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Aula 02
Direito Penal p/ Delegado de Polícia
2020 (Curso Regular)
Autor:
Michael Procopio
Aula 02
10 de Janeiro de 2020
48452170157 - Marcos Vinicius Edson da Mota
AULA 02 
PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL 
 
SUMÁRIO 
PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL ............................................................................................................. 1 
SUMÁRIO ....................................................................................................................................... 1 
1. PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL - CONSIDERAÇÕES INICIAIS .................................................................... 3 
2. DIFERENCIAÇÃO ENTRE PRINCÍPIOS E REGRAS .................................................................................... 3 
2.1. CONCEPÇÃO CLÁSSICA – DISTINÇÃO FRACA ........................................................................................ 4 
2.2. CONCEPÇÃO DE DWORKIN E ALEXY – DISTINÇÃO FORTE........................................................................ 4 
3. PRINCÍPIOS EM ESPÉCIE ................................................................................................................ 4 
3.1. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA ................................................................................. 5 
3.2. PRINCÍPIO DA HUMANIDADE ........................................................................................................... 5 
3.3. PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL ........................................................................................... 7 
3.4. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.............................................................................................................. 8 
3.5. PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA (ULTIMA RATIO) ....................................................................... 16 
3.6. PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIEDADE ................................................................................................ 18 
3.7. PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE .................................................................................................... 18 
3.8. PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL ................................................................................................ 19 
3.9. PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE ....................................................................................................... 22 
3.10. PRINCÍPIO DA OFENSIVIDADE OU LESIVIDADE ................................................................................ 23 
3.11. PRINCÍPIO DA AUTORRESPONSABILIDADE ..................................................................................... 24 
3.12. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA .................................................................................. 24 
3.13. PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE OU DA CORRESPONSABILIDADE ...................................................... 26 
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3.14. PRINCÍPIO DA CONFIANÇA ........................................................................................................ 27 
3.15. PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE OU DA PERSONALIDADE .................................................................... 28 
3.16. PRINCÍPIO DA ALTERIDADE OU DA TRANSCENDENTALIDADE ............................................................. 30 
3.17. PRINCÍPIO DA EXTERIORIZAÇÃO OU MATERIALIZAÇÃO DO FATO ....................................................... 31 
3.18. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE ........................................................................................... 31 
3.19. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA (OU DA NÃO CULPA)........................................................ 33 
3.20. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DA DUPLA PUNIÇÃO PELO MESMO FATO .................................................... 34 
3.21. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE ............................................................................................... 35 
3.22. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA (OU BAGATELA) ............................................................................ 35 
3.23. PRINCÍPIOS DO GARANTISMO .................................................................................................... 40 
4. QUESTÕES .............................................................................................................................. 41 
4.8. LISTA DE QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS ......................................................................................... 41 
4.9. GABARITO ................................................................................................................................. 56 
4.10. LISTA DE QUESTÕES COM COMENTÁRIOS ..................................................................................... 56 
4.11. QUESTÃO DISSERTATIVA........................................................................................................... 84 
5. DESTAQUES DA LEGISLAÇÃO E DA JURISPRUDÊNCIA ........................................................................... 85 
6. RESUMO ................................................................................................................................ 92 
Diferenciação entre princípios e regras ........................................................................................... 92 
Princípios em espécie ...................................................................................................................... 92 
Princípios do garantismo ................................................................................................................. 95 
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................................. 96 
 
 
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1. PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL - CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
Nesta aula, será estudado um tema relevantíssimo para a disciplina do Direito Penal, que são os 
princípios. Não é possível estudar os demais institutos penais nem os crimes em espécie sem 
conhecimento prévio sobre os princípios que fundamentam e orientam toda a disciplina. A aula será 
composta, em sua estrutura, dos seguintes capítulos: 
 
 
 
De início, é preciso entender o que são os princípios e diferenciá-los das regras. Entender o conceito 
de princípio é pressuposto para compreensão de cada um dos princípios do Direito Penal. Depois, é 
o momento de estudarmos os princípios, um a um, com exemplos de sua aplicação prática, o 
tratamento doutrinário e sua utilização na jurisprudência. Por fim, tema muito relevante é o 
garantismo, teoria em evidência, que preconiza a existência de novos princípios que devem ser 
adotados pelo Direito Penal, com o fito de se garantir os direitos fundamentais dos indivíduos 
acusados da prática de uma infração criminal, bem como daquelas já condenados definitivamente. 
Desejo uma ótima aula a todos! 
Antes de iniciar, mais uma vez, gostaria de deixar um convite: SIGA O PERFIL PROFESSOR.PROCOPIO 
NO INSTAGRAM. Lá, haverá informações relevantes de aprovação de novas súmulas, alterações 
legislativas e tudo o que houver de atualização, de forma ágil e com contato direto. Use mais esta 
ferramenta a seu favor na sua jornada rumo à aprovação. 
2. DIFERENCIAÇÃO ENTRE PRINCÍPIOS E REGRAS 
O ordenamento jurídico é composto por normas. Ainda que de forma controversa na doutrina, há a 
divisão das normas em regras e princípios. Sua diferenciação também possui muitas variações entre 
os juristas, sendo que as principais delas são a concepção clássica (distinção fraca) e a concepção de 
Ronald Dworkin e Robert Alexy (distinção forte). 
 
Diferenciação 
entre princípiose regras
Princípios do 
Direito Penal em 
espécie
Princípios do 
Garantismo
NORMAS
REGRAS
PRINCÍPIOS
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2.1. CONCEPÇÃO CLÁSSICA – DISTINÇÃO FRACA 
A concepção clássica define os princípios como as normas com elevado grau de abstração e 
generalidade, de modo que o jurista possui um alto grau de subjetividade ao aplicá-la. São os 
alicerces, vigas-mestras ou valores do ordenamento jurídico. 
As regras, nesta distinção denominada de fraca, seriam as normas com pouco ou nenhum grau de 
abstração e generalidade. Na sua aplicação, restaria pouca ou nenhuma influência de subjetividade 
do intérprete. 
A diferença entre princípios e regras, portanto, se refere ao grau de abstração e generalidade, bem 
como ao campo de subjetividade reservada para o aplicador da norma. 
2.2. CONCEPÇÃO DE DWORKIN E ALEXY – DISTINÇÃO FORTE 
Na distinção forte, utilizada, conforme destaca Humberto Ávila, por Ronald Dworkin e Robert Alexy, 
os princípios são aplicados mediante ponderação. Assim, incidindo mais de um princípio no caso 
concreto, deve haver a ponderação entre eles para se analisar qual deles vai incidir de forma 
prevalente na situação. Os princípios possuem graus de otimização, isto é, podem ser realizadas em 
vários graus. O conflito ocorre apenas no plano concreto, quando é necessário analisar um caso e 
verificar a aplicação das normas sobre ele. 
As regras, por sua vez, estabelecem aquilo que é obrigatório, permitido ou proibido. Sua aplicação se 
dá mediante subsunção, isto é, como o encaixe do fato à norma. Ou o fato se amolda à norma ou 
não se amolda. Não há meio termo nem ponderação. Não há graus de incidência da norma. É uma 
questão de tudo ou nada (all or nothing). O conflito ocorre no plano abstrato, bastando a comparação 
de uma norma e outra. Assim, sem análise de nenhum caso concreto, decide-se se uma norma revoga 
a outra, segundo o critério cronológico (a norma posterior revoga a anterior), por exemplo. 
Diferenciam-se princípios e normas pelo plano do conflito, que é concreto, no caso dos princípios, e 
abstrato, no caso das regras. Ademais, o princípio comporta diferentes graus de realização ou 
otimização, enquanto as regras atuam conforme o adágio do “tudo ou nada”, ou se aplicam ao caso 
ou não se aplicam. Ademais, regras são as normas que estabelecem o que é obrigatório, permitido 
ou proibido, com aplicação mediante subsunção. 
Com o estudo destas duas concepções que diferenciam as espécies do gênero norma, podemos 
entender melhor a função e as características dos princípios no ordenamento jurídico. 
 
3. PRINCÍPIOS EM ESPÉCIE 
Feita esta introdução, passemos à análise dos princípios que norteiam o Direito Penal, 
analisando um a um, com estudo do seu conceito e da sua aplicação prática. 
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3.1. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA 
O princípio da dignidade da pessoa humana possui importância nuclear no nosso sistema jurídico, 
por orientar e permear todas as demais normas nele presentes. Preconiza que haja um tratamento 
à pessoa que não lhe prive do mínimo necessário para que possa exercer sua capacidade de 
autodeterminação. Afasta qualquer tratamento degradante, impondo a um indivíduo uma privação 
maior que aquela necessária para os fins previstos na norma. No caso de pena, por exemplo, esta 
deve ser proporcional e necessária, não visando simplesmente a um tratamento cruel ou de vingança. 
Trata-se de princípio fundamental da República Federativa do Brasil, ou seja, é um dos princípios que 
orientam a própria formação do Estado. Deste modo, torna-se um princípio regente do Direito Penal, 
norteando a interpretação de todas as suas normas. 
Assim prevê a Constituição no seu artigo 1º 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e 
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como 
fundamentos: 
(...) 
III - a dignidade da pessoa humana; 
(...) 
Percebam que a dignidade da pessoa humana possui status de fundamento da República Federativa 
do Brasil, o que demonstra sua relevância, mesmo diante de outros princípios constitucionais. 
Referido princípio também está previsto no Pacto de São José 
da Costa Rica, no seu artigo 11, 1, o que denota seu 
reconhecimento e importância também no nosso sistema 
regional de proteção dos Direitos Humanos: 
 Artigo 11 - Proteção da honra e da dignidade 
1. Toda pessoa tem direito ao respeito da sua honra e ao reconhecimento de sua dignidade. (...) 
 
3.2. PRINCÍPIO DA HUMANIDADE 
Como aplicação do princípio fundamental da dignidade da pessoa humana no Direito Penal, a 
doutrina costuma fazer referência a ele como princípio da humanidade. Se a dignidade da pessoa 
humana é fundamento da nossa República, a humanidade é a denominação usual da doutrina para 
sua incidência específica neste ramo do Direito. 
O princípio da humanidade consiste na vedação a que o legislador adote sanções penais violadoras 
da dignidade da pessoa humana, atingindo de forma desnecessária a incolumidade físico-psíquica 
do agente. 
Há efeitos específicos deste princípio previstos no artigo 5º, inciso XLVII, da Constituição: 
XLVII – não haverá penas: 
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a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis; 
 
Portanto, é o princípio da humanidade que veda a pena de morte (salvo em caso de guerra), as 
penas de caráter perpétuo, as penas de trabalhos forçados, as de banimento e, de modo geral, as 
cruéis. 
O banimento ou desterro, pena vedada pela Constituição, consiste na expulsão do indivíduo do 
território nacional, enquanto durar a pena. As penas perpétuas também não são admitidas, prevendo 
nosso ordenamento jurídico limite para a duração das penas, atualmente de 30 anos, nos termos do 
artigo 75 do Código Penal. Por fim, a Constituição veda qualquer pena que seja cruel, conceito aberto 
que visa a evitar penas, atuais ou futuras, que possuam caráter degradante, afrontando a dignidade 
humana. 
Ademais, há outras consequências previstas diretamente no texto constitucional sobre a incidência 
do princípio da humanidade na seara criminal. Entretanto, devem ser estudados no âmbito do Direito 
Processual Penal. A título de exemplo, podemos citar o artigo 5º, inciso LXIII, da CF: 
LXIII – o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-
lhe assegurada a assistência da família e de advogado. 
É o princípio da humanidade que pode fundamentar o repúdio ao cumprimento de pena em presídios 
lotados, em que os condenados e presos provisórios precisam se revezar para dormir, bem como aos 
projetos de imposição de doação de órgãos post mortem a quem tenha sido condenado pela prática 
de determinada infração penal. 
Por fim, cumpre observar que Hasn Heirich Jescheck declara que não se pode confundir a natureza 
do Direito Penal. Cuida-se de ramo do direito que busca punir aquele que causou uma violação da 
norma penal incriminadora, devendo receber uma resposta social. Deste modo, não se pode 
subverter a ordem, oferecendo-se um prêmio ao delinquente. A missão da sanção penal não pode 
ser realizada sem dano e sem dor. É dentro dessas balizas que atuaria o princípio da humanidade, 
presidindo todas as relações humanas disciplinadas pelo Direito Penal. 
 
(FCC/DPE-MA/Defensor Público/2015) A proscrição de penas cruéis e infamantes,a proibição de 
tortura e maus-tratos nos interrogatórios policiais e a obrigação imposta ao Estado de dotar sua 
infraestrutura carcerária de meios e recursos que impeçam a degradação e a dessocialização dos 
condenados são desdobramentos do princípio da 
 
a) proporcionalidade. 
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b) intervenção mínima do Estado. 
c) fragmentariedade do Direito Penal. 
d) humanidade. 
e) adequação social. 
Comentários 
A assertiva correta é a letra D. 
Nota-se que o enunciado do exercício diz respeito a penas “cruéis e infamantes”, “proibição de 
tortura e maus-tratos” e impedimento de “degradação e dessocialização dos condenados”. A 
abordagem é humanista, ou seja, de se humanizar o tratamento aos presos, preservando-lhes a 
dignidade. Portanto, cuida-se do princípio da dignidade da pessoa humana, tratado frequentemente 
no Direito Penal como princípio da humanidade. 
 
3.3. PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL 
O devido processo legal é um princípio regente do Direito Penal e do Direito Processual Penal. É 
necessário que se respeite todo o procedimento previsto nas leis para que, ao final de um processo 
condenatório, possa haver a justa punição do acusado. 
Do devido processo legal derivam vários subprincípios, como o contraditório, a ampla defesa, o juiz 
natural, o da imparcialidade, o da vedação das provas ilícitas, o da motivação dos atos decisórios, a 
publicidade, a duração razoável do processo, dentre outros. Como se nota, seu estudo mais detido, 
inclusive com análise dos princípios que dele derivam, é matéria de Direito Processual Penal. 
Entretanto, cabe, aqui, relembrar que o princípio do devido 
processo legal possui uma vertente formal e outra, substancial. 
Sua origem é apontada como sendo do direito anglo-saxão, de 
onde proveio a expressão “due process of law”, que, traduzida, 
equivaleria ao devido processo legal. 
O devido processo legal substancial se refere à limitação do exercício do poder, que deve se amoldar 
ao que determina a Constituição e, além disso, atender o princípio (ou postulado, conforme a 
doutrina que se adote) da proporcionalidade. Neste ponto, segundo parte da doutrina, o devido 
processo legal permite ao Poder Judiciário o exame da constitucionalidade das leis, seja sob o viés do 
confronto com as normas constitucionais, seja sob o âmbito do atendimento da proporcionalidade. 
Esta vertente do princípio também permite o controle das decisões judiciais, também sob o âmbito 
da proporcionalidade e razoabilidade. 
O devido processo legal formal consiste no respeito às normas processuais, isto é, às regras e aos 
princípios que orientam e determinam o procedimento penal, desde o oferecimento da denúncia ou 
queixa até o trânsito em julgado, abarcando, posteriormente, a execução da pena ou da medida de 
segurança. Inclui os princípios acima mencionados, que são seus corolários, como contraditório, 
ampla defesa, juiz natural, imparcialidade do julgador, inadmissibilidade de provas ilícitas, etc. Esta 
vertente é que a determina que se deve observar garantias mínimas do acusado no decorrer do 
processo penal. 
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A previsão do princípio do devido processo penal, na Constituição, está no artigo 5º, LIV: 
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. 
Referido princípio também foi consagrado no Pacto de São José da Costa Rica, a Convenção 
Americana de Direitos Humanos, de 1969: 
Art. 8 - Garantias judiciais 
1. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo 
razoável, por um juiz ou Tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido 
anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou na 
determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer 
outra natureza. 
 
3.4. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE 
O princípio da legalidade tem sua origem apontada na Magna Carta, da Inglaterra, de 1.215. À época, 
representou a revolta da nobreza contra o Rei João, conhecido como João Sem Terra. Os barões 
ingleses buscavam uma garantia de que não seriam punidos senão de acordo com a lei, na expressão 
inglesa, “law of the land” (lei da terra). A lei representava, então, uma garantia contra a tirania do 
soberano. 
Atualmente, com o advento dos Estados Democráticos de Direito, as constituições ganharam grande 
importância, com o reconhecimento de direitos fundamentais e da separação de poderes. Neste 
âmbito, há o reconhecimento da legalidade como único meio para se limitar direitos dos cidadãos, já 
que a lei representa, em último caso, a vontade do povo. 
Na Constituição, de modo genérico, o princípio da legalidade está previsto no inciso II do seu artigo 
5º 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; 
Quanto à seara criminal, o princípio pode ser encontrado no artigo 5º, inciso XXXIX: 
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. 
O Código Penal, quase nos mesmos termos, também prevê o princípio da legalidade em seu artigo 
1º: 
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. 
Quanto ao sistema regional de proteção aos direitos humanos de que o Brasil faz parte, pode-se 
apontar a previsão da legalidade no Pacto de São José da Costa Rica, vejamos: 
Artigo 9º - Ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que, no momento em que 
foram cometidos, não constituam delito, de acordo com o direito aplicável. Tampouco poder-
se-á impor pena mais grave do que a aplicável no momento da ocorrência do delito. Se, depois 
de perpetrado o delito, a lei estipular a imposição de pena mais leve, o deliquente deverá dela 
beneficiar-se. 
O princípio da legalidade possui conteúdo jurídico e político. Possui conteúdo jurídico por 
determinar que deve haver lei formal e anterior para que um fato seja considerado crime, por 
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impedir a retroatividade da lei penal mais gravosa, por não permitir que um fato típico seja previsto 
em uma portaria, etc. Ocorre que, de forma concomitante, a legalidade também possui um viés 
político, por representar uma conquista da sociedade e uma garantia do povo de que o poder será 
exercido segundo a sua vontade, que, na democracia representativa, se expressa justamente na 
aprovação de uma lei. 
Decorrem da legalidade os seguintes princípios: 
Princípio da anterioridade: preconiza que a lei penal deve ser anterior para incidir sobre o fato. Só 
pode uma conduta ser considerada infração penal se estiver prevista em uma lei formal anterior. A 
exceção a este princípio é a lei penal mais benéfica, que pode retroagir para beneficiar o réu. 
Princípio da reserva legal: determina que deve haver lei formal para a previsão de crimes e 
contravenções penais. Isto é, não basta haver um ato normativo que preveja a conduta e lhe comine 
certa sanção. Para o Direito Penal, é preciso que haja lei, não bastando um decreto ou uma portaria. 
Diante do princípio da reserva legal, surgem questionamentos acerca da possibilidade de se prever 
crimes e contravenções penais por meio de medidas provisórias e delegadas: 
 
Pode medida provisória prever crimes? 
Antes da Emenda Constitucional nº 32, de 2001, a doutrina debatia a possibilidade de medida 
provisória veicular a configuração de infrações penais. Vários doutrinadores se posicionavam 
contrariamente, devido à necessidade de maiorcontrole popular sobre matéria que afeta 
diretamente os direitos e garantias fundamentais, inclusive a liberdade. 
Com o advento da referida emenda, a Constituição passou a tratar especificamente do tema: 
Art. 62, § 1º: É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: 
I – relativa a: 
(...) 
b) direito penal, processual penal e processual civil (...) 
Com isso, ficou claro que não se pode editar medida provisória com a introdução de novos tipos 
penais no ordenamento jurídico. Entretanto, e se tratarmos de normas não incriminadoras, ou seja, 
aquelas que cuidam da Matéria de Direito Penal, mas não determinam que condutas sejam 
consideradas crimes ou contravenções penais? 
O Supremo Tribunal Federal enfrentou o tema ao julgar o RE 254.818/PR (Veja o teor em “Destaques 
da Legislação e da Jurisprudência”, abaixo). Neste julgado, o Tribunal Pleno entendeu que é possível 
a edição de medida provisória, caso se trate de norma penal não incriminadora. Entretanto, este caso 
foi julgado antes da EC 32/2001. 
Após a EC 32/2001, o STF não enfrentou o tema diretamente. Entretanto, já se deparou com o 
assunto, ao tratar das medidas provisórias que estenderam o prazo para os possuidores e 
proprietários de armas de fogo as regularizarem ou as entregarem às autoridades competentes. Esta 
modificação do prazo teve reflexos direitos no Direito Penal, por ter sido um período de 
descriminalização temporária das condutas típicas de “possuir ou ser proprietário” de arma de fogo. 
Ainda que não enfrentando o tema diretamente, o Supremo Tribunal Federal não levantou nenhuma 
inconstitucionalidade por essas medidas provisórias tratarem de matéria penal, mesmo após a EC 
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32/2001. Vale registrar que, também neste caso, as medidas provisórias tratavam, de certo modo, 
de Direito Penal não incriminador. 
Em linha de conclusão, medida provisória não pode prever crime. Entretanto, a jurisprudência do STF 
aponta uma tendência para se aceitar medida provisória que trate de Direito Penal não incriminador, 
ou seja, que cuide de matéria penal, mas não preveja novos crimes nem potencialize o poder punitivo 
estatal. 
 
Pode lei delegada prever crime? 
Ao tratar sobre as leis delegadas, a Constituição prevê, em seu artigo 68, §1º, o seguinte: 
Art. 68 (...) 
 § 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, 
os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria 
reservada à lei complementar, nem a legislação sobre: 
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais 
Da leitura deste dispositivo, a doutrina conclui que não é possível que lei delegada veicule crimes ou 
contravenções criminais. 
Primeiro, porque para parte da doutrina a reserva legal exige lei ordinária ou complementar 
proveniente da União, não sendo possível entender que a lei delegada supre esta exigência. Este 
argumento não parece muito convincente. 
Em segundo lugar, não é possível que lei delegada preveja crimes devido à vedação de delegação de 
legislação sobre direitos individuais. Como o Direito Penal representa a disciplina jurídica com as 
sanções de maior influência nos direitos individuais, podendo, inclusive, limitar de forma bem 
drástica a liberdade do condenado, não é possível que medida provisória introduza novas infrações 
penais no ordenamento jurídico. Esta linha de raciocínio parece mais consistente, demonstrando a 
inadequação de lei delegada em matéria de Direito Penal. 
Portanto, não se admite lei delegada que preveja novos crimes ou contravenções penais. 
3.4.1. Legalidade formal e material 
a) Formal: a legalidade formal diz respeito ao devido processo legislativo. Não basta que haja lei, é 
necessário que seja uma lei vigente. 
b) Material: a legalidade material se relaciona ao conteúdo da lei, exigindo que haja respeito à 
Constituição Federal e aos Tratados Internacionais de Direitos Humanos. Não basta uma lei vigente, 
é preciso que também seja uma lei válida. 
3.4.2. Taxatividade e analogia 
A lei penal deve ter como atributo a taxatividade, ou seja, prever exatamente aquilo que é 
considerado infração penal. Essa exigência de que a lei seja taxativa decorre da legalidade e do 
princípio da segurança jurídica, pois os cidadãos, destinatários da norma, devem ter conhecimento 
prévio de qual conduta configura uma infração penal e qual comportamento não enseja repressão 
penal. Exige-se, portanto, que haja lei formal, vigente e válida, mas não basta. Deve existir uma lei 
precisa. 
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Neste âmbito, cumpre relembrar o que vimos na nossa aula introdutória acerca da analogia. A 
analogia é técnica de integração em caso de lacuna na legislação. Utiliza-se uma norma que veicula 
situação distinta para disciplinar caso similar, não compreendido no seu âmbito de regulação. Devido 
à exigência de taxatividade da norma penal, é vedada a analogia in malam partem. Não se pode 
utilizar uma norma, por analogia, para estender o poder punitivo estatal para além do que a lei 
efetivamente prevê. Deste modo, só se admite a analogia em favor do réu, ou seja, in bonam partem. 
3.4.3. Taxatividade, determinação e descrição genérica 
Os tipos penais devem ser claros e certos, e não indeterminados, imprecisos, ambíguos. Como dito 
acima, essa é uma exigência da taxatividade, que decorre do princípio da legalidade. Não respeita a 
legalidade um tipo penal que seja vago ou impreciso, em cujo conteúdo se possa incluir conduta não 
prevista de forma certa e determinada. É preciso que a lei penal seja certa, determinada. 
Daí a afirmação de Hans Welzel, de que o autêntico perigo que ameaça o princípio do nulla poena 
sine lege não é a analogia, mas as leis penais indeterminadas. 
Apontam-se como exceção os tipos abertos dos crimes culposos. A culpa pode ter como modalidades 
a imprudência, a imperícia ou a negligência. Ainda que esta matéria seja vista em outra aula, pelas 
modalidades de culpa já podemos perceber que não há uma definição muito fechada. O que é 
imprudência? O que seria um caso de imperícia? Quais são as hipóteses de negligência? 
Não é possível dar uma resposta precisa sobre os limites da imprudência, aquilo que a configura e 
aquilo que não a configura. Mesmo nesse caso, exige-se um mínimo de determinação, um meio-
termo. Sendo o elemento subjetivo (a culpa) um termo de definição menos precisa, os demais 
elementos do tipo devem estar previstos de forma determinada, sem ambiguidades. 
Isto não significa que os tipos abertos são vedados, já que se 
exige lei penal incriminadora que seja certa e determinada. 
Admitem-se os tipos abertos, como os dos crimes culposos, mas 
exige-se um mínimo de determinação. 
Cabe, neste ponto, registrar que existem leis penais 
incompletas, aquelas que dependem de complemento, sendo que a doutrina majoritária defende 
sua compatibilidade com o princípio da legalidade. As normas com tipos abertos constituem uma das 
espécies de leis penais incompletas, ao lado das leis penais em branco. Vejamos a subdivisão das 
normas incompletas: 
 
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A incompletude da norma pode decorrer de se exigir uma outra norma ou um complemento 
valorativo para sua aplicação. Deste modo, se uma norma não exige complementação (nem 
normativa nem valorativa), teremos uma lei penal completa. 
Se a norma incompleta depende do complemento valorativo, nós temos um tipo aberto. É o caso dos 
tipos dos crimes culposos,acima mencionados. Um homicídio culposo praticado por imprudência, 
depende, por exemplo, da definição do complemento valorativo “imprudência”. Só após definirmos 
o que se entenderá por imprudência e seus limites no ordenamento, será possível a aplicação da 
norma. 
Por outro lado, se a norma incompleta depende de complemento normativo, ou seja, da conjugação 
com outra norma para ser aplicada, há o que se denomina de norma penal em branco. A norma penal 
em branco é aquela que exige a utilização de outra para que seja possível sua aplicabilidade. Vamos 
estudar este tipo de norma de forma mais detida: 
3.4.4. Norma penal em branco: 
Norma penal em branco, como visto, é aquela que depende de complementação normativa. 
Classifica-se em: 
Própria, em sentido estrito ou heterogênea: quando o seu complemento está em norma de fonte 
normativa diversa, ou seja, não está prevista em lei em sentido formal. 
Vamos ao exemplo, com a leitura do artigo 33, caput, da Lei 11.343/2006: 
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à 
venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, 
entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em 
desacordo com determinação legal ou regulamentar: 
 
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e 
quinhentos) dias-multa. 
Da leitura do tipo penal, é possível perceber que não é completo. Não se pode, da sua simples leitura, 
definir se alguém praticou ou não o crime, pois é preciso entender o que são drogas. 
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Somente com a leitura da Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998, e suas posteriores 
modificações, da ANVISA, é possível entender o que é considerado droga para os fins do tipo penal 
insculpido no artigo 33 da Lei 11.343/2006. Por ser o complemento normativo uma portaria, o caso 
é de norma penal em branco própria, em sentido estrito ou heterogênea. 
Imprópria, em sentido amplo ou homogênea: é a norma penal incompleta cujo complemento 
provém da mesma fonte normativa, ou seja, de lei em sentido formal. 
Há uma subdivisão, podendo a norma penal em branco imprópria ser homovitelina ou heterovitelina. 
a) Homovitelina: caso o complemento normativo esteja no mesmo documento legal, a norma 
penal em branco homogênea será denominada homovitelina. 
Como exemplo, temos o caso do art. 312, complementado pelo art. 327, ambos do Código 
Penal (mesmo diploma legal): 
Peculato 
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, 
público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito 
próprio ou alheio: 
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos 
e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa. 
O conceito de funcionário público, que é o complemento normativo necessário para a 
aplicação da norma acima transcrito, está previsto no mesmo diploma normativo, o Código 
Penal. Vejamos o que define o artigo 327 do referido estatuto: 
Funcionário público 
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora 
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. 
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade 
paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada 
para a execução de atividade típica da Administração Pública. 
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste 
Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou 
assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa 
pública ou fundação instituída pelo poder público. 
Portanto, a norma penal incompleta (artigo 312 do CP) e o conceito de funcionário público 
que ela requer (artigo 327 do CP) estão no mesmo diploma normativo (o Código Penal). Por 
isso, temos uma norma penal em branco imprópria ou homogênea (o complemento está em 
norma da mesma fonte legislativa: lei) e homovitelina (o complemento está na mesma lei). 
 
b) Heterovitelina: caso o complemento normativo da lei penal em branco homogênea esteja 
situado em documento legal diverso, será denominada de heterovitelina. 
Um exemplo que pode ser citado é o do artigo 236 do Código Penal, cujo complemento é 
encontrado no artigo 1.521 do Código Civil. Portanto, são documentos legais diversos. 
Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento 
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Art. 236 - Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-
lhe impedimento que não seja casamento anterior: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 
Parágrafo único - A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser 
intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou 
impedimento, anule o casamento. 
Para que compreendamos o que é impedimento matrimonial, devemos recorrer ao Código 
Civil, cujo artigo 1.521 possui o seguinte teor, que complementa a norma penal acima: 
CAPÍTULO III 
Dos Impedimentos 
Art. 1.521. Não podem casar: 
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; 
II - os afins em linha reta; 
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante; 
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; 
V - o adotado com o filho do adotante; 
VI - as pessoas casadas; 
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra 
o seu consorte. 
Assim, verificamos que a norma penal incompleta (artigo 236 do CP) e o conceito de 
impedimento matrimonial que ela requer (artigo 1.521 do CC) estão no mesmo diploma 
normativo (o Código Penal). Por isso, temos uma norma penal em branco imprópria ou 
homogênea (o complemento está em norma da mesma fonte legislativa: lei) e heterovitelina 
(o complemento está em lei diversa: Código Civil, enquanto o tipo está no Código Penal). 
 
