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Secretaria Municipal de Educação
do Rio de Janeiro - SME-RIO
Professor de Ensino Fundamental –
Anos Iniciais
Língua Portuguesa
1. Leitura e compreensão de textos variados. 2. Modos de organização do discurso: descritivo, narrativo,
argumentativo. ..................................................................................................................................................................... 1
3. Gêneros do discurso: definição, reconhecimento dos elementos básicos. ............................................................ 4
4. Coesão e coerência: mecanismos, efeitos de sentido no texto. ............................................................................... 7
5. Relação entre as partes do texto: causa, consequência, comparação, conclusão, exemplificação,
generalização, particularização. .................................................................................................................................... 11
6. Conectivos: classificação, uso, efeitos de sentido. .................................................................................................. 12
7. Verbos: pessoa, número, tempo e modo. 8. Vozes verbais. 9. Transitividade verbal e nominal. ................... 15
10. Estrutura, classificação e formação de palavras. .................................................................................................. 23
11. Metáfora, metonímia, hipérbole, eufemismo, antítese, ironia.12. Gradação, ênfase. ..................................... 25
13. Acentuação. ................................................................................................................................................................. 27
14. Pontuação: regras, efeitos de sentido. .................................................................................................................... 29
15. Recursos gráficos: regras, efeitos de sentido. ........................................................................................................ 30
Matemática
1. Números naturais: Sistema de numeração decimal. Ordens e classes ................................................................... 1
2. Números reais: Resolução de problemas envolvendo as operações de adição, subtração, multiplicação e
divisão .................................................................................................................................................................................... 3
3. Divisibilidade: Múltiplos e Divisores ............................................................................................................................ 4
4. Proporcionalidade: Regra de três simples e porcentagem ....................................................................................... 7
5. Sistema Legal de Medidas: Medidas de comprimento, área, volume, capacidade, massa e tempo ................ 12
6. Princípio Multiplicativo ............................................................................................................................................... 14
7. Volume do cubo e do paralelepípedo retângulo ...................................................................................................... 15
8. Conservação, redução ou ampliação de perímetros e áreas das principais figuras planas usando malhas
quadriculadas. Cálculo de áreas e perímetros ............................................................................................................. 17
9. Planificação de sólidos geométricos. 10. Identificação de arestas, vértices e faces de um sólido
geométrico .......................................................................................................................................................................... 22
11. Construção e interpretação de gráficos e tabelas ................................................................................................. 25
História
1. Transformações e permanências: tempo do indivíduo e o tempo social; tempo cronológico e tempo histórico,
características dos sistemas sociais e culturais, registro de tempo ao longo da história ....................................... 1
2. Ensino de História e direitos humanos: diferenças socioculturais que caracterizam os espaços sociais
(escola, a localidade, a cidade, o país e o mundo), reconhecimento, valorização e respeito aos direitos humanos
e à diversidade cultural como fundamentos da vida social; cidadania e tolerância; ensino de História para as
séries iniciais do Ensino Fundamental; a disciplina escolar e o saber histórico ...................................................... 6
3. Formação histórica brasileira: o estudo e a análise de situações históricas - o período da colonização,
processo de independência, período monárquico, a República, desenvolvimento e consolidação da
democracia, inserção no mundo globalizado - reconhecimento e valorização da diversidade, responsáveis pela
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construção das identidades individual e coletiva; perspectivas da construção do Brasil entre a cidadania e o
autoritarismo ..................................................................................................................................................................... 23
4. As relações sociais de trabalho ao longo da história: impactos da tecnologia nas transformações dos
processos de trabalho, relações entre trabalho e cidadania, trabalho urbano e trabalho rural; escravidão e
abolicionismo ..................................................................................................................................................................... 73
5. Rio de Janeiro: Espaço, sociedade, política e cultura no município do Rio de Janeiro ...................................... 83
Geografia
1. A Educação Geográfica e o Ensino Fundamental: o papel da Geografia na sociedade contemporânea e na
formação do indivíduo ........................................................................................................................................................ 1
2. Habilidades específicas para a alfabetização geográfica: lateralidade, proporção, temporalidade, percepção
sensorial, percepção do ambiente físico e da paisagem, percepção social e identitária e noções de sociedade,
cidadania, lugar, espaço e território .............................................................................................................................. 17
3. Os processos da dinâmica natural (geológicos, geomorfológicos, climáticos, hidrológicos, botânicos) e as
formas espaciais resultantes ........................................................................................................................................... 25
4. Fundamentos da Cartografia: orientação e localização, convenções, escalas, projeções, formas de
representação espacial e fusos horários ....................................................................................................................... 39
5. Fundamentos da Demografia: distribuição espacial da população, dinâmicas do crescimento demográfico,
estrutura populacional, movimentos populacionais, desigualdades socioeconômicas e questões étnicas e de
gênero .................................................................................................................................................................................. 50
6. O universo do trabalho: os setores da economia, as atividades econômicas, as profissões, a relação
cidade/campo .................................................................................................................................................................... 63
7. Sustentabilidade: aproveitamento econômico e gestão dos recursosnaturais, problemas ambientais
resultantes, iniciativas para a conservação do meio ambiente e responsabilidade social e individual ............ 74
8. As diferentes escalas de organização espacial e regional: residência, rua, bairro/comunidade,
cidade/munícipio, estado, regiões, país, continente e mundo .................................................................................. 92
Ciências
1. Educação em ciências: conteúdo e metodologia. 2. Alfabetização e letramento científico ................................. 1
3. Histórico do ensino de Ciências Naturais: fases e tendências dominantes. 4. Ciências Naturais e Cidadania 4
5. Ser humano e saúde ...................................................................................................................................................... 31
6. Matéria e Energia .......................................................................................................................................................... 60
7. Vida e Evolução ............................................................................................................................................................. 62
8. Terra e Universo ............................................................................................................................................................ 76
9. Recursos tecnológicos .................................................................................................................................................. 81
10. Estados físicos da matéria e mudanças de estado físico ...................................................................................... 88
11. Educação Ambiental no ensino fundamental ........................................................................................................ 90
12. A Pedagogia de Projetos no Ensino de Ciências .................................................................................................... 92
Fundamentos Teórico Metodológicos e Político Filosóficos
da Educação
Fundamentos Legais da Educação Brasileira: Lei Federal nº 9.394 de 20/12/1996 - Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Brasileira. ....................................................................................................................................................... 1
Diretrizes Curriculares Nacionais: Parecer 04 CNE/SEB/98 e Resoluções 02 CNE/SEB/98 e 01
CNE/SEB/06. ...................................................................................................................................................................... 15
Base Nacional Comum Curricular: Resolução CNE/CP Nº 2, de 22 de dezembro de 2017. ................................. 22
Lei Federal nº 10.793, de 01/12/2003 – Altera a redação do art. 26, § 3º, e do art. 92 da Lei 9.394/96, que
estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. ............................................................................................ 27
Lei Federal nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras
providências. ...................................................................................................................................................................... 28
Lei Federal nº 10.639/03 – Altera a Lei no 9.394,de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e
bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática
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"História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Lei Federal nº 11.114, de 16/05/05 – Altera os
artigos 6º, 30, 32 e 87 da Lei 9394/96, com o objetivo de tornar obrigatório o início do ensino fundamental
aos seis anos de idade. Lei Federal n° 11.274, de 06/05/06 - Altera a redação dos artigos. 29, 30, 32 e 87 da
Lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo
sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis)
anos de idade. Lei Federal nº 11.645, de 10/03/08 – Altera a Lei 9.394/96, modificada pela Lei 10.639/03, que
estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a
obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Lei Federal nº 12.976, de
04/04/2013 - Altera a Lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais da educação e dá outras providências... 42
Lei Federal nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Altera as Leis nos 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e 11.494, de 20 de junho 2007, que regulamenta o Fundo
de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, a
Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1º de maio de 1943, e o
Decreto-Lei no 236, de 28 de fevereiro de 1967; revoga a Lei n o 11.161, de 5 de agosto de 2005; e institui a
Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral. ................................... 43
Lei Federal nº 13.478, de 30 de agosto de 2017. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para estabelecer direito de acesso aos profissionais do magistério a
cursos de formação de professores, por meio de processo seletivo diferenciado. ............................................... 46
Resolução nº 4/10 - Define Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. ......................... 46
Resolução nº 7/10 Fixa Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos... ... 55
Resolução CNE/CP nº 2, de 22 de dezembro de 2017 - Institui e orienta a implantação da Base Nacional Comum
Curricular, a ser respeitada obrigatoriamente ao longo das etapas e respectivas modalidades no âmbito da
Educação Básica................................................................................................................................................................. 63
Parecer CNE/CEB nº 11/2010 que dispõe sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino
Fundamental de 9 (nove) anos. ...................................................................................................................................... 63
Fundamentos Teóricos da Educação: 1. Perspectiva Histórica da Educação. ........................................................ 79
2. Aspectos filosóficos e sociológicos da Educação. .................................................................................................... 89
3. Aspectos psicológicos do desenvolvimento humano e teorias da aprendizagem. .......................................... 109
4. Currículo. ...................................................................................................................................................................... 129
5. Concepções de aprendizagem na perspectiva históricocultural. ....................................................................... 140
6. Interdisciplinaridade. ................................................................................................................................................. 144
7. Letramento no cotidiano escolar. ............................................................................................................................. 148
Instrumentos Pedagógicos do Ensino e da Aprendizagem: 1. Projeto Político Pedagógico. ............................. 151
2. Planejamento. ..............................................................................................................................................................159
3. Avaliação: função, objetivos e modalidades. .......................................................................................................... 167
4. Projeto didático. .......................................................................................................................................................... 177
5. Metodologias de Ensino. ............................................................................................................................................ 181
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LÍNGUA PORTUGUESA
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 1
LEITURA
A leitura1 é prática de interação social de linguagem. A
leitura, como prática social, exige um leitor crítico que seja
capaz de mobilizar seus conhecimentos prévios, quer
linguísticos e textuais, quer de mundo, para preencher os
vazios do texto, construindo novos significados. Esse leitor
parte do já sabido/conhecido, mas, superando esse limite,
incorpora, de forma reflexiva, novos significados a seu
universo de conhecimento para melhor entender a realidade
em que vive.
Algumas estratégias de Leitura:
O professor como mediador e facilitador no processo
ensino-aprendizagem deve promover algumas estratégias de
leitura como, por exemplo, ativar o conhecimento prévio do
aluno por meio de determinadas perguntas que tenham
relação com o que vai ser lido, levar o aluno a distinguir o
essencial do que é pouco relevante, esquematizando uma
hierarquização, para construir o significado global do texto.
Para isso, é extremamente importante que o aluno saiba qual
é o objetivo da leitura, para poder avaliar e reformular, se
necessário, as ideias iniciais. Além disso, o professor pode
instigá-lo a interagir com o texto, criando expectativas ou,
ainda, fazendo previsões. Esses procedimentos, a princípio,
devem ser feitos com o auxílio do professor, o que mais tarde,
deve tornar-se um hábito no aluno. Nesse sentido, ao ensinar
a ler e compreender, o professor não impõe sua própria leitura
ou a do livro.
Solé ao destacar algumas das estratégias mais empregadas
nas aulas de leitura, destaca que, mesmo dentro das principais
estratégia mencionadas, pode-se apresentar ainda as
seguintes variações:
1) Os objetivos da leituras, dependendo da situação,
podem servir para: a) obter uma informação precisa; b) obter
uma informação de caráter geral; c) revisar um escrito próprio
para comunicação; e) praticar em voz alta; f) verificar o que se
compreendeu.
2) Em relação a ativar o conhecimento prévio pode: a) ser
dada uma explicação geral por parte da professora sobre o que
será lido; b) instigar o aluno a prestar atenção a determinados
aspectos do texto que podem ativar seu conhecimento; c)
incentivar os alunos a expor o que já sabem sobre o assunto
em discussão com o grande grupo.
3) Estabelecer previsões sobre o texto seria formular
hipóteses sobre a continuidade textual. Nessa atividade,
sugere-se omitir a sequência do texto e solicitar aos alunos que
formulem hipóteses.
4) Incentivar os alunos a fazerem perguntas pertinentes
sobre o texto, as quais devem ser reformuladas, se necessário,
pelo professor. Eles devem ser instigados, paulatinamente, a
1
http://www.ufmt.br/ufmt/unidade/userfiles/publicacoes/87371cd65b68bfbc63
b1147f67cbaa11.pdf
fazer seus próprios questionamentos, o que implica auto
direcionamento.
Tipos de Leitura:
- Pré-Leitura:
A Pré-leitura ou scanning tem a função de realizar um
reconhecimento exploratório preliminar da leitura, é uma
passagem visual rápida pelo texto sem a pretensão da fixação
ou da compreensão plena do escrito.
- Leitura Fragmentada:
Muitas pessoas afirmam que não gostam de ler porque isso
lhes causa fadiga, ou ao terminar um texto não conseguem
compreender seu conteúdo, acham-se dispersas,
desconcentradas e sentem que não houve um aproveitamento
satisfatório das informações contidas nesses escritos.
Isso acontece por diversas razões, à principal ocorre pela
falta de disciplina e continuidade que esse costume exige.
Dessa forma a pessoa lê, compreende as palavras uma a uma:
separadamente, mas não conseguem associar o sentido na
construção das frases, parágrafos e por fim o texto.
Com a dificuldade presente nessa associação de palavras,
frases e parágrafos as mensagens e as informações ali contidas
perdem seu senso e o escrito vira um emaranhado literário
incompreensível e enfadonho: é o ler sem compreender.
- Leitura Integral:
É a forma de ler com plena compreensão e interpretação
do que está escrito. Esse tipo de leitura é caracterizado pelo
amadurecimento e pela condição disciplinar alcançada pelo
cérebro no exercício contínuo e perseverante do ato de ler e
que eleva de forma eficaz o condicionamento intelectual.
Nessa fase o indivíduo tem a capacidade de associar
perfeitamente as frases e parágrafos, compreender
sistematicamente e de forma coerente todo conteúdo,
inclusive com a condição de memorizar ou absorver
determinados trechos, frases ou citações.
- Leitura Dinâmica:
São utilizados métodos e técnicas de leitura que permitem
a decifração substanciada, instantânea e em blocos de um juízo
ou pensamento na forma integral, evitando-se, portanto, a
decifração de uma cadência de ideias sequenciadas e linear,
como se dá geralmente na leitura comum.
Conhecida também como leitura rápida, leitura acelerada,
ou nos casos mais avançados: a leitura fotográfica. Aleitura
dinâmica tem como característica primordial a forma
diferenciada da entrada de informações em nossa base neural
de conhecimentos.
COMPREENSÃO DO TEXTO
Há duas operações diferentes no entendimento de um
texto. A primeira é a apreensão, que é a captação das relações
que cada parte mantém com as outras no interior do texto. No
entanto, ela não é suficiente para entender o sentido integral.
Uma pessoa que conhecesse todas as palavras do texto, mas
não conhecesse o universo dos discursos, não entenderia o
significado do mesmo. Por isso, é preciso colocar o texto
dentro do universo discursivo a que ele pertence e no interior
do qual ganha sentido. Alguns teóricos chamam o universo
discursivo de “conhecimento de mundo”, mas chamaremos essa
operação de compreensão.
E assim teremos:
Apreensão + Compreensão = Entendimento do texto
http://alb.com.br/arquivo-
morto/edicoes_anteriores/anais16/sem03pdf/sm03ss07_05.pdf
1. Leitura e compreensão
de textos variados. 2. Modos
de organização do discurso:
descritivo, narrativo,
argumentativo.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 2
Para ler e entender um texto é preciso atingir dois níveis
de leitura, sendo a primeira a informativa e a segunda à de
reconhecimento.
A primeira deve ser feita cuidadosamente por ser o
primeiro contato com o texto, extraindo-se informações e se
preparando para a leitura interpretativa. Durante a
interpretação grife palavras-chave, passagens importantes;
tente ligar uma palavra à ideia central de cada parágrafo.
A última fase de interpretação concentra-se nas perguntas
e opções de respostas. Marque palavras como não, exceto,
respectivamente, etc., pois fazem diferença na escolha
adequada.
Retorne ao texto mesmo que pareça ser perda de tempo.
Leia a frase anterior e posterior para ter ideia do sentido global
proposto pelo autor.
Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias
seletas e organizadas, através dos parágrafos que é composto
pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a
conclusão do texto.
A alusão histórica serve para dividir o texto em pontos
menores, tendo em vista os diversos enfoques.
Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da
mudança de linha e um espaçamento da margem esquerda.
Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico
frasal, ou seja, a ideia central extraída de maneira clara e
resumida.
Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo,
asseguramos um caminho que nos levará à compreensão do
texto.
Produzir um texto é semelhante à arte de produzir um
tecido, o fio deve ser trabalhado com muito cuidado para que
o trabalho não se perca. Por isso se faz necessária a
compressão da coesão e coerência.
Coesão
É a amarração entre as várias partes do texto. Os principais
elementos de coesão são os conectivos e vocábulos
gramaticais, que estabelecem conexão entre palavras ou
partes de uma frase. O texto deve ser organizado por nexos
adequados, com sequência de ideias encadeadas logicamente,
evitando frases e períodos desconexos. Para perceber a falta
de coesão, a melhor atitude é ler atentamente o seu texto,
procurando estabelecer as possíveis relações entre palavras
que formam a oração e as orações que formam o período e,
finalmente, entre os vários períodos que formam o texto. Um
texto bem trabalhado sintática e semanticamente resulta num
texto coeso.
Coerência
A coerência está diretamente ligada à possibilidade de
estabelecer um sentido para o texto, ou seja, ela é que faz com
que o texto tenha sentido para quem lê. Na avaliação da
coerência será levado em conta o tipo de texto. Em um texto
dissertativo, será avaliada a capacidade de relacionar os
argumentos e de organizá-los de forma a extrair deles
conclusões apropriadas; num texto narrativo, será avaliada
sua capacidade de construir personagens e de relacionar ações
e motivações.
Tipos de Composição
Descrição: é representar verbalmente um objeto, uma
pessoa, um lugar, mediante a indicação de aspectos
característicos, de pormenores individualizantes. Requer
observação cuidadosa, para tornar aquilo que vai ser descrito
um modelo inconfundível. Não se trata de enumerar uma série
de elementos, mas de captar os traços capazes de transmitir
uma impressão autêntica. Descrever é mais que apontar, é
muito mais que fotografar. É pintar, é criar. Por isso, impõe-se
o uso de palavras específicas, exatas.
Narração: é um relato organizado de acontecimentos reais
ou imaginários. São seus elementos constitutivos:
personagens, circunstâncias, ação; o seu núcleo é o incidente,
o episódio, e o que a distingue da descrição é a presença de
personagens atuantes, que estão quase sempre em conflito. A
narração envolve:
- Quem? Personagem;
- Quê? Fatos, enredo;
- Quando? A época em que ocorreram os acontecimentos;
- Onde? O lugar da ocorrência;
- Como? O modo como se desenvolveram os
acontecimentos;
- Por quê? A causa dos acontecimentos;
Dissertação: é apresentar ideias, analisá-las, é estabelecer
um ponto de vista baseado em argumentos lógicos; é
estabelecer relações de causa e efeito. Aqui não basta expor,
narrar ou descrever, é necessário explanar e explicar. O
raciocínio é que deve imperar neste tipo de composição, e
quanto maior a fundamentação argumentativa, mais brilhante
será o desempenho.
Sentidos Próprio e Figurado
Comumente afirma-se que certas ocorrências de discurso
têm sentido próprio e sentido figurado. Geralmente os
exemplos de tais ocorrências são metáforas. Assim, em “Maria
é uma flor” diz-se que “flor” tem um sentido próprio e um
sentido figurado. O sentido próprio é o mesmo do enunciado:
“parte do vegetal que gera a semente”. O sentido figurado é o
mesmo de “Maria, mulher bela, etc.” O sentido próprio, na
acepção tradicional não é próprio ao contexto, mas ao termo.
O sentido tradicionalmente dito próprio sempre
corresponde ao que definimos aqui como sentido imediato do
enunciado. Além disso, alguns autores o julgam como sendo o
sentido preferencial, o que comumente ocorre.
O sentido dito figurado é o do enunciado que substitui a
metáfora, e que em leitura imediata leva à mesma mensagem
que se obtém pela decifração da metáfora.
O conceito de sentido próprio nasce do mito da existência
da leitura ingênua, que ocorre esporadicamente, é verdade,
mas nunca mais que esporadicamente.
Não há muito que criticar na adoção dos conceitos de
sentido próprio e sentido figurado, pois ela abre um caminho
de abordagem do fenômeno da metáfora. O que é passível de
crítica é a atribuição de status diferenciado para cada uma das
categorias. Tradicionalmente o sentido próprio carrega uma
conotação de sentido “natural”, sentido “primeiro”.
Invertendo a perspectiva, com os mesmos argumentos,
poderíamos afirmar que “natural”, “primeiro” é o sentido
figurado, afinal, é o sentido figurado que possibilita a correta
interpretação do enunciado e não o sentido próprio. Se o
sentido figurado é o “verdadeiro” para o enunciado, por que
não chamá-lo de “natural”, “primeiro”?
Pela lógica da Retórica tradicional, essa inversão de
perspectiva não é possível, pois o sentido figurado está
impregnado de uma conotação desfavorável. O sentido
figurado é visto como anormal e o sentido próprio, não. Ele
carrega uma conotação positiva, logo, é natural, primeiro.
A Retórica tradicional é impregnada de moralismo e
estetização e até a geração de categorias se ressente disso.
Essa tendência para atribuir status às categorias é uma
constante do pensamento antigo, cuja índole era
hierarquizante, semprebuscando uma estrutura piramidal
para o conhecimento, o que se estende até hoje em algumas
teorias modernas.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 3
Ainda hoje, apesar da imparcialidade típica e necessária ao
conhecimento científico, vemos conotações de valor sendo
atribuídas a categorias retóricas a partir de considerações
totalmente externas a ela. Um exemplo: o retórico que tenha
para si a convicção de que a qualidade de qualquer discurso se
fundamenta na sua novidade, originalidade, imprevisibilidade,
tenderá a descrever os recursos retóricos como “desvios da
normalidade”, pois o que lhe interessa é pôr esses recursos
retóricos a serviço de sua concepção estética.
Sentido Imediato
Sentido imediato é o que resulta de uma leitura imediata
que, com certa reserva, poderia ser chamada de leitura
ingênua ou leitura de máquina de ler.
Uma leitura imediata é aquela em que se supõe a existência
de uma série de premissas que restringem a decodificação tais
como:
- As frases seguem modelos completos de oração da língua.
- O discurso é lógico.
- Se a forma usada no discurso é a mesma usada para
estabelecer identidades lógicas ou atribuições, então, tem-se,
respectivamente, identidade lógica e atribuição.
- Os significados são os encontrados no dicionário.
- Existe concordância entre termos sintáticos.
- Abstrai-se a conotação.
- Supõe-se que não há anomalias linguísticas.
- Abstrai-se o gestual, o entoativo e editorial enquanto
modificadores do código linguístico.
- Supõe-se pertinência ao contexto.
- Abstrai-se iconias.
- Abstrai-se alegorias, ironias, paráfrases, trocadilhos, etc.
- Não se concebe a existência de locuções e frases feitas.
- Supõe-se que o uso do discurso é comunicativo. Abstrai-
se o uso expressivo, cerimonial.
Admitindo essas premissas, o discurso será indecifrável,
ininteligível ou compreendido parcialmente toda vez que nele
surgirem elipses, metáforas, metonímias, oximoros, ironias,
alegorias, anomalias, etc. Também passam despercebidas as
conotações, as iconias, os modificadores gestuais, entoativos,
editoriais, etc.
Na verdade, não existe o leitor absolutamente ingênuo, que
se comporte como uma máquina de ler, o que faz do conceito
de leitura imediata apenas um pressuposto metodológico. O
que existe são ocorrências eventuais que se aproximam de
uma leitura imediata, como quando alguém toma o sentido
literal pelo figurado, quando não capta uma ironia ou fica
perplexo diante de um oximoro.
Há quem chame o discurso que admite leitura imediata de
grau zero da escritura, identificando-a como uma forma mais
primitiva de expressão. Esse grau zero não tem realidade, é
apenas um pressuposto. Os recursos de Retórica são
anteriores a ele.
Sentido Preferencial
Para compreender o sentido preferencial é preciso
conceber o enunciado descontextualizado ou em contexto de
dicionário. Quando um enunciado é realizado em contexto
muito rarefeito, como é o contexto em que se encontra uma
palavra no dicionário, dizemos que ela está
descontextualizada. Nesta situação, o sentido preferencial é o
que, na média, primeiro se impõe para o enunciado. Óbvio, o
sentido que primeiro se impõe para um receptor pode não ser
o mesmo para outro. Por isso a definição tem de considerar o
resultado médio, o que não impede que pela necessidade
momentânea consideremos o significado preferencial para
dado indivíduo.
Algumas regularidades podem ser observadas nos
significados preferenciais. Por exemplo: o sentido preferencial
da palavra porco costuma ser: “animal criado em granja para
abate”, e nunca o de “indivíduo sem higiene”. Em outras
palavras, geralmente o sentido que admite leitura imediata se
impõe sobre o que teve origem em processos metafóricos,
alegóricos, metonímicos. Mas esta regra não é geral. Vejamos
o seguinte exemplo: “Um caminhão de cimento”. O sentido
preferencial para a frase dada é o mesmo de “caminhão
carregado com cimento” e não o de “caminhão construído com
cimento”. Neste caso o sentido preferencial é o metonímico, o
que contrapõe a tese que diz que o sentido “figurado” não é o
“primeiro significado da palavra”. Também é comum o sentido
mais usado se impor sobre o menos usado.
Para certos termos é difícil estabelecer o sentido
preferencial. Um exemplo: Qual o sentido preferencial de
manga? O de fruto ou de uma parte da roupa?
Questões
01. (SEDS/PE - Sargento Polícia Militar -
MS/CONCURSOS) O preenchimento adequado da manchete:
“Pelé afirma que a seleção está bem, ______Portugal e Espanha
também estão bem preparadas.” faz parte de um recurso de:
(A) Adequação vocabular.
(B) Falta de coesão.
(C) Incoerência.
(D) Coesão.
(E) Coerência.
02. (SEDUC/PI - Professor - NUCEP) O sentido da frase:
Equivale dizer, ainda, que nós somos sujeitos de nossa história
e de nossa realidade, considerando-se a palavra destacada,
continuará inalterado, em:
(A) Equivale dizer, talvez, que nós somos sujeitos de nossa
história e de nossa realidade.
(B) Equivale dizer, por outro lado, que nós somos sujeitos
de nossa história e de nossa realidade.
(C) Equivale dizer, preferencialmente, que nós somos
sujeitos de nossa história e de nossa realidade.
(D) Equivale dizer, novamente, que nós somos sujeitos de
nossa história e de nossa realidade.
(E) Equivale dizer, também, que nós somos sujeitos de
nossa história e de nossa realidade.
03. (TJ/SP - Agente de Fiscalização Judiciária -
VUNESP)
No fim da década de 90, atormentado pelos chás de cadeira
que enfrentou no Brasil, Levine resolveu fazer um
levantamento em grandes cidades de 31 países para descobrir
como diferentes culturas lidam com a questão do tempo. A
conclusão foi que os brasileiros estão entre os povos mais
atrasados - do ponto de vista temporal, bem entendido - do
mundo. Foram analisadas a velocidade com que as pessoas
percorrem determinada distância a pé no centro da cidade, o
número de relógios corretamente ajustados e a eficiência dos
correios. Os brasileiros pontuaram muito mal nos dois
primeiros quesitos. No ranking geral, os suíços ocupam o
primeiro lugar. O país dos relógios é, portanto, o que tem o
povo mais pontual. Já as oito últimas posições no ranking são
ocupadas por países pobres.
O estudo de Robert Levine associa a administração do
tempo aos traços culturais de um país. "Nos Estados Unidos,
por exemplo, a ideia de que tempo é dinheiro tem um alto valor
cultural. Os brasileiros, em comparação, dão mais importância
às relações sociais e são mais dispostos a perdoar atrasos", diz
o psicólogo. Uma série de entrevistas com cariocas, por
exemplo, revelou que a maioria considera aceitável que um
convidado chegue mais de duas horas depois do combinado a
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 4
uma festa de aniversário. Pode-se argumentar que os
brasileiros são obrigados a ser mais flexíveis com os horários
porque a infraestrutura não ajuda. Como ser pontual se o
trânsito é um pesadelo e não se pode confiar no transporte
público?
(Veja, 2009.)
Há emprego do sentido figurado das palavras em:
(A) ... os brasileiros estão entre os povos mais atrasados...
(B) No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro lugar.
(C) Os brasileiros ... dão mais importância às relações
sociais...
(D) Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo...
(E) ... não se pode confiar no serviço público?
04. (UNESP - Assistente Administrativo -
VUNESP/2016)
O gavião
Gente olhando parao céu: não é mais disco voador. Disco
voador perdeu o cartaz com tanto satélite beirando o sol e a
lua. Olhamos todos para o céu em busca de algo mais
sensacional e comovente – o gavião malvado, que mata
pombas.
O centro da cidade do Rio de Janeiro retorna assim à
contemplação de um drama bem antigo, e há o partido das
pombas e o partido do gavião. Os pombistas ou pombeiros
(qualquer palavra é melhor que “columbófilo”) querem matar
o gavião. Os amigos deste dizem que ele não é malvado tal; na
verdade come a sua pombinha com a mesma inocência com
que a pomba come seu grão de milho.
Não tomarei partido; admiro a túrgida inocência das
pombas e também o lance magnífico em que o gavião se
despenca sobre uma delas. Comer pombas é, como diria Saint-
Exupéry, “a verdade do gavião”, mas matar um gavião no ar
com um belo tiro pode também ser a verdade do caçador.
Que o gavião mate a pomba e o homem mate alegremente
o gavião; ao homem, se não houver outro bicho que o mate,
pode lhe suceder que ele encontre seu gavião em outro
homem.
(Rubem Braga. Ai de ti, Copacabana, 1999)
O termo gavião, destacado em sua última ocorrência no
texto – … pode lhe suceder que ele encontre seu gavião em
outro homem. –, é empregado com sentido:
(A) próprio, equivalendo a inspiração.
(B) próprio, equivalendo a conquistador.
(C) figurado, equivalendo a ave de rapina.
(D) figurado, equivalendo a alimento.
(E) figurado, equivalendo a predador.
Gabarito
01.D / 02.E / 03.D / 04.E
GÊNEROS TEXTUAIS
Os gêneros textuais são classificados conforme as
características comuns que os textos apresentam em relação à
linguagem e ao conteúdo.
2 https://www.todamateria.com.br/generos-textuais/
Existem muitos gêneros textuais, os quais promovem uma
interação entre os interlocutores (emissor e receptor) de
determinado discurso.
São exemplos resenha crítica jornalística, publicidade,
receita de bolo, menu do restaurante, bilhete ou lista de
supermercado.
É importante considerar seu contexto, função e finalidade,
pois o gênero textual pode conter mais de um tipo textual. Isso,
por exemplo, quer dizer que uma receita de bolo apresenta a
lista de ingredientes necessários (texto descritivo) e o modo
de preparo (texto injuntivo).2
Distinguindo
É essencial saber distinguir o que é gênero textual, gênero
literário e tipo textual. Cada uma dessas classificações é
referente aos textos, porém é preciso ter atenção, cada uma
possui um significado totalmente diferente da outra. Veja uma
breve descrição do que é um gênero literário e um tipo textual:
Gênero Literário - é classificado de acordo com a sua
forma, podendo ser do gênero líricos, dramático, épico,
narrativo e etc.
Tipo Textual - este é a forma como o texto se apresenta,
podendo ser classificado como narrativo, argumentativo,
dissertativo, descritivo, informativo ou injuntivo. Cada uma
dessas classificações varia de acordo como o texto se
apresenta e com a finalidade para o qual foi escrito.
Tipos de Gêneros Textuais
Cada texto possuiu uma linguagem e estrutura. Note que
existem inúmeros gêneros textuais dentro das categorias
tipológicas de texto. Em outras palavras, gêneros textuais são
estruturas textuais peculiares que surgem dos tipos de textos:
narrativo, descritivo, dissertativo-argumentativo, expositivo e
injuntivo.
Texto Narrativo
Os textos narrativos apresentam ações de personagens no
tempo e no espaço. A estrutura da narração é dividida em:
apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho.
Alguns exemplos de gêneros textuais narrativos:
• Romance
• Novela
• Crônica
• Contos de Fada
• Fábula
• Lendas
Texto Descritivo
Os textos descritivos se ocupam de relatar e expor
determinada pessoa, objeto, lugar, acontecimento. Dessa
forma, são textos repletos de adjetivos, os quais descrevem ou
apresentam imagens a partir das percepções sensoriais do
locutor (emissor).
São exemplos de gêneros textuais descritivos:
• Diário
• Relatos (viagens, históricos, etc.)
• Biografia e autobiografia
• Notícia
• Currículo
• Lista de compras
• Cardápio
• Anúncios de classificados
3. Gêneros do discurso:
definição, reconhecimento dos
elementos básicos.
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Língua Portuguesa 5
Texto Dissertativo-Argumentativo
Os textos dissertativos são aqueles encarregados de expor
um tema ou assunto por meio de argumentações. São
marcados pela defesa de um ponto de vista, ao mesmo tempo
que tentam persuadir o leitor. Sua estrutura textual é dividida
em três partes: tese (apresentação), antítese
(desenvolvimento), nova tese (conclusão).
Exemplos de gêneros textuais dissertativos:
• Editorial Jornalístico
• Carta de opinião
• Resenha
• Artigo
• Ensaio
• Monografia, dissertação de mestrado e tese de doutorado
Texto Expositivo
Os textos expositivos possuem a função de expor
determinada ideia, por meio de recursos como: definição,
conceituação, informação, descrição e comparação.
Alguns exemplos de gêneros textuais expositivos:
• Seminários
• Palestras
• Conferências
• Entrevistas
• Trabalhos acadêmicos
• Enciclopédia
• Verbetes de dicionários
Texto Injuntivo
O texto injuntivo, também chamado de texto instrucional,
é aquele que indica uma ordem, de modo que o locutor
(emissor) objetiva orientar e persuadir o interlocutor
(receptor). Por isso, apresentam, na maioria dos casos, verbos
no imperativo.
Alguns exemplos de gêneros textuais injuntivos:
• Propaganda
• Receita culinária
• Bula de remédio
• Manual de instruções
• Regulamento
• Textos prescritivos
Outros Exemplos
Carta
Esta, dependendo do destinatário pode ser informal,
quando é destinada a algum amigo ou pessoa com quem se tem
intimidade. E formal quando destinada a alguém mais culto ou
que não se tenha intimidade.
Dependendo do objetivo da carta a mesma terá diferentes
estilos de escrita, podendo ser dissertativa, narrativa ou
descritiva. As cartas se iniciam com a data, em seguida vem a
saudação, o corpo da carta e para finalizar a despedida.
Propaganda
Este gênero geralmente aparece na forma oral, diferente
da maioria dos outros gêneros. Suas principais características
são a linguagem argumentativa e expositiva, pois a intenção da
propaganda é fazer com que o destinatário se interesse pelo
produto da propaganda. O texto pode conter algum tipo de
descrição e sempre é claro e objetivo.
3 CEREJA, William Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar. Texto e interação.
São Paulo, Atual Editora, 2000
Notícia
Este é um dos tipos de texto que é mais fácil de identificar.
Sua linguagem é narrativa e descritiva e o objetivo desse texto
é informar algo que aconteceu.
A notícia é um dos principais tipos de textos jornalísticos
existentes e tem como intenção nos informar acerca de
determinada ocorrência. Bastante recorrente nos meios de
comunicação em geral, seja na televisão, em sites pela internet
ou impresso em jornais ou revistas.
Caracteriza-se por apresentar uma linguagem simples,
clara, objetiva e precisa, pautando-se no relato de fatos que
interessam ao público em geral. A linguagem é clara, precisa e
objetiva, uma vez que se trata de uma informação.
Editorial
O editorial é um tipo de texto jornalístico que geralmente
aparece no início das colunas. Diferente dos outros textos que
compõem um jornal, de caráter informativo, os editoriais são
textos opinativos.
Embora sejam textos de caráter subjetivo,podem
apresentar certa objetividade. Isso porque são os editoriais
que apresentam os assuntos que serão abordados em cada
seção do jornal, ou seja, Política, Economia, Cultura, Esporte,
Turismo, País, Cidade, Classificados, entre outros.
Os textos são organizados pelos editorialistas, que
expressam as opiniões da equipe e, por isso, não recebem a
assinatura do autor. No geral, eles apresentam a opinião do
meio de comunicação (revista, jornal, rádio, etc.).
Tanto nos jornais como nas revistas podemos encontrar os
editoriais intitulados como “Carta ao Leitor” ou “Carta do
Editor”.
Em relação ao discurso apresentado, esse costuma se
apoiar em fatos polêmicos ligados ao cotidiano social. E
quando falamos em discurso, logo nos atemos à questão da
linguagem que, mesmo em se tratando de impressões
pessoais, o predomínio do padrão formal, fazendo com que
prevaleça o emprego da 3ª pessoa do singular, ocupa lugar de
destaque.
Reportagem
Reportagem é um texto jornalístico amplamente divulgado
nos meios de comunicação de massa. A reportagem informa,
de modo mais aprofundado, fatos de interesse público. Ela
situa-se no questionamento de causa e efeito, na interpretação
e no impacto, somando as diferentes versões de um mesmo
acontecimento.
A reportagem não possui uma estrutura rígida, mas
geralmente costuma estabelecer conexões com o fato central,
anunciado no que chamamos de lead. A partir daí, desenvolve-
se a narrativa do fato principal, ampliada e composta por meio
de citações, trechos de entrevistas, depoimentos, dados
estatísticos, pequenos resumos, dentre outros recursos. É
sempre iniciada por um título, como todo texto jornalístico.
O objetivo de uma reportagem é apresentar ao leitor várias
versões para um mesmo fato, informando-o, orientando-o e
contribuindo para formar sua opinião.
A linguagem utilizada nesse tipo de texto é objetiva,
dinâmica e clara, ajustada ao padrão linguístico divulgado nos
meios de comunicação de massa, que se caracteriza como uma
linguagem acessível a todos os públicos, mas pode variar de
formal para mais informal dependendo do público a que se
destina. Embora seja impessoal, às vezes é possível perceber a
opinião do repórter sobre os fatos ou sua interpretação.3
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Língua Portuguesa 6
Gêneros Textuais e Gêneros Literários
Conforme o próprio nome indica, os gêneros textuais se
referem a qualquer tipo de texto, enquanto os gêneros
literários se referem apenas aos textos literários.
Os gêneros literários são divisões feitas segundo
características formais comuns em obras literárias,
agrupando-as conforme critérios estruturais, contextuais e
semânticos, entre outros.
- Gênero lírico;
- Gênero épico ou narrativo;
- Gênero dramático.
Gênero Lírico
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no
poema e que nem sempre corresponde à do autor) exprime
suas emoções, ideias e impressões em face do mundo exterior.
Normalmente os pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e
há o predomínio da função emotiva da linguagem.
Elegia
Um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a
morte é elevada como o ponto máximo do texto. O emissor
expressa tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte.
É um poema melancólico. Um bom exemplo é a peça Roan e
Yufa, de William Shakespeare.
Epitalâmia
Um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites
românticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de
epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.
Ode (ou hino)
É o poema lírico em que o emissor faz uma homenagem à
pátria (e aos seus símbolos), às divindades, à mulher amada,
ou a alguém ou algo importante para ele. O hino é uma ode com
acompanhamento musical.
Idílio (ou écloga)
Poema lírico em que o emissor expressa uma homenagem
à natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao homem. É o
poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de desfrutar de
tais belezas e riquezas ao lado da amada (pastora), que
enriquece ainda mais a paisagem, espaço ideal para a paixão.
A écloga é um idílio com diálogos (muito rara).
Sátira
É o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém
ou a algo, em tom sério ou irônico. Tem um forte sarcasmo,
pode abordar críticas sociais, a costumes de determinada
época, assuntos políticos, ou pessoas de relevância social.
Acalanto
Canção de ninar.
Acróstico
Composição lírica na qual as letras iniciais de cada verso
formam uma palavra ou frase. Ex.:
Amigos são
Muitas vezes os
Irmãos que escolhemos.
Zelosos, eles nos
Ajudam e
Dedicam-se por nós, para que nossa relação seja verdadeira
e
Eterna
https://www.todamateria.com.br/acrostico/
Balada
Uma das mais primitivas manifestações poéticas, são
cantigas de amigo (elegias) com ritmo característico e refrão
vocal que se destinam à dança.
Canção (ou Cantiga, Trova)
Poema oral com acompanhamento musical.
Gazal (ou Gazel)
Poesia amorosa dos persas e árabes; odes do oriente
médio.
Soneto
É um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois
quartetos e dois tercetos.
Vilancete
São as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de
escárnio e de maldizer); satíricas, portanto.
Gênero Épico ou Narrativo
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários
reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o dramático. Com
o passar dos anos, o gênero épico passou a ser considerado
apenas uma variante do gênero literário narrativo, devido ao
surgimento de concepções de prosa com características
diferentes: o romance, a novela, o conto, a crônica, a fábula.
Épico (ou Epopeia)
Os textos épicos são geralmente longos e narram histórias
de um povo ou de uma nação, envolvem aventuras, guerras,
viagens, gestos heroicos, etc. Normalmente apresentam um
tom de exaltação, isto é, de valorização de seus heróis e seus
feitos. Dois exemplos são Os Lusíadas, de Luís de Camões,
e Odisseia, de Homero.
Ensaio
É um texto literário breve, situado entre o poético e o
didático, expondo ideias, críticas e reflexões morais e
filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais
flexível que o tratado.
Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e
subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, político,
social, cultural, moral, comportamental, etc.), sem que se paute
em formalidades como documentos ou provas empíricas ou
dedutivas de caráter científico. Exemplo: Ensaio sobre a
tolerância, de John Locke.
Gênero Dramático
Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro.
Nesse tipo de texto, não há um narrador contando a história.
Ela “acontece” no palco, ou seja, é representada por atores, que
assumem os papéis das personagens nas cenas.
Tragédia
É a representação de um fato trágico, suscetível de
provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a
tragédia era "uma representação duma ação grave, de alguma
extensão e completa, em linguagem figurada, com atores
agindo, não narrando, inspirando dó e terror". Ex.: Romeu e
Julieta, de Shakespeare.
Farsa
A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao emprego
de processos como o absurdo, as incongruências, os equívocos,
a caricatura, o humor primário, as situações ridículas e, em
especial, o engano.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 7
Comédia
É a representação de um fato inspirado na vida e no
sentimento comum, de riso fácil. Sua origem gregaestá ligada
às festas populares.
Tragicomédia
Modalidade em que se misturam elementos trágicos e
cômicos. Originalmente, significava a mistura do real com o
imaginário.
Poesia de cordel
Texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com forte
apelo linguístico e cultural nordestinos, fatos diversos da
sociedade e da realidade vivida por este povo.
Questões
01. (Pref. Teresina/PI - Professor de Língua
Portuguesa - NUCEPE/2016) Ainda sobre gênero, é correto
afirmar que uma característica predominante nos gêneros
textuais é a:
(A) forma linguística.
(B) clareza das ideias.
(C) função sociocomunicativa.
(D) assunto temático.
(E) correção gramatical.
02. (MPE/GO - Secretário Auxiliar - 2018)
A Outra Noite
Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite
de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para
casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e
contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar
lindo, de Lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade
eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas,
uma paisagem irreal.
Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer
aproveitou um sinal fechado para voltar-se para mim:
– O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua
conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?
Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e
torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.
– Mas, que coisa...
Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu
fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente.
Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.
– Ora, sim senhor...
E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa
noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão
veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.
(Rubem Braga, Ai, Copacabana, disponível em
http://biscoitocafeenovela.blogspot.com.br/2014/09/sessao-
leitura-outra-noite-rubembraga.html. Acesso em 14/01/2018)
Quanto ao gênero, o texto sob análise apresenta
características de:
(A) Uma crônica.
(B) Uma fábula.
(C) Um artigo.
(D) Um ensaio.
(E) Nenhuma das alternativas.
03. (SEE/PE - Professor - FGV/2016) Os diversos
gêneros textuais destacam uma qualificação predominante
para cada enunciador; em um texto informativo, por exemplo,
o enunciador tem como marca específica
(A) o interesse de convencimento.
(B) o domínio de um conhecimento.
(C) a necessidade de expressão de uma emoção.
(D) a condição de prever conhecimentos futuros.
(E) o objetivo de ensinar procedimentos.
04 (IF/PA - Professor - Letras - IF/PA/2015) A inserção
dos gêneros textuais no ensino vem mudando a dinâmica da
educação em língua portuguesa no Brasil. É importante
trabalhar a língua em uso, através de textos e dos gêneros nos
quais eles se manifestam isso tem mobilizado professores e
educadores, que procuram adaptar‐ se a essas novas
perspectivas. De acordo com os estudos sobre os gêneros
textuais podemos afirmar que os exemplos de textos como,
receita culinária, tutorial, manual de instruções, guia
rodoviário tem em comum por possuírem um caráter:
(A) injuntivo.
(B) prescritivo.
(C) descritivo.
(D) expositivo.
(E) dissertativo.
05. (FGV - Professor de Ensino Fundamental II e Médio
- SME/SP/2016) Os diversos textos a serem interpretados em
um livro didático devem ser distribuídos segundo o seguinte
critério:
(A) textos literários e não literários.
(B) textos de épocas variadas.
