis 12:4). Pela fé, Abraão e seus filhos habitaram em tendas na terra em que Deus lhes havia apontado, como que esperando uma pátria vindoura onde não haveria mais dor, separação, angústia e morte: “Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hebreus 11:9,10). Moisés é outro exemplo de um crente cujas obras aperfeiçoaram a fé do seu coração: “Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, https://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/12/4+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/hb/11/9,10+ 19 do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo pormaiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa” (Hebreus 11:24-26). Assim como Abraão, Moisés deixou o conforto e a segurança que tinha no Egito, e partiu, em meio ao deserto, para a terra que Deus lhe prometera dar: “Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível” (Hebreus 11:27). Todos esses homens não se restringiram às palavras, mas traduziram a fé em obras, cumprindo aquilo que Tiago disse em sua epístola universal: “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? ... Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tiago 2:14- 17). https://www.bibliaonline.com.br/acf/hb/11/24-26+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/hb/11/24-26+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/hb/11/27+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/hb/11/27+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/tg/2/14-17+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/tg/2/14-17+ 20 Por isso, dizer que basta crer para estar justificado parece não condizer com a realidade das Escrituras Sagradas: “Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé” (Tiago 2:24). Assim sendo, é imperioso dar ouvidos aos mandamentos entregues pelo Espírito Santo à igreja, percebendo que eles não são meros enfeites, mas tratam-se de preceitos que devem ser observados (como prova da fé), para que a justificação ocorra: “Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor” (1 Coríntios 14:37). Sem obediência aos preceitos de Deus, por mais insignificantes que pareçam, a fé cristã não condiz com uma fé salvadora, mas com uma fé que é morta em si mesma, sem vida. A fé salvadora é aquela que regenera o coração e resulta em uma vida transformada, como https://www.bibliaonline.com.br/acf/tg/2/24+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/14/37+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/14/37+ 21 nos assegurou o divino Mestre: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:15,16). Uma conversão genuína, necessariamente, impele o cristão à obediência dos preceitos divinos, revelados pelo Espírito Santo através dos santos homens de Deus, que ajuda na justificação e conduz à salvação eterna. Contudo, a Bíblia mostra, ainda, que existe o risco real de recaída. Há casos concretos, ditos pelo apóstolo Pedro, de pessoas que acabaram por desviarem-se da fé mesmo depois de convertidos, e acabaram perdendo a salvação: “No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, https://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/7/15,16+ 22 trazendo sobre si mesmos repentina destruição” (2 Pedro 2:1). Portanto, as palavras de Tiago, mencionadas anteriormente, mostram que a justificação baseia-se na fé e nas obras, queira o homem admitir ou não, a não ser que se perverta o texto bíblico: “Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé” (Tiago 2:24). https://www.bibliaonline.com.br/nvi/2pe/2/1+ https://www.bibliaonline.com.br/nvi/2pe/2/1+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/tg/2/24+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/tg/2/24+ 23 Capítulo Terceiro Deus e os costumes dos povos. “Ouvirão todos estes estatutos, e dirão: Este grande povo é nação sábia e entendida” (Deuteronômio 4:5,6). https://www.bibliaonline.com.br/acf/dt/4/5,6+ 24 25 Deus e os costumes dos povos. O Senhor Deus, ao longo da história, escolheu um povo para anunciar às demais nações as virtudes do século vindouro, vindas de um Deus justo e amoroso, criador dos Céus e da Terra, que deseja que todos os homens venham a conhecê-Lo e possam se salvar da ira que está para ser revelada no fim dos tempos contra toda a impiedade: “...quem vos ensinou a fugir da ira vindoura?” (Mateus 3:7). Para tanto, o povo escolhido foi alertado exaustivamente a deixar os costumes dos demais povos, jamais se misturando com suas tradições e https://www.bibliaonline.com.br/aa/mt/3/7+ 26 preceitos, tidos, por Deus, como abomináveis, como especificam os seguintes versículos: “Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual vos levo, nem andareis nos seus estatutos. Fareis conforme os meus juízos, e os meus estatutos guardareis, para andardes neles. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Levítico 18:3-5); “Guarda-te, que não te enlaces seguindo-as, depois que forem destruídas diante de ti; e que não perguntes acerca dos seus deuses, dizendo: Assim como serviram estas nações os seus deuses, do mesmo modo também farei eu. Assim não farás ao Senhor teu Deus; porque tudo o que é abominável ao Senhor, e que ele odeia, fizeram eles a seus deuses; pois até seus filhos e suas filhas queimaram no fogo aos seus deuses” (Deuteronômio 12:30-31). https://www.bibliaonline.com.br/acf/lv/18/3-5+ 27 “Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás” (Deuteronômio 12:32). Em parte alguma do Velho Testamento, está dito que o Senhor Deus estabeleceu preceitos baseados em tradições dos povos pagãos ou determinou que seu povo se adaptasse aos costumes de tais povos. Pelo contrário, o povo de Deus sempre foi orientado a santificar-se (separar-se do mundo), a fim de servir como modelo para as nações, atraindo-as para as boas novas do Evangelho: “Vedes aqui vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o Senhor meu Deus; para que assim façais no meio da terra a qual ides a herdar. Guardai-os pois, e cumpri-os, porque isso será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos, https://www.bibliaonline.com.br/acf/dt/12/30-32+ 28 que ouvirão todos estes estatutos, e dirão: Este grande povo é nação sábia e entendida” (Deuteronômio 4:5,6). Na era cristã não foi diferente, o Espírito Santo revelou aos apóstolos e demais escritores bíblicos os preceitos que deveriam ser seguidos pela igreja, a fim de que ela servisse como modelo às nações gentílicas: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9). Jesus Cristo foi o maior exemplo de combate aos “usos e costumes”, os quais eram ensinados pelos fariseus e por outras seitas da Sua época, que serviam tão somente para pôr peso nas pessoas e afastá-las ainda mais de Deus, sem que os próprios formuladores dessas tradições pudessem suportá-los: “Por que vocês desobedecem aos mandamentos de Deus, seguindo https://www.bibliaonline.com.br/acf/dt/4/5,6+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/1pe/2/9+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/1pe/2/9+ 29 as suas próprias tradições?... Toda planta que meu Pai que está no céu não plantou será arrancada. Não se preocupem com eles (com os fariseus), pois são cegos, guiando outros cegos. E se um cego guiar outro cego, ambos cairão no abismo!” (Mateus 15:3,13). O apóstolo Paulo seguiu exatamente as pisadas do Mestre, sendo um ferrenho combatedor das doutrinas e pensamentos sectários, que primavam por criar “usos e costumes” contrários à liberdade para qual Deus chamou os cristãos: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar- vos debaixo do jugo da servidão” (Gálatas 5:1). Portanto, não há fundamento em afirmar que alguma tradição pagã tenha sido o motivo dos escritores bíblicos, inspiradospelo Espírito Santo, escreverem este ou aquele mandamento cristão voltado exclusivamente para uma determinada https://www.bibliaonline.com.br/acf/gl/5/1+ 30 comunidade, sem sequer mencionar tal fato no próprio texto bíblico. É o que muitos alegam a respeito da primeira parte de 1 Coríntios 11, que trata do uso do véu pelas mulheres cristãs e de outros preceitos para ambos os sexos. O que sabemos é que os escritores bíblicos foram inspirados por um Deus, de quem a sabedoria é aluna (aprende com Ele). Ou seja, estamos a falar um ser que sabe, melhor do que ninguém, guardar coerência entre os livros, capítulos e versículos das Escrituras Sagradas, respeitando, como ninguém, as regras de interpretação bíblica, pois foi Ele próprio quem deu sabedoria aos homens que criaram tais regras (Provérbios 8:30). Além disso, o Senhor nos orienta a não irmos além daquilo que está escrito no Livro Sagrado, não acrescentando nem tirando absolutamente nada dele, 31 sob pena de receber um severo castigo, fato que comprova e ressalta a coerência divina em absolutamente tudo que faz e escreve pelo Espírito Santo (Provérbios 30:5-6; 1 Coríntios 4:6). Portanto, impor acontecimentos históricos aos Textos Sagrados, sob qualquer pretexto, é um erro grosseiro e, por que não dizer, um pecado terrível, uma vez que, seria como se colocássemos em pé de igualdade um texto inspirado pelo Espírito Santo e outro não inspirado, cuja origem não se pode comprovar e o teor não se pode garantir a veracidade. Não estamos pregando, com isso, que os fatos históricos não têm utilidade e devem ser completamente ignorados, até porque, Deus é também o Senhor da história. No entanto, obrigar a Bíblia a dizer o que Ela não diz, pervertendo o 32 sentido dos textos é uma violência contra o Senhor Deus e Sua perfeição. 33 Capítulo Quarto O apóstolo Paulo e os mandamentos de Deus para a igreja. “Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça, porque é a mesma coisa como se estivesse rapada” (1 Coríntios 11:5). 