Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1. Discutir os impactos em saúde pública 
devido ao uso de álcool 
 O consumo de álcool representa um dos 
principais desafios de saúde pública no 
mundo, devido à sua ampla prevalência, 
potencial de causar dependência, e forte 
associação com morbimortalidade. De acordo 
com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 
o álcool está diretamente relacionado a mais 
de 200 doenças e lesões, sendo um dos 
principais fatores de risco evitáveis de morte 
precoce. 
 
1. Carga global de doença atribuída ao álcool 
O álcool contribui significativamente para a 
carga global de doenças, sendo responsável 
por: 
• 3 milhões de mortes por ano no mundo 
(5,3% de todas as mortes); 
• Altas taxas de anos de vida perdidos 
por incapacidade (DALYs), 
especialmente entre jovens adultos; 
• Aumento de risco para mais de 60 
tipos de doenças crônicas, como 
doenças hepáticas (ex: cirrose 
hepática alcoólica), cânceres (boca, 
esôfago, fígado, mama), doenças 
cardiovasculares e transtornos 
mentais. 
 
2. Violência e acidentes 
O consumo abusivo de álcool está fortemente 
relacionado a comportamentos de risco: 
• Acidentes de trânsito, sendo um dos 
principais fatores evitáveis de morte 
no trânsito. 
• Violência interpessoal e doméstica, 
inclusive contra crianças e mulheres. 
• Suicídios e comportamento autolesivo, 
especialmente em contextos de 
intoxicação aguda e comorbidades 
psiquiátricas. 
 
3. Impactos socioeconômicos 
• Custos elevados para os sistemas de 
saúde, com hospitalizações, 
reabilitações e tratamento de 
comorbidades. 
• Perda de produtividade no trabalho e 
aumento do absenteísmo. 
• Sobrecarga dos sistemas de justiça 
criminal e assistência social. 
 
4. Álcool e saúde mental 
• O uso crônico de álcool está 
relacionado a diversos transtornos 
mentais, como: 
• Transtornos por uso de substância 
(dependência alcoólica); 
• Transtornos de humor e ansiedade; 
• Síndromes psicóticas induzidas por 
álcool e quadros de abstinência (ex: 
delirium tremens). 
 
5. Vulnerabilidades específicas 
• Adolescentes e jovens: maior 
vulnerabilidade aos efeitos 
neurotóxicos do álcool, risco 
aumentado de dependência precoce e 
comprometimento cognitivo. 
• Gestantes: risco de Síndrome Alcoólica 
Fetal, com impactos neurológicos e 
comportamentais irreversíveis. 
• Pessoas em situação de 
vulnerabilidade social: maior exposição 
ao consumo abusivo como forma de 
enfrentamento a dificuldades 
socioeconômicas. 
 
6. Estratégias de saúde pública para 
redução de danos 
• Políticas de controle do consumo: como 
restrição de publicidade, aumento de 
impostos, controle de pontos de venda 
e limites legais de álcool no sangue 
para motoristas. 
• Educação e conscientização: 
campanhas públicas sobre os riscos do 
álcool e programas educativos em 
escolas e universidades. 
Transtorno de Déficit de Atenção 
Problema 5 – Alterações Comportamentais 
OBJETIVOS 
• Intervenções breves em unidades de 
saúde: triagem sistemática para uso 
de risco e oferta de orientações 
durante atendimentos médicos. 
• Tratamento e reabilitação: acesso 
ampliado a serviços especializados em 
saúde mental e dependência química. 
 
Conclusão 
 O uso de álcool é um problema de saúde 
pública complexo e multifacetado. Suas 
consequências vão além da saúde individual, 
impactando comunidades, sistemas de saúde, 
produtividade econômica e segurança 
pública. A atuação médica deve aliar 
abordagem clínica individual com 
compreensão dos determinantes sociais e 
políticas públicas, visando à prevenção, 
redução de danos e reabilitação dos 
pacientes afetados. 
 
2. Elucidar os conceitos e características 
clínicas do Transtorno por Uso de Álcool 
Conceito e Características Clínicas 
 O Transtorno por Uso de Álcool (TUA) é 
uma condição psiquiátrica crônica e 
recorrente, caracterizada por um padrão 
problemático de consumo de álcool que leva 
a prejuízos clínicos e funcionais 
significativos. Esse transtorno é classificado 
no DSM-5 dentro da categoria dos 
transtornos relacionados ao uso de 
substâncias. 
 