(C) textos de gêneros textuais variados.
(D) textos de vários gêneros literários.
(E) textos de linguagem formal e informal.
Gabarito
01.C / 02.A / 03.B / 04.A / 05.C
COERÊNCIA E COESÃO
Não basta conhecer o conteúdo das partes de um trabalho:
introdução, desenvolvimento e conclusão. Além de saber o que
se deve (e o que não se deve) escrever em cada parte
constituinte do texto, é preciso saber escrever obedecendo às
normas de coerência e coesão.
Coerência e coesão relacionam-se com o processo de
produção e compreensão do texto, a coesão contribui para a
coerência, mas nem sempre um texto coerente apresenta
coesão. Pode ocorrer que o texto sem coerência apresente
coesão, ou que um texto tenha coesão sem coerência. Em
outras palavras: um texto pode ser gramaticalmente bem
construído, com frases bem estruturadas e vocabulário
correto, mas apresentar ideias disparatadas, sem nexo, sem
uma sequência lógica, ou seja, há coesão, mas não coerência.
Por outro lado, um texto pode apresentar ideias coerentes
e bem encadeadas, sem que no plano da expressão, as
estruturas frasais sejam gramaticalmente aceitáveis, ou seja,
há coerência, mas não coesão.
Na obra de Oswald de Andrade, por exemplo,
encontram-se textos coerentes sem coesão, ou textos coesos,
mas sem coerência. Em Carlos Drummond de Andrade, há
inúmeros exemplos de textos coerentes, sem coesão
gramatical no plano sintático. A linguagem literária admite
essas liberdades, o que não vem ao caso, pois na linguagem
acadêmica, referencial, a obediência às normas de coerência e
coesão são obrigatórias. Ainda assim, para melhor
4. Coesão e coerência:
mecanismos, efeitos de
sentido no texto
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 8
esclarecimento do assunto, apresentam-se exemplos de
coerência sem coesão e coesão sem coerência:
“Cidadezinha Qualquer”
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar:
Um homem vai devagar
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar
Devagar.. as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus."
(Andrade, 1973)
Apesar da aparente falta de nexo, percebe-se nitidamente
a descrição de uma cidadezinha do interior: a paisagem rural,
o estilo de vida sossegado, o hábito de bisbilhotar, de vigiar das
janelas tudo o que se passa lá fora. No plano sintático, a
primeira estrofe contém apenas frases ou sintagmas nominais
(cantar pode ser verbo ou substantivo - os meu cantares = as
minhas canções); as demais, não apresentam coesão - uma
frase não se relaciona com outra, mas, pela forma de
apresentação, colaboram para a coerência do texto.
“Do outro lado da parede”
Meu laço de botina.
Recebi a tua comunicação, escrita do beiral da viragem
sempieterna. Foi um tiro no alvo do coração, se bem que ele já
esteja treinado.
A culpa de tudo quem tem-na é esse bandido desse coronel
do Exército Brasileiro que nos inflicitou.
Reflete antes de te matares! Reflete Joaninha.
Principalmente se ainda é tempo! És uma tarada.
Quando te conheci, Chez Hippolyte querias falecer dia e
noite. Enfim, adeus.
Nunca te esquecerei. Never more! Como dizem os corvos."
João da Slavonia (Andrade, O., 1971)
Embora as frases sejam sintaticamente coesas, nota-se
que, neste texto, não há coerência, não se observa uma linha
lógica de raciocínio na expressão das ideias. Percebe-se
vagamente que a personagem João Slavonia teria recebido
uma mensagem de Joaninha (Recebi a tua comunicação),
ameaçando cometer suicídio (Reflete antes de te matares!). A
última frase contém uma alusão ao poema "O corvo", de Edgar
Alan Poe.
A respeito das relações entre coerência e coesão,
Guimarães diz:
"O exposto autoriza-nos a seguinte conclusão: ainda que
distinguiveis (a coesão diz respeito aos modos de interconexão
dos componentes textuais, a coerência refere-se aos modos como
os elementos subjacentes à superfície textual tecem a rede do
sentido), trata-se de dois aspectos de um mesmo fenômeno - a
coesão funcionando como efeito da coerência, ambas cúmplices
no processamentoda articulação do texto."
A coerência textual subjaz ao texto e é responsável pela
hierarquização dos elementos textuais, ou seja, ela tem origem
nas estruturas profundas, no conhecimento do mundo de cada
pessoa, aliada à competência linguística, que permitirá a
expressão das ideias percebidas e organizadas, no processo de
codificação referido na página... Deduz-se daí que é difícil,
senão impossível, ensinar coerência textual, intimamente
ligada à visão de mundo, à origem das ideias no pensamento.
A coesão, porém, refere-se à expressão linguística, aos
4 PESTANA, Fernando. A Gramática para Concursos. Elsevier. 2011.
processos sintáticos e gramaticais do texto, no qual podem ser
definidos como:
- Coerência: relação semântica que se estabelece entre as
diversas partes do texto, criando uma unidade de sentido e
uma harmonia interna para o texto. Estando ligada ao
entendimento e a possibilidade de interpretação daquilo que
se ouve ou lê.
- Coesão: é a ligação entre as partes do texto (palavras,
expressões, frases, parágrafos) por meio de determinados
elementos linguísticos.4 Estando ligada aos elementos
conectores de ideias no texto.
Caracteristicas da Coerência
- Assenta-se no plano cognitivo, da inteligibilidade do
texto;
- Situa-se na subjacência do texto; estabelece conexão
conceitual;
- Relaciona-se com a macroestrutura; trabalha com o todo,
com o aspecto global do texto;
- Estabelece relações de conteúdo entre palavras e frases.
Caracteristicas da Coesão
- Assenta-se no plano gramatical e no nível frasal;
- Situa-se na superfície do texto, estabele conexão
sequencial;
- Relaciona-se com a microestrutura, trabalha com as
partes componentes do texto;
- Estabelece relações entre os vocábulos no interior das
frases.
Erros comuns quanto a Coerência e Coesão
As estruturas frasais devem ser coerentes e
gramaticalmente corretas, a respeito de sua sintaxe. O
vocabulário precisa ser adequado e essa adequação só se
consegue pelo conhecimento dos significados possíveis de
cada palavra. Talvez os erros mais comuns de redaçao sejam
devidos à impropriedade do vocabulário e ao mau emprego
dos conectivos (conjunções, que têm por função ligar uma
frase ou período a outro). Eis alguns exemplos de
impropriedade do vocabulário que devem ser observadas:
"Nosso direito é frisado na Constituição."
Nosso direito é assegurado pela Constituição.
"Estabelecer os limites as quais a programação deveria
estar exposta."
Estabelecer os limites aos quais a programação deveria
estar sujeita.
“A censura deveria punir as notícias sensacionalistas.”
A censura deveria proibir (ou coibir) as notícias
sensacionalistas ou punir os meios de comunicação que
veiculam tais notícias.
“Retomada das rédeas da programação.”
Retomada das rédeas dos meios de comunicação, no que
diz respeito a programação.
O emprego de vocabulário inadequado prejudica muitas
vezes a compreensão das ideias. É importante, ao redigir,
empregar palavras cujo significado seja conhecido pelo
enunciador, e cujo emprego faça parte de seus conhecimentos
linguísticos. Muitas vezes, quem redige conhece o significado
de determinada palavra, mas não sabe empregá-la
adequadamente, isso ocorre frequentemente com o emprego
dos conectivos (preposições e conjunções). Não basta saber
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 9
que as preposições ligam nomes ou sintagmas nominais no
interior das frases e que as conjunções ligam frases dentro do
período; é necessário empregar adequadamente tanto umas
como outras. É bem verdade que, na maioria das vezes, o
emprego inadequado dos conectivos remete aos problemas de
regência verbal e nominal. Exemplos:
“Coação aos meios de comunicação” tem o sentido de atuar
contra os meios de comunicação; os meios de comunicação
sofrem a ação verbal, são coagidos.
“Coação dos meios de comunicação” significa que os meios
de comunicação é que exercem a ação de coagir.
“Estar inteirada com os fatos” significa participação,
interação.
“Estar inteirada dos fatos” significa ter conhecimento dos
fatos, estar informada.
“Ir de encontro” significa divergir, não concordar.
“Ir ao encontro” quer dizer concordar.
Quanto à regência verbal, convém sempre consultar um
dicionário de verbos e regimes, pois muitos verbos admitem
duas ou três regências diferentes; cada uma, porém, tem um
significado específico. Lembre-se, a propósito, de que as
dúvidas sobre o emprego da crase decorrem do fato de
considerar-se crase como sinal de acentuação apenas, quando
o problema refere-se à regencia nominal e verbal. Exemplos:
Quanto ao verbo assistir:
assistir o/a (transitivo direto) significa dar ou prestar
assistência (O médico assiste o doente):
Assistir ao (transitivo indireto): ser espectador (Assisti ao
jogo da seleção).
Quanto ao verbo inteirar:
Inteirar o/a (transitivo direto) significa completar (Inteirei
o dinheiro do presente).
Inteirar do (transitivo direto e indireto), significa informar
alguém de..., tomar ou dar conhecimento de algo para alguém
(Quero inteirá-la dos fatos ocorridos...).
Quanto ao verbo pedir:
Pedir o (transitivo direto) significa solicitar, pleitear (Pedi o
jornal do dia).
Pedir que - contém uma ordem (A professora pediu que
fizessem silêncio).
Pedir para - pedir permissão (Pediu para sair da classe);
significa também pedir em favor de alguém (A Diretora pediu
ajuda para os alunos carentes) em favor dos alunos, pedir algo
a alguém (para si): (Pediu ao colega para ajudá-lo); pode
significar ainda exigir, reclamar (Os professores pedem
aumento de salário).
O mau emprego dos pronomes relativos também pode
levar à falta de coesão gramatical. Frequentemente,
emprega-se no qual ou ao qual em lugar do -que, com prejuízo
da clareza do texto; outras vezes, o emprego é desnecessário
ou inadequado. Barbosa e Amaral (colaboradora) apresentam
os seguintes exemplos:
“Pela manhã o carteiro chegou com um envelope para mim
no qual estava sem remetente”. (Chegou com um envelope que
(o qual) estava sem remetente).
“Encontrei apenas belas palavras o qual não duvido da
sensibilidade...”
Encontrei belas palavras e não duvido da sensibilidade delas
(palavras cheias de sensibilidade).
“Dentro do envelope havia apenas um papel em branco
onde atribui muitos significados”: havia apenas um papel em
branco ao qual atribui muitos significados (onde significa lugar
no qual).
“Havia recebido um envelope em meu nome e que não
portava destinatário, apesar que em seu conteúdo havia uma
folha em branco. ( .. )”
Não se emprega apesar que, mas sim apesar de. E mais:
apesar de não ligar corretamente as duas frases, não faz
sentido, as frases deveriam ser coordenadas por e. Ex.: “não
portava destinatário e em seu interior havia uma folha” ou:
“havia recebido um envelope em meu nome, que não portava
destinatário, cujo conteúdo era uma folha em branco.”
Essas e outras frases foram observadas em redações,
quando foi proposto o seguinte tema:
“Imagine a seguinte situação:
- hoje você está completando dezoito anos.
- Nesta data, você recebe pelo correio uma folha de papel em
branco, num envelope em seu nome, sem indicação do
remetente.
- Além disso, você ganha de presente um retrato seu e um
disco. Reflita sobre essa situação.
A partir da reflexão feita, redija um texto em prosa, sem
ultrapassar o espaço reservado para redação no caderno de
respostas."
Como de costume, muito se comentou, até nos jornais daépoca, a falta de coerência e frases sem clareza, pelo mau
emprego dos conectivos, como as seguintes:
“Primeiramente achei gozado aqueles dois presentes, pois
concluo que nunca deveria esquecer minha infância.”
Há falta de nexo entre as duas frases, pois uma não é
conclusão da outra, nem ao menos estão relacionadas e gozado
deveria ser substituído por engraçado ou estranho.
“A folha pode estar amarrada num cesto de lixo mas o disco
repete sempre a mesma música.”
A primeira frase não tem sentido e a segunda não se
relaciona com a primeira. O conectivo “mas” deveria sugerir
ideia de oposição, o que não ocorre no exemplo anterior. Não
se percebe relação entre “o disco repete sempre a mesma
música” e a primeira frase.
“Mas, ao abrir a porta, era apenas o correio no qual viera
trazer-me uma encomenda.”
Observa-se o emprego de no qual por o qual, melhor ainda
ficaria que, simplesmente: era apenas o correio que viera
trazer-me uma encomenda.
Por outro lado, não mereceram comentários nem
apareceram nos jornais boas redações como a que se segue:
“A vida hoje me cumprimentou, mandou-me minha
fotografia de garoto, com olhos em expectativa admirando o
mundo. Este mundo sem respostas para os meus dezoito anos.
Mundo - carta sem remetente, carta interrogativa para moço
que aguarda o futuro, saboreando o fruto do amanhã.
Recebi um disco, também, cuja música tem a sonoridade de
passos marchando para o futuro, ao som de melodias de
cirandas esquecidas do menino-moço de outrora, e do
moço-homem de hoje, que completa dezoito anos.
Sou agora a certeza de uma resposta à carta sem remetente
que me comunica a vida. Vejo, na fotografia de mim mesmo, o
homem que enfrentará a vida, que colherá com seu amor à luta
e com seu espírito ambicioso, os frutos do destino.
E a música dos passos-futuros na cadência do menino que
deixou de ser, está o ritmo da vitória sobre as dificuldades, a
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Língua Portuguesa 10
minha consagração futura do homem, que vencerá o destino e
será uma afirmação dentro da sociedade." C. G.
Exemplo de: (Fonseca, 1981, p. 178)
Para evitar a falta de coerência e coesão na articulação das
frases, aconselha-se levar em conta as seguintes sugestões
para o emprego correto dos articuladores sintáticos
(conjunções, preposições, locuções prepositivas e locuções
conjuntivas).
Para dar ideia de oposição ou contradição, a articulação
sintática se faz por meio de conjunções adversativas: mas,
porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto (nunca no
entretanto).
Podem também ser empregadas as conjunções concessivas
e locuções prepositivas para introduzir a ideia de oposição
aliada à concessão: embora, ou muito embora, apesar de, ainda
que, conquanto, posto que, a despeito de, não obstante.
A articulação sintática de causa pode ser feita por meio de
conjunções e locuções conjuntivas: pois, porque, como, por isso
que, visto que, uma vez que, já que. Também podem ser
empregadas as preposições e locuções prepositivas: por, por
causa de, em vista de, em virtude de, devido a, em consequência
de, por motivo de, por razões de.
O principal articulador sintático de condição é o “se”: Se o
time ganhar esse jogo, será campeão. Pode-se também
expressar condição pelo emprego dos conectivos: caso,
contanto que, desde que, a menos que, a não ser que.
O emprego da preposição “para” é a maneira mais comum
de expressar finalidade. “É necessário baixar as taxas de juros
para que a economia se estabilize” ou para a economia se
estabilizar. “Teresa vai estudar bastante para fazer boa prova.”
Há outros articuladores que expressam finalidade: afim de,
com o propósito de, na finalidade de, com a intenção de, com o
objetivo de, com o fito de, com o intuito de.
A ideia de conclusão pode ser introduzida por meio dos
articuladores: assim, desse modo, então, logo, portanto, pois, por
isso, por conseguinte, de modo que, em vista disso. Para
introduzir mais um argumento a favor de determinada
conclusão emprega-se ainda. Os articuladores, aliás, além do
mais, além disso, além de tudo, introduzem um argumento
decisivo, cabal, apresentado como um acréscimo, para
justificar de forma incontestável o argumento contrário.
Para introduzir esclarecimentos, retificações ou
desenvolvimento do que foi dito empregam-se os
articuladores: isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras. A
conjunção aditiva “e” anuncia não a repetição, mas o
desenvolvimento do discurso, pois acrescenta uma informação
nova, um dado novo, e se não acrescentar nada, é pura
repetição e deve ser evitada.
Alguns articuladores servem para estabelecer uma
gradação entre os correspondentes de determinada escala. No
alto dessa escala acham-se: mesmo, até, até mesmo; outros
situam-se no plano mais baixo: ao menos, pelo menos, no
mínimo.
Questões
01. (CONAB - Contabilidade - IADES) Assinale a
alternativa que preserva as relações morfossintáticas e
semânticas do período “Diante de sua rápida adaptação ao solo
e ao clima, o produto adquiriu importância no mercado,
transformando-se em um dos principais itens de exportação,
desde o Império até os dias atuais.” (linhas de 3 a 6).
(A) Em face de sua rápida adaptação ao solo e ao clima, o
produto adquiriu importância no mercado, porém
transformou-se em um dos principais itens de exportação,
desde o Império até os dias atuais.
(B) O produto, em virtude de sua rápida adaptação ao solo
e ao clima, adquiriu importância no mercado e transformou-se
em um dos principais itens de exportação, desde o Império até
os dias atuais.
(C) O produto, por sua rápida adaptação ao solo e ao clima,
adquiriu importância no mercado, todavia, desde o Império
até os dias atuais, transformou-se, consequentemente, em um
dos principais itens de exportação.
(D) Face sua rápida adaptação ao solo e ao clima, o produto
adquiriu importância no mercado, e, conquanto, transformou-
se em um dos principais itens de exportação, desde o Império
até os dias atuais.
(E) O produto transformou-se, desde o Império até os dias
atuais, em um dos principais itens de exportação por que sua
adaptação ao solo e ao clima foi rápida.
02. (TJ/PA - Médico Psiquiatra - VUNESP) Leia o trecho
do primeiro parágrafo para responder à questão.
Meu amigo lusitano, Diniz, está traduzindo para o francês
meus dois primeiros romances, Os Éguas e Moscow. Temos
trocado e-mails muito interessantes, por conta de palavras e
gírias comuns no meu Pará e absolutamente sem sentido para
ele. Às vezes é bem difícil explicar, como na cena em que
alguém empina papagaio e corta o adversário “no gasgo”.
Os termos muito e bem, em destaque, atribuem aos termos
aos quais se subordinam sentido de:
(A) comparação.
(B) intensidade.
(C) igualdade.
(D) dúvida.
(E) quantidade.
03. (TJ/PA - Médico Psiquiatra - VUNESP) Assinale a
alternativa em que a seguinte passagem – Mas o vento foi mais
ágil e o papel se perdeu. (terceiro parágrafo) - está reescrita
com o acréscimo de um termo que estabelece uma relação de
conclusão, consequência, entre as orações.
(A) mas o vento foi mais ágil e, contudo, o papel se perdeu.
(B) mas o vento foi mais ágil e, assim, o papel se perdeu.
(C) mas o vento foi mais ágil e, todavia, o papel se perdeu.
(D) mas o vento foi mais ágil e, entretanto, o papel se
perdeu.
(E) mas o vento foi mais ágil e, porém, o papel se perdeu.
04. (Pref. de Paulista/PE - Recepcionista - UPENET)
Observe o fragmento de texto abaixo:
"Mas o que fazer quando o conteúdo não é lembrado
justamente na hora da prova?"
Sobre ele, analise as afirmativas abaixo:I. O termo "Mas" é classificado como conjunção
subordinativa e, nesse contexto, pode ser substituído por
"desde que".
II. Classifica-se o termo "quando" como conjunção
subordinativa que exprime circunstância temporal.
III. Acentua-se o "u" tônico do hiato existente na palavra
"conteúdo".
IV. Os termos "conteúdo", "hora" e "prova" são palavras
invariáveis, classificadas como substantivos.
Está CORRETO apenas o que se afirma em:
(A) I e III.
(B) II e IV.
(C) I e IV.
(D) II e III.
(E) I e II.
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Língua Portuguesa 11
05. (Pref. de Osasco/SP - Motorista De Ambulância -
FGV)
Dificuldades no combate à dengue
A epidemia da dengue tem feito estragos na cidade de São
Paulo. Só este ano, já foram registrados cerca de 15 mil casos
da doença, segundo dados da Prefeitura.
As subprefeituras e a Vigilância Sanitária dizem que existe
um protocolo para identificar os focos de reprodução do
mosquito transmissor, depois que uma pessoa é infectada. Mas
quando alguém fica doente e avisa as autoridades, não é bem
isso que acontece.
(Saúde Uol).
“Só este ano...” O ano a que a reportagem se refere é o ano
(A) em que apareceu a dengue pela primeira vez.
(B) em que o texto foi produzido.
(C) em que o leitor vai ler a reportagem.
(D) em que a dengue foi extinta na cidade de São Paulo.
(E) em que começaram a ser registrados os casos da
doença.
06. (Pref. De Osasco/SP - Motorista De Ambulância -
FGV) “Se uma dupla com roupas que parecem de astronauta
tocar a campainha da sua casa, não se assuste.”
Nesse texto, o termo sublinhado tem por antecedente ou se
refere a:
(A) dupla.
(B) astronauta.
(C) campainha.
(D) roupas.
(E) casa.
07. (CEFET/RJ - Revisor De Textos - CESGRANRIO) Em
qual dos períodos abaixo, a troca de posição entre a palavra
sublinhada e o substantivo a que se refere mantém o sentido?
(A) Algum autor desejava a minha opinião sobre o seu
trabalho.
(B) O mesmo porteiro me entregou o pacote na recepção
do hotel.
(C) Meu pai procurou uma certa pessoa para me entregar
o embrulho.
(D) Contar histórias é uma prazerosa forma de aproximar
os indivíduos.
(E) Grandes poemas épicos servem para perpetuar a
cultura de um povo.
08. (Polícia Militar/SP - Oficial Administrativo -
VUNESP) Leia o seguinte trecho do texto para responder à
questão.
Se as pessoas insistem em ignorar as conclusões de tais
estudiosos e não se importam de reduzir suas mentes à
condição de apêndice de um aparelho, talvez se assustem ao
saber que o smartphone também as atinge em algo que ainda
devem valorizar: o corpo.
O pronome as, em destaque no trecho, retoma a seguinte
expressão:
(A) as pessoas.
(B) as conclusões.
(C) tais estudiosos.
(D) apêndice de um aparelho.
(E) o smartphone.
09. (Metrô/SP - Técnico Segurança do Trabalho - FCC)
O criador da mais conhecida e celebrada canção sertaneja,
Tristeza do Jeca (1918), não era, como se poderia esperar, um
sofredor habitante do campo, mas o dentista, escrivão de
polícia e dono de loja Angelino Oliveira. Gravada por “caipiras”
e “sertanejos”, nos “bons tempos do cururu autêntico”, assim
como nos “tempos modernos da música ‘americanizada’ dos
rodeios”, Tristeza do Jeca é o grande exemplo da notável,
embora pouco conhecida, fluidez que marca a transição entre
os meios rural e urbano, pelo menos em termos de música
brasileira.
Num tempo em que homem só cantava em tom maior e voz
grave, o Jeca surge humilde e sem vergonha alguma da sua
“falta de masculinidade”, choroso, melancólico, lamentando
não poder voltar ao passado e, assim, “cada toada representa
uma saudade”. O Jeca de Oliveira não se interessa pelo meio
rural da miséria, das catástrofes naturais, mas pelo íntimo e
sentimental, e foi nesse seu tom que a música, caipira ou
sertaneja, ganhou forma.
“A canção popular conserva profunda nostalgia da roça.
Moderna, sofisticada e citadina, essa música foi e é igualmente
roceira, matuta, acanhada, rústica e sem trato com a área
urbana, de tal forma que, em todas essas composições, haja
sempre a voz exemplar do migrante, a qual se faz ouvir para
registrar uma situação de desenraizamento, de dependência e
falta”, analisa a cientista política Heloísa Starling.
Acrescenta o antropólogo Allan de Paula Oliveira: “foi
entre 1902 e 1960 que a música sertaneja surgiu como um
campo específico no interior da MPB. Mas, se num período
inicial, até 1930, ‘sertanejo’ indicava indistintamente as
músicas produzidas no interior do país, tendo como referência
o Nordeste, a partir dos anos de 1930, 'sertanejo' passou a
significar o caipira do Centro-Sul. E, pouco mais tarde, de São
Paulo. Assim, se Jararaca e Ratinho, ícones da passagem do
sertanejo nordestino para o ‘caipira’, trabalhavam no Rio, as
duplas dos anos 1940, como Tonico e Tinoco, trabalhariam em
São Paulo”.
(Adaptado de: HAAG, Carlos. “Saudades do Jeca no século XXI”. In: Revista
Fapesp, outubro de 2009,)
Os pronomes “que” (1º parágrafo), “sua” (2º parágrafo) e
“a qual” (3º parágrafo), referem-se, respectivamente, a:
(A) exemplo - Jeca - composições
(B) fluidez - Jeca - voz exemplar do migrante
(C) Tristeza do Jeca - homem - canção popular
(D) exemplo - homem - voz exemplar do migrante
(E) fluidez - homem - canção popular
10. (DP. Rio De Janeiro/RJ - Técnico em
Biblioteconomia - FGV) “Se você quiser ir mais longe”; a única
forma dessa frase que NÃO apresenta um equivalente
semântico corretamente expresso é
(A) caso você queira ir mais longe.
(B) na hipótese de você querer ir mais longe.
(C) no caso de você querer ir mais longe.
(D) desde que você queira ir mais longe.
(E) conquanto você queira ir mais longe.
Gabarito
01.B / 02.B / 03.B / 04.D / 05.B / 06.D / 07.D / 08.A /
09.B / 10.E
Causa e Consequência: Esta categoria é a organizadora de
seu texto e deve ser utilizada na montagem de sua estrutura.
Atente para a enumeração dos argumentos de acordo com as
tabelas:
5. Relação entre as partes
do texto: causa, consequência,
comparação, conclusão,
exemplificação, generalização,
particularização.
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Língua Portuguesa 12
1º argumento: causa / causa / causa / consequência.
2º argumento: causa / causa / consequência /
consequência.
3º argumento: causa / consequência / consequência /
consequência
Comparação
Analogia e contraste são as duas maneiras de se
estabelecer a comparação, com a finalidade de comprovar uma
ideia ou opinião. Na analogia, são comuns as expressões: da
mesma forma, tal como, tanto quanto, assim como, igualmente.
Para estabelecer contraste, empregam-se as expressões: mais
que, menos que, melhor que, pior que.
Conclusão
É o ponto de chegada de todas as argumentações elencadas
no desenvolvimento, ou seja, é o fechamento do texto e dos
questionamentos propostos pelo autor.
Na elaboração da conclusão deve-se evitar as construções
padrões como: “Portanto, como já dissemos antes...”,
“Concluindo...”, “Em conclusão, ...”.
Exemplificação
Justifica os pontos de vista através de exemplos. São
expressões comuns nesse tipo de procedimento: mais
importante que, superior a, de maior relevância que. -
Empregam-se também dados estatísticos, acompanhados de
expressões: considerando os dados; conforme os dados
apresentados. Faz-se a exemplificação, ainda, pela
apresentação de causas e consequências, usando-se
comumente as expressões: porque,porquanto, pois que, uma
vez que, visto que, por causa de, em virtude de, em vista de, por
motivo de.
Conectores são expressões que num texto ligam palavras,
frases e parágrafos- servem para associar as ideias e
estabelecer ligações entre elas.
Generalização
A generalização é um elemento fundamental dentro da
Lógica (o ramo da Filosofia que estuda os princípios da
demonstração e inferência válida) e também no caso da razão
humana. Toda inferência dedutiva válida tem como base
obrigatória a generalização. De todas as maneiras, a
generalização é um conceito que pode ser aplicado em
diferentes disciplinas.
Ao generalizar, atribuímos a um grupo de coisas que
pertencem ao mesmo gênero algo que já sabemos de alguns de
seus indivíduos, nos abstraímos de detalhes particulares ou
das típicas exceções do caso. Por exemplo, em geral, ainda
temos um bom clima durante o outono. Referimo-nos assim ao
comum, ao habitual e ao que acontece com maior frequência.
Generalizamos por meio da indução, ou seja, somando
experiências particulares, algumas vezes de maneira
inconsciente e outras de maneira deliberada
Explicitação
Explicitação / particularização - quer isto dizer, isto (não)
significa que, por outras palavras, isto é, por exemplo, ou seja,
é o caso de, nomeadamente, em particular, a saber, entre
outros, especificamente…
…
5 Livro de Gramática "Saber Português Hoje - ensino secundário"
Questões
01. Leia o texto e responda à pergunta.
Um pouco da história de Cecília Meireles
Cecília Meireles é uma das grandes escritoras da literatura
brasileira. Ela nasceu no dia 7 de novembro de 1901, na cidade
do Rio de Janeiro e eu nome completo era Cecília Benevides de
Carvalho Meireles. Sua infância foi marcada pela dor e solidão,
pois perdeu a mãe com apenas três anos de idade e o pai não
chegou a conhecer (morreu antes do seu nascimento). Foi
criada pela avó dona Jacinta. Por volta dos nove anos de idade,
Cecília começou a escrever suas primeiras poesias. Estudiosos
de sua obra dizem que seus poemas encantam os leitores de
todas as idades.
Qual frase apresenta uma opinião sobre Cecília Meireles?
(A) Foi criada pela avó Dona Jacinta
(B) Nasceu no dia 7 de novembro de 1901.
(C) Perdeu a sua mãe com apenas três anos de idade.
(D) Seus poemas encantam os leitores de todas as idades.
02. Leia o fragmento do texto O outro príncipe sapo de Jon
Scieszka e responda o que se pede:
Era uma vez um sapo.
Certo dia, quando estava sentado na sua vitória-régia, viu
uma linda princesa descansando à beira do lago. O sapo pulou
dentro da água, foi nadando até ela e mostrou a cabeça por
cima das plantas aquáticas. “Perdão, ó linda princesa”, disse ele
com sua voz mais triste e patética...
Qual é a opinião do autor a respeito da voz do sapo:
(A) voz mansa e suave
(B) estridente e aguda
(C) triste e melancólica
(D) triste e patética
Gabarito
01.D / 02.D
CONECTORES5
Os conectores são, assim, palavras ou expressões que se
utilizam para especificar as relações entre vários segmentos
linguísticos de um texto - servem para associar as ideias e
estabelecer ligações entre elas.
O uso correto de conectores permite uma maior coesão
textual e envolve uma compreensão facilitada da globalidade
do texto.
Os conectores pertencem a diversas classes de palavras -
conjunções (ou locuções conjuntivas) coordenativas e
subordinativas, advérbios (ou locuções adverbiais),
preposições (ou locuções prepositivas), expressões adjetivas
ou até orações completas.
Tipos de Conectores
Adição - e, nem, pois, além disso, e ainda, não só…mas
também, como ainda, bem como…assim como, por um
lado…por outro lado, depois, logo após, finalmente, em
primeiro lugar, em segundo lugar, do mesmo modo,
6. Conectivos: classificação,
uso, efeitos de sentido.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 13
igualmente, de igual modo, da mesma maneira, de igual
maneira, de novo, novamente, também, primeiramente, da
mesma forma, de igual forma, ultimamente, opostamente, de
modo oposto, de maneira oposta, por último…
Alternativa - ou, ou...ou, ora…ora, já...já, seja...seja,
quer…quer, talvez...talvez, não...nem, em alternativa…
Certeza / afirmação - certamente, é evidente que, com
certeza, decerto, naturalmente, que, sem dúvida, sem dúvida
que, de certo, é óbvio que, evidentemente, obviamente,
verdadeiramente, de verdade, verdadeiro, realmente, exato,
exatamente, com exatidão…
Conformidade - consoante, conforme, segundo, como, de
acordo com
Comparação - como, também, conforme, tanto…quanto,
tal como, assim como, bem como, pela mesma razão, de forma
idêntica, de forma similar…
Concessão - embora, conquanto, ainda que, mesmo que,
mesmo quando, se bem que, apesar de, ainda assim, mesmo
assim, por mais que, de qualquer forma, posto que, malgrado,
não obstante, inobstante, em que pese, independentemente
de…
Conclusão / síntese / resumo - pois, portanto, por
conseguinte, assim, logo, enfim, concluindo, conclusivamente,
em conclusão, em síntese, consequentemente, em
consequência, por outras palavras, ou seja, em resumo, ou
melhor, pois, por isso, deste modo, em suma, sintetizando,
finalizando…
Condição - se, caso, desde que, contanto que, exceto se,
salvo se, a menos que, a não ser que, sem que, uma vez que
(seguida de verbo no subjuntivo)
Confirmação - com efeito, efetivamente, na verdade, de
fato, factualmente, verdade, verdadeiramente, óbvio,
obviamente…
Consequência - pelo que, de modo que, de forma que, de
maneira que, de sorte que, de jeito que, daí que, tão… que, tal...
que, tanto... que, tamanho... que, por tudo isso,
consequentemente, por conseguinte, como consequência…
Dúvida - Talvez, possivelmente, provavelmente, é possível
que, é provável que, porventura, quiçá, acaso, quem sabe, por
certo…
Explicitação / particularização - quer isto dizer, isto
(não) significa que, por outras palavras, isto é, por exemplo, ou
seja, é o caso de, nomeadamente, em particular, a saber, entre
outros, especificamente…
Finalidade / intencionalidade - com o fim de, com
intuito, para (que), a fim de (que), com o objetivo de, de forma
a, com o fim / com o objetivo de / com o propósito de / com
intuito de / com a intenção de, com o fito de, que, porque (=
para que)…
Modo / forma / maneira - bem, mal, assim, depressa,
devagar, melhor, pior, rapidamente, calmamente, facilmente e
a maioria dos advérbios terminados em -mente, à toa, à
vontade, às claras, às escuras, às pressas, à francesa, às
escondidas, em silêncio, em vão, sem medo, de mansinho, ao
vivo
Necessidade / obrigação - faz-se mister, é necessário que,
faz-se urgente que, urge que, é preciso que, é dever, torna-se
imprescindível que
Opinião - na minha opinião, a meu ver, em meu entender,
parece-me que, estou em crer que…
Oposição / contraste - mas, porém, todavia, contudo,
entretanto, no entanto, senão (= mas sim) contrariamente, em
vez de, ao invés de, pelo contrário, por oposição, oposto,
opostamente, doutro modo, ao contrário, não obstante, por
outro lado…
Proporção / proporcionalidade - ao passo que, à medida
que, à proporção que, quanto mais, tanto mais, enquanto
Reafirmação / confirmação / resumo - ou seja, ou
melhor, ou antes, isto é, digo, por assim dizer, por outras
palavras, com efeito, efetivamente, na verdade, de fato, de tato,
em suma, em resumo, resumidamente…
Reformulação - quer dizer, mais corretamente, mais
precisamente, ou melhor, dito de outro modo, numa palavra,
noutrostermos, por outras palavras…
Razão / motivo / causa - porque, já que, visto que, uma
vez que, porquanto, como (= porque), na medida em que,
devido a, em virtude de, em razão de, em vista de, tendo em
vista que, em face de, em decorrência de
Sequência - começando, primeiramente, para começar,
em primeiro lugar, num primeiro momento, antes de, em
segundo lugar, em seguida, logo após, depois de, por último,
concluindo, para terminar, em conclusão, em síntese,
finalizando…
Sequência temporal - Hoje, ontem, agora, amanhã, ainda,
cedo, depois, tarde, antes
Sequência geográfica / espacial - Aqui, ali, aí, lá, perto,
longe, dentro, fora, à direita, à esquerda, à frente, acima,
abaixo, à distância, de longe, de perto
Tempo - quando, enquanto, até que, antes que, logo que,
assim que, depois que, sempre que, desde que, desde quando,
todas as vezes, senão quando, ao tempo que, mal...
Negação - não, nunca, tampouco, jamais, nada, ninguém,
de modo algum, de jeito nenhum, em hipótese alguma
Ordem - ultimamente, primeiramente, antes, depois...
Designação - eis, vede, aqui está...
Realce / função expletiva - cá, lá, só, é que, ainda, mas...
Inclusão / exclusão - também, até, mesmo, inclusive, só,
salvo, menos, apenas, senão, exclusive, fora, tirante, sequer...
Intensidade / quantidade - muito, pouco, bastante, mais,
menos, tão, tanto, quase, demais...
Questões
01. (DPE/DF - Assistência Judiciária - FGV)
Estética ou erótica?
Será que o calor excessivo deste verão está
exasperando o animus beligerante das pessoas? Em carta ao
jornal, a leitora Mariúza Peralva apontou a disposição do povo
de agir por conta própria e fazer justiça com as próprias mãos
como sintoma de descrença nos políticos e nas instituições:
“Coloca fogo em pneus, quebra ônibus, quebra vitrines, ataca a
polícia que, em princípio, existe para protegê-lo, joga pedra,
rojão ou o que estiver à mão para fazer suas reivindicações.” Já
o leitor Cláudio Bittencourt escreveu discordando: “Quem
pratica tais barbaridades não é povo.” De qualquer maneira,
são cada vez mais evidentes os sinais de uma cultura da
violência que tem se manifestado, com vários graus de
agressividade, nas brigas de trânsito, nos conflitos das torcidas
nos estádios, nas discussões de rua chegando às vias de fato.
(...) Diferentemente dos atos de violência cotidiana, que
pelo menos não se mascara de justa ou pedagógica, há ainda o
vandalismo dos black blocs, cuja ação iconoclasta contra
símbolos do capitalismo é apresentada como uma “estética”,
conforme uma autodefinição, que parece desconhecer os
estragos pouco estéticos que são feitos à imagem das
manifestações, sem falar na morte do cinegrafista. Aliás,
segundo alguns, os nossos mascarados se inspiram menos nos
anarquistas e mais nos fascistas italianos do tempo de
Mussolini. Pelo menos, a justificativa ideológica é parecida
com o discurso dos adeptos do Futurismo, movimento que foi
criado pelo escritor Tommaso Marinetti como vanguarda
artística, que desprezando o passado e a tradição (considerava
os museus cemitérios), exaltava a guerra como “única higiene
do mundo”. Para os futuristas, o fascismo era a realização
mínima do seu programa político que, por meio de uma nova
linguagem capaz de exprimir a experiência da violência, da
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 14
velocidade e do progresso técnico, pretendia transformar o
senso estético de uma sociedade “anacrônica”.
Lembrando as cenas dos jovens mascarados atirando
pedras ou se atirando eles mesmos contra as vitrines, pode-se
concluir que essa coreografia da destruição é, mais do que uma
estética, uma “erótica” da violência, pelo prazer mórbido com
que é praticada.
(Zuenir Ventura, O Globo, 22/02/2014)
A alternativa em que os conectores sublinhados
apresentam o mesmo valor semântico é:
(A) “Em carta ao jornal, a leitora...” / “Coloca fogo em
pneus,...”
(B) “...ação iconoclasta contra símbolos do capitalismo...” /
“...atirando eles mesmos contra as vitrines...”
(C) “...fazer justiça com as próprias mãos...” / “...é parecida
com o discurso dos adeptos do futurismo”
(D) “...existe para protegê-lo...” / “...para fazer suas
reivindicações...”
(E) “...a disposição do povo de agir por conta própria...” /
“por meio de uma nova linguagem...”
02. (CONTER - Assistente Administrativo JR -
Quadrix/2017) Na era da informação e de uma economia
cada vez mais global, as novas descobertas tecnológicas se
superam em uma velocidade sem precedentes na história.
Nesse cenário, os desafios e as exigências que o mercado
apresenta aos profissionais de radiologia e às instituições de
saúde requerem flexibilidade e capacidade de absorção rápida
das inovações do setor. Assim, o técnico em radiologia deve
investir no constante aprendizado para o manejo das novas
tecnologias, levando em consideração a evolução permanente
dos processos na medicina diagnóstica. Nesse contexto, a
aquisição de expertise na radiologia digital é fundamental, já
que a substituição do filme radiográfico pela representação
computadorizada facilita o trabalho do profissional em
diversas vertentes, tais como: a possibilidade de ajustes
(contrastes) ou ampliação de imagens; o armazenamento das
imagens em nuvem, que permite sua visualização por meio de
qualquer dispositivo com acesso à Internet; e o
compartilhamento das imagens digitalizadas entre outros
profissionais (mesmo que estejam fora das instituições), que
facilita o processo de tomada de decisão. Além disso, os
avanços tecnológicos na área da radiologia favorecem a
redução significativa da dose de exposição dos pacientes à
radiação, a diminuição de custos, devido à eliminação de filmes
radiográficos, a diminuição dos danos socioambientais
provocados pelo uso do filme e de reveladores químicos e a
redução do tempo de espera para a emissão de laudos e para a
realização de diagnósticos. A tecnologia permite ainda a
elaboração de laudos por reconhecimento de voz e a
organização automática na distribuição de equipamentos e
salas ociosas (benefícios dos sistemas de gestão, geração de
laudos, armazenamento e compartilhamento de imagens).
No que se refere ao emprego de conectores no texto,
assinale a alternativa correta.
(A) A conjunção “e” está empregada, no período, com
sentido adversativo, podendo ser correta e coerentemente
substituída por mas.
(B) O vocábulo “Assim” poderia ser coerentemente
substituído por Portanto.
(C) A locução “já que” introduz oração que indica
circunstância de consequência em relação à anterior.
(D) O vocábulo “como” está empregado, no período, com
valor causal.
(E) A expressão “Além disso” poderia ser substituída, sem
prejuízo da coerência das ideias do texto, por Contudo.
03. (Câmara de Salvador/BA - Analista Legislativo
Municipal - FGV/2018)
Prioridade à cultura
Chico D’Ângelo, O Globo, 22/11/2017 (adaptado)
A resistência ao desmonte da cultura em cenário de crises
graves não se dá por acaso. Mesmo num contexto em que o
governo trabalhe pela extinção de uma série de políticas e
pilares que sustentam a cultura brasileira, os atos em defesa
desta são vistos com desdém. É muito comum que, em
situações diversas, generalize-se a opinião de que políticas
públicas para a cultura não devem ser prioritárias. Combater
essa generalização equivocada é urgente.
O Brasil precisa ampliar as discussões sobre a cultura, em
vez de abandoná-las. A desidratação frequente que a gestão
pública do setor vem sofrendo inibe a consolidação de
mecanismos de mapeamento contínuoda economia da
cultura, capazes de garantir o acesso da população aos bens
culturais.
Muitos conectores possuem o mesmo sentido de outros
conectores; a frase abaixo em que essa substituição foi
realizada de forma adequada é:
(A)“Mesmo num contexto...” / Portanto num contexto...
(B) “...trabalhe pela extinção...” / ...trabalha com a
extinção...
(C) “...as políticas puras para a cultura...” / as políticas
puras em direção à cultura;
(D)“...ampliar as discussões sobre a cultura...” / ampliar as
discussões a fim da cultura;
(E) “...em vez de abandoná-las” / em lugar de abandoná-las.
Gabarito
01. D / 02. B / 03. E
Comentários
01. Resposta: D
A) “Em carta ao jornal, a leitora...” / “Coloca fogo em
pneus,...” (meio / lugar).
B) “...ação iconoclasta contra símbolos do capitalismo...” /
“...atirando eles mesmos contra as vitrines...” (oposição /
direção).
C) “...fazer justiça com as próprias mãos...” / “...é parecida
com o discurso dos adeptos do futurismo” (instrumento /
comparação).
D) “...existe para protegê-lo...” / “...para fazer suas
reivindicações...” (finalidade / finalidade).
E) “...a disposição do povo de agir por conta própria...” /
“por meio de uma nova linguagem...” (causa / meio)
02. Resposta: B
Ambas palavras destacadas são conjunções coordenativas
conclusivas, que ligam a oração anterior a uma oração que
expressa ideia de conclusão ou consequência. São elas: logo,
pois (depois do verbo), portanto, por conseguinte, por isso,
assim.
03. Resposta: E
A) “Mesmo num contexto...” / AINDA num contexto...
B) “...trabalhe pela extinção...” / ...TRABALHE A FIM DE
EXTINGUIR...
C) “...as políticas puras para a cultura...” / as políticas puras
COM RELAÇÃO à cultura;
D) “...ampliar as discussões sobre a cultura...” / ampliar as
discussões ACERCA da cultura;
E) “...em vez de abandoná-las” / EM LUGAR de abandoná-
las.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 15
Verbo
É a palavra que indica ação, movimento, fenômenos da
natureza, estado, mudança de estado. Flexiona-se em:
- número (singular e plural);
- pessoa (primeira, segunda e terceira);
- modo (indicativo, subjuntivo e imperativo, formas
nominais: gerúndio, infinitivo e particípio);
- tempo (presente, passado e futuro);
- e apresenta voz (ativa, passiva, reflexiva).
De acordo com a vogal temática, os verbos estão agrupados
em três conjugações:
1ª conjugação – ar: cantar, dançar, pular.
2ª conjugação – er: beber, correr, entreter.
3ª conjugação – ir: partir, rir, abrir.
O verbo pôr e seus derivados (repor, depor, dispor,
compor, impor) pertencem a 2ª conjugação devido à sua
origem latina poer.
Elementos Estruturais do Verbo
As formas verbais apresentam três elementos em sua
estrutura: radical, vogal temática e tema.
Radical: elemento mórfico (morfema) que concentra o
significado essencial do verbo. Observe as formas verbais da
1ª conjugação: contar, esperar, brincar. Flexionando esses
verbos, nota-se que há uma parte que não muda, e que nela
está o significado real do verbo.
cont é o radical do verbo contar;
esper é o radical do verbo esperar;
brinc é o radical do verbo brincar.
Se tirarmos as terminações ar, er, ir do infinitivo dos
verbos, teremos o radical desses verbos. Também podemos
antepor prefixos ao radical: desnutrir / reconduzir.
Vogal Temática: é o elemento mórfico que designa a qual
conjugação pertence o verbo. Há três vogais temáticas: 1ª
conjugação: a; 2ª conjugação: e; 3ª conjugação: i.
