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CPA-10-Cap1.pdf SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO MATERIAL DE ESTUDOS DA CERTIFICAÇÃO CPA-101 A CPA-10 é parte importante do Programa de Certificação Continuada da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), um esforço empreendido pela entidade e pelos participantes do mercado para elevar o nível de conhecimento dos profissionais e a qualidade do mercado de investimento. O principal objetivo da CPA-10 é a contínua elevação da capacitação técnica dos profissionais que atuam em instituições financeiras em contato com o público em geral, no processo de distribuição de produtos de investimento. Essa iniciativa, amparada na Resolução 3.158 do Conselho Monetário Nacional, instituiu um processo de aferição do conhecimento desses profissionais nos principais aspectos relacionados à distribuição de produtos de investimento. No exame da CPA-10, o candidato deve demonstrar conhecimento sobre as principais características dos produtos de investimento que são ofertados nas agências bancárias, bem como entender os padrões éticos de comportamento que devem ser adotados no relacionamento com os investidores, de tal forma que os produtos oferecidos satisfaçam aos objetivos e às necessidades dos clientes. Esse material de estudo da CPA-10 tem por objetivo fornecer aos candidatos uma forma de preparação autônoma para o exame, além de permitir o aprofundamento nos temas abordados. A ANBIMA acredita que esse esforço de modernização dos mercados financeiro e de capitais e a melhoria no atendimento ao investidor – com a disponibilização, pelos profissionais, de informações de melhor qualidade sobre os produtos de investimento, em especial, sobre os principais fatores de risco envolvidos – resultará em estímulos à concorrência leal, à padronização de procedimentos e à adoção das melhores práticas em prol do crescimento dos mercados. O resultado desse esforço refletirá o estímulo ao crescimento da poupança financeira no país, uma das maneiras de favorecer o crescimento sustentável da economia brasileira. INTRODUÇÃO O CONTEÚDO DO MATERIAL DE ESTUDO DA CPA-10 O Material de Estudos da CPA 10 é estruturado segundo os temas relacionados no Programa Detalhado da CPA-10 e contém todo o conhecimento que pode ser demandado dos candidatos no exame da CPA-10. O objetivo da ANBIMA com essa iniciativa é permitir que todos os candidatos tenham acesso a um conteúdo padronizado, de forma que possam realizar sua preparação de maneira mais uniforme sem necessidade da realização de cursos preparatórios, apesar de considerá-los uma forma muito eficiente de formação dos candidatos que deve continuar a ser ofertada. Este material será atualizado sempre que necessário, por isso sempre baixe as apostilas nesta página! Quando for estudar, não deixe de confirmar que a versão que você tem em mãos é a última publicada, consultando a data da revisão na última página de cada apostila. O conteúdo da CPA-10 é resultado do trabalho conjunto da ANBIMA com as principais instituições do mercado financeiro que acreditam que seus respectivos desdobramentos em tópicos, itens e subitens detalham os assuntos, cujo conhecimento pelos profissionais envolvidos na distribuição de produtos de investimento nas instituições financeiras é considerado essencial. O Material de Estudo da CPA-10 é composto de sete grandes temas que foram divididos em capítulos para facilitar a apresentação: Sistema Financeiro Nacional; Ética, Regulamentação e Análise do Perfil do Investidor; Noções de Economia e Finanças; Princípios de Investimento; Fundos de Investimento; Instrumentos de Renda Variável e Renda Fixa; e Previdência Complementar Aberta: PGBL e VGBL. Cada capítulo foi estruturado com uma orientação de estudo com o que será aprendido sobre o assunto, seguida do objetivo, do conteúdo com o conhecimento requerido sobre o assunto, uma seção de questões, as justificativas das respostas corretas e um glossário ao final. A ANBIMA assume o compromisso de manter o conteúdo dos exames da CPA-10 e o respectivo Material de Estudos sempre alinhado às legislações e revisá-los, periodicamente, com a finalidade de incluir novos assuntos, tão logo o dinamismo e a evolução dos mercados financeiro e de capitais venham torná-los relevantes e essenciais. A legislação vigente relacionada à distribuição de produtos de investimento, ainda que não explicitada em todos os temas, encontra-se presente, por meio dos conceitos e das regras aplicáveis a todos os temas e tópicos abordados. Além disso, é considerado mais importante para o profissional ter domínio dos conceitos envolvidos nas questões do seu dia a dia do que utilizar cálculos matemáticos. Dessa forma, não haverá necessidade do uso de calculadora para a realização do exame da CPA-10, apesar de estarem presentes nesse Material de Estudo alguns exemplos com cálculos matemáticos para permitir melhor entendimento de alguns conceitos apresentados. A ANBIMA espera que os candidatos ao exame da CPA-10 possam utilizar de maneira proveitosa o conteúdo desse Material de Estudo e partilhem do mesmo entusiasmo sentido por todos os profissionais que participaram da construção desse processo. INTRODUÇÃO APRESENTAÇÃO DOS AUTORES LUIZ ROBERTO CALADO Luiz Calado é pós-doutor pela Universidade da Califórnia (Berkeley). Autor dos best sellers Imóveis (Ed. Saraiva) e Fundos de Investimentos (Ed. Campus), além de mais de 20 livros sobre mercado financeiro, entre eles Securitização (Ed. Saint Paul), Relacionamento Bancário (Ed. Saraiva), Governança Corporativa (Ed. Andato), 100 Dúvidas de Carreira em Finanças (Ed. Saint Paul) e Regulação e Autorregulação (Ed. Saint Paul). Seus livros são vendidos em mais de 80 países, traduzidos para vários idiomas. É professor e pesquisador do Centro de Estudos GV Invest da FGV. Foi gerente de Certificação e Educação na ANBIMA. MAURO MIRANDA, CFA, FRM Sócio-Gestor da Panda Investimentos e profissional de finanças desde 2000. Foi Presidente da CFA Society Brazil (2016-2019) e atualmente ocupa o cargo de Representante do Conselho de Presidentes da América Latina e Caribe junto ao CFA Institute. Tem carreira em instituições financeiras brasileiras e estrangeiras nas áreas de renda fixa, dívida estruturada e crédito privado. Começou sua carreira na área de administração da dívida externa no Banco Central do Brasil. Em seguida, trabalhou como trader e estruturador de renda fixa, entre outras posições, nos bancos Bear Stearns, Lehman Brothers, Fator e ABN Amro, em Nova York, Londres e São Paulo. É bacharel em Relações Internacionais e em Ciências Econômicas pela Universidade de Brasília, tem MBA pela Columbia Business School e obteve as certificações Chartered Financial Analyst (CFA) em 2006 e Financial Risk Manager (FRM) em 2011. TÂNIA RAQUEL DOS SANTOS AMARAL Coordenadora do núcleo de conteúdo da ANBIMA. Doutoranda em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA – USP). É mestre em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA – USP). Cursou MBA em Gestão de Investimento na Fundação Getúlio Vargas (FGV SP). É pós-graduada em Administração Financeira e Contábil na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e graduada em Tecnologia em Processamento de Dados na Universidade Mackenzie. Atuou em diversas instituições financeiras brasileiras e estrangeiras na área de Mercados Capitais, Fundos de Investimento, Asset e Consultoria de Investimento. VICENTE PICCOLI MEDEIROS BRAGA Advogado e doutorando em Direito Comercial na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP), é mestre em Direito e Desenvolvimento pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV DIREITO SP). Trabalhou junto ao setor de Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional do Ministério Público Federal do Paraná, assessorou o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN), foi responsável pelos aspectos jurídicos dos processos de Autorregulação da ANBIMA, coordenou as Operações de Assistência Estrutural e de Liquidez prestadas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e atualmente conduz processos administrativos disciplinares relacionados a ilícitos de mercado e ao Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP) na BM&FBOVESPA Supervisão de Mercados (BSM), entidade responsável pela autorregulação da B3. INTRODUÇÃO RICARDO NARDINI – coordenador e revisor Consultor nas áreas de certificação profissional e educação. De 2005 a 2018 trabalhou na ANBIMA e foi responsável pelas áreas de Certificação, Educação Continuada e de Investidores. Coordenou o desenvolvimento dos exames de certificação da ANBIMA e da Associação PLANEJAR durante esse período e foi o responsável pelo desenvolvimento da Certificação de Especialistas em Investimento ANBIMA (CEA), da Certificação de Gestores ANBIMA (CGA), Material de Estudos da CPA-10 e da Certificação CFP no Brasil. Atuou como representante da ANBIMA no desenvolvimento da Estratégia Nacional de Educação Financeira, como responsável pelo capítulo de Investimentos e no projeto de estruturação da AEF - Brasil. Antes de ingressar na ANBIMA, trabalhou nas áreas de tesouraria, private banking e investimentos no Lloyds Bank Plc., no Banco Credit Commercial de France no Brasil e na HSBC Asset Management. Formado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, é pós-graduado em Banking pela FGV SP. INFORMAMOS QUE AS QUESTÕES APRESENTADAS NESSE MATERIAL NÃO FAZEM PARTE DOS EXAMES DE CERTIFICAÇÃO APLICADOS PELA ANBIMA, DEVENDO SERVIR APENAS COMO ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DOS CANDIDATOS. EM HIPÓTESE ALGUMA A SUA UTILIZAÇÃO É GARANTIA DE APROVAÇÃO NO EXAME, UMA VEZ QUE APENAS SERVE COMO COMPLEMENTO AO ESTUDO, SENDO FACULTADO AO CANDIDATO ANALISAR A VIABILIDADE DE SEU USO, COMO TAL INFORMADO. AS QUESTÕES APRESENTADAS NESTE MATERIAL FORAM DESENVOLVIDAS PELOS AUTORES ESPECIFICAMENTE PARA FINALIDADE DE APOIO. PORTANTO, NÃO É GARANTIDA A APROVAÇÃO OU QUE AS QUESTÕES SERÃO APRESENTADAS DA MESMA FORMA NO EXAME. A ANBIMA RESERVA-SE O DIREITO DE APRESENTAR AS QUESTÕES NO EXAME DE CERTIFICAÇÃO CPA-10 DE FORMA DISTINTA AOS CANDIDATOS. INTRODUÇÃO Apresentação do capítulo...................................................................................................................................... 1 1.1 Funções básicas ............................................................................................................................................... 2 1.1.1 Função dos intermediários financeiros e definição de intermediação financeira.................................. 3 1.2 Estrutura ............................................................................................................................................................ 5 1.2.1 Órgãos de regulação, autorregulação e fiscalização................................................................................... 5 1.2.2 Principais Intermediários Financeiros: conceito e atribuições................................................................. 19 1.2.3 Outros intermediários ou auxiliares financeiros: conceito e atribuições .............................................. 2 0 1.2.4 Sistemas e câmaras de liquidação e custódia (clearing): atribuições e benefícios para o investidor .................................................................................................................................................. 22 Questões................................................................................................................................................................ 25 Respostas............................................................................................................................................................... 28 Glossário................................................................................................................................................................. 29 Expediente............................................................................................................................................................. 44 SUMÁRIO AUTOR Vicente Piccoli M. Braga ORIENTAÇÕES DE ESTUDO Entender a função exercida pelos intermediários financeiros e o conceito de intermediação financeira. Conhecer os responsáveis pela regulação e supervisão do Sistema Financeiro Nacional. Compreender o papel da ANBIMA no Sistema Financeiro Nacional. Diferenciar os principais tipos de intermediários financeiros. Conhecer as atribuições dos sistemas de liquidação e custódia, bem como os principais títulos custodiados e as operações realizadas. Entender o conceito de Sistema de Pagamentos Brasileiro. OBJETIVO O objetivo deste capítulo é apresentar de forma básica como se estrutura o Sistema Financeiro, quem são seus integrantes e quais são as principais funções por eles desempenhadas. Isso para construir uma base sobre a qual o restante do conteúdo desta apostila possa ser melhor compreendido. 1 CAPÍTULO 1 1SISTEMA FINANCEIRO NACIONALE PARTICIPANTES DO MERCADO O Sistema Financeiro Nacional (SFN) cumpre uma série de funções de grande importância na sociedade brasileira. Neste capítulo, vamos conhecer quais são essas funções e como se compõe a estrutura na qual elas são desempenhadas. Para isso, serão apresentados alguns conceitos, bem como os diversos integrantes do sistema que, por meio das mais diferentes atividades, constituem o SFN. 1.1 Funções básicas Um sistema é um conjunto de elementos organizados. Esses elementos podem ser concretos – como coisas, pessoas e empresas – ou abstratos – como conceitos, regras e princípios. Dentro de um sistema, esses elementos se organizam a partir de determinada estrutura, a fim de cumprir uma função específica. Por isso, para entender o funcionamento do sistema financeiro brasileiro, é necessário compreender quais funções ele exerce na sociedade brasileira, além de por meio de qual estrutura e quais elementos isso é feito. Dentre as principais funções do SFN, destacam-se duas: (i) a prestação de serviços de gerenciamento de recursos e (ii) a intermediação financeira. A função de prestação de serviços de gerenciamento de recursos comporta uma série de facilidades que estão à disposição dos cidadãos e do governo graças à atuação das entidades que compõem o SFN. Dessas facilidades, podemos destacar: A existência de um sistema de pagamentos para transferência de recursos e arrecadação de tributos. O serviço de custódia (guarda) de valores, bens e títulos. A disponibilização de meios de pagamento, tais como cartões de crédito e cheques. A disponibilização de seguros para as mais diferentes finalidades (automóvel, viagem, vida, saúde, entre outros). Esses são serviços sem os quais a vida das pessoas, dos empresários e do próprio governo seria muito mais difícil. Para perceber isso, basta pensarmos como seria inseguro guardar todas as nossas economias dentro de casa, como seria pouco prático se tivéssemos de nos deslocar à companhia de luz todo mês para pagar nossa conta ou como seria custoso se o governo precisasse passar de residência em residência para recolher o IPTU. Disso decorre o importante papel desses serviços no nosso cotidiano e na organização da sociedade. A função de intermediação financeira, por sua vez, merece maior destaque em nossa análise. 2 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO 1.1.1 Função dos intermediários financeiros e definição de intermediação financeira Em uma economia capitalista normal, diferentes agentes têm diferentes necessidades ao longo de suas vidas. Enquanto algumas pessoas estão montando um negócio e precisam de dinheiro para colocar seu projeto em operação, outras são assalariadas e desejam poupar parte de sua renda para ter uma aposentadoria mais confortável no futuro. Enquanto alguns são jovens e dependem de financiamento para pagar a mensalidade da faculdade, outros já estão aposentados e complementam a renda com o retorno que recebem em cima de uma aplicação. Como podemos perceber, há uma confluência de interesse entre esses diferentes agentes. Afinal, enquanto alguns têm dinheiro sobrando, sem aplicação produtiva, outros precisam imediatamente de recursos que não têm. Aqueles que têm dinheiro sobrando e gostariam de deixá-lo guardado ou investido, a fim de que fique protegido ou rendendo, são os chamados agentes econômicos superavitários. Aqueles que precisam de mais dinheiro do que têm disponível, seja para concretizar ideias e projetos ou porque estão passando por uma fase mais difícil da vida, são os chamados agentes econômicos deficitários. É certo que agentes econômicos superavitários às vezes conhecem agentes econômicos deficitários e optam por entrar em algum tipo de arranjo direto – como uma pessoa que faz empréstimo pessoal para um parente seu –, a fim de disponibilizar recursos mediante o pagamento de juros. Mas na maior parte das vezes essa transação é dificultada em razão de uma série de fatores, muitos dos quais são conhecidos como custos de transação. Esses custos envolvem analisar a situação financeira da contraparte, redigir e adaptar contratos, monitorar a conduta da contraparte a fim de garantir o cumprimento do pactuado, entre outros. Dica: não confunda “custos de transação” enquanto conceito econômico, que significa o dispêndio de recursos econômicos para participar de determinada transação (envolvendo, mas não se limitando, o custo de planejar, redigir, adaptar e monitorar o cumprimento de contratos), com “custo de transação” (no singular), expressão muitas vezes utilizada como sinônimo de “taxa de corretagem”, que é o valor cobrado por uma corretora para realizar uma operação. 3 1 COASE, Ronald Coase. A Firma, o Mercado e o Direito. São Paulo: Forense Universitária, 2016. 2 MANKIW, N. Gregory. Introdução à Economia. 5. ed. Trad. Allan Vidigal Hastings & Elisete Paes e Lima. São Paulo: Cengage Learning, 2009. p. 207-208. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO Saiba mais: para aumentar o entendimento sobre custos de transação e como eles afetam a atividade econômica, ver artigo seminal de Ronald Coase, “A Natureza da Firma”, de 1937, cuja tradução está disponível na obra do mesmo autor chamada A Firma, o Mercado e o Direito1. Para uma explicação mais didática, ver Mankiw2 . Por isso, é praticamente consenso entre economistas que uma economia capitalista depende, para ser produtiva, de um sistema financeiro eficiente, capaz de fazer a intermediação financeira adequada entre os agentes econômicos superavitários e os agentes econômicos deficitários. Intermediação financeira, que nada mais é que a atividade de captar recursos dos agentes econômicos superavitários, mediante algum tipo de contrapartida, e disponibilizá-los para agentes econômicos deficitários, mediante a cobrança de juros. Nesse tocante, é importante notar que os intermediários financeiros regularmente inseridos no SFN estão em uma posição favorável para realizar essa operação porque têm capacidade operacional e especialização suficientes para lidar com as duas partes. Isso por uma série de razões, dentre as quais podemos destacar: Lidam com muitos agentes, o que lhes permite uma economia de escala nos custos operacionais básicos. Também por lidar com muitos agentes, são capazes de oferecer condições de liquidez mais flexíveis, de modo a atender às necessidades de diferentes agentes. Por seu porte, têm acesso – e, portanto, podem oferecer a seus clientes – as oportunidades de investimento que um agente econômico superavitário operando sozinho não conseguiria acessar, possibilitando inclusive maior diversificação nos investimentos. Têm acesso facilitado a informações econômicas importantes, tais como cadastros de crédito, planos de negócio, estatísticas setoriais, relatórios econômicos e balanços. Têm capacidade de análise das informações econômicas disponíveis, o que possibilita melhor gestão de riscos. São regulados e supervisionados, o que aumenta a confiança dos agentes em sua atividade. Estão autorizados a cobrar taxas de juros superiores ao teto imposto pelo Decreto 22.626 de 1933 (Lei da Usura), o que lhes permite emprestar para um número maior de agentes econômicos deficitários, sem que a relação risco-retorno fique prejudicada. Dessa forma, tem-se evidente que a atividade de intermediação financeira, quando bem estruturada, é capaz de trazer uma série de vantagens a todos os agentes e, consequentemente, à economia do país e ao desenvolvimento da sociedade. Essa atividade, contudo, não é livre de riscos, como diversos escândalos e crises financeiras já demonstraram bem, razão pela qual depende de boa estrutura para ser desempenhada de forma segura e eficiente. 4 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO 1.2 Estrutura A estrutura do SFN é composta por um subsistema normativo e por um subsistema de intermediação, também conhecido como subsistema operativo3. Esses subsistemas são representados por entidades públicas e privadas que, cada uma em sua área de atuação, desenvolvem suas atividades de modo a garantir a existência de um mercado financeiro regulado. De modo geral, o subsistema normativo reúne órgãos normativos e de supervisão, enquanto o subsistema de intermediação é constituído por instituições dedicadas à execução das funções do SFN, tais como os intermediários financeiros e as organizações que prestam serviços auxiliares às funções do SFN. Iniciaremos nossa exposição pelo subsistema normativo e na sequência explicaremos em maior detalhe o que fazem e como se dividem os agentes que compõem o subsistema de intermediação. 1.2.1 Órgãos de regulação, autorregulação e fiscalização Dentro do subsistema normativo existem duas funções que precisam ser desempenhadas: (i) a criação de políticas e normas que regulem a conduta dos agentes no SFN e (ii) a fiscalização da conduta desses agentes, a fim de garantir que as normas e políticas criadas sejam respeitadas. Tradicionalmente, essas funções eram desempenhadas apenas por órgãos públicos, que definiam políticas, produziam normas e fiscalizavam seu cumprimento. Hoje, porém, com o desenvolvimento da autorregulação, a atuação de alguns agentes privados ganhou destaque. Por essa razão, podemos dizer que o subsistema normativo é composto por órgãos de regulação, autorregulação e fiscalização. A esse respeito, é importante observar que a regulação se divide em heterorregulação e autorregulação. Como o nome sugere, a heterorregulação é feita por um agente externo ao ambiente regulado, enquanto a autorregulação é feita por um agente que faz parte desse ambiente. Na regulação financeira, a heterorregulação é feita pelo Estado para regular o mercado e baseia sua legitimidade e coercitividade no poder estatal. A autorregulação, por sua vez, é feita por entes privados – normalmente organizados em forma de associação – e baseia sua legitimidade e coercitividade em um contrato voluntário entre particulares (autorregulação de base contratual) ou em uma determinação legal (autorregulação de base legal), que estabelece um ente privado como responsável por regular determinada atividade. 3 BANCO CENTRAL DO BRASIL. Manual da Supervisão – MSU. 2017. Disponível em: https://www3.bcb.gov.br/gmn/visualizacao/ listarDocumentosManualPublico.do?method=listarDocumentosManualPublico&idManual=1 & FORTUNA, Eduardo. Mercado financeiro: produtos e serviços. 18. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2011. p. 18. 5 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO No Brasil, contudo, a heterorregulação é bastante predominante na história, de modo que, mesmo sendo espécie, já tomou para si o nome do gênero (regulação), fazendo com que apenas a autorregulação precise ser diferenciada. Dito isso, para compreender melhor esse subsistema normativo, vamos analisar quais são os principais agentes que representam os já mencionados órgãos de regulação, autorregulação e fiscalização. 1.2.1.1 Conselho Monetário Nacional (CMN) Criado pela Lei 4.595/1964, o CMN compõe a estrutura básica do Ministério da Economia, mas é o órgão deliberativo máximo do SFN, sendo subordinado apenas ao presidente da República. Sua composição atual é formada por três membros: pelo ministro da Economia (que preside o conselho), pelo ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão e pelo presidente do Banco Central do Brasil (BACEN). Enquanto principal órgão de regulação do SFN, o CMN é o responsável pelo estabelecimento das diretrizes e normas das políticas monetária, creditícia e cambial e por regular as condições de constituição, funcionamento e fiscalização dos intermediários financeiros. Nesse sentido, é a ele que cabe uma série de atribuições e competências específicas (arts. 3º e 4º da Lei 4.595/1964), dentre as quais se destacam: Adaptar o volume dos meios de pagamento às necessidades da economia nacional, podendo autorizar as emissões de papel-moeda. Propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros, com vistas à maior eficiência do sistema de pagamentos e de movimentação de recursos. Zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras. Disciplinar o crédito em todas as suas modalidades e as operações creditícias em todas as suas formas, inclusive prestações de quaisquer garantias por parte das instituições financeiras. Expedir normas gerais de contabilidade e estatística a serem observadas pelas instituições financeiras. Definir o percentual e a forma de recolhimentos compulsórios. Regulamentar, fixando limites, prazos e outras condições, as operações de redesconto e de empréstimo, efetuadas com quaisquer instituições financeiras públicas e privadas de natureza bancária. Essa atividade regulatória é, sobretudo, conduzida por meio da elaboração de atos normativos conhecidos como resoluções, que são deliberadas pelo CMN e publicadas pelo BACEN. Essas resoluções têm força normativa e por vezes alto grau técnico; contudo, são, em sua maioria, diretrizes a serem levadas a cabo mais técnica e especificamente pelas principais entidades ligadas ao CMN: o BACEN e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Funções básicas 6 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO 1.2.1.2 Banco Central do Brasil (BACEN) O BACEN é uma autarquia federal criada pela Lei 4.595/1964, vinculada ao Ministério da Economia, mas que dispõe de personalidade jurídica e patrimônio próprios. Sua estrutura organizacional é comandada por uma diretoria colegiada, composta por nove membros: o presidente e oito diretores, cada um responsável por uma diretoria específica. Todos os membros da diretoria colegiada são nomeados pelo presidente da República, entre brasileiros de ilibada reputação e notória capacidade em assuntos econômico-financeiros, após aprovação pelo Senado Federal. Embora a independência do BACEN seja prática recomendada e comum entre as principais economias do mundo, os membros da diretoria colegiada do BACEN são demissíveis pelo presidente da República, sem necessidade de justificativa ou trâmite específico (ad nutum), nos termos do Decreto 91.961/1985. Enquanto principal órgão executivo do SFN, o BACEN é responsável por dar cumprimento às determinações do CMN, mas também tem algumas atribuições próprias, definidas por lei. Nesse sentido, suas principais atribuições e competências são: Emitir papel-moeda, nas condições e limites autorizados pelo CMN. Receber os recolhimentos compulsórios. Realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições financeiras. Conduzir as políticas monetária, cambial e de crédito. Determinar, via Comitê de Política Monetária (Copom), a meta da taxa de juros de referência para as operações de um dia (Taxa Selic). Efetuar o controle de todas as formas de crédito e dos capitais estrangeiros. Fiscalizar e disciplinar as instituições financeiras e demais entidades autorizadas a operar pelo BACEN. Conceder autorização de funcionamento às instituições financeiras. Estabelecer condições para a posse e para o exercício de quaisquer cargos de administração de instituições financeiras privadas. Decretar regimes especiais em instituições financeiras. Gerir o SPB e os serviços de meio circulante. 7 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO Como se pode ver, essas atividades têm caráter tanto regulatório como de fiscalização/ supervisão, pelo que são conduzidas por meio da elaboração de documentos normativos, determinação de ordens e averiguação de irregularidades via processo administrativo punitivo. Os principais documentos emitidos pelo BACEN são: Circulares: atos normativos pelos quais o BACEN, por delegação, cria normas para o SFN ou, também por delegação, regulamenta as normas contidas em resoluções do CMN. Cartas circulares: instrumentos para esclarecer dúvidas ou divergências quanto à interpretação e à aplicação de disposições normativas. Comunicados: documentos administrativos de âmbito externo, que têm por finalidade divulgar deliberação ou informação relacionada à área de atuação do BACEN. 1.2.1.3 Comissão de Valores Mobiliários (CVM) A CVM é o órgão do governo responsável pela regulação e fiscalização do mercado de capitais no Brasil. Criada pela Lei 6.385/1976, é uma autarquia federal que, embora seja vinculada ao Ministério da Economia, não está subordinada hierarquicamente a ele. Igualmente, embora esteja ligada ao CMN, a maior parte das atividades da CVM não decorrem da execução das determinações dele, mas sim de atribuições legais próprias, advindas sobretudo da Lei 6.385/1976 e da Lei 6.404/1976 (Lei das S/A). A administração da CVM fica a cargo de um presidente e quatro diretores, nomeados pelo presidente da República, depois de aprovados pelo Senado Federal. Por determinação legal, os nomeados devem ser pessoas de ilibada reputação e reconhecida competência em matéria de mercado de capitais. O mandato desses dirigentes é de cinco anos, sendo vedada a recondução. Entre as principais atribuições e competências da CVM estão: Regulamentar as matérias previstas na Lei 6.385/1976 e na Lei 6.404/1976 (Lei das S/A). Administrar os registros instituídos por essas leis. Fiscalizar efetiva e tempestivamente o cumprimento das normas relativas às atividades e serviços no âmbito do mercado de valores mobiliários. 8 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO Investigar e punir tempestivamente descumprimentos à regulação do mercado de valores mobiliários. Zelar pelo funcionamento eficiente e regular do mercado de capitais e seu desenvolvimento. Proteger os investidores do mercado de capitais. Assegurar o acesso do público a informações tempestivas e de qualidade. Estimular a formação de poupança e seu investimento em valores mobiliários. Assegurar e fiscalizar o funcionamento eficiente das bolsas de valores, do mercado de balcão e das bolsas de mercadorias e futuros. Para o efetivo cumprimento dessas atribuições e competências, além de promover atividades de educação e supervisão, manter portais de informação aos investidores e instaurar processos administrativos de apuração de irregularidades, a CVM também emite atos normativos, conhecidos como Instruções CVM. Normalmente eles são publicados após um processo de discussão com agentes do mercado e da sociedade, por meio de audiências públicas. 1.2.1.4 Superintendência de Seguros Privados (Susep) Criada pelo Decreto-lei 73, de 21 de novembro de 1966, a Susep é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Economia cujo objetivo é o controle e a fiscalização dos mercados de seguro, previdência complementar aberta, capitalização e resseguro. Embora siga as diretrizes do órgão normativo do setor, o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), a Susep também tem função normativa importante, sendo um órgão de regulação e fiscalização. É administrada por um conselho diretor, composto pelo superintendente e por quatro diretores. Nomeados pelo presidente da República, são pessoas de reconhecida competência, passíveis, contudo, de demissão ad nutum. 9 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO Dica: para aprimorar a educação financeira dos brasileiros e estimular a formação de poupança, a CVM mantém um portal educativo na internet, o Portal do Investidor (http://www.portaldoinvestidor.gov.br). Qualquer profissional que tenha dúvidas sobre alguns conceitos básicos pode acessar o canal, bem como recomendá-lo a seus clientes. 10 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO Dentre as principais atribuições e competências da Susep, destacam-se: Fiscalizar a constituição, a organização, o funcionamento e a operação das sociedades seguradoras, de capitalização, entidades de previdência complementar aberta e resseguradores. Proteger a captação de poupança popular realizada por meio de operações de seguro, previdência complementar aberta, de capitalização e resseguro. Zelar pela defesa dos interesses dos consumidores dos mercados supervisionados. Promover o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos operacionais a eles vinculados, com vistas à maior eficiência do Sistema Nacional de Seguros Privados e do Sistema Nacional de Capitalização. Promover a estabilidade dos mercados sob sua jurisdição, zelando pela liquidez e solvência das sociedades que integram o mercado. Disciplinar e acompanhar os investimentos daquelas entidades, em especial os efetuados em bens garantidores de provisões técnicas. Investigar e punir descumprimentos à regulação de mercados de seguro e previdência complementar aberta. Cumprir e fazer cumprir as deliberações do CNSP. O exercício dessas atribuições e competências se dá mediante fiscalização contínua, instauração e condução de processos administrativos sancionadores e emissão de normativos. 1.2.1.5 ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) No cenário brasileiro, o mais destacado caso de autorregulação é o da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). A Associação foi criada em 2009, mas sua história começou antes. Isso porque é fruto da fusão de duas outras associações, a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), criada em 1967, e a Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), criada em 1971. Já sua atividade de autorregulação teve início em 1998, quando a Anbid publicou a primeira versão do Código de Regulação e Melhores Práticas para as Ofertas Públicas de Distribuição e Aquisição de Valores Mobiliários. Por ser uma entidade que atua na vanguarda do estabelecimento de melhores práticas, muitas vezes em atividades e mercados ainda pouco conhecidos pelo regulador estatal, a atividade da ANBIMA merece atenção ao estudarmos os órgãos que compõem a estrutura do SFN. Todavia, é importante ter em mente que a autorregulação da ANBIMA não sobrepõe nem pode contradizer a regulação estatal, atuando apenas de forma complementar. Informar: a ANBIMA é a principal provedora de informações sobre os segmentos de mercado que representa. Produz e divulga um conjunto de relatórios, estatísticas, estudos, rankings, referências de preços e de índices, além de uma série de ferramentas de consulta que oferece aos seus associados e ao mercado. Representar: a ANBIMA entende que um mercado forte se faz com instituições sólidas e bem representadas, pelo que tem a atividade de representação como seu principal compromisso. Para torná-la eficaz e representativa da pluralidade dos seus associados, mais de 1.000 profissionais que trabalham nas instituições associadas participam voluntariamente de comitês, subcomitês e grupos de trabalho. São nesses fóruns que nascem as propostas de aprimoramento das normas do mercado e as sugestões enviadas aos órgãos reguladores. Esses grupos também elaboram as regras que compõem os códigos de autorregulação, propondo boas práticas de negócios. Educar: o compromisso de educar parte da crença de que é possível transformar o mercado por meio da capacitação de seus principais agentes, que são os profissionais e os investidores. Por isso, as ações de educação se estendem à certificação e à educação de investidores. Certificação para capacitar os profissionais do mercado para que eles sejam multiplicadores de informações e de boas práticas. Educação de investidores para ampliar o acesso de atuais e futuros investidores a programas educacionais e a conteúdos relevantes para o desenvolvimento dos mercados. Autorregular: a ANBIMA conduz um modelo de autorregulação privado e voluntário, baseado em regras claras, criadas pelo mercado, para o mercado e em favor do seu desenvolvimento. As regras são expressas em códigos de autorregulação e melhores práticas, aos quais podem aderir inclusive instituições que não são associadas à ANBIMA. O cumprimento das normas é acompanhado de perto por uma área técnica, que supervisiona as instituições, dá orientações de caráter educativo e ajuda na condução de processos avaliados pelos conselhos de autorregulação. 11 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO 1.2.1.5.1 O papel da ANBIMA e as atividades desenvolvidas Por ser fruto da união entre associações consolidadas, a ANBIMA nasceu forte e com objetivos bem-definidos. Basicamente, a atividade da Associação se divide em quatro: Atualmente, há 9 códigos de regulação e melhores práticas, que cobrem grande parte das atividades dos setores representados pela ANBIMA: Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para Ofertas Públicas. Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para Administração de Recursos de Terceiros. Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para Serviços Qualificados ao Mercado de Capitais. Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para o Programa de Certificação Continuada. Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para Distribuição de Produtos de Investimento. Código ANBIMA para o Novo Mercado de Renda Fixa. Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas de Negociação de Instrumentos Financeiros. Código ABVCAP | ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para o Mercado de FIP e FIEE. Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para Atividades Conveniadas. 12 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO A atividade de autorregulação é idealizada pela ANBIMA de modo a contemplar também os seus outros compromissos. Nesse aspecto, a associação busca promover uma autorregulação que, ao mesmo tempo: (i) represente – os códigos são elaborados a partir de sugestões e mediante aprovação dos associados; (ii) informe – as atividades da área de Supervisão são divulgadas no site da ANBIMA e em informativos periódicos; bem como as mudanças nas regras e nas interpretações são comunicadas diretamente ao associados, via correspondência e mediante a realização de atividades de maior engajamento, como webinars; e (iii) eduque – os processos de autorregulação são em sua maioria encerrados mediante cartas de recomendação ou termos de compromisso, que visam aprimorar as práticas da indústria e não simplesmente punir. Com isso, hoje estão submetidas às regras da ANBIMA aproximadamente 1.000 instituições participantes – assim entendidas as associadas à ANBIMA ou que tenham aderido, voluntariamente, a qualquer um dos códigos. Para esses 9 códigos, existem sete conselhos decisórios (os códigos de Ofertas Públicas, de Atividades Conveniadas e para o Novo Mercado de Renda Fixa são todos vinculados a um mesmo conselho) e um Código de Processos, que unifica os procedimentos de apuração e processamento de eventuais irregularidades para todos os códigos, à exceção unicamente do Código ANBIMA/ABVCAP de FIP e FIEE, que, por ser feito em parceria com outra associação, tem seus elementos processuais previstos no mesmo documento. A fim de garantir o equilíbrio e os controles necessários de sua atividade regulatória, a dinâmica básica da autorregulação da ANBIMA é a seguinte: (i) Os associados definem as regras: por meio dos comitês de representação, da Diretoria e de audiências públicas, esse último aberto a todos os interessados. Em seguida os códigos são publicados e revistos continuamente. Estão sujeitos às regras todos os associados e qualquer instituição que voluntariamente queira aderi-las. (ii) A área técnica supervisiona: a área de Supervisão da ANBIMA é a responsável por acompanhar o mercado, inspecionando o cumprimento das regras pelas instituições participantes. Para isso, inclusive, ela dispõe do Sistema de Supervisão de Mercados (SSM), uma plataforma eletrônica por meio da qual as instituições podem gerenciar e acompanhar o status de suas obrigações com a autorregulação da ANBIMA, enviar documentos, agendar supervisões periódicas ou realizar todo o processo de adesão aos códigos de autorregulação ou filiação à ANBIMA. (iii) Uma comissão especializada acompanha: cada código conta com uma comissão de acompanhamento, composta por pessoas do mercado com grande conhecimento técnico acerca da temática. Com esse conhecimento, as comissões orientam os trabalhos da área de Supervisão. (iv) Um conselho independente julga: cada código conta com um conselho misto, composto em sua minoria por profissionais ligados aos associados e, em sua maioria, por profissionais indicados por instituições do mercado externas à ANBIMA. Esse conselho é soberano na apreciação dos casos da autorregulação. 13 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO Na sequência, vamos aprender um pouco mais sobre alguns dos códigos de autorregulação de maior relevância para os profissionais certificados. 1.2.1.5.1.1 Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para o Programa de Certificação Continuada Criado em 2002 para promover padrões elevados de conduta entre o crescente número de profissionais certificados pela ANBIMA, o Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para o Programa de Certificação Continuada (Código de Certificação) traz definições sobre a obrigatoriedade da certificação adequada aos profissionais que desempenham as atividades de comercialização e distribuição de produtos de investimento e aos profissionais que desempenham a atividade de gestão profissional de recursos de terceiros. 14 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO Saiba mais: os códigos ANBIMA não são a única fonte da autorregulação; os próprios preveem outros três tipos de documentos que estabelecem obrigações, esclarecem determinações e contêm recomendações, que são: (i) Diretrizes – têm caráter vinculante, sendo de observância obrigatória pelas Instituições Participantes, e têm como objetivo regulamentar as matérias que tenham previsão expressa neste Código. (ii) Deliberações – têm caráter vinculante, sendo de observância obrigatória pelas Instituições Participantes, e têm como objeto a interpretação das regras e princípios deste Código. (iii) Pareceres de orientação – não têm caráter vinculante, ou seja, não são de observância obrigatória, e têm como objetivo orientar e esclarecer às Instituições Participantes sobre as regras e procedimentos previstos no Código. Com esse objetivo, estabelece os princípios e os padrões de conduta que esses profissionais devem utilizar no desempenho de suas atividades. Além disso, esse código obriga as instituições participantes4 a exigir e fiscalizar o cumprimento das disposições por parte de seus funcionários que atuem nessas atividades. Quanto às obrigações específicas exigidas pelo Código de Certificação das instituições participantes, podemos dizer que elas se dividem em dois grupos: I. Obrigações de supervisão de seus profissionais. II. Obrigações de estabelecimento e implementação adequada de controles internos. Em relação ao primeiro grupo, as obrigações de supervisão exigidas diretamente das instituições participantes estão dispostas nos arts. 6º e 7º do Código de Certificação, podendo ser resumidas em assegurar que seus profissionais: Possuam reputação ilibada e não tenham: • Sido inabilitados para o exercício de cargo em instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo BACEN, CVM, Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) ou Susep. • Sua autorização para o exercício da atividade suspensa, cassada ou cancelada. • Sofrido punição definitiva5 , nos últimos cinco anos, em decorrência de sua atuação como administrador ou membro de conselho fiscal de entidade sujeita a controle e fiscalização dos órgãos reguladores mencionados. Exerçam suas atividades com boa fé, transparência, diligência e lealdade. Cumpram todas as suas obrigações, devendo empregar, no exercício de suas atividades, o cuidado que toda pessoa prudente e diligente costuma dispensar à administração de seus próprios negócios, respondendo por quaisquer infrações ou irregularidades que venham a ser cometidas. Norteiem a prestação de suas atividades pelos princípios da liberdade de iniciativa e da livre concorrência, evitando a adoção de práticas caracterizadoras de concorrência desleal e/ou de condições não equitativas, respeitando os princípios de livre negociação. Evitem quaisquer práticas que infrinjam ou estejam em conflito com as regras e princípios contidos no Código de Certificação e na Regulação em vigor. Adotem condutas compatíveis com os princípios de idoneidade moral e profissional. 4 Assim entendidas como as instituições associadas à ANBIMA, as aderentes ao Código e as integrantes do conglomerado ou grupo financeiro das instituições participantes que desempenhem a função tutelada pelo respectivo código. 5 Punição definitiva é considerada aquela a qual não caiba mais recurso em âmbito administrativo, nem tenha tido seus efeitos suspensos por decisão judicial. 15 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO Vedem a intermediação de investimentos ilegais e não participem de qualquer negócio que envolva fraude, corrupção, manipulação ou distorção de preços, declarações falsas ou lesão aos direitos de investidores. Sejam diligentes e não contribuam para a veiculação ou circulação de notícias ou de informações inverídicas ou imprecisas sobre o mercado financeiro e de capitais. Zelem para que não sejam dadas informações imprecisas a respeito das atividades que é capaz de prestar, bem como com relação a suas qualificações, seus títulos acadêmicos e experiência profissional. Quanto às obrigações impostas pelo Código de Certificação às instituições participantes de estabelecimento e implementação adequada de controles internos, merecem destaque: Implementar e manter, em documento escrito, regras, procedimentos e controles internos que contenham, no mínimo: • Procedimentos para identificação dos Profissionais Certificados na admissão e no desligamento, bem como para atualização das informações desses profissionais, de modo a manter atualizado o Banco de Dados da ANBIMA. • Critérios adotados pelas instituições participantes para determinar as atividades elegíveis1 para cada uma das certificações. • Critérios de identificação de elegibilidade de profissionais transferidos. • Procedimento adotado para atualização de certificação de profissionais que atuam em atividades elegíveis quando de seu vencimento. • Procedimento para afastamento imediato dos profissionais que desempenhem atividades elegíveis sem a devida certificação, ou com a certificação vencida, bem como documentação formal que evidencie esse afastamento, observadas as exceções expressas no Código de Certificação. Assegurar que os profissionais vinculados à instituição participante conheçam e assinem, de forma manual ou eletrônica, o código de ética por elas adotado até o último dia do mês subsequente à sua contratação. Empenhar-se permanentemente para o aperfeiçoamento dos profissionais vinculados à instituição participante, capacitando-os e fornecendo constante atualização sobre as regras e normas aplicáveis às suas atividades. 