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Bilinguismo
O que é bilinguismo?
O aprendizado e desenvolvimento de uma língua é um processo complexo influenciado por inúmeras variáveis. Aspectos linguísticos, emocionais, ambientais, motores, cognitivos, sociais e psicológicos afetam a aquisição de uma língua e influenciam diretamente cada etapa dessa jornada. O desenvolvimento da primeira língua, também chamada de língua materna e língua nativa, dá-se de forma natural e espontânea, e está associada à necessidade da criança socializar, expressar vontades e suprir suas necessidades e desejos. O aprendizado de um segundo idioma ocorre de maneira diferente e é influenciado por fatores como idade, exposição à língua e o uso da mesma, necessidade, motivação, aptidão e interesse.
Quando se fala de surdez o termo bilíngue significa que a pessoa sabe português e Libras, a Língua Brasileira de Sinais, que é utilizada por uma parcela de surdos, conhecidos como surdos sinalizados ou não oralizados. Muitos acreditam que todos os surdos sabem ler em português, ou que todos os surdos falam Libras, o que não é verdade!
Aprender apenas uma segunda língua torna uma pessoa bilíngue?
O bilinguismo engloba diversos fatores e, devido à complexidade do processo, é difícil encontrar uma única definição que o descreva e que o explique. No entanto, de uma forma geral, há consenso entre os linguistas e especialistas no assunto que o bilíngue é capaz de se comunicar com clareza em duas línguas. A pessoa é considerada bilíngue quando ela se sente confortável e segura para usar as duas línguas em diferentes contextos e ambientes. Isso inclui o uso de ambos os idiomas em contextos acadêmicos, profissionais e sociais, podendo ser formais ou informais.
Então isso significa que a pessoa bilíngue é igualmente fluente em duas línguas?
A resposta é não. Geralmente, a maioria dos bilíngues é mais fluente em um dos idiomas, que é chamado de dominante. A exceção ocorre quando a criança é exposta aos dois idiomas com a mesma intensidade e frequência desde antes dos dois anos de idade. Neste caso, a criança bilíngue possui duas primeiras línguas e é igualmente proficiente em ambas. Assim, há casos em que a criança possui duas línguas dominantes. Vale ressaltar que há diversos tipos de bilinguismo que variam significantemente na sua definição, processo e resultados.
É importante ressaltar que tornar-se bilíngue vai além de ter conhecimento de uma segunda língua, e tampouco significa traduzir palavras, frases e expressões de um idioma para o outro. Bilinguismo engloba a capacidade de pensar em duas línguas e de usá-las em ocasiões variadas. É também a habilidade de trocar de uma língua para outra enquanto comunica-se (code switching), e confiança para usar palavras, termos e expressões de forma adequada. Bilinguismo é, portanto, a habilidade de falar, ler, escrever e compreender duas línguas com eficiência.
O conceito 
Ao final da década de 1970, com base em conceitos sociológicos, filosóficos e políticos surgiu a “Proposta Bilíngue de Educação do Surdo”. Essa proposta reconhece e baseia-se no fato de que o Surdo vive numa condição bilíngue e bicultural, isto é, convive no dia a dia com duas línguas e duas culturas:
a língua gestual e cultura da comunidade surda do seu país;
a língua oral e cultura ouvinte de seu país.
A origem do Bilinguismo
A Suécia foi o primeiro país a iniciar o caminho para a implantação do bilinguismo. Como proposta educacional, o bilinguismo ganhou força nos inícios dos anos 1960, nos Estados Unidos da América e foi implementado, em 1979, em Paris, quando Danielle Bouvet iniciou a sua primeira turma bilíngue, em que a Língua Gestual Francesa foi ensinada como língua materna dos Surdos e a Língua Francesa como segunda língua.
Baker e Daigle, entre os tipos de ensino bilíngue/bicultural, retêm o ensino bilíngue transitoire e o ensino bilíngue guidé. O primeiro é realizado com o objetivo de lançar os alunos através da língua maioritária e dominante. O segundo reforça os conhecimentos da língua minoritária, desenvolve a identidade cultural dos alunos e ajuda a afirmar os seus valores culturais, utilizando a língua maioritária. Para os Surdos, a aproximação deve ser ao modelo guidé, visto que é essencial reforçar os conhecimentos da língua gestual, o sentimento de identidade surda que, na maioria dos casos, são oriundos de famílias ouvintes.
O bilinguismo desde a infância 
Para a maioria das crianças, a língua oficial do país onde vivem é, simultaneamente, língua materna e língua de escolarização, no entanto, para os Surdos não é. Para os surdos, a língua de aquisição espontânea e natural terá de ser uma língua gestual. Há que lembrar, contudo, que a língua de escolarização, em que se aprende a ler, e se estuda, é uma língua oral (no nosso caso, a Língua Portuguesa), o que faz com que a escola precise de ensinar estas crianças a ler e a escrever, isto é, a conhecer o Português escrito. 
Ao contrário do que acontece com as crianças ouvintes, a aprendizagem da leitura e da escrita, por parte dos Surdos, não pode partir da mobilização do conhecimento da língua oral; antes, é através da aprendizagem do vocabulário escrito e pelo ensino explícito da estrutura gramatical da língua oral que a criança surda, quando desconhecedora da língua oral, tem acesso ao conhecimento dessa língua, e assim extrai significado do material escrito, estamos assim diante da aprendizagem de uma segunda língua e não de um uso secundário de uma língua oral.