Tema: é o elemento constituído pelo radical mais a vogal
temática. Ex.: contar - cont (radical) + a (vogal temática) =
tema. Se não houver a vogal temática, o tema será apenas o
radical (contei = cont ei).
Desinências: são elementos que se juntam ao radical, ou
ao tema, para indicar as flexões de modo e tempo, desinências
modo temporais e desinências número pessoais.
Contávamos
Cont = radical
a = vogal temática
va = desinência modo temporal
mos = desinência número pessoal
Flexões Verbais
Flexão de número e de pessoa: o verbo varia para indicar
o número e a pessoa.
- eu estudo – 1ª pessoa do singular;
- nós estudamos – 1ª pessoa do plural;
- tu estudas – 2ª pessoa do singular;
- vós estudais – 2ª pessoa do plural;
- ele estuda – 3ª pessoa do singular;
- eles estudam – 3ª pessoa do plural.
- Algumas regiões do Brasil, usam o pronome tu de forma
diferente da fala culta, exigida pela gramática oficial, ou seja,
tu foi, tu pega, tu tem, em vez de: tu fostes, tu pegas, tu tens.
- O pronome vós aparece somente em textos literários ou
bíblicos.
- Os pronomes: você, vocês, que levam o verbo na 3ª
pessoa, é o mais usado no Brasil.
Flexão de tempo e de modo: os tempos situam o fato ou a
ação verbal dentro de determinado momento; pode estar em
plena ocorrência, pode já ter ocorrido ou não. Essas três
possibilidades básicas, mas não únicas, são: presente,
pretérito e futuro.
O modo indica as diversas atitudes do falante com relação
ao fato que enuncia. São três os modos:
- Modo Indicativo: a atitude do falante é de certeza,
precisão. O fato é ou foi uma realidade. Apresenta presente,
pretérito perfeito, imperfeito e mais que perfeito, futuro do
presente e futuro do pretérito.
- Modo Subjuntivo: a atitude do falante é de incerteza, de
dúvida, exprime uma possibilidade. O subjuntivo expressa
uma incerteza, dúvida, possibilidade, hipótese. Apresenta
presente, pretérito imperfeito e futuro. Ex: Tenha paciência,
Lourdes; Se tivesse dinheiro compraria um carro zero;
Quando o vir, dê lembranças minhas.
- Modo Imperativo: a atitude do falante é de ordem, um
desejo, uma vontade, uma solicitação. Indica uma ordem, um
pedido, uma súplica. Apresenta imperativo afirmativo e
imperativo negativo.
Emprego dos Tempos do Indicativo
- Presente do Indicativo: para enunciar um fato
momentâneo. Ex.: Estou feliz hoje. Para expressar um fato que
ocorre com frequência. Ex.: Eu almoço todos os dias na casa de
minha mãe. Na indicação de ações ou estados permanentes,
verdades universais. Ex.: A água é incolor, inodora, insípida.
- Pretérito Imperfeito: para expressar um fato passado,
não concluído. Ex.: Nós comíamos pastel na feira; Eu cantava
muito bem.
- Pretérito Perfeito: é usado na indicação de um fato
passado concluído. Ex.: Cantei, dancei, pulei, chorei, dormi...
- Pretérito Mais-Que-Perfeito: expressa um fato passado
anterior a outro acontecimento passado. Ex.: Nós cantáramos
no congresso de música.
- Futuro do Presente: na indicação de um fato realizado
num instante posterior ao que se fala. Ex.: Cantarei domingo
no coro da igreja matriz.
- Futuro do Pretérito: para expressar um acontecimento
posterior a um outro acontecimento passado. Ex.: Compraria
um carro se tivesse dinheiro
1ª Conjugação: -AR
Presente: danço, danças, dança, dançamos, dançais,
dançam.
Pretérito Perfeito: dancei, dançaste, dançou, dançamos,
dançastes, dançaram.
Pretérito Imperfeito: dançava, dançavas, dançava,
dançávamos, dançáveis, dançavam.
Pretérito Mais-Que-Perfeito: dançara, dançaras, dançara,
dançáramos, dançáreis, dançaram.
Futuro do Presente: dançarei, dançarás, dançará,
dançaremos, dançareis, dançarão.
Futuro do Pretérito: dançaria, dançarias, dançaria,
dançaríamos, dançaríeis, dançariam.
7. Verbos: pessoa, número,
tempo e modo. 8. Vozes
verbais. 9. Transitividade
verbal e nominal
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APOSTILAS OPÇÃOLíngua Portuguesa 16
2ª Conjugação: -ER
Presente: como, comes, come, comemos, comeis, comem.
Pretérito Perfeito: comi, comeste, comeu, comemos,
comestes, comeram.
Pretérito Imperfeito: comia, comias, comia, comíamos,
comíeis, comiam.
Pretérito Mais-Que-Perfeito: comera, comeras, comera,
comêramos, comêreis, comeram.
Futuro do Presente: comerei, comerás, comerá,
comeremos, comereis, comerão.
Futuro do Pretérito: comeria, comerias, comeria,
comeríamos, comeríeis, comeriam.
3ª Conjugação: -IR
Presente: parto, partes, parte, partimos, partis, partem.
Pretérito Perfeito: parti, partiste, partiu, partimos,
partistes, partiram.
Pretérito Imperfeito: partia, partias, partia, partíamos,
partíeis, partiam.
Pretérito Mais-Que-Perfeito: partira, partiras, partira,
partíramos, partíreis, partiram.
Futuro do Presente: partirei, partirás, partirá, partiremos,
partireis, partirão.
Futuro do Pretérito: partiria, partirias, partiria,
partiríamos, partiríeis, partiriam.
Emprego dos Tempos do Subjuntivo
- Presente: é empregado para indicar um fato incerto ou
duvidoso, muitas vezes ligados ao desejo, à suposição. Ex.:
Duvido de que apurem os fatos; Que surjam novos e honestos
políticos.
- Pretérito Imperfeito: é empregado para indicar uma
condição ou hipótese. Ex.: Se recebesse o prêmio, voltaria à
universidade.
- Futuro: é empregado para indicar um fato hipotético,
pode ou não acontecer. Quando você fizer o trabalho, será
generosamente gratificado.
1ª Conjugação –AR
Presente: que eu dance, que tu dances, que ele dance, que
nós dancemos, que vós danceis, que eles dancem.
Pretérito Imperfeito: se eu dançasse, se tu dançasses, se
ele dançasse, se nós dançássemos, se vós dançásseis, se eles
dançassem.
Futuro: quando eu dançar, quando tu dançares, quando ele
dançar, quando nós dançarmos, quando vós dançardes,
quando eles dançarem.
2ª Conjugação -ER
Presente: que eu coma, que tu comas, que ele coma, que
nós comamos, que vós comais, que eles comam.
Pretérito Imperfeito: se eu comesse, se tu comesses, se ele
comesse, se nós comêssemos, se vós comêsseis, se eles
comessem.
Futuro: quando eu comer, quando tu comeres, quando ele
comer, quando nós comermos, quando vós comerdes,
quando eles comerem.
3ª conjugação – IR
Presente: que eu parta, que tu partas, que ele parta, que
nós partamos, que vós partais, que eles partam.
Pretérito Imperfeito: se eu partisse, se tu partisses, se ele
partisse, se nós partíssemos, se vós partísseis, se eles
partissem.
Futuro: quando eu partir, quando tu partires, quando ele
partir, quando nós partirmos, quando vós partirdes,
quando eles partirem.
6 https://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf69.php
Emprego do Imperativo
Imperativo Afirmativo
- Não apresenta a primeira pessoa do singular.
- É formado pelo presente do indicativo e pelo presente do
subjuntivo.
- O Tu e o Vós saem do presente do indicativo sem o “s”.
- O restante é cópia fiel do presente do subjuntivo.
Presente do Indicativo: eu amo, tu amas, ele ama, nós
amamos, vós amais, eles amam.
Presente do subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele
ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem.
Imperativo afirmativo: (X), ama tu, ame você, amemos
nós, amai vós, amem vocês.
Imperativo Negativo
- É formado através do presente do subjuntivo sem a
primeira pessoa do singular.
- Não retira os “s” do tu e do vós.
Presente do Subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele
ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem.
Imperativo negativo: (X), não ames tu, não ame você, não
amemos nós, não ameis vós, não amem vocês.
Além dos três modos citados (Indicativo, Subjuntivo e
Imperativo), os verbos apresentam ainda as formas nominais:
infinitivo – impessoal e pessoal, gerúndio e particípio.
Infinitivo Impessoal6
Quando se diz que um verbo está no infinitivo impessoal,
isso significa que ele apresenta sentido genérico ou indefinido,
não relacionado a nenhuma pessoa, e sua forma é invariável.
Assim, considera-se apenas o processo verbal. Ex.: Amar é
sofrer.
Podendo ter valor e função de substantivo. Ex.: Viver é
lutar. (= vida é luta); É indispensável combater a corrupção. (=
combate à)
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente
(forma simples) ou no passado (forma composta). Ex.: É
preciso ler este livro; Era preciso ter lido este livro.
Observe que, embora não haja desinências para a 1ª e 3ª
pessoas do singular (cujas formas são iguais às do infinitivo
impessoal), elas não deixam de referir-se às respectivas
pessoas do discurso (o que será esclarecido apenas pelo
contexto da frase). Ex.: Para ler melhor, eu uso estes óculos.
(1ª pessoa); Para ler melhor, ela usa estes óculos. (3ª pessoa)
O infinitivo impessoal é usado:
- Quando apresenta uma ideia vaga, genérica, sem se
referir a um sujeito determinado. Ex. Querer é poder.
Fumar prejudica a saúde. É proibido colar cartazes neste
muro.
- Quando tem valor de Imperativo. Ex. Soldados,
marchar! (= Marchai!) Esquerda, volver!
- Quando é regido de preposição (geralmente
precedido da preposição “de”) e funciona como
complemento de um substantivo, adjetivo ou verbo da
oração anterior. Ex.: Eles não têm o direito de gritar assim.
As meninas foram impedidas de participar do jogo. Eu os
convenci a aceitar.
No entanto, na voz passiva dos verbos "contentar",
"tomar" e "ouvir", por exemplo, o Infinitivo (verbo auxiliar)
deve ser flexionado. Exs.:
Eram pessoas difíceis de serem contentadas.
Aqueles remédios são ruins de serem tomados.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 17
Os jogos que você me emprestou são agradáveis de serem
jogados.
- Nas locuções verbais. Ex.: Queremos acordar bem cedo
amanhã. Eles não podiam reclamar do colégio. Vamos pensar
no seu caso.
- Quando o sujeito do infinitivo é o mesmo do verbo da
oração anterior. Ex. Eles foram condenados a pagar pesadas
multas. Devemos sorrir ao invés de chorar. Tenho ainda alguns
livros por (para) publicar.
Observação: quando o infinitivo preposicionado, ou não,
preceder ou estiver distante do verbo da oração principal
(verbo regente), pode ser flexionado para melhor clareza do
período e também para se enfatizar o sujeito (agente) da ação
verbal. Exs.:
Na esperança de sermos atendidos, muito lhe
agradecemos.
Foram dois amigos à casa de outro, a fim de jogarem
futebol.
Para estudarmos, estaremos sempre dispostos.
Antes de nascerem, já estão condenadas à fome muitas
crianças.
- Com os verbos causativos "deixar", "mandar" e
"fazer" e seus sinônimos que não formam locução verbal
com o infinitivo que os segue. Ex.: Deixei-os sair cedo hoje.
- Com os verbos sensitivos "ver", "ouvir", "sentir" e
sinônimos, deve-se também deixar o infinitivo sem flexão.
Ex.: Vi-os entrar atrasados. Ouvi-as dizer que não iriam à
festa.
Infinitivo Pessoal
É o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na
1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta desinências,
assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-
se da seguinte maneira:
2ª pessoa do singular: radical + ES. Ex.: teres (tu)
1ª pessoa do plural: radical + mos. Ex.: termos (nós)
2ª pessoa do plural: radical + dês. Ex.: terdes (vós)
3ª pessoa do plural: radical + em. Ex.: terem (eles)
Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa
colocação.
Quando se diz que um verbo está no infinitivo pessoal, isso
significa que ele atribui um agente ao processo verbal,
flexionando-se.
O infinitivo deve serflexionado nos seguintes casos:
- Quando o sujeito da oração estiver claramente
expresso. Exs.:
Se tu não perceberes isto...
Convém vocês irem primeiro.
O bom é sempre lembrarmos (sujeito desinencial, sujeito
implícito = nós) desta regra.
- Quando tiver sujeito diferente daquele da oração
principal. Exs.:
O professor deu um prazo de cinco dias para os alunos
estudarem bastante para a prova.
Perdoo-te por me traíres.
O hotel preparou tudo para os turistas ficarem à vontade.
O guarda fez sinal para os motoristas pararem.
- Quando se quiser indeterminar o sujeito (utilizado na
terceira pessoa do plural). Exs.:
Faço isso para não me acharem inútil.
Temos de agir assim para nos promoverem.
Ela não sai sozinha à noite a fim de não falarem mal da sua
conduta.
- Quando apresentar reciprocidade ou reflexibilidade
de ação. Exs.:
Vi os alunos abraçarem-se alegremente.
Fizemos os adversários cumprimentarem-se com
gentileza.
Mandei as meninas olharem-se no espelho.
Gerúndio
Pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Ex.: Saindo de
casa, encontrei alguns amigos. (Função de advérbio); Nas ruas,
havia crianças vendendo doces. (Função adjetivo)
Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso;
na forma composta, uma ação concluída. Ex.: Trabalhando,
aprenderás o valor do dinheiro; Tendo trabalhado, aprendeu o
valor do dinheiro.
Particípio
Quando não é empregado na formação dos tempos
compostos, o particípio indica geralmente o resultado de uma
ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Ex.:
Terminados os exames, os candidatos saíram. Quando o
particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação
temporal, assume verdadeiramente a função de adjetivo
(adjetivo verbal). Ex.: Ela foi a aluna escolhida para
representar a escola.
1ª Conjugação –AR
Infinitivo Impessoal: dançar.
Infinitivo Pessoal: dançar eu, dançares tu; dançar ele,
dançarmos nós, dançardes vós, dançarem eles.
Gerúndio: dançando.
Particípio: dançado.
2ª Conjugação –ER
Infinitivo Impessoal: comer.
Infinitivo pessoal: comer eu, comeres tu, comer ele,
comermos nós, comerdes vós, comerem eles.
Gerúndio: comendo.
Particípio: comido.
3ª Conjugação –IR
Infinitivo Impessoal: partir.
Infinitivo pessoal: partir eu, partires tu, partir ele,
partirmos nós, partirdes vós, partirem eles.
Gerúndio: partindo.
Particípio: partido.
Questões
01. (UNEMAT - Psicólogo - 2018)
Disponível
https://www.facebook.com/tirasamandinho/photos/a.488361671209144.11396
3.
488356901209621/1568398126538821/?type=3&theater.
Acesso em: fev.2018.
Na tirinha, Fê conversa com Camilo sobre o que ela
considera ser machismo na cerimônia de casamento, enquanto
Pudim diz a Armandinho que tudo aquilo que a garota
questiona é algo natural.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 18
Nas falas atribuídas à menina, o verbo ter aparece em Tem
casamentos [...] (quadro 1) e em [...] essas coisas têm
significados! (quadro 2).
Em relação a esses empregos do verbo ter, assinale a
alternativa correta.
(A) Em ambos, o verbo é impessoal.
(B) Ambos estão na terceira pessoa do plural do presente
do modo indicativo.
(C) Ambos estão na terceira pessoa do singular do presente
do modo indicativo.
(D) Ambos estão no presente do modo indicativo, embora
o primeiro esteja na terceira pessoa do singular e o segundo na
terceira pessoa do plural.
(E) Ambos estão no presente do modo subjuntivo, embora
o primeiro esteja na terceira pessoa do singular e o segundo na
terceira pessoa do plural.
02. (PC/SP - Escrivão de Polícia - VUNESP/2018)
O drama dos viciados em dívidas
Apesar dos sinais de recuperação da economia, o número
de brasileiros endividados chegou a 61,7 milhões em fevereiro
passado – o equivalente a 40% da população adulta. O número
é alto porque o hábito de manter as contas em dia não é apenas
uma questão financeira decorrente do estado geral da
economia – pode ser uma questão comportamental. Por isso,
há grupos especializados que promovem reuniões semanais
com devedores, com a finalidade de trocar experiências sobre
consumo impulsivo e propensão a viver no vermelho. Uma
dessas organizações é o Devedores Anônimos (DA), que
funciona nos mesmos moldes do Alcoólicos Anônimos (AA).
Pertencer a uma classe social mais alta não livra ninguém
do problema. As pessoas de maior renda são justamente as que
têm maior resistência em admitir a compulsão. Pior. É comum
que, diante dos apuros, como a perda do emprego, algumas
tentem manter o mesmo padrão de vida em lugar de cortar
gastos para se encaixar na nova realidade. Pedir um
empréstimo para quitar outra dívida é um comportamento
recorrente entre os endividados.
Para sair do vermelho, aceitar o vício é o primeiro passo.
Uma vez que o devedor reconhece o problema, a próxima
etapa é se planejar.
(Felipe Machado e Tatiana Babadobulos, Veja, 04.04.2018. Adaptado)
Assinale a alternativa em que os verbos estão conjugados
de acordo com a norma-padrão, em substituição aos trechos
destacados na passagem – É comum que, diante dos apuros,
como a perda do emprego, algumas tentem manter o mesmo
padrão de vida.
(A) Poderia acontecer que ... mantêm
(B) Pôde acontecer que ... mantessem
(C) Podia acontecer que ... mantivessem
(D) Pôde acontecer que ... manteram
(E) Podia acontecer que ... mantiveram
03. (PC/SP - Escrivão de Polícia - VUNESP/2018) A vida
de Dorinha Duval foi, ____ . O processo ainda não havia ido a
Júri quando a tese da defesa foi mudada. Não seria mais
violenta emoção, mas legítima defesa. Ela não teria atirado no
marido por ter sido ___ e chamada de velha, mas ______ o marido
passou a agredi-la. De fato, o exame pericial de corpo de delito
realizado em Dorinha constatou a existência de _______ em seu
corpo. A versão da legítima defesa era ______ .
(Luiza Nagib Eluf, A paixão no banco dos réus. Adaptado)
7 https://www.conjugacao.com.br/locucao-verbal/
As expressões verbais empregadas em tempo que exprime
a ideia de hipótese são:
(A) seria e teria.
(B) foi e seria.
(C) teria e ter sido.
(D) foi e constatou.
(E) ter sido e passou.
04. (Pref. Itaquitinga/PE - Assistente Administrativo -
IDHTEC/2016) Morto em 2015, o pai afirma que Jules Bianchi
não __________culpa pelo acidente. Em entrevista, Philippe
Bianchi afirma que a verdade nunca vai aparecer, pois os
pilotos __________ medo de falar. "Um piloto não vai dizer nada
se existir uma câmera, mas quando não existem câmeras,
todos __________ até mim e me dizem. Jules Bianchi bateu com
seu carro em um trator durante um GP, aquaplanou e não
conseguiu __________para evitar o choque.
(http://espn.uol.com.br/noticia/603278_pai-diz-que-pilotos-da-f-1-
temmedo-de-falar-a-verdade-sobre-o-acidente-fatal-de-bianchi)
Complete com a sequência de verbos que está no tempo,
modo e pessoa corretos:
(A) Tem – tem – vem - freiar
(B) Tem – tiveram – vieram - frear
(C) Teve – tinham – vinham – frenar
(D) Teve – tem – veem – freiar
(E) Teve – têm – vêm – frear
05. (Prefeitura Florianópolis/SC - Auxiliar de Sala -
FEPESE/2016) Assinale a alternativa em que está correta a
correlação entre os tempos e os modos verbais nas frases
abaixo.
(A) A entonação correta ao falarmos colabora com o
entendimento que o outro tem do assunto tratado e reforçaria
a nossa persuasão.
(B) Para falar bem em público, organize as ideias de acordo
com o tempo que você terá e, antes de falar, ensaie sua
apresentação.
(C) A capacidadede os adolescentes virem a falar em
público, teria dependido dos bons ensinamentos da escola.
(D) Quem vier a comparar a fala dos jovens de hoje com os
da geração passada, haveria de concluir que os jovens de hoje
leem muito menos.
(E) O contato visual também é importante ao falar em
público. Passa empatia e envolveria o outro.
Gabarito
01.D / 02.C / 03.A / 04.E / 05.B
Locução Verbal
Uma locução verbal7 é a combinação de um verbo
auxiliar e um verbo principal. Esses dois verbos, aparecendo
juntos na oração, transmitem apenas uma ação verbal,
desempenhando o papel de um único verbo. Exemplo:
- estive pensando
- quero sair
- pode ocorrer
- tem investigado
- tinha decidido
Função dos verbos auxiliares nas locuções verbais
Apenas o verbo auxiliar é flexionado. Verbo auxiliar é o
que perdendo significado próprio, é utilizado para auxiliar na
conjugação de outro, o verbo principal. Assim, o tempo, o
modo, o número, a pessoa e o aspecto da ação verbal são
indicados pelo verbo auxiliar.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 19
Os auxiliares mais comuns são: “Ter, Haver, Ser e Estar”.
Contudo, outros verbos também atuam como verbos auxiliares
nas locuções verbais, como os verbos poder, dever, querer,
começar a, deixar de, voltar a, continuar a, entre outros.
Função dos verbos principais nas locuções verbais
Nas locuções verbais o verbo auxiliar aparece conjugado e
o principal numa das formas nominais: no gerúndio, no
infinitivo ou no particípio.
Locução verbal com verbo principal no gerúndio
Ex.: Estou escrevendo
verbo auxiliar flexionado: estou
verbo principal no gerúndio: escrevendo
Locução verbal com verbo principal no infinitivo
Ex.: Quero sair
verbo auxiliar flexionado: quero
verbo principal no infinitivo: sair
Locução verbal com verbo principal no particípio
Ex.: Tinha decidido
verbo auxiliar flexionado: tinha
verbo principal no particípio: decidido
Em todos os exemplos a ideia central é expressa pelo verbo
principal, os verbos auxiliares apenas indicam flexões de
tempo, modo, pessoa, número e voz. Sem os verbos principais,
os auxiliares não teriam sentido algum.
Questões
01. (CISSUL/MG - Condutor Socorrista - IBGP/2017)
Assinale a alternativa que contém uma locução verbal
extraída do cartum.
(A) Não terão.
(B) Como andar.
(C) Vai chegar.
(D) Todos terão.
02. (CRQ 4ª REGIÃO/SP - Fiscal - QUADRIX)
Qual forma verbal substituiria, sem causar alteração de
sentido, a locução verbal "vou ter", que aparece no primeiro
quadrinho?
(A) "terei".
(B) "teria".
(C) "tivera".
(D) "tenha".
(E) "tinha".
03. (Pref. João Pessoa/PB - Professor Língua
Portuguesa - FGV) Uma locução verbal é o conjunto formado
por um verbo auxiliar + um verbo principal, este último
sempre em forma nominal. Nas frases a seguir as formas
verbais sublinhadas constituem uma locução verbal, à exceção
de uma. Assinale‐a.
(A) Todos podem entrar assim que chegarem.
(B) Se os grevistas querem trabalhar menos, não vou
atendê‐los.
(C) Deixem entrar todos os atrasados.
(D) Elas não sabem cozinhar como antigamente.
(E) A plantação foi‐se expandindo para os lados
Gabarito
01.C / 02.A / 03.C
VOZES DOS VERBOS
Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo verbo para
indicar se o sujeito gramatical é agente ou paciente da ação.
São três as vozes verbais:
Ativa: quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação
expressa pelo verbo. Ex.:
Ele fez o trabalho.
(ele - sujeito agente) (fez - ação) (o trabalho - objeto
paciente)
Passiva: quando o sujeito é paciente, recebendo a ação
expressa pelo verbo. Ex.:
O trabalho foi feito por ele.
(O trabalho - sujeito paciente) (foi feito - ação) (por ele -
agente da passiva)
Reflexiva: há dois tipos de voz reflexiva:
a) Reflexiva: será chamada simplesmente de reflexiva,
quando o sujeito praticar a ação sobre si mesmo. Ex.:
- Carla machucou-se.
- Marcos cortou-se com a faca.
- Roberto matou-se.
b) Reflexiva Recíproca: será chamada de reflexiva
recíproca, quando houver dois elementos como sujeito: um
pratica a ação sobre o outro, que pratica a ação sobre o
primeiro. Ex.:
- Paula e Renato amam-se.
- Os jovens agrediram-se durante a festa.
- Os ônibus chocaram-se violentamente.
Formação da Voz Passiva
A voz passiva pode ser formada por dois processos:
Voz Passiva Analítica: constrói-se da seguinte maneira
(Verbo Ser + particípio do verbo principal).
Ex.: A escola será pintada / O trabalho é feito por ele.
O agente da passiva geralmente é acompanhado da
preposição por, mas pode ocorrer a construção com a
preposição de. Ex.: A casa ficou cercada de soldados.
Pode acontecer ainda que o agente da passiva não esteja
explícito na frase. Ex.: A exposição será aberta amanhã.
A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar Ser, pois
o particípio é invariável.
Observe a transformação das frases seguintes:
a) Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do indicativo)
O trabalho foi feito por ele. (pretérito perfeito do
indicativo)
b) Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)
O trabalho é feito por ele. (presente do indicativo)
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 20
Nas frases com locuções verbais, o verbo Ser assume o
mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa. Observe
a transformação da frase seguinte: O vento ia levando as
folhas. (gerúndio); As folhas iam sendo levadas pelo vento.
(gerúndio)
É menos frequente a construção da voz passiva analítica
com outros verbos que podem eventualmente funcionar como
auxiliares: A moça ficou marcada pela doença.
Voz Passiva Sintética: a voz passiva sintética ou
pronominal constrói-se com o verbo na 3ª pessoa, seguido do
pronome apassivador “se”: Abriram-se as inscrições para o
concurso; Destruiu-se o velho prédio da escola. O agente não
costuma vir expresso na voz passiva sintética.
Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar
substancialmente o sentido da frase.
Gutenberg inventou a imprensa. (Voz Ativa)
Gutenberg – sujeito da Ativa
a imprensa – Objeto Direto
A imprensa foi inventada por Gutenberg (Voz Passiva)
A imprensa – Sujeito da Passiva
por Gutenberg – Agente da Passiva8
- Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o
sujeito da ativa passará a agente da passiva e o verbo ativo
assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo.
Exemplos:
Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos
mestres.
Eu o acompanharei.
Ele será acompanhado por mim.
- Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não
haverá complemento agente na passiva: Prejudicaram-me; Fui
prejudicado.
- Aos verbos que não são ativos nem passivos ou reflexivos,
são chamados neutros: O vinho é bom; Aqui chove muito.
- Há formas passivas com sentido ativo:
É chegada a hora. (= Chegou a hora.)
Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nascido.)
És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)
- Inversamente, usamos formas ativas com sentido
passivo:
Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas)
Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)
- Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido
cirúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo o
sujeito é paciente.
Chamo-me Luís.
Batizei-me na Igreja do Carmo.Operou-se de hérnia.
Vacinaram-se contra a gripe.
Verbos Transitivos Diretos
Os verbos transitivos diretos são complementados por
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição para
o estabelecimento da relação de regência. Ao empregar esses
verbos, devemos lembrar que os pronomes oblíquos o, a, os,
as atuam como objetos diretos. Esses pronomes podem
8 CEGALA, Domingos. Minigramática Língua Portuguesa. Nacional. 2004.
assumir as formas lo, los, la, las (após formas verbais
terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após formas
verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e lhes são,
quando complementos verbais, objetos indiretos.
São verbos transitivos diretos: abandonar, abençoar,
aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, admirar, adorar,
alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar, castigar,
condenar, conhecer, conservar, convidar, defender, eleger,
estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar,
proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar, dentre
outros.
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente como
o verbo amar:
Amo aquele rapaz. / Amo-o.
Amo aquela moça. / Amo-a.
Amam aquele rapaz. / Amam-no.
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
Obs.: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos
adnominais).
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira)
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor)
Verbos Transitivos Indiretos
Os verbos transitivos indiretos são complementados por
objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exigem uma
preposição para o estabelecimento da relação de regência. Os
pronomes pessoais do caso oblíquo de terceira pessoa que
podem atuar como objetos indiretos são o "lhe", o "lhes", para
substituir pessoas. Não se utilizam os pronomes o, os, a,
as como complementos de verbos transitivos indiretos. Com
os objetos indiretos que não representam pessoas, usam-se
pronomes oblíquos tônicos de terceira pessoa (ele, ela) em
lugar dos pronomes átonos lhe, lhes.
Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:
a) Consistir - tem complemento introduzido pela
preposição "em".
A modernidade verdadeira consiste em direitos iguais para
todos.
b) Obedecer e Desobedecer - possuem seus complementos
introduzidos pela preposição "a".
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Eles desobedeceram às leis do trânsito.
c) Responder - tem complemento introduzido pela
preposição "a". Esse verbo pede objeto indireto para indicar "a
quem" ou "ao que" se responde.
Respondi ao meu patrão.
Respondemos às perguntas.
Respondeu-lhe à altura.
Obs.: o verbo responder, apesar de transitivo indireto
quando exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva
analítica. Veja: O questionário foi respondido corretamente. /
Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.
d) Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complementos
introduzidos pela preposição "com".
Antipatizo com aquela apresentadora.
Simpatizo com os que condenam os políticos que governam
para uma minoria privilegiada.
Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
Os verbos transitivos diretos e indiretos são
acompanhados de um objeto direto e um indireto. Merecem
destaque, nesse grupo:
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 21
Agradecer, Perdoar e Pagar
São verbos que apresentam objeto direto
relacionado a coisas e objeto indireto relacionado a pessoas.
Veja os exemplos:
Agradeço aos ouvintes a audiência.
Objeto Indireto Objeto Direto
Cristo ensina que é preciso perdoar o pecado ao pecador.
Objeto
Direto Objeto Indireto
Paguei o débito ao cobrador.
Objeto Direto Objeto Indireto
- O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito com
particular cuidado. Observe:
Agradeci o presente. / Agradeci-o.
Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Paguei minhas contas. / Paguei-as.
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
Informar
- Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
Informe os novos preços aos clientes.
Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos
preços)
- Na utilização de pronomes como complementos, veja as
construções:
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou sobre
eles)
Obs.: a mesma regência do verbo informar é usada para os
seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.
Comparar
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as
preposições "a" ou "com" para introduzir o complemento
indireto.
Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma
criança.
Pedir
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na
forma de oração subordinada substantiva) e indireto de
pessoa.
Pedi-lhe favores.
Objeto Indireto Objeto Direto
Pedi-lhe que mantivesse em silêncio.
Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva
Objetiva Direta
Saiba que:
1) A construção "pedir para", muito comum na linguagem
cotidiana, deve ter emprego muito limitado na língua culta. No
entanto, é considerada correta quando a
palavra licença estiver subentendida.
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa.
Observe que, nesse caso, a preposição "para" introduz uma
oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo
(para ir entregar-lhe os catálogos em casa).
2) A construção "dizer para", também muito usada
popularmente, é igualmente considerada incorreta.
Preferir
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto
indireto introduzido pela preposição "a". Por Exemplo:
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.
Prefiro trem a ônibus.
Obs.: na língua culta, o verbo "preferir" deve ser usado
sem termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil vezes,
um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo prefixo
existente no próprio verbo (pre).
Mudança de Transitividade versus Mudança de
Significado
Há verbos que, de acordo com a mudança de
transitividade, apresentam mudança de significado. O
conhecimento das diferentes regências desses verbos é um
recurso linguístico muito importante, pois além de permitir a
correta interpretação de passagens escritas, oferece
possibilidades expressivas a quem fala ou escreve. Dentre os
principais, estão:
Agradar
- Agradar é transitivo direto no sentido de fazer carinhos,
acariciar.
Sempre agrada o filho quando o revê. / Sempre o agrada
quando o revê.
Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. /
Cláudia não perde oportunidade de agradá-lo.
- Agradar é transitivo indireto no sentido de causar agrado
a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento introduzido
pela preposição "a".
O cantor não agradou aos presentes.
O cantor não lhes agradou.
Aspirar
- Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar
(o ar), inalar.
Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
- Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
como ambição.
Aspirávamos a melhores condições de vida. (Aspirávamos a
elas)
Obs.: como o objeto direto do verbo "aspirar" não é
pessoa, mas coisa, não se usam as formaspronominais átonas
"lhe" e "lhes" e sim as formas tônicas "a ele (s)", " a ela (s)". Veja
o exemplo:
Aspiravam a uma existência melhor. (= Aspiravam a ela)
Assistir
- Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar
assistência a, auxiliar. Por Exemplo:
As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
- Assistir é transitivo indireto no sentido de ver,
presenciar, estar presente, caber, pertencer.
Exemplos:
Assistimos ao documentário.
Não assisti às últimas sessões.
Essa lei assiste ao inquilino.
Obs.: no sentido de morar, residir, o verbo "assistir" é
intransitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de
lugar introduzido pela preposição "em".
Assistimos numa conturbada cidade.
Chamar
- Chamar é transitivo direto no sentido de convocar,
solicitar a atenção ou a presença de.
Por gentileza, vá chamar sua prima. / Por favor, vá chamá-
la.
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 22
- Chamar no sentido de denominar, apelidar pode
apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere
predicativo preposicionado ou não.
A torcida chamou o jogador mercenário.
A torcida chamou ao jogador mercenário.
A torcida chamou o jogador de mercenário.
A torcida chamou ao jogador de mercenário.
Custar
- Custar é intransitivo no sentido de ter determinado valor
ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial.
Frutas e verduras não deveriam custar muito.
- No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo ou
transitivo indireto.
Muito custa viver tão longe da família.
Verbo Oração Subordinada Substantiva Subjetiva
Intransitivo Reduzida de Infinitivo
Custa-me (a mim) crer que tomou realmente aquela
atitude.
Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva
- Subjetiva Reduzida de Infinitivo
Obs.: a Gramática Normativa condena as construções que
atribuem ao verbo "custar" um sujeito representado por
pessoa. Observe o exemplo abaixo:
Custei para entender o problema.
Forma correta: Custou-me entender o problema.
Implicar
- Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
a) dar a entender, fazer supor, pressupor
Suas atitudes implicavam um firme propósito.
b) Ter como consequência, trazer como consequência,
acarretar, provocar
Liberdade de escolha implica amadurecimento político de
um povo.
- Como transitivo direto e indireto, significa comprometer,
envolver
Implicaram aquele jornalista em questões econômicas.
Obs.: no sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo
indireto e rege com preposição "com".
Implicava com quem não trabalhasse arduamente.
Proceder
- Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter
cabimento, ter fundamento ou portar-se, comportar-se,
agir. Nessa segunda acepção, vem sempre acompanhado de
adjunto adverbial de modo.
As afirmações da testemunha procediam, não havia como
refutá-las.
Você procede muito mal.
- Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a
preposição" de") e fazer, executar (rege complemento
introduzido pela preposição "a") é transitivo indireto.
O avião procede de Maceió.
Procedeu-se aos exames.
O delegado procederá ao inquérito.
Querer
- Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter
vontade de, cobiçar.
Querem melhor atendimento.
Queremos um país melhor.
- Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição,
estimar, amar.
Quero muito aos meus amigos.
Ele quer bem à linda menina.
Despede-se o filho que muito lhe quer.
Visar
- Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar,
fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
O homem visou o alvo.
O gerente não quis visar o cheque.
- No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como
objetivo, é transitivo indireto e rege a preposição "a".
O ensino deve sempre visar ao progresso social.
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar
público.
Questões
01. (Copebrás/PE - Analista Administrador - FCC)
A velhinha contrabandista
Todos os dias uma velhinha atravessava a ponte entre dois
países, de bicicleta e carregando uma bolsa. E todos os dias era
revistada pelos guardas da fronteira, à procura de
contrabando. Os guardas tinham certeza que a velhinha era
contrabandista, mas revistavam a velhinha, revistavam a sua
bolsa e nunca encontravam nada. Todos os dias a mesma coisa:
nada. Até que um dia um dos guardas decidiu seguir a velhinha,
para flagrá-la vendendo a muamba, ficar sabendo o que ela
contrabandeava e, principalmente, como. E seguiu a velhinha
até o seu próspero comércio de bicicletas e bolsas.
Como todas as fábulas, esta traz uma lição, só nos cabendo
descobrir qual. Significa que quem se concentra no mal
aparentemente disfarçado descuida do mal disfarçado de
aparente, ou que muita atenção ao detalhe atrapalha a
percepção do todo, ou que o hábito de só pensar o óbvio é a
pior forma de distração.
(VERISSIMO, Luis Fernando. O mundo é bárbaro. Rio de Janeiro: Objetiva,
2008, p. 41)
Transpondo-se para a voz passiva a frase Um dos
guardas seguia a velhinha para que a flagrasse como
contrabandista, as formas verbais resultantes deverão
ser
(A) era seguida − fosse flagrada
(B) tinha seguido − vir a flagrá-la
(C) tinha sido seguida − se flagrasse
(D) estava seguindo − se tivesse flagrado
(E) teria seguido − tivesse sido flagrada
02. (ELETROBRÁS - Técnico de Segurança do Trabalho
- FCC)
Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo
movido a energia solar
Bem no meio do deserto, há um lugar onde o calor é
extremo. Sessenta e três graus ou até mais no verão. E foi
exatamente por causa da temperatura que foi construída em
Abu Dhabi uma das maiores usinas de energia solar do mundo.
Os Emirados Árabes estão investindo em fontes
energéticas renováveis. Não vão substituir o petróleo, que eles
têm de sobra por mais 100 anos pelo menos. O que pretendem
é diversificar e poluir menos. Uma aposta no futuro.
A preocupação com o planeta levou Abu Dhabi a tirar do
papel a cidade sustentável de Masdar. Dez por cento do
planejado está pronto. Um traçado urbanístico ousado, que
deixa os carros de fora. Lá só se anda a pé ou de bicicleta. As
ruas são bem estreitas para que um prédio faça sombra no
outro. É perfeito para o deserto. Os revestimentos das paredes
isolam o calor. E a direção dos ventos foi estudada para criar
corredores de brisa.
(Adaptado de: “Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido a
energia solar”. Disponível em:
http://g1.globo.com/globoreporter/noticia/2016/04/abu-dhabi-constroi-
cidade-do-futuro-com-tudo-movido-energia-solar.html)
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 23
Os revestimentos das paredes isolam o calor. (3º
parágrafo)
Essa oração está corretamente reescrita na voz passiva em:
(A) Isola o calor os revestimentos das paredes.
(B) O calor é isolado pelos revestimentos das paredes.
(C) Isolam-se o calor ao ser revestido as paredes.
(D) O calor é que isola os revestimentos das paredes.
(E) Os revestimentos das paredes são isolado do calor.
03. (Pref. Caucaia/CE - Agente de Suporte a
Fiscalização - CETREDE) O período “Fazem-se unhas” é
sintaticamente igual a
(A) faz-se unhas.
(B) precisa-se de empregados.
(C) trabalha-se muito.
(D) compram-se livros.(E) unhas são feitas.
04. (Pref. Carpina - Assistente Administrativo -
CONPASS) Identifique a alternativa que apresenta o verbo na
voz reflexiva:
(A) Os pais contemplam-se nos filhos.
(B) Desejo comprar um livro.
(C) As cidades serão enfeitadas.
(D) Abrir-se-ão novas escolas.
(E) As despesas foram pagas por mim.
05. (TRT 2ª Região/SP - Técnico Judiciário - FCC/2018)
Comer um ovo por dia pode ajudar a evitar problemas
cardíacos comuns, de acordo com um novo estudo científico
publicado no jornal Heart.
A análise foi realizada por pesquisadores dos Estados
Unidos e da China, que avaliaram a existência de uma relação
entre o consumo de ovos e o menor risco de desenvolvimento
de problemas coronários, problemas cardiovasculares, doença
arterial coronariana, acidentes vasculares cerebrais
isquêmicos ou hemorrágicos.
Coletados entre os anos de 2004 e 2008 (com participantes
acompanhados por 8 ou 9 anos depois disso), os dados usados
eram de mais de 500 mil pessoas que residem em diferentes
regiões da China e têm idades entre 30 e 79 anos. Dessa base,
13,1% dos participantes disseram consumir cerca de um ovo
por dia (0,76), enquanto 9,1% afirmaram nunca ou quase
nunca comer o alimento (0,29 ovo por dia).
A conclusão dos pesquisadores foi de que o consumo
moderado de ovos, um por dia, em média, apresentou um nível
significativamente mais baixo de desenvolvimento de doenças
cardiovasculares, sem que a ingestão do alimento
apresentasse efeitos que coloquem a saúde em risco.
No estudo, o alimento reduziu em 26% o risco de
hemorragia cerebral e em 28% o risco de morte por essa
condição. Já o risco de morte por doença cardiovascular foi
diminuído em 18% devido ao consumo do ovo. No caso de
pessoas que comem, em média, 5 ovos por semana, o risco de
doença cardíaca isquêmica foi reduzido em 12%, em relação
às pessoas que afirmaram consumir ovos raramente.
(Texto adaptado. Disponível em: exame.abril.com.br)
A análise foi realizada por pesquisadores dos Estados
Unidos e da China... (2o parágrafo)
A frase indicada acima fica com a forma verbal correta na
voz ativa correspondente em:
(A) Pesquisadores dos Estados Unidos e da China realizam
a análise.
9 http://www.brasilescola.com/gramatica/estrutura-e-formacao-de-
palavras-i.htm
(B) Foi pesquisadores dos Estados Unidos e da China que
realizaram a análise.
(C) É que pesquisadores dos Estados Unidos e da China
realizaram a análise.
(D) Realizou-se a análise pesquisadores dos Estados
Unidos e da China.
(E) Pesquisadores dos Estados Unidos e da China
realizaram a análise.
Gabarito
01.A / 02.B / 03.D / 04.A / 05.E
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
Observe as seguintes palavras:
escol-a
escol-ar
escol-arização
escol-arizar
sub-escol-arização
Percebemos9 que há um elemento comum a todas elas: a
forma escol-. Além disso, em todas há elementos destacáveis,
responsáveis por algum detalhe de significação. Compare, por
exemplo, escola e escolar: partindo de escola, formou-se
escolar pelo acréscimo do elemento destacável: ar.
Por meio desse trabalho de comparação entre as diversas
palavras que selecionamos, podemos depreender a existência
de diferentes elementos formadores. Cada um desses
elementos formadores é uma unidade mínima de significação,
um elemento significativo indecomponível, a que damos o
nome de morfema.
Classificação dos Morfemas
Radical: há um morfema comum a todas as palavras que
estamos analisando: escol-.
É esse morfema comum - o radical - que faz com que as
consideremos palavras de uma mesma família de significação.
- Nos cognatos o radical é a parte da palavra responsável
por sua significação principal.
Afixos: como vimos, o acréscimo do morfema - ar - cria
uma nova palavra a partir de escola. De maneira semelhante, o
acréscimo dos morfemas sub e arização à forma escol
criou subescolarização. Esses morfemas recebem o nome de
afixos.
Quando são colocados antes do radical, como acontece
com sub, os afixos recebem o nome de prefixos. Quando, como
arização, surgem depois do radical os afixos são chamados
de sufixos.
- Prefixos e Sufixos, além de operar mudança de classe
gramatical, são capazes de introduzir modificações de
significado no radical a que são acrescentados.
Desinências: quando se conjuga o verbo amar, obtêm-se
formas como amava, amavas, amava, amávamos, amáveis,
amavam. Essas modificações ocorrem à medida que o verbo
vai sendo flexionado em número (singular e plural) e pessoa
10. Estrutura, classificação
e formação de palavras.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 24
(primeira, segunda ou terceira). Também ocorrem se
modificarmos o tempo e o modo do verbo (amava, amara,
amasse, por exemplo).
Assim, podemos concluir, que existem morfemas que
indicam as flexões das palavras. Esses morfemas sempre
surgem no fim das palavras variáveis e recebem o nome de
desinências, no qual podem ser divididos em:
a) Desinências nominais: indicam o gênero e o número
dos nomes. Para a indicação de gênero, o português costuma
opor as desinências -o/-a: garoto/garota; menino/menina.
Para a indicação de número, costuma-se utilizar o
morfema –s, que indica o plural em oposição à ausência de
morfema, que indica o singular: garoto/garotos;
garota/garotas; menino/meninos; menina/meninas.
No caso dos nomes terminados em –r e – z, a desinência de
plural assume a forma -es:
mar/mares;
revólver/revólveres;
cruz/cruzes.
b) Desinências verbais: em nossa língua, as desinências
verbais pertencem a dois tipos distintos. Há aqueles que
indicam o modo e o tempo (desinências modo-temporais) e
aquelas que indicam o número e a pessoa dos verbos
(desinência número-pessoais):
cant-á-va-mos
cant-á-sse-is
cant: radical
cant: radical
-á-: vogal temática
-á-: vogal temática
-va-: desinência modo-temporal(caracteriza o pretérito
imperfeito do indicativo).
-sse-: desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito
imperfeito do subjuntivo).
-mos: desinência número-pessoal (caracteriza a primeira
pessoa do plural).
-is: desinência número-pessoal (caracteriza a segunda
pessoa do plural).
Vogal Temática: observe que, entre o radical cant- e as
desinências verbais, surge sempre o morfema – a.
Esse morfema, que liga o radical às desinências, é chamado
de vogal temática. Sua função é ligar-se ao radical,
constituindo o chamado tema. É ao tema (radical + vogal
temática) que se acrescentam as desinências. Tanto os verbos
como os nomes apresentam vogais temáticas.
