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Prof. Marcelo A. Silva
Descontinuidade em solda
Defeito
Fissuras ou descontinuidades
Radiossegurança
Os Ensaios Não Destrutivos
Introdução
Quando pensamos em aeronaves, automóveis, metrô, trens,
navios, submarinos e outras, todas estas máquinas não
poderiam ter um bom desempenho não fossem a qualidade
do projeto mecânico, dos materiais envolvidos, dos processos
de fabricação e montagem, inspeção e manutenção.
Todo esse elevado grau de tecnologia foi desenvolvido e
aplicado para um fim comum, que é assegurar e proteger a
vida daqueles que dependem de alguma forma, do bom
funcionamento dessas máquinas, quer sejam nas indústrias
automobilísticas, petróleo e petroquímicas, geração de
energia inclusive nuclear, siderúrgica, naval e aeronáutica.
Hoje no mundo moderno, a globalização nestes segmentos
industriais fez aumentar o número de projetos e produtos de
forma multinacional.
Sendo assim, como garantir que os materiais, componentes e
processos utilizados tenham a qualidade requerida? Como
garantir a isenção de defeitos que possam comprometer o
desempenho das peças? Como melhorar novos métodos e
processos e testar novos materiais?
As respostas para estas questões estão em grande parte na
inspeção e consequentemente na aplicação dos Ensaios Não
Destrutivos.
Um dos avanços tecnológicos mais importantes na
engenharia, podem ser atribuídos aos ensaios não destrutivos.
Eles investigam a sanidade dos materiais sem contudo
destruí-los ou introduzir quaisquer alterações nas suas
características.
Aplicados na inspeção de matéria prima, no controle de
processos de fabricação e inspeção final, os ensaios não
destrutivos constituem uma das ferramentas indispensáveis
para o controle da qualidade dos produtos produzidos pela
indústria moderna.
Uma técnica considerada de importância vital na segurança e
na qualidade, tanto de produtos, quanto do meio ambiente
para trabalhadores e público em geral.
Definição:
São avaliações (inspeções) realizadas em peças acabadas, sem
danificá-las, afim, de selecionar produtos e avaliar os critérios
de aceitação e/ou rejeição.
É uma ferramenta de controle de qualidade utilizada em
vários setores, industrias, petroquímicas, aeroespacial,
siderúrgica, naval entre outros.
Quando se deseja inspecionar peças com finalidade de
investigar sobre defeitos internos, a Radiografia e o
Ultrassom são poderosos métodos que podem detectar com
alta sensibilidade descontinuidades com poucos milímetros
de extensão. Usados também na qualificação de soldadores e
operadores de soldagem, a radiografia e o ultrassom
proporcionam registros importantes para a documentação da
qualidade.
História
Início: 1ª guerra mundial (1914-1928)
Indústria bélicas (Produção de armas)
Brasil 1940 (início)
Indústria naval
Petrobrás da início ao programa de qualificação profissional, por
volta da década de 70 surge a ABENDE, em 1981 é criado o
SNQC/END (criado pela ABENDE) e finalmente implantado no ano
de 1989.
Qualificação profissional = pessoa que adquiriu
conhecimento específico para exercer determinada função ou
atividade profissional.
Certificação = é o reconhecimento através da emissão de um
documento (certificado), por uma entidade de âmbito nacional
(MEC).
Exemplo: Curso de Tecnologia em radiologia – FMU
Aluno adquiri conhecimento específico na faculdade.
O MEC homologa (reconhece) o certificado emitido pela
instituição de ensino.
Resolução CNEN 145 / 20.03. 2013
Estabelece requisitos de proteção radiológica para funcionamento
de instalações de radiologia industrial.
Armazenamento da fonte
• Tipo I: É armazenada nas dependências da empresa proprietária
da fonte de radiação gama, com blindagem e acondicionamento
autorizado pela CNEN.
• Tipo II: acondicionamento da fonte está localizada nas
dependências de terceiros (máximo 04 aparelhos) co forme
especificação da CNEN.
Características das fontes de radiografia industrial
• Gamagrafia industrial: fontes seladas.
• Raios x industrial: equipamentos portáteis e fixos.
Requisito mínimo para instalação da radiografia industrial
• Supervisor de proteção radiológica (SPR).
• Operador de radiografia industrial.