34 35 O apóstolo Paulo e os mandamentos de Deus para a igreja. Há passagens das Escrituras Sagradas que costumam ser relegadas a segundo plano, mas que são fundamentais para a vida cristã. Uma delas, segundo o que se observa nas pregações e publicações, é 1 Coríntios 14:37, que ensina que tudo que o Espírito Santo determinou que Paulo escrevesse era mandamento de Deus para Sua igreja, nos seguintes termos: “Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor” (1 Coríntios 14:37). https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/14/37+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/14/37+ 36 Salvo erro, tal passagem mostra, de forma clara, que, mesmo que o homem queira adaptar alguns ensinamentos dados pelo Espírito Santo, no Novo Testamento, ao momento histórico que a sociedade vive, ainda assim, todas as palavras de Paulo são MANDAMENTOS do Senhor para a igreja de Cristo. Embora essa carta fosse voltada para a comunidade dos crentes que vivia na cidade grega de Corinto, a Bíblia Sagradas nos revela, em algumas passagens, que as cartas dos escritores bíblicos tratavam de assuntos voltados pata TODAS as igrejas de TODAS as eras, exatamente como os quatro Evangelhos. Os escritores bíblicos tinham a exata noção de que seus escritos eram universais e que serviam para a igreja de Deus de todas as localidades e épocas, pois eles diziam, nas cartas, que elas deviam ser lidas em 37 outras igrejas, ou as remetiam para duas ou mais igrejas, conforme os seguintes versos: “Depois que esta carta tiver sido lida entre vós, fazei-a ler também na Igreja de Laodiceia. Lede vós também a que escrevi aos de Laodiceia” (Colossenses 4,16); “Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os santos irmãos” (1 Tessalonicenses 5:27); “Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” (2 Tessalonicenses 2:15); “Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus. Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da fornicação, do que é sufocado e do sangue... Tendo eles então se despedido, partiram para Antioquia e, ajuntando a multidão, entregaram a carta” (Atos 15:19,20,30); https://www.bibliaonline.com.br/acf/1ts/5/27+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/1ts/5/27+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/2ts/2/15+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/atos/15/30+ 38 “Tiago, servo de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que andam dispersas, saúde” (Tiago 1:1); “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia” (1 Pedro 1:1); “O ancião à senhora eleita, e a seus filhos, aos quais amo na verdade, e não somente eu, mas também todos os que têm conhecido a verdade” (2 João 1:1); “Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, santificados em Deus Pai, e conservados por Jesus Cristo” (Judas 1:1); Essas informações são valiosíssimas quando se quer analisar algum texto bíblico controverso, como a passagem que trata do uso do véu pelas mulheres cristãs, pois muitos alegam que tal passagem serve https://www.bibliaonline.com.br/acf/tg/1/1+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/tg/1/1+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/1pe/1/1+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/2jo/1/1+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/jd/1/1+ 39 apenas para aquela comunidade de Corinto. O que consiste em um erro clamoroso! Ao longo dos séculos, muitas especulações têm sido feitas acerca do uso do véu pelas mulheres cristãs, ao ponto de alguns estudiosos sugerirem que Paulo tenha tido a ousadia de perder tempo e gastar tinta para estabelecer “usos e costumes”, quando ele era um ferrenho combatedor dos mesmos (1 Timóteo 4:1-3; Colossenses 2:20-23; Gálatas 2:3-21; Gálatas 5:2) . Claro que Paulo poderia fazê-lo, se quisesse, mas, como há uma coerência total e absoluta em tudo que ele fez quando escreveu as Sagradas Letras, por certo, ele teria deixado explícito na própria carta, que tal passagem aplicava-se única e exclusivamente à igreja de Corinto, mencionando, inclusive, os motivos. Até porque, ele escreveu inspirado por um ser 40 perfeito, sobre o qual a Bíblia diz: “Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz” (1 Coríntios 14:33). No entanto, como foi dito anteriormente, embora fosse endereçada à comunidade de Corinto, não há nada, no capítulo, que diga que tal passagem, e as outras do livro, eram exclusivas para a igreja de Corinto, muito menos que visavam preservar tal comunidade das tradições pagãs daquela cidade grega. Ao contrário, os versos do Capítulo 11 apresentam algumas razões que são claramente universais e transcendentais para o uso do véu, pois envolvem homens, mulheres e anjos. Outrossim, muitos teólogos que se arriscam a descaracterizar as palavras apostólicas de 1 Coríntios 11, dizendo que era algo “cultural”, não sabem explicar, culturalmente, por exemplo, os mandamentos relativos aos homens cristãos feitos por Paulo na 41 mesma passagem. Via de regra, a maior parte dos críticos nem sequer comenta esse detalhe, pois não há fundamento histórico algum para tal. Paulo inicia o capítulo elogiando os irmãos, pois os coríntios cumpriam os preceitos que o Espírito Santo havia estabelecido: “E louvo-vos, irmãos, porque em tudo vos lembrais de mim, e retendes os preceitos como vô-los entreguei” (1 Coríntios 11:2). Isso, por si só, já era suficiente para que o apóstolo não perdesse mais tempo falando do assunto, pois, ao cumpriros mandamentos, os coríntios demonstravam que sabiam perfeitamente quais eram os motivos para cumpri-los. Ou seja, pra que perder tempo (14 versículos) explicando algo que era entendido e obedecido? Não há coerência nisso. O v.17 confirma tal