Vogais Temáticas Nominais: são -a, -e, e -o, quando
átonas finais, como em mesa, artista, busca, perda, escola,
triste, base, combate. Nesses casos, não poderíamos pensar que
essas terminações são desinências indicadoras de gênero, pois
a mesa, a escola, por exemplo, não sofrem esse tipo de flexão.
É a essas vogais temáticas que se liga a desinência indicadora
de plural:
mesa-s, escola-s, perda-s. Os nomes terminados em vogais
tônicas (sofá, café, cipó, caqui, por exemplo) não apresentam
vogal temática.
Vogais temáticas verbais: são -a, -e e - i, que caracterizam
três grupos de verbos a que se dá o nome de conjugações.
Assim, os verbos cuja vogal temática é -a pertencem à primeira
conjugação; aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à
segunda conjugação e os que têm vogal temática -i pertencem
à terceira conjugação.
primeira conj. segunda conj. terceira conj.govern-a-va estabelec-e-sse defin-i-ra
atac-a-va cr-e-ra imped-i-sse
realiz-a-sse mex-e-rá g-i-mos
Vogal ou consoante de ligação: as vogais ou consoantes
de ligação são morfemas que surgem por motivos eufônicos,
ou seja, para facilitar ou mesmo possibilitar a leitura de uma
determinada palavra. Temos um exemplo de vogal de ligação
na palavra escolaridade: o - i - entre os sufixos - ar- e -dade
facilita a emissão vocal da palavra. Outros exemplos:
gasômetro, alvinegro, tecnocracia, paulada, cafeteira, chaleira,
tricota.
Processos de Formação de Palavras
Composição
Haverá composição quando se juntarem dois ou mais
radicais para formar nova palavra. Há dois tipos de
composição: justaposição e aglutinação.
a) Justaposição: ocorre quando os elementos que formam
o composto são postos lado a lado, ou seja, justapostos. Por
exemplo: Corre-corre, guarda-roupa, segunda-feira, girassol.
b) Aglutinação: ocorre quando os elementos que formam
o composto se aglutinam e pelo menos um deles perde sua
integridade sonora. Por exemplo: Aguardente (água +
ardente), planalto (plano + alto), pernalta (perna + alta),
vinagre (vinho + acre)
Derivação por Acréscimo de Afixos
É o processo pelo qual se obtêm palavras novas
(derivadas) pela anexação de afixos à palavra primitiva. A
derivação pode ser: prefixal, sufixal e parassintética.
a) Prefixal (ou prefixação): a palavra nova é obtida por
acréscimo de prefixo.
In------ --feliz des----------leal
Prefixo radical prefixo radical
b) Sufixal (ou sufixação): a palavra nova é obtida por
acréscimo de sufixo.
Feliz---- mente leal------dade
Radical sufixo radical sufixo
c) Parassintética: a palavra nova é obtida pelo acréscimo
simultâneo de prefixo e sufixo (não posso retirar o prefixo nem
o sufixo que estão ligados ao radical, pois a palavra não
“existiria”). Por parassíntese formam-se principalmente
verbos.
En-- -----trist- ----ecer
Prefixo radical sufixo
en----- ---tard--- --ecer
prefixo radical sufixo
Outros Tipos de Derivação
Há dois casos em que a palavra derivada é formada sem
que haja a presença de afixos. São eles: a derivação regressiva
e a derivação imprópria.
a) Derivação regressiva: a palavra nova é obtida por
redução da palavra primitiva. Ocorre, sobretudo, na formação
de substantivos derivados de verbos.
Por exemplo: A pesca está proibida. (pescar). Proibida a
caça. (caçar)
b) Derivação imprópria: a palavra nova (derivada) é
obtida pela mudança de categoria gramatical da palavra
primitiva. Não ocorre, pois, alteração na forma, mas tão
somente na classe gramatical. Por exemplo:
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 25
Não entendi o porquê da briga. (o substantivo porquê
deriva da conjunção porque)
Seu olhar me fascina! (o verbo olhar tornou-se, aqui,
substantivo)
Outros processos de formação de palavras
- Hibridismo: é a palavra formada com elementos
oriundos de línguas diferentes.
automóvel (auto: grego; móvel: latim)
sociologia (socio: latim; logia: grego)
sambódromo (samba: dialeto africano; dromo: grego)
- Abreviação vocabular: cujo traço peculiar manifesta-se
por meio da eliminação de um segmento de uma palavra no
intuito de se obter uma forma mais reduzida, geralmente
aquelas mais longas. Vejamos alguns exemplos:
metropolitano – metrô
extraordinário – extra
otorrinolaringologista – otorrino
telefone – fone
pneumático – pneu
- Onomatopeia: consiste em criar palavras, tentando
imitar sons da natureza ou sons repetidos. Por exemplo: zum-
zum, cri-cri, tique-taque, pingue-pongue, blá-blá-blá.
- Siglas: as siglas são formadas pela combinação das letras
iniciais de uma sequência de palavras que constitui um nome.
Por exemplo: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística); IPTU (Imposto Predial, Territorial e Urbano).
As siglas escrevem-se com todas as letras maiúsculas, a não
ser que haja mais de três letras e a sigla seja
pronunciável sílaba por sílaba.
Por exemplo: Unicamp, Petrobras.
Questões
01. Assinale a opção em que todas as palavras se formam
pelo mesmo processo:
A) ajoelhar / antebraço / assinatura
B) atraso / embarque / pesca
C) o jota / o sim / o tropeço
D) entrega / estupidez / sobreviver
E) antepor / exportação / sanguessuga
02. A palavra “aguardente” formou-se por:
A) hibridismo
B) aglutinação
C) justaposição
D) parassíntese
E) derivação regressiva
03. Que item contém somente palavras formadas por
justaposição?
A) desagradável - complemente
B) vaga-lume - pé-de-cabra
C) encruzilhada - estremeceu
D) supersticiosa - valiosas
E) desatarraxou - estremeceu
04. “Sarampo” é:
A) forma primitiva
B) formado por derivação parassintética
C) formado por derivação regressiva
D) formado por derivação imprópria
E) formado por onomatopeia
05. As palavras são formadas através de derivação
parassintética em
A)infelizmente, desleal, boteco, barraco.
B)ajoelhar, anoitecer, entristecer, entardecer.
C)caça, pesca, choro, combate.
D)ajoelhar, pesca, choro, entristecer.
Gabarito
01.B / 02.B / 03.B / 04.C / 05.B
Figuras de Palavra
São as que dependem do uso de determinada palavra com
sentido novo, incomum. São elas:
Metáfora: É um tipo de comparação (mental) sem uso de
conectivos comparativos, com utilização de verbo de ligação
explícito na frase.
Exemplo:
“Sua boca era um pássaro escarlate.” (Castro Alves)
Metonímia: Troca-se uma palavra por outra com a qual ela
se relaciona. Ocorre a metonímia quando empregamos:
- O autor ou criador pela obra. Exemplo: Gosto de ler
Jorge Amado (observe que o nome do autor está sendo usado
no lugar de suas obras).
- O efeito pela causa e vice-versa. Exemplos: Ganho a
vida com o suor do meu rosto. (o suor é o efeito ou resultado e
está sendo usado no lugar da causa, ou seja, o “trabalho”).
- O continente pelo conteúdo. Exemplo: Ela comeu uma
caixa de doces. (= doces).
- O abstrato pelo concreto e vice-versa. Exemplos: A
velhice deve ser respeitada. (= pessoas velhas).
- O instrumento pela pessoa que o utiliza. Exemplo: Ele
é bom volante. (= piloto ou motorista).
- O lugar pelo produto. Exemplo: Gosto muito de tomar
um Porto. (= a cidade do Porto).
- O símbolo ou sinal pela coisa significada. Exemplo: Os
revolucionários queriam o trono. (= império, o poder).
- A parte pelo todo. Exemplo: Não há teto para os
necessitados. (= a casa).
- O indivíduo pela classe ou espécie. Exemplo: Ele foi o
judas do grupo. (= espécie dos homens traidores).
- O singular pelo plural. Exemplo: O homem é um animal
racional. (o singular homem está sendo usado no lugar do
plural homens).
- O gênero ou a qualidade pela espécie. Exemplo: Os
mortais somos imperfeitos. (= seres humanos).
- A matéria pelo objeto. Exemplo: Ele não tem um níquel.
(= moeda).
Ênfase:é um substantivo feminino que significa realce,
destaque exaltação ou importância. Expressar ênfase é
demonstrar entusiasmo e eloquência exagerados no momento
de falar ou gesticular. Ex.: Seu discurso foi realizado “com
ênfase”.
Entende-se por “dar ênfase”, o ato de focar, de salientar, de
enfatizar certas palavras, frases ou ideias, com o propósito de
dar-lhes uma importância especial. Ex.: Ele procurou "dar
ênfase" aoseu trabalho social.
A ênfase pode ser transmitida através da entonação de
uma palavra ou de uma frase, que pronunciada de forma
exagerada ou repetitiva, por meio de um discurso, uma
narrativa ou um texto, toma um real destaque.
11. Metáfora, metonímia,
hipérbole, eufemismo,
antítese, ironia12. Gradação,
ênfase.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 26
Enfático é um adjetivo que qualifica aquele indivíduo que
dá ênfase em algum aspecto de sua explanação. Ex.: Ele "foi
enfático" ao falar da importância da educação infantil.
Em Linguística, alguns recursos são usados para dar ênfase
às palavras, entre eles, a metáfora e a metonímia.
Figuras de Pensamento
São recursos de linguagem que se referem ao aspecto
semântico, ou seja, ao significado dentro de um contexto.
Antítese: É a aproximação de palavras de sentidos
contrários, antagônicos.
Exemplos: “Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde, queres um lar, Revolução
E onde queres bandido, sou herói.” (Caetano Veloso)
Gradação: É uma sequência de palavras ou ideias que
servem de intensificação numa sequência temporal.
Ex.: “Dissecou-a a tal ponto, e com tal arte, que ela,
Rota, baça, nojenta, vil.” (Raimundo Corrêa)
Ironia: Consiste em dizer o oposto do que se pensa, com
intenção sarcástica ou depreciativa.
Exemplos:
a) “A excelente Dona lnácia era mestra na arte de judiar de
criança.” (Monteiro Lobato)
b) “Dona Clotilde, o arcanjo do seu filho quebrou minhas
vidraças.”
Hipérbole: É a figura do exagero, a fim de proporcionar
uma imagem chocante ou emocionante.
Exemplos:
a) “Rios te correrão dos olhos, se chorares!” (Olavo Bilac)
b) “Existem mil maneiras de preparar Neston.”
Eufemismo: Figura que atenua ideias desagradáveis ou
penosas.
Exemplos:
a) “E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague.” (Chico Buarque)
Paz derradeira = morte
b) “Aquele homem de índole duvidosa apropriou-se
(ladrão) indevidamente dos meus pertences.” (roubou)
01. (IF/PA - Auxiliar em Administração - FUNRIO) “Eu
sou de lá / Onde o Brasil verdeja a alma e o rio é mar / Eu sou
de lá / Terra morena que eu amo tanto, meu Pará.” (Pe. Fábio
de Melo, “Eu Sou de Lá”)
Nesse trecho da canção gravada por Fafá de Belém,
encontramos a seguinte figura de linguagem:
(A) antítese.
(B) eufemismo.
(C) ironia
(D) metáfora
(E) silepse.
02. (Pref. de Itaquitinga/PE - Técnico em Enfermagem
- IDHTEC)
MAMÃ NEGRA (Canto de esperança)
Tua presença, minha Mãe - drama vivo duma Raça, Drama
de carne e sangue Que a Vida escreveu com a pena dos séculos!
Pelo teu regaço, minha Mãe, Outras gentes embaladas à voz da
ternura ninadas do teu leite alimentadas de bondade e poesia
de música ritmo e graça... santos poetas e sábios... Outras
gentes... não teus filhos, que estes nascendo alimárias
semoventes, coisas várias, mais são filhos da desgraça: a
enxada é o seu brinquedo trabalho escravo - folguedo... Pelos
teus olhos, minha Mãe Vejo oceanos de dor Claridades de sol-
posto, paisagens Roxas paisagens Mas vejo (Oh! se vejo! ...) mas
vejo também que a luz roubada aos teus [olhos, ora esplende
demoniacamente tentadora - como a Certeza... cintilantemente
firme - como a Esperança... em nós outros, teus filhos, gerando,
formando, anunciando - o dia da humanidade.
(Viriato da Cruz. Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos
Estudantes do Império)
O poema, Mamã Negra:
(A) É uma metáfora para a pátria sendo referência de um
país africano que foi colonizado e teve sua população
escravizada.
(B) É um vocativo e clama pelos efeitos negativos da
escravização dos povos africanos.
(C) É a referência resumida a todo o povo que compõe um
país libertado depois de séculos de escravidão.
(D) É o sofrimento que acometeu todo o povo que ficou na
terra e teve seus filhos levados pelo colonizador.
(E) É a figura do colonizador que mesmo exercendo o
poder por meio da opressão foi “ninado “ela Mamã Negra.
03. (COMLURB - Técnico de Segurança do Trabalho -
IBFC) Leia o poema abaixo e assinale a alternativa que indica
a figura de linguagem presente no texto:
Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer; (Camões)
(A) Onomatopeia
(B) Metáfora
(C) Personificação
(D) Pleonasmo
04. (Prefeitura de Paulínia/SP - Agente de Fiscalização
- FGV)
Descaso com saneamento deixa rios em estado de
alerta
A crise hídrica transformou a paisagem urbana em muitas
cidades paulistas. Casas passaram a contar com cisternas e
caixas-d’água azuis se multiplicaram por telhados, lajes e até
em garagens. Em regiões mais nobres, jardins e portarias de
prédios ganharam placas que alertam sobre a utilização de
água de reuso. As pessoas mudaram seu comportamento,
economizaram e cobraram soluções.
As discussões sobre a gestão da água, nos mais diversos
aspectos, saíram dos setores tradicionais e técnicos e
ganharam espaço no cotidiano. Porém, vieram as chuvas, as
enchentes e os rios urbanos voltaram a ficar tomados por lixo,
mascarando, de certa forma, o enorme volume de esgoto que
muitos desses corpos de água recebem diariamente.
É como se não precisássemos de cada gota de água desses
rios urbanos e como se a água limpa que consumimos em
nossas casas, em um passe de mágica, voltasse a existir em
tamanha abundância, nos proporcionando o luxo de continuar
a poluir centenas de córregos e milhares de riachos nas nossas
cidades. Para completar, todo esse descaso decorrente da falta
de saneamento se reverte em contaminação e em graves
doenças de veiculação hídrica.
Dados do monitoramento da qualidade da água – que
realizamos em rios, córregos e lagos de onze Estados
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 27
brasileiros e do Distrito Federal – revelaram que 36,3% dos
pontos de coleta analisados apresentam qualidade ruim ou
péssima. Apenas 13 pontos foram avaliados com qualidade de
água boa (4,5%) e os outros 59,2% estão em situação regular,
o que significa um estado de alerta. Nenhum dos pontos
analisados foi avaliado como ótimo.
Divulgamos esse grave retrato no Dia Mundial da Água (22
de março), com base nas análises realizadas entre março de
2015 e fevereiro de 2016, em 289 pontos de coleta
distribuídos em 76 municípios.
(MANTOVANI, Mário; RIBEIRO, Malu. UOL Notícias,
abril/2016.)
Em termos de linguagem figurada, o fato de a divulgação
do texto ter sido feita no Dia Mundial da Água funciona como
(A) metáfora.
(B) pleonasmo.
(C) eufemismo.
(D) ironia.
(E) hipérbole.
05. (MPE/RJ - Técnico do Ministério Público - FGV)
A charge acima apresenta uma estrutura que poderia ser
representada pelo seguinte tipo de linguagem figurada:
(A) antítese;
(B) paradoxo;
(C) metonímia;
(D) pleonasmo;
(E) eufemismo.
Gabarito
01.D / 02.A/ 03.B/ 04.D /05.A
ACENTUAÇÃO
Acentuação Tônica
Implica na intensidade com que são pronunciadas as
sílabas das palavras. Aquela que se dá de forma mais
acentuada, conceitua-se como sílaba tônica. As demais, como
são pronunciadas com menos intensidade, são denominadas
de átonas.
De acordo com a tonicidade, as palavras são classificadas
como oxítona, paroxítona e proparoxítonas, independente de
levar acento gráfico:
Oxítonas –São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a
última sílaba. Ex.: café – coração – cajá – atum – caju – papel
Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica se
evidencia na penúltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi – leque –
retrato – passível
Proparoxítonas - São aquelas em que a sílaba tônica se
evidencia na antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara –
tímpano – médico – ônibus
Como podemos observar, mediante todos os exemplos
mencionados, os vocábulos possuem mais de uma sílaba, mas
em nossa língua existem aqueles com uma sílaba somente, no
qual são os chamados de monossílabos, que quando
pronunciados apresentam certa diferenciação quanto à
intensidade.
Tal diferenciação só é percebida quando os pronunciamos
em uma dada sequência de palavras. Assim como podemos
observar no exemplo a seguir:
“Sei que não vai dar em nada, seus segredos sei de cor.”
Os monossílabos em destaque classificam-se como
tônicos; os demais, como átonos (que, em e de).
Acentos Gráficos
Acento agudo (´) – colocado sobre as letras “a”, “i”, “u” e
sobre o “e” do grupo “em” - indica que estas letras representam
as vogais tônicas de palavras como Amapá, caí, público,
parabéns.
Acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”, “e”
e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado. Ex.: tâmara –
Atlântico – pêssego – supôs
Acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a” com
artigos e pronomes. Ex.: à – às – àquelas – àqueles
Trema )¨( – de acordo com a nova regra, foi totalmente
abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado em palavras
derivadas de nomes próprios estrangeiros. Ex.: mülleriano (de
Müller)
Til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vogais
nasais. Ex.: coração – melão – órgão – ímã
Regras Fundamentais
Palavras oxítonas - acentuam-se todas as oxítonas
terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não do plural(s):
Pará – café(s) – cipó(s) – armazém(s).
Essa regra também é aplicada aos seguintes casos:
Monossílabos tônicos - terminados em “a”, “e”, “o”,
seguidos ou não de “s”. Ex.: pá – pé – dó – há
Formas verbais - terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos,
seguidas de lo, la, los, las. Ex.: respeitá-lo – percebê-lo – compô-
lo
Paroxítonas - acentuam-se as palavras paroxítonas
terminadas em:
- i, is
táxi – lápis – júri
- us, um, uns
vírus – álbuns – fórum
- l, n, r, x, ps
automóvel – elétron - cadáver – tórax – fórceps
- ã, ãs, ão, ãos
ímã – ímãs – órfão – órgãos
13. Acentuação.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 28
Dica: Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que essa
palavra apresenta as terminações das paroxítonas que são
acentuadas: L, I N, U (aqui inclua UM), R, X, Ã, ÃO. Assim ficará
mais fácil a memorização!
- ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não de
“s”. Ex.: água – pônei – mágoa – jóquei
Regras Especiais
Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento de
acordo com a nova regra, mas desde que estejam em palavras
paroxítonas.
Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem em uma
palavra oxítona (herói) ou monossílaba (céu) ainda são
acentuados. Mas caso não forem ditongos perdem o acento.
Ex.:
Antes Agora
assembléia assembleia
idéia ideia
jibóia jiboia
apóia (verbo apoiar) apoia
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos,
acompanhados ou não de “s”, haverá acento. Ex.: saída – faísca
– baú – país – Luís
Observação importante: Não serão mais acentuados “i” e
“u” tônicos, formando hiato quando vierem depois de
ditongo. Ex.:
Antes Agora
bocaiúva bocaiuva
feiúra feiura
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quando
seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z: Ra-ul, ru-im, con-
tri-bu-in-te, sa-ir, ju-iz
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se estiverem
seguidas do dígrafo nh: ra-i-nha, ven-to-i-nha.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem
precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
As formas verbais que possuíam o acento tônico na raiz,
com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i”
não serão mais acentuadas. Ex.:
Antes Agora
apazigúe (apaziguar) apazigue
argúi (arguir) argui
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi abolido.
Ex.:
Antes Agora
crêem creem
vôo voo
- Agora memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos
que, no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais
acento como antes: CRER, DAR, LER e VER.
Repare:
1) O menino crê em você
Os meninos creem em você.
2) Elza lê bem!
Todas leem bem!
3) Espero que ele dê o recado à sala.
Esperamos que os dados deem efeito!
4) Rubens vê tudo!
Eles veem tudo!
Cuidado! Há o verbo vir:
Ele vem à tarde!
Eles vêm à tarde!
Acentuam-se os verbos pertencentes à terceira pessoa do
plural de:
ele tem – eles têm
ele vem – eles vêm (verbo vir)
A regra prevalece também para os verbos conter, obter,
reter, deter, abster.
ele contém – eles contêm
ele obtém – eles obtêm
ele retém – eles retêm
ele convém – eles convêm
Não se acentuam mais as palavras homógrafas que antes
eram acentuadas para diferenciá-las de outras semelhantes
(regra do acento diferencial). Apenas em algumas exceções,
como:
Pôde (terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do
indicativo).
Pode (terceira pessoa do singular do presente do
indicativo). Ex.:
Ela pode fazer isso agora.
Elvis não pôde participar porque sua mãe não deixou.
O mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciar da
preposição por. Ex.:
Faço isso por você.
Posso pôr (colocar) meus livros aqui?
Questões
01. “Cadáver” é paroxítona, pois:
(A) Tem a última sílaba como tônica.
(B) Tem a penúltima sílaba como tônica.
(C) Tem a antepenúltima sílaba como tônica.
(D) Não tem sílaba tônica.
02. Indique a alternativa em que todas as palavras devem
receber acento.
(A) virus, torax, ma.
(B) caju, paleto, miosotis.
(C) refem, rainha, orgão.
(D) papeis, ideia, latex.
(E) lotus, juiz, virus.
03. Em “O resultado da experiência foi, literalmente,
aterrador.” a palavra destacada encontra-se acentuada pelo
mesmo motivo que:
(A) túnel
(B) voluntário
(C) até
(D) insólito
(E) rótulos
04. Analise atentamente a presença ou a ausência de
acento gráfico nas palavras abaixo e indique a alternativa em
que não há erro:
(A) ruím - termômetro - táxi – talvez.
(B) flôres - econômia - biquíni - globo.
(C) bambu - através - sozinho - juiz
(D) econômico - gíz - juízes - cajú.
(E) portuguêses - princesa - faísca.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 29
05. Todas as palavras abaixo são hiatos, EXCETO:
(A) saúde
(B) cooperar
(C) ruim
(D) creem
(E) pouco
Gabarito
1.B / 2.A / 3.B / 4.C / 5.E
PONTUAÇÃO
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que servem
para compor a coesão e a coerência textual além de ressaltar
especificidades semânticas e pragmáticas. Vejamos as
principais funções dos sinais de pontuação conhecidos pelo
uso da língua portuguesa.10
Ponto
1) Indica o término do discurso ou de parte dele.
Ex.: Façamos o que for preciso para tirá-la da situação em
que se encontra. / Gostaria de comprar pão, queijo, manteiga
e leite.
2) Usa-se nas abreviações.
Ex.: V.Exª(Vossa Exelencia) , Sr. (Senhor), S.A (Sociedade
Anonima).
Ponto e Vírgula
1) Separa várias partes do discurso, que têm a mesma
importância.
Ex.: “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo
pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida;
os de nenhum espírito dão pelo pão a alma...”
(Vieira)
2) Separa partes de frases que já estão separadas por
vírgulas.
Ex.: Alguns quiseram verão, praia e calor; outros
montanhas, frio e cobertor.
3) Separa itens de uma enumeração, exposição de motivos,
decreto de lei, etc. Ex.:
- Ir ao supermercado;
- Pegar as crianças na escola;
- Caminhada na praia;
- Reunião com amigos.
Dois Pontos
1) Antes de uma citação.
Ex.: Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto:...
2) Antes de um aposto.
Ex.: Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à
tarde e calor à noite.
10 http://tudodeconcursosevestibulares.blogspot.com/2013/04/pontuacao-
resumo-com-questoes.html
3) Antes de uma explicação ou esclarecimento.
Ex.: Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa,
vivendo a rotina de sempre.
4) Em frases de estilo direto. Ex.:
Maria perguntou:
- Por que você não toma uma decisão?
Ponto de Exclamação
1) Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, susto,
súplica, etc.
Ex.: - Sim! Claro que eu quero me casar com você!
2) Depois de interjeições ou vocativos.
Ex.: - João! Há quanto tempo!
Ponto de Interrogação
Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
“Então? Que é isso? Desertaram ambos?”
(Artur Azevedo)
Reticências
1) Indica que palavras foram suprimidas.
Ex.: Comprei lápis, canetas, cadernos...
2) Indica interrupção violenta da frase.
Ex.: Não... quero dizer... é verdade... Ah!
3) Indica interrupções de hesitação ou dúvida
Ex.: Este mal... pega doutor?
4) Indica que o sentido vai além do que foi dito
Ex.: Deixa, depois, o coração falar...
Vírgula
Não se usa Vírgula
Separando termos que, do ponto de vista sintático, ligam-
se diretamente entre si:
1) Entre sujeito e predicado.
Todos os alunos da sala foram advertidos.
sujeito predicado
2) Entre o verbo e seus objetos.
O trabalho custou sacrifício aos realizadores.
V.T.D.I . O.D . O.I.
3) Entre nome e complemento nominal; entre nome e
adjunto adnominal.
A surpreendente reação do governo contra os sonegadores
despertou reações entre os empresários.
adj. adnominal nome adj. adn. Compl. nominal
Usa-se a Vírgula
1) Para marcar intercalação:
a) Do adjunto adverbial: O café, em razão da sua
abundância, vem caindo de preço.
b) Da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão
produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
c) Das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias
não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não querem
abrir mão dos lucros altos.
14. Pontuação: regras,
efeitos de sentido.
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APOSTILAS OPÇÃO
Língua Portuguesa 30
2) Para marcar inversão:
a) Do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas.
b) Dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
c) Do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de maio
de 1982.
3) Para separar entre si elementos coordenados (dispostos
em enumeração): Era um garoto de 15 anos, alto, magro. / A
ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.
4) Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós queremos
comer pizza; e vocês, churrasco.
5) Para isolar:
a) O aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasileira,
possui um trânsito caótico.
b) O vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.
Questões
01. Assinale a alternativa em que a pontuação está
corretamente empregada, de acordo com a norma-padrão da
língua portuguesa.
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
embora, experimentasse, a sensação de violar uma intimidade,
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
(B) Diante, da testemunha o homem abriu a bolsa e,
embora experimentasse a sensação, de violar uma intimidade,
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
(C) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
embora experimentasse a sensação de violar uma intimidade,
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
(D) Diante da testemunha, o homem, abriu a bolsa e,
embora experimentasse a sensação de violar uma intimidade,
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
embora, experimentasse a sensação de violar uma intimidade,
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
02. Assinale a opção em que está corretamente indicada a
ordem dos sinais de pontuação que devem preencher as
lacunas da frase abaixo:
“Quando se trata de trabalho científico ___ duas coisas
devem ser consideradas ____ uma é a contribuição teórica que o
trabalho oferece ___ a outra é o valor prático que possa ter.
(A) dois pontos, ponto e vírgula, ponto e vírgula
(B) dois pontos, vírgula, ponto e vírgula;
(C) vírgula, dois pontos, ponto e vírgula;
(D) pontos vírgula, dois pontos, ponto e vírgula;
(E) ponto e vírgula, vírgula, vírgula.
03. Os sinais de pontuação estão empregados
corretamente em:
(A) Duas explicações, do treinamento para consultores
iniciantes receberam destaque, o conceito de PPD e a
construção de tabelas Price; mas por outro lado, faltou falar
das metas de vendas associadas aos dois temas.
(B) Duas explicações do treinamento para consultores
iniciantes receberam destaque: o conceito de PPD e a
construção de tabelas Price; mas, por outro lado, faltou falar
das metas de vendas associadas aos dois temas.
(C) Duas explicações do treinamento para consultores
iniciantes receberam destaque; o conceito de PPD e a
construção de tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar
das metas de vendas associadas aos dois temas.
(D) Duas explicações do treinamento para consultores
iniciantes, receberam destaque: o conceito de PPD e a
construção de tabelas Price, mas, por outro lado, faltou falar
das metas de vendas associadas aos dois temas.
(E) Duas explicações, do treinamento para consultores
iniciantes, receberam destaque; o conceito de PPD e a
construção de tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar
das metas, de vendas associadas aos dois temas.
04. Assinale a alternativa em que o período, adaptado da
revista Pesquisa Fapesp de junho de 2012, está correto quanto
à regência nominal e à pontuação.
(A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapidamente,
seu espaço na carreira científica ainda que o avanço seja mais
notável em alguns países, o Brasil é um exemplo, do que em
outros.
(B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam
rapidamente seu espaço na carreira científica; ainda que o
avanço seja mais notável, em alguns países, o Brasil é um
exemplo!, do que em outros.
(C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam
rapidamente seu espaço, na carreira científica, ainda que o
avanço seja mais notável, em alguns países: o Brasil é um
exemplo,do que em outros.
(D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam
rapidamente seu espaço na carreira científica, ainda que o
avanço seja mais notável em alguns países - o Brasil é um
exemplo - do que em outros.
(E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapidamente,
seu espaço na carreira científica, ainda que, o avanço seja mais
notável em alguns países (o Brasil é um exemplo) do que em
outros.
05. Assinale a alternativa em que a frase mantém-se
correta após o acréscimo das vírgulas.
(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la, verá na
pulseira instruções para que envie, uma mensagem eletrônica
ao grupo ou acione o código na internet.
(B) Um geolocalizador também, avisará, os pais de onde o
código foi acionado.
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastrados,
recebem automaticamente, uma mensagem dizendo que a
criança foi encontrada.
(D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha, chega
primeiro às, areias do Guarujá.
(E) O sistema permite, ainda, cadastrar o nome e o telefone
de quem a encontrou e informar um ponto de referência
Respostas
1.C / 2.C / 3.B / 4.D / 5.E
Caro (a) Candidato(a) este assunto já foi abordado no
decorrer desta apostila
15. Recursos gráficos:
regras, efeitos de sentido.
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MATEMÁTICA
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 1
CONJUNTO DOS NÚMEROS NATURAIS - N
O surgimento do Conjunto dos Números Naturais, deveu-
se à necessidade de se contarem objetos. Embora o zero não
seja um número natural no sentido que tenha sido proveniente
de objetos de contagens naturais, iremos considerá-lo como
um número natural uma vez que ele tem as mesmas
propriedades algébricas que estes números.
Subconjuntos notáveis em N:
1 – Números Naturais não nulos
N* ={1,2,3,4,...,n,...}; N* = N-{0}
2 – Números Naturais pares
Np = {0,2,4,6,...,2n,...}; com n ∈ N
3 - Números Naturais ímpares
Ni = {1,3,5,7,...,2n+1,...} com n ∈ N
4 - Números primos
P = {2,3,5,7,11,13...}
A construção dos Números Naturais
- Todo número natural dado tem um sucessor (número que
vem depois do número dado), considerando também o zero.
- Todo número natural dado N, exceto o zero, tem um
antecessor (número que vem antes do número dado).
Exemplo:
- Se um número natural é sucessor de outro, então os dois
números juntos são chamados números consecutivos.
Exemplos:
a) 1 e 2 são números consecutivos.
b) 7 e 8 são números consecutivos.
O conjunto abaixo é conhecido como o conjunto dos
números naturais pares. P = {0, 2, 4, 6, 8, 10, 12, ...}
O conjunto abaixo é conhecido como o conjunto dos
números naturais ímpares. I = {1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, ...}
Operações com Números Naturais
As duas principais operações possíveis no conjunto dos
números naturais são: a adição e a multiplicação.
- Adição de Números Naturais: tem por finalidade reunir
em um só número, todas as unidades de dois ou mais números.
Exemplo:
5 + 4 = 9, onde 5 e 4 são as parcelas e 9 soma ou total
- Subtração de Números Naturais: é usada quando
precisamos tirar uma quantia de outra, é a operação inversa
da adição. A operação de subtração só é válida nos naturais
quando subtraímos o maior número do menor, ou seja quando
a - b tal que a ≥ 𝑏. Exemplo:
254 – 193 = 61, onde 254 é o minuendo, o 193
subtraendo e 61 a diferença.
Obs.: o minuendo também é conhecido como aditivo e o
subtraendo como subtrativo.
- Multiplicação de Números Naturais: tem por
finalidade adicionar o primeiro número denominado
multiplicando ou parcela, tantas vezes quantas são as
unidades do segundo número denominadas multiplicador.
Exemplo:
2 x 5 = 10, onde 2 e 5 são os fatores e o 10 produto.
Fique Atento!!!
2 vezes 5 é somar o número 2 cinco vezes:
2 x 5 = 2 + 2 + 2 + 2 + 2 = 10.
Podemos no lugar do “x” (vezes) utilizar o ponto (.),
para indicar a multiplicação.
- Divisão de Números Naturais: dados dois números
naturais, às vezes necessitamos saber quantas vezes o segundo
está contido no primeiro. O primeiro número que é o maior é
denominado dividendo (D) e o outro número que é menor é o
divisor (d). O resultado da divisão é chamado quociente (Q). Se
multiplicarmos o divisor pelo quociente obteremos o
dividendo. Muitas divisões não são exatas, logo temos um resto
(R) maior que zero.
Fique Atento!!!
- Em uma divisão exata de números naturais, o divisor
deve ser menor do que o dividendo.
35 : 7 = 5
- Em uma divisão exata de números naturais, o
dividendo é o produto do divisor pelo quociente.
35 = 5 x 7
- A divisão de um número natural n por zero não é
possível pois, se admitíssemos que o quociente fosse q,
então poderíamos escrever: n ÷ 0 = q e isto significaria que:
n = 0 x q = 0 o que não é correto! Assim, a divisão de n por
0 não tem sentido ou ainda é dita impossível.
Propriedades da Adição e da Multiplicação dos
números Naturais
Para todo a, b e c ∈ 𝑁
1) Associativa da adição: (a + b) + c = a + (b + c)
2) Comutativa da adição: a + b = b + a
3) Elemento neutro da adição: a + 0 = a
4) Associativa da multiplicação: (a.b).c = a. (b.c)
5) Comutativa da multiplicação: a.b = b.a
6) Elemento neutro da multiplicação: a.1 = a
7) Distributiva da multiplicação relativamente à adição:
a.(b +c ) = ab + ac
8) Distributiva da multiplicação relativamente à
subtração: a .(b –c) = ab –ac
9) Fechamento: tanto a adição como a multiplicação de um
número natural por outro número natural, continua como
resultado um número natural.
Referências
IEZZI, Gelson – Matemática - Volume Único
IEZZI, Gelson - Fundamentos da Matemática – Volume 01 – Conjuntos e
Funções
1. Números naturais:
Sistema de numeração
decimal. Ordens e classes
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 2
Questões
01. (UFSBA – Técnico em Tecnologia da Informação –
UFMT/2017) O esquema abaixo representa a subtração de
dois números inteiros, na qual alguns algarismos foram
substituídos pelas letras A, B, H e I.
Obtido o resultado correto, a sequência BAHIA representa
o número:
(A) 69579
(B) 96756
(C) 75695
(D) 57697
02. (Câmara de Sumaré/SP – Escriturário – VUNESP/2017) Se,
numa divisão, o divisor e o quociente são iguais, e o resto é 10,
sendo esse resto o maior possível, então o dividendo é
(A) 131.
(B) 121.
(C) 120.
(D) 110.
(E) 101.
03. (Prefeitura de Canavieira/PI- Auxiliar de serviços
gerais -IMA) São números pares, EXCETO:
(A)123
(B)106
(C)782
(D)988
Comentários
01. Resposta: D.
Sabemos que o minuendo é maior que o subtraendo, pois
temos como resultado um número natural positivo.
Fazendo cada número temos:
8 – 2 = H ⇾ H = 6
A - 4 = 3 ⇾ A = 3 + 4 ⇾ A = 7
3 – 1 = 2
B – A = 8, como já sabemos que A = 7; B – 7 = 8 ⇾ B = 8 – 7
= 15, sabemos que só podemos ter número de 0 a 9, logo 15 –
10 = 5, então B = 5. Aqui neste caso o número 5 não tem como
subtrair de 7, e pede 1 “emprestado” ao do lado.
Sabemos que o I deve ser acrescido de 1, já que
“emprestou” um para o lado. I – 4 = 4 ⇾ logo I = 4 + 4 = 8 ,
acrescido de 1 = 9
B A H I A
5 7 6 9 7
02. Resposta: A.
Como o resto é o maiorpossível e sabemos que R < d, temos
que: 10 < d. Logo podemos sugerir que d seja igual a 11.
D = 11 . 11 + R ⇾ D = 121 + 10 = 131
Também podemos montar a equação através do enunciado:
D = d. Q +R
d = Q
R = 10
D = d. d + 10 ⇾ D = d² + 10 ⇾ D – 10 = x². Observando as
respostas, temos que o resultado que torna a equação possível é
131. 131 – 10 = x² ⇾ 121 = x² ⇾ x = 11
03. Resposta: A.
Sabemos que:
- Todo número par é terminado em um dos seguintes (0,
2, 4,6,8).
- Todo número ímpar é terminado em um dos
seguintes (1, 3, 5, ,9).
Portanto: O número que NÃO é PAR acima é 123
SISTEMA DE NUMERAÇÃO DECIMAL
O sistema de numeração que normalmente utilizamos é o
sistema de numeração decimal.
Os símbolos matemáticos utilizados para representar um
número no sistema decimal são chamados de algarismos: 0, 1,
2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, ou algarismos indo-arábico (utilizados
pelos hindus e árabes) que são utilizados para contagem.
- Leitura dos números decimais
Números com parte inteira e decimal:
Cada algarismo, da parte inteira ou decimal, ocupa uma
posição ou ordem com as seguintes denominações:
C
en
te
n
as
D
ez
en
as
U
n
id
ad
es
D
éc
im
o
s
C
en
té
si
m
o
s
M
il
és
im
o
s
D
éc
im
o
s
m
il
és
im
o
s
C
en
té
si
m
o
s
m
il
és
im
o
s
M
il
io
n
és
im
o
s
Partes inteiras Partes decimais
Lemos a parte inteira, seguida da parte decimal,
acompanhada das palavras:
Décimos ...........................................: quando houver uma casa
decimal;
Centésimos.......................................: quando houver duas casas
decimais;
Milésimos.........................................: quando houver três casas
decimais;
Décimos milésimos ........................: quando houver quatro
casas decimais;
Centésimos milésimos ...................: quando houver cinco
casas decimais e, assim sucessivamente.
- Números com parte inteira:
Podemos ler os seguintes algarismos acima com maior
facilidade:
2.756 → Dois mil setecentos e cinquenta e seis.
57.721.057 → Cinquenta e sete milhões, setecentos e vinte
e um mil e cinquenta e sete.
376.103.035 → Trezentos e setenta e seis milhões, cento e
três mil e trinta e cinco.
Questões
01. (AUX.JUD./TRT-6ª REG/FCC) Se X é o menor número
natural que tem cinco algarismos e Y é número natural que tem
quatro algarismos distintos, a diferença de X-Y é
(A) divisível por 4.
(B) múltiplo de 6.
(C) maior que 150.
(D) quadrado perfeito.
(E) primo.
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 3
02. (AUX.JUD./TRT-23ª REG/FCC) O número 0,0202
pode ser lido como:
(A) duzentos e dois milésimos.
(B) duzentos e dois décimos de milésimos.
(C) duzentos e dois centésimos de milésimos.
(D) duzentos e dois centésimos.
(E) duzentos e dois décimos
03. (AUX.JUD./TRT-1ª REG/FCC) Ao preencher
corretamente um cheque no valor de R$ 2010,50, deve se
escrever por extenso:
(A) dois mil e cem reais e cinquenta centavos.
(B) dois mil e dez reais e cinquenta centavos.
(C) dois mil e dez reais e cinco centavos.
(D) duzentos reais e dez reais e cinquenta centavos.
(E) duzentos e um reais e cinco centavos.
Respostas
01. Resposta: A.
Como X é o menor número natural de 5 algarismos temos
que:
X = 1 0 0 0 0
E Y é o maior natural de 4 algarismos distintos:
Y = 9 8 7 6
Logo a diferença X-Y:
10000 - 9876 = 124 , que é divisível por 4
02. Resposta: B.
Como temos 4 casas decimais, lemos então com décimos de
milésimos,
Logo: duzentos e dois décimos de milésimos.
03. Resposta: B.
Dois mil e dez reais e cinquenta centavos.
O conjunto dos números reais1 R será a união entre os
números racionais Q e os números irracionais I. Assim temos:
R = Q U I , sendo Q ∩ I = Ø (Se um número real é racional,
não irracional, e vice-versa).
Lembrando que N Ϲ Z Ϲ Q , podemos construir o diagrama
abaixo:
O conjunto dos números reais apresenta outros
subconjuntos importantes:
- Conjunto dos números reais não nulos: R* = {x ϵ R| x ≠ 0}
1 IEZZI, Gelson – Matemática - Volume Único
- Conjunto dos números reais não negativos: R+ = {x ϵ R| x
≥ 0}
- Conjunto dos números reais positivos: R*+ = {x ϵ R| x > 0}
- Conjunto dos números reais não positivos: R- = {x ϵ R| x ≤
0}
- Conjunto dos números reais negativos: R*- = {x ϵ R| x < 0}
Representação Geométrica dos números reais
Ordenação dos números reais
A representação dos números reais permite definir uma
relação de ordem entre eles. Os números reais positivos são
maiores que zero e os negativos, menores. Expressamos a
relação de ordem da seguinte maneira: Dados dois números
reais a e b,
a ≤ b ↔ b – a ≥ 0
Exemplo: -15 ≤ ↔ 5 – (-15) ≥ 0
5 + 15 ≥ 0
Operações com números reais
Operando com as aproximações, obtemos uma sucessão de
intervalos fixos que determinam um número real. É assim que
vamos trabalhar as operações adição, subtração, multiplicação
e divisão. Relacionamos, em seguida, uma série de
recomendações úteis para operar com números reais.
Intervalos reais
O conjunto dos números reais possui também
subconjuntos, denominados intervalos, que são determinados
por meio de desiguladades. Sejam os números a e b , com a < b.
Em termos gerais temos:
- A bolinha aberta = a intervalo aberto (estamos excluindo
aquele número), utilizamos os símbolos:
> ;< ou ] ; [
- A bolinha fechada = a intervalo fechado (estamos
incluindo aquele número), utilizamos os símbolos:
≥ ; ≤ ou [ ; ]
Podemos utilizar ( ) no lugar dos [ ] , para indicar as
extremidades abertas dos intervalos.
Às vezes, aparecem situações em que é necessário
registrar numericamente variações de valores em sentidos
opostos, ou seja, maiores ou acima de zero (positivos), como
as medidas de temperatura ou reais em débito ou em haver
etc... Esses números, que se estendem indefinidamente, tanto
para o lado direito (positivos) como para o lado esquerdo
(negativos), são chamados números relativos.
Valor absoluto de um número relativo é o valor do número
que faz parte de sua representação, sem o sinal.
IEZZI, Gelson - Fundamentos da Matemática Elementar – Vol. 01 – Conjuntos e
Funções
2. Números reais:
Resolução de problemas
envolvendo as operações de
adição, subtração,
multiplicação e divisão
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 4
Valor simétrico de um número é o mesmo numeral,
diferindo apenas o sinal.
Operações com números relativos
1) Adição e subtração de números relativos
a) Se os numerais possuem o mesmo sinal, basta adicionar
os valores absolutos e conservar o sinal.
b) Se os numerais possuem sinais diferentes, subtrai-se o
numeral de menor valor e dá-se o sinal do maior numeral.
Exemplos:
3 + 5 = 8
4 - 8 = - 4
- 6 - 4 = - 10
- 2 + 7 = 5
2) Multiplicação e divisão de números relativos
a) O produto e o quociente de dois números relativos de
mesmo sinal são sempre positivos.
b) O produto e o quociente de dois números relativos de
sinais diferentes são sempre negativos.
Exemplos:
- 3 x 8 = - 24
- 20 (-4) = + 5
- 6 x (-7) = + 42
28 2 = 14
Questões
01. Mário começou a praticar um novo jogo que adquiriu
para seu videogame. Considere que a cada partidaele
conseguiu melhorar sua pontuação, equivalendo sempre a 15
pontos a menos que o dobro marcado na partida anterior. Se
na quinta partida ele marcou 3.791 pontos, então, a soma dos
algarismos da quantidade de pontos adquiridos na primeira
partida foi igual a
(A) 4.
(B) 5.
(C) 7.
(D) 8.
(E) 10.
02. Considere m um número real menor que 20 e avalie as
afirmações I, II e III:
I- (20 – m) é um número menor que 20.
II- (20 m) é um número maior que 20.
III- (20 m) é um número menor que 20.
É correto afirmar que:
A) I, II e III são verdadeiras.
B) apenas I e II são verdadeiras.
C) I, II e III são falsas.
D) apenas II e III são falsas.
03. Na figura abaixo, o ponto que melhor representa a
diferença
3
4
−
1
2
na reta dos números reais é:
(A) P.
(B) Q.
(C) R.
(D) S.
Comentários
01. Resposta: D.
Pontuação atual = 2 . partida anterior – 15
* 4ª partida: 3791 = 2.x – 15
2.x = 3791 + 15
x = 3806 / 2
x = 1903
* 3ª partida: 1903 = 2.x – 15
2.x = 1903 + 15
x = 1918 / 2
x = 959
* 2ª partida: 959 = 2.x – 15
2.x = 959 + 15
x = 974 / 2
x = 487
* 1ª partida: 487 = 2.x – 15
2.x = 487 + 15
x = 502 / 2
x = 251
Portanto, a soma dos algarismos da 1ª partida é 2 + 5 + 1 =
8.