1. Conceito segundo o DSM-5 
 O TUA é definido pela presença de pelo 
menos 2 dos 11 critérios diagnósticos dentro 
de um período de 12 meses. Esses critérios 
abrangem aspectos comportamentais, 
fisiológicos e psicossociais. 
 
Critérios diagnósticos do DSM-5 (resumidos): 
• Uso em quantidades maiores ou por 
mais tempo do que o pretendido. 
• Desejo persistente ou esforços 
malsucedidos para reduzir ou controlar 
o uso. 
• Muito tempo gasto para obter, usar ou 
recuperar-se dos efeitos do álcool. 
• Craving (forte desejo ou urgência de 
usar). 
• Prejuízo no cumprimento de 
obrigações (trabalho, escola, lar). 
• Uso contínuo apesar de problemas 
interpessoais ou sociais. 
• Abandono de atividades importantes 
em função do uso. 
• Uso em situações fisicamente 
perigosas (ex: dirigir alcoolizado). 
• Uso contínuo apesar de problemas 
físicos ou psicológicos causados ou 
agravados pelo álcool. 
• Tolerância (necessidade de doses 
maiores ou efeito diminuído). 
• Sintomas de abstinência (ex: tremores, 
insônia, ansiedade, convulsões). 
 
2. Classificação da gravidade 
A gravidade do TUA é classificada de acordo 
com o número de critérios preenchidos: 
• Leve: 2 a 3 critérios. 
• Moderado: 4 a 5 critérios. 
• Grave: 6 ou mais critérios. 
 
3. Características clínicas 
O quadro clínico do TUA pode variar conforme 
a intensidade do uso e a presença de 
comorbidades. Algumas manifestações 
comuns incluem: 
• Alterações cognitivas e 
comportamentais: desinibição, 
agressividade, prejuízo da atenção e 
da memória. 
• Comprometimento físico: doenças 
hepáticas (hepatite alcoólica, cirrose), 
gastrite, hipertensão arterial, 
neuropatia periférica. 
• Quadros psiquiátricos associados: 
depressão, ansiedade, transtornos do 
sono, risco de suicídio. 
• Síndrome de abstinência alcoólica: 
tremores, sudorese, insônia, 
alucinações, ansiedade e, em casos 
graves, convulsões e delirium tremens. 
 
4. Curso clínico e prognóstico 
 O TUA apresenta curso crônico e 
recidivante, com períodos de remissão e 
recaída. O prognóstico melhora com 
tratamento adequado e suporte psicossocial. 
A motivação para mudança é um fator chave 
no manejo do transtorno. 
 
5. Considerações neurobiológicas 
 O álcool atua principalmente sobre os 
sistemas GABAérgico e dopaminérgico, 
promovendo efeitos ansiolíticos e de 
recompensa. Com o uso crônico, ocorrem 
alterações neuroadaptativas que favorecem 
a tolerância, a dependência e os sintomas de 
abstinência. 
 
Conclusão 
 O Transtorno por Uso de Álcool é uma 
condição multifatorial que demanda avaliação 
cuidadosa e abordagem terapêutica 
multidisciplinar. O reconhecimento precoce 
dos sinais e sintomas, aliado ao entendimento 
dos critérios diagnósticos, é essencial para 
que o futuro médico atue de forma eficaz na 
prevenção, diagnóstico e tratamento dessa 
condição altamente prevalente e impactante. 
 
3. Conhecer o conceito e aplicação cotidiana 
dos estágios motivacionais de DiClemente e 
Prochaska 
Estágios Motivacionais de DiClemente e 
Prochaska: Conceito e Aplicação na Prática 
Médica 
 O Modelo Transteórico de Mudança de 
Comportamento, desenvolvido por James 
Prochaska e Carlo DiClemente, descreve a 
mudança comportamental como um processo 
dinâmico e contínuo, que ocorre em 
diferentes estágios motivacionais. Esse 
modelo é amplamente utilizado na medicina, 
especialmente nas áreas de atenção primária, 
saúde mental, dependência química e doenças 
crônicas, pois permite ao profissional de 
saúde adaptar sua abordagem conforme a 
prontidão do paciente para mudar. 
 
