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Indaial – 2019 Confeitaria Profª. Janina de Souza Feversani 1a Edição Copyright © UNIASSELVI 2019 Elaboração: Prof. Janina de Souza Feversani Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: F428c Feversani, Janina de Souza Confeitaria. / Janina de Souza Feversani. – Indaial: UNIASSELVI, 2019. 200 p.; il. ISBN 978-85-515-0404-8 1. Confeitaria. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 641.5 III apresentação Caro Acadêmico! Seja bem-vindo a este universo fascinante da confeitaria. Iniciaremos nossa jornada através do pão, pois foi por meio dele que surgiu o primeiro doce, destinado, também, como oferendas em rituais religiosos, ou como provisão para uma vida após a morte. Ao longo dos conteúdos, vocês perceberão como Catarina de Médici, esposa de Henrique II, rei da França, introduziu a confeitaria com seus chefs, trazendo da Itália receitas que mais tarde se tornariam clássicos da confeitaria francesa (que influencia gerações, preservando toda riqueza de detalhes até os dias de hoje). Os chefs são reconhecidos, e têm a responsabilidade de transmitir a confeitaria universalmente. Clássicos, e técnicas são ensinados em escolas especializadas e utilizados em diversos países. A escolha dos ingredientes, e saber utilizá-los de forma correta, junto com os equipamentos, são fundamentais para obter um bom resultado. Ainda na primeira unidade, aprenderemos sobre as preparações das massas secas, líquidas e semilíquidas, utilizando seus métodos de preparos. Na segunda unidade, aprenderemos sobre os três métodos de preparo de merengues, italiano, francês e suíço, teremos a capacidade de identificar qual método se adapta melhor a sua receita, e, inclusive, produziremos alguns clássicos da confeitaria como Macarons, Dacquoise e uma deliciosa Musse. Diversos são os cremes à base de gemas, a exemplo o creme pâtissière, que serve de base para outros cremes. Clássicos, como o creme Brûlée, imprescindível no cardápio de muitos restaurantes e, atualmente, apresentado em uma grande variedade de sabores, também faz parte do conteúdo apresentado na Unidade 2. Terminamos com as geleias, das quais, além do preparo, você vai aprender como esterilizar e armazenar. E conheceremos sobre as caldas para serem utilizadas em bolos e sobremesas. Na última unidade, o grande protagonista é o chocolate. O qual, das sementes de cacau (theobroma cacao), surge para ser uma iguaria tão utilizado na confeitaria. É imprescindível conhecer a origem desse produto, considerado “alimento dos Deuses”, seus componentes e métodos de utilização. E conhecer a pâtisserie moderna, entremets, verrines e petits fours, também faz parte do conteúdo deste material. Boa leitura! Janina de Souza Feversani IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA V VI Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! LEMBRETE VII UNIDADE 1 – CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS .....................................................1 TÓPICO 1 – ONDE TUDO COMEÇOU................................................................................................3 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3 2 DO PÃO SURGE O DOCE (PERÍODO NEOLÍTICO, 10 MIL a.C. A 4 MIL a.C.) ....................4 3 CONTRIBUIÇÃO EGÍPCIA E GREGA (4.000 a.C. A 300 d.C.) ......................................................5 4 OS PRIMEIROS BOLOS .......................................................................................................................8 5 IDADE MÉDIA .......................................................................................................................................9 6 DA RENASCENÇA À REVOLUÇÃO INDUSTRIAL .....................................................................9 7 A EVOLUÇÃO DA CONFEITARIA ..................................................................................................10 8 GRANDES PERSONALIDADES DA CONFEITARIA .................................................................17 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................25 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................27 TÓPICO 2 – NOÇÕES BÁSICAS .........................................................................................................29 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................29 2 EQUIPAMENTOS .................................................................................................................................29 3 ESCOLHA DOS INGREDIENTES ....................................................................................................33 3.1 PRINCIPAIS INGREDIENTES UTILIZADOS NA CONFEITARIA .........................................33 3.1.1 Tipos de açúcar .....................................................................................................................35 3.1.2 Caldas e caramelos .................................................................................................................36 3.1.3 Farinha de trigo .....................................................................................................................38 3.1.4 Leite .........................................................................................................................................38 3.1.5 Nata ...........................................................................................................................................38 3.1.6 Creme de leite fresco .............................................................................................................383.1.7 Leite condensado ...................................................................................................................38 3.1.8 Manteiga .................................................................................................................................39 3.1.9 Ovos .........................................................................................................................................39 3.1.10 Frutas ......................................................................................................................................40 3.1.11 Oleaginosas ...........................................................................................................................40 3.1.12 Fava de baunilha ..................................................................................................................41 3.1.13 Especiarias ............................................................................................................................41 3.1.14 Gelatina .................................................................................................................................42 3.1.15 Fermento químico ................................................................................................................42 3.1.16 Chocolate................................................................................................................................42 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................45 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................46 TÓPICO 3 – MASSAS .............................................................................................................................47 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................47 2 MASSAS SECAS ...................................................................................................................................47 2.1 MÉTODO SABLAGE ......................................................................................................................48 2.2 MÉTODO CRÉMAGE ......................................................................................................................48 2.3 TIPOS DE MASSAS SECAS............................................................................................................48 sumário VIII 2.4 COOKIE .............................................................................................................................................51 2.5 MASSA FOLHADA .........................................................................................................................51 3 MASSAS BATIDAS AERADAS .......................................................................................................52 3.1 MÉTODO GÉNOISE........................................................................................................................52 3.2 MÉTODO CHIFFON .......................................................................................................................54 3.3 MÉTODO MASSA MERENGADA ...............................................................................................55 4 MASSAS CREMOSAS ........................................................................................................................56 5 MASSAS LÍQUIDAS E SEMILÍQUIDAS .......................................................................................58 6 PÂTE À CHOUX ....................................................................................................................................63 LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................................66 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................68 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................69 UNIDADE 2 – MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA ..................................................71 TÓPICO 1 – MERENGUES, MASSAS MERENGADAS E MACARONS .....................................73 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................73 2 MERENGUES ........................................................................................................................................73 2.1 MERENGUE ITALIANO ...............................................................................................................75 2.2 MERENGUE FRANCÊS .................................................................................................................76 2.3 MERENGUE SUÍÇO .......................................................................................................................78 3 MASSAS MERENGADAS ..................................................................................................................80 3.1 DACQUOISE ....................................................................................................................................80 4 MACARONS ...........................................................................................................................................81 4.1 DICAS IMPORTANTES DE COMO FAZER MACARONS .......................................................82 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................88 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................89 TÓPICO 2 – CREMES FRIOS, COZIDOS E OUTROS PREPAROS A BASE DE OVOS ..........91 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................91 2 CREMES..................................................................................................................................................91 2.1 CREME BATIDO (OU NATA BATIDA) ........................................................................................92 2.2 CREME CHANTILLY ......................................................................................................................93 2.3 CREME PÂTISSIÈRE (CREME CONFEITEIRO) .........................................................................93 2.4 CREME ANGLAISE (CREME INGLÊS) ........................................................................................95 2.5 CREME DE AMENDOAS (CRÈME D’AMANDE) ......................................................................96 2.6 FRANGIPANE ..................................................................................................................................96 2.7 CREME MOUSSELINE ...................................................................................................................97 2.8 CREME DIPLOMATA .....................................................................................................................98 3 OUTROS CREMES À BASE DE OVOS E OUTRAS MISTURAS ..............................................99 3.1 CREME DE MANTEIGA ................................................................................................................99 3.1.1 Pâtê à bombe ...........................................................................................................................100 3.2 CREME DE MANTEIGA A BASE DE MERENGUE ITALIANO ...........................................100 3.3 CREMEDE MANTEIGA NO ESTILO CREME ANGLAISE....................................................101 3.4 CREME CHIBOUST .......................................................................................................................101 4 OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA ............................................................................102 4.1 LEMON CURD ...............................................................................................................................102 4.2 CRÈME BRÛLÉE ............................................................................................................................103 4.3 CREME ZABAIONE ......................................................................................................................105 5 BAVAROISE CLÁSSICA ....................................................................................................................105 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................108 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................109 IX TÓPICO 3 – MUSSES, CALDAS, COBERTURAS E GELEIAS DE FRUTAS ............................111 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................111 2 MUSSE ..................................................................................................................................................111 3 CALDAS ..............................................................................................................................................115 3.1 CALDA SIMPLES ..........................................................................................................................115 3.2 CALDA BASE 30B .........................................................................................................................116 3.2 CALDA BASE 30B .........................................................................................................................117 4 COBERTURAS ...................................................................................................................................117 5 GELEIA DE BRILHO INCOLOR .....................................................................................................122 6 GELEIAS E PURÊS DE FRUTAS .....................................................................................................122 6.1 GELEIAS .........................................................................................................................................122 7 PURÊ DE FRUTAS ..............................................................................................................................125 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................126 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................129 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................130 UNIDADE 3 – A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA ...................................131 TÓPICO 1 – O CHOCOLATE E SUA UTILIZAÇÃO .....................................................................133 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................133 2 CACAU .................................................................................................................................................133 2.1 A DESCOBERTA DO CACAU ....................................................................................................133 2.2 VARIEDADES DE CACAUEIRO ................................................................................................136 2.3 PROCESSO DE PREPARAÇÃO DO CACAU ...........................................................................137 2.3.1 Colheita ..................................................................................................................................138 2.3.2 Fermentação ..........................................................................................................................138 2.3.3 Secagem ..................................................................................................................................138 2.3.4 Armazenamento e transporte ............................................................................................139 3 COMPONENTES DO CACAU ........................................................................................................140 4 TRANSFORMAÇÃO DA SEMENTE EM PASTA DE CHOCOLATE, MANTEIGA DE CACAU E CACAU EM PÓ .........................................................................................................140 4.1 LIMPEZA ........................................................................................................................................141 4.2 TORREFAÇÃO ...............................................................................................................................141 4.3 SELEÇÃO ........................................................................................................................................141 4.4 TRITURAÇÃO................................................................................................................................141 4.5 PRENSAGEM E ALCALINIZAÇÃO .........................................................................................142 4.6 TRITURADOR PARA REFINAR .................................................................................................142 4.7 MÉTODO CONCHAGEM ...........................................................................................................142 4.8 TEMPERAR E MOLDAR ..............................................................................................................142 5 OS TIPOS DE CHOCOLATES E SUAS COMPOSIÇÕES ........................................................143 6 O QUE É TEMPERAGEM? ..............................................................................................................144 6.1 DEFEITOS NA PRÉ-CRISTALIZAÇÃO .....................................................................................147 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................149 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................150 TÓPICO 2 – GANACHES, TRUFAS E BOMBONS ........................................................................151 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................151 2 GANACHES .........................................................................................................................................151 2.1 PROCEDIMENTOS PARA GANACHE BÁSICO ....................................................................152 3 TRUFAS ................................................................................................................................................156 4 BOMBONS DE CHOCOLATE .........................................................................................................158 4.1 PREPARAR OS MOLDES ............................................................................................................158 X 4.2 ENCHER OS MOLDES .................................................................................................................159 4.3 COLOCAR O RECHEIO ..............................................................................................................1604.4 SELAR OS MOLDES .....................................................................................................................161 4.5 SUGESTÕES PARA RECHEIOS DE BOMBONS ......................................................................162 4.6 RETIRAR OS BOMBONS DOS MOLDES ..................................................................................162 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................164 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................165 TÓPICO 3 – PÂTISSERIE ....................................................................................................................167 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................167 2 ENTREMETS ........................................................................................................................................167 3 VERRINES ............................................................................................................................................170 4 PETIT FOURS ......................................................................................................................................172 5 RECEITAS DE ALGUNS CLÁSSICOS DA CONFEITARIA ....................................................178 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................184 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................193 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................194 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................195 1 UNIDADE 1 CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender a história e a formação da confeitaria; • entender a forte influência da confeitaria francesa, aplicada na confeitaria atual; • conhecer os principais influenciadores da confeitaria; • identificar as noções básicas da confeitaria desde a escolha dos equipa- mentos quanto a utilização dos ingredientes; • conhecer os diversos tipos de massas e suas técnicas de preparo. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – ONDE TUDO COMEÇOU TÓPICO 2 – NOÇÕES BÁSICAS TÓPICO 3 – MASSAS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 ONDE TUDO COMEÇOU 1 INTRODUÇÃO Prezado acadêmico, neste primeiro tópico, mencionaremos uma abordagem histórica com a finalidade de compreender a origem da confeitaria. Iniciaremos nossa jornada por meio do surgimento do pão, embora muitos acreditem que não exista ligação, mas foi através dele que tudo começou. Partiremos ao Antigo Egito, local onde cultuava-se a crença da vida após a morte, por esse motivo, eram confeccionados cardápios fúnebres com provisões de acordo com sua posição social, para quando o defunto “acordar” ter o que se alimentar. Falaremos sobre os bolos, que, em sua maioria, eram confeccionados em comemorações, muitas vezes não eram degustados, eram utilizados em rituais, como casamentos, que esmagavam a preparação na cabeça da noiva como forma de prosperidade. Notaremos que Catarina de Médici foi a responsável em trazer cozinheiros e confeiteiros para o grande evento de importância história para a gastronomia e confeitaria francesa: o seu casamento com o futuro Rei da França, Henrique II. Apresentaremos a queda do Império, com a Revolução Francesa permitindo que não somente a nobreza tivesse acesso às iguarias gastronômicas, como pães, doces e demais especialidades. Veremos que, após a quebra do Império, livros foram lançados, proporcionando cada vez mais o conhecimento técnico a todas as classes. Desta forma, as receitas tradicionais e seus respectivos criadores ficaram conhecidos em um âmbito global. Junto com essa popularização do conhecimento foram criados equipamentos e tecnologias que contribuíram para a conservação dos alimentos e seus processos, dando espaço para a criação de doces com frutas exóticas e especiarias, trazendo novos sabores aos paladares. Por fim, conheceremos os grandes influenciadores da história da confeitaria, suas técnicas e receitas são reverenciadas até hoje, grandes personagens que influenciaram fortemente a arte de confeitar. UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 4 2 DO PÃO SURGE O DOCE... (PERÍODO NEOLÍTICO, 10 MIL a.C. A 4 MIL a.C.) Com tantas inovações, nas mais variadas áreas da gastronomia, você já imaginou como seria se não existissem os doces? Na história, há registros de que a confecção de alimentos doces está bastante associada à panificação, que teve início em épocas distantes, no período Neolítico cerca de 10 a 4 mil anos a.C. Conhecida também como a era da “Nova Pedra” e da “Pedra Polida”, nesse período, era bastante característico a caça, a coleta e a pesca. A fertilidade do solo (anteriormente, sem a interferência do homem e dos produtos de cunho industrializados, como agrotóxicos, por exemplo) ofertava alimentos, concedidos pela qualidade da terra e da boa irrigação. Como já mencionado, ficou conhecido também como o período da “Pedra Polida” por conta de os instrumentos de pedras receberem polimentos e trabalho no fio de corte. Neste período, a pedra era a matéria-prima mais utilizada para a fabricação de ferramentas e objetos. O homem primitivo vivia em pequenos grupos, consciente de que viver em sociedade fornecia uma maior segurança e sucesso em suas caçadas. Com o crescimento dos grupos, percebeu-se que ficou mais difícil encontrar as caças levando-o a imitar os animais herbívoros, que, pois, para a sua sobrevivência, ele precisava plantar o seu próprio alimento, bem como domesticar os animais. Com os produtos colhidos e a terra cedendo de forma contínua à matéria- prima, a dieta do homem neolítico consistia, basicamente, em: peixes, cervos, frutas silvestres e grãos, como centeio, trigo e outros. A partir desses materiais, a primeira evidência da panificação foi associada ao homem neolítico e seus pães chatos primitivos, que surgiram na forma de uma pasta, feita, inicialmente, com grãos que eram deixados de molho e cozidos em água, dessa forma, tornando-se mais nutritivo e digestivo. Suas (2012, p. 6) revela, em sua obra, que: À medida que as antigas tecnologias iam se desenvolvendo, o processo de preparação dos grãos para consumo também mudava. A pasta primitiva passou a ser aquecida em pedras achatadas quentes ou mesmo assada em cinzas para produzir um pão rústico, porém mais durável e de fácil transporte. Esses alimentos forneciam nutrientes vitais não encontrados tão facilmente nas carnes e se tornaram parte essencial da dieta alimentar do Neolítico. Por serem indispensáveis para a sobrevivência, os cereais passaram a ser valorizados e consumidos por comunidades inteiras, o que ocasionou o aumento da colaboração e da troca entre essas comunidades. Além de serem pioneiros na criação dos grãos e na extração dos nutrientes vitais das carnes, os Neolíticos foram considerados os arquitetos da humanidade, pois, segundo Flandrin e Montanari (1996), com a permanência do homem em um só local, foram criadas as primeiras construções, casas feitas de pedra e madeira. Resultando, aos neolíticos, o título de serem os primeiros arquitetosda humanidade. TÓPICO 1 | ONDE TUDO COMEÇOU 5 Foram responsáveis também pela criação de utensílios, potes de cerâmicas, moinhos rústicos e fornos que revelavam ser peças centrais de uma casa naquela época. FIGURA 1 – PERÍODO NEOLÍTICO OU IDADE DA PEDRA POLIDA FONTE: <http://bit.ly/2QShctr>. Acesso em: 8 jul. 2019. 3 CONTRIBUIÇÃO EGÍPCIA E GREGA (4.000 a.C. A 300 d.C.) Com a migração da civilização para Europa e Oriente Médio, o homem passou a viver em áreas populosas, sendo os grãos sua fonte nutricional de alimento. A descoberta de novos ingredientes e técnicas proporcionou que as culturas egípcias e gregas fossem os pioneiros a avançar na ciência da panifi cação. Por meio de artefatos encontrados no Rio Nilo, no Egito, foram descobertos indícios que agricultores, no período de 4 mil anos a.C., cultivavam espelta, trigo e cevada para a produção caseira de pães e cerveja, além de abastecerem os gregos com as produções de pães e massas doces. Essa descoberta é resultado de achados arqueológicos, já que são poucos os registros escritos. Os artefatos foram encontrados em escavações de túmulos egípcios e, curiosamente, também foram encontrados alimentos que indicam que eram destinados a provisão de uma vida depois da morte. Segundo Flandrin e Montanari (1996), os egípcios fabricavam a farinha em casa, por meio de uma técnica rudimentar, os grãos eram triturados através de almofariz de pedra, antes de serem moídos num bloco de pedra inclinada e peneirados para obter uma farinha mais fi na. Os grãos eram torrados ou expostos UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 6 ao sol, facilitando a separação da palha antes de serem triturados. Através das múmias egípcias, foi encontrado um pouco de pó mineral, caracterizado pelos desgastes dos dentes. Flandrin e Montanari (1996, p. 71) abordam que “para preparar o pão, os egípcios juntavam água e um pouco de sal a essa farinha, depois amassavam a pasta obtida e a levavam a cozer, seja diretamente numa pedra chata colocada sobre o fogo, seja horizontalmente, dentro de um forno aberto, seja verticalmente, colocada às paredes internas deste”. Na Grécia, século III a.C. eram fabricados 72 tipos de pães chegando ao Império Romano e de lá para o restante da Europa, inicialmente na Inglaterra, França e Alemanha. Os historiadores afirmaram que o primeiro vestígio foi encontrado na Índia, numa tumba egípcia de 2.500 a.C. Pães fermentados começaram a ser fabricados e, segundo Flandrin e Montanari (1996, p. 71, grifo do original): “à massa do pão era acrescentado ao levedo obtido por fermentação, o que não excluía — pelo menos a partir de 1.500 a.C. — o emprego de uma verdadeira levedura cujos saccharomyces, sob forma líquida, provinha da fabricação da cerveja, geralmente associada à panificação”. Outra teoria sobre o emprego de fermentação em pães, era de que uma parte da massa fora esquecida propositalmente em ambiente propício, inoculada pela fermentação natural do ambiente e mais tarde assada. Ainda de acordo com Curley e Curley (2015), há fortes indícios que os egípcios também apresentavam técnicas de confeitaria com acesso aos ingredientes como farinha de trigo, azeite e mel, além de técnicas de padeiros, como o cozimento dos ingredientes e pedras utilizadas para usar a moer grãos. O pão, naquela época, era tido como uma moeda de escambo, inclusive utilizado para o pagamento do salário de trabalhadores. Os fornos de barro teriam surgido no VII milênio a.C. com os egípcios que, mais tarde, também foram os primeiros a utilizar o fermento diluído em líquido para deixar o pão mais macio. Ditos populares apontam que o pão era ainda uma de troca: um dia de trabalho poderia ser pago com três pães e dois cântaros de cerveja (PERRELLA; PERRELLA, 2016, p. 13). O pão, naquela época, era tido como uma moeda de escambo, inclusive utilizada para o pagamento do salário de trabalhadores. NOTA TÓPICO 1 | ONDE TUDO COMEÇOU 7 FIGURA 2 – CIVILIZAÇÃO EGIPCIA FONTE: <http://bit.ly/2OJTUDm>. Acesso em: 8 jul. 2019. No Egito antigo, já existiam as diferenças entre as classes sociais, nas quais os mais ricos já consumiam um pão com um grão selecionado; o pão mais claro. Já a classe média, consumia o pão que vinha com uma mistura de grãos integrais. A classe mais pobre, por sua vez, consumia os pães produzidos com espelta e integrais. Suas (2012) revela que naquele período existia grande diversidade de ingredientes disponíveis, o que possibilitava combinações de diferentes sabores, justamente pela disponibilidade de ervas, frutas, grãos, óleos e sementes. Contudo, este período proporcionou, à arte da panificação, um avanço no formato e sabores, associados a celebrações religiosas. O pão como meio de nutrir mudou e passou a ser associado como uma inovação gastronômica. Os pães eram fabricados de diversas formas, segundo Flandrin e Montanari (1996, p. 71): “os pães tinham formas variadas. Eram redondos, ovais, triangulares, semicirculares ou cônicos”, a Figura 3 mostra o exemplo do pão cônico. FIGURA 3 – PÃO CÔNICO FONTE: <http://bit.ly/37HRsWE>. Acesso em: 30 out. 2019. Esses pães eram as oferendas ao templo, cuja massa era despejada em formas cônicas de argila. Por vezes eram salpicados com grãos de cominho e UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 8 FONTE: <http://bit.ly/2XT7AAg>. Acesso em: 30 out. 2019. “Vários tipos de bolo de trigo com formas humanas e animais, cujos nomes, formas e ingredientes mudavam com o tempo, com as variações do gosto e da moda” (FLANDRIN; MONTANARI, 1996, p 71-72). Em 168 a.C., foram feitos os primeiros registros da profissão de padeiro, naquele período tornou-se uma posição muito almejada pelos homens nas padarias do Império Romano. No início do Século I, eram exportadas mais de cem mil toneladas de cereais, saídas do Egito para Roma. Boa parte desta mercadoria era vinda do norte da África, Sicília, Sardenha, Síria e Espanha. Mas, muitas dessas embarcações não chegavam ao seu destino, fazendo com que boa parte das mercadorias se perdesse no mar em naufrágios, o restante dos cereais chegava apodrecido pelas precárias condições dos porões nas embarcações. 4 OS PRIMEIROS BOLOS O primeiro indício de confeitaria foi no antigo Império (2.600 a 2.190 a.C.), no qual a confecção de um doce, de mistura rudimentar com azeite, farinha e mel, feito em formato de animais, era ofertado aos deuses nos altares. Em Tebe, no Egito, Ramsés III mantinha uma padaria em sua corte, com uma grande variedade de pães e doces, entre eles um doce em formato de caracol, cujo nome era utent-t, que representava uma serpente cascavel sagrada para os egípcios. “Ramsés III oferecia anualmente 9 mil bolos e 200 mil pães aos deuses” (BACHMANN, 1995, p. 2). Os romanos, por sua vez, já conhecedores das técnicas de fermentação, criaram diversos bolos, incluindo em suas criações frutas secas e queijo. Estes, em sua maioria, eram vinculados a comemorações, casamentos, histórias de amor, vitórias e funerais. utilizados para rituais mágicos e litúrgicos, o pão redondo apresentado na Figura 4 é um exemplo. FIGURA 4 – PÃO REDONDO TÓPICO 1 | ONDE TUDO COMEÇOU 9 Na Roma Antiga, uma tradição era os bolos de casamento em famílias cujo poder aquisitivo era abastado, utilizando ingredientes especiais como mel, frutas secas e nozes. O mais interessante desse preparo é que o bolo não era servido aos convidados, mas como forma de prosperidade, sorte e fertilidade era esmagado na cabeça da noiva. Segundo Perrella e Perrella (2016, p. 18): Durante o período medieval (entre os séculos V e XV), com a fusão de culturas e a divulgação do pão e o doce pela Europa, a disputa pelo trigo provocou escassez. A agricultura também não supria a demanda dos demais cereais: Mal alimentada, a população é vitimada por diversas doenças e pragas, que dizimaram aproximadamente um terço da humanidade. Surgem, por meio de um processo de civilização, leisque controlam a qualidade e peso dos pães que serão vendidos. Padeiros são submetidos a realizar um juramente perante o público a respeitar os padrões de qualidade. Segundo Montagné (2001, p. 855-856): [...] as Cruzadas exerceram um papel de grande importância no desenvolvimento da confeitaria. Os ocidentais trouxeram de volta, da Pérsia, o açúcar, conhecido como especiaria, e junto uma forma primitiva de massa folhada e uma variedade de frutas, nozes e especiarias. Estes novos produtos, acabaram gerando problemas entre as três principais guildas de Paris, ‘padeiros, confeiteiros e donos de restaurantes’, sendo que cada um deles queria ter o direito exclusivo sobre a utilização, e a venda destes produtos. 5 IDADE MÉDIA Suas (2012) revela que a idade Média foi marcada com a queda do Império Romano e o surgimento da indústria e da arte nos séculos V ao XV. A escassez de grãos, fome e doenças, consequências da crescente urbanização, foram os principais motivos que marcaram a Idade Média. Primeiro o consumo de pão estava em declínio, porém, ao final do período, com a regulamentação da produção de pães e a organização da profissão de padeiro, resulta em seu desenvolvimento. Os principais avanços na panificação foram as melhorias realizadas em fornos, a introdução de novos ingredientes e a organização dos padeiros com a formação das associações profissionais, as guildas. 6 DA RENASCENÇA À REVOLUÇÃO INDUSTRIAL Suas (2012) menciona que a realeza é quem mantinha o controle sobre a fabricação de pães e pâtisseries durante a Renascença. “Em 1440, Carlos VIII da França lançou um decreto outorgando o direito de preparar os salgados aos UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 10 pâtissiers, uma nova guilda a que era dado o direito exclusivo de produzir e vender tortas e pastelões recheados com carne, peixes e queijos” (SUAS, 2012, p. 11). Junto com esses direitos, exigisse a responsabilidade de garantir a segurança alimentar. Um exemplo, era proibido a venda de produtos de baixa qualidade, carnes deterioradas, produtos estragados. Confeiteiros e Pâtissiers unem-se “em uma mesma guilda para ter controle sobre casamentos e banquetes, um monopólio que durou de 1556 até a extinção das guildas francesas por Turgot em 1776” (MONTAGNÉ, 2001, p. 856). Suas (2012) revela que, durante os séculos XVI e XVII, existia uma forte ameaça em relação à fome. Resultado de uma variável oferta de grãos e, com o crescimento populacional, o estoque de grãos não acontecia. Pobres convergiam para as cidades com alimentos garantidos, o preço do pão seguia sua demanda, sendo a realeza a responsável por garantir um equilíbrio nutricional entre seus súditos, falhas nesse sentido poderiam acarretar tumultos, saques em padarias e até rebeliões 7 A EVOLUÇÃO DA CONFEITARIA Falar de confeitaria, do ponto de vista histórico, é muito difícil, há escassez de registros escritos que abordem o assunto. O analfabetismo da época é um dos grandes responsáveis, por não saberem escrever, passavam as informações de forma secreta e verbalmente, do confeiteiro para seu sucessor. Começamos com o primeiro bolo, de acordo com Suconic (2017), as Obélias (que significa oferenda em grego), datam de 5.000 a.C., na Grécia, eram pães preparados com farinha, azeite e mel. O bolo oferenda era depositado no altar de divindades em cerimonias rituais. Os bolos possuíam formas, por exemplo, um bolo em forma de mama, apelava para fertilidade e abundância. Logo, esses bolos rústicos passaram a marcar ritos e passagens das estações do ano e dos homens, como aniversários, casamentos etc., e eram cada vez mais enriquecidos com frutas, como figos, tâmaras, sementes, como as de papoula e de gergelim, e especiarias. A ideia de confeitaria existia desde as primeiras civilizações. As verdadeiras primeiras pâtisseries eram originalmente salgadas, resultando do pão cotidiano enriquecido de temperos, frutos secos, e mais adiante, de ovos. A confeitaria teve sempre uma conotação de oferenda (primeiramente aos Deuses e em seguida as mulheres, condecorando etapas importantes de suas vidas) e se tornou doce posteriormente pela adição do mel. A manteiga e o açúcar foram tardiamente adicionados à massa e permitiram um grande desenvolvimento da confeitaria (SENDER; DERRIEN, 2003 apud CORRÓ, 2011, p. 200). TÓPICO 1 | ONDE TUDO COMEÇOU 11 O então filósofo Cícero, já na era cristã, 100 d.C., citou ter provado na Sicília, Itália, um “tubus farinarius, dulcíssimo, edulio ex lacte factus”, ou seja, os deliciosos tubinhos de massa de farinha, muito doces, recheados com leite, semelhante ao famoso Cannollo Siciliano. FIGURA 5 – CANNOLLO SICILIANO FONTE: <http://bit.ly/37GTgzd>. Acesso em: 30 out. 2019. Segundo Curley e Curley (2015), com a invasão do Mouros, no período de 711 d.C., aconteceu um grande impacto nas confeitarias europeias, a introdução do mel e das amêndoas trazidos da África. Complementando, Perrella e Perrella (2016) afirmam que foi através do clero, no início do segundo milênio, que houve um grande desenvolvimento desta arte, com as peregrinações das Cruzadas, chegavam aos mosteiros o açúcar, temperos e as ervas raras, surgindo novos pratos. Fora dos Mosteiros, o açúcar era considerado remédio e sua manipulação era de exclusividade de farmacêuticos. Durante a Quaresma, no Mosteiro de San Gallo, haviam dez variedades de doces, incluindo uma massa feita com ovos, como um biscoito. Muitos doces criados nessa época são encontrados até hoje em confeitarias pelo mundo, como o Suíço St. Galler Törtli, com massa frola (PERRELLA; PERRELLA, 2016). A introdução da sobremesa aos cardápios nos banquetes ocorre em 1200, mas, de forma peculiar, servida antes das refeições, pois acreditava-se que ela era excelente para abrir o estômago dos comensais. Em 1432, em Viena, o então conde Albrecht II libera o uso do açúcar para os químicos confeiteiros. A mesma coisa ocorre em Veneza, desse ponto em diante a confeitaria se desenvolve rapidamente. Em Berlim, é mantido o monopólio do açúcar somente para usos medicinais, exclusivo dos farmacêuticos até 1620. A confeitaria era de acesso a um público pequeno e rico. Sua origem veio das preparações de pratos salgados, pois os confeiteiros eram inicialmente preparadores de tortas de carnes, de peixes e de queijos, das quais se originam as massas brisée, frola e outras. Em 1506, em Pithivier, na França, um chef pâtissier inventou um “creme de amêndoas”, uma das bases mais comuns encontradas UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 12 na cozinha contemporânea, amplamente utilizada para confecção de bolos, e recheios de tortas, tais como no Bolo Pithivier. FIGURA 6 – BOLO PITHIVIER OU GALETTE DES ROIS FONTE: <http://bit.ly/2XOapCy>. Acesso em: 22 jul. 2019. Mas, foi com Catarina de Médici, casada com Henrique II, rei da França, que se descobriu uma nova maneira de comer. Após 1540, ela trouxe para a corte cozinheiros italianos influenciando fortemente a gastronomia. Nas sobremesas, Popelini, Chef pâtissier de Catarina, criou a pâte à choux, Crème Frangipane, Zabaglione, pudins de ovos, sorvete, biscoitos e massas de amêndoas, além de geleias, compotas, doces e licores de frutas. Os séculos XVI e XVII foram marcados com inovações, decorrente da crescente oferta de açúcar, resultando em aprimoramento de algumas receitas com clara de ovos e natas batidas. Outra grande contribuição, naquele período, foi por meio do chef pâtissier Della Pigna, também italiano vindo para compor o time de Catarina em sua corte, introduzindo a pastilhagem (esculturas de açúcar), um recurso decorativo utilizado para criar pièces montées ou esculturas de centro de mesa. Pièces Montées: montagens elaboradas criadas por Carême para decorar banquetes. NOTA TÓPICO 1 | ONDE TUDO COMEÇOU 13 FIGURA 7 – PIÈCES MONTÈES DE CHOUX FONTE: <http://bit.ly/2DiaYer>. Acesso em: 24 jul. 2019. Com a incorporação de novos ingredientes, como café, cháe o chocolate nos séculos XVII e XVIII, as mudanças de atitudes em relação à vida se manifestam através de diversas formas de arte, podendo dizer que a verdadeira confeitaria teve seu início neste período. As cortes reais recrutavam os melhores artistas do açúcar. Muitas criações surgem, aprimoramentos e um estilo diferente de fazer doces lindamente decorados são criados os merengues, os macarons, o creme fouettée, o pain d” épice, e uma diversidade de biscoitos. Inovações como acrescentar às preparações o perfume dos licores italianos, o uso de âmbar e almíscar. Sobretudo, esses doces eram servidos entre uma refeição e outra, chamados de entremet. Os bolos são criados com muita beleza e elegância. “Pode se dizer que a verdadeira confeitaria começou entre os séculos XVI e XVII. Em 1608, Ragueneau lança a Confeitaria dos Mosqueteiros do Rei, na França, enquanto Vatel surge com o seu creme de Chantilly, na cidade francesa e mesmo nome” (PERRELLA; PERRELLA, 2016, p. 23). “Avanços significativos do século XVII incluem as tortas doces de amêndoas de Ragueneau, em 1638, o que representou um salto de qualidade em comparação aos biscoitos da época, especialmente considerando a oferta imprevisível do trigo e o seu racionamento” (SUAS, 2012, p. 13). Foi em Budapeste que o croissant foi criado por padeiros, em 1686, e seria dado como recompensa para quem detectasse o barulho do inimigo otomano e alertasse a cidade do perigo. Em homenagem à grande conquista, foi autorizado aos pâtissiers desenvolver uma iguaria com forma de lua crescente referente à bandeira do Império Otomano. UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 14 FIGURA 8 – BANDEIRA DO IMPÉRIO OTOMANO FONTE: <http://bit.ly/2XOsSPm>. Acesso em: 30 out. 2019. FIGURA 9 – CROISSANT FONTE: O autor Essa maravilhosa criação foi introduzida na França, junto com outros doces vienenses através de Maria Antonieta, depois de seu casamento com Luís XVI. O doce, durante muito tempo, na Europa, era explorado pela elite, associando a confeitaria à arte, eram realizados suntuosos banquetes, nos quais a aparência e a qualidade de manipulação do açúcar, considerado artigo de luxo, muitas vezes era utilizado de forma excessiva deixando o doce açucarado e enjoativo. Bolos esculturais eram confeccionados pelos famosos mestres de Nuremberg (Alemanha) com mais de dois metros de altura, no entanto, com sabor rudimentar, eram transportados em vagões adaptados especialmente para isso. Na França, tudo que pudesse chamar atenção da elite e de países vizinhos era fabricado, como bolos em forma de templos, palácios, animais e objetos exóticos. TÓPICO 1 | ONDE TUDO COMEÇOU 15 “O famoso Crème Chantilly foi criado, em 1714, por um suíço chamado Fritz Karl Vatel, durante sua estada na França – primeiro como chef do Castelo de Vaux-Le-Vicomte pertencente ao intendente real Nicolas Fouquet e depois no Castelo de Chantilly pertencente ao Marechal de Condé. Apesar de ter sido servido pela primeira vez no Castelo de Vaux-Le- Vicomte, acabou tomando o nome do Castelo de Chantilly” (GALVÃO, 2014, s. p.). NOTA Em 1490, na Alsácia, surgem os fornos exclusivos para confeitaria, proporcionando uma independência das padarias e da gastronomia salgada, surgindo novas técnicas por toda Europa. Em 1735, Vicent La Chapelle, em seu livro Le Cuisinier Moderne, moderniza os bolos que anteriormente eram apenas com um andar para bolos em colunas, popularmente conhecidos como bolos de andares, crocantes, cremes de pistaches. Bolos decorados com violetas, biscoitos aromatizados com jasmim, o sorvete e o chantili estão no auge da moda. Com o crescimento desse mercado, as inovações tecnológicas surgem como o processamento de matérias-primas. Em 1747, o químico alemão Andreas Maggraf descobre como extrair açúcar da beterraba, criando uma alternativa mais barata ao caro açúcar de cana importado. Franz Achard, seu aluno, desenvolve um método industrial mais barato de extrair açúcar de forma pura. Inaugura-se a primeira fábrica de extração de açúcar em Breslau (Alemanha) em 1802. A Pâtisserie é um ofício preciso, uma forma de arte que envolve um toque de elegância, mas exige também a perfeição (CURLEY; CURLEY, 2015). NOTA No período de 1800 são lançados diversos livros de receitas, com variadas notas e publicações dando dicas, recomendações e sugestões. O livro de receitas de Piemonte (Italia), Il Cuoco Piemontese, posteriormente editado na França, em 1766, revela a forte influência francesa na culinária italiana (PERRELLA; PERRELLA, 2016, p. 26). No final do século XIX, surgiram as confeitarias vienense, locais que exalavam cultura e luxo, eram servidos irresistíveis doces como Sachertorte, criada em 1832 pelo jovem Franz Sacher com 17 anos na época, quanto o Apfelstrudel, originário da Bavária ou Áustria durante a Idade Média e aperfeiçoado na Hungria, eram acompanhamentos de um bom café ou do Chá das Cinco, criado UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 16 em 1830 pela Duquesa de Bedford, na Inglaterra. Esse hábito conquistou adeptos em Paris, que adotou etiquetas e importou louça fina para esse momento. As tardes parisienses das madames e mademoiselles era deliciada com doces como financiers, madeleines, brioches, croissants, Petits- fours petit choux. A Revolução Francesa transformou Paris, confeiteiros montam suas próprias confeitarias reproduzindo suas criações feitas nas cozinhas de nobres e ricos, proporcionando uma confeitaria de alto nível ao público geral. Século XIX, a confeitaria alcança seu ápice, porém, o exercício da profissão exigia muitos sacrifícios com tantas operações manuais, tais como: bater claras, quebrar amêndoas, afinar o açúcar. Neste período, a intoxicação alimentar ocasionada pela conservação dos alimentos, era um grave problema, levando a intoxicações mortais. As mudanças de estações determinavam alterações de cardápios. Em contrapartida, o baixo custo do açúcar estimulava a abertura de novos estabelecimentos. Neste período, em 1886, surge a Fauchon, uma delicatessen de referência mundial. Em 1895, Paris, surge a primeira escola de culinária, que é referência no assunto até hoje. Na década de 1940, confeiteiros franceses seguiam brilhantes carreiras no exterior. O mercado turístico impulsionava grandes transformações na indústria de equipamentos e utensílios culinários. Neste período, foram tímidas as criações, entre elas o bolo de chocolate, cremes de manteigas aromatizados e os primeiros gâteaux individuels. O ano de 1950 foi marcado por grandes transformações, a tecnologia invade as cozinhas. Tornaram-se disponíveis câmaras frias, freezers, fornos elétricos, batedeiras, laminadoras, vitrines refrigeradas e etc., assim como o desenvolvimento da agroindústria, a possibilidade de estocagem dos alimentos frescos, o surgimento de novos materiais como o plástico, o celofane, caixinhas de alumínio, sacos descartáveis. A criação de novas práticas na manipulação dos alimentos através de normas e cuidados com a higiene. A criação de concursos de Pâtissier estimulava a criatividade e descoberta de novos talentos. É a época de novos sabores e a descoberta de produtos alimentares. A confeitaria e a nova sociedade adaptando-se aos hipermercados e a chegada da confeitaria industrializada. Com isso, houve a popularização da sobremesa. A Ascenção da confeitaria ocorre no século XX, quando as criações com combinações inusitadas de especiarias e frutas exóticas montadas em aros com bases de biscuit dacquoise, joconde, bavaroises e mousses parecem permanecer na sutileza de sabores, texturas e na riqueza de detalhes que encantam aos olhos. A confeitaria deve ser considerada uma ciência exata, devemos nos atentar sempre às proporções utilizadas, medindo e pesando os ingredientes com precisão, pois assim, conseguiremos obter resultados satisfatórios ao fim de nossas preparações. Para tornar-se um bom chef confeiteiro, de modo geral as atitudes são mais importantesque as habilidades, pois uma atitude adequada ajuda não somente a TÓPICO 1 | ONDE TUDO COMEÇOU 17 desenvolver novas habilidades, mas também a superar as dificuldades que você poderá ter de enfrentar na sua carreira. Dominar a técnica, obviamente é essencial para o sucesso (GISSLEN, 2012, p. 11). 