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1 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Sumário
Constituição da República Federativa Brasileira de 1988 ............................................................................................ 2
Programa Nacional Diabetes Mellitus .............................................................................................................................. 4
Programa Nacional – Hipertensão Arterial Sistêmica..................................................................................................... 11
RASTREAMENTO ......................................................................................................................................................... 11
CRISES HIPERTENSIVAS ................................................................................................................................................... 22
OBESIDADE ..................................................................................................................................................................... 28
PROGRAMA SAÚDE DA CRIANÇA .................................................................................................................................. 47
CARÊNCIAS DE MICRONUTRIENTES............................................................................................................................... 56
Deficiência em Vitamina A .......................................................................................................................................... 56
Anemia por carência de Ferro ................................................................................................................................... 63
2 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Constituição da República Federativa Brasileira de 1988
Movimento da Reforma sanitária
- Inicio na década de 70 (assistência apenas para quem trabalhava e
contribuia)
Objetivo: reformular o Sistema Único de Saúde Brasileiro, passando assim
a ser: universal e Descentralização
1986: 8ª Conferência Nacional de Saúde Implantação de um sistema
universal, descentralizado e resoluto
1988: Constituição da Republica Federativa Brasileira Garante ao
cidadão direitos (politica de bem-estar social) – erradicação da miséria e
redução das desigualdades sociais.
Art. V e VI: direitos individuais e coletivos (sáude, educação, moradia,
julgamento justo com ampla defesa)
Art. 60 e 61: Cláusulas pétreas (ex. Art V: direito a saude é dever do
estado)
SUS: politica do ESTADO brasileiro.
Pincipios doutrinários e finalisticos: UNIVERSALIDADE, EQUIDADE e
INTEGRALIDADE
Seção II DA SAÚDE (Seguridade Social)
Artigo 196
A saúde é direito de todos e dever do Estado (Federal, estadual e
municipal), garantido mediante políticas sociais e econômicas
que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao
acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua
promoção, proteção e recuperação.
Artigo 197
São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo
ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua
regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução
ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por
pessoa física ou jurídica de direito privado.
Artigo 198
As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede
regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único,
organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
I - descentralização, com direção única em cada esfera de
governo;
II - atendimento integral, com prioridade para as atividades
preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais;
III - participação da comunidade. (Lei 8.142: 50% de usuários,
25% trabalhadores e 25% gestores e pretadores)
Hierarquização: 80% resolvido na Atenção Básica, 15% no nivel 2ªrio e
5% no 3ªrio/ 4ªrio. (complexidade crescente)
- EC nº29
§ 1º. O sistema único de saúde será financiado, nos termos do
art. 195, com recursos do orçamento da seguridade social, da
União, dos (12%) Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
(15%), além de outras fontes. (Parágrafo único renumerado para
§ 1º pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) substituida pela
EC nº95/2016
§ 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
aplicarão, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde
recursos mínimos derivados da aplicação de percentuais
calculados sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
I - no caso da União, na forma definida nos termos da lei
complementar prevista no § 3º; (Incluído pela EC nº 29, de 2000)
II - no caso dos Estados e do Distrito Federal, o produto da
arrecadação dos impostos a que se refere o art. 155 e dos
recursos de que tratam os arts. 157 e 159, inciso I, alínea a, e
inciso II, deduzidas as parcelas que forem transferidas aos
respectivos Municípios; (Incluído pela EC nº 29, de 2000)
III - no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o produto da
arrecadação dos impostos a que se refere o art. 156 e dos
recursos de que tratam os arts. 158 e 159, inciso I, alínea b e §
3º.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
§ 3º Lei complementar (lei 141/2012), que será reavaliada pelo
menos a cada cinco anos, estabelecerá: (punições) (Incluído pela EC
nº 29, de 2000)
I - os percentuais de que trata o § 2º; (Incluído pela EC nº 29, de
2000)
II - os critérios de rateio dos recursos da União vinculados à saúde
destinados aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, e dos
Estados destinados a seus respectivos Municípios, objetivando a
progressiva redução das disparidades regionais; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
III - as normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas
com saúde nas esferas federal, estadual, distrital e municipal;
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
IV - as normas de cálculo do montante a ser aplicado pela
União.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000
Emenda Constitucional nº 29, de 2000 substituida pela
EC nº95/2016
EC nº 29, de 2000: o governo deveria investir o
PIB nominal (PIB do ano anterior + inflação do
ano anterior) (ex.: 5% + 6% = 11%)
EC nº95/2016: somente a inflação do ano interior
Ano 2000, a cada R 1,00 gasto em saúde: 0,70 era do
governo federal, e 0,15 do estado e 0,15 do município
- Com o passar dos anos, foi criado:
PAB (piso da atenção básica) R$ 2,22
mês/habitante
PAB variável, que depende do município fazer
o convenio com o governo (ex. UPA, SAMU,
CAPS)
- Ex. SAMU: Governo Federal: R$ 150 mil e o município
R$ 300 mil
Em 2020, cada R 1,00 gasto em saúde: 0,40 é do
governo federal, 0,15 do estado e 0,45 do município
§ 4º Os gestores locais do sistema único de saúde poderão admitir agentes comunitários
de saúde e agentes de combate às endemias por meio de processo seletivo público, de
acordo com a natureza e complexidade de suas atribuições e requisitos específicos para
sua atuação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 51, de 2006)
- 1991 surge o PACS (programa do Agente comunitário em Saúde)
- 1994 surge o PSF (programa de Saúde da Família) – serviços temporários (4 anos)
- EC 51 o contrato do Agente comunitário passa a ser atemporal (Lei 11.350/2006
Obrigatoriedade de Agentes comunitários no local em que tem Saúde da Família)
§ 5º Lei federal disporá sobre o regime jurídico e a regulamentação das atividades de
agente comunitário de saúde e agente de combate às endemias. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 51, de 2006) (Vide Medida provisória nº 297. de 2006) Regulamento
§ 6º Além das hipóteses previstas no § 1º do art. 41 e no § 4º do art. 169 da
Constituição Federal, o servidor que exerça funções equivalentes às de agente
comunitário de saúde ou de agente de combate às endemias poderá perder o cargo em
caso de descumprimento dos requisitosespecíficos, fixados em lei, para o seu exercício.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 51, de 2006)
3 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Artigo 199 Complementariedade
A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.
§ 1º - As instituições privadas poderão participar de forma
complementar do sistema único de saúde, segundo
diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou
convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e
as sem fins lucrativos. (Setor privado não pode fazer
gestão)
§ 2º - É vedada a destinação de recursos públicos para
auxílios ou subvenções às instituições privadas com fins
lucrativos.
§ 3º - É vedada a participação direta ou indireta de
empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde
no País, salvo nos casos previstos em lei. (Medida
protecionista – Lei 8.080: prevê a participação de
empresas/entidades ligadas a ONU)
§ 4º - A lei disporá sobre as condições e os requisitos que
facilitem a remoção de órgãos, tecidos e substâncias
humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento,
bem como a coleta, processamento e transfusão de
sangue e seus derivados, sendo vedado todo tipo de
comercialização. (Lei 8.080 – Decreto 7.508)
TRANSVERSALIDADE:
- UNIVERSALIDADE é um princípio doutrinário
transversal, pois o acesso tem que ser a todos os níveis
do SUS
- PNH (política Nacional de Humanização): precisa
ocorrer em todos os níveis do SUS
LONGITUDINALIDADE: diretriz da Atenção Básica que
acompanha durante toda a vida
Intersetorialidade: articulação com outros setores
(educação, politica, saneamento,...)
Artigo 200
Ao sistema único de saúde compete, além de outras
atribuições, nos termos da lei:
I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e
substâncias de interesse para a saúde e participar da
produção de medicamentos, equipamentos,
imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos;
II - executar as ações de vigilância sanitária e
epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador;
(Lei 8.080)
Vigilância sanitária: conjunto de ações de fiscalização, controle
da produção, do transporte do armazenamento e da
distribuição de produtos de interesse da saúde
Vigilância epidemiológica: verifica frequência e distribuição dos
fatores determinantes e condicionantes na saúde e doenças.
Vigilância da saúde do trabalhador: ações de vigilância
sanitária e epidemiológica no ambiente de trabalho
Vigilância em Saúde: Portaria 2436/2017 (PNAB) - amplo de
ações que a equipe de AB executa em seu território para
identificação de situações de risco que envolve a vigilância
sanitária, epidemiológica, saúde do trabalhador e ambiental.
III - ordenar a formação de recursos humanos na área de
saúde;
IV - participar da formulação da política e da execução das
ações de saneamento básico;
V - incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento
científico e tecnológico;
VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o
controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e
águas para consumo humano;
VII - participar do controle e fiscalização da produção,
transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos
psicoativos, tóxicos e radioativos;
VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele
compreendido o do trabalho
CAPÍTULO III
DA APLICAÇÃO DE RECURSOS EM AÇÕES E SERVIÇOS PUBLICOS DE SAÚDE
Seção I
Dos Recursos minimos
Art. 5º A união aplicará, anualmente, em ações e serviços publicos de saúde, o montante correspondente ao valor empenhado no exercício financeiro anterior, apurado
nos termos desta Lei Complementar, acrescido de, no minimo, o percental correspondente à variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB) ocorrida no ano anterior ao da lei
orçamentária anual.
§ 1º (VETADO)
§ 2º Em caso de variação negativa do PIB, o valor de que trata o caput não poderá ser reduzido, em termos nominais, de um exercicio financeiro para o outro
§ 5º (VETADO)
Art. 6º Os estados e o Distrito Federal aplicarão, anualmente, em ações e serviços publicos de saúde, no mínimo, 12% da arrecadaçãp dos impostos a que se refere o art.
155 e dos recursos de que tratam o art. 157 e alínea “a” do inciso I e o inciso II do caput do art. 159, todos da Constituição Federal, deduzidas as parcelas que forem transferidas aos
respectivos Municipios
Parágrafo único (VETADO)
Art. 7º Os Municipos e o Distrito Federal aplicarão anualmente em ações e serviçps públicos de saúde, no mínimo 15% da arrecadação dos impostos a que se refere o art.
156 e dos recursos de que tratam o art. 158 e a alínea “b” do inciso I do caput e § 3º do art. 159 todos da Constituição Federal
Parágrafo único (VETADO)
Art. 8º O Distrito Federal aplicará, anualmente, em ações e serviços publicos de saúde, no minimo 12% do produto de arrecadação direta dos impostos que não possam
ser secregados em base estadual e em base municipal
Art. 9º Está compreendida na base de calculo dos percentuais dos Estados, do Distrito Federal e dos Municipios qualquer compensação financeira proveniente de
impostos e transferências constitucionais provistos no § 2º do art. 198 todos da Constituição Federal já instituida ou que vier a ser criada, bem como a divida, a multa e os juros de
mora decorrentes dos impostos cobrados diretamente ou por meio de processo administrativo ou judicial
Art. 10 Para efeito do calculo do montante de recursos previstos no § 3º do art. 5º e nos art. 6º e 7º, devem ser considerados os recursos decorrentes da dívida ativa, da
multa e dos juros de mora provenientes dos impostos e da sua respectiva divida ativa
Art. 11 Os Estados, o Distrito Federal e os Municipios deverão observar o disposto nas respectivas Contituições ou Leis Organicas sempre que os percentuais nelas estabelecidos forem
superiores aos fixados nesta Lei Complementar para aplicação em ações e serviços publicos de saúde.
4 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Programa Nacional Diabetes Mellitus
RASTREIO: faz exame em pessoas sem sinais e sintomas (somente quando se tem
um programa)
DIAGNÓSTICO PRECOCE: faz exame em pessoas com sinais e sintomas
Ex.: Sinais e sintomas de diabetes (4P):
POLIDPSIA
POLIÚRIA
POLIFAGIA
Perda de peso (menos comum, no tipo 2 só em fase avançada)
Quando o programa recomenda fazer rastreamento de DM?
Tabela 1 – Critérios para o rastreamento do DM em adultos assintomáticos
Excesso de peso (IMC >25 kg/m2) e um dos seguintes fatores de risco:
• História de pai ou mãe com diabetes;
• Hipertensão arterial (>140/90 mmHg ou uso de anti-hipertensivos em adultos);
• História de diabetes gestacional ou de recém-nascido com mais de 4 kg (macrossomia fetal);
• Dislipidemia: hipertrigliceridemia (>250 mg/dL) ou HDL-C baixo (<35 mg/dL);
• Exame prévio de HbA1c ≥5,7%, tolerância diminuída à glicose (TOTG) ou glicemia de jejum alterada (110 a 125mg/dL);
• Obesidade severa(IMC >40 kg/m2), acanthosis nigricans (manchas enegrecidas em pescoço, região inguinal e axilas, sinal de ↑ de insulina circulante);
• Síndrome de ovários policísticos;
• História de doença cardiovascular;
• Inatividade física;
OU Idade ≥ 45 anos;
OU
Risco cardiovascular moderado (Ver Cadernos de Atenção Básica, nº 37 – Estratégias para o Cuidado da Pessoa com Doença
Crônica – Hipertensão Arterial Sistêmica).
Fonte: AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2013
Quais os estágios de desenvolvimento do Diabetes Mellitus?
DM tipo 1: auto-imune, AC contra as cél. β requer INSULINA (em semanas)
- ↓ a insulina e ↑ a glicemia
DM tipo 2: metabólico, resistência no R GP4
- ↓ a glicose que entra na cél e ↑ glicemia
O sangue ao passar pelo pâncreas estimula as
cél β a produzir mais insulina
- A glicemia em Jejum: 8 a 12 horas em fazes
iniciais pode apresentar normal, pq inicialmente
o jejum pode compensar.
- TOTG (teste oral de Tolerânciaa glicose): colhe 1º a
glicemia em jejum, faz o exame, e posteriormente adm
75gr de dextrose e colher após 120 min (2 horas),
resultado:
- < 140: normal
- 140 a 199: intolerância a glicose ou pré DM tipo 2
- > 200: DM tipo 2
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Diabetes Mellitus / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,
Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2006. 64 p. il. –
(Cadernos de Atenção Básica, n. 16) (Série A. Normas e Manuais Técnicos)
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica : diabetes mellitus /
Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção
Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2013. 160 p. : il. (Cadernos de Atenção Básica,
n. 36)
Medicamentos e mecanismo de ação
Metformina
- Atuação R GP4, diminuindo a resistência do
R a insulina
-No intestino ↓ a absorção de glicose,
causando diarreia
- Bloqueia o Glucagón (Com o ↑ do Aa, a cel α
produz Glucagón que vai agir no fígado quebrando
glicogênio (glicogenolise) e assim ↑ glicemia =
hiperglicemia endógena).
Glibencamida:
- Atuação R GP4, diminuindo a
resistência do R a insulina
- SECRECAGOGO Estimula a
cel β a produzir insulina Pode
causar HIPOGLICEMIA
5 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
1-Qual a conduta para a paciente? R- Solicitar glicemia jejum para rastreamento do diabetes
2-Quais os critérios para rastreamento do diabetes? R- 45 anos ou +; ou IMC > 25 + fatores de risco
Rastreio
Diagnóstico precoce:
-Quando já tem os sinais e sintomas
Poliúria
Polidpsia
Polifagia
Perda de peso
3-Quanto tempo deve ser feita a glicemia jejum? R:Jejum de 8h a 12h
Paciente retorna em consulta médica com resultado da glicemia
jejum 116 mg/dL (glicemia em jejum alterada)
4- Qual a conduta médica? R: Solicitar TOTG e ou Hemoglobina glicada quando disponível
5-Quais as indicações do Teste Oral de Tolerância a Glicose? R (Fique atento: Página 16 Caderno AB 16)
Todo valor glicemia no diagnóstico 110 a 125 mg/dL ou glicemia normal com 2 ou mais fatores de risco maior
Caso clínico: M.S.N, 35 anos, feminino, casada, mãe de 2 filhos, última gestação há 5 anos, refere ter vindo em consulta médica
para exames de rotina. Relatou histórico de macrossomia fetal, diabetes gestacional, não faz uso de medicamentos, mãe e pai
diabéticos tipo 2. Negou outros antecedentes patológicos, internação hospitalar. Ao exame físico não foram encontradas
anormalidades. PA: 130x80mmHg, P: 82 bpm, R: 22 mrpm, ictus cordis normal, AP: murmúrio vesicular biLeral em ápice e base.
AC: 1 e 2 bulhas normofonéticas. Peso: 82kg e Altura: 162cm. IMC: 31
TOTG (1ª na hora e 2 horas após
a dextrose) – teste ouro
- Se < 140 = Normal retorno
em 1 ano
- 140 a 199 = Pré-DM ou
tolerância a glicose diminuída
- 200 ou + = DM confirmado
Glicemia em Jejum
(Sensibilidade, especificidade e custo & benefício)
Hemoglobina Glicada/ glicosilada/
glicohemoglobina (não é tão sensível
quanto o TOTG)
- Visualiza a % de hemoglobina que
se ligou a hemácia (por 3 meses)
- < 5,6% = normal
- 6,5 a 5,7% = intolerância a glicose
- Se ≥ 6,5% = DM
70 a 109
Glicemia Normal
110 a 125
Glicemia de Jejum
alterada
>126
Suspeita de DM
Tem fator de Risco?
Fazer TOTG Solicitar nova glicemia de jejum
NÃO
↓
SIM
↓
70 a 109
↓
110 a 125
↓
Retorno
em 1 ano
TOTG Investigar
(Dieta, se
sacaneou) fazer
TOTG
TOTG
Se 70 a 109
↓
>126
↓
Retorno em 1
ano
Confirma DM
Solicitar: Exame de glicemia casual
- Exame de glicosímetro (aparelho/ destro). Não precisa estar em jejum, pode ser feito a qualquer
momento
Resultado:
< 200 = solicitar glicemia em jejum – investigar os sintomas (pq glicemia > 180 o pct já apresenta
sintomas, pq o rim libera glicose, poliuria)
>200 = confirmado DM (Para confirmar DM precisa ter os 3 sintomas)
Exceção: se estiver em UPA, PS e o pct tiver uma infecção (pois no processo infeccioso/infecção
aguda ela descompensa) infecção = ↑ glicemia
Resumindo... 4 Possibilidades de confirmar DM:
1- Glicemia em jejum: >126 + 2 teste
2- Glicemia casual >200 + 3Ps
3- Hemoglobina Glicada: > 6,5%
4- TOTG: >200
6 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Realizado TOTG resultado 110 e após 2 horas 170 mg/dL
6. Qual a conduta médica? R: Confirmar o diagnóstico de
Tolerância a glicose diminuida ou “Pré-diabetes”
- Orientações: MEV- mudança de estilo de vida (dieta + estilo de
vida)
Agendar consulta com enfermeiro para acompanhamento
- Retorno com o enfermeiro: 3 meses
- Retorno com o médico: 1 ano
7. Como é realizada a interpretação TOTG?
- No TOTG-75 g, o paciente recebe uma carga de 75 g de glicose,
em jejum e a glicemia é medida antes e 120 minutos após a
ingestão.
- Uma glicemia de 2 horas pós-sobrecarga maior ou igual a 200
mg/dL é indicativa de diabetes e entre 140 mg/dL e 199 mg/dL,
indica tolerância à glicose diminuída.
8. Quando deverá ser marcado o retorno para a paciente?
- O retorno para consulta médica deverá ser marcado até 1 ano.
(Fazer Hemoglobina glicada para ver se deu resultado)
- Com o enfermeiro: 3 meses - Exame com o destro, avalia peso, alimentação e orientações. No caso de uma má adesão,
encaminha para o médico. (voltar em 7 dias)
9. Quais exames de rotina devem ser solicitados?
Glicemia de jejum e HbA1C.
• Colesterol total (CT), HDL e triglicerídeos (TG).
A fração LDL pode ser calculada utilizando-se a fórmula de
Friedewald: LDL = CT – HDL – TG/5 (para triglicerídeos
abaixo de 400 mg/dL).
• Creatinina sérica.
• Exame de urina tipo 1 e, se necessário,
microalbuminúria ou relação albumina/creatinina.
- Urina 1
- sem proteínas presentes: deve pedir em seguida
microalbuminuria
- com proteina: pedir proteinuria 24 horas (para ver o grau
da lesão renal) encaminhar para o nefro
• Fundoscopia.
A paciente volta 1 ano após a primeira consulta, tendo
realizado glicemia casual na UBS com resultado 180mg/dL
Nega sintomas Clássicos de diabetes mellitus
10. Qual a conduta? R: Deverá ser solicitada glicemia jejum
+ HB glicada
11. Qual o parâmetro para confirmar diabetes mellitus na
glicemia casual? R: Maior ou igual a 200mg/dL com (3Ps)
sintomas clássicos de diabetes mellitus – polifagia,
poliúria, polidipsia e perda de peso
Paciente retorna com resultado da glicemia jejum
138mg/dL
12. Qual deverá ser a conduta médica? R: Deverá solicitar
uma nova glicemia jejum para confirmar
Paciente fez uma nova glicemia jejum com o resultado
142mg/dL
13. Qual a conduta médica?
- Confirmar o diagnóstico de diabetes mellitus;
- Caso a paciente seja obesa (IMC >25) iniciar com
metformina; intensificar MEV
- Retorno em 3 meses
- Novamente solicitar exames de rotina
14. Em quais situações confirmamos diabetes mellitus?
Tabela 3 – Valores preconizados para o diagnóstico de DM tipo 2 e seus estágios pré-clínicos
Categoria
Glicemia de
jejum*
TTG: 2 horas após
75 g de glicose
Glicemia casual + 3Ps
Hemoglobina
glicada (HbA1C)
Glicemia normal <110 <140 <200
Glicemia alterada >110 e <126
Tolerância diminuída à
glicose
≥140 e <200
Diabetes mellitus <126 ≥ 200
200 (com sintomas
clássicos***)
≥ 6,5%
1ª escolha: Metformina (inicia com dose mínima 500 ou 800
mg/dia com o pico de efeito em 7 dias) - 1 comprimido após a
principal refeição do dia
- pct tem que retornar em 7 dias, com o enfermeiro – orienta e
avalia, fazer glicemia casual:
Se Glicemia: normal, pedir Glicemia de jejum, se
também normal mantém Metformina - Retorno
em 3 meses (poisestá controlado)
Se glicemia: 130 a 180 em jejum, agendar consulta
com o médico na mesma semana. (avaliar e
questionar sobre alimentação e excercicio físico)
↑ Metformina (passa a tomar 2x dia)
- Retorno em 7 dias com o enfermeiro
Precisa controlar o diabetes: ↓ de 130 em jejum
- diagnostico de Diabetes em Glicemia de 300 inicia com
INSULINA (> 270 INSULINA) E orientar o pct passar com a
enfermeira no dia para orientar sobre a insulina.
7 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
(Ver diagramas)
15. Como deve ser iniciada metformina? R: Iniciar com
Metformina (biguanidas) na menor dose possível (a menor
dose 500/850 mg) para uma melhor adaptação
16. Qual a dose mínima, média e máxima de metformina?
R: Vem em comprimidos de 500mg ou 850mg
- iniciar 500mg sempre após a principal refeição (1
comprimido após o almoço)
- máxima 850mg 3x ao dia (dose máx. 2.550 mg)
500 após almoço + 500 após jantar, se não controlou
+ 2,5 da Glibencamida antes do almoço, se não controlou
5mg da Glibencamida antes do almoço, se não controlou
5mg da Glibencamida antes do almoço + 5 antes da janta, se
não controlou
3 cp de Metformina + 3cp de Glibencamida (café, almoço e
janta), se não controlou
+ 5mg no almoço de Gliben (5 café, 10 almoço, 5 jantar =
dose máx.), se não controu
Mantém remédio + INSULINA (10 UI as 18:00) – após 3 dias
voltar com o enfermeiro, se não controlou
Ex. 150 de glicemia Aumentar 2 UI de insulina – voltar
após 7 dias, se controlou MANTÉM
17. Qual o mecanismo de ação da metformina?
São 3 principais: (não ↑ os níveis de insulina, por isso não
causa hipo e é a 1ª escolha)
1- diminui resistência do receptor (GP4) celular a insulina
2- reduz absorção de hidratos carbono no intestino
3- No fígado: bloqueia (parcialmente) a ação do glucagon
evita a hiperglicemia endógeno
18. Quais suas principais contraindicações?
- Hepatopatas
- Nefropatas
- Gestantes
- Portadores de doenças crônicas intestinais (piora o quadro
clínico- Diarreia, desconforto abdominal. Ex. Doença de Crohn,
diverticulite, Colite pseudomenbranosa)
19. Quais seus eventos adversos?
- Dores abdominais
- Náuseas
- Vômitos
- diarreia (pode durar até 2 semanas – por isso manter o TTO)
20. Quanto tempo pode ser aguardado para avaliar eficácia
do hipoglicemiante?
R: O hipoglicemiante tem seu efeito máximo em 7 dias
21. Para quanto tempo é agendada reavaliação do
paciente? R: 3 meses
Paciente retorna em 3 meses, apresentando uma glicemia
jejum de 180mg/dL, já com uso de metformina 850mg 2x.
22. Qual a conduta? R: Iniciar o tratamento com
medicamentos de 2º linha - GLIBENCAMIDA
23. Quais os medicamentos de 2ª linha?
Foi prescrito glibenclamida 5mg antes do almoço (ANTES
da principal refeição)
Dose máx.: 20 mg (4 cp)
O Quadro 7 apresenta os hipoglicemiantes orais disponíveis na Relação Nacional de Medicamento (Rename) de 2012.
Quadro 7 – Medicamentos de uso oral disponíveis na Rename 2012
Classe
farmacológica
Denominação
genérica
Concentração Apresentação
Dose mínima
(dose inicial)
Dose máxima
(dia)
Tomadas
ao dia
Biguanidas
(APÓS a refeição)
Cloridrato de
Metformina
500 mg Comprimido 500 mg
2.550 mg
(5cp)
3
Cloridrato de
Metformina
850 mg Comprimido 500 mg
2.550 mg
(3cp)
3
Derivados da
ureia,
sulfonamidas
(ANTES da
refeição)* pode
dar hipo, então:
tem que comer logo
após (30min).
Glibenclamida 5 mg Comprimido 2,5 mg 20 mg 2 – 3
Gliclazida 30 mg
Comprimido
de liberação
controlada
30 mg – 1
Gliclazida 60mg
Comprimido
de liberação
controlada
30mg – 1
Gliclazida 80 mg Comprimido 80 mg 320 mg 1 – 2
Fonte: Relação Nacional de Medicamento (Rename) de 2012. A Figura 2 apresenta uma sugestão de fluxograma de tratamento do DM tipo 2.
24. Qual o mecanismo de ação do glibenclamida?
É um hipoglicemiante do grupo das sulfoniluréias
(secrecagogo) com 2 mecanismo de ação:
1. Diminui resistência do receptor celular (RGP4) a ação da
insulina = Metformina
2. Estimula secreção de insulina – cél β(secrecagogo, por
isso causa hipo e é a 2ª escolha)
25. Qual a dose e frequência do glibenclamida?
- dose mínima: 2,5 mg/dia
- dose máxima: 20mg/dia
- Frequência: ANTES das refeições 30 minutos
26. Quais as contraindicações?
- Gestantes
- hepatopatias
- insuficiência renal
8 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Obs: Na Diabetes gestacional INSULINA
Ex.: Pct com glicemia de 340 (Diagnóstico de DM) entrar
com insulina, mas não significa que ele sempre irá precisar
de insulina, pode ser que esse pct esteja descompensado
(quadro infeccioso), e posteriormente ele pode controlar
só com remédio.
Ex. Idoso diabético, quando a glicemia sobe rapidamente
investigar quadro infeccioso (pneumonia, ITU) esses
quadros nos idosos são mascarados.
Na vigência de um quadro infeccioso: adm INSULINA
27. Qual o principal evento adverso? R: Hipoglicemia
28. Qual a frequência da hemoglobina glicosilada?
- Se não está controlado: 3 meses
- Pacientes controlados: 6 meses
29. Qual o resultado satisfatório para tratamento? R:
Sempre Hb <7% ou glicemia em Jejum <130
Paciente retornou 3 meses com glicemia jejum 112 mg/dL
e hemoglobina glicada 6,5
30. Qual a conduta? R: Manutenção do tratamento, e
voltar depois de 6 meses com o médico
Paciente acompanhando há 10 anos na UBS com momentos
de aderência ao tratamento e outros não.
Comparece em consulta com glicemia de 301 e
hemoglobina glicada 9. Qual a conduta? R: Iniciar
tratamento com medicamento de 3ª linha para diabetes
mellitus (INSULINA)
31. Quais os tratamentos de 3 linha? R: Insulina
32. Qual insulina deverá ser prescrita? R:Insulina NPH de
ação intermediária
33. Qual dose deve ser iniciada? R:Duas maneiras
1. 10U/I noite aumentando 2U/I semana se não controlar
glicemia. (máx 20 UI) (esquema para iniciar com a insulina)
2. 0,5 a 1 U/I kg dia com 2/3 cedo e 1/3 noite
INSULINA:
- Insulina de ação Rápida (REGULAR): não é insulina para começar risco de hipoglicemia. Regular somente na hiper pós-
prandial
- Insulina ultralenta:
- INICIAR com a insulina Intermediária: NPH (começa efeito em meia hora com duração de 20 horas e pico de 6 horas)
0,50 UI ou 1 UI por Kg do paciente (ideal começar com dose mínima) ex.: 90 Kg = 45 UI (2/3 (30 UI) cedo e 1/3 (15 UI) noite
18/19 horas) após o café da manhã (não pode ficar de jejum) variar com a refeição do paciente
Recomendação do Ministério FORMA ALTERNATIVA: Mantém os remédios e entra as 18:00 hrs com 10 UI NPH
Prescrever insulina e marcar consulta com o enfermeiro para receber as orientações sobre o uso da insulina (tem direito ao
aparelho e 3 testes por dia) Se a glicemia estiver < 70 ou > 180 ele precisa procurar atendimento.
Pegar o histórico de marcação do pct:
- Se < 70 (ver o horário que está acontecendo):
Se for durante a noite ou a noite Reduzir a insulina da manhã ( - 4UI) pela manhã
Se a hipo for de manhã Reduzir a insulina da noite ( - 4UI)
- Resultados entre 70 e 130: MANTER insulina na dose prescrita (retorno em 3 meses)
- Entre 131 e 180: aumentar 2 unidades (inversos ao horário que está alto)
- >180: aumentar 4 unidades (inversos ao horário que está alto)
34. Suspende os hipoglicemiantes? R; Não, a resistência ainda existe, portanto mantem metformina 850 1 a 2x ao dia
35. Como iniciar e manejo insulina? R: (ver figura 2)
36. Mudou a frequência de hemoglobina glicada? R: Sim, agora de 2 ou 3 meses
37. Quais os tipos de insulina?
Tabela 4 – Insulinas disponíveis no SUS
Insulinas Início Pico Duração Posologia Aspecto
Ação rápida:
Regular
30 – 60min 2 – 3h 8 – 10h
30 minutos antes das
refeições
Adm: 1– 3x/dia
Cristalino
Ação Intermediária:
NPH
2 – 4h 4 – 10h
12 – 18h
(até 22 h)
Recomendar dose noturna
às 22h
Turvo/
leitosaTodas as insulinas disponíveis no Brasil têm concentração de 100 unidades/ml.
9 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
38. Quais os eventos adversos dos medicamentos de 1 a 3 linha do diabetes mellitus?
Quadro 8 – Principais efeitos adversos dos hipoglicemiantes orais e insulinas
Denominação
genérica
Efeitos adversos
Cloridrato de
Metformina
Hipotensão postural, hipertensão de rebote na retirada, sedação, distúrbio do sono, cefaleia, vertigens
e tonturas, depressão, sinais e sintomas psicóticos, diminuição da libido, xerostomia, hepatotoxicidade,
anemia hemolítica, febre.
Glibenclamida
Hipoglicemia, particularmente em idosos, distúrbios gastrintestinais, cefaleia, reações cutâneas,
distúrbios hepáticos, alterações hematológicas, aumento de peso. Hipersensibilidade pode ocorrer nas
seis primeiras semanas de tratamento.
Gliclazida
Hipoglicemia, particularmente em idosos, distúrbios gastrintestinais, reações cutâneas, distúrbios
hepáticos.
Insulinas (NPH e
regular)
Hipoglicemia, aumento de peso, edema, hipersensibilidade cutânea, reação no local de aplicação
39. Paciente retorna há 1 dia com complicações. O que deve ser feito?
Tabela 5 – Avaliação e tratamento da descompensação aguda do DM
Avaliação diagnóstica:
• História: causa da descompensação (mudança e não aderência ao esquema de insulina, doenças e medicações intercorrentes, abuso
alimentar).
• Exame físico: pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, temperatura axilar, avaliação do estado mental, hálito cetônico, boca,
garganta e ouvidos, ausculta respiratória, exame abdominal, gânglios linfáticos, pele, exame neurológico.
• Exames complementares: glicemia capilar, cetonúria e exame comum de urina, se sintomas de infecção urinária.
Conduta:
• Hidratação oral e tratamento da doença intercorrente.
• Pessoas com glicemia >250 mg/dL, cetonúria e hálito cetônico, desidratação ou vômitos: encaminhar para serviço de emergência
prontamente.
• Pessoas com glicemia >250 mg/dL e cetonúria, mas sem os agravantes acima: administrar 20% da dose de insulina diária sob a forma de
insulina regular e revisar em quatro horas. Repetir a dose se glicemia >250 mg/dL. Se não melhorar no próximo teste ou mostrar
agravantes, encaminhar prontamente ao serviço de emergência. A pessoa deve ser hidratada com soro fisiológico 0,9% endovenoso em
acesso venoso calibroso.
• Pacientes com glicemia >250 mg/dL, sem cetonúria, mas com manifestações clínicas, administrar 10% da dose total de insulina e observar
de 4 em 4 horas até estabilização.
Havendo piora do quadro, encaminhar para serviço de emergência. A pessoa também deve ser hidratada com soro fisiológico 0,9%
endovenoso em acesso venoso calibroso.
Avaliação Diagnóstica
40. Paciente com Hipoglicemia qual o manejo?
Atenção
Quadro 11 – Instruções para o manejo da hipoglicemia pelo paciente, família e serviço de Saúde
Paciente Ingerir 10 g a 20 g de carboidrato de absorção rápida; repetir em 10 a 15 minutos, se necessário.
Amigo ou
Familiar
Se a pessoa não conseguir engolir, não forçar. Pode-se colocar açúcar ou mel embaixo da língua ou entre a
gengiva e a bochecha e levá-lo imediatamente a um serviço de Saúde.
Serviço de
Saúde
Se existirem sinais de hipoglicemia grave, administrar 25 mL de glicose a 50% via endovenosa em acesso de
grande calibre, com velocidade de 3 ml/min e manter veia com glicose a 10% até recuperar plenamente a
consciência ou glicemia maior de 60 mg/dL; manter então esquema oral, observando o paciente enquanto
perdurar o pico da insulina; pacientes que recebem sulfonilureias devem ser observados por 48h a 72h para
detectar possível recorrência.
A hiperglicemia matinal persistente precisa ser investigada como consequência de hipoglicemia noturna (efeito Somogyi). O
diagnóstico diferencial com o efeito do alvorecer (hiperglicemia matinal por deficiência de insulina, agravada pela secreção de
hormônios contrarreguladores de madrugada) é necessário para definir a conduta adequada. O efeito Somogyi requer redução
da dose ou revisão do horário de aplicação da insulina noturna; o efeito do alvorecer requer aumento da dose de medicação em
uso e com frequência ajuste de horário da insulina noturna. Para prevenção da hipoglicemia noturna, pode-se orientar um
lanche antes de dormir que contenha carboidratos, proteínas e gorduras, por exemplo, um copo de leite (300 mL).
Pessoas muito suscetíveis à ocorrência de hipoglicemias ou que tenham hipoglicemias assintomáticas requerem relaxamento
das metas terapêuticas (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2009), já que o tratamento intensivo do diabetes aumenta a
incidência de hipoglicemias graves em três vezes (THE DIABETES CONTROL AND COMPLICATIONS TRIAL RESEARCH GROUP,
1997).
10 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
1-Paciente de 40 anos, compareceu a Unidade Básica de
Saúde – UBS em demanda espontânea com queixa de
poliúria, polifagia, polidipsia e perda de peso. Assinale
abaixo a alternativa mais adequada:
a. Solicitar glicemia jejum.
b. Solicitar TOTG.
c. Solicitar hemoglobina glicada.
d. Solicitar glicemia casual.
e. Encaminhar para Unidade de Pronto
Atendimento – UPA.
2-Paciente de 45 anos, feminino, casada, mãe de dois
filhos, na última gestação há 10 anos teve diabetes
gestacional. Para rastreio do diabetes mellitus assinale a
alternativa mais adequada:
a. Solicitar glicemia jejum.
b. Solicitar TOTG.
c. Solicitar hemoglobina glicada.
d. Solicitar glicemia casual.
e. Solicitar curva glicêmica.
3-Em retorno de consulta a paciente de 50 anos, obesa,
dislipidêmica, traz glicemia jejum com resultado de
90mg/dL. Assinale abaixo a alternativa mais adequada
para esse caso:
a. Solicitar nova glicemia de jejum.
b. Resultado exame normal. Marcar retorno do
paciente para 3 anos.
c. Solicitar TOTG.
d. Solicitar glicemia casual.
e. Nenhuma das alternativas acima estão corretas.