1. Conceito dos Estágios de Mudança 
 O modelo propõe seis estágios 
motivacionais, pelos quais o indivíduo pode 
transitar ao tentar modificar um 
comportamento prejudicial: 
 
1. Pré-contemplação 
 O paciente não reconhece que há um 
problema ou não considera a mudança. 
 Pode estar desinformado, desmotivado ou 
resignado. 
 Aplicação clínica: escuta ativa e ofertade informações educativas sem julgamento. 
O objetivo é plantar uma semente de 
reflexão. 
 
2. Contemplação 
 O paciente reconhece que há um 
problema e pensa em mudar, mas ainda está 
ambivalente. 
 Sabe dos prejuízos, mas também percebe 
vantagens no comportamento atual. 
 Aplicação clínica: explorar prós e 
contras da mudança, acolher a ambivalência 
e estimular o insight. O profissional deve 
ajudar a reforçar os motivos para mudar. 
 
3. Preparação 
 O paciente decidiu mudar e está se 
organizando para isso. 
 Pode começar a traçar metas e buscar 
apoio. 
 Aplicação clínica: ajudar a elaborar um 
plano de ação realista, com metas específicas 
e estratégias para lidar com obstáculos. 
 
4. Ação 
 O paciente inicia efetivamente a 
mudança do comportamento. 
 Pode enfrentar dificuldades e risco de 
recaídas. 
 Aplicação clínica: oferecer apoio ativo, 
reforço positivo, acompanhamento próximo e 
ajustes no plano quando necessário. 
 
5. Manutenção 
 O novo comportamento foi incorporado e 
mantido por mais de 6 meses. 
 O foco agora é evitar recaídas. 
 Aplicação clínica: fortalecer a 
autoestima do paciente, reforçar os ganhos 
obtidos e manter estratégias de 
enfrentamento. 
 
6. Recaída 
 Ocorre quando o paciente retorna ao 
comportamento anterior. 
 É uma fase comum e não deve ser vista 
como fracasso. 
 Aplicação clínica: acolher o paciente, 
evitar julgamentos, reavaliar o que motivou 
a recaída e reengajar o paciente no processo. 
 
2. Aplicação Cotidiana na Prática Médica 
O uso dos estágios motivacionais é 
especialmente útil em: 
• Entrevistas clínicas em atenção 
primária, ao abordar tabagismo, 
alcoolismo, obesidade, sedentarismo e 
adesão a tratamentos. 
• Estratégias de prevenção de recaídas 
em transtornos por uso de substâncias. 
• Aconselhamento breve motivacional 
(brief intervention), que se adapta ao 
estágio do paciente e aumenta a 
eficácia da intervenção. 
• Relacionamento médico-paciente, ao 
construir uma abordagem centrada no 
indivíduo, respeitando seu tempo e 
suas motivações. 
 
Conclusão 
 O conhecimento dos estágios 
motivacionais de DiClemente e Prochaska 
permite ao profissional de saúde personalizar 
suas intervenções de acordo com o nível de 
prontidão do paciente, tornando a 
comunicação mais eficaz e aumentando a 
chance de mudanças sustentáveis. Essa 
abordagem respeita a autonomia do paciente 
e promove um cuidado mais humano, ético e 
centrado na pessoa. 
 
4. Debater estratégias de manejo clínico 
para Transtorno por Uso de Álcool e 
intoxicação por álcool; 
 O álcool é a substância psicoativa mais 
consumida no Brasil e no mundo, e seu uso 
problemático representa um desafio 
frequente na prática clínica. O manejo 
adequado exige uma abordagem ampla, que 
contemple desde o atendimento em situações 
agudas até intervenções para tratamento a 
longo prazo. 
 
1. Intoxicação por Álcool – Manejo Agudo 
A intoxicação alcoólica aguda é 
caracterizada por alterações 
comportamentais, cognitivas e motoras 
decorrentes do consumo recente de álcool, 
com prejuízos ao funcionamento social e 
ocupacional. 
 
