Prévia do material em texto
1
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 3
2 SAÚDE MENTAL ........................................................................................ 4
2.1 A investigação no domínio da saúde mental ........................................ 6
3 DISTRESSE PSICOLÓGICO (DP) ............................................................. 8
4 A PERSPECTIVA SALUTOGÉNICA E POSITIVA DA SAÚDE MENTAL ... 9
4.1 Paradigma Salutogénico de Aron Antonovsky ................................... 12
5 MODELOS DE BEM-ESTAR .................................................................... 14
5.1 Bem-Estar Subjetivo ........................................................................... 15
5.2 Modelo de Bem-Estar Psicológico ...................................................... 16
5.3 Modelo de Bem-Estar Social .............................................................. 17
5.4 Modelo de Bem-Estar Emocional ....................................................... 18
6 DETERMINANTES DA SAÚDE MENTAL ................................................. 19
6.1 Determinantes biológicos ................................................................... 19
6.2 Os determinantes psicológicos ........................................................... 20
6.3 Os determinantes socioeconômicos ................................................... 21
6.4 Determinantes comportamentais ........................................................ 22
7 ACONTECIMENTOS DE VIDA NEGATIVOS ........................................... 24
9 PERCEPÇÃO DE VULNERABILIDADE ................................................... 28
10 REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL ................................................. 30
10.1 CAPS – Centros de Atenção Psicossocial ......................................... 35
11 ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL ..................... 35
12 INDICADORES DE SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO BÁSICA ............. 37
12.1 Os Manuais de Classificação Psiquiátrica – O diagnóstico ................ 39
12.2 Capítulos do DSM-IV-TR .................................................................... 40
12.3 Capítulos do DSM-5 ........................................................................... 41
2
13 A PROPOSTA DO MINISTÉRIO PARA A “SAÚDE MENTAL NA
ATENÇÃO BÁSICA” .................................................................................................. 42
14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................... 48
15 SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS .......................................................... 52
3
1 INTRODUÇÃO
Prezado aluno!
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável -
um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma
pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum
é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em
tempo hábil.
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que
lhe convier para isso.
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser
seguida e prazos definidos para as atividades.
Bons estudos!
4
2 SAÚDE MENTAL
Fonte: portalfmb.org.br
Saúde e saúde mental têm conceitos complexos e historicamente influenciados
por contextos sociopolíticos e pela evolução de práticas em saúde. Os dois últimos
séculos têm visto a ascensão de um discurso hegemônico que define esses termos
como específicos do campo da medicina. Entretanto, com a consolidação de um
cuidado em saúde multidisciplinar, diferentes áreas de conhecimento têm,
gradualmente, incorporado tais conceitos.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde é um estado
de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de
doença ou de enfermidade. Essa definição, de 1946, foi inovadora e ambiciosa, pois,
em vez de oferecer um conceito inapropriado de saúde, expandiu a noção incluindo
aspectos físicos, mentais e sociais.
Apesar das intenções positivas pressupostas nessa definição, ela tem recebido
intensa crítica ao longo de seus 60 anos de existência. Isso se deve especialmente
ao fato de que é proposto um significado irreal, em que as limitações humanas e
ambientais fariam a condição de completo bem-estar impossível de ser atingida.
Decorrentes das críticas ao conceito da OMS e somadas aos vários eventos
políticos e econômicos, surgiram as discussões sobre um novo paradigma, a saúde
como produção social. Essa nova visão constitui-se da combinação das abordagens
5
da medicina preventiva e da saúde integrativa, da expansão do conceito de educação
em saúde e da rejeição da abordagem higienista.
Seguindo propostas de reforma do sistema de saúde brasileiro, o conceito de
saúde foi formalmente revisitado e influenciado por experiências internacionais
envolvendo políticas de saúde, como discutido principalmente na 8° Conferência
Nacional de Saúde, em 1986. Naquela ocasião foi sugerido que a saúde incluísse
fatores como dieta, educação, trabalho, situação de moradia, renda e acesso a
serviços de saúde.
Como resultado, o conceito brasileiro de saúde começou a ser entendido de
forma mais complexa, considerando os princípios de universalidade, integralidade e
equidade no cuidado à saúde. Esses princípios, contudo, coexistem com abordagens
claramente ligadas à antiga visão. O termo ‘bem-estar’, presente na definição da OMS,
é um componente tanto do conceito de saúde, quanto de saúde mental, é entendido
como um constructo de natureza subjetiva, fortemente influenciado pela cultura.
A OMS define saúde mental como um estado de bem-estar no qual um
indivíduo percebe suas próprias habilidades, pode lidar com os estresses
cotidianos, pode trabalhar produtivamente e é capaz de contribuir para sua
comunidade. (OMS, 1946, apud GAINO, 2018, p. 110).
Definições de saúde mental são objeto de diversos saberes, porém, prevalece
um discurso psiquiátrico que a entende como oposta à loucura, denotando que
pessoas com diagnósticos de transtornos mentais não podem ter nenhum grau de
saúde mental, bem-estar ou qualidade de vida, como se suas crises ou sintomas
fossem contínuos.
Nos anos 1960, o psiquiatra italiano Franco Basaglia propôs uma reformulação
no conceito de loucura, mudando o foco da doença e expandindo-o com questões de
cidadania e inclusão social. Tal ideia ganhou adeptos e acendeu um movimento que
influenciou o conceito de saúde mental no Brasil e resultou na Reforma Psiquiátrica
Brasileira.
Frente ao exposto, entende-se que há dois paradigmas principais para
discussão dos conceitos de saúde e saúde mental, ou seja, o paradigma biomédico e
o da produção social de saúde. No primeiro, o foco é exclusivamente na doença e em
suas manifestações, a loucura como sendo essencialmente o objeto de estudo da
psiquiatria.
6
No segundo, a saúde é mais complexa que as manifestações das doenças e
inclui aspectos sociais, econômicos, culturais e ambientais. Neste paradigma, loucura
é muito mais que um diagnóstico psiquiátrico, pois os pacientes com um transtorno
psiquiátrico podem ter qualidade de vida, participar da comunidade, trabalhar e
desenvolver seuspotenciais.
O Sistema Único de Saúde brasileiro adota um conceito ampliado de saúde e
inclui em suas prioridades o cuidado à saúde mental. Entretanto, este estudo
pressupõe que que tal perspectiva não foi naturalizada pelos profissionais de saúde
que integram esse sistema, ainda prevalecendo o paradigma biomédico.
2.1 A investigação no domínio da saúde mental
A investigação no domínio da saúde mental é vasta, todavia medi-la continua a
ser uma tarefa complexa que não tem reunido consensos. Apesar do conceito de SM
da OMS possuir uma vertente marcadamente positiva, a ciência tem concedido maior
protagonismo à doença em detrimento da saúde mental. Esta tendência traduz-se
pela escassez de instrumentos para a avaliar a partir de uma perspectiva positiva.
Ainda assim, esta tendência tem vindo a inverter-se progressivamente, fruto da
centralidade que o bem-estar tem vindo a ocupar na saúde mental.
O conceito de saúde mental envolve dimensões subjetivas e objetivas, e para
o operacionalizar é necessário ter presente vários aspetos: o conceito de normalidade,
que varia segundo o momento histórico e de acordo com a geografia ou cultura, qual
o tipo de saúde que se procura mensurar- perspectivada como um estado ou como
um atributo, e estar consciente do risco de cair em leituras etnocêntricas face à
diversidade de valores e de comportamentos.
A principal dificuldade em medir a saúde mental reside na
multidimensionalidade do conceito, e na natureza distinta das suas várias dimensões:
objetivas, subjetivas, comportamentais, internas (processos cognitivos, emocionais ou
motivacionais) e externas. Mesmo quando estudada segundo uma perspectiva
positiva, avaliar saúde mental pode revelar-se reducionista, afastando-se da visão
holística subjacente, no entanto é importante diferenciar a saúde mental entre
indivíduos. Esta distinção é indispensável quanto se trata de identificar pessoas
deficitárias em termos de funcionamento e bem-estar.
7
Embora a maioria da população não sofra de qualquer doença mental, muitos
indivíduos, mesmo sem doença não funcionam bem, nem se sentem
saudáveis mentalmente (WESTERHOF & KEYES, 2010, apud NOGUEIRA,
2017, p.124).
Nas últimas décadas, tem sido produzida muita investigação baseada num
modelo de saúde mental assente num constructo de estrutura bidimensional,
combinada numa lógica de continuum. A utilidade desta estrutura tem sido
amplamente explorada, com base em duas dimensões:
Dimensão negativa ou distresse psicológico - afeto negativo, é um estado geral
pouco específico, que num contínuo não é suficientemente intenso para ser designado
de perturbação, isto é, é uma resposta não específica do organismo para gerir
qualquer tensão ou exigência sobre ele. Quando essa tensão ou estresse é
cognitivamente reconhecido como uma condição adversa, desagradável ou perigosa
é ativada uma tentativa de evitamento ou fuga dessa mesma situação, surgindo o
distresse psicológico.
A evidência de distresse psicológico inclui emoções negativas associadas a
uma reação fisiológica subjetiva e comportamental, vivenciadas por cada um
de forma distinta (APA, 2013, apud NOGUEIRA, 2017, p.124).
As manifestações de distresse englobam desconforto, sofrimento ou dor
emocional, pessimismo e crenças negativas acerca de si, perturbações do humor
(ansioso, agressivo, depressivo ou lábil), tensão psíquica, reatividade, medo e perda
de controlo emocional e comportamental.
Dimensão positiva - Bem-Estar Psicológico - afeto positivo e os laços
emocionais, é o nível de funcionamento, sentir-se animado e apreciar a vida e as
vivências subjetivas que traduzem estados internos e experiências positivas
acumuladas. Existe evidência da relação positiva entre afeto positivo (felicidade,
alegria e entusiasmo), e menor morbilidade, longevidade e redução de sintomas
físicos. Um dos instrumentos mais referidos na literatura para avaliar a saúde mental
é o Mental Health Inventory (MHI) (inventario de saúde). Desenvolvido para a
investigação epidemiológica por vários investigadores no âmbito do Health Insurance
Study da Rand Corporation (Estudo de Seguro de Saúde Rand Corporation), tem
como escopo avaliar a saúde mental na população em geral numa perspectiva
bidimensional (positiva e negativa).
8
O MHI é usado tanto na população geral como em populações específicas,
podendo funcionar como um teste útil de rastreio de saúde mental, pois tem
grande capacidade discriminativa (VEIT & WARE, 1983, apud NOGUEIRA,
2017, p.125).
Pode ser usado em jovens para estudar o desenvolvimento positivo e
dificuldades em processos de ajustamento, numa lógica de compreensão global. Além
disso, é um instrumento adequado para diferenciar níveis de SM em pessoas sem
quadros psicopatológicos ou disfuncionais, assinalando défices que de outra forma
não seria possível reconhecer.
3 DISTRESSE PSICOLÓGICO (DP)
Fonte: jornaldamadeira.com
A predição de Distresse Psicológico (DP) é explicada por variáveis
sociodemográficas, comportamentos de saúde e psicoafectivas que no total explicam
55,4% da variância do DP, valor extremamente relevante para as ciências sociais.
Embora as variáveis sociodemográficas (gênero e idade) expliquem apenas 5,1% da
variância do DP, tal como era esperado confirmou-se que as mulheres têm valores
significativamente mais altos de DP do que os homens.
Quanto aos comportamentos de saúde, o sono explica 13,2% da variância do
DP, quem dorme menos de seis horas por dia têm valores mais elevados de DP, o
que reforça os resultados de estudos prévios, onde se verificaram correlações
9
positivas entre deficiente higiene do sono e o distresse. Dada a preponderância do
sono na explicação de distresse, é conveniente, sobretudo para os profissionais de
saúde, identificar os fatores que influenciam negativamente a qualidade do sono. Os
distúrbios associados ao sono requerem medidas educativas focadas na capacitação
dos afetados para adotar medidas de higiene do sono positivas.
As variáveis psicoafectivas explicam 35,7% da variância do DP valor muito
relevante. Os mais satisfeitos com o suporte social, os mais satisfeitos com a vida
acadêmica obtêm valores mais baixos de DP, enquanto quem obteve maior
vulnerabilidade psicológica (VP) e com maior perceção de vulnerabilidade (PV) obtêm
valores mais altos de DP. A Vulnerabilidade Psicológica contribui em grande medida
para explicar o DP. A vulnerabilidade psicológica é apontada como um fator de
vulnerabilidade robusto para a depressão. Designadamente as crenças negativas
sobre si mesmo, associadas aos estilos relacionais de dependência interpessoal
aprendidos são preditores de DP. Vulnerabilidade psicológica é um preditor sólido de
distresse psicológico e confirmar-se como um fator de vulnerabilidade para saúde
mental negativa.