4-Paciente veio em consulta médica de retorno com
resultado de glicemia jejum de 118mg/dL. Assinale abaixo
a conduta mais adequada para esse caso:
a. Solicitar nova glicemia de jejum.
b. Resultado exame normal. Marcar retorno do
paciente para 3 anos.
c. Solicitar TOTG.
d. Solicitar glicemia casual.
e. Nenhuma das alternativas acima estão corretas.
5-Em consulta médica na Unidade Básica de Saúde – UBS
compareceu o paciente M.L.P, 45 anos, casado,
masculino, com resultado de glicemia jejum de 140mg/dL.
Assinale a alternativa mais adequada para esse caso:
a. Solicitar nova glicemia de jejum.
b. Resultado exame normal. Marcar retorno do
paciente para 3 anos.
c. Solicitar TOTG.
d. Solicitar glicemia casual.
e. Nenhuma das alternativas acima estão corretas.
6-Em consulta de retorno após a segunda glicemia de
jejum com resultado de 130mg/dL. Das alternativas abaixo
responda a mais adequada frente o caso apresentado:
a. Solicitar nova glicemia jejum para elucidação
diagnóstica.
b. Confirmar o diagnóstico de exame alterado de
glicemia jejum.
c. Estabelecer o diagnóstico de Pré-diabetes.
d. Estabelecer o diagnóstico de intolerância a
glicose.
e. Estabelecer o diagnóstico de diabetes mellitus.
7-Paciente de 45 anos, masculino, após Teste Oral de
Tolerância a Glicose - TOTG com resultado de 201mg/dL
após 120 minutos do exame. Deverá ter a seguinte
conduta:
a. Solicitar novo Teste Oral de Tolerância a Glicose.
b. Solicitar hemoglobina glicada.
c. Estabelecer o diagnóstico de Pré-diabetes.
d. Estabelecer o diagnóstico de Diabetes Mellitus.
e. Nenhuma das alternativas estão corretas.
8- Após Teste Oral de Tolerância a Glicose – TOTG o
paciente retornou com resultado de 180 mg/dL. Assinale
abaixo a alternativa mais adequada para esse caso:
a. Solicitar novo Teste Oral de Tolerância a Glicose.
b. Solicitar hemoglobina glicada.
c. Estabelecer o diagnóstico de Pré-diabetes.
d. Estabelecer o diagnóstico deDiabetes Mellitus.
e. Nenhuma das alternativas estão corretas.
9- Após teste de hemoglobina glicada com resultado de
6,6% o paciente retorna para avaliação. Assinale abaixo a
conduta mais adequada para esse caso:
a. Solicitar novo Teste Oral de Tolerância a Glicose.
b. Solicitar hemoglobina glicada.
c. Estabelecer o diagnóstico de Pré-diabetes.
d. Estabelecer o diagnóstico de Diabetes Mellitus.
e. Nenhuma das alternativas estão corretas.
10-Paciente veio em consulta médica com resultado dos
exames para acompanhamento do diabetes mellitus
apresentando proteinúria no exame de urina. Assinale a
conduta mais adequada nesse caso:
a. Marcar retorno em 3 meses.
b. Solicitar Proteinúria 24 horas.
c. Solicitar microalbuminúria.
d. Encaminhar para Unidade de Pronto
Atendimento – UPA.
e. Encaminhar o paciente para hemodiálise.
11 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Programa Nacional – Hipertensão Arterial Sistêmica
RASTREAMENTO
(Caderno 37)
M.S.N, 18 anos, masculino, solteiro, não faz uso de medicamentos, veio à UBS com queixa de tristeza e insônia após perder o emprego.
Negou outros antecedentes patológicos, internação hospitalar. Ao exame físico não foram encontradas anormalidades. PA: 130x80mmHg,
P: 82 bpm, R: 22 mrpm, ictus cordis normal, AP: murmúrio vesicular biliteral em ápice e base. AC: 1 e 2 bulhas normofonéticas. Peso: 82kg e
Altura: 182cm.
HAS: 80% dos casos assintomáticos (Exceto em Urgências e emergências)
1-Qual a frequência de rastreio para este paciente? R:Sem registro nos últimos 2 anos. Anualmente
2. Como deve ser a aferição da pressão arterial neste paciente? R: Deve ser aferida ESTIMANDO em ambos os membros e
marcando o maior valor. Ex. 160 x 80 – 110x100. Quando a ≠ entre a Sistólica for > 20 investigar obstrução arterial periférica
(aterosclerose). OU ≠ da Diastólica não pode ser > 10 investigar obstrução arterial periférica. Pensar em dissecção de Aorta
(pulso diminuído em braço esquerdo)
Manobra de Osler/ Técnica da estimativa da PA
- Pct com o braço semi-fletido, colocar o dedo no pulso radial (ESTIMAR),
colocar o manguito no braço e ir inflando de 10 em 10 mmHg, quando
parar o pulso, olhar no manômetro (ex. 120), desinsulflar e esperar de
30’s a 1 min.
- Palpar o pulso braquial, colocar o esteto no pulso braquial (bolsa a
altura de 3cm da fossa cubital)
- Ir insuflando de 10 em 10, quando o som parar (120), insulflar + 20 ou
30, ao chegar em 150 ir soltando;
O 1º Korotkoff: 120mmHg (PAS)
O 5ª Korotkoff (ao parar): 80 mmHg (PAD)
- Se não estimar antes: pct pode apresentar uma pseudo-hipertensão
O que é um paciente OSLER (+)? R: Com o envelhecimento as artérias
vão enrijecendo (ARTERIOESCLEROSE), em alguns pct a artéria está tão
enrijecida, que ao insuflar (colaba a Artéria), não apresentará pulso
braquial. No OSLER (+) por enrijecimento da artéria (a artéria está tão
dura) que mesmo interrompendo o fluxo sanguíneo, o som é auscultado
(artefato).
- Se aferir a PA direto do pct, sem fazer a estimativa, apresentará um
engano, pois o artefato fica até os 300 mmHg do aparelho. Pseudo-
Hipertenso
O Quadro 3 descreve a técnica correta de medida da pressão arterial.
Quadro 3 – Condições padronizadas para a medida da pressão arterial
• O paciente deve estar sentado, com o braço apoiado e à altura do precórdio.
• Medir após cinco minutos de repouso.
• Evitar o uso de cigarro e de bebidas com cafeína nos 30 minutos precedentes.
• A câmara inflável deve cobrir pelo menos dois terços da circunferência do braço.
• Palpar o pulso braquial e inflar o manguito até 30mmHg acima do valor em que o pulso deixar
de ser sentido.
• Desinflar o manguito lentamente (2 a 4 mmHg/seg).
• A pressão sistólica corresponde ao valor em que começarem a ser ouvidos os ruídos de
Korotkoff (fase I).
• A pressão diastólica corresponde ao desaparecimento dos batimentos (fase V)*.
• Registrar valores com intervalos de 2 mmHg, evitando-se arredondamentos (Exemplo: 135/85
mmHg).
• A média de duas aferições deve ser considerada como a pressão arterial do dia; se os valores
observados diferirem em mais de 5 mmHg, medir novamente.
• Na primeira vez, medir a pressão nos dois braços; se discrepantes, considerar o valor mais alto;
nas vezes subsequentes, medir no mesmo braço (o direito de preferência).
*No caso em que se ouvirem os batimentos até zero, considerar o abafamento do som (fase IV).
12 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
3. Quando apresentar diferenças > 20 PAS OU > 10 PAD mmHg entre os braços?
R: O indivíduo deverá ser investigado para doenças arteriais se apresentar diferenças de pressão entre os membros superiores
maiores de 20/10 mmHg para as pressões sistólica/diastólica, respectivamente (SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO; SOCIEDADE
BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA; SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA, 2010). Com intervalo de um minuto, no mínimo, uma segunda medida
dever ser realizada. Suspeitar de Obstrução arterial periférica (complicação da hipertensão – aterosclerose)
A média dos valores pressóricos obtidos foram:
PAS < 120 E PAD < 80 mmHg
4. Qual a conduta médica? R: Retorno a cada 2 anos, se PA
menor que 120/80 mmHg (BRASIL, 2006); (Rastreamento: >
18 anos, PAS < 120 e PAD <80)
PAS: 120 – 139 OU PAD: 80 – 89 mmHg
5. Entre 120 – 139/80 – 89 mmHg nas pessoas sem outros
fatores de risco para doença cardiovascular (DCV) (CHOBANIAN
et al., 2003)? R: Retorno a cada ano. Na presença de fator de
risco investigar HAS
PA ≥ 140/90 mmHg OU PA entre 120 – 139/80 – 89 mmHg na
presença de outros fatores de risco para doença
cardiovascular (DCV).
6. Qual a conduta médica? investigar HAS R: Fazer o
controle da PA em mais 2 momentos em um intervalo de 1 – 2 semanas
INVESTIGAÇÃO DE HAS
HAS: PA alta mantida
7. O que fazer na HAS do Avental Branco?
Estudos demonstraram que, entre os profissionais médico,
enfermeiro e técnico de Enfermagem que verificam a PA
em serviços de Saúde, as medidas realizadas pelos técnicos
de Enfermagem apresentaram efeito do avental branco
com uma frequência menor (SEGRE et al., 2003). Portanto,
destaca-se a importância do trabalho desses profissionais
na verificação da PA em serviços de Saúde.
8. Aparelho comum da UBS- serve para todos? R: NÃO
Recomendam-se 6 tamanhos de manguitos para as UBS que
atendem crianças e adultos (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
HIPERTENSÃO; SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA; SOCIEDADE
BRASILEIRA DE NEFROLOGIA, 2010) (Tabela 1). Tabelas de correção
da pressão arterial de acordo com o perímetro do braço
tiveram sua validação questionada e não são reconhecidas
por diretrizes atuais. A Tabela 1 mostra os manguitos
apropriados para diferentes circunferências braquiais.
O tamanho precisa ser adequado para não apresentar
uma falsa hipertensão
Tabela 1 – Dimensões da bolsa de borracha (manguito) para diferentes
circunferências de braço em crianças e adultos
Denominação
do manguito
Circunferência
do braço (cm)
Bolsa de borracha (cm)
Largura Comprimento
Recém-
nascido
≤ 10 4 8
Criança 11 – 15 6 12
Infantil 16 – 22 9 18
Adulto
pequeno
20 – 26 10 17
Adulto 27 – 34 12 23
Adulto grande 35 – 45 16 32
A paciente volta com 40 anos, tendo valor da pressão
arterial sistêmica de 150x90mmHg em ambos os
membros.
9. Está estabelecido o diagnóstico de HAS? R: Não (Para
confirmar, precisa ao menos 2 aferições em momentos
diferentes)
10. Qual o critério de diagnóstico da HAS? 2.3 Diagnóstico
O diagnóstico da HAS consiste na média aritmética da PAS
≥ 140 OU PAD ≥90mmHg, verificada em pelo menos 3 dias
diferentes com intervalo mínimo de uma semana entre as
medidas, ou seja, soma-se a média das medidas do
primeiro dia mais as duas medidas subsequentes e divide-
se por três.
A constatação de um valor elevado em apenas um dia,
mesmo que em mais do que uma medida,não é suficiente
para estabelecer o diagnóstico de hipertensão.
Cabe salientar o cuidado de se fazer o diagnóstico correto
da HAS, uma vez que se trata de uma condição crônica que
acompanhará o indivíduo por toda a vida. Deve-se evitar
verificar a PA em situações de estresse físico (dor) e
emocional (luto, ansiedade), pois um valor elevado, muitas
vezes, é consequência dessas condições.
Ex. no prontuário possui marcações de aferição de PA com alterações, se
tiver já 2 aferições (NOS ULTIMOS 12 MESES) + a atual = confirma
Diagnóstico de PA.
Ex.: Pct com PA de 180 x 120 = URGÊNCIA HIPERTENSIVA (TTO: captopril).
Investigar 4 possíveis diagnósticos:
* Emergência hipertensiva: (tem sinais e sintomas) ↑ de PA + Lesão de
órgão alvo Aguda (AVC, dissecção de aorta, Papiledema – hemorragia de
retina) SAMU Hospital
* Urgência Hipertensiva: (não tem sinais) PAD ≥ 120
* Pseudo Crise Hipertensiva: ex. 180x 110 sem sintomas. É o hipertenso
que não foi descoberto antes
RASTREIO: pessoas sem sinais e sintomas
HAS > 18 anos
PAS < 120 E
PAD < 80 mmHg
PAS: 120 – 139 OU
PAD: 80 – 89 mmHg
↓
PAD ≥ 140 OU
PAD ≥ 90 mmHg
Tem fator de risco?
Retorno em 2
anos
NÃO
↓
Retorno 1 ano
SIM
Investigar
HAS
13 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
11. O que é Ampa?
A automedida da pressão arterial (Ampa) é realizada por pacientes ou familiares, não profissionais de Saúde, fora do
consultório, geralmente no domicílio, representando uma importante fonte de informação adicional. A principal vantagem da
Ampa é possibilidade de obter uma estimativa mais real dessa variável, tendo em vista que os valores são obtidos no
ambiente em que as pessoas passam a maior parte do dia (SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO; SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA; SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA, 2010).
12-Quais as indicações do Mapa?
Na suspeita de Hipertensão do Avental Branco (HAB) ou Hipertensão Mascarada (HM), sugerida pelas medidas da Ampa,
recomenda-se a realização de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (Mapa) ou Monitorização Residencial de
Pressão Arterial (MRPA), para confirmar ou excluir o diagnóstico [Grau de Recomendação D](SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO; SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA;
SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA, 2010).
14. Como é o Mapa?
A Mapa é feita por aparelhos validados que empregam o método oscilométrico. Afere a pressão por dezenas de vezes nas 24
horas, registrando o comportamento da pressão arterial durante o período do sono. A MRPA é feita, preferencialmente, por
manômetros digitais pela própria pessoa ou familiares. Recomendam-se três medidas pela manhã, antes do desjejum e da
tomada de medicamento, e três à noite, antes do jantar, durante cinco dias, ou duas medidas em cada sessão durante sete dias
(PARATI et al., 2010).
Ambos os métodos capturam com adequada precisão o risco de elevação da pressão arterial (SEGA et al., 2005; MANCIA et al.,
2006; KIKUYA et al., 2007). Por medirem muitas vezes a pressão, aferem com mais precisão a pressão usual dos indivíduos,
amortecendo a reação de alerta que ocorre em consultórios médicos. Isso ocorre em especial com a pressão aferida pela Mapa,
que inclui valores de pressão aferidas durante o sono, usualmente mais baixas do que a vigília. Elevação da PA durante o sono
demonstrou valor prognóstico independente da pressão de 24 horas.
Tabela 2 – Valores de pressão arterial no consultório, Mapa, Ampa e MRPA que caracterizam hipertensão, hipertensão do
avental branco e hipertensão mascarada
Consultório Mapa Vigília Ampa MRPA
Normotensão ou hipertensão
controlada
< 140/90 ≤ 130/85 ≤ 130/85 ≤ 130/85
Hipertensão ≥ 140/90 > 130/85 > 130/85 > 130/85
Hipertensão do avental branco ≥ 140/90 < 130/85 < 130/85 < 130/85
Hipertensão mascarada < 140/90 > 130/85 > 130/85 > 130/85
Nota: Mapa = monitorização ambulatorial da PA de 24h; Ampa = automedida da PA; MRPA = monitorização residencial da PA.
15. Indivíduos com HAS jaleco branco terão mapa Normal?
Indivíduos com pressão alterada no consultório, devido à reação de alerta, e normal na Mapa ou na MRPA, têm a síndrome do
avental branco. Por um tempo, imaginou-se que essa condição fosse benigna, mas de fato já embute aumento discreto de risco.
Estima-se que quase um terço dos indivíduos hipertensos em consultório tem síndrome de avental branco.
16. O que é hipertensão mascarada?
Indivíduos com pressão normal no consultório e anormal na Mapa ou na MRPA têm a denominada hipertensão mascarada.
Estima-se que aproximadamente 12% de indivíduos com pressão normal em consultório tenham hipertensão mascarada
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO; SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA; SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA, 2010).
17. Como é o risco da HAS mascarada? Maior?
O risco para eventos cardiovasculares é menor em indivíduos normotensos no consultório e fora dele, aumentando progressivamente em
hipertensos do jaleco branco, hipertensos mascarados e hipertensos no consultório e fora do consultório (SEGA et al., 2005). Tratamento é
indicado para hipertensão no consultório e fora do consultório, hipertensão mascarada e hipertensão de jaleco branco, nesta última categoria
pelo maior risco mencionado acima e pelo fato de que todos os ensaios clínicos, no qual embasam decisões de tratamento, utilizaram medidas
de consultório.
Há tendência em se estabelecer rastreamento de hipertensão arterial com medida de PA no
consultório e fora do consultório, mas não há diretrizes sobre a periodicidade. O
rastreamento deve permanecer baseado na pressão de consultório, obtendo-se medidas
fora dele e em todos os indivíduos hipertensos no consultório sem evidência de repercussão
em órgão-alvo, e naqueles normotensos sob risco aumentado de hipertensão. Entre esses,
poderia se incluir pacientes com pressão limítrofe, aqueles na faixa etária dos 40 a 50 anos e
indivíduos com fatores de risco para hipertensão (história familiar, sobrepeso ou
obesidade). Com base na pressão aferida no consultório e fora dele, os pacientes podem ser
classificados segundo a proposta apresentada na Figura 1 – Condições classificatórias da
pressão arterial considerando a aferição em consultório e fora de consultório
14 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
19. Valores médios do paciente foram 150x92mmHg. Está estabelecido o diagnóstico de HAS? R:Sim
20. Qual o estágio de HAS do mesmo?
Classificação da pressão arterial
De acordo com os valores pressóricos obtidos no consultório,
podemos classificar a pressão arterial em normotensão, PA
limítrofe e hipertensão arterial sistêmica (Tabela 3). A HAS
também pode ser diagnosticada por meio da MRPA ou da Mapa.
Tabela 3 – Classificação da pressão arterial para adultos maiores
de 18 anos
Nota: Quando as pressões sistólica e diastólica estiverem em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para classificação
da pressão arterial.
21. Se o valor fosse abaixo de 120x80? 2 anos até.
Entre 130x85? As pessoas que apresentarem PA entre 130/85mmHg são consideradas normotensas e deverão realizar a aferição
anualmente
23. PA entre 130/85 a 139/89mmHg?
Pessoas com PA entre 130/85 a 139/89mmHg deverão fazer avaliação para identificar a presença de outros fatores de risco (FR)
para DCV. Na presença desses fatores, a pessoa deverá ser avaliada pela enfermeira, em consulta individual ou coletiva, com o
objetivo de estratificar o risco cardiovascular. A PA deverá ser novamente verificada em mais duas ocasiões em um intervalo de
7 a 14 dias. Na ausência de outros FR para DCV, o indivíduo poderá ser agendado para atendimento com a enfermeira, em
consulta coletiva, para mudança de estilo de vida (MEV), sendo que a PA deverá ser novamente verificada em um ano.
Pessoas com PA limítrofe possuem um risco aumentado de HAS e devem ser estimuladas pelaequipe de Saúde a adotarem
hábitos saudáveis de vida.
Se a média das três medidas forem iguais ou maiores a 140/90mmHg? R: Iniciar o tratamento médico e acompanhamento.
Classificação
Pressão sistólica
(mmHg)
Pressão diastólica
(mmHg)
Ótima < 120 < 80
Normal < 130 < 85
Limítrofe 130 – 139 85 – 89
Hipertensão estágio 1 140 – 159 90 – 99
Hipertensão estágio 2 160 – 179 100 – 109
Hipertensão estágio 3 ≥ 180 ≥ 110
15 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Tabela 2 – Valores de pressão arterial no consultório, Mapa, Ampa e MRPA que caracterizam hipertensão, hipertensão do
avental branco e hipertensão mascarada
Consultório Mapa Vigília Ampa MRPA
Normotensão ou hipertensão
controlada
< 140/90 ≤ 130/85 ≤ 130/85 ≤ 130/85
Hipertensão ≥ 140/90 > 130/85 > 130/85 > 130/85
Hipertensão do avental branco ≥ 140/90 < 130/85 < 130/85 < 130/85
Hipertensão mascarada < 140/90 > 130/85 > 130/85 > 130/85
Nota: Mapa = monitorização ambulatorial da PA de 24h; Ampa = automedida da PA; MRPA = monitorização residencial da PA.
QUESTÕES PARA MEMORIZAR O ASSUNTO
Paciente veio a UBS com relato de alteração nos valores de pressão arterial ao passar mal devido uma cólica renal e procurado a
Unidade de Pronto Atendimento – UPA. Valor tensional na consulta médica em ambos os membros foi de 140x90 mmHg. Das
assertivas abaixo assinale a mais adequada.
Alternativas
(A) Está estabelecido ao diagnóstico de HAS, e estágio é leve.
(B) Não está estabelecido o diagnóstico de HAS, deve ser solicitado ao paciente MAPA.
(C) Não está estabelecido o diagnóstico de HAS, deve ser solicitado o controle de pressão arterial por duas semanas.
(D) Deve iniciar tratamento medicamento com anti-hipertensivos.
Paciente 25 anos, veio UBS com pressão arterial de 120x80 mmHg não tem lesão em órgão alvo ou fatores de risco. Assinale
abaixo a conduta mais adequada:
(A) Retorno em consulta a cada ano.
(B) Retorno em consulta a cada 2 anos.
(C) Solicitar controle de pressão arterial.
(D) Solicitar MAPA.
Página 29 do Caderno de Atenção Básica 37
De acordo com a média dos dois valores pressóricos obtidos, a PA
deverá ser novamente verificada:
– a cada dois anos, se PA menor que 120/80 mmHg (BRASIL, 2006);
– a cada ano, se PA entre 120 – 139/80 – 89 mmHg nas pessoas sem
outros fatores de risco para doença cardiovascular (DCV) (CHOBANIAN
et al., 2003);
30
Ministério da Saúde | Secretaria de Atenção à Saúde | Departamento
de Atenção Básica
– em mais dois momentos em um intervalo de 1 – 2 semanas, se PA
maior ou igual a 140/90 mmHg ou PA entre 120 – 139/80 – 89 mmHg na
presença de outros fatores de risco para doença cardiovascular (DCV).
Leia mais sobre fatores de risco para DCV neste Capítulo, na página 38.
Página 36 – do mesmo Manual
Fique atento
• Observamos uma divergência de condutas uma na página 29
orientando anualmente e outra na página 36 orientando a cada dois anos.
• Assim, concluímos que ambas as respostas estão corretas.
16 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Hipertensão arterial – Estratificação de risco
Despois de confirmada a Hipertensão, realizar a consulta
1ª Etapa da consulta:
Avaliação de HAS:
Primária/ essencial 95%: Hipertenso multifatorial
(o pct não tem doença que está causando HA)
Avaliar se o pct tem consequências da HÁ =
Lesão em órgão alvo
- TTO: tratar a hipertensão
Secundária 5%: causado por uma doença
- TTO: tratar a doença base
Multifatorial: idade, sexo (M), raça (negro), sedentarismo,
fator genético
Secundária
- Indícios:
Se iniciou antes dos 40 anos ou após 60 anos
HAS refratária (já tentou 3 medicamentos e não tem
controle)
Apresenta crises
Principais causas de Hipertensão secundária
Feocromocitoma Tumor benigno na Supra renal
causando o ↑de catecolaminas
- Tríade: Cefaléia, Taquicardia e dor
precordial
- Diagnóstico: dosagem basal de
adrenalina + Exame de imagem da
Supra Renal
Hipotireoidismo
- Tireoidite de Hashimoto (AC contra as
cél da tireoide), níveis de T3 ↓ e T4 ↓
- Sintomas: sonolência, fraqueza, queda
de cabelo, edema de MMII, depressão
- Disgnostico: Solicitar TSH
(no Hipo TSH ↑ e T3 ↓ e T4 ↓)
Coarctação de
aorta
Situação congênita (no RN), leva a uma
hipertensão e concomitantemente ↓ o
fluxo nos MMIIs = ↓ ou ausência de
pulso femoral, poplíteo e pedioso
- Confirmação: encaminhar para o
cardio (ECO)
Hiperaldesteronismo:
Tumor benigno na Supra renal
causando o ↑ aldosterona (↑ PA e
causa vasoconstrição)
- Sintomas: câimbras intensas, arritmia
- Diagnostico: Dosagem de K
(hipocalemia) e Aldosterona
Doença de Cronh
- Doença inflamatória intestinal crônica
que eleva a PA
Uso de AINEs
- Acumula Na, ↑ volume intravascular =
↑ PA
- Fazer anamnese
- Suspender o uso
Anticoncepcioanais - Fazer anamnese
- Geralmente aparece quando iniciou o
uso de AC Suspender o uso
Acromegalia
- Tumor na hipófise, que causa excesso
de GH após o fechamento das epífises
- Cresce membros, face e órgãos
internos
Gigantismo
- Tumor na hipófise, que causa excesso
de GH (Pessoa não para de crescer)
- Antes do fechamento das epífises (na
infância)
- Retém Na, causa cardiopatia
Diagnostico: Tomo + dosagem de GH
Doença de cushing
- causas Endógena ou exógena
Endógena: Tumor na gl. suprarenal
Exógeno: uso crônico de corticoides
- Rosto redondo, giba de búfalo,
catabolismo proteico, estrias violáceas,
osteoporose, alterações psiquiátricas,
diabetes, retenção liquida
Diagnostico: Dosar Cortisol Basal (↑)
Obstrução de
artéria renais
- Hipertenso que não responder ao TTO
- Não apresenta sinais e sintomas
- Libera muita RAA, ↑reabsorção de Na,
volume intravascular
Diagnostico: US
Insuficiência Renal - Retém liquido, causa anasarca = ↑ PA
Apneia do sono
- Obstrução da VA pela noite
- Libera adrenalina (stress), fazendo a
PA se manter alta por todo o dia
EXAMES (rotina 1 x ano)
- Colesterol (fator de risco)
- LDL (fator de risco)
- HDL < 40 (fator de risco)
- Triglicerídeos (fator de risco)
- ác. Úrico
- Creatinina: (normal: até 1,4 homem e até 1,2 mulher)
- Sódio (injesta)
- Potássio: hiperaldesteronismo
- ECG: FC e investiga hipertrofia de VE
ver se ondas QRS estão ↑, se sim sugere
hipertrofia.
Se onda P positiva e T invertida = lesão de órgão
alvo, encaminha para o cardio.
Onda Q muito grande: sinal de infarto anterior
- RX de tórax (pouco utilizado)
- Exame de fundo de olho: oftalmo
- Palpar pulso cefálo-caudal, comparar lados (avaliar:
frequência, ritmo, perfusão)
Exame físico: Ausculta de pulmão e ♥, Turgência de Jugular
(hipertrofia de VD), ascite
Na presença dessas doenças REFERÊNCIA
(encaminhar)
Se a lesão é multifatorial Tratar na AB
17 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Primária – Estratificação
Risco – Fatores de risco
1- Idade > 60 anos
2- Dislipidemia
3- Tabagismo
4- História familiar
Estadiamento final
Risco A
- Não há
fatores de
risco
Risco B
- Há
fatores de
risco
Risco C
- Diabetes
Mellitus OU
lesão de
órgão alvo
Estagio I
PAS: 140 -159
OU
PAD: 90 - 99
MEV
(3meses)
MEV MEV + TM
(1 drogas)
Estagio II
PAS: 160 - 174
OU
PAD: 100 -109
MEV + TM
(2 drogas)
MEV + TM
(2 drogas)
MEV + TM
(2 drogas)
Estágio III
PAS > 180 OU
PAD > 110
MEV + TM
(2 drogas)
MEV + TM
(2 drogas)
MEV + TM
(2 drogas)
Lesão órgão alvo
Cérebro
♥
Artéria periférica
Rins
Fluxo de consulta (medica e enfermagem)
Estagio I: trimestral
Estagio II e III: mensal
Fluxo de consulta pacientes controlados (medica e
enfermagem)
Risco A: Semestral
Risco B: trimestral
Risco C: mensalAnt-ihipertensivo: necessita de 30 dias para fazer efeito
MEV: MUDANÇA DE ESTILO DE VIDA
1- Perda de peso: 10% principal fator que ↓ PA
2- Atividade física aeróbica
3- Dieta rica em Potássio = ↓PA
4- Dieta Pobre em Sal
5- Restrição do consumo de álcool (homem: 1 cerveja
ou 60 ml destilado – mulher metade)
Pct de rastreamento
PAS < 120 E PAD < 80: retorno em 2 anos
PAS 120 a 139 OU PAD 80 a 89 – Tem fator de risco? SIM:
investigar HAS
PAS > 140 OU PAD > 90 – SIM: investigar HAS
Investigar com 4 fatores:
1- MRPA: medida residencial da PA
2- MAPA: Aparelho 24hrs oscilométrico que faz a
média com várias oscilações (pct tem que marcar
as atividades) – Medida ambulatorial da PA
3- AMPA: Auto medida da PA
4- CONTROLE: vai até a UBS e o técnico/auxiliar
realiza
Aferições: 1x por semana em 3 semanas: somar as 3
aferições e fazer a média
Quadro 5 – Achados do exame clínico e anamnese
indicativos de risco para DCV.
Baixo risco/Intermediário
– Risco B
Alto risco – Risco C
• Tabagismo
• Hipertensão
• Obesidade
• Sedentarismo
• Sexo masculino
• História familiar de
evento cardiovascular
prematuro (homens <55
anos e mulheres <65 anos)
• Idade >65 anos
• Acidente vascular cerebral
(AVC) prévio
• Infarto agudo do miocárdio
(IAM) prévio
• Lesão periférica – Lesão de
órgão-alvo (LOA)
• Ataque isquêmico transitório
(AIT) (onda T invertida)
• Hipertrofia de ventrículo
esquerdo (HVE)
• Nefropatia
• Retinopatia
• Aneurisma de aorta
abdominal
• Estenose de carótida
sintomática
• Diabetes mellitus
18 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Tratamento e Acompanhamento das Pessoas com Hipertensão Arterial Sistêmica na Atenção Básica
3.1 Introdução
O cuidado da pessoa com hipertensão arterial sistêmica (HAS) deve ser multiprofissional.
O objetivo do tratamento é a manutenção de níveis pressóricos controlados conforme as características do paciente e tem por
finalidade reduzir o risco de doenças cardiovasculares, diminuir a morbimortalidade e melhorar a qualidade de vida dos
indivíduos (BRASIL, 2010).
Um dos desafios para as equipes da Atenção Básica é iniciar o tratamento dos casos diagnosticados e manter o
acompanhamento regular dessas pessoas motivando-as à adesão ao tratamento medicamentoso e não medicamentoso.
3.2 Tratamento não medicamentoso
O tratamento não medicamentoso é parte fundamental no controle da HAS e de outros fatores de risco para doenças
cardiovasculares (DCV), como obesidade e dislipidemia. Esse tratamento envolve mudanças no estilo de vida (MEV) que
acompanham o tratamento do paciente por toda a sua vida.
Entre as MEV está a redução no uso de bebidas alcoólicas. O álcool é fator de risco reconhecido para hipertensão arterial e pode
dificultar o controle da doença instalada. A redução do consumo de álcool reduz discretamente a pressão arterial, promovendo
redução de 3,3mmHg (IC95%1: 2,5 – 4,1mmHg) em pressão sistólica e 2,0mmHg (IC95%: 1,5 – 2,6mmHg) em diastólica [GRADE B]
(NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CLINICAL ExCELLENCE, 2011; MOREIRA et al, 1999). Outro ponto a ser observado é o uso de
anticoncepcionais hormonais orais. A substituição de anticoncepcionais hormonais orais por outros métodos contraceptivos
promove a redução da pressão arterial em pacientes hipertensas [GRADE D] (LUBIANCA et al., 2005; ATTHOBARI et al., 2007).
Embora fumar seja um fator de risco para o desenvolvimento de DCV, o papel do tabagismo como fator de risco para HAS não
está, ainda, bem definido (GUPTA; SINGH; GUPTA, 2004). Estudo realizado na Índia mostrou uma relação significativa do
tabagismo com a prevalência da HAS (GUPTA; GUPTA, 1999). Fumar um cigarro eleva momentaneamente a pressão arterial,
podendo, o seu efeito se manter por até duas horas (GUPTA; SINGH; GUPTA, 2004). Estudos estimam um aumento de até
20mmHg na pressão sistólica após o primeiro cigarro do dia. Além disso, o cigarro aumenta a resistência às drogas anti-
hipertensivas, fazendo com que elas funcionem menos que o esperado (FERREIRA et al, 2009; CHOBANIAN et al., 2003). 1
Intervalo de confiança de 95%. Indica que 95% da amostra do estudo apresentou uma redução da PA entre 2,5 e 4,1mmHg.
Quando menor o IC, maior a confiabilidade no estudo.
O tabagismo também aumenta o risco de complicações cardiovasculares secundárias em hipertensos e aumenta a progressão da
insuficiência renal. Além disso, a cessação do tabagismo pode diminuir rapidamente o risco de doença coronariana entre 35% e
40% (KAPLAN, 2010).
A adoção de hábitos saudáveis, como alimentação, diminuição do consumo de álcool, prática de atividade física, controle do
peso e abandono do tabagismo serão abordados no Cadernos de Atenção Básica, nº 35 – Estratégias para o Cuidado da Pessoa
com Doença Crônica, desta Coleção. As especificidades da alimentação saudável e a prática de atividade física na HAS serão
abordadas neste Caderno nos próximos capítulos.
Tratamento medicamentoso
A decisão de quando iniciar medicação anti-hipertensiva deve ser considerada avaliando a preferência da pessoa, o seu grau de
motivação para mudança de estilo de vida, os níveis pressóricos e o risco cardiovascular.
Pessoas com alto risco cardiovascular ou níveis pressóricos no estágio 2 (PA ≥ 160/100mmHg) beneficiam-se de tratamento
medicamentoso desde o diagnóstico para atingir a meta pressórica, além da mudança de estilo de vida (BRITISH HYPERTENSION
SOCIETY, 2008).
Pessoas que não se enquadram nos critérios acima e que decidem, em conjunto com o médico, não iniciar medicação neste
momento, podem adotar hábitos saudáveis para atingir a meta por um período de três a seis meses. Durante esse intervalo de
tempo devem ter a pressão arterial avaliada pela equipe, pelo menos, mensalmente. Quando a pessoa não consegue atingir a
meta pressórica pactuada ou não se mostra motivada no processo de mudança de hábitos, o uso de anti-hipertensivos deve
ser oferecido, de acordo com o método clínico centrado na pessoa.
O tratamento medicamentoso utiliza diversas classes de fármacos
selecionados de acordo com a necessidade de cada pessoa, com a avaliação
da presença de comorbidades, lesão em órgãos-alvo, história familiar, idade
e gravidez. Frequentemente, pela característica multifatorial da doença, o
tratamento da HAS requer associação de dois ou mais anti-hipertensivos (BRASIL,
2010)
Ex: IC, diabetes IECA
- Cefaleia, revascularizado: β-Bloq
- 55 anos indica começar com Tiazídico
- Gravidez: CI captopril (mal formação fetal)
19 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Tabela 4 – Medicamentos disponíveis na Rename 2012
Classe farmacológica Denominação genérica Concentração Apresentação
Dose
mínima
Dose
máxima
Tomadas
ao dia*
Diuréticos tiazídicos Hidroclorotiazida
12,5 mg ou
25 mg
Comprimido
12,5 – 25
mg
50 mg 1
Diuréticos (de Alça) –
Sulfonamidas simples
Furosemida 40 mg Comprimido 20 mg Variável 1 – 2
Agentes poupadores
de potássio
Espironolactona
25 mg ou
100mg
Comprimido 25 mg 100 mg 1 – 2
Betabloqueadores
seletivos
Atenolol
50 mg ou
100mg
Comprimido 25 mg 100 mg 1 – 2
Succinato de
Metoprolol
25 mg, 50mg
ou 100 mg
Comprimido
de liberação
controlada
25 – 100
mg
200 mg 1 – 2
Tartarato de
Metropolol
100 mg Comprimido
25 – 100
mg
200 mg 1 – 2
Agentes alfa e
betabloqueadores
Carvedilol
3,125 mg,
6,25 mg, 12,5
mg ou 25mg
Comprimido 12,5 mg 50 mg 1 – 2
Betabloqueadores não
seletivos
Propranolol
10 mg ou 40
mg
Comprimido 40 mg 240 mg 2 – 3
Antiadrenérgicos de
ação central
Metildopa 250 mg Comprimido 500 mg 1.500 mg 2 – 3
Bloqueadores seletivos
dos canais de cálcio –
Derivados da
diidropiridina
Besilato de Anlodipino
5 mg ou 10
mg
Comprimido 5 mg 10 mg 1
Nifedipino 10 mg
Cápsula ou
comprimido
20 – 40 mg 60 mg 3
Bloqueadores seletivosdos canais de cálcio –
Derivados da
fenilalquilamina
(não é utilizado na rede)
Cloridrato de
Verapamil
80 mg ou 120
mg
Comprimido
80** -– 120
mg
480 mg 2 – 3
Agentes que atuam no
músculo liso arteriolar
Cloridrato de
Hidralazina
25 mg ou 50
mg
Comprimido 25 mg 200 mg 2
Inibidores da enzima
conversora de
angiotensina, simples
Captopril 25 mg Comprimido 25 mg 150 mg 2 – 3
Maleato de Enalapril
5 mg, 10mg
ou 20 mg
Comprimido 5 mg 40 mg 1 – 2
Antagonistas da
angiotensina II, simples
Losartana potássica 50 mg Comprimido 25 mg 100 mg 1
Fonte: (BRASIL, 2010; KATZUNG, 2003; GUSSO; LOPES, 2012).