1As atividades elegíveis são as atividades de distribuição de produtos de investimento e de gestão de recursos de terceiros, conforme definidas pelo art. 1º, XXI e XXIII do Código de Certificação. 16 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO Por fim, cabe salientar que as instituições participantes que descumprirem as regras do Código de Certificação, ou cujos profissionais o façam, estão sujeitas às penalidades previstas, que incluem: (i) advertência pública; (ii) multa de até 100 vezes o valor da maior mensalidade recebida pela ANBIMA; e (iii) desligamento da ANBIMA. Ademais, a Associação pode também cobrar uma multa equivalente a dez taxas de supervisão da certificação vigente por dia de atraso às instituições participantes que descumprirem prazos estabelecidos no Código de Certificação, ou no preenchimento e manutenção do Banco de Dados. 17 Funções básicas Saiba mais: para profissionais certificados, a leitura completa do Código de Certificação é recomendada, não sendo de forma alguma substituída pelo resumo feito nesse ponto. O Código de Certificação atualizado em sua integralidade está disponível no site da ANBIMA. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO 1.2.1.5.1.2 Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para Distribuição de Produtos de Investimento Instituído em 2018, com início de vigência a partir de 2019, é conhecido no mercado como Código de Distribuição. Esse código veio substituir os Códigos ANBIMA de Varejo e o de Private Banking, visando definir e unificar a autorregulação da atividade de distribuição de produtos de investimento, bem como estabelecer os requisitos mínimos a serem respeitados pelas instituições participantes que desempenham essa atividade. O Código de Distribuição tutela as atividades de oferta de produtos de investimento6 de forma individual ou coletiva, resultando ou não em aplicação de recursos, assim como a aceitação de pedido de aplicação por meio de agências bancárias, plataformas de atendimento, centrais de atendimento, canais digitais, ou qualquer outro canal estabelecido para esse fim, bem como atividades acessórias prestadas aos investidores, tais como a manutenção de portfólio de investimentos e fornecimento de informações periódicas acerca dos investimentos realizados. Por se debruçar sobre uma atividade diretamente ligada ao grande público, tem como objetivos: Manter elevados padrões éticos e consagrar a institucionalização das práticas equitativas no mercado. Estimular a concorrência leal, a padronização dos procedimentos e o adequado funcionamento da atividade. Manter transparência no relacionamento com os investidores. Promover a qualificação das instituições e de seus profissionais envolvidos na atividade. Nesse intuito, o Código de Distribuição impõe obrigações a seus participantes, que se dividem em cinco principais núcleos: (i) exigências institucionais mínimas; (ii) regras para contratação de terceiros; (iii) regras de publicidade e divulgação de produtos de investimento; (iv) dever de conhecer seu cliente; e (v) dever de verificar a adequação ao perfil do investidor (suitability). 6 A definição do Código de Distribuição para Produtos de Investimento é: valores mobiliários e ativos financeiros definidos pela CVM e/ou pelo BACEN. A observação dos dispositivos do Código de Distribuição não é necessária na distribuição de Produtos de Investimento para os entes da federação brasileira – estando excluídos dessa dispensa os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) – e para pessoas jurídicas do segmentos classificados como middle e corporate, segundo os próprios critérios da instituição participante, e para a distribuição de caderneta de poupança. 18 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO 19 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO Por fim, cabe salientar que as instituições participantes que descumprirem as regras do Código de Distribuição estão sujeitas às seguintes penalidades: (i) advertência pública; (ii) multa de até 100 vezes o valor da maior mensalidade recebida pela ANBIMA; (iii) proibição temporária de uso do Selo ANBIMA; e (iv) desligamento da ANBIMA. 1.2.2 Principais Intermediários Financeiros: conceito e atribuições Analisados os principais órgãos de regulação, autorregulação e fiscalização do SFN, passaremos agora a analisar, em maior detalhe, o que fazem e como se dividem os principais agentes que compõem o subsistema de intermediação, iniciando pelos principais tipos de bancos que habitam o SFN. 1.2.2.1 Bancos Múltiplos Bancos múltiplos são instituições financeiras, privadas ou públicas, constituídas sob a forma de sociedade anônima, que realizam dentro de uma mesma organização as atividades próprias de pelo menos dois tipos de instituições. As atividades realizadas são operações ativas, passivas e acessórias, feitas por intermédio das seguintes carteiras: comercial; de investimento; desenvolvimento (exclusiva dos bancos públicos); de crédito imobiliário; de arrendamento mercantil (leasing); e de crédito, financiamento e investimento. Uma dessas carteiras deve, contudo, obrigatoriamente ser comercial ou de investimento; os bancos múltiplos que dispõem de carteira comercial, por sua vez, podem captar depósitos à vista. De todo modo, qualquer banco múltiplo deve conter em sua denominação, obrigatoriamente, a expressão “Banco”. Historicamente, foi a Resolução CMN 1.524, de 21 de setembro de 1988, que autorizou a formação dos bancos múltiplos no Brasil. Nota-se, ainda, que o conceito de banco múltiplo tem relação com os chamados bancos “universais”, típicos dos modelos bancários alemão e japonês. Saiba mais: para profissionais que atuam na atividade de distribuição de produtos de investimentos, a leitura completa do Código de Distribuição é recomendada, não sendo de forma alguma substituída pelo resumo feito nesse ponto. O Código de Distribuição atualizado em sua integralidade está disponível no site da ANBIMA. 20 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO 1.2.2.2 Bancos comerciais Os bancos comerciais são instituições financeiras privadas ou públicas, constituídas sob a forma de sociedade anônima. Seu objetivo principal é proporcionar suprimento de recursos necessários para financiar, a curto e a médio prazo, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços, as pessoas físicas e os terceiros em geral. A captação de depósitos à vista, livremente movimentáveis, é atividade típica do banco comercial, o qual pode também captar depósitos a prazo. Em sua denominação social deve constar, obrigatoriamente, a expressão “Banco”. 1.2.2.3 Bancos de investimento Os bancos de investimento são instituições financeiras privadas, constituídas sob a forma de sociedade anônima. São especializados em operações de participação societária de caráter temporário, de financiamento da atividade produtiva para suprimento de capital fixo, de giro e de administração de recursos de terceiros. Os bancos de investimento não gerenciam contas correntes e captam recursos via depósitos a prazo, repasses de recursos externos, internos e venda de cotas de fundos de investimento por eles administrados. As principais operações ativas são o financiamento de capital de giro e capital fixo, a subscrição ou aquisição de títulos e valores mobiliários, a distribuição de valores mobiliários, os depósitos interfinanceiros e os repasses de empréstimos externos. Em sua denominação social deve constar, obrigatoriamente, a expressão “Banco de Investimento”. 1.2.3 Outros intermediários ou auxiliares financeiros: conceito e atribuições Vistos quais são e o que fazem os principais tipos de bancos do SFN, passamos agora a analisar outros intermediários financeiros que compõem o subsistema de intermediação. 1.2.3.1 Bolsa de valores: B3 S.A. – Brasil, Bolsa e Balcão Bolsa de valores é uma entidade que mantém ambientes ou sistemas de negociação eletrônica nos quais instituições habilitadas podem negociar títulos, valores mobiliários, derivativos e mercadorias em nome próprio ou para clientes. Essas entidades também são responsáveis pela listagem dos emissores cujos ativos são negociados em mercado secundário. A negociação em ambiente de bolsa busca a melhor formação de preços, por meio de um nível elevado de transparência anterior e posterior à negociação, uma vez que a bolsa divulga em tempo real as ofertas de compra e venda inseridas em seus sistemas, assim como as operações realizadas7. No Brasil, a B3 é a bolsa multiativos e multimercado que atua como central depositária de ativos, câmara de compensação e liquidação, bem como contraparte central garantidora. Como administradora de mercados organizados de bolsa e balcão no Brasil, a B3 oferece estrutura integrada de negociação e pós-negociação para todas as principais classes de ativos. ⁷ BM&FBOVESPA, Instituto Educacional. Por dentro da BM&FBOVESPA. 2017 21 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO Em 2017 a CVM e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovaram a fusão da BM&FBovespa com a Cetip S/A, que resultou na B3 S.A. (Brasil, Bolsa Balcão). 1.2.3.2 Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários: principais funções As sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, conhecidas popularmente apenas como “corretoras”, são instituições financeiras constituídas sob a forma de sociedade por ações ou por quotas de responsabilidade limitada. Elas exercem atividade intensa de intermediação, pela qual, em geral, cobram taxas e comissões. Embora a principal atividade das corretoras seja a execução de ordens de compra e de venda de ativos para seus clientes, sua atuação pode abranger um grande número de atividades: Operar em bolsas de valores, mercadorias e futuros por conta própria ou de terceiros. Subscrever emissões de títulos e valores mobiliários no mercado. Comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros. Encarregar-se da administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários. Exercer funções de agente fiduciário. Instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento. Emitir certificados de depósito de ações e cédulas pignoratícias de debêntures. Intermediar operações de câmbio. Praticar operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes. Praticar operações de conta margem. Realizar operações compromissadas. Praticar operações de compra e venda de metais preciosos no mercado físico, por conta própria e de terceiros. Além disso, as corretoras também podem auxiliar os investidores com a disponibilização para clientes de informações provenientes de seus departamentos técnicos ou de análises de empresas, títulos e fundos de investimento. Ademais, cabe observar que em sua atuação as corretoras estão sujeitas à fiscalização da bolsa de valores, da CVM e do BACEN. 22 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO 1.2.3.3 Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários: principais funções As sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, conhecidas popularmente apenas como “DTVMs”, são instituições financeiras constituídas sob a forma de sociedades por ações ou por quotas de sociedade limitada. Em sua denominação social deve constar obrigatoriamente a expressão “Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários”. Assim como as corretoras, as DTVMs exercem atividade intensa de intermediação, pela qual em geral cobram taxas e comissões. Tradicionalmente, as DTVMs eram diferenciadas das corretoras por não poderem operar diretamente nos ambientes e sistemas de negociação dos mercados organizados de bolsa de valores, razão pela qual concentravam seus esforços na distribuição de títulos. Contudo, após a Decisão Conjunta Bacen/CVM 17/09 essa vedação deixou de existir. Desse modo, as DTVMs passaram a poder praticar basicamente as mesmas atividades das corretoras, estando igualmente sujeitas à fiscalização da bolsa de valores, da CVM e do BACEN. 1.2.4 Sistemas e câmaras de liquidação e custódia (clearing): atribuições e benefícios para o investidor Os sistemas e câmaras de liquidação e custódia, também conhecidos como clearing houses, são os órgãos responsáveis pela liquidação das operações ocorridas nas bolsas, nos mercados de balcões organizados e no mercado financeiro como um todo. O principal objetivo desses órgãos é facilitar as transações de títulos e valores mobiliários mediante a supressão de uma série de riscos inerentes às negociações, como garantir que o que foi pago pelo comprador seja entregue; que o que foi entregue pelo vendedor seja pago; que o investimento feito de fato exista de forma documentalmente válida e que os títulos e valores mobiliários existam e estejam depositados (registrados) em locais (sistemas) seguros. Para isso, esses órgãos realizam funções de registro, compensação, liquidação e custódia, consistindo em parte essencial da infraestrutura de um sistema financeiro moderno e eficiente. A seguir, conheceremos quais são os principais Sistemas e Câmaras de Liquidação e Custódia do SFN. 1.2.4.1 Sistema especial de liquidação e de custódia (Selic): principais títulos custodiados no Selic (LFT; LTN; NTN-B, NTN-B Principal e NTN-F) O Selic é o depositário central dos títulos da dívida pública federal interna de emissão do Tesouro Nacional e, como tal, é responsável por processar a emissão, o resgate, o pagamento dos juros e a custódia desses títulos. É também um sistema eletrônico que processa o registro e a liquidação financeira das operações realizadas com esses títulos, garantindo segurança, agilidade e transparência aos negócios. Dentre os títulos custodiados pelo Selic, os principais são: LFT (Letras Financeiras do Tesouro): título cuja rentabilidade está indexada à Taxa Selic e que possui fluxo de pagamento simples - o investidor faz a aplicação e recebe o valor investido somado à rentabilidade, na data de vencimento do título, acrescida, se houver, de ágio ou deságio no momento da compra. 23 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO LTN (Letras do Tesouro Nacional): título cuja rentabilidade é prefixada, o que significa que sua rentabilidade é definida no momento da compra (caso o investidor fique com o título até seu vencimento). A rentabilidade é dada pela diferença entre o preço de compra do título e seu valor nominal no vencimento, sempre R$ 1.000,00. Essa diferença é conhecida como deságio do título. NTN-B Principal (Notas do Tesouro Nacional – Série B – Principal): título pós-fixado, cuja rentabilidade é composta por uma taxa anual pactuada no momento da compra mais a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice de inflação oficial do governo brasileiro, calculado pelo IBGE. Ele possui fluxo de pagamento simples, ou seja, o investidor faz a aplicação e resgata o valor investido somado à rentabilidade na data de vencimento do título. NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – Série B): título pós-fixado cuja rentabilidade está vinculada ao IPCA, índice de inflação oficial do governo brasileiro, calculado pelo IBGE. O rendimento da aplicação é recebido pelo investidor ao longo do investimento – por meio de cupons semestrais de juros – e na data de vencimento do título, quando do resgate do valor investido somado à rentabilidade e ao pagamento do último cupom de juros. NTN-F (Notas do Tesouro Nacional – Série F): título cuja rentabilidade é prefixada e cujo rendimento da aplicação é recebido pelo investidor ao longo do investimento – por meio de cupons semestrais de juros – e na data de vencimento do título, quando do resgate do valor investido somado à rentabilidade e pagamento do último cupom de juros. Todos os títulos são escriturais, isto é, são emitidos exclusivamente na forma eletrônica. A liquidação da ponta financeira de cada operação é realizada por intermédio do Sistema de Transferência de Reservas (STR), ao qual o Selic é interligado. O sistema do Selic é gerido pelo BACEN e operado em parceria com a ANBIMA. 1.2.4.2 Câmara de liquidação, compensação e custódia da B3 S.A. (Clearing B3). A Clearing B3 é o braço que realiza o registro, a compensação, a liquidação e o gerenciamento de risco de operações com derivativos financeiros e de commodities, mercado de balcão (swaps, termo de moeda e opções flexíveis), renda fixa privada e mercado à vista de ouro. Sucessora da antiga Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e fruto da fusão das câmaras de Derivativos e de Ações e Renda Fixa Privada, a Clearing B3 liquida operações realizadas por meio dos sistemas de negociação “PUMA” e “Bovespa Fix”, ambos ligados à B3. O PUMA negocia títulos de renda variável (mercados à vista e de derivativos – opções, termo e futuro) e o Bovespa Fix negocia títulos privados de renda fixa (operações definitivas no mercado à vista). A Clearing B3 atua também como depositária central de ações e de títulos de dívida corporativa, além de operar programa de empréstimo sobre esses títulos por meio do Banco de Títulos (BTC), com garantia da B3. 24 SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E PARTICIPANTES DO MERCADO Ademais, desde 2014 as câmaras ligadas à B3 estão passando por um processo de integração, que busca unificar em uma mesma clearing house as quatro câmaras antigamente existentes, a saber: câmaras de Ações e Renda Fixa Privada (integralizada em 2017), de Derivativos (integralizada em 2014), de Títulos de Renda Fixa Pública e de Câmbio (a integralização destas duas últimas ainda está pendente). Essa integralização promete diminuir custos operacionais e otimizar o cálculo das margens de garantia. 1.2.4.3 Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB): conceito. O SPB é o conjunto de entidades, sistemas e mecanismos relacionados com o processamento e a liquidação de operações de transferência de fundos, de operações com moeda estrangeira ou com ativos financeiros e valores mobiliários. Desde 2002, quando houve uma grande reforma no SPB decorrente da edição da Lei 10.214/2001 (conhecida como “Lei do SPB” e que estabeleceu o fundamento legal e regulatório das câmaras de compensação e liquidação), proporcionou-se a interligação dos sistemas dos participantes do mercado, que também participaram ativamente dessa reformulação. Isso de modo que pessoas físicas, empresas, governos e instituições financeiras passaram a poder realizar transferências de dinheiro para pagamentos, cobertura de saldos, aplicações e outras finalidades com muito mais segurança e rapidez. Hoje o SPB é integrado por serviços de: Compensação de cheques. Compensação e liquidação de ordens eletrônicas de débito e de crédito. Transferência de fundos e de outros ativos financeiros. Compensação e liquidação de operações com títulos e valores mobiliários. Compensação e liquidação de operações realizadas em bolsas de mercadorias e de futuros e outras entidades. Além disso, o SPB se caracteriza atualmente pela base legal sólida e abrangente, pelo uso obrigatório de contrapartes centrais para a liquidação de obrigações, pela certeza da liquidação dada pela contraparte central com base em mecanismos de gerenciamento de riscos e salvaguardas, bem como pela irrevogabilidade e finalidade das liquidações. Dito isso, é importante ter em mente que as infraestruturas do mercado financeiro desempenham um papel fundamental para o sistema financeiro e a economia de forma geral. Isso porque, para a estabilidade financeira e o desenvolvimento do mercado, é preciso confiança na qualidade e continuidade dos serviços prestados. 1. Uma facilidade decorrente da função de prestação de serviços de gerenciamento de recursos desempenhada pelo Sistema Financeiro Nacional é a (A) intermediação financeira entre agentes. (B) disponibilização de um serviço de guarda limitado a bens de luxo. (C) disponibilização de seguros para as mais diferentes finalidades. (D) possibilidade de emissão de papel-moeda por bancos privados. 2. Sobre a função de intermediação financeira desempenhada pelo Sistema Financeiro Nacional, é correto afirmar que (A) o agente superavitário é aquele que necessita de mais dinheiro do que tem disponível, enquanto o agente deficitário é aquele que necessita de menos dinheiro do que o montante que tem disponível. (B) a expressão custos de transação representa o valor cobrado por uma corretora para a realização de uma operação e também é denominada taxa de corretagem. (C) os intermediários financeiros que estejam regularmente inseridos no SFN não podem cobrar taxas de juros mais altas do que as permitidas pela Lei da Usura. (D) a captação de recursos dos agentes superavitários, mediante contrapartida, e a sua disponibilização aos agentes deficitários, mediante cobrança de juros, é denominada de intermediação financeira. 3. O Conselho Monetário Nacional (CMN) é o órgão (A) subordinado hierarquicamente ao Banco Central do Brasil. (B) composto pelos diretores do Banco Central do Brasil. (C) deliberativo máximo do Sistema Financeiro Nacional. (D) subordinado ao Ministro da Economia. 4. É uma atribuição do Banco Central do Brasil (BACEN) (A) definir as condições e os limites de emissão de papel-moeda. (B) autorizar o funcionamento de instituições financeiras e promover a fiscalização delas. (C) eleger os administradores de todas as instituições financeiras privadas. (D) fiscalizar o funcionamento de sociedades seguradoras. 5. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é (A) uma autarquia vinculada e diretamente subordinada ao Ministério da Economia. (B) composta por um presidente e quatro diretores, todos nomeados pelo Ministro da Economia. (C) responsável por regulamentar as matérias previstas na Lei das Sociedades Anônimas. (D) responsável por ressarcir os investidores por danos sofridos em investimentos realizados no mercado de capitais. 25 QUESTÕES 6. O órgão responsável pela proteção da captação de poupança popular em investimentos realizados em planos de previdência complementar aberta é (A) o Banco Central do Brasil (BACEN) (B) a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) (C) o Conselho Monetário Nacional (CMN) (D) a Superintendência de Seguros Privados (Susep) 7. Uma das obrigações específicas exigida pelo Código de Certificação da ANBIMA é que: (A) as instituições participantes não devem divulgar informações reservadas ou privilegiadas em nenhuma situação. (B) os profissionais certificados devem recusar a intermediação de investimentos ilícitos, ressalvada a hipótese em que a transação acarrete ganhos financeiros relevantes para a instituição em que trabalham. (C) as instituições participantes devem estabelecer e implementar procedimentos internos para afastamento imediato dos profissionais que desempenhem atividades elegíveis sem a devida certificação, ou com a certificação vencida. (D) os profissionais certificados não devem informar aos clientes a respeito da possibilidade de recebimento de remuneração pela instituição participante decorrente da indicação de investimentos, uma vez que essa informação é sigilosa. 8. De acordo com o Código de Distribuição da ANBIMA, para desempenho da atividade de distribuição de produtos de investimento, as instituições participantes devem, entre outras exigências I. observar regras para a contratação de terceiros. II. observar regras relacionadas à publicidade e divulgação de produtos de investimento. III. verificar a adequação do produto de investimento ao perfil do investidor (suitability). Está correto o que se afirma em: (A) I e II, apenas. (B) II e III, apenas. (C) I e III, apenas. (D) I, II e III. 9. O tipo de banco privado que tem como especialidade realizar operações de participação societária de caráter temporário, de financiamento da atividade produtiva para suprimento de capital fixo e de giro e de administração de recursos de terceiros é o banco: (A) múltiplo. (B) comercial. (C) de desenvolvimento. (D) de investimento. 26 QUESTÕES 10. A negociação de valores mobiliários em bolsa tem como principal objetivo: (A) alcançar a melhor formação de preços. (B) proteger os investidores do risco de volatilidade. (C) garantir o anonimato das transações realizadas. (D) fomentar a atividade especulativa. 11. A responsabilidade de processar a emissão, o resgate, o pagamento dos juros e a custódia de títulos públicos federais é: (A) do Sistema especial de liquidação e de custódia (Selic). (B) das sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários. (C) das bolsas de valores. (D) das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários. 12. O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) é o conjunto de (A) entidades, sistemas e mecanismos relacionados com o processamento e a liquidação de operações de transferência de fundos, de operações com moeda estrangeira ou com ativo financeiros e valores mobiliários. (B) instituições financeiras, cooperativas de crédito e centrais depositárias de ações e de títulos de dívida corporativa. (C) sistemas eletrônicos disponibilizados pelo governo brasileiro para transferência de recursos e pagamento de tributos em âmbito federal, estadual e municipal. (D) sistemas e mecanismos relacionados com as transferências e liquidações de câmbio utilizados por agentes de outras nacionalidades para realização de operações de importação e exportação com o Brasil. 27 QUESTÕES 1. C Justificativa: A disponibilização de seguros para as mais diferentes finalidades é uma das facilidades decorrentes da função de prestação de serviços de gerenciamento de recursos desempenhada pelo SFN. 2. D Justificativa: Traz o conceito correto de intermediação financeira. 3. C Justificativa: O CMN é o órgão deliberativo máximo do Sistema Financeiro Nacional. 4. B Justificativa: Compete ao BACEN fiscalizar as instituições financeiras autorizadas a operar, autorização essa que também é concedida pelo BACEN. 5. C Justificativa: Compete à CVM regulamentar as matérias previstas da Lei das Sociedades Anônimas, assim como as matérias previstas na Lei 6.385/1976. 6. D Justificativa: Compete à Susep proteger a captação de poupança popular, realizada por meio de operações de seguro, previdência complementar aberta, de capitalização e resseguro. 7. C Justificativa: Trata-se de um procedimento interno de estabelecimento e implementação obrigatórios, nos termos do art. 9º, §1º, inciso V, do Código de Certificação. 8. D Justificativa: Apresenta três dos principais núcleos de obrigações instituídas pelo Código de Distribuição da ANBIMA. 9. D Justificativa: As operações descritas no enunciado são aquelas de especialidade dos bancos de investimento. 10. A Justificativa: O principal objetivo da negociação em bolsas de valores é aprimorar a formação dos preços. 11. A Justificativa: O Selic é responsável por processar a emissão, o resgate, o pagamento dos juros e a custódia de títulos públicos federais. 12. A Justificativa: Essa definição corresponde ao conceito de SPB. 28 RESPOSTAS GLOSSÁRIO 29 Ações: frações ideais do capital social de empresas. Títulos que representam para o acionista direito de participação na sociedade e, de maneira indireta, direito sobre os ativos e sobre os resultados financeiros da empresa. Ações ordinárias: ações que conferem a seus detentores os direitos patrimoniais garantidos em lei; especificamente, são ações que conferem a seus detentores o direito a voto nas assembleias de acionistas das empresas. Ações preferenciais: ações que conferem a seus detentores a prioridade no recebimento de dividendos distribuídos pela companhia e no reembolso do capital. Administração Fiduciária: é o conjunto de serviços relacionados direta ou indiretamente ao funcionamento e à manutenção do Fundo, desempenhada por pessoa jurídica autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários. Agência de classificação de risco: entidade responsável por analisar o risco de crédito de emissores e de emissões de títulos de renda fixa e por emitir opinião por meio de uma nota de crédito (rating). Agente autônomo de investimento (AAI): é a pessoa natural que atua na prospecção e captação de clientes, recepção e registro de ordens e transmissão dessas ordens para os sistemas de negociação ou de registro cabíveis e na prestação de informações sobre os produtos oferecidos e sobre os serviços prestados pela instituição integrante do sistema de distribuição de valores mobiliários pela qual tenha sido contratado. Agentes econômicos deficitários: indivíduos ou entidades cujas despesas superam suas receitas. Agentes econômicos superavitários: indivíduos ou entidades cujas receitas superam suas despesas. Agente fiduciário: é quem representa a comunhão dos debenturistas perante a companhia emissora, com deveres específicos de defender os direitos e interesses dos debenturistas, entre outros citados na lei. ANBIMA: Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Aplicação: compra de um ativo financeiro na expectativa de que, no tempo, produza retorno financeiro. Apreçamento: consiste em precificar os ativos pertencentes à carteira dos Veículos de Investimento, pelos respectivos preços negociados no mercado em casos de ativos líquidos ou, quando este preço não é observável, por uma estimativa adequada de preço que o ativo teria em uma eventual negociação feita no mercado. Atividade de Compliance: conjunto de medidas direcionadas a verificar e garantir que os diversos setores de uma companhia observam regras e padrões impostos pelas normas legais e regulatórias. 30 GLOSSÁRIO Audiência pública: reunião pública para comunicação e discussão de determinados assuntos entre diversos setores da sociedade e as autoridades públicas. Autorregulação: estabelecimento ou verificação de regras feitas pelas pessoas ou entidades que serão alvo de regulação. B3 S.A.: Brasil, Bolsa, Balcão (atual Denominação Social da antiga BM&FBovespa S.A. – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros após fusão com a Cetip S.A.). É uma empresa de infraestrutura do mercado financeiro brasileiro. BACEN: Banco Central do Brasil. Banco de Dados da ANBIMA: é o conjunto de informações cadastrais enviadas para a ANBIMA pelas instituições participantes que são armazenadas de forma estruturada. Benchmark: termo em inglês para processo de comparação de produtos, serviços e práticas empresariais. Índice de referência. Beneficiário: pessoa física (ou pessoas físicas) indicada livremente pelo participante para receber os valores de benefício ou resgate, na hipótese de seu falecimento, de acordo com a estrutura do plano de previdência ou seguro e na forma prevista pela legislação e pelo desejo do participante. Benefício: pagamento que os beneficiários recebem em função da ocorrência do evento gerador durante o período de cobertura, ou seja, é o período do recebimento da renda propriamente dita, em que o participante de um plano de previdência optará pelo recebimento de uma renda temporária ou vitalícia. Beneficiário final: a pessoa natural em nome da qual uma transação é conduzida ou a pessoa natural que, em última instância, de forma direta ou indireta, possui, controla ou influencia significativamente a entidade em nome da qual a transação é conduzida. Bonificação: distribuição, por parte da companhia, de ações aos seus acionistas por conta da capitalização das reservas de lucro. Cadastros de crédito: bancos de dados que armazenam informações sobre o histórico de crédito de pessoas e empresas, a fim de possibilitar que determinada decisão sobre conceder ou não um crédito seja mais bem fundamentada. Caderneta de poupança: modalidade de investimento de baixo risco que credita rendimentos mensalmente, na data equivalente à data de aplicação (data-base). Seus rendimentos são isentos de imposto de renda para pessoa física e os depósitos possuem garantia do FGC. Canais Digitais: canais digitais ou eletrônicos utilizados na distribuição de produtos de investimento, que servem como instrumentos remotos sem contato presencial entre o investidor ou potencial investidor e a instituição participante. Capital de terceiros: recursos levantados pela companhia junto a terceiros na forma de dívida, para fins de financiamento de suas atividades. 31 GLOSSÁRIO Capital próprio: patrimônio líquido da empresa, ou seja, o dinheiro aplicado pelos acionistas e quaisquer lucros retidos pela companhia ao longo do tempo. Capitalização composta: regime de capitalização de juros em que o montante inicial é acrescido de juros a cada período, para fins de cálculo dos juros dos períodos subsequentes. Capitalização simples: regime de capitalização de juros em que o montante inicial serve como base de cálculo para os juros de todos os períodos. Carência: prazo preestabelecido durante o qual o participante de um plano de previdência, ou investidor, não tem acesso aos seus recursos. Carta de recomendação: proposta elaborada pela área de Supervisão da ANBIMA para uma instituição participante visando à correção ou compensação de uma infração de pequeno potencial ofensivo. Certificado de Depósito Bancário (CDB): título de renda fixa que representa depósito a prazo realizado por investidores em uma instituição financeira. Clube de investimento: comunhão de recursos de pessoas físicas; é criado com o objetivo de investir no mercado de títulos e valores mobiliários. Deve ter no mínimo 3 e no máximo 50 cotistas e ao menos 67% do seu patrimônio líquido devem estar investidos em instrumentos de renda variável como ações. COAF: Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão ligado ao Banco Central que tem como missão produzir inteligência financeira e promover a proteção dos setores econômicos contra a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo. Colocação privada: venda de valores mobiliários emitidos por uma companhia para um grupo selecionado de investidores, sem que haja distribuição pública. Come-cotas: recolhimento semestral do Imposto de Renda (IR) incidente sobre os rendimentos obtidos nas aplicações em determinados fundos de investimento. Comitê de Política Monetária (COPOM): comitê criado no âmbito do Banco Central do Brasil e incumbido de implementar a política monetária, definir a meta para a Taxa Selic (e seu eventual viés) bem como analisar o Relatório de Inflação. É formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central. Commodities: palavra em inglês para mercadoria. No mercado financeiro e de capitais, geralmente refere-se a matérias-primas e produtos agrícolas, como minério de ferro, petróleo, carvão, sal, açúcar, café, soja, alumínio, cobre, arroz, trigo, ouro, prata, paládio e platina. Competências: poderes específicos dados a determinado agente para que cumpra as atribuições a ele designadas. Compliance: função de cumprimento das políticas, procedimentos, controles internos e regras estabelecidas pela regulação vigente. Cota: menor fração de um fundo de investimento. 32 GLOSSÁRIO Cotista: investidor de fundos de investimento. Crédito Privado: títulos de renda fixa de emissores (empresas) privados. Custos de transação: conceito econômico utilizado para representar o dispêndio de recursos necessários para participar de uma determinada transação, envolvendo, mas não se limitando ao custo de planejar, redigir, adaptar e monitorar o cumprimento de contratos, por exemplo. CRI: Certificados de Recebíveis Imobiliários. CTVM: sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que desempenham papel de intermediação de negócios entre os investidores e o mercado. São instituições autorizadas a operar em bolsa de valores, recebendo as ordens dos clientes e colocando as ofertas correspondentes no ambiente da bolsa. CVM: Comissão de Valores Mobiliários. Debêntures: títulos de renda fixa emitidos por sociedades por ações de capital aberto ou fechado; representam um direito de crédito do investidor sobre a companhia emissora. São consideradas “simples” quando não oferecem ao investidor a opção de conversão em ações (ver debêntures conversíveis). Debêntures conversíveis: conferem aos debenturistas a opção de convertê-las em ações da mesma empresa emissora das debêntures, a um preço pré-especificado, em datas determinadas ou durante um período de tempo. Debêntures incentivadas: títulos de renda fixa emitidos por companhias ou por sociedade de propósito específico para financiar investimentos, especialmente em áreas prioritárias para o Governo Federal; oferecem isenção de imposto de renda sobre seus rendimentos para investidores pessoas físicas e não residentes, desde que preencham os requisitos legais para receberem tal incentivo tributário. Debêntures permutáveis: conferem aos debenturistas a opção de convertê-las em ações de outra empresa que não a empresa emissora das debêntures, a um preço pré-especificado, em datas determinadas ou durante um período de tempo. Deflação: redução geral no nível de preços de uma economia. Corresponde a uma taxa de inflação negativa. Desdobramento: concessão de uma ou mais novas ações para cada ação existente; também conhecido como split. Dever de diligência: obrigação imposta a alguns agentes que operam em nome e benefício de terceiros de atuar com a prudência e o zelo que se esperariam de alguém na administração de seus próprios negócios. DI: Depósito Interfinanceiro. Direito creditório: direito a determinado crédito e títulos representativos deste direito. 33 GLOSSÁRIO Distribuidor: instituição financeira que tem como atividade principal ou acessória a intermediação de operações nos mercados regulamentados de títulos e valores mobiliários. Diversificação: técnica de alocação de capital em diferentes ativos, setores ou mercados, com o objetivo de reduzir a exposição do investidor ao risco particular de cada um dos ativos. Dívida externa: somatório dos débitos de um país, resultantes de empréstimos e financiamentos contraídos no exterior pelo próprio governo, por empresas estatais ou privadas. Dividendos: remuneração paga aos acionistas de uma companhia como distribuição parcial ou integral dos lucros obtidos em um exercício. DTVM: sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários. Desempenham papel similar às CTVM e são a elas equiparadas para todos os fins práticos. Ver CTVM. Economia de escala: eficiência econômica obtida por meio da intensificação de determinada atividade. Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPC): é a entidade ou sociedade seguradora autorizada a instituir planos de previdência complementar aberta. Estes podem ser individuais, quando contratados por qualquer pessoa, ou coletivos, quando garantem benefícios a indivíduos vinculados, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC): são conhecidas como fundos de pensão. São instituições sem fins lucrativos que mantêm planos de previdência coletivos, organizadas pelas empresas para seus empregados, com o objetivo de garantir pagamento de benefícios a seus participantes. Podem também ser organizadas por associações, sindicatos ou entidades de classes. Escritura de emissão: principal documento legal de uma emissão de debêntures, do qual constam todas as características dos títulos, incluindo prazo até o vencimento, taxa de remuneração, uso dos recursos e obrigações da companhia emissora. Fatores de risco: fatos ou condições que tornam a concretização de um problema mais provável. Fundo Garantidor de Crédito (FGC): entidade civil privada, sem fins lucrativos, criada em 1995 com o objetivo de administrar mecanismos de proteção aos credores de instituições financeiras. Oferece garantia para créditos de até R$ 250.000,00 por pessoa física ou jurídica, por conglomerado financeiro, limitado a R$ 1 milhão, a cada período de 4 anos, para garantias pagas para cada CPF ou CNPJ. FIDC: Fundo de Investimento em Direitos Creditórios. FII: Fundos de Investimento Imobiliários. Fonte da riqueza: maneira pela qual o patrimônio de um investidor foi ou é obtido. Fundo aberto: fundos que permitem a entrada (aplicação) e saída (resgate) de cotistas. 34 GLOSSÁRIO Fundo Exclusivo: fundo destinado exclusivamente a um único investidor profissional, nos termos da Regulação em vigor; Fundo de Investimento Especialmente Constituído (FIE): fundos cujos únicos cotistas são, direta ou indiretamente, sociedades seguradoras e entidades abertas de previdência complementar, cuja carteira seja composta em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na regulamentação que disciplina a aplicação dos recursos das reservas, das provisões e dos fundos das sociedades seguradoras, das sociedades de capitalização e das entidades abertas de previdência complementar. Fundo fechado: fundo em que a entrada (aplicação) e a saída (resgate) de cotistas não é permitida e que as cotas são resgatadas ao término do seu prazo de duração. Fundo Reservado: fundo destinado a um grupo determinado de investidores que tenham entre si vínculo familiar, societário ou que pertençam a um mesmo conglomerado ou grupo econômico, ou que, por escrito, determinem essa condição; Ganho de capital: representado pela diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra de um ativo. Gestão de Riscos: atividade de identificar, mensurar, avaliar, monitorar, reportar, controlar e mitigar os riscos atribuídos à atividade específica de uma determinada organização. Grupamento: é o inverso da operação de desdobramento e consiste na transformação de duas ou mais ações existentes em uma única ação nova; também conhecido como inplit. Hedge: operação que visa reduzir ou eliminar os riscos de oscilações inesperadas nos preços de ativos. Heterorregulação: atividade regulatória desenvolvida por um agente externo ao ambiente regulado. IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ibovespa: Índice da Bolsa de Valores de São Paulo. É o principal indicador de desempenho das empresas listadas na bolsa e composto pelas maiores e mais negociadas ações da B3 S.A. IBX: Índice Brasil. Índice que avalia o retorno de uma carteira composta pelas ações mais negociadas na B3 S.A., selecionadas pelo critério de liquidez e ponderadas pelo valor de mercado do free-float. Índice de referência: indicador que serve como base de comparação para a avaliação do desempenho relativo de um instrumento financeiro ou de uma carteira de ativos. Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M): índice de preços calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). É uma média ponderada de outros três índices da FGV: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA, com peso de 60%), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC, com peso de 30%) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC, com peso de 10%). 35 GLOSSÁRIO Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): índice de preços divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Busca medir a variação de preços de forma bastante ampla, contemplando os gastos de famílias cujo rendimento mensal seja de 1 a 40 salários mínimos e residentes em áreas urbanas. Inflação: conceito econômico que designa o aumento continuado e generalizado dos preços de bens e serviços. Instituição participante: as instituições que são associadas à ANBIMA ou que tenham aderido, voluntariamente, a qualquer um dos seus códigos de autorregulação. Instrução CVM: ato normativo regulatório emitido pela CVM. Intermediação financeira: a atividade de captar recursos dos agentes superavitários, mediante algum tipo de contrapartida, e disponibilizá-los para agentes deficitários, mediante a cobrança de juros. Investidores: agentes econômicos superavitários que buscam remuneração para seu capital por meio de aplicações em produtos financeiros. Investimento: aplicação de capital em meios de produção ou nos mercados financeiro e de capitais. IOF: Imposto sobre Operações Financeiras. IOSCO: International Organization of Securities Commissions (Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários). IPO: sigla do inglês Initial Public Offering. É a Oferta Pública Inicial de Ações, processo por meio do qual os investidores têm acesso a novas ações emitidas no mercado primário. IR: Imposto de Renda, conforme regulado pela Secretaria da Receita Federal. Juros sobre capital próprio: remuneração paga aos acionistas como distribuição de lucros retidos em exercícios anteriores. Letra de Crédito do Agronegócio (LCA): título de dívida emitido por instituição financeira e lastreado em créditos do agronegócio de propriedade da instituição emissora. Letra de Crédito Imobiliário (LCI): título de dívida emitido por instituição financeira e lastreado em créditos imobiliários de propriedade da instituição emissora. Letra do Tesouro Nacional (LTN): título público federal que oferece ao investidor um retorno predefinido (caso seja mantido até o seu vencimento) no momento da compra; não há pagamentos de juros periódicos e não há atualização do valor nominal por índice de preços 36 GLOSSÁRIO Letra Financeira do Tesouro (LFT): título público federal cuja rentabilidade é pós-fixada e dada pela Taxa Selic acumulada no período de investimento, acrescida de ágio ou deságio registrado no momento da compra do título; não há pagamento de juros periódicos ao investidor e não há atualização do valor nominal do título por índice de preços. Liquidez: grau de facilidade com que um ativo pode ser comprado ou vendido no mercado a um preço adequado ou justo. Marcação a mercado (MaM): atualização do preço de um ativo utilizando o preço verificado no mercado em determinado dia. Medida da riqueza: tamanho do patrimônio acumulado por um investidor. Mercado primário: mercado onde ocorrem os lançamentos de novas ações e títulos de renda fixa, para a primeira aquisição por parte de investidores. É nesse mercado que as empresas emissoras de valores mobiliários captam recursos para se financiar. Mercado secundário: mercado onde os ativos financeiros já existentes são negociados e transferidos entre investidores. Meta para a Taxa Selic: taxa de juros definida pelo Comitê de Política Monetária como objetivo para a taxa básica da economia. Nota de crédito: opinião resumida a respeito de um emissor ou de uma emissão de títulos de renda fixa, publicada por uma agência de classificação de risco. Também conhecida como rating. Nota do Tesouro Nacional Série B (NTN-B): título público federal cuja rentabilidade é composta por uma taxa de juros predefinida no momento da compra do título, acrescida da variação do IPCA; há pagamento de juros semestrais a uma taxa de cupom fixa de 6% a.a. Nota do Tesouro Nacional Série B Principal (NTN-B Principal): título público federal cuja rentabilidade é composta por uma taxa de juros predefinida no momento da compra do título, acrescida da variação do IPCA; não há pagamento de juros semestrais. Nota do Tesouro Nacional Série F (NTN-F): título público federal que oferece ao investidor uma rentabilidade fixa (caso o título seja mantido até o seu vencimento), definida no momento da compra; há pagamento de juros semestrais a uma taxa de cupom fixa de 10% a.a., sem atualização do valor nominal do título por índice de preços. Objetivo de retorno: taxa de retorno requerida e desejada pelo investidor. Objetivo de risco: tolerância do investidor ao risco, composta pela capacidade e pela disposição para assumir riscos. Oferta pública: modalidade de oferta regida pela Instrução CVM 400/03, que permite a ampla distribuição de valores mobiliários para o público investidor, desde que satisfeitas todas as exigências especificadas na norma. 