Norma penal em branco ao quadrado: é aquela cujo complemento também necessita de 
complemento de outra norma. O exemplo seria o artigo 38 da Lei 9.605/98: 
Art. 38. Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mesmo que em 
formação, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção: 
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. 
Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade. 
O complemento normativo, com a definição de floresta de preservação permanente, está no Código 
Florestal. O artigo 60 de referido Estatuto trata da floresta de preservação permanente, nos seguintes 
termos: 
Art. 6o Consideram-se, ainda, de preservação permanente, quando declaradas de interesse 
social por ato do Chefe do Poder Executivo, as áreas cobertas com florestas ou outras formas 
de vegetação destinadas a uma ou mais das seguintes finalidades: 
I - conter a erosão do solo e mitigar riscos de enchentes e deslizamentos de terra e de rocha; 
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II - proteger as restingas ou veredas; 
III - proteger várzeas; 
IV - abrigar exemplares da fauna ou da flora ameaçados de extinção; 
V - proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico, cultural ou histórico; 
VI - formar faixasde proteção ao longo de rodovias e ferrovias; 
VII - assegurar condições de bem-estar público; 
VIII - auxiliar a defesa do território nacional, a critério das autoridades militares. 
IX - proteger áreas úmidas, especialmente as de importância internacional. 
Portanto, a norma penal, prevista no Código Penal, faz referência ao Código Florestal, o qual, por sua 
vez, se refere a um ato do Chefe do Poder Executivo. Por isso, considera-se um exemplo de norma 
penal em branco ao quadrado. 
 
Invertida ou ao revés: Por fim, é possível encontrar norma penal em branco cujo complemento seja 
necessário para o preceito secundário da norma. Relembrando, o preceito primário da norma é 
aquele que prevê o tipo penal, a conduta que configura o crime (exemplo: “matar alguém”). O 
preceito secundário traz a sanção penal cominada para o delito (exemplo: “Pena – reclusão, de seis 
a vinte anos”). 
Um exemplo de norma penal em branco ao revés é o crime de genocídio, previsto pela Lei 2.889/56. 
Seus tipos penais remetem às sanções já previstas para os crimes tratados pelo Código Penal: 
Art. 1º Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial 
ou religioso, como tal: 
a) matar membros do grupo; 
b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo; 
c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a 
destruição física total ou parcial; 
d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo; 
e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo; 
Será punido: 
Com as penas do art. 121, § 2º, do Código Penal, no caso da letra a; 
Com as penas do art. 129, § 2º, no caso da letra b; 
Com as penas do art. 270, no caso da letra c; 
Com as penas do art. 125, no caso da letra d; 
Com as penas do art. 148, no caso da letra e; 
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(FCC/SEGEP-MA/Auditor Fiscal da Receita Estadual/2016) O princípio do direito penal que possui 
claro sentido de garantia fundamental da pessoa, impedindo que alguém possa ser punido por fato 
que, ao tempo do seu cometimento, não constituía delito é 
 
a) atipicidade. 
b) reserva legal. 
c) punibilidade. 
d) analogia. 
e) territorialidade. 
Comentários 
A assertiva correta é a letra B. 
Se fôssemos bem rígidos, o princípio que impede que alguém seja punido por fato que, ao tempo de 
seu cometimento, não constituía delito, é o da legalidade, mais precisamente o seu corolário 
(princípio decorrente), a anterioridade. Entretanto, esta questão demonstra que as bancas de 
concursos podem tomar por sinônimos os termos legalidade, anterioridade e reserva legal. 
A rigor, como estudamos, da legalidade decorrem a anterioridade e a reserva legal. Das opções que 
temos, o único princípio correto é o da reserva legal, por dizer respeito à exigência de lei formal (que 
também deve ser anterior) para que ocorra a punição do agente. 
 
3.5. PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA (ULTIMA RATIO) 
O princípio da intervenção mínima preconiza que só se deve criminalizar uma conduta se houver 
necessidade para a proteção do bem jurídico. O Direito Penal só deve atuar se os outros meios de 
controle social foram insuficientes, possuindo, portanto, caráter subsidiário, de ultima ratio. Isto é, 
o Direito Penal só deve ser invocado, com a criação de um tipo penal, se os demais ramos do Direito 
não forem suficientes para coibir a conduta indesejada. Ademais, só se deve utilizar uma norma 
penal para punir condutas que afrontem os bens jurídicos mais importantes para a sociedade, e não 
para a proteção de qualquer interesse social. 
Referido princípio pode ser encontrado em um antigo 
documento da história da humanidade. Ele foi consagrado na 
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da França, de 
1989: 
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Art. 8º. A lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias e ninguém 
pode ser punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e 
legalmente aplicada. 
Percebam que o histórico documento exige que as penas impostas por lei sejam estritamente 
necessárias, o que demonstra que, se forem desejadas, mas puderem ser substituídas por meios 
menos gravosos, o Direito Penal não deve incidir. Exige-se mais, pois o texto também enfatiza que as 
penas, que são a resposta do Direito Penal aos crimes cometidos por indivíduos imputáveis, devem 
ser evidentemente necessárias, ou seja, deve ser perceptível por todos referida necessidade, 
demonstrando ainda mais o caráter de ultima ratio da intervenção criminal. 
A título de observação, cabe registrar que o alemão Winfried 
Hassemer defende que se trabalhe com um Direito Penal 
Funcional para o combate da criminalidade atual. Seria um 
funcionalismo social, limitado por sua utilidade social e 
respeitador dos limites impostos pelo Estado Democrático de Direito. Segundo seu ponto de vista, o 
Direito Penal não deve ser utilizado para a gestão dos riscos, mas sim para as graves violações aos 
bens jurídicos mais relevantes da sociedade. O autor observa que em casos como os dos crimes 
ambientais, espera-se que o Direito Penal atue como sola ratio ou prima ratio, dando uma resposta 
efetiva e célere para a questão. A solução seria a utilização, em casos como esses em que a sociedade 
espera uma sanção aplicada rapidamente, de um ramo situado entre o Direito Penal e o 
Administrativo, que seria um Direito de Intervenção. O Direito Administrativo sancionador deveria 
assumir essa função esperada pela sociedade atual em relação à punição rápida e que coíba condutas 
relacionadas à sociedade de risco, no dizer do sociólogo Ulrich Beck. 
Do princípio da intervenção mínima, decorrem os princípios da fragmentariedade e da 
subsidiariedade: 
 
 
 
 
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3.6. PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIEDADE 
Segundo o princípio da fragmentariedade, o Direito Penal só deve criminalizar as condutas mais 
graves que sejam praticadas contra os bens jurídicos mais importantes. Possui, portanto, caráter 
fragmentário. Se imaginarmos todos os bens jurídicos descritos em um quadro, o destaque dos bens 
jurídicos protegidos pelo Direito penal deve demonstrar que eles constituem fragmentos do todo, ou 
seja, só parte dos bens jurídicos são tutelados pelas normas penais incriminadoras. 
Não se deve punir, de igual modo, ações meramente imorais. O Direito Penal não deve se preocupar 
com a moralidade pública, no sentido de inibir comportamentos tidos como inaceitáveis do ponto de 
vista da moral particular de determinado grupo social ou de eventual pensamento majoritário. As 
sanções penais se prestam a apresentar a resposta estatal aos comportamentos que violem os bens 
jurídicos mais relevantes da sociedade, aqueles que demonstrem ser de importância primordial para 
determinada população. 
Pode-se, dizer, com base neste princípio, que há a exclusiva proteção de bens jurídicos pelo Direito 
Penal. 
A seleção dos bens jurídicos mais importantes para a sociedade, a serem tutelados pelas normas 
penais, deve ser feita pela lei formal, em consonância, obviamente, com o que estabelece a 
Constituição da República. 
Neste ponto, cabe a leitura de acórdão do STF, em que não se reconheceu a incidência deste princípio 
para se considerar atípica conduta configuradora do tipo de casa de prostituição: 
HABEAS CORPUS. CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL 
PENAL. CASA DE PROSTITUIÇÃO. APLICAÇÃO DOS 
PRINCÍPIOS DA FRAGMENTARIEDADE E DAADEQUAÇÃO 
SOCIAL: IMPOSSIBILIDADE. CONDUTA TÍPICA. 
CONSTRANGIMENTO NÃO CONFIGURADO. 1. No crime 
de manter casa de prostituição, imputado aos Pacientes, os bens jurídicos protegidos são a 
moralidade sexual e os bons costumes, valores de elevada importância social a serem 
resguardados pelo Direito Penal, não havendo que se falar em aplicação do princípio da 
fragmentariedade. 2. Quanto à aplicação do princípio da adequação social, esse, por si só, não 
tem o condão de revogar tipos penais. Nos termos do art. 2º da Lei de Introdução às Normas 
do Direito Brasileiro (com alteração da Lei n. 12.376/2010), ‘não se destinando à vigência 
temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue’. 3. Mesmo que a conduta 
imputada aos Pacientes fizesse parte dos costumes ou fosse socialmente aceita, isso não seria 
suficiente para revogar a lei penal em vigor. 4. Habeas corpus denegado. (STF, HC 104.467/RS, 
Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe 09/03/2011). 
 
3.7. PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE 
O princípio da subsidiariedade, decorrente da intervenção mínima, determina que, para coibir 
condutas consideradas indesejadas pela sociedade, devem ser preferidos os demais ramos do 
Direito, e não o Penal. Deste modo, só se deve recorrer à criminalização como forma de coibir 
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determinado comportamento se as demais sanções (cíveis, administrativas, eleitorais etc.) não forem 
suficientes para a salvaguarda do bem jurídico. 
Assim, o Direito Penal é subsidiário, ou seja, o último recurso do Estado quando se deseja punir 
determinada conduta tida por perniciosa no seio social. Havendo possibilidade de uma multa de 
trânsito, por exemplo, resolver o problema e inibir um comportamento indesejado, não se deve criar 
um tipo penal, já que uma pena seria, então, desnecessária para o fim a que se destina. 
 
 
(FCC/TJ-SC/Juiz Substituto/2015) A afirmação de que o Direito Penal não constitui um sistema 
exaustivo de proteção de bens jurídicos, de sorte a abranger todos os bens que constituem o universo 
de bens do indivíduo, mas representa um sistema descontínuo de seleção de ilícitos decorrentes da 
necessidade de criminalizá-los ante a indispensabilidade da proteção jurídico-penal, amolda-se, mais 
exatamente, 
 
a) ao conceito estrito de reserva legal aplicado ao significado de taxatividade da descrição dos 
modelos incriminadores. 
b) à descrição do princípio da fragmentariedade do Direito Penal que é corolário do princípio da 
intervenção mínima e da reserva legal. 
c) à descrição do princípio da culpabilidade como fenômeno social. 
d) ao conteúdo jurídico do princípio de humanidade relacionado ao conceito de Justiça distributiva. 
e) à descrição do princípio da insignificância em sua relativização na busca de mínima 
proporcionalidade entre gravidade da conduta e cominação de sanção. 
Comentários 
A assertiva correta é a letra B. 
A seleção de bens jurídicos a serem tutelados pelo Direito Penal diz respeito ao princípio da 
intervenção mínima, do qual decorre o princípio da fragmentariedade. Pode-se dizer que o principio 
da fragmentariedade também decorre da reserva legal? Sim, porque é a lei (sem sentido formal) que 
fará a seleção dos bens jurídicos a serem tutelados. 
 
3.8. PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL 
O princípio da adequação social determina que o Direito Penal só deve considerar criminoso um 
fato que contrarie o sentimento de justiça da comunidade. As condutas socialmente aceitas e que 
não afrontam a Constituição Federal devem ser excluídas do âmbito da norma. Só se punem condutas 
que tenham certa relevância social. Tratar-se-ia, portanto, de princípio geral de interpretação, 
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fazendo com que se proceda a uma leitura dos tipos penais de acordo com o seu filtro, analisando 
se, a despeito de típicas, as condutas encontram ou não adequação ao que a sociedade como um 
todo entende como justo. 
A doutrina aponta como exemplo o caso do jogo do bicho, em que se poderia diferenciar o pequeno 
apontador, que trabalha ilegalmente com o jogo sem grandes lucros, e o banqueiro, que se aproveita 
de um sistema organizado e dotado de capilaridade para auferir proveitos financeiros vultosos. A 
conduta do apontador, de módicos ganhos, estaria já aceita pela sociedade, que se acostumou aos 
jogos de bicho e muitas vezes sabe onde as apostas são feitas, mas que ainda pode se indignar com 
o banqueiro que se enriquece deste modo. Não se trata de caso com acolhida pela jurisprudência. 
Um exemplo menos controvertido é o do furo feito na orelha de bebês para aposição de brincos. O 
bebê não pode dar seu consentimento à prática. Entretanto, não se cogita de lesão corporal nem de 
maus tratos se a família opta pelos furos nas orelhas do recém-nascido. É um costume social que já 
possui uma aceitação tão forte na sociedade que sua prática não causa qualquer indignação ou 
sentimento de afronta. Deste modo, entendido assim o princípio da adequação social, a conduta nem 
típica seria considerada, já que o tipo penal deve ser relido de acordo com o sentimento de justiça 
da sociedade. 
É importante a leitura do seguinte acórdão, que afastou a adequação social no caso de estupro de 
vulnerável, em virtude de aceitação da sociedade legal quanto ao namoro entre um adulto e uma 
menor de quatorze anos: 
 
RECURSO ESPECIAL. PROCESSAMENTO SOB O RITO DO ART. 543-
C DO CPC. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 
ESTUPRO DE VULNERÁVEL. VÍTIMA MENOR DE 14 ANOS. FATO 
POSTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 12.015/09. CONSENTIMENTO DA 
VÍTIMA. IRRELEVÂNCIA. ADEQUAÇÃO SOCIAL. REJEIÇÃO. PROTEÇÃO LEGAL E CONSTITUCIONAL 
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. A jurisprudência do Supremo 
Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça assentou o entendimento de que, sob a 
normativa anterior à Lei nº 12.015/09, era absoluta a presunção de violência no estupro e no 
atentado violento ao pudor (referida na antiga redação do art. 224, "a", do CPB), quando a 
vítima não fosse maior de 14 anos de idade, ainda que esta anuísse voluntariamente ao ato 
sexual (EREsp 762.044/SP, Rel. Min. Nilson Naves, Rel. para o acórdão Ministro Felix Fischer, 3ª 
Seção, DJe 14/4/2010). 2. No caso sob exame, já sob a vigência da mencionada lei, o recorrido 
manteve inúmeras relações sexuais com a ofendida, quando esta ainda era uma criança com 
11 anos de idade, sendo certo, ainda, que mantinham um namoro, com troca de beijos e 
abraços, desde quando a ofendida contava 8 anos. 3. Os fundamentos empregados no acórdão 
impugnado para absolver o recorrido seguiram um padrão de comportamento tipicamente 
patriarcal e sexista, amiúde observado em processos por crimes dessa natureza, nos quais o 
julgamento recai inicialmente sobre a vítima da ação delitiva, para, somente a partir daí, julgar-
se o réu. 4. A vítima foi etiquetada pelo "seu grau de discernimento", como segura e informada 
sobre os assuntos da sexualidade, que "nunca manteve relação sexual com o acusado sem a 
sua vontade". Justificou-se, enfim, a conduta do réu pelo "discernimento da vítima acerca dos 
fatos e o seu consentimento", não se atribuindo qualquer relevo, no acórdão vergastado, sobre 
o comportamento do réu, um homem de idade, então, superior a 25 anos e que iniciou o namoro 
- "beijos e abraços" - com a ofendida quando esta ainda era uma criança de 8 anos. 5. O exame 
da história das ideias penais - e, em particular, das opções de política criminal que deram ensejo 
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 96às sucessivas normatizações do Direito Penal brasileiro - demonstra que não mais se tolera a 
provocada e precoce iniciação sexual de crianças e adolescentes por adultos que se valem da 
imaturidade da pessoa ainda em formação física e psíquica para satisfazer seus desejos sexuais. 
6. De um Estado ausente e de um Direito Penal indiferente à proteção da dignidade sexual de 
crianças e adolescentes, evoluímos, paulatinamente, para uma Política Social e Criminal de 
redobrada preocupação com o saudável crescimento, físico, mental e emocional do 
componente infanto-juvenil de nossa população, preocupação que passou a ser, por comando 
do constituinte (art. 226 da C.R.), compartilhada entre o Estado, a sociedade e a família, com 
inúmeros reflexos na dogmática penal. 7. A modernidade, a evolução moral dos costumes 
sociais e o acesso à informação não podem ser vistos como fatores que se contrapõem à 
natural tendência civilizatória de proteger certos segmentos da população física, biológica, 
social ou psiquicamente fragilizados. No caso de crianças e adolescentes com idade inferior a 
14 anos, o reconhecimento de que são pessoas ainda imaturas - em menor ou maior grau - 
legitima a proteção penal contra todo e qualquer tipo de iniciação sexual precoce a que sejam 
submetidas por um adulto, dados os riscos imprevisíveis sobre o desenvolvimento futuro de sua 
personalidade e a impossibilidade de dimensionar as cicatrizes físicas e psíquicas decorrentes 
de uma decisão que um adolescente ou uma criança de tenra idade ainda não é capaz de 
livremente tomar. 8. Não afasta a responsabilização penal de autores de crimes a aclamada 
aceitação social da conduta imputada ao réu por moradores de sua pequena cidade natal, ou 
mesmo pelos familiares da ofendida, sob pena de permitir-se a sujeição do poder punitivo 
estatal às regionalidades e diferenças socioculturais existentes em um país com dimensões 
continentais e de tornar írrita a proteção legal e constitucional outorgada a específicos 
segmentos da população. 9. Recurso especial provido, para restabelecer a sentença proferida 
nos autos da Ação Penal n. 0001476-20.2010.8.0043, em tramitação na Comarca de Buriti dos 
Lopes/PI, por considerar que o acórdão recorrido contrariou o art. 217-A do Código Penal, 
assentando-se, sob o rito do Recurso Especial Repetitivo (art. 543-C do CPC), a seguinte tese: 
Para a caracterização do crime de estupro de vulnerável previsto no art. 217-A, caput, do Código 
Penal, basta que o agente tenha conjunção carnal ou pratique qualquer ato libidinoso com 
pessoa menor de 14 anos. O consentimento da vítima, sua eventual experiência sexual anterior 
ou a existência de relacionamento amoroso entre o agente e a vítima não afastam a ocorrência 
do crime. (STJ, REsp 1480881/PI, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, Terceira Seção, DJe 
10/09/2015). 
 
O STJ também afasta a aplicação do princípio no caso da venda de CDs e DVDs “piratas”, falsificados: 
PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO PRINCÍPIO DA 
COLEGIALIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. VENDA DE CD E DVD PIRATAS. VIOLAÇÃO DE DIREITO 
AUTORAL. INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO 
AGRAVADA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. AGRAVO DESPROVIDO. 1.Não há 
ofensa ao princípio da colegialidade quando o relator, com fundamento no art. 557, caput, do 
Código de Processo Civil/1973, aplicável subsidiariamente no âmbito penal, negou seguimento 
ao recurso em virtude da decisão impugnada estar em consonância com jurisprudência 
dominante da Corte Suprema ou de Tribunal Superior. 2.Consoante jurisprudência pacificada 
deste Superior Tribunal de Justiça, não se aplica o princípio da adequação social à conduta de 
vender cd's e dvd's falsificados, sendo, portanto típica, formal e materialmente, nos termos do 
artigo 184, § 2º, do Código Penal. 3. Agravo regimental de fls. 336-342 (e-STJ) não provido. 
Agravos regimentais de fls. 343-349, 350-356 e 357-363 (e-STJ) não conhecidos por serem 
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reiterações do primeiro. (STJ, AgRg no REsp 1351687/AC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta 
Turma, DJe 18/10/2017). 
 
3.9. PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE 
O princípio da culpabilidade preconiza não haver crime sem culpabilidade. Isto é, não haver 
responsabilidade penal sem dolo ou culpa. Também é denominado princípio da responsabilidade 
subjetiva, em oposição à responsabilidade penal objetiva, vedada em nosso ordenamento jurídico. 
Neste ponto, cumpre enfatizar que culpabilidade pode ser 
elemento do crime (crime, para a teoria tripartida, é fato típico, 
ilícito e culpável), elemento de determinação da pena (a pena 
deve ser individualizada na medida da culpabilidade de cada 
sujeito) e vedação da responsabilidade objetiva (exigência de 
dolo ou culpa). Aqui, como princípio, nos referimos à culpabilidade como vedação à responsabilidade 
penal objetiva. 
Cumpre observar, ainda, que a doutrina distingue o chamado Direito Penal do Autor e o Direito 
Penal do Fato. No Direito Penal do Autor, julga-se o indivíduo por aquilo que ele é. No Direito Penal 
do Fato, o que se busca é o julgamento dos fatos que o indivíduo teria cometido. Não se adota no 
Brasil de forma irrestrita o Direito Penal do Autor, por ser odioso, ao buscar o julgamento do indivíduo 
por sua personalidade, e não por aquilo que fez. 
Dentre deste enfoque, a doutrina distingue a culpabilidade pelo fato individual e a culpabilidade do 
autor. A culpabilidade pelo fato individual se volta ao desvalor do fato praticado, analisando-se o 
modo de execução e as circunstâncias do crime, por exemplo. Já a culpabilidade do autor valora o 
sujeito ativo do delito, em razão de sua conduta social, personalidade e antecedentes. Na dosimetria 
da pena adotada pelo Código Penal, encontramos a adoção de ambas as espécies de culpabilidade, 
com análise das duas para fixação da sanção penal. 
Neste ponto, como princípio fundamental do Direito Penal, estamos tratando da vedação da 
responsabilidade objetiva, aquela que não exige a análise do elemento subjetivo. Ante tal vedação, 
só se pode falar em responsabilização criminal no caso de apuração do dolo ou culpa do indivíduo 
para que haja sua punição. Sem culpa em sentido amplo (dolo ou culpa em sentido estrito), não pode 
haver imposição de sanção penal. 
Um exemplo doutrinário de aplicação do princípio da culpabilidade é o caso de uma facada desferida 
em um hemofílico, sem que o agente saiba desta condição. Ora, tendo atingido a vítima de forma 
não letal, no seu braço, ele pretendia apenas causar lesão corporal. Deste modo, se não se comprovar 
que procedeu com dolo ou culpa, não responderá pelo resultado morte, mas apenas pela lesão 
corporal. O caso concreto deve ser analisado, de toda forma, para se concluir se o agente atuou ou 
não com alguma modalidade de culpa. 
 
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3.10. PRINCÍPIO DA OFENSIVIDADE OU LESIVIDADE 
Consoante o princípio da ofensividade ou da lesividade, não pode haver crime sem que haja 
conteúdo ofensivo a bens jurídicos. A repressão penal somente se justifica se houver lesão ou 
ameaça de lesão a um bem jurídico. 
Com base neste princípio, há doutrinadores que defendem a inconstitucionalidade dos crimes de 
perigo abstrato. Não se exige, nesses casos, a comprovação de perigo concreto a um bem jurídico, 
ou seja, de que o bem foi efetivamente exposto a risco. São exemplos destes crimes o porte ilegal de 
arma de fogo e a omissão de socorro. Não é necessário que o bem jurídico seja efetivamente posto 
em perigo, pois o perigo é presumido, possibilitando a punição de quem pratica a conduta típica. 
Esta posição, entretanto, não é acolhida pelajurisprudência, que vem entendendo serem 
constitucionais os crimes de perigo abstrato. 
“EMENTA Recurso ordinário em habeas corpus. 
Embriaguez ao volante (art. 306 da Lei nº 9.503/97). 
Alegada inconstitucionalidade do tipo por ser referir a 
crime de perigo abstrato. Não ocorrência. Perigo 
concreto. Desnecessidade. Ausência de constrangimento 
ilegal. Recurso não provido. 1. A jurisprudência é pacífica no sentido de reconhecer a 
aplicabilidade do art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro – delito de embriaguez ao volante –
, não prosperando a alegação de que o mencionado dispositivo, por se referir a crime de perigo 
abstrato, não é aceito pelo ordenamento jurídico brasileiro. 2. Esta Suprema Corte entende que, 
com o advento da Lei nº 11.705/08, inseriu-se a quantidade mínima exigível de álcool no sangue 
para se configurar o crime de embriaguez ao volante e se excluiu a necessidade de exposição 
de dano potencial, sendo certo que a comprovação da mencionada quantidade de álcool no 
sangue pode ser feita pela utilização do teste do bafômetro ou pelo exame de sangue, o que 
ocorreu na hipótese dos autos. 3. Recurso não provido.” (STF, RHC 110258/DF, Rel. Min. Dias 
Toffoli, Primeira Turma, Julgamento: 08/05/2012). 
Do princípio da ofensividade, pode-se retirar outros dois subprincípios, que podem também ser 
entendidos como compreendidos no conceito daquele: 
Princípio do Fato ou da Responsabilidade pelo Fato: o Direito Penal não pode se ocupar dos 
pensamentos ou intenções. A conduta que deve ser coibida pelo direito penal é o fato que causa 
lesão ou ameaça de lesão ao bem jurídico, e não planejamentos e intenções presentes no íntimo do 
sujeito. 
Princípio da Exclusiva Lesão ao Bem Jurídico: não compete ao Direito Penal tutelar valores 
puramente morais, éticos ou religiosos. Assim, o Direito Penal não deve ser utilizado para sancionar 
ideologias. 
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3.11. PRINCÍPIO DA AUTORRESPONSABILIDADE 
Segundo o princípio da autorresponsabilidade, os danos sofridos por alguém em virtude de seu 
comportamento livre, consciente e responsável só podem ser a ele imputados, e não a quem os 
tenha motivado. 
Para esclarecimento, cumpre registrar que este princípio também é estudado na Criminologia, 
designando a necessidade de se estudar a vítima ao lado do autor do fato. 
No campo do Direito Penal, a autorresponsabilidade não permite a punição de alguém por ter sido 
estimulado por outrem a praticar uma conduta arriscada. A sociedade convive com riscos permitidos, 
como atividade profissional de limpeza de janelas de prédios muito altos ou a prática de esportes 
radicais. 
Imaginem que João estimule seu desafeto a comprar uma passagem de avião, desejando 
ardentemente que haja uma pane e ele faleça no acidente. Mesmo que o avião venha a cair, por uma 
falha do piloto que sequer sabia do desejo do João, este último não poderá ser responsabilizado. Isto 
porque ele incentivou que seu inimigo viajasse, mas os riscos de uma viagem são permitidos e aceitos 
pela sociedade. 
Suponham, ainda, que um sujeito presenteie sua namorada com um salto de bungee jump. Quando 
a moça salta, a corda se rompe e ela morre. O namorado, ainda que querendo o mal para sua 
namorada, não poderá ser responsabilizado, também porque se trata de uma decisão dela, livre e 
consciente, de assumir os riscos desta atividade radical. 
Por fim, imaginem que o agente desfere um golpe de faca no dedo da vítima que, sabendo ser grave 
o ferimento, não se medica. Segundo a doutrina, ele não poder ser responsabilizado por eventual 
óbito, se a doença não possuía o potencial de causar o óbito, decorrendo de uma conduta livre e 
consciente da vítima de não se tratar e deixar que a ferida infeccionasse e seu estado se agravasse. 
 