* O termo "Tomadas ao dia" refere-se à quantidade de vezes em que o paciente irá utilizar a medicação. Mais de um
comprimido poderá ser ingerido durante uma tomada, atentando-se paras as doses mínima e máxima da medicação.
** A dose inicial para idosos é de 40 mg.
20 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Diuréticos Tiazídicos: Hidroclorotiazida
1ª Escolha
Mecanismo de ação: No túbulo renal ↑
excreção de Na, K água na urina = ↓ o
volume vascular = ↓ PA
- Após 15 dias, relaxa a parede arterial,
ajudando a ↓ a PA
- Ação: 24hrs (lenta)
- ↓ A PA de forma gradual,
- 1ª escolha em idosos e pessoas de cor
negra
- Efeito colateral: como perde K, pode
causar caibras, ↑ glicemia (atenção
diabetes), ↑ ác. úrico (contra-indicado em
pct com hiperuricemia), ↑ colesterol e
triglicéridos, ↑ Ca (bom na osteoporose)
- 1 dose pela manhã: dose mínima 12,5,
dose máx 50 mg (não utilizado) – dose
usual: 25 mg
β-Bloqueador seletivo (age em β-1) 2ªEscolha
Efeitos:
- Atua no R β bloqueando a ação da adrenalina:
1- ↓ FC
2- Evita a vasoconstrição
3- ↑ Fluxo coronariano (Ao ↓ a FC em 1 min, se tem mais diástole do que sístole, e
como as coronárias são irrigadas em diástole, esse eleito melhora a perfusão do
MEC)
1ºEscolha em pct revascularizados e com crise de enxaqueca
- dias antes das cirurgias: acalma o pct (bloqueia adrenalina), melhora a perfusão do
miocárdio, e consequentemente melhora as chances de sobrevida
- Utilizado em pct com taquicardias, arritimias: ↓ FC
- Evidencias demonstram que melhora a sobre-vida, o ideal é associa-lo com outra droga
(Hidrclorotiazida), pois não é uma boa droga para TTO de monoterapia
- Cuidado: Mascara o feocromocitoma
- Atenolol: 1 a 2 x dia - 25 a 50 mg dia (nunca antes de dormir, pelo menos 4 horas antes)
- Eventos adversos: ↑ colesterol total, ↑ triglicerídeos, ↓ FC, bloqueio de ramo cardíaco
(bradicardia), efeito rebote (cuidado na retirada abrupta – pode apresentar picos
hipertensivos), crise de asma, cuidado com pct insulino-dependente (se tem hipo pode ter
descarga adrenérgica e tomando o β-bloq esses sintomas serão mascarados), fenômeno de
Reynold (pois ↓ a vascularização periférica), disfunção sexual, cansaço nas atividades
diárias, insônia e pesadelos (↓ perfusão cerebral)
CI: pct com obstrução da vascularização periférica, homens por causar disfunção sexual
β-Bloqueador não seletivo (β-1 e β-2)
- Efeitos colaterais: estimula crise de asma (β-2)
CI: na asma brônquica, enfisema
- Propanolol a cada12 horas: máx 240 mg/dia
Furosemida
- Ação rápida: Alça de Henle
- Indicação: pct com lesão de órgão alvo
(IC congestiva:♥ fraco, retém sangue, causando
sobrecarga, o que pode até mesmo causar o
retorno para o pulmão = edema agudo de
pulmão), ou seja, reduz edema, melhora
qualidade de vida.
- Efeito colateral: como perde K, pode causar
caibras, ↑ ác. Úrico, causa hipotensão
- Dose: 20 mg 1 a 2 vezes ao dia
Espironolactona
- Diurético
- dose mínima: 25mg
- dose máx: 100 mg
- 1 a 2 x dias
- Não dá câimbras, não aumenta glicemia
- 4ª Escolha: Poupadores de K
Inibidores do Canal de Ca - Bons Anti-hipertensivos
Besilato de Anlodipino (1x dia)
Nifedipino Dose: 20 mg 3xdia
-Mecanismo de ação: Na parede do endotélio tem os canais de Ca, inibir os canais de Ca =
dilatar as artérias = ↓ PA (dilatador indireto). Muito eficaz
- Efeito colateral: ao dilatar a artéria - edema maleolar, edema de MMII, cefaleia
1ª escolha em negros (associado ao Hidroclorotiazida)
3ª escolha (Se deu Hidroclorotiazida + Captopril e não controlou, adicionar Nifedipino)
Metildopa
- Inibidores adrenérgicos (ação no SN simpático) ↓ PA
- Não é um bom anti-hipertensivo
- 1ª Escolha na gestação (não causa má-formação fetal, não atravessa barreira
transplacentaria, estimula produção de leite, estimula a contração do parto)
Dose: 250 mg de 2 a 3 x dia (dose máx. 1500 mg) Nunca só 1 x ao dia
4ª escolha
- Mas controla alguns casos refratários
- Efeitos adversos: sedação, boca seca, tontura, risco de queda, depressão
Agentes que atuam no ML arteriolar
Hidralazina:
- Não é um bom anti-hipetensivo para TTO
continuo/ Rotina (melhor para crise-
hipertensiva)
- Potente VASODILATADOR
- Efeito colateral: efeito rebote (abaixa e
depois sobe)
IECA - Captopril, Enalapril e Ramipril
Controle da PA: SRAA. Quando o sangue passa na A.aferente a cél justaglomerular vai perceber o
volume sanguíneo, se estiver ↓, ela vai liberar renina, a Renina na corrente sanguínea e inicia a cascata
da SRAA (retém Na, H2O e vasoconstricção)
Captopril: inibe a ECA no pulmão, que converte Angio I Angio II
- Faz com que o Na seja eliminado, com que o volume sanguíneo não aumente, e como
efeito indireto poupa K
- Libera Bradicinina: mediador inflamatório, que causa dilatação de arteríolas periféricas,
assim no rim dilato os vasos glomerulares e tem efeito nefroprotetor
1ª Escolha em pct com Diabetes, pct com Hipertrofia de VE (remodela o ♥), bom na IC
congestiva (acumula mais sangue na periferia assim ↓ sobrecarga cardíaca)
- Não é tão indicado para negros
- Captopril + furosemida: melhora a sobrevida e sintomas no pct com IC congestiva
Captopril: Dose: 25 mg de 2 a 3 x dia (máx. 150 mg)
Enalapril: Dose min.5 mg, média 20 de 1 a 2 x dia (máx. 40 mg)
Efeito colateral: angiodema, tosse (bradicinina)
CI: gestante (má formação fetal)
Antagonista da Angio II- Losartana
- atua diretamente na Angio II
- Não libera bradicinina
- Evita retenção de Na, evita o ↑ da PA,
evita a vasoconstricção, poupa K
- Não causa disfunção erétil
Não pode adm Captopril + losartana pois
causa lesão renal
1ª Escolha por ter poucos efeitos colaterais,
bem tolerado, 1 dose dia
Efeito colateral: tontura
CI: gestante
21 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Antes de substituir o anti-hipertensivo que se mostra ineficaz, deve-se garantir o uso de doses adequadas. Ocorrência de efeitos
adversos significativos ou continuada ineficácia indicam a necessidade de substituição, em vez do uso de doses mais altas.
Pacientes sob tratamento com três anti-hipertensivos em doses adequadas, incluindo um diurético, com adesão conferida e sem
pressão controlada, têm hipertensão resistente. Esses pacientes devem ser referidos a serviços especializados.
O Quadro 11 traz as indicações das principais situações clínicas por classes medicamentosas.
Indicações Classe medicamentosa
Insuficiência cardíaca
Diuréticos, betabloqueadores, inibidores da enzima conversora de angiotensina ou
antagonistas da angiotensina II, antagonistas de aldosterona.
Pós-infarto do miocárdio Inibidores da enzima conversora da angiotensina, antagonistas da aldosterona.
Alto risco para doença
coronariana
Betabloqueadores, inibidores da enzima conversora da angiotensina, bloqueadores dos
canais de cálcio.
Diabetes
Inibidores da enzima conversora da angiotensina, antagonistas da angiotensina II,
bloqueadores dos canais de cálcio.
Doença renal crônica Inibidores da enzima conversora da angiotensina, antagonistas da angiotensina II.
Prevenção da recorrência de
acidente vascular encefálico
(AVE)
Diurético, inibidores da enzima conversorade angiotensina.
Hipertensão sistólica isolada em
idosos
Diuréticos (preferencialmente) ou bloqueadores dos canais de cálcio.
Fonte: (Adaptado de GUSSO, G.; LOPES, J. M. C., 2012).
Figura 3 – Quadro de Birmingham para a associação de drogas no manejo da HAS
- Se não obtiver controle (na 3ª drogra): pct refratário
encaminhar para o especialista
CONTROLE: PAS < 140 e PAD < 90
Se obteve controle da PA e não queixa dos efeitos
colaterais Mantém
Se não deu resultado, encaminhar para o médico, ↑ dose
em 3x dia? Ao invés de dar a dose máxima Associar
outro medicamento seguindo critério de Birmingham.
OBS: no negro Losartana e Captopril não funcionam (são
resistentes ao SRAA) Adm Propanolol ou Atenolol
Ex.: Se negro: Nifedipina 2x dia + Atenolol 25 mg cedo –
Retorno em 30 dias
Ex.: Usuário de 60 anos diabético, compareceu em
consulta para confirmação de HAS com valores médios de
140 x 90 mmHg. Qual é o fármaco? Captopril ou Enalapril
- Captopril: 25 mg 2x dia – Retorno 30 dias PA: 130 x
90 mmHg ↑ captopril para 3x dias, se controlou OK
Ex.: Usuário de 60 anos diabético, compareceu em consulta para
confirmação de HAS com valores médios de 160 x 90 mmHg. Qual
é o fármaco?
Estagio II (2 classes)
IECA: captopril (25 mg 2x dia) ou Enalapril (5mg 1x dia) + Tiazidico
– Hidroclorotiazida: 25 mg cedo
Retorno em 30 dias – PA 140 x 90: ↑ dose:
Mantém hidroclorotizida (pq ele é diabético) + Captopril 50 mg 2x
ao dia
Retorno 130x80: Mantém e retorno a depender do risco – Risco
C retorno mensal
1-Hidroclorotiazida
Idosos, negros
Propanolol – Atenolol
1-Captopril
Diabético
1-Nifedipina, Anlodipina
Negro
1-Lozartana
Jovem
Ex. Estagio II: adm 2 drogas para buscar ação sinérgica e ↓ efeito
colateral
25 mg cedo de
Hidroclorotiazida
+
25 mg de captopril 2x dia OU
Lozartana 50 mg cedo
25 mg cedo de
Hidroclorotiazida
+
25 mg cedo Propanolol ou
Atenolol
22 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Princípios do TTO medicamentoso da HAS:
< Dose inicial
Não chegar na dose máxima e ir associando outro medicamento
Escolher o medicamento baseado na necessidade do pct
Esperar 30 dias para fazer as alterações
Efeitos adversos
Os anti-hipertensivos são geralmente bem tolerados, apresentando incidência de efeitos adversos pouco diferente da observada
com placebo em ensaios clínicos randomizados. O efeito nocebo (evento adverso placebo), entretanto, é comum. Cerca de um
terço dos doentes atribui sintomas a fármacos anti-hipertensivos, quando em tratamento de longo prazo (GONÇALVES et al, 2007).
Reconhecimento dessas queixas e adequada orientação são necessários, pois eventos indesejáveis são causa frequente de falta
de adesão ao tratamento. Um exemplo frequente é a queixa de tontura, atribuída a excesso de efeito hipotensor do tratamento.
A pesquisa de hipotensão postural (queda de mais de 20 mmHg na pressão sistólica ao levantar da posição deitada) deve ser
feita nesses casos, e raramente confirma essa hipótese. Se houver real hipotensão postural, deve-se titular as doses em uso,
evitando-se o não controle da pressão arterial.
Quadro 12 – Principais efeitos adversos das drogas anti-hipertensivas.
Classe farmacológica Efeitos adversos
Diuréticos
Hipopotassemia, hiperuricemia, intolerância à glicose, aumento do risco de aparecimento do diabetes
mellitus, além de promover aumento de triglicerídeos em geral, dependendo da dose.
Betabloqueadores
Broncoespasmo, bradicardia, distúrbios da condução atrioventricular, vasoconstrição periférica, insônia,
pesadelos, depressão psíquica, astenia e disfunção sexual.
Antiadrenérgicos de ação
central
Sonolência, sedação, boca seca, fadiga, hipotensão postural e
disfunção sexual.
Bloqueadores seletivos
dos canais de cálcio
Cefaleia, tontura, rubor facial – mais frequente com diidropiridínicos de curta duração – e edema de
extremidades, sobretudo maleolar.
Estes efeitos adversos, são, em geral, dose-dependentes. Mas raramente, podem induzir a hipertrofia
gengival.
Os diidropiridínicos de ação curta provocam importante estimulação simpática reflexa, sabidamente
deletéria para o sistema cardiovascular.
Verapamil pode provocar depressão miocárdica e bloqueio atrioventricular, além da obstipação instenstinal.
Agentes que atuam no
músculo liso arteriolar
(Vasodilatadores diretos)
Pela vasodilatação arterial direta promovem retenção hídrica e
taquicardia reflexa.
Inibidores da enzima
conversora de
angiotensina (Ieca)
Tosse seca, alteração de paladar e, mais raramente, reações de hipersensibilidade, com erupção cutânea e
edema angioneurótico.
Em indivíduos com insuficiência renal crônica, podem eventualmente, agravar a hiperpotassemia. Em
pessoas com hipertensão renovascular bilateral ou unilateral associada a rim único, podem promover
redução da filtração glomerular com aumento dos níveis séricos da ureia e creatinina. Seu uso em pessoas
com função renal reduzida pode causar aumento de até 30% da creatininemia, mas, a longo prazo,
prepondera seu efeito nefroprotetor.
Antagonistas de
receptores
de angiotensina II
Foram relatadas tontura e, raramente, reação de hipersensibilidade cutânea (Rash). As precauções para seu
uso são semelhantes às descritas para os Iecas.
CRISES HIPERTENSIVAS
São condições em que há elevação crítica da pressão arterial com quadro clínico grave, progressiva lesão de órgãos-alvo e risco
de morte, exigindo imediata redução da pressão arterial com agentes aplicados por via parenteral. [Grau de Recomendação D]
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA; SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO; SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA, 2010).
Há elevação abrupta da pressão arterial ocasionando, em território cerebral, perda da autorregulação do fluxo sanguíneo e
evidências de lesão vascular, com quadro clínico de encefalopatia hipertensiva, lesões hemorrágicas dos vasos da retina e
papiledema. Habitualmente, apresentam-se com pressão arterial muito elevada em pacientes com hipertensão crônica ou
menos elevada em pacientes com doença aguda, como em eclâmpsia, glomerulonefrite aguda, e em uso de drogas ilícitas, como
cocaína. Podem estar associadas à acidente vascular encefálico, ao edema agudo dos pulmões, às síndromes isquêmicas
miocárdicas agudas e à dissecção aguda da aorta.
Esses casos requerem manejo imediato e encaminhamento em serviço de urgência e emergência, pois há risco iminente à vida
ou de lesão orgânica grave.
Urgências hipertensivas
A elevação crítica da pressão arterial, em geral pressão arterial diastólica ≥ 120mmHg, porém com estabilidade clínica, sem
comprometimento de órgãos-alvo, caracteriza o que se convencionou definir como urgência hipertensiva (UH).
23 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Pacientes que cursam com UH estão expostos a maior risco futuro de eventos cardiovasculares comparados com hipertensos
que não a apresentam, fato que evidencia o seu impacto no risco cardiovascular de indivíduos hipertensos e enfatiza a
necessidade de controle adequado da pressão arterial cronicamente. A pressão arterial, nesses casos, deverá ser tratada com
medicamentos por via oral, buscando-se sua redução em até 24 horas [Grau de Recomendação D] (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA;
SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO; SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA, 2010).
Embora a administração sublingual de nifedipino de ação rápida seja amplamente utilizada para esse fim, foram descritos
efeitos adversos graves com essa conduta. A dificuldade de controlar o ritmo e o grau de redução da pressão arterial, sobretudo
quando intensa, pode ocasionar acidentes vasculares encefálicos e coronarianos. O risco de importante estimulação simpática
secundária e a existência de alternativas eficazes e mais bem toleradas tornam o uso de nifedipino de curta duração (cápsulas)
nãorecomendável nessa situação. O captopril 25 mg via oral é indicado nesta situação (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA;
SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO; SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA, 2010).
A prática da administração sublingual do comprimido de captopril não é recomendada, pois suas características
farmacocinéticas não permitem a absorção de doses ideais por essa via, devendo, portanto, ser deglutido (BRASIL, 2011).
Pseudocrise hipertensiva
A chamada pseudocrise hipertensiva é uma situação que não se enquadra na classificação tradicional de urgência e emergência
hipertensiva, porém, apresenta-se com uma frequência muito maior em serviços de Atenção Básica.
Geralmente, apresenta-se como uma medida de PA elevada associada a queixas vagas de cefaleia ou sintomas e sinais de
ansiedade, sem sinais de comprometimento de órgão-alvo.
O tratamento, nesses casos, dever ser dirigido à causa da elevação arterial, como uso de analgésicos na presença de cefaleia, de
modo a evitar o risco de hipotensão e isquemia cerebral ou miocárdica. Muitas vezes, pode refletir a má adesão ao tratamento
anti-hipertensivo ou uso de doses insuficientes (BRASIL, 2012). A pseudocrise hipertensiva oferece uma oportunidade para
reforçar as medidas não medicamentosas e/ou otimizar o tratamento medicamentoso.
HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA – ALTERAÇÕES AGUDAS
• A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença que representa um dos maiores problemas em saúde pública no Brasil e
no mundo, gerando elevado custo médico-social, principalmente por sua participação em complicações como na doença
cerebrovascular, na doença arterial coronária (DAC), na insuficiência cardíaca (IC), na insuficiência renal crônica (IRC), na
retinopatiahipertensiva e na insuficiência vascular periférica.
Definições
A HAS pode ser traduzida como o aumento dos níveis pressóricos acima do recomendado para uma determinada faixa etária e
condição clínica, sempre levando em conta também o risco cardiovascular.
Com base na média de duas ou mais medidas em diferentes visitas, com técnica adequada, aparelho calibrado e com indivíduo
em posição sentada, é possível definir o diagnóstico.
- Hipertenso Mascarado: a Pressão sobe em atividades de stress (AMPA, ou MAPA) – difícil de descobrir
As elevações inadequadas da pressão arterial podem ser divididas inicialmente em três classes:
• Crises hipertensivas (urgências e emergências hipertensivas):ocorre quando existe risco de desenvolvimento de alguma
complicação clínica associada ao aumento abrupto dos níveis pressóricos.
Emergências hipertensivas: PA ↑ + situações em que ocorre progressiva lesão aguda de órgãos-alvo (cérebro,
olho/retina, ♥, artéria periférica e rim) e risco iminente de morte, que necessitam de redução imediata da PA (não
necessariamente para níveis normais). Tais emergências devem ser tratadas preferencialmente com agentes anti-hipertensivos
parenterais em unidades de urgência. Logo, diante dessas situações, o médico assistente da Atenção Primária deverá
chamar o serviço de atendimento móvel de urgência para a remoção do paciente imediatamente.
Urgências hipertensivas: há elevação importante da PA, em geral PAD > 120mmHg, com condição clínica estável, sem
comprometimento de órgãos-alvo, porém são situações em que existe risco potencial de lesão aguda de órgão-alvo.
Em pacientes que já apresentam alguma lesão desse tipo, deve-se ficar mais atento, pois eles apresentam risco mais
elevado de novas complicações em curto prazo, na permanência de PA acentuadamente elevada. Nos casos de
urgência, a atuação sobre o controle pressórico deve ser realizada de forma menos intensa que nas emergências,
podendo-se estabelecer esse controle em até 24 horas, com medicamentos por VO. (pode tratar na UBS) captopril
• Pseudocrises hipertensivas: ocorre quando, apesar de se presenciar elevações significativas da PA, associadas a sintomas
relatados pelo paciente não se pode estabelecer relação causal entre a hipertensão e a manifestação do desconforto.
24 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
As pseudocrises hipertensivas são situações nas quais o ↑ acentuado da PA é desencadeado por dor (cólicas, cefaleia,
fibromialgia), desconforto (tonturas, mal-estar), ansiedade ou por associação desses fatores. Esse grupo de doentes é
provavelmente responsável pela maior procura por um atendimento de urgência com PA acentuadamente elevada. Esses
doentes devem receber sintomáticos (analgésicos, antivertiginosos, benzodiazepínicos) e não anti-hipertensivos (pq pode
causar hipotensão)
• Elevação eventual do nível pressórico: ocorre quando há apenas alteração dos níveis pressóricos sem queixas dos pacientes.
Geralmente, apesenta-se como um achado, nas verificações de rotina da UBS. Deve-se, nesses casos, verificar se o paciente já é
hipertenso, se há alguma outra patologia que justifique essa alteração, planejar o acompanhamento adequado, dar início ao
tratamento apropriado, ou ajustar dose e verificar adesão ao tratamento proposto pela equipe. (Pedir controle para diagnosticar)
As urgências hipertensivas, as pseudocrises hipertensivas e
as elevações eventuais do nível pressórico são situações que
podem ser avaliadas e conduzidas nas Unidades Básicas de
Saúde, que possuam as devidas condições (de equipamentos e
pessoal) para o atendimento. Porém devem-se tomar os
devidos cuidados de referenciar para um pronto atendimento
os casos de emergência hipertensiva e os casos de urgência que
necessitem de exames complementares para a monitorização
adequada (pré-eclâmpsia, por exemplo) ou que não respondem
ao tratamento instituído ou apresentam piora.
Manifestações clinicas da emergência hipertensiva
Edema agudo de pulmão Furosemida - EV
Paciente angustiado e com dificuldade para
respirar (dispneia) e falar (edema, compressão dos
alvéolos, hematose comprometida)
Estertores pulmonares
Baixa saturação de O2 (< 95), que pode ser
caracterizado por cianose oral e de extremidades
B3 e/ou B4 presentes
Estase jugular
SCA – Síndrome coronariana Aguda
Dor ou sensação de opressão precordial,
acompanhada ou não de náuseas, dispneia e
sudorese fria
Alteração ECG
Dissecção aguda de aorta Cirurgia
Dor lancinante, que pode ser precordial ou se
irradiar para esquerda e para as costas
Pulsos assimétricos (principalmente o esquerdo)
Sopro diastólico em foco aórtico
Encefalopatia hipertensiva (AVE) Furosemida
Letargia, cefaleia, confusão, distúrbios visuais,
diplopia e convulsões, todos com início agudo ou
subagudo
Hipertensão maligna Furosemida
Astenia, mal-estar, oligúria, sintomas vagos
cardiovasculares e/ou neurológicos
Fundo de olho: papiledema (hemorragia de retina)
AVE (isquêmico ou hemorrágico)
Súbita alteração neurológica (geralmente motora
ou sensitiva) – pedir para o pct apertar as 2 mãos
Desvio de Rima
No paciente inconsciente: Reflexo pupilar – pupila
desvia para o local da lesão (Dano cerebral: pupila
anisocorica – de tamanhos ≠). No dano cerebral
permanente: pupila não fotorreagente/midriátrica
Alterações no exame neurológico
Eclâmpsia Dilatador
Geralmente após 20ª semana de gestação ou até a
6ª semana após o parto
Diagnóstico prévio de pré-eclâmpsia e que
desenvolve convulsões
O manejo clínico das alterações da PA vai depender
primordialmente do tipo de manifestação que a elevação
da PA está causando no indivíduo. É natural entender que a
indicação de droga se o controle clínico e laboratorial
devem ser adequados a cada condição clínica específica
TTO: Baseado nessa avaliação clínica inicial, o médico deve
poder distinguir entre os 3 tipos de alteração da PA e tomar
as condutas de acordo com a classificação. Segue o quadro
47, com as orientações gerais da conduta para as equipes
de Atenção Primária à Saúde frente à classificação da
alteração do nívelpressórico
Orientações para as equipes de Atenção Primaria à Saúde de manejo
dos tipos de alterações pressóricas
Tipos de alterações
pressórica
Conduta geral
Emergências
hipertensivas
Estabilizar o paciente e encaminhá-lo para
serviço de urgência. Coordenar o cuidado
do paciente, após o retorno do serviço de
urgência.
Urgências
hipertensivas
Medicar o paciente, com o objetivo de ↓
a PA em 24-48 horas, e realizar
seguimento ambulatorial
Pseudocrises
hipertensivas
Tratar, se necessário, as patologias que
levaram ao ↑ da PA
Elevação eventual
do nível pressórico
Planejar o diagnóstico de HAS, avaliar a adesão
ao TTO ou, se necessário, introduzir um TTO
medicamento ou adequar o TTO atual
Classificação da PA de acordo com a medida casual no
consultório (>18 anos)
Classificação
Pressão sistólica
(mmHg)
Pressão diastólica
(mmHg)
Ótima < 120 < 80
Normal < 130 < 85
Limítrofe 130 – 139 85 – 89
Hipertensão estágio 1 140 – 159 90 – 99
Hipertensão estágio 2 160 – 179 100 – 109
Hipertensão estágio 3 ≥ 180 ≥ 110
25 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
O TTO das crises hipertensivas vai depender se estamos
diante de uma urgência ou emergência hipertensiva. Se for
determinado que seja uma emergência, o TTO de ser
realizado com agentes anti-hipertensivos parenterais, que
devem ser administrados em um pronto atendimento, de
preferência, com um suporte de unidade de terapia
intensiva. Quando é uma urgência hipertensiva, pode se
utilizar por via oral β-bloqueador, IECA e clonidina.
Lembrar que o captropil deve ser deglutido, pois sua
apresentação comercial não permite absorção sublingual.
Não utilizar o nifedipino sublingual para esse fim, já que
pode causar hipotensão acentuada e, por vezes, refratária,
com casos descritos de AVE dom seu uso.
Lembrar que o nível pressórico ideal deve ser alcançado em
24-48 horas. Apesar de bastante utilizada em TTO de
urgência e emergência Hipertensiva, está só deve ser usada
na presença de edema agudo de pulmão
Já os doentes que se apresentam com quadros menos
dramáticos, com queixa como cefaleia, tontura, ansiedade,
dores torácicas inespecíficas e que se apresentam PA
elevada, devem ser avaliados clinicamente para exclusão de
lesão aguda de órgão-alvo.
Caso não seja identificado nesse tipo de lesão (emergência
hipertensiva), os pacientes devem ser medicados com
sintomáticos e ficar em observação (preferencialmente em
local silencioso), com avaliação posterior, referenciando
para hospital caso haja piora.
O diagnóstico de hipertensão não controlada é muito
comum nos atendimentos não programados nas UBS e,
nesses casos, a conduta mais adequada é recomendar
correta avaliação ambulatorial. Em alguns casos, pode-se
iniciar (elevação eventual, com as outras medidas) ou corrigir o TTO
anti-hipertensivo em uso, com fármacos por VO,
mantendo-se observação por breves períodos em casos
suspeitos de anormalidades subclínicas e dar sequência ao
projeto terapêutico, incluindo o usuário no
acompanhamento da equipe multiprofissional e outras
ofertas da unidade (visitas domiciliares, grupos
terapêuticos entre outras)
Principais fármacos usados nas crises hipertensivas
Fármaco Classe Inicio de ação Dose Via Principais indicadores Efeitos Adversos
Furosemida Diurético 5-15 min 20 – 40 mg EV Edema agudo de pulmão Depleção de volume, hipocalemia
Captropil
IECA 15 min 6,25 a 50
mg
25 mg
VO Urgências hipertensivas Piora da função renal, ↑ a
creatinina nas 1ªs semanas e depois
estabiliza, tem efeito protetor renal
CI: Doença renal grave, gestante
Clonidina β-
agonista
central
0,2 mg inicial,
repetir 0,1
mg/h até 0,8
mg
VO Urgências hipertensivas Sonolência rebote com
suspensão abrupta
26 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
1- M. L. P., masculino, 40 anos, casado, veio em consulta
médica de rotina com valores da pressão arterial em
ambos os membros de 110x78mmHg. Sobre o rastreio da
Hipertensão Arterial Sistêmica – HAS assinale a alternativa
mais adequada:
a. Agendar retorno para 2 anos.
b. Agendar retorno para 1 ano.
c. Agendar retorno para 3 anos.
d. Solicitar Medida Ambulatorial da Pressão Arterial
(MAPA).
e. Solicitar Medida Residencial da Pressão Arterial
(MRPA).
2-Paciente veio em consulta médica e ao aferir a pressão
arterial sistêmica o profissional deve observar cuidados
para não haver erro na técnica. Assinale abaixo a
alternativa correta:
a. No consultório a pressão arterial deve ser aferida
pelo menos em um membro.
b. Paciente com bexiga cheia não altera o valor da
pressão arterial.
c. Paciente Osler positivo é aquele onde o mesmo é
hipertenso, mas não é diagnosticado.
d. A técnica de estimativa não é necessária ao
aferir a pressão arterial.
e. Ao aferir a pressão arterial em ambos os
membros, valores acima de 10mmHg na
diastólica sugerem obstrução arterial periférica.
3- Paciente veio em consulta médica de rotina e ao aferir
a pressão arterial o médico identificou no braço esquerdo
120x80mmHg e no braço direito 120x60mmHg. Assinale
abaixo a alternativa mais adequada:
a. Os valores de pressão arterial deram normais,
portanto deve ser marcado retorno para 3 anos.
b. Os valores não deram normais de pressão
arterial, deve ser solicitado um MAPA.
c. Os valores embora tenham sido normais, sugere
obstrução arterial periférica.
d. Os valores deram limítrofe e paciente deve ser
agendado para daqui 6 meses.
e. Nenhuma das alternativas são condutas
adequadas para o referido caso.
4-Paciente veio em consulta médica de rotina com valor
de pressão arterial de 120x80mmHg no braço direito e
130x86 mmHg no braço esquerdo. Assinale abaixo a
conduta mais adequada para o caso:
a. Agendar retorno para 2 anos.
b. Agendar retorno para 1 ano.
c. Agendar retorno para 3 anos.
d. Solicitar Medida Ambulatorial da Pressão Arterial
(MAPA).
e. Solicitar Medida Residencial da Pressão Arterial
(MRPA).
5-Em consulta médica na Atenção Básica (AB) o médico
generalista aferiu os seguintes valores de pressão arterial:
120x80mmHg e 130x90 mmHg. Assinale abaixo a
alternativa mais adequada para o caso:
a. Os valores de pressão arterial deram normais,
portanto deve ser marcado retorno para 2 anos.
b. Os valores não deram normais de pressão
arterial, deve ser solicitado um controle por 3
semanas.
c. Os valores embora tenham sido normais, sugere
acompanhamento mais próximo ao paciente.
d. Os valores deram limítrofe e paciente deve ser
agendado para daqui 6 meses.
e. Nenhuma das alternativas são condutas
adequadas para o referido caso.
6-J. P. M., 45 anos, masculino, veio em consulta médica
com histórico de tristeza e insônia por motivo de perda do
emprego. Na consulta apresenta-se agitado, ansioso,
taquicardia e sudorese. A pressão arterial em ambos os
membros foi de 150x92mmHg. Assinale abaixo a
explicação mais adequada para esse caso:
a. Esse paciente pode estar apresentando quadro
de esquizofrenia, assim, deve encaminhar ao
psiquiatra.
b. O paciente deve estar apresentando alteração
dos valores tensionais por fundo emocional e uso
de antidepressivos tricíclicos.
c. Trata-se de hipertensão arterial sistêmica
mascarada.
d. Trata-se de hipertensão arterial sistêmica
refratária.
e. O paciente está apresentando hipertensão
arterial jaleco branco, por descarga adrenérgica.
7-Foi solicitado controle de pressão arterial para o
paciente onde os valores obtidos em 3 semanas foram:
120x80mmHg, 130x100mHg, 110x90mmHg,
110x90mmHg, 120x100mmHg e 112x92mmHg. Assinale
abaixo a alternativa mais adequada:
a. Não está estabelecido o diagnóstico de
hipertensão arterial sistêmica. Agendar retorno
do paciente para 1 ano.
b. Não está estabelecido o diagnóstico de
hipertensão arterial sistêmica. Agendarretorno
do paciente para 2 anos.
c. Está estabelecido o diagnóstico de hipertensão
arterial sistêmica, paciente é estágio I – leve.
d. Está estabelecido o diagnóstico de hipertensão
arterial sistêmica, paciente é estágio II – leve.
e. Está estabelecido o diagnóstico de hipertensão
arterial sistêmica, paciente é estágio III – grave.
27 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
8- Indivíduos com pressão alterada no consultório, devido
à reação de alerta, e normal na Mapa ou na MRPA. Por
um tempo, imaginou-se que essa condição fosse benigna,
mas de fato já embute aumento discreto de risco. Estima-
se que quase um terço dos indivíduos hipertensos em
consultório tem. Esse caso corresponde a pacientes com:
a. Hipertensão mascarada.
b. Hipertensão arterial sistêmica.
c. Hipertensão do jaleco branco.
d. Normotensos.
e. Pacientes com depressão.
9-Paciente veio em consulta médica referindo que no seu
trabalho passou mal, teve quadro de epistaxe e cefaleia,
aferiu a pressão arterial apresentando valor de
150x98mmHg, porém na consulta médica em ambos os
membros os valores deram 120x80mmHg. Assinale abaixo
a explicação mais adequada para esse caso:
a. Paciente apresenta hipertensão arterial do jaleco
branco. Deve ser solicitado MAPA.
b. Paciente apresenta suspeita de hipertensão
arterial. Deve solicitar o controle da pressão
arterial.
c. Suspeitar de hipertensão arterial mascarada.
Porém nesse caso não há risco.
d. O paciente pode apresentar hipertensão nas
atividades diárias, quando fica em repouso a
pressão arterial estabiliza, deve ser solicitado
MAPA, suspeitar de hipertensão mascarada.
e. Nenhuma das alternativas acima estão corretas.
10-Paciente veio em consulta médica de retorno com
valores médios de pressão arterial após controle de
120x90mmHg. Assinale abaixo a alternativa mais
adequada para esse caso:
a. Estabelecer o diagnóstico de hipertensão arterial
sistêmica.
b. Solicitar Medida Ambulatorial da Pressão Arterial
(MAPA).
c. Solicitar Auto Medida da Pressão Arterial
(AMPA).
d. Solicitar Medida Residencial da Pressão Arterial
(MRPA).
e. Orientar retorno do paciente em 2 anos.
28 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
OBESIDADE
“Agravo multifatorial decorrente de balanço energético
positivo, que favorece o acumulo de gordura, associado a
riscos para a saúde, devido à sua relação com complicações
metabólicas, como ↑ da PA, dos níveis de colesterol e
triglicerídeos sanguíneos e resistência à insulina.”
“Entre outras causas, estão relacionados a fatores
biológicos, históricos, ecológicos econômicos, sociais,
culturais e políticos”. (OMS 2000)
As prevalências de sobrepeso e obesidade creceram de
maneita importante nos ultimos 30 anos
O modo de viver as sociedade moderna padrão
alimentar sedentarismo
INTRODUÇÃO
Ocorreram mudanças na composição demográfica:
↑ na expectativa de vida
↑ da proporção de idosos na população
Transição epidemiológica:
↓ das doenças infecciosas
↑ das doenças crônicas
Transição nutricional:
↓ da desnutrição em todas as idades
↑ do excesso de peso, em todas as idades e
classes de renda
Política Nacional de Alimentração e nutrição
Cuidado integral (Atenção Básica Determinantes
de saúde Ordenadora do Cuidado Cuidado
Integral)
Vigilancia Alimentar e nutricional (VAN)
Promoção de alimentação Adequada e Saudável
(Cuidado Longitudinal)
Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN)
Em todos os pontos de atenção da rede
Identificação dos casos (Rastreio ou
Diagnostico)
Estratificação de risco (toda condição
crônica é estratificada) – Gestação é estratificada
devido a Longitudinalidade (gestação, parto e
puerpério)
Organização da oferta de cuidado
Vigilância Alimentar e Nutricional (VAN)
Atenção Básica Demandas Espontânea e Programada
Ambulatórios de Especialidades
Hospitais
Outros Pontos de Atenção
ORGANIZAÇÃO DA ATENÇÃO PARA PREVENÇÃO E
CONTROLE DA OBESIDADE
Redes de Atenção à Saúde (RAS) nos 3 níveis:
- MICRO (Os indivíduos e suas famílias) –melhoria da
qualidade de vida, hábitos saudáveis e empoderamento
- MESO (Serviços de saúde e a comunidade) –
rastreamento, grupos e atividades coletivas,
intersetorialidade, aleitamento materno, NASF,
mobilização comunitária em geral (Atenção Primaria)
- MACRO (As macroplolíticas de Saúde) – políticas de
saúde, sistemas de informação, regulação da mídia,
educação permanente, fiscalização sanitária, estimulo a
produção agrícola, definição de investimento. (Mendes,
2011)
Apoio diagnóstico e terapêutico para que a Atenção
Básica seja resolutiva:
- Infraestrutura das unidades Básicas de Saúde (como
rampas de acesso, portas largas, cadeiras, macas e balanças
com capacidade para mais de 200 Kg, esfignomanômetro,
entre outros)
- Oferta e acesso regular a exames solicitados e a
medicamentos prescritos
- oferta de práticas integrativas e complementares
- teleconsultoria, apoio matricial, articulações com demais
pontos da RAS, entre outros
Na Atenção Básica – UBS
Programa Saúde na Escola (PSE) e Academias da Saúde
- Estratégia de Abordagem
Guia Alimentar para a População Brasileira – 10 passos
da Alimentação Saudável
- Promoção da atividade física
Classificação, Diagnóstico e Manejo da Obesidade
Diferentes pontos de corte que variam de acordo com a
idade e sexo (menores de 19 anos de idade); de acordo
com a idade gestacional (em mulheres grávidas) e entre
idosos.