37 GLOSSÁRIO Oferta pública com esforços restritos: modalidade de oferta regida pela Instrução CVM 476/09, que permite a distribuição de valores mobiliários para o público investidor de maneira restrita e com a liberação de algumas exigências impostas no caso de uma oferta ampla. Oferta pública primária: oferta em que as ações são ofertadas pela primeira vez. Os recursos captados são canalizados para a companhia emissora das ações. Oferta pública secundária: oferta em que as ações são ofertadas por atuais acionistas da companhia. Os recursos captados são canalizados para os acionistas que vendem suas ações, e não para a companhia emissora das ações. Operação compromissada: aplicação financeira por meio da qual o investidor adquire um título de renda fixa vendido por uma instituição financeira, que assume o compromisso de recompra do título em um prazo determinado. Ordem a mercado: em uma oferta de ações, ordem por meio da qual o investidor indica à instituição intermediária que deseja adquirir ações a qualquer que seja o preço final de lançamento. Ordem limitada: em uma oferta de ações, ordem por meio da qual o investidor comunica à instituição intermediária o preço máximo que deseja pagar por cada ação a ser adquirida. Participante: pessoa física que contrata ou, no caso de contratação sob a forma coletiva, adere a um plano de previdência complementar aberta. Perfil de personalidade: descrição das características pessoais e padrões de comportamento do investidor que podem influenciar suas decisões a respeito das diferentes alternativas de investimento. Perfil situacional: documento que resume as características do investidor e descreve suas preferências, suas circunstâncias pessoais e financeiras, seus desejos e seus objetivos de vida. Período de carência: é o período em que não serão aceitas solicitações de resgate ou de portabilidade por parte do participante de um plano de previdência. Período de pagamento do benefício: período em que o assistido (ou os assistidos) fará jus ao pagamento do benefício, sob a forma de renda, podendo ser vitalício ou temporário. Período de reserva: em uma oferta pública de ações, é o período determinado para que os potenciais investidores registrem junto às instituições intermediárias da oferta o seu interesse em adquirir as ações a serem distribuídas. Pessoas politicamente expostas: os agentes públicos que desempenham ou tenham desempenhado, nos últimos cinco anos, no Brasil ou em países, territórios e dependências estrangeiras, cargos, empregos ou funções públicas relevantes, assim como seus representantes, familiares e estreitos colaboradores. 38 GLOSSÁRIO Plano de continuidade de negócios: é o conjunto de planos e sistemas de prevenção e recuperação elaborados para lidar com ameaças operacionais aos negócios da empresa, garantindo a continuidade dos negócios mesmo em uma situação operacional adversa. Plano de negócios: documento escrito que detalha como uma empresa pretende atingir seus objetivos. Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL): produto de previdência complementar, de contratação opcional que tem como objetivo complementar a aposentadoria oficial. Sem garantia de rendimento mínimo, o participante recebe integralmente o resultado financeiro obtido pelo plano. Oferece benefício fiscal em determinadas circunstâncias, pois permite ao participante deduzir o valor das contribuições anuais da base de cálculo do imposto de renda na Declaração Anual de Ajuste do IR. Poder de compra: valor de uma moeda em termos da quantidade de bens e serviços que uma unidade monetária pode adquirir. O poder de compra da moeda reduz-se quando há inflação de preços. Política de investimento: documento que estabelece as diretrizes estratégicas que devem ser observadas na gestão dos recursos do investidor. Política monetária: política econômica por meio da qual a autoridade monetária de um país exerce controle sobre a oferta de moeda e busca manter a estabilidade dos preços. Portabilidade: é o direito que o participante tem de transferir os recursos financeiros acumulados na sua provisão de um plano de previdência complementar para outro plano de benefício previdenciário operado por outra entidade de previdência complementar. Práticas não equitativas: conduta vedada e combatida pela CVM consistente na prática de atos que resultem em colocar uma parte em posição de desequilíbrio ou desigualdade indevida em relação aos demais participantes da operação. Prazo de diferimento: período compreendido entre a data da contratação do plano de previdência complementar pelo participante e a data escolhida por ele para o início da concessão do benefício, podendo coincidir com o prazo de pagamento das contribuições. Prazo médio ponderado: medida de tempo médio para recebimento de um fluxo de pagamentos, incluindo os valores de principal e de juros. Os prazos para recebimento de cada fluxo são ponderados pelo valor presente do respectivo pagamento. Processo de suitability: processo adotado para verificar a adequação de determinados produtos, serviços ou operações realizadas nos mercados financeiro e de capitais ao perfil de um investidor. Produto Interno Bruto (PIB): soma de todos os bens e serviços finais, em termos monetários e a valor de mercado, produzidos em determinada região durante um certo período (normalmente um ano). 39 GLOSSÁRIO Produtos automáticos: produtos financeiros de aplicação e resgate automático, destinados, exclusivamente, aos correntistas da instituição. Prospecto de distribuição: documento informativo a respeito de uma emissão de debêntures, distribuído aos potenciais investidores e que contém as características relevantes da oferta, bem como informações detalhadas sobre a companhia emissora, o uso pretendido dos recursos captados, os custos da emissão e os fatores de risco envolvidos no investimento nos títulos, entre outras. Proventos: remunerações recebidas por detentores de ações; incluem dividendos, juros sobre capital próprio e bonificações. Rating: classificação de risco de crédito emitida por agência de classificação de risco (como Moody’s Investor Services, S&P e Fitch Ratings). Relação fiduciária: a relação de confiança e lealdade que se estabelece entre investidores e instituições financeiras intermediárias. Renda: série de pagamentos periódicos a que tem direito o assistido (ou assistidos), de acordo com a estrutura do plano de previdência complementar. Renda fixa: classe de ativos que inclui títulos públicos federais, títulos de emissão de instituições financeiras (ver CDB, LCI e LCA), títulos emitidos por empresas (ver debêntures) e outros papéis que oferecem taxa de juros pré-especificada, seja ela prefixada ou pós-fixada. Os títulos representam uma promessa de pagamento (uma dívida) de uma parte para outra. Renda variável: classe de ativos que inclui ações preferenciais e ações ordinárias (ver ações) e tipicamente composta por instrumentos que oferecem a seus detentores uma participação no capital social de companhias. Rentabilidade: retorno obtido em um investimento. Rentabilidade absoluta: retorno total obtido em um investimento e expresso na forma de percentual sobre o valor investido. Rentabilidade bruta: retorno total obtido em um investimento. Rentabilidade líquida: é o retorno obtido em um investimento, descontados os impostos e as taxas aplicáveis. Rentabilidade relativa: é o retorno obtido em um investimento, descontado o retorno obtido por um benchmark (índice de referência). Risco: chance de se verificar uma perda em uma aplicação financeira. Em investimentos é a possibilidade de alguma variável imprevista impactar negativamente uma aplicação. Essa interferência pode levar à perda de parte, todo o valor investido originalmente ou até mesmo um valor superior a ele, caso haja alavancagem. 40 GLOSSÁRIO Risco cambial: risco originado pela oscilação das taxas de câmbio, isto é, do preço de uma moeda em relação a outra. Risco de crédito: risco de o investidor registrar uma perda em seu investimento por conta do aumento do spread de crédito requerido por investidores nesse investimento ou pelo efetivo descumprimento, por parte do emissor de um título de renda fixa, das obrigações referentes ao pagamento de juros e de principal nesse título. Risco de default ou risco de inadimplência: risco de o investidor não reaver, de maneira integral ou parcial, o seu investimento original em um título de dívida. Risco de downgrade: possibilidade de perda em um título de renda fixa causada por redução, por parte de uma agência de classificação de risco, na nota de crédito do emissor ou do próprio título. Risco geopolítico: possibilidade de perdas em um investimento por conta de alterações adversas no cenário político em um país ou uma região. Risco legal: risco de perdas em um investimento devido ao não cumprimento da legislação local do país onde o investimento acontece ou devido a problemas jurídicos na elaboração de contratos. Risco de liquidez: risco de ocorrência de perdas para o investidor por conta da negociação de um ativo por um preço distante do seu preço justo. Risco não sistemático: é o risco específico de cada empresa, que pode ser reduzido por meio de diversificação da carteira de investimentos. Risco de mercado: risco de se verificar perdas causadas pelos movimentos dos preços dos ativos no mercado. Risco do mercado de ações: possibilidade de perda advinda das flutuações observadas nos preços dos ativos negociados no mercado acionário. Risco de spread: possibilidade de perda advinda de flutuação no preço de um papel de renda fixa, causada pela variação no spread de crédito requerido pelo mercado. Risco regulatório: possibilidade de perda em um investimento por conta do não cumprimento de regras e instruções das autoridades locais no que se refere à negociação de instrumentos financeiros em determinado país. Risco sistemático ou risco não diversificável: risco advindo de fatores gerais e comuns ao mercado; chance de se verificar perdas em um ativo ou carteira de ativos por conta de eventos ou elementos que afetam a economia ou o mercado como um todo, também conhecido como risco de mercado. 41 GLOSSÁRIO Risco de taxa de juros: possibilidade de perda advinda da flutuação dos preços de títulos de renda fixa causada por alterações nas taxas de juros. Risco total: em um ativo ou carteira de ativos, é a soma dos riscos sistemático e não sistemático. Risco tributário: possibilidade de que, sobre os rendimentos obtidos em uma aplicação financeira, venham a incidir impostos e taxas não previstos originalmente. Risco de mudanças nas regras tributárias. Selic: Sistema Especial de Liquidação e de Custódia do Banco Central do Brasil. É um sistema informatizado que se destina à custódia de títulos escriturais de emissão do Tesouro Nacional, bem como ao registro e à liquidação de operações com esses títulos. Selo ANBIMA: marca visual composta da logomarca da ANBIMA seguida de uma série de dizeres padronizados utilizada para demonstração do compromisso das instituições participantes com o cumprimento e a observância das regras de autorregulação da ANBIMA. Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB): conjunto de entidades, sistemas e mecanismos relacionados com o processamento e a liquidação de operações de transferência de fundos, de operações com moeda estrangeira ou com ativos financeiros e valores mobiliários. Sistema Financeiro Nacional (SFN): conjunto de instituições – aí incluídos órgãos normativos, supervisores e operadores – e instrumentos que viabilizam o fluxo financeiro entre os poupadores e os tomadores na economia. Sobredemanda: em uma oferta de ações, é o excesso de demanda verificado quando o volume financeiro desejado pelos investidores é superior ao volume financeiro disponível em ações a serem distribuídas. Spread de crédito: diferencial entre o retorno requerido em um título de renda fixa de emissor privado e o retorno oferecido por um título público federal de mesmo prazo, em uma mesma moeda. Subscrição: operação em que ocorre aumento do capital social (capitalização) de uma companhia por meio da venda de ações; uma oferta inicial de ações por meio de subscrição pública é conhecida como IPO (ver IPO). Superintendência de Seguros Privados (Susep): órgão responsável pelo controle e pela fiscalização dos mercados de seguro, previdência privada aberta, capitalização e resseguro. Taxa de administração: taxa percentual cobrada dos fundos para a prestação dos serviços de administração, gestão profissional dos recursos e pagamento dos prestadores de serviço. Taxa de câmbio spot: taxa para compra e venda imediata de dólares, conhecida no Brasil como “dólar pronto”. Taxa pela qual os participantes do mercado de câmbio estão dispostos a comprar e a vender a moeda estrangeira em determinado momento da sessão de negociação. 42 GLOSSÁRIO Taxa de câmbio: preço de uma moeda em termos de outra moeda. É a razão de conversão entre duas moedas distintas. Taxa de carregamento: percentual incidente sobre as contribuições pagas pelo participante, para fazer face às despesas administrativas, às de corretagem e às de comercialização de um plano de previdência complementar. Taxa de corretagem: valor cobrado pela corretora por meio da qual o investidor realiza a compra e a venda de ativos; é o valor pago pelo investidor pelo serviço prestado pela corretora na intermediação entre a ordem do cliente e a execução da oferta junto à bolsa ou no mercado de balcão. Taxa de custódia: taxa cobrada por corretoras e bancos pelo serviço de manutenção dos ativos em uma conta de custódia própria. Taxa de juro: definida como a razão percentual entre os juros, cobrável ou pagável, no fim de um período e o dinheiro devido no início do período. Taxa de juros equivalente: em regime de capitalização composta, duas taxas de juros são consideradas equivalentes quando geram valores iguais ao ser aplicadas sobre um mesmo montante e por um mesmo período de tempo. Taxa de juros nominal: taxa de juros contratada em uma operação financeira ou determinada pelo mercado. Não é ajustada para remover o efeito da inflação. Taxa de juros proporcional: em regime de capitalização simples, duas taxas de juros são consideradas proporcionais quando geram valores iguais ao ser aplicadas sobre um mesmo montante e por um mesmo período de tempo. Taxa de juros real: taxa de juros que remove o efeito da inflação. É calculada descontando a taxa de inflação da taxa de juros nominal obtida em um investimento e considerando o mesmo período de tempo. Taxa DI: nome comumente dado à Taxa DI-Cetip Over (Extra-Grupo), calculada pela B3 S.A. e divulgada em percentual ao ano, base 252 dias. Essa taxa reflete as taxas de juros cobradas entre instituições do mercado interbancário nas operações de emissão de Depósitos Interfinanceiros (DI) prefixados, com prazo de um dia útil, registradas e liquidadas pelos sistemas da B3. Tesouro IPCA+: nomenclatura utilizada no Tesouro Direto para a Nota do Tesouro Nacional Série B Principal (NTN-B Principal). Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais: nomenclatura utilizada no Tesouro Direto para a Nota do Tesouro Nacional Série B (NTN-B). Tesouro Prefixado: nomenclatura utilizada no Tesouro Direto para a Letra do Tesouro Nacional (LTN). 43 GLOSSÁRIO Tesouro Prefixado com Juros Semestrais: nomenclatura utilizada no Tesouro Direto para a Nota do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). Taxa PTAX: média das cotações do dólar no mercado em determinado dia, calculada pelo Banco Central do Brasil por meio de uma metodologia própria, com base em quatro janelas de consulta ao longo de cada dia. Taxa Referencial (TR): taxa calculada pelo Banco Central do Brasil com base na média das taxas de juros das LTN (Letras do Tesouro Nacional). Utilizada no cálculo do rendimento das cadernetas de poupança e dos juros dos empréstimos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Taxa Selic Over: taxa média das operações de financiamento de um dia (compromissadas), lastreadas em títulos públicos federais, realizadas no Selic, ponderadas pelo volume das operações. Termo de compromisso: documento escrito proposto por um ente regulado a fim de corrigir ou compensar alguma infração regulatória. Tesouro Direto: programa de negociação de títulos públicos para pessoas físicas. Tesouro Nacional: caixa do governo, o conjunto de suas disponibilidades e, ao mesmo tempo, designa também o órgão público responsável pelo gerenciamento da dívida pública do país. Tesouro Selic: nomenclatura utilizada no Tesouro Direto para a Letra Financeira do Tesouro (LFT). Títulos privados: títulos emitidos por empresas e instituições financeiras para a captação de recursos para financiar suas atividades. Títulos públicos: títulos emitidos pelo Tesouro Nacional como forma utilizada para a captação de recursos para financiar atividades do Governo Federal. Títulos públicos federais: títulos de renda fixa emitidos pelo Tesouro Nacional, compostos por letras e notas de características distintas, para fins de financiamento do setor público. Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL): modalidade de seguro de pessoas que combina os tradicionais seguros de vida com características dos planos de previdência complementar. É um plano de seguro de pessoas com cobertura por sobrevivência, cuja principal característica é a ausência de rentabilidade mínima garantida durante a fase de acumulação dos recursos ou período de diferimento (podendo inclusive apresentar rentabilidade negativa). A rentabilidade da provisão é idêntica à rentabilidade do fundo em que os recursos estão aplicados. Volatilidade: grau de variação dos preços de um ativo em determinado período, medido pelo conceito estatístico de desvio-padrão dos retornos logarítmicos. Mede o quanto oscilam os retornos de um ativo. EXPEDIENTE 44 Controle: D.04.71.03 Data da elaboração: 01/01/2018 Data da revisão: 20/01/2020 Vigência a partir de: 01/11/2018 Elaborado por: Certificação ANBIMA Aprovado por: Gerência de Certificação e Educação Continuada Copyright © 2020 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização da ANBIMA. Rio de Janeiro Praia de Botafogo, 501, bloco II, conj. 704 CEP 22250-042 - Rio de Janeiro - RJ Tel: (21) 2104-9300 São Paulo Av. das Nações Unidas, 8501 – 21º andar CEP 05425-070 - São Paulo - SP Tel: (11) 3471-4200 www.anbima.com.br Gerência de Certificação e Educação Continuada Daniel Pfannemüller Apoio técnico Tânia Amaral e Douglas Custódio Revisão de texto Carolina Machado Presidente Carlos Ambrósio Vice-presidentes Carlos André, Carlos Constantini, Gilberto Duarte, José Eduardo Laloni, Luiz Sorge, Pedro Lorenzini, Renato Ejnisman e Sergio Cutolo Diretores Adriano Koelle, Alcindo Canto, Fernando Rabello, Jan Karsten, Julio Capua, Luiz Chrysostomo, Luiz Fernando Figueiredo, Lywal Salles Filho, Pedro Juliano, Pedro Rudge, Saša Markus, Teodoro Lima e Thaís Peters Comitê Executivo Zeca Doherty, Ana Leoni, Francisco Vidinha, Guilherme Benaderet, Patrícia Herculano, Eliana Marino, Lina Yajima, Marcelo Billi, Soraya Alves e Thiago Baptista CPA-10-Cap2.pdf ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR MATERIAL DE ESTUDOS DA CERTIFICAÇÃO CPA-102 INTRODUÇÃO A CPA-10 é parte importante do Programa de Certificação Continuada da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), um esforço empreendido pela entidade e pelos participantes do mercado para elevar o nível de conhecimento dos profissionais e a qualidade do mercado de investimento. O principal objetivo da CPA-10 é a contínua elevação da capacitação técnica dos profissionais que atuam em instituições financeiras em contato com o público em geral, no processo de distribuição de produtos de investimento. Essa iniciativa, amparada na Resolução 3.158 do Conselho Monetário Nacional, instituiu um processo de aferição do conhecimento desses profissionais nos principais aspectos relacionados à distribuição de produtos de investimento. No exame da CPA-10, o candidato deve demonstrar conhecimento sobre as principais características dos produtos de investimento que são ofertados nas agências bancárias, bem como entender os padrões éticos de comportamento que devem ser adotados no relacionamento com os investidores, de tal forma que os produtos oferecidos satisfaçam aos objetivos e às necessidades dos clientes. Esse material de estudo da CPA-10 tem por objetivo fornecer aos candidatos uma forma de preparação autônoma para o exame, além de permitir o aprofundamento nos temas abordados. A ANBIMA acredita que esse esforço de modernização dos mercados financeiro e de capitais e a melhoria no atendimento ao investidor – com a disponibilização, pelos profissionais, de informações de melhor qualidade sobre os produtos de investimento, em especial, sobre os principais fatores de risco envolvidos – resultará em estímulos à concorrência leal, à padronização de procedimentos e à adoção das melhores práticas em prol do crescimento dos mercados. O resultado desse esforço refletirá o estímulo ao crescimento da poupança financeira no país, uma das maneiras de favorecer o crescimento sustentável da economia brasileira. INTRODUÇÃO O CONTEÚDO DO MATERIAL DE ESTUDO DA CPA-10 O Material de Estudos da CPA 10 é estruturado segundo os temas relacionados no Programa Detalhado da CPA-10 e contém todo o conhecimento que pode ser demandado dos candidatos no exame da CPA-10. O objetivo da ANBIMA com essa iniciativa é permitir que todos os candidatos tenham acesso a um conteúdo padronizado, de forma que possam realizar sua preparação de maneira mais uniforme sem necessidade da realização de cursos preparatórios, apesar de considerá-los uma forma muito eficiente de formação dos candidatos que deve continuar a ser ofertada. Este material será atualizado sempre que necessário, por isso sempre baixe as apostilas nesta página! Quando for estudar, não deixe de confirmar que a versão que você tem em mãos é a última publicada, consultando a data da revisão na última página de cada apostila. O conteúdo da CPA-10 é resultado do trabalho conjunto da ANBIMA com as principais instituições do mercado financeiro que acreditam que seus respectivos desdobramentos em tópicos, itens e subitens detalham os assuntos, cujo conhecimento pelos profissionais envolvidos na distribuição de produtos de investimento nas instituições financeiras é considerado essencial. O Material de Estudo da CPA-10 é composto de sete grandes temas que foram divididos em capítulos para facilitar a apresentação: Sistema Financeiro Nacional; Ética, Regulamentação e Análise do Perfil do Investidor; Noções de Economia e Finanças; Princípios de Investimento; Fundos de Investimento; Instrumentos de Renda Variável e Renda Fixa; e Previdência Complementar Aberta: PGBL e VGBL. Cada capítulo foi estruturado com uma orientação de estudo com o que será aprendido sobre o assunto, seguida do objetivo, do conteúdo com o conhecimento requerido sobre o assunto, uma seção de questões, as justificativas das respostas corretas e um glossário ao final. A ANBIMA assume o compromisso de manter o conteúdo dos exames da CPA-10 e o respectivo Material de Estudos sempre alinhado às legislações e revisá-los, periodicamente, com a finalidade de incluir novos assuntos, tão logo o dinamismo e a evolução dos mercados financeiro e de capitais venham torná-los relevantes e essenciais. A legislação vigente relacionada à distribuição de produtos de investimento, ainda que não explicitada em todos os temas, encontra-se presente, por meio dos conceitos e das regras aplicáveis a todos os temas e tópicos abordados. Além disso, é considerado mais importante para o profissional ter domínio dos conceitos envolvidos nas questões do seu dia a dia do que utilizar cálculos matemáticos. Dessa forma, não haverá necessidade do uso de calculadora para a realização do exame da CPA-10, apesar de estarem presentes nesse Material de Estudo alguns exemplos com cálculos matemáticos para permitir melhor entendimento de alguns conceitos apresentados. A ANBIMA espera que os candidatos ao exame da CPA-10 possam utilizar de maneira proveitosa o conteúdo desse Material de Estudo e partilhem do mesmo entusiasmo sentido por todos os profissionais que participaram da construção desse processo. INTRODUÇÃO APRESENTAÇÃO DOS AUTORES LUIZ ROBERTO CALADO Luiz Calado é pós-doutor pela Universidade da Califórnia (Berkeley). Autor dos best sellers Imóveis (Ed. Saraiva) e Fundos de Investimentos (Ed. Campus), além de mais de 20 livros sobre mercado financeiro, entre eles Securitização (Ed. Saint Paul), Relacionamento Bancário (Ed. Saraiva), Governança Corporativa (Ed. Andato), 100 Dúvidas de Carreira em Finanças (Ed. Saint Paul) e Regulação e Autorregulação (Ed. Saint Paul). Seus livros são vendidos em mais de 80 países, traduzidos para vários idiomas. É professor e pesquisador do Centro de Estudos GV Invest da FGV. Foi gerente de Certificação e Educação na ANBIMA. MAURO MIRANDA, CFA, FRM Sócio-Gestor da Panda Investimentos e profissional de finanças desde 2000. Foi Presidente da CFA Society Brazil (2016-2019) e atualmente ocupa o cargo de Representante do Conselho de Presidentes da América Latina e Caribe junto ao CFA Institute. Tem carreira em instituições financeiras brasileiras e estrangeiras nas áreas de renda fixa, dívida estruturada e crédito privado. Começou sua carreira na área de administração da dívida externa no Banco Central do Brasil. Em seguida, trabalhou como trader e estruturador de renda fixa, entre outras posições, nos bancos Bear Stearns, Lehman Brothers, Fator e ABN Amro, em Nova York, Londres e São Paulo. É bacharel em Relações Internacionais e em Ciências Econômicas pela Universidade de Brasília, tem MBA pela Columbia Business School e obteve as certificações Chartered Financial Analyst (CFA) em 2006 e Financial Risk Manager (FRM) em 2011. TÂNIA RAQUEL DOS SANTOS AMARAL Coordenadora do núcleo de conteúdo da ANBIMA. Doutoranda em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA – USP). É mestre em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA – USP). Cursou MBA em Gestão de Investimento na Fundação Getúlio Vargas (FGV SP). É pós-graduada em Administração Financeira e Contábil na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e graduada em Tecnologia em Processamento de Dados na Universidade Mackenzie. Atuou em diversas instituições financeiras brasileiras e estrangeiras na área de Mercados Capitais, Fundos de Investimento, Asset e Consultoria de Investimento. VICENTE PICCOLI MEDEIROS BRAGA Advogado e doutorando em Direito Comercial na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP), é mestre em Direito e Desenvolvimento pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV DIREITO SP). Trabalhou junto ao setor de Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional do Ministério Público Federal do Paraná, assessorou o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN), foi responsável pelos aspectos jurídicos dos processos de Autorregulação da ANBIMA, coordenou as Operações de Assistência Estrutural e de Liquidez prestadas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e atualmente conduz processos administrativos disciplinares relacionados a ilícitos de mercado e ao Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP) na BM&FBOVESPA Supervisão de Mercados (BSM), entidade responsável pela autorregulação da B3. INTRODUÇÃO RICARDO NARDINI – coordenador e revisor Consultor nas áreas de certificação profissional e educação. De 2005 a 2018 trabalhou na ANBIMA e foi responsável pelas áreas de Certificação, Educação Continuada e de Investidores. Coordenou o desenvolvimento dos exames de certificação da ANBIMA e da Associação PLANEJAR durante esse período e foi o responsável pelo desenvolvimento da Certificação de Especialistas em Investimento ANBIMA (CEA), da Certificação de Gestores ANBIMA (CGA), Material de Estudos da CPA-10 e da Certificação CFP no Brasil. Atuou como representante da ANBIMA no desenvolvimento da Estratégia Nacional de Educação Financeira, como responsável pelo capítulo de Investimentos e no projeto de estruturação da AEF - Brasil. Antes de ingressar na ANBIMA, trabalhou nas áreas de tesouraria, private banking e investimentos no Lloyds Bank Plc., no Banco Credit Commercial de France no Brasil e na HSBC Asset Management. Formado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, é pós-graduado em Banking pela FGV SP. INFORMAMOS QUE AS QUESTÕES APRESENTADAS NESSE MATERIAL NÃO FAZEM PARTE DOS EXAMES DE CERTIFICAÇÃO APLICADOS PELA ANBIMA, DEVENDO SERVIR APENAS COMO ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DOS CANDIDATOS. EM HIPÓTESE ALGUMA A SUA UTILIZAÇÃO É GARANTIA DE APROVAÇÃO NO EXAME, UMA VEZ QUE APENAS SERVE COMO COMPLEMENTO AO ESTUDO, SENDO FACULTADO AO CANDIDATO ANALISAR A VIABILIDADE DE SEU USO, COMO TAL INFORMADO. AS QUESTÕES APRESENTADAS NESTE MATERIAL FORAM DESENVOLVIDAS PELOS AUTORES ESPECIFICAMENTE PARA FINALIDADE DE APOIO. PORTANTO, NÃO É GARANTIDA A APROVAÇÃO OU QUE AS QUESTÕES SERÃO APRESENTADAS DA MESMA FORMA NO EXAME. A ANBIMA RESERVA-SE O DIREITO DE APRESENTAR AS QUESTÕES NO EXAME DE CERTIFICAÇÃO CPA-10 DE FORMA DISTINTA AOS CANDIDATOS. Apresentação do capítulo...................................................................................................................................... 1 2.1 Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para Distribuição de Produtos de Investimento......................................................................................................................................................... 2 2.1.1 Definições (Cap. I)...........................................................................................................................................3 2.1.2 Objetivos e Abrangência (Cap. II)...............................................................................................................4 2.1.3 Princípios Gerais de Conduta (Cap. IV).........................................................................................................5 2.1.4 Regras, Procedimentos e Controles (Cap. V)...............................................................................................7 2.1.5 Publicidade (Cap. VIII)....................................................................................................................................9 2.1.6 Regras Gerais (Cap. IX).................................................................................................................................11 2.1.7 Selo ANBIMA (Cap. XIII)...............................................................................................................................16 2.1.8 Distribuição de Fundos de Investimento (Anexo I)...................................................................................16 2.2 Prevenção contra a lavagem de dinheiro.................................................................................................... 17 2.2.1 Conceito de lavagem de dinheiro – legislação ..........................................................................................17 2.2.2 Clientes/investidores...................................................................................................................................20 2.2.3 Operações suspeitas....................................................................................................................................22 2.2.4 Responsabilidades administrativas e legais de entidades e pessoas físicas sujeitas à lei e à regulamentação....................................................................................................................................................27 2.2.5 Crime de lavagem de dinheiro.....................................................................................................................28 2.3 Ética na venda .................................................................................................................................................29 2.3.1 Venda casada: conceito ...............................................................................................................................29 2.3.2 Restrições do investidor: idade, horizonte de investimento, conhecimento do produto e tolerância ao risco .........................................................................................................................................................................31 2.4 Análise do Perfil do Investidor (API)............................................................................................................. 32 2.4.1 Instrução CVM 539 – dever de verificação da adequação de produtos, serviços e operações ao perfil do cliente (suitability) – finalidade e para quem se aplica a regra..........................................................32 2.4.2 Adequação de produtos em função do perfil do investidor; importância e motivação do API para o investidor; possibilidade de venda de um produto não adequado ao perfil do investidor............................37 SUMÁRIO SUMÁRIO Questões.................................................................................................................................................................39 Respostas................................................................................................................................................................44 Glossário................................................................................................................................................................. 47 Expediente............................................................................................................................................................. 62 AUTOR Vicente Piccoli M. Braga ORIENTAÇÕES DE ESTUDO Conhecer o Código ANBIMA de Melhores Práticas para a Distribuição de Produtos de Investimento. Compreender as principais obrigações impostas às instituições financeiras pela autorregulação da ANBIMA referentes à Ética, Regulamentação e Análise do Perfil do Investidor. Entender o conceito de lavagem de dinheiro. Conhecer como se dá a prevenção contra a lavagem de dinheiro no Sistema Financeiro Nacional. Conhecer e delimitar o que caracteriza uma venda casada Compreender a finalidade e extensão do dever de verificação da adequação dos produtos, serviços e operações ao perfil do cliente (suitability). Adequar os produtos oferecidos às limitações, necessidades e anseios dos investidores, de acordo com a regulação. OBJETIVO Este capítulo se propõe a expor algumas das principais medidas regulatórias impostas ao profissional que trabalha com intermediação financeira. Grande parte dessas medidas têm sua justificativa amparada em considerações de natureza ética. Nesse sentido, serão expostas medidas focadas em duas grandes preocupações. Em primeiro lugar, há preocupação em garantir que o profissional atenda o público de forma efetiva, transparente e leal, visando buscar a melhor opção disponível para os anseios e as necessidades dos clientes, e não forçar produtos inadequados visando sobretudo ao favorecimento do próprio intermediário. Em segundo lugar, cuida-se para que a atividade de intermediação não seja utilizada para viabilizar ou facilitar atividades ilícitas. 1 CAPÍTULO 1 1ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISEDO PERFIL DO INVESTIDOR A definição melhor aceita e difundida do termo “ética” é aquela que a define como o corpo de regras que regem determinado meio, expressando a sua moral. Assim, quando falamos de ética no mercado financeiro, estamos falando justamente das normas que definem a moral desse mercado. A principal finalidade das normas que regem o mercado financeiro é zelar pela confiança do público. Isso porque a confiança do público no Sistema Financeiro Nacional (SFN) é elemento essencial para seu bom desenvolvimento. Para zelar por essa confiança, tanto a autorregulação quanto a regulação estatal buscam estabelecer práticas focadas em dois pilares: (i) garantir que o SFN cumpra sua função de modo a satisfazer o público e (ii) zelar para que o mercado financeiro seja utilizado de acordo com as demais leis vigentes na sociedade. Para compreender melhor algumas das principais disposições regulatórias nesse sentido, o presente capítulo se divide em quatro partes. A primeira parte dedica-se a detalhar as disposições previstas no código de autorregulação da ANBIMA de maior relevância para o escopo deste capítulo. A segunda parte dedica-se a explicar as medidas direcionadas ao combate e à prevenção à lavagem de dinheiro. A terceira parte dispõe sobre algumas das principais considerações relativas à ética na venda de produtos, com especial atenção à vedação à venda casada. A quarta e última parte, por sua vez, detalha as determinações regulatórias de observação obrigatória quanto à análise do perfil do investidor e restrições decorrentes da verificação de diferentes perfis. 2.1 Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para Distribuição de Produtos de Investimento Conforme visto no capítulo anterior, a ANBIMA desempenha relevante função de autorregulação, cujas normas são expressas em diversos Códigos, cada um tratando de uma atividade diferente dentro do mercado financeiro. Contudo, no que diz respeito às normas advindas da preocupação de manter uma ética de mercado, que vise tanto garantir ao público o serviço mais adequado aos seus anseios e necessidades, quanto proteger a própria atividade de intermediação da sua utilização para fins ilícitos, dois Códigos de autorregulação da ANBIMA ganham maior destaque. De um lado, há o Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para Administração de Recursos de Terceiros (“Código de Administração de Recursos de Terceiros”), cujo número de aderentes é expressivo frente ao universo da indústria, ditando o padrão de conduta que se espera de gestores, administradores, custodiantes e distribuidores. De outro, há o Código de Distribuição, que tutela a relação direta dos intermediários financeiros com os investidores na comercialização de produtos de investimento. Em razão da relevância singular desses códigos na definição do corpo de regras que regem as relações no mercado financeiro, isto é, como visto, sua ética, ambos serão analisados em maior detalhe. Contudo, em prol da melhor divisão programática, o Código de Administração de recursos de Terceiros será analisado em detalhe apenas no Capítulo 5 desta apostila, enquanto o Código de Distribuição será apreciado a seguir. 2 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Para melhor apreciação do conteúdo do Código de Distribuição frente às preocupações deste capítulo, analisaremos em detalhe os principais capítulos do código relacionados a aspectos da ética de mercado. 2.1.1 Definições (Cap. I) O Código de Distribuição, assim como as mais recentes versões dos demais Códigos de Regulação e Melhores Práticas da ANBIMA, traz em seu primeiro capítulo uma série de definições de elementos e conceitos necessários para a adequada compreensão do real significado e extensão das disposições do Código. Dentre as definições de maior relevância para a compreensão do Código, podemos destacar: Canais Digitais: canais digitais ou eletrônicos utilizados na Distribuição de Produtos de Investimento, que servem como instrumentos remotos sem contato presencial entre o investidor ou potencial investidor e a Instituição Participante. Conglomerado ou Grupo Econômico: conjunto de entidades controladoras diretas ou indiretas, controladas, coligadas ou submetidas a controle comum. Conheça seu Cliente: regras e procedimentos adotados pelas Instituições Participantes para conhecer seus investidores. Distribuição de Produtos de Investimento, que pode ser compreendida como: • Oferta de Produtos de Investimento de forma individual ou coletiva, resultando ou não em aplicação de recursos, assim como a aceitação de pedido de aplicação por meio de agências bancárias, plataformas de atendimento, centrais de atendimento, Canais Digitais, ou qualquer outro canal estabelecido para esse fim; e • Atividades acessórias prestadas aos investidores, tais como manutenção do portfólio de investimentos e fornecimento de informações periódicas acercados investimentos realizados. Material Publicitário: material sobre Produtos de Investimento ou sobre a atividade de Distribuição de Produtos de Investimento divulgado pelas Instituições Participantes por qualquer meio de comunicação disponível, que seja destinado a investidores ou potenciais investidores com o objetivo de estratégia comercial e mercadológica. Material Técnico: material sobre Produtos de Investimento divulgado pelas Instituições Participantes por qualquer meio de comunicação disponível, que seja destinado a investidores ou potenciais investidores com o objetivo de dar suporte técnico a uma decisão de investimento. Produtos Automáticos: aqueles que possuem a funcionalidade de aplicação e resgate automático, conforme saldo disponível na conta corrente do investidor. 3 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 4 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Produtos de Investimento: valores mobiliários e ativos financeiros definidos pela CVM e/ou pelo BACEN, sem exceções. 2.1.2 Objetivos e Abrangência (Cap. II) Como visto no capítulo 1, o Código de Distribuição tutela as atividades de oferta de Produtos de Investimento de forma individual ou coletiva, resultando ou não em aplicação de recursos, assim como a aceitação de pedido de aplicação por meio de agências bancárias, plataformas de atendimento, centrais de atendimento, canais digitais, ou qualquer outro canal estabelecido para esse fim, bem como atividades acessórias prestadas aos investidores, tais como a manutenção de portfólio de investimentos e fornecimento de informações periódicas acerca dos investimentos realizados. A observação dos dispositivos do Código de Distribuição não é necessária na distribuição de Caderneta de Poupança e de Produtos de Investimento para: (i) os entes da federação brasileira (União, Estados, Municípios e Distrito Federal) – estando excluídos dessa dispensa os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) – (ii) pessoas jurídicas do segmentos classificados como middle e corporate, segundo os próprios critérios da instituição participante. Por se debruçar sobre uma atividade diretamente ligada ao grande público, o Código de Distribuição tem como objetivos: Manter elevados padrões éticos e consagrar a institucionalização das práticas equitativas no mercado. Estimular a concorrência leal, a padronização dos procedimentos e o adequado funcionamento da atividade. Estimular a transparência no relacionamento com os investidores. Promover a qualificação das instituições e dos profissionais envolvidos na atividade. O Código de Distribuição se aplica a todos que desejarem a ele aderir e aos associados da ANBIMA que pratiquem a atividade de distribuição de Produtos de Investimento, estando incluídos nessa categoria os administradores fiduciários ou gestores de recursos de terceiros que, no exercício de suas atividades, estiverem distribuindo seus próprios fundos de investimento1 (art. 3º, §1º, do Código de Distribuição). Aqueles aos quais se aplica o Código de Distribuição são chamados de instituições participantes. Além disso, as regras do Código de Distribuição valem para todos os integrantes do Conglomerado ou Grupo Financeiro das instituições participantes que estejam autorizados a operar no Brasil na atividade descrita. 1No caso de administradores fiduciários ou gestores de recursos de terceiros que estiverem distribuindo seus próprios fundos de investimento, eventual descumprimento será analisado pelas esferas competentes para apreciar os casos relacionados ao Código de Administração. Dica: Ao se deparar com conceitos em letras maiúsculas durante a leitura de dispositivos dos Códigos ANBIMA, em especial os mais recentes, é importante que o profissional confirme o significado exato daquele conceito. Isso pode ser feito mediante a verificação do primeiro capítulo do respectivos código. 2.1.3 Princípios Gerais de Conduta (Cap. IV) O que o Código de Distribuição chama de princípios gerais são, na verdade, declarações de deveres a serem observados pelas instituições participantes em relação ao desempenho da atividade de Distribuição de Produtos de Investimento. Esses deveres são descritos em maior detalhe que a mera menção a um princípio jurídico, mas ainda assim contêm em sua descrição conceitos um tanto quanto abertos, que permitem, portanto, alguma interpretação. Assim, são nove os deveres impostos às instituições participantes pelos princípios gerais do Código: I. Exercer suas atividades com boa-fé, transparência, diligência e lealdade. •Em razão da atividade de Distribuição ter o potencial de atingir os clientes que, geralmente, mais se distanciam da instituição participante em termos de grau de informação e capacidade de análise, é indispensável que a instituição participante dispense esforços especiais em suas interações com os investidores, a fim de fomentar a confiança necessária para o bom desenvolvimento do segmento. II. Cumprir todas as suas obrigações, devendo empregar, no exercício de sua atividade, o cuidado que toda pessoa prudente e diligente costuma dispensar à administração de seus próprios negócios, respondendo por quaisquer infrações ou irregularidades que venham a ser cometidas. •Em outras palavras, o que esse princípio determina é a obrigação de desempenhar suas funções respeitando o dever de diligência – assim entendido como a prudência e o zelo que se esperariam de alguém na administração de seus próprios negócios2. Em outras palavras, espera-se que a instituição participante atue no melhor interesse dos clientes, não recomendando produtos que favoreçam a si em detrimento de outros que atenderiam melhor o cliente. III. Nortear a prestação das atividades pelos princípios da liberdade de iniciativa e da livre concorrência, evitando a adoção de práticas caracterizadoras de concorrência desleal e/ou de condições não equitativas, respeitando os princípios de livre negociação. •Considerado o potencial da concorrência de atuar como força motriz do aprimoramento dos serviços prestados, diminuição sustentável dos custos, bem como a diversificação de opções ao público, é importante que os integrantes do sistema de Distribuição se abstenham de práticas predatórias, que visem atentar contra a concorrência. IV. Evitar quaisquer práticas que infrinjam ou estejam em conflito com as regras e princípios contidos neste Código e na regulação vigente. •Trata-se de uma obrigação geral de conformidade com os dispositivos da regulação aplicável, mas que também buscar evitar que práticas inovadoras – tão comuns ao setor – que, caso venham a ser idealizadas e implementadas, conflitem com as disposições regulatórias. 2 Tal como conceitua o art. 153 da Lei 6.404/76. 