Quadro clínico 
• Fala arrastada, desinibição, 
instabilidade emocional, marcha 
ataxia. 
• Náuseas, vômitos, hipotensão, 
hipoglicemia (em casos graves). 
• Em intoxicação grave: rebaixamento 
do nível de consciência, depressão 
respiratória, risco de coma e morte. 
• Condutas na urgência/emergência 
• Avaliação clínica e estabilização 
inicial: 
• Via aérea, respiração e circulação 
(ABC da emergência). 
• Monitoramento dos sinais vitais. 
• Avaliar nível de consciência (Escala de 
Glasgow). 
• Hidratação venosa com soro fisiológico 
ou glicosado (especialmente se houver 
hipoglicemia). 
• Suporte sintomático: antieméticos, 
controle da agitação com 
benzodiazepínicos se necessário. 
• Tiamina (vitamina B1) 100mg EV antes 
de glicose, para prevenir encefalopatia 
de Wernicke. 
• Encaminhamento: pacientes com 
intoxicação grave, ideação suicida, ou 
sem suporte familiar devem ser 
observados e avaliados por equipe de 
saúde mental. 
 
2. Transtorno por Uso de Álcool (TUA) – 
Abordagem Longitudinal 
Avaliação clínica 
• Entrevista motivacional para 
investigar o padrão de uso, 
consequências e estágio motivacional. 
• Aplicação de instrumentos de 
triagem: AUDIT (Alcohol Use 
Disorders Identification Test). 
• Avaliação de comorbidades médicas e 
psiquiátricas (depressão, 
hepatopatias, etc.). 
• Investigação do contexto social, rede 
de apoio e fatores de risco para 
recaída. 
• Estratégias de tratamento 
 
a. Intervenções psicossociais 
• Entrevista motivacional: técnica 
centrada no paciente que respeita 
seu estágio de mudança. 
• Terapias cognitivo-comportamentais 
(TCC): ajudam a identificar gatilhos e 
desenvolver estratégias de 
enfrentamento. 
• Grupos de apoio: Alcoólicos Anônimos 
(AA), grupos terapêuticos e apoio 
familiar. 
 
b. Tratamento farmacológico 
• Indicado principalmente em pacientes 
com TUA moderado a grave. 
• Disulfiram (Antietanol): 
• Inibe a enzima acetaldeído 
desidrogenase, causando reação 
adversa ao álcool. 
• Requer alta motivação e adesão. 
 
Naltrexona: 
• Antagonista opioide; reduz o desejo 
(craving) e o consumo. 
• Pode ser usado em pacientes que 
continuam bebendo, mas desejam 
reduzir. 
 
Acamprosato: 
• Modula a neurotransmissão 
glutamatérgica; útil na manutenção 
da abstinência. 
• Seguro e bem tolerado. 
 
Benzodiazepínicos: 
• Usados no manejo da síndrome de 
abstinência alcoólica, especialmente 
com risco de convulsões ou delirium 
tremens. 
• Ex: diazepam, lorazepam. 
 
c. Acompanhamento multiprofissional 
• Inclusão de psicólogos, assistentes 
sociais, terapeutas ocupacionais e 
médicos de família/psiquiatras. 
• Estratégias de redução de danos, 
quando a abstinência não é possível 
de imediato. 
• Monitoramento contínuo para 
prevenção de recaídas. 
 
3. Considerações éticas e sociais 
• A abordagem deve ser livre de 
estigmas, acolhedora e centrada no 
paciente. 
• Importante avaliar a vulnerabilidade 
social, violência, desemprego e 
ausência de suporte familiar. 
• O respeito à autonomia do paciente e 
a construção de vínculo terapêutico 
são essenciais para o sucesso do 
tratamento. 
 
Conclusão 
 O manejo clínico do Transtorno por Uso 
de Álcool e da intoxicação alcoólica exige 
atuação técnica, sensibilidade clínica e 
trabalho em equipe. Identificar 
precocemente os sinais de risco, aplicar 
estratégias eficazes e acompanhar o 
paciente de forma empática pode 
transformar o curso da doença, melhorar a 
qualidade de vida e reduzir os impactos 
sociais e de saúde pública associados ao 
álcool. 
 