3.12. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA 
O princípio da individualização da pena é a exigência de se respeitar a proporção entre a conduta 
praticada e a pessoa do autor. Veda-se, assim, a padronização de punições. Não pode haver uma 
pena padrão para todos aqueles que cometem homicídio, mas sim uma consideração das 
circunstâncias específicas de cada fato e a imposição de uma pena individualizada para cada agente. 
A individualização da pena abrange tanto a fixação da pena na sentença, dentro dos limites mínimo 
e máximo de pena, quanto seu cumprimento (execução), com análise do mérito para progressão de 
regime, livramento condicional, etc. O princípio deve, ainda, nortear o legislador na definição das 
sanções penais para os mais variados delitos, com correlação entre um e outro, e das normas penais 
que disciplinam a execução da pena. O legislador não pode evitar que o juiz proceda à 
individualização da pena, tornando-a padronizada. 
Referido princípio está previsto no artigo 5º, inciso XLVI, da Constituição: 
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
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b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos. 
Sobre a execução da pena, é importante analisar os seguintes trechos de julgados do STF a respeito 
da incidência da individualização da pena. A Corte deixou claro que não pode o legislador retirar o 
espaço do juiz na individualização da pena, sendo que o Judiciário deve definir o regime inicial de 
cumprimento da pena e as espécies de penas adequadas ao caso (substituição da pena privativa de 
liberdade por pena de multa ou pena restritiva de direitos). 
STF: EMENTA: HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. ART. 44 
DA LEI 11.343/2006: IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA 
PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE EM PENA RESTRITIVA DE 
DIREITOS. DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE 
INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA À GARANTIA 
CONSTITUCIONAL DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA (INCISO XLVI DO ART. 5º DA CF/88). ORDEM 
PARCIALMENTE CONCEDIDA. 1. O processo de individualização da pena é um caminhar no rumo 
da personalização da resposta punitiva do Estado, desenvolvendo-se em três momentos 
individuados e complementares: o legislativo, o judicial e o executivo. Logo, a lei comum não 
tem a força de subtrair do juiz sentenciante o poder-dever de impor ao delinqüente a sanção 
criminal que a ele, juiz, afigurar-se como expressão de um concreto balanceamento ou de uma 
empírica ponderação de circunstâncias objetivas com protagonizações subjetivas do fato-tipo. 
Implicando essa ponderação em concreto a opção jurídico-positiva pela prevalência do 
razoável sobre o racional; ditada pelo permanente esforço do julgador para conciliar segurança 
jurídica e justiça material. (...) 5. Ordem parcialmente concedida tão-somente para remover o 
óbice da parte final do art. 44 da Lei 11.343/2006, assim como da expressão análoga “vedada 
a conversão em penas restritivas de direitos”, constante do § 4º do art. 33 do mesmo diploma 
legal. Declaração incidental de inconstitucionalidade, com efeito ex nunc, da proibição de 
substituição da pena privativa de liberdade pela pena restritiva de direitos; determinando-se ao 
Juízo da execução penal que faça a avaliação das condições objetivas e subjetivas da convolação 
em causa, na concreta situação do paciente. (STF, HC 97.256, Rel. Min. Ayres Brito, Pleno, DJ 
16/12/2010) 
“Habeas corpus. Penal. Tráfico de entorpecentes. Crime praticado durante a vigência da Lei nº 
11.464/07. Pena inferior a 8 anos de reclusão. Obrigatoriedade de imposição do regime inicial 
fechado. Declaração incidental de inconstitucionalidade do § 1º do art. 2º da Lei nº 8.072/90. 
Ofensa à garantia constitucional da individualização da pena (inciso XLVI do art. 5º da CF/88). 
Fundamentação necessária(CP, art. 33, § 3º, c/c o art. 59). Possibilidade de fixação, no caso em 
exame, do regime semiaberto para o início de cumprimento da pena privativa de liberdade. 
Ordem concedida. (...) 5. Ordem concedida tão somente para remover o óbice constante do § 
1º do art. 2º da Lei nº 8.072/90, com a redação dada pela Lei nº 11.464/07, o qual determina 
que “[a] pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime fechado“. 
Declaração incidental de inconstitucionalidade, com efeito ex nunc, da obrigatoriedade de 
fixação do regime fechado para início do cumprimento de pena decorrente da condenação por 
crime hediondo ou equiparado.” (STF, HC 111.840, Rel. Min. Dias Toffoli, Pleno, DJ 17/12/2013) 
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O que o STF entendeu em ambos os casos acima transcritos é 
que o legislador não pode impedir que o juiz proceda à 
individualização da pena no caso concreto, atendendo às 
particularidades de cada fato e de cada processo em 
julgamento. Também não se pode retirar do Judiciário a possibilidade de analisar o comportamento 
do executado durante o cumprimento da pena, tornando-a individualizada, com deferimento de 
benefícios conforme o mérito do condenado. 
 
3.13. PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE OU DA CORRESPONSABILIDADE 
O princípio da coculpabilidade ou da corresponsabilidade é aquele que reconhece a participação da 
sociedade na responsabilidade pela prática de uma infração penal, em virtude da influência do meio 
social na formação do indivíduo e da desigualdade de oportunidades a que cada cidadão tem acesso. 
Trata-se de princípio rejeitada pela maioria da doutrina, por transferir, do sujeito ativo do crime para 
a sociedade, parcela da responsabilidade pelo fato criminoso. 
Entretanto, existe a possibilidade de seu reconhecimento na dosagem da sanção penal, atendendo-
se também ao princípio da individualização da pena. Assim, devem ser tratados de modo diferente 
um sujeito que furta para poder auxiliar sua família a pagar uma dívida e aquele que, proveniente de 
uma classe privilegiada, comete o mesmo delito para aumentar sua riqueza. A possibilidade de o juiz 
atenuar a pena deriva de o artigo 66 do Código Penal prever a chamada atenuante genérica: 
Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou 
posterior ao crime, embora não prevista expressamente em lei. 
 
 Verifiquemos um trecho de um acordão do STJ, demonstrando 
a possibilidade de aplicação da atenuante genérica do artigo 66 
no caso de coculpabilidade: 
“ATENUANTE GENÉRICA. ART. 66 DO CÓDIGO PENAL. 
COCULPABILIDADE. NECESSIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVAS. WRIT NÃO CONHECIDO. 
1. A atenuante genérica prevista no art. 66 do Código Penal pode se valer da teoria da 
coculpabilidade como embasamento, pois trata-se de previsão genérica, que permite ao 
magistrado considerar qualquer fato relevante - anterior ou posterior à prática da conduta 
delitiva - mesmo que não expressamente previsto em lei, para reduzir a sanção imposta ao réu; 
2. No caso destes autos não há elementos pré-constituídos que permitam afirmar que a conduta 
criminosa decorreu, ao menos em parte, de negligência estatal, de modo que a aplicação do 
benefício pleiteado depende de aprofundado exame dos fatos e provas coligidos ao longo da 
instrução para que se modifique o entendimento da Corte de origem acerca da inaplicabilidade 
da atenuante. Tal providência, porém, não se coaduna com os estreitos limites do habeas 
corpus. 3. Habeas corpus não conhecido.” (STJ, HC 411243/PE, Rel. Min. Jorge Mussi, Quinta 
Turma, DJe 19/12/2017). 
 
Como contrapartida, surgiu a teoria da coculpabilidade às avessas. Considera que a seletividade do 
Direito Penal, como defende parte dos estudiosos da criminologia, enseja a punição, de forma mais 
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frequente e rigorosa, das camadas menos favorecidas da sociedade, as quais têm menor influência 
no processo legislativo e na tomada de decisões governamentais. Em resposta a esse desiquilíbrio 
legislativo e à atuação do Executivo, o Judiciário deveria impor sanções penais mais gravosas aos 
agentes que possuem grande capacidade financeira e considerável status social. Referidas penas 
seriam proporcionais à sua maior liberdade de escolha de violarem ou não as normas penais. 
Seria o caso de um grande agente financeiro que se utiliza de suas posses para praticar inúmeros 
crimes contra o sistema financeiro, ou mesmo o sócio administrador de uma sociedade empresarial 
que utiliza seu poder econômico para corromper agentes públicos e driblar exigências legais para a 
realização de seus negócios. 
Cabe registrar não ser possível agravar a pena por tal motivo, já que, até por imperativo da reserva 
legal, não há agravante genérica do Código Penal, possibilitando ao juiz aumentar a pena com base 
em elementos não previstos em lei. No entanto, nada impede que se valore a conduta do agente, em 
uma perspectiva de coculpabilidade às avessas, na primeira fase da dosimetria, em que se utilizam 
as circunstâncias judiciais do artigo 59 do CP. 
 
3.14. PRINCÍPIO DA CONFIANÇA 
O princípio da confiança funda-se na legítima expectativa de que os demais indivíduos da sociedade 
agirão em conformidade com as regras sociais. Presume-se que todas as pessoas agirão de forma 
responsável, em razão do dever objetivo de cuidado que incide sobre todos. 
É estudado principalmente nos casos de crimes culposos, em que a culpa do indivíduo (por 
negligência, imprudência ou imperícia) deve ser analisada a partir do pressuposto de que ele pode 
agir esperando que os demais também respeitem as regras. Deste modo, o motorista que trafega 
pela via preferencial e passa diretamente pelo cruzamento, não pode ser responsabilizado por 
alguém ter desrespeitado a regra de trânsito e, assim, ter havido uma colisão. Também não pode ser 
considerado responsável pela infecção do paciente o cirurgião que recebe tesoura do 
instrumentador, acreditando que ela estava esterilizada, conforme obrigação deste último 
profissional. 
Além disso, deve-se ter em vista que, dentro de limites, há perigos socialmente aceitáveis, que 
consistem no risco socialmente tolerado. Assim, a construção de altos edifícios, com envio de 
funcionários para pavimentos muito altos para o trabalho, parte do pressuposto da confiança nos 
sistemas de segurança do trabalho e no gerenciamento dos riscos. Isto afastaria a responsabilidade 
penal, também com base no princípio da confiança. 
 
É importante a leitura do seguinte excerto de acórdão do STJ, 
mencionando o princípio da confiança para afastar a 
responsabilização penal: 
“(...) 4. Ainda que se admita a existência de relação de 
causalidade entre a conduta dos acusados e a morte da vítima, à luz da teoria da imputação 
objetiva, necessária é a demonstração da criação pelos agentes de uma situação de risco não 
permitido, não-ocorrente, na hipótese, porquanto é inviável exigir de uma Comissão de 
Formatura um rigor na fiscalização das substâncias ingeridas por todos os participantes de uma 
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festa. 5. Associada à teoria da imputação objetiva, sustenta a doutrina que vigora o princípio 
da confiança, as pessoas se comportarão em conformidade com o direito, o que não ocorreu in 
casu, pois a vítima veio a afogar-se, segundo a denúncia, em virtude de ter ingerido substâncias 
psicotrópicas, comportando-se, portanto, de forma contrária aos padrões esperados, 
afastando, assim, a responsabilidade dos pacientes,diante da inexistência de previsibilidade do 
resultado, acarretando a atipicidade da conduta. 6. Ordem concedida para trancar a ação 
penal, por atipicidade da conduta, em razão da ausência de previsibilidade, de nexo de 
causalidade e de criação de um risco não permitido, em relação a todos os denunciados, por 
força do disposto no art. 580 do Código de Processo Penal.(...)” 
(STJ, HC 46525/MT, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, DJ 10/04/2006). 
 
3.15. PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE OU DA PERSONALIDADE 
O princípio da pessoalidade ou da personalidade determina que a pena não pode passar da pessoa 
do condenado. Ninguém pode, portanto, ser responsabilizado pela conduta de outra pessoa. 
Também denominado Princípio da Intranscendência da Pena, segundo o qual a pena não pode 
passar da pessoa do agente. Alguns doutrinadores o consideram, ainda, um sinônimo do Princípio da 
Responsabilidade Pessoal, segundo o qual a acusação e a pena devem ser individualizados, dizendo 
respeito especificamente ao agente a quem se imputa a conduta. 
Sua previsão está no artigo 5º, inciso XLV, da Constituição: 
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o 
dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos 
sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; 
Percebam que a própria Constituição faz a seguinte ressalva: a obrigação de reparar o dano e a 
decretação do perdimento de bens podem ser estendidas aos sucessores e contra eles executadas. 
A matéria deve ser regulamentada em lei e respeitar o limite do valor do patrimônio transferido. 
 
(FCC/DPE-PB/Defensor Público/2014) A "A terrível humilhação por que passam familiares de presos 
ao visitarem seus parentes encarcerados consiste na obrigação de ficarem nus, de agacharem diante 
de espelhos e mostrarem seus órgãos genitais para agentes públicos. A maioria que sofre esses 
procedimentos é de mães, esposas e filhos de presos. Até mesmo idosos, crianças e bebês são 
submetidos ao vexame. É princípio de direito penal que a pena não ultrapasse a pessoa do 
condenado". 
(DIAS, José Carlos. "O fim das revistas vexatórias". In: Folha de São Paulo. São Paulo: 25 de julho de 
2014, 1o caderno, seção Tendências e Debates, p. A-3) 
 
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Além da ideia de dignidade humana, por esse trecho o inconformismo do autor, recentemente 
publicado na imprensa brasileira, sustenta-se mais diretamente também no postulado constitucional 
da 
a) individualização. 
b) fragmentariedade. 
c) pessoalidade. 
d) presunção de inocência. 
e) legalidade. 
Comentários 
A assertiva correta é a letra C. 
O enunciado da questão já exclui o princípio da dignidade da pessoa humana, procurando outro 
princípio que se aplique ao excerto do texto publicado na Folha de São Paulo. A chave para resolução 
da questão está no trecho “É princípio de direito penal que a pena não ultrapasse a pessoa do 
condenado”. Como vimos, este é justamente o conceito do princípio da pessoalidade, também 
chamado de princípio da personalidade, da intranscendência da pena ou da responsabilidade 
pessoal. 
 
(CESPE/Polícia Federal/Delegado de Polícia Federal/2013) A respeito da pena pecuniária, julgue o 
item abaixo. 
26 A multa aplicada cumulativamente com a pena de reclusão pode ser executada em face do 
espólio, quando o réu vem a óbito no curso da execução da pena, respeitando-se o limite das forças 
da herança. 
Comentários 
O princípio da intranscendência da pena impede que ela se estenda a outras pessoas além do sujeito 
ativo do delito. Está previsto no artigo 5º, XLV, da CF: 
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a 
decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles 
executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; 
Como se percebe da leitura do dispositivo, as únicas exceções à intranscendência da pena são a 
obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens, devendo ambas respeitar o 
limite do patrimônio transferido quando estendidas aos sucessores. 
O item está incorreto. A pena de multa não é exceção à instranscendência da pena. Portanto, a morte 
do autor acarreta a extinção da punibilidade. 
 
 
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3.16. PRINCÍPIO DA ALTERIDADE OU DA TRANSCENDENTALIDADE 
 Conforme o princípio da alteridade ou da transcendentalidade, o Direito Penal não deve se ocupar 
de atitudes meramente internas, que não apresentem potencial de lesionar o bem jurídico. Não se 
pode punir as condutas humanas que não saem da esfera da disponibilidade do agente. 
O fato típico deve ultrapassar a pessoa do autor e ser capaz de atingir o outro, razão pela qual não 
se pune a autolesão (ressalvada a intenção de prejudicar outrem) nem o suicídio tentado. 
Sua elaboração é imputada ao jurista Alemão Claus Roxin. 
 
Não podemos confundir o princípio da transcendentalidade ou da alteridade com o princípio da 
intranscendência da pena, também chamado de princípio da pessoalidade ou da personalidade. 
Vejamos a diferenciação no quadro, para correta fixação do conceito de cada um dos princípios: 
 
 
Para encerrar o estudo do princípio da alteridade, há um 
precedente do STJ em que se utilizou o princípio para a 
conclusão de não haver justa causa para a ação penal, vejamos: 
PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. POLUIÇÃO AMBIENTAL: 
ART. 54, § 2.º INCISO V E § 3.º DA LEI DOS CRIMES AMBIENTAIS. (1) JUSTA CAUSA. CARÊNCIA. 
(A) TIPICIDADE. ELEMENTAR: DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIA DE AUTORIDADE 
COMPETENTE. CONFLUÊNCIA NA MESMA PESSOA DO AGENTE E DO SUJEITO PASSIVO 
MEDIATO. IMPOSSIBILIDADE. 1. É da índole do Direito Penal moderno o princípio da exclusiva 
tutela de bens jurídicos, os quais se notabilizam pela alteridade. In casu, recebeu-se a denúncia 
apontando que o paciente teria funcionado, ao mesmo tempo, como emissor de determinação 
de controle ambiental e como responsável pelo seu descumprimento, a acoimar a exordial 
acusatória de carência de justa causa, em razão do não comparecimento da elementar 
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descumprimento de determinação de autoridade competente. 2. Ordem concedida para trancar 
a ação penal. (STJ, HC 81175/SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 
07/02/2011). 
 
3.17. PRINCÍPIO DA EXTERIORIZAÇÃO OU MATERIALIZAÇÃO DO FATO 
Segundo o princípio da exteriorização ou materialização do fato, o Estado só pode criminalizar 
condutas humanas voluntárias que se exteriorizem por meio de conduta, seja comissiva (ação), seja 
omissiva (omissão). 
Não deve haver tipos penais que imponham sanção por pensamentos ou desejos íntimos. Deste 
modo, o Estado não deve punir convicções pessoais, ideologias ou a personalidade do cidadão. 
A exteriorização ou materialização do fato implica na vedação ao Direito Penal do autor, com a 
consagração do Direito Penal do Fato. Não se pode julgar um caso com fundamento em quem é o 
acusado, mas sim considerando-se fato que se lhe imputa. 
 
3.18. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE 
O princípio da proporcionalidade consiste na limitação da ação estatal, com base nos critérios da 
necessidade e da adequação, ponderando-se os meios utilizados e os fins pretendidos. No Direito 
Penal, a criação, pelo legislador, de tipos penais, deve atender a uma vantagem social relevante 
(relação de custo-benefício). Ademais, as penas devem guardar a devida proporçãoquanto aos atos 
a que visam punir e à importância do bem jurídico tutelado. 
O princípio da proporcionalidade pode ser extraído, de forma indireta, do artigo 98, I, da Constituição, 
em que se determina que haja um procedimento oral e mais abreviado, com possibilidade de 
transação, para os casos de infrações penais de menor potencial ofensivo: 
Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão: 
I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a 
conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações 
penais de menor potencial ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumariíssimo, 
permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos por 
turmas de juízes de primeiro grau; 
O princípio da proporcionalidade pode se desdobrar em cinco elementos: necessidade, adequação, 
legitimidade do meio, legitimidade do fim e proporcionalidade em sentido estrito ou ponderação. 
Deste modo, uma medida estatal que influencie os direitos individuais deve ser necessária, deve ser 
adequada àquilo que pretende, deve se utilizar de meios legítimos para alcançar um fim legítimo e, 
por fim, deve haver uma proporcionalidade entre todos esses critérios, ou, em outras palavras, 
ponderação que demonstre que estão consonantes e compatíveis. 
Vejamos os elementos do princípio da proporcionalidade: 
 
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O princípio da proporcionalidade também possui as seguintes balizas: a proibição do excesso e a 
vedação da proteção deficiente. 
Por vezes, a Constituição determina a criminalização de determinadas condutas, podendo até mesmo 
preconizar um tratamento mais rígido a algumas infrações penais. Nestes casos, o legislador não 
pode deixar o bem jurídico sem proteção, sob pena de violar a norma constitucional. É o caso da 
proteção ao Meio Ambiente, dispondo o artigo 225, § 3º, o seguinte: 
§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, 
pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da 
obrigação de reparar os danos causados 
Por outro lado, não pode, a pretexto de cumprir a norma superior, prever uma sanção penal 
desproporcional ao legislar sobre o tema, sob pena de se configurar excesso. 
Há, portanto, limites para ambos os lados. Não se pode deixar de tutelar o bem jurídico, mas, do 
outro, não se pode causar uma punição excessiva a título de proteção de um bem jurídico protegido 
por norma constitucional. 
 
 
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3.19. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA (OU DA NÃO CULPA) 
De acordo com o princípio da presunção de inocência, nenhuma pessoa deve ser considerada 
culpada, senão após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. 
Não se veda a prisão cautelar, que deve, entretanto, ser excepcional e, por óbvio, fundamentada. 
Ademais, conforme determina este princípio, o ônus da prova incumbe à acusação, sendo que 
eventual dúvida do juiz deve ser resolvida em favor do réu (in dubio pro reo). 
Está previsto expressamente no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição: 
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória, 
Com relação a este princípio, o STF tem discutido se é possível a prisão após a condenação em 
segunda instância. Seria, em análise técnica, uma relativização do princípio da presunção de 
inocência. Recentemente, a Corte havia fixado o seguinte entendimento: 
“ 1. A execução provisória da pena imposta em condenação de 
segunda instância, ainda que pendente o efetivo trânsito em 
julgado do processo, não ofende o princípio constitucional da 
presunção de inocência, conforme decidido por esta Corte 
Suprema no julgamento das liminares nas ADCs nºs 43 e 44, no 
HC n.º 126.292/SP e no ARE n.º 964.246, o qual teve repercussão geral reconhecida Tema n.º 
925. (...)” (HC 121348/MG, Rel. p/ acórdão Min. Luiz Fux, Primeira Turma, Julgamento: 
12/09/2017). 
Entretanto, em novembro de 2019, houve uma mudança do entendimento, voltando ao que a Corte 
estava decidindo anteriormente ao HC 121348, conforme notícia sobre o julgamento das ADC 43, 44 
e 54: 
 Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que é constitucional a regra 
do Código de Processo Penal (CPP) que prevê o esgotamento de todas as possibilidades de 
recurso (trânsito em julgado da condenação) para o início do cumprimento da pena. (...) 
Votaram a favor desse entendimento os ministros Marco Aurélio (relator), Rosa Weber, Ricardo 
Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli, presidente do STF. Para a corrente 
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vencedora, o artigo 283 do Código de Processo Penal (CPP), segundo o qual “ninguém poderá 
ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade 
judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no 
curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva”, 
está de acordo com o princípio da presunção de inocência, garantia prevista no artigo 5º, inciso 
LVII, da Constituição Federal. Ficaram vencidos os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, 
Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia, que entendiam que a execução da pena após a 
condenação em segunda instância não viola o princípio da presunção de inocência. 
A decisão não veda a prisão antes do esgotamento dos recursos, mas estabelece a necessidade 
de que a situação do réu seja individualizada, com a demonstração da existência dos requisitos 
para a prisão preventiva previstos no artigo 312 do CPP – para a garantia da ordem pública e 
econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal. 
Neste sentido: 
(...) I – A execução antecipada da pena, antes do trânsito em julgado da sentença penal 
condenatória, viola a garantia constitucional da presunção de inocência (art. 5°, LVII, da 
CF/1988) II – O art. 283 do CPP foi declarado constitucional pelo Plenário do Supremo Tribunal 
Federal no julgamento das ADCs 43, 44 e 54, de relatoria do Ministro Marco Aurélio. III – A 
decretação de prisão antes do trânsito em julgado somente se justifica na modalidade cautelar, 
quando preenchidos os requisitos do art. 312 do CPP. IV – O réu que respondeu ao processo em 
liberdade e que não teve prisão preventiva decretada em seu desfavor, deve iniciar a execução 
da pena após o trânsito em julgado da condenação. (...) (STF, HC 152919 AgR/MG, Rel. Min. 
Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, Julgamento: 06/12/2019). 
 
3.20. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DA DUPLA PUNIÇÃO PELO MESMO FATO 
É o princípio que veda a dupla punição pelo mesmo fato, bem como a dupla valoração de um 
mesmo fato para agravamento da pena. Também se proíbe a execução em dobro de uma pena, 
bem como que o indivíduo seja processado duas vezes pelo mesmo crime. Também denominado 
Princípio da Proibição do Bis in Idem. 
O artigo 8º do Código Penal, que trata da extraterritorialidade, prevê uma exceção a esta regra: 
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, 
quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. 
Referido artigo é de duvidosa constitucionalidade, mas o STF não foi instado a se manifestar sobre o 
tema. Enquanto não houver manifestação, presume-se a constitucionalidade da norma, 
especialmente para questões objetivasde concursos. 
 
O Estatuto de Roma, que instituiu o Tribunal Penal 
Internacional, prevê, no artigo 20, o princípio do ne bis in idem: 
 
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1. Salvo disposição contrária do presente Estatuto, nenhuma pessoa poderá ser julgada pelo 
Tribunal por atos constitutivos de crimes pelos quais este já a tenha condenado ou absolvido. 
 
3.21. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE 
Segundo o princípio da irretroatividade, a lei penal não pode retroagir, atingindo fatos anteriores a 
ela, salvo se para beneficiar o réu. Sua previsão está expressa no artigo 5º, XL, da Constituição: 
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. 
Dessas regras, sobrevém que a lei posterior que deixa de considerar a conduta como criminosa 
configura abolitio criminis, isto é, faz cessar todos os efeitos penais, ainda que de sentença penal já 
transitada em julgado. Por sua vez, a novatio legis in mellius ou lex mitior, ou seja, a lei penal mais 
recente que seja mais benigna sempre favorece o réu, ainda que seja para determinar a redução da 
pena de quem já a está cumprindo. 
A doutrina debate o tema da combinação de leis, se é possível ou não combinar normas penais da lei 
anterior e normas da lei posterior, o que implicaria em uma normativa decorrente da mescla de 
ambas. Sobre o tema, há controvérsia grande entre os doutrinadores, sendo que a matéria foi tratada 
de forma mais aprofundada na aula inaugural, razão pela qual remeto os alunos para aquela aula se 
precisarem relembrar o assunto. 
 
3.22. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA (OU BAGATELA) 
O princípio da insignificância, também chamado de bagatela, preconiza que o Direito Penal não deve 
se preocupar com bagatelas, isto é, a configuração de uma infração penal exige que haja uma 
ofensa de alguma gravidade ao bem jurídico protegido. 
Tem sua origem apontada no Direito Romano, em que se falava que de minima non curat praetor. 
Nos termos atuais, seria como dizer que o Poder Judiciário não deve se ocupar de coisas mínimas. 
No campo do Direito Penal, credita-se a Claus Roxin, jurista alemão, sua introdução, o que teria 
ocorrido em 1964. 
A insignificância afasta a tipicidade da conduta. Com a incidência de referido princípio, a tipicidade 
passa a ser vista sob o âmbito formal e material. 
Na tipicidade formal, analisa-se se o fato ocorrido se amolda à norma penal, que funciona como uma 
forma-padrão para que se analise se o fato é típico ou não. Essa é uma análise de encaixe, como se 
fossem a norma e o fato duas peças do brinquedo ®Lego. 
Já a tipicidade material exige, além de que a conduta se encaixe na norma, que haja relevância da 
lesão ou da ameaça de lesão ao bem jurídico. Se a lesão ou ameaça de lesão forem ínfimas, não 
haverá tipicidade material, por incidência do princípio da insignificância. 
Podemos exemplificar com a subtração de um clipe ordinário. Se analisarmos sob o âmbito da 
tipicidade formal, haverá a adequação do fato à norma que tipifica o crime de furto. Mas, no campo 
da tipicidade material, perceberemos que a mera subtração de um clipe, por ser insignificante, não 
enseja lesão de alguma relevância ao patrimônio da vítima. Conclui-se, portanto, que tal fato não é 
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típico, por não passar pela barreira da tipicidade material. Portanto, a insignificância afasta a 
tipicidade material. 
Há a tipicidade formal e a tipicidade material: 
Tipicidade formal: subsunção do fato à norma. 
Tipicidade material: relevância da lesão ou ameaça de lesão ao bem jurídico. 
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do HC 116.242 (Disponível a ementa em “Destaques da 
Legislação e da Jurisprudência”, ao final deste aula), no âmbito de sua Primeira Turma, estabeleceu 
requisitos que vêm sendo, desde então, adotados para se aferir a incidência ou não do princípio da 
insignificância: 
 
Requisitos exigidos pelo STF para incidência do princípio da 
insignificância (perceba que nosso esquema forma o acróstico 
“MARI” ou, em outra ordem, “MIRA” para facilitar a 
memorização): 
 
ínima ofensividade da conduta do agente; 
usência de periculosidade social da ação; 
eduzido grau de reprovabilidade do comportamento; 
nexpressividade da lesão jurídica causada. 
 
Quanto à reincidência, o próprio Supremo Tribunal Federal tem analisado caso a caso, não se 
entendendo que esta circunstância, por si só, afasta a aplicação do princípio da insignificância. Basta 
pensarmos no indivíduo que já foi agraciado com o entendimento de crime de bagatela por várias 
vezes, voltando a furtar pequenas mercadorias de um supermercado, de valor comercial. Neste caso, 
pode ser necessário repensar se, com a reiteração de condutas, não estaremos diante de uma lesão 
jurídica já expressiva, além de um maior grau de reprovabilidade do agente. 
Por outro lado, imagine um funcionário de uma grande multinacional que subtraiu uma folha sulfite 
e foi advertido, tendo sido o caso levado à polícia e considerado insignificante. Ao procurar novo 
trabalho, repete a conduta. Ora, neste caso, ainda que se trate de reiteração, são duas coisas cujos 
valores, somados, continuam inexpressivos, não se demonstrando periculosidade do agente. 
Ademais, nenhuma ofensividade mais relevante pode ser observada em sua conduta. 
Deste modo, parece acertada a posição do STF de fazer a análise casuísta de incidência do princípio. 
Por fim, cabe destacar que existe, ainda, a chamada bagatela imprópria, reservada para aqueles 
casos em que, ainda que a lesão ou ameaça de lesão se mostrem relevantes, incida o princípio da 
desnecessidade da pena. São casos em que há uma lesão ou ameaça de lesão significativa a um bem 
jurídico, mas as circunstâncias que envolvem o caso demonstram que a pena é prescindível naquele 
caso. 
O exemplo mais citado é o do perdão judicial previsto no artigo 121, § 5º, do Código Penal. Imaginem 
o caso do pai que, por imprudência no trânsito, acaba por causar a morte de sua esposa e do seu 
filho que viajam com ele no carro. Processado por homicídio culposo, o juiz percebe que ele, o réu, 
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por causa do ocorrido, ficou tetraplégico e apresenta depressão severa, conforme laudo médico. 
Neste caso, o juiz deve deixar de aplicar a pena, se presentes os requisitos da lei, não por causa da 
insignificância da lesão provocada (bagatela própria), mesmo porque houve duas mortes. O perdão 
judicial se fundamenta na desnecessidade da pena (bagatela imprópria). 
Neste caso, vige o chamado princípio da irrelevância penal do fato. Ainda que o fato seja formal e 
materialmente típico, não se deve aplicar a sanção penal ao sujeito ativo da conduta, dada a 
desnecessidade de pena. 
 