5 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 6 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR V. Adotar condutas compatíveis com os princípios da idoneidade moral e profissional. •Esse princípio busca determinar que, mesmo em situações não previstas, em que não haja uma determinação prática de conduta, as instituições participantes se portem de forma correta e profissional. VI. Evitar práticas que possam vir a prejudicar a Distribuição de Produtos de Investimento, especialmente no que tange aos deveres relacionados às atribuições específicas de cada uma das instituições participantes estabelecidas em contratos, regulamentos no Código de Distribuição e na regulação vigente. •O que esse princípio pretende é tutelar a confiança dos clientes no mercado financeiro. Para tanto, é essencial que o distribuidor desses produtos, que é quem mais diretamente interage com o público, tenha um cuidado especial em preservar a imagem e reputação do mercado, respeitando sempre as obrigações pactuadas e não atuar de modo a gerar desconfiança. VII. Envidar os melhores esforços para que todos os profissionais que desempenhem funções ligadas à Distribuição de Produtos de Investimento atuem com imparcialidade e conheçam o código de ética da instituição participante e as normas aplicáveis à sua atividade. •Não raro, a atividade de distribuição é conduzida ou por uma rede extensa de profissionais colaboradores ou por meio de parcerias com prestadores de serviços, responsáveis por dar maior visibilidade aos produtos oferecidos. Tanto a administração de uma extensa rede de profissionais colaboradores quanto essas parcerias, quando existem, requerem uma análise rigorosa do profissional, a fim de evitar a prática de irregularidades frente ao grande público, geralmente mais vulnerável, sobretudo em termos informacionais. VIII.Divulgar informações claras e inequívocas aos investidores acerca dos riscos e consequências que poderão advir dos produtos de investimento. • Aqui novamente há uma preocupação com a transparência e a clareza das informações, que é acentuada pela vulnerabilidade informacional, muitas vezes característica do grande público. Além disso, a correta demonstração dos riscos incorridos é imprescindível para que investidores não se sintam enganados quando da concretização de um desses riscos e não abandonem, por isso, os mercados financeiro e de capitais. IX. Identificar, administrar e mitigar eventuais conflitos de interesse que possam afetar a imparcialidade das pessoas que desempenhem funções ligadas à Distribuição de Produtos de Investimento. • A utilização de um grande número de agentes na atividade de distribuição impõe desafios na formulação de métricas de avaliação e remuneração às instituições participantes. Esse fato, somado à obrigação de tutela dos investidores, exige uma preocupação especial com as possíveis situações de conflito de interesse existentes e que podem vir a surgir. Por fim, é importante salientar que o próprio Código de Distribuição estabelece em seu art. 7 º que serão considerados descumprimentos a esses princípios – e às demais obrigações do código – não apenas a inexistência ou insuficiência de regras e procedimentos, mas também sua não implementação ou implementação inadequada. Sendo considerada implementação inadequada aquela que acarrete na reiterada ocorrência de falhas não sanadas em prazo estabelecido ou que careça de mecanismo ou evidência de sua aplicação. Ou seja, não basta haver procedimentos escritos ou meramente formais, a instituição participante deve se empenhar na concretização dos princípios estabelecidos. 2.1.4 Regras, Procedimentos e Controles (Cap. V) A fim de cumprir seu propósito, o Código de Distribuição estabelece, em seu artigo 8º, que as instituições participantes devem implementar e manter regras, procedimentos e controles a fim de atender às exigências da regulação vigente. A fim de garantir a efetividade desses mecanismos, o Código de Distribuição determina a obrigatoriedade de que disponham de algumas características básicas. Em síntese, essas características são: Adequação à natureza, porte, estrutura e modelo de negócio das instituições participantes, bem como à complexidade dos Produtos de Investimento distribuídos. Acessibilidade a todos seus profissionais, permitindo seu conhecimento pelos diversos níveis da organização. Divisão clara das responsabilidades e dos envolvidos nas funções controles internos e de Compliance das demais áreas da instituição, de modo a evitar possíveis conflitos de interesses. Coordenação entre as atividades de controles internos, Compliance e gestão de riscos. Indicação de mediadas necessárias para garantir a independência e a adequada autoridade aos responsáveis pelas funções de controles internos e de Compliance. Em complemento, o Código de Distribuição também estabelece exigências para a estruturação de áreas responsáveis por controles internos e Compliance. Assim, é necessário que essas áreas tenham: Estrutura compatível com a natureza, porte e modelo de negócios das instituições participantes, bem como à complexidade dos Produtos de Investimento distribuídos. Independência, com reporte direto ao diretor responsável pelos controles internos e Compliance. 7 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 8 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Profissionais com qualificação técnica e experiência necessárias para o exercício dessas atividades. Comunicação direta com a diretoria, administradores e conselho de administração, e houver, para realizar relatos relacionados à atividade de controles internos e Compliance, incluindo indicação de possíveis irregularidades ou falhas identificadas. Acesso regular a capacitação e treinamento. Autonomia e autoridade para questionar os riscos assumidos nas operações realizadas pela instituição participante. Também visando a maior efetividade dessas atividades de controles internos e de Compliance, o Código de Distribuição permite que elas sejam desempenhadas tanto dentro de uma mesma estrutura, quanto em unidades específicas, sendo obrigatório, contudo, a indicação de ao menos um diretor, estatutário ou equivalente, responsável pelos controles internos e pelo Compliance. É importante ressaltar que a esse diretor é vedada a atuação em funções relacionadas à administração de recursos de terceiros, intermediação, distribuição ou consultoria de valores mobiliários, bem como qualquer outra atividade que limite sua independência, dentro ou fora da instituição participante. 2.1.4.1 Segurança e Sigilo das Informações (Seção II) Materialmente, o Código de Distribuição também exige que alguns temas recebam atenção especial das instituições participantes quando do estabelecimento de políticas de controles internos e Compliance. Dentre esses temas, podemos destacar: Estabelecimento de mecanismos, documentados por escrito, visando propiciar a segurança e o sigilo das informações, que contenham: • Controle de informações confidenciais, reservadas ou privilegiadas, incluindo regras de acesso e previsões específicas para mudanças de atividade ou desligamento dos profissionais. • Testes periódicos de segurança para os sistemas de informação. • Treinamentos para sócios, administradores e profissionais que tenham acesso a informações confidenciais, reservadas ou privilegiadas. • Regras específicas sobre proteção de base de dados. • Procedimentos para casos de vazamento de informações confidenciais, reservadas ou privilegiadas. • Regras de restrição de uso de sistemas, acessos remotos e qualquer outro meio/veículo que contenha informações confidenciais, reservadas ou privilegiadas. 9 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Obrigatoridade de que os profissionais ligados à instituição participante assinem, de forma manual ou eletrônica, documento de confidencialidade sobre as informações confidenciais, reservadas ou privilegiadas a que tenham acesso. Por fim, cabe esclarecer que o conteúdo de todos os documentos exigidos no Capítulo V do Código de Distribuição pode constar de um único documento, desde que haja clareza a respeito dos procedimentos e regras exigidos em cada seção. 2.1.5 Publicidade (Cap. VIII) Parte fundamental da atividade de Distribuição de Produtos de Investimento é o contato com o grande público, que se dá primeiramente pela divulgação de publicidade e materiais técnicos elaborados pelas instituições participantes a fim de informar sobre as características dos diferentes produtos. Para a divulgação de cada produto de investimento em específico, é necessário observar as regras relativas a isso previstas nos diferentes Códigos ANBIMA para cada diferente produto. Não obstante, o próprio Código de Distribuição apresenta regras próprias. Primeiramente, as instituições participantes devem cumprir algumas obrigações genéricas quando à divulgação de Material Publicitário (Seção II) e Material Técnico (Seção III) de produtos de investimento, a saber: Envidar seus melhores esforços no sentido de produzir publicidade ou material técnico adequado aos seus investidores, minimizando incompreensões quanto ao seu conteúdo e privilegiando informações necessárias para a tomada de decisão de investidores e potenciais investidores. Buscar transparência, clareza e precisão das informações, fazendo uso de linguagem simples, clara, objetiva e adequada aos investidores e potenciais investidores, no intuito de não induzir a erro ou a decisões equivocadas de investimento. Fazer com que contenham informações verdadeiras, completas, consistentes e alinhadas com a documentação dos produtos de investimento distribuídos. Cuidar para que não haja qualificações injustificadas, superlativos não comprovados, opiniões ou previsões para as quais não exista uma base técnica, promessas de rentabilidade, garantia de resultados futuros ou isenção de risco para investidores ou potenciais investidores. Saiba mais: Para conhecer mais sobre segurança cibernéica, recomendamos a leitura do Guia de Cibersegurança da ANBIMA, iniciativa pioneira da ANBIMA no mercado financeiro e de capitais do Brasil. Funções básicas ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 10 Disponibilizar informações pertinentes ao processo de decisão, sendo tratados de forma técnica assuntos relativos à performance passada, de modo a privilegiar informações de longo prazo em detrimento daquelas de curto prazo. Manter a mesma linha de conteúdo e forma e, na medida do possível, incluir a informação mais recente disponível, de maneira que não sejam alterados os períodos de análise, buscando ressaltar períodos de boa rentabilidade, descartando períodos desfavoráveis, ou interrompendo sua recorrência e periodicidade especialmente em razão da performance. Privilegiar dados de fácil comparabilidade e, caso sejam realizadas projeções ou simulações, detalhar todos os critérios utilizados, incluindo valores e taxas de comissões. Zelar para que haja concorrência leal, de modo que as informações disponibilizadas ou omitidas não promovam determinados produtos de investimento ou instituições participantes em detrimento de seus concorrentes, sendo permitida comparação somente com indicadores econômicos ou produtos de investimento de mesma natureza ou similares Nesse sentido, são vedadas comparações entre produtos de investimentos de diferentes naturezas ou categorias. Produtos já existentes e de mesma natureza podem ser comparados, desde que os critérios utilizados, tais como taxas, tributação, custos e períodos sejam informadas com clareza. Tudo isso visa evitar a falsa ou tendenciosa representação dos fatos aos investidores. É importante notar que todo o Material Publicitário (Seção II) e Material Técnico (Seção III) é de responsabilidade de quem o divulga, cabendo à instituição participante conferir aprovação expressa e prévia a qualquer divulgação feita por um terceiro contratado. Ou seja, na hipótese de um terceiro contratado expedir material em desacordo com as regras do Código de Distribuição, caberá à instituição participante que o contratou responder por esse ato. Ademais, todo Material Publicitário divulgado em qualquer meio de comunicação deve incluir, em destaque, link ou caminho direcionando os investidores ou potenciais investidores ao Material Técnico do respectivo produto de investimento, a fim de possibilitar acesso adequado às informações de maior relevância do produto. Sendo que o Material Técnico deve conter, no mínimo, as seguintes informações sobre o produto de investimento: Descrição do objetivo/e ou estratégia. Saiba mais: É importante que o profissional tenha em mente a distinção entre Material Técnico e Material Publicitário, explicitada no item 2.1.1 deste capítulo. O profissional que estiver em dúvida sobre se determinado material é considerado Material Publicitário ou Material Técnico para fins do Código de Distribuição pode ler o artigo 29 desse código. Funções básicas ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 11 Público-alvo, quando destinado a investidores específicos. Carência para resgate e prazo de operação. Tributação aplicável. Informações sobre os canais de atendimento. Nome do emissor, quando aplicável. Classificação do produto de investimento para fins de suitability. Descrição resumida dos principais fatores de risco, incluindo, ao menos, os riscos de liquidez, de mercado e de crédito, quando aplicável. Nos Materiais Técnicos, as instituições participantes também devem incluir, com destaque, os seguintes Avisos Obrigatórios (Seção VI): Caso faça referência a histórico de rentabilidade ou menção a sua performance: •“Rentabilidade obtida no passado não representa garantia de resultados futuros.” •“A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos.” Caso faça referência a produto de investimento que não conte com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos – FGC: “O investimento em (indicar produto de investimento) não é garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos”. Caso faça referência à simulação de rentabilidade: “As informações presentes neste material técnico são baseadas em simulações e os resultados reais poderão ser significativamente diferentes”. Por fim, vale lembrar que, para produtos distribuídos nas agências e dependências das instituições participantes, devem ser mantidos à disposição dos interessados, em meio impresso ou passível de impressão, as informações mínimas do Material Técnico. 2.1.6 Regras Gerais (Cap. IX) As instituições participantes precisam se esforçar para tornar efetivos os anseios do Código de Distribuição para que os investidores sejam tratados com transparência e lealdade, visando o desenvolvimento sustentável do mercado financeiro e de capitais. Funções básicas ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 12 Dentre outras medidas visando esse fim, as instituições participantes devem zelar, quando estiverem prestando informações ou recomendando produtos de investimento, para que os investidores não sejam induzidos a erro ou levados a entender que as instituições participantes atuam como prestadores de serviço de consultoria independente de valores mobiliários, de forma autônoma à atividade de Distribuição de Produtos de Investimento. A fim de reforçar esse compromisso, o Código de Distribuição exige que as instituições participantes atribuam a responsabilidade pela atividade de Distribuição de Produtos de Investimento a um diretor estatutário ou equivalente. Além disso, o Código de Distribuição estabelece obrigações específicas para divulgação de informações por meios eletrônicos, exigência de procedimentos para as instituições conhecerem seus clientes investidores e para que as instituições verifiquem a adequação dos investimentos recomendados ao perfil do investidor (suitability), como veremos em maior detalhe a seguir. 2.1.6.1 Divulgação de informações por meios eletrônicos (Seção I) Nos últimos anos, muito se discutiu sobre a mudança nos hábitos de consumo em um ambiente muito mais conectado, em que as pessoas cada vez mais buscam contratar serviços e adquirir produtos por meio de seus computadores e smartphones, em detrimento dos estabelecimentos físicos. No setor financeiro não foi diferente, havendo uma intensa rediscussão do papel e da importância das agências e postos físicos de atendimento aos investidores e potenciais investidores. Tendo em vista o aumento da importância comercial das plataformas digitais na economia como um todo e no setor financeiro em especial e a necessidade de aprimorar a qualidade e quantidade das informações disponíveis aos investidores e potenciais investidores, as instituições participantes devem ter, em seus sites na internet, seção exclusiva sobre os produtos financeiros que disponibilizarem. Essa seção deve conter, no mínimo, as seguintes informações: Descrição do objetivo/e ou estratégia. Público-alvo, quando destinado a investidores específicos. Carência para resgate e prazo de operação. Tributação aplicável. Nome do emissor, quando aplicável. Classificação do produto de investimento para fins de suitability. Descrição resumida dos principais fatores de risco, incluindo, ao menos, os de liquidez, riscos de mercado e de crédito, quando aplicável. Funções básicas ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 13 Informações sobre os canais de atendimento. Além disso, a fim de prestar suporte adequado e suficiente aos investidores que acessam suas plataformas por meio digital para esclarecimento de dúvidas e envio de reclamações, as instituições devem possuir canais de atendimento compatíveis com seu porte e número de investidores. 2.1.6.2 Conheça seu cliente (Seção II) Nas instituições financeiras, o processo de averiguação detalhada do perfil do cliente é conhecido como “conheça seu cliente” ou pelo acrônimo KYC, advindo da forma inglesa da expressão (know your client). Esses procedimentos buscam reunir informações das mais diversas sobre os clientes, desde dados documentais até profissão, grau de escolaridade, patrimônio e renda. Isso tudo a fim de possibilitar uma análise mais precisa sobre quais operações realizadas por algum cliente caracterizam ou não operações suspeitas, vez que incompatíveis com o perfil do investidor. À parte das exigências nesse sentido feitas pela regulação vigente, que serão vistas em outra seção deste capítulo, o Código de Distribuição requer que as instituições participantes busquem conhecer seus investidores no início do relacionamento e durante o processo cadastral, identificando a necessidade de visitas pessoais em suas residências, seus locais de trabalho e em suas instalações comerciais. Além disso, as instituições participantes devem implementar e manter, em documento escrito, regras e procedimentos que descrevam o processo de conheça seu cliente adotado, o qual deve ser compatível com a natureza, porte, complexidade, estrutura e perfil de risco dos produtos de investimento distribuídos e modelo de negócio da instituição. Esse documento escrito deve conter, no mínimo: Procedimento adotado para aceitação de investidores, incluindo procedimento para análise e validação dos dados, bem como a forma de aprovação dos investidores. Indicação dos casos em que são realizadas visitas aos investidores em sua residência, local de trabalho ou instalações comerciais. Indicação do sistema e ferramentas utilizadas para realizar o controle das informações, dados e movimentações dos investidores. Procedimento de atualização cadastral, nos termos da regulação em vigor. Procedimento adotado para identificar a pessoa natural caracterizada como beneficiário final3, nos termos da regulação em vigor. 3Para atendimento dos fins regulatórios, o conceito de “beneficiário final” mais atual é aquele disposto na Instrução Normativa nº 1.634 da Receita Federal Brasileira, segundo a qual: Art. 8º (...)§ 1º Para efeitos do disposto no caput, considera-se beneficiário final: I - a pessoa natural que, em última instância, de forma direta ou indireta, possui, controla ou influencia significativamente a entidade; ou II - a pessoa natural em nome da qual uma transação é conduzida. Funções básicas ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 14 Procedimento adotado para eventual veto de relacionamentos em razão dos riscos envolvidos. Em complemento, o Código de Distribuição exige que as instituições participantes mantenham as informações cadastrais de seus investidores atualizadas, de modo a permitir que haja identificação, a qualquer tempo, de cada um dos beneficiários finais, bem como do registro atualizado de todas as aplicações e resgates realizados em nome dos investidores, quando aplicável. 2.1.6.3 Suitability (Seção III) Como visto anteriormente, o dever de adequação dos produtos de investimento ao perfil do investidor (suitability) é uma área da regulação financeira na qual a ANBIMA sempre esteve na vanguarda. Assim, é natural que o Código de Distribuição, provavelmente aquele no qual há maior impacto na verificação de perfil de investidor, justamente por lidar com o grande público, detalhe tanto as disposições quanto ao dever de verificar o suitability. Assim, no exercício de sua atividade de Distribuição de Produtos de Investimento, é exigido que a instituição participante verifique o suitability antes de recomendar produtos de investimento, realizar operações ou prestar serviços ao investidor. A fim de possibilitar a verificação desse perfil, as instituições participantes devem implementar e manter, em documento escrito, regras e procedimentos específicos. Esse processo, dispensado apenas nas hipóteses previstas na regulação, como para pessoas jurídicas consideradas investidores qualificados, deve conter, no mínimo, os seguintes elementos: Coleta de informações: deve fornecer informações suficientes para permitir a definição do perfil de cada cliente, sendo necessário observar, no mínimo, seu objetivo de investimento, sua situação financeira e seu conhecimento em matéria de investimentos. Classificação do perfil: com base nas informações coletadas, uma classificação de perfil deve ser adotada para o cliente. As regras de classificação definidas devem observar também uma série de fatores listados nos parágrafos 5º a 7º do art. 45 do Código de Distribuição. Classificação dos produtos de investimento: os produtos de investimento devem ser classificados considerando, no mínimo, os riscos associados ao produto e seus ativos subjacentes, o perfil dos emissores e prestadores de serviços associados ao produto, a existência de garantias e os prazos de carência. Comunicação com o investidor: é necessária a comunicação transparente como investidor acerca do perfil pelo qual foi classificado e a respeito do eventual desenquadramento de um investimento com seu perfil. Procedimento operacional: pelo qual deve haver a aferição periódica entre o perfil do cliente e seus investimentos. 15 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Atualização do perfil do investidor: o perfil deve ser atualizado com frequência, em prazos não superiores a vinte e quatro meses e isso precisa ser comunicado ao investidor. Controles internos: deve haver controles e mecanismos a fim de assegurar a efetividade dos processos estabelecidos. Sendo conduzido o referido processo, fica vedado ao distribuidor recomendar produtos ou serviços quando: (i) o perfil do cliente não seja adequado ao produto ou serviço; (ii) não sejam obtidas informações que permitam a identificação do perfil do cliente; ou (iii) as informações relativas ao perfil do cliente não estejam atualizadas, uma vez que a atualização deve ocorrer em prazos inferiores a 24 meses. Não obstante, caso o cliente ordene a realização de operações nas situações em que a recomendação é vedada, o distribuidor deve, antes da primeira operação com a categoria de ativo, alertar o cliente acerca da ausência, desatualização ou inadequação do perfil, com a indicação das causas da divergência. Caso o cliente insista na operação, o distribuidor deve obter declaração expressa do cliente de que deseja manter a decisão de investimento nessa categoria de ativo, mesmo estando ciente da ausência, desatualização ou inadequação de perfil. Esse mesmo procedimento deve ser adotado em relação ao investidor que se recusar a responder o questionário de suitability. Há que se atentar que as regras de suitability aqui dispostas não se aplicam aos assim chamados “produtos automáticos”, que são aqueles produtos de aplicação e resgate automáticos destinados, exclusivamente, aos correntistas da instituição. Essa isenção, contudo, só é válida se a referida aplicação automática não tiver como base um valor mobiliário. Assim, para produtos automáticos que tenham como base fundos de investimento com a funcionalidade de aplicação e resgate automáticos, ou operações compromissadas com lastro em debêntures emitidas por instituições financeiras do mesmo conglomerado ou grupo econômico da instituição na qual o investidor seja correntista, será admitido processo simplificado de suitability, mas não será admitido dispensá-lo. Esse processo simplificado, por sua vez, consistirá na obtenção de declaração assinada pelo investidor no momento da contratação do produto automático, de acordo com modelo disponibilizado pela ANBIMA em seu site. Por fim, o Código impõe a obrigação de observância do disposto no documento de Regras e Procedimentos ANBIMA de Suitability para a classificação do perfil do investidor, definição de categoria do ativo, consideração dos riscos associados ao produto de investimento e na definição de demais regras e procedimentos relativos à recomendação e classificação de produtos de investimento complexos. Saiba mais: Diretrizes da ANBIMA de Suitability, disponível em https://www. anbima.com.br/data/files/92/76/52/EC/B349E61055FEC5E6192BA2A8/Regras_e_ Procedimentos_do_Codigo_de_Distribuicao_11.11.19.pdf. Esse documento traz uma série de especificações a respeito do processo de suitability, sendo de leitura indispensável ao profissional que atue na Distribuição de Produtos de Investimento. 16 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 2.1.7 Selo ANBIMA (Cap. XIII) A atividade de autorregulação da ANBIMA tem como finalidade melhorar as práticas do mercado, elevando os padrões dos serviços prestados pelas empresas dos mercados financeiros e de capitais, mediante a formulação de regras que complementam e superam os padrões exigidos pela regulação estatal. Nesse sentido, o Selo ANBIMA visa demonstrar o compromisso das instituições participantes em atender às disposições dos Códigos aplicáveis à atividade desempenhada. Isso não significa, contudo, que a ANBIMA se responsabilize pelas informações constantes dos documentos divulgados pelas instituições participantes que façam uso do Selo ANBIMA, nem pela qualidade da prestação de suas atividades. 2.1.8 Distribuição de Fundos de Investimento (Anexo I) Em adição às regras do Código de Distribuição vistas até aqui, algumas regras específicas se aplicam à distribuição dos Fundos de Investimento 555 (Fundo 555), Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), Fundos de Investimento Imobiliário (FII) e os Fundos de Investimento em Índice de Mercado (Fundos de Índice), em conjunto (Fundos). A existência dessas regras específicas se justifica em razão das particularidades das cotas de fundos de investimento frente a outros produtos de investimento, bem como à expertise histórica dos associados à ANBIMA no trato desse produto específico. 2.1.8.1 Distribuição (Capítulo I) Para a distribuição de cotas de fundos de investimentos constituídos sob a forma de condomínio aberto, que não sejam Fundos Exclusivos ou Reservados e que não sejam objeto de oferta pública, as instituições participantes devem ter, em seus sites na internet, seção exclusiva sobre os fundos cujas cotas estejam distribuindo. Essa seção deve conter, além das informações já vistas como exigidas para qualquer outro produto de investimentos, no mínimo, as seguintes informações: Política de investimento. Classificação de risco do Fundo. Condições de aplicação, amortização (se for o caso) e resgate (cotização). Limites mínimos e máximos de investimento e valores mínimos para movimentação e permanência no Fundo. Taxa de administração, de performance e demais taxas. Rentabilidade, observado o disposto nas regras de Publicidade previstas nos anexos do Código de Administração, quando aplicável. 17 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Avisos obrigatórios, observado o disposto nas regras de Publicidade previstas nos anexos do Código de Administração, quando aplicável. Referência ao local de acesso aos documentos do Fundo com explicitação do canal destinado ao atendimento a investidores. Alternativamente, as instituições participantes podem disponibilizar as informações descritas acima por meio de link para os sites dos administradores fiduciários e/ ou gestores de recursos dos Fundos distribuídos que contenham essas informações. Qualquer que seja a escolha, contudo, a instituição participante é responsável pelas informações divulgadas, bem como deve disponibilizar aos investidores os documentos obrigatórios dos Fundos que distribuir, conforme exigido pela regulação. 2.2 Prevenção contra a lavagem de dinheiro Em uma época marcada pelos rápidos avanços tecnológicos e pela globalização, a lavagem de dinheiro é um tema de especial relevância e que ganha destaque na agenda dos países. Nesse sentido é que já em 1988 a Organização das Nações Unidas aprovou a Convenção de Viena contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e de Substâncias Psicotrópicas, cujo art. 3º estabeleceu que as partes signatárias deveriam se esforçar para transformar em delitos penais a conversão, transferência, ocultação ou encobrimento de bens provenientes de atividades ilícitas relacionadas ao tráfico de drogas4. Isso impôs uma obrigação internacional de esforços visando coibir a lavagem de dinheiro, esforços esses que se estenderam ao combate do terrorismo e à corrupção. Assim, convencionou-se que a fim de combater a corrupção, o crime organizado, o terrorismo e até mesmo a simples evasão de divisas – que pode comprometer a situação fiscal e monetária de um país – é necessário vigilância constante. Para isso, contudo, os reguladores de cada país dependem imensamente da cooperação das instituições financeiras. Nesse sentido, há uma série de dispositivos normativos em vigor no Brasil direcionados a garantir que as instituições financeiras cumpram o seu papel no combate e na prevenção à lavagem de dinheiro. 2.2.1 Conceito de lavagem de dinheiro – legislação Em termos simples, a lavagem de dinheiro corresponde à prática pela qual se inserem na economia formal recursos decorrentes de atividades ilícitas, por meio da ocultação ou dissimulação de sua verdadeira origem. Em sua forma mais recorrente, portanto, a lavagem de dinheiro envolve três etapas independentes5, que muitas vezes ocorrem de forma sequencial ou simultânea. 4 No Brasil, esse acordo foi internalizado por meio do Decreto 154/91. 5Coaf – Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Cartilha – Lavagem de Dinheiro: Um problema Mundial. 2015. p. 4-5. Disponível em: http://www.coaf.fazenda.gov.br/menu/pld-ft/publicacoes/cartilha.pdf/view. Acesso em: 20 jun. 2017. 18 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Colocação: a primeira etapa do processo é a inserção do dinheiro no sistema econômico. A colocação se efetua por meio de depósitos, compra de instrumentos negociáveis ou compra de bens. Para dificultar a identificação da procedência do dinheiro, os criminosos aplicam técnicas sofisticadas, tais como o fracionamento dos valores em quantias menores e a utilização de estabelecimentos comerciais que usualmente trabalham com dinheiro em espécie. Ocultação: a segunda etapa do processo consiste em dificultar o rastreamento contábil dos recursos ilícitos. O objetivo é quebrar a cadeia de evidências que conecta o dinheiro à sua origem ilícita. Os criminosos buscam movimentá-lo de forma eletrônica, transferindo os ativos para contas anônimas preferencialmente, em países amparados por fortes leis de sigilo bancário. Integração: na última etapa, os ativos são incorporados formalmente ao sistema econômico. As organizações criminosas buscam investir em empreendimentos que facilitem suas atividades – podendo tais sociedades prestarem serviços entre si. Uma vez formada a cadeia, torna-se cada vez mais fácil legitimar o dinheiro ilegal. Na legislação brasileira, o conceito de lavagem está expresso na Lei 9.613/986 (criada por força do compromisso assumido no já mencionado Tratado de Viena de 1988), que em seu art. 1º conceitua o crime de lavagem como “(...) ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal”. Contudo, é importante notar que o referido artigo, em seus parágrafos 1º e 2º, impõe as mesmas penas para quem: “(…) ocultar ou dissimular a utilização de bens, direitos ou valores provenientes de infração penal: os converte em ativos lícitos; “os adquire, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em garantia, guarda, tem em depósito, movimenta ou transfere; importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos verdadeiros”. “(…) utiliza, na atividade econômica ou financeira, bens, direitos ou valores provenientes de infração penal”; “(…) participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que sua atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei”. Em suma, ficam sujeitas às punições aplicáveis aos crimes de lavagem de dinheiro todos que de alguma forma contribuem para qualquer uma das etapas do processo de lavagem de dinheiro. 6 A redação vigente foi alterada pela Lei 12.683/12, que buscou tornar mais eficiente a persecução penal dos crimes de lavagem de dinheiro. 19 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Não obstante, o que todas essas atividades têm em comum é que, para que sejam consideradas crime consequente de lavagem de dinheiro, é necessário haver fonte ilícita para o recurso original, ou seja, uma infração penal precedente. Por isso é habitual a expressão de que na lavagem de dinheiro não há crime consequente sem crime precedente. Além disso, é importante observar que o combate à lavagem de dinheiro no Brasil é capitaneado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que, a partir de 2020, passou a ser vinculado administrativamente ao Banco Central do Brasil. Enquanto tal, o Coaf tem a incumbência legal de receber e analisar as comunicações suspeitas oriundas dos segmentos econômicos elencados na Lei 9.613/98, além de produzir e gerir informações de inteligência financeira para a prevenção e o combate à lavagem de dinheiro. Da mesma forma, esse diploma também confere ao Coaf o papel de supervisor das pessoas obrigadas lá elencadas que não têm um supervisor próprio, como é o caso das joalherias e das factorings. Além do Coaf, outras autoridades, tais como o BACEN, a CVM, a Polícia Federal, a Receita Federal, a Controladoria-Geral da União e o Ministério Público cumprem importante papel no combate à lavagem de dinheiro7. No que se refere ao sistema financeiro, contudo, merecem especial atenção as normas emitidas pela CVM e pelo BACEN. As principais iniciativas regulatórias advindas desses órgãos para combate à lavagem de dinheiro são: Instrução CVM 3018 – dispõe sobre a identificação, o cadastro, o registro, as operações, a comunicação, os limites e a responsabilidade administrativa de que tratam os incisos I e II do art. 10; I e II do art. 11; e os arts. 12 e 13 da Lei 9.613/98, referente aos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. Circular BACEN 3.4619 – consolida as regras sobre os procedimentos a serem adotados na prevenção e no combate às atividades relacionadas com os crimes previstos na Lei 9.613/98. 7 ANBIMA – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Guia de Prevenção à “Lavagem de Dinheiro” e ao Financiamento do Terrorismo no Mercado de Capitais Brasileiro. 2014. Disponível em: http://www.anbima.com.br/data/files/ A8/96/7B/01/B78C7510E855FB75862C16A8/ANBIMA-Guia-PLD_1_.pdf Acesso em: 20 jun. 2017. P. 4. 8 Com redação vigente fruto de alterações pelas Instruções CVM 463, 506, 523, 534 e 553. 9 Com redação vigente fruto de alterações pelas Circulares Bacen 3.517, 3.583, 3.654, 3.780 e 3.839 (cujas alterações passam a vigorar a partir de 28 de dezembro de 2017). Saiba mais: para conhecer mais sobre a história do combate à lavagem financeira no Brasil e sobre o conceito de unidade de inteligência financeira, recomendamos a leitura da Cartilha – Lavagem de Dinheiro: Um problema Mundial (disponível em: http://www.fazenda.gov.br/centrais-de-conteudos/ publicacoes/cartilhas/arquivos/cartilha-lavagem-de-dinheiro-um-problema- mundial.pdf/view), publicada pelo Coaf em 2015. 20 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 2.2.2 Clientes/investidores Como é perceptível pela conceituação vista, a lavagem de dinheiro pode ser praticada tanto por instituições financeiras quanto por seus clientes e investidores. Logo, mesmo uma instituição financeira idônea precisa tomar as devidas cautelas a fim de que sua estrutura não seja utilizada para a prática de crime de lavagem, uma vez que isso pode difamar a instituição e diminuir a confiança do público no sistema financeiro. Tendo isso em vista é que o BACEN e a CVM impõem, sobretudo por meio dos normativos mencionados, uma série de obrigações procedimentais às instituições financeiras referentes a identificação, cadastro, registro e comunicações de operações de seus clientes. 2.2.2.1 Ações preventivas: princípio do “conheça seu cliente” Embora as disposições regulatórias advindas do BACEN e da CVM sejam de observância fundamental para as instituições financeiras, ações preventivas adicionais também podem e devem ser tomadas a fim de preservar a reputação das instituições financeiras. Nesse sentido, observaremos na sequência algumas dessas medidas preventivas. 2.2.2.1.1 Função do cadastro e implicações de um cadastro desatualizado e análise da capacidade financeira do cliente Uma das principais atuações preventivas ao alcance das instituições financeiras diz respeito à manutenção de um cadastro completo e atualizado dos clientes. Nesse sentido, quanto mais completo um cadastro, mais facilmente são identificadas operações suspeitas. Tão importante quanto a existência de um cadastro completo quando da abertura de um relacionamento de intermediação financeira, contudo, é a constante atualização dele. Afinal, as pessoas passam por uma série de mudanças em suas vidas, muitas das quais repercutem em alterações patrimoniais relevantes, de tal forma que apenas a manutenção de um cadastro atualizado periodicamente é capaz de fornecer às instituições financeiras os elementos necessários para averiguar a regularidade das operações de cada cliente. Portanto, as instituições devem prever e realizar as rotinas de atualização de dados cadastrais descritas em seus manuais internos, respeitando, no mínimo, a periodicidade definida na regulamentação vigente. Essa atualização dos dados cadastrais pode ser realizada via canais de atendimento, mas precisa ser evidenciada por meio de fichas cadastrais e/ou cartas assinadas pelos clientes, logs de sistemas, gravações telefônicas, ou outro comprovante idôneo de confirmação de dados. Igualmente, recomenda-se que nenhuma operação seja realizada com clientes cujo cadastro esteja incompleto ou desatualizado, afinal essa prática pode sujeitar a instituição financeira a sanções administrativas, conforme será visto em detalhe adiante10. 10 ANBIMA – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Guia de Prevenção à “Lavagem de Dinheiro” e ao Financiamento do Terrorismo no Mercado de Capitais Brasileiro. 2014. Disponível em: http://www.anbima.com.br/data/files/ A8/96/7B/01/B78C7510E855FB75862C16A8/ANBIMA-Guia-PLD_1_.pdf. Acesso em: 20 jun. 2017. P. 7. 21 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Dessa forma, como na atividade de lavagem de dinheiro a utilização de pessoas aleatórias para a colocação, ocultação ou integração de recursos é prática recorrente, torna-se fundamental observar, entre outras características, a capacidade financeira do cliente, a fim de verificar se as movimentações dele são compatíveis com sua situação financeira. 2.2.2.1.2 O princípio “conheça seu cliente” como forma de proteção da instituição financeira e do profissional Conforme já discutido neste capítulo, o processo de averiguação detalhada do perfil do cliente é conhecido como “conheça seu cliente”. Esse processo busca reunir informações das mais diversas sobre os clientes, desde dados documentais até profissão, grau de escolaridade, patrimônio e renda. Isso tudo a fim de possibilitar uma análise mais precisa sobre quais operações realizadas por algum cliente caracterizam ou não operações suspeitas. Mais especificamente, as informações mínimas requeridas podem variar a depender da natureza do cliente, se pessoa física, jurídica ou outro (como clubes de investimento, fundos de investimento, investidores não residentes e fundações). As informações mínimas requeridas pela CVM estão descritas no Anexo I da Instrução CVM 301 e as informações mínimas requeridas pelo BACEN estão descritas nos arts. 2º e 3º da Circular BACEN 3.461. É importante salientar que toda a documentação comprovante das informações prestadas deve ser armazenada pela instituição junto ao cadastro. Fazer isso, longe de consistir em mera formalidade para atender ao regulador, pode proteger o profissional e a instituição financeira tanto de um escândalo que atingiria sua imagem quanto de penas administrativas, caso sejam verificados descumprimentos pela autoridade reguladora. Além do mais, é importante lembrar que as irregularidades, quando verificadas, normalmente o são em um tempo considerável após sua ocorrência, razão pela qual é recomendável que mesmo os arquivos antigos referentes aos cadastros dos clientes sejam mantidos por pelo menos cinco anos11 , a fim de que se possa demonstrar não só o estado final do cadastro, mas a sua trajetória. Igualmente, o cadastro de antigos clientes deve ser mantido no mínimo pelo mesmo prazo, como forma de proteção contra questionamentos posteriores ao fim do relacionamento financeiro. 11 Art. 10 da Lei 9.613/98. 22 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 2.2.2.2 Identificação e registros de operações Além de ser importante manter um cadastro completo e atualizado dos clientes, é fundamental a manutenção de registros de todas as transações, com sua devida identificação e, em especial, daquelas operações caracterizadas como de comunicação obrigatória ao Coaf. Isso a fim de permitir uma análise posterior por parte do regulador, tanto do histórico de operações de determinado cliente como do cumprimento, por parte da instituição, do seu dever de informar operações suspeitas. O BACEN também exige que os sistemas de registro tenham filtros que permitam identificar transações específicas de determinada natureza e valor. No que se refere à obrigatoriedade de manutenção dos registros das operações, a Lei 9.613/98 diz que o prazo de manutenção é de, no mínimo, cinco anos da conclusão da transação, podendo ser estendido pela autoridade competente. No que se refere às autoridades responsáveis pela regulação financeira, tem-se que a CVM exige sua manutenção por cinco anos, podendo esse prazo ser estendido em caso de processo administrativo, e o BACEN exige a manutenção dos registros por prazos que variam de cinco a dez anos, a depender das características da operação. 2.2.3 Operações suspeitas Conforme visto até aqui, parte substancial das obrigações imputáveis às instituições financeiras na prevenção da lavagem de dinheiro diz respeito à obrigatoriedade de comunicação de operações suspeitas ao Coaf, enquanto unidade de inteligência financeira. Em razão disso, cabe detalhar o que são indícios de lavagem de dinheiro e quais hipóteses geram a obrigatoriedade de comunicação. 2.2.3.1 Caracterização Embora as práticas de lavagem de dinheiro se reinventem com o tempo, exigindo das instituições financeiras atenção constante, a experiência sugere alguns traços comuns a essas operações. Com base nisso, os normativos da CVM e do BACEN listam uma série de situações consideradas suspeitas ou que necessitam de monitoramento contínuo. Para a CVM, devem ser monitoradas continuamente as seguintes situações12: Operações cujos valores pareçam ser objetivamente incompatíveis com a ocupação profissional, os rendimentos e/ou a situação patrimonial ou financeira de qualquer parte envolvida, tomando-se por base as respectivas informações cadastrais. Operações realizadas entre as mesmas partes ou em benefício das mesmas partes, nas quais haja seguidos ganhos ou perdas no que se refere a algum dos envolvidos. Operações que evidenciem oscilação significativa em relação ao volume e/ou frequência de negócios de qualquer das partes envolvidas. 12 Art. 6º da Instrução CVM 301. 23 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Operações cujos desdobramentos contemplem características que possam constituir artifício para burla da identificação dos efetivos envolvidos e/ou beneficiários respectivos. Operações cujas características e/ou desdobramentos evidenciem atuação, de forma reiterada, em nome de terceiros. Operações que evidenciem mudança repentina e objetivamente injustificada relativamente às modalidades operacionais usualmente utilizadas pelo(s) envolvido(s). Operações realizadas com finalidade de gerar perda ou ganho e para as quais falte, objetivamente, fundamento econômico. Operações com a participação de pessoas naturais residentes ou entidades constituídas em países que não aplicam ou aplicam insuficientemente as recomendações do Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo (Gafi). Operações liquidadas em espécie, se e quando permitido. Transferências privadas, sem motivação aparente, de recursos e de valores mobiliários. Operações cujo grau de complexidade e risco se configurem incompatíveis com a qualificação técnica do cliente ou de seu representante. Depósitos ou transferências realizadas por terceiros, para a liquidação de operações de cliente, ou para prestação de garantia em operações nos mercados de liquidação futura. Pagamentos a terceiros, sob qualquer forma, por conta de liquidação de operações ou resgates de valores depositados em garantia, registrados em nome do cliente. Situações em que não seja possível manter atualizadas as informações cadastrais de seus clientes. Situações e operações em que não seja possível identificar o beneficiário final. Situações em que as diligências previstas de confirmação de identificação ou de exigências adicionais a pessoas politicamente expostas13 não possam ser concluídas. Já para o BACEN, deve ser conferida especial atenção14 a: Operações ou propostas cujas características indiquem risco de ocorrência dos crimes previstos na Lei 9.613/98, ou com eles relacionados. 13 Para fins e efeitos da Instrução CVM 301, pessoa politicamente exposta é aquela que desempenha ou tenha desempenhado, nos últimos cinco anos, cargos, empregos ou funções públicas relevantes, no Brasil ou em outros países, territórios e dependências estrangeiros, assim como seus representantes, familiares e outras pessoas de seu relacionamento próximo. 14 Art. 10 da Circular Bacen 3.461 24 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Propostas de início de relacionamento e operações com pessoas politicamente expostas de nacionalidade brasileira e as oriundas de países com os quais o Brasil tenha elevado número de transações financeiras e comerciais, fronteiras comuns ou proximidade étnica, linguística ou política. Indícios de burla aos procedimentos de identificação e registro estabelecidos pelo próprio BACEN por meio da Circular BACEN 3.461. Clientes e operações em que não seja possível identificar o beneficiário final. Operações oriundas ou destinadas a países ou territórios que aplicam insuficientemente as recomendações do Gafi, conforme informações divulgadas pelo próprio BACEN; Situações em que não seja possível manter atualizadas as informações cadastrais de seus clientes. Por meio da Carta Circular BACEN 3.452, o BACEN divulgou uma extensa lista de exemplos de operações e situações que podem configurar indícios de ocorrência de crimes de lavagem de dinheiro. . Saiba mais: para os profissionais que desejem compreender melhor o que torna uma operação ou situação incomum ou conhecer casos reais de lavagem de dinheiro, recomendamos a leitura do inteiro teor da Carta Circular BACEN 3.452 e Compilação de 100 casos simplificados publicados pelo Coaf (disponível em: http://fazenda.gov.br/centrais-de-conteudos/ publicacoes/casos-casos/arquivos/100-casos-de-lavagem-de-dinheiro.pdf). 