pensamento, pois, no que se refere à ceia do Senhor (segunda parte do capítulo), https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/11/2+ 42 Paulo reprovou as atitudes dos coríntios, justificando os 18 (dezoito) versículos que ele usou para ensinar o procedimento correto que eles deveriam ter para cumprir tal sacramento, dizendo o seguinte: “Nisto, porém, que vou dizer-vos não vos louvo” (1 Coríntios 11:17). Como foi dito anteriormente, ainda que os coríntios cumprissem os preceitos relativos ao cabelo e à cobertura da cabeça nos cultos e orações (v.2), Paulo continuou escrevendo sobre o tema por mais 14 versos, o que sugere que ele o fez porque sabia que essa carta seria lida em outras igrejas ao longo dos séculos. Não há outra explicação lógica para isso. A partir do v.2, Paulo apresenta três razões fundamentais para que o homem não cubra a cabeça nos momentos litúrgicos (cultos e orações) e para que a mulher o faça, não tendo relação com capacidade, https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/11/17+ 43 valor ou utilidade, mas com a hierarquia da criação, quais sejam: PRIMEIRA RAZÃO: o homem é o cabeça da mulher e, portanto, deve apresentar-se diante de Deus descoberto; já a mulher deve cobri-la, reconhecendo a autoridade do homem (v.3); SEGUNDA RAZÃO: o homem é a imagem e glória de Deus, mas a mulher, ao contrário, é a glória do varão e não de Deus (v.7); TERCEIRA RAZÃO: o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher, sim, foi criada por causa do varão (v.8 e v.9); No entanto, se ainda houvesse dúvidas acerca das razões divinas para tal mandamento, Paulo apela para a própria natureza, afirmando que ela nos ensina que é uma desonra para o homem ter o cabelo 44 crescido (dentro e fora dos cultos), mas, para a mulher, os cabelos longos lhe são honrosos (v.14 e v.15). Em outras palavras, Paulo está explicando à igreja que a natureza nos ensina que homens e mulheres devem ter posturas e condutas diferentes em alguns aspectos e momentos, para que possam agradar a Deus. Por essa razão, é possível entender que os mandamentos de 1 Coríntios 11 são mais profundos do que se imagina, tratando-se de questões morais e não simplesmente de aparência física, visto que Deus abomina homens que se comportam como mulheres e mulheres que se comportam como homens, tendo, no passado, destruído 5 (cinco) cidades por causa do pecado de violar a natureza sexual: “Ora, eram maus os homens de Sodoma, e grandes pecadores contra o Senhor... Então o Senhor fez chover 45 enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra; e destruiu aquelas cidades e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra” (Gênesis 13:13; Gênesis 19:24,25). Portanto, em dois versículos (v.14 e v.15), Paulo reforçou a necessidade das posturas diferentes entre homens e mulheres (nos cultos e no dia-a-dia), como forma da igreja testemunhar ao mundo acerca dos padrões morais do Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó: “...e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra!” (Atos 1:8). Em Apocalipse, o Senhor mais uma vez destaca a importância da diferenciação entre os sexos, quando fala da aparência de algumas figuras simbólicas (gafanhotos) que usará para levar desgraça aos rebeldes, nos seguintes termos: “E o parecer dos https://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/19/24,25+ 46 gafanhotos era semelhante ao de cavalos aparelhados para a guerra... os seus rostos eram como rostos de homens. E tinham cabelos como cabelos de mulheres” (Apocalipse 9:7,8). Um detalhe normalmente ignorado pelos teólogos que interpretam 1 Coríntios 11 é que Paulo, nos v.4 e v.5, usa as expressões TODO homem e TODA mulher, mostrando-nos que os mandamentos dados pelos Espírito Santo destinavam-se para TODAS AS COMUNIDADES CRISTÃS em todas as eras. Isto porque, no v.3, Paulo usa a mesma construção para mostrar que Cristo é o cabeça de TODO homem: “Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo homem” (1 Coríntios 11:3). Duvido que, em sã consciência, alguém tenha a capacidade de dizer que esse versículo (v.3) tratava apenas dos homens de Corinto, supondo que somente eles possuíam Jesus Cristo como cabeça. https://www.bibliaonline.com.br/acf/ap/9/7,8+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/11/3+ 47 Assim sendo, quando o Senhor Deus diz que TODA mulher deve usar véu, ele refere-se a TODAS AS MULHERES CRISTÃS até os nossos dias. No v.10, Paulo menciona os “anjos” como uma das razões para a mulher cobrir a cabeça nos cultos e orações, dizendo que a cobertura era um “sinal de poderio” por causa deles (os anjos). Será que tal afirmação não é uma prova irrefutável de que os mandamentos desse capítulo não tinham nada a ver com algo cultural, uma vez que os “anjos” estão presentes na caminhada do povo de Deus em todas as eras? Aliás, a relação entre “véu” e “anjos” não é exclusiva dessa carta de Paulo, pois o próprio Mestre fez menção a ela em uma de Suas falas, mostrando- nos que se trata de algo real e concreto, em todo tempo e lugar: “E digo-vos que todo aquele que me confessar 48 diante dos homens