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Estudo que aplica o método OWAS para avaliar condições ergonômicas na amarração frouxa de feixes de vergalhão na CSN; inclui visita técnica, uso do OWAS e estimativa de forças por resistência dos materiais, conclui que 9 de 11 tarefas requerem correção (2 imediatas) e descreve o processo e formas de içamento.

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APLICAÇÃO DO MÉTODO OWAS PARA AVALIAR AS 
CONDIÇÕES ERGONÔMICAS DO PROCESSO DE 
AMARRAÇÃO FROUXA DE FEIXES 
 
Área temática: Gestão da Saúde e Segurança Ocupacional & Ergonomia 
 
Byanca Porto de Lima 
byanca_porto@yahoo.com.br 
Suellen de Paula Adalberto 
 suadalberto87@gmail.com 
Danyelle Cristina Manoel da Silva 
danyelle.silva@csn.com.br 
Thatielly Sobrinho Duque 
thatiellyduque@bol.com.br 
	
  
	
  
Resumo: Neste trabalho foi realizado um estudo no processo de amarração de feixes de vergalhões numa fábrica de 
aços longos, em uma unidade de produção da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda/RJ. A partir de 
uma visita técnicain loco foi possível verificar a existência de problemas ergonômicos devido a uma etapa do processo 
ser manual. Para a análise das condições ergonômicas do posto foi utilizada a ferramenta OWAS (Ovako Working 
Posture Analysing Sistem), onde foram utilizados, para determinar a força aproximada aplicada pelos operadores, 
conceitos de resistência dos materiais. No estudo, foi verificado, que nove das onze tarefas avaliadas necessitam de 
alguma ação corretiva da empresa para diminuir o risco de exposição dos operadores a doenças ocupacionais, sendo 
duas destas atividades, necessitando de uma ação imediata da empresa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras-chaves: 
 
ISSN 1984-9354 
 
 
 XI CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO 
 13 e 14 de agosto de 2015 
 
 
 
 
 
 
 
2 
1. INTRODUÇÃO 
 
O presente trabalho foi realizado na empresa CSN Aços Longos, no processo de amarração de feixes 
de vergalhão, localizada na região sul fluminense. A empresa iniciou sua operação em dezembro de 
2013, data que marca o ingresso do grupo no ramo de aços não-planos, voltada para a produção de 
vergalhões reto (utilizado na construção civil) e de fios máquina em rolo (utilizado na produção de 
arame). 
 O processo de amarração de feixes de vergalhão é constituído por dois tipos de 
amarração, a apertada e a frouxa. A amarração tipo apertada é automática e tem o objetivo de agrupar e 
fixar o vergalhão formando um feixe. A amarração frouxa é composta por duas fases, a preparação das 
alças de amarração e a realização da amarração, sendo conduzido por quatro operadores, um 
responsável pela confecção das alças, e outros três responsáveis pelas três amarras frouxas. 
 Os produtos são obtidos após a etapa da laminação. A laminação é o processo de 
deformação mecânica responsável pela redução de seção do tarugo (seção 150X150mm) / bloco ( 
seção 250x250 mm), através da passagem por dois cilindros paralelos em rotação, contempla desde a 
entrada dos tarugos, até a passagem pelas cadeiras, finalizando com o produto final, no caso, os 
vergalhões ou fios máquina (Figura 1) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1 - Fluxo do processo - Laminação 
Fonte: CSN (2014) 
 Os feixes podem ser içados e movimentados de duas formas: ponte rolante e empilhadeiras. 
Quando se trata de ponte rolante, existem duas formas de içamento: 
 