A Perceção de Vulnerabilidade, ou a sensação de “sentir-se vulnerável” é um
robusto preditor de DP. A vulnerabilidade é como um estado subjetivo percebido, e
que sentir-se vulnerável gera distresse e afeta globalmente o funcionamento da
pessoa.
4 A PERSPECTIVA SALUTOGÉNICA E POSITIVA DA SAÚDE MENTAL
Fonte: reflexoesdeumpsiquiatra.com
10
A saúde e a doença são parte integrante da existência Humana, e a forma como
têm sido contextualizadas tem evoluído com o homem, refletindo o contexto histórico,
cultural, social e os avanços da ciência. A concepção da saúde mental tem
acompanhado esta evolução e, atualmente é entendida não apenas como a ausência
de doença, pelo contrário incorpora uma visão compreensiva e integrativa da pessoa,
além de uma multiplicidade de fatores sociais, psicológicos e físicos inter-
relacionados.
Parte integrante e indissociável da saúde, a saúde mental é percebida como
um Bem essencial ao bem-estar e ao desenvolvimento do potencial humano, por isso
é um direito fundamental de todos os cidadãos.Esta convicção, está plasmada no
recente relatório The European Health Report 2015. Targets and beyond – reaching
new frontiers in evidence. Além disso, a relevância da saúde mental é igualmente
expressa através da poderosa afirmação da OMS de que “não se pode falar de saúde
sem se falar de saúde mental”.
Ao longo da história, várias perspectivas tentaram explicar a saúde e a
doença mental. Destaca-se a concepção clássica iniciada por Hipócrates, que
considerava que a saúde e o bem-estar faziam parte de um equilíbrio entre o
indivíduo e o seu ambiente. Esta visão Holística prolongou-se desde a Grécia
antiga até à Idade Média. Considerava que as doenças têm origem no
desequilíbrio entre forças internas e externas ao indivíduo e valorizava
aspetos tão contemporâneos como o comportamento, os hábitos alimentares,
o trabalho e a recreação (FRIEDLI, 2009, apud NOGUEIRA, 2017, p. 42).
Nesta perspectiva, o foco está na pessoa e no seu ambiente como um todo,
evitando reduzir a origem da doença às perturbações dos órgãos. Contudo, esta
concepção foi sendo progressivamente substituída pelo Modelo Biomédico, que foi
emergindo do conhecimento científico moderno.
O Modelo Biomédico descentrou-se do indivíduo e abandonou a visão do todo
para se focar nas suas partes isoladamente. Na visão biomédica o enfoque deixou de
ser na saúde e passou a ser na doença e as suas características e, por esta razão, a
concepção da saúde e doença passam a ser entidades distintas em oposição, isto é,
a pessoa passa a ser considerada como doente ou saudável.
A saúde mental acompanhou esta visão dicotómica, privilegiando o enfoque na
doença mental desvalorizando os aspetos do contexto (ambiente, relacionais, sociais
e comportamentais). Posteriormente, constatam-se os limites deste modelo, que não
11
conseguem explicar a influência do comportamento na génese da doença.
Paralelamente, na segunda metade do séc. XX surge a noção de multicausalidade,
que associa vários fatores (físico, social e cultural) como sendo causadores da mesma
doença, revolucionando-se a concepção e as abordagens à saúde.
Neste contexto surge uma alternativa à visão biomédica, o Modelo
Biopsicossocial. Este modelo assenta em dois princípios: a doença surge da
interdependência entre dimensões biológicas, psicológicas e sociais e, os tratamentos
interagem entre si, com o indivíduo e com o meio ambiente. Para a consolidação deste
modelo foi relevante a definição de saúde assumida pela OMS em 1946 na
Conferência Internacional da Saúde em Nova Iorque, que propôs uma definição de
saúde assente numa perspectiva biopsicossocial que perdura até aos nossos dias.
Desde então, a saúde é definida como um estado de completo desenvolvimento físico,
mental e bem-estar social e não meramente a ausência de doença ou enfermidade.
O Homem passa a ser visto como um ser biopsicossocial, isto é, numa perspectiva
Holística.
O conceito de saúde mental também acompanha esta evolução e passa a ser
definido como sendo aproveitamento pleno das potencialidades e capacidades
cognitivas, relacionais e afetivas, enfrentar as dificuldades da vida, produzir trabalho
e, contribuir para ações em sociedade. Três ideias centrais estão implícitas neste
conceito: a saúde mental como parte integrante da saúde, a saúde mental é mais do
que a simples ausência de doença mental e a saúde mental está intimamente
relacionada com o comportamento e a saúde física. Quer dizer a saúde mental é parte
integrante e indissociável da saúde, não se circunscrevendo à mera ausência de
doença mental e é um fenômeno multifatorial que resulta da complexa interação de
fatores de natureza biológica, psicológica, social, cultural e ecológica, isto é, depende
do estilo e condições de vida, dos comportamentos, e dos contextos e redes
sociofamiliares.
Nesta lógica a vida com saúde mental emergem do continuum dinâmico entre
indivíduo e o ambiente, ou seja, constrói-se desde os primeiros anos de vida.
É influenciada pelas diferentes dimensões da pessoa (atributos individuais),
pelas condições em que se vive e cresce e pelo estádio de desenvolvimento
em que se encontra (WHO, 2012, apud NOGUEIRA, 2017, p. 43).
12
Os indivíduos mentalmente saudáveis tendem a relatar bem-estar e apreciar
de forma positiva a qualidade da sua vida, quer ao nível das relações interpessoais
como das relações sociais e não apresentam sintomatologia ou incapacidade de
qualquer tipo. Enquanto os problemas ou sofrimento mental estão associados a
desequilíbrios, à pobreza, comportamentos de risco, abuso de substâncias e à
violência.
A saúde mental condiciona a forma de pensar, sentir e agir das pessoas
perante as diversas situações do dia a dia. Condiciona igualmente o modo como cada
um se vê a si mesmo, como vê a sua vida, como avalia os desafios e problemas e
como procura alternativas e resolve problemas.
A pessoa com saúde mental vai acomodando os acontecimentos diários e
integrando positivamente as constantes mudanças. Este processo continuum
incorpora e é determinado pelas singularidades dos indivíduos para lidarem com as
influências e os desafios da vida, e resulta na capacidade de estabelecer relações
interpessoais ótimas, permitido enfrentar as dificuldades normais da vida e o
aproveitamento pleno das suas potencialidades.
Efetivamente, a pessoa com saúde mental é capaz de se ajustar aos desafios
do quotidiano, de estabelecer relações construtivas com o ambiente em que
se insere, de se compreender e de sentir prazer e satisfação com a vida
(WHO, 2004, apud NOGUEIRA, 2017, p. 43).
O bem-estar é um componente essencial da saúde mental e da capacidade de
viver de forma plena. Esta perspectiva positiva da saúde teve como grande
impulsionador o Paradigma Salutogénico.
4.1 Paradigma Salutogénico de Aron Antonovsky
O Paradigma Salutogénico (Antonovsky, 1996) emergiu no final da década de
70 do século passado, impulsionado pelos modelos desenvolvimentista e ecológico.
Acrescentou relevantes contributos sobretudo no que respeita às abordagens
terapêuticas centradas na saúde e na sua promoção e prevenção. Esta visão positiva
da saúde permitiu a sua operacionalização como um estado de bem-estar, pois este
paradigma foca-se nas origens da saúde (do latim, Salus=saúde e do grego,
13
Genesis=origens) ao invés das origens da doença (do grego, Pathos=doença
Genesis, origem da patologia).
A saúde é um fenômeno contínuo que deve ser compreendido em função do
contexto e do ambiente específico no qual a pessoa se insere. Esta visão Holística,
centrada na globalidade da pessoa valoriza os fatores que favorecem a saúde, o
desenvolvimento e os significados atribuídos à felicidade e bem-estar, recuperando
fatores hedonistas (e.g., capacidade para o prazer, gosto pela própria vida e pela
saúde global), sem repudiar os fatores sociais e culturais.
O escopo desta perspectiva é o investimento nos recursos pessoais para
superar as situações com dignidade, sem aspirar atingir um estado de satisfação geral
face a todos os acontecimentos de vida, pois mesmo no ambiente mais favorável, a
pessoa é submetida a experiências que dificilmente podem ser evitadas, e que podem
ser sentidas como angustiantes. Neste sentido considera a existência stressors que
põem em risco a saúde. Estes estímulos externos são capazes de originar no
organismo um estado de tensão emocional, habitualmente acompanhado de
sentimentos e reações vividas por cada um de forma diferente, e despoletando
sensações distintas tais como: irritação, sentimento de impotência, frustração e
mágoa, ou sensações inversas como: oportunidade, compreensão, superação e de
aprendizagem, dependendo da forma como cada um percebe esse desafio.
Ainda se pode referir a outros fatores salutogénicos, tais como:
1) o autoconceito;
2) a autoeficácia;
3) o locus de controlo;
4) o suporte social;5) a capacidade de compreensão;
6) a capacidade de gestão;
7) a capacidade de Investimento;
Os três últimos fatores combinados determinam o senso de coerência do
indivíduo, ou a orientação global para lidar com os diversos desafios da vida
(stressors). Tendencialmente, um indivíduo com um forte senso de coerência encara
os estímulos (interno ou externo) de três modos: estruturados, previsíveis e
explicáveis; acredita-se ter ao alcance a capacidade e os recursos para os gerir; são
14
desafios que estimulam o investimento e o empenho do indivíduo. Assim, é relevante
compreender empaticamente o modo como cada pessoa gere os seus desafios e
adquire de forma construtiva o domínio sobre os estados de tensão emocional).
Entende-se a saúde mental como o produto de um equilíbrio dinâmico em
interdependência com vários ecossistemas, isto é, entre múltiplas condições internas
e externas do indivíduo, tais como: atributos individuais e situacionais, contexto
ambiental e antecedentes pessoais familiares, sem desprezar outros determinantes.
Neste âmbito, o bem-estar é um componente central e incontornável da saúde
mental, por conseguinte é importante aborda-lo em profundidade.
5 MODELOS DE BEM-ESTAR
Fonte: abrhrj.org.br
O bem-estar é atualmente considerando-o como um componente central na
saúde, e esta relevância é-lhe conferida pela definição de saúde e de saúde mental
da OMS (1946). Por esta razão nas últimas décadas tem sido produzida muita
investigação sobre este tema. De acordo com OMS o bem-estar é um conceito
unificador nas Políticas de Saúde e setores governamentais, oferecendo uma
oportunidade importante para uma abordagem de conjunto na melhoria da saúde das
populações. Contudo a percepção individual de bem-estar é um dos aspetos mais
subjetivos e de difícil definição. Para delimitar este conceito várias definições têm sido
propostas, porém nenhuma isenta de críticas.
15
De um modo geral, as diferentes definições descrevem o bem-estar como
sendo um estado caracterizado pela satisfação das necessidades biológicas,
psicológicas, sociais, materiais, culturais e espirituais, que incluem também a
satisfação com a sua vida em geral, os estados emocionais mais imediatos de bem-
estar pessoal e a capacidade pessoal de mudar constantemente. É também
consensual considerar que o bem-estar é uma experiência de nível subjetivo e
individual, porém passível de ser objetivado através de vários indicadores.
Classicamente distinguem-se duas correntes de pensamento para definir
bem-estar: bem-estar subjetivo, que lida com a felicidade- hedonismo e o
bem-estar psicológico que se refere ao potencial humano- eudemonismo.
Estas correntes sobrepõem-se em alguns aspetos, sendo que alguns autores
propõem uma perspectiva integradora para definir bem-estar (RYFF, 2014,
apud NOGUEIRA, 2017, p. 44).
Atualmente, o conceito de bem-estar subjetivo tende a integrar os domínios
emocional e de funcionamento positivo. É importante compreender sobre os
contributos dos vários modelos de bem-estar, clarificando aspectos relativos à sua
operacionalização, enfatizando a sua relevância como elemento integrante do
conceito de saúde mental.