 
 
 
 
Cumpre, então, observarmos resumidamente como o STF tem 
entendido, sobre a incidência ou não do princípio da 
insignificância, em relação a determinadas infrações penais: 
 
Crimes ambientais: STF reconhece em alguns casos, HC 112.563 
Rádio Clandestina: STF, 2ª Turma reconhece. HC 126.592. 1ª Turma, não. HC 131.591. 
Descaminho: STF reconhece. HC 121.717. 
Contrabando: STF não reconhece. ARE 924.284 AgR. 
Moeda Falsa: STF não reconhece HC 126.285. 
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Posse de drogas para consumo próprio: STF não reconhece. ARE 728.688 AgR 
 
A súmula 589 do Superior Tribunal de Justiça 
O Superior Tribunalde Justiça, no âmbito do tema da insignificância, aprovou a Súmula 589, com o 
seguinte teor: 
É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais praticados 
contra a mulher no âmbito das relações domésticas. 
Em razão da questão da violência doméstica e familiar contra a mulher, que envolve um desvalor 
maior, o STJ sumulou seu entendimento de que não se deve considerar nenhuma violência praticada, 
inclusive se configuradora da contravenção de vias de fato, como lesão ou ameaça de lesão 
irrelevante ao bem jurídico. Isto porque o próprio legislador, ao dar um tratamento diferenciado à 
violência praticada nessas circunstâncias, decidiu implantar regras específicas e mais rígidas. 
O desvalor maior decorre da vulnerabilidade da mulher, em razão da cultura que, por anos a fio, a 
delegou a um papel subalterno na sociedade. Ainda que hoje a mulher tenha garantida a igualdade 
de tratamento no ordenamento jurídico e tenha conquistado seu espaço de direito na sociedade, 
ainda há muito o que se fazer neste aspecto. 
Ademais, agrava a situação o fato de tal violência ser praticada no âmbito doméstico, ou seja, no 
local de descanso, no âmbito de privacidade da mulher, ou por algum familiar ou alguém que tenha 
ou tivera relação afetiva com ela. São situações que tornam a mulher mais vulnerável à violência, 
justificando um tratamento diferenciado à questão. 
Assim, qualquer crime ou contravenção penal que sejam praticados contra a mulher, envolvendo 
relações domésticas, não serão considerados insignificantes. Pelo contrário, adotando-se a tese do 
STJ, serão sempre relevantes a lesão ou a ameaça de lesão, o que impede a aplicação do princípio da 
insignificância. 
A súmula 599 do Superior Tribunal de Justiça 
Também tratando do princípio da insignificância, o Superior Tribunal de Justiça aprovou a Súmula 
599, cujo enunciado é o seguinte: 
O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a Administração Pública. 
Assim, entende-se que, sempre que o delito for praticado contra a Administração Pública, não haverá 
incidência do princípio da insignificância. Podemos pensar, de imediato, em delitos envolvendo o 
patrimônio público, em período histórico em que o combate à corrupção é tema em pauta. 
Ocorre que, sobre o tema, mostra-se importante analisar se o Supremo Tribunal Federal tem decidido 
neste mesmo sentido. Há um precedente da Segunda Turma da Corte Suprema que reconheceu a 
bagatela de um delito praticado contra a Administração Pública: 
“AÇÃO PENAL. Delito de peculato-furto. Apropriação, por carcereiro, de farol de milha que guarnecia 
motocicleta apreendida. Coisa estimada em treze reais. Res furtiva de valor insignificante. 
Periculosidade não considerável do agente. Circunstâncias relevantes. Crime de bagatela. 
Caracterização. Dano à probidade da administração. Irrelevância no caso. Aplicação do princípio da 
insignificância. Atipicidade reconhecida. Absolvição decretada. HC concedido para esse fim. Voto 
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vencido. Verificada a objetiva insignificância jurídica do ato tido por delituoso, à luz das suas 
circunstâncias, deve o réu, em recurso ou habeas corpus, ser absolvido por atipicidade do 
comportamento.” (STF, HC 112.388/SP, Rel. p/ acórdão Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, 
Julgamento: 21/08/2012. 
Verifica-se, portanto, que ainda que não demonstre uma jurisprudência consolidada, referido 
precedente demonstra não haver, de início, concordância entre as Cortes Superiores sobre o tema. 
O que deve também ser refletido, aqui, é que o próprio STJ já possuía jurisprudência consolidada 
acerca da possibilidade de se aplicar o princípio em estudo ao crime de descaminho. Esta infração 
penal está localizada, no Código Penal, no Título XI, denominado “Dos Crimes contra a Administração 
Pública”, mais precisamente no Capítulo II, “Dos Crimes Praticados pelo Particular contra a 
Administração em Geral”. Ou seja, trata-se de crime contra a Administração, conforme sua 
localização no Código. 
Cumpre observar, em relação ao crime de descaminho, que o STF também tem admitido o 
reconhecimento do chamado delito de bagatela. 
Vejamos um julgado de cada um dos tribunais, os quais representam esse entendimento: 
“EMENTA HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL E DIREITO PENAL. DESCAMINHO. 
IMPETRAÇÃO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 
INADMISSIBILIDADE DO WRIT. VALOR INFERIOR AO ESTIPULADO PELO ART. 20 DA LEI 
10.522/2002. PORTARIAS 75 E 130/2012 DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. PRINCÍPIO DA 
INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE. 1. Há óbice ao conhecimento de habeas corpus impetrado 
contra decisão monocrática do Superior Tribunal de Justiça, cuja jurisdição não se esgotou. 
Precedentes. 2. A pertinência do princípio da insignificância deve ser avaliada considerando-se 
todos os aspectos relevantes da conduta imputada. 3. Para crimes de descaminho, considera-
se, para a avaliação da insignificância, o patamar previsto no art. 20 da Lei 10.522/2002, com 
a atualização das Portarias 75 e 130/2012 do Ministério da Fazenda. Precedentes. 4. 
Descaminho envolvendo elisão de tributos federais em quantia pouco superior a R$ 10.000,00 
(dez mil reais) enseja o reconhecimento da atipicidade material do delito dada a aplicação do 
princípio da insignificância. 5. Habeas corpus extinto sem resolução de mérito. Ordem 
concedida de ofício para reconhecer a atipicidade da conduta imputada à paciente, com o 
consequente trancamento da ação penal na origem.” (STF, HC 121717/PR, Rel. Min. Rosa 
Weber, Primeira Turma, Julgamento: 03/06/2014). 
“RECURSO ESPECIAL. PROPOSTA DE AFETAÇÃO PARA FINS DE REVISÃO DO TEMA N. 157. 
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA AOS CRIMES TRIBUTÁRIOS FEDERAIS E DE 
DESCAMINHO, CUJO DÉBITO NÃO EXCEDA R$ 10.000,00 (DEZ MIL REAIS). ART. 20 DA LEI N. 
10.522/2002. ENTENDIMENTO QUE DESTOA DA ORIENTAÇÃO CONSOLIDADA NO STF, QUE TEM 
RECONHECIDO A ATIPICIDADE MATERIAL COM BASE NO PARÂMETRO FIXADO NAS PORTARIAS 
N. 75 E 130/MF - R$ 20.000,00 (VINTE MIL REAIS). AFETADO O RECURSO PARA FINS DE 
ADEQUAÇÃO DO ENTENDIMENTO. Considerando os princípios da segurança jurídica, da 
proteção da confiança e da isonomia, nos termos do art. 927, § 4º, do Código de Processo Civil, 
afetou-se recurso especial para fins de revisão da tese fixada no REsp n. 1.112.748/TO 
(representativo da controvérsia) - Tema 157 (Relator Ministro Felix Fischer, DJe 13/10/2009), a 
fim de adequá-la ao entendimento externado pela Suprema Corte, o qual tem considerado o 
parâmetro fixado nas Portarias n. 75 e 130/MF - R$ 20.000,00 (vinte mil reais) para aplicação 
do princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho.” (ProAfF no REsp 
1688878/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Jr., Terceira Seção, DJe 01/12/2017). 
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Como este entendimento, de aplicação da insignificância ao delito de descaminho, já estava 
consolidado no âmbito do próprio Superior Tribunal de Justiça, há uma tendência a este tribunal 
reconhecer exceções à aplicação da sua nova súmula, como no caso do delito de descaminho. O 
Superior Tribunal de Justiça já considerou que se aplica o princípio da insignificância ao descaminho 
após a aprovação da súmula que veda a incidência do princípio aos crimes contra a Administração 
Pública. 
De todo modo, devemos continuar acompanhando os julgamentos do Superior Tribunal de Justiça 
após a elaboração do enunciado para se verificar como o tema será tratado. 
 
(UFMT/MPE-MT/Promotor de Justiça/2014) No que concerne ao princípio da insignificância, 
assinale a afirmativa INCORRETA. 
 
a) Seu reconhecimento exclui a tipicidade material da conduta.b) Aplica-se quando se mostra ínfima a lesão ao bem jurídico tutelado. 
c) Somente pode ser invocado em relação a fatos que geraram mínima perturbação social. 
d) Exige, para seu reconhecimento, que as consequências da conduta tenham sido de pequena 
relevância. 
e) Só é admissível em crimes de menor potencial ofensivo. 
Comentários 
A assertiva incorreta é a letra E. 
Estudamos que o reconhecimento do princípio da insignificância (bagatela própria) exclui a tipicidade 
da conduta. Além disso, vimos que são requisitos consagrados pela jurisprudência para a incidência 
do princípio os seguintes: mínima ofensividade da conduta do agente; ausência de periculosidade 
social da ação; reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e inexpressividade da lesão 
jurídica causada. Não se exige, por outro lado, que se trate de infração de menor potencial ofensivo. 
O furto, por exemplo, crime ao qual se aplica diuturnamente o princípio da insignificância, não é 
crime de menor potencial ofensivo, por ter pena máxima superior a dois anos. 
3.23. PRINCÍPIOS DO GARANTISMO 
O garantismo consiste em teoria do Professor Luigi Ferrajoli, que este professor teve o prazer de 
conhecer durante um curso de especialização na Universidade de Pisa. O garantismo consiste em um 
conjunto de princípios que visam a garantir os direitos do acusado no curso do processo penal. 
O professor Ferrajoli explicita que existem três acepções de garantismo. 
A primeira diz respeito à vinculação do Poder Público ao Estado de Direito, com a maximização da 
liberdade dos indivíduos e a limitação do poder punitivo. Em segundo lugar, estabelece-se a distinção 
entre validade e vigência, não devendo o juiz aplicar as leis que, embora vigentes, não sejam válidas 
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por serem incompatíveis com o ordenamento jurídico. Por fim, em terceiro lugar, preconiza a 
necessidade de que o ponto de vista interno, o jurídico, se adeque ao ponto de vista externo, ético-
político, devendo o Estado justificar suas medidas jurídicas sob o ponto de vista da justiça e da 
validade, com base nos bens e interesses que tutela. Deste modo, atua como uma doutrina de 
legitimação das normas penais. 
Para os fins de provas de concursos, cabe, então, uma enumeração dos princípios elencados pelo 
professor, com os respectivos axiomas latinos. Vejamos: 
AXIOMAS PRINCÍPIO 
Nulla poena sine crimine Retributividade/consequencialidade da pena 
Nullum crimen sine lege Legalidade 
Nulla lex (poenalis) sine necessitate Necessidade/ Economia do Direito Penal 
Nulla injuria sine actione Materialização/Exteriorização do fato 
Nulla actio sine culpa Culpabilidade 
Nulla culpa sine judicio Jurisdicionalidade 
Nulla judicium sine accusatione Acusatório 
Nulla accusatio sine probatione Do ônus da prova 
Nulla probatio sine defensione Da Defesa ou da Falseabilidade 
Com esta enumeração dos princípios do garantismo, encerramos o respectivo tema e a nossa aula. 
 
4. QUESTÕES 
Chegou a hora de praticamos o que estudamos durante a aula, oportunidade de rever o conteúdo e 
descobrir se algum tópico não foi bem compreendido. 
 
4.8. LISTA DE QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS 
Q1. FAURGS/TJ-RS/2016 
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I - Em nome do princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica, a abolitio criminis e a lex 
mitior alcançam todos os fatos delitivos anteriores à sua entrada em vigor, inclusive aqueles 
previstos em legislação penal temporária ou excepcional. 
II - A lei penal brasileira é aplicável aos crimes cometidos a bordo de embarcações e aeronaves 
estrangeiras de propriedade privada que estejam localizadas no mar territorial ou sobrevoando 
o espaço aéreo brasileiro, sendo também consideradas como extensão do território nacional 
as embarcações e aeronaves brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, localizadas em 
mar territorial ou no espaço aéreo de outro país, desde que estejam a serviço do governo 
brasileiro. 
III - Segundo dispõe o princípio da consunção, quando a concretização da prática de um crime 
depende direta e necessariamente da prática de uma conduta delitiva antecedente, o juiz, no 
momento da sentença, deve afastar o reconhecimento do concurso de infrações, aplicando ao 
réu apenas a pena do crime mais grave. 
Quais estão corretas? 
 a) Apenas I. 
 b) Apenas II. 
 c) Apenas III. 
 d) Apenas I e II. 
 e) Apenas II e III. 
Q2. CESPE/TJ-PB/2015 
Acerca dos princípios e fontes do direito penal, assinale a opção correta. 
a) Segundo a jurisprudência do STJ, o princípio da insignificância deve ser aplicado a casos de 
furto qualificado em que o prejuízo da vítima tenha sido mínimo. 
b) Conforme entendimento do STJ, o princípio da adequação social justificaria o arquivamento 
de inquérito policial instaurado em razão da venda de CDs e DVDs. 
c) Depreende-se do princípio da lesividade que a autolesão, via de regra, não é punível. 
d) Depreende-se da aplicação do princípio da insignificância a determinado caso que a conduta 
em questão é formal e materialmente atípica. 
e) As medidas provisórias podem regular matéria penal nas hipóteses de leis temporárias ou 
excepcionais. 
Q3. FCC/TJ-SC/2015 
A afirmação de que o Direito Penal não constitui um sistema exaustivo de proteção de bens 
jurídicos, de sorte a abranger todos os bens que constituem o universo de bens do indivíduo, 
mas representa um sistema descontínuo de seleção de ilícitos decorrentes da necessidade de 
criminalizá-los ante a indispensabilidade da proteção jurídico-penal, amolda-se, mais 
exatamente, 
a) ao conceito estrito de reserva legal aplicado ao significado de taxatividade da descrição dos 
modelos incriminadores. 
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b) à descrição do princípio da fragmentariedade do Direito Penal que é corolário do princípio 
da intervenção mínima e da reserva legal. 
c) à descrição do princípio da culpabilidade como fenômeno social. 
d) ao conteúdo jurídico do princípio de humanidade relacionado ao conceito de Justiça 
distributiva. 
e) à descrição do princípio da insignificância em sua relativização na busca de mínima 
proporcionalidade entre gravidade da conduta e cominação de sanção. 
Q4. FCC/DPE-SP/2019 
A ideologia da defesa social abarca o Princípio 
a) da proporcionalidade, segundo o qual a sanção imposta ao condenado deve ser proporcional 
à gravidade do dano social causado pela prática do delito. 
b) da finalidade, segundo o qual a pena tem a finalidade primordial de retribuir o mal causado 
pela prática do delito, não exercendo função preventiva, seja por ser incapaz de ressocializar o 
“delinquente” ou desestimular o comportamento ilícito. 
c) do bem e do mal, segundo o qual o delito é um mal necessário para a sociedade e o 
“delinquente” um elemento funcional e essencial ao sistema, pois a violação da norma faz a 
sociedade reafirmar o seu valor, reforçando a coesão social. 
d) do delito natural, segundo o qual o núcleo central dos delitos definidos nas legislações 
penais das nações civilizadas representa violação de interesses fundamentais, comuns a todos 
os cidadãos. 
e) do interesse social, segundo o qual os interesses protegidos pelo direito penal são 
essencialmente aqueles pertences à classe economicamente dominante, que detém o poder 
de definição. 
Q5.FCC/TJ-AP/2014 
Desde o advento da Lei nº 8.072/1990, a vedação absoluta de progressão de regime prisional, 
originalmente instituída para os crimes hediondos ou assemelhados, comportou intenso 
debate acadêmicoe jurisprudencial. Importantes vozes na doutrina desde logo repudiaram o 
regime integralmente fechado. Mas o Pleno do Supremo Tribunal Federal, então, em dois 
julgados antológicos, afastou a pecha da inconstitucionalidade (HC 69.603/SP e HC 69.657/SP), 
posicionamento que se irradiou para as outras Cortes e, desse modo, ditou a jurisprudência do 
país por mais de 13 anos. Somente em 2006 o STF rediscutiu a matéria, agora para dizer 
inconstitucional aquela vedação (HC 82.959-7/SP). A histórica reversão da jurisprudência, 
afinal, fez com que se reparasse o sistema normativo. Editou-se a Lei nº 11.464/2007 que, pese 
admitindo a progressividade na execução correspondente, todavia lhe estipulou lapsos 
diferenciados. Todo esse demorado debate mais diretamente fundou-se especialmente em um 
dado postulado de direito penal que, portanto, hoje mais que nunca estrutura o direito 
brasileiro no tópico respectivo. Precipuamente, trata-se do postulado da: 
 a) pessoalidade. 
 b) legalidade. 
 c) proporcionalidade. 
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 d) individualização. 
 e) culpabilidade. 
Q6. FUNDEP/TJ-MG/2014 
A respeito da aplicação da lei penal, assinale a alternativa INCORRETA. 
a) A revogação do complemento da lei penal em branco, quando essa for a parte essencial da 
norma, gera abolitio criminis. 
b) Em relação ao tempo do crime, nosso Código Penal adotou a teoria da atividade, 
considerando-o praticado no momento da ação ou omissão. 
c) As situações de aplicação extraterritorial da lei penal brasileira e que constituem exceções 
ao princípio geral da territorialidade (Artigo 5º) em nosso ordenamento jurídico são previstas, 
exclusivamente, no rol taxativo constante do Artigo 7º do CP. 
 d) A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração, aplica-se ao 
fato praticado durante a sua vigência. Trata-se de uma exceção ao princípio da retroatividade 
benéfica. 
Q7.FUNDEP/TJ-MG/2014 
A respeito dos princípios que regem o direito penal brasileiro, assinale a alternativa 
INCORRETA. 
a) O princípio da legalidade penal, do qual decorre o princípio da reserva legal, impede o uso 
dos costumes e analogia para criar tipos penais incriminadores ou agravar as infrações 
existentes. 
b) De acordo com o chamado princípio da insignificância o Direito Penal não deve se ocupar 
com assuntos irrelevantes. A aplicação de tal princípio exclui a tipicidade material da conduta. 
c) O direito penal possui natureza fragmentária, ou seja, somente protege os bens jurídicos 
mais importantes, pois os demais são protegidos pelos outros ramos do direito. 
d) O princípio da taxatividade, ao exigir lei com conteúdo determinado, resulta na proibição da 
criação de tipos penais abertos. 
Q8. VUNESP/TJ-RJ/2011 
O agente que mata alguém, por imprudência, negligência ou imperícia, na direção de veículo 
automotor, comete o crime previsto no art. 302, da Lei n.º 9.503/97 (Código de Trânsito 
Brasileiro), e não o crime previsto no art. 121, § 3.º, do Código Penal. Assinale, dentre os 
princípios adiante mencionados, em qual deles está fundamentada tal afirmativa. 
 a) Princípio da consunção. 
 b) Princípio da alternatividade. 
 c) Princípio da especialidade. 
 d) Princípio da legalidade. 
Q9. FCC/TJ-MS/2010 
O princípio de intervenção mínima do Direito Penal encontra expressão: 
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a) nos princípios da fragmentariedade e da subsidiariedade. 
b) na teoria da imputação objetiva e no princípio da fragmentariedade. 
c) no princípio da fragmentariedade e na proposta funcionalista. 
d) na teoria da imputação objetiva e no princípio da subsidiariedade. 
e) no princípio da subsidiariedade e na proposta funcionalista. 
Q10. CESPE/TJ-SE/2008 
Assinale a opção correta a respeito das penas. 
a) O princípio da transcendência estabelece que nenhuma pena passará da pessoa do 
condenado, contudo a obrigação de reparar o dano se estende aos sucessores ilimitadamente. 
b) Não haverá pena de morte, salvo em caso de guerra declarada. 
c) Não haverá penas de caráter perpétuo, de banimento, cruéis ou pecuniárias. 
d) A pena será cumprida preferencialmente em estabelecimentos distintos, de acordo com a 
natureza do delito e as condições socioeconômicas do apenado. 
e) É assegurado aos presos o respeito à integridade física, moral e material, sendo vedada pena 
que implique perda ou privação de bens. 
Q.11. CESP/TRF 5ª Região/2017 
Assinale a opção que apresenta princípios que devem ser observados pelas leis penais por 
expressa previsão constitucional. 
a) legalidade, irretroatividade, responsabilidade pessoal, economicidade, individualização da 
pena 
b) legalidade, irretroatividade, responsabilidade pessoal, presunção da inocência, eficiência da 
pena 
c) legalidade, irretroatividade, responsabilidade pessoal, presunção da inocência, 
individualização da pena 
d) legalidade, irretroatividade, moralidade, presunção da inocência, individualização da pena 
e) legalidade, impessoalidade, irretroatividade, presunção da inocência, individualização da 
pena 
Q.12. CESP/TRF 5ª Região/2017 
No que tange aos princípios básicos do direito penal e à interpretação da lei penal, assinale a 
opção correta. 
a) Embora o princípio da legalidade proíba o juiz de criar figura típica não prevista na lei, por 
analogia ou interpretação extensiva, o julgador pode, para benefício do réu, combinar 
dispositivos de uma mesma lei penal para encontrar pena mais proporcional ao caso concreto. 
b) Do princípio da culpabilidade procede a responsabilidade penal subjetiva, que inclui, como 
pressuposto da pena, a valoração distinta do resultado no delito culposo ou doloso, 
proporcional à gravidade do desvalor representado pelo dolo ou culpa que integra a 
culpabilidade. 
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c) O princípio do ne bis idem está expressamente previsto na CF e preconiza a impossibilidade 
de uma pessoa ser sancionada ou processada duas vezes pelo mesmo fato, além de proibir a 
pluralidade de sanções de natureza administrativa sancionatórias. 
d) A infração bagatelar própria está ligada ao desvalor do resultado e (ou) da conduta e é causa 
de exclusão da tipicidade material do fato; já a imprópria exige o desvalor ínfimo da 
culpabilidade em concurso necessário com requisitos post factum que levam à desnecessidade 
da pena no caso concreto. 
e) O princípio da ofensividade ou lesividade não se presta à atividade de controle jurisdicional 
abstrata da norma incriminadora ou à função político-criminal da atividade legiferante. 
Q13. CESPE/TRF – 1ª Região/2015 
Conforme a jurisprudência do STF, o princípio da insignificância 
a) não se aplica ao crime de contrabando. 
b) não se aplica ao tráfico internacional de armas de fogo, exceto em casos que se restrinjam a 
cápsulas de munição. 
c) deve ser adotado em casos de crime de tráfico de drogas. 
d) é aplicável ainda que o agente seja reincidente ou tenha cometido o mesmo gênero de delito 
reiteradas vezes. 
e) é aplicável ao crime de roubo. 
Q14. CESPE/MPE-RR/2017 
No direito penal, o princípio da: 
a) fragmentariedade informa que o direito penal é autônomo e cuida das condutas tidas por 
ilícitas penalmente, sendo aplicável a lei penal independentemente da solução do problema 
por outros ramos do direito. 
b) irretroatividade da lei se aplica absolutamente. 
c) insignificância, segundo o entendimento do STF, pressupõe apenas três requisitos para a sua 
configuração: mínima ofensividade da conduta do agente, nenhuma periculosidadesocial e 
reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento. 
 d) proporcionalidade fundamenta a declaração de inconstitucionalidade de parte do art. 44 da 
Lei Antidrogas, que veda a concessão de liberdade provisória em crimes relacionados às drogas. 
Q15. CESPE/MPE-SP/2014 
No tocante aos princípios constitucionais penais, assinale a opção correta 
a) No que se refere à aplicação do princípio da insignificância, o STF tem afastado a tipicidade 
material dos fatos em que a lesão jurídica seja inexpressiva, sem levar em consideração os 
antecedentes penais do agente. 
b) O direito penal constitui um sistema exaustivo de proteção de todos os bens jurídicos do 
indivíduo, de modo a tipificar o conjunto das condutas que outros ramos do direito consideram 
antijurídicas. 
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c) Uma das vertentes do princípio da proporcionalidade é a proibição de proteção deficiente, 
por meio da qual se busca impedir um direito fundamental de ser deficientemente protegido, 
seja mediante a eliminação de figuras típicas, seja pela cominação de penas inferiores à 
importância exigida pelo bem que se quer proteger. 
d) Segundo entendimento consolidado do STF, a imposição de regime disciplinar diferenciado 
ao executando ofende o princípio da individualização da pena, visto que extrapola o regime de 
cumprimento da reprimenda imposta na sentença condenatória. 
 e) Prevalece na doutrina o entendimento de que constitui ofensa ao princípio da legalidade a 
existência de leis penais em branco heterogêneas, ou seja, daquelas cujos complementos 
provenham de fonte diversa da que tenha editado a norma que deva ser complementada 
Q16. MPDFT/MPDFT/2013 
Examine os itens seguintes, indicando o CORRETO: 
a) O princípio da culpabilidade limita-se à impossibilidade de declaração de culpa sem o trânsito 
em julgado de sentença penal condenatória. 
b) O princípio da legalidade impede a aplicação de lei penal ao fato ocorrido antes do início de 
sua vigência. 
c) Integram o núcleo do princípio da estrita legalidade os seguintes postulados: reserva legal, 
proibição de aplicação de pena em hipótese de lesões irrelevantes, proibição de analogia in 
malam partem. 
d) A aplicação de pena aos inimputáveis, dada a sua incapacidade de sensibilização pela norma 
penal, viola o princípio da culpabilidade. 
e) Os princípios da insignificância penal e da adequação social se identificam, ambos 
caracterizados pela ausência de preenchimento formal do tipo penal. 
Q17. MPE-GO/MPE-GO/2012 
Em relação as causas de exclusão da tipicidade penal, em especial o princípio da insignificância, 
assinale a alternativa correta: 
 a) O princípio da insignificância não conta com reconhecimento normativo explícito da nossa 
legislação penal, seja comum ou especial; 
 b) Mesmo sem lei expressa o princípio da insignificância tem sido reconhecido pelos nossos 
Tribunais Superiores, em especial o STF, posto que deriva dos valores, regras e princípios 
constitucionais, que são normas cogentes do ordenamento jurídico; 
 c) Infração bagatelar imprópria é a que já nasce sem nenhuma relevância penal, ou porque 
não há desvalor da ação (não há periculosidade na conduta, isto é, idoneidade ofensiva 
relevante; ou porque não há desvalor do resultado (não se trata de ataque intolerável ao bem 
jurídico); 
 d) O princípio da insignificância confunde-se com o princípio da irrelevância penal do fato. O 
primeiro não afasta a tipicidade material, uma vez que o fato será típico (formal e 
materialmente), ilícito e culpável. O segundo possibilita o arquivamento ou o não recebimento 
da ação ou a absolvição penal nas imputações de fatos bagatelares próprios, ou seja, os que 
não possuem tipicidade material. 
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Q18. UFMT/DPE-MT/2016 
O princípio da insignificância ou da bagatela exclui a: 
a) punibilidade. 
b) executividade. 
c) tipicidade material. 
d) ilicitude formal. 
e) culpabilidade. 
 