 
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• A ponte pode içar o feixe através de eletroímã: Neste caso não há necessidade das lças que 
são feitas pela amarração frouxa. Um ímã ao tocar o feixe o atrai, precisando assim, apenas da 
amarração apertada para juntar o feixe; 
• Içar através de ganchos: Neste caso, além da amarração apertada, torna-se indispensável a 
alça que se faz pela amarra frouxa, onde o gancho da ponte rolante utiliza essas alças para 
encaixe e transporte do feixe (Figura 2). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2 - Demonstração de içamento de feixe com ponte rolante sem eletroímã 
Fonte: CSN (2014) 
 Na CSN, atualmente, todos os feixes são condicionados para atender os clientes que não 
possuem eletroímã, ou seja, todos os feixes são constituídos de amarras frouxas e apertadas, conforme 
ilustra a Figura 3. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3 - Exemplificação de amarras frouxas e apertadas 
Fonte: CSN (2014) 
 No processo de amarração de feixes, as amarras apertadas são realizadas por duas máquinas em 
duas paradas, onde em cada parada são feitas duas amarras conforme ilustra a Figura 4. 
Figura 1: Movimentação por eletroimã - Usina Figura 2: Movimentação por amarras folgadas - Cliente
 
 
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Figura 4 - Amarração realizada pela máquina 
Fonte: CSN (2014) 
 
 No processo de amarração frouxa, por ser manual, foram identificados problemas relacionados 
à ergonomia, onde pôde ser observado movimentos que exigem esforço e posturas inadequadas do 
operador para execução da tarefa. Desta forma, a pesquisa que se relata no presente artigo teve como 
objetivo analisar as posturas adotadas pelos trabalhadores durante suas atividades diárias no processo 
de amarração frouxa de feixes, sendo que, para isso foi utilizado o método OWAS. 
 
2. ERGONOMIA 
 
 Segundo Iida (2005) a ergonomia é o estudo da adaptação do posto de trabalho ao homem, 
procurando sua interação com o trabalho no sistema homem-máquina-ambiente. 
 A ergonomia estuda os diversos fatores que influem no desempenho do sistema produtivo e 
busca minimizar as consequências nocivas sobre o trabalhador de forma a alcançar a segurança, 
satisfação e saúde aos trabalhadores, durante o seu relacionamento com o ambiente produtivo. 
(SLACK; 2009) 
 Conforme Iida (2005) a ergonomia ajuda a melhorar a eficiência, a confiabilidade e a qualidade 
das operações industriais. 
 Diversas vezes, o trabalhador assume posturas inadequadas devido à deficiência do projeto e 
também, às exigências da tarefa. Se estas posturas forem mantidas por um longo tempo, podem 
provocar dores localizadas naquele conjunto de músculos. 
 Lida (2005) afirma que vários fatores podem ser utilizados para avaliar a adequação de um 
posto de trabalho, entre eles: o tempo gasto numa operação e número de acidentes ocorridos. Porém, 
um dos melhores critérios, do ponto de vista ergonômico são a postura e o esforço exigido dos 
trabalhadores. 
 Conforme Moraes (2012) a primeira norma regulamentadora do ministério do trabalho 
estabelece todas as normas regulamentadoras. As empresas privadas, públicas e órgãos públicos de 
 
 
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administração direta e indireta, que possuem empregados regidos pela Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT) possuem direitos e obrigações que devem ser seguidos. 
Cabe às empresas cumprir e fazer cumprir normas. O descumprimento das normas acarretará ao 
empregador a aplicação das penalidades previstas na legislação pertinente (SESMT, 2014). 
No Brasil existe a Norma Regulamentadora nº 17 (NR17), que regulamenta e traz orientações sobre os 
procedimentos obrigatórios relativos à Ergonomia. Esta norma regulamentadora visa estabelecer 
parâmetros que permitem a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos 
trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. 
Todos os equipamentos que compõe um posto de trabalho devem ser adequados às características 
psicofisiológicasdos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado (PORTAL MTE, 2014). 
 