Atribuições dos operadores de radiografia industrial
isolamento da área de ensaio, delimitação do perímetro.
checar todos os mecanismos de funcionamento dos
equipamentos.
manutenção preventiva e corretiva (documentação de comprovação).
monitoramento da radiação ambiente, assim como, suas aferições
(Geiser Muller).
calibragem dos equipamentos.
treinamento de pessoal (realizar e documentar o END por raios x ou
Gama industrial, checar dosímetros, checar EPI's e etc.)
Atribuições do Supervisor de Proteção Radiológica (SPR)
manter controle das fontes radioativas, segundo normas específicas da
CNEN (transporte).
comunicar a comissão nacional de energia (CNEN) em caso de
acidentes, exposições de trabalhadores (IOE - indivíduos
ocupacionalmente expostos).
seguir e fazer cumprir as normas da CNEN.
Elaborar o plano de proteção radiológica (PPR).
Equipamentos de raios x industrial
Classificação quanto a instalação:
móveis (raios x e gamagrafia)
fixos (aceleradores lineares)
Classificação quanto a tensão:
raios x portáteis, variam de 100 a 400 kV.
aceleradores lineares, variam de 1 a 4 Mev.
Equipamentos de raios x portáteis
São subdivididos em:
painel de controle (kV e mAs);
cabos de alta tensão (20 a 30 metros);
cabeçote ou unidade geradora.
A foto ao lado representa
uma unidade de comando
de um aparelho de Raios X
industrial moderno. O
painel, digital, resume
uma série de informações
técnicas sobre a exposição,
tais como distância fonte-
filme, tensão no tubo,
corrente elétrica, tempo de
exposição. As informações
no display poderá ser
memorizada e recuperada
quando necessário.
Painel de Controle
Aparelho de Raios X Industrial Seifert, Modelo Isovolt 420 ,
com 420 kV, 8 mA refrigerado a óleo. Técnico preparando o
posicionamento no centro do feixe de radiação. Repare na
espessura da chapa de aço que compõe a seção a ser
radiografada.
Aceleradores Lineares
O aceleradores lineares são aparelhos similares aos aparelhos de
raios x convencionais com a diferença que os elétrons são acelerados
por meio de uma onda elétrica de alta frequência, adquirindo altas
velocidades ao longo de um tubo retilíneo. Os elétrons ao se
chocarem com o alvo, transformam a energia cinética adquirida em
calor e raios x com altas energias cujo valor dependerá da aplicação.
Para uso industrial em geral são usados aparelhos capazes de gerar
raios x com energia máxima de 4 Mev.
Os aceleradores lineares são aparelhos destinados a inspeção de
componentes com espessuras acima de 100 mm de aço.
As vantagens do uso desses equipamentos de grande porte, são:
foco de dimensões reduzidas (menor que 2 mm)
tempo de exposição reduzido
maior rendimento na conversão em raios x
Estes equipamentos não são portáteis e necessitam de instalação
adequada, tanto do ponto de vista de movimentação do aparelho
como das espessuras das paredes de concreto requeridas, que
podem alcançar cerca de 1 metro.
Acelerador linear industrial,
para radiografias de peças
com espessuras acima de
100 mm de aço. Projetado
para produzir um feixe de
radiação de 4 Mev, com
ponto focal bastante
reduzido.
Mecanismo de arrefecimento (resfriamento)
por circulação de óleo;
a gás (torna-os mais leves);
por ventiladores internos;
por circulação forçada de água;
por dissipação do calor por indução pelo corpo do
ânodo.
Conformação do ânodo (tipos)
ânodo fixo, com angulação e produção de feixes
unidirecionais de 90°.
ânodo giratório, em forma de cone com feixe de 360°
panorâmico (geralmente utilizados em tubulações).
Observação: cada conformação (tipo) de ânodo tem
sua particularidade quanto ao ensaio, relacionado ao tipo
de feixe.Ânodo fixo com feixe unidirecional de 90°
Ânodo fixo com feixe unidirecional de 90°
Ânodo fixo com feixe unidirecional de 90°
Ânodo em forma de cone com feixe panorâmico de 360°
Filme radiográfico
(interno)
Filme radiográfico
(externo)
Tubulação
Aberta
Unidade geradora
Feixe unidirecional
90°
Unidade geradora
Feixe unidirecional
90°
Exemplos de aplicabilidade do END por RX industrial
Tubulação
Aberta
Unidade geradora
Feixe panorâmico
360°
Filme radiográfico
(externo)
Filme radiográfico
(externo)
Técnicas para execução do END radiográficos
Técnica de parede simples: o feixe de raios x atravessa
uma única parede, sensibilizando o filme radiográfico (PS).