5. Compreender a síndrome de abstinência 
alcoólica e seu manejo 
 A síndrome de abstinência alcoólica 
(SAA) é um conjunto de sinais e sintomas que 
surgem após a redução ou interrupção 
abrupta do uso de álcool em indivíduos com 
consumo crônico e prolongado. O 
reconhecimento precoce e o manejo adequado 
da SAA são fundamentais, pois a condição 
pode variar de leve a potencialmente fatal. 
 
1. Fisiopatologia 
 O álcool atua como depressor do sistema 
nervoso central, principalmente por meio da 
potenciação do GABA (inibitório) e da inibição 
do glutamato (excitador). Com o uso crônico, 
o cérebro se adapta reduzindo receptores 
GABA e aumentando receptores 
glutamatérgicos. Quando o álcool é retirado, 
o sistema nervoso fica em 
hiperexcitabilidade, o que gera os sintomas 
da abstinência. 
 
2. Quadro Clínico 
Os sintomas variam de acordo com a 
gravidade e o tempo desde a última ingestão 
de álcool: 
 
a. Sintomas leves (6–12h após a última 
dose) 
• Tremores 
• Sudorese 
• Taquicardia 
• Ansiedade 
• Náuseas 
• Irritabilidade 
• Insônia 
 
b. Sintomas moderados a graves (12–48h) 
• Alucinações (geralmente visuais) 
• Agitação 
• Confusão mental 
• Hipertermia 
• Hipertensão 
 
c. Complicações graves 
• Crises convulsivas (12–48h): tônico-
clônicas generalizadas, geralmenteúnicas. 
• Delirium tremens (48–72h): forma 
mais grave, com delirium, agitação 
intensa, alucinações, instabilidade 
autonômica e risco de morte. 
 
3. Diagnóstico 
É clínico, baseado na história de uso crônico 
de álcool e sintomas típicos. Pode ser 
utilizado o CIWA-Ar (Clinical Institute 
Withdrawal Assessment for Alcohol, revised), 
escala que avalia a gravidade da SAA e 
orienta o tratamento. 
 
4. Manejo Clínico 
a. Avaliação e suporte inicial 
• Monitorar sinais vitais, nível de 
consciência, hidratação e eletrólitos. 
• Garantir ambiente calmo, seguro e 
com supervisão contínua. 
• Iniciar vitamina B1 (tiamina 100mg 
EV) antes da glicose para prevenir 
encefalopatia de Wernicke. 
 
b. Tratamento medicamentoso 
• A base do tratamento são os 
benzodiazepínicos, que atuam no 
receptor GABA, ajudando a restaurar 
o equilíbrio neuroquímico: 
• Diazepam ou lorazepam (oral ou EV), 
conforme a gravidade. 
 
Esquemas: 
• Dose fixa: indicado em casos 
moderados a graves. 
• Sintoma-orientado (CIWA-Ar): 
benzodiazepínico é administrado 
conforme os sintomas. 
• Outros medicamentos adjuvantes: 
• Antipsicóticos (ex: haloperidol): 
usados com cautela, apenas se houver 
agitação psicótica. 
• Anticonvulsivantes: em casos de 
convulsões repetidas. 
• Betabloqueadores ou clonidina: para 
sintomas autonômicos, como 
hipertensão grave (usados com 
cautela). 
 
c. Hidratação e suporte nutricional 
Hidratação venosa com solução isotônica. 
Suplementação com tiamina, piridoxina (B6), 
ácido fólico e polivitamínicos. 
 
5. Prevenção de Recaídas e Encaminhamento 
Após a estabilização clínica: 
Encaminhar para serviço de saúde mental e 
reabilitação. 
Considerar uso de medicamentos para 
manutenção da abstinência (naltrexona, 
acamprosato). 
Avaliar comorbidades clínicas e 
psiquiátricas. 
Envolver a família e trabalhar o apoio 
psicossocial. 
 
Conclusão 
A síndrome de abstinência alcoólica é uma 
emergência médica potencialmente grave, 
mas tratável. O manejo adequado exige 
raciocínio clínico, monitoramento rigoroso e 
tratamento farmacológico baseado em 
evidências. Além disso, é essencial integrar 
cuidados contínuos que envolvam o paciente 
de forma ampla, considerando os aspectos 
biopsicossociais do transtorno por uso de 
álcool.

Mais conteúdos dessa disciplina