25 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 2.2.3.2 Obrigatoriedade de comunicação e controle – instituições, empresas e autoridades competentes Embora nem sempre seja tão clara, há diferença entre situações que contêm indícios de lavagem de dinheiro – tais como as já expostas – e situações que obrigam a instituição financeira a comunicar automaticamente o fato ao Coaf. Essas hipóteses variam substancialmente a depender se a instituição financeira está sujeita à regulação da CVM ou do BACEN. Portanto, primeiramente é importante relembrar quem está sujeito às regras de prevenção à lavagem de dinheiro do BACEN ou da CVM. Às regras da CVM, estão sujeitas: As pessoas que tenham, em caráter permanente ou eventual, como atividade principal ou acessória, cumulativamente ou não, a custódia, emissão, distribuição, liquidação, negociação, intermediação, consultoria ou administração de títulos ou valores mobiliários e a auditoria independente no âmbito do mercado de valores mobiliários. As entidades administradoras de mercados organizados (como a B3). As demais pessoas referidas no art. 9º da Lei 9.613/98 que se encontrem sob disciplina e fiscalização exercidas pela CVM. Já às regras do BACEN, estão sujeitos: bancos; caixas econômicas; cooperativas de crédito; administradoras de consórcios; instituições de pagamento; corretoras e distribuidoras; demais instituições autorizadas a funcionar pelo BACEN. Como se pode notar, algumas entidades, como as corretoras e as distribuidoras, estão sujeitas à fiscalização de ambos os órgãos, o que exige cautela adicional. Para as instituições reguladas pela CVM, precisam ser obrigatoriamente comunicadas ao Coaf15 – com a devida abstenção de ciência da comunicação, em especial à pessoa referida –, em 24 horas a contar da ocorrência, as transações, ou propostas de transação que possam ser considerados sérios indícios de crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores provenientes de infração penal, inclusive terrorismo ou seu financiamento, ou com eles relacionar-se, em que: 15 Art. 7º da Instrução CVM 301. 26 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR sejam verificadas características excepcionais no que se refere às partes envolvidas, forma de realização ou instrumentos utilizados; ou falte, objetivamente, fundamento econômico ou legal. O BACEN, por sua vez, é mais objetivo na disposição de obrigatoriedade de comunicação automática ao Coaf16 das operações ou propostas de operações: De emissão ou recarga de valores em espécie, em um ou mais cartões pré-pagos, em montante acumulado igual ou superior a R$ 50.000,00 ou o equivalente em moeda estrangeira, no mês-calendário. De depósito em espécie, saque em espécie, ou saque em espécie por meio de cartão prépago, de valor igual ou superior a R$ 50.000,00. De emissão de cheque administrativo, TED ou de qualquer outro instrumento de transferência de fundos contra pagamento em espécie, de valor igual ou superior a R$ 50.000,00. Realizadas ou serviços prestados cujo valor seja igual ou superior a R$ 10.000,00 e que, considerando as partes envolvidas, os valores, as formas de realização, os instrumentos utilizados ou a falta de fundamento econômico ou legal possam configurar a existência de indícios dos crimes previstos na Lei 9.613/98. Realizadas ou serviços prestados que, por sua habitualidade, valor ou forma, configurem artifício que objetive burlar os mecanismos de identificação, controle e registro. Realizadas ou os serviços prestados, qualquer que seja o valor, a pessoas que reconhecidamente tenham perpetrado ou intentado perpetrar atos terroristas ou neles participado ou facilitado o seu cometimento, bem como a existência de recursos pertencentes ou por eles controlados direta ou indiretamente. Os atos suspeitos de financiamento do terrorismo. As comunicações ao Coaf, nesses casos, devem ser realizadas até o dia útil seguinte à sua verificação, sem que seja dada ciência à parte cuja ação foi comunicada ou a terceiros. 16 Art. Neste ponto já estão sendo consideradas como em vigor as alterações trazidas pela Circular Bacen 3.839. Dica: Na dúvida sobre a regularidade de uma situação ou operação no âmbito da CVM, é sempre recomendável a comunicação ao Coaf. Isso porque a Instrução CVM 301 prevê em seu art. 7º, § 2º, que as comunicações feitas de boa-fé não acarretarão, nos termos da lei, responsabilidade civil ou administrativa. 27 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR De modo geral, é importante também consignar que o dever de comunicação ao Coaf não exime as instituições financeiras de manter registro e monitorar com especial atenção as atividades suspeitas ou pouco usuais. Vale ainda lembrar que diversas outras empresas, por desenvolverem atividades sujeitas a sua utilização para a lavagem de dinheiro têm obrigações de comunicação de operações suspeitas ao Coaf 17. Entre elas, podemos destacar: As administradoras de cartões de credenciamento ou cartões de crédito, bem como as administradoras de consórcios para aquisição de bens ou serviços. As pessoas físicas ou jurídicas que exerçam atividades de promoção imobiliária ou compra e venda de imóveis. As pessoas físicas ou jurídicas que comercializem joias, pedras e metais preciosos, objetos de arte e antiguidades. As empresas de transporte e guarda de valores. As pessoas físicas ou jurídicas que comercializem bens de luxo ou de alto valor, intermedeiem a sua comercialização ou exerçam atividades que envolvam grande volume de recursos em espécie, tal como concessionárias automotivas. 2.2.4 Responsabilidades administrativas e legais de entidades e pessoas físicas sujeitas à lei e à regulamentação A regulação da CVM e a do BACEN obrigam as instituições a designar um diretor responsável por implementação e cumprimento das medidas de prevenção à lavagem de dinheiro, nos termos do art. 10 da Instrução CVM nº 301 e do art. 18 da Circular BC 3.461. Essa obrigação carrega em si séria consequência administrativa, uma vez que, na eventualidade da verificação de alguma irregularidade, esse diretor constará, junto com a instituição, como parte do Processo Administrativo Sancionador correspondente, estando sujeito a penalidades administrativas na pessoa física. Ademais, outros administradores das instituições financeiras que deixem de cumprir as obrigações de prevenção à lavagem de dinheiro também estarão sujeitos a penalidades administrativas, sem prejuízo de eventual responsabilização civil ou penal. Nos termos da Lei 9.613/98, as penalidades administrativas cabíveis – que podem ser aplicadas cumulativamente – são as seguintes: advertência; multa pecuniária variável não superior ao (i) dobro do valor da operação; (ii) dobro do lucro real obtido ou que presumivelmente seria obtido pela realização da operação; ou (iii) valor de R$ 20.000.000,00, o que for menor. 17 Vide o art. 9º da Lei 9.613/98, em especial seu Parágrafo único. 28 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Inabilitação temporária, pelo prazo de até dez anos, para o exercício do cargo de administrador das pessoas jurídicas referidas no art. 9º da Lei 9.613/98. Cassação ou suspensão da autorização para o exercício de atividade, operação ou funcionamento. Nos termos da própria Lei 9.613/98, as penas de advertência são reservadas para irregularidades de menor poder ofensivo, como a verificação do cumprimento irregular das obrigações de cadastro de clientes e registro de operações. As penas de multa, por sua vez, são reservadas àqueles que deixem de sanar, no prazo assinalado, irregularidades objeto de advertência prévia, que deixarem de cumprir com suas obrigações de cadastro de clientes, de registro de operações, de adoção de procedimentos idôneos de controles internos e de manutenção de cadastro atualizado junto ao Coaf. A inabilitação temporária será aplicada quando forem verificadas infrações graves quanto ao cumprimento das constantes obrigações de prevenção à lavagem de dinheiro ou quando ocorrer reincidência específica, devidamente caracterizada em transgressões anteriormente punidas com multa. Por fim, a cassação da autorização será aplicada nos casos de reincidência específica de infrações anteriormente punidas com a pena de inabilitação. 2.2.5 Crime de lavagem de dinheiro Como a imputação criminal atinge não apenas o núcleo do crime de lavagem, mas também os atos que o possibilitam, o Ministério Público e a Polícia Federal têm defendido teses que imputam, às instituições financeiras e a seus representantes, corresponsabilidade pela prática de crimes de lavagem. Isso porque a capacidade de armazenamento e mobilização de recursos das instituições financeiras é vista como essencial para que criminosos pratiquem o crime de lavagem em larga escala. Portanto, não só para coibir as atividades criminosas em si, mas para a manutenção da confiança da sociedade no setor financeiro, necessária para o desenvolvimento deste, a atenção redobrada à prevenção contra lavagem de dinheiro se mostra fundamental. 2.2.5.1 Responsabilidades e corresponsabilidades Conforme visto anteriormente (em especial no ponto 2.2.1), a prática de lavagem de dinheiro é considerada crime no ordenamento jurídico brasileiro. Em razão disso, as pessoas físicas e os representantes de pessoas jurídicas considerados responsáveis por sua prática estão sujeitos à pena de reclusão de três a dez anos e multa. Contudo, também como visto, a pena descrita não se aplica somente a quem realizar a conduta principal referida como “ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal”. Afinal, as mesmas penas são aplicáveis também aos agentes que possibilitaram a ocorrência da lavagem de dinheiro em seu ciclo amplo, que, como visto, engloba integração, ocultação e colocação. 29 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Como se sabe, a caracterização de algo como crime carrega em si não apenas a possibilidade de responsabilização na esfera penal, mas também um forte estigma social. Logo, ao avaliar a situação das instituições financeiras, que dependem de sua imagem e credibilidade para conduzir seus negócios de forma satisfatória, fica clara a enormidade do risco que representa a associação do seu nome com atividade criminosa. Evidentemente, isso afeta, além das instituições financeiras, também seus funcionários. Em razão disso, o profissional deve sempre ter zelo especial para que um eventual relaxamento de controle não acabe por contribuir para a materialização do crime de lavagem. 2.3 Ética na venda Como visto, o mercado financeiro tem uma ética própria, que precisa ser respeitada nas interações de seus representantes junto ao público, a fim de zelar pela construção de uma relação de confiança, sem a qual o desenvolvimento do mercado financeiro não é viável. Ou seja, é necessário ter visão de longo prazo na relação com clientes. Afinal, se o mercado financeiro atuar de forma predatória e extrativista junto ao público, este se sentirá acuado e desencorajado a adquirir produtos e contratar serviços. Logo, tem-se que parte substancial dessa ética na interação diz respeito às regras a serem observadas quando da venda de produtos e oferecimentos de serviços ao público. Nesse sentido, dois temas merecem atenção detalhada: vedação à venda casada e restrição de oferecimento de produtos e serviços ao investidor. Passemos à análise. 2.3.1 Venda casada: conceito Venda casada é conduta vedada pelas leis brasileiras por ser considerada prática abusiva pelo direito do consumidor18, bem como infração à ordem econômica19. Conceitualmente, essa conduta consiste no ato de subordinar a venda ou prestação de um serviço à aquisição de outro bem ou utilização de outro serviço. Ou seja, trata-se de situação na qual determinada prestação só é disponibilizada se adquirida de forma casada com outra, daí a nomenclatura. Do ponto de vista do direito do consumidor, que se destina a tutelar as relações de consumo protegendo o consumidor nas situações em que ele for entendido como especialmente vulnerável e hipossuficiente, essa prática é vedada por ser considerada abusiva. Afinal, em um ambiente de trocas voluntárias, não seria razoável obrigar o consumidor a comprar algo que não queira apenas para ter acesso ao produto desejado. 18 Código de Defesa do Consumidor: Seção IV Das Práticas Abusivas, art. 39, inciso I. 19 Lei 12.529/11, art. 36, § 3º, inciso XVIII. Dica: cuidado para não confundir a “venda casada”, que é prática vedada, com a “ordem casada”, que é instrumento de estratégia habitual e regularmente utilizado no mercado financeiro para condicionar a execução de uma ordem de venda de determinado ativo à possibilidade de execução de uma ordem de compra de outro ativo. ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 30 Do ponto de vista de infração à ordem econômica, a venda casada é considerada irregular por permitir ao vendedor abusar da sua posição dominante, em prejuízo à livre concorrência. Nesse caso, por exemplo, mesmo que o cliente tenha interesse em comprar os produtos A e B, oferecidos de forma casada pelo vendedor X, às vezes é possível que ele prefira comprar o produto B do vendedor Y, em razão de melhor qualidade ou preço, mas acabe obrigado a comprar do vendedor X por ser ele o único que vende o produto A. Para um exemplo prático, é só imaginar um gerente de uma agência bancária que condiciona a emissão de um cartão de crédito à compra de título de capitalização. Essa conduta pode parecer estranha, mas, no mercado financeiro, não raro um profissional é pressionado por metas de desempenho a vender determinada quantidade de um produto financeiro, pelo que pode se sentir tentado a condicionar a venda de outros produtos ou prestação de outros serviços à aquisição casada daquilo que precisa vender para alcançar suas metas. O profissional que agir dessa forma, contudo, estará em desacordo com a legislação vigente e, principalmente, estará constrangendo um cliente, que ficará descontente pela imposição de uma aquisição que não desejava. É necessário, contudo, diferenciar a venda casada de vantagens, descontos e promoções oferecidos em decorrência da compra de um produto. Para isso, é importante destacar que na venda casada o cliente que deseja o produto A não tem a opção de adquiri-lo separadamente do produto B, pelo que é obrigado a comprar o produto B se desejar o produto A. No entanto, se tanto o produto A quanto o produto B estiverem à venda por um preço razoável20 de forma isolada, nada impede que o produto A seja oferecido de graça – ou por pequeno acréscimo que represente um percentual de seu valor cheio – na compra do produto B, em uma promoção. Afinal, nesse cenário, o que se oferece é um incentivo à compra do produto B e não uma imposição. Voltando ao exemplo mencionado, desde que seja possível emitir um cartão de crédito isoladamente por preço razoável, não há nada de errado se o gerente de uma agência bancária oferecer anuidade gratuita do cartão de crédito para o cliente que adquirir determinado montante em títulos de capitalização. 20 Faz-se a ressalva do preço razoável pois a designação de um preço inviável para determinado produto ser adquirido isoladamente é uma forma conhecida de se mascarar uma venda casada. Disposição expressa nesse sentido constava do art. 17, § 1º, da Resolução CMN 2.878, a qual, contudo, foi revogada. A interpretação, no entanto, permanece válida. 31 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 2.3.2 Restrições do investidor: idade, horizonte de investimento, conhecimento do produto e tolerância ao risco Dentro da proposta de uma conduta ética visando zelar pela relação de longo prazo com os clientes, o sistema financeiro e seus profissionais devem, independentemente de qualquer imposição regulatória, calibrar as recomendações que fazem aos clientes a necessidades, anseios e limitações deles. Nesse sentido, importa analisarmos quatro variáveis comuns a qualquer cliente: idade, horizonte de investimento, conhecimento do produto e tolerância ao risco. Em relação à idade, duas considerações são importantes. Em primeiro lugar, o profissional que conhece o mercado financeiro e sabe da correlação básica entre risco e retorno precisa levar em consideração que investimentos de alto risco dificilmente são recomendáveis a investidores idosos, pois, se no longo prazo ativos de maior risco tendem a oferecer maior retorno, esses clientes dificilmente estarão vivos no longo prazo, pelo que podem ser vítimas da volatilidade. O oposto vale para investidores jovens, para quem um portfólio de investimento mais arrojado pode fazer mais sentido. Em segundo lugar, também faz pouco ou nenhum sentido recomendar para um investidor de idade avançada produtos de baixa liquidez. Assim, amarrar os recursos de um investidor idoso em um produto com liquidez apenas no vencimento, e vencimento em alguns anos, não é, a rigor, recomendável. Quanto ao horizonte de investimento, aplica-se consideração análoga à da idade. Nesse caso, contudo, a preocupação é, sobretudo, para quando é necessário ter liquidez. Assim, se um casal deseja utilizar suas economias para comprar um carro em seis meses, é inadequado recomendar um investimento com liquidez apenas em mais de seis meses. Agora, se o mesmo casal está poupando para uma aposentadoria, faz pouco sentido sugerir investimentos de curto prazo que, em geral, têm retorno menor que aqueles de menor liquidez. Em relação ao conhecimento do produto, é extremamente importante para a manutenção de uma relação de confiança com o cliente que ele entenda as características do produto no qual está investindo. Isso evita frustrações decorrentes do desalinhamento de expectativas. Em razão disso, é inadequado sugerir produtos de maior complexidade para clientes com conhecimentos e experiência de investimentos limitados. Por fim, no que diz respeito à tolerância ao risco, é importante observar que os clientes apresentam diferentes perfis de investimento. Enquanto alguns são mais arrojados, tendo tolerância maior ao risco e à volatilidade, outros são extremamente cautelosos e avessos a qualquer incerteza ou oscilação. Assim, é inadequado sugerir a um cliente muito conservador e avesso ao risco um produto de alto risco e volatilidade, pois esse, ao acompanhar o desempenho do seu investimento, ficará ansioso e desconfortável, o que prejudicará sua relação de longo prazo com o profissional que o assessorou, com a instituição financeira que o profissional representa e até mesmo com o próprio sistema financeiro. 32 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 2.4 Análise do Perfil do Investidor (API) A API, como visto, é a atividade necessária à indicação adequada de produtos e serviços aos investidores, de modo a possibilitar que eles tenham uma interação positiva e satisfatória com o mercado financeiro. Como tal, tem ganhado força mundo afora enquanto boa prática na condução de negócios no mercado financeiro. Por essa razão que, no Brasil, seguida do impulso inicial das normas autorreguladoras da ANBIMA, ganhou a atenção do principal regulador estatal do mercado de capitais, a CVM. Nesse sentido, considerando que já foram abordadas as exigências da ANBIMA, importa nesta seção detalhar as exigências regulatórias referentes às matérias trazidas pela CVM, sobretudo por meio da publicação da Instrução CVM 539. 2.4.1 Instrução CVM 539 – dever de verificação da adequação de produtos, serviços e operações ao perfil do cliente (suitability) – finalidade e para quem se aplica a regra Publicada originalmente em 2013, a partir de discussões conduzidas com o mercado por meio de audiências públicas desde 2011, e parcialmente atualizada pela Instrução CVM 554, a Instrução CVM 539 já é hoje elemento normativo consolidado, cuja atenta observância é requerida de todo o mercado financeiro e de capitais. Mediante a imposição do dever de verificação da adequação não só dos produtos, mas também dos serviços e operações, ao perfil de cada cliente (suitability21), o que se busca é oferecer ao público o acesso a um mercado financeiro que desempenhe adequadamente sua função de prestar serviços aptos a melhorar a vida das pessoas. A ideia, portanto, é oferecer o mercado financeiro como uma ferramenta que possibilite à população um planejamento financeiro adequado. Isso especialmente em contraposição a práticas vistas na história de captação inescrupulosa de recursos que, se no curto prazo possibilitavam lucros aos intermediários financeiros, no longo prazo plantavam sementes de instabilidade e desconfiança, prejudicando a imagem do mercado financeiro, sua estabilidade e a relação de confiança com os investidores. Confiança e estabilidade são, portanto, conceitos-chave para o entendimento da finalidade que têm as regras de suitability. A fim de obter sua melhor compreensão, um esclarecimento um pouco mais detalhado é adequado. No que se refere à confiança, embora seja altamente desejável que a população aprimore sua educação financeira, fato é que grande parte das pessoas tem conhecimento muito limitado acerca de características e funcionamento de produtos e serviços financeiros. Justamente por isso a atividade do profissional especialista é importante. Entretanto, dada a assimetria informacional existente entre o cliente e o especialista, a confiança se torna elemento indispensável dessa relação. 21 A expressão inglesa corresponde a um substantivo que representa a qualidade daquilo que é adequado/apropriado (“suitable”) a alguém, algo ou alguma situação. 33 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Essa situação é análoga àquela verificada entre paciente e médico. O paciente geralmente não tem o conhecimento aprofundado por anos de estudo e prática do médico, pelo que nem sempre é capaz de avaliar se aquilo que o médico está dizendo é mesmo o mais apropriado à sua saúde. Logo, para garantir o melhor tratamento, prefere sempre alguém de sua confiança. Confiança essa que pode advir tanto de uma relação familiar pré-existente quanto ser construída mediante um histórico de bons diagnósticos e recomendações. A mesma coisa vale para a relação entre o investidor e o profissional especialista. Afinal, se o especialista indicar produtos que no decorrer do tempo se mostrem inadequados, a confiança necessária ao bom desenvolvimento dessa relação cessará, prejudicando, inclusive, o bom desenvolvimento não só da carreira do profissional, mas do mercado financeiro como um todo. Já no que diz respeito à estabilidade, é preciso levar em consideração que muitas opções de investimentos têm desempenho variável a depender de fatores externos. Mais do que isso, muitas opções de investimento podem ter seu desempenho tanto prejudicado pura e simplesmente em razão do comportamento de investidores receosos, quanto fortemente estimulado apenas por investidores eufóricos. Em razão disso, investidores que tenham pouco conhecimento financeiro ou baixa tolerância ao risco, mas que mesmo assim detenham um produto de maior complexidade ou mais sujeito a riscos e volatilidade, tendem a ter reações desproporcionais tanto a informações adversas quanto a rentabilidades extraordinárias. Em linguagem coloquial, são investidores que “se deixam levar” mais facilmente. Esse comportamento pode favorecer a criação de bolhas22 ou a propagação de pânicos23, o que, por sua vez, pode comprometer a estabilidade financeira de um sistema. Um dos produtos de investimento em que a questão da importância do suitability para preservação da estabilidade mais se evidencia são as ações de empresas listadas em bolsa. Investidores que não compreendam os riscos e as oscilações inerentes a esse produto podem contribuir para a valorização de uma ação muito acima de qualquer fundamento econômico e para quedas acentuadas e repentinas no preço das ações com base em boatos com pouco ou nenhum fundamento. Explicitada a finalidade das regras de suitability, importa explicitar que elas se aplicam a todas as pessoas habilitadas a atuar como integrantes do sistema de distribuição24 e aos consultores de valores mobiliários25 . 22 Assim entendidas como o crescimento expressivo e insustentável da precificação de um ativo. 23 Assim entendidos como a intolerância generalizada a qualquer grau de risco. 24 Tal como definido no art. 15 da Lei 6.385/76. 25 Conforme habilitados pela CVM e cadastrados na Central de Sistema da CVM, disponível em: http://sistemas.cvm.gov.br/?CadGeral. Acesso em: 25 jul. 2017. 34 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR 2.4.1.1 Abrangência; perfil do cliente; categorias de produtos; vedações e obrigações; regras, procedimentos e controles internos; atualizações e dispensas Como dito, a Instrução CVM 539 busca impedir que as pessoas habilitadas a atuar como integrantes do sistema de distribuição e os consultores de valores mobiliários recomendem produtos, realizem operações ou prestem serviços sem que verifiquem a adequação destes ao perfil do cliente. As regras de verificação da suitability determinadas pela CVM são, portanto, aplicáveis às recomendações de produtos ou serviços, direcionadas a clientes específicos, realizadas mediante contato pessoal ou com o uso de qualquer meio de comunicação, seja sob forma oral, escrita, eletrônica ou pela rede mundial de computadores. É importante notar que as regras de suitability devem ser adotadas para o cliente titular da aplicação. No que se refere à verificação da adequação do perfil propriamente dito, os integrantes do sistema de distribuição e os consultores de valores mobiliários devem observar se: O produto, o serviço ou a operação é adequado aos objetivos de investimento do cliente. Para tal, devem verificar, no mínimo: • o período em que o cliente deseja manter o investimento; • as preferências declaradas do cliente quanto à assunção de riscos; e • as finalidades do investimento. A situação financeira do cliente é compatível com o produto, serviço ou operação. Para tal, devem verificar, no mínimo: • o valor das receitas regulares declaradas pelo cliente; • o valor e os ativos que compõem o patrimônio do cliente; e • a necessidade futura de recursos declarada pelo cliente. O cliente tem conhecimento necessário para compreender os riscos relacionados ao produto, serviço ou operação. Para tal, devem verificar, no mínimo: • os tipos de produtos, serviços e operações com os quais o cliente tem familiaridade; • a natureza, o volume e a frequência das operações já realizadas pelo cliente no mercado de valores mobiliários, bem como o período em que tais operações foram realizadas; e • a formação acadêmica e a experiência profissional do cliente, caso se trate de pessoa física. 35 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Para além desses pontos, os responsáveis pelas verificações de suitability devem considerar os custos associados a produtos, serviços ou operações – tanto diretos como indiretos –, abstendo- se de recomendar aqueles que impliquem custos excessivos e inadequados ao perfil do cliente. Para avaliar esse perfil, contudo, os responsáveis pelas verificações de suitability devem avaliar e classificar seus clientes em categorias de risco a serem por eles previamente estabelecidas. Em complemento e a fim de melhor verificar a adequação, também os produtos devem ser analisados e classificados em categorias; essa classificação deve considerar, no mínimo: Os riscos associados ao produto e aos ativos subjacentes a esse produto. O perfil dos emissores e prestadores de serviços associados ao produto. A existência ou não de garantias. Os prazos de carência26. Posto isso, a CVM veda expressamente que as pessoas habilitadas a atuar como integrantes do sistema de distribuição e os consultores de valores mobiliários recomendem produtos ou serviços aos seus clientes quando verificada uma das seguintes situações: Quando o perfil do cliente não seja adequado ao produto ou serviço. Na hipótese de não terem sido obtidas as informações que permitam a identificação do perfil do cliente. Caso as informações relativas ao perfil do cliente não estejam atualizadas. Quanto a regras, procedimentos e controles internos obrigatórios, tem-se que as pessoas habilitadas a atuar como integrantes do sistema de distribuição e os consultores de valores mobiliários que se organizem sob a forma de pessoa jurídica são obrigadas a: Estabelecer regras e procedimentos escritos, bem como controles internos passíveis de verificação, que permitam o pleno cumprimento do dever de verificação da adequação do perfil do investidor. Adotar políticas internas específicas relacionadas à recomendação de produtos complexos, que ressaltem, no mínimo: • os riscos da estrutura em comparação com a de produtos tradicionais; e • a dificuldade em se determinar seu valor, inclusive em razão de sua baixa liquidez; Indicar um diretor estatutário responsável pelo cumprimento das normas estabelecidas pela Instrução CVM 539. 26 Isto é, o período mínimo pelo qual os recursos relacionados ao investimento ficarão indisponíveis ao cliente. 36 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR É importante notar que o diretor indicado à CVM como responsável pela elaboração e observância das regras de suitability deve ter sua nomeação ou substituição informada à CVM no prazo de sete dias úteis. Igualmente, esse diretor deve encaminhar aos órgãos de administração da sua instituição, até o último dia útil dos meses de janeiro e julho, relatório relativo ao semestre encerrado no mês imediatamente anterior à data de entrega, contendo, no mínimo: Uma avaliação do cumprimento pela pessoa jurídica de regras, procedimentos e controles internos de suitability. As recomendações a respeito de eventuais deficiências, com o estabelecimento de cronogramas de resolução dessas. Ademais, sem qualquer prejuízo da responsabilidade do diretor referido, cabe aos órgãos de administração das pessoas jurídicas aprovar regras e procedimentos de suitability e supervisionar o cumprimento e a efetividade dos controles internos. Quanto aos prazos de atualizações, as pessoas habilitadas a atuar como integrantes do sistema de distribuição e os consultores de valores mobiliários são obrigados a promover a atualização das informações relativas ao perfil de seus clientes em intervalos não superiores a 24 meses e a proceder a nova análise e classificação das categorias de valores mobiliários definidas por si em intervalos também não superiores a 24 meses. Por fim, é importante notar que o dever de verificação da adequação dos produtos, serviços e operações ao perfil do cliente é dispensável nos seguintes casos: Se o cliente for investidor qualificado, nos termos do art. 9o - B da Instrução CVM n. 539/2013 com exceção de pessoas naturais que: • possuam investimentos financeiros em valor superior a R$ 10.000.000,00 e que, adicionalmente, atestem por escrito sua condição de investidor profissional mediante termo próprio; • possuam investimentos financeiros em valor superior a R$ 1.000.000,00 e que, adicionalmente, atestem por escrito sua condição de investidor qualificado mediante termo próprio; e que Saiba mais: para compreender melhor essas regras, procedimentos e controles, é bastante interessante buscar na internet as políticas de suitability publicadas por instituições financeiras. O acesso é fácil, o material é abundante, e sua leitura ajuda o profissional a compreender melhor as práticas de mercado e o que dele se espera na realização de uma análise de perfil. 37 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR • tenham sido aprovadas em exames de qualificação técnica ou possuam certificações aprovadas pela CVM como requisitos para o registro de agentes autônomos de investimento, administradores de carteira, analistas e consultores de valores mobiliários, em relação a seus recursos próprios. Se o cliente for pessoa jurídica de direito público. Se o cliente tiver sua carteira de valores mobiliários administrada discricionariamente por administrador de carteira de valores mobiliários autorizado pela CVM. Se o cliente tiver o seu perfil definido por um consultor de valores mobiliários autorizado pela CVM nos termos da Instrução CVM n. 592/2017, desde que a pessoa habilitada a atuar como integrante do sistema de distribuição: • tenha acesso à avaliação de perfil feita pelo consultor de valores mobiliários; e • verifique que os produtos, serviços e operações comandados pelo cliente estão diretamente relacionados à implementação de recomendação do consultor de valores mobiliários contratado pelo cliente. Essas dispensas fazem sentido na medida em que se referem a agentes econômicos de grande conhecimento e capacidade de análise, ou assessorados por consultor devidamente autorizado pela CVM, pelo que são entendidos como plenamente capazes de verificar os produtos e serviços que são adequados ou não a si. 2.4.2 Adequação de produtos em função do perfil do investidor; importância e motivação do API para o investidor; possibilidade de venda de um produto não adequado ao perfil do investidor Conforme já dito, a adequação de produtos em função do perfil do investidor é elemento essencial para a proteção e promoção de maior confiança do público no sistema financeiro, bem como para a tutela da estabilidade do sistema. A motivação dessa adequação, portanto, encontra-se diretamente ligada às consequências indesejáveis decorrentes de se ter no sistema financeiro investidores na posse de produtos inadequados ao seu perfil. Tais consequências indesejáveis decorrem tanto dos efeitos que essa posse inadequada tem sobre esses investidores (quebra da confiança), quanto os efeitos decorrentes das respostas dadas por esses investidores a acontecimentos externos (promoção de instabilidade no sistema financeiro). Dica: cuidado para não confundir as regras impostas pela CVM com aquelas aplicáveis às instituições participantes dos Códigos ANBIMA. Pode haver muitas semelhanças, mas os Códigos ANBIMA impõem obrigações adicionais, conforme a CVM permite expressamente no art. 11 da Instrução CVM 539. 38 ÉTICA, REGULAMENTAÇÃO E ANÁLISE DO PERFIL DO INVESTIDOR Não obstante, seria por demais restritivo à liberdade de iniciativa, valor consagrado como fundamento da República Federativa do Brasil27 pela Constituição Federal de 1988, que tem por finalidade assegurar a todos existência digna, sem exclusões nem discriminações, impedir clientes em absoluto de acessar determinados produtos de investimento. Fazer isso também poderia impactar na confiança desse investidor no sistema financeiro, uma vez que ele poderia interpretar que determinado produto não é oferecido a si por discriminação econômica. Assim, é sim possível que um cliente realize uma operação cuja recomendação lhe é vedada – seja por seu perfil não ser adequado, por não terem sido obtidas informações necessárias para identificação do perfil do cliente ou por as informações referentes a esse cliente estarem desatualizadas. Para isso, contudo, quando esse cliente ordenar a realização da operação pela primeira vez, o integrante do sistema de distribuição acionado deve: Alertar o cliente, com indicação clara das causas de divergência, acerca da: • ausência de perfil definido; • desatualização do perfil (falta de atualização nos últimos 24 meses); ou • inadequação da operação requerida ao respectivo perfil. Obter declaração expressa do cliente de que ele está ciente da ausência, desatualização ou inadequação de seu perfil. Com essa previsão, portanto, a CVM entende que está protegendo ao menos a confiança no sistema financeiro, pois o cliente fica expressamente ciente de que está agindo fora das recomendações emitidas por integrantes do sistema de distribuição e pelos consultores de valores mobiliários. Ademais, isso é feito sem privá-lo de acessar determinadas operações, evitando o que poderia ser visto como limitação arbitrária e injusta. Essa foi, portanto, a saída encontrada pelo regulador para tutelar o bem jurídico que a regulação busca proteger ao menor custo possível à liberdade econômica dos clientes do sistema financeiro. 27 Art. 1º, IV. 1. É uma obrigação das instituições participantes determinada pelos Princípios Gerais do Código de Distribuição da ANBIMA (A) garantir a Marcação a Mercado (MaM) dos ativos. (B) realizar auditorias nas empresas emissoras de valores mobiliários que distribua. (C) garantir o retorno de produtos de investimento de renda fixa que distribua. (D) identificar conflitos de interesse que possam afetar a imparcialidade da atividade de distribuição. 2. É uma exigência mínima estabelecida pelo Código de Distribuição da ANBIMA para as instituições participantes (A) manter uma área de compliance para reparar os danos resultantes das perdas financeiras dos clientes. (B) adotar procedimentos formais denominados como conheça seu cliente, de modo a identificar operações incompatíveis com o patrimônio e/ou renda do investidor. (C) contratar Agente Autônomo de Investimento (AAI) para a distribuição e mediação de valores mobiliários. (D) ter uma política interna proibindo a equipe de distribuição de produtos de investimento de investir em derivativos. 3. De acordo com o Código de Distribuição da ANBIMA, na elaboração de publicidade e divulgação de materiais técnicos dos produtos de investimento, as instituições participantes devem produzi-los com (A) informações claras e necessárias para a tomada de decisão do cliente. (B) linguagem técnica e formal. (C) promessa ou garantia de resultados futuros. (D) expectativas do administrador em que não existe uma base técnica. 4. Para definir a SITUAÇÃO FINANCEIRA do investidor, como parte do processo de verificar o perfil do investidor, estabelecido no Código de Distribuição da ANBIMA, a instituição deverá obter informações do cliente sobre I. os tipos de produtos, serviços e operações com os quais o investidor tem familiaridade. II. o valor e os ativos que compõem o seu patrimônio. III. a necessidade futura de recursos declarada. Está correto o que se afirma em (A) I e II, apenas. (B) I e III, apenas. (C) II e III, apenas. (D) I, II e III. 39 QUESTÕES 5. O cadastro dos dados dos clientes das instituições financeiras (A) deve reunir o maior número de informações, independentemente da atualização desse cadastro, para a prevenção de lavagem de dinheiro. (B) deve estar completo e atualizado para auxiliar na verificação da capacidade financeira desses clientes com o objetivo de prevenir o crime de lavagem de dinheiro. (C) pode ser atualizado pelos canais de atendimento telefônico, sem a necessidade da comprovação desses dados. (D) pode ser atualizado, a qualquer momento, a critério dessas instituições 6. O princípio conheça seu cliente (KYC) tem como objetivo (A) manter os investidores atualizados sobre as características dos produtos bancários. (B) reunir o maior número de informações para identificar possíveis clientes inadimplentes. (C) alertar aos clientes situações em que possam vir a adquirir produtos inadequados ao perfil de risco. (D) realizar o monitoramento contínuo das transações efetuadas pelos clientes para identificar aquelas que são consideradas suspeitas de acordo com o patrimônio e/ou a renda do investidor. 7. Quanto ao registro das operações dos clientes, as instituições financeiras são obrigadas a mantê-lo integralmente, (A) sem identificar esses clientes, pelo prazo mínimo de cinco anos. (B) sem identificar esses clientes, pelo prazo mínimo de dez anos. (C) identificando esses clientes, pelo prazo mínimo de cinco anos. (D) identificando esses clientes, pelo prazo mínimo de dez anos. 8. De acordo com as normas do BACEN e da CVM, considera-se um indício de crime de lavagem de dinheiro a realização de transações (A) que tenham como uma das partes empresas de consultoria e/ou administradoras de bens. (B) de valores superiores a R$ 10 milhões. (C) nas quais não é possível identificar o beneficiário final. (D) entre empresas de um mesmo grupo empresarial. 9. As instituições financeiras têm a obrigação de comunicar a ocorrência de determinadas operações suspeitas de lavagem de dinheiro (A) ao Ministério Público Federal. (B) à Polícia Federal. (C) ao Coaf. (D) à Receita Federal 40 QUESTÕES 10. Pelas normas do BACEN, a partir de 2018, as instituições financeiras devem comunicar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) as operações ou propostas de operações de depósito em espécie, saque em espécie ou saque em espécie por meio de cartão pré-pago, de valor igual ou superior a A) R$ 100.000,00 (B) R$ 250.000,00 (C) R$ 500.000,00 (D) R$ 50.000,00 11. Quanto ao descumprimento das obrigações das medidas de prevenção à lavagem de dinheiro, os agentes sujeitos às penalidades administrativas são o diretor responsável pela implementação e pelo cumprimento dessas medidas (A) e a instituição financeira, apenas. (B) e os demais administradores da instituição financeira, apenas. (C) a instituição financeira, e os demais administradores da instituição financeira. (D) e o funcionário da instituição responsável pela conta, apenas. 12. Ao praticar a lavagem de dinheiro, um indivíduo estará criminalmente sujeito (A) à pena de inabilitação para o exercício do cargo de administrador das pessoas jurídicas. (B) às penas de reclusão e multa. (C) à pena de cassação ou suspensão da autorização para o exercício de atividade, operação ou funcionamento. (D) à pena de reclusão, apenas. 13. Um cliente procurou determinada instituição financeira para obter empréstimo pessoal. O funcionário dessa instituição informou ao cliente que I. poderá reduzir a taxa de juros no empréstimo pessoal, se ele contratar um seguro de proteção ao crédito, que lhe será oferecido por valor abaixo do habitual. II. poderá lhe conceder o empréstimo, desde que ele contrate um seguro de proteção ao crédito. Nesse caso, I e II representam, respectivamente, as práticas (A) de venda casada e de venda casada. (B) promocional e de venda casada. (C) promocional e promocional. (D) de venda casada e promocional. 41 QUESTÕES 14. Para investidores idosos, são recomendáveis investimentos de (A) baixo risco e baixa liquidez. (B) baixo risco e alta liquidez. (C) alto risco e alta liquidez. (D) alto risco e baixa liquidez 15. As regras de suitability determinadas pela CVM são aplicáveis às recomendações de produtos ou serviços que sejam realizadas por meio de ((A) contato pessoal, apenas. (B) contato pessoal ou telefônico, apenas. (C) contato pessoal ou comunicação escrita. (D) contato pessoal ou quaisquer meios de comunicação. 16. Para a compatibilidade da situação financeira do cliente pessoa física e da oferta de um produto de investimento, no processo de API, um profissional deverá verificar (A) a profissão exercida pelo cliente. (B) a finalidade do investimento. (C) o valor e os ativos que compõem o patrimônio do cliente. (D) a formação acadêmica e experiência profissional do cliente. 17. Um gerente de uma instituição financeira NÃO poderá recomendar produtos ou serviços quando o cliente (A) apresentar perfil classificado como conservador. (B) apresentar perfil com informações desatualizadas. (C) tiver idade igual ou inferior a 21 anos. (D) tiver um horizonte de investimento de curto prazo. 18. Em procedimentos e controles internos obrigatórios, determinados pelas regras de suitability, a instituição financeira é responsável por (A) elaborar relatórios periódicos da verificação da Adequação do Perfil do Investidor (API), submetendo-os ao Banco Central. (B) contar com uma área jurídica responsável pelo cumprimento das normas. (C) ter um diretor estatutário responsável pelo cumprimento das normas. (D) elaborar relatórios periódicos da verificação da Adequação do Perfil do Investidor (API), submetendo-os à auditoria externa. 42 QUESTÕES 19. Um gerente de uma instituição financeira está dispensado do dever de verificar a adequação de produtos, serviços e operações ao perfil quando o cliente (A) for pessoa natural com investimento financeiro superior a R$ 10.000.000,00 e atestar, por escrito, sua condição de investidor profissional. (B) tiver sua carteira de valores mobiliários administrada por administrador autorizado pela CVM. (C) for diretor de instituição financeira. (D) for graduado em Direito, Economia e/ou Administração. 20. Conforme as regras da CVM para a Análise do Perfil do Investidor (API), é permitido que um cliente realize uma primeira operação cuja recomendação lhe seja vedada, em função da ausência de preenchimento do API, desde que obtenha (A) autorização expressa do diretor da instituição responsável pela observância das regras de suitability. (B) autorização expressa da auditoria externa contratada pela instituição responsável pela observância das regras de suitability. (C) declaração expressa do cliente e do cônjuge (quando casado) de que estão cientes da ausência de seu perfil. (D) declaração expressa do cliente de que está ciente da ausência de seu perfil. 43 QUESTÕES 1. D Justificativa: Identificar, administrar e mitigar eventuais conflitos de interesse que possam afetar a imparcialidade das pessoas que desempenhem funções ligadas à Distribuição de Produtos de Investimento é uma das obrigações impostas pelos princípios gerais do Código de Distribuição. 2. B Justificativa: Integram as exigências mínimas a obrigação das instituições participantes de adotar procedimentos formais de conheça seu cliente (KYC) compatíveis com o porte, o volume, a natureza e a complexidade das transações envolvendo produtos de investimento, buscando o monitoramento contínuo das transações, de modo a identificar aquelas que são suspeitas e/ou incompatíveis com o patrimônio e/ou renda do cliente. 3. A Justificativa: As instituições participantes devem produzir publicidade ou material técnico adequado ao seu público-alvo, com informações claras, minimizando incompreensões quanto ao seu conteúdo, e privilegiando informações necessárias para a tomada de decisão. 4. C Justificativa: Para verificar a SITUAÇÃO FINANCEIRA do investidor, a instituição financeira deve analisar, no mínimo, o valor das receitas regulares declaradas pelo cliente; o valor e os ativos que compõem o patrimônio do cliente; e a necessidade futura de recursos declarada pelo cliente. 5. B Justificativa: Um cadastro completo e atualizado auxilia na verificação da capacidade financeira do cliente, o que permite mais facilmente a identificação de operações suspeitas. 6. D Justificativa: O princípio “conheça seu cliente” ao almejar reunir as mais diversas informações sobre os clientes das instituições financeiras, possibilita a realização de uma análise mais precisa sobre regularidade ou irregularidade das operações realizadas pelos clientes, permitindo identificar aquelas consideradas suspeitas de acordo com o patrimônio e/ou a renda do investidor, análise essa que funciona como proteção da instituição financeira e de seus profissionais. 7. C Justificativa: A obrigação de manter os registros de todas as transações, com a devida identificação dos clientes, tem prazo determinado, o qual varia entre 5 e 10 anos, podendo ser estendido em caso de processo administrativo. 8. C Justificativa: As transações nas quais não é possível identificar o beneficiário final configuram indícios de lavagem de dinheiro, conforme os normativos da CVM (art. 6º, Instrução CVM 301) e do BACEN (art. 10, Circular BACEN 3.461). 