8 GRANDES PERSONALIDADES DA CONFEITARIA • Marie-Antoine Carême (1783-1833): suas contribuições para o aperfeiçoamento da pâtisserie foram únicas a seu tempo. Nascido em Paris, fora abandonado aos 12 anos de idade pelo pai. Sozinho, conseguiu um emprego como ajudante de cozinha em troca de moradia e comida, após o impacto da Revolução Francesa (CURLEY; CURLEY, 2015). Foi inicialmente adotado pelo dono de um restaurante decadente e iniciou seu trabalho na cozinha. Com 16 anos, tornou aprendiz de um dos melhores chefs pâtissiers de Paris, Sylvain Bailly, renomado confeiteiro, proprietário de uma loja próxima do Palais-Royal, reconhece o grande talento do jovem e o incentiva com suas criações que ganharam fama em Paris por suas Pièces Montèes (montagens bem elaboradas para decorar centros de mesas em banquetes, que depois exibia em suas vitrines). Marie-Antoine Carême, grande gênio culinário, pai da haute cuisine, foi reverenciado como “rei dos chefs” e “chefs dos reis”, considerado o primeiro “chef celebridade”. NOTA FIGURA 10 – CARÊME FONTE: <http://bit.ly/37JVddZ>. Acesso em: 30 out. 2019. Aos 20 anos, foi considerado um dos chefs mais influentes dos tempos modernos. Estudioso e dedicado, aperfeiçoou sua técnica através de grandes UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 18 mestres do seu tempo para desenvolver um estilo único jamais usado no mundo culinário. Como todos os criadores, era um ladrão de ideias – enfatizo que era ladrão, não um plagiador. Era apaixonadamente ligado a todos os mestres que tinham algo a dizer. Avice para pâtisserie, Laquipierre para molhos – apenas os fracos têm medo de ser influenciados, disse Goethe – mas nenhuma das criações dos mestres foi seguida até o último detalhe, e Carême sempre prestou homenagem afetuosas e generosas a todos eles (REVEL, 1982, p. 246 apud SUAS, 2012, p.13). Carême desenvolveu uma moderna versão da massa folhada, usando tanto para doces como para salgados. Inovou a técnica de laminação que cuidadosamente sobrepõe manteiga e massa para finalizar em centenas de camadas, criando dois clássicos: vol- au -vents e a famosa mil folhas. O vol-au-vent, invenção de Carême, tornou-se um clássico da cozinha francesa. Trata-se de uma massa folhada em formato cilíndrico feita de farinha de trigo, água, sal e manteiga, a massa é uma das mais difíceis de se realizar na confeitaria e uma da mais leves. Conta-se que Carême, ao conseguir a leveza sem igual da receita medieval, exclamou: ‘elle volle, elle volle’ (‘ela voa, ela voa’), isto é, voa ao vento (FREIXA; CHAVES, 2008, p. 132, grifo do original). Foi criador de nougat, merengue, croquant, poupelins (bolo de pâte à choux recheada com creme) e solilemmes, um pão de trigo brioche com manteiga borrifado logo após sair do forno. FIGRURA 11 – NOUGAT FONTE: <http://bit.ly/33t3Ru1>. Acesso em: 31 jul. 2019. Em 1803, Carême inaugura sua própria loja: a Pâtisserie de La Rue de La Paix, a abertura dessa loja foi realizada com recursos de trabalhos que ele fornecia de freelance para alta sociedade de Paris, em especial para o diplomata francês Charles Maurice de Talleyrand-Périgord e Napoleão. TÓPICO 1 | ONDE TUDO COMEÇOU 19 FIGURA 12 – SÉCULO XIX PERÍODO OURO DA CONFEITARIA FONTE: <http://2.bp.blogspot.com/_LoyjXdjgvAg/R1awIHfpfuI/AAAAAAAABNQ/7XeRZg6DWrI/ s400/19-4.jpg>. Acesso em: 30 out. 2019. Talleyrand foi o Primeiro Ministro da França, que, através de Napoleão, adquiriu o Chateau de Valençay, castelo destinado a encontros diplomáticos, levando consigo Carême com o desafio de criar menus sem repetir pratos e usando apenas produtos sazonais. Carême passou no teste e completou sua formação nas cozinhas de Talleyrand. Carême seguiu sua carreira no exterior. Trabalhou na Inglaterra como Chef de Cusine do Príncipe Regente, mais tarde coroado George IV e, antes de retornar a Paris, foi chef do banqueiro James Mayer Rothschild. Obras de Carême que hoje são utilizadas e encontradas nas bibliotecas internacionais para pesquisa: Le Pâtissier Real Parisien (Paris, 1815); Le Pâtissier Pittoresque (Paris, 1828) e Le Cuisinier Parisien (Paris, 1828). Nos últimos anos de sua vida, dedicou-se a escrever, redefinindo a própria natureza da pâtisserie que não consistia apenas em alimentos doces, e sim elegância, arte e espetáculo. Apreciador de arquitetura e artes, sua inspiração veio do Museu Nacional de Gravura, onde passava as horas de folga estudando e copiando várias obras de arte. UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 20 FIGURA 13 – OBRAS DE CARÊME FONTE: <http://bit.ly/2OrFfOd>. Acesso em: 30 out. 2019. Morreu em sua casa, em Paris, aos 48 anos de idade, possivelmente em razão dos muitos anos inalando a fumaça tóxica do carvão que usava para cozinhar. Será sempre lembrado como o fundador da haute cuisine (CURLEY; CURLEY, 2015). • Charles Elmé Francatelli (1805-1876): nascido em Londres, de origem italiana, estudou na França sobre a tutela de Carême. Destacou-se por combinar o melhor da cozinha italiana e francesa. Na Inglaterra, foi empregado por vários nobres, considerado um chef muito importante na Londres vitoriana. Grande parte da sua carreira passou na Grã-Bretanha, comandando as cozinhas de vários aristocratas e nobres, após tornou-se chef do Crockford’s Club. Saiu do Clube para se tornar chef da Rainha Vitória. Escreveu muitos livros de culinária, o mais famoso The Royal English and Foreign Confectionery Book (1862) (CURLEY; CURLEY, 2015). • Jules Gouffé (1807-1877): filho de dois confeiteiros donos de uma pâtisserie, foi descoberto por Carême ao passar em frente à loja de seu pai, quando viu a pièce montée de Gouffé na vitrine, perguntou quem tinha criado trabalho tão esplendido, o pai orgulhoso responde que seu filho Gouffé de 16 anos na época, Carême impressionado pegou-o imediatamente como aprendiz. Gouffé ficou famoso por seus livros, muitos deles traduzidos para inglês por seu irmão. Seu trabalho mais emblemático foi uma pièce montée de Croquembouche de merengue (CURLEY; CURLEY, 2015). • Urbain Dubois (1818-1901): após trabalhar com a família Rothschild, a mais poderosa família bancária, teve muito sucesso em três grandes Cafés de Paris: o Café Tartoni, Café Anglais e o Rocher de Cancale. Era reconhecido por suas decorações artísticas em sobremesas (CURLEY; CURLEY, 2015). TÓPICO 1 | ONDE TUDO COMEÇOU 21 • Os irmãos Julian (1821-1887): proprietários de uma padaria chamada Julien Frères, os três irmãos foram creditados pela criação de produtos como savarin, em homenagem ao advogado Brillat-Savarin, autor do livro Physiologie du Gout (A fisiologia do gosto). Foram creditados pela descoberta da Génoise (pão de ló), onde Auguste, um dos irmãos, teria visto em uma confeitaria em Bordeaux (CURLEY; CURLEY, 2015). • M. Chiboust (não há documentos que registrem nascimento e morte): criador da sobremesa batizada de Gâteau St. Honoré, em 1846, em homenagem a sua pâtisserie localizada na Rue St Honeré, em Paris, mas também ao santo padroeiro dos padeiros franceses. Sua principal criação foi o creme Chiboust que leva seu nome, no qual um creme de confeiteiro é misturado com o merengue italiano, deixando o mais leve e com uma textura incrível (CURLEY; CURLEY, 2015). • Pierre Lacam (1836-1902): criador do Petits fours, reverenciando a forma como eram preparadas, que literalmente significa “pequenos fornos”, referindo à tradição de assar essas pequenas iguarias em fornos com a temperatura bem baixa. Pierre, dedicou grande parte da sua vida, escrevendo sobra a arte da confeitaria. Publicou seu primeiro livro, Le Pâtissier-Glacier (1865), e Le Mémorial et Geographique dela Pâtisserie (1890) (CURLEY; CURLEY, 2015). • Auguste Escoffier (1846-1935): autor do Le Guide Culinaire (1903), com 5000 receitas, o qual se consagrou ao atualizar e popularizar os métodos de cozimento tradicionais franceses e por modernizar a gastronomia da França. Suas dicas, técnicas, receitas e anotações sobre o preparo de alimentos, assim como também a forma de gestão da cozinha, são muito influentes e são adotadas por muitos chefs em toda França e no mundo (CURLEY; CURLEY, 2015). • Cyriaque Gavillon (não há documentos que registrem nascimento e morte): acredita-se que foi o criador do famoso bolo Ópera, em 1955 na pâtisserie Dalloyau. Sua ideia era criar um bolo que pudesse ser visualizada todas as camadas, e em apenas uma mordida, um resumo de todos os conceitos da confeitaria (CURLEY; CURLEY, 2015). FIGURA 14 – OPERA CAKE – PÂTISSERIE DALLOYAU FONTE: <http://bit.ly/2Din5YZ>. Acesso em: 2 ago. 2019. • Gaston Lenôtre (1920-2009): nasceu em uma pequena fazenda na Normandia, precocemente desenvolveu uma paixão pela culinária, influenciado por seus pais que eram cozinheiros em Paris, mas uma enfermidade, obrigou que ele e sua família voltassem para Normandia. Teve muita dificuldade de ser aceito UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 22 como aprendiz em uma cozinha profissional. Mas foi na pequena cidade de Bernay, em 1947, que ele abriu sua primeira loja. O grande sucesso permitiu que ele comprasse, junto com sua esposa, Colette, uma pequena padaria no 16° distrito de Paris, em 1957. Colette, que, comprometida com a qualidade dos ingredientes, juntamente com algumas inovações técnicas interessantes, foi grande aliada na conquista dos parisienses. Foi responsável, em 1960, pela renovação da pâtisserie. Com seu olhar atento, transformou com a introdução de ingredientes mais leves e sabores de frutas frescos, o que era um tanto quanto indigesto em algo mais apreciado ao paladar moderno. Introduziu os macarons lindamente coloridos, com sabor de frutas. E em 1964, Lenôtre, passa a trabalhar também com cozinha salgada e fazer festas e buffet, transformando- se em uma rede internacional de alta gastronomia e confeitaria. Aclamado pelos franceses como o “Cavalheiro Patissier”, foi o chef confeiteiro mais importante depois de Marie-Antoine Carême. O nome Lenôtre transformou-se em uma marca; mudando a percepção do pâtissier moderno. E em 1971, na cidade de Plaisir, a oeste de Paris, inaugura a primeira escola para chefs confeiteiros. Com um curso rigoroso e o padrão Lenôtre de treinamentos é atualmente a espinha dorsal da indústria da França. Treinando cerca de três mil alunos por ano, treinou chefs que revolucionaram a indústria na França e no mundo. Aos 88 anos, em 2009, morre Lenôtre, o que motivou o seguinte comentário do então Presidente da França, Sarkozy: “ele foi bem-sucedido, com seu talento e sua criatividade, seu rigor e seus altos padrões, em elevar a pâtisserie ao posto de arte” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 13). Como dizia o famoso Paul Bocuse certa vez, “a assinatura Lenôtre em uma sobremesa é como a de Christian Dior em um vestido” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 13). • Pierre Hermé: nasceu em 1961, iniciou sua carreira aos 14 anos de idade, herdeiro de quatro gerações de padeiros e confeiteiros. Aos olhos de Gaston Lenôtre, o qual foi sua referência, aos 20 anos já era chef-pâtissier. Trabalhou em duas grandes docerias, Fauchon e Ladurée. Considerado pela Vogue como “Picasso da Confeitaria”, duas são as principais características de seu trabalho, textura e sabor. Eliminou as decorações excessivas ou inúteis em seus doces, e de “usar o açúcar como sal”, ou seja, para ressaltar o verdadeiro sabor. Conhecido por ser apaixonado por macarons, com sabores que tornaram a sua marca. Autor de diversos livros e acumulador de prêmios, possui diversas lojas espalhadas por Paris e pelo mundo (PIERRE, 2018). • Christophe Michalak, nasceu em 1973, Chef-Pâtissier, liderou programas de televisão com intuito de desmistificar a confeitaria francesa, autor de livros, iniciou seus estudos aos 15 anos de idade e aos 16 anos decidiu aprender o ofício trabalhando em vários locais de prestígios com chefs reconhecidos. Em seu currículo, constam Hotel Negresco em Nice, e pelas Maisons Fauchon e Ladurée. Mas foi como chef pâtissier do Chique Hotel Plaza Athénée que sua carreira chegou ao topo, ao lado de Alain Ducasse. Em 2013, abre sua primeira loja, e cria sua Michalak Master Class em Paris, uma escola de formação em confeitaria (LIMA, 2017). • Cedric Grolet nasceu em 1985, com 11 anos de idade seu interesse pela confeitaria já era evidente, trabalhou na cozinha do hotel que seu avô gerenciava em Andrézieux-Bouthéon, no Vale du Loire. Com 13 anos se tornou aprendiz de TÓPICO 1 | ONDE TUDO COMEÇOU 23 cozinha e com 14 anos ingressou na escola de confeitaria. Com 15 anos começou a colecionar prêmios. Estudou artes, e as 21 anos iniciou sua carreira na famosa Fauchon, considerada escola de grandes chefs confeiteiros. Premiado como o número um mundial da confeitaria, surpreende com seus doces que imitam frutas na aparência, e com recheios que são verdadeiras explosão de sabores naturais de frutas. Em 2011, inicia sua carreira no famoso e tradicional Hotel Le Meurice, em 20 de março de 2018, inaugura uma loja aberta ao público, a Le Meurice’s Pastry Boutique by Cédric Grolet. Um local diferente, meio laboratório e meio loja, com uma vitrine praticamente vazia, os doces são montados em função da demanda do dia, e as portas da loja são fechadas somente após a última venda (CÉDRIC, 2018). ALIMENTAÇÃO NA PRÉ-HISTÓRIA E EVOLUÇÃO Diversas espécies do gênero homo desenvolveram-se ao longo de milhões de anos até a chegada à espécie dos homines sapiens, da qual os cientistas afirmam que nós, humanos contemporâneos, fazemos parte. Muitos desses cientistas afirmam que a adoção de uma dieta também baseada em proteína animal teria contribuído para a evolução dos seres humanos e que essa adoção teria se dado ao longo de muito tempo, resultando na criação de diversas habilidades para conseguir esse tipo de alimento. Durante o chamado período Paleolítico, uma divisão temporal que se estendeu por cerca de dois milhões de anos, até mais ou menos 10 mil anos atrás, os humanos ainda viviam da coleta de frutas, raízes e outras espécies vegetais, mas começaram a desenvolver o hábito de se alimentar de proteína animal, decorrente da caça, da pesca e da coleta de mariscos, mas também do aproveitamento de carcaças de animais deixadas por outros carnívoros. Para o paleoantropólogo Henry Bunn, da Universidade de Wisconsin- Madison, a habilidade de obtenção da carne e a forma de dilacerar a carcaça dos animais sofreram alteração durante o paleolítico. Ele dividiu em três etapas o processo. Primeiramente, os chamados hominídeos retalhavam a carne dos ossos das carcaças de animais, usando alguns instrumentos feitos de pedra ou de lascas de pedras. Esse primeiro período teria ocorrido entre 2,6 e 2,5 milhões de anos atrás, indicando ainda uma capacidade pequena dos hominídeos de obter alimentos com proteína animal. Um segundo momento seria caracterizado por um procedimento mais comum de manuseio da carne a ser ingerida, além de passarem a desenvolver a habilidade de quebrar os ossos para também se alimentar do tutano de seu interior e carregarem as carcaças de animais para lugares distintos de onde haviam sido encontrados ou abatidos. Nesse estágio, entre 2,3 e 1,9 milhão de UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 24 anos, os hominídeos ainda se apropriavam de carcaças de presas de outros carnívoros, mas também já conseguiam obter presas próprias. O terceiro estágio nessa evolução “carnívora” dos hominídeos do Paleolítico caracterizar-se-ia pelo retalho extensivo dos restos dos animais, obtendo carcaças intactas, decorrentes de novas habilidades de apropriação de presas de outros carnívoros ou mesmo decorrentes daprática da caça, que se tornava rotineira. A datação dessa última fase é estimada entre 1,8 e 1,6 milhão de anos e demonstra que, além de caçar, os hominídeos do período atuavam na obtenção de partes de caça de outros mamíferos carnívoros. Para outro especialista, o paleontólogo Lars Werdelin, esse desenvolvimento da habilidade de obtenção de carne pelos hominídeos teria causado uma diminuição no número de espécies carnívoras no leste da África, tendo possivelmente sido eliminadas muitas espécies de animais de grande porte. A entrada dos hominídeos na cadeia alimentar carnívora, somada a alterações climáticas, teria, dessa forma, mudado de forma drástica o ecossistema dessa região africana. FONTE: <https://www.historiadomundo.com.br/pre-historia/alimentacao-na-prehistoria-e- evolucao.htm>. Acesso em: 2 ago. 2019. 25 Neste tópico, você aprendeu que: • O homem primitivo vivia em pequenos grupos e, com o crescimento da sociedade, percebeu que ficou mais difícil encontrar as caças, passando a imitar os animais herbívoros, revelando que ele precisava plantar seu próprio alimento. • Há fortes indícios que os egípcios também apresentavam técnicas de confeitaria, com acesso aos ingredientes como farinha de trigo, azeite e mel, além de técnicas de padeiros, como o cozimento dos ingredientes e pedras utilizadas para moer grãos. • No Egito, o pão era utilizado como uma moeda de escambo, inclusive utilizada para o pagamento do salário de trabalhadores. • Em 168 a.C. se tem conhecimento de que foram feitos os primeiros registros da profissão de “padeiro”, uma profissão muito almejada pelos romanos. • Os romanos, conhecedores das técnicas de fermentação, criaram diversos bolos, com frutas secas e queijo. • Entre os séculos V e XV, o pão e o doce se tornou conhecido na Europa, provocando a escassez do trigo pela grande procura. Neste período, a agricultura não era autossuficiente para as demandas. • O bolo Obélias foi um pão preparado com farinha, azeite e mel, a forma mais antiga de doce. A massa era dividida em tiras e envolto em uma barra de madeira para ser cozido no fogo. Esse alimento fazia parte dos cortejos a Dionísio, o deus do vinho. • A Ascenção da confeitaria ocorre no século XX, quando várias criações com combinações inusitadas de especiarias e frutas exóticas montadas parecem permanecer na sutileza de sabores, texturas e na riqueza de detalhes. • Marie-Antoine Carême, grande gênio culinário, pai da haute cuisine. Reverenciado como “rei dos chefs” e “chefs dos reis”, considerado o primeiro “chef celebridade”. • Carême desenvolveu uma moderna versão da massa folhada, usando tanto para doces como para salgados. Inovou a técnica de laminação que cuidadosamente sobrepõe manteiga e massa para finalizar em centenas de camadas, criando dois clássicos que são preparados até hoje: vol- au -vents e a famosa mil folhas. • Carême seguiu sua carreira no exterior, trabalho na Inglaterra como Chef de Cusine do Príncipe Regente, mais tarde coroado George IV, antes de retornar a RESUMO DO TÓPICO 1 26 Paris, foi chef do banqueiro James Mayer Rothschild. Morreu em sua casa, em Paris, aos 48 anos de idade, possivelmente em razão dos muitos anos, inalando a fumaça tóxica do carvão que usava para cozinhar. Será sempre lembrado como o fundador da haute cuisine. • Charles Elmé Francatelli observou que em Londres muita comida era desperdiçada e que seria possível alimentar mais de mil famílias. • O trabalho mais emblemático de Jules Gouffé foi uma pièce montée de Croquembouche de merengue e seu legado está vivo até hoje. • Urbain Dubois era reconhecido por suas decorações artísticas em sobremesas. Utilizava confeitos de açúcar e marzipã em seus doces. • Os irmãos Julian foram creditados pela descoberta da Génoise (pão de ló), em que Auguste, um dos irmãos, teria visto em uma confeitaria em Bordeaux. • A principal criação de M. Chiboust foi o creme Chiboust que leva seu nome, em que um creme de confeiteiro é misturado com o merengue italiano, deixando-o mais leve e com uma textura incrível. • Pierre Lacam foi o criador do Petits fours. • Auguste Escoffier foi o autor do livro Le Guide Culinaire (1903) com 5000 receitas. • Acredita-se que Cyriaque Gavillon foi o criador do famoso bolo Ópera, em 1955, na pâtisserie Dalloyau. • Gaston Lenôtre foi responsável, em 1960, pela renovação da pâtisserie. Com seu olhar atento, transformou com a introdução de ingredientes mais leves e sabores de frutas frescos, o que era um tanto quanto indigesto em algo mais apreciado ao paladar moderno. Introduziu os macarons lindamente coloridos com sabor de frutas. E em 1971, na cidade de Plaisir, a oeste de Paris, inaugura a primeira escola para chefs confeiteiros. Com um curso rigoroso e o padrão Lenôtre de treinamentos é atualmente a espinha dorsal da indústria da França. Treinando cerca de três mil alunos por ano, treinou chefs que revolucionaram a indústria na França e no mundo. • As duas principais características de Pierre Hermé, considerado pela Vogue como o “Picasso da Confeitaria”, são: textura e sabor. • No currículo de Christophe Michalak constam: Hotel Negresco em Nice e as maisons Fauchon e Ladurée. Mas, foi como chef pâtissier do Chique Hotel Plaza Athénée que sua carreira chegou ao topo, ao lado de Alain Ducasse. • Cédric Grolet foi premiado como o número um mundial da confeitaria, surpreende com seus doces que imitam frutas na aparência e com recheios que são verdadeiras explosão de sabores naturais de frutas. 27 1 Quais os dois processos de fermentação de pães que foram desenvolvidos pelos egípcios encontrados no texto? 2 Que contribuições exerce Catarina de Médici sobre a França? 3 Qual foi o principal papel de Gaston Lenôtre ao mundo da confeitaria? AUTOATIVIDADE 28 29 TÓPICO 2 NOÇÕES BÁSICAS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico, neste tópico iniciaremos com a escolha dos equipamentos e para que servem, afinal, saber o nome e sua função facilita grandemente na hora dos preparos. Principalmente se você deseja fazer parte deste universo maravilhoso da confeitaria. Os equipamentos exercem um papel fundamental na preparação das sobremesas, em que algumas preparações exigem equipamentos específicos que podem garantir o resultado desejado. Logo em seguida, conheceremos os principais ingredientes, entenderemos sobre os diversos tipos de açúcares e suas características, aprenderemos sobre a elaboração de caldas e caramelos. Lembrando que, para obtermos um resultado espetacular, é muito importante a escolha de ingredientes frescos e de qualidade. 2 EQUIPAMENTOS A utilização dos utensílios está associada ao conhecimento específico de cada instrumento, o que é importante conhecermos, pois pode facilitar a execução e todo resultado. FIGURA 15 – EQUIPAMENTOS DE CONFEITARIA FONTE: <http://bit.ly/2soRVNr>. Acesso em: 25 ago. 2019. UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 30 • Aros de bolo: são utilizados tanto para assar bolos, como também na montagem para dar forma. Seu tamanho varia de 5 cm a 75 cm em diâmetro e 4 cm a 15 cm de profundidade. • Aros de entremet: semelhantes aos de bolo, porém utilizados para montagem de sobremesas individuais. • Bailarina: suporte giratório que apoia bolos para sua decoração. • Balança: essencial na confeitaria para pesar os ingredientes, principalmente se você quer obter um bom resultado. • Batedeira: prefira a planetária, ela é mais potente e tem uma rotação orbital com movimentos simultâneos, assim as massas são misturadas de forma mais uniforme e aerada. O batedor globo é indicado para merengues e claras em neve, e por possuir esse formato, é excelente para formar ar na massa. Na planetária, além do globo acompanhar mais dois tipos de batedores, raquete ou leque e o gancho. A raquete é ideal para bater, por exemplo, a massa da pâte à choux ou cremes. O gancho para bater massas mais pesadas como as de pão. • Bicos de confeitar: existe uma grande variedadede bicos, os mais utilizados são o liso (ou perlê) e o pitanga (ou crespo). FIGURA 16 – BICO PITANGA FONTE: <http://bit.ly/35HNWKe>. Acesso em: 30 out. 2019. FIGURA 17 – BICO PERLÊ FONTE: <http://bit.ly/2DjQzW7>. Acesso em: 30 out. 2019. • Bowls: são tigelas de vários tamanhos, e são muito utilizados tanto na confeitaria quanto na gastronomia. • Chinois: coador cônica com tela em inox. Muito utilizado para coar geleias. TÓPICO 2 | NOÇÕES BÁSICAS 31 FIGURA 18 – CHINOIS FONTE: <https://i.pinimg.com/564x/ae/28/f2/ae28f21e7e7571e23004474be6e6afec.jpg>. Acesso em: 30 out. 2019. • Cortadores: disponíveis em vários formatos e tamanhos, são muito utilizados para cortar massas de biscoitos. Podem ser lisos ou canelados. • Espátulas de silicone: são usadas para mexer alimentos quentes, como cremes. • Espátulas offset: espátula de metal com uma lâmina curvada próximo ao cabo, permite caber embaixo dos alimentos e o levantar. FIGURA 19 – ESPÁTULA OFFSET FONTE: <https://i.pinimg.com/564x/c4/66/1b/c4661b78e9ba5a2b8cc794b646c3436b.jpg>. Acesso em: 25 ago. 2019. • Faca de cozinha: sua lâmina é pequena, utilizada principalmente para tornear e descascar frutas. • Faca de serra: possui ponta serrada, é utilizada para cortar pães, bolos e outros alimentos macios. • Faca do chef: é a mais essencial, usada para cortar, picar e fatiar. A lâmina pode variar de 15 cm a 35 cm de comprimento. • Forma com furo no meio: usada para fazer bolos densos, pode ser canelada ou lisa. • Forma de bolo: podem ser de aço ou alumínio, geralmente redonda. • Forma de tartelette: mais rasa, pode ser lisa ou caneladas nas bordas. • Forma de bolo inglês: retangulares, usadas para pães ou bolos neste formato. • Formas de madeleines: formato de concha, retangular e rasa, usada para fazer um clássico francês. Podem ser encontradas de 3 cm a 10 cm de comprimento. UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 32 FIGURA 20 – FORMA DE MADELEINE FONTE: <http://bit.ly/37RHfai>. Acesso em: 30 out. 2019. • Fouet: batedor com diversos fios de arame, ideal para que não perder a aeração, ideal para musses e misturas que precisa incorporar ar. FIGURA 21 – FOUET FONTE: <http://bit.ly/2DkJWDh>. Acesso em: 25 ago. 2019. • Grade de metal: utilizadas tanto para esfriar bolos, como para cobrir doces permitindo sua total cobertura. • Maçarico: portátil inflamado, ideal para queimar coberturas de açúcar e merengues. • Mangas de confeitar: possui vários tamanhos, utilizados com bico de confeitar, ideal para decoração ou espalhar a massa. • Mixer: excelente para serem utilizados em ganaches, visto que garante uma boa emulsão. • Panela de cobre: é considerada a melhor panela para distribuição de calor, excelente para cozinhas caldas de açúcar. • Panela de inox: precisa ter o fundo bem grosso, com uma camada de alumínio no fundo para ajudar na condução de calor. • Peneira: ótima para peneirar ingredientes, ajuda a finalizar muitas preparações. • Pincel: excelente para untar formas, espalhar ovo batido sobre as massas, molhar bolos. Cuidar para sempre ter um especialmente para ovo, evitando odores. • Processador de alimentos: utilizado para cortar, misturar, amassar, fatiar. Funciona melhor quando a tigela está cheia só até a metade. TÓPICO 2 | NOÇÕES BÁSICAS 33 • Descascador: ideal para descascar frutas e vegetais. • Rolo de massa: utilizados para abrir massas. • Tapetes de silicone: são antiaderentes e são utilizados para substituir o papel manteiga, possui uma superfície que não gruda. Sua limpeza é feita com água e sabão antes e depois de serem utilizados. • Termômetros: essenciais para caldas de açúcar e medir a temperatura de chocolate. Fazem toda a diferença nas preparações padronizando as receitas. Equipamentos de boa qualidade não são baratos, mas no longo prazo compensam. Recomendamos alguns itens básicos como: balança digital, bowls de inox, Fouet, espátulas de borracha e de confeiteiro, e um termômetro. 3 ESCOLHA DOS INGREDIENTES Acredite, a escolha de ingredientes de qualidade vai influenciar significativamente no resultado, os doces foram criados para serem consumidos em ocasiões especiais na nossa vida, e assim devem ser tratados. Procure utilizar sempre componentes frescos, respeitando a validade e o modo de utilização, com isso, tudo fica mais gostoso e seu corpo agradece. 3.1 PRINCIPAIS INGREDIENTES UTILIZADOS NA CONFEITARIA Ingredientes de boa qualidade são primordiais, procure sempre comprar o melhor que encontrar. Verifique sempre os prazos de validade, as frutas sempre frescas e com boa aparência. Esses cuidados fazem toda a diferença no final. • Açúcar: um ingrediente de grande importância, sua função não está apenas associada a trazer a doçura, mas incluir mais maciez, textura e conservação. Ele está presente naturalmente em vários alimentos, pode ser encontrado em algumas frutas, no mel e em alguns legumes como a beterraba. Descoberto extraído pela primeira vez da cana-de-açúcar, era conhecido como especiaria rara há milhares de anos atrás. Existem duas versões para sua origem, a primeira é atribuída a Índia, a segunda é que fazia parte decorativa de jardins da Nova Guiné, e depois espalhado por várias ilhas do Pacífico, chegando finalmente à Índia, onde começou a ser cultivado no século X a.C. A sua propagação de cultivo no mundo islâmico, na era medieval, levou a um refinamento dos métodos de fabricação e produção. Nos séculos XVIII e XIX, teve início a extração do açúcar de beterraba. Mudanças no beneficiamento provocaram um aumento na produção, que transformam o açúcar, antes especiaria, em produto comum nos séculos XIX e XX. Estudos apontam que os nossos ancestrais consumiam dietas que tinham cerca de 4% - 6% de açúcar, medido como porcentagem de energia, principalmente sob a forma de frutas e ocasionalmente de mel. Os seres humanos evoluíram tendo uma aceitação ao sabor doce, provavelmente porque, na natureza, a doçura indica que as frutas já UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 34 estão maduras e prontas para serem consumidas. Este fato certamente influenciou nosso paladar hoje no que diz respeito à aceitação (muitas vezes “adoração”) pelo doce (CHEMELLO, 2005, p. 12). O mel passou a ser utilizado apenas em cerimônias e rituais após o século III a.C., no qual os hindus já tinham sua independência dele. Os dravidianos (uma das populações mais antigas do sul da índia) já sabiam fabricar o melaço extraído da cana-de-açúcar, herança adquirida de seus ancestrais. Hindus já usufruíam a partir de primeiro milênio a.C. de equipamentos como o moinho que fazia a separação do suco de cana e produziam o açúcar cristal, utilizado como especiaria para a fabricação de coalhada de leite chamada payasya Na Pérsia 500 a.C., registros indicam que através da influência hindu era fabricado açúcar em seu estado sólido. Gregos e Romanos conheciam o açúcar cristalizado e utilizavam em bebidas e na culinária. No século X, surgiram as primeiras refinarias egípcias e, por volta do ano 700, seus mercados já comercializavam pães e doces, confeccionados por mais de mil confeiteiros, profissão já muito requisitada no Oriente (PERRELLA; PERRELA, 2016). Através dos Árabes, com as Cruzadas, final do século X, é que o açúcar chega a Europa, vindo de terras distantes a custo elevado, era de uso somente do clero, nobreza e para fins medicinais, comercializado por boticários no tratamento de epilepsia, dores de cabeça e melancolia. FIGURA 22 – AÇÚCAR FONTE: <http://bit.ly/2Oqk8Mb>. Acesso em: 30 out. 2019. Portugal começou a sua produção de cana-de-açúcar no ano de 1404, na zona de Tavira, e depois na ilha da Madeira, sendo instalado ali seu primeiro engenho em 1452, de onde o açúcar era exportado para a Inglaterra (PERRELLA; PERRELLA, 2016). Mas, foi a partir do século XV e XVI que o continente passou a usar o açúcar cada vez mais, seu uso era predominante. Considerado uma das especiarias mais importantes do Ocidente,e com o descobrimento da América, o primeiro cuidado do descobridor foi levar uma muda de cana-de-açúcar, a descoberta do Brasil fez TÓPICO 2 | NOÇÕES BÁSICAS 35 com que produção aumentasse ainda mais, cultivada em quase toda extensão territorial, principalmente Nordeste e Sudeste. A sua utilização deve estar sempre associada ao resultado e não por sua doçura. 3.1.1 Tipos de açúcar FIGURA 23 – AÇÚCAR FONTE: <hhttp://bit.ly/2Oo0qAK>. Acesso em: 30 out. 2019. • Açúcar Cristal: é granulado, formado por cristais pequenos, transparentes e uniformes, contendo aproximadamente 99% de sacarose. Não é indicado na utilização de misturas cremosas, resultando diretamente na textura mais arenosa e em uma aparência poluída. Recomendamos sua utilização em caldas. • Açúcar Refi nado: é o mais utilizado na confeitaria, possui partículas pequenas e regulares, sua dissolução em líquidos é rápida. Muito indicado para confecção de massas aeradas, merengues, misturas cremosas. • Açúcar Mascavo: originalmente um açúcar mais escuro, úmido, extraído da concentração do caldo de cana. Com aparência mais clara possui 6% de melaço, e o escuro, com teor de 18% de melaço em sua composição. Indicado na utilização de bolos e biscoitos doces, funcionando muito bem para realçar o sabor. • Açúcar Demerara: um açúcar semelhante ao mascavo, porém mais claro e seco, com 2% de melaço na sua composição. Não é indicado para adoçar sucos e nem café, uma vez que para sua dissolução precisa de tempo e calor. Muito indicado sua utilização para caldas, compotas, licores, caramelos, pudins. Possui valores nutricionais semelhantes ao do mascavo. • Açúcar Impalpável: branco com textura muito fi na acrescido de amido de milho para que não dissolva em condições úmidas. Sua utilização é indicada para preparar glacês, confeitar bolos, polvilhar doces, bolos e pães. • Açúcar Invertido: é um xarope feito de açúcar comum. Obtido pela ação de ácidos e uma enzima na sacarose, o que resulta na quebra da molécula de sacarose em glicose e frutose. Melhora o processo de produção de refrigerantes, biscoitos, sucos, sorvetes, molhos e doces em geral. Seu uso na fabricação de balas evita a cristalização do açúcar. UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 36 • Açúcar de Confeiteiro: é o mais branco e fino de todos os açúcares. Indicado para glaces, merengues e biscoitos. • Açúcar Orgânico: mais caro, pois não utiliza ingredientes artificiais em nenhuma etapa de sua produção. Sua aparência mais escura que o refinado, mais grosso e com o mesmo poder adoçante, pois sua composição é exclusivamente de sacarose. • Glicose: um açúcar invertido com a função de prevenir a recristalização quando o açúcar é levado a altas temperaturas. • Mel: é um açúcar invertido natural, sua qualidade e sabor estão totalmente associados às características naturais das flores e do ambiente onde foi produzido. Os açúcares têm uma característica em comum, que deve ser compreendida por padeiros e confeiteiros: eles são higroscópicos. Isso significa que atraem e retêm a água. Alguns açúcares são mais higroscópicos que outros. A frutose, por exemplo, é muito mais higroscópica que a sacarose (açúcar comum). FONTE: GISSLEN, W. Panificação e Confeitaria profissionais. Barueri: Manole, 2012. p. 67. IMPORTANT E 3.1.2 Caldas e caramelos Acadêmicos, é importante, quando formos trabalhar com caldas e caramelos, termos uma atenção especial com as temperaturas adequadas para cada preparo. A) Pontos de açúcar • Almíbar (Calda para umedecer): 100 °C. • Bala Mole: 116 °C a 119 °C. • Bala Dura: 120 °C a 127 °C. • Caramelo Claro (amarelado): 151 °C a 160 °C. • Caramelo Escuro (amargo): 161 °C a 170 °C. É importante observar que a temperatura é o guia para esses diferentes pontos, indica a concentração de açúcar ou o ponto que a calda atingiu. Quando fervemos uma calda por algum tempo, a água evapora, o açúcar fica concentrado e a calda fica cada vez mais grossa. A temperatura de uma calda deve ser sempre medida com um termômetro, o qual deverá ser utilizado de maneira correta, posicionando de tal forma que sua ponta toque somente a calda, e não o fundo da panela. TÓPICO 2 | NOÇÕES BÁSICAS 37 B) Tipos de calda • Calda Fina: 250 gramas de açúcar para 500 ml de água. • Calda Média: 250 gramas de açúcar para 250 ml de água. • Calda Grossa: 250 gramas de açúcar para 225 ml de água. O melhor utensilio para a realização da calda é uma panela de cobre, um ótimo condutor de calor que não reage quimicamente ao açúcar. Cuidados ao preparar caldas de açúcar concentradas: • Dissolver bem o açúcar antes de levar ao fogo. • Não mexer a calda depois de levantar fervura, os cristais se formam depois que a calda levanta fervura, ou quando respinga nas laterais da panela. • Manter o interior da panela limpa, para isto você pode utilizar um pincel molhado em água fria e limpando as laterais da panela. C) Caramelo com Flor de Sal Este caramelo originou-se em Brittany na França, onde a flor de sal é produzida. A origem da palavra “caramelo” pode ser traçada até canamellis, palavra latina para cana-de-açúcar. O caramelo em si também é bem antigo; as versões mais primitivas remontam ao século XI. A versão original era preparada pelos árabes, que chamavam de kurat al milh ou “bola doce de sal”, em razão de sua aparência. Era preparada fervendo-se a cana-de-açúcar em água. O resultado era uma preparação dura e crocante, já o caramelo de hoje está disponível em várias consistências (CURLEY; CURLEY, 2015). QUADRO 1 – RECEITA CARAMELO COM FLOR DE SAL Proporção Técnica de realização 185 ml de Creme de Leite Fresco 1 Fava de Baunilha (Opcional) 365 g de açúcar refinado 60 g de glicose liquida 300 g de manteiga sem sal em temperatura ambiente 5 g de flor de sal 1. Coloque o creme de leite em uma panela. Raspes as sementinhas da fava de baunilha e acrescente à panela, juntamente com a fava. Aqueça até ferver. Tire a panela do fogo e deixe em infusão por 30 minutos. 2. Aqueça uma panela de fundo grosso. Quando estiver quente, junte um terço do açúcar e a glicose líquida. Aqueça em fogo baixo, até o açúcar dissolver e formar um caramelo claro. 3. Adicione o restante do açúcar e continue cozinhando até o caramelo ficar bem dourado. Isso leva cerca de 10 minutos, mas há muitas variáveis, então observe de perto o cozimento do açúcar. 4. Descarte a fava de baunilha do creme de leite e junte-o aos poucos ao caramelo. Misture bem e retire a panela do fogo. 5. Acrescente a flor de sal 6. Acrescente a manteiga, um cubo por vez. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 118) UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 38 3.1.3 Farinha de trigo Você sabia que existe uma farinha de trigo específica para confeitaria? É chamada de farinha de trigo mole, suas características são: o baixo teor de proteínas e textura macia, isso acontece porque as preparações são mais delicadas, leves e não podem obter o desenvolvimento do glúten. É importante você lembrar que quanto mais você bate ou amassa uma massa, mas ela desenvolve glúten, isso faz com que a massa se torne mais elástica, borrachuda e resistente. Esse processo é muito desejado em massas de pães, mas não é o que desejamos na preparação de bolos, massas de tortas ou biscoitos. 3.1.4 Leite Sempre use leite integral. Não há porque substituir por uma alternativa de baixo teor de gordura. Conserve na geladeira a 3-5 °C. 3.1.5 Nata É bastante utilizada no sul do Brasil, trata-se de uma gordura do leite padronizada e pasteurizada com 50% de gordura. 3.1.6 Creme de leite fresco Não é processado e mais gordo que os enlatados, com 35% de gordura. Com ele é possível bater o chantili. Difere-se em vários aspectos do enlatado por possuir uma qualidade superior. 