também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus. Mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus” (Lucas 12:8,9). Há ainda mais quatro passagens que tratam da relação íntima entre a igreja e os anjos de Deus, dizendo que os cristãos são espetáculo para os tais, os quais (“anjos”) serão inclusive julgados pela igreja: “Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens” (1 Coríntios 4:9); “Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus” (Efésios 3:10); “Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos https://www.bibliaonline.com.br/acf/lc/12/8,9+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/lc/12/8,9+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/4/9+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/4/9+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/ef/3/10+ 49 foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” (1 Pedro 1:12); e “Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus” (Mateus 18:10). No Velho Testamento, há uma passagem bastante clara que mostra que, desde os tempos antigos, as mulheres do povo de Israel, quando iam se apresentar diante de Deus, tinham por hábito cobrir cabeça: “Então o sacerdote apresentará a mulher perante o Senhor, e descobrirá a cabeça da mulher” (Números 5:18). No v.15, Paulo usa a afirmação de que o “cabelo” havia sido dado para a mulher “em lugar de véu”, algo muito usado por alguns teólogos para dizer https://www.bibliaonline.com.br/acf/1pe/1/12+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/18/10+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/nm/5/18+ 50 que a mulher não precisa cobrir a cabeça, uma vez que o cabelo substitui o véu. Mas, se analisarmos todo o contexto (todos os versos do capítulo), logo veremos que Paulo não mandaria a mulher cobrir a cabeça no v.6 e depois daria uma ordem contrária no v.15. Não há coerência nisso! Aliás, se o cabelo substituísse o véu, o próprio v.6 perderia completamente o sentido, uma vez que tal verso fala dedois tipos de cobertura, o CABELO (cobertura natural) e o VÉU (cobertura física): “Se a mulher não se cobre com véu (uma cobertura física), tosquie-se também (corte o cabelo). Mas, se para a mulher é coisa indecente o tosquiar-se ou rapar-se (cortar o cabelo natural), que ponha o véu (cobertura física)” (1 Coríntios 11:6). Assim sendo, definitivamente, o v.15 não diz que o cabelo longo substitui o véu. https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/11/6+ https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/11/6+ 51 Outra coisa curiosa é o fato de os teólogos aceitarem como mandamento universal a correção que Paulo faz sobre a ceia do Senhor e não aceitar o uso do véu como doutrina para as igrejas cristãs, ainda que os dois assuntos estejam no mesmo capítulo. É no mínimo curioso, pra não dizer incoerente. Assim sendo, parece estar claro que o Senhor, no capítulo 11 de primeira Coríntios, estabeleceu uma doutrina para todas as igrejas cristãs, a qual deve ser observada por aqueles que fazem profissão de agradar a Deus, especialmente para os que não possuem o costume de contender acerca dos preceitos impostos pelo Espírito Santo: “Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus” (1 Coríntios 11:16). https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/11/16+ 52 53 Post-scriptum “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2 Timóteo 4:3,4). https://www.bibliaonline.com.br/acf/2tm/4/3,4+ 54 55 Post-scriptum No transcorrer deste livro, não foram evocados os fatos históricos como um argumento favorável à tese de que Paulo, em 1 Coríntios 11, ensinou às igrejas de Deus que homens e mulheres devem ter posturas diferenciadas ao se apresentarem diante de Deus nos cultos e orações. Contudo, julgo oportuno mencionar o fato de que são inúmeros os relatos de religiosos da época da igreja primitiva que mostram que as mulheres cristãs usavam véu nos cultos e orações em obediência aos preceitos estabelecidos pelo apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 11 (Menezes, 2015). 56 O Bispo Carlos Oliveira, da Igreja Quinta do Conde, apresenta, na matéria “O véu feminino tem, ou não base bíblica?”, algumas fotos de desenhos feitos nas paredes das catacumbas de Roma, no tempo da perseguição dos cristãos, que trazem as mulheres cristãs com a cabeça coberta. Ainda que não sejam a última palavra no assunto, tais registros, assim como os desenhos egípcios nas pirâmides, não deixam de ser um fato histórico relevante do ponto de vista arqueológico (Oliveira, 2018). Além das referidas fotos, o Bispo Oliveira cita, em tal matéria, as seguintes palavras de teólogos, escritores e líderes católicos influentes que viveram na época pós-apostólica: TERTULIANO (160-222 d.C.), um teólogo, escritor e líder da igreja romana, escreveu que não só as mulheres casadas, senão também as virgens 57 usavam o véu nas igrejas que foram estabelecidas na época apostólica; CLEMENTE (150-215 d.C.), um escritor, teólogo e apologista, disse que é desejo da Palavra que a mulher ore com a cabeça coberta; JERÔNIMO (347-420 d.C.), um teólogo, historiador e sacerdote católico, também defendeu