Instrumentos para avaliação do estado nutricional
Equipamentos antropométricos: balança pediátrica e de
plataforma; infantômetro (estadiômetro infantil ou
horizontal) e estadiômetro vertical.
• Calculadora, planilha ou disco para a identificação IMC.
• Cartões e cadernetas de acompanhamento do estado de
saúde:
– Caderneta de Saúde da Criança, do Ministério da Saúde.
– Caderneta de Saúde do Adolescente, do Ministério da Saúde.
– Cartão da Gestante, do Ministério da Saúde.
– Caderneta do Idoso, do Ministério da Saúde.
• Gráficos ou tabelas de crescimento infantil (OMS 2006).
• Formulários de marcadores do consumo alimentar
(Sisvan/e-SUS).
29 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
30 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Adultos - Classificação do estado nutricional
Indivíduos com idade entre 20 e 60 anos incompletos
Procedimentos iniciais para avaliação do perfil alimentar e
nutricional
1- Peso e altura
2- Calculo do IMC
3- Medida da cintura
4- Hábitos alimentares
5- Disponibilidade e a variedade de alimentos e
recebimento de benefícios de programas de
transferência de renda. (Formulário SISVAN/e-SUS)
6- Nível de atividade física: trabalho fora de casa,
trabalhos domésticos, deslocamento, transporte,
lazer, cuidado de crianças ou idosos, etc.
7- Exame clínico
8- Exames bioquímico
Classificação do estado nutricional de adultos
Quadro 1 – Classificação do estado nutricional para
adultos (20 a 60 anos)
Classificação do estado
nutricional
Pontos de corte
Baixo peso (desnutrido) <18,5 kg/m2
Estrófico (peso adequado) >18,5 e <25 kg/m2
Sobrepeso (↑ do peso adequado) >25 e <30 kg/m2
Obesidade I >30 e <35 kg/m2
Obesidade II >35 e <40 kg/m2
Obesidade III
>40 kg/m2
>50 kg/m2 – indicação
cirurgia bariátrica
Fluxograma descritivo de atividades para a Atenção à Saúde, segundo classificação do IMC na Atenção Básica para indivíduos adultos
Identificação e acolhimento dos indivíduos com excesso de peso/obesidade + Busca ativa, demanda espontânea, demanda programada
NORMAL SOBREPESO SOBREPESO OBESIDADE
IMC < 25 kg/m²
- Vigilância alimentar e
nutricional
- Ações de promoção da
alimentação adequada e
saudável; e
- atividadefísica
IMC de 25 a 29,9 kg/m²
- Vigilância alimentar e
nutricional
- Ações de promoção da
alimentação adequada e
saudável; e
- atividade física
Plano de ação para voltar
ao IMC normal
IMC de 25 a 29,9 kg/m² com
comorbidades
- Vigilância alimentar e
nutricional
- Orientação sobre alimentação
adequada e saudável e atividade
física
Prescrição dietética*
IMC de 30 a 40 kg/m² com e
sem comorbidades
- Vigilância alimentar e
nutricional
- Orientação sobre
alimentação adequada e
saudável e atividade física
Prescrição dietética.
Terapia comportamental*
e Farmacoterapia* (associada a
outros problemas)
Apoio diagnóstico e terapêutico
Regulação e Sistema de informação
31 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Crianças - Classificação do estado nutricional
Indivíduos menores de 10 anos:
• Crianças menores de 5 anos.
• Crianças de 5 a 10 anos incompletos.
Procedimentos iniciais para avaliação do perfil alimentar e nutricional
1- Peso e altura
2- Cálculo do IMC
3- Hábitos alimentares (aleitamento materno menores de 2 anos)
4- Disponibilidade e a variedade de alimentos e recebimento de benefícios de programas de transferência de renda.
(Formulário SISVAN/e-SUS)
5- Nível de atividade física e horas tela/dia (televisão, computador, vídeo game, etc)
6- Exame clínico
7- Calculo da idade em meses
8- Caderneta da Criança (gráfico e curva de crescimento)
*A mensuração de altura de crianças de 0 a 24 meses de idade deve ser realizada com a criança deitada (comprimento) e entre
as crianças maiores de 24 meses a mensuração deve ser feita em pé.
Classificação do estado nutricional de criança
Tabela 1 – Ponto de corte de IMC, de acordo com a idade, para diagnóstico de excesso de peso e obesidade
Idade
em
anos*
Meninos Meninas Idade em
anos*
Meninos Meninas
Sobrepeso Obesidade Sobrepeso Obesidade Sobrepeso Obesidade Sobrepeso Obesidade
2 17,33 18,84 17,09 18,72 6 16,76 18,52 17,01 19,22
2,5 17,09 18,56 16,92 18,53 6,5 16,89 18,75 17,13 19,48
3 16,89 18,34 16,80 18,42 7 17,05 19,02 17,29 19,79
3,5 16,75 18,21 16,76 18,44 7,5 17,23 19,33 17,49 20,15
4 16,67 18,17 16,77 18,53 8 17,44 19,67 17,73 20,56
4,5 16,63 18,21 16,83 18,67 8,5 17,66 20,06 18,01 21,02
5 16,62 18,29 16,90 18,81 9 17,91 20,47 18,33 21,51
5,5 16,68 18,35 16,92 19,01 9,5 18,18 20,92 18,67 22,03
*A idade completa é considerada até 5 meses e 29 dias. Por exemplo, uma criança com 3 anos 5 meses e 29 dias deverá entrar na faixa de 3 anos, e uma
criança com 3 anos e 6 meses deverá entrar na faixa de 3,5 anos
Tabela 2 – Critérios para classificação do estado nutricional, de acordo com os índices antropométricos
Valores Críticos
Índices Antropométricos
Crianças de 0 a 5 anos incompletos Crianças de 5 a 10 anos incompletos
Peso para
idade
Peso para
estatura
IMC para
idade
Estatura
para idade
Peso para idade
IMC para
idade
Estatura
para idade
< Percentil
0,1
< Escore-z -
3
Muito
baixo
peso para
a idade
Magreza
acentuada
Magreza
acentuada
Muito baixa
estatura
para a idade
Muito baixo
peso para a
idade
Magreza
acentuada
Muito baixa
estatura
para a idade
≥ Percentil
0,1 e <
Percentil 3
≥ Escore-z -
3 e <
Escore-z 2
Baixo
peso para
a idade
Magreza
Magreza
acentuada
Baixa
estatura
para a idade
Baixo peso para
a idade
Magreza
Baixa
estatura
para a idade
≥ Percentil 3
e < Percentil
15
≥ Escore-z -
2 e <
Escore-z -1
Peso
adequado
para a
idade
Eutrofia Eutrofia
Estatura
adequada
para a
idade
Peso adequado
para a idade
Eutrofia
Estatura
adequada
para a idade
≥ Percentil
15 e ≤
Percentil 85
≥ Escore-z -
1 e ≤
Escore-z +1
> Percentil
85 e ≤
Percentil 97
> Escore-z
+1 e ≤
Escore-z +2
Risco de
sobrepeso
Risco de
sobrepeso
Sobrepeso
> Percentil
97 e ≤
Percentil
99,9
> Escore-z
+2 e ≤
Escore-z +3
Peso
elevado
para a
idade
Sobrepeso Sobrepeso
Peso elevado
para a idade
Obesidade
> Percentil
99,9
> Escore-z
+3
Obesidad
e
Obesidade
Obesidade
grave
32 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Abordagens para o manejo do sobrepeso e da obesidade em lactentes, pré-escolares e escolares
São situações de alerta entre crianças peso
elevado para idade, com curva de crescimento
ascendente (criança, adolescente e gestante)
Para < de 2 anos, quando apresentar excesso de
peso, avaliar também a altura da criança. Déficit
de altura, essa pode ser recuperada, na maioria
dos casos, com uma intervenção adequada e
imediata
O índice antropométrico mais recomendado pelo
Sisvan para avaliação do excesso de peso é o IMC-
para idade.
Aleitamento Materno Exclusivo até os 6 meses de
idade
• Alimentos dos diferentes grupos (frutas, legumes e
verduras; cereais e leguminosas; carnes e leite), em formas
de papas.
• Evitar o consumo excessivo de farinhas, açúcar, sal,
óleos e alimentos industrializados (pois precipita o
desmame, prejudica o aleitamento materno e introduz uma
prática que contribui para o excesso alimentar).
6 meses de idade receber outros alimentos (2 papas de
frutas e 1 papa salgada com um alimento de cada
grupo)
7 meses de idade (2 papas de frutas e 2 papas
salgadas)
O leite materno deve continuar até o 2º ano de de vida
Atenção para desmame precoce e introdução de
alimentação suficiente em termos de conteúdo
energético e de nutrientes.
Atenção para contexto familiar - padrões de
comportamento alimentar, em termos de sabor, olfato,
textura, quantidade dos alimentos, horário e ambiente
das refeições etc.
12 meses de idade consumo de alimentos próprios da
família
O conceito da criança "gordinha" como sinônimo de
saúde deve ser reconstruído!
Promoção da alimentação saudável à criança
Alimentação da criança menor de 2 anos com base nos
10 passos da alimentação da criança
Uso de alimentos regionais, especialmente frutas,
legumes e verduras
Consumo de alimentos fontes de ferro.
Consumo de alimentos fontes de vitamina C com
alimentos fontes de ferro.
Consumo de fontes de vitamina A e de iodo.
Estímulo ao uso moderado do sal iodado.
Estímulo à produção de alimentos por meio de hortas
domésticas e comunitárias.
Alimentação saudável
A família e a escola determinam os alimentos que
serão oferecidos, estabelecendo limites (refrigerantes,
balas, doces, guloseimas, frituras e alimentos
gordurosos).
A educação nutricional deve envolver pais, professores,
nutricionistas, merendeiras e cantineiros
Atentar para influência da propaganda sobre a
alimentação
Na infância, consumo diário de arroz, feijão, frutas,
legume e verduras, incluindo os folhosos, laticínios e
carnes magras
Não incentivar: O prêmio por ingerir alimentos
nutritivos valoriza mais a recompensa do que o próprio
alimento.
Promover a prática de atividades lúdicas que
estimulem a atividade física no âmbito da família,
creche, escola e comunidade.
Adolescentes Classificação do estado nutricional
- Indivíduos com idade de 10 a 20 anos incompletos
Procedimentos iniciais para a avaliação do perfil alimentar e nutricional
1. Peso e altura.
2. Cálculo do IMC.
3. Hábitos alimentares (dentro e fora de casa: escola, finais de semana, lanches fora do lar e as possíveis influências dos grupos sociais).
4. Disponibilidade e a variedade de alimentos e recebimento de benefícios de programas de transferência de renda. (Formulário SISVAN/e-
SUS)
5. Nível de atividade física e horas de tela/dia (televisão, computador, vídeo game etc.).
6. Exame clínico.
7. Caderneta do Adolescente (gráfico e curva de crescimento).
8. Avaliar o estágio de maturação sexual de acordo com o proposto por Tanner.
33 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Critériosde Tanner para a avaliação do desenvolvimento puberal feminino e masculino
Classificação do estado nutricional de adolescentes
Tabela 4 – Ponto de corte de IMC, de acordo com a idade, para diagnóstico de excesso peso e de obesidade
Idade em
anos*
Meninos Meninas Idade em
anos*
Meninos Meninas
Sobrepeso Obesidade Sobrepeso Obesidade Sobrepeso Obesidade Sobrepeso Obesidade
10 18,48 21,40 19,03 22,57 15,5 23,12 27,44 23,83 28,58
10,5 18,81 21,91 19,43 23,13 16 23,53 27,87 24,10 28,87
11 19,16 22,45 19,86 23,72 16,5 23,91 28,27 24,32 29,11
11,5 19,54 23,01 20,32 24,34 17 24,27 28,63 24,50 29,28
12 19,95 23,58 20,81 24,97 17,5 24,60 28,95 24,65 29,42
12,5 20,38 24,16 21,31 25,60 18 24,91 29,24 24,77 29,52
13 20,83 24,76 21,80 26,21 18,5 25,19 29,50 24,87 29,60
13,5 21,30 25,35 22,28 26,79 19 25,45 29,72 24,97 29,67
14 21,77 25,92 22,73 27,32 19,5 25,45 29,72 24,97 29,67
14,5 22,23 26,46 23,15 27,80 20 25,45 29,72 24,97 29,67
15 22,68 26,97 23,51 28,22
*A idade completa é considerada até 5 meses e 29 dias, por exemplo, uma adolescente com 15 anos 5 meses e 29 dias deverá entrar na faixa de 15 anos, e uma
adolescente com 15 anos e 7 meses deverá entrar na faixa de 15,5.
Tabela 3 – Valores críticos e índices antropométricos para classificação do estado nutricional de adolescentes
VALORES CRÍTICOS
Índices antropométricos para adolescentes
IMC para idade Estaturas para idade
< Percentil 0,1 < Escore-z -3 Magreza Acentuada Muito baixa estatura para a idade
≥ Percentil 0,1 e < Percentil 3 ≥ Escore-z -3 e < Escore-z -2 Magreza Baixa estatura para a idade
≥ Percentil 3 e < Percentil 15 ≥ Escore-z -2 e < Escore-z -1
Eutrofia
Estatura adequada para a idade2,3
≥ Percentil 15 e ≤ Percentil 85 ≥ Escore-z -1 e ≤ Escore-z +1
> Percentil 85 e ≤ Percentil 97 > Escore-z +1 e ≤ Escore-z +2 Sobrepeso
> Percentil 97 e ≤ Percentil
99,9
> Escore-z +2 e ≤ Escore-z +3 Obesidade
> Percentil 99,9 > Escore-z +3 Obesidade grave
Fonte: Adaptado de Organización de la Salud. Curso de Capacitación sobre la evalución del crecimienti del niño versión 1 – Noviembre 2006. Ginebra, OMS, 2006.
São situações que indicam alerta entre adolescentes:
- Excesso de peso (acima do percentil 97 (escore-z +2), o
adolescente pode apresentar obesidade
- baixo peso (IMC para idade abaixo do percentil 0,1
(escore-z – 3) é muito magro)
- Desordens endócrina e tumores (estatura para idade
acima do percentil 99,9 (escore-z + 3) é muito alto)
- identificação de prática alimentar inadequada.
- O aumento do IMC em meninos é mais relacionado ao
aumento de massa magra do que ao tecido adiposo,
diferente das meninas.
34 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
É muito comum o culto exagerado ao corpo
- Meninas tendem a seguir dietas da moda para emagrecer
- Meninos iniciam a utilização indiscriminada de
suplementos nutricionais
- A substituição de alimentos in natura por produtos
industrializados e processados, muitas vezes mais
calóricos, pode acarretar excesso de peso e carências
nutricionais
- Esta fase oscila entre a perda de identidade infantil e a
aceitação da mudança corporal. Conflitos relacionados à
sexualidade podem estar presentes, sendo transferidos
para a alimentação, acarretamento, em alguns, o baixo
peso e, em outros, o excesso de peso
- Estimular o protagonismo juvenil.
Promoção da alimentação saudável ao adolescente
Proporcionar informações relacionadas aos alimentos,
como:
- Sazonalidade e consequentemente preço
- Análise de rótulos para compreensão da composição do
alimento,
- Data de validade e das condições das embalagens,
armazenagem,
- Sua utilização em preparações práticas, saudáveis e
saborosas.
Alimentação Saudável
- Alimentação escolar (merenda, cantina)
- Práticas alimentares X trabalho
- Estimular práticas de lazer (andar de bicicleta, jogar bola,
futebol, dançar, fazer ginástica, nadar e práticas rotineiras
para aumentar atividade física, tais como subir e descer
escadas, fazer caminhadas curtas)
• Devem ser desestimulados os hábitos promotores do
sedentarismo, como permanência excessiva em frente à
televisão, ao computador e em jogos de vídeo games.
Abordagem geral - A conduta nutricional pode ser dividida em cinco etapas:
Etapa 1 – Esclarecimento/Mudança
conceitual
• Conhecer os hábitos para estabelecer metas viáveis e factíveis.
• Esclarecer mitos, tabus e conceitos errôneos acerca de uma alimentação saudável.
Etapa 2 – Avaliação do
comportamento
Comportamentos comuns entre crianças e adolescentes:
• não fazem o desjejum (café da manhã),
• mastigação rápida,
• comem assistindo à TV,
• não têm horário para se alimentar,
• não têm uma rotina,
• comem escondidos com medo de serem repreendidos,
• compensam o consumo de carboidratos, que normalmente são "proibidos", com alimentos ricos em gordura (que
são mais calóricos),
• ingerem altas quantidades de líquidos que contêm calorias (sucos, refrescos, refrigerantes),
• pulam refeições e não têm consciência de quando comem.
Etapa 3 – Quantidade
Tarefas que podem ser pactuadas:
• Diminuir gradativamente a quantidade de alimentos consumidos.
• Utilizar uma ponta de faca de margarina em cada lado do pão.
• Não repetir as porções de lanches e refeições.
• Não comer na frente da televisão.
• Mastigar devagar.
• Comer nos horários preestabelecidos.
• Visualizar as porções das refeições, dos lanches, de guloseimas e líquidos que são consumidos.
• Alimentos fritos e ricos em gorduras devem ser contabilizados de maneira mais rigorosa.
• Sucos, refrescos e refrigerantes devem ser consumidos na porção de um copo a cada refeição (seja no almoço ou
no lanche da tarde).
Etapa 4 – Qualidade
Deve-se incentivar o consumo crescente de alimentos não habituais e saudáveis (frutas, verduras, legumes,
leguminosas, oleaginosas, água).
Etapa 5 – Manutenção
Momento em que a criança e/ou adolescente, ou sua família, utiliza as informações e os aprendizados adquiridos
nas fases anteriores para se adaptar às diversas situações (festas, viagens, cotidiano), controlando excessos,
realizando substituições e mantendo uma alimentação saudável.
35 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Quadro 2 – Verificação de fatores dietéticos relacionados à obesidade infantil e na adolescência
Fator dietetico Contribuição ao ganho de peso Ex. de questões para avaliação clínica
Restaurantes e fast
food
Refeições feitas fora de casa costumam fornecer porções maiores
e mais calóricas com menor qualidade nutricional.O aumento da
frequência de refeições fora de casa está associado ao aumento
do IMC.
"Quantas vezes por semana sua família costuma comer ou comprar
comida fora?"
"Quantas refeições por semana sua família faz em restaurantes ou
fast-foods?"
Bebidas adoçadas
com açúcar
O alto consumo de bebidas açucaradas está relacionado ao
aumento da prevalência de obesidade em crianças, mas a
causalidade ainda não está bem estabelecida. Suco de fruta
também pode ser considerado uma bebida adoçada.
"Quantas vezes ou quantos copos por dia seu filho consome das
seguintes bebidas: suco artificial, refrigerantes, leite achocolatado,
bebidas esportivas ou chás adoçados?"
Tamanho das
porções
Porções maiores levam ao aumento da ingestão energética.
"Seu filho costuma repetir ou pedir sempre porções maiores?"
"Quantas porções de macarrão, arroz ou cereal seu filho come por
refeição?" "Quantas porções de carne seu filho come por refeição?"
Densidade
energética dos
alimentos
A associação entre densidade energética dos alimentos e
obesidade está bem estabelecida em adultos, mas ainda não em
crianças.
"Com que frequência seu filho come alimentos fritos?"
“O que seu filho normalmente come nos lanches?”
"Qual o tipo de leite, queijo, pão e carne vocês costumamconsumir
em casa?"
Frutas e vegetais
Comer frutas e vegetais ajuda a substituir alimentos altamente
energéticos e aumentar a saciedade.
Há evidências de que o baixo consumo desses alimentos está
associado com obesidade.
"Quais as frutas e vegetais que você normalmente tem em casa?"
"Com que frequência seu filho come vegetais no almoço ou no
jantar?"
"Em quais refeições ou lanches seu filho come fruta?"
Café da manhã
Omitir o café da manhã está relacionado com o aumento da
obesidade em crianças, mesmo quando há diminuição da ingestão
calórica e tem efeitos adversos na performance escolar.
“Quanto tempo depois de acordar seu filho costuma comer ou beber
algo?”
"Seu filho toma café em casa ou na escola?"
"Com que frequência seu filho "pula" o café da manhã?"
Frequência
das refeições e
"beliscos"
"Beliscar" leva ao aumento da ingestão energética e piora da
qualidade da dieta. A associação direta entre "beliscar" e
obesidade infantil ainda não está bem estabelecida.
"Quantas refeições e lanches seu filho
faz em casa?"
“Onde seu filho come seus lanches?”
"Quanto tempo depois de uma refeição seu filho come um lanche?"
“Quantos lanches seu filho come nos finais de semana?”
IDOSOS
- Compreende todos os indivíduos com idade igual ou
acima de 60 anos Idosos
Procedimentos iniciais para a avaliação do perfil alimentar
e nutricional:
1. Peso e altura (adaptar a aferição para os que não
conseguem ficar em pé ou tem desvios acentuados de
coluna).
2. Cálculo do IMC.
3. Medida da cintura.
4. Hábitos alimentares.
5. Disponibilidade e a variedade de alimentos e
recebimento de benefícios de programas de transferência
de renda. (formulário SISVAN/e-SUS)
6. Nível de atividade física: trabalho fora de casa, trabalhos
domésticos, deslocamento, transporte, lazer, cuidado de
crianças ou idosos etc.
7. Exame clínico.
8. Exames bioquímicos.
Classificação do estado nutricional de idosos
Classificação do estado nutricional para idosos (acima
de 60 anos)
Índice
antropométrico
Pontos de
corte
Classificação do estado
nutricional
IMC
<22 kg/m2 Baixo peso
>22 e <27
kg/m2
Eutrófico
>27 kg/m2 Sobrepeso
Abordagens para o manejo do sobrepeso e da obesidade
em idosos
Indicam alerta entre idosos: sobrepeso; baixo peso; e
ocorrência de perda de peso significativa nos últimos
meses.
IMC igual ou maior que 27 kg/m2 (excesso de peso):
• Apresentar ao idoso e/ou ao cuidador o diagnóstico e
orientar quanto aos resultados dos exames clínicos e
bioquímicos (hiperglicemia, dislipidemias etc.) realizados.
• Avaliar a necessidade de nova solicitação de exames e de
encaminhamento para consulta com outros profissionais de
Saúde.
Perda de peso:
Um importante componente de risco para a fragilidade da
pessoa idosa é a perda expressiva de peso em um curto
período de tempo. Uma perda de peso não intencional de,
no mínimo, 4,5 kg ou de 5% do peso corporal no último
ano é indicativo que exige medidas para estabilizar e/ou
recuperar seu peso corporal, por meio da promoção de
uma alimentação saudável e da prática de exercícios
físicos sob orientação.
MIF: medida da independência funcional (capacidade em
desenvolver as atividades diárias)
Modificações fisiológicas ocasionadas pelo envelhecimento
importantes de serem avaliados na assistência ao idoso
• Perda da autonomia para comprar os alimentos, inclusive
financeira, para preparar os alimentos e para se alimentar;
• Perda parcial ou total da visão, audição e tato que
dificulte a seleção, o preparo e o consumo dos alimentos,
reduzindo a autonomia;
• Diminuição da sensação de sede e da percepção da
temperatura dos alimentos e perda de paladar e olfato,
interferindo em seu apetite;
36 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
• Ausência parcial ou total dos dentes, uso de próteses, lesão oral
e a diminuição da secreção salivar podem comprometer a
mastigação e a deglutição e diminuição dos movimentos
peristálticos, da secreção de ácido clorídrico, de enzimas
digestivas, do fator intrínseco e de sais biliares, principalmente
de gorduras, pode prejudicar a digestão e dificultar a absorção de
nutrientes;
• Diminuição de água e alteração da composição corporal com
redistribuição da gordura corporal, que diminui perifericamente e
aumenta no interior do abdômen, redução da massa muscular e
óssea, e redução progressiva da altura;
• Algum motivo que o faça restringir determinados tipos de
alimentos, como dietas para perda de peso, diabetes mellitus,
hipertensão arterial, hipercolesterolemia.
Além disso, sobre os aspectos sociais e psicológicos, destacam-se
a viuvez, a solidão e, em muitos casos, as dificuldades financeiras,
que, somadas às dificuldades de movimento ou de locomoção,
podem interferir na compra e no preparo de alimentos e,
consequentemente, no seu consumo.
O idoso que mantém sua autonomia para organizar seu cotidiano
deve ser considerado um idoso saudável, ainda quando portador
de uma ou mais doenças crônicas
Cuidados com a alimentação
• Regularidade de horários das refeições, sendo indispensáveis o
desjejum, o almoço, o lanche e o jantar;
• Menores quantidades de alimentos por refeição pode facilitar a
digestão visto que os processos digestivos estão mais lentos;
• No caso de dificuldade mastigatória, dar preferência a alimentos
bem cozidos, com consistência de papas ou purês;
• Alimentação variada, com os diferentes grupos de alimentos, ser
agradável a fim de despertar o apetite e o prazer de comer;
• Cuidado com o sabor, o aroma, a cor, a textura e a temperatura
dos alimentos, assim como o respeito pelos hábitos e preferências
de cada indivíduo, desde que saudáveis e não prejudiciais à sua
saúde.
O Ministério da Saúde recomenda os Dez Passos para a
Alimentação Saudável de Idosos (BRASIL, 2009) que propõe
orientações práticas a serem seguidas no cotidiano.
Incentivar:
• O consumo de alimentos ricos em fibras, tais como frutas e
hortaliças e cereais integrais, pois são nutritivos, coloridos e
indicados para evitar a constipação intestinal.
• O consumo de alimentos ricos em cálcio, tais como leite e
derivados, de preferência com pouca gordura, assim como a
exposição ao sol em horários apropriados, para manutenção
óssea.
• A ingestão hídrica, beber em média de 6 a 8 copos de água ou
outros líquidos por dia, para manter uma boa hidratação e evitar
quadros de constipação intestinal.
Evitar:
• O consumo de sal, açúcar, doces, alimento gordurosos,
alimentos e temperos industrializados.
• A ingestão de bebidas adoçadas e refrigerantes.
Oferecer uma atenção integrada, humanizada e levar em
consideração as necessidades específicas de cada indivíduo. Ações
para o cuidado deste grupo com estímulo à socialização podem
ser enfatizadas como passeios, jogos, leituras, brincadeiras,
atividades manuais, físicas e psicomotoras.
Gestantes
• O estado nutricional materno no início da gestação e o
ganho de peso adequado nesse período têm repercussões
sobre a saúde da mãe e do bebê.
• O estado nutricional deve ser determinado por meio da
classificação do IMC por semana gestacional.
• Na primeira consulta realizar a aferição do peso e da
estatura da gestante, além do cálculo da semana
gestacional.
Cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) da gestante
Importante: É preferível que o IMC considerado no
diagnóstico inicial da gestante seja o IMC pré-gestacional
referido (limite máximo são dois meses antes) ou o IMC
calculado a partir de medição realizada até a 13ª semana
gestacional. Se isso não for possível, deve-se iniciar a
avaliação da gestante com os dados da primeira consulta de
pré-natal, mesmo que esta ocorra após a 13ª semana
gestacional
Cálculo da semana gestacional
Quadro 4 – Conduta para calcular a semana gestacional a partir da data da última menstruação (DUM)
Situação Conduta
DUM conhecida pela
gestante
Emmulheres que possuem ciclos menstruais regulares, sem uso de métodos anticoncepcionais hormonais:
Cálculo com calendário – somar o número de dias do intervalo entre a DUM e a data da consulta, dividindo o
total por sete para se obter o resultado em semanas;
Cálculo com disco (gestograma) – colocar a seta sobre o dia e o mês correspondentes ao primeiro dia da
última menstruação e observar o número de semanas indicado no dia e no mês da consulta atual.
DUM desconhecida, mas
conhece-se o período do
mês em que ela ocorreu
Neste caso, se o período foi no início, meio ou fim do mês, deve-se considerar como data da última
menstruação os dias 5, 15 e 25, respectivamente. Uma vez definido o período, utilizar um dos métodos
acima descritos para calcular a DUM.
DUM e período da
última menstruação
desconhecidos
Se a data e o período do mês forem desconhecidos, a idade gestacional será determinada, inicialmente, por
aproximação por meio da medida da altura do fundo do útero e pelo toque vaginal, além da informação
sobre a data de início dos movimentos fetais, normalmente entre 16ª e 20ª semanas. Caso não seja possível
determinar a idade gestacional clinicamente, deve-se solicitar o mais precocemente possível o exame de
ultrassonografia obstétrica.
37 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Classificação do diagnóstico nutricional
ANEXO C – Avaliação do estado nutricional da gestante, segundo o Índice de Massa Corporal (IMC), por semana gestacional
Gráfico de Acompanhamento Nutricional da Gestante
– Índice de Massa Corporal, segundo semana de
gestação
Diagnóstico, acompanhamento e controle do ganho de
peso e do estado nutricional durante a gestação
Gestantes com excesso de peso devem ser consideradas
de risco e receber atenção diferenciada, incluindo
orientação alimentar, avaliação clínica e laboratorial
específica, e ser referenciadas para avaliação especializada
com o nutricionista.
As consultas para gestantes com excesso de peso devem
ser remarcadas em intervalos menores que o fixado no
calendário habitual de acompanhamento da gestante
Importante destacar que o ganho de peso da gestante deve
ser distinto, de acordo com seu IMC inicial (pré-
gestacional).
Gestante Adolescente
A classificação do estado nutricional para gestantes
apresentada neste documento (ATALAH, 1997) não é
adequada para gestantes adolescentes, devido ao
crescimento e imaturidade biológica presentes nesta fase
do ciclo de vida. O estado nutricional inicial da gestante
adolescente (realizado até a 13a semana de gestação) deve
ser determinado por meio da classificação do IMC
específicos para adolescentes, conforme o quadro a seguir.
Tabela 5 – Ponto de corte para avaliação de sobrepeso e obesidade para gestantes adolescentes
Idade em anos*
Ponto de corte
IMC – sobrepeso
Ponto de corte IMC –
obesidade
Idade em anos*
Ponto de corte IMC –
sobrepeso
Ponto de corte IMC
– obesidade
9 anos 18,3 21,5 15 anos 23,5 28,2
9 anos e seis meses 18,7 22 15 anos e seis meses 23,8 28,6
10 anos 19 22,6 16 anos 24,1 28,9
10 anos e seis meses 19,4 23,1 16 anos e seis meses 24,3 29,1
11 anos 19,9 23,7 17 anos 24,5 29,3
11 anos e seis meses 20,3 24,3 17 anos e seis meses 24,6 29,4
12 anos 20,8 25 18 anos 24,8 29,5
12 anos e seis meses 21,3 25,6 18 anos e seis meses 24,9 29,6
13 anos 21,8 26,2 19 anos 25 29,7
13 anos e seis meses 22,3 26,8 19 anos e seis meses 25 29,7
14 anos 22,7 27,3 20 anos 25 29,7
14 anos e seis meses 23,1 27,8
38 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Resumo dos passos para o diagnóstico nutricional da
gestante:
• Realizar as medidas antropométricas. Pesar a cada
consulta e medir a altura na primeira consulta. No caso de
gestantes adolescentes (pesar e medir), a avaliação da
altura deve ser realizada, no mínimo, a cada trimestre.
Calcular o IMC da gestante.
• Calcular a semana gestacional da mulher grávida.
• Localizar, no eixo horizontal, a semana gestacional
calculada e identificar, no eixo vertical, o IMC da gestante.
• Marcar um ponto na interseção dos valores de IMC e da
semana gestacional. (curva de crescimento gestacional)
• Classificar o estado nutricional da gestante segundo IMC
por semana gestacional, conforme legenda do gráfico: BP,
A, S, O. No caso de gestantes adolescentes, ver as
observações contidas no quadro apresentado
anteriormente.
• Estimar a recomendação do ganho de peso para a
gestante. (ascendente)
• A partir da segunda consulta, ligar os pontos obtidos e
observar o traçado resultante.
• A marcação de dois ou mais pontos no gráfico (primeira
consulta e subsequentes) possibilita construir o traçado da
curva por semana gestacional.
Diante do diagnóstico de sobrepeso e obesidade durante a
gestação, o profissional deve incluir a investigação de
obesidade pré- gestacional, edema, polidrâmnio,
macrossomia, gravidez múltipla (BRASIL, 2006b). Deve-se
fornecer orientação nutricional com o objetivo de
promover o peso adequado e hábitos alimentares
saudáveis. Contudo, durante a gestação, não é
recomendada a perda de peso e nem dietas de restrição
calórica, pois podem afetar o crescimento e
desenvolvimento fetal (MAMUN et al., 2010).
Ganho de peso
IMC Pré-
Gestacional
(kg/m2)
Ganho de
peso total
em kg
Ganho de
peso no 1º
trimestre em
kg
Ganho de peso por
semana no 2º e 3º
trimestre em kg
<18,5 baixo
peso
12,5 – 18
0,5 - 2
0,51 (0,44 – 0,58)
18,5 – 24,9
peso normal
11,5 – 16 0,42 (0,35 – 0,50)
25,0 – 29,9
sobrepeso
7 – 11,5 0,28 (0,23 – 0,33)
≥30,0
obesidade
5 - 9
0,22 (0,17 – 0,27)
Acompanhamento da evolução do estado nutricional
Importante: Deve-se considerar:
– traçado ascendente: ganho de peso adequado;
– traçado horizontal ou descendente: ganho de peso
inadequado (gestante de risco).
O traçado deve ser sempre ascendente, durante toda a
gestação, mesmo para gestantes com excesso de peso. No
entanto, este ganho de peso deve ser acompanhado e não
ultrapassar os limites da faixa de ganho de peso
recomendado.
Impacto da orientação dietética sobre a velocidade do
ganho de peso em mulheres grávidas atendidas em
unidades de Saúde
• As orientações para gestantes com excesso de peso
resumiram-se a:
– Priorizar intervalos entre as refeições (de três a quatro
horas);
– Não repetir as porções de alimentos das refeições e dos
lanches;
– Restringir o consumo diário de refrigerantes e doces;
alimentos industrializados ricos em gordura e também o
óleo das preparações;
– Determinar porções diárias de frutas, verduras e legumes.
As orientações dietéticas devem ser implementadas antes
da 20ª semana de gestação. Além do aconselhamento
nutricional, as gestantes devem ser aconselhadas sobre a
prática de atividade física, desde que adaptada à sua
condição individual e que não haja contraindicação médica.
Quadro 6 – Observações em caso de gestantes adolescentes e
gestação múltipla
Gestantes
adolescen
tes
O monitoramento do ganho de peso para gestantes
adolescentes pode ser realizado por meio do
Quadro 5, proposto pelo IOM. Como para as demais
gestantes, a aferição do peso deve ser feita em
todas as consultas, no entanto, para gestantes
adolescentes, a estatura deve ser medida pelo
menos a cada trimestre. Após o cálculo do IMC, o
registro na curva de acompanhamento também
deve ser realizado a cada consulta.
Gestação
múltipla
No caso de gestação múltipla, o ganho de peso total
compreendido até 37-42 semanas de gestação deve
ser entre 14 kg e 23 kg para mulheres com
sobrepeso e entre 11 kg e 19 kg, para mulheres
com obesidade. (INSTITUTO DE MEDICINA, 2005).
O mesmo procedimento para as demais gestantes
deve ser realizado a cada consulta, cálculo do IMC e
registro na curva de acompanhamento.39 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Edema
• Acúmulo generalizado de fluidos representado por mais
de 1+ de edema depressível após 12 horas de repouso no
leito, ou ganho de peso de 2,27 kg ou mais em uma
semana.
• Edema isolado no final da gestação é frequente (25% das
gestações) e não representa maior risco. Sendo assim, é
necessário detectar precocemente a ocorrência de edema
patológico.
Quadro 7 – Interpretação do edema na gestação
Achados Notação Conduta
Edema ausente. (-)
Acompanhamento
conforme o calendário de
rotina.
Apenas edema
de tornozelo,
sem hipertensão
ou aumento
súbito de peso.
(+)
Avaliar a associação com
postura, ao final do dia,
ao aumento da
temperatura ou ao tipo
de calçado.
Edema limitado
aos MMIIs, com
hipertensão ou
aumento de
peso e/ou
proteinúria +.
(++)
Aumentar repouso em
decúbito lateral
esquerdo. Verificar a
presença de
sinais/sintomas de pré-
eclâmpsia grave e
interrogar sobre
movimentos fetais. A
gestante deve ser
avaliada pelo médico e
encaminhada para o
serviço de alto risco.
Edema
generalizado
(face, tronco e
membros), ou
que já se
manifesta ao
acordar,
acompanhado
ou não de
hipertensão ou
aumento súbito
de peso.