2.1. Sistema OWAS 
 O sistema OWAS (Ovako Working Posture Analysing System) foi desenvolvido na Finlândia 
com o objetivo de analisar as posturas de trabalho na indústria de aço, sendo proposto por 
pesquisadores finlandeses em conjunto com o Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional 
(KARHU et al., 1977). O principal objetivo deste método é analisar as posturas de trabalho que se 
apresentam inadequadas, identificar as posturas mais prejudiciais e ainda identificar as regiões que são 
mais atingidas. (RIBEIRO et al., 2004) 
 Neste método a atividade é subdividida para análise das posturas, e a partir disso uma 
categorização das posturas de trabalho é realizada. 
 A análise das posturas pode ser a partir da observação das características de uma situação de 
trabalho, fotografias e/ou vídeo. O sistema OWAS é uma técnica de amostra, devem ser feitas muitas 
observações, com várias amostras. As posturas são observadas num conjunto de intervalos de tempo e 
cada observação requer o registro das costas, braços, pernas e forças. (POSDESIGN, 2014). 
 Segundo Iida (2005) os pesquisadores finlandeses Karku, Kansi e Kuorinka, começaram 
analisando fotografias das principais posturas tipicamente encontradas na indústria pesada. Foram 
encontradas posturas típicas, que resultaram de diferentes combinações das posições do dorso (4 
posições típicas), braços (3 posições típicas) e pernas (7 posições típicas). Cada postura é descrita por 
um código de quatro dígitos, representando posições do dorso, braços, pernas e a força/ esforço 
exigido (Figura 5). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 5 Sistema OWAS para o registro da postura: descrição das posturas 
Fonte: Onuka (2011). 
 A avaliação de posturas quanto ao desconforto é classificada de acordo com as seguintes 
categorias: Classe 1: Postura normal que dispensa cuidados, a não ser em casos excepcionais; Classe 2: 
Postura que deve ser verificada durante a próxima revisão rotineira dos métodos de trabalho; Classe 3: 
Postura que deve merecer atenção a curto prazo; Classe 4: Postura que deve merecer atenção imediata. 
 Essas classes dependem também do tempo de duração das posturas, em percentagens da 
jornada de trabalho ou da combinação das quatro variáveis (dorso, braços, pernas e a força/ esforço) 
(Quadros 1 e 2). (POSDESIGN, 2014). 
 
 
 
 
 
 
 
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Quadro 1 Classificação das posturas de acordo com a duração das mesmas 
Fonte: Onuka (2011) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quadro 2 Níveis de ação segundo a posição das costas, braços, pernas e uso de força/ esforço 
 
 
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Fonte: POSDESIGN (2014) 
 
 A combinação das posições das costas, braços, pernas e força/ esforço determinam os níveis de 
ação para medidas corretivas. 
 Segundo Iida (2005) o procedimento descrito foi aplicado por anos na empresa siderúrgica 
ajudando a identificar e solucionar os principais focos de problemas. Os resultados proporcionaram 
melhoria de conforto e contribuíram para a remodelação de algumas linhas de produção, que 
apresentavam gravidade mais alta. 
 
3. Resistência dos materiais 
 
 Segundo Hibbeler (2012), a resistência dos materiais é uma área da mecânica que estuda 
relações entre as cargas externas aplicadas a um corpo deformável e a intensidade das forças internas 
que trabalham no interior do objeto. Essa área de estudo também envolve o cálculo das deformações 
sofridas pelo corpo e o estudo de sua estabilidade quando sujeito à forças externas. 
 Na área de resistência dos materiais é interessante que se conheça vários fatores,dentre eles 
destacam-se aqui: tensão, torção, deformação e flexão. 
 Ainda segundo Hibbeler (2012) a partir dos dados obtidos em um ensaio de tração ou 
compressão, é possível calcular valores da tensão e deformação no corpo de prova e, a partir daí 
construir um gráfico com os resultados. É denominado diagrama tensão-deformação a curva resultante 
(Figura 7). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6 Diagrama de tensão-deformação (aço) 
Fonte: Hibbeler (2012) 
Limite de 
escoamento 
 
