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/ DEFINIÇÃO Conceitos fundamentais de Economia. Síntese da história do pensamento econômico. Breve apresentação dos pensadores econômicos mais influentes da história e o contexto de suas contribuições. Panorama sobre a pesquisa econômica contemporânea. Áreas de desenvolvimento da economia e economistas contemporâneos. PROPÓSITO Aprender os fundamentos e as contribuições mais recentes da ciência econômica, tal como a história do pensamento econômico para a compreensão contextualizada da Economia Moderna. OBJETIVOS / MÓDULO 1 Definir conceitos fundamentais para compreensão das análises econômicas MÓDULO 2 Descrever uma breve história do pensamento econômico MÓDULO 3 Descrever a agenda de pesquisa econômica atual INTRODUÇÃO O estudo de qualquer ciência começa com uma série de conceitos básicos. Em Economia, começaremos falando sobre as escolhas das pessoas sobre como alocar recursos, dado que há limites no que podemos fazer. Iremos também apresentar a evolução da ciência econômica ao longo do tempo e descrever os caminhos que estão sendo desenvolvidos. MÓDULO 1 Definir conceitos fundamentais para compreensão das análises econômicas UMA DIGRESSÃO SOBRE ECONOMIA E CIÊNCIA / O termo “economia” vem do grego e significa “costume” ou “lei”, ou também “gerir”, “administrar”, daí “regras da casa” ou “administração doméstica”. Mas o que é, de fato, Economia? Economia é uma ciência social preocupada com a produção, distribuição e consumo de bens e serviços. Ela estuda como indivíduos, empresas, governos e nações fazem escolhas sobre alocação de recursos, de forma a satisfazer suas necessidades, e busca entender como esses agentes podem se organizar e coordenar esforços para alcançar o melhor resultado possível. Mas o que é uma ciência? Ciência é uma forma de conhecimento, assim como religião, intuição e senso comum. A ciência produz conhecimento por meio de teorias. Por exemplo, a Astronomia, através da teoria geocêntrica, considera a Terra fixa no centro do universo, com todos os outros corpos celestes orbitando ao seu redor. Poucas pessoas acreditam na teoria geocêntrica, mas qualquer um quando vai à praia utiliza essa teoria para posicionar um guarda-sol. Da mesma forma, existem diversas teorias nas quais não é necessário acreditar, embora sejam úteis, como, por exemplo, modelos econômicos, a física newtoniana ou mapas. Você acredita que o mundo é bidimensional ao olhar um aplicativo de mapas em seu celular? É preciso deixar claro que a Ciência não trata de verdade, mas sim de erro útil. A Ciência é apenas uma ferramenta para resolver problemas, e não para estabelecer verdades. A teoria nada mais é do que uma ferramenta imperfeita, baseada em simplificações grosseiras da realidade (natural, social, econômica etc.), pois seu o objetivo é ser útil. O precursor da Ciência Moderna é Francis Bacon, que, no século XVI, deixou registrado que “Saber é poder”. A partir de Bacon e da Revolução Científica Moderna, começa a busca pelo desenvolvimento de um conhecimento sistemático da natureza que permita atingir objetivos concretos. / Fonte: Shutterstock Francis Bacon EXEMPLO Por exemplo, se chove, nós nos molhamos. Se determinado medicamento for utilizado, a mortalidade de certa doença será reduzida. Assim, há uma tentativa de compreensão do mundo por meio de relações de causalidade. Mas como sabemos se uma teoria é útil? Geralmente, submetemos a teoria ao teste empírico, ou seja, ela deve explicar determinado conjunto de dados. Por exemplo, se a teoria diz que “se chove, então, molha”, buscamos uma série de dados sobre “chuva ou sol” e sobre “objeto molhado ou seco”, e vemos se a teoria explica a relação empírica observada. O teste empírico deve sempre ser construído de forma a isolar as variáveis relevantes do problema ― ou, em outras palavras, tomar “tudo mais como constante” para não comprometer o resultado da avaliação. Afinal, em geral, há outras variáveis que afetam as observações (uma superfície pode estar molhada porque alguém a lavou com água encanada). Embora um teste empírico seja bem-sucedido, jamais afirmamos que aceitamos a teoria. Dizemos apenas que não a rejeitamos, mas não podemos aceitá-la, porque, desde o princípio, / sabemos que ela é imperfeita, e seguimos com ela enquanto não for rejeitada e não aparecer outra melhor (isto é, que explique melhor os dados). A ciência econômica é tipicamente dividida em: Microeconomia – que estuda o comportamento de agentes individuais. Macroeconomia – que analisa a economia de maneira agregada. Analise as seguintes questões: Qual deve ser a regulação do setor de telefonia para garantir cobertura adequada à população? Essa questão é tipicamente estudada em Microeconomia. Já a Macroeconomia busca responder a questões como: “Por que a inflação aumentou?”. Essa questão é tipicamente estudada em Macroeconomia. Em todos os casos, porém, precisamos analisar a escolha individual dos agentes envolvidos. Esse será o primeiro passo de nosso estudo. ESCOLHA INDIVIDUAL Qualquer questão em Economia envolve escolha individual, independente de estarmos no campo de Macroeconomia ou de Microeconomia. / Em última instância, até decisões macroeconômicas são baseadas em uma série de decisões individuais sobre o que fazer ou não. Portanto, podemos dizer que economia é sobre escolhas. Quando vamos à feira, há diversos produtos em inúmeras barracas. É pouco provável que tenhamos dinheiro para comprar tudo o que desejamos, e, mesmo que tenhamos, não há espaço suficiente na geladeira para guardar todos esses bens. Fonte: Shutterstock Alguém pode argumentar que basta comprar outra geladeira. Contudo, o espaço de sua casa é limitado, de forma que precisamos escolher qual produto comprar e qual colocar na geladeira. O fato de alguns produtos estarem à venda na feira já envolve uma escolha. O feirante escolheu quais produtos levar para a feira, e os produtores agrícolas também escolheram quais bens iriam cultivar. / Notamos, então, que: Todas as atividades econômicas passam por escolhas. Existem quatro princípios econômicos contidos na escolha individual: Escassez de recursos Custo real Decisão marginal Oportunidades de melhoria ESCASSEZ DE RECURSOS No geral, não podemos ter tudo o que queremos. Nossa renda é limitada, o que restringe o que podemos adquirir. A renda que escolhemos gastar indo ao cinema equivale a que deixamos de gastar com algum outro bem ou serviço. / Todavia, existem alguns indivíduos muito ricos, e você deve estar pensando que ele pode ter tudo. Mesmo eles não podem fazer tudo o que querem, porque há uma limitação de tempo: o dia possui apenas 24 horas. Assim, o tempo que escolheremos dedicar a determinada atividade não poderá ser dedicado a outra. O tempo que dedicamos ao nosso sono é também um momento em que deixamos de trabalhar, por exemplo. Precisamos realizar escolhas, o que apenas reflete o fato de que os recursos são escassos. Recurso é qualquer elemento que pode ser usada na produção de um bem. Em uma economia, geralmente, consideramos como recursos o trabalho, a terra, o capital físico e o capital humano (conquistas educacionais e habilidades individuais). UM RECURSO É ESCASSO QUANDO SUA QUANTIDADE DISPONÍVEL É INSUFICIENTE PARA SATISFAZER TODOS OS USOS QUE UMA SOCIEDADE QUER FAZER DELE. (KRUGMAN & WELLS, 2001) A escassez de recursos faz com que os indivíduos e a sociedade sejam obrigados a fazer escolhas, e há diversas formas de fazê-las. Uma delas é permitir que surjam como o resultado de escolhas individuais, o que acontece, normalmente, em economias de mercado. Há também decisões que a sociedade considera que é melhor não serem fruto do resultado de escolhas individuais, como consumir bebida alcoólica e dirigir. CUSTO REAL O custo de adquirir algo envolve também o que dispensamos para realizar a aquisição. / Suponha que você tenha prestado vestibular para uma universidade privada e tenha sido aprovadopara o curso integral em Ciências Econômicas. O custo monetário de estudar em uma universidade privada é o valor da mensalidade mais o gasto com passagem, alimentação e material. Mas isso não inclui tudo: esse não é custo real de estar em uma universidade privada. Estudar em tempo integral significa que você está abrindo mão de fazer um curso de inglês pela tarde ou de trabalhar em algum estabelecimento. O custo de abrir mão de outra atividade se chama custo de oportunidade. O custo de oportunidade de uma atividade da qual abrimos mão. É o que abdicamos ao deixar de escolher nossa segunda melhor alternativa. O custo real de algo é a soma de seus custos monetário e de oportunidade. Portanto, no final das contas, todo custo é um custo de oportunidade. EXEMPLO Programas sociais e custo de oportunidade Custo de oportunidade é um conceito essencial em Economia, e é usado na formulação e no funcionamento de programas sociais. Há alguns anos, a secretária estadual de educação do Rio de Janeiro formulou o programa Renda Melhor Jovem. O projeto consistia em depósitos na poupança de jovens beneficiados pelo Renda Melhor e pelo Cartão Família Carioca que cursassem o Ensino Médio em escolas públicas. Após a conclusão do Ensino Médio, os jovens poderiam usar essa poupança. A ideia de pagar um valor para esses jovens estudarem tem como base o conceito de custo de oportunidade. Muitos desses jovens pobres largam a escola para trabalhar e ajudar suas famílias. DECISÃO MARGINAL / Diversas decisões importantes em nossas vidas começam com a pergunta: “Quanto?”. Ou seja, tem relação com a quantidade. Se você está cursando duas disciplinas ― Microeconomia e Macroeconomia ―, e precisa escolher o quanto vai dedicar de tempo de estudo para cada uma delas. Quando temos decisões de “quanto?”, em Economia, vemos isso como uma decisão marginal. Fonte: Shutterstock Gastar mais tempo estudando Microeconomia significa que você terá um benefício nessa matéria: é provável que você tire uma nota mais alta, mas também implica menos tempo estudando Macroeconomia. Sua decisão envolverá um trade-off, ou seja, uma comparação entre o custo e o benefício. Essa comparação faz parte de uma escolha. Um trade-off é um dilema, isto é, uma situação em que comparamos custo e benefício, e realizamos uma escolha que envolve também renúncias Como decidir, então, quanto tempo dedicar a cada uma das disciplinas? No geral, decisões desse tipo são tomadas a cada momento. Suponha que as duas provas, de Microeconomia e Macroeconomia, sejam no mesmo dia. No dia anterior, você decide dedicar metade do tempo à Macroeconomia, e a outra metade, à Microeconomia. Antes de chegar ao fim do tempo destinado à Macroeconomia, você nota que é melhor dedicar mais tempo do que o que tinha pensado. À noite, já com sono, você percebe que ainda faltou / conteúdo de Macroeconomia, mas ainda está finalizando o de Microeconomia. O que fazer? Se você teve nota melhor em uma prova anterior de Microeconomia, possivelmente, optará por dedicar o tempo disponível restante à Macroeconomia. Decisões como essas são marginais. Elas envolvem um trade-off na margem, isto é, uma análise de custo benefício de um pouco mais de uma atividade e um poucos menos de outra. Muitas decisões no nosso dia a dia são tomadas com base em análises marginais, que desempenham um papel fundamental na economia. Se estou com sede, decido se vou tomar um copo d’água ou não. Após o primeiro copo, avalio se ainda quero tomar o segundo, e assim por diante. Não tomamos uma decisão apenas entre “não beber água’” ou “tomar toda a água da casa”, mas entre “um copo a mais” ou “um gole a mais”. Essa decisão sobre um gole adicional é uma decisão na margem. OPORTUNIDADES DE MELHORIA Para começar entenda o exemplo a seguir: autor/shutterstock Sempre que vemos as notícias, reparamos que há uma enorme quantidade de pessoas nas lojas. Mas por que, se esses produtos são vendidos normalmente no dia a dia? / Segundo os consumidores, as promoções são melhores que em qualquer outra época do ano. Assim, quando as pessoas veem uma oportunidade de melhorar sua situação, nesse caso, por meio da compra de produtos mais baratos, elas aproveitam. Ao tentarem prever como os indivíduos se comportarão em alguma situação econômica, em geral, os economistas consideram que os indivíduos aproveitarão a oportunidade de melhorar suas situações. Essas oportunidades são exploradas até que se esgotem, isto é, até que tenham sido plenamente aproveitadas pelas pessoas. No geral, o fato de que as pessoas exploram oportunidades de melhorar sua própria situação é uma das hipóteses amplamente adotada em modelos econômicos. Quando há redução do preço do chocolate, mais consumidores irão comprá-lo. Se o salário dos engenheiros se reduz, e o dos médicos aumenta, é provável que alguns alunos do Ensino Médio deixem de prestar vestibular para Engenharia e mudem para Medicina. Quando há mudanças nas oportunidades disponíveis e, consequentemente, de comportamento, afirmamos que as pessoas se deparam com novos incentivos. Para os economistas, qualquer tentativa de mudança de ação é fruto de mudanças de incentivos. Portanto, uma política que peça às indústrias que poluam menos só será eficaz se gerar uma mudança de incentivos condizente com o objetivo de redução da poluição. EXEMPLO Política econômica e mudança de incentivos Durante a pandemia da Covid-19, diversas medidas foram tomadas para seu combate. Duas delas foram: a proibição de frequentar praias e a de sair sem o uso de máscaras. / Para que essas medidas tivessem resultado, não bastou pedir à população para mudar de comportamento. Os governos instituíram multas, caso as obrigações fossem descumpridas. Dessa forma, a população teve uma mudança de incentivos. MERCADOS: INTERAÇÕES ENTRE INDIVÍDUOS Uma economia é um sistema que coordena a produção de muitos agentes. Em uma economia de mercado, essa coordenação ocorre sem centralização: cada indivíduo toma sua própria decisão. Todavia, as decisões individuais não são independentes, pois dependem das decisões dos demais. Portanto, para compreendermos como funciona uma economia de mercado, precisamos entender a interação entre as escolhas individuais. O resultado da escolha de diversas pessoas pode ser bem diferente daquilo que os indivíduos esperariam. O uso de novas técnicas agrícolas é um exemplo. / Alguns agricultores, ao adotarem novas tecnologias, tiveram uma produção tão grande que o resultado foi uma redução do preço do produto, que fez com que diversos produtores saíssem do mercado. Enquanto a escolha individual possui quatro princípios, a interação entre indivíduos em uma economia de mercado possui cinco: 1. GANHOS DE COMÉRCIO. 2. MOVIMENTAÇÃO DOS MERCADOS EM DIREÇÃO AO EQUILÍBRIO. 3. USO EFICIENTE DOS RECURSOS PARA O ALCANCE DOS OBJETIVOS DA SOCIEDADE. / 4. MERCADOS RUMO À EFICIÊNCIA. 5. AÇÃO GOVERNAMENTAL EM PROL DO AUMENTO DE BEM-ESTAR. GANHOS DE COMÉRCIO Os economistas consideram que o comércio, ou a possibilidade de trocas entre indivíduos, é uma ferramenta importante para melhorar a situação de uma sociedade. Suponha que uma pessoa tente suprir sozinha todas as suas necessidades. Ela produz seus tecidos, costura suas roupas, planta seu alimento, pinta seus próprios quadros e constrói sua própria casa. Deve ser possível viver dessa forma, mas parece uma vida bastante dura. A existência do comércio torna possível que as pessoas dividam tarefas entre si e ofertem bens ou serviços demandados por outras pessoas em troca de bens e serviços que ela deseja. Na maioria das sociedades, há poucos indivíduos tentando viver de forma autossuficiente, porque existem ganhos de comércio. Duas pessoas, ao trocar e dividir, podem obter aquilo que mais desejam. Pode ser que Gabriel seja melhor que Rafael na cozinha, e que Rafael seja melhor na faxina. Isso permite que Gabriel seja o responsável pela comida e atroque com Rafael por faxina. / Os ganhos de comércio são oriundos dessa divisão de tarefas, conhecida como especialização: cada indivíduo se ocupa de poucas atividades. Os mercados permitem que uma pessoa se especialize, pois sabem que podem encontrar os bens e serviços que desejam e trocar com outras pessoas. EXEMPLO Moeda e suas funções Moeda é costuma ser definida como qualquer ativo que pode ser utilizado facilmente para comprar bens e serviços. Um ativo é líquido quando pode ser convertido em dinheiro vivo de forma simples. Portanto, moeda consiste no próprio dinheiro vivo, que é, por definição, líquido (ou, então, em outros ativos altamente líquidos). A moeda tem papel fundamental em uma economia, pois gera ganhos de comércio. Isso é possível porque a moeda permite que trocas indiretas sejam realizadas, acabando com problema da dupla coincidência de necessidades que ocorria em um sistema de escambos. A moeda tem três funções: 1. Meio de troca – pois cumpre o papel de um ativo que as pessoas utilizam para trocar bens e serviços. 2. Reserva de valor – pois é uma forma de guardar poder de compra ao longo do tempo. 3. Unidade de conta – que representa uma medida que as pessoas utilizam para fixar preços e fazer cálculos econômicos. MOVIMENTAÇÃO DOS MERCADOS EM DIREÇÃO AO EQUILÍBRIO Aprendemos que há um princípio afirmando que as pessoas aproveitam oportunidades de melhorar sua situação. Por exemplo, quando vamos à praia, buscamos um pedaço de areia que tenha menos gente para nos instalarmos. No verão, não restam muitos espaços vazios. Isso acontece porque as / pessoas buscam explorar as oportunidades para melhorar de situação. Conforme as pessoas vão chegando à praia, elas buscam o local mais vazio, até não haver mais locais vazios: todas as oportunidades de melhoria acabam, pois já foram exploradas. Os economistas chamam de equilíbrio uma situação em que os indivíduos não podem melhorar, fazendo, individualmente, algo diferente. Uma economia está em equilíbrio quando nenhum indivíduo pode melhorar sua situação adotando uma ação diferente. Os mercados, normalmente, alcançam o equilíbrio por meio da mudança de preços, que aumentam ou diminuem, até que todas as oportunidades para melhorar a situação individual tenham se esgotado. Portanto, cada vez que houver uma mudança, a economia se moverá em direção a um novo equilíbrio. USO EFICIENTE DOS RECURSOS PARA O ALCANCE DOS OBJETIVOS DA SOCIEDADE O que importa para economistas não é o dinheiro, mas o bem-estar das pessoas em uma sociedade. Os recursos de uma economia são usados de forma eficiente quando todas as oportunidades de melhorar a situação de cada um são exploradas por completo. Uma economia é eficiente quando utiliza todas as oportunidades de melhorar a situação de uma pessoa sem piorar a de outras. Por exemplo, Mariana mora na zona rural e planta hortaliças. Contudo, sua terra é pequena, e sua plantação está morrendo por falta de espaço. Por sua vez, Pedro, vizinho de Mariana, é proprietário de um latifúndio, e não usa a terra para nada. Claramente, a terra dessa economia está sendo usada de forma ineficiente. Há uma maneira de melhorar a situação de todos, transferindo a plantação de hortaliças de Mariana para as terras de Pedro. O exemplo é fictício. Embora essa situação ocorra na vida real, não é simples de resolver ineficiências dessa forma, uma vez que existe propriedade privada, e, para isso, o estado deveria realizar uma reforma agrária. / Quando uma economia está operando de forma eficiente, os ganhos oriundos do comércio são maximizados, dados os recursos disponíveis. Quando uma economia é eficiente, a única maneira de melhorar a situação de uma pessoa é piorando a de outra: ou seja, já esgotamos os ganhos de troca. Dado que eficiência é algo ótimo, ela deveria ser o único objetivo em uma economia? A resposta é não. Eficiência não é o único critério que importa. Equidade e justiça também são critérios relevantes. Em geral, há um trade-off entre eficiência e equidade, uma vez que políticas que almejam a equidade, muitas vezes, alcançam-na às custas da eficiência. Considere, por exemplo, a política de assentos preferenciais. Para assegurar que sempre haja assento disponível para grávidas, deficientes, idosos e pessoas com crianças de colo, normalmente, há um número reservado de vagas no transporte público. Muitas vezes, esses assentos ficam vagos, enquanto algumas pessoas ficam em pé. Isso gera ineficiência, mas será que gostaríamos de resolver essa ineficiência deixando as pessoas do grupo preferencial sem assento? Essa situação envolve um trade-off entre eficiência e justiça. MERCADOS RUMO À EFICIÊNCIA Frequentemente (mas não sempre), os mercados levam à eficiência. Normalmente, não temos um “planejador central” que se certifica de que a economia esteja operando de forma eficiente. O Estado não precisa gerar eficiência, porque os mercados já cumprem essa função razoavelmente bem. Como veremos no próximo módulo, Adam Smith chama isso de “mão invisível do mercado”. Assim, os incentivos presentes em uma economia de mercado já garantem que os recursos sejam utilizados da melhor maneira possível, sem que haja desperdício de oportunidades. Contudo, há exceções para esse princípio. Quando temos falhas de mercado, a busca individual a partir do interesse próprio piora a situação da sociedade, e o resultado é ineficiente. Isso acontece, em geral, quando a ação individual de uma pessoa tem efeitos colaterais sobre outras pessoas, o que os economistas chamam de externalidade. javascript:void(0) / Fonte: Shutterstock Adam Smith ADAM SMITH (1723-1790) Filósofo e economista inglês considerado por muitos o pai da economia moderna. Poluição é um exemplo clássico de externalidade negativa. AÇÃO GOVERNAMENTAL EM PROL DO AUMENTO DE BEM-ESTAR Quando há falhas de mercado, é possível que ações governamentais melhorem o bem-estar da sociedade. Considere uma indústria que produz algo importante, mas gera poluição (por exemplo, usinas termoelétricas que geram energia, mas são muito poluentes). Essa indústria não tem incentivo para levar em conta o custo de sua ação para a sociedade e deixar de produzir poluição. / RESPOSTA 1 RESPOSTA 2 RESPOSTA 1 A sociedade pode subsidiar a adoção de uma nova tecnologia que gere menos poluição. RESPOSTA 2 O governo pode multar a indústria. Essas soluções mudam os incentivos da indústria, dando a ela motivos para poluir menos. No entanto, as possíveis soluções vão depender da intervenção do Estado. Assim, quando os mercados não funcionam corretamente, a ação do governo pode tornar o resultado mais próximo de algo eficiente, mudando a forma de alocar recursos na sociedade. Em geral, o mercado não funciona corretamente quando há externalidades. Também há uma falha quando o bem em questão não consegue ser eficientemente administrado pelo mercado. Por exemplo, vamos pensar na iluminação pública. Não precisamos pagar para passar sob um poste de luz na rua, o que diminui o incentivo a contribuir para a provisão do serviço. Esse último caso é conhecido como bem público. Por fim, alguns agentes econômicos podem ter poder de mercado, como uma firma monopolista, que poderá restringir o uso de recursos por outros indivíduos para maximizar seu lucro individual. SAIBA MAIS Variáveis endógenas e exógenas javascript:void(0) javascript:void(0) / O objetivo de um modelo econômico é demonstrar como as variáveis exógenas afetam as endógenas. As variáveis endógenas são aquelas que o modelo tenta explicar. Já as variáveis exógenas são as que o modelo toma como dadas. As variáveis exógenas são determinadas fora do modelo, servindo como insumo, enquanto as endógenas são determinadas dentro do modelo: são seu resultado. A figura a seguir representa um esquema mais intuitivo para essas variáveis: Variáveis Exógenas MODELO ECONÔMICO Variáveis Endógenas Considere um produtor de cogumelos. A demandapor seus cogumelos vai depender de seu preço e da renda dos consumidores. A oferta, por sua vez, vai depender dos preços do cogumelo e dos insumos utilizados na produção. O equilíbrio acontece quando oferta e demanda se igualam. Nesse caso, as variáveis exógenas são a renda individual e o preço dos insumos, e a variável endógena será o preço do cogumelo. VERIFICANDO O APRENDIZADO / 1. MARCELA PODE VIAJAR DO RIO DE JANEIRO PARA SÃO PAULO DE ÔNIBUS OU DE AVIÃO. A VIAGEM DE ÔNIBUS CUSTA R$100,00 E DURA 6 HORAS. A VIAGEM DE AVIÃO CUSTA R$200,00 E DURA 1 HORA. ENQUANTO ESTÁ VIAJANDO ― DE ÔNIBUS OU DE AVIÃO ―, MARCELA NÃO PODE TRABALHAR E DEIXA DE GANHAR R$30,00 POR HORA. FAÇA UMA ANÁLISE ECONÔMICA DA SITUAÇÃO E ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA: A) A viagem de ônibus é mais barata. Portanto, Marcela deve ir de ônibus. B) O custo total da viagem de avião é menor do que o da viagem de ônibus. C) O custo total da viagem de avião é de R$230,00. D) O custo total da viagem de ônibus é de R$280,00. 2. SOBRE A ECONOMIA DE MERCADO, ASSINALE A RESPOSTA CORRETA: A) Os mercados são sempre eficientes. B) Os recursos de uma economia são usados de forma eficiente, ainda que haja oportunidade de melhorar a situação de cada indivíduo. C) Há um dilema entre eficiência e equidade. D) Um mercado está em equilíbrio quando os agentes econômicos querem mudar de comportamento. GABARITO 1. Marcela pode viajar do Rio de Janeiro para São Paulo de ônibus ou de avião. A viagem de ônibus custa R$100,00 e dura 6 horas. A viagem de avião custa R$200,00 e dura 1 hora. Enquanto está viajando ― de ônibus ou de avião ―, Marcela não pode trabalhar e deixa de ganhar R$30,00 por hora. Faça uma análise econômica da situação e assinale a alternativa incorreta: A alternativa "A " está correta. / Viajar de ônibus tem um custo monetário menor do que viajar de avião, mas devemos levar em conta o custo de oportunidade. Ao optar pelo ônibus, Marcela gastará R$100,00 e perderá R$180,00 (= R$30,00 x 6 horas). Dessa forma, o custo real para Marcela ir de ônibus é de R$280,00. Ao optar por viajar de avião, Marcela pagará R$200,00 pela passagem e perderá R$30,00 pela hora de viagem. Assim, o custo real para a viagem de avião é de R$230,00, enquanto o custo total para a viagem de ônibus é R$ 280,00. Em outras palavras, o custo real da viagem de ônibus é maior do que da viagem de avião. 2. Sobre a economia de mercado, assinale a resposta correta: A alternativa "C " está correta. Vamos analisar as alternativas: A) A alternativa está incorreta. Embora os mercados sejam frequentemente eficientes, na presença de externalidades, bens públicos ou poder de mercado, eles falham. B) A alternativa está incorreta. Por definição, eficiência é uma situação em que não há possibilidade de melhorar a situação de uma pessoa sem piorar a de outra. Portanto, a alterativa está incorreta. C) A alternativa está correta. Embora eficiência seja um conceito com o qual os economistas se preocupam, existem outros extremamente relevantes, como justiça e equidade. No geral, há um dilema entre justiça e eficiência, uma vez que diversas situações justas podem ser ineficientes, como o exemplo do assento preferencial. D) A alternativa está incorreta. Por definição, um mercado está em equilíbrio quando os seus participantes não podem melhorar mudando individualmente suas ações. MÓDULO 2 Descrever uma breve história do pensamento econômico ORIGEM DA CIÊNCIA ECONÔMICA No módulo anterior, falamos sobre a Economia enquanto ciência contemporânea. Mas até se tornar o que é hoje, a ciência econômica passou por diversas transformações. Não há / consenso a respeito de quando o pensamento econômico começou. Embora a maior parte das pessoas só tenha ouvido falar de Economia enquanto ciência a partir de Adam Smith, pode-se argumentar que, nas formas mais rudimentares de civilização, já existia algum tipo de pensamento econômico, partindo do pressuposto de que seres racionais já se preocupavam com seu sustento. É ingênuo pensar que uma civilização antiga como a egípcia, que era caracterizada pela produção e distribuição de parte dos recursos, não tenha desenvolvido algum tipo de ideias econômicas, especialmente quando se considera a existência de comércio (em forma de troca) com outras nações e a propensão egípcia a manter registros escritos. Na Grécia Antiga, Platão já contribuía para o pensamento econômico tocando alguns conceitos como a divisão do trabalho, a teoria da moeda, a produção como base da riqueza do Estado (na época, Cidade-Estado) e até a propriedade comum. Seu discípulo Aristóteles também contribuiu no campo, sistematizando sua teoria, mas se opunha a seu mestre no tópico da propriedade comum. / Fonte: Shutterstock A Idade Média representa um período de transformações na estrutura da sociedade, e grandes transformações costumam vir acompanhadas de novas ideias. Seguindo a queda do Império Romano, cuja economia era escravocrata e latifundiária, o período deu origem à forma de organização econômica conhecida como feudalismo. Trabalho e terra passaram a ser transferidos, e não mais vendidos. O feudalismo sofreu muitas transformações ao longo da Idade Média, atingindo seu auge por volta do século X. O desenvolvimento de novas técnicas agrícolas aumentou a produtividade das terras, e a Europa vivenciou um período de estabilidade que permitiu o crescimento populacional e a formação de cidades. Essa combinação de fatores deu origem ao mercador independente. A Igreja Católica se tornou a instituição dominante na Europa, e, portanto, quase todos os acadêmicos e escritores ocidentais do período eram clérigos. ESCOLÁSTICOS Nos primeiros anos da Idade Média, os escritores cristãos tinham uma abordagem puramente ética do estudo econômico. Sua aversão ao comércio e à propriedade baseava-se na convicção de que a busca pela riqueza os desviaria do “caminho da graça”. / Os estudiosos da economia medieval ficaram conhecidos como escolásticos, e seu principal expoente foi Tomás de Aquino. Aquino buscou assimilar a filosofia aristotélica ao Cristianismo. Recorrendo aos argumentos éticos e econômicos de Aristóteles, ele pôde justificar a propriedade privada defendendo obrigações para o proprietário individual, desde que atendesse aos interesses da comunidade. Ele desenvolveu ideias a respeito do valor de um bem, introduzindo uma teoria do salário justo e do preço justo, esboçando uma noção de justiça distributiva e condenando a cobrança dos juros e da usura (Empréstimo de dinheiro a juros) . Seus interesses chegavam à Economia somente a partir de questões morais e éticas, não tratando, dessa maneira, os assuntos econômicos como um fim em si. Fonte:Shutterstock Tomás de Aquino Dentre as principais contribuições dos escolásticos para o pensamento econômico, podemos citar dois elementos: uma ênfase na utilidade como principal fonte de valor e a noção de preço justo. Esse período é considerado como a pré-história do pensamento econômico e começou a desaparecer no século XVI com a Revolução Científica que se iniciou na Europa. O Renascimento deixava suas marcas no pensamento das ciências naturais e políticas, e influenciaria diretamente no desenvolvimento do pensamento econômico. / SURGIMENTO DA ECONOMIA POLÍTICA As bases para o capitalismo industrial moderno também haviam sido estabelecidas. A classe mercantil enriqueceu, a aristocracia e o clero começaram a perder influência, a expansão do comércio proporcionou o surgimento de centros comerciais e industriais, e universidades foram criadas. A esfera de produção se transformou, com os comerciantes deixando de ser apenas fornecedores de matérias-primas e se tornando também detentores de meios de produção e empregadores de mão de obra. A alta inflação vigente na Europa no período também influenciou o pensamento econômico. Nesse período pré-mercantilismo, Jean Bodin esboçou a primeira teoria quantitativa da moeda, em sua Respostaaos Paradoxos de Malestroit (Réponseaux Paradoxes de M. de Malestroit, 1568), afirmando que a principal causa do aumento dos preços era o aumento do ouro e da prata em circulação. A revolução cultural e científica proporcionou a ascensão de uma abordagem de pensamento secular no lugar da religiosa. No campo da Economia, não foi diferente: ela passou a se emancipar da ética e da filosofia política. Fonte: Shutterstock Jean Bodin / Influenciados pelo crescimento dos Estados-Nação e pelos trabalhos de pensadores como Maquiavel, Hobbes e Locke, o pensamento econômico deixou de se preocupar apenas com o comportamento de agentes econômicos individuais e passou a examinar também o Estado. Assim, foram estabelecidos os pilares para o pensamento econômico moderno. Emergiu uma nova disciplina como ciência: a Economia Política, cujo objeto de estudo era a atividade pública, tratando da acumulação e do gerenciamento da riqueza, a fim de aumentar a eficiência do Estado. Agora, o conhecimento passava a ser baseado nos aspectos individuais e empíricos dos objetos. Sir William Petty é considerado um dos pais da economia política moderna, pois foi um defensor e expoente do método empírico e quantitativo. MERCANTILISTAS Uma segunda fase de transformações ocorreu durante o Mercantilismo. No campo do pensamento econômico, foram propostas ideias de um sistema comercial restritivo com o objetivo de aumentar a prosperidade econômica de uma nação. Os pensadores do período podem ser divididos entre bullionistas (ou metalistas) e, propriamente, mercantilistas. O primeiro grupo (bullionistas ou metalistas) defendia a regulamentação do câmbio. Por não entenderem a teoria do comércio internacional, enxergavam qualquer saída de metais preciosos como uma desvantagem. Desse modo, advogaram pela proibição da exportação de qualquer espécie que tivesse como consequência a saída de ouro e prata da nação, assim como a proibição de importações, especialmente de mercadorias de luxo, que envolviam pagamentos na forma de metais preciosos. Em contrapartida, defendiam a exportação de mercadorias, como bens manufaturados, cujos pagamentos significavam a entrada de metais preciosos em seus países. O segundo grupo (mercantilistas) acreditava que havia a necessidade de incentivar a troca de mercadorias, buscando alcançar uma balança comercial favorável, isto é, o país deveria exportar mais do que importar. Ficou claro que a Economia passara a ser Política, influenciada por um envolvimento maior do Estado. A nação passou a ser vista como uma grande empresa comercial, o que acarretou a / defesa e a adoção de políticas protecionistas. Em geral, o pensamento mercantilista dialogava com o poder do Estado, com ideias de unidade nacional, e seus objetivos eram identificados com a riqueza de uma nação. Fonte: Shutterstock Thomas Mun ATENÇÃO Algumas teorias sobre a conceituação do valor e teorias monetárias sobre o papel dos juros na economia também foram esboçadas nessa época. Os principais contribuintes para o pensamento econômico da época são: Thomas Mun, Antonio Serra e Edward Misselden. Contudo, a posição teórica mercantilista foi se tornando inadequada frente à acumulação capitalista e seu controle sobre a produção, com a difusão do comércio e da competição, que resultaram em uma queda dos lucros. Nasceu uma classe capitalista de mestres artesãos que controlavam a produção, em conflito com os interesses dos comerciantes. Essas mudanças foram acompanhadas por uma mudança radical na maneira de conceber os fatos econômicos. A intervenção do Estado na economia passou a ser vista com suspeita, e a ideia de que o lucro se originava na esfera de produção começou a se disseminar. Para prosperar, a nova classe de empresários capitalistas precisava abrir mão dos laços morais e ideológicos tradicionais. A partir do final do final do século XVII, a celebração do individualismo, em conjunto com o desenvolvimento da ética protestante, legitimou a usura e a atividade econômica. / Entre os economistas da época, começou a se disseminar a noção de que restrições administrativas na produção criavam mais desvantagens do que vantagens para a coletividade. Passaram a defender a intervenção do Estado apenas no reconhecimento e na proteção ao direito de propriedade. Os autores desse período foram os precursores da Economia Política Clássica. PRECURSORES DA ECONOMIA POLÍTICA CLÁSSICA Influenciados pela Política Aritmética de Sir William Petty, publicada em 1690, que marcou o início do pensamento precursor da economia política clássica, iniciou-se uma crítica ao pensamento mercantilista prévio. Dudley North e Mandeville atacaram o protecionismo do Estado e defenderam o livre comércio. A ênfase mercantilista em uma balança comercial positiva também foi criticada: o comércio internacional não poderia ser uma fonte de perda para nenhuma das partes, uma vez que, sendo uma atividade voluntária, não ocorreria em primeiro lugar se não gerasse ganhos para todos. A teoria também avançou em outros aspectos. Richard Cantillon propôs que a terra era a principal fonte de riqueza, e que essa riqueza seria produzida com o poder do trabalho empregado. Além disso, distinguiu o valor intrínseco do valor de mercado dos bens, o que foi considerado um esboço da teoria de preço e custo. Na França do final do século XVIII, os conceitos pós-mercantilistas foram sofisticados por um grupo de pensadores que ficaram conhecidos como fisiocratas, encabeçados por François Quesnay. As principais contribuições da escola fisiocrata para o pensamento econômico moderno consistem na rejeição do conceito mercantilista de riqueza por meio da troca e no reconhecimento da produção como fonte de riqueza, na invenção do termo e da política do laissez faire, laissez passer, e no Tableau Economique (1759), principal obra de Quesnay. Interessado em transformar o setor agrícola em indústria capitalista eficiente, o autor apresentou um modelo quantitativo da produção de mercadorias. Ao fazer uma distinção entre / trabalho produtivo e improdutivo, apontou uma fonte de riqueza no excedente que a terra é capaz de produzir, que seria advinda do fato de que nela se produz mais do que se consome. Quesnay foi precursor da acumulação de capital. Seu trabalho também traz a ideia de interdependência entre os setores da economia e a inovadora representação de trocas como um fluxo circular de dinheiro e bens. Desse modo, os fisiocratas foram os primeiros a tentar analisar, de maneira sistemática, a circulação da riqueza na economia. O filósofo David Hume também fez valiosas contribuições ao pensamento econômico. Embora não tenha estruturado suas ideias de maneira sistemática, como os pensadores que viriam a posteriori, suas obras tiveram grande influência na filosofia geral encontrada posteriormente no trabalho de Adam Smith. Fonte:Shutterstock David Hume Suas principais ideias econômicas envolviam o destaque ao trabalho, bem como a atenção a oscilações e mudanças na economia, e apontaram a inter-relação de fatos econômicos com outras forças sociais. Na parte monetária, descreveu o mecanismo pelo qual uma mudança na quantidade de moeda em circulação alteraria o valor do dinheiro na economia ― assunto debatido até hoje. ECONOMIA POLÍTICA CLÁSSICA / Economia clássica é o nome dado ao sistema de teoria econômica que foi desenvolvido a partir do final do século XVIII, iniciado com a publicação do livro Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações, mais conhecido simplesmente por A Riqueza das Nações, de Adam Smith, em 1776. Mas o que torna sua obra tão importante? A teoria clássica proposta nesse período contrastou fortemente com as tendências anteriores do pensamento econômico. Embora tenham assimilado diversos conceitos estabelecidos por seus antecessores, os clássicos identificaram falhas em todas as soluções propostas previamente para os problemas econômicos. Uma das principaisdiscrepâncias é que os clássicos viam como positivos os resultados que decorriam naturalmente das forças econômicas. Nesse período, surgiu a noção de uma “mão invisível do mercado”, de forças que naturalmente convergiriam para um equilíbrio eficiente, sem necessidade de intervenção estatal. A visão clássica de um sistema econômico harmonioso destoava das crenças mercantilistas e escolásticas de que o mercado era caracterizado por desequilíbrios que exigiam intervenções e restrições. Essa visão otimista do funcionamento dos mercados é um dos principais traços do pensamento clássico. Outra característica é seu interesse no crescimento econômico. Essa preocupação os levou a estudar os mercados e o sistema de preços sob a ótica da alocação de recursos. Os economistas clássicos estudaram a formação de mercados e preços relativos para entender seu impacto no crescimento econômico. Teóricos e suas contribuições. ADAM SMITH Um dos principais diferenciais de Adam Smith em relação aos autores que lhe antecederam foi o fato de que ele se empenhou em construir sua teoria de forma sistemática. Em A Riqueza das Nações, ele lançou as bases da teoria econômica clássica de livre mercado. Suas principais contribuições para o campo do pensamento econômico envolvem o desenvolvimento do conceito de divisão do trabalho e a exposição de que o interesse individual racional e a concorrência podem conduzir ao desenvolvimento econômico. Além disso, suas obras também tocaram temas como a teoria do valor, passando por conceitos de excedente, teoria dos salários e distribuição. Os escritos de Smith tocaram uma infinidade de temas, uma vez que a Macroeconomia da época se preocupava com um escopo mais amplo dos determinantes do crescimento ― não apenas com fatores econômicos, mas com fatores culturais, políticos, sociológicos e históricos. / THOMAS MALTHUS Thomas Malthus, mais conhecido por sua teoria da população, também contribuiu para o pensamento clássico. Em suas obras, discorreu sobre distribuição de renda e consumo improdutivo, e apontou os riscos de uma crise de superprodução frente à falta de demanda ― ideia que foi retomada por Keynes quase um século depois. DAVID RICARDO E JOHN STUART MILL David Ricardo, seu contemporâneo, acrescentou à teoria econômica a noção de que há ganhos na troca internacional para as duas partes que estão comercializando, mesmo que uma seja mais competitiva que a outra. Em outras palavras, mesmo que uma das partes consiga produzir mais de todos os bens com a mesma quantidade de recursos, é economicamente vantajoso para as duas partes comercializar bens. Essa ideia foi aprimorada posteriormente por John Stuart Mill sob a forma de vantagens comparativas. Os escritos de Ricardo trataram de muitos outros tópicos, como as teorias do valor, dos salários, lucros e aluguel, da acumulação, do desenvolvimento econômico e de moeda e bancos. Ricardo também levantou a questão sobre as leis naturais que determinariam a distribuição do produto entre as classes da sociedade. Foi ainda nesse período que as noções de utilitarismo começaram a ser desenvolvidas, sendo posteriormente incorporadas à teoria econômica. O utilitarismo, de maneira geral, afirma que ações que maximizam felicidade e bem-estar são boas, e que a utilidade é uma propriedade de um bem ou objeto capaz de produzir um benefício ou prazer. PENSAMENTO ECONÔMICO SOCIALISTA / O período em que se desenvolveu a escola clássica de pensamento econômico foi ao mesmo tempo uma época de crescimento econômico e desenvolvimento teórico, e de intenso conflito entre as classes de trabalhadores e capitalistas. O fim das guerras napoleônicas, o movimento trabalhista que se desenvolveu a partir do ludismo e as revoluções de 1848 influenciaram as correntes de pensamento do período. Enquanto para os economistas clássicos como Smith, Ricardo e Mill, o capitalismo significava uma expansão da produção, aumento da riqueza e troca econômica entre as nações, outros não viam esse sistema econômico com o mesmo entusiasmo. Malthus já apresentava uma visão mais pessimista, argumentando que, nesse sistema, não seria permitido ao trabalhador receber mais que um salário de subsistência ― uma crença compartilhada por Ricardo e alguns outros economistas clássicos. A derrota da classe trabalhadora no movimento de 1848 encerrou um ciclo de luta que havia durado mais de 30 anos e inaugurou uma fase de hegemonia cultural burguesa e crescimento econômico. Para os trabalhadores da época, essa fase inicial do capitalismo significava arcar com os custos da expansão da produção: condições perigosas ou insalubres de trabalho, desemprego e longas horas de trabalho duro. O contexto era terreno fértil para o surgimento de novas ideias. Duas escolas de pensamento se opuseram à ordem social e econômica vigente: Escola Histórica Alemã – crítica radical da economia política clássica; Movimento Socialista – que culminou no pensamento social e econômico revolucionário conhecido como marxismo. Nesse período, muitas teorias socialistas novas e alternativas foram elaboradas, destacando- se a grande síntese da crítica de Marx à Economia Política Clássica. Embora Marx reconhecesse os méritos científicos dos grandes economistas clássicos ingleses, considerava a economia política clássica como uma expressão teórica da burguesia no período em que o capitalismo se afirmava. / Fonte: Shutterstock Karl Marx Marx desenvolveu sua teoria com forte ênfase no conflito de classes, acusando a burguesia de cooptar as necessidades de toda a sociedade para combater a aristocracia e, depois, estabelecer-se como classe dominante, apresentando seus interesses próprios como coletivos e o espírito da acumulação privada de capital como instrumento para fazer crescer a riqueza nacional. Segundo a crítica de Marx, o sistema teórico clássico se baseou na análise de classe sociais, até que essa análise deixasse de ser útil, ou seja, quando a burguesia alcançasse o poder ― momento em que as teorias de harmonia de interesses e de fatores produtivos se tornaram mais úteis. Nesse sentido, a herança científica da economia política clássica estava comprometida e deveria passar, agora, aos economistas socialistas. Marx buscou identificar os limites da economia política clássica, a fim de criticá-la. Ele diferiu desse grupo de economistas quanto ao pano de fundo filosófico: Marx não era utilitário, empirista ou baseado em leis naturais da Filosofia. Dentre as críticas feitas por Marx aos economistas clássicos, três se sobressaíram, listando a incapacidade dos clássicos de: 1 Explicar a natureza do lucro e do capital. 