9. C Justificativa: De acordo com a Instrução CVM 301, art. 7º, e a Circular BACEN 3.839, as instituições financeiras têm a obrigação de comunicar a ocorrência de determinadas operações suspeitas ao Coaf. 44 RESPOSTAS 10. D Justificativa: R$ 50.000,00 corresponde ao montante igual ou acima do qual, de acordo com a Circular BACEN 3.839, as instituições financeiras devem comunicar ao Coaf as operações ou propostas de operações de depósito em espécie, saque em espécie, ou saque em espécie por meio de cartão pré-pago. 11. C Justificativa: A alternativa apresenta todos os sujeitos que estão suscetíveis a penalidades administrativas nos termos da Lei 9.613/98, do art. 10 da Instrução CVM 301 e do art. 18 da Circular BACEN 3.461. 12. B Justificativa: O art. 1º da Lei 9.613/98 prevê pena de reclusão e multa para a prática do crime de lavagem de dinheiro e é aplicável tanto a quem cometer o crime quanto a quem ajudar no processo de lavagem de dinheiro. 13. B Justificativa: A alternativa enquadra corretamente cada uma das situações como prática promocional e de venda casada, respectivamente. 14. B Justificativa: Em geral, os investimentos de baixo risco e alta liquidez são recomendáveis a investidores idosos. Os investimentos de alto risco dificilmente são recomendáveis a investidores idosos, pois, se no longo prazo ativos de maior risco tendem a oferecer maior retorno, esses clientes dificilmente estarão vivos no longo prazo, pelo que podem ser vítimas da volatilidade. Também faz pouco ou nenhum sentido recomendar para um investidor de idade avançada produtos de baixa liquidez. Assim, amarrar os recursos de um investidor idoso em um produto com liquidez apenas no vencimento, e vencimento em alguns anos, não é, a rigor, recomendável. 15. D Justificativa: De acordo com a Instrução CVM 539, art. 1º, § 1º, as regras de suitability incidem sobre as recomendações realizadas pela forma de contato pessoal ou com o uso de qualquer meio de comunicação, seja sob forma oral, escrita, eletrônica ou pela rede mundial de computadores. 16. C Justificativa: A Instrução CVM 539, art. 2º, § 2º, determina que, para a verificação da compatibilidade da situação financeira do cliente com o produto, serviço ou operação, seja analisado, no mínimo, (i) o valor das receitas regulares declaradas pelo cliente; (ii) o valor e os ativos que compõem o patrimônio do cliente; e (iii) a necessidade futura de recursos declarada pelo cliente. 17. B Justificativa: A falta de atualização das informações do perfil do cliente é uma das hipóteses estabelecidas pela CVM de vedação à recomendação de produtos ou serviços aos clientes pelos integrantes do sistema de distribuição e pelos consultores de valores mobiliários. Essas pessoas, conforme o art. 5º da Instrução CVM 539, estão vedadas a recomendar produtos ou serviços aos clientes quando: (i) o perfil do cliente não for adequado ao produto ou serviço; (ii) não forem obtidas as informações que permitam a identificação do perfil do cliente; ou (iii) as informações relativas ao perfil do cliente não estiverem atualizadas. 45 RESPOSTAS 18. C Justificativa: A CVM determina, como procedimento obrigatório, para as pessoas habilitadas a atuar como integrantes do sistema de distribuição e para os consultores de valores mobiliários que se organizem sob a forma de pessoa jurídica, a indicação de um diretor estatutário responsável pelo cumprimento das normas estabelecidas pela Instrução CVM 539. As regras da CVM sobre os procedimentos e controles internos obrigatórios de suitability, previstas no art. 7º da Instrução CVM 539, determinam que as pessoas habilitadas a atuar como integrantes do sistema de distribuição e os consultores de valores mobiliários que se organizem sob a forma de pessoa jurídica devem: (i) estabelecer regras e procedimentos escritos, bem como controles internos passíveis de verificação, que permitam o pleno cumprimento do dever de verificação da adequação do perfil do investidor; (ii) adotar políticas internas específicas relacionadas à recomendação de produtos complexos; (iii) indicar um diretor estatutário responsável pelo cumprimento das normas estabelecidas pela Instrução CVM 539. 19. B Justificativa: Quando o cliente tiver sua carteira de valores mobiliários administrada por administrador autorizado pela CVM, o profissional está dispensado do dever de verificação da adequação dos produtos, serviços e operações ao perfil do cliente. As hipóteses de dispensa estão previstas no art. 9º da Instrução CVM 539, segundo o qual as pessoas habilitadas a atuar como integrantes do sistema de distribuição e os consultores de valores mobiliários podem deixar de observar o referido dever se: (i) o cliente for investidor qualificado, com exceção de pessoas naturais que: (a) possuam investimentos financeiros em valor superior a R$ 10.000.000,00 e que, adicionalmente, atestem por escrito sua condição de investidor qualificado mediante termo próprio; (b) possuam investimentos financeiros em valor superior a R$ 1.000.000,00 e que, adicionalmente, atestem por escrito sua condição de investidor qualificado mediante termo próprio; e que (c) tenham sido aprovadas em exames de qualificação técnica ou possuam certificações aprovadas pela CVM como requisitos para o registro de agentes autônomos de investimento, administradores de carteira, analistas e consultores de valores mobiliários, em relação a seus recursos próprios; (ii) o cliente for pessoa jurídica de direito público; ou (iii) o cliente tiver sua carteira de valores mobiliários administrada discricionariamente por administrador de carteira de valores mobiliários autorizado pela CVM. 20. D Justificativa: A CVM determina a necessidade de obtenção de declaração expressa do cliente de que está ciente da ausência, desatualização ou inadequação de seu perfil, para a realização da operação. O art. 6º da Instrução CVM 539 prevê que na primeira vez em que o cliente ordenar a realização da operação o integrante do sistema de distribuição acionado deve: (i) alertar o cliente, com indicação clara das causas de divergência, acerca da: (a) ausência de perfil definido; (b) desatualização do perfil (falta de atualização nos últimos 24 meses); ou (c) inadequação da operação requerida ao respectivo perfil; (ii) obter declaração expressa do cliente de que ele está ciente da ausência, desatualização ou inadequação de seu perfil. 46 RESPOSTAS GLOSSÁRIO 47 Ações: frações ideais do capital social de empresas. Títulos que representam para o acionista direito de participação na sociedade e, de maneira indireta, direito sobre os ativos e sobre os resultados financeiros da empresa. Ações ordinárias: ações que conferem a seus detentores os direitos patrimoniais garantidos em lei; especificamente, são ações que conferem a seus detentores o direito a voto nas assembleias de acionistas das empresas. Ações preferenciais: ações que conferem a seus detentores a prioridade no recebimento de dividendos distribuídos pela companhia e no reembolso do capital. Administração Fiduciária: é o conjunto de serviços relacionados direta ou indiretamente ao funcionamento e à manutenção do Fundo, desempenhada por pessoa jurídica autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários. Agência de classificação de risco: entidade responsável por analisar o risco de crédito de emissores e de emissões de títulos de renda fixa e por emitir opinião por meio de uma nota de crédito (rating). Agente autônomo de investimento (AAI): é a pessoa natural que atua na prospecção e captação de clientes, recepção e registro de ordens e transmissão dessas ordens para os sistemas de negociação ou de registro cabíveis e na prestação de informações sobre os produtos oferecidos e sobre os serviços prestados pela instituição integrante do sistema de distribuição de valores mobiliários pela qual tenha sido contratado. Agentes econômicos deficitários: indivíduos ou entidades cujas despesas superam suas receitas. Agentes econômicos superavitários: indivíduos ou entidades cujas receitas superam suas despesas. Agente fiduciário: é quem representa a comunhão dos debenturistas perante a companhia emissora, com deveres específicos de defender os direitos e interesses dos debenturistas, entre outros citados na lei. ANBIMA: Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Aplicação: compra de um ativo financeiro na expectativa de que, no tempo, produza retorno financeiro. Apreçamento: consiste em precificar os ativos pertencentes à carteira dos Veículos de Investimento, pelos respectivos preços negociados no mercado em casos de ativos líquidos ou, quando este preço não é observável, por uma estimativa adequada de preço que o ativo teria em uma eventual negociação feita no mercado. Atividade de Compliance: conjunto de medidas direcionadas a verificar e garantir que os diversos setores de uma companhia observam regras e padrões impostos pelas normas legais e regulatórias. 48 GLOSSÁRIO Audiência pública: reunião pública para comunicação e discussão de determinados assuntos entre diversos setores da sociedade e as autoridades públicas. Autorregulação: estabelecimento ou verificação de regras feitas pelas pessoas ou entidades que serão alvo de regulação. B3 S.A.: Brasil, Bolsa, Balcão (atual Denominação Social da antiga BM&FBovespa S.A. – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros após fusão com a Cetip S.A.). É uma empresa de infraestrutura do mercado financeiro brasileiro. BACEN: Banco Central do Brasil. Banco de Dados da ANBIMA: é o conjunto de informações cadastrais enviadas para a ANBIMA pelas instituições participantes que são armazenadas de forma estruturada. Benchmark: termo em inglês para processo de comparação de produtos, serviços e práticas empresariais. Índice de referência. Beneficiário: pessoa física (ou pessoas físicas) indicada livremente pelo participante para receber os valores de benefício ou resgate, na hipótese de seu falecimento, de acordo com a estrutura do plano de previdência ou seguro e na forma prevista pela legislação e pelo desejo do participante. Benefício: pagamento que os beneficiários recebem em função da ocorrência do evento gerador durante o período de cobertura, ou seja, é o período do recebimento da renda propriamente dita, em que o participante de um plano de previdência optará pelo recebimento de uma renda temporária ou vitalícia. Beneficiário final: a pessoa natural em nome da qual uma transação é conduzida ou a pessoa natural que, em última instância, de forma direta ou indireta, possui, controla ou influencia significativamente a entidade em nome da qual a transação é conduzida. Bonificação: distribuição, por parte da companhia, de ações aos seus acionistas por conta da capitalização das reservas de lucro. Cadastros de crédito: bancos de dados que armazenam informações sobre o histórico de crédito de pessoas e empresas, a fim de possibilitar que determinada decisão sobre conceder ou não um crédito seja mais bem fundamentada. Caderneta de poupança: modalidade de investimento de baixo risco que credita rendimentos mensalmente, na data equivalente à data de aplicação (data-base). Seus rendimentos são isentos de imposto de renda para pessoa física e os depósitos possuem garantia do FGC. Canais Digitais: canais digitais ou eletrônicos utilizados na distribuição de produtos de investimento, que servem como instrumentos remotos sem contato presencial entre o investidor ou potencial investidor e a instituição participante. Capital de terceiros: recursos levantados pela companhia junto a terceiros na forma de dívida, para fins de financiamento de suas atividades. 49 GLOSSÁRIO Capital próprio: patrimônio líquido da empresa, ou seja, o dinheiro aplicado pelos acionistas e quaisquer lucros retidos pela companhia ao longo do tempo. Capitalização composta: regime de capitalização de juros em que o montante inicial é acrescido de juros a cada período, para fins de cálculo dos juros dos períodos subsequentes. Capitalização simples: regime de capitalização de juros em que o montante inicial serve como base de cálculo para os juros de todos os períodos. Carência: prazo preestabelecido durante o qual o participante de um plano de previdência, ou investidor, não tem acesso aos seus recursos. Carta de recomendação: proposta elaborada pela área de Supervisão da ANBIMA para uma instituição participante visando à correção ou compensação de uma infração de pequeno potencial ofensivo. Certificado de Depósito Bancário (CDB): título de renda fixa que representa depósito a prazo realizado por investidores em uma instituição financeira. Clube de investimento: comunhão de recursos de pessoas físicas; é criado com o objetivo de investir no mercado de títulos e valores mobiliários. Deve ter no mínimo 3 e no máximo 50 cotistas e ao menos 67% do seu patrimônio líquido devem estar investidos em instrumentos de renda variável como ações. COAF: Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão ligado ao Banco Central que tem como missão produzir inteligência financeira e promover a proteção dos setores econômicos contra a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo. Colocação privada: venda de valores mobiliários emitidos por uma companhia para um grupo selecionado de investidores, sem que haja distribuição pública. Come-cotas: recolhimento semestral do Imposto de Renda (IR) incidente sobre os rendimentos obtidos nas aplicações em determinados fundos de investimento. Comitê de Política Monetária (COPOM): comitê criado no âmbito do Banco Central do Brasil e incumbido de implementar a política monetária, definir a meta para a Taxa Selic (e seu eventual viés) bem como analisar o Relatório de Inflação. É formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central. Commodities: palavra em inglês para mercadoria. No mercado financeiro e de capitais, geralmente refere-se a matérias-primas e produtos agrícolas, como minério de ferro, petróleo, carvão, sal, açúcar, café, soja, alumínio, cobre, arroz, trigo, ouro, prata, paládio e platina. Competências: poderes específicos dados a determinado agente para que cumpra as atribuições a ele designadas. Compliance: função de cumprimento das políticas, procedimentos, controles internos e regras estabelecidas pela regulação vigente. Cota: menor fração de um fundo de investimento. 50 GLOSSÁRIO Cotista: investidor de fundos de investimento. Crédito Privado: títulos de renda fixa de emissores (empresas) privados. Custos de transação: conceito econômico utilizado para representar o dispêndio de recursos necessários para participar de uma determinada transação, envolvendo, mas não se limitando ao custo de planejar, redigir, adaptar e monitorar o cumprimento de contratos, por exemplo. CRI: Certificados de Recebíveis Imobiliários. CTVM: sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que desempenham papel de intermediação de negócios entre os investidores e o mercado. São instituições autorizadas a operar em bolsa de valores, recebendo as ordens dos clientes e colocando as ofertas correspondentes no ambiente da bolsa. CVM: Comissão de Valores Mobiliários. Debêntures: títulos de renda fixa emitidos por sociedades por ações de capital aberto ou fechado; representam um direito de crédito do investidor sobre a companhia emissora. São consideradas “simples” quando não oferecem ao investidor a opção de conversão em ações (ver debêntures conversíveis). Debêntures conversíveis: conferem aos debenturistas a opção de convertê-las em ações da mesma empresa emissora das debêntures, a um preço pré-especificado, em datas determinadas ou durante um período de tempo. Debêntures incentivadas: títulos de renda fixa emitidos por companhias ou por sociedade de propósito específico para financiar investimentos, especialmente em áreas prioritárias para o Governo Federal; oferecem isenção de imposto de renda sobre seus rendimentos para investidores pessoas físicas e não residentes, desde que preencham os requisitos legais para receberem tal incentivo tributário. Debêntures permutáveis: conferem aos debenturistas a opção de convertê-las em ações de outra empresa que não a empresa emissora das debêntures, a um preço pré-especificado, em datas determinadas ou durante um período de tempo. Deflação: redução geral no nível de preços de uma economia. Corresponde a uma taxa de inflação negativa. Desdobramento: concessão de uma ou mais novas ações para cada ação existente; também conhecido como split. Dever de diligência: obrigação imposta a alguns agentes que operam em nome e benefício de terceiros de atuar com a prudência e o zelo que se esperariam de alguém na administração de seus próprios negócios. DI: Depósito Interfinanceiro. Direito creditório: direito a determinado crédito e títulos representativos deste direito. 51 GLOSSÁRIO Distribuidor: instituição financeira que tem como atividade principal ou acessória a intermediação de operações nos mercados regulamentados de títulos e valores mobiliários. Diversificação: técnica de alocação de capital em diferentes ativos, setores ou mercados, com o objetivo de reduzir a exposição do investidor ao risco particular de cada um dos ativos. Dívida externa: somatório dos débitos de um país, resultantes de empréstimos e financiamentos contraídos no exterior pelo próprio governo, por empresas estatais ou privadas. Dividendos: remuneração paga aos acionistas de uma companhia como distribuição parcial ou integral dos lucros obtidos em um exercício. DTVM: sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários. Desempenham papel similar às CTVM e são a elas equiparadas para todos os fins práticos. Ver CTVM. Economia de escala: eficiência econômica obtida por meio da intensificação de determinada atividade. Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPC): é a entidade ou sociedade seguradora autorizada a instituir planos de previdência complementar aberta. Estes podem ser individuais, quando contratados por qualquer pessoa, ou coletivos, quando garantem benefícios a indivíduos vinculados, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC): são conhecidas como fundos de pensão. São instituições sem fins lucrativos que mantêm planos de previdência coletivos, organizadas pelas empresas para seus empregados, com o objetivo de garantir pagamento de benefícios a seus participantes. Podem também ser organizadas por associações, sindicatos ou entidades de classes. Escritura de emissão: principal documento legal de uma emissão de debêntures, do qual constam todas as características dos títulos, incluindo prazo até o vencimento, taxa de remuneração, uso dos recursos e obrigações da companhia emissora. Fatores de risco: fatos ou condições que tornam a concretização de um problema mais provável. Fundo Garantidor de Crédito (FGC): entidade civil privada, sem fins lucrativos, criada em 1995 com o objetivo de administrar mecanismos de proteção aos credores de instituições financeiras. Oferece garantia para créditos de até R$ 250.000,00 por pessoa física ou jurídica, por conglomerado financeiro, limitado a R$ 1 milhão, a cada período de 4 anos, para garantias pagas para cada CPF ou CNPJ. FIDC: Fundo de Investimento em Direitos Creditórios. FII: Fundos de Investimento Imobiliários. Fonte da riqueza: maneira pela qual o patrimônio de um investidor foi ou é obtido. Fundo aberto: fundos que permitem a entrada (aplicação) e saída (resgate) de cotistas. 52 GLOSSÁRIO Fundo Exclusivo: fundo destinado exclusivamente a um único investidor profissional, nos termos da Regulação em vigor; Fundo de Investimento Especialmente Constituído (FIE): fundos cujos únicos cotistas são, direta ou indiretamente, sociedades seguradoras e entidades abertas de previdência complementar, cuja carteira seja composta em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na regulamentação que disciplina a aplicação dos recursos das reservas, das provisões e dos fundos das sociedades seguradoras, das sociedades de capitalização e das entidades abertas de previdência complementar. Fundo fechado: fundo em que a entrada (aplicação) e a saída (resgate) de cotistas não é permitida e que as cotas são resgatadas ao término do seu prazo de duração. Fundo Reservado: fundo destinado a um grupo determinado de investidores que tenham entre si vínculo familiar, societário ou que pertençam a um mesmo conglomerado ou grupo econômico, ou que, por escrito, determinem essa condição; Ganho de capital: representado pela diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra de um ativo. Gestão de Riscos: atividade de identificar, mensurar, avaliar, monitorar, reportar, controlar e mitigar os riscos atribuídos à atividade específica de uma determinada organização. Grupamento: é o inverso da operação de desdobramento e consiste na transformação de duas ou mais ações existentes em uma única ação nova; também conhecido como inplit. Hedge: operação que visa reduzir ou eliminar os riscos de oscilações inesperadas nos preços de ativos. Heterorregulação: atividade regulatória desenvolvida por um agente externo ao ambiente regulado. IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ibovespa: Índice da Bolsa de Valores de São Paulo. É o principal indicador de desempenho das empresas listadas na bolsa e composto pelas maiores e mais negociadas ações da B3 S.A. IBX: Índice Brasil. Índice que avalia o retorno de uma carteira composta pelas ações mais negociadas na B3 S.A., selecionadas pelo critério de liquidez e ponderadas pelo valor de mercado do free-float. Índice de referência: indicador que serve como base de comparação para a avaliação do desempenho relativo de um instrumento financeiro ou de uma carteira de ativos. Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M): índice de preços calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). É uma média ponderada de outros três índices da FGV: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA, com peso de 60%), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC, com peso de 30%) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC, com peso de 10%). 53 GLOSSÁRIO Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): índice de preços divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Busca medir a variação de preços de forma bastante ampla, contemplando os gastos de famílias cujo rendimento mensal seja de 1 a 40 salários mínimos e residentes em áreas urbanas. Inflação: conceito econômico que designa o aumento continuado e generalizado dos preços de bens e serviços. Instituição participante: as instituições que são associadas à ANBIMA ou que tenham aderido, voluntariamente, a qualquer um dos seus códigos de autorregulação. Instrução CVM: ato normativo regulatório emitido pela CVM. Intermediação financeira: a atividade de captar recursos dos agentes superavitários, mediante algum tipo de contrapartida, e disponibilizá-los para agentes deficitários, mediante a cobrança de juros. Investidores: agentes econômicos superavitários que buscam remuneração para seu capital por meio de aplicações em produtos financeiros. Investimento: aplicação de capital em meios de produção ou nos mercados financeiro e de capitais. IOF: Imposto sobre Operações Financeiras. IOSCO: International Organization of Securities Commissions (Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários). IPO: sigla do inglês Initial Public Offering. É a Oferta Pública Inicial de Ações, processo por meio do qual os investidores têm acesso a novas ações emitidas no mercado primário. IR: Imposto de Renda, conforme regulado pela Secretaria da Receita Federal. Juros sobre capital próprio: remuneração paga aos acionistas como distribuição de lucros retidos em exercícios anteriores. Letra de Crédito do Agronegócio (LCA): título de dívida emitido por instituição financeira e lastreado em créditos do agronegócio de propriedade da instituição emissora. Letra de Crédito Imobiliário (LCI): título de dívida emitido por instituição financeira e lastreado em créditos imobiliários de propriedade da instituição emissora. Letra do Tesouro Nacional (LTN): título público federal que oferece ao investidor um retorno predefinido (caso seja mantido até o seu vencimento) no momento da compra; não há pagamentos de juros periódicos e não há atualização do valor nominal por índice de preços 54 GLOSSÁRIO Letra Financeira do Tesouro (LFT): título público federal cuja rentabilidade é pós-fixada e dada pela Taxa Selic acumulada no período de investimento, acrescida de ágio ou deságio registrado no momento da compra do título; não há pagamento de juros periódicos ao investidor e não há atualização do valor nominal do título por índice de preços. Liquidez: grau de facilidade com que um ativo pode ser comprado ou vendido no mercado a um preço adequado ou justo. Marcação a mercado (MaM): atualização do preço de um ativo utilizando o preço verificado no mercado em determinado dia. Medida da riqueza: tamanho do patrimônio acumulado por um investidor. Mercado primário: mercado onde ocorrem os lançamentos de novas ações e títulos de renda fixa, para a primeira aquisição por parte de investidores. É nesse mercado que as empresas emissoras de valores mobiliários captam recursos para se financiar. Mercado secundário: mercado onde os ativos financeiros já existentes são negociados e transferidos entre investidores. Meta para a Taxa Selic: taxa de juros definida pelo Comitê de Política Monetária como objetivo para a taxa básica da economia. Nota de crédito: opinião resumida a respeito de um emissor ou de uma emissão de títulos de renda fixa, publicada por uma agência de classificação de risco. Também conhecida como rating. Nota do Tesouro Nacional Série B (NTN-B): título público federal cuja rentabilidade é composta por uma taxa de juros predefinida no momento da compra do título, acrescida da variação do IPCA; há pagamento de juros semestrais a uma taxa de cupom fixa de 6% a.a. Nota do Tesouro Nacional Série B Principal (NTN-B Principal): título público federal cuja rentabilidade é composta por uma taxa de juros predefinida no momento da compra do título, acrescida da variação do IPCA; não há pagamento de juros semestrais. Nota do Tesouro Nacional Série F (NTN-F): título público federal que oferece ao investidor uma rentabilidade fixa (caso o título seja mantido até o seu vencimento), definida no momento da compra; há pagamento de juros semestrais a uma taxa de cupom fixa de 10% a.a., sem atualização do valor nominal do título por índice de preços. Objetivo de retorno: taxa de retorno requerida e desejada pelo investidor. Objetivo de risco: tolerância do investidor ao risco, composta pela capacidade e pela disposição para assumir riscos. Oferta pública: modalidade de oferta regida pela Instrução CVM 400/03, que permite a ampla distribuição de valores mobiliários para o público investidor, desde que satisfeitas todas as exigências especificadas na norma. 55 GLOSSÁRIO Oferta pública com esforços restritos: modalidade de oferta regida pela Instrução CVM 476/09, que permite a distribuição de valores mobiliários para o público investidor de maneira restrita e com a liberação de algumas exigências impostas no caso de uma oferta ampla. Oferta pública primária: oferta em que as ações são ofertadas pela primeira vez. Os recursos captados são canalizados para a companhia emissora das ações. Oferta pública secundária: oferta em que as ações são ofertadas por atuais acionistas da companhia. Os recursos captados são canalizados para os acionistas que vendem suas ações, e não para a companhia emissora das ações. Operação compromissada: aplicação financeira por meio da qual o investidor adquire um título de renda fixa vendido por uma instituição financeira, que assume o compromisso de recompra do título em um prazo determinado. Ordem a mercado: em uma oferta de ações, ordem por meio da qual o investidor indica à instituição intermediária que deseja adquirir ações a qualquer que seja o preço final de lançamento. Ordem limitada: em uma oferta de ações, ordem por meio da qual o investidor comunica à instituição intermediária o preço máximo que deseja pagar por cada ação a ser adquirida. Participante: pessoa física que contrata ou, no caso de contratação sob a forma coletiva, adere a um plano de previdência complementar aberta. Perfil de personalidade: descrição das características pessoais e padrões de comportamento do investidor que podem influenciar suas decisões a respeito das diferentes alternativas de investimento. Perfil situacional: documento que resume as características do investidor e descreve suas preferências, suas circunstâncias pessoais e financeiras, seus desejos e seus objetivos de vida. Período de carência: é o período em que não serão aceitas solicitações de resgate ou de portabilidade por parte do participante de um plano de previdência. Período de pagamento do benefício: período em que o assistido (ou os assistidos) fará jus ao pagamento do benefício, sob a forma de renda, podendo ser vitalício ou temporário. Período de reserva: em uma oferta pública de ações, é o período determinado para que os potenciais investidores registrem junto às instituições intermediárias da oferta o seu interesse em adquirir as ações a serem distribuídas. Pessoas politicamente expostas: os agentes públicos que desempenham ou tenham desempenhado, nos últimos cinco anos, no Brasil ou em países, territórios e dependências estrangeiras, cargos, empregos ou funções públicas relevantes, assim como seus representantes, familiares e estreitos colaboradores. 56 GLOSSÁRIO Plano de continuidade de negócios: é o conjunto de planos e sistemas de prevenção e recuperação elaborados para lidar com ameaças operacionais aos negócios da empresa, garantindo a continuidade dos negócios mesmo em uma situação operacional adversa. Plano de negócios: documento escrito que detalha como uma empresa pretende atingir seus objetivos. Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL): produto de previdência complementar, de contratação opcional que tem como objetivo complementar a aposentadoria oficial. Sem garantia de rendimento mínimo, o participante recebe integralmente o resultado financeiro obtido pelo plano. Oferece benefício fiscal em determinadas circunstâncias, pois permite ao participante deduzir o valor das contribuições anuais da base de cálculo do imposto de renda na Declaração Anual de Ajuste do IR. Poder de compra: valor de uma moeda em termos da quantidade de bens e serviços que uma unidade monetária pode adquirir. O poder de compra da moeda reduz-se quando há inflação de preços. Política de investimento: documento que estabelece as diretrizes estratégicas que devem ser observadas na gestão dos recursos do investidor. Política monetária: política econômica por meio da qual a autoridade monetária de um país exerce controle sobre a oferta de moeda e busca manter a estabilidade dos preços. Portabilidade: é o direito que o participante tem de transferir os recursos financeiros acumulados na sua provisão de um plano de previdência complementar para outro plano de benefício previdenciário operado por outra entidade de previdência complementar. Práticas não equitativas: conduta vedada e combatida pela CVM consistente na prática de atos que resultem em colocar uma parte em posição de desequilíbrio ou desigualdade indevida em relação aos demais participantes da operação. Prazo de diferimento: período compreendido entre a data da contratação do plano de previdência complementar pelo participante e a data escolhida por ele para o início da concessão do benefício, podendo coincidir com o prazo de pagamento das contribuições. Prazo médio ponderado: medida de tempo médio para recebimento de um fluxo de pagamentos, incluindo os valores de principal e de juros. Os prazos para recebimento de cada fluxo são ponderados pelo valor presente do respectivo pagamento. Processo de suitability: processo adotado para verificar a adequação de determinados produtos, serviços ou operações realizadas nos mercados financeiro e de capitais ao perfil de um investidor. Produto Interno Bruto (PIB): soma de todos os bens e serviços finais, em termos monetários e a valor de mercado, produzidos em determinada região durante um certo período (normalmente um ano). 57 GLOSSÁRIO Produtos automáticos: produtos financeiros de aplicação e resgate automático, destinados, exclusivamente, aos correntistas da instituição. Prospecto de distribuição: documento informativo a respeito de uma emissão de debêntures, distribuído aos potenciais investidores e que contém as características relevantes da oferta, bem como informações detalhadas sobre a companhia emissora, o uso pretendido dos recursos captados, os custos da emissão e os fatores de risco envolvidos no investimento nos títulos, entre outras. Proventos: remunerações recebidas por detentores de ações; incluem dividendos, juros sobre capital próprio e bonificações. Rating: classificação de risco de crédito emitida por agência de classificação de risco (como Moody’s Investor Services, S&P e Fitch Ratings). Relação fiduciária: a relação de confiança e lealdade que se estabelece entre investidores e instituições financeiras intermediárias. Renda: série de pagamentos periódicos a que tem direito o assistido (ou assistidos), de acordo com a estrutura do plano de previdência complementar. Renda fixa: classe de ativos que inclui títulos públicos federais, títulos de emissão de instituições financeiras (ver CDB, LCI e LCA), títulos emitidos por empresas (ver debêntures) e outros papéis que oferecem taxa de juros pré-especificada, seja ela prefixada ou pós-fixada. Os títulos representam uma promessa de pagamento (uma dívida) de uma parte para outra. Renda variável: classe de ativos que inclui ações preferenciais e ações ordinárias (ver ações) e tipicamente composta por instrumentos que oferecem a seus detentores uma participação no capital social de companhias. Rentabilidade: retorno obtido em um investimento. Rentabilidade absoluta: retorno total obtido em um investimento e expresso na forma de percentual sobre o valor investido. Rentabilidade bruta: retorno total obtido em um investimento. Rentabilidade líquida: é o retorno obtido em um investimento, descontados os impostos e as taxas aplicáveis. Rentabilidade relativa: é o retorno obtido em um investimento, descontado o retorno obtido por um benchmark (índice de referência). Risco: chance de se verificar uma perda em uma aplicação financeira. Em investimentos é a possibilidade de alguma variável imprevista impactar negativamente uma aplicação. Essa interferência pode levar à perda de parte, todo o valor investido originalmente ou até mesmo um valor superior a ele, caso haja alavancagem. 58 GLOSSÁRIO Risco cambial: risco originado pela oscilação das taxas de câmbio, isto é, do preço de uma moeda em relação a outra. Risco de crédito: risco de o investidor registrar uma perda em seu investimento por conta do aumento do spread de crédito requerido por investidores nesse investimento ou pelo efetivo descumprimento, por parte do emissor de um título de renda fixa, das obrigações referentes ao pagamento de juros e de principal nesse título. Risco de default ou risco de inadimplência: risco de o investidor não reaver, de maneira integral ou parcial, o seu investimento original em um título de dívida. Risco de downgrade: possibilidade de perda em um título de renda fixa causada por redução, por parte de uma agência de classificação de risco, na nota de crédito do emissor ou do próprio título. Risco geopolítico: possibilidade de perdas em um investimento por conta de alterações adversas no cenário político em um país ou uma região. Risco legal: risco de perdas em um investimento devido ao não cumprimento da legislação local do país onde o investimento acontece ou devido a problemas jurídicos na elaboração de contratos. Risco de liquidez: risco de ocorrência de perdas para o investidor por conta da negociação de um ativo por um preço distante do seu preço justo. Risco não sistemático: é o risco específico de cada empresa, que pode ser reduzido por meio de diversificação da carteira de investimentos. Risco de mercado: risco de se verificar perdas causadas pelos movimentos dos preços dos ativos no mercado. Risco do mercado de ações: possibilidade de perda advinda das flutuações observadas nos preços dos ativos negociados no mercado acionário. Risco de spread: possibilidade de perda advinda de flutuação no preço de um papel de renda fixa, causada pela variação no spread de crédito requerido pelo mercado. Risco regulatório: possibilidade de perda em um investimento por conta do não cumprimento de regras e instruções das autoridades locais no que se refere à negociação de instrumentos financeiros em determinado país. Risco sistemático ou risco não diversificável: risco advindo de fatores gerais e comuns ao mercado; chance de se verificar perdas em um ativo ou carteira de ativos por conta de eventos ou elementos que afetam a economia ou o mercado como um todo, também conhecido como risco de mercado. 59 GLOSSÁRIO Risco de taxa de juros: possibilidade de perda advinda da flutuação dos preços de títulos de renda fixa causada por alterações nas taxas de juros. Risco total: em um ativo ou carteira de ativos, é a soma dos riscos sistemático e não sistemático. Risco tributário: possibilidade de que, sobre os rendimentos obtidos em uma aplicação financeira, venham a incidir impostos e taxas não previstos originalmente. Risco de mudanças nas regras tributárias. Selic: Sistema Especial de Liquidação e de Custódia do Banco Central do Brasil. É um sistema informatizado que se destina à custódia de títulos escriturais de emissão do Tesouro Nacional, bem como ao registro e à liquidação de operações com esses títulos. Selo ANBIMA: marca visual composta da logomarca da ANBIMA seguida de uma série de dizeres padronizados utilizada para demonstração do compromisso das instituições participantes com o cumprimento e a observância das regras de autorregulação da ANBIMA. Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB): conjunto de entidades, sistemas e mecanismos relacionados com o processamento e a liquidação de operações de transferência de fundos, de operações com moeda estrangeira ou com ativos financeiros e valores mobiliários. Sistema Financeiro Nacional (SFN): conjunto de instituições – aí incluídos órgãos normativos, supervisores e operadores – e instrumentos que viabilizam o fluxo financeiro entre os poupadores e os tomadores na economia. Sobredemanda: em uma oferta de ações, é o excesso de demanda verificado quando o volume financeiro desejado pelos investidores é superior ao volume financeiro disponível em ações a serem distribuídas. Spread de crédito: diferencial entre o retorno requerido em um título de renda fixa de emissor privado e o retorno oferecido por um título público federal de mesmo prazo, em uma mesma moeda. Subscrição: operação em que ocorre aumento do capital social (capitalização) de uma companhia por meio da venda de ações; uma oferta inicial de ações por meio de subscrição pública é conhecida como IPO (ver IPO). Superintendência de Seguros Privados (Susep): órgão responsável pelo controle e pela fiscalização dos mercados de seguro, previdência privada aberta, capitalização e resseguro. Taxa de administração: taxa percentual cobrada dos fundos para a prestação dos serviços de administração, gestão profissional dos recursos e pagamento dos prestadores de serviço. Taxa de câmbio spot: taxa para compra e venda imediata de dólares, conhecida no Brasil como “dólar pronto”. Taxa pela qual os participantes do mercado de câmbio estão dispostos a comprar e a vender a moeda estrangeira em determinado momento da sessão de negociação. 60 GLOSSÁRIO Taxa de câmbio: preço de uma moeda em termos de outra moeda. É a razão de conversão entre duas moedas distintas. Taxa de carregamento: percentual incidente sobre as contribuições pagas pelo participante, para fazer face às despesas administrativas, às de corretagem e às de comercialização de um plano de previdência complementar. Taxa de corretagem: valor cobrado pela corretora por meio da qual o investidor realiza a compra e a venda de ativos; é o valor pago pelo investidor pelo serviço prestado pela corretora na intermediação entre a ordem do cliente e a execução da oferta junto à bolsa ou no mercado de balcão. Taxa de custódia: taxa cobrada por corretoras e bancos pelo serviço de manutenção dos ativos em uma conta de custódia própria. Taxa de juro: definida como a razão percentual entre os juros, cobrável ou pagável, no fim de um período e o dinheiro devido no início do período. Taxa de juros equivalente: em regime de capitalização composta, duas taxas de juros são consideradas equivalentes quando geram valores iguais ao ser aplicadas sobre um mesmo montante e por um mesmo período de tempo. Taxa de juros nominal: taxa de juros contratada em uma operação financeira ou determinada pelo mercado. Não é ajustada para remover o efeito da inflação. Taxa de juros proporcional: em regime de capitalização simples, duas taxas de juros são consideradas proporcionais quando geram valores iguais ao ser aplicadas sobre um mesmo montante e por um mesmo período de tempo. Taxa de juros real: taxa de juros que remove o efeito da inflação. É calculada descontando a taxa de inflação da taxa de juros nominal obtida em um investimento e considerando o mesmo período de tempo. Taxa DI: nome comumente dado à Taxa DI-Cetip Over (Extra-Grupo), calculada pela B3 S.A. e divulgada em percentual ao ano, base 252 dias. Essa taxa reflete as taxas de juros cobradas entre instituições do mercado interbancário nas operações de emissão de Depósitos Interfinanceiros (DI) prefixados, com prazo de um dia útil, registradas e liquidadas pelos sistemas da B3. Tesouro IPCA+: nomenclatura utilizada no Tesouro Direto para a Nota do Tesouro Nacional Série B Principal (NTN-B Principal). Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais: nomenclatura utilizada no Tesouro Direto para a Nota do Tesouro Nacional Série B (NTN-B). Tesouro Prefixado: nomenclatura utilizada no Tesouro Direto para a Letra do Tesouro Nacional (LTN). 61 GLOSSÁRIO Tesouro Prefixado com Juros Semestrais: nomenclatura utilizada no Tesouro Direto para a Nota do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). Taxa PTAX: média das cotações do dólar no mercado em determinado dia, calculada pelo Banco Central do Brasil por meio de uma metodologia própria, com base em quatro janelas de consulta ao longo de cada dia. Taxa Referencial (TR): taxa calculada pelo Banco Central do Brasil com base na média das taxas de juros das LTN (Letras do Tesouro Nacional). Utilizada no cálculo do rendimento das cadernetas de poupança e dos juros dos empréstimos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Taxa Selic Over: taxa média das operações de financiamento de um dia (compromissadas), lastreadas em títulos públicos federais, realizadas no Selic, ponderadas pelo volume das operações. Termo de compromisso: documento escrito proposto por um ente regulado a fim de corrigir ou compensar alguma infração regulatória. Tesouro Direto: programa de negociação de títulos públicos para pessoas físicas. Tesouro Nacional: caixa do governo, o conjunto de suas disponibilidades e, ao mesmo tempo, designa também o órgão público responsável pelo gerenciamento da dívida pública do país. Tesouro Selic: nomenclatura utilizada no Tesouro Direto para a Letra Financeira do Tesouro (LFT). Títulos privados: títulos emitidos por empresas e instituições financeiras para a captação de recursos para financiar suas atividades. Títulos públicos: títulos emitidos pelo Tesouro Nacional como forma utilizada para a captação de recursos para financiar atividades do Governo Federal. Títulos públicos federais: títulos de renda fixa emitidos pelo Tesouro Nacional, compostos por letras e notas de características distintas, para fins de financiamento do setor público. Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL): modalidade de seguro de pessoas que combina os tradicionais seguros de vida com características dos planos de previdência complementar. É um plano de seguro de pessoas com cobertura por sobrevivência, cuja principal característica é a ausência de rentabilidade mínima garantida durante a fase de acumulação dos recursos ou período de diferimento (podendo inclusive apresentar rentabilidade negativa). A rentabilidade da provisão é idêntica à rentabilidade do fundo em que os recursos estão aplicados. Volatilidade: grau de variação dos preços de um ativo em determinado período, medido pelo conceito estatístico de desvio-padrão dos retornos logarítmicos. Mede o quanto oscilam os retornos de um ativo. EXPEDIENTE 62 Controle: D.04.72.03 Data da elaboração: 01/01/2018 Data da revisão: 20/01/2020 Vigência a partir de: 01/11/2018 Elaborado por: Certificação ANBIMA Aprovado por: Gerência de Certificação e Educação Continuada Copyright © 2020 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização da ANBIMA. Rio de Janeiro Praia de Botafogo, 501, bloco II, conj. 704 CEP 22250-042 - Rio de Janeiro - RJ Tel: (21) 2104-9300 São Paulo Av. das Nações Unidas, 8501 – 21º andar CEP 05425-070 - São Paulo - SP Tel: (11) 3471-4200 www.anbima.com.br Gerência de Certificação e Educação Continuada Daniel Pfannemüller Apoio técnico Tânia Amaral e Douglas Custódio Revisão de texto Carolina Machado Presidente Carlos Ambrósio Vice-presidentes Carlos André, Carlos Constantini, Gilberto Duarte, José Eduardo Laloni, Luiz Sorge, Pedro Lorenzini, Renato Ejnisman e Sergio Cutolo Diretores Adriano Koelle, Alcindo Canto, Fernando Rabello, Jan Karsten, Julio Capua, Luiz Chrysostomo, Luiz Fernando Figueiredo, Lywal Salles Filho, Pedro Juliano, Pedro Rudge, Saša Markus, Teodoro Lima e Thaís Peters Comitê Executivo Zeca Doherty, Ana Leoni, Francisco Vidinha, Guilherme Benaderet, Patrícia Herculano, Eliana Marino, Lina Yajima, Marcelo Billi, Soraya Alves e Thiago Baptista CPA-10-Cap3.pdf CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS MATERIAL DE ESTUDOS DA CERTIFICAÇÃO CPA-103 INTRODUÇÃO A CPA-10 é parte importante do Programa de Certificação Continuada da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), um esforço empreendido pela entidade e pelos participantes do mercado para elevar o nível de conhecimento dos profissionais e a qualidade do mercado de investimento. O principal objetivo da CPA-10 é a contínua elevação da capacitação técnica dos profissionais que atuam em instituições financeiras em contato com o público em geral, no processo de distribuição de produtos de investimento. Essa iniciativa, amparada na Resolução 3.158 do Conselho Monetário Nacional, instituiu um processo de aferição do conhecimento desses profissionais nos principais aspectos relacionados à distribuição de produtos de investimento. No exame da CPA-10, o candidato deve demonstrar conhecimento sobre as principais características dos produtos de investimento que são ofertados nas agências bancárias, bem como entender os padrões éticos de comportamento que devem ser adotados no relacionamento com os investidores, de tal forma que os produtos oferecidos satisfaçam aos objetivos e às necessidades dos clientes. Esse material de estudo da CPA-10 tem por objetivo fornecer aos candidatos uma forma de preparação autônoma para o exame, além de permitir o aprofundamento nos temas abordados. A ANBIMA acredita que esse esforço de modernização dos mercados financeiro e de capitais e a melhoria no atendimento ao investidor – com a disponibilização, pelos profissionais, de informações de melhor qualidade sobre os produtos de investimento, em especial, sobre os principais fatores de risco envolvidos – resultará em estímulos à concorrência leal, à padronização de procedimentos e à adoção das melhores práticas em prol do crescimento dos mercados. O resultado desse esforço refletirá o estímulo ao crescimento da poupança financeira no país, uma das maneiras de favorecer o crescimento sustentável da economia brasileira. O CONTEÚDO DO MATERIAL DE ESTUDO DA CPA-10 O Material de Estudos da CPA 10 é estruturado segundo os temas relacionados no Programa Detalhado da CPA-10 e contém todo o conhecimento que pode ser demandado dos candidatos no exame da CPA-10. O objetivo da ANBIMA com essa iniciativa é permitir que todos os candidatos tenham acesso a um conteúdo padronizado, de forma que possam realizar sua preparação de maneira mais uniforme sem necessidade da realização de cursos preparatórios, apesar de considerá-los uma forma muito eficiente de formação dos candidatos que deve continuar a ser ofertada. Este material será atualizado sempre que necessário, por isso sempre baixe as apostilas nesta página! Quando for estudar, não deixe de confirmar que a versão que você tem em mãos é a última publicada, consultando a data da revisão na última página de cada apostila. O conteúdo da CPA-10 é resultado do trabalho conjunto da ANBIMA com as principais instituições do mercado financeiro que acreditam que seus respectivos desdobramentos em tópicos, itens e subitens detalham os assuntos, cujo conhecimento pelos profissionais envolvidos na distribuição de produtos de investimento nas instituições financeiras é considerado essencial. O Material de Estudo da CPA-10 é composto de sete grandes temas que foram divididos em capítulos para facilitar a apresentação: Sistema Financeiro Nacional; Ética, Regulamentação e Análise do Perfil do Investidor; Noções de Economia e Finanças; Princípios de Investimento; Fundos de Investimento; Instrumentos de Renda Variável e Renda Fixa; e Previdência Complementar Aberta: PGBL e VGBL. Cada capítulo foi estruturado com uma orientação de estudo com o que será aprendido sobre o assunto, seguida do objetivo, do conteúdo com o conhecimento requerido sobre o assunto, uma seção de questões, as justificativas das respostas corretas e um glossário ao final. A ANBIMA assume o compromisso de manter o conteúdo dos exames da CPA-10 e o respectivo Material de Estudos sempre alinhado às legislações e revisá-los, periodicamente, com a finalidade de incluir novos assuntos, tão logo o dinamismo e a evolução dos mercados financeiro e de capitais venham torná-los relevantes e essenciais. A legislação vigente relacionada à distribuição de produtos de investimento, ainda que não explicitada em todos os temas, encontra-se presente, por meio dos conceitos e das regras aplicáveis a todos os temas e tópicos abordados. Além disso, é considerado mais importante para o profissional ter domínio dos conceitos envolvidos nas questões do seu dia a dia do que utilizar cálculos matemáticos. Dessa forma, não haverá necessidade do uso de calculadora para a realização do exame da CPA-10, apesar de estarem presentes nesse Material de Estudo alguns exemplos com cálculos matemáticos para permitir melhor entendimento de alguns conceitos apresentados. A ANBIMA espera que os candidatos ao exame da CPA-10 possam utilizar de maneira proveitosa o conteúdo desse Material de Estudo e partilhem do mesmo entusiasmo sentido por todos os profissionais que participaram da construção desse processo. INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO APRESENTAÇÃO DOS AUTORES LUIZ ROBERTO CALADO Luiz Calado é pós-doutor pela Universidade da Califórnia (Berkeley). Autor dos best sellers Imóveis (Ed. Saraiva) e Fundos de Investimentos (Ed. Campus), além de mais de 20 livros sobre mercado financeiro, entre eles Securitização (Ed. Saint Paul), Relacionamento Bancário (Ed. Saraiva), Governança Corporativa (Ed. Andato), 100 Dúvidas de Carreira em Finanças (Ed. Saint Paul) e Regulação e Autorregulação (Ed. Saint Paul). Seus livros são vendidos em mais de 80 países, traduzidos para vários idiomas. É professor e pesquisador do Centro de Estudos GV Invest da FGV. Foi gerente de Certificação e Educação na ANBIMA. MAURO MIRANDA, CFA, FRM Sócio-Gestor da Panda Investimentos e profissional de finanças desde 2000. Foi Presidente da CFA Society Brazil (2016-2019) e atualmente ocupa o cargo de Representante do Conselho de Presidentes da América Latina e Caribe junto ao CFA Institute. Tem carreira em instituições financeiras brasileiras e estrangeiras nas áreas de renda fixa, dívida estruturada e crédito privado. Começou sua carreira na área de administração da dívida externa no Banco Central do Brasil. Em seguida, trabalhou como trader e estruturador de renda fixa, entre outras posições, nos bancos Bear Stearns, Lehman Brothers, Fator e ABN Amro, em Nova York, Londres e São Paulo. É bacharel em Relações Internacionais e em Ciências Econômicas pela Universidade de Brasília, tem MBA pela Columbia Business School e obteve as certificações Chartered Financial Analyst (CFA) em 2006 e Financial Risk Manager (FRM) em 2011. TÂNIA RAQUEL DOS SANTOS AMARAL Coordenadora do núcleo de conteúdo da ANBIMA. Doutoranda em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA – USP). É mestre em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA – USP). Cursou MBA em Gestão de Investimento na Fundação Getúlio Vargas (FGV SP). É pós-graduada em Administração Financeira e Contábil na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e graduada em Tecnologia em Processamento de Dados na Universidade Mackenzie. Atuou em diversas instituições financeiras brasileiras e estrangeiras na área de Mercados Capitais, Fundos de Investimento, Asset e Consultoria de Investimento. VICENTE PICCOLI MEDEIROS BRAGA Advogado e doutorando em Direito Comercial na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP), é mestre em Direito e Desenvolvimento pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV DIREITO SP). Trabalhou junto ao setor de Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional do Ministério Público Federal do Paraná, assessorou o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN), foi responsável pelos aspectos jurídicos dos processos de Autorregulação da ANBIMA, coordenou as Operações de Assistência Estrutural e de Liquidez prestadas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e atualmente conduz processos administrativos disciplinares relacionados a ilícitos de mercado e ao Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP) na BM&FBOVESPA Supervisão de Mercados (BSM), entidade responsável pela autorregulação da B3. INTRODUÇÃO RICARDO NARDINI – coordenador e revisor Consultor nas áreas de certificação profissional e educação. De 2005 a 2018 trabalhou na ANBIMA e foi responsável pelas áreas de Certificação, Educação Continuada e de Investidores. Coordenou o desenvolvimento dos exames de certificação da ANBIMA e da Associação PLANEJAR durante esse período e foi o responsável pelo desenvolvimento da Certificação de Especialistas em Investimento ANBIMA (CEA), da Certificação de Gestores ANBIMA (CGA), Material de Estudos da CPA-10 e da Certificação CFP no Brasil. Atuou como representante da ANBIMA no desenvolvimento da Estratégia Nacional de Educação Financeira, como responsável pelo capítulo de Investimentos e no projeto de estruturação da AEF - Brasil. Antes de ingressar na ANBIMA, trabalhou nas áreas de tesouraria, private banking e investimentos no Lloyds Bank Plc., no Banco Credit Commercial de France no Brasil e na HSBC Asset Management. Formado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, é pós-graduado em Banking pela FGV SP. INFORMAMOS QUE AS QUESTÕES APRESENTADAS NESSE MATERIAL NÃO FAZEM PARTE DOS EXAMES DE CERTIFICAÇÃO APLICADOS PELA ANBIMA, DEVENDO SERVIR APENAS COMO ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DOS CANDIDATOS. EM HIPÓTESE ALGUMA A SUA UTILIZAÇÃO É GARANTIA DE APROVAÇÃO NO EXAME, UMA VEZ QUE APENAS SERVE COMO COMPLEMENTO AO ESTUDO, SENDO FACULTADO AO CANDIDATO ANALISAR A VIABILIDADE DE SEU USO, COMO TAL INFORMADO. AS QUESTÕES APRESENTADAS NESTE MATERIAL FORAM DESENVOLVIDAS PELOS AUTORES ESPECIFICAMENTE PARA FINALIDADE DE APOIO. PORTANTO, NÃO É GARANTIDA A APROVAÇÃO OU QUE AS QUESTÕES SERÃO APRESENTADAS DA MESMA FORMA NO EXAME. A ANBIMA RESERVA-SE O DIREITO DE APRESENTAR AS QUESTÕES NO EXAME DE CERTIFICAÇÃO CPA-10 DE FORMA DISTINTA AOS CANDIDATOS. Apresentação do capítulo...................................................................................................................................... 1 3.1 Conceitos básicos de economia ..................................................................................................................... 2 3.1.1 Indicadores econômicos: PIB, índices de inflação (IPCA e IGP-M), taxa de câmbio, taxa Selic (over e meta), taxa DI e TR: definição................................................................................................................................. 2 3.1.2 Comitê de Política Monetária (Copom): finalidade e atribuições.............................................................. 7 3.2 Conceitos básicos de finanças......................................................................................................................... 8 3.2.1 Taxa de juros nominal e taxa de juros real................................................................................................... 8 3.2.2 Capitalização simples versus capitalização composta .............................................................................. 10 3.2.3 Taxa de juros equivalentes versus taxa de juros proporcional ................................................................. 12 3.2.4 Índice de referência (benchmark) aplicado a produtos de investimento: conceito e finalidade ........ 14 3.2.5 Volatilidade. Conceito ................................................................................................................................. 16 3.2.6 Prazo médio ponderado de uma carteira de títulos: conceito e riscos associados............................... 18 3.2.7 Marcação a mercado como valor presente de um fluxo de pagamentos (precificação e volatilidade: impactos de prazos e taxas).................................................................................................................................. 20 3.2.8 Mercado primário e mercado secundário: conceito, finalidade e relevância para o investidor e para a empresa emissora................................................................................................................................................. 23 Questões................................................................................................................................................................ 24 Respostas............................................................................................................................................................... 26 Glossário................................................................................................................................................................. 28 Expediente............................................................................................................................................................. 43 SUMÁRIO AUTOR Mauro Miranda, CFA, FRM ORIENTAÇÕES DE ESTUDO Entender o conceito de Produto Interno Bruto (PIB) e descrever seus componentes. Entender e explicar índices de inflação: IPCA e IGP-M. Entender o conceito de taxa de câmbio e diferenciar as taxas spot e PTAX. Entender como são determinadas a Taxa Selic Over e a meta da Taxa Selic, e diferenciar essas duas taxas. Entender a taxa DI, explicar a sua utilidade e diferenciá-la de outras taxas de juros. Explicar o cálculo da Taxa Referencial (TR) e identificar o seu uso na economia. Compreender os objetivos do Comitê de Política Monetária (Copom), sua composição e as atribuições de seus membros. Entender e diferenciar taxas de juros nominal e real. Definir inflação e deflação. Entender os regimes de capitalização simples e composta e descrever os efeitos de sua utilização sobre o cálculo de juros. Comparar e contrastar taxas de juros equivalentes e taxas de juros proporcionais. Definir índice de referência (benchmark) e explicar sua utilidade. Definir volatilidade e compreender seus efeitos sobre o preço de ativos. Descrever o cômputo do prazo médio ponderado de um título de renda fixa. Conceituar marcação a mercado e entender sua relação com a precificação de ativos. Comparar e contrastar mercado primário e mercado secundário. OBJETIVO O objetivo deste capítulo é que os candidatos compreendam os conceitos básicos de economia e finanças, entendendo os principais conceitos de indicadores e índices do mercado. Adicionalmente nesse capítulo os profissionais terão oportunidade de conhecer e aprofundar seus conhecimentos em diversos conceitos de finanças com o objetivo de melhor entenderem o funcionamento do mercado e sua relação com o comportamento dos preços dos ativos. 1 CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS 3.1 Conceitos básicos de economia 3.1.1 Indicadores econômicos: PIB, índices de inflação (IPCA e IGP-M), taxa de câmbio, taxa Selic (over e meta), taxa DI e TR Para medirmos o pulso de uma economia, utiliza-se comumente uma série de indicadores que nos ajudam a compreender e avaliar as condições econômicas vigentes. Esses indicadores são calculados tanto por órgãos governamentais (institutos de estatística e bancos centrais, entre outros) como por entidades privadas (por exemplo, instituições educacionais e empresas participantes do mercado financeiro). Veremos nesta seção alguns dos principais indicadores utilizados no Brasil, referentes ao produto da economia, inflação, taxa de câmbio e taxas de juros. O primeiro indicador que vamos estudar é o Produto Interno Bruto (PIB). Ele é a soma de todos os bens e serviços finais, em termos monetários e a valor de mercado, produzidos em uma determinada região durante certo período de tempo. Dizemos que esses bens e serviços são “finais” para eliminar os valores dos bens intermediários utilizados no seu processo de produção. Além disso, normalmente, para fins de comparação internacional, o período considerado é de um ano. Uma das maneiras de se calcular o PIB de uma economia é pela chamada ótica da despesa. Para uma economia aberta (isto é, que importa e exporta bens), o PIB é dado pela seguinte identidade macroeconômica: Y = C + I + G + ( X - M ) Nessa identidade, Y é o produto da economia (ou seja, o próprio PIB), C é o consumo das famílias, I é o investimento, G é a despesa do governo, X são as exportações (bens produzidos no país e que devem, portanto, ser considerados no cálculo do PIB) e M são as importações (bens produzidos no exterior e que não devem, portanto, ser considerados no cálculo do PIB). Outra maneira de se calcular o PIB é pela ótica da renda. Pode-se entender o PIB como sendo a soma de toda a remuneração paga aos fatores de produção envolvidos no processo de gerar o produto de uma economia. Assim, por essa ótica, o PIB é composto por todos os salários, aluguéis, juros, lucros e dividendos recebidos por empresas e indivíduos em uma economia durante um período de tempo. 2 CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS Para se ter uma ideia, a tabela 1 mostra os 10 países com maior PIB no mundo em 2016 e sua participação respectiva no PIB mundial. Além de indicadores da riqueza produzida em uma economia (como o PIB), é extremamente importante a avaliação da evolução dos preços dos bens e serviços em geral. Para esse fim, indicadores de inflação são constantemente observados por participantes do mercado e utilizados em diversos cálculos de correção de valores, inclusive para títulos públicos e privados. Dois índices de inflação se destacam no Brasil, por seu uso bastante difundido. O primeiro é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um órgão governamental. Como o nome indica, esse indicador busca medir a variação de preços de forma bastante ampla, contemplando os gastos de famílias cujo rendimento mensal seja de 1 a 40 salários mínimos e residentes em áreas urbanas. Quando se fala na meta de inflação (determinada pelo Conselho Monetário Nacional), é justamente o IPCA o indicador de inflação utilizado para determinar o sucesso ou não da política monetária do Banco Central do Brasil (BACEN). O outro indicador de inflação amplamente utilizado no mercado é o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Esse índice é, na verdade, uma média ponderada de outros três índices (todos calculados pela FGV): o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA, com peso de 60%), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC, com peso de 30%) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC, com peso de 10%). Por sua composição, esse indicador engloba diferentes etapas do processo produtivo, sendo bastante utilizado como indexador de contratos (por exemplo, de aluguel de imóveis) e muito influenciado pelo aumento nos preços dos produtos no atacado. 3 Ranking 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 País Estados Unidos China Japão Alemanha Reino Unido França Índia Itália Brasil Canadá PIB (USD bilhões) 18.569 11.218 4.939 3.467 2.629 2.463 2.256 1.851 1.799 1.529 % do PIB Mundial 24,7% 14,9% 6,6% 4,6% 3,5% 3,3% 3,0% 2,5% 2,4% 2,0% Tabela 1. Os 10 maiores PIBs do mundo Fonte: Fundo Monetário Internacional, World Economic Outlook Database. Acessado em agosto de 2017. CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS O gráfico 1 mostra a inflação anual no Brasil entre 2007 e 2016, conforme medida pelo IPCA e pelo IGP-M. Gráfico 1. IPCA e IGP-M – 2007 a 2016 Fontes: IBGE e IBRE/FGV. Elaboração do autor. IPCA IGP-M 12,0% 10,0% 8,0% 6,0% 4,0% 2,0% 0,0% -2,0% -4,0% 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 20 15 20 16 No que se refere ao setor externo da economia, governos, empresas e indivíduos sempre prestam muita atenção a um indicador essencial: a taxa de câmbio, que nada mais é do que o preço de uma moeda comparado de outra moeda. É comum no mercado utilizar a nomenclatura XYZ/ABC para indicar o par de moedas observado, onde ABC é conhecida como “moeda de base” e XYZ é a “moeda de contagem”. No Brasil, a taxa de câmbio mais observada é a BRL/USD, ou seja, a taxa de câmbio entre o dólar norte-americano e o real brasileiro. Essa taxa indica a quantidade de reais necessária para comprar um dólar. Assim, por exemplo, se BRL/USD = 3,00, isso significa que são necessárias três unidades de real (a moeda de contagem) para se obter uma unidade de dólar (a moeda de base). Em outras palavras, cada dólar vale três reais, neste exemplo. A taxa de câmbio spot é a taxa para compra e venda imediata de dólares. Também conhecida no Brasil como “dólar pronto”, é a taxa pela qual os participantes do mercado de câmbio estão dispostos a comprar e vender a moeda estrangeira em determinado momento da sessão de negociação. A taxa PTAX, por sua vez, é uma média das cotações do dólar no mercado, calculada pelo Banco Central do Brasil por meio de metodologia própria, com base em quatro janelas de consulta ao longo de cada dia. O nome PTAX é um apelido que vem do código de transação utilizado no Sisbacen (Sistema do Banco Central) para obter essa taxa – o código é PTAX800. Essa taxa é utilizada como referência para diversos contratos no mercado financeiro, incluindo derivativos. 4 CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS No mercado de câmbio brasileiro, a cotação do dólar norte-americano tende historicamente a apresentar alta volatilidade (conceito que aprofundaremos mais adiante neste capítulo). O gráfico 2 mostra a evolução da taxa de câmbio BRL/USD nos últimos dez anos. Gráfico 2. Taxa de câmbio BRL/USD – junho de 2007 a maio de 2017 Fonte: Ipea (www.ipeadata.gov.br). Elaboração do autor. BRL/USD 4,50 4,00 3,50 3,00 2,50 2,00 1,50 1,00 0,50 0,00 06 /2 00 7 10 /2 00 7 02 /2 00 8 06 /2 00 8 10 /2 00 8 02 /2 00 9 06 /2 00 9 10 /2 00 9 02 /2 01 0 06 /2 01 0 10 /2 01 0 02 /2 01 1 06 /2 01 1 10 /2 01 1 02 /2 01 2 06 /2 01 2 10 /2 01 2 02 /2 01 3 06 /2 01 3 10 /2 01 3 02 /2 01 4 06 /2 01 4 10 /2 01 4 02 /2 01 5 06 /2 01 5 10 /2 01 5 02 /2 01 6 06 /2 01 6 10 /2 01 6 02 /2 01 7 Além de todos esses indicadores, os agentes econômicos estão sempre atentos ao custo do dinheiro. Quando empresas e indivíduos pensam em seguir em frente com seus planos de investimento, é o custo do dinheiro o primeiro indicador a ser observado. Se o custo do dinheiro for relativamente baixo, faz sentido realizar investimentos ativos (por exemplo, construção de novas fábricas, compra de imóveis e expansão de negócios). Se o custo do dinheiro for relativamente alto, de modo que inviabilize a obtenção de retornos satisfatórios com os projetos de investimento, empresas e indivíduos se retrairão e deixarão os planos para uma data futura. Esse custo do dinheiro tem um nome: taxa de juros. No Brasil, há duas taxas de juros bastante conhecidas. Uma delas é a taxa overnight do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), mais conhecida como Taxa Selic Over. Essa taxa, apresentada na forma de percentual ao ano, é a taxa média das operações de financiamento de um dia (compromissadas), lastreadas em títulos públicos federais, realizadas no Selic, ponderadas pelo volume das operações. É divulgada todos os dias, aproximadamente às 9 horas da manhã, sempre no dia seguinte ao dia de referência. 5 CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS É importante não confundir a Taxa Selic Over com a meta para a Taxa Selic. Ao passo que a Taxa Selic Over é uma média calculada com base em operações de mercado, a meta para essa taxa é determinada pelo Comitê de Política Monetária (conhecido como Copom, que estudaremos a seguir). Outra taxa de juros bastante conhecida por investidores e participantes do mercado é a taxa DI, cujo nome completo é Taxa DI – Cetip Over (Extragrupo). Essa taxa é calculada pela B3 e reflete a média das taxas de juros cobradas entre instituições do mercado interbancário nas operações de emissão de Depósitos Interfinanceiros (DI) prefixados, com prazo de um dia útil, registradas e liquidadas pelos sistemas da B3. É uma das principais taxas de referência do mercado brasileiro. Por exemplo, cerca de 92% do estoque de debêntures no Brasil têm remuneração referenciada na taxa DI, e muitos Certificados de Depósito Bancário (CDB) pagam juros atrelados a essa taxa. Há ainda a Taxa Referencial (TR), calculada pelo BACEN com base na média das taxas de juros negociadas no mercado secundário com Letras do Tesouro Nacional (LTN), conforme metodologia própria. A essa média, denominada Taxa Básica Financeira (TBF), é aplicado um fator redutor, para então se chegar ao resultado da TR. A TR é primordialmente utilizada no cálculo do saldo devedor de financiamentos imobiliários, na remuneração da poupança e na remuneração das contas vinculadas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O gráfico 3 mostra a evolução diária da taxa Selic e da taxa DI nos últimos dez anos. Podemos perceber que essas duas taxas de juros caminham muito próximas uma da outra. 6 CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS Gráfico 3. Taxa DI e taxa Selic – junho de 2007 a março de 2020 Fonte: B3 (www.b3.com.br). Elaboração do autor 2,00% 4,00% 6,00% 8,00% 10,00% 12,00% 14,00% 1/ 6/ 20 07 1/ 12 /2 00 7 1/ 6/ 20 08 1/ 12 /2 00 8 1/ 6/ 20 09 1/ 12 /2 00 9 1/ 6/ 20 10 1/ 12 /2 01 0 1/ 6/ 20 11 1/ 12 /2 01 1 1/ 6/ 20 12 1/ 12 /2 01 2 1/ 6/ 20 13 1/ 12 /2 01 3 1/ 6/ 20 14 1/ 12 /2 01 4 1/ 6/ 20 15 1/ 12 /2 01 5 1/ 6/ 20 16 1/ 12 /2 01 6 1/ 6/ 20 17 1/ 12 /2 01 7 1/ 6/ 20 18 1/ 12 /2 01 8 1/ 6/ 20 19 1/ 12 /2 01 9 Taxa DI Taxa Selic 3.1.2 Comitê de Política Monetária (Copom): finalidade e atribuições Criado em 1996 no âmbito do Banco Central do Brasil, o Copom tem atualmente três objetivos: Implementar a política monetária. Definir a meta da taxa Selic e seu eventual viés. Analisar o Relatório de Inflação. O Copom tem como membros o presidente e os diretores do Banco Central do Brasil, reunindo-se oito vezes ao ano, ou seja, aproximadamente uma vez a cada seis semanas. A reunião dura dois dias: o primeiro é reservado para as apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e o segundo é destinado à discussão e decisão sobre as diretrizes da política monetária. A meta para a taxa Selic é sempre divulgada ao final da reunião, e a determinação de tal meta é um dos instrumentos de política monetária mais importante à disposição do BACEN. Saiba mais: no primeiro dia, participam da reunião do Copom (além do presidente e dos diretores do Banco Central) os chefes de alguns departamentos, que trazem informações importantes para subsidiar a tomada de decisão do comitê a respeito dos rumos da política monetária. São eles: Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban); Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab); Departamento Econômico (Depec); Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep); Departamento das Reservas Internacionais (Depin); Departamento de Assuntos Internacionais (Derin); e Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin). A reunião do Copom no segundo dia é destinada à análise das projeções para a taxa de inflação e para a discussão sobre possíveis caminhos a serem seguidos em termos de política monetária. Dessa reunião participam apenas os membros do Copom e o chefe do Depep (este sem direito a voto). Após as discussões e apresentações de diferentes alternativas, o comitê realiza uma votação para finalmente determinar a meta da taxa Selic. A decisão final é imediatamente divulgada após a reunião. 7 CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS Entre uma reunião do Copom e a seguinte, caso tenha sido definido um viés de alta ou de baixa, o presidente do BACEN pode alterar a meta da taxa Selic sem a necessidade de convocação de reunião extraordinária. Essa alteração deve acontecer no mesmo sentido do viés – ou seja, se o Copom tiver definido um viés de alta em sua última reunião, o presidente do BACEN pode tomar a decisão de aumentar (mas não diminuir) a meta para a taxa Selic sem a necessidade de votação pelos demais membros do comitê. Caso não tenha sido definido um viés, a alteração na meta para a taxa Selic somente pode ocorrer na próxima reunião (ordinária ou extraordinária) do Copom. 3.2 Conceitos básicos de finanças 3.2.1 Taxa de juros nominal e taxa de juros real Quando investimos em um produto financeiro, esperamos determinado retorno como compensação por cedermos temporariamente nossos recursos monetários. Da mesma maneira, quando tomamos um empréstimo, sabemos que precisamos remunerar a pessoa ou instituição de quem tomamos o dinheiro emprestado pelo período em que os recursos estiverem em nosso poder. A taxa de juros, como vimos antes, é justamente o custo do dinheiro, ou seja, o quanto é pago e recebido em uma operação financeira como remuneração pelo uso de recursos monetários durante um período de tempo. A taxa de juros que é usualmente apresentada em um investimento ou em uma operação de empréstimo é uma taxa de juros nominal. Essa taxa é utilizada para calcular a remuneração, em moeda corrente, que é devida sobre o montante da operação. Por exemplo, suponha que um empréstimo de R$ 10.000,00 é feito pelo prazo de um ano, a uma taxa de juros de 9% ao ano. Ao final do período da operação, a quantia de R$ 900,00 (ou seja, 9% x R$ 10.000,00) é devida a quem concedeu o empréstimo, em adição ao montante original de R$ 10.000,00. Mas se houver inflação nesse período, o valor de R$ 900,00 ao final do período não terá o mesmo poder de compra de um valor idêntico no início do período. A taxa de 9%, portanto, é uma taxa de juros nominal. Quando queremos extrair daquela taxa de juros nominal o efeito da inflação, podemos fazê-lo de duas maneiras. Sendo i a taxa de inflação e RN a taxa de juros nominal, encontramos a taxa de retorno descontada da inflação (RR) empregando a seguinte fórmula: RR = ( 1 + RN ) - 1 ( 1 + i ) Utilizando esse exemplo e assumindo uma taxa de inflação de 5% para esse mesmo período de um ano, encontramos uma taxa de juros descontada da inflação igual a RR = ( 1 + 9,00%) - 1 = 3,81% 1+5,00% 8 CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS Esse cálculo traz um resultado correto, mas há uma segunda maneira pela qual podemos extrair o efeito da inflação e encontrar um resultado aproximado. Utilizando a fórmula RR ≈ RN - i temos que RR = 9% – 5% = 4%. Esta fórmula não nos dá um resultado exato, mas sim um valor próximo dos 3,81% que calculamos, de maneira mais simples e de fácil compreensão. Mas que taxa de juros é essa que encontramos ao remover o efeito da inflação? A taxa de juros que desconta o efeito da inflação é conhecida como taxa de juros real. Ela nos mostra o aumento em termos reais (e não em termos nominais) do poder de compra da parte que emprestou os recursos. Ao remover a inflação, temos uma ideia mais clara a respeito da quantidade a mais de bens e serviços (medida em termos monetários) que a parte que concedeu o empréstimo poderá adquirir ao reaver o montante inicial acrescido dos juros. Importante: as fórmulas apresentadas mostram que a relação entre a taxa de juros nominal e a taxa de juros real tem a ver com a taxa de inflação, da seguinte forma simplificada: taxa de juros real ≈ taxa de juros nominal – taxa de inflação É interessante notar alguns pontos adicionais sobre a taxa de juros real e sua relação com a taxa de juros nominal: 1. Se a taxa de inflação for maior do que a taxa de juros nominal durante o período de um investimento, a taxa de juros real ficará abaixo de zero. Ou seja, o rendimento real em um investimento pode ser negativo, o que significa que o poder de compra do investidor pode se reduzir entre o momento da aplicação dos recursos e o momento do recebimento do montante principal acrescido dos juros. 2. Se a taxa de inflação for negativa, isto é, se houver deflação, a taxa de juros real será superior à taxa de juros nominal. Isso significa que o poder de compra do investidor pode crescer a um ritmo maior do que aquele indicado pela taxa de juros nominal oferecida em determinada aplicação financeira. Em tese, a política monetária deveria ajustar as taxas de juros nominais de uma economia conforme se perceba maior ou menor risco de inflação, o que deveria manter a taxa de juros real relativamente estável ao longo do tempo. Entretanto, esse fenômeno não é necessariamente verificado na prática, e a taxa de juros real pode apresentar flutuações significativas ao longo dos anos. 9 CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS 10 A tabela 2 mostra a relação entre a taxa DI (uma taxa de juros nominal), a variação do IPCA (medida da inflação oficial) e a taxa de juros real no Brasil, para os anos de 2007 a 2016. Estes números oferecem informações importantes sobre como a inflação afeta o retorno real obtido por investidores em suas aplicações financeiras. 3.2.2 Capitalização simples versus capitalização composta Ao se investir em um produto financeiro (como um título do governo ou um certificado emitido por uma instituição financeira), é importante para o investidor entender exatamente as regras de acordo com as quais os juros serão calculados e pagos. Os juros são pagos periodicamente ou no vencimento da aplicação? Como lidar com períodos fracionados? O cálculo dos juros é feito tendo como base o montante de principal ou o valor da aplicação incluindo os juros? Para cada produto financeiro no Brasil ou no exterior, o conjunto de regras aplicáveis aos cálculos de remuneração pode diferir bastante. O rendimento a ser obtido pelo investidor dependerá, dentre outros fatores, do regime de capitalização a ser observado. Quando empregamos um regime de capitalização simples no cálculo da remuneração devida em um título, o valor de referência para o cálculo dos juros é sempre o montante inicial, isto é, o valor presente do título. Essa base de cálculo não muda ao longo do período do investimento, mesmo se estivermos tratando de múltiplos períodos. Isso faz com que o montante inicial de investimento cresça pelo mesmo valor (o valor dos juros) a cada período, de maneira linear, e os juros de um período são sempre idênticos aos juros de qualquer outro período. Assim, nesse regime, o montante inicial cresce de maneira aritmética ao longo do tempo. Ano 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 Taxa DI 11,82% 12,38% 9,88% 9,75% 11,60% 8,40% 8,06% 10,81% 13,24% 14,00% Variação do IPCA 4,46% 5,90% 4,31% 5,91% 6,50% 5,84% 5,91% 6,41% 10,67% 6,29% Taxa de Juros Real 7,05% 6,12% 5,34% 3,63% 4,79% 2,42% 2,03% 4,13% 2,32% 7,25% Tabela 2. Taxa DI, variação do IPCA e taxa de juros real no Brasil 2007-2016 Fontes: B3 e IBGE. Cálculos do autor. CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS 11 CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS Por exemplo, imagine um investimento de R$ 10.000,00, aplicado por seis meses, e que deve ser remunerado a uma taxa de juros simples de 1% ao mês. Para se encontrar o valor dos juros que serão pagos ao final dos seis meses de investimento, basta se multiplicar o número de períodos pela taxa de juros ao período e pelo montante inicial. Assim, os juros devidos na data de vencimento da operação serão iguais a 1% × 6 × R$ 10.000,00 = R$ 600,00. Como regra geral, no regime de capitalização simples, os juros são calculados pela fórmula J = V P × r × n onde J são os juros, VP é o valor presente (montante inicial), r representa a taxa de juros por período e n é o número de períodos. Já para se conhecer o valor futuro (VF) da aplicação, ou seja, o valor a ser pago no vencimento da operação, incluindo o montante inicial e os juros, utiliza-se a fórmula V F = V P × ( 1 + r × n ) Utilizando os dados do exemplo e a fórmula, é fácil verificar que o valor futuro do investimento de R$ 10.000,00 aplicado por seis meses a uma taxa de juros simples de 1,00% ao mês é igual a R$ 10.000,00 × (1 + 1% × 6) = R$ 10.600,00. Finalmente, se já conhecermos o valor futuro de uma aplicação e quisermos obter o seu valor presente em um regime de capitalização simples, basta fazer a conta inversa: V P = V F 1 + r × n No regime de capitalização simples, não existe a capitalização dos juros, e assim os juros de um período não geram juros nos períodos seguintes. Principalmente em economias com elevadas taxas de inflação, como historicamente é o caso do Brasil, tal regime de capitalização não é utilizado com frequência. Em seu lugar, o regime de capitalização composta tende a ser preferido. Nesse regime, o montante inicial cresce de maneira geométrica ao longo do tempo, e o valor de principal acrescido de juros em um dado período serve como base de cálculo para os juros do período subsequente. Utilizando um exemplo similar ao anterior, imagine que o investimento de R$ 10.000,00, aplicado por seis meses, deva ser remunerado a uma taxa de juros composta de 1% ao mês. No primeiro mês, o montante inicial de R$ 10.000,00 se transforma em R$ 10.100,00, pela adição dos juros de R$ 100,00 (1% × R$ 10.000,00) ao montante inicial. 12 Mas no segundo mês, os juros a serem adicionados não serão de R$ 100,00 – e aqui reside a diferença entre os regimes de capitalização simples e composta. Partindo do novo montante de R$ 10.100,00 e acrescendo mais 1% em juros, teremos o valor de R$ 10.201,00, diferente do valor de R$ 10.200,00 que teríamos obtido sob o regime de capitalização simples. Utilizando juros compostos e prosseguindo com esses cálculos, teremos um valor de juros mais alto do que ao utilizarmos juros simples. Para se calcular os juros com capitalização composta, empregamos a fórmula J = V P × [ ( 1 + r )n - 1 ] Com essa fórmula, encontramos que os juros provenientes do investimento do exemplo anterior serão de R$ 10.000,00 × [(1 + 1%)6 − 1] = R$ 615,20. Como esperado, esse valor é mais alto do que os R$ 600,00 obtidos no regime de capitalização simples. Já o valor futuro do investimento é calculado pela fórmula V F = V P × ( 1 + r )n Assim, o valor futuro do investimento de R$ 10.000,00 por seis meses a uma taxa de juros composta de 1% ao mês é igual a R$ 10.000,00 × (1 + 1%)6 = R$ 10.615,20. 3.2.3 Taxa de juros equivalentes versus taxa de juros proporcional No mundo das aplicações financeiras de renda fixa, bem como dos empréstimos e financiamentos, é comum existir diferença de unidades de tempo entre a taxa de juros informada para a operação (mensal ou anual, por exemplo) e a periodicidade dos pagamentos desses juros (mensal, trimestral ou semestral, entre outras possibilidades). Isso faz bastante sentido, pois é importante termos taxas de juros que possam ser comparadas em uma mesma base (tipicamente anual), independentemente da frequência de pagamentos dos juros da operação. Quando utilizamos o regime de capitalização simples, podemos encontrar taxas de juros proporcionais entre diferentes períodos de tempo – de trimestral para anual, de semestral para mensal, e assim por diante – meramente multiplicando ou dividindo as taxas pelo número de períodos apropriado. Nesse regime, como vimos anteriormente, os juros são calculados tendo como base o valor presente da operação, e por esse motivo podemos somar, subtrair, multiplicar ou dividir as taxas de juros para encontrar as taxas aplicáveis a diferentes períodos de tempo. Por exemplo, em regime de capitalização simples, a taxa de juros de 1% ao mês é proporcional à taxa de 12% ao ano (1% × 12 = 12%). Também são proporcionais a essas taxas as taxas de juros de 3% ao trimestre (1% × 3 = 3%) e 6% ao semestre (1% × 6 = 6%). Já uma taxa de juros de 2,4% ao quadrimestre, ainda em regime de capitalização simples, é proporcional às taxas de 0,6% ao mês (2,4% ÷ 4 = 0,6%); 1,8% ao trimestre (0,6% × 3 = 1,8%); 3,6% ao semestre (1,8% × 2 = 3,6%) e 7,2% ao ano (2,4% × 3 = 7,2%). CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS Funções básicas 13 Já no regime de capitalização composta, como sabemos, os juros obtidos em um período são acrescidos ao valor da operação, o que gera nova base de cálculo para os juros compostos a cada período. Podemos encontrar taxas de juros equivalentes para diferentes períodos, mas para tanto não podemos utilizar as quatro operações matemáticas fundamentais. Isso se dá justamente por conta da capitalização dos juros, ou seja, da sua adição ao valor principal para fins de cálculo dos juros devidos ao longo da vida da operação. Para calcular taxas equivalentes, precisamos empregar a fórmula: n2 r2 = ( 1 + r1 ) n1 - 1 onde r2 é a taxa de juros que se busca obter, r1 é a taxa de juros conhecida, n2 é o período relativo à taxa que se busca obter e n1 é o período relativo à taxa de juros conhecida (sendo que n1 e n2 devem estar na mesma unidade). Assim, por exemplo, em regime de capitalização composta, a taxa de juros de 1% ao mês é equivalente à taxa de 12,68% ao ano, pois (1 + 1%)(12/1) − 1 = 12,68%. Também são equivalentes a essas taxas as taxas de juros de 3,03% ao trimestre e 6,15% ao semestre, pois (1 + 1%)(3/1) − 1 = 3,03% e (1 + 1%)(6/1) − 1 = 6,15%. Já uma taxa de juros de 2,4% ao quadrimestre, ainda em regime de capitalização composta, é equivalente às taxas de 0,59% ao mês, 1,79% ao trimestre, 3,62% ao semestre e 7,37% ao ano, já que, respectivamente, (1 + 2,4%)(1/4) − 1 = 0,59%, (1 + 2,4%)(3/4) − 1 = 1,79%, (1 + 2,4%)(6/4) − 1 = 3,62% e (1 + 2,4%)(12/4) − 1 = 7,37%. Por questão de nomenclatura, quando estamos trabalhando em um regime de capitalização simples, falamos em taxas de juros proporcionais ao analisar diferentes períodos. Quando se aplica o regime de capitalização composta, podemos calcular taxas de juros equivalentes para períodos distintos. Além disso, como vimos acima, os cálculos de taxas de juros proporcionais e equivalentes oferecem resultados distintos, cada qual refletindo as características do regime de capitalização adotado. Nos principais mercados financeiros mundiais, o regime de capitalização composta é amplamente utilizado. No Brasil, é muito comum que títulos de crédito privado tenham sua remuneração atrelada à taxa DI. Essa taxa é dada em termos anuais, mas a capitalização dos juros ocorre a cada dia útil, com base em um ano com 252 dias úteis. Por exemplo, utilizando a fórmula apresentada acima, verificamos que uma taxa DI de 10,14% ao ano é equivalente à taxa de 0,03833% para um dia útil. Caso tal taxa anual se mantenha durante o período de um mês com 21 dias úteis, os juros desse período equivalerão aproximadamente a 0,81%. Se o período considerado for de um semestre (com 126 dias úteis), a taxa de juros equivalente será de 4,95%, e assim sucessivamente. CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS 14 Como exemplo, uma aplicação financeira no valor de R$ 100.000,00 renderá, em um dia útil, juros (antes de impostos) de R$ 38,33 pela taxa DI de 10,14%, levando o montante da aplicação para R$ 100.038,33. Se mais um dia se passar e os juros forem capitalizados, ainda utilizando a mesma taxa DI anual, o novo montante será de R$ 100.076,68, o que significa que os juros para o segundo dia útil são de R$ 38,35. A pequena diferença de R$ 0,02 nos juros calculados entre o primeiro e o segundo dia de aplicação se dá exatamente pela natureza dos juros compostos – a base de cálculo para os juros do segundo dia é maior do que a base de cálculo para os juros do primeiro dia. Para cálculos em geral com a taxa DI, podemos adaptar a fórmula mostrada anteriormente da seguinte maneira: n2 r2 = ( 1 + t a x a D I )25 2 - 1 Dessa maneira, podemos encontrar as taxas equivalentes a uma taxa DI (como sabemos, sempre fornecida em termos anuais) para qualquer período dado em dias úteis. Tal período pode ser inferior ou superior a 252 dias úteis nessa fórmula. 3.2.4 Índice de referência (benchmark) aplicado a produtos de investimento: conceito e finalidade São muitas as alternativas de investimento disponíveis hoje em dia aos investidores. Na renda fixa, há títulos públicos, títulos emitidos por empresas (como debêntures e notas promissórias), títulos emitidos por instituições financeiras (como os CDBs), instrumentos de securitização e muitos outros. Em renda variável, há ações ordinárias, ações preferenciais e diversas combinações estratégicas possíveis utilizando instrumentos derivativos, tais como opções e contratos a termo. Há ainda produtos de investimentos ligados ao mercado imobiliário e ao agronegócio, assim como uma enorme variedade de fundos de investimento (incluindo multimercados, cambiais e de participações em empresas). Uma medida simples do retorno de cada investimento é comparar quanto cada aplicação “rendeu” desde o momento do investimento inicial, fazendo a conta do retorno absoluto. Mas medir o desempenho de produtos de investimento tão diversos com base apenas em seu retorno absoluto não nos conta uma história completa. A avaliação do desempenho de produtos de investimento deve ser feita de forma relativa, comparando cada produto a algum indicador que tenha características de investimento similares. Em finanças, tal indicador é conhecido como benchmark ou índice de referência, uma medida que nos permite avaliar comparativamente o desempenho de produtos ou fundos de investimento. No caso de produtos de renda fixa, é comum comparar o retorno de um investimento com o retorno de um título emitido pelo governo ou uma taxa de juros média de mercado. Na renda variável, a comparação normalmente é feita com um índice do mercado acionário. O importante é sempre escolher o benchmark condizente com o tipo de investimento cujo retorno se deseja analisar. CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS 15 Um retorno de 12% obtido durante um ano em um fundo de investimento em ações, por si só, não nos diz muito a respeito do desempenho desse fundo. Ao nos perguntarmos se esse retorno é alto ou baixo, a pergunta que vem à mente em seguida é: “comparado com o quê?”. E é justamente aí que a comparação com um benchmark se faz necessária. Se, ao longo daquele período, o principal índice da bolsa de valores tiver caído 2%, o desempenho do fundo de ações terá sido excelente. Mas, se o mesmo índice da bolsa tiver subido 20%, o desempenho do fundo já não terá sido tão impressionante assim. Sem a comparação com o benchmark, estaríamos relegados à observação do retorno absoluto, o que efetivamente nos diz muito pouco. Para ser considerado válido, um índice de referência deve ter diversas qualidades importantes. Ele precisa ser definido claramente, deve ser facilmente mensurável com alguma frequência e precisa ser formado de maneira que seja possível investir em seus componentes. Além disso, ele necessita também ser adequado ao produto de investimento cujo retorno pretendemos avaliar. Finalmente, deve sempre ser especificado antes do início do período de avaliação para evitar que seja escolhido um benchmark mais favorável para se determinar o desempenho relativo de um investimento. Há centenas de índices de referência disponíveis no mercado com os quais se pode comparar o desempenho de determinado produto de investimento. Para investimentos em renda fixa, os benchmarks mais comuns são: taxa DI; Índices de Mercado ANBIMA (IMA-B: indexados pelo IPCA; IMA-C: indexados pelo IGP-M; IMA-S: pós-fixados pela taxa Selic); e rendimentos dos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional. rendimentos dos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional. No caso de investimentos em renda variável, os índices de referência mais comuns são: Índice Bovespa; IBrX 100; IBrX 50; Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC); Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS 3.2.5 Volatilidade. Conceito Quem acompanha o mercado financeiro sabe que os preços dos ativos – ações, títulos de renda fixa, imóveis e outros – estão sujeitos a flutuações. Alguns ativos variam mais de preço do que outros, por isso são tidos como mais “arriscados”. De fato, uma medida do risco associado ao investimento em um ativo é justamente o grau de variação do seu preço de mercado. Comparando dois investimentos com o mesmo retorno esperado, faz mais sentido escolher aquele que oferece a menor variabilidade em seu preço, ou seja, aquele que sujeita o seu detentor a uma menor dispersão entre os preços observados ao longo do tempo. Em finanças, chamamos de volatilidade o grau de variação dos preços de um ativo em um determinado período de tempo, medido pelo conceito estatístico de desvio-padrão dos retornos logarítmicos. Apesar de parecer complicado, a ideia por trás desse conceito é simples: medir quanto oscilam os retornos de um ativo e assim oferecer alguma informação sobre a quantidade de incerteza em relação às variações no valor desse ativo. Vamos ver como utilizar a informação sobre volatilidade na prática. A tabela 3 mostra a evolução dos preços de três ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo ao longo do mês de maio de 2017 (22 sessões de negociação). As três ações são: Companhia de Locação das Américas (código LCAM3), Banco Bradesco (código BBDC4) e Rossi Residencial (código RSID3). Para cada ação, além dos preços diários, são mostrados os retornos diários. Ao final da tabela, temos as informações sobre a volatilidade (anualizada) de cada ativo, isto é, sobre o risco que cada ação traz para seus detentores (conforme os dados do período de análise, apenas para fins de ilustração). Pela análise da tabela, vemos que o grau de volatilidade foi bastante distinto entre as três ações escolhidas neste exemplo. A ação RSID3, que apresentou a maior volatilidade no período considerado, teve retornos diários (tanto positivos como negativos) de maior magnitude, ou seja, seu preço oscilou mais fortemente do que os preços das outras duas ações. A ação LCAM3, de menor volatilidade no mês estudado, teve retornos diários de magnitude comparativamente menor, e por essa medida representou menos risco para seus detentores. Uma maneira de compreender melhor o conceito de volatilidade de maneira visual é observar o comportamento dos preços das ações em um gráfico, como mostrado a seguir (com dados normalizados para melhor visualização). Como reflexo dos resultados numéricos mostrados na tabela, a linha correspondente à ação LCAM3 é a que apresentou menor oscilação em comparação com as outras ações no período de análise. Graficamente a flutuação do preço da ação RSID3 foi a maior, como já esperado, tendo em vista que seu grau de volatilidade foi também maior no mês estudado. 