3.1.7 Leite condensado Sua criação foi, inicialmente, para conservar o leite no período pré- geladeira, era muito comum azedar do trajeto da fazenda para a cidade. É composto de leite e açúcar, emque 60% da parte líquida evapora. TÓPICO 2 | NOÇÕES BÁSICAS 39 Acadêmico, indicamos uma receita caseira de leite condensado, a seguir: • 1 litro de leite; • 300 gramas de açúcar refinado. Misture os dois ingredientes em uma panela e deixe maturar, leve ao fogo alto. Mexa sem parar até a mistura engrossar, aproximadamente 20 minutos. Transfira para uma batedeira e bata até esfriar, é nesse processo que ela ganha textura e brilho. INTERESSA NTE 3.1.8 Manteiga Na confeitaria o ideal é sempre utilizar a manteiga sem sal, isso não quer dizer que você não possa utilizar com, só tome cuidado e verifique se na receita inclui sal para que não fique muito salgado. 3.1.9 Ovos Essenciais na confeitaria, sem eles, com toda certeza, nosso mundo seria diferente. Sua utilização é muito diversificada, pode ser utilizado o ovo inteiro, ou somente a clara, ou a gema. Em média, o peso líquido da clara 30 gramas e da gema 20 gramas. Sua conservação ideal é na geladeira com temperaturas de 3 a 5 °C, permanecendo mais frescos do que em temperatura ambiente. Importante sempre retirar da geladeira duas horas antes de usar em merengues, pães de ló e outras massas aeradas. Os ovos são um dos principais ingredientes da pâte à choux, por exemplo, sua principal função está associada ao crescimento da massa, uma vez que não vai nenhum tipo de agente fermentador. Isso acontece porque a umidade incorporada através dos ovos forma o vapor no interior da massa aumentando o seu volume. Patê à choux é uma preparação clássica da pâtisserie francesa que utiliza dois estágios: cozinhar a massa e assar a massa. As raízes da pâte à choux vêm do século XVI e, originalmente, era feita adicionando ovos a uma massa elaborada com batatas. A palavra choux, termo francês para repolho, refere-se à forma irregular que assume quando assada (SUAS, 2012, p.149). NOTA UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 40 As claras, na maioria dos preparos é utilizada em ponto de neve, para isso é importante conhecer duas proteínas: albumina e globulina. Essas proteínas, no início, têm formato de espiral e, através da força física, tanto por meio de uma batedeira ou fouet, o espiral vai desenrolado e incorporando ar, estruturando a clara em neve. Mas, cuidado, se batermos a clara demais ela começa a liberar água, desestruturando toda clara batida. • Claras Podem ser congeladas e rendem merengues melhores do que as frescas. Interessante que seja congelada sempre em pequenos lotes, seu descongelamento deve ser feito na geladeira de um dia para o outro. Também podem ser mantidas sobre refrigeração de dois a três dias. • Gemas Não reagem bem ao congelamento. Podem ser armazenas em refrigeração, em recipiente vedado de dois a três dias. Possuem uma película protetora que enfraquece com o tempo. 3.1.10 Frutas É importante sempre usar as frutas da estação, o resultado será surpreendente. Cuidar sempre com a aparência das frutas, elas precisam estar maduras e com cheiro doce e perfumado. Ao comprar frutas vermelhas sempre verificar o fundo para ver se não estão verdes ou esmagadas. As frutas vermelhas como framboesas e amoras podem ser congeladas, mas lembre-se que sua utilização será apenas para purês, geleias e polpas para confecção de musses. Nunca utilize frutas congeladas para decoração. 3.1.11 Oleaginosas São muito utilizadas na confeitaria. Cuidar sempre para comprá-las frescas, por serem ricas em gordura é importante tomar cuidado com sua validade para não se tornarem rançosas. São encontradas inteiras, moídas, lâminas ou em outros formatos. As oleaginosas mais utilizadas são: amêndoa, amendoins, castanha-do- brasil, castanha-de-caju, macadâmia, nozes, pistache, avelã, castanha-portuguesa. TÓPICO 2 | NOÇÕES BÁSICAS 41 3.1.12 Fava de baunilha A baunilha é originária de uma orquídea, a baunilheira (Vanilla planifólia), trepadeira, cultivada em lugar úmido e muito iluminado. Dessa planta são extraídas as favas que sofrem um processo de maturação em seguida são secas. Sua mão de obra é muito cara, por isso se torna uma das especiarias mais caras do mundo. Possuem em seu interior minúsculas sementes muito aromáticas que são adicionadas nas preparações. A melhor forma de armazenar é guardar em recipiente hermético, na geladeira, para mantê-las úmidas e frescas. FIGURA 24 – VANILLA PLANIFÓLIA FONTE: <http://bit.ly/33oJuOW>. Acesso em: 31 out. 2019. FIGURA 25 – FAVA DE BAUNILHA PARA CONSUMO FONTE: <http://bit.ly/2L0fFxy>. Acesso em: 31 out. 2019. 3.1.13 Especiarias Muito utilizadas para aromatizar e saborear os preparos. A melhor forma de utilização é comprá-las inteiras e ralá-las, moê-las ou esmagá-las em um pilão. Depois de moídas perdem seu aroma e sabor. Você pode comprar em pequenas quantidades e congelá-las em um recipiente hermético. UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 42 3.1.14 Gelatina Você pode utilizar tanto a gelatina em folha ou em pó, desde que seja incolor e sem sabor. A gelatina deve sempre ser hidratada com água gelada por pelo menos 15 minutos, principalmente se for em folhas, colocá-las uma a uma para que aconteça uma maior absorção da água, após esse momento, drená-las e aquecê-las a 35 °C e imediatamente adicioná-las ao líquido que será utilizado na preparação. Quantidade ideal para cada tipo de Gelatina segundo Danielle Noce: Para gelatina em pó, multiplique a quantidade em gramas de gelatina por 5 e o resultado será a quantidade de água necessária na utilização do produto. Ou seja, se a receita pede que usem 10 gramas de gelatina em pó, você deverá multiplicar 10 por 5, que será igual a 50. 50 gramas deverá ser a quantidade de água que você deve adicionar na receita (NOCE, 2014, p. 25). Para gelatina em folha, você deve multiplicar por 6 a quantidade requerida na receita. No entanto, diferentemente da gelatina em pó, você não vai adicionar 60 gramas de água na gelatina. Deve colocar as folhas de gelatina em uma tigela grande e cheia de água gelada e ir pesando a gelatina em outra tigela conforme ela for hidratando. Ao final do processo, se você tinha 10 gramas de gelatina, agora depois de hidratada, ela deverá pesar 60 gramas (NOCE, 2014, p. 25). 3.1.15 Fermento químico Trata-se de um agente de crescimento, de fermentação seco, que, junto com o líquido, cria gás e faz os produtos crescerem. É utilizado para aumentar o volume e criar textura leve para pães, biscoitos e bolos. Muitos dos fermentos químicos atuais possuem fosfato monocálcico em suas fórmulas. Fosfato monocálcico é um ácido que age em dois estágios de fermentação: (1) durante a fase de mistura dos ingredientes e (2) quando exposto ao calor do forno. Depois que dois terços do dióxido de carbono são liberados durante a mistura, o fosfato monocálcico é transformado em fosfato dicálcico, que fica latente (não se manifesta) à temperatura ambiente, mas libera dióxido de carbono quando é exposto ao calor do forno (FERMENTO, 2019). 3.1.16 Chocolate Feito com sementes do cacau, fruto do cacaueiro. Delicado, o cacaueiro precisa de proteção contravento e bom sombreamento, em geral, dá frutos no quinto ano de cultivo em condições naturais. Embora exista cerca de 20 variedades, apenas três são largamente usadas na fabricação do chocolate: o forasteiro, o crioulo e o trinitário. TÓPICO 2 | NOÇÕES BÁSICAS 43 Esteja preparado! Sempre leia toda receita antes de começar, para estar ciente dos procedimentos envolvidos em cada etapa. Certifique-se de que tem em mãos todos os utensílios e ingredientes de que necessita. Pese todos os ingredientes. Prepare o que puder com antecedência, principalmente sobremesas em camadas. IMPORTANT E BAUNILHA — QUAL A SUA ORIGEM? Os ASTECAS a chamavam de tlilxochitl, ou seja, “flor negra”, numa alusão à cor do fruto depois de curado. Eles usavam a baunilha para realçar o sabor do xocoatl (chocolate), sua bebida à base de cacau. Conta-se que Montezuma, o imperador asteca do México, serviu o chocolateao conquistador espanhol Hernán Cortés em 1520. Este, por sua vez, introduziu o cacau e a baunilha na Europa. O chocolate quente aromatizado com baunilha fez sucesso nas cortes europeias, mas foi somente em 1602 que Hugh Morgan, boticário da Rainha Elizabeth I, sugeriu usá-la para dar sabor e aroma a outros produtos. Posteriormente, no século 18, a baunilha começou a ser usada na fabricação de bebidas alcoólicas, tabaco e perfumes. Porém bem antes do surgimento do império asteca, os índios totonacas, de Veracruz (México), já cultivavam, colhiam e curavam as favas de baunilha. No início do século 19, a planta foi levada à Europa para cultivo, de onde chegou até as ilhas do oceano Índico. Contudo, a safra em terras estrangeiras era insignificante, devido à ausência do polinizador natural da flor de baunilha — a abelha do gênero Melipona. Assim, do século 16 até o 19, o México deteve o monopólio do comércio da baunilha. Em 1841, Edmond Albius, ex-escravo da ilha francesa de Reunião, aperfeiçoou um método prático de polinização manual, possibilitando o cultivo comercial da baunilha fora do México. Hoje os principais produtores são as ilhas Reunião, Comores e Madagascar (antigas possessões francesas), esta última sendo o maior produtor mundial. CULTIVO A baunilha pertence à família das orquidáceas. Ela é a única das mais de 20.000 variedades de orquídeas que produz algo comestível. Sendo uma trepadeira, a baunilheira precisa de um apoio e sombra parcial. No estado natural, ela cresce apoiada em árvores nas planícies das florestas tropicais úmidas. Nas plantações do México, costuma-se usar árvores nativas como o pichoco para apoio, porém, mais recentemente, laranjeiras também têm sido empregadas com a mesma finalidade. UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS 44 A baunilha produz cachos de flores verdes-amarelada, que se abrem apenas uma vez por ano, só por algumas horas. É fascinante observar os índios totonaca realizando a delicada tarefa de polinização. Eles polinizam apenas algumas flores de cada cacho para não sugar a energia da planta, o que poderia enfraquecê-la e torná-la vulnerável a doenças. As flores fecundadas dão origem a favas verdes, compridas, que contêm pequenas sementes. A colheita ocorre de seis a nove meses depois, antes de as favas ficarem plenamente maduras. PROCESSO DE CURA Curiosamente, as favas frescas não têm sabor nem aroma. Elas precisam passar por um demorado processo de cura para liberar a vanilina, que possui aroma e sabor distintos. Esse processo e a polinização manual fazem com que a baunilha seja uma das especiarias mais caras que existem. No México, o método de cura tradicional consistia em primeiro espalhar as favas sobre cobertores escuros e deixá-las secar ao sol. Hoje é mais comum usar fornos para a secagem inicial. A seguir, a baunilha é acondicionada em caixas especiais envoltas em cobertores e esteiras, para maior extração da umidade. Esse processo de secagem ao sol e exsudação é repetido por vários dias até que as favas adquiram uma coloração marrom-escura. Depois, elas são colocadas em caixas de exsudação ou em bandejas cobertas com papel parafinado para secar lentamente à temperatura ambiente por uns 45 dias. O passo seguinte é acondicioná-las em recipientes fechados por cerca de três meses, a fim de apurar o aroma. Vemos assim que a produção de baunilha é um processo bem trabalhoso. SABOR NATURAL OU ARTIFICIAL DE BAUNILHA? Existe também a vanilina artificial produzida a partir de subprodutos da polpa de madeira. Você talvez se surpreenda ao ler embalagens de produtos que supostamente são de baunilha. Nos Estados Unidos, por exemplo, quando a embalagem do sorvete diz “baunilha”, o produto é feito de pura essência de baunilha e/ou favas de baunilha. Quando diz “com sabor de baunilha”, o sorvete pode conter até 42% de flavorizantes artificiais. Se diz “sabor artificial de baunilha”, ele é feito de flavorizantes sintéticos. Mas segundo os gourmets, o sabor da baunilha natural é inigualável. Embora o México já não seja um grande produtor de baunilha — devido a fatores como destruição das florestas pluviais costeiras e, em tempos mais recentes, a enchentes — o país ainda possui um valioso tesouro, que é a matriz da baunilha. A baunilha mexicana é considerada a melhor, no que se refere ao sabor e aroma. Os turistas parecem concordar com isso, pois é muito comum vê-los nas lojas da fronteira ou dos aeroportos do México comprando a essência natural de baunilha a preços comparativamente baixos. A próxima vez que você tomar um sorvete de baunilha natural, poderá saboreá-lo com mais gosto sabendo de onde ela veio e o trabalho envolvido na sua produção. FONTE: <https://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/102002688>. Acesso em: 27 ago. 2019. 45 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • A utilização dos utensílios está muito associada ao conhecimento específico de cada instrumento, importantíssimo conhecermos cada um, pois isso pode facilitar muito a execução e todo resultado. • A espátula Offset é uma espátula de metal com uma lâmina curvada próximo ao cabo, cabe embaixo dos alimentos e pode levantá-lo. • A glicose é um açúcar invertido com a função de prevenir a recristalização quando o açúcar é levado a altas temperaturas. • É importante, quando formos trabalhar com caldas e caramelos, termos uma atenção especial para as temperaturas adequadas para cada preparo. • Portugal começou a sua produção de cana-de-açúcar no ano de 1404, na zona de Tavira e depois na ilha da Madeira, sendo instalado ali seu primeiro engenho em 1452, de onde o açúcar era exportado para a Inglaterra. • Os ovos são um dos principais ingredientes da pâte à choux, por exemplo, sua principal função está associada ao crescimento da massa, uma vez que não vai nenhum tipo de agente fermentador. Isso acontece porque a umidade incorporada através dos ovos forma o vapor no interior da massa aumentando o seu volume. • A clara, na maioria dos preparos, é utilizada em ponto de neve, para isso é importante conhecer duas proteínas: albumina e globulina. Essas proteínas, no início, têm formato de espiral, e, através da força física, tanto por meio de uma batedeira ou fouet, o espiral vai desenrolado e incorporando ar, estruturando a clara em neve. Mas, cuidado, se batermos a clara demais ela começa a liberar água, desestruturando toda clara batida. • O chocolate é feito com sementes do cacau, fruto do cacaueiro. Delicado, o cacaueiro precisa de proteção contravento e bom sombreamento, em geral, gera frutos no quinto ano de cultivo em condições naturais. Embora haja cerca de 20 variedades, apenas três são largamente usadas na fabricação do chocolate: o forasteiro, o crioulo e o trinitário. 46 1 Analise as afirmações a seguir: I- A Grade de metal possui vários tamanhos, utilizados com bico de confeitar, ideal para decoração ou espalhar a massa. II- O maçarico é excelente para serem utilizados em ganaches, visto que garante uma boa emulsão. III- O mixer portátil inflamado é ideal para queimar coberturas de açúcar e merengues. IV- As mangas de confeitar, espátula de metal com uma lâmina curvada próximo ao cabo, permitem caber embaixo dos alimentos e levantá-lo. V- A panela de inox precisa ter o fundo bem grosso, com uma camada de alumínio no fundo para ajudar na condução de calor. VI- A espátula de silicone é usada para mexer alimentos quentes, como cremes. VII- A espátula Offset possui vários tamanhos, utilizados com bico de confeitar, ideal para decoração ou espalhar a massa. VIII- A forma de tartelette é mais rasa, pode ser lisa ou caneladas nas bordas. É correto apenas o que se afirma em: a) ( ) I, II e III. b) ( ) I, II e VIII. c) ( ) II, V e VI. d) ( ) III, IV e VII. e) ( ) VI, V e VIII. 2 Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) O açúcar teve sua origem na Itália. b) ( ) O mel era considerado o “alimento dos deuses” e foi o primeiro adoçante a ser utilizado.c) ( ) A primeira refinaria criada para extração do açúcar de beterraba foi criada no Sul da França. d) ( ) O açúcar era um produto de muito acesso e era destinado aos menos favorecidos. e) ( ) Todas as alternativas estão corretas. 3 Quais os cuidados que devem ser tomados ao se preparar as caldas? AUTOATIVIDADE 47 TÓPICO 3 MASSAS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico, no segundo tópico focamos em aspectos mais técnicos, agora, iniciaremos com as massas clássicas da confeitaria, entendendo os métodos de execução sobre: pâte brisée, pâte sablèe e pâte sucrèe. Em seguida, estudaremos os tipos de massas para bolos, sendo elas cremosas, aeradas e ou líquidas, cada uma com sua metodologia de preparo e finalidade. Com esse conhecimento, teremos mais facilidade no processo de preparo, podendo escolher qual será sua melhor utilização. Conheceremos sobre massa pâte à choux, conhecida como massa de bomba, e toda sua versatilidade, utilizando primeiro o calor do fogo no seu preparo, e, posteriormente, na batedeira com a utilização de ovos para dar a liga na massa. Entenderemos por que essa massa cresce quando assada e fica oca por dentro, para que possa receber o recheio. 2 MASSAS SECAS Iniciaremos com as massas secas, quebradiças, que não levam fermento em suas receitas. Essas massas são ideais para o preparo de tortas, biscoitos e petit fours. Essas massas quebradiças para serem executadas, são feitas através de dois métodos: Sablage e Crémage. 48 UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS FIGURA 26 – MASSAS SECAS FONTE: O autor 2.1 MÉTODO SABLAGE Também conhecido como método arenoso ou farofa, mistura-se todos os ingredientes secos (farinha, sal e açúcar) com a manteiga, utiliza-se a ponta dos dedos de forma delicada, até que se forme uma aparência de farofa ou areia. Somente depois são adicionados os líquidos (ovos, e, às vezes, água) misturando até obter uma massa homogênea. A adição dos líquidos no fi nal do processo impede que a massa desenvolva glúten, tornando a massa arenosa e quebradiça. 2.2 MÉTODO CRÉMAGE Conhecido como método cremoso, são misturados manteiga e açúcar e batidos até formarem um creme, logo após os líquidos da receita, como ovos, e às vezes água, que devem ser adicionados gradualmente. Por último, os ingredientes secos são adicionados e misturados até obter uma massa uniforme. Esse método utilizado possui um resultado mais delicado, a mistura cremosa no começo e com a adição da farinha somente no fi nal faz com que os líquidos não absorvam a farinha rapidamente, evitando a formação de glúten. 2.3 TIPOS DE MASSAS SECAS • Pâte Brisée (método sablage): traduzindo do termo em francês, signifi ca, “massa quebrada”. Essa massa tem pouco açúcar, resultando em uma massa mais resistente, menos doce e pouco macia, ideal para tortas com recheios mais açucarados e para recheios salgados, inclusive recheios mais líquidos. TÓPICO 3 | MASSAS 49 QUADRO 2 – RECEITA PÂTE BRISÉE Proporção Técnica de realização 500 g de farinha de trigo gelada 4 g de sal 40 g de açúcar 250 g de manteiga gelada 60 ml de água gelada 2 ovos gelados 1. Peneire a farinha, o sal e o açúcar juntos e coloque-os no refrigerador por 15 minutos. 2. Corte a manteiga gelada em cubos pequenos e leve-a de volta à geladeira até utilizar. 3. Acrescente a manteiga sobre a mistura de farinha e misture um pouco para que os pedacinhos de manteiga não grudem uns nos outros. Incorpore com as pontas dos dedos o mais rápido que conseguir, até que se forme um farelo irregular. 4. Acrescente os ovos e amasse com delicadeza até formar a massa. 5. Só acrescente água se for extremamente necessária. 6. Faça uma bola com a massa, embrulhe-a em papel-filme e achate-a para que fique mais fácil na hora de abri-la. 7. Deixe descansar na geladeira por no mínimo 2 horas ou até 48 horas. 8. Quando for usar, abra em tampo ligeiramente enfarinhado ou entre dois pedaços de papel-manteiga. FONTE: Noce (2014, p. 37) • Pâte Sablée (método sablage): traduzindo do termo em francês, significa “massa areada”. Sua preparação é mais delicada, mais quebradiça devido a quantidade de açúcar, tornando mais crocante. Muito indicada para tortas de frutas e biscoitos. QUADRO 3 – RECEITA PÂTE SABLÉE Proporção Técnica de realização 250 g farinha de trigo 100 g de açúcar refinado 2 gemas 150 g manteiga 1. Peneire a farinha e o sal. 2. Juntar a manteiga fria cortada em cubos. 3. Dar, com as mãos, uma textura arenosa (devem ficar grânulos pequenos). 4. Acrescentar as gemas ligeiramente batidas com o açúcar e ligar a preparação. 5. Virar a preparação sobre a mesa. 6. Amassar com a palma da mão. 7. Repetir a operação 2 a 3 vezes até que a massa fique firme. Cobrir a massa com filme plástico. Levar a geladeira por no mínimo 1 hora antes de utilizar. 8. Peneire a Farinha e o sal. 9. Juntar a manteiga fria cortada em cubos. 10. Dar, com as mãos, uma textura arenosa (devem ficar grânulos pequenos). 11. Acrescentar as gemas ligeiramente batidas com o açúcar e ligar a preparação. 12. Virar a preparação sobre a mesa. Amassar com a palma da mão FONTE: Sebess (2013, p. 24) 50 UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS • Pâte Sucrée (método crémage): traduzindo do termo em francês, significa “massa açucarada”. É muito parecida com a pâte brisée, porém com uma quantidade bem maior de açúcar e ovos. Ela é a menos crocante, possui mais maciez que as outras, muito parecida com um biscoito amanteigado. QUADRO 4 – RECEITA DE PÂTE SUCRÉE Proporção Técnica de realização 150 g de manteiga 90 g de açúcar de confeiteiro 1 pitada de sal 2 gemas 255 g de farinha de trigo 1. Na batedeira, coloque a manteiga, o açúcar e o sal. Bata até ficar um creme claro e fofo. 2. Adicione as gemas, uma de cada vez, batendo após cada adição para incorporar. 3. Desligue a batedeira e adicione a farinha de trigo. Misture com uma espátula até ficar homogêneo. 4. Embrulhe a massa em plástico filme e leve à geladeira por 30 minutos. 5. Fure a massa com um garfo para o ar escapar durante o cozimento e leve à geladeira por mais 30 minutos. 6. Pré-aqueça o forno a 180 °C. 7. Asse por 15 minutos. FONTE: Costa (2017, p. 276) É preferível utilizar a massa depois de um repouso de 30 minutos. Melhor ainda será trabalhá-la no dia seguinte, para que a umidade seja uniformemente absorvida pela farinha, o que vai resultar numa massa mais homogênea e macia (SEBESS, 2014). IMPORTANT E QUADRO 5 – RECEITA DE PÂTE SUCRÉE AU CHOCOLAT Proporção Técnica de realização 150 g de manteiga 100 g de açúcar de confeiteiro 2 g de sal 3 gemas 30 g de cacau em pó 100% 220 g de farinha de trigo 1. Na batedeira, coloque a manteiga, o açúcar e o sal. Bata até ficar um creme claro e fofo. 2. Adicione as gemas, uma de cada vez, batendo após cada adição para incorporar. 3. Desligue a batedeira e adicione a farinha de trigo e o cacau peneirados. Misture com uma espátula até ficar homogêneo. 4. Embrulhe a massa em plástico filme e leve à geladeira por 30 minutos. 5. Fure a massa com um garfo para o ar escapar durante o cozimento e leve à geladeira por mais 30 minutos. 6. Pré-aqueça o forno a 180 °C. 7. Asse por 15 minutos. FONTE: Costa (2017, p. 276) TÓPICO 3 | MASSAS 51 2.4 COOKIE Apesar de tomo mundo achar que os cookies são originais dos Estados Unidos, foram os imigrantes ingleses, escoceses e holandeses que trouxeram os primeiros biscoitos para cá. Simplesinhos, eles levavam no máximo uma água de rosas para dar um cheiro. O chocolate só começou a ser adicionado no início do século XX, e acabou se tornando um ícone inseparável do cookie (COSTA, 2017, p. 254). QUADRO 6 – COOKIE DE CHOCOLATE Proporção Técnica de realização 250 g de manteiga 150 g de açúcar 160 g de açúcar mascavo 2 ovos 3 g de extrato de baunilha 350 g de farinha de trigo 3 g de bicabornato de sódio 1 pitada de sal 250 g de chocolate ao leite picado 1. Pré-aqueça o forno a 160 °C. 2. Em uma vasilha, misture a manteigacom os dois açúcares até ficar homogêneo. 3. Adicione os ovos e o extrato de baunilha, mexa até incorporar. 4. Adicione a farinha, o bicabornato e o sal, misture levemente. Mexer demais nesse passo vai resultar em um cookie duro e super alto, e que não espalha na forma. 5. Adicione o chocolate picado, tomando cuidado, novamente, para não mexer demais. Pode variar com chocolate amargo, branco ou até mesmo confeito de chocolate. 6. Divida a massa em 16 bolinhas iguais ou faça como a Miss Cookie e use uma colher de sorvete para posicioná-las perfeitamente. Não se preocupe com a bolota, a massa espalha sozinha no forno. 7. Coloque as bolinhas em uma forma com distância de 3 cm entre elas. Leve para gelar por 15 minutos antes de assar. 8. Asse os cookies por 8 minutos. Vire a bandeja para que assem por igual, e asse por mais 7 minutos, até que estejam dourados na borda, mas ainda moles no centro. 9. Retire do forno e deixe-os esfriar na própria forma. Não se assuste se eles estiverem um pouco moles, eles vão endurecer ao esfriar. FONTE: Costa (2017, p. 254) 2.5 MASSA FOLHADA Essa massa tem o termo em francês de Pâte Feuilletée, sua principal característica é possuir várias finas camadas de massa. Isso ocorre porque é adicionado manteiga sobre a massa e, em seguida, realizada as dobras necessárias para as lâminas da massa folhada. Ao intercalar massa e manteiga, quando ela vai ao forno, a manteiga derrete e gera vapor, fazendo com que as camadas sejam expandidas. Tornando uma massa muito delicada. O principal cuidado que se deve ter ao preparar essa massa é de não a rasgar, para que a manteiga não fique aprisionada, dando um aspecto de massa crua. Essa famosa massa é principalmente utilizada para fazer o famoso “mil- folhas”. 52 UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS Para obter um melhor resultado, é muito importante que a massa fique um tempo de repouso na câmara frigorifica. Durante a cocção, a gordura presa entre as diversas camadas de massa se derrete, incorporando-se a ela. A umidade contida na massa e na gordura se vaporiza sob a ação do calor e fica presa na rede formada pela coagulação do glúten e pela gelatinizarão do amido presente na farinha de trigo utilizada (SEBESS, 2013, p. 50). Existe uma margarina termoestável própria para folhados à venda em bons supermercados (SEBESS, 2013). IMPORTANT E 3 MASSAS BATIDAS AERADAS As massas batidas aeradas são executadas através de dois métodos distintos. O primeiro método pode ser obtido batendo os ovos inteiros com açúcar até se obter uma espuma cremosa e aerada. Acrescentando os ingredientes líquidos e secos com muita delicadeza no final. O segundo é batendo as claras em neve separadas e adicioná-las no final do processo da massa. É importante, depois que se obtém a espuma, adicionar, de forma delicada, os ingredientes secos e levar a massa para assar imediatamente. A temperatura de alguns ingredientes, principalmente manteiga, leite e ovos, muitas vezes interfere no resultado da preparação. Por isso, sempre que for exigida uma temperatura específica, ela será mencionada. Se não houver qualquer indicação, os ingredientes deverão ser usados em temperatura ambiente (SEIBESS, 2013, p. 110). Os métodos para a preparação de massas batidas aeradas são: • Método Génoise. • Método Chiffon. • Método massa merengada. 3.1 MÉTODO GÉNOISE A génoise é um bolo aerado cujo nome homenageia Gênova. Foi criado por um pâtissier italiano que trabalhava em Bordeaux. August Julien certa vez observou o preparo desta massa, levou a receita para a pâtisserie em que trabalhava em Paris e a batizou referenciando o pâtissier de Gênova que a criou (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 66, grifo nosso). TÓPICO 3 | MASSAS 53 Nessa massa o ar é incorporado através do calor e batimento, os ovos inteiros são batidos em banho-maria até chegar a uma temperatura máxima de 50 °C. E, em seguidas, levados a uma batedeira, na qual são batidos até que a mistura atinja o volume máximo antes que os ingredientes secos sejam incorporados. FIGURA 27 – GÉNOISE MÉTODO PÃO-DE-LÓ FONTE: O autor QUADRO 7 – RECEITA GÉNOISE Proporção Técnica de realização 300 g de ovo inteiro 300 g de açúcar refi nado 300 g de farinha de trigo comum 125 g de manteiga sem sal, derretida 1. Pré-aqueça o forno a 190 °C e forre duas assadeiras de 30 x 40 cm com papel manteiga. 2. Coloque os ovos e o açúcar em uma tigela limpa e esterilizada. Bata em banho-maria até atingir 37 °C. 3. Retire a tigela de cima da panela com água e continue batendo até chegar ao ponto de fi ta. 4. Comece a incorporar a farinha delicadamente à espuma de ovos, misturando com uma espátula. 5. Quando já estiver acrescentado três quartos da farinha, incorpore duas colheradas generosas da mistura à manteiga derretida. 6. Junte a mistura de manteiga e massa à tigela e continue incorporando a farinha delicadamente. Misture até que a manteiga seja incorporada e a massa fi que lisa. 7. Despeje nas assadeiras preparadas e espalhe uniformemente com uma espátula de confeiteiro. 8. Asse em forno preaquecido por cerca de 15 minutos, até a superfície dourar e oferecer resistência ao ser pressionada de leve FONTE: Curley e Curley (2015, p. 66) 54 UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS QUADRO 8 – RECEITA GÉNOISE DE CHOCOLATE Proporção Técnica de Realização 300 g de ovo inteiro (cerca de 6 ovos) 300 g de açúcar refinado 230 g de farinha de trigo comum 60 g de cacau em pó, peneirado 75 g de manteiga sem sal, derretida 1. Pré-aqueça o forno a 190 °C e forre duas assadeiras de 30 x 40 cm com papel manteiga. 2. Coloque os ovos e o açúcar em uma tigela limpa e esterilizada. Bata em banho-maria até atingir 37 °C. 3. Retire a tigela de cima da panela com água e continue batendo até chegar ao ponto de fita. 4. Incorpore o cacau à farinha de trigo e misture. 5. Comece a incorporar a farinha delicadamente à espuma de ovos, misturando com uma espátula. 6. Quando já estiver acrescentado três quartos da farinha, incorpore duas colheradas generosas da mistura à manteiga derretida. 7. Junte a mistura de manteiga e a massa à tigela e continue incorporando a farinha delicadamente. Misture até que a manteiga seja incorporada e a massa fique lisa. 8. Despeje nas assadeiras preparadas e espalhe uniformemente com uma espátula de confeiteiro. 9. Asse em forno preaquecido por cerca de 15 minutos, até a superfície dourar e oferecer resistência ao ser pressionada de leve. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 66) 3.2 MÉTODO CHIFFON “No método chiffon, a massa é preparada com ovos e, geralmente, oleaginosas e batida até ficar aerada. Separadamente, a clara é batida até transformar-se em um merengue firme que é incorporada à massa” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 68). QUADRO 9 – PAIN DE GÉNE - MÉTODO CHIFFON Proporção Técnica de realização 75 g de ovo inteiro 60 g de gama de ovo (cerca de 3 ovos) 112 g de amêndoa moída (farinha de amêndoa) 112 g de açúcar de confeiteiro 75 g de manteiga sem sal 60 g de farinha de trigo comum, peneirada 90 g de clara de ovo (cerca de 3 ovos) 52 g de açúcar refinado 1. Pré-aqueça o forno a 190 °C e forre duas assadeiras de 30 x 40 cm com papel manteiga. 2. Coloque os ovos inteiros e as gemas, a amêndoa e o açúcar de confeiteiro em uma tigela e bata por 10-12 minutos, até que a mistura esteja leve e aerada. 3. Derreta a manteiga (sem deixar que esquente muito). Junte a farinha à mistura de ovos e incorpore delicadamente. 4. Coloque as claras e o açúcar refinado em uma batedeira limpa e esterilizada e bata até obter um merengue firme. 5. Quando a farinha estiver incorporada, acrescente duas colheradas generosas da mistura de ovos e farinha á manteiga derretida. Tenha cuidado para não misturar demais. 6. Junte a mistura da manteiga à massa da tigela e continue misturando delicadamente. Misture até que a manteiga esteja incorporada e a massa, lisa. 7. Junte o merengue delicadamente e misture até incorporar.8. Despeje nas assadeiras preparadas e espalhe com uma espátula. 9. Asse em forno preaquecido por cerca de 12-15 minutos, até a superfície dourar e oferecer resistência ao ser pressionada de leve. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 68) TÓPICO 3 | MASSAS 55 • JOCONDE (Biscuit Joconde): “batizado em homenagem à famosa pintura Mona Lisa, chama-se La Joconde em francês. É uma massa aerada feita com ovos inteiros, claras e amêndoas, assadas em camadas fi nas e utilizada no clássico Bolo ópera e para forrar tortas geladas” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 69). FIGURA 28 – BOLO ÓPERA – FEITO COM BISCUIT JOCONDE FONTE: <http://bit.ly/2slqd3S>. Acesso em: 12 set. 2019. QUADRO 10 – BISCUIT JOCONDE - MÉTODO CHIFFON Proporção Técnica de realização 125 g de açúcar de confeiteiro, peneirado 125 g de amêndoa moída (farinha de amêndoa) 38 g de farinha de trigo comum, peneirada 162 g de ovo inteiro (cerca de 3-4 ovos) 28 g de manteiga sem sal, derretida 100 g de clara de ovo (cerca de 3-4 ovos) 30 g de açúcar refi nado 1. Pré-aqueça o forno a 200 °C e forre duas assadeiras de 30 x 40 cm com papel manteiga. 2. Coloque o açúcar de confeiteiro, a amêndoa e a farinha de trigo em uma tigela. 3. Adicione os ovos inteiros e bata por cerca de 10 – 12 minutos, até obter uma mistura leve e aerada. 4. Derreta a manteiga (sem deixar esquentar muito). Junte-a lentamente à mistura, batendo bem, até que esteja totalmente incorporada. 5. Coloque claras em neve e o açúcar refi nado na tigela da batedeira, limpa e esterilizada, e barra com o misturador globo até obter um merengue de picos fi rmes. 6. Incorpore o merengue delicadamente à massa de amêndoa, despeje nas assadeiras preparadas e espalhe bem. Asse em forno preaquecido por cerca de 12 – 15 minutos, até a superfície dourar e oferecer resistência ao ser pressionada de leve. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 69) 3.3 MÉTODO MASSA MERENGADA “As massas merengadas são feitas a partir de um merengue ao qual se acrescentam diversos ingredientes, de acordo com o sabor ou consistência que se deseja obter. Essas massas são utilizadas na elaboração de petit fours e bolos” (SIBESS, 2013, p. 83, grifo do original). 56 UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS Embora variações desta receita datem século XVI, a fórmula como é conhecida hoje foi criada na França, no fi nal do século XVIII. O estadista francês Charles Maurice de Talleyrand disse a Marie-Antoine Carême que o formato de seus biscoitos precisava mudar, pois ele não conseguia mergulhá-los em sua taça de vinho Madeira. Isso deixou Carême intrigado, já que o saco de confeitar ainda não havia sido inventado. Em um lampejo de inspiração, o chef colocou a massa dentro de um funil amplo e deixou que escorresse em uma assadeira, formando palitos (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 70). QUADRO 11 – BISCOITO CHAMPANHE – MÉTODO MASSA MERENGADA Proporção Técnica de realização 70 g de açúcar de confeiteiro 3 gemas 3 claras 120 g de farinha de Trigo 60g de açúcar refi nado 1. Em uma batedeira, bata as claras até fi carem branquinhas. Adicione o açúcar de confeiteiro aos poucos e bata até atingir picos duros. 2. Em outra vasilha, adicione as gemas e bata com açúcar até fi car fofo e pálido. Misture com as claras e mexa delicadamente, sem murchar as claras. Acrescente a farinha der trigo e mexa até dissolver. 3. Forre uma assadeira com papel-manteiga ou tapete de silicone e, com um saco de confeiteiro, faça biscoitos de 8 cm de comprimento por 2,5 cm de largura. 4. Polvilhe açúcar de confeiteiro, açúcar cristal por cima e leve para assar, em forno preaquecido a 190 C, por 10 minutos, ou até fi carem levemente dourados. 5. Retire imediatamente do forno e deixe esfriar sobre uma grade. Rende 40 Biscoitos. FONTE: Costa (2017, p. 37) FIGURA 29 – BISCOITO CHAMPANHE FONTE: <http://bit.ly/2OSbq8v>. Acesso em: 12 set. 2019. 4 MASSAS CREMOSAS Neste processo, iniciamos batendo a manteiga e o açúcar até obter um creme fofo e aerado. Em seguida os ovos, líquidos, e, por último, os itens secos. Essas massas são de estrutura mais pesada, e por não possuírem nenhuma em seu preparo nenhuma estrutura aerada, é necessário a utilização de algum ingrediente que produza gás carbônico, neste caso, o fermento químico. TÓPICO 3 | MASSAS 57 QUADRO 12 – BOLO INGLÊS - MÉTODO MASSA CREMOSA Proporção Técnica de realização 250 g açúcar 250 g manteiga sem sal 3 unidades de ovos inteiros 4 unidades de gemas 5 g de sal 10 g de raspas de limão 200 g de farinha de Trigo 100 g de amido de Milho 10 g de fermento químico 100 g de frutas cristalizadas 100 g de amêndoas moídas 50 g de nozes picadas 2 g de canela em pó 2 g de cravo-da-Índia moído 1. Bater a manteiga amolecida junto com o açúcar até obter uma estrutura cremosa. Acrescentar os ovos. Juntar os ingredientes secos peneirados. Mexer bem com uma colher. 2. Colocar um pouco de farinha sobre a mistura de frutas secas e cristalizadas. 3. Juntar as frutas cristalizadas e secas à preparação. Ligar bem os ingredientes. 4. Encher com a preparação uma forma de bolo inglês, untada com manteiga e polvilhada com farinha até ¾ da altura. Levar ao forno a 160 °C para assar. FONTE: Sebess (2013, p. 93) FIGURA 30 – BOLO INGLÊS FONTE: <http://bit.ly/2siXInp>. Acesso em: 12 set. 2019. QUADRO 13 – BOLO DE LIMÃO E SEMENTE DE PAPOULA MÉTODO MASSA CREMOSA Proporção Técnica de realização 400 g de manteiga sem sal 360 g de açúcar cristal 8 ovos 480 g de farinha de trigo peneirada 20 g de fermento em pó 5 g de sal 160 ml de suco de limão Rapas de limão siciliano 40 g de sementes de papoula PARA A COBERTURA 300 g de açúcar impalpável 30 ml de suco de limão 1. Bata a manteiga e o açúcar até obter uma massa fofa e branca. 2. Adicione os ovos um a um, batendo bem a cada adição. 3. Misture a farinha com o fermento e o sal e peneire. 4. Acrescente a farinha aos poucos, intercalando com o suco. 5. Coloque as raspas dos limões e a semente de papoula e misture. 6. Jogue a massa dentro de uma fôrma de 25 cm de diâmetro e 8 cm de altura, untada e enfarinhada. 7. Leve para assar em forno preaquecido a 170 °C até que você espete um palito no centro e ele saia limpo. 8. Retire do forno e deixe esfriar. DA COBERTURA Misture o açúcar impalpável com o suco de limão e jogue por cima do bolo. FONTE: Noce (2015, p. 73) 58 UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS FIGURA 31 – BOLO DE LIMÃO E SEMENTE DE PAPOUL FONTE: <http://bit.ly/33oUcol>. Acesso em: 14 set. 2019. 5 MASSAS LÍQUIDAS E SEMILÍQUIDAS • Massas líquidas: são massas simples de serem feitas e são utilizadas nos preparos de: panquecas, waffle, blini e beignet. o Panquecas: massas feitas farinha de trigo, leite, açúcar, ovos e manteiga. Mistura-se todos os ingredientes com um batedor (fouet), e, em seguida, cozida em uma frigideira plana untada com manteiga. “A primeira vez que vimos uma menção a panquecas foi com Apicius. Os romanos já preparavam esse tipo de massa líquida utilizando uma mistura de ovos, leite, água e farinha, que em seguida fritavam e serviam com mel e pimenta” (SEBESS, 2013, p. 60). Associadas a Páscoa na Europa, onde tradicionalmente era consumida no último dia antes da Quaresma. QUADRO 14 – PANQUECAS Proporção Técnica de realização 100 g de farinha de trigo 4 unidades de ovos 15 gramas de açúcar 320 ml de leite 2 g de sal 20 g de manteiga sem sal 1. Colocar numa tigela o açúcar e o sal junto com a farinha peneirada. 2. Juntar os ovos aos poucos. Misturar com um batedor de arame. 3. Despejar o leite, batendo sem parar para que não se formem grumos na preparação. 4. Por último, acrescentar a manteiga derretida e ligar a mistura. Passar a preparação por um passador (Chinois) antes de utilizar. 5. Colocar um pouco de manteiga derretida em uma frigideira de fundo plano antiaderente. 6. Derramar a massa com uma concha sobre a frigideira. Espalhar bem sobre toda a superfície, de forma que a panqueca fique fina, e cozinhar em fogo médio. 7. Uma vez adquiridacor na base, virar a panqueca para cozinhar do outro lado. 8. Retirar e passar para um prato. 9. As panquecas podem ser servidas com recheios doces ou salgados, tanto frios como quentes. FONTE: Sebess (2013, p. 60) TÓPICO 3 | MASSAS 59 • Massas semilíquidas: o Pancake e Waffle: “são derivados das panquecas, sendo uma massa semilíquida mais aerada, graças a incorporação de claras batidas em neve e bicabornato de sódio. Dentro desta categoria também encontramos os blini, uma preparação originária da Rússia” (SEBESS, 2013, p. 62, grifo do original). QUADRO 15 – WAFFLE Proporção Técnica de realização 160 g de Farinha de Trigo 335 ml de leite 20 g de Açúcar 15 g de Bicabornato de Sódio 2 unidades de Gemas 15 g de Manteiga sem Sal 2 unidades de Claras 2 gramas de fermento em pó 1. Colocar numa tigela o açúcar e o bicabornato de sódio, junto com a farinha peneirada e o fermento. 2. Juntar as gemas pouco a pouco. Misturar com o batedor de arame. 3. Acrescentar o leite, batendo sem parar para que não se formem grumos na preparação. 4. Adicionar a manteiga derretida. Ligar a mistura. Passar a preparação por um passador (chinois) antes de utilizá-la. 5. Por último, incorpore as claras batidas em neve. 6. Com ajuda de uma concha, derramar a preparação sobre a máquina de waffles preaquecida e pincelada (untada) com manteiga derretida. Fechar a tampa e deixar cozinhar. 7. Retirar o waffle quando estiver adquirido uma cor dourada e uma textura crocante. 8. Servir quente, acompanhado com doce de leite, creme, sorvetes ou xaropes. FONTE: Sebess (2013, p. 62) FIGURA 32 – WAFFLE FONTE: <http://bit.ly/2R20gAK>. Acesso em: 14 set. 2019. 60 UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS QUADRO 16 – PANCAKE DE COCO Proporção Técnica de realização 200 ml de leite de coco 40 ml de leite 120 ml de buttermilk (Você pode fazer o falso buttermilk com leite desnatado e 4 gotinhas de limão, esperando-o talhar por 10 minutos. Ou você pode usar o verdadeiro, usando creme de leite fresco e batendo até virar manteiga. O que sobra do processo da manteiga é o leitelho, ou buttermilk). Raspas de 1 limão siciliano 240 g de farinha de trigo 48 g de açúcar demerara ou cristal 6 g de fermento em pó 5 g de bicabornato de sódio 2,5 g de sal 2 ovos 80 g de manteiga amolecida 30 g de coco fresco ralado fino (opcional) 1. Em um bowl grande, junte o leite de coco, o leite e o buttermilk e as raspas de limão. 2. Acrescente os ovos e a manteiga e bata bem. 3. Em um bowl médio, junte a farinha de trigo, o fermento em pó, o bicabornato de sódio e o sal. 4. Acrescente a mistura de farinha, peneirando por cima da mistura do leite. Depois acrescente o açúcar e o coco ralado e misture tudo com um fouet até que não sobre nenhum gruminho a massa. 5. Esquente uma frigideira com um pouco de manteiga. Quando estiver quente, coloque uma concha grande da massa. 6. Deixe cozinhar até que você veja bolhas de ar saindo da massa. Então vire e deixe cozinhar até que a massa fique dourada do outro lado. 7. Continue o processo até que a massa termine. FONTE: Noce (2015, p. 214) “O pancake é muito apreciado pelos norte-americanos, é uma panqueca mais grossa e de diâmetro menor que se come com geleia” (SIEBESS, 2013, p. 62). IMPORTANT E FIGURA 33 – PANCAKE FONTE: <http://bit.ly/2XWKkkK>. Acesso em: 14 set. 2019. TÓPICO 3 | MASSAS 61 o Massa de Blini: Blini, em russo, é o plural de blin, que significa “panqueca pequena”. Os blini são importantes para a dieta alimentar russa e têm uma história que vem desde a Idade Média. Durante o Maslenitsa (festival da manteiga), que se realiza uma semana antes da Quaresma, os blini eram muito procurados, já que eram consumidos duas vezes por dia. São servidos quentes, acompanhados de manteiga, arenque, peixe defumado, ovos picados ou caviar com creme azedo. Tem 10 cm de diâmetro e 1 cm de espessura. A receita autêntica é feita com farinha de trigo sarraceno, mas hoje em dia, para que o resultado seja mais leve, se mistura farinha de trigo sarraceno com farinha de trigo comum (SEBESS, 2013, p. 64, grifo do original). QUADRO 17 – BLINI Proporção Técnica de realização Opção 1: 12 g levedura fresca 150 ml de leite morno 5 g de açúcar 120 g de farinha de trigo 2 unidades de Ovos 40 g de manteiga (derretida) 1 pitada de Sal Opção 2: 5 g de Levedura Seca 160 ml de Leite morno 5 g de Açúcar 70 g de farinha de Trigo 2 unidades de Ovos 50 g de manteiga (derretida) 1 pitada de Sal 1. Dissolver a levedura com leite morno (35 °C, no máximo). 2. Colocar a Farinha peneirada numa tigela com o açúcar, as gemas e o sal. 3. Acrescente o leite aos poucos, batendo para que não se formem grumos. 4. A mistura deverá ficar lisa e sem grumos. 5. Cobrir com filme plástico. Deixar descansar por 30 minutos. 6. Uma vez a massa levedada, retirar o filme plástico. 7. Juntar a manteiga derretida, já fria. Misturar bem. 8. Por último, acrescentar as claras em neve, misturando com cuidado. 9. A massa deverá ficar espessa e espumosa. 10. Colocar a preparação em uma frigideira pequena e antiaderente. Cozinhar em fogo médio. 11. Virar o blin para cozinhar dos dois lados. 12. Retirar da frigideira e passar para uma grade metálica. Servir quente. FONTE: Sebess (2013, p. 64) “Apesar de originalmente ser usada a farinha de trigo sarraceno ou a mistura desta com farinha de trigo comum, os blini podem ser feitos só com farinha de trigo comum” (SIBESS, 2013, p. 64). IMPORTANT E 62 UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS FIGURA 34 – BLINI FONTE: <https://i.pinimg.com/564x/40/a4/ad/40a4adb76337cf94da895ffe4ad94c12.jpg>. Acesso em: 14 set. 2019. o Beignet: massa semilíquida, é preparada para ser frita, é utilizada para recobrir vários tipos de ingredientes, como frutas, verduras, carnes, peixes e aves. QUADRO 18 – BEIGNET Proporção Técnica de realização 225 g de Farinha de Trigo 200 ml de Cerveja Clara 7 g de Amido de milho 3 unidades de Gemas 3 unidades de Claras 10 ml de azeite 5 g de Sal 1 Maça cortada em rodelas 1. Pôr o sal e o amido de milho por cima da farinha peneirada. 