(+++)
Gestante de risco em
virtude de suspeita de
pré-eclâmpsia ou outras
intercorrências. A
gestante deve ser
avaliada pelo médico e
encaminhada para
serviço de alto risco.
Edema
unilateral de
MMII, com dor
e/ ou sinais
flogísticos.
Suspeita de processo
trombótico
(tromboflebites, TVP). A
gestante deve ser
avaliada pelo médico e
encaminhada para
serviço de alto risco.
Fonte: BRASIL, 2006b.
Atividade física durante a gestação
Quadro 8 – Contraindicações a exercício aeróbico e sinais para
interrupção do exercício físico durante a gestação
Contraindicações
absolutas ao
exercício aeróbico
durante a gestação
Doença cardíaca hemodinamicamente
significativa
Doença pulmonar restritiva
Incompetência cervical
Gestação múltipla com risco de parto
Sangramento persistente após 2º ou 3º
trimestre
Placenta prévia após 26 semanas de
gestação
Parto prematuro
Ruptura de membranas
Síndrome hipertensiva da gravidez
Contraindicações
relativas ao
exercício aeróbico
durante a gestação
Anemia grave
Arritmia cardíaca materna não avaliada
Bronquite crônica
Diabetes tipo 1 mal controlado
Obesidade mórbida
Baixo peso extremo
História de sedentarismo extremo
Restrição do crescimento intrauterino
Hipertensão mal controlada
Limitações ortopédicas
Desordens do equilíbrio não controladas
Hipertireoidismo mal controlado
Fumo excessivo
Sinais de alerta para
interrupção do
exercício físico
durante a gestação
Sangramento vaginal
Dispneia
Vertingens
Cefaleia
Dor torácica
Fraqueza muscular
Dor ou inchaço em panturrilha
Parto prematuro
Redução do movimento fetal
Perda de líquido amniótico
Nutrizes
• No puerpério, ocorre a adaptação desta nova situação e
da nova imagem corporal, as mulheres necessitam de maior
apoio da família, dos amigos e dos profissionais de Saúde.
• A alimentação saudável deve ser estimulada, de maneira
a facilitar a diminuição do peso de forma gradual e sem
danos à saúde da mulher. A combinação dos cuidados com
a alimentação e a prática de atividade física (após
autorização médica) pode ser preferível para perda de peso
no pós-parto (AMORIM; LINNE; LOURENCO, 2009).
• Neste período, deve-se evitar o excesso de bebidas
adoçadas, refrigerantes e outros alimentos podem ser
muito calóricos ou inadequados.
Aleitamento Materno
• Destaca-se a importância do incentivo e apoio ao
aleitamento materno, principalmente no caso de nutrizes
com sobrepeso ou obesas.
• A amamentação aumenta a demanda de energia diária
nas mulheres e, por isso, pode facilitar o retorno ao peso
pré-gestacional, principalmente se a amamentação for
exclusiva. (REA, 2004)
• Entre as mulheres mais jovens, a amamentação pode
levar a uma significativa perda de peso adicional.
40 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Mulher na menopausa
• Grande impacto na composição corporal:
– mudanças metabólicas, como a diminuição da taxa
metabólica ao repouso, diminuição da síntese de colágeno,
perda de massa magra e aumento de gordura corporal
total, principalmente a abdominal, fatores que concorrem
para o aumento da massa corporal. (COUTINHO, 1998; LINS, 1999; MONTILLA et al.,
2003; REIS et al., 2000)
• É de extrema importância:
– estímulo e incentivo à atividade física
– associada à alimentação saudável
– enfatizando determinados nutrientes, como o cálcio.
Outros exames que devem ser realizados em pacientes com excesso de peso (IMC >25 kg/m2)
Circunferência da cintura
Quadro 9 – Classificação do risco aumentado para doenças
cardiovasculares de acordo com a circunferência de
cintura
Valor de circunferência da cintura
Mulheres >80,0 cm
Homens >94,0 cm
Lipidograma
Quadro 10 – Recomendações dos teores de lipídios ou
gorduras no sangue
LIPIDOGRAMA RECOMENDAÇÃO
Triglicerídeos <150 mg/dL
HDL – colesterol
Para homens: >40 mg/dL
Para mulheres: >50 mg/dL
LDL – colesterol <160 mg/dL
Pressão arterial
Tabela 6 – Valores de pressão arterial no consultório, Mapa, Ampa e
MRPA, que caracterizam hipertensão, hipertensão do avental branco e
hipertensão mascarada
Consultório Mapa Vigília Ampa MRPA
Normotensã
o ou
hipertensão
controlada
<140/90 ≤130/85 ≤130/85 ≤130/85
Hipertensão ≥140/90 >130/85 >130/85 >130/85
Hipertensão
do avental
branco
≥140/90 <130/85 <130/85 <130/85
Hipertensão
mascarada
<140/90 >130/85 >130/85 >130/85
Glicemia
Tabela 7 – Valores preconizados para o diagnóstico de DM tipo 2 e seus
estágios pré-clínicos
Categoria
Glicem
ia de
jejum*
TTG: 2
horas após
75 g de
glicose
Glicemia
casual**
Hemoglobina
glicada (HbA1C)
Glicemia
normal
<110 <140 <200
Glicemia
alterada
>110 e
<126
Tolerância
diminuída à
glicose
>140 e
<200
Diabetes
mellitus
>126 >200
200 (com
sintomas
clássicos
***)
>6,5%
*O jejum é definido como a falta de ingestão calórica por, no mínimo oito
horas. **Glicemia plasmática casual é definida como aquela realizada a
qualquer hora do dia, sem se observar o intervalo desde a última refeição.
***Os sintomas clássicos de DM incluem poliúria, polidipsia e polifagia.
Avaliação do risco cardiovascular
Estratificação de risco cardiovascular (Escore de
Framingham)
– Estimar o risco de cada indivíduo sofrer uma doença
arterial coronariana nos próximos dez anos.
• Esta estimativa se baseia na presença de múltiplos fatores
de risco, como sexo, idade, níveis pressóricos, tabagismo,
HDLc e LDLc. A partir da estratificação de risco, selecionam-
se indivíduos com maior probabilidade de complicações, os
quais se beneficiarão de intervenções mais ofensivas.
A obesidade sem comorbidades, representa no escore de
Framingham um risco baixo/intermediário. No entanto, ao
elaborar um plano de cuidado, o profissional precisa
considerar que um IMC > 40 kg/m2 pode predispor a pessoa
a risco de doença cardiovascular prematura. Além disso,
pessoas com IMC a partir de 30 kg/m2, especialmente
aqueles com obesidade central, deverão ter sua pontuação
no escore multiplicada por 1,3
Avalição de Condições Endócrinas
Quadro 11 – Doenças endócrinas associadas ao excesso de peso
Doença
endócrina
Quadro clínico
associado
Comentários
Hipotireoidis
mo
Fadiga, intolerância ao
frio, constipação,
bradicardia, rarefação
de pelos.
Ganho de peso modesto
– não explica obesidade
mórbida.
Síndrome de
Cushing
Obesidade central, giba,
atrofia da pele, estrias
violáceas, equimoses.
Rara. Causa mais comum
é o uso crônico de
corticosteroides.
Síndrome de
ovários
policísticos
Hirsutismo/hiperandrog
enismo,
oligo/amenorreia,
resistência insulínica.
Relação causa-efeitocom a obesidade não
está estabelecida.
Deficiência de
hormônio do
crescimento
(GH)
História de deficiência
de GH na infância. Pan-
hipopituitarismo
associado (tumor de
hipófise,
craniofaringioma).
Rara. Tratamento
indicado apenas quando
as manifestações clínicas
são graves.
Obesidade
hipotalâmica
Cefaleia, alteração
visual, infertilidade,
convulsão, sonolência,
alterações de
comportamento,
diabetes insipidus,
insuficiência adrenal.
Muito rara. Associada a
trauma, a tumor, doença
inflamatória, à
manipulação cirúrgica de
fossa posterior ou à
hipertensão
intracraniana.
Fonte: Pablo Lannoy Stürmer.
41 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Obesidade e câncer
• No Brasil pelo menos 1 em cada 10 casos desses tipos de
câncer (esôfago, pâncreas, colorretal, mama, vesícula biliar,
endométrio e rins) relacionados à obesidade poderia ser
evitado por meio do controle do peso (BRASIL, 2009).
– As próprias células de gordura produzem fatores pró-
inflamatórios que podem agredir células saudáveis e
transformá-las em células precursoras de câncer.
– Pessoas com excesso de peso apresentam maior
concentração de hormônios que estimulam a proliferação
celular e inibem a apoptose (morte programada das
células), e isso também pode provocar a iniciação de um
câncer.
Estratégias de Abordagem
1. Estabelecimento de um plano de ação para mudança de
comportamento com foco na promoção da alimentação
saudável e atividade física
2. Avaliação do estágio de mudança do comportamento
(Estágios motivacionais de mudança: 1- Pré-Contemplação
(promover mudança de comportamento), 2- Contemplação, 3-
Preparação, 4- Ação, 5-Manutenção)
3. Avaliação do consumo alimentar
4. Orientação alimentar com vistas à promoção do peso
saudável
Figura 4 – Proposta de algoritmo para avaliação dos
estágios de mudança em relação à perda de peso
Figura 5 – Proposta para o processo de estabelecimento
de metas
Estratégias de Abordagem
Abordagem Cognitivo-Comportamental Classificando o
Pensamento Disfuncional
• Hipergeneralização (Ex.: “Massa engorda”).
• Magnificação (Ex.: “Todo mundo vai notar esses 600 g a
mais”).
• Raciocínio Dicotômico (Ou tudo ou nada - Ex.: “Comi a
sobremesa e depois devorei tudo que encontrei pela
frente, o dia estava perdido mesmo, amanhã eu recomeço
certinho".)
• Pensamento Irracional (Ex.: “Tudo que eu como vira
gordura”.)
Identificando desencadeantes e modificando o
pensamento disfuncional
Técnica de autorregistro ("Boletim de Ingestão Diária“)
Nutricionista
Servirá para identificar os alimentos e o contexto em que
ele se torna um facilitador do comer compulsivo.
Essas informações serão de grande utilidade para o
profissional que as utilizará como advertências na hora de
elaborar o plano alimentar, evitando aquilo que puder
impedir o seu êxito.
Abordagem familiar
• GENOGRAMA (eco mapa: como a família relaciona com a
sociedade)
• PRACTICE (comportamento da familia)
Na abordagem da obesidade, ferramentas como o
genograma podem demonstrar:
• Quem mais é obeso na família.
• Quais os tipos de relações dos diferentes familiares com
os indivíduos obesos.
• Se o excesso de peso está associado à depressão ou à
outra doença.
• Se existe algum padrão, tanto no aparecimento da
obesidade quanto na forma de relacionar-se com quem
tem obesidade, que se repete por gerações.
42 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Quadro 17 – As dimensões do PRACTICE
Dimensão e breve
explicação
Ações para abordagem
Problema:
Reconhecer o
problema a ser
enfrentado, seus
significados e efeitos
para a família.
Escutar o que a família diz sobre a
obesidade.
Qual o significado da obesidade para os
membros da família (culpa? vergonha?)?
Quais os efeitos da obesidade na família
(como lidam com determinadas situações,
mudanças no cardápio)?
Papéis:
Identificar as
diferentes funções
dos membros da
família, do problema
e do profissional de
saúde.
O que a pessoa com obesidade faz de
diferente na família por causa de sua
condição?
Como cada membro da família pode agir
para enfrentar a obesidade? Ver Quadro
18. O que a família espera do profissional
de Saúde?
Afeto:
Como a família se
relaciona
afetivamente entre si
e com o profissional
de Saúde.
Mostrar empatia.
Autorizar a expressão de sentimentos.
Como é o envolvimento afetivo entre a
pessoa com obesidade e os demais
membros?
Comunicação:
Forma de se
comunicar entre os
membros da família e
com o profissional de
saúde
Facilitar comunicação aberta.
Não deixar assuntos inacabados.
Desafiar alianças veladas.
Tempo no ciclo de
vida:
Qual a fase do ciclo
de vida por que
passa a família e
como a obesidade
afeta a transição.
Identificar a fase do ciclo de vida familiar.
Discutir a transição no ambiente familiar.
História do
adoecimento:
Como a família vê a
obesidade (medos,
crenças, padrão
entre gerações).
Abordar medos e crenças.
Abordar repetições de padrão.
Comunidade e seus
recursos
Existem espaços na comunidade que
facilitam o enfrentamento da obesidade
(locais para atividade física, grupos de
controle do peso)?
Como a família vê esses recursos?
Ambiente
As combinações para a redução de peso
são dificultadas pelo ambiente externo
(escola, trabalho)?
Fonte: Adaptado de ASEN et al., 2012
Quadro 18 – Papéis comumente adotados por familiares de
pessoas com obesidade
Papel Exemplos
Sabotador
A esposa que não muda sua forma de cozinhar.
A avó que segue dando guloseimas para a criança.
Crítico
O marido que zomba da esposa quando ela vai ao
grupo de perda de peso.
Motivador
Familiar que apoia e colabora com as mudanças
para a perda de peso.
Tratamento Dietoterápico (nutricionista)
1) Leitura do prontuário
2) Apresentação do profissional
3) Conhecer o motivo da consulta
4) Conhecer a história social
5) Conhecer a história clínica individual e familiar e análise
de exames laboratoriais
6) Realizar anamnese alimentar
7) Realizar a avaliação antropométrica
8) Realizar diagnóstico clínico-nutricional
9) Elaborar o plano alimentar individualizado
10) Finalizar consulta
11) Registrar no prontuário e no sistema de informações
12) Consultas de acompanhamento
Tratamento Medicamentoso
Medicamentos associados a ganho de peso
Psicofármacos
Antipsicóticos típicos – clorpromazina
Antipsicóticos atípicos – risperidona,
clozapina, olanzapina
Estabilizadores de humor – lítio, ácido
valproico, carbamazepina
Antidepressivos tricíclicos – amitriptilina,
imipramina, nortriptilina, mirtazapina
Inibidores seletivos da receptação de
serotonina –paroxetina
Antiepiléticos – valproato de sódio
Benzodiazepínicos – diazepam, alprazolam
e flurazepam
Antidiabéticos
Insulina
Sulfonilureias – glipizida, tolbutamida,
clorpropamida
Hormônios
Corticosteroides
Medroxiprogesterona
Fonte: CGAN/DAB/SAS
43 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Tratamento Cirúrgico
Quadro 20 – Diretrizes gerais para o tratamento cirúrgico da obesidade e acompanhamento pré e pós-cirurgia bariátrica
Ressalta-se que o tratamento cirúrgico é apenas parte do tratamento integral da obesidade, que é prioritariamente baseado na promoção
da saúde e no cuidado clínico longitudinal, conforme descrito nesta portaria. O tratamento cirúrgico é indicado apenas em alguns casos,
cujas indicações estão descritas abaixo; portanto, é apenas uma ação dentro do toda da linha de cuidado das pessoas com sobrepeso e
obesidade.
1. Indicações para cirurgia bariátrica:
a.Indivíduos que apresentem IMC ≥50 kg/m2;
b.Indivíduos que apresentem IMC ≥40 kg/m², com ou sem comorbidades, sem sucesso no tratamento clínico longitudinal
realizado, na Atenção Básica e/ou na Atenção Ambulatorial Especializada, por, no mínimo, dois anos e que tenhamseguido
protocolos clínicos;
c.Indivíduos com IMC >35 kg/m2 e com comorbidades, como pessoas com alto risco cardiovascular, diabetes mellitus e/ou
hipertensão arterial sistêmica de difícil controle, apneia do sono, doenças articulares degenerativas, sem sucesso no tratamento
clínico longitudinal realizado por, no mínimo, dois anos e que tenham seguido protocolos clínicos;
Os seguintes critérios devem ser observados:
I. Indivíduos que não responderam ao tratamento clínico longitudinal, que inclui orientação e apoio para mudança de hábitos, realização
de dieta, atenção psicológica, prescrição de atividade física e, se necessário, farmacoterapia, realizado na Atenção Básica e/ou Atenção
Ambulatorial Especializada por, no mínimo, dois anos e que tenham seguido protocolos clínicos;
II. Respeitar os limites clínicos de acordo a idade. Nos jovens entre 16 e 18 anos, o tratamento cirúrgico não deve ser realizado antes da
consolidação das epífises de crescimento nos jovens, as cirurgias poderão ser realizadas naqueles que apresentarem o escore-z maior que
+4 na análise do IMC por idade, a avaliação deve incluir: a análise da idade óssea e a avaliação criteriosa do risco-benefício, realizada por
equipe multiprofissional com participação de profissional especialista.
Nos adultos com idade acima de 65 anos, deve ser realizada avaliação individual por equipe multiprofissional, considerando a avaliação
criteriosa do risco-benefício, risco cirúrgico, presença de comorbidades, expectativa de vida e benefícios do emagrecimento;
III. Cardiológica, endocrinológica, pulmonar, gastroenterológica, anestésica. O indivíduo e seus responsáveis devem compreender todos
os aspectos do tratamento e assumirem o compromisso com o segmento pós-operatório, que deve ser mantido por tempo a ser
determinado pela equipe;
IV. Compromisso consciente do paciente em participar de todas as etapas da programação, com avaliação pré-operatória rigorosa
(psicológica, nutricional, clínica).
2. Contraindicações para cirurgia bariátrica:
a. Limitação intelectual significativa em pacientes sem suporte familiar adequado;
b. Quadro de transtorno psiquiátrico não controlado, incluindo uso de álcool ou drogas ilícitas; no entanto, quadros psiquiátricos
graves sob controle não são contraindicativos obrigatórios à cirurgia;
c. Doença cardiopulmonar grave e descompensada que influencie a relação risco-benefício;
d.Hipertensão portal, com varizes esofagogástricas; doenças imunológicas ou inflamatórias do trato digestivo superior que
venham a predispor o indivíduo a sangramento digestivo ou outras condições de risco;
e.Síndrome de Cushing decorrente de hiperplasia na suprarrenal não tratada e tumores endócrinos
Atenção dietética na cirurgia bariátrica
• Pré-operatório
– Orientar o candidato à cirurgia.
– Reduzir o risco cirúrgico induzindo a perda ponderal.
– Estimular uma atitude adequada do obeso com a sua alimentação.
O papel dos profissionais da Atenção - Básica na cirurgia bariátrica
– Atenção Básica e equipe de Apoio Matricial (NASF) devem manter contato com a equipe de Atenção Especializada, para juntos
apoiarem o indivíduo e sua família especialmente no que se refere à disciplina alimentar, e ao acompanhamento psicológico por
meio da escuta qualificada sobre os aspectos subjetivos vinculados ao corpo obeso e todo o sofrimento psíquico e social, além
de dar suporte aos indivíduos na preparação para a cirurgia.
• Pós-operatório
– O acompanhamento compartilhado deve ser mantido, aconselhar para evitar episódios de dumping; orientar para a finalização
da evolução dietética, bem como o adequado balanceamento nutricional; e acompanhar a adesão à suplementação nutricional
prescrita.
– Conforme o quadro a seguir.
44 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Quadro 21 – Evolução dietética no pós-operatório da cirurgia bariátrica
Tipo de dieta Duração Quantidade Características Objetivos
Dieta líquida
restrita ou
líquida de prova
ou líquida clara
1 dia (em
geral, no 3º
dia pós-
operatório)
De 20 ml a 50 ml
por refeição (o
equivalente a um
copinho de café)
Alimentos líquidos à temperatura ambiente.
Refrescos e chás (sem açúcar) e caldos de
vegetais. Excluídos
leites e derivados e sucos de fruta espessos.
Servida em pequenas quantidades e em
intervalos frequentes para suprir a
necessidade hídrica.
Fornecer alimentos
fluidos, facilmente
absorvidos, com mínimo de
estímulo
e reduzidos em resíduos para
avaliar a função digestiva
após jejum pós-operatório.
Dieta líquida
completa
Cerca de 1
mês
Cerca de 100 ml a
200 ml por refeição
(3 colheres de sopa)
Alimentos líquidos à temperatura ambiente,
incluindo mingaus, vitaminas, iogurtes e
preparações mais elaboradas como sopas
liquidificadas.
Evitar sobrecarga de volume
e consistência e estímulos
antes da adaptação completa
das anastomoses.
Dieta
semilíquida
ou líquida
pastosa
Variável.
Dieta de
transição.
Cerca de 100 ml a
200 ml por refeição
(3 colheres de sopa)
Inclui todos os alimentos da líquida
completa, além de sopas não liquidificadas e
preparações mais consistentes (purês, arroz
papa e carnes moídas ou desfiadas e
liquidificadas).
Fornecer alimentos que não
necessitem
de mastigação e que sejam
facilmente
deglutidos e digeridos. Dieta
de transição para aquelas de
maior consistência e muitas
vezes não incluída na
evolução dietética do
paciente.
Dieta pastosa
Cerca de 1
mês
De 150 g a 200 g
por refeição (4
colheres
de sopa)
Purês, papas ou cremes (suflês, arroz papa,
feijão liquidificado, macarrão, carne moída,
almôndega, frango desfiado, atum ralado,
fígado moído, ovo cozido, frutas cozidas,
amassadas ou raspadas, biscoitos
amolecidos).
Oferecer alimentos que
exijam o mínimo
de mastigação e sejam de
fácil trânsito e digestibilidade.
Dieta branda
Indeterminad
a, depende do
nível de
tolerância do
paciente
Cerca de 200 g por
refeição (4 a 5
colheres de sopa)
Alimentos de consistência normal, mas há
restrição de
fibras (com exclusão
dos vegetais crus) e
aumenta-se o tempo
de cozimento. Sem
frituras.
Fornecer dieta com
apresentação natural e de
mais fácil digestão, pela
restrição de fibras e
gorduras
Dieta normal
De 200 g a
250 g por
refeição (5 a
6 colheres de
sopa)
Dieta completa, sem
restrições
Para pacientes que não
dependem de
modificações dietéticas,
mantendo
apenas o controle do
volume e a adequação dos
nutrientes.
Distúrbios alimentares: bulimia, compulsão alimentar e transtornos alimentares
• Anorexia nervosa
• Bulimia nervosa
• Transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP)
Quadro 22 – Critérios diagnósticos para anorexia nervosa segundo o DSM-IV e a CID-10
DSM-IV CID-10
1. Recusa em manter o peso dentro ou acima do mínimo normal
adequado à idade e altura (por exemplo, perda de peso levando à
manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado, ou
fracasso em ter o peso esperado durante o período de crescimento,
levando a um peso corporal menor que 85% do esperado).
2. Medo intenso de ganhar peso ou de se tornar gordo, mesmo com
peso inferior.
3. Perturbação no modo de vivenciar o peso, tamanho ou forma
corporal; excessiva influência do peso ou na forma corporal na
maneira de se autoavaliar; negação do peso corporal atual.
4. Para mulheres, ausência de pelo menos três ciclos menstruais
consecutivos. Especificar tipos:
– Restritivo: não há episódio de comer compulsivamente ou prática
purgativa.
– Compulsão periódica/purgativo: existe episódio de comer
compulsivamente e/ou purgação.
1. Há perda de peso ou, em crianças, falta de ganho de peso; o
peso corporal é mantido pelo menos 15% do esperado.
2. A perda de peso é autoinduzida pela evitação de alimentos que
engordam.
3. Há uma distorção na imagem corporal, na forma de
psicopatologia específica de pavor de engordar.
4. Um transtorno endócrino generalizado envolvendoo eixo
hipotálamo-hipófise-gônadas é manifestado em mulheres como
amenorreia e em homens como perda de interesse e potência
sexuais.
5. Se o início é pré-puberal, a sequência de eventos da puberdade
é demorada ou mesmo detida em meninos e meninas. Com a
recuperação, a puberdade é completada
normalmente, mas a menarca é tardia.
45 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Quadro 23 – Critérios diagnósticos para bulimia nervosa segundo o DSM–IV e a CID–10
DSM–IV CID–10
1. Episódios recorrentes de consumo alimentar compulsivo (episódios bulímicos)
com as seguintes características:
a. Ingestão em pequeno intervalo de tempo (cerca de 2 horas) de quantidade de
alimentos claramente maior que o consumo habitual;
b. Sensação de perda de controle sobre o comportamento alimentar durante os
episódios (isto é, sensação de não conseguir parar de comer ou de controlar o que
ou
quanto está comendo).
2. Comportamentos compensatórios inapropriados para prevenir ganho de peso,
como vômito autoinduzido, abuso de laxantes, diuréticos ou outras drogas, dieta
restrita ou jejum ou exercícios vigorosos.
3. Episódios bulímicos e comportamentos compensatórios ocorrem, em média, 2
vezes por semana por, pelo menos, 3 meses.
4. Autoavaliação é indevidamente influenciada pela forma e pelo peso corporal.
5. O distúrbio não ocorre exclusivamente durante episódios de anorexia nervosa.
Especificar tipos:
– Purgativo: autoindução de vômitos, uso
indevido de laxantes e diuréticos, enemas;
– Sem purgação: prática de exercícios
excessivos, jejuns.
1. Preocupação persistente com o comer e forte
desejo ou sentimento de compulsão por comer.
2. Paciente tenta neutralizar efeitos de “engordar”
dos alimentos por meio de vômitos autoinduzidos,
períodos de alternação de inanição e uso de drogas.
Em pacientes
diabéticos, pode haver negligência ao tratamento
insulínico.
3. Autopercepção de que se está muito gordo, com
pavor intenso de engordar e com prática de
exercícios excessivos ou de jejuns. Paciente coloca
para si mesmo um limiar de peso nitidamente
definido, bem abaixo de seu peso pré-mórbido que
constitui o peso ótimo na opinião do médico. Há,
frequentemente, mas não sempre, histórico de
episódio de anorexia nervosa, expresso ou atenuado,
com perda
de peso moderada e/ou fase transitória de
amenorreia.
Fonte: Adaptado de GALVÃO et al., 2006.
O papel da Atenção Básica nos transtornos alimentares
Em alguns casos, o médico pode diagnosticar e encaminhar os casos para tratamento especializado. Há de se considerar a
importância que a equipe de AB, em conjunto com o Nasf, assumem no encaminhamento a centros de atendimento
especializados, que dispõem de equipe multiprofissional treinada e habilitada para o manejo destes distúrbios. O trabalho dos
profissionais que atuam no Nasf pressupõe ainda a definição de critérios para o encaminhamento a outros pontos da rede de
assistência à saúde (BRASIL, 2010).
Instrumentos para avaliação dos transtornos alimentares
• Teste de Atitudes Alimentares ou Eating Attitudes Test (EAT)
• Escala de Compulsão Alimentar Periódica (ECAP)
Questões:
1-Fundação Carlos Chagas – 2018) Paciente adulta, sexo
feminino, com diagnóstico de obesidade grau III, realiza
acompanhamento em seu ambulatório de nutrição para redução
do peso. O método mais indicado nesse caso, na prática
ambulatorial, para avaliar a distribuição do tecido adiposo é:
a. a bioimpedância elétrica.
b. a antropometria.
c. o índice de massa corpórea.
d. a tomografia computadorizada.
e. a hidrodensitometria.
2-Para a avaliação antropométrica por meio da medida da
circunferência abdominal, a OMS estabelece como ponto
de corte, indicativo de risco aumentado para
complicações metabólicas, para homens e mulheres, valor
igual ou superior, em cm, a, respectivamente:
a. 92 e 78.
b. 92 e 80.
c. 94 e 80.
d. 94 e 88.
e. 104 e 88.
3-Os índices antropométricos mais utilizados,
recomendados pela OMS e adotados pelo Ministério da
Saúde para avaliação do estado nutricional de crianças de
5 a 10 anos incompletos, são:
a. peso para idade, estatura para idade e IMC para
idade.
b. peso para idade e circunferência abdominal para
idade.
c. peso para estatura e circunferência abdominal
para idade.
d. peso para estatura, estatura para idade e IMC
para idade.
e. estatura para a idade e circunferência abdominal
para idade.
4-A Organização Mundial de Saúde (OMS) promove o IMC
como indicador aproximado para avaliar o peso. Existem
valores de pontos de corte que se baseiam na relação do
IMC com a taxa de mortalidade e os fatores de risco para
o desenvolvimento de doenças encontradas nas
populações brancas.Diante do contexto, a classificação
correta desta relação com o IMC em adultos é:
a. IMC < 18,5kg/m² é classificado como abaixo do
peso e remete ao médio risco para o
desenvolvimento de comorbidades.
b. IMC < 18,5kg/m² é classificado como abaixo do
peso e remete ao moderado risco para o
desenvolvimento de comorbidades.
c. IMC entre 18,5 e 24,9kg/m² é classificado na
faixa de normalidade e remete ao baixo risco
para o desenvolvimento de comorbidades.
d. IMC entre 30,0 e 34,9kg/m² é classificado como
obeso de classe I e remete ao moderado risco
para o desenvolvimento de comorbidades.
e. IMC > 40kg/m² é classificado como obeso de
classe III e remete ao grave risco para o
desenvolvimento de comorbidades.
46 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
5-O IMC por idade foi recomendado como o melhor
indicador nutricional na adolescência. Sobre a utilização
desse indicador para avaliação nutricional de
adolescentes, está correto afirmar que esse indicador:
a. foi validado como indicador de gordura corporal
nos percentis superiores e oferece continuidade
de análise na fase adulta.
b. foi validado como indicador de gordura corporal
nos percentis inferiores e oferece continuidade
de análise na fase adulta.
c. foi validado como indicador de massa magra nos
percentis superiores e oferece continuidade de
análise na fase adulta.
d. reflete o peso corporal nos percentis inferiores e
oferece continuidade de análise na fase adulta.
e. reflete o peso corporal nos percentis superiores
e oferece continuidade de análise na fase adulta.
6-(CESPE/CEBRASPE - 2013) Uma paciente de quarenta e cinco
anos de idade, considerando-se acima do peso, procurou
atendimento com um médico nutrólogo para avaliação e
orientação. Inicialmente, a paciente relatou que come pouco,
logo não entende sua dificuldade de perder peso. Ao ser
questionada sobre seus hábitos, a paciente acrescentou que não
faz restrições alimentares, não fuma, não pratica atividades
físicas regulares e que, aos fins de semana, costuma beber
cerveja. Informou, ainda, que, havia um ano, tinha sido
diagnosticada com diabetes melito e que, em função desse
diagnóstico, recebera orientação para realizar exercícios físicos e
restrições na dieta. O exame físico ambulatorial indicou peso =
82kg; altura = 157 cm; PA = 146 mmHg × 90 mmHg;
concentração de gordura no abdome e no pescoço; abdome
globoso, sem presença de dor, massas ou visceromegalias e
MMII com varizes calibrosas e edema (1/4). A paciente trouxe à
consulta vários exames que tinham sido realizados, havia três
meses, a pedido do médico da emergência hospitalar, em função
de ela ter apresentado dor de grande intensidade, do tipo
ardência pós-brandial, em quadrante superior do abdome. Entre
os exames realizados durante o atendimento de emergência
constavam radiografias de rotina para abdome agudo, que
apresentavam resultados normais, EAS, que também apresentou
resultado normal, e ultrassonografia abdominal, que evidenciou
a presença de quatro cálculos na vesícula biliar, medindo cada
um em torno de 1×1 cm. O médico nutrólogo pediu a realização
de vários exames laboratoriais, cujos resultados foram: provas
de função e inflamação hepática normais; amilase normal;
glicemiaem jejum = 110 mg/dL; glicemia pós-brandial (realizada
após a refeição = 180 mg/dL; hemoglobina glicosilada (AIC) =
7,0%; creatina de 1,0 mg/dL; colesterol total = 230 mg/dL; LDL =
150 mg/dL; HDL = 35 mg/dL; triglicerídeos = 250 mg/dL.Com
base no quadro clínico acima apresentado, assinale a opção em
que é apresentado o diagnóstico da paciente. IMC= 33,26
a. obesidade grau II.
b. obesidade grau III.
c. peso normal.
d. acima do peso.
e. obesidade grau I.
7-(CESPE/CEBRASPE - 2013) Um paciente de quarenta e
nove anos de idade, negro, sedentário, ex-tabagista,
procurou um médico nutrólogo, queixando-se de cansaço
em esforços moderados que persistiam havia três meses,
além de ganho de peso. Seus exames laboratoriais
apresentaram os seguintes resultados: glicemia em jejum
= 240 mg/dL; hemoglobina glicosilada = 9,8%; colesterol
total = 280 mg/dL; HDL = 34 mg/dL; LDL = 167 mg/dL e
triglicerídeos = 440 mg/dL. A prova de esforço foi negativa
para isquemia. No exame físico, o peso do paciente foi de
105 kg; altura, 168 cm e PA = 150 × 100 mmHg. Observou-
se aumento de gordura localizada no abdome e nas coxas,
além de acantose nigricans no pescoço e nas axilas.
Assinale a opção em que é apresentada a classificação
desse paciente quanto ao peso. (IMC=37,20)
a. obesidade grau II.
b. obesidade grau III.
c. peso normal.
d. acima do peso.
e. obesidade grau I.
8-(CESPE/CEBRASPE - 2013) O ganho de peso
recomendado para mulheres obesas durante a gestação,
segundo o Institute of Medicine (IOM), considerando-se o
índice de massa corporal (IMC) pré-gestacional, é de:
a. 12 kg a 17 kg.
b. até 4 kg.
c. até 5 kg.
d. 5,5 kg a 10 kg.
e. 10,5 kg a 12 kg.
9-(UPE - 2017) Qual dos indicadores/medidas
antropométricos(as) abaixo listados(as) é indicado apenas
para a avaliação de sobrepeso em crianças menores de
cinco anos?
a. Peso/Estatura.
b. Peso/Idade.
c. IMC/Idade.
d. Circunferência da cintura.
e. Dobras cutâneas.
10-(CEFETBAHIA - 2017) Antropometria representa a
medida das variações das dimensões físicas corporais. Por
meio dos indicadores antropométricos, é possível estudar
e acompanhar o processo de crescimento e
desenvolvimento de acordo com a faixa etária e/ou sexo,
avaliar a massa corporal total, a distribuição de gordura e
a composição corporal, permitindo, assim, identificar
indivíduos com problemas de saúde/nutricionais e em
risco de doenças. Mesmo com todas essas vantagens,
devemos considerar algumas situações em que os
indicadores antropométricos tornam-se limitantes. Sobre
a antropometria, suas vantagens e desvantagens, analise
as assertivas e identifique com V as verdadeiras e com F
as falsas.(V) Necessita de profissionais treinados e
instrumentos calibrados.(F) Independe do estado de
hidratação, ao contrário de outros métodos.(F) Permite
detectar alterações recentes na composição e distribuição
corporal.(V) Pontos de cortes e padrões de referência para
a população brasileira são escassos, sendo comumente
utilizados estudos populacionais americanos e europeus
como base.(V) Medidas isoladas, normalmente, não têm
valor, são necessários índices (combinações de uma ou
mais medidas associadas ao sexo e/ou idade) e
indicadores para sua avaliação. A alternativa que contém
a sequência correta, de cima para baixo, é:
a. V, F, F, V, V.
b. V, V, F, V, F.
c. V, F, V, F, V.
d. F, F, V, V, F.
e. F, V, F, F, V
47 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
PROGRAMA SAÚDE DA CRIANÇA
L.M.G, 23 anos, feminino, unípara, de parto normal, mãe de
A.A.G, 7 dias, feminino. Veio na UBS – Vila Formosa para
consulta médica de puerpério, após receber visita
domiciliária da ACS Mara.
1. Quando deverá ocorrer a primeira consulta para o
recém-nascido?
A primeira consulta do recém-nascido deverá ocorrer na
sua primeira semana de vida (BRASIL,2004a; SOCIEDADE..., 2006) [D]
Pré-natal: até 32 semanas – Mensal
32 a 36: quinzenal
36 – 40:semanal
Na 36ª semana recebe informações sobre o nascimento
Nascimento: 1º semana com o enfermeiro, e ir intercalando a
cada 15 dias com o médico e depois mensal.
2. O que no mínimo deverá ser visto na Puericultura? R:-
peso, altura, desenvolvimento, vacinas e doenças
infecciosas prevalente na infância (DIPI).
Puericultura: acompanhamento da criança saudável
3.Qual o tempo recomendado para a primeira consulta? R:
30 minutos (consulta de 15 dias)
Encontre a Caderneta de Saúde da Criança acessando os
seguintes links:
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/menina_final.pdf>. e
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/menino_final.pdf>.
4.Quais perguntas são cruciais na Anamnese? R: tipo de
parto, local do parto, peso ao nascer, idade gestacional,
índice de Apgar, intercorrências clínicas na gestação, no
parto, no período neonatal e nos tratamentos realizados e
os antecedentes familiares (as condições de saúde dos
pais e dos irmãos, o número de gestações anteriores, o
número de irmãos)
O índice de Apgar
A mãe refere na consulta que o apgar da criança foi 7.
5. E ai é bom?
- no quinto minuto entre 7 e 10 é considerado normal.
Apgar 4, 5 ou 6 é considerado intermediário e relaciona-se,
por exemplo, com prematuridade, medicamentos usados
pela mãe, malformação congênita, o que não significa
maior risco para disfunção neurológica. Índices de 0 a 3 no
quinto minuto relacionam-se a maior risco de mortalidade
e leve aumento de risco para paralisia cerebral. No
entanto, um baixo índice de Apgar, isoladamente, não
prediz disfunção neurológica tardia
6. Como deve ser exame físico?
Quadro 1 – Tópicos do exame físico na primeira consulta do recém-nascido [D]
Tópicos do exame
físico
Ações específicas
Peso, comprimento
e perímetro
cefálico
Avalie o comprimento e o perímetro cefálico da criança. Avalie o peso em relação ao peso ideal ao
nascer. Consideram-se normais tanto uma perda de peso de até 10% ao nascer quanto a sua
recuperação até o 15º dia de vida.