5.1 Bem-Estar Subjetivo
O termo Bem-Estar Subjetivo é um conceito muito abrangente e estreitamente
relacionado com a dimensão positiva da saúde. Corresponde uma primeira linha de
investigação de concepção hedonista, ou seja, enquanto resultado da experiência
subjetiva de prazer, conforto e de felicidade. Baseia-se em dois aspetos fundamentais:
na descrição da avaliação subjetiva do indivíduo, isto é, na compreensão das suas
características internas, na sua perspectiva e na intensidade dos sentimentos
positivos experimentados (felicidade e no prazer) e assenta ainda, na compreensão
da influência dos fatores culturais e sociais na percepção sobre a vida em geral, e nas
vivências favoráveis ou desfavoráveis (satisfação com a vida). Posteriormente, a
evidência acrescentou ao constructo de bem-estar o funcionamento positivo, elemento
que fez emergir o conceito de bem-estar emocional, que inclui quatro componentes:
satisfação com a vida, o afeto positivo, o afeto negativo e a felicidade.
16
5.2 Modelo de Bem-Estar Psicológico
O conceito de Bem-Estar Psicológico designa o funcionamento psicológico
positivo do indivíduo. Inclui as dimensões que possibilitam sentimentos de satisfação
e de felicidade consigo próprio, no âmbito das suas condições de vida e
sociorrelacionais, integrando também as expectativas futuras.
O modelo de Bem-Estar Psicológico é centrado no bem-estar enquanto
fenómeno essencialmente privado, ou seja, focado nos desafios enfrentados
pelos adultos, no âmbito da sua vida privada. Parte de uma concepção
eudemonista de bem-estar, isto é, centrada no potencial humano como
resultado do ótimo funcionamento no âmbito da sua vida e de acordo com o
seu verdadeiro self (RYFF, 2008, apud NOGUEIRA, 2017, p. 47).
Ancora-se ainda no paradigma desenvolvimental, que valoriza o potencial do
indivíduo para uma vida com sentido e autorrealização. Portanto, o bem-estar pode
ser percebido como resultado ou como processo de realização do potencial do
indivíduo.
1. O modelo de BEP assenta em três perspectivas teóricas:
2. A psicologia do desenvolvimento,
3. Teorias de life-span (Erikson);
4. Psicologia clínica (Maslow, Rogers e Jung) e
5. Abordagem de saúde mental de Jahoda,
Suporta-se num funcionamento positivo da pessoa, visível através da
manifestação das suas capacidades (habilidades e competências). Assim, este
conceito permite medir a percepção da pessoa sobre si, sobre o seu ambiente, sobre
a sua forma singular de gerir as influências e desafios da vida e avaliar o seu bom
funcionamento. O BEP corresponde a um constructo multidimensional que contém
características de natureza cognitiva e afetiva, que permitem identificar as qualidades
e fragilidades em seis dimensões de funcionamento psicológico positivo:
1. Autoaceitação - atitude positiva em relação a si próprio, através da qual as
pessoas tentam sentir-se bem consigo próprias, mesmo estando cientes das
suas limitações. Capacidade de reconhecer e aceitar os múltiplos aspetos do
self e sentimentos positivos relativos à vida passada;
17
2. Crescimento pessoal - atitude proativa e dinâmica de desenvolvimento e de
autoconhecimento, adotada intencionalmente para maximizar o proveito dos
seus recursos, talentos e capacidades;
3. Sentido para a vida - atitude adotada de forma intencional pelo indivíduo, para
rentabilizar os seus recursos, talentos e capacidades pessoais, expandindo-as
para colmatar as suas limitações;
4. Domínio do ambiente - sensação de estar em controlo do ambiente; -
5. Autonomia - competência para manter e desenvolver num contexto social
alargado a individualidade e interdependência, procurando autodeterminação.
6. Relações positivas com os outros- postura adotada para desenvolver e manter
relações interpessoais baseadas na confiança, na cooperação e no
desenvolvimento pessoal. Enfatiza o interesse com a esfera interpessoal e
centra-se na capacidade para estabelecer relações satisfatórias com o outro.
5.3 Modelo de Bem-Estar Social
Relacionando o Bem-Estar Social com o caráter público, a solidariedade, a
unidade e simpatia dos indivíduos para com a sociedade, propõe-se um modelo que
visa identificar em que medida o indivíduo funciona bem na interface com o seu
contexto e ambiente social (vizinhos, colegas e como cidadão). O Bem-Estar Social
centra-se nas tarefas sociais e nas relações que se estabelece com a comunidade e
as estruturas sociais, e é constituído por cinco dimensões:
1. Aceitação social - traduz a interpretação da sociedade e o funcionamento numa
esfera pública. Os indivíduos que a exibem têm confiança e sentem-se
confortáveis com o outro, têm opiniões favoráveissobre a natureza humana e,
acreditam que o outro é capaz de ser construtivo;
2. Atualização social - avaliação do potencial da sociedade concretizado através
das instituições e dos cidadãos;
3. Contribuição social - avaliação que o indivíduo faz do seu valor para com a
sociedade, que inclui a crença de que se possui algo de valor para oferecer ao
mundo;
4. Coerência social - percepção da qualidade da organização e do funcionamento
do mundo social e, de que a sociedade é discernível, sensível e previsível;
18
5. Integração social - é o sentimento de pertencer à sua comunidade e à sua
sociedade e de que se partilha algo em comum com outros. É a avaliação da
qualidade das relações com o entorno social/comunidade.
5.4 Modelo de Bem-Estar Emocional
O Bem-Estar Emocional designa uma dimensão específica de bem-estar
subjetivo, que engloba as percepções de felicidade declarada, a satisfação com a vida
e o saldo entre afetos positivo e negativo. O bem-estar emocional é contextualizado
como um balanço entre o afeto positivo e negativo. Assenta na Auto Teoria da
Mudança Subjetiva, que defende que as pessoas percebem as mudanças como
angustiantes e indesejadas.
O core da Auto Teoria postula que as pessoas avaliam a possibilidade de
mudança com base nos seus padrões pessoais para decidirem se a mudança
é boa, má ou uma mistura de ambas e, na tendência universal de manter o
equilíbrio (hemóstase orgânica). A mudança para pior é sempre indesejada,
enquanto uma melhoria percebida, é sempre avaliada ponderando os seus
aspetos positivos e negativos (KEYES & MAGYAR-MOE, 2003, apud
NOGUEIRA, 2017, p. 49).
Por oposição, permanecer “a mesma pessoa” é vantajoso para a saúde e para
o bem-estar. Esta teoria fornece uma explicação plausível sobre a dimensionalidade
do afeto positivo e negativo, ou seja, o bem-estar emocional depende dos níveis
percebidos de mudança pessoal dos indivíduos, com base em quatro dimensões:
1. Afeto positivo - experiência de sentimentos de alegria de viver, entusiasmo e
felicidade;
2. Afeto negativo - sintomas que lembram que a vida é indesejável e
desagradável, sentimentos de zanga, culpa, medo ou preocupação;
3. Satisfação com a vida - sentimentos de contentamento, paz e satisfação,
discretas discrepâncias entre desejos, necessidades e sentimentos de
realização ou conquista;
4. Felicidade - sentimento geral de contentamento, alegria, prazer, de motivação
energia e entusiasmo pela vida.
19
6 DETERMINANTES DA SAÚDE MENTAL
Fonte: ims.uerj.br
A literatura identifica múltiplos determinantes da saúde mental cuja gênese está
associada às várias dimensões da pessoa: biológicas, psicológicas, socioeconômicas,
ambientais e culturais. Alguns determinantes destacam-se pelos efeitos negativos
marcantes ou perduráveis que possuem.
6.1 Determinantes biológicos
Os determinantes biológicos da saúde mental destacam-se pela relevante
influência nos padrões de regulação hormonal e nos comportamentos de saúde
individual, especialmente associada ao género e idade.
Gênero: As mulheres têm risco de sofrer depressão ou perturbações de
ansiedade, superior ao dos homens. A prevalência aumentada de perturbações de
ansiedade e depressão nas mulheres atribui-se aos fatores hormonais e aos papéis
multifacetados que desempenha (responsabilidades acumuladas: domésticas,
familiares e laborais), e ao contexto cultural em que vivem (frequentemente vítimas de
violência) incluindo no campus universitário. O sofrimento no feminino está
estreitamente enraizado na cultura e nas relações sociais de dominação e exploração
da mulher. A discriminação sexual e/ou a violência de gênero são preditores negativos
20
de saúde mental e física e estão correlacionados positivamente com a somatização
do mal-estar psíquico e sofrimento psicológico.
Idade: A idade tem grande preponderância nos padrões de regulação hormonal
e nos comportamentos de saúde e de risco. As faixas etárias dos adultos emergentes
estão associadas taxas altas de consumos substâncias psicoativas, comportamentos
de risco, acidentes de viação e primeiros surtos psicóticos. Além disso, é na
adolescência e adultícia emergente que várias perturbações mentais se declaram.
Sabe-se também que em termos mundiais os problemas de saúde mental em jovens
dos 18 aos 24 anos têm uma prevalência de 10 a 20% (APA, 2013).
6.2 Os determinantes psicológicos
Os determinantes psicológicos condicionam o processo de desenvolvimento de
competências psicossociais. As experiências negativas precoces - privação de
vinculação positiva, as adversidades, a negligência e os abusos provocam défices que
comprometem o desenvolvimento emocional normal, com reflexos negativos na
adolescência e na idade adulta.
Experiências negativas precoces: A privação de um processo de vinculação
positiva e de atitudes empáticas por parte dos adultos dificulta a expressão das
experiências emocionais da criança, limitando posteriormente a capacidade de gestão
e controle emocional de forma ajustada. A adversidade reiterada na infância associa-
se a processos intrapsíquicos negativos, como sentimento de impotência, baixa
autoestima e dependência interpessoal.
As privações graves na infância tendem a comprometer ou condicionar a
capacidade de o indivíduo perceber o seu contexto de forma adequada.
Nestas circunstâncias, regra geral, os indivíduos avaliam-no quase sempre
como hostil, por isso, adotam condutas defensivas, ansiosas e inapropriadas
(SHAPERO et al., 2014; Albornoz & Bandeira, 20102003, apud NOGUEIRA,
2017, p. 79).
Embora não se conheçam os mecanismos específicos do impacto das
adversidades no desenvolvimento de sintomas e problemas psíquicos existe
evidência da relação positiva entre experiências precoces negativas e problemas
subsequentes de saúde mental particularmente associadas à depressão.
21
As experiências traumáticas durante a infância predizem ansiedade social e
depressão; na adolescência foram associadas ao risco de suicídio e a baixa
autoestima. O sofrimento que emerge das relações de violência afeta a capacidade
de resolver problemas e a sensibilidade da vítima para sentir interesse e empatia
consigo e com os outros. Por oposição, as circunstâncias familiares favoráveis
(vinculação, relações estáveis e afetivas com as figuras parentais, funcionamento
harmonioso do ambiente familiar) são promotores do potencial saudável de todos os
membros.
Estes atributos são determinantes para o desenvolvimento psicológico e
intelectual normal da criança, bem como para uma adequada regulação
emocional na idade adulta. (SOUZA et al., 2010, apud NOGUEIRA, 2017, p.
80).
A evidência tem demostrado consistentemente que as experiências precoces
gratificantes influenciam marcada e positivamente a saúde mental da criança, com
benefícios que se estendem até à adultícia.
6.3 Os determinantes socioeconômicos
Os determinantes socioeconómicos mais preponderantes da saúde e da saúde
mental, estão os associados ao ciclo de pobreza (educação, desemprego, habitação,
exclusão social e estigma). Parece haver uma associação entre baixo nível
educacional, desemprego, pobreza e exclusão social, que alimenta o ciclo de pobreza
O nível socioeconómico (NSE) é um dos preditores mais relevantes de bem-
estar e saúde mental, à medida que o NSE aumenta os níveis de SM
melhoram. O NSE baixo associa-se a maior adversidade ambiental, e é um
preditor de doença mental (Alves & Rodrigues, 2010, apud NOGUEIRA, 2017,
p. 81).
Por outro lado, a doença mental contribui para perpetuar os ciclos da pobreza,
provocando a degradação do ambiente familiar, que por sua vez alimenta as
experiências negativas precoces, a discriminação sexual e a violência de gênero. Os
estudos têm demostrado que o desemprego, a precariedade e a insatisfação ou stress
laboral têm igualmente uma importante influênciasobre doença, a vulnerabilidade e a
mortalidade precoce, podendo mesmo conduzir ao suicídio. Por oposição, a
22
estabilidade e satisfação laboral associa-se ao bem-estar e a melhores níveis de
saúde mental.