2 / Reconhecer o caráter histórico do capitalismo. 3 Reconhecer o caráter exploratório do modo de produção capitalista ― o que os levou a focar sua atenção nas relações de troca em vez da produção. REVOLUÇÃO MARGINALISTA OU UTILITARISTA O final do século XIX testemunhou o nascimento da teoria microeconômica moderna. Essa época foi marcada pela elaboração de um conjunto de ferramentas analíticas que transformaram a economia clássica em neoclássica. A análise marginal, hoje presente nos livros-texto de Microeconomia, pode ser considerada a mais importante dessas ferramentas. A Matemática foi incorporada de maneira definitiva na análise econômica. ATENÇÃO Jevons, Menger e Walras são alguns dos principais nomes associados a essa mudança radical na forma de conceber a teoria econômica. À medida em que a teoria marginalista se desenvolveu, a estrutura da teoria econômica se modificou, de modo a elaborar um sistema muito diferente do exposto pela economia clássica. O interesse no crescimento econômico dos economistas clássicos deu lugar ao interesse na alocação dos recursos. O centro do sistema neoclássico girava em torno do problema da alocação de recursos escassos, dados os seus possíveis usos alternativos. Os marginalistas aceitavam a abordagem utilitarista e, a partir dela, reformularam a análise docomportamento humano, que foi construído a partir de cálculos racionais, visando à maximização da utilidade individual. Isso revela outra face distinta da abordagem neoclássica! / A mudança no agente econômico como objeto de análise. Os clássicos tinham como objeto principal agentes econômicos coletivos, como as classes sociais e o governo. Os marginalistas, por sua vez, se concentravam em agregados sociais mínimos: a unidade tomadora de decisão, como consumidores, famílias ou firmas. ORTODOXIA NEOCLÁSSICA A revolução marginalista se espalhou pelo mundo ocidental, impactando significativamente o pensamento econômico. No contexto político-econômico, a Europa Ocidental experimentava um momento de desenvolvimento industrial e capitalista. Em conjunto, esses fatores estabeleceram as bases para a economia neoclássica. Alfred Marshall foi um matemático que ofereceu uma enorme contribuição ao pensamento econômico com a publicação de seu livro Princípios de Economia (1890). Sua obra pode ser entendida como uma reformulação geral da teoria econômica produzida até então, sintetizando a análise clássica e a abordagem marginalista de custo e utilidade, elaborando um mecanismo de análise econômica. Uma de suas principais contribuições ao campo foi sua análise de equilíbrio parcial, que conseguiu unir várias partes da teoria econômica, até então analisadas separadamente. Marshall fez a importante distinção entre os períodos da economia, diferenciando o curto do longo prazo. Ele introduziu e aprimorou uma série de conceitos que são utilizados na análise econômica, desde propriedades da curva de demanda, distinção de retornos crescentes e decrescentes, e maximização do bem-estar – temas abordados até hoje em cursos de Economia. / Fonte: Shutterstock Alfred Marshall VOCÊ SABIA O americano Irving Fisher também utilizou a Matemática de forma extensiva em sua análise econômica. No entanto, seu trabalho estava voltado para a Macroeconomia. Ele propôs a versão mais conhecida da equação quantitativa da moeda, e sua contribuição central para a teoria econômica foi a teoria sobre juros – há até uma Equação de Fisher, batizada em sua homenagem. / ECONOMIA KEYNESIANA A Primeira Guerra Mundial foi um conflito de dimensões até então desconhecidas pela humanidade. Na esfera econômica, seus impactos envolveram a interrupção do comércio e de pagamentos internacionais, e levaram governos a realizar intervenções econômicas até então inimagináveis. Foi feita uma produção de larga escala para atender necessidades de guerra, gerando enormes dívidas nacionais. O grau de profundidade das crises vivenciadas no período entre guerras não tinha precedentes. Eclodiu a crise econômica de 1929. O desemprego atingiu níveis recordes e se tornou persistente. O descontentamento social não tardou a aparecer, e a tradição clássica ortodoxa de pensamento econômico não estava preparada para lidar com essa situação. O pensamento neoclássico havia se estruturado em torno da Lei de Say, que previa que o pleno emprego era o estado normal de funcionamento da economia. Se houvesse um afastamento do nível de emprego considerado normal, não seria de grande magnitude, e o próprio sistema econômico providenciaria uma resposta que faria o emprego retornar ao seu nível normal. No entanto, a realidade parecia bastante distante do que previa o pensamento econômico. Não apenas a ociosidade na força de trabalho e da capacidade da indústria alcançaram proporções incomuns, como também havia poucos indícios de que a situação estava caminhando para se corrigir. Apesar da enorme distância entre as premissas neoclássicas e os eventos do mundo real, os economistas neoclássicos ofereciam uma justificativa para essas supostas anormalidades no funcionamento da economia. A persistência dos altos níveis de desemprego poderia ser explicada pela rigidez no sistema econômico, que paralisava o mecanismo de ajuste natural. Segundo eles, a inflexibilidade dos salários, causada, principalmente, pela estrita adesão ao salário mínimo por influência dos sindicatos, não permitia que a economia seguisse sua trajetória natural. Do contrário, se os salários baixassem, empregadores contratariam mais trabalhadores, e a economia voltaria ao nível de pleno emprego. No início do século XX, a análise econômica retomou o interesse dos economistas clássicos em economia agregada, ou seja, nas teorias macroeconômica e monetária. John Maynard Keynes, um economista britânico, revolucionou as esferas acadêmica e política com as ideias que propôs em seu livro A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. O / pensamento keynesiano, com ênfase na política fiscal, foi tão influente que dominou a política econômica dos EUA e de diversas outras nações ocidentais do período. De certa forma, as ideias de Keynes se assemelham em vários aspectos às escolas que antecederam os economistas clássicos – a mercantilista e a fisiocrata. A ideia de que a poupança tende a causar baixo consumo e depressão econômica, interrompendo o fluxo circular da renda, já havia sido apontada por economistas anteriores a Adam Smith e seus seguidores. Keynes também rompeu com a escola clássica em sua descrença na Lei de Say: à diferença dos clássicos, ele não acreditava que a oferta cria sua própria demanda. Dentre as principais ideias expressas em sua Teoria Geral, estão: 1 A teoria da preferência pela liquidez ― que ofereceu uma explicação para os determinantes da taxa de juros sob a ótica do mercado de moeda. 2 A teoria da demanda efetiva. 3 A noção de um efeito multiplicador na economia ― devido ao componente do consumo na renda. 4 A relação entre poupança e investimento. Boa parte desses conceitos está presente nos cursos contemporâneos de Macroeconomia. As ideias desenvolvidas por Keynes representaram uma mudança na meta da política pública: de estabilização dos preços para manutenção do nível de renda e emprego em valores altos. ECONOMIA DEPOIS DE KEYNES Entre as décadas de 1940 e 1970, muitos economistas aprimoraram as ideias de Keynes, enquanto alguns se opuseram a elas. / A influência mais importante do trabalho de Keynes foi sua incorporação em forma de síntese na estrutura geral de princípios econômicos aceitos. Uma das maiores contribuições nesse aspecto foi o livro Fundamentos da Análise Econômica (1947), de Paul Samuelson. Essa obra explicava as ideias e os princípios do pensamento econômico em conjunto com os princípios ortodoxos dos economistas neoclássicos. Outros, no entanto, discordavam de Keynes, como Milton Friedman, um grande defensor da eficiência dos mercados e da interferência mínima dos governos. Uma de suas maiores contribuições para a economia foi sua teoria da renda permanente. No período subsequente, durante as décadas de 1970 e 1980, outras teorias ganharam força: a teoria das expectativas racionais, de Robert Lucas, e as ideias da economia pelo lado da oferta. Ambas as teorias se utilizam das premissas neoclássicas básicas e desafiam as proposições teóricas da economia keynesiana. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. SOBRE A ECONOMIA POLÍTICA CLÁSSICA, É FALSO AFIRMAR QUE: A) A teoria clássica contrasta fortemente com as tendências anteriores do pensamento econômico. B) Adam Smith foi o primeiro a escrever um livro sobre teoria econômica. C) David Ricardo acrescentou à teoria econômica a noção de que há ganhos na troca internacional para as duas partes que estão comercializando, mesmo que uma seja mais competitiva que a outra. D) Foi neste período que as noções de utilitarismo começaram a ser desenvolvidas. 2. SOBRE A ECONOMIA KEYNESIANA, PODEMOS AFIRMAR QUE: A) As ideias de Keynes se assemelham às ideias dos economistas clássicos. / B) Keynes concordava com a lei de Say. C) As ideias de Keynes, com ênfase em política fiscal, surgiram em um contexto no qual a realidade parecia bastante distante do que previa o pensamento econômico. D) O pensamento de Keynes representou uma mudançana meta da política pública de estabilização do emprego para uma política de estabilização dos preços. GABARITO 1. Sobre a economia política clássica, é falso afirmar que: A alternativa "B " está correta. Vamos analisar as alternativas: A) Verdadeira A visão clássica de um sistema econômico harmonioso destoa das crenças mercantilistas e escolásticas de que o mercado é caracterizado por desequilíbrios que exigem intervenções e restrições. Essa visão otimista do funcionamento dos mercados é um dos principais traços do pensamento clássico. B) Falsa Outros antes de Adam Smith desenvolveram ideias econômicas em forma de livro, como, por exemplo, Quesnay com seu Tableau Economique. O diferencial de Smith em relação aos demais autores que lhe antecederam, e que o faz ser considerado “o pai da Economia Moderna”, foi o fato de que ele se empenhou em construir sua teoria de forma sistemática. C) Verdadeira Essa ideia foi aprimorada posteriormente por John Stuart Mill sob a forma de vantagens comparativas. D) Verdadeira Jeremy Bentham e John Stuart Mill foram alguns dos filósofos a desenvolver esse conceito, posteriormente incorporado à Microeconomia pelos marginalistas. 2. Sobre a economia keynesiana, podemos afirmar que: A alternativa "C " está correta. Vamos analisar as alternativas: / A) A alternativa está incorreta. As ideias de Keynes rejeitavam a economia política clássica de não intervenção do Estado na economia e se assemelhavam em vários aspectos às escolas que o antecederam. B) A alternativa está incorreta. O economista britânico rejeitava a ideia de que a oferta cria sua própria demanda. C) A alternativa está correta. O pensamento de Keynes foi tão influente no contexto entre guerras que dominou a política econômica dos EUA e de diversas outras nações ocidentais do período. D) A alternativa está incorreta. Suas ideias representaram justamente uma mudança no sentido contrário: a meta da política pública mudou de estabilização dos preços para estabilização do nível de renda e emprego em valores altos. MÓDULO 3 Descrever a agenda de pesquisa econômica atual CAMINHOS DA PROFISSÃO DE ECONOMISTA Para onde vamos e para onde caminhamos: o que tem sido feito na profissão de economista? Como vimos ao longo deste tema, a Economia como ciência teve sua origem há muitos séculos. Ao longo dessa trajetória, passou por transformações em seu objeto de análise, método e abordagem teórica, sendo diretamente influenciada pelos contextos sociais e políticos da época em que seus teóricos viveram. Mais recentemente, no século XX, a Economia consolidou o ferramental matemático como instrumento de análise, que a distingue das demais Ciências Sociais, subdividindo-se em duas grandes áreas: Macroeconomia e Microeconomia. Mas, e hoje, como está a ciência econômica? Ela tem o mesmo enfoque e os mesmos métodos de antigamente? / Quais campos têm sido estudados pela Economia, e o que tem sido pesquisado? Pensando em todas essas questões, vamos apresentar algumas áreas da Economia que não são tão conhecidas fora da profissão. Citaremos também alguns grandes economistas dos últimos tempos. Ao longo dos anos, conforme a ciência econômica foi se desenvolvendo, novas áreas foram surgindo, principalmente na Economia Aplicada. Os economistas, em vez de focarem nas relações econômicas tradicionais como objeto de estudo, passaram a aplicar as teorias desenvolvidas e o ferramental econômico em outras áreas, como educação, saúde, desenvolvimento, política e meio ambiente. Essas novas áreas de pesquisa, muitas vezes, deixam de fazer uma clara distinção entre Macro e Microeconomia, juntando, inclusive, algumas das áreas citadas acima, como veremos. TEORIA DOS JOGOS Como vimos ao longo dos módulos anteriores, a ciência econômica busca analisar as decisões individuais, e como indivíduos tomam decisões ótimas. O campo da Teoria dos Jogos tem como interesse situações em que os indivíduos se comportam estrategicamente, isto é, como os indivíduos vão realizar escolhas quando as escolhas dos outros interferem no resultado. Um dos exemplos clássicos é o famoso dilema dos prisioneiros. Dois criminosos foram presos pela polícia, que os interroga em salas separadas. Caso apenas um dos criminosos confesse individualmente, o confessante é libertado imediatamente pela sua colaboração, e o outro tem uma pena maior (três anos de prisão). Caso ambos confessem, eles são condenados a uma pena igual: dois anos de prisão. Se nenhum dos dois confessar, eles receberão apenas uma pena por um crime menor (um ano de prisão). Qual será a decisão individual? Qual será o resultado? Claramente, a ação de um dos criminosos influencia no resultado do outro. Os pioneiros da área são os matemáticos John Von Neumann, John Nash e o economista Oskar Morgenstern. O desenvolvimento da Teoria dos Jogos foi uma revolução em Economia, embora a área seja considerada nova, ao abordar problemas cruciais por meio de modelos matemáticos. javascript:void(0) / Por exemplo, a Economia Neoclássica tinha grande dificuldade em lidar com a competição imperfeita, como oligopólios. Com o crescimento da Teoria dos Jogos, foi possível modelar o comportamento competitivo dos agentes. Além disso, a Teoria dos Jogos tem uma vasta gama de aplicações, sendo usada em Economia, Psicologia, Biologia Evolucionária, Guerras e Política. JOHN NASH (1928-2015) Ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1994 pelo que ficou conhecido como Equilíbrio de Nash: uma situação que, se alcançada, faz com que nenhum agente veja vantagem em alterar individualmente seu comportamento. Fonte: Shutterstock ECONOMIA POLÍTICA / Como vimos no Módulo 2, a Economia Política enquanto campo de estudo é antiga. Contudo, a atividade de sua vertente contemporânea é bem distinta da de antigamente. Hoje, a pesquisa estuda escolhas de políticas públicas como são realizadas por políticos, que, por sua vez, são escolhidos por eleitores que compõem uma sociedade (democrática ou não). Uma de suas grandes contribuições foi mostrar que (para explicar resultados econômicos, ou seja, porque alguns países são pobres e outros ricos, ou por que imigrantes têm sucesso em alguns lugares, e não em outros) é preciso olhar além de preços e renda, analisando, também, a História e a Sociologia. Um dos fundadores da área como a conhecemos hoje é o italiano Alberto Alesina. Fonte: Shutterstock Alberto Alesina Em seus trabalhos, ele atentou para os seguintes aspectos: O fato de que ciclos eleitorais podem gerar comportamento cíclico na atividade econômica. Como fatores políticos levavam a um acúmulo de dívida pública maior do que o socialmente desejável. / Como a independência dos bancos centrais em relação a pressões políticas era um fator preponderante para a estabilidade macroeconômica. Alesina estabeleceu como a desigualdade de renda poderia ser prejudicial ao crescimento econômico, ao desencadear conflitos políticos redistributivos, e trouxe o estudo da cultura como um grande determinante de resultados políticos e econômicos. Segundo ele, as mesmas variáveis culturais, sociológicas e históricas que influenciam nas escolhas de determinadas formas de instituições podem estar correlacionadas com a política fiscal. Perguntas como o motivo de os EUA gastarem pouco com bem-estar em comparação à Europa podem ter suas respostas em questões culturais. VOCÊ SABIA Assim como Alesina, dois outros italianos, Persson e Tabellini, contribuíram consideravelmente para a área. Eles combinaram o melhor de três diferentes áreas ― teoria macroeconômica, escolha pública e escolha racional ― para sugerir uma abordagem unificada em economia política.. Assim como em Macroeconomia Moderna, indivíduos se comportam de forma racional, e suas preferências sobre os resultados econômicos induzem suas preferências acerca de políticas. Já em escolha pública, a delegação de decisões políticas para representantes políticos pode resultar em problemasde agência entre políticos e eleitores. Problemas de agência são situações em que uma ação é delegada de um agente para o outro. Em geral, esses agentes possuem objetivos conflitantes, de forma que o resultado ótimo para um não é desejável para outro. EXEMPLO / Por exemplo, existem um fazendeiro e um agricultor que trabalha em sua fazenda. O objetivo do fazendeiro é maximizar seu lucro, enquanto o objetivo do agricultor é maximizar seu bem- estar. Nesse cenário, em que o fazendeiro delega o cuidado da plantação para o agricultor, o resultado do lucro dependerá do esforço do agricultor. Na ausência de mecanismos que incentivem o agricultor a se esforçar, buscando a maximização de lucro, o resultado final não será a maximização esperada pelo fazendeiro. Na política, isso também ocorre, uma vez que o incentivo dos políticos difere do incentivo dos eleitores. Por fim, como na escolha racional, as instituições políticas moldam os processos pelos quais os políticos são eleitos e as políticas públicas são executadas. ECONOMIA COMPORTAMENTAL Como vimos no Módulo 2, os economistas clássicos introduziram a noção de que interesses individuais racionais importam. A teoria contemporânea pressupõe que indivíduos são racionais e tomam decisões com base nas informações disponíveis, fazendo as escolhas que geram maiores ganhos com base em alguma medida de benefício. Partindo desse entendimento, um consumidor não vai comprar dois pares de sapatos quando precisa apenas de um. Também é razoável supor que as pessoas vão economizar ao longo de suas vidas para garantir uma aposentadoria, enquanto pessoas endividadas cortariam seus gastos em vez de parcelar uma nova televisão no cartão de crédito. Entretanto, se somos realmente racionais, por que tantas pessoas fazem o oposto do que a teoria supõe? SAIBA MAIS Richard Thaler, um economista norte-americano, e Daniel Kahneman, psicólogo israelense, foram pioneiros em unir a economia à psicologia, criando e desenvolvendo o campo da Economia Comportamental. Ambos foram premiados com o Nobel pelas suas contribuições. A premissa básica é que os seres humanos nem sempre são racionais. Muitas vezes, suas escolhas podem ser baseadas em questões subjetivas e culturais, que, em alguns momentos, / pesam mais que a racionalidade. Isso não significa que a Economia Comportamental abandona por completo a noção de racionalidade – apenas incorpora ao processo de tomada de decisão outros fatores antes desconsiderados. A Economia Comportamental tenta explicar por que as pessoas não economizam para a aposentadoria, priorizando o consumo no presente. Isso ocorre porque o prazer presente é mais próximo e mais palpável do que o possível sofrimento em um tempo futuro e distante. Thaler explica também o comportamento de manada nos mercados financeiros: quando o mercado está em alta, mais pessoas decidem investir nas ações, o que decorre de um pensamento irracional de que os preços vão subir amanhã porque estão subindo hoje. Outro aspecto da economia comportamental é o nudge, uma espécie de "empurrãozinho" que pode influenciar o processo de tomada de decisão de um indivíduo. É mais provável que as pessoas escolham uma opção específica se ela for a opção padrão. No preenchimento de cadastros, por exemplo, as pessoas estão mais inclinadas a receber e- mails de promoções, se essa for a opção padrão, devendo clicar no botão de que não desejam estar na lista desses e-mails para desativar o recebimento, do que se necessitarem clicar em um botão afirmando que desejam estar nessa lista. Em outras palavras, as pessoas tendem a aceitar a opção que lhes é oferecida, e não arcar com os custos psicológicos da escolha. DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO A Economia do Desenvolvimento estuda o processo de desenvolvimento dos países de baixa renda. Como o processo de desenvolvimento econômico é amplo e complexo, essa área cobre diversos outros campos que afetam o crescimento social e econômico dos países. Nesse sentido, foca não somente em métodos que promovam o crescimento econômico e nas mudanças estruturais, mas também na melhora de aspectos que envolvam a população, como condições de saúde, educação e trabalho. O crescimento econômico, em particular, é investigado há muitos anos pelos economistas, como vimos no módulo anterior, de História do Pensamento Econômico. Como a Economia, contudo, essa área passou por diversas transformações até se tornar o que é hoje. Os neoclássicos propuseram alguns modelos de desenvolvimento econômico que, frequentemente, são vistos nos cursos de Macroeconomia e desenvolvimento de um currículo de graduação em Economia. / Com o passar dos anos, esses modelos foram ficando cada vez mais sofisticados, incorporando mais elementos e variáveis determinantes do crescimento econômico, visando torná-los mais próximos da realidade. SAIBA MAIS Alguns dos economistas mais importantes a elaborar modelos de desenvolvimento são: Roy Harrod, Evsey Domar, Robert Solow e Paul Romer. Características como crescimento populacional, progresso tecnológico, capital humano, e até o papel e a qualidade das instituições foram, pouco a pouco, sendo incorporadas nas equações. Daron Acemoglu e James Robinson são dois economistas contemporâneos que mostraram evidências empíricas robustas sustentando a tese do papel desempenhado pelas instituições no desenvolvimento econômico, com ênfase nos direitos de propriedade. Outros economistas apontam, entre outros tantos fatores institucionais que impactam o crescimento, para: A importância da organização dos sistemas financeiros nacionais; O desenho de Constituições; O tipo de regime de um país (democrático ou autoritário); O grau de liberalização comercial de um país. O grande desafio da área é a dupla causalidade que esses fatores costumam apresentam com o crescimento econômico. Nesse caso, é difícil responder: Instituições melhores levam a mais crescimento econômico, ou países que têm mais crescimento econômico estabelecem melhores instituições? Outra camada do desenvolvimento econômico ― talvez a mais desafiadora ― é a do impacto das culturas e das crenças no crescimento. Nesse caso, o obstáculo é que crenças e costumes são elementos muito difíceis de serem medidos e capturados pelos dados, mas isso não significa que devam ser ignorados. A literatura econômica vem desenvolvendo muitos estudos nessa área na última década, mostrando como normas sociais, crenças individuais e coletivas influenciam as preferências dos indivíduos, e que essas normas variam lentamente ao longo do tempo. / ECONOMIA DA POBREZA Outro campo que se propôs a investigar a economia de baixa renda é o de Economia da Pobreza. SAIBA MAIS Os laureados com o Prêmio Nobel de Economia de 2019, Michael Kremer, Esther Duflo e Abhijit Banerjee, fizeram contribuições com uma abordagem experimental para aliviar a pobreza global. Os três economistas publicaram uma série de artigos, muitas vezes em conjunto, utilizando um método bastante empregado na Medicina: os Randomized Controled Trials (RCTs), ou Estudos Aleatorizados Controlados. De forma resumida, essa abordagem experimental consiste em dividir a população de um estudo em grupos aleatorizados de controle e tratamento para testar a efetividade de determinada política. Os autores realizaram uma série de estudos desse tipo, desenvolvendo uma ferramenta muito poderosa para testar intervenções que podem reduzir a pobreza. Essas intervenções variam desde a realização de tutorias corretivos nas escolas, passando pelo fornecimento de redes contra mosquitos para famílias, de modo a prevenir doenças, até políticas de microcrédito. Fonte: Shutterstock / O sucesso dessa abordagem influenciou consideravelmente a forma de avaliar políticas de nossa geração. Embora não apontem um amplo conjunto de conclusões, esses estudos permitem tirar lições simples, mas poderosas, com grandes efeitos para a erradicação da pobreza. Outra vantagem é que, pelofato de serem estudos controlados, há a possibilidade de verificar possíveis efeitos colaterais não antecipados, colocando na balança, ao final dos experimentos, os benefícios e os custos não antecipados das intervenções. ECONOMIA DA DESIGUALDADE A desigualdade econômica é um tópico de interesse e preocupação de cientistas sociais. Existe uma grande variedade de tipos de desigualdade econômica, muitas vezes medida na forma de distribuição de renda ou de riqueza. Também pode ser avaliada como desigualdade entre países, regiões ou grupos de pessoas. A lista de pessoas que já estudou esse tópico é extensa. O economista francês Thomas Piketty escreveu o livro O Capital no Século XXI (2013), sobre o crescimento da desigualdade da riqueza mundial. A obra causou rebuliço no meio acadêmico ao trazer à tona o debate sobre taxação progressiva e tributação da riqueza global como único caminho eficiente para combater a concentração da renda, que, segundo o autor, seria consequência inevitável do capitalismo. Documentando com dados detalhados a evolução histórica da concentração da renda e da riqueza, Piketty desenvolve uma grande teoria do capital e da desigualdade. Alguns autores já desenvolveram estudos rebatendo suas conclusões, mas o debate ainda está em desenvolvimento. ECONOMIA DA SAÚDE E DA EDUCAÇÃO A Economia da Saúde é uma área de estudo aplicado que permite uma análise rigorosa e sistemática dos problemas enfrentados na promoção de saúde para todos. Economistas da saúde utilizam como ferramental as teorias do consumidor, do produtor e da escolha social para entender o comportamento dos indivíduos, dos provedores de saúde e de / organizações públicas e privadas. Um dos muitos exemplos estudados pelos economistas da saúde envolve perguntas como: “Transferências governamentais durante a gravidez melhoram a saúde da criança ao nascer?”. A Economia da Educação é a área que estuda questões relacionadas à Educação, sejam elas de demanda pela mesma, seu financiamento e sua provisão, ou relacionadas à eficiência comparativa entre diferentes programas e políticas. Uma pergunta que os economistas da Educação se preocupam em responder é: “Há uma relação entre escolaridade e resultados no mercado de trabalho?” Como estudamos no Módulo 1, o programa Renda Melhor Jovem era um exemplo de política pública que aplicava o conceito de custo de oportunidade. Será que essa política foi eficaz, fazendo com que os jovens permanecessem mais tempo na escola para, no futuro, terem um salário melhor no mercado de trabalho? Questões assim também fazem parte das preocupações da área. OUTRAS ÁREAS VOLTADAS À ECONOMIA Listamos aqui uma série de áreas nas quais a literatura econômica tem apresentado terreno fértil e se expandido nas últimas décadas. Existem muitos outros campos que um economista pode estudar e nos quais pode atuar, o que é uma das grandes vantagens da profissão. Campos mais clássicos como Macroeconomia e Microeconomia seguem igualmente trazendo novidades. A Economia do Trabalho, por exemplo, procura entender o funcionamento e a dinâmica dos mercados de trabalho assalariado. A Economia Ambiental dedica-se a estudar a escassez dos recursos ambientais, propondo minimizar o impacto causado no meio ambiente e nos ecossistemas. A Economia do Crime ― área relativamente nova ― usa o raciocínio econômico para explicar a tomada de decisões em condutas ilícitas. A Econometria desenvolve um ferramental mais aplicado do que diversas áreas e pesquisas citadas aqui. Sendo assim, a gama de possibilidades é praticamente infinita. / ATENÇÃO Na seção Explore +, sugerimos algumas fontes de conhecimento que possibilitam maior aprofundamento sobre o que tem sido feito na área nos últimos anos. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. SOBRE A ÁREA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, NÃO PODEMOS AFIRMAR QUE: A) Os modelos econômicos de desenvolvimento modernos incorporam variáveis como crescimento populacional, progresso tecnológico e capital humano. B) Não há evidências empíricas de que instituições afetam o desenvolvimento econômico, pois é o crescimento econômico que determina boas instituições. C) A forma de organização dos sistemas financeiros nacionais, o desenho de constituições, o tipo de regime de um país e seu grau de liberalização comercial influenciam no desenvolvimento econômico dos países. D) Um dos obstáculos para determinar se cultura e crenças afetam o crescimento econômico é o fato de essas variáveis serem difíceis de ser mensuradas e capturadas pelos dados. / 2. SEGUNDO A ECONOMIA COMPORTAMENTAL, PODEMOS AFIRMAR QUE: A) A racionalidade humana está sempre acima de questões subjetivas e culturais. B) A Economia Comportamental não faz distinção entre os comportamentos presente e futuro. C) A Economia Comportamental postula que não há custos psicológicos na escolha. D) A Economia Comportamental busca explicar por que os indivíduos tomam decisões aparentemente irracionais, unindo Economia à Psicologia. GABARITO 1. Sobre a área de desenvolvimento econômico, não podemos afirmar que: A alternativa "B " está correta. Vamos analisar as alternativas: A) Verdadeira A preocupação de que os parâmetros e dados inseridos no modelo explicassem a realidade levou os economistas a elaborarem modelos de desenvolvimento cada vez mais sofisticados. B) Falsa Embora exista um problema de dupla causalidade que dificulte determinar se instituições afetam o crescimento econômico, Daron Acemoglu e James Robinson apresentaram evidências empíricas de que as instituições desempenham função importante no desenvolvimento econômico. C) Verdadeira Economistas contemporâneos desenvolveram trabalhos apontando para evidências empíricas nesse sentido. D) Verdadeira A literatura econômica tem apresentado importantes contribuições na área nas últimas décadas. 2. Segundo a Economia Comportamental, podemos afirmar que: A alternativa "D " está correta. Vamos analisar as alternativas: / A) A alternativa está incorreta. Às vezes, escolhas podem ser baseadas em questões subjetivas que pesam mais que a racionalidade econômica. B) A alternativa está incorreta. Em determinadas situações, sentir-se bem no presente é melhor do que sofrer no futuro. C) A alternativa está incorreta. A Economia Comportamental supõe que as pessoas tendem a aceitar a opção que lhes é dada, e não arcar com os custos psicológicos da escolha. D) A alternativa está correta. A premissa básica da Economia Comportamental é que os seres humanos nem sempre são racionais. CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste tema, estudamos alguns conceitos básicos de Ciências Econômicas. Além disso, vimos como essa ciência evoluiu ao longo do tempo e que caminhos está trilhando neste momento. Vimos, também, os diversos objetos de estudo da Economia, que, afinal, busca responder como alocar recursos da melhor forma possível. Essa é a régua para determinar se a profissão é bem-sucedida: devemos contribuir para a melhor alocação possível dos recursos que temos à nossa disposição. Assim, teremos mais desenvolvimento, menos pobreza e desigualdade, e melhores políticas públicas para a sociedade. / REFERÊNCIAS CAMPANTE, F. A ciência da Economia Política: o legado de Alberto Alesina. Nexo Jornal, 2020. GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Renda Melhor Jovem. 2014. KRUGMAN, P.; WELLS, R. Introdução à Economia. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. HAYES, A. Game Theory. Investopedia, 2019. MANKIW, N. G. Macroeconomia. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011. MEHARI, T. Y. A short history of economic thought. University of Groningen, 2002. PERSSON, T.; TABELLINI, G. Political economics: explaining economic policy. The MIT Press, 2002. ROLL, E. A history of economic thought. Londres: Faber & Faber, 1992. SCREPANTI, E.; ZAMAGNI, S. An outline history of the economic thought. 2.ed. Oxford: Oxford University Press, 2005. THE ECONOMIST. The legacy of Alberto Alesina.2020. VARIAN, H. R. Microeconomia: uma abordagem moderna.8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. EXPLORE+ Para saber mais sobre os assuntos estudados, sugerimos as seguintes leituras: ACEMOGLU, D.; ROBINSON, J. Por que as nações fracassam? Nova Iorque: Crown Publishing Group, 2012. BANERJEE, A.; DUFLO, E. Good economics for hard times. Nova Iorque: Public Affairs, 2019. BANERJEE, A.; DUFLO, E. Poor economics. Nova Iorque: PublicAffairs, 2011. FERGUSON, N. A ascensão do dinheiro: uma história financeira do mundo. São Paulo: Planeta do Brasil, 2009. / TELLES, A.; TIROLE, J. Economia do bem comum. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. CONTEUDISTA Maria Eduarda Barroso Perpétuo CURRÍCULO LATTES javascript:void(0); / DEFINIÇÃO Preferências e escolhas do consumidor. Insumos e custos do produtor. Mercados de competição perfeita. Método da escolha ótima de consumo do consumidor para diferentes tipos de preferência de acordo com a sua renda. Produto ótimo da firma em um mercado perfeitamente competitivo. Conceitos atrelados a esses métodos e suas definições. PROPÓSITO Compreender as escolhas de consumo e produção de consumidores e firmas para o estudo da determinação das curvas de oferta e demanda dos diferentes mercados, assim como o processo de formação de preços e as diferentes dinâmicas de variação na renda, no preço de bens e no custo de insumos. OBJETIVOS MÓDULO 1 Identificar a escolha ótima de um consumidor racional a partir de suas preferências e renda MÓDULO 2 Reconhecer as curvas de indiferença e suas propriedades MÓDULO 3 Distinguir os tipos de custo da firma e suas aplicações MÓDULO 4 / Demonstrar a quantidade de produto para a maximização do lucro do produtor INTRODUÇÃO Pessoas se deparam todos os dias com escolhas sobre o gasto da sua renda em bens e serviços. Quando vão a uma pizzaria, por exemplo, elas devem decidir quantos pedaços querem comer e o quanto estão dispostas a pagar por uma fatia de pizza ou por toda a iguaria. Mesmo num rodízio, em que o preço é fixo e uma fatia extra não tem custo, os fregueses precisam escolher se vale a pena comer mais um pedaço ou se eles estão satisfeitos. Afinal, depois de certa quantidade ingerida, comer mais pode despertar náuseas ou enjoo; nestes casos, a satisfação com a comida diminui ao invés de aumentar. Podemos então afirmar que um cliente quer tirar o máximo de satisfação de sua refeição dada a sua disposição de pagar por ela. Mas como se mede o nível máximo de satisfação dos consumidores? Não é tudo uma questão pessoal de gosto? Sim, é uma questão de gosto – e talvez seja o papel da psicologia (e não da economia) tentar compreender como ele surge. No entanto, os economistas podem dizer muito sobre como um indivíduo racional se comporta para satisfazer esses gostos pessoais. Nosso tema gira em torno desse tópico. Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock. MÓDULO 1 Identificar a escolha ótima de um consumidor racional a partir de suas preferências e renda UTILIDADE E CONSUMO Quando se fala sobre o comportamento do consumidor, não é uma tarefa trivial medir o sentimento subjetivo de satisfação gerado ao consumir uma pizza ou um refrigerante. Muito menos trivial se mostra a comparação da sua satisfação com a de outros indivíduos. Felizmente, isso não é necessário. Para analisarmos esse comportamento, só precisamos supor que cada pessoa busca maximizar alguma medida própria de satisfação obtida por meio do consumo de bens e serviços. A essa medida damos o nome de utilidade do consumidor. / Trata-se de um conceito utilizado pelos economistas para compreender o comportamento de escolha, cujo valor, na prática, sequer precisa ser medido. A utilidade do consumidor depende de tudo aquilo que um indivíduo consome. O conjunto de bens e serviços consumidos é chamado de cesta de consumo. EXEMPLO Duas fatias de pizza e um refrigerante podem constituir uma cesta de consumo, enquanto três fatias e nenhum refrigerante podem ser outra. Existe uma relação entre as cestas de consumo individuais possíveis e o montante total de utilidade gerado por elas. Essa relação é conhecida como função utilidade. Ela varia em cada indivíduo, pois se revela uma questão pessoal e subjetiva. Evidentemente, as pessoas não possuem calculadoras em suas cabeças para medir exatamente o quanto de utilidade suas escolhas de consumo irão gerar. Porém, ainda que de forma grosseira, elas tomam decisões partindo do princípio de qual escolha irá lhes trazer mais satisfação. EXEMPLO O que me faz mais feliz: viajar no feriado ou comprar um videogame novo? Para medir essa utilidade, podemos supor – a fim de simplificar o processo – que ela possa ser mensurada com uma unidade hipotética denominada util. Ilustrando um exemplo de função utilidade, a figura a seguir mostra a utilidade total que Júlia obtém ao comer (sem nenhum custo) salgadinhos numa festa: Fonte: A autora A função utilidade de Júlia indica uma inclinação positiva em sua maior parte, mas, à medida que o número de salgadinhos consumidos aumenta, ela se torna mais achatada. Isso significa que uma iguaria a mais traz mais utilidade até certo ponto, ou seja, o valor dela diminui quando mais unidades são consumidas. A partir do décimo salgadinho, adicionar um a mais demonstra ser algo ruim para Júlia, piorando a sua situação. Se for racional, ela perceberá isso e não consumirá o décimo primeiro. Desse modo, quando Júlia for decidir sobre o número de iguarias a ser consumido, ela tomará essa decisão considerando a mudança na sua utilidade total proveniente do consumo de mais um salgadinho. Fonte: Shutterstock / Fonte: Shutterstock. Isso revela a seguinte ideia geral: para maximizar sua utilidade total, o consumidor precisa se concentrar na utilidade marginal, ou seja, a utilidade de se consumir um pouco a mais, como, por exemplo, um salgadinho adicional. UTILIDADE MARGINAL DECRESCENTE O gráfico anterior também mostra a utilidade marginal gerada para Júlia ao consumir uma unidade de salgadinho adicional. O painel (b) indica a curva de utilidade marginal implícita construída a partir da variação de utilidade gerada por intervalos unitários. A curva de utilidade marginal, por sua vez, tem inclinação negativa: cada salgadinho a mais acrescenta menos valor em utilidade que o anterior. A própria figura informa isto: enquanto o primeiro salgadinho rende 15 utils, o décimo oferece -1,5 utils. Trata-se, portanto, do último salgadinho a ter utilidade marginal negativa: o seu consumo diminui a utilidade total, ou seja, o excesso de salgadinhos começa a cair mal! ATENÇÃO Isso não é uma verdade imutável para todos os bens e serviços. Afinal, o consumo de algo em excesso não vai necessariamente render uma utilidade marginal negativa no final da curva. Apesar desse alerta, a suposição de que as curvas de utilidade marginal sejam negativamente inclinadas é bastante aceita pelos economistas. O princípio da utilidade marginal decrescente atesta que: A primeira unidade traz mais valor que a segunda A segunda, por sua vez, possui mais valor que a terceira unidade E assim por diante. A intuição por trás desse princípio é a seguinte: à medida que o montante consumido de um bem ou serviço aumenta, a satisfação adicional que um indivíduo obtém de uma unidade a mais diminui. Quanto mais consumimos algo, mais próximos ficamos do estágio de satisfação até finalmente atingirmos a saciedade, ponto em que uma unidade a mais do bem não nos acrescenta em nada em termos de utilidade. DICA Vale notar que, embora o princípio da utilidade marginal decrescente nem sempre seja verdadeiro (você consegue pensar em um exemplo?), ele vale na maior parte dos casos, sendo o suficiente para embasar a teoria do comportamento do consumidor. ORÇAMENTO E RESTRIÇÃO Até aqui trabalhamos com a ideia de que uma pessoa pararia de consumir um bem ao atingir um certo nível de saciedade no qual uma unidade a mais dele não traria satisfação extra ou até mesmo diminuiria sua utilidadetotal. Um exemplo disso foi o caso dos salgadinhos. Um pressuposto implícito na análise que fizemos até então é que: / autor/shutterstock Não há custo adicional para o consumo de uma unidade a mais do bem. autor/shutterstock Existe dinheiro infinito; portanto, um indivíduo não precisa se preocupar com isso. A realidade, no entanto, é diferente: autor/shutterstock Consumir mais de um bem requer, em geral, recursos adicionais – e o consumidor precisa levar em conta esse fator ao fazer suas escolhas. O que são esses recursos adicionais? Para simplificar, os chamaremos de custo. O que levamos em consideração é o chamado custo de oportunidade, isto é, o ganho potencial ao qual se renuncia quando se opta por uma alternativa. Em outras palavras, trata-se do benefício do qual abrimos mão quando fazemos uma escolha. / EXEMPLO O custo de oportunidade de jogar uma partida de futebol é o prazer que você teria ao dar um mergulho na praia no mesmo período. Um dos pressupostos básicos da economia é que os recursos são escassos. O custo de oportunidade faz a ponte entre a escassez de recursos e a escolha. O recurso escasso, neste caso, é o dinheiro, pois o consumidor tem um orçamento limitado. Vejamos o exemplo abaixo: Gabriel está fazendo uma dieta especial para treinos, alimentando-se exclusivamente de frango e batata-doce. Ele recebe em salário, semanalmente, 30 reais. Dado o seu apetite, a satisfação dele aumenta ao consumir mais de cada bem; por conta disso, ele gasta toda sua renda nas duas iguarias. O quilo da batata custa R$3 e o do frango, R$6. Quais são as possibilidades de escolha para Gabriel? Qualquer que seja a cesta de consumo escolhida por ele, sabemos que seu custo não pode ser maior que o seu salário, ou seja, o montante total de dinheiro que ele possui para gastar. Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock. Assim: (1) GASTO EM BATATAS + GASTO EM FRANGO ≤ RENDA TOTAL Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Como Gabriel, os consumidores têm uma renda finita que restringe suas possibilidades de consumo. Demonstrando que o consumidor deve escolher uma cesta de consumo menor ou igual à sua renda total, a condição (1) é chamada de restrição orçamentária. Isso significa que ele não pode gastar mais do que o total de recursos (renda) de que dispõe. Desse modo, as cestas de consumo só são factíveis – isto é, financeiramente viáveis – quando obedecem à restrição orçamentária. O conjunto de cestas de consumo factíveis de um consumidor recebe o nome de conjunto de possibilidades de consumo. As pertencentes a esse conjunto dependem tanto da renda do consumidor quanto dos preços de bens e serviços. A figura a seguir informa as possibilidades de consumo de Gabriel. O montante de batatas no seu pacote está representado no eixo horizontal; o de frango, no vertical. Fonte: A autora / Conectando os textos e A a F, a linha inclinada para baixo divide os pacotes de consumo entre quais se pode comprar e aqueles em que isso não é possível. Os pacotes factíveis ficam abaixo dessa linha (cuja divisória também deve ser incluída na lista), enquanto os de cima pertecem ao grupo dos que não são. EXEMPLO No ponto D, há 6kg de batatas e 2kg de frango. Multiplicando-os pelos preços, temos 6 × R$3 + 2 × R$6 = R$30. Logo, a cesta D satisfaz a restrição orçamentária, custando exatamente a renda de Gabriel. Verifique que os demais pontos sobre a linha negativamente inclinada são as cestas nas quais Gabriel gastaria exatamente o total de sua renda. Mostrando todas as cestas de consumo disponíveis quando ele a gasta inteiramente, tal linha recebe o nome de reta orçamentária. Como vimos acima, Gabriel precisa escolher um número de batatas (o que vamos denominar xb) e outro de frango (xf), multiplicando-os por seus preços respectivos: pb e pf. A soma das duas multiplicações deve ser menor ou igual ao total de sua renda m. Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Quando Gabriel consome uma cesta sobre a sua reta orçamentária, isto é, gasta todo o seu salário, seu gasto com batata-doce e frango é exatamente igual à sua renda. Assim: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Podemos utilizar as equações (2) e (3) para fazer manipulações algébricas e calcular as cestas possíveis para Gabriel de forma mais fácil. Supondo que ele queira gastar toda a sua renda e substituindo m = R$30, podemos testar as diferentes combinações de cesta consumidas por ele. Vejamos agora um caso extremo: Gabriel consome apenas frango (isto é, xb = 0): substituindo os valores na equação 3, temos 0 x 3 + xf x 6 = 30. Assim, o máximo de frango xf que pode ser consumido é igual a 5kg, pois 30 ÷ 6 = 5. Desse modo, o intercepto do eixo vertical da reta orçamentária fica no ponto A quando toda a renda dele é consumida nessa iguaria. Fazendo o exercício análogo para o ponto F, no qual sua renda agora é dedicada inteiramente à batata-doce, ficamos com uma cesta de 10kg dela. DICA Podemos repetir este exercício para todos os pontos da reta orçamentária. Os demais pontos sobre a linha orçamentária podem ser analisados à luz da relação de perdas e ganhos com a qual Gabriel se depara ao gastar todo o seu salário. Essa relação é tipicamente chamada pelo seu nome em inglês: trade-off. Vejamos outro exemplo: Gabriel quer sair do ponto A e consumir 2kg de batata-doce ao mesmo tempo em que deseja comer a maior quantia possível de frango. Para ingerir 2kg de batatas, ele precisa renunciar ao equivalente de R$6 em frango, medida que corresponde exatamente ao valor do quilo dessa iguaria. Ou seja, para consumir 2kg de batata, Gabriel precisa renunciar a 1kg de frango, o que o coloca na posição da cesta B de sua reta orçamentária, ficando com 4kg dele e 2kg dela. / Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock. Se repetirmos este exercício para os pontos C, D, E e F, veremos que Gabriel está sempre trocando mais batata por menos frango e vice-versa, deslizando, assim, sobre a sua reta orçamentária. A mudança de cestas de consumo sobre essa reta (tanto para cima quanto para baixo) expressa o custo de oportunidade de um bem em termos do outro. A inclinação da reta orçamentária informa, para um indivíduo, o custo de oportunidade ao consumir uma unidade a mais de um bem de acordo com a quantidade de outro pertencente à cesta de consumo dele que precisa ser renunciada. ATENÇÃO A inclinação da reta orçamentária de Gabriel é -1/2. Trata-se da variação no eixo vertical (a mudança na quantidade de frango denotada por Δxf) dividida pela variação no horizontal (modificação na de batata denotada por Δxb). Ou seja, a razão (Δxf/Δxb) é igual a½, o que significa o seguinte: meio quilo de frango tem de ser sacrificado para ele conseguir 1kg a mais de batata. O número de quilos de frango ao qual é preciso renunciar para obter 1kg a mais de batata é chamado pelos economistas de preço relativo daquele em termos desta. DICA Também é possível calcular o mesmo tipo de preço da batata em termos do frango. Basta fazer a conta inversa: para obter 1kg a mais de frango, é preciso renunciar a 2kg de batata. Sendo assim, 2 é o preço relativo desta em termos daquele. Desse modo, a inclinação da reta orçamentária não depende da renda do indivíduo, e sim dos preços de cada bem. Perceba que -1/2 = -R$3/R$6 = -pb/pf. No entanto, isso não é verdade para a posição da reta orçamentária: o quanto essa reta está afastada da origem depende da renda do consumidor. Exemplo: Se a renda de Gabriel aumentasse para R$42 por semana, então ele poderia comprar um montante maior dessas duas iguarias, totalizando um máximo de 7kg de frango, ou 14kg de batata, ou qualquer outra cesta de consumo intermediária. Como indica esta figura, a reta orçamentária se desloca para direita ou para fora. / Fonte: A autora Se, por outro lado, seu salário diminuísse para R$18 por semana, a reta dele se deslocaria para a esquerda (oupara dentro); neste caso, o máximo que Gabriel poderia adquirir agora seria o seguinte: 3kg de frango, ou 6kg de batata-doce, ou novamente uma cesta intermediária. Nos dois casos, a inclinação da reta orçamentária dele é a mesma da sua situação inicial, pois os preços relativos dos bens não mudaram. ESCOLHA ÓTIMA DE CONSUMO Vamos supor agora que a renda de Gabriel não mude, mantendo o orçamento inicial de R$30 por semana. Sabemos que, para aumentar sua saciedade, ele prefere consumir maiores montantes dos dois bens já citados. Como podemos identificar qual cesta Gabriel vai escolher? Em outras palavras, qual escolha traz mais utilidade para ele? Como vimos na parte inicial do módulo, os consumidores querem escolher cestas de consumo que maximizem a sua utilidade total dada uma determinada restrição orçamentária. Este tipo recebe o nome de cesta de consumo ótima. Para descobrirmos a cesta que satisfaz essa condição para Gabriel, precisamos analisar, dentre as cestas de consumo factíveis, qual delas conta com a combinação de bens (frango e batata-doce) que lhe rende mais utilidade. A tabela a seguir aponta o grau de utilidade que os diferentes consumos de frango e batata-doce geram para ele. De acordo com ela, quanto mais Gabriel consumir de cada um dos bens, maior será a sua utilidade. Para maximizar sua utilidade, ele deve escolher a combinação dos dois bens que gera maior utilidade total, isto é, a soma das utilidades geradas pelo consumo de cada bem. Contudo, Gabriel tem uma restrição orçamentária e deve enfrentar um trade-off entre frango e batata: para obter mais de um, ele deve consumir menos de outro. Utilidade do consumo de frango Utilidade do consumo de batata Quantidade de frango (kg) Utilidade do frango (util) Quantidade de batata (kg) Utilidade da batata (util) 0 0 0 0 1 20 1 15 2 30 2 27 / 3 35 3 37 4 37 4 45 5 38 5 52 6 57 7 61 8 63 9 64 10 64.5 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal A cesta de consumo ótima de Gabriel recai sobre a sua reta orçamentária, pois ela tem as combinações máximas de consumo dos dois bens, gastando, assim, toda a renda dele. Já a próxima tabela indica as cestas sobre a reta orçamentária de Gabriel conforme ele desliza para baixo nessa reta. Suas colunas apontam as combinações de quantidade de cada bem em cada cesta e as respectivas utilidades, além da utilidade total de cada cesta na última coluna: Cesta de consumo Quantidade de frango (kg) Utilidade do frango (util) Quantidade de batata (kg) Utilidade da batata (util) Utilidade total (util) A 5 38 0 0 38 B 4 37 2 27 64 C 3 35 4 45 80 D 2 30 6 57 87 E 1 20 8 63 83 F 0 0 10 64.5 64.5 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Conforme observamos na tabela, a cesta de consumo que maximiza a utilidade total dele é a D, com 2kg de frango e 6kg de batata-doce. Com ela, Gabriel obtém a utilidade total de 87 utils, índice maior que o de qualquer outra cesta. Perceba que, nas combinações das cestas à esquerda de D, ou seja, com menos batata-doce e mais frango, a utilidade cresce à medida que Gabriel prescinde de frango por mais batata. A partir da cesta D, no entanto, a utilidade total começa a cair. Assim, podemos dizer que a cesta de consumo D é a que melhor resolve o trade-off entre o consumo de frango e o de batata. O pacote D é, portanto, a cesta ótima dele, maximizando sua utilidade total. Esta figura ilustra a relação entre as cestas da reta orçamentária de Gabriel e a sua utilidade total: / Fonte: A autora ANÁLISE MARGINAL No exemplo anterior, descobrimos o topo da curva de utilidade total de Gabriel usando a observação direta. No entanto, a construção dessa curva pode ser muito trabalhosa. Em geral, a análise marginal é uma ferramenta mais rápida e eficiente para resolver o problema da escolha ótima. Sabemos que Gabriel toma uma decisão sobre o montante de batata a ser consumido levando em conta o seguinte fator: shutterstock Quanto mais batata-doce consumir... shutterstock ... Menos frango ele poderá comprar. Aplicando a análise marginal, podemos verificar que sua decisão passa a ser em torno do gasto de um real marginal, ou seja, a maneira de alocar uma unidade adicional de moeda entre as duas iguarias. Para isso, primeiramente devemos nos perguntar: / Quanto de utilidade adicional ele irá ganhar ao gastar um real a mais em frango ou batata? Ou melhor, quanto de utilidade marginal por real a mais isso rende? Esta tabela indica o cálculo da utilidade marginal (Umg) por real gasto em frango ou batata: (a) Frango (pf = R$6 por kg) (b) Batata (pb = R$3 por kg) Qtd. de frango (kg) Utilidade do frango (util) Umg/kg de frango (util) Umg por real (util) Qtd. de batata (kg) Utilidade da batata (util) Umg/kg de batata (util) Umg por real (util) 0 0 - - 0 0 - - 1 20 20 3.3 1 15 15 5 2 30 10 1.7 2 27 12 4.0 3 35 5 0.8 3 37 10 3.3 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal (a) Frango (pf = R$6 por kg) (b) Batata (pb = R$3 por kg) Qtd. de frango (kg) Utilidade do frango (util) Umg/kg de frango (util) Umg por real (util) Qtd. de batata (kg) Utilidade da batata (util) Umg/kg de batata (util) Umg por real (util) 4 37 2 0.3 4 45 8 2.7 5 38 1 0.2 5 52 7 2.3 6 57 5 1.7 7 61 4 1.3 8 63 2 0.7 9 64 1 0.3 10 64.5 0.5 0.2 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal A tabela está dividida em dois painéis, um para cada bem. Observemos as colunas de cada painel: PRIMEIRA E SEGUNDA São idênticas às colunas da tabela apresentadas anteriormente. TERCEIRA Mostra a utilidade marginal de cada bem, ou seja, o aumento de utilidade que Gabriel tem ao consumir uma unidade a mais de um dos bens. / QUARTA Exibe a utilidade marginal por real para cada bem. O valor de Umg é obtido dividindo a utilidade marginal pelo preço de cada unidade de bem: R$6 por quilo de frango e R$3 pelo de batata. Como podemos observar, assim como a utilidade marginal de ambos diminui à medida que ele aumenta o montante consumido de cada bem, a utilidade marginal por real também decresce. Isso significa que, em virtude da utilidade marginal decrescente de Gabriel, cada real a mais gasto lhe rende menos utilidade extra que o anterior. Denotando respectivamente por UmgF e UmgBa utilidade marginal por quilo de batata-doce e de frango, a utilidade marginal por real de cada bem é igual a: Ç Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal A figura abaixo mostra as curvas de utilidade marginal por real gasto em cada bem: Fonte: A autora Já observamos em outra tabela que D (a cesta ótima de consumo de Gabriel) é composta por 2kg de frango e 6kg de batata, correspondendo aos pontos DF e DB em cada painel. Repare que, neste ponto, a utilidade marginal por real gasto para cada bem é igual: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Isso não é apenas uma coincidência. Analisemos outra cesta de consumo factível para Gabriel. Na cesta C, a utilidade marginal de cada bem por real está representada na figura pelos pontos CF e CB. Além disso, a Umg de Gabriel por real gasto em frango é 0.8; já em batata-doce, ela é 2.7. Esse dado revela que ele está consumindo muito frango e pouca batata. MAS POR QUE ISSO ACONTECE? Se a Umg por real gasto em batata é maior que a de frango, é um indício de que ele pode melhorar sua situação respeitando o próprio orçamento. Basta gastar 1 real a menos em frango e 1 a mais em batata, adicionando 2.7 utils com esta em sua utilidade total e perdendo 0.8 utils com aquele. Ao todo, Gabriel terá ganhado 1.9 em utilidade fazendo essa “troca”. / Ele procederá dessa maneira até que a utilidade marginal dos dois bens se iguale. Neste ponto, não será mais vantajoso trocar um real a mais de um bem pelo outro. Assim, quando Gabriel escolher seu pacote de consumo ótimo, sua utilidade marginal por real gastoem frango e batata será igual. Essa regra constitui um princípio básico da teoria da escolha do consumidor conhecido como regra de consumo ótimo. Quando um consumidor maximiza a sua utilidade total segundo a restrição orçamentária dele, a utilidade marginal por unidade de moeda gasta em cada bem ou serviço que faz parte da sua cesta de consumo é igual. De forma matemática, para qualquer um dos bens b e f, a regra do consumo ótimo frisa que, na cesta ótima de consumo, ocorre o seguinte cálculo: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Embora seja mais fácil compreender essa regra quando a cesta de consumo tem apenas dois bens, ela poderá ser aplicada para qualquer quantidade de bens e serviços que o consumidor comprar. Na cesta ótima de consumo, as utilidades marginais por real gasto em cada um dos bens são iguais. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. SOBRE A FUNÇÃO UTILIDADE, ASSINALE A AFIRMATIVA FALSA: A) A função utilidade mostra a relação entre a cesta de consumo e a utilidade total gerada por ela. B) O princípio da utilidade marginal decrescente implica que a inclinação da função utilidade é negativa. C) Para maximizar a utilidade, o consumidor considera a utilidade marginal de consumo de uma unidade a mais de um bem ou serviço. D) Utilidade é uma medida de satisfação do consumidor ao consumir, sendo expressa na unidade chamada de utils. 2. SOBRE A CESTA DE CONSUMO ÓTIMA, ASSINALE A AFIRMATIVA VERDADEIRA: A) A cesta ótima do consumidor racional recai abaixo da sua reta orçamentária. B) A cesta ótima do consumidor racional é a que maximiza sua utilidade marginal para cada bem. C) Na cesta ótima do consumidor racional, o consumidor maximiza a sua utilidade independentemente de sua restrição orçamentária. D) Na cesta ótima do consumidor racional, as utilidades marginais por real gasto em cada um dos bens são iguais. GABARITO 1. Sobre a função utilidade, assinale a afirmativa falsa: A alternativa "B " está correta. O princípio da utilidade marginal decrescente aponta que a inclinação da função utilidade diminui à medida que a quantidade de bens aumenta, mas não que essa inclinação é negativa. A curva de utilidade marginal possui uma inclinação negativa, pois cada unidade a mais de bem rende uma utilidade menor que a anterior. A razão por trás dessa inclinação é o princípio da utilidade marginal decrescente. 2. Sobre a cesta de consumo ótima, assinale a afirmativa verdadeira: A alternativa "D " está correta. / A alternativa (a) é falsa pelo fato de a cesta ótima recair sobre a sua reta orçamentária para que o consumidor gaste toda a sua renda disponível. Para os consumidores, consumir mais de um bem aumenta a sua utilidade. A alternativa (b) é falsa, já que a cesta ótima maximiza a sua utilidade total, e não a marginal. A alternativa (c) não é verdadeira, pois a definição de cesta ótima de consumo diz que a cesta é ótima dada uma restrição orçamentária. MÓDULO 2 Reconhecer as curvas de indiferença e suas propriedades FUNÇÃO DE UTILIDADE TOTAL No módulo anterior, introduzimos o conceito de função utilidade, que é responsável pela determinação da utilidade total do consumidor dada a sua cesta de consumo. Vimos ainda como a utilidade total de Júlia variava quando mudávamos o número de salgadinhos consumido, ou seja, a quantidade consumida de um bem. Entretanto, quando estudamos o problema de escolha de Gabriel, vimos que a opção pela cesta de consumo ótimo envolvia o seguinte dilema: como alocar o último real gasto entre dois bens (frango e batata-doce)? Surge ainda outra pergunta: COMO É POSSÍVEL EXPRESSAR A FUNÇÃO DE UTILIDADE TOTAL EM TERMOS DE DOIS BENS? RESPOSTA Basta usar o mapa da função utilidade. Vejamos agora o caso de Ana, que consome apenas cerveja e drinks (coquetéis) quando vai ao bar. Como seria a função utilidade dela para esses dois bens? javascript:void(0) / Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock. Uma possibilidade (complicada!) é fazer um gráfico similar ao de Júlia acrescido de um terceiro eixo para o segundo bem. O painel (a) desta figura, portanto, ilustra um morro de utilidade tridimensional: Fonte: A autora Observemos as correspondências dos eixos: VERTICAL HORIZONTAL Já a altura do morro, indicada por uma linha de contorno constante por ponto, mede a quantidade de utilidade gerada por combinações de consumo ao longo de cada linha de contorno. Todos os pontos ao longo de uma linha do tipo geram o mesmo retorno em utilidade para Ana. EXEMPLO Com 4 latinhas de cerveja e 2 drinks, o ponto A gera 20 utils para Ana, enquanto B, com 1 latinha e 6 drinks, consegue a mesma quantia. No entanto, não existe apenas uma forma de representar a relação entre utilidade total e consumo de dois bens. Como na geografia com mapas topográficos, é possível fazer a representação da superfície tridimensional em curvas de nível em apenas duas dimensões. Trata-se do painel (b) da figura acima. Nele, as linhas de contorno que mapeiam as cestas de consumo do painel (a) estão representadas como curvas achatadas num plano cartesiano. Os economistas definem como curvas de indiferença as que geram a mesma quantidade de utilidade total para diferentes combinações de bens. ATENÇÃO Um indivíduo é indiferente em relação a duas cestas que estão sobre a mesma curva de indiferença, já que elas lhe rendem a mesma utilidade. reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur. Dadas as preferências de um consumidor, existe uma curva de indiferença para cada nível de utilidade total. A curva de indiferença I2 destacada na figura (b) mostra as cestas que geram 20 utils; as outras duas curvas (I1 e I3), respectivamente, 10 e 40 utils. Existem ainda outras infinitas curvas de indiferenças de Ana que não estão representadas nos gráficos. / Observe com atenção o painel (b) e verifique por que o consumidor é indiferente entre as cestas de consumo A e B: elas estão na mesma curva de indiferença, gerando, portanto, o mesmo nível de utilidade! Observaremos agora as propriedades dessas curvas. Embora diferentes indivíduos tenham preferências únicas e nunca apresentem o mesmo conjunto de curvas de indiferença, os economistas acreditam que elas apresentem algumas propriedades gerais. Essas curvas estão ilustradas nos quatro painéis desta figura: Fonte: A autora LETRA A: CURVAS DE INDIFERENÇA NUNCA SE CRUZAM Se duas curvas de indiferença com diferentes níveis de utilidade se cruzassem, qual seria o nível de utilidade da cesta de consumo em que elas se cruzam? Seria diferente pelas curvas serem díspares? Ou seria igual por uma cesta de consumo ter um só nível de utilidade total? Essa inconsistência indica que curvas de indiferença diferentes não podem de cruzar. LETRA B: QUANTO MAIS DISTANTE DA ORIGEM, MAIOR A UTILIDADE TOTAL DA CURVA O motivo para isso é que partimos do princípio de que mais é melhor. Assim, quanto maior a quantidade dos dois bens, mais para “fora" está situada a curva de indiferença. LETRA C: CURVAS DE INDIFERENÇA SÃO NEGATIVAMENTE INCLINADAS Novamente, a razão para isso é a hipótese de que mais é melhor. O diagrama no painel (c) da figura acima ilustra o que aconteceria se uma curva de indiferença tivesse inclinação para cima: à medida que aumentássemos as quantidades dos dois bens, permaneceríamos nessa mesma curva. Isso é incompatível com nosso pressuposto (o de que mais é melhor). LETRA D: CURVAS DE INDIFERENÇA SÃO CONVEXAS Geometricamente, isso significa que um segmento de reta ligando dois pontos da curva de indiferença fica inteiramente sobre a curva. O diagrama (d) da figura atesta que a inclinação dela diminui à medida que deslizamos para baixo e para a direita. Desse modo, o arco da curva vai em direção à origem; além disso, a inclinação dela é maior em cima do que embaixo. Esse atributo se deve ao princípio da utilidade marginal decrescente: na prática, indivíduos preferem médias (cestas com um pouco dos dois bens) a extremos. TAXA MARGINAL DE SUBSTITUIÇÃOComo vimos, as curvas de indiferença são inclinadas para baixo. Também observamos que sua inclinação diminui à medida que deslizamos para baixo delas. A inclinação da curva de indiferença em cada ponto está diretamente relacionada aos termos do trade-off enfrentado por um consumidor. Esta figura representa uma curva de indiferença de Ana: Fonte: A autora / Na curva I1, se Ana se move da cesta A para a B, ela precisa renunciar a 2 unidades de cerveja por 1 drink adicional para manter a utilidade total. Porém, estando mais à direita da curva (no ponto C), se renunciar a apenas 1 cerveja, ela terá de tomar mais 4 drinks para manter a utilidade total. ISSO ILUSTRA QUE, QUANDO SE MOVE PARA BAIXO E PARA A DIREITA DA CURVA DE INDIFERENÇA, OCORRE O SEGUINTE: 1 2 Ana troca mais de um bem por menos de outro. Os termos desse trade-off, ou seja, a razão entre drinks adicionais consumidos e cervejas renunciadas, são escolhidos para manter a sua utilidade total constante. Reformulando os trade-offs examinados acima em termos de inclinação, verificamos na figura apresentada que: robuart / Shutterstock A inclinação da curva de indiferença entre A e B da figura é -2. robuart / Shutterstock A inclinação dessa curva entre os pontos C e D é -1/4. A inclinação da curva de indiferença, portanto, diminui à medida que deslizamos para a direita e que a curva vai se tornando mais achatada. Mas por que os trade-offs mudam ao longo da curva de indiferença? Isso se deve ao ponto inicial de Ana e ao princípio da utilidade marginal decrescente. Analisando o caso intuitivamente, no ponto A ela tem muita cerveja e poucos drinks. / Quanto à sua utilidade marginal, verifica-se que: 1 A das últimas unidades de cerveja é relativamente pequena se comparada às primeiras unidades dela. 2 A de uma unidade adicional de drinks é relativamente alta, já que Ana só consome uma unidade deles na cesta A, ou seja, ainda está nas unidades iniciais de consumo de drinks. E3 Ao deslizar para a direita da curva, Ana está perdendo-a em consumo de cerveja e ganhando no de drinks – e esses dois efeitos precisam se anular entre si. RELEMBRANDO Reformulando esse raciocínio, temos que: Mudança na utilidade total por causa de menos consumo de cerveja + Mudança na utilidade total por mais consumo de drinks = 0 À medida que Ana se move para a direita da curva de indiferença, assim como o faz sua posição inicial, o trade-off dos dois bens vai mudar, uma vez que a utilidade marginal do consumo de um bem adicional também é modificada. No exemplo da mudança do ponto C para o D, a situação inicial de Ana é inversa à da mudança de A para B: ela já consome alguns drinks e pouca cerveja. Desse modo, a utilidade marginal que ela perde renunciando uma unidade de cerveja é relativamente alta, enquanto a de consumir um drink a mais é relativamente baixa, já que Ana: shutterstock Está numa posição inicial com pouca cerveja e muitos drinks. javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) / shutterstock Quer mudar para ainda menos cerveja e mais drinks. Utilizando as notações UmgC e UmgD para denotar respectivamente as utilidades marginais de cerveja e drinks e representar as mudanças no consumo de ambos, podemos formalizar esse mecanismo com o emprego de equações. De forma geral, a mudança na utilidade total gerada pela variação no consumo de um bem é igual a essa variação multiplicada pela utilidade marginal dele. Assim: MUDANÇA NA UTILIDADE TOTAL DEVIDO À VARIAÇÃO NO CONSUMO DE CERVEJAS = MUDANÇA NA UTILIDADE TOTAL DEVIDO À VARIAÇÃO NO CONSUMO DE DRINKS = Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Reescrevendo a equação nos novos termos, fica expresso o seguinte: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Rearranjando-a, ela agora fica assim: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal / ATENÇÃO Perceba o sinal de negativo do lado esquerdo da última equação: ele representa a perda de utilidade total por conta da redução do consumo de latinhas de cerveja, o qual, por sua vez, deve ser igual ao ganho de utilidade total proveniente do aumento do número de drinks no lado direito da equação. Devemos entender a relação dessas mudanças com a inclinação da curva de indiferença. Dividindo os dois lados da equação 2 por e por , encontramos isto: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Nesta equação, temos: Lado esquerdo Menos a inclinação da curva de indiferença e taxa pela qual Ana está disposta a trocar uma quantidade de cerveja por outra de drinks. Lado direito Razão entre a utilidade marginal de drinks e a de cerveja — ou seja, a razão entre o que Ana ganha a mais de utilidade com aqueles e com esta. A razão entre as utilidades marginais do lado direito da equação acima é conhecida como taxa marginal de substituição (TMS). Substituição, no caso específico, refere-se aos drinks no lugar das cervejas. Juntando tudo isso, vemos que a inclinação da curva de indiferença de Ana é exatamente igual à razão entre a utilidade marginal de um drink e a de uma cerveja – ou à sua TMS. ATENÇÃO Relembremos que a inclinação das curvas de indiferença diminui quando que nos movemos para baixo e para a direita, tornando-se mais achatadas. Logo, se o lado esquerdo da equação está diminuindo, o mesmo deve acontecer no direito para satisfazer a igualdade. Quando deslizamos para direita, o que acontece na prática é o seguinte: a razão entre a UmgD e a UmgC diminui. COMENTÁRIO Verificamos isso na análise intuitiva da utilidade marginal decrescente dos bens. O achatamento das curvas de indiferança a refletir a lógica da utilidade marginal decrescente é denominado taxa marginal de substiuição decrescente. Em termos gerais, ela informa o seguinte: um indivíduo que consome poucas unidades do bem C e muitas de D está disposto a trocar uma quantidade grande do bem D por uma unidade a mais do C - e vice versa. A CONDIÇÃO DE TANGÊNCIA De que forma os conceitos de curva de indiferença e TMS se relacionam com o que vimos de restrição orçamentária e cesta ótima no módulo 1? Para ilustrarmos essa relação, indicamos a figura a seguir. Seu diagrama contém algumas curvas de indiferença de Ana e sua restrição orçamentária: / Fonte: A autora Ana só pode gastar R$40 quando sai. O preço da latinha de cerveja é de R$5 e o de um copo de drink, R$8. Qual é a cesta ótima de consumo dela? Para responder a essa pergunta, devemos analisar as curvas de indiferença representadas por I1, I2 e I3 no diagrama. I3 A representada por I3 é a utilidade máxima que Ana gostaria de ter. No entanto, não é possível alcançá-la, uma vez que todas as cestas de consumo dessa curva de indiferença estão acima de sua reta orçamentária. Ela está limitada por sua renda. I1 Ana tampouco deveria escolher as cestas da curva de indiferença I1, pois, embora as cestas entre os pontos B e C ao longo dessa curva sejam factíveis, há outras cestas de consumo que lhe geram mais utilidade e que cabem na sua renda. I2 Veja o caso da cesta A: assim como B e C, ela está sobre a sua reta orçamentária, porém gera mais utilidade que ambas por estar na curva de indiferença I2, ou seja, mais afastada da origem que a curva I1. De fato, a cesta de consumo A é a escolha ótima de Ana, com 3 latinhas de cerveja e 3 drinks. Ela está na curva de indiferença mais afastada que Ana pode alcançar dada a sua renda. Na cesta ótima, a reta orçamentária apenas toca a curva de indiferença mais afastada, sendo tangente em relação a ela. Essa é a chamada condição de tangência, sendo aplicada quando as curvas de indiferença são convexas. PREÇOS E TAXA MARGINAL DE SUBSTITUIÇÃO No ponto de tangência entre a curva de indiferença e a reta orçamentária, ou seja, a cesta ótima, a curva de indiferença tem a mesma inclinação da reta orçamentária. Retomando a equação representada acima, temos que: INCLINAÇÃO DA CURVA DE INDIFERANÇA= -UMGD/UMGC Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Na cesta ótima, podemos substituir a inclinação dessa curva pela da reta orçamentária, pois já vimos que ambas são iguais nesse ponto. Assim: INCLINAÇÃO DA RETA ORÇAMENTÁRIA = -UMGD/UMGC javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) / Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal RELEMBRANDO O que é a inclinação da reta orçamentária? Como vimos no módulo anterior, essa inclinação é exatamente a razão de preços Juntando as duas equações, chegamos à regra do preço relativo: , NA CESTA ÓTIMA DE CONSUMO. Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Lembrando que a razão entre as utilidades marginais dos bens é chamada de TMS, obtemos uma regra geral para a cesta ótima de consumo: A taxa marginal de substituição é igual à razão entre os preços dos dois bens. EFEITOS DE UMA VARIAÇÃO NO PREÇO E NA RENDA O que vai acontecer se o preço de um dos bens mudar? Suponha que, por alguma razão, o bar que Ana frequenta resolva aumentar os preços dos drinks. Agora, em vez de R$8, eles custam R$20. Como essa mudança vai afetar a escolha de consumo dela? Com o aumento dos preços dos drinks, ela vai consumir menos unidades do que antes, mas, como o preço da cerveja se manteve, Ana ainda pode consumir a mesma quantidade máxima dessa bebida. O painel (a) desta figura destaca a nova reta orçamentária de Ana (RO2) e a inicial (RO1): Fonte: A autora A inclinação da reta orçamentária de Ana mudou. Isso ocorre porque o preço relativo dos drinks em termos de cervejas subiu, isto é, a razão aumentou em seu valor absoluto. A RO de Ana agora intercepta o eixo horizontal em 2, que é o número máximo de drinks que ela pode consumir. Sua cesta ótima de consumo inicial consistia em 3 cervejas e 3 drinks, o que agora deixou de ser factível, já que está acima de sua reta orçamentária. / Para lidar com a nova situação, ela terá de escolher uma nova cesta de consumo ótima ao eleger um ponto na RO2 que toque a curva de indeferença mais afstada possível. É o que mostra o painel (b) da figura: sua nova cesta ótima será de B, com 4 cervejas e 2 drinks. Resta uma dúvida: se o preço dos drinks permanecer constante, mudando, em vez disso, a renda direta de Ana, o que acontecerá? Suponhamos que ela recebeu um aumento de salário, podendo agora gastar R$80 no bar. A inclinação de sua reta orçamentária não muda, pois os preços dos bens permaneceram iguais. No entanto, Ana agora terá mais dinheiro para gastar tanto em cerveja como em drinks. Fonte: A autora Os dois interceptos de sua reta orçamentária mudam, pois ela tem mais poder aquisitivo. Assim, sua reta orçamentária inteira se desloca para fora, se afastando da origem. Ana pode escolher outra cesta de consumo, ou seja, uma que toque sua nova reta orçamentária RO2. Isso consequentemente aumentará o seu consumo. Ela, portanto, consome mais os dois bens quando sua renda aumenta: o consumo de drinks sobe de 3 (cesta A) para 6 (B); o de cerveja, de 3 para 6 latinhas. Isso é possível porque, em sua função utilidade, ambos constituem bens normais, isto é, aqueles cuja demanda varia positivamente de acordo com a variação na renda. SUBSTITUTOS E COMPLEMENTOS PERFEITOS Algumas vezes, a preferência pela combinação de dois bens pode ter algum tipo de relação. EXEMPLO Se Pedro toma exclusivamente café com açúcar e, a cada xícara da bebida, coloca duas colheres de açúcar, existe uma relação complementar entre os dois bens. Por outro lado, se gosta tanto de mate quanto de guaraná, ele pode substituir um pelo outro. Isso resulta em formatos diferentes da curva de indiferença. No primeiro caso, quando um consumidor quer consumir dois bens na mesma proporção, eles são chamados de complementos perfeitos. Como dissemos, Pedro só gosta de tomar uma xícara de café acompanhada de duas colheres de açúcar. Uma xícara extra sem açúcar não lhe oferece utilidade adicional, tampouco uma colher extra sem café. O painel (a) desta figura indica as curvas de indiferença de Pedro para xícaras de café e colheres de açúcar: Fonte: A autora Essas curvas formam ângulos retos, pois uma unidade adicional de cada bem fora da proporção 1:2 não lhe dá mais utilidade, o que significa que ele permanece na mesma curva de indiferença. / Somente um aumento dos dois bens na proporção de sua preferência faria Pedro dar “um salto” nas suas curvas de indiferença. O diagrama (a) ainda evidencia: autor/shutterstock Reta orçamentária de Pedro (em cinza). autor/shutterstock Cesta A tangenciando a reta (sua cesta de consumo ótimo). Note que a inclinação da reta orçamentária aqui não afeta seu consumo relativo de café e açúcar. Ele consome ambos sempre na mesma proporção independentemente de seu preço. Repare ainda que, no ponto B, as curvas de indiferença sofrem uma mudança abrupta de inclinação: da esquerda para a direita, a curva deixa de ser vertical, passando a ser horizontal. O que acontece com a taxa marginal de substituição? No caso de complementos perfeitos, essa taxa é indefinida, pois o consumidor não está disposto a fazer qualquer substituição entre os dois bens. Já o diagrama (b) da figura acima aponta as curvas de indiferença de Pedro para o segundo caso: gostar tanto de mate quanto de guaraná, ou seja, os dois bens lhe conferem a mesma utilidade. Como está sempre disposto a substituir a mesma quantidade de um item pela de outro, suas curvas de indiferença são linhas retas e sua taxa marginal de substituição, constante (afinal, a TMS é a inclinação da CI, que é uma reta. Logo, trata-se de uma constante). O painel (b) também destaca a reta orçamentária de Pedro: quando ela tem inclinação diferente das curvas de indiferença, como é o caso, essa curva vai encostar na reta em um dos eixos. Desse modo, ele consumirá apenas o bem: DIAGRAMA (B) javascript:void(0) / Fonte: A autora autor/shutterstock Mais barato. autor/shutterstock Que ele puder comprar a maior quantidade possível, como o mate (indicado pela cesta b). Composto apenas por um dos bens, esse tipo de cesta ótima é chamado pelos economistas de solução de canto. O que aconteceria se a inclinação da reta orçamentária de Pedro fosse igual à da própria reta? Uma de suas curvas de indiferença a tocaria em todos os seus pontos, de modo que qualquer cesta sobre a reta de Pedro seria uma cesta ótima. / VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. SOBRE AS CURVAS DE INDIFERENÇA, ASSINALE A ALTERNATIVA FALSA: A) Curvas de indiferença de um consumidor racional são côncavas. B) Curvas de indiferença geram a mesma quantidade de utilidade total para diferentes combinações de bens. C) Existe uma curva de indiferença para cada nível de utilidade total. D) Curvas de indiferença mais distantes da origem oferecem mais utilidade. 2. SOBRE A TAXA MARGINAL DE SUBSTITUIÇÃO, ASSINALE A ALTERNATIVA FALSA: A) No ponto de tangência entre a curva de indiferença e a reta orçamentária, a taxa marginal de substituição é igual à inclinação dessa reta. B) A taxa marginal de substituição é a razão entre as utilidades marginais de dois bens. C) A inclinação da curva de indiferença é igual à taxa marginal de substituição. D) Quando dois bens têm uma utilidade marginal decrescente, a taxa marginal de substituição é crescente. GABARITO 1. Sobre as curvas de indiferença, assinale a alternativa falsa: A alternativa "A " está correta. As curvas de indiferença do consumidor racional são convexas. A inclinação de uma curva de indiferença diminui à medida que deslizamos para baixo e para a direita. Isso se deve ao princípio da utilidade marginal decrescente. 2. Sobre a taxa marginal de substituição, assinale a alternativa falsa: A alternativa "D " está correta. A taxa marginal de substituição será decrescente se os dois bens tiverem uma utilidade marginal também decrescente. Isso se dá pelo fato de o trade- off entre ambos mudar ao longo da curva; assim, um consumidorvai exigir cada vez mais do bem 2 para compensar cada unidade do 1 ao qual ele renuncia à medida que a quantidade daquele aumenta em relação à consumida deste. MÓDULO 3 Distinguir os tipos de custo da firma e suas aplicações CUSTOS E INSUMOS No módulo anterior, verificamos como o consumidor racional toma decisões de consumo. Agora veremos como a firma realiza as suas decisões de produção. Primeiramente, precisamos definir o que é firma. Firma: organização que produz bens e serviços com o objetivo de vendê-los. Para produzi-los, ela precisa de insumos que envolvem custos. / Já a função de produção da firma é a relação entre a quantidade de produto feita por ela e seu montante de insumos. EXEMPLO Um exemplo de insumo é o número de trabalhadores da firma. O custo seria o salário deles. Para uma compreensão melhor desses conceitos, tomaremos a fábrica de Vitória como exemplo. Por questão de simplicidade, vamos supor que ela: Vitória paga o aluguel de 20 máquinas em sua fábrica; no momento, não tem capacidade de alugar mais máquinas nem menos, pois já assinou contrato com o locatário delas. Isso é conhecido como insumo fixo, pois sua quantidade é fixa e não pode variar — ao menos, não no curto prazo. Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock. No entanto, ela pode escolher quantos trabalhadores irá contratar. Esse outro tipo de insumo é denominado insumo variável; com ele, uma firma pode variar a sua quantidade a qualquer momento. A rigidez do montante dos insumos – isto é, se eles são fixos ou variáveis – depende, na verdade, do horizonte de tempo: no longo prazo, passado um tempo suficientemente grande, as firmas podem ajustar a quantidade de qualquer insumo. EXEMPLO Após alguns anos ou o tempo do contrato de aluguel de Vitória, ela poderia negociar outro contrato com o locatário de máquinas e ajustar sua quantidade de capital fixo. Desse modo, não existem insumos fixos no longo, mas apenas no curto prazo. O número de carros produzido por ela depende de quantos trabalhadores foram contratados. Cada um – mesmo sem ser muito eficiente – pode operar as 20 máquinas adquiridas por Vitória. / shutterstock Quando um trabalhador adicional é contratado, as máquinas são divididas igualmente entre os funcionários. shutterstock Quando há dois trabalhadores, cada um opera dez máquinas. shutterstock / Se forem três, cada um mexe em 6 e se reveza nas 2 restantes. E assim por diante. Se Vitória empregar um número maior de trabalhadores, as máquinas serão operadas de forma mais intensiva; assim, mais carros estarão sendo produzidos. A função de produção da firma é a relação entre a quantidade de trabalho e a de produto (carros) para um dado montante de insumo fixo (máquinas). A figura a seguir informa a função de produção da fábrica de Vitória em dois formatos (diagrama e tabela): Fonte: A autora Denominada curva de produto total da fábrica, essa função de produção revela como uma quantidade de produto depende do montante de insumo variável para uma dada quantidade de insumo fixo. O eixo vertical, por sua vez, exibe o número de carros produzidos (Y); o eixo horizontal, o montante de insumo variável, ou seja, o número de trabalhadores empregados (L). A curva de produto total está positivamente inclinada, mas sua inclinação não é constante: à medida que se acrescentam trabalhadores empregados, o número de carros produzido aumenta, mas esse acréscimo na produção é cada vez menor. Ou seja: ao deslizarmos para a direita da curva, ela se tornará mais achatada. Para entendermos essa mudança na inclinação, observemos a tabela da figura acima: ela mostra o produto marginal do trabalho (PMgL), isto é, a variação na quantidade de produto ao se acrescentar uma unidade de trabalho. Já possuímos as informações sobre a quantidade dele para todas as unidades de trabalho, ou seja, para 1, 2, 3 trabalhadores – e assim por diante. DICA Nem sempre é necessário haver uma informação individualizada dessa maneira: muitas vezes, a quantidade de produto para a variação do trabalho é conhecida em dezenas (para empresas com 10 ou 20 trabalhadores, por exemplo) ou outros intervalos possíveis. Para calcularmos o PMgL nesses casos, podemos usar a seguinte equação: ÇÃ ÇÃ Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Ou, mais formalmente, esta: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal A inclinação na curva de produto total é igual ao produto marginal do trabalho. Podemos observar que ele diminui quando mais trabalhadores são empregados; portanto, a curva se achata à medida que outros mais são contratados. A razão para isso é simples: em geral, ocorrem retornos decrescentes de um insumo quando se registra um aumento em sua quantidade. Mantido constante o montante dos demais insumos, reduz-se o produto marginal dele. / EXEMPLO Pense numa sorveteria: se só houver uma máquina de sorvete e um trabalhador operando, pode-se aumentar bastante a produção ao contratar um empregado extra para eles se revezarem entre duas atividades: fazer sorvete e atender os clientes. Mas não se ganha muito em produção contratando 10 empregados com apenas uma máquina: não é possível que todos eles a operem ao mesmo tempo. O mesmo ocorre com a fábrica de Vitória. Cada trabalhador adicional trabalha com uma quantidade menor que o total anterior de 20 máquinas. Isso faz com que ele não consiga produzir tanto quanto o anterior; portanto, o produto marginal por trabalhador diminui. Fonte: A autora ATENÇÃO A hipótese dos retornos decrescentes só é válida caso tudo mais seja mantido de maneira constante. Se os demais insumos pudessem mudar também, as curvas de produto total e marginal se deslocariam. Esta figura demonstra as curvas de produto total (PT) e marginal por trabalhador (PMgL) na fábrica de Vitória na situação inicial (20 máquinas) e na atual (10): Fonte: A autora Observemos estes dois painéis: PAINEL (A) A menos que sejam empregados 0 trabalhadores, PT10, que representa a produção com 10 máquinas, está situada abaixo de PT20 (20 máquinas), pois, com menos unidades disponíveis, qualquer número de trabalhadores produz menos carros. ETAPA 02 Mostra o exposto no painel anterior em termos de produto marginal. Embora as duas curvas tenham inclinação para baixo, já que o número de máquinas em cada situação é fixo, pmgl20 fica acima de pmgl10 em todos os pontos, refletindo, assim, que o PMgL é mais alto quando há mais insumo fixo. CURVAS DE CUSTO javascript:void(0) javascript:void(0) / Mostramos que Vitória pode conhecer sua função de produção verificando a relação entre insumos de trabalho e capital e produção de automóveis. Mas nada falamos sobre suas escolhas de produção. Em geral, os produtores vão escolher uma produção que maximize seus lucros. A definição formal de lucro é: Lucro = receita total - custo total Ou, em notação, ele é expresso da seguinte forma: Π Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal A receita total (RT) é o que um produtor obtém pela produção vendida, ou seja, o preço daquele bem multiplicado pelo montante vendido dele. Se estamos falando do número de automóveis (qA) e do seu preço (pA), a receita total é dada pela igualdade: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal E o custo total? Como vimos neste módulo, insumos são custosos e apresentam dois tipos: fixos e variáveis. Cada insumo vai ter seu custo ao ser empregado na produção. O do aluguel de máquinas – insumos fixos, ou seja, que não variam – recebe o nome de custo fixo (CF). O CF não depende do montante produzido, uma vez que o produtor já incorre nele quando toma a decisão de produzir, não podendo mudar sua quantidade – ao menos, não no curto prazo. Já o custo do insumo variável é denominado custo variável (CV). EXEMPLO Os trabalhadores de Vitória. O CV consiste no número de trabalhadores multiplicado pelo seu salário (que é o custopor unidades de trabalho). Como a quantidade produzida depende desse número, o custo variável também depende dele. A soma dos custos fixo e variável para um determinada montante de produto configura, portanto, o custo total (CT) dela. Essa relação pode ser expressa pela equação: CUSTO TOTAL = CUSTO FIXO + CUSTO VARIÁVEL OU CT = CF + CV. Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal A tabela a seguir indica como é calculado o custo total da fábrica de Vitória. Perceba que o CT sobe conforme o número de unidades produzida aumenta. Isso ocorre por conta do CV: quanto maior for o montante produzido, maior será o custo total da fábrica. Quantidade de carros Y Quantidade de trabalho L Custo variável CV Custo fixo CF Custo total CT 0 0 R$0 R$500 000 R$500 000 / 13 1 1 000 500 000 501 000 24 2 2 000 500 000 502 000 33 3 3 000 500 000 503 000 40 4 4 000 500 000 504 000 45 5 5 000 500 000 505 000 48 6 6 000 500 000 506 000 50 7 7 000 500 000 507 000 50 8 8 000 500 000 508 000 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal CUSTOS MARGINAL E MÉDIO Imaginemos agora que Vitória queira fazer uma análise na margem sobre seus custos e compreender o custo de cada unidade a mais de carro em sua produção. Assim como acontece no caso do produto marginal, será mais fácil entender o custo adicional de uma unidade a mais de produto se tivermos as informações detalhadas para cada unidade dele. Infelizmente, este não é o caso: ela só dispõe desses dados em intervalos de produção. EXEMPLO Zero, 13, 24 carros. Vamos analisar então a sorveteria de Mateus. A tabela a seguir detalha, na primeira coluna, a produção dela e os seus custos. Ele possui um custo fixo: diariamente, são gastos R$125 com aluguel, máquina etc.. Mateus precisa pagar seus funcionários e os insumos para a feitura do produto, como açúcar, leite e outros ingredientes. Eles representam o seu custo variável (expresso na coluna 3) e dependem de quantos sorvete são produzidos. Já o custo total, ou seja, a soma dos custos fixo e variável, figura na coluna 4: Fonte: Shutterstock / Fonte: Shutterstock. Quantidade de sorvete Y Custo fixo CF Custo variável CV Custo total CT Custo médio CME C. marginal CMg 0 R$125 R$0 R$125 1 125 5.00 130.00 130.00 5.00 2 125 20.00 145.00 72.50 15.00 3 125 45.00 170.00 56.67 25.00 4 125 80.00 205.00 51.25 35.00 5 125 125.00 250.00 50.00 45.00 6 125 180.00 305.00 50.83 55.00 7 125 245.00 370.00 52.86 65.00 8 125 320.00 445.00 55.63 75.00 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Já apresentamos esses conceitos neste módulo. Além dessas medidas de custo, existem ainda outras duas muito usadas pelos economistas: autor/shutterstock Custo marginal (CMg) / autor/shutterstock Custo médio (CMe) Assim como observamos no produto marginal, o custo marginal é a variação no custo total ao se acrescentar uma unidade de trabalho (por exemplo, um trabalhador a mais ou um dia a mais de trabalho). Sua forma de cálculo também é parecida com a que vimos antes: ÇÃ ÇÃ OU Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal O custo médio, por sua vez, possui um cálculo ainda mais simples: como o próprio nome diz, ele é uma média. Para calculá-lo, basta dividir o custo total pela quantidade de produto. É OU Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal As colunas 5 e 6 da tabela anterior oferecem respectivamente os custos médio e marginal da sorveteria de Mateus. O marginal aumenta com o número produzido de sorvetes, enquanto o médio começa alto e diminui à medida que mais unidades são produzidas. No entanto, a partir da 5ª unidade de sorvete, ele volta a crescer. Para compreendermos o comportamento das duas curvas, devemos observar os diagramas desta figura: / Fonte: A autora DIAGRAMA (A) O diagrama (a) mostra a curva de CT da sorveteria de Mateus, indicando o aumento dela com o número de unidades produzida. A inclinação da curva de CT também não é constante, pois ela se torna cada vez mais inclinada à medida que se desliza para a direita. A razão para isso são os retornos decrescentes do insumo variável. DIAGRAMA (B) No segundo gráfico, vemos a curva de custo marginal (CMg) da sorveteria. Como pudemos ver anteriormente no caso da curva de produto marginal, que corresponde à inclinação da de produto total, o custo marginal é igual à inclinação da curva de CT. Como ela é positivamente inclinada, a inclinação da própria curva de custo total aumenta. Novamente, os retornos decrescentes de insumos justificam a inclinação da CMg. Como o produto marginal do insumo declina, cada vez mais insumo variável será necessário para produzir qualquer unidade adicional de produto. Como cada unidade adicional de insumo variável tem de ser paga, o custo por unidade adicional de produto também aumenta. DIAGRAMA (C) O terceiro diagrama (c) indica o custo médio. Conforme apontamos, ele não tem inclinação constante: a curva de CM tem um formato de “U”. Isso ocorre por dois efeitos acontecerem simultaneamente na curva de custo médio. ATENÇÃO Lembre-se de que o produto marginal é decrescente. Recordemos que o custo total é composto por dois tipos de custo: variável e fixo. Assim, o médio também pode ser decomposto em dois componentes: autor/shutterstock Custo fixo médio (CFM); / autor/shutterstock Custo variável médio (CVM). O cálculo de ambos é direto: divide-se cada um pela quantidade de produto produzida. É OU Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Á É Á OU Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal No início da produção, quando há poucas unidades, o custo total médio (CME) é alto por conta do peso grande que o componente do custo fixo tem sobre ele. Conforme se produz mais, esse componente de custo fixo vai sendo “diluído”. Em outras palavras, assim que o denominador aumenta, o CFM diminui, de modo que a inclinação da curva também diminui, tornando-a mais achatada. Isso ocorre até ela atingir um ponto mínimo e voltar a crescer. O crescimento do custo médio depois do ponto de mínimo ocorre por conta do outro efeito: o do custo variável. Se, por um lado, o CFM cai, o CVM sobe. Esse crescimento do custo variável se deve ao efeito dos retornos decrescentes dos insumos, fazendo com que, quanto maior for a quantidade de produto, mais insumo variável será necessário para produzir unidades adicionais, aumentando, por sua vez, o custo variável. Indicaremos mais à frente uma figura que possui essa dinâmica dos custos, ilustrando, para tal, cada uma das curvas. Como se pode observar, o CFM e o CMg se cruzam no ponto mínimo de custo total médio. A partir deste ponto (destacado pela letra M na figura), o CVM ultrapassa o CFM; dessa forma, os efeitos do componente variável do custo médio ultrapassam o efeito do componente fixo dele. / Fonte: A autora Notemos também que a curva de custo marginal intercepta a de custo médio no mesmo ponto. Correspondendo a um custo total médio mínimo, a quantidade de produto desse ponto recebe o nome de produto de custo mínimo. Abaixo dele, o CVM é menor que o CFM; com isso, a curva de custo médio total declina. Acima do ponto M, no entanto, o CVM ultrapassa o CFM e é maior do que ele, de maneira que o custo médio passa a crescer. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. SOBRE FUNÇÃO DE PRODUÇÃO DA FIRMA, ASSINALE A AFIRMATIVA FALSA: A) É a relação entre a quantidade de produto que uma firma irá produzir e a de insumos. B) Os insumos da função de produção de curto prazo são fixos. C) A curva que mostra como a quantidade de produto depende do montante de insumo variável para uma dada quantia de insumo fixo é chamada de curva de produto total. D) A inclinação da curva de produto total é igual ao produto marginal do insumo variável. 2. QUESTÃO NÚMERO DOIS DO MÓDULO 3. A) O custo variável é a variação no custo totalao se acrescentar uma unidade de insumo variável. B) O custo fixo médio é o custo fixo dividido pela quantidade total produzida. C) A curva de custo marginal é crescente. D) O custo total é a soma dos custos fixo e variável. GABARITO 1. Sobre função de produção da firma, assinale a afirmativa falsa: A alternativa "B " está correta. / No curto prazo, os produtores não conseguem modificar o montante de alguns insumos. Trata-se dos chamados insumos fixos. Eles só podem alterar a sua produção mudando a quantidade de insumos variáveis. No longo prazo, não existem insumos fixos: todos eles são variáveis. 2. Questão número dois do módulo 3. A alternativa "A " está correta. Tal definição corresponde ao custo marginal. MÓDULO 4 Demonstrar a quantidade de produto para a maximização do lucro do produtor OFERTA E COMPETIÇÃO PERFEITA No módulo anterior, estudamos as curvas de custo do produtor e enunciamos os conceitos de lucro e receita. Mas resta saber ainda como esses conceitos estão relacionados entre si e de que forma afetam as escolhas de produção e oferta das firmas. Isso depende do tipo de mercado no qual uma firma se encontra. Neste módulo, contudo, analisaremos uma na seguinte situação: competição perfeita. Se você já foi a uma feira, deve ter notado que, em geral, existe mais de um feirante vendendo batatas ou tomates. Também já deve ter percebido que o preço desses produtos repetidos costuma ser muito parecido ou igual entre as barracas. O barulho alto característico das feiras é um sintoma da competição que os feirantes enfrentam entre si. Para vender produtos que não oferecem muitas diferenças entre uma barraca e outra, competir é inevitável. Para isso, recorre-se à voz. Mas por que eles não usam outros recursos, como alterar o preço e a quantidade ofertada, para tentar vender mais? Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock. José e Sônia são dois feirantes que vendem batatas. Ambos comercializam o seu produto na mesma feira aos domingos. Suponha também que suas batatas sejam da mesma qualidade. Na prática, eles competem entre si ao disputarem potenciais compradores. Será que um dos dois devia impedir o outro de vender batatas? Ou eles deveriam fazer um acordo para aumentar o preço dela? É provável que a resposta seja não. Há centenas de outros feirantes vendendo esse item, seja na mesma feira ou em outra talvez não muito distante. Sônia e José definitivamente estão competindo com todos esses vendedores de batata. Se ambos tentassem aumentar o preço da batata, provavelmente não conseguiriam vender muito, pois os consumidores encontrariam outra mais barata a apenas algumas barracas de distância. Desse modo, podemos dizer que José e Sônia são produtores tomadores de preço. / Um produtor é chamado assim quando suas ações não afetam o preço de mercado do bem que ele vende. O raciocínio análogo vale para os consumidores tomadores de preço: eles não podem influenciar esse preço por meio de suas ações. Em um mercado perfeitamente competitivo, consumidores e produtores são tomadores de preço. Com isso, decisões individuais, de quem quer que elas partam, não afetam o preço de mercado de determinado bem. Além disso, há duas condições necessárias para a competição perfeita: Competição perfeita autor/shutterstock PRIMEIRA CONDIÇÃO A) A indústria deve possuir um número relativamente grande de produtores; B) Nenhum deles pode ter participação de mercado grande. A participação de mercado de um produtor é a fração do produto total da indústria pela qual ele é responsável. Se possuir uma parcela muito grande dele, ele passará a influenciar o preço de mercado do bem que produz. Por exemplo, na crise do petróleo da década de 1970, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) tinha quase 1/3 de fatia da produção total de petróleo mundial. Ao diminuir a quantidade ofertada, ela influenciou diretamente no preço do barril. Este não é o caso de José nem de Sônia. autor/shutterstock SEGUNDA CONDIÇÃO Os consumidores devem considerar os produtos de todos os produtores equivalentes. Isso não seria verdade se os compradores acreditassem que as batatas de Sônia são de melhor qualidade que as de José. Caso realmente fossem melhores, ainda que ela aumentasse um pouco o seu preço, os consumidores continuariam comprando em virtude de sua melhor qualidade. No caso de commodities (ou produtos padronizados), os consumidores costumam considerar o produto de um produtor como perfeitamente substituível pelo de outro. Temos como exemplo um produtor de batatas como José ou Sônia. Eles não podem aumentar o preço de suas batatas sem / perder todas as suas vendas para outros vendedores. Assim, para que uma indústria seja perfeitamente competitiva, é necessário que seu produto seja padronizado. LIVRE ENTRADA E SAÍDA Além das duas condições enunciadas acima, os mercados perfeitamente competitivos têm ainda outra característica: a livre entrada e saída de firmas e produtores. Dito de outra forma, não há barreiras para seu acesso ao mercado. EXEMPLOS DE BARREIRAS À ENTRADA Acesso limitado a recursos, obstáculos legais e regulamentações governamentais. Tampouco existem custos adicionais associados à saída do mercado, como tarifas associadas ao fechamento de uma firma. Contudo, a livre entrada e saída não é uma condição necessária para a competição perfeita, e sim uma característica comum na maioria dos mercados competitivos. Como funcionam os mercados perfeitamente competitivos? Para responder a essa pergunta, primeiramente examinaremos de que modo um produtor maximiza o seu lucro individualmente em uma indústria perfeitamente competitiva. Em seguida, entenderemos o significado de lucro econômico a partir da análise dos lucros e prejuízos de um negócio hipotético. PRODUTO ÓTIMO Imagine que João e Maria administrem um cultivo de café. Suponha que o preço de mercado da saca seja R$40 e que eles sejam tomadores de preço, podendo, assim, vender o montante que quiserem com esse preço. Quantas sacas eles devem produzir para maximizar seu lucro? Já verificamos no módulo anterior que o lucro é igual à receita total menos o custo total, assim como a receita total é o preço de mercado multiplicado pela quantidade de produto. Como fizemos no caso do consumidor, recorreremos agora à análise marginal para encontrar a quantidade ótima de produto (que maximiza o lucro) a ser vendida. Quando um produtor aumenta o montante dele em uma unidade, sua receita cresce, mas, infelizmente, acontece o mesmo com seu custo. Também vimos que esse aumento no custo por unidade extra de produto é conhecido como custo marginal. Analisemos agora outro conceito relativo a esse tópico: receita marginal (RMg). Analogamente, ela é a receita adicional gerada com a venda ao se aumentar o produto em uma unidade. Formalmente, temos a seguinte equação: ÇÃ ÇÃ Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Mas como isso ajuda a descobrir a quantidade ótima de sacas de café que João e Maria deve produzir para maximizar os lucros de sua produção? A tabela a seguir aponta a receita total, o custo total e o lucro total por unidade de saca de café do cultivo de ambos, além dos cálculos do custo e RMg. A última coluna, por sua vez, exibe o ganho líquido por saca, isto é, a receita marginal menos o custo marginal. Quantidade de café Y (sacas) Custo variável CV Custo total CT C. Marginal por saca CMg R. Marginal por saca RMg Ganho líquido por saca 0 R$0 20.00 - - - 1 25.00 45.00 25.00 40.00 15.00 / 2 55.00 75.00 30.00 40.00 10.00 3 65.00 110.00 35.00 40.00 5.00 4 75.00 150.00 40.00 40.00 0.00 5 85.00 195.00 45.00 40.00 -5.00 6 95.00 245.00 50.00 40.00 -10.00 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Como vimos no módulo 3, esta tabela evidencia que o custo variável e o total crescem à medida que a produção aumenta. O custo marginal também sobe a cada unidade de café por conta dos retornos decrescentesdos insumos. A RMg, no entanto, permanece constante, uma vez que o preço do produto não muda (afinal, João e Maria são tomadores de preço). Examinemos agora a última coluna, a de ganho líquido por saca: até a 4ª saca de café produzida, ambos registram um ganho líquido positivo. Produzir, portanto, gera mais receita do que custos. Na quarta saca, o ganho líquido já é zero; a partir da 5ª, ele passa a ser negativo, pois o custo marginal é maior que a receita marginal. Podemos observar essas curvas graficamente para a melhor absorção desse conceito: Fonte: A autora A curva de custo marginal (CMg) apresenta uma inclinação positiva e permanece abaixo da de receita marginal (RMg) até o ponto E, onde ela intercepta a RMg. Até E (ou até a 4º saca), João e Maria contabilizam um ganho líquido positivo por saca. A partir de E, a CMg ultrapassa a curva de receita marginal, enquanto o ganho líquido se torna negativo, ou seja, eles passam a perder dinheiro com a produção de unidades adicionais de sacas de café. Desse modo, o ponto que maximiza o lucro de ambos é o E, com uma produção de quatro sacas de café. Note que, neste ponto, a receita marginal é exatamente igual ao custo marginal. Isso é chamado de regra de produto ótimo do produtor. Na quantidade ótima de produto, Rmg = CMg. LUCROS E PREJUÍZOS Sabemos então que, no ponto indicado, João e Maria não encontram incentivos para produzir mais nem menos, pois ele se trata da quantidade de produto ótima deles. Mas este é o único ponto no qual a produção dele e sua manutenção no mercado fazem sentido? A resposta é não. A decisão de uma firma permanecer ou não em um mercado depende de seu lucro econômico, medida que considera o custo de oportunidade dos recursos de um negócio além de suas despesas explícitas. EXEMPLO Se fôssemos pensar no lucro econômico de João e Maria, poderíamos incluir como custo de oportunidade de investir na produção de café o quanto esse dinheiro renderia no banco. Lembremos que custo de oportunidade é o que você deixa de obter (rendimento do banco) ao optar por outra atividade (produção de café). O que diferencia o lucro econômico do contábil é o custo implícito, isto é, os benefícios dos quais se abdica no uso dos recursos da firma. / Vamos supor que todos os custos (implícitos e explícitos) estejam incluídos na tabela a seguir, mostrando, portanto, o lucro econômico. Para saber se Maria e João operam em lucro ou prejuízo, devemos olhar para: Custo total médio mínimo de sua produção; Preço de mercado do café. Esta tabela calcula o custo variável médio e o total médio para a produção de ambos. Consideramos o custo fixo como dado; portanto, são valores de curto prazo: Quantidade de café Y (sacas) Custo variável CV Custo total CT Custo variável médio CVM = CV/Y Custo total médio CTM = CT/Y 0 R$0 20.00 - - 1 25.00 45.00 25.00 45.00 2 55.00 75.00 27.50 37.50 3 65.00 110.00 21.67 36.67 4 75.00 150.00 18.75 37.50 5 85.00 195.00 17.00 39.00 6 95.00 245.00 15.83 40.83 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Como se pode observar, o custo total médio é minimizado na quarta saca no valor de R$36,67, que corresponde ao produto de custo mínimo. Mas o que isso nos diz a respeito de uma firma ser lucrativa ou não? No módulo anterior, frisamos que o lucro π é igual à receita total (RT) menos o custo total (CT). Logo: SE RT > CT, A FIRMA É LUCRATIVA; SE RT < CT, A FIRMA TEM PREJUÍZO; SE RT = CT, A FIRMA POSSUI CUSTO E RECEITA IGUAIS E LUCRO ZERO. Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Também é possível manipular essas equações dividindo os dois lados pelo produto Y e expressar essa ideia em termos de receita e custo por unidade de produto: / Π Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal O primeiro termo do lado direito da equação (RT/Y) representa a receita média, que é igual ao preço de mercado das sacas de café, uma vez que o preço é constante. Já o segundo termo constitui o custo total médio. Dessa maneira, uma firma será lucrativa se o preço de mercado de seu produto exceder o custo total médio da quantidade que ela produz e terá prejuízo se o preço de mercado for inferior. Reescreveremos essas relações a seguir: SE P > CTM, A FIRMA É LUCRATIVA; SE P < CTM, A FIRMA TEM PREJUÍZO; SE P = CTM, A FIRMA POSSUI CUSTO E RECEITA IGUAIS E LUCRO ZERO. Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Também podemos observar essa relação graficamente. Esta figura apresenta dois diagramas com diferentes preços de mercado de saca de café: Fonte: A autora No painel (a), o preço de mercado da saca de café excede o custo total médio mínimo, em que p = 40, e a firma opera em lucro. João e Maria possuem uma situação lucrativa, pois o preço de R$40 excede o custo total médio a equilibrar receita e custo; afinal, o ponto de custo total médio mínimo é R$36,67. O ponto E do gráfico é o caso já analisado no qual ambos produzem a quantidade maximizadora de lucro: quatro sacas de café. Nesse montante, o custo total médio, indicado por B no gráfico, é de R$37,50. Como o preço de mercado por saca é maior que o custo total médio por unidade, a produção de João e Maria mostra ser lucrativa. Esse lucro é indicado pela distância vertical entre a reta de receita marginal e o custo total médio dessa quantidade de sacas ou pela distância entre os pontos E e B multiplicada pelo número de sacas. A área sombreada (cinza) no gráfico ilustra o lucro de João e Maria. É possível expressar o lucro total também em termos de lucro por unidade: Π OU / Π Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Já no gráfico (b), conforme indica a letra D, a firma, com p = 30, ou seja, abaixo do custo total médio mínimo, opera em prejuízo. Nessa situação, a curva de custo marginal corta a de receita marginal (ou preço) no ponto C, que corresponde ao montante de duas sacas de café. Agora é negativa a distância entre a reta de receita marginal e o ponto de custo total médio associado à quantidade W, que equivale a R$37,50. O custo total médio excede o preço de mercado. Com isso, a produção de Maria e João opera em prejuízo. Assim, para determinar se um produtor é lucrativo ou não, é necessário comparar o preço de mercado do bem e o que iguala receita e custo para o produtor, ou seja, seu custo total médio mínimo. A CURVA DE OFERTA Vimos até aqui como os produtores de um mercado perfeitamente competitivo decidem suas quantidades ótimas de produção. Também apontamos neste módulo que, no curto prazo, o número de produtores ou firmas desse tipo de indústria é fixo, não havendo entrada nem saída. Mas qual é a quantidade total de bens ofertada em um determinado mercado? Sabemos que cada produtor tomará o preço como dado e fará sua escolha individual sobre a quantidade ótima de produto. Neste módulo, fizemos a suposição de que não haja diferença na qualidade dos bens dos produtores. Vamos estender essa hipótese para supor também que todos os produtores sejam iguais, ou seja, arquem com os mesmos custos e insumos. Como seria a curva de oferta dessa indústria? Revisitemos o mercado de café analisado anteriormente. Vamos supor, que além de João e Maria, existam outros 49 participantes idênticos, totalizando, assim, um grupo de 50. Sabendo que o número de produtores desse mercado é dado, cada um vai tomar sua decisão de produzir individualmente. Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock. / Desse modo, cada um igualará seu custo marginal à receita marginal, isto é, ao preço de mercado. Como os produtores são iguais e têm os mesmos custos, todos eles decidirão produzir o mesmo número de sacas de café: quatro (quantidade ótima de produto). Se houver 50 produtores de café, a quantidade de oferta da indústria será 50 vezes 4 sacas, ou seja, 200 sacas de café. Já o preço dela será de R$40. O resultado disso é a curva de oferta da indústria de curtoprazo ilustrada no painel (a): Fonte: A autora Neste diagrama, D representa a curva de demanda e E, o ponto de equilíbrio de mercado de curto prazo, no qual a quantidade de oferta é igual à de demanda para um dado número de produtores. No curto prazo, não há entrada nem saída de participantes, pois estamos olhando um período pequeno de tempo. No longo prazo, no entanto, eles podem entrar e sair livremente do mercado, havendo, desse modo, uma variação no número de produtores que altera tanto o montante ofertado quanto o equilíbrio. Suponhamos agora que, além dos 50 produtores de café operando no mercado, haja muitos outros querendo entrar nele que também são idênticos a João e Maria. Quantos participantes adicionais entrarão na indústria? Em que situação o farão? Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock. Enquanto a produção for lucrativa, haverá incentivos para novos produtores entrarem nela. Logo, quando o preço de mercado for superior ao custo de produção total médio mínimo (R$36,67), isto é, o valor que iguala custo e receita, mais pessoas estarão disputando uma fatia desse mercado. Porém, à medida que novos produtores ingressam na indústria, a quantidade ofertada aumenta. Com esse aumento, existe uma pressão para o preço de mercado cair. E é isso que acontece: a curva de oferta se desloca para a direita até atingir o ponto em que o preço se iguala ao custo total médio mínimo. Quando a curva de oferta atingir esse ponto, os produtores vão parar de querer entrar no mercado, pois não haverá mais lucro. O painel (b) da figura acima demonstra essa dinâmica: a curva de oferta inicial S1 se desloca para a direita até S2, onde encontra a curva de demanda D no novo ponto de equilíbrio E2. Neste ponto, o preço de mercado equivalerá ao custo total médio mínimo; com isso, cada produtor irá produzir um total de três sacas. A nova quantidade de equilíbrio do mercado de sacas de café será, portanto, a seguinte: 250 sacas ao preço de R$36,67. VERIFICANDO O APRENDIZADO / 1. ASSINALE A ALTERNATIVA QUE NÃO CORRESPONDE A UMA CONDIÇÃO DE MERCADOS PERFEITAMENTE COMPETITIVOS: A) Produtores são tomadores de preços. B) Os consumidores observam diferenças relevantes entre os produtos vendidos. C) Consumidores são tomadores de preços. D) Produtos são padronizados. 2. ASSINALE A AFIRMATIVA VERDADEIRA: A) Se o preço de mercado é menor que o custo total médio, a firma é lucrativa. B) Se o preço de mercado é igual ao custo total médio, a firma é lucrativa. C) Se o preço de mercado é maior que o custo total médio, a firma é lucrativa. D) A firma nunca é lucrativa no curto prazo. GABARITO 1. Assinale a alternativa que não corresponde a uma condição de mercados perfeitamente competitivos: A alternativa "B " está correta. Em mercados competitivos, os produtos são homogêneos e portanto os consumidores escolherão o mais barato. 2. Assinale a afirmativa verdadeira: A alternativa "C " está correta. O lucro da firma é igual à receita total menos o custo total. Dividindo os dois lados da equação pelo produto, vemos que o lucro médio é igual à receita média, que, por sua vez, equivale ao preço de mercado menos o custo total médio. Assim, a firma será lucrativa quando a receita média ou o preço exceder o custo total médio. CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS Introduzimos neste tema alguns dos conceitos básicos de Microeconomia. Você deve ter notado que as escolhas tanto do consumidor quanto da firma são determinadas por diversos fatores. Por isso, estabelecemos uma análise criteriosa de tais escolhas para entendermos sua dinâmica, mantendo constantes os demais fatores e assumindo algumas hipóteses. A realidade, no entanto, é muito mais complicada que os modelos adotados aqui. Afinal, eles nada mais são que uma simplificação dela para facilitar a compreensão de seus principais mecanismos. / REFERÊNCIAS KRUGMAN, P.; WELLS, R. Introdução à economia. 2 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. LEVITT, S.; DUBNER, S. J. Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta. 5 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. VARIAN, H. Microeconomia: uma abordagem moderna. 9 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. EXPLORE+ Para entender melhor fatos do cotidiano com um olhar econômico, leia: LEVITT, S.; DUBNER, S. J. Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta. 5 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. Este livro de Steven Levitt e Stephen J. Dubner mostra como a microeconometria pode ajudar no entendimento dos incentivos e da análise de benefícios por trás de decisões corriqueiras. CONTEUDISTA Mariana Stussi Neves CURRÍCULO LATTES javascript:void(0); / DEFINIÇÃO Curvas de oferta e demanda – instrumentos teóricos essenciais para compreensão do funcionamento dos mercados, da formação de preços e da definição de quantidades produzidas. Mercados em competição perfeita e sob monopólio. Equilíbrio de mercado. Conceito de Eficiência de Pareto e teoremas do bem-estar. PROPÓSITO Compreender os processos de formação de preços e quantidades – base de processos decisórios no dia a dia do mercado –, bem como a avaliação da eficiência do equilíbrio de mercado. PREPARAÇÃO / Antes de iniciar o conteúdo deste tema, recomendamos que tenha em mãos uma calculadora científica. OBJETIVOS MÓDULO 1 Definir demanda e oferta agregadas MÓDULO 2 Descrever a formação de preços e quantidades de equilíbrio em um mercado competitivo MÓDULO 3 Definir excedente do produtor e do consumidor para aplicá-lo como medida de bem-estar MÓDULO 4 Descrever o comportamento de uma firma monopolista INTRODUÇÃO Neste tema, vamos começar analisando uma estrutura de mercado específica, os mercados competitivos. Em um mercado competitivo, há muitos compradores e vendedores, de forma / que ações individuais não afetam o preço da venda do bem e nem a quantidade total que será vendida. Quando um indivíduo não tem capacidade de afetar individualmente os resultados do mercado, dizemos que ele não possui poder de mercado e é tomador de preços. Vocês devem estar se perguntando por que estudar mercados competitivos e que outros tipos de estrutura existem. A escolha para começarmos apresentando os mercados competitivos deve-se ao fato de ser a estrutura mais fácil de modelar. A partir dela, temos uma base de comparação para as demais. No módulo 1, veremos como obter as curvas de oferta e demanda agregadas. No módulo 2, a partir dessas curvas, veremos como são definidos o preço e a quantidade no equilíbrio de mercado, e como se alteram com mudanças na economia. No módulo 3, apresentaremos os conceitos de excedente do consumidor e do produtor, que serão usados em análises de bem- estar. No módulo 4, estudaremos o comportamento de mercado da firma monopolista, que é capaz de afetar preços. MÓDULO 1 Definir demanda e oferta agregadas CURVA DE DEMANDA AGREGADA VOCÊ SABE O QUE É CURVA DE DEMANDA INDIVIDUAL E AGREGADA? CURVA DE DEMANDA INDIVIDUAL Mostra quanto um consumidor está disposto a pagar para obter um bem ou serviço, ou quantas unidades irá adquirir para cada preço. javascript:void(0) / CURVA DE DEMANDA AGREGADA É análoga: representa a quantidade total que o conjunto de consumidores de uma economia irá adquirir para cada preço. Supondo que em uma certa economia existam N indivíduos. A curva de demanda agregada pelo bem X será o somatório de todas as curvas de demanda individuais por aquele bem: Q = Q1 + Q2 + ... + QN Em que q1, q2, ..., qn são as demandas individuais de cada um dos N consumidores. Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal EXEMPLO Suponha que o preço da maçã seja R$1,00 e João e Maria desejem comprar, respectivamente, 5 e 4 unidades. Então, a demanda total a esse preço é 𝑄 (𝑝𝑚𝑎çã = 𝑅$1)= 5+4= 9. Se o preço aumenta para R$2,00, talvez cada um passe a comprar apenas 3 maçãs, e teremos: 𝑄 (𝑝𝑚𝑎çã = 𝑅$2) = 3+3= 6. A demanda de cada indivíduo para cada bem depende dos preços e da renda individual. Assim, ademanda agregada depende dos preços e também da distribuição de renda. Para simplificarmos, costumamos olhar para a demanda agregada como a demanda de um consumidor representativo, que tem sua renda igual à soma de todas as rendas individuais. javascript:void(0) / Fonte: Hyejin Kang / Shutterstock A figura 1, a seguir, ilustra a curva de demanda agregada para um dado bem, mantendo a renda fixa: Figura 1 ‒ Curva de demanda de um bem Podemos notar que a curva de demanda agregada tem inclinação negativa, ou seja, quanto maior o preço, menor a quantidade demandada pelos consumidores, tudo o mais sendo constante. No geral, as curvas de demanda possuem inclinação negativa, com algumas exceções. Temos, então, a proposição de que, Ceteris Paribus, um preço mais alto de um bem faz com que as pessoas queiram uma quantidade menor deste. javascript:void(0) / CETERIS PARIBUS Ceteris Paribus é uma expressão latina que significa “todo o mais constante”. Ou seja, estamos analisando um elemento de cada vez. ELASTICIDADE-PREÇO DA DEMANDA É interessante ter uma medida da sensibilidade da demanda a mudanças no preço e na renda, que também é conhecida como elasticidade. A primeira delas é a elasticidade-preço da demanda (denotada por ∈): é apenas a mudança percentual da quantidade dividida pela mudança percentual no preço. Representamos a variação da quantidade por ∆𝑄 e, portanto, a variação percentual é a razão ∆𝑄/𝑄 (análoga para o preço). Podemos escrever a expressão da elasticidade-preço e manipulá-la ligeiramente: ÇÃ Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Ou seja, a “inclinação da curva” é apenas o nome da razão entre a variação da quantidade (∆𝑄) e a variação do preço (∆𝑝): se o preço aumenta em uma unidade (∆𝑝=1), a inclinação informa simplesmente quanto muda na quantidade demandada. COMENTÁRIO O motivo para multiplicamos a inclinação da curva pela razão de preço e quantidade é ter uma medida que independa da unidade de medida utilizada: a elasticidade não tem unidade de / medida, ao contrário do preço (medido em reais, dólares etc.) e da quantidade (medido em quilos, pacotes etc.). Fonte:Shutterstock No exemplo das maçãs, temos: ∆𝑝=1 (o preço aumentou de R$1,00 para R$2,00), ∆𝑄=3 (a quantidade demandada total diminuiu de 9 para 6 maçãs), para valores iniciais 𝑝=1 e 𝑄=9. Substituindo na fórmula acima, obtemos uma elasticidade igual a 1/3 (interprete esse número a partir da definição de elasticidade). O sinal da elasticidade da demanda é, em geral, negativo, e por isso nos referimos comumente ao seu valor absoluto, de forma a permitir comparações mais simples – ou seja, ignoramos o sinal, suposto negativo salvo menção explícita em contrário. A figura 2 apresenta a elasticidade da curva de demanda linear. Como podemos observar, em uma curva de demanda linear, a elasticidade da demanda varia conforme a quantidade e o preço. / Figura 2 ‒ Elasticidade da demanda linear Seja a curva de demanda linear igual a q = a – bp, em que a e b são parâmetros quaisquer. A inclinação dessa curva é, portanto, -b. Utilizando a fórmula da elasticidade apresentada, temos: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Quando p = 0, a elasticidade é 0 (zero). Quando q = 0, a elasticidade é infinita. Para encontrarmos o valor de p para que a elasticidade seja, em valor absoluto, igual a 1, podemos resolver a equação abaixo para p: / Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Como pudemos observar na figura 2, a elasticidade é igual a 1 em valor absoluto no ponto médio. Podemos classificar um bem em: ELÁSTICO INELÁSTICO DE ELASTICIDADE UNITÁRIA ELÁSTICO Quando sua elasticidade-preço for maior do que 1 em módulo. Uma curva de demanda elástica é bastante sensível a variações no preço, e um aumento de 1% faz a quantidade reduzir em mais do que 1% (são bens dos quais os consumidores têm facilidade para abrir mão). INELÁSTICO Quando sua elasticidade for menor do que 1 em valor absoluto. Uma curva de demanda inelástica é pouco sensível a variações no preço, e um aumento de 1% ocasionará uma redução de menos de 1% na quantidade. DE ELASTICIDADE UNITÁRIA Quando sua elasticidade for igual a |1|. / Uma curva de demanda com elasticidade unitária é aquela em que a variação de 1% no preço leva a uma variação de 1% na quantidade demandada. A elasticidade da demanda de um determinado bem depende da quantidade de substitutos próximos. EXEMPLO Suponha que pão e tapioca sejam considerados substitutos perfeitos. Se o preço do pão aumenta, a demanda de pão iria para zero, de forma que todos os consumidores prefeririam consumir tapioca, afinal, para os consumidores, eles são perfeitamente equivalentes. Caso um bem tenha muitos substitutos próximos, ele será extremamente sensível a variações nos preços, e sua demanda será bastante elástica. O oposto também vale: se um bem possui poucos substitutos próximos, ele será pouco sensível a qualquer variação de preço e, portanto, inelástico. ELASTICIDADE RENDA DA DEMANDA Além da elasticidade-preço, temos a elasticidade-renda da demanda, que mede o quanto a quantidade demandada reage a variações da renda. / Fonte: NATNN / Shutterstock Sua equação é análoga à de elasticidade preço da demanda, sendo nada mais do que a razão entre as variações percentuais da quantidade e da renda: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal A partir da elasticidade-renda, podemos classificar os bens em: / Fonte: Alena Veasey / Shutterstock “NORMAIS” Cuja demanda cresce devido ao aumento da renda, e cuja elasticidade-renda é positiva. Exemplos comuns de bens normais são produtos de qualidade (como carne de primeira), que o consumidor quer adquirir em maior quantidade quando sua renda aumenta. / Fonte: mmttp22 / Shutterstock “INFERIORES” Cuja demanda diminui devido ao aumento da renda, e cuja elasticidade-renda é negativa. Bens de baixa qualidade (como carne de segunda), por sua vez, são frequentemente inferiores, porque os consumidores os abandonam à medida que a renda aumenta. Também classificamos bens cuja elasticidade-renda é maior do que 1, como os de luxo, isto é, cuja demanda aumenta em mais de 1% quando a renda aumenta em 1%. Quando a elasticidade-renda fica entre 0 (zero) e 1, falamos em bens de necessidade (pense, por exemplo, em remédios: você compraria o dobro se sua renda duplicasse?). É frequente que a elasticidade-renda seja próxima de 1. RECEITA E ELASTICIDADE Receita é o quanto se ganha com a venda do bem, ou seja, é a quantidade vendida multiplicada pelo preço do bem. Quando o preço do bem varia, a quantidade também variará, ocasionando mudanças na receita. / Se o preço da batata aumenta, sua quantidade demandada irá reduzir. MAS O QUE ACONTECERÁ COM A RECEITA DA VENDA DAS BATATAS? Isso dependerá da elasticidade-preço da batata. Fonte: Bacho / Shutterstock Seja a receita de vendas igual a: R= PQ Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Quando o preço muda para 𝑝 + ∆𝑝, a quantidade passa para 𝑞 + ∆𝑞 (lembre-se de que ∆ indica variação: se o preço original é p = $5 e a variação é ∆𝑝 = $2, o novo preço é igual a $7). A nova receita será: / 𝑹′= (𝒑+∆𝒑) (𝒒+ ∆𝒒) 𝑹′=𝒑𝒒+𝒒∆𝒒+𝒑∆𝒒+∆𝒑∆𝒒 Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Para calcularmos a variação da receita, devemos subtrair R de R’. Desta forma: ∆𝑹= 𝑹′−𝑹 = 𝒒∆𝒑 + 𝒑∆𝒒 + ∆𝒑∆𝒒 Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Para pequenas variações, o último termo da equação é muito menor que os outros (é “quase” zero multiplicado por zero!), e podemos ignorá-lo. Agora que já calculamos a variação da receita, gostaríamos de chegar a uma equação em que fosse possível identificar qual é a variação da receita quando o preço varia. Para isso, vamosdividir a variação da receita, na última equação, pela variação do preço: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal O lado esquerdo dessa equação representa a variação na receita (∆𝑅) em resposta a uma variação no preço (∆𝑝). Gostaríamos de responder à questão: SOB QUE CONDIÇÕES UM AUMENTO DO PREÇO (∆𝒑>𝟎) GERA UM AUMENTO DA RECEITA (∆𝑹>𝟎)? Para que essa resposta seja positiva, devemos ter: / Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Lembrando da equação da elasticidade, notamos que o lado esquerdo da última equação nada mais é do que a própria elasticidade: ou seja, temos 𝜖>−1, ou |𝜖|< 1. Portanto, um aumento de preço ocasiona um aumento da receita quando a demanda por aquele bem for inelástica. É intuitivo: se um aumento de 10% no preço gera uma queda de menos de 10% da demanda (porque a demanda é inelástica), a receita aumenta. De maneira análoga, se |𝜖|>1, a demanda será elástica, e um aumento do preço reduz a receita. Podemos também calcular a variação de forma gráfica, como na figura 3: A receita é a área da caixa correspondente à multiplicação do preço pela quantidade, mostrada no painel A. No painel B, o aumento do preço em ∆𝑝 faz com que a nova quantidade seja 𝑞+∆𝑞. Quando o preço se eleva, acrescentamos uma área 𝑞∆𝑝, o retângulo azul menor na figura, e tiramos uma área equivalente a 𝑝∆𝑞, o retângulo maior em azul na figura. Quando a variação é pequena, isso será exatamente igual à razão entre as variações da receita e do preço. A parte que resta, / em laranja, é normalmente muito pequena em comparação às outras áreas, e é ignorada. Assim, para calcular a variação na receita podemos somar os dois quadriláteros azuis do painel B. Considere novamente a expressão da variação na receita: ∆𝑹 = 𝒑∆𝒒 + 𝒒∆𝒑 Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Dividindo essa expressão pela variação ∆𝑞 da quantidade, obtemos a expressão da variação da receita em resposta a uma variação da quantidade. Se a variação da quantidade for “pequena” (no sentido que se torna preciso em um curso de Cálculo Diferencial), chamamos essa resposta de Receita Marginal (RMg), como usaremos abaixo: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Se recordarmos a expressão da elasticidade-preço da demanda (∈), podemos notar que o termo entre parênteses é igual ao seu inverso, ou seja,¹⁄∈. Assim: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Para evitar confusões pela elasticidade-preço ser, às vezes, um número negativo, podemos reescrever a receita marginal usando valor absoluto, como a seguir: / Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Se a elasticidade for igual a -1, a receita marginal terá valor de zero, indicando que a receita não varia quando aumenta a venda. Se a demanda for inelástica, ou seja,|∈|< 1, a fração dentro do parêntese será maior do que 1, e a receita diminuirá quando a venda aumentar. ESSE FATO ILUSTRA QUE, CASO A DEMANDA SEJA INELÁSTICA, PARA QUE SEJAM VENDIDAS MAIS UNIDADES, SERÁ PRECISO DIMINUIR MUITO O PREÇO, PROVOCANDO UMA QUEDA DE RECEITA. DESLOCAMENTOS DA CURVA DE DEMANDA AGREGADA A lei da demanda diz que, todo o mais constante, um aumento do preço faz com que a quantidade demandada se reduza. Contudo, existem situações em que um aumento de preço faz com que a quantidade aumente. / VOCÊ DEVE ESTAR SE PERGUNTANDO: “COMO ISSO É POSSÍVEL?”. A resposta para essa pergunta reside no “todo o mais constante” da lei da demanda. Como pode o preço da cerveja ter aumentado e, mesmo assim, o consumo ter aumentado nos últimos anos? Certamente, todo o resto não foi mantido constante. A população cresceu, os hábitos se modificaram, logo, a curva de demanda agregada também se modificou, ela se deslocou para a direita. A figura 4, ao lado, ilustra os possíveis deslocamentos da curva de demanda agregada. Figura 4 ‒ Deslocamento da curva de demanda agregada Existem cinco principais motivos pelos quais a demanda agregada se desloca: mudança na renda, mudança nas preferências, mudança na quantidade de consumidores, mudança no preço de bens relacionados e mudança de expectativas. ANTES DE PROSSEGUIRMOS, PRECISAMOS FAZER UMA DISTINÇÃO ENTRE MOVIMENTOS AO LONGO DA CURVA E DESLOCAMENTOS DA CURVA. PARA QUE FIQUE CLARO, MOVIMENTOS AO LONGO DA CURVA / DE DEMANDA OCORREM DEVIDO A MUDANÇAS NO PREÇO. A figura 5, a seguir, mostra a diferença entre o deslocamento da curva e o movimento ao longo dela: Os movimentos ao longo de uma curva de demanda ocorrem quando há mudança no preço do bem em questão. Observando a figura ao lado, suponha que, inicialmente, estejamos na curva D1, no ponto a, que tem preço p1 e quantidade demandada q1. Se o preço do bem cai para p2, a quantidade demandada será q2, e então nos moveremos para o ponto b. Por outro lado, se estamos no ponto a, e há, por exemplo, um aumento da renda, nos deslocamos para D2. O aumento da renda não aumenta o preço, portanto, estaremos no ponto c, cujo preço é p1 e a quantidade demandada é q3. Figura 5 ‒ Deslocamento vs. movimento ao longo Agora que já compreendemos a diferença entre movimentos ao longo da curva e deslocamento, podemos avançar e falar um pouco mais de cada um dos motivos que fazem uma curva se deslocar. Vamos começar pela mudança de renda, ilustrada na figura 5. / A MUDANÇA NA RENDA, EM GERAL, LEVA AS PESSOAS A CONSUMIREM MAIS DE UM DETERMINADO BEM, UMA VEZ QUE, EM GERAL, OS BENS SÃO NORMAIS Como vimos na parte de elasticidade-renda, um aumento de renda eleva a quantidade demandada de bens normais e reduz a quantidade demandada de bens inferiores. Para entendermos como a mudança no preço relativo de bens relacionados desloca a curva de demanda agregada, vamos a um exemplo. EXEMPLO Suponha que pão e tapioca sejam substitutos: um aumento no preço da tapioca fará com que os consumidores substituam o consumo de tapioca por pão, elevando a quantidade demandada de pão. Esse aumento leva a um deslocamento da curva de demanda agregada. Agora, suponha que café e pão sejam complementares, afinal, nada como um pão na chapa com cafezinho. Uma queda no preço do café fará com que mais pessoas consumam café, mas como o consumo do café é acompanhado do pão, ocorrerá um aumento na demanda por pão, e a curva de demanda agregada do pão se deslocará. Note que a redução do preço do café leva a um deslocamento ao longo da curva de demanda agregada de café e um deslocamento para direita da curva de demanda agregada de pão, de forma que o preço do pão se mantém, mas a quantidade demandada aumenta. A variação no número de consumidores desloca a curva de demanda agregada pois, como vimos, ela é a soma das demandas individuais (para cada preço). Já uma mudança nas preferências pode fazer com que os consumidores demandem mais a cada preço (deslocando a curva para a direita) ou menos (deslocando para a esquerda). Isso pode ocorrer por questões culturais. / Fonte: Africanstar/Shutterstock EXEMPLO Se um ator famoso usa uma determinada roupa, é comum que a demanda por essa roupa aumente. Por fim, a expectativa futura do preço do bem pode afetar a demanda no presente. Como exemplo, temos as liquidações de ovos de Páscoa. Muitas pessoas, sabendo que o preço se reduzirá após a Páscoa, irão aguardar para consumir depois. Da mesma forma, expectativas sobre a renda também afetam a demanda presente: se um indivíduo tem uma expectativa de aumento de renda no futuro, ele pode aumentar sua demanda por bens no presente, pagando parcelado. OFERTA AGREGADA Assim como a demanda agregada, estudamos também as curvas de oferta das firmas. Estas curvas são individuais, assim com as curvas de demanda dos consumidores. / Suponha que tenhamos N firmas que produzam um determinado bem. Para obtermos a curva de oferta agregada, ou curva de oferta da indústria,devemos somar a curva de oferta individual das N firmas: 𝑺 = 𝑺𝟏 + 𝑺𝟏 + ... + 𝑺N Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal A oferta agregada é apenas a soma horizontal das curvas de oferta individuais. A curva de oferta mede o quanto um produtor está disposto a ofertar a cada preço. Portanto, a curva de oferta agregada define, a cada preço P, a quantidade do bem que será ofertada naquela indústria. Para compreendermos melhor como construímos a oferta de mercado, vamos a um exemplo: SOMA HORIZONTAL Significa que fixamos um preço e somamos as quantidades, exatamente como fizemos para a curva de demanda agregada. Seja um mercado de pães com apenas dois produtores, Joana e Gabriel. javascript:void(0) / Fonte: Phonlamai Photo/shutterstock Joana oferta 2 pães ao preço de R$1,00, e 5 pães quando o preço é R$3,00. Fonte: autor/shutterstock Gabriel, por sua vez, oferta 3 pães ao preço de R$1,00, e 7 pães quando o preço é de R$3,00. Na figura 6, temos nos painéis A e B a curva de oferta individual desses produtores. Para chegarmos à oferta agregada desse mercado, somemos a quantidade ofertada pelos dois / produtores a cada preço, de modo que a R$1,00 são ofertados 5 pães e a R$3,00 são ofertados 12 pães. A curva de oferta agregada está ilustrada no painel C da figura a seguir: Figura 6 ‒ Curva de oferta agregada do pão A curva de oferta da indústria tem inclinação positiva, refletindo a proposição de que preços mais altos levam a uma quantidade ofertada maior. Assim como a demanda agregada, existem acontecimentos que deslocam a curva de oferta. A entrada de novos produtores no mercado, por exemplo, desloca a oferta para a direita, fazendo com que, ao mesmo preço, seja ofertada uma quantidade maior do bem em questão. Para que haja um movimento ao longo da curva de oferta, é preciso que seja ocasionado por variações no preço do bem cuja oferta agregada esteja em análise. OS MOTIVOS PELOS QUAIS A CURVA DE OFERTA SE DESLOCA SÃO VARIADOS: MUDANÇAS NA TECNOLOGIA, NA EXPECTATIVA, NO PREÇO DOS INSUMOS, NO NÚMERO DE PRODUTORES E NOS PREÇOS DE BENS E SERVIÇOS RELACIONADOS. A mudança do preço esperado no futuro pode levar um produtor a fornecer mais ou menos quantidade daquele bem no presente. Uma expectativa do aumento de preços futuro faz com que a oferta no presente se reduza, deslocando a curva de oferta para a esquerda. Já uma expectativa de queda dos preços no futuro leva ao aumento da oferta no presente e desloca a curva de oferta para a direita. Considere agora os insumos, ou seja, bens e serviços utilizados no processo produtivo. Um aumento no preço dos insumos deixará o preço do bem final mais alto. / EXEMPLO Para produzir pão é preciso de trigo. Gabriel precisa de 10kg de farinha de trigo por mês para produzir 100 pães, e paga R$2,00 no quilo de farinha de trigo. Gabriel gasta R$20,00, e cobra R$0,50 por pão produzido. Assim, sua receita da venda de pães é de R$50,00. Se por algum motivo, o preço do trigo sobe para R$3,00, para produzir 100 pães, Gabriel gastará R$30,00. Sua receita de vendas continuará no valor de R$50,00, contudo, seu lucro se reduzirá. Dessa forma, é bem provável que Gabriel repasse parte da alta dos preços dos insumos para o consumidor, e o preço do pão aumente como consequência. Tecnologia é o termo usado por economistas para descrever a relação entre insumos e produto em um dado processo produtivo. Uma melhora tecnológica geralmente reduz o custo de produção. Essa redução de custo permite que o produtor gaste uma quantidade menor de insumo para produzir o mesmo bem, de modo que a quantidade ofertada aumenta e a curva de oferta se desloque para a direita. Podemos observar isso na figura 7. Figura 7 ‒ Deslocamento da oferta Quando há um aumento no número de produtores naquele mercado, a oferta se desloca para a direita, afinal, a oferta agregada nada mais é do que a soma das ofertas individuais. HÁ SITUAÇÕES EM QUE PRODUTORES PRODUZEM DIVERSOS BENS E NÃO APENAS UM, COMO UMA REFINARIA PRODUZ GASOLINE E DIESEL, ENTRE OUTROS COMBUSTÍVEIS, POR EXEMPLO. / Quando um produtor oferta bens diferentes, a quantidade que ele está disposto a ofertar dependerá conjuntamente dos preços dos bens que ele produz. EXEMPLO Um aumento de preço do diesel faz com que uma refinaria produza menos gasolina e mais diesel, deslocando para a direita a curva de oferta do diesel e para a esquerda a oferta da gasolina. Isso acontece porque, em termos produtivos, a gasolina e o diesel são substitutos. Pode ser que também haja bens complementares na produção. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. A PARTIR DOS CONHECIMENTOS APRESENTADOS SOBRE DEMANDA AGREGADA, CONSIDERE AS AFIRMATIVAS A SEGUIR: I. A CURVA DE DEMANDA AGREGADA POSSUI INCLINAÇÃO POSITIVA, POIS, EM GERAL, UM MAIOR PREÇO REDUZ A QUANTIDADE DEMANDADA. II. A ELASTICIDADE-PREÇO É UMA MEDIDA DE SENSIBILIDADE DA DEMANDA AGREGADA DE UM BEM EM RELAÇÃO AO PREÇO, E QUANTO MAIS SUBSTITUTOS UM BEM POSSUI, MENOS ELÁSTICA É A / DEMANDA. III. BERNARDO CONSIDERA LARANJA E TANGERINA IGUALMENTE GOSTOSAS, E AS CONSOME COMO SE FOSSEM SUBSTITUTAS. UMA GEADA ACABOU COM A SAFRA DE LARANJAS, MAS NÃO AFETOU A SAFRA DE TANGERINAS DEVIDO À DISTÂNCIA GEOGRÁFICA. COMO RESULTADO DA GEADA, O PREÇO DA LARANJA AUMENTOU. BERNARDO, QUANDO FOI À FEIRA, SE DEPAROU COM PREÇOS MAIS ALTOS DA LARANJA. ELE COMPRARÁ TANGERINAS EM VEZ DE LARANJAS. IV. UMA REDUÇÃO DO NÚMERO DE CONSUMIDORES EM UM DETERMINADO MERCADO FAZ COM QUE A DEMANDA AGREGADA POR UM BEM SE REDUZA. V. BATATA FRITA E HAMBÚRGUER SÃO CONSIDERADOS BENS COMPLEMENTARES. UM AUMENTO NO PREÇO DO HAMBÚRGUER LEVA A UMA REDUÇÃO DA QUANTIDADE DEMANDADA DE BATATA FRITA. ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: A) As afirmativas III, IV e V são falsas. B) As afirmativas I, III, IV e V são verdadeiras. C) As afirmativas I e II são falsas. D) Apenas a afirmativa III é verdadeira. 2. SOBRE A OFERTA AGREGADA, CONSIDERE AS AFIRMATIVAS A SEGUIR: I. A CURVA DE OFERTA AGREGADA É A SOMA VERTICAL DAS CURVAS DE OFERTA INDIVIDUAIS. II. EXISTE UMA CURVA DE OFERTA AGREGADA PARA CADA MERCADO. III. UMA MUDANÇA NO PREÇO DO CAFÉ AUMENTA A SUA OFERTA, E, PORTANTO, ELA SE DESLOCA PARA A DIREITA. IV. UMA NOVA TECNOLOGIA QUE PERMITE A PRODUÇÃO DE 10 PEDAÇOS DE QUEIJO A PARTIR DE 1 LITRO DE LEITE FOI DESCOBERTA RECENTEMENTE POR CIENTISTAS E FAZENDEIROS. ESSA NOVA TECNOLOGIA DESLOCARÁ A OFERTA DE QUEIJO PARA A DIREITA. V. UMA EXPECTATIVA DE AUMENTO DO PREÇO NO PETRÓLEO FAZ COM / QUE A OFERTA DE PETRÓLEO AUMENTE NO PRESENTE, DESLOCANDO A CURVA DE OFERTA PARA A DIREITA. ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: A) As afirmativas III e V são falsas. B) Somente a afirmativa IV é verdadeira. C) As afirmativas I, III e V são falsas. D) As afirmativas II, III e IV são verdadeiras. GABARITO 1. A partir dos conhecimentos apresentados sobre demanda agregada, considere as afirmativas a seguir: I. A curva de demanda agregada possui inclinação positiva, pois, em geral, um maior preço reduz a quantidade demandada. II. A elasticidade-preço é uma medida de sensibilidade da demanda agregada de um bem em relação ao preço, e quanto mais substitutos um bem possui, menos elástica é a demanda. III. Bernardo considera laranja e tangerina igualmente gostosas, e as consome como se fossem substitutas. Uma geada acabou com a safra de laranjas, mas não afetou a safra de tangerinas devido à distância geográfica. Como resultado da geada, o preço da laranja aumentou. Bernardo, quando foi à feira, se deparou com preços mais altos da laranja. Ele comprará tangerinas em vez de laranjas. IV. Uma redução do número de consumidores em um determinado mercado faz com que a demanda agregada por um bem se reduza. V. Batata frita e hambúrguer são considerados bens complementares. Um aumento no preço do hambúrguer leva a uma redução da quantidade demandada de batata frita. Assinale a alternativa correta: A alternativa "C " está correta. / I. A afirmativa é falsa.A lei da demanda diz que quanto maior o preço, menor a quantidade demandada. A inclinação da curva de demanda ilustra essa proposição. II. A afirmativa é falsa. A elasticidade-preço da demanda é uma medida de sensibilidade da demanda em relação às mudanças no preço. Quanto mais substitutos um bem possui, maior é a redução da demanda quando um preço aumenta, pois se dois bens são indiferentes entre si, o consumidor optará por obter aquele que é mais barato. III. A afirmativa é verdadeira. Como laranja e tangerina são indiferentes para Bernardo, ou seja, são igualmente satisfatórias, elas são substitutas. Quando dois bens são substitutos perfeitos, o consumidor demandará o bem cujo preço é menor, neste caso, a tangerina. IV. A afirmativa é verdadeira. A demanda agregada corresponde à soma das curvas de demanda individuais. Quanto menos indivíduos, menor é a demanda agregada. V. A afirmativa é verdadeira. Quando bens são complementares, o aumento no preço de um bem X reduz a quantidade demandada, tanto dele quanto do seu complemento Y. Neste caso, um aumento do preço do hambúrguer faz com que a quantidade demandada diminua, assim como a de batata frita. A única alternativa correta é a letra c. 2. Sobre a oferta agregada, considere as afirmativas a seguir: I. A curva de oferta agregada é a soma vertical das curvas de oferta individuais. II. Existe uma curva de oferta agregada para cada mercado. III. Uma mudança no preço do café aumenta a sua oferta, e, portanto, ela se desloca para a direita. IV. Uma nova tecnologia que permite a produção de 10 pedaços de queijo a partir de 1 litro de leite foi descoberta recentemente por cientistas e fazendeiros. Essa nova tecnologia deslocará a oferta de queijo para a direita. V. Uma expectativa de aumento do preço no petróleo faz com que a oferta de petróleo aumente no presente, deslocando a curva de oferta para a direita. Assinale a alternativa correta: A alternativa "C " está correta. / I. A afirmativa é falsa. A curva de oferta agregada é igual à soma horizontal das curvas de ofertas individuais. II. A afirmativa é verdadeira. A curva de oferta agregada é única para cada mercado, ou seja, para o de livros, que, por sua vez, é diferente da curva de oferta agregada de alface. III. A afirmativa é falsa. Uma variação no preço de um bem leva a um movimento ao longo da curva de oferta deste mesmo bem. No caso do aumento do preço, há um movimento ao longo da curva, que resulta em maior quantidade ofertada. Os casos de deslocamento da curva de oferta são: mudança na quantidade de produtores no mercado, mudança tecnológica, mudança no preço dos insumos, mudança no preço de bens relacionados e mudança de expectativas. IV. A afirmativa é verdadeira. Os casos de deslocamento da curva de oferta são: mudança na quantidade de produtores no mercado, mudança tecnológica, mudança no preço dos insumos, mudança no preço de bens relacionados e mudanças de expectativas. V. A afirmativa é falsa. A expectativa que o preço do petróleo aumente faz com que a oferta de petróleo se reduza no presente e aumente no futuro. No presente, há um deslocamento para a esquerda da curva de oferta, e no futuro, há um deslocamento para a direita na curva de oferta. A única alternativa correta é a letra c. MÓDULO 2 Descrever a formação de preços e quantidades de equilíbrio em um mercado competitivo OFERTA, DEMANDA E EQUILÍBRIO No módulo 1, cobrimos os elementos essenciais para a determinação do equilíbrio, a oferta e a demanda agregadas. Neste módulo, apresentaremos o conceito de equilíbrio e como calculá-lo a partir da interação entre oferta e demanda. / Quando já estivermos familiarizados com o equilíbrio, veremos um pouco sobre excedente do consumidor e do produtor, medidas úteis de bem-estar econômico. Em Economia, dizemos que há equilíbrio em uma determinada situação quando não há incentivos para que qualquer agente econômico (consumidor ou firma) altere seu comportamento individual, dado o que os demais agentes estão fazendo. Fonte: Eviart/Shutterstock Forte em Saint Tropez ao por do sol Segundo a Definição de Equilíbrio em Varian (2012): “TODOS OS AGENTES ESCOLHEM A MELHOR AÇÃO POSSÍVEL DE ACORDO COM SEUS PRÓPRIOS INTERESSES, E O COMPORTAMENTO DE CADA PESSOA É COERENTE COM O DAS OUTRAS.” Isso significa que ninguém ficaria melhor caso decidisse agir individualmente de forma diferente. / Sabemos que em um mercado competitivo, nenhum agente tem capacidade de afetar o mercado, o preço e a quantidade total. Contudo, o que determina o preço e a quantidade de equilíbrio é a interação conjunta de todos os indivíduos nesse mercado. O PREÇO DE EQUILÍBRIO É AQUELE EM QUE OFERTA E DEMANDA SÃO IGUAIS. A ESSE PREÇO, NENHUM CONSUMIDOR PODERIA MELHORAR SUA SITUAÇÃO AO PROPOR A COMPRA POR UM PREÇO DIFERENTE, ASSIM COMO NENHUM PRODUTOR PODERIA FICAR MELHOR PROPONDO VENDER O BEM POR OUTRO PREÇO. Como curvas de oferta e demanda representam as melhores escolhas dos agentes envolvidos, quando elas se igualam em um preço de equilíbrio denotado por 𝑝∗, temos que o comportamento dos consumidores e dos produtores são compatíveis. Em qualquer outro preço, essa condição não seria satisfeita. O PREÇO DE EQUILÍBRIO É O PREÇO QUE AJUSTA O MERCADO, GARANTINDO QUE CADA INDIVÍDUO QUE DEMANDE UM BEM ENCONTRE UM OFERTANTE DISPOSTO A VENDÊ-LO PELO MESMO PREÇO. Geometricamente, podemos encontrar o equilíbrio ao colocar as curvas de oferta e demanda no mesmo diagrama, como na figura 8. O ponto E é o ponto em que as curvas se cruzam, e oferta e demanda são iguais; 𝑝∗ representa o preço de equilíbrio e 𝑞∗ é a quantidade de equilíbrio. / Figura 8 – Equilíbrio Existe um princípio básico de que os mercados, com frequência, se movem para o equilíbrio. Para melhor ilustrar esse princípio, observe a figura 9. Figura 9 ‒ Preço acima do equilíbrio Suponha que o preço de mercado, isto é, o preço pelo qual o bem é transacionado, seja igual a 𝑝′, acima do equilíbrio. A esse preço, a quantidade ofertada é 𝑞𝑠, e a quantidade demandada é 𝑞𝑑. Como a quantidade ofertada é maior do que a demandada, temos um excedente, ilustrado pela diferença entre 𝑞𝑠 e 𝑞𝑑. / Existem alguns produtores que não encontram consumidores para comprar seus produtos. O excesso de oferta fornece incentivos para que os produtores ofereçam um preço mais baixo, buscando atrair outros consumidores. O preço vai sendo gradativamente reduzido, até chegar no preço de equilíbrio. Portanto, sempre que o preço está acima do equilíbrio, há um excesso de oferta, que faz o preço baixar até o equilíbrio. Agora, suponha que o preço esteja abaixo do preço de equilíbrio, em 𝑝′′. A figura 10 ilustra a seguinte situação: Com o preço em 𝑝′′, a quantidade demandada é maior do que a quantidade ofertada, e, portanto, há excesso de demanda ou escassez. Nessa situação, existem consumidores que gostariam de comprar, mas não conseguem, e então passam a oferecer preços mais altos. É possível que os produtores notem que também podem cobrar um preço maior. Em qualquer mecanismo, o resultado é o mesmo. O preço vai aumentando gradualmente, atraindo novos produtores e expulsando consumidores que não estão dispostos a pagar um preço mais alto. Esse movimento acontece até o preço de equilíbrio, em que as quantidades ofertada e demandada se igualam. Figura 10 - Preço abaixo do equilíbrio MUDANÇAS NA OFERTA, DEMANDA E EQUILÍBRIO Como vimos no módulo 1, há muitos eventos que deslocam as curvas de oferta e demanda. Existem eventos que deslocam a curva de demanda, como um relatório médico afirmando que chocolate faz bem à saúde, o que não tem efeito algum sobre a oferta. Da mesma forma, / existem situações que deslocam a oferta, como a entrada de novos produtores de cacau, mas que não afetam a demanda. O QUE ACONTECE COM O EQUILÍBRIO NESSES DOIS EVENTOS DESCRITOS? Quando um novo estudo médico divulgado credita benefícios ao chocolate, a curva de demandase desloca, como na figura 11. Na figura ao lado, você pode observar que o ponto 𝐸1 mostra o equilíbrio correspondente à curva de demanda original, 𝐷1, cujo preço de equilíbrio é 𝑝1∗, e a quantidade de equilíbrio é 𝑞1∗. O relatório médico divulgado faz com que a curva de demanda se desloque positivamente, para a direita, de 𝐷1 para 𝐷2. Ao preço original, 𝑝1∗, o mercado não está mais em equilíbrio. Há um excesso de demanda, uma escassez. O preço do chocolate aumenta, gerando um aumento da quantidade ofertada. Esse aumento da quantidade ofertada é um movimento ao longo da curva de oferta. Um novo equilíbrio, 𝐸2, se estabelece. Nesse ponto, oferta e demanda voltam a se cruzar. O equilíbrio 𝐸2 ocorre com um preço mais alto e uma quantidade maior. Isso reflete um princípio geral: quando a demanda de um bem aumenta, seu preço e sua quantidade de equilíbrio também aumentam. Figura 11 – Deslocamento positivo da demanda e novo equilíbrio / Suponha agora uma situação diferente. Pão e tapioca são substitutos. Se o preço do pão cai, a demanda por tapioca diminui. A figura 12 ilustra esse evento. Figura 12 ‒ Deslocamento negativo da demanda e novo equilíbrio Observando a figura acima, vemos que a queda do preço do pão faz a demanda por tapioca se deslocar, negativamente, para a esquerda. Ao preço inicial 𝑝1∗, há um excesso de oferta, uma vez que a quantidade ofertada é maior do que a quantidade demandada. O preço cai até que a nova curva de demanda, 𝐷2, encontre a curva de oferta 𝑆. Isso é ilustrado no ponto 𝐸2, o novo equilíbrio. Nesse ponto, o preço e a quantidade de equilíbrio são menores. Assim, quando a demanda de um bem se reduz, sua quantidade e preço de equilíbrio também se reduzem. Considere a figura 13: Figura 13 - Deslocamento positivo da oferta e o novo equilíbrio / Inicialmente, o mercado estava em equilíbrio, no ponto 𝐸1, em que as curvas de oferta e demanda eram 𝑆1 e 𝐷, respectivamente. No ponto 𝐸1, o preço de equilíbrio é 𝑝1∗, e a quantidade de equilíbrio é 𝑞1∗. Como vimos no módulo 1, a entrada de novos produtores no mercado de cacau desloca a curva de oferta para a direita. Assim, a nova curva de oferta é 𝑆2. Ao preço inicial 𝑝1∗, há um excesso de oferta, que faz com que o preço se reduza, até que a nova curva de oferta cruze com a curva de demanda. Esse ponto é ilustrado por 𝐸2, o novo ponto de equilíbrio. Em 𝐸2, o novo preço de equilíbrio é 𝑝2∗, e a nova quantidade de equilíbrio é 𝑞2∗. Portanto, quando a oferta aumenta, o preço de equilíbrio diminui e a quantidade de equilíbrio aumenta. Nova Friburgo é uma cidade no estado do Rio de Janeiro que produz hortaliças. Suponha que, em 2012, a cidade teve um verão atípico, com altas temperaturas e pouca chuva. Esse fenômeno fez com que as hortaliças morressem, ocasionado um deslocamento para a esquerda da curva de oferta. A figura 14 ilustra essa situação: Figura 14 - Deslocamento negativo da oferta e o novo equilíbrio A curva de oferta passa, então, a ser 𝑆2. Ao preço inicial 𝑝1∗ há um excesso de demanda, que pressiona os preços para cima, que vão subindo, gradualmente, até que a nova curva de oferta cruze com a demanda. Isso é ilustrado pelo ponto 𝐸2, o novo equilíbrio. Nesse ponto, o preço de equilíbrio é 𝑝2∗, e a quantidade de equilíbrio é 𝑞2∗. Portanto, quando há uma redução da oferta, o preço de equilíbrio é mais alto e a quantidade de equilíbrio é menor. Por fim, veremos o que acontece quando há deslocamentos simultâneos de oferta e demanda. Na figura 15, painel A, temos um grande deslocamento da demanda para a direita, e um / pequeno deslocamento da oferta para a esquerda, enquanto no painel B, a oferta se desloca bastante para a esquerda, e a demanda sofre um pequeno deslocamento para a direita: Figura 15 ‒ Deslocamento simultâneo e novo equilíbrio Esses deslocamentos podem ser imaginados como uma mudança nas preferências por milho, junto com uma quebra de safra. A diferença entre os dois painéis é a magnitude de deslocamento. NO PAINEL A A demanda sofre um deslocamento de magnitude maior que a oferta. NO PAINEL B A oferta sofre um deslocamento maior do que a demanda. Nos dois painéis, o preço se move de 𝑝1∗ para 𝑝2∗, conforme o equilíbrio se move de 𝐸1 para 𝐸2. Como no painel A a queda de oferta é menor do que o aumento da demanda, a quantidade de equilíbrio aumenta de 𝑞1∗ para 𝑞2∗. Já no painel B, com retração da oferta maior do que a expansão da demanda, a quantidade de equilíbrio é reduzida de 𝑞1∗ para 𝑞2∗. / Esse exemplo nos permite constatar que quando a oferta se reduz e a demanda aumenta, o preço de equilíbrio aumenta, mas o que de fato ocorre com a quantidade de equilíbrio dependerá de qual efeito é maior, ou seja, qual deslocamento tem maior magnitude. Quando oferta e demanda se deslocam em direções opostas, no geral, podemos fazer algumas previsões: Se a demanda aumenta e a oferta cai, o preço de equilíbrio sobe, mas a quantidade dependerá de qual dos deslocamentos teve maior magnitude. Quando a demanda cai e a oferta aumenta, o preço de equilíbrio é menor, mas o efeito sobre a quantidade de equilíbrio é ambíguo. Se as duas curvas se deslocam no mesmo sentido, ou seja, oferta e demanda se deslocam ambas para a esquerda ou para a direita, podemos saber o efeito sobre a quantidade, mas não sobre o preço de equilíbrio. Se oferta e demanda aumentam, a quantidade de equilíbrio é maior, mas nada podemos dizer sobre o preço. Quando oferta e demanda diminuem, a quantidade de equilíbrio é reduzida, mas, mais uma vez, nada podemos afirmar sobre o preço de equilíbrio. Em ambos os casos, o preço de equilíbrio dependerá de qual efeito prevalecerá. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. (ADAPTADO DE KRUGMAN, 2011) AS AFIRMATIVAS ABAIXO REPRESENTAM SITUAÇÕES EM QUE O MERCADO ESTAVA INICIALMENTE EM EQUILÍBRIO. DEPOIS DE CADA EVENTO DESCRITO HAVERÁ UM EXCEDENTE OU ESCASSEZ. ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: / A) Após uma nevasca, muitas pessoas querem comprar removedores de neve de segunda mão nas lojas de ferragens, gerando um excedente. B) 2005 foi um ano excelente para os vinhedos da Califórnia, que produziram uma colheita recorde. Esta colheita gerou uma escassez de vinho. C) Depois de um furacão, os hotéis da Flórida verificaram que muitas pessoas cancelam suas férias, deixando-os com quartos vazios, havendo um excedente. D) Depois de uma tempestade, o rio que fornece água a uma cidade norte-americana apresentou diversas algas, o que impactou a distribuição de água potável pela companhia local. Com medo de tomarem a água com cheiro, gosto e cor diferentes, os moradores passaram a comprar água mineral. Esta situação gerou um excedente. 2. (ADAPTADO DE KRUGMAN, 2011) DE TEMPOS EM TEMPOS, UM FABRICANTE DE CHIPS PARA COMPUTADORES, COMO A INTEL, PRODUZ UM NOVO TIPO DE CHIP MAIS RÁPIDO QUE O ANTERIOR. COM ISSO, A DEMANDA POR COMPUTADORES QUE USAM CHIPS MAIS ANTIGOS CAI, CONFORME NOVOS CONSUMIDORES ADIAM AS COMPRAS ESPERANDO O LANÇAMENTO DO EQUIPAMENTO COM A NOVA TECNOLOGIA. OS FABRICANTES DE COMPUTADORES, POR SUA VEZ, AUMENTAM A PRODUÇÃO DE MÁQUINAS COM CHIPS ANTIGOS, BUSCANDO TERMINAR O ESTOQUE DESTES PRODUTOS. COM BASE NESSAS INFORMAÇÕES, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA SOBRE O QUE OCORRE NO MERCADO DE COMPUTADORES COM CHIP MAIS ANTIGO: A) A curva de oferta desloca-se para a direita, e a de demanda, para a esquerda. O preço de equilíbrio neste mercado diminui, e a quantidade também. B) A demanda desloca-se para a esquerda, e o novo equilíbrio tem um preço e quantidade menores. C) O deslocamento da curva de oferta para a direita compensa o da curva de demanda para a esquerda, e o novo equilíbrio tem preço e quantidade exatamente iguais aos iniciais. D) A curva de oferta desloca-se para a direita, e a de demanda, para a esquerda. O preço de equilíbrio neste mercado diminui, mas nada podemos afirmar sobre o que ocorre com a quantidade do mesmo, uma vez que dependerá de qual efeito tem magnitude maior./ GABARITO 1. (Adaptado de KRUGMAN, 2011) As afirmativas abaixo representam situações em que o mercado estava inicialmente em equilíbrio. Depois de cada evento descrito haverá um excedente ou escassez. Assinale a alternativa correta: A alternativa "C " está correta. a) A alternativa está incorreta. Uma nevasca desloca a curva de demanda por removedor de neve para a direita, aumentando a demanda. Com a oferta inalterada, esse deslocamento da demanda gera uma escassez. b) A alternativa está incorreta. Uma colheita recorde significa um aumento na oferta. Com a demanda inalterada, essa oferta recorde levou a um excedente neste mercado. c) A alternativa está correta. Um furacão reduz a demanda por quartos de hotéis, deslocando a demanda agregada para a esquerda. Com a oferta inalterada, há um excedente de quartos de hotéis no novo equilíbrio. d) A alternativa está incorreta. A situação do rio fez com que os moradores decidissem comprar água mineral, gerando um deslocamento da curva de demanda para a direita. Neste novo equilíbrio, com a curva de oferta constante, há uma escassez de água mineral. 2. (Adaptado de KRUGMAN, 2011) De tempos em tempos, um fabricante de chips para computadores, como a Intel, produz um novo tipo de chip mais rápido que o anterior. Com isso, a demanda por computadores que usam chips mais antigos cai, conforme novos consumidores adiam as compras esperando o lançamento do equipamento com a nova tecnologia. Os fabricantes de computadores, por sua vez, aumentam a produção de máquinas com chips antigos, buscando terminar o estoque destes produtos. Com base nessas informações, assinale a alternativa correta sobre o que ocorre no mercado de computadores com chip mais antigo: A alternativa "D " está correta. a) A alternativa está incorreta. De fato, o preço será menor no novo equilíbrio, devido ao deslocamento da oferta para a direita e da demanda para a esquerda. Contudo, a nova quantidade de equilíbrio dependerá de qual curva tem maior deslocamento. Se a demanda se desloca mais do que a oferta, a quantidade de equilíbrio diminui. Caso contrário, a quantidade de equilíbrio se reduz. Logo, não podemos afirmar com certeza que, no novo equilíbrio, o preço será maior e a quantidade menor. / b) A alternativa está incorreta. Não sabemos qual efeito domina no novo equilíbrio, portanto, nada podemos afirmar. c) A alternativa está incorreta. Não sabemos se o deslocamento da oferta compensa o da demanda, portanto, não sabemos afirmar com certeza que isto ocorre. d) A alternativa está correta. De fato, o preço será menor no novo equilíbrio, devido ao deslocamento da oferta para a direita e da demanda para a esquerda. Já a nova quantidade de equilíbrio dependerá de qual curva tem maior deslocamento. Se a demanda se desloca mais do que a oferta, a quantidade de equilíbrio diminui. Caso contrário, a quantidade de equilíbrio se reduz. MÓDULO 3 Definir excedente do produtor e do consumidor para aplicá-lo como medida de bem-estar EXCEDENTE DO CONSUMIDOR E CURVA DE DEMANDA A curva de demanda é derivada a partir das preferências dos consumidores, que, por sua vez, definem o quanto de bem-estar um indivíduo obtém ao realizar transações em um mercado. Considere, por exemplo, o mercado de roupas usadas. Uma calça jeans usada pode não ser tão boa quanto uma nova, pois pode estear gasta, manchada etc. O quanto isso incomoda alguém, dependerá das preferências de cada um. Vitória pode valorizar uma roupa de brechó mais do que Fernando, que só compraria uma roupa usada se fosse muito barata. Esse exemplo ilustra um conceito importante, o de disposição a pagar. / Fonte: gabriel12/Shutterstock A DISPOSIÇÃO A PAGAR, OU PREÇO RESERVA, REFLETE O PREÇO MÁXIMO QUE UM CONSUMIDOR ESTÁ DISPOSTO A PAGAR POR DETERMINADO BEM. Um indivíduo não pagará mais do que este valor por um bem. Se o preço é igual à disposição a pagar, o consumidor estará indiferente entre comprar ou não. A figura 16 ilustra a disposição a pagar de três consumidores, Júlia, Manuel e Beatriz, com preços de reserva de R$50,00, R$35,00 e R$22,00, respectivamente. Seus preços de reserva estão acima do preço pelo qual o bem é vendido, que é de R$10,00. O preço de reserva deles está acima do preço de mercado, e, portanto, eles irão realizar a transação. Há também aqueles consumidores com preço de reserva abaixo do preço de mercado. Esses indivíduos não irão comprar o bem. / Figura 16 ‒ Preço de reserva e excedente do consumidor A compra do bem por consumidores cuja disposição a pagar é maior ou igual ao preço de mercado do bem gera bem-estar para os mesmos. Esse bem-estar pode ser medido, e é conhecido como excedente do consumidor. Nesse exemplo, podemos notar que cada comprador de um bem alcança algum excedente individual. Ao somarmos os excedentes individuais, chegamos ao excedente total do consumidor. Supondo que no exemplo acima só haja três consumidores no mercado, o excedente total do consumidor é de R$40,00 + R$25,00 + R$ 22,00 = R$87,00. A figura 17 representa graficamente o excedente total do consumidor para um grande mercado: EXCEDENTE DO CONSUMIDOR O excedente do consumidor é a diferença entre o preço de reserva do consumidor e o preço de mercado. Voltando à figura 16, o excedente de Júlia é igual a R$50,00 - R$10,00 = R$ 40,00. Já o de Manuel é de R$35,00 - R$10,00 = R$25,00, enquanto o de Beatriz é de R$22,00 - R$10,00 = R$12,00 . Esse mercado possui tantos consumidores que a curva de demanda é contínua. O excedente total do consumidor é a área abaixo da curva de demanda e acima do preço, sendo igual a javascript:void(0) / R$20,00. Figura 17 ‒ Excedente total do consumidor Quando o preço muda, o excedente do consumidor também varia. A figura 18 ilustra o que acontece quando o preço aumenta: Figura 18 ‒ Mudança no preço e mudança no excedente EXCEDENTE DO PRODUTOR E CURVA DE OFERTA / Considere um grupo de amigos que são vendedores potenciais de discos usados. Como eles possuem preferências distintas, cada vendedor terá um preço pelo qual estará disposto a realizar a venda. Vejamos: Afonso Não vende um disco por menos de R$9,00, mas por qualquer preço acima deste. Robson Só aceita vender por, pelo menos, R$15,00. Joaquim Vende por R$22,00. Assim, podemos definir o custo do vendedor como o menor preço pelo qual o produtor está disposto a vender seu produto. A diferença entre o preço que o produtor, de fato, vende o produto e seu custo é o excedente do produtor. Da mesma forma que a curva de demanda foi derivada a partir da disposição a pagar dos consumidores, podemos derivar a curva de oferta do custo do produtor. A figura 19 ilustra a curva para um mercado de discos com três produtores: / Figura 19 ‒ Custo individual e excedente do produtor COMENTÁRIO O excedente de Afonso equivale à área do polígono mais escuro da esquerda, o de Robson, à área do retângulo do meio, e o de Joaquim, ao do polígono mais claro da direita. Como no caso do excedente do consumidor, podemos somar os excedentes individuais para chegarmos ao excedente total do produtor. Com um grande mercado e uma curva de oferta contínua, como na figura 20, o excedente total do produtor é a área acima da curva de oferta e abaixo do preço, sendo igual a R$20,00: / Figura 20 - Excedente total do produtor Assim como para o excedente do consumidor, mudanças de preço afetam o excedente total. A figura 21 ilustra o que ocorre quando o preço aumenta: O excedente inicial era de R$20,00, correspondente à área do triângulo azul mais escuro. O aumento do preço aumenta o excedente para R$45,00, valor correspondente à soma das áreas em azul. Figura 21 ‒ Mudança no preço e no excedente / BEM-ESTAR E EXCEDENTE Um dos princípios fundamentais da Economia é que os mercados são, frequentemente, uma maneira eficiente de alocar recursos. De forma geral, a alocação de recursos pelo mercado torna a situação da sociedade a melhor possível (não é sempreassim ‒ você verá ao final deste tema um caso em que isso não acontece). Por meio do excedente, podemos entender porque isso acontece. Seja um grande mercado competitivo, com N consumidores e K produtores. As curvas de oferta e de demanda desse mercado estão representadas na figura 22, junto com os excedentes totais do consumidor e do produtor: O equilíbrio do mercado de livros encontra-se no ponto E, com o preço de R$45,00 e a quantidade de 100 unidades. A área em azul mais claro é igual ao excedente do consumidor, e a área em azul mais escuro é igual ao excedente do produtor. Figura 22 ‒ Equilíbrio de mercado e excedente Podemos calcular o excedente total da sociedade ao somarmos as duas áreas. O exemplo do mercado de livros deixa claro que há ganhos tanto para os produtores quanto para os consumidores. Isso indica que produtores e consumidores estão melhores, pois o mercado / existe, refletindo o princípio econômico sobre ganhos de troca, em que ocorrem ganhos no comércio. Esses ganhos são a razão pela qual todos, quando fazem parte de uma economia de mercado, estão em uma situação melhor do que se fossem autossuficientes. DESSE MODO, PARTICIPAR DE UMA ECONOMIA DE MERCADO É MELHOR DO QUE SER AUTOSSUFICIENTE, MAS SERÁ QUE ESTÃO TODOS EM UMA SITUAÇÃO TÃO BOA QUANTO POSSÍVEL? Um critério útil para compararmos diferentes situações econômicas é o de eficiência de Pareto. Para começar a defini-lo, primeiro vamos delinear outro conceito, o de melhora de Pareto: SE HÁ UMA FORMA ALTERNATIVA DE MELHORAR A SITUAÇÃO DE UM INDIVÍDUO SEM PIORAR A SITUAÇÃO DE OUTRO, TEMOS UMA MELHORA DE PARETO. PARETO Vilfredo Pareto, economista e cientista politico italiano EXEMPLO javascript:void(0) / Se João está disposto a vender um produto por R$10,00, e Maria, a comprá-lo por R$ 20, então, a venda a R$15,00 (ou a qualquer valor entre R$10,00 e R$20,00) é uma melhora de Pareto, pois nenhum dos dois perde e ao menos um fica em situação estritamente melhor. Se uma situação admite uma melhora de Pareto, dizemos que a alocação de recursos é Pareto ineficiente, ou seja, existem ações (ou transações) que podem melhorar a situação de alguém sem prejudicar ninguém. Se existe essa possibilidade, devemos exercê-la, ou estaremos desperdiçando recursos. Caso seja impossível melhorar a situação de alguém sem piorar a de outra pessoa (ou seja, se não houver melhorias de Pareto disponíveis), dizemos que estamos em uma situação Pareto eficiente, ou, simplesmente, que a alocação de recursos é eficiente no sentido de Pareto, ou ainda ótima de Pareto. Há diferentes alocações eficientes de Pareto, correspondendo a distribuições de recursos mais benéficas a um ou outro agente econômico. Supondo que em uma economia de mercado todas as trocas voluntárias sejam realizadas, de modo a esgotar os ganhos de troca, obtemos um resultado conhecido como primeiro teorema do bem-estar: todo equilíbrio em um mercado competitivo é ótimo de Pareto. Em equilíbrio, um mercado competitivo esgota a possibilidade de ganhos com novas trocas. O segundo teorema do bem-estar nos diz que qualquer alocação ótima de Pareto pode ser obtida como equilíbrio de mercado, bastando, então, distribuir recursos e permitir que os agentes econômicos realizem trocas voluntárias. Para ilustrar esse teorema, suponhamos que exista um comitê que busca melhorar o equilíbrio de mercado. A finalidade do comitê é aumentar o excedente total. Para isso, eles pensam em três planos: REALOCAR CONSUMO ENTRE CONSUMIDORES Na tentativa de realocar o consumo entre os consumidores, o comitê realoca bananas entre Letícia e Lucas, cujos preços de reserva são de R$1,00 e R$2,00, respectivamente. Com o preço de equilíbrio da banana igual a R$1,50, Letícia compra o produto, mas Lucas não. Se o consumo é realocado entre Lucas e Letícia, o excedente do consumidor cairá, de forma que só o equilíbrio de mercado gera o excedente de consumidor mais alto possível, pois assegura que quem consome o bem é aquele que mais o valoriza. REALOCAR A VENDA ENTRE PRODUTORES De maneira análoga, o comitê decide realocar a produção entre Arlindo e Teresa, cujos custos de produção de banana são, respectivamente, de R$2,50 e R$0,50. Como o preço de equilíbrio é de R$1,50, Arlindo não irá ofertar nenhuma unidade neste mercado, mas Teresa o fará. Se o / comitê reorganiza a produção entre Teresa e Arlindo, impedindo a primeira de ofertar neste mercado e induzindo o segundo a fazê-lo, o excedente também cairá. Assim, o equilíbrio do mercado competitivo gera o maior excedente do produtor possível. MUDAR A QUANTIDADE QUE SERÁ TRANSACIONADA Por fim, o comitê está convencido de que mudar a quantidade transacionada vai melhorar o resultado. Sejam Letícia e Lucas os compradores, e Arlindo e Teresa os produtores. Para reduzir as vendas, o comitê terá de impedir que Arlindo venda para Letícia. Como Lucas está disposto a pagar R$2,00, mas o custo de Arlindo é de R$ 2,50, impedir esta venda reduz o excedente total em R$ 2,50 - R$ 2,00 = R$0,50. Se o comitê opta por aumentar a quantidade, forçando que Arlindo, que não ofertou nada, venda à Letícia, que não comprou, a redução do excedente total é de R$2,50 - R$0,50 = R$ 2,00. Esse resultado independe do par de consumidores e produtores escolhidos para exemplificar. Pode ser qualquer produtor que tenha um custo de R$1,50 ou menos, e qualquer consumidor que tenha um preço de reserva de R$1,50 ou mais. Portanto, impedir vendas reduz o excedente total. Da mesma forma, qualquer um que não estivesse comprado banana estaria disposto a pagar menos de R$1,50, e qualquer um que não tivesse vendido banana tem um custo maior que R$1,50. Apesar de termos exemplificado os teoremas, existem algumas ressalvas a serem feitas. A primeira delas é que o conceito de eficiência de Pareto nada diz sobre equidade, de forma que é possível que um resultado no qual um indivíduo detenha toda a riqueza e os demais não tenham nada seja Pareto eficiente. A outra ressalva diz respeito ao funcionamento dos mercados competitivos. Em todos os exemplos, o mercado funcionava perfeitamente. Quando existe alguma falha que impeça que o mercado funcione corretamente, ele não maximiza mais o excedente total, e, portanto, os resultados do primeiro e do segundo teoremas do bem-estar não são mais válidos. Por fim, mesmo que o equilíbrio de mercado maximize o excedente total, isso não diz nada a respeito de maximização de excedente individual. / VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. (ADAPTADO DE KRUGMAN, 2011) CONSIDERE O MERCADO DE PIMENTÃO RECHEADO, NO QUAL HÁ DOIS PRODUTORES, JOSÉ E MÁRCIA, E DOIS CONSUMIDORES, CAROLINA E MATEUS. A TABELA A SEGUIR APRESENTA O PREÇO DE RESERVA DOS CONSUMIDORES E O CUSTO DOS PRODUTORES. A PARTIR DA TABELA, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: QUANTIDADE PREÇO RESERVA DE CAROLINA PREÇO RESERVA DE MATEUS 1 R$ 0,90 R$ 0,80 2 R$ 0,70 R$ 0,60 3 R$ 0,50 R$ 0,40 4 R$ 0,30 R$ 0,30 / ATENÇÃO! PARA VISUALIZAÇÃOCOMPLETA DA TABELA UTILIZE A ROLAGEM HORIZONTAL A) Quando o preço do pimentão é de R$0,40, o excedente do consumidor individual de Carolina é de R$ 1,00, e ela demanda 3 pimentões. B) Quando o preço do pimentão é de R$ 0,40, o excedente de Mateus é de R$ 0,00, e ele demanda 3 pimentões. C) O excedente total do consumidor, quando o preço de mercado do pimentão é de R$0,40, é a soma do excedente de Carolina com o de Mateus, sendo igual a R$1,00. D) O excedente total do consumidor ao preço de R$0,40 é de R$1,50. 2. A PARTIR DA TABELA A SEGUIR, CONSIDERE AS ALTERNATIVAS ABAIXO E ASSINALE A CORRETA : QUANTIDADE PREÇO RESERVA DE JOSÉ PREÇO RESERVA DE MÁRCIA 1 R$ 0,10 R$ 0,30 2 R$ 0,10 R$ 0,50 3 R$ 0,40 R$ 0,70 4 R$ 0,60 R$ 0,90 ATENÇÃO! PARA VISUALIZAÇÃOCOMPLETA DA TABELA UTILIZE A ROLAGEM HORIZONTAL A) Quando o preço do pimentão é de R$0,70, o excedente de José é de R$ 0,60, e ele fornece 3 pimentões. / B) O excedente de Márcia ao preço de R$0,70 é igual a R$1,60, e ela oferta 3 unidades.C) Ao preço de R$0,70, o excedente total é a soma do excedente de José com o de Márcia, sendo igual a R$2,00. A quantidade total ofertada é de 7 unidades. D) Ao preço de R$0,70 o excedente total é a soma do excedente de José com o de Márcia, sendo igual a R$2,20. A quantidade total ofertada é de 7 unidades. GABARITO 1. (Adaptado de KRUGMAN, 2011) Considere o mercado de pimentão recheado, no qual há dois produtores, José e Márcia, e dois consumidores, Carolina e Mateus. A tabela a seguir apresenta o preço de reserva dos consumidores e o custo dos produtores. A partir da tabela, assinale a alternativa correta: Quantidade Preço reserva de Carolina Preço reserva de Mateus 1 R$ 0,90 R$ 0,80 2 R$ 0,70 R$ 0,60 3 R$ 0,50 R$ 0,40 4 R$ 0,30 R$ 0,30 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal A alternativa "D " está correta. Preço (em R$) Quantidade total demandada Quantidade demandada por Carolina Quantidade demandada por Mateus / 0,90 1 1 0 0,80 2 1 1 0,70 3 2 1 0,60 4 2 2 0,50 5 3 2 0,40 6 3 3 0,30 8 4 4 0,20 8 4 4 0,10 8 4 4 0,00 8 4 4 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal A) A alternativa está incorreta. A partir da tabela, podemos notar que Carolina receberá R$0,50 da primeira unidade demandada, R$0,30 pelo segundo pimentão e R$0,10 pelo terceiro. Portanto, seu excedente é de R$0,90, e ela consome 3 unidades. B) A alternativa está incorreta. A partir da tabela, observamos que o excedente de Mateus pela primeira unidade de pimentão é de R$0,40. Pela segunda unidade, é de R$0,20, e pela terceira, é de R$0,00. Assumindo que fica indiferente quando compra, Mateus demandará 3 unidades de pimentão. Seu excedente é de R$0,60. C) A alternativa está incorreta. Embora o excedente total seja igual à soma dos excedentes individuais, o valor está incorreto. O excedente de Carolina é igual a R$0,90, e o de Mateus é de R$0,60. Portanto, o excedente total do consumidor é de R$1,50. / D) A alternativa está correta. Somando o excedente de Carolina, R$0,90, com o de Mateus, R$0,60, temos o excedente total do consumidor, igual a R$1,50. 2. A partir da tabela a seguir, considere as alternativas abaixo e assinale a correta : Quantidade Preço reserva de José Preço reserva de Márcia 1 R$ 0,10 R$ 0,30 2 R$ 0,10 R$ 0,50 3 R$ 0,40 R$ 0,70 4 R$ 0,60 R$ 0,90 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal A alternativa "D " está correta. Preço (em R$) Quantidade total ofertada Quantidade ofertada por José Quantidade ofertada por Marcia 0,90 8 4 4 0,80 7 4 3 0,70 7 4 3 0,60 6 4 2 0,50 5 3 2 / 0,40 4 3 1 0,30 3 2 1 0,20 2 2 0 0,10 2 2 0 0,00 0 0 0 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal A) A alternativa está incorreta. Quando o preço é de R$0,70, o excedente de José é igual a R$1,60, e ele fornece 4 pimentões. B) A alternativa está incorreta. O excedente de Márcia, ao preço de R$0,70, é igual a R$ 0,60, e ela oferta 3 unidades. C) A alternativa está incorreta. O excedente total é obtido a partir da soma dos excedentes individuais. Assim, o excedente total do produtor é de R$2,20. D) A alternativa está correta. O excedente total é obtido a partir da soma dos excedentes individuais. Assim, o excedente total do produtor é de R$2,20. O total de quantidade ofertada é dada pela soma das quantidades individuais ofertadas, sendo igual a 7. MÓDULO 4 Descrever o comportamento de uma firma monopolista MONOPÓLIO / Monopólios são mercados em que há apenas um produtor ofertando um bem, e, portanto, ao contrário de um mercado em concorrência perfeita, não há competição alguma. Além disso, o bem ofertado não deve possuir nenhum substituto próximo. Para que seja possível existir apenas um produtor em um mercado monopolístico, é preciso existir razões para dificultar a entrada de novos produtores. No geral, as barreiras de entrada que permitem a existência de um monopólio são a regulamentação governamental (patentes, por exemplo); grandes custos iniciais, diluídos apenas com uma grande produção (por exemplo, uma usina hidrelétrica); ou tecnologia e controle de insumos; ou recursos necessários à produção. Fonte: Antonio Salaverry/Shutterstock No monopólio, o monopolista se move para cima ao longo da curva de demanda: ou seja, aumenta o preço e diminui a quantidade produzida. Como só existe um produtor, a curva de demanda enfrentada pela firma é exatamente igual à curva de demanda agregada. Assim, a curva de demanda enfrentada pelo monopolista é negativamente inclinada. A figura 23 ilustra isso: 𝐸𝑐 representa o equilíbrio do mercado competitivo. Em 𝐸𝑐, o preço de equilíbrio é 𝑃𝑐, e a quantidade ofertada em equilíbrio é igual a 𝑄𝑐. Já no equilíbrio de monopólio, a quantidade ofertada de equilíbrio é 𝑄m, ao preço 𝑃m. / Figura 23 – Monopólio ESCOLHA DE PREÇO E DE QUANTIDADE PROVAVELMENTE, VOCÊ ESTÁ SE PERGUNTANDO: “COMO O MONOPOLISTA ESCOLHE O PREÇO PARA MAXIMIZAR O LUCRO?”. Como sabemos, um produtor que deseja maximizar seu lucro tem uma ótima regra: produz a quantidade em que o custo marginal se torna igual à receita marginal. A regra é válida para qualquer produtor, e a aplicação desta leva a diferentes quantidades ofertadas, embora todas maximizem o lucro. Isso acontece porque a curva de demanda que um produtor enfrenta em concorrência perfeita é diferente da enfrentada em monopólio. Enquanto a curva do produtor perfeitamente competitivo é horizontal, a do monopolista é negativamente inclinada. Dessa forma, a receita marginal da firma competitiva é o preço de mercado: se ela vende uma unidade a mais, sua receita adicional é o preço de mercado daquele bem. / Fonte: NicoElNino/Shutterstock Como o monopolista enfrenta uma curva de demanda negativamente inclinada, a receita marginal do monopolista se altera conforme as quantidades vendidas: quanto mais unidades ele vende, menor é o preço! Isso ocorre exatamente porque a demanda de mercado (igual à demanda do monopolista) é negativamente inclinada: quanto maior a quantidade, menor o preço. A tabela 1 apresenta esta relação para um confeiteiro, que é monopolista no mercado de sonhos: Preço do sonho (em R$) Unidades Receita total Receita Marginal 10 0 10 9,5 1 19 9 8,5 2 25,5 7 8 3 32 7 / 7,5 4 37,5 6 6,5 5 39 2 6 6 42 3 5,5 7 44 2 5 8 45 1 4,5 9 45 0 4 10 44 -1 3,5 11 42 -2 3 12 39 -3 2,5 13 35 -4 2 14 30 -5 1,5 15 24 -6 1 16 17 -7 0,5 17 9 -8 0 18 0 -9 / TABELA 1 ‒ PREÇO, RECEITA TOTAL E RECEITA MARGINAL DO MONOPOLISTA Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal Podemos observar que a receita marginal do sonho é menor do que o preço pelo qual ele é vendido. Isso acontece porque o aumento da oferta do monopolista tem dois efeitos sobre a receita, o efeito quantidade, em que uma unidade a mais vendida aumenta a receita total, e o efeito preço, em que, para vender uma unidade a mais, o monopolista deve reduzir o preço de mercado de todas as demais unidades, o que reduz a receita. Assim, a curva de receita marginal do monopolista está sempre abaixo da curva de demanda, devido ao efeito preço. Para maximizar seu lucro, o monopolista irá, assim como um produtor em competição perfeita, olhar o ponto em que custo marginal é igual à receita marginal, como ilustrado na figura 24. Figura 24 ‒ Lucro de monopólio Para encontrar o preço ótimo de monopólio, contudo, é preciso subir verticalmente no ponto A até encontramos a curva de demanda, no ponto B. Assim, a regra da quantidade ótima é válida para determinar a quantidade escolhida pelo monopolista. O que muda é que, encontrada essa quantidade, devemos usar a curva de demanda para encontrar o preço. O polígono azul mostra o lucro de monopólio. / MONOPÓLIO, CONCORRÊNCIA PERFEITA E BEM-ESTAR Voltemos à figura 24. O equilíbrio competitivo é o ponto C. Como o mercado é um monopólio, ou seja, há apenasum confeiteiro ofertando o bem, seu equilíbrio ocorre no ponto B, a uma quantidade menor e a um preço maior. ASSIM, A PRIMEIRA COMPARAÇÃO SIMPLES ENTRE MONOPÓLIO E CONCORRÊNCIA PERFEITA NOS PERMITE CONSTATAR QUE O MONOPOLISTA PRODUZ UMA MENOR QUANTIDADE, EM QUE 𝑄𝑚 < 𝑄𝑐, COBRA UM PREÇO MAIS ALTO, SENDO 𝑃𝑚 > 𝑃𝑐 = 𝐶𝑀𝑔, E TEM LUCRO ECONÔMICO POSITIVO DE LONGO PRAZO – OU SEJA, HÁ REMUNERAÇÃO EXTRAORDINÁRIA DE FATORES DE PRODUÇÃO. Em competição perfeita, isso não ocorre: se uma firma tem lucro econômico positivo, outras podem entrar no mercado cobrando um pouco menos. As barreiras à entrada em um mercado monopolista, porém, permitem que essa situação seja sustentável. COMENTÁRIO Observe que um monopolista não possui uma curva de oferta, uma vez que a curva de oferta mostra a quantidade que os produtores estão dispostos a ofertar a qualquer preço de mercado dado. Como o monopolista não toma o preço como dado, ele escolherá a quantidade que maximiza o lucro levando em conta sua própria capacidade de influenciar o preço. Como já sabemos algo sobre bem-estar, você deve estar se perguntando qual é o impacto do monopólio sobre o excedente do produtor, do consumidor, e total. / A figura 25 apresenta dois painéis com o excedente do consumidor, tanto para o mercado competitivo quanto para o monopólio: Figura 25 ‒ Bem-estar PAINEL A Mostra o que acontece em um mercado no qual há concorrência perfeita. O produto de equilíbrio é Qc, e o preço Pc é igual ao custo marginal do bem. Cada firma tem receita igual ao custo, de forma que não há excedente do produtor. O excedente do consumidor é igual à área do triângulo azul, que também é igual ao excedente total. PAINEL B No painel B, o monopolista produz Qm e cobra Pm. O monopolista tem um lucro igual à área do polígono azul claro, que é igual ao excedente do produtor. Podemos notar que este lucro foi capturado dos consumidores, uma vez que o excedente do consumidor passa a ser igual à área do triângulo azul escuro. Assim, comparando o excedente total do painel A com o do painel B, vemos que há uma redução do excedente e, portanto, do bem-estar. A área do triângulo laranja é igual à perda de excedente, e é conhecida como peso morto, que nada mais é do que a perda líquida para a sociedade. / Consumidores e produtores têm sempre um conflito de interesses. Contudo, no caso do monopólio, as perdas dos consumidores são maiores que os benefícios do monopolista. O monopólio é, portanto, uma fonte de ineficiência, no sentido de Pareto: é possível melhorar a situação de todos sem piorar a de ninguém – por exemplo, se a firma monopolista produzir uma unidade a mais e vendê-la a um preço maior que seu custo de produção, mas menor que o preço de reserva do consumidor, haverá ganho de troca. O monopolista, porém, não tem incentivo a fazer isso porque seria obrigado a reduzir o preço de todas as demais unidades vendidas, o que diminuiria seu lucro. Essa é a razão pela qual, com frequência, governos buscam impedir o surgimento de monopólios. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. CONSIDERE AS ALTERNATIVAS ABAIXO SOBRE MONOPÓLIO E ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA: A) O monopólio é um mercado em que há apenas um consumidor e diversos produtores. B) No monopólio, a quantidade produzida é menor do que em um mercado em que há concorrência perfeita, e o preço é maior. C) O monopolista não usa a regra de produção ótima em que a receita marginal é igual ao custo marginal, e por isso, há uma diferença entre a quantidade produzida de monopólio e de concorrência perfeita. D) A curva de receita marginal do monopolista encontra-se acima da curva de demanda. / GABARITO 1. Considere as alternativas abaixo sobre monopólio e assinale a alternativa correta: A alternativa "B " está correta. A) A alternativa está incorreta. O monopólio é um mercado em que existe apenas um único produtor e diversos consumidores. B) A alternativa está correta. No monopólio, a quantidade produzida é determinada pela regra CMg = Rmg. Como a curva de receita marginal está sempre abaixo da curva de demanda, a quantidade em que a receita marginal é igual ao custo marginal é menor do que em concorrência perfeita. C) A alternativa está incorreta. No monopólio, a quantidade produzida é determinada pela regra CMg = Rmg. A diferença da quantidade produzida é decorrente da curva de demanda enfrentada pelo monopolista. D) A alternativa está incorreta. A curva de receita marginal do monopolista encontra-se sempre abaixo da curva de demanda. CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao longo deste tema, desenvolvemos uma série de ferramentas teóricas para entender o funcionamento dos mercados. Construímos as curvas de oferta e de demanda, estudamos a formação de preços e a definição de quantidades transacionadas, e consideramos diferentes estruturas de mercado – como competição perfeita e monopólio. Apresentamos ainda critérios para avaliar se uma alocação de recursos é “boa” em um sentido específico: eficiência de Pareto. Esses instrumentos estarão presentes em qualquer análise econômica, de estudos abstratos à prática cotidiana. Observe como esses conceitos podem ser usados em debate sobre o possível investimento em uma nova máquina ou sobre a definição de como distribuir tarefas entre os funcionários, ou sobre uma política pública. / REFERÊNCIAS KRUGMAN, P.; WELLS, R. Introdução à Economia. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011 VARIAN, H. R. Microeconomia: uma abordagem moderna. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012 EXPLORE+ Para uma compreensão mais aprofundada dos tópicos desenvolvidos, sugerimos a leitura da obra a seguir: ZINGALES, L; RAJAN, R. Salvando o capitalismo dos capitalistas. 1ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. CONTEUDISTA Maria Eduarda Barroso Perpétuo CURRÍCULO LATTES javascript:void(0); / DEFINIÇÃO Contas nacionais, indicadores socioeconômicos e suas utilidades. Metodologia das contas nacionais e sua utilização na mensuração da atividade econômica. Outros índices complementares e seu uso para avaliação do status de uma economia. PROPÓSITO Apresentar os princípios fundamentais das contas nacionais e diferentes indicadores para o estudo do desempenho da economia e contribuição para o desenvolvimento econômico. PREPARAÇÃO Antes de iniciar o conteúdo deste tema, tenha em mãos uma calculadora científica ou papel e lápis. OBJETIVOS MÓDULO 1 / Aplicar os princípios básicos das contas nacionais MÓDULO 2 Reconhecer indicadores alternativos e complementares às contas nacionais INTRODUÇÃO De forma geral, a contabilidade nacional é um sistema contábil que permite a avaliação da economia em certo período de tempo, em seus mais variados aspectos, assim como indicadores socioeconômicos. O Produto Interno Bruto (PIB) é a estatística mais importante do sistema de contas nacionais. Analisar a evolução do PIB é função da teoria macroeconômica, como você poderá estudar em outros temas. As contas nacionais fornecem os insumos, em forma de dados, para que a macroeconomia utilize modelos empíricos e explique a evolução do PIB. Assim como as contas nacionais, os indicadores sociais informam sobre o estado da economia. As contas nacionais monitoram o gasto dos consumidores, as vendas dos produtores, os gastos de investimentos privados e públicos, as compras do governo e outras diversas transações entre setores da economia, permitindo a investigação do motivo pelo qual alguns países são mais ricos ou crescem mais rápido do que outros. O PIB tem algumas limitações, e, por isso, existem outros indicadores socioeconômicos também utilizados para mensurar a situação econômica, como taxa de desemprego, coeficiente de Gini, Índice de Desenvolvimento Humano, Índices de Preços e taxa de inflação. MÓDULO 1 Aplicar os princípios básicos das contas nacionais PRODUTO INTERNO BRUTO – PIB Para começar, vamos interagir? Analise a questão a seguir: / “EM 2010, O BRASIL REGISTROU UM CRESCIMENTO EXPRESSIVO DO PIB, DAORDEM DE 7,5%.” Fonte: UOL Educação Refletindo sobre essa informação, o que você entende sobre PIB? RESPOSTA Percebemos que o PIB é um indicador essencial e muito útil. Ele é utilizado, preponderantemente, em nossa economia. No Brasil, quem é responsável pelo cálculo do PIB? Fonte: Shutterstock No Brasil, o PIB é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Economia (IBGE), a partir de diversos dados, tanto administrativos quanto oriundos de pesquisas domiciliares. Alguns desses dados são produzidos pelo próprio IBGE e outros são provenientes de fontes externas, como o Banco Central e a Fundação Getúlio Vargas. FLUXO CIRCULAR DO PIB O PIB é a soma do valor de todos os bens e serviços finais produzidos em um país ao longo de um período de tempo. Uma forma de calcular diretamente o PIB é pesquisar as firmas desta economia e somar o valor de sua produção de bens e serviços finais. Mas, afinal, só existe essa forma de cálculo? javascript:void(0) / Uma das maneiras de calcular o PIB é utilizando o fluxo circular expandido! O princípio fundamental das contas nacionais é que o fluxo de dinheiro que entra em cada setor ou mercado é igual ao que sai. O princípio fundamental exige que a soma total de fluxos de capital que sai de determinada caixa seja igual à soma total que entra. É uma questão de contabilidade. Observe o fluxo circular na imagem. Fonte: petecoslides Figura 1 - Diagrama do Fluxo Circular expandido As famílias têm gastos nos mercados de bens e consumo, e também são proprietárias dos fatores de produção, vendendo o uso destes às firmas e recebendo em troca salários, lucros, juros e alugueis. As empresas compram e pagam pela utilização desses fatores de produção. A maior parte da renda das famílias é proveniente de salários pela venda da mão de obra. Além dos salários, a renda das famílias é composta por ações (participação na propriedade de empresas), aluguéis (de imóveis, terras e bens de capital) e bônus (títulos de dívidas que pagam juros). Portanto, a renda familiar é composta por salários, aluguéis, juros e lucros. As famílias pagam impostos ao governo e também podem receber transferências governamentais, como no caso de aposentadorias e auxílios sociais. A renda total das famílias após elas pagarem impostos e receberem transferência é conhecida como renda disponível. As famílias não costumam gastar toda sua renda disponível em bens e serviços, de forma que parte da renda disponível é transformada em poupança privada, indo para mercados financeiros. Os mercados financeiros recebem renda tanto das famílias do país em questão, como também do governo e do resto do mundo. Os mercados financeiros são instituições, como, por exemplo, bancos, onde indivíduos, governo e empresas podem comprar e vender ações, bônus e fazer empréstimos. / O governo destina parte dos impostos às famílias, na forma de transferências. A outra parte das arrecadações tributárias é utilizada para a compra de bens e serviços, e, frequentemente, precisa ser complementada na forma de empréstimos governamentais. Fonte: Shutterstock Os bens e serviços adquiridos pelo governo variam de equipamentos hospitalares até o pagamento de salário de professores. O “resto do mundo” (todos os demais países) participa comprando bens e serviços produzidos no Brasil, como petróleo, soja e minério de ferro, que são denominadas exportações, ou vendendo bens e serviços ao Brasil, como respiradores hospitalares, combustíveis e automóveis, por meio das importações. Os demais países também realizam transações nos mercados financeiros, seja pela compra de ações de empresas brasileiras por estrangeiros ou por empréstimos de firmas brasileiras com instituições estrangeiras. Além das famílias, as empresas compram máquinas e mão de obra no mercado de bens e serviços para viabilizar a sua produção. A aquisição de máquinas é considerada como gasto em investimentos, uma vez que estão relacionados à capacidade física produtiva. O gasto com aumento de estoques também é considerado investimento, pois contribui para o aumento das vendas futuras de uma firma. Apresentamos a segunda maneira de calcular o PIB: somando o fluxo de fundos recebidos pelas vendas no mercado de bens e serviços! A outra maneira de calcularmos o PIB, a partir do fluxo circular, é somando o fluxo de fundos recebidos pelas vendas no mercado de bens e serviços. Pela regra fundamental da contabilidade, o fluxo de renda que sai do mercado de bens e serviços em direção às firmas deve ser igual ao que entra no mesmo e sai de outras fontes. Na Figura 1, o fluxo total direcionado ao mercado de bens e serviços é conhecido como gasto agregado, ou seja, a soma dos gastos de consumo, de investimento, das compras governamentais e das exportações, subtraindo as importações. E, por fim, podemos calcular o PIB a partir do fluxo de renda das firmas! Essa é a terceira maneira de calcular o PIB: a partir do fluxo de renda das firmas para os mercados de fatores. Nesse fluxo, temos os salários pagos à mão de obra, juros, lucros e aluguéis. / Para calcular o PIB, podemos somar o total das rendas dos fatores recebidas pelas famílias e pagas pelas firmas. O PIB pode ser calculado a partir de três prerrogativas: o valor da produção de bens e serviços finais, os gastos em bens e serviços finais produzidos internamente e a renda de fatores obtidos pelas firmas na economia. VOCÊ SABIA O PIB mede somente bens e serviços finais, a fim de evitar dupla contagem. Considere, por exemplo, um país produz R$ 100,00 de cevada e R$ 500,00 de cerveja. Nesse caso, o PIB do país será de R$ 500,00, uma vez que o valor da cevada já é considerado no valor da cerveja. Como são contabilizados os bens e serviços? Os bens e serviços finais são contabilizados a preços enfrentados pelo consumidor, levando-se em conta os impostos sobre os produtos comercializados. Uma forma de calcular o valor de todos os bens e serviços finais de uma economia é representado pela soma do valor agregado em cada etapa da produção, em que este valor agregado é igual ao valor do produto da firma menos o valor de todos os bens intermediários utilizados na produção. Assim, existe uma outra definição: PIB é o total do valor agregado de todas as firmas na economia. BENS USADOS, ESTOQUES E VALORES IMPUTADOS Há bens e serviços que são computados de forma especial no PIB. O primeiro deles são os bens usados. / Fonte: shutterstock Isso acontece porque somente os valores correspondentes a bens e serviços produzidos no momento presente são contabilizados, e a venda do disco do Jorge Benjor reflete apenas a transferência de um ativo, e não um acréscimo à renda da economia. Além de bens usados, os estoques também apresentam uma abordagem diferenciada. A produção de um bem aumentou durante um mês e, ao final deste, ele estragou, pois era perecível, ou foi para estoque. O aumento da produção aumenta o PIB em ambos os cenários. No primeiro, em que o bem estragou, houve maior pagamento de salários, e a não venda do bem reflete em menores lucros. Já no segundo cenário, em que o bem foi para o estoque da firma, é tratado como compra por parte da própria firma, e, portanto, faz parte do PIB. Contudo, a venda desses bens que se encontravam estocados não entra no cálculo. Como a economia é diversa e oferece bens e serviços bastante diferenciados, não é possível, em todos os casos, calcular o PIB desses bens e serviços em preços de mercado. Quando isso acontece, utilizamos uma estimativa do preço, conhecida como valor imputado. Aluguéis, moradias e serviços prestados pelo governo são alguns dos casos nos quais utilizamos valores imputados, em vez de preços de mercado. / Fonte: Shutterstock No caso de moradia, estima-se que a dona do imóvel pague um valor de aluguel para ela mesma, e esse valor é considerado parte do PIB. No caso dos serviços públicos, os salários dos servidores são usados como uma medida de valor correspondente à sua produção. Embora existammais casos em que uma imputação seja necessária, em muitos desses não é realizada, como aluguéis de carros e outros bens duráveis, bens e serviços produzidos e consumidos em casa, como refeições, e bens e serviços da economia informal. Vamos fazer um exercício! CÁLCULO DO PIB Suponha que uma economia produza 3 peixes e 5 cocos. Para fazer o cálculo do PIB, utilizamos preços de mercado, ou seja, preços que refletem a disposição dos indivíduos a pagar sobre aquele produto. Se cada unidade de peixe custa R$ 5,00 e de coco, R$ 2,00, o PIB desta economia é de: RESPOSTA javascript:void(0) / COMPONENTE DA DESPESA As contas nacionais dividem o PIB em quatro categorias para despesa: Consumo (C); Investimento (I); Compras do Governo (G); Exportações Líquidas (NX). Portando, sendo Y o PIB, temos: Y = C + I + G + NX Essa equação é conhecida como identidade das contas nacionais. CONSUMO O consumo compreende os bens e serviços adquiridos pelos domicílios. Os bens são classificados em duráveis e não duráveis. DURÁVEIS São bens que duram um longo período de tempo, como automóveis e eletrodomésticos. NÃO DURÁVEIS São bens que duram um curto período de tempo, como alimentos e vestuário. / INVESTIMENTO O investimento consiste em bens adquiridos para uso futuro, e pode ser de três naturezas: investimento fixo de empresas, investimento fixo imobiliário e investimento em estoques. O primeiro equivale à compra de nova unidade para produção ‒ por exemplo, equipamentos e maquinários. O segundo consiste na aquisição de uma nova residência para fins de moradia ou de aluguel pelas famílias. Por fim, o investimento em estoques é o aumento de estoques de bens por uma firma. Fonte: Shutterstock Fonte: Shutterstock COMPRAS DO GOVERNO / As compras do governo são os bens e serviços adquiridos pelos governos federais, estaduais e municipais, e incluem itens como equipamentos hospitalares e escolares, e serviços prestados por servidores públicos. Não consideramos gasto do governo transferências como previdência e assistência social. Essas transferências não são contabilizadas no PIB, pois apenas realocam uma renda que já existe, e não há transação entre bens e serviços. EXPORTAÇÕES LIQUIDAS As exportações líquidas são a parte da identidade das contas nacionais que considera o comércio com outros países. Elas são o valor das exportações (o que é vendido para outros países) menos o valor das importações (o que compramos de outros países). As exportações líquidas são negativas quando o valor das importações é maior do que o valor das exportações, e positivas, no caso oposto. COMPONENTE DA OFERTA Para calcular o PIB pelo componente da oferta, somamos os valores agregados totais de cada firma, que é denominado valor adicionado bruto (VAB), e representa o valor da diferença entre o que é produzido e o consumo intermediário. Para chegar ao PIB a preços de mercado, somamos o VAB com impostos indiretos e subtraímos subsídios: PIB = ∑ VAB + impostos indiretos - subsídios ∑ Essa letra grega é o Sigma, e representa um somatório. Para compreendermos melhor, vamos resolver a questão a seguir: Seja uma padaria que produza um pão e o venda a R$ 1,00. Para produzi-lo, o padeiro gastou 100 gr. de farinha de trigo e 10 ml de água. O custo de R$ 1,00 considera os gastos com os ingredientes para produzi-lo. Suponha que o custo desses ingredientes seja de 30 centavos. Qual será o valor agregado a essa padaria e o valor da sua contribuição para o PIB? javascript:void(0) / RESPOSTA COMPONENTE DA RENDA O cálculo do PIB, pela ótica da renda, consiste na soma de todas as rendas dos agentes habitantes do país em questão, como salários, juros, lucros e aluguéis. A soma dos juros, lucros e aluguéis é conhecida na contabilidade nacional como Excedente Operacional Bruto (EOB). Portanto, para chegar ao PIB a preços de mercado, devemos somar salários, EOB e impostos indiretos, e subtrair os subsídios: PIB = salários + EOB + impostos indiretos - subsídios FLUXO VS. ESTOQUE O PIB é uma medida de fluxo de novos bens e serviços finais produzidos durante um certo período de tempo, e não um estoque de riqueza existente em um país. Se um país não produz durante um ano, seu PIB anual é zero. O estoque é uma quantidade medida em certo ponto do tempo, enquanto o fluxo é uma quantidade medida por unidade de tempo. Para compreendermos melhor, vamos resolver a questão a seguir: Pense numa caixa d’água. A água dentro da caixa é um estoque e equivale à quantidade de água da caixa em um certo período do tempo. Já a água que entra na caixa pelo cano é um fluxo, sendo a quantidade de água adicionada ao longo do tempo. O que podemos considerar sobre a unidade de medida dessas variáveis? javascript:void(0) / RESPOSTA A Figura 2 ilustra um exemplo do cálculo do PIB pelas três óticas em uma economia hipotética: Fonte: Autor Figura 2 - Cálculo do PIB em uma economia hipotética PIB REAL VS. PIB NOMINAL E O DEFLATOR DO PIB Como já vimos, o PIB nos possibilita fazer comparações tanto entre nações quanto entre períodos de tempo. Contudo, devemos prestar atenção ao fazermos comparações entre períodos de tempo. Parte do aumento do PIB ao longo do tempo representa um aumento nos preços dos bens e serviços, e não um aumento na quantidade produzida, uma vez que o PIB é calculado em moeda corrente. Da mesma forma, uma economia pode estar aumentando, mas seu PIB pode estar caindo se os preços estiverem reduzindo. javascript:void(0) / Fonte: Shutterstock Para compreender melhor a questão, analise a situação a seguir: Fonte: Shutterstock / Fonte: Shutterstock Para entendermos como calculamos o PIB real, vamos imaginar uma economia que produza apenas peixes e cocos. No primeiro ano, o preço do peixe é de R$ 3,00, o do coco é de R$ 1,00, e são produzidos 10 peixes e 25 cocos. No segundo ano, o preço do peixe é de R$ 5,00, o do coco é de R$ 2,00, e são produzidos 15 peixes e 30 cocos. Fonte: Shutterstock No primeiro ano, o valor total da produção é de R$ 55,00. No segundo ano, é de R$ 135. O PIB nominal do segundo ano é 145% maior que o do primeiro. Contudo, fica claro, a partir do exemplo, que os preços aumentaram, e mesmo que a quantidade também tenha aumentado, o aumento da quantidade é menor do que 145%. / Fonte: Shutterstock Para chegarmos ao aumento da quantidade produzida, devemos calcular o PIB como se os preços não tivessem mudado, ou seja, utilizando os preços do primeiro ano e as quantidades do segundo. Assim, o PIB do segundo ano calculado a partir dos preços do primeiro é igual a R$ 75, o que representa um aumento de 36%. Portanto, o PIB real é o valor total de bens e serviços finais produzidos na economia durante um ano, e calculado como se os preços tivessem permanecidos constantes, ou seja, no nível de um determinado ano base. Sobre o PIB Real Sempre vem acompanhado de informações do ano-base em questão. Os dados do PIB em que os preços não são ajustados é denominado PIB nominal, isto é, o PIB a preços correntes. Se tivéssemos utilizado o PIB nominal para comparar a economia dos dois anos, como mostrado no exemplo anterior, teríamos encontrado um crescimento de 145%, enquanto, na realidade, a economia cresceu 36%. Previne que a variação dos preços distorça o valor da mudança na produção de produtos e serviços ao longo do tempo. Na prática, o ano-base é atualizado periodicamente, a cada cinco anos, para garantir que os preços não estejam demasiadamente defasados. DEFLATOR DO PIB Além do PIB nominal e do PIB real, podemos calcular o deflator do PIB, que corresponde à razão entre o PIB nominal e o PIB real. O deflator do PIB reflete o que está ocorrendo com o nível geral de preços da economia. / No exemplo sobre a economia hipotética, a variação do deflator do PIB é de 80% (135 75 = (1,8 – 1) x 100 = 80%). O deflator do PIB representa a variação de preços mais abrangente na economia, pois sintetiza uma medida de preços de todos os bens e serviçosproduzidos. Como veremos, o deflator é diferente dos índices de preço frequentemente utilizados, porque sua estrutura muda conforme a composição do PIB se altera, enquanto os índices de preço, no geral, possuem uma cesta de bens fixa. SAZONALIDADE Além do PIB anual, os economistas se interessam pelo PIB de períodos de tempo mais curtos (trimestrais). Contudo, conforme estudamos sua evolução trimestral, logo notamos um padrão sazonal regular. A Figura 3 ilustra a evolução do PIB trimestral do Brasil entre 2016 e 2019. O número 1 no eixo x representa o primeiro trimestre de 2016, o número 5 representa o primeiro trimestre de 2017, e assim por diante. As linhas pontilhadas marcam o último trimestre de cada ano. A produção total aumenta durante o ano, com pico no último trimestre, conforme ilustra a Figura 3. Parte da variação sazonal do PIB reflete a variação na capacidade de produção ao longo do ano. Por exemplo, certos cultivos são produzidos em determinadas estações, assim como indivíduos apresentam preferências sazonais, como a de comprar presentes no Natal, chocolates na Páscoa e viajar no verão. Fonte: Autor Figura 3 - Série Trimestral do PIB brasileiro Para estudar as flutuações reais do PIB, tiramos a parte da flutuação previsível atribuída à sazonalidade do PIB. A maior parte das estatísticas é ajustada sazonalmente, ou seja, os dados são ajustados de modo a remover as flutuações sazonais regulares. Portanto, quando observamos flutuações no PIB real ou em outros indicadores, devemos buscar outros fatores além da sazonalidade para explicar tais flutuações. / OUTROS INDICADORES DE RENDA DAS CONTAS NACIONAIS Esses indicadores são: autor/shutterstock PIB PER CAPITA autor/shutterstock PRODUTO NACIONAL BRUTO PIB PER CAPITA / Outra medida derivada do PIB é o PIB per capita, que é a renda média individual de um país. Para calcular o PIB per capita, dividimos o PIB daquele país pela sua população: çã Assim como o PIB real, o PIB per capita permite uma melhor comparação entre economias, porque eliminamos o efeito de uma população maior. Assim, um país cuja população é maior terá uma economia maior simplesmente pelo fato de que há mais indivíduos trabalhando. A razão para o PIB ser frequentemente usado para analisar o desempenho econômico é que uma economia com grande produção de bens e serviços é capaz de satisfazer melhor às demandas dos domicílios, empresas e governo. A partir do PIB, podemos comparar o tamanho da economia de países, avaliar a evolução do PIB no tempo, comparando o seu desempenho anual, analisar o PIB per capita etc. Como já mencionado, o PIB é um indicador imperfeito da economia, uma vez que existem limitações para o seu cálculo. Portanto, diversos fatores relevantes não são considerados no PIB: distribuição de renda, qualidade de vida, educação, saúde, segurança etc. É possível que uma nação tenha um PIB pequeno e uma qualidade de vida alta, como também um PIB alto e uma baixa qualidade de vida. Ao longo deste tema, abordaremos outros indicadores que mensuram diferentes esferas da economia e ajudam a medir com mais precisão o bem-estar. PRODUTO NACIONAL BRUTO Além do PIB, existem outros indicadores de renda bastante utilizados que se relacionam com ele. O primeiro deles é o Produto Nacional Bruto (PNB), que considera o valor da produção de propriedade de residentes, ou seja, de brasileiros. A produção de estrangeiros no Brasil é levada em consideração no PIB, mas não no PNB. A produção de brasileiros em países estrangeiros, por exemplo, não é considerada no PIB, mas entra no PNB. PNB = PIB + pagamentos de fatores oriundos do exterior - pagamentos de fatores destinados ao exterior = PIB - RLEE Nessa expressão, a Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLEE) é a diferença entre pagamentos de fatores oriundos do exterior (por exemplo, o salário de um brasileiro que trabalha na Europa) e pagamentos de fatores destinados ao exterior (como o salário de um norte-americano que trabalha no Brasil). As diferenças entre PIB e PNB podem ser expressivas em alguns países, como também podem quase não existir em outros. Isso acontece devido à composição da economia, ao grau de endividamento externo e à quantidade de empresas multinacionais que remetem lucros aos seus países de origem. Podemos calcular o Produto Nacional Líquido (PNL) a partir da subtração da depreciação do capital, isto é, da parcela do capital que se desgasta ao longo de um período: PNL = PNB - Depreciação do Capital / Como a depreciação do capital representa um custo para a produção, por meio da sua subtração, temos o resultado líquido da atividade econômica. Imagine, por exemplo, uma máquina de moer café que precisa de manutenção, pois está com uma peça quebrada. Essa peça quebrada é um exemplo de depreciação do capital. O Produto Nacional Líquido é aproximadamente igual a outro indicador de renda, a Renda Nacional, que mede o quanto ganharam todas as pessoas que integram uma economia. A diferença entre os dois indicadores ocorre devido a uma pequena correção, conhecida como discrepância estatística, ocasionada porque fontes diferentes de dados podem não ser exatamente correspondentes. Em uma economia fechada, ou seja, sem trocas com o exterior, e sem governo, o PIB, PNB, RND e RDP são iguais. Em uma economia fechada e com governo, as estimativas de PIB e PNB são idênticas. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. AO LONGO DESTE MÓDULO, ESTUDAMOS AS CONTAS NACIONAIS E SEUS AGREGADOS. A RESPEITO DO PIB, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA: A) O valor agregado total dos bens e serviços finais, e o gasto agregado em bens e serviços produzidos internamente em uma economia não são equivalentes. B) O gasto agregado entre bens e serviços finais produzidos domesticamente e a renda total de fatores são diferentes. C) O PIB possui quatro métodos diferentes de cálculo, e cada um deles fornece a mesma estimativa. D) O PIB pode ser calculado a partir de três métodos, e todos são equivalentes. 2. SUPONHA QUE, EM UMA ECONOMIA, HAJA APENAS DOIS BENS: PÃO E CAFÉ. EM 2018, FORAM VENDIDOS UM MILHÃO DE GRÃOS DE CAFÉ A R$ 0,40 A UNIDADE, E 80.000 UNIDADES DE PÃO A R$ 0,60 A UNIDADE. DE 2018 PARA 2019, O PREÇO DO CAFÉ SUBIU 25% E A QUANTIDADE DE PORÇÕES VENDIDAS CAIU 10%, ENQUANTO O PREÇO DO PÃO CAIU 15% E O NÚMERO DE PORÇÕES VENDIDAS AUMENTOU EM 5%. ASSINALE A ALTERNATIVA VERDADEIRA: / A) O PIB nominal em 2018 foi de R$ 800.000. B) O PIB nominal em 2019 foi de R$ 878.000. C) O PIB real em 2019, calculado a preços de 2018, foi exatamente igual ao PIB nominal de 2019. D) O crescimento do PIB foi de -1,8%. GABARITO 1. Ao longo deste módulo, estudamos as contas nacionais e seus agregados. A respeito do PIB, assinale a alternativa incorreta: A alternativa "C " está correta. A alternativa está incorreta. Consideremos a relação entre valor agregado total de todos os bens e serviços finais produzidos internamente, e o gasto agregado em bens e serviços finais produzidos internamente. Essas duas quantidades são iguais porque cada bem e serviço final produzido na economia é comprado por alguém ou acrescentado aos estoques, e acréscimos aos estoques são considerados como gastos das firmas segundo o princípio básico da economia. A alternativa está incorreta. Considere a relação entre gasto agregado entre bens e serviços finais produzidos domesticamente e a renda de fator total. Essas duas quantidades são iguais porque todo o gasto que é encaminhado à firma para pagar compras de bens e serviços finais produzidos domesticamente é receita das firmas. Essa receita precisa ser gasta pela firma para pagar seus fatores de produção, na forma de salários, lucros, juros e aluguéis. Tomado em conjunto, isso significa que os três métodos de cálculo do PIB são equivalentes. A alternativa está correta. Existem três óticas pelas quais o PIB pode ser calculado e que produzem exatamente a mesma estimativa. São elas: oferta, despesa e renda. A alternativa está incorreta, pois sãotrês métodos diferentes de cálculo que produzem a mesma estimativa, de modo que não existe um quarto método. 2. Suponha que, em uma economia, haja apenas dois bens: pão e café. Em 2018, foram vendidos um milhão de grãos de café a R$ 0,40 a unidade, e 80.000 unidades de pão a R$ 0,60 a unidade. De 2018 para 2019, o preço do café subiu 25% e a quantidade de porções vendidas caiu 10%, enquanto o preço do pão caiu 15% e o número de porções vendidas aumentou em 5%. Assinale a alternativa verdadeira: A alternativa "D " está correta. A alternativa está incorreta. Em 2018, o PIB nominal era de (1.000.000 x R$ 0,40) + (80.000 x R$ 0,60) = R$ 400.000,00 + R$ 480.000,00 = R$ 880.000,00. A alternativa está incorreta. Um aumento de 25% no preço do café, de 2018 para 2019, significa que o preço do café em 2019 era 1,25 x R$ 0,40 = R$ 0,50. Uma queda de 10% nas vendas de café significa que, em 2019, foram vendidos 1.000.000 x 0,9 = 900.000 grãos de café. Portanto, o valor total das vendas de café em 2019 foi / de 900.000 x R$ 0,50 = R$ 450.000,00. Uma queda de 15% no preço do pão em 2019 significa que, em 2019, ele foi de 0,85 x R$ 0,60 = R$ 0,51. Um aumento de 5% das vendas de pão significa que foram vendidas 800.000 x 1,05 = 840.000 unidades em 2019. O valor total das vendas de pão foi, portanto, 840.000 x R$ 0,51 = 428.400. O PIB nominal em 2019 foi de R$ 450.000,00 + R$ 428.400,00 = R$ 878.400,00. A alternativa está incorreta. Para chegarmos ao valor do PIB real em 2019, temos que calcular o valor das vendas no ano em questão, utilizando os preços do ano anterior: (900.000 grãos de café x R$ 0,40) + (840.000 x R$ 0,60) = R$ 360.000,00 + R$ 504.000,00 = R$ 864.000,00. A alternativa está correta. Uma comparação entre o PIB nominal de 2018 e o PIB nominal de 2019 mostra um declínio de (R$ 880.00,00 - R$ 878.400,00) / R$ 880.000,00 x 100 = 0,18%. Entretanto, uma comparação através do PIB real mostra um declínio de (R$ 880.000 - R$ 864.400) / R$ 880.000,00 x 100 = 1,8%. MÓDULO 2 Reconhecer indicadores alternativos e complementares às contas nacionais ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR E INFLAÇÃO Para começar, vamos analisar a seguinte informação: Fonte: Shutterstock Como podemos observar, ao acompanhar notícias sobre nossa economia, é comum analisar as projeções sobre as altas e baixas dos preços. O que são índices de preço? / Assim como o PIB e as medidas de renda que vimos no módulo anterior, existem diversos índices de preços em uma economia. O mais utilizado é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), mas também há o Índice de Preços do Produtor (IPP), que mostra como o custo de produção evoluiu. No Brasil, esses índices são calculados pelo IBGE, FGV e Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (FIPE). De forma análoga ao PIB, os índices de preço transformam inúmeros valores de bens e serviços em um único indicador de nível geral de preços. ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR AMPLO (IPCA) O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é, desde 1999, o índice oficial do governo para medir a inflação, isto é, o aumento no nível geral de preços. Seu objetivo é mensurar a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referente ao consumo pessoal das famílias com rendimento mensal entre 1 e 40 salários mínimos. Para calcular o IPCA, o IBGE envia funcionários a estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, entre os dias 1 e 30 de cada mês de referência para coletar o preço de uma determinada cesta de bens e serviços. Fonte: Shutterstock A divulgação do índice acontece até o décimo-quinto dia do mês seguinte. A coleta de informações é realizada nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, Recife, Belo Horizonte, Belém, Salvador, Curitiba, e nos municípios de Brasília e Goiânia. / Fonte: Shutterstock Figura 4 - Composição da Cesta do IPCA A composição da cesta de consumo é baseada na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), mostrada na Figura 4. São coletados por volta de 430 mil preços em 30 mil locais. Todos esses preços são comparados com os do mês anterior, resultando em um único valor que reflete a variação geral de preços ao consumidor no período. Para melhor compreensão sobre o cálculo do IPCA, vamos a um exemplo. Suponha que um consumidor padrão compre 10 bananas e 2 abacaxis todos os meses. Sua cesta de consumo é, portanto, composta por 10 bananas e 2 abacaxis, e o seu IPCA é: ç ç ç ç Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal Suponha que o preço da banana é de R$ 2,00, e do abacaxi, de R$ 5,00. Escolhendo 2010 como ano-base, os preços da banana e do abacaxi eram respectivamente de R$ 1,00 e de R$ 3,00. Assim, o IPCA desta cesta de consumo é de: Esse valor nos informa o quanto custa, no momento corrente, adquirir 2 abacaxis e 10 bananas em relação a quanto custava a aquisição desses mesmos bens em 2010. Assim, em 2020, a compra de 10 bananas e 2 abacaxis custa R$ 1,87 a mais do que em 2010. IPCA VS. DEFLATOR DO PIB / Como vimos na seção sobre o PIB, o seu deflator nos fornece uma medida de evolução de preços. Assim, o deflator do PIB considera uma cesta de bens e serviços igual à produção do país naquele ano, enquanto o IPCA considera uma cesta fixa. Portanto, um aumento dos preços de bens e serviços adquiridos por empresas e governo serão refletidas no deflator, mas não aparecerão no IPCA. Além disso, o deflator só considera bens e serviços produzidos internamente, enquanto na cesta do IPCA pode haver itens importados, como, por exemplo, vinhos, eletrônicos e queijos. EXEMPLO Suponha que o preço do vinho aumentou porque a França teve um ano atípico, com temperaturas altas e muita chuva, que estragaram grande parte da plantação de uvas. A quebra da safra da uva resultou em um aumento no preço do vinho. Dessa maneira, o crescimento no preço do vinho francês importado aparecerá no IPCA brasileiro, mas não no deflator do PIB. A outra diferença deve-se à forma que cada índice pondera os pesos dos bens. O IPCA atribui um peso fixo ao preço dos bens, devido à utilização de uma cesta fixa, enquanto o deflator concede pesos variados, de acordo com a produção interna daquele ano. Índices de preços que possuem cestas de bens e serviços fixas chamam-se índices de Laspeyeres, e os com cestas variáveis chamam-se índices de Paasche. Portanto, o IPCA é um índice de Laspeyeres e o deflator do PIB é um índice de Paasche. E por que usar o IPCA e não o deflator no PIB? Na realidade, não existe uma resposta certa, nem um índice melhor do que o outro. Cada índice tem suas propriedades e diferentes utilidades. Quando os preços de bens diferentes estão variando em proporções diversas, um índice de Laspeyeres, de cesta fixa, costuma superestimar o aumento do custo de vida. Isto acontece visto que uma cesta fixa não leva em consideração a possibilidade de substituição de bens e serviços pelos consumidores. Por outro lado, um índice de Paasche, de cesta variável, subestima o aumento do custo de vida, pois, ao levar em conta a substituição de itens, não reflete a redução de bem-estar e satisfação que tal substituição pode causar. Dependendo do interesse em questão, podemos escolher um índice em detrimento do outro. EXEMPLO Se você é proprietário(a) de uma empresa de construção civil, o seu índice de interesse para negócios será o Índice de Preços do Produtor. No entanto, um(a) senhor(a) aposentado(a) certamente estará mais interessado(a) em / acompanhar o IPCA. ÍNDICE DE PREÇOS DO PRODUTOR O IPP (Índice de Preços do Produtor) mede o preço de uma certa cesta adquirida por empresas, não por consumidores. O foco do índice reside nas indústrias extrativas e de transformação, tendo como principal objetivo mensurar a mudança média dos preços de venda recebidos pelos produtores domésticos de bens e serviços, assim como sua evolução ao longo do tempo. O IPP abrange informações de, aproximadamente, duas mil empresas,sobre os preços recebidos pelo produtor, isentos de impostos e tarifas, o que resulta na coleta de aproximadamente seis mil preços. Como os produtores tendem rápido do que o IPCA acerca das pressões inflacionárias, e, por isso, algumas vezes é considerado como um aviso prévio de alerta sobre mudanças na inflação. O IPP é calculado de forma análoga ao IPCA, mas considera sua cesta de consumo específica. TAXA DE INFLAÇÃO Com tantos índices apresentados, você deve estar se perguntando o porquê de tantas formas diferentes de mensurar a evolução dos preços e de calcular a taxa de inflação. Por que isso é tão importante? Para ilustrar sua importância, devemos definir primeiro o que é a taxa de inflação. Como mencionado na apresentação do IPCA, ele é o índice oficialmente utilizado para medir a inflação no Brasil. A partir do IPCA, podemos calcular a taxa de inflação, que é a sua mudança percentual anual: çã Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal Para explicar a importância da taxa de inflação em uma economia, precisamos definir o que é poder de compra. Poder de compra é a quantidade de bens e serviços que determinada renda pode adquirir. Veja a seguir um caso que exemplifica essa questão: Suponha que Gabriel seja assistente em um centro de pesquisa de economia e receba R$ 1.300,00 mensais. O prato preferido de Gabriel é galeto, acompanhado de uma Coca-Cola gelada, cujo preço é de R$ 20,00. Se a sua cesta de / consumo é apenas galeto com Coca-Cola, e ele gasta toda sua renda com isso, qual é o seu poder de compra? RESPOSTA No Brasil, mais do que em outros países, a inflação foi, por décadas, um problema comum. O grande problema da inflação é que ela deteriora o poder de compra dos consumidores. EXEMPLO Como ilustrado no exemplo das bananas e abacaxis, a compra destes bens em 2020 era 1,87 vezes mais cara do que em 2010. Podemos também medir a queda no poder de compra ocasionado pela inflação. Por exemplo, suponha que Júlia tivesse R$ 10,00 para comprar bananas em 2010. Com as bananas custando R$ 1,00 em 2010, Júlia comprava 10 unidades. Todavia, em 2020, quando o preço da banana passou a ser R$ 2,00, com os mesmos R$ 10,00, Júlia comprava 5 bananas. Com o aumento dos preços dos bens e serviços, o poder de compra vai sendo reduzido, ou seja, podemos comprar menos unidades de bens e serviços, uma vez que a maioria dos contratos e salários tendem a ser reajustados de forma mais lenta, enquanto os outros preços da economia são reajustados mais rapidamente. Caso todos os preços se ajustassem na mesma velocidade, proporção e periodicidade, não haveria problema em um aumento no nível de preços daquela economia, já que todos seguiriam com sua renda real inalterada. Os economistas consideram que as taxas de inflação elevadas geram custos econômicos significativos. Os mais importantes são os custos de sola de sapato, de menu e de unidade de conta. No geral, as pessoas mantêm moeda, seja em forma de dinheiro na carteira, seja em contas correntes em bancos, por conveniência, para realizar transações. Uma alta taxa de inflação desestimula os indivíduos a manterem moeda, porque o poder de compra do dinheiro se deteriora. Isso faz com que as pessoas busquem formas de reduzir a quantidade de moeda que retêm, mesmo que envolva custos consideráveis. O primeiro custo é o de sola de sapato, que se trata de uma alusão à necessidade de andar de um lado para o outro quando as pessoas não mantêm dinheiro. Um retrato desse custo é a hiperinflação alemã dos anos 20, em que comerciantes contratavam maratonistas para ir ao banco diversas vezes ao dia para converter o dinheiro em moeda estrangeira mais estável ou em ativos que rendiam juros. Ao se esforçarem para evitar a redução do poder de compra, esses maratonistas poderiam ter sido utilizados em outras atividades produtivas. javascript:void(0) / Fonte: Shutterstock A quantidade de transações bancárias é tamanha que exige que o número de empregados em bancos aumente consideravelmente. No Brasil, nos anos de hiperinflação, o setor bancário correspondia a 15% do seu PIB. Para lidar com a hiperinflação, o tamanho necessário do setor bancário representou uma perda de recursos reais para a sociedade, uma vez que esses funcionários também poderiam estar empregados em outras atividades produtivas. Fonte: Shutterstock Outro custo da inflação é o de menu. Em economias modernas, em geral, os preços dos bens e serviços são listados. Em um restaurante, por exemplo, a mudança do preço de um item significa necessidade de confeccionar novos cardápios, o que envolve custos. Quando temos uma inflação alta, os preços são alterados com mais frequência e, portanto, as empresas incorrem com mais frequência nesses custos. No Brasil, os funcionários de supermercados gastavam quase metade do tempo de trabalho remarcando preços. Na economia moderna, os contratos deixaram de ser expressados em espécie, como, por exemplo, galinhas, e deram lugar à moeda, assim como outros cálculos da economia. Essa função da moeda é conhecida como unidade de conta, e é um papel que se degrada pela inflação: um real vale menos no próximo ano do que neste. / A consequência é a redução da qualidade das decisões econômicas devido à incerteza da mudança da unidade de conta. Portanto, os custos de unidade de conta da inflação refletem a forma com que ela torna a moeda uma unidade de medida menos confiável. Esse custo se reflete particularmente no sistema tributário, pois a inflação distorce a medida de renda pela qual o imposto é cobrado. EXEMPLO Suponha uma taxa de inflação de 10% e uma família que compre um apartamento por R$ 100.000,00, e o venda um ano depois por R$ 110.000,00. A família não teve lucro em termos reais com a transação, mas, segundo o sistema tributário, obteve um ganho de R$ 10.000,00, e deverá pagar impostos sobre esse ganho “fantasma”. Diversas empresas são desencorajadas a realizar investimentos produtivos devido aos impostos sobre esses ganhos, gerando mais custos para a economia. Sendo assim, quando temos uma inflação muito alta, como aconteceu no Brasil nas décadas de 80 e 90, o aumento da renda dos indivíduos não acompanhou a rapidez do aumento dos preços dos bens e serviços, reduzindo o poder de compra dos consumidores. A redução do poder de compra reduz o bem-estar e satisfação dos indivíduos, uma vez que deixam de consumir os itens desejados e, em muitos casos, até os necessários. Durante esses anos, a inflação brasileira chegou à marca dos 1000%, e o Brasil ficou conhecido mundialmente pela hiperinflação que assolava a sociedade. Foram realizadas diversas tentativas de reduzir a inflação, algumas deixando a situação ainda mais crítica. Por fim, em 1994, foi lançado o Plano Real, que, entre muitas outras medidas, deu fim ao cruzeiro e implantou o real que conhecemos hoje em dia. A Figura 5 exibe a série histórica do IPCA, iniciada nos anos 80, e mostra sua evolução até os dias de hoje. É possível notar claramente a hiperinflação dos anos 80 e 90, dando lugar a uma estabilidade dos preços a partir de 1995: Fonte: Autor Figura 5 - Série histórica do IPCA A Figura 6 mostra a evolução do IPCA a partir de 1995 até 2019: / Fonte: Autor Figura 6 - Evolução do IPCA (1995-2019) TAXA DE DESEMPREGO A taxa de desemprego, assim como o PIB e a taxa de inflação, constitui-se como um indicador sobre a situação da economia. Ela é calculada e divulgada atualmente pelo IBGE, a partir da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio Contínua (PNADC). Até 2016, contudo, a pesquisa utilizada era a Pesquisa Mensal do Emprego (PME). A PNADC foi planejada para produzir indicadores trimestrais sobre a força de trabalho e outros indicadores anuais sobre temas suplementares permanentes. Fonte: Shutterstock O desemprego, como é conhecido popularmente, aparece na pesquisa pelo conceito de desocupação. A Figura 7 mostra a série histórica para o desemprego no Brasil: / Fonte: Shutterstock Figura 7 - Taxa de desocupação trimestral (2012-2019) O que é desemprego? Para definirmos desemprego, vamos primeiro definir o que é emprego. Emprego é o número total de pessoas correntemente empregadas, seja em tempo integral ou parcial. O desemprego, por sua vez, é o número de pessoas com idade para trabalhar (acima de 14 anos) que não estão trabalhando, mas estão disponíveis e tentam encontrar trabalho. Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir um emprego. Aposentados e incapacitados que recebem benefícios não são considerados desempregados, uma vez que não procuram emprego e nem estão disponíveis para tal. Portanto, o desemprego é o número total de pessoas que estão ativamente procurando emprego, mas não estão empregadas. Para calcular o desemprego de um país, precisamos definir antes outros conceitos. A força de trabalho é composta de pessoas que têm idade para trabalhar, ou seja, aqueles acima de 14 anos e que estão trabalhando ou procurando trabalho. A taxa de participação na força de trabalho é a parcela da população em idade ativa, ou seja, apta a trabalhar, e que está na força de trabalho. çã ç ççã Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal Segundo a metodologia do IBGE, o aposentado e incapacitado do exemplo acima estão fora da força de trabalho. Um universitário que dedica seu tempo somente aos estudos e uma dona de casa que não trabalha fora também não estão na força de trabalho. Já uma empreendedora que possui seu próprio negócio está ocupada na força de trabalho. A taxa de desemprego é a parcela dos indivíduos da força de trabalho que estão desempregadas. ú ç Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal / Fonte: Shutterstock Figura 8 - População brasileira, de acordo com as divisões do mercado de trabalho, no 4º trimestre de 2019 A taxa de desemprego é um bom indicador da situação do mercado de trabalho, mas, assim como qualquer indicador, não dever ser considerada um reflexo exato de pessoas que desejam trabalhar, porém não conseguem emprego. Como encontrar o emprego adequado leva algumas semanas ou meses, um trabalhador que tem certeza de que encontrará um emprego, mas ainda não aceitou uma oferta, é considerado como desocupado. Esse aspecto reflete por que, mesmo em situações de crescimento econômico, da taxa de desemprego não ir a zero. Além disso, há pessoas que gostariam de trabalhar, mas não estão, e também não são contabilizadas como desempregados. Isso acontece porque, para ser classificado como desocupado, é preciso ter procurado emprego recentemente. Os desalentados são pessoas que gostariam de trabalhar e estariam disponíveis, porém não procuraram trabalho por acharem que não encontrariam. Vários são os motivos que levam as pessoas a desistirem, por exemplo: não encontrar trabalho na localidade em que vivem, não conseguir trabalho adequado ou por ser considerado muito jovem ou idoso, não ter experiência profissional ou qualificação etc. É possível que a taxa de desemprego subestime a real situação do mercado de trabalho, não contabilizando uma parte das pessoas que querem trabalhar, mas não acham emprego. Existem também aqueles marginalmente ligados à força de trabalho, pessoas que responderam que gostariam de ter um emprego e o buscaram no passado recente, mas que, no momento, não estão buscando. Por fim, existem os subempregados, que são aqueles empregados em tempo parcial, mas que gostariam de ter um trabalho em tempo integral e não o encontram. Estes últimos também não são contabilizados como desocupados. / Fonte:Shutterstock O recebimento de algum benefício de programas sociais como Bolsa Família e Seguro Desemprego não significa que o indivíduo que o recebe é considerado desocupado. É possível que alguém esteja recebendo, mas trabalhe na informalidade e seja classificado como ocupado. Pode ocorrer que beneficiários não estejam de fato ocupados e também não estejam buscando emprego, e, portanto, serão classificados como fora da força de trabalho. A taxa de desemprego precisa ser avaliada com cuidado, uma vez que varia bastante em grupos etários, gênero e raça. Por exemplo, é mais fácil conseguir um emprego para jovens maiores de 24 anos, uma vez que já são qualificados e/ou possuem alguma experiência prévia. Empregos para trabalhadores acima dos 54 anos costumam ser mais difíceis, podendo o desemprego ser maior nessa faixa etária. Além disso, pelo fato de o Brasil ser um país muito extenso e diverso, as taxas de desemprego tendem a ser diferentes segundo as regiões do país. As figuras a seguir apresentam a taxa de desemprego em regiões distintas do país, para diferentes gêneros e grupos etários. Figura 9 - Taxa de Desocupação no Brasil e nas Grandes Regiões, no 4º trimestre de 2019 / Figura 10 - Taxa de desocupação, por idade, 1º trimestre de 2012 - 4º trimestre de 2019 Figura 11 - Taxa de desocupação por gênero, 1º trimestre de 2012 - 4º trimestre de 2019 COEFICIENTE DE GINI É importante compreendermos que o Coeficiente de Gini é uma medida de distribuição criada em 1912 pelo italiano Corrado Gini, e frequentemente utilizada como indicador da desigualdade em uma economia, medindo a distribuição de renda e de riqueza entre a população. O coeficiente varia de 0 (zero) a 1, em que 0 (zero) representa igualdade perfeita, e 1, desigualdade perfeita. Por exemplo, um país em que apenas um indivíduo detém toda a renda da economia e o restante não tem renda, tem um coeficiente de Gini igual a 1. javascript:void(0) / CORRADO GINI (1884-1965) Estatístico, sociólogo e demógrafo italiano que desenvolveu o coeficiente batizado com seu nome, que mede a desigualdade de renda em uma sociedade. Fonte: Shutterstock Dentre as diversas medidas de desigualdade de renda, o coeficiente de Gini é a mais utilizada, sendo baseado na curva de Lorenz. Para construir o coeficiente, coloque a porcentagem cumulativa dos domicílios no eixo horizontal, dos mais pobres aos mais ricos, e no eixo vertical, a porcentagem cumulativa de renda. O coeficiente é calculado por meio da razão das áreas no diagrama da curva de Lorenz. Se a área entre a linha de perfeita igualdade e a curva de Lorenz é a, e a área abaixo da curva de Lorenz é b, então, o coeficiente de Gini é a/(a+b); isto é, o dobro da área entre a curva de Lorenz e a linha de igualdade perfeita. Se não existe diferença entre as duas, o coeficiente é 0 (zero), o caso de igualdade perfeita. O exemplo a seguir ilustra a construção deste índice: Fonte: Datasus Figura 12 - Construção do Coeficiente de Gini Na prática, o índice é utilizado para analisar diferenciais na concentração da renda pessoal ao longo de toda a distribuição de renda, o que permite contribuir para a análise da situação socioeconômica da população, identificando quais são os segmentos que requerem maior atenção de políticas públicas de saúde, educação e proteção social, / entre outras. Além disso, fornece mais insumos para processos de planejamento, gestão e avaliação de políticas de distribuição de renda. A seguir, temos a evolução do coeficiente de Gini para alguns países da América do Sul: Fonte: LAC Equity Lab Figura 13 - Evolução da desigualdade na América do Sul O mapa que será mostrado a seguir ilustra a desigualdade entre os países. O coeficiente usado é o mais recente, contudo, o ano de mensuração varia entre países. O índice de Gini é medido em termos percentuais. As cores mais escuras representam as nações em que a desigualdade é maior. Você deve estar se perguntando: por que deveríamos nos preocupar com desigualdade? Altos níveis de desigualdade representam um custo para a economia, afetando seu desempenho e o bem-estar dos indivíduos. Sabemos que o acesso ao mercado financeiro não é perfeito, ou seja, nem todos os que desejam obter empréstimo o conseguem. Isso acontece porque a instituição, por exemplo um banco, faz uma análise de crédito e, no geral, exige queo indivíduo tenha uma fonte de renda ou patrimônio para oferecer como garantia. Em uma economia cuja desigualdade é alta, poucos indivíduos concentram a maior parte da renda e do patrimônio. A consequência é que diversas pessoas que precisam de um empréstimo não vão consegui-lo. Agora, suponha que Vitória deseje obter um empréstimo para começar uma pequena empresa de tecnologia, uma vez que não tem renda suficiente para fazê-lo sem ajuda. Contudo, pelo fato de Vitória não ter renda ou patrimônio suficientes, ela não consegue o empréstimo no banco. A consequência é que Vitória perderá a oportunidade e terá de fazer outra coisa menos produtiva, deixando de contribuir para o PIB daquele país, de empregar diversos funcionários e de lançar um novo produto com maior qualidade e menor preço no mercado, o que tem consequência também sobre o bem-estar dos consumidores. Em uma sociedade com alto índice de desigualdade, muitas pessoas deixam de utilizar suas habilidades que poderiam contribuir para o bem-estar por falta de acesso às oportunidades. A situação ilustrada, ainda que hipotética, é apenas uma das consequências da desigualdade. / Fonte: Investopedia Figura 14 - Desigualdade entre países ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO (IDH) O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida resumida do progresso a longo prazo em três dimensões básicas do desenvolvimento humano: renda, educação e expectativa de vida. Assim como o coeficiente de Gini, quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o país, e quanto mais próximo de 0 (zero), menos desenvolvido. Fonte: Shutterstock O objetivo da criação do IDH foi o de oferecer uma medida alternativa de bem-estar e desenvolvimento ao Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. / Criado por Mahbubul Haq com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, o IDH pretende ser uma medida geral e sintética que, apesar de ampliar a perspectiva sobre o desenvolvimento humano, não abrange nem esgota todos os aspectos de desenvolvimento. Portanto, não é uma representação da satisfação ou felicidade das pessoas, nem classifica o melhor lugar para viver. Fonte: Shutterstock MAHBUBUL HAQ (1934-1998) Economista paquistanês, criador do Relatório do Desenvolvimento Humano. Foi diretor de planejamento de políticas do Banco Mundial e, posteriormente, ministro da Economia do Paquistão. AMARTYA SEN (1933-) Economista indiano, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1998 e professor nas universidades de Oxford, Cambrige e Berkeley. Atualmente, leciona em Harvard. javascript:void(0) javascript:void(0) / Fonte: Wikipedia A figura a seguir mostra fragmentos do ranking do IDH para alguns países em 2018. O Brasil, no Relatório de Desenvolvimento Humano de 2019, se encontrava na posição 79. Fonte: PNUD / Fonte: PNUD Fonte: PNUD / Fonte: PNUD Figura 15 - Ranking do IDH 2018 Embora o IDH considere outros aspectos do desenvolvimento, e não apenas o econômico, como o PIB, há ainda muitos aspectos do desenvolvimento humano que não são contemplados nesse índice, tais como: democracia, participação, equidade e sustentabilidade. Buscando lidar com a dimensão da desigualdade no IDH, foi criado, em 2010, o IDH Ajustado à Desigualdade (IDHAD), que leva em consideração a desigualdade em todas as três dimensões do IDH, considerando o valor médio de cada uma delas de acordo com seu nível de desigualdade. Com a introdução do IDHAD, o IDH tradicional pode ser visto como um índice de desenvolvimento humano potencial, e o IDHAD, como um índice do desenvolvimento humano real. A diferença entre o IDH e o IDHAD pode ser considerada como uma perda no desenvolvimento humano potencial devido à desigualdade. ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO MUNICIPAL (IDHM) No Brasil, além do IDH, existe o IDHM, uma adaptação do IDH global para os municípios brasileiros. O IDHM brasileiro segue as mesmas três dimensões do IDH Global ‒ longevidade, educação e renda, mas vai além: adequa a metodologia global ao contexto brasileiro e à disponibilidade de indicadores nacionais. Como está organizado o IDHM brasileiro? Embora quantifiquem as mesmas dimensões, os indicadores levados em conta no IDHM são mais adequados para avaliar o desenvolvimento dos municípios brasileiros. Assim, o IDHM ― incluindo seus três componentes, IDHM Longevidade, IDHM Educação e IDHM Renda ― conta um pouco da história dos municípios em três importantes dimensões do desenvolvimento humano durantes duas décadas da história brasileira. Veja a seguir o mapa do IDHM para o Brasil em 2010: / Fonte: Shutterstock Figura 16 - Mapa do IDHM em 2010 VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. QUAL DOS CASOS ABAIXO DESCREVE UM TRABALHADOR DESEMPREGADO, DE ACORDO COM A DEFINIÇÃO VISTA NESTE MÓDULO? A) Maria, uma trabalhadora idosa, foi despedida e desistiu de procurar emprego há meses. B) Gabriel, um professor do ensino infantil, está aproveitando suas férias de verão. C) Júlia, bancária, recentemente despedida de um banco de investimentos, está buscando uma nova vaga no mercado. D) Clara, estudante universitária, voltou a frequentar a faculdade porque não conseguiu emprego. 2. SOBRE O ÍNDICE DE PREÇOS E A TAXA DE INFLAÇÃO, ASSINALE A AFIRMATIVA CORRETA: A) O índice de preços ao consumidor (IPCA) mede o nível de preços em uma economia, sendo o único índice relevante. B) A inflação alta implica em diversos custos sociais, que são comumente conhecidos por custo de sola de sapato, custo de menu e deterioração da função de unidade de conta. / C) O amplo uso da tecnologia revolucionou o setor bancário, tornando mais simples para o cliente o acesso e administração de seus ativos. Os custos de sola de sapato são mais altos quando há mais tecnologia. D) Durante um período de inflação alta, estabelecimentos como mercados e restaurantes ganham bastante devido à alta dos preços. GABARITO 1. Qual dos casos abaixo descreve um trabalhador desempregado, de acordo com a definição vista neste módulo? A alternativa "C " está correta. A alternativa está incorreta. Maria não é contabilizada como desempregada, pois não está ativamente buscando emprego. No entanto, é considerada desalentada em medidas mais amplas de subutilização de trabalho. A alternativa está incorreta. Gabriel não é considerado desempregado, pois tem um emprego: professor de educação infantil. A alternativa está correta. Júlia está desempregada, não está trabalhando e está ativamente procurando emprego. A alternativa está incorreta. Clara não é desempregada, mas marginalmente ligada à força de trabalho. Ela é contada em medidas mais amplas de subutilização. 2. Sobre o índice de preços e a taxa de inflação, assinale a afirmativa correta: A alternativa "B " está correta. A alternativa está incorreta. Os índices de preços em uma economia são diversos, e cada um deles mede o nível geral de preços em uma certa situação e sob uma ótica determinada. Para os consumidores, o índice de maior relevância será o IPCA, enquanto para os produtores, será o IPP. Não existe um índice que seja melhor do que o outro, cada um será mais adequado para determinada análise. A alternativa está correta. A sociedade incorre em diversos custos com a inflação. São eles: custo de menu, custo de sola de sapato e perda da função de unidade de conta da moeda. A alternativa está incorreta. Os custos de sola de sapato associados à inflação serão mais baixos porque é menos trabalhoso para os indivíduos administrarem seus ativos, a fim de economizar na quantidade de dinheiro vivo que mantêm. Essa redução no custo de converter ativos não monetários em moeda viva se traduz em um custo de sola de sapato mais baixo. A alternativa está incorreta. Os restaurantes e estabelecimentos que vendem produtos, como mercados e farmácias, assim como o restante da sociedade, perdem durante um processo de hiperinflação devido aos / custos de menu e a constante alocação de funcionários para atividades nãoprodutivas, como a remarcação de produtos. CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste tema, estudamos as contas nacionais e alguns dos mais importantes indicadores socioeconômicos. Vimos como calcular o Produto Interno Bruno (PIB), uma das medidas fundamentais de renda em uma economia. Percebemos que o PIB, porém, é insuficiente como medida de bem-estar: de que vale ter uma renda alta se há muitas pessoas desempregadas ou se a desigualdade de renda é alta? Abordamos também a taxa de desemprego e, como medida de desigualdade, o Índice de Gini. E, por fim, vimos medidas de preços e inflação para avaliar as mudanças no custo de vida, e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para incorporar outras dimensões da economia e da sociedade. Você encontrará todos esses indicadores com grande frequência nos jornais, e acompanhará os mais acalorados debates sobre o que deve ser feito para aumentar a renda, diminuir a inflação, melhorar a qualidade de vida etc. Use os conceitos que aprendemos aqui para participar do debate! REFERÊNCIAS CHAPELLOW, J. Gini index. Investopedia. Consultado em meio eletrônico em: 23 mai. 2020. FEIJÓ, C. et al. Contabilidade social. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Índice nacional de preços ao consumidor amplo – IPCA. Consultado em meio eletrônico em: 10 mai. 2020. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Índice de preços ao produtor: indústrias extrativas e de transformação – IPP. Consultado em meio eletrônico em: 10 mai. 2020. / INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Inflação. Consultado em meio eletrônico em: 10 mai. 2020. INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Rio de Janeiro. Consultado em meio eletrônico em: 10 mai. 2020. KRUGMAN, P.; WELLS, R. Introdução à economia. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011 MANKIW, N. G. Macroeconomia. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Índice de Gini da renda domiciliar per capita – B.9. Consultado em meio eletrônico em: 10 mai. 2020. PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA DESENVOLVIMENTO HUMANO. Atlas do desenvolvimento humano 2013. Consultado em meio eletrônico em: 10 mai. 2020. PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA DESENVOLVIMENTO HUMANO. Human development report 2019. Consultado em meio eletrônico em: 10 mai. 2020. EXPLORE+ Para saber mais sobre o processo inflacionário no Brasil, recomendamos o livro a seguir: LEITÃO, M. A saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda. Rio de Janeiro: Record, 2011. Para um aprofundamento sobre a desigualdade que afeta a economia contemporânea, recomendamos os livros a seguir: PIKETTY, T. O capital no século XXI. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014. SOUZA, P. H. G. F. Uma história de desigualdade – a concentração de renda entre os ricos no Brasil: 1926 - 2013. São Paulo: Hucitec, 2018. STIGLITIZ, J. E. The price of inequality. Nova Iorque: W. W, Norton & Company, 2013. Para saber mais, consulte também: Projeto World Inequality Database – para acessar dados a respeito do assunto; Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil – plataforma de consulta ao Índice de Desenvolvimento Humano para regiões, estados e municípios brasileiros. Human Development Report 2019 – que apresenta o relatório de desenvolvimento mais recente. CONTEUDISTA Maria Eduarda Barroso Perpétuo CURRÍCULO LATTES javascript:void(0); / / DEFINIÇÃO Curvas de oferta e demanda agregada, horizontes de tempo na macroeconomia, mercados monetário e de bens e serviços, alterações nas políticas fiscal e monetária e transição para um novo equilíbrio, construção da curva de demanda agregada. PROPÓSITO Compreender, através dos modelos apresentados neste tema, a política econômica, em especial, as políticas fiscal e monetária e como elas alteram o equilíbrio nos mercados monetário e de bens e serviços e, ainda, como interagem com a demanda agregada. Entender a diferença entre curto e longo prazos na economia e como isso afeta as curvas da demanda agregada. OBJETIVOS MÓDULO 1 / Construir as curvas de oferta e demanda agregada, para diferentes horizontes de tempo MÓDULO 2 Identificar os diferentes equilíbrios na economia e entender o impacto de alterações nas políticas fiscal e monetária INTRODUÇÃO Por que às vezes é difícil conseguir emprego? Por que os telejornais passam tanto tempo falando da taxa de juros definida pelo Banco Central? Como lidar com um aumento generalizado de preços na economia? Essas questões dizem respeito à política macroeconômica, um conjunto de ferramentas central em qualquer sociedade moderna. Estudaremos inicialmente os fundamentos teóricos da Macroeconomia, o que nos permitirá discutir o impacto dessas políticas. MÓDULO 1 Construir as curvas de oferta e demanda agregada, para diferentes horizontes de tempo. INTRODUÇÃO Você já deve ter ouvido falar em crises econômicas, recessões e períodos de crescimento. Em períodos de crise, é frequente ver nos jornais e na televisão economistas dando entrevistas tentando explicar as razões para o desempenho ruim da economia e fazendo previsões de cenários futuros. Em geral, o crescimento da economia é medido pelo Produto Interno Bruto (PIB) de um país. O crescimento é mais alto em uns anos do que outros, e, quando a economia sai do trilho, o crescimento passa a ser negativo. Flutuações no PIB estão muito associadas a flutuações no emprego. / EXEMPLO Quando passamos por uma recessão, a economia passa por um período de produção decrescente e desemprego crescente. O Brasil passou por uma forte recessão entre 2014 e 2016. Entre o segundo trimestre de 2014 e o segundo trimestre de 2016, o PIB real caiu sistematicamente, indicando declínio na produção de bens e serviços da economia. Mesmo com o fim da recessão em 2016, a economia mostrou recuperação muito lenta e, até a data de publicação desta aula (2º trimestre 2020), não havia se recuperado completamente. Desde o 2º trimestre de 2014 até o 4º semestre de 2016, o crescimento médio foi de -1.8 %. A taxa de desemprego passou de 6,5% em dezembro de 2014 para 13,7% em janeiro de 2017. O mau desempenho econômico permeou os noticiários daquele período, sendo destacado por ter sido um dos piores períodos da economia brasileira nos anos recentes. / Essas oscilações de curto prazo no produto e no emprego recebem o nome de ciclos econômicos. A terminologia é um pouco enganosa, podendo sugerir que as oscilações sejam regulares e previsíveis, quando não são. Muito pelo contrário, elas são bastante irregulares e carregam um elevado componente de incerteza. Podem acontecer próximas umas às outras, ou distantes. Não há como garantir com segurança. EXEMPLO A crise de 2009 ocorreu relativamente próxima à de 2015. Pouco depois, quando a economia brasileira apresentava alguns fracos indícios de recuperação, a crise da pandemia do COVID-19 surgiu, causando impacto imediato na economia mundial e a paralisação de muitos setores internacionalmente - algo que ninguém poderia prever. No entanto, nem todas as oscilações são completamente imprevisíveis. Algumas delas apresentam sinais antes de o cenário mais grave acontecer. Como explicar essas oscilações de curto prazo? Quais modelos são capazes de explicá-las? É possível que os formuladores de política econômica as evitem? No próximo tópico, vamos procurar desenvolver a teoria para explicar o comportamento da economia no curto e no longo prazo. OS COMPONENTES DO PIB E A LEI DE OKUN / Como você deve ter aprendido, o PIB mede o total da renda menos os gastos na economia. A figura 1 mostra o crescimento do PIB real do Brasil desde 1997. Figura 1: Taxa de crescimento do PIB real. | Fonte: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Figura 1: Taxa de crescimento do PIB real. | Fonte: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Não é preciso ser economista para perceber que o crescimento econômico não é estável e que, às vezes, é negativo, como foi durante a recessão de 2014-16.Mas como se define uma recessão? Há definições distintas, como: Existe uma regra técnica que define recessão a partir do momento em que o PIB de um país cai por dois trimestres consecutivos. O Codace considera que existe recessão quando é observada uma queda generalizada no nível de atividade econômica, independentemente de haver dois trimestres negativos de PIB. A explicação para isso é que muitas vezes o PIB é afetado por algum setor específico, e não reflete a dinâmica da economia como um todo. javascript:void(0) / CODACE Comitê de Datação de Ciclos Econômicos da Fundação Getúlio Vargas, é uma organização independente criada com a finalidade de determinar a referência cronológica para os ciclos econômicos brasileiros. Assim como o PIB reflete a dinâmica de diferentes setores da economia, ele também é uma soma de seus diversos componentes, refletindo-os, portanto. Ele é composto por quatro componentes de despesa: autor/shutterstock CONSUMO / autor/shutterstock INVESTIMENTO autor/shutterstock COMPRAS DO GOVERNO / autor/shutterstock EXPORTAÇÕES LÍQUIDAS Nesses componentes, os ciclos econômicos também acabam se tornando aparentes, sendo alguns mais voláteis que outros, tal qual o investimento. Ademais, os ciclos são visíveis nos dados que descrevem as condições do mercado de trabalho. A figura 2 mostra a taxa de desemprego desde 2012. Figura 2: Taxa de desemprego | Fonte: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Figura 2: Taxa de desemprego | Fonte: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). / Pode-se observar que o desemprego cresceu durante a recessão de 2014-16. Ao olhar para outros indicadores de mercado de trabalho, vamos notar trajetórias semelhantes. Quando há declínio na atividade econômica, torna-se mais difícil encontrar uma vaga de emprego. Se há mais desempregados em períodos de crise e recessão, e são justamente os trabalhadores empregados que contribuem para a produção de bens e serviços, aumentos na taxa de desemprego devem estar relacionados a declínios no PIB real. Essa relação negativa entre produto e desemprego é chamada pelos economistas de Lei de Okun (1928-1980). A lei de Okun (1928-1980) torna evidente que os determinantes do ciclo econômico de curto prazo são diferentes dos determinantes de longo prazo. LEI DE OKUN (1928-1980) O nome é uma homenagem ao economista Arthur Okun (1928-1980), primeiro a estudar essa relação. Longo prazo O longo prazo é determinado principalmente pelo progresso tecnológico. Curto prazo O curto prazo é determinado pelo emprego da força de trabalho da economia. As quedas na produção de bens e serviços presentes nas recessões estão frequentemente associadas a um aumento do desemprego. A figura 3 mostra essa relação para o Brasil. javascript:void(0) / Figura 3: Lei de Okun no Brasil 2012-2017 | Fonte: Autor Figura 3: Lei de Okun no Brasil 2012-2017 | Fonte: Autor HORIZONTES DE TEMPO NA MACROECONOMIA Como mencionado, na macroeconomia existem diferentes determinantes a depender do horizonte temporal em análise e, consequentemente, diferentes modelos. Mas, por que modelos de longo prazo e curto prazo não podem ser iguais? A maioria dos economistas entende que a principal diferença entre o curto e o longo prazo está na forma como os preços se comportam. Longo prazo No longo prazo, os preços são flexíveis e reagem a mudanças na oferta e na demanda. Curto prazo No curto prazo, os preços são mais rígidos e permanecem “fixos" em um nível determinado por algum tempo. / Como os preços se comportam de forma diferente no curto e no longo prazo, eles também reagem de maneira diferente a mudanças econômicas, sejam elas choques externos ou alterações na política econômica. Veja um exemplo de como o preço se comporta no curto prazo: autor/shutterstock Ocorre uma mudança inesperada na produção agropecuária (uma quebra de safra). autor/shutterstock / Os restaurantes não aumentam imediatamente o preço de suas refeições. autor/shutterstock As firmas não alteram os salários de seus funcionários de pronto. autor/shutterstock / Os mercados não mudam as etiquetas de seus produtos. A maior parte dos preços demora um certo período de tempo para se alterar. No longo prazo, no entanto, esses preços se ajustam lentamente, respondendo a essas alterações de política econômica ou a choques. A rigidez temporária dos preços sugere que o impacto no curto prazo decorrente de uma variação na oferta monetária difere do impacto no longo prazo. Desse modo, um modelo que deseje capturar a dinâmica dos preços no curto prazo deve levar em consideração essa rigidez. Veremos mais adiante que variáveis reais como produto e emprego sofrerão algum ajuste no curto prazo, uma vez que os preços não se adequam rapidamente. Isso significa que as variáveis nominais (Preços) poderão influenciar as variáveis reais (Quantidades) enquanto durar o período no qual os preços se mantiverem rígidos. DEMANDA AGREGADA Na Teoria Macroeconômica Clássica, supõe-se que os preços se ajustam para garantir que a quantidade demandada de produto seja igual à quantidade ofertada. A oferta de bens e serviços, por sua vez, depende da capacidade de produção da economia e está atrelada às ofertas de capital e de mão de obra, além da tecnologia disponível para a produção. Quando os preços são rígidos, no entanto, esse ajuste de preço não pode ser realizado. Assim, o produto depende também da demanda por bens e serviços. Já a demanda depende de uma série de fatores: autor/shutterstock / Confiança dos consumidores em relação ao cenário econômico; autor/shutterstock Percepção dos investidores a respeito de lucratividade; autor/shutterstock Política fiscal; / autor/shutterstock Política monetária. Para melhor compreender como esses fatores influenciam a demanda, vamos introduzir o conceito de demanda agregada. Demanda agregada (DA) é a relação entre a quantidade de produto demandada e o nível de preços agregado da economia. O nível de preços, por sua vez, é uma medida de preços globais de um conjunto determinado de bens e serviços — nesse caso, da economia como um todo. RESUMINDO Assim, a demanda agregada aponta para a quantidade de bens e serviços que as pessoas desejam adquirir para cada nível de preços. A chamada Teoria Quantitativa da Moeda (TQM) sustenta que: / autor/shutterstock A oferta monetária é o valor total de dinheiro disponível em uma economia em um determinado período do tempo. / autor/shutterstock A velocidade da moeda é simplesmente a frequência média com que uma unidade de moeda (por exemplo, um real) troca de mãos em uma transação econômica. Supondo que a velocidade da moeda seja constante, essa equação diz que a oferta monetária determina o valor nominal do produto PY. Partindo do pressuposto de que a quantidade de moeda ofertada M é fixada pelo Banco Central, então a equação quantitativa enuncia uma relação negativa entre preços P e quantidade de produto Y. De outra maneira: As barras sobre as variáveis indicam que elas assumem valores fixos. Para manter o lado esquerdo da equação constante, P e Y precisam ter uma relação negativa entre si: Se o preço aumenta, o produto diminui. A figura 4 mostra um gráfico para combinações de P e Y que satisfazem essa equação para uma dada velocidade da moeda V e oferta monetária: / Figura 4| Fonte: Autor Figura 4| Fonte: Autor A curva com inclinação negativa é conhecida como curva de demanda agregada. Assim, a oferta monetária M e a velocidade da moeda V determinam o valor nominal do produto PY. Como PY é uma constante, quando P aumentar, Y deve diminuir, e vice-versa. A intuição econômica por trás dessa igualdade é que, uma vez determinada a oferta monetária, ela estabelece o valor de todas as transações da economia em moeda corrente. Se o nível de preços aumenta, todas as transações exigirão uma quantidade maior de moeda corrente para ocorrer, de modo queo número de transações caia e, por consequência, a quantidade de bens e serviços adquirida também. Também podemos analisar a inclinação negativa da curva de demanda agregada sob outra ótica: quanto maior o montante do produto, maior o número de transações realizadas pelas pessoas, assim a necessidade de moeda corrente passa a ser mais alta. Em outras palavras, há uma demanda por encaixes monetários reais, M/P, mais alta. Encaixes monetários reais é o nome dado ao termo correspondente à razão de quantidade de moeda M sobre o nível de preços P. POR QUE É IMPORTANTE DIVIDIR A QUANTIDADE DE MOEDA M PELO NÍVEL DE PREÇOS P? / RESPOSTA Porque não faz diferença ter o dobro do dinheiro se os preços forem duas vezes maiores: O que interessa é o poder de compra da moeda, e não só o número impresso em uma cédula. Uma vez que a oferta monetária M é constante, um encaixe real mais alto significa um nível de preços mais baixo. Analogamente, uma demanda por encaixes reais mais baixos por conta de menos transações implica um nível de preços mais alto. DESLOCAMENTOS NA DEMANDA AGREGADA Até aqui, consideramos a oferta monetária M como dada. O que aconteceria se o Banco Central decidisse alterar a oferta monetária? Certamente, as combinações possíveis de P e Y se alterariam, de modo que a curva de demanda agregada se deslocaria. Suponha que o Banco Central aumente a oferta monetária. Pela equação quantitativa da moeda, um aumento de M deve provocar um aumento proporcional do valor nominal do produto PY. COMENTÁRIO Para qualquer nível de preços, o montante de produto passa a ser maior, assim como para qualquer montante de produto, o nível de preços passa a ser mais alto. Dessa forma, há um deslocamento da curva de demanda agregada para a direita e para cima, ou para fora. O painel (a) da figura 5 mostra essa dinâmica. javascript:void(0) / Figura 5: Deslocamento da DA por um aumento em M | Fonte: autor Figura 5: Deslocamento da DA por um aumento em M | Fonte: autor Do mesmo modo, o mecanismo contrário também ocorre. Se o Banco Central decide reduzir a oferta monetária, o montante de produto para qualquer nível de preços passa a ser menor e, para qualquer montante de produto, o nível de preços se torna mais baixo. Nesse caso, a curva de demanda agregada se desloca para baixo e para a esquerda, ou para dentro. O painel (b) da figura 5 exibe esse deslocamento. Figura 5: Deslocamento da DA por uma redução em M | Fonte: autor Figura 5: Deslocamento da DA por uma redução em M | Fonte: autor / Embora seja responsável por alguns dos deslocamentos da demanda agregada, a oferta de moeda não é o único fator que pode causar esse efeito. Mudanças na velocidade da moeda, por exemplo, também podem deslocar a demanda agregada, na mesma lógica da equação quantitativa da moeda. Contudo, é importante ter em mente que a TQM é uma simplificação da teoria para se compreender a curva de demanda agregada. Como veremos em outro módulo, oscilações na oferta monetária ou na velocidade da moeda não são a única fonte de oscilação na demanda agregada. A realidade é bem mais complexa. OFERTA AGREGADA Sozinha, a curva de demanda agregada não diz em que ponto a economia se encontra, isto é, qual o nível de preços vigente e o montante de produto correspondente. Ela mostra apenas uma relação entre essas duas variáveis. Todavia, existe outra curva que também apresenta uma relação entre P e Y que cruza a curva de demanda agregada: É a chamada curva de oferta agregada. Essas curvas determinam de forma conjunta o nível de preços P e a quantidade de produto Y da economia, e a interseção entre elas indica em que ponto a economia está. A oferta agregada (OA) é a relação entre a quantidade de bens e serviços ofertada e o nível de preços da economia. ATENÇÃO Dado que os bens e serviços ofertados têm preços flexíveis no longo prazo e preços rígidos no curto prazo, a oferta agregada depende do horizonte de tempo que está sendo analisado. Desse modo, pode-se dizer que existem duas curvas de oferta agregada: A oferta agregada de longo prazo (OALP) e a oferta agregada de curto prazo (OACP). Como explicado, no longo prazo, a capacidade de oferta de bens e serviços da economia depende dos montantes fixos de capital e mão de obra e da tecnologia disponível para a produção. Formalmente: Essa equação indica que o produto Y é uma função do montante fixo de capital e do montante fixo de trabalho . Como ambos os insumos são fixos, o produto também será fixo. / RELEMBRANDO A barra superior indica que a variável assume um valor fixo. Note que o nível de preços P não entra na função de produção, ou seja, não é um insumo: Consequentemente, não afeta o montante de produto Y. Essa função deriva do modelo clássico, que descreve como a economia se comporta no longo prazo. De acordo com esse modelo, o produto não depende do nível de preços. Se o produto é fixo no longo prazo e não depende do nível de preços, a curva de oferta agregada será uma linha reta vertical cujo intercepto no eixo do produto é o montante de produto fixo . O painel (a) da figura 6 mostra a curva de oferta agregada do longo prazo (OALP) cruzando a curva de demanda agregada (DA). Figura 6: oferta agregada de longo prazo (OALP) e Demanda agregada (DA) | Fonte: autor Figura 6: oferta agregada de longo prazo (OALP) e Demanda agregada (DA) | Fonte: autor Dado que a curva de oferta agregada do longo prazo é uma linha vertical, então um deslocamento da curva de demanda agregada não afetará a quantidade de produto Y, mas apenas o nível de preços P. Se a oferta monetária aumenta, por exemplo, e a curva de DA se desloca para fora, como mostra o diagrama (b) da figura 6, o que ocorre? / Fonte:Shutterstock Figura 6: oferta agregada de longo prazo (OALP) e deslocamento da (DA) | Fonte: autor O ponto de cruzamento das duas curvas muda do ponto A para o ponto B, aumentando o nível de preços. Desse modo, oscilações na demanda agregada afetam apenas os preços no longo prazo. A oferta agregada de longo prazo vertical satisfaz a chamada dicotomia clássica, de acordo com a qual variáveis nominais não afetam variáveis reais, afinal, o nível de produto não depende da oferta monetária. O nível do produto no longo prazo é chamado de nível natural do produto ou nível do produto de pleno emprego. No entanto, esse é o caso apenas do longo prazo. No curto prazo, o modelo clássico não se aplica. Como há rigidez de preços no curto prazo, a curva de oferta agregada de curto prazo não é vertical. Vamos tomar como exemplo o caso extremo: todos os preços são fixos no curto prazo. Vamos supor a seguinte situação. PRODUTO DE PLENO EMPREGO É o ponto da economia no qual a taxa de desemprego está em seu nível natural, ou, de outro modo, os recursos da economia estão plenamente empregados. É muito caro para os restaurantes trocarem seus menus. javascript:void(0) / As empresas não possuem capital para alterar os salários de seus empregados. É muito custoso para os mercados mudarem suas etiquetas. Posto isso, todos os preços estão fixados em valores predeterminados. A esses preços, os produtores ofertam a quantidade que os consumidores estiverem dispostos a comprar, e utilizam a quantidade exata de capital e mão de obra para produzir aquela quantidade. Obviamente, isso é apenas uma simplificação e não representa a realidade em toda a sua complexidade. Mas, por ora, vamos analisar este modelo: se o nível de preços é completamente rígido, isso significa que ele não muda. Assim, a curva de oferta agregada do curto prazo é uma reta horizontal. O gráfico (a) da figura 7 mostra esse caso. Figura 7: oferta agregada de curto prazo, OACP e Demanda agregada, DA | Fonte: autor Figura 7: oferta agregada de curto prazo (OACP) e Demanda agregada (DA) | Fonte: autor No curto prazo, um deslocamento para fora da curva de demanda agregada ocasionado por uma ampliação da oferta monetária deslocada não altera o nível de preços,como ilustra o diagrama (b) da figura 7. A economia passa do ponto inicial A para o novo ponto de equilíbrio B, alterando o nível de produto de Y1 para Y2, elevando-o a um nível constante de preços. Dessa forma, um aumento na demanda agregada eleva o produto no curto prazo, dado que os preços não se ajustam instantaneamente. / Agora, veja outro exemplo depois de um movimento positivo repentino na demanda agregada. Figura 7: oferta agregada de curto prazo, OACP e deslocamento da DA | Fonte: autor Figura 7: oferta agregada de curto prazo, (OACP) e deslocamento da (DA) | Fonte: autor Produtores ficam amarrados a preços demasiadamente baixos para seu nível elevado de produção. Com a demanda elevada por seus produtos, as empresas vendem uma alta quantidade de bens e serviços, o que gera um aumento de sua produção. Com isso, as empresas utilizam mais capital e contratam mais trabalhadores. Nesse cenário, a economia passa por um período de aquecimento. Como sabemos, a economia não se resume a um momento estático no curto prazo. Veremos a seguir o que ocorre depois de um deslocamento repentino da demanda agregada. ATENÇÃO Devemos frisar que os casos ilustrados aqui são dois casos extremos e que a realidade da economia é um tanto mais complexa do que isso. / Utilizamos esses dois casos extremos como pontos de partida para fundamentar o restante da teoria. Como veremos mais adiante, num intervalo de tempo em que alguns preços são flexíveis e outros rígidos, a curva de oferta agregada será uma mistura das duas apresentadas até então. Ou seja, será uma curva positivamente inclinada. A TRANSIÇÃO: DO CURTO PRAZO PARA O LONGO PRAZO Até agora, vimos como a economia e os preços se comportam no curto prazo e no longo prazo. Mas, como a economia faz a transição do curto prazo para o longo prazo? Suponha que a economia esteja inicialmente num equilíbrio de longo prazo. O equilíbrio de longo prazo ocorre quando a curva de demanda agregada intercepta a curva de oferta agregada de longo prazo, ilustrado pelo ponto E no painel (a) da figura 8. Figura 8: o equilíbrio de longo prazo | Fonte: autor Figura 8: o equilíbrio de longo prazo | Fonte: autor A figura mostra três curvas: A curva de demanda agregada, a curva de oferta agregada de curto prazo e a oferta agregada de longo prazo. ATENÇÃO / A curva de oferta agregada de curto prazo também cruza o ponto de equilíbrio, porque, dado que no longo prazo os preços se ajustam para alcançar o equilíbrio, quando a economia está no equilíbrio de longo prazo, ela também está em um equilíbrio de curto prazo. Vamos continuar com o exemplo de um aumento na demanda agregada induzido por uma expansão da oferta monetária, como mostra o painel (b) da figura 8. Haverá um deslocamento para a direita da curva de demanda agregada. No curto prazo, os preços são rígidos, de modo que a produção aumenta e a economia se move do ponto E para o ponto E’. Figura 8: uma expansão da DA e a transição para um novo equilíbrio | Fonte: autor Figura 8: uma expansão da DA e a transição para um novo equilíbrio | Fonte: autor Produção e emprego aumentam e passam a ficar acima de seus níveis naturais, o que significa que a economia está aquecida. As empresas passam a vender e a produzir uma quantidade alta de bens e serviços e, para isso, utilizam mais capital e contratam mais trabalhadores. A alta da atividade econômica pressiona os preços para cima, deslocando a economia gradativamente para cima, ao longo da curva de demanda agregada. / Com maiores preços, a quantidade demandada por bens e serviços diminui, até o ponto E’’, que é o novo equilíbrio de longo prazo. Neste novo equilíbrio, a produção e o emprego voltam aos seus níveis naturais, mas os preços se encontram num nível mais elevado do que no antigo equilíbrio de longo prazo, representado pelo ponto E. Assim, uma oscilação da demanda agregada afeta o nível de produção no curto prazo, mas esse efeito é mitigado conforme o tempo passa e as empresas ajustam seus preços. POLÍTICA DE ESTABILIZAÇÃO Vimos o exemplo de quando oscilações na economia são decorrentes de mudanças na demanda agregada. Oscilações derivadas de mudanças na oferta agregada também são possíveis. CHOQUES ECONÔMICOS Eventos exógenos que deslocam essas curvas são chamados pelos economistas de choques econômicos. CHOQUE DE DEMANDA Se um evento desloca a curva de demanda agregada, ele recebe o nome de choque de demanda. CHOQUE DE OFERTA Caso desloque a curva de oferta agregada, é chamado de choque de oferta. Esses choques tiram a economia do equilíbrio, pois afastam o produto e o emprego de seus níveis naturais, e o modelo de oferta e demanda agregadas busca explicar como esses choques fazem a economia oscilar. Os choques também podem ser de dois tipos: Endógenos Dizemos que choques são endógenos quando há alterações em uma variável explicada pelo modelo. Exógenos Quando há alterações em variáveis tidas como fixas ou determinadas por fora do modelo, isto é, determinadas de maneira exógena, chamamos de choques exógenos. / O modelo também nos permite avaliar como a política macroeconômica pode reagir a esses choques. Ações realizadas pelas autoridades voltadas para amenizar os efeitos negativos de oscilações econômicas de curto prazo recebem o nome de políticas de estabilização. As políticas de estabilização atuam no sentido de atenuar o ciclo econômico, a fim de manter o produto e o emprego o mais próximo possível de suas taxas naturais. CHOQUES NA DEMANDA AGREGADA O que aconteceria se o choque na demanda agregada fosse provocado por uma redução na oferta monetária? O cenário seria o inverso do que vimos na figura 8. A diminuição na oferta de moeda deslocará a curva de demanda agregada para a esquerda, como visto anteriormente. A rigidez dos preços no curto prazo faz com que a economia se mova do equilíbrio de curto prazo no ponto E para o ponto E’, como mostra a figura 9. Nesse ponto, a produção e o emprego estão abaixo de seus níveis naturais, e a economia se encontra em recessão. Figura 9: uma redução da DA e a transição para um novo equilíbrio | Fonte: autor Figura 9: uma redução da DA e a transição para um novo equilíbrio | Fonte: autor Em resposta à diminuição da demanda, os preços e os salários caem. Essa diminuição dos preços faz com que a economia se mova para baixo deslizando ao longo da curva de demanda agregada, até o ponto E’’, o novo equilíbrio de longo prazo. Neste novo equilíbrio, produção e emprego voltam às suas taxas naturais, mas os preços se encontram abaixo do nível inicial. Até aqui, trabalhamos com choques de demanda ocasionados por uma alteração na oferta monetária M. Lembre-se de que definimos a curva de demanda agregada como uma relação entre o nível de preços P / e produto Y, que mantinha