a cabeça da mulher coberta com véu; AGOSTINHO (354-430 d.C.), um teólogo e filósofo, escreveu, na sua Carta CCXLV, que as mulheres não deviam ter as suas cabeças descobertas uma vez que “o apóstolo ordena às mulheres que cubram as suas cabeças”; JOÃO CRISÓSTOMO (347-407 d.C.), um dos mais importantes patronos e pregador do catolicismo primitivo, testemunha que também na sua época todas as mulheres usavam o véu e escreve 58 sobre o assunto na sua Homilia XXVI explicando através de 1 Coríntios 11 como as mulheres deveriam cobrir a cabeça; HIPÓLITO (170-236 d.C.), um importante teólogo e líder da igreja em Roma, por volta do ano 200, compilou um registo de vários costumes e práticas na igreja das gerações que o precederam, considerando, em seu livro Tradição Apostólica, as declarações de que os primeiros cristãos praticavam exatamente o que está dito em 1 Coríntios 11, tanto na Europa, quanto no Médio Oriente, no Norte de África ou no Extremo Oriente.” [Tradição Apostólica de Hipólito]. Como se não bastassem tais testemunhos históricos, o próprio reformador protestante Martin Lutero ensinou que o uso do véu pelas mulheres cristãs era mandamento de Deus, de tal sorte que a sua 59 própria esposa, Katharina Von Bora, o observava: “As mulheres devem... cobrir-se com um véu por causa dos anjos” (Oliveira, 2019). A própria igreja católica assume que se tratou de um preceito tradicional do cristianismo e que, aos poucos, foi tido como algo ligado à cultura, sendo, em 1983, abolido completamente, com a reforma do Código Canônico, realizada por João Paulo II (Azevedo, 2012). Tais verdades históricas podem ser encontradas em um vídeo de um sacerdote católico de renome, o Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr., o qual disse, no vídeo, ter feito, pessoalmente, uma pesquisa nos documentos da igreja católica, descobrindo que as mulheres cristãs usavam véu nas missas desde os primórdios do catolicismo romano (Azevedo, 2012). O referido Padre chama a atenção, no vídeo, para o fato do apóstolo Paulo relacionar o véu com a 60 palavra “glória” (v.7), desvinculando seu uso de algo cultural, próprio da época em que a carta foi escrita, pois, segundo ele, em todas as eras, o cabelo sempre foi um componente de muito orgulho (“glória”) e cuidado por parte do sexo feminino, além de ser uma forma das mulheres expressarem a beleza interior. Assim sendo, segundo o Padre Paulo Ricardo, quando a mulher vai à igreja para a adoração, ela deve “cobrir a sua glória, a fim de dá-la unicamente a Deus”, pois encontra-se em companhia de homens e de anjos, os quais estão presentes nos cultos, conforme mostra a Bíblia Sagrada (Salmo 34:7; Hebreus 12:22-23; Apocalipse 8:3; Atos 138:1). Em outras palavras, o sacerdote católico quer dizer que, ao cobrir a cabeça, a mulher realiza o ato de ESCONDER sua “glória”, fazendo-o de uma forma ritualística e visível, algo que é próprio da liturgia dos cultos, nos quais os gestos e os vestuários significam 61 uma maneira concreta de externar uma atitude interior (Ricardo, 2012). Segundo o escritor católico tradicional Peter Andrew Kwasniewski, foi o Concílio Vaticano II, realizado de 1962 a 1965, que trouxe mudanças visíveis e sutis para o seio da igreja romana, as quais afetaram significativamente a forma com que os católicos compreendiam a fé (Kwasniewski, 2020). Umas dessas mudanças, segundo Peter Kwasniewski, foi exatamente a “extinção quase que completa do uso do VÉU (grifo meu) pelas mulheres, quando estão em momento de oração” (Kwasniewski, 2020). Antes do Concílio Vaticano II, quando alguém entrava na igreja para assistir a uma missa, podia contemplar “todas as mulheres com a cabeça coberta, fosse por boinas, gorros, véus ou toalhas de renda”, afirma Peter Kwasniewski. 62 Para tal escritor católico, o uso do véu possui os seguintes significados: O “sinal de poderio” representado pelo véu faz um paralelo com a atitude dos anjos de cobrirem o rosto quando entravam na presença de Deus, demonstrando um profundo respeito e reverência à Sua autoridade suprema (Isaías 6:1-3); O véu, e qualquer outro símbolo associado à mulher, deve ser considerado como um verdadeiro abandono da vontade própria para submeter-se à vontade de Deus, e, assim, esmagar a cabeça da serpente, da mesma forma que Jesus venceu a satanás com Suamorte; O véu é um símbolo de consagração e autossacrifício, mostrando que, assim como Cristo submeteu-se ao Pai, a mulher está sob o poder e proteção do seu marido, de forma que, no local de 63 culto, ela traz um sinal exterior de uma verdade interior (a vocação de esposa); O véu é um simples objeto que traz uma realidade espiritual profunda, à medida que permite à mulher viver sua vocação de mãe e esposa de modo mais pleno; O véu reforça o chamado natural e sobrenatural da mulher para ser esposa de Cristo, na vida religiosa, e do marido, em um casamento cristão, fortalecendo, assim, a “tradição apostólica da hierarquia familiar” e combatendo a desintegração da família; O véu, ao invés de um sinal de opressão das mulheres, é um sinal de um amor genuíno e comprometido, assim como a cruz é o maior sinal de amor dado