6.4 Determinantes comportamentais
Os determinantes comportamentais da saúde mental destacam-se pelas
propriedades de plasticidade que possuem, mas também pelo carácter consciente e
voluntário que possuem, por isso facilmente modificáveis. Razão pela qual são alvo
de relevante investimento face ao potencial e oportunidades de saúde que detêm.
Contudo, salienta-se que os comportamentos associados à saúde são fortemente
condicionados pelos estados psíquicos e pela perturbação mental. A saúde mental
está intimamente conectada com a saúde física e ao comportamento de saúde, que
representa um dos moduladores mais relevantes da qualidade de vida dos indivíduos.
Define-se comportamento de saúde como sendo o padrão de conduta adotado
individualmente com influência marcante direta ou potencial, favoráveis versos
prejudiciais na sua saúde. As condutas de saúde ou de risco dependem das relações
de influência de uma multiplicidade de fatores - biológicos, psicológicos, e sócio-
ambientais, tal como é característico dos comportamentos humanos.
Os Comportamentos de saúde, são indicadores de saúde comportamental
positiva, isto é, traduzem atitudes promotoras do potencial saudável global,
ou que minimizam e previnem o risco. Como exemplos de comportamentos
de saúde mais relevantes, associados ao potencial de saúde mental, incluem-
se a atividade física regular, a boa higiene do sono, abster-se de consumir
sustâncias psicoativas e a vigilância de saúde (Ferrara, 2009, apud
NOGUEIRA, 2017, p. 82).
Os Comportamentos de risco, referem-se a toda e qualquer conduta que
dependendo da sua frequência ou intensidade, compromete ou é nefasto para a saúde
mental, aumentando o risco de despoletar perturbações ou mesmo doença mental
(consumo de substâncias psicoativas, privação de sono). Todavia, os
comportamentos de risco (consciente ou não) envolvem sempre um carácter
voluntário e uma incerteza (mais ou menos percebida) das suas consequências para
a saúde o bem-estar.
Nos jovens, algumas condutas de risco visam satisfazer necessidades
desenvolvimentais importantes (e.g., novas experiências, aceitação pelos
seus pares, rituais de iniciação, reivindicar a independência, manifestar
23
oposição às normas e valores convencionais) ou são usados como
estratégias de gestão da ansiedade, frustração ou sofrimento psicológico em
geral (Câmara, 2005, apud NOGUEIRA, 2017, p. 82).
Nesta perspectiva, certos comportamentos durante esta etapa não serão
necessariamente problemas de saúde mental, correspondem pelo contrário a um
comportamento usual para esta etapa. No entanto, comportamentos de risco
reiterados podem causar danos consideráveis na saúde, prejudicando seriamente o
seu desenvolvimento saudável. A evidencia mostra que o consumo de substâncias
psicoativas são os determinantes comportamentais de risco mais comuns.
Consumo de substâncias psicoativas: As substâncias psicoativas ou
psicotrópicas (tabaco, álcool fármacos e outras drogas) modificam as funções
sensoriais, o humor e o comportamento do indivíduo. Designadas de lícitas/legais ou
ilícitas/ilegais, do ponto de vista legal, é fisiologicamente que estas substâncias mais
se diferenciam, dado que atuam a nível do sistema nervoso central como depressores,
estimulantes ou perturbadora. Razão pela qual se compreende que o seu efeito, mais
ou menos nocivo, dependa do tipo de consumo: experimental (período curto- baseado
na curiosidade); situacional (usado para gerir um problema pontual); intensivo
(consumo é diário) e compulsivo (consumo intensivo e dependência extrema). Não
obstante, independentemente das razões ou do tipo, todos os consumos têm efeitos
nefastos na saúde.
Os estudos têm demostrado que as intervenções de promoção da saúde
mental centradas no reforço dos recursos positivos e dos contextos têm um
impacto positivo e global no funcionamento da pessoa, traduzindo-se em
ganhos efetivos na saúde (WHO 2013, apud NOGUEIRA, 2017, p. 83).
O conhecimento sobre os determinantes da SM é extremamente importante,
na medida em que pode e deve ser transferido e integrado nas Políticas de Saúde.
24
7 ACONTECIMENTOS DE VIDA NEGATIVOS
Fonte: nospensees.fr
Os acontecimentos de vida negativos (AVN) são condições adversas a que
todas as pessoas estão expostas. As experiências precoces adversas podem ter
efeitos duradouros sobre o organismo, designadamente nas respostas ao stress, nas
estruturas cerebrais e nos processos emocionais. Os eventos estressantes precoces
estão associados a danos neurodesenvolvimentais, podendo causar alterações
neuropsicológicas tais como défices cognitivos, na memória e aprendizagem.
O abuso infantil e a violência intrafamiliar incluem-se na categoria das
vivências negativas com elevado potencial pernicioso, dada a sua capacidade
de mudar negativamente a vida e a saúde mental das pessoas, com efeitos
a longo prazo (ALVES & RODRIGUES, 2010, apud NOGUEIRA, 2017, p. 99).
Existe numa lista extensa de eventos físicos e emocionais com capacidade de
provocar efeitos muito disruptivos na saúde mental a curto e longo prazo. Destacam-
se os eventos que gravitam em torno da violência precoce intrafamiliar - negligencia,
maus tratos, abuso (físico, emocional e sexual), violência entre os pais, e da
separação ou perda de figuras significativas. Estes eventos ampliam o risco de
sofrimento psíquico que se reflete quer na adolescência, geralmente através do
comportamento, da agressividade, indisciplina ou frutos e na vida adulta. Acumular
eventos negativos no início da vida pode contribuir para desencadear psicopatologias
ao longo do desenvolvimento.
25
As crianças com história de ambientes familiares adversos e eventos
traumáticos têm vulnerabilidade a desenvolver transtorno de stress pós-
traumático, mais dificuldades e problemas emocionais com os pares e, maior
morbilidade relativa à ansiedade e depressão (COPELAND, 201, apud
NOGUEIRA, 2017, p. 99).
De acordo com uma recente meta-análise, incluem-se nos vários tipos de maus
tratos a antipatia, negligência, abuso físico, abuso sexual e abuso psicológico ou
emocional (Infurna et al., 2016).
A interpretação e o significado que se atribui às vivências negativas determina
à posteriori se estas são sentidas como negativas ou não. Por essa razão, um mesmo
evento pode ser percebido como perigo por uma pessoa enquanto para outra, apenas
um desafio.
Para a maioria das pessoas, a exposição a eventos negativos provoca numa
reação de intensa excitação fisiológica, sentimentos de vulnerabilidade e estados
afetivos negativos - angustia, ansiedade, pavor, tensão, horror, vergonha e perda de
controlo. Existe evidência consistente da influência negativa entre acontecimentos
negativos na infância e dificuldades subsequentes nas relações interpessoais e na
esfera do humor, sobretudo relacionados com ansiedade social e com a depressão.
Mas também com as perturbações de estresse pós-traumático (PTSD).
O abuso psicológico e negligência foram os que mais fortemente se associaram
com a depressão. A Teoria Cognitiva Aron Beck, em 1963, oferece uma explicação
plausível para este fenômeno, dado que defende que os afetos são secundários à
cognição, e por essa razão, influenciam o modo peculiar de cada um vivenciar e
interpretar os acontecimentos de vida negativos ou traumáticos ocorridos em idades
precoces. Esta teoria defende que os processos cognitivos na depressão têm uma
etiopatogenia assente na construção negativa do pensamento, em erros cognitivos e
esquemas depressogenicos. Assenta na convicção teórica de que tanto os erros como
os esquemas têm por base a negatividade sistemática que permeia os processoscognitivos; os esquemas negativos prevalentes na depressão tendem a produzir um
viés sistemático na abstração e interpretação dos dados; e ainda que os padrões
específicos de esquemas tornam a pessoa sensível a pressões específicas.
As ideias negativas são ativadas pelos esquemas depressogenicos
(construídos a partir das experiências precoces), que estando latentes emergem
sempre que ocorre a repetição de vivências semelhantes, responsáveis pela
26
introjeção da atitude negativista. Recentemente foram incluídos à Teoria Cognitiva
aspetos relativos à continuidade do funcionamento adaptativo e o mal adaptativo,
processamento de informação dupla, foco de atenção e uma organização de
esquemas relevantes (expectativas, auto avaliação regras e memórias).
8 VULNERABILIDADE PSICOLÓGICA
Fonte: psicologia.pt
O conceito de vulnerabilidade psicológica ou cognitiva reflete cognições ou
crenças prejudiciais e atributos disfuncionais, isto é, esquemas cognitivos (padrão)
negativos da forma como cada um se vê a si próprio, na interface com os outros, na
reação ao stress e na capacidade de atingir objetivos, que reflete dependência de
fontes externas de aprovação. Traduz uma tendência para interpretar a informação
subjetivamente, de forma distorcida e negativa em presença de eventos percebidos
como estressantes. Estes esquemas negativos tornam os indivíduos mais suscetíveis
ao estresse. Por sua vez, tanto a dependência, que se opõe à crença no valor próprio
e nas qualidades interiores, como a negatividade, influenciam as emoções e as
relações interpessoais e, por esta via, o bem-estar.
Este modelo de vulnerabilidade psicológica é desenhado a partir da Teoria
Cognitiva de Aron Beck, cujos pressupostos assentam na ideia de que os
comportamentos e as emoções dos quadros depressivos são determinados pelas
cognições subjacentes, que resultam da tríade cognitiva (ideias negativas sobre si,
27
sobre o mundo e sobre o futuro) responsável pelo humor disfórico. Parte ainda da
premissa que os afetos são secundários à cognição e determinam o modo peculiar de
viver e interpretar os acontecimentos vividos. Nessa medida, a vulnerabilidade
psicológica tem sido investigada como um forte preditor de depressão, associando-se
também à reatividade emocional, dificuldade de aprendizagem e de controlar
impulsos, o neuroticísmo e a adversidade nas relações familiares e sociais.
É provável que as características genéticas relacionadas com a reatividade
emocional individual determinem a vulnerabilidade generalizada dos indivíduos. Os
esquemas cognitivos são moldados por eventos negativos precoces, habitualmente
associados a mau desempenho parental (exposição a comportamentos hostis no seio
familiar) a separação de figuras significativas, adversidade social prolongada,
ausência ou défice de apoio social e às relações sociais pobres ou desajustadas.
Todas estas circunstâncias parecem tornar os indivíduos mais vulneráveis a
perturbações emocionais, tanto ansiosas como depressivas em adultos. Por essa
razão algumas perturbações menores, em parte, são determinadas por
vulnerabilidades psicossociais aprendidas na família e por condições ambientais
subsequentes, mediadas pela resiliência.
Há uma robusta relação entre maus tratos na infância e a depressão na
adolescência e idade adulta. A depreciação parental configura abuso emocional, pois
dirige a atenção da criança para os seus estados internos negativos e, é um preditor
de vulnerabilidade psicológica. As experiências adversas e o ambiente familiar
disruptivo durante a infância tornam a pessoa mais vulnerável ao estresse e
aumentam probabilidade de ansiedade generalizada em adultos.
Cumulativamente, as pessoas deprimidas exibem um padrão de expectativas
de desempenho excessivamente elevado, que conduz a muitos fracassos e
poucos sucessos, pois foca a atenção seletiva nos eventos negativos,
tendendo por isso à autoavaliação negativa (GONZALEZ & PAIS RIBEIRO,
2004, apud NOGUEIRA, 2017, p.103).
28
9 PERCEPÇÃO DE VULNERABILIDADE
Fonte: metropoles.com
A vulnerabilidade do ponto de vista Ontológico revela um dos aspetos mais
universais da condição humana todos somos vulneráveis, porque somos finitos.
Rogers (1997) define vulnerabilidade como um potencial de dano ou perda quando os
indivíduos são expostos a um perigo ou ameaça, e a uma condição de menor
disponibilidade de recursos para se proteger.
A vulnerabilidade resulta de um processo multidimensional dinâmico, a partir
do qual se estabelece uma interação singular entre os atributos pessoais, condições
sociais e ambientais.