02. Resposta: C.
I. Falso, pois m é Real e pode ser negativo.
II. Falso, pois m é Real e pode ser negativo.
III. Falso, pois m é Real e pode ser positivo.
03. Resposta: A.
3
4
−
1
2
=
3 − 2
4
=
1
4
= 0,25
MÚLTIPLOS E DIVISORES
Sabemos que 30 : 6 = 5, porque 5 x 6 = 30.
Podemos dizer então que:
“30 é divisível por 6 porque existe um número natural (5)
que multiplicado por 6 dá como resultado 30.”
Um número natural a é divisível por um número natural b,
não-nulo, se existir um número natural c, tal que c . b = a.
Conjunto dos múltiplos de um número natural: É
obtido multiplicando-se esse número pela sucessão dos
números naturais: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6,...
Para acharmos o conjunto dos múltiplos de 7, por exemplo,
multiplicamos por 7 cada um dos números da sucessão dos
naturais:
7 x 0 = 0
7 x 1 = 7
7 x 2 = 14
7 x 3 = 21
⋮
O conjunto formado pelos resultados encontrados forma o
conjunto dos múltiplos de 7: M(7) = {0, 7, 14, 21, ...}.
Observações:
- Todo número natural é múltiplo de si mesmo.
- Todo número natural é múltiplo de 1.
- Todo número natural, diferente de zero, tem infinitos
múltiplos.
- O zero é múltiplo de qualquer número natural.
- Os múltiplos do número 2 são chamados de números
pares, e a fórmula geral desses números é 2k (k
N). Os demais
são chamados de números ímpares, e a fórmula geral desses
números é 2k + 1 (k
N).
O mesmo se aplica para os números inteiros, tendo k
Z.
3. Divisibilidade: Múltiplos
e Divisores
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 5
Critérios de divisibilidade
São regras práticas que nos possibilitam dizer se um
número é ou não divisível por outro, sem efetuarmos a divisão.
Divisibilidade por 2: Um número é divisível por 2 quando
termina em 0, 2, 4, 6 ou 8, ou seja, quando ele é par.
Exemplo:
9656 é divisível por 2, pois termina em 6, e é par.
Divisibilidade por 3: Um número é divisível por 3 quando
a soma dos valores absolutos de seus algarismos é divisível por
3.
Exemplo:
65385 é divisível por 3, pois 6 + 5 + 3 + 8 + 5 = 27, e 27 é
divisível por 3.
Divisibilidade por 4: Um número é divisível por 4 quando
seus dois algarismos são 00 ou formam um número divisível
por 4.
Exemplos:
a) 536400 é divisível por 4, pois termina em 00.
b) 653524 é divisível por 4, pois termina em 24, e 24 é
divisível por 4.
Divisibilidade por 5: Um número é divisível por 5 quando
termina em 0 ou 5.
Exemplos:
a) 35040 é divisível por 5, pois termina em 0.
b) 7235 é divisível por 5, pois termina em 5.
Divisibilidade por 6: Um número é divisível por 6 quando
é divisível por 2 e por 3 ao mesmo tempo.
Exemplos:
a) 430254 é divisível por 6, pois é divisível por 2 e por 3 (4
+ 3 + 0 + 2 + 5 + 4 = 18).
b) 80530 não é divisível por 6, pois não é divisível por 3 (8
+ 0 + 5 + 3 + 0 = 16).
Divisibilidade por 7: Um número é divisível por 7 quando
o último algarismo do número, multiplicado por 2, subtraído
do número sem o algarismo, resulta em um número múltiplo
de 7. Neste, o processo será repetido a fim de diminuir a
quantidade de algarismos a serem analisados quanto à
divisibilidade por 7.
Exemplo: 41909 é divisível por 7 conforme podemos
conferir: 9.2 = 18 ; 4190 – 18 = 4172 → 2.2 = 4 ; 417 – 4 = 413
→ 3.2 = 6 ; 41 – 6 = 35 ; 35 é multiplo de 7.
Divisibilidade por 8: Um número é divisível por 8 quando
seus três últimos algarismos forem 000 ou formarem um
número divisível por 8.
Exemplos:
a) 57000 é divisível por 8, pois seus três últimos
algarismos são 000.
b) 67024 é divisível por 8, pois seus três últimos
algarismos formam o número 24, que é divisível por 8.
Divisibilidade por 9: Um número é divisível por 9 quando
a soma dos valores absolutos de seus algarismos formam um
número divisível por 9.
Exemplos:
a) 6253461 é divisível por 9, pois 6 + 2 + 5 + 3 + 4 + 6 + 1 =
27 é divisível por 9.
b) 325103 não é divisível por 9, pois 3 + 2 + 5 + 1 + 0 + 3 =
14 não é divisível por 9.
Divisibilidade por 10: Um número é divisível por 10
quando seu algarismo da unidade termina em zero.
Exemplo:
563040 é divisível por 10, pois termina em zero.
Divisibilidade por 11: Um número é divisível por 11
quando a diferença entre a soma dos algarismos de posição
ímpar e a soma dos algarismos de posição par resulta em um
número divisível por 11 ou quando essas somas forem iguais.
Exemplo:
- 43813:
1º 3º 5º Algarismos de posição ímpar.(Soma dos
algarismos de posição impar: 4 + 8 + 3 = 15.)
4 3 8 1 3
2º 4º Algarismos de posição par.(Soma dos
algarismos de posição par:3 + 1 = 4)
15 – 4 = 11 diferença divisível por 11. Logo 43813 é
divisível por 11.
Divisibilidade por 12: Um número é divisível por 12
quando é divisível por 3 e por 4 ao mesmo tempo.
Exemplo:
) 78324 é divisível por 12, pois é divisível por 3 ( 7 + 8 + 3
+ 2 + 4 = 24) e por 4 (termina em 24).
Divisibilidade por 15: Um número é divisível por 15
quando é divisível por 3 e por 5 ao mesmo tempo.
Exemplo:
a) 650430 é divisível por 15, pois é divisível por 3 ( 6 + 5 +
0 + 4 + 3 + 0 =18) e por 5 (termina em 0).
Fatoração numérica
Essa fatoração se dá através da decomposição em fatores
primos. Para decompormos um número natural em fatores
primos, dividimos o mesmo pelo seu menor divisor primo,
após pegamos o quociente e dividimos o pelo seu menor
divisor, e assim sucessivamente até obtermos o quociente 1. O
produto de todos os fatores primos representa o número
fatorado.
Exemplo:
Divisores de um número natural
Vamos pegar como exemplo o número 12 na sua forma
fatorada:
12 = 22 . 31
O número de divisores naturais é igual ao produto dos
expoentes dos fatores primos acrescidos de 1.
Logo o número de divisores de 12 são:
22⏟
(2+1)
. 31⏟
(1+1)
→ (2 + 1) .(1 + 1) = 3.2 = 6 divisores naturais
Para sabermos quais são esses 6 divisores basta pegarmos
cada fator da decomposição e seu respectivo expoente natural
que varia de zero até o expoente com o qual o fator se
apresenta na decomposição do número natural.
Exemplo:
12 = 22 . 31 → 22 = 20,21 e 22 ; 31 = 30 e 31, teremos:
20 . 30=1
20 . 31=3
21 . 30=2
21 . 31=2.3=6
22 . 31=4.3=12
22 .30=4
O conjunto de divisores de 12 são: D(12) = {1, 2, 3, 4, 6, 12}
A soma dos divisores é dada por: 1 + 2 + 3 + 4 + 6 + 12 = 28
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 6
Observação
Para sabermos o conjunto dos divisores inteiros de 12, basta
multiplicarmos o resultado por 2 (dois divisores, um negativo e
o outro positivo).
Assim teremos que D(12) = 6.2 = 12 divisores inteiros.
Questões
01. O número de divisores positivos do número 40 é:
(A) 8
(B) 6
(C) 4
(D) 2
(E) 20
02. O máximo divisor comum entre dois números naturais
é 4 e o produto dos mesmos 96. O número de divisores
positivos do mínimo múltiplo comum desses números é:
(A) 2
(B) 4
(C) 6
(D) 8
(E) 10
03. Considere um número divisível por 6, composto por 3
algarismos distintos e pertencentes ao conjunto
A={3,4,5,6,7}.A quantidade de números que podem ser
formados sob tais condições é:
(A) 6
(B) 7
(C) 9
(D) 8
(E) 10
Respostas
01. Resposta: A.
Vamos decompor o número 40 em fatores primos.
40 = 23 . 51 ; pela regra temos que devemos adicionar 1 a
cada expoente:
3 + 1 = 4 e 1 + 1 = 2 ; então pegamos os resultados e
multiplicamos 4.2 = 8, logo temos 8 divisores de 40.
02. Resposta: D.
Sabemos que o produto de MDC pelo MMC é:
MDC (A, B). MMC (A, B) = A.B, temos que MDC (A, B) = 4 e
o produto entre eles 96, logo:
4 . MMC (A, B) = 96 → MMC (A, B) = 96/4 → MMC (A, B) =
24, fatorando o número 24 temos:
24 = 23 .3 , para determinarmos o número de divisores,
pela regra, somamos 1 a cada expoente e multiplicamos o
resultado:
(3 + 1).(1 + 1) = 4.2 = 8
03. Resposta: D.
Para ser divisível por 6 precisa ser divisível por 2 e 3 ao
mesmo tempo, e por isso deverá ser par também, e a soma dos
seus algarismos deve ser um múltiplo de 3.
Logo os finais devem ser 4 e 6:
354, 456, 534, 546, 564, 576, 654, 756, logo temos 8
números.
MDC
O máximo divisor comum(MDC) de dois ou mais números
é o maior número que é divisor comum de todos os números
dados. Consideremos:
- o número 18 e os seus divisores naturais:
D+ (18) = {1, 2, 3, 6, 9, 18}.
- o número 24 e os seus divisores naturais:
D+ (24) = {1, 2, 3, 4, 6, 8, 12, 24}.
Podemos descrever, agora, os divisores comuns a 18 e 24:
D+ (18) ∩ D+ (24) = {1, 2, 3, 6}.
Observando os divisores comuns, podemos identificar o
maior divisor comum dos números 18 e 24, ou seja: MDC (18,
24) = 6.
Outra técnica para o cálculo do MDC:
Decomposição em fatores primos
Para obtermos o MDC de dois ou mais números por esse
processo, procedemos da seguinte maneira:
- Decompomos cada número dado em fatores primos.
- O MDC é o produto dos fatores comuns obtidos, cada um
deles elevado ao seu menor expoente.
Exemplo:
MMC
O mínimo múltiplo comum(MMC) de dois ou mais
números é o menor número positivo que é múltiplo comum de
todos os números dados. Consideremos:
- O número 6 e os seus múltiplos positivos:
M*+ (6) = {6, 12, 18, 24, 30, 36, 42, 48, 54, ...}
- O número 8 e os seus múltiplos positivos:
M*+ (8) = {8, 16, 24, 32, 40, 48, 56, 64, ...}
Podemos descrever, agora, os múltiplos positivos comuns:
M*+ (6) M*+ (8) = {24, 48, 72, ...}
Observando os múltiplos comuns, podemos identificar o
mínimo múltiplo comum dos números 6 e 8, ou seja: MMC (6,
8) = 24
Outra técnica para o cálculo do MMC:
Decomposição isolada em fatores primos
Para obter o MMC de dois ou mais números por esse
processo, procedemos da seguinte maneira:
- Decompomos cada número dado em fatores primos.
- O MMC é o produto dos fatores comuns e não-comuns,
cada um deles elevado ao seu maior expoente.
Exemplo:
O produto do MDC e MMC é dado pela fórmula abaixo:
MDC(A, B).MMC(A,B)= A.B
Questões
01. Um professor quer guardar 60 provas amarelas, 72
provas verdes e 48 provas roxas, entre vários envelopes, de
modo que cada envelope receba a mesma quantidade e o
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 7
menor número possível de cada prova. Qual a quantidade de
envelopes, que o professor precisará, para guardar as provas?
(A) 4;
(B) 6;
(C) 12;
(D) 15.
02. O policiamento em uma praça da cidade é realizado por
um grupo de policiais, divididos da seguinte maneira:
Grupo Intervalo de passagem
Policiais a pé 40 em 40 minutos
Policiais de moto 60 em 60 minutos
Policiais em viaturas 80 em 80 minutos
Toda vez que o grupo completo se encontra, troca
informações sobre as ocorrências. O tempo mínimo em
minutos, entre dois encontros desse grupo completo será:
(A) 160
(B) 200
(C) 240
(D) 150
(E) 180
03. Na linha 1 de um sistema de Metrô, os trens partem 2,4
em 2,4 minutos. Na linha 2 desse mesmo sistema, os trens
partem de 1,8 em 1,8 minutos. Se dois trens partem,
simultaneamente das linhas 1 e 2 às 13 horas, o próximo
horário desse dia em que partirão dois trens simultaneamente
dessas duas linhas será às 13 horas,
(A) 10 minutos e 48 segundos.
(B) 7 minutos e 12 segundos.
(C) 6 minutos e 30 segundos.
(D) 7 minutos e 20 segundos.
(E) 6 minutos e 48 segundos.
Respostas
01. Resposta: D.
Fazendo o mdc entre os números teremos:
60 = 2².3.5
72 = 2³.3³
48 = 24.3
Mdc(60,72,48) = 2².3 = 12
60/12 = 5
72/12 = 6
48/12 = 4
Somando a quantidade de envelopes por provas teremos:
5 + 6 + 4 = 15 envelopes ao todo.
02. Resposta: C.
Devemos achar o mmc (40,60,80)
𝑚𝑚𝑐(40,60,80) = 2 ∙ 2 ∙ 2 ∙ 2 ∙ 3 ∙ 5 = 240
03. Resposta: B.
Como os trens passam de 2,4 e 1,8 minutos, vamos achar o
mmc(18,24) e dividir por 10, assim acharemos os minutos
Mmc(18,24)=72
Portanto, será 7,2 minutos
1 minuto---60s
0,2--------x
x = 12 segundos
Portanto se encontrarão depois de 7 minutos e 12
segundos
RAZÃO
É o quociente entre dois números (quantidades, medidas,
grandezas).
Sendo a e b dois números a sua razão, chama-se razão de a
para b:
𝑎
𝑏
𝑜𝑢 𝑎: 𝑏 , 𝑐𝑜𝑚 𝑏 ≠ 0
Onde:
Exemplo:
Em um vestibular para o curso de marketing, participaram
3600 candidatos para 150 vagas. A razão entre o número de
vagas e o número de candidatos, nessa ordem, foi de
𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑣𝑎𝑔𝑎𝑠
𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑛𝑑𝑖𝑑𝑎𝑡𝑜𝑠
=
150
3600
=
1
24
Lemos a fração como: Um vinte e quatro avós.
- Quando a e b forem medidas de uma mesma grandeza,
essas devem ser expressas na mesma unidade.
- Razões Especiais
Escala → Muitas vezes precisamos ilustrar distâncias
muito grandes de forma reduzida, então utilizamos a escala,
que é a razão da medida no mapa com a medida real (ambas
na mesma unidade).
𝐸 =
𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑛𝑜 𝑚𝑎𝑝𝑎
𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙
Velocidade média → É a razão entre a distância percorrida
e o tempo total de percurso. As unidades utilizadas são km/h,
m/s, entre outras.
𝑉 =
𝑑𝑖𝑠𝑡â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑝𝑒𝑐𝑜𝑟𝑟𝑖𝑑𝑎
𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙
Densidade → É a razão entre a massa de um corpo e o seu
volume. As unidades utilizadas são g/cm³, kg/m³, entre outras.
𝐷 =
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑜𝑟𝑝𝑜
𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑜 𝑐𝑜𝑟𝑝𝑜
PROPORÇÃO
É uma igualdade entre duas razões.
Dada as razões
𝑎
𝑏
e
𝑐
𝑑
, à setença de igualdade
𝑎
𝑏
=
𝑐
𝑑
chama-
se proporção.
Onde:
4. Proporcionalidade: Regra
de três simples e porcentagem
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 8
- Propriedades da Proporção
1 - Propriedade Fundamental
O produto dos meios é igual ao produto dos extremos, isto
é, a . d = b . c
Exemplo:
Na proporção
45
30
=
9
6
,(lê-se: “45 esta para 30 , assim como
9 esta para 6.), aplicando a propriedade fundamental , temos:
45.6 = 30.9 = 270
2 - A soma dos dois primeiros termos está para o primeiro
(ou para o segundo termo), assim como a soma dos dois
últimos está para o terceiro (ou para o quarto termo).
𝑎
𝑏
=
𝑐
𝑑
→
𝑎 + 𝑏
𝑎
=
𝑐 + 𝑑
𝑐
𝑜𝑢
𝑎 + 𝑏
𝑏
=
𝑐 + 𝑑
𝑑
3 - A diferença entre os dois primeiros termos está para o
primeiro (ou para o segundo termo), assim como a diferença
entre os dois últimos está para o terceiro (ou para o quarto
termo).
𝑎
𝑏
=
𝑐
𝑑
→
𝑎 − 𝑏
𝑎
=
𝑐 − 𝑑
𝑐
𝑜𝑢
𝑎 − 𝑏
𝑏
=
𝑐 − 𝑑
𝑑
4 - A soma dos antecedentes está para a soma dos
consequentes, assim como cada antecedente está para o seu
consequente.
𝑎
𝑏
=
𝑐
𝑑
→
𝑎 + 𝑐
𝑏 + 𝑑
=
𝑎
𝑏
𝑜𝑢
𝑎 + 𝑐
𝑏 + 𝑑
=
𝑐
𝑑
5 - A diferença dos antecedentes está para a diferença dos
consequentes, assim como cada antecedente está para o seu
consequente.
𝑎
𝑏
=
𝑐
𝑑
→
𝑎 − 𝑐
𝑏 − 𝑑
=
𝑎
𝑏
𝑜𝑢
𝑎 − 𝑐
𝑏 − 𝑑
=
𝑐
𝑑
- Problema envolvendo razão e proporção
Em um concurso participaram 3000 pessoas e foram
aprovadas 1800. A razão do número de candidatos aprovados
para o total de candidatos participantes do concurso é:
A) 2/3
B) 3/5
C) 5/10
D) 2/7
E) 6/7
Resolução:
Resposta “B”
Referências
IEZZI, Gelson – Fundamentos da Matemática – Vol. 11 – Financeira e
Estatística Descritiva
IEZZI, Gelson – Matemática Volume Único
http://educacao.globo.com
Questões
01. André, Bruno, Carlos e Diego são irmãos e suas idades
formam, na ordem apresentada, uma proporção. Considere
que André tem 3 anos, Diego tem 18 anos e Bruno é 3 anos
mais novo que Carlos. Assim, a soma das idades, destes quatro
irmãos, é igual a
(A) 30
(B) 32;
(C) 34;
(D) 36.
02. Alfredo irá doar seus livros para três bibliotecas da
universidade na qual estudou. Para a biblioteca de
matemática, ele doará três quartos dos livros, para a biblioteca
de física, um terço dos livros restantes, e para a biblioteca de
química, 36 livros. O número de livros doados para a biblioteca
de física será
(A) 16.
(B) 22.
(C) 20.
(D) 24.
(E)18.
03. Foram construídos dois reservatórios de água. A razão
entre os volumes internos do primeiro e do segundo é de 2
para 5, e a soma desses volumes é 14m³. Assim, o valor
absoluto da diferença entre as capacidades desses dois
reservatórios, em litros, é igual a
(A) 8000.
(B) 6000.
(C) 4000.
(D) 6500.
(E) 9000.
Comentários
01. Resposta: D.
Pelo enunciado temos que:
A = 3
B = C – 3
C
D = 18
Como eles são proporcionais podemos dizer que:
𝐴
𝐵
=
𝐶
𝐷
→
3
𝐶 − 3
=
𝐶
18
→ 𝐶2 − 3𝐶 = 3.18 → 𝐶2 − 3𝐶 − 54 = 0
Vamos resolver a equação do 2º grau:
𝑥 =
−𝑏 ± √𝑏2 − 4𝑎𝑐
2𝑎
→
−(−3) ± √(−3)2 − 4.1. (−54)
2.1
→
3 ± √225
2
→
3 ± 15
2
𝑥1 =
3 + 15
2
=
18
2
= 9 ∴ 𝑥2 =
3 − 15
2
=
−12
2
= −6
Como não existe idade negativa, então vamos considerar
somente o 9. Logo C = 9
B = C – 3 = 9 – 3 = 6
Somando teremos: 3 + 6 + 9 + 18 = 36
02. Resposta: E.
X = total de livros
Matemática = ¾ x, restou ¼ de x
Física = 1/3.1/4 = 1/12
Química = 36 livros
Logo o número de livros é: 3/4x + 1/12x + 36 = x
Fazendo o mmc dos denominadores (4,12) = 12
Logo:
9𝑥 + 1𝑥 + 432 = 12𝑥
12
→ 10𝑥 + 432 = 12𝑥
→ 12𝑥 − 10𝑥 = 432 → 2𝑥 = 432 →
𝑥 =
432
2
→ 𝑥 = 216
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 9
Como a Biblioteca de Física ficou com 1/12x, logo teremos:
1
12
. 216 =
216
12
= 18
03. Resposta: B.
Primeiro:2k
Segundo:5k
2k + 5k = 14 → 7k = 14 → k = 2
Primeiro: 2.2 = 4
Segundo5.2=10
Diferença: 10 – 4 = 6 m³
1m³------1000L
6--------x
x = 6000 l
REGRA DE TRÊS SIMPLES
Os problemas que envolvem duas grandezas diretamente
ou inversamente proporcionais podem ser resolvidos através
de um processo prático, chamado regra de três simples.
Vejamos a tabela abaixo:
Grandezas Relação Descrição
Nº de
funcionário x
serviço
Direta
MAIS funcionários contratados
demanda MAIS serviço produzido
Nº de
funcionário x
tempo
Inversa
MAIS funcionários contratados
exigem MENOS tempo de trabalho
Nº de
funcionário x
eficiência
Inversa
MAIS eficiência (dos funcionários)
exige MENOS funcionários
contratados
Nº de
funcionário x
grau dificuldade
Direta
Quanto MAIOR o grau de
dificuldade de um serviço, MAIS
funcionários deverão ser
contratados
Serviço x tempo Direta
MAIS serviço a ser produzido
exige MAIS tempo para realiza-lo
Serviço x
eficiência
Direta
Quanto MAIOR for a eficiência dos
funcionários, MAIS serviço será
produzido
Serviço x grau
de dificuldade
Inversa
Quanto MAIOR for o grau de
dificuldade de um serviço, MENOS
serviços serão produzidos
Tempo x
eficiência
Inversa
Quanto MAIOR for a eficiência dos
funcionários, MENOS tempo será
necessário para realizar um
determinado serviço
Tempo x grau
de dificuldade
Direta
Quanto MAIOR for o grau de
dificuldade de um serviço, MAIS
tempo será necessário para
realizar determinado serviço
Exemplos:
1) Um carro faz 180 km com 15L de álcool. Quantos litros
de álcool esse carro gastaria para percorrer 210 km?
O problema envolve duas grandezas: distância e litros de
álcool.
Indiquemos por x o número de litros de álcool a ser
consumido.
Coloquemos as grandezas de mesma espécie em uma
mesma coluna e as grandezas de espécies diferentes que se
correspondem em uma mesma linha:
Distância (km) Litros de álcool
180 ---- 15
210 ---- x
Na coluna em que aparece a variável x (“litros de álcool”),
vamos colocar uma flecha:
Observe que, se duplicarmos a distância, o consumo de
álcool também duplica. Então, as grandezas distância e litros
de álcool são diretamente proporcionais. No esquema que
estamos montando, indicamos esse fato colocando uma flecha
na coluna “distância” no mesmo sentido da flecha da coluna
“litros de álcool”:
Armando a proporção pela orientação das flechas, temos:
180
210
=
15
𝑥
→ 𝑜𝑚𝑜 180 𝑒 210 𝑝𝑜𝑑𝑒𝑚 𝑠𝑒𝑟 𝑠𝑖𝑚𝑝𝑙𝑖𝑓𝑖𝑐𝑎𝑑𝑜𝑠 𝑝𝑜𝑟 30, 𝑡𝑒𝑚𝑜𝑠:
180: 30
210: 30
=
15
𝑥
1806
2107
=
15
𝑥
→ 𝑚𝑢𝑙𝑡𝑖𝑝𝑙𝑖𝑐𝑎𝑛𝑑𝑜 𝑐𝑟𝑢𝑧𝑎𝑑𝑜(𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑜 𝑑𝑜 𝑚𝑒𝑖𝑜 𝑝𝑒𝑙𝑜𝑠 𝑒𝑥𝑡𝑟𝑒𝑚𝑜𝑠)
→ 6𝑥 = 7.156𝑥 = 105 → 𝑥 =
105
6
= 𝟏𝟕, 𝟓
Resposta: O carro gastaria 17,5 L de álcool.
2) Viajando de automóvel, à velocidade de 50 km/h, eu
gastaria 7 h para fazer certo percurso. Aumentando a
velocidade para 80 km/h, em quanto tempo farei esse
percurso?
Indicando por x o número de horas e colocando as
grandezas de mesma espécie em uma mesma coluna e as
grandezas de espécies diferentes que se correspondem em
uma mesma linha, temos:
Velocidade (km/h) Tempo (h)
50 ---- 7
80 ---- xNa coluna em que aparece a variável x (“tempo”), vamos
colocar uma flecha:
Observe que, se duplicarmos a velocidade, o tempo fica
reduzido à metade. Isso significa que as grandezas velocidade
e tempo são inversamente proporcionais. No nosso
esquema, esse fato é indicado colocando-se na coluna
“velocidade” uma flecha em sentido contrário ao da flecha da
coluna “tempo”:
Na montagem da proporção devemos seguir o sentido das
flechas. Assim, temos:
7
𝑥
=
80
50
, 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑟𝑡𝑒𝑚𝑜𝑠 𝑒𝑠𝑡𝑒 𝑙𝑎𝑑𝑜 →
7
𝑥
=
808
505
→ 7.5 = 8. 𝑥
𝑥 =
35
8
→ 𝑥 = 4,375 ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 10
Como 0,375 corresponde 22 minutos (0,375 x 60 minutos),
então o percurso será feito em 4 horas e 22 minutos
aproximadamente.
3) Ao participar de um treino de fórmula Indy, um
competidor, imprimindo a velocidade média de 180 km/h, faz
o percurso em 20 segundos. Se a sua velocidade fosse de 300
km/h, que tempo teria gasto no percurso?
Vamos representar pela letra x o tempo procurado.
Estamos relacionando dois valores da grandeza velocidade
(180 km/h e 300 km/h) com dois valores da grandeza tempo
(20 s e x s).
Queremos determinar um desses valores, conhecidos os
outros três.
Se duplicarmos a velocidade inicial do carro, o tempo gasto
para fazer o percurso cairá para a metade; logo, as grandezas
são inversamente proporcionais. Assim, os números 180 e 300
são inversamente proporcionais aos números 20 e x.
Daí temos:
180.20 = 300. 𝑥 → 300𝑥 = 3600 → 𝑥 =
3600
300
𝑥 = 12
Conclui-se, então, que se o competidor tivesse andando em
300 km/h, teria gasto 12 segundos para realizar o percurso.
Questões
01. (PM/SP – Oficial Administrativo – VUNESP) Em 3 de
maio de 2014, o jornal Folha de S. Paulo publicou a seguinte
informação sobre o número de casos de dengue na cidade de
Campinas.
De acordo com essas informações, o número de casos
registrados na cidade de Campinas, até 28 de abril de 2014,
teve um aumento em relação ao número de casos registrados
em 2007, aproximadamente, de
(A) 70%.
(B) 65%.
(C) 60%.
(D) 55%.
(E) 50%.
02. (FUNDUNESP – Assistente Administrativo –
VUNESP) Um título foi pago com 10% de desconto sobre o
valor total. Sabendo-se que o valor pago foi de R$ 315,00, é
correto afirmar que o valor total desse título era de
(A) R$ 345,00.
(B) R$ 346,50.
(C) R$ 350,00.
(D) R$ 358,50.
(E) R$ 360,00.
03. (PREF. IMARUÍ – AGENTE EDUCADOR – PREF.
IMARUÍ) Manoel vendeu seu carro por R$27.000,00(vinte e
sete mil reais) e teve um prejuízo de 10%(dez por cento) sobre
o valor de custo do tal veículo, por quanto Manoel adquiriu o
carro em questão?
(A) R$24.300,00
(B) R$29.700,00
(C) R$30.000,00
(D)R$33.000,00
(E) R$36.000,00
Respostas
01. Resposta: E.
Utilizaremos uma regra de três simples:
ano %
11442 ------- 100
17136 ------- x
11442.x = 17136 . 100 x = 1713600 / 11442 = 149,8%
(aproximado)
149,8% – 100% = 49,8%
Aproximando o valor, teremos 50%
02. Resposta: C.
Se R$ 315,00 já está com o desconto de 10%, então R$
315,00 equivale a 90% (100% - 10%).
Utilizaremos uma regra de três simples:
$ %
315 ------- 90
x ------- 100
90.x = 315 . 100 x = 31500 / 90 = R$ 350,00
03. Resposta: C.
Como ele teve um prejuízo de 10%, quer dizer 27000 é
90% do valor total.
Valor %
27000 ------ 90
X ------- 100
27000
𝑥
=
909
10010
→
27000
𝑥
=
9
10
→ 9.x = 27000.10 → 9x = 270000
→ x = 30000.
PORCENTAGEM
Razões de denominador 100 que são chamadas de
razões centesimais ou taxas percentuais ou simplesmente de
porcentagem. Servem para representar de uma
maneira prática o "quanto" de um "todo" se está
referenciando.
Costumam ser indicadas pelo numerador seguido do
símbolo % (Lê-se: “por cento”).
𝒙% =
𝒙
𝟏𝟎𝟎
Exemplo:
Em uma classe com 30 alunos, 18 são rapazes e 12 são
moças. Qual é a taxa percentual de rapazes na classe?
Resolução: A razão entre o número de rapazes e o total de
alunos é
18
30
. Devemos expressar essa razão na forma
centesimal, isto é, precisamos encontrar x tal que:
18
30
=
𝑥
100
⟹ 𝑥 = 60
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 11
E a taxa percentual de rapazes é 60%. Poderíamos ter
divido 18 por 30, obtendo:
18
30
= 0,60(. 100%) = 60%
- Lucro e Prejuízo
É a diferença entre o preço de venda e o preço de custo.
Caso a diferença seja positiva, temos o lucro(L), caso seja
negativa, temos prejuízo(P).
Lucro (L) = Preço de Venda (V) – Preço de Custo (C).
Podemos ainda escrever:
C + L = V ou L = V - C
P = C – V ou V = C - P
A forma percentual é:
Exemplo:
Um objeto custa R$ 75,00 e é vendido por R$ 100,00.
Determinar:
a) a porcentagem de lucro em relação ao preço de custo;
b) a porcentagem de lucro em relação ao preço de venda.
Resolução:
Preço de custo + lucro = preço de venda → 75 + lucro =100
→ Lucro = R$ 25,00
𝑎)
𝑙𝑢𝑐𝑟𝑜
𝑝𝑟𝑒ç𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑢𝑠𝑡𝑜
. 100% ≅ 33,33%
𝑏)
𝑙𝑢𝑐𝑟𝑜
𝑝𝑟𝑒ç𝑜 𝑑𝑒 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎
. 100% = 25%
- Aumento e Desconto Percentuais
A) Aumentar um valor V em p%, equivale a multiplicá-lo
por (𝟏 +
𝒑
𝟏𝟎𝟎
).V .
Logo:
VA = (𝟏 +
𝒑
𝟏𝟎𝟎
).V
Exemplo:
1 - Aumentar um valor V de 20%, equivale a multiplicá-lo
por 1,20, pois:
(1 +
20
100
).V = (1+0,20).V = 1,20.V
B) Diminuir um valor V em p%, equivale a multiplicá-lo
por (𝟏 −
𝒑
𝟏𝟎𝟎
).V.
Logo:
V D = (𝟏 −
𝒑
𝟏𝟎𝟎
).V
Exemplo:
Diminuir um valor V de 40%, equivale a multiplicá-lo por
0,60, pois:
(1 −
40
100
). V = (1-0,40). V = 0, 60.V
A esse valor final de (𝟏 +
𝒑
𝟏𝟎𝟎
) ou (𝟏 −
𝒑
𝟏𝟎𝟎
), é o que
chamamos de fator de multiplicação, muito útil para
resolução de cálculos de porcentagem. O mesmo pode ser um
acréscimo ou decréscimo no valor do produto.
- Aumentos e Descontos Sucessivos
São valores que aumentam ou diminuem sucessivamente.
Para efetuar os respectivos descontos ou aumentos, fazemos
uso dos fatores de multiplicação.
Vejamos alguns exemplos:
1) Dois aumentos sucessivos de 10% equivalem a um
único aumento de...?
Utilizando VA = (1 +
𝑝
100
).V → V. 1,1 , como são dois de
10% temos → V. 1,1 . 1,1 → V. 1,21 Analisando o fator de
multiplicação 1,21; concluímos que esses dois aumentos
significam um único aumento de 21%.
Observe que: esses dois aumentos de 10% equivalem a
21% e não a 20%.
2) Dois descontos sucessivos de 20% equivalem a um
único desconto de:
Utilizando VD = (1 −
𝑝
100
).V → V. 0,8 . 0,8 → V. 0,64 . .
Analisando o fator de multiplicação 0,64, observamos que
esse percentual não representa o valor do desconto, mas sim
o valor pago com o desconto. Para sabermos o valor que
representa o desconto é só fazermos o seguinte cálculo:
100% - 64% = 36%
Observe que: esses dois descontos de 20% equivalem a
36% e não a 40%.
Referências
IEZZI, Gelson – Fundamentos da Matemática – Vol. 11 – Financeira e
Estatística Descritiva
IEZZI, Gelson – Matemática Volume Único
http://www.porcentagem.org
http://www.infoescola.com
Questões
01. Marcos comprou um produto e pagou R$ 108,00, já
inclusos20% de juros. Se tivesse comprado o produto, com
25% de desconto, então, Marcos pagaria o valor de:
(A) R$ 67,50
(B) R$ 90,00
(C) R$ 75,00
(D) R$ 72,50
02. O departamento de Contabilidade de uma empresa tem
20 funcionários, sendo que 15% deles são estagiários. O
departamento de Recursos Humanos tem 10 funcionários,
sendo 20% estagiários. Em relação ao total de funcionários
desses dois departamentos, a fração de estagiários é igual a
(A) 1/5.
(B) 1/6.
(C) 2/5.
(D) 2/9.
(E) 3/5.
03. Quando calculamos 15% de 1.130, obtemos, como
resultado
(A) 150
(B) 159,50;
(C) 165,60;
(D) 169,50.
Comentários
01. Resposta: A.
Como o produto já está acrescido de 20% juros sobre o seu
preço original, temos que:
100% + 20% = 120%
Precisamos encontrar o preço original (100%) da
mercadoria para podermos aplicarmos o desconto.
Utilizaremos uma regra de 3 simples para encontrarmos:
R$ %
108 ---- 120
X ----- 100
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 12
120x = 108.100 → 120x = 10800 → x = 10800/120 → x =
90,00
O produto sem o juros, preço original, vale R$ 90,00 e
representa 100%. Logo se receber um desconto de 25%,
significa ele pagará 75% (100 – 25 = 75%) → 90. 0,75 = 67,50
Então Marcos pagou R$ 67,50.
02. Resposta: B.
* Dep. Contabilidade:
15
100
. 20 =
30
10
= 3 → 3 (estagiários)
* Dep. R.H.:
20
100
. 10 =
200
100
= 2 → 2 (estagiários)
∗ 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 =
𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜𝑠 𝑒𝑠𝑡𝑎𝑔𝑖á𝑟𝑖𝑜𝑠
𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑓𝑢𝑛𝑐𝑖𝑜𝑛á𝑟𝑖𝑜𝑠
=
5
30
=
1
6
03. Resposta: D.
15% de 1130 = 1130.0,15 ou 1130.15/100 → 169,50
Sistema de Medidas Decimais
Um sistema de medidas é um conjunto de unidades de
medida que mantém algumas relações entre si. O sistema
métrico decimal é hoje o mais conhecido e usado no mundo
todo. Na tabela seguinte, listamos as unidades de medida de
comprimento do sistema métrico. A unidade fundamental é o
metro, porque dele derivam as demais.
Há, de fato, unidades quase sem uso prático, mas elas têm
uma função. Servem para que o sistema tenha um padrão: cada
unidade vale sempre 10 vezes a unidade menor seguinte.
Por isso, o sistema é chamado decimal.
E há mais um detalhe: embora o decímetro não seja útil na
prática, o decímetro cúbico é muito usado com o nome popular
de litro.
As unidades de área do sistema métrico correspondem às
unidades de comprimento da tabela anterior.
São elas: quilômetro quadrado (km2), hectômetro
quadrado (hm2), etc. As mais usadas, na prática, são o
quilômetro quadrado, o metro quadrado e o hectômetro
quadrado, este muito importante nas atividades rurais com o
nome de hectare (há): 1 hm2 = 1 há.
No caso das unidades de área, o padrão muda: uma
unidade é 100 vezes a menor seguinte e não 10 vezes, como
nos comprimentos. Entretanto, consideramos que o sistema
continua decimal, porque 100 = 102.
Existem outras unidades de medida mas que não
pertencem ao sistema métrico decimal. Vejamos as relações
entre algumas essas unidades e as do sistema métrico
decimal (valores aproximados):
1 polegada = 25 milímetros
1 milha = 1 609 metros
1 légua = 5 555 metros
1 pé = 30 centímetros
A nomenclatura é a mesma das unidades de comprimento
acrescidas de quadrado.
Agora, vejamos as unidades de volume. De novo, temos a
lista: quilômetro cúbico (km3), hectômetro cúbico (hm3), etc.
Na prática, são muitos usados o metro cúbico(m3) e o
centímetro cúbico(cm3).
Nas unidades de volume, há um novo padrão: cada unidade
vale 1000 vezes a unidade menor seguinte. Como 1000 = 103,
o sistema continua sendo decimal.
A noção de capacidade relaciona-se com a de volume. Se o
volume da água que enche um tanque é de 7.000 litros,
dizemos que essa é a capacidade do tanque. A unidade
fundamental para medir capacidade é o litro (l); 1l equivale a
1 dm3.
Cada unidade vale 10 vezes a unidade menor seguinte.
O sistema métrico decimal inclui ainda unidades de
medidas de massa. A unidade fundamental é o grama(g).
Unidades de Massa e suas Transformações
Dessas unidades, só têm uso prático o quilograma, o grama
e o miligrama. No dia-a-dia, usa-se ainda a tonelada (t).
Medidas Especiais:
1 Tonelada(t) = 1000 Kg
1 Arroba = 15 Kg
1 Quilate = 0,2 g
Relações entre unidades:
Temos que:
1 kg = 1l = 1 dm3
1 hm2 = 1 ha = 10.000m2
1 m3 = 1000 l
5. Sistema Legal de
Medidas: Medidas de
comprimento, área, volume,
capacidade, massa e tempo
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 13
Questões
01. O suco existente em uma jarra preenchia
3
4
da sua
capacidade total. Após o consumo de 495 mL, a quantidade de
suco restante na jarra passou a preencher
1
5
da sua capacidade
total. Em seguida, foi adicionada certa quantidade de suco na
jarra, que ficou completamente cheia. Nessas condições, é
correto afirmar que a quantidade de suco adicionada foi igual,
em mililitros, a
(A) 580.
(B) 720.
(C) 900.
(D) 660.
(E) 840.
02. Em uma casa há um filtro de barro que contém, no
início da manhã, 4 litros de água. Desse filtro foram retirados
800 mL para o preparo da comida e meio litro para consumo
próprio. No início da tarde, foram colocados 700 mL de água
dentro desse filtro e, até o final do dia, mais 1,2 litros foram
utilizados para consumo próprio. Em relação à quantidade de
água que havia no filtro no início da manhã, pode-se concluir
que a água que restou dentro dele, no final do dia, corresponde
a uma porcentagem de
(A) 60%.
(B) 55%.
(C) 50%.
(D) 45%.
(E) 40%.
03. Admita que cada pessoa use, semanalmente, 4 bolsas
plásticas para embrulhar suas compras, e que cada bolsa é
composta de 3 g de plástico. Em um país com 200 milhões de
pessoas, quanto plástico será utilizado pela população em um
ano, para embrulhar suas compras? Dado: admita que o ano é
formado por 52 semanas. Indique o valor mais próximo do
obtido.
(A) 108 toneladas
(B) 107 toneladas
(C) 106 toneladas
(D) 105 toneladas
(E) 104 toneladas
Respostas
01. Resposta: B.
Vamos chamar de x a capacidade total da jarra. Assim:
3
4
. 𝑥 − 495 =
1
5
. 𝑥
3
4
. 𝑥 −
1
5
. 𝑥 = 495
5.3.𝑥 − 4.𝑥=20.495
20
15x – 4x = 9900
11x = 9900
x = 9900 / 11
x = 900 mL (capacidade total)
Como havia 1/5 do total (1/5 . 900 = 180 mL), a quantidade
adicionada foi de 900 – 180 = 720 mL
02. Resposta: B.
4 litros = 4000 ml; 1,2 litros = 1200 ml; meio litro = 500
ml
4000 – 800 – 500 + 700 – 1200 = 2200 ml (final do dia)
Utilizaremos uma regra de três simples:
ml %
4000 ------- 100
2200 ------- x
4000.x = 2200 . 100 x = 220000 / 4000 = 55%
03. Resposta: D.
4 . 3 . 200000000 . 52 = 1,248 . 1011 g = 1,248 . 105 t
MEDIDAS DE TEMPO
Não Decimais
Medidas de Tempo (Hora) e suas Transformações
Desse grupo, o sistema hora – minuto – segundo, que mede
intervalos de tempo, é o mais conhecido. A unidade utilizada
como padrão no Sistema Internacional (SI) é o segundo.
1h → 60 minutos → 3 600 segundos
Para passar de uma unidade para a menor seguinte,
multiplica-se por 60.
Exemplo:
0,3h não indica 30 minutos nem 3 minutos, quantos
minutos indica 0,3 horas?
Efetuando temos: 0,3 . 60 = 1. x → x = 18 minutos.
Concluímos que0,3horas = 18 minutos.
- Adição e Subtração de Medida de tempo
Ao adicionarmos ou subtrairmos medidas de tempo,
precisamos estar atentos as unidades. Vejamos os exemplos:
A) 1 h 50 min + 30 min
Observe que ao somar 50 + 30, obtemos 80 minutos, como
sabemos que 1 hora tem 60 minutos, temos, então
acrescentamos a hora +1, e subtraímos 80 – 60 = 20 minutos,
é o que resta nos minutos:
Logo o valor encontrado é de 2 h 20 min.
B) 2 h 20 min – 1 h 30 min
Observe que não podemos subtrair 20 min de 30 min,
então devemos passar uma hora (+1) dos 2 para a coluna
minutos.
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 14
Então teremos novos valores para fazermos nossa
subtração, 20 + 60 = 80:
Logo o valor encontrado é de 50 min.
Questões
01. Joana levou 3 horas e 53 minutos para resolver uma
prova de concurso, já Ana levou 2 horas e 25 minutos para
resolver a mesma prova. Comparando o tempo das duas
candidatas, qual foi a diferença encontrada?
(A) 67 minutos.
(B) 75 minutos.
(C) 88 minutos.
(D) 91 minutos.
(E) 94 minutos.
02. A tabela a seguir mostra o tempo, aproximado, que um
professor leva para elaborar cada questão de matemática.
Questão (dificuldade) Tempo (minutos)
Fácil 8
Média 10
Difícil 15
Muito difícil 20
O gráfico a seguir mostra o número de questões de
matemática que ele elaborou.
O tempo, aproximado, gasto na elaboração dessas questões
foi
(A) 4h e 48min.
(B) 5h e 12min.
(C) 5h e 28min.
(D) 5h e 42min.
(E) 6h e 08min.
03. Para obter um bom acabamento, um pintor precisa dar
duas demãos de tinta em cada parede que pinta. Sr. Luís utiliza
uma tinta de secagem rápida, que permite que a segunda
demão seja aplicada 50 minutos após a primeira. Ao terminar
a aplicação da primeira demão nas paredes de uma sala, Sr.
Luís pensou: “a segunda demão poderá ser aplicada a partir
das 15h 40min.”
Se a aplicação da primeira demão demorou 2 horas e 15
minutos, que horas eram quando Sr. Luís iniciou o serviço?
(A) 12h 25 min
(B) 12h 35 min
(C) 12h 45 min
(D) 13h 15 min
(E) 13h 25 min
Respostas
01. Resposta: C.
Como 1h tem 60 minutos.
Então a diferença entre as duas é de 60+28=88 minutos.
02. Resposta: D.
T = 8 . 4 + 10 . 6 + 15 . 10 + 20 . 5 =
= 32 + 60 + 150 + 100 = 342 min
Fazendo: 342 / 60 = 5 h, com 42 min (resto)
03. Resposta: B.
15 h 40 – 2 h 15 – 50 min = 12 h 35min
O princípio multiplicativo ou fundamental da
contagem constitui a ferramenta básica para resolver
problemas de contagem sem que seja necessário enumerar
seus elementos, através da possibilidades dadas.