 
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 Para se determinar a tensão nominal, também chamada de tensão de engenharia, deve-se dividir 
a carga aplicada P pela área original da seção transversal do corpo de prova A, o qual poderá ser 
considerado que a tensão, na seção transversal e em toda região entre os dois pontos de calibragem, é 
constante. (HIBBELER, 2012) 
σ = P 
 A deformação nominal pode ser determinada dividindo a variação, no comprimento de 
referência original do corpo de prova, ou através da leitura da deformação no 
extensômetro.(HIBBELER,2012). 
 ك = € 
 O diagrama tensão-deformação convencional é a curva do resultado, no qual a ordenada é a 
tensão e a abscissa é a deformação. Sendo este muito importante, pois proporcionam meios para se 
obter dados sobre a resistência à tração de um material, desconsiderando a sua geometria. Quando as 
deformações estão presentes na primeira região, no corpo de prova, sendo a tensão proporcional à 
deformação, o comportamento é denominado elástico. O limite superior da tensão é denominado limite 
de proporcionalidade, caso este ultrapassado o material ainda pode responder de maneira elástica, até 
atingir o limite de elasticidade. (HIBBELER,2012). 
 Ao ocorrer um pequeno aumento na tensão, acima do limite de elasticidade, resultando no 
colapso do material, o qual irá deformá-lo permanentemente, ou seja, uma vez alcançado, o corpo 
permanecerá deformado, denominamos escoamento este comportamento. Após terminar essa fase, 
pode-se aplicar ao corpo de prova, uma carga adicional resultando em uma curva crescente, chamada 
de endurecimento por deformação, porém mais achatada, atingindo uma tensão máxima, denominada 
limite de resistência. Logo o diagrama tende a curvar-se para baixo até atingir a tensão de ruptura, 
onde o corpo de prova se rompe. (HIBBELER, 2012). 
 
3. METODOLOGIA 
 Para realização dessa análise utilizando a ferramenta OWAS foram desempenhados os 
seguintes passos: Identificação das etapas de trabalho, cálculo das forças exercidas, seleção das 
principais posturas nas atividades e cruzamento dos dados nas tabelas do método OWAS. 
 Antes da atividade de amarração, observou-se que é necessária a preparação de pedaços de fio 
máquina (alças) que serão posteriormente usados para realizar as amarras frouxas. Esse material é feito 
através de corte com uma tesoura onde o funcionário adota uma postura inadequada (Figura 7). 
 
 
 
 
 
 
A 
L0 
 
 
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Figura 7 Preparação das alças usadas para amarração 
Fonte: Elaborado pelas Autoras 
 Após cortadas, as alças são entregues para outro colaborador na área da enfeixadeira para 
serem posicionadas próximas à máquina (Figura 8). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8 Movimentação/ transporte das alças 
Fonte: Elaborado pelas Autoras 
 Para que os feixes comecem a ser amarrados, primeiro a máquina faz a amarração apertada, e 
depois posiciona os vergalhões na área da enfeixadeira (Figuras 9 e 10). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 9 Trânsito do feixe para a amarração 
Fonte: Elaborado pelas Autoras 
Figura 10 Amarração apertada feita na 
máquina 
Fonte: Elaborado pelas Autoras 
 
 
 
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 Após o feixe posicionado dá-se início a amarração frouxa. Durante a amarração propriamente 
dita, o funcionário faz várias vezes o mesmo movimento onde é necessário esforço para envolver o 
feixe com o pedaço de fio máquina, e depois a torção deste fio (Figuras 11 e 12). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11 Processo de amarração frouxa 
Fonte: Elaborado pelas Autoras 
Figura 12 Funcionário realizando 
amarração frouxa 
Fonte: Elaborado pelas Autoras 
 