O perímetro cefálico com medidas acima ou abaixo de dois desvios-padrão (< -2 ou > +2 escores “z”)
pode estar relacionado a doenças neurológicas, como microcefalia (de causa genética ou ambiental) e
hidrocefalia, o que exige, portanto, melhor avaliação e encaminhamento
- Se a criança nasce abaixo do peso: ela precisa ganhar para manter a normalidade: ganho de peso e
crescimento compensatório.
Desenvolvimento
social e
psicoafetivo
Observe e avalie o relacionamento da mãe/cuidador e dos familiares com o bebê: como respondem às
suas manifestações, como interagem com o bebê e se lhe proporcionam situações variadas de estímulo.
Os marcos do desenvolvimento segundo a faixa etária são descritos na subseção.
Estado geral Avalie a postura normal do recém-nascido: as extremidades fletidas, as mãos fechadas e o rosto,
geralmente, dirigido a um dos lados.
Observe o padrão respiratório: a presença de anormalidades, como batimentos de asas do nariz,
tiragem intercostal (afunda a última costela) ou diafragmática e sons emitidos.
Avalie o estado de vigília do recém-nascido: o estado de alerta, o sono leve ou profundo e o choro.
Identifique sinais de desidratação e/ou hipoglicemia: pouca diurese, má ingestão (a criança não
consegue mamar ou vomita tudo o que mama), hipoatividade e letargia. (olhos e fontanelas)
A temperatura axilar normal situa-se entre 36,4ºC e 37,5ºC e não necessita ser medida rotineiramente
em crianças assintomáticas, exceto na presença de fatores de risco, como febre materna durante o
parto.
Face Pesquise alguma assimetria, malformação, deformidade ou aparência sindrômica.
- Ver simetria entre orelhas e olhos.
48 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Pele Observe a presença de:
(a) edema (se for generalizado, pense em doença hemolítica perinatal, iatrogenia por uso de coloides ou
cristaloides em excesso, insuficiência cardíaca, sepse; se for localizado, isso sugere trauma de parto);(b) palidez (sangramento, anemia, vasoconstrição periférica ou sinal de arlequim – palidez em um
hemicorpo e eritema do lado oposto, por alteração vasomotora e sem repercussão clínica - normal);
(c) cianose (se for generalizada, pense em doenças cardiorrespiratórias graves; se for localizada nas
extremidades ou na região perioral, pense em hipotermia);
(d) icterícia. O profissional deverá estar mais atento caso a icterícia tenha se iniciado nas primeiras 24
horas ou depois do 7º dia de vida, caso tenha duração maior do que uma semana no recém-nascido a
termo, duração maior do que duas semanas no prematuro (CANADIAN..., 2008) e se a tonalidade for
amarela com matiz intenso ou se a icterícia se espalha pelo corpo, atingindo pernas e braços.
Pesquise a possível presença de assaduras, pústulas (impetigo) e bolhas palmo-plantares (sífilis).
Esclareça a família quanto à benignidade do eritema tóxico.
Crânio Examine as fontanelas:
- a fontanela anterior (bregmatica) mede de 1cm a 4cm, tem forma losangular, fecha-se do 9º ao 18º
mês e não deve estar fechada no momento do nascimento.
- fontanela posterior (lambdoide) é triangular, mede cerca de 0,5cm e fecha-se até o 2º mês. Não devem
estar túrgidas, abauladas ou deprimidas.
Bossa serossanguínea e cefalematomas (mais delimitados do que a bossa e que involuem mais
lentamente) desaparecem espontaneamente.
Olhos Reflexo fotomotor: projeta-se um feixe de luz em posição ligeiramente lateral a um olho. A pupila deve
se contrair rapidamente. O teste deve ser repetido no outro olho, devendo ser comparado com o
primeiro. Avalia basicamente a estrutura anátomofuncional (CANADIAN…, 2008).
Teste do reflexo vermelho ou Bruckner test (idem): deve ser realizado na penumbra (para a pupila ficar
mais dilatada), com o oftalmoscópio colocado aproximadamente de 5cm a 10cm de distância dos olhos
da criança (o importante é que o oftalmoscópio ilumine os dois olhos simultaneamente), para se
observar o reflexo vermelho nos dois olhos.
Se for notado um reflexo diferente entre os olhos ou a presença de opacidade, a criança deverá
ser avaliada por um oftalmologista com urgência, pois poderá ter problemas como: catarata
congênita, retinoblastoma ou retinopatia da prematuridade (GRAZIANO, 2002).
encaminhar para oftamalmo
É importante lembrar que todos os prematuros com 32 semanas ou menos e/ou menores de 1500g
devem ser avaliados com dilatação de pupila por oftalmologista na 6ª semana de vida e acompanhados
de acordo com o quadro clínico, pois o teste do reflexo vermelho detecta retinopatia da prematuridade
apenas de grau 5, já com descolamento de retina e prognóstico reservado.
Conjuntivites: as pálpebras podem estar edemaciadas (pela reação ao nitrato de prata a 1%) e a
regressão é espontânea em 24h a 48h. A presença de secreção purulenta evidencia uma conjuntivite e,
principalmente no RN, é importante descartar a infecção por gonococo, clamídia e herpesvírus
A conduta correta é sempre coletar a secreção e solicitar exame bacteriológico e bacterioscópico. A
coleta pode ser feita do fundo de saco, com espátula para swab, e encaminhada ao laboratório de
microbiologia em meio de cultura. Após a coleta, deve-se iniciar imediatamente o tratamento com
colírio (tobramicina ou ofloxacina (2 gotas a cada 6 horas, mas antes colher swab e aguarda para TTO)
e, após o resultado, deve-se tratar o agravo de acordo com o agente etiológico. O grande risco é a
conjuntivite por gonococo, pois a bactéria pode penetrar na córnea intacta e causar perfuração ocular
em 24h.
Estrabismo (ou esotropia) e nistagmo lateral são comuns nesta fase, devendo ser reavaliados
posteriormente. Os recém-nascidos podem apresentar eventualmente algum tipo de desvio ocular, pois
a visão binocular só estará bem desenvolvida entre 3 e 7 meses.
Raramente o estrabismo congênito tem seu diagnóstico feito antes dos 6 meses de vida. O exame para o
seu diagnóstico está descrito no capítulo 4. A idade ideal para o encaminhamento é a partir dos 4 meses.
Orelhas e audição Oriente a família para a realização da triagem auditiva neonatal universal (Tanu) ou “teste da orelhinha”.
As justificativas para a triagem universal, o teste e as situações de risco para deficiência auditiva estão
descritas no capítulo. (Obrigatório até 30 dias pós nascimento)
Observe também a implantação, o tamanho e a simetria das orelhas.
Nariz Avalie a forma e a possível presença de secreção (sífilis)
Boca Alterações morfológicas podem representar dificuldade para a pega durante a amamentação, o que
exigirá suporte e acompanhamento adequados.
Observe a úvula, o tamanho da língua (macroglossia), o palato, o freio lingual e a coloração dos lábios.
49 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Pescoço Avalie a assimetria facial e a posição viciosa da cabeça.
O torcicolo congênito tem resolução espontânea em 90% dos casos. No entanto, nos casos mais
persistentes, pode ser necessária correção cirúrgica (protelada até os três anos de idade)
Tórax Avalie a assimetria, pois ela sugere malformações cardíacas, pulmonares, de coluna ou arcabouço costal.
Apalpe as clavículas, para avaliar se há fraturas que poderiam acarretar diminuição ou ausência de
movimentos do braço.
A fratura de clavícula é manejada simplesmente prendendo-se o braço ao tórax, para proporcionar
conforto ao bebê, tem caráter benigno e ocorre formação de calo ósseo em 2 a 3 semanas.
Oriente a família para a involução espontânea de mamas, que podem estar ingurgitadas ou com
presença de secreção leitosa (passagem de hormônios maternos).
Observe possíveis sinais de sofrimento respiratório (tiragens, retração xifoidiana, batimentos de asas do
nariz, gemidos, estridor).
Conte a frequência cardíaca, que normalmente varia entre 120bpm e 160bpm.
Observe a possível presença de cianose, abaulamento pré-cordial, turgência jugular, ictus cordis e sopros
cardíacos. Verifique também os pulsos (braquial e femoral – para descartar coarctação de aorta)
Se má formação na aorta (congênita): ausência de pulsos em MMII – encaminhar para cirurgia
cardiaca
Abdome Observe a respiração, que é basicamente abdominal e deve estar entre 40mrm e 60mrm.
Observe a forma do abdome: se ele estiver dilatado, o achado pode sugerir presença de líquido,
distensão gasosa, visceromegalias, obstrução ou perfuração abdominal; se ele estiver escavado, isso
pode indicar hérnia diafragmática.
Diagnostique a presença de hérnias inguinal e umbilical. Os casos de hérnia inguinal têm indicação
cirúrgica imediata, devido ao risco de encarceramento ou estrangulamento. Já nos casos de hérnia
umbilical, aguarda-se sua regressão espontânea até 12 meses, dependendo do tamanho da hérnia.
Diagnostique também a presença de diástase dos retos abdominais e agenesia da musculatura
abdominal.
Verifique a presença de granuloma umbilical após a queda do coto (resolvido com uso de nitrato de
prata). Se a região umbilical estiver vermelha, edemaciada e com secreção fétida, o achado indica
onfalite e, portanto, a criança deve ser encaminhada para a emergência (AMARAL, 2004).
Genitália Apalpe a bolsa escrotal para identificar a presença dos testículos. Quando os testículos não forem
palpáveis na bolsa escrotal na primeira consulta do recém-nascido, a mãe pode ser informada de que
isso se trata de uma situação comum, especialmente em prematuros (9,2% a 30%). Isso porque, na
maioria das vezes, os testículos “descem” até os 3 meses de vida, quando o caso deverá ser reavaliado.
Se aos 6 meses os testículos não forem apalpados na bolsa escrotal, a criança deve ser encaminhada
para melhor avaliação e tratamento.
O acúmulo de líquido peritoneal ao redor do testículo caracteriza hidrocele, que em geral tem
regressão lenta, com resolução espontânea, até os 2 anos de idade da criança (idem).
A fimose é fisiológica ao nascimento.
Deve-se observar a localização do meato urinário para excluir a possibilidade de hipospádia ouepispádia. (quando o meato não está central)
Na genitália feminina, os pequenos lábios e o clitóris estão mais proeminentes. Pode haver secreção
esbranquiçada, às vezes hemorrágica, devido à passagem de hormônios maternos, que se resolve
espontaneamente
Ânus e reto Verifique a permeabilidade anal, bem como a posição do orifício e a presença de fissuras.
(não pode ter Verruga se tiver Notificação BO – pode ser caso de abuso sexual)
Ações específicas
Sistema
osteoarticular
Examine os membros superiores e inferiores, para avaliar sua resistência à extensão, a flexão dos
membros, a possibilidade de flacidez excessiva e a suposta presença de paralisia.
Identifique a provável presença de pé torto, que pode ser desde posicional (corrigido espontaneamente
ou com imobilização) até um pé torto congênito grave, associado inclusive a outras anormalidades
congênitas (STAHELI, 2008).
O exame da flexibilidade do pé ajuda na diferenciação, mas o ideal é encaminhar a criança para o
ortopedista, para melhor avaliação e escolha do tratamento.
Verifique a presença de displasia evolutiva do quadril realizando os testes de Ortolani e de Barlow
Coluna vertebral Examine toda a simetria da coluna, em especial a área lombo-sacra, percorrendo a linha média
Avaliação
neurológica
Observe reflexos arcaicos: sucção, preensão palmo-plantar e Moro (descrito no capítulo 8, sobre o
acompanhamento do desenvolvimento), que são atividades próprias do recém-nascido a termo, sadio.
Observe a postura de flexão generalizada e a lateralização da cabeça até o final do primeiro mês.
Observe a presença de movimentos normais e espontâneos de flexão/extensão dos membros. O tônus
normal é de semiflexão generalizada
50 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
7. Como deve ser as avaliações e orientações?
Avalie a presença de situações de risco e vulnerabilidade à
saúde do recém-nascido
Situações de vulnerabilidade
• Criança residente em área de risco;
• Baixo peso ao nascer (inferior a 2.500g);
• Prematuridade (menos de 37 semanas gestacionais);
• Asfixia grave ou Apgar menor do que 7 no 5º minuto;
• Internações/intercorrências;
• Mãe < 18 anos de idade;
• Mãe com baixa escolaridade (< de 8 anos de estudo);
• História familiar de morte de criança com menos de 5
anos de idade.
Outras situações reconhecidas de vulnerabilidade:
aleitamento materno ausente ou não exclusivo, gestação
gemelar, malformação congênita, mais do que três filhos
morando juntos, ausência de pré-natal, problemas
familiares e socioeconômicos que interfiram na saúde da
criança, problemas específicos da criança que interfiram na
sua saúde, não realização de vacinas (se não vacinar
notifica conselho tutelar), identificação de atraso no
desenvolvimento e suspeita ou evidência de violência.
(Notificar conselho tutelar),
Entre as situações familiares consideradas de
vulnerabilidade, encontram-se as seguintes: gravidez de
alto risco ou eventos traumáticos para a mãe durante a
gestação, presença de rupturas e conflitos do casal quando
da descoberta da gravidez, separações e lutos na família,
mãe em situação de sofrimento agudo ou diagnóstico de
doença mental, parto difícil ou traumático, pais com
dificuldades de assumir a parentalidade (tornar-se pai e
tornar-se mãe) e famílias com problemas múltiplos
(drogadição, alcoolismo, pobreza, condições crônicas)
8-O que dever ser orientado aos pais sobre sinais de
perigo?
Avalie e oriente os pais sobre os sinais de perigo na criança
com menos de 2 meses e sobre a necessidade de procurar
atendimento de emergência
- Criança com febre, Choro inconsolável, Dispneia,
Cianose
9-Deve ser dado suplementos antes do 6 meses? R: NÃO
- sempre colocar em uma mama e depois na outra, e depois
voltar na mama (para receber a gordura que será liberada)
- Ordenhar antes para poder ter a pega, principalmente no
1ºs 7 dias (Apojadura)
A criança que é alimentada somente com leite materno até
os 6 meses de vida apresenta menor morbidade. Por isso,
maiores são os efeitos benéficos à sua saúde. Estimule a
amamentação, orientando a livre demanda (frequência e
duração) (idem) [A], e não prescreva suplementação
desnecessária com outros leites (ibidem) [C]. Estas são
algumas das orientações que serão mais bem abordadas
em capítulo específico sobre a alimentação saudável.
A formação ou o fortalecimento do vínculo entre os pais e o
bebê é importante também para auxiliar os pais na
percepção das necessidades do bebê e para estimulá-los a
prover os cuidados necessários a ele. Os profissionais
devem ainda propiciar espaço para o esclarecimento de
dúvidas e manifestações de sentimentos do cuidador em
relação ao bebê
10-Como os pais podem avaliar o desenvolvimento da
criança?
• Ir ao encontro da mama da mãe por si próprios, logo após
o nascimento, se colocados no tórax da mãe. Dessa
maneira, eles decidem por si o momento da primeira
mamada, que ocorre em média aos 40 minutos de vida;
• Reconhecer a face da mãe após quatro horas de vida. O
bebê enxerga melhor a uma distância de 20cm a 25cm, a
mesma distância que separa os olhos do bebê e o rosto da
mãe durante as mamadas;
• Ter contato olho a olho;
• Reconhecer e mostrar interesse por cores primárias
(vermelho, azul e amarelo);
• Seguir um objeto com os olhos e, às vezes, virar a cabeça
na sua direção;
• Distinguir tipos de sons (principalmente os agudos), com
preferência pela voz humana, em especial a da mãe;
• Determinar a direção do som;
• Reconhecer sabores, com preferência por doces;
• Reconhecer e distinguir diferentes cheiros. Com um ou
dois dias de vida, o bebê reconhece o cheiro da mãe;
• Imitar expressões faciais logo após o nascimento;
• Alcançar objetos.
11- Orientações gerais sobre os cuidados com o recém-
nascido que o médico deverá fazer?
Algumas orientações são importantes e devem ser
fornecidas aos pais, como, por exemplo:
• A lavagem de mãos por todas as pessoas que têm
contato com o bebê deve ser orientada em todas as visitas
de puericultura, com o objetivo de evitar a propagação de
micro-organismos causadores de doenças respiratórias.
• Oriente a família de modo a não permitir que pessoas
fumem dentro de casa ou que aqueles que acabaram de
fumar peguem o bebê no colo.
• Oriente-os a respeito do banho e sobre os cuidados com o
coto umbilical (seco, álcool 70% e enrola no gaze), que
deve cair nas primeiras duas semanas. Para isso, o coto
deve ser mantido limpo e seco. Oriente-os também sobre a
troca de fraldas, a prevenção de assaduras, os hábitos de
sono e os diferentes tipos de choro. Na troca de fraldas, a
fim de evitar as assaduras, os cuidadores devem secar bem
o bebê após o banho e não podem utilizar talcos. (Pomada
de óxido de zinco). Na presença de bolhas e infecções
suspender a pomada de óxido de zinco
• Oriente-os a respeito da posição supina (de “barriga para
cima”) para dormir e a sua relação de proteção contra a
morte súbita do lactente. Caso se pratique o coleito
(quando o bebê é colocado para dormir na cama dos pais),
alerte-os para os casos em que certos comportamentos dos
51 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
pais (como o hábito de ingerir bebida alcoólica, o uso de
drogas ilícitas ou cigarros, a utilização de medicação que
age no sistema nervoso central ou quando os pais se
encontrarem muito cansados) podem acarretar maior risco
de morte súbita para o bebê, além de lesões não
intencionais, ao cair da cama, ao ser prensado ou sufocado
por um dos pais, principalmente quando se trata de
crianças menores de 4 meses. Também por segurança, os
pais devem ser instruídos a não dormir com o bebê em
sofás ou poltronas.
• Existem também boas evidências para o aconselhamento
antecipado referente ao choro noturno e aos diferentes
significados do choro: fome,desconforto, dor. Durante a
avaliação de uma criança cujos pais queixam-se de choro
excessivo, os seguintes aspectos devem ser avaliados:
estado geral da criança, história pré-natal e perinatal,
momento de início e duração do choro, tensão no
ambiente, hábitos de alimentação, diurese, evacuação,
dieta da mãe (se estiver amamentando), refluxo
gastroesofágico, história familiar de alergias, resposta dos
pais referente ao choro e fatores que aliviam ou agravam o
choro.
• Em relação ao uso de chupetas (“bicos”), atualmente, a
introdução desse hábito tem sido desaconselhada pela
possibilidade de interferir negativamente na duração do
aleitamento materno, entre outros motivos, que são
abordados no capítulo 11, sobre saúde bucal. Embora não
haja dúvidas de que o desmame precoce ocorra com mais
frequência entre as crianças que usam chupeta, ainda não
são totalmente conhecidos os mecanismos envolvidos
nessa associação (BRASIL, 2009). Não é indicado: chupeta e
mamadeira
12. Quais as orientações para prevenção de acidentes?
Prevenção de acidentes
Além das recomendações anteriores de cuidados com o
bebê, deve-se cuidar da temperatura do banho (a
temperatura ideal da água é de 37ºC) e não se deve deixar
a criança sozinha na banheira, mesmo que com pouca água
Oriente a família a manter as grades do berço em boa
distância (a distância entre as ripas da grade do berço não
deve ser superior a 6cm). Oriente a família a utilizar
cobertas leves e travesseiro firme para evitar a sufocação
do bebê. Se estiver frio, é preferível agasalhá-lo com maior
quantidade de roupas do que cobri-lo com muitas cobertas.
Oriente os cuidadores a não aquecer o leite materno, a
fórmula infantil ou outros líquidos em forno de micro-
ondas, devido ao risco de escaldamento.
Líquidos aquecidos nesses aparelhos podem ficar mornos
na porção mais externa do recipiente, enquanto que no seu
interior, principalmente na parte superior, podem estar
fervendo.
O transporte do bebê em automóvel deve ser feito sempre
no banco traseiro, em cadeirinha especial para lactente,
com cinto de segurança e com a criança posicionada na
cadeirinha apropriada de costas para o motorista
A criança não deve ser deixada perto de animais, mesmo os
animais de casa, pois eles podem ter reações imprevisíveis.
13. Quando deve ser realizado o teste do pezinho?
Realização do teste do pezinho
O teste do pezinho, feito na criança logo após o seu
nascimento, conforme estabelece o Programa Nacional de
Triagem Neonatal (PNTN) , permite a detecção da
fenilcetonúria e do hipotireoidismo congênito (fase 1 do
programa) e de hemoglobinopatias (fase 2), doenças que
podem ser tratadas, prevenindo o retardo mental (que as
duas primeiras enfermidades podem ocasionar) e as
infecções e outras complicações que frequentemente
podem ocasionar a morte de crianças com
hemoglobinopatias. A pesquisa de hemoglobinopatias inclui
a detecção de anemia falciforme e do traço falciforme, que,
mesmo assintomático, traz implicação genética para a
família. A fase 3 do PNTN acrescentará a triagem da fibrose
cística (ou mucoviscidose).
Se positivo: REPETIR o teste
O teste deverá ser feito a partir do 3º dia de vida da
criança, quando já ocorreu uma ingestão adequada de
proteínas e é possível analisar com mais segurança o
metabolismo da fenilalanina, evitando-se resultados falsos
negativos para fenilcetonúria. Além disso, a dosagem de
hormônio estimulante da tireoide (TSH) nas primeiras 24
horas de vida pode acarretar um aumento de falsos
positivos para hipotireoidismo congênito. Assim, a coleta
para o exame deve ser realizada entre o 3º e o 7º dia de
vida da criança. Embora não seja o ideal, aceita-se que seja
feita a coleta até o 30º dia de vida do bebê. A equipe de
saúde, perante resultados alterados, deve contatar o
serviço de referência estadual de triagem neonatal, ocasião
em que nova coleta será provavelmente orientada,
conforme cada situação. Recomenda-se aos profissionais,
principalmente aos que realizam a coleta, a leitura
complementar do Manual de Triagem Neonatal do MS,
disponível no site do Ministério da Saúde (BRASIL, 2004b).
Orientações para o calendário de imunizações
No 15º dias: Vacina de Hepatite B + BCG
- Orientar sobre a ferida que fecha em até 12 semanas
(lavar somente com água e sabão)
2º consulta: 30º dia
52 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
15-Quando devo preencher o cartão da criança? R: EM
TODA A CONSULTA
Ao se pactuar com os pais o calendário de consultas, deve-
se sempre levar em consideração o contexto familiar, as
necessidades individuais, as vulnerabilidades e a resiliência.
Não existem estudos bem delineados que avaliem o
impacto e o número ideal de consultas para crianças
assintomáticas (e talvez nunca existam), devido a uma
limitação ética, pois não se pode privar as crianças de ações
preventivas já consagradas em busca de evidências.
Recomendam-se consultas de revisão de saúde conforme a
frequência e o conteúdo apresentados a seguir
16-Qual é a frequência da consulta?
O Ministério da Saúde recomenda sete consultas de rotina
no primeiro ano de vida (na 1ª semana, no 1º mês, 2º mês,
4º mês, 6º mês, 9º mês e 12º mês), além de duas consultas
no 2º ano de vida (no 18º e no 24º mês) e, a partir do 2º
ano de vida, consultas anuais, próximas ao mês do
aniversário. Essas faixas etárias são selecionadas porque
representam momentos de oferta de imunizações e de
orientações de promoção de saúde e prevenção de
doenças. As crianças que necessitem de maior atenção
devem ser vistas com maior frequência. Este calendário de
consultas representa um consenso em relação à bibliografia
consultada.
17- Como deve ser a anamnese nas consultas
subsequentes?
É fundamental que o profissional de saúde, a família e a
criança estabeleçam uma relação de confiança ao longo do
acompanhamento da criança. A atitude de estabelecer
canais de comunicação que permitam a construção de
parcerias entre eles é importante e facilita as relações, a
divisão de tarefas e as responsabilidades.
O procedimento de aprimorar as habilidades de
comunicação tem sido considerado uma ação fundamental.
Perguntas abertas facilitam a compreensão dos motivos
para a consulta, além de permitirem que o profissional
explore condições que não tenham sido bem explicadas.
Exemplos: “o que você gostaria de me contar hoje?” ou
“ocorreu alguma mudança importante na família desde a
nossa última consulta?” ou, ainda, “existe algo no
comportamento do fulano que os preocupa?”. É
importante ainda evitar abordagens intrusivas ou
interpretativas que não propiciem a descrição natural dos
fatos: “ele está dormindo mal?” ou “por que você não o
trouxe antes?”.
Além disso, vale lembrar habilidades que facilitam a
comunicação: saber ouvir, ter empatia, demonstrar
interesse, valorizar questionamentos, informar claramente,
certificar-se de ter sido entendido, resumir o que foi
combinado até a próxima consulta
Mesmo que no referido momento o foco principal seja a
criança, é difícil avaliar o bem-estar dela sem prestar
atenção no bem-estar da mãe. Um estudo realizado no
Brasil reforça a importância de se identificar sinais de
depressão materna pós-parto, uma vez que tal pesquisa
constatou um risco maior de desmame nos primeiros 2
meses de vida das crianças quando as mães se apresentam
deprimidas.
18- Como deve ser o Exame físico?
Um exame físico completo da criança (referente à primeira
consulta do recém-nascido) deve ser realizado na primeira
consulta com um(a) médico(a) ou um(a) enfermeiro(a). A
repetição do exame completo em todas as consultas não
está justificada.
Merecem discussão alguns procedimentos específicos que
são frequentemente recomendados para o exame físico da
criança nos primeiros 10 anos devida:
19- Dados antropométricos?
A monitorização do crescimento de forma rotineira é
amplamente aceita por profissionais de saúde e é um
componente da consulta para a criança no mundo inteiro.
Os registros do peso, da estatura e do comprimento, bem
como do perímetro cefálico da criança, aferidos nos
gráficos de crescimento, são recomendáveis para todas as
consultas, para crianças de risco ou não, até os 2 anos de
idade.
Entre os 2 e os 10 anos de idade, deve-se aferir o peso e a
altura e plotá-los no gráfico nas consultas realizadas. A
altura para a idade é o melhor indicador de crescimento da
criança e, no Brasil, representa o deficit antropométrico
mais importante.
O índice de massa corporal (IMC) teve seu uso validado em
crianças como bom marcador de adiposidade e sobrepeso,
além do fato de que seu valor na infância pode ser
preditivo do IMC da vida adulta. Recomenda-se a plotagem
de peso, estatura/comprimento nas curvas de IMC por
idade e gênero desde o nascimento.
20. Por que se deve fazer o rastreamento da displasia
evolutiva do quadril?
Rastreamento para displasia evolutiva do quadril
Não há consenso na literatura sobre a efetividade da
redução de desfechos clínicos com o rastreamento para
displasia evolutiva do quadril. Mesmo assim, os protocolos
recomendam a sua realização, pois o diagnóstico precoce
(anterior aos 3 a 6 meses de idade) é importante na
escolha de tratamentos menos invasivos e com menores
riscos de complicações.
21. Quais são os 3 fatores de risco para luxação do quadril?
Identificam-se três fatores de risco para luxação congênita
do quadril: gênero feminino, crianças com história familiar
de displasia congênita do quadril e parto com
apresentação pélvica. Meninos sem risco ou com história
familiar de subluxação do quadril têm o menor risco de ter
displasia evolutiva do quadril. Meninas sem risco e meninos
nascidos de apresentação pélvica têm risco intermediário.
Já meninas com história familiar de subluxação do quadril e
nascidas de apresentação pélvica têm o mais alto risco para
displasia do quadril.
53 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Se houver a opção por realizar o rastreamento, deve-se
proceder às manobras de Barlow (provocativa do
deslocamento) e Ortolani (sua redução) nas primeiras
consultas (15 dias, 30 dias e 2 meses), testando um
membro de cada vez, conforme mostra a seguir.
BARLOW:
- Normal: sem som
- Anormal: estralo
ORTOLANI:
- Anormal: Acetábulo desencaixa se positivo
encaminhar ortopedista
A observação da limitação da abdução dos quadris e o
encurtamento de um dos membros inferiores devem ser os
exames de rastreamento nas consultas após os 3 meses de
idade, ou seja, nas consultas dos 4, 6, 9 e 12 meses.
Quando a criança começa a deambular, a partir da consulta
dos 12 ou dos 18 meses, a observação da marcha da criança
é o exame de escolha. Os testes de Trendelenburg
positivo,* marcha anserina** e hiperlordose lombar
possibilitam o diagnóstico
Testes de Trendelenburg positivo e marcha anserina
Trendelenburg positivo: cada membro inferior sustenta
metade do peso do corpo. Quando um membro inferior é
levantado, o outro suporta todo o peso, o que resulta numa
inclinação do tronco para o lado do membro apoiado. A
inclinação do tronco é realizada pelos músculos abdutores
do quadril, uma vez que suas inserções estão fixadas no
membro apoiado e a força de contração é exercida nas suas
origens, na pélvis. Consequentemente, a pélvis inclina,
levantando do lado que não suporta o peso. A falha deste
mecanismo é diagnosticada pela positividade do sinal ou
teste de Trendelenburg, que atesta a ocorrência da queda
da pélvis, em vez de sua elevação no lado não apoiado.
Marcha anserina: há oscilações da bacia, as pernas estão
afastadas e há hiperlordose lombar, como se o paciente
quisesse manter o corpo em equilíbrio, em posição ereta. A
inclinação do tronco para um lado e para o outro confere à
marcha a semelhança da marcha de um ganso (daí o nome
de marcha anserina).
22. Como deve ser ausculta cardíaca?
Ausculta cardíaca
Não há evidências contra ou a favor da ausculta cardíaca e
da palpação de pulsos em crianças. Alguns protocolos
sugerem a realização da ausculta cardíaca e da palpação de
pulsos no mínimo três vezes no primeiro semestre de vida,
devendo-se repetir os procedimentos no final do primeiro
ano de vida, na idade pré-escolar e na entrada da escola.
- Auscultar B1 e B2 e verificar a presença de prolapso/ sopro
Os valores das frequências cardíaca e respiratória
considerados normais podem ser observados a seguir.
Tabela 2 – Frequência cardíaca normal
Idade Variação Média normal
Recém-nato De 70 a 170 120
11 meses De 80 a 160 120
2 anos De 80 a 130 110
4 anos De 80 a 120 100
6 anos De 75 a 115 100
8 anos De 70 a 110 90
10 anos De 70 a 110 90
Tabela 3 – Frequência respiratória normal, segundo a OMS
De 0 a 2 meses Até 60mrm
De 2 a 11 meses Até 50mrm
De 12 meses a 5 anos Até 40mrm
De 6 a 8 anos Até 30mrm
Acima de 8 anos Até 20mrm
23. Como deve ser avaliação da visão?
As causas mais comuns de diminuição da acuidade visual
em crianças são a ambliopia (redução da visão sem uma
lesão orgânica detectável no olho), seus fatores de risco
(estrabismo, anisometropia, catarata e ptose) e os erros
de refração (miopia e hipermetropia)
As evidências atuais não determinam a efetividade de
testes para a prevenção de deficiências visuais (quais
devem ser feitos, com que periodicidade e se o examinador
deve ser proficiente na técnica do teste).
O teste do reflexo vermelho deve ser realizado na
primeira consulta do recém-nascido na atenção básica e
repetido aos 4, 6 e 12 meses e na consulta dos 2 anos de
idade. Se positivo (opacidade) OFTALMO
O estrabismo pode ser avaliado pelo teste da cobertura e
pelo teste de Hirschberg. O teste da cobertura é utilizado
para diagnósticos de desvios oculares e deve ser realizado a
partir dos 4 meses de idade, pois a presença de estrabismo
anterior ao citado período pode ser um achado normal.
Utiliza-se um oclusor colocado entre 10 a 15cm de um dos
olhos da criança, atraindo a atenção do olho descoberto
com uma fonte luminosa. Quando se descobre o olho
previamente coberto, observa-se a sua reação. A
movimentação em busca da fixação do foco de luz pode
indicar estrabismo. Tal procedimento deve ser repetido no
outro olho.
54 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
O teste de Hirschberg é realizado colocando-se um foco de
luz a 30cm da raiz nasal da criança e observando-se o
reflexo nas pupilas. Qualquer desvio do reflexo do centro
da pupila é manifestação clínica de estrabismo. Sugere-se a
realização de ambos os exames nas consultas dos 4, 6 e 12
meses. Ao mesmo tempo, a identificação de problemas
visuais deve ser feita mediante preocupação trazida pelos
pais e pela atenção do profissional de saúde. Se houver
suspeita de alguma alteração, a partir do momento, a
criança deve ser encaminhada ao especialista.
No tocante à acuidade visual, é importante observar que a
criança pequena não se queixa de dificuldades visuais. Por
isso, a partir dos 3 anos, está indicada a triagem da
acuidade visual, usando-se tabelas (Stellen) de letras ou
figuras quando a criança vier para consultas de revisão.
Devem ser encaminhadas ao oftalmologista crianças de 3 a
5 anos que tenham acuidade inferior a 20/40 ou diferença
de duas linhas entre os olhos e crianças de 6 anos ou mais
que tenham acuidade inferior a 20/30 ou diferença de duas
linhas entre os olhos.
24. Como fazer teste da orelhinha? Avaliação da audição
A triagem auditiva neonatal (TAN), mais conhecida como
teste da orelhinha, é uma avaliação que objetiva detectar o
mais precocemente possível a perda auditiva congênita
e/ou adquirida noperíodo neonatal. Se o teste for realizado
nos recém-nascidos preferencialmente até o final do
primeiro mês, ele possibilitará um diagnóstico mais
definitivo por volta do 4º e 5º mês, bem como o início da
reabilitação até os 6 meses de idade.
Dessa forma, maiores serão as possibilidades de
diagnóstico e intervenção adequados e, com isso, menores
serão também as sequelas decorrentes da privação
auditiva. A efetividade da TAN na identificação da perda
auditiva é a motivação para novas investigações na
atualidade, mas ainda há necessidade de mais estudos
controlados de alta qualidade e com seguimento das
populações, principalmente nos casos de alto risco para
perda auditiva.
De acordo com a Lei Federal nº 12.303, de 2 de agosto de
2010, é obrigatória a realização gratuita do exame de
emissões otoacústicas evocadas em todos os hospitais e
maternidades para as crianças nascidas em suas
dependências. (Realizado pelo FONO)
Também no sentido de detectar alterações auditivas, o
profissional de atenção básica deverá orientar as mães para
acompanhar os marcos do desenvolvimento de seus filhos
até os 12 meses de vida, de acordo com a Caderneta de
Saúde da Criança.
25. Quais os indicadores de risco?
Os indicadores de risco para perdas auditivas congênitas no
período neonatal ou progressivas na infância são os
seguintes:
• História familiar de perda auditiva congênita;
• Permanência na UTI por mais de cinco dias em situação
que envolva: circulação extracorpórea, ventilação assistida,
exposição a medicamentos ototóxicos e diuréticos de alça,
hiperbilirrubinemia com níveis de exsanguineotransfusão e
infecções intrauterinas (tais como: citomegalovirose,
herpes, rubéola, sífilis e toxoplasmose);
• Anomalias craniofaciais;
• Síndromes com perda auditiva sensorioneural ou
condutiva associadas, entre as quais: Waardenburg, Alport,
Pendred, Jervell e Lange-Nielson;
• Doenças neurodegenerativas, como neuropatias
sensoriomotoras, síndrome de Hunter, ataxia de Friedreich
e síndrome de Charcot-Marie-Tooth;
• Infecções pós-natais associadas à perda auditiva
sensorioneural, incluindo meningites bacterianas e virais
confirmadas (especialmente herpesvírus e varicela);
• Traumatismos cranioencefálicos (TCE), especialmente
fraturas do osso temporal;
• Quimioterapia.
26. O QUE É O TESTE da orelhinha?
O teste da orelhinha consiste em procedimentos
eletrofisiológicos objetivos que não causam dor ou
desconforto. Portanto, não necessitam da participação
ativa da criança. São recomendadas técnicas associadas de
potencial evocado auditivo de tronco encefálico automático
(Peate) – mais conhecido como Bera – e emissões
otoacústicas (EOA), que tecnicamente são testes de triagem
de alta acurácia. O critério utilizado é o passa-falha, ou seja,
o bebê “passa” no exame quando há presença
deotoemissões, o que indica funcionamento coclear
adequado (das células ciliadas externas). Quando falha, por
ausência de otoemissões, é porque há funcionamento
coclear alterado ou presença de componente condutivo
(como vernix, líquido na orelha média, alteração na pressão
da tuba auditiva ou anatomia desfavorável do conduto
auditivo externo). Nos casos de bebês que apresentam
fatores de risco para perda de audição, a indicação é que
seja realizada a associação 68 Ministério da Saúde |
Secretaria de Atenção à Saúde | Departamento de Atenção
Básica das técnicas de EOA e Bera de triagem, com o
objetivo de investigar também a integridade da via auditiva.
Os exames são realizados por intermédio de aparelho
portátil. Já as condições ideais para a realização do teste
envolvem um ambiente silencioso, com o bebê tranquilo e
preferencialmente dormindo.