Exemplos:
1) Imagine que, na cantina de sua escola, existem cinco
opções de suco de frutas: pêssego, maçã, morango, caju e
mamão. Você deseja escolher apenas um desses sucos, mas
deverá decidir também se o suco será produzido com água ou
leite. Escolhendo apenas uma das frutas e apenas um dos
acompanhamentos, de quantas maneiras poderá pedir o suco?
2) Para ir da sua casa (cidade A) até a casa do seu de um
amigo Pedro (que mora na cidade C) João precisa pegar duas
conduções: A1 ou A2 ou A3 que saem da sua cidade até a B e
B1 ou B2 que o leva até o destino final C. Vamos montar o
diagrama da árvore para avaliarmos todas as possibilidades:
De forma resumida, e rápida podemos também montar
através do princípio multiplicativo o número de
possibilidades:
2 x 3 = 6
3) De sua casa ao trabalho, Silvia pode ir a pé, de ônibus ou
de metrô. Do trabalho à faculdade, ela pode ir de ônibus, metrô,
trem ou pegar uma carona com um colega.
6. Princípio Multiplicativo
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 15
De quantos modos distintos Silvia pode, no mesmo dia, ir
de casa ao trabalho e de lá para a faculdade?
Vejamos, o trajeto é a junção de duas etapas:
1º) Casa → Trabalho: ao qual temos 3 possibilidades
2º) Trabalho → Faculdade: 4 possibilidades.
Multiplicando todas as possibilidades (pelo PFC), teremos:
3 x 4 = 12.
No total Silvia tem 12 maneiras de fazer o trajeto casa –
trabalho – faculdade.
Podemos dizer que, um evento B pode ser feito de n
maneiras, então, existem m • n maneiras de fazer e executar
o evento B.
Referências
IEZZI, Gelson – Matemática – Volume Único
Questões
01. (Câmara de Chapecó/SC – Assistente de Legislação
e Administração – OBJETIVA) Quantos são os gabaritos
possíveis para uma prova com 6 questões, sendo que cada
questão possui 4 alternativas, e apenas uma delas é a
alternativa correta?
(A) 1.296
(B) 3.474
(C) 2.348
(D) 4.096
02. (Câmara de São Paulo/SP – Técnico Administrativo
– FCC) São lançados dois dados e multiplicados os números de
pontos obtidos em cada um deles. A quantidade de produtos
distintos que se pode obter nesse processo é
(A) 36.
(B) 27.
(C) 30.
(D) 21.
(E) 18.
03. (Corpo de Bombeiros Militar/MT – Oficial
Bombeiro Militar – COVEST – UNEMAT) A maioria das
pizzarias disponibilizam uma grande variedade de sabores aos
seus clientes. A pizzaria “Vários Sabores” disponibiliza dez
sabores diferentes. No entanto, as pizzas pequenas podem ser
feitas somente com um sabor; as médias, com até dois sabores,
e as grandes podem ser montadas com até três sabores
diferentes.
Imagine que um cliente peça uma pizza grande.
De quantas maneiras diferentes a pizza pode ser montada
no que diz respeito aos sabores?
(A) 10
(B) 720
(C) 100
(D) 820
(E) 730
Respostas
01. Resposta: D.
4 . 4 . 4 . 4 . 4 . 4 = 4096
02. Resposta: E.
_ _
6.6=36
Mas, como pode haver o mesmo produto por ser dois
dados, 36/2=18
03. Resposta: D.
As pizzas grandes podem ser montadas com ATÉ 3
sabores:
* 1 sabor: 10 maneiras
* 2 sabores: 10 . 9 = 90 maneiras
* 3 sabores: 10 . 9 . 8 = 720 maneiras
Como as pizzas podem ter 1 OU 2 OU 3 sabores, basta
SOMAR cada uma das possibilidades, temos: 10 + 90 + 720 =
820 maneiras.
PARALELEPÍPEDO
Dentre os prismas, o mais comum e utilizado na indústria
de embalagens é o paralelepípedo, também conhecido como
bloco retangular.
Elementos
O paralelepípedo é formado pelas arestas, faces e vértices.
Área e volume do paralelepípedo
Em um paralelepípedo há três dimensões:
comprimento, largura e a altura.
Volume é dado por: V = c. l. h (Volume = comprimento.
largura. altura) ou também:
V = Ab . h , (onde Ab = área da base).
A
Planificação
Observação: Quando o as três dimensões tem a mesma
medida, o paralelepípedo recebe o nome de CUBO.
CUBO
É um paralelepípedo especial em que todas as arestas
são iguais, em consequência todas as faces também são
iguais e quadradas.
7. Volume do cubo e do
paralelepípedo retângulo
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 16
É o poliedro de Platão mais conhecido, utilizável e presente
em grande número de situações e objetos do cotidiano. O cubo
pode ser facilmente encontrado na arquitetura, no desenho
dos objetos do cotidiano, nas artes e até na natureza.
Casas Cúbicas na Holanda
Cubo Mágico
Abaixo temos as planificações do cubo. O cubo possui 11
planificações diferentes
Simetria de cubos
Os cubos e os demais poliedros de Platão são simétricos.Esse fato levou os geômetras a estudar as várias simetrias do
cubo e outras figuras tridimensionais.
Imagine um bolo em formato cúbico; há várias maneiras
de, com um único corte, decompor esse bolo em dois pedaços
iguais.
Para saber onde e como fazer o corte, podemos imaginar
um plano, que funciona como um espelho que permite
visualizar o cubo espelhando apenas uma de suas metades.
Elementos do cubo
Assim como o paralelepípedo o cubo também é formado
pelas arestas, faces e vértices.
Área e volume do cubo
A área do cubo é dada pela área do quadrado, como são 6
faces quadradas temos: 6a².
O volume do cubo é dado pela multiplicação das suas
arestas conforme mostra a figura: a.a.a = a³.
Referências
LOPES, Antônio (Bigode) – Matemática 8 ano – Editora Scipione
SOUZA, Joamir Roberto de - Vontade de saber matemática – 6º e 7º ano –
2.ed – São Paulo: FTD,2012
Questões
01. Qual é o menor número de cubos que foi necessário
para construir a figura representada a seguir?
02. A figura, abaixo, mostra uma embalagem de presente
que Bruno desmontou.
03. Cada quadradinho que compõe as faces do cubo mágico
da figura abaixo mede 1 cm.
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 17
Qual é o volume desse cubo?
(A) 1 cm3.
(B) 9 cm3.
(C) 18 cm3.
(D) 27 cm3.
04. As dimensões de um paralelepípedo são 3 cm, 4 cm e
12 cm. Pede-se calcular a área total, o volume desse
paralelepípedo.
Respostas
01. Resposta: 14 cubos.
São 10 cubos na camada inferior, 3 cubos na camada
intermediária e 1 cubo no topo.
02. Resposta: A.
Como vimos a planificação da figura tem 6 quadrados que
correspondem ao cubo.
03. Resposta: D.
Como cada quadradinho equivale 1 cm e cada aresta é
formada por 3, logo temos que cada aresta vale 3 cm. O volume
é dado por a³ = (3)³ = 3.3.3 = 27 cm³.
04. Respostas: At = 192 cm2 e V = 144 cm3
Aplicação direta das fórmulas sendo a = 3 cm, b = 4 cm e c
= 12 cm.
At = 2.(ab + ac + bc) V = a.b.c
At = 2.(3.4 + 3.12 + 4.12) V = 3.4.12
At = 2.(12 + 36 + 48) V = 144 cm3
At = 2.96 At = 192 cm2
MALHA QUADRICULADA
As malhas nada mais são que diversas variações e
deformações possíveis do papel quadriculado, e sua função é
ajudar o aluno na observação das formas geométricas e nos
desenhos que ele fará a partir das propriedades da figura que
observou.
As malhas podem ser utilizadas desde as séries iniciais,
proporcionando aos alunos a oportunidade de familiarizar-se
com os desenhos, as formas geométricas, as ampliações e
reduções de figuras (proporcionalidade), a simetria, o conceito
de área e volume e o ladrilhamento formado por motivos
geométricos”.
As malhas quadriculadas é um recurso de trabalho, e a sua
função é ajudar o aluno na observação das formas geométricas
e nos desenhos que ela fará a partir das propriedades da figura
que observou e montou no geoplano.
Podem ser utilizadas desde as séries iniciais até no ensino
médio, no trabalho com a geometria (formas, área, perímetro),
operações (especialmente a multiplicação), funções e
estatística (gráficos).
Exemplo:
- Ampliação e Redução de desenhos utilizando malha
quadriculada
Na figura abaixo, você pode ver o desenho de um pátio na
forma de U feito numa grade quadriculada. O pequeno
quadrado colorido de cinza é a unidade de medida para fazer
essa figura.
Na próxima figura, você vê o desenho do mesmo pátio,
agora, usando como unidade de medida, para fazer essa figura,
o novo quadrado colorido de cinza que nela aparece. Observe
que o lado desse novo quadrado mede duas vezes o lado do
quadrado da figura acima. Essa figura é uma ampliação da
figura.
Em matemática se diz que dois polígonos são semelhantes
se: existir uma igualdade entre as razões dos segmentos que
ocupam as correspondentes posições relativas nas figuras.
Duas figuras são semelhantes quando elas têm a mesma
forma, preservando os mesmos ângulos e a proporcionalidade
dos lados. Isto significa que existe uma proporção constante
entre elas sem ocorrência de deformação. A figura final e a
figura original são chamadas figuras semelhantes.
Tanto a ampliação quanto a redução podemos utilizar o
mesmo conceito.
Questões
01. Observe o painel de Carol. A figura 2 é uma ampliação
da figura 1.
Quantas vezes o perímetro da figura 2 é maior que o
perímetro da figura 1?
8. Conservação, redução ou
ampliação de perímetros e
áreas das principais figuras
planas usando malhas
quadriculadas. Cálculo de
áreas e perímetros
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 18
(A) Duas
(B) Três
(C) Quatro
(D) Nove
02. (Prova Brasil) A figura a seguir mostra o projeto
original da árvore de natal da cidade em que Roberto mora.
Como consideraram a árvore muito grande, fizeram um
novo projeto, de modo que suas dimensões se tornaram duas
vezes menores que as do projeto original.
Para o novo projeto, as dimensões foram:
(A) multiplicadas por 2.
(B) divididas por 2.
(C) subtraídas em 2 unidades.
(D) adicionada em 2 unidades.
03. Observe os desenhos abaixo:
A área da Figura I é:
(A) duas vezes a área da figura II.
(B) quatro vezes a área da figura II.
(C) seis vezes a área da figura II.
(D) oito vezes a área da figura II.
04. (Projeto conseguir – DC) Durante a aula de Educação
Física o professor pediu que os alunos dessem uma volta em
torno da quadra. Calcule quantos metros cada aluno correu,
sabendo que cada lado do quadrado equivale a 1 metro.
A figura abaixo representa a quadra.
(A) 58m
(B) 190m
(C) 10m
(D) 25m
05. (SEPR) Os desenhos a seguir representam o formato
de um jardim que será construído em uma praça da cidade.
Inicialmente pensou-se num jardim pequeno, mas devido ao
grande entusiasmo que causou na população da cidade, o
prefeito solicitou que fizessem um novo projeto, com desenho
maior.
O novo projeto terá área:
(A) 2 vezes maior que o primeiro.
(B) 3 vezes maior que o primeiro.
(C) 4 vezes maior que o primeiro.
(D) 6 vezes maior que o primeiro.
06. (Projeto conseguir – DC) Lucas está pintando um
mosaico no papel quadriculado. Observe:
Quantos quadrados foram pintados na figura amarela?
(A) 6
(B) 4
(C) 5
(D) 2
07. (Projeto conseguir – DC) Algumas crianças
escolheram a figura abaixo para ampliar:
Veja as ampliações feitas por algumas delas:
Quem ampliou corretamente a figura?
(A) Júlia
(B) Pedro
(C) Maria
(D) Vítor
08. (Projeto conseguir – DC). A professora pediu que seus
alunos desenhassem o retângulo abaixo na malha
quadriculada, ampliando, reduzindo ou mudando a figura de
posição. Veja:
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 19
Quais crianças conseguiram cumprir a tarefa?
(A) Bia e Carol
(B) Léo e Carol
(C) Lucas e Bia
(D) Léo e Lucas
Respostas
01. Resposta: B.
A base da figura 1 tem 3 quadradinhos inteiros, já o da
figura 2 tem 9 , isso significa que se pegarmos a base da figura
2 e dividirmos pela figura 1, teremos a quantidade de vezes
que foi aumentada.
02. Resposta: B.
Para tornar um projeto menor ou reduzi-lo
03. Resposta: B.
Basta utilizarmos o mesmo conceito daquestão1.Logo:
Figura I = 4 x 4 = 16 e Figura II = 2 x 2 = 4, 16/4 = 4 vezes maior.
04. Resposta: A.
Como cada lado do quadrado da malha equivale a 1 m,
temos como figura um retângulo ao qual sabemos que o
perímetro é dado por: 2.a + 2.b , considerando a =
comprimento = 19 quadrados = 19 metros e b = altura = 10
quadrados. Logo:
2.19 + 2.10 = 38 + 20 = 58 m
05. Resposta: C.
O jardim menor tem área de 3 x 2 = 6
O jardim maior tem área de 6 x 4 = 24
Dividindo 24/6 = 4 , logo o jardim maior é 4 vezes maior
que o menor.
06. Resposta: C.
Basta contarmos quantos quadrados amarelos a figura
possui. Não podemos esquecer o que fica no meio.
07. Resposta: A.
Observando as figuras, a única que conseguiu manter a
proporcionalidade da figura em questão foi a Júlia.
08. Resposta: D.
Léo ampliou a figura e Lucas mudou-a de posição
mantendo a mesma proporção.
PERÍMETRO E ÁREA DAS FIGURAS PLANAS
Perímetro: é a soma de todos os lados de uma figura plana.
Exemplo:
Perímetros de algumas das figuras planas:
Área: é a medida da superfície de uma figura plana.
A unidade básica de área é o m2 (metro quadrado), isto é,
uma superfície correspondente a um quadrado que tem 1 m de
lado.
Fórmulas de área das principais figuras planas:
1) Retângulo
- sendo b a base e h a altura:
2. Paralelogramo
- sendo b a base e h a altura:
3. Trapézio
- sendo B a base maior, b a base menor e h a altura:
4. Losango
- sendo D a diagonal maior e d a diagonal menor:
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 20
5. Quadrado
- sendo l o lado:
6. Triângulo: essa figura tem 6 fórmulas de área,
dependendo dos dados do problema a ser resolvido.
I) sendo dados a base b e a altura h:
II) sendo dados as medidas dos três lados a, b e c:
III) sendo dados as medidas de dois lados e o ângulo
formado entre eles:
IV) triângulo equilátero (tem os três lados iguais):
V) circunferência inscrita:
VI) circunferência circunscrita:
Questões
01. A área de um quadrado cuja diagonal mede 2√7 cm é,
em cm2, igual a:
(A) 12
(B) 13
(C) 14
(D) 15
(E) 16
02. Corta-se um arame de 30 metros em duas partes. Com
cada uma das partes constrói-se um quadrado. Se S é a soma
das áreas dos dois quadrados, assim construídos, então o
menor valor possível para S é obtido quando:
(A) o arame é cortado em duas partes iguais.
(B) uma parte é o dobro da outra.
(C) uma parte é o triplo da outra.
(D) uma parte mede 16 metros de comprimento.
03. Um grande terreno foi dividido em 6 lotes retangulares
congruentes, conforme mostra a figura, cujas dimensões
indicadas estão em metros.
Sabendo-se que o perímetro do terreno original, delineado
em negrito na figura, mede x + 285, conclui-se que a área total
desse terreno é, em m2, igual a:
(A) 2 400.
(B) 2 600.
(C) 2 800.
(D) 3000.
(E) 3 200.
Respostas
01.Resposta: C.
Sendo l o lado do quadrado e d a diagonal:
Utilizando o Teorema de Pitágoras:
d2 = l2 + l2
(2√7)
2
= 2l2
4.7 = 2l2
2l2 = 28
l2 =
28
2
A = 14 cm2
02. Resposta: A.
- um quadrado terá perímetro x
o lado será l =
x
4
e o outro quadrado terá perímetro 30 – x
o lado será l1 =
30−x
4
, sabendo que a área de um quadrado
é dada por S = l2, temos:
S = S1 + S2
S=l²+l1²
S = (
x
4
)
2
+ (
30−x
4
)
2
S =
x2
16
+
(30−x)2
16
, como temos o mesmo denominador 16:
S =
x2 + 302 − 2.30. x + x2
16
S =
x2 + 900 − 60x + x2
16
S =
2x2
16
−
60x
16
+
900
16
,
sendo uma equação do 2º grau onde a = 2/16; b = -60/16
e c = 900/16 e o valor de x será o x do vértice que e dado pela
fórmula: x =
−b
2a
, então:
xv =
− (
−60
16 )
2.
2
16
=
60
16
4
16
xv =
60
16
.
16
4
=
60
4
= 15,
logo l = 15 e l1 = 30 – 15 = 15.
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 21
03. Resposta: D.
Observando a figura temos que cada retângulo tem lados
medindo x e 0,8x:
Perímetro = x + 285
8.0,8x + 6x = x + 285
6,4x + 6x – x = 285
11,4x = 285
x = 285:11,4
x = 25
Sendo S a área do retângulo:
S= b.h
S= 0,8x.x
S = 0,8x2
Sendo St a área total da figura:
St = 6.0,8x2
St = 4,8.252
St = 4,8.625
St = 3000
ÁREA DO CIRCULO E SUAS PARTES
I- Círculo:
Quem primeiro descreveu a área de um círculo foi o
matemático grego Arquimedes (287/212 a.C.), de Siracusa,
mais ou menos por volta do século II antes de Cristo. Ele
concluiu que quanto mais lados tem um polígono regular mais
ele se aproxima de uma circunferência e o apótema (a) deste
polígono tende ao raio r. Assim, como a fórmula da área de um
polígono regular é dada por A = p.a (onde p é semiperímetro e
a é o apótema), temos para a área do círculo 𝐴 =
2𝜇𝑟
2
. 𝑟, então
temos:
II- Coroa circular:
É uma região compreendida entre dois círculos
concêntricos (tem o mesmo centro). A área da coroa circular é
igual a diferença entre as áreas do círculo maior e do círculo
menor. A = 𝜋R2 – 𝜋r2, como temos o 𝜋 como fator comum,
podemos colocá-lo em evidência, então temos:
III- Setor circular:
É uma região compreendida entre dois raios distintos de
um círculo. O setor circular tem como elementos principais o
raio r, um ângulo central 𝛼 e o comprimento do arco l, então
temos duas fórmulas:
IV- Segmento circular:
É uma região compreendida entre um círculo e uma corda
(segmento que une dois pontos de uma circunferência) deste
círculo. Para calcular a área de um segmento circular temos
que subtrair a área de um triângulo da área de um setor
circular, então temos:
Questões
01. A figura abaixo mostra três círculos, cada um com 10
cm de raio, tangentes entre si.
Considerando √3 ≅ 1,73 e 𝜋 ≅ 3,14, o valor da área
sombreada, em cm2, é:
(A) 320.
(B) 330.
(C) 340.
(D) 350.
(E) 360.
02. A área de um círculo, cuja circunferência tem
comprimento 20𝜋 cm, é:
(A) 100𝜋 cm2.
(B) 80 𝜋 cm2.
(C) 160 𝜋 cm2.
(D) 400 𝜋 cm2.
03. Quatro tanques de armazenamento de óleo, cilíndricos
e iguais, estão instalados em uma área retangular de 24,8 m de
comprimento por 20,0 m de largura, como representados na
figura abaixo.
Se as bases dos quatro tanques ocupam
2
5
da área
retangular, qual é, em metros, o diâmetro da base de cada
tanque?
Dado: use 𝜋=3,1
(A) 2.
(B) 4.
(C) 6.
(D) 8.
(E) 16.
Comentários
01. Resposta: B.
Unindo os centros das três circunferências temos um
triângulo equilátero de lado 2r ou seja l = 2.10 = 20 cm. Então
a área a ser calculada será:
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 22
𝐴 = 𝐴𝑐𝑖𝑟𝑐 + 𝐴𝑡𝑟𝑖𝑎𝑛𝑔 +
𝐴𝑐𝑖𝑟𝑐
2
𝐴 =
𝐴𝑐𝑖𝑟𝑐
2
+ 𝐴𝑡𝑟𝑖𝑎𝑛𝑔
𝐴 =
𝜋𝑟2
2
+ 𝐴𝑡𝑟𝑖𝑎𝑛𝑔
𝐴 =
𝜋𝑟2
2
+
𝑙2√3
4
𝐴 =
(3,14 ∙ 102)
2
+
202 ∙ 1,73
4
𝐴 = 1,57 ∙ 100 +
400 ∙ 1,73
4
𝐴 = 157 + 100 ∙ 1,73 = 157 + 173 = 330
02. Resposta: A.
A fórmula do comprimento de uma circunferência é C =
2π.r, Então:
C = 20π
2π.r = 20π
r =
20π
2π
r = 10 cm
A = π.r2 →A = π.102 → A = 100π cm2
03. Resposta: D.
Primeiro calculamos a área do retângulo (A = b.h)
Aret = 24,8.20
Aret = 496 m2
4.Acirc =
2
5
.Aret
4.πr2 =
2
5
.496
4.3,1.r2 =
992
5
12,4.r2 = 198,4
r2 = 198,4 : 12, 4 → r2 = 16 → r = 4
d = 2r =2.4 = 8
POLIEDROS
Diedros
Sendo dois planos secantes (planos que se cruzam) α e β, o
espaço entre eles é chamado de diedro. A medida de um diedro
é feita em graus, dependendo do ângulo formado entre os
planos.
Poliedros
São sólidos geométricos ou figuras geométricas espaciais
formadas por três elementos básicos: faces, arestas e
vértices. Chamamos de poliedro o sólido limitado por quatro
ou mais polígonos planos, pertencentes a planos diferentes e
que têm dois a dois somente uma aresta em comum. Veja
alguns exemplos:
Os polígonos são as faces do poliedro; os lados e os vértices
dos polígonos são as arestas e os vértices do poliedro.
Cada vértice pode ser a interseção de três ou mais arestas.
Observando a figura abaixo temos que em torno de cada um
dos vértices forma-se um triedro.
Convexidade
Um poliedro é convexo se qualquer reta (não paralela a
nenhuma de suas faces) o corta em, no máximo, dois pontos.
Ele não possuí “reentrâncias”. E caso contrário é dito não
convexo.
Relação de Euler
Em todo poliedro convexo sendo V o número de vértices, A
o número de arestas e F o número de faces, valem as seguintes
relações de Euler:
1) Poliedro Fechado: V – A + F = 2
2) Poliedro Aberto: V – A + F = 1
Observação: Para calcular o número de arestas de um
poliedro temos que multiplicar o número de faces F pelo
número de lados de cada face n e dividir por dois. Quando
temos mais de um tipo de face, basta somar os resultados.
𝐴 =
𝑛. 𝐹
2
Podemos verificar a relação de Euler para alguns poliedros
não convexos. Assim dizemos:
Todo poliedro convexo é euleriano, mas nem todo poliedro
euleriano é convexo.
Exemplos:
1) O número de faces de um poliedro convexo que possui
exatamente oito ângulos triédricos é?
A cada 8 vértices do poliedro concorrem 3 arestas, assim o
número de arestas é dado por
𝐴 =
𝑛. 𝐹
2
→ 𝐴 =
3.8
2
= 12
9. Planificação de sólidos
geométricos. 10. Identificação
de arestas, vértices e faces de
um sólido geométrico
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 23
Pela relação de Euler: V – A + F = 2 → 8 - 12 + F = 2 → F = 6
(o poliedro possui 6 faces). Assim o poliedro com essas
características é:
2) Vamos aplicar a relação de Euler em um Poliedro não
convexo.
V – A + F = 2 → 14 – 21 + 9 = 2 → 2 = 2
Assim podemos comprovar que para alguns poliedros não
convexos, podemos utilizar a relação de Euler.
Soma dos ângulos poliédricos: as faces de um poliedro
são polígonos. Sabemos que a soma dos ângulos internos de
um polígono é dada
S = (v – 2).360º
Poliedros de Platão
São poliedros que satisfazem as seguintes condições:
- todas as faces têm o mesmo número n de arestas;
- todos os ângulos poliédricos têm o mesmo número m de
arestas;
- for válida a relação de Euler (V – A + F = 2).
Exemplos:
1) O prisma quadrangular da figura a seguir é um poliedro
de Platão.
Vejamos se ele atende as condições:
- todas as 6 faces são quadriláteros (n = 4);
- todos os ângulos são triédricos (m = 3);
- sendo V = 8, F = 6 e A = 12, temos: 8 – 12 + 6 = 14 -12 = 2
2) O prisma triangular da figura abaixo é poliedro de
Platão?
As faces são 2 triangulares e 3 faces são quadrangulares,
logo não é um poliedro de Platão, uma vez que atende a uma
das condições.
- Propriedade: existem exatamente cinco poliedros de
Platão (pois atendem as 3 condições). Determinados apenas
pelos pares ordenados (m,n) como mostra a tabela abaixo.
m n A V F Poliedro
3 3 6 4 4 Tetraedro
3 4 12 8 6 Hexaedro
4 3 12 6 8 Octaedro
3 5 30 20 12 Dodecaedro
5 3 30 12 20 Icosaedro
Poliedros Regulares
Um poliedro e dito regular quando:
- suas faces são polígonos regulares congruentes;
- seus ângulos poliédricos são congruentes;
Por essas condições e observações podemos afirmar que
todos os poliedros de Platão são ditos Poliedros Regulares.
Observação:
Todo poliedro regular é poliedro de Platão, mas nem todo
poliedro de Platão é poliedro regular.
Por exemplo, uma caixa de bombom, como a da figura a
seguir, é um poliedro de Platão (hexaedro), mas não é um
poliedro regular, pois as faces não são polígonos regulares e
congruentes.
A figura se compara ao paralelepípedo que é um hexaedro,
e é um poliedro de Platão, mas não é considerado um poliedro
regular:
- Não Poliedros
Os sólidos acima são: Cilindro, Cone e Esfera, são
considerados não planos pois possuem suas superfícies
curvas.
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 24
Cilindro: tem duas bases geometricamente iguais
definidas por curvas fechadas em superfície lateral curva.
Cone: tem uma só base definida por uma linha curva
fechada e uma superfície lateral curva.
Esfera: é formada por uma única superfície curva.
- Planificações de alguns Sólidos Geométricos
Poliedro Planificação Elementos
Tetraedro
- 4 faces
triangulares
- 4 vértices
- 6 arestas
Hexaedro
- 6 faces
quadrangular
es
- 8 vértices
- 12 arestas
Octaedro
- 8 faces
triangulares
- 6 vértices
- 12 arestas
Dodecaedro
-12 faces
pentagonais
- 20 vértices
- 30 arestas
Icosaedro
- 20 faces
triangulares
- 12 vértices
- 30 arestas
Referências
http://educacao.uol.com.br
http://www.uel.br/cce/mat/geometrica/php/gd_t/gd_19t.php
http://www.infoescola.com
Questões
01. (PUC RS) Um poliedro convexo tem cinco faces
triangulares e três pentagonais. O número de arestas e o
número de vértices deste poliedro são, respectivamente:
(A) 30 e 40
(B) 30 e 24
(C) 30 e 8
(D) 15 e 25
(E) 15 e 9
02. (ITA – SP) Considere um prisma regular em que a
soma dos ângulos internos de todas as faces é 7200°. O número
de vértices deste prisma é igual a:
(A) 11
(B) 32
(C) 10
(D) 22
(E) 20
03. (CEFET – PR) Um poliedro convexo possui duas faces
triangulares, duas quadrangulares e quatro pentagonais. Logo
a soma dos ângulos internos de todas as faces será:
(A) 3240°
(B) 3640°
(C) 3840°
(D) 4000°
(E) 4060°
Respostas
01. Resposta: E.
O poliedro tem 5 faces triangulares e 3 faces pentagonais,
logo, tem um total de 8 faces (F = 8). Como cada triângulo tem
3 lados e o pentágono 5 lados. Temos:
𝐴 =
5.3+3.5
2
=
15+15
2
=
30
2
= 15
V – A + F = 2
V – 15 + 8 = 2
V = 2 + 15 – 8
V = 9
02. Resposta: D.
Basta utilizar a fórmula da soma dos ângulos poliédricos.
S = (V – 2).360°
7200° = (V – 2).360° (passamos o 360° dividindo)
7200° : 360° = V – 2
20 = V – 2
V = 20 + 2
V = 22
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 25
03. Resposta: A.
Temos 2 faces triangulares, 2 faces quadrangulares e 4
faces pentagonais.
F = 2 + 2 + 4
F = 8
𝑨 =
𝟐.𝟑+𝟐.𝟒+𝟒.𝟓
𝟐
=
𝟔+𝟖+𝟐𝟎
𝟐
=
𝟑𝟒
𝟐
= 𝟏𝟕
V – A + F = 2
V – 17 + 8 = 2
V = 2 + 17 – 8
V = 11
Asoma é:
S = (v – 2).260°
S = (11 – 2).360°
S = 9.360°
S = 3240°
O nosso cotidiano é permeado das mais diversas
informações, sendo muito delas expressas em formas de
tabelas e gráficos, as quais constatamos através dos noticiários
televisivos, jornais, revistas, entre outros. Os gráficos e tabelas
fazem parte da linguagem universal da Matemática, e
compreensão desses elementos é fundamental para a leitura
de informações e análise de dados.
A parte da Matemática que organiza e apresenta dados
numéricos e a partir deles fornecer conclusões é chamada de
Estatística.
Tabelas: as informações nela são apresentadas em linhas
e colunas, possibilitando uma melhor leitura e interpretação.
Exemplo:
Fonte: SEBRAE
Observação: nas tabelas e nos gráficos podemos notar que
a um título e uma fonte. O título é utilizado para evidenciar a
principal informação apresentada, e a fonte identifica de onde
os dados foram obtidos.
Tipos de Gráficos
Gráfico de linhas: são utilizados, em geral, para
representar a variação de uma grandeza em certo período de
tempo.
Marcamos os pontos determinados pelos pares
ordenados (classe, frequência) e os ligados por segmentos de
reta. Nesse tipo de gráfico, apenas os extremos dos
segmentos de reta que compõem a linha oferecem
informações sobre o comportamento da amostra. Exemplo:
Gráfico de barras: também conhecido como gráficos de
colunas, são utilizados, em geral, quando há uma grande
quantidade de dados. Para facilitar a leitura, em alguns casos,
os dados numéricos podem ser colocados acima das colunas
correspondentes. Eles podem ser de dois tipos: barras
verticais e horizontais.
- Gráfico de barras verticais: as frequências são
indicadas em um eixo vertical. Marcamos os pontos
determinados pelos pares ordenados (classe, frequência) e os
ligamos ao eixo das classes por meio de barras verticais.
Exemplo:
- Gráfico de barras horizontais: as frequências são
indicadas em um eixo horizontal. Marcamos os pontos
determinados pelo pares ordenados (frequência, classe) e os
ligamos ao eixo das classes por meio de barras horizontais.
Exemplo:
Observação: em um gráfico de colunas, cada barra deve
ser proporcional à informação por ela representada.
Gráfico de setores: são utilizados, em geral, para
visualizar a relação entre as partes e o todo.
Dividimos um círculo em setores, com ângulos de medidas
diretamente proporcionais às frequências de classes. A
medida α, em grau, do ângulo central que corresponde a uma
classe de frequência F é dada por:
𝛼 =
360°
𝐹𝑡
. 𝐹
11. Construção e
interpretação de gráficos e
tabelas
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 26
Onde:
Ft = frequência total
Exemplo
Para acharmos a frequência relativa, podemos fazer uma
regra de três simples:
400 --- 100%
160 --- x
x = 160 .100/ 400 = 40%, e assim sucessivamente.
Aplicando a fórmula teremos:
−𝐹𝑢𝑡𝑒𝑏𝑜𝑙: 𝛼 =
360°
𝐹𝑡
. 𝐹 → 𝛼 =
360°
400
. 160 → 𝛼 = 144°
−𝑉ô𝑙𝑒𝑖: 𝛼 =
360°
𝐹𝑡
. 𝐹 → 𝛼 =
360°
400
. 120 → 𝛼 = 108°
−𝐵𝑎𝑠𝑞𝑢𝑒𝑡𝑒: 𝛼 =
360°
𝐹𝑡
. 𝐹 → 𝛼 =
360°
400
. 60 → 𝛼 = 54°
−𝑁𝑎𝑡𝑎çã𝑜: 𝛼 =
360°
𝐹𝑡
. 𝐹 → 𝛼 =
360°
400
. 20 → 𝛼 = 18°
Como o gráfico é de setores, os dados percentuais serão
distribuídos levando-se em conta a proporção da área a ser
representada relacionada aos valores das porcentagens. A
área representativa no gráfico será demarcada da seguinte
maneira:
Com as informações, traçamos os ângulos da
circunferência e assim montamos o gráfico:
Exemplos:
(Enem 2011) O termo agronegócio não se refere apenas
à agricultura e à pecuária, pois as atividades ligadas a essa
produção incluem fornecedores de equipamentos, serviços
para a zona rural, industrialização e comercialização dos
produtos.
O gráfico seguinte mostra a participação percentual do
agronegócio no PIB brasileiro:
Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA).
Almanaque abril 2010. São Paulo: Abril, ano 36 (adaptado)
Esse gráfico foi usado em uma palestra na qual o orador
ressaltou uma queda da participação do agronegócio no PIB
brasileiro e a posterior recuperação dessa participação, em
termos percentuais.
Segundo o gráfico, o período de queda ocorreu entre os
anos de
A) 1998 e 2001.
B) 2001 e 2003.
C) 2003 e 2006.
D) 2003 e 2007.
E) 2003 e 2008.
Resolução:
Segundo o gráfico apresentado na questão, o período de
queda da participação do agronegócio no PIB brasileiro se
deu no período entre 2003 e 2006. Esta informação é extraída
através de leitura direta do gráfico: em 2003 a participação
era de 28,28%, caiu para 27,79% em 2004, 25,83% em 2005,
chegando a 23,92% em 2006 – depois deste período, a
participação volta a aumentar.
Resposta: C
(Enem 2012) O gráfico mostra a variação da extensão
média de gelo marítimo, em milhões de quilômetros
quadrados, comparando dados dos anos 1995, 1998, 2000,
2005 e 2007. Os dados correspondem aos meses de junho a
setembro. O Ártico começa a recobrar o gelo quando termina
o verão, em meados de setembro. O gelo do mar atua como o
sistema de resfriamento da Terra, refletindo quase toda a luz
solar de volta ao espaço. Águas de oceanos escuros, por sua
vez, absorvem a luz solar e reforçam o aquecimento do Ártico,
ocasionando derretimento crescente do gelo.
Com base no gráfico e nas informações do texto, é possível
inferir que houve maior aquecimento global em
A)1995.
B)1998.
C) 2000.
D)2005.
E)2007.
Resolução:
O enunciado nos traz uma informação bastante importante
e interessante, sendo chave para a resolução da questão. Ele
associa a camada de gelo marítimo com a reflexão da luz solar
e consequentemente ao resfriamento da Terra. Logo, quanto
menor for a extensão de gelo marítimo, menor será o
resfriamento e portanto maior será o aquecimento global.
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 27
O ano que, segundo o gráfico, apresenta a menor extensão
de gelo marítimo, é 2007.
Resposta: E
Mais alguns exemplos:
1) Todos os objetos estão cheios de água.
Qual deles pode conter exatamente 1 litro de água?
(A) A caneca
(B) A jarra
(C) O garrafão
(D) O tambor
O caminho é identificar grandezas que fazem parte do dia
a dia e conhecer unidades de medida, no caso, o litro. Preste
atenção na palavra exatamente, logo a resposta está na
alternativa B.
2) No gráfico abaixo, encontra-se representada, em bilhões
de reais, a arrecadação de impostos federais no período de
2003 a 2006. Nesse período, a arrecadação anual de impostos
federais:
(A) nunca ultrapassou os 400 bilhões de reais.
(B) sempre foi superior a 300 bilhões de reais.
(C) manteve-se constante nos quatro anos.
(D) foi maior em 2006 que nos outros anos.
(E) chegou a ser inferior a 200 bilhões de reais.
Analisando cada alternativa temos que a única resposta
correta é a D.
Questões
01. (Pref. Fortaleza/CE – Pedagogia – Pref.
Fortaleza/2016) “Estar alfabetizado, neste final de século,
supõe saber ler e interpretar dados apresentados de maneira
organizada e construir representações, para formular e
resolver problemas que impliquem o recolhimento de dados e
a análise de informações. Essa característica da vida
contemporânea traz ao currículo de Matemática uma demandaem abordar elementos da estatística, da combinatória e da
probabilidade, desde os ciclos iniciais” (BRASIL, 1997).
Observe os gráficos e analise as informações.
A partir das informações contidas nos gráficos, é correto
afirmar que:
(A) nos dias 03 e 14 choveu a mesma quantidade em
Fortaleza e Florianópolis.
(B) a quantidade de chuva acumulada no mês de março foi
maior em Fortaleza.
(C) Fortaleza teve mais dias em que choveu do que
Florianópolis.
(D) choveu a mesma quantidade em Fortaleza e
Florianópolis.
02. (DEPEN – Agente Penitenciário Federal – CESPE)
Ministério da Justiça — Departamento Penitenciário Nacional
— Sistema Integrado de Informações Penitenciárias – InfoPen,
Relatório Estatístico Sintético do Sistema Prisional Brasileiro,
dez./2013 Internet:<www.justica.gov.br> (com adaptações)
A tabela mostrada apresenta a quantidade de detentos
no sistema penitenciário brasileiro por região em 2013.
Nesse ano, o déficit relativo de vagas — que se define pela
razão entre o déficit de vagas no sistema penitenciário e a
quantidade de detentos no sistema penitenciário —
registrado em todo o Brasil foi superior a 38,7%, e, na
média nacional, havia 277,5 detentos por 100 mil
habitantes.
Com base nessas informações e na tabela apresentada,
julgue o item a seguir.
Em 2013, mais de 55% da população carcerária no
Brasil se encontrava na região Sudeste.
( )certo ( ) errado
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APOSTILAS OPÇÃO
Matemática 28
03. (TJ/SP – Estatístico Judiciário – VUNESP) A
distribuição de salários de uma empresa com 30
funcionários é dada na tabela seguinte.
Salário (em salários mínimos) Funcionários
1,8 10
2,5 8
3,0 5
5,0 4
8,0 2
15,0 1
Pode-se concluir que
(A) o total da folha de pagamentos é de 35,3 salários.
(B) 60% dos trabalhadores ganham mais ou igual a 3
salários.
(C) 10% dos trabalhadores ganham mais de 10 salários.
(D) 20% dos trabalhadores detêm mais de 40% da renda
total.
(E) 60% dos trabalhadores detêm menos de 30% da renda
total.
04. (TJ/SP – Estatístico Judiciário – VUNESP)
Considere a tabela de distribuição de frequência seguinte,
em que xi é a variável estudada e fi é a frequência absoluta
dos dados.
xi fi
30-35 4
35-40 12
40-45 10
45-50 8
50-55 6
TOTAL 40
Assinale a alternativa em que o histograma é o que
melhor representa a distribuição de frequência da tabela.
(A)
(B)
(C)
(D)
(E)
05. (SEJUS/ES – Agente Penitenciário – VUNESP)
Observe os gráficos e analise as afirmações I, II e III.
I. Em 2010, o aumento percentual de matrículas em
cursos tecnológicos, comparado com 2001, foi maior que
1000%.
II. Em 2010, houve 100,9 mil matrículas a mais em
cursos tecnológicos que no ano anterior.
III. Em 2010, a razão entre a distribuição de matrículas
no curso tecnológico presencial e à distância foi de 2 para
5.
É correto o que se afirma em
(A) I e II, apenas.
(B) II, apenas.
(C) I, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.
Respostas
01. Resposta: C.
A única alternativa que contém a informação correta com
o gráfico é a C.
02. Resposta: CERTO.
555----100%
306----x
X=55,13%
03. Resposta: D.
(A) 1,8*10+2,5*8+3,0*5+5,0*4+8,0*2+15,0*1=104
salários
(B) 60% de 30, seriam 18 funcionários, portanto essa
alternativa é errada, pois seriam 12.
(C)10% são 3 funcionários
(D) 40% de 104 seria 41,6
20% dos funcionários seriam 6, alternativa correta,
pois5*3+8*2+15*1=46, que já é maior.
(E) 6 dos trabalhadores: 18
30% da renda: 31,20, errada pois detêm mais.
04. Resposta: A.
A menor deve ser a da primeira 30-35
Em seguida, a de 55
Depois de 45-50 na ordem 40-45 e 35-40
05. Resposta: E.
I- 69,8------100%
781,6----x
X=1119,77
II- 781,6-680,7=100,9
III-
10
25
=
2
5
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HISTÓRIA
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APOSTILAS OPÇÃO
História 1
Conceituando o Processo Histórico
Os acontecimentos que nos cercam em boa parte são fruto
de ações ou omissões que desempenhamos ao longo da vida. É
o que podemos definir como causa e efeito. Nesse sentido, todo
o efeito provém de uma causa, um motivo.
Portanto, é imprescindível se fazer saber que o mundo não
se transformou em mundo a partir do momento que se nasce.
Anteriormente a esse fato houve um conjunto de
acontecimentos que foram moldando o mundo, a sociedade, as
pessoas, até que se resultasse no mundo do momento presente
que, inclusive, perpetua a sua dinamicidade. Porém, isso não
significa afirmar que a História é modelada linearmente como
se os acontecimentos seguintes fossem possíveis de serem
previstos ou como se sucedessem mecanicamente.
A História segue seu percurso por meio de ações humanas
interligadas no tempo e em cada espaço específico, ou seja, ela
é um processo em construção paralela. Segundo Bezerra
(apud. KARNAL. 2008, p. 43) “o passado humano não é uma
agregação de ações separadas, mas um conjunto de
comportamentos intimamente interligados, que têm uma razão
de ser, ainda que na maioria das vezes imperceptível para nossos
olhos”.
Aos acontecimentos do passado atribuímos o termo “fato
histórico”. Sendo assim, o “processo histórico” é constituído
por vários fatos que dão vida à História. É como se
comparássemos a História a uma colcha de retalhos, onde cada
retalho (fato histórico) interligado a outro dá forma à colcha
(História).
O Sujeito Histórico
A educação é a apropriação da cultura, e através da história
se torna a construtora do sujeito histórico, pois deve enfatizar
a aprendizagem na constituição do interesse do indivíduo. É
através da educação que nos fazemos humanos e históricos,
como autores no modo de refletir sobre a realidade, sobre o
mundo e sobre nós mesmos (condição de sujeito). Nessa
direção, a realização do indivíduo como sujeito histórico
distingui sua conexão com a coletividade e seu acordo com a
mudança social.
Ao perceber a realidade, a capacidade de transformar e de
inovar, percebe-se como ser inventivo suplantando seus
limites. Ao se estabelecer como sujeito da história passa a ser
autor e senhor de sua vontade, e situa-se como um ser social
na convivência com outros. Quando a convivência é dialógica e
livre entre sujeitos históricos e sociais, dá-se então a relação
expressa pela democracia na medida em que é histórica e
socialmente constituída. A esfera do social é considerada
fundamentalmente na relação com o outro. E é no contexto das
relações sociais que a constituição do sujeito acontece,
ocorrendo a história das interações, das quais os sujeitos são
componentes e participam e dos lugares sociais que ali
adquirirem.
Vigotski assume a tese central de que criando e recriando
a cultura em suas relações sociais o humano cria e recria a si
próprio. Com essa afirmação, concluímos que subjetividade se
traduz quando cada pessoa vai assumindo o papel de sujeito
de sua própria história e como ela se articula com a história
coletiva e global. A utilização dessa compreensão de sua
subjetividade faz com que o indivíduo busque sua liberdade na
construção da cidadania.
Através da subjetividade, os sujeitos de suas ações se
autoproduzemem processos coletivos de natureza econômica,
política e cultural na convivência livre com os demais sujeitos
sociais. Este sujeito histórico não é algo separado, que interage
com a realidade, mas é parte integrante desse meio social e
histórico que atua. A educação cumpre esse papel ao
contemplar os educandos com os instrumentos que lhes são
indispensáveis e pertinentes através do
ensino/aprendizagem, possibilitando que todos os sujeitos
históricos se apropriem desses meios através da preparação
para o trabalho, ingresso e participação crítica na vida social e
política identificada em seu movimento histórico, articulada às
vontades de todos os outros cidadãos reunidos no mesmo
espaço e tempo social. O alicerce ético da humanidade se ajusta
no reconhecimento de si mesmo como sujeito
(individualidade), na liberdade e na autonomia e se constrói
quando o ser humano incorpora estes valores.
A noção de indivíduo como sujeito histórico é uma
construção recente, do início do século XX, com a criação da
Escola de Annales.
Durante muito tempo a noção de participação na história
esteve reservada somente aos reis, heróis e pessoas de
destaque, deixando de lado o cidadão comum, o pescador, o
ferreiro ou o padeiro. Por não serem pessoas notáveis, no
sentido de realização de grandes feitos memoráveis, essas
pessoas não poderiam ser enquadradas como sujeitos
históricos.
A Escola de Annales ampliou, através dos novos métodos
propostos para o entendimento da história, o entendimento
sobre quem são ou quais são os indivíduos que participam da
história. Entre os mais importantes estão Lucien Febvre, que
inaugurou a moderna concepção de análise das estruturas na
histórica, relatando as relações entre o meio físico e a
sociedade, tidos como elementos necessários para estudar as
macro-problemáticas, no período conhecido como primeira
geração da Escola de Annales.