Q19. MPDFT/MPDFT/2011 
É correto afirmar, no tocante aos princípios constitucionais penais: 
a) O princípio da legalidade dos crimes e das penas, sob a perspectiva do nullum crimen sine 
lege scricta, repudia o emprego da interpretação extensiva in malam partem. 
b) O uso de leis penais em branco, em sentido estrito, foi banido pelo Supremo Tribunal 
Federal, por caracterizar ofensa ao princípio da taxatividade. 
c) O princípio da reserva legal é mitigado no âmbito do direito da infância e da juventude, dada 
a inimputabilidade absoluta do menor de 18 anos de idade. 
d) O princípio da lesividade ou da ofensividade, entre outros aspectos, repele a punição do 
cidadão cuja conduta sequer se inicia. 
e) Como decorrência imediata do princípio da culpabilidade, não é possível a criminalização de 
simples estados existenciais. 
Q20. MPDFT/MPDFT/2011 
a) A lesividade do bem jurídico protegido pela lei penal é critério de legalidade material ou 
substancial e depende da existência da lei para caracterizar o delito. 
b) A culpabilidade significa que será penalmente punido aquele que houver agido com culpa 
ou dolo o que implica adoção pelo nosso Código Penal da teoria da responsabilidade objetiva. 
c) O princípio da legalidade exige, além da previsão legal do crime e da pena anteriores ao fato 
praticado, definição de conduta e cominação balizada de punição. 
d) A proporcionalidade é regra constitucional implícita e se utiliza dos sub-princípios da 
adequação, e necessidade, à exceção no direito penal, da proporcionalidade em sentido estrito. 
e) A individualização da pena, na forma prevista na Constituição Federal, apenas se opera no 
plano judicial. 
Q21. FCC/DPE-MA/2015 
A proscrição de penas cruéis e infamantes, a proibição de tortura e maus-tratos nos 
interrogatórios policiais e a obrigação imposta ao Estado de dotar sua infraestrutura carcerária 
de meios e recursos que impeçam a degradação e a dessocialização dos condenados são 
desdobramentos do princípio da: 
a) proporcionalidade. 
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b) intervenção mínima do Estado. 
c) fragmentariedade do Direito Penal. 
d) humanidade. 
e) adequação social. 
Q22. CESPE/DPE-PE/2015 
O Estado, para garantir a segurança dos cidadãos, deve proibir ou restringir todas aquelas ações 
que se refiram, de maneira imediata, só a quem as realize, das quais derive lesão aos direitos 
dos outros, isto é, que atinjam sua liberdade e propriedade, sem o seu consentimento ou contra 
ele, ou das que haja de temê-las provavelmente; probabilidade na qual haverá de considerar a 
dimensão do dano que se quer causar e a importância da limitação da liberdade produzida por 
lei proibitiva. 
Wilhem Von Humboldt. Los límites de la acción del estado. 1792, p. 122 (com adaptações). 
Com relação ao fragmento de texto acima, aos princípios de direito penal e às teorias do bem 
jurídico, julgue o item a seguir. 
O fragmento em questão, seu autor, há já mais de duzentos anos, se referia ao que hoje se 
entende como princípios jurídico-penais da intranscendência e da fragmentariedade. 
o Certo 
o Errado 
Q23.FCC/DPE-PB/2014 
"A terrível humilhação por que passam familiares de presos ao visitarem seus parentes 
encarcerados consiste na obrigação de ficarem nus, de agacharem diante de espelhos e 
mostrarem seus órgãos genitais para agentes públicos. A maioria que sofre esses 
procedimentos é de mães, esposas e filhos de presos. Até mesmo idosos, crianças e bebês são 
submetidos ao vexame. É princípio de direito penal que a pena não ultrapasse apessoa do 
condenado". 
(DIAS, José Carlos. "O fim das revistas vexatórias". In: Folha de São Paulo. São Paulo: 25 de julho 
de 2014, 1o caderno, seção Tendências e Debates, p. A-3) 
Além da ideia de dignidade humana, por esse trecho o inconformismo do autor, recentemente 
publicado na imprensa brasileira, sustenta-se mais diretamente também no postulado 
constitucional da: 
a) individualização. 
b) fragmentariedade. 
c) pessoalidade. 
d) presunção de inocência. 
e) legalidade. 
Q24.FCC/DPE-SP /2013 
Sobre a relação entre o sistema penal brasileiro contemporâneo e a Constituição Federal, é 
correto afirmar que: 
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a) o princípio constitucional da humanidade das penas encontra ampla efetividade no Brasil, 
diante da adequação concreta das condições de aprisionamento aos tratados internacionais de 
direitos humanos. 
b) o princípio constitucional da legalidade restringe-se à tipificação de condutas como crimes, 
não abarcando as faltas disciplinares em execução penal. 
c) o estereótipo do criminoso não contribui para o processo de criminalização, pois violaria o 
princípio constitucional da não discriminação. 
d) a seletividade do sistema penal brasileiro, por ser um problema conjuntural, poderia ser 
resolvida com a aplicação do princípio da igualdade nas ações policiais. 
e) o princípio constitucional da intranscendência da pena não é capaz de impedir a 
estigmatização e práticas violadoras de direitos humanos de familiares de pessoas presas. 
Q25. CESPE/DPE-DF/2013 
Com relação aos conceitos, objetivos e princípios do direito penal, às penas restritivas de 
direitos, ao livramento condicional e à reincidência, julgue os itens subsecutivos. 
A versão clássica do modelo penal garantista ideal se funda sob os princípios da legalidade 
estrita, da materialidade e lesividade dos delitos, da responsabilidade pessoal, do contraditório 
entre as partes e da presunção de inocência 
o Certo 
o Errado 
Q26. CESPE/DPE-TO/2013 
Considerando os princípios básicos de direito penal, assinale a opção correta. 
a) O princípio da culpabilidade impõe a subjetividade da responsabilidade penal. Logo, repudia 
a responsabilidade objetiva, derivada, tão só, de uma relação causal entre a conduta e o 
resultado de lesão ou perigo a um bem jurídico, exceto no caso dos crimes perpetrados por 
pessoas jurídicas. 
b) Os princípios da legalidade e da irretroatividade da lei penal são aplicáveis à pena cominada 
pelo legislador, aplicada pelo juiz e executada pela administração, não sendo, todavia, esses 
princípios extensíveis às medidas de segurança, dotadas de escopo curativo e não punitivo. 
c) Constituem funções do princípio da lesividade, proibir a incriminação de atitudes internas, 
de condutas que não excedam a do próprio autor do fato, de simples estados e condições 
existenciais e de condutas moralmente desviadas que não afetem qualquer bem jurídico. 
d) O princípio da intervenção mínima não está previsto expressamente no texto constitucional 
nem pode dele ser inferido. 
 e) O princípio da humanidade proíbe a instituição de penas cruéis, como a de morte e a de 
prisão perpétua, mas não a de trabalhos forçados. 
Q27. CESPE/DPE-TO/2013 
Sobre os princípios da legalidade e da anterioridade (artigo 1º do Código Penal) é correto 
afirmar: 
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a) pelo princípio da legalidade compreende-se que ninguém responderá por um fato que a lei 
penal preveja como crime e, pelo princípio da anterioridade compreende-se que alguém 
somente responderá por crime devidamente previsto em lei que tenha entrado em vigor um 
ano anteriormente à prática da conduta; 
b) os princípios da legalidade e da anterioridade pressupõem a existência de lei anterior à 
prática de uma determinada conduta para que esta possa ser considerada como crime; 
c) tais princípios são sinônimos e significam a necessidade da existência de lei para que uma 
conduta seja considerada crime; 
d) são incompatíveis um com o outro, já que pressupõem circunstâncias diversas; 
e) pelo princípio da anterioridade compreende-se a previsão anterior de determinada conduta 
como criminosa independentemente de definição por lei em sentido estrito. 
Q28. CESPE/DPF/2013 (adaptada) 
No que diz respeito aos crimes previstos na legislação penal extravagante, julgue o item 
subsequente. 
 Se os crimes funcionais, previstos no art. 3.º da Lei n.º 8.137/1990, forem praticados por 
servidor contra a administração tributária, a pena imposta aumentará de um terço até a 
metade. 
( ) Certo ( ) Errado 
Q29. INSTITUTO CIDADES/DPE-AM/2011 
É pacífico, na doutrina e na jurisprudência, que o agente que furta objetos de valor irrisório 
deve ser absolvido com base no princípio da insignificância, uma vez que, nessas circunstâncias, 
está excluída 
a) a tipicidade formal. 
b) a tipicidade material. 
c) a ilicitude da conduta. 
d) a culpabilidade do agente. 
e) a punibilidade da conduta. 
Q30. INSTITUTO CIDADES/DPE-AM/2011 
O postulado da fragmentariedade em matéria penal relativiza: 
a) a proporcionalidade entre o fato praticado e a consequência jurídica. 
b) a dignidade humana como limite material à atividade punitiva do Estado. 
c) o concurso entre causas de aumento e diminuição de penas. 
d) a função de proteção dos bens jurídicos atribuída à lei penal. 
e) o caráter estritamente pessoal que decorre da norma penal. 
Q31. FCC/TCE-SP/2011 
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O princípio constitucional da legalidade em matéria penal 
a) não vigora na fase de execução penal. 
b) impede que se afaste o caráter criminoso do fato em razão de causa supralegal de exclusão 
da ilicitude. 
c) não atinge as medidas de segurança. 
d) obsta que se reconheça a atipicidade de conduta em função de sua adequação social. 
e) exige a taxatividade da lei incriminadora, admitindo, em certas situações, o emprego da 
analogia. 
Q32. CESPE/PG-DF/2013 
À luz das fontes do direito penal e considerando os princípios a ele aplicáveis, julgue o item 
abaixo. 
Segundo a jurisprudência do STF e do STJ, a aplicação do princípio da insignificância no direito 
penal está condicionada ao atendimento, concomitante, dos seguintes requisitos: 
primariedade do agente, valor do objeto material da infração inferior a um salário mínimo, não 
contribuição da vítima para a deflagração da ação criminosa, ausência de violência ou grave 
ameaça à pessoa. 
o Certo 
o Errado 
Q33. FUNDATEC/PC-RS/2018 
Em relação à teoria geral da norma penal, assinale a alternativa correta. 
a) Dentre os princípios gerais do Direito Penal, pode-se citar o princípio da exclusiva proteção 
de bens jurídicos e o princípio da intervenção mínima. 
b) Os princípios só podem ser explícitos, ou seja, positivados no ordenamento jurídico. 
c) O princípio da igualdade (ou da isonomia) não está previsto de maneira expressa na CF/1988. 
d) O princípio da presunção de inocência (ou da não culpa) expresso na CF/1988 no artigo 5º, 
inciso LVII, determina que "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de 
sentença penal condenatória". Destarte, não é aceitável a decretação (excepcional) de uma 
prisão temporária ou preventiva sobre alguém sobre o qual pairam indícios suficientes de 
autoria, mas que ainda não pode ser considerado culpado. 
e) O princípio da ofensividade ou lesividade (nullum crimen sine iniuria) não exige que do fato 
praticado ocorra lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. 
Q34. CESPE/PC-MA/2018 
O princípioda legalidade compreende 
a) a capacidade mental de entendimento do caráter ilícito do fato no momento da ação ou da 
omissão, bem como de ciência desse entendimento. 
b) o juízo de censura que incide sobre a formação e a exteriorização da vontade do responsável 
por um fato típico e ilícito, com o propósito de aferir a necessidade de imposição de pena. 
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c) a oposição entre o ordenamento jurídico vigente e um fato típico praticado por alguém capaz 
de lesionar ou expor a perigo de lesão bens jurídicos penalmente protegidos. 
d) a obediência às formas e aos procedimentos exigidos na criação da lei penal e, 
principalmente, na elaboração de seu conteúdo normativo. 
e) a conformidade da conduta reprovável do agente ao modelo descrito na lei penal vigente no 
momento da ação ou da omissão. 
Q35. CESPE/PCJ-MT/2017 
De acordo com o entendimento do STF, a aplicação do princípio da insignificância pressupõe a 
constatação de certos vetores para se caracterizar a atipicidade material do delito. Tais vetores 
incluem o(a) 
a) reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento. 
b) desvalor relevante da conduta e do resultado. 
c) mínima periculosidade social da ação. 
d) relevante ofensividade da conduta do agente. 
e) expressiva lesão jurídica provocada 
Q36. FCC/DPE-RS/2017 
O que nos parece é que as duas dimensões do bem jurídico-penal ― a valorativa e a pragmática 
― apresentam áreas de intensa interpenetração, o que origina a tendencial convergência entre 
elevada dignidade penal e necessidade de tutela penal, assim como, inversamente, entre 
reduzida dignidade penal e desnecessidade de tutela penal. 
(CUNHA, Maria da Conceição Ferreira da. Constituição e crime: uma perspectiva da 
criminalização e da descriminalização. Porto: Universidade Católica Portuguesa Editora, 1995, 
p. 424) 
Nesse tópico, o tema central do raciocínio da jurista portuguesa radica primacialmente no 
campo da ideia constitucional de 
 a) individualização. 
 b) dignidade humana. 
 c) irretroatividade. 
 d) proporcionalidade. 
 e) publicidade. 
Q37. FAPEMS/PC-MS/2017 
Com relação aos princípios aplicáveis ao Direito Penal, em especial no que se refere ao princípio 
da adequação social, assinale a alternativa correta. 
a) O Direito Penal deve tutelar bens jurídicos mais relevantes para a vida em sociedade, sem 
levar em consideração valores exclusivamente morais ou ideológicos. 
b) só se deve recorrer ao Direito Penal se outros ramos do direito não forem suficientes. 
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c) Deve-se analisar se houve uma mínima ofensividade ao bem jurídico tutelado, se houve 
periculosidade social da ação e se há reprovabilidade relevante no comportamento do agente. 
d) Não há crime se não há lesão ou perigo real de lesão a bem jurídico tutelado pelo Direito 
Penal. 
e) Apesar de uma conduta subsumir ao modelo legal, não será considerada típica se for 
historicamente aceita pela sociedade. 
Q38. FAPEMS/PC-MS/2017 
No que diz respeito aos princípios aplicáveis ao Direito Penal, analise os textos a seguir. 
A proteção de bens jurídicos não se realiza só mediante o Direito Penal, senão que nessa missão 
cooperam todo o instrumental do ordenamento jurídico. 
ROXIN, Claus. Derecho penai- parte geral. Madrid: Civitas, 1997.1.1, p. 65. 
A criminalização de uma conduta só se legitima se constituir meio necessário para a proteção 
de ataques contra bens jurídicos importantes. 
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratada de direito penal: parte geral. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 
2014, p. 54. 
 
Nesse sentido, é correto afirmar que os textos se referem ao 
a) princípio da intervenção mínima, imputando ao Direito Penal somente fatos que escapem 
aos meios extrapenais de controle social, em virtude da gravidade da agressão e da importância 
do bem jurídico para a convivência social. 
b) princípio da insignificância, que reserva ao Direito Penal a aplicação de pena somente aos 
crimes que produzirem ataques graves a bem jurídicos protegidos por esse Direito, sendo que 
agir de forma diferente causa afronta à tipicidade material. 
c) princípio da adequação social em que as condutas previstas como ilícitas não 
necessariamente revelam-se como relevantes para sofrerem a intervenção do Estado, em 
particular quando se tornarem socialmente permitidas ou toleradas. 
d) princípio da ofensividade, pois somente se justifica a intervenção do Estado para reprimir a 
infração com aplicação de pena, quando houver dano ou perigo concreto de dano a 
determinado interesse socialmente relevante e protegido pelo ordenamento jurídico. 
e) princípio da proporcionalidade, em que somente se reserva a intervenção do Estado, quando 
for estritamente necessária a aplicação de pena em quantidade e qualidade proporcionais à 
gravidade do dano produzido e a necessária prevenção futura. 
Q39. IBADE/PC-AC/2017 
“O suicídio é um crime (assassínio) [...]. Aniquilar o sujeito da moralidade na própria pessoa é 
erradicar a existência da moralidade mesma do mundo, o máximo possível, ainda que a 
moralidade seja um fim em si mesma. Consequentemente, dispor de si mesmo como um mero 
meio para algum fim discricionário é rebaixar a humanidade na própria pessoa (homo 
noumenon), à qual o ser humano (homo phaenomenon) foi, todavia, confiado para 
preservação” (KANT, Immanuel, a Metafísica dos Costumes). 
 
A extinção da própria vida já foi objeto de sancionamento penal em diversos países. Esclarece 
Galdino Siqueira (Tratado, tomo III, p. 68) que o direito romano punia com confisco de bens o 
ato de suicidar-se para fugir a uma acusação ou à pena por outro delito. A mesma pena foi 
aplicada em França. O confisco-segundo o autor-persistia na Inglaterra no início do século XX, 
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desde que o suicídio não fosse efeito de uma desordem mental provada. Tendo por base o 
confisco de bens outrora pertencentes ao suicida - que tem herdeiros - como forma de punição 
penal, é correto afirmar que responsabilização de terceiros pela conduta de alguém viola o 
princípio penal, denominado: 
 
 a) individualização judicial da pena. 
 b) taxatividade 
 c) intranscendência. 
 d) ofensividade. 
 e) inderrogabilidade. 
Q40. IBFC/PC-PA/2017 
Expressiva parcela da doutrina sustenta a inadequação do crime de escrito ou objeto obsceno 
(art. 234 do CP) para com os princípios que instruem o direito penal democrático. Um dos focos 
dessa inadequação reside na indevida alocação do sentimento público de pudor como objeto 
da tutela jurídica. Isso representa, em tese, violação ao princípio da: 
 a) intranscendência. 
 b) culpabilidade. 
 c) taxatividade. 
 d) ofensividade. 
 e) insignificância. 
Q41. FCC/SEGEP-MA/2016 
O princípio do direito penal que possui claro sentido de garantia fundamental da pessoa, 
impedindo que alguém possa ser punido por fato que, ao tempo do seu cometimento, não 
constituía delito é 
 a) atipicidade. 
 b) reserva legal. 
 c) punibilidade. 
 d) analogia. 
 e) territorialidade. 
Q42. CESPE/DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL/2018 
Manoel praticou conduta tipificada como crime. Com a entrada em vigor de nova lei, esse tipo penal 
foi formalmente revogado, mas a conduta de Manoel foi inserida em outro tipo penal. Nessa 
situação, Manoel responderá pelo crime praticado, pois não ocorreu a abolitio criminis com a edição 
da nova lei. 
o Certo 
o Errado 
 
 
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4.9. GABARITO 
Q1. B 
Q2. C 
Q3. B 
Q4. D 
Q5. D 
Q6. C 
Q7. D 
Q8. C 
Q9. A 
Q10. B 
Q11. C 
Q12. D 
Q13. A 
Q14. D 
Q15. C 
Q16. D 
Q17. A 
Q18. C 
Q19. D 
Q20. C 
Q21. D 
Q22. ERRADA 
Q23. C 
Q24. E 
Q25. CORRETA 
Q26. C 
Q27. B 
Q28. ERRADA 
Q29. B 
Q30. D 
Q31. E 
Q32. ERRADA 
Q33. A 
Q34. D 
Q35. A 
Q36. D 
Q37. E 
Q38. A 
Q39. C 
Q40. D 
Q41. B 
Q42. CORRETA 
4.10. LISTA DE QUESTÕES COM COMENTÁRIOS 
 
Q1. FAURGS/TJ-RS/2016 
I - Em nome do princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica, a abolitio criminis e a lex 
mitior alcançam todos os fatos delitivos anteriores à sua entrada em vigor, inclusive aqueles 
previstos em legislação penal temporária ou excepcional. 
II - A lei penal brasileira é aplicável aos crimes cometidos a bordo de embarcações e aeronaves 
estrangeiras de propriedade privada que estejam localizadas no mar territorial ou sobrevoando 
o espaço aéreo brasileiro, sendo também consideradas como extensão do território nacional 
as embarcações e aeronaves brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, localizadas em 
mar territorial ou no espaço aéreo de outro país, desde que estejam a serviço do governo 
brasileiro. 
III - Segundo dispõe o princípio da consunção, quando a concretização da prática de um crime 
depende direta e necessariamente da prática de uma conduta delitiva antecedente, o juiz, no 
momento da sentença, deve afastar o reconhecimento do concurso de infrações, aplicando ao 
réu apenas a pena do crime mais grave. 
Quais estão corretas? 
 a) Apenas I. 
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 b) Apenas II. 
 c) Apenas III. 
 d) Apenas I e II. 
 e) Apenas II e III. 
Comentários 
O item I está incorreto, pois, as leis temporária e excepcional não estão sujeitas aos efeitos da abolitio 
criminis. De acordo com o art. 3º do Código Penal, embora cessadas as circunstâncias que as 
determinaram ou decorrido o prazo de sua duração, aplicam-se elas aos fatos praticados durante sua 
vigência. 
O item II está correto e é o gabarito da questão. A aplicação da norma penal no Brasil se encontra 
regulamentada pelos §§ 1º e 2º do art. 5 do Código Penal. 
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito 
internacional, ao crime cometido no território nacional. 
 § 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as 
embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro 
onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes 
ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente 
ou em alto-mar. 
 § 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou 
embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território 
nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do 
Brasil. 
O item III está incorreto. Segundo dispõe o princípio da consunção, o juiz não deve aplicar ao réu a 
pena de ambos os crimes, mas apenas do crime-fim. No caso concreto, deverá se analisar qual crime 
é o crime-meio e qual é o crime-fim, conforme jurisprudência do STJ, independentemente de qual 
seja o mais grave. 
Portanto, a alternativa B é a opção correta. 
Q2. CESPE/TJ-PB/2015 
Acerca dos princípios e fontes do direito penal, assinale a opção correta. 
a) Segundo a jurisprudência do STJ, o princípio da insignificância deve ser aplicado a casos de 
furto qualificado em que o prejuízo da vítima tenha sido mínimo. 
b) Conforme entendimento do STJ, o princípio da adequação social justificaria o arquivamento 
de inquérito policial instaurado em razão da venda de CDs e DVDs. 
c) Depreende-se do princípio da lesividade que a autolesão, via de regra, não é punível. 
d) Depreende-se da aplicação do princípio da insignificância a determinado caso que a conduta 
em questão é formal e materialmente atípica. 
e) As medidas provisórias podem regular matéria penal nas hipóteses de leis temporárias ou 
excepcionais. 
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Comentários 
A alternativa A está incorreta, haja vista que, segundo jurisprudência do STJ, existem quatro 
requisitos para a incidência do princípio da insignificância, quais sejam: mínima ofensividade da 
conduta do agente; ausência de periculosidade social da ação; reduzido grau de reprovabilidade do 
comportamento e inexpressividade da lesão jurídica causada. O furto qualificado, por mais que seja 
mais reprovável, não afasta totalmente a aplicação do princípio da insignificância, mas sua aplicação 
não é automática em caso de pequeno prejuízo, pois todos os requisitos devem ser analisados. 
Por fim, O STJ tem entendido assim: “2. Nos termos da jurisprudência pacífica deste Tribunal Superior 
a prática do delito de furto qualificado por escalada, arrombamento, rompimento de obstáculo ou 
concurso de agentes, indica a especial reprovabilidade do comportamento e afasta a aplicação do 
princípio da insignificância.” (AgRg no AREsp 1204004/MS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 
Sexta Turma, DJe 08/03/2018). 
A alternativa B está incorreta. O princípio da adequação social preconiza que o Direito Penal só deve 
considerar criminoso um fato que contrarie o sentimento de justiça da comunidade. Entretanto, 
como visto na aula, o STJ não entende aplicável o princípio no caso de falsificação de CDs e DVDs. 
A alternativa C está correta. O princípio da lesividade considera que não pode haver crime sem que 
haja conteúdo ofensivo a bens jurídicos. O Direito Penal não se ocupa em tutelar os bens jurídicos 
que envolvem a prática de autolesão. 
A alternativa D está incorreta. A aplicação do princípio da insignificância pressupõe que embora o 
fato seja típico formalmente, a lesão ou ameaça de lesão a bens jurídicos são ínfimas, por isso, sem 
relevância para o Direito Penal no que se refere à tipicidade material. 
A alternativa E está incorreta. Com a Emenda Constitucional nº 32, a matéria restou pacificada no 
âmbito constitucional. Isto porque o art. 62 da CF passou a prever o seguinte: 
Art. 62. § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: 
I – relativa a: 
(...) 
b) direito penal, processual penal e processual civil (...) 
 
Q3. FCC/TJ-SC/2015 
A afirmação de que o Direito Penal não constitui um sistema exaustivo de proteção de bens 
jurídicos, de sorte a abranger todos os bens que constituem o universo de bens do indivíduo, 
mas representa um sistema descontínuo de seleção de ilícitos decorrentes da necessidade de 
criminalizá-los ante a indispensabilidade da proteção jurídico-penal, amolda-se, mais 
exatamente, 
a) ao conceito estrito de reserva legal aplicado ao significado de taxatividade da descrição dos 
modelos incriminadores. 
b) à descrição do princípio da fragmentariedade do Direito Penal que é corolário do princípio 
da intervenção mínima e da reserva legal. 
c) à descrição do princípio da culpabilidade como fenômeno social. 
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d) ao conteúdo jurídico do princípio de humanidade relacionado ao conceito de Justiça 
distributiva. 
e) à descrição do princípio da insignificância em sua relativização na busca de mínima 
proporcionalidade entre gravidade da conduta e cominação de sanção. 
Comentários: 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão, conforme se extrai do conceito do princípio 
de fragmentariedadedo Direito Penal, que preconiza que o Direito Penal só deve criminalizar as 
condutas mais graves que sejam praticados contra os bens jurídicos mais importantes. 
 
Q4. FCC/DPE-SP/2019 
A ideologia da defesa social abarca o Princípio 
a) da proporcionalidade, segundo o qual a sanção imposta ao condenado deve ser proporcional 
à gravidade do dano social causado pela prática do delito. 
b) da finalidade, segundo o qual a pena tem a finalidade primordial de retribuir o mal causado 
pela prática do delito, não exercendo função preventiva, seja por ser incapaz de ressocializar o 
“delinquente” ou desestimular o comportamento ilícito. 
c) do bem e do mal, segundo o qual o delito é um mal necessário para a sociedade e o 
“delinquente” um elemento funcional e essencial ao sistema, pois a violação da norma faz a 
sociedade reafirmar o seu valor, reforçando a coesão social. 
d) do delito natural, segundo o qual o núcleo central dos delitos definidos nas legislações 
penais das nações civilizadas representa violação de interesses fundamentais, comuns a todos 
os cidadãos. 
e) do interesse social, segundo o qual os interesses protegidos pelo direito penal são 
essencialmente aqueles pertences à classe economicamente dominante, que detém o poder 
de definição. 
Comentários: 
É incorreta a alternativa A, considerando que o princípio da proporcionalidade não integra a 
ideologia da defesa social. 
No princípio da finalidade a função da pena não é apenas punir pelo delito cometido, mas também 
prevenir que novos delitos ocorram, estando incorreta a alternativa B. 
Para o princípio do bem e do mal, o crime consiste em um desvio na sociedade, não sendo o 
delinquente um elemento funcional ao sistema. Por isso, é incorreta a alternativa C. 
O princípio do delito natural está compreendido na ideologia da defesa social, haja vista que os 
interesses tutelados pelo Direito Penal são os direitos fundamentais, comuns a todos os cidadãos. 
Destarte, a alternativa D está correta, sendo gabarito da questão. 
A alternativa E é incorreta. No princípio do interesse social ou do delito natural, os interesses 
tutelados são comuns a todos os cidadãos, não apenas à classe economicamente dominante. 
Desse modo, a alternativa D é a correta e gabarito da questão. 
 
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Q5.FCC/TJ-AP/2014 
Desde o advento da Lei nº 8.072/1990, a vedação absoluta de progressão de regime prisional, 
originalmente instituída para os crimes hediondos ou assemelhados, comportou intenso 
debate acadêmico e jurisprudencial. Importantes vozes na doutrina desde logo repudiaram o 
regime integralmente fechado. Mas o Pleno do Supremo Tribunal Federal, então, em dois 
julgados antológicos, afastou a pecha da inconstitucionalidade (HC 69.603/SP e HC 69.657/SP), 
posicionamento que se irradiou para as outras Cortes e, desse modo, ditou a jurisprudência do 
país por mais de 13 anos. Somente em 2006 o STF rediscutiu a matéria, agora para dizer 
inconstitucional aquela vedação (HC 82.959-7/SP). A histórica reversão da jurisprudência, 
afinal, fez com que se reparasse o sistema normativo. Editou-se a Lei nº 11.464/2007 que, pese 
admitindo a progressividade na execução correspondente, todavia lhe estipulou lapsos 
diferenciados. Todo esse demorado debate mais diretamente fundou-se especialmente em um 
dado postulado de direito penal que, portanto, hoje mais que nunca estrutura o direito 
brasileiro no tópico respectivo. Precipuamente, trata-se do postulado da: 
 a) pessoalidade. 
 b) legalidade. 
 c) proporcionalidade. 
 d) individualização. 
 e) culpabilidade. 
Comentários: 
Pela inteligência do princípio da individualização, deve-se respeitar a proporção entre a conduta 
praticada e a pessoa do autor. Como visto, a individualização da pena abrange tanto a fixação de 
pena na sentença quanto seu cumprimento, com análise do mérito para progressão de regime. Deste 
modo, verifica-se que a Lei nº 8.072/1990, que instituiu a vedação absoluta de progressão de regime 
prisional para os crimes hediondos ou assemelhados, padronizou as penas para os crimes hediondos, 
evitando, assim, o legislador que, juízes individualizassem as penas de acordo com as circunstâncias 
de cada caso. 
Desse modo, a alternativa D é a correta e gabarito da questão. 
 