27. Como deve ser aferição da pressão arterial?
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença
frequente no adulto e é o fator de risco mais importante
para o desenvolvimento de aterosclerose, doença
coronariana, insuficiência cardíaca, acidente vascular
cerebral e para a progressão de doença renal crônica. A
equipe de atenção básica à saúde tem um papel
55 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
fundamental na detecção dos casos de HAS, adotando
medidas corretas e sequenciais da pressão arterial.
Há consenso na literatura, mas sem embasamento em
estudos bem delineados, de que a pressão arterial deve ser
aferida a partir dos 3 anos de idade nas consultas de rotina.
Sugere-se que se faça uma medida aos 3 anos e outra no
início da idade escolar (6 anos).
Recomenda-se a consulta aos anexos A, B e C desta
publicação para mais instruções sobre a técnica correta de
aferição e avaliação da PA em crianças. O quadro a seguir
apresenta a classificação da PA em menores de 18 anos.
Quadro 3 – Classificação da pressão arterial em
menores de 18 anos
Média das 2 últimas de 3 aferições
da pressão arterial na consulta
Definição
PA sistólica e diastólica < percentil
90
Normal
PA sistólica média e/ou diastólica
média entre o percentil 90 e 95
Normal alta
(acompanhar)
PA sistólica média e/ou diastólica
média > percentil 95
Alta ou
hipertensão
arterial
encaminhar para
o CARDIO
Fonte: SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2006.
28. Como deve ser o rastreamento da criptorquidia?
Rastreamento para criptorquidia
A criptorquidia isolada é a anomalia congênita mais comum
ao nascimento.
A migração espontânea dos testículos ocorre geralmente
nos primeiros 3 meses de vida (em 70% a 77% dos casos) e
raramente após os 6 a 9 meses.
Se os testículos não forem palpáveis na primeira consulta
ou forem retráteis, o rastreamento deve ser realizado nas
visitas rotineiras de puericultura.
Se aos 6 meses não forem encontrados testículos
palpáveis no saco escrotal, será necessário encaminhar a
criança à cirurgia pediátrica.
Se forem retráteis, o caso deve ser monitorado a cada 6 a
12 meses, entre os 4 e 10 anos de idade do menino, pois
pode ocorrer de a criança crescer mais rápido do que o
cordão espermático nessa faixa de idade e os testículos
saírem da bolsa escrotal.
O tratamento precoce da criptorquidia com cirurgia resulta
em diminuição do risco de câncer de testículos e de
problemas com a fertilidade em adultos.
29. O que é o Aconselhamento antecipado?
Aconselhamento antecipado
Embora a orientação preventiva seja considerada
importante para a promoção da saúde e valorizada pelos
pais, os profissionais de saúde destinam um tempo
desprezível a ela. Em consultas de atenção básica, não se
permite deixar de abordar quatro itens fundamentais: dar
atenção à queixa principal, revisar os problemas já
apresentados, enfatizar a prevenção e a promoção
oportunas e estimular a mudança de hábito na busca por
cuidado. As orientações baseadas em fortes evidências, de
acordo com a faixa etária, são as seguintes:
Posição para dormir: Os pais e cuidadores devem ser
alertados quanto ao risco de morte súbita de crianças no
primeiro ano de vida, sobretudo nos primeiros 6 meses.
Eles devem receber a orientação de que a melhor maneira
de prevenir casos assim é colocando a criança para dormir
de “barriga para cima” (posição supina), e não de lado ou
de bruços. A cama ou o berço deve ser firme, e não deve
haver lençóis ou cobertores frouxos ou objetos macios em
volta da criança.
Prevenção de infecção viral respiratória: A lavagem de
mãos por todas as pessoas que têm contato com o bebê
deve ser orientada em todas as visitas de puericultura, com
o objetivo de evitar a propagação de vírus causadores de
doenças respiratórias. (Não colocar mascara)
Aconselhamento para realizar atividade física: (prazerosa)
Para crianças a partir dos 2 anos, deve haver
aconselhamento para a realização de 30 a 60 minutos por
dia de atividade física moderada ou vigorosa, apropriada
para a idade, entre 3 e 5 vezes por semana. A atividade
pode ser cumulativadurante o decorrer do dia, somando-se
as horas de atividade física na escola com as realizadas de
forma extraclasse.
As crianças aparentemente saudáveis podem participar de
atividades de baixa e moderada intensidade, lúdicas e de
lazer, sem a obrigatoriedade de uma avaliação prévia de
participação formal. É importante que algumas condições
básicas de saúde – como uma nutrição adequada – tenham
sido atendidas para que a atividade física seja
implementada. O risco de complicações cardiovasculares na
criança é extremamente baixo, exceto quando existem
cardiopatias congênitas ou doenças agudas. A presença de
algumas condições clínicas (tais como asma, obesidade e
diabetes mellitus) exige a adoção de recomendações
especiais, que devem ser identificadas e quantificadas
(idem) [D]. Aconselhamento para não haver ingestão de
bebidas alcoólicas Para crianças acima de 7 anos, é de
fundamental importância reforçar a prevenção e a
educação para se evitar o uso de bebidas alcoólicas tanto
por meio de abordagem no núcleo familiar quanto na
escola.
Aconselhamento para não haver ingestão de bebidas
alcoólicas: Para crianças acima de 7 anos, é de fundamental
importância reforçar a prevenção e a educação para se
evitar o uso de bebidas alcoólicas tanto por meio de
abordagem no núcleo familiar quanto na escola.
Aconselhamento em relação aos hábitos alimentares
Aconselhamento e prevenção de lesões não intencionais
56 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
CARÊNCIAS DE MICRONUTRIENTES
Deficiência em Vitamina A
Hipovitaminose A
Deficiência de vitamina A
Funções da vitamina A
Vitamina A
Fontes de vitamina A
Diagnóstico da deficiência de vitamina A
Prevenção e controle da hipovitaminose A
Brasil: Programa Nacional de Suplementação de
Vitamina A
HIPOVITAMINOSE A - DEFICIÊNCIA DE VITAMINA A
A deficiência de vitamina A é responsável por uma série de
problemas de saúde. A sigla mais conhecida para
determinar este problema é VAD, da terminologia em
inglês Vitamin A Deficiency.
A deficiência crônica de vitamina A ainda é um dos mais
resistentes problemas nutricionais nos países em
desenvolvimento, a despeito dos sintomas não serem de
difícil identificação, da etiologia ser bem conhecida, do
tratamento ser disponível e, em grande parte das situações,
de existirem fontes alimentares, disponíveis e acessíveis,
de vitamina A, seja na forma de carotenóides, seja como
retinol.
Sabe-se há muito tempo que a deficiência de vitamina A
pode levar à cegueira, carência esta que afeta milhões de
crianças no mundo. Mesmo nos casos de deficiência leve,
pode haver comprometimento do sistema imunológico, o
que reduz a resistência à diarréia e ao sarampo, que, por
sua vez, contribuem para a morte de, respectivamente, 2,2
milhões e 1 milhão de crianças por ano no mundo.
Estima-se que aproximadamente 190 milhões de
indivíduos apresentem deficiência subclínica, 13 milhões,
algum sintoma de xeroftalmia, e, como consequência
desta, 250.000 a 500.000 crianças são atingidas,
anualmente, de cegueira irreversível.
Conjunto de estudos relacionado a ação da suplementação
com vitamina A em crianças de 6 meses a 5 anos verificou
que esta poderia reduzir as taxas de mortalidade infantil
em 23% nas situações de risco da deficiência, sendo o
maior impacto obtido nas mortes relacionadas à diarreia e
ao sarampo. Considera-se, nesse sentido, que o efeito da
vitamina A é duplo, não somente reduzindo a gravidade das
doenças e salvando vidas, mas também aliviando a
demanda de atendimentos por parte dos serviços de saúde
que, na maior parte das vezes, estão sobrecarregados.
A relação da deficiência de vitamina A com a mortalidade
materna também vem sendo descrita, principalmente nas
regiões menos desenvolvidas. Análise desse problema
realizada no Nepal mostrou que a suplementação de
vitamina A, em pequenas doses semanais, durante o pré-
natal, foi capaz de produzir redução de 44% na mortalidade
das gestantes. Isso é da maior relevância, pois, à
semelhança de outros países em desenvolvimento no
mundo, a taxa de mortalidade materna no Nepal é muito
alta, sendo 125 vezes maior do que a dos Estados Unidos. A
deficiência de vitamina A nessas gestantes é comum, com a
cegueira noturna manifestando-se em cerca de 10% a 20%
dessas mulheres.
Os resultados desse estudo indicaram que, em regiões com
deficiência de vitamina A, a ingestão regular e adequada
dessa vitamina ou de beta-caroteno, por mulheres em
fase reprodutiva, pode diminuir marcadamente a
mortalidade relacionada à gravidez, a anemia na gestação,
quando combinada ao tratamento para verminose, e o
percentual de cegueira noturna.
Apesar de reconhecida há muitos anos, a cegueira noturna
em gestantes disseminou-se em vários países no mundo e,
somente nos últimos anos, passou a ser vista como
problema de saúde pública. Estima-se que somente na Ásia
Meridional entre um milhão e dois milhões de mulheres
grávidas sofram desse problema. Estudos têm relacionado
essa condição à inadequação e à deficiência de vitamina A
na dieta, à anemia por deficiência de ferro, à desnutrição,
ao aumento de morbidade na gravidez e à mortalidade até
dois anos após o diagnóstico.
Esses vários enfoques relacionados à importância da
manutenção de estado adequado de vitamina A, tanto em
crianças quanto em adultos, indicam a relevância de se
levar em consideração as inúmeras funções que esse
nutriente desempenha no corpo humano, assim como a
importante tarefa de se desenvolver estratégias e ações
eficientes para o adequado controle e a prevenção dessa
carência.
FUNÇÕES DA VITAMINA A
A importância do adequado estado nutricional de vitamina
A é incontestável, uma vez que ela possui papel fisiológico
muito diversificado, atuando no bom funcionamento do
processo visual (visão noturna), na integridade do tecido
epitelial e no sistema imunológico, entre outros.
1- PROCESSO VISUAL
A ação da vitamina A na visão dá-se em razão de sua
combinação com a opsina no segmento exterior dos
bastonetes da retina. A opsina é uma proteína que produz
a rodopsina – pigmento visual dos bastonetes que
participa do processo visual em condições de
luminosidade reduzida. Em situação de deficiência de
vitamina A, ocorre retardo no tempo de adaptação à
obscuridade, sendo, portanto, mais difícil o processo de
adaptação ao ambiente com pouca luminosidade. Esse
efeito da deficiência de vitamina A é conhecido como
cegueira noturna, que é uma forma de disfunção da retina,
sendo grave o suficiente para ocasionar deficiência
subjetiva da visão noturna
57 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
2- DIFERENCIAÇÃO CELULAR
A vitamina A atua nas células produtoras de queratina em
vários tecidos epiteliais do organismo, e, na ausência desta,
ocorre ressecamento epitelial denominado de xerose,
tipicamente encontrado na conjuntiva e na córnea.
Também se observa que essa vitamina tem ação
semelhante a de um hormônio na diferenciação celular de
vários tecidos e órgãos.
3- RESPOSTA IMUNITÁRIA
A vitamina A atua nos processos de manutenção da
imunocompetência, principalmente em relação aos
linfócitos, de respostas mediadas pelas células T (LT CD4 e
CD8) e de ativação de macrófagos.
4- MORTALIDADE E MORBIDADE
Vários estudos epidemiológicos vêm destacando, nas duas
últimas décadas, o papel da vitamina A na redução da
mortalidade e da morbidade, principalmente por doenças
infecciosas. Observou-se que, em populações com alta
prevalência de deficiência, o aumento no consumo de
vitamina A em crianças reduz o risco de morte,
principalmente quando associado à diarréia. A metanálise
dos oito principais estudos de intervenção em relação à
mortalidade indica que a redução geral na mortalidade foi
de 23% em crianças menores de 5 anos. Pesquisascom
sarampo indicam que, nos casos graves, observa-se
redução na morbi-mortalidade em crianças
suplementadas com vitamina A. Em geral, o sarampo
apresenta-se de forma mais grave e aguda em crianças
desnutridas, levando a complicações mais frequentes e
aumentando a taxa de mortalidade, o que diminui quando
o tratamento inclui a suplementação com vitamina A.
Outra abordagem sobre a deficiência de vitamina A e
morbidade tem sido desenvolvida, ainda preliminarmente,
em relação à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
(Aids), pois se verifica que a mortalidade média é maior nos
indivíduos soropositivos com menor concentração de
retinol sérico. Nesse sentido, o estado nutricional de
vitamina A na infecção por HIV é muito importante, e a
suplementação poderá ser uma estratégia de intervenção
nesses casos. Também a suplementação de vitamina A em
crianças infectadas com HIV parece ser benéfica na
redução da incidência e da gravidade da diarreia.
VITAMINA A
Os agentes precursores da vitamina A fazem parte de um
grande grupo conhecido como carotenóides ou provitamina
A. Estes são considerados como vitamina em potencial, mas
não o são na realidade, sendo precursores dietéticos do
retinol. Eles fazem parte de um grupo de pigmentos
naturais, roxos, alaranjados e amarelos encontrados em
plantas e animais, com produção pela natureza estimada
em aproximadamente 100 milhões de toneladas de
pigmentos de carotenóides por ano.
Esse conjunto de carotenoides dispostos na natureza atua
em pigmentos de algas marinhas, plumagem de algumas
aves, cores das frutas e hortaliças, além de estar presente
em fungos, leveduras, bactérias, plantas e animais. Destes
elementos chamados de carotenóides com ação de
provitamina A, mais de 50 são capazes de converter-se em
vitamina A. De todos, o que possui maior capacidade de
conversão é o β-caroteno (em torno de 100%), seguido do
α-caroteno (50% – 54%) e do gama-caroteno (42% – 50%).
Fontes de vitamina A
A melhor fonte de vitamina A para o lactente é o leite
materno. Outras fontes principais de provitamina A são as
folhas de cor verde-escura (como o caruru), os frutos
amarelo-alaranjados (como a manga e o mamão), as raízes
de cor alaranjada (como a cenoura) e os óleos vegetais
(óleo de dendê, pequi e pupunha). Com relação às frutas,
apesar da atividade de vitamina A ser menor do que nas
hortaliças, sua melhor aceitabilidade entre as crianças
traduz-se em vantagem para as ações de intervenção.
Quanto às raízes e aos tubérculos, a maioria dos produtos
analisados têm baixa quantidade de carotenóides. A maior
parte dos óleos vegetais possui carotenóides, mesmo que
em concentrações baixas. As exceções são o óleo de dendê
e o de buriti, que são ricos nessa substância.
A maior parte dos carotenóides existentes não possui
atividade de vitamina A, apesar de possuírem cores fortes e
brilhantes. Este é o caso, por exemplo, dos ovos de galinha,
cujos principais pigmentos são a luteína e a zeaxantina, e
menos de 7% do total é representado pelo β-caroteno. O
mesmo ocorre em alguns pescados, cujos principais
pigmentos são xantófilos, que não tem propriedade de
provitamina A.
Existem fatores que podem atuar isolada ou conjuntamente
na alteração da absorção dos carotenóides, modificando,
portanto, sua biodisponibilidade – capacidade de o
nutriente estar disponível para utilização pelo organismo. A
estrutura química de um carotenóide pode determinar sua
atividade de vitamina A. Também a forma na qual o
carotenóide se encontra nos alimentos é importante. Ele
pode estar ligado a um complexo pigmento-proteína ou a
gotículas de gordura, cuja liberação é facilitada. O tempo de
cocção do alimento pode ajudar na liberação do
carotenóide, mas, caso seja prolongado, pode levar à sua
destruição oxidativa. A composição química dos alimentos
também pode influenciar, pois a gordura favorece a
absorção, pela formação das micelas.
Ainda como fatores facilitadores, observa-se a necessidade
de bom estado nutricional em relação à proteína e ao zinco
e a presença de vitamina E, que atua como antioxidante,
protegendo a vitamina A da oxidação
Por outro lado, as fibras, a clorofila e os carotenóides, que
não têm ação de provitamina A, atuam reduzindo a
biodisponibilidade do carotenóide com atividade de
vitamina A. A interação entre micronutrientes que
coexistem no mesmo alimento também pode interferir na
sua biodisponibilidade, potencializando estados de
deficiência
58 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Outros fatores que podem prejudicar a biodisponibilidade
dos carotenóides são a má absorção de gordura e os
parasitas intestinais, como Ascaris lumbricoides e Giardia
lamblia.
Com relação à vitamina A pré-formada, os óleos de fígado
de peixe são fontes concentradas da vitamina A;
entretanto, são mais utilizados como remédios. Nos 12
Cadernos de Atenção o Básica peixes de água salgada, esse
composto é armazenado como álcool de vitamina A1
(retinol) e, nos peixes de água doce, como álcool de
vitamina A2 (3-des-hidroretinol), que possui cerca de 40%
da atividade do retinol. Os derivados do leite, como queijo
e manteiga, além dos ovos, são considerados fontes
moderadas de vitamina A.1
A melhor fonte de vitamina A na natureza é o fígado de
alguns peixes, como o linguado, o bacalhau e o arenque.
As concentrações mais altas encontram-se nos animais que
estão no final da cadeia alimentar, na qual situam-se por
ordem de concentração os carotenóides e, depois, a
vitamina A.
Diagnóstico da deficiência de vitamina A
A determinação da magnitude, da gravidade e da
distribuição dessa deficiência é fundamental no sentido da
promoção de estratégias corretas de controle e prevenção,
sendo da maior importância o conhecimento e o uso de
indicadores clínicos e bioquímicos relacionados à carência
de vitamina A. Os indicadores que definem a deficiência de
vitamina A clínica, isto é, os sinais de xeroftalmia, sempre
que possível, devem ser reforçados por evidências de níveis
sanguíneos inadequados de vitamina A (retinol sérico).
Magnitude: incidência da deficiência na comunidade
A deficiência de vitamina A subclínica é definida como uma
situação na qual as concentrações dessa vitamina estão
suficientemente baixas para levar a consequências
deletérias à saúde, mesmo na ausência de evidências
clínicas de xeroftalmia. Segundo especialistas, o termo
deficiência inclui uma situação clínica e subclínica de
distintos graus – grave, moderada e leve –, mas todos
produzem efeitos adversos sobre a saúde. Em situações em
que a deficiência se refere somente à presença de sinais
clínicos, recomenda-se que seja usado o termo deficiência
clínica ou xeroftalmia
A ocorrência de deficiência de vitamina A deve ser
considerada principalmente em locais com dificuldades de
realização de diagnóstico clínico de xeroftalmia e onde
existem casos de desnutrição e diarreia frequentes.
Indicadores clínicos
O termo xeroftalmia significa “olho seco”, sendo a xerose
uma alteração que pode ocorrer não só no olho, mas em
outras partes do organismo, como a pele, por exemplo.
Esse termo inclui todas as alterações, os sinais e os
sintomas clínicos que acometem o olho, em situação de
deficiência de vitamina A. A xerose está delimitada
principalmente por alterações nas estruturas epiteliais
oculares, como a conjuntiva e a córnea.
A OMS classificou os diferentes aspectos oculares da
xeroftalmia e desenvolveu critérios para determinação da
gravidade do problema em termos de saúde pública. A
prevalência de um ou mais indicadores significa um
problema de saúde pública.
Classificação da xeroftalmia segundo sinais oculares
indicadores de deficiência de vitamina A clínica-xeroftalmia,
em crianças de 6-71 meses
Classificação Indicador Prevalência
mínima
XN Cegueira noturna1,0%
X1A Xerose da conjuntiva não usada
X1B Mancha de Bitot 0,5%
X2 Xerose da córnea 0,01%
X3A Ulceração
córnea/ceratomalácia
< 1/3 superficie da
córnea 0,01%
X3B Ulceração
córnea/ceratomalácia
≥ 1/3 superficie da
córnea 0,01%
XS Cicatriz na córnea 0,05%
XF fundo xeroftálmico Não usado
Cegueira noturna (XN): é a forma mais extrema da
disfunção retiniana e pode causar redução subjetiva da
visão noturna. Como indicador da deficiência, tem a
vantagem de não ser invasivo. Alguns testes podem ser
feitos por pessoal capacitado, como aplicação de
questionário e observação do desempenho de crianças e
mulheres gestantes em condições de pouca iluminação.
Contudo o diagnóstico objetivo de visão noturna requer
equipamentos caros e complexos, manuseados por pessoal
qualificado (não faz no SUS). Esse indicador caracteriza-se por
inadequada adaptação à obscuridade, sendo o primeiro e
mais precoce indicador funcional da manifestação da
deficiência passível de mensuração
A cegueira noturna em crianças de 24–71 meses deve ser
avaliada a partir da entrevista com as mães. Nas crianças
menores de 24 meses e em algumas culturas, a criança
menor não tem muita mobilidade à noite, não sendo este
um bom indicador nesses casos. Já, com mulheres grávidas,
o indicador deve ser utilizado para identificação da
deficiência
A interpretação da prevalência de cegueira noturna em
crianças de 24–71 meses e sua identificação como
problema de saúde pública é estabelecida segundo os
critérios abaixo:
Nível de importância Prevalência
Leve > 0 - <1%
Moderada ≥ 1% - < 5%
Grave ≥ 5%
Xerose da conjuntiva (X1A): este termo pode ser aplicado a
qualquer das etapas de mudanças que ocorrem na
conjuntiva. A categoria de mudanças oculares
caracterizadas pela X1A está sujeita a grandes variações
entre os observadores, sendo um indicador pouco confiável
(difícil classificação) O processo de xerose que afeta a
conjuntiva e a córnea se deve basicamente a trocas entre
59 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
as proteínas tissulares, parecendo a diminuição das
lágrimas ser um fenômeno secundário que piora a xerose já
existente. Nessa situação, as infecções oculares locais são
frequentes. Olho seco e vermelho, sem proteção
Mancha de Bitot (X1B): é o resultado final do processo de
xerose que afeta a conjuntiva bulbar, sendo característica
da parte exposta da conjuntiva. Consiste em agrupamento
de células epiteliais queratinizadas, esfoliadas, que formam
uma estrutura elevada que pode ser retirada facilmente. As
manchas variam em tamanho e forma e as áreas afetadas
podem ser múltiplas. Em geral, entretanto, existe apenas
uma mancha no olho, sendo seu aspecto semelhante à
espuma, resultante, possivelmente, da ação de bactérias
que formam gases. A resposta ou não ao tratamento com
vitamina A determina se a mancha de Bitot se relaciona à
deficiência de vitamina A presente ou se está vinculada a
outros problemas, como traumatismo local, exposição a
raios ultravioleta em grandes altitudes, entre outros.
Xerose da córnea (X2): o processo de xerose na conjuntiva
tende a difundir-se até afetar a córnea, quando a mesma
adquire aspecto opaco. A tendência é que essa condição
dure em torno de dois dias, evoluindo em seguida para a
etapa de deformação da córnea, que é conhecida como
ceratomalácia. Ressalta-se que, até esta etapa, o
tratamento com megadoses de vitamina A pode reverter o
processo, preservando, assim, a visão.
Ceratomalácia (X3A, X3B): a divisão está baseada no grau
de comprometimento da córnea. Esse quadro é
caracterizado por xerose crescente do epitélio, com
liquefação da córnea a partir de processo de necrose,
quando o estroma se torna edemaciado. Como resultado
final, sempre haverá algum grau de lesão ou deformidade
visual, podendo levar à cegueira irreversível. Normalmente,
é observada uma úlcera por olho e, em 20% dos casos, os
dois olhos estão afetados com características similares. O
processo pode progredir muito rapidamente, em questão
de horas, especialmente em crianças muito pequenas.
Nesses casos, deve-se atentar para o fato de que a
ceratomalácia pode apresentar-se sem nenhum indício de
xerose na conjuntiva ou na córnea, o que acontece
principalmente em situações de quadros infecciosos.
Cicatrizes na córnea (XS): este tipo de
deformação pode ser o resultado de uma
série de doenças que afetam os olhos. A
deficiência visual é inevitável e o seu grau
dependerá da densidade da cicatriz. Quando as estruturas
internas são afetadas, normalmente como resultado de
infecções concomitantes, não é possível fazer melhorias
nessa condição por meio de intervenção cirúrgica.
Fundo xeroftálmico (XF): condição caracterizada por danos
estruturais nos bastonetes. Não é uma situação comum e
tem sido observada principalmente em escolares. Parece
ser o resultado de deficiência prolongada de vitamina A,
quando a deficiência na função dos bastonetes é seguida
por lesões estruturais na retina.
Indicadores BIOQUÍMICOS
Entre os indicadores bioquímicos, os principais são:
Retinol sérico: a vitamina A circula no sangue como retinol,
ligada a uma proteína carreadora conhecida pela sigla RBP
(retinol-binding protein). O nível de retinol sérico está sob
controle homeostático e reflete as reservas corporais
somente quando estas são muito baixas ou muito altas.
Nesse sentido, a concentração sérica do retinol não é um
bom indicador para diagnóstico da deficiência de vitamina
A em indivíduos. Em populações, entretanto, a distribuição
da frequência da concentração de retinol sérico pode ser
muito útil. Utiliza-se o ponto de corte de ≤ 0.70 µmol/L para
indicar baixo nível de vitamina A. Para caracterização
desses valores, em termos de nível de importância em
saúde pública, utilizam-se os percentuais que seguem:
Prevalência de valores séricos de vitamina A ≤ 0.70 µmol/L em
crianças ≥ 1 ano
Nível de importância Prevalência
Leve ≥ 2% – ≤ 10%
Moderada >10% – < 20%
Grave ≥ 20%
Concentração de vitamina A no leite materno: este
indicador provê informação sobre o estado nutricional em
relação à vitamina A da mãe e do bebê amamentado. A
secreção de vitamina A no leite materno está diretamente
relacionada ao estado de vitamina A da mãe, ressaltando-
se que os recém-nascidos têm baixos estoques dessa
vitamina. Eles dependem das concentrações de vitamina A
do leite materno para acumular e manter estoques
adequados até que a alimentação complementar forneça
quantidades adicionais da vitamina suficientes para manter
requerimentos dessa fase de crescimento. Em populações
com níveis adequados de vitamina A, a concentração
média desta vitamina no leite materno é de 1.75 – 2.45
µmol/L, enquanto em populações deficientes os valores
médios são abaixo de 1.4 µmol/L. Foi selecionado o ponto
de corte de ≤1.05 µmol/L de vitamina A ou ≤ 8 µg/g de
gordura do leite, sendo propostas as taxas de prevalência
conforme a tabela a seguir, para estabelecer a gravidade do
problema. (não faz na pratica)
60 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Prevalência de valores no leite materno ≤ 1.05 µmol/L (≤ 8 µg/g
gordura do leite) em uma população de lactantes
Nível de importância como
problema de saúde pública
Prevalência
Leve <10%
Moderada ≥10 - <25%
Grave ≥ 25%
Prevenção e controle da hipovitaminose A
Entre diversos compromissos assumidos por dirigentes de
vários países em eventos internacionais, como a Cúpula
Mundial da Infância, em 1990, e a Conferência
Internacional de Nutrição, em 1992, estava a meta de
eliminar a deficiência de vitamina A e suas conseqüências
até o ano 2000. Entretanto, isso ainda não foi possível,
mesmo com a combinação de estratégias voltadas para o
controle desse problema. No mundo, observa-se que a
xeroftalmia clínica tem diminuído anualmente; no entanto,a prevalência da deficiência subclínica tem aumentado e,
em muitos países, ainda não existem dados disponíveis
sobre o avanço nessa área
Entre as ações e as estratégias passíveis de realização,
destacam-se:
– controle da deficiência clínica, que se relaciona com o
tratamento em hospitais e consultórios dos casos
diagnosticados, usualmente com administração de altas
doses de vitamina A. Nessas situações, é necessária a
manutenção do oferecimento dessa vitamina nas regiões
de maior gravidade dos transtornos por deficiência de
vitamina A;
– a suplementação ou distribuição periódica de vitamina A
em altas doses nas populações em risco, sendo esta uma
estratégia de ação de curto prazo. Em muitos países, essa
atividade é feita paralelamente à vacinação, uma vez que se
conhece a estreita associação da carência de vitamina A
com problemas infecciosos
– a fortificação de alimentos é outra estratégia, sendo tão
importante no caso da vitamina A quanto no caso de outras
carências de micronutrientes como, por exemplo, o ferro.
Esta estratégia é mundialmente aceita e recomendada,
sendo priorizados alimentos de consumo popular;
– ações de intervenção educativa e nutricional que visem à
diversificação alimentar e ao maior consumo de fontes de
vitamina A, principalmente em grupos de maior risco,
também devem ser incentivadas;
– outra atividade que vislumbra maior desenvolvimento no
futuro é o melhoramento dos produtos vegetais, visando
ao seu enriquecimento em termos de micronutrientes.
De forma geral, as três principais linhas de ação em relação
aos programas de nutrição e saúde pública são a
suplementação de megadoses de vitamina A, a fortificação
de alimentos e o estímulo à produção e ao consumo de
alimentos fontes de vitamina A.
A suplementação periódica da população de risco com
doses maciças de vitamina A, a curto prazo, é uma das
estratégias mais utilizadas para prevenir e controlar a
Deficiência de Vitamina A (DVA). A conduta de
administração da megadose de vitamina A é:
– para crianças de 6 meses a 11 meses de idade – 1
megadose de vitamina A na concentração de 100.000 UI;
– para crianças de 12 a 59 meses de idade (5 anos) – 1
megadose de vitamina A na concentração de 200.000 UI
a cada 6 meses;
– para puérperas – 1 megadose de vitamina A na
concentração de 200.000 UI, no pós-parto imediato,
ainda na maternidade, antes da alta hospitalar
Somente para regiões de risco populacional!!!! Não se faz como prevenção
A utilização dessas doses é segura e tem baixa incidência
de efeitos colaterais. No entanto, é necessário cuidado
especial no que concerne aos grupos de risco (mulheres no
período reprodutivo e gestantes) ante os problemas
potenciais que esta estratégia pode apresentar como, por
exemplo, casos de toxicidade até efeitos teratogênicos
sobre o feto, no caso de administração inadequada à
gestantes
A fortificação de alimentos com vitamina A constitui-se em
uma intervenção a médio e a longo prazos, já tendo sido
realizadas experiências com vários alimentos como o
açúcar, o trigo, a farinha de milho e o arroz. Desde o início
do século XX, esse tipo de ação vem sendo desenvolvida.
Nas décadas de 1930 e 1940, o leite foi fortificado com
vitamina A em vários países da Europa e na América do
Norte. A margarina fortificada com vitamina A foi
introduzida na Dinamarca em 1981.
A tecnologia de fortificação de alimentos é uma
oportunidade importante, principalmente para países em
desenvolvimento, no sentido da melhoria das condições de
saúde em relação à má nutrição por deficiência de
micronutrientes. A fortificação é uma ação socialmente
aceitável, não requer mudanças nos hábitos alimentares e
não deve levar a mudanças nas características dos
alimentos. Para o sucesso da ação, deve haver
compromisso entre o governo e as indústrias de alimentos
envolvidas, além do devido esclarecimento aos
consumidores visando orientar a preferência para consumo
de alimentos fortificados com micronutrientes.
Os setores da saúde e da indústria de alimentos, associados
à comunidade científica, devem procurar trabalhar em
conjunto, encarando essa estratégia como uma
oportunidade importante para o combate às carências por
micronutrientes, visando ao sucesso desse esforço, que se
traduzirá em melhores condições de saúde para a
população.
O Brasil dispõe de alimentos fortificados com vitamina A
no mercado, mas ainda não optou por essa estratégia como
ação de saúde pública por inexistência de dados
61 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
epidemiológicos que embasem de forma segura e
justifiquem a fortificação universal de alimentos para
controle da deficiência no país.
Outro tipo de ação relevante para o controle e prevenção
não só da hipovitaminose A, mas a outras carências por
micronutrientes, é a modificação e a diversificação
dietética por meio de estratégias de educação alimentar e
nutricional, visando à promoção de hábitos alimentares
mais saudáveis. Isso envolve mudanças nas práticas de
produção e no padrão de seleção de alimentos, assim como
nos métodos domésticos tradicionais de processamento
destes. O objetivo principal é a melhoria na disponibilidade,
no acesso e na utilização de alimentos com alto conteúdo e
biodisponibilidade de micronutrientes durante todo o ano.
Ações que visem ao aumento da disponibilidade e do
consumo de alimentos fontes de vitamina A devem ser
promovidas, devendo, entretanto, ser considerados os
fatores intervenientes, tanto de ordem econômica e social,
quanto educacional e cultural. O consumo rotineiro de
alimentos fontes de vitamina A pré-formada por parte da
população de risco é mais limitado, sendo os alimentos
fontes de β-caroteno mais acessíveis às populações de
baixa renda, devendo ter seu consumo incentivado.
Dessa forma, a promoção do consumo de alimentos ricos
em carotenóides ou vitamina A pré-formada é uma das
estratégias a serem usadas no controle dessa deficiência.
Estudos têm sido desenvolvidos no intuito de promover a
educação nutricional associada a experiências de incentivo
à produção agrícola, como a horticultura e a fruticultura,
levando ao aumento no consumo de alimentos ricos em
carotenóides.
Brasil: Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A
Para prevenir e controlar a deficiência de vitamina A, desde
1983, o Ministério da Saúde distribui cápsulas de 100.000
UI de vitamina A para crianças de 6 a 11 meses de idade e
de 200.000 UI para crianças de 12 a 59 meses de idade nos
Estados da Região Nordeste e no Estado de Minas Gerais
(Vale do Jequitinhonha e Vale do Mucuri).
Essa distribuição vem sendo feita associada às campanhas
de vacinação, na rotina das unidades básicas ou ainda por
visitas domiciliares feitas pelos Agentes Comunitários de
Saúde
No ano de 2001, o programa foi ampliado para
atendimento às puérperas, por meio de suplementação
com cápsulas de 200.000 UI na maternidade, no pós-parto
imediato, uma vez que no Nordeste do Brasil mais de 95%
dos partos são realizados em hospitais gerais ou
especializados. Esta é uma estratégia para garantir a
adequação das reservas corporais maternas.
Desta forma, o aporte de vitamina A, por meio do leite
materno, garantirá suprimento suficiente da vitamina entre
as crianças menores de 6 meses de idade que estão sendo
amamentadas.
Em 2004, o programa foi reestruturado com vistas a
promover maior divulgação e mobilização dos profissionais
de saúde e população, com a criação da marca publicitária:
VITAMINA A MAIS
No ano de 2005, foi publicada a Portaria nº 729, de
13/5/2005, que definiu as diretrizes do programa de
suplementação e as responsabilidades dos três níveis de
governo.
Existem inúmeras estratégias para prevenir a deficiência de
vitamina A, cada uma delas com suas próprias vantagens e
limitações, mas sempre altamenteeficazes quando
aplicadas de forma complementar. Essas estratégias
incluem:
1. Educação nutricional com ênfase na diversificação
da dieta e aumento do consumo de alimentos ricos
em vitamina A. Estímulo ao consumo de alimentos
enriquecidos e/ou fortificados com vitamina A, a
partir da verificação deste nutriente nos rótulos
dos alimentos;
2. Suplementação com megadoses de vitamina A em
crianças de 6 a 59 meses de idade e em puérperas
no pós-parto imediato residentes em áreas
consideradas endêmicas;
3. Estímulo ao consumo de alimentos fontes de
vitamina A, que podem ser garantidos com o
fomento à produção e cultivo desses alimentos,
levando em consideração a diversidade regional
brasileira e considerando, entre outras
alternativas, as hortas caseiras, comunitárias ou
escolares.
PÚBLICO ATENDIDO E CONDUTA DE INTERVENÇÃO DO
MINISTÉRIO DA SAÚDE
A suplementação em crianças de 6 a 59 meses e puérperas
no pós-parto imediato com vitamina A tem se mostrado a
medida mais efetiva, a curto prazo, no controle da DVA,
além de extremamente promissora como medida de
diminuição da mortalidade e morbidade.
Esquema de fornecimento de suplementos de vitamina A para
prevenir deficiência de vitamina A em crianças de 6 a 59 meses de
idade e puérperas no pós-parto imediato, antes da alta hospitalar
Período Dose Frequência
Crianças: 6-11
meses
100.000 UI Uma dose
Crianças: 12-59
meses
200.000 UI Uma dose a cada
6 meses
Puérpera no
pós-parto
200.000 UI Uma dose
- imediato antes
da alta hospitalar
Algumas ponderações devem ser levadas em consideração
– As mulheres grávidas ou em idade fértil que podem estar
na etapa inicial da gravidez sem sabê-lo não devem receber
grandes doses de suplementos de vitamina A. Os
suplementos de vitamina A em grandes doses
62 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
administrados no início da gravidez podem causar
problemas de teratogenicidade no feto.
– Os suplementos de vitamina A fornecidos à mulher
lactante logo após o parto, em áreas onde ocorre
deficiência de vitamina A, aumentarão os níveis de vitamina
A não só de suas reservas corporais, mas também do leite
materno. Assim, ao ser amamentado, o bebê aumentará
suas reservas de vitamina A.
– As puérperas devem receber uma dose de vitamina A
imediatamente após o parto na maternidade ou hospital
(antes da alta hospitalar). A definição de parâmetros
seguros de suplementação nessas fases é essencial, uma
vez que durante a gestação o feto usa as reservas de
vitamina A da mãe.