[...] vulnerabilidade significa a existência de um risco individual ou situacional
acrescido. Nessa medida, as pessoas ou populações com vulnerabilidade
acrescida são aquelas que estão suscetíveis a desenvolver problemas de
saúde, devido à sua condição sociocultural especifica, limitação económica,
marginalização e/ou características pessoais, tais como idade, género ou
situações de doença. (CHESNAY, 2005, apud NOGUEIRA, 2017, p.104).
Existe uma correlação entre a vulnerabilidade e as desigualdades em cuidados
de saúde. A investigação sobre populações vulneráveis é parca e deficitária, refere-
se sobretudo ao risco não comtemplando a dimensão experiencial, isto é, a percepção
individual da própria vulnerabilidade. A vulnerabilidade, genericamente, está
associada às idiossincrasias genéticas, à forma singular que os indivíduos têm de gerir
as dificuldades individuais e contextuais e à complexidade da interdependência entre
29
predisposição individual e ambiente. Contudo, persiste uma discussão em torno da
diferenciação entre a natureza e os preditores de vulnerabilidade, particularmente no
que respeita à vulnerabilidade associada à saúde mental.
A vulnerabilidade mental deriva do conceito mais amplo de vulnerabilidade, e
ancora-se no pressuposto de que acontece num continuum vivencial, quer dizer, é
fruto de uma matriz temporal dinâmica onde estão implicados fatores de ordem
pessoal, contextual e ambiental. Nesta interdependência entende-se o contexto como
mais circunscrito, de ordem micro ou situacional, e o ambiente como a envolvente
comunitária e social ampla mais macro.
O conceito de vulnerabilidade, na perspectiva da saúde mental, evoluiu de uma
visão epidemiológica inicial até uma concepção mais compreensiva, defendida pela
enfermagem, que lhe acrescentou a noção de percepção e experiência individual e
única de “sentir-se ou não vulnerável”. Quer dizer contém a singularidade das
condições em que cada pessoa se encontra.
A vulnerabilidade não é estável, pelo contrário tem gradações, isto é, muda
constantemente, para acomodar as variações situacionais e contextuais de cada
pessoa. Por isso, entende que as pessoas não são vulneráveis, elas estão vulneráveis
em algum grau e forma, e/ou em certo ponto do tempo e do espaço. Esta abordagem
revela-se mais harmonizada com as especificidades e complexidade que envolvem
os processos experienciais de saúde doença mental.
[...] ser vulnerável é “o estado de encontrar-se sujeito a ser magoado física
ou emocionalmente” e ainda “ser responsável por um dano ou por se colocar
em situações de suscetibilidade de ser sujeito a uma agressão”. (SPIERS,
2000, apud NOGUEIRA, 2017, p.105).
A experiência subjetiva de sentir-se vulnerável gera stress e ansiedade, que
por sua vez, afeta física e psicologicamente as pessoas bem como o seu
funcionamento social. Na verdade, cada pessoa possui um limiar de vulnerabilidade,
que ultrapassado origina desequilíbrio. Razão pela qual é difícil quantificar a justa
medida em que a vulnerabilidade se transforma em problema ou perturbação, isto é,
o momento em que conscientemente a pessoa constata que deixou de possuir
capacidade para acomodar as exigências a que se encontra exposto. Esta dificuldade
é compreensívele entre outros aspetos, é visível pela escassez de instrumentos para
mensurar vulnerabilidade, quer direta ou indiretamente.
30
Na perspectiva da saúde mental, avaliar vulnerabilidade é um desafio
indispensável, na medida em que é necessário para identificar características e
condições associadas a indivíduos mais suscetíveis. Sobretudo é essencial para
perceber em profundidade as variáveis e condições que promovem ou reduzem os
sentimentos de vulnerabilidade dos indivíduos e dos grupos. Em última análise este
conhecimento permite aos profissionais de saúde identificar indivíduos vulneráveis e
agir precocemente.
[...] para estudar vulnerabilidade propõem como variáveis relevantes: a idade,
o sexo, a escolaridade, o estilo de vida, fatores de risco modificáveis e não
modificáveis, o suporte e apoio social e sobretudo a perceção individual.
Argumentam que o conceito de vulnerabilidade abrange a totalidade da
pessoa, por isso envolve sobretudo as condições adquiridas ao longo da vida,
ou resultantes do estilo de vida, das capacidades e das estratégias individuais
de ajustamento, bem como as vivencias e significados que atribui em cada
momento a cada situação. (NICHIATA, 2008, apud NOGUEIRA, 2017, p.106).
Identificar a perceção de vulnerabilidade, permite aceder, em determinado
momento, ao seu estado psíquico, isto é, às suas experiências psicoafectivas e aos
significados que lhe atribui, revelando eventuais necessidades de ajuda.
10 REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
Fonte: repocursos.unasus.ufma.br
31
A RAPS é instituída pela portaria n°3.088 do Ministério da Saúde, de 23 de
dezembro de 2011, com propósito de atender pacientes com transtornos mentais, de
substancias psicoativas e álcool. A rede RAPS tem foco nos serviços de base
comunitária e territorial adequando-se as necessidades dos usuários, onde estabelece
objetivos, diretrizes, componentes e, pontos de atenção. Instituem-se também o grupo
condutor Estadual, tal grupo assume formato de camará técnica ativa, organizadora.
É constituída por técnicos indicados pela Secretaria Estadual de saúde (SES) e pelo
Conselho de Secretários Municipais de Saúde (COSENS), com apoio do Ministério da
Saúde (MS), a portaria também prevê a criação de um camará técnica municipal ou
gruo condutor em cada município com apoio da Secretaria de Estado.
São atribuições do grupo condutor:
1-Mobilizar os dirigentes políticos do SUS em cada fase;
2-Apoiar a organização dos processos de trabalho voltados à implantação e a
implementação da rede;
3-Identificar e apoiar a solução de possíveis pontos críticos em cada fase;
4-monitorar e avaliar o processo de implantação e de implementação da rede.
Segundo a portaria do Ministério da saúde n° 3.088 de 23 de dezembro 2011 a RAPS
está presente em toda a rede de atuação: atenção básica, atenção psicossocial
estratégica, atenção de urgência e emergência, atenção residencial de caráter
transitório, atenção hospitalar, estratégia de desinstitucionalização, estratégias de
reabilitação psicossocial. Tem como foco as seguintes diretrizes:
Respeito aos direitos humanos, garantindo a autonomia e a liberdade das
pessoas; promoção da equidade, reconhecendo os determinantes sociais da
saúde; combate a estigmas e preconceitos; garantia de acesso e da
qualidade dos serviços, ofertando cuidado integral e assistência
multiprofissional e interdisciplinar; atenção humanizada e centrada nas
necessidades das pessoas; diversificação das estratégias de cuidado;
desenvolvimento de atividades no território, que favoreçam a inclusão social
com vistas à promoção de autonomia e ao exercício da cidadania;
desenvolvimento de estratégias de redução de danos; ênfase em serviços de
base territorial e comunitária, com participação e controle social dos usuários
e de seus familiares; organização dos serviços em rede de atenção à saúde
regionalizada, com estabelecimento de ações intersetoriais para garantir a
integralidade do cuidado; promoção de estratégias de educação permanente;
desenvolvimento da lógica do cuidado para as pessoas com transtornos
mentais e com necessidades de correntes do uso de álcool, crack e outras
drogas, tendo como eixo a construção do projeto terapêutico singular.
(BRASIL, 2011, apud SILVÉRIO,2013, p.17 ).).
32
Segundo a portaria do Ministério da Saúde n°3.088, de 23 de dezembro de
2011 os objetivos em termos estaduais, regionais e municipais coadunam-se com a
busca da: racionalidade dos gastos; otimização dos recursos; eficiência na atenção a
saúde; e redução das desigualdades locais e regionais. Para tanto, o conjunto do
sistema precisara trabalhar no sentido e alcançar: Atenção primaria resolutiva,
qualidade da atenção, acessibilidade, economia de escala, organização das redes de
atenção à saúde, dinamização da passagem das atuais regiões da saúde. São
objetivos da RAPS:
Ampliar o acesso à atenção psicossocial da população em geral; promover a
vinculação aos pontos de atenção das pessoas com transtornos mentais e
com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, e
suas famílias; garantir a articulação e integração dos pontos de atenção das
redes de saúde no território; qualificando o cuidado por meio do acolhimento,
do acompanhamento continuo e da atenção às urgências; promover cuidados
em saúde especialmente grupos mais vulneráveis; reduzir danos provocados
pelo consumo de crack, álcool e outras drogas; prevenir o consumo e a
dependência de crack, de álcool e outras drogas; promover a reabilitação e a
inserção das pessoas com transtorno mental e com necessidades
decorrentes de uso de crack, álcool e outras drogas na sociedade, por meio
de acesso ao trabalho, renda e moradia solidaria; promover mecanismos de
formação permanente aos profissionais de saúde; desenvolver ações
intersetoriais de prevenção e redução de danos em parceria com
organizações governamentais e da sociedade civil; produzir e ofertar
informações sobre direitos das pessoas, medidas de prevenção e cuidado e
os serviços disponíveis na rede; regular e organizar as demandas e os fluxos
assistenciais da rede de atenção psicossocial; e, monitorar e avaliar a
qualidade dos serviços através de indicadores de efetividade, resolutividade
da atenção. (BRASIL, 2011, apud SILVÉRIO,2013, p.17).
A preocupação com a qualidade dos serviços seja na área da saúde, habitação
ou social não e recente, por tanto, os trabalhadores da saúde e integrantes da rede
RAPS devem ser conhecedores dos processos históricos e da evolução da saúde e
saúde mental ocorridas no Brasil e que este conhecimento deve auxiliar como base
para novos dispositivos. É importante enfatizar as ações de cunho educativo,
preventivo que possam esclarecer a população, sendo que tais ações são menos
dispendiosas.
A organização da Rede de Atenção em Saúde (Unidades de Saúde, CAPS I,
Saúde Mental, Subsecretaria de Drogas, UPA e Hospitais) deve estar articulada para
dar o suporte necessário à população em caso de urgência e emergência em Saúde
Mental sendo que isso é ampliar o acesso à o bom atendimento na atenção
Psicossocial da população em geral. Buscar soluções a toda uma problemática e as
33
questões que envolvem uma maioria da população é dever dos profissionais,
interagindo com as demais áreas, englobando ações conjuntas com vistas a um
projeto que possa superar tantos dilemas e dificuldades.
Assim é que promover espaços de troca entre os profissionais, profissionais
e usuários, estabelecer fóruns de diálogo e debate, construir redes
colaborativas na construção da saúde e no compromisso com a inclusão
social contribuirá também para tal empoderamento não só dos pacientes,
mas também dos profissionais, favorecendo o reconhecimento das suas
potencialidades e facilitando o enfrentamento dos desafios inerentes a sua
atuação, para que algumas recomendações possam ser
formuladas.(BRASIL,2010,apud SILVÉRIO,2013, p.20).
A RAPS é um processo a ser construído, tem vários dispositivos para fortalecer
o atendimento e a qualidade dos serviços, um deles e o matriciamento estes
dispositivos devem ser efetivos aos programas já existentes como Saúde Mental e
CAPS. E as unidades Básicas de Saúde devem estar prontas para assumir o trabalho
com os pacientes referenciados pela RAPS.
De acordo com os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, consolidados
na Lei n° 10.216 de 06/04/2001, a atenção a pessoas com transtornos mentais e com
problemas decorrentes do uso/abuso e/ou dependência álcool e outras drogas deve
se dar, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental, portanto, busca
consolidar um modelo de atenção aberto, garantindo a livre circulação das pessoas
com problemas mentais pelos serviços, pela comunidade e pela cidade.
A Portaria GM/MS, nº 3.088, de 23/12/2011, que institui a Rede de Atenção
Psicossocial (RAPS) para atenção às pessoas com sofrimento ou transtorno mental e
com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do
Sistema Único de Saúde (SUS), amplia a concepção de cuidado, não centrando em
apenas uma unidade, mas expandindo as ofertas de atenção ao apontar novos
serviços, distribuídos em (07) sete componentes: Atenção Básica, Atenção
Psicossocial Especializada, Atenção de Urgência e Emergência, Atenção Hospitalar,
Atenção Residencial de Caráter Transitório, Estratégias de Desinstitucionalização e
Reabilitação Psicossocial. Estes componentes são constituídos por um elenco de
pontos de atenção, dentre os quais se destacam os Centros de Atenção Psicossociais
(CAPS) em todas as suas modalidades: CAPS I, CAPS II, CAPS III, CAPS i, CAPS ad
e CAPS ad III.
