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QUESTÃO 26. (XXII Exame) Tony, a pedido de um colega, está transportando uma caixa com cápsulas que acredita ser de remédios, sem ter conhecimento que estas, na verdade, continham Cloridrato de Cocaína em seu interior. Por outro lado, José transporta em seu veículo 50g de Cannabis Sativa L. (maconha), pois acreditava que poderia ter pequena quantidade do material em sua posse para fins medicinais. Ambos foram abordados por policiais e, diante da apreensão das drogas, denunciados pela prática do crime de tráfico de entorpecentes. Considerando apenas as informações narradas, o advogado de Tony e José deverá alegar em favor dos clientes, respectivamente, a ocorrência de RESPOSTA RESPOSTA (C) erro de tipo e erro de proibição. No erro de tipo (CP, art. 20, “caput”), o agente tem uma visão distorcida da realidade. É como olhar para uma maçã e enxergar uma laranja. Tony pensou estar transportando remédio, mas, na verdade, transportou cocaína. Portanto, erro de tipo. Já no erro de proibição (CP, art. 21), o agente vê a realidade de forma correta, sem distorção – olha para uma maçã e enxerga uma maçã. Todavia, ele desconhece a ilicitude de sua conduta. Foi o caso de José. Por isso, correta a alternativa C QUESTÃO 27. (XII Exame) Bráulio, rapaz de 18 anos, conhece Paula em um show de rock, em uma casa noturna. Os dois, após conversarem um pouco, resolvem dirigir-se a um motel e ali, de forma consentida, o jovem mantém relações sexuais com Paula. Após, Bráulio descobre que a moça, na verdade, tinha apenas 13 anos e que somente conseguira entrar no show mediante apresentação de carteira de identidade falsa. A partir da situação narrada, assinale a afirmativa correta. RESPOSTA RESPOSTA (C) Bráulio não praticou crime, pois agiu em hipótese de erro de tipo essencial. O art. 217-A do CP não prevê a modalidade culposa. Errada a letra B. Quanto aos erros, explico: no erro de tipo essencial, a pessoa não sabe que está cometendo crime por desconhecer alguma elementar do tipo penal. Elementar é tudo aquilo que, se retirado, afasta o crime. A consequência: se o erro é inevitável (qualquer um faria o mesmo), afasta-se o dolo e a culpa (e, em consequência, o fato deixa de ser típico). Mas, se o erro poderia ser evitado, o dolo é afastado, mas o agente é punido a título de culpa (caso exista a forma culposa do delito). No erro de proibição, a conversa é outra: o agente não desconhece elementar do fato típico, mas ignora a ilicitude da conduta. Como a potencial consciência da ilicitude é elemento da culpabilidade, se o erro for inevitável, a culpabilidade – e, em consequência, o próprio crime – é afastada. Sabendo disso tudo, fica fácil perceber que Bráulio desconhecia a elementar do crime de estupro de vulnerável. Portanto, correta a alternativa C.