Depois do parto, a elevada velocidade de crescimento da
criança faz com que sejam necessárias quantidades
adequadas de vitamina no leite materno, no caso das
crianças amamentadas ao seio, como é o recomendado.
Mesmo sendo pequeno o aumento da necessidade de
vitamina A durante a gestação, em vários países onde essa
carência é endêmica, ocorrem sintomas da deficiência no
período inicial do aleitamento, como, por exemplo, a
cegueira noturna.
Por outro lado, a administração maciça de vitamina A é
desaconselhada no período posterior ao parto, pois a baixa
cobertura de acompanhamento da mulher no pós-parto
não garante que esta não venha a engravidar novamente
logo após uma gestação.
– O leite materno e sua concentração de vitamina A são
importantes para o lactente, uma vez que as reservas
hepáticas no nascimento são muito pequenas, sendo
aumentadas nos primeiros 6 meses graças à ingestão do
leite materno, que é a principal fonte alimentar nessa fase
do ciclo de vida. Assim, visando ao aumento do aporte de
vitamina A no lactente, a suplementação pode ser feita via
mãe/leite materno para atender às necessidades do
lactente até os 6 meses ou diretamente ao lactente a partir
desses 6 meses, sendo os dois métodos seguros.
– Maternidades e/ou hospitais interessados em aderir ao
programa de suplementação em puérperas devem procurar
as Coordenações Estaduais de Alimentação e Nutrição em
seus estados
Produto a ser utilizado
O suplemento de vitamina A ou megadose utilizado na
suplementação de crianças e puérperas é: vitamina A na
forma líquida, diluída em óleo de soja e acrescida de
vitamina E, na dosagem de 100.000 UI e 200.000 UI.
É essencial que se promova a adequada supervisão e
orientação da distribuição dessas megadoses, que deve
ser realizada por pessoal habilitado para tal, uma vez que
erros na administração das doses podem ter efeitos
deletérios sobre a saúde dos indivíduos. (Casos de
toxicidade até efeitos teratogênicos sobre o feto, no caso
de administração inadequada a gestantes).
Identificação e acompanhamento das famílias
As famílias que tenham crianças de 6 a 59 meses deverão
ser identificadas e assistidas por uma Equipe de Saúde da
Família ou por Unidades Básicas de Saúde e, as puérperas
deverão ser acompanhadas pelas maternidades que
realizarem seu parto.
Todas as administrações de vitamina A realizadas deverão
ser registradas em formulário próprio e nas cadernetas de
saúde da criança e da gestante.
POR QUE A VITAMINA A É IMPORTANTE?
• ela atua no bom funcionamento do sistema visual e sua
ausência pode levar, inicialmente, à cegueira noturna,
evoluindo até situações mais graves como a perda da visão;
• participa dos processos de defesa do organismo,
contribuindo para a redução da mortalidade e da
morbidade por doenças infecciosas.
O QUE CAUSA A CARÊNCIA DE VITAMINA A NO
ORGANISMO?
• A não amamentação.
• O consumo deficiente de alimentos fontes de vitamina A,
que podem ser de origem animal (óleos de fígado de
peixes, derivados do leite, como queijo e manteiga), ou de
origem vegetal (folhas de cor verde-escura, frutos
amarelos, raízes de cor alaranjada e óleos vegetais).
• Em áreas de risco de deficiência de vitamina A, a não
suplementação dos grupos de risco com as megadoses
recomendadas.
QUEM É MAIS AFETADO PELA DEFICIÊNCIA DE VITAMINA A?
• A população que reside em regiões de difícil produção ou
acesso às fontes alimentares de vitamina A.
• Crianças de 0 a 5 anos, gestantes e lactantes.
QUAIS AS CONSEQÜÊNCIAS DA DEFICIÊNCIA DE VITAMINA A?
• Baixa na reserva de vitamina A no organismo, pode
aumentar o risco de morbidade por diarréia e infecções
respiratórias e mortalidade, principalmente nos grupos de
risco.
• Com relação aos problemas visuais, podem ocorrer:
cegueira noturna, ressecamento da conjuntiva,
ressecamento da córnea, lesão da córnea e cegueira
irreversível.
COMO SE PODE PREVENIR E TRATAR A DEFICIÊNCIA DE VIT. A?
• Orientando a população sobre a necessidade de consumo
de alimentos fonte de vitamina A que podem ser de origem
animal (óleos de fígado de peixes, derivados do leite, como
queijo e manteiga), ou de origem vegetal (folhas de cor
verde escura, frutos amarelos, raízes de cor alaranjada e
óleos vegetais).
• Distribuindo, periodicamente, megadoses de vitamina A
às populações de risco;
• Encaminhando pessoas com suspeita de deficiência aos
serviços de saúde.
63 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Anemia por carência de Ferro
Definição: pode ser definida como um estado em que a [ ]
de hemoglobina no sangue está anormalmente baixa, em
consequência da carência de 1 ou + nutrientes essenciais,
origem dessa pode ser de diversas formas
Vários nutrientes contribuem para a ocorrência de
anemias carenciais: folatos, proteínas, vitamina B12 e
cobre, mas, o ferro é o mais importante.
Atualmente é um grave problema de saúde pública, está
relacionada a ingestão insuficientes de nutrientes ricos em
ferro ou pela inadequada utilização orgânica
- 90% das anemias são por deficiência de ferro
Magnitude: relacionada pela incidência da doença e sua gravidade
MAGNITUDE DA ANEMIA
1980: 30% da população era anêmica no mundo
- Variação devido ao grau de desenvolvimento da região
(8% em desenvolvidase 36% nas não desenvolvidas)
Classificação da Prevalência de Anemia em relação à
importância como Problema de Saúde Publica
Nível de importância como
problema de saúde pública
Prevalência
Normal ≤ 4.9%
Leve 5% – 19.9%
Moderado >20% – < 39.9%
Grave ≥ 40%
Crianças
Maior risco para anemia, principalmente nos 1ºs meses de
vida. O lactante nasce com uma reserva de ferro – no
último trimestre é quando a criança armazena esses
excesso de ferro, por isso criança prematura ou de baixo
peso terão acumulados menos ferro, em comparação a um
RN de peso normal.
- Reservas são usadas nos 1ºs 4 a 6 meses de vida. O leite
materno possui pouca quantidade de ferro, mas alta
biodisponibilidade (aproveitamento) para o ferro.
- Aos 6 meses ocorre o esgotamento dessa reserva, e é
quando ela precisa de ferro exógeno (dieta) para evitar
anemia.
- Alguns fatores que vão interferir ↑ o risco de anemia
Amamentação prolongada (após 6 meses sem
introduzir outros alimentos)
Introdução do leite de vaca (causa micro-
hemorragias intestinal, levando a anemia)
- OBS: não dar leite de vaca para crianças < 4
meses pois induz a micro-hemorragias intestinais
- Anemia pode levar a quadros infecciosos recorrentes.
Ferro contribui para integridade funcional dos tecidos
linfoides
- Prejudica o crescimento (demora para compensar) ↓
desenvolvimento da linguagem, produtividade e apetite
(prejudica a absorção de outros micronutrientes), coordenação
motora fina.
- Estudos mostram que pode alterar o comportamento da
criança, levando a um pobre desenvolvimento cognitivo.
- O aprendizado da criança tem relação com o meio
ambiente e estímulos
- Pior desempenho em atividades psicomotoras
- O TTO de 3 meses não foi o necessário para
regredir/recuperar as atividades, evidenciando a
necessidade de um tempo maior para a recuperação da
criança
Suplementação: 6 meses até 24 meses de vida (risco infantil)
Gestante
A gravidez é um período com inúmeras mudança
fisiológicas e leva ao ↑ do volume plasmático e diminuição
de micronutrientes.
↑ a demanda de energia e de micronutrientes, podendo
levar a desnutrição e deficiências nutricionais como o ferro
Consequências:
- ↑ morbidade
- ↑ mortalidade fetal e materna (mesmo em anemia
moderada), nas condições de:
Parto prematuro
Baixo peso ao nascer (infecções e mortalidade
infantil)
↑ 5X a mortalidade infantil
CAUSAS DE ANEMIA
Não é comente a [ ] de ferro nos alimentos, mas também a
proporção de ferro ingerido que se torna disponível para o
organismo, após a absorção, mas também o ferro
biodisponível após a finalização dos processos metabólicos
Absorção de Ferro:
- Mecanismos estimuladores
- Mecanismos inibidores
A quantidade de Ferro não heme (derivado de carnes) e
heme da dieta, sua disponibilidade na natureza da dieta da
pessoa, analisar os fatores estimuladores ou inibidores da
absorção
Nem todo ferro contido nos alimentos é absorvido, pois a
biodisponibilidade desse mineral, tem uma variação de
acordo com o fator intrínseco (da pessoa) e fator
extrínseco (tipo de alimento consumido)
64 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Fatores extrínsecos:
Forma química do ferro:
- Ferro Heme: é derivado principalmente da hemoglobina e
da mioglobina das carnes, das aves e dos peixes. Apesar de
representar uma pequena proporção do conteúdo de ferro
da dieta, desempenha importante papel, uma vez que a
porcentagem absorvida é bem maior e sua absorção é
menos afetada pelos demais componentes da dieta
- não-heme, respondendo por mais de 85% do ferro total.
Sua absorção depende, em grande parte, das reservas
corporais e da solubilidade na parte proximal do intestino
delgado, que, por sua vez, depende da influência que a
composição da refeição, em seu conjunto, exerce sobre a
solubilidade deste mineral. O ferro não-heme precisa de
uma proteína transportadora (transferrina) para sua
absorção, estando sujeito a fatores químicos ou
alimentares que podem influenciar nesse processo.
- Vitamina C: melhora a absorção, Beterraba: piora a
absorção
- Reservas corporais: atuam como um mecanismo de
feedback (fator intrínseco)
Composição da dieta: como dito anteriormente, a composição da
dieta em relação à presença de fatores inibidores ou
estimuladores da absorção do ferro é sobremaneira relevante
para a adequada absorção do ferro dietético.
- Fatores estimuladores: são aqueles que se unem
firmemente ao ferro para manter a estabilidade da ligação
e a solubilidade do complexo através do trato
gastrointestinal. Eles formam quelatos solúveis (permite a
absorção) com o ferro, especialmente na forma férrica,
prevenindo sua precipitação e permitindo a liberação do
ferro para absorção pelas células da mucosa.
Exemplos:
Entre os fatores estimuladores, o ácido
ascórbico (vit. C) presente basicamente nas frutas, destaca-
se por ser um potente facilitador da absorção do ferro,
quando oferecido juntamente com a refeição, podendo
aumentar a biodisponibilidade do ferro das dietas.
Ele possui propriedade redutora e quelante, podendo
melhorar a absorção do ferro em refeições com baixa
biodisponibilidade que contenham potentes inibidores,
como os fitatos e os polifenóis. Em dietas em que a
participação das carnes é reduzida, o conteúdo de ácido
ascórbico torna-se da maior relevância para a determinação
do valor nutritivo do ferro.
Outros ácidos orgânicos também contribuem para o
aumento na absorção do ferro, como os ácidos cítrico,
málico, e tartárico, encontrados nos vegetais, nas frutas e
em temperos.
Semelhantemente, observa-se o efeito facilitador das
carnes na absorção do ferro, sendo este mais marcante
naqueles alimentos que possuem fatores inibidores.
- Fatores inibidores: os agentes inibidores são ligantes que
quelam o ferro, formando complexos insolúveis de alta
afinidade, de tal forma que o ferro não é liberado para a
absorção.
- A adição ou a presença de alguns minerais na dieta pode
prejudicar a absorção do ferro, como, por exemplo, zinco,
cobre, cobalto, níquel, cádmio e manganês. Isso sugere
que podem existir vias comuns de absorção, levando a um
mecanismo de competição entre esses minerais. Observa-
se com relação especificamente ao cálcio que este mineral
interfere na absorção do ferro não-heme.
Provavelmente, o mais importante inibidor de absorção do
ferro em cereais e vegetais é o fitato ou ácido fítico. As
maiores fontes desse elemento são cereais integrais, fibras
e feijões.
As fibras também podem diminuir a absorção graças ao
aumento do trânsito intestinal. Outro fator inibidor da
absorção do ferro é o ácido oxálico, encontrado no
espinafre, na beterraba e em algumas leguminosas.
Os compostos fenólicos são um grupo de substâncias em
alimentos e bebidas considerados prejudiciais à
biodisponibilidade do ferro. São eles: os flavonóides, os
ácidos fenólicos, os polifenóis e os taninos. Esses
compostos são encontrados principalmente nos chás preto
e mate, no café, em alguns refrigerantes, no chocolate, no
vinho tinto e, em menor proporção, em alguns vegetais e
leguminosas.
Portanto, a presença na dieta de fatores estimuladores da
absorção desse mineral e a concomitante ausência de fatores
inibidores são de fundamental importância para a melhoria da
biodisponibilidade do ferro não-heme, principalmente em
populações nas quais é conhecida a baixa ingestão de ferro de
origem animal, visando assim prevenir o aparecimento da anemia
por deficiência de ferro.
FATORES Intrínsecos (relacionado a pessoa, doença)
Situações fisiológicas: existem alguns momentos
fisiológicos que podem alterar o processo de absorção do
ferro, como as etapas da vida em que há maior taxa de
crescimento, o que ocorre na infância e na gravidez.
Nesses períodos, há aumento na biodisponibilidade doferro, principalmente do não-heme, favorecendo assim sua
maior absorção para suprir com maior facilidade os
requerimentos do organismo.
Situações de deficiência nutricional: quando ocorre a
instalação da anemia, há maior absorção do ferro, sendo
essa situação considerada como o mais importante
determinante da taxa de absorção do ferro, seja ele heme
ou não-heme. Há evidências de que um indivíduo anêmico
pode absorver duas a três vezes mais ferro do que um
indivíduo normal.
Situações de baixa acidez gástrica (ex. Omeprazol): levam a
redução da absorção, uma vez que o ácido clorídrico é um
potente agente solubilizante do ferro não-heme. Essa
condição pode acompanhar redução da secreção de ácido
clorídrico pelo estômago após consumo exagerado de
antiácidos, após cirurgias ou em situação de idade
avançada
65 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Diagnóstico do estado nutricional de ferro
Estagio 1 Ocorre depleção nos depósitos de ferro, o que pode ser medido pela diminuição da ferritina sérica,
normalmente para valores inferiores a 12 µg/L.
Neste momento, a concentração plasmática do ferro, a saturação da transferrina e a concentração da
hemoglobina permanecem normais.
A dosagem da concentração de ferritina sérica é um dos métodos mais sensíveis para o diagnóstico dessa
deficiência, entretanto existem situações que podem levar a elevação desse indicador mesmo na presença de
deficiência deste mineral, como, por exemplo, doenças hepáticas e câncer.
Estagio 2 Ocorrem mudanças bioquímicas como reflexo da falta de ferro para a produção normal da hemoglobina e outros
componentes essenciais, sendo observadas alterações no transporte do ferro e nas hemácias que foram
recentemente distribuídas na circulação sangüínea.
Neste momento, ocorre diminuição nos níveis de saturação da transferrina, e a maior parte do ferro presente no
soro
encontra-se unida a ela. Neste estágio, como o ferro sérico se encontra reduzido, a capacidade total de ligação da
transferrina apresenta-se aumentada, e a saturação da transferrina, diminuída
Ferro sérico diminuído e com capacidade de ligação (índice de saturação) (A transferrina ↑aumentada ou transferrina
diminuída)
Estagio 3 É a anemia por deficiência de ferro propriamente dita, quando a produção da hemoglobina diminui o suficiente
para levar a redução da sua concentração abaixo dos valores normais para pessoas de mesma idade e sexo.
Caracteriza-se por ser anemia hipocrômica e microcítica.
Outro indicador que pode ser usado para diagnóstico nesta fase é o volume corpuscular, que é a medida do
volume ocupado pelas células vermelhas em relação ao volume total do sangue centrifugado
O quadro abaixo sintetiza os indicadores abordados em relação aos três estágios de depleção e às alterações encontradas nos
parâmetros bioquímicos.
Sobrecarga Normal Depleção de
depósitos
Deficiência de
Ferro
Anemia por deficiência de
ferro
Ferritina sérica ↑ N ↓ ↓ ↓↓
Saturação de transferrina ↑↑ N N ↓ ↓
VCM N N N N ↓
Hemoglobina N N N N ↓
A utilização da hemoglobina para a avaliação do estado
nutricional de ferro tem se mostrado satisfatória, sendo
este um indicador de fácil operacionalização e baixo custo,
com ampla utilização em pesquisas populacionais. Os
pontos de corte de hemoglobina para diagnóstico da
anemia, definidos pela Organização Mundial da Saúde em
1968, ainda são utilizados para populações que vivem ao
nível do mar e são apresentados na tabela abaixo:
Grupos hb (g/dL)
Crianças de 6 meses a 6 anos 11
Crianças de 6 anos a 14 anos 12
Mulheres adultas 12
Homens adultos 13
Mulheres grávidas 11
Em 1998, a OMS e o Unicef, em revisão destes pontos de
corte, subdividiram a faixa etária de 6 a 14 anos.
Em crianças de: 5–11anos (11,5 g/dL) e 12–13 anos (12 g/dL).
Outra classificação distingue os níveis de gravidade da
anemia, segundo valores de hemoglobina para menores de
5 anos e gestantes, conforme tabela abaixo:
Classificação para avaliação de anemia para < 5 anos e gestantes
Anemia leve 9,0 - 11,0 hb(g/dL)
Anemia moderada 7,0 - 9,0 hb(g/dL)
Anemia grave <7,0 hb(g/dL)
Anemia muito grave <4,0 hb(g/dL)
Estratégias DE PREVENÇÃO E TRATAMENTO
TTO: ações e intervenções a curto, a médio e a longo
prazos em relação à suplementação de grupos de risco, a
fortificação de alimentos e a ações educativas que visem a
diversificação alimentar.
UNICEF: Dose semanal de ferro a ser administrada em
crianças deve ser correspondente ao dobro da
recomendação da RDA (Recommended Daily Allowances)
- Mulheres até o 3º mês pos-parto OMS preconiza
suplementação de apenas uma dose diária de 60 mg, pois
há muitos problemas decorrentes da intolerância ao ferro
(Vômito, diarreia, constipação intestinal e cólicas), a intolerância
aumenta quando se consome > 60 mg)
- Além de contribuir para a intolerância, 60 mg tem sido
eficaz para o TTO da anemia em gestantes
OMS: 30 mg já trazem efeitos positivos para a prevenção da
anemia
Mais usado: Sulfato de Ferro Preço baixo, e absorvido
rapidamente em situações ideais
Efeitos colaterais: problemas gastrointestinais e
interferência da dieta na absorção do sal de ferro
Adm: Tabletes ou solução liquida Para crianças: solução liquida
66 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Medidas do governo
Educação nutricional
Fortificação de alimentos
Brasil, tem o programa de suplementação de ferro
- TTO das deficiências clinicas
- Baixo peso ao nascer precisa suplementar de acordo com
a Sociedade brasileira de pediatria
- Estabelece o período de suplementação para as crianças:
dos 6 aos 18 meses de idade; Se a criança não estiver em
aleitamento materno exclusivo, a suplementação poderá
ser realizada dos 4 aos 18 meses; nos casos em que a
suplementação seja iniciada tardiamente, mais
precisamente a partir dos 12 meses orienta-se que as
criança permaneça no programa por mais 6 meses
Controle de doenças parasitárias inclusive
ancilostomíase e esquistossomose
Gestantes e mulheres no pós-parto: além do ferro,
as gestantes devem ser suplementadas também
com o ácido fólico, conforme a conduta
estabelecida pela área Técnica de Saúde da Mulher
do Ministério da Saúde, pois esta vitamina tem
papel importante na gênese da anemia. Todas as
mulheres até o terceiro mês pós-parto devem ser
suplementadas apenas com sulfato ferroso,
mesmo que por algum motivo estejam
impossibilitadas de amamentar. A suplementação
também é recomendada nos casos de abortos.
Nestes dois últimos casos, a suplementação tem o
objetivo de repor as reservas corporais maternas.
POR QUE O FERRO É IMPORTANTE?
– participa nos processos de crescimento e
desenvolvimento do organismo, principalmente no período
da infância e durante a gestação;
– contribui para a saúde, mantendo em equilíbrio as
funções do organismo;
– contribui para melhoria da capacidade física e mental e,
consequentemente, da aprendizagem e da capacidade
produtiva.
O QUE CAUSA A ANEMIA POR DEFICIÊNCIA DE FERRO?
– O desequilíbrio entre a absorção e as necessidades
orgânicas deste mineral, decorrente da:
baixa ingestão de alimentos-fonte de ferro ou de
alimentos com fatores facilitadores da absorção do ferro;
alta ingestão de alimentos com fatores inibidores da
absorção do ferro dietético, ou seja, que prejudicam a
biodisponibilidade do ferro;
- necessidades aumentadas em alguns grupos específicos;
- perdas crônicas de ferro;
- baixo consumo de alimentos fortificados com ferro.
QUAIS SÃO OS GRUPOS DE RISCO PARA ANEMIA POR
DEFICIÊNCIA DE FERRO?
– Indivíduos que se encontram com as necessidades de
ferro elevadas, em função da rápida expansão do volume
plasmático e pelo crescimento acentuado dos
tecidos, como: crianças menores de dois anos e gestantes.
QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DAANEMIA POR DEFICIÊNCIA
DE FERRO?
– Comprometimento do desenvolvimento motor e da
coordenação, prejuízo do desenvolvimento da linguagem e
da aprendizagem, alterações de comportamento (fadiga,
desatenção, insegurança) e diminuição da atividade física;
– Comprometimento do sistema imune, com aumento da
predisposição a infecções, além de redução da
produtividade, do apetite e da capacidade de
concentração;
– Maior risco de mortalidade relacionada à gestação e ao
parto, maior risco de morbidade e mortalidade fetal,
prematuridade e baixo peso ao nascer.
67 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
Questões:
1.Fatores estimuladores: são aqueles que se unem
firmemente ao ferro para manter a estabilidade da ligação
e a solubilidade do complexo através do trato
gastrointestinal. Eles formam quelatos solúveis com o
ferro, especialmente na forma férrica, prevenindo sua
precipitação e permitindo a liberação do ferro para
absorção pelas células da mucosa. Assinale abaixo
alternativa que contenha fator estimulante:
a. Flavanóides.
b. Ácido ascórbico.
c. Ácido fítico.
d. Ácido oxálico.
2- Uma gestante de 30 anos compareceu à unidade para
acompanhamento de pré-natal, apresentando índice de
massa corporal (IMC) pré-gestacional de 30 Kg/m²,
segundo o Institute of Medicine (IOM), considerando-se o
índice de massa corporal (IMC) pré-gestacional registrado,
caracterizando obesidade, o ganho de peso recomendado
durante toda a gestação é de:
a. até 5 kg.
b. 10,5 kg a 12 kg.
c. até 4 kg.
d. 5 kg a 9 kg.
3-Usuário em consulta de estratificação da hipertensão
arterial sistêmica apresenta-se com valor muito elevado
160x100mmHg de média. Queixa-se de fraqueza
episódica, elevação da pressão arterial e hipopotassemia
detectada no exame de forma severa. Assinale abaixo a
provável causa secundária da hipertensão e qual exame
solicitar:
a. Síndrome de Cushing + dosagem cortisol
plasmático.
b. Hipotireoidismo + exame de TSH.
c. Hiperaldosteronismo + exame de aldosterona
plasmática.
d. Feocromocitoma + dosagem catecolaminas.
4- Idosa, 76 anos, acamada, em estado de desnutrição
calórico proteica, com dieta inadequada, recebe a visita
do médico da Atenção Básica, ao examinar olho da
paciente (vide foto). Qual o mais provável diagnóstico
frente a Hipovitaminose A:
a. Mancha de Bitot.
b. Ceratomalácea.
c. Cicatriz na córnea.
d. Xerose da córnea.
5- O Ministério da Saúde organiza protocolos de atenção à
saúde que incluem Vigilância Alimentar e Nutricional,
Promoção da Alimentação Adequada e Saudável e
Atividade Física para toda à população, e ações específicas
de acordo com o IMC e existência de comorbidades.
Diante deste contexto, um usuário adulto que apresente
um IMC de 38 Kg/m² com comorbidades deverá receber:
a. Prescrição Dietética.
b. Plano de Ação para voltar ao IMC normal.
c. Prescrição Dietética, Terapia Comportamental,
Fármacoterapia e Cirurgia.
d. Prescrição Dietética, Terapia Comportamental e
Fármacoterapia.
6- Usuário do Sistema Único de Saúde compareceu à
Unidade Básica de saúde após controle de pressão arterial
realizado por 3 semanas na UBS, com seis aferições, seu
valor médio é 140x90mmHg. Não possui fatores de risco,
porém, é diabético tipo II há 5 anos com uso de
metformina 850mg após almoço, apresenta controlado.
Qual a conduta correta: *
a. Iniciar tratamento com betabloqueador devido
ao efeito nefroprotetor.
b. Prescrever mudança do estilo de vida.
c. Iniciar tratamento medicamentoso com
inibidores da enzima conversora de
angiotensina I em II.
d. Iniciar tratamento medicamentoso com
hidroclorotiazida.
7-Usuário do Sistema Único de Saúde, 18 anos,
compareceu à Unidade Básica de Saúde para consulta
médica de rotina com valores de pressão arterial no braço
direito 100x60mmHg e no braço esquerdo 130x80mmHg.
Qual a conduta correta:
a. Suspeitar HAS e fazer controle.
b. Rastreamento em 1 ano.
c. Suspeitar de doenças arterial periférica.
d. Rastreamento em 2 anos.
8- Usuário do Sistema Único de Saúde, 60 anos,
compareceu à Unidade Básica de Saúde com quadro de
pressão arterial 200x120mmHg, porém, teve uma queda
abrupta da pressão arterial o médico em sua avaliação
detectou: dor em pontadas que irradiavam para as costas,
na avaliação dos pulsos assimetria e sopro diastólico em
foco aórtico. Assinale abaixo o possível diagnóstico:
a. Dissecção aguda aorta.
b. Cólica renal pseudocrise hipertensiva.
c. Edema agudo de pulmão.
d. Hipertensão maligna.
9- Usuário do Sistema Único de Saúde compareceu à
Unidade Básica de Saúde com poliúria, polidipsia e
polifagia, não refere perda de peso. Assim, para
diagnóstico do Diabetes Mellitus qual exame é mais
adequado:
a. Exame de glicemia casual.
b. Hemoglobina glicada.
c. Teste oral de tolerância a glicose.
d. Solicitar glicemia jejum.
10- Usuário de 60 anos, sexo masculino, confirmado
diagnóstico de HAS primário foi prescrito mudança do
estilo de vida sem sucesso, em retorno o médico irá iniciar
o tratamento medicamentoso. Assinale abaixo a droga
mais indicada:
a. Atenolol.
b. Captopril.
c. Hidroclorotiazida.
d. Losartana.
68 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
11- Criança RN compareceu à Unidade Básica de Saúde
com umbigo hiperemiado, inflamado o local, secreção
odor fétido (vide imagem). Qual a conduta correta:
a. Orientar curativo com álcool a
70% e manter local seco.
b. Solicitar coleta do material, para
posterior tratamento.
c. Encaminhar para emergência.
d. Iniciar tratamento na Atenção
Básica, pois, não há riscos, rifocina
spray.
12-Criança recém-nascida comparece à Unidade Básica de
Saúde para primeira consulta medica de rotina ao exame
físico encontrado alteração na região occipital do crânio
da criança, embora não exista evidências ao exame de
fratura óssea, parece ser uma coleção sangue por um
pequeno trauma (vide imagem). Na imagem se observa de
pequena extensão dos dois lados.
Perímetro cefálico normal. Assinale
alternativa correta: *
a. Trata-se de microcefalia, criança deve
ser encaminhada ao neuropediatra.
b. Trata-se de Bossa serossanguínea, deve
referenciar ao pediatra.
c. Trata-se de Hidrocefalia, criança deve
ser encaminha para neuropediatra.
d. Trata-se cefalomatomas, somente
acompanhar.
13-Em consulta para RN de
puericultura observado (vide
foto) a presença de secreção
purulenta em ambos os olhos.
Assinale abaixo conduta
correta: *
a. Solicitar cultura + antibiograma e tratamento
imediato ofloxacina ou tobramicina.
b. Solicitar cultura + antibiograma e aguardar o
resultado do exame para iniciar o tratamento
para evitar resistência bacteriana.
c. Instituir tratamento colírio lubrificante – lacrima
Plus.
d. Normal no recém-nascido, prescrever
higienização com soro fisiológico 0,9%.
14- Nesta quarta feita, no período da tarde, é
dia de puericultura na Unidade Básica de
Saúde, tanto médico como enfermeiro estão
atendendo crianças em seus respectivos
consultórios. O médico está avaliando o
Bruckner teste: o caso A criança nascida a
termo (vide imagem) e o caso B criança nascida 32
semanas (vide imagem). É correta a afirmação: *
a. O teste A deu anormal deve ser encaminhada
oftalmologista, no teste B normal, mas deve
encaminhar oftalmologista até sexta semana de
vida.
b. Ambos os testes deram normais.
c. Ambos os testes deram anormais, necessitando
de encaminhamento.
d. Somente o teste B apresentou-se normal, não
necessitando de encaminhamento.
15- Em Fernandópolis/SP está sendo ampliado, para todas
as Unidades Básicas de Saúde, as ações do Programa
Nacional de Controle do Tabagismo, primeiramente com a
capacitação das equipes das UBS por uma enfermeira que
desenvolve atividades, em grupos de orientações, e já
conseguiu que centenas de pessoas, de várias idades,
deixassem de fumar. As ações desse programa e as do
Programa de Imunização devem ser oferecidasà
população durante todo o ciclo vital. Dessa forma
podemos afirmar que essas ações estão em consonância
com qual princípio do SUS? *
a. Intersetorialidade.
b. Resolutividade.
c. Transversalidade.
d. Cuidado Centrado na Pessoa.
e. Universalidade.
16-Usuária do Sistema Único de Saúde compareceu à
Unidade Básica de Saúde com relato de estar fazendo
dieta restritiva para perder peso de longa data, e queixou-
se de uma lesão no olho (imagem abaixo). Sobre
Programa de Carência de
micronutrientes qual é o
provável diagnóstico: *
a. Ceratomalácea.
b. Cicatriz na córnea.
c. Xerose da córnea.
d. Mancha de Bitot.
17- Usuário do Sistema Único de Saúde, portador de
diabetes mellitus tipo II, compareceu a Unidade Básica de
Saúde com glicemia 350mg/dl, com poliúria, polidipsia,
polifagia e perda de peso. Qual a conduta mais
adequada: *
a. Iniciar com insulinoterapia.
b. Iniciar com mudança do estilo de vida.
c. Iniciar com metformina.
d. Iniciar com glibenclamida.
18- Usuária do Sistema Único de Saúde, compareceu à
Unidade Básica de Saúde com objetivo de perder peso, é
diabética há 10 anos. Ao exame físico apresenta: peso 110
Kg, altura: 160 cm, IMC: 42.96, Cintura: 100 cm, Quadril:
100 cm. Assinale abaixo alternativa CORRETA:
a. Nesse caso a paciente está proibida de participar
de grupos e acompanhamento na Atenção
Básica, deve ser acompanhada por um
nutricionista.
b. A conduta correta nesse caso é encaminhar a
paciente para grupo de obesidade na Unidade
Básica de Saúde, obesidade nesse caso é devido
a balanço energético positivo.
c. Nesse caso a única solução é a implementação
pela atenção básica de uma dieta altamente
restrita para essa paciente, como por exemplo,
dieta do carboidrato.
d. Embora essa paciente deva ser encaminhada
para o especialista, afim de avaliação para
cirurgia bariátrica, ela pode se beneficiar com o
grupo de obesidade e acompanhamento na
Atenção Básica, se assim concordar e mesmo
estando em um outro ponto de atenção da rede
a coordenação do seu cuidado será realizada
pela Estratégia de Saúde da Família.
69 Letícia M. Dutra - Protocolos de atenção à Saúde
19- Usuário do Sistema Único de Saúde, diabético tipo II
iniciou insulinoterapia, pois, com longos anos de
descontrole de seus valores glicêmicos, veio a apresentar
“falência pancreática” na produção de insulina. Foi
iniciado esquema de 30 U/I NPH pela manhã e 15U/I pela
noite. No controle realizado ficou evidente que a glicemia
antes do jantar ainda continua alta, as demais estão
controladas, seu valor médio está em 185mg/dl. Assim, a
conduta correta é: *
a. Aumentar 4U/I NPH da noite.
b. Aumentar 4U/I NPH da manhã.
c. Adicionar insulina antes do café da manhã
regular 4U/I.
d. Adicionar 4U/I de insulina regular antes do
jantar.
20- Usuário do Sistema Único de Saúde 46 anos, sem fator
de risco para diabetes mellitus compareceu à Unidade
Básica de Saúde para consulta de rotina. Sobre o
rastreamento do Diabetes Mellitus é correto afirmar: *
a. Não deve rastrear, pois não há sinais de diabetes
mellitus e nem fator de risco.
b. Deve ser solicitado uma glicemia casual.
c. Deve ser solicitada uma glicemia jejum.
d. Deve ser solicitada uma hemoglobina glicada.
21-Usuário do Sistema Único de Saúde, compareceu à
Unidade Básica de Saúde confirmado diagnóstico de
Diabetes tipo II, com glicemia 140mg/dL jejum. Qual a
conduta terapêutica inicial para o caso:
a. Primeiramente deve tentar mudança do estilo de
vida.
b. Iniciar glibenclamida na menor dose possível.
c. Iniciar insulina.
d. Iniciar metformina na menor dose possível.
22- Usuário do Sistema Único de Saúde, 40 anos,
confirmado hipertensão arterial sistêmica, afirmou para o
médico que não tem condições de tempo e nem
possibilidade de mudança do estilo de vida e preferiria
que já iniciasse tratamento medicamentoso para
hipertensão arterial sistêmica. Das drogas citadas abaixo
qual não é indicada para monoterapia por ter menor
eficácia:
a. Losartana.
b. Captopril.
c. Hidroclorotiazida.
d. Atenolol.
23-O SUS está passando por um processo de
subfinanciamento para o desfinanciamento, o que
agravará, ainda mais, os problemas no atendimento da
população brasileira, sobretudo no contexto da pandemia
da COVID-19, que mudou o direcionamento das ações
desenvolvidas pele rede de Atenção Básica que reduziu os
acompanhamentos das gestantes, dos usuários com
condições crônicas de saúde como os hipertensos e
diabéticos e já está sentido o impacto das complicações
pós-COVID-19 pois estão tendo que atender uma
demanda extra de usuários que estão tendo complicações
pulmonares, cardiovasculares, neurológicas,
gastrointestinais, entre outras. Esse processo piorou após
a aprovação de uma Emenda Constitucional (EC), em
dezembro, de 2016. Qual é o número dessa EC e quantos
por cento cada estado brasileiro deve investir, em saúde,
de acordo com a Lei Complementar 141/2012?
a. 96 e 15%
b. 95 e 15%
c. 96 e 12%
d. 94 e 12%
e. 95 e 12%
24- O SUS completará 32 anos, no dia 5 de outubro de
2020, e é considerado um dos maiores e mais complexos
sistemas de saúde do mundo. Esse sistema foi
regulamentado, em 1990, por meio de duas Leis Federais.
Uma delas completou 30 anos em 19 de setembro. Sobre
esse Sistema é correto afirmar que: *
a. É uma política de governo financiado pelos
impostos dos cidadãos e foi regulamentado pela
Lei nº 8.142.
b. Deve ser complementar a iniciativa privada e foi
regulamentada pela Lei nº 8.078 que é o Código
de Defesa do Consumidor.
c. É universal para todos os brasileiros natos e
estrangeiros que estiverem em território
nacional e foi regulamentado pela Lei nº 8.080.
d. Está contemplado no Capítulo da Previdência
Social – Seção II – Saúde, da atual Constituição
Federal e foi regulamentado pelo Decreto nº
8.080.
e. Tem como diretrizes, de acordo com o Artigo nº
197, da Constituição Federal: a descentralização,
o atendimento integral e a participação da
comunidade e foi regulamentado pela Lei nº
8.080.
25- Estudos recentes indicam que a obesidade infantil
vem aumentando de forma significativa e que ela
determina várias complicações na infância e na idade
adulta. Na infância, o manejo pode ser ainda mais difícil
do que na fase adulta, pois está relacionado a mudanças
de hábitos e disponibilidade dos pais, além de uma falta
de entendimento da criança quanto aos danos da
obesidade. Sobre os fatores relacionados à obesidade
infantil e na adolescência, afirma-se. I- O alto consumo de
bebidas açucaradas é um dos fatores dietéticos que pode
estar relacionado ao aumento da prevalência de
sobrepeso na infância. II- O aumento do consumo de
refeições fora de casa, associado ao consumo de fast
food, contribui com a redução do IMC de adolescentes. III-
O aumento do consumo de alimentos com alta
densidade energética, associado à redução do consumo
de frutas e hortaliças, contribui para o aumento do peso
em crianças e adolescentes. IV- Porções menores levam
ao aumento da ingestão calórica, o que pode ocasionar
aumento do peso corporal na infância. Das afirmativas
apresentadas, estão corretas APENAS: *
a. I e III.
b. III e IV.
c. II e III.
d. I e II.