34
CAPS se configuram como serviços comunitários, ambulatoriais e
regionalizados, em que assumem o papel de articulador de uma rede de
saúde, aproximando questões relativas à saúde coletiva e a saúde mental,
constituindo um campo interdisciplinar de saberes e práticas. Ainda apontam
que, com as características de um atendimento que deve romper com o
modelo de atenção manicomial, é importante que se constitua um serviço
alinhado aos princípios do SUS, promovendo uma clínica ampliada, centrada
no sujeito, buscando garantir o acesso, o que acaba por caracterizar os CAPS
como serviços de saúde particularmente complexos. (ONOCKO, 2006, apud
LEAL, 2013, p. 3).
Os CAPS nas suas diferentes modalidades são pontos de atenção estratégicos
da RAPS: serviços de saúde de caráter aberto e comunitário constituídos por equipe
multiprofissional que atua sob a ótica interdisciplinar e realiza prioritariamente
atendimento às pessoas com transtornos mentais graves e persistentes e às pessoas
com sofrimento ou transtorno mental em geral, incluindo aquelas com necessidades
decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, em sua área territorial, sejam em
situações de crise ou nos processos de reabilitação psicossocial e são substitutivos
ao modelo asilar..
Os CAPS têm papel estratégico na articulação da RAPS, tanto no que se refere
à atenção direta visando à promoção da vida comunitária e da autonomia dos
usuários, quanto na ordenação do cuidado, trabalhando em conjunto com as Equipes
de Saúde da Família e Agentes Comunitários de Saúde, articulando e ativando os
recursos existentes em outras redes, assim como nos territórios.
Frente esta complexidade, os CAPS são classificados em CAPS I, CAPS II e
CAPS III (definidos por ordem crescente de porte/complexidade e
abrangência populacional), os quais cumprem a mesma função no
atendimento à população. Além destes, há, ainda, os CAPS Infantil (CAPSi)
e os CAPS Álcool e Drogas (CAPSad), os quais se destinam,
respectivamente, ao atendimento de crianças e adolescentes e de pacientes
com transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias
psicoativas (Brasil, 2002, apud LEAL, 2013, p. 3).
O atendimento dos usuários está baseado em um projeto terapêutico singular
e individualizado, ou seja, um planejamento do processo terapêutico em que o
indivíduo e sua família estão envolvidos para a superação de suas dificuldades em
razão a sua condição de saúde mental. Com este, será definido se o usuário terá
atendimentos intensivos – ou seja, diários-, Semi-Intensivo – aproximadamente três
vezes por semana –, ou não intensivo, com periodicidade semanal de atendimento.
Com esta organização do serviço, é esperado que se promova a saúde mental, dando
35
atenção às demandas das relações diárias como sofrimento às singularidades deste
tipo de cuidado, estando articuladas com as redes de saúde, redes sociais do território
assim como as redes de outros setores.
10.1 CAPS – Centros de Atenção Psicossocial
§ 4º Os Centros de Atenção Psicossocial estão organizados nas seguintes modalidades:
I - CAPS I: atende pessoas com transtornos mentais graves e persistentes e também com
necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas de todas as faixas etárias;
indicado para Municípios com população acima de vinte mil habitantes;
II - CAPS II: atende pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, podendo também
atender pessoas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas,
conforme a organização da rede de saúde local, indicado para Municípios com população
acima de setenta mil habitantes;
III - CAPS III: atende pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. Proporciona
serviços de atenção contínua, com funcionamento vinte e quatro horas, incluindo feriados e
finais de semana, ofertando retaguarda clínica e acolhimento noturno a outros serviços de
saúde mental, inclusive CAPS Ad, indicado para Municípios ou regiões com população acima
de duzentos mil habitantes;
IV - CAPS AD: atende adultos ou crianças e adolescentes, considerando as normativas do
Estatuto da Criança e do Adolescente, com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool
e outras drogas. Serviço de saúde mental aberto e de caráter comunitário, indicado para
Municípios ou regiões com população acima de setenta mil habitantes;
V - CAPS AD III: atende adultos ou crianças e adolescentes, considerando as normativas do
Estatuto da Criança e do Adolescente, com necessidades de cuidados clínicos contínuos.
Serviço com no máximo doze leitos para observação e monitoramento, de funcionamento 24
horas, incluindo feriados e finais de semana; indicado para Municípios ou regiões com
população acima de duzentos mil habitantes; e
VI - CAPS I: atende crianças e adolescentes com transtornos mentais graves e persistentes e
os que fazem uso de crack, álcool e outras drogas. Serviço aberto e de caráter comunitário
indicado para municípios ou regiões com população acima de cento e cinquenta mil habitantes.
(BRASIL, 2011, apud, PASSOS, 13, p. 17).
11 ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL
Um dos dispositivos estratégicos mais eficientes para a superação do modelo
manicomial são os Centros de Atenção Psicossocial. Por serem comunitários, esses
serviços estão inseridos em determinada cultura, num território definido, com
dificuldades, problemas e potencialidades. São locus onde as crises precisam ser
36
enfrentadas, crises oriundas de uma teia complexa de aspectos individuais, familiares
e sociais.
São serviços destinados a articular as ações de saúde mental em rede e junto
à atenção básica (Programa Saúde da Família – PSF), ambulatórios, leitos de
internação em hospitais gerais e ações de suporte e reabilitação psicossocial. Os
Caps subvertem a lógica da hierarquização e se organizam agregando os diferentes
níveis de atenção à saúde em uma só unidade. Fazem, pois, surgir importantes
questões na própria organização do SUS. Prestam atendimento especializado dos
casos de transtornos mentais e são responsáveis pelo acompanhamento dos
pacientes nas unidades de internação nos hospitaisgerais.
Podem atuar em nível de atenção primária, no acompanhamento e apoio
matricial de casos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), perpassando,
portanto, todos os níveis de complexidade da rede de saúde
(ONOCKOCAMPOS; FURTADO, 2006, apud QUINDERÉ, 2014, p. 257).
Como proposto, o apoio matricial consiste num arranjo organizacional em
saúde no qual uma equipe dispensa apoio especializado a outra, com suporte de
profissionais dotados de maior habilidade em um dado conhecimento, possibilitando
a construção de um projeto terapêutico singularizado para os usuários. Assim, esta
ferramenta de trabalho subverte a lógica burocrática do encaminhamento das
referências e contrarreferências, a qual, na maioria das vezes, costuma ser uma
ferramenta de desresponsabilização dos profissionais em relação aos usuários. No
apoio matricial em saúde mental, há a configuração da construção de um projeto
terapêutico amplo, onde a equipe de referência não apenas está envolvida no caso,
mas articula outros atores para a condução deste.
Tais serviços devem estar interconectados com os demais serviços do sistema
de saúde, evitando a fragmentação dos atendimentos. O centro de gravitação dos
atendimentos em saúde mental, e o PSF, serviços de atendimento de saúde em geral,
os Caps precisam estar articulados com vistas a facilitar o planejamento de ações na
respectiva área distrital de cobertura, principalmente no tocante às visitas domiciliares
e às intervenções clínicas na rede de suporte social e de inter-relações pessoais
significativas do usuário do serviço. Em países com sistemas de saúde
descentralizados, o desenvolvimento de políticas de saúde mental deve enfatizar a
comunicação entres os vários níveis de complexidade do sistema de saúde, trazendo
37
a discussão dos modelos assistenciais em saúde para o campo da saúde mental,
sobretudo em relação aos serviços alternativos ao modelo manicomial.
O atendimento dos usuários está baseado em um projeto terapêutico singular
e individualizado, ou seja, um planejamento do processo terapêutico em que o
indivíduo e sua família estão envolvidos para a superação de suas dificuldades em
razão a sua condição de saúde mental. Com este, será definido se o usuário terá
atendimentos intensivos – ou seja, diários-, semi-intensivo – aproximadamente três
vezes por semana –, ou não intensivo, com periodicidade semanal de atendimento
(Brasil, 2004). Com esta organização do serviço, é esperado que se promova a saúde
mental, dando atenção às demandas das relações diárias como sofrimento às
singularidades deste tipo de cuidado, estando articuladas com as redes de saúde,
redes sociais do território assim como as redes de outros setores.
12 INDICADORES DE SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO BÁSICA
Em 2011, foram incorporados dados sobre Saúde Mental no Sistema de
Informação da Atenção Básica (SIAB) (sistema de informação vigente naquele
momento) e aspectos determinantes sobre a Rede de Atenção Psicossocial também
foram significativamente discutidos durante o desenvolvimento do Programa de
Melhoria do Acesso e Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB). Entre os indicadores
incorporados, têm-se:
Proporção de atendimentos em saúde mental, exceto de usuários de álcool e
drogas. Taxa de prevalência de alcoolismo. Proporção de atendimentos de
usuários de álcool. Proporção de atendimentos de usuários de drogas.
(BRASIL, 2014, apud GARCIA, 1018, p. 49).
O Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), vigente
até o momento, consiste na reestruturação do Sistema de Informação da Atenção
Básica (SIAB). O SISAB apresenta plataforma tecnológica moderna e é composto por
dois sistemas de software: e-SUS AB com Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) e
e-SUS AB com Coleta de Dados Simplificada (CDS).
Para discutir acerca dos transtornos mentais mais frequentes, é necessário
compreender um pouco do que é normalidade a partir de critérios assumidos pelo
38
profissional a partir de uma ideologia e concepção filosófica ou pragmática. Dentre os
critérios de normalidade mais assumidos em psiquiatria e psicopatologia estão:
1. Normalidade como ausência de doença: Essa concepção assume que a saúde
é a ausência de sinais, sintomas ou doenças.
2. Normalidade ideal: Estabelece-se arbitrariamente uma norma ideal daquilo que
é normalidade, a partir de uma concepção sociocultural, ideológica e, por
vezes, doutrinária.
3. Normalidade como estatística: O normal passa a ser aquilo que se observa com
mais frequência.
4. Normalidade com bem-estar: É o bem-estar físico, mental e social.
5. Normalidade funcional: O fenômeno é considerado patológico a partir do
momento que é disfuncional, produz sofrimento para o próprio indivíduo ou para
o seu grupo social.
6. Normalidade como processo: Considera-se os aspectos dinâmicos do
desenvolvimento psicossocial, das desestruturações e das restruturações ao
longo do tempo, de crises, de mudanças a certos períodos etários.
7. Normalidade subjetiva: Ênfase na percepção subjetiva do próprio indivíduo em
relação ao seu estado de saúde, às suas vivências subjetivas.
8. Normalidade como liberdade: A saúde mental seria a possibilidade de transitar
com graus distintos de liberdade sobre o mundo e o próprio destino.
9. Normalidade operacional: Define-se, a priori, o que é normal e o que é
patológico e busca-se trabalhar operacionalmente com estes conceitos,
aceitando as consequências de tal definição prévia.
Percebe-se que a partir desses critérios de normalidade, o conceito de doença
mental/transtorno mental se torna muito híbrido se não assumir uma postura de situá-
lo dentro de alguma categoria apresentada. Como uma das formas de obter uma
categorização, surge então o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mental
(DSM) publicado pela primeira vez em 1953 pela Associação Psiquiátrica Americana
(AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014). O DSM encontra-se atualmente
na 5ª edição e sofreu algumas modificações quanto à classificação dos transtornos
mentais.
39
12.1 Os Manuais de Classificação Psiquiátrica – O diagnóstico
Alguns autores refletem mais profundamente a respeito do próprio sistema de
classificação psiquiátrica, os chamados manuais como o DSM-IV e CID-10 afirma que
as classificações psiquiátricas modernas se referem a condutas, sentimentos e
comportamentos de sujeitos sem redes sociais, não sendo levados em conta os
vínculos, as relações pessoais, afetivas e de trabalho na hora de se definir o
diagnóstico.
Pereira (2000) problematiza a própria concepção dos manuais de diagnósticos
psiquiátricos como o DSM-IV e o CID-10. Ele identifica que, na atualidade, a
abordagem hegemônica privilegia a sintomatologia do paciente e está ligada a uma
tentativa de se criar uma abordagem empírica, operacional e pragmática dos
problemas mentais. Este movimento inicia-se na década de 1970 por um grupo de
psiquiatras americanos.