à humanidade; e O véu tem razões práticas, tais como: evitar distração durante a liturgia, permitir uma 64 privacidade (estar a sós com o Senhor) e chamar a atenção de todos para o fato de que a razão de estar na igreja é adorar a Deus e não para um convívio social. A verdade é que, quando se lê algumas matérias publicadas por teólogos sobre o uso do véu, percebe- se que a maioria deles simplesmente reproduz os conhecimentos que obtiveram com outros estudiosos. Em suas análises, via de regra, percebe-se que a maior parte não possui a sensatez de esclarecer o público sobre o fato de que as cristãs da igreja primitiva usavam o véu nos cultos e orações (Menezes, 2015). Pelo contrário, grande parte dos teólogos nem cita o uso do véu pelas mulheres cristãs do primeiro século e condicionam seus ouvintes a crerem somente nos fatos históricos que eles apresentam como 65 justificativa para suas posições teológicas, ou seja, os supostos costumes pagãos da cidade grega de Corinto. É o caso, por exemplo, do Centro Apologético Cristão de Pesquisa (CACP), que, vez ou outra, publica matérias e vídeos que garantem que Paulo, em 1 Coríntios 11, preocupou-se com “usos e costumes”, mesmo sendo um ferrenho combatedor desse tipo de heresia (Martinez, 2018). Eles esquecem-se dos seguintes argumentos importantes acerca do assunto: Paulo está tratando de uma cobertura apenas para os momentos litúrgicos e não para a vida diária das mulheres cristãs, diferentemente do que sugere a CACP, que quer, a todo custo, convencer os ouvintes de que o apóstolo falava de um “costume diário”; Paulo, por coerência, jamais imporia um “costume judaico”, do dia-a-dia, para mulheres 66 gregas, que não tinham por hábito cobrir a cabeça na sua vida diária normal; Paulo cita um “sinal de poderio” que a mulher cristã deveria trazer sobre a cabeça por causa dos ANJOS (grifo do autor), não tendo qualquer relação com “costumes locais”. Alguns teólogos que criticam o uso do véu, argumentam que a palavra “anjo”, do v.10, diz respeito a “autoridade do marido”, e que, portanto, Paulo está mostrando que um “costume social judaico” foi trazido para dentro da igreja de Cristo, formada por mulheres gregas. De tal forma que, para não causar escândalo, Paulo viu-se obrigado a fazer uma espécie de “acomodação” (Martinez, sem data). No entanto, tal argumento é falho logo de partida, pois o apóstolo Paulo não aceitava, em hipótese alguma, a imposição de costumes judaicos à 67 igreja cristã, tendo resistido face-a-face ao apóstolo Pedro por causa disso conforme o seguinte verso: “Você é judeu, mas vive como gentio e não como judeu. Portanto, como pode obrigar gentios a viverem como judeus?” (Gálatas 2:11-14). Outrossim, se o mandamento falava da “autoridade do marido”, o que fazer com as mulheres que não eram casadas? Outros teólogos, em seus devaneios teológicos, chegam a afirmar que o fato de tal assunto ser citado uma única vez nas Escrituras Sagradas é a prova irrefutável de que o uso do véu não pode ser tomado como uma doutrina cristã. Contudo, eles se esquecem de que a doutrina dos mil anos (o “milênio”), registrada em Apocalipse 20, também é mencionada uma única vez na Bíblia, sem, contudo, ser desconsiderada como algo doutrinário (Apocalipse 20). A grande verdade é que a diferença de postura e conduta entre os sexos parece ser algo de muita 68 importância do ponto de vista divino, ao ponto do Senhor impor, por exemplo, um papel secundário para a mulher nos cultos e orações, tendo, como justificativa, o fato da mulher ter sido a primeira a transgredir, e não o homem: “A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão” (1 Timóteo 2:11-14). Se analisarmos com cuidado o argumento apresentado por Paulo para a submissão da mulher, na passagem anterior, não será difícil perceber que ele guarda uma certa similaridade com os argumentos apresentados por Paulo no caso do uso do véu, tratando-se, coincidentemente, de dois assuntos bastante polemizados nas igrejas atuais. https://www.bibliaonline.com.br/acf/1tm/2/11-14+ 69 Será que a polêmica que existe em torno desses dois temas, os quais tratam justamente da diferenciação dos sexos (“a submissão da mulher” e “o uso do véu”), não seria um sinal de que ambos são, de fato, mandamentos divinos legítimos? Parece-me correto entender dessa forma, pois o processo de masculinização das mulheres e feminilização dos homens encontra-se em escala muito avançada nas sociedades atuais, sendo, provavelmente, o real motivo da verdadeira repulsa que a maioria das pessoas manifesta quando se fala em regras para diferenciação entre os sexos Para aqueles que insistem em fechar os olhos para a terrível influência que o movimento feminista tem exercido na sociedade moderna, trazendo a destruição dos valores cristãos, seria bom refletir nas seguintes palavras do pintor e escritor Jeremy 70 Gardener, extraídas do livro “A cobertura feminina: uma prática cristã esquecida para os tempos modernos”: “Na América do Norte, a cobertura feminina usava-se em praticamente todas as igrejas até ao início do século XX. Esta data é interessante porque coincide com a primeira onda do feminismo. Embora a prática continuasse na maioria das igrejas, desse tempo adiante, tornou-se num símbolo em declínio. Depois, nos anos 60 e 70, o número de mulheres que o praticavam caiu radicalmente. Mais uma vez, isso coincidiu com outro movimento do feminismo. Durante a década de 1960, o Women’s Liberation Movement (Movimento de Libertação das Mulheres) varreu a América. O leitor talvez de interrogue se a ligação entre o feminismo e o declínio do uso do véu feminino é uma mera coincidência. Sabemos que não foi uma coincidência porque as feministas fizeram esforços organizados para tentar erradicar o símbolo. Elas entendiam que uma mulher que cobria a sua cabeça era um símbolo da sua submissão à autoridade masculina, e odiavam isso.” (IQC, 2019). . 