O QUE É HISTÓRIA
História (do grego antigo historie, que significa
testemunho, no sentido daquele que vê) é a ciência que estuda
o Homem e sua ação no tempo e no espaço, concomitante à
análise de processos e eventos ocorridos no passado. A palavra
história tem sua origem nas «investigações» de Heródoto, cujo
termo em grego antigo é Ἱστορίαι (Historíai).
Conhecido como “Pai da História”, Heródoto nasceu na
cidade de Halicarnasso (atualmente Bodrum, Turquia), e viveu
entre 484 a.C. e 425 a.C.
A obra de Heródoto é dividida em nove livros, batizados
com o nome das nove musas, as deusas das artes. Ele enxerga
as raízes da briga greco-pérsica na mitologia, como o rapto de
Helena (uma grega) por Páris (um troiano e, portanto, asiático
e precursor dos persas). E passeia por quase todo o mundo
1. Transformações e
permanências: tempo do
indivíduo e o tempo social;
tempo cronológico e tempo
histórico, características dos
sistemas sociais e culturais,
registro de tempo ao longo da
história
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APOSTILAS OPÇÃO
História 2
então conhecido, da Espanha à Índia, com uma imaginação de
dar inveja a Marco Polo.
Documento e noção de verdade histórica1
Durante muito tempo os documentos escritos foram
considerados a base para a pesquisa e veracidade da História.
Apesar de ter papel de destaque na pesquisa histórica até hoje,
o documento não é a única fonte de informações para o
trabalho do historiador, mas constitui-se dentre as inúmeras
possibilidades de utilização, que vão desde documentos
escritos à história oral.
O problema de considerar o documento como única fonte
de trabalho do historiador, entre outras, coloca a seguinte
questão:
Se o documento é a base para a pesquisa e veracidade da
História então caso uma civilização que não tivesse nenhum
vestígio histórico, seria essa civilização tida como inexistente
para profissional da História? Já que o documento é tão
importante para a produção da história vem outra pergunta: o
que é documento histórico?
Para responder a última pergunta devemos considerar
qual memória deve ser preservada pela História. Como
determinado grupo e determinada época consideram que
aquela folha escrita estivesse na categoria e importância de um
verdadeiro “documento histórico” e por isso o guardou para
nós do presente?
A carta escrita por Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal
só tomou importância mesmo em meados do século XIX (mais
de quatrocentos anos depois), pois dependeu do crescimento
do orgulho português pelo passado épico das navegações e no
Brasil por este no século XX estar em crescimento do seu
nacionalismo. O documento não é um documento em si,
independente do mundo a sua volta, há um diálogo entre o
interesse do presente e o documento; todo documento
histórico é uma construção permanente. Mas não bastassem
essas variações há outras: variam também os agentes que a
leem permitindo leituras opostas. A intenção particular da
primeira variação junta-se com a intenção particular da
segunda variação, pois o documento possibilita ais leituras
variadas.
Essa mutação do documento tem relação com o interesse
do presente por tais personagens ou fatos. Não existe fato
histórico eterno e sim um fato que consideramos histórico.
Assim, a determinação do que é fato e documento histórico
demonstram nossa visão e interesse pelo passado, em um
diálogo entre visão contemporânea e as fontes do passado.
O que provocou tal ampliação do objeto foi a consideração
ampliada do que é documento histórico; Marc Bloch desejou
isso considerando que tudo que é produzido pelo homem deve
ser considerado documento histórico. Essa ampliação fez com
que a história tivesse um diálogo com outras disciplinas como
a Antropologia e a Sociologia, coisa que a história tradicional
não tinha. O que isso tem a ver com o documento? Amplia a
noção de documento, não é apenas o que é escrito considerado
documento histórico e sim tudo produzido pelo homem. Mas
não foi só isso que permitiu essa ampliação. Vejamos no campo
das artes plásticas. Perdeu-se seu campo definido na pós-
modernidade, o novo conceito de belo permitiu produções que
eram tidas como ridículas até então. O período de redefinição
conceitual expandiu-se em todos os campos do conhecimento.
Mas é bom ressaltar que nem sempre a mudança do objeto
estudado pela história implica na mudança radical do
documento, a grande diferença está no tipo de leitura do
documento que pode mudar o olhar sobre este.
Talvez a mudança mais expressiva não esteja no novo
objeto estudado pela história e sim no novo estatuto
epistemológico sobre a “verdade” no documento; o que é
documento verídico. Muitos historiadores do cotidiano
1 Adaptado de historianointerior, com base em Pinsky.
praticam uma metodologia similar ao do detetive ao extrair
informações indiretas e ocultas do mesmo documento
tradicional (texto escrito) ou acrescentando documentações
novas (tudo produzido pelo homem) para suas análises.
Mas o que garante a autenticidade do documento? O que o
torna autentico? Todo objeto de valor pode ser alvo de
falsificação quando se está em jogo um fato importante. Os
nazistas falsificaram objetos arqueológicos para justificar sua
ocupação na planície germano-polonesa alegando que os
alemães já a habitavam antes dos poloneses. Se hoje dispomos
da Química e da Física para valer a veracidade documental,
antes não havia tal ferramenta, então desenvolveu-se métodos
embasados paleografia e a filologia, que são o estudo da
linguagem e escrita datando sua origem. Vamos levar em
consideração que no século XIX, os Estados nacionais que
tomaram a frente de preservação e coleta dos documentos
publicações de artigos. Temosno Brasil o Instituto Histórico e
Geográfico que no século XIX fez esse papel. Por tanto, o que
era tido como documento histórico era aquilo que interessava
a tal Instituto e para o Estado, o que faz algo documento
histórico não é o documento em si, mas as intenções de quem
o procuram.
Documentos e Instituições de Guarda
Na área de História as produções científicas têm por base
a utilização de documentos. Le Goff, em
“Documento/Monumento” disserta sobre as possibilidades de
usos dos documentos pelos historiadores, argumentando, por
exemplo, com Lucien Febvre, que defendeu a impossibilidade
de fazer História sem documentos escritos, ou como Samaran,
que afirmou, no século XIX, que não haveria História sem os
mesmos.
Le Goff expõe a necessidade de perceber o documento
como uma construção, como um “produto da sociedade que o
fabricou segundo suas relações de forças que aí detinham
poder”, sendo então necessário perceber, não apenas como um
documento, mas sim como um monumento. Entende-se que o
autor francês não estava se referindo especificamente aos
documentos arquivísticos e que a História não trabalha apenas
com este tipo de fonte, no entanto, entende-se que eles são
extremamente frequentes na historiografia, sendo elementos
representativos de seu tempo. Em função da aproximação da
História com os documentos arquivísticos e do
reconhecimento dos mesmos por esta comunidade
profissional, criou-se uma tradição de atuação desses
pesquisadores em instituições de memória. A participação de
historiadores em instituições arquivísticas é frequente, e esta
ligação entre historiadores e arquivos pode ser observada,
ainda hoje, tanto na direção de diversos arquivos.
A História é uma área tradicionalmente “usuária” de
documentos arquivísticos, e seus pesquisadores são habituais
frequentadores de arquivos e de instituições de memória.
História e Memória2
Segundo o historiador Jacques Le Goff, a memória é a
propriedade de conservar certas informações, propriedade
que se refere a um conjunto de funções psíquicas que permite
ao indivíduo atualizar impressões ou informações passadas,
ou reinterpretadas como passadas. O estudo da memória
passa da Psicologia à Neurofisiologia, com cada aspecto seu
interessando a uma ciência diferente, sendo a memória social
um dos meios fundamentais para se abordar os problemas do
tempo e da História.
A memória está nos alicerces da História, confundindo-se
com o documento, com o monumento e com a oralidade. Mas
só muito recentemente se tornou objeto de reflexão da
historiografia.
2 Adaptado de Silva
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APOSTILAS OPÇÃO
História 3
Apenas no fim da década de 1970 os historiadores da Nova
História começaram a trabalhar com a ideia de memória. Em
outras áreas como Filosofia, Sociologia, Antropologia e
principalmente na Psicanálise, no entanto, os estudos sobre a
memória individual e coletiva já eram bastante avançados.
Sigmund Freud, no século XIX, iniciou amplos debates em
torno da memória humana, trazendo à tona seu caráter
seletivo: ou seja, o fato de que nos lembramos das coisas de
forma parcial, a partir de estímulos externos, e escolhemos
lembranças. Freud distinguiu a memória de um simples
repositório de lembranças: para ele, nossa mente não é um
museu.
Nesse aspecto, ele remete a Platão, que já na Antiguidade
apresentava a memória como um bloco de cera, onde nossas
lembranças são impressas. Quando os historiadores
começaram a se apossar da memória como objeto da História,
o principal campo a trabalhá-la foi a História Oral. Nessa área,
muitos estudiosos têm-se preocupado em perceber as formas
da memória e como esta age sobre nossa compreensão do
passado e do presente. Para teóricos como Maurice
Halbawchs, há inclusive uma nítida distinção entre memória
coletiva e memória histórica: pois enquanto existe, segundo
ele, uma História, existem muitas memórias.
E enquanto a História representa fatos distantes, a
memória age sobre o que foi vivido. Nesse sentido, não seria
possível o trabalho da memória como documento histórico.
Essa posição hoje é muito contestada. Antonio Montenegro,
por exemplo, considera que apesar de haver uma distinção
entre memória e História, essas são inseparáveis, pois se a
História é uma construção que resgata o passado do ponto de
vista social, é também um processo que encontra paralelos em
cada indivíduo por meio da memória.
Mas a memória não é apenas individual. Na verdade, a
forma de maior interesse para o historiador é a memória
coletiva, composta pelas lembranças vividas pelo indivíduo ou
que Ihe foram repassadas, mas que não Ihe pertencem
somente, e são entendidas como propriedade de uma
comunidade, um grupo. O estudo histórico da memória
coletiva começou a se desenvolver com a investigação oral.
Esse tipo de memória tem algumas características bem
específicas: primeiro, gira em torno quase sempre de
lembranças do cotidiano do grupo, como enchentes, boas
safras ou safras ruins, quase nunca fazendo referências a
acontecimentos históricos valorizados pela historiografia, e
tende a idealizar o passado. Em segundo lugar, a memória
coletiva fundamenta a própria identidade do grupo ou
comunidade, mas normalmente tende a se apegar a um
acontecimento considerado fundador, simplificando todo o
restante do passado. Por outro lado, ela também simplifica a
noção de tempo, fazendo apenas grandes diferenciações entre
o presente ("nossos dias") e o passado ("antigamente': por
exemplo). Além disso, mais do que em datas, a memória
coletiva se baseia em imagens e paisagens. O próprio
esquecimento é também um aspecto relevante para a
compreensão da memória de grupos e comunidades, pois
muitas vezes é voluntário, indicando a vontade do grupo de
ocultar determinados fatos. Assim, a memória coletiva
reelabora constantemente os fatos.
Outra distinção entre História e memória está no fato de a
História trabalhar com o acontecimento colocado para e pela
sociedade, enquanto para a memória o principal é a reação que
o fato causa no indivíduo. A memória recupera o que está
submerso, seja do indivíduo, seja do grupo, e a História
trabalha com o que a sociedade trouxe a público. Autores como
Paul Veyne, por exemplo, afirmam que se acreditarmos que
alguns fatos são mais importantes do que outros, teremos de
considerar que essa importância é relativa e segue critérios
pessoais de cada historiador. Para Montenegro, por sua vez, a
dificuldade de se utilizar os depoimentos orais como fonte da
História é que o fato de que eles são fontes construídas pela
memória, e esta reelabora a realidade vivida pela imaginação.
Para Jacques Le Goff é preciso diferenciar as sociedades de
memória oral e as de memória escrita. Mas enquanto
estudiosos como Leroi-Gourham consideram que a memória
coletiva, ou étnica, é uma característica intrínseca de todas as
sociedades, Le Goff defende que ela é uma forma característica
dos povos sem escrita.
Seja como for, nas sociedades sem escrita a atitude de
lembrar é constante, e a memória coletiva confunde História e
mito. Tais sociedades possuem especialistas em memória que
têm o Importante papel de manter a coesão do grupo. Um
exemplo pode ser visto nos griots da África Ocidental, cidadãos
de países como Gâmbia, por exemplo. Os griots são
especialistas responsáveis pela memória coletiva de suas
tribos e comunidades. Eles conhecem as crônicas de seu
passado, sendo capazes de narrar fatos por até três dias sem
se repetir. Quando os griots recitam a história ancestral de seu
clã, a comunidade escuta com formalidade. Para datar os
casamentos, o nascimento de filhos etc., os griots interligamesses fatos a acontecimentos como uma enchente. Tais
mestres da narrativa são exemplos de como a tradição oral e a
memória podem ser enriquecedoras para a História: ambas
são vivas, emotivas e, segundo o africanista KiZerbo, um
museu vivo.
Esses especialistas em memória das sociedades sem
escrita, todavia, não decoram palavra por palavra. Pelo
contrário, nessas sociedades a memória tem liberdade e
possibilidades criativas, e é sempre reconstruída. A escrita por
sua vez, transforma fundamentalmente a memória coletiva. No
Ocidente, seu surgimento possibilitou o registro da História
por meio de documentos. Para Leroi-Gouham, a memória
escrita ganhou tal volume no século XIX que era impossível
pedir que a memória individual recebesse esse conteúdo das
bibliotecas. O que levou, no século XX, a uma revolução da
memória, da qual fez parte a criação da memória eletrônica.
O século XX vivenciou também a expansão dos estudos
sobre a memória na Arte e na Literatura. O Surrealismo nas
artes plásticas, estilo de pintores como Salvador Dalí, por
exemplo, preocupado com o mundo dos sonhos, passou a se
questionar sobre a memória. Já a obra de Marcel Proust, por
outro lado, é o melhor exemplo de uma exploração literária da
memória. Outro é o conto de Jorge Luis Borges, "Funes, o
memorioso” que explora a possibilidade de um indivíduo que
nunca se esquece de nada, e de como isso o faria perder a
própria capacidade de pensar, visto que esta se baseia na
seleção e associação de memórias.
A interdisciplinaridade nas ciências sociais também
modificou a percepção da memória coletiva. Já a partir de
Halbawchs, em 1950, o estudo da memória coletiva passou a
interligar Psicologia Social, Antropologia e Etno-história. Além
disso, a partir desse período, a Nova História buscou criar uma
História científica com base na memória coletiva,
considerando também a importância da memória para a
definição das identidades. Na década de 1970, o escritor afro-
americano Alex Haley empreendeu uma monumental pesquisa
em três continentes em busca do passado de sua família a
partir das memórias repassadas geração após geração, desde
o primeiro membro da família a chegar na América como
escravo. Essa pesquisa, que deu origem ao livro Raizes,
impulsionou um processo de valorização da memória como
fonte para a construção das identidades. Haley trabalhou com
griots em Gâmbia e difundiu no Ocidente um exemplo de como
as sociedades sem escrita pensam sua memória: as
comunidades tradicionais de Gâmbia, os "homens sábios”
afirmavam que a ancestralidade de todas as pessoas
remontava necessariamente a um tempo em que a escrita não
existia. E aí então a memória humana tornava-se a única forma
de conseguir informações sobre o passado. Para eles, a cultura
ocidental estava tão condicionada ao esmagamento da escrita,
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APOSTILAS OPÇÃO
História 4
que poucos poderiam compreender do que uma memória
treinada era capaz.
Nesse ponto, cabe fazermos referência a outro grande
africanista, Jan Vansina, que defende que a oralidade é uma
atitude diante da realidade e não a ausência de uma habilidade,
no caso a habilidade de escrever. E são justamente as
sociedades orais as que melhor preservam a capacidade de
compreensão de seu passado por meio da memória coletiva.
Assim, a reflexão sobre a memória tornou-se, para professores
de História, uma oportunidade para refletir sobre a capacidade
de produzir conhecimento sobre o passado, e sobre como essa
capacidade difere de povo para povo.
Estudar em sala de aula os griots, por exemplo, é trabalhar
de forma prática com a diversidade cultural da humanidade,
não se atendo somente a um discurso de igualdade entre todas
as culturas. E o verdadeiro entendimento da diversidade
cultural passa pela compreensão de que não há superioridade
cultural e, logo, de que a escrita não é um marco entre os povos
desenvolvidos e os subdesenvolvidos.
Tempo Histórico e as Periodizações
O ano de 1453 é um dos marcos para o fim da Idade Média
e passagem para a Idade Moderna, quando a cidade de
Constantinopla é conquistada pelos turcos, liderados pelo
sultão Maomé II. A queda da cidade e não significou a mudança
total dos modos de vida e da organização social da Europa no
ano seguinte. A divisão da História em períodos pode gerar
uma certa confusão, já que falar que houve a mudança da
mentalidade na transição entre os dois períodos não é um
acontecimento uniforme, mas que ocorreu de maneira
diferenciada e em épocas diferenciadas.
Sendo a história uma ciência que estuda a experiência
humana, é óbvio que compartimentar o conhecimento
simplifica fenômenos que são complexos.
No entanto, para refletir sobre o passado para tentar
entender o presente e preparar para o futuro; é fundamental
dividir o tempo para sistematizar e organizar a análise.
Assim, embora nem sempre seja possível categorizar o
objeto do estudo dentro do âmbito de um tempo especifico, o
historiador é sempre forçado a trabalhar com períodos para
organizar seus estudos.
Por outro lado, está realidade complexa que precisa ser
transformada em discurso para que possamos discuti-la,
sempre gera confusão na hora de delimitá-la em períodos.
O estudante brasileiro possui dificuldade em localizar cada
era na linha do tempo, fica perdido nas datas e fatos que
simbolizam cada época.
Periodização na História
A cronologia é a ciência da contagem do tempo, permitiu
elaborar os calendários e, por sua vez, organizar o trabalho
humano, possibilitando a evolução da espécie.
A divisão cronológica da história, tal como conhecemos
hoje, foi desenvolvida a partir do século XIX.
Visava facilitar o estudo das ações do homem através dos
tempos, sendo baseada então no calendário cristão, uma vez
que foi criada a partir da cultura europeia Ocidental greco-
romana.
Obviamente, o tempo passou a ter como marco zero o
nascimento de Cristo, ou ao menos o ano que se supunha Jesus
teria nascido.
É interessante ressaltar que outras culturas possuem
diferentes marcos iniciais para o início de seu calendário.
Os gregos antigos tinham como ponto de partida os
primeiros jogos olímpicos, os romanos a mítica fundação da
cidade de Roma.
Os muçulmanos ainda contam o tempo a partir da data da
fuga de Maomé da cidade de Meca para Medina, o que
aconteceu no ano 622 pelo nosso calendário, o que faz com que
eles estejam muito atrás do ano 2.000, seiscentos anos.
Igualmente, os chineses e judeus também contam o tempo
diferente do mundo Ocidental.
De qualquer forma, o calendário cristão dividiu o tempo
em séculos, períodos de cem anos.
O que serviu de base para que a cronologia dividisse o
tempo em grandes períodos, com início e final marcados por
fatos significativos para a humanidade.
Pré-História.
Seria o período antes da História. Tem como como marco o
surgimento do homem no planeta terra, cerca de um milhão de
anos a.C. até a invenção da escrita, por volta de 5.000 anos
atrás.
Mas por que a escrita?
A divisão dos períodos históricos foi feita, como citado
anteriormente durante o século XIX, na Europa. Portanto, seus
períodos foram estabelecidos de acordo com a noção de
desenvolvimento da civilização ocidental, com base na Europa.
Apesar da nomenclatura estar convencionada e a ser
adotada cientificamente, este um conceito está ultrapassado,
pois muitas sociedades que não possuíram escrita, nem por
isto não deixaram de ter história.
Os indígenas da América do Sul, por exemplo, não
conheciam a escrita, mas preservavam sua história oralmente.
Os arqueólogos são responsáveis pela coleta de indícios
matérias destas sociedades semescrita, recompondo sua
história.
Entre os problemas para a determinação da escrita como
ponto de mudança está a noção de que as sociedades ágrafas
(que não possuem escrita) ainda vivem na pré-história, já que
não alcançaram o elemento básico da escrita, determinado
pelos europeus.
Idade Antiga.
A antiguidade foi determinada após o fim desse período, ou
seja, é claro que quando os gregos viveram não se consideram
antigos, na sua ótica eles eram contemporâneos.
Do período em que se desenvolveram as primeiras
civilizações até o fim do império romano do ocidente em 476,
foi denominada a nomenclatura de Idade Antiga.
Em relação ao desenvolvimento das primeiras civilizações,
é preciso entender o termo como a formação de uma cultura
mais complexa, com componentes sociais, políticos e
econômicos; onde o trabalho começou a ser organizado em
benefício da humanidade, implicando na construção de
cidades e no entrelaçamento de redes comerciais e
intercâmbios de várias ordens entre os povos.
Apesar das controvérsias entre o início e o fim desse
período e do longo período de transição para mudanças
significativas, a antiguidade é cronologicamente dividida em
três períodos:
- Antiguidade Oriental, até 400 anos a.C.
- Antiguidade Clássica, o período do predomínio da
cultura grega e parte da romana, com delimitação controversa,
em geral fixada entre 400 anos a. C até o ano 300 d.C.
- Antiguidade Tardia, um período de transição que
ultrapassa a Idade Antiga e entra na medieval, vai do ano 300
até o início do século VI, note que 476, final do século V, é o
marco do fim da antiguidade.
Idade Média
A ideia de uma idade média, ou seja, um separador no meio
de dois períodos, foi criado para justificar e para separar uma
era de ouro, no caso a antiguidade, da retomada do
crescimento do progresso humano na modernidade.
Um erro teórico que não é mais aceito pelos historiadores,
pois o período medieval foi tão ou mais rico de realizações que
a antiguidade, registrando importantes avanços técnicos e
culturais.
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APOSTILAS OPÇÃO
História 5
As universidades, por exemplo, surgiram na Idade Média.
Em todo caso, a medievalidade está intimamente
relacionada com a história da Europa, marcada pelo
feudalismo no Ocidente, ignorando outros povos que viveram
em contextos distintos e com avanços mais significativos.
A Idade Média tem como marco oficial o ano de 476, a
queda de Roma, indo até 1453, quando caiu Constantinopla,
portanto, o fim do Império romano do Oriente, chamado de
bizantino.
A Idade Média é comumente dividida em dois períodos
cronológicos:
- Alta Idade Média, um período que vai de 476 até o ano
1.000, marcado pelo feudalismo em boa parte da Europa.
- Baixa Idade Média, a qual marca o colapso do sistema
feudal e a transição para a modernidade, incluindo o
Renascimento, termo que remete a uma retomada das
práticas da antiguidade.
Idade Moderna
A partir do renascimento, a Idade Moderna foi concebida
como um período de resgate da antiguidade, depois de um
suposto período de trevas, no caso a Idade Média.
O termo modernidade remete a grandes mudanças que
possibilitaram a aceleração do desenvolvimento humano na
Idade Contemporânea.
O início desta era é repleto de controvérsias quanto sua
periodização, vários historiadores defendem marcos
diferentes para o começo e o fim do período.
A corrente francesa, aquela que acabou cunhando a data
tradicionalmente aceita para o início e final da Idade Moderna,
defende 1453, a queda de Constantinopla.
No entanto, datas mais significativas são defendidas como
marco inicial por outras vertentes teóricas.
Entre elas 1415, a conquista de Ceuta pelos portugueses,
uma cidade no norte da África inserida no comercio de
especiarias intermediadas do Oriente para a Europa.
Um marco que denota o começo da expansão ultramarina
e o incremento do sistema capitalista nascente, através do
mercantilismo.
Também inserido no contexto das especiarias é o ano de
1497, data em que Vasco da Gama chegou à Índia navegando
pelo Atlântico, um feito que permitiu ampliar as fronteiras
social, econômicas e culturais da Europa.
Outra data é 1492, com a descoberta da América por
Cristóvão Colombo, algo que alterou profundamente o
panorama do mundo conhecido.
Podemos notar que qualquer que seja o marco escolhido, a
semelhança das outras periodizações, a cronologia é
eurocentrista.
A controvérsia também existe com relação à datação do
final da Idade Moderna.
A corrente francesa delimita o fim da modernidade em
1789, ano da queda da Bastilha, prisão política do poder
absolutista, um tradicional marco tido como início da
Revolução Francesa.
Porém, existem historiadores que defendem 1760 como
uma data mais apropriada, pois é o ano que tem começo a
Revolução Industrial, alterando o ritmo da evolução
tecnológica da humanidade.
Existem aqueles que preferem ainda 1776, quando foi
assinada a declaração da independência dos Estados Unidos da
América, em quatro de julho na Virginia.
Destarte, apenas uma minoria, em geral historiadores
norte-americanos, considera a data significativa em termos
globais.
Uma visão eurocêntrica tem como proposta 1814, data do
Congresso de Viena, quando as fronteiras políticas da Europa
foram redefinidas, o que, a longo prazo, conduziria a primeira
e segunda guerra mundial.
O ponto de discórdia, com relação à Idade Moderna, não se
limita a datação do início e final da modernidade.
Existe uma corrente historiográfica inglesa que prefere
trabalhar com o conceito de Tempos Modernos ao invés de
Idade Moderna, dividindo as sociedades em pré-industriais e
indústrias.
Simultaneamente, a historiografia marxista tende a
estender o conceito de Idade Média até as revoluções liberais
que terminaram com o poder absolutista dos reis,
considerando o mercantilismo e o comercio de especiarias
como parte das cruzadas.
Os marxistas deslocam a Idade Moderna para o período
chamado tradicionalmente de Contemporâneo.
Devido a esta confusão, justifica-se iniciar o estudo da
história moderna a partir da crise do sistema feudal,
enfatizando a formação do sistema capitalista, encerrando
com os processos de independência das colônias americanas e
o Congresso de Viena.
Idade Contemporânea
O período contemporâneo é aquele em que vivemos
atualmente, daí o termo, sendo caracterizado pelo capitalismo
norteando as ações do Estado, com o liberalismo e o
neoliberalismo em seu interior.
Obviamente começa com o final da Idade Moderna e segue
até nossos dias, não tem uma data que delimite seu fim, já que
estamos ainda vivendo a contemporaneidade.
No entanto, existe uma discussão em volta da demarcação
de seu fim, implicando em rediscutir a tradicional cronologia
que atualmente delimita os períodos históricos. Um exemplo é
a grande influência que a internet e a globalização exercem na
vida das pessoas, e a grande mudança proporcionada por elas.
Eurocentrismo
É importante notar que a divisão dos períodos está
pautada em uma visão Eurocêntrica. O Eurocentrismo é a ideia
de que no mundo como um todo, a Europa e seus elementos
culturais são referência e o ápice no contexto de composição
da sociedade moderna.
Essa perspectiva é uma doutrina que toma a cultura
europeia como a pioneira da história, dessa forma se enquadra
como uma referência mundial para todas as nações, como se
apenas a cultura europeia fosse útil e verdadeira.
Essa ideologia da centralidade cultural europeia foi tão
difundida, que dentro e fora da Europa existe a visão de que
essa representa toda a cultura ocidentalno mundo.
Essa abordagem é negativa, já que não leva em
consideração as inúmeras culturas de civilizações que
contribuem para a diversidade sociocultural do mundo,
principalmente das nações que foram colonizadas pelos
europeus a partir do século XV.
*Candidato(a). Parte do conteúdo proposto nesse
primeiro tópico é encontrado nos Parâmetros Curriculares
Nacionais do Ensino Fundamental. Você o encontrará na
íntegra no tópico posterior.
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APOSTILAS OPÇÃO
História 6
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS3
HISTÓRIA
APRESENTAÇÃO
A proposta de História, para o ensino fundamental, foi
concebida para proporcionar reflexões e debates sobre a
importância dessa área curricular na formação dos estudantes,
como referências aos educadores, na busca de práticas que
estimulem e incentivem o desejo pelo conhecimento. O texto
apresenta princípios, conceitos e orientações para atividades
que possibilitem aos alunos a realização de leituras críticas dos
espaços, das culturas e das histórias do seu cotidiano.
O documento está organizado em duas partes. Cada uma
delas pode ser consultada de acordo com o interesse mais
imediato: aprofundamento teórico, definição de objetivos
amplos, discernimento das particularidades da área, sugestões
de práticas, possibilidades de recursos didáticos, entre outros.
Mas recomenda-se a leitura na íntegra para uma visão
abrangente da área.
Na primeira parte, analisam-se algumas concepções
curriculares elaboradas para o ensino de História no Brasil e
apontam-se as características, a importância, os princípios e os
conceitos pertinentes ao saber histórico escolar. Também
estão explicitados os objetivos gerais da área para o ensino
fundamental. São eles que sintetizam as intencionalidades das
escolhas conceituais, metodológicas e de conteúdos,
delineados na proposta.
Na segunda parte, são apresentados os eixos temáticos
para as primeiras quatro séries e os critérios que
fundamentam as suas escolhas. São discutidas, ainda, as
articulações dos conteúdos de História com os Temas
Transversais. A seguir, encontram-se os princípios de ensino,
os objetivos, os eixos temáticos e os critérios de avaliação
propostos. Os conteúdos são apresentados de modo a tornar
possível recriá-los, considerando a realidade local e/ou
questões sociais contemporâneas.
As orientações didáticas destacam pontos importantes da
prática de ensino e da relação dos alunos com o conhecimento
histórico, que ajudam o professor na criação e avaliação de
atividades no dia-a-dia.
3 http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro051.pdf
Secretaria de Educação Fundamental
HISTÓRIA
1 ª PARTE
CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE HISTÓRIA
A História no ensino fundamental
ENTRE A HISTÓRIA SAGRADA E A HISTÓRIA PROFANA
A partir da constituição do Estado brasileiro a História tem
sido um conteúdo constante do currículo da escola elementar.
O Decreto das Escolas de Primeiras Letras, de 1827, a primeira
lei sobre a instrução nacional do Império do Brasil, estabelecia
que “os professores ensinariam a ler, a escrever, as quatro
operações de aritmética (...), a gramática da língua nacional, os
princípios de moral cristã e de doutrina da religião católica e
apostólica romana, proporcionadas à compreensão dos
meninos; preferindo, para o ensino da leitura, a Constituição
do Império e História do Brasil”.
O texto do decreto revelava que a escola elementar
destinava-se a fornecer conhecimentos políticos rudimentares
e uma formação moral cristã à população. A História a ser
ensinada compreendia História Civil articulada à História
Sagrada; enquanto esta utilizava-se do conhecimento histórico
como catequese, um instrumento de aprender a moral cristã,
aquela o utilizava para pretextos cívicos.
As propostas vigentes no ensino não distinguiam as ideias
morais e religiosas das histórias políticas dos Estados, nem dos
costumes dos povos. No período do Império prevaleceu a
presença do ensino religioso no currículo escolar das escolas
de primeiras letras e no nível secundário, visando dar
legitimidade à aliança estabelecida entre o Estado e a Igreja.
Apesar das intenções legislativas, a História aparecia como
disciplina optativa do currículo nos programas das escolas
elementares. Os planos de estudos das escolas elementares
das províncias que as criaram, na maioria das vezes, instituíam
“noções de geografia e de história, principalmente, a nacional”
como disciplinas “permitidas” pelas autoridades e
consideradas facultativas ao ensino elementar.
A constituição da História como disciplina escolar
autônoma ocorreu apenas em 1837, com a criação do Colégio
Pedro II, o primeiro colégio secundário do País, que apesar de
público era pago e destinado às elites. Como a regulamentação
da disciplina seguiu o modelo francês, a História Universal
acabou predominando no currículo, mas se manteve a História
Sagrada.
A História do Brasil foi introduzida no ensino secundário
depois de 1855 e, logo após, foram desenvolvidos programas
para as escolas elementares. Mas ao lado da História Nacional,
a História Sagrada também apareceu como matéria
constitutiva do programa das escolas elementares, como
conteúdo integrante de educação moral e religiosa.
Por volta de 1870, sob influência das concepções
cientificistas que travaram um embate com os setores
conservadores ligados a um ensino moralizante dominado
pela Igreja Católica, os programas curriculares das escolas
elementares foram sendo ampliados com a incorporação das
disciplinas de ciências físicas, de História Natural, com a
adoção dos preceitos metodológicos das chamadas “lições de
coisas” e a inclusão de tópicos sobre História e Geografia
Universal, História do Brasil e História Regional.
Para os educadores desejosos de ampliar as disciplinas do
ensino elementar, o ensino de História teria dois objetivos.
Serviria como lições de leitura, com temas menos áridos, “para
incitar a imaginação dos meninos” e para fortificar o “senso
2. Ensino de História e
direitos humanos: diferenças
socioculturais que
caracterizam os espaços
sociais (escola, a localidade, a
cidade, o país e o mundo),
reconhecimento, valorização e
respeito aos direitos humanos
e à diversidade cultural como
fundamentos da vida social;
cidadania e tolerância; ensino
de História para as séries
iniciais do Ensino
Fundamental; a disciplina
escolar e o saber histórico
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APOSTILAS OPÇÃO
História 7
moral”, aliando-se à Instrução Cívica, disciplina que deveria
substituir a “Instrução Religiosa”.
No final da década de 1870 foram feitas novas
reformulações dos currículos das escolas primárias visando
criar um programa de História Profana mais extenso e
eliminar a História Sagrada. Tal fato traduzia a atmosfera das
discussões sobre o fim da escravidão, a transformação do
regime político do Império para a República e a retomada dos
debates sobre o ensino laico, visando dessa vez a separação
entre o Estado e a Igreja Católica e sua ampliação para outros
segmentos sociais.
Se do ponto de vista do programa curricular a História no
Império dividiu-se entre a História Profana e a História
Sagrada, o mesmo não se poderia afirmar sobre a história
ensinada. A precariedade das escolas elementares indicavam
que entre as propostas de ensino e sua efetivação na sala de
aula existiu sempre um hiato.
Em geral, as salas de aula eram palco de uma práticabastante simplificada. Por isso, as autoridades escolares
exigiam dos professores o cumprimento mínimo da parte
obrigatória composta de leitura e escrita, noções de Gramática,
princípios de Aritmética e o ensino da Doutrina Religiosa. As
disciplinas consideradas facultativas raramente eram
ensinadas, o que fez a História Sagrada predominar sobre a
História Civil nacional.
Os programas de História do Brasil seguiam o modelo
consagrado pela História Sagrada, substituindo as narrativas
morais sobre a vida dos santos por ações históricas realizadas
pelos heróis considerados construtores da nação,
especialmente governantes e clérigos. A ordem dos
acontecimentos era articulada pela sucessão de reis e pelas
lutas contra os invasores estrangeiros, de tal forma que a
história culminava com os “grandes eventos” da
“Independência” e da “Constituição do Estado Nacional”,
responsáveis pela condução do Brasil ao destino de ser uma
“grande nação”.
Os métodos de ensino então aplicados nas aulas de História
eram baseados na memorização e na repetição oral dos textos
escritos. Os materiais didáticos eram escassos, restringindo-se
à fala do professor e aos poucos livros didáticos compostos
segundo o modelo dos catecismos com perguntas e respostas,
facilitando as arguições. Desse modo, ensinar História era
transmitir os pontos estabelecidos nos livros, dentro do
programa oficial, e considerava-se que aprender História
reduzia-se a saber repetir as lições recebidas.
CIVILIZAÇÃO E NACIONALISMO
No final do século XIX, com a abolição da escravatura, a
implantação da República, a busca da racionalização das
relações de trabalho e o processo migratório, houve novos
desafios políticos. Nesse contexto ganharam força as
propostas que apontavam a educação, em especial a
elementar, como forma de realizar a transformação do País. O
regime republicano, sob a égide de um nacionalismo
patriótico, buscava inserir a nação num espírito cívico. A
escola elementar seria o agente da eliminação do
analfabetismo ao mesmo tempo em que efetuaria a
moralização do povo e a assimilação dos imigrantes
estrangeiros no interior de uma ideologia nacionalista e
elitista que apontava a cada segmento o seu lugar no contexto
social.
No plano do currículo, os embates e disputas sobre a
reelaboração de determinados conteúdos foram essenciais
para a definição das disciplinas escolares, dividindo aqueles
que o desejavam baseado em disciplinas mais científicas,
portanto, mais técnicas e práticas, adequadas à modernização,
e aqueles que defendiam as disciplinas literárias, entendidas
como formadoras do espírito. Como resultado das disputas, as
disciplinas escolares foram obtendo maior autonomia,
afirmando seus objetivos, formando um corpo próprio de
conhecimentos, desenvolvendo métodos pedagógicos. A
História passou a ocupar no currículo um duplo papel: o
civilizatório e o patriótico, formando, ao lado da Geografia e da
Língua Pátria, o tripé da nacionalidade, cuja missão na escola
elementar seria o de modelar um novo tipo de trabalhador: o
cidadão patriótico.
A História da Civilização substituiu a História Universal.
Com isso completava-se o afastamento entre o laico e o
sagrado na História, deslocando-se o motor dos
acontecimentos da religião para o processo civilizatório,
identificado com os próprios desígnios divinos. O Estado
passou a ser visto como o principal agente histórico condutor
das sociedades ao estágio civilizatório. Por isso abandonou-se
a periodização da História Universal, que identificava os
Tempos Antigos com o tempo bíblico da criação, com o
predomínio do sagrado sobre o tempo histórico, e passou-se
ao estudo da Antiguidade do Egito e da Mesopotâmia,
momento de gênese da Civilização com o aparecimento de um
Estado forte, centralizado e uma cultura escrita.
A História Nacional identificava-se com a História Pátria,
cuja missão, juntamente com a História da Civilização, era de
integrar o povo brasileiro à moderna civilização ocidental. A
História Pátria era entendida como o alicerce da “pedagogia do
cidadão”, seus conteúdos deveriam enfatizar as tradições de
um passado homogêneo, com feitos gloriosos de célebres
personagens históricos nas lutas pela defesa do território e da
unidade nacional.
A moral religiosa foi substituída pelo civismo, sendo que os
conteúdos patrióticos não deveriam ficar restritos ao âmbito
específico da sala de aula. Desenvolveram-se, nas escolas,
práticas e rituais como festas e desfiles cívicos, eventos
comemorativos, celebrações de culto aos símbolos da Pátria,
que deveriam envolver o conjunto da escola demarcando o
ritmo do cotidiano escolar.
Nas primeiras décadas do século XX os governos
republicanos realizaram sucessivas reformas mas pouco
fizeram para alterar a situação da escola pública. Mesmo
assim, o período constituiu-se num momento de
fortalecimento do debate em torno dos problemas
educacionais e surgiram propostas alternativas ao modelo
oficial de ensino, logo reprimidas pelo governo republicano,
como as escolas anarquistas, com currículo e métodos
próprios de ensino, no qual a História identificavase com os
principais momentos das lutas sociais, como a Revolução
Francesa, a Comuna de Paris, a Abolição.
A partir de 1930, com a criação do Ministério da Educação
e Saúde Pública e a Reforma Francisco Campos, acentuou-se o
fortalecimento do poder central do Estado e do controle sobre
o ensino. O ensino de História era idêntico em todo o País,
dando ênfase ao estudo de História Geral, sendo o Brasil e a
América apêndices da civilização ocidental. Ao mesmo tempo
refletia-se na educação a influência das propostas do
movimento escolanovista, inspirado na pedagogia
norteamericana, que propunha a introdução dos chamados
Estudos Sociais, no currículo escolar, em substituição a
História e Geografia, especialmente para o ensino elementar.
Com o processo de industrialização e urbanização, se
repensou sobre a inclusão do povo brasileiro na História.
Enquanto alguns identificavam as razões do atraso econômico
do País no predomínio de uma população mestiça, outros
apontavam a necessidade de se buscar conhecer a identidade
nacional, suas especificidades culturais em relação aos outros
países, como meio de assegurar condições de igualdade na
integração da sociedade brasileira à civilização ocidental.
Nos programas e livros didáticos, a História ensinada
incorporou a tese da democracia racial, da ausência de
preconceitos raciais e étnicos. Nessa perspectiva, o povo
brasileiro era formado por brancos descendentes de
portugueses, índios e negros, e, a partir dessa tríade, por
mestiços, compondo conjuntos harmônicos de convivência
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APOSTILAS OPÇÃO
História 8
dentro de uma sociedade multirracial e sem conflitos, cada
qual colaborando com seu trabalho para a grandeza e riqueza
do País.
Ao longo desse período, poucas mudanças aconteceram
em nível metodológico. Apesar das propostas dos
escolanovistas de substituição dos métodos mnemônicos
pelos métodos ativos, com aulas mais dinâmicas, centradas nas
atividades do aluno, com a realização de trabalhos concretos
como fazer maquetes, visitar museus, assistir a filmes,
comparar fatos e épocas, coordenar os conhecimentos
históricos aos geográficos, o que predominava era a
memorização e as festividades cívicas que passaram a ser
parte fundamental do cotidiano escolar.
A prática recorrente das salas de aula continuou sendo a
de recitar as “lições de cor”, com datas e nomes dos
personagens considerados mais significativos da História. O
aumento da importância dos exames finais de admissão ao
ginásio ou ao ensino superior acabavampor consagrar,
conjuntamente com a produção didática, uma seleção
tradicional dos conteúdos que eram vistos como a garantia de
um bom desempenho dos alunos nesses exames.
DA HISTÓRIA AOS ESTUDOS SOCIAIS
Da Segunda Guerra Mundial até o final da década de 70 foi
um período de lutas pela especificidade da História e pelo
avanço dos Estudos Sociais no currículo escolar. Podem-se
identificar dois momentos significativos nesse processo: o
primeiro ocorreu no contexto da democratização do País com
o fim da ditadura Vargas e o segundo durante o governo
militar.
Nos anos imediatos ao pós-guerra, a História passou a ser
considerada, pela política internacional, como uma disciplina
significativa na formação de uma cidadania para a paz,
merecendo cuidados especiais tanto na organização curricular
quanto na produção dos materiais didáticos. A Unesco passou
a interferir na elaboração de livros escolares e nas propostas
curriculares, indicando possíveis perigos na ênfase dada às
histórias de guerras, no modo de apresentar a história
nacional e nas questões raciais, em especial na disseminação
de idéias racistas e preconceituosas. A História deveria
revestir-se de um conteúdo mais humanístico e pacifista,
voltando-se ao estudo dos processos de desenvolvimento
econômico das sociedades, bem como dos avanços
tecnológicos, científicos e culturais da humanidade.
No plano da educação elementar a tendência era substituir
História e Geografia por Estudos Sociais. Essa proposta
renovava o enfoque da disciplina que perdia o caráter do
projeto nacionalista cívico e moralizante, marcando a
penetração da visão norte-americana nos currículos
brasileiros.
No início dos anos 50 foi estabelecida uma nova seriação
de História Geral e do Brasil para o ensino secundário, por
influências de historiadores profissionais formados pelas
universidades.
Ao longo das décadas de 50 e 60, sob inspiração do
nacional-desenvolvimentismo, e da presença americana na
vida econômica brasileira, o ensino de História, no nível
secundário, voltou-se especialmente para o espaço americano,
fortalecendo o lugar da História da América no currículo, com
a predominância da História dos Estados Unidos. A temática
econômica ganhou espaço na disciplina com o estudo dos
ciclos econômicos. A História era entendida a partir da
sucessão linear dos centros econômicos hegemônicos da cana-
de-açúcar, mineração, café e industrialização. Paralelamente,
introduziam-se, nos cursos das escolas experimentais e
vocacionais, os programas de Estudos Sociais. As experiências
no ensino elementar centravam-se no desenvolvimento da
ideia dos círculos concêntricos, indicando o predomínio de um
discurso de homogeneização, de educação para o trabalho, de
um preparo voltado para o advento do mundo urbano e
industrial.
No nível secundário foram propostos estudos econômicos
baseados nos “modos de produção”, sob a influência da
historiografia marxista, como os do grupo que lançou uma
produção didática chamada História Nova, com uma
abordagem histórica que enfatizava as transformações
econômicas e os conflitos entre as classes sociais, em
detrimento da história tradicional que valorizava o político e a
trajetória vitoriosa da classe burguesa na consolidação
harmoniosa do mundo moderno.
Nas escolas primárias, apesar das propostas de Estudos
Sociais, prevaleciam os conhecimentos históricos baseados
nas festividades cívicas, e nas séries finais preparavam-se os
alunos com resumos da História colonial, imperial e
republicana para atender ao programa dos exames de
admissão.
A consolidação dos Estudos Sociais em substituição a
História e Geografia ocorreu a partir da Lei n. 5.692/71,
durante o governo militar. Os Estudos Sociais constituíram-se
ao lado da Educação Moral e Cívica em fundamentos dos
estudos históricos, mesclados por temas de Geografia
centrados nos círculos concêntricos. Com a substituição por
Estudos Sociais os conteúdos de História e Geografia foram
esvaziados ou diluídos, ganhando contornos ideológicos de um
ufanismo nacionalista destinado a justificar o projeto nacional
organizado pelo governo militar implantado no País a partir de
1964.
A organização das propostas curriculares de Estudos
Sociais em círculos concêntricos tinha como pressuposto que
os estudos sobre a sociedade deveriam estar vinculados aos
estágios de desenvolvimento psicológico do aluno, devendo,
pois, partir do concreto ao abstrato em etapas sucessivas.
Assim iniciava-se o estudo do mais próximo, a comunidade ou
o bairro, indo sucessivamente ao mais distante, o município, o
estado, o país, o mundo. Os conteúdos ordenados
hierarquicamente deveriam respeitar a faixa etária do aluno,
por isso a história do mundo não deveria ser ensinada na
escola primária, por ser considerada distante e abstrata.