Q6. FUNDEP/TJ-MG/2014 
A respeito da aplicação da lei penal, assinale a alternativa INCORRETA. 
a) A revogação do complemento da lei penal em branco, quando essa for a parte essencial da 
norma, gera abolitio criminis. 
b) Em relação ao tempo do crime, nosso Código Penal adotou a teoria da atividade, 
considerando-o praticado no momento da ação ou omissão. 
c) As situações de aplicação extraterritorial da lei penal brasileira e que constituem exceções 
ao princípio geral da territorialidade (Artigo 5º) em nosso ordenamento jurídico são previstas, 
exclusivamente, no rol taxativo constante do Artigo 7º do CP. 
 d) A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração, aplica-se ao 
fato praticado durante a sua vigência. Trata-se de uma exceção ao princípio da retroatividade 
benéfica. 
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Comentários: 
A alternativa A está correta, pois, se tratando de elemento essencial do crime, a revogação do 
complemento da lei penal em branco gera abolitio criminis, em observância ao princípio da 
irretroatividade. 
A alternativa B está correta. Nosso ordenamento jurídico adotou a teoria da atividade conforme se 
constata no art. 6º do CP: 
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo 
ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. 
A alternativa C está incorreta. Este assunto foi tratado na aula inaugural, mas vale relembrá-lo. 
Embora as situações de aplicação extraterritorial da lei penal brasileira estejam previstas no Artigo 
7º do CP, não se tratam de hipóteses exclusivas, uma vez que o art. 12 prevê: 
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial, se esta 
não dispuser de modo diverso. 
Portanto, leis especiais podem prever exceções ao princípio da territorialidade. 
A alternativa D está correta. A lei excepcional e a temporária são leis ultra-ativas, conforme estipula 
o art. 3º do CP: 
 Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou 
cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua 
vigência. 
Desse modo, a alternativa C é a incorreta e gabarito da questão. 
Q7.FUNDEP/TJ-MG/2014 
A respeito dos princípios que regem o direito penal brasileiro, assinale a alternativa 
INCORRETA. 
a) O princípio da legalidade penal, do qual decorre o princípio da reserva legal, impede o uso 
dos costumes e analogia para criar tipos penais incriminadores ou agravar as infrações 
existentes. 
b) De acordo com o chamado princípio da insignificância o Direito Penal não deve se ocupar 
com assuntos irrelevantes. A aplicação de tal princípio exclui a tipicidade material da conduta. 
c) O direito penal possui natureza fragmentária, ou seja, somente protege os bens jurídicos 
mais importantes, pois os demais são protegidos pelos outros ramos do direito. 
d) O princípio da taxatividade, ao exigir lei com conteúdo determinado, resulta na proibição da 
criação de tipos penais abertos. 
Comentários: 
A alternativa D está incorreta. Há tipos abertos no nosso Direito Penal, como é o caso dos crimes 
culposos. Tipos abertos são aqueles que dependem de complementação valorativa. 
O que a doutrina exige é que, nestes casos, haja uma mínimo de determinação, sob pena de ofensa 
ao princípio da taxatividade.Desse modo, a alternativa D é a incorreta e gabarito da questão. 
 
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Q8. VUNESP/TJ-RJ/2011 
O agente que mata alguém, por imprudência, negligência ou imperícia, na direção de veículo 
automotor, comete o crime previsto no art. 302, da Lei n.º 9.503/97 (Código de Trânsito 
Brasileiro), e não o crime previsto no art. 121, § 3.º, do Código Penal. Assinale, dentre os 
princípios adiante mencionados, em qual deles está fundamentada tal afirmativa. 
 a) Princípio da consunção. 
 b) Princípio da alternatividade. 
 c) Princípio da especialidade. 
 d) Princípio da legalidade. 
Comentários: 
O princípio da especialidade preconiza que lei especial derroga lei geral. Desse modo, a alternativa 
C é a correta e gabarito da questão. 
 
Q9. FCC/TJ-MS/2010 
O princípio de intervenção mínima do Direito Penal encontra expressão: 
a) nos princípios da fragmentariedade e da subsidiariedade. 
b) na teoria da imputação objetiva e no princípio da fragmentariedade. 
c) no princípio da fragmentariedade e na proposta funcionalista. 
d) na teoria da imputação objetiva e no princípio da subsidiariedade. 
e) no princípio da subsidiariedade e na proposta funcionalista. 
Comentários: A alternativa A é a correta e gabarito da questão, pois do princípio da intervenção 
mínima decorrem os princípios da fragmentariedade e da subsidiariedade. 
 
Q10. CESPE/TJ-SE/2008 
Assinale a opção correta a respeito das penas. 
a) O princípio da transcendência estabelece que nenhuma pena passará da pessoa do 
condenado, contudo a obrigação de reparar o dano se estende aos sucessores ilimitadamente. 
b) Não haverá pena de morte, salvo em caso de guerra declarada. 
c) Não haverá penas de caráter perpétuo, de banimento, cruéis ou pecuniárias. 
d) A pena será cumprida preferencialmente em estabelecimentos distintos, de acordo com a 
natureza do delito e as condições socioeconômicas do apenado. 
e) É assegurado aos presos o respeito à integridade física, moral e material, sendo vedada pena 
que implique perda ou privação de bens. 
Comentários: 
A alternativa A está incorreta, pois, o princípio da alteridade ou da transcendentalidade determina 
que o Direito Penal não pode se ocupar de atitudes meramente internas, que não apresentem 
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potencial de lesionar o bem jurídico, não podendo ser confundido com o princípio da 
intranscendência da pena. Ademais, a obrigação de reparar o dano (assim como a perda de bens) se 
estende aos sucessores até o limite do patrimônio transferido. 
A alternativa B está correta. Observa-se o disposto no art. 5º do CF, inciso XLVII, alínea a: 
Art. 5º. XLVII - não haverá penas: 
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; 
A alternativa C está incorreta. O Código Penal prevê penas de caráter pecuniário, como, por exemplo 
as multas e a pena restritiva de direito de prestação pecuniária. Na verdade, o que a Constituição 
Federal prevê em seu art. 5º, inciso XLVII, alíneas b, c, d, e, são as seguintes exceções, além daquela 
vista na resposta da alternativa B: 
Art. 5º. XLVII - não haverá penas: 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis; 
Portanto, penas pecuniárias não são proibidas pela Constituição Federal. 
A alternativa D está incorreta, tendo em vista que a assertiva destoa do enunciado do art. 5º, inciso 
XLVIII: 
Art. 5º. XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza 
do delito, a idade e o sexo do apenado. 
A alternativa E está incorreta. É assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral, sendo 
possível a aplicação de pena que implique perda ou privação de bens. Vejamos o teor do dispositivo 
em comento: 
 Art. 5º. XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; 
Desse modo, a alternativa B é a correta e gabarito da questão. 
 
Q.11. CESP/TRF 5ª Região/2017 
Assinale a opção que apresenta princípios que devem ser observados pelas leis penais por 
expressa previsão constitucional. 
a) legalidade, irretroatividade, responsabilidade pessoal, economicidade, individualização da 
pena 
b) legalidade, irretroatividade, responsabilidade pessoal, presunção da inocência, eficiência da 
pena 
c) legalidade, irretroatividade, responsabilidade pessoal, presunção da inocência, 
individualização da pena 
d) legalidade, irretroatividade, moralidade, presunção da inocência, individualização da pena 
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e) legalidade, impessoalidade, irretroatividade, presunção da inocência, individualização da 
pena 
Comentários: 
A alternativa C é a correta e gabarito da questão, uma vez que tais princípios estão previstos na 
Constituição Federal nos seguintes dispositivos: 
 Princípio da legalidade: 
Art. 5º, XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação 
legal; 
 Princípio da irretroatividade: 
Art. 5º, XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; 
 Princípio da responsabilidade pessoal: 
Art. 5º, XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar 
o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores 
e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; 
 Princípio da presunção de inocência: 
Art. 5º, LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória; 
 Princípio da individualização da pena: 
Art. 5º, XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos; 
 
Q.12. CESP/TRF 5ª Região/2017 
No que tange aos princípios básicos do direito penal e à interpretação da lei penal, assinale a 
opção correta. 
a) Embora o princípio da legalidade proíba o juiz de criar figura típica não prevista na lei, por 
analogia ou interpretação extensiva, o julgador pode, para benefício do réu, combinar 
dispositivos de uma mesma lei penal para encontrar pena mais proporcional ao caso concreto. 
b) Do princípio da culpabilidade procede a responsabilidade penal subjetiva, que inclui, como 
pressuposto da pena, a valoração distinta do resultado no delito culposo ou doloso, 
proporcional à gravidade do desvalor representado pelo dolo ou culpa que integra a 
culpabilidade. 
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c) O princípio do ne bis idem está expressamente previsto na CF e preconiza a impossibilidade 
de uma pessoa ser sancionada ou processada duas vezes pelo mesmo fato, além de proibir a 
pluralidade de sanções de natureza administrativa sancionatórias. 
d) A infração bagatelar própria está ligada ao desvalor do resultado e (ou) da conduta e é causa 
de exclusão da tipicidade material do fato; já a imprópria exige o desvalor ínfimo da 
culpabilidade em concurso necessário com requisitos post factum que levam à desnecessidade 
da pena no caso concreto. 
e) O princípio da ofensividade ou lesividade não se presta à atividade de controle jurisdicional 
abstrata da norma incriminadora ou à função político-criminal da atividade legiferante. 
Comentários: 
A alternativa A está incorreta. A Constituição Federal em seu art. 5º, inciso XXXIV, bemcomo o 
Código Penal em seu art. 1º preveem expressamente que “não há crime sem lei anterior que o defina, 
nem pena sem prévia cominação legal”. Desta forma, em consonância com o princípio da legalidade, 
constata-se que o tipo penal, bem como a pena devem estar previstos em lei anterior formal. 
A alternativa B está incorreta, pois, na teoria finalista, atualmente adotada, o dolo e a culpa não 
integram a culpabilidade. O dolo é natural e, conforme a teoria clássica, deixa de integrar a 
culpabilidade, passando a integrar a conduta. 
A alternativa C está incorreta. O princípio do ne bis idem não é um princípio administrativo, nem 
possui previsão constitucional expressa. 
A alternativa D é a alternativa correta. A chamada bagatela própria afasta a tipicidade material da 
conduta, já a imprópria afasta a aplicação da pena, tendo em vista sua desnecessidade. 
A alternativa E está incorreta. Na verdade, o princípio da ofensividade ou lesividade se presta à 
atividade de controle jurisdicional abstrata da norma incriminadora e à função político-criminal da 
atividade legiferante, uma vez que preconiza que não pode haver crime sem que haja conteúdo 
ofensivo a bens jurídicos. 
Desse modo, a alternativa D é a correta e gabarito da questão. 
Q13. CESPE/TRF – 1ª Região/2015 
Conforme a jurisprudência do STF, o princípio da insignificância 
a) não se aplica ao crime de contrabando. 
b) não se aplica ao tráfico internacional de armas de fogo, exceto em casos que se restrinjam a 
cápsulas de munição. 
c) deve ser adotado em casos de crime de tráfico de drogas. 
d) é aplicável ainda que o agente seja reincidente ou tenha cometido o mesmo gênero de delito 
reiteradas vezes. 
e) é aplicável ao crime de roubo. 
Comentários: 
A alternativa A está correta. O STF não reconhece o princípio da insignificância tendo em vista que o 
bem juridicamente tutelado pelo tipo penal é a saúde pública, e não apenas o valor pecuniário do 
imposto não recolhido ao fisco. 
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A alternativa B está incorreta, pois, referido princípio destina-se aos fatos que apresentem os 
seguintes requisitos: mínima ofensividade da conduta, ausência de periculosidade social da ação, 
reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e inexpressividade da lesão jurídica causada. 
Não é o caso do tráfico internacional de armas e munições. Neste sentido, decidiu o STF em 
26/10/2010: “(...) III – Mostra-se irrelevante, no caso, cogitar-se da mínima ofensividade da conduta 
(em face da quantidade apreendida), ou, também, da ausência de periculosidade da ação, porque a 
hipótese é de crime de perigo abstrato, para o qual não importa o resultado concreto da ação, o que 
também afasta a possibilidade de aplicação do princípio da insignificância.” (HC 97777/MS, Rel. Min. 
Ricardo Lewandowski). 
A alternativa C está incorreta. O tráfico de drogas extrapola o potencial ofensivo aceitável para a 
aplicação do princípio. Precedentes: STJ/HC 156543 e STF/HC 88820. 
A alternativa D está incorreta. Como mencionado na aula, o próprio STF tem analisado caso a caso, 
não se entendendo que a reincidência, por si só, afasta a aplicação do princípio da insignificância. 
A alternativa E está incorreta. A prática do crime de roubo não apresenta os requisitos para a 
aplicação do mencionado princípio, principalmente no que se refere à ofensividade da conduta do 
agente. 
Desse modo, a alternativa A é a correta e gabarito da questão. 
Q14. CESPE/MPE-RR/2017 
No direito penal, o princípio da: 
a) fragmentariedade informa que o direito penal é autônomo e cuida das condutas tidas por 
ilícitas penalmente, sendo aplicável a lei penal independentemente da solução do problema 
por outros ramos do direito. 
b) irretroatividade da lei se aplica absolutamente. 
c) insignificância, segundo o entendimento do STF, pressupõe apenas três requisitos para a sua 
configuração: mínima ofensividade da conduta do agente, nenhuma periculosidade social e 
reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento. 
 d) proporcionalidade fundamenta a declaração de inconstitucionalidade de parte do art. 44 da 
Lei Antidrogas, que veda a concessão de liberdade provisória em crimes relacionados às drogas. 
Comentários: 
A alternativa A está incorreta. O princípio da fragmentariedade preconiza que o Direito Penal só deve 
criminalizar as condutas mais graves que sejam praticadas contra os bens jurídicos mais relevantes, 
enquanto o princípio da subsidiariedade determina que o direito penal apenas será utilizado quando 
os outros ramos do direito fracassarem. 
A alternativa B está incorreta, pois, o princípio da irretroatividade apresenta exceção, pois, se for 
para beneficiar o réu a lei retroage. 
A alternativa C está incorreta. O STF exige quatro requisitos para a incidência do princípio da 
insignificância, quais sejam: mínima ofensividade da conduta, ausência de periculosidade social da 
ação, reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e inexpressividade da lesão jurídica 
causada. 
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A alternativa D é a alternativa correta. O princípio da proporcionalidade possui as seguintes balizas: 
a proibição do excesso e a vedação da proteção deficiente. Desta forma, havendo sanção penal 
desproporcional estipulada pelo legislador, cabe ao juiz aplicar o princípio da proporcionalidade a 
fim de coibir o excesso. 
Desse modo, a alternativa D é a correta e gabarito da questão. 
 
Q15. CESPE/MPE-SP/2014 
No tocante aos princípios constitucionais penais, assinale a opção correta 
a) No que se refere à aplicação do princípio da insignificância, o STF tem afastado a tipicidade 
material dos fatos em que a lesão jurídica seja inexpressiva, sem levar em consideração os 
antecedentes penais do agente. 
b) O direito penal constitui um sistema exaustivo de proteção de todos os bens jurídicos do 
indivíduo, de modo a tipificar o conjunto das condutas que outros ramos do direito consideram 
antijurídicas. 
c) Uma das vertentes do princípio da proporcionalidade é a proibição de proteção deficiente, 
por meio da qual se busca impedir um direito fundamental de ser deficientemente protegido, 
seja mediante a eliminação de figuras típicas, seja pela cominação de penas inferiores à 
importância exigida pelo bem que se quer proteger. 
d) Segundo entendimento consolidado do STF, a imposição de regime disciplinar diferenciado 
ao executando ofende o princípio da individualização da pena, visto que extrapola o regime de 
cumprimento da reprimenda imposta na sentença condenatória. 
 e) Prevalece na doutrina o entendimento de que constitui ofensa ao princípio da legalidade a 
existência de leis penais em branco heterogêneas, ou seja, daquelas cujos complementos 
provenham de fonte diversa da que tenha editado a norma que deva ser complementada 
Comentários: 
A alternativa A está incorreta. O STF tem analisado caso a caso, definindo a incidência do princípio 
da insignificância de acordo com as circunstâncias do caso. 
A alternativa B está completamente errada. No Direito Penal, aplica-se o princípio da 
fragmentariedade, que preconiza que o Direito Penal só deve criminalizar as condutas mais graves 
que sejam praticadas contra os bens jurídicos mais relevantes. Aliás, o princípio da subsidiariedade, 
que também decorre do princípio da intervenção mínima, determina que o direito penal deve apenas 
ser utilizado quando os outros ramos do direito não forem eficazes na proteção de um bem jurídico. 
A alternativa C está correta. O princípio da proporcionalidade possui como baliza a proibição de 
proteção deficiente, sendo assim, o legislador não pode deixar o bem jurídico sem proteção, sob 
penade violar a norma constitucional. 
A alternativa D está incorreta. O STF não tem considerado o Regime Disciplinar Diferenciado, previsto 
na Lei de Execução Penal, contrário às normas constitucionais, nem mesmo violador do princípio da 
individualização da pena. Na verdade, parte da doutrina entende que a ofensa ocorre em relação ao 
princípio da humanidade, já que a imposição do RDD é feita de forma individualizada, de acordo com 
cada caso concreto, não havendo que se falar em ofensa à individualização da pena. 
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A alternativa E está incorreta. Ainda que haja vozes contrárias à admissão das normas penais em 
branco heterogêneas, não se trata do entendimento que prevalece na doutrina. 
Desse modo, a alternativa C é a correta e gabarito da questão. 
 
Q16. MPDFT/MPDFT/2013 
Examine os itens seguintes, indicando o CORRETO: 
a) O princípio da culpabilidade limita-se à impossibilidade de declaração de culpa sem o trânsito 
em julgado de sentença penal condenatória. 
b) O princípio da legalidade impede a aplicação de lei penal ao fato ocorrido antes do início de 
sua vigência. 
c) Integram o núcleo do princípio da estrita legalidade os seguintes postulados: reserva legal, 
proibição de aplicação de pena em hipótese de lesões irrelevantes, proibição de analogia in 
malam partem. 
d) A aplicação de pena aos inimputáveis, dada a sua incapacidade de sensibilização pela norma 
penal, viola o princípio da culpabilidade. 
e) Os princípios da insignificância penal e da adequação social se identificam, ambos 
caracterizados pela ausência de preenchimento formal do tipo penal. 
Comentários: 
A alternativa A está incorreta. A afirmativa dessa alternativa descreve o conceito do princípio da 
presunção da inocência em vez do princípio da culpabilidade. 
A alternativa B está incorreta, pois do enunciado constata-se que o conceito refere-se ao princípio 
da irretroatividade. 
A alternativa C está incorreta. Integram o núcleo do princípio da legalidade os postulados da reserva 
legal e da anterioridade. 
A alternativa D é a alternativa correta. No caso retratado há evidente desrespeito ao princípio da 
culpabilidade, uma vez que não deve haver crime sem culpabilidade. 
A alternativa E está incorreta pelo fato de que os princípios da insignificância penal e da adequação 
social não se identificam pela ausência de preenchimento formal do tipo penal. A incidência do 
princípio da insignificância exclui a tipicidade material, enquanto o princípio da adequação social 
caracteriza-se pela determinação de se proceder à releitura do tipo penal de acordo com o 
sentimento de justiça da sociedade. 
Portanto, o gabarito da questão é a alternativa D. 
 
Q17. MPE-GO/MPE-GO/2012 
Em relação as causas de exclusão da tipicidade penal, em especial o princípio da insignificância, 
assinale a alternativa correta: 
 a) O princípio da insignificância não conta com reconhecimento normativo explícito da nossa 
legislação penal, seja comum ou especial; 
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 b) Mesmo sem lei expressa o princípio da insignificância tem sido reconhecido pelos nossos 
Tribunais Superiores, em especial o STF, posto que deriva dos valores, regras e princípios 
constitucionais, que são normas cogentes do ordenamento jurídico; 
 c) Infração bagatelar imprópria é a que já nasce sem nenhuma relevância penal, ou porque 
não há desvalor da ação (não há periculosidade na conduta, isto é, idoneidade ofensiva 
relevante; ou porque não há desvalor do resultado (não se trata de ataque intolerável ao bem 
jurídico); 
 d) O princípio da insignificância confunde-se com o princípio da irrelevância penal do fato. O 
primeiro não afasta a tipicidade material, uma vez que o fato será típico (formal e 
materialmente), ilícito e culpável. O segundo possibilita o arquivamento ou o não recebimento 
da ação ou a absolvição penal nas imputações de fatos bagatelares próprios, ou seja, os que 
não possuem tipicidade material. 
Comentários: 
A alternativa A está correta. O princípio da insignificância não possui previsão normativa. 
A alternativa B está incorreta, pois, embora o princípio da insignificância tenha sido reconhecido 
pelos nossos Tribunais Superiores por derivar dos valores, regras e princípios constitucionais, os 
valores não são considerados normas cogentes. 
A alternativa C está incorreta. Infração bagatelar imprópria é reservada para os casos em que, ainda 
que a lesão ou ameaça de lesão se mostrem relevantes, incida o princípio da desnecessidade da pena. 
Deste modo, a infração possui relevância penal, mas as circunstâncias que envolvem o caso 
demonstram a prescindibilidade da pena naquele caso. 
A alternativa D está incorreta. O princípio da insignificância afasta a tipicidade material, uma vez que 
o fato será típico formalmente, ilícito e culpável. Quanto ao princípio da irrelevância penal do fato, 
este possibilita apenas o arquivamento ou o não recebimento da ação nas imputações de fatos 
bagatelares impróprios, ou seja, nos casos de desnecessidade da pena. 
Portanto, o gabarito da questão é a alternativa A. 
 
Q18. UFMT/DPE-MT/2016 
O princípio da insignificância ou da bagatela exclui a: 
a) punibilidade. 
b) executividade. 
c) tipicidade material. 
d) ilicitude formal. 
e) culpabilidade. 
 
Comentários: 
A alternativa C está correta e se trata do gabarito da questão. O princípio da bagatela afasta a 
tipicidade material da conduta pela irrelevância da lesão ou da ameaça de lesão ao bem jurídico. 
 
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Q19. MPDFT/MPDFT/2011 
É correto afirmar, no tocante aos princípios constitucionais penais: 
a) O princípio da legalidade dos crimes e das penas, sob a perspectiva do nullum crimen sine 
lege scricta, repudia o emprego da interpretação extensiva in malam partem. 
b) O uso de leis penais em branco, em sentido estrito, foi banido pelo Supremo Tribunal 
Federal, por caracterizar ofensa ao princípio da taxatividade. 
c) O princípio da reserva legal é mitigado no âmbito do direito da infância e da juventude, dada 
a inimputabilidade absoluta do menor de 18 anos de idade. 
d) O princípio da lesividade ou da ofensividade, entre outros aspectos, repele a punição do 
cidadão cuja conduta sequer se inicia. 
e) Como decorrência imediata do princípio da culpabilidade, não é possível a criminalização de 
simples estados existenciais. 
Comentários: 
A alternativa A está incorreta. O nullum crimen sine lege scricta proíbe a analogia em malam partem, 
mas não veda a interpretação extensiva in malam partem. 
A alternativa B está incorreta, haja vista que não houve o banimento de normas penais em branco 
pelo Supremo Tribunal Federal, prevalecendo o entendimento de que tais normas consistem em 
exceção ao princípio da taxatividade, como espécie de norma penal incompleta. 
A alternativa C está incorreta, haja vista inexistir mitigação ao princípio da legalidade. Inclusive, a 
legislação penal prevê expressamente a inimputabilidade do menor de 18 anos. 
A alternativa D está correta. O princípio da lesividade ou da ofensividade determina que a repressão 
penal somente se justifica se houver lesão ou ameaça de lesão a um bem jurídico. 
A alternativa E está incorreta. O princípio da culpabilidade preconiza não haver crime sem 
culpabilidade. A impossibilidade de criminalização de simples estados existenciais decorre do 
princípio da ofensividade ou lesividade. 
Portanto, o gabarito da questão é a alternativa D. 
 
Q20. MPDFT/MPDFT/2011a) A lesividade do bem jurídico protegido pela lei penal é critério de legalidade material ou 
substancial e depende da existência da lei para caracterizar o delito. 
b) A culpabilidade significa que será penalmente punido aquele que houver agido com culpa 
ou dolo o que implica adoção pelo nosso Código Penal da teoria da responsabilidade objetiva. 
c) O princípio da legalidade exige, além da previsão legal do crime e da pena anteriores ao fato 
praticado, definição de conduta e cominação balizada de punição. 
d) A proporcionalidade é regra constitucional implícita e se utiliza dos sub-princípios da 
adequação, e necessidade, à exceção no direito penal, da proporcionalidade em sentido estrito. 
e) A individualização da pena, na forma prevista na Constituição Federal, apenas se opera no 
plano judicial. 
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Comentários: 
A alternativa A está incorreta, pois a repressão penal se justifica também se houver ameaça de lesão 
a um bem jurídico e, ainda, há exceção. O crime de perigo abstrato configura-se mesmo que o bem 
jurídico não seja exposto a perigo, sendo o perigo, nestes casos, presumido. 
A alternativa B está incorreta, pois, o princípio da culpabilidade consagra a reponsabilidade subjetiva. 
A alternativa C está correta, O princípio da legalidade exige determina que deve haver lei formal e 
anterior para que o fato seja considerado crime. 
A alternativa D está incorreta. O princípio da proporcionalidade encontra aplicação integral no 
direito penal. 
A alternativa E está incorreta. O princípio da individualização da pena deve nortear o legislador na 
definição das sanções penais para os mais variados direitos, com correlação entre um e outro, e das 
normas penais que disciplinam a execução da pena. 
Portanto, o gabarito da questão é a alternativa C. 
 
Q21. FCC/DPE-MA/2015 
A proscrição de penas cruéis e infamantes, a proibição de tortura e maus-tratos nos 
interrogatórios policiais e a obrigação imposta ao Estado de dotar sua infraestrutura carcerária 
de meios e recursos que impeçam a degradação e a dessocialização dos condenados são 
desdobramentos do princípio da: 
a) proporcionalidade. 
b) intervenção mínima do Estado. 
c) fragmentariedade do Direito Penal. 
d) humanidade. 
e) adequação social. 
Comentários: 
A alternativa D está correta e se trata do gabarito da questão. O princípio da humanidade consiste 
na vedação a que o legislador adote sanções penais violadoras da dignidade da pessoa humana, 
atingindo de forma desnecessária a incolumidade físico-psíquica do agente. 
 
Q22. CESPE/DPE-PE/2015 
O Estado, para garantir a segurança dos cidadãos, deve proibir ou restringir todas aquelas ações 
que se refiram, de maneira imediata, só a quem as realize, das quais derive lesão aos direitos 
dos outros, isto é, que atinjam sua liberdade e propriedade, sem o seu consentimento ou contra 
ele, ou das que haja de temê-las provavelmente; probabilidade na qual haverá de considerar a 
dimensão do dano que se quer causar e a importância da limitação da liberdade produzida por 
lei proibitiva. 
Wilhem Von Humboldt. Los límites de la acción del estado. 1792, p. 122 (com adaptações). 
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Com relação ao fragmento de texto acima, aos princípios de direito penal e às teorias do bem 
jurídico, julgue o item a seguir. 
O fragmento em questão, seu autor, há já mais de duzentos anos, se referia ao que hoje se 
entende como princípios jurídico-penais da intranscendência e da fragmentariedade. 
o Certo 
o Errado 
Comentários: 
A assertiva está errada. No referido texto, o autor conceitua o princípio da intranscendência no 
seguinte trecho: 
“(...)O Estado, para garantir a segurança dos cidadãos, deve proibir ou restringir todas aquelas 
ações que se refiram, de maneira imediata, só a quem as realize, das quais derive lesão aos 
direitos dos outros, isto é, que atinjam sua liberdade e propriedade, sem o seu consentimento 
ou contra ele(...)” 
E se refere ao princípio da proporcionalidade ao dispor: 
“(...) probabilidade na qual haverá de considerar a dimensão do dano que se quer causar e a 
importância da limitação da liberdade produzida por lei proibitiva (...)” 
 
Q23.FCC/DPE-PB/2014 
"A terrível humilhação por que passam familiares de presos ao visitarem seus parentes 
encarcerados consiste na obrigação de ficarem nus, de agacharem diante de espelhos e 
mostrarem seus órgãos genitais para agentes públicos. A maioria que sofre esses 
procedimentos é de mães, esposas e filhos de presos. Até mesmo idosos, crianças e bebês são 
submetidos ao vexame. É princípio de direito penal que a pena não ultrapasse a pessoa do 
condenado". 
(DIAS, José Carlos. "O fim das revistas vexatórias". In: Folha de São Paulo. São Paulo: 25 de julho 
de 2014, 1o caderno, seção Tendências e Debates, p. A-3) 
Além da ideia de dignidade humana, por esse trecho o inconformismo do autor, recentemente 
publicado na imprensa brasileira, sustenta-se mais diretamente também no postulado 
constitucional da: 
a) individualização. 
b) fragmentariedade. 
c) pessoalidade. 
d) presunção de inocência. 
e) legalidade. 
A alternativa C está correta e se trata do gabarito da questão. O princípio da pessoalidade determina 
que a pena não pode passar da pessoa do condenado. 
 