2. Juntar as gemas aos poucos, no centro. Misturar com batedor de arame. Em seguida acrescente o óleo 3. Despejar a cerveja sobre a mistura. Bater bem, certificando-se de que não fiquem grumos. 4. Por último, incorporar as claras batidas em neve mexendo ligeiramente (ter cuidado para não misturar demais, senão a preparação murcha). 5. Passar o ingrediente desejado na mistura (neste caso, rodelas de maca). 6. Fritar em óleo fervente, com temperatura entre 160 °C e 170 °C, até que adquiram uma cor dourada uniforme. 7. Retirar e secar sobre um papel absorvente. Caso sejam doces passar no açúcar. 8. Devem ser servidos de preferência quentes ou mornos. FONTE: Sebess (2013, p. 69) TÓPICO 3 | MASSAS 63 FIGURA 35 – BEIGNET DE MAÇÃ FONTE: <https://i.pinimg.com/564x/49/cd/cd/49cdcd8749b99ea1102b21ffa9a36b84.jpg>. Acesso em: 14 set. 2019. 6 PÂTE À CHOUX Os franceses deram este nome original pâte à choux, ou “repolho”, pela sua aparência. Conhecida desde o século XVI, a fórmula foi aperfeiçoada por Antoine Carême no século XIX, e é usada ainda hoje. Excepcionalmente delicada antes de assar, a pâte à choux deve ser moldada com colher ou saco de confeitar. Depois de assada, a crosta externa retém vapor no interior, criando uma forma arredondada com um furo no centro. As conchas crocantes são recheadas com uma variedade de cremes e finalizadas com coberturas. Sobremesas surpreendentes como croquembouche, profiteroles, gateau St. Honoré, Paris-Brest e os éclairs são todas feitas com pâte à choux (SUAS, 2012, p. 161, grifo do original). Essa massa passa por dois processos de cozimento, sua preparação inicial é no fogão, onde a mistura da massa tem como objetivo desidratar, extraindo uma parte do líquido e transformando o amido de trigo em um uma bola de massa bem compacta, sob a ação do calor, o amido de trigo se expande, absorvendo uma maior quantidadede líquido. “É importante não cozinhar excessivamente essa massa, do contrário as proteínas serão danificadas e a farinha vai perdes sua capacidade de manter o líquido e de absorver completamente os ovos” (SUAS, 2012, p. 151). Os ovos são acrescentados depois que a massa é retirada do fogo e transferida para uma batedeira com raquete e acrescentados um a um. Os ovos são importantes para manter emulsão e aumentar o líquido na massa. Ela cresce quando assada no forno, porque a água contida na massa se transforma em vapor, os ovos começam a coagular junto com o glúten da farinha, formando uma cama impermeável, retendo o vapor em seu interior. O vapor tenta sair da massa fazendo pressão contra as paredes internas estufando-as. Se a massa for retirada prematuramente do forno, ela corre o risco de desmontar. 64 UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS “Ao assar massa de bomba, é muito importante que você não abra o forno nos primeiros 12-15 minutos. A massa cresce quando a umidade do interior aquece, gerando vapor; se o forno for aberto antes de o exterior da massa estar assado, o vapor escapa e a massa murcha” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 58). NOTA FIGURA 36 – PÂTE À CHOUX FONTE: <http://bit.ly/2DqvycI>. Acesso em: 14 set. 2019. QUADRO 19 – PÂTE À CHOUX Proporção Técnica de realização 125 ml de água 125 ml de leite 125 gramas de manteiga sem sal em cubos 12 g de açúcar refi nado 162 g de farinha de trigo comum, peneirada. 2 g de sal 250 g de ovo inteiro (cerca de 5 ovos) 1. Aqueça a água, o leite, a manteiga e o açúcar em uma panela até ferver. 2. Tire a panela do fogo e junte a farinha peneirada e o sal. 3. Use uma espátula de borracha para mexer até obter uma massa homogênea. 4. Leve a panela ao fogo baixo, e cozinhe mexendo sempre, até que a massa desgrude das laterais da panela. 5. Transfi ra a massa para uma batedeira e deixe esfriar de 2-3 minutos, mexendo de vez em quando. 6. Coloque o batedor raquete e acrescente os ovos aos poucos, batendo bem após cada adição. 7. Bata até obter uma massa uniforme. A consistência não deve ser muito mole nem muito dura. 8. A massa de bomba está pronta para ser colocada no saco de confeitar, deve ser usada imediatamente. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 58) TÓPICO 3 | MASSAS 65 FIGURA 37 – PÂTE À CHOUX PRONTA PARA IR AO FORNO FONTE: <http://bit.ly/2OXB7o2>. Acesso em: 14 set. 2019. 66 UNIDADE 1 | CONFEITARIA, HISTÓRIA E PERSONAGENS LEITURA COMPLEMENTAR RECEITA: TORTA DE CHOCOLATE CREMOSO COM LARANJA CONFITADA Danielle Noce PREPARO : 120 minutos TEMPO DE COZIMENTO : 60 minutos TEMPO DE ESPERA : 4 horas RENDIMENTO : 6 pessoas DIFICULDADE : chocolate e laranja são impecáveis quando estão juntos. Nessas tortinhas, a combinação ganha um toque de elegância graças à apresentação individual com uma rodela de laranja confi tada sobre o recheio cremoso do chocolate amargo. Se quiser impressionar alguém, não hesite em preparar a receita a seguir – ela é capaz de arregalar muitos olhos e despertar desejos irreparáveis por doce. INGREDIENTES: BASE DE CHOCOLATE E AVELÃ • 150 gramas de BISCOITO SEM RECHEIO. • 50 gramas de AVELÃS tostadas e sem pele. • 2 colheres de sopa de CACAU EM PÓ. • 100 gramas de MANTEIGA SEM SAL. INGREDIENTES: GANACHE DE CHOCOLATE COM LARANJA • 230 gramas de CHOCOLATE AMARGO. • 1 xícara de chá de CREME DE LEITE. • RASPAS de 1 LARANJA BAHIA. • Suco de 1 LARANJA BAHIA. INGREDIENTES: DECORAÇÃO DE LARANJAS CONFITADAS • 9 xícaras de chá de ÁGUA. • 4 xícaras de AÇÚCAR. • 2 LARANJAS BAHIA. *medida da xícara: 240 ml. Fo to g ra fi a : P au lo C u e n c a TÓPICO 3 | MASSAS 67 MODO DE PREPARO: DECORAÇÃO DE LARANJAS CONFITADAS 1. O ideal é começar essa receita pelas laranjas confitadas. Para a primeira calda, misture 3 xícaras de água com 1 xícara de açúcar e leve ao fogo para ferver. 2. Em seguida, fatie as laranjas em rodelas de 0,5 cm de espessura. Adicione-as à calda e ferva por 10 minutos. Depois, retire as fatias de laranja delicadamente e reserve-as. Jogue a calda fora, lave a panela e prepare a segunda calda. 3. Na panela, misture mais 3 xícaras de água com 1 xícara de açúcar. Quando ferver, adicione as fatias de laranja e ferva por mais 10 minutos. 4. Retire as fatias de laranja com muita delicadeza e reserve. 5. Faça a última calda: na panela, misture 3 xícaras de água com 2 xícaras de açúcar; quando ferver, adicione as fatias de laranja e deixe ferver por 25 minutos ou até que as cascas estejam translúcidas. Reserve. MODO DE PREPARO: BASE DE CHOCOLATE E AVELÃ 1. Processe os biscoitos com o cacau e as avelãs tostadas e sem a pele. 2. Adicione a manteiga derretida e processe novamente. 3. Arrume a massa em forminhas de 10 cm de diâmetro e pressione bem para compactar. DICA: Usei cerca de 3 colheres de sobremesa em cada forminha. DICA 2: Se as suas forminhas não tiverem fundo removível, leve-as ao congelador até que a massa congele por completo – isso facilita muito na hora de desenformar. 4. Derreta o chocolate em banho-maria junto com o creme de leite, as raspas de laranja e o suco. Quando a mistura estiver homogênea, transfira para um saco de confeitar ou utilize uma concha para rechear as forminhas. 5. Leve à geladeira por no mínimo 4 horas antes de servir. MONTAGEM 1. Na hora de servir, retire as tortinhas da geladeira e decore o topo de cada uma com uma fatia de laranja. Se quiser, finalize com uma florzinha comestível. DICA: Se a laranja estiver com muita calda, tire o excesso com um papel toalha. 2. Agora é só aproveitar! RENDIMENTO: 6 tortinhas de 10 cm de diâmetro. FONTE: <https://www.daninoce.com.br/receitas/torta-de-chocolate-cremosa-com-laranja- confitada/>. Acesso em: 14 set. 2019. 68 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • O método Sablage também é conhecido como método arenoso, ou farofa, mistura-se todos os ingredientes secos (farinha, sal e açúcar) com a manteiga, utiliza-se a ponta dos dedos de forma delicada, até que se forme uma aparência de farofa, ou areia. Somente depois são adicionados os líquidos (ovos, e as vezes água) misturando até obter uma massa homogênea. A adição dos líquidos no final do processo, impede que a massa desenvolva glúten, tornando a massa arenosa e quebradiça. • O método Crémage é conhecido como método cremoso: são misturados manteiga e o açúcar, e batidos até formarem um creme, logo após os líquidos da receita, como ovos, e às vezes, água, que devem ser adicionados gradualmente. Por último os ingredientes secos são adicionados e misturados até obter uma massa uniforme. • “A genóise é um bolo aerado cujo nome homenageia Gênova. Foi criado por um pâtissier italiano que trabalhava em Bordeaux. August Julien certa vez observou o preparo desta massa, levou a receita para a pâtisserie em que trabalhava em Paris e a batizou referenciando o pâtissier de Gênova que a criou” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 66). • “As massas merengadas são feitas a partir de um merengue ao qual se acrescentam diversos ingredientes, de acordo com o sabor ou consistência que se deseja obter. Essas massas são utilizadas na elaboração de petit fours e bolos” (SIBESS, 2013, p. 83). • “Ao assar massa de bomba, é muito importante que você não abra o forno nos primeiros 12-15 minutos. A massa cresce quando a umidade do interior aquece, gerando vapor; se o forno for aberto antes de o exterior da massa estar assado, o valor escapa e a massa murcha” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 58). Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o AVA e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 69 1 Quais as principais diferenças entre os métodos Sablage e Crémage? 2 Analise as afirmativas e assinale a CORRETA: a) ( ) A execução da massa pâte à choux acontece assim: os ovos são acrescentados no início do processo, quando a massa é levada ao fogo. b) ( ) Nas massas cremosas, iniciamos batendo o açúcar e os ovos e depois acrescentamosa manteiga e os demais ingredientes. c) ( ) O biscuit Joconde é preparado no método chiffon, na qual a massa é preparada com ovos e colocada oleaginosas na massa. d) ( ) As massas merengadas são excelentes para realizar a execução do Pain de Gêne. 3 Quais os métodos de preparação de massas batidas? Explique o processo. AUTOATIVIDADE 70 71 UNIDADE 2 MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir dos estudos desta unidade, você deverá ser capaz de: • conhecer sobre os três métodos de merengue, assim, descobrir qual me- lhor se aplica à sobremesa que deseja executar; • apreender sobre a Dacquoise e onde aplicá-la; • compreender os pontos importantes para preparar um grande clássico da confeitaria francesa: os Macarons; • descrever as funções e ingredientes de cada tipo de creme; • solucionar problemas que se referem aos cremes, espumas de ovos e co- berturas; Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – MERENGUES, MASSAS MERENGADAS E MACARONS TÓPICO 2 – CREMES FRIOS, COZIDOS E OUTROS PREPAROS A BASE DE OVOS TÓPICO 3 – MUSSES, CALDAS, COBERTURAS E GELEIAS DE FRUTAS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 72 73 TÓPICO 1 MERENGUES, MASSAS MERENGADAS E MACARONS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Neste primeiro tópico, teremos a oportunidade de conhecer sobre os métodos de execução dos merengues, a partir disso, poderemos executar as três formas compreendendo os processos e sabendo em quais sobremesas é melhor aplicá-los. Além disso, veremos algumas dicas que promovem uma maior estabilidade na execução, como: entender que a quantidade de ingredientes pode interferir no resultado final. Este tópico explora as massas merengadas. Conheceremos a dacquoise, uma massa feita com claras de farinha de amêndoa que pode ser utilizada em sobremesas e petit fours. Por fim, entraremos no universo dos Macarons, os cuidados necessários na execução e algumas dicas importantes para que possamos ter sucesso ao fazê- los, levando em consideração que é um dos doces mais temperamentais neste universo fascinante da confeitaria. 2 MERENGUES O merengue nada mais é do que um tipo de espuma de claras de ovos, produzido pela introdução de ar através de uma batida constante e com a adição de açúcar para dar estabilidade à mistura. Curley e Curley (2015, p. 72) conta sobre a criação do primeiro merengue: O primeiro Merengue foi criado no início do século XVIII por um pâtissier suíço chamado Gasparini, em seu estabelecimento, na pequena cidade de Mehrinyghen, simplificado para merengue. Na época, o merengue era assado em porções individuais, pingadas na assadeira com uma colher. Somente após a invenção do saco de confeitar é que foi possível preparar merengues – ou suspiros – em formatos mais elaborados. Dependendo da finalidade de utilização do merengue, as receitas indicam variadas quantidades de açúcar. Se a quantidade de açúcar for o dobro da quantidade de claras, resultará em uma espuma mais densa com menos volume, UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 74 FONTE: Suas (2011, p. 272) Analisando a figura anterior, temos: 1. Ponto fluido: as claras apresentam apenas força suficiente para formar uma espuma estável. 2. Picos leves: as claras se apresentam mais desenvolvidas e possuem mais força para manter uma espuma firme. 3. Picos firmes: as claras estão completamente desenvolvidas e podem manter picos bem firmes. Se continuar a bater, a espuma pode começar a se degradar (SUAS, 2011). mais flexível e mais difícil de bater em excesso. O cozimento deverá ocorrer em forno com baixa temperatura, o que criará uma crosta crocante. Se for utilizado pequenas quantidades de açúcar, ou o mesmo peso de açúcar e de claras, isso resultará em uma espuma mais macia, leve e com maior volume. Essa combinação é mais favorável ao ser batida em excesso, mais indicada para utilizar em sacos de confeitar e, principalmente, em sobremesas como torta de limão e merengue. Acrescentar um toque ácido proporciona força às espumas. Um dos ingredientes mais indicados e utilizados é o cremor tártato, sua dosagem deve ser de 0,05% do peso das claras. É importante saber que o sal não é indicado, pois, consequentemente, aumenta o tempo de batida, compromete o volume e cria menos estabilidade. Ao preparar merengue, é importante sempre utilizar utensílios limpos, sem resíduo de gordura ou gema, já que interfere diretamente no desenvolvimento da espuma. Outra situação importante é a temperatura das claras, elas devem estar entre 15 e 20 °C. É necessário também controlar o desenvolvimento da espuma para obter estabilidade. Espuma não batida o suficiente pode sustentar pouca conexão de albumina e as bolhas de ar serão grandes e irregulares. Se batida em excesso, a albumina das claras terá uma coagulação extra e a espuma se tornará “seca”, podendo quebrar e verter água (SUAS, 2011, p. 271). FIGURA 1 – CLASSIFICAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DO MERENGUE TÓPICO 1 | MERENGUES, MASSAS MERENGADAS E MACARONS 75 Classificação do desenvolvimento do merengue segundo Suas (2011): a capacidade de o merengue sustentar sua própria forma significa a quantidade de ar que foi introduzida no seu interior, assim com a força da espuma. Por essa razão, as expressões “ponto fluido”, “pico leve” e “pico firme” e as combinações como “picos de leve a firme” descrevem o desenvolvimento do merengue. Ao utilizar o merengue com saco de confeitar, o pico firme é o mais indicado. Para bolos espumosos, um merengue de pico leve ou pico fluido é o suficiente. 2.1 MERENGUE ITALIANO O merengue italiano foi criado no início do século XIX, conhecido como “creme italiano”, é utilizado para recheios e coberturas de bolos e tortas (CURLEY; CURLEY, 2015). As claras são batidas em picos leves, em que uma calda quente de açúcar é despejada cuidadosamente por cima, batendo até que o merengue fique frio e brilhante. Como mencionado, esse merengue é muito indicado para cobrir sobremesas, decorações, musse e, também, como base para o creme de manteiga italiano. O merengue italiano, sem dúvidas, é o que exige uma maior atenção no seu preparo, desde a temperatura das claras e da cuba, até a limpeza do equipamento. Deve-se iniciar pela calda, na qual a água e o açúcar são levados ao fogo, controlando sua temperatura para que atinja 119 a 121 °C, essa temperatura é conhecida como bala dura. Na batedeira, com o batedor globo, inicie até que atinja a metade do seu volume. Retire a panela do fogo antes de chegar no ponto de bala dura. Mesmo a calda fora do fogo ela continua a se elevar. Logo que a clara alcançar o volume adequado, diminua a velocidade da batedeira e despeje a calda cuidadosamente na cuba, tendo o cuidado de não despejar em cima do batedor, isso evita que a calda não grude nas laterais da cuba, comprometendo o seu resultado. Aumente a velocidade de média à alta, até que o merengue atinja a temperatura de 32 °C. Procedimentos para o merengue italiano (SUAS, 2011, p. 274): • Em uma panela, combinar o açúcar e a água e cozinhar até o ponto de bala firme. • Enquanto estiver cozinhando, colocar as claras na cuba de inox da batedeira com o globo. • Quando a calda estiver quase no ponto de bala firme, aproximadamente 121 °C, começar a bater as claras e retirar a calda do fogo. • Acrescentar a calda lentamente quando alcançar a temperatura de 119 °C a 121 °C. • Bater na velocidade média alta por vários minutos e, então diminuir a velocidade até que a mistura se torne morna. • Caso use o saco de confeiteiro, bater lentamente o merengue excedente para não coagular. UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE,CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 76 À medida que a calda cozinha, é preciso limpar as laterais da panela com um pincel embebido em água para evitar a cristalização (SUAS, 2011). IMPORTANT E Proporção Técnica de realização 250 g claras 500 g de açúcar 200 ml água 1. Coloque o açúcar e a água em uma panela, mexa e deixe cozinhar até a temperatura atingir 121 °C. 2. Bata as claras em neve na tigela limpa da batedeira usando o misturador globo. 3. Com a batedeira ligada em velocidade baixa, despeje a calda fervente muito lentamente na tigela do merengue. 4. Depois que toda calda for incorporada, aumente para a velocidade máxima e bata até a mistura esfriar completamente e o merengue ficar com picos firmes. QUADRO 1 – MERENGUE ITALIANO FONTE: Curley e Curley (2015, p. 73) 2.2 MERENGUE FRANCÊS Merengue francês foi o primeiro método de preparo de merengue, descoberto no início do século XVIII e utilizado por Maria Antonieta. Dizem que ela preparava merengues no castelo de Versalhes, em 1970. As claras são batidas em neve e o açúcar é adicionado aos poucos, em etapas (CURLEY; CURLEY, 2015). Segundo Suas (2011), o merengue francês também é conhecido como merengue comum, elaborado com uma proporção mínima de uma parte de clara e uma de açúcar. E o que determina a quantidade de açúcar é onde e como ele será utilizado. Exemplo: proporção de 1:1 de claras e de açúcar vai produzir um merengue mais macio, ideal para cobertura de tortas e inclusões em musse ou suflês. Merengues mais firmes, feitos com a proporção de 1:2 de claras e de açúcar, são usados para obter produtos mais clássicos e mais crocantes. Para iniciar o preparo do merengue francês (com uma proporção 1:1 de claras para açúcar), as claras são batidas em velocidade média com um terço do açúcar. O restante do açúcar deve ser reservado para encorajar o desenvolvimento da espuma. Durante a batida, as bolhas vão se tornar menores à medida que o volume cresce. O açúcar deve ser adicionado quando o merengue atingir o desenvolvimento desejado e a batida deve continuar apenas até o açúcar ser incorporado (SUAS, 2011, p. 272). TÓPICO 1 | MERENGUES, MASSAS MERENGADAS E MACARONS 77 Proporção Técnica de realização 100 g de clara de ovo 100 g de açúcar 100 g de açúcar de confeiteiro 1. Coloque as claras na tigela limpa da batedeira e bata-as até ficarem espumantes. 2. Adicione aos poucos o açúcar, continuando a bater até que a mistura fique homogênea e brilhante, formando picos na ponta do batedor. 3. Com uma espátula, incorpore delicadamente o açúcar de confeiteiro. FONTE: Instituto Le Cordon Bleu (2017, p. 486) Caso o seu objetivo seja um merengue mais duro (2:1 claras para açúcar), a segunda adição de açúcar pode ocorrer enquanto a batedeira ainda estiver funcionando em velocidade baixa, segundo Suas (2011). Como alternativa, a segunda adição de açúcar pode ser acrescentada com espátula. Suas (2011) ainda recomenda que, se o merengue for usado em saco de confeitar, é mais indicado misturá-lo em velocidade baixa para evitar que a proteína coagule. Esse merengue não é recomendado para preparações que não vão no forno, pois as claras continuarão cruas. Procedimentos para o merengue francês (1:1 claras de açúcar) (SUAS, 2011, p. 273): • Na cuba de inox da batedeira, com o batedor globo, começar a bater as claras com um terço do açúcar. • Bater em velocidade média até que as bolhas de ar se tornem menores e de tamanho uniforme. • Aumentar a velocidade da batedeira e misturar até atingir picos firmes. • Acrescentar o restante do açúcar e misturar até a incorporação • Utilizar conforme desejar. • Se for usar saco de confeitar manter o merengue não utilizado em velocidade baixa para evitar a coagulação. QUADRO 2 – MERENGUE FRANCÊS Se os Merengues forem assados em temperaturas altas, eles vão escurecer, e não cozinharão de forma correta, recomendamos assar a 100 °C, por umas cinco horas. Você percebe quando estarão bem assados, pois, externamente, ficam pegajosos e murcham ao sair do forno. NOTA UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 78 2.3 MERENGUE SUÍÇO Segundo Curley e Curley (2015), o merengue suíço foi criado na metade do século XIX. O merengue suíço é mais denso e mais estável que o francês. Esse merengue pode ser usado para fazer biscoitos crocantes, ou como base para o creme de manteiga e como cobertura para bolos e tortas. O merengue suíço é caracterizado pelo aquecimento das claras e do açúcar antes da batida final, um procedimento que envolve agitação constante para evitar que as claras coagulem. Durante este processo, as temperaturas devem estar entre 49 °C e 71 °C. Se as claras forem mexidas constantemente, o açúcar da mistura vai evitar seu cozimento (SUAS, 2011, p. 273). Ainda segundo Suas (2011), a temperatura final influencia na textura e na segurança alimentar do produto. Se ele for aquecido a 49 °C será menos denso, no entanto, o uso de claras não pasteurizadas requer um aquecimento de 71 °C como precaução para destruir quaisquer bactérias que possam estar presentes. Para produtos que não assados, essa medida é de grande importância. Procedimentos para o merengue suíço (SUAS, 2011, p. 273): • Combinar as claras e o açúcar em uma cuba de inox na batedeira. • Colocar a cuba em banho-maria e aquecer a mistura até a temperatura atingir entre 49 °C e 71 °C, batendo constantemente para evitar a coagulação. • Depois de alcançar a temperatura desejada, colocar a cuba na batedeira adaptada com o batedor e ligar em velocidade de média a alta até formar picos firmes. • Se for utilizar o saco de confeiteiro, preservar o merengue não utilizado, batendo lentamente para evitar a coagulação. QUADRO 3 – MERENGUE SUÍÇO Proporção Técnica de realização 250 g de claras 500 g de açúcar cristal 1. Combinar as claras e o açúcar em uma cuba de inox. 2. Colocar a cuba em banho-maria e aquecer a mistura até a temperatura atingir entre 45 a 50 °C, batendo constantemente para evitar a coagulação. 3. Depois de alcançar a temperatura desejada, colocar a cuba na batedeira adaptada com o batedor e ligar em velocidade de média a alta até formar picos firmes. 4. Se for utilizar o saco de confeiteiro, preservar o merengue não utilizado, batendo lentamente para evitar a coagulação. FONTE: Suas (2011, p. 273) Acadêmico, mostraremos, a seguir, uma dica de sobremesa: a deliciosa Pavlova de Morango, receita da confeiteira Raíza Costa (2017). TÓPICO 1 | MERENGUES, MASSAS MERENGADAS E MACARONS 79 Proporção Técnica de realização Ingredientes da Pavlova Montagem da Pavlova 4 claras 8 ml de suco de limão 160 g de açúcar 6 g de amido de milho - Pré-aqueça o forno a 130 ºC. - Bata as claras até ficarem espumosas e começarem a ficar brancas. - Adicione o suco de limão e o açúcar nas claras de ovo pouco a pouco. Bata as claras de ovos até formar picos duros. - Adicione amido de milho e misture com delicadeza. - Forre uma forma com uma folha de papel manteiga ou folha de bananeira e espalhe o merengue uniformemente em dois círculos de aproximadamente 14 cm de diâmetro. - Leve a forma ao forno e asse por 3 horas, deixando a porta do forno entreaberta com uma colher de pau o calor tem que ser quase indireto. - Desligue o fogo e deixe a pavlova esfriar lentamente no forno. Não tire a pavlova do papel de pergaminho até que ela esteja completamente fria. Ingredientes da compota de morango Montagem da compota de morango QUADRO 4 – PAVLOVA DE MORANGO 500 g de morangos 15 g de açúcar 50 ml de kirsch - Amasse os morangos grosseiramente, deixando alguns pedaços. - Coloque os morangos em uma panela com o açúcar e o kirsch até ferver. - Amasse os morangos grosseiramente, deixando alguns pedaços. - Coloque os morangos em uma panela com o açúcar e o kirsch até ferver. Ingredientes do creme de chantilly Montagem do creme de chantilly 475 ml creme de leite frescogelado 225 g cream cheese em temperatura ambiente 60 ml mel 8 ml suco de limão - Bata o creme de leite fresco gelado até começar a engrossar. - Adicione o cream cheese em temperatura ambiente e misture para incorporar. - Adicione o mel, o suco de limão e misture até ficar homogêneo. Montagem - Monte o pavlova colocando um dos círculos de merengue em um prato. - Cubra com a metade do chantilly e uma boa concha da compota de morango. - Coloque a segunda camada de pavlova em cima e cubra com o resto do chantilly e outra concha da compota de morangos. FONTE: <https://glo.bo/34vmYoT>. Acesso em: 15 set. 2019. UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 80 FONTE: <http://bit.ly/37M9vLm>. Acesso em: 15 set. 2019. 3 MASSAS MERENGADAS O próprio nome já diz: massas que são feitas com merengue. Os exemplos mais conhecidos são: Biscuit Dacquoise, Bolo Progresso e Macarons. • Sucesso-Progresso, na antiguidade, era associada a um merengue, eram acrescentadas amêndoas moídas e farinha enquanto a massa de progresso levava avelãs moídas e farinha. Hoje em dia, os confeiteiros acrescentam tanto amêndoas quanto avelãs. • Dacquoise deriva da massa Sucesso-Progresso, muito utilizada na preparação elaborada de sobremesas, bolos e massas secas. • Macarons basicamente consiste em claras, açúcar e farinha de amêndoa. Pode ser feito através das três formas: merengue suíço, francês e italiano. 3.1 DACQUOISE A dacquoise é basicamente uma mistura de merengue francês e farinha de amêndoa. Possui uma textura crocante e é excelente para ser utilizada em sobremesas geladas, como bases para entremet ou para petit fours. Sua origem vem do sudoeste da França, da cidade de Dax, e é tradicionalmente preparada em camadas que são intercaladas com recheios. FIGURA 2 – PAVLOVA DE MORANGO: RAÍZA COSTA TÓPICO 1 | MERENGUES, MASSAS MERENGADAS E MACARONS 81 Proporção Técnica de realização 20 g de coco ralado 140 g de açúcar de confeiteiro 40 g de farinha de trigo 140 de farinha de amêndoa 170 g de claras 115 de açúcar - Pré-aqueça o forno a 150 °C e torre o coco ralado por cinco minutos. Retire do forno e reserve. Aumente a temperatura para 200 °C. Misture o açúcar de confeiteiro, a farinha, a farinha de amêndoa. - Bata as claras em neve até que se formem picos firmes e acrescente o açúcar, misturando bem para obter consistência de merengue. - Incorpore os ingredientes secos ao merengue e insira a mistura em um saco de confeitar com bico n° 12. - Com o auxílio do aro da forma de 20 cm de diâmetro, desenhe dois círculos sobre duas folhas de papel-manteiga e disponha-as em duas assadeiras. Com o saco de confeitar, faça uma espiral no interior dos dois círculos - Salpique a dacquoise com coco tostado. - Em seguida, polvilhe-as com açúcar de confeiteiro peneirado. Leve ao forno as duas assadeiras separadamente por 18 minutos cada uma. Obs.: essa é uma sugestão para assar, mas você poderá fazer círculos menores, ou moldar em forma retangular. Como desejar. QUADRO 5 – DACQUOISE FONTE: Instituto Le Cordon Bleu (2017, p. 36) QUADRO 6 – DACQUOISE DE CHOCOLATE COM GANACHE DE CARAMELO Proporção Técnica de realização Biscuit Dacquoise de Chocolate 70 g de claras 35 g de açúcar 60 g de farinha de amêndoas 20 g de açúcar impalpável 20 g de farinha de trigo 10 g de chocolate picado bem fino Bater as claras com açúcar, formando um merengue francês bem firme. Agregar os ingredientes secos peneirados e o chocolate picado. Colocar a mistura em uma manga, bico perle, e fazer disco de 3 cm de diâmetro. Polvilhar duas vezes com açúcar impalpável para formar uma crosta. Assar em forno pré-aquecido a 180 °C por 18 a 20 minutos. Ganache de Caramelo 80 g de açúcar 40 g de glicose 1 g de sal 160 g de creme de leite 150 g de manteiga 250 g de chocolate ao leite Fazer um caramelo com açúcar, glucose e sal. Verter esse caramelo em cima do chocolate e abafar por um minuto para que derreta o chocolate. Misturar com uma espátula de silicone, de forma envolvente, para não incorporar ar. Em seguida, incorpore a manteiga, também de forma envolvente. Colocar em uma manga com bico perle. FONTE: Suconic (2017, p. 28) 4 MACARONS Os macarons surgiram em Veneza, no século XII. Os venezianos batizaram os bolinhos de Macerone, que era a palavra utilizada no dialeto local para “massa fina”. Catarina de Médici trouxe a iguaria para a corte francesa, que virou moda rapidamente entre a nobreza e sua fama se espalhou por toda a França. Muitas cidades acabaram produzindo sua própria versão (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 295). UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 82 FIGURA 3 – MACARON FONTE: O autor O tipo mais popular atualmente é conhecido também como macaron parisiense e foi criado por um jovem pâtissier francês, Paul Desfontaines. Quando foi trabalhar em uma pequena confeitaria de Lausanne, fi cou muito impressionado com a especialidade do estabelecimento, que era um bolinho de massa aerada recheada com ganache. Ao retornar à França, começou a trabalhar para seu tio, Jean Ladurée, que era dono de uma pequena pâtisserie. O jovem confeiteiro adaptou a receita; em vez de massa original, usou macarons assados individualmente, que uniu aos pares com ganache de diversos sabores (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 295). 4.1 DICAS IMPORTANTES DE COMO FAZER MACARONS Macarons é, certamente, um dos doces com maior difi culdade de execução. Um dos fatores é o clima, pois, se for um dia úmido e chuvoso, ele não dará certo. Grandes empresas como Lenôtre, Ladurée ou Pierre Hérme possuem desumidifi cadores dentro das salas em que são produzidos. A temperatura do forno também é signifi cante, de preferência um forno ventilado, eles ajudam a criar os pezinhos. Por exemplo, indicamos assar por cinco minutos a 100 °C para secarem, depois, aumentar a temperatura para 130 °C por mais 25 minutos, mas, o que dá certo em um forno específi co, pode não acontecer em outro forno. Os macarons são doces temperamentais, então, não desista! Às vezes, é necessário testar e adaptar até obter sucesso. Outra dica superimportante é que os ingredientes precisam ser minuciosamente pesados e seguir integralmente a receita. Todos os ingredientes devem estar em temperatura ambiente e nunca devemos utilizar açúcar impalpável, pois contém amido. A qualidade da farinha de amêndoa também é muito importante, quando for comprá-la, passe a farinha sobre os dedos e sinta a textura, se ela estiver soltando muita gordura, essa não é farinha ideal. A utilização de uma forma plana é o ideal, pois, dessa forma, o calor e a ventilação chegam mais rápido na parte superior do macaron. O ideal é a utilização de tapetes de silicone, mas você pode testar com papel manteiga. TÓPICO 1 | MERENGUES, MASSAS MERENGADAS E MACARONS 83 A escolha do corante também é muito importante, corantes lipossolúveis são ideais para chocolates, pois se dissolvem na gordura. Para os macarons, procure utilizar sempre corantes hidrossolúveis que se dissolvem em água, de preferência em pó. O macaron é considerado o “doce do dia seguinte”, por isso, após assá-lo, depois de completamente frio, podemos recheá-lo e guardá-lo na geladeira por 24 horas antes de servi-lo. FIGURA 4 – MACARONS COM RECHEIO DE GANACHE DE FAVA DE BAUNILHA FONTE: O autor A textura do macaron é uma casquinha sutilmente crocante e bem molhada por dentro. O prazo dele, fora da geladeira, é aproximadamente cinco dias. Na geladeira, se for bem armazenado ou hermeticamente fechado, pode durar de oito a dez dias. As casquinhas podem ser congeladas separadas e possuem durabilidade de três meses. QUADRO 7 – MACARON: MÉTODO MERENGUE FRANCÊS Proporção Técnica de realização 240 g de clara de ovos 250 g de farinha de amêndoa 250 g de açúcar de confeiteiro 15 g de corante hidrossolúvel em pó 250 g de açúcar refi nado - Pré-aqueça o forno a 150 °C. Coloque metade dasclaras, a farinha de amêndoa, o açúcar de confeiteiro. O corante em pó, e bata se for na batedeira com raquete, se for a mão com uma espátula até que se transforme em uma pasta. - Em outra tigela, bata as claras restantes com o açúcar até obter uma mistura homogênea. - Coloque em banho-maria, e bata até o merengue chegar a cerca de 65 °C. Transfi ra para a tigela da batedeira e bata até obter um merengue fi rme e até que a mistura retorne a temperatura ambiente. - Usando uma espátula, incorpore o merengue à pasta de amêndoa até a mistura fi car uniforme. - Coloque em um saco de confeitar, bico perle 10 cm e pingue em número par de discos de 5 cm de diâmetro em uma assadeira forrada com um tapete de silicone. - Deixe secar por 30 minutos. - Asse por 20-25 minutos. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 296) UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 84 TUDO SOBRE MERENGUES A confeitaria é como uma ciência, tudo tem que ser feito meticulosamente para que dê certo. Existem muitos detalhes que podem fazer sua receita não dar certo. Bater demais a nata transforma ela em manteiga, ferver demais as gemas faz com que seu creme talhe, água muito quente faz o fermento do pão morrer, água muito fria faz ele não ativar, misturar a calda de caramelo antes da hora faz ela açucarar… Esses são só alguns exemplos, mas são várias e várias coisinhas assim que podem estragar uma receita. Às vezes, mesmo seguindo a receita inteira à risca, seguindo todos os passos do jeito que deve ser, ela ainda pode dar errado. Quem nunca fez uma receita milhões de vezes certa, mas teve um dia que ela resolveu não vingar? É um mínimo detalhe, que muitas vezes nem prestamos atenção, que faz com que aquela receita de sucesso vire um fracasso. Por isso resolvi criar um novo segmento de vídeos/post aqui para vocês! Nesse segmento, que estou nomeando como “Doces Dicas”, irei passar para vocês esses pequenos detalhes superimportantes do mundo da confeitaria. São aquelas informações essenciais, mas que muitas vezes não estão descritas nas receitas porque no geral são tachadas como “todo mundo já sabe disso”, ou “é algo óbvio”. Mas que, na realidade, não são coisas tão óbvias assim, e muitas vezes não temos esse conhecimento não. E, para começar, vou tentar explicar para vocês tudo sobre merengues! Merengues, basicamente, são a mistura da clara do ovo com o açúcar. Na confeitaria, utilizamos três tipos de merengues: o francês, o suíço e o italiano. Cada um deles é preparado de uma maneira diferente, fazendo com que tenham utilizações diferentes dentro da confeitaria. Para preparar o merengue francês você deverá bater suas claras em neve, e então ir acrescentando o seu açúcar aos poucos, até que todo o açúcar seja incorporado no merengue. Quanto mais fino o seu açúcar (impalpável, de confeiteiro etc.), melhor será o resultado do seu merengue. Por não cozinharmos as claras no processo de preparação deste merengue, ele, necessariamente, precisa ser assado antes de ser servido. Seja no formato de suspiro, ou como finalização em tortas assadas, sempre leve este merengue ao forno antes de servir! Para um melhor resultado, utilize sempre também a proporção de 1 de clara para 2 de açúcar. Por exemplo: 100 gramas de claras, para 200 gramas de açúcar. Para preparar o merengue suíço, primeiramente você deve levar suas claras com o açúcar para cozinhar em banho-maria. Mexendo sempre com um fouet. Você vai deixar essa mistura ali, cozinhando, até que todo o açúcar derreta. Para saber se está no ponto certo, é só sentir um pouquinho do merengue por entre seus dedos, e se você não estiver sentindo mais os pedacinhos do açúcar, é porque está no ponto certo. Depois disso, leve essa mistura diretamente para a TÓPICO 1 | MERENGUES, MASSAS MERENGADAS E MACARONS 85 batedeira e bata até que o merengue se forme. Sempre utilize o açúcar refinado para fazer este merengue. Utilizar outro açúcar pode fazer com que sua receita dê errado. Por ter as claras cozidas no processo de preparação da receita, esse merengue não precisa, necessariamente, ser assado antes de servir. Você pode utilizar ele em finalizações de cupcakes, tortas e bolos tranquilamente. O maior problema nesse caso é que ele açucara um pouquinho mais rápido, então quando utilizado em finalizações, deve ser consumido logo. Mas nada impede que você utilize esse merengue em preparos assados também. Ele é ótimo para fazer suspiros e pavlovas! Para este merengue, utilizar a mesma proporção do francês: 1 de clara para 2 de açúcar. Para preparar o merengue italiano, é essencial que você possua dois utensílios: uma batedeira com vasilha que não seja de plástico, como vidro, cerâmica, inox etc.; e um termômetro de cozinha. Sem esses dois utensílios, a chance do seu merengue dar errado e não ficar no ponto correto é muito grande. Então, antes de se aventurar para fazer esse merengue, tenha certeza de que você possui esses dois utensílios! Você começa misturando, fora do fogo, o seu açúcar com a água, até que todo o açúcar esteja incorporado na água. Depois disso, leve essa mistura ao fogo para formar uma calda de caramelo. Você não pode misturar essa calda em momento algum, ou então ela irá açucarar e seu merengue vai dar errado. O máximo que você pode fazer é misturar levemente com a ponta do termômetro, mas nada além disso. Em todo o tempo que a calda estiver cozinhando, verifique sua temperatura. Assim que a calda chegar em 110°, corra para a sua batedeira e coloque suas claras para bater. Importante deixar a batedeira na velocidade máxima, batendo sozinha, e voltar para o seu caramelo, para continuar a cuidar da temperatura dele. Assim que a temperatura dele estiver em 117º, retire a calda do fogo e, com a velocidade agora no mínimo, vá despejando sua calda nas claras em neve. Você precisa despejar essa calda em fio contínuo sob as claras em neve, de modo que toda a calda seja igualmente incorporada nas claras. Depois disso, aumente a velocidade da sua batedeira para o máximo novamente, e deixe seu merengue batendo até que, ao tocar na vasilha da sua batedeira, ela esteja em temperatura ambiente, e não mais quente. Esse merengue é o que fica mais brilhoso entre os três! E, por todos os seus ingredientes serem cozidos no processo de preparação, ele é ideal para todos os tipos de finalizações e doces gelados como musse, sorvetes e marshmallows. É até recomendável não assar esse merengue, para que ele não perca sua estrutura. Esse é o único merengue feito com mais ingredientes, além do açúcar e das claras, e por isso sua proporção pode variar de receita a receita. O ideal é sempre seguir as quantidades da receita, que o resultado final dará certo! Para facilitar, deixei as informações mais importantes, e até algumas dicas extras, explicadinho em tópicos abaixo para vocês. Assim, quando surgir alguma dúvida, fica mais fácil de achar a resposta. Sem contar que vocês podem apenas copiar o quadro abaixo e imprimir ele assim, para UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 86 deixar guardado naquele caderno de receitas e dar uma espiadinha sempre que precisar! Merengues DICAS GERAIS: - Utilize sempre claras em temperatura ambiente. - Nunca utilize utensílios sujos ou molhados para bater suas claras em neve. - Nunca deixar pedacinhos das gemas se juntarem nas claras, pois a gema possuí alto nível de gordura, que pode fazer com que suas claras não criem volume. - Utilizar ovos mais frescos possíveis. Quanto mais velhos os ovos, mais cheiro de ovo terá o seu merengue. MERENGUE FRANCÊS - O mais instável dos três, e também o mais fácil de preparar. - Considerado um merengue cru, já que nenhum de seus ingredientes é cozido durante o processo de sua preparação. Por isso ele sempre deve ser servido em preparações assadas! - Utilizar, preferencialmente, os açúcares mais finos em sua preparação,como o de confeiteiro e o impalpável, pois assim você consegue um resultado melhor. - Proporção de 1 de clara para 2 de açúcar. Por exemplo, 100 gramas de claras para 200 gramas de açúcar. - PRINCIPAIS UTILIZAÇÕES: suspiros, pavlovas, base de massas merengadas, finalização em tortas assadas (torta de limão, chico balanceado etc.). MERENGUE SUÍÇO - O meio termo entre o francês e o italiano. - Por suas claras serem cozidas no processo de preparação do merengue, o mesmo pode ser utilizado tanto em preparos assados, quanto em finalizações "cruas" – que não serão assadas. - Esse merengue tem uma vida útil menor que o italiano, o que faz com que ele açucare mais rapidamente quando utilizado em finalizações. - Sempre utilizar açúcar refinado em seu preparo. - Sua proporção é igual à do merengue francês: 1 de clara para 2 de açúcar. Por exemplo, 100 gramas de claras para 200 gramas de açúcar. - Mais famoso por ser utilizado de base para fazer macarons. - PRINCIPAIS UTILIZAÇÕES: suspiros, pavlovas, base para macarons, finalização em cupcakes, bolos, tortas geladas ou assadas etc. TÓPICO 1 | MERENGUES, MASSAS MERENGADAS E MACARONS 87 MERENGUE ITALIANO - O mais estável e mais brilhoso dos três. - Todos os seus ingredientes são cozidos no processo de preparação, por isso não é necessário assar esse merengue, o que faz dele o merengue ideal para todo tipo de finalização. - Sua vida útil é a mais longa entre os três também. Ele demora mais tempo para açucarar, garantindo que suas decorações e finalizações fiquem cremosas e bonitas por mais tempo. - Por utilizar água em seu preparo, a proporção dele pode variar. É recomendado sempre seguir as quantidades que a receita estiver indicando. - PRINCIPAIS UTILIZAÇÕES: base para musse, sorvetes e marshmallows, finalização em cupcakes, bolos, tortas geladas etc. FONTE: <http://gabrielaosinski.com.br/2019/02/04/tudo-sobre-merengues/>. Acesso em: 28 ago. 2019. 88 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • O merengue nada mais é do que um tipo de espuma de claras de ovos, produzido pela introdução de ar através de uma batida constante e com a adição de açúcar para dar estabilidade à mistura. • Ao preparar merengue, é importante sempre utilizar utensílios limpos, sem resíduo de gordura ou gema, já que isso interfere diretamente no desenvolvimento da espuma. Outra situação importante é a temperatura das claras, elas devem estar entre 15 e 20 °C. • Classificação do desenvolvimento do merengue: ᵒ Ponto fluido: as claras apresentam apenas forca suficiente para formar uma espuma estável. ᵒ Picos leves: as claras apresentam mais desenvolvidas e tem mais forca para manter uma espuma firme. ᵒ Picos firmes: as claras estão completamente desenvolvidas e podem manter picos bem firmes. Se continuar a bater, a espuma pode começar a se degradar. • “Os macarons surgiram em Veneza, no século XII. Os venezianos batizaram os bolinhos de Macerone, que era a palavra utilizada no dialeto local para ‘massa fina’. Catarina de Médici trouxe a iguaria para a corte francesa, que virou moda rapidamente entre a nobreza e sua fama se espalhou por toda a França. Muitas cidades acabaram produzindo sua própria versão” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 295). • O prazo de validade do macaron, fora da geladeira, é aproximadamente cinco dias. Na geladeira, se for bem armazenado ou hermeticamente fechado, pode durar de oito a dez dias. As casquinhas podem ser congeladas separadas e possuem durabilidade de três meses. 