No início, pretendia-se criar uma classificação das doenças mentais que
permitisse a comunicação científica. Para tanto, esta abordagem deveria ser ateórica
e não teria pretensão de se constituir como uma psicopatologia. No entanto, o que se
observa é um deslocamento deste enfoque inicial na medida em que, a partir de uma
visão biologizante dos problemas mentais, o debate a respeito da etiologia das
doenças fica restrito a como determinado quadro responde a certo tipo de medicação.
Desta forma, o debate psicopatológico fica abolido em favor do diagnóstico.
Toda a influência que a psicanálise exercia na psicopatologia até a década de 1960,
é substituída de maneira brusca pela influência da psicofarmacologia. Novas
entidades nosológicas são criadas sem levar em consideração a dinâmica nem a
estrutura da doença. As versões mais recentes destes manuais aboliram o chamado
diagnóstico dimensional, que comportava uma espécie de continuidadeentre os
diversos quadros não havendo fronteiras nitidamente demarcadas e rígidas, sendo
substituído por uma classificação onde as fronteiras fossem bem delimitadas e
objetivas.
Isso se explica devido à forma como os sintomas eram concebidos: sendo
expressões polimórficas de processos subjacentes (que ocorriam sob a
superfície) – o mesmo sintoma, ou um determinado conjunto de sintomas,
poderia, em casos diferentes, estar referidos a mecanismos diferentes. O
inverso também podia ocorrer: sintomas diferentes eram referidos a um
mesmo mecanismo subjacente. Os opositores desta visão “dimensional”
40
argumentavam que a falta de critérios objetivos para determinar as fronteiras
entre as categorias diagnósticas levava a uma baixa confiabilidade do
diagnóstico. (RUSSO, 2006, apud GAMA, 2011, p. 48).
Uma das consequências desta mudança é a constituição de um discurso
hegemônico que delibera sobre a legitimidade das proposições neste campo. Assim,
o suposto “ateorismo” destes manuais terminou por excluir do debate cientificamente
autorizado, todas as outras disciplinas como a fenomenologia, a psicanálise e a
análise existencial resultando numa concepção cada vez mais naturalizada do
sofrimento mental deixando de lado as dimensões subjetiva, histórica e cultural. Russo
e Venâncio (2006) chamam atenção para a visão estritamente biológica articulada à
hegemonia do tratamento farmacológico. Estes pesquisadores questionam se o
crescimento desmesurado do número de categorias diagnósticas não tem estreita
relação com a produção de novos medicamentos, isto é, um interesse econômico.
12.2 Capítulos do DSM-IV-TR
1. Transtornos geralmente diagnosticados pela primeira vez na infância ou
na adolescência.
2. Delirium, demência, transtorno amnéstico e outros transtornos
cognitivos.
3. Transtornos mentais causados por uma condição médica geral não
classificados em outro local.
4. Transtornos relacionados a substâncias.
5. Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos.
6. Transtornos de humor.
7. Transtornos de ansiedade.
8. Transtornos somatoformes.
9. Transtornos factícios.
10. Transtornos dissociativos.
11. Transtornos sexuais e da identidade de gênero.
12. Transtornos da alimentação.
13. Transtornos do sono.
14. Transtorno do controle dos impulsos não classificados em outro local.
41
15. Transtornos da adaptação.
16. Transtornos da personalidade.
17. Outras condições que podem ser foco de Atenção Clínica.
12.3 Capítulos do DSM-5
1. Transtornos do Neurodesenvolvimento.
2. Espectro da Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos.
3. Transtorno bipolar e outros transtornos relacionados.
4. Transtornos depressivos.
5. Transtornos de ansiedade.
6. Transtorno obsessivo-compulsivo e outros transtornos relacionados.
7. Trauma e transtornos relacionados ao estresse.
8. Transtornos dissociativos.
9. Sintomas somáticos e outros transtornos relacionados.
10. Alimentação e transtornos alimentares.
11. Transtornos da excreção.
12. Transtornos do sono-vigília.
13. Disfunções sexuais.
14. Disforia de gênero.
15. Transtornos disruptivo, controle dos impulsos e conduta.
16. Transtornos relacionados a substâncias e adição.
17. Transtornos neurocognitivos.
18. Transtornos de personalidade.
19. Transtornos parafínicos.
20. Outros transtornos mentais.
21. Transtornos do movimento induzidos por medicamentos.
22. Outros efeitos adversos de medicamentos.
23. Outras condições que podem ser foco de Atenção Clínica
42
13 A PROPOSTA DO MINISTÉRIO PARA A “SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO
BÁSICA”
Fonte: livrozilla.com
Uma demanda importante relacionada à saúde mental chega diariamente na
Atenção Básica, que é a porta de entrada do sistema de saúde, com a expectativa de
que o profissional possa dar uma resposta ao sofrimento de forma rápida e eficaz.
Todavia, uma série de fatores dificulta o acolhimento e tratamento do usuário. A falta
de diretrizes por parte do Ministério da Saúde, a falta de preparo técnico do
profissional, as precárias condições de trabalho, a falta de investimento por parte dos
gestores, dentre outros, faz com que a demanda de Saúde Mental não encontre uma
escuta qualificada e muitas vezes seja tratada apenas com medicação, produzindo-
se assim uma medicalização do sofrimento.
A criação do Programa, depois Estratégia de Saúde da Família (ESF) tem sido
apontada como um modo de promover a transformação do modelo tradicional de
atenção à Saúde, valorizando o trabalho multidisciplinar, buscando aproximar as
ações do território, fortalecendo o vínculo entre equipe de saúde e população, o
trabalho de prevenção de doenças e promoção da Saúde. Entende-se esse espaço
como estratégico para se fazer a aproximação entre a Saúde Mental e a Atenção
Básica, haja vista que existe uma comunidade de concepções e objetivos que
facilitariam este processo.
43
Neste sentido, desde 2001 pode-se notar uma maior preocupação do Ministério
da Saúde para enfrentar esta questão. Através de Oficinas, Seminários e
participações em Congressos, há um início de debate a respeito de como se fazer
esta aproximação. Em novembro de 2003, houve a edição de uma Circular Conjunta
da Coordenação de Saúde Mental e Coordenação de Gestão da Atenção Básica, nº
01/03, denominada “Saúde Mental na Atenção Básica: o vínculo e o diálogo
necessários – Inclusão das ações de Saúde Mental na Atenção Básica”. Este
documento começou a delinear algumas diretrizes para esta aproximação, propondo
o Apoio Matricial da Saúde Mental às Equipes da Atenção Básica, a Formação como
estratégia prioritária e a Inclusão da Saúde Mental no Sistema de Informações da
Atenção Básica. O modelo propõe uma rede de cuidados articulada ao território com
parcerias intersetoriais, possibilitando intervenções transversais de outras políticas
públicas.
Há uma aposta no acolhimento, estabelecimento de vínculos e incentivo à
responsabilização compartilhada dos casos como forma de combater a lógica do
encaminhamento. Os princípios fundamentais são:
Noção de território, intersetorialidade, reabilitação psicossocial
multiprofissionalidade/interdisciplinaridade, desinstitucionalização,
promoção da cidadania e construção da autonomia.
Outro ponto importante sobre esta questão é que as iniciativas do Ministério da
Saúde com relação à saúde mental, sempre visaram municípios com população acima
de 100.000 habitantes que representam 4,78% dos 5564 municípios brasileiros, sendo
que 45,8% da população brasileira ficam fora deste critério. Assim, 95% dos
municípios brasileiros devem utilizar outros arranjos, que não o CAPS para dar
atendimento a demanda de saúde mental.
Em janeiro de 2008, o Ministério da Saúde lançou a portaria 154 que criou o
Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), com a finalidade de ampliar a
abrangência e a resolubilidade da Atenção à Saúde. O NASF pode ser considerado a
primeira iniciativa no sentido de pensar a Saúde Mental na Atenção Básica incluindo
todos os municípios. Os NASF serão formados por profissionais que não estão
contemplados dentro da Equipe mínima da ESF, sendo destinados a fazer o
matriciamento das equipes. A portaria determina que na equipe do NASF, pelo menos
um profissional deve ser da área da saúde mental.
44
Os Núcleos de apoio à Saúde da Família não funcionarão como porta de
entrada do sistema, mas, sim, apoiando os profissionais das Equipes de Saúde da
Família no atendimento das demandas do território. A proposta tenta rever a prática
do encaminhamento com base na referência/ contrarreferência, objetivando um
acompanhamento longitudinal. Cada Núcleo ficaria responsável por um número de
unidades de ESF realizando apoio matricial e construindo articulações com os
serviços de referência existentes, tais como CAPS, Centros de Reabilitação,Centros
de Lazer e Esporte e com profissionais de serviços especializados.
O apoio matricial é uma metodologia de trabalho que pretende oferecer tanto
retaguarda assistencial como suporte técnico pedagógico às equipes de referência.
Baseados na concepção deste autor, técnicos do ministério propuseram a seguinte
definição:
O apoio matricial constitui um arranjo organizacional que visa outorgar
suporte técnico em áreas específicas às equipes responsáveis pelo
desenvolvimento de ações básicas de saúde para a população. Nesse
arranjo, a equipe por ele responsável, compartilha alguns casos com a equipe
de saúde local (no caso, as equipes da atenção básica responsáveis pelas
famílias de um dado território). Esse compartilhamento se produz em forma
de corresponsabilização pelos casos, que pode se efetivar através de
discussões conjuntas de caso, intervenções conjuntas junto às famílias e
comunidades ou em atendimentos conjuntos. (Brasil. Ministério da Saúde;
2003, apud GAMA, 2011, p. 38).
Este arranjo tem como objetivo aumentar a resolutividade das ações de saúde,
propondo um contato mais horizontal entre as áreas especializadas e a atenção
básica.
A partir de discussões clínicas conjuntas com as equipes ou mesmo
intervenções conjuntas concretas (consultas, visitas domiciliares, entre
outras), os profissionais de Saúde Mental podem contribuir para o aumento
da capacidade resolutiva das equipes, qualificando-as para uma atenção
ampliada em saúde que contemple a totalidade da vida dos sujeitos. A
responsabilização compartilhada pelos casos permite regular o fluxo de
usuários nos serviços. Através do Apoio Matricial, torna-se possível distinguir
as situações individuais e sociais, comuns à vida cotidiana, que podem ser
acolhidas pela equipe de referência e por outros recursos sociais do entorno,
daquelas demandas que necessitam de atenção especializada da Saúde
Mental, a ser oferecida na própria unidade ou, de acordo com o risco e a
gravidade, pelo CAPS da região de abrangência. Com isso, é possível evitar
práticas que levam à “psiquiatrização” e à “medicalização” do sofrimento e,
ao mesmo tempo, promover a eqüidade e o acesso, garantindo coeficientes
terapêuticos de acordo com as vulnerabilidades e potencialidadesde cada
usuário. Isso favorece a construção de novos dispositivos de atenção em
resposta às diferentes necessidades dos usuários e a articulação entre os
45
profissionais na elaboração de projetos terapêuticos pensados para cada
situação singular. (FIGUEIREDO, 2009, apud GAMA, 2011, p. 39).
O matriciamento é um dispositivo que tem a função de facilitar o contato e a
transmissão de informações entre os diversos níveis do sistema e entre os diversos
componentes da rede de cuidados do município. Para que ele ocorra, é necessário a
existência de profissionais que possuam uma visão mais complexa da saúde tendo
condições de contribuir para a ampliação do olhar dos trabalhadores da atenção
básica.
Este processo de implantação da Saúde Mental na Atenção Primária ainda está
em construção. Na cidade de Campinas, por exemplo, os gestores optaram por inserir
profissionais da área de Saúde Mental (psicólogos, psiquiatras, Terapeutas
Ocupacionais), nas equipes do PSF. Desta forma, a população conta com
atendimentos destes profissionais no nível primário. Sabemos que a maioria dos
municípios não fez esta opção por questões orçamentárias e não possuem uma
retaguarda especializada para atendimento de casos de saúde mental. Assim,
determinados casos que necessitam de um suporte especializado, mas não são
considerados graves, ficam desassistidos.
O desenho da rede de Saúde Mental de cada município dependerá de uma
série de fatores relacionados aos recursos já existentes e as características singulares
de cada localidade. Apesar destas iniciativas do Ministério da Saúde, a aproximação
entre Saúde Mental e Atenção Básica tem esbarrado em dificuldades relacionadas às
particularidades do campo da Saúde Mental.