71 Para finalizar, um detalhe fundamental que pode nos ajudar a elucidar a questão é o fato dos teólogos tratarem com avidez sobre a parte feminina do mandamento, mas esquecerem-se completamente dos motivos que levaram o apóstolo Paulo a estabelecer uma doutrina para os homens cristãos de Corinto. Não há qualquer explicação teológica, seja cultural ou de qualquer espécie, para os versos que tratam da postura e conduta masculina dos cristãos de Corinto, o que comprova a tendenciosidade dos argumentos da maioria dos teólogos que combatem o uso do véu pela igreja. Fica o alerta para que os leitores da Bíblia não ouçam apenas um lado da história e não creiam fielmente nas interpretações dostextos bíblicos deste ou daquele escritor, mas ajam como os crentes de Beréia, que conferiam pessoalmente, nas Escrituras 72 Sagradas, tudo aquilo que os pregadores diziam, para ver se estava de acordo com o texto bíblico (Atos 17:11). Que Deus nos abençoe a todos e nos faça entender e aceitar, com humildade, a voz do único Mestre: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama” (João 14:21). https://www.bibliaonline.com.br/acf/jo/14/21+ 73 Referências Bibliográficas 1. AZEVEDO, P.R.Jr. É permitido o uso do véu na igreja? Vídeo do Website padrepauloricardo.org, 22 dez. 2012. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=psth8iWlee4&feature=emb_title. Acesso em: 22 fev. 2020. 2. BÍBLIA SAGRADA. Velho e Novo Testamentos. Bíblia On-line, Versões Almeida Corrigida e Fiel/Nova Versão Internacional/Nova Almeida Atualizada. Disponíveis em: https://www.bibliaonline.com.br/. Acesso em: 01 a 30 fev. 2020. 3. FACULDADE TEOLÓGICA BETESDA (FTB). Origem do pecado na raça humana. Curso de Teologia Fundamental. Jundiaí: Editora Betesda, 2007. 4. IGREJA EM QUINTA DO CONDE (IQC). Quando, e porque, muitas mulheres cristãs deixaram de usar o véu? IQC, 2019. Disponível em: https://iqc.pt/edificacao/ensino/doutrinal/14806-quando-e-porque- foi-o-ponto-de-viragem-do-uso-do-veu?fbclid=IwAR3eXMPJSFdNijKqn 65 ZfcMZzVMNGD2AtW4awRrejMuHEVQaeqren5bMZQI. Acesso em 30 mai. 2020. https://www.youtube.com/watch?v=psth8iWlee4&feature=emb_title https://www.bibliaonline.com.br/ https://iqc.pt/edificacao/ensino/doutrinal/14806-quando-e-porque-foi-o-ponto-de-viragem-do-uso-do-veu?fbclid=IwAR3eXMPJSFdNijKqn%2065%20ZfcMZzVMNGD2AtW4awRrejMuHEVQaeqren5bMZQI https://iqc.pt/edificacao/ensino/doutrinal/14806-quando-e-porque-foi-o-ponto-de-viragem-do-uso-do-veu?fbclid=IwAR3eXMPJSFdNijKqn%2065%20ZfcMZzVMNGD2AtW4awRrejMuHEVQaeqren5bMZQI https://iqc.pt/edificacao/ensino/doutrinal/14806-quando-e-porque-foi-o-ponto-de-viragem-do-uso-do-veu?fbclid=IwAR3eXMPJSFdNijKqn%2065%20ZfcMZzVMNGD2AtW4awRrejMuHEVQaeqren5bMZQI 74 5. KWASNIEWSKI, PETER. A teologia por trás do uso do véu na igreja. Cristo Nihil Praeponere, 17 jan. 2020. Disponível em: https://padrepauloricardo.org/blog/a-teologia-por-tras-do-uso-do-veu- na-igreja. Acesso em: 22 fev. 2020. 6. MARTINEZ, J.F. A mulher Cristã precisa usar o véu? Centro Apologético Cristão de Pesquisa, 2018. Disponível em: http://www.cacp.org.br/a-questao-do-cabelo-e-do-veu/. Acesso em: 18 fev 2020. 7. MARTINEZ, J.F. O Véu: Pr. João Flávio Martinez responde. Vídeo sem data. Disponível em: https://www.youtube.com /watch?v=u5H9w6w MMWU&t=68s. Acesso em: 20 fev. 2020. 8. MENEZES, VALDIR MOTA. Compêndio Teológico sobre o Véu. Cubatão: Editora Clube do Autores, 2015. 9. OLIVEIRA, Carlos. O véu feminino tem, ou não, base bíblica? Igreja Quita do Conde, 2018. Disponível em: https://iqc.pt/edificacao /ensino/mulheres/7358-o-veu-feminino-tem-ou-nao-base-biblica-ii. Acesso em 29 mai. 2020. 10. OLIVEIRA, Carlos. Testemunhos sobre o véu (14). Igreja Quita do Conde, 2019. Disponível em: https://iqc.pt/edificacao/ensino/doutrinal /14788-testemunhos-sobre-o-veu-15. Acesso em 29 mai. 2020. https://padrepauloricardo.org/blog/a-teologia-por-tras-do-uso-do-veu-na-igreja https://padrepauloricardo.org/blog/a-teologia-por-tras-do-uso-do-veu-na-igreja http://www.cacp.org.br/a-questao-do-cabelo-e-do-veu/ https://iqc.pt/edificacao%20/ensino/mulheres/7358-o-veu-feminino-tem-ou-nao-base-biblica-ii https://iqc.pt/edificacao%20/ensino/mulheres/7358-o-veu-feminino-tem-ou-nao-base-biblica-ii https://iqc.pt/edificacao/ensino/doutrinal%20/14788-testemunhos-sobre-o-veu-15 https://iqc.pt/edificacao/ensino/doutrinal%20/14788-testemunhos-sobre-o-veu-15