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Q24.FCC/DPE-SP /2013 
Sobre a relação entre o sistema penal brasileiro contemporâneo e a Constituição Federal, é 
correto afirmar que: 
a) o princípio constitucional da humanidade das penas encontra ampla efetividade no Brasil, 
diante da adequação concreta das condições de aprisionamento aos tratados internacionais de 
direitos humanos. 
b) o princípio constitucional da legalidade restringe-se à tipificação de condutas como crimes, 
não abarcando as faltas disciplinares em execução penal. 
c) o estereótipo do criminoso não contribui para o processo de criminalização, pois violaria o 
princípio constitucional da não discriminação. 
d) a seletividade do sistema penal brasileiro, por ser um problema conjuntural, poderia ser 
resolvida com a aplicação do princípio da igualdade nas ações policiais. 
e) o princípio constitucional da intranscendência da pena não é capaz de impedir a 
estigmatização e práticas violadoras de direitos humanos de familiares de pessoas presas. 
De início, ressalto que esta questão aborda temas de criminologia, assunto tratado em outra 
disciplina. Mesmo assim, trouxe a questão para ilustrar nosso estudo, mesmo porque os conceitos 
tratados não são difíceis e podemos inclusive aprendê-los aqui, reforçando os estudos também de 
Criminologia, disciplina que deve ser estudada pelo material próprio, caso seja cobrada em seu 
concurso. 
A alternativa A está incorreta, pois a realidade nos presídios do Brasil demonstra total desrespeito 
aos tratados internacionais de direitos humanos. 
A alternativa B está incorreta, pois, o princípio da legalidade exige lei formal e anterior com descrição 
clara da figura típica, bem como como da penalidade. As faltas disciplinares graves, com influência 
na progressão de regime, estão previstas na Lei de Execução Penal, a qual determina, no seu artigo 
49, que as faltas médias e leves devem ser disciplinadas pela legislação local. 
A alternativa C está incorreta, pois, o estereótipo do criminoso contribui para o processo de 
criminalização. 
A alternativa D está incorreta. As ações policiais, tratando-se de atos de agentes públicos, possuem 
um âmbito de discricionariedade. Alémdisso, a seletividade diz respeito aos próprios tipos penais, 
sendo que o tratamento dado aos crimes praticados pela população mais pobre (furto e roubo) não 
possuem o mesmo tratamento dos crimes de colarinho branco (caso dos crimes tributários). Basta 
relembrar que os últimos possuem a possibilidade de suspensão da punibilidade e do processo no 
caso de parcelamento da dívida, enquanto sua quitação pode ensejar a extinção da punibilidade. Esta 
diferença já é referida por Michel Foucault, em seu clássico “Vigiar e Punir”: "E essa grande 
redistribuição das ilegalidades se traduzirá até por uma especialização dos circuitos judiciários; para 
as ilegalidades de bens _ para o roubo _ os tribunais ordinários e os castigos; para as ilegalidades de 
direitos _ fraudes, evasões fiscais, operações comerciais irregulares _ jurisdições especiais com 
transações, acomodações, multas atenuadas etc. A burguesia se reservou o campo fecundo da 
ilegalidade dos direitos." 
A alternativa E está correta. O princípio da intranscendência da pena não é eficaz no Brasil no que se 
refere aos familiares do prisioneiro, tendo em vista que seus direitos humanos são cotidianamente 
violados. 
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Portanto, o gabarito da questão é a alternativa E. 
 
Q25. CESPE/DPE-DF/2013 
Com relação aos conceitos, objetivos e princípios do direito penal, às penas restritivas de 
direitos, ao livramento condicional e à reincidência, julgue os itens subsecutivos. 
A versão clássica do modelo penal garantista ideal se funda sob os princípios da legalidade 
estrita, da materialidade e lesividade dos delitos, da responsabilidade pessoal, do contraditório 
entre as partes e da presunção de inocência 
o Certo 
o Errado 
Comentários: 
A assertiva está correta. Deve-se lembrar que o garantismo não exclui os princípios clássicos do 
Direito Penal, mas estipula outros para adequada garantia dos direitos fundamentais dos acusados, 
dos condenados e dos executados. Observe abaixo a enumeração de princípios elencados pelo 
Professor Luigi Ferrajoli, criador da Teoria do Garantismo: 
 
 
Q26. CESPE/DPE-TO/2013 
Considerando os princípios básicos de direito penal, assinale a opção correta. 
a) O princípio da culpabilidade impõe a subjetividade da responsabilidade penal. Logo, repudia 
a responsabilidade objetiva, derivada, tão só, de uma relação causal entre a conduta e o 
resultado de lesão ou perigo a um bem jurídico, exceto no caso dos crimes perpetrados por 
pessoas jurídicas. 
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b) Os princípios da legalidade e da irretroatividade da lei penal são aplicáveis à pena cominada 
pelo legislador, aplicada pelo juiz e executada pela administração, não sendo, todavia, esses 
princípios extensíveis às medidas de segurança, dotadas de escopo curativo e não punitivo. 
c) Constituem funções do princípio da lesividade, proibir a incriminação de atitudes internas, 
de condutas que não excedam a do próprio autor do fato, de simples estados e condições 
existenciais e de condutas moralmente desviadas que não afetem qualquer bem jurídico. 
d) O princípio da intervenção mínima não está previsto expressamente no texto constitucional 
nem pode dele ser inferido. 
e) O princípio da humanidade proíbe a instituição de penas cruéis, como a de morte e a de 
prisão perpétua, mas não a de trabalhos forçados. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. A responsabilidade objetiva, derivada, tão só, de uma relação causal 
entre a conduta e o resultado de lesão ou perigo a um bem jurídico, não é aplicada, nem mesmo no 
caso dos crimes perpetrados por pessoas jurídicas. 
A alternativa B está incorreta pelo fato de que os princípios da legalidade e da irretroatividade da lei 
penal são princípios extensíveis às medidas de segurança. 
A alternativa C é a correta e gabarito da nossa questão. Nesta alternativa há a descrição fidedigna 
do princípio da lesividade. 
A alternativa D está incorreta. Lembre-se de que o princípio da intervenção mínima não encontra 
previsão legal, mas pode ser extraído das normais constitucionais. 
Por fim, a alternativa E está incorreta, pois a Constituição também proíbe pena de trabalhos 
forçados. Vejamos o dispositivo: 
Art. 5° XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos; 
 
Q27. CESPE/DPE-TO/2013 
Sobre os princípios da legalidade e da anterioridade (artigo 1º do Código Penal) é correto 
afirmar: 
a) pelo princípio da legalidade compreende-se que ninguém responderá por um fato que a lei 
penal preveja como crime e, pelo princípio da anterioridade compreende-se que alguém 
somente responderá por crime devidamente previsto em lei que tenha entrado em vigor um 
ano anteriormente à prática da conduta; 
b) os princípios da legalidade e da anterioridade pressupõem a existência de lei anterior à 
prática de uma determinada conduta para que esta possa ser considerada como crime; 
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c) tais princípios são sinônimos e significam a necessidade da existência de lei para que uma 
conduta seja considerada crime; 
d) são incompatíveis um com o outro, já que pressupõem circunstâncias diversas; 
e) pelo princípio da anterioridade compreende-se a previsão anterior de determinada conduta 
como criminosa independentemente de definição por lei em sentido estrito. 
Comentários: 
A alternativa A está incorreta. Pelo princípio da legalidade compreende-se que deve existir lei formal 
anterior que defina o fato como crime e, pelo princípio da anterioridade compreende-se que alguém 
somente responderá por crime devidamente previsto em lei que seja anterior à prática da conduta; 
A alternativa B está correta pelo fato de que o princípio da legalidade e da anterioridade, que decorre 
do princípio da legalidade, preconiza que a lei penal deve ser anterior para incidir sobre o fato. 
A alternativa C está incorreta, posto que tais princípios não são sinônimos. Ademais, tais princípios 
determinam que a lei penal deve ser anterior para incidir sobre o fato. 
A alternativa D está incorreta, vez que não são incompatíveis, tratando-se do princípio da 
anterioridade um corolário do princípio da legalidade. 
Por fim, a alternativa E está incorreta, pois, pelo princípio da anterioridade compreende-se a 
previsão anterior de determinada conduta como criminosa, exigindo para isso, sua definição por lei 
em sentido estrito. 
 
Q28. CESPE/DPF/2013 (adaptada) 
No que diz respeito aos crimes previstos na legislação penal extravagante, julgue o item subsequente. 
 Se os crimes funcionais, previstos no art. 3.º da Lei n.º 8.137/1990, forem praticados por 
servidor contra a administração tributária, a pena imposta aumentará de um terço até a 
metade. 
( ) Certo ( ) Errado 
Comentários: 
Vejamos o que a legislação prevê: 
Art. 3° Constitui crime funcional contra a ordem tributária, além dos previstos no Decreto-Lei n° 
2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal (Título XI, Capítulo I): 
I - extraviar livro oficial, processo fiscal ou qualquer documento, de que tenha a guarda em 
razão da função; sonegá-lo, ou inutilizá-lo, total ou parcialmente, acarretando pagamento 
indevido ou inexato de tributo ou contribuição social; 
II - exigir, solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora 
da função ou antes de iniciar seu exercício,mas em razão dela, vantagem indevida; ou aceitar 
promessa de tal vantagem, para deixar de lançar ou cobrar tributo ou contribuição social, ou 
cobrá-los parcialmente. Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. 
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III - patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração fazendária, 
valendo-se da qualidade de funcionário público. Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e 
multa. 
(...) 
Art. 12. São circunstâncias que podem agravar de 1/3 (um terço) até a metade as penas 
previstas nos arts. 1°, 2° e 4° a 7°: 
I - ocasionar grave dano à coletividade; 
II - ser o crime cometido por servidor público no exercício de suas funções; 
III - ser o crime praticado em relação à prestação de serviços ou ao comércio de bens essenciais 
à vida ou à saúde. 
A própria lei já exclui o artigo 3º das causas de aumento de pena que prevê, dentre elas a de ser o 
crime praticado por servidor. 
De todo modo, um crime funcional também não poderia prever como circunstância que modifique a 
pena o fato de ser o delito praticado por funcionário público. Isto porque, se o crime já é próprio e 
exige a qualidade de funcionário público do sujeito ativo para sua configuração, a previsão do mesmo 
fato como agravante ou majorante configura bis in idem. Como sabemos, o bis in idem, neste caso a 
dupla valoração do mesmo fato para efeitos de fixação da pena, é vedado pelo Direito Penal. 
O item está incorreto. Referida situação violaria o princípio do ne bis in idem. 
Percebam que, apesar de se tratar de questão envolvendo a legislação penal extravagante, 
poderíamos solucioná-la tão-somente com o estudo dos princípios do Direito Penal. 
 
Q29. INSTITUTO CIDADES/DPE-AM/2011 
É pacífico, na doutrina e na jurisprudência, que o agente que furta objetos de valor irrisório 
deve ser absolvido com base no princípio da insignificância, uma vez que, nessas circunstâncias, 
está excluída 
a) a tipicidade formal. 
b) a tipicidade material. 
c) a ilicitude da conduta. 
d) a culpabilidade do agente. 
e) a punibilidade da conduta. 
Comentários: 
A alternativa B está correta e se trata do gabarito da questão. O princípio da insignificância afasta a 
tipicidade material. 
 
Q30. INSTITUTO CIDADES/DPE-AM/2011 
O postulado da fragmentariedade em matéria penal relativiza: 
a) a proporcionalidade entre o fato praticado e a consequência jurídica. 
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b) a dignidade humana como limite material à atividade punitiva do Estado. 
c) o concurso entre causas de aumento e diminuição de penas. 
d) a função de proteção dos bens jurídicos atribuída à lei penal. 
e) o caráter estritamente pessoal que decorre da norma penal. 
Comentários: 
A alternativa D está correta e constitui o gabarito da questão. O princípio da fragmentariedade em 
matéria penal relativiza a função de proteção dos bens jurídicos atribuídos à lei penal, determinando 
que o Direito Penal só deve criminalizar as condutas mais graves que sejam praticadas contra os bens 
jurídicos mais importantes. 
 
Q31. FCC/TCE-SP/2011 
O princípio constitucional da legalidade em matéria penal 
a) não vigora na fase de execução penal. 
b) impede que se afaste o caráter criminoso do fato em razão de causa supralegal de exclusão 
da ilicitude. 
c) não atinge as medidas de segurança. 
d) obsta que se reconheça a atipicidade de conduta em função de sua adequação social. 
e) exige a taxatividade da lei incriminadora, admitindo, em certas situações, o emprego da 
analogia. 
Comentários: 
A alternativa E está correta é o gabarito da questão. Como vimos na nossa aula introdutória, é vedada 
a analogia in malam partem, porém, admite-se a analogia quando favorecer o réu. 
 
Q32. CESPE/PG-DF/2013 
À luz das fontes do direito penal e considerando os princípios a ele aplicáveis, julgue o item 
abaixo. 
Segundo a jurisprudência do STF e do STJ, a aplicação do princípio da insignificância no direito 
penal está condicionada ao atendimento, concomitante, dos seguintes requisitos: 
primariedade do agente, valor do objeto material da infração inferior a um salário mínimo, não 
contribuição da vítima para a deflagração da ação criminosa, ausência de violência ou grave 
ameaça à pessoa. 
o Certo 
o Errado 
Comentários: 
A assertiva está errada. Apenas para relembrar, os requisitos exigidos pelo STF são: 
Mínima ofensividade da conduta do agente; 
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Ausência de periculosidade social da ação; 
Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; 
Inexpressividade da lesão jurídica causada. 
 
Q33. FUNDATEC/PC-RS/2018 
Em relação à teoria geral da norma penal, assinale a alternativa correta. 
a) Dentre os princípios gerais do Direito Penal, pode-se citar o princípio da exclusiva proteção 
de bens jurídicos e o princípio da intervenção mínima. 
b) Os princípios só podem ser explícitos, ou seja, positivados no ordenamento jurídico. 
c) O princípio da igualdade (ou da isonomia) não está previsto de maneira expressa na CF/1988. 
d) O princípio da presunção de inocência (ou da não culpa) expresso na CF/1988 no artigo 5º, 
inciso LVII, determina que "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de 
sentença penal condenatória". Destarte, não é aceitável a decretação (excepcional) de uma 
prisão temporária ou preventiva sobre alguém sobre o qual pairam indícios suficientes de 
autoria, mas que ainda não pode ser considerado culpado. 
e) O princípio da ofensividade ou lesividade (nullum crimen sine iniuria) não exige que do fato 
praticado ocorra lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. 
Comentários: 
A alternativa A está correta. Dentre os princípios gerais do Direito Penal, existe o princípio da 
exclusiva proteção de bens jurídicos, que decorre dos princípios da legalidade e da fragmentariedade. 
A alternativa B está incorreta pelo fato de que os princípios podem ser implícitos. 
A alternativa C está incorreta, vez que a Constituição Federal prevê expressamente o princípio da 
igualdade ao determinar: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos 
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, 
à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) 
A alternativa D está incorreta, posto que a prisão temporária ou preventiva é aceitável pelo 
ordenamento jurídico. Não se veda a prisão cautelar, que deve, entretanto, ser excepcional. 
A alternativa E está incorreta, pois, pelo princípio da ofensividade não pode haver crime sem que 
haja conteúdo ofensivo a bens jurídicos (lesão ou ameaça de lesão). 
 
Q34. CESPE/PC-MA/2018 
O princípio da legalidade compreende 
a) a capacidade mental de entendimento do caráter ilícito do fato no momento da ação ou da 
omissão, bem como de ciência desse entendimento. 
b) o juízo de censura que incide sobre a formação e a exteriorização da vontade do responsável 
por um fato típico e ilícito, com o propósito de aferir a necessidade de imposição de pena. 
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c) a oposição entre o ordenamento jurídico vigente e um fato típico praticado por alguém capaz 
de lesionar ou expor a perigo de lesão bens jurídicos penalmente protegidos. 
d) a obediência às formas e aos procedimentos exigidosna criação da lei penal e, 
principalmente, na elaboração de seu conteúdo normativo. 
e) a conformidade da conduta reprovável do agente ao modelo descrito na lei penal vigente no 
momento da ação ou da omissão. 
Comentários: 
A alternativa D está correta. A definição do princípio da legalidade está na assertiva da alternativa D, 
haja vista que para o Direito Penal é necessário que haja lei que descreva a conduta, bem como a 
pena. 
 
Q35. CESPE/PCJ-MT/2017 
De acordo com o entendimento do STF, a aplicação do princípio da insignificância pressupõe a 
constatação de certos vetores para se caracterizar a atipicidade material do delito. Tais vetores 
incluem o(a) 
a) reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento. 
b) desvalor relevante da conduta e do resultado. 
c) mínima periculosidade social da ação. 
d) relevante ofensividade da conduta do agente. 
e) expressiva lesão jurídica provocada 
Comentários: 
A alternativa A está correta. Segundo o STF, os vetores do princípio da insignificância são: mínima 
ofensividade da conduta do agente; ausência de periculosidade social da ação; reduzido grau de 
reprovabilidade do comportamento e inexpressividade da lesão jurídica causada. Trata-se do 
acróstico mnemônico MARI. 
 
Q36. FCC/DPE-RS/2017 
O que nos parece é que as duas dimensões do bem jurídico-penal ― a valorativa e a pragmática 
― apresentam áreas de intensa interpenetração, o que origina a tendencial convergência entre 
elevada dignidade penal e necessidade de tutela penal, assim como, inversamente, entre 
reduzida dignidade penal e desnecessidade de tutela penal. 
(CUNHA, Maria da Conceição Ferreira da. Constituição e crime: uma perspectiva da 
criminalização e da descriminalização. Porto: Universidade Católica Portuguesa Editora, 1995, 
p. 424) 
Nesse tópico, o tema central do raciocínio da jurista portuguesa radica primacialmente no 
campo da ideia constitucional de 
 a) individualização. 
 b) dignidade humana. 
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 c) irretroatividade. 
 d) proporcionalidade. 
 e) publicidade. 
Comentários: 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. O princípio da proporcionalidade consiste na 
limitação da ação estatal, com base nos critérios da necessidade e da adequação, ponderando-se os 
meios utilizados e os fins pretendidos. 
 
Q37. FAPEMS/PC-MS/2017 
Com relação aos princípios aplicáveis ao Direito Penal, em especial no que se refere ao princípio 
da adequação social, assinale a alternativa correta. 
a) O Direito Penal deve tutelar bens jurídicos mais relevantes para a vida em sociedade, sem 
levar em consideração valores exclusivamente morais ou ideológicos. 
b) só se deve recorrer ao Direito Penal se outros ramos do direito não forem suficientes. 
c) Deve-se analisar se houve uma mínima ofensividade ao bem jurídico tutelado, se houve 
periculosidade social da ação e se há reprovabilidade relevante no comportamento do agente. 
d) Não há crime se não há lesão ou perigo real de lesão a bem jurídico tutelado pelo Direito 
Penal. 
e) Apesar de uma conduta subsumir ao modelo legal, não será considerada típica se for 
historicamente aceita pela sociedade. 
Comentários: 
A alternativa A está incorreta, pois, nela há a definição do princípio da lesividade e da 
fragmentariedade. 
A alternativa B está incorreta pelo fato de que o conceito descrito se refere ao princípio da 
subsidiariedade. 
A alternativa C está incorreta, uma vez que descreve os requisitos para a incidência do princípio da 
insignificância. 
A alternativa D está incorreta, a assertiva descreve o princípio da ofensividade. 
A alternativa E está correta, pois, pelo princípio da adequação social só deve considerar criminoso 
um fato que contrarie o sentimento de justiça da comunidade. 
 
Q38. FAPEMS/PC-MS/2017 
No que diz respeito aos princípios aplicáveis ao Direito Penal, analise os textos a seguir. 
A proteção de bens jurídicos não se realiza só mediante o Direito Penal, senão que nessa missão 
cooperam todo o instrumental do ordenamento jurídico. 
ROXIN, Claus. Derecho penai- parte geral. Madrid: Civitas, 1997.1.1, p. 65. 
A criminalização de uma conduta só se legitima se constituir meio necessário para a proteção 
de ataques contra bens jurídicos importantes. 
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BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratada de direito penal: parte geral. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 
2014, p. 54. 
 
Nesse sentido, é correto afirmar que os textos se referem ao 
a) princípio da intervenção mínima, imputando ao Direito Penal somente fatos que escapem 
aos meios extrapenais de controle social, em virtude da gravidade da agressão e da importância 
do bem jurídico para a convivência social. 
b) princípio da insignificância, que reserva ao Direito Penal a aplicação de pena somente aos 
crimes que produzirem ataques graves a bem jurídicos protegidos por esse Direito, sendo que 
agir de forma diferente causa afronta à tipicidade material. 
c) princípio da adequação social em que as condutas previstas como ilícitas não 
necessariamente revelam-se como relevantes para sofrerem a intervenção do Estado, em 
particular quando se tornarem socialmente permitidas ou toleradas. 
d) princípio da ofensividade, pois somente se justifica a intervenção do Estado para reprimir a 
infração com aplicação de pena, quando houver dano ou perigo concreto de dano a 
determinado interesse socialmente relevante e protegido pelo ordenamento jurídico. 
e) princípio da proporcionalidade, em que somente se reserva a intervenção do Estado, quando 
for estritamente necessária a aplicação de pena em quantidade e qualidade proporcionais à 
gravidade do dano produzido e a necessária prevenção futura. 
Comentários: 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. O princípio da intervenção mínima preconiza 
que só deve criminalizar conduta se houver necessidade para a proteção do bem jurídico. O Direito 
Penal só deve atuar se os outros meios de controle social forem insuficientes, possuindo, portanto, 
caráter subsidiário, de ultima ratio. 
 
Q39. IBADE/PC-AC/2017 
“O suicídio é um crime (assassínio) [...]. Aniquilar o sujeito da moralidade na própria pessoa é 
erradicar a existência da moralidade mesma do mundo, o máximo possível, ainda que a 
moralidade seja um fim em si mesma. Consequentemente, dispor de si mesmo como um mero 
meio para algum fim discricionário é rebaixar a humanidade na própria pessoa (homo 
noumenon), à qual o ser humano (homo phaenomenon) foi, todavia, confiado para 
preservação” (KANT, Immanuel, a Metafísica dos Costumes). 
 
A extinção da própria vida já foi objeto de sancionamento penal em diversos países. Esclarece 
Galdino Siqueira (Tratado, tomo III, p. 68) que o direito romano punia com confisco de bens o 
ato de suicidar-se para fugir a uma acusação ou à pena por outro delito. A mesma pena foi 
aplicada em França. O confisco – segundo o autor – persistia na Inglaterra no início do século 
XX, desde que o suicídio não fosse efeito de uma desordem mental provada. Tendo por base o 
confisco de bens outrora pertencentes ao suicida - que tem herdeiros - como forma de punição 
penal, é correto afirmar que responsabilização de terceiros pela conduta de alguém viola o 
princípio penal, denominado: 
 
 a) individualização judicial da pena. 
 b) taxatividade 
 c) intranscendência. 
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 d) ofensividade. 
 e) inderrogabilidade. 
 Comentários: 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. O princípio da intranscendênciada pena 
preconiza que a pena não pode passar da pessoa do condenado. 
 
Q40. IBFC/PC-PA/2017 
Expressiva parcela da doutrina sustenta a inadequação do crime de escrito ou objeto obsceno 
(art. 234 do CP) para com os princípios que instruem o direito penal democrático. Um dos focos 
dessa inadequação reside na indevida alocação do sentimento público de pudor como objeto 
da tutela jurídica. Isso representa, em tese, violação ao princípio da: 
 a) intranscendência. 
 b) culpabilidade. 
 c) taxatividade. 
 d) ofensividade. 
 e) insignificância. 
Comentários: 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. O princípio da ofensividade determina que 
nenhum delito pode existir sem que ofenda o bem jurídico tutelado pela norma penal (nullum crime 
sine injuria), seja com lesão ou ameaça de lesão. 
 
Q41. FCC/SEGEP-MA/2016 
O princípio do direito penal que possui claro sentido de garantia fundamental da pessoa, 
impedindo que alguém possa ser punido por fato que, ao tempo do seu cometimento, não 
constituía delito é 
 a) atipicidade. 
 b) reserva legal. 
 c) punibilidade. 
 d) analogia. 
 e) territorialidade. 
Comentários: 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. O princípio da legalidade preconiza que não 
há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. 
Q42. CESPE/DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL/2018 
Manoel praticou conduta tipificada como crime. Com a entrada em vigor de nova lei, esse tipo penal 
foi formalmente revogado, mas a conduta de Manoel foi inserida em outro tipo penal. Nessa 
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situação, Manoel responderá pelo crime praticado, pois não ocorreu a abolitio criminis com a edição 
da nova lei. 
o Certo 
o Errado 
 
Comentários: 
O item está correto. 
É exatamente o que prescreve o princípio da continuidade normativo-típica. Caso haja a revogação 
da norma que previa determinado crime, mas a conduta continue incriminada em outro dispositivo 
legal, não há abolitio criminis. Foi o que aconteceu com a revogação do tipo penal do atentado 
violento ao pudor, que passou a ser abrangido pelo estupro. Não houve extinção da punibilidade dos 
condenados anteriormente pelo crime revogado, já que a conduta continuou sendo punível. 
 