Tubulação
Aberta
Unidade geradora
Feixe unidirecional
90°
Unidade geradora
Feixe unidirecional
90°
Filme radiográfico
(externo)
Filme radiográfico
(interno)
Técnica parede dupla vista simples: o feixe de raios x
atravessa duas paredes, demonstrando no filme a parede
mais próxima a ele (PDVS).
Tubulação
Fechada
Filme radiográfico
(externo)
Técnica parede dupla vista dupla: o feixe de raios x
atravessa três paredes, demonstrando no filme as duas
paredes mais próxima a ele (PDVD).
Tubulação
Fechada
Filme radiográfico
(externo)
Solda
Unidade geradora
Feixe unidirecional
de 90° com angulação
Técnica da sobreposição: utiliza se dois ou mais
filmes para cobrir a área de um objeto radiografado.
Deve-se numerar os filmes, seguindo uma ordem
cronológica dos mesmos, para posterior apresentação e
interpretação das imagens.
Sobreposição dos
filmes radiográficos
Técnica da sobreposição
Técnica de Parede Simples (PSVS)
Técnica Radiográfica Panorâmica numa solda entre cilindro fundo
de um vaso de pressão. Observe as marcações das posições dos
filmes radiográficos ao redor da solda na foto do lado esquerdo e a
posição da fonte no interior do vaso na foto do lado direito.
Esta técnica constitui um caso particular da técnica de parede
simples vista simples descrita acima , mas que proporciona alta
produtividade em rapidez num exame de juntas soldadas
circulares com acesso interno.
Exposição Panorâmica
Técnica de:
Parede dupla vista simples {PDVS} (A)
Parede dupla vista dupla {PDVD} (B)
Arranjo radiográfico na técnica PDVD
IQI – indicador de qualidade da imagem
Os penetrômetros ou indicadores de qualidade de
imagem IQI, são dispositivos (lâminas de uma ou várias
espessuras, ou fios de diversos diâmetros), colocados em
evidência sobre a peça, para verificar a sensibilidade
radiográfica, isto é, a nitidez desses dispositivos na
radiografia.
O penetrômetro deve ser posicionado ao lado da solda a ser
radiografada (estudada) onde incidira 0 feixe de radiação,
quando não for possível, será posicionado do lado oposto e
deve ser colocado um identificador de chumbo com a letra
“F”, indicando que está do lado oposto a incidência do feixe
de raios x.
O IQI é usado para avaliar a sensibilidade da imagem obtida
na radiografia;
Penetrômetros
Os Chassis Industriais
I. Rígido (como no raios x convencional)
II. Flexíveis
O chassis para armazenar o filme para a exposição é
fabricado na forma de um envelope plástico duplo reforçado,
flexível para acompanhar a curvatura ou irregularidades da
peça a ser inspecionada. Os tamanhos padrão são iguais aos
dos filmes.
Dentro chassis é inserido as telas intensificadoras de imagem
e no meio o filme. O chassis é fechado com fita adesiva para
evitar a entrada de luz.
Tamanhos dos chassis e películas
3,5” x 17”
4,5” x 17”
14” x 17”
Chassis flexível
Classificação dos filmes (películas radiográficas)
Os filmes são classificados quanto:
Resolução sinal ruído (RSR);
Velocidade;
Quantidade de cristais de prata na emulsão
Classe I
Filme lento;
[ ] de cristais de prata;
Quantidade de mAs (radiação).
Relação sinal ruído (RSR);
Filme mais caro
Classe III
Filme rápido;
[ ] de cristais de prata;
Quantidade de mAs (radiação).
Relação sinal ruído (RSR);
Filme mais barato.
Absorção da radiação em função da espessura
Absorção da radiação em função do tipo do material
Tensão Faixa de espessura
150 de 5 até 15 mm
250 de 4 até 40 mm
400 de 4 até 65 mm
1 Mev de 4 até 90 mm
2 Mev de 4 até 250 mm
4 Mev de 4 até 300 mm
Tabela Tensão (aparelho) x Espessura (da peça)
Observação: 5 mm é a espessura mínima da peça a ser
radiografada.
Processamento radiográfico
Processamento das imagens radiográficas:
Revelador;
Banho de parada;
Fixador;
Lavagem
Solução umectante; (quebra as moléculas de água, diminui
bolhas de ar na imagem);
Secagem.
Negatoscópio Industrial
Fatores que afetam a qualidade da imagem
Contaminação dos químicos;
Temperatura do revelador;
Concentração dos químicos (diluição);
Tempo de processamento da imagem;
Resíduos;
Manutenção da processadora (corretiva e preventiva);
Entre outros.