A ESF propõe mudanças paradigmáticas na maneira de se conceber a relação
do profissional com a população e com a questão saúde-doença. Estas mudanças
são muito difíceis de serem realizadas porque implicam em uma cadeia de
transformações que afetam desde concepções pessoais dos diversos agentes a
respeito do problema até questões políticas mais amplas. No nível individual, o tema
saúde–doença envolve a mobilização muito grande de questões emocionais no
profissional. Muitas vezes, o diagnóstico apressado, a conduta extremamente técnica
e desumana, a medicalização de toda a queixa e a barreira ao contato pode obedecer
a mecanismos de defesa contra identificações e angústias relacionadas ao tipo de
trabalho.
46
Pode, também, ocorrer o contrário, uma abertura muito grande do profissional
ao sofrimento vivenciado pelo usuário de forma que seja invadido pelo problema, não
conseguindo manter uma distância que lhe permita certo discernimento a respeito da
situação, perdendo assim a potência de sua intervenção.
É comum encontrar equipes trabalhando cindidas, uma parte trabalhando os
problemas físicos e outra responsável pelos problemas psíquicos. Há grande
dificuldade de implantação do que é preconizado pelas políticas públicas.
As práticas de Saúde Mental na Atenção Básica ainda estão muito vinculadas
ao modelo biomédico, faltando preparo aos profissionais. Isto acarreta uma série de
posturas inadequadas como práticas discriminatórias e preconceituosas com relação
ao portador de sofrimento psíquico, ações moralistas, normatizadoras e repressivas,
infantilização, etc. Até mesmo os profissionais que têm formação específica na área
da Saúde Mental como Psicólogos e Psiquiatras possuem dificuldades, que estão
ligadas a própria formação acadêmica que tiveram, para atuar na Atenção Básica.
Freqüentemente, esses profissionais da rede de atenção primária à saúde
aprenderam sobre temas relativos à psicologia e psicopatologia em situações
clínicas muito distantes da prática de seu dia-a-dia. Na realidade, a maioria
dos médicos no Brasil, e freqüentemente em outros países, é treinada em
hospitais e ambulatórios psiquiátricos, onde os problemas dos pacientes são
totalmente diferentes daqueles encontrados na prática diária do centro de
saúde. (VALENTIM, 2004, apud GAMA, 2011, p. 40).
Com relação à formação, os autores enfatizam a necessidade da formação
técnica continuada a partir da vivência cotidiana nos serviços. A falta de capacitação
de algumas categorias profissionais para lidar com os problemas de saúde mental vai
produzir grande sofrimento psíquico e comprometer a resolutividade da intervenção.
Muitas vezes os profissionais que conseguem estar mais próximos dos pacientes da
mental são os Agentes de Saúde que seriam, em tese, os menos capacitados para
esta tarefa.
Os conhecimentos técnicos teriam, na nossa argumentação, duas funções
produtoras de eficácia: uma específica na produção de saúde dos usuários,
e outra importante na produção de saúde dos trabalhadores. Eles poderiam
ser a mola da ampliação da clínica (Campos, 2003), do resgate da dimensão
do cuidado, da melhora nos processos intersubjetivos de comunicação, etc.
(CAMPOS; 2005, apud GAMA, 2011, p. 41).
47
A capacitação deve acontecer em duas dimensões: a técnoassistencial e a
epistemológica para que se possa atingir o campo sociocultural mais vasto. As
políticas e propostas de formação dos profissionais do SUS deveriam realizar uma
aproximação constante entre as práticas dos serviços, às práticas de investigação e
a reflexão teórica.
48
14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
______. Saúde: a cartografia do trabalho vivo. São Paulo: Hucitec, 2002.
______. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política
Nacional de Atenção Básica. Brasília, 2012.
ALVES,A., & RODRIGUES, N. F. Determinantes sociais e económicos da Saúde
Mental. Revista Portuguesa de Saúde Pública, Portugal, 2010.
AMARANTE, P. D. de C. (org.) Psiquiatria Social e Reforma Psiquiátrica. Rio de
Janeiro: Editora FIOCRUZ, 20ª ed. 1994.
AMARANTE, P. D. de C. BRASIL. Ministério da Saúde. Por uma Política de Saúde
Mental. Brasília, 1999.
AMARANTE, P. D. de C. Loucos pela Vida. A trajetória da Reforma Psiquiátrica
no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1998.
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Saúde Mental no
SUS. – Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Disponível CAMPOS,
Cezar Rodrigues. Cidadania, Sujeito, CERSAM e Manicômios. In: Metipolá Revista
do CERSAM-Leste. Belo Horizonte: Secretaria Municipal de Saúde,
1998.
BRASIL. Ministério da Saúde. Equipe ampliada, equipe de referência e projeto
terapêutico singular. 2. ed. Brasília, 2007.
CASSELL, E. J. The Nature of Suffering and the goals of medicine. 2nd ed. Oxford
University Press, 2004.
COHN, Amélia; ELIAS, Paulo Eduardo. Saúde no Brasil. Políticas e Organização de
Serviços. São Paulo: Cortez, 1996.
COMTE, M. et al. Redução de Danos e Saúde Mental na perspectiva da Atenção
Básica. Boletim da Saúde, Porto Alegre, v. 8, n. 1, p. 59-77, 2004.
49
COSTA, J. F. et al., Saúde Mental e Cidadania. Plenário de Trabalhadores em Saúde
Mental do Estado de São Paulo. São Paulo: Mandacaru, 1987.
COSTA, Nilson do Rosário et al., Cidadania e Loucura. Políticas de Saúde Mental no
Brasil. 7ª ed. Vozes, Petrópolis, 2001.
DALLARI, D. de A. Direitos Humanos e Cidadania. São Paulo: Moderna, 1998.
DESVIAT, M. A Reforma Psiquiátrica. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro;
Fiocruz, 1999.
DIAS, J. C. et al. Redução de danos: posições da Associação Brasileira de
Psiquiatria e da Associação Brasileira para Estudos do Álcool e Outras Drogas.
Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, 2003.
FIGUEIREDO, A. C. Ética e Saúde Mental. 2ª ed. Rio de Janeiro, Topbooks, 2001.
FOUCAULT, M. História da Loucura na Idade Clássica. {1961} 2° ed. São Paulo;
Perspectiva, 1987
FOUCAULT: Leituras da História da Loucura, Elizabeth Roudinesco et al.; tradução
Maria Ignes Duque Estrada. – Rio de Janeiro: Relume-Dumará,1994. 325 p HARTZ,
2008, adaptado de Évaluer L’efficcacité D’um Programme Gervais et al.,1999.
FRANCO, T. B. As redes na micropolítica do processo de trabalho em saúde. In:
PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. (Org.). Gestão em redes: práticas de avaliação,
formação e participação na saúde. Rio de Janeiro: ABRASCO, 2006.
FRANCO, T. B.; GALAVOTE, H. S. A busca da clínica dos afetos. In: FRANCO, T.
B.; RAMOS, V. C. Semiótica, afecção e cuidado em saúde. São Paulo: Hucitec,
2010.
GARCIA, P.T; REIS, R. S. Redes de atenção à saúde: Rede de Atenção
Psicossocial – RAPS. São Luís, MA. 2018.
GUATTARI, F. As três ecologias. 13. ed. Campinas, SP: Papirus, 1990.
HARTZ ZA. Avaliação em saúde: dos modelos conceituais à prática na análise
de implantação de programas. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 1997.
50
MÂNGIA, E. F.; BARROS, J. O. Projetos terapêuticos e serviços de saúde mental:
caminhos para a construção de novas tecnologias de cuidado. Revista de Terapia
Ocupacional da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.
MARTINHAGO, F. Contágio social de transtornos mentais: análise das
estratégias biopolíticas de medicalização da infância. Tese (Doutorado) -
Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas,
Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas, Florianópolis,
2017.
MARTINHAGO, F.; OLIVEIRA, W. F. (Des) institucionalização: a percepção dos
profissionais dos Centros de Atenção Psicossocial de Santa Catarina, Brasil.
Saúde e Sociedade (Online). São Paulo, v.24, p.1273-1284, 2015.
MARTINHAGO, F; CAPONI, S. Breve história das classificações em psiquiatria.
Revista Internacional Interdisciplinar. INTERthesis, Florianópolis, 2019.
MEDEIROS, S.M. de. Estudos Epidemiológicos na Área de Saúde Mental
Realizados no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva vol.7. ISSN 1413-8123. Disponível
em MENDES, E. V. Uma Agenda para a Saúde. São Paulo, Hucitec. 1996.
MERHY, E. E. Cuidado com o cuidado em saúde: saber explorar seus paradoxos
para um agir manicomial. In: MERHY, E. E.; AMARAL, H. (Org.). Reforma
Psiquiátrica no cotidiano II. São Paulo: Hucitec, 2007.
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Linha Guia da Saúde Mental. Belo
Horizonte, 2006.
MOREIRA, I. C. Da contextualização da loucura à pesquisa bibliométrica: uma
análise das revistas da área de serviço social, disponíveis online, com a
temática da saúde mental. PR. 2014.
MORORÓ, M. E. M. L. Cartografias, desafios e potencialidades na construção de
projeto terapêutico em Centro de Atenção Psicossocial. Dissertação (Mestrado) –
Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, Universidade de São Paulo,
São Paulo, 2010.
51
NOGUEIRA, M. J. C. Saúde mental em estudantes do ensino superior: fatores
protetores e fatores de vulnerabilidade. Tese especialmente elaborada para a
obtenção do grau de Doutor em Enfermagem. LISBOA, 2017.
OLIVEIRA, G. N. O projeto Terapêutico e a mudança nos modos de produzir
saúde. São Paulo: Aderaldo &Rothschild Ed., 2008.
OLIVEIRA, L. R. de. Políticas públicas em saúde mental: o caso de Brás Pires
(mg), Conselheiro Lafaiete, MG. 2011.
ORGANIZACIÓN DE LAS NACIONES UNIDAS. Informe de la Junta Internacional de
Fiscalización de Estupefacientes correspondiente a 2011. Nueva York: ONU, 2012.
ORNELLAS, C. P. O Paciente Excluído. Rio de Janeiro, Revan, 1997.
PASSOS, E.; KASTRUP, V.; ESCÓSSIA, L. Pistas do método da cartografia:
pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009.
PATTERSON, J.; ALBALA, A.A.; MCCAHILL, M. E.; e EDWARDS, T.M. Guia de
Psicofarmacologia para o terapeuta: Trabalhando com pacientes, suas famílias
e seus médicos para aperfeiçoar o tratamento. 1. Ed. São Paulo – SP: Roca, 2010.
PORTER, R. et al., Uma História Social da Loucura. 2ª ed., Jorge Zahar, Rio de
Janeiro, 1991. 254 p.
QUINDERÉ, P. H. D; JORGE, M. S. B; FRANCO, T. B. Rede de Atenção
Psicossocial: qual o lugar da saúde mental? Fortaleza, CE. 2014.
ROLNIK, S. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do
desejo. Porto Alegre: Sulina, 2006.
SANTOS, D. N. Resenha Epidemiologia da Saúde Mental No Brasil. Mello MF,
Mello AAF, Kohn R, organizadores. Porto Alegre: Artmed; 2007.
SCLIAR, M. et. Al. Coordenação Paulo Amarante. Archivos de Saúde Mental
e Atenção Psicossocial. RJ: NAU Editora, 2003.
SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano, 11ª ed. São Paulo: Martins
Fontes, 2003. (Obra original publicada em 1953).
52
SOUSA, J. F. O ESTIGMA DA SAÚDE MENTAL. 2017.
SOUZA, P. R. P. de. A estratégia de saúde da família e os cuidados de
enfermagem em saúde mental. Brasília. DF 2015.
VASCONCELOS, M. G. Teles de. Literacia em saúde mental e o papel da
proximidade a problemas de saúde mental: follow-up do projeto abrir espaço à
saúde mental. Tese de Doutorado. SC. 2016.
VELÔSO, T. M. G; EULÁLIO, M. do C. Saúde mental: saberes e fazeres, Campina
Grande - PB 2016.
15 SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS
BASAGLIA, F. A instituição negada: relato de um hospital psiquiátrico. 2. ed. Rio
de Janeiro: Graal, 1985.
DSM-IV-TRTM. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (C.
Dornelles, trad. 4 eds. rev.). Porto Alegre: Artmed. 2002.
DUNKER, C. I. L. Questões entre a psicanálise e o DSM. Jornal psicanal, São Paulo.
v. 47, n. 87, p. 79-107, dez. 2014.