4.11. QUESTÃO DISSERTATIVA 
Q1. MPSP/MPSP/2012/Promotor de Justiça Substituto 
É aplicável o perdão judicial aos crimes de homicídio e lesão corporal praticados na direção de 
veículo automotor? 
Comentários: 
De início, observo que a questão envolve legislação penal extravagante, mas pode ser resolvida com 
base nos princípios estudados nesta aula. Ademais, o enunciado se refere a exemplo utilizado neste 
material para explicação da bagatela imprópria, com aplicação do princípio da desnecessidade da 
pena e da irrelevância penal do fato. 
Além da bagatela própria, referente ao princípio da insignificância, existe a chamada bagatela 
imprópria, reservada para aqueles casos em que, ainda que a lesão ou ameaça de lesão se mostrem 
relevantes, incida o princípio da desnecessidade da pena. São casos em que há uma lesão ou ameaça 
de lesão significativa a um bem jurídico, mas as circunstâncias que envolvem o caso demonstram que 
a pena é prescindível naquele caso. 
Ainda que o perdão judicial, no caso de homicídio e lesão corporal, esteja previsto no Código Penal, 
sem igual previsão no Código de Trânsito Brasileiro, não há vedação à analogia in bonam partem, isto 
é, para beneficiar o réu. Deste modo, a previsão do artigo 121, § 5º, e do artigo 129, § 8º, pode ser 
aplicada aos crimes previstos em legislação penal extravagante, se possível a analogia, como é o caso 
de homicídio e lesão corporal culposos praticados na direção de veículo automotor. 
Ademais, o Superior Tribunal de Justiça tem admitido esta possibilidade, como se nota do seguinte 
precedente: 
“HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NÃO CABIMENTO. EMBRIAGUEZ AO 
VOLANTE. PERDÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA 
DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO 1. Diante da hipótese de 
habeas corpus substitutivo de recurso próprio, a impetração não deve ser conhecida, segundo 
orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal e deste Superior Tribunal de Justiça. 
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Contudo, ante as alegações expostas na inicial, afigura-se razoável a análise do feito para 
verificar a existência de eventual constrangimento ilegal. 2. Estipula o Código Penal, em seu art. 
107, inciso IX, que se extingue a punibilidade "pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei". 
Desse modo, somente será possível a aplicação do instituto se houver expressa previsão legal 
para a hipótese em comento. In casu, o voto minoritário do colegiado a quo foi proferido no 
sentido da aplicabilidade do instituto do perdão judicial à espécie, "nos termos do art. 129, § 
8º, combinado com o art. 121, § 5º, do Código Penal". De fato, ainda que o Código de Trânsito 
não preveja expressamente hipóteses de perdão judicial, entende-se que o diploma admite a 
aplicação analógica do instituto aos delitos de homicídio e lesão corporal, ambos na 
modalidade culposa, por inteligência das razões de veto apostas ao diploma. Na espécie, 
todavia, o delito de trânsito imputado ao paciente é o de condução de veículo automotor sob 
influência de álcool, para o qual não se encontra previsão legal de aplicação do perdão judicial 
Habeas corpus não conhecido.” (STJ, HC 359018/RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, 
DJe 10/10/2016). 
5. DESTAQUES DA LEGISLAÇÃO E DA JURISPRUDÊNCIA 
Neste ponto da aula, citamos, para fins de revisão, os principais dispositivos de lei e entendimentos 
jurisprudenciais que podem fazer a diferença na hora da prova. Lembre-se de revisá-los! 
 
 art. 1, III, da CF: dignidade da pessoa humana 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e 
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como 
fundamentos: 
(...) 
III - a dignidade da pessoa humana; 
(...) 
 art. 11, 1 do Pacto de São José da Costa Rica: reconhecimento da dignidade pelo sistema regional 
de proteção dos Direitos Humanos 
Artigo 11 - Proteção da honra e da dignidade 
1. Toda pessoa tem direito ao respeito da sua honra e ao reconhecimento de sua dignidade. (...) 
 art. 5°, inciso XLVII da CF: efeitos do princípio da dignidade humana 
XLVII – não haverá penas: 
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis; 
 art. 5°, inciso LXIII da CF: outras consequências do princípio da dignidade 
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LXIII – o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-
lhe assegurada a assistência da família e de advogado. 
 art. 5°, inciso LIV da CF: princípio do devido processo legal 
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. 
 art. 8° do Pacto de São José da Costa Rica: princípio do devido processo legal 
Art. 8 - Garantias judiciais 
1. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo 
razoável, por um juiz ou Tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido 
anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou na 
determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil, trabalhista, fiscal oude qualquer 
outra natureza. 
 art. 5°, inciso XXXIX da CF: princípio da legalidade 
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. 
 art. 1° do Código Penal: princípio da legalidade 
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. 
 art. 9° do Pacto de São José da Costa Rica: princípio da legalidade 
Artigo 9º - Ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que, no momento em que 
foram cometidos, não constituam delito, de acordo com o direito aplicável. Tampouco poder-
se-á impor pena mais grave do que a aplicável no momento da ocorrência do delito. Se, depois 
de perpetrado o delito, a lei estipular a imposição de pena mais leve, o deliquente deverá dela 
beneficiar-se. 
 art. 62, §1° da CF: vedação de edição de medida provisória prevendo crimes 
Art. 62, § 1º: É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: 
I – relativa a: 
(...) 
b) direito penal, processual penal e processual civil (...) 
 RE 254.818/STF: sobre medidas provisórias e normas penais não inscriminadoras (antes da EC 
32/2001) 
EMENTA: I. Medida provisória: sua inadmissibilidade em matéria penal - extraída pela doutrina 
consensual - da interpretação sistemática da Constituição -, não compreende a de normas 
penais benéficas, assim, as que abolem crimes ou lhes restringem o alcance, extingam ou 
abrandem penas ou ampliam os casos de isenção de pena ou de extinção de punibilidade. II. 
Medida provisória: conversão em lei após sucessivas reedições, com cláusula de "convalidação" 
dos efeitos produzidos anteriormente: alcance por esta de normas não reproduzidas a partir de 
uma das sucessivas reedições. III. MPr 1571-6/97, art. 7º, § 7º, reiterado na reedição 
subseqüente (MPr 1571-7, art. 7º, § 6º), mas não reproduzido a partir da reedição seguinte 
(MPr 1571-8 /97): sua aplicação aos fatos ocorridos na vigência das edições que o continham, 
por força da cláusula de "convalidação" inserida na lei de conversão, com eficácia de decreto-
legislativo. (STF, RE 254/818/PR, Relator(a): Min. Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, 
Julgamento: 08/11/2000) 
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 RHC 117566/STF: sobre medidas provisórias e normas penais não inscriminadoras (antes da EC 
32/2001) 
PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME DE POSSE IRREGULAR DE ARMA DE 
FOGO (ART. 12 DA LEI Nº 10.826/2003). ARMA DESMUNICIADA. TIPICIDADE. CRIME DE MERA 
CONDUTA OU PERIGO ABSTRATO. PRECEDENTES. TUTELA DA SEGURANÇA PÚBLICA E DA PAZ 
SOCIAL. ABOLITIO CRIMINIS TEMPORÁRIA (ARTS. 30 E 32 DA LEI N. 10.826/03). NÃO 
INCIDÊNCIA. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS DESPROVIDO. 1. A arma de fogo mercê 
de desmuniciada mas portada sem autorização e em desacordo com determinação legal ou 
regulamentar configura o delito de porte ilegal previsto no art. 10, caput, da Lei nº 9.437/1997, 
crime de mera conduta e de perigo abstrato. 2. Deveras, o delito de porte ilegal de arma de 
fogo tutela a segurança pública e a paz social, e não a incolumidade física, sendo irrelevante o 
fato de o armamento estar municiado ou não. Tanto é assim que a lei tipifica até mesmo o porte 
da munição, isoladamente. Precedentes: HC 104206/RS, rel. Min. Cármen Lúcia, 1ª Turma, DJ 
de 26/8/2010; HC 96072/RJ, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 1ª Turma, Dje de 8/4/2010; RHC 
91553/DF, rel. Min. Carlos Britto, 1ª Turma, DJe de 20/8/2009. 3. In casu, o recorrente foi 
autuado em flagrante, porquanto em cumprimento de mandados de busca e apreensão e de 
prisão expedidos em seu desfavor, foi encontrada em sua residência um revólver calibre 38, 
marca Rossi, em desacordo com a determinação legal ou regulamentar. 4. Os artigos 30 e 32 
da Lei 10.826/2003 estabeleceram o prazo de 180 (cento e oitenta) dias para os possuidores e 
proprietários de armas de fogo as regularizarem ou as entregarem às autoridades competentes, 
descriminalizando, temporariamente, as condutas típicas de “possuir ou ser proprietário” de 
arma de fogo. Esse período iniciou-se em 23 de dezembro de 2003 e encerrou-se no dia 23 de 
junho de 2005, sendo, posteriormente, prorrogado até 23/10/2005, conforme Medida 
Provisória 253/2005, e estendido até 31 de dezembro de 2008, nos termos da Medida Provisória 
417/2008, convertida na Lei 11.706/2008. A Lei 11.922/2009, prorrogou, novamente, este 
prazo para 31 de dezembro de 2009. 5. No caso sub examine, a arma foi encontrada em poder 
do paciente em 27/4/2010, portanto, posteriormente, as sucessivas prorrogações legais para a 
entrega espontânea ou regularização das armas de fogo em desacordo com a previsão legal e 
que descriminalizaram temporariamente a conduta de possuir arma de fogo de uso permitido, 
por isso não houve a abolitio criminis para a conduta imputada ao recorrente. 6. Recurso 
ordinário em habeas corpus desprovido. (STF, RHC 117566/SP, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira 
Turma, Julgamento em 24/09/2013)” 
 art. 68, §1° da CF: vedação de que lei delegada preveja crimes 
Art. 68 (...) 
 § 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, 
os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria 
reservada à lei complementar, nem a legislação sobre: 
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais 
 art. 8°, da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1989: princípio da intervenção 
mínima. 
Art. 8º. A lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias e ninguém 
pode ser punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e 
legalmente aplicada. 
 HC 104.467/STF: sobre a não incidência do princípio da insignificância 
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HABEAS CORPUS. CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL PENAL. CASA DE PROSTITUIÇÃO. APLICAÇÃO 
DOS PRINCÍPIOS DA FRAGMENTARIEDADE E DA ADEQUAÇÃO SOCIAL: IMPOSSIBILIDADE. 
CONDUTA TÍPICA. CONSTRANGIMENTO NÃO CONFIGURADO. 1. No crime de manter casa de 
prostituição, imputado aos Pacientes, os bens jurídicos protegidos são a moralidade sexual e os 
bons costumes, valores de elevada importância social a serem resguardados pelo Direito Penal, 
não havendo que se falar em aplicação do princípio da fragmentariedade. 2. Quanto à aplicação 
do princípio da adequação social, esse, por si só, não tem o condão de revogar tipos penais. Nos 
termos do art. 2º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (com alteração da Lei n. 
12.376/2010), ‘não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a 
modifique ou revogue’. 3. Mesmo que a conduta imputada aos Pacientes fizesse parte dos 
costumes ou fosse socialmente aceita, isso não seria suficiente para revogar a lei penal em 
vigor. 4. Habeas corpus denegado. (STF, HC 104.467/RS, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe 
09/03/2011). 
 art. 5°, inciso XLVI da CF: princípio da individualização da pena 
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos. 
 HC 97.256/STF: a incidência do Princípio da individualização da pena 
EMENTA: HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. ART. 44 DA LEI 11.343/2006: 
IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE EM PENA RESTRITIVA DE 
DIREITOS. DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA À GARANTIA 
CONSTITUCIONAL DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA (INCISO XLVI DO ART. 5º DA CF/88). ORDEM 
PARCIALMENTE CONCEDIDA. 1. O processo de individualização da pena é um caminhar no rumo 
da personalização da resposta punitiva do Estado, desenvolvendo-se em trêsmomentos 
individuados e complementares: o legislativo, o judicial e o executivo. Logo, a lei comum não 
tem a força de subtrair do juiz sentenciante o poder-dever de impor ao delinqüente a sanção 
criminal que a ele, juiz, afigurar-se como expressão de um concreto balanceamento ou de uma 
empírica ponderação de circunstâncias objetivas com protagonizações subjetivas do fato-tipo. 
Implicando essa ponderação em concreto a opção jurídico-positiva pela prevalência do razoável 
sobre o racional; ditada pelo permanente esforço do julgador para conciliar segurança jurídica 
e justiça material. (...) 5. Ordem parcialmente concedida tão-somente para remover o óbice da 
parte final do art. 44 da Lei 11.343/2006, assim como da expressão análoga “vedada a 
conversão em penas restritivas de direitos”, constante do § 4º do art. 33 do mesmo diploma 
legal. Declaração incidental de inconstitucionalidade, com efeito ex nunc, da proibição de 
substituição da pena privativa de liberdade pela pena restritiva de direitos; determinando-se ao 
Juízo da execução penal que faça a avaliação das condições objetivas e subjetivas da convolação 
em causa, na concreta situação do paciente. (STF, HC 97.256, Rel. Min. Ayres Brito, Pleno, DJ 
16/12/2010) 
 HC 111.840/STF: a incidência do Princípio da individualização da pena 
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Habeas corpus. Penal. Tráfico de entorpecentes. Crime praticado durante a vigência da Lei nº 
11.464/07. Pena inferior a 8 anos de reclusão. Obrigatoriedade de imposição do regime inicial 
fechado. Declaração incidental de inconstitucionalidade do § 1º do art. 2º da Lei nº 8.072/90. 
Ofensa à garantia constitucional da individualização da pena (inciso XLVI do art. 5º da CF/88). 
Fundamentação necessária (CP, art. 33, § 3º, c/c o art. 59). Possibilidade de fixação, no caso em 
exame, do regime semiaberto para o início de cumprimento da pena privativa de liberdade. 
Ordem concedida. (...) 5. Ordem concedida tão somente para remover o óbice constante do § 
1º do art. 2º da Lei nº 8.072/90, com a redação dada pela Lei nº 11.464/07, o qual determina 
que “[a] pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime fechado“. 
Declaração incidental de inconstitucionalidade, com efeito ex nunc, da obrigatoriedade de 
fixação do regime fechado para início do cumprimento de pena decorrente da condenação por 
crime hediondo ou equiparado.” (STF, HC 111.840, Rel. Min. Dias Toffoli, Pleno, DJ 17/12/2013) 
 art. 66 do Código Penal: aplicação do princípio da coculpabilidade ou da corresponsabilidade 
Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou 
posterior ao crime, embora não prevista expressamente em lei 
 art. 5°, inciso XLV da CF: princípio da pessoalidade ou da personalidade 
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano 
e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra 
eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; 
 art. 98, inciso I da CF: princípio da proporcionalidade 
Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão: 
I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a 
conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações 
penais de menor potencial ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumariíssimo, 
permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos por turmas 
de juízes de primeiro grau; 
 art. 5°, inciso LVII da CF: princípio da presunção de inocência 
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória, 
 art. 8° do Código Penal: princípio da vedação da dupla punição pelo mesmo fato 
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, 
quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. 
 art. 20, 1 do Estatuto de Roma: princípio da vedação da dupla punição pelo mesmo fato 
1. Salvo disposição contrária do presente Estatuto, nenhuma pessoa poderá ser julgada pelo 
Tribunal por atos constitutivos de crimes pelos quais este já a tenha condenado ou absolvido. 
 art. 5°, inciso XL da CF: princípio da irretroatividade 
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. 
 HC 116.242/STF: requisitos para a incidência do princípio da insignificância 
Ementa: PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. CONTRABANDO (ART. 334, § 1º, C, DO 
CP). PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. NECESSIDADE, OU NÃO, DA PRÉVIA 
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CONCLUSÃO DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL ANTES DA PROPOSITURA DA AÇÃO 
PENAL. MATÉRIA NÃO SUBMETIDA À APRECIAÇÃO DAS INSTÂNCIAS PRECEDENTES. SUPRESSÃO 
DE INSTÂNCIA. VEDAÇÃO. ORDEM DENEGADA. 1. O princípio da insignificância incide quando 
presentes, cumulativamente, as seguintes condições objetivas: (a) mínima ofensividade da 
conduta do agente, (b) nenhuma periculosidade social da ação, (c) grau reduzido de 
reprovabilidade do comportamento, e (d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. 2. A 
aplicação do princípio da insignificância deve, contudo, ser precedida de criteriosa análise de 
cada caso, a fim de evitar que sua adoção indiscriminada constitua verdadeiro incentivo à 
prática de pequenos delitos patrimoniais. 3. No crime de descaminho, o princípio da 
insignificância deve ser aplicado quando o valor do tributo sonegado for inferior a R$ 10.000,00 
(dez mil reais), limite estabelecido no artigo 20 da Lei 10.522/02, na redação conferida pela Lei 
11.033/04, para o arquivamento de execuções fiscais. Todavia, ainda que o quantum do tributo 
não recolhido aos cofres públicos seja inferior a este patamar, não é possível a aplicação do 
aludido princípio quando tratar-se de crime de contrabando, tendo vem vista que, neste delito, 
não há apenas uma lesão ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, mas também a outros 
interesses públicos. Precedentes: HC 110.841, Segunda Turma, Relatora a Ministra Cármen 
Lúcia, DJe de 14.12.12; HC 110.964, Segunda Turma, Relator o Ministro Gilmar Mendes, DJe de 
02.04.12; HC 100.367, Primeira Turma, Relator o Ministro Luiz Fux, DJe de 08.09.11. 4. In casu, 
conforme decidido pelas instâncias precedentes, a conduta praticada pelo paciente – ingressar 
no território nacional com 585 (quinhentos e oitenta e cinco) litros de gasolina proveniente da 
Venezuela, sem recolher aos cofres públicos o respectivo tributo, com o finalidade de revenda – 
amolda-se ao tipo de contrabando, provocando, além da lesão ao erário, violação à “política 
pública no país na área de energia, onde são reguladas produção, refino, distribuição e venda 
de combustíveis derivados do petróleo”. 5. Destarte, em que pese o valor do tributo sonegado 
ser inferior ao limite estabelecido no artigo 20 da Lei 10.522/02, na redação conferida pela Lei 
11.033/04, não é possível aplicar-se o princípio da insignificância, porquanto trata-se de crime 
de contrabando. 6. A instauração de procedimento administrativo fiscal antes da propositura 
da ação penal sobre ser ou não necessária não foi submetida à apreciação das instâncias 
precedentes, razão pela qual é inviável o conhecimento do habeas corpus neste ponto, sob pena 
de supressão de instância. Precedentes: HC 100.616, Segunda Turma, Relator o Ministro 
Joaquim Barbosa, DJ de 14.03.11, HC 103.835, Primeira Turma, Relator o Ministro Ricardo 
Lewandowski, DJ de 08.02.11). 7. Ordem denegada. 
 Súmula 589 do STJ: a incidência do princípio da insignificância nos crimes praticados contra as 
mulheres. 
Éinaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais praticados contra 
a mulher no âmbito das relações domésticas. 
 Súmula 599 do STJ: a incidência do princípio da insignificância nos crimes praticados contra A 
Administração Pública. 
O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a Administração Pública. 
 HC 112.388/STF: aplicação do princípio da insignificância de delito praticado contra a 
Administração Pública 
AÇÃO PENAL. Delito de peculato-furto. Apropriação, por carcereiro, de farol de milha que 
guarnecia motocicleta apreendida. Coisa estimada em treze reais. Res furtiva de valor 
insignificante. Periculosidade não considerável do agente. Circunstâncias relevantes. Crime de 
bagatela. Caracterização. Dano à probidade da administração. Irrelevância no caso. Aplicação 
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do princípio da insignificância. Atipicidade reconhecida. Absolvição decretada. HC concedido 
para esse fim. Voto vencido. Verificada a objetiva insignificância jurídica do ato tido por 
delituoso, à luz das suas circunstâncias, deve o réu, em recurso ou habeas corpus, ser absolvido 
por atipicidade do comportamento.” (STF, HC 112.388/SP, Rel. p/ acórdão Min. Cezar Peluso, 
Segunda Turma, Julgamento: 21/08/2012. 
 HC 121.717/STF: aplicação do princípio da insignificância de delito praticado contra a 
Administração Pública 
EMENTA HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL E DIREITO PENAL. DESCAMINHO. IMPETRAÇÃO 
CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. INADMISSIBILIDADE 
DO WRIT. VALOR INFERIOR AO ESTIPULADO PELO ART. 20 DA LEI 10.522/2002. PORTARIAS 75 
E 130/2012 DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE. 1. 
Há óbice ao conhecimento de habeas corpus impetrado contra decisão monocrática do Superior 
Tribunal de Justiça, cuja jurisdição não se esgotou. Precedentes. 2. A pertinência do princípio da 
insignificância deve ser avaliada considerando-se todos os aspectos relevantes da conduta 
imputada. 3. Para crimes de descaminho, considera-se, para a avaliação da insignificância, o 
patamar previsto no art. 20 da Lei 10.522/2002, com a atualização das Portarias 75 e 130/2012 
do Ministério da Fazenda. Precedentes. 4. Descaminho envolvendo elisão de tributos federais 
em quantia pouco superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) enseja o reconhecimento da 
atipicidade material do delito dada a aplicação do princípio da insignificância. 5. Habeas corpus 
extinto sem resolução de mérito. Ordem concedida de ofício para reconhecer a atipicidade da 
conduta imputada à paciente, com o consequente trancamento da ação penal na origem.” (STF, 
HC 121717/PR, Rel. Min. Rosa Weber, Primeira Turma, Julgamento: 03/06/2014). 
 REsp 1688878/STJ: aplicação do princípio da insignificância de delito praticado contra a 
Administração Pública 
RECURSO ESPECIAL. PROPOSTA DE AFETAÇÃO PARA FINS DE REVISÃO DO TEMA N. 157. 
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA AOS CRIMES TRIBUTÁRIOS FEDERAIS E DE 
DESCAMINHO, CUJO DÉBITO NÃO EXCEDA R$ 10.000,00 (DEZ MIL REAIS). ART. 20 DA LEI N. 
10.522/2002. ENTENDIMENTO QUE DESTOA DA ORIENTAÇÃO CONSOLIDADA NO STF, QUE TEM 
RECONHECIDO A ATIPICIDADE MATERIAL COM BASE NO PARÂMETRO FIXADO NAS PORTARIAS 
N. 75 E 130/MF - R$ 20.000,00 (VINTE MIL REAIS). AFETADO O RECURSO PARA FINS DE 
ADEQUAÇÃO DO ENTENDIMENTO. Considerando os princípios da segurança jurídica, da 
proteção da confiança e da isonomia, nos termos do art. 927, § 4º, do Código de Processo Civil, 
afetou-se recurso especial para fins de revisão da tese fixada no REsp n. 1.112.748/TO 
(representativo da controvérsia) - Tema 157 (Relator Ministro Felix Fischer, DJe 13/10/2009), a 
fim de adequá-la ao entendimento externado pela Suprema Corte, o qual tem considerado o 
parâmetro fixado nas Portarias n. 75 e 130/MF - R$ 20.000,00 (vinte mil reais) para aplicação 
do princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho.” (ProAfF no REsp 
1688878/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Jr., Terceira Seção, DJe 01/12/2017). 
 
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6. RESUMO 
Para finalizar o estudo da matéria, trazemos um resumo dos 
principais aspectos estudados ao longo da aula. Sugerimos que 
esse resumo seja estudado sempre previamente ao início da 
aula seguinte, como forma de “refrescar” a memória. Além 
disso, segundo a organização de estudos de vocês, a cada ciclo de estudos é fundamental retomar 
esses resumos. Caso encontrem dificuldade em compreender alguma informação, não deixem de 
retornar à aula. 
 
Diferenciação entre princípios e regras 
 PRINCÍPIOS E REGRAS: O ordenamento jurídico é composto por normas, que na doutrina são 
divididas em regras e princípios. Esta diferenciação entre possui muitas variações entre os juristas, 
sendo que as principais são as seguintes: 
 CONCEPÇÃO CLÁSSICA – DISTINÇÃO FRACA: A concepção clássica define os princípios como 
as normas de elevado grau de abstração e generalizada e as regras como sendo as normas 
com pouco ou nenhum grau de abstração e generalidade. 
CONCEPÇÃO DE DWORKIN E ALEXY – DISTINÇÃO FORTE: Na distinção forte, os princípios 
são aplicados mediante ponderação. O conflito ocorre apenas no plano concreto. As regras, 
por sua vez, estabelecem aquilo que é obrigatório, permitido ou proibido. Sua aplicação se dá 
mediante subsunção. Não há meio termo, nem ponderação. É uma questão de tudo ou nada. 
O conflito ocorre no plano abstrato. 
 
Princípios em espécie 
 PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA: preconiza que haja um tratamento à pessoa 
que não lhe prive do mínimo necessário para quer possa exercer sua capacidade de 
autodeterminação. Trata-se um princípio fundamental da República Federativa do Brasil. 
 PRINCÍPIO DA HUMANIDADE: A doutrina tem o costume de fazer referência ao princípio 
da dignidade da pessoa humana no Direito Penal como princípio da humanidade. Esse 
princípio consiste na vedação a que o legislador adote sanções penais violadoras da dignidade 
da pessoa humana, atingindo de forma desnecessária a incolumidade física-psíquica do 
agente. 
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 PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL: reza ser necessário que se respeite todo o 
procedimento previsto nas leis para que, ao final de um processo condenatório, possa haver a justa 
punição do acusado. O princípio do devido processo legal possui duas vertentes: 
 o devido processo legal substancial: se refre à limitação do exercício do poder, que deve se 
amoldar ao que determina a Constituição e, além disso, atender o princípio da 
proporcionalidade. 
 o devido processo legal formal: vincula-se ao respeito das normas processuais, isto é, 
regras e princípios que orientam e determinam o procedimento penal. 
 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE: consiste no reconhecimento da legalidade como meio para se limitar 
direitos dos cidadãos, já que a lei representa, em último caso a vontade do povo. Decorrem da 
legalidade os seguintes princípios: 
 Princípio da anterioridade: preconiza que a lei penal deve ser anterior para incidir sobre o 
fato. 
 Princípio da reserva legal: determina que deve haver lei formal para a previsão de crimes 
e contravenções penais. 
 PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA (ultima ratio): preconiza que só se deve criminalizar uma 
conduta se houver necessidade para a proteção do bem jurídico. O Direito Penal só deve atuar se os 
outros meios de controle social forem insuficientes, possuindo, portanto, caráter subsidiário, deultima ratio. Desse princípio, decorrem: 
 Princípio da fragmentariedade: segundo essa diretriz, o Direito Penal só deve criminalizar 
as condutas mais graves que sejam praticadas contra os bens jurídicos mais importantes. 
 Princípio da subsidiariedade: 
 PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL: determina que o Direito Penal só deve considerar criminoso 
um fato que contrarie o sentimento de justiça da comunidade. 
 PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE: preconiza não haver crime sem culpabilidade. Isto é, não haver 
responsabilidade penal sem dolo ou culpa. Também é denominado princípio da responsabilidade 
subjetiva. 
 PRINCÍPIO DA OFENSIVIDADE: consiste na proibição de haver crime sem que haja conteúdo 
ofensivo a bens jurídicos. Desse princípio decorrem dois subprincípios: 
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 Princípio do Fato ou da Responsabilidade pelo Fato: o Direito Penal não pode se ocupar 
dos pensamentos ou intenções. 
 Princípio da Exclusiva Lesão ao Bem Jurídico: não compete ao Direito Penal tutelar valores 
puramente morais, éticos ou religiosos. 
 PRINCÍPIO DA AUTORRESPONSABILIDADE: preconiza que os danos sofridos por alguém em 
virtude de seu comportamento livre consciente e responsável só podem a ele ser imputados, e não 
a quem os tenha motivado. 
 PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA: consiste na exigência de se respeitar a proporção 
entre a conduta praticada e a pessoa do autor. Veda-se, assim, a padronização de punições. 
 PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE OU DA CORRESPONSABILIDADE: é aquele que reconhece a 
participação da sociedade na responsabilidade pela prática de uma infração penal, em virtude da 
influência do meio social na formação do indivíduo e da desigualdade de oportunidades a que cada 
cidadão tem acesso. Trata-se de princípio rejeitado pela maioria da doutrina. 
 PRINCÍPIO DA CONFIANÇA: funda-se na legítima expectativa de que os demais indivíduos da 
sociedade agirão em conformidade com as regras sociais. 
 PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE OU DA PERSONALIDADE: determina que a pena não pode passar 
da pessoa do condenado. Também denominado Princípio da Intranscendência da Pena, segundo o 
qual a pena não pode passar da pessoa do agente, ou Princípio da Responsabilidade Pessoal, a 
acusação e a pena devem ser individualizados, dizendo respeito especificamente ao agente a quem 
se imputa a conduta. 
 PRINCÍPIO DA ALTERIDADE OU DA TRANSCENDENTALIDADE: determina que o Direito Penal não 
deve se ocupar de atitudes meramente internas, que não apresentem potencial de lesionar o bem 
jurídico. 
 PRINCÍPIO DA EXTERIORIZAÇÃO OU MATERIALIZAÇÃO DO FATO: preconiza que o Estado só pode 
criminalizar condutas humanas voluntárias que se exteriorizem por meio de conduta, seja comissiva, 
seja omissiva. 
 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE: consiste na limitação da ação estatal, com base nos 
critérios da necessidade e da adequação, ponderando-se os meios utilizados e os fins pretendidos. O 
princípio pode se desdobrar em cinco elementos: necessidade, adequação, legitimidade do meio, 
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legitimidade do fim (objetivo) e proporcionalidade em sentido estrito/ponderação. Ademais, o 
princípio possui as seguintes balizas: 
 Proibição do Excesso. 
 Proibição da Proteção Deficiente. 
 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA (OU DA NÃO CULPA): orienta que nenhuma pessoa 
deve ser considerada culpada, senão após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. 
 PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DA DUPLA PUNIÇÃO PELO MESMO FATO: é o princípio que veda a dupla 
punição pelo mesmo fato, bem como a dupla valoração de um mesmo fato para agravamento da 
pena. Também se proíbe a execução em dobro de uma pena, bem como que o indivíduo seja 
processado duas vezes pelo mesmo crime. Também denominado Princípio da Proibição do Bis in 
Idem. 
 PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE: estabelece que a lei não pode retroagir, atingindo fatos 
anteriores a ela, salvo se para beneficiar o réu. 
 PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: também chamado de bagatela, preconiza que o Direito Penal 
não deve se preocupar com bagatelas, isto é, a configuração de uma infração penal exige que haja 
uma ofensa de alguma gravidade ao bem jurídico protegido. 
 Existem alguns requisitos exigidos pelo STF para a incidência desse princípio: 
 Mínima ofensividade da conduta do agente; 
 Ausência de periculosidade social da ação; 
 Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; 
 Inexpressividade da lesão jurídica causada. 
 BAGATELA IMPRÓPRIA: reservada para os casos em que, ainda que a lesão ou ameaça de 
lesão se mostrem relevantes, incida o princípio da desnecessidade da pena. 
 
Princípios do garantismo 
 GARANTISMO: o garantismo consiste em um conjunto de princípios que visam a garantir os 
direitos do acusado no curso do processo penal. 
 ACEPÇÕES: 
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 A vinculação do Poder Público ao Estado de Direito, com a maximização da liberdade dos 
indivíduos e limitação do poder punitivo. 
 Distinção entre validade e vigência, não devendo o juiz aplicar as leis que, embora vigentes, 
não sejam válidas por serem incompatíveis com o ordenamento jurídico. 
 A necessidade de que o ponto de vista interno, o jurídico, se adeque ao ponto de vista 
externo, ético-político, devendo o Estado justificar suas medidas jurídicas sob o ponto de vista 
da justiça e da validade, com base nos bens e interesses que tutela. 
 
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Finalizamos a nossa terceira aula! O estudo dos princípios constitui a base do estudo do Direito Penal, 
razão pela qual a matéria de hoje deve estar bastante sedimentada para prosseguirmos. Se houver 
dúvidas, procure reler o conteúdo e conte com o fórum de dúvidas para que possamos ajudar. 
Sempre que um princípio for citado nas próximas aulas e o conceito não estiver bem delimitado, 
retorne aqui para que este assunto esteja bem claro. Os princípios determinam a forma de 
interpretação e aplicação das normas que estudaremos a partir desta aula. 
Mais uma vez, relembro-os de que estou disponível para as dúvidas e quaisquer sugestões são bem-
vindas. O contato pode ser feito pelo fórum, por e-mail ou pelo Instagram. 
Veremo-nos na próxima aula. Até breve e forte abraço! 
Michael Procopio. 
 
 
procopioavelar@gmail.com 
 
professor.procopio 
 
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