Foco óptico = colimação, quanto menor a colimação
melhor resolução na imagem;
Intensidade (mAs) = quanto maior a intensidade,
melhor a resolução espacial.
Gamagrafia 22 de fevereiro de 1999 01 de março de 1999
15 de março de 1999 03 de maio de 1999
Equipamentos industriais de raios gama
As fontes usadas em gamagrafia (radiografia por raiz gama),
requerem cuidados especiais de segurança, pois uma vez
ativadas emitem radiação constantemente.
Fazendo necessário uma blindagem da fonte quando a
mesma não estiver sendo utilizada.
Da mesma forma que se faz necessário a blindagem também
será preciso um mecanismo para expor a fonte quando ela
estiver sendo utilizada, este mecanismo denomina-se
"Irradiador".
Irradiador
Os irradiadores são compostos por três componentes
fundamentais.
I. Uma blindagem,
II. uma fonte radioativa,
III. um mecanismo para expor a fonte.
Foto ilustrativa do irradiador, tubo guia e cabo de comando
Ilustração irradiador, fonte, cabo e manivela
Irradiador
As blindagens podem ser construídas com diversos tipos de
materiais. Geralmente são construídos com um elemento de
chumbo ou urânio exaurido que permite proteção ao operador
a níveis aceitáveis para o trabalho, sendo contida dentro de
um recipiente externo de aço, que tem a finalidade de proteger
a blindagem contra choques mecânicos, incêndios e
inundações (evitando acidentes nucleares).
Uma característica importante dos irradiadores, no que diz
respeito à blindagem, é a sua capacidade.
Como sabemos, as fontes de radiação podem ser fornecidas
com diversas atividades e cada elemento radioativo possui
uma energia de radiação própria.
Assim cada blindagem é dimensionada para conter um
elemento radioativo específico, com uma certa atividade
máxima determinada.
Portanto, é sempre desaconselhável usar um irradiador
projetado para um determinado radioisótopo, com fontes
radioativas de elementos diferentes e com outras atividades.
Esse tipo de operação só pode ser feita por profissionais
especializados (CNEN) e nunca pelo pessoal que opera o
equipamento.
A fonte radioativa consta de uma determinada quantidade de
um isótopo radioativo. Essa massa de radioisótopo é
encapsulada e lacrada dentro de um pequeno envoltório
metálico muitas vezes denominado "porta-fonte" ou “torpedo”
devido a sua forma, ou fonte selada, simplesmente. O porta-
fonte se destina a impedir que o material radioativo entre em
contato com qualquer superfície, ou objeto, diminuindo os
riscos de uma eventual contaminação radioativa.
Equipamentos de Raios Gama
São equipamentos portáteis, compostos por um irradiador e
acessórios , projetados a permitir a manipulação da fonte
radioativa à distância , com segurança , parafins de
gamagrafia industrial.
O irradiador , dispõe de uma blindagem , construída numa liga
metálica de urânio exaurido, mais eficiente que o chumbo,
pesando em torno de 30 kg. Para a condução da fonte, o
equipamento é dotado de conduítes metálicos em forma de
espiral , flexíveis e resistentes (tubo guia) , que são conectados
na parte frontal do irradiador. O controle do conjunto fonte e
conexão (porta-fonte) é feito através de um cabo de aço
reforçado, conectado ao comando.
Todos esses acessórios (tubo guia e cabo de comando) são
acionados mecanicamente e manualmente o que torna simples
sua operação, dispensando energia elétrica para seu
funcionamento.
Operação de conexão da fonte (tubo guia)
Operação de conexão e trava do cabo de comando
Esquema de um irradiador gama
Procedimentos
Antes do procedimento isolar e sinalizar a área;
Selecionar tempo de exposição (processo espontâneo);
Ficar distante da fonte (cabos);
Principais radioisótopos utilizados
Cobalto 60
meia vida de 5,24 anos;
faixa de utilização mais efetiva de 60 a 200 mm de aço;
Energia da Radiação de 1,17 a 1,3 MeV.
Irídio 192
meia vida de 74,4 dias;
faixa de utilização mais efetiva de 10 a 40 mm de aço;
Energia da Radiação de 0,137 a 0,65 MeV.
Selênio 75
meia vida de 119 dias;
faixa de utilização mais efetiva de 04 a 30 mm de aço;
Energia das Radiações de 0,006 a 0,405 MeV.
Irradiadores gama
Prof. Marcelo