89 AUTOATIVIDADE 1 Os merengues, produzidos a partir das claras de ovos batidas em neve junto com o açúcar, têm diversos usos na confeitaria, ora como base, ora como recheio. Basicamente, há três maneiras clássicas de prepará-los. Considerando essas informações, bem como a utilização dessa base da confeitaria, avalie as afirmações a seguir: I- No merengue francês, básico ou a frio, a clara é batida em neve, acrescentando-se açúcar. Esse merengue é usado em ovos nevados, omeletes flambadas, e de fundo para sobremesas como Vacherin. Levando ao forno para secar, torna-se o suspiro. II- No merengue italiano, adiciona-se o açúcar à água e leva-se a mistura ao fogo até que se torne uma calda fervente, que é despejada sobre as claras em neve; bate-se, então, continuamente, até que se obtenha um creme brilhante e uniforme. Esse merengue serve para coberturas diversas e é conhecido como marshmallow. III- No merengue suíço, as claras, com o dobro de seu peso em açúcar, são batidas em banho-maria. Adicionar suco de limão ou outro acidulante torna mais firme esse merengue, que serve para coberturas. É correto o que se afirma em: a) ( ) I, apenas. b) ( ) III, apenas. c) ( ) I e II apenas. d) ( ) II e III apenas. e) ( ) I, II e III. 2 O que esperar de um merengue, no caso francês, quando o efeito do açúcar sobre as claras for na proporção de 1:1 e 2:1 (claras para açúcar)? 90 91 TÓPICO 2 CREMES FRIOS, COZIDOS E OUTROS PREPAROS A BASE DE OVOS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, apresentamos as diversas categorias de preparações de cremes à base de gemas e ovos. Perceberemos que o creme pâtissière, além de ser utilizado em recheios de muitas sobremesas, também é utilizado como base para diversos outros cremes. Esses cremes, clássicos da confeitaria, são utilizados pelo mundo inteiro. Por fim, apresentaremos, de forma clara, sua execução para que você possa obter um excelente resultado em tudo que for produzir. 2 CREMES Os cremes são a base da confeitaria internacional, tanto podem ser utilizados como o centro das atenções em uma preparação e serem servidos sozinhos, quanto podem fazer parte da confecção de inúmeras sobremesas, trazendo sabor, volume, consistência e muito mais (SUCONIC, 2017). Segundo Suas (2011), os quatro tipos de cremes que servem de base na preparação de sobremesas são o creme batido (ou nata batida), o creme chantilly, o creme anglaise e o creme pâtissiére (creme de confeiteiro). Esses cremes básicos diferem em sua composição, mas compartilham de uma característica que todos têm os lacticínios como ingredientes principais. O frangipane é um creme diferente, mas também é considerado como creme base por ser semelhante a uma massa de bolo, tanto na mistura como na receita, é o creme de amêndoas, que pode ser usado como recheio de tortas e viennoiserie, como camada de bolo e como base para um creme de amêndoas com maior leveza: o frangipane. UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 92 Há relatos de que seu surgimento tenha sido um pouco conturbado. De sabor sem igual e adocicado, a história da viennoiserie está ligada diretamente ao famoso croissant, criado em Viena para comemorar o fim da segunda invasão da cidade pelas tropas otomanas em 1683, e até hoje tem espaço garantido em padarias de grande parte do mundo. Apesar de muito se dizer que sejam originários da França, esses tipos de pães, são, na realidade, oriundos de Viena, na Áustria. Aliás, seu nome, traduzido livremente do francês, significa “coisa de Viena”, onde inicialmente era feito de modo exclusivo para a monarquia, uma vez que a manteiga, o açúcar e os ovos só poderiam ser consumidos pelos mais ricos. Foram a produção do croissant e a inserção da panificação vienense na França que deram à viennoiserie forma, conteúdo e uma variedade de receitas de sabor inigualável. De modo sucinto, pode-se dizer que viennoiserie é uma combinação entre confeitaria (pâtisserie) e panificação. Os profissionais utilizam o termo para se referir a produtos feitos com fermento (biológico ou natural), açúcar e enriquecidos com manteiga e ovos. Mas, dentro desta categoria única há duas outras subcategorias muito importantes: (1) massas folhadas e (2) massas não folhadas. É aqui que a distinção entre croissant e brioche ganha vida, separados pelo uso (ou não) da laminação (que nada mais é do que o processo de criar camadas intercaladasde massa e manteiga). Como exemplos da primeira subcategoria, têm-se: croissant, pain au chocolat, pain au raisin, danish e brioche folhado. Já como massas não folhadas, os exemplos são: pain au lait (“pão de leite”), brioche (com suas inúmeras variações, inclusive o clássico brioche à tête), colomba de páscoa, kugelhopf e panetone. Insere-se, conceitualmente, a viennoiserie dentro do campo geral da panificação, pois, tal como o pão, as massas são preparadas com fermento e muitos dos princípios básicos da panificação como mistura, cálculo de tempo de fermentação e cozimento. Os estágios são semelhantes ao processo de fabricação do pão e podem ser divididos em dois momentos: (1) trabalho manual com a massa: mixagem, laminação, divisão, pré-modelagem e modelagem); (2) fermentação (primeira fermentação, descanso, fermentação final e “salto de forno”). FONTE: <https://massamadreblog.com.br/know-how/opiniao/viennoiserie/>. Acesso em: 29 out. 2019. NOTA 2.1 CREME BATIDO (OU NATA BATIDA) O creme batido, segundo Suas (2011), é um creme de leite que foi batido para aumentar seu volume e dar leveza a sua textura. É utilizado como um componente para criar outros tipos, como o creme diplomata, já que não é doce. O creme com um teor de gordura em torno de 35% e 40% contém excelentes propriedades para ser batido. Um creme com pouca gordura vai inibir o creme de crescer de volume e sua estrutura será instável, já se for com um teor de gordura muito alto, cria uma textura pesada e rústica. TÓPICO 2 | CREMES FRIOS, COZIDOS E OUTROS PREPAROS A BASE DE OVOS 93 Para ajudar no processo de aeração, você pode esfriar o creme e os utensílios que vão ser utilizados a uma temperatura abaixo de 10 °C, isso aumenta a viscosidade da gordura, fazendo com que as borbulhas de ar se estabilizem rapidamente. IMPORTANT E 2.2 CREME CHANTILLY Feito com creme de leite fresco, adoçado e aromatizado com baunilha, usado como guarnição de sobremesas ou para cobertura de bolos. A quantidade de açúcar é de acordo com a aplicação a ser feita, contudo, 15% de açúcar baseado no peso do creme é o padrão. Sempre cuidar para não bater o creme em excesso, ele torna-se granulado. Para prepará-lo, você poderá utilizar tanto açúcar impalpável como o refinado e precisa ser acrescentado no início do processo. Pode ser aromatizado com baunilha, licores, chocolate, café, frutas e etc. QUADRO 8 – CHANTILLY Proporção Técnica de realização 1 litro de creme de leite fresco 35% de gordura 150 g a 200 g de açúcar confeiteiro 15 g de essência de baunilha - Ajustar a tigela com o creme de leite sobre outro recipiente com água e gelo (isso vai ajudar a bater melhor o creme). - Acrescentar o açúcar de confeiteiro peneirado e a essência de baunilha. - Bater energicamente, até obter o ponto desejado. FONTE: Sebess (2008, p. 187) 2.3 CREME PÂTISSIÈRE (CREME CONFEITEIRO) Esse creme é um dos mais utilizados na confeitaria. É composto de uma mistura de leite, açúcar, gemas, farinha de trigo ou amido de milho, vai ao fogo para engrossar, cozinhando de dois a três minutos a partir do momento que entra em ebulição. Suas (2011) menciona que a adição da manteiga ao creme pâtissière amacia a textura ao despertar a fase de gel do leite. A manteiga também é adicionada para enriquecer o sabor. O amido, que se liga com as proteínas dos ovos e os protege de coagular sob alto calor, criando um creme mais espesso e mais estável, requer uma temperatura e um cozimento final diferentes para assegurar um produto homogêneo e viscoso. A farinha de trigo é um dos espessastes menos eficazes, isso acontece porque possui proteína, que interfere com o conjunto do teor de amido. UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 94 O creme pâtissiére deve ser sempre cozido em panela de aço inoxidável. O alumínio pode descolorir o creme, e não utilize objetos de madeira. Antes de utilizar o creme patissiére você deve bater levemente o creme para homogeneizar. IMPORTANT E Na época do grande pâtissier francês Marie-Antoine Carême, este creme era chamado de l’ancienne (“à moda antiga”), o que indica que sua origem é anterior a esse período. Conforme a receita foi evoluindo ao longo do tempo, a quantidade de ovos e açúcar diminuiu. Além de seus muitos usos na forma original, também serve de base para outras receitas, como o creme mousseline, e o creme diplomata (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 80). O creme deve ser fervido por dois minutos e, enquanto isso, deve ser mexido constantemente para que o amido inche de modo uniforme e completo. Se isso ocorrer em um nível muito lento, o creme pode se tornar excessivamente fluido e, se não for cozido o suficiente, pode restar um gosto de amido e apresentar textura granulada (SUAS, 2011, p. 262). Depois de finalizado, deverá ser colocado em um recipiente limpo e raso, e sua superfície deverá ser coberta com filme plástico e refrigerado imediatamente. Segundo Suas (2011), a medida em que o creme envelhece, o amido se rompe e começa a “verter” água do creme. Fenômeno conhecido como sinérese. Por essa razão, devem ser usados no máximo por um período de dois a três dias. QUADRO 9 – PÂTISSIÈRE (CREME CONFEITEIRO) Proporção Técnica de realização 500 ml de leite 100 g de gemas 100 g de açúcar 75 g de manteiga 40 g de amido de milho 1 fava de Baunilha, cortada ao meio no sentido do comprimento - Pôr o leite e a baunilha em uma panela de inox e deixar ferver. - Enquanto isso, colocar o açúcar e o amido em um recipiente e misturar. - Adicionar as gemas ao açúcar e bater somente até combinar. Não incorporar ar. - Depois que o lite ferver, colocar um terço na mistura de ovos e mexer até incorporar bem. - Retornar essa mistura à panela e mexer constantemente. - Continuar a cozinhar o creme por mais 2 minutos, mexendo sempre. - Desligar o fogo, acrescentar a manteiga e mexer até misturar completamente. - Despejar o creme em recipiente limpo e raso e cobrir com plástico filme. - Refrigerar imediatamente até quando for usar. FONTE: Suas (2011, p. 369) TÓPICO 2 | CREMES FRIOS, COZIDOS E OUTROS PREPAROS A BASE DE OVOS 95 2.4 CREME ANGLAISE (CREME INGLÊS) Os franceses chamam este creme ralo à base de gemas de crème anglaise (creme inglês), na Inglaterra, o nome é egg custard, sua técnica de preparo é essencial para a confeitaria. Ele pode ser utilizado puro, para acompanhar sobremesas, como base para sorvetes, além de fazer parte das receitas de bavaroise, crémeux e certas musses de chocolate (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 92). Esse creme é cozido, sua preparação é feita a partir da mistura de leite, açúcar e gemas de ovo, leva-se ao fogo mexendo constantemente até que obtenha a temperatura de 85 °C. As gemas coagulam dando uma textura ligeiramente mais espessa. Pode ser considerado um molho, apesar de ser classificado como creme. QUADRO 10 – CREME ANGLAISE (CREME INGLÊS) Proporção Técnica de realização 350 ml de leite 80 g de gemas 85 g de açúcar 1/2 fava de baunilha, cortada ao meio no sentido do comprimento - Abra a fava de baunilha no sentido do comprimento e raspe o interior com uma faca para retirar as sementes. - Em uma tigela, bata as gemas e o açúcar até a mistura ficar esbranquiçada e espessa. - Ferver o leite em uma panela com as sementes e as favas. - Despeje um terço do leite com baunilha sobre a mistura de gemas, batendo vigorosamente. - Coloque tudo em uma panela e cozinhe em fogo baixo, mexendo com uma espátula até o creme engrossar e envolver as costas dela (a temperatura deve chegar a 82 °C – 84 °C). Pegue um pouco de creme com a espátula, incline-a e, com o dedo, faça um risco na espátula horizontalmente. As bordas do creme devem se separar nitidamente. - Disponha o creme inglês em uma tigela e deixe-o esfriar antes de levá-lo a geladeira. FONTE: Instituto Le Cordon Bleu (2017, p. 481) QUADRO 11 – AROMATIZANTES PARA O CREME ANGLAISE (CREME INGLÊS) Sabor do cremeQuantidade de aromatizante por litro de leite Momento de incorporação do aromatizante Baunilha 1 fava de baunilha 10 g de extrato de baunilha 20 a 50 g de essência de baunilha Deixar em infusão no leite. Antes ou depois do cozimento. Antes ou depois do cozimento. Chocolate 50 a 60 g de chocolate em pó100 g de chocolate amargo derretido Antes ou depois do cozimento. Antes ou depois do cozimento. Café 80 g em café em grãos 20 g de café instantâneo Deixar em infusão. Diluir no leite. Doce de leite 150 a 170 g de doce de leite Dissolver no leite antes de incorporar as gemas. Licor ou aguardente 50 ml de licor ou aguardente desejado Depois do cozimento, a frio. FONTE: Sebess (2008, p. 179) UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 96 2.5 CREME DE AMENDOAS (CRÈME D’AMANDE) “Esse creme foi criado no início do século XVI por um pâtissier francês chamado Provenchère. A família deteve a patente da receita até o reinado de Luís Filipe, em 1830” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 88). “O creme de amêndoas é utilizado com recheio para uma variedade de produtos assados, incluindo o clássico pithivier, várias viennoiseries, tortas de frutas e bolos recheados. Entre seus ingredientes normalmente estão manteiga, açúcar, ovos, farinha de amêndoas, farinha e rum” (SUAS, 2011, p. 263). A farinha de trigo é incluída somente como agente de ligação, por isso a quantidade de farinha de amêndoa utilizada é bem maior. Outras oleaginosas podem ser utilizadas no lugar da amêndoa, criando um recheio diferenciado. QUADRO 12 – CREME DE AMÊNDOAS Proporção Técnica de realização 250 g de manteiga sem sal, amolecida 250 g de açúcar refinado 250 g de ovo inteiro (5 ovos), batidos 250 g de amêndoa moída (farinha de amêndoa) 50 g de farinha de trigo comum peneirada - Coloque a manteiga e o açúcar em uma tigela e bata até obter um creme liso. - Junte aos poucos os ovos, batendo bem após cada adição. - Incorpore delicadamente as amêndoas moídas e a farinha de trigo e misture até obter uma mistura homogênea. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 88) 2.6 FRANGIPANE As primeiras receitas de frangipane são dos anos de 1500, quando Catarina de Médici, uma jovem nobre italiana, casou-se com o rei Henrique da França. Para facilitar sua adaptação ao no país, ele levou consigo seus próprios chefs e serviçais italianos. Seu personal chef, Popelini, apresentou muitas receitas italianas à corte francesa; uma influência que viria afetar a cozinha do país. Um dos pratos favoritos da jovem rainha era a clássica polenta italiana. Não tendo encontrado todos os ingredientes necessários na França, o chefe modificou ligeiramente a receita. A nova versão continha açúcar mascavo, farinha de trigo, ovos de galinha-d’angola, sal, amêndoas, raízes em pó, leite e manteiga. Catarina adorou a criação saborosa e aromática, que a fez lembrar de um perfume francês muito na moda à época, criado pelo nobre italiano Marquis Frangipani, que vivia em Paris. Ela então batizou o creme frangipane, em sua homenagem. É uma das preparações favoritas da confeitaria parisiense, e evoluiu com o tempo. Atualmente, enriquecido com a adição de creme de confeiteiro e rum ao creme de amêndoas, durou todo esse tempo e continua sendo tão popular como antes. TÓPICO 2 | CREMES FRIOS, COZIDOS E OUTROS PREPAROS A BASE DE OVOS 97 Proporção Técnica de realização ½ receita de Creme de Confeiteiro ½ receita de Creme de Amêndoas 40 ml de rum escuro - Bata o creme de confeiteiro em uma tigela até ficar cremoso - Incorpore delicadamente ao creme de amêndoas - Junte o rum e misture bem QUADRO 13 – FRANGIPANE FONTE: Curley e Curley (2015, p. 89) O frangipane é o tema de uma das histórias culinárias mais curiosas. Conta-se que tudo começou quando um nobre italiano do século XVI, o marquês Muzio Frangipani, criou luvas com perfume de amêndoas, inaugurando, assim, uma tendência na moda parisiense. Os confeiteiros, querendo capitalizar sobre a febre da última moda, experimentaram diversas maneiras de capturar o perfume das sobremesas. Dessa forma nasceu o frangipane. Aromatizado com farinha de amêndoas para uma de creme pâtissière, é usado para bolos, doces matinais e outras confecções (SUAS, 2011, p. 288). INTERESSA NTE 2.7 CREME MOUSSELINE Segundo Suas (2011), em francês, “musseline” refere-se a algo leve e delicado. Tradicionalmente, esse creme combina o creme pâtissière e manteiga macia que tenha sido batida até se tornar leve e acetinada, criando uma combinação entre um creme pâtissière e o creme de manteiga leve que é muito versátil e que pode ser usada como recheio de bolos, tortas e doces. Muitas vezes esse creme é servido com frutas, tendo como exemplo o bolo le frasier que combina uma abundância de morangos frescos e de creme mousseline. Esse creme é recomendável no preparo do mil-folhas, já que se mantém firme ao ser fatiado. UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 98 Proporção Técnica de realização 375 g de creme pâtissière (confeiteiro) 200 g de manteiga sem sal em temperatura ambiente, em cubos - Prepare o creme pâtissière (confeiteiro), retire do fogo e despeje na tigela da batedeira. - Bata em velocidade baixa até atingir a temperatura ambiente, raspando as laterais de vez em quando. - Aumente a velocidade e junte a manteiga, um cubo por vez, até que esteja totalmente incorporada. QUADRO 14 – CREME MOUSSELINE FONTE: Curley e Curley (2015, p. 84) QUADRO 15 – AROMATIZANTES PARA CREME MOUSSELINE Sabor do Creme Quantidade de aromatizante por litro de leite Momento de incorporação do aromatizante Baunilha 15 a 20 g de extrato de baunilha (líquido ou em pó) 20 a 30 g de essência de baunilha Ao final da batedura, com o creme terminado. Chocolate 300 a 400 g de chocolate derretido Ao final da batedura, com o creme terminado. Doce de leite 250 a 300 g de doce de leite Misturar com a manteiga amolecida antes de incorporar ao creme. Licor ou aguardente 100 a 120 ml de licor ou aguardente Acrescentar ao creme terminado. FONTE: Sebess (2008, p. 124) 2.8 CREME DIPLOMATA O creme diplomata tem suas origens em um pudim francês do século XIX, o pudim Chateau-briand, que foi oferecido aos parisienses pelo famoso confeiteiro de um diplomata. Por definição, o creme diplomata é delicado e leve, preparado a partir do creme pâtissiére, creme batido para dar leveza e a gelatina. Pode ser usado como recheio para bolos, tortas e doces. Esse creme também é conhecido como creme legère (SUAS, 2011, p. 267). QUADRO 16 – CREME DIPLOMATA Proporção Técnica de realização 375 g de creme pâtissière (confeiteiro) 150 g de creme chantilly 2 folhas de gelatina sem sabor - Demolhe a gelatina em uma tigela com água gelada por alguns minutos, até amolecer. Esprema, para retirar o excesso de água. - Prepare o creme pâtissière (confeiteiro), retire do fogo e adicione a gelatina hidratada. - Despeje em uma tigela e deixe esfriar na geladeira, mexendo de vez em quando. - Bata o creme de leite até obter picos moles e incorpore ao creme de confeiteiro gelado. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 83) TÓPICO 2 | CREMES FRIOS, COZIDOS E OUTROS PREPAROS A BASE DE OVOS 99 Leve o Creme Diplomata a geladeira por pelo menos 30 minutos antes usar. DICAS 3 OUTROS CREMES À BASE DE OVOS E OUTRAS MISTURAS Os ovos têm muitas funções na confeitaria, entre elas: estruturação, aeração e emulsificação. A seguir, veremos outros cremes em que os ovos fazem toda diferença na sua composição. 3.1 CREME DE MANTEIGA O creme de manteiga foi criado por um pâtissier chamado Quillet, no início do século XIX, e originalmente tinha seu nome, crème à Quillet; mais tarde, passou a ser chamado simplesmente de crème au beurre. Há muitas receitas e maneiras de preparar o creme de manteiga, mas a fórmula original de Quillet era feita através de uma calda de açúcar em fio sobre as gemas ao bater e, depois de esfriar,junta-se a manteiga amolecida (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 86). Esse creme é o mais usado para bolos em ocasiões especiais, é bastante apreciado pelos confeiteiros por ser muito versátil. Basicamente, é formado por manteiga batida adoçada e adicionado uma espuma de ovos ou de claras. Seu sabor e texturas dependem da forma como foi preparado. Entre todos os ingredientes utilizados em sua preparação, o que mais define a qualidade do produto final é a gordura. QUADRO 17 – CREME DE MANTEIGA PÂTE Á BOMBE Proporção Técnica de realização 100 g de açúcar refinado 30 ml de água 60 g de gema de ovo (cerca de 3 gemas) 225 g de manteiga - Coloque o açúcar refinado e a água em uma panela, leve ao fogo e cozinhe até chegar a 121 °C. - Coloque as gemas na tigela da batedeira e comece a bater. Despeje a calda quente lentamente sobre as gemas, batendo até engrossar e esfriar. - Adicione a manteiga amolecida aos poucos, batendo. Quando toda a manteiga estiver sido incorporada, bata até obter um creme leve e aerado. - Use imediatamente. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 86) UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 100 3.1.1 Pâtê à bombe “A pâte à bombe é uma espuma feita de gemas e calda. As bases de pâte à bombe são usadas para bolos musse, como base para o creme de manteiga francês e para sobremesas congeladas como o parfait. Sua mistura acrescenta tanto leveza à textura como riqueza em sabor e cor” (SUAS, 2011, p. 274). Modo de preparo da pâte à bombe: • Leve ao fogo a água e o açúcar, e cozinhe a calda até atingir a temperatura 121 °C ponto bala-dura. • Despeje as gemas na cuba da batedeira, e comece a bater em velocidade média baixa. • Acrescente a calda lentamente depois que ela atingir 121 °C. • Bata em velocidade média à alta até que a mistura se torne clara, aumente seu volume e adquira uma textura aerada. 3.2 CREME DE MANTEIGA A BASE DE MERENGUE ITALIANO O creme de manteiga italiano possui leveza e estabilidade, muito escolhido entre os confeiteiros. É baseado no merengue italiano, que é batido até chegar no seu pico, em temperatura ambiente e somente depois adicionamos lentamente a manteiga amaciada. É importante notar que, se houver muita diferença entre a temperatura do merengue e da manteiga, a emulsão pode se romper ou a manteiga pode derreter. Para corrigir um creme de manteiga que tenha se rompido ou desandado é melhor continuar a bater em alta velocidade. O movimento e a flutuação natural da temperatura vão finalmente emulsificar o creme (SUAS, 2011, p. 276-277). Se o merengue estiver muito aquecido, a manteiga vai derreter e ocorrerá perda de volume. A mistura pode ser recuperada se os ingredientes da cuba forem resfriados e batidos para emulsificar. Se o resultado for insatisfatório, mais aceitável, uma opção é misturá-lo a um novo creme para evitar desperdício. IMPORTANT E TÓPICO 2 | CREMES FRIOS, COZIDOS E OUTROS PREPAROS A BASE DE OVOS 101 Proporção Técnica de realização Merengue italiano: 210 g de claras 500 g de açúcar refinado 200 ml de água Creme de manteiga: 500 g de manteiga Aromatizante (baunilha, chocolate, café etc.) - Colocar a manteiga fria, cortada em cubinhos, dentro do merengue italiano morno. Bater até tudo ficar bem ligado. - O creme deverá ficar liso e uniforme. QUADRO 18 – CREME DE MANTEIGA À BASE DE MERENGUE ITALIANO FONTE: Sebess (2008, p. 184) 3.3 CREME DE MANTEIGA NO ESTILO CREME ANGLAISE Segundo Suas (2011), o mais saboroso dos cremes de manteiga é o creme de manteiga estilo creme anglaise, também conhecido como creme de manteiga inglês. Sua preparação é feita por meio da mistura do creme anglaise, a manteiga e o merengue italiano. Alguns detalhes que devem ser observados (SUAS, 2011): • Deve ser usado e servido fresco. • Não se mantém bem no congelador, uma vez que o alto teor de líquido do creme cria uma grande quantidade de cristais de gelo que prejudica a emulsão. QUADRO 19 – CREME DE MANTEIGA NO ESTILO CREME ANGLAISE Proporção Técnica de realização Creme anglaise: 150 g de gemas 50 g de açúcar 120 ml de leite Creme de manteiga: 250 g de manteiga Aromatizante (baunilha, chocolate, café etc.) Merengue italiano: 100 g de merengue italiano - Colocar a manteiga amolecida na tigela da batedeira. Bater. - Fazer um creme anglaise. - Acrescentar a preparação fria sobre a manteiga. - Bater até que os ingredientes estejam bem misturados. - Passar a preparação para uma tigela limpa. - Incorporar o merengue italiano. - Misturar delicadamente com a espátula FONTE: Sebess (2008, p. 184) 3.4 CREME CHIBOUST Também conhecido como creme St. Honoré, não muito usado, mas será útil conhecer sua preparação e os cuidados especiais necessários. Esse creme foi inventado pelo pâtissier Chiboust, enquanto criava seu lendário Gâteau St. Honoré. A sobremesa é uma homenagem à rua onde sua loja estava localizada, Saint Honoré — que é o padroeiro dos UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 102 Proporção Técnica de realização Creme pâtissière: 500 g de creme pâtissière gelatina Merengue italiano 125 g de merengue italiano - Realize todos os procedimentos para fazer o creme pâtissière. - Fora do fogo acrescentar a gelatina hidratada. Mexer até que a mistura esteja completada. - Despejar o creme pâtissière em um recipiente e cobrir com filme plástico para evitar a formação de película. Reservar e preparar o merengue italiano. - Realize todos os procedimentos para fazer o merengue italiano. - Bater o merengue até a temperatura baixar para 40 °C. Finalização do creme Chiboust: - Depois que o merengue chegar à temperatura desejada, acrescentá-lo ao creme pâtissière e usar imediatamente. FONTE: Suas (2011, p. 374-375) 4 OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA Alguns cremes são feitos somente a base de gema, sendo ela a responsável pela a estrutura do creme, sabor e cor. A seguir, veremos os tipos e os métodos de preparos. 4.1 LEMON CURD O creme de limão, também conhecido como lemon cheese, é uma sobremesa tradicional britânica. No final do século XX na Inglaterra, o creme de limão, feiro em casa, era servido com pão ou scones no chá padeiros na França —, e a ele mesmo. O Chiboust é um creme delicado e deve ser utilizado imediatamente, senão o merengue se desfaz (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 82). Os componentes para esse creme é o creme pâtissière e o merengue italiano, embora ele seja bastante leve, não apresenta tanta estabilidade como outros cremes de estrutura leve, também é aconselhado acrescentar gelatina. A proporção de creme pâtissière para o merengue italiano nesse creme clássico é em torno de 4:1. As temperaturas do creme pâtissière e do merengue são fundamentais. Se for muito fria, o creme pode desandar ou perder sua emulsão. A durabilidade recomendada do creme St. Honoré é muito curta. Se o creme for feito com merengue francês, é tão suscetível a desandar e a sofrer contaminação que a durabilidade é de no máximo 12 horas. As preparações feitas com merengue italiano são mais estáveis e podem durar até 24 horas (SUAS, 2011, p. 266). QUADRO 20 – CREME CHIBOUST TÓPICO 2 | CREMES FRIOS, COZIDOS E OUTROS PREPAROS A BASE DE OVOS 103 da tarde e usado como recheio de bolos, pequenas pâtisseries e tortas. O creme de limão é diferente do recheio de limão, porque contém alta proporção de suco e de raspas da fruta, o que lhe confere um sabor muito mais intenso (SUAS, 2011, p. 293). QUADRO 21 – LEMON CURD Proporção Técnica de realização 2 folhas de gelatina (5 g) 180 g de gemas 210 g de açúcar 10 g de amido de milho 140 ml de suco de limão-siciliano Raspas da casca de 2 limões-sicilianos 265 g de manteiga em pedaços - Amoleça as folhas de gelatina em uma tigela de água fria. Em outra tigela, bata os ovos com o açúcar até obter um preparo branco e espesso. - Acrescente o amido de milho. - Em uma panela, ferva o suco de limão-siciliano comas raspas e despeje-o sobre o preparo anterior, batendo energicamente. - Transfira de volta o preparado para a panela e cozinhe em fogo brando, mexendo constantemente com o batedor manual até começar a ferver. Retire imediatamente a panela do fogo. - Despeje o creme em uma tigela larga. Esprema as folhas de gelatina para escorrer a água e incorpore-as ao creme. Deixe esfriar por alguns minutos e acrescente a manteiga. - Bata com um mixer para obter uma consistência bem lisa e refrigere. FONTE: Instituto Le Cordon Bleu (2017 p. 114-115) 4.2 CRÈME BRÛLÉE É, possivelmente, uma das sobremesas mais famosas no mundo ocidental. Esta simples e delicada sobremesa, feita com gemas, leite, açúcar, tem sua origem reivindicada por três países: França, Inglaterra e Espanha. O nome crème brûlée, como conhecemos no Brasil, é francês. Na Inglaterra, o doce é chamado de Cambridge burnt cream, e na Espanha é conhecido pelo nome de Crema Catalana e pode conter limão ou laranja (PERRELLA; PERRELLA, 2016, p. 164). Deve ser levada à mesa, na qual o açúcar do crème brûlée deve estar crocante e levemente aquecido, e, seu interior, levemente resfriado. A colher deve quebrar a resistência do açúcar produzindo um som característico de romper a crosta. Deve ser assado em ramequim ou em um recipiente refratário raso. Depois de assado deve permanecer refrigerado por pelo menos oito horas para esfriar e firmar completamente antes de servir. Deve ser servido na mesma vasilha em que foi assado. A escolha do açúcar para finalizar essa sobremesa pode ser o açúcar branco, para acentuar ainda mais o seu sabor, o açúcar demerara é o ideal. Coloque uma camada fina sobre a superfície do creme e utilize um maçarico para caramelizar de maneira uniforme sem queimá-lo. UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 104 FIGURA 5 – CRÈME BRÛLÉE FINALIZADO FONTE: <http://bit.ly/37OojsU>. Acesso em: 19 nov. 2019. “Qualquer que seja sua origem, a primeira receita é encontrada no livro de receitas escrito pelo francês François Massialot (1660-1733), no fi nal do século XVII. Suspeita-se que ele era um cozinheiro independente contratado para ocasiões especiais. Seus clientes eram duques e marqueses, como Monsieur Filipe, Duque de Orléans, irmão de Luís XIV” (PERRELLA; PERRELLA, 2016, p. 164). QUADRO 22 – CRÈME BRÛLÉE Proporção Técnica de realização 300 g de creme de leite fresco 200 ml de leite integral 1 fava de baunilha 6 gemas 100 g de açúcar - Coloque o creme de leite e o leite em uma panela. Corte a fava de baunilha ao meio no sentido do comprimento e, após raspar as sementes para dentro da panela, jogue a fava ali também. Ferva, desligue o fogo e retire a fava. - Misture as gemas com o açúcar numa tigela e despeje devagar no creme quente, batendo sempre. Não bata demais para não criar muitas bolhas. - Se tiver tempo, transfi ra o creme de gemas para uma tigela, cubra com papel fi lme e leve à geladeira por uma noite. Isso faz com que as sementes de baunilha de mais sabor ao creme de leite e ao leite. - Pré-aqueça o forno a 110 °C. Divida o creme de gemas entre seis ramequins rasos e largos e coloque-os numa assadeira. Encha a assadeira com água fria até a altura da metade dos ramequins. Asse por 30-40 minutos ou até que o creme estar fi rme nas bordas, mas ainda um pouco mole no meio. Retire os ramequins da água e reserve até esfriarem à temperatura ambiente. Leve à geladeira. FONTE: Khoo (2014, p. 231) TÓPICO 2 | CREMES FRIOS, COZIDOS E OUTROS PREPAROS A BASE DE OVOS 105 4.3 CREME ZABAIONE “O creme zabaione é uma preparação espumosa, de origem italiana. A palavra zabaione passou a ser conhecida no século XIX, na França, como sabayon. O creme foi criado no início do século XVI, na corte florentina dos Médici” (SEBESS, 2008, p. 182). Esse creme é obtido batendo as gemas com vinho Marsala e açúcar em banho-maria até ficar bem espumoso. Atualmente, pode fazer zabaione adicionando vinhos doces, vinhos reduzidos ou vinhos espumantes. QUADRO 23 – CREME ZABAIONE Proporção Técnica de realização 6 unidades de gemas 125 ml de Vinho Marsala 100 g de açúcar - Colocar uma tigela com as gemas em banho- maria. - Acrescentar o açúcar e o vinho Marsala. - Bater continuamente até que a preparação fique bem espumosa. FONTE: Sebess (2008, p. 182) 5 BAVAROISE CLÁSSICA “Originalmente, a bavaroise não era uma sobremesa, mas uma bebida. Foi criada em meados do século XVIII, em Paris, e batizada em homenagem à princesa da Baviera. Ela gostava de bebidas doces como essa, que evoluiu para se transformar em um creme” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 98). “Os principais ingredientes para esse creme são o leite, o creme, as gemas, o açúcar e a gelatina. Os componentes principais são o creme anglaise como base, a gelatina e o creme batido. A escolha de aromatizantes é limitada e pode incluir chocolate, café, calda de caramelo, chás, purê de frutas, especiarias e baunilha” (SUAS, 2011, p. 319). A composição do creme anglaise está associada ao sabor que se deseja na bavaroise, na qual a quantidade de açúcar a ser utilizado depende de outros ingredientes que serão incluídos, como o chocolate, pasta de nozes e purês de frutas, as gemas também são mensuradas em proporção ao peso líquido da receita. Essa oscilação varia de 20% e 35% do líquido da receita. É importante mencionar que as gemas são um agente espessante e nutritivo na receita, porém seu uso excessivo pode causar problemas de coagulação e um sabor predominante de ovo. Se o objetivo for uma bavaroise de frutas, o ideal é que se utilize 100% de purê de frutas no lugar do creme anglaise. O componente principal da bavaroise é o creme batido, através dele que acrescentamos leveza. Ele deve ser batido até o ponto fluido e deve ser acrescentado no creme anglaise quando este alcançar a temperatura entre 24 °C e 29 °C. UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 106 FIGURA 6 – PONTO FLUIDO DO CREME BATIDO PARA UTILIZAÇÃO NA BAVAROISE FONTE: <http://bit.ly/2L31dVu>. Acesso em: 19 nov. 2019. É importante cuidarmos com a quantidade de gelatina a ser usada, o ideal é de 1% do peso total da receita ou 3% do peso total do creme anglaise. Uma medida importante para uma bavarois bem-sucedida consiste em equilibrar a quantidade de ingredientes no creme anglaise, incluindo o açúcar e qualquer ingrediente adicional como chocolate ou pasta de praline. O sabor fresco do creme batido ou de aromatizantes deve brilhar sem ser dominado por excesso de açúcar. O teor total de açúcar para o creme bávaro deve oscilar entre 15% e 25% dependendo do sabor preferido do público (SUAS, 2011, p. 320). FIGURA 7 – SOBREMESA GLAMOUR, BASE DE DACQUOISE, BAVAROISE DE CHOCOLATE BRANCO E FAVA DE TONKA, NÚCLEO CURD DE FRUTAS VERMELHAS FONTE: O autor Procedimentos para o creme Bavaroise: • Dissolver a gelatina e reservar. • Bater o creme de leite fresco até o ponto fl uido e reservado no refrigerador. • Preparar a base, o creme anglaise e a gelatina já hidratada e combinada até dissolver totalmente. • Quando o creme anglaise atingir temperatura entre 24 °C e 29 °C, o creme de leite fresco batido deve ser acrescentado e o produto despejado em forma apropriadas, ou como desejar fazer sua sobremesa. TÓPICO 2 | CREMES FRIOS, COZIDOS E OUTROS PREPAROS A BASE DE OVOS 107 Podem ocorrer muitas variações durante a preparação do creme anglaise. Para uma bavaroise de café, deve ser adicionado café moído na hora aos ingredientes líquidos da base, ou pode ser usada essência de café. Para a bavarois de chocolate, este é acrescentado ao creme anglaise formando-se uma emulsão antes de acrescentar o creme batido. Ingredientes adicionais, como álcool, geleia ou gotas de chocolate e licores, devem ser acrescentados depois do creme batido (SUAS, 2011, p.320). A durabilidade deste creme é de 48 horas refrigerado e bem embalado, pode sercongelado por até duas semanas. QUADRO 24 – BAVAROISE CLÁSSICA Proporção Técnica de realização 500 ml de leite 1 fava de baunilha, cortada ao meio no sentido do comprimento 80 g de açúcar refinado 12 g de gelatina em folha sem sabor e incolor 450 ml de creme de leite fresco - Coloque o leite em uma panela. Raspe as sementes da fava de baunilha e acrescente à panela, juntamente com a fava. Aqueça até ferver. - Bata as gemas com o açúcar em uma tigela até ficarem bem misturados e esbranquiçados. - Despeje metade do leite escaldado sobre a mistura de gemas e mexa bem. - Coloque essa mistura na panela com o leite e aqueça novamente, mexendo sem parar. - Cozinhe até o creme engrossar e cobrir as costas da colher (temperatura de 82 – 84 °C). - Junte a gelatina já hidratada ao creme anglaise e dissolva. - Bata o creme de leite até o ponto fluido. Quando o creme anglaise estiver em temperatura entre 24 e 29 °C, misture delicadamente os dois cremes. - Use imediatamente. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 98) Acadêmico, confira no link a seguir um texto muito bacana apresentando dez lugares imperdíveis para provar doces em Paris: https://www.familiasemfronteiras.com.br/ onde-comer-doces-franceses-em-paris. DICAS 108 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Os quatro tipos de cremes que servem de base na preparação de sobremesas são o creme batido (ou nata batida), o creme chantilly, o creme anglaise e o creme pâtissiére (creme de confeiteiro). Esses cremes básicos diferem em sua composição, mas compartilham de uma característica que todos tem como ingrediente principal, os lacticínios. • A adição da manteiga ao creme pâtissière amacia a textura ao despertar a fase de gel do leite. A manteiga também é adicionada para enriquecer o sabor. O amido, que se liga com as proteínas dos ovos e os protege de coagular sob alto calor, criando um creme mais espesso e mais estável. Ele requer uma temperatura e um cozimento final diferentes para assegurar um produto homogêneo e viscoso. A farinha de trigo é um dos espessastes menos eficazes, isto acontece porque possui proteína, que interfere com o conjunto do teor de amido. • “Uma medida importante para uma bavarois bem-sucedida consiste em equilibrar a quantidade de ingredientes no creme anglaise, incluindo o açúcar e qualquer ingrediente adicional como chocolate ou pasta de praline. O sabor fresco do creme batido ou de aromatizantes deve brilhar sem ser dominado por excesso de açúcar. O teor total de açúcar para o creme bávaro deve oscilar entre 15% e 25% dependendo do sabor preferido do público” (SUAS, 2011, p. 320). 109 AUTOATIVIDADE 1 O que difere o creme pâtissière do creme anglaise? 2 Qual o nome do fenômeno que ocorre ao creme pâtissière na medida que ele vai perdendo sua validade e como identificamos? 110 111 TÓPICO 3 MUSSES, CALDAS, COBERTURAS E GELEIAS DE FRUTAS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Preparar uma boa musse exige um bom conhecimento de técnicas de confeitaria. Por isso, neste tópico, teremos a possibilidade de entender sobre os agentes gelificantes e as bases que permitem que a musse possa ter leveza e proporcionar uma boa experiência degustativa. Também, apresentaremos as diversas categorias de preparações de cobertura, todas servindo como base para a elaboração e finalização de bolos e sobremesas. Para finalizar, apresentaremos todos o processo de execução de geleias e purês de frutas, assim como a higienização e a conservação das geleias e compotas. 2 MUSSE “A palavra francesa mousse remonta ao início do século XVIII e é derivada de mosse, do francês antigo, que data de 1226. Traduzida literalmente, mousse significa ‘espuma’, como a que se forma na superfície de águas agitadas. Mais tarde, a palavra passou a designar sobremesas de textura leve e espumosa” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 99). “As preparações de musse existem desde meados de 1800. O livro de receitas de Fannie Farmer, de 1896, inclui receitas para musses de morango e de café, e em 1918 apresenta a primeira receita para musse de chocolate” (SUAS, 2011, p. 313). Musses doces geralmente são preparadas com chocolate ou purê de frutas. O que permite leveza a sua textura, é a adição de uma espuma de ovos e ou creme batido. São apresentadas de diversas maneiras, em recheios de sobremesas ou somente ela. Importante sempre antes de iniciar qualquer preparo, limpar bem os equipamentos garantindo a segurança alimentar. Quando preparamos uma musse, sempre devemos nos atentar ao equilíbrio dos sabores, texturas e as propriedades de gelificação, por isso é importante ter o cuidado com a preparação dos componentes. Apesar de que 112 UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA cada tipo de musse necessite de uma combinação diferente, isso inclui uma boa base, a espuma de ovos, um agente gelificante e o creme batido. Razões como teor de cacau do chocolate e o ponto de doçura interferem na composição final. A base tem como principal papel proporcionar leveza à musse, seus componentes adicionais podem adoçar o produto. O tipo de base a ser utilizado vai influenciar no tipo de espuma de ovos e a quantidade de gelatina, caso seja usada alguma. A base pode incluir preparações de purê de frutas, cremes cozidos como o creme anglaise, creme pâtissière, ou a ganache. Segundo Suas (2011), uma musse de frutas tem como principal base o purê de frutas frescas ou congeladas. As variações podem incluir o creme anglaise feito com purê de frutas ou uma mistura de purê de frutas e creme. Essa versão de musse requer cozimento, o que diminui alguns sabores delicados e cores de frutas. Suas (2011) indica acrescentar 5% do peso do purê em suco de limão, isso contribui para realçar o sabor da fruta e aumentar a acidez. Frutas frescas ou um purê de frutas de boa qualidade podem ser usados. Se preparada adequadamente, a escolha de um ou de outro não vai alterar seu sabor. O autor indica que se usar frutas frescas, que sejam bem maduras para que o melhor de seu sabor e cor seja extraído. Atente-se que o purê, tanto da fruta fresca ou congelada, deverá ser adicionado à musse imediatamente, depois de transformados em purê, se forem deixados por muito tempo, sofrerão oxidação, o que pode afetar negativamente o sabor, a cor e a qualidade do produto. Os cremes cozidos são bases que proporcionam textura e cremosidade especificas às preparações. Se utilizar o creme anglaise, precisaremos de um agente gelificante, para criar uma musse mais firme. O creme pâtissière, por ser mais denso, vai precisar de mais leveza para produzir uma mistura mais viscosa. Ao preparar uma musse de chocolate, a adição dele deverá ser realizada no momento adequado, não prejudicando sua textura e volume. Mas, antes disso, ele precisa ser transformado em uma textura cremosa que vai assegurar sua incorporação homogênea aos demais ingredientes. A espuma de ovos agrega leveza e volume a musse, o merengue italiano e a pâte á bombe são as mais utilizadas. Se for uma musse de frutas, o merengue italiano é o mais indicado, sua textura leve adiciona um adocicado à musse, e não é tão inclinado a perder o volume como ocorre com outro tipo de merengue, como o francês. A pâte à bombe para a musse de frutas é a menos utilizada, como sua base é feita de gemas, possui alto teor de gordura, podendo interferir no sabor da musse de frutas. Uma opção, para diminuir o sabor, é fazê-la com o purê de frutas de sabores mais intensos como o de limão, maracujá, groselha etc. Para uma musse de chocolate, uma melhor opção é a utilização da pâte à bombe, pois, além de proporcionar leveza, a lecitina natural da gema acrescenta TÓPICO 3 | MUSSES, CALDAS, COBERTURAS E GELEIAS DE FRUTAS 113 paladar e textura ao retardar as propriedades de fixação da manteiga de cacau, ocasionando uma textura mais intrigante à musse. Já o merengue italiano utilizado na musse de chocolate funciona muitobem se o chocolate for preparado com o creme anglaise. A doçura do creme anglaise pode ser corrigida para combinar com o açúcar do chocolate, assim como do merengue italiano. O merengue italiano pode proporcionar mais volume do que a pâte à bombe, uma vez que o volume obtido pelas claras, é maior que o das as gemas. A escolha do creme batido é importante para compor a musse, seu sabor denso e com textura suave possuem a capacidade de reter ar. As partículas de gordura batidas acrescentam estabilidade e paladar, escolha um creme com teor de gordura 35%, isso garante que se desenvolva bem e apresente firmeza a ser batido. Importante bater o creme até o estágio correto. Um creme com teor de gordura superior, tenderá a se desenvolver muito rapidamente e a alta quantidade de gordura vai produzir uma textura mais granulada, causando uma sensação desagradável ao paladar. Altas quantidades de creme batido podem diluir os sabores da base e tornar a textura da musse muito leve, o que pode servir para um purê com um sabor mais intenso como o de maracujá, groselha, limão- siciliano e limão-taiti. Para esses sabores mais concentrados e para as preparações da musse de chocolate, a proporção de creme batido em relação ao purê é em torno de 1:1. Para purês mais suaves como o de framboesa, morango e pêssego branco, a porcentagem de creme para o purê geralmente é de 50% a 70% (SUAS, 2011, p. 317). É importante respeitar os processos de mistura, o creme batido é adicionado à mistura básica depois que a espuma de ovos foi acrescentada, evitando uma mistura excessiva. Esse procedimento vai acrescentar leveza à base, proporcionando um acabamento à musse. Lembrando que o creme não deve ser batido em excesso, pois isso poderá ocasionar uma textura granulada comprometendo o resultado final. O creme batido deve sempre ser utilizado frio, ele atua como catalizador para diminuir a temperatura da preparação e ativar as propriedades da gelatina ou da manteiga de cacau. Todas as musses precisam de um agente gelificante para que a textura e forma sejam conservadas. Os principais agentes texturizantes incluem a gelatina e a manteiga de cacau contida no chocolate, e a proporção de agentes gelitificantes para a musse varia conforme a composição. A porcentagem do teor de cacau, por exemplo, e a quantidade de chocolate vai determinar se serão necessários agentes gelificantes adicionais. Essa observação é especialmente importante no preparo da musse de chocolate, pois o teor de cacau no chocolate varia consideravelmente conforme o tipo ou a marca de chocolate (SUAS, 2011, p. 317). 