O grande objetivo do ensino da linguagem escrita é tornar o aluno autônomo na procura e uso de informação, que lhe permita a integração dessa informação na sua vida escolar e social.
A educação Bilíngue
A Educação Bilíngue surgiu em contra versão ao Oralismo e a Comunicação Total e é a que mais atende as peculiaridades da surdez sendo seus pontos positivos:
• Comunicação: torna-se mais fácil compreender e se fazer compreendido, tanto pela família como pela sociedade em geral;
• Cultural: os surdos bilíngues têm acesso a duas culturas diferentes;
• Conhecimento: quanto mais conhecimento, mais desenvolvido será o raciocínio de uma criança bilíngue;
• Oportunidade de trabalho: pessoas bilíngues têm mais chances de conseguirem um bom emprego.
O Bilinguismo não robotiza o surdo, não o obriga a ser o que não é ou não deseja e reconhece que é nas diferenças que somos todos iguais.
Os pontos negativos com relação ao Bilinguismo não estão na pessoa surda, mas na pessoa ouvinte, entretanto são poucos com relação as outras duas abordagens (Oralismo e Comunicação Total):
• Poucos profissionais ouvintes intérprete de Libras atuando;
• Escolas despreparadas para receberem alunos surdos;
• Poucos professores instrutores atuando.
Contudo e tais aspectos negativos podem deixar de sê-los, desde que haja sensibilização e interesse pela surdez da sociedade como um todo.
Legislação Portuguesa
Com respeito ao ensino bilíngue, a lei portuguesa diz o seguinte, no decreto-lei 3/2008, de 7 de Janeiro, artigo 4º:
As escolas devem incluir nos seus projetos educativos as adequações relativas ao processo de ensino e aprendizagem, de carácter organizativo, e de funcionamento, necessárias para responder adequadamente às necessidades educativas especiais de carácter permanente das crianças e jovens, com vista a assegurar a sua maior participação nas actividades de cada grupo ou turma e da comunidade escolar em geral.
Para garantir as adequações de caráter organizativo e de funcionamento referidas no número anterior, são criadas, por despacho ministerial:
Escolas de referência para a educação bilíngue de alunos Surdos;
O mesmo decreto lei, capítulo V, artigo 23º, contém orientações para docentes, no âmbito da formação/educação de Surdos, no pré-escolar, primeiro ciclo, ensino básico e secundário. Informa sobre como os grupos de docentes devem ser formados e como assegurar uma educação bilingue aos Surdos, com o objectivo:
Assegurar o desenvolvimento da LGP como primeira língua dos alunos Surdos;
Assegurar o desenvolvimento da LP escritacomo segunda língua dos alunos Surdos;
Artigo 23º Educação Bilingue de alunos Surdos
A Educação das crianças e jovens Surdos deve ser feita em ambientes bilingues, que possibilitem o domínio da LGP, o domínio do português escrito e, eventualmente, falado, competindo à escola contribuir para o crescimento linguístico dos alunos Surdos, para a adequação do processo de acesso ao currículo e para a inclusão escolar e social.
A diferença entre oralismo e bilinguismo
Oralismo é uma corrente comunicativa muito utilizada na educação dos surdos no século XIX que perdurou até os anos 70. Consiste no ensino da língua materna através da imposição da oralização nos processos de aprendizagem do surdo. Dessa maneira, neste método é proibida qualquer manifestação que se diferencie da fala, como ocorre na comunicação gestual e na utilização de mímicas. Portanto, o surdo deveria utilizar a fala, os vestígios de audição remanescentes, e um comportamento semelhante ao do ouvinte para ser aceito socialmente e finalmente ser curado da surdez através da prática da fala.
Devido ao descontentamento referente ao uso do oralismo na educação dos surdos, mais tarde, surgiu a Comunicação Total, que consiste na utilização dos sinais, leitura orofacial, amplificação e alfabeto digital no ensino da língua materna. Sendo assim, nesta corrente comunicativa o surdo tem livre arbítrio para escolher qual manifestação de linguagem lhe é mais adequada para comunicar-se socialmente. Visto que esta foi uma corrente que abriu espaço para o que conhecemos hoje como língua de sinais, assim como a autonomia e independência do surdo e sua inserção na sociedade
A importância do bilinguismo
De acordo com o decorrer da história do surdo na sociedade mundial e brasileira, hoje se têm um grande avanço no papel do surdo na sociedade e sua valorização social. Um exemplo disso é a Declaração de Salamanca (1994), que visa uma educação para todos, destacando em seus escritos a crença da importância do direito à educação na escola regular, pois as crianças têm interesses, habilidades e necessidades diferentes e únicas (Salamanca). Logo após, em 1996, a LDB 9.394 traz um capítulo (V) dedicado a educação especial, para reaver certos direitos dos PNEEs. Apesar de ser mencionada a educação especial na LDB 9.394/96, o qual não é meu foco de pesquisa,  abordada em um de seus artigos a "efetiva integração na vida em sociedade" (Art. 59), por isso o atendimento preferencialmente na rede regular de ensino.
Pôde ser realizado pesquisa de campo em 3 instituições de ensino diferentes, no INES, em uma instituição particular inclusiva e instituição pública inclusiva. Destas foi possível comprovar a importância do bilinguismo (Libras+Língua Portuguesa) em classe regular inclusiva, pois estimula o aluno a aprender com acesso à sua linguagem e cultura. Portanto, apesar de ainda não haver uma integração ideal, a educação inclusiva é um desafio que está sendo vencido, aos poucos, para o benefício de todos os educandos.

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