 Além das condições ergonômicas desfavoráveis já vistas, ocorrem também os casos de 
retrabalho, onde os feixes recebem novas alças, porém neste momento não mais dispostos na mesa de 
amarração e sim posicionados em um cavalete, que não favorece uma postura adequada (Figuras 13 e 
14). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 13 Trabalhador exercendo sua 
atividade no processo de amarração (fora da 
mesa) 
Figura 14 Trabalhador exercendo sua 
atividade no processo de amarração (fora da 
mesa) 
 
 
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Fonte: Elaborado pelas Autoras Fonte: Elaborado pelas Autoras 
 
• Etapas identificadas no trabalho 
Para o uso do sistema de análise de posturas no trabalho do OWAS, foi realizada uma visita no posto 
de trabalho e coleta manual de dados, além de vídeos e fotos como apresentados nas figuras anteriores. 
As etapas de trabalho identificadas foram: 
1. Puxar fio máquina para confecção de alças; 
2. Cortar o fio em tamanhos similares; 
3. Pegar material (alças) cortado; 
4. Levar para área de amarração de feixes, transferindo para outro empregado; 
5. Posicionar alças nos ganchos existentes na área de amarração; 
6. Travar após posicionamento do feixe, a botoeira existente na área de amarração; 
7. Pegar alça no gancho; 
8. Envolver feixe com a alça e segurar uma ponta; 
9. Pegar a outra ponta da alça e envolver o feixe com duas voltas; 
10. Juntar as pontas da alça; 
11. Torcer a alça e abaixar as pontas. 
 
• Cálculo das forças exercidas pelo operador no processo de amarração frouxa 
 Para calcular a força aplicada pelo operador, foram utilizados conceitos de Resistência dos 
Materiais. A análise foi feita em duas etapas: cálculo da força realizada para envolver o feixe com o fio 
máquina e cálculo da força necessária para finalizar a amarração frouxa, torcendo o fio e fazendo a 
alça. 
 
1ª Etapa: Cálculo da força realizada para envolver o feixe com o fio máquina 
 Esta etapa da amarração pode ser visualizada na Figura 11, onde F representa a força aplicada 
pelo operador e M o momento fletor causado pela aplicação da força F. Conforme observado, quando 
o operador aplica a força, o fio máquina sofre uma flexão pura, onde corpo flexionado somente está 
solicitado por um momento fletor (Figura 15) (Hibbeler, 2012). 
 
 
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Figura 15 Processo de amarração frouxa- força aplicada para envolver o feixe com o fio máquina 
Fonte: Elaborado pelas Autoras 
 
De acordo com Hibbeler (2012), a fórmula da Flexão Pura é a seguinte: 
 
 
Onde: 
σ max = Tensão Normal Máxima 
M= Momento Fletor no eixo z 
I = Momento de Inércia 
C = distância perpendicular do eixo neutro a um ponto mais afastado 
A partir dos dados e das características do fio máquina, apresentado abaixo, foram realizados os 
cálculos para determinar a força aplicada pelo operador: 
- Material Aço Carbono SAE 1006 diâmetro de 6,5mm; 
- A σmax é igual a Tensão de Escoamento (σe ), conforme dados da empresa para este material a Tensão 
de Escoamento é 160MPa; 
 - C é a distância perpendicular do eixo neutro a um ponto mais afastado, ou seja, c é o diâmetro do 
fio máquina dividido por dois (6,5mm/2) 
- M= Momento Fletor, ou seja, é a Força (F) realizada pelo Operador multiplicada pela distância até o 
centro bloco de feixes (d), conforme mostrado na Figura 15. 
- I= momento de inércia de círculo, podem ser calculado pela fórmula 
I= 1 π (d)4 
máx σ = 
 4 2 
Mc 
I 
 
 
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14 
Realizando os cálculos, foi constatado que a força realizada para dobra do material é de 5,49 Newtons 
ou 0, 549 Kgf. 
 
2ª etapa: Cálculo da força realizada para finalizar a amarração frouxa 
Nesta etapa no fio é torcido e a alça é realizada conforme apresentado na figura 12. Para melhor 
visualização foi realizada a Figura 16. O "F" representa a força aplicada pelo operador e "M" o 
momento fletor causado pela aplicação da força F. 
 