114 UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA Por fim, a preparação de uma musse deve seguir uma sequência em um momento e temperatura específica. Se a gelatina, exemplificando, for adicionada quando a preparação estiver fria ou em um momento errado, ela não vai se dissolver uniformemente. O mesmo acontece ao creme batido, se for adicionado quando a mistura estiver muito quente, as partículas de gordura do creme irão derreter, comprometendo sua textura e volume. É fundamental observar os procedimentos na receita, assim como as temperaturas e o aspecto físico da musse. QUADRO 25 – MUSSE À BASE DE PÂTE À BOMBE DE FRUTAS Proporção Técnica de realização 150 g de gemas 130 g de açúcar 4 g de gelatina sem sabor 200 g de creme de leite fresco 200g polpa de fruta * Você pode substituir a polpa de frutas, por chocolate, doce de leite etc. - Fazer uma calda em ponto de bala dura a 121 °C. Despejar dentro da batedeira junto com as gemas previamente batidas. - Incorporar a gelatina sem sabor hidratada. - Bater até que a pâte à bombe esfrie. - Passar a pâte à bombe para uma tigela limpa. - Adicionar a polpa de frutas. - Misturar delicadamente. - Bater o creme de leite até atingir o ponto de fita. - Fazer uma mistura prévia, despejando 1/3 da preparação sobre o creme de leite batido. - Misturar delicadamente com a espátula. - Juntar o restante da preparação ao creme de leite. - Misturar os ingredientes delicadamente. FONTE: Sebess (2013, p. 195) QUADRO 26 – MUSSE À BASE DE MERENGUE ITALIANO Proporção Técnica de realização 85 g de Merengue Italiano 7 g de gelatina sem sabor 160 g de creme de leite fresco 35% de gordura 200 g (polpa de fruta, doce de leite, chocolate etc.) - Misturar a gelatina sem sabor com a polpa de fruta ou aromatizante desejado, morno. - Fazer uma mistura prévia, incorporando 1/3 do merengue italiano ao aromatizante. - Misturar usando um batedor de arame. - Despejar a pré-mistura sobre o merengue italiano restante. - Misturar com a espátula. - Acrescentar a preparação a 1/3 de creme de leite batido a ¾. - Misturar delicadamente. - Acrescentar o restante do creme de leite batido. - Mexer para incorporar bem os ingredientes. - A musse deverá ficar aerada, lisa e homogênea. FONTE: Sebess (2013, p. 195) TÓPICO 3 | MUSSES, CALDAS, COBERTURAS E GELEIAS DE FRUTAS 115 Proporção Técnica de realização 300 g de chocolate meio amargo picado 140 g de gema de ovo (cerca de 7 ovos) 80 g de açúcar refinado 40 ml de água 380 g de creme de leite fresco 35% gordura - Derreta o chocolate me banho-maria até atingir a temperatura de 45 °C. - Bata as gemas na batedeira usando o misturador globo. - Enquanto isso, aqueça a água com o açúcar em uma panela até ferver. Quando a calda chegar a 121 °C, despeje lentamente sobre as gemas, com a batedeira ligada, e bata até a mistura ficar clara e fofa e atingir o ponto de fita. Continue batendo até esfriar. - Em uma outra tigela, bata o creme de leite até atingir o ponto de fita, então junte delicadamente às gemas batidas. Com cuidado incorpore 1/3 da mistura ao chocolate derretido. Incorpore a mistura restante ao chocolate. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 100) 3 CALDAS As caldas são muito bem-vindas e podem ser utilizadas na hora de molhar um bolo ou até mesmo complemento de uma sobremesa. Saborizada ou simples, vai da criatividade e objetivo de cada confeiteiro para com seu público. “A medida utilizada para quantificar a densidade de açúcar de qualquer líquido é chamada Baumé, importante para determinar sabor e estabilidade. O Baumé é medido usando-se um hidrômetro, que também é chamado de sacarômetro” (SUAS, 2011, p. 254). 3.1 CALDA SIMPLES A calda simples é essencial e comum em qualquer confeitaria, sua utilização para regar pães de ló, bolos e frutas em calda. É feita de pesos iguais para açúcar e água e mede 28 graus Baumé — ou 28 °Bé. QUADRO 27 – MUSSE DE CHOCOLATE 116 UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA Proporção Técnica de realização 225 ml de água 225 g de açúcar refinado 1 tira de casca de limão-siciliano ½ fava de baunilha, cortada ao meio no sentido do comprimento. - Coloque a água, o açúcar e a casca de limão em uma panela. Raspe as sementes da fava de baunilha e acrescente à panela. Raspe as sementes da fava de baunilha e acrescente à panela, juntamente com a fava. - Aqueça. Assim que ferver, cozinhe por 2-3 minutos. Retire do fogo e deixe esfriar. * Guarde na geladeira, em recipiente hermético por até 1 mês. QUADRO 28 – CALDA SIMPLES FONTE: Curley e Curley (2015, p. 102) 3.2 CALDA BASE 30B Essa calda é feita com 137 partes de açúcar para 100 de água. A calda base 30 baume é a calda mais usada por confeiteiros. O baume é uma unidade de medida de densidade de líquidos. Essa é uma calda muito utilizada para pincelar folhados logo que saem do forno, para molhar bolos ou biscuit de tortas e pavês. Também serve de base para inúmeras preparações nas quais o açúcar precisa entrar dissolvido. Os ingredientes básicos desta calda são açúcar e água. Mas você pode acrescentar as especiarias que desejar, e na proporção que preferir, como ervas, café ou chás como cravo, canela em pau, cardamomo, anis, gengibre fresco, casca de laranja, limão, tangerina, favade baunilha, hortelã etc. Todos sempre enquanto a calda estiver fervendo. E, depois de fria, você também pode acrescentar rum, conhaque, uísque, essências (baunilha, amêndoa etc.), licores etc. Essa calda pode ser guardada em pote vedado na geladeira por até 2 semanas, ou por até 3 meses se congelada. Facilita bastante se você congelar em forminhas de gelo e depois guardar em sacos de congelamento (NOCE, 2014, p. 33). QUADRO 29 – CALDA 30B Proporção Técnica de realização 1 litro de água 1.370 de açúcar cristal O que mais você desejar para saborizar a calda, ou você pode mantê-la simples. - Leve a água e o açúcar para ferver com ou sem a especiaria da sua preferência. Assim que ferver, desligue, deixe esfriar e guarde em um pote vedado. - Se você estiver fazendo uma infusão com alguma erva, depois de ferver, desligue e tampe. Deixe assim por 10 minutos. Dica: Se for acrescentar algum tipo de bebida ou essência, faça isso depois que a calda esfriar. FONTE: Noce (2014, p. 33) TÓPICO 3 | MUSSES, CALDAS, COBERTURAS E GELEIAS DE FRUTAS 117 4 COBERTURAS “Não apenas as coberturas aperfeiçoam as qualidades visuais do bolo, como também são uma proteção ao ressecamento. A cobertura também pode servir para rechear, assim como para decorar o bolo” (SUAS, 2011, p. 275). A seguir, apresentaremos as seguintes coberturas: • Glaçagem de chocolate meio amargo. • Glaçagem de chocolate branco. • Glaçado com cobertura líquida (nappage). • Glaçado de frutas. • Ganache de chocolate para cobertura. • Creme de manteiga básico. • Glacê real. O glacê a seguir é maravilhosamente simples e ideal para cobrir sobremesas de chocolate: QUADRO 30 – GLAÇAGEM DE CHOCOLATE MEIO AMARGO Proporção Técnica de realização 18 g de gelatina em folha sem sabor e incolor 235 ml de água 300 g de açúcar refi nado 100 g de açúcar em pó, peneirado 170 ml de creme de leite fresco 35% de gordura - Demolhe a gelatina em uma tigela com água gelada por alguns minutos, até amolecer. Esprema para retirar o excesso de água. - Coloque a água e o açúcar em uma panela, aqueça até ferver, abaixe o fogo e cozinhe por 1-3 minutos. - Acrescente o cacau em pó peneirado e o creme de leite. - Aqueça até ferver novamente, abaixe o fogo e cozinhe por 4-5 minutos. - Tire a panela do fogo, adicione a gelatina e bata até dissolver. - Coe e deixe esfriar. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 106) FIGURA 8 – SOBREMESA COBERTA COM GLAÇAGEM DE CHOCOLATE FONTE: <http://bit.ly/34x5VCH>. Acesso em: 19 nov. 2019. 118 UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA Proporção Técnica de realização 15 g de gelatina em folha sem sabor e incolor 210 ml de água 105 g de açúcar refinado 210 g de glicose liquida 140 ml de creme de leite fresco 35% de gordura 210 g de chocolate branco, bem picado - Demolhe a gelatina em uma tigela com água gelada por alguns minutos, até amolecer. Esprema para retirar o excesso de água. - Coloque o açúcar, a água e a glicose em uma panela, leve ao fogo e aqueça até chegar a 103 °C. - Junte o creme de leite e a gelatina hidratada. Despeje a mistura sobre o chocolate branco e bata com um mixer para misturar bem. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 107) Esta cobertura evita que o doce fique ressecado e ainda confere o brilho contribuindo para uma melhor aparência: QUADRO 32 – GLAÇADO COM COBERTURA LÍQUIDA (NAPPAGE) Proporção Técnica de realização 100 g de glicose 250 ml de água 8 unidades de folha de gelatina já hidratadas (ou 24 g de gelatina em pó sem sabor) Aromatizante ou corante opcional - Ferver a glicose com a água. Incorporar a gelatina (em folhas ou em pó) já hidratada e dissolver bem. Se quiser, adicionar um aromatizante ou corante a gosta. FONTE: Sebess (2008, p. 214) Neste, a seguir, podemos incluir a fruta que desejarmos, isso só contribuirá com o sabor e na apresentação final da sobremesa. QUADRO 33 – GLAÇADO DE FRUTAS Proporção Técnica de realização 250 g de polpa de fruta 500 g de Glaçado cobertura líquida (nappage) - Incorporar a polpa de fruta desejada dentro da cobertura líquida. - Misturar suavemente com um Fouet para que não se formem bolhas de ar. - Derramar a cobertura liquida morna com a polpa de fruta sobre a superfície da torta. - Espalhar a cobertura com a espátula inclinada a 45°. É importante que esse processo seja feito rapidamente para que não se formem grumos na superfície. FONTE: Sebess (2008, p. 215) Um glacê versátil que dá um acabamento brilhante e pode ser adaptado adicionando ingredientes coloridos e variados: QUADRO 31 – GLAÇAGEM DE CHOCOLATE BRANCO TÓPICO 3 | MUSSES, CALDAS, COBERTURAS E GELEIAS DE FRUTAS 119 FIGURA 9 – GLAÇADO DE FRUTA MARACUJÁ (NAPPAGE) FONTE: <http://bit.ly/35P4tvT>. Acesso em: 19 nov. 2019. • Glaçagem de ganache de chocolate O Ganache é menos popular do que a calda de chocolate para coberturas. É uma mistura cremosa, obtida quando um elemento líquido, geralmente creme, é misturado com chocolate, formando uma emulsão. Para criar uma Ganache de chocolate amargo para cobertura, o ideal é usar uma proporção de 1:1 de creme de leite e chocolate e acrescentar de 7% a 10% de glicose ao creme baseado no peso. Acrescentar a glicose vai retardar o movimento molecular da cadeia da emulsão e ajudar a reter a umidade evitando o ressecamento. O Ganache pode ser preferido pelo sabor em relação a calda de chocolate, já que possivelmente será menos adocicado (SUAS, 2011, p. 280). QUADRO 34 – GLACAGEM DE GANACHE DE CHOCOLATE Proporção Técnica de realização 260 ml de creme de leite fresco 35% de gordura 50 g de açúcar refi nado 40 g de glicose liquida 250 g de chocolate meio amargo picado - Coloque o creme de leite, o açúcar e a glicose em uma panela e aqueça até ferver. - Junte aos poucos o líquido fervente ao chocolate picado, mexendo sem parar, até a mistura fi car homogênea. Despeje em um recipiente hermético e deixe esfriar antes de levar a geladeira. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 107) • Creme de manteiga básico “Os principais ingredientes para o creme de manteiga são açúcar impalpável e/ou gordura hidrogenada para cobertura. O açúcar impalpável fornece uma textura melhor que o açúcar refi nado, que não dissolve facilmente em ambiente com baixa umidade. A escolha da gordura vai determinar o sabor, o ponto de fusão e a cor” (SUAS, 2011, p. 276). 120 UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA Proporção Técnica de realização 300 g de manteiga 225 g de açúcar impalpável 20 g de essência de baunilha - Peneirar o açúcar impalpável e deixar na cuba da batedeira. Acrescentar a manteiga a cuba e bater com a raquete até homogeneizar. - Bater em velocidade média alta e adicionar a essência de baunilha. QUADRO 35 – CREME DE MANTEIGA PARA COBERTURA FONTE: Suas (2011, p. 301) • Glacê real O glacê real é uma cobertura clássica. É fácil de confeitar, consolida- se de maneira firme, e pode durar na sua forma decorativa, por muito anos. Os ingredientes básicos incluem açúcar impalpável, água e claras. É também comum usar claras em pó, ou merengue em pó, para substituir as claras frescas, e evitar a contaminação por bactérias. A proporção de açúcar para o líquido vai determinar a textura da cobertura. Coberturas mais finas são usadas para flood work – uma técnica aplicada para criar imagens sobre peças confeitadas. O glacê real também pode ser usado como um meio para criar bordas decorativas em bolos (SUAS, 2011, p. 281). De cor naturalmente branca, pode ser colorido com a inclusão de corante hidrossolúvel. Se for utilizado claras em pó ou merengue em pó pode ser armazenado em temperatura ambiente. QUADRO 36 – GLACÊ REAL Proporção Técnica de realização 200 g de açúcar impalpável 40 g de claras 10 ml de água - Peneirar o açúcar impalpável dentro de uma tigela com as claras. - Misturar com a colher, certificando-se de que nãotenha ficado grumos. - Acrescentar a água. - Misturar bem com a colher. - Verificar se adquiriu a consistência desejada – ao levantar a colher, a massa deverá formar um bico firme. FONTE: Sebess (2013, p. 217) TÓPICO 3 | MUSSES, CALDAS, COBERTURAS E GELEIAS DE FRUTAS 121 O glacê real pode ser utilizado para cobrir bolos simples, dar brilho a biscoitinhos assados e decorar tortas. IMPORTANT E 5 GELEIA DE BRILHO INCOLOR É utilizada para glaçar frutas utilizadas na decoração. QUADRO 37 – GELEIA DE BRILHO Proporção Técnica de realização 300 ml de água 300 g de glicose líquida 40 g de açúcar refinado 18 g de pectina - Coloque a água e a glicose em uma panela e aqueça até ferver. - Misture o açúcar e a pectina em uma tigela pequena, junte à panela, batendo com o fouet, e cozinhe por 2-3 minutos. Transfira para um recipiente hermético e deixe esfriar antes de levar a geladeira. Durabilidade: 1 semana. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 105) 6 GELEIAS E PURÊS DE FRUTAS Uma boa geleia de frutas sempre faz a diferença, seja para utilizar em uma sobremesa ou para colocar no café da manhã para saborear com aquele café quentinho. A seguir, aprenderemos sobre como preparar as geleias, apresentamos uma receita que não utiliza pectina e uma outra que será utilizado. Lembrando que a fruta pode ser escolhida e substituída, somente ter o cuidado na utilização dos ingredientes, levando em consideração o resultado que deseja obter. 6.1 GELEIAS Um dos equivalentes para geleia em inglês é jam. A palavra entrou para a língua inglesa no século XVIII; antes disso a preparação era chamada de preserve ou conserve. Métodos de conservação de frutas têm uma história antiga. Na época do Império Romano, um cientista e historiador descreveu uma receita de marmelo cristalizado com mel – provavelmente o ancestral da geleia. Durante as Cruzadas, receitas árabes de conservação de frutas foram trazidas para a Europa. No 122 UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA século XIV, as geleias eram muito valorizadas na França, e foi nesse século que as primeiras receitas foram publicadas; nelas, o principal adoçante usado era o mel, e não o açúcar (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 108). QUADRO 38 – GELEIA DE MORANGOS Proporção Técnica de realização 340 g de morangos 130 g de açúcar 5 ml de suco de limão - Em uma panela coloque os morangos limpos e sem os cabinhos. - Com um garfo, amasse grosseiramente, adicione o açúcar e deixe descansando por 10 minutos. - Adicione o suco de limão e cozinhe em fogo médio, mexendo de vez em quando para não grudar. - Após 20 minutos de fervura, passe a espátula no fundo da panela. Se abrir um caminho que permita enxergar o fundo, tire do fogo. - Transfira a geleia para um pote com tampa e guarde-os na geladeira. Caso queira que a geleia dure por anos, aprenda a esterilizar e a selar os vidros no final deste tópico. FONTE: Costa (2017, p. 63) QUADRO 39 – GELEIA DE FRAMBOESA Proporção Técnica de realização 150 g de purê de framboesa 150 g de framboesas frescas 120 g de açúcar refinado 20 g de pectina 10 ml de suco de limão - Coloque o purê de framboesa, a framboesa e 75 g do açúcar em uma panela grossa e aqueça até ferver. - Misture a pectina com o açúcar restante em uma tigela pequena. - Junte a mistura de pectina à panela, batendo com o fouet. - Deixe cozinhar em fogo baixo, mexendo sempre, até a mistura atingir 104 °C. Adicione o suco de limão e cozinhe por mais 2 – 3 minutos. - Teste para ver se a geleia está no ponto certo. Coloque um pouquinho em um pires frio e leve à geladeira por 2 minutos. Empurre de leve a borda da geleia com uma colher. Estará no ponto certo se formar uma película e enrugar nas beiradas. Se isso nao acontecer, cozinhe por mais 2 minutos e verifique novamente. - Despeje a geleia em um vidro esterilizado e deixe esfriar antes de tampar. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 108) TÓPICO 3 | MUSSES, CALDAS, COBERTURAS E GELEIAS DE FRUTAS 123 Proporção Técnica de realização 6 unidades de pêssegos semi-maduros 180 g de açúcar 1 litro de água fria 1 fava de baunilha (opcional) - Em uma panela adicione a água, o açúcar e a fava de baunilha com as sementes raspadas. Cozinhe em fogo médio até levantar fervura. Abaixe o fogo e cozinhe a calda por 15 minutos, ou até engrossar. - Faça um corte em x na pontinha dos pêssegos e mergulhe-os, um por um, em água fervente por 1 minuto, resfriando-os imediatamente em uma vasilha com água gelada, para impedir o cozimento. - Agora as casquinhas vão se soltar com mais facilidade. Com a ajuda de uma faca, descasque os pêssegos, corte-os ao meio e retire os caroços. - Transfira os pêssegos, para os potes esterilizados, cubra com a calda quente e tampe. QUADRO 40 – COMPOTA DE PÊSSEGO FONTE: Costa (2017, p. 45) Como esterilizar os vidros de conservas: • Primeiro lave-os com água quente e detergente. • Em uma panela funda, coloque os potes com a boca virada para cima, e cubra- os totalmente com água. Deixe ferver por 10 minutos. • Em uma panela menor, coloque as tampas e ferva por 10 minutos também. • Com uma pinça, tire os vidros e as tampas das panelas e coloque-os sobre um pano de prato limpo. Deixe esfriar. Como selar os vidros de conservas: • Transfira a geleia ou a compota (cubra com a calda quente) para os potes esterilizados. • Em uma panela coloque os vidros fechados e cubra-os completamente com água. Ferva por 20 minutos, desligue o fogo e deixe descansar por 5 minutos. • Retire os potes da panela e deixe-os de repousar por 12 horas, sem perturbá- los. As tampas vão se contrair e selar a conserva. Prestar atenção para não utilizar tampas metálicas sem película de plástico, já que o metal, em contato com algumas conservas ou doces que contenham acidez, pode sofrer reações químicas que tornam os produtos tóxicos. IMPORTANT E 124 UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA 7 PURÊ DE FRUTAS “Os principais ingredientes para o creme de manteiga são açúcar impalpável e/ou gordura hidrogenada para cobertura. O açúcar impalpável fornece uma textura melhor que o açúcar refinado, que não dissolve facilmente em ambiente com baixa umidade. A escolha da gordura vai determinar o sabor, o ponto de fusão e a cor” (SUAS, 2011, p. 276). QUADRO 41 – PURÊ DE FRUTAS Proporção Técnica de realização 500 g de morango 50 ml de água 50 g de açúcar refinado 10 ml de suco de limão - Lave e limpe os morangos, coloque no processador de alimentos e bata até obter um purê. - Coloque a água e o açúcar em uma panela e aqueça até ferver. Retire do fogo e deixe esfriar um pouco. - Junte a calda morna e o suco de limão ao purê de morangos e misture. Coe o purê em uma peneira fina, despejando – o em um recipiente hermético. * Este purê pode ser feito com qualquer outra fruta. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 110) TÓPICO 3 | MUSSES, CALDAS, COBERTURAS E GELEIAS DE FRUTAS 125 LEITURA COMPLEMENTAR 6 DICAS PARA OFERECER UMA BOA SOBREMESA Não é segredo para ninguém que cada restaurante possui uma característica própria, não é verdade? No entanto, quem é gestor acaba se esquecendo de cuidar de algo que pode ser o diferencial no seu negócio: a sobremesa. Se você ainda não pensou na sobremesa de restaurante como uma das suas prioridades, esse post vai ajudá-lo a entender o quanto é importante refletir um pouco mais sobre o assunto. Confira nossas dicas! COMO OFERECER UMA BOA SOBREMESA 1 Capriche no básico e no gourmet Juliana Silva é responsável pela Theodora Cozinha Artesanal. O restaurante que também é um mix de café, oferece seus produtos artesanalmente e só utiliza ingredientes frescos. Como opções de sobremesa de restaurante ela sugere: “Acho que depende da proposta do local, mas acredito que o básico como pudim, sorvete e até um creme de papaia podem ser opções fáceis de produzir para os restaurantes mais simples.Já para os gourmets, tem que acompanhar a proposta do local e servir opções que diferenciam as assinaturas dos chefs”, orienta. 2 Utilize ingredientes e combinações diferentes Você pode explorar toda a diversidade de produtos que existem no Brasil. Dá para, por exemplo, fazer combinações diferentes, pensar em sobremesas de restaurante que o consumidor não tem o costume de comer em casa. Portanto, pode utilizar ingredientes inusitados e arriscar com produtos de alta qualidade. Tudo vai depender da atenção que os clientes dão ao cardápio de sobremesas. Uma boa dica é combinar as sensações, como um pouco de pimenta na sobremesa que leva chocolate ou usar uma dose de bebida alcoólica no sorvete para dar um paladar diferente. 3 Ofereça opções conforme sua proposta Dependendo do seu empreendimento, dá para pensar em um cheesecake de frutas vermelhas. Ele é uma mistura de sabores como: salgado, doce e o azedinho da geleia. Além disso, você pode fazer algumas adaptações para a cobertura. Também tem o famoso petit gateu, um clássico francês com cara de brasileiro. É difícil não ver um restaurante com essa sobremesa. Para incrementá- la, você pode adaptá-la com um bolinho de limão ou chocolate branco. 126 UNIDADE 2 | MERENGUES, DACQUOISE, CREME DE CONFEITEIRO E OUTRAS PREPARAÇÕES A BASE DE GEMA Para os restaurantes ou padarias mais simples, há as tortas que podem ser deliciosas. Basta você usar a criatividade e a habilidade. Já para o gourmet, a famosa gelatina com creme, mas claro, com um toque especial no sabor. Você pode acrescentar uma fruta para que ela fique ainda mais saborosa. 4 Tenha cuidado com o preparo da sobremesa Antes de começar a preparar a sobremesa, vale lembrar das boas práticas para serviços de alimentação da Agência Nacional de Segurança Sanitária (Anvisa) como manter os cabelos limpos, presos e protegidos com touca, manter as unhas curtas e sem esmaltes, lavar as mãos quando manusear caixas ou embalagens com os ingredientes para a sobremesa. Também é importante remover a sujeira incrustada que surge durante o processo de manipulação dos ingredientes, lavar o local com água, sabão e detergente e enxaguar bem. Quanto ao preparo em si, utilize sempre ingredientes frescos e que estão dentro do prazo de validade. No caso das sobremesas que você precisa cozinhar e depois levar à geladeira, espere esfriá-las por completo antes de colocá-las no congelador ou refrigerador. “Os cuidados com o preparo da sobremesa de restaurante devem ser os mesmos que você tem com o restante do cardápio”, enfatiza Juliana. 5 Dê atenção ao armazenamento dos ingredientes Para os ingredientes que ficam na despensa, a dica é limpar o local pelo menos duas vezes na semana. Tire todos os ingredientes das prateleiras, passe um pano úmido com detergente ou álcool, retire o produto e finalize com pano seco. No caso de produtos como farinha de trigo, por exemplo, você pode utilizar potes de alimentos, colocar uma etiqueta com o nome do ingrediente e a data de validade. Já para os ovos, que muitas vezes são usados nas receitas, deixe- os armazenados dentro da geladeira e nunca na porta. Um detalhe que deve ser observado é a contaminação cruzada. “É importante você ter atenção para a contaminação cruzada, uma vez que as sobremesas não costumam passar pelo processo de coação adicional para serem servidas”, lembra Juliana. 6 Utilize sobremesas prontas As sobremesas prontas podem ser viáveis para alguns restaurantes e até padarias. Há estabelecimentos que compram sobremesas como musse ou brownie. No caso, para saber qual é mais viável para seu estabelecimento, faça as contas de quanto custaria você produzir a sobremesa e comprá-la para revender. TÓPICO 3 | MUSSES, CALDAS, COBERTURAS E GELEIAS DE FRUTAS 127 Coloque na balança e veja qual é a melhor maneira de oferecer sua sobremesa. “Acredito que a sobremesa de restaurante comprada pronta pode ser economicamente viável, pois não é preciso mobilizar o espaço e os funcionários do restaurante ou da padaria para a preparação dos doces”, finaliza Juliana. Oferecer uma boa sobremesa de restaurante pode ser o que faltava para você lucrar ainda mais no seu negócio. Pense nisso e inove nos sabores, busque por receitas diferentes ou crie algo novo! FONTE: <https://digital.fispalfoodservice.com.br/gest-o/6-dicas-para-oferecer-uma-boa- sobremesa>. Acesso em: 11 nov. 2019 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • A palavra francesa mousse remonta ao início do século XVIII e é derivada de mosse, do francês antigo, que data de 1226. Traduzida literalmente, mousse significa “espuma”, como a que se forma na superfície de águas agitadas. Mais tarde, a palavra passou a designar sobremesas de textura leve e espumosa. • Musses doces geralmente são preparadas com chocolate ou purê de frutas, o que permite leveza a sua textura, é a adição de uma espuma de ovos, e ou creme batido. São apresentadas de diversas maneiras, em recheios de sobremesas ou somente ela. • Não apenas as coberturas aperfeiçoam as qualidades visuais do bolo, como também são uma proteção ao ressecamento. A cobertura também pode servir para rechear, assim como para decorar o bolo. • Os principais ingredientes para o creme de manteiga são açúcar impalpável e/ou gordura hidrogenada para cobertura. O açúcar impalpável fornece uma textura melhor que o açúcar refinado, que não dissolve facilmente em ambiente com baixa umidade. A escolha da gordura vai determinar o sabor, o ponto de fusão e a cor. CHAMADA Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. 1 Descreva quais os componentes básicos para compor uma musse? 2 O que é baumé? E como é medido? AUTOATIVIDADE 131 UNIDADE 3 A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade, você deverá ser capaz de: • conhecer a origem do cacau, suas variedades, seus componentes e os processos de preparação; • entender os métodos de temperagem; • confeccionar ganaches, trufas e bombons; • conhecer a pâtisserie, os entremets, os verrines e as petit-fours; • conhecer as receitas de alguns clássicos da confeitaria. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – O CHOCOLATE E SUA UTILIZAÇÃO TÓPICO 2 – GANACHES, TRUFAS E BOMBONS TÓPICO 3 – PÂTISSERIE Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 132 133 TÓPICO 1 O CHOCOLATE E SUA UTILIZAÇÃO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, iniciamos falando de um ingrediente dinâmico e usado em vários tipos de preparações, doces e salgadas, o chocolate. Conheceremos sua origem, tipos e todo o processo que ele percorre até se transformar em uma barra. Essa compreensão permite que possamos entender suas propriedades, modificações e características. Aprenderemos a trabalhar com os três tipos de chocolate: branco, ao leite e amargo, possibilitando realizar diversas sobremesas. Trabalhar com chocolate desenvolve paciência e atenção, pois cada detalhe é imprescindível para obter um bom resultado. 2 CACAU O cacau é uma das maiores contribuições da América para a História da Alimentação e, principalmente, da Confeitaria. A seguir, veremos um pouco mais sobre sua história. 2.1 A DESCOBERTA DO CACAU O primeiro contato com o cacau aconteceu com os Olmecas (1.000 e 400 a.C.), uma das primeiras civilizações da América, instalada nas terras úmidas e baixas do Golfo do México (parte sul de Vera Cruz, Tabasco). Eles deram origem à palavra “cacau”, originalmente conhecida como “kakawa”, também foram os primeiros a domesticarem e descobrirem o processo do chocolate. Outra forte evidência quesabemos é sobre o consumo de cacau, que precede os Maias e os Astecas, pois, por meio de análises químicas feitas em vasos de 1.800 a.C., foram encontrados em Soconuscos (Chiapas, México), dois dos três alcaloides do cacau: a teobromina e a cafeína. E, é nessa região de Soconusco, próxima à Guatemala, que os astecas e os espanhóis recorreram para se abastecerem de cacau, séculos mais tarde. UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 134 Os Olmecas, por estarem em seu apogeu e dominarem a região de Soconusco, infl uenciaram as civilizações nascentes, como a Maia. Durante a época Maia, entre 1.500 a.C. e 400 d.C., as sementes de cacau provavelmente foram levadas até a América Central. Nesse momento, e sobretudo com a expansão agrícola do ano 1.000 a.C., extensas rotas comerciais marítimas ligavam o Equador e o México, bem como a costa da Venezuela à América Central e à península de Yucatán (HARALD, 2012). Muitas cidades Maias, durante o período clássico (250 d.C. a 900 d.C.), aitngiram o seu apogeu em desenvolvimento e continuaram até a chegada dos espanhóis, durante o período pós-Clássico. FIGURA 1 – FRUTO DO CACAU FONTE: <hhttp://bit.ly/34vqVK4>. Acesso em: 28 nov. 2019. Os Maias não tratavam o cacau apenas do ponto de vista religioso; foram os primeiros a deixar registros da produção de chocolate, uma bebida pastosa sagrada à base de cacau, obtida da torrefação e moagem das sementes, cujo pó era misturado com pimenta, ervas, mel silvestre, baunilha e água e aquecido antes do consumo (HARALD, 2012, p. 140). A seguir, veremos um “clássico vaso de argila que apresenta a fi gura de um Deus Maia, que carrega em suas mãos um cacau. Sua provável origem é dita da região de Tulum, na península de Yucatán, México” (HARALD, 2012, p. 139). FIGURA 2 – VASO DE ARGILA FONTE: <http://bit.ly/35PxcRf>. Acesso em: 28 nov. 2019. TÓPICO 1 | O CHOCOLATE E SUA UTILIZAÇÃO 135 Os Maias deixaram palácios com relevos decorativos, templos, esculturas, assim como um sistema de escrita em glifos que nos dá pistas sobre o desenvolvimento do cacau. Essa civilização entrou em colapso, tendo suas ruinas dominadas pelos Astecas. Os Astecas são grupos étnicos da região central do atual México, falavam a língua náuatle e dominavam grande parte da Mesoamérica, nos séculos XIV e XVI. Muitas vezes, o termo “asteca” refere-se, exclusivamente, aos povos Astecas da cidade de Tenochtitlan (no México). Pensa-se que Colombo tenha visto o cacau, e, em 1521, os espanhóis, sob o comando de Hernán Cortés, juntamente com um grande número de aliados nativos falantes da língua náuatle, estavam sob a liderança de Montezuma II. Adiante, o espanhol fundou o Novo México. Os Astecas reverenciavam um deus com o nome de Quetzalcoatl, que significa serpente emplumada, representando as energias telúricas que ascendem, a vida, a abundância da vegetação, o alimento físico e esperitual para o povo que a cultua. Hernán Cortés estava muito feliz com a conquista, porque os Astecas acreditavam que Quetzalcoatl voltaria, uma das representações desse deus é um homem branco, barbado e de olhos clarros, assim, seria uma das justificativas da teoria de que os povos indígenas, durante a conquista da Nova Espanha, acreditavam que Hernán Cortés era Quetzalcoatl, razão pela qual os espanhóis dominaram tão facilmente a região. Felipe II, rei da Espanha, enviou, em 1570, seu médico, Francisco Hernández, ao Novo Mundo para o estudo de novas plantas medicinais. Lá, dedicou-se durante sete anos e catalogou três mil espécies, entre as quais o nome “Asteca”, para o cacaueiro, “cacahuacuahutil”. O cacau foi citado pela primeira vez em literatura botânica, no início do século XVII, como Cacao fructus, por Charles L’Écluse. INTERESSA NTE Os jesuítas tiveram um papel importante na história do cacau e do chocolate na América, estabelecendo trocas regulares entre as populações dos mosteiros dos dois lados do Atlântico. Foi em mosteiros e conventos que os jesuítas se tornaram os primeiros europeus a preparar o chocolate, experimentando as misturas nativas da Amécia e criando fórmulas mais adaptadas ao paladar europeu. Freiras e Monges mexicanos criaram receitas e aperfeiçoaram métodos de torras e moagem das sementes de cacau em locais que ficaram conhecidos como chocolaterias, espalhando-se por todo o país. UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 136 Na Espanha, as cozinhas dos mosteiros também serviam como local de experiência para o aprimoramento do chocolate e a criação de novas receitas. Os monges aperfeiçoaram o sistema de torrefação e a moenda do chocolate, transformando-o em barras e tabletes para serem dissolvidos em água quente, como era apreciado nos salões aristocráticos. O cacau só se tornou acessível à maior parte da sociedade com o início da industrialização, foram desenvolvidos processos mecânicos para separar a gordura do resto da pasta de cacau através do aquecimento; o óleo extraído pela prensagem feita por uma máquina movida a vapor, e a substância livre de gordura era vertida em formas, criando- se assim técnicas básicas para a produção de chocolate (HARALD, 2012, p. 171). 2.2 VARIEDADES DE CACAUEIRO Agora, veremos as variedades do cacaueiro: • Criollo: o Representa 1-2% do mercado mundial. o Cultivado na Venezuela e na América Central. o Variedade menos resistente a pragas. o Sabor mais suave, frutado e pouco amargo. o Produz poucas sementes, de qualidade superior. o Tempo menor de fermentação (2 a 3 dias). FIGURA 3 – CRIOLLO FONTE: <http://bit.ly/2rBUvzb>. Acesso em: 4 set. 2019. • Forasteiro: o Cacau mais comum, responsável por 80% da produção mundial. o Cultivado no oeste da África, América do Sul e Ásia. o Variedade mais resistente a pragas. o Sabor mais amargo, adstringente. o Sementes com coloração violácea. TÓPICO 1 | O CHOCOLATE E SUA UTILIZAÇÃO 137 o Fermentação mais longa (5 a 7 dias). o Formato do fruto é variado. FIGURA 4 – FORASTEIRO FONTE: <http://bit.ly/2rBUvzb>. Acesso em: 28 nov. 2019. • Trinitário: o É um cacao híbrido das variedades Criollo e Forasteiro (espontâneo na natureza). o Abrange de 10-15% da produção mundial. o Cultivado principalmente na América Central, Indonésia e Camarões. o Possui características mistas entre Forasteiros e Criollos. o Sementes com coloração branca e violácea. FIGURA 5 – TRINITÁRIO FONTE: <http://bit.ly/2rBUvzb>. Acesso em: 28 nov. 2019. 2.3 PROCESSO DE PREPARAÇÃO DO CACAU O processo de preparação do cacau envolve várias etapas, desde o solo em que será cultivado até o local que serão condicionadas as sementes para fermentar. Todas as etapas são de grande importância para a produção do chocolate. Conhecer o momento em que a semente está pronta para ser cortada, como utilizar UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 138 o facão no corte, o tempo de fermentação e a secagem requerem alguém que tenha muita experiência. Para que as sementes de cacau se transformem em chocolate é necessário fazer a colheita, fermentar as sementes, secá-las e empacotá-las. Etapas que exigem controle de qualidade dos pontos mais críticos. 2.3.1 Colheita Quem define o momento certo da colheita são os produtores e os trabalhadores do campo. Com um facão, são retirados somente os frutos maduros das árvores, esse momento da colheita pode durar meses. Os frutos colhidos são abertos e retiradas as partes brancas e fibrosas. Nesse momento, as sementes podem conter até 65% de umidade. 2.3.2 Fermentação O processo de fermentação pode ocorrer de duas formas: as sementes empilhadas em montes ou em caixas com perfuração, veremos com detalhes: No primeiro processo, são amontoadas em pilhas de 25 kg a 2.500 kg e cobertas com folhas de bananeiras, é a mais utilizada na África. Essa fermentação dura em média cinco ou seis dias, com as sementes sendo reviradas uma ou duas vezes. No segundo processo, a fermentação nas caixas produz maior acidez, isso ocorre por causa doaumento de ventilação e pela produção de ácidos etanoicos. Quanto mais baixa for a caixa, melhor será o sabor do cacau. Nesse processo, as sementes são transferidas para uma nova caixa a cada dia, esse processo resulta em uma fermentação mais uniforme em razão de melhor oxigenação. Esse processo é muito utilizado na Ásia. Depois da fermentação, as sementes são lavadas para retirada de qualquer resquício de polpa e levadas para a secagem. 2.3.3 Secagem Após a fermentação, as sementes são secas para diminuir a quantidade de umidade para 7% a 8%, conforme é exigido para o transporte marítimos e processamento posterior. Caso as sementes estiverem úmidas, podem facilmente criar mofo e, assim, o sabor do cacau fica comprometido. O processo de secagem varia de região para região, por exemplo: é preciso, em algumas regiões, colocar as sementes em grandes cobertores no chão. Esse método pode comprometer as sementes caso uma bactéria — como a salmonella — ou algum vírus, atacar a semente. TÓPICO 1 | O CHOCOLATE E SUA UTILIZAÇÃO 139 FIGURA 6 – SECAGEM DE CACAU EM COBERTORES NO CHÃO FONTE: <http://bit.ly/2L7EXKa>. Acesso em: 28 ago. 2019. Outra forma é a secagem natural das sementes. As amêndoas são expostas diretamente ao sol em instalações que permitem fácil manejo, as sementes são espalhadas em finas camadas em barcaças que possuem lastro fixo e cobertura móvel. FIGURA 7 – SECADOR NATURAL DE CACAU FONTE: <http://bit.ly/2rzs7h8>. Acesso em: 28 ago. 2019. 2.3.4 Armazenamento e transporte Após a secagem, as sementes secas são armazenadas em sacos de juta de 60 kg, permitindo a ventilação. São armazenadas em lugar adequado, pois podem absorver odor e umidade, reduzindo sua qualidade. O transporte em navios de carga pode produzir condensação, é imprescindível a ventilação e que as sementes fiquem longe de paredes, pois, da mesma forma que poderá ocorrer mofo pela umidade, as sementes também podem ficar muito secas e quebradiças por falta de ventilação. UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 140 O percentual de cacau indicado nas embalagens de chocolate significa a quantidade de sólidos do cacau e de manteiga de cacau juntos. A maioria das marcas coloca apenas o mínimo de sólidos de cacau e de manteiga de cacau, só para serem chamados de chocolate perante a lei. No Brasil, o percentual mínimo é de 25%, enquanto nos Estados Unidos e Europa é de 35%. INTERESSA NTE 3 COMPONENTES DO CACAU Muitos componentes são extraídos do cacau, os quais serão apresentados a seguir: • Cacau (fruto): cortado de árvores manualmente com facões ou podão. • Sementes de cacau: retiradas cuidadosamente de dentro do fruto depois de cortado ao meio. • Nibs de cacau: cacau puro. • Liquor: produto resultante da moagem dos nibs. • Manteiga de cacau: extraída por meio da prensagem ou decantação da massa de cacau. • Cacau em pó: é o resíduo que sobra quando a manteiga de cacau é extraída. A média da gordura de cacau em pó está em torno de 20% a 22%. Chocolate = massa de cacau (liquor) + manteiga de cacau + açúcar. NOTA Com toda certeza, o chocolate é um dos produtos mais exóticos e fascinantes, e que faz toda a diferença quando bem utilizado na confeitaria. 4 TRANSFORMAÇÃO DA SEMENTE EM PASTA DE CHOCOLATE, MANTEIGA DE CACAU E CACAU EM PÓ A transformação da semente em pasta de chocolate (liquor), manteiga de cacau e cacau em pó envolve cinco etapas que transformarão a semente de sólido em líquido, incluindo limpar, torrar, selecionar, moer e prensar. Respeitar TÓPICO 1 | O CHOCOLATE E SUA UTILIZAÇÃO 141 todos os processos, seguindo todas as especificações, proporciona um chocolate de qualidade. 4.1 LIMPEZA O objetivo principal é remover os materiais estranhos que variam de pedras a peças de metal. Realizar esse procedimento garante a integridade do chocolate e inclusive danos aos equipamentos. 4.2 TORREFAÇÃO Suas (2011) explica que essa etapa é fundamental para o desenvolvimento do sabor e da cor do cacau. Esse processo é realizado em temperaturas que variam de 140 °C a 150 °C e com a movimentação das sementes. Com a realização do processo de torrefação, os elementos adstringentes e amargos do cacau são removidos e diminui suas propriedades ácidas, o que é essencial para obter um sabor mais definido do chocolate. Durante esse processo, o teor líquido da semente é reduzido para algo em torno de 3%. Outro ponto importante nessa etapa é que as altas temperaturas destroem bactérias como a salmonella e qualquer enzima que tenha sobrevivido ao processo de fermentação. 4.3 SELEÇÃO Suas (2011) descreve que a seleção envolve a separação da casca e do gérmen da semente antes da trituração para garantir pureza ao chocolate. Inúmeras técnicas são usadas para o processo de separação, em que, os nibs, sementes de diferentes tamanhos, são preparados antes, para evitar futuras quebras, quando grãos inteiros são projetados em alta velocidade contra as paredes de equipamentos. As cascas são separadas por meio de vibração, fazendo com que os nibs afundem e as cascas subam à superfície. 4.4 TRITURAÇÃO Suas (2011) indica que essa etapa consiste na transformação do cacau de estado sólido para o estado em que apresenta propriedades fluídas, como as do líquido quando aquecido, e propriedades sólidas em temperatura ambiente (chocolate em pasta). É usado um processo em duas etapas para tornar as partículas de cacau suficientemente pequenas para uma futura transformação em chocolate, e extrair a gordura das células da semente para que ela envolva todas as partículas de sólidos não gordurosos. UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 142 4.5 PRENSAGEM E ALCALINIZAÇÃO Primeiro é adicionado a massa álcalis, após o cacau é esmagado em uma prensa que separa o ingrediente em dois produtos: o primeiro é a manteiga de cacau, que será reintroduzida na próxima etapa. A segunda é a torta de cacau, parte dela é dissolvida e misturada ao açúcar para fazer o chocolate em pó. A outra porção é resfriada e quebrada em tabletes, usados na fabricação do chocolate. Em química, um álcali é uma base, sal iônico de um metal alcalino ou de um elemento metal alcalinoterroso. Alguns autores também definem um álcali como uma base que se dissolve em água. Uma solução de uma base solúvel tem um pH maior que 7. NOTA 4.6 TRITURADOR PARA REFINAR O processo de triturar é realizado com equipamentos chamados “triturador para refino de dois rolos” e “triturador de cinco rolos”. Esses trituradores utilizam pressão crescente dos cilindros para diminuir o tamanho das partículas de chocolate. O objetivo é obter partículas de tamanho de 15 e 25 microns, que garantem um sabor suave. Caso uma partícula seja superior a 30 microns, será possível perceber no paladar, e, caso for inferior a 15 microns, ficará um chocolate pastoso que gruda na boca. 4.7 MÉTODO CONCHAGEM Segundo Suas (2011), esse método foi criado por Rudi Lindt, na Suíça, no final do século XIX, para um refino adicional do chocolate. É um estágio necessário na produção de chocolate para obtenção de texturas mais finas nos chocolates de qualidade. Atualmente, esse método é utilizado para aprimorar o sabor, a viscosidade e a suavidade do chocolate. 