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ALCOOLISMO 
CLASSIFICAÇÃO DO CONSUMO: 
 
CID - 10 
 PACIENTE COM USO NOCIVO DE ÁLCOOL: 
- Dano real à saúde mental do usuário 
- Intoxicação aguda ou a “ressaca”, isoladamente, não é evidência suficiente de dano à saúde. 
 PACIENTES DEPENDENTES DO ÁLCOOL: 3 OU MAIS DOS REQUISITOS DURANTE O ANO ANTERIOR: 
- Forte desejo ou senso de compulsão para consumir bebidas alcoólicas. 
- Dificuldades de controlar o comportamento de beber em termos de seu início, término ou níveis de 
consumo. 
- Estado de abstinência fisiológico. 
- Aumento da tolerância 
- Abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos 
- Persistência no uso da bebida, independente das manifestações nocivas. 
 
 
OMS 
- Consumo de risco: padrão de consumo que aumenta o risco de consequências adversas à saúde caso o 
hábito persista. Mulheres: 20 a 40g. Homens: 40 a 60g. 
- Consumo prejudicial: consumo com prejuízos concretos para a saúde física e mental da pessoa. Mulheres: 
40g. Homens: 600g. 
- Consumo excessivo episódico: acarreta repercussões em problemas específicos de saúde. Mínimo de 60g. 
- A dependência do álcool é um conjunto de fenômenos cognitivos e fisiológicos em que o uso do álcool se 
torna prioritário para a vida do indivíduo. 
 
 
 
 
O QUE FAZER: 
ANAMNESE: 
- Identificado o uso do álcool, a investigação tem de ser aprofundada o suficiente para se determinar o padrão 
atual do consumo (quantidade, frequência e repercussões na vida da pessoa), além de investigar história 
pregressa e familiar. 
- Questionário CAGE é utilizado como triagem. Duas ou mais respostas positivas indicam o uso abusivo do 
álcool. 
 
EXAME FÍSICO: 
- É importante estar atento a alguns achados, como tremores, telangectasias e elevação da PA. 
 
EXAMES COMPLEMENTARES: 
- Cerca de 90% dos alcoolistas têm macrocitose (aumento do VCM) antes mesmo de a anemia aparecer. 
- A elevação de GamaGT é um inidicador precoce da disfunção hepática 
- Aumento de AST/TGO comparada com a ALT/TGP. 
- O uso do álcool pode estar associado a comportamentos sexuais de risco, o rastreamento para as infecções 
sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV, sífilis e hepatites B e C, deve ser oferecido ao indivíduo 
 
 
CONDUTA: 
- Tratamento preventivo sempre serão a primeira escolha de abordagem. 
- Para pacientes com problemas de uso crônico, o tratamento deve ser ofertado em níveis crescentes de 
intensidade, restrições e custos. 
- O compartilhamento do cuidado e a construção de PTS, apoio do NASF e Rede de Atenção psicossocial são 
importantes estratégias para lidar com casos complexos. 
ABORDAGEM PSICOSSOCIAL: 
A intervenção breve é uma estratégia de abordagem estruturada por seis elementos reconhecidos pela sigla 
FRAMES. 
F – Feedback: resumo das avaliações feitas até o momento. 
R – Responsibility: ênfase na responsabilidade pessoal do paciente pela mudança. 
A – Advice: recomendações claras para que o paciente modifique os hábitos. 
M – Menu of options: apresentação de um menu de opções para mudança. 
E – Empathy: empatia. 
S – Self- efficacy: reforço da autoeficácia. 
 
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO: 
- Atua como papel coadjuvante. Seu efeito principal não é alcançar a abstinência, mas julgar na sua manutenção 
e na prevenção de recaídas. 
- Naltrexona, Dissulfiram e Acamprosato são as principais medicações para o tratamento farmacológico do uso 
abusivo do álcool. 
 DISSULFIRAM: indicado para os usuários que necessitam alcançar a abstinência, porém, não é 
recomendado para aqueles que desejam o consumo moderado na estratégia de redução de danos. 
- Inibe o aldeído-desidrogenase e, quando usado associado ao álcool, aumenta os níveis de acetaldeído, 
provocando reações desagradáveis, como palpitações, rubor, náuseas e vômito (efeito antabuse). 
 NALTREXONA: indicada quando se deseja alcançar o consumo moderado, e a abstinência não é necessária. 
- É antagonista opioide utilizado na dose habitual de 50-100mg/ dia, com duração de 3 a 4 meses, e pode 
estender-se de acordo com cada caso. É necessário o acompanhamento da função hepática. 
 
 ACAMPROSATO: indicado para reduzir os sintomas da abstinência. 
- É um coagonista de receptores de glutamato, e não apresenta efeitos no humor, na concentração, na atenção 
e no desempenho psicomotor. 
- A dose habitual varia entre 1300-2000 mg/dia, divididos em 3 tomadas, por um período de 3 a 12 meses. 
 Deve-se analisar a necessidade do uso de antidepressivos e ansiolíticos para a redução de sintomas 
psíquicos, pois podem contrinuir para diminuição do desejo de consumo. 
- Há novos fármacos que se mostram promissores no tratamento do uso abusivo do álcool. Anticonvulsantes, 
como o topiramato e gabapentina, podem reduzir o consumo do álcool em pessoas dependentes, inclusive na 
fase de síndrome de abstinência. O baclofeno pode ser eficaz pra manutenção da abstinência em pessoas com 
cirrose alcoólica. 
QUANDO REFERENCIAR: 
- Quando não há recursos suficientes para oferecer o cuidado necessário à pessoa com transtorno de uso de 
álcool, é necessário referenciar um serviço especializado. Como referência, há o CAPS-AD. 
 
PROGNÓSTICO E COMPLICAÇÕES: 
- As principais complicações físicas que acarretam maior morbimortalidade são as doenças hepáticas, como a 
cirrose, e as psiquiátricas, como transtornos de humor, que podem levar ao suicídio. São também complicações 
do álcool: 
1) Cardiovasculares: hipertensão, cardiopatia isquêmica, arritmias e miocardiopatias. 
2) Gastrintestinais: desnutrição, hipovitaminose, diarreia crônica, pancreatite, hepatite alcoólica, cirrose, 
insuficiência hepática, gastrite aguda, cânceres gástrico, esofágico e hepático, refluxo esofágico e esôfago de 
Barret. 
3) Neuropsiquiátricas: delirium tremens, convulsões, cefaleia, distúrbios do sono, déficit de memória, 
neuropatia periférica e transtornos psiquiátricos.

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