16 CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS 17 Fonte: B3. Cálculos do autor. 02/05/2017 03/05/2017 04/05/2017 05/05/2017 08/05/2017 09/05/2017 10/05/2017 11/05/2017 12/05/2017 15/05/2017 16/05/2017 17/05/2017 18/05/2017 19/05/2017 22/05/2017 23/05/2017 24/05/2017 25/05/2017 26/05/2017 29/05/2017 30/05/2017 31/05/2017 Cotação (R$) 8,95 8,95 9,04 8,93 9,00 8,71 8,85 8,65 8,87 8,80 8,75 8,75 8,75 8,67 8,59 8,85 8,75 8,80 8,72 8,72 8,98 8,65 Cotação (R$) 7,95 8,60 7,95 7,85 7,76 8,14 7,90 7,54 8,05 8,00 8,06 7,86 6,03 6,41 6,08 6,09 6,41 6,60 6,69 6,69 6,98 7,18 Retorno diário 0,00% 1,00% -1,22% 0,78% -3,28% 1,59% -2,29% 2,51% -0,79% -0,57% 0,00% 0,00% -0,92% -0,93% 2,98% -1,14% 0,57% -0,91% 0,00% 2,94% -3,74% 28,40% Retorno diário 7,86% -7,86% -1,27% -1,15% 4,78% -2,99% -4,66% 6,54% -0,62% 0,75% -2,51% -26,50% 6,11% -5,29% 0,16% 5,12% 2,92% 1,35% 0,00% 4,24% 2,83% 115,32% Cotação (R$) 31,15 31,13 30,67 30,71 30,69 30,96 31,42 31,61 31,93 31,98 32,03 31,40 27,28 27,73 26,94 27,12 27,43 27,24 27,87 27,87 28,03 27,50 Retorno diário -0,07% -1,49% 0,13% -0,07% 0,88% 1,47% 0,60% 1,01% 0,16% 0,16% -1,99% -14,06% 1,63% -2,89% 0,67% 1,14% -0,69% 2,28% 0,00% 0,57% -1,91% 53,02% Tabela 3. Preços de fechamento e retornos diários LCAM3, BBDC4 e RSID3 – maio/2017 Volatilidade (anualizada): Data LCAM3 BBDC4 RSID3 Compreender o risco associado a qualquer operação financeira (e não considerar apenas seu retorno estimado) é essencial para a análise das diferentes alternativas de investimento com que os profissionais da área se deparam todos os dias. A volatilidade dos retornos dos ativos é um excelente indicador de risco e deve sempre ser levada em consideração no processo de decisão de investimentos. CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS 3.2.6 Prazo médio ponderado de uma carteira de títulos: conceito e riscos associados Comumente, as aplicações financeiras em renda fixa têm uma data de vencimento, em que o pagamento do valor de principal (ou o pagamento da última parcela do valor de principal, no caso de títulos com amortização) deve ser realizado. Porém, calcular o prazo de uma aplicação financeira com base apenas no período a decorrer até o pagamento final não reflete corretamente o tempo de retorno e os riscos associados a esse investimento. É preciso utilizar medidas que levem em consideração as amortizações periódicas do principal (se houver) e, ainda, os pagamentos de juros, ou seja, todo o fluxo financeiro da operação. O cálculo do prazo médio ponderado de um título nos oferece exatamente uma medida de tempo médio para recebimento do investimento. Esse cálculo leva em consideração o valor presente de cada fluxo de caixa (incluindo principal e juros) ao longo da vida do título. Além disso, os valores presentes de cada fluxo de caixa são utilizados como pesos para cada período de tempo correspondente, em que o fluxo ocorre (por exemplo, um ano, dois anos, três anos e assim por diante) – por isso a denominação de prazo médio “ponderado”. O tempo até cada fluxo de caixa, ponderado pelos respectivos valores presentes, é finalmente dividido pelo preço atual do título (ou seja, seu valor presente), para então chegarmos ao prazo médio ponderado do papel. 18 Gráfico 4. Cotações diárias (normalizadas) – LCAM3, BBDC4 e RSID3 – maio/2017 Fonte: B3. Cálculos e elaboração do autor. LCAM3 BBDC4 RSID3 110 105 100 95 90 85 80 75 70 02 /0 5/ 20 17 03 /0 5/ 20 17 04 /0 5/ 20 17 05 /0 5/ 20 17 06 /0 5/ 20 17 07 /0 5/ 20 17 08 /0 5/ 20 17 09 /0 5/ 20 17 11 /0 5/ 20 17 13 /0 5/ 20 17 22 /0 5/ 20 17 15 /0 5/ 20 17 24 /0 5/ 20 17 18 /0 5/ 20 17 27 /0 5/ 20 17 31 /0 5/ 20 17 17 /0 5/ 20 17 26 /0 5/ 20 17 30 /0 5/ 20 17 20 /0 5/ 20 17 29 /0 5/ 20 17 10 /0 5/ 20 17 12 /0 5/ 20 17 21 /0 5/ 20 17 14 /0 5/ 20 17 23 /0 5/ 20 17 16 /0 5/ 20 17 25 /0 5/ 20 17 19 /0 5/ 20 17 28 /0 5/ 20 17 CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS No Brasil, uma Resolução do Conselho Monetário Nacional define a fórmula “oficial” para cálculo do prazo médio ponderado como onde PMP é o prazo médio ponderado, Fj é o fluxo de caixa, dj é o número de dias úteis a decorrer até cada fluxo, i é a taxa interna de retorno (em base anual com 252 dias úteis) e VP é o valor presente do título. Parece uma fórmula complicada, mas o conceito é bem simples: encontrar um prazo médio para a aplicação, considerando todos os fluxos de caixa, utilizando os valores presentes desses fluxos como pesos para o período de tempo a decorrer até cada um deles, encontrando assim uma medida de tempo. Por exemplo, considere um título de renda fixa com valor nominal no vencimento igual a R$ 1.000.000,00, prazo de dois anos, amortização integral no vencimento, juros contratuais de 10% ao ano (aplicados em base exponencial considerando-se 252 dias úteis) e taxa de desconto de mercado de 10,5%. A tabela 4 mostra os resultados dos cálculos de juros e do prazo médio ponderado. Como se pode observar, o prazo médio ponderado é inferior ao prazo final, tendo em vista que há fluxos de caixa ao longo do período de vigência do instrumento. Para uma carteira, o prazo médio ponderado é igual ao somatório dos prazos médios ponderados dos títulos que a compõem, ponderados por sua vez pelo peso de cada título na carteira, considerando-se o valor presente de cada título e o valor presente da carteira. A tabela 5 mostra um exemplo desse cálculo para três títulos com diferentes prazos médios ponderados e valores presentes. 19 P M P = × ( 1 + i )V P 1 2 5 2 ∑n × dj Fj 2 5 2 dj j = 1 CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS Tabela 4. Cálculo do prazo médio ponderado de um título Fonte: cálculos do autor. Dias úteis (DU) 126 252 378 504 Juros (R$) 48.808,85 48.808,85 48.808,85 48.808,85 Principal (R$) 0,00 0,00 0,00 1.000.000,00 Fluxo de caixa total (R$) 48.808,85 48.808,85 48.808,85 1.048.808,85 Soma: Valor Presente (VP) (R$) 46.432,00 44.170,90 42.019,91 858.957,72 991.580,54 DU x VP 5.850.432,39 11.131.067,64 15.883.526,86 432.914.690,10 465.779.716,99 # 1 2 3 4 Prazo médio ponderado (anos): 1,86 Importante: é bom ter em mente algumas propriedades interessantes do prazo médio ponderado de um título ou de uma carteira de títulos: Quanto maior for o prazo final de vencimento de um título com amortização integral no vencimento, maior será o seu prazo médio ponderado. O prazo até o vencimento e o prazo médio ponderado são, portanto, diretamente proporcionais. Quanto maior a taxa de juros do instrumento financeiro, menor será o prazo médio ponderado, pois os fluxos de caixa ao longo do tempo ficam mais “pesados” por conta dos juros mais altos. Assim, a taxa de juros e o prazo médio ponderado são inversamente proporcionais. Quanto maior for a frequência dos pagamentos de juros e principal, menor será o prazo médio ponderado do título ou da carteira de títulos. A frequência de pagamentos e o prazo médio ponderado são, desta forma, inversamente proporcionais. 3.2.7 Marcação a mercado como valor presente de um fluxo de pagamentos (precificação e volatilidade: impactos de prazos e taxas) Quanto vale um ativo – seja ação, título, derivativo, seja qualquer outro instrumento? Em finanças, de maneira objetiva, dizemos que o preço de um ativo é igual ao valor presente de seu fluxo de caixa esperado. Nessa afirmação estão embutidas duas ideias importantes. Primeiro: existe um fluxo de caixa associado a este ativo, mesmo que haja alguma incerteza em relação a esse fluxo (por conta do uso do termo “esperado”). Segundo: o preço do ativo será composto pela soma dos valores presentes daqueles fluxos de caixa, o que implica que uma (ou mais de uma) taxa de desconto precisa ser empregada para se calcular o quanto valem, hoje, aqueles fluxos futuros. 20 Fonte: cálculos do autor. Tabela 5. Cálculo do prazo médio ponderado de uma carteira de títulos Valor nominal (R$) 1.000.000,00 3.000.000,00 6.000.000,00 Valor Presente (R$) 991.580,54 2.785.653,43 5.974.231,35 Peso na carteira 10,2% 28,6% 61,3% Prazo médio ponderado 1,86 3,32 0,77 Peso x PMP 0,19 0,95 0,47 Título 1 2 3 Prazo médio ponderado (anos): 1,61 CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS 21 Quando observamos as flutuações dos preços dos ativos no mercado, indagamos o motivo de sua ocorrência. O mecanismo básico de oferta e demanda, claro, está em funcionamento ali. Mas o que determina o desejo de operadores de mercado em comprar ou vender um ativo em dado momento? Pensando no cálculo do preço de um ativo conforme descrito, podemos dizer que as oscilações dos preços de mercado ocorrem por duas razões: ou existe alguma alteração no fluxo de caixa esperado (por exemplo, no caso de ações, uma expectativa diferente em relação a dividendos futuros), ou a taxa de retorno já não é mais adequada e não reflete as condições econômicas e o risco associado ao investimento (e, portanto, precisa ser maior ou menor para refletir essas novas condições). Como vimos na tabela 4, o preço do título de renda fixa mostrado no exemplo é igual a R$ 991.580,54 e corresponde à soma dos valores presentes de cada fluxo de caixa à taxa de desconto de 10,5% ao ano. Suponha que esse seja o preço atual do papel no mercado. Mesmo mantendo os fluxos de caixa inalterados (como é apropriado para títulos com taxa fixa de juros), qualquer variação na taxa de desconto de mercado faz com que obtenhamos um novo valor para esse título. Uma taxa de desconto acima de 10,5% ao ano corresponde a um preço de mercado inferior ao preço atual, ao passo que uma taxa de mercado abaixo de 10,5% ao ano nos mostra um preço superior aos R$ 991.580,54. Uma taxa de desconto de 10% ao ano, idêntica à taxa de juros pela qual o papel é remunerado, corresponde a um valor de mercado idêntico ao valor nominal de R$ 1.000.000,00. A tabela 6 mostra o valor de mercado do papel utilizando diferentes taxas de desconto, demonstrando numericamente esses pontos. Ao atribuirmos a um ativo seu valor observado atualmente no mercado, estamos fazendo uma marcação a mercado do preço desse ativo. Tal prática nos permite fazer uma avaliação realista do valor de um ativo ou de uma carteira de ativos, em contraposição a outros métodos como, por exemplo, a chamada “marcação na curva”, em que o valor de um título é atualizado diariamente utilizando a mesma taxa de desconto vigente no momento da aquisição do papel. A propósito, o mesmo método é aplicável a passivos: marcar um passivo a mercado é atribuir a ele um valor justo, com base em níveis de preços e taxas de desconto verificados no mercado. Tabela 6. Cálculo do valor do título de dois anos a diferentes taxas de desconto Fonte: cálculos do autor. Dias úteis (DU) 126 252 378 504 Juros (R$) 48.808,85 48.808,85 48.808,85 48.808,85 Principal (R$) 0,00 0,00 0,00 1.000.000,00 Fluxo de caixa total (R$) 48.808,85 48.808,85 48.808,85 1.048.808,85 Valor Presente a 10,9% (R$) 46.348,19 44.011,59 41.792,78 852.772,62 984.925,18 Valor Presente a 10,3% (R$) 46.474,08 44.251,00 42.134,25 862.075,53 994.934,86 Valor Presente a 10,0% (R$) 46.537,41 44.371,68 42.306,74 866.784,17 1.000.000,00 # 1 2 3 4 Valor de mercado: CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS 22 Não é apenas a taxa de desconto de mercado que influencia no preço de um ativo. O prazo até o vencimento também tem impacto importante para a precificação de um título de renda fixa, mesmo quando utilizadas as mesmas taxas de desconto. Suponha que o título de renda fixa o qual estamos analisando nos exemplos anteriores tenha vencimento em quatro anos, e não em dois anos. Qual será o impacto disso sobre o preço do papel na comparação com o exemplo original, ainda utilizando uma taxa de desconto de 10,5% ao ano? O preço do papel com vencimento em quatro anos, em nosso exemplo, é de R$ 984.685,13 por essa taxa de desconto, menor do que os R$ 991.580,54 observados no título com prazo de dois anos. E quanto às demais taxas de desconto? A tabela 7 elucida a questão e mostra o efeito do prazo maior sobre o preço do título utilizando diferentes taxas de desconto (as mesmas da tabela 6). Podemos ver pelos resultados dos cálculos que, quanto maior o prazo até o vencimento de um título, maior a diferença entre o valor de mercado e o seu valor nominal, mantendo constantes os demais parâmetros, para taxas de desconto diferentes da taxa de juros contratual do papel. Ou seja, para o título com vencimento em quatro anos, os valores presentes são inferiores, para cada taxa de juros, do que aqueles verificados no título com vencimento em dois anos. Esse exemplo demonstra um resultado extensível a qualquer prazo de vencimento e taxa de desconto quando se considera um título de renda fixa com as características simples que escolhemos para ilustrar o conceito. Tabela 7. Cálculo do valor do título de quatro anos por diferentes taxas de desconto Fonte: cálculos do autor. Dias úteis (DU) 126 252 378 504 630 756 882 1008 Juros (R$) 48.808,85 48.808,85 48.808,85 48.808,85 48.808,85 48.808,85 48.808,85 48.808,85 Principal (R$) 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 1.000.000,00 Fluxo de caixa total (R$) 48.808,85 48.808,85 48.808,85 48.808,85 48.808,85 48.808,85 48.808,85 1.048.808,85 Valor Presente a 10,9% (R$) 46,348.19 44,011.59 41,792.78 39,685.83 37,685.10 35,785.24 33,981.16 693,378.16 972.668,04 Valor Presente a 10,3% (R$) 46,474.08 44,251.00 42,134.25 40,118.76 38,199.68 36,372.41 34,632.53 708,588.82 990.771,53 Valor Presente a 10,0% (R$) 46,537.41 44,371.68 42,306.74 40,337.89 38,460.67 36,670.81 34,964.25 716,350.56 1.000.000,00 # 1 2 3 4 5 6 7 8 Valor de mercado: CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS 23 3.2.8 Mercado primário e mercado secundário: conceito, finalidade e relevância para o investidor e para a empresa emissora Para financiar seus projetos e compor a sua estrutura de capital (isto é, a proporção entre capital próprio e capital de terceiros), muitos emissores corporativos acessam os mercados de capitais, sejam domésticos, sejam internacionais, tanto de renda fixa como de renda variável. Por meio desses mercados, os emissores captam recursos via lançamento de títulos de dívida ou de ações e assim buscam fazer frente às suas necessidades de financiamento e aos seus planos de expansão. O mercado primário é justamente aquele em que os emissores lançam seus títulos e ações para aquisição por parte dos primeiros investidores nesses instrumentos. Além dos emissores, usualmente participam do mercado primário os bancos de investimento que fazem a distribuição dos papéis, escritórios de advocacia responsáveis pelos aspectos legais das operações, agentes fiduciários, investidores institucionais e fundos de investimento, entre outros. Já o mercado secundário é aquele em que os ativos são negociados após a sua emissão. É o mercado em que os ativos trocam de mãos sem que os emissores estejam envolvidos nas negociações. Participam do mercado secundário principalmente as corretoras de valores, investidores institucionais, investidores individuais, gestores de fundos de investimento e especuladores, entre outros. Do ponto de vista do investidor, tanto o mercado primário como o mercado secundário têm extrema relevância. É no mercado primário que investidores têm acesso a novos papéis, que podem trazer diversificação para suas posições, além de costumeiramente oferecerem retorno um pouco mais alto do que papéis similares disponíveis no mercado secundário (visto que as emissões no mercado primário precisam ser suficientemente atraentes para que investidores se interessem por elas). No mercado secundário, investidores podem se desfazer de suas posições ou adquirir papéis com relação risco-retorno atrativa, fazendo assim girar suas carteiras de investimento e alocando recursos conforme suas estratégias. Para a empresa emissora, o mercado primário adquire importância especial, pois é exatamente nele que a captação de recursos ocorre. Mas o mercado secundário também tem relevância considerável. É por meio desse mercado que os emissores conseguem avaliar o custo de captação de recursos (tanto de dívida como de ações) ao observar os preços dos ativos (de sua própria emissão ou de emissores comparáveis). Além disso, ao observar a dinâmica dos preços dos ativos e os indicadores de liquidez, emissores podem determinar o melhor momento para ir a mercado com suas novas emissões. Finalmente, os emissores participam ativamente do mercado secundário por meio de suas tesourarias, comprando e vendendo ativos no âmbito da gestão financeira das empresas. CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA E FINANÇAS 1. O Produto Interno Bruto de uma economia representa, em valores monetários e para determinado período, a soma de todos os bens e serviços (A) intermediários e finais, a preço de custo. (B) finais, a preço de custo. (C) intermediários e finais, a valor de mercado. (D) finais, a valor de mercado. 2. O índice de inflação oficialmente utilizado pelo governo brasileiro para verificar o cumprimento da meta de inflação é o (A) Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M). (B) Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). (C) Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). (D) Índice de Preços ao Consumidor (IPC). 3. A taxa de referência para o cálculo da remuneração devida em empréstimos realizados entre instituições financeiras no Brasil é a (A) Taxa Selic. (B) Taxa DI. (C) Taxa Referencial. (D) Taxa Básica Financeira. 4. A taxa DI é (a) apurada diariamente e aplicada com base em dias úteis. (b) apurada diariamente e aplicada com base em dias corridos. (c) apurada mensalmente e aplicada com base em dias úteis. (d) apurada mensalmente e aplicada com base em dias corridos. 5. A taxa de juros utilizada para o cálculo da remuneração dos saldos das contas vinculadas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é a (A) Taxa Básica Financeira. (B) Taxa Referencial. (C) Taxa Selic. (D) Taxa DI. 6. Um dos objetivos do Comitê de Política Monetária (Copom) é (A) autorizar a emissão de papel-moeda. (B) controlar a taxa de inflação oficial. (C) regular o volume de crédito na economia. (D) definir a meta da taxa Selic. QUESTÕES 24 7. A diferença entre as taxas de juros nominal e real é dada pela taxa de (A) câmbio. (B) inflação. (C) juros básica. (D) desconto. 8. A utilização de um índice de referência (benchmark) para um fundo de investimento (A) permite a verificação do desempenho relativo do fundo. (B) limita a atuação do gestor do fundo à classe de origem daquele índice. (C) restringe as operações do fundo aos ativos financeiros componentes daquele índice. (D) indica que tal fundo tem gestão ativa. 9. Para um ativo financeiro qualquer, a volatilidade é uma medida de (A) liquidez. (B) risco. (C) retorno. (D) desempenho. 10. O prazo médio ponderado de um título financeiro é igual ao prazo até a sua data de vencimento quando (A) a taxa de cupom é igual a zero, e o valor de principal é integralmente devido no vencimento. (B) a taxa de cupom é igual a zero, e o valor de principal é devido em amortizações periódicas constantes. (C) a taxa de cupom é igual à taxa Selic, e o valor de principal é integralmente devido no vencimento. (D) a taxa de cupom é igual à taxa Selic, e o valor de principal é devido em amortizações periódicas constantes. 11. Ao longo de um mesmo dia, a marcação a mercado de um título com taxa de remuneração fixa apresentará resultado negativo se a taxa de desconto (A) permanecer positiva. (B) permanecer constante. (C) aumentar. (D) cair. 12. Após a sua emissão, a negociação de títulos e valores mobiliários ocorre no mercado (A) secundário. (B) derivativo. (C) complementar. (D) primário. QUESTÕES 25 RESPOSTAS 26 1. D Justificativa: A definição de PIB nos diz que tal medida representa a soma, em valores monetários, de todos os bens e serviços finais (e não intermediários, para evitar dupla contagem) produzidos por uma economia (ou seja, em determinada região), durante um período (normalmente, um trimestre ou um ano), considerando o valor de mercado dos bens e serviços (e não seu valor de produção ou seu custo). Assim, apenas a alternativa (d) está correta. 2. C Justificativa: O regime de metas de inflação no Brasil observa o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, para verificar se a meta de inflação está sendo atingida (ou quão distante da meta está a taxa de inflação no Brasil). 3. B Justificativa: No Brasil, os empréstimos interfinanceiros (ou seja, aqueles entre bancos e outras instituições financeiras) são remunerados pela taxa DI, divulgada diariamente pela B3 (saiba mais em www.b3.com.br). 4. A Justificativa: A taxa DI é apurada e divulgada diariamente pela B3 com base nas operações de emissão de Depósitos Interfinanceiros pré-fixados, selecionando-se apenas as operações de um dia útil de prazo (over), considerando apenas as operações realizadas entre instituições de conglomerados diferentes (Extra-grupo), desprezando-se as demais (Intra-grupo), e é aplicada considerando-se apenas os dias úteis, em uma base de 252 dias úteis por ano. 5. B Justificativa: A taxa de juros utilizada para o cálculo da remuneração dos saldos das contas vinculadas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é a Taxa Referencial, conforme a Lei 8.177/91. 6. D Justificativa: Conforme o Regulamento anexo à Circular 3.593, de 16 de maio de 2012, do Banco Central do Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) “tem como objetivos implementar a política monetária, definir a meta da Taxa Selic e seu eventual viés e analisar o Relatório de Inflação a que se refere o Decreto nº 3.088, de 21 de junho de 1999”. Assim, apenas a alternativa (d) está correta. 7. B Justificativa: A taxa de juros real é calculada (de maneira aproximada) subtraindo-se a taxa de inflação da taxa de juros nominal. Assim, a diferença entre a taxa de juros nominal e a taxa de juros real, para determinado período, é justamente a taxa de inflação verificada nesse mesmo intervalo. RESPOSTAS 27 8. A Justificativa: A função do índice de referência (benchmark) é oferecer parâmetro de comparação para o desempenho de um ativo financeiro, uma carteira de ativos ou um fundo de investimento. Tal índice não limita a atuação do gestor do fundo à classe de ativos de origem desse índice (isto é, renda fixa ou renda variável), nem restringe as operações do fundo aos ativos financeiros componentes do índice. Além disso, tanto os fundos com gestão passiva quanto (e principalmente) os fundos com gestão ativa podem ter benchmarks para fins, por exemplo, de cálculo da taxa de performance do fundo. Assim, a alternativa (a) está correta. 9. B Justificativa: A volatilidade de um ativo é uma medida de seu risco e é comumente calculada como o desvio padrão dos retornos desse ativo. Investidores comparam a volatilidade de ativos para ter melhor compreensão sobre o risco que estão correndo na busca por retorno. 10. A Justificativa: O prazo médio ponderado de um título financeiro é igual ao prazo até a sua data de vencimento quando a taxa de cupom é igual a zero e o valor de principal é integralmente devido no vencimento. Para verificar essa afirmação, basta lembrar que o prazo médio ponderado é a média dos prazos dos fluxos de caixa de um título ponderados pelo valor presente de cada fluxo. Quando há um único fluxo de principal e tal fluxo ocorre integralmente na data de vencimento do título, o prazo médio ponderado coincide com o prazo até a data de vencimento desse instrumento. 11. C Justificativa: Dentro de um mesmo dia, a marcação a mercado de um título com remuneração fixa de juros apresentará resultado negativo caso a taxa de desconto aumente, devido à relação inversa entre preço e taxa de desconto de um papel. Mesmo que a taxa de desconto se mantenha positiva (alternativa (a)), não se pode afirmar que o resultado da marcação a mercado será negativo, pois a taxa pode ter se reduzido. Da mesma forma, a alternativa (d) não atende ao que se pede no enunciado, tendo em vista que, caso a taxa de desconto se reduza, o resultado da marcação a mercado será positivo. Se a taxa de desconto permanecer constante (alternativa (b)), não haverá alteração no preço do título ao longo do mesmo dia e, portanto, o impacto na marcação a mercado será neutro. 12. A Justificativa: Após a emissão de títulos e valores mobiliários no mercado primário, esses instrumentos podem ser negociados no mercado secundário. GLOSSÁRIO 28 Ações: frações ideais do capital social de empresas. Títulos que representam para o acionista direito de participação na sociedade e, de maneira indireta, direito sobre os ativos e sobre os resultados financeiros da empresa. Ações ordinárias: ações que conferem a seus detentores os direitos patrimoniais garantidos em lei; especificamente, são ações que conferem a seus detentores o direito a voto nas assembleias de acionistas das empresas. Ações preferenciais: ações que conferem a seus detentores a prioridade no recebimento de dividendos distribuídos pela companhia e no reembolso do capital. Administração Fiduciária: é o conjunto de serviços relacionados direta ou indiretamente ao funcionamento e à manutenção do Fundo, desempenhada por pessoa jurídica autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários. Agência de classificação de risco: entidade responsável por analisar o risco de crédito de emissores e de emissões de títulos de renda fixa e por emitir opinião por meio de uma nota de crédito (rating). Agente autônomo de investimento (AAI): é a pessoa natural que atua na prospecção e captação de clientes, recepção e registro de ordens e transmissão dessas ordens para os sistemas de negociação ou de registro cabíveis e na prestação de informações sobre os produtos oferecidos e sobre os serviços prestados pela instituição integrante do sistema de distribuição de valores mobiliários pela qual tenha sido contratado. Agentes econômicos deficitários: indivíduos ou entidades cujas despesas superam suas receitas. Agentes econômicos superavitários: indivíduos ou entidades cujas receitas superam suas despesas. Agente fiduciário: é quem representa a comunhão dos debenturistas perante a companhia emissora, com deveres específicos de defender os direitos e interesses dos debenturistas, entre outros citados na lei. ANBIMA: Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Aplicação: compra de um ativo financeiro na expectativa de que, no tempo, produza retorno financeiro. Apreçamento: consiste em precificar os ativos pertencentes à carteira dos Veículos de Investimento, pelos respectivos preços negociados no mercado em casos de ativos líquidos ou, quando este preço não é observável, por uma estimativa adequada de preço que o ativo teria em uma eventual negociação feita no mercado. Atividade de Compliance: conjunto de medidas direcionadas a verificar e garantir que os diversos setores de uma companhia observam regras e padrões impostos pelas normas legais e regulatórias. 29 GLOSSÁRIO Audiência pública: reunião pública para comunicação e discussão de determinados assuntos entre diversos setores da sociedade e as autoridades públicas. Autorregulação: estabelecimento ou verificação de regras feitas pelas pessoas ou entidades que serão alvo de regulação. B3 S.A.: Brasil, Bolsa, Balcão (atual Denominação Social da antiga BM&FBovespa S.A. – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros após fusão com a Cetip S.A.). É uma empresa de infraestrutura do mercado financeiro brasileiro. BACEN: Banco Central do Brasil. Banco de Dados da ANBIMA: é o conjunto de informações cadastrais enviadas para a ANBIMA pelas instituições participantes que são armazenadas de forma estruturada. Benchmark: termo em inglês para processo de comparação de produtos, serviços e práticas empresariais. Índice de referência. Beneficiário: pessoa física (ou pessoas físicas) indicada livremente pelo participante para receber os valores de benefício ou resgate, na hipótese de seu falecimento, de acordo com a estrutura do plano de previdência ou seguro e na forma prevista pela legislação e pelo desejo do participante. Benefício: pagamento que os beneficiários recebem em função da ocorrência do evento gerador durante o período de cobertura, ou seja, é o período do recebimento da renda propriamente dita, em que o participante de um plano de previdência optará pelo recebimento de uma renda temporária ou vitalícia. Beneficiário final: a pessoa natural em nome da qual uma transação é conduzida ou a pessoa natural que, em última instância, de forma direta ou indireta, possui, controla ou influencia significativamente a entidade em nome da qual a transação é conduzida. Bonificação: distribuição, por parte da companhia, de ações aos seus acionistas por conta da capitalização das reservas de lucro. Cadastros de crédito: bancos de dados que armazenam informações sobre o histórico de crédito de pessoas e empresas, a fim de possibilitar que determinada decisão sobre conceder ou não um crédito seja mais bem fundamentada. Caderneta de poupança: modalidade de investimento de baixo risco que credita rendimentos mensalmente, na data equivalente à data de aplicação (data-base). Seus rendimentos são isentos de imposto de renda para pessoa física e os depósitos possuem garantia do FGC. Canais Digitais: canais digitais ou eletrônicos utilizados na distribuição de produtos de investimento, que servem como instrumentos remotos sem contato presencial entre o investidor ou potencial investidor e a instituição participante. Capital de terceiros: recursos levantados pela companhia junto a terceiros na forma de dívida, para fins de financiamento de suas atividades. 30 GLOSSÁRIO Capital próprio: patrimônio líquido da empresa, ou seja, o dinheiro aplicado pelos acionistas e quaisquer lucros retidos pela companhia ao longo do tempo. Capitalização composta: regime de capitalização de juros em que o montante inicial é acrescido de juros a cada período, para fins de cálculo dos juros dos períodos subsequentes. Capitalização simples: regime de capitalização de juros em que o montante inicial serve como base de cálculo para os juros de todos os períodos. Carência: prazo preestabelecido durante o qual o participante de um plano de previdência, ou investidor, não tem acesso aos seus recursos. Carta de recomendação: proposta elaborada pela área de Supervisão da ANBIMA para uma instituição participante visando à correção ou compensação de uma infração de pequeno potencial ofensivo. Certificado de Depósito Bancário (CDB): título de renda fixa que representa depósito a prazo realizado por investidores em uma instituição financeira. Clube de investimento: comunhão de recursos de pessoas físicas; é criado com o objetivo de investir no mercado de títulos e valores mobiliários. Deve ter no mínimo 3 e no máximo 50 cotistas e ao menos 67% do seu patrimônio líquido devem estar investidos em instrumentos de renda variável como ações. COAF: Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão ligado ao Banco Central que tem como missão produzir inteligência financeira e promover a proteção dos setores econômicos contra a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo. Colocação privada: venda de valores mobiliários emitidos por uma companhia para um grupo selecionado de investidores, sem que haja distribuição pública. Come-cotas: recolhimento semestral do Imposto de Renda (IR) incidente sobre os rendimentos obtidos nas aplicações em determinados fundos de investimento. Comitê de Política Monetária (COPOM): comitê criado no âmbito do Banco Central do Brasil e incumbido de implementar a política monetária, definir a meta para a Taxa Selic (e seu eventual viés) bem como analisar o Relatório de Inflação. É formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central. Commodities: palavra em inglês para mercadoria. No mercado financeiro e de capitais, geralmente refere-se a matérias-primas e produtos agrícolas, como minério de ferro, petróleo, carvão, sal, açúcar, café, soja, alumínio, cobre, arroz, trigo, ouro, prata, paládio e platina. Competências: poderes específicos dados a determinado agente para que cumpra as atribuições a ele designadas. Compliance: função de cumprimento das políticas, procedimentos, controles internos e regras estabelecidas pela regulação vigente. Cota: menor fração de um fundo de investimento. 31 GLOSSÁRIO Cotista: investidor de fundos de investimento. Crédito Privado: títulos de renda fixa de emissores (empresas) privados. Custos de transação: conceito econômico utilizado para representar o dispêndio de recursos necessários para participar de uma determinada transação, envolvendo, mas não se limitando ao custo de planejar, redigir, adaptar e monitorar o cumprimento de contratos, por exemplo. CRI: Certificados de Recebíveis Imobiliários. CTVM: sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que desempenham papel de intermediação de negócios entre os investidores e o mercado. São instituições autorizadas a operar em bolsa de valores, recebendo as ordens dos clientes e colocando as ofertas correspondentes no ambiente da bolsa. CVM: Comissão de Valores Mobiliários. Debêntures: títulos de renda fixa emitidos por sociedades por ações de capital aberto ou fechado; representam um direito de crédito do investidor sobre a companhia emissora. São consideradas “simples” quando não oferecem ao investidor a opção de conversão em ações (ver debêntures conversíveis). Debêntures conversíveis: conferem aos debenturistas a opção de convertê-las em ações da mesma empresa emissora das debêntures, a um preço pré-especificado, em datas determinadas ou durante um período de tempo. Debêntures incentivadas: títulos de renda fixa emitidos por companhias ou por sociedade de propósito específico para financiar investimentos, especialmente em áreas prioritárias para o Governo Federal; oferecem isenção de imposto de renda sobre seus rendimentos para investidores pessoas físicas e não residentes, desde que preencham os requisitos legais para receberem tal incentivo tributário. Debêntures permutáveis: conferem aos debenturistas a opção de convertê-las em ações de outra empresa que não a empresa emissora das debêntures, a um preço pré-especificado, em datas determinadas ou durante um período de tempo. Deflação: redução geral no nível de preços de uma economia. Corresponde a uma taxa de inflação negativa. Desdobramento: concessão de uma ou mais novas ações para cada ação existente; também conhecido como split. Dever de diligência: obrigação imposta a alguns agentes que operam em nome e benefício de terceiros de atuar com a prudência e o zelo que se esperariam de alguém na administração de seus próprios negócios. DI: Depósito Interfinanceiro. Direito creditório: direito a determinado crédito e títulos representativos deste direito. 32 GLOSSÁRIO Distribuidor: instituição financeira que tem como atividade principal ou acessória a intermediação de operações nos mercados regulamentados de títulos e valores mobiliários. Diversificação: técnica de alocação de capital em diferentes ativos, setores ou mercados, com o objetivo de reduzir a exposição do investidor ao risco particular de cada um dos ativos. Dívida externa: somatório dos débitos de um país, resultantes de empréstimos e financiamentos contraídos no exterior pelo próprio governo, por empresas estatais ou privadas. Dividendos: remuneração paga aos acionistas de uma companhia como distribuição parcial ou integral dos lucros obtidos em um exercício. DTVM: sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários. Desempenham papel similar às CTVM e são a elas equiparadas para todos os fins práticos. Ver CTVM. Economia de escala: eficiência econômica obtida por meio da intensificação de determinada atividade. Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPC): é a entidade ou sociedade seguradora autorizada a instituir planos de previdência complementar aberta. Estes podem ser individuais, quando contratados por qualquer pessoa, ou coletivos, quando garantem benefícios a indivíduos vinculados, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC): são conhecidas como fundos de pensão. São instituições sem fins lucrativos que mantêm planos de previdência coletivos, organizadas pelas empresas para seus empregados, com o objetivo de garantir pagamento de benefícios a seus participantes. Podem também ser organizadas por associações, sindicatos ou entidades de classes. Escritura de emissão: principal documento legal de uma emissão de debêntures, do qual constam todas as características dos títulos, incluindo prazo até o vencimento, taxa de remuneração, uso dos recursos e obrigações da companhia emissora. Fatores de risco: fatos ou condições que tornam a concretização de um problema mais provável. Fundo Garantidor de Crédito (FGC): entidade civil privada, sem fins lucrativos, criada em 1995 com o objetivo de administrar mecanismos de proteção aos credores de instituições financeiras. Oferece garantia para créditos de até R$ 250.000,00 por pessoa física ou jurídica, por conglomerado financeiro, limitado a R$ 1 milhão, a cada período de 4 anos, para garantias pagas para cada CPF ou CNPJ. FIDC: Fundo de Investimento em Direitos Creditórios. FII: Fundos de Investimento Imobiliários. Fonte da riqueza: maneira pela qual o patrimônio de um investidor foi ou é obtido. Fundo aberto: fundos que permitem a entrada (aplicação) e saída (resgate) de cotistas. 33 GLOSSÁRIO Fundo Exclusivo: fundo destinado exclusivamente a um único investidor profissional, nos termos da Regulação em vigor; Fundo de Investimento Especialmente Constituído (FIE): fundos cujos únicos cotistas são, direta ou indiretamente, sociedades seguradoras e entidades abertas de previdência complementar, cuja carteira seja composta em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na regulamentação que disciplina a aplicação dos recursos das reservas, das provisões e dos fundos das sociedades seguradoras, das sociedades de capitalização e das entidades abertas de previdência complementar. Fundo fechado: fundo em que a entrada (aplicação) e a saída (resgate) de cotistas não é permitida e que as cotas são resgatadas ao término do seu prazo de duração. Fundo Reservado: fundo destinado a um grupo determinado de investidores que tenham entre si vínculo familiar, societário ou que pertençam a um mesmo conglomerado ou grupo econômico, ou que, por escrito, determinem essa condição; Ganho de capital: representado pela diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra de um ativo. Gestão de Riscos: atividade de identificar, mensurar, avaliar, monitorar, reportar, controlar e mitigar os riscos atribuídos à atividade específica de uma determinada organização. Grupamento: é o inverso da operação de desdobramento e consiste na transformação de duas ou mais ações existentes em uma única ação nova; também conhecido como inplit. Hedge: operação que visa reduzir ou eliminar os riscos de oscilações inesperadas nos preços de ativos. Heterorregulação: atividade regulatória desenvolvida por um agente externo ao ambiente regulado. IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ibovespa: Índice da Bolsa de Valores de São Paulo. É o principal indicador de desempenho das empresas listadas na bolsa e composto pelas maiores e mais negociadas ações da B3 S.A. IBX: Índice Brasil. Índice que avalia o retorno de uma carteira composta pelas ações mais negociadas na B3 S.A., selecionadas pelo critério de liquidez e ponderadas pelo valor de mercado do free-float. Índice de referência: indicador que serve como base de comparação para a avaliação do desempenho relativo de um instrumento financeiro ou de uma carteira de ativos. Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M): índice de preços calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). É uma média ponderada de outros três índices da FGV: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA, com peso de 60%), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC, com peso de 30%) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC, com peso de 10%). 34 GLOSSÁRIO Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): índice de preços divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Busca medir a variação de preços de forma bastante ampla, contemplando os gastos de famílias cujo rendimento mensal seja de 1 a 40 salários mínimos e residentes em áreas urbanas. Inflação: conceito econômico que designa o aumento continuado e generalizado dos preços de bens e serviços. Instituição participante: as instituições que são associadas à ANBIMA ou que tenham aderido, voluntariamente, a qualquer um dos seus códigos de autorregulação. Instrução CVM: ato normativo regulatório emitido pela CVM. Intermediação financeira: a atividade de captar recursos dos agentes superavitários, mediante algum tipo de contrapartida, e disponibilizá-los para agentes deficitários, mediante a cobrança de juros. Investidores: agentes econômicos superavitários que buscam remuneração para seu capital por meio de aplicações em produtos financeiros. Investimento: aplicação de capital em meios de produção ou nos mercados financeiro e de capitais. IOF: Imposto sobre Operações Financeiras. IOSCO: International Organization of Securities Commissions (Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários). IPO: sigla do inglês Initial Public Offering. É a Oferta Pública Inicial de Ações, processo por meio do qual os investidores têm acesso a novas ações emitidas no mercado primário. IR: Imposto de Renda, conforme regulado pela Secretaria da Receita Federal. Juros sobre capital próprio: remuneração paga aos acionistas como distribuição de lucros retidos em exercícios anteriores. Letra de Crédito do Agronegócio (LCA): título de dívida emitido por instituição financeira e lastreado em créditos do agronegócio de propriedade da instituição emissora. Letra de Crédito Imobiliário (LCI): título de dívida emitido por instituição financeira e lastreado em créditos imobiliários de propriedade da instituição emissora. Letra do Tesouro Nacional (LTN): título público federal que oferece ao investidor um retorno predefinido (caso seja mantido até o seu vencimento) no momento da compra; não há pagamentos de juros periódicos e não há atualização do valor nominal por índice de preços 35 GLOSSÁRIO Letra Financeira do Tesouro (LFT): título público federal cuja rentabilidade é pós-fixada e dada pela Taxa Selic acumulada no período de investimento, acrescida de ágio ou deságio registrado no momento da compra do título; não há pagamento de juros periódicos ao investidor e não há atualização do valor nominal do título por índice de preços. Liquidez: grau de facilidade com que um ativo pode ser comprado ou vendido no mercado a um preço adequado ou justo. Marcação a mercado (MaM): atualização do preço de um ativo utilizando o preço verificado no mercado em determinado dia. Medida da riqueza: tamanho do patrimônio acumulado por um investidor. Mercado primário: mercado onde ocorrem os lançamentos de novas ações e títulos de renda fixa, para a primeira aquisição por parte de investidores. É nesse mercado que as empresas emissoras de valores mobiliários captam recursos para se financiar. Mercado secundário: mercado onde os ativos financeiros já existentes são negociados e transferidos entre investidores. Meta para a Taxa Selic: taxa de juros definida pelo Comitê de Política Monetária como objetivo para a taxa básica da economia. Nota de crédito: opinião resumida a respeito de um emissor ou de uma emissão de títulos de renda fixa, publicada por uma agência de classificação de risco. Também conhecida como rating. Nota do Tesouro Nacional Série B (NTN-B): título público federal cuja rentabilidade é composta por uma taxa de juros predefinida no momento da compra do título, acrescida da variação do IPCA; há pagamento de juros semestrais a uma taxa de cupom fixa de 6% a.a. Nota do Tesouro Nacional Série B Principal (NTN-B Principal): título público federal cuja rentabilidade é composta por uma taxa de juros predefinida no momento da compra do título, acrescida da variação do IPCA; não há pagamento de juros semestrais. Nota do Tesouro Nacional Série F (NTN-F): título público federal que oferece ao investidor uma rentabilidade fixa (caso o título seja mantido até o seu vencimento), definida no momento da compra; há pagamento de juros semestrais a uma taxa de cupom fixa de 10% a.a., sem atualização do valor nominal do título por índice de preços. Objetivo de retorno: taxa de retorno requerida e desejada pelo investidor. Objetivo de risco: tolerância do investidor ao risco, composta pela capacidade e pela disposição para assumir riscos. Oferta pública: modalidade de oferta regida pela Instrução CVM 400/03, que permite a ampla distribuição de valores mobiliários para o público investidor, desde que satisfeitas todas as exigências especificadas na norma. 36 GLOSSÁRIO Oferta pública com esforços restritos: modalidade de oferta regida pela Instrução CVM 476/09, que permite a distribuição de valores mobiliários para o público investidor de maneira restrita e com a liberação de algumas exigências impostas no caso de uma oferta ampla. Oferta pública primária: oferta em que as ações são ofertadas pela primeira vez. Os recursos captados são canalizados para a companhia emissora das ações. Oferta pública secundária: oferta em que as ações são ofertadas por atuais acionistas da companhia. Os recursos captados são canalizados para os acionistas que vendem suas ações, e não para a companhia emissora das ações. Operação compromissada: aplicação financeira por meio da qual o investidor adquire um título de renda fixa vendido por uma instituição financeira, que assume o compromisso de recompra do título em um prazo determinado. Ordem a mercado: em uma oferta de ações, ordem por meio da qual o investidor indica à instituição intermediária que deseja adquirir ações a qualquer que seja o preço final de lançamento. Ordem limitada: em uma oferta de ações, ordem por meio da qual o investidor comunica à instituição intermediária o preço máximo que deseja pagar por cada ação a ser adquirida. Participante: pessoa física que contrata ou, no caso de contratação sob a forma coletiva, adere a um plano de previdência complementar aberta. Perfil de personalidade: descrição das características pessoais e padrões de comportamento do investidor que podem influenciar suas decisões a respeito das diferentes alternativas de investimento. Perfil situacional: documento que resume as características do investidor e descreve