4.8 TEMPERAR E MOLDAR Após o processo de conchagem, o chocolate deve ser temperado antes de moldado. Esse processo permite que o chocolate se consolide mais rapidamente e crie uma textura firme e crocante com um acabamento brilhante. Se essa etapa não for realizada, o chocolate leva um longo tempo para se consolidar e apresenta um acabamento sem brilho e com filamentos brancos (SUAS, 2011). O esquema TÓPICO 1 | O CHOCOLATE E SUA UTILIZAÇÃO 143 a seguir mostra todas as etapas da produção de chocolate, da semente até o chocolate em barra: FIGURA 8 – FLUXOGRAMA DA PRODUÇÃO DE CHOCOLATE, DAS SEMENTES ATÉ O CHOCOLATE EM BARRAS Preparação da semente de cacau. Fermentação Secagem Transporte Produção do cacau em pasta.Limpeza Torrefação Retirada das cascas Trituração Mistura com açúcar e gordura, com ou sem leite em pó Cacau em pó para bebida, para cozimento Agitação e conchagem Acrescentar a manteiga de cacau.Manteiga de Cacau cobrir Moldar Embalar Prensagem Trituração FONTE: adaptado de Beckett (2002) 5 OS TIPOS DE CHOCOLATES E SUAS COMPOSIÇÕES Existem vários tipos de chocolates com diversas composições. Esses tipos e composições veremos a seguir, com base em Costa (2017): • Chocolate amargo: sua composição é basicamente massa de cacau (liquor) + manteiga de cacau + lecitina de soja + baunilha. • Chocolate meio amargo: sua composição é basicamente massa de cacau (liquor) + açúcar + manteiga de cacau + lecitina de soja + baunilha. • Chocolate dietético: manteiga de cacau + leite desnatado em pó. • Chocolate ao leite: composto de massa de cacau (liquor) + manteiga de cacau + lecitina de soja + açúcar + leite desnatado em pó + baunilha. UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 144 • Chocolate branco: composto de manteiga de cacau + lecitina de soja + açúcar + leite desnatado em pó + baunilha. • Chocolate sem açúcar: conhecido como chocolate 100% cacau, esse chocolate é composto de 99% de licor de cacau. Tendo como resultado um chocolate extremamente sem açúcar. • Gianduia: é um chocolate italiano sedoso, aromatizado com pasta avelã. Foi inventado em meados de 1800 por produtores locais de avelã, combinando avelãs com pó de cacau e leite. É considerado um chocolate artesanal. • Cacau em pó: é o resíduo que sobra quando extraída a manteiga de cacau. • Nibs de cacau: grãos de casca assados, descascados e preparados para consumo, pode ser usado tanto em doces como salgados. • Couverture: possui qualidade inferior em comparação a um chocolate normal. Está disponível em amargo, meio amargo e ao leite. Possui pelo menos 32% de manteiga de cacau, sólidos de cacau e açúcar. Possui aparência acetinada e intensa. Possui mais fluidez que os demais tipos de chocolate quando derretido, utilizado para cobertura suave e fininha para encobrir bombons e outros confeitos. Você sabia que a Lecitina é uma gordura vegetal obtida da soja, linhaça, algodão, milho, girassol e gema do ovo? Ela funciona como emulsificante que facilita a mistura de matérias-primas e evita a separação da gordura dos demais ingredientes que compõem o chocolate. É um agente umidificante, estabilizante e dispersante, além de aumentar a solubilidade do produto em leite ou água nos achocolatados. INTERESSA NTE A seguir, veja algumas dicas de harmonização para barrinhas de chocolate e nuts: • Chocolate branco com cumaru, coco e amêndoa. • Chocolate ao leite 44% cacau com avelãs. • Chocolate intenso 70% cacau com nibs. DICAS 6 O QUE É TEMPERAGEM? “Temperagem é o processo de aquecer, esfriar e agitar o chocolate para refinar sua aparência e gosto. É a última etapa no processo de fazer chocolate e é preciso refazê-la em casa, caso pretenda moldar e revestir alguma receita com chocolate” (COSTA, 2017, p. 81). TÓPICO 1 | O CHOCOLATE E SUA UTILIZAÇÃO 145 Então, por que temperar o chocolate? Sempre que um chocolate precisar ser moldado, não importa que seja em bombom, em ovo ou em cachorro, ele deve ser temperado. Um dos componentes do chocolate é a manteiga de cacau e ela é extremamente preguiçosa. Quando a manteiga é derretida, nunca mais volta a ficar em forma por conta própria, por isso precisamos dar uma incentivada para o chocolate se estabilizar e cristalizar da forma correta. Se o chocolate for fundido, mas não temperado, ele vai endurecer e ficar cheio de pontos brancos e também vai derreter com muita facilidade, não vai ser brilhoso nem cremoso, além de ser difícil de desenformá-lo, ou seja, não dá para fazer bombom sem temperagem (COSTA, 2017, p. 81). Em que consiste a temperagem? Segundo Suas (2011), temperar o chocolate consiste em um processo de derreter e pré-cristalizar a manteiga de cacau para dispor desse ingrediente de forma compacta e organizada. Esse método produz brilho atraente, resistância ao fat bloom e boa crocância. O chocolate que não foi bem cristalizado, ou foi inadequadamente armazenado e que ficou velho, pode formar o fat bloom ou se tornar não temperado. Ainda que esse chocolate seja comestível, sua apresentação não é atrativa. Nesse processo, você aquece o chocolate, resfria e reaquece, conhecido como curva de temperagem. Iniciamos pelo derretimento completo do chocolate. Trazendo para uma temperatura de 50 °C para o chocolate amargo e 45 °C para o chocolate ao leite, inicialmente ele desmancha os cristais de chocolate, derretendo a manteiga de cacau, permitindo que ela seja separada dos sólidos de cacau. Após ele é resfriado moderadamente, o suficiente para acatar uma nova leva de cristais estruturados, chamados de Beta ou Cristais β. A temperatura varia de acordo com o tipo de chocolate, no caso do chocolate meio amargo, por exemplo, inicia a 32 °C, em alguns casos, parte dos cristais indesejados começam a surgir por volta de 27 °C. Para que esses cristais indesejados sejam removidos, o chocolate é levemente reaquecido, no chamado Intervalo de Alcane, que nada mais é do que um ponto quente o suficiente para derreter os cristais indesejáveis, no caso do chocolate meio amargo: 32 ° C. Se ele for aquecido acima de 32 °C, a estrutura estável derreterá e o chocolate sairá da temperagem. Recomece o processo para restaurar o chocolate temperado. TABELA 1 – TEMPERAGEM DE CHOCOLATE COM A DESCRIÇÃO DE AQUECIMENTO, ESFRIAMENTO E REAQUECIMENTO DERRETER RESFRIAR REAQUECER Chocolate MEIO AMARGO 45 - 50 º C 27 º 32 º C Chocolate AO LEITE 45 º C 27 º C 3 º C Chocolate BRANCO 45 º C 27 º C 29 º C FONTE: <http://bit.ly/2DrgBHa>. Acesso em: 4 set. 2019. UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 146 QUADRO 1 – PASSO A PASSO DA TEMPERAGEM Corte o chocolate em tamanhos pequenos para auxiliar no processo de derretimento. FONTE: <http://bit.ly/2XZM1xL>. Acesso em: 5 set. 2019. Derreta o chocolate em banho-maria ou no micro-ondas com potência média, a temperatura deve estar entre 45 e 50 °C. FONTE: <http://bit.ly/34A7JLh>. Acesso em: 5 set. 2019. Despeje a maior parte do chocolate, preferencialmente em uma superfície plana de mármore ou granito. FONTE: < http://bit.ly/37Jy4Zr>. Acesso em: 5 set. 219. Com o auxílio de uma espátula, vá realizando movimentos até a temperatura indicada na Tabela 1. FONTE: <http://bit.ly/2L8eXhT>. Acesso em: 5 set. 2019. Messa a temperatura sempre com o auxílio de um termômetro, quando chegar à temperatura especificada na Tabela 1, acrescente o chocolate temperado junto ao restante do chocolate que permaneceu reservado para que aumente a temperatura conforme o apresentado anteriormente. FONTE: <http://bit.ly/2QYPlYC>.Acesso em: 5 set. 2019. FONTE: O autor Dicas para conservar o chocolate temperado segundo Costa (2017): • Quando temperado, teste o chocolate para mantê-lo na temperatura correta. • Não permita que o chocolate entre em contato com a água. TÓPICO 1 | O CHOCOLATE E SUA UTILIZAÇÃO 147 • Não misture o chocolate temperado com o chocolate normal. • Trabalhe rápido para manter a temperatura ideal, mexa ocasionalmente. Existem outros tipos de temperagem, segue o passo a passo de alguns: QUADRO 2 – PASSO A PASSO: TIPOS DE TEMPERAGEM Indução 1. Corte o chocolate em tamanhos pequenos, isso auxilia no processo de derretimento. Desses cortados reserve 20% do chocolate picado. 2. Derreta em banho-maria ou micro-ondas (em potência média) os 80% do chocolate até que chegue em temperature entre 45 e 50 °C. 3. Adicione os 20% do chocolate reservado aos 80% do chocolate derretido e misture bem até que o chocolate esteja fluído. Banho-maria invertido 1. Derreta em banho-maria ou micro-ondas (em potência média) até que o chocolate chegue a uma temperatura entre 45 e 50 °C. 2. Após, adicione o chocolate em recipiente em banho-maria invertido,ou seja, adicione água gelada em um outro recipiente, e coloque o bowl com chocolate em cima, e mexa até chegar a temperature indicada, chocolate meio amargo: 32 °C, chocolate ao leite: 30 °C, chocolate branco 29 °C. FONTE: Adaptado de Costa (2017) 6.1 DEFEITOS NA PRÉ-CRISTALIZAÇÃO A temperagem é necessária para que os cristais certos de formem. Temperar o chocolate consiste em manipulá-lo de tal forma que a manteiga de cacau adote uma forma cristalina estável. Para um conhecimento completo sobre o chocolate e saber como trabalhar com esse produto, é importante entender também sobre a manteiga de cacau. Isso ocorre porque é necessário saber controlar a manteiga de cacau para ter sucesso com os trabalhos com chocolate. A manteiga de cacau é responsável pelas propriedades de derretimento, de consolidação, de brilho e de crocância em um chocolate com boa têmpera. Se o chocolate não for adequadamente pré-cristalizado no processo de temperar, ocorre um fenômeno conhecido como fat bloom, ou migração da manteiga de cacau para a superfície e aparece como uma inócua poeira branca opaca sobre o chocolate. O chocolate com fat bloom pode ser usado em confeitaria depois de ser adequadamente temperado (SUAS, 2011, p. 628). A pré-cristalização mal executada pode causar os seguintes defeitos no chocolate: • Fat bloom: ocorre quando a manteiga de cacau migrou para a superfície do chocolate dando um aspecto de mofo. Esse defeito é reversível, ou seja, você só precisa iniciar todo processo de temperagem novamente. • Sugar bloom: esse defeito ocorre quando o chocolate está em contato com a umidade e forma gotículas de água, condensando a água formando cristais de açúcar na superfície do chocolate, resultando em aspecto desagradável. UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 148 Outra situação em que pode ocorrer o sugar bloom são as mudanças bruscas de temperatura, ou seja, um chocolate armazenado em um local com baixa temperatura é colocado em um local com temperatura elevada. Testando e avaliando o chocolate, de acordo com Costa (2017): os sabores e nuances de qualquer chocolate variarão, dependendo dos grãos usados para sua manufatura. O tempo de torrefação e temperatura dos grãos, assim como a moagem dos nibs de cacau, contribuem para o sabor final do chocolate, seguindo a vários termos descritivos usados quando testamos chocolate. Entender cada sabor não vai fortalecer os sentidos e refinar o paladar, mas vai ajudar a identificar o melhor chocolate disponível para cada ocasião. 149 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • O primeiro contato com o cacau aconteceu com os Olmecas (1.000 e 400 a.C.), uma das primeiras civilizações da América, instalada nas terras úmidas e baixas do Golfo do México (parte sul de Vera Cruz, Tabasco). Eles deram origem à palavra “cacau”, originalmente conhecida como “kakawa”, também foram os primeiros a domesticarem e descobrirem o processo do chocolate. • O cacau foi citado pela primeira vez em literatura botânica, no início do século XVII, como Cacao fructus, por Charles L’Écluse. • O processo de secagem varia de região para região, por exemplo: é preciso, em algumas regiões, colocar as sementes em grandes cobertores no chão. Esse método pode comprometer as sementes caso uma bactéria — como a salmonella — ou algum vírus, atacar a semente. • Chocolate = massa de cacau (liquor) + manteiga de cacau + açúcar. • A temperagem é necessária para que os cristais certos de formem. Temperar o chocolate consiste em manipulá-lo de tal forma que a manteiga de cacau adote uma forma cristalina estável. 150 1 Analise as sentenças a seguir e classifique com V para as verdadeiras e F para as falsas: ( ) Nibs de cacau é o cacau puro. ( ) A manteiga de cacau é um dos componentes do chocolate. ( ) Se misturar o chocolate temperado com o normal resultará num bom chocolate. ( ) Gianduia é um tipo de chocolate extraído da avelã. ( ) A couverture possui um percentual de cacau maior que os demais chocolates. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V, V, F, F, F. b) ( ) F, F, F, V, V. c) ( ) F, F, V, V, V. d) ( ) F, V, F, V, F. 2 Qual foi a primeira civilização a ter contato com o cacau? AUTOATIVIDADE 151 TÓPICO 2 GANACHES, TRUFAS E BOMBONS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, abordaremos o preparo do ganache de chocolate e todos os componentes que envolvem essa preparação. Obteremos um conhecimento preciso no momento em que ocorre a harmonização e as temperaturas específicas para a sua elaboração. Veremos sobre a confecção de trufas com todos os procedimentos adequados para realizá-las. Por fim, apresentaremos a técnica de fabricar bombons e seus recheios. 2 GANACHES Ganache é uma emulsão feita de chocolate e um líquido, que pode ser creme de leite, água ou purê de fruta. A proporção de chocolate para o líquido varia de acordo com o tipo de chocolate utilizado, da porcentagem de cacau no chocolate e dos resultados que se deseja obter. O ganache pode ser criado para diversos usos, tanto como um componente para bolo, como cobertura ou como recheio de um bombom. • Ingredientes do ganache: o ganache é feito com um conjunto de ingredientes básicos que garantem um bom sabor e uma excelente durabilidade sem o uso de conservantes adicionados. O que ajuda na conservação do ganache é a inclusão de açúcar invertido. Importante que a escolha dos ingredientes seja de qualidade, pois isso é o que garantirá um excelente resultado. • Creme: é preciso escolher creme fresco, com teor de gordura de 35%. Cuidado se o teor de gordura for muito alto, isso pode dificultar na emulsão, e o contrário também pode proporcionar uma emulsão sem cremosidade. • Chocolate: o chocolate para ganache deve ser selecionado com base em seu sabor e percentual de cacau, e como o sabor pode interagir com aromatizantes adicionais, como café, hortelã ou baunilha. • Açúcar invertido: “o açúcar invertido retém umidade e mantém uma textura cremosa no ganache, deve ser sem sabor. Ao fazer o ganache, o açúcar invertido deve ser adicionado ao creme com aproximadamente 7% a 10% do peso total do recheio” (SUAS, 2011, p. 635). 152 UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA • Manteiga: a manteiga quando incorporada adequadamente acrescenta textura e corpo ao ganache. A temperatura ideal para que a manteiga seja adicionada ao ganache é de 35 °C e deve estar macia e maleável para facilitar sua inclusão. Se for adicionada antes do tempo, pode proporcionar no paladar uma sensação gordurosa indesejada. Sempre utilizar uma manteiga com sabor neutro. • Pastas de castanhas em geral: as pastas podem ser adicionadas ao ganache em quantidades variadas, depende muito do sabor desejado, devem ser adicionadas ao ganache depois que a emulsão estiver formada. • Álcool: o álcool funciona como conservante e para dar destaque ao sabor do ganache. A quantidade utilizada é de 5% a 10% do peso total, entretanto, esse percentual pode ser alterado conforme desejar. Esse ingrediente deverá ser adicionado por último, depois da emulsão. 2.1 PROCEDIMENTOS PARA GANACHE BÁSICO Ao iniciar o ganache, devemos, sempre, utilizar utensílios limpos e não colocar as mãos na mistura. Os procedimentos para preparar um ganache brilhante e elástico são simples, porém, o cuidado deve inicar com as escolhas dos ingredientes e da concordância das receitas. É importante pesar todos os ingredientes, inclusive nos recipientes em que serão preparados. Por exemplo: o creme deverá ser pesado na panela que será fervido. Após essa etapa, o açúcar invertido e o creme devem ser fervidos, cuidar para que o creme não seja despejado muito quente ao chocolate. Caso o ambiente de trabalho esteja com temperatura muito baixa, esse procedimento poderá ser realizado imediatamente. Preferível utilizar uma espátula de borracha para realizar a emulsão, sempre do centro da cuba após o cremeser despejado sobre o chocolate picado. Quando formar uma estrutura elástica, esse movimento deverá ser mais intenso, para que aconteça e emulsificação do creme e o chocolate. Finalizando a emulsão, a temperatura deverá ser medida a 35 °C, então adiciona-se a manteiga e misture-a até sua completa incorporação. Se for adicionar alguma pasta de castanha, esta deverá ser adicionada nesse momento. O álcool é adicionado no final, despejando lentamente por um fio constante e incorporado imediatamente. Quando o ganache estiver pronto, você deve cobri-lo com um plástico filme. Segue um resumo do modo de preparo para o ganache básico, que vimos anteriormente, segundo Suas (2011): • Ferver o líquido e o açúcar invertido (incluindo fava de baunilha se for o caso) e deixar a temperatura cair até 88 °C. • Adicionar o chocolate picado e deixar por um minuto. • Começar a formar uma emulsão no centro da cuba com espátula de borracha e mexer em direção às bordas. TÓPICO 2 | GANACHES, TRUFAS E BOMBONS 153 • Quando chegar a 35 °C, acrescentar a manteiga, caso opte por usá-la. • Acrescentar o álcool, se for usá-lo. • Cobrir a superfície com plástico filme e reservar até quando for usar. Como aromatizar e saborizar? De acordo com Curley e Curley (2015): • Se for aromatizar/saborizar o creme de leite, aqueça-o na panela até ferver. Retire do fogo, adicione os ingredientes necessários e cubra a panela com plástico filme. • Deixe descansar por 30 minutos, então aqueça até ferver novamente. Coe e use na receita do ganache. QUADRO 3 – VARIAÇÕES DE SABOR Ganache de chocolate ao leite Use uma mistura de 150 g de chocolate ao leite (35% de sólidos de cacau) e 135 g de chocolate meio amargo (65% de sólidos de cacau) picados. Ganache de framboesa Use 250 g de purê de framboesa no lugar do creme de leite e aumente a manteiga para 60 g. Ganache de limão-siciliano Use uma mistura de 125 g de chocolate ao leite (35% de sólidos de cacau) e 125 g de chocolate meio amargo (65% de sólidos de cacau) picados. Despeje 200 ml de creme de leite fervente sobre o chocolate, junte 100 ml de suco de limão-siciliano e misture bem. Por último, adicione 25 g de manteiga e mexa bem. Ganache de caramelo Com flor de sal: use 100 g de chocolate (65% de sólidos de cacau), 75 ml de creme de leite fresco (35% de gordura) e 75 g de caramelo com flor de sal. Ganache de pistache Use 250 g de chocolate (65% de cacau) e acrescente 30 g de pasta de pistache com manteiga no final. Ganache de matcha Use uma mistura de 150 g de chocolate ao leite (35% cacau) e 135 g de chocolate meio amargo (65% de cacau), faça uma pasta com 1 ½ colher (chá) de água e adicione ao creme de leite antes de fervê-lo. Ganache de laranja e balsâmico Acrescente 3 g de raspas finas de laranja ao creme de leite fervente e deixe em infusão por 30 minutos. Coe, aqueça o creme de leite até ferver novamente e use conforme indicado na receita, juntando 14 ml de vinagre balsâmico com a manteiga no final. Ganache de maracujá e manga Use 150 g de polpa de maracujá e 150 g de purê de manga no lugar do creme de leite fresco. Ganache de batata-doce assada Use purê de batata-doce no lugar do creme de leite. Pré- aqueça o forno a 180 °C. Asse 300 g de batata-doce roxa por 40 minutos, até ficar macia, então espere esfriar um pouco. Descarte a casca, coloque a polpa no processador de alimentos e bata até obter uma pasta lisa. Passe por uma peneira fina para dentro de uma panela e aqueça em fogo baixo até ferver. Despeje sobre o chocolate picado e continue conforme a receita de ganache básica. 154 UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA FONTE: Adaptado de Curley e Curley (2015, p. 91) A seguir, veremos algumas receitas de ganaches: QUADRO 4 – GANACHE DE CHOCLATE MEIO AMARGO Proporção Técnica de realização 300 g de creme de leite fresco (35% de gordura) 40 g de açúcar invertido 250 g de chocolate meio amargo (65% de sólidos de cacau), bem picado 25 g de manteiga sem sal amolecida - Coloque o creme de leite e o açúcar invertido em uma panela. Aqueça até ferver. - Coloque o chocolate em uma tigela. Despeje o creme de leite quente sobre o chocolate e mexa até obter uma mistura homogênea e que tenha a consistência de um ganache. - Adicione a manteiga amolecida e misture até que esteja totalmente incorporada. - Deixe descansar em temperatura entre 18 e 20 °C por no mínimo 12 horas. FONTE: O autor QUADRO 5 – GANACHE DE BANANA CARAMELADA Proporção Técnica de realização 600 g de banana 60 ml de suco de limão 30 ml de rum 840 g de chocolate branco 240 g de açúcar 150 g de creme de leite fresco 35% 120 g de manteiga - Mixar a banana, o rum e o suco de limão até que se torne um purê. - Em uma panela coloque o açúcar para caramelar até que chegue a temperatura de 170 °C. Adicione o creme de leite fresco quente e mexer. - Adicione rapidamente a banana e a manteiga. - Quando a banana estiver derretida e a mistura estiver líquida, incorpore ao chocolate em partes por 3 vezes, mexendo a cada adição. - Mixar. - Deixe descansar em temperatura entre 18 e 20 °C por no mínimo 12 horas. FONTE: O autor Ganache de especiarias Adicione 1 pau de canela e 1 g de noz-moscada ralada ao creme de leite fervente. Deixe em infusão por 30 minutos, coe e use conforme indicado na receita. TÓPICO 2 | GANACHES, TRUFAS E BOMBONS 155 Proporção Técnica de realização 500 g de creme de leite fresco (35% de gordura) 80 g de pasta de pistache 700 g de chocolate branco (33% de sólidos de cacau), bem picado 50 g de manteiga sem sal 2 g de sal 30 g de glicose - Coloque o creme de leite, a glicose, e a pasta de pistache em uma panela. Aqueça até ferver. - Coloque o chocolate e o sal em uma tigela. Despeje o creme quente sobre o chocolate em 3 etapas e mexa até obter uma mistura homogênea e que tenha a consistência de um ganache. - Quando a ganche obter temperatura de 30 °C, adicione a mistura e mixar - Deixe descansar em temperatura entre 18 e 20 °C por no mínimo 12 horas. FONTE: O autor QUADRO 6 – GANACHE DE PISTACHE Você pode substituir a pasta de pistache por outras pastas, como: avelã, amendoim, nozes etc. IMPORTANT E QUADRO 7 – MONTÉ DE COCO Proporção Técnica de realização 250 ml de leite de coco 250 g de creme de leite fresco 35% gordura 500 g de chocolate branco 50 g de manteiga 100 g de coco fresco ralado 3 g de sal - Coloque o creme de leite e o leite de coco em uma panela para ferver. Adicione o coco ralado. - Verta sobre o chocolate com sal em 3 etapas mexendo sempre. - Adicione a manteiga quando a temperatura estiver em 30 °C e mixar. - Deixe descansar em temperatura entre 18 e 20 °C por no mínimo 12 horas. FONTE: O autor 156 UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA Proporção Técnica de realização 500 g de purê de framboesa 60 g de açúcar invertido 5 g de gelatina 1100 g de chocolate branco 28% Cacau - Ferver o purê de framboesa e o açúcar invertido. - Hidrate a gelatina e dissolva no purê. - Verta o purê sobre o chocolate e emulsione com a ajuda de um mixer. - Deixe descansar em temperatura entre 18 e 20 °C por no mínimo 12 horas. FONTE: Adaptado de Ribé (2014) QUADRO 9 – GANACHE DE LIMÃO Proporção Técnica de realização 450 ml de suco de limão 50 ml de água 60 g de açúcar invertido 1100 g de chocolate branco 28% Cacau 6 g gelatina 3 g de raspas de limao - Ferver o suco de limão e o açúcar invertido. - Verta o suco sobre o chocolate derretido e emulsione, adicione a gelatina previamente hidratada, e as raspas de limão. - Mixar. - Deixe descansar em temperatura entre 18 e 20 °C por no mínimo 12 horas. FONTE: Adaptado de Ribé (2014) 3 TRUFAS Segundo Suas (2011), trufas de chocolates são feitas com um ganache suficientemente firme para manter sua forma quando confeitado ou quando feito com porções. O nome vem da semelhança de seu formato com as trufas, que são fungos encontrados embaixo da terra, em geral na França e nonorte da Itália. As trufas são cobertas por uma camada fina de chocolate temperado e cacau em pó, frutas secas picadas, coco toscado, nibs de cacau ou outros ingredientes. Procedimentos para fazer as trufas: • Confeitar o ganache em montinhos sobre forma forrada com papel vegetal. • Deixar secar. • Enrolar o ganache para formar bolas usando luvas ligeiramente polvilhadas com açúcar impalpável. • Mergulhar as trufas em chocolate temperado e passá-los no cacau em pó. Trufas com saco de confeitar: QUADRO 8 – GANACHE DE FRAMBOESA E CHOCOLATE BRANCO TÓPICO 2 | GANACHES, TRUFAS E BOMBONS 157 • Com o saco de confeitar, usando um bico liso, depositar pequenas porções sobre uma assadeira com papel vegetal. • Deixar secar. • Banhar com chocolate temperado e, então, passar no cacau em pó. QUADRO 10 – TRUFA DE CHOCOLATE AO LEITE COM PASTA DE AMENDOIM Proporção Técnica de realização 200 g de chocolate ao leite em pedaços 100 ml de creme de leite 3 colheres (sopa) de pasta de amendoim 100 g de amendoim torrado e moído - Forre uma assadeira com papel manteiga. Leve o chocolate e o creme de leite ao fogo baixo até que o chocolate comece a derreter, mexendo sem parar. - Retire do fogo, junte a pasta de amendoim e mexa até ficar homogêneo. Deixe esfriar e leve à geladeira por cerca de 30 minutos, ou até que fique firme. - Com uma colher modele as trufas, passe-as no amendoim moído e coloque-as na assadeira. Leve a geladeira por 1 hora, ou até que fiquem firmes, e sirva. FONTE: Donovan (2013, p. 168) QUADRO 11 – TRUFA DE CHOCOLATE COM LARANJA Proporção Técnica de realização 150 g de chocolate amargo em pedaços 4 colheres (sopa) creme de leite 3 colheres (sopa) de licor de laranja Raspas finas de 1 laranja Açúcar de confeiteiro peneirado, para revestir - Forre uma assadeira com papel manteiga. Leve o chocolate e o creme de leite ao fogo baixo até que o chocolate comece a derreter, mexendo sem parar. - Retire do fogo, misture o licor e as raspas de laranja e deixe esfria. Quando estiver frio, leve a geladeira por cerca de 30 minutos, ou até endurecer. - Com uma colher modele as trufas, passe-as no amendoim moído e coloque-as na assadeira. Leve a geladeira por 1 hora, ou até que fiquem firmes, e sirva. FONTE: Donovan (2013, p. 169) 158 UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA Proporção Técnica de realização 300 g de creme de leite fresco (35% de gordura) 50 g de glucose 350 g de chocolate meio amargo (58% cacau) picado 15 g de manteiga sem sal 20 ml de cachaça de jambu, ou qualquer outro destilado (opcional) 40 cerejas em calda sem o cabinho 150 g de chocolate temperado para passar as trufas 100 g de cacau em pó para passar as trufas - Coloque o chocolate picado em um processador. - Ferva o creme de leite com a glucose até 82 °C. - Jogue o creme de leite por cima do chocolate e processe. - Deixe esfriar em temperatura ambiente até que fique morno, a aproximadamente 30 °C. Então coloque a manteiga, a cachaça e processe. - Guarde em um pote hermeticamente fechado por 24 horas. - No dia seguinte, coloque o ganache em um saco de confeitar com um bico redondo de tamanho 10. - Separe uma fôrma com papel-manteiga por cima e faça bolinhas pequenas. Leve a geladeira por 30 minutos. - Tempere os 150 g de chocolate amargo. - Tire as bolinhas da geladeira, achate mais um pouco, e coloque a cereja no meio e enrole como um brigadeiro. Faça isso o mais rápido que conseguir para não derreter a trufa. Usar luvas também ajuda a não esquentar as trufas. - Volte para o congelador por 15 minutos. - Jogue as trufas rapidamente no chocolate temperado, retire o excesso e passe cacau em pó. FONTE: Noce (2014, p. 156) 4 BOMBONS DE CHOCOLATE Suas (2011) descreve que os bombons de chocolate exigem tanto técnica como energia para produzi-los manualmente. Há equipamentos automáticos e semiautomáticos para auxiliar no procedimento, mas é perfeitamente possível criar bombons sofisticados sem eles. O procedimento para os bombons envolve mais trabalho que as trufas e os bombons empanados. O material utilizado como moldes são feitos de plástico de policarbonato, que proporcionam uma moldagem eficiente. Cuidado sempre na limpeza desses moldes, que devem ser limpos somente com um pano seco. 4.1 PREPARAR OS MOLDES Preparar o molde consiste em cobri-los com chocolate. Antes de iniciar, observar se na área de trabalho o ambiente estiver muito frio, isso faz com que o chocolate se contraia. O ideal é que os moldes sejam amornados para evitar QUADRO 12 – TRUFA COM SURPRESA DE CEREJA TÓPICO 2 | GANACHES, TRUFAS E BOMBONS 159 uma grande diferença em temperatura entre o molde e o chocolate. Uma opção é a utilização de um soprador térmico, caso não possua, um secador de cabelo também pode ser útil. Se o molde estiver muito frio, o chocolate secará mais rápido e será mais difícil obter uma casquinha mais fi na. FIGURA 9 – MOLDE DE POLICARBONATO PARA BOMBONS FONTE: <http://bit.ly/2XZWbOV>. Acesso em: 28 nov. 2019. 4.2 ENCHER OS MOLDES Essa etapa deve ser realizada de forma rápida e precisa. Tenha em mãos uma espátula e uma concha. Alguns confeiteiros usam o saco de confeitar para encher os moldes, mas esse procedimento exige muito tempo e compromete a qualidade da concha. Quanto mais longe das mãos você manter o chocolate, melhor será o resultado fi nal. E, quanto mais tempo levar para encher os moldes, mais grossa será a concha de chocolate. QUADRO 13 – MOLDANDO BOMBONS E TRUFAS Preencha os moldes de policarbonato com chocolate. 160 UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA FONTE: Adaptado de <http://bit.ly/34yXsPy>. Acesso em: 28 nov. 2019. 4.3 COLOCAR O RECHEIO O ganache para recheio dos bombons deve ser maleável e macio o sufi ciente para encher as cavidades e apresentar uma superfície homogênea. Se o ganache for muito consistente deixará uma superfície desigual e será difícil fechar as cavidades adequadamente. Outro fator é que se formarão bolhas de ar entre o recheio e a base, o que facilita o crescimento de bactérias e mofo. O ganache deve ser colocado usando uma manga de confeitar limpa. Cuidar para deixar 2 mm acima da superfície do molde. Se o espaço for maior que isso, a base se tornará extremamente grossa. Se o espaço for menor entre o recheio e o molde, a base não será o sufi ciente para selar o chocolate. Após colocar o recheio, dê delicadas batidinhas para que o recheio se assente bem no molde. É importante respeitar o tempo de cristalização do recheio, que leva em torno de 24 a 48 horas antes de ser selado. Se não for respeitado, poderá ocorrer um excesso de umidade e poderá ocorrer a contaminação bacteriana. Agora, se o recheio ultrapassar as 48 horas, poderá secar e se descolar do chocolate proporcionando o crescimento de mofo e bactérias. Quando o recheio for aplicado em uma base de chocolate branco, ou ao leite, o tempo de cristalização é maior, isso acontece em função da quantidade maior de açúcar, e menor de cacau. A armazenagem dos moldes deverá ser em um rack coberto em ambiente com temperatura de 16 °C a 18 °C. Retire o excesso de chocolate do molde policarbonato, dê algumas batidinhas para eliminar bolhar de ar e vire-o sobre um refratário para escorrer e formar uma casquinha uniforme Retire o excesso com uma espátula, vire sobre uma folha de papel manteiga e leve na geladeira por cinco minutos para secar. TÓPICO 2 | GANACHES, TRUFAS E BOMBONS 161 Para preencher as cavidades, o recheio deve estar abaixo de 26 °C e deixar de 2 mm a 3 mm de espaço entre o topo do recheio e a superfície do molde. FIGURA 10 – PREENCHENDO OS BOMBONS FONTE: <http://bit.ly/37ZmU2S>. Acesso em: 28 nov. 2019. 4.4 SELAR OS MOLDES Respeitando o tempo de cristalização do ganache, este pode ser selado. Esse procedimento exige o mesmo cuidado e cautela que encher os moldes. Suas (2011) indica segurar o molde com uma mão, enquanto a outra despeja o chocolatecom a concha sobre as cavidades do molde. Em seguida, bater levemente o chocolate na superfície do molde para que preencha bem as cavidades. Remover o excesso de chocolate e bater com o molde na mesa para retirar as bolhas de ar. As bases e as laterais do molde devem ser limpas com espátulas e reservadas até que o chocolate cristalize. FIGURA 11 – REMOVENDO O EXCESSO DE CHOCOLATE DO MOLDE FONTE: <http://bit.ly/2QYXTyG>. Acesso em: 28 nov. 2019. 162 UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 4.5 RETIRAR OS BOMBONS DOS MOLDES Para retirar os bombons do molde é importante colocá-los uns 20 minutos no refrigerador para esfriar. Isso facilita a retirada dos bombons e evita a marca de dedos no produto. O procedimento para desenformar é inverter o molde em um movimento rápido sobre o papel vegetal ou tapete de silicone. Se alguns bombons permanecerem, é só bater levemente num ângulo até que caiam todos, é preciso ter cuidado para não danifi car. Depois de retirados, os bombons podem ser armazenados ou embalados conforme desejar. FIGURA 12 – BOMBONS PRONTOS FONTE: <http://bit.ly/34yd7i3>. Acesso em: 28 nov. 2019. 4.6 SUGESTÕES PARA RECHEIOS DE BOMBONS Os recheios para bombons são inúmeros, utilize sua criatividade e bom senso nas escolhas para harmonizar os sabores, cuidar sempre com a qualidade da matéria-prima, isso realmente faz a diferença no fi nal. Siga os procedimentos de temperagem de chocolate para modelar as conchas, essas regras estão no Tópico 1 desta unidade. A moldagem dos bombons deve ser, preferencialmente, nos moldes de policarbonato. A limpeza do molde deve ser feita sempre com água e com o lado amarelo da esponja, isso ajuda a manter a qualidade do molde e, consequentemente, do produto. “As uvas-passas, o rum envelhecido e a baunilha se sobressaem sobre uma base de ganache cremoso de chocolate branco. Como recheio de um bombom com chocolate ao leite ou amargo” (SUAS, 2011, p. 656). A seguir, veremos uma receita de ganache com passas ao rum: TÓPICO 2 | GANACHES, TRUFAS E BOMBONS 163 QUADRO 14 – GANACHE PARA BOMBOM COM PASSAS AO RUM Proporção Técnica de realização 300 g de creme de leite fresco 35% gordura 2 unidades de fava de baunilha 56 g de açúcar invertido 700 g de chocolate branco 77 g de manteiga 77 g de uvas passas 35 g de rum com especiaria - Macerar as uvas-passas em rum por 24 horas. - Derreter o chocolate e reservar. - Ferver o creme de leite, a baunilha e o açúcar invertido. - Despejar o chocolate e formar uma emulsão. - Adicionar a manteiga quando a emulsão atingir 35 °C. - Para armazenar, cobrir a superfície com filme plástico. FONTE: Suas (2011, p. 656) A iguaria, a seguir, é uma mistura irresistível de dois sabores, geralmente, favoritos: chocolate e café. Este bombom tem o sabor intenso do café e uma textura suave e cremosa (SUAS, 2011): QUADRO 15 – BOMBOM DE GANACHE E CAFÉ Proporção Técnica de realização 400 g de creme de leite fresco 35% gordura 66 g de café moído 57 g de açúcar invertido 615 g de chocolate (58% cacau) 104 g de manteiga - Derreter o chocolate e reservar. - Ferver o creme e a adicionar o café moído. - Cobrir a panela com filme plástico e deixar em infusão por 10 minutos. - Coar o creme. - Acrescentar o açúcar invertido ao creme e ferver novamente. - Despejar o creme sobre o chocolate e formar uma emulsão. - Quando a emulsão alcançar 35 °C, acrescentar a manteiga. - Para armazenar, cobrir a superfície com filme plástico. FONTE: Suas (2011, p. 661) QUADRO 16 – BOMBOM COM RECHEIO DE MARACUJÁ Proporção Técnica de realização 330 g de purê de maracujá 40 g de açúcar invertido 732 g de chocolate ao leite 146 g de manteiga - Derreter o chocolate e reservar. - Combinar o purê de maracujá e o açúcar invertido e ferver ligeiramente. - Despejar o purê de maracujá sobre o chocolate derretido e formar uma emulsão. - Adicionar a manteiga a 35 °C e emulsificar bem. - Para armazenar, cobrir a superfície com filme plástico. FONTE: Suas (2011, p. 654) 164 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Ganache é uma emulsão feita de chocolate e um líquido, que pode ser creme de leite, água ou purê de fruta. A proporção de chocolate para o líquido varia de acordo com o tipo de chocolate utilizado, da porcentagem de cacau no chocolate e dos resultados que se deseja obter. O ganache pode ser criado para diversos usos, tanto como um componente para bolo, como cobertura ou como recheio de um bombom. • O chocolate para ganache deve ser selecionado com base em seu sabor e percentual de cacau, e como o sabor pode interagir com aromatizantes adicionais, como café, hortelã ou baunilha. • Segundo Suas (2011), trufas de chocolates são feitas com um ganache suficientemente firme para manter sua forma quando confeitado ou quando feito com porções. O nome vem da semelhança de seu formato com as trufas, que são fungos encontrados embaixo da terra, em geral na França e no norte da Itália. • Suas (2011) descreve que os bombons de chocolate exigem tanto técnica como energia para produzi-los manualmente. Há equipamentos automáticos e semiautomáticos para auxiliar no procedimento, mas é perfeitamente possível criar bombons sofisticados sem eles. O procedimento para os bombons envolve mais trabalho que as trufas e os bombons empanados. • O ganache para recheio dos bombons deve ser maleável e macio o suficiente para encher as cavidades e apresentar uma superfície homogênea. Se o ganache for muito consistente deixará uma superfície desigual e será difícil fechar as cavidades adequadamente. Outro fator é que se formarão bolhas de ar entre o recheio e a base, o que facilita o crescimento de bactérias e mofo. • Para retirar os bombons do molde é importante colocá-los uns 20 minutos no refrigerador para esfriar. Isso facilita a retirada dos bombons e evita a marca de dedos no produto. • A moldagem dos bombons deve ser, preferencialmente, nos moldes de policarbonato. A limpeza do molde deve ser feita sempre com água e com o lado amarelo da esponja, isso ajuda a manter a qualidade do molde e, consequentemente, do produto. 165 AUTOATIVIDADE 1 O que é ganache? 2 Por que o recheio de Ganache, para cristalizar, deve ficar de 24 a 48 horas no molde? 166 167 TÓPICO 3 PÂTISSERIE UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, entraremos no universo das sobremesas que exigem um pouco mais de técnica e elaboração. Iniciamos com os entremets, sobremesas mais elaboradas que deixam qualquer ocasião mais interessante com sua presença. Essas sobremesas exigem do profissional utensílios específicos, como aros, formas de silicone e mais tempo de técnica para os eu preparo. Demonstraremos as verrines, que são sobremesas servidas em copos de vidro, um conceito moderno da confeitaria, na qual, cada camada pode ser visualizada com sua textura, cor e sabor diferentes. Aprenderemos sobre os famosos petits fours que possuem uma variedade de itens que podem acrescentar uma diversidade surpreendente em uma vitrine de uma loja de doces, de eventos e nas recepções de hotéis e pousadas. 2 ENTREMETS “No mundo da pâtisserie, um entremet é uma sobremesa que contém vários elementos de sabores e texturas complementares. Sua composição deve seguir certos princípios básicos: apelo visual, contraste de textura e, é claro sabor” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 257). Essa sobremesa possui grande destaque em ocasiões especiais, por sua beleza, cores e formas se torna o centro das atenções. O significado da palavra entremets em francês significa “entre pratos”. Esse nome teve origem na Idade Média, em que, nos banquetes, era servido entre os pratos principais, junto com uma dança ou música para entreter os convidados. O entremet é uma sobremesa elegante e refinada, uma excelente opção para uma ocasião especial. UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 168 FIGURA 13 – ENTREMET FONTE: <http://bit.ly/2RaiEYj>. Acesso em: 23 nov. 2019. A seguir,aprenderemos uma receita de entremet napolitano. Os materiais necessários são: 1 aro para sobremesa de 20 cm de diâmetro e 6 cm de altura; 1 aro para torta de 18 cm de diâmetro; 1 saco de confeitar; 1 bico perlê liso n° 6. QUADRO 17 – ENTREMET NAPOLITANO Para o Pão de Ló de Avelã 75 g de gemas 55 g de açúcar 89 g de claras 20 g de açúcar 20 g de farinha de trigo 45 g de fécula de batata 1 colher (sopa) de farinha de avelã 15 g de manteiga derretida 30 g de avelãs trituradas Para Calda de Baunilha 140 ml de água 80 g de açúcar 1 fava de baunilha Para a Musse de Morangos 2 folhas de gelatina 70 g de purê de morangos 20 g de açúcar 1 colher (sopa) de suco de limão-siciliano 1 colher (chá) de licor de morangos 200 ml de creme de leite fresco 35% gordura Para a Musse de Baunilha 2 gemas 20 g de açúcar 170 g de leite 3 ml de extrato de baunilha 3 a 4 folhas de gelatina 380 g de chocolate branco picado 340 ml de creme de leite fresco 35% de gordura Prepare o Pão de Ló de Avelã - Pré-aqueça o forno a 170 °C. Bata as gemas com o açúcar até o preparo branquear e fi car espesso. Bata as claras até que fi quem fi rmes e nao caiam do batedor. Incorpore, então, o açúcar para o ponto de merengue. Acrescente o preparo a mistura de gema e açúcar. - Incorpore os ingredientes secos, a manteiga derretida e, então, as avelãs trituradas. - Forre uma assadeira rasa com papel manteiga e despeje dentro a massa de pão de ló de avelã. - Asse por 20 minutos. Prepare a Calda de Baunilha - Em uma panela, ferva a água com a fava cortada ao meio e o açúcar. Prepare a Musse de Morango - Hidrate as folhas de gelatina em uma tigela com água fria. Aqueça o purê de morangos com açúcar e o suco de limão-siciliano: acrescente o licor de morangos. Esprema as folhas de gelatina para escorrer a água e incorpore-as. Deixe amornar. - Bata o creme de leite fresco até fi car aveludado e incorpore em duas vezes o preparo de morangos. - Corte o pão de ló de avelã em dois discos e retire 1 cm da borda de um deles para fi car menor que o outro. Prepare a Musse de Baunilha - Hidrate a gelatina com água fria. - Bata as gemas com o açúcar até obter uma Proporção Técnica de realização TÓPICO 3 | PÂTISSERIE 169 Para a Glaçagem 10 folhas de gelatina 220 ml de água 380 g de mel 300 g de açúcar de confeiteiro 300 g de chocolate branco picado 200 ml de creme de leite fresco 3 a 4 gotas de corante alimentício vermelho. Decoração: 200 g de Morangos 50 g de geleia de brilho mistura pálida e fofa. Reserve. - Aqueça o leite só até levantar fervura e adicione aos poucos na mistura de ovos para temperá-los delicadamente. - Volte tudo para panela e cozinhe em fogo baixo, mexendo sempre com uma espátula até atingir o ponto nappant (VER UNI NOTA). - Retire do fogo e adicione a baunilha e as folhas de gelatina hidratadas e espremidas. Mexa até incorporar - Despeje o creme quente sobre o chocolate branco, picado bem pequenininho, e emulsione. - Bata o creme de leite fresco até atingir picos médios e incorpore delicadamente na mistura de chocolate branco, que deve estar completamente fria. Forre o fundo do aro para torta (18 cm de diâmetro) com filme de PVC e coloque-o sobre a área de trabalho. Espalhe uniformemente o recheio cremoso um uma espátula flexível. Congele por 2 horas. Para a Glaçagem - Hidrate as folhas de gelatina em água gelada por 5 minutos. - Em uma panela, adicione a água, o mel, o açúcar de confeiteiro e, em fogo alto, deixe a mistura ferver por 1 minuto. Retire do fogo. - Esprema a água das folhas de gelatina hidratadas e adicione-as à calda. Mexa para derreter. - Em um processador de alimentos ou liquidificador, adicione o chocolate branco picado e o creme de leite e processe. Cuidadosamente, e batendo sem parar, vá despejando a calda quente, até todos os ingredientes emulsificarem. - Adicione o corante. - Deixe o glacê esfriar em temperatura ambiente, por 30 minutos, para ficar mais espessa. Faça a montagem - Disponha o primeiro disco de pão de ló de avelã no fundo do aro e pincele-o com a calda. Com o saco de confeitar, disponha a musse de morangos sobre o contorno do disco, então, no centro, espalhe bem a musse pela superfície e cubra as laterais do aro. - Desenforme a musse de baunilha, e disponha sobre a musse de morangos e ponha por cima o segundo disco de pão de ló de avelã. Pincele-o com a calda. - Disponha outra camada de musse de morangos e alise-a com uma espátula. Congele a sobremesa por 2 horas. - Despeje a glaçagem sobre o entremet, seguindo o contorno do aro. - Em uma tigela, misture morangos silvestres com geleia de brilho. - Disponha os morangos sobre a sobremesa. FONTE: O autor UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 170 Ponto nappant: é quando o creme fica espesso o suficiente assim que cobrir as costas da colher e, ao passar o dedo, um rasto se forma e se mantém intacto. NOTA A glaçagem rende bastante, pois o entremet precisa ser glaçado generosamente. Certifique-se de cobrir a bancada com plástico antes de colocar a grade sobre ele; dessa maneira, todo excesso de cobertura que escorrer poderá ser guardado por até dois meses no freezer e depois aquecido em banho-maria para ser utilizado outra vez. IMPORTANT E 3 VERRINES O nome “verrine” tem origem na palavra francesa para “copo” ou “vidro”. As verrines são cada vez mais populares por sua simplicidade e seu estilo moderno. “Elas têm por base o princípio da montagem vertical de sobremesas, em um recipiente transparente, em vez da montagem horizontal, sobre um prato. Criam uma estética visual diferente para a confeitaria, com suas camadas de cores vivas e texturas variadas” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 305). A seguir, veremos uma receita de verrines de rosas e framboesas. Materiais necessários: 8 copos de vidro de 180 ml (7 cm de diâmetro e 7 cm de espessura). QUADRO 18 – VERRINES DE ROSAS E FRAMBOESAS - Coloque os copinhos no congelador. - Prepare a dacquoise, fazendo discos de massa com diâmetro 1 cm menor que a das verrines. O Creme Bavaroise de Rosas - Coloque as folhas de gelatina para amolecer por 10 minutos em água bem fria. - Em uma vasilha, bata as gemas e o açúcar até que a mistura fique levemente esbranquiçada. - Escorra as folhas de gelatina e aperte bastante para tirar o excesso de água. - Em uma panela, coloque o leite, a água de rosas e o xarope de rosas para ferver. Despeje 1/3 sobre a mistura de gemas com açúcar e mexa, usando um Fouet. Despeje tudo na panela. Cozinhe em Técnica de realização 1 receita de Biscuit Dacquoise Creme Bavaroise de Rosas 4 folhas de gelatina 3 gemas 30 g de açúcar refinado 250 ml de leite 3 colheres (sopa) de água de rosas 3 colheres (sopa) de xarope de rosas 350 g de creme de leite fresco 35% de gordura. Xarope com aroma de água de rosas 100 ml de água 2 colheres (sopa) de água de rosas 125 g de açúcar refinado Proporção TÓPICO 3 | PÂTISSERIE 171 fogo brando, mexendo sem parar até que o creme engrosse (atenção: esse creme não deve ferver, o cozimento deve ser até 85 °C). - Quando o creme adquirir uma consistência, retire imediatamente do fogo, adicione a gelatina amolecida para interromper o cozimento, e despeje em uma tigela grande. Mexa durante uns 5 minutos para que o creme bavaroise fique homogêneo. Deixe esfriar. O Xarope com Aroma de Rosas - Coloque a água e a água de rosas para ferver com o açúcar. Retire do fogo, adicione o xarope de rosas e deixe esfriar. A Calda Geleificada de Framboesa - Coloque uma bacia no congelador para que ela fique bem gelada. - Coloque as folhas de gelatina para amolecer por 10 minutos em água bem fria. - Usando um mixer ou um processador, misture as framboesas com o açúcar até obter uma consistência liquida. - Coe essa mistura em uma peneira com a ajuda de uma colher: aperte e raspe para extrair a polpa e eliminar as sementes de framboesas. - Para facilitar, despeje o suco de limão-siciliano e a água napeneira: dessa forma você pode aproveitar toda a polpa. - Em uma panela, aqueça ¼ dessa mistura. Escorra as folhas de gelatina e aperte-as bastante para retirar o excesso de água: adicione o líquido morno mexendo para misturar. Despeje essa mistura sobre a polpa fria restante. Misture e despeje imediatamente uma primeira camada de calda nos copinhos. Coloque-os novamente no congelador para que a calda possa gelificar. A Finalização do Creme Bavaroise e a Montagem - Bata o Creme de Leite fresco até que ele chegue ao ponto chantilly. - Bata rapidamente o creme de rosas que acabou de geleificar e adicione-o delicadamente ao chantilly com a ajuda de uma espátula flexível. Reserve em temperatura ambiente. - Retire os copinhos do congelador. Embeba levemente os discos de dacquoise com xarope de rosas e coloque-os sobre a calda gelificada. Deposite 4 meias framboesas em cada copinho e cubra com o creme bavaroise. - L e v e a o c o n g e l a d o r p a r a g e l e i f i c a r (aproximadamente 10 minutos) - Repita as etapas anteriores: Calda geleificada, dacquoise, meias framboesas e creme bavaroise. - Quando a segunda camada de creme bavaroise geleificar, cubra com uma fina camada de calda. - Decore cada copinho com uma pétala de rosas e uma framboesa. 