Figura 16 Processo de amarração frouxa - força aplicada para confecção das alças 
Fonte: Elaborado pelas Autoras 
 
 O Cálculo da força aproximada exercida pelo o operador para realizar a alça da amarração 
(figura 12) foi realizado com a fórmula a seguir: 
 
 
Sendo: 
τmáx= tensão de cisalhamento máxima no eixo, que ocorre na superfície externa do elemento; 
T= torque interno resultante que atua na seção transversal; 
J= momento de inércia polar da seção transversal; 
 
 Os valores dos componentes da fórmula foram obtidos da seguinte forma: 
 
 
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- C= raio externo do eixo: 
 Sendo o diâmetro d=6,5mm e raio r=3,25mm ou d=6,5x10-3me r=3,25x10-3m. Como c = r, o 
valor de c incluído na fórmula foi 3,25x10-3m. 
- T= Torque: 
Para cálculo do torque foi realizado o somatório do momento em relação ao eixo e igualado a zero 
conforme abaixo. 
Fxd + Fxd - T=0 --> F x 0,10 + F x 0,10 – T= 0 --> T= 0,20F 
O valor de torque obtido foi 0,20 F. 
 
- J= Momento de Inércia Polar: 
Ј = π x r=>Ј =π.(3,25x10-3)4m4=>Ј= 1,75 x 10 -10 
 
Sendo a tensão de cisalhamento a tensão de escoamento, de valor tabelado (160MPa), pode ser 
calculada a forma aproximada exercida pelo operador conforme abaixo. 
 
σe= 0,20.F x3,25x10-3 => => F = 43 N = 0,43 Kgf 
 
• Seleção das principais posturas nas atividades 
Após avaliação das fases e das forças foi possível identificar as principais posturas conforme descrição 
na Figura1 deste trabalho. Algumas destas posturas podem ser observadasna Figura 17. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 17 Sequência com algumas fases de trabalho e respectivas posturas e forças 
2 2 
1,75 x10-10 
 
 
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16 
Fonte: Elaborado pelas Autoras 
 No Quadro 3 tem-se todas as fases e suas respectivas classificações. 
 
Quadro 3 Resultado das posturas pela combinação das variáveis 
Fonte: Elaborado pelas Autoras 
• Resultado Obtidos pelo método OWAS 
 Conforme metodologia do Quadro 2 e com base nas informações do Quadro 3 elaborou-se a 
análise da combinação de variáveis que concluiu a classe das etapas (Quadro 4). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quadro 4 Interpretação da classificação das posturas após combinação de variáveis 
 
 
 
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17 
Fonte: Elaborado pelas Autoras 
 
 Entre as 11 etapas analisadas, verificou-se que: duas delas tem classe 1; sete tem classe 2 e duas 
tem classe 3. Este resultado demonstrou que apenas duas tarefas, de postura normal, dispensam 
cuidados (classe 1); algumas tarefas (classe 2) devem ser reavaliadas durante a próxima revisão 
rotineira; e, duas tarefas merecem atenção em curto prazo (classe 3), ou seja, precisam de um plano de 
ação corretivo. 
 