constante o lado esquerdo da equação quantitativa da moeda, MV. Nesse sentido, choques na demanda agregada também podem ser ocasionados por uma alteração na velocidade da moeda V. Considere, então, um novo exemplo de choque na demanda agregada: a introdução de aplicativos de banco e compras online nos smartphones e sua rápida disseminação, possibilitando a realização de transações em qualquer momento do tempo de qualquer lugar, sem a necessidade de deslocamento físico. Dado que constituem um meio mais rápido de realizar compras e transações do que o uso prévio de dinheiro físico em lojas físicas, as inovações tecnológicas reduzem a quantidade de moeda que as pessoas escolhem reter em mãos. Com isso, a redução da demanda por moeda equivale a um aumento na velocidade da moeda. Fonte:unsplash Fonte: unsplash RESUMINDO Se cada pessoa reduz a quantidade de moeda que tem em mãos, isso implica que cada unidade de moeda passa de mão para mão de forma mais rápida, de modo que a velocidade de moeda V aumenta. Mantida constante a oferta de moeda, o aumento na velocidade acarreta um deslocamento para fora na curva de demanda agregada. A dinâmicadesse choque é similar à que analisamos no diagrama (b) da figura 8. / No curto prazo, o aumento da demanda faz com que o nível de produto da economia aumente, aquecendo a economia. Para o nível de preços do equilíbrio inicial E, as empresas vendem uma quantidade maior de bens e serviços, o que as leva a contratarem mais trabalhadores e utilizarem uma quantidade maior de capital. Com o passar do tempo, o nível elevado da demanda agregada empurra os preços para cima, de modo a se ajustarem gradativamente. A quantidade demandada de produto diminui à medida que os preços aumentam, e, aos poucos, a economia vai retornando ao nível natural de emprego e produção. Durante toda a transição para o novo equilíbrio E’’, o produto da economia permanece acima de sua taxa natural. Isso levanta uma questão: É POSSÍVEL QUE O BANCO CENTRAL FAÇA ALGO PARA CONTER ESSE HIPER CRESCIMENTO DA ECONOMIA E MANTER O PRODUTO MAIS PRÓXIMO DE SUAS TAXAS NATURAIS, EVITANDO OCASIONAR UM AUMENTO ELEVADO DO NÍVEL DE PREÇOS? EM OUTRAS PALAVRAS, O BANCO CENTRAL PODE ATUAR PARA REDUZIR O NÍVEL DE ATIVIDADE ECONÔMICA E IMPEDIR INFLAÇÃO ALTA? RESPOSTA Sim, é possível. javascript:void(0) / As autoridades monetárias podem reduzir a oferta monetária compensando o efeito do aumento da velocidade da moeda na curva de demanda agregada. Desse modo, é possível que o Banco Central mitigue ou até elimine os impactos de choques na demanda agregada sobre o produto e o emprego. COMENTÁRIO Isso é possível porque o Banco Central tem controle, ainda que parcial, sobre a oferta monetária - o que é assunto de outros temas. CHOQUES NA OFERTA AGREGADA Analisamos os eventos exógenos que podem causar choques na demanda agregada. A oferta agregada, contudo, também pode sofrer choques e causar oscilações na economia. Choques de oferta alteram o custo da produção de bens e serviços e, como consequência, geram alterações nos preços dos bens e serviços ofertados pelas empresas. Como afetam diretamente o nível de preços, choques de oferta também são conhecidos como choques de preços. Veja alguns exemplos abaixo: autor/shutterstock Eventos climáticos adversos que destroem colheitas, como secas, tempestades etc. A diminuição da oferta desses alimentos aumenta seu preço; / autor: unsplash Alterações nas leis de proteção ambiental: Mudanças nas exigências de emissão de agentes poluentes, desmatamento permitido, entre outros. Mudanças no sentido do relaxamento dessas leis diminuem os custos das empresas, enquanto o endurecimento dessas leis representa um aumento dos custos das empresas, que podem repassá-los ao menos parcialmente para os consumidores por meio de preços mais altos; osada/freepick Pressão sindicalista por salários mais altos. Se atendida, haverá um aumento dos salários e também nos preços dos bens e serviços produzidos por empregados sindicalizados; / autor/shutterstock Atuação de cartéis internacionais. Por exemplo, o aumento do preço do petróleo na década de 1970 pela OPEP representou um choque de oferta. choques adversos de oferta Eventos que elevam os preços são choques adversos de oferta. choques favoráveis de oferta Eventos que diminuem os custos e preços, tal qual a dissolução de um cartel internacional de petróleo, por exemplo, são choques favoráveis de oferta. Um choque adverso de oferta impulsiona a oferta agregada de curto prazo para cima. Se a demanda agregada permanece constante, a economia diminui sua produção e aumenta o nível de preços, movendo-se do ponto A para o ponto B como mostra o painel (a) da figura 10. / Figura 10: choque adverso na oferta | Fonte: autor Figura 10: choque adverso na oferta | Fonte: autor No ponto B, o nível de preços está alto e a produção e o emprego estão abaixo de seu nível natural: Fenômeno conhecido como estagflação. ESTAGFLAÇÃO Dado que combina estagnação da produção com inflação (aumento generalizado nos preços). Ao se deparar com um choque adverso de oferta, a autoridade formuladora de política econômica, como o Banco Central, pode escolher entre duas alternativas: Primeira opção Não fazer nada, mantendo constante a demanda agregada, e deixar a economia realizar o processo de ajuste sozinha. Vantagem: Como a produção e o emprego estão abaixo de suas taxas naturais, a tendência dos preços é cair, retornando ao nível de preços anterior naturalmente. Assim, a economia sai do ponto B e volta ao ponto A. Desvantagem: O problema é que esse processo de ajuste apresenta um custo em forma de recessão, com várias pessoas enfrentando desemprego e baixa produção. javascript:void(0) / Segunda opção acomodar o choque na oferta. O Banco Central pode fazer isso impulsionando a demanda agregada por meio do aumento da oferta monetária. Vantagem: Isso acelera o processo de ajuste e conduz a economia de forma mais rápida em direção ao nível natural de produto e emprego. O diagrama (b) da figura 10 ilustra esse mecanismo. Figura 10: acomodação de um choque adverso na oferta | Fonte: autor Figura 10: acomodação de um choque adverso na oferta | Fonte: autor Se um aumento na demanda agregada coincide com o choque na oferta agregada, a economia salta do ponto A para o ponto C imediatamente. Desvantagem: o nível de preços se torna permanentemente mais alto. Não há uma forma de ajustar a demanda agregada de modo a manter o produto e o emprego em seu nível natural, e estável o nível de preços. / VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. SOBRE A DEMANDA AGREGADA, ASSINALE A ALTERNATIVA FALSA: A) A demanda agregada é a relação entre a quantidade de produto demandada e o nível de preços agregado da economia. B) A demanda agregada pode ser entendida como a relação expressa no lado direito da equação quantitativa da moeda, mantendo fixos os termos do lado esquerdo. C) O nível de preços e o nível de produto apresentam uma relação positiva entre si. D) A demanda agregada é negativamente inclinada. 2. SOBRE A OFERTA AGREGADA, ASSINALE A ALTERNATIVA FALSA: A) A oferta agregada é a relação entre a quantidade de bens e serviços ofertada e o nível de preços da economia B) A oferta agregada de longo prazo é uma curva com inclinação positiva. C) A oferta agregada de longo prazo depende dos montantes fixos de capital e mão de obra e da tecnologia disponível para produção. D) A oferta agregada de longo prazo satisfaz o modelo clássico. GABARITO 1. Sobre a demanda agregada, assinale a alternativa falsa: / A alternativa "C " está correta. a) Verdadeiro. A demanda agregada é construída a fim de ser uma representação dessa relação. Ver demanda agregada. b) Verdadeiro. A equação quantitativa da moeda MV = PY revela uma relação entre preço e produto do lado direito da igualdade, se mantido fixo o lado esquerdo. Ver demanda agregada. c) Falso. Como visto na seção de Demanda Agregada, a Teoria Quantitativa da Moeda sustenta que MV = PY. Considerando fixas a oferta monetária e a velocidade da moeda, os termos M e V do lado esquerdo da equação são constantes. Assim, para manter a igualdade valendo, uma variação positiva em P deve implicar uma variação negativa em Y, e vice-versa. d) Verdadeiro. Para manter a igualdade, o nível de preços P e a quantidade do produto Y devem ter uma relação negativa entre si, de modo que a curva de demanda agregada também seja negativamente inclinada. Quando desenhamos demanda agregada como a relação negativa entre nível de preços e produto, a curva será negativamente inclinada. Ver demanda agregada. 2. Sobre a oferta agregada, assinale a alternativa falsa: A alternativa "B " está correta. a) Verdadeiro. A oferta agregada é construída para que seja uma representação dessa relação. Ver oferta agregada. b) Falso. Como vimos na parte de oferta agregada de longo prazo, a curva de oferta agregada no longo prazo é uma linha reta vertical. O motivo para isso é que no longo prazo os preços são flexíveis, e a economia fica em torno do produto de pleno emprego. c) Verdadeiro. No longo prazo, o nívelde produto é determinado pela capacidade de oferta de bens e serviços da economia, que depende dos insumos disponíveis para a produção nessa economia. Ver parte de oferta agregada de longo prazo. d) Verdadeiro. O modelo clássico assume que o produto não depende do nível de preços, e a oferta agregada de longo prazo, vertical, exibe exatamente essa relação. Uma alteração no nível de preços via demanda agregada no longo prazo não afeta o nível de produto. Ver dicotomia clássica. MÓDULO 2 Identificar os diferentes equilíbrios na economia e o impacto de alterações nas políticas fiscal e monetária. Até aqui, estudamos a curva de demanda agregada como a relação entre o nível de preços e o produto, mantido constante do lado esquerdo da equação quantitativa da moeda. Vimos também que variações / na velocidade da moeda e na oferta monetária deslocam a curva de demanda agregada. Neste módulo, vamos aprofundar o aprendizado sobre a curva de demanda agregada. O modelo que vai servir de alicerce para a curva de demanda agregada é conhecido como IS-LM. No modelo de demanda agregada desenvolvido anteriormente, não demos atenção para uma variável importante da economia: A taxa de juros. Curva IS A taxa de juros afeta o mercado de bens e serviços, por meio do investimento e da poupança. Este mercado é representado pela curva IS. Curva LM A taxa de juros afeta o mercado de moeda, influenciando a oferta e demanda por moeda. Este mercado é representado pela curva LM. Dado que ela afeta tanto o investimento quanto a demanda por moeda, a taxa de juros é a variável que conecta as duas partes do modelo IS-LM. Neste módulo, vamos examinar com mais atenção esses dois mercados. A CRUZ KEYNESIANA Antes de entrar no modelo IS-LM, contudo, vamos começar com um modelo básico, chamado de a cruz keynesiana. Em sua obra intitulada A Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda, John Maynard Keynes propôs que no curto prazo, a economia era determinada pelo planejamento dos gastos, por parte dos domicílios, empresas e governo. A intuição por trás dessa teoria é que, se as pessoas desejassem gastar mais, maior seria a quantidade de bens e serviços que as empresas conseguiriam vender e, assim, optariam por produzir mais bens e serviços e contratariam mais trabalhadores. Nesse sentido, Keynes acreditava que o problema durante as recessões era o gasto insuficiente. Para compreender essa teoria, façamos uma distinção conceitual. Há dois tipos de gastos na economia: gasto planejado correspondente ao montante que os domicílios, empresas e governo gostariam de gastar com bens e serviços. / gasto efetivo correspondente ao montante que os domicílios, empresas e governo efetivamente gastam com bens e serviços. Essa distinção sugere que nem sempre o gasto planejado e o gasto efetivo serão iguais. A razão para isso é que, no caso de as vendas não corresponderem às expectativas das empresas, as firmas poderiam ter um investimento não planejado em estoques. Se as vendas superam o montante planejado, os estoques diminuem, caso contrário, os estoques se acumulam. O QUE DETERMINA O GASTO PLANEJADO? Supondo uma economia fechada, isto é, uma economia que não realiza exportações nem importações, o gasto planejado, , será determinado assim: O consumo C, por sua vez, será uma função da renda disponível, que é simplesmente a diferença entre a renda total (Y) e os tributos pagos ao governo (T). Então, escrevemos: Para simplificar, consideraremos que o investimento I, os dispêndios do governo G e os impostos T são exógenos. Isso significa que a política fiscal (Dada pelos gastos do governo e pelos tributos ) é fixa. / Logo: Juntando as equações acima, temos que: . Essa equação revela que o gasto planejado Yp é uma função da renda, Y, do investimento, , e da política fiscal, representada por e . Dado que as demais variáveis estão fixas, temos uma relação entre o gasto planejado e a renda. Essa relação é positiva, uma vez que uma renda mais alta provoca um maior consumo e, por consequência, um maior gasto planejado. O painel (a) da figura 11 mostra a curva de gasto planejado. A inclinação da curva é chamada de propensão marginal a consumir (PMgC). Isso significa pensar: quanto você consumiria a mais se ganhasse um real adicional? Ou, o quanto o gasto planejado aumenta com uma unidade a mais de renda? Como visto, nem sempre o gasto efetivo e o gasto planejado são iguais. Quando isso ocorre, no entanto, dizemos que a economia se encontra em equilíbrio. / Figura 11: O gasto planejado Yp | Fonte: autor Figura 11: O gasto planejado Yp | Fonte: autor Lembre-se que o produto, ou PIB, é igual ao total da renda, mas também pode ser interpretado como o gasto total com bens e serviços. A condição de equilíbrio pode ser expressa então da seguinte maneira: Gasto Efetivo = Gasto Planejado Ou seja: . Representamos essa igualdade por uma reta de 45º no painel (b) da figura 11. Essa reta passa por todos os pontos no qual a igualdade é válida e os eixos do gráfico são iguais. O equilíbrio dessa economia está no ponto em que as duas retas se cruzam, representado pelo ponto A no gráfico. O produto de equilíbrio está sinalizado por Y*. / Figura 11: a cruz keynesiana | Fonte: autor Figura 11: a cruz keynesiana | Fonte: autor Entretanto, quando o gasto efetivo e o planejado não são iguais, como se alcança o equilíbrio? Vamos analisar primeiro o caso em que o gasto efetivo Y supera o gasto planejado YP (ou seja, Y > YP), e, portanto, estamos à direita do produto de equilíbrio Y*. Nessa situação, os produtores se planejaram para vender mais do que efetivamente vendem. Ocorre, então, um aumento não planejado de estoques. Devido a isso, as empresas decidem cortar a produção e diminuir o número de trabalhadores, o que acarreta a diminuição do PIB, deslocando o produto pouco a pouco para a esquerda. Esse processo de redução da renda continua até que a renda se iguale ao nível de equilíbrio. Analogamente, se Y < YP, estamos à esquerda do produto de equilíbrio Y*: As vendas são maiores do que o esperado, os estoques ficam abaixo do desejado, e as firmas aumentam a produção até alcançar Y*. A figura 12 mostra esses dois casos, indicados por um box cinza. / Figura 12: O ajuste na cruz Keynesiana | Fonte: autor Figura 12: O ajuste na cruz Keynesiana | Fonte: autor O MULTIPLICADOR DE GASTOS O que ocorre se uma das variáveis exógenas muda? Vamos supor que o governo deseje aumentar seus gastos G. Como isso afeta a economia? Como os dispêndios do governo são um dos componentes do gasto planejado, um aumento nos gastos do governo leva a um maior gasto planejado para qualquer nível de renda. Vamos denotar a variação nos gastos do governo por ΔG (a letra grega Δ é frequentemente usada para denotar variação). A curva de gasto planejado se desloca então para cima em ΔG. O diagrama (a) da figura 13 mostra esse movimento. O equilíbrio da economia salta do ponto A para o ponto B. / Figura 13: um aumento nos gastos do governo | Fonte: autor Figura 13: um aumento nos gastos do governo | Fonte: autor O gráfico mostra que um aumento nos gastos do governo resulta num aumento de ainda maior magnitude da renda. Isso significa que ΔY>ΔG, e, portanto, ΔY/ΔG>1. A razão ΔY/ΔG é chamada de multiplicador dos gastos do governo. Esse multiplicador informa o quanto o produto ou a renda aumentam em virtude de um aumento de uma unidade monetária nos gastos do governo. ATENÇÃO O fato de ΔY ser maior que ΔG implica que o multiplicador dos gastos do governo é maior do que 1: Um real a mais gasto pelo governo gera um aumento de renda superior a um real. A razão para esse efeito multiplicador está no componente do consumo, que depende positivamente da renda: C=c(Y-T). Assim, uma renda maior provoca um consumo mais elevado. Isso gera um efeito espiral na renda: O aumento nos gastos do governo faz a renda crescer, o que, por sua vez, causa um aumento do consumo, que gera um aumentoainda maior da renda, que faz crescer novamente o consumo, e assim por diante. Qual a magnitude do multiplicador? Podemos responder a essa pergunta algebricamente, indicando por t1, t2, t3 etc. os diferentes momentos no aumento do consumo: Uma mudança inicial nos gastos do governo = ΔG Aumento do consumo em t1 = / Aumento do consumo em t2 = Aumento do consumo em t3 = Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal No primeiro momento, o consumo aumenta ΔG multiplicado pela PMgC. No segundo momento, o consumo aumenta a renda que foi aumentada no primeiro momento, ou seja, PMgC x (PMgC x ΔG), e assim sucessivamente. DICA Para calcular o multiplicador dos gastos do governo, basta dividir os dois lados da equação por ΔG. O primeiro termo do lado esquerdo é uma série geométrica infinita e pode ser substituído por 1/(1- PMgC). Assim: Essa é a equação do multiplicador dos gastos do governo. O MULTIPLICADOR DOS IMPOSTOS Um processo similar ocorre quando há uma alteração nos impostos cobrados pelo governo. Quando o governo decide reduzir os impostos em ΔT, a renda disponível Y - T aumenta imediatamente em ΔT, o que gera, portanto, um aumento do consumo em PMgC×ΔT. O gasto planejado se torna maior para qualquer nível de renda Y. O painel (b) da figura 13 mostra o deslocamento para cima do gasto planejado, causado por um aumento no consumo da magnitude de / PMgC×ΔT. Novamente, o equilíbrio salta do ponto A para o ponto B. Assim como o aumento nos gastos do governo gera um efeito multiplicador sobre a renda, o mesmo ocorre com a diminuição dos impostos. Figura 13: uma redução nos impostos | Fonte: autor Figura 13: uma redução nos impostos | Fonte: autor Novamente, o aumento na renda gerado por um aumento no consumo vai resultar em um aumento ainda maior do consumo, que aumentará a renda ainda mais, e assim sucessivamente. A diferença é que agora a variação inicial não é mais da ordem de ΔG, e sim de PMgC×ΔT. Observe a diferença: Um aumento no gasto público tem impacto imediato sobre o gasto total. Uma diminuição dos impostos se transforma em renda dos consumidores, que transformam apenas uma parte dessa renda em consumo. ou seja, apenas PMgC×ΔT se transformam em consumo no primeiro instante. Assim como antes, a mudança inicial nos gastos é multiplicada por 1/(1-PMgC). O efeito na renda pode ser expresso por: A diferença é que, para a conta anterior, está no denominador do lado esquerdo da igualdade. Ao invés de 1, temos o PMgC, pois o termo de impostos T na equação do gasto planejado aparece multiplicado por c, que é a propensão marginal a consumir. O sinal negativo do lado esquerdo da equação indica que / o consumo se movimenta na direção contrária aos impostos (maiores impostos, menos consumo, e vice- versa). RESUMINDO Essa expressão recebe o nome de multiplicador gerado por impostos e indica o montante em que a renda varia em resposta a uma variação de uma unidade monetária nos impostos. A CURVA IS Usamos a cruz keynesiana para mostrar como a economia se comporta quando o governo decide alterar a política fiscal, isto é, modificar seu nível de gastos ou impostos cobrados. Além disso, vimos que o fato de o consumo ser positivamente relacionado com a renda gera um efeito multiplicador quando esta aumenta. Todavia, o modelo da cruz keynesiana supõe que o nível de investimento planejado, I, é fixo. O componente do investimento, no entanto, depende da taxa de juros r. Escrevemos: A taxa de juros r mede o custo dos recursos para financiar o investimento. Para que um investimento seja lucrativo, o seu retorno deve superar seu custo, ou seja, os pagamentos pelos empréstimos realizados para financiar projetos de investimento, que são determinados pela taxa de juros. Se a taxa de juros aumenta, a quantidade de projetos de investimentos que é lucrativa diminui, assim como o investimento. Dessa forma, o investimento é negativamente relacionado com a taxa de juros. O painel (c) da figura 14 mostra essa relação, ilustrando a curva da função investimento. / Figura 14: a função investimento | Fonte: autor Figura 14: a função investimento | Fonte: autor E o que acontece com o produto se a taxa de juros se altera? Vamos supor um aumento na taxa de juros, de r1 para r2. Dado que o investimento é negativamente relacionado com a taxa de juros, uma taxa de juros maior implica uma redução no nível de investimento, de I(r1) para I(r2), como mostra o painel (a) da figura 15. Figura 15: a cruz Keynesiana | Fonte: autor Figura 15: a cruz Keynesiana | Fonte: autor / RELEMBRANDO A função do gasto planejado é uma soma do investimento com os componentes de consumo e gastos do governo. Essa diminuição do gasto planejado, por sua vez, diminui o produto de Y1 para Y2. Consequentemente, uma elevação na taxa de juros resulta numa redução da renda, tudo mais constante. A curva IS sintetiza a interação entre a taxa de juros e o nível de renda do mercado de bens e serviços. Ela está representada no diagrama (b) da figura 16. A curva IS combina a relação entre r e I, expressa pela função investimento, e a relação entre I e Y, implícita na cruz keynesiana. Figura 16: a curva IS | Fonte: autor Figura 16: a curva IS | Fonte: autor Cada ponto na curva IS representa um equilíbrio no mercado de bens, e a curva explicita a relação entre a taxa de juros e o nível de renda de equilíbrio. Visto que um aumento na taxa de juros provoca uma queda no investimento planejado, que, por sua vez, gera uma diminuição da renda, a curva IS tem inclinação negativa. POLÍTICA FISCAL NA CURVA IS Aprendemos com a cruz keynesiana que, além do investimento, o nível de equilíbrio da renda depende também da política fiscal, isto é, dos gastos do governo G e dos impostos T. A curva IS mostra o nível de / renda para qualquer taxa de juros determinada, variando o nível de investimento, que traz o equilíbrio no mercado de bens. No entanto, ela é construída para uma determinada política fiscal. Quando há variações na política fiscal, a curva IS se desloca. Vimos que um aumento dos gastos do governo desloca a curva de gasto planejado na cruz keynesiana. Esse aumento no nível de dispêndios também deslocará a curva IS. A figura 15 utiliza a cruz keynesiana para mostrar como um aumento da ordem de ΔG nas compras do governo desloca a curva IS. Contudo, essa figura é referente ao equilíbrio de uma determinada taxa de juros >, e, portanto, para um determinado nível de investimento. Assim, um aumento nos gastos do governo desloca a curva IS para fora. Figura 16: a curva IS | Fonte: autor Figura 15: a curva IS | Fonte: autor É possível replicar o mecanismo para outras mudanças na política fiscal do governo. Fizemos anteriormente a análise, via cruz keynesiana, do que ocorre com a renda no caso de uma diminuição nos impostos. Novamente, a curva de gasto planejado se desloca para cima e aumenta a renda. Do mesmo modo, uma diminuição nos impostos resultará no deslocamento para fora da curva IS. Por outro lado, uma redução nos dispêndios do governo ou um aumento nos impostos reduz a renda, deslocando a curva IS para dentro. O MERCADO MONETÁRIO E A PREFERÊNCIA PELA LIQUIDEZ / Mostramos o que acontece com a renda no mercado de bens e serviços quando há alterações no nível de investimento e na política fiscal, ilustrado pela curva IS. O próximo passo é mostrar o que acontece no mercado de encaixes monetários. A curva LM representa graficamente a relação entre a taxa de juros e o nível de renda nesse mercado. Para entender essa relação, vamos retomar a teoria de Keynes. Ainda em sua obra A Teoria Geral, Keynes desenvolveu uma teoria para explicar como a taxa de juros se comporta no curto prazo, à qual deu o nome de teoria da preferência pela liquidez. Esse nome vem da hipótese de que a taxa de juros se ajusta para equilibrar a oferta e a demanda por moeda corrente, o ativo mais líquido da economia. A liquidez de um ativoconsidera a facilidade com a qual ele pode ser convertido em dinheiro. Por exemplo: fonte: unsplash A poupança tem alta liquidez, pois é fácil resgatar o dinheiro da conta. / autor/unsplash Um imóvel tem baixa liquidez, pois não se converte em dinheiro facilmente. Retomando o exemplo de uma economia fechada, denotamos por M a oferta monetária e P o nível de preços dessa economia. Logo, M/P é a oferta de encaixes monetários reais. A teoria da preferência pela liquidez começa supondo que a oferta por encaixes monetários reais é fixa: O Banco Central ou alguma autoridade monetária determina de maneira exógena a oferta monetária. Tomaremos o nível de preços P também como variável exógena, utilizando o modelo IS-LM para explicar o comportamento da economia no curto prazo, em que o nível de preços é fixo. A combinação de ambos esses pressupostos implica que a oferta de encaixes monetários reais é fixa e, portanto, independe da taxa de juros. Graficamente, se representarmos esse mercado como função da taxa de juros e dos encaixes monetários reais, a curva de oferta de encaixes monetários reais será uma reta vertical, como mostra o diagrama (a) da figura 16. / Figura 16: a curva IS | Fonte: autor Figura 16: a teoria da preferência pela liquidez | Fonte: autor A demanda por encaixes reais, por sua vez, não é fixa. A teoria de Keynes presume que o montante de moeda corrente que as pessoas optam por ter disponível é determinado pela taxa de juros. O motivo por trás dessa hipótese é que a taxa de juros seria o custo de oportunidade de reter moeda. Em outras palavras, quando se opta por ter moeda em mãos, o indivíduo está deixando de manter o dinheiro sob outras formas que rendem juros, como títulos ou depósitos bancários. Nesse sentido, quando a taxa de juros sobe, aumenta o custo de oportunidade de se manter moeda corrente, e, portanto, as pessoas diminuem a parcela da renda que mantêm sob a forma de moeda corrente. Formalmente, podemos definir a demanda por encaixes monetários reais como: A função L(r) mostra que a quantidade de encaixes monetários reais demandada depende da taxa de juros r. Como explicamos, dado que a quantidade demandada de moeda corrente é menor a taxas de juros mais altas, a curva de demanda possui inclinação negativa, também presente no painel (a) da figura 16. / Figura 16: | Fonte: autor | Fonte: autor Figura 16: | Fonte: autor Segundo a teoria da preferência pela liquidez, oferta e demanda por encaixes monetários reais determinam conjuntamente a taxa de juros no mercado de moeda. No equilíbrio, oferta e demanda por encaixes monetários reais são iguais. Assim, a taxa de juros se ajusta a fim de equilibrar o mercado monetário. Esse ajuste ocorre, porque, caso o mercado monetário esteja fora do equilíbrio, os indivíduos ajustam suas carteiras de ativos e acabam por alterar a taxa de juros no processo. EXEMPLO Se a taxa de juros está abaixo do nível de equilíbrio, a demanda por encaixes monetários reais excede a oferta. Nesse cenário, seu João da padaria prefere manter mais dinheiro no caixa do que no banco, as pessoas tentam vender títulos e retirar dinheiro de suas contas bancárias, e os bancos reagem aumentando as taxas de juros que oferecem para tentar atrair recursos que agora estão mais escassos. A taxa de juros alcança então um nível de equilíbrio no qual os indivíduos estão satisfeitos com as carteiras de ativos não monetários e monetários. De maneira similar, se a taxa de juros está acima do nível de equilíbrio, a oferta por encaixes monetários reais excede a demanda, e os indivíduos que detêm o excedente da oferta monetária buscam trocar uma parte da moeda corrente, que não rende juros, por títulos ou depósitos bancários que rendam juros. / Fonte:unsplash Fonte: unsplash Nesse caso, seu João da padaria preferirá deixar o dinheiro rendendo no banco do que no caixa de seu estabelecimento. As entidades emissoras de títulos, como os bancos, respondem ao excesso de oferta monetária reduzindo suas taxas de juros. Uma vez que a taxa de juros se ajusta para responder a desequilíbrios no mercado monetário, é apenas lógico assumir que ela reage a mudanças na oferta de moeda. Fonte:unsplash Fonte:unsplash / Caso o Banco Central decida, por exemplo, aumentar a oferta monetária M repentinamente, o que ocorreria com a taxa de juros? Um aumento em M faz subir, por sua vez, a razão de encaixes monetários reais M/P, dado que P é fixo. A oferta de encaixes monetários se desloca para a direita, e a taxa de juros de equilíbrio cai de r1 para r2. Um nível mais baixo da taxa de juros faz com que os indivíduos dessa economia fiquem satisfeitos em reter uma parcela maior de encaixes monetários reais. Com mais moeda em circulação, seu João não se importa em deixar mais dinheiro no caixa da padaria. O painel (b) da figura 16 mostra esse movimento. Figura 16: | Fonte: autor Figura 16: | Fonte: autor Caso o Banco Central tivesse repentinamente reduzido a oferta monetária, o movimento seria contrário. A oferta de encaixes monetários reais se deslocaria para a esquerda e a taxa de juros subiria. A CURVA LM Agora que vimos como a teoria da preferência pela liquidez explica os determinantes da taxa de juros, podemos construir a curva LM. Precisamos traçar a relação entre a taxa de juros r e o nível de renda Y. Como uma mudança no nível de renda afeta o mercado de encaixes monetários reais? Quando a renda é elevada, gasta-se mais, e os indivíduos realizam um número maior de transações que demandam moeda. Assim, uma maior renda implica mais demanda por moeda. Nesse sentido, pode-se / dizer que o nível de renda afeta positivamente a demanda por encaixes monetários reais. Como a demanda por moeda é negativamente relacionada com a taxa de juros, podemos sintetizar essa relação pela expressão: Mas o que acontece com a taxa de juros quando o nível de renda se altera? Quando a renda aumenta, por exemplo, a curva de demanda por moeda se desloca para a direita. Esse deslocamento acarreta um aumento da taxa de juros para equilibrar o mercado monetário, de r1 para r2, mantida fixa a oferta de encaixes monetários reais. Assim, de acordo com a teoria da preferência pela liquidez, uma renda mais alta resulta numa taxa de juros mais alta. A figura 17 mostra essa relação, com o ajuste no mercado de encaixes monetários reais ilustrado no painel (a) e a curva LM no painel (b). Figura 17: | Fonte: autor Figura 17: | Fonte: autor A curva LM resume essa relação entre o nível de renda e a taxa de juros. Cada ponto ao longo da curva representa um equilíbrio diferente no mercado de encaixes monetários reais e, para cada equilíbrio, há um nível diferente de taxa de juros. A curva LM tem inclinação positiva, pois, quanto maior a renda, maior será a demanda por moeda no mercado monetário e, portanto, maior é o nível da taxa de juros que equilibra o mercado. POLÍTICA MONETÁRIA E A CURVA LM / Como vimos, a curva LM mostra a taxa de juros que equilibra o mercado de encaixes monetários reais para qualquer nível de renda. No entanto, a taxa de juros de equilíbrio depende também do nível da oferta de encaixes monetários reais, M/P, que consideramos como fixa. Assim, curva LM é desenhada para uma determinada oferta de encaixes monetários reais . Se o Banco Central decide alterar a oferta monetária, a curva LM se desloca. EXEMPLO Se a autoridade monetária aumenta subitamente a oferta monetária, de M' para M'', a oferta de encaixes monetários reais também aumenta na mesma proporção, dado que P é fixo. Mantendo a renda constante e, consequentemente, a curva de demanda por moeda também constante, um aumento na oferta monetária faz com que a taxa de juros de equilíbrio do mercado monetário diminua. Desse modo, um aumento na oferta monetária desloca para baixo (ou para a direita) a curva LM. A figura 18 mostra esse deslocamento. O painel (a) mostra o que ocorre no mercado monetário quando o Banco Centralaumenta a oferta monetária, e o painel (b) mostra o deslocamento da curva LM correspondente a esse aumento. Figura 18: | Fonte: autor Figura 18: | Fonte: autor O MODELO IS-LM / Examinamos como cada curva se comporta separadamente e como respondem a alterações nas políticas fiscal e monetária. A combinação das duas curvas determina o nível da renda e taxa de juros na economia. Se há um deslocamento em uma das duas curvas, há uma oscilação na renda nacional e o equilíbrio de curto prazo se modifica. O painel (a) da figura 19 mostra um possível equilíbrio de curto prazo da economia. O ponto no qual as duas curvas se interceptam indicado pela letra E é o equilíbrio inicial, correspondente à renda nacional Y1 e à taxa de juros r1. O ponto no qual as duas curvas se interceptam indicado pela letra E é o equilíbrio inicial, correspondente à renda nacional Y1 e à taxa de juros r1. Figura 19: o modelo IS-LM | Fonte: autor Figura 19: o modelo IS-LM | Fonte: autor Suponha que o governo decida realizar uma política fiscal contracionista, isto é, visa a melhorar o resultado das contas públicas ao diminuir seus gastos ou aumentar os impostos. Por ora, vamos considerar uma redução nos dispêndios (G). Como vimos acima, esse tipo de política desloca a curva IS para dentro, sem alterar a curva LM. EXEMPLO Quando o governo diminui a aquisição de bens e serviços, o gasto planejado diminui, desestimulando a economia, fazendo cair o nível de produto. O equilíbrio de curto prazo se altera, então, deslizando pela curva LM até o ponto de interseção com a nova IS. / Uma vez que a renda diminui, pela teoria da preferência da liquidez, sabemos que a quantidade de moeda demandada também diminui, pois o número de transações diminui. Como a oferta monetária não se modificou, a menor demanda por moeda faz cair a taxa de juros de equilíbrio para r2. A diminuição da taxa de juros, no entanto, afeta o mercado de bens por meio do investimento. Como o nível de investimento é sensível à taxa de juros, a queda na taxa de juros aumenta os planos de investimento das empresas. Por conseguinte, a redução da renda, em resposta a uma contração fiscal, é menor no modelo IS-LM do que na cruz keynesiana, em que supomos que o nível de investimento é fixo. Podemos ver esse deslocamento no diagrama (b) da figura 19. Figura 19: uma política fiscal contracionista | Fonte: autor Figura 19: uma política fiscal contracionista | Fonte: autor Vamos examinar agora os efeitos de uma política monetária. Considere que o Banco Central decida reduzir a oferta monetária repentinamente. Relembrando o que estudamos aqui, uma diminuição em M resulta numa queda nos encaixes monetários reais M/P, dado que os preços são rígidos no curto prazo. A diminuição na oferta de encaixes monetários reais acarreta uma taxa de juros mais alta, segundo a teoria da preferência pela liquidez. Com isso, a curva LM se desloca para cima, como mostra o diagrama (a) da figura 20. No novo equilíbrio, a taxa de juros é maior e o nível de renda diminui. / Figura 19: uma política fiscal contracionista | Fonte: autor Figura 19: uma política fiscal contracionista | Fonte: autor Mas, o que aconteceria se o governo mudasse a política fiscal e a política monetária simultaneamente, ou em um curto intervalo de tempo? Vamos retomar o exemplo de uma política fiscal contracionista. Sabemos que, no novo equilíbrio, o produto diminui e a taxa de juros também. Mas esse é o resultado apenas se o Banco Central não fizer nada. É possível que o Banco Central decida reagir a esse aumento para atingir algum objetivo específico na economia. EXEMPLO Se o Banco Central deseja manter constante a taxa de juros, ele precisa responder com uma política que aumente a taxa de juros. Como vimos, esse é o caso de uma política de redução da oferta monetária. A figura 20 mostra uma possibilidade de resposta do Banco Central à contração fiscal. Num primeiro momento, a curva passa do ponto A para o ponto B, reduzindo a renda e a taxa de juros. Com a reação do Banco Central, a taxa de juros sobe, mas o produto cai ainda mais, e o novo equilíbrio passa a ser o ponto C. É possível ainda que o Banco Central saiba antecipadamente da decisão do governo de aumentar os gastos e realize a redução da oferta monetária simultaneamente. Nesse caso, o equilíbrio salta do ponto A para o ponto C, sem alterar a taxa de juros. Contudo, este é apenas um dos resultados possíveis. / Figura 20 | Fonte: autor Figura 20 | Fonte: autor Outra possibilidade é o Banco Central manter constante o produto. Nesse caso, ele precisaria realizar uma política fiscal no sentido contrário: para responder a uma diminuição no nível do produto, ele deve realizar uma política que desloque a LM para a direita (para baixo), a fim de empurrar o nível de renda para cima. Assim, a resposta do Banco Central deve ser no sentido de um aumento na oferta monetária. A figura 21 mostra como seria essa resposta. O nível de renda de equilíbrio se manteria, mas a taxa de juros cairia tanto em resposta à política fiscal quanto à política monetária. Figura 21: | Fonte: autor Figura 21: | Fonte: autor Em ambos os casos, o ajuste na oferta monetária que o Banco Central fez foi exatamente o suficiente para manter ou a taxa de juros constante, ou o nível de renda constante. Muitas vezes, na realidade, o Banco Central não saberá a magnitude exata do deslocamento da IS e, consequentemente, não saberá o tamanho preciso do ajuste que deve realizar, apenas o seu sentido. / Nessas situações, podemos afirmar com certeza o que ocorre com a variável que o Banco Central ignora, isto é, a que ele não quer manter constante, mas o resultado sobre a variável que ele pretende manter pode ser ambíguo. RESUMINDO No primeiro caso, sabemos que o produto cai com certeza em consequência de uma contração fiscal e uma diminuição na oferta monetária. No entanto, se o Banco Central errar a mão na política monetária, o resultado sobre a taxa de juros será ambíguo. É possível que a taxa de juros do novo equilíbrio seja um pouco mais alta do que a inicial, caso o Banco Central diminua demais a oferta monetária, ou que a taxa de juros seja um pouco mais baixa, caso ele não diminua o suficiente a oferta monetária. No segundo caso, sabemos que a taxa de juros com certeza cai em virtude de uma contração fiscal acompanhada de uma expansão monetária, mas o efeito sobre o produto pode ser ambíguo se o Banco Central não for preciso. IS-LM COMO UMA TEORIA PARA A DEMANDA AGREGADA O modelo IS-LM serviu para explicar o equilíbrio no curto prazo quando o nível de preços é fixo. Para compreender como o modelo IS-LM se encaixa no modelo de oferta e demanda agregada visto no início da aula, permitiremos que o nível de preços se modifique. Como visto anteriormente, a demanda agregada expressa uma relação entre o nível de preços e o nível da renda nacional. Utilizamos a teoria quantitativa da moeda para derivar essa relação. Agora, utilizaremos o modelo IS-LM. Sabemos que a relação entre renda e nível de preços ilustrada pela curva de demanda agregada é uma relação negativa. Para entender por que o produto aumenta à medida que o nível de preços diminui, vamos examinar o que acontece no modelo IS-LM quando o nível de preços se altera. RELEMBRANDO Recorde que no modelo IS-LM, a variável de nível de preços estava presente, de maneira implícita, na curva de oferta de encaixes monetários reais M/P. Naquele momento, consideramos o nível de preços P / fixo. Se o nível de preços aumenta, todavia, a oferta de encaixes monetários diminui. Essa redução na oferta de encaixes monetários reais desloca a curva LM para cima, o que acarreta um aumento da taxa de juros de equilíbrio e a redução do nível de renda, como mostra o painel (a) da figura 22. O nível de preços sobe de P1 para P2 e a renda cai de Y1 para Y2. O painel (b) mostra a curva de demanda agregada, que ilustra graficamente a relação negativa entrerenda nacional e nível de preços. Figura 22: | Fonte: autor Figura 22: | Fonte: autor Assim, a curva de demanda agregada mostra o conjunto de pontos de equilíbrio no modelo IS-LM ao passo que se altera o nível de preços e, consequentemente, a renda. Agora, veja o vídeo abaixo para fixar os pontos importantes que vimos nesse módulo. VERIFICANDO O APRENDIZADO / 1. SOBRE A CRUZ KEYNESIANA, ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA: A) O gasto planejado corresponde ao montante que domicílios, empresas e governo gostariam de gastar com bens e serviços. B) Quando gasto planejado e gasto efetivo se igualam, diz-se que a economia está em equilíbrio. C) O gasto planejado é uma função da renda, do investimento e da política monetária. D) A relação entre gasto planejado e renda é positiva devido ao componente de consumo que varia positivamente com a renda. 2. SOBRE AS CURVAS IS-LM, É FALSO AFIRMAR QUE: A) A curva IS mostra os diferentes pontos de equilíbrio no mercado de bens e serviços. B) A curva LM mostra os diferentes pontos de equilíbrio no mercado de encaixes monetários reais. C) A cruz keynesiana serve como alicerce para construir a curva IS. D) A curva LM é desenhada para uma determinada demanda por encaixes monetários reais. GABARITO 1. Sobre a cruz keynesiana, assinale a alternativa incorreta: A alternativa "C " está correta. a) Verdadeiro. Aquela é a definição de gasto planejado. Ver tópico A cruz keynesiana. b) Verdadeiro. Aquela é a definição de equilíbrio na cruz keynesiana. Ver A cruz keynesiana. c) Falso. O gasto planejado é uma função da renda, do investimento e da política fiscal, ou seja, dos gastos do governo e impostos, como se explica na parte de cruz keynesiana. A política monetária não é analisada na cruz keynesiana. d) Verdadeiro. Um aumento na renda provoca um maior consumo, o qual provoca, por sua vez, um maior gasto planejado. Assim, a relação entre gasto planejado e renda é positiva devido ao consumo. A inclinação da curva de gasto planejado é dada de acordo com a propensão marginal a consumir. Ver a equação do gasto planejado. 2. Sobre as curvas IS-LM, é falso afirmar que: A alternativa "D " está correta. / a) Verdadeiro. A curva IS é construída de modo que cada ponto na curva IS representa um equilíbrio no mercado de bens, para um dado nível de gastos do governo e a curva explicita a relação entre a taxa de juros e o nível de renda de equilíbrio. Ver construção da curva IS. b) Verdadeiro. A curva LM é construída de modo que cada ponto na curva LM representa um equilíbrio no mercado monetário, para um dado nível de encaixes monetários reais e a curva explicita a relação entre a taxa de juros e o nível de renda de equilíbrio. Ver construção da curva LM. c) Verdadeiro. A curva IS mostra os diferentes pontos de equilíbrio da cruz keynesiana quando se muda o nível de investimento e se desloca a curva de gasto planejado, sintetizando a relação entre nível de renda e taxa de juros. Ver construção da curva IS. d) Falso. Como vimos na parte de política monetária e a curva LM, a curva LM é desenhada para uma determinada oferta de encaixes monetários reais. Assim, se há uma alteração na oferta monetária, a curva LM se desloca, isto é, há um novo desenho de uma outra curva LM para aquele nível de oferta monetária. Por outro lado, para um determinado nível fixo de oferta monetária, há uma determinada curva LM que sintetiza a relação entre os níveis de renda e taxa de juros que equilibram aquele mercado. Assim, se há uma alteração na demanda por encaixes monetários reais no mercado monetário, e essa alteração na demanda afeta a taxa de juros, isso não desloca a oferta, apenas fará com que deslizemos ao longo da curva LM para um outro ponto que represente este novo equilíbrio correspondente a essa nova taxa de juros. CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS Construímos nesta aula o modelo de oferta e demanda agregada, uma das ferramentas mais importantes para a análise do comportamento da economia. Com esse instrumento, podemos avaliar o impacto de diversas políticas econômicas - em particular, a política monetária e a política fiscal - para lidar com os choques que atingem a economia. Leia agora as manchetes de Economia dos jornais: Você encontrará chamadas como “Banco Central diminui a taxa de juros para enfrentar recessão”, ou “Economistas debatem o efeito de um aumento de gastos públicos”. Tente entender essas manchetes a partir do instrumental desenvolvido neste tema! / REFERÊNCIAS INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Nacional por Amostra de Domicílios Contínua ‒ PNAD Contínua. Consultado em meio eletrônico em: 14 jul. 2020. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Produto interno bruto (PIB) real. Frequência: Trimestral. Consultado em meio eletrônico em: 14 jul. 2020. KEYNES, J. M. A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. In: Os Economistas. São Paulo: Abril Cultural, 1983. MANKIW, N. G. Macroeconomia. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008. EXPLORE+ Para saber mais sobre os assuntos tratados neste tema, leia: BACHA, Edmar. A crise fiscal e monetária brasileira. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016. BOLLE, Monica Baumgarten de. Como matar a borboleta azul ‒ Uma crônica da era Dilma. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016. CONTEUDISTA / Mariana Stussi Neves CURRÍCULO LATTES javascript:void(0);