2 colheres (sopa) de xarope de rosas Calda gelificada de framboesa 4 folhas de gelatina 750 g de framboesa 70 g de açúcar refinado 2 colheres (sopa) de suco de limão-siciliano 3 colheres de (sopa) de água 32 framboesas Para decorar: 1 rosa orgânica 8 framboesas FONTE: Ladurée (2011, p. 160) UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 172 FIGURA 14 – VERRINES FONTE: <http://bit.ly/2DDPitc>. Acesso em: 23 nov. 2019. 4 PETIT FOURS Na França do século XIX não havia fornos a gás, mas um único tipo de forno – uma enorme câmara feita de pedra, sob o qual um fogo era aceso. Esse tipo de forno levava muito tempo para aquecer, fi cava muito quente durante um período e depois levava muito tempo para esfriar. Além disso, não era possível controlar a temperatura. Na verdade, só tinha duas regulagens. A primeira chamada de grand four, era quando o fogo estava em seu pico de calor. Era usada para assar bolos grandes, massas aeradas e itens fermentados. A segunda era chamada de petit four, ou “pequeno forno”, quando as chamas começavam a morrer e o calor a se dissipar. Era usada para assar biscoitos e bolinhos – daí o nome dessas iguarias, que eram servidas após o jantar, uma referência à forma como eram preparadas, Originalmente, havia seis categorias distintas de petit fours: frais ( frescos), fruits déguises (frutas glaçadas), glacés ( obertos com Fondant), amandes (feitos com amêndoas), secs (secos) e salés (salgados). Em essência, são gostosuras do tamanho de uma mordida (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 331). Os petit fours são inspirados nas versões maiores de pâtisseries tradicionais, segundo Suas (2011). E são preparados com diversos tipos de bases encontradas nas confeitarias: massa de pão e de bolo, cremes, recheios e coberturas. A exemplos de petit fours adaptados de produtos tradicionais, incluem o bolo ópera, a Tarte Tatin, as tortas de crémeux de frutas, a Madeleine e o Babá ao rum. Acadêmico, sugerimos uma receita de Babá ao Rum no link: https://blog. sonoma.com.br/receitas/receita-baba-ao-rum-por-emmanuel-bassoleil/. DICAS TÓPICO 3 | PÂTISSERIE 173 Encontra-se dois tipos de petit fours: o tradicional e o contemporâneo. Os tradicionais incluem os petist fours sec, petits fours glacés, petits fours frais e petits fours déguisés. Os contemporâneos incluem os petits fours prestige, além dos petits fours tradicionais. O que faz a diferença dessas pequenas iguarias é a qualidade e a sua apresentação. Esses petit precisam estar o mais perfeito possível, já que são destinados a um público de paladar muito exigente. A seguir, veremos algumas categorias de petitt s fours: • Petits fours sec: essa categoria refere-se a biscoitos sem recheio, possuem como característica principal uma textura crocante, por ter sido assado em baixa temperatura por um longo período. Esse pequeno biscoito possui vários formatos e processos específi cos para sua montagem. FIGURA 15 – PETITS FOURS SEC FONTE: <http://bit.ly/2P7aXPJ>. Acesso em: 23 nov. 2019. Esses biscoitos podem ser feitos com diversas massas: Pâte Sablée e outros amanteigados. Use sua criatividade! O Macaron também é classifi cado como um petit fours sec. NOTA UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 174 QUADRO 19 – BISCOITINHOS PINGADOS DE CHOCOLATE E CEREJA Proporção Técnica de realização 170 g de farinha de trigo comum 10 g de cacau em pó 160 g de manteiga sem sal amolecida e cortadas em cubos 65 g de açúcar de confeiteiro peneirado 30 ml de leite integral 200 g de açúcar refi nado para decoração - Peneire a farinha com o cacau em pó em uma tigela, junte o açúcar de confeiteiro e bata até obter um creme esbranquiçado. Junte o leite aos poucos, batendo até que esteja bem incorporado. Adicione a farinha com cacau e bata até obter uma massa lisa e homogênea. - Coloque a mistura em um saco de confeitar com o bico de 6 mm e pingue rosetas em uma assadeira forrada com tapete de silicone. Coloque uma metade de cereja no topo de cada de uma e refrigere por 30 minutos. - Pré-aqueça o forno a 180 °C. Asse por 12-15 minutos. Retire do forno, polvilhe com açúcar e deixe terminar esfriar. - Guarde em um recipiente hermético. Melhores se consumidos em 2-3 dias. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 332) • Petits Fours Glacés: pequenos bolinhos do tamanho de um bocado, com cobertura, normalmente fondant, aplicada somente no fi nal do processo de fabricação. Esses petits podem ser montados em grandes assadeiras e cortados depois de fi rmes, contêm camadas fi nas de bolo alternadas com geleia e/ ou creme de manteiga. O topo pode ser adornado com uma camada fi na de marzipã, que adiciona sabor e também para tornar a superfície uniforme para assentar a calda. FIGURA 16 – PETITS FOURS GLACÉSFIGURA 16 – PETITS FOURS GLACÉS FONTE: <http://bit.ly/35V3hqU>. Acesso em: 28 nov. 2019. TÓPICO 3 | PÂTISSERIE 175 QUADRO 20 – TORTINHAS DE FRANGIPANE E DAMASCO Proporção Técnica de realização ½ receita de Patê Sucrée ½ receita de Frangipane 100g de amêndoa em lâminas torradas 50 g de açúcar de confeiteiro Para o damasco pochê: ½ receita de Calda rala 2 damascos inteiros sem caroço (você pode substituir por outra fruta) Você também vai precisar de: um cortador circular de 4 cm de diâmetro. Duas formas de silicone para muffi n com 12 cavidades de 5 cm de diâmetro. - Prepare a massa seca (pâte sucrée) conforme as instruções. Para o damasco pochê, coloque a calda em uma panela. Junte o damasco, cubra com uma tampa de papel-manteiga e cozinhe em fogo baixo por 5 minutos. Deixe o damasco esfriar dentro da calda. - Abra a massa com o rolo à espessura de 2 mm sobre uma superfície enfarinhada. Use o cortador 4 cm para cortar discos e forre o fundo das cavidades com eles. Fure a massa com um garfo e leve à geladeira por pelo menos 30 minutos. - Pré-aqueça o forno a 180 °C. Prepare o frangipane e coloque em um saco de confeitar com bico liso (perlê) de 10 mm. Deposite sobre os discos de massa, enchendo as cavidades até dois terços da capacidade. - Escorra o damasco, corte em cubos e coloque uma colherada na superfície de cada tortinha. Espalhe a amêndoa em lâminas por cima e polvilhe com açúcar. Asse por 12 a 15 minutos, até dourarem. Deixe esfriar antes de desenformar. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 334) • Petit Fours Frais: sua principal característica é que são preparados no dia em que são servidos, pois, em sua composição, são utilizados itens que se deterioram rapidamente, tais como os éclairs e tortinhas que incluem frutas frescas. Os Macarons também podem ser incluídos nessa categoria, desde que no recheio tenha frutas frescas na sua composição. FIGURA 17 – PETITS FOURS FRAISFONTE: <http://bit.ly/2sD5CIz>. Acesso em: 28 nov. 2019. UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 176 QUADRO 21 – MINITORTAS DE FRUTAS Proporção Técnica de realização ½ receita de Patê Sucrée ½ receita de Creme de confeiteiro 50 g de chocolate branco picado Para decorar: Frutas frescas variadas: kiwi, manga, morango, framboesas, mirtilos, amoras. Você também vai precisar de: forminhas caneladas de tertelete de 3,5 cm de diâmetro. - Prepare a massa seca (pâte sucrée) conforme as instruções. Prepare o creme de confeiteiro e deixe na geladeira até a hora de usar. Abra a massa gelada com o rolo até fi car com 2 mm de espessura e refrigere por 30 minutos. - Forre as forminhas e leve a geladeira por 30 minutos. Pré-aqueça o forno a 180 °C. Pré-asse por 8 a 10 minutos. Deixe esfriar. - Derreta o chocolate branco em banho-maria e pincele o interior das bases; leve a geladeira por 2-3 minutos. - Corte as frutas em pedaços de tamanhos diferentes. Coloque o creme de confeiteiro em um saco de confeitar com o bico liso (perlê) de 8 mm e enche as bases até a borda. Decore com as frutas picadas. FONTE: Curley e Curley (2015, p. 336) • Petit Fours Déguisés: são feitos com frutas frescas, secas ou glaceadas, mergulhadas em calda de açúcar, fondant ou chocolate. As frutas que geralmente possuem caldas são: groselha, cerejas, uvas, laranjinha japonesa. Frutas glaceadas: abacaxi, manga. Frutas cobertas com fondant: morangos, fatias de laranjas e cascas de cítricos cristalizadas Modo de preparo para banhar frutas: mergulhe a fruta na calda de açúcar e transfi ra para uma placa de silicone ou superfície de granito ligeiramente untada. Qualquer fruta mergulhada na calda deve ser usada na hora, se for armazenar necessita de produtos específi cos para evitar o derretimento do açúcar. FIGURA – FRUTAS BANHADAS IMPORTANT E FONTE: <http://bit.ly/37Wve3l>. Acesso em: 28 nov. 2019. TÓPICO 3 | PÂTISSERIE 177 QUADRO 22– CALDA PARA BANHAR FRUTAS Proporção Técnica de realização 400 g de açúcar 140 g de água 140 g de glicose 5 gotas de solução de ácido tartárico por quilo de açúcar - Ferver a água com o açúcar, limpar as laterais da panela com pincel e água e depois adicionar a glicose. - A calda precisa atingir a temperatura de 160 °C. - Adicionar água fria para interromper o processo. - Depois que as bolhas tiverem diminuído, a fruta pode ser mergulhada na calda. Que pode ser colorida para destacar a apresentação dos petit fours. FONTE: Suas (2011, p. 435) QUADRO 23 – FOUNDANT CASEIRO Proporção Técnica de realização 500 g de açúcar de confeiteiro ½ xícara de leite 1 colher (chá) de manteiga sem sal - Em um refratário, junte a manteiga e o leite e leve ao banho-maria, depois vá acrescentando o açúcar de confeiteiro e mexendo sempre, cozinhe por 10 minutos ou até que fique líquido. - Deixe esfriar e guarde na geladeira com filme plástico. FONTE: Adaptado de <http://bit.ly/2rIXIwO>. Acesso em: 23 nov. 2019. Os tradicionais petit fours déguisés são cobertos com marzipã e depois banhados em caldas. Sobre o Marzipã: Ao contrário de outros itens decorativos comestíveis, o marzipã, na verdade tem sabor e texturas agradáveis. Composto especialmente por amêndoas e açúcar, pode ser enrolado em fina camada para cobrir bolos, usado como camada para doces, como recheio para chocolates ou moldado em vários formatos, como frutas, animais ou outras figuras (SUAS, 2011, p. 466). IMPORTANT E UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 178 QUADRO 24 - MARZIPÃ Proporção Técnica de realização 500 g de pasta de amêndoa 500 g de açúcar impalpável 12 g Kirsch (opcional) * Para obter a pasta de amêndoa, você precisa levar as amêndoas ao forno de 15 a 20 minutos. Apos esfriar, bater no processador, por possuir óleo natural não se faz necessário adicionar nenhum outro ingrediente. - Misturar a pasta de amêndoas com o açúcar impalpável na cuba da batedeira com raquete, em velocidade baixa. - Misturar apenas até a massa se tornar homogênea, adicionando o kirch, se desejar. - Transferir para uma superfície limpa e sovar até formar uma massa uniforme. - Embalar bem em filme plástico e deixar descansando por 12 horas antes de usar. FONTE: O autor • Petits fours prestige: reproduz preparações mais elaboradas e tendências atuais da pâtisserie. Esses petits podem ser versões menores de entremts contemporâneos ou de outras sobremesas. Na sua composição podem existir: biscuit dacquoise, cremes como mousseline, merengue itatiano e frutas frescas. Podem incluir coberturas como glaçagem e chocolate decorativo, ou elementos de açúcar. Para sua fabricação, por serem bem elaborados, podem necessitar de moldes, e freezer, isso auxilia na sua aparência uniforme e bem defi nida. FIGURA 18 – PETITS FOURS PRESTIGE FONTE: <http://bit.ly/33HNji2>. Acesso em: 23 nov. 2019. 5 RECEITAS DE ALGUNS CLÁSSICOS DA CONFEITARIA • Apfelstrudel: o Strudel tem sua origem na Bavária ou Áustria durante a Idade Média, mas foi aperfeiçoado na Hungria. Rusticamente preparado, era o prato principal e servido com peixes e repolho. Mas foi através das mulheres judias que o strudel ganhou elementos adocicados, como a maçã, queijos, ameixas etc. A massa foi fi cando mais fi na e introduzido nozes e passas no seu recheio. TÓPICO 3 | PÂTISSERIE 179 QUADRO 25 – RECHEIO STRUDEL DE MAÇÃ Proporção Técnica de realização 1 kg de maçã 100 g de passas brancas 100 g de nozes 48 g de açúcar cristal 6 g de canela em pó ¼ col. chá de Cravo em pó 1 col. chá de Noz-Moscada ralada 10 g de fécula de batata - Descasque e tire o miolo das maçãs. - Corte-as em cubos médios. - Em uma tigela misture todos os outros ingredientes. - Reserve para colocar na massa. FONTE: Noce (2014, p. 94) FIGURA 19 – APFELSTRUDEL FONTE: <http://bit.ly/35TlS6r>. Acesso em: 20 set. 2019. QUADRO 26 – MASSA STRUDEL Proporção Técnica de realização 30 g de manteiga derretida 2 g de sal 1 unidade de ovo 100 ml de água morna 250 g de farinha de trigo Montagem 50 g de farinha de rosca (para o recheio) - Peneirar a farinha para dentro de uma tigela. - Adicionar o sal. - Juntar o ovo batido. - Em seguida acrescentar a manteiga derretida. - Verter a água morna na massa, pouco a pouco. - Ligar os ingredientes dentro da tigela. - Transferir a massa para a mesa de trabalho. - Amassar até obter uma massa lisa e homogênea. - Envolver com fi lme plástico e deixar descansar durante 1 a 2 horas em um lugar aquecido. - Transferir a massa para um pano de algodão enfarinhado. Abri-la com as mãos, puxando do centro para fora. Ter muito cuidado para não rasgar a massa, que deverá fi car muito fi na. FONTE: Sebess (2008, p. 160) UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 180 QUADRO 27 – MONTAGEM DO STRUDEL 1 – Depois que a massa estiver estendida bem fi na, polvilhar a superfície com farinha de rosca. 2 – Espalhar o recheio sobre a massa. 3 – Começar a enrolar para frente. 4 – Dobrar a extremidade esquerda para dentro. 5 – Em seguida dobrar a extremidade direita para dentro. 6 – Terminar de enrolar para frente. 7 – Depositar o Strudel sobre o tabuleiro forrado com papel siliconado para que a massa não grude durante o cozimento. É importante que a junção da massa fi que para baixo. 8 – Polvilhar com açúcar de confeiteiro e levar ao forno a 180 °C para assar até que adquira uma cor dourada intensa. 9 – Retira do forno. Deixar amornar ligeiramente. FONTE: Sebess (2008, p. 163) • Madeleines: as madeleines tornaram-se famosas, inicialmente, por intermédio da obra de Marcel Proust, Em busca do tempo perdido: no caminho de Swan, na qual o autor escreveu: “Ela então mandou buscar um desses biscoitos curtos e rechonchudos chamados madeleines, que parecem ter sido moldados na valva estriada de uma concha de São Tiago. [...] Invadira-me um prazer delicioso, isolado, sem a noção de sua causa” (PROUST, 1993, p. 27-28). De acordo com a tradição, as madeleines se originaram na Commercydo século XVIII, na região da Lorena, quando uma menina chamada Madeleine preparou esses bolinhos para Stanislaw Lezcynski, o duque de Lorena, que compartilhava a paixão pela iguaria recém-descoberta com sua fi lha, Marie, a esposa de Luis XV, assegurando, assim, sua popularidade. “Esses bolinhos encantadores são assados em forminhas ovais com frisos que lembram a forma das conchas” (SUAS, 2011, p. 127). FIGURA 20 – MADELEINES FONTE: O autor TÓPICO 3 | PÂTISSERIE 181 QUADRO 28 – RECEITA MADELEINE Proporção Técnica de realização 2 limões-sicilianos 160 g de açúcar 175 g de farinha de trigo 10 g de fermento em pó químico 180 g de manteiga 4 ovos inteiros 35 g de mel - Com um ralador, retire as raspas dos limões- sicilianos. Em uma tigela grande, misture as raspas de limão-siciliano com o açúcar. Em outro recipiente, peneire juntos a farinha e o fermento em pó. Derreta a manteiga. - Em uma vasilha, bata os ovos, o açúcar, as raspas de limão-siciliano e o mel até a mistura ficar com consistência de mousse. Por fim, adicione a manteiga derretida. Reserve a massa por no mínimo 12 horas na geladeira, dentro de um recipiente tampado. - No dia seguinte, unte as formas de Madeleine com manteiga derretida. Coloque as formas na geladeira por 15 minutos para que a manteiga endureça. A seguir, enfarinhe-as um pouco e retire o excesso - Preaqueça o forno a 200 °C. Preencha as formas com a massa até ¾ de altura. Leve ao forno e deixe cozer de 8 a 10 minutos. Quando estiverem bem douradas, deixe-as esfriar um pouco e depois desinforme. FONTE: Andrieu (2009, p. 256) • Brownie: em 1897, o catálogo da Sears, Roebuck and Company publicou a primeira fórmula conhecida de brownie, que logo se tornou a sobremesa norte americana mais famosa. A origem do brownie de chocolate é desconhecida; no entanto, possivelmente foi criada de modo acidental por algum cozinheiro descuidado que esqueceu de acrescentar fermento à massa de bolo de chocolate. Os brownies evoluíram ao longo dos anos e passaram a incluir em suas fórmulas variações do tipo bolo com texturas consistentes, usando, as vezes, castanhas ou gotas de chocolate. “Para aqueles que adoram chocolate, há poucos aromas no mundo tão atraentes como o dos brownies assando no forno” (SUAS, 2011, p. 87). QUADRO 29 – RECEITA DE BROWNIE Proporção Técnica de realização 150g chocolate amargo 150 g manteiga sem sal 320 g açúcar refinado 4 unidades ovos 140 g farinha de trigo 2 g sal 70 g nozes picada 20 g acau em pó - Bater os ovos com o açúcar. - Derreter o chocolate com a manteiga em banho- maria e despejar sobre os ovos batidos. - Misturar bem com a espátula. - Juntar os ingredientes secos peneirados. - Ligar bem os ingredientes. - Acrescentar as nozes picadas. - Forrar com papel manteiga uma assadeira previamente untada. - Despejar a preparação sobre a assadeira. Levar ao forno a 180 °C ou 200 °C para assar por 15 a 25 minutos. - Retirar do forno e cortar em quadrados para servir. FONTE: Sebess (2008, p. 107) UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 182 • Petit gâteau: essa sobremesa é rápida e fácil de fazer, é perfeita para encerrar uma refeição com toque de chocolate, ou para hora do lanche. Possui um recheio cremoso, e por isso deve ser servida quente, assim que sair do forno, pode ser acomponhada por uma bola de sorvete. Uma sobremesa irresistível: o Petit Gâteau Viviane Bigio Um delicioso doce de chocolate para alegrar os corações e saciar qualquer desejo, o petit gâteau, em pouco tempo, se tornou uma febre nacional, item quase obrigatório nos menus de sobremesas dos restaurantes mais badalados do Brasil. Esse doce, que já virou paixão nacional, causa também muita polêmica. Polêmica quanto a sua origem e quanto à sua composição. O chef Olivier Anquier disse que ninguém sabe como ele nasceu. Apesar de algumas histórias contarem que o petit gâteau nasceu na França, há quem diga que esse saboroso bolinho foi criado por acaso pelo chef francês radicado em Nova York, Jean-Georges Vongetrichten, ao errar na quantidade de farinha. Uma outra versão disse que esse bolinho de chocolate com casca crocante e recheio cremoso foi criado nos Estados Unidos, quando um aprendiz de chef aqueceu demais o forno. Assim mesmo os clientes adoraram e foi se popularizando na década de 90, chegando ao Brasil em torno de 1996. Outros dizem que ele foi criado pelo chef francês Michel Brás, em um restaurante pequeno e escondido da França e adaptado e trazido ao Brasil pelo chef Erick Jacquin, francês que se radicou em São Paulo, onde mora até hoje. Adotado por outros chefs famosos, ele possui variações de recheio e ingredientes que não se limitam mais ao chocolate, mas podem ser também de doce de leite, goiaba, tangerina e outras frutas ou bebidas alcoólicas. Assado ou cru, com chocolate ou variações, esse bolinho continua dando água na boca dos brasileiros. Normalmente, é servido com uma bola de sorvete de creme ou baunilha, cobertura de chocolate e raspas de chocolate branco ou preto e lascas de amêndoas. As variações são sempre muito bem-vindas. A denominação petit gâteau é possivelmente uma invenção norte-americana, já que em francês petit gâteau significa de modo genérico qualquer “pequeno bolo”. Ele não é muito conhecido na França. Entretanto a sua composição lembra a origem francesa das populares tartes au chocolat e principalmente o fondant. Em inglês, seu nome é warm, soft chocolate cake. Para fazê-lo, a temperatura do forno tem que ser a mais alta possível, e este ter sido pré- aquecido. Os bolinhos estarão prontos quando as bordas estiverem assadas e o centro apresentar textura mole, quando pressionada com o dedo. INTERESSA NTE TÓPICO 3 | PÂTISSERIE 183 O petit gâteau se tornou tão popular que inspirou até concursos e competições, nos quais tomaram parte a maioria dos grandes chefs do Brasil. Os amantes do doce não passam mais necessidade, podendo encontrá-lo até nas prateleiras dos supermercados. Ninguém consegue resistir. Huuuuuum!!! FONTE: <http://bit.ly/34SEm6U>. Acesso em: 24 nov. 2019. QUADRO 30 – RECEITA DE PETIT GÂTEAU Proporção Técnica de realização Para a massa de Petit Gâteau de Chocolate 300 g chocolate amargo 270 g manteiga sem sal em temperatura ambiente 270 g açúcar refinado 8 unidades ovos 80 g farinha de trigo 45 g de fécula de batata Para o Recheio 20 quadrados de chocolate amargo - Unte e enfarinhe as forminhas de petit gâteau. Vire-as de ponta cabeça para retirar o excesso de farinha. - Esquente os ovos e o açúcar em banho-maria, batendo com Fouet até que o preparo esteja levemente quente na ponta do dedo. - Retire do banho-maria e continue batendo na batedeira com o batedor globo em velocidade máxima até o preparo esfriar e chegar ao ponto fita: ele deve escorrer do batedor, sem quebrar, formando uma fita. - Pique o chocolate e derreta-o em banho-maria, acrescente a manteiga em temperatura ambiente e misture bem até obter uma consistência lisa. - Incorpore delicadamente a farinha e a fécula de batata à mistura de ovo e açúcar. - Incorpore o preparo de chocolate com uma espátula. - Pré-aqueça o forno a 190 °C. Disponha a massa de petit gâteau de chocolate nas forminhas até a metade. - Coloque dois quadrados de chocolate amargo no centro de cada forminha. - Acabe de preencher s forminhas com a massa. - Asse por 6 ou 7 minutos. Espere 5 minutos antes de desnformar e sirva imediatamente. FONTE: Le Cordon Bleu (2017, p. 172) UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 184 LEITURA COMPLEMENTAR TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE AS NOVIDADES NA CONFEITARIA. FIQUE POR DENTRO E SE INSPIRE Como anda a confeitaria da sua padaria? Quais são os seus principais produtos? Eles estão alinhados aos desejos e necessidades dos seus clientes? Sabe como inovar na padaria? Responder a essas perguntas é essencial para que você faça com que a sua padaria se destaque perante a concorrência e continue garantindoa satisfação dos seus clientes. Principalmente quando se trata de inovar os produtos para atrair ainda mais a atenção dos consumidores. Porém, o mundo da gastronomia muda muito rápido, o que significa que todos os dias surgem novas tendências às quais você deve estar atento para garantir o sucesso do negócio. Quer saber quais são as principais novidades na confeitaria? Continue a leitura e descubra tudo sobre isso! Qual a importância de estar por dentro das tendências e novidades? O mundo da gastronomia mudou muito nos últimos anos. Há alguns anos, as pessoas comiam apenas para saciar a fome e a vontade — principalmente quando se fala de doces —, com pouca preocupação sobre a origem dos ingredientes, aparência do produto e método de preparo. Porém, hoje, a situação é totalmente diferente. Os alimentos não servem apenas para nutrir o corpo, mas também para despertar sensações e emoções positivas em quem os consome. Dessa forma, cresce a busca por produtos que trazem, além de nutrição, bem-estar físico e psicológico. Há também uma preocupação maior com a origem dos alimentos e o processo de produção pelos quais eles passam. Afinal, as pessoas estão mais preocupadas com a valorização da produção local, alimentos orgânicos e com os benefícios que cada um dos produtos pode trazer para a saúde. A forma como os clientes se relacionam com as lojas também mudou. Com a chegada da tecnologia, o contato está muito mais virtual do que pessoal. Os aplicativos de entrega ganham cada vez mais espaço, assim como a busca por produtos por meio das redes sociais. TÓPICO 3 | PÂTISSERIE 185 Tudo isso impacta diretamente a confeitaria, trazendo uma série de novidades e tendências para a área. Ficar atento a essas transformações e incorporá-las na sua padaria é essencial para o sucesso do negócio. Dessa forma você é capaz de sair na frente e se destacar dos concorrentes, aumentando seus índices de atração e fidelização de clientes. Ficar atento às novas tendências também permite que você se aproxime dos consumidores e ofereça produtos alinhados às expectativas desse grupo. Portanto, continue a leitura para descobrir quais são as principais tendências na confeitaria e se inspirar! Quais as tendências para os próximos anos? Agora que você já sabe qual a importância de descobrir e incorporar as novas tendências da confeitaria na sua padaria, é o momento de entender quais são elas. Porém, saiba que essas novidades não se resumem apenas a ingredientes e formas de preparo dos produtos, incluindo também os equipamentos utilizados, a maneira como você se comunica com o seu público e as embalagens que utiliza para proteger seus doces. Continue a leitura e descubra agora mesmo as principais tendências em cada um desses aspectos! 1. Divulgação A forma como os clientes se comunicam com os negócios mudou muito nos últimos anos. Hoje a tecnologia faz parte de quase todas as atividades diárias, inclusive aquelas relacionadas às compras e alimentação. Portanto, os meios de divulgação dos produtos da sua confeitaria também precisam ser modificados. É essencial que você esteja na internet e utilize ferramentas digitais para realizar o marketing do negócio. Nesse aspecto, surgem três tendências centrais: • produção de conteúdo relevante; • uso das redes sociais • divulgação de promoções e benefícios em meio digital. UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 186 Quer saber como funciona cada uma delas e quais os benefícios que podem trazer? Descubra! 1.1. Produção de conteúdo Estar presente no meio digital é essencial para que você conquiste clientes e estabeleça uma relação de proximidade e confiança com eles — independentemente do ramo de atuação da sua empresa. Afinal, os consumidores estão online 24 horas por dia e utilizam a internet para encontrar estabelecimentos e produtos que desejam. É aí que entra a importância da produção de conteúdo. Ela faz parte de uma estratégia maior chamada de marketing de conteúdo, que diz respeito à criação de conteúdos relevantes e que agregue valor aos seus clientes, de forma a engajá-los com a sua empresa. Portanto, a produção de conteúdos é uma forma de interagir com os seus clientes e potenciais clientes de foma a gerar valor para essas pessoas. Além disso, também é possível mostrar que você é referência no mercado e sabe exatamente o que está fazendo, atraindo-os para consumir os seus produtos. Essa é uma das tendências da área de confeitaria. Nesse aspecto, é importante que você crie conteúdos — que podem ser textos, artes, fotos, entre outros — que atraiam o seu público-alvo e dialogue com os interesses dessas pessoas. Com isso, você melhora o posicionamento da sua marca no mercado e ainda atrai mais clientes para a sua loja. 1.2. Redes sociais As redes sociais também estão presentes no dia a dia dos seus clientes. Existem várias — como Facebook, Instagram, Twitter e YouTube — e cada uma tem uma finalidade específica, diferentes formas de se comunicar com o seu público e focos distintos. Dessa forma, estar presente nas redes sociais é uma forma extremamente eficiente de se aproximar do seu público-alvo de forma casual e leve. Ao criar páginas nessas plataformas para a sua empresa você é capaz de divulgar seus produtos, informar os clientes sobre novidades da loja e ainda entrar em contato direto com os consumidores. Além disso, as redes sociais também são uma ótima forma de fazer com que a sua marca se torne conhecida no mercado. Por meio delas você é capaz de divulgar a sua loja, atingindo muito mais pessoas do que por outras fontes. TÓPICO 3 | PÂTISSERIE 187 Com isso, você se destaca e atrai mais clientes para a sua padaria. Além disso, pode mostrar os seus doces e bolos nas redes e manter uma relação a longo prazo com quem já frequenta a sua loja. 1.3. Sorteios e promoções no Instagram Outra prática que está se tornando cada vez mais popular é a realização de sorteios e promoções pelas redes sociais, principalmente o Instagram. Geralmente as empresas anunciam um produto e pedem para que as pessoas curtam a página do negócio e ainda marquem os amigos nos comentários. Isso traz uma série de benefícios para a sua empresa. Em primeiro lugar, aquelas pessoas que desejam participar do sorteio passam a seguir a sua página. Com isso, algo que seria apenas uma interação pontual se torna um contato a longo prazo com o seu negócio, o que faz com que potenciais clientes conheçam os seus produtos, aumentando a probabilidade de converter isso em vendas. Além disso, com a necessidade de marcar amigos, outras pessoas que ainda não conheciam a sua padaria também entram em contato com o negócio. Isso pode despertar o interesse delas na sua empresa, fazendo com que elas também sigam a sua página e, até mesmo, se tornem clientes da sua loja, consumindo os produtos da confeitaria do negócio. 2. Doces Imagine comprar uma coxinha e descobrir que ela é feita de massa de churros e doce de leite. E brigadeiro de açaí, você já comeu? Quando se fala em doces, a área da confeitaria está cheia de novidades — e esses são apenas alguns exemplos. Surgem novas propostas de matéria-prima para as receitas tradicionais, diferentes formas de apresentação dos produtos e, até mesmo, inovações relacionadas a novos estilos de vida, que interferem diretamente na alimentação das pessoas. Quer se inspirar e fazer diferente na sua padaria? Então, leia e descubra agora quais são as principais tendências relacionadas aos doces e crie receitas que encantam os seus clientes! 2.1. Reinvenções A primeira tendência relacionada aos doces são as chamadas reinvenções. Ela surge por uma demanda do mercado e dos consumidores, que já estavam UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 188 cansados de sempre ter acesso a mais do mesmo quando se fala em confeitaria. As reinvenções são, basicamente, releituras dos doces mais tradicionais, como brigadeiros e bolos, de forma desconstruída e inovadora.Nesse aspecto vale colocar a criatividade em ação, utilizando estratégias que vão desde trocar os ingredientes principais até modificar a forma de apresentação e consumo desses alimentos. O brigadeiro, por exemplo, ganhou diversos sabores. Hoje, é possível encontrar versões feitas de caipirinha, frutas cítricas — como limão e maracujá —, sementes e, até mesmo, banana. Ele também pode ser encontrado em diversas formas de consumo, que vão além das tradicionais bolinhas do doce. A mais comum são os brigadeiros de colher, colocados em pequenos potinhos de porções individuais. Os bolos também ganham novos contornos, sabores e formas. O naked cake, famoso bolo sem cobertura e enfeitado com frutas e cremes, ganhou espaço no mercado brasileiro. Outra tendência são os bolos extremamente decorados, utilizando rendas de açúcar ou pinturas à mão, o que torna o doce uma verdadeira obra de arte. Isso se estende para todos os doces tradicionais. Portanto, deixe a imaginação fluir e aproveite para apresentar aos seus clientes novas opções a partir dos alimentos com os quais eles já estão acostumados. 2.2. Crossover O crossover é uma outra tendência que vem ganhando espaço na confeitaria. Esse conceito está ligado à arte de fazer doces com aparência de alimentos salgados. A receita mais popular nesse aspecto é a coxinha de churros. Para isso, os confeiteiros utilizam a massa de churros moldada em forma de coxinha e recheiam com doce de leite — ou outro recheio de churros de sua preferência. Com isso, é possível surpreender os clientes com um sabor incrível e inesperado. Você pode utilizar esse conceito em diversos tipos de doces. Os mais comuns são pizzas e batata frita como outras opções de alimentos salgados que podem ser imitados utilizando apenas receitas de doces. 2.3. Opções veganas O número de vegetarianos e veganos cresceu muito nos últimos anos — e TÓPICO 3 | PÂTISSERIE 189 a tendência é de continuar aumentando. Nesse aspecto, vale tomar um cuidado especial para agradar a esse tipo de público com os seus doces. O veganismo é um estilo de vida adotado por pessoas que não consomem nenhum produto de origem animal, o que vai desde alimentos até roupas, sapatos e cosméticos. Entretanto, isso não significa que eles comem apenas salada, pelo contrário! Existem uma série de pratos deliciosos, tanto doces quanto salgados, que podem ser encontrados na culinária vegana. Incorporar alimentos veganos como opções da sua confeitaria traz uma série de benefícios, tanto para você quanto para quem adota esse estilo de vida. Isso porque é um mercado em crescimento, com alto potencial de lucro. Ele chegou recentemente ao Brasil, o que significa que ainda não há muitas pessoas produzindo alimentos desse tipo. Além disso, você atende não apenas o público vegano, mas também quem tem intolerância à lactose, por exemplo. Para isso, é preciso encontrar opções vegetais para substituir produtos de origem animal, como os ovos e o leite. A mais usada são os leites de amêndoas ou de coco. O chocolate também não deve conter leite na sua composição, sendo que os mais amargos são mais fáceis de serem encontrados. 2.4. Doces regionais O Brasil é um país de dimensões continentais, o que significa que não é apenas o sotaque que muda de uma região para outra, mas também a culinária. E isso traz para a confeitaria uma série de insumos para inovar e aproveitar todas as riquezas do Brasil da melhor forma possível. É aí que entra essa outra tendência da confeitaria: os sabores regionais. Chefes estão criando doces com diversos ingredientes e elementos típicos do país, como queijo com goiabada — o famoso Romeu e Julieta —, castanhas do pará e do caju e paçoca. Nesse aspecto, você pode se aventurar por sabores ainda mais inusitados, como tapioca, cupuaçu e, até mesmo, açaí e cuscuz. 2.5. Doces etílicos Uma outra tendência da confeitaria, que está em alta na atualidade, são os doces que levam bebidas alcoólicas na receita. Elas equilibram o açúcar do UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 190 alimento e ainda trazem um elemento surpresa para quem consome, deixando os produtos ainda mais gostosos. Você pode utilizar uma série de bebidas nas receitas para inovar nesse aspecto. Entre eles, as mais utilizadas são o whisky, tequila e licor amarula, já que combinam muito bem com chocolates, principalmente os mais escuros. Entretanto, os doces inspirados em drinks, principalmente na caipirinha, também vêm ganhando bastante espaço no mercado. 2.6. Doces com frutas Quando se fala em doce, as frutas são uma grande tendência para a área da confeitaria. Afinal, elas já têm, naturalmente, o sabor adequado para criar ótimas receitas. Portanto, uma outra tendência da área da confeitaria são as frutas como estrelas principais dos pratos. Além de trazer beleza e cor para os doces, possibilitando uma apresentação que chame a atenção dos clientes, elas ainda permitem que você equilibre o açúcar, levando frescor e refrescância ao paladar. 2.7. Doces caseiros Como você já sabe, os doces não servem apenas para matar uma vontade pontual. Todos os alimentos estão carregados de sentimentos e sensações específicas, relacionadas às memórias e desejos dos consumidores. Portanto, a broa da sua padaria pode lembrar o cliente da broa que a avó fazia quando ele era criança, transportando-o diretamente para essa memória distante e trazendo sensação de bem-estar. Isso também acontece com os docinhos e os bolos da confeitaria. Portanto, uma novidade na área é o ressurgimento dos doces caseiros e tradicionais. Nesse aspecto, nem sempre há uma busca por perfeição e padronização dos doces, mas sim pelo uso de ingredientes de qualidade e a valorização do trabalho manual no momento de produção. Além disso, cada região do país terá produtos específicos que são característicos do local, sendo que você deve investir neles para ajudar os clientes a regatar a sensação de conforto dos tempos nos quais consumia esses doces. TÓPICO 3 | PÂTISSERIE 191 2.8. Sobremesas funcionais Outra característica do mundo atual é a busca pela saúde. Portanto, mesmo quando se fala em doces, há pessoas que dão preferência para aqueles que têm menos calorias, açúcares e gorduras, de forma a manter o corpo saudável sem ter que abrir mão do prazer de comer um delicioso doce. Nesse aspecto, a novidade na confeitaria vem dos doces funcionais — ou fit. Eles consistem em versões dos doces tradicionais utilizando matérias primas mais saudáveis e, até mesmo, mais nutritivas. Um exemplo são os brigadeiros com chocolate amargo e nos quais é possível substituir o leite condensado por outros ingredientes. Você pode, inclusive, acrescentar suplementos proteicos para agradar ainda mais os clientes. 3. Embalagens Não adianta criar um doce delicioso e bonito quando a embalagem não combina com o trabalho realizado. Afinal, além de proteger os alimentos, esse elemento também tem a função de chamar a atenção do público e encantar os clientes. Nesse aspecto, é essencial que você invista em embalagens inovadoras e bonitas para agradar aos seus clientes. Aproveite para utilizar esse elemento para dar um toque de personalização aos seus doces, mostrando que eles foram feitos especialmente para os seus clientes. Outro ponto importante relacionado às embalagens são as datas comemorativas. Afinal, doces são ótimos presentes para o dia das mães, dia dos namorados, aniversários e outras datas. Portanto, invista em combos comemorativos e chamativos para essas épocas, garantindo um marketing sazonal de qualidade para a sua confeitaria. Outra dica, nesse aspecto, é valorizar também as embalagens ecológicas. Isso porque a preservação do meio ambiente é um assunto em alta na atualidade, deixando evidente a responsabilidade de cada um nesse aspecto. Portanto, buscar por embalagens sustentáveis, que gerem o menos prejuízo possível para o planeta, é uma ótima forma de mostrar aos seus clientes que vocêse preocupa com a sociedade como um todo. UNIDADE 3 | A ORIGEM DO CACAU E A PÂTISSERIE MODERNA 192 4. Equipamentos Quando se fala em tendências para confeitaria, os equipamentos não podem ficar de fora. Afinal, além de otimizar a produção dos alimentos vendidos na sua padaria, ainda garantem qualidade e padronização para os doces e bolos vendidos no negócio. Nesse aspecto, uma dar tendências são as máquinas que modelam os doces de forma automática. Elas têm a capacidade de modelar milhares de doces por dia, sendo que você precisa apenas inserir a massa no local adequado. Com isso, todos ficam padronizados, com o mesmo tamanho e formato. Além disso, algumas ainda oferecem a opção de incluir também o recheio do doce na produção. Nelas, basta colocar a massa em um determinado local e o recheio em outros e a máquina monta o doce de forma automática. Outro equipamento muito importante para a confeitaria são os fornos. Afinal, um bolo mal assado pode acabar com toda a receita. Nesse aspecto, a tendência são os fornos adequados para ficarem à vista do público. Esses equipamentos são bonitos e modernos, assando igualmente todas as receitas colocadas. Além disso, funcionam por meio de diversos combustíveis, podendo ser utilizado lenha, gás ou energia elétrica para assar os seus doces. Contudo, o mais interessante é que eles podem ficar em um local no qual o seu público pode ver o que é feito. Com isso, além da qualidade garantida pelo forno, você ainda é capaz de despertar a atenção dos clientes, que ficam esperando os doces saírem quentinhos do forno para consumir. Por fim, um outro equipamento essencial para a confeitaria são as câmaras frias. Afinal, são elas que garantem a durabilidade dos produtos ao longo do tempo. É importante que você encontre um equipamento adequado para o tamanho da sua padaria. Caso tenha uma indústria pequena, com pouco espaço disponível para novos equipamentos, você pode investir em minicâmaras, que se adequem perfeitamente à sua padaria de forma a garantir a conservação dos seus produtos. Estar sempre atento às novidades na confeitaria é essencial para que você garanta o sucesso da sua padaria. Isso porque os seus clientes estão mais exigentes na atualidade, buscando inovação e criatividade nos doces que consomem. TÓPICO 3 | PÂTISSERIE 193 Portanto, aproveite que você já sabe quais são as principais tendências da área e invista na renovação dos seus produtos e equipamentos. Além disso, não se esqueça de também colocar a sua empresa nos meios digitais de forma a se aproximas dos seus clientes e mostrar todas as mudanças que você fizer no negócio! FONTE: <https://massamadreblog.com.br/know-how/curiosidades/tudo-o-que-voce-precisa- saber-sobre-as-novidades-na-confeitaria-fique-por-dentro-e-se-inspire/>. Acesso em: 23 nov. 2019. 194 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • “No mundo da pâtisserie, um entremet é uma sobremesa que contém vários elementos de sabores e texturas complementares. Sua composição deve seguir certos princípios básicos: apelo visual, contraste de textura e, é claro sabor” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 257). • Os Entremets possuem grande destaque em ocasiões especiais, por sua beleza, cores e formas se torna o centro das atenções. • O nome “verrine” tem origem na palavra francesa para “copo” ou “vidro”. As verrines são cada vez mais populares por sua simplicidade e seu estilo moderno. “Elas têm por base o princípio da montagem vertical de sobremesas, em um recipiente transparente, em vez da montagem horizontal, sobre um prato. Criam uma estética visual diferente para a confeitaria, com suas camadas de cores vivas e texturas variadas” (CURLEY; CURLEY, 2015, p. 305). • Os petit fours são inspirados nas versões maiores de pâtisseries tradicionais, segundo Suas (2011). E são preparados com diversos tipos de bases encontradas nas confeitarias: massa de pão e de bolo, cremes, recheios e coberturas. • O Strudel tem sua origem na Bavária ou Áustria durante a Idade Média, mas foi aperfeiçoado na Hungria. Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 195 AUTOATIVIDADE 1 Qual a origem do nome verrine? 2 O que são petits fours? 196 197 REFERÊNCIAS ANDRIEU, P. Laduré: doces. 3. ed. São Paulo: Senac, 2009. BACHAMANN, W. Continental confectionery: the pastrycooks art. Londres: Maclaren e Sons, 1995. BECKETT, S. T. La ciência del chocolate. Zaragoza: Editorial Acribia, 2002. CHEMELLO, E. A química na cozinha apresenta: o Açúcar. Revista Eletrônica ZOOM da Editora Cia da Escola, São Paulo, a. 6, n. 4, 30p. 2005. Disponível em: http://www.quimica.net/emiliano/artigos/2005nov_qnc_sugar.pdf. Acesso em: 31 out. 2019. 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