4. CONCLUSÃO 
 Constata-se neste estudo que o processo manual de amarração frouxa de feixes é uma atividade 
composta por vários tipos de tarefas, que submetem os trabalhadores a diversas formas de 
constrangimentos posturais. 
 Quanto à avaliação das posturas adotadas pelos trabalhadores para a execução das 11 tarefas, 
algumas considerações podem ser realizadas: 
• Após calcular, de forma aproximada o esforço (carga) dos operadores para realizar a amarração 
frouxa dos feixes, pôde ser constatado que a força exercida é inferior a 10Kg. Desta forma, todas as 
tarefas receberam a pontuação mínima de valor 1 na coluna "carga" da tabela de resultados. 
• Somente as tarefas 4 e 5 não oferecem risco de doenças ocupacionais aos operários, não sendo 
necessária nenhuma ação de correção pela empresa; 
• A demais tarefas foram classificadas como 2, que devem ser reavaliadas durante a próxima revisão 
rotineira, ou com a classe 3, tarefas estas que merecem atenção em curto prazo. As posturas do 
dorso e das pernas receberam maior pontuação, o que levou essas tarefas a uma classe 2 ou 3. 
 Pode-se concluir, então, que não são as forças exercidas pelos operadores durante as tarefas que 
oferecem risco, mas sim as posturas assumidas durante sua execução. 
 A amarração frouxa se faz necessária na empresa devido a necessidade de atender a clientes 
específicos, que necessitam deste tipo de amarração para içar os feixes por meio de ganchos de ponto 
rolante. Sendo assim, uma sugestão seria a redução do tempo de exposição dos operadores a este tipo 
de trabalho e a realização de um estudo, principalmente de viabilidade econômica, para a realização de 
automatização do processo, por meio da compra de uma máquina de amarração de feixes, já disponível 
no mercado, que realiza também a amarração frouxa. Esta prática iria evitar que os operadores 
sofressem lesões tais como, por exemplo, DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao 
Trabalho). 
 Em relação ao trabalho, pode ser constatado que o objetivo foi atingido uma vez que foi 
evidenciado que o método em questão constitui uma ferramenta eficaz para análise dos postos de 
trabalho em relação ao grau de risco de ocorrência de doenças ocupacionais que os operadores ficam 
expostos no trabalho, fazendo com que sejam possível a criação de medidas corretivas pelas empresas 
para eliminação dos problemas apontados pelo método. 
 Para satisfação dos autores, o trabalho, através da aplicação da ferramenta OWAS num caso 
real, pode contribuir para melhoria do desempenho da empresa e da qualidade de vida dos operadores. 
 
 
 XI CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO 
 13 e 14 de agosto de 2015 
 
 
 
 
 
 
 
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5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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http://www.csn.com.br/irj/go/km/docs/csn_multimidia/csn/html/rel2011/a-empresa.html. 
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IIDA, I. Ergonomia: Projeto e Produção. 2.ed. São Paulo: Blucher, 2005. 
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MORAES, G.A. Legislação de segurança e saúde ocupacional. 9.ed. Rio de janeiro: 2012. 
ONUKA, F.; ARANTES, D.; ANDRADE, F.; CATAI, R. Análise ergonômica postural do posto de 
trabalho do servente na construção civil. Artigo Original. (2011). Disponível em: 
http://www.excelenciaemgestao.org/portals/2/documents/cneg7/anais/t11_0366_1725.pdf. Acesso em 
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POLLUX AUTOMATION. Por que automatizar seus processos de montagem e inspeção?(s/d). 
Disponível em:http://www.pollux.com.br/linhas-de-atuacao.Acesso em mai/2014. 
PORTAL MTE. NR17. Normas Regulamentadoras. Ministério do Trabalho, 2014. Disponível em: 
http://www.portal.mte.gov.br. Acesso em mai/2014. 
POSDESIGN. O método OWAS. (2014). Disponível em: 
http://www.posdesign.com.br/artigos/dissertacao_valiati/4-8%20-%20metodo%20owas.pdf. Acesso 
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RIBEIRO, S. B., SOUTO, M. do S. M. L.; ARAUJO JUNIOR, I. C. Análise dos riscos 
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In: ENEGEP, 24, 2004, Florianópolis. CD ROM. Florianópolis: UFSC, 2004. 
SESMT. Resumos das NR’s. (2014). Disponível em: 
http://www.sesmt.com.br/portal/index.php?option=com_content&id=271&Itemid=92. Acesso em 
mai/2014. 
SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. 3.ed. São Paulo: Atlas, 
2009.

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