Essa visão da disciplina gerou os chamados pré-requisitos
de aprendizagem, configurando-se a necessidade da aquisição
de noções e de conceitos relacionados às Ciências Humanas.
Para compreender a História o aluno deveria dominar, em
princípio, a noção de tempo histórico. No entanto, o
desenvolvimento dessa noção no ensino limitava-se a
atividades de organização do tempo cronológico e de sucessão
como datações, calendário, ordenação temporal, sequência
passado-presente-futuro. A linha do tempo, amarrada a uma
visão linear e progressiva dos acontecimentos, foi
sistematicamente utilizada como referência para distinguir os
“períodos históricos”.
Mas as transformações ocorridas durante o governo
militar não se limitaram às mudanças no currículo e nos
métodos de ensino. O fim do exame de admissão e o ensino
obrigatório de oito anos da escola de primeiro grau trouxeram
mudanças significativas no público escolar. Todavia, à medida
que eram ampliadas as oportunidades de acesso à escola para
a maioria da população, ocorria uma paradoxal deterioração
da qualidade do ensino público.
Para atender à demanda de profissionais da área de
Estudos Sociais os governos militares permitiram a criação
dos cursos de Licenciatura Curta o que contribuiu para o
avanço das entidades privadas no ensino superior e uma
desqualificação profissional do docente. Além disso, os
Estudos Sociais, que praticamente ignoravam as áreas de
conhecimentos específicos em favor de saberes puramente
escolares, contribuíram para um afastamento entre as
universidades e as escolas de primeiro e segundo graus. Isso
prejudicou o diálogo entre pesquisa acadêmica e o saber
escolar, bem como atrasou as necessárias introduções de
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APOSTILAS OPÇÃO
História 9
reformulações do conhecimento histórico e das ciências
pedagógicas no âmbito escolar.
No decorrer dos anos 70 as lutas de profissionais, desde a
sala de aula até a universidade, ganharam maior expressão
com o crescimento das associações de historiadores e
geógrafos (ANPUH e AGB) que se abriram aos docentes, e seu
engajamento na batalha pela volta de História e Geografia aos
currículos escolares e extinção dos cursos de Licenciatura de
Estudos Sociais.
O RETORNO DA HISTÓRIA E DA GEOGRAFIA
No processo de democratização dos anos 80 os
conhecimentos escolares passaram a ser questionados e
redefinidos por reformas curriculares. As transformações da
clientela escolar composta de vários grupos sociais que viviam
um intenso processo de migração, do campo para as cidades, e
entre os Estados, com acentuado processo de diferenciação
econômica e social, forçavam mudanças no espaço escolar. As
novas gerações de alunos habituavam-se à presença de novas
tecnologias de comunicação, especialmente o rádio e a
televisão, que se tornaram canais de informação e de formaçãocultural. Entrava pelas portas das escolas uma nova realidade
que não poderia ser mais ignorada. O currículo real forçava
mudanças no currículo formal. Essas mudanças passaram a ser
consideradas e discutidas pelos diversos agentes educacionais
preocupados em absorvê-las à organização e ao currículo
escolar. Os professores tornaram-se uma importante voz na
configuração do saber escolar, diminuindo o poder dos
chamados “técnicos educacionais”.
Nesse contexto iniciaram-se as discussões sobre o retorno
da História e da Geografia ao currículo escolar a partir das
séries iniciais de escolarização. Reforçaram-se os diálogos
entre pesquisadores e docentes do ensino médio, ao mesmo
tempo em que se assistia a uma expansão dos cursos de pós-
graduação em História, com presença significativa de
professores de primeiro e segundo graus, cuja produção foi
absorvida parcialmente pela expansão editorial na área do
ensino de História e da historiografia.
As propostas curriculares passaram a ser influenciadas
pelo debate entre as diversas tendências historiográficas. Os
historiadores voltaram-se para a abordagem de novas
problemáticas e temáticas de estudo, sensibilizados por
questões ligadas à história social, cultural e do cotidiano,
sugerindo possibilidades de rever no ensino fundamental o
formalismo da abordagem histórica tradicional.
A história chamada “tradicional” sofreu diferentes
contestações. Suas vertentes historiográficas de apoio, quer
sejam o positivismo, o estruturalismo, o marxismo ortodoxo
ou o historicismo, produtoras de grandes sínteses,
constituidoras de macrobjetos, estruturas ou modos de
produção, foram colocadas sob suspeição. A apresentação do
processo histórico como a seriação dos acontecimentos num
eixo espaço-temporal eurocêntrico, seguindo um processo
evolutivo e sequência de etapas que cumpriam um trajetória
obrigatória, foi denunciada como redutora da capacidade do
aluno, como sujeito comum, de se sentir parte integrante e
agente de uma história que desconsiderava sua vivência, e era
apresentada como um produto pronto e acabado. Introduziu-
se a chamada História Crítica, pretendendo desenvolver com
os alunos atitudes intelectuais de desmistificação das
ideologias, possibilitando a análise das manipulações dos
meios de comunicação de massas e da sociedade de consumo.
Paralelamente às análises historiográficas, ocorreram
novos estudos no âmbito das ciências pedagógicas,
especialmente no campo da psicologia cognitiva e social.
Difundiam-se estudos sobre o processo de ensino e
aprendizagem nos quais os alunos eram considerados como
participantes ativos do processo de construção do
conhecimento. Uma perspectiva que, para o ensino de História,
significava valorizar atitudes ativas do sujeito como
construtor de sua história, em consonância com a visão de
alguns educadores sobre propostas pedagógicas
construtivistas.
Os currículos foram ampliados com conteúdos de História
a partir das escolas de educação infantil e nos primeiros anos
do ensino fundamental. Os conteúdos passaram a ser avaliados
quanto às necessidades de atender um público ligado a um
presenteísmo intenso, voltado para ideias de mudanças
constantes do novo cotidiano tecnológico.
Os professores passaram a perceber a impossibilidade de
se transmitir nas aulas o conhecimento de toda a História da
humanidade em todos os tempos, buscando alternativas às
práticas reducionistas e simplificadoras da história oficial.
Questionando-se sobre se deveriam iniciar o ensino da
História por História do Brasil ou Geral alguns professores
optaram por uma ordenação sequencial e processual que
intercalasse os conteúdos das duas histórias num processo
contínuo da Antiguidade até nossos dias. Outros optaram por
trabalhar com temas e, nessa perspectiva, desenvolveram-se
as primeiras propostas de ensino por eixos temáticos. Para os
que optaram pela segunda via, iniciou-se um debate, ainda em
curso, sobre as questões relacionadas ao tempo histórico,
revendo a sua dimensão cronológica, as concepções de
linearidade e progressividade do processo histórico, as noções
de decadência e de evolução.
Os métodos tradicionais de ensino têm sido questionados
com maior ênfase. Os livros didáticos, difundidos amplamente
e enraizados nas práticas escolares, passaram a ser
questionados em relação aos conteúdos e exercícios
propostos. A simplificação dos textos, os conteúdos carregados
de ideologias, os testes ou exercícios sem exigência de nenhum
raciocínio são apontados como comprometedores de qualquer
avanço que se faça no campo curricular formal. Dessa forma, o
ensino de História atualmente está em processo de mudanças
substantivas em seu conteúdo e método.
Muitas vezes no ensino fundamental, em particular na
escola primária, a História tem permanecido distante dos
interesses do aluno, presa às fórmulas prontas do discurso dos
livros didáticos ou relegada a práticas esporádicas
determinadas pelo calendário cívico. Reafirmar sua
importância no currículo não se prende somente a uma
preocupação com a identidade nacional, mas sobretudo no que
a disciplina pode dar como contribuição específica ao
desenvolvimento dos alunos como sujeitos conscientes,
capazes de entender a História como conhecimento, como
experiência e prática de cidadania.
O conhecimento histórico:
Características e importância social
Nas últimas décadas, o conhecimento histórico tem sido
ampliado por pesquisas que têm transformado seu campo de
atuação. Houve questionamentos significativos, por parte dos
historiadores, relativos aos agentes condutores da história —
indivíduos e classes sociais —, sobre os povos nos quais os
estudos históricos devem se concentrar, sobre as fontes
documentais que devem ou podem ser usadas nas pesquisas e
quais as ordenações temporais que devem ou podem
prevalecer.
Tem sido criticada, simultaneamente, uma produção
histórica que legitima determinados setores da sociedade,
vistos como únicos condutores da política da nação e de seus
avanços econômicos. Tem sido considerada, por sua vez, a
atuação dos diversos grupos e classes sociais e suas diferentes
formas de participação na configuração das realidades
presentes, passadas e futuras.
A aproximação da História com as demais ciências sociais,
em especial com a Antropologia, ampliou os estudos de povos
de todos os continentes, redimensionando os estudos de
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APOSTILAS OPÇÃO
História 10
populações não-europeias. A multiplicidade de povos e de
culturas em tempos e espaços diferentes tem sido estudada,
considerando-se a diversidade de vivências no interior de uma
dada sociedade, na medida em que grupos e classes sociais
manifestam especificidades de linguagens, de representações
de mundo, de valores, de relações interpessoais e de criações
cotidianas.
O questionamento sobre o uso exclusivo de fontes escritas
levou a investigação histórica a considerar a importância da
utilização de outras fontes documentais, aperfeiçoando
métodos de leitura de forma a abranger as várias formas de
registros produzidos. A comunicação entre os homens, além de
escrita, é oral, gestual, figurada, musical e rítmica.
O aprofundamento de estudos de diversos grupos sociais e
povos trouxe como resultado também transformações nas
concepções de tempo, rompendo com a idéia de um único
tempo contínuo e evolutivo para toda a humanidade. Os
estudos consideram que, no confronto entre povos, grupos e
classes, a realidade é moldada por descontinuidades políticas,
por rupturas nas lutas, por momentos de permanências de
costumes ou valores, por transformações rápidas e lentas.
O conhecimento histórico, comoárea científica, tem
influenciado o ensino, afetando os conteúdos e os métodos
tradicionais de aprendizagem. Contudo, não têm sido essas
transformações as únicas a afetarem o ensino de História. As
escolhas do que e como ensinar são provenientes de uma série
de fatores e não exclusivamente das mudanças
historiográficas. Relacionam-se com a série de transformações
da sociedade, especialmente a expansão escolar para um
público culturalmente diversificado, com a intensa relação
entre os estudantes com as informações difundidas pelos
meios de comunicação, com as contribuições pedagógicas —
especialmente da Psicologia social e cognitiva — e com
propostas pedagógicas que defendem trabalhos de natureza
interdisciplinar.
O ensino de História possui objetivos específicos, sendo
um dos mais relevantes o que se relaciona à constituição da
noção de identidade. Assim, é primordial que o ensino de
História estabeleça relações entre identidades individuais,
sociais e coletivas, entre as quais as que se constituem como
nacionais.
Para a sociedade brasileira atual, a questão da identidade
tem se tornado um tema de dimensões abrangentes, uma vez
que se vive um extenso processo migratório que tem
desarticulado formas tradicionais de relações sociais e
culturais. Nesse processo migratório, a perda da identidade
tem apresentado situações alarmantes, desestruturando
relações historicamente estabelecidas, desagregando valores
cujo alcance ainda não se pode avaliar. Dentro dessa
perspectiva, o ensino de História tende a desempenhar um
papel mais relevante na formação da cidadania, envolvendo a
reflexão sobre a atuação do indivíduo em suas relações
pessoais com o grupo de convívio, suas afetividades e sua
participação no coletivo.
Surgem, a partir dessa dimensão, desafios para o trabalho
histórico que visa à constituição de uma identidade social do
estudante, fundada no passado comum do seu grupo de
convívio mas articulada à história da população brasileira.
Assim, os estudos históricos devem abranger três aspectos
fundamentais.
Inicialmente, a inclusão da constituição da identidade
social nas propostas educacionais para o ensino de História
necessita um tratamento capaz de situar a relação entre o
particular e o geral, quer se trate do indivíduo, sua ação e seu
papel na sua localidade e cultura, quer se trate das relações
entre a localidade específica, a sociedade nacional e o mundo.
Do trabalho com a identidade decorre, também, a questão
da construção das noções de diferenças e de semelhanças.
Nesse aspecto, é importante a compreensão do “eu” e a
percepção do “outro”, do estranho, que se apresenta como
alguém diferente. Para existir a compreensão do “outro”, os
estudos devem permitir a identificação das diferenças no
próprio grupo de convívio, considerando os jovens e os velhos,
os homens e as mulheres, as crianças e os adultos, e o “outro”
exterior, o “forasteiro”, aquele que vive em outro local. Para
existir a compreensão do “nós”, é importante a identificação de
elementos culturais comuns no grupo local e comum a toda a
população nacional e, ainda, a percepção de que outros grupos
e povos, próximos ou distantes no tempo e no espaço,
constroem modos de vida diferenciados.
O trabalho com identidade envolve um terceiro aspecto: a
construção de noções de continuidade e de permanência. É
fundamental a percepção de que o “eu” e o “nós” são distintos
de “outros” de outros tempos, que viviam, compreendiam o
mundo, trabalhavam, vestiam-se e se relacionavam de outra
maneira. Ao mesmo tempo, é importante a compreensão de
que o “outro” é, simultaneamente, o “antepassado”, aquele que
legou uma história e um mundo específico para ser vivido e
transformado.
O conhecimento do “outro” possibilita, especialmente,
aumentar o conhecimento do estudante sobre si mesmo, à
medida que conhece outras formas de viver, as diferentes
histórias vividas pelas diversas culturas, de tempos e espaços
diferentes. Conhecer o “outro” e o “nós” significa comparar
situações e estabelecer relações e, nesse processo comparativo
e relacional, o conhecimento do aluno sobre si mesmo, sobre
seu grupo, sobre sua região e seu país aumenta
consideravelmente.
Essas considerações são importantes para explicitar os
objetivos, os conteúdos e as metodologias do ensino de
História que estão sendo propostos, neste documento, para os
dois primeiros ciclos do ensino fundamental.
Considera-se, então, que o ensino de História envolve
relações e compromissos com o conhecimento histórico, de
caráter científico, com reflexões que se processam no nível
pedagógico e com a construção de uma identidade social pelo
estudante, relacionada às complexidades inerentes à realidade
com que convive.
APRENDER E ENSINAR HISTÓRIA NO ENSINO
FUNDAMENTAL
O ensino e a aprendizagem de História envolvem uma
distinção básica entre o saber histórico, como um campo de
pesquisa e produção de conhecimento do domínio de
especialistas, e o saber histórico escolar, como conhecimento
produzido no espaço escolar.
Considera-se que o saber histórico escolar reelabora o
conhecimento produzido no campo das pesquisas dos
historiadores e especialistas do campo das Ciências Humanas,
selecionando e se apropriando de partes dos resultados
acadêmicos, articulando-os de acordo com seus objetivos.
Nesse processo de reelaboração, agrega-se um conjunto de
“representações sociais” do mundo e da história, produzidos
por professores e alunos. As “representações sociais” são
constituídas pela vivência dos alunos e professores, que
adquirem conhecimentos dinâmicos provenientes de várias
fontes de informações veiculadas pela comunidade e pelos
meios de comunicação. Na sala de aula, os materiais didáticos
e as diversas formas de comunicação escolar apresentadas no
processo pedagógico constituem o que se denomina saber
histórico escolar.
O saber histórico escolar, na sua relação com o saber
histórico, compreende, de modo amplo, a delimitação de três
conceitos fundamentais: o de fato histórico, de sujeito
histórico e de tempo histórico. Os contornos e as definições
que são dados a esses três conceitos orientam a concepção
histórica, envolvida no ensino da disciplina. Assim, é
importante que o professor distinga algumas dessas possíveis
conceituações.
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APOSTILAS OPÇÃO
História 11
Os fatos históricos podem ser traduzidos, por exemplo,
como sendo aqueles relacionados aos eventos políticos, às
festas cívicas e às ações de heróis nacionais, fatos esses
apresentados de modo isolado do contexto histórico em que
viveram os personagens e dos movimentos de que
participaram.
Em uma outra concepção de ensino, os fatos históricos
podem ser entendidos como ações humanas significativas,
escolhidas por professores e alunos, para análises de
determinados momentos históricos. Podem ser eventos que
pertencem ao passado mais próximo ou distante, de caráter
material ou mental, que destaquem mudanças ou
permanências ocorridas na vida coletiva. Assim, por exemplo,
dependendo das escolhas didáticas, podem se constituir em
fatos históricos as ações realizadas pelos homens e pelas
coletividades que envolvem diferentes níveis da vida em
sociedade: criações artísticas, ritos religiosos, técnicas de
produção, formas de desenho, atos de governantes,
comportamentos de crianças ou mulheres, independências
políticas de povos.
Os sujeitos da História podem ser os personagens que
desempenham ações individuais ou consideradas como
heroicas, de poder de decisão política de autoridades, como
reis, rainhas e rebeldes. A História pode ser estudada, assim,
como sendo dependente do destino de poucoshomens, de
ações isoladas e de vontades individuais de poderosos, em que
pouco se percebe a dimensão das ações coletivas, das lutas por
mudanças ou do poder exercido por grupos sociais em favor
das permanências nos costumes ou nas divisões do trabalho.
O sujeito histórico pode ser entendido, por sua vez, como
sendo os agentes de ação social, que se tornam significativos
para estudos históricos escolhidos com fins didáticos, sendo
eles indivíduos, grupos ou classes sociais. Podem ser, assim,
todos aqueles que, localizados em contextos históricos,
exprimem suas especificidades e características, sendo líderes
de lutas para transformações (ou permanências) mais amplas
ou de situações mais cotidianas, que atuam em grupo ou
isoladamente, e produzem para si ou para uma coletividade.
Podem ser trabalhadores, patrões, escravos, reis, camponeses,
políticos, prisioneiros, crianças, mulheres, religiosos, velhos,
partidos políticos, etc.
O conceito de tempo histórico pode estar limitado ao
estudo do tempo cronológico (calendários e datas),
repercutindo em uma compreensão dos acontecimentos como
sendo pontuais, uma data, organizados em uma longa e infinita
linha numérica. Os acontecimentos, identificados pelas datas,
assumem a ideia de uniformidade, de regularidade e, ao
mesmo tempo, de sucessão crescente e acumulativa. A
sequenciação dos acontecimentos sugere ainda que toda a
humanidade seguiu ou deveria seguir o mesmo percurso,
criando assim a ideia de povos “atrasados” e “civilizados” e
ainda limitando as ações humanas a uma ordem evolutiva,
representando o tempo presente um estágio mais avançado da
história da humanidade.
O tempo histórico pode ser dimensionado diferentemente,
considerado em toda sua complexidade, cuja dimensão o aluno
apreende paulatinamente. O tempo pode ser apreendido a
partir de vivências pessoais, pela intuição, como no caso do
tempo biológico (crescimento, envelhecimento) e do tempo
psicológico interno dos indivíduos (ideia de sucessão, de
mudança). E precisa ser compreendido, também, como um
objeto de cultura, um objeto social construído pelos povos,
como no caso do tempo cronológico e astronômico (sucessão
de dias e noites, de meses e séculos).
O tempo histórico compreendido nessa complexidade
utiliza o tempo institucionalizado (tempo cronológico), mas
também o transforma à sua maneira. Isto é, utiliza o
calendário, que possibilita especificar o lugar dos momentos
históricos na sucessão do tempo, mas procura trabalhar
também com a ideia de diferentes níveis e ritmos de durações
temporais.
Os níveis das durações estão relacionados à percepção das
mudanças ou das permanências nas vivências humanas. As
mudanças podem ser identificadas, por exemplo, apenas nos
acontecimentos pontuais, como no caso da queda de um
governo, da implantação de uma lei, do início de uma revolta
popular. Podem ser identificadas, por outro lado, a partir de
acontecimentos que possuem durações mais longas, como nas
permanências e nas transformações econômicas regidas por
governos ou partidos políticos, na permanência de crises
financeiras ou na duração de uma lei ou costume. Podem,
ainda, ser identificadas em acontecimentos de longuíssimo
tempo, como os comportamentos coletivos mais enraizados,
os valores e as crenças que permanecem por gerações, as
relações de trabalho que atravessam séculos.
A Independência do Brasil, por exemplo, representou no
plano político uma mudança no regime de governo, que pode
ser relacionada a uma data (7 de setembro de 1822). No plano
econômico, as mudanças não foram, todavia, imediatas, já que
o rompimento com a dominação portuguesa se manifestou,
inclusive, nas políticas de D. João VI no Brasil, desde 1808. No
plano das relações de trabalho, por sua vez, a Independência
não representou mudanças significativas, já que a escravidão
permaneceu ainda por muitas décadas (século XVI ao final do
XIX).
Os ritmos da duração, por sua vez, possibilitam identificar
a velocidade com que as mudanças ocorrem. Assim, podem ser
identificados três tempos: o tempo do acontecimento breve, o
da conjuntura e o da estrutura.
O tempo do acontecimento breve é aquele que representa
a duração de um fato de dimensão breve, correspondendo a
um momento preciso, marcado por uma data. Pode ser, no
caso, um nascimento, a assinatura de um acordo, uma greve, a
independência política de um país, a exposição de uma coleção
artística, a fundação de uma cidade, o início ou o fim de uma
guerra.
O tempo da conjuntura é aquele que se prolonga e pode ser
apreendido durante uma vida, como o período de uma crise
econômica, a duração de uma guerra, a permanência de um
regime político, o desenrolar de um movimento cultural, os
efeitos de uma epidemia ou a validade de uma lei.
O tempo da estrutura é aquele que parece imutável, pois as
mudanças que ocorrem na sua extensão são quase
imperceptíveis nas vivências contemporâneas das pessoas. É a
duração de um regime de trabalho como a escravidão, de
hábitos religiosos e de mentalidades que perduram, o uso de
moedas nos sistemas de trocas ou as convivências sociais em
organizações como as cidades.
Os diferentes conceitos — de fato histórico, sujeito
histórico e tempo histórico — refletem distintas concepções
de História e de como ela é estruturada e constituída.
Orientam, por exemplo, na definição dos fatos que serão
investigados, os sujeitos que terão a voz e as noções de tempo
histórico que serão trabalhadas.
O conhecimento histórico escolar, além de se relacionar
com o conhecimento histórico de caráter científico nas
especificações das noções básicas da área, também se articula
aos fundamentos de seus métodos de pesquisa, adaptando-os
para fins didáticos.
A transposição dos métodos de pesquisa da História para
o ensino de História propicia situações pedagógicas
privilegiadas para o desenvolvimento de capacidades
intelectuais autônomas do estudante na leitura de obras
humanas, do presente e do passado. A escolha dos conteúdos,
por sua vez, que possam levar o aluno a desenvolver noções de
diferença e de semelhança, de continuidade e de permanência,
no tempo e no espaço, para a constituição de sua identidade
social, envolve cuidados nos métodos de ensino.
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APOSTILAS OPÇÃO
História 12
Assim, os estudos da história dos grupos de convívio e nas
suas relações com outros grupos e com a sociedade nacional,
considerando vivências nos diferentes níveis da vida coletiva
(sociais, econômicas, políticas, culturais, artísticas, religiosas),
exigem métodos específicos, considerando a faixa etária e as
condições sociais e culturais dos alunos. Existe uma grande
diversidade cultural e histórica no País, explicada por sua
extensão territorial e pela história de seu povoamento. As
diferenças sociais e econômicas da população brasileira
acarretaram formas diversas de registros históricos. Assim, há
um grande número de pessoas que não fazem uso da escrita,
tanto porque não tiveram acesso a processos formais de
alfabetização como porque pertencem a culturas ágrafas,
como no caso de populações indígenas. Nesse sentido, o
trabalho pedagógico requer estudo de novos materiais
(relatos orais, imagens, objetos, danças, músicas, narrativas),
que devem se transformar em instrumentos de construção do
saber histórico escolar.
Ao se recuperar esses materiais, que são fontes potenciais
para construção de uma história local parcialmente
desconhecida, desvalorizada, esquecida ou omitida, o saber
histórico escolar desempenha um outro papel na vida local,
sem significar que se pretende fazer do aluno um “pequeno
historiador” capaz de escrever monografias, mas umobservador atento das realidades do seu entorno, capaz de
estabelecer relações, comparações e relativizando sua atuação
no tempo e espaço.
A escolha metodológica representa a possibilidade de
orientar trabalhos com a realidade presente, relacionando-a e
comparando-a com momentos significativos do passado.
Didaticamente, as relações e as comparações entre o presente
e o passado permitem uma compreensão da realidade numa
dimensão histórica, que extrapola as explicações sustentadas
apenas no passado ou só no presente imediato.
OBJETIVOS GERAIS DE HISTÓRIA PARA O ENSINO
FUNDAMENTAL
Espera-se que, ao longo do ensino fundamental, os alunos
gradativamente possam ler e compreender sua realidade,
posicionar-se, fazer escolhas e agir criteriosamente. Nesse
sentido, os alunos deverão ser capazes de:
• identificar o próprio grupo de convívio e as relações que
estabelecem com outros tempos e espaços;
• organizar alguns repertórios histórico-culturais que lhes
permitam localizar acontecimentos numa multiplicidade de
tempo, de modo a formular explicações para algumas questões
do presente e do passado;
• conhecer e respeitar o modo de vida de diferentes grupos
sociais, em diversos tempos e espaços, em suas manifestações
culturais, econômicas, políticas e sociais, reconhecendo
semelhanças e diferenças entre eles;
• reconhecer mudanças e permanências nas vivências
humanas, presentes na sua realidade e em outras
comunidades, próximas ou distantes no tempo e no espaço;
• questionar sua realidade, identificando alguns de seus
problemas e refletindo sobre algumas de suas possíveis
soluções, reconhecendo formas de atuação política
institucionais e organizações coletivas da sociedade civil;
• utilizar métodos de pesquisa e de produção de textos de
conteúdo histórico, aprendendo a ler diferentes registros
escritos, iconográficos, sonoros;
• valorizar o patrimônio sociocultural e respeitar a
diversidade, reconhecendo-a como um direito dos povos e
indivíduos e como um elemento de fortalecimento da
democracia.
CONTEÚDOS DE HISTÓRIA: CRITERIOS DE SELEÇÃO DE
ORGANIZAÇÃO
É consensual a impossibilidade de se estudar a História de
todos os tempos e sociedades, sendo necessário fazer seleções
baseadas em determinados critérios para estabelecer os
conteúdos a serem ensinados. A seleção de conteúdos
programáticos tem sido variada, mas geralmente é feita
segundo uma tradição de ensino, que é rearticulada e
reintegrada em novas dimensões e de acordo com temas
relevantes para o momento histórico da atual geração.
A escolha dos conteúdos relevantes a serem estudados,
feita neste documento, parte das problemáticas locais em que
estão inseridas as crianças e as escolas, não perdendo de vista
que as questões que dimensionam essas realidades estão
envolvidas em problemáticas regionais, nacionais e mundiais.
As informações históricas locais relevantes a serem
selecionadas expressam, assim, a intencionalidade de fornecer
aos alunos a formação de um repertório intelectual e cultural,
para que possam estabelecer identidades e diferenças com
outros indivíduos e com grupos sociais presentes na realidade
vivida — no âmbito familiar, no convívio da escola, nas
atividades de lazer, nas relações econômicas, políticas,
artísticas, religiosas, sociais e culturais. E, simultaneamente,
permitir a introdução dos alunos na compreensão das diversas
formas de relações sociais e a perspectiva de que as histórias
individuais se integram e fazem parte do que se denomina
História nacional e de outros lugares.
Os conteúdos propostos estão constituídos, assim, a partir
da história do cotidiano da criança (o seu tempo e o seu
espaço), integrada a um contexto mais amplo, que inclui os
contextos históricos. Os conteúdos foram escolhidos a partir
do tempo presente no qual existem materialidades e
mentalidades que denunciam a presença de outros tempos,
outros modos de vida sobreviventes do passado, outros
costumes e outras modalidades de organização social, que
continuam, de alguma forma, presentes na vida das pessoas e
da coletividade. Os conteúdos foram escolhidos, ainda, a partir
da ideia de que conhecer as muitas histórias, de outros tempos,
relacionadas ao espaço em que vivem, e de outros espaços,
possibilita aos alunos compreenderem a si mesmos e a vida
coletiva de que fazem parte.
A proposta privilegia, assim, no primeiro ciclo, a leitura de
tempos diferentes no tempo presente, em um determinado
espaço, e a leitura desse mesmo espaço em tempos passados.
No segundo ciclo, sugere estudos sobre histórias de outros
espaços em tempos diferentes. A predominância está voltada
para as histórias sociais e culturais, sem excluir as questões
políticas e econômicas.
Os temas ligados à questão urbana, à sua dominância sobre
o modo de vida rural, à predominância da cidade sobre o
campo e à imposição do ritmo de tempo da fábrica sobre o
ritmo de tempo da natureza são problemas comuns à maioria
da população brasileira e à grande maioria dos indivíduos que
vivem no planeta na atualidade. Pode-se dizer, também, que
são problemas que estão presentes na realidade local das
crianças e são temáticas comuns às múltiplas realidades
nacionais. Não se pode negar que, hoje em dia, a vida rural tem
sofrido forte influência do modo urbano, vivendo modificações
ou persistindo em suas particularidades. Nesse sentido, esta
proposta opta por trabalhar com temas relacionados às
questões urbanas, mas estabelecendo as articulações
constantes com as questões rurais locais ou nacionais.
O estudo dos problemas urbanos, na contemporaneidade,
orienta, assim, a possibilidade de escolhas de grandes eixos
temáticos sobre as questões locais, inserindo-as em dimensões
espaciais de maior grandeza e dimensões temporais amplas,
que abarcam a possibilidade de diálogos múltiplos entre o
presente e o passado.
Os conteúdos escolhidos, que fundamentam esta proposta,
estão articulados, ainda, com os temas transversais:
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APOSTILAS OPÇÃO
História 13
• as relações de trabalho existentes entre os indivíduos e
as classes, por meio do conhecimento sobre como se
processam as produções, as comercializações e a distribuição
de bens, as desigualdades sociais, as transformações das
técnicas e das tecnologias e a apropriação ou a desapropriação
dos meios de produção pelos trabalhadores;
• as diferenças culturais, étnicas, de idade, religião,
costumes, gêneros, sistemas econômicos e políticos;
• as lutas e as conquistas políticas, travadas por indivíduos,
por classes e movimentos sociais;
• as relações entre os homens e a natureza, numa dimensão
individual e coletiva, contemporânea e histórica, envolvendo
discernimento quanto às formas de dominação e preservação
da fauna, flora e recursos naturais;
• reflexões sobre a constituição da cidadania, em
diferentes sociedades e tempos, relacionadas à saúde, à
higiene, às concepções sobre a vida e a morte, às doenças
endêmicas e epidêmicas;
• as imagens e os valores em relação ao corpo, relacionados
à história da sexualidade, dos tabus coletivos, da organização
das famílias, da educação sexual e da distribuição de papéis
entre os gêneros nas diferentes sociedades historicamente
constituídas.
Considerou-se que, diante da diversidade de conteúdos
possíveis, os professores devem fazer as escolhas daqueles
que são mais significativos para serem trabalhados em
determinados momentos ou determinados grupos de alunos,
no decorrer da escolaridade. Os conteúdos de História, como
são propostos neste documento, não devem ser considerados
fixos. As escolas e os professores devem recriá-los e adaptá-losà sua realidade local e regional.
HISTÓRIA
2ª PARTE
PRIMEIRO CICLO
Ensino e aprendizagem de História no primeiro ciclo
O ensino e a aprendizagem da História estão voltados,
inicialmente, para atividades em que os alunos possam
compreender as semelhanças e as diferenças, as permanências
e as transformações no modo de vida social, cultural e
econômico de sua localidade, no presente e no passado,
mediante a leitura de diferentes obras humanas.
As crianças, desde pequenas, recebem um grande número
de informações sobre as relações interpessoais e coletivas.
Entretanto, suas reflexões sustentam-se, geralmente, em
concepções de senso comum. Cabe à escola interferir em suas
concepções de mundo, para que desenvolvam uma observação
atenta do seu entorno, identificando as relações sociais em
dimensões múltiplas e diferenciadas.
No caso do primeiro ciclo, considerando-se que as crianças
estão no início da alfabetização, deve-se dar preferência aos
trabalhos com fontes orais e iconográficas e, a partir delas,
desenvolver trabalhos com a linguagem escrita. De modo
geral, no trabalho com fontes documentais — fotografias,
mapas, filmes, depoimentos, edificações, objetos de uso
cotidiano —, é necessário desenvolver trabalhos específicos
de levantamento e organização de informações, leitura e
formas de registros.
O trabalho do professor consiste em introduzir o aluno na
leitura das diversas fontes de informação, para que adquira,
pouco a pouco, autonomia intelectual. O percurso do trabalho
escolar inicia, dentro dessa perspectiva, com a identificação
das especificidades das linguagens dos documentos — textos
escritos, desenhos, filmes —, das suas simbologias e das
formas de construções dessas mensagens.
Intervenções pedagógicas específicas, baseadas no
trabalho de pesquisa histórica, provocam significativas
mudanças nas compreensões das crianças pequenas sobre
quem escreve a História.
Por exemplo: passam a considerar a diversidade de fontes
para obtenção de informações sobre o passado, discernindo
sobre o fato de que épocas precedentes deixaram,
intencionalmente ou não, indícios de sua passagem que foram
descobertos e conservados pelas coletividades. Podem
compreender que os diferentes registros são fontes de
informação para se conhecer o passado.
Na organização de dados históricos obtidos, cabe ao
professor incentivar os alunos a compreenderem os padrões
de medida de tempo, como calendários, que permitem
entender a ordenação temporal do seu cotidiano e comparar
acontecimentos a partir de critérios de anterioridade ou
posteridade e simultaneidade.
Objetivos de História para o primeiro ciclo
Espera-se que ao final do primeiro ciclo os alunos sejam
capazes de:
• comparar acontecimentos no tempo, tendo como
referência anterioridade, posterioridade e simultaneidade;
• reconhecer algumas semelhanças e diferenças sociais,
econômicas e culturais, de dimensão cotidiana, existentes no
seu grupo de convívio escolar e na sua localidade;
• reconhecer algumas permanências e transformações
sociais, econômicas e culturais nas vivências cotidianas das
famílias, da escola e da coletividade, no tempo, no mesmo
espaço de convivência;
• caracterizar o modo de vida de uma coletividade
indígena, que vive ou viveu na região, distinguindo suas
dimensões econômicas, sociais, culturais, artísticas e
religiosas;
• identificar diferenças culturais entre o modo de vida de
sua localidade e o da comunidade indígena estudada;
•estabelecer relações entre o presente e o passado;
• identificar alguns documentos históricos e fontes de
informações discernindo algumas de suas funções.
Conteúdos de História para o primeiro ciclo
EIXO TEMÁTICO: HISTÓRIA LOCAL E COTIDIANO
Os conteúdos de História para o primeiro ciclo enfocam,
preferencialmente, diferentes histórias pertencentes ao local
em que o aluno convive, dimensionadas em diferentes tempos.
Prevalecem estudos comparativos, distinguindo
semelhanças e diferenças, permanências e transformações de
costumes, modalidades de trabalho, divisão de tarefas,
organizações do grupo familiar e formas de relacionamento
com a natureza. A preocupação com os estudos de história
local é a de que os alunos ampliem a capacidade de observar o
seu entorno para a compreensão de relações sociais e
econômicas existentes no seu próprio tempo e reconheçam a
presença de outros tempos no seu dia-a-dia.
Ao ingressarem na escola, as crianças passam a diversificar
os seus convívios, ultrapassando as relações de âmbito
familiar e interagindo, também, com um outro grupo social —
estudantes, educadores e outros profissionais —,
caracterizado pela diversidade, e, ao mesmo tempo, por
relações entre iguais. A própria classe possui um histórico no
qual o aluno terá participação ativa. Sendo um ambiente que
abarca uma dada complexidade, os estudos históricos
aprofundam, inicialmente, temas que dão conta de distinguir
as relações sociais e econômicas submersa nessas relações
escolares, ampliando-as para dimensões coletivas, que
abarcam as relações estabelecidas na sua localidade.
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APOSTILAS OPÇÃO
História 14
Os estudos da história local conduzem aos estudos dos
diferentes modos de viver no presente e em outros tempos,
que existem ou que existiram no mesmo espaço.
Nesse sentido, a proposta para os estudos históricos é de
favorecer o desenvolvimento das capacidades de
diferenciação e identificação, com a intenção de expor as
permanências de costumes e relações sociais, as mudanças, as
diferenças e as semelhanças das vivências coletivas, sem julgar
grupos sociais, classificando-os como mais “evoluídos” ou
“atrasados”.
Como se trata de estudos, em parte, sobre a história local,
as informações propiciam pesquisas com depoimentos e
relatos de pessoas da escola, da família e de outros grupos de
convívio, fotografias e gravuras, observações e análises de
comportamentos sociais e de obras humanas: habitações,
utensílios caseiros, ferramentas de trabalho, vestimentas,
produção de alimentos, brincadeiras, músicas, jogos, entre
outros.
Considerando o eixo temático “História local e do
cotidiano”, a proposta é a de que, no primeiro ciclo, os alunos
iniciem seus estudos históricos no presente, mediante a
identificação das diferenças e das semelhanças existentes
entre eles, suas famílias e as pessoas que trabalham na escola.
Com os dados do presente, a proposta é que desenvolvam
estudos do passado, identificando mudanças e permanências
nas organizações familiares e educacionais.
Conhecendo as características dos grupos sociais de seu
convívio diário, a proposta é de que ampliem estudos sobre o
viver de outros grupos da sua localidade no presente,
identificando as semelhanças e as diferenças existentes entre
os grupos sociais e seus costumes; e desenvolvam estudos
sobre o passado da localidade, identificando as mudanças e as
permanências nos hábitos, nas relações de trabalho, na
organização urbana ou rural em que convivem, etc.
Identificando algumas das características da sociedade em
que os alunos vivem, podem-se introduzir estudos sobre uma
comunidade indígena que habita ou habitava a mesma região
onde moram atualmente. A opção de introduzir estudos de
povos indígenas é relevante por terem sido os primeiros
habitantes das terras brasileiras e, até hoje, terem conseguido
manter formas de relações sociais diferentes das que são
predominantes no Brasil. A preocupação em identificar os
grupos indígenas que habitam ou habitaram a região próxima
do convívio dos alunos é a de possibilitar a compreensão da
existência de diferenças entre os própriosgrupos indígenas,
com especificidades de costumes, línguas diferentes, evitando
criar a imagem do índio como povo único e sem história. O
conhecimento sobre os costumes e as relações sociais de povos
indígenas possibilita aos alunos dimensionarem, em um tempo
longo, as mudanças ocorridas naquele espaço onde vivem e, ao
mesmo tempo, conhecerem costumes, relações sociais e de
trabalho diferentes do seu cotidiano.
Diante da proposta ampla de possibilidades de
aprofundamentos de estudos, cabe ao professor:
• fazer recortes e selecionar alguns aspectos considerados
mais relevantes, tendo em vista os problemas locais e/ou
contemporâneos;
• desenvolver um trabalho de integração dos conteúdos de
história com outras áreas de conhecimento;
• avaliar o seu trabalho ao longo do ano, refletindo sobre
as escolhas dos conteúdos priorizados, as atividades propostas
e os materiais didáticos selecionados, para replanejar a sua
proposta de ensino de um ano para o outro.
A localidade
•Levantamento de diferenças e semelhanças individuais,
sociais, econômicas e culturais entre os alunos da classe e
entre eles e as demais pessoas que convivem e trabalham na
escola:
• idade, sexo, origem, costumes, trabalho, religião, etnia,
organização familiar, lazer, jogos, interação com meios de
comunicação (televisão, rádio, jornal), atividade dos pais,
participação ou conhecimento artístico, preferências em
relação à música, à dança ou à arte em geral, acesso a serviços
públicos de água e esgoto, hábitos de higiene e de alimentação.
• Identificação de transformações e permanências dos
costumes das famílias das crianças (pais, avós e bisavós) e nas
instituições escolares:
• número de filhos, divisão de trabalhos entre sexo e idade,
costumes alimentares, vestimentas, tipos de moradia, meios
de transporte e comunicação, hábitos de higiene, preservação
da saúde, lazer, músicas, danças, lendas, brincadeiras de
infância, jogos, os antigos espaços escolares, os materiais
didáticos de outros tempos, antigos professores e alunos.
• Levantamento de diferenças e semelhanças entre as
pessoas e os grupos sociais que convivem na coletividade, nos
aspectos sociais, econômicos e culturais:
• diferentes profissões, divisão de trabalhos e atividades
em geral entre idades e sexos, origem, religião, alimentação,
vestimenta, habitação, diferentes bairros e suas populações,
locais públicos (igrejas, prefeitura, hospitais, praças,
mercados, feiras, cinemas, museus), locais privados
(residências, fábricas, lojas), higiene, atendimento médico,
acesso a sistemas públicos de água e esgoto, usos e
aproveitamento dos recursos naturais e fontes de energia
(água, terra e fogo), locais e atividades de lazer, museus,
espaços de arte, diferentes músicas e danças.
• Identificação de transformações e permanências nas
vivências culturais (materiais e artísticas) da coletividade no
tempo:
• diferentes tipos de habitações antigas que ainda existem,
observações de mudanças no espaço, como reformas de
prédios, construções de estradas, pontes, viadutos,
diferenciação entre produtos manufaturados e
industrializados, mecanização da agricultura, ampliação dos
meios de comunicação de massa, sobrevivência de profissões
artesanais (ferreiros, costureiras, sapateiros, oleiros, seleiros),
mudanças e permanências de instrumentos de trabalho,
manifestações artísticas, mudanças nas vestimentas, sistema
de abastecimento de alimentos, técnicas de construção de
casas e suas divisões de trabalho, as músicas e danças de
antigamente, as formas de lazer de outros tempos.
Comunidade indígena
• Identificação do grupo indígena da região e estudo do seu
modo de vida social, econômico, cultural, político, religioso e
artístico:
• o território que habitam e que já habitaram, organização
das famílias e parentesco, a produção e distribuição de
alimentos, a divisão de trabalho entre os sexos e as idades, as
moradias e a organização do espaço, os rituais culturais e
religiosos, as relações materiais e simbólicas com a natureza
(os animais e a flora), a língua falada, as vestimentas, os
hábitos cotidianos de higiene, a medicina, as técnicas de
produção de artefatos, as técnicas de coleta ou de produção de
alimentos, a delimitação do território geográfico e de domínio
da comunidade, os espaços que são públicos e os espaços
considerados privados, as transformações sofridas pela
cultura no contato com outros povos, as relações de amizade,
trocas ou identidade com outras comunidades indígenas, as
brincadeiras e as rotinas das mulheres, dos homens, das
crianças e dos velhos, a medição do tempo, o contar histórias,
as crenças, lendas e mitos de origem, as manifestações
artísticas, como músicas, desenhos, artesanato, danças.
• Identificação de semelhanças e diferenças entre o modo
de vida da localidade dos alunos e da cultura indígena:
• existem vários aspectos da coletividade dos alunos que
são diferentes do modo de vida da comunidade indígena
estudada1: na ocupação do território, no relacionamento com
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APOSTILAS OPÇÃO
História 15
a natureza (produção de alimentos, uso da água, do solo e da
vegetação, mitos, medicina, preservação), nas construções de
moradias (materiais, técnicas, construtores, distribuição e uso
do espaço interno), na divisão de tarefas entre as pessoas na
realização de trabalhos, nos tipos e confecção de vestimentas,
nos tipos de lazer, na religiosidade, nos mitos de origem, nas
técnicas de fabricação e uso de instrumentos nas mais diversas
atividades de trabalho, no uso do espaço geográfico, nos
hábitos de higiene, nos meios de comunicação, nos meios de
transporte, nos diferentes modos de medir o tempo.
CONTEÚDOS COMUNS ÀS TEMÁTICAS HISTÓRICAS
Todas as temáticas são permeadas pelos conteúdos que se
seguem, cuja aprendizagem favorece a construção de noções
históricas. É necessário que o professor oriente e acompanhe
passo a passo a realização desses procedimentos pelos alunos,
de forma que a aprendizagem seja bem-sucedida.
• Busca de informações em diferentes tipos de fontes
(entrevistas, pesquisa bibliográfica, imagens, etc.).
• Análise de documentos de diferentes naturezas.
• Troca de informações sobre os objetos de estudo.
• Comparação de informações e perspectivas diferentes
sobre um mesmo acontecimento, fato ou tema histórico.
• Formulação de hipóteses e questões a respeito dos temas
estudados.
• Registro em diferentes formas: textos, livros, fotos,
vídeos, exposições, mapas, etc.
• Conhecimento e uso de diferentes medidas de tempo.
1. É fundamental destacar a importância de o professor
não realizar comparações que depreciem qualquer cultura,
orientando seus alunos também nesse sentido. Para melhor
compreensão sobre o assunto, ver o documento de Pluralidade
Cultural.
Critérios de avaliação de História para o primeiro ciclo
Ao final do primeiro ciclo, depois de terem vivenciados
inúmeras situações de aprendizagem, os alunos dominam
alguns conteúdos e procedimentos. Para avaliar esses
domínios, esta proposta destaca, de modo amplo, os seguintes
critérios:
• Reconhecer algumas semelhanças e diferenças no modo
de viver dos indivíduos e dos grupos sociais que pertencem ao
seu próprio tempo e ao seu espaço
Este critério pretende avaliar se, a partir dos estudos
desenvolvidos, o aluno se situa no tempo presente, reconhece
diversidades e aproximações de modo de vida, de culturas, de
crenças e de relações sociais, econômicas e culturais,
pertencentes às localidades de seu próprio tempo e localizadas